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O ESCÂNDALO DO SHEIK – Lucy Monroe

O sheik

Sayed se hospeda no

exclusivo e suntuoso Hotel Chatsfield de Londres antes da última parada

em seu roteiro pré-nupcial.

Entretanto,

quando

o

noivado

é

escandalosamente

rompido,

Sayed

dirige

o

olhar

para a atraente

camareira!

Liyah

Amari

havia

aceitado o emprego somente com o intuito de descobrir a verdade sobre seu pai biológico. A busca termina em decepção e mágoas, deixando-a

vulnerável aos desejos do sheik. E a

única noite de

paixão à

qual

se

permitiu

traz

consequências

que

poderão abalar a honra de Sayed!

A LIÇÃO DE UM PLAYBOY –

Melanie Milburne

Lucca Chatsfield tem um lema bem

simples: sem aliança,

sem

 

compromisso.

Idolatrado

pelas

mulheres,

ele

sabe

muito bem

o

quanto

seu

poder

de

sedução

é

irresistível. Até viajar para a ilha de Preitalle e ser apresentado ao maior

desafio

de

sua

vida…

Esbelta

e

polida, a princesa Charlotte não é

afeita a dramas. A última pessoa que ela precisa interferindo em sua vida é um playboy irresponsável.

Lottie fará de tudo para resistir

à

sedução de Lucca, mas falta muito pouco para arriscar sua reputação apenas por uma leve carícia…

polida, a princesa Charlotte não é afeita a dramas. A última pessoa que ela precisa interferindo
polida, a princesa Charlotte não é afeita a dramas. A última pessoa que ela precisa interferindo

Faz 10

anos que a Harlequin

começou uma nova etapa em sua longa história editorial ao prestigiar a leitora brasileira com um escritório no Brasil, exclusivamente dedicado à publicação de suas séries e autoras de maior sucesso. Um mundo fantástico de amor, aventura, paixão, desejo, intrigas, escândalos e redenção passou a estar disponível nas bancas de jornal de todas as regiões. Durante o percurso, fomos beneficiados com muitos aprendizados, quase sempre

vindos

de

leitoras

fiéis

cujas

sugestões foram decisivas para

o

sucesso

desse

empreendimento.

Hoje,

depois

de

quase

3.000

edições,

nos

sentimos

gratificados

por

comemorar

essa

primeira

década com vocês!

Boa leitura!

Equipe Editorial Harlequin

vindos de leitoras fiéis cujas sugestões foram decisivas para o sucesso desse empreendimento. Hoje, depois de

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Bem-vindo ao hotel mais glorioso do mundo, cujos clientes são extremamente ricos e famosos.

Seja nos Estados Unidos, na Austrália, na Europa ou em Dubai, nossas portas estarão sempre abertas para recebê-lo.

Hotel Chatsfield

Sofisticação, desejo… e escândalos!

Por muitos anos, os filhos de Gene Chatsfield chocaram a mídia global com suas façanhas. Mas chega! Quando Gene indica Christos Giatrakos como o novo CEO, com o intuito de pôr as

crianças na linha, mal sabia a reação que estava desencadeando.

A primeira ordem de Christos é espalhar os Chatsfield por todos os seus domínios internacionais – de Las Vegas a Montecarlo, de Sidney a São Francisco… mas será que esses herdeiros estão a altura do desafio imposto por um homem que carrega tantos segredos obscuros em seu passado?

Que o jogo comece!

Seu quarto já foi reservado, faça o check-in e aproveite toda paixão e escândalo que temos a oferecer!

Lucy Monroe Melanie Milburne

HOTEL CHATSFIELD 1 de 4

Tradução

Leandro Santos

Lucy Monroe Melanie Milburne HOTEL CHATSFIELD 1 de 4 Tradução Leandro Santos 2015

2015

SUMÁRIO

O escândalo do sheik A lição de um playboy

– Preciso voltar a Zeena Sahra. Os atos de Tahira terão extensas consequências para nosso país.

Mesmo

se

sentindo

indescritivelmente abandonada ao pensar na partida dele, Liyah assentiu. – Entendo. – Ótimo. É uma infelicidade que não poderá cumprir seu aviso prévio, mas é

fortuito o fato de já estar planejando ir embora.

– Como?

Por que

não vou cumprir

meu aviso prévio? – Eu já disse, precisamos partir para Zeena Sahra imediatamente.

– Disse que você precisava ir. – Naturalmente, você precisará ir comigo. – Por quê? – Você pode estar carregando meu filho. – Mas não sabemos. – E, até sabermos, você ficará sob minha proteção e meus cuidados.

Lucy Monroe

O ESCÂNDALO DO SHEIK

Tradução

Leandro Santos

Sobre a autora

Lucy Monroe

Autora bestseller e premiada, Lucy Monroe vendeu sua primeira obra em setembro de 2002 para a Harlequin. Este livro representou a realização de um sonho: compartilhar histórias com leitoras que amam romance tanto quanto ela. Desde então, Lucy publicou mais de trinta títulos que figuraram nas listas de bestsellers nos Estados Unidos e na Inglaterra. Contudo, o que mais a emociona até hoje são as cartas que recebe das leitoras. O principal objetivo

de

Lucy é

tocar o coração das pessoas

com suas narrativas,

e

saber que

conseguiu alcançá-lo faz valer à pena

todas

as

noites

passadas

em

claro

escrevendo.

Para minha editora, Suzanne Clarke. Sempre é um pouco assustador mudar de editor, mas você fez com que fosse uma experiência maravilhosa e estou impressionada de como nossas visões criativas se completam. Também estou encantada em descobrir que pensamos igual até mesmo em áreas que não são relacionadas ao trabalho. Sinto que somos um time predestinado.

Capítulo 1

LIYAH

AMARI,

que

não

ficava

impressionada com facilidade,

quase

parou para olhar, Chatsfield London.

boquiaberta,

o

A menina dos olhos do império

hoteleiro da família Chatsfield,

a

hospedaria preferida da elite europeia

era magnífica.

A propriedade de São Francisco, onde sua mãe trabalhara desde antes de Liyah nascer, era linda, mas nada comparada à opulência daquele hotel. Havia um ar frenético de expectativa e preparação que contrastava com o ambiente elegante. Uma camareira atravessava o saguão às pressas, enquanto outra polia as balaustradas da majestosa escadaria. Parecia que uma reunião improvisada estava acontecendo perto da mesa da recepção. Atrás da mesma, Liyah viu uma fileira de fotografias dos funcionários do Chatsfield London. Algo se apertou dentro de seu peito quando ela avistou

a imagem de Lucilla Chatsfield num dos quadros. Sendo uma dos Chatsfield que Liyah admirava e desejava poder conhecer, Lucilla era alta demais na hierarquia do hotel para que isso pudesse acontecer. Os práticos sapatos de Liyah não fizeram nenhum barulho enquanto ela atravessava o piso de mármore preto e branco, rumando diretamente para o elevador, como tinham lhe instruído a fazer. Um homem se postou diante dela. – Posso ajudá-la a encontrar alguém? O tom e a expressão dele eram educados, mas devia estar óbvio para ele que Liyah, com seu bem-ajustado,

mas conservador terninho de gabardina preta, não era uma hóspede. – Tenho um horário marcado com a sra. Miller. – Como era seu costume, Liyah estava 15 minutos adiantada para sua reunião com a governanta sênior. – Ah, você deve ser a camareira de Zeena Sahra. Não. A mãe dela fora a camareira de Zeena Sahra. – Conheço a cultura de Zeena Sahra, mas nasci nos Estados Unidos. Liyah fora contratada como camareira-supervisora do andar presidencial com serviços especiais de concierge, logo abaixo das suítes da cobertura. Tendo obrigações tanto na

área de organização e limpeza quanto na de hospitalidade, ela trabalharia em conjunto com a equipe de concierges numa nova iniciativa criada para aumentar a satisfação dos clientes. Seria um emprego muito mais gratificante para Liyah do que o de sua mãe fora durante quase três décadas, e Hena o teria aprovado efusivamente. – Sim, claro. O elevador fica por aqui. – O homem começou a andar. – Obrigada. Liyah ainda estava alguns minutos adiantada quando bateu na porta do escritório da governanta sênior. – Entre – disse a voz lá de dentro.

A sra. Miller era uma mulher alta e magra, usando uma versão mais séria do terninho de Liyah. – Estou feliz pela sua chegada, srta. Amari, mas espero que tenha vindo preparada para começar a trabalhar imediatamente – disse ela após as apresentações. – Sim, claro. – Ótimo. Seu andar foi reservado para o harém do sheik. – Como é? Um sheik de Zeena Sahra vai se hospedar aqui? – E precisava de um andar inteiro para seu harém? – Sim, o sheik bin Falah passará duas semanas conosco. A noiva dele chegará para a segunda semana.

Liyah conteve seu choque. – Sheik al Zeena, ou sheik bin Falah al Zeena, mas ele não pode ser chamado de sheik bin Falah. Seria uma ofensa. Liyah não sabia ao certo se devia ter corrigido sua chefe, mas imaginava que ela fora contratada justamente por ter aquele tipo de conhecimento. Ao menos agora ela entendia a necessidade de sua especialidade. O príncipe herdeiro de Zeena Sahra se hospedaria ali. Sendo provavelmente o homem mais lindo do mundo, ele poderia ser facilmente um playboy, andando com uma fileira de supermodelos. Contudo,

ele tinha a reputação de ser comedido e focado inteiramente em seus deveres como emir de Zeena Sahra. – Entendo. Vou deixar isso anotado. Imagino que se referir a ele como Alteza seja aceitável. – É, sim. Mas, pelo que li, como Zeena Sahra é um emirado, ele prefere o título de emir. – Por que não sabíamos disso? – É um detalhe. – Não – disse a sra. Miller. – Nada é detalhe nesta visita do sheik. Tudo deve ter nossa atenção absoluta. Do contrário, erros acontecem. Tudo precisa estar perfeito. – Vou dar o melhor de mim.

– Sim. Além de seus deveres de costume enquanto durar a visita do sheik, você também supervisionará pessoalmente a equipe de camareiras da suíte dele e dos cômodos adjacentes, ocupados pelos seguranças. Liyah não se importava. Prosperava quando encontrava desafios. Mesmo assim, fora bom ela ter se formado em Gestão de Hospitalidade. Também ajudava bastante o fato de ter limpado quartos no Chatsfield San Francisco durante as férias de verão no colégio e na faculdade. Depois de uma orientação um tanto confusa, durante a qual os funcionários que Liyah encontrara tinham lhe feito

muitas perguntas a respeito de Zeena

Sahra,

assim

como

Liyah

lhes

fizera

perguntas a

respeito

do

Chatsfield

London, ela retornou ao seu

apartamento recém-alugado. Do tamanho de um dormitório universitário, com uma cozinha prática

e um minúsculo banheiro, era algo bem

distante

do

apartamento

de

dois

quartos com sacada que

ela dividira

com sua mãe em São Francisco. Um apartamento que Liyah se sentira muito feliz por deixar para trás ao conseguir o

cargo de supervisora de andar no Chatsfield London. A proposta de trabalho fora uma ótima coincidência que a mãe de Liyah

teria chamado de destino. Por outro lado, Hena Amari via o mundo de um modo romântico do qual sua filha não compartilhava. Embora o ponto de vista de Liyah fosse definitivamente mais pragmático, quando ela vira o conteúdo do cofre e da última carta de Hena, soubera que precisava ir para a Inglaterra. O novo emprego lhe permitira fazer isso sem usar demais o que restara do seguro de vida de sua mãe. O dinheiro fora bem-vindo, porém, totalmente inesperado. A apólice havia sido um dos muitos e profundos choques que Liyah tivera ao abrir o cofre.

Choques que, por fim, tinham levado Liyah a trabalhar no Chatsfield London. O hotel procurava especificamente por alguém com conhecimento da cultura e das normas hospitaleiras de Zeena Sahra. Ironicamente, eles tinham procurado a governanta sênior do hotel de São Francisco, Stephanie Carter, na esperança de conseguir a transferência de Hena Amari. Com a súbita morte de Hena, Stephanie, conhecendo Liyah, sugeriu-a por ser singularmente qualificada para aquele cargo recém-criado. Liyah não se ressentia do silêncio de sua mãe. Contudo, apenas um incrível

controle emocional lhe permitira encontrar uma série de revelações chocantes sem desmoronar. Por fora. A revelação mais chocante de todas fora a de que Gene Chatsfield, o inglês extremamente rico e dono da rede de hotéis, era o pai biológico de Liyah. Depois de anos vendo as peripécias dos filhos legítimos dele nos tabloides, Liyah achava quase impossível acreditar que o sangue dele corria em suas veias. O que ela, uma mulher que trabalhara duro por tudo, tinha em comum com aquela família famosamente mimada? Liyah tinha uma curiosidade quase mórbida de descobrir que tipo de

homem criava seus filhos para serem tão abastados ao passo que mandava a mais parca das pensões para Hena. A resposta podia estar na própria existência de Liyah, o resultado da indulgência de Gene em inúmeros casos com suas camareiras. Casos que não tinham chegado aos ouvidos da imprensa. Hena jamais contara a ninguém a identidade do pai de Liyah. A vergonha de Hena por ter tido um caso com um homem casado afetara o resto de sua vida, e ela escrevera em sua última carta que Liyah precisava perdoá-lo. Hena alegara que Gene Chatsfield não era um mau homem. Contudo, ele

estivera passando por maus momentos. O derradeiro pedido dela fora o de que Liyah fosse a Londres e se apresentasse ao seu pai. Liyah respeitaria o último desejo de sua mãe, mas estava feliz por ter a oportunidade de observar o homem de forma anônima; como funcionária, não como a filha que nunca assumira.

COM

SEU

uniforme

impecável,

seu

comprido

cabelo

preto

preso

num

coque, Liyah estava numa saleta perto

da

escadaria

principal.

Estava

em

Londres

fazia

duas

semanas,

trabalhando

no

Chatsfield

havia

dez

caóticos dias. Entretanto, ainda não vira seu pai.

Mas os boatos diziam que o

honorável sheik Sayed

bin

Falah

al

Zeena chegaria naquela dia. Liyah não

tinha dúvidas de

que

seu pai estaria

presente para receber pessoalmente o

sheik.

Sabendo

como

a

estada daquele

importantíssimo hóspede

era crucial

para seu pai, Liyah estava determinada a fazer um bom trabalho. Quando ela

se apresentasse

a Gene,

ele

não teria

com que se decepcionar na ética de trabalho dela.

Seu

andar

estava

em

impecável

ordem, todos os quartos a serem

ocupados estavam dotados de uma tigela de cristal com frutas e um vaso de jasmim. Ela providenciara que um biombo fosse colocado diante dos elevadores de seu andar, bloqueando os aposentos do harém para os olhares curiosos. Os pensamentos no trabalho desapareceram quando um homem mais velho atravessou o saguão com suprema confiança. Com o ar de um homem que se tornava dono de tudo que observava, ele recebeu os diversos cumprimentos de seus funcionários com um movimento da cabeça. Era o pai dela.

Parando diante

da recepção, ele

estava claramente pronto para receber o sheik.

