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GEOGRAFIA:

I - Noções básicas de Cartografia (orientação: pontos carde-

ais; localização: coordenadas geográficas, latitude, longitude e altitude; representação: leitura, escala, legendas e convenções). II - Aspectos físicos e meio ambiente no Brasil (grandes do- mínios de clima, vegetação, relevo e hidrografia; ecossiste- mas).

III - Organização do espaço (agrário: atividades econômicas,

modernização e conflitos; e urbano: atividades econômicas,

emprego e pobreza; rede urbana e regiões metropolitanas).

IV - Dinâmica da população brasileira (fluxos migratórios,

áreas de crescimento e de perda populacional).

V - Formação Territorial e Divisão Político-Administrativa

(organização federativa).

I - Noções básicas de Cartografia (orientação: pontos cardeais; localização: coordenadas geográficas, latitude, longitude e altitude; representação: leitura, escala, legen- das e convenções).

Cartografia

A manutenção da rota de um avião ou navio, a análise e definição de estratégias militares de ataque e defesa, a localização de jazidas e possí- veis vias de acesso, ou a simples orientação rodoviária numa viagem de turismo, todas essas atividades exigem mapas específicos com diferentes objetivos e usuários. É este o campo da cartografia.

Dá-se o nome de cartografia à ciência de preparar cartas, mapas e planos para os mais variados fins, com diversos níveis de complexidade e informação, baseados em elementos científicos, técnicos e artísticos de extremo apuro, tendo por base os resultados da observação direta ou da análise de documentos. As ciências mais afins à cartografia são a geografia e a geodésia.

Entende-se por mapa a representação gráfica convencional, geral- mente plana e em pequena escala, de áreas relativamente extensas, como acontece nos mapas murais e os atlas. Para tal, são utilizados diversos sistemas de projeção, estabelecidos matematicamente. As cartas diferem dos mapas pela representação gráfica em grande escala, enquanto que os planos são cartas que representam áreas relativamente pequenas, o que permite desprezar a curvatura e adotar escala constante.

Escala é a relação estabelecida entre a representação do fenômeno no mapa e sua verdadeira dimensão. A escala 1:1.000.000 significa que cada medida linear do espaço real está reduzida, no mapa, à milionésima parte (1km = 1mm). O plano, que representa áreas menores, geralmente trabalha com a escala 1:500 ou 1:50.000. O principal problema da cartogra- fia é a projeção da superfície curva da Terra sobre uma superfície plana, o que necessariamente provoca alterações nos ângulos e linhas definidos pelas coordenadas geográficas.

Divisões da cartografia. Três são as divisões básicas da cartografia:

(1) cartografia topográfica, topocartografia ou cartografia original; (2) carto- grafia geográfica ou geocartografia; (3) cartografia temática ou cartografia aplicada.

Cartografia topográfica. Vinculada à geodésia, a cartografia topográfi- ca dedica-se à transformação direta das medidas e fotografias, obtidas pelos levantamentos de campo, em desenho manual ou pelos levantamen- tos fotográficos. É quase exclusivamente praticada em instituições gover- namentais que se dedicam à execução da carta de um país. Trabalho permanente, de contínuo aperfeiçoamento e pormenorização, passou a ser indispensável à tomada de decisões da administração pública e à defesa do território nacional. Com o emprego de escalas pequenas, produzem-se mapas detalhados, matematicamente corretos e que servem de base para outros menos detalhados.

O uso de imagens estereoscópicas nos levantamentos aerofotogra- métricos simplificou o desenho cartográfico, tornando-o de mais rápida execução e menos dependente do esforço individual. A aerofotogrametria

constitui um método de medida e representação do terreno por meio da fotografia aérea, que é uma perspectiva cônica do terreno. As deformações ópticas desse tipo de foto são corrigidas no momento da fotografia ou em laboratório. Por si só, no entanto, a aerofotogrametria não reduziu os levan- tamentos de campo, e ainda necessita de apoio terrestre, plenimétrico e altimétrico.

A carta topográfica é, em regra, constituída por numerosas folhas to-

pográficas conexas. São muito utilizadas em atividades profissionais de alto

nível ligadas à engenharia, à navegação, à estratégia e à logística militar etc.

Cartografia geográfica. Quase exclusivamente praticada por empresas privadas, algumas de elevado padrão técnico, a cartografia geográfica opera em íntima conexão com a geografia, produzindo peças cartográficas para uso do público em geral, sobretudo estudantes. A geocartografia trabalha a partir da cartografia topográfica, reduzindo escalas, simplificando conteúdos nas minúcias topográficas e generalizando alguns dos aspectos do desenho.

Mapas murais ou em coleção (atlas), mapas avulsos, plantas de cida- des, globos e cartas em relevo são alguns dos produtos comerciais oriun- dos da cartografia geográfica. O nome atlas deve-se ao fato de, em 1595, na folha de ante-rosto da coleção de mapas de Gerardus Mercator (publi- cada por iniciativa de seu filho Rumold), aparecer como ilustração de abertura o titã Atlas, condenado por Zeus a carregar os céus sobre os ombros.

Cartografia temática. A confecção de cartogramas é a área da carto- grafia temática. Cartogramas são mapas esquemáticos, com elevado nível

de abstração, em que formas ou localizações reais são estilizadas com fins conceituais e informativos. Os elementos cartográficos, reunidos numa só folha, são representações gráficas de fenômenos espaciais e temporais, pelo que abordam numerosos assuntos quase sempre em mutação contí- nua, como as migrações, fluxos de veículos, desmatamento, reflorestamen-

to etc.

O mapa esquemático que serve de base para o cartograma é extraído

do mapa topográfico ou geográfico, sendo o tema do cartograma exposto mediante diversos recursos gráficos, como pontos e figuras, quando é chamado de pictórico. Nessa modalidade, o ponto como figura geométrica

é adimensional, isto é, seu tamanho nada representa e só vale como mate-

rial de leitura. Além de pontos, usam-se barras e faixas que indicam exten- sões lineares ou, pela espessura, a importância do fenômeno. Outro tipo é

o cartograma de isocurvas, em que as curvas ou linhas representam, pela posição, valores equivalentes em toda a sua extensão.

Outras espécies de cartogramas: os de superfície, bidimensionais, re- comendados para indicar as variações de determinados fenômenos por meio do uso de áreas sombreadas ou coloridas; cartogramas de aparência tridimensional, também denominados blocos-diagramas, em que os fatos são expostos em perspectiva, exibindo-se o mapa esquemático.

História

Amostras de primitivos trabalhos cartográficos encontradas em pe- dras, papiros, metais e peles representam o meio ambiente e a situação das terras por meio de figuras e símbolos. Usaram-se, ainda, varas de bambu, madeira, tecido de algodão ou cânhamo, fibras de palmeira e conchas.

O Museu Semítico da Universidade de Harvard, em Cambridge, Esta-

dos Unidos, possui um mapa de origem ainda mais remota; gravado em pedra argilosa, foi achado na região mesopotâmica de Ga-Sur e parece datar de 2500 a 3000 a.C. Outro trabalho de cartografia muito antigo (c.2000 a.C.), desenhado em rocha, foi localizado numa região do norte da Itália, habitada outrora por um povo denominado camunos (camuni) pelos romanos. O Museu de Turim, na Itália, conserva a planta, desenhada em papiro, de uma mina de ouro da Núbia, na África, que data da época de Ramsés II do Egito (1304-c.1237 a.C.).

Coube aos gregos os primeiros fundamentos da geografia e das nor- mas cartográficas, e ainda hoje os alicerces do sistema cartográfico repou- sam na contribuição que deixaram: a concepção da esfericidade da Terra e as noções de pólos, equador e trópicos; as primeiras medições da circunfe- rência terrestre; a idealização dos primeiros sistemas de projeções e con-

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cepção de longitude e latitude. Na antiguidade grega, Anaximandro de Mileto (século VI a.C.) construiu um quadrante solar e possuía um mapa- múndi gravado em pedra.

Ainda na Grécia antiga, Hecateu de Mileto representou a Terra sobre um disco metálico, Êudoxo de Cnido construiu um globo e Dicearco de Messênia desenhou um mapa-múndi em projeção plana-quadrada. No século III a.C., Eratóstenes de Cirena, que dirigiu a célebre biblioteca de Alexandria, desenhou um mapa-múndi com paralelos e meridianos, tendo ainda calculado, com impressionante precisão, em vista da precariedade dos recursos da época, a circunferência da Terra.

O grande nome da antiguidade, todavia, é Ptolomeu, que viveu no sé-

culo II de nossa era. Astrônomo, geógrafo e cartógrafo, ele lançou as bases da geografia matemática e da cartografia no clássico tratado intitulado Guia da geografia (Geographiké hyphegesis), obra que só em 1405, com a tradução para o latim, chegou ao conhecimento dos eruditos europeus.

A era clássica romana não deixou mapas, embora haja registros literá-

rios de mapas elaborados em Roma. Varrão (Marcus Terentius Varro) menciona mapas no poema Chorographia e Agripa determinou a confecção de um mapa do mundo então conhecido. Das obras cartográficas romanas só se conhece a célebre Tábua de Peutinger, cópia, feita em 1265, de um original romano que sofreu sucessivos acréscimos até o século IX. Desco- berta em 1494 pelo poeta Conradus Pickel (ou Celtis), que a legou a Kon- rad Peutinger, essa tábua somente veio a ser publicada em 1598. Encon- tra-se, desde 1738, na Biblioteca Pública de Viena. Trata-se de uma carta das estradas do Império Romano, com as cidades e as distâncias que as separam, e representa o mundo até a costa índica.

Idade Média. Entre as autoridades e autores medievais persistiram concepções gregas como a de estar a Terra pousada sobre um disco metálico. Ao mesmo tempo, as invasões dos bárbaros provocaram a estag- nação da produção cartográfica e esta ficou sob exclusivo domínio de

copistas eclesiásticos, que valorizaram o aspecto artístico em detrimento da exatidão. O disco metálico sobre o qual se considerava estar a Terra levou

à elaboração de mapas circulares, orientados para leste ou sul, e com os continentes representados de forma esquemática. As separações entre as terras lembravam a letra T, donde serem conhecidos como "mapas T-O", "mapas de roda" ou "mapas circulares".

No primeiro período da Idade Média, destaca-se o mapa T-O de santo Isidoro de Sevilha. Dentre as centenas de mapas T-O incluídos nos 600 mapas-múndi medievais que se conservaram, avultam o mapa retangular de Cosmas Indikopleustes, do século VI, e as numerosas cópias dos ma- pas de são Beato, das quais a de são Severo, do ano 1030 e de forma oval, é a mais conhecida.

Na mesma época, a cartografia árabe experimentava marcante pro- gresso. No ano de 827, o califa al-Mamum ordenou a tradução da Geogra- fia de Ptolomeu para o árabe. Bagdá, Damasco e Córdoba, os centros culturais de então, reuniram geógrafos e cartógrafos estimulados pelo intenso comércio a se expandir do Mediterrâneo até a China. Foram auto- res de mapas Ibn Hawkal, Abu Isak Istakhri e Maomé al-Edrisi. Ibn Hula construiu um globo terrestre. O rei Rogério II, da Sicília, foi grande incenti- vador desse movimento, e a ele al-Idrisi dedicou sua compilação geográfi- ca, que possuía um mapa-múndi dividido em setenta folhas.

As cruzadas e o comércio marítimo, em especial o italiano, impulsio- naram a confecção de cartas náuticas, mapas marítimos desenhados sobre pergaminho. Impropriamente chamados de portulanos, tinham como carac- terística principal o desenho da rosa-dos-ventos que ocupava todo o espa-

ço do mar: resultava daí um conjunto de retas entrecruzadas que facilitava

a fixação da rota por parte do navegador.

Destacam-se também nessa época as Tábuas Toledanas, de Toledo,

Espanha, completadas em 1252

por ordem de Alfonso X (1221-1284), rei

de Castela, razão por que também são conhecidas como Tábuas Alfonsi- nas.

Nesse período de grande efervescência científica e cultural, são fun- dadas escolas de cartografia em Gênova, Veneza e Ancona, na Itália, bem como em Palma de Maiorca, no arquipélago das Baleares, Espanha, que logo assumiram o papel de principais fornecedores de mapas marítimos. Exemplo significativo da produção desses centros cartográficos é o Atlas catalão, de 1375, organizado por ordem de Carlos V o Sábio, rei da França.

Monumento artístico, tem oito folhas e o mapa, de 390cm x 69cm, é de autoria de Jaime de Maiorca (Jafuda Creques). Em conformidade com o sistema corporativo vigente à época, a cartografia, em sua produção e comércio, ficou associada a diversas famílias, que conservavam entre si certos segredos de ordem técnica.

