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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”

O OUTRO LADO DA POLUIÇÃO NO BAIRRO DO CAJU

Por: Kátia Rodrigues Moreno

Orientador Prof. Vilson Sérgio de Carvalho

Rio de Janeiro

2007

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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” INSTITUTO A VEZ DO MESTRE

O OUTRO LADO DA POLUIÇÃO NO BAIRRO DO CAJU

OBJETIVOS:

Entender como a poluição que tomou conta da Baía de Guanabara afetou o bairro do Caju em seus mais diversos aspectos, principalmente econômico e social.

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AGRADECIMENTOS

A Deus em primeiro lugar, que me permitiu chegar até aqui, dando-me forças para superar os obstáculos e fazendo-me confiante no cumprimento desta jornada.

Aos amigos do Museu da Limpeza Urbana/Casa de Banho D. João VI, em especial a Patrícia Brito Coimbra, por compartilhar seu material e saber, ajudando-me sempre que necessário com imensa delicadeza.

Ao Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro pelas fotos do bairro do Caju de 1927.

Aos amigos da Colônia de Pesca Z-12 e da Associação dos Moradores da Quinta do Caju que cederam valioso material para conclusão deste trabalho.

Ao professores, verdadeiros anjos que iluminaram os ca-. minhos que percorri para chegar aqui.

À amiga Vânia Duarte Figueiredo pelo apoio de sempre.

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DEDICATÓRIA

Dedico a minha mãe pelo apoio em todos os momentos da minha vida, verdadeira mestra na arte do amor e da educação. Kátia Rodrigues Moreno

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RESUMO

Esta pesquisa investigou o bairro do Caju revivendo a sua importância ambiental em tempos idos e procurando mostrar o que resta do bairro atualmente. O lugar foi perdendo ao longo dos anos seus valores econômico, social e cultural, graças a poluição que a Baía de Guanabara vem sofrendo. Através deste trabalho podemos inclusive, conhecer um pouco da História do Rio de Janeiro, valorizando a História ambiental local e tentando resgatá-la

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METODOLOGIA

Para a elaboração desse trabalho foram realizadas pesquisas bibliográficas,

em jornais de época, pesquisas de campo, visitas ao Museu da Limpeza Urbana/Casa de Banho D. João Vi, à Associação de Moradores da Quinta do Caju

e à Colônia de Pesca Z-12.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

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CAPÍTULO I – A Poluição na Baía de Guanabara

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1.1 –

Aspectos Históricos

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1.2 - Fontes de Poluição

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CAPÍTULO II – O Outro Lado da Poluição

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CAPÍTULO III – Um Patrimônio Histórico e Cultural do Bairro

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CAPÍTULO IV – O Bairro do Caju Antes da Poluição

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CONCLUSÃO

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BIBLIOGRAFIA CITADA (opcional)

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ANEXOS

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ÍNDICE

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INTRODUÇÃO

Muitos que passam pela Avenida Brasil e observam o bairro do Caju, pensam que no local só existem cemitérios. Não entendem que ainda “existe vida após a morte”.

Neste trabalho, procuramos pesquisar as origens do bairro e mostrar que

o lugar já fez parte da História do Rio de Janeiro, quando D. João VI ao freqüentar

a sua praia de águas cristalinas, famosa por seus poderes medicinais, lançou no Rio de Janeiro a moda do banho de mar, tornando o lugar o mais famoso balneário da época.

No primeiro capítulo vamos navegar pela tão amada Baía de Guanabara e conhecer um pouco dos seus aspectos históricos e conhecer as fontes de poluição que acabaram com suas águas antes tão cheias de vida.

No segundo capítulo temos uma visão do que a degradação da Baía ocasionou ao bairro do Caju, exterminando a Colônia de Pesca Z-5, que chegou a ser a maior e mais famosa do Brasil, acabando com toda a beleza ambiental local.

No terceiro capítulo faremos uma visita ao Museu da Limpeza Urbana/Casa de Banho D. João VI, relíquia da História do Rio de Janeiro e do bairro.

Finalmente, no capítulo quatro, faremos uma incursão pelo bairro do Caju antes da poluição, visitando sua praia que era tida por medicinal, conhecendo sua hsitória, seu valor ambiental, sua riqueza econômica que vinha da pesca e sua gente tranqüila e hospitaleira.

Infelizmente a poluição da Baía de Guanabara afetou de forma irreversível toda a vida local, exterminando não apenas a parte ambiental, econômica, cultural

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e social local, mas também a esperança de seus moradores em dias melhores, já que convivem atualmente com diversos problemas de toda sorte.

Após a leitura, com certeza, vamos perceber que embora a esperança não faça mais parte do dia-a-dia dos moradores do bairro, quem sabe um dia, um trabalho de recuperação ambiental seja feito no local e todos possamos vislumbrar que ainda “existe vida após a morte”.

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CAPÍTULO I

A POLUIÇÃO NA BAÍA DE GUANABARA

1.1 – Aspectos Históricos

Ao longo dos 800 km de extensão litorânea do Estado do Rio de Janeiro, certamente os 131 km do perímetro da Baía de Guanabara, caracterizam-se como o portal principal de entrada para a zona costeira e o mar, da maior contribuição de poluição orgânica e inorgânica produzida em terra firme, sem falar daquela originada no seu corpo d´água, segundo a FEMAR, 1997.

Paisagem exuberante, rios escoando águas límpidas, grande diversidade de ecossistemas periféricos como manguezais, lagunas, brejos e pântanos, ilhas, enseadas de águas calmas, costões rochosos, imensos cardumes de peixes de diferentes espécimes, golfinhos, baleias e mais de 3000 km² de mata tropical sobre as serras e elevações, com grande número de espécimes vegetais e animais, foi o que os navegadores portugueses encontraram quando chegaram em 1502.

A ocupação e o início da colonização da então chamada Baía do Rio de Janeiro deu-se a partir de 1530, comandada por Martin Afonso, primeiro Governador a Terra do Brasil.

Os atrativos naturais e riquezas das terras circunvizinhas à Baía, foram motivos de invasões e guerras entre franceses e portugueses até 1565, quando definitivamente Estácio de Sá funda a cidade de São Sebastião junto ao Morro Cara de Cão, na área oeste da entrada da Baía.

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O marco inicial da colonização estava estabelecido e a partir daí, a Baía de

Guanabara começa a sofrer ações impactantes pela construção de aterros e

desmatamentos para o crescimento da ocupação territorial.

O ciclo do açúcar, com a construção de inúmeros engenhos e a expansão

das áreas de plantio, a construção de fortificações e a expansão das áreas

urbanas e portuárias trouxeram grandes impactos ambientais durante o século XVII, que através da utilização da mão-de-obra escrava (índios e africanos) faziam

o desmatamento, realizavam aterros e drenavam as várzeas, brejos e manguezais, segundo a FEMAR, 1997.

O ciclo da mineração do ouro e do café em épocas subseqüentes trouxeram a devastação ambiental (séculos XVII, XVIII e XIX), traduzidas no desmatamento dos maciços costeiros e contrafortes da Serra do Mar, mais aterros de pequenas lagunas e brejos ao longo da orla da Baía de Guanabara e assoreamento dos principais rios da Baixada, importantes vias de navegação para transporte da produção do interior até o Porto do Rio de Janeiro (FEMAR, 1997).

A final do século XIX, além dos esgotos in natura, lançados direta ou

indiretamente na Baía, a indústria naval emergente com o crescimento do número

de estaleiros, contribuía para a poluição por óleo, soldas e rejeitos e a indústria

têxtil, como outra expressiva fonte de poluição através de setores de tinturaria e alvejamento que se estabeleceram em Pau Grande, Santo ALEIXO, Bangu, etc (FEMAR, 1997).