De

cabelo

grisalho,

os

olhos

azuis

ainda reluzentes,

sua

constituição de

1,85m, ele estava com um terno feito

sob medida,

sapatos claramente

artesanais. Gene sorriu e disse algo para o chefe

da recepção.

E todo

o ar escapou

dos

pulmões de Liyah.

 

Ela passara

a

vida

inteira

vendo

aquele

sorriso

no

espelho.

Os

lábios

dele eram mais finos, mas o largo

sorriso acima de um queixo ligeiramente pontudo. Era tão familiar que fez o coração dela doer.

Seus olhos eram azuis, os dela eram

verdes;

entretanto,

o

formato

era

o

mesmo. Isso não estivera claro nas fotos publicitárias que ela vira dele.

Liyah herdara a pele

cor de

mel,

o

rosto oval, o nariz pequeno e as

sobrancelhas arqueadas de

sua

mãe,

além do cabelo preto e

da estatura de

1,65m de Hena. A ligação entre mãe e

filha era clara para todos que juntas.

as viam

Liyah

nunca

pensara

que

pudesse

compartilhar características

físicas

também com seu pai.

 

A

semelhança

não

era

exageradamente

perceptível,

mas

aquele sorriso? Inegavelmente igual ao dela. Aquele homem era seu pai. Os joelhos de Liyah bambearam. Sua mãe fora a única Amari que reconhecera Liyah como membro da família. Uma família que a excluíra por

seu vexame. E, desde a morte de sua mãe, Liyah estivera sozinha. Naquele momento, ela se deu conta de que, se aquele homem

a

mesmo que na periferia de

sua

ela não estaria mais sozinha.

O rosto de seu pai mudou, o sorriso se transformando em algo muito mais tenso do que a expressão de segundos

antes. Ele endireitou ainda mais o corpo, ficando mais alerta.

O

olhar

de

Liyah

acompanhou

o

dele, e, pela segunda vez seguida, seus

joelhos ficaram fracos.

 

Cercado

por

uma

impressionante

comitiva e usando as vestes tradicionais

de um sheik de Zeena Sahra estava o homem mais lindo que Liyah já vira. Conhecido por sua bravura e suas atitudes másculas, apesar de sua suprema diplomacia política, o emir não apreciaria essa descrição.

Contudo, independentemente

de...

ou talvez por causa de sua altura de

mais de 1,80m, seu maxilar quadrado e sua barba cortada bem rente, a

aparência máscula do sheik continha uma beleza que Liyah nunca vira antes. Nenhuma das fotos lhe fazia jus. Nenhuma imagem bidimensional era capaz de capturar a realidade da presença do sheik Sayed bin Falah al Zeena; sua deslumbrante aparência ou o poder contido que estalava no ar como eletricidade. Nada no simples abaya preto usado por cima do terno de grife, no keffiyeh grená na cabeça dele e no egal preto de três faixas que o segurava demonstrava algo que não um conservador comedimento. A cor da realidade de Zeena Sahra no keffiyeh e o egal de três faixas, em vez das costumeiras duas,

indicavam sutilmente seu status de emir. Inexplicável e inegavelmente atraída pelo poderoso homem, Liyah flagrou seus pés carregando-a à frente sem que ela pensasse naquilo de forma consciente. Apenas a poucos centímetros do sheik ela parou abruptamente. Mas era tarde demais. O olhar cor de café do sheik Sayed se fixou nela, uma indagação evidente na leve curvatura de suas sobrancelhas. Considerada inabalável por todos que a conheciam, Liyah não conseguiu pensar em nada coerente para dizer, nem mesmo um simples “bem-vindo”.

Ela

ficou

parada

ali,

seu corpo

reagindo à presença dele de uma forma

nunca antes sentida.

 

Os

mamilos

dela

enrijeceram por

algum motivo que ela não conseguiu discernir, seu coração disparando, sua respiração ficando arfante. A expressão dele não se alterou, mas algo nas profundezas daquele escuro

olhar disse a Liyah que ela não era a única a ser afetada.

– Sheik

al Zeena,

esta

é

Amari, a

supervisora encarregada do andar do harém e da sua suíte – interveio rapidamente o chefe da recepção. Liyah estava acostumada a ser chamada por seu sobrenome. Mas ela

não estava acostumada a encontrar um príncipe herdeiro.

Contudo,

seu

cérebro

finalmente

voltou a funcionar, e ela conseguiu envolver a mão esquerda com a direita, pressionando-as acima do seio esquerdo. Baixando a cabeça, ela se curvou levemente à frente numa mesura. – Emir. É um prazer servir ao senhor e à sua comitiva.

SAYED TEVE uma reação inaceitável e sem precedentes às adoráveis palavras e ações da camareira. Seu sexo despertou, imagens de como exatamente ele gostaria que ela o

servisse lampejando em sua mente numa erótica apresentação de slides de fantasias que ele sequer sabia que tinha. O rubor das faces dela e a expressão vulnerável, quase sedenta, em seus olhos verdes lhe diziam que esses desejos poderiam ser saciados, o que multiplicou por dez a reação sexual dele. Oculto por seu abaya, sua carne que entumecia rapidamente latejava com um desconhecido desejo. Contudo, o status de futuro marido de Sayed, e também de governante de seu país, ditava que ele deixasse isso de lado e ignorasse as imagens e sua reação física. Por mais difícil que fosse.

– Obrigado, srta. Amari – disse Sayed. Ele indicou a mulher designada a cuidar das necessidades domésticas dele. – Esta é Abdullah-Hasiba. Ela vai lhe informar de qualquer exigência que possamos ter. Caso tenha alguma dúvida, pode perguntar diretamente a ela. O lindo olhar verde da srta. Amari esfriou, e seus fartos lábios se firmaram levemente, mas nada mais em seu comportamento indicou uma reação à clara dispensa dele. – Obrigada, Alteza. – Baixando novamente a cabeça na tradição do povo dele, Amari se virou para a criada

de

Sayed.

Estou

trabalharmos juntos.

ansiosa para

Com outro leve movimento da cabeça, a atraente funcionária do hotel pareceu desaparecer.

Sayed

teve

uma

inevitável

vontade

volta.

chocante

e

quase

de

chamá-la de

Capítulo 2

AINDA COM dificuldade de aceitar o

fato de que ela esquecera seu pai na presença do emir, Liyah bateu na porta de Miz Abdullah-Hasiba. Ainda não olhara nos olhos de Gene Chatsfield pela primeira vez. Como pudera ter perdido uma oportunidade tão boa?

Ela estava ali para observar seu pai e, por fim, apresentar-se a ele. Liyah não fora até o Chatsfield London para babar por um príncipe de Zeena Sahra. Aaliyah Amari não babava por ninguém. A porta se abriu. Com um kameez amarelo-escuro bordado no pescoço e punhos com fios amarelo-claros, a governanta particular do emir uniu as mãos diante do corpo e baixou a cabeça. – Senhorita Amari, como posso ajudar? – Eu queria me certificar de que você e as outras acompanhantes do emir

estivessem satisfeitas acomodações.

com

as

– Estamos bastante. – A mulher mais velha recuou. – Por favor, entre.

– Não quero distraí-la

de

suas

obrigações. – De forma alguma. Tome uma xícara de chá comigo. Sem ter nenhuma maneira educada de recusar e, francamente, não querendo recusar, Liyah a seguiu até o pequeno sofá. Um dos conjuntos de chá do Oriente Médio que Liyah comprara em nome do hotel estava no centro da mesa oval. Miz Abdullah-Hasiba serviu a fragrante e quente bebida nas estreitas

xícaras sem asas. – Isto é um mimo. – É mesmo? A governanta assentiu, sorrindo. – Ah, sim. Não viajamos com louças, pois elas se quebram com facilidade. – Naturalmente. – Mesmo assim, o Chatsfield foi o primeiro hotel do cronograma de viagem oficial do emir pela Europa a ter pensado em fornecer um conjunto de chá tradicional. – Infelizmente, esses conjuntos só estão disponíveis neste quarto, na suíte do emir e na da noiva dele. A mulher sorriu.

– Seu entendimento de nossa cultura é louvável.

– Quer dizer que

é

uma viagem a

negócios? – Muito pouco fora dito na

mídia a respeito dos planos de viagem do emir.

– No geral. Melech Falah,

o

rei,

insistiu para que o emir Sayed desfrutasse de um último passeio pela

Europa antes de

assumir o manto da

liderança plena de nosso país. – O rei pretende abdicar do trono em

favor do filho? – Liyah lera

especulações a

respeito

daquilo,

mas

nada de concreto. – Isso é considerado possível após o casamento real.

– A chefe das governantas ficou escandalizada quando reservamos um andar separado para um harém de um sheik. – Ah! Ela imaginou que traríamos uma comitiva de dançarinas do ventre para satisfazer as necessidades dele, sem dúvida. – Provavelmente, foi isso que ela pensou. – A própria Liyah pensara algo parecido quando ficara sabendo do harém. A governanta de Zeena Sahra riu. – Nada tão dramático assim. O emir sempre leva em consideração sua posição de noivo.

Sem saber se acreditava naquilo, mas

tendo muito pouca experiência prática com homens e nenhuma com os

desejos sexuais deles, argumentou.

Liyah não

A

maioria

dos

quartos

reservados

seria ocupada pelos acompanhantes da

noiva do emir,

que,

em geral,

eram

mulheres. O irmão dela também estava

com eles e reservara uma suíte no andar presidencial, perto da do emir.

Depois

de

surpreendentemente

uma visita agradável

a

Hasiba,

como

ela

insistiu

em

ser

chamada,

na

qual

a

governanta

conseguiu

transmitir

ressalvas

tácitas,

embora

claras

a

respeito

da

futura

emira de Zeena Sahra, Liyah foi para uma reunião com o concierge. Ele e sua equipe esperavam a opinião dela a respeito de propostas de entretenimento a serem feitas ao sheik ao longo das próximas duas semanas.

LIYAH SAIU da suíte real satisfeita com os cuidados com os aposentos do emir. Ela foi para o elevador principal. Apesar de os funcionários serem incentivados a usar o elevador de serviço, ela não tinha a obrigação de fazê-lo. O momento mais movimentado do dia para as camareiras e o pessoal da manutenção costumava coincidir com

uma redução na utilização dos elevadores dos hóspedes. Assim, como ela fazia em seu hotel em São Francisco, Liyah optava por usá- los quando não estava carregando toalhas ou empurrando um carrinho de limpeza. Algo que ela raramente precisava fazer em seu cargo de chefe das camareiras. As portas se abriram em silêncio, e o olhar de Liyah foi dominado por olhos da cor do café. O emir a olhava, sua expressão sendo um estranho misto de surpresa e algo mais em cuja interpretação Liyah tinha muito pouca experiência. – Senhorita Amari?

– Emir Sayed. – Ela baixou a cabeça, reconhecendo o status dele. – Só estava verificando sua suíte. – O serviço tem sido impecável. – Fico feliz por isso. Não vou deixar de repassar essas bondosas palavras para a equipe. Ela esperou que ele saísse do elevador, mas ele não se mexeu. A equipe de segurança saíra primeiro, com uma precisão que indicava um hábito profundamente entranhado, seguida pelo assistente administrativo do emir e o secretário júnior. Todos estavam esperando que o sheik saísse. Mas ele não fez isso.

Apertou

um

botão,

e

as

portas

começaram a se fechar.

 

– Você

não

vem?

O

tom

dele

denotava impaciência.

 

O

cérebro de

Liyah não conseguia

entender o que ele estava fazendo ali.

Se fosse

descer

novamente,

os

seguranças não elevador com ele?

deviam

estar

no

Uma coisa, porém, Liyah sabia: ela

não cometeria

a elevador com o emir.

gafe

de

entrar

no

Ah,

não. Vou usar o elevador de

serviço. – Não seja ridícula. – Ele estendeu a mão e segurou o punho dela,

arrancando sons chocados de sua equipe.

Liyah não teve muita oportunidade de entender aquilo, pois já estava sendo puxada inevitavelmente para dentro do elevador.

As portas se

fecharam, e ela ouviu

um xingamento em árabe, acompanhado por um chocado e claramente censurador “Emir Sayed!”.

– Alteza? – Não há motivo para você

pegar

outro elevador. – Mas seu pessoal...

Não devia ter

esperado por eles? Os elegantes, mas fortes dedos dele ainda estavam em torno do punho dela.

Não

estou

minhas

ações

empregados.

acostumado

a

questionadas

ter

por

As palavras eram definitivas, o tom,

arrogante, até

mesmo

frio,

mas

a

expressão nos olhos dele não era. Liyah nunca ouvira falar de um fogo castanho

antes, mas ele estava no olhar do emir. Ainda assim, o comportamento

profissional

dela

tendia

mais

para

o

lado da dignidade, não da subserviência.

E

eu

não estou

acostumada a ser

tratada

à

força

por

hóspedes.

– Ela

olhou fixamente para a pegada dele em

seu punho, esperando que ele a soltasse imediatamente.

Na conservadora cultura de Zeena Sahra, não era aceitável que ele tocasse em nenhuma mulher solteira que não fosse de sua família direta. Contudo, ele continuou a segurá-la. – Não acho que isto seja usar de força. O polegar dele massageou o ponto onde o sangue dela pulsava, e Liyah perdeu todas as esperanças de conseguir conter seu calafrio. O cálido olhar dele também refletia confusão. – Não entendo isso. Ele falara no dialeto de sua terra natal. Sem dúvida, achando que ela não saberia o que ele estava dizendo. E

Liyah não lhe mostrou que a realidade era outra.

Não conseguiu.

Palavras

lhe

faltavam. Pela primeira vez em sua vida,

ela

desejava um toque mais do que

chocolate

amargo

durante

aquele

momento mais inconveniente do mês. – Você é um vício – acusou ele.

Subitamente

 

envergonhada,

imaginando se

fizera

algo

para

despertar o interesse dele e

revelar o

seu próprio,

Liyah

tentou

se

desvencilhar.

Ele

a

soltou,

mas

seu

corpo

se

aproximou,

o

farfalhar

das

tradicionais vestes dele sendo o único

som no elevador.

Chocada, ela se deu conta de que não havia nenhum som sutil das polias, pois ele apertara o botão da parada de emergência. Ela o olhou, o coração na garganta. – Emir? – Sayed. Meu nome é Sayed. E Liyah não o chamaria por ele. Mas chamou, sussurrando “Sayed” involuntariamente. A satisfação fulgurou nos olhos dele, uma linha de cor marcando suas faces. Por algum motivo, o emir gostava de ouvir seu próprio nome nos lábios dela. Ele tocou o crachá preso ao paletó do terninho preto dela. – Amari não é seu nome.

– É, sim. – A voz de Liyah saiu rouca. – Não é seu primeiro nome. – Aaliyah – informou ela antes que seu senso de autoproteção entrasse em ação. – Adorável. – Ele tocou novamente o crachá dela, e, embora fosse feito de plástico, Liyah sentiu o toque como se tivesse sido em sua pele nua. – Seus pais são tradicionalistas. – Não exatamente. – Liyah não considerava a decisão de Hena de criar uma vida independente para si e para sua filha ilegítima algo tradicional. Hena simplesmente quisera dar a Liyah o máximo de ligações ao país natal de sua mãe.

