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Os “Livros de Registro de Entrada de Gado” da Feira de Capoame

(1784-1811)

Juliana da Silva Henrique 1

O objetivo desta comunicação é apresentar alguns aspectos da dinâmica de funcionamento da Feira de Capoame partindo da análise dos “Livros de Registro de Entrada de Gado”, localizados no Arquivo Municipal de Salvador (AMS). Pretende-se, portanto, pensar em Capoame como espaço articulador de uma rede mercantil que envolvia desde agentes dedicados à pecuária estabelecida nas mais distintas partes dos sertões baianos até os marchantes responsáveis diretos pelo abastecimento da principal região consumidora de carne verde da capitania: a cidade da Bahia de Todos os Santos e seu Recôncavo. Por fim, faz-se necessário problematizar alguns aspectos da pecuária desenvolvida nos sertões baianos da América Portuguesa e sua importância para a reprodução econômica e social da colônia.

Palavras-chave: Bahia Capoame – pecuária – sertão – abastecimento

  • 1 Mestranda pelo Programa de História Econômica do Departamento de História da Universidade de São Paulo. E-mail: juliana.henrique@usp.br

Capoame era uma feira de gado localizada a oito léguas da sede do governo geral da América Portuguesa: a cidade da Bahia de Todos os Santos. Apontada na década de 1640 como espaço de arrebanhamento do gado vindo do sertão para abastecer naus, tropas estacionadas, habitantes e funcionários da administração régia; institucionalizada como feira em que se estabeleceu um registro de entrada de gado na década de 1720 para extinguir-se em 1839 (momento em que foi transferida para Feira de Santana), Capoame era por onde deveria passar todo o gado com destino ao abastecimento da Cidade da Bahia de Todos os Santos (depois

Salvador) e seu Recôncavo. Com uma população de aproximadamente 40.000 habitantes 2 , a cidade de Salvador no século XVIII - em especial no final do século - dependia largamente da produção de alimentos provenientes de outras regiões, seja do Recôncavo seja do interior da Capitania para a reprodução diária das unidades produtivas altamente (mas não absolutamente) especializadas como os engenhos de açúcar e o suprimento alimentar da burocracia colonial e de inúmeros

colonos ali instalados. Os alimentos de primeira necessidade largamente consumidos como a

mandioca e a carne acabavam passando pelo mercado local promovendo a consolidação de redes

mercantis voltadas para o abastecimento interno. 3 A carne consumida na cidade de Salvador e em boa parte do Recôncavo vinha

principalmente do interior da Capitania e adjacentes. O comércio da carne verde era controlado desde o século XVII pela Camara Municipal através da arrematação da renda dos talhos, que

delegava portanto a um negociante a responsabilidade de encaminhar as rezes vindas de Capoame ao Matadouro Público e posteriormente aos Açougues e Talhos espalhados pelas freguesias urbanas e suburbanas. 4 A arrematação desta renda tinha por objetivo garantir o

  • 2 Avanete Pereira Sousa. Poder local, cidade e atividade econômica (Bahia, século XVIII). São Paulo, 2003, p. 108

  • 3 B. J. Barickman. Um contraponto bainao: açúcar, tabaco e escravidão no Recôncavo, 1780-1860. Rio de Janeiro, 2003, p. 307

fornecimento de carne por um preço determinado e vencia a concorrência aquele que conseguisse estabelecer o menor preço da carne entregue aos Açougues.

Foi a busca por um maior controle sobre este comércio que impulsionou a elaboração de

diversas medidas pela Camara Municipal de Salvador no sentido de garantir o abastecimento

minimamente regular de víveres dos quais os habitantes da cidade eram em grande medida

dependentes. Os debates da Camara Municipal e as diversas medidas que esta Casa tomara no

decorrer do século XVIII tinha justamente o objetivo de livrar a cidade da carestia quase imanente em que viviam seus moradores (pelo menos em relação ao consumo de carne), assim como impedir a ação de atravessadores e contrabandistas que se aproveitavam da falta de carne na praça de Salvador para cobrar preços extorcivos da população. Proibindo que o comércio de carne ocorresse de forma livre e fora dos locais pré-determinados, tais como a feira de Capoame a partir da década de 1720, os funcionários da Camara tinham por intuito também manter seu

monopólio sobre tão lucrativo negócio, fruto de 71,89% da renda municipal entre 1701-1767, correspondendo em 1768-1800 a 85,86% do total arrecadado. 5 É dentro desta lógica de aumento de controle sobre o comércio de gêneros de primeira necessidade que se enquadra a produção dos “Livros de Registro de Entrada de Gado” na feira de Capoame localizados no Arquivo Municipal de Salvador (AMS). Apesar de haver referências

nas Atas da Camara Municipal de Salvador de registros de entrada de gado desde pelo menos 1727 e 1728 6 , ou seja, desde o seu surgimento como espaço institucionalizado, conseguimos localizar somente os livros correspondentes aos anos de 1784 - 1811. Embora seja um recorte

limitado, que inviabiliza, por exemplo, projeções a longo prazo do comércio do gado em Capoame ou até mesmo um estudo mais detalhado das mudanças ocorridas durante o período de existência da feira, os “Livros de registro de Entrada de Gado” mostraram-se um excelente ponto de partida para o estudo de um espaço cuja documentação encontra-se espalhada por arquivos que ainda precisam ser localizados. Sua riqueza em informações quantitativas e qualitativas sobre a dinâmica de funcionamento da feira em si e as conexões existentes entre a produção sertaneja de gado vaccum, sua circulação por Capoame até chegar na cidade de Salvador permitem um olhar mais atento em relação à pecuária e sua importância para a reprodução da sociedade colonial.

  • 5 Avanete Sousa, op. cit, p. 229 e 230, gráficos 8 e 9.

  • 6 “Termo de vereação e rezolução que se tomou sobre a conta que por ordem do Exmo. Senhor Vice Rey se tomou aos marchantes e criadores do gado digo de todo gado que veyo da feira de Capoame para esta cidade e se cortou nos açougues della de 3 de septembro de 1727 athe 28 do corrente [ dezembro de 1728]”. Documentos Históricos do Arquivo Municipal. Atas da Camara, 1718-1731. vol.8. Salvador, p.152