A intensificação do processo de industrialização marcado pela Primeira

Guerra Mundial (1914-1918) quando se fez necessário a substituição de produtos

importados e que teve continuidade durante a Segunda Guerra Mundial (1939- 1945) e na década de 60, atraíram grandes contingentes populacionais oriundos

de áreas carentes do país, em busca de emprego e melhores condições de vida.

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As décadas de 1950 e 1960 marcaram definitivamente o crescimento do parque industrial do Rio de Janeiro que se expandia exatamente para as áreas

periféricas da Baía de Guanabara, onde a proximidade dos portos, a terra barata e

a mão-de-obra abundante viabilizaram os empreendimentos.

Paralelamente, o abandono das áreas agrícolas e a miséria do interior, forçavam o avanço de novos contingentes populacionais para as zonas periféricas

à cidade do Rio de Janeiro, ocupando áreas menos nobres e insalubres, definindo

um vetor de ocupação marcante na direção norte ao longo das áreas oeste e noroeste, banhadas pelas águas da Baía. Para se ter idéia do incremento populacional, a população da Região Metropolitana do Rio de Janeiro duplicou em número entre 1940 e 1960, chegando a quase 5.000.000 de habitantes, segundo a FEMAR, 1997.

A falta de recursos públicos e a dificuldade de impedir o avanço dos novos habitantes na busca de emprego e melhores condições de vida, estabeleceram um quadro de ocupação urbana lastimável, principalmente no que se toca ao saneamento básico.

Os loteamentos clandestinos, as favelas e a ocupação das margens dos rios se proliferaram intensamente sem o necessário investimento do poder público em infra-estrutura urbana.

O resultado dessa ocupação não poderia ser outro que não a rápida degradação da qualidade das águas da Baía de Guanabara sob o ponto de vista de poluição orgânica provocada pela afluência direta ou indireta dos esgotos sanitários não tratados.

Somando-se a isso, o crescimento do parque industrial e a decorrente produção de efluentes líquidos orgânicos e inorgânicos parcialmente ou não tratados, a ampliação gradual de refinarias de petróleo, terminais de apoio e postos de combustível, as carências e dificuldades no recolhimento do lixo urbano

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e os acidentes no manuseio e transporte de cargas tóxicas, contribuíram ao longo dos anos, para a delicada situação da qualidade das águas da Baía de Guanabara.

A FEEMA, como órgão ambiental do Estado, pôde, desde 1975, ter a visão

global dos principais problemas da região drenante à Baía, monitorando a qualidade da água dos principais rios contribuintes e da própria Baía, mapeando os núcleos urbanos sem sistema de esgotamento sanitário, enquadrando gradativamente as atividades industriais no Sistema de Licenciamento de Atividades Poluidoras – SLAP, estabelecido através do Decreto Estadual número 1633, de 21/12/77, e elaborando estudos específicos para o melhor conhecimento dos mecanismos de poluição e proteção da fauna e da flora (FEMAR, 1997).

Dada a importância cultural e econômica da Baía de Guanabara, já em 1987, a FEEMA apresentou o Programa para Despoluição Gradual do Ecossistema da Baía de Guanabara, segundo A FEMAR, 1997.

A proposta de um plano a longo prazo para melhoria da qualidade das

águas da Baía e a busca dos recursos financeiros necessários, passaram a ser

meta prioritária dos sucessivos governos do Estado.

Em 1991, iniciou-se conversações com o Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID e com o The Overseas Economic Cooperation Fund –

OECF, ligado ao Governo do Japão para a viabilização de financiamento relativo

à primeira etapa do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara – PDBG,

assim proposto pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, envolvendo cinco componentes principais de ação: Saneamento Básico, Resíduos Sólidos Urbanos, Macrodrenagem, Mapeamento Digital e Projetos Ambientais Complementares. Também em 1991, foi assinado entre os governos brasileiro e japonês um convênio de cooperação técnica para elaboração de estudo amplo sobre os mecanismos de poluição da Baía, englobando a identificação das principais fontes de poluição e a interação com as águas da Baía de Guanabara, monitoramento da

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qualidade das águas dos rios afluentes e da própria Baía, aplicação de modelo hidrodinâmico, acoplado a modelo de qualidade das águas, como instrumento de previsão, decisões futuras e propostas de ações e investimentos de curto, médio e longo prazo (FEMAR, 1997).

A agência japonesa, Japan International Cooperation Agency – JICA,

contratou a empresa Kokusai Kogyo Co. Ltd. para que, em conjunto com a

FEEMA, cumprissem as diversas etapas acertadas no convênio, segundo a FEMAR, 1997.

Os trabalhos que envolveram quase cinco milhões de dólares, foram desenvolvidos entre março de 1992 e março de 1994, cujo resultado foi a apresentação do documento “Study on the Recuperation of the Guanabara Bay Ecosystem”, editado em 5 volumes, segundo a FEMAR, 1997.

Em março de 1994, finalmente após 3 anos de negociações, o governo do Estado do Rio de Janeiro assinou contratos de financiamento com o BID (BID 782/0C-BR e BID 916/SF-BR) e com a OECF (OECFBZ-P9) para pôr em prática o início do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (FEMAR, 1997).

O contrato BID 782/0C-BR, no valor de US$ 50.000.000,00 (cinqüenta

milhões de dólares) foi dirigido para investimentos na área de Macrodrenagem (Bacia do Rio Acari); Resíduos Sólidos Urbanos (usinas de reciclagem e compostagem, aterros sanitários, incineradores de lixo hospitalar, postos de apoio à coleta de lixo, recuperação de estações de transferência de lixo e equipamentos

de coleta); Projetos Ambientais Complementares (reforço institucional do sistema ambiental, melhorias no laboratório da FEEMA, educação ambiental, plano diretor de gerenciamento dos recursos hídricos, monitoragem dos efluentes das principais indústrias poluidoras, dos rios e da Baía de Guanabara, etc.) e Mapeamento Digital (sistema de informações geo-referenciadas em doze municípios). As ações, serviços e obras previstas neste contrato devem estar concluídas em março de 1999 (FEMAR, 1997).

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Os contratos de financiamento BID 916/SF-BR e OECF BZ-P9, no valor total aproximado de US$ 536.700.000 (quinhentos e trinta e seis milhões e setecentos mil dólares) foram voltados exclusivamente para a área de Saneamento Básico (sistemas de abastecimento d´água e esgotamento sanitário),a cargo da Companhia Estadual de Águas e Esgotos – CEDAE e se caracterizam em investimentos para ampliação de rede coletora de esgotos, ligações domiciliares, instalação de hidrômetros domiciliares, ampliação, e construção de estações de tratamento de esgostos (Niterói, Paquetá, Penha, São Gonçalo, Alegria e Meriti) e implantação de emissários submarinos (Paquetá e Niterói), segundo a FEMAR, 1997.

Em dezembro de 1997, o Governo do Estado do Rio de Janeiro, através da Secretaria de Estado de Obras e Serviços Públicos – SOSP e da Asssessoria de Execução do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara – ADEG apresentou o documento-base para formulação da fase II do Programa. O documento apresenta, para discussão e avaliação dos demais órgãos do governo do Estado, prefeituras municipais, organizações não governamentais, universidades e outros setores interessados, o diagnóstico geral das condições ambientais da bacia contribuinte à Baía de Guanabara e uma relação de propostas que deverão compor um plano de ação para a 2ª fase do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (FEMAR, 1997).

O corpo d´água da Baía recebe, sem tratamento, em torno de 85% dos esgotos domésticos, produzidos pela população. O Programa de Despoluição da Baía de Guanabara prevê a construção e ampliação de estações de tratamento e emissários e redes coletoras até o ano de 2010, beneficiando as áreas de maior concentração urbana como a região nordeste do Município do Rio de Janeiro, Nilópolis, São João de Meriti, Duque de Caxias, São Gonçalo, Niterói e as Ilhas do Governador e Paquetá.