Liyah duvidava de

que

Gene

Chatsfield tivesse

tido

alguma

participação na escolha do nome dela.

 

Seu

sotaque

é

americano

observou Sayed. – O seu também é. Ele deu de ombros.

– Estudei nos Estados Unidos desde os 13 anos. Só voltei a morar em Zeena Sahra depois que concluí minha pós- graduação.

Ela sabia disso. A trágica morte

do

irmão mais velho dele

numa bomba

destinada ao melech mudara o curso da vida de Sayed e o futuro de seu país.

Instabilidade vizinhos e

política

nos

países

preocupações com a

segurança do único filho restante deles tinham feito o melech e sua rainha enviarem Sayed para um internato. Isso não era exatamente um segredo. Assim como o fato de que Sayed optara por continuar seus estudos com um bacharelado em Política Internacional e um mestrado em Administração. Contudo, receber aquelas informações diretamente dele despertaram algo estranho no ventre de Liyah. Ou talvez fosse apenas a proximidade dele. – Seu visual não é muito ocidental – disse ela, tentando ignorar os

desconhecidos desejos e emoções que a dominavam.

Sou

o

coração

de

Zeena Sahra.

Meu povo e o estilo de vida dele não

devem ser o centro da minha vida?

Liyah

não gostou

de

como aquela

resposta a atingiu emocionalmente.

O

estilo de

vida de Zeena Sahra

– não é esse. – Tem tanta certeza assim? perguntou ele. – Sim. – Quer dizer que você estudou meu país. – Ele parecia feliz demais com aquela possibilidade. – Não entenda como algo pessoal.

Ele

riu,

o

honesto som de

diversão

sendo mais atraente até mesmo do que a extrema beleza daquele homem.

Você

não

é

como

as outras

mulheres.

 

– Você é o emir.

 

Está

dizendo

que

as

outras

mulheres ficam deslumbradas comigo. Ela o olhou ironicamente e disse de forma seca:

Você

não

é

nem

um pouco

convencido, é?

 

Reconhecer

a

verdade

é

ser

convencido?

 

Ela

balançou

a

cabeça.

Mesmo

arrogante, ela achava aquele

homem

irresistível e tinha a terrível suspeita de que ele sabia disso. Liyah sentiu a parede do elevador em suas costas. O corpo de Sayed estava tão perto que as vestes externas tocavam nela. Liyah arfou. Ele tocou levemente o lábio inferior dela com a ponta do dedo. – Sua boca é exuberante. – Isto é uma má ideia. – É? – perguntou ele, baixando a cabeça na direção da dela. – Sim. – Teria sido assim que as coisas haviam começado entre os pais dela? – Não faço parte da hospitalidade. – Eu sei.

Não

aceito

sexo

ardente

no

elevador. Algo lampejou no escuro olhar dele, e Sayed recuou, balançando a cabeça. – Peço desculpas, srta. Amari. Não sei o que deu em mim. – Tenho certeza de que está acostumado a mulheres se atirando em você – disse ela, numa tentativa de explicação. Ele franziu o cenho. – Isso foi para massagear meu ego ou para machucá-lo? – Nenhuma das duas coisas. Ele balançou a cabeça novamente. O interfone dentro do elevador tocou. Liyah atendeu.

– Amari. – O sheik está com você? – exigiu saber uma voz desconhecida, e Liyah se perguntou se Christos Giatrakos, o novo diretor executivo, teria sido chamado para lidar com aquela situação altamente inusitada. Um calafrio de apreensão percorreu a espinha de Liyah até ela se dar conta de que o tom dele parecia o de alguém com uma idade avançada. – Sim, o emir está aqui – disse ela, percebendo, chocada, que talvez estivesse falando com seu pai pela primeira vez. – Coloque-o na linha. – Sim, senhor.

Ela estendeu o fone para Sayed. – O sr. Chatsfield gostaria de falar. Sayed se aproximou e pegou o aparelho, tomando cuidado para não tocar em Liyah ao fazê-lo. Ela recuou para o outro lado do elevador. Muito pouco foi dito na conversa unilateral. Basicamente, apenas o fato de que não havia nenhum problema e que eles logo chegariam ao saguão. Confirmando o que ele dissera, as portas do elevador se abriram para o saguão segundos depois. Tanto o guarda-costas particular do emir quanto o pai de Liyah estavam esperando.

A suspeita ausência de

qualquer

outra pessoa para testemunhar a saída deles do elevador disse exatamente o que todos achavam que acontecera no elevador parado. Ofendida por pensarem tão mal do

caráter

dela,

Liyah

saiu

de

cabeça

erguida. Não fazendo o menor esforço para

acabar com as preocupações do chefe de Liyah com relação ao

comportamento dela,

o

emir

mal

reconheceu a presença de Gene Chatsfield antes de chamar seu guarda- costas para o elevador. – Venha, Yusuf.

– No meu escritório – disse o pai dela em um frígido tom quando as portas do elevador se fecharam. Os dez minutos seguintes foram alguns dos mais desconfortáveis da vida de Liyah. Já seria ruim o suficiente receber uma bronca do dono da rede Chatsfield, mas o fato de saber que ele era seu pai intensificou ainda mais a humilhação de Liyah. O curto tempo que ela passara no elevador com o sheik e o fato de ela não ter saído bagunçada de lá a salvara de um sermão ainda pior. Definitivamente, aquele não era o momento para se apresentar a Gene

Chatsfield como a filha que ele jamais conhecera.

SAYED ACORDOU de um sonho muito vívido, seu sexo intumescido, seu coração batendo velozmente. Não era surpreendente que seu sonho não tivesse sido com sua noiva. Ele conhecia Tahira, filha de um sheik vizinho, desde o noivado deles, quando ela ainda era criança. Na época, ele tinha 13 anos, prestes a ser mandado para o internato nos Estados Unidos. Os sentimentos dele por ela não haviam mudado muito desde então. A desconfortável realidade era que o sonho fora centrado na linda Aaliyah

Amari, que ele conhecera em seu primeiro dia em Londres. A mulher na qual ele pensava incessantemente. Ele a vira de passagem duas vezes; uma antes do incidente no elevador e uma depois. Em ambas, sua atenção fora inexoravelmente atraída para

Aaliyah, mas ela dera o melhor de si para ignorar a presença dele na ocasião mais recente. Compreensivelmente. Mesmo assim, após a rápida colisão com o olhar verde-esmeralda dela, choques elétricos tinham despertado uma instantânea ereção em Sayed. E ele quase tropeçara nas próprias pernas.

Ele.

Por diversas vezes acusado de ser feito de gelo, sua perturbadora reação àquela mulher, que não tinha lugar em sua vida, incomodava Sayed mais do que ele queria admitir. Sheiks não ficavam loucos por camareiras, nem mesmo pela chefe delas. Aaliyah era uma empregada. Ele era um emir. Mesmo que ele quisesse, Sayed jamais poderia pensar na possibilidade de um caso com ela. Ainda assim, embora Sayed não tivesse passado toda a sua vida adulta como celibatário, ele o fizera durante os últimos três anos. Quando Tahira atingira a maioridade e o noivado deles fora anunciado

oficialmente, a honra dele exigira que ele cessasse qualquer intimidade sexual com outras mulheres. Ninguém parecia esperar isso dele, mas Sayed vivia apenas de acordo com seu próprio ponto de vista. Contudo, talvez seu celibato explicasse os sonhos intensos e altamente sexuais. Três anos sem sexo eram um longo tempo para um homem de 36 anos sexualmente ativo desde a adolescência. Saber que aquele deserto sexual terminaria em questão de semanas, quando ele se casasse com Tahira, não lhe dava muito conforto.

Ele já não conseguia mais se imaginar possuindo a mulher que ele ainda considerava uma menina, apesar de seus 24 anos, tanto quanto se imaginava cedendo a sua crescente sede por Aaliyah Amari.

Capítulo 3

À DISTÂNCIA , Liyah observou seu pai

no cavernoso saguão. Incapaz de lidar com sua atração por Sayed, a não ser evitando o contato direto, ela também ainda não conseguira aceitar a realidade de seu pai. E se sentia uma covarde.

Ela precisava ter logo seu primeiro encontro com Gene Chatsfield. Nem que fosse para lhe contar a respeito da morte de sua mãe. O Chatsfield San Francisco enviara um lindo buquê para o funeral. Entretanto, provavelmente, ele tinha sido providenciado por Stephanie Carter e não significava que o pai dela soubesse da morte de sua mãe. Liyah viu Gene entrar no elevador. Sem dúvida, estava subindo para a suíte da cobertura que ele sempre ocupava quando estava em Londres. A suíte se encontrava vazia. Pois a noiva dele estava fazendo compras e só devia voltar depois do chá da tarde.

Seria o momento perfeito para Liyah se apresentar. As coisas no hotel estavam indo bem; não houvera mais nenhum problema com o sheik. E Liyah não estava ali justamente para realizar o último pedido de sua mãe? Ao contrário de sua meia-irmã, Lucilla Chatsfield, Liyah não queria ter uma carreira no hotel. Além disso, ela não tinha nenhuma esperança de que Gene Chatsfield fosse reconhecê-la como sua filha. Não depois de uma vida inteira sem que ele tivesse feito isso. O relacionamento deles seria eternamente sigiloso. O nome dos Chatsfield já passara tempo demais nos

tabloides. No que dependesse de Gene, ele jamais atrairia ainda mais atenção negativa da mídia. Contudo, isso não significava que ele não estivesse interessado em conhecer sua filha de 26 anos. O pagamento da pensão, por mais modesta que tivesse sido, até os anos dela na faculdade, indicava que ele sentia algo por Liyah. Mesmo que fosse obrigação. Assim como a obrigação dela com a memória de Hena. Certo. Estava na hora. Inspirando fundo para acalmar seu coração em disparada, Liyah pôs o camafeu de sua mãe para fora da blusa.

Ela o usara todos os dias desde que

Hena o dera a ela, em seu leito de morte.

Envolver o metal

com

os

dedos

aquecia a pele dela. Liyah retirava

coragem do amor e das lembranças que o camafeu sempre evocaria e apertou o botão da cobertura.

Alguns instantes depois,

Gene

Chatsfield abriu a porta de sua suíte, segurando um celular junto ao peito e com uma expressão confusa. – Sim, Amari? Algo frio desceu pela espinha dela ao ouvir seu pai usar seu sobrenome. Porém, como ele poderia chamá-la?

Provavelmente,

ele

sequer

sabia

seu

primeiro nome. Isso logo mudaria. – Senhor Chatsfield, eu agradeceria se pudesse me dar alguns minutos do

seu tempo. – Se for a respeito de seu emprego

aqui,

preciso

lhe

dizer

que

confio

implicitamente

no

meu

setor

de

recursos humanos e

na

equipe

de

limpeza.

Não

adianta

buscar

favores

especiais

do

proprietário.

E,

na

realidade,

isso

é

algo

de

muito mau

gosto. – Não é isso. Por favor, sr. Chatsfield.

Por um instante, Gene pareceu dividido.

Chatsfield

– Entre – disse ele. – E vá se sentar. Só preciso de dois minutos. – Depois de indicar o sofá, Gene parou na porta para o cômodo adjacente. – Já estou farto disto, Lucca. Muito desconfortável por estar presenciando uma conversa claramente pessoal entre Gene e seu filho, Liyah olhou à volta. Sobre uma mesa, ela viu um jornal com a manchete “Lucca Chatsfield apronta novamente!”. O que outrora podiam ter sido divertidas peripécias de um playboy mundialmente famoso agora deixavam Liyah nauseada, sabendo que aqueles escândalos vinham de sua própria família.

– Só não deixe isso cair na internet –

rosnou Gene

ao

telefone

antes

de

desligar e voltar sua atenção para Liyah. – Embora eu tenha ciência de que devo ter uma certa reputação com as

camareiras, os dias em que eu fazia isso já ficaram no passado. – Não é por isso que estou aqui. Inexplicavelmente, ele sorriu. – Ficou feliz por saber. Minha noiva é uma mulher possessiva.

E ele

era um ex-libertino com um

passado que, sem dúvida, ele

queria

manter enterrado. – Sabe de uma coisa? Foi uma péssima ideia. Desculpe por ter incomodado.

Bobagem.

Você

interrompeu

minha tarde por um motivo. Entre. –

Ele recuou e gesticulou de forma imperiosa para que ela entrasse.

– Tem certeza

de

que

o

emir aqui

não é você? – resmungou ela bem baixo enquanto obedecia.

Aparentemente,

ele

a

ouviu,

pois

gargalhou.

– Você não é nenhuma flor delicada, admito isso, Amari.

Meu

nome

é

Aaliyah, mas

costumam me chamar de Liyah.

Não

nos tratamos pelo

primeiro

nome – respondeu ele, retomando seu

comportamento superior, embora desconfiado.

Ela assentiu, mesmo não aceitando. Ele era o pai dela; eles deviam chamar um ao outro pelo primeiro nome. Ele a levou para uma sala de estar. – Por favor, sente-se. – Gene indicou uma das poltronas perto da lareira antes de se sentar na que ficava em frente. Liyah se acomodou na cadeira, apertando nervosamente as próprias coxas. – Não sei bem como começar. – O início costuma ser um bom ponto de partida. Ela assentiu, e uma ideia lhe ocorreu. Tirando o camafeu do pescoço, ela o entregou a ele.

É

uma

adorável joia

antiga.

Está

querendo vendê-la? – perguntou ele, parecendo confuso, não ofendido. – Não. Por favor, abra e veja as fotos

que estão dentro. – Uma era de Liyah, em seu 16º aniversário, e a outra era de Hena Amari, com a mesma idade. Ela não devia ter sido muito diferente aos 18, quando tivera seu curto caso com Gene Chatsfield.

Ele

olhou as fotos,

sua

expressão

confusa.

Você

era uma menina adorável,

assim como sua irmã, mas não sei bem

o que estou vendo aqui. – A outra mulher não é minha irmã. Era minha mãe.

Ele ergueu o olhar. – Ela morreu? Liyah assentiu, contendo a emoção que ainda era forte demais. – Sinto muito por isso. – Obrigada. Ela só me contou ao seu respeito pouco antes de morrer. Ele franziu o cenho, a expressão ficando menos confusa e mais

cautelosa. – Talvez você devesse me dizer quem ela é e por que teria lhe contado ao meu respeito. – Não a reconhece? – Não.

– Isso

é...

– Liyah queria dizer uma

obscenidade, mas impediu a si mesma. –

Decepcionante. – Creio que sim, se você estiver aqui pelo motivo que imagino. – Sabe por que estou aqui? – Não é a primeira vez que isso acontece. – O quê?

– Você

vai alegar que

sou

seu pai,

não vai? – Isso acontece muito? – perguntou ela, chocada. – Quantas camareiras inocentes você seduziu? – Não é da sua conta. Não era mesmo. De olhos semicerrados, Liyah assentiu.

Apesar de

eu achar deplorável o

– fato de você, aparentemente, nunca ter se dado o trabalho de perguntar meu nome à minha mãe, não tente fingir

que não sabia da minha existência. Ela me falou da pensão.