O ciclo das grandes navegações exigiu maior exatidão e ampliação

das informações cartográficas. Ainda no século XV, em Sagres, Portugal, o infante D. Henrique - entre outros especialistas - reuniu geógrafos, astrô- nomos e cartógrafos de diferentes países, e no século seguinte Portugal já contava com grandes cartógrafos como Lopo Homem, André Homem, Diogo Ribeiro, Gaspar Viegas, Bartolomeu Velho e Fernão Vaz Dourado. Em 1508, em Sevilha, na Espanha, a Casa de la Contratación de las Índias instalou um órgão fiscalizador da produção e comércio de mapas para a navegação. O mapa-múndi Orbis typus universalis tabula (1512), do vene- ziano Jerônimo Marini, é o primeiro em que se registra o nome Brasil.

Já na segunda metade do século XVI apareceram os primeiros mapas

impressos em xilografia ou que empregavam gravações em chapas de cobre. O século XVII assistiu ao apogeu da cartografia nos Países Baixos, especialmente nas cidades de Antuérpia e Amsterdã. Esse progresso deve- se a cartógrafos como Abraham Ortelius, Jodocus Hondius e, sobretudo, a Gerardus Mercator, forma latinizada de Gerhard Kremer (mercador). Deve- se a Ortelius o Theatrum orbis terrarum (1570), com 53 folhas cartográficas e setenta mapas gravados em cobre, o primeiro atlas nos moldes dos atuais. Mercator criou a projeção que leva seu nome, própria para mapas náuticos, segundo a qual os meridianos são os ângulos retos aos paralelos de latitude.

Ainda nos Países Baixos, a família Blaeu reuniu alguns dos maiores nomes da época, como Guilielmus Caesius ou Guilielmus Jansonius Blaeu, Jan Blaeu e Cornelis Blaeu. Ao declínio da cartografia holandesa, acelera- do pelo incêndio nas instalações da família Blaeu, seguiu-se a ascensão da cartografia francesa, em que sobressaem Guillaume Delisle e Jean-Baptiste Bourguignon d'Anville.

No século XVIII ganha corpo o critério da exatidão como regra carto- gráfica e nesse aspecto se destaca o francês César-François Cassini, devido a sua carta da França, na escala 1:86.400, com 184 folhas. Pouco depois, Napoleão Bonaparte mandou preparar o mapa manuscrito de toda Europa, na escala 1:100.000, com 254 folhas.

Viajantes, cientistas e descobridores como James Cook, que fez a carta da Nova Zelândia e a da costa ocidental da Austrália, e Alexander von Humboldt, cuja obra Kosmos teve extrema importância para a geocartogra- fia, foram grandes pioneiros nos levantamentos de campo.

Nessa mesma época, ocorreram dois outros acontecimentos de gran- de significado para a ciência: a medição do arco do meridiano terrestre, iniciativa da Academia de Ciências de Paris, com o fim de dirimir as ques- tões suscitadas por Cassini e Isaac Newton quanto à forma da Terra. Newton estava certo: a Terra tinha a forma de um elipsóide de revolução, cujo eixo menor coincidia com o eixo de rotação. Convencionou-se adotá- lo, como forma matemática correspondente a um geóide médio, que serve de referência para o cálculo das operações geodésicas. Ao longo do tempo, vários elipsóides de revolução foram calculados, sendo o de Hayford, em 1909, o mais adotado.

Processos de reprodução. Até o final do século XIX, a reprodução de mapas dependia da gravação, em uma só cor, em chapa de cobre ou em chapas de madeira. Usava-se, também, a litografia, com os desenhos executados em pranchas de pedra, mais tarde substituídas pelo zinco e alumínio. Para representar o relevo nas cartas topográficas adotava-se o sistema de hachuras de Lehmann, baseado no meio-tom.

A evolução da cartografia prosseguiu com uma série de invenções e

aperfeiçoamentos, como a fotografia (e suas derivações, como a fotometa- lografia e a aerofotogrametria), a heliogravura, a tricromia e a policromia nos processos de impressão, o sistema offset de impressão, o processo fotomecânico de Wenschow para a impressão de sombras em relevo, e o desenho automático do conteúdo pelo estereoplanígrafo de Zeiss. Simplifi- cou-se o letreiramento pela impressão tipográfica (método conhecido como carimbagem) e pela confecção mecânica (normógrafo), chegando-se à prensa Van der Cook, ao fotonimógrafo e outros recursos cada vez mais sofisticados, como o radar, o sonar, sensores remotos, computadores e

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satélites artificiais, que tornaram a coleta de dados e a reprodução cada vez mais acurada.

Os mapas eram desenhados em nanquim sobre papel, cujos negati- vos, por processo fotomecânico (photomechanical transfer), geravam cópias positivas mediante um processador de transferência por difusão, sendo em seguida transportados para as pranchas de impressão, em zinco. Antes de vidro, pesados e frágeis, o suporte dos negativos passou a ser de material plástico diverso, à base de resinas vinílicas, com várias denomina- ções comerciais, como astralon ou vinilite.

Na atualidade, o original também pode derivar de levantamentos aero- fotogramétricos, cujos dados, com o auxílio de instrumento óptico de preci- são, é passado para a folha plástica transparente. Para esse trabalho, utiliza-se um material plástico chamado scribe (carrinho), dotado de uma camada de verniz opaco. Para cada cor (em impressão, as cores primárias são o magenta, o amarelo e o ciano, mais o preto, que combinadas repro- duzem toda a variedade de cores), é preciso um negativo próprio.

Convenções e projeções

Para interpretar os mapas, é preciso conhecer suas convenções, que se baseiam em cores e se dividem em cinco grandes grupos. Assim, temos:

(1) azul (hidrografia ou acidentes aquáticos); (2) preto ou vermelho (aciden- tes artificiais, como rodovias); (3) castanho (hipsografia, altimetria ou for- mas de relevo); (4) verde (vegetação e plantação); (5) roxo (convenções especiais, como nas cartas aeronáuticas) etc. Além disso, empregam-se também numerosos sinais e símbolos empregados. Visto que os mapas recebem título, inscrições e legenda, o próprio tamanho da letra já é em si uma convenção que possibilita ao leitor determinar a importância relativa do fenômeno observado.

As projeções cartográficas são representações gráficas da passagem do elipsóide para a superfície plana do mapa em que a rede de coordena- das geográficas curvilíneas (meridianos e paralelos) serve de base geomé- trica para os mapas. Dependendo das escalas, a projeção das coordena- das geográficas apresenta variações quanto à forma e medida da rede. Nos mapas em escala média ou grande, que representam áreas menores, as deformações são pequenas. Inversamente, nos mapas em pequenas escalas, que abrangem grandes áreas, as deformações são bem maiores. Visto que sempre ocorre deformação, o primeiro problema com que se defronta o cartógrafo é a determinação do sistema que melhor corresponda

à realidade que se pretende representar.

As projeções podem ser: (1) eqüidistantes, em que as distâncias são verdadeiras em determinadas direções; (2) eqüiangulares ou conformes, exatas na representação de superfícies: permitem medições de ângulos e a determinação de rumos; e (3) eqüiáreas ou equivalentes, por proporciona- rem maior exatidão quanto às áreas. As projeções medianas ou afiláticas procuram representar as três dimensões de maneira diferente, a fim de alcançar a maior semelhança possível na configuração dos continentes e dos oceanos.

Projeções geométricas. Quando se leva em consideração a técnica de transformação das coordenadas curvilíneas em planos, têm-se as coorde- nadas geométricas, em que se imagina a rede de meridianos e paralelos projetada sobre uma superfície que envolve ou tangencia o globo terrestre. Nesse caso, preferem-se as figuras geométricas que se adequem à confec- ção de mapas: o plano, o cone, o cilindro, o cubo e o poliedro.

Na projeção cônica, os paralelos são circulares e os meridianos radi- ais, imaginando-se que o cone, que envolve o globo terrestre, o tangencia em um determinado paralelo, ficando seu vértice no prolongamento do eixo da Terra. Desta forma, os meridianos aparecem nos mapas como linhas retas e os paralelos como circunferências concêntricas.

Nas projeções cilíndricas, os paralelos são dispostos horizontalmente

e os meridianos se apresentam verticais e igualmente espaçados. A proje-

ção azimutal é aquela em que o cone se abre até se transformar num plano, coincidindo seu vértice com o ponto de tangência. As projeções azimutais variam conforme a posição do centro da projeção em relação ao centro da esfera terrestre: (1) central, quando os dois centros se confun- dem; (2) estereográfica, quando o centro de projeção se localiza em posi- ção diametralmente oposta ao ponto de tangência; e (3) ortográfica, quando se imagina o centro da projeção localizado no infinito.

Esses três tipos de projeções azimutais podem diferençar-se de acor- do com a posição do ponto de tangência: (1) polar, quando tangencia um dos pólos; (2) equatorial, quando o ponto se situa no equador; (3) meridiano ou horizontal, quando tangencia um ponto qualquer da superfície do globo terrestre, exceto o equador e os pólos.

A projeção cilíndrica é um caso extremo de projeção cônica no sentido

contrário ao da hipótese de um plano. Em se alongando o cone de maneira tal que seu vértice fique no infinito, chega-se a uma posição em que o cone se transforma em um cilindro e tangencia o globo terrestre no equador. Na projeção cilíndrica dita genuína, obtém-se uma rede de coordenadas em que os meridianos aparecem como retas paralelas, cortadas pelos parale- los em ângulo reto. A forte distorção nas altas latitudes vizinhas às regiões polares faz com que esse tipo de projeção seja pouco empregado.

A fim de evitar excessivas deformações e, ao mesmo tempo, obter

maior exatidão, introduziram-se mudanças como a projeção azimutal eqüi- distante, em que todas as distâncias que partem do centro são conserva- das em escala, embora o ponto antipódico se transforme em circunferência marginal do mapa. A projeção cônica de Bonne conserva a grandeza dos paralelos e, portanto, a área dos trapézios. São raros os mapas feitos na projeção cúbica, pois as coordenadas são projetadas sobre suas seis faces, donde a descontinuidade dos meridianos e paralelos, cuja rede se vê cortada e prejudica, assim, a clareza.

A projeção poliédrica é a projeção central feita sobre trapézios esféri-

cos, os quais correspondem a um poliedro que, por hipótese, envolve o globo terrestre. Assim, quando cada trapézio - incluído numa folha topográ- fica - não ultrapassa um grau de latitude e de longitude, deixam de existir deformações perceptíveis, tornando possível obter medidas em todos os sentidos, dentro dos limites de cada folha topográfica.

Projeções convencionais. Empregadas na preparação de mapas que abrangem grandes áreas, as projeções convencionais são comuns nos planisférios e nos mapas-múndi. Utilizam, para a construção da rede de coordenadas, grandezas geodésicas aplicadas conforme as regras do desenho sistemático.

São diversos os tipos de projeções convencionais: (1) trapezoidal, cri- ada por Cláudio Ptolomeu no século II, em que os meridianos aparecem como retas que convergem para os pólos, enquanto que os paralelos são retas paralelas ao equador; (2) globular, criada por Giovan Battista Nicolosi em 1660, que representa os hemisférios, por ser de forma circular; (3) pseudocilíndrica, de Sanson (1650), usada na construção de planisférios ou na representação de grandes áreas; (4) mista elíptica, de Max Eckert (1908); (5) mista, de O. Winkel (1913), muito usada em atlas; (6) descontí- nua, de John Paul Goode (1916), que representa um planisfério cortado ao longo de determinados meridianos, com o objetivo de deformar o mínimo possível as massas continentais oceânicas; (7) oblíqua nórdica, de John Bartholomew (1949).

A projeção transversal, criada por Cassini em 1682 e modificada por

Gauss-Krüger em 1900, é ainda utilizada em muitos países. Ao separar a superfície terrestre em faixas, ao longo de meridianos escolhidos, e com largura máxima de três graus de longitude, a carta topográfica nela basea- da não contém praticamente nenhuma deformação perceptível, podendo ser mensurável em suas distâncias, rumos e áreas.

Usada desde o século XVI, a projeção de Mercator, também chamada carta marítima, é de ampla utilidade, pois permite traçar, em linha reta, a rota a seguir durante a travessia dos oceanos. É uma projeção cilíndrica modificada, em que os meridianos são retas paralelas entre si, que cortam perpendicularmente o equador e todos os paralelos.

Uma linha oblíqua corta os meridianos sempre sob o mesmo ângulo, o que permite a manutenção do rumo. A isso se dá o nome de loxodromia, curva espiralada que não é o caminho mais curto entre dois pontos situa- dos à superfície da Terra, porém o mais simples para a navegação. No que se refere aos planisférios, essa não é a projeção mais aconselhável, face às deformações que apresenta pois, à proporção que se afasta do equador e aumentam as latitudes, mais exageradas se vão tornando as deforma- ções, que atingem o máximo nas regiões polares.

Escalas

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A escala cartográfica é a relação matemática entre as distâncias tra-

çadas em um mapa e as existentes na natureza. O mapa é a representação geométrica, sobre um plano, de uma porção de superfície terrestre. Uma vez fornecidos os dados necessários pela geodésia (distâncias, direções e relevo), tais valores são reproduzidos em mapa por meio de desenho, o qual mantém a relação constante e rigorosa entre as distâncias traçadas no mapa e as extensões correspondentes na natureza. Para isso, usam-se escalas.