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1.2 - Fontes de Poluição

A principal fonte de poluição orgânica da Baía de Guanabara é a dos

esgotos sanitários não tratados, produzidos pela população residente ao redor. Os esgotos sanitários são águas servidas, isto é, contém 99,92% da água antes

de ser usada para qualquer finalidade, somada a 0,08% de impurezas acrescentadas a ela, após o uso específico. Essas impurezas podem ser substâncias sólidas, semi-sólidas e líquidas, muitas das quais alteram as características físicas, químicas e biológicas da água original.

Os esgotos sanitários, de uma maneira geral, trazem na sua composição, sólidos dissolvidos e em suspensão, sólidos sedimentáveis, DBO (matéria orgânica), carbono total , diversas formas de compostos de nitrogênio e fósforo, cloretos, carbonatos (alcalinidade) e graxas.

A JICA estimou, em função de dados per capta, uma produção de carga

orgânica doméstica em torno de 383 t/dia de DBO. Por outro lado, somado a essa produção, vem a contribuição de cerca de 80 t/dia de DBO proveniente do parque industrial que se distribui ao norte do Município do Rio de Janeiro e nos Municípios d São João de Meriti, Nilópolis, Duque de Caxias, Belford Roxo, Nova Iguaçu, São Gonçalo e Niterói, segundo a FEMAR, 1997

As áreas a oeste e a noroeste da Baía geram cerca de 78% da carga orgânica total de origem doméstica e 70% da contribuição proveniente das indústrias.

O esgoto doméstico, conforme citado anteriormente, é composto de 99.92% de água pura e 0,08% de impurezas. No pequeno percentual de impurezas encontram-se nutrientes dissolvidos, matéria sólida em suspensão, uma infinidade de bactérias, fungos, vírus, protozoários e a própria matéria orgânica.

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Um grande número de problemas pode ocorrer em um corpo d´água que recebe sistematicamente esgotos sanitários não tratados. Dependendo do grau de renovação das águas do corpo hídrico, os fatores dos processos de eutrofização podem se manifestar, provocando o crescimento descontrolado de organismos aquáticos mais resistentes que têm nos nutrientes (nitrogênio e fósforo), gás carbônico e no oxigênio dissolvido, as principais fontes de reprodução. Muitas vezes, no processo de crescimento acentuado, certo tipo de algas se desenvolvem e podem liberar substâncias altamente tóxicas à vida.

A Baía recebe, de forma crônica, 18 t/dia de óleo, sendo 85% originário do escoamento urbano, via rede de águas pluviais e de esgotos domésticos que, por sua vez, recebe os despejos dos postos de serviço, da lavagem dos pátios das empresas de ônibus, o óleo sobre as vias públicas, etc. Além dessas fontes, ressalta-se, como citado anteriormente, o óleo que chega à Baía, presente nos efluentes das duas refinarias ((Manguinhos e Duque de Caxias) que são responsáveis por aproximadamente 17% de todo o óleo processado no país (Ferreira, 1995).

Em junho de 1989, foi inaugurado o sistema de tratamento biológico dos efluentes da REDUC, constituído de cinco lagoas aeradas, que removem 12 t/dia de carga orgânica.

No ramo da metalurgia, são muitas as atividades de pequeno porte, localizadas de forma dispersa. Os despejos industriais são ricos em metais pesados, principalmente quando funcionam setores de acabamento metálico, dos processos de galvanoplastia e anodização.

Outro setor importante é o alimentício, potencializado pelas indústrias de beneficiamento de pescado que geram efluentes com alta concentração de matéria orgânica e nutrientes. A maioria das empresas situa-se nos Municípios de São Gonçalo e Niterói, proporcionando incômodos pelo odor do próprio efluente e das substâncias em decomposição.

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A indústria têxtil, mais concentrada no Município de Magé, gera efluentes ricos em matéria orgânica biodegradável e poluentes tóxicos, orgânicos ou metálicos, dada a utilização de corantes e pigmentos.

O setor de fabricação de papel e papelão, de uma maneira geral, recuperam a polpa de celulose, obtidas de terceiros, aproveitando as aparas de papel para produção de papéis de qualidade inferior. A maioria das empresas possui sistemas de recirculação interna para o reaproveitamento de água e matéria prima. Com relação à fabricação de bebidas, os efluentes são ricos em matéria orgânica biodegradável.

Outro importante foco de poluição é o Aterro Metropolitano de Gramacho, em Duque de Caxias que iniciou sua operação em 1978, desativando, por conseqüência os vazadouros de Bangu, Caju, Rio/Petrópolis, Duque de Caxias, São João de Meriti e Nilópolis, todos implantados em áreas inadequadas. O aterro, estabelecido sobre área de manguezal, recebe, em média, por dia, cerca de 5.700 toneladas de lixo de toda sorte, inclusive o hospitalar. Além disso, é prática, a disposição final da massa seca dos lodos gerados nas estações de tratamento existentes na Região Hidrográfica da Baía.

Apesar dos esforços, a tecnologia utilizada na construção e operação deste Aterro não foi suficiente para impedir a percolação das águas das chuvas e o carreamento de contaminados tóxicos depositados até a Baía de Guanabara. É importante citar a poluição por fontes não pontuais decorrentes da lavagem pelas águas das chuvas dos logradouros públicos cujos detritos são despejados na Baía de Guanabara através dos cursos d´água.

As

fontes

não

pontuais

contribuem

predominantemente

com

carga

poluidora de natureza orgânica e são difíceis de serem quantificadas.

As taxas de sedimentação da Baía, determinadas pela JICA, utilizando o mesmo método empregado por Godoy et al., sugerem uma taxa atual de 2

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cm/ano, próxima do valor médio de 1.6 ± 0.6 cm/ano, obtido no estudo anteriormente citado, segundo a FEMAR, 1997.

Ambas as taxas, para as camadas junto ao sedimento superficial e ao sedimento do fundo, dos perfis determinados por Godoy et al., estão também próximas dos valores encontrados por Amador (1980).

Segundo os resultados apresentados por Godoy et al., a primeira inflexão na idade das camadas de sedimento ocorreu 45 anos atrás, durante o final da década de 50, como começo do intenso processo de industrialização.

O segundo, ocorreu com a continuação do crescimento industrial somado ao elevado índice de crescimento populacional (anos 60 e 70) em torno da Baía, com maior concentração na Baixada Fluminense. Outros fatores também podem ter colaborado para o crescimento da taxa de sedimentação, como a construção dos Aterros do Flamengo e da Marina da Glória, a expansão do Aeroporto Internacional, a ocupação desordenada junto às margens dos rios e a destruição das matas ciliares.

De uma maneira geral, com base nos estudos realizados, os resultados indicaram um aumento significativo da taxa de sedimentação entre 0.1 e 0.2 cm/ano para 1 a 2cm/ano, nos últimos 40 – 50 anos.

Estudos realizados em organismos aquáticos da Baía de Guanabara pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, FEEMA e IBAMA, demonstraram que os mexilhões carregam concentrações de metais pesados cerca de 4 (quatro) vezes mais do que o normal, concentrações de cobre e zinco em camarões e caranguejos são altas da mesma forma que o mercúrio em determinados peixes. Tais concentrações, ainda estão abaixo daqueles limites preconizados pela Organização Mundial de Saúde e, assim sendo, a contaminação dos sedimentos por metais pesados ainda não representa uma ameaça à saúde do homem (JICA,

1994).

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Por outro lado vem se tornando uma gradativa ameaça para os ecossistemas e, em especial, na reprodução das diversas espécies aquáticas (FEMAR, 1997).

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CAPÍTULO II

O OUTRO LADO DA POLUIÇÃO

O bairro do Caju, zona portuária do Rio de Janeiro, com nove favelas existentes, totalizando uma população em cerca de 50.000 habitantes, em sua grande maioria de origem humilde, sem acesso à cultura ou opção de entretenimento, é atualmente o retrato da degradação ambiental. Essa população convive com um ambiente insalubre, dada sua proximidade com a Avenida Brasil, a existência de fábricas de concreto, a presença de estaleiros (praticamente desativados) e empresas de importação e exportação, onde acontece o trânsito diário de conteineires, ocasionando engarrafamentos constantes. Como se não bastasse a poluição local, o perigo de vida é imenso devido o transporte destes containeres pelas ruas do bairro, o que já ocasionou a morte de pessoas.

