Você está na página 1de 3
ESCOLA BÁSICA DA VENDA DO PINHEIRO PORTUGUÊS FICHA INFORMATIVA Prof.ª Sílvia Rebocho

ESCOLA BÁSICA DA VENDA DO PINHEIRO PORTUGUÊS FICHA INFORMATIVA

Prof.ª Sílvia Rebocho

OS LUSÍADAS

A EPOPEIA

O género épico tem a sua origem na Antiguidade Clássica (grega e romana) e compreende as composições que celebram feitos heroicos e grandiosos, reais ou lendários, de um herói individual ou coletivo (um povo). É um género narrativo em verso, sendo o seu estilo sublime e grandiloquente.

A AÇÃO

A ação principal de Os Lusíadas é a viagem de descoberta do caminho marítimo para a Índia, com introdução do relato da História de Portugal.

OS EPISÓDIOS

Num poema tão vasto existem unidades narrativas mais pequenas a que se chamam episódios. Em Os Lusíadas encontram-se os seguintes:

Episódios bélicos (guerra):

- Batalha de Ourique (Canto III)

- Batalha de Aljubarrota (Canto IV)

- Os Doze de Inglaterra (Canto VI)

Episódios mitológicos (deuses):

- Consílio dos Deuses no Olimpo (Canto I)

- Consílio dos Deuses marítimos (Canto VI)

Episódios simbólicos:

- O Velho do Restelo (Canto IV)

- O Adamastor (Canto V)

- A Ilha dos Amores (Cantos IX e X)

- O Adamastor (Canto V) - A Ilha dos Amores (Cantos IX e X)  Episódios

Episódios líricos (maior beleza poética / sentido trágico):

- A Formosíssima Maria (Canto III)

- D. Inês de Castro (Canto III)

Episódios

naturalistas,

pictóricos

ou

descritivos

(fenómenos

da

natureza):

- Tromba Marítima (Canto V) - A Tempestade (Canto VI)

PLANOS NARRATIVOS

Ao longo dos dez cantos que constituem Os Lusíadas, articulam-se quatro planos narrativos:

- plano da viagem (quando se fala da viagem de Vasco da Gama à Índia);

- plano do maravilhoso (quando intervêm os deuses);

- plano da História de Portugal (quando se relatam factos sobre essa temática);

- plano do Poeta (considerações e comentários de Camões expressos no início

e no final dos cantos. O poeta não só glorifica os heróis como denuncia os erros e defeitos dos portugueses, sendo por isso uma espécie de consciência crítica.).

O MARAVILHOSO

Resulta da presença do sobrenatural na vida dos homens:

- pagão quando intervêm os deuses da mitologia;

- cristão quando Vasco da Gama se dirige ao seu Deus (“Guarda Divina“)

O HERÓI

O herói de Os Lusíadas é coletivo, pois celebra as virtudes do povo português. Camões escolheu Vasco da Gama, o grande capitão, para simbolizar todo o valor de um povo e a sua capacidade de vencer o desconhecido (característica renascentista).

O NARRADOR

o desconhecido (característica renascentista). O NARRADOR Em Os Lusíadas , os acontecimentos são relatados por um

Em Os Lusíadas, os acontecimentos são relatados por um narrador ausente (Camões) e ainda pelos seguintes narradores:

Vasco da Gama (o mais importante)

Paulo da Gama

Fernão Veloso

Estrutura externa

Os Lusíadas estão divididos em dez cantos, cada um deles com um número variável de estrofes, que, no total, somam 1102. Essas estrofes são todas oitavas de decassílabos heroicos (acentuados na 6ª e 10ª sílabas), obedecendo ao esquema rimático abababcc (rima cruzada, nos seis primeiros versos, e emparelhada, nos dois últimos).

seis primeiros versos, e emparelhada, nos dois últimos). Estrutura interna Camões respeitou com bastante Os

Estrutura interna

Camões

respeitou

com

bastante

Os

fidelidade

Lusíadas

a

são

estrutura clássica da epopeia. N’ claramente identificáveis quatro partes:

Proposição O poeta começa por declarar aquilo que se propõe fazer, indicando de forma breve o assunto da sua narrativa; propõe-se, afinal, tornar conhecidos os navegadores que tornaram possível o império português no Oriente, os reis que promoveram a expansão da fé e do Império, bem como todos aqueles que se tornam dignos de admiração pelos seus feitos.

Invocação O poeta dirige-se às Tágides (ninfas do Tejo), para lhes pedir o estilo e eloquência necessários à execução da sua obra; um assunto tão grandioso exigia um estilo elevado, uma eloquência superior; daí a necessidade de solicitar o auxílio das entidades protetoras dos artistas.

Dedicatória É a parte em que o poeta oferece a sua obra ao rei D. Sebastião. A dedicatória não fazia parte da estrutura das epopeias primitivas; trata-se de uma inovação posterior, que reflete o estatuto do artista, intelectualmente superior, mas social e economicamente dependente de um mecenas, um protetor.

Narração Constitui o núcleo fundamental da epopeia. Aqui, o poeta procura concretizar aquilo que se propôs fazer na “Proposição”. Quando Camões começa a narrar a história da viagem de Vasco da Gama à Índia ação principal - já a armada se encontra a meio do caminho. Diz-se, por isso, que é utilizada a técnica “in media res“.