A indicação da escala de um mapa é direta quando feita junto à le-

genda, por expressão numérica ou gráfica, e indireta, quando essa mesma relação é estabelecida por elementos de grandeza conhecida. As escalas podem ser: (1) numéricas; (2) gráficas; (3) de declividades; e (4) de cores.

Escala numérica. Expressa por fração (1/2.000) ou por razão (1:2.000), a escala numérica significa, de acordo com o exemplo, que a

unidade de comprimento, no numerador, ou no primeiro membro, vale duas mil vezes essa mesma unidade no terreno. Para tanto, é preciso conhecer

o valor em metros, correspondente a um centímetro ou um milímetro da

régua graduada aplicada sobre o mapa. Basta cortar as duas ou três últi-

mas casas do denominador dentro da razão. Exemplo: 1/2.000 indica que um milímetro da régua corresponde a dois metros no terreno.

As escalas numéricas podem representar relações típicas pela sim- ples variação dos valores expressos: a indicação 10/1 ou 10:1 é uma esca-

la de maior proporção, indicando que a medida sobre o desenho ou fotogra-

fia é dez vezes o tamanho do objeto. Já a indicação 1/1 ou 1:1 é a escala

natural, em que a medida do desenho é igual à do objeto representado "em tamanho natural". Por fim, a indicação 1/10 ou 1:10 é a uma escala de menor proporção, do tipo usado na confecção de mapas.

Não é costume utilizar uma escala numérica de superfície para a ava- liação de áreas em mapas. Mas, se for usada, deve-se saber que a escala de superfície de um mapa é a escala linear ao quadrado. Exemplo: 1:5.000 linear é 1:5.0002 de superfície, isto é, um quadrado no mapa representa 25 milhões de quadrados idênticos no terreno.

A escala numérica para altitudes seria a escala linear do mapa. Mas,

como o relevo (a terceira dimensão) é imensurável no mapa, por ser ape- nas figurado por meios gráficos, o processo torna-se inaplicável. Assim, em plantas e cartas topográficas encontra-se por vezes, junto à legenda ex- pressa em números, a indicação da eqüidistância das curvas de nível, o

que permite avaliar facilmente altitudes e declives.

Escala gráfica. As escalas gráficas exprimem com desenho a relação mapa-natureza e, com freqüência, são empregadas junto com a escala numérica. Sua vantagem decorre da fácil e imediata leitura, o que permite a determinação da distância por comparação ao longo da escala desenhada, obtendo-se o resultado rapidamente, sem necessidade de cálculo. Vanta- gem adicional da escala gráfica é o fato de acompanhar as eventuais reduções ou ampliações do mapa, conservando a razão da escala, o que não ocorre com a escala numérica.

A escala gráfica simples é uma reta dividida em unidades na razão da

escala. Gradua-se a reta, a partir do ponto zero, com uma unidade básica maior para a esquerda, e para a direita marca-se a mesma unidade básica maior tantas vezes quantas forem suficientes. A unidade da esquerda chama-se talão ou extensão e acha-se subdividida em unidades menores.

Nas escalas gráficas, o resultado depende do cuidado e prática da operação de leitura e, esta, da finura da graduação. Nas cartas topográfi- cas, especialmente as elaboradas pelas forças armadas, encontra-se uma escala gráfica pertencente à classe das escalas de conversão ou binárias.

É

a escala de passos que, de um lado da reta, tem uma graduação métrica

e,

do outro, uma graduação em unidades de passos. A posição oposta das

duas graduações ao longo da meta permite avaliar o número de metros para determinado número de passos e vice-versa. A distância conhecida é tomada numa tira de papel ou no compasso de ponta-seca e lê-se o valor correspondente em unidades da escala oposta ao longo do tronco e do talão, da mesma maneira como se procede com a escala gráfica simples.

Outro tipo de escala gráfica é o da composta ou de deformações. A

projeção cartográfica empregada na construção da rede de coordenadas geográficas (meridianos e paralelos) no plano provoca deformações linea- res nos mapas geográficos. A escala composta é apresentada num conjun-

to em que são indicadas com exatidão as escalas de latitudes escolhidas, a

primeira relativa ao equador. A ligação dos valores iguais das graduações das escalas forma uma série de curvas que permitem determinar grafica- mente o valor de distâncias em qualquer latitude.

Nos atlas escolares empregam-se figuras geométricas, como o qua- drado da área conhecida, desenhada, na escala linear, num canto do mapa. É costume incluir nos mapas de origem européia o desenho esque- mático do próprio país, na escala do mapa, o que permite obter imediata idéia da grandeza de outras terras mediante simples comparação visual.

Escala de declividades. Dá-se o nome de escala de declividades à- quela que permite medir inclinações das vertentes e rampas das vias quando o relevo é representado por curvas de nível, hachuras ou esbati- dos. Tal escala, que envolve a terceira dimensão, é elaborada com retas graduadas de maneira progressiva e em que os espaços marcados contam sempre a partir da origem. Lê-se o valor mais próximo da escala entre curvas consecutivas e, se for necessário obter valores mais precisos, interpolam-se as diferenças por estimativa. A graduação das escalas de declividades pode ser percentual ou angular. Uma dada escala só serve para determinada escala linear e determinada eqüidistância de curvas de nível.

Escalas de cores. Usadas para a representação do relevo nos mapas, empregam-se escalas de cores que, conforme certas regras, indicam as zonas de altitude e depressão. Em geral colocadas junto às legendas, essas escalas designam com cores diferentes a altitude dos planos hori- zontais ou as curvas que limitam tais zonas.

Cálculo da escala. Quando, por qualquer motivo, desapareceu a le- genda e, assim, não se conhece a escala, o próprio conteúdo do mapa conta com elementos de grandezas conhecidas que permitem, indiretamen- te, determinar a escala, seja numérica ou gráfica. A rede de coordenadas geográficas é um destes, pois sua malha fornece a base para o cálculo ou a construção da escala, sabendo-se que um grau de latitude, ao longo de qualquer meridiano, equivale a 111km. Medindo-se com a régua o espaço entre dois paralelos, pode-se determinar a relação entre a grandeza do grau e sua medida sobre o mapa.

Nas folhas topográficas das cartas oficiais, é costume apresentar, a- lém da rede de coordenadas geográficas, um sistema de quadriculagem quilométrica que se estende de maneira contínua sobre as folhas, indican- do a grandeza linear de um quilômetro, o que é um recurso empregado para a avaliação de distâncias e áreas sobre as cartas.

Já nas cartas náuticas, construídas pela projeção de Mercator, nota- se, em toda a moldura, uma graduação em unidades de arco, que serve principalmente para a determinação da posição dos navios: em latitude, pelas duas graduações laterais e, em longitude, pela graduação das mar- gens inferior e superior. Isso torna-se possível porque as graduações laterais, que se referem à latitude, não são igualmente espaçadas em suas unidades, visto que se alongam no sentido do equador para os pólos. Sabendo-se que as grandezas angulares das escalas laterais representam valores lineares constantes, é possível avaliarem-se distâncias nesses mapas náuticos.

Para isso, marca-se, sobre a divisão sexagesimal lateral, a extensão tomada no mapa entre os dois pontos em questão, de maneira a fazer coincidir o ponto médio dessa medida com o ponto da média das latitudes dos dois lugares. Os extremos dessa extensão indicarão, sobre a gradua- ção, a distância procurada em medida de arco, que por meio dos coeficien- tes conhecidos pode ser transformada em medida linear métrica ou de outro sistema. Indiretamente, portanto, avaliam-se as distâncias lineares em mapas de projeção eqüiangular ou conforme, mediante a graduação late- ral.

Cartografia e comunicação

Seria redundante afirmar que o mapa é uma imagem, se esta não ti- vesse passado a ser tão valorizada como modo de expressão ao longo de todo o século XX. Com a adoção de convenções simbólicas como cores, traços, emblemas, números etc., o mapa deve ser suficiente como tal, isto é, como representação portátil e eficaz de uma dada realidade, capaz, assim, de servir de base para a evocação, o raciocínio ou o projeto de qualquer espécie, dos mais amenos, como uma viagem turística, até os mais dramáticos, como a invasão de um país.

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Essas qualidades colocam o mapa, a carta e todos os outros meios da cartografia no domínio das estruturas lingüísticas, uma vez que também são meios de comunicação, isto é, configuram uma linguagem. Seja como suporte à verificação pessoal ou como meio de expressão dessa pesquisa

e das conclusões a que leva, permite sempre um diálogo entre autor e leitor

ou autor e público, que para isso mobiliza estruturas sociais e psicológicas. Do correto emprego destas depende a resposta dos consulentes: de um lado, há o sistema de relações e interesses que congrega autor-cartógrafo- editor-impressor-divulgador-público e, de outro, os meios pelos quais se unem com tais objetivos várias técnicas de desenho, recursos de pensa- mento e recursos gráficos, assim como noções de psicologia aplicada à percepção visual e indispensáveis à comunicação da mensagem cartográfi- ca.

Ainda que resultante da intenção de visualizar as informações, o ma- pa requer grande atenção do interessado em sua leitura bidimensional, menos comum que a linear, e de menor rapidez. Assim, para ser aceito e adotado, deve oferecer ao usuário uma forma de expressão que lhe permita economia do esforço mental em relação a outros meios de informação, e ainda atrativos que lhe atinjam tanto os mecanismos da consciência como do inconsciente.

É necessário, portanto, dosar a duração ideal do interesse do usuário

e explorar o melhor possível componentes prioritários como a representa-

ção do relevo, a hierarquia das cores, a legenda facilmente memorizável. A feliz combinação desses elementos foi qualidade apreciável nos trabalhos cartográficos desde suas origens, motivo pelo qual muitos mapas se torna- ram, modernamente, requintados objetos de decoração, emoldurados e postos em lugares de destaque. Os aperfeiçoamentos tecnológicos não diminuíram, antes acrescentaram, a atração estética dos mapas. Ficaram famosos, na segunda metade do século XX, tanto pela precisão científica como pela beleza e bom gosto gráfico-editorial, os mapas da National Geographic Society, dos Estados Unidos. Coordenadas geográficas; Geo- désia; Mapa

Coordenadas geográficas

Por mais diminuto que seja, qualquer ponto na superfície da Terra po- de ser localizado no mapa, se forem conhecidas suas coordenadas geográ- ficas.

As coordenadas geográficas são a latitude e a longitude, representa- das pelos meridianos e paralelos, que aparecem nos mapas cartográficos em forma de linhas. Assim, por exemplo, se desejamos encontrar no mapa

o monte Bernina, e sabemos que suas coordenadas são 46o22' de latitude

N e 9o50' de longitude E, verificamos que está localizado entre a Suíça e a Itália.

Acompanhando o movimento de rotação da Terra, veremos que cada

ponto do planeta descreve circunferências cujos círculos são perpendicula- res ao eixo dos pólos. Dentre essas circunferências há uma que traça o círculo máximo da esfera, cujo plano passa pelo centro da Terra e a divide em duas metades ou hemisférios: é a linha do equador. Os demais círculos vão diminuindo de tamanho a partir do equador, para cima ou para baixo, na direção dos pólos, e assim formam linhas paralelas. Essas linhas, como

o nome indica, são os paralelos.

Podemos traçar também sobre a esfera terrestre outra série de círcu- los, perpendiculares aos anteriores, de tal modo que passem todos pelo eixo dos pólos e que, na vertical, dividem a superfície arredondada em porções, semelhantes a gomos de laranja. Essas linhas são os meridianos.

Como se pode traçar um meridiano e um paralelo sobre cada ponto da Terra, dizemos que seu número é infinito. Assim sendo, temos de sele- cionar um paralelo e um meridiano determinados, para que sirvam de referência dentro do sistema de coordenadas geográficas. Entre os parale- los, a linha do equador é universalmente aceita como a coordenada geo- gráfica referencial. Para os meridianos não existe a mesma aceitação universal. Todavia, a maioria dos países aceita a pequena cidade de Gre- enwich (a sudeste de Londres) como ponto de referência para o meridiano zero.

Com essa disposição, qualquer ponto do globo terrestre pode ter sua localização determinada pelas duas distâncias angulares, uma até o equa- dor e outra até o meridiano zero. O ângulo formado pelo plano do meridiano de referência e o plano correspondente a qualquer outro meridiano se

denomina longitude geográfica e é medido em graus (o), minutos (') e segundos (''). Todos os pontos situados num mesmo meridiano têm idêntica longitude. Ainda que essa longitude possa abranger a totalidade de um círculo (360o), na prática se contam 180o a leste (E) e 180o a oeste (O).

na prática se contam 180o a leste (E) e 180o a oeste (O). O ângulo formado

O ângulo formado pela vertical de qualquer ponto da superfície terres-

tre com o plano do equador se denomina latitude geográfica, e também é medido em graus, minutos e segundos.