A desvalorização do bairro é antiga. Coube ao presidente Campos Sales e ao prefeito Francisco Pereira Passos a execução das primeiras grandes obras de remodelação da cidade, a partir de 1902. Nessas obras, que envolveram novos aterros da Baía, foram destruídas as características naturais e as construções históricas de todo o litoral entre o Caju e Copacabana, onde surgiu a Avenida Beira-Mar, enquanto os rios da Zona Sul – inclusive o Carioca – desapareceram engolidos por longos canais artificiais (Hetzel, 1968).

Para construir um cais que permitisse a atracação de grandes navios, acabou também sendo arrasado o que restava do Saco de São Diogo, criando-se em seu lugar o estreito e fétido canal do Mangue.

Na zona portuária e também no Centro, onde foram demolidos cerca de 2 (dois) mil prédios para alargar as antigas ruas e criar novas artérias de circulação, as obras iniciadas por Pereira Passos acabaram por destruir o patrimônio

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arquitetônico e a vida de dezenas de milhares de pessoas, que se viram impelidas a viver em favelas. Enquanto a crise social se instalava no Rio de Janeiro, luxuosos prédios de arquitetura européia eram erguidos na Avenida Central e grandes armazéns e guindastes criavam uma barreira de cimento e ferro ao redor do porto, escondendo a destruição das praias, ilhas e mangues, segundo Hetzel,

1968.

Novos aeroportos foram erguidos sobre novos aterros, como o de Manguinhos, na enseada de Inhaúma, e, posteriormente, o aeroporto do Galeão, na Ilha do Governador.

Em Manguinhos, a perda do estuário teve grande impacto sobre a produtividade pesqueira da região, que por séculos havia sustentado a pesca com enormes cardumes de camarões, sardinhas, corvinas, xaréus e outros peixes. O desaparecimento dos manguezais, praias e ilhas também afugentou para sempre belas aves, como guarás e colhereiros, além de acabar com a colônia de pescadores do Caju, formada por pescadores portugueses e espanhóis chegados no final do século XIX., segundo Hetzel, 1968

Até o início da década de 1950, a indústria brasileira era voltada basicamente para a produção de bens de consumo não-duráveis ou semiduráveis, como alimentos, tecidos, fumo e material gráfico. Ao assumir a Presidência, em 1956, Juscelino Kubitschek, estabeleceu o Plano de Metas, abrindo uma nova etapa na industrialização do país. Para a Guanabara veio uma série de indústrias de base, ou pesadas, como a refinaria e as indústrias químicas da Petrobrás, que se somaram à refinaria de Manguinhos, já existente, e às indústrias farmacêuticas e químicas internacionais, além de grandes e modernos estaleiros (Hetzel, 1968)

A partir de então, multiplicaram-se de maneira assombrosa os aterros na orla e na região da baixada, e os efluentes industriais passaram a contaminar silenciosamente as águas da Baía, que há muito não recebia despejos saudáveis dos rios. Para sustentar o “progresso” do estado do Rio de Janeiro e do país, o

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pólo industrial da baixada passou a lançar diretamente na água e no ar da Guanabara substâncias tóxicas e venenosas, como metais pesados, comprometendo a saúde da fauna, da flora e da própria população.

O crescimento populacional do bairro do Caju ocorreu de forma desordenada, principalmente na Quinta do Caju (área da colônia de pesca) e no entorno da Av. Brasil.

A Baía de Guanabara sofreu e sofre com o fato, já que a poluição se tornou mais intensa no local. Esgotos residenciais e lixo doméstico passaram ser jogados diariamente em suas águas, devido ao crescimento populacional local desordenado e a falta de informação e de saneamento básico na época

Um dos benefícios do bairro era uma antiga fábrica de tecidos, que encerrou suas atividades há muito tempo.

A “morte” do bairro do Caju começou justamente com os aterros para a construção dos estaleiros. As praias foram desaparecendo e a poluição aumentando.

Por um lado houveram benefícios como a criação de empregos. O comércio local também foi beneficiado e o bairro ainda sobrevivia; não mais pela pesca.

Mas, como tudo o que é bom dura pouco, os estaleiros fecharam suas portas e um grande número de empregados acabaram sendo demitidos. O comércio local sofreu um grande impacto e alguns comerciantes acabaram fechando suas portas.

Hoje, o Caju é uma “sombra” do que era.

Um lugar de aparência triste,

como os próprios cemitérios que ocupam grande parte de sua área.

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O único posto de saúde foi fechado no ano passado, e para infelicidade dos

moradores, não existe nenhum local para substituí-lo. Os hospitais da região estõ

em péssimas condições, inclusive, receberam a visita do atual Governador Sérgio Cabral no início de janeiro deste ano. O Governador prometeu reverter este quadro, o que seria ótimo, porque caso alguém precise de socorro médico durante a madrugada, só mesmo a solidariedade dos vizinhos poderá servir de amparo.

O transporte é precário e depois de certa hora da noite fica difícil para o morador retornar à sua residência. Isso é péssimo, principalmente para os jovens que querem estudar à noite. Nos finais de semana a quantidade de transportes públicos também é reduzida, o que desanima a sair de casa.

O comércio se resume a uma farmácia, um supermercado, uma vídeo

locadora, um posto de correio, poucas lojas e alguns bares. A maioria de sua

população acaba recorrendo aos mercados em São Cristóvão, Bonsucesso, ou outros bairros próximos.

Não existe mais a tão famosa praia, famosa por suas águas cristalinas e medicinais, muito menos os ilustres freqüentadores.

Poucos são os pescadores que ainda sobrevivem de tão antiga profissão. A Colônia de Pesca Z-12 (antiga Z-5) possui poucos barcos, mais ou menos quinze botes para a pesca do camarão, quando antes possuía por volta de 60 (sessenta) embarcações de grande porte. Os poucos barcos maiores que ainda restam já não pescam mais na Baía de Guanabara, seus pescadores precisam procurar seu sustento em outras águas.

O cinema que existia dentro do Asilo São Luís, há muito encerrou suas

atividades. As festas juninas que existem no local, fazem parte apenas das

memórias do bairro. Já não temos mais opções de entretenimento.

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Não vislumbramos mais as pessoas sentadas na porta de suas casas, “jogando conversa fora” ao entardecer, enquanto observavam seus filhos brincando.

Campo de futebol para a pelada da garotada, ou dos trabalhadores no fim de semana, só mesmo na Praça dos Pescadores, onde foi construída uma quadra.

Hoje, As festas juninas, as procissões em homenagem a São Pedro, o piquenique no domingo de Páscoa, são apenas lembranças de um passado saudoso.

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CAPÍTULO III

UM PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL DO BAIRRO

No bairro do Caju podemos encontrar uma parte da história do Rio de Janeiro, mais precisamente em um local denominado Praia do Caju. Neste local encontramos a Casa de Banho D. João VI, hoje Museu da Limpeza Urbana. Este patrimônio estava em ruínas quando a Comlurb resgatou a sua integridade física e histórica.

Com a chegada da família real, o bairro ganhou vulto. A antiga residência utilizada pela Família Imperial foi transformada em museu atualmente.

Tombada em 1930, a Casa de Banho, totalmente restaurada pela Comlurb, abriga desde 1996, o Museu da Limpeza Urbana.

O prédio construído em 1810, foi tombado pelo IPHAN (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 1938. Restaurado pela COMLURB, passou a abrigar o Museu da Limpeza Urbana/Casa D. João VI e está aberto ao público desde novembro de 1996.