– Como era

o nome

da sua mãe?

exigiu saber ele com um tom frio.

 

Hena

Amari.

Pronto,

isso

ao

menos devia esclarecer as coisas. Mas Liyah não conseguia imaginar como ele ainda não fizera a ligação pelo

sobrenome dela. – E, supostamente, eu tive um caso

frutífero com a tal Hena Amari.

Ela

trabalhava num dos meus hotéis também? Provavelmente, já que eu

mantinha

minhas

atividades

extraconjugais bem perto de mim naquela época. – Ela foi sua camareira no Chatsfield San Francisco. – Em que ano? Ela lhe contou. Ele balançou a cabeça. – Embora eu não tenha orgulho do meu comportamento durante aquela época da minha vida, não vou me render a uma chantagem. – Não estou tentando chantagear você! – Você falou da pensão. – Que você pagou até eu me formar na faculdade. Não era muito dinheiro,

mas era constante. – Ah, agora estamos chegando a algum lugar. – Estamos? – Você está querendo dinheiro. – Não estou. – Então por que falou da pensão? – Porque é a prova de que você sabia que eu existia. Ou ele estava sendo deliberadamente lento, ou algo ali não era exatamente como Liyah acreditava ser. – Nunca paguei essa pensão. – O quê? Não, não é possível. – Liyah balançou a cabeça. Ele estava mentindo. Só podia estar. – Mamãe me disse que você não era um homem ruim, disse

que só estava numa situação ruim. Ela falou que a pensão provava que se importava comigo, mesmo que não pudesse participar da minha vida. – Está parecendo que sua mãe disse muitas coisas. Grande parte, inventada. – Ele parecia muito pouco impressionado, casual demais para estar mentindo.

Uma nauseante verdade atingiu Liyah numa fria onda que a fez se sentir como se estivesse se afogando.

Sua mãe mentira para ela.

A única pessoa em que Liyah sempre confiara... Algo dentro de Liyah se estilhaçou, libertando sentimentos e crenças

entranhadas como detritos em sua tempestade emocional.

Todo o raciocínio que levara Liyah a realizar o último desejo de Hena era falso. O pai dela não sabia da existência dela, não queria saber dela.

Posso

apenas

repetir

que

nunca

paguei a tal pensão. – Não havia compaixão e nem compreensão nos

frios olhos azuis dele. – Se você fosse mesmo minha filha e eu tivesse optado por ajudar na sua criação, tenha certeza de que a quantia monetária não teria sido desprezível.

Ela

se

levantou com as pernas

trêmulas, o coração como uma rocha

dentro do peito.

– Desculpe por ter incomodado. Isso não vai acontecer novamente.

– Espero que

não.

Seu

arrependimento seria muito maior do que qualquer coisa que você pudesse esperar ganhar. – Ele também se levantou, assomando acima dela, apesar do leve encolhimento pela idade. – Se tentar lucrar com nossa suposta conexão de qualquer maneira, não hesitarei em processá-la. Liyah cambaleou para trás, como se ele a tivesse atingido fisicamente. – Minha mãe estava enganada. – Sem dúvida estava, para mandá-la nesta louca missão. Ela está morta mesmo? Eu duvido.

– Sim, o único parente que será importante para mim pelo resto da minha vida morreu há quatro meses. – E você demorou tanto para vir procurar seu suposto pai? Parece mais que levou esse tempo para pensar como lucrar com algumas coincidências convenientes. Liyah ergueu a cabeça e olhou para Gene Chatsfield como o verme que ele era. – A única conveniência foi o fato de seu hotel ter pagado pela minha viagem para cá. – Espero seu pedido de demissão na minha mesa amanhã. Não aceitarei

uma possível chantagista trabalhando em meu hotel. – Eu iria embora agora mesmo, mas, ao contrário de alguns dos filhos que você criou, tenho ética no trabalho. – Com isso, Liyah foi embora da suíte, suas pernas mal conseguindo aguentá- la.

Mas ela não permitiria que aquele homem visse sua fraqueza.

Antes que

Liyah se desse

conta de

que deixara o camafeu de sua mãe com

o sr. Chatsfield, ela já estava no elevador. Porém, quando as portas se abriram para o saguão, ela se flagrou incapaz de acessar novamente o andar do dono do hotel.

Ela ficou parada ali,

sentindo

um

caos

interno,

enquanto

dois

homens

entravam no elevador junto dela. Liyah devia ter saído, mas não fez nada. Deu as costas a eles quando um deles apertou o botão do andar presidencial. Percebendo que não seria capaz de voltar à suíte, ela conseguiu apertar o

botão

do

andar

pelo

qual

ela

era

responsável,

não

sabendo

ao

certo

o

que faria quando chegasse lá. Liyah só tinha certeza de uma coisa.

Não pediria o cordão a Gene

Chatsfield.

Nunca

mais

pediria

nada

àquele homem. Provavelmente, ele se certificaria de que ela o recebesse de volta por

intermédio de algum funcionário. E se isso não acontecesse?

Liyah

precisaria

abrir

mão

da

lembrança como abrira mão de sua crença de que Hena Amari jamais mentiria para ela. Toda a sua infância fora influenciada

pela farsa de que seu pai sabia e se importava com ela, mesmo que de forma mínima. A descoberta de que isso não era verdade não devia ser tão devastadora, mas estilhaços de dor perfuravam o coração de Liyah.

se fora importante para ela acreditar que tinha um pai, apesar de distante e anônimo.

Só então ela

deu conta de como

Liyah tentou

dizer a si mesma que

sua vida não mudara em nada. Gene

Chatsfield nunca fora nada além de um sonho efêmero.

E

daí

que

ele

tivesse

negado

a

paternidade? Não importava. Ela queria acreditar nisso, mas nunca fora boa em mentir para si mesma. O frio continuou a dominá-la. Sua mente estava turvada. Os sons

chegavam como se através de um túnel.

Farsas perpetradas pela

pessoa

da

qual ela jamais esperara isso destruíam o senso de realidade de Liyah, a negação de Gene Chatsfield sendo um golpe como ela jamais esperara que fosse.

Apesar de sua tempestade interior, tons ríspidos chamaram a atenção de Liyah. Talvez por estarem vindo do único homem que conseguira ocupar os pensamentos dela mais do que seu pai biológico. Sayed estava falando em árabe com seu guarda-costas, Yusuf. Ele estava tão furioso que parecia alheio à presença de Liyah, que percebeu o motivo disso ao entender o motivo da conversa. Aparentemente, Liyah não fora única a ser traída naquele dia. Incrivelmente, a futura emira de Zeena Sahra fugira para se casar com um assistente do palácio.

Outro tipo de choque ecoou dentro de Liyah. Que mulher deixaria de lado uma vida inteira com Sayed? Liyah foi até o andar que havia sido bloqueado para o harém da comitiva de Sayed com um único pensamento. Os aposentos da ex-futura emira não estariam ocupados. Nem amanhã e nem em nenhum outro dia durante a próxima semana. A avassaladora necessidade que Liyah tinha se ficasse totalmente longe de olhos alheios teria uma via de escape. Usando seu cartão, ela entrou em silêncio no quarto da ex-noiva. As lágrimas que Liyah nunca se permitira

verter diante de sua mãe, muito menos diante de estranhos, ardiam em sua garganta, ameaçando se derramar. Ao entrar na exuberante suíte, Liyah não teve o menor interesse nas paredes verde-claras e na elegante mobília branca. Seu foco se voltou totalmente para o armário de bebidas, totalmente estocado, na alcova entre a sala de estar e a pequena área de jantar da suíte. Ela já estava em seu terceiro copo de uísque, sem gelo, quando ouviu o som de um cartão sendo passado na tranca da porta. Com a fascinação de um coelho perante uma serpente, ela observou a porta se abrir.

O lindo, embora tenso rosto do sheik Sayed bin Falah al Zeena surgiu, juntamente com seu imponente corpo de 1,88m vestido com o costumeiro terno de grife por baixo da tradicional abaya masculina preta. Olhos escuros se semicerraram, ficando chocados ao vê-la.

Capítulo 4

SAYED SABIA exatamente o que o levara

até a suíte de sua ex-noiva, e não fora nenhum tipo de sentimento. Fora o armário de bebidas totalmente estocado que ele poderia usar sem que houvesse testemunhas. Ele parara, chocado, ao encontrar aquela imagem ao entrar, a resposta imediata de seu corpo não sendo tão

indesejada como teria sido duas horas antes. Aaliyah Amari estava acomodada no sofá, um copo de cristal na mão, seus olhos cor de esmeralda arregalados de surpresa e confusão. O cheiro de um excelente uísque pairava no ar, indicando que ela fora ao quarto de Tahira pelo mesmo motivo que ele. Em qualquer outro dia, ele teria empalidecido, exigindo uma explicação para aquele comportamento totalmente inaceitável. Naquele momento, porém, toda a sua fúria se esgotara na reação à traição de sua noiva. – Ela não está aqui – disse Aaliyah, as palavras sendo ditas lenta e

cautelosamente. – Sei disso. – Provavelmente você está se perguntando por que eu estou. – Parece que você precisava de uma bebida e de um lugar reservado para tomá-la. Ela ficou boquiaberta. – Como soube? Ele deu de ombros. – Você falou com meu pai? – Ela se curvou à frente, sua expressão se fechando. Ela já devia estar inebriada se achava que o emir de Zeena Sahra tomara para si a responsabilidade de ir conversar com o pai dela.

Se

falei

com

o

sr.

Amari,

estou

alheio a esse fato. Os exuberantes lábios dela se

entreabriram, mas o único som que saiu

foi um misto entre

um suspiro e

um

soluço. Ele quase riu. – Você está bêbada. – Acho que não. – As adoráveis sobrancelhas arqueadas dela se uniram numa linda expressão pensativa. – Só tomei três copos. É suficiente para ficar bêbada? – Você tomou três copos? – perguntou ele, chocado. – Não estavam cheios. Sei servir um drinque, mesmo não costumando

beber. Servi só até aqui. – Ela indicou um nível que seria equivalente a uma dose dupla. – Você tomou seis doses de uísque.

Ah...

– Ela franziu o cenho. – Isso é

tão ruim assim? – Depende do motivo pelo qual você está bebendo. – Fiquei sabendo que alguém que eu acreditava que jamais mentiria para mim passou a minha vida inteira fazendo isso, que acreditei em coisas que não passavam de um conto de fadas. Aquilo lhe parecia familiar demais. – Sinto muito por saber disso. Foi a vez de ela dar de ombros.

– Ela disse que meu pai não era um homem mau. – Ela? – Minha mãe. – Você não conhecia seu pai? – A vida dele não fora o mar de rosas que muitos imaginavam que um homem da realeza tivesse, mas ele tivera seu pai. Um bom homem, Falah al Zeena podia ser o melech para seu povo, mas, para Sayed, ele não era apenas seu rei. Ele era e sempre seria o amoroso pai de Sayed, seu maior confidente. – Até recentemente, não. – Os lábios de Aaliyah se curvaram para baixo. – Acho que minha mãe se enganou.

Ele

é

um

homem

mau?

– perguntou Sayed, aquela surreal conversa combinando exatamente com o inacreditável dia que ele já tivera. Aaliyah suspirou, o som, de alguma forma, cativante. – Na realidade, não, mas não é muito bonzinho. – Acho que muitos diriam o mesmo de mim. – Provavelmente. Ele riu. – Você devia discordar. – Por quê? Acho que é a verdade. Você é arrogante e autoritário demais para ser considerado bonzinho. – Sou um emir.

– Exatamente.

– Não acha que um governante possa ser bondoso? – Bondoso não é o mesmo que

bonzinho, e

você

ainda

não

é

o

governante, é? – Como emir, tenho muitas

responsabilidades de

governo.

Que

seriam multiplicadas por dez quando ele se tornasse melech após o casamento com Tahira. Um casamento que não aconteceria

agora, depois de ela ter fugido com um

homem mais novo que

ela e vários

níveis abaixo dela em status.

– Certo. – Certo o quê?

– Não sei. – Você está completamente bêbada. – E você quer ficar. – Você está supondo. – Meu cérebro pode estar bagunçado, mas ainda funciona. – É?

– Você imaginou que eu quisesse um

lugar reservado para

beber porque

também quer. – É um raciocínio bem sucinto para uma mulher que, provavelmente, não consegue nem andar em linha reta. – Prefiro não tentar andar no momento, obrigada. – Sendo assim, vou servir meu próprio drinque.

Ela zombou daquilo. – Estava esperando que eu fizesse isso? – Naturalmente. A resposta dele foi recebida com uma inebriada risada. – Você se acha mesmo superior, não

é?

– Não é seu trabalho me servir? Ele serviu o uísque e se sentou ao lado dela no sofá. – Você não contará isto a ninguém. Ela revirou os olhos e balançou a cabeça. – Por que homens ricos e poderosos acham que precisam me dizer isso? Acredite se quiser, mas não quero que

ninguém saiba que fui flagrada ficando chapada no quarto de um hóspede. – Tahira não vai precisar dele. – Nem do quarto e nem das bebidas alcoólicas que ela pedira para seus aposentos. As palavras saíram de forma mais pragmática do que amargurada, surpreendendo-o. Sayed podia estar inegavelmente enfurecido com a falta de compromisso de Tahira com o dever, com suas farsas e a escolha do pior momento para fazer aquilo, mas era igualmente inegável que ele não sentia nenhuma reação emocional à fuga dela com outro homem.

– Acabou sendo conveniente para nós dois. Lógica de bêbada. – Eu não estaria aqui se ela tivesse cumprido a promessa – ressaltou ele. – Ela fugiu com outra pessoa, certo? – A imprensa já sabe da história? As coisas estavam se deteriorando muito rapidamente, mas, pela primeira vez, Sayed não conseguia se importar. Ele perdera seu irmão e o resto de sua infância para a política e a violência que eles despertavam em homens raivosos. Sayed passara os anos assumindo todas as responsabilidades que lhe eram designadas, deixando de lado os próprios sonhos e esperanças para

garantir o bem-estar de uma nação. Pusera o dever e a honra acima da própria felicidade por diversas vezes, dando o melhor de si para ocupar o lugar de um irmão mais velho. Estava cansado. Irritado. Farto. Não para sempre, mas, por aquela noite, ele não seria o emir. Seria um homem, um homem recém-liberto. – Passei minha vida inteira sendo quem eu devia ser – disse ele, sem saber por que, mas sentindo a mais chocante certeza de que suas confidências estariam em segurança com aquela mulher. Aaliyah terminou seu uísque. – É?

– Eu não sentia atração por Tahira. Um casamento com uma mulher que parecia mais uma irmã caçula do que uma futura esposa não me agradava. – Mas você nunca tentou cancelar tudo? – Naturalmente, não. – E você está irritado por ela ter fugido para a liberdade de uma vida anônima. – Tem certeza de que tomou três doses? Em alguns momentos, você parece muito lúcida. Aaliyah riu e soluçou. Ele se flagrou sorrindo quando, dez minutos antes, teria imaginado que isso fosse impossível. Até mesmo sua fúria

estava se reduzindo em favor do ardente desejo que Aaliyah despertava nele. Ela sorriu.

– Assim

vai

ser melhor para

vocês

 

dois.