Todos os pontos situados no mesmo paralelo têm igual latitude. A ex- tensão da latitude oscila entre 0o no equador e 90o nos pólos. Deve-se distinguir entre latitude norte (N) ou sul (S), conforme o hemisfério em que está situado o ponto que se quer localizar. O correto funcionamento desse sistema depende da precisão com que se possa determinar as coordena- das em qualquer ponto.

A latitude tem sido determinada com precisão desde a antiguidade

clássica, mas a longitude só pôde ser fixada de maneira definitiva muito tempo depois. Desde o século IV a.C., os gregos sabiam, graças às con- quistas de Alexandre o Grande, que a Terra era mais extensa de oeste para leste que de norte para sul, ou seja, sabiam que o planeta era acha- tado nos pólos. Nessa época surgiram os conceitos de longitude e latitude. Entretanto, a falta de dados concretos sobre a relação comprimento-largura (longitude-latitude) da Terra impedia que se determinasse com precisão cada ponto. Por isso, os mapas obtidos naquela época eram muito defor- mados e não davam uma idéia correta da realidade espacial.

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Na prática, o cálculo das coordenadas geográficas de um ponto se re- aliza sempre por métodos indiretos, já que a rede de paralelos e meridianos não é mais que a projeção terrestre de um sistema de coordenadas astro- nômicas. O procedimento tradicional para se determinar a latitude de um ponto é o seguinte: calcula-se a altura do Sol sobre o horizonte, por meio de um sextante, e localiza-se a estrela Polar, no hemisfério norte, ou o Cruzeiro do Sul, no hemisfério sul. Tanto um como o outro se encontram alinhados no prolongamento do eixo da Terra, e por isso constituem pontos precisos de referência.

Terra, e por isso constituem pontos precisos de referência. A determinação da longitude é um problema

A determinação da longitude é um problema mais difícil, só resolvido

em data bem mais recente. Até o final do século XVII, a única forma de se determinar a longitude era conhecer a distância percorrida a partir de um determinado ponto. Em terra, o problema tinha solução, mas no mar era praticamente insolúvel. Daí a deformação dos mapas antigos, que atribuí- am ao mar Mediterrâneo uma dimensão muito maior do que a real; da mesma forma, foi muito difícil para os cartógrafos quinhentistas, depois do descobrimento da América, situar no Atlântico a linha que separava os territórios portugueses dos espanhóis, de acordo com o Tratado de Tordesi- lhas. No princípio do século XVIII, já conhecidas as dimensões aproxima- das do planeta, solucionou-se o problema da longitude. Como a Terra dá uma volta completa sobre seu eixo a cada 24 horas, cada hora avança 15o, de maneira que a longitude, expressada em graus, é obtida pela diferença em horas entre o meridiano de origem e o meridiano cuja longitude se quer determinar. ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

MEIO DE ORIENTAÇÃO E COORDENADAS GEOGRÁFICAS

OS PONTOS DE ORIENTAÇÃO

O homem, para facilitar o seu deslocamento sobre a superfície terres-

tre, tomando por base o nascer e o pôr do Sol, criou alguns pontos de orientação.

Devido à marcante influência que o Sol exerce sobre a Terra, o ho- mem, observando sua aparente marcha pelo espaço, fixou a direção em que ele surge no horizonte’.

O ponto em que o Sol aparece diariamente no horizonte, o nascente,

é conhecido também por leste ou oriente, e o local onde ele se põe, o poente, corresponde ao oeste ou ocidente.

Estendendo a mão direita para leste e a esquerda para oeste, encon- tramos mais dois pontos de orientação — o norte, à nossa frente, e o sul, às nossas costas.

Esses quatro principais pontos de orientação: norte, sul, leste e oeste, constituem os pontos cardeais.

Entre os pontos cardeais, foram criados mais quatro pontos de orien- tação, os colaterais, que são: nordeste, sudeste, noroeste e sudoeste.

Para tornar mais segura a orientação sobre a superfície terrestre, en- tre um ponto cardeal e um colateral foi criado o subcolateral.

Os pontos subcolaterais são em número de oito:

NNE — nor-nordeste; ENE — es-nordeste;

ESE — es-sudeste; SSE — su-sudeste; SSO — su-sudoeste; OSO — os-sudoeste; ONO — os-noroeste; NNO — nor-noroeste.

Juntando-se os pontos cardeais, colaterais e subcolaterais notamos que eles formam uma figura conhecida pelo nome de rosa-dos-ventos.

O MAGNETISMO TERRESTRE

A Terra pode ser perfeitamente comparada a um gigantesco imã,

possuindo dois pólos magnéticos que se situam próximo aos pólos

geográficos, mas que não coincidem com estes.

O magnetismo terrestre tem sua provável origem na eletricidade emi-

tida pela massa líquida, proveniente da junção dos oceanos nas extremida-

des do globo terrestre.

Descoberta a atração magnética que os extremos da Terra exercem sobre as demais partes do globo, inventou-se a bússola, aparelho que é um seguro meio de orientação.

A bússola é constituída por uma agulha magnética convenientemente

colocada sobre uma haste no centro de uma caixa cilíndrica.

A agulha está ligada a um círculo graduado e dividido como a rosa-

dos-ventos. Este círculo é geralmente constituído de talco ou mica.

Como essa agulha tem a propriedade de apontar sempre o norte, para nos orientarmos pela bússola basta colocarmos o “norte” do mostrador na direção indicada pela agulha, o que de imediato nos proporcionará a posi- ção dos demais pontos.

A agulha imantada da bússola não aponta o norte geográfico, mas sim

o norte magnético. A direção da agulha e o norte geográfico formam quase

sempre um ângulo, variável de lugar para lugar e de época para época, ao qual se dão nome de declinação magnética.

ORIENTAÇÃO PELO CRUZEIRO DO SUL

Além dos meios de orientação já conhecidos, à noite é possível nos orientarmos por meio das estrelas.

Um importante elemento de orientação em nosso hemisfério é o Cru- zeiro do Sul, para nós bastante visível.

A forma de nos orientarmos por ele consiste em prolongarmos quatro

vezes o braço maior da cruz e, desse ponto imaginário, baixarmos uma perpendicular à linha do horizonte.

Assim teremos o sul. Se nos colocarmos de costas para a constelação teremos à frente o norte, à direita o leste e à esquerda o oeste.

No hemisfério norte usa-se a estrela Polar como meio de orientação. Ela aponta sempre a direção norte.

AS LINHAS E CÍRCULOS DA TERRA

Devido à grande extensão do nosso planeta, para facilitar a localiza- ção de qualquer ponto da sua superfície foram imaginadas algumas linhas ou círculos.

Para se traçar essas linhas foi necessário representar-se graficamente

a Terra por meio de uma figura semelhante à sua forma — a esfera.

Geografia

6 A Opção Certa Para a Sua Realização

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OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos Nos extremos da esfera terrestre estão situados os

Nos extremos da esfera terrestre estão situados os pólos norte e sul.

A igual distância dos pólos, foi traçado no centro da esfera terrestre um

círculo máximo — o Equador.

O Equador divide a Terra horizontalmente em duas partes iguais — os hemisférios norte ou boreal e sul ou austral.

PARALELOS

Paralelamente ao Equador, em ambos os hemisférios, foram traçadas outras linhas ou círculos — os paralelos (90 no hemisfério norte e 90 no hemisfério sul).

Portanto, paralelos são círculos imaginários que atravessam a Terra paralelamente ao Equador.

Destas linhas duas são mais importantes em cada um dos hemisférios

— os Trópicos de Câncer e de Capricórnio, distantes do Equador a aproxi-

madamente 23º27', e os círculos polares Ártico e Antártico, que se distanci-

am do seu pólo correspondente a aproximadamente 23º27'.

AS ZONAS CLIMÁTICAS DA TERRA

Os trópicos e os círculos polares dividem a superfície terrestre em cinco grandes zonas climáticas, assim chamadas porque nos indicam aproximadamente o clima de cada uma dessas regiões:

Zona tórrida: que se localiza entre os dois trópicos e é atravessada ao centro pelo Equador. Constitui a zona mais quente do globo.

Zonas temperadas: a do Norte e a do Sul, situando-se respectivamen-

te entre os trópicos e os círculos polares, onde as temperaturas são bem

mais amenas do que na zona tórrida, e as estações do ano se apresentam bem mais perceptíveis.

Zonas frias ou glaciais: situam-se no interior dos círculos polares Árti- co e Antártico e constituem as regiões mais frias do globo, quase que permanentemente cobertas de gelo.

MERIDIANOS

Atravessando perpendicularmente o Equador, temos também linhas

ou círculos que vão de um pólo a outro — os meridianos.

Assim como o Equador é o paralelo inicial ou de 00, os geógrafos convencionaram adotar um meridiano inicial. Este meridiano é conhecido também pelo nome de Meridiano de Greenwich, pelo fato de passar próxi- mo de um observatório astronômico situado na cidade do mesmo nome, nas proximidades de Londres, Inglaterra. Esse meridiano divide a Terra verticalmente em dois hemisférios — o oriental e o ocidental.

Embora se possam traçar tantos meridianos quantos se queira, são u- tilizados somente 360 deles. Tomando-se por base o Meridiano Inicial ou de Greenwich, temos 180 meridianos no hemisfério oriental e 180 no oci- dental.

AS COORDENADAS GEOGRÁFICAS

Utilizando os paralelos e os meridianos podemos, por meio da latitude e da longitude, determinar a posição exata de um ponto qualquer da super-

fície terrestre. A latitude e a longitude constituem as coordenadas geográfi- cas.

e a longitude constituem as coordenadas geográfi- cas. LATITUDE A latitude é a distância em graus

LATITUDE

A latitude é a distância em graus de qualquer ponto da superfície ter-

restre em relação ao Equador.

Ela pode ser definida como o ângulo que a vertical desse lugar forma com o plano do Equador.

A Latitude pode ser norte ou sul e variar de 00 a 900. Cada grau divi-

de-se em 60 minutos e cada minuto em 60 segundos.

Todos os pontos da superfície terrestre que têm a mesma latitude en- contram-se evidentemente sobre o mesmo paralelo.

LONGITUDE

Corresponde à distância em graus que existe entre um ponto da su- perfície terrestre e o Meridiano Inicial ou de Greenwich.

Ela pode ser oriental ou ocidental, contada em cada um destes hemis- férios de 0º a 180º.

Se quisermos saber qual a posição geográfica da cidade onde mora- mos, basta procurar no mapa o paralelo e o meridiano que passam por ela ou próximo a ela.

Observe o exemplo abaixo e ponha em prática o que acabamos de aprender.

FUSOS HORÁRIOS

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De acordo com o que observamos, a Terra realiza o movimento de ro- tação de oeste para leste.

Para dar uma volta completa sobre si, diante do Sol, a Terra leva 24 horas, o que corresponde a um dia (um dia e uma noite).

Sabendo-se que a esfera terrestre se divide em 3600 e que o Sol leva 24 horas para iluminá-la, conclui-se que, a cada hora, são iluminados diretamente pelo astro-rei 15 meridianos (360 : 24 = 15).

O espaço da superfície terrestre compreendido entre 15 meridianos

ou 150 recebe o nome de fuso horário. A Terra possui, portanto, 24 fusos horários, que representam as 24 horas do dia.

Para calcular a hora, convencionou-se que o fuso horário inicial, isto é, o fuso a partir do qual a hora começaria a ser contada, seria o fuso que passa por Greenwich.

A hora determinada por este fuso horário recebe o nome de hora

GMT.

Partindo-se da hora GMT, quando na região que corresponde ao me- ridiano inicial for meio-dia, nas regiões compreendidas em cada um dos fusos a leste desse meridiano teremos uma hora a mais, e a oeste, uma hora a menos, isto porque, conforme vimos, a Terra gira de oeste para leste.

Consideradas as ilhas oceânicas, o Brasil possui 4 fusos horários.

Observamos pelo mapa que há um limite prático e um teórico dos fu- sos horários.

O meridiano que divide o 1º fuso do 2º passa pelos Estados do Nor-

deste. Se esse limite teórico prevalecesse, esses Estados teriam horas diferentes. Como a diferença não é muito grande, criou-se um limite prático, através do desvio do meridiano que divide o 1º do 2º fuso horário. Assim, todo o território nordestino permanece no 2º fuso horário brasileiro.

Notamos também que do 2º para o 3º fuso houve um desvio para co- incidir com os limites políticos dos Estados, exceção feita ao Pará, cujo território se encontra no 2º e 3º fusos.

O 1º fuso horário brasileiro está atrasado duas horas em relação a

Greenwich.

O 2º fuso horário, atrasado três horas em relação a Greenwich, consti-

tui a hora legal do nosso país (hora de Brasília). Nele encontra-se a maioria dos Estados brasileiros.