Porém, ainda é necessário uma maior sistematização dos dados localizados, cabendo neste artigo somente apontar algumas informações relevantes e exemplares que serão melhor analisadas no decorrer da pesquisa ainda em desenvolvimento. A estrutura dos livros varia consideravelmente de acordo com o escrivão. Entretanto, a lógica básica deste documento é a seguinte: tudo o que entra na feira deve ser registrado, assim como todo o gado que sai, tendo de ser sempre numericamente igual, entrando na contabilidade inclusive as rezes mortas. Todos os livros possuem como informações básicas a quantidade de rezes de cada boiada, qual sua origem, quem é o responsável pela condução da boiada, especificando se é o criador, um condutor ou um escravo. Sobre as boiadas que saiam semanalmente da feira, há sempre a indicação do nome do marchante responsável por levá-las até o Matadouro de Salvador e qual a quantidade de rezes conduzida possivelmente com o auxílio de escravos, o número de rezes destinadas as outras freguesias do termo da cidade, assim como a outras vilas do recôncavo. Há inclusive uma parte dedicada à descrição de todas as pessoas que eram isentas do pagamento de 500 réis por cabeça de gado, sendo apontada na maior parte das vezes o nome de engenhos de cana-de-açucar pertencentes a homens da elite baiana, assim como conventos e hospitais. Pelas indicações encontradas, Capoame ficava na freguesia de Santo Amaro de Ipitanga, próximo ao Rio Joannes e Jacuípe. Localizava-se perto da Aldeia jesuíta do Espírito Santo que tornou-se Vila de Nova Abrantes do Espírito Santo em 1758. Na mesma freguesia ficava Mata de S. João, “com povoação de engenho – Capella e varios moradores para dentro da terra e a Capella de Santo Antonio da Capoame”. 7 Vale lembar que Mata de S. João foi um dos lugares apontados por Luiz Mott como espaço em que se estabeleceu uma outra feira de gado. 8 Cabe agora saber se Capoame e a feira supostamente situada em Mata de S. João tratam-se do mesmo lugar ou não, considerando a proximidade dos dois espaços e o fato do documento supracitado falar da existência de uma capela localizada em Mata de S. João cujo nome se referia à Capoame. Contudo, mesmo o fato de estarem próximas geograficamente também não significa a impossibilidade destes dois pontos de comércio coexistirem. Procurar mais informações sobre Mata de S. João, no limite, servirá também para encontrarmos novas pistas sobre mais uma feira

  • 7 Manoel de Oliveira Mendes. “Livro de cartas do Senado para Sua Magestade, 1746-1822 – Relação topographica da Cidade do Salvador da Bahia de Todos os Santos e seu termo que fez o medidor das Obras da Cidade Manoel Mendes”. AAPB, 1917, vol.1, p. 12 e segs.

rasamente estudada. A propriedade das terras em que Capoame estava é controversa, pois tratava-se de uma região disputada por problemas relacionados as confusas cartas de sesmarias que geravam, não poucas vezes, a transposição de terras doadas a pessoas diferentes, fora os sempre mencionados posseiros, rendeiros entre outras pessoas que, em geral, eram os reais responsáveis pela ocupação territorial. Pelo o que consta, Capoame fazia parte da sesmaria doada por Tomé de Souza ao Conde da Castanheira, passando sucessivamente para os Marqueses de Louriçal e para os Marqueses de Cascais. Quando morreu a Marquesa de Cascais, em 1763, as terras foram encorporadas aos bens da Coroa, passando depois de alguns anos para a Casa dos Marqueses de Nizza. 9 Mesmo assim, como a maioria das outras sesmarias, a ocupação provavelmente foi efetivada por rendeiros. De acordo com a menção feita no inventário dos bens confiscados da Companhia de Jesus, Capoame, por exemplo, aparece em nome de Marques de Cascais, mas parte de suas terras era habitada pelos religiosos. 10 Segundo um artigo encontrado nos Anais do Arquivo Público da Bahia, as terras dos Dias D́Ávila começavam duas léguas depois do Rio Vermelho, onde terminava as terras do Conde de Castanheira. Só que isso não os impediu de também utilizar-se destas partes que não os cabia. Entretanto, os conflitos travados em especial com os frades beneditinos, que também possuíam sortes de terras na região do Rio Jacuípe, próximo à Santo Amaro do Ipitanga e Itapoan, só auxiliam no sentido de dificultar o intendimento da situação fundiária desta região. 11 Pelo o que informa o termo de criação da Vila Nova de Abrantes, os índios (provavelmente os aldeados em Espírito Santo) tinham os títulos das terras para quem os moradores, segundo o documento, deveriam pagar foro (o que provavelmente não acontecia). Outra parte do território era administrado pelos jesuítas “por doação onerosa de cincoenta Missas, que fez Paula de Cerqueira, como emphiteute do marquez de Louriçal, a quem os ditos padres pagão o foro, como sucessor do Conde da Castanheira.” 12 Segundo uma descrição encontrada, por Capoame seguia uma estrada que ligava Salvador ao norte da Capitania. Este caminho “passava por Feira Velha, Pojuca e rio Catú. Bordejando a

  • 9 “Terras da casa dos Marquezes de Nizza”. AAPB, vol.3.

    • 10 “Inventário de diversos bens do Colégio da Baía, seqüestrado em 1759”, MS. Do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, pasta 6, maço 5. In: Serafim Leite. História da Companhia de Jesus no Brasil. Rio de Janeiro / Lisboa, 1945, vol . 5, apêndice C.

    • 11 AAPB, vol. 4 e 5 , p.59.

Matta de S. João, chegava a Alagoinhas. Ahi entroncava com a que seguia para Agua Fria e Serrinha.” 13 Provavelmente ali se localizava o entroncamento de outras estradas. Em 1663, uma

portaria autoriza o pagamento em gado ao Capitão João Lobo Mesquista por abrir uma estrada que ia até Mata de São João. 14 Por Jaguaripe, por exemplo, passava um caminho que foi feito por criadores para facilitar o transporte do gado e encurtar a viagem que poderia levar meses,

causando prejuízo aos fazendeiros que viam o preço de seus bois cair por causa principalmente

da perda de peso e mortes no decorrer das viagens e da travessia dos rios. 15 Entretanto, até mesmo a abertura destas estradas causava desavenças pois muitas delas precisavam ser estabelecidas nas terras de fazendeiros que não queriam dar passagem para outrem.

As feiras em Capoame ocorriam todas as quartas. Ali chegavam semanalmente boiadas

vindas das mais distintas partes dos sertões baianos. Sertões baianos aqui compreendidos como os diferentes locais ocupados pelo movimento sertanista iniciado em meados do século XVII tendo por ponto irradiador justamente o litoral da Capitania da Bahia através da ação de seus colonos e de reinóis alí recém-chegados. Esta ampla e múltipla região – os sertões baianos - não correspondia necessariamente a divisão administrativa coincidente com a Capitania da Bahia, visto inclusive que no período colonial estas fronteiras eram altamente fluídas sendo

constantemente modificadas, além de não conincidirem com os distintos poderes colonizadores que operavam na região. O norte de Minas Gerais, por exemplo, até as primeiras décadas do século XVIII pertenciam a jurisdição da Capitania da Bahia. O caso de Piauí também é emblemático. Colonizada inicialmente por homens vindos em geral da Capitania da Bahia, seu território, por exemplo, em 1715-1718 era administrativamente subordinado ao Estado do Maranhão, eclesiasticamente estava vinculado ao Bispado de Pernambuco (com sede em Olinda), mas judicialmente respondia pela Relação de Salvador na Bahia. 16 .No entanto, pensando na dinâmica da pecuária, Piauí estava muito mais vinculada à Capitania da Bahia, visto que todo o gado produzido nas Fazendas da Real Administração (herdadas pelos jesuítas após a morte de Domingos Afonso Sertão e confiscadas durante as reformas pombalinas que resultaram na

  • 13 Idem, vol. 3, p. 207.