O Museu da Limpeza Urbana – Casa de Banho de D. João VI, abriga a

história da limpeza pública da Cidade do Rio de Janeiro e uma parte da memória

do bairro, além de preservar documentos e fotografias sobre as ações desenvolvidas pela Companhia Municipal de Limpeza Urbana – Comlurb.

O Museu traz como objetivos o trabalho, a educação, a civilidade, a cultura

e o lazer, voltados para a vida do homem, peça chave em nosso cotidiano.

O local é uma porta aberta para projetos educativos, culturais e de lazer das

comunidades locais. O Museu é extremamente importante porque desenvolve

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atividades que buscam à valorização do espaço urbano e melhoria da qualidade de vida dos moradores da região. Entre essas atividades, incluem-se projetos de educação ambiental, exposições, seminários, espetáculos teatrais e musicais, pesquisas, interações comunitárias, saraus literários e oficinas diversas.

Um importante projeto desenvolvido dentro deste espaço foi a Agenda 21.

A Agenda 21 é o compromisso assinado entre os governos de mais de 170

países reunidos na Conferência Mundial de Meio Ambiente realizada em junho de 1992 na cidade do Rio de Janeiro.

É o documento consensual que busca através de seus 40 (quarenta) capítulos reverter o quadro global de degradação ambiental e desequilíbrio social, promovendo o desenvolvimento sustentável.

A Agenda 21 é um processo contínuo de planejamento participativo pelo

qual o país, estado, cidade, bairro ou região, cria planos de ação ligados às suas necessidades e destinados a tornar a vida das pessoas mais sustentáveis e harmoniosas.

Com a Agenda 21 Local, as comunidades aprendem sobre as suas dificuldades, identificam recursos próprios, estabelecem parcerias e exercem a prática da cidadania.

Os parceiros envolvidos na Agenda 21 – Local Caju, são: Associação Civil

Fábrica de Sonhos, Museu da Limpeza Urbana/Casa de Banho D. João VI, Jornal Folha de Caju, revista Caju ArteCultura, ONG Bioética, Conselho Regional de

Biologia – 2ª região RJ/ES e Rádio Seletiva FM 104,1 Um Mar de Estrelas, segundo dados do Museu.

O título do projeto é: Sob

Tal empreendimento é fundamental, já que em um bairro de baixa renda, onde faltam opções culturais e locais para desenvolvê-las, a população, principalmente os mais jovens, ficam sem nenhum tipo de entretenimento.

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A proposta do Projeto é implementar a democratização da cultura, reforço à educação, educação ambiental, debates, entretenimento, geração de trabalho e renda, esta é a meta do Projeto Sob Um Mar de Estrelas, através da exibição de filmes, seguidos de debates, ao ar livre em espaços públicos do Caju para toda a população, do bairro e adjacências.

O objetivo geral do projeto é através da sétima arte promover a cultura, educação, o humanismo, a geração de trabalho e renda, entretenimento, debate e reflexão, para um maior e real desenvolvimento humano da população do bairro do Caju.

Entre seus objetivos específicos, temos: o reforço a educação formal, ampliar o universo cultural da população, educação ambiental não formal, fortalecer a identidade cultural da população local, proporcionar entretenimento para a população, geração de trabalho e renda, promoção de debates e reflexão através de palestrantes voluntários moradores do bairro ou não, que tenham alguma identificação ou ligação com o filme exibido, seja no âmbito pessoal ou profissional. O Projeto, tão cuidadosamente desenvolvido, persiste até os nossos dias, embora esteja precisando ser reativado.

Sempre valorizando a memória e cultura do bairro, o Museu da Limpeza Urbana já promoveu Saraus, exposições temporárias, realizou parcerias com o grupo Jovens Pela Paz, realizou um festival de música, uma Feira de Saúde, um Evento do Dia da Mulher e implantou uma Sala de Leitura.

Ano passado (2006), a White Martins e a COMLURB realizaram um Projeto junto às escolas. Cada escola deveria desenvolver um trabalho ligado ao meio ambiente. A escola vencedora ganharia uma biblioteca. A Sala de Leitura do Museu para felicidade de todos nós, moradores do Caju, também ganhou uma biblioteca com mil exemplares com temas variados. Sua inauguração será no dia 23 de janeiro de 2007 (ano corrente), à dez horas e para minha alegria tive a honra de ser convidada para tão importante evento. O patrocínio é da White

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Martins, com o apoio do Ministério da Cultura e do Grupo Empresarial Record e realização do Instituto Oldemburg de Desenvolvimento. O nome da Sala de Leitura é Carlos Drummond de Andrade.

Na Sala, os leitores poderão encontrar obras de qualidade sobre os seguintes assuntos: artes, ciências puras, ciências sociais, Filosofia e disciplinas relacionadas, Geografia, História, literatura brasileira, literatura infanto-juvenil, religião, tecnologia e ciências aplicadas .Na verdade é um presente para todos os moradores, já que o bairro não possuía uma biblioteca.

Em visita ao Museu no mês de dezembro de 2006, na Sala de Exposição Contemporânea, visitamos uma bela exposição, cujo título é: “Descobrimento do Brasil”. O mesmo pertence ao Museu Histórico Nacional, sendo uma exposição itinerante.

Quem puder e tiver interesse em conhecer um pedacinho da história do nosso Rio de Janeiro, não deve perder a oportunidade de conhecer o Museu, cuja restauração fez com que a Casa recuperasse a beleza da época de D. João VI.

Para nós moradores, o Museu é motivo de alegria, sendo a nossa única opção educativa e cultural, onde podemos por breves instantes reviver o glorioso passado do nosso bairro.

30

CAPÍTULO IV

O BAIRRO DO CAJU ANTES DA POLUIÇÃO

Quem conhece o atual bairro do Caju e depara com um quadro deprimente, onde a poluição ambiental (em todos os sentidos) decretou sua morada, não consegue imaginar que o local já foi um recanto paradisíaco, cercado por águas límpidas e cristalinas. Não pode sequer imaginar que seus moradores possuíam o que tantos buscam em nossos dias: qualidade de vida! Muito menos pode imaginar que o bairro faz parte da História do Rio de Janeiro.

Hoje, o local é povoado por empresas, algumas extintas. deixando pelas ruas do bairro um ar de abandono e solidão.

O que

foi

Moradores existem em bom número, embora, pessoas que desconhecem o lugar, pensem que é pouco povoado, que no local só encontraremos mesmo a presença dos cemitérios.

A região do atual bairro do Caju prolongava-se desde o Mangue de São Diogo (área do atual Gasômetro – sede da CEG), passando pela antiga Praia de São Cristóvão, Praça Padre Seve, Rua da Igrejinha, Rua Monsenhor Manoel Gomes), até a Praia do Caju (que passava por toda a extensão da Rua Monsenhor Manuel Gomes – “rua dos cemitérios”, terminando na rua homônima). Segundo o crônista do Rio Antigo, Dunlop:

“Era uma região belíssima, de praias com areias branquinhas e água cristalina, onde não era rara a visão do fundo da Baía, tendo, como habitantes comuns os camarões, cavalos-marinhos, sardinhas e até mesmo baleias.”

31

A História conhecem.

do bairro remonta à época do

Brasil Colônia e poucos a

Engana-se quem pensa que era a Quinta da Boa Vista a única propriedade campestre da família reinante no Rio, porque para esse fim também foi adaptada outra fazenda deixada pelos jesuítas, no então distante Curato de Santa Cruz, onde certa vez D. João VI teve a perna esquerda picada por um carrapato, quando dormia à sombra das árvores. O insignificante ferimento, aparentemente sem importância, provocou-lhe depois uma incômoda inchação, infeccionou e o remédio que o médico da corte recomendou foi banho periódico de água salgada. Com medo de ser mordido por caranguejos, D. João VI entrava em uma tina furada que era içada por escravos e em seguida baixada ao mar. A água só chegava até a altura do ferimento (Museu da Limpeza Urbana).