O 3º fuso horário está atrasado quatro horas em relação a Londres e

uma hora em relação a Brasília

O 4º fuso horário, com cinco horas de atraso em relação a Greenwich,

está atrasado também duas horas em relação a Brasília. Nele estão inseri- dos apenas o Acre e o extremo-oeste do Estado do Amazonas.

LINHA INTERNACIONAL DE MUDANÇA DA DATA

Estabelecido o sistema de fusos horários, tornava-se necessário de- terminar o meridiano a partir do qual deveríamos começar a contagem de um novo dia. Escolheu-se para tal fim o meridiano de 1800 ou linha interna- cional da data, onde ocorre a mudança de datas. Cruzando-se esta linha no sentido oeste-leste, deve-se subtrair um dia (24 horas) e, cruzando-a no sentido leste-oeste, deve-se acrescentar um dia.

A REPRESENTAÇÃO DA TERRA

A representação gráfica da Terra é uma tarefa que cabe a um impor-

tante ramo da ciência geográfica — a Cartografia.

A Cartografia tem por objetivo estudar os métodos científicos mais

adequados para uma melhor e mais segura representação da Terra, ocu-

pando-se, portanto, da confecção e análise dos mapas ou cartas geográfi- cas.

Existem duas formas por meio das quais representamos graficamente

o nosso planeta: os globos e os mapas.

O globo terrestre é a melhor forma de se representar a Terra, pois não distorce a área e a forma dos oceanos e continentes. Porém, os mapas, além de oferecerem maior comodidade no seu manuseio e transporte, são menos custosos e permitem, também, que as indicações neles contidas sejam mais completas e minuciosas do que nos globos.

ESCALAS

Para reproduzirmos a Terra ou parte dela em um mapa, precisamos diminuir o tamanho da área a ser representada.

Para este fim é que dispomos das escalas. Chamamos escala à rela- ção de redução que existe entre as dimensões reais do terreno e as que ele apresenta no mapa. As escalas podem ser de duas espécies:

Numérica ou aritmética: representada por uma fração ordinária ou sob

1

500 000

a forma de uma razão — 1:500 000.

Isto significa que o objeto da representação foi reduzido em quinhen- tas mil vezes para ser transportado com detalhes para o mapa.

Assim, para se saber o valor real de cada centímetro basta fazer a seguinte operação:

Escala 1: 500 000

1 cm = 5 000 metros ou 5 km

Conhecendo o valor real de cada centímetro, com o auxílio de uma régua, poderemos calcular a distância em linha reta entre dois ou mais pontos do mapa.

Basta, por exemplo, medir os centímetros que separam duas cidades

e multiplicá-los pelo valor equivalente a 1 cm, já encontrado pela operação acima exemplificada.

Gráfica: representada por uma linha reta dividida em partes, na qual encontramos diretamente os valores. Um mapa é feito em grande escala quando a redução ou o denomina- dor da fração é pequeno (1:80000; 1:50000). Um mapa é elaborado em pequena escala quando a redução ou o denominador da fração é grande (1:500 000; 1:10 000 000).

PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS

Como a representação da Terra ou de parte dela em um mapa não pode ser feita com exatidão matemática, posto que a esfera é um corpo geométrico de certa incompatibilidade com as figuras planas, é preciso deformá-la um pouco.

Essas deformações serão tanto maiores quanto menor for a superfície representada.

As deformações que a Terra ou parte dela sofre ao ser representada em figuras planas —os mapas — ocorrem devido às projeções cartográfi- cas.

Diversos tipos de projeções permitem-nos passar para um plano, com

o mínimo possível de deformações, as figuras construídas sobre uma esfera.

Em todos os tipos de projeções, primeiro é transportada, da esfera pa-

ra

a superfície, a rede de paralelos e meridianos, depois, ponto por ponto,

as

figuras ou formas que se deseja representar.

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TIPOS DE PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS

Todas as projeções cartográficas têm vantagens e inconvenientes. Por exemplo, as eqüiangulares, para dar traçado exato dos continentes, respeitam os ângulos, porém exageram as proporções; as equivalentes mantêm as superfícies e as proporções, deformando com isto o traçado dos continentes; as eqüidistantes procuram respeitar a proporção entre as distâncias; e as ortomórficas conservam as formas.

Uma vez que nenhuma projeção reúne os requisitos de conservação do ângulo, da área, da distância e da forma, o cartógrafo deve usá-las de acordo com a superfície que deseja representar e a finalidade a que o mapa se destina.

As projeções costumam ser reunidas em três tipos básicos: cilíndri- cas, cônicas, e azimutais.

PROJEÇÃO CILÍNDRICA

Esta projeção, idealizada pelo cartógrafo Mercator, consiste em proje- tar a superfície terrestre e os paralelos e meridianos sobre um cilindro.

Neste tipo de projeção, muito utilizada na confecção dos planisférios, os paralelos e meridianos são representados por linhas retas que se cortam em ângulos retos. Os paralelos aparecem tanto mais separados à medida que se aproximam dos pólos, acarretando grandes distorções nas altas latitudes.

Dessa forma, a Groenlândia, por exemplo, que é bem menor que a América do Sul, no planisfério aparece quase do mesmo tamanho que essa parte do continente americano.

PROJEÇÃO CÔNICA

Neste tipo de projeção, a superfície da Terra é representada sobre um cone imaginário, que está em contato com a esfera em determinado parale- lo.

Por essa projeção, obtemos mapas ou cartas com meridianos for- mando uma rede de linhas retas, que convergem para os pólos, e paralelos constituindo círculos concêntricos que têm o pólo como centro.

Na projeção cônica, as deformações são pequenas próximo ao para- lelo de contato, mas tendem a aumentar à medida que as zonas represen- tadas estão mais distantes.

Devemos recorrer a este tipo de projeção para representarmos mapas regionais, onde são apresentadas apenas pequenas partes da superfície terrestre.

PROJEÇÃO AZIMUTAL

Esse tipo de projeção se obtém sobre um plano tangente a um ponto qualquer da superfície terrestre. Este ponto de tangência ocupa sempre o centro da projeção.

No caso do plano ser tangente ao pólo, os paralelos aparecem repre- sentados por círculos concêntricos, que têm como centro o pólo e os meri- dianos corno raios, convergindo todos para o ponto de contato.

Neste tipo de projeção, as deformações são pequenas nas proximida- des do pólo (ou ponto de tangência), mas aumentam à medida que nos distanciamos dele.

A projeção azimutal destina-se especialmente a representar as regi- ões polares e suas proximidades.

Além destes três tipos de projeções, podemos destacar também:

a de Mollweide: não utiliza nenhuma superfície de contato. Ela se des- tina à representação global da Terra, respeitando os aspectos da superfí-

cie, porém, os meridianos se transformam em elipses, e o valor dos ângulos não é respeitado. Nesta projeção, os paralelos são linhas retas e os meridi- anos, linhas curvas;

a estereográfica: utilizada para os mapas-múndi, em que a Terra apa-

rece representada por dois hemisférios — o oriental e o ocidental. Nela, os paralelos e meridianos, com exceção do Equador e do Meridiano Inicial, são curvos, sendo que a curvatura dos paralelos aumenta gradativamente, à medida que se aproximam dos pólos.

CONVENÇÕES CARTOGRÁFICAS

Várias técnicas são empregadas pelos cartógrafos para se represen- tar, em um mapa, os aspectos físicos, humanos e econômicos de um continente, país ou região.

SÍMBOLOS

Tendo em vista simplificar o uso de símbolos para se expressar os e- lementos geográficos em um mapa, foi padronizada uma simbologia inter- nacional, que permite a leitura e a interpretação de um mapa em qualquer parte do globo.

A REPRESENTAÇÃO DO RELEVO TERRESTRE

A representação do relevo terrestre pode ser feita por meio de vários

processos: graduação de cores, curvas de nível, hachuras e mapas som- breados.

MAPAS COM GRADUAÇÃO DE CORES

Como exemplo de mapas com graduação de cores, temos:

mapas de relevo ou hipsomêtricos: em que as diferen- ças de altitude são sempre expressas: pelo verde, para re- presentar as baixas altitudes; pelo amarelo e alaranjado, para as médias altitudes; e pelo marrom e avermelhado, para as maiores altitudes;

mapas oceânicos ou batimétricos: onde observamos as diferentes profundidades oceânicas, peas tonalidades do a- zul: azul claro, para representar as pequenas profundidades, e vários tons de azul, até o mais escuro, para as maiores pro- fundidades.

CURVAS DE NÍVEL

As curvas de nível são linhas empregadas para unir os pontos da su- perfície terrestre de igual altitude sobre o nível do mar.

perfície terrestre de igual altitude sobre o nível do mar. Elas são indicadas no mapa por

Elas são indicadas no mapa por algarismos aos quais se dá o nome de “cotas de altitude”.

O processo de representar o relevo por curvas de nível consiste em se imaginar o terreno cortado por uma série de planos horizontais guardan- do entre si uma distância vertical.

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A diferença de nível entre duas curvas é quase sempre a mesma, po- rém, se duas curvas se aproximam, é porque o declive (inclinação) é maior,

e se, pelo contrário, se afastam, o declive, ou seja, o relevo, é mais suave e menos abrupto.

HACHURAS

As hachuras são pequenos traços, de grossura e afastamento variá- vel, desenhados para exprimir maior inclinação do terreno.

Elas são desenhadas entre as curvas de nível e perpendicularmente a

elas.

Assim sendo, os mapas que representam relevos de maior declivida- de ou inclinação são bastante escurecidos, enquanto aqueles que repre- sentam menores inclinações do terreno se apresentam mais claros. Os terrenos planos e os situados ao nível do mar são deixados em branco.

Este método não tem sido muito utilizado ultimamente, sendo substitu- ído pelo das curvas de nível ou pelo da graduação de cores.

FOTOGRAFIAS AÉREAS OU AEROFOTOGRAMETRIA

Atualmente vem ganhando destaque o processo de reconhecimento do terreno pelas fotografias aéreas. Este processo, denominado aerofoto- grametria, é desenvolvido da seguinte maneira:

Um avião, devidamente equipado, fotografa uma certa área, de tal modo que o eixo focal seja perpendicular à superfície. A primeira e a se- gunda fotos devem corresponder à cobertura de uma área comum de aproximadamente 600/o (figura A). As fotos obtidas são colocadas uma ao lado da outra, obedecendo a mesma orientação, de tal forma que ambas apresentem igual posição. Com o auxílio de um estereoscópio podemos observar a área (A) em imagem tridimensional. Utilizando-se vários instrumentos, podem ser traçadas as curvas de nível e interpretados os diversos aspectos físicos que a área focalizada apresenta.

II - Aspectos físicos e meio ambiente no Brasil (grandes domínios de clima, vegetação, relevo e hidrografia; ecos- sistemas).

Brasil

"País do futuro", "terra dos contrastes", "nação da cordialidade" e "gi- gante adormecido", são alguns dos qualificativos com que se tenta resumi- damente explicar a complexa e multifacetada realidade brasileira, onde a abundância de terras férteis convive com multidões de desempregados, prodigiosos recursos naturais não conseguem impedir bolsões de miséria e se vêem cidades tão modernas quanto as do primeiro mundo ou tribos indígenas que vivem ainda como seus antepassados de 1500, ao tempo do descobrimento.

Único país de colonização portuguesa em todo o continente americano,

o Brasil difere muito de seus vizinhos tanto na língua quanto na cultura, na maneira de ser de seu povo como nas preferências de sua elite intelectual

e econômica, no relevo do solo como na configuração do litoral. E ele

mesmo é uma grande colcha de retalhos, com regiões completamente diferentes entre si, tanto no aspecto físico como na organização urbana, na história como na cultura, embora exista latente e sempre pronto a manifes- tar-se com vigor um sentimento geral de brasilidade.

Uma das nações-continente do mundo, com área de 8.547.404km2, o

Brasil ocupa quase a metade da América do Sul e é o quinto país do mun- do em extensão territorial, apenas sobrepujado pela Rússia, Canadá, China

e Estados Unidos. Ao longo de cerca de 16.000km de fronteiras, limita-se

ao norte com a Guiana, Suriname, Guiana Francesa e Venezuela; a oeste com a Colômbia, Peru, Bolívia e Paraguai; ao sul, com a Argentina e o Uruguai; e a leste com o oceano Atlântico. Portanto, apenas dois países sul-americanos não têm fronteira com o Brasil: Equador e Chile. Com a forma aproximada de um imenso triângulo, o território brasileiro tem largura

e altura praticamente iguais: no sentido norte-sul, estende-se por 4.320km,

desde o monte Caburaí, na fronteira com a Guiana, até o arroio Chuí, na fronteira com o Uruguai; e no sentido oeste-leste, por 4.328km, da serra de

Contamana, no Peru, até a ponta do Seixas, no litoral da Paraíba.