  • 14 “Portaria que se passou ao Capitão João Lobo Mesquita, para se lhe pagar quantidade de gado.” 15 de dezembro de 1663.” Documentos Históricos da Biblioteca Nacional. Vol. 7, p. 130.

  • 15 “Registro da carta que este Senado escreveo a Meza da Fazenda deste Estado sobra a estrada de Jagoaripe.” Bahia, 5 de novembro de 1718. Documentos Históricos do Arquivo Municipal . Cartas do Senado. 1710-1730. volmue 6, Salvador, p. 90.

expulsão dos religiosos através do alvará régio de 1759) serem conduzidas diretamente para a

Feira de Capoame, segundo a documentação do Conselho Ultramarino. 17 Especialmente nos primeiros “Livros de Registro de Entrada de Gado” há sempre a especificação do local, ou melhor, do sertão de onde as boiadas vinham. Vários são os lugares mencionados, sendo os principais deles o Sertão do Piauí, Canindé, Itaim, Rodelas, Pajeú, Rio de São Francisco, Rio de Baixo, Rio Real, Rio do Peixe, Tucano, Jacobina, Jacobina Nova, Morro do Chapéu, Riacho da Brigida, Massacará, Inhamuns, Curassá, Tocós, Lagarto, Porto da Folha, Itapicuru, Vaza Barris, Natuba, Serrinha, Urubu, Jeremoabo, Parnaguá, Canabraba, Patamute, Jacorissi, Jaguaripe, Santo Sé, Gruguea, Saco do Moura, Ginguinge, Quiricó, Itabaiana, Sifra, Guaribas, Cafucá, Carioca, Manhuns, Curimatâ, Mundo Novo, Paramirim, Tarâ, Tacarisê,

Caatingas. É interessante reparar nos topônimos, sendo que vários deles fazem referência direta à termos indígenas que prevaleceram após o processo de conquista, seja porque estes locais já eram conhecidos por estes nomes e utilizados como referência pelos indígenas que muitas vezes serviram de guias compulsórios ou não para as expedições, seja porque estes nomes remetiam a algum elemento relacionado ao processo de contato ou ocupação territorial promovida pelas expedições portuguesas e missionárias. Trata-se de verdadeiros testemunhos históricos. 18 Como parte do processo de integrar aos domínios da Coroa Portuguesa tão vasto território antes ocupado por indígenas houve o estabelecimento de casas fortes mas principalmente de fazendas dedicadas à criação de gado. Muitas destas unidades produtivas tinham o intuito de promover uma rápida ocupação das terras recém-conquistadas, servir como ponto de apoio para as demais expedições que percorressem aquela região, 19 além de possibilitar que em alguma medida dalí conseguessem seus novos ocupantes auferir algum tipo de renda. Conforme se acelerava o processo de expulsão dos indígenas e consolidação da exploração da pecuária na região foram aos poucos se delineando caminhos e estradas pelas quais fluíam homens e mais tarde mercadorias. Estas estradas serviam inicialmente para ligar as

  • 17 AHU_CL_CU_016, cx.12, d. 717 (Oeiras do Piauí, 1774, julho 22 ) “Oficio do governador do Piauí, Gonçalo Botelho de Castro, ao secretario de Estado da marinha e Ultramar, Martinho de melo e Castro, sobre o rendimento dos bens dos jesuítas, de 1773 a 28 de abril de 1774, e remetendo uma relação dos animais que foram enviados para a Bahia. ”

  • 18 Maria Vicentina de Paula do Amaral. “A motivação toponímica e a realidade brasileira”. São Paulo, Arquivo do Estado, 1990.

diferentes partes dos sertões ao litoral de onde saiu a grande maioria das primeiras expedições.

Conhecidas no século XVIII como estrada das boiadas ou estrada Real, por estes caminhos transitavam homens e bois direcionados aos principais centros consumidores coloniais. No caso da Capitania da Bahia, a circulação tinha como ponto de chegada principalmente a Região do Recôncavo Baiano e Salvador na medida em que esta região era cada vez mais dedicada ao cultivo e fabrico do açúcar e outros produtos, dentro de uma lógica de aumento da especialização da produção e também era o centro administrativo da América Portuguesa até ser

transferido para o Rio de Janeiro em 1763.

Os primeiros homens que ocuparam o sertão em nome da Coroa Portuguesa estavam em geral envolvidos na guerra de extermínio dos indígenas, assim como no processo de destruição de quilombos que não poucas vezes pipocaram, e até mesmo, por muito tempo resistiram no interior de diversas Capitanias. 20 Os chefes destas expedições e os homens que mais se destacavam durante as guerras solicitavam e às vezes adquiriam as terras que conseguiam arrasar como uma espécie de mercê pelo serviço prestado. Mas não só de grandes sesmeiros fez- se o sertão. Não raras vezes quem efetivou a ocupação e a produção sertaneja foram colonos, posseiros e rendeiros, possivelmente membros menos destacados das primeiras expedições e

entradas ou mesmo homens vindos do litoral que encontravam no sertão uma maneira de

sobrevivência. 21 A descoberta de metais preciosos na região do Rio das Velhas e outras partes da Capitania da Bahia foram também grandes propulsores do aumento populacional por estas

bandas. Os “Livros de Registro de Entrada de Gado” fazem sempre referência ao nome do responsável pela condução das boiadas vindas do sertão até chegaram a Capoame. O número significativo de criadores cujo nome aparece no “Registro de Entrada de Gado” de Capoame revela a quantidade e variedade considerável de homens dedicados a esta atividade econômica. Portanto, e ao que tudo indica, não foram somente os grandes fazendeiros e semeiros os responsáveis pelo abastecimento da região próxima ao litoral baiano, assim como também não foram os grandes ou únicos responsáveis pela ocupação dos sertões baianos. Homens cuja história ainda encontra-se ofuscada diante dos sempre lembrados membros da Casa da Torre ou

20 Sobre as instruções para as entradas e assaltos ao mocambos existentes no interior da capitania da Bahia, ver:

Documentos Históricos, “Ordem que levou o Capitão-mor das Entradas Comandante Antonio Vaz de Almeida.” Bahia, 4 de junho de 1715 volume 54, p. 15

21 Kalina Vanderlei Silva. Nas solidões vastas e assustadoras. A conquista do sertão de Pernambuco pelas vilas açucareiras nos séculos XVII e XVIII. Recife, Cepe, 2010.

da Casa da Ponte, assim como alguns sertanistas e capitães mores. O fato dos “Livros de Registro de Entrada de Gado” fazerem sempre referência ao nome do criador responsável pela condução da boiada nos permite cruzar esta fonte com outros documentos, tais como os inventários post-mortem. Em uma breve visita ao Arquivo do Estado da Bahia (APEB) já foi possível localizar documentos sobre alguns destes homens. Serão citados a seguir alguns destes casos somente para termos uma ideia das múltiplas relações sociais e mercantis estabelecida nos sertões baianos. Valentim Rodrigues Teixeira, por exemplo, era um criador de gado do Sertão do Curassá que aparece nos “Livros de Registro de Entrada de Gado” encaminhando boiadas ou delegando tal função ao seu escravo Domingos, considerado um bom vaqueiro pelo avaliador em 1795

quando foi aberto o inventário post mortem do criador. 22 O mais curioso sobre Valentim é o fato de ter comprado um fazenda denominada Pedra Branca do grande sesmeiro Mestre de Campo da

Torre, da qual ainda possuía uma dívida quando de seu falecimento. Tal informação nos permite pensar primeiramente nestes criadores que não adquiriram suas terras através de doações régias,

mas ao mesmo tempo levanta o problema sobre a compra e venda de terras que compunham

sesmarias, prática corrente como podemos notar nos registros cartoriais e inventários. A partir de algum momento, possivelmente de modo mais generalizado, na segunda metade do século XVIII, os herdeiros destas grandes sesmarias começaram, ou pelo menos ampliaram, a venda das terras. O problema da valorização da terra e de sua comercialização precisam ainda ser melhor analisados. 23 A menção direta a estes ocupantes que auxiliavam os sesmeiros na efetivação da posse das terras foi feita também em um ofício do Senado da Câmara ao Governador Geral em 1 de Outubro de 1718 no qual aparece o Coronel Garcia D'Ávila Pereira e “seu colono Antonio Gomes de Sá” no momento da construção da estrada que passava pela Ribeira do Jagoaribe para facilitar a condução do gado direcionado à Salvador. 24 Além dos criadores espalhados pelo sertão e que apareciam em grande quantidade por Capoame havia também os condutores que guiavam gado alheio. Pelas informações encontradas também no inventário de Valentim Rodrigues Teixeira, podemos observar que nem sempre os

  • 22 APEB, Seção Judiciária, Inventário de Valentim Rodrigues Teixeira , e.8, cx. 6482, m. - (Jacobina),1795, fl. 4 v.

  • 23 Para o caso da venda de parte das sesmarias doadas aos Guedes de Brito para seus rendeiros, ver: Erivaldo Fagundes Neves. Estrutura Fundiária e Dinâmica Mercantil. Salvador, 2005. Sobre a questão da terra ver: Marcia Motta. Direito à terra no Brasil: a gestão do conflito (1795-1824). São Paulo, 2009.

condutores eram funcionários livres das fazendas que produziam o gado encaminhado ao litoral,

podendo ser trabalhadores de outras unidades produtivas ou também criadores de outras paragens. Entre as dívidas ativas e passivas arroladas no inventário temos a informação de que Francisco Rodrigues de Aquino, vaqueiro de João Barrozo Pereira, devia 60$000 pela venda de uma boiada pertencente à Valentim. 25 No entanto, podemos observar também a frequência com que algumas figuras bem conhecidas devido ao seu considerável cabedal transitavam pelos sertões em direção à Capoame, seja pessoalmente ou seja (de maneira mais frequente) por intermédio de seus condutores e escravos.

Uma das famílias que mais são mencionadas nos “Livros de Registros de Entrada de Gado” são os Rocha Pitta. Pertencentes a elite baiana, muito de seus membros chegaram a ocupar altos cargos públicos, dentre eles Sebastião da Rocha Pitta, autor de “História da América Portuguesa”. Possuíam também investimentos em engenhos de açúcar. 26 A menção semanal aos irmãos Cristovão, Antonio e Lançarote diz respeito as rezes que mandavam vir de suas fazendas sertanejas para abastecer seus engenhos. Os criadores Vitorio de Souza, João Fereira, o condutor Antonio João do Sertão do Rio de São Francisco, o condutor Capitão Domingos Roiz' do Sertão do Rio de Baixo, os condutores João Pires, João da Rocha, Antonio Teyxeira do Sertão do Itaim, os criadores Dizidério Pereira, Capitão Florentino de Almeida Pereira e o condutor Lauriano de Almeida do Sertão do Pajahú, o condutor Jozé de Torre do Sertão do Piauí são alguns dos homens mencionados como responsáveis pela condução das boiadas pertencentes à Cristóvão da Rocha Pitta. Estes nomes nos auxiliarão em pesquisas futuras por facilitar um análise das redes comerciais e sociais do sertão. 27 Outro grande fazendeiro e sesmeiro mencionado corriqueiramente nos “Livros de Registro de Entrada de Gado” foi o herdeiro da Casa da Ponte, sempre identificado como Fidalgo ou Defunto de Saldanha. Os escravos condutores Ignácio e Antonio do Vale, o condutor Pedro Nunes da Silva, Antonio da Silva, Adriano de Souza do Sertão do Tucano, o escravo condutor Luis Pereira do Sertão da Jacobina foram os responsáveis mais citados pelo

  • 25 APEB, Seção Judiciária, Inventário de Valentim Rodrigues Teixeira , e.8, cx. 6482, m. - (Jacobina),1795, fl. 37.

  • 26 Wanderley Pinho. Historia de um engenho no Reconcavo. Sao Paulo, Companhia Editora Nacional, 1982 .

  • 27 O inventário de Cristóvão da Rocha Pita aparece dentre os existentes no arquivo municipal de Salvador e foi inclusive utilizado em estudos como por exemplo a tese de Maria José Rapassi Mascarenhas. Fortunas Colonias – Elite e riqueza em Salavador (1760-1808). São Paulo, 1998. No entanto, tal inventário não foi localizado na caixa que correspondia à catalogação durante a última visita ao Arquivo Público do Estado da Bahia.

encaminhamento das boiadas que passaram por Capoame. Toda a semana também aparece nos “Livros de Registro” as rezes direcionadas ao Engenho da Mata, sempre isento do imposto sobre o gado. Este engenho, localizado em Mata de São João, portanto próximo à Capoame, era um dos muitos engenhos, como por exemplo Acupe, que pertenciam a Casa da Ponte. 28 Além dos escravos condutores pertencentes à Casa da Ponte ainda possuímos mais menções a estes homens que circulavam por estes sertões com o gado pertencente muitas vezes aos seus senhores. Alguns destes homens são Amaro, escravo de Lourenço Barboza do Sertão do Morro; os escravos Gonçalo e Felix Gonçalves pertencentes ao Sargento Mor Luis de Almeida do Sertão do Itapicuru; Bernardo e Felício, escravos de Antonio Pereira do Sertão do Piauí; Ilario do Sertão de Curassá; Manoel, escravo do Capitão Pedro Caetano do Sertão do Tocôs; Roque, escravo de Jozé Ferreira do Sertão do Piauí; Felipe Roiz', escravo de Floriano do Rego do Sertão do Piauí; Manoel, escravo de Jozé Pires de Carvalho do Sertão do Rio de São Francisco; Jozé, escravo das religiosas da Soledade do Sertão do Itapicuru. A presença de escravos nas fazendas de gado espalhadas pelo interior da Capitania da Bahia, Piauí, Pernambuco e outras nos traz o questionamento sobre a escravidão e principalmente o debate sobre a reificação. Estes homens possuíam uma relativa liberdade de circulação sem a necessidade de uma vigilância restrita de seus senhores ou capatazes. Eram responsáveis pelo trato e condução das boiadas, além de participarem diretamente da defesa das unidades produtivas que podiam contar com a presença de outros trabalhadores livres ou não. Os escravos também aparecem de maneira mais detalhada na documentação dedicada à boiadas que saíam das fazendas da Adminstração Real localizadas nos sertões da Capitania do Piauí com destino à Feira de Capoame. Nestas boiadas os escravos não aparecem em nenhum momento como os responsáveis pela condução, estes são sempre mencionados como os responsáveis por funções secundárias, tais como tangedor, carregador, guia, o que nos auxilia a pensar no número de trabalhadores necessários para a viabilização da travessia do gado por longas distâncias assim como a hierarquização de funções que este tipo de trabalho muitas vezes requeria. 29

28 Erivaldo Fagundes Neves, Estrutura Fundiária e Dinâmica Mercantil. Alto Sertão da Bahia, séculos XVIII e XIX.

Salvador / Feira de Santana, 2005. , p. 166. 29 AHU_CL_CU_016, cx.12, d. 717 (Oeiras do Piauí, 1774, julho 22 ) Oficio do governador do Piauí, Gonçalo Botelho de Castro, ao secretario de Estado da marinha e Ultramar, Martinho de melo e Castro, sobre o

rendimento dos bens dos jesuítas, de 1773 a 28 de abril de 1774, e remetendo uma relação dos animais que

foram enviados para a Bahia.

A existência de escravos nas fazendas sertanejas ou conduzindo as boiadas com destino

ao litoral baiano era muito frequente. Eles aparecem tanto nos inventários como nos processos inquisitoriais como vaqueiros carregadores de patuás devido as dificuldades existentes nos

caminhos repletos de assaltantes e constantemente inviabilizado por ataques cometidos por

indígenas ou por quilombolas. 30 O tamanho das boiadas que chegavam semanalmente à feira variava muito conforme a época do ano, acampanhando em grande medida o regime de chuvas que interferia diretamente nas condições dos caminhos pelos quais passavam homens e boiadas em direção à Capoame. O regime de chuvas nos sertões baianos varia muito com o tempo e também de acordo com o local, dependendo diretamente da existência de rios próximos ou não, assim como de outras variáveis naturais mas também da interferência secular do homem sobre aquela paisagem. De modo geral a estação seca vai de maio a setembro, sendo de junho a agosto quase nulo o volume pluviométrico

dependendo do local. A estação chuvosa começa em outubro e termina em abril do ano seguinte. Há um relevante trecho do “Livro de Registro de Entrada de Gado” de 29 de novembro

de 1786 que menciona a perda de algumas rezes por um condutor enquanto tentava atravessar

um rio. Possivelmente era uma época de grandes chuvas, aumentando portanto a vazante do rio,

o que dificultava significativamente o trajeto destes trabalhadores.

“Fica em caminho hua Boyada por Conta do Rio não chegou a feira, em chegando entrará para dentro; e na feira vindoura hirá encluida na guia o compito com que chegar. Mandei entrar os gado de pastorador, que já foram em guias.” 31

De fato na semana seguinte entrou em Capoame a boiada de João Ribeiro Macedo, vindo

do Sertão do Itapicuru com apenas 55 rezes. Nesta mesma data o restante do gado encaminhado

pelos marchantes para Salvador fazia parte das boiadas que encontravam-se empastouradas na

região da feira há vários dias, o que reforça a ideia das dificuldades naquela semana do gado chegar até o litoral. O número médio de rezes por boiada variava entre 100 a 200 cabeças. No entanto, dependendo da época do ano não chegava boiada alguma até Capoame, sendo necessário

  • 30 Luiz Mott. “Quatro mandigueiros do sertão de Jacobina nas garras da Inquisição”. In: Inquisição e Sociedade. Salvador, 2010

  • 31 AMS. “Registro de entrada do gado 1784-1811” fl. 125v

inclusive a interferência dos funcionários régios no processo de descida e condução do gado com

destino ao litoral. Há inúmeros registros de marchantes que em nome da Camara Municipal iam até o sertão para encaminhar as boiadas até Capoame em tempos de carestia. No sentido oposto há também épocas em que chegavam semanalmente diversas boiadas, sendo que muitas delas acabavam ficando na própria região de Capoame em vez de serem encaminhadas diretamente à Salvador. Localizada entre o Rio Joannes e Jacuípe, em terreno plano e arenoso, mas rico em água e lambedouros, a Feira de Capoame possivelmente possuía uma dimensão espacial considerável que dava conta de abrigar inúmeras boiadas ao mesmo tempo por aquelas paragens. Ainda não conseguimos compreender de maneira satisfatória a distribuição espacial da feira, mas os “Livros de Registro de Entrada de Gado” nos dão algumas pistas. Uma das informações mais reveladoras diz respeito as referências feitas, a partir de um determinado momento, ao gado que ficava empastourado em Capoame. Se em um primeiro momento este gado que permanecia na Feira

(não se sabe ainda ao certo por qual motivo mas talvez para um maior controle sobre a oferta de

carne verde na cidade) aparecia somente acompanhado pelo nome do criador ou condutor a quem

pertencia, depois de algum tempo aparece também acompanhado por informações sobre onde o gado ficava de fato empastourado. Em geral, as boiadas que não desciam à Salvador

imediatamente na semana em que ali chegavam ficavam pastando em fazendas e engenhos da

região. Esta informação é de grande valia inclusive porque tal menção está também acompanhada

do nome do dono da propriedade, sendo que entre eles constavam inclusive marchantes. Antonio Lopes, por exemplo, aparece como marchante nos “Livros do Registro de

Entrada de Gado”, mas também como possuidor de uma fazenda na Feira de Capoame em que às vezes deixava gado à solta. João do Rego Gomes também era um marchante que possuía a

Fazenda do Trapixe na qual deixava gado empastourado. Outra pessoa bastante mencionada nos

documentos referentes à pecuária e comércio de carne é o Capitão Cristovão da Rocha Pitta,

que também parece possuir pastos próximo a região de Capoame. Além destes ainda temos a Fazenda Quiricó do Tenente Pedro Caetano, Fazenda da Moita de Felix Barboza, Fazenda do Capitão Jozé Maria, Fazenda do Emboassica do Alferes Domingos Dias, Fazenda de Manoel Gonçalvez no Campo, Sítio da Capema, Fazenda de Vasco Marinho, Fazenda de Eugenio Dias

na Mata, entre outros.

Estas informações já nos dão pistas primeiramente da circulação e movimentação existente

na região aparentemente bem ocupada por unidades produtivas. Lembremos também que um dos

Engenhos mais importantes da Bahia (Engenho da Mata, propriedade da Casa da Ponte) localizava-se em Mata de São João. Através do nome destes proprietários e das fazendas, conseguiremos futuramente, através de outras fontes - tais como inventários, registros em livros de notas - mapear aspectos econômicos e mais cotidianos da região em que a Feira foi estabelecida.

Por mais que os “Livros de Registro” tenham a preocupação exclusiva de documentar o comércio de gado em pé, é muito provável que a região da feira também comportava outros tipos de trocas comerciais além de pequenas vendas e pousos para abrigar tal fluxo de homens e mercadorias. Através do nome destes proprietários e moradores da região podemos procurar documentos mais específicos que possam até mesmo apontar para a efetivação de outros tipos de trocas comerciais neste mesmo espaço, além de auxiliar no entendimento das redes comerciais e questões mais cotidianas inerentes a estes espaços de interação social. Além destas fazendas e outras unidades produtivas nos arredores da Feira, também não podemos esquecer que a Vila de Abrantes ficava muito próxima a ela. Inclusive em todos os dias de feira registrados há uma menção ainda enigmática ao número de rezes destinadas ao

Marchante da Vila de Abrantes. Este homem, cujo nome não é mencionado aparece sempre isento do imposto de 500 réis por cabeça de gado. O mesmo ocorre com o gado semanalmente destinado ao Marchante da Vila de São Francisco. Faz-se de extrema importância entender qual era o papel destes homens no comércio de carne na Bahia. Uma outra informação importante que conseguimos observar nos “Livros de Registro de Entrada de Gado” foi o ritmo da feira relacionado ao calendário cristão. O período fiscal terminava anualmente junto com o Carnaval, momento em que se fazia um balanço de tudo o que foi vendido de gado e quanto rendeu no total. Todas as semanas da Quaresma também são apontadas no livro. É curioso relacionar este tipo de informação com as determinações que constam nas “Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia”. Ali aparece a proibição, sob pena de excomunhão, do consumo de carne durante o período da Quaresma. Há ainda uma cláusula específica sobre a proibição de venda e corte de carne durante este período cuja punição podia recair sobre almotacéis ou qualquer oficial que consentir no talho, corte ou venda

realizada publicamente nos açougues, praça, ruas ou quitandas, exceto para os doentes. 32 A proibição menciona marchantes e carniceiros que não deveriam cortar ou vender carne também com exceção daquela destinada a atender aos enfermos. Outra informação importante diz respeito a um regulamento que é citado como se estivesse anexado em alguma parte da Feira. Ainda não possuímos maiores informações sobre o conteúdo deste regulamento. No entanto, nos “Ofícios ao Governador” aparece algumas diretrizes quanto à venda de carne que não poderia ocorrer (salvo raríssimas exceções) fora do Açougue Público ou dos Talhos. Tal determinação, como foi solicitado pelo Senado da Câmara Municipal de Salvador, deveria ser anexada nos locais de maior circulação para garantir que tal infração não fosse cometida pelos marchantes que cismavam em alegar o desconhecimento desta norma sempre quando pegos cometendo o delito. 33 Durante a pesquisa conseguimos localizar indicações sobre a existência de alguns funcionários na Feira de Capoame. Entender qual era a função destes homens nomeados pelos funcionários da Câmara Municipal de Salvador auxilia em grande medida uma melhor compreensão de lógica deste espaço. Localizamos nos “Documentos Históricos” provisões em que havia a nomeação de um

superintendente, um tesoureiro e um escrivão para Capoame em 1728. 34 O superintendente era o grande responsável pela feira, sendo semanalmente mencionado nos “Livros de Registro de Entrada de Gado” principalmente por receber sempre ao menos uma cabeça de gado. Ainda não

sabemos se faz parte de algum modo de pagamento, mas possivelmente tal recebimento esteja

relacionado a uma quantia de carne destinada à alimentação dos funcionários durante o período

da Feira. O escrivão também é sempre citado no início de cada um dos “Livros de Registros de Entrada” ou quando há alguma nomeação nova para o cargo. É curioso observar também que cada livro manipulado por um escrivão diferente tende a possuir algumas alterações formais ou mesmo de conteúdo quando comparado com os demais. As informações básicas, tais como quantidade de gado, nome do condutor ou criador responsável pela boiada, nome dos marchantes

e quantia de rezes encaminhadas para a Cidade constam em todos eles. Mas alguns livros

  • 32 Dom Sebastião Monteiro da Vide. Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia. (Impressas em Lisboa

no ano de 1719, e em Coimbra em 1720. São Paulo): Tip. 2 de Dezembro, 1853. p. 163

  • 33 AMS. “ Ofícios ao Governador” (1712-1737), fl. 35, 105v, 129, 149, 179.

  • 34 “Provisões do dia 15 de março de 1728”. Documentos Históricos da Biblioteca Nacional, volume 48, 1940, p.
    208-
    213.

possuem mais detalhes que os outros. Se o primeiro livro de 1784 contém mais informações

quanto ao local de onde o gado vinha e sobre as boiadas que permaneciam empastouradas na Feira de Capoame, o último livro possui muito mais informações sobre o local específico para onde o gado era encaminhado dentro de Salvador. Tal alteração pode estar relacionada em grande medida a mudança do escrivão, mas também há a possibilidade de uma mudança de percepção de quais eram as informações mais relevantes que deveriam constar no documento. Quanto ao tesoureiro, surgiu uma dúvida relacionada especificamente a menção semanal presente nos “Livros de Registro de Entrada de Gado” quanto ao encaminhamento do dinheiro arrecadado na feira que era sempre conduzido à Camara Municipal de Salvador através de um dos marchantes. Este marchante, encarregado por levar o dinheiro aos funcinários da Câmara, ia sempre acompanhado por um militar, muitas vezes sendo inclusive mencionado seu nome e patente. Tal procedimento está relacionado possivelmente a prevensão de qualquer tipo de assalto ou perda da quantia em dinheiro durante o trajeto até Salvador, visto que o valor muitas vezes não era nada desprezível. Aqui cabe um questionamento sobre algo que não podemos deixar passar batido: a circulação de moedas pela Feira. O fato de estarmos analizando um sociedade pouco monetarizada, especialmente um atividade econômica sempre ligada – segundo a historiografia - à atrofia e a baixa capacidade de circulação, o fato do comércio e o pagamento do imposto ser feito em dinheiro significa pelo menos em algum nível a monetarização também do sertão. Evidente que ainda não sabemos o volume ou as características de tais transações. Evidente também que prevalecia neste momento o uso do crédito. No entanto, faz-se de extrema importância estudar de maneira detalhada as características deste comércio e seu impacto sobre a economia sertaneja e sua relação cada vez mais evidente com a economia açucareira. Voltando ao militar - que acompanhava o marchante responsável por entregar ao Senado da Câmara a quantia em dinheiro comercializada semanalmente - cujo nome às vezes aparece na documentação, tudo leva a crer que havia mais homens armados para fazer a segurança daquele local. Semanalmente também havia sempre um quantia de rezes que eram destinadas aos oficiais, infantes e soldados. Além disso, por alguns anos há a informação ainda enigmática do gado destinado a um certo Capitão Manoel Henrique e seus soldados. Vale lembrar que todos estes funcionários recebiam uma quantia pequena de rezes. Em geral uma ou duas cabeças, nunca

ultrapassando quatro.

Outra informação de extrema relevância que emergiu no decorrer da transcrição dos

“Livros de Registro de Entrada de Gado” diz respeito às inúmeras indicações feitas sobre as

rezes que eram encaminhadas a engenhos e fazendas de cana da região do Recôncavo Baiano. Muitos destes senhores de engenho e fazendeiros recebiam o privilégio de isenção do pagamento da quantia de 500 réis por cada cabeça de gado que era retirada da Feira com destino a estas unidades produtivas. Temos informações sobre o pedido de isenção feito pelo Garcia D'Avila para que não houvesse a cobrança do imposto sobre as boiadas que passavam pelos registros de entrada de gado espalhados pelo sertão e por fim, pela Feira de Capoame. 35 A grande justificativa para a concessão de tal privilégio estava relacionada a necessidade de rezes para a produção e abastecimento dos engenhos e fazendas produtoras de cana. Tanto o transporte da cana em direção aos engenhos, os animais úteis nas moendas de engenhos movidos por tração animal, assim como para a alimentação de moradores e trabalhadores de tais unidades produtivas, a presença do gado vacum em quantidade razoável era indispensável.

Inclusive muitos destes senhores de engenho que conseguiam levar as rezes para suas

fazendas mais próximas do litoral, não raras vezes também possuiam fazendas dedicadas à criação de gado no sertão. Tal relação entre estes dois setores da produção colonial ainda precisa ser melhor problematizada, sendo até mesmo frutífero para a continuidade de uma análise mais

sistemática da importância da pecuária para a sociedade colonial uma investigação que pense nas relações entre os primeiras famílias de sesmeiros sertanejos e seus descendentes que conseguiram adquirir considerável cabedal e passaram a investir aos poucos também na produção e comércio de açúcar. As famíĺias Rocha Pita, Castelo Branco, Moniz Barreto dentre outras são alguns dos casos em que os interesses se entrelaçaram principalmente através de casamentos ou reinversão dos ganhos econômicos em negócios diversos. Ao que tudo indica os pecuaristas não podiam participar diretamente do comércio de carne verde durante o período colonial, sendo a eles impossibilitado arrematar as rendas dos talhos. No entanto, isso não significa que não pudessem, quem sabe, participar desta importante etapa do abastecimento interno através da ação de agentes a eles relacionados. Para confirmar ou não tal hipótese, faz-se necessário futuramente uma análise mais bem elaborada das redes mercantis que consiga conectar de maneira satisfatória estes diferentes produtores e

35 AHU_ACL_005. Caixa 75, doc. 6275- (Bahia, 1743) “Requerimento de Francisco Dias de Ávila ao rei D. João V solicitando ordem para que uma vez pago pelo suplicante à Câmara da vila de Santo António da Jacobina o novo imposto que incide sobre o gado, não se lhe repita a cobrança na feira do Capoame pela Câmara da cidade da Bahia. Anexo: 17 docs”

comerciantes.

Como já citado, o comércio da carne verde destinada a Cidade de Salvador era controlado pela Camara Municipal através da arrematação da renda dos talhos, que delegava portanto a um marchante a responsabilidade de encaminhar as rezes ao Matadouro Público e posteriormente aos Açougues espalhados por aquele espaço. A arrematação tinha por objetivo garantir o fornecimento de carne por um preço determinado e vencia a concorrência aquele que conseguisse garantir o menor preço da carne entregue aos açougues. A marchantaria era um ofício já bem conhecido na metrópole. 36 Lá também, assim como em todo o Império Português, o comércio de carne era controlado pelas Camara Municipais. Para exercer a marchantaria, considerado um dentre os vários ofícios mecânicos comuns em uma sociedade de Antigo Regime, era necessário uma licença municipal. 37 O número de homens dedicados à tal ofício era sempre reduzido. Nos “Livros de Registro de Entrada de Gado” podemos perceber quão fechado possivelmente era o acesso a tal atividade mercantil. Ainda é necessário um levantamento que dê conta de traçar um perfil sócio-econômico destes homens, pois se em um primeiro momento eles aparecem como oficiais mecânicos e portanto, sem grandes privilégios dentro de uma sociedade de Antigo Regime, com o passar do tempo, ao que tudo indica, tais homens conseguiam alcançar posição de relativo destaque social, visto o cabedal acumulado através da atividade comercial realizada, além é claro das possibilidades de atuar no contrabando que tal função trazia. Marchante era o indivíduo que comprava a boiada do criador ou condutor, pagava o imposto de 500 réis por cabeça para o tesoureiro da feira e levava as boiadas diretamente para os talhos. Os marchantes precisavam de licença da Camara Municipal de Salvador para poderem atuar. Esta licença assumia um caráter quase monopolista visto que somente estes homens podiam ser os responsáveis pelo abastecimento da cidade. Faz-se necessário também observar quais eram os critérios para conceder a licença de atuação na marchantaria e se estas exigências sofreram alteração com o passar do tempo. Por serem poucos os homens que exerciam esta função, tornam-se facilmente mapeados. Frequentavam semanalmente a feira, alguns deles inclusive possuidores de patentes, tais como Alferes e Capitão. Como já citado anteriormente,

  • 36 Rui Santos. “Mercados, poderes e preços: a marchantaria em Évora ( séculos XVII-XIX)”. Penélope, 21, 1999: 63-93.

  • 37 Maria Helena Flexor. Oficiais Mecânicos na cidade do Salvador. Salvador, Prefeitura Municipal de Salvador, 1974. p.12

alguns até mesmo possuíam fazendas na região de Capoame, o que demonstra que estas figuras, não raras vezes, conseguiam acumular um cabedal rasoável. Ao que tudo indica os marchantes exerciam outros ofícios paralelamente. Possuíam fazendas em outros lugares como também atuavam no comércio de outros produtos. Este era o caso Manoel Felix da Veiga “estabelecido em mercancia, tinha muitas correspondências para o

Recôncavo e sertões desta Bahia e Capitania, assistindo muitos engenhos.”

38

Possuía uma casa

comercial em Salvador onde comercializava fazendas sortidas. Era um dos irmãos da Santa Casa de Misericórdia e entre seus bens encontravam-se prata e objetos de luxo comercializados em sua loja. Possuía também uma fazenda de gado denominada Boqueirãozinho, localizada na Sertão

39

de Sento Sé, com uma quantidade grande de gado

. Ou seja, além de marchante, era

comerciante e também fazendeiro. Possivelmente parte considerável dos marchantes residiam próximo à Cidade de Salvador cujo comércio e o consumo de carne deixara marcas indeléveis em sua composição espacial e até mesmo em nome de rua e rios. Pernambués, por exemplo, é um conhecido bairro soteropolitano. Segundo a tradição oral, por ali existia uma passagem pela qual transitava as boiadas dos grandes fazendeiros, tornando então o lugar conhecido com “Pés de boi” ou “Perna de boi”, considerado inclusive o termo como uma corruptela provinda de dialeto africano. 40 O gado trazido à Salvador chegava pela Estrada das Boiadas ( hoje Estrada da Liberdade). Dalí as boiadas eram encaminhadas para os currais espalhados pela cidade ( São Bento, Carmo, Santo Antonio, na Piedade, no Campo do Barbalho, Barris, Largo do Campo Grande entre outros) até chegar o momento do abate providenciado no Matadouro Público. Por muito tempo, o único matadouro público existente em Salvador ficava encostado ao Mosteiro nas Hortas de São Bento, próximo a Barroquinha. Ali nascia o Rio das Tripas. Como o nome indica, era lá que os restos do

matadouro eram jogados. O córrego foi canalizado somente na segunda metade do século XIX, sendo denominado posteriormente Rua da Vala, mas conhecido até hoje como Baixa do Sapateiro.

Havia também a Rua dos Marchantes, do Gado, dos Ossos, dos Currais Velhos. Todas

  • 38 APEB, Seção Judiciária, Inventário de Manoel Felix da Veiga e.4, cx. 1578, m. 2047. fl. 74, 1797.

  • 39 Idem, fl. 112v.

  • 40 Ver: Elisabete Santos, José Antonio Gomes de Pinho, Luiz Roberto Santos Moraes, Tânia Fischer (orgs.). O Caminho das Águas de Salvador. Salvador, 2010, p. 162.

elas localizadas nas imediações do segundo Matadouro construído, ao lado do Forte do Barbalho,

próximo inclusive da fonte de água do Queimado. 41 Aliás, a existência de água próximo aos locais de abate de gado era indispensável para manter o mínimo de asseio num local tão propício à

insalubridade.

O comércio de carne, segundo as normas estipuladas pela Camara Municipal de Salvador deveria ocorrer exclusivamente nos Açougues Públicos. Segundo Avanete, no decorrer do século

XVIII havia cerca de dez açougues espalhados pela cidade. Este número foi aumentando conforme crescia a população e a necessidade de mais pontos de comércio de carne em Salvador.

Brotas, Itapagipe, Cabula, Soledade, Freguesia da Praia, Baixa dos Sapateiros, Mares, Penha,

Vitória, Carmo e São Bento são alguns dos açougues mencionados. Os clérigos da Cidade de Salvador possuíam desde a década de 1620 um açougue separado dos demais moradores, localizado no São Bento, sendo portanto mais um elemento de privilégio e distinção social, embora estes pagassem igualmente as taxas sobre a carne que ali chegasse. 42 Nos “Livros de Registro de Entrada de Gado” entre 1801-1811 há uma preocupação que não aparece nos anteriores quanto ao destino que o gado tomava quando já estava em Salvador.

Ali existe a menção da quantidade de rezes direcionadas para cada um das “Faculdades”, ou seja, para cada uma das Casas dos Talhos espalhadas pela cidade. No açougue, o talho era o local onde se cortava e distribuia a carne, sendo inclusive, segundo Bluteau, utilizado o termo talho como mero sinônimo de açougue. 43 Os principais lugares citados no documento eram Brotas, Mercês, Baixa [dos Sapateiros], Soledade, Porta de S. Bento, Carmo, Conceição da Praia, Preguiça, Terreiro, Forte do São Francisco, São Francisco de Paula, Cruz de Pascoal,

Santa Barbara e Sant'Ana.

Muito ainda está por ser feito para adquirirmos um conhecimento mais consolidado sobre o abastecimento da cidade de Salvador e principalmente sobre o comércio de carne no século XVIII. Os trabalhos de Avanete Sousa e Rodrigo Lopes já nos auxiliam em grande medida no sentido de demonstrar a importância e alguns mecanismo da dinâmica estabelecida pelos

  • 41 Rodrigo Lopes, Nos currais do Matadouro Público: o abastecimento de carne verde em Salvador no século XIX (1830-1873). Salvador, 2009 , p. 54.

  • 42 AHU, Luiza da Fonseca, cx 30, doc. 3150. “Consulta do Conselho Ultramarino sobre arcebispo do Brasil, D. Frei Gaspar da Madre d e Deus, que pede que haja açougue separado, na Bahia, para os clérigos” (1o de março de 1683).

  • 43 Raphael Bluteau. Vocabulário Português e Latino, vol. 8, p. 26.

marchantes e comerciantes de carne verde na Bahia setecentista.

Apesar das inúmeras lacunas e questões sem resposta suficiente, a pesquisa tem se mostrado frutífera e bem sucedida quanto a localização de informações relevantes que viabilizarão estudos futuros mais consistentes sobre a Feira de Capoame e a pecuária nos sertões baianos. Os documentos trouxeram informações que superaram em muito as espectativas iniciais. Eles possibilitarão o início de um redimensionamento da importância da pecuária e da

dinâmica econômica por ela estabelecida para a formação da sociedade colonial. Não se trata de comprovar uma riqueza que a equipare ( sempre na chave da comparação entre o mais rentável e o menos rentável) com outras atividades produtivas tendo por critério único e exclusivo as possibilidades de lucro ou entendendo por riqueza a quantidade material e de bens acumulados tal como se poderia pensar para a região produtora de cana-de-açúcar, por exemplo.

Cabe a partir de agora problematizar qual era o papel da pecuária dentro do circuito mercantil colonial. Pensar nas características das unidades produtivas, sua relação com a sociedade forjada pelo sertão. Problematizar a necessidade de produção excedente, suas implicações sociais e seus desdobramentos, até chegar em um espaço como Capoame. Entender quais eram as implicações da existência de um comércio de gado relativamente monetarizado, a própria possibilidade do gado ser usado como uma espécie de moeda e garantir o mínimo de liquidez em momentos de entressafra da produção de cana-de-açúcar, são somente algumas das muitas questões apontadas e que pretendo elaborar melhor no decorrer do mestrado.

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