Assim, ficou registrada a tradição de que neste local, em 1817, aos 50 (cinqüenta) anos de idade, por recomendação médica, D. João VI tomou seu primeiro banho (Museu da Limpeza Urbana).

Nesta ocasião as terras do bairro do Caju faziam parte da antiga Fazenda Real de São Cristóvão, de propriedade da Companhia de Jesus. Com a expulsão dos jesuítas, em 1760, a Fazenda foi loteada em nome da Coroa Portuguesa banho (Museu da Limpeza Urbana).

A residência utilizada para o tratamento de saúde de D. João VI, é um solar construído em 1810, por ordem do Comendador Tavares Guerra (rico comerciante de café), no interior de sua chácara, as margens da Baía de Guanabara.

Estava, assim, lançada a moda dos banhos de mar e convertido o bairro do Caju no primeiro dos nossos balneários, freqüentado por todos os Bragança, desde o filho de D. Maria, a Louca, até D. Pedro II. O Caju transformou-se num ilustre bairro de veraneio com elegantes casas e chácaras

32

Nesta época o bairro do Caju era repleto de atrativos, tais como: beleza natural e localização privilegiada às margens da Baía de Guanabara, águas límpidas, calmas e consideradas medicinais, localização próxima a residência da família real no Palácio de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista e também um local próximo ao centro da cidade.

Onde era o balneário de D. João VI e da Família Imperial, se formou a mais característica, a mais curiosa das nossas colônias de pesca, com suas redes ao sol e seus barracões sobre estacas a dois passos da calçada da Rua da Praia do Caju.

A Rua General Gurjão, bem perto, recorda-nos o General Hilário Gurjão,

paraense, sacrificado na batalha de Itororó em 1869. Nesta é que ficava, aliás, o portão da quinta real, num lugar onde hoje, porém o que predomina é a construção naval, com seu velho estaleiro do armador Vicente dos Santos Caneco, fundado em 1882, e os modernos nipo-brasileiros da Ishikawajima,

montados no Governo Kubitschek , segundo Brasil, 1970.

Estes estaleiros tiveram sua fase de glória e foram uma chance de emprego para a população local. Na verdade, com o posterior crescimento destes estaleiros, vários empregos foram gerados durante anos e não só para a comunidade local.

O local denominado Quinta do Caju, teve sua formação no início do século

XIX. O lugar já era conhecido por este nome, sendo na época uma propriedade particular, na verdade, uma Quinta a beira da praia, que ao ser comprada pela Casa Real, veio a se chamar Quinta do Caju.

D. João VI tomava banhos de mar nesta praia, mas como na Quinta do Caju não haviam instalações adequadas à Família Imperial, o solar da família Tavares de Guerra passou a ser a Casa de Banhos da realeza, na Praia do Caju, local bem próximo.

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D. João VI mandou construir na Quinta do Caju um cais e uma capela que hoje não existem mais.

A Quinta do Caju possui uma área de 52 (cinqüenta e dois) mil metros

quadrados e é o local de instalação da colônia dos pescadores. Geograficamente

falando, o lugar é uma ponta de terra que avança pela Baía de Guanabara.

A colônia de pesca foi fundada por pescadores portugueses que vieram de Póvoa do Varzim, em Portugal, nas últimas décadas do século XIX. Construíram casas de madeira colorida, típicas da arquitetura popular portuguesa. Até hoje é possível encontrar algumas dessas construções (Museu da Limpeza Urbana).

Eles trouxeram técnicas que modernizaram a tradição pesqueira carioca. Descendentes destes portugueses miscigenados com descendentes de índios, negros e de outras etnias, implantaram no Caju a tradição da pesca e passaram a celebrar no mês de junho as festas de São Pedro – padroeiro dos pescadores – com procissões marítima e terrestre.

O local não foi apenas um reduto de chegada de portugueses, mas também

espanhóis, só que em número bem menor.

A forma de ocupação da Quinta do Caju possui algumas peculiaridades.

Próximo a praia se instalaram os que chegaram primeiro, os portugueses mais antigos, donos de barcos e com melhor situação financeira. No morro residia a população mais pobre, geralmente funcionários dos donos das embarcações e com situação financeira inferior.

A Colônia de Pesca Z-5 (hoje Z-12), progrediu e chegou a ser a maior do

Brasil e a servir de referência para as demais. A inauguração da sua sede foi no dia 25/04/1965, à Rua Circular, nº 12 A, na Quinta do Caju. Foi um momento muito especial e festejado com solenidade. Seu primeiro presidente foi o Sr. Júlio

34

da Silva Marques. Durante muitos anos ocupou este endereço, onde hoje é uma creche.

A vida naquela época podia ser bem simples neste pedacinho do Rio de

Janeiro, mas uma coisa era certa: não havia a fome porque a pesca era farta e a vida era tranqüila e sem a presença da poluição.

A diversão também era garantida e grátis, já que a praia era limpa e ficava

a poucos passos das residências. Muitos aprenderam a nadar praticamente

“dentro de seus quintais”.

No mês de junho o bairro ficava em polvorosa com a Festa de São Pedro.

A celebração era uma tradição no bairro e permaneceu assim durante muitos

anos. Esta tradição remonta a chegada dos primeiros moradores. Não era apenas o testemunho da fé, mas essencialmente a oportunidade de compartilhar o prazer de se sentir parte da comunidade e comungar esse estado de espírito. Vinham pessoas de diversas localidades do Rio de Janeiro para participar desse evento tão especial e ansiosamente esperado.

Um detalhe importante é que o mês todo era muito especial, já que haviam três datas para serem comemoradas: Santo Antônio, São João e a festa principal que era a dedicada ao padroeiro dos pescadores, São Pedro.

Durante este mês tão mágico para os pescadores e para a população local,

a celebração não podia faltar. Ruas eram enfeitadas, moradores se uniam e

contribuíam para a festa com guloseimas e sua força de trabalho. Em cada rua

que se passasse, durante o dia de Santo Antônio e São João, era comum encontrar uma festa preparada pelos seus moradores e todos eram bem vindos.

Os festejos dedicados ao padroeiro eram meticulosamente elaborados e tomavam um final de semana inteiro. A Festa de São Pedro começava no sábado. A rua da praça dos pescadores era enfeitada, iluminada e ficava repleta

35

de barraquinhas coloridas. Durante o dia eram realizadas brincadeiras como:

corrida de saco, ovo na colher, pau de sebo, entre outras típicas desta tradição. Durante a noite a festa continuava com muita música e animação.

No Domingo havia a procissão marítima com a participação dos barcos enfeitados e cada qual levava a imagem de um santo ou santa. Os barcos eram decorados com bandeirinhas, luzes e tudo o mais o que a imaginação permitisse e fosse integrado ao tema. Havia um concurso entre os barcos para verificar quem era o mais bonito. Os barcos seguiam em direção à Urca onde havia uma missa. Mas os tripulantes não saltavam ao chegar. As embarcações paravam por alguns momentos ao som dos sinos da igreja e dos fogos para receber a benção do padre, que já aguardava os pescadores para a missa.

Ao retornar ao Caju, os santos eram retirados das embarcações e colocados em andores decorados com flores e luzes e os mesmos eram conduzidos por moças vestidas de branco para simbolizar a pureza. Só então começava a procissão por terra. A mesma seguia pelas ruas do bairro e uma verdadeira multidão acompanhava com velas acessas nas mãos cantando músicas religiosas e orando. Um padre precedia o cortejo. A procissão parava na praça próxima à colônia dos pescadores e era realizada uma missa.

Só depois da missa e de agradecer a Deus e a São Pedro pelo ano de trabalho e pedir proteção e amparo para o restante do ano, é que a festa começava.

Haviam shows e a música podia ser ouvida de longe e animava a festa que era extremamente familiar.

No final dos festejos havia a queima de fogos e um fechamento de “ouro”, quando um quadro com a imagem de São Pedro surgia em meio aos fogos. Depois de tanta emoção todos voltavam para os seus lares ansiosos pelo próximo ano.

36

Muitos pensam que a única comemoração popular do bairro do Caju era a Festa de São Pedro. De forma alguma.

No Domingo de Páscoa pescadores com seus familiares, vizinhos e amigos, se reuniam e programavam um piquenique na ilha de Paquetá. Era mais um dia de confraternização e alegria onde todos desfrutavam das águas límpidas da Baía de Guanabara.

Em um lugar tão agradável e salubre, não podia faltar a presença do esporte.

Ao contrário do que muitos imaginam, a prática do volei nas areias das praias começou por volta de 1910, e se estendeu pelas décadas conseqüentes, nas areias da Praia do Caju. O esporte era praticado por jovens remadores do Club Atlético Cajuense e por militares do Exército Brasileiro (Wakipédia).

Na atual Rua Monsenhor Manuel Gomes, o provedor da Santa Casa da Misericórdia José Clemente Pereira, instalou em 1839, numa gleba adquirida de João Goularte, o primeiro cemitério do Rio de Janeiro para indigentes.

Na ocasião não existiam cemitérios que se pudesse chamar “cristãos” para indigentes, pois o costume era enterrá-los em valas comuns, em terrenos baldios na própria cidade, exceto – e a partir do começo do século XIX, os falecidos na Santa Casa, que para eles havia improvisado um em Santa Luzia, e com capela e cruzeiro, mas em 1839 transferido para outra área maior, longe do hospital, adquirida por 10 contos de João Goularte na Ponta do Calafate, no Caju. Seria esse, e com o nome de Campo Santo da Misericórdia, o primeiro cemitério público fora do centro urbano e para tão humanitário fim, expressamente construído, embora só ainda para os sem condições de serem recolhidos as igrejas. O cemitério foi inaugurado como nome de Cemitério do Caju, o maior da cidade do Rio de Janeiro e conservou essa denominação até 1851, passando então a chamar-se São Francisco Xavier. Tem dois quadros de sepulturas reservados, um

37

destinado ao enterramento dos irmãos da Confraria de São Pedro, e outro, ao enterramento dos israelitas, realizando-se anualmente, em 13 de setembro, a visitação às sepulturas dos descendentes da raça de Abraão, conforme ritual do respectivo culto (Brasil, 1970).

Este não foi o único cemitério construído no Caju. O cemitério da Irmandade do Carmo, foi inaugurado em 1859, por ocasião da epidemia de febre amarela, a Ordem cuidou de estabelecer um cemitério privativo aos irmãos, por ter o Governo proibido o enterramento nas igrejas. O Cemitério da Ordem 3ª da Penitência foi inaugurado em 1858, antes desse ano os irmãos eram sepultados nas igrejas e em catacumbas (Brasil, 1970).

Assim nasceu o Cemitério de S. Francisco Xavier, com gradil e pórtico (projeto do arquiteto Jacinto Rebelo modificado por Bethencourt Silva) e com ponte para o desembarque dos cadáveres, porque era por mar nesse tempo que se faziam quase sempre os enterros. E a exemplo da Ordem de S. Francisco de Paula, a Terceira do Carmo e a Terceira da Penitência logo teriam os seus também, e os destas duas Ordens ao lado do do Caju, em áreas que a Santa Casa lhes cederia. E, enquanto isso, fracassaria o forno crematório (Brasil, 1970).

Ao terreno de João Goulart foram acrescidos outros aos lados, inclusive a Chácara Morundu, da viúva de Baltazar Pinto dos Reis, cuja “casa-nobre” logo se transformaria em 1855 numa enfermaria para os pobres, ponto de partida para o Hospital de N. Sra. Do Socorro (ainda de pé até os nossos dias). Anos depois o prédio foi dotado de prédio próprio, mais adequado, segundo Brasil, 1970.

Pinto Guerra, rico proprietário português, conhecido por “Guerra Sapateiro” doou à Santa Casa algumas terras que possuía na região agora habitada pelos cemitérios. Estas foram adquiridas pelo industrial Teixeira de Azevedo para a construção da maior fábrica de tecidos do Rio Janeiro à época (1880). Entretanto, Teixeira logo seria levado à falência e a São Lázaro, entregue ao Banco do Brasil, acabaria nas mãos do Governo, por 7.000 (sete mil) contos, para que nela se

38

instalasse o Arsenal de Guerra (o velho era na Ponta do Calabouço), inaugurado a 11 de novembro de 1902 por Campos Sales. Hoje, ampliado, ele se estende por ambos os lados da rua, cobrindo-a, e com o tráfego passando por dentro e por baixo da construção (Brasil, 1970).

O Visconde Ferreira de Almeida (chegado de Portugal com 11 anos e modesto caixeiro na meninice no Catumbi) fundou em 1890 a Casa São Luís para

a Velhice Desamparada. No interior foi instalado um cinema chamado Mariana e que era freqüentado pelos moradores do bairro (Brasil, 1970).

Este asilo, hoje um espaço particular, já foi palco de diversas festas juninas.

A entrada era permitida a qualquer pessoa disposta a se divertir. E diversão era o

que não faltava. O ponto culminante da festa era a quadrilha dos Vovôs, que participavam com muita animação.

Na Rua Carlos Seidl (um grande diretor da Saúde Pública), o Ministro Ferreira Viana, levantou na mesma década o Hospital São Sebastião, o nosso primeiro autêntico hospital de isolamento, destinado a prestar bons serviços a Oswaldo Cruz na sua cruzada saneadora sob o Governo Rodrigues Alves

(Brasil,1970).

Próximo no local denominado Retiro d´América, à linha da Estrada de Ferro do Rio Rio d´Ouro e à Rua de São Januário, está situado, no alto do Morro da Caixa D´Água, o Reservatório de São Cristóvão, antigo D. Pedro II, que abastece de água parte da cidade e que tinha por finalidade, inicialmente, atender ao novo serviço de abastecimento de água da cidade pelo sistema moderno, baseado na canalização domiciliar, à maneira de Viena, de que acabava de encarregar-se Antônio Gabrielli, o mesmo Gabrielli convidado a vir ao Rio de Janeiro pelo Governo Imperial para dotá-lo também de melhoramento, graças a uma rede geral de distribuição com reservatórios em diversos bairros, segundo o projeto do engenheiro militar Jerônimo Morais Jardim (Brasil, 1970).

39

Foi lançada a pedra fundamental da Caixa D´Água, em 12 de dezembro de 1876, em presença da Princesa Regente D. Isabel, Ministro da Agricultura, Conselheiro Tomás José Coelho de Almeida, Diretor da Obras Públicas, Dr. Manuel Buarque de Macedo, Tenente-Coronel Jerônimo Rodrigues de Morais Jardim, encarregado da direção das obras, e empreiteiro Antônio Gabrielli (Brasil,

1970).

O bairro do Caju, como observamos, teve seu tempo de glória, para depois, infelizmente, ingressar no esquecimento.

40

CONCLUSÃO

O conceito de lugar está ligado a espaços que nos são familiares, que

fazem parte de nossa vida. O nosso lugar nos dá identidade própria e nos permite

estabelecer relações com lugares diferentes no resto do mundo.

O que fazer quando nosso lugar perde sua identidade?

É uma pergunta difícil de responder.

O que posso afirmar, é que realizar esse trabalho foi gratificante, pois tive

a oportunidade de conhecer um pouco mais do meu lugar que possuiu um grande valor ambiental, com um pedaço da História do Rio de Janeiro encravado em “suas veias”.

Foi maravilhoso reencontrar um lugar de gente simples sim, mas feliz, onde o trabalho e o alimento não faltavam, onde a amizade, a solidariedade e a tradição faziam parte do cotidiano de todos.

Um lugar onde a boa e velha conversa na calçada e as brincadeiras de roda, amarelinha, corda, pique, pião, bolinha de gude, futebol e muitas outras, faziam parte da vida da criançada, que hoje vive na frente da televisão e são prisioneiros dos vídeo games.

Um lugar que possuía uma beleza natural inigualável e onde existia a tão sonhada qualidade de vida.

41

Foi uma preciosa oportunidade de realizar uma viagem de volta a um passado cheio de recordações que são verdadeiras jóias raras de nosso bairro e de nossa gente.

Foi uma oportunidade única de entender como o meio ambiente é importante, deve ser respeitado e preservado, que faz parte de todos nós.

Finalmente, foi uma oportunidade única de entender como é necessário que o desenvolvimento sustentável se faça presente em cada cantinho do nosso planeta, para que não vivamos de recordações e sim de realizações, para que gerações futuras tenham o seu lugar nesse mundo.

42

BIBLIOGRAFIA CITADA

1 - Associação de Moradores da Quinta do Caju.

2 - Colônia de Pesca Z-12.

3 - FEMAR – FUNDAÇÃO DE ESTUDOS DO MAR, Uma Avaliação da Qualidade

das Águas Costeiras do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro:1997.

4 - HETZEL, Bia. Baía de Guanabara, São Paulo: Manati, 1968.

5 - LOROSA, Marco Antonio e AYRES Fernando Arduini. Como Produzir Uma

Monografia Passo a Passo

Siga

o mapa da mina.Rio de Janeiro: Wak, 2005.

6 – Museu da Limpeza Urbana/Casa de Banhos D. João VI.

7 - SANTOS, Noronha. As Freguesias do Rio Antigo. Rio de Janeiro: Edições O Cruzeiro, 1965.

43

ANEXOS

Índice de Anexos

Anexo 1 >> Mapa;

Anexo 2 >> Mapa;

Anexo 3 >> Foto;

Anexo 4 >> Foto;

Anexo 5 >> Foto;

Anexo 6 >> Foto;

Anexo 7 >> Foto ;

Anexo 8 >> Foto;

Anexo 9 >> Reportagem;

Anexo 10 >> Foto;

Anexo 11 >> Foto.

44

ANEXO 1

Mapa

Mapa retirado do livro - FEMAR – FUNDAÇÃO DE ESTUDOS DO MAR, Uma Avaliação da Qualidade das Águas Costeiras do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro:1997, 88p

45

ANEXO 2

Mapa

Mapa retirado do livro - FEMAR – FUNDAÇÃO DE ESTUDOS DO MAR, Uma Avaliação da Qualidade das Águas Costeiras do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro:1997, 91p

46

ANEXO 3

Foto

Foto mostrando os aterros realizados no bairro do Caju, pertencente ao Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, 1927.

47

ANEXO 4

Foto

Foto aérea da Quinta do Caju mostrando a ocupação desordenada. Do lado direito temos o Parque de Material de Eletrônica da Aeronáutica e do lado esquerdo o estaleiro da Ishikawajima. Arquivo particular.

48

ANEXO 5

Foto

Foto atual do que resta do antigo varal dos pescadores, local onde os barcos atracavam e onde as redes eram colocadas para secar. Arquivo particular,

2005.

49

ANEXO 6

Foto

Foto de uma parte da praia do Caju, que já não existe. Arquivo particular.

50

ANEXO 7

Foto

Inauguração da Colônia de Pesca Z-5, em 25 de abril de 1965. Arquivo particular.

51

ANEXO 8

Foto

Inauguração do píer, no dia 13/03/1981. Arquivo da Colônia de Pescadores

Z-12.

52

ANEXO 9

Reportagem

O Fluminense – Página 13 – Estado do Rio de Janeiro, domingo, 15 e segunda feira, 16 de março de 1981

“Pier” da Cooperativa do Caju é inaugurado

Rio de Janeiro – Representando o Governador Chagas Freitas, que não pôde comparecer à solenidade, o Deputado Estadual José Pinto (PP-RJ), inaugurou ontem o pier (ancoradouro da Cooperativa Mista dos Pescadores da Colônia do Caju e Colônia de Pescadores Z-12 “Senhor do Bonfim”. Estiveram presentes o administrador regional de São Cristóvão, Luís Cláudio Tepedino Alves, o diretor do Hospital São Sebastião, Waldir Tavares, o diretor da Divisão Médica do Hospital Clemente Ferreira, Armando Filardi, o diretor do 1º Distrito de Fiscalização do Município do Rio de Janeiro, Amir Miguel e o Major Armando Antônio Rodrigues, assistente do Parque de Eletrônica de Material do Rio de Janeiro, representando seu diretor.

O presidente da Cooperativa Mista dos Pescadores do Caju, Júlio da Silva Marques também esteve presente à solenidade, explicou que a inauguração do ancoradouro é a primeira etapa do projeto de implantação da Cooperativa, que há um ano está sendo instalada ali em área doada pelo Governador

53

Segundo ele, o objetivo principal do

um porto

pesqueiro no local, onde será implantada toda a infraestrutura para atendimento aos pescadores, contando de serviço médico e

e

fábrica

odontológico,

projeto é a instalação de

de

gelo

mercados, além de restaurante e área

de lazer.

O projeto do arquiteto Márcio Franco

da Cruz, está sendo executado pela

firma

Tempo

Engenharia

e

Construções

Ltda,

sob

a

responsabilidade

do

engenheiro

Antônio Carlos ª Franco.

Márcio F. da Cruz explicou que, depois de concluído, o projeto constará com um prédio de administração, a fábrica de gelo uma oficina para reparos navais, um mercado de pesca artesanal destinado ao atendimento do público, duas câmaras frigoríficas para armazenamento do pescado, vários boxes para depósito de materiais de pesca, área de lazer composta de restaurante, mercado, loja para venda de materiais de pesca e gêneros alimentícios aos cooperativados, de auditório e gabinetes médico e odontológico, além de uma grande área destinada para redes.

O

presidente da Cooperativa, Júlio da

S.

Marques, falou sobre o

funcionamento da Colônia que existe

há 18 anos e recebe em média 80

embarcações com 20 tripulantes por

dia. “Nossa Cooperativa conta com

cerca de 2.800 associados, dos quais 1/3 moram na comunidade. Outros residem fora, devido ao preço do aluguel na área. Mas, dentro dos nossos planos, está a construção de

54

um conjunto habitacional para os cooperadores. A inauguração de hoje virá dinamizar nosso serviço, pois teremos o único porto pesqueiro do Brasil”.

“Poderemos suprir as deficiências do entreposto da Praça XV que funciona de 23 às 3h, onde um barco que chega às 5h não pode descarregar. Aqui não vai ter esse problema.

Explico que a Cooperativa no ano passado, recebeu um volume de 20 mil toneladas de pescado, e olha que foi um ano ruim. Aqui estaremos preparados para receber três tipos de embarcações, de pequeno, de médio e grande porte”. Sobre a distribuição do pescado, disse que “os barcos cooperativados recebem designação da Cooperativa, d onde devem vender os peixes, os melhores preços, sob o controle da Cooperativa ”

55

ANEXO 10

Foto

Foto da procissão marítima em homenagem a São Pedro, padroeiro dos pescadores. Arquivo particular.

56

ANEXO 11

Foto

Procissão em homenagem a São Pedro, realizada após a chegada da procissão marítima. Arquivo particular.

57

ÍNDICE

INTRODUÇÃO

8

CAPÍTULO I

10

A

POLUIÇÃO NA BAÍA DE GUANABARA

10

1.1 – Aspectos Históricos

10

1.2 – Fontes de Poluição

16

CAPÍTULO II

21

O

OUTRO LADO DA POLUIÇÃO

21

CAPÍTULO III

26

UM PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL DO BAIRRO

26

CAPÍTULO IV

30

O

BAIRRO DO CAJU ANTES DA POLUIÇÃO

30

CONCLUSÃO

40

BIBLIOGRAFIA CITADA

42

 

ANEXOS

43

ÍNDICE

57