O nome Brasil deriva da árvore Caesalpinia echinata, chamada pelos

índios de ibirapitanga e pelos portugueses de pau-brasil, pela cor de brasa

do seu cerne, comerciado como corante. Já um ato notarial de 1503 arrola- va um carregamento de "paus do brasil", trazidos da terra recém- descoberta. Até o século XVII, "brasileiros" eram inicialmente os que co- merciavam com pau-brasil; depois os que vinham para o Brasil ganhar a vida; e finalmente os filhos da terra, nativos ou descendentes de europeus.

Geografia física

Geologia

O território brasileiro, juntamente com o das Guianas, distingue-se niti-

damente do resto da América do Sul. Seu embasamento abriga as maiores áreas de afloramento de rochas pré-cambrianas, os chamados escudos: o escudo ou complexo Brasileiro, também designado como embasamento Cristalino, ou simplesmente Cristalino; e o escudo das Guianas. Os terre- nos mais antigos, constituídos de rochas de intenso metamorfismo, formam

o complexo Brasileiro. O escudo das Guianas abarca, além das Guianas,

parte da Venezuela e do Brasil, ao norte do rio Amazonas. Entre ambos situa-se a bacia sedimentar do Amazonas, cuja superfície está em grande parte coberta por depósitos cenozóicos, em continuação aos da faixa adjacente aos Andes.

As rochas mais antigas do escudo das Guianas datam de mais de dois bilhões de anos. É portanto uma área estável de longa data. Na faixa costeira do Maranhão e do Pará ocorrem rochas pré-cambrianas, que constituem um núcleo muito antigo, com cerca de dois bilhões de anos. A região pré-cambriana de Guaporé é coberta pela floresta amazônica. A do rio São Francisco estende-se pelos estados da Bahia, Minas Gerais e Goiás. Há dentro dessa região uma unidade tectônica muito antiga, o geossinclíneo do Espinhaço, que vai de Ouro Preto MG até a borda meridi- onal da bacia sedimentar do Parnaíba. As rochas mais antigas dessa área constituem o grupo do rio das Velhas, com idades que atingem cerca de 2,5 bilhões de anos.

As rochas do grupo Minas assentam-se em discordância sobre elas, e são constituídas de metassedimentos que em geral exibem metamorfismo de fácies xisto verde, com idade aproximada de 1,5 bilhão de anos. Perten- ce a esse grupo a formação Itabira, com grandes jazidas de ferro e manga- nês. Sobre as rochas do grupo Minas colocam-se em discordância as do grupo Lavras, constituídas de metassedimentos de baixo metamorfismo, com metaconglomerados devidos talvez a uma glaciação pré-cambriana.

Grande parte da área pré-cambriana do São Francisco é coberta por rochas sedimentares quase sem metamorfismo e só ligeiramente dobradas, constituídas em boa parte de calcários. Essa seqüência é conhecida como grupo Bambuí, com idade em torno de 600 milhões de anos, época em que provavelmente a região do São Francisco já havia atingido relativa estabili- dade.

Ao que parece, um grande ciclo orogenético, denominado Transama- zônico, ocorrido há cerca de dois bilhões de anos, perturbou as rochas mais antigas dessa faixa pré-cambriana. Ao final do pré-cambriano, as regiões do São Francisco e do Guaporé eram separadas por dois geossin- clíneos -- o Paraguai-Araguaia, que margeava as terras antigas do Guaporé pelo lado oriental; e o de Brasília, que margeava as terras antigas do São Francisco pelo lado ocidental.

As estruturas das rochas parametamórficas do geossinclíneo Paraguai-

Araguaia orientam-se na direção norte-sul no Paraguai e sul do Mato Gros- so, curvam-se para o nordeste e novamente para norte-sul no norte de Mato Grosso e Goiás e atingem o Pará através do baixo vale do Tocantins, numa extensão de mais de 2.500km. Iniciam-se por uma espessa seqüên- cia de metassedimentos que constituem, no sul, o grupo Cuiabá, e no norte, o grupo Tocantins. Essa seqüência é recoberta pelas rochas do grupo Jangada, entre as quais existem conglomerados tidos como repre- sentantes do episódio glacial.

O geossinclíneo Brasília desenvolveu-se em parte dos estados de Goi-

ás e Minas Gerais. Suas estruturas, no sul, dirigem-se para noroeste e

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depois curvam-se para o norte. A intensidade do metamorfismo decresce de oeste para leste e varia de fácies anfibolito a fácies xisto verde. A região central de Goiás, que separa os geossinclíneos Paraguai-Araguaia e Brasí- lia, é constituída de rochas que exibem fácies de metamorfismo de anfiboli- to.

Uma longa faixa metamórfica, chamada de geossinclíneo Paraíba, es- tende-se ao longo da costa oriental do Brasil, do sul da Bahia ao Rio Gran- de do Sul e Uruguai. Suas rochas de metamorfismo mais intenso estão na serra do Mar. As rochas de baixo metamorfismo (xistos verdes) são grupa- das sob diferentes nomes geográficos: grupo Porongos, no Rio Grande do Sul, grupo Brusque, em Santa Catarina, grupo Açungui, no Paraná e sul de São Paulo, e grupo São Roque, na área de São Roque-Jundiaí-Mairiporã, no estado de São Paulo. Gnaisses e migmatitos da área pré-cambriana do norte, em São Paulo e partes adjacentes de Minas Gerais, constituem a serra da Mantiqueira.

A faixa orogenética do Cariri, no Nordeste, possui direções estruturais

muito perturbadas por falhamentos. Um grande acidente tectônico, o linea- mento de Pernambuco, separa a faixa do Cariri do geossinclíneo de Propri-

á. O grupo Ceará, importante unidade da faixa tectônica do Cariri, apresen-

ta metassedimentos com metamorfismos que variam da fácies xisto verde à

de anfibolito, recobertos em discordância pelas rochas do grupo Jaibara.

A fase de sedimentação intensa de todos esses geossinclíneos ocorreu

no pré-cambriano superior, e seu fim foi marcado por um ciclo orogenético,

o ciclo Brasileiro, ocorrido há cerca de 600 milhões de anos. Suas fases

tardias atingiram os períodos cambriano e ordoviciano, e produziram depó- sitos que sofreram perturbações tectônicas, não acompanhadas de meta- morfismo. Em Mato Grosso, extensos depósitos calcários dessa época constituem os grupos Corumbá, ao sul, e Araras, ao norte. Em discordância sobre o Corumbá, assentam as rochas do grupo Jacadigo, constituídas de arcósios, conglomerados arcosianos, siltitos, arenitos e camadas e lâminas de hematita, jaspe e óxidos de manganês.

Na faixa atlântica há indícios de manifestações vulcânicas riolíticas e andesíticas associadas aos metassedimentos cambro-ordovicianos, e também granitos intrusivos, tardios e pós-tectônicos. Os sedimentos cam- bro-ordovicianos, que marcam os estertores da fase geossinclinal no Brasil, não possuem fósseis, por se terem formado em ambiente não-marinho. Ocupam áreas restritas, cobertas discordantemente pelos sedimentos devonianos ou carboníferos da bacia do Paraná. A maior área encontra-se no estado do Rio Grande do Sul.

A seqüência da base é chamada de grupo Maricá, à qual sucede o

grupo Bom Jardim, que consiste em seqüências sedimentares semelhantes às do grupo Maricá, mas caracterizadas por um vulcanismo andesítico muito intenso. Segue-se o grupo Camaquã, cujas rochas exibem perturba- ções mais suaves que as dos grupos sotopostos. Nas fases iniciais de deposição desse grupo, ocorreu intenso vulcanismo riolítico, mas há evi- dências de fases vulcânicas riolíticas anteriores: os conglomerados do grupo Bom Jardim contêm seixos de riólitos. Também durante as fases de sedimentação das rochas do grupo Camaquã, ocorreu vulcanismo andesíti- co intermitente.

O grupo Itajaí, em Santa Catarina, é outra grande área de rochas for-

madas em ambiente tectônico. O grupo Castro, no Paraná, constituído de arcósios, siltitos e conglomerados, parece ter-se formado na mesma época desses grupos. Riólitos, tufos e aglomerados ocorrem em diversos níveis dessa seqüência, e rochas vulcânicas andesíticas marcam as fases finais.

Sobre as rochas do grupo Castro descansa uma seqüência de conglome- rados, a formação Iapó.

Bacias sedimentares. Distinguem-se, por sua estrutura, três grandes bacias sedimentares intracratônicas no Brasil: Amazonas, Parnaíba (ou Maranhão) e Paraná. A bacia do Amazonas propriamente dita ocupa ape- nas a região oriental do estado do Amazonas e o estado do Pará, com exceção da foz do Amazonas, que pertence à bacia de Marajó. Os terrenos mais antigos datam da era paleozóica e alinham-se em faixas paralelas ao curso do rio Amazonas. As rochas do período devoniano ocorrem tanto na bacia do Amazonas como nas do Parnaíba e do Paraná. Outros datam da era mesozóica e são cretáceos (séries Acre e Itauajuri, formação Nova Olinda), e constituem, com os anteriores, zonas com possibilidades de jazidas petrolíferas. Mas as maiores extensões correspondem aos terrenos recentes, particularmente pliocênicos (série Barreiras), mas também pleis-

tocênicos (formação Pará) e holocênicos ou atuais, todos de origem conti- nental.

A bacia sedimentar do Parnaíba situa-se em terras do Maranhão e do

Piauí. Os terrenos mais antigos remontam à era paleozóica e em geral são de origem marinha; os devonianos subdividem-se em três formações:

Picos, Cabeças e Longá. Distinguem-se na bacia do Parnaíba três ciclos de sedimentação separados por discordâncias: (1) siluriano; (2) devoniano- carbonífero inferior; (3) carbonífero superior-permiano. Durante o intervalo siluriano-carbonífero inferior, a área de maior subsidência situava-se no limite sudeste da atual bacia, o que lhe conferia grande assimetria em

relação aos atuais limites da bacia. Isso significa que a borda oriental atual

é erosiva e não corresponde à borda original. A história da bacia durante o permiano acha-se documentada pelos depósitos das formações Pedra de Fogo e Motuca.

A bacia do Paraná é uma das maiores do mundo. Mais de sessenta por

cento de sua área de 1.600.000km2 ficam no Brasil; cerca de 25% na Argentina e o restante no Paraguai e Uruguai. É definida como unidade autônoma a partir do devoniano, embora ocorram sedimentos marinhos silurianos fossilíferos no Paraguai, de extensão limitada. Distinguem-se na bacia do Paraná três ciclos de sedimentação paleozóica (siluriano, devoni-

ano, permocarbonífero), separados entre si por discordâncias. Os sedimen- tos marinhos do fim do paleozóico são bem menos importantes que nas duas outras bacias, mas ao contrário delas, essa bacia possui sedimentos marinhos permianos.

Relevo

O Brasil é um país de relevo modesto: seus picos mais altos elevam-se

a cotas da ordem dos três mil metros. Em grandes números, o relevo

brasileiro se reparte em menos de quarenta por cento de planícies e pouco mais de sessenta por cento de planaltos. A altitude média é de 500m. As elevações agrupam-se em dois sistemas principais: o sistema Brasileiro e o sistema Parima ou Guiano. Ambos são constituídos de velhos escudos

cristalinos, de rochas pré-cambrianas -- granito, gnaisse, micaxisto, quartzi-

to -- fortemente dobrados e falhados pelas orogenias laurenciana e huroni-

ana.

Trabalhados por longo tempo pelos agentes erosivos, os dois escudos foram aplainados até formarem planaltos muito regulares. Na periferia, a orogenia andina refletiu-se por meio de falhas, flexuras e fraturas que promoveram uma retomada da erosão, que deu origem a formas mais enérgicas de relevo: escarpas, vales profundos, serras e morros arredon- dados.

O sistema Parima ou Guiano fica ao norte da bacia amazônica e sua li-

nha divisória serve de fronteira entre o Brasil, de um lado, e a Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa de outro. A superfície aplainada do alto rio Branco (vales do Tacutu e do Rupununi) divide o sistema em dois maciços: o Oriental, com as serras de Tumucumaque e Acaraí, mais baixo, com altitudes quase sempre inferiores a 600m; e o Ocidental, mais elevado, que recebe denominações como serra de Pacaraima, Parima, Urucuzeiro, Tapirapecó e Imeri, onde se encontram os pontos culminantes do relevo brasileiro: o pico da Neblina, com 3.014m, e o Trinta e Um de Março, com 2.992m. Mais para oeste, no alto rio Negro, ocorrem apenas bossas graníti- cas isoladas (cerro Caparro, pedra de Cucaí), com menos de 500m, que emergem do peneplano coberto de florestas.

O sistema Brasileiro ocupa área muito maior que o Parima. Está subdi-

vidido em províncias fisiográficas ou geomórficas. O maciço Atlântico abrange as serras cristalinas que ficam a leste das escarpas sedimentares do planalto Meridional, e tomam as denominações gerais de serra do Mar e serra da Mantiqueira. A primeira acompanha a costa brasileira desde o baixo Paraíba, perto do município de Campos dos Goitacases RJ até o sul de Santa Catarina; a serra da Mantiqueira fica um pouco mais para o interi- or, e estende-se de São Paulo até à Bahia.

A serra do Mar mostra um conjunto de cristas paralelas entre o litoral

sul do estado do Rio de Janeiro e o médio Paraíba: Gávea, Pão de Açúcar, Corcovado, Tijuca, Pedra Branca, Jericinó-Marapicu, garganta Viúva da Graça, até o alinhamento principal da serra, que descamba suavemente para o leito do Paraíba. Longitudinalmente, mostra o bloco levantado da serra dos Órgãos, ao norte da baía de Guanabara, com culminâncias na pedra do Sino (2.245m) e na pedra Açu (2.232m) entre Petrópolis e Tere-

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sópolis, pendente para o interior. A serra da Bocaina, no estado de São Paulo, ao contrário, é basculada em direção à costa. Entre São Paulo e Santos, a serra de Cubatão, com 700m de altitude, é meramente a borda

Nos planaltos e chapadas do centro-oeste predominam as linhas hori- zontais, que alcançam cotas de 1.100 a 1.300m no sudeste, desde a serra da Canastra, em Minas Gerais, até a chapada dos Veadeiros, em Goiás, passando pelo Distrito Federal. Seus vales são largos, com vertentes suaves; só os rios de grande caudal, como o Paranã (bacia Amazônica), Paranaíba (bacia do Prata) e Abaeté (bacia do São Francisco), cavam neles vales profundos. No sudeste do planalto central, a uniformidade do relevo resulta de longo trabalho de erosão em rochas proterozóicas. As altitudes dos planaltos vão baixando para o norte e noroeste à medida que descem em degraus para a planície amazônica: 800-900m na serra Geral de Goiás; 700-800m nas serras dos Parecis e Pacaás Novos, em Rondô- nia; 500m e pouco mais na serra do Cachimbo.

de

um planalto.

No Paraná, a serra do Mar toma os nomes de Ibiteraquire, ou Verde,

Negra e Graciosa, e é uma verdadeira serra marginal. Em Santa Catarina,

foi

rebaixada e cortada de falhas, de modo que a erosão isolou morros com

formato de pirâmide truncada. Avança para o sul até Tubarão, onde desa- parece sob sedimentos paleozóicos e possantes derrames basálticos. As serras de Tapes e Erval, no sudeste do Rio Grande do Sul, com cerca de 400m de altitude, são consideradas como parte da serra do Mar apenas por suas rochas, pois há entre elas uma solução de continuidade.

 

A

serra da Mantiqueira é composta por rochas de idade algonquiana,

Planícies. Existem três planícies no Brasil, em volta do sistema Brasilei- ro: a planície Amazônica, que o separa do sistema Guiano, a planície litorânea e a planície do Prata, ou Platina. A Amazônica, em quase toda

na maioria de origem metamórfica: gnaisse xistoso, micaxisto, quartzito,

filito, itabirito, mármore, itacolomito etc. Enquanto no interior paulista toma

os

nomes locais de serra de Paranapiacaba e Cantareira, nas divisas de

Minas, onde alcança as cotas mais elevadas, é chamada de Mantiqueira mesmo.

sua área, é formada de tabuleiros regulares, que descem em degraus em direção à calha do Amazonas. A planície litorânea estende-se como uma

fímbria estreita e contínua da costa do Piauí ao Rio de Janeiro, constituída de tabuleiros e da planície holocênica.

Durante o período terciário, massas de rochas plutônicas alcalinas pe- netraram pelas falhas que criaram esse escarpamento e geraram os blocos elevados de Itatiaia (pico das Agulhas Negras: 2.787m) e Poços de Caldas. Águas e vapores em altas temperaturas intrometeram-se também pelas fendas e formaram as fontes de águas termais dessa região. A leste do maciço de Itatiaia, as cristas da Mantiqueira formam alinhamentos divergen- tes. O mais ocidental se dirige para o centro do estado e forma uma escar- pa voltada para leste, que eleva as cotas a mais de mil metros. O ramo

Apenas dois prolongamentos da planície do Prata atingem o Brasil: no extremo sul, a campanha gaúcha, e no sudoeste, o pantanal mato- grossense. Ao sul da depressão transversal do Rio Grande do Sul, a cam- panha é uma baixada com dois níveis de erosão: o mais alto forma um platô com cerca de 400m de altitude na região de Lavras e Caçapava do Sul; o mais baixo aplainou o escudo cristalino com ondulações suaves -- as coxilhas. O pantanal mato-grossense é uma fossa tectônica, aproveitada pelo rio Paraguai e seus afluentes, que a inundam em parte durante as enchentes, para atingir o rio da Prata.

mais oriental forma a divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo até o vale

do

rio Doce, elevando-se na serra da Chibata ou Caparaó, até 2.890m, no

 

pico da Bandeira.

 

Clima

No centro de Minas Gerais, outro bloco elevado assume forma qua- drangular, constituído de rochas ricas em ferro, de alto teor. Toma nomes

locais de serra do Curral, ao norte; do Ouro Branco, ao sul; de Itabirito, a leste, e da Moeda, a oeste. O ramo oriental se prolonga para o norte do estado, com o nome de serra do Espinhaço, que divide as águas da bacia

O

Brasil é um país essencialmente tropical: a linha do equador passa

ao norte, junto a Macapá AP e a Grande São Paulo fica na linha de Capri- córnio. A zona temperada do sul compreende apenas o vértice meridional do Brasil: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, a maior parte do Paraná e o extremo-sul de São Paulo e do Mato Grosso do Sul. Os climas do país se enquadram nos três primeiros grupos da classificação de Köppen (grupo dos megatérmicos, dos xerófitos e dos mesotérmicos úmidos), cada um dos quais corresponde a um tipo de vegetação e se subdivide com base nas

do

São Francisco das que vertem diretamente no Atlântico. Com a mesma

função e direção geral e estrutura semelhantes, a Mantiqueira estende-se até o norte da Bahia, onde recebe as denominações de chapada Diamanti-

na, serra do Tombador e serra da Jacobina.

temperaturas e nos índices pluviométricos.

Planaltos e escarpas. No sul do Brasil, o relevo de planaltos e escarpas começa do primeiro planalto, de Curitiba, com cerca de 800m, até uma escarpa de 1.100m, constituída de arenito Furnas. O segundo planalto é o

região Norte do Brasil apresenta climas megatérmicos (ou tropicais

chuvosos), em que os tipos predominantes são o Af (clima das florestas pluviais, com chuvas abundantes e bem distribuídas) e o Am (clima das florestas pluviais, com pequena estação seca). Caracterizam-se por tempe- raturas médias anuais elevadas, acima de 24o C, e pelo fato de que a diferença entre as médias térmicas do mês mais quente e do mais frio se mantém inferior a 2,5o C. Entretanto, a variação diurna da temperatura é muito maior: 9,6o C em Belém PA, 8,7o C em Manaus AM e 13,5o C em Sena Madureira AC.

No sudoeste da Amazônia, as amplitudes térmicas são mais expressi- vas devido ao fenômeno da friagem, que ocorre no inverno e provém da invasão da massa polar atlântica nessa área e acarreta uma temperatura mínima, em Sena Madureira, de 7,9o C. O total de precipitações na Ama- zônia é geralmente superior a 1.500mm ao ano. A região tem três tipos de regime de chuvas: sem estação seca e com precipitações superiores a 3.000mm ao ano, no alto rio Negro; com curta estação seca (menos de 100mm mensais) durante três meses, a qual ocorre no inverno austral e desloca-se para a primavera à medida que se vai para leste; e com estia- gem pronunciada, de cerca de cinco meses, numa faixa transversal desde Roraima até Altamira, no centro do Pará.

A

de

Ponta Grossa. A escarpa oriental é denominada Serrinha, e tem nomes

locais como os de serra do Purunã e Itaiacoca. A oeste do planalto ergue- se nova escarpa, com cota de 1.300m, que vai do sul de Goiás e Mato Grosso até a Patagônia. A superfície desse derrame é de cerca de um milhão de quilômetros quadrados. O planalto descamba novamente para oeste, até cotas de 200 e 300m na barranca do rio Paraná. Este é o terceiro planalto, chamado de planalto basáltico ou planalto de Guarapuava. A escarpa que o limita a leste chama-se serra da Esperança.

No Rio Grande do Sul, a única escarpa conspícua é a da serra Geral, que abrange desde 1.200m, nos Aparados da Serra, até cotas entre 50 e 200m, no vale médio do Uruguai. Em São Paulo, os sedimentos paleozói- cos não formam uma escarpa, mas uma depressão periférica, na base da cuesta basáltica: a serra de Botucatu. Mato Grosso apresenta três frentes de cuesta: a devoniana, de arenito Furnas (serras de São Jerônimo e Coroados ou São Lourenço); a carbonífera, de arenito Aquidauana (serra dos Alcantilados); e a eojurássica (serras de Maracaju e Amambaí).

 

O

relevo do Nordeste, ao norte da grande curva do rio São Francisco, é

 

constituído essencialmente por dois vastos pediplanos em níveis diferentes.

A

região Centro-Oeste do país apresenta alternância bem marcada en-

O

mais elevado corresponde ao planalto da Borborema, de 500 a 600m,

tre as estações seca e chuvosa, geralmente no verão, o que configura o tipo climático Aw. A área submetida a esse tipo de clima engloba o planalto Central e algumas zonas entre o Norte e o Nordeste. O total anual de precipitações é de cerca de 1.500mm, mas pode elevar-se a 2.000mm. No planalto Central, mais de oitenta por cento das chuvas caem de outubro a março, quase sempre sob a forma de aguaceiros, enquanto o inverno tem dois a três meses praticamente sem chuvas.

que se estende do Rio Grande do Norte a Pernambuco. Em Alagoas e no brejo paraibano, sua superfície é cortada por vales profundos. O pediplano mais baixo, com menos de 400m, difunde-se por quase todo o Ceará, oeste

do

Rio Grande do Norte e Paraíba e norte da Bahia. Dele se erguem eleva-

ções isoladas de dois tipos:(1) chapadas areníticas de topo plano, como a do Araripe, (600-700m) entre Ceará e Pernambuco e a do Apodi (100- 200m), entre Ceará e Rio Grande do Norte; e (2) serras cristalinas de rocha dura, como as de Baturité, Uruburetama e Meruoca, no Ceará.

Geografia

12 A Opção Certa Para a Sua Realização

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A temperatura média anual varia entre 19 e 26o C, mas a amplitude

térmica anual eleva-se até 5o C. O mês mais frio é geralmente julho; o mais quente, janeiro ou dezembro. A insolação é forte de dia, mas à noite a

irradiação se faz livremente, trazendo madrugadas frias. No oeste (Mato Grosso do Sul) verificam-se também invasões de friagem, com temperatu- ras inferiores a 0o C em certos lugares.

No sertão do Nordeste ocorre o clima semi-árido, equivalente à varie- dade Bsh do grupo dos climas secos ou xerófitos. Abrange o médio São Francisco, mas na direção oposta chega ao litoral pelo Ceará e pelo Rio Grande do Norte. Caem aí menos de 700mm de chuva por ano. O período chuvoso, localmente chamado inverno, embora geralmente corresponda ao verão, é curto e irregular. As precipitações são rápidas mas violentas. A estiagem dura geralmente mais de seis meses e às vezes se prolonga por um ano ou mais, nas secas periódicas, causando problemas sociais graves. As temperaturas médias anuais são elevadas: acima de 23o C, exceto nos lugares altos. Em partes do Ceará e Rio Grande do Norte, a média vai a 28o C. A evaporação é intensa.

Nas regiões Sudeste e Sul do Brasil predominam climas mais amenos -

- mesotérmicos úmidos -- enquadrados nas variedades Cfa, Cfb, Cwa e

Cwb. As temperaturas médias mais baixas ocorrem geralmente em julho (menos de 18o C), época em que pode haver geadas. No Sudeste, conser- vam-se as características tropicais modificadas pela altitude. A amplitude térmica permanece por volta de 5o C e as chuvas mantêm o regime estival, concentradas no semestre de outubro a março.

O Sul apresenta invernos brandos, geralmente com geadas; verões

quentes nas áreas baixas e frescos no planalto; chuvas em geral bem distribuídas. As temperaturas médias anuais são inferiores a 18o C. A amplitude térmica anual cresce à medida que se vai para o sul. Neves esporádicas caem sobretudo nos pontos mais elevados do planalto: São Francisco de Paula RS, Caxias do Sul RS, São Joaquim SC, Lajes SC e Palmas PR. No oeste do Rio Grande do Sul, no entanto, ocorrem os verani- cos de fevereiro, secos e quentíssimos, com temperaturas das mais altas do Brasil.

Hidrografia

De acordo com o perfil longitudinal, os rios do Brasil classificam-se em dois grupos: rios de planalto, a maioria; e rios de planície, cujos principais representantes são o Amazonas, o Paraguai e o Parnaíba. O Amazonas tem a mais vasta bacia hidrográfica do mundo, em sua maior parte situada em território brasileiro. É também o rio de maior caudal do planeta. Os três principais coletores da bacia do Prata -- Paraná, Paraguai e Uruguai -- nascem no Brasil.

O Paraná, constituído pela junção dos rios Paranaíba e Grande, é um

típico rio de planalto, que desce em saltos: cachoeira Dourada, no Paranaí- ba; Marimbondo, no Grande; Iguaçu, no rio homônimo; Urubupungá, no próprio Paraná (Sete Quedas, nesse rio, desapareceu com a construção da represa de Itaipu). Os principais afluentes da margem esquerda são o Tietê, o Paranapanema, o Ivaí e o Iguaçu; da margem direita, o Verde, o Pardo e o Invinheima.

O Uruguai é formado pelos rios Pelotas e Canoas, que nascem perto

da escarpa da serra Geral. Separa o Rio Grande do Sul de Santa Catarina

e da Argentina e confronta depois esse país com o Uruguai. Seu regime

constitui exceção no Brasil: tem enchentes na primavera. O rio Paraguai nasce em Mato Grosso, no planalto central, perto de Diamantino. Após curto trecho, penetra no pantanal, ao qual inunda parcialmente nas cheias, que ocorrem no outono. Seus principais afluentes são: pela margem es- querda, o São Lourenço, o Taquari, o Miranda e o Apa; pela direita, o Jauru. Em certos trechos, separa o Brasil da Bolívia e do Paraguai, até que se interna nesse país.

O rio São Francisco nasce na serra da Canastra, em Minas Gerais, e

corre nas direções gerais sul-norte e oeste-leste. É chamado "rio da unida- de nacional", porque liga as duas regiões de mais alta densidade demográ- fica e mais antigo povoamento do país: o Sudeste e a zona da Mata nor- destina. É um rio de planalto, que forma várias cachoeiras: Paulo Afonso, Itaparica, Sobradinho, Pirapora. Seus principais afluentes são: na margem esquerda, o Indaiá, o Abaeté, o Paracatu, o Pardo, o Carinhanha, o Corren-

te e o Grande; pela direita, o Pará, o Paraopeba, o das Velhas e o Verde

Grande, todos perenes. Tem enchentes de verão.

Vertentes. Os demais rios têm cursos menos extensos, e por isso são agrupados em vertentes:

(1) Rios da vertente setentrional, perenes, de vazão relativamente grande e enchentes de outono. Os principais são: o Oiapoque e o Araguari (em que ocorrem as famosas "pororocas"), no Amapá; o Gurupi, o Turiaçu,

o Pindaré, o Mearim, o Itapicuru e o Parnaíba, no Maranhão; este último, na divisa com o Piauí, tem em seu delta a mais perfeita embocadura desse gênero no Brasil.

(2) Rios da vertente norte-oriental, periódicos, com enchentes de outo- no-inverno. Os principais são: o Acaraú e o Jaguaribe, no Ceará; o Apodi ou Moçoró, o Piranhas ou Açu, o Ceará-Mirim e o Potenji, no Rio Grande do

Norte; o Paraíba do Norte, na Paraíba; o Capibaribe, o Ipojuca e o Una, em Pernambuco. Nos leitos desses rios são comuns as barragens, destinadas

à construção de açudes.

(3) Rios da vertente oriental, a maioria dos rios genuinamente baianos

é constituída também de rios periódicos, com o máximo das enchentes no

verão -- o Itapicuru, o Paraguaçu e o Contas -- além do Vaza-Barris, na Bahia e Sergipe.

(4) Rios da vertente sul-oriental, perenes, com perfil longitudinal de rios de planalto e com enchentes de verão. Os principais são: o Pardo, o Jequi- tinhonha (Minas Gerais e Bahia), este último famoso pela mineração de diamantes e pedras semipreciosas; o Doce (Minas Gerais e Espírito Santo), por cujo vale se exporta minério de ferro; o Paraíba do Sul, com bacia leiteira no vale médio e região açucareira no inferior; e a Ribeira do Iguape (Paraná e São Paulo).

(5) Rios da vertente meridional, também com enchentes de verão: o Itajaí e o Tubarão, em Santa Catarina; o Guaíba, o Camaquã e o Jaguarão, no Rio Grande do Sul. Os rios de baixada não desempenham papel rele- vante no sistema de transporte porque seus cursos estão afastados das áreas mais povoadas e também em virtude da política de priorização do transporte rodoviário. Os rios de planalto oferecem grande potencial hidrelé- trico.

Em vista do tamanho de seu território, o Brasil é um país de pequenos lagos. Podem ser classificados geneticamente em três categorias: (1) lagos costeiros ou de barragem, formados pelo fechamento total da costa, por uma restinga ou cordão de areia, como as lagoas dos Patos, Mirim e Man- gueira, no Rio Grande do Sul; Araruama, Saquarema, Maricá, Rodrigo de Freitas e Jacarepaguá, no estado do Rio de Janeiro. (2) Lagos fluviais ou de transbordamento, formados pela acumulação de excedentes de água da

enchente de um rio, típicos dos rios de planície. Os principais são: no vale do Amazonas, Piorini, Saracá, Manacapuru, no Amazonas; Grande de Maicuru e Itandeua, no Pará. No rio Paraguai, Uberaba, Guaíba, Mandioré

e Cáceres, no Mato Grosso. No baixo rio Doce, a lagoa Juparanã, no

Espírito Santo. (3) Lagos mistos, combinados dos dois tipos, como a lagoa Feia, no estado do Rio de Janeiro, a do Norte, Manguaba ou do Sul e Jequiá, em Alagoas.

Fauna

A fauna brasileira não conta com espécies de grande porte, semelhan- tes às que se encontram nas savanas e selvas da África. Na selva amazô- nica existe uma abundante fauna de peixes e mamíferos aquáticos que habitam os rios e igapós. As espécies mais conhecidas são o pirarucu e o peixe-boi (este em vias de extinção). Nas várzeas há jacarés e tartarugas (também ameaçados de desaparecimento), bem como algumas espécies anfíbias, notadamente a lontra e a capivara e certas serpentes, como a sucuriju. Nas florestas em geral predominam a anta, a onça, os macacos, a preguiça, o caititu, a jibóia, a sucuri, os papagaios, araras e tucanos e uma imensa variedade de insetos e aracnídeos.

Nas caatingas, cerrados e campos são mais comuns a raposa, o ta- manduá, o tatu, o veado, o lobo guará, o guaxinim, a ema, a siriema, perdi- zes e codornas, e os batráquios (rãs, sapos e pererecas) e répteis (casca- vel, surucucu e jararaca). Há abundância de térmitas, que constroem mon- tículos duros como habitação. De maneira geral, a fauna ornitológica brasi- leira não encontra rival em variedade, com muitas espécies inexistentes em outras partes do mundo. São inúmeras as aves de rapina, como os gavi- ões, as aves noturnas, como as corujas e mochos, as trepadoras, os gali- náceos, as pernaltas, os columbídeos e os palmípedes.

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Flora

A diversidade do clima brasileiro reflete-se claramente em sua cobertu-

ra vegetal. A vegetação natural do Brasil pode ser grupada em três domí- nios principais: as florestas, as formações de transição e os campos ou regiões abertas. As florestas se subdividem em outras três classes, de acordo com a localização e a fisionomia: a selva amazônica, a mata atlânti- ca e a mata de araucárias. A primeira, denominada hiléia pelo naturalista alemão Alexander von Humboldt (do grego, hilayos, "da floresta", "selva- gem") é a maior mata equatorial do mundo. Reveste uma área de cinco milhões de quilômetros quadrados, equivalente a quase o dobro do territó- rio da Argentina.

Florestas. A hiléia, do ponto de vista de sua ecologia, divide-se em:

mata de igapó, mata de várzea e mata de terra firme. A primeira fica inun- dada durante cerca de dez meses no ano e é rica em palmeiras, como o açaí (Euterpe oleracea); os solos são arenosos e não cultiváveis nas condi- ções em que se encontram. A mata de várzea é inundada somente nas enchentes dos rios; tem muitas essências de valor comercial e de madeiras brancas, como a seringueira (Hevea brasiliensis), o cacaueiro (Theobroma cacao), a copaíba (Copaifera officinalis), a sumaúma (Ceiba pentandra) e o gigantesco açacu (Hura crepitans). Amata de igapó e a mata de várzea, as duas primeiras divisões da hiléia, têm árvores de folhas perenes. Os solos das várzeas são intrazonais, argilosos ou limosos.

A mata de terra firme, que corresponde a cerca de noventa por cento

da floresta amazônica, nunca fica inundada. É uma mata plenamente desenvolvida, composta de quatro andares de vegetação: as árvores emer- gentes, que chegam a cinqüenta metros ou mais; a abóbada foliar, geral- mente entre 20 e 35m, onde as copas das árvores disputam a luz solar; o

andar arbóreo inferior, entre cinco e vinte metros, com árvores adultas de troncos finos ou espécimes jovens, adaptados à vida na penumbra; e o sub-bosque, com samambaias e plantas de folhas largas. Cipós pendentes das árvores entrelaçam os diferentes andares. Epífitas, como as orquídeas,

e vegetais inferiores, como os cogumelos, liquens, fungos e musgos, convi- vem com a vegetação e aumentam sua complexidade.

A mata de terra firme é geralmente semidecídua: dez por cento ou mais

de suas árvores perdem as folhas na estiagem. Árvores típicas da terra firme são a castanheira (Bertholettia excelsa), a balata (Mimusops bidenta- ta), o mogno (Swietenia macrophylla) e o pau-rosa (Aniba duckei). A hete-

rogeneidade da floresta dificulta sua exploração econômica, salvo onde ocorrem concentrações. O tipo de solo predominante na hiléia é o latossolo.

A mata da encosta atlântica estende-se como uma faixa costeira, do

Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Suas árvores mais altas che- gam geralmente a 25 ou trinta metros. No sul da Bahia e na vertente marí-

tima da serra do Mar, é perenifólia; mais para o interior e em lugares menos úmidos, é semidecídua. Do Paraná para o sul, toma um caráter subtropical:

é de menor altura (10 a 15m), perenifólia, mais pobre em cipós e mais rica

em epífitas. A peroba (Aspidosperma sp.), o cedro (Cedrella, spp.), o jaca-

randá (Machaerium villosum), o palmito (Euterpe edulis) e o pau-brasil foram espécies exploradas na mata atlântica.

Além de madeira, a mata atlântica contribuiu muito com seus solos pa- ra o desenvolvimento econômico do Brasil. A maior parte deles pertence ao grande grupo dos latossolos vermelho-amarelos, entre os quais se inclui a terra roxa, e nos quais se instalaram várias culturas, como café, cana-de- açúcar, milho e cacau.

O terceiro tipo de floresta é a mata de araucárias. Fisionomicamente, é

uma floresta mista de coníferas e latifoliadas perenifólias. Ocorre no planal- to meridional, em terras submetidas a geadas anuais. Das matas brasilei- ras, é a de menor área, porém de maior valor econômico, por ser a mais homogênea. Suas árvores úteis mais típicas são: o pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia), produtor de madeira branca; a imbuia (Phoebe porosa), madeira de lei, escura, utilizada em marcenaria; e a erva-mate (Ilex paraguariensis), com cujas folhas tostadas se faz uma infusão seme- lhante ao chá, muito apreciada nos países do Prata.

Formações de transição. A caatinga, o cerrado e o manguezal são os tipos mais característicos da vegetação de transição. As caatingas predo- minam nas áreas semi-áridas da região Nordeste e envolvem grande variedade de formações, desde a mata decídua (caatinga alta) até a estepe de arbustos espinhentos. Suas árvores e arbustos são em geral providos

de folhas miúdas, que caem na estiagem, e armados de espinhos. São a jurema (Mimosa sp.), a faveleira (Jatropha phyllancantha), o pereiro (Aspi- dosperma pirifolium), a catingueira (Caesalpinia sp), o marmeleiro (Combre- tum sp). São também típicas as cactáceas, como o xiquexique (Pilocereus gounellei), o facheiro (Cereus squamosus), o mandacaru (Cereus jamacaru) e outras do gênero Opuntia. Nos vales planos são freqüentes os carnaubais (Copernicia cerifera).

Os cerrados, ou campos cerrados, predominam no planalto central, desde o oeste de Minas Gerais até o sul do Maranhão. São formações constituídas de tufos de pequenas árvores, até dez ou 12m de altura, retorcidas, de casca grossa e folhas coriáceas, dispersos num tapete de gramíneas até um metro de altura, que na estiagem se transforma em um manto de palha. Os cerrados penetram no pantanal mato-grossense, onde se misturam a savanas e formações florestais e formam um conjunto com- plexo. Os manguezais ocorrem em formações de quatro a cinco metros de altura, na costa tropical, e são compostos sobretudo de Rhizophora man- gle, Avicennia spp. e Laