Olá amigo, bom dia!

João, vou inserir a imagem que me
enviaste, deve ficar bem.

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SETE
POEMAS
BÍBLICOS
IMPERFEITOS

© J.T.PARREIRA

2015
Edição de SAMMIS REACHERS
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ÍNDICE
O QUE CANTOU A SULAMITA A PROPÓSITO DO SEU AMADO . . . 04
A ESTRELA . . . 05
ANTES DO SALMO 51 DAVID E NATÃ . . . 06
CONFISSÕES DE ABRAÃO SOBRE O SACRIFÍCIO DE ISAQUE . . . 07
É TERRÍVEL SER O SENHOR . . . 08
O QUE DAVID DISSE NA CORTE DE SAUL . . . 09
BEFORE THE FALL . . . 10

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O QUE CANTOU A SULAMITA A PROPÓSITO DO SEU AMADO

Era uma vez o meu amado como uma macieira
o meu amado era o distinto
entre as árvores do bosque, jovem
a sua sombra ali estava contra os invisíveis
raios solares. Era uma vez o meu amado
como um fruto doce que derramava
frescura no meu paladar.
Ali estava o meu amado, era uma vez com passas na mão
e maçãs como um rubro engaste
Era uma vez o meu amado a acenar ao longe
com o vento nos seus braços, era uma vez
com um perfume que chegava nas mãos, o seu amor
ao redor dos meus cabelos como um laço.

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A ESTRELA
“No cerne da solidão / os olhos de Deus”
Joanyr de Oliveira
Se vier, virá do cerne da solidão, do deserto
Das areias cósmicas, do pó esplendente
Dos cometas, se vier
Ancorará cansada o seu vórtice misterioso
No topo do mundo, no sono
Das crianças, nos ramos dos pinheiros, alçará
Os fonemas da alegria, se vier
Será matéria para contar aos netos dos futuros netos
Matéria disparada do etéreo, povoa
O silêncio da noite, estrela que se revela do rebanho
De outras estrelas, o seu canto
Só os anjos acordados à sua própria voz
Conhecem. Mas canta realmente
Depois de milénios a fio muda? O frio
Por onde passa é cada vez mais
O caminho, mas cante ou não
Vem da direcção da luz.

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ANTES DO SALMO 51 DAVID E NATÃ

Com uma das mãos lavo o rosto
Com a água corrente dos meus olhos
A outra apoia-se no vazio, abraça
A solidão, a sombra do silêncio
Da harpa suaviza o meu coração de pedra
Agora de carne e fogo
Um hissope começa a escrever o cântico
Do perdão a sangue e água, no espelho
Do meu rosto.
©

6

CONFISSÕES DE ABRAÃO SOBRE O SACRIFÍCIO DE ISAQUE

Levantei os olhos para o monte
de Moriá, não atrasei o passo, nem me esqueci
da faca, nem da lenha para ganhar tempo e demorar
o Teu pedido.
Subimos ao monte e ainda no momento em que a faca
reflectia a miragem do lume
e fazia tremer a minha mão, erguida até ao último
ímpeto da fé, eu sabia
que não me exigias o filho, a minha alegria
redobrada neste cume,
de onde Isaque e eu descemos juntos.

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É TERRÍVEL SER O SENHOR

(E o Verbo se fez carne e habitou entre nós)
J. 1,14

É terrível ser o Senhor e estar sentado à mesa
entre os homens, subir a crosta da terra
até ao cume onde já foram contados outros
malfeitores, andar entre os leprosos com a carne
diáfana e pura de ser Deus, partilhar
de todas as manhãs como artesão do sol
É terrível ser o Senhor entre cegos
e andar Eterno no limite temporal.

8

O QUE DAVID DISSE NA CORTE DE SAUL
“David tocava harpa, e a dedilhava; então Saul sentia alívio”
I Livro de Samuel, 16,23
Dai-me o coração de Saul e farei dele uma harpa
E aliviarei com ela os pensamentos de sangue,
Uma harpa apaziguadora,
E tirarei as sombras dos seus olhos. Depois
Dai-me uma funda e com ela partirei o ar,
Cinco pedras vivas
E conquistarei um gigante e farei um reino.

9

BEFORE THE FALL
“A rebeldia –e o fruto”
John Milton (“Paraíso Perdido”)

O fruto desenhava-se no ramo, o princípio
da esfera, maçã ou outro pouco importa,
o volume era o da esfera, permanente
circulo da vida para a morte, o fruto
preso à gravidade da ciência
do bem do mal da tristeza de saber.
O fruto desenhava-se no ar fresco da tarde
e na noite de prata
mais para os olhos famintos do que os lábios,
até ao coração da mulher escarlate.

© J.T.Parreira, 2015
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