É

uma

visão

muito

ingênua

da

situação.

 

– Talvez.

Sou

filha de

uma mulher

incrível que abriu mão de tudo que tinha na vida para ficar comigo.

– Minha mãe

é

incrível – disse ele,

sentindo-se estranhamente afrontado.

– Eu sei.

Li a respeito dela.

Melecha

Durrah é uma rainha graciosa e bondosa. Todos dizem isso. – Não é boazinha? – provocou ele.

– Não sei. Não a conheço.

– Ela é – garantiu ele. – Mais do que o marido e o filho dela. – Ser bonzinho é algo superestimado. – Por que diz isso? – Minha mãe era boazinha demais.

Se

ao menos ela tivesse se permitido

ficar irritada com as pessoas que

a

magoavam, teria tido uma vida melhor. – Talvez ela gostasse da paz e do perdão. – Talvez. – Aaliyah se levantou, cambaleando. – Acho que vou tomar mais uma. Ele a levou de volta para o sofá. – Depois de beber água. – Não quero água.

– Quer sim, só não sabe disso. – Você é terrivelmente mandão. – Já me disseram isso. Ele encheu dois copos com água e gelo e completou sua dose de uísque, levando tudo para a mesa. – Você nem tinha terminado a primeira dose – comentou ela depois de tomar um obediente gole de água. – Você está cinco doses na minha frente. – E pretende me alcançar? – Sim. – Como soube que a princesa Tahira tinha bebidas alcoólicas no quarto? – Sei de tudo que preciso saber. – Com uma gritante exceção.

– Nem tudo. – Não, nem tudo. – Claramente, ele não soubera a respeito do assistente palaciano. – Teria sido mais politicamente correto não ressaltar isso. – Sou camareira, não política. – Você não age como nenhuma das camareiras que já conheci. – Já conheceu muitas, é? – Na verdade, não. – Bem, não costumo trabalhar como camareira. Eu era gerente-adjunta da recepção antes. – Por que está trabalhando como camareira agora? – Eles queriam a minha mãe, mas ela morreu.

Sua

mãe

também

foi?

– perguntou ele, a pena tocando seu

se

coração como raramente acontecia. – Sim. Ela era de Zeena Sahra. – Você veio a Londres para ficar com o resto da sua família? – Os Amari não me reconhecem.

Isso

é

impossível. – A família era

– algo sagrado na cultura de Zeena Sahra.

Minha

mãe

não

permitiu

que

ninguém da família me adotasse e me

criasse. Os Amari se recusaram a reconhecer uma bastarda.

Ele

franziu

o

cenho,

a

raiva

o

dominando inexplicavelmente.

 

Não

use

palavras

assim

para

se

descrever. Não é digno.

– Assim como me oferecer dinheiro para eu mudar meu sobrenome. – Fizeram isso?! Aaliyah assentiu, uma expressão de profunda vulnerabilidade dominando suas feições. – Por mais que minha mãe tivesse esperanças disso, eles nunca vão me aceitar na família. Ela foi enterrada no jazigo da família. Eu não vou ser. – Pior para eles. – Digo isso a mim mesma, mas, às vezes, é difícil acreditar. – Acredite. – Eles não estão sozinhos. Eu estou e não gosto disso.

– Ninguém devia ser abandonado pela própria família. Ela tentou plantar no rosto uma expressão de indiferença que não teve o efeito desejado, mas ele não diria isso a ela. Gostava de ver o que certamente os outros não viam. A verdadeira Aaliyah Amari. – Acontece. – Ela deu de ombros, e seu copo se inclinou o suficiente para derramar quase todo o conteúdo no nada caro blazer preto do terninho de Aaliyah. Ela apenas baixou o olhar para o blazer encharcado. – Oops. – Você está toda molhada.

– Estou. Você podia se oferecer para pegar uma toalha. – Devo fazer isso?

Em vez de

responder, Aaliyah

começou a tirar o blazer.

– O que está fazendo? – exigiu saber ele, seu corpo se retesando de uma forma conhecida.

– Não se preocupe. Estou de

blusa

por baixo. Quando ela tirou o blazer, Sayed não conseguiu conter seu som de surpresa. O algodão branco da blusa estava molhado, grudado à pele dela e às curvas de seus seios, cobertas pela renda. Ela riu.

– Tarde demais.

– Exatamente o que pensei.

 

– Acho

que

é

melhor eu tirar isto

também. A consciência dele

exigia que ele

a

convencesse a não fazer isso, mas Sayed

se

recusou

a

lhe

dar

ouvidos,

observando com uma

luxuriosa

fascinação enquanto ela tirava a gravata

do uniforme e a blusa ensopada.

O

sutiã

de

renda era

surpreendentemente revelador.

 

Você

gosta

de

lingerie

bonita

disse ele com um escancarado choque

que, para qualquer um que

o

conhecesse, teria indicado que a bebida

já atingira seu sistema.

Sayed não era escancarado. Era sutil. Especialmente em situações delicadas como aquela. – Não devia gostar? Preciso me vestir de um jeito conservador para trabalhar,

mas isso não significa que eu não possa ser feminina por baixo. – Seu uniforme não mascara sua feminilidade.

Tem

certeza?

perguntou

ela,

séria. – Sempre achei que mascarasse.

Bastante

convicto, ele balançou a

cabeça. – Isto não é muito modesto, é? – perguntou ela de uma forma que indicava que seu cérebro estava

começando a se dar conta de suas ações. – Não tem problema. – Claro que você diz isso. É homem. – Sou. – Mas eu sei o que fazer. Esperando que ela vestisse novamente o blazer, Sayed piscou os olhos, luxuriosamente surpreso ao vê-la erguendo as mãos para mexer atrás da cabeça. Um instante depois, as longas, pretas e sedosas ondas de cabelo cascatearam pelos ombros e seios dela. Liyah o arrumara de maneira que as onduladas mechas criassem uma manta sobre os tentadores montes de seus seios.

– Pronto. – Ela sorriu, satisfeita. – Acredita que isso é mais modesto? – perguntou ele, sua voz falhando na última palavra de um jeito como não acontecia havia mais de vinte anos. – Cobre as partes importantes. – Cobre, sim. – De uma forma que enlouquecia inevitavelmente a libido dele. Ela serviu mais um copo de água para si, conseguindo fazê-lo sem derramar o líquido. Por pouco. Tomando um gole, ela o olhou, esperando. – O que foi? – perguntou Sayed. – Sua vez.

– De derramar água em mim? Acho que não. – Não precisa derramar sua bebida, mas você também devia tirar o robe externo. – Devia? – É justo. Aquilo fazia um surpreendente sentido. Sayed se levantou. – Ele se chama abaya. – Eu sei. Ele permitiu que a veste deslizasse por seus ombros e a colocou no encosto do sofá. – O dourado em torno da gola com bordado grená significa que você é um

dos cachorros grandes de Zeena Sahra. – Sim.

– Assim como seu egal.

Acho que

você devia tirá-lo. – Por quê? – Ele

nunca tirava seu

keffiyah e seu egal diante de desconhecidos.

A cobertura para a cabeça e a corda trançada com três tiras que indicavam sua posição de príncipe faziam tanto parte dele quanto sua barba aparada rente.

– Acho que

umas horas não sendo

emir fariam bem a você. Ele a olhou fixamente. – Acho que você tem razão.

Não

fora

exatamente

isso

que

ele

decidira minutos antes? Ela assentiu, seu cabelo se movimentando para revelar lampejos da pele bronzeada que Sayed tinha uma vontade quase irresistível de provar. Os motivos para resistir estavam se esvaindo, juntamente com outras

inibições que vinham com o status dele. – Meus pensamentos atuais, definitivamente, não são adequados a um emir – admitiu ele. – Então, tire.

Tirar

meu

egal

não

vai

levar

embora minha posição. – Vamos fingir que sim.

A ideia era muito atraente. Ele cedeu e tirou a cobertura da cabeça e o egal que a segurava. – Agora, o paletó – instruiu ela. – Está tentando me deixar nu? – Acho que não. – Você não parece ter muita certeza.

Capítulo 5

AS SOBRANCELHAS de Aaliyah se uniram

de forma pensativa. – Você devia se igualar a mim. – As coisas não funcionam assim. – Funcionam sim. Havia algo de falho naquela lógica, mas Sayed não conseguiu identificar o quê.

Além do mais, ele estava gostando da ideia de tirar mais uma das camadas que o separavam daquela mulher. Inexplicavelmente, seus dedos tremiam enquanto ele tirava seu paletó feito sob medida, sua gravata de seda grená e a camisa de botão com riscas de giz. Aaliyah não pareceu perceber, pois seus olhos o devoraram de um jeito muito lisonjeiro. Depois de horas gastas no desenvolvimento de seus músculos enquanto aprimorava técnicas de luta passadas de geração a geração, ele não tinha nenhuma falsa modéstia. Contudo, a maneira como ela o olhava não era simplesmente a de uma

mulher atraída pelo belo corpo dele; era mais intenso que isso.

Ela o observou com uma poderosa sede, mais franca que qualquer expressão que ele já tivesse visto no rosto de uma amante. Liyah soltou um leve som que o atingiu diretamente na virilha.

Seu

cabelo é

curto demais para

cobrir a pele. – Você não parece incomodada com isso. Ela balançou a cabeça. – Talvez você tenha percebido, mas meu peito já tem pelos – ressaltou ele. A abundância não era grande, apenas o suficiente para que ele não

parecesse um menino. – Sim. – Ela engoliu em seco. – Seus mamilos estão contraídos. – Aposto que os seus também estão. – Estão mesmo – arfou ela. Sayed precisou conter um grunhido. – Beba mais água. Vou tomar mais uma dose.

Depois de

beberem, eles ficaram

sentados, contemplando-se em silêncio durante longos segundos. – Você me quis – disse ela, sua expressão pensativa. – Naquele dia no elevador. Ele não precisava ser lembrado daquilo, pois o desejo não o

abandonara desde o instante em que ele Aaliyah pela primeira vez. – Sim. Seu sexo estava mais rígido que qualquer músculo de seu corpo, e ele tinha um abdômen duro como pedra, capaz de suportar golpes e mais golpes de um parceiro de treino. – Nunca fiz sexo num elevador – admitiu ela, como se fosse um segredo profundo, sombrio e até vergonhoso. – Também nunca fiz. – Ah. – Não sei bem se é algo tão comum quanto os filmes românticos insinuam ser. – Você vê comédias românticas?

Ele deu de ombros. – Minha mãe gosta. Meu pai e eu costumamos deixar que ela escolha quando temos a oportunidade de assistir a um filme em família. – Que meigo. Ele não estava acostumado a ser considerado meigo. – Gene Chatsfield teria ficado muito irritado se tivesse havido evidências de sexo naquele dia. – Ele ficou irritado o suficiente – disse ela. – Você não parece muito preocupada com isso. – Não estou. Vou embora do Chatsfield.

Ele teria perguntado o motivo, mas a boca de Sayed secou quando ela esticou

o corpo

para

pôr

o

copo

de

água na

mesa de centro. O cabelo dela pendeu à

frente,

expondo

um

dos

seios.

O

mamilo debaixo da renda

cor de

champanhe estava rígido e com uma aparência deliciosa, como ele imaginara. Sayed pigarreou e serviu para si mais uma dose. – Três anos é muito tempo.

– É? – Ela piscou os olhos, encantadoramente confusa. – Sim. Sem sexo. Tempo demais. – Eu não teria como saber. – Não? – Ela era sexualmente ativa.

Isso era bom, levando-se

em

consideração as coisas que ele estava pensando em fazer. – Não mesmo. – Ela soluçou e riu. – Desculpe. – Não tem problema. – Então você está dizendo que passou três anos sem sexo? – A voz dela continha incredulidade e choque. – Sim. – E, a julgar pelas ações recentes de Tahira, Sayed duvidava que sua ex-noiva pudesse dizer o mesmo. Aaliyah o observou. – É verdade? – Por que eu mentiria? – Porque está tentando me levar para a cama?

– Não preciso fazer uma mulher sentir compaixão por mim para que eu a leve para a cama. – Não. Provavelmente, não. – Ela o olhou de uma forma que era tanto inocente quanto luxuriosa. Ele contraiu os músculos do peito e grunhiu quando os lindos olhos verdes dela escureceram de desejo. – Provavelmente, deve ter várias mulheres babando por você. – Não sei. Passo muito pouco tempo com mulheres solteiras atualmente. – Por quê? – Eu era noivo. – Ah. – Ela sorriu, parecendo muito feliz com alguns de seus pensamentos. –

Você é mesmo um daqueles caras. – Que caras?

– Os que sabem ser fiéis, mesmo antes do casamento. – Não sou perfeito, mas, quando Tahira atingiu a maioridade e nosso noivado foi oficializado, seria errado se eu continuasse tendo amantes. – Você nunca pensou em fazer sexo

com

em três anos? Ela nunca se

propôs?

– Não.

– Isso

hã...

– Adequado. Os fartos lábios dela se curvaram para baixo. – Não era o que eu estava pensando.

– Patético?

 

Sayed

não

achava

que

algo fosse

capaz de arrefecer seu ardor, mas pensar que ela poderia sentir pena dele estava se mostrando extremamente eficaz. Ele não precisava que fizessem sexo com ele por solidariedade, e seu orgulho não lhe permitiria aceitar isso, por mais que ele a desejasse.

Tenho

quase

certeza

de

que

ninguém descreveria você como patético. Eu ia dizer que talvez você

devesse ter entendido isso como um aviso. O desejo retornou com tudo, o sexo dele pressionando o confinamento da calça.

– Aviso? – Aparentemente, ela estava feliz por continuar celibatária. – Ao menos comigo. – Quer dizer que nenhum de vocês sentia atração sexual pelo outro? – Parece que não. – Você não achou que isso fosse um problema? – Casamentos entre a realeza não acontecem pelos mesmos motivos que no seu mundo. – Que elitista. Ele deu de ombros. – Nossos mundos mal ficam no mesmo sistema solar.

– Uau. É verdade mesmo, in vino veritas. Apesar de você não estar bebendo vinho. – Eu garanto que não preciso de bebida para dizer a verdade. – Você é mesmo tão arrogante assim? – Não entendo o que quer dizer. – Claro. Nossos mundos são distantes demais para que nos comuniquemos. – No momento, estamos no mesmo espaço. O que era bastante incrível. O fato de ele estar sozinho num lugar privado com aquela mulher, uma camareira que ele desejava mais do que já desejara qualquer outra mulher.

A cabeça dela se inclinou levemente, e ela o olhou com uma inconsciente sensualidade. – Estamos mesmo, não é? – É um momento extemporâneo. Ela gargalhou. – Arrogante e tosco. Por que ainda quero beijar você? Ele não entendia o que ela achava tão engraçado. Aquele era um momento que jamais se repetiria, não poderia se repetir. Contudo, ele estava agradecido pelo destino ter causado aquele encontro. – Por que você não iria querer me beijar? – perguntou ele, certo de que queria isso o suficiente pelos dois, mas

ciente de que, se ela não quisesse, ele não daria asas aos próprios desejos. Maldita fosse sua honra. – Você se acha bom demais para mim. – Não. – Ele ficou chocado. – Eu não disse isso. – E aquela história de mundos diferentes? – perguntou ela, parecendo magoada. Essa nunca fora a intenção dele. – É a realidade, não um julgamento de nossos valores como seres humanos. Há emires em países vizinhos com os quais eu preferiria nunca mais ter que interagir. – Sério?

– Absolutamente.

– E eu? –

Seria

um

grande

prazer

poder

passar mais tempo com você. – Mas...? – Mas um emir não pode ter um relacionamento temporário com uma camareira de hotel. A vida não é um conto de fadas. – Por mais que ele quisesse que fosse. – E você, sem dúvida, não é nenhum príncipe encantado. O fato de ela, aparentemente, achar que ele deixava a desejar o incomodou, mas Sayed não entendeu o porquê. – Não, nunca fingi ser nada além de um homem.

– Que é o príncipe de seu povo. – Exatamente. Ela o olhou de forma estranha. – Sua intenção não é mesmo ser arrogante, é? – Não. – Mas você é. Caso já tenha se perguntado isso. Ele riu. – Você não está ofendido. – Por que devia estar? – Porque a opinião de uma simples camareira não importa, não é?

– Claro que seu ponto de vista é

importante. – Mais do que admitir. – Você parece um político.

ele queria

– Eu sou um político. Entretanto, ele não estava sendo diplomático com ela. Estava falando a verdade. – Você é muito sexy para um político. – Ela parecia surpresa com esse fato. Ou talvez com a confissão. Já incapaz de conter sua sede, ele se curvou à frente. – Fico feliz por você achar isso. – Você vai me beijar – sussurrou ela, a boca de Sayed a centímetros da dela. Ele não se deu o trabalho de responder verbalmente, apenas pressionou sua boca na dela. No início, ela agiu como se não soubesse o que fazer. Então seus lábios se derreteram.

E Sayed entendeu a reticência inicial dela. Liyah dissera que não aceitava sexo casual; naturalmente, teria ressalvas com relação ao que estava prestes a acontecer entre eles. Com grande relutância, ele recuou. – Não podemos ter mais do que uma noite – disse ele, sentindo-se compelido a ressaltar isso pela última vez. Ele continuava sendo um homem honrado, por mais inconveniente que isso fosse.

LIYAH PRECISOU processar as palavras de Sayed e o que elas significavam antes de responder. – Eu sei.

Ele deixara a incompatibilidade deles perfeitamente clara. E ela não se

importava. Passara a vida inteira ouvindo sua mãe pregar contra uma intimidade fácil com os homens.

Liyah

não

namorara

no

colégio

e

raramente fizera isso na faculdade, mas nunca se permitira nada além de simples beijos. Ela mantivera sua virtude em nome de Hena Amari, por

algo que lhe fora negado para sempre.

para reconhecida pela família Amari. Ela jamais conheceria essa aceitação, mas era digna de carregar o nome Amari. Mais digna do que aqueles que

sua

ser

O valor de

filha

tinham dado as costas a Hena por causa de seu amor por sua filha. Liyah permanecera casta para provar a todos, especialmente a Hena, que sua mãe a criara melhor do que qualquer um deles poderia tê-la criado. Provar algo a uma mulher que partira irrevogavelmente da vida de Liyah, ou para pessoas que simplesmente não importavam, parecia mais do que ridículo. Mesmo para seu cérebro afetado pelo álcool. Ela teria uma vida inteira de solidão pela frente. Naquela noite, vivenciaria a intimidade que sempre negara a si mesma e que talvez nunca mais tivesse.

Por mais melodramático que isso pudesse ser, Liyah tinha a distinta sensação de que nenhum outro homem chegaria aos pés daquele. Amor à primeira vista existia? Ou seria apenas luxúria? Liyah não sabia, mas o que ela sentia por aquele arrogante sheik ia além de tudo que ela já vivenciara. Ela se concentrou totalmente no homem diante de si, aquele cujos beijos a tinham tocado mais profundamente do que ela jamais imaginara ser possível. Sayed arfou contra os lábios dela, uma delicada carícia. – Quero beijar você novamente.

Ela suspirou. – Eu gostaria disso. – Muito. Ele não pediu novamente, apenas pôs seu desejo em ação, colocando a mão na nuca de Liyah. Ela se surpreendeu ao ver que estava gostando muito daquilo, ardia com a sensação da boca dele junto à dela. Era incrível e lançou mais faíscas de um desconhecido desejo pelo corpo dela. Queria muito mais do que um simples beijo. Sedutores, deliciosos e totalmente viciantes, os lábios dele eram letais ao comedimento dela. Um beijo se fundiu ao outro até que Liyah se deu conta do que ele queria, quando a língua de Sayed deslizou

pelos lábios dela, pressionando levemente a lateral de sua boca. Liyah permitiu que ele entrasse e estremeceu com a intimidade da conexão deles, que atingia um novo patamar. Liyah nunca sentira a língua de um homem deslizando junto à dela. Era erótico de uma forma que ela jamais teria esperado, e isso a fez querer mais. Ela só não sabia mais do quê. Mas, sem dúvida, mais. Ele segurou o seio dela, e ela soube. Queria mais disso. Era como se a fina camada de seu sutiã sequer estivesse presente. Todo ponto tocado pela mão dele formigava.

Quentes dedos

masculinos a

acariciaram, massageando a curva do

seio, roçando no mamilo. Todo o corpo dela ficou rígido com os choques elétricos que iam diretamente do pico latejante até o centro de seu ser.

Aquilo era normal?

Seria

tão

fácil

assim atingir o êxtase? Todas as revistas femininas falavam daquilo como se fosse algo muito mais complicado. Delicadamente, ele apertou o mamilo entre o polegar e o dedo indicador, a língua fazendo uma dança do acasalamento dentro da boca de Liyah. E ela percebeu que o que estava sentindo não era o êxtase máximo. Pois

ele continuou crescente. Um prazer sobrepujando o outro. Cada sensação mais intensa que a anterior, todo o corpo dela se esquentando. Se aquilo não era o clímax, ela não sabia ao certo se conseguiria sobreviver quando ele chegasse. Mas ela estava tão disposta a tentar! Sayed interrompeu o beijo. – Tem certeza de que quer isto? Ela assentiu. – Você entende que, amanhã, volto a ser o emir de Zeena Sahra. – Mas, hoje, você é só um homem – lembrou ela com um sussurro carregado de desejo. – Sim.

Ele a beijou novamente, sua boca devorando a de Liyah. A agressiva paixão dele a teria assustado, não fosse a maneira delicada como ele continuava a massagear o seio e o mamilo dela. Deixando de lado uma vida inteira de comedimento, ela estendeu as mãos para explorar também. A pele dele estava quente nas pontas dos dedos dela, mais lisa do que Liyah esperava. Os pelos pretos no peito dele também eram surpreendentemente sedosos. Mas não havia nada de macio nas camadas de músculos que se contraíam sob o toque dela. Peito, bíceps e abdômen; todos marcados por músculos definidos.

Com ou sem egal, Sayed

emanava

poder. Ele sempre seria o alfa. Sua força

física e mental era surpreendente. E,

naquele

momento,

ele

despertava a

excitação dela.

 

Liyah

estava

tão

concentrada

em

conhecer o corpo dele que, no

princípio, não percebeu a movimentação das mãos dele.

Contudo, quando ele soltou o sutiã com um único e eficiente movimento,

tirando

o

tecido de

renda e

seda do

corpo

dela,

Liyah

não

conseguiu

ignorar. Seus mamilos já enrijecidos ficaram ainda mais contraídos com a exposição

ao ar. Ela sentira isso centenas de vezes em sua vida, ao se despir para dormir. O que ela nunca sentira fora aquele latejamento correspondente entre suas pernas. Ou aquela nova necessidade de ser tocada . Um desejo que ela só conseguiu expressar com gemidos e a inclinação de sua pélvis num lascivo ato que devia tê-la deixado morta de vergonha. Mas não deixou. As grandes mãos dele subiram pelo tronco dela, deixando formigamentos de excitação pelo caminho até ele envolver ambos os seios. – Lindos. Cabem perfeitamente nas mãos.

– Você

tem

mãos

grandes.

Tão

quentes...

 

Apenas quando

a

profunda

risada

dele

a atingiu

Liyah se

deu conta de

ser

como

suas

palavras

podiam

interpretadas.

Não

quis dizer que

Não

foi... Ele roçou os lábios nos dela. – Shh. Você é perfeita.

Ela

não

teve

oportunidade de

responder,

pois

 

os

polegares

dele

passaram

por

cima

dos

eletrizados

mamilos dela. Liyah achara que a fina

barreira

de

seda

não

fazia

nenhuma

diferença

para

a

sensação

daquelas

carícias, mas ela se engara muito.

Embora a sensação de vazio e desejo crescesse em seu centro, o resto do corpo de Liyah ficava cada vez mais sensível. Sua pele latejava pelo toque dele de um jeito que ela nunca imaginara ser possível. Ele pareceu entender, pois suas carícias passaram dos seios para o abdômen dela, percorrendo as laterais de seu corpo, indo até as partes internas dos braços. Inundada por sensações intensas, ela gemeu demoradamente. As mãos dele seguraram a cintura dela, os dedos apertando e soltando em rápida sucessão. – Você reage tanto.

– Você me faz sentir. – Liyah passara toda a sua vida escondida atrás de uma fachada totalmente abotoada que quase não permitia emoções. Sentimentos eram perigosos. Contudo, ela encontrara uma inexplicável segurança, embora temporária, nos braços daquele homem. Ele beijou a parte abaixo do queixo dela, provocando sua pele com as pontas dos dentes, lançando calafrios pelo corpo de Liyah. – Você é muito mais inebriante que o uísque. – Você também é. – Ela desejou conseguir ser mais eloquente, mas não tinha nenhuma experiência com aquele

tipo de conversa, nenhuma resposta além da pura honestidade. Ele não pareceu se importar com a falta de articulação dramática de Liyah, pois intensificou o massacre sensual de suas mãos e boca no corpo dela.

Capítulo 6

SAYED RECUOU, observando-a.

– Você não está bêbada. Era uma afirmação, mas havia uma pergunta nos olhos de café que exigiam toda a atenção dela. Mesmo inebriada, Liyah soube que, se admitisse que não tinha experiência com álcool, muito menos com o sexo, ele pararia. O homem tinha um senso

de

honra

exageradamente

desenvolvido. Porém, independentemente

de

ela

estar meio tonta, Liyah sabia o que

queria. Que ele não parasse.

– Não. – Ela virou a cabeça, tocando o forte maxilar dele com os lábios, inspirando o perfume masculino. – Se alguém está se aproveitando aqui, sou eu. Era verdade. Ela nunca fora tudo isso e sabia disso, mas aquele incrível homem queria fazer amor com ela.

– Sendo assim,

ninguém está se

aproveitando de ninguém – declarou ele firmemente, enquanto suas mãos iam para a presilha da saia. – Creio que

seja hora de retirarmos mais camadas das vidas que optamos por não reconhecer esta noite. – Sim. – Ela não queria se lembrar de seu emprego no Chatsfield, nem do motivo para tê-lo aceitado. Chocantemente, Liyah não hesitou nem um pouco em tirar o resto das roupas. Ela nunca ficara nua com um homem antes, não estava acostumada a expor seu corpo para ninguém. Hena a criara para ser extremamente modesta, mesmo perante suas amigas na escola. Uma vida de modéstia se derreteu sob o calor do desejo dele, e Liyah deu

o melhor de si para ajudá-lo a se despir também.

Quando

os

dois

estavam

completamente nus, sem nenhum sinal externo da posição de costume de cada

um, ele assentiu, satisfeito. – Perfeito. – Você é. Ele sorriu. – Obrigado.

– Não

de

quê.

Ela

mal estava

ciente do que dizia.

 

Sua

mente

 

estava

muito

ocupada

absorvendo aqueles músculos bronzeados. Ele se aproximou dela com a graça de um predador.

– Espero que esteja pronta para isto. Liyah também esperava. Ele parou diante dela.

– Vou acabar com um jejum de três

anos.

Prepare-se.

Planejo

me

banquetear com você. Mal conseguindo assentir, ela estremeceu com as palavras, mas ainda mais com a expressão dele. Com grande facilidade, ele a ergueu nos braços. Liyah arfou. – Sexo no sofá é para quando o conforto de uma cama não está disponível. – Ele começou a andar para o quarto.

Liyah não discutiu; apenas se curvou e começou a dar beijos em toda a pele que alcançava. Pensar em fazer amor pela primeira e única vez com Sayed na cama reservada para a mulher com a qual ele pretendia se casar soava com uma estranha sensação de algo certo. Embora Liyah não tivesse nenhuma esperança de se tornar essa mulher um dia, naquela noite, ela era inegavelmente dele. Sem soltá-la, ele puxou as cobertas e a colocou sobre a cama. – Você é muito bom nisto – disse Liyah.

Sayed endireitou o corpo, dando a ela uma visão completa de seu incrível corpo, sua expressão confusa. – Como é? – Nessa história de levar para a cama – explicou ela. – Imagino que você tenha muita experiência em carregar mulheres para a cama. Ele se sentou na beira do colchão e a olhou. – Na verdade, não tanto. Você é uma exceção em vários aspectos. – Aquela história de não levar uma camareira inferior para a cama? – brincou ela. – Entre outras coisas.

Está

dizendo

que

não

costuma

levar suas conquistas para a cama?

– Não consigo pensar em outra ocasião.

Com

a

confissão

dele,

o

calor

se

derramou em lugares nos quais Liyah não estava acostumada a sentir nada. – Ao menos por três anos. – Nunca.

– Ah. – Aquilo

era...

simplesmente...

um tanto incrível. – Acho que deve ser

só o instinto. Ele riu, o som envolvente e incrivelmente sexy. Ela sentiu um aperto no peito. – Sayed...

Ele soltou um palavrão, seu humor desaparecendo imediatamente, substituído por aquela intensidade pela qual ela se sentia tão atraída. – O que foi? – perguntou Liyah, sem saber ao certo o que fizera. – Repita. – Como assim? Ele se curvou à frente, seu rosto ficando a centímetros do dela. – Meu nome. O nome dele? O confuso cérebro dela tentou entender aquele pedido. – Sheik Say... – Não. O meu título, não. Meu nome. – Sayed.

Algo lampejou nos olhos dele. Então seus lábios estavam novamente sobre os

dela. Apesar de Liyah ter certeza de que eles já haviam atingido o ápice dos beijos apaixonados, ela logo se deu conta de como se engara.

Ele

se

deitou

ao

lado

dela,

pressionando seu corpo ao de Liyah, sua rigidez se esfregando na coxa dela. Outro conjunto de novas e maravilhosas sensações a atingiu. Liyah se mexeu, inquieta, as pernas se abrindo.

Ele

pôs uma

das mãos entre

elas,

cobrindo os cachos femininos e a carne

mais reservada de Liyah. – Isto é meu.

– Sim. – minha de todos os jeitos. Esta noite é nossa, e você será A
– Sim.
minha de todos os jeitos.
Esta
noite
é
nossa,
e
você
será
A resposta de Liyah foi um gemido
quando ele
colocando
mudou
de
posição,
a
mamilos dela.
boca
sobre
um
dos

Foi a sensação mais incrível que ela sentira; o calor molhado, os choques ardentes de prazer que percorriam seu

corpo,

irradiando

daquele

ponto

inchado.

Então o

dedo

dele

mergulhou no

lugar mais íntimo de Liyah, e ela se deu novamente conta de que se enganara.

Sem dúvida,

ela

era

capaz de

sentir

mais.

E mais. E mais. E mais. Uma sensação se fundiu à outra, sua necessidade pelo toque dele crescendo exponencialmente a cada carícia. Os dedos dele percorreram um sensível ponto ainda mais potente que os mamilos dela, e Liyah gemeu alto. Sabia a respeito de seu clitóris. Não crescera numa caverna, mas fora criada para jamais falar de coisas sexuais. Nem com sua mãe, nem com as outras meninas da escola, nem com ninguém. Sexo era um completo tabu para Hena Amari, e ela se certificara de

que Liyah também tivesse esse pensamento. Liyah passara sua vida se destacando na escola e na carreira. Era uma virgem em interações sociais quase tanto quanto no sexo. O íntimo toque de Sayed marcara a primeira vez em que Liyah percebera onde ficava aquele ponto em especial. E ele sabia como manipulá-lo para dar o máximo de impacto. O deleite a preencheu, fazendo sua pele parecer apertada demais para o corpo. O prazer crescia, deixando Liyah se perguntando se seria possível a sensação ficar mais intensa.

Então algo se estilhaçou dentro dela, o êxtase explodindo, arrebatando-a, e

ela gritou. O nome dele. Um gemido longo e cheio de prazer.

A boca

dele

se afastou do mamilo

dela quando Sayed levantou a cabeça, aqueles dedos mágicos ainda se movendo em delicados círculos

enquanto eles se

entreolhavam. A

satisfação se misturou a uma indomada

sede nos olhos dele.

Mal tocando em Liyah,

ele

causar contrações por todo o corpo dela.

continuava a

tremores

e

– Você

é

tão linda em sua paixão,

habibti.

As

palavras

doces foram potentes

como a mais íntima carícia dele. Ah, ela sabia que ele não estava querendo dizer de verdade que ela era seu amor, mas o coração de Liyah se apertou mesmo assim. Ele poderia ter usado aashitii, uma forma carinhosa de chamar uma amante extraconjugal, mas muito menos terna. Naquela noite, Liyah poderia ser a habibti dele. – Sayed. – Foi tudo que ela conseguiu dizer. Por diversas vezes. Apesar de ter tomado uma imensa quantidade de álcool e tê-lo ouvido chamá-la de habibti, Liyah não teve

coragem de chamá-lo de querido em idioma nenhum.

E ele gostava quando dizia seu nome. Por isso, ela o repetiu por diversas vezes. Sayed se postou acima dela, seu grande corpo se acomodando entre as pernas de Liyah. Beijou-a novamente.

Seu rígido sexo roçou

em Liyah no

ponto onde os dedos dele tinham estado, enviando pequenos choques pelo corpo dela e despertando um novo tipo de prazer. Não era apenas prazer. Era a necessidade de tê-lo unido ao seu corpo do jeito mais íntimo possível.

Sayed

interrompeu

o

beijo,

a

respiração tão pesada quanto a dela. – Precisamos de um preservativo. – Preservativo? – perguntou ela, sua mente enevoada de bebida e paixão. – Sim. – Ele grunhiu. – Você não tem nenhum. – Ele soltou um palavrão, seu corpo se enchendo de outro tipo de tensão. – Claro que não tem. Este não é seu quarto. Você não andaria com algo assim no seu uniforme de trabalho. Liyah ficou um tanto quanto impressionada com a sequência de pensamentos que ele conseguiu ter. E finalmente o significado daquilo a atingiu. Eles precisavam de um preservativo, e ele não tinha nenhum.

– Olhe na gaveta ao lado da cama. Ele a olhou fixamente. – Tahira pediu isso? – Não. – Liyah sequer tentou conter a estranha necessidade de reconfortá- lo, estendendo a mão para tocá-lo de forma tranquilizadora. – Ela era sua noiva. Parecia um item necessário. – Presunçosa. Liyah apenas o olhou. Sayed foi pegar aquilo de que eles precisavam, sem perder totalmente o contato com o corpo dela. Instantes depois, ele se acomodou novamente em sua íntima posição entre as pernas dela, depois de colocar o preservativo retirado da caixa fechada que a própria

Liyah pusera ali para a estada de um casal de noivos. O sorriso dele seria capaz de derreter gelo.

Talvez

precavida

seja

a

palavra

certa. O sorriso dela,

em resposta, foi tão

inevitável quanto o que viria a seguir.

Sayed mudou de

posição para

pressionar seu corpo na abertura do dela. Tudo dentro de Liyah ficou paralisado, seu mundo se encolheu

àquele exato instante, àquele

espaço.

Nada além de Sayed era registrado pela mente dela.

Não com ele

à beira

de

uni-los do

jeito mais íntimo de todos, mas uma

experiência que Liyah jamais esperara ter. Com ninguém, muito menos com

aquele príncipe. – Vai ser forte e rápido. – As palavras saíram guturais e graves. – Estou excitado demais. Liyah tinha quase certeza de que algo forte e rápido seria bom para ela. – Sem problema.

Ela

queria...

não, estava louca para

que ele sentisse o mesmo prazer que ela sentira.

Sayed balançou a cabeça.

– Você é perfeita demais, habibti.

– Perfeita,

nã...

– As palavras dela

foram estranguladas abruptamente quando ele pressionou para penetrá-la.

Embora ele tivesse lhe avisado que seria rápido, Sayed adentrou o corpo de Liyah com mensurada deliberação. Ela se esticou em torno dele, sentindo-se plena e conectada como nunca se sentira com outra pessoa. Então uma forte pontada perfurou seu centro, fazendo-a arfar. Provavelmente, ele encontrara a fina barreira para o corpo dela. Sayed baixou o olhar para ela. – Está bom? Ela duvidava que ele tivesse se dado conta de que fizera a pergunta em árabe. – Sim. – Estava bom, mesmo doendo.

– Você é tão apertada. Ela só conseguiu assentir, cerrando os dentes contra a escaldante dor. Ele recuou um pouco. Apesar da dor, Liyah gemeu de protesto com a retirada dele. – Não. Com sua própria respiração pesada, o maxilar dele estava contraído como o dela, os braços, tremendo. E Liyah se deu conta de que ele estava usando todo o seu controle para se conter. Uma desconhecida emoção venceu a barreira em torno do coração de Liyah. – Não vou a lugar nenhum, ya ghazal. – Ele riu, o som sexy e soturno. – Acredite.

Novamente, as palavras doces usadas por ele a tocaram mais profundamente do que devia ter sido sua intenção, mas a mãe de Liyah costumava chamá-la de gazela. Ela dizia que Liyah tinha a elegância e a beleza do animal usado com tanta frequência na poesia árabe. O fato de Sayed ter acrescentado o minha só fez aumentar o impacto, garantindo que aquela experiência fosse muito além do reino físico para Liyah. Ele avançou novamente, a dor tão lancinante que ela não conseguiu respirar. Liyah conteve um grito, aterrorizada com a possibilidade de que ele parasse. E se sentiu infinitamente agradecida por ter feito isso quando a

dor se transformou num nível completamente novo de prazer. – Pronto – disse ele. – Você relaxou. Você disse que não estava num jejum sexual. Ela balançou a cabeça. – Diga o que quiser, habibti, mas mulher nenhuma fica tão apertada e tensa com a penetração sexual quando é regularmente ativa sexualmente. – Eu quero você. – Não tenho dúvidas disso. – Ele investiu uma, duas, três vezes dentro dela. O corpo de Liyah reagiu com deleite, mesmo com a dor residual.

– Admito que gosto de saber que sou o primeiro dos últimos tempos. Ela engoliu em seco, incapaz de dizer outra palavra enquanto ele continuava com suas lentas e consistentes investidas. – Esta noite, você é totalmente minha – afirmou ele pela segunda vez com uma satisfação quase brutal. E, novamente, Liyah conseguiu apenas assentir, o avassalador êxtase do momento a atingindo. Naquela noite, não seria apenas ela que seria dele. Ele seria dela. – Pronta? – perguntou Sayed.

– Sim – conseguiu dizer Liyah, apesar

de não saber para o que deveria estar pronta. Eles já não estavam fazendo amor? Ele recuou e, então, investiu poderosamente à frente. Ah. Sim! Todos os vestígios de dor se afogaram no êxtase quando ele a penetrou por diversas vezes. Ali estavam a velocidade e a intensidade das quais ele lhe avisara.

O corpo dela

se

contraiu debaixo e

em torno dele quando um indescritível prazer cresceu novamente. O clímax de Liyah a pegou de surpresa, as ondas de deleite tão

intensas que ela sequer conseguiu gritar desta vez. Momentos depois, Sayed ficou rígido acima dela, seu grito ecoando pelo cômodo. E o prazer de Liyah ficou completo. Ele desabou, mas, de alguma forma, conseguiu evitar que a maior parte de seu peso ficasse sobre ela. – Desculpe, ya gazhal. – Por quê? – Foi rápido demais. – Mas foi incrível. – Um repentino pensamento a deixou preocupada. – Você não achou? – Ah, sim, habibti. Mas, se tivesse durado mais, teria sido enlouquecedor.

Ele continuava rígido dentro dela. Liyah sorriu para ele. – Mostre como. E ele mostrou.

SAYED ACORDOU com o prazer de um corpo quente e sedoso junto ao dele. Abriu os olhos cautelosamente, o sol do início da manhã revelando não a suíte dele, mas outro quarto luxuoso. A suíte de Tahira. Tahira. As lembranças retornaram com tudo. Ela fugira com um assistente

do palácio. E ele fora até ali para afogar

suas mágoas na

bebida...

e

acabara

tendo a noite mais intensa e prazerosa

de sua vida.

Ele inclinou a cabeça para ver o escuro cabelo de Aaliyah despontando do lençol. Ela estava encolhida ao seu lado, seu corpo aconchegado de forma confiante junto ao dele. O que o chocou. Ela podia estar acostumada a dormir com outra pessoa, mas ele não estava. Sayed nunca levava uma amante para sua própria cama, nunca passara a noite na cama de uma. Contudo, ele dormira melhor naquela noite do que em meses, mesmo sabendo da traição de Tahira e das consequências que isso lhe traria. Devia ter sido o uísque.

Ele começou a retirar a mão do abdômen de Aaliyah, e ela fez um leve som, adormecida. Por algum motivo, ele não quis abrir mão do contato com a macia pele dela e permitiu que sua mão se acomodasse novamente. Só por um instante. Ele não conseguia se arrepender de ter cedido ao seu desejo pela linda Aaliyah Amari. Mas também não podia se permitir saciar o desejo que ela despertava novamente nele. Mesmo se ele pudesse permanecer mais uma semana em Londres, conforme planejado, isso seria uma má ideia.

Ele precisava retornar a Zeena Sahra imediatamente. O cancelamento do casamento entre ele e Tahira teria extensas ramificações políticas. Uma delas era o fato de que nenhum emir se transformara em melech de Zeena Sahra ainda sendo solteiro. Sayed e o pai dele precisariam encontrar outra possível noiva para ele, e muito rapidamente, se quisessem minimizar a vergonha internacional. O pai dele. Maldição. Sayed devia ter telefonado para ele na noite anterior. Precisaria fazer isso muito em breve.

Deveria acordar Aaliyah antes de sair? Talvez fosse mais confortável para ambos evitar a manhã seguinte. Contudo, aquilo seria inevitável, percebeu ele. Sayed não percorreria os corredores do hotel de volta à sua suíte com o terno inevitavelmente amarrotado da noite anterior. Relutante, Sayed afastou seu braço de Aaliyah. Ela resmungou e estendeu uma das pernas, roçando-a provocantemente na dele. Porém, não acordou. Com mais esforço do que devia ser necessário, Sayed se sentou na beira da cama e pegou o telefone.

Ligando para Yusuf, ele instruiu seu guarda-costas particular a lhe levar roupas novas. – Seus pais ligaram ontem. – Você resolveu tudo com discrição, como sempre, tenho certeza, Yusuf. – O homem era o guarda-costas de Sayed, não seu assistente, mas lidava com coisas delicadas demais para Duwad ou Abdullah-Hasiba. Yusuf era a única pessoa que sabia onde Sayed fora parar na noite anterior. Na realidade, o próprio guarda-costas sugerira isso. – Sim. – Ótimo.

Aaliyah grunhiu, mexendo-se ao lado dele. – Não está sozinho, Emir? – perguntou Yusuf. – Não. – Quer que eu resolva isso? Pensar em seu velho amigo cuidando de Aaliyah como fizera com outras parceiras de cama de Sayed no passado não era aceitável. – Não. – Ela precisa assinar um contrato de confidencialidade. – Ela não vai dizer nada, Yusuf. Não é desse tipo de mulher. – Sayed sabia como estava parecendo ingênuo, mas estava certo de que tinha razão.

Não

a

deixe

sair

antes

de

eu

chegar.

 

– Esqueceu quem é o emir aqui? A cabeça de Aaliyah saiu de baixo do lençol ao ouvir aquilo, e ela o olhou de olhos arregalados. – Nunca esqueço minha responsabilidade, O’ Emir. – O tom de Yusuf estava cheio de sarcasmo.

Não

estou

questionando

sua

responsabilidade.

Apenas

sua

disposição a acatar uma ordem direta.

Mas,

depois

dos

anos de

amizade,

nenhum deles esperava muito que isso acontecesse.

Pense

com essa sua cabeçorra,

– Sayed – quase implorou Yusuf. – Se ela

não estiver aí quando eu chegar, serei obrigado a deixar esse assunto nas mãos de Omar. Sayed não se deu o trabalho de lembrar a Yusuf que ele não dissera o nome dela. Mesmo se seu guarda-costas já não estivesse totalmente ciente do interesse de Sayed por Aaliyah Amari, descobrir a identidade da mulher com quem Sayed passara a noite não seria nenhum grande desafio para a equipe de segurança. – É isso que você quer? – perguntou Yusuf quando Sayed não respondeu. Sayed não poria o solucionador de problemas de seu pai atrás de Aaliyah. – Isso não é aceitável.

– Como quiser. O que não queria dizer que ele aceitaria. Não vindo do homem que fora criado junto de Sayed e lhe era quase tão íntimo quanto um irmão. Sayed fora treinado para liderar um país, e Yusuf fora treinado para proteger a casa real de Zeena Sahra. Eles tinham um objetivo em comum que solidificara o vínculo entre os dois desde a infância. – Vejo você daqui a pouco. – Como quiser, Emir. Cerrando os dentes ao ouvir o sarcasmo adicional que permeava o tom de seu amigo, Sayed desligou.

Virou-se para Aaliyah. Ela fora para

o outro lado da cama king size e estava sentada, encostada na cabeceira, o lençol cobrindo sua nudez.

Não havia como adiar o que preferiria evitar por completo.

ele

– Meu

guarda-costas

insistiu

para

que você assinasse um acordo de confidencialidade. Aaliyah assentiu e, em seguida, fez uma expressão de dor. Pressionando na têmpora a mão que não segurava fortemente o lençol, ela fechou os olhos. – Não se importa? – Não – sussurrou ela. – Mas você se importaria de não gritar?

– Está de ressaca? Os olhos dela se abriram, as chamas faiscando naquelas profundezas verdes. – Obrigado, Capitão Óbvio. Ele riu, mesmo depois de ter certeza de que nada o faria rir naquele dia. Afinal, ele enfrentaria uma das maiores crises políticas de sua vida.

Capítulo 7

A EXPRESSÃO fechada de

Aaliyah

se

transformou num irritado olhar.

E

a

risada

de

Sayed

ficou

mais

intensa.

 

– Você é uma mudança bem-vinda.

 

Por quê?

Ninguém mais faz cara

feia para você? – É bem raro mesmo. – Ele se levantou, sem vergonha de sua nudez.

– Venha. Pode tomar banho primeiro. Isso vai ajudar.

o enlouquecido. – Vou esperar você ir embora.

se

Ela

olhou

como

ele

tivesse

– Não seja ridícula. – Ele começou a

vasculhar as gavetas e

armários

do

cômodo. – Tem algum analgésico aqui?

Sua

noi...

A

princesa

pediu

ibuprofeno.

Está

no

armário

do

banheiro. – Ela não é uma princesa – comentou

Sayed enquanto ia em busca do

analgésico. – O pai dela é

um sheik

muito influente, mas não é rei. Agora, ela é apenas a sra. Assistente do Palácio.

O que

não garantiria a ela nada do

prestígio ou dos benefícios que a vida

como esposa dele teria lhe trazido.

Você

parece

um

pouco

amargurado.

Saindo

do

banheiro

com

dois

comprimidos e deu de ombros.

um copo

de

água, ele

– Ela escolheu essa vida. Agora, terá que vivê-la.

E Sayed não achava que

a mimada

filha de um poderoso sheik gostaria de suas novas e humildes circunstâncias.

O

amor

compensa

muitas

privações.

 

– É um lindo sentimento, mas não é

muito realista. – Ele

entregou os

comprimidos e a água a Aaliyah. – Minha mãe e eu não tínhamos muitos dos luxos que você deve considerar necessidades da sua vida, mas nunca duvidei do amor dela, e isso compensou tudo. – Sem dúvida, ela foi uma mulher incrível – disse ele com sinceridade. Afinal, a sra. Amari criara Aaliyah. – Foi mesmo. – Com uma expressão de tristeza, Aaliyah desviou o olhar ao engolir os comprimidos. Quando ela tentou lhe devolver o copo, Sayed balançou a cabeça. – Beba tudo. Vai ajudar. – Acho que não consigo. – Beba devagar.

Ela suspirou. – Não foi álcool, foi? Você é mesmo mandão assim o tempo inteiro.

– Faz parte sorriu.

do meu trabalho.

Ele

Ela terminou de beber. – Ótimo. Agora, vá tomar seu banho. – Assim, Yusuf chegaria quando ela estivesse dentro do banheiro.

Sayed

não

entendia

aquela

necessidade de protegê-la, mas não tinha dúvida de que Aaliyah ficaria

muito envergonhada por encontrar os seguranças dele naquela manhã.

Ela

parecia

desconfortável

o

suficiente com a presença de seu

amante por uma noite.

Liyah segurou o lençol com mais força. – Vou esperar. – Não estou acostumado a não levarem minhas instruções em consideração – disse ele. – Coitadinho. Tenho certeza de que você vai sobreviver. – Você não estava tão teimosamente tímida ontem. Ela o olhou com irritação. – Eu estava bêbada. – Você disse que não estava. – Eu queria que você fizesse amor comigo. – Então, tinha ciência suficiente para decidir – disse ele com um certo alívio.

– Claro. Não sou criança. Ele puxou o lençol. – Tem certeza? O adorável rosto dela pareceu afrontado.

Ele deu de ombros. – Sua recusa a sair da cama me

parece

um pouco infantil.

Depois da

noite passada. O rubor manchou as faces dela, mas a determinação firmou seu queixo. – Certo. Traga um dos roupões do closet.

– Garanto que vi tudo ontem à noite.

Ele

não

sabia

por

que

a

estava

provocando, mas não conseguia parar. – Não é a mesma coisa.

– Não. Tem razão. Não temos o luxo do tempo para fazer algo a respeito da

nossa nudez e da inevitável reação a ela agora. – Ele indicou seu sexo semiereto. – Sayed!

O

que

foi?

Vai

fingir

que

não

gostou do nosso ato de amor?

– Pare de falar disto!

Mas

por

quê?

perguntou

ele,

genuinamente confuso. – Não me importo de dizer que foi incrível. Levando o lençol consigo, ela saltou da cama e se enrolou nele antes que Sayed pudesse ter algo além de um vislumbre da pele cor de mel e de algumas marcas de mordidas de amor

das quais ele tinha lembranças muito agradáveis. Ele suspirou. – Você é linda. O rosa das faces dela se transformou em vermelho, e ela correu até o closet. Aaliyah retirou um dos roupões do cabide e, irritada, foi para o banheiro. Ele observou a adorável silhueta dela até que ela desaparecesse atrás da porta trancada. Sayed ouviu uma batida na porta da suíte. Ele vestiu o outro roupão e deixou Yusuf entrar. – Deixe minhas roupas no outro cômodo e o acordo naquela mesa. Ela aceitou assiná-lo.

Uma sutil tensão se esvaiu dos ombros de Yusuf. – Isso é bom. – Ela sequer hesitou. – Parece que a srta. Amari é uma mulher de princípios. – Como eu disse. Yusuf desapareceu no outro cômodo, e Sayed se flagrou juntando as roupas de Aaliyah. Levando em consideração a corada reticência dela naquela manhã, ele não achava que ela gostaria de ver as roupas deles espalhadas pela sala de estar. Yusuf soltou um palavrão no outro cômodo e retornou imediatamente.

– Diga que os preservativos estão na lixeira do banheiro. – O quê? – Sayed estava acostumado ao intrometimento dos seguranças, mas aquilo já era exagero. Sim, os preservativos estavam na lixeira do banheiro. Sayed não era idiota. – Você está esquecendo sua posição, Yusuf. – Não, Emir. É você quem está. – Do que está falando? – Contudo, no instante em que ele fez a pergunta, a lembrança de Sayed da noite anterior começou a incomodá-lo. A última vez em que eles haviam feito amor fora como o despertar de um sonho. Os corpos se movimentando juntos na escuridão, antes de acordar

para uma lenta união, retornando ao sono em seguida. Tudo dentro de Sayed se contraiu quando ele se deu conta.

Não fora um sonho, e eles não tinham

usado preservativo.

– Como duvido sinceramente que você tenha desenvolvido subitamente um interesse por sexo violento, o sangue no lençol só pode significar uma coisa. A srta. Amari era virgem. – Que sangue?! – As manchas em um único ponto estratégico no lençol de baixo. Sayed voltou às pressas para o quarto, seu olhar se fixando nas reveladoras manchas.

Como ele não as vira naquela manhã? Ah, sim, porque estivera ocupado demais observando Aaliyah. – A menstruação dela deve ter começado. – Isso explicaria a exagerada timidez dela em expor seu corpo a ele naquela manhã. – De qualquer forma, usamos os preservativos fornecidos pelo hotel. – Menos naquela única vez, que Sayed não teve escolha a não ser revelar. – Como pôde ser tão descuidado? Sayed mal conseguia acreditar na sua falta de controle. – Acordei de um sonho que não era um sonho. – Ela estava tocando em você?

Outro homem talvez conseguisse se recusar a responder a perguntas tão íntimas, mas Sayed tinha responsabilidades que exigiam um nível de sinceridade com Yusuf. – Sim. Yusuf não comentou. Não precisou. Estava tudo estampado no rosto do guarda-costas. Ele acreditava que Sayed fora ludibriado num antiquíssimo golpe, por uma virgem.

LIYAH DEMOROU mais no chuveiro do que de costume, corando ao lavar os resquícios de sangue entre suas coxas.

Não conseguia acreditar como se entregara tão completamente a Sayed. Tomara ousadamente a iniciativa, chegando até a acordá-lo com toques na última vez. Ela não se arrependia. Não podia se arrepender. Fora a experiência mais incrível de sua vida. Mesmo assim, ela estava perplexa com sua reação a Sayed. Sim, o uísque ajudara a reduzir suas inibições, mas, no geral, fora Sayed, o homem. Não o emir. Ela suspirou. Seus primeiros momentos ao acordar tinham deixado muito claro que ela não compartilhava

mais a cama com Sayed, o homem, mas com o sheik Sayed bin Falah al Zeena. Percebendo que não poderia se esconder no chuveiro para sempre, ela saiu e se secou. Preparando-se para outro encontro com o emir, ela enrolou o cabelo numa toalha e vestiu novamente o roupão. Liyah abriu a porta e se viu frente a frente com dois homens, não um. O rosto de Sayed continha uma preocupada expressão. O outro homem era Yusuf, o mesmo guarda-costas particular que estivera no elevador com Sayed. E ele estava de cara feia. Para ela.

– Desculpe por ter demorado. – A

vergonha

a

dominou.

Não

fora

sua

intenção impedir que o emir tomasse banho.

– Aaliyah, você precisa que Yusuf vá

buscar suprimentos para perguntou Sayed. – Suprimentos?!

você?

– Para sua menstruação. Por que ele ofereceria algo assim? – Não. – Não fique envergonhada, srta.

Amari – falou Yusuf.

Não

será

– nenhum problema trazer aquilo de que

precisar.

– Minha menstruação só vai vir

daqui a

duas semanas – disse

ela

de

uma vez, extremamente desconfortável. Ela não sabia se as outras amantes de Sayed costumavam ser tão francas, mas ela não entendia por que estava dizendo todas as aquelas coisas.

Sayed

fez um som

que

a fez voltar

sua atenção para ele.

Você

era virgem! – acusou ele,

como se fosse um grande crime.

Liyah recuou ao sentir a inexplicável raiva dele.

Por

que

isso

importa?

Ela

entendia se ele tivesse se decepcionado com o sexo, mas suas reações na noite anterior tornavam isso improvável. – Não menti a respeito de nada.

– Você insinuou que era sexualmente ativa. – Quando? – E, novamente, por que isso importava? – Quando eu contei sobre

o

meu

jejum. Você disse que não estava de jejum. – Porque eu nunca tinha feito nada – disse ela, um tanto irritada. Mas tudo estava começando a fazer

sentido. Eles eram de

Zeena Sahra, o

país que gerara a atitude dos parentes Amari de Liyah e da própria autopenitência de sua mãe.

Bem, eles teriam que

superar isso.

Liyah não era sua mãe, e sua

virgindade, ou a atual ausência dela, era da conta dela e de mais ninguém. Ela não seria intimidada. – Minha opção de perder minha virgindade era e continua sendo da minha conta. – Está dizendo que planejava perder a virgindade? – exigiu saber Sayed. – Claro que não. – O que havia com ele naquela manhã? Era ela quem estava de ressaca. – Foi você quem veio para a suíte enquanto eu estava bebendo – lembrou ela. – Eu não tinha nenhum plano diabólico. – Vim para ficar um tempo sozinho. – E me encontrou. – Ela o desafiou com um olhar. – Você não pareceu se

importar com isso ontem à noite. – A questão não é essa. – Não? Bem, minha virgindade não será discutida. – Senhorita Amari? – falou Yusuf, já menos gélido. Talvez ele tivesse percebido que policiar a moral dela não era seu trabalho. Liyah, porém, não estava se sentindo descongelar. – Sim? – perguntou ela. – Está usando anticoncepcionais? – Não. – Por que ela estaria? Fora virgem até a noite anterior. A expressão de Yusuf se fechou novamente.

– E, mesmo assim, tomou a iniciativa de fazer sexo sem preservativo. – Nós usamos preservativos. – Na última vez não – falou Sayed. Ela o olhou fixamente. – O quê?! Não, não pode ser. Você sempre colocou um preservativo antes... O desconforto dela com aquele tipo de discussão só aumentava. – Você me acordou. Eu achei que estivesse sonhando. – Ele disse aquilo como se a culpasse. – Esta conversa é extremamente desconfortável para mim. Não sei como acontecem as coisas nas famílias de vocês, mas minha mãe não incentivava conversas sobre estas coisas.

– Com “estas coisas”, você quer dizer sexo ou o clássico golpe do baú? – perguntou Yusuf com desprezo. Liyah olhou primeiro para o guarda- costas e, em seguida, para Sayed. – Golpe do baú? – perguntou ela, a fúria sobrepujando sua vergonha. – Como você chamaria isso? – Um erro. De ambas as partes – enfatizou Liyah, dirigindo-se a Sayed. – Um erro muito conveniente – opinou Yusuf. Ela o olhou com irritação. – Basta, Yusuf. Você pedirá desculpas à srta. Amari por ter feito esse tipo de acusação, e eu também pedirei, por ter permitido isso. Como ela disse, o

erro foi mútuo, embora mais da minha parte do que da dela, levando em consideração a inegável falta de experiência de Liyah. Os dois homens pediram desculpas

com uma surpreendente sinceridade que aliviou a raiva de Liyah, mas não reduziu sua vergonha. – Aceito suas desculpas. Agora, posso

assinar

o

tal

acordo

de

confidencialidade? Quero ir embora. – Mesmo que isso significasse dar o

derradeiro adeus a Sayed.

– Infelizmente,

as

coisas já

não são

mais tão simples. – O pesar permeava as

palavras de Sayed. – Por que não?

– Você pode estar grávida. Ela franziu o cenho.

– Não sou burra, mas isso não é muito improvável? – Levando em consideração o momento do seu ciclo, não.

Mas...

– Ela realmente não sabia

como responder. Queria negar a afirmação dele, mas não conseguia.

Mulheres faziam sexo o tempo todo sem engravidar. Ela não podia ser uma delas?

Pensar que

ela

poderia

seguir

os

passos de sua mãe depois de uma única

noite

de

indiscrição

a

deixava

aterrorizada. – Já podemos parar de falar disto?

– Você está agindo de uma forma muito reprimida – disse Sayed com censura no tom. – Porque não quero falar disto! – As transgressões da noite passada não podem ser ignoradas. Qualquer efêmero senso de romance que ainda pudesse existir dentro dela pela noite anterior se dissipou naquele momento. – Não falo de sexo. – Nunca? – A incredulidade de Sayed era palpável. – Não. – Mas você tem 26 anos, e sua mãe só morreu recentemente.

– E? – De onde ele achava que vinha o desconforto dela com aquele assunto? – E com amigas? – pressionou ele, como se aquilo fosse importante. – Eu estudava graças à uma bolsa e era cercada de colegas que dirigiam carros caros e usavam joias de grife junto ao uniforme. Tinha muito poucas amigas, e não teria falado com nenhuma delas sobre um assunto tão tabu. – Sexo é tabu? – Sim, e é por isso que quero parar de falar disto imediatamente. – Mas ontem à noite... – Aparentemente, o álcool é muito eficaz para reduzir minhas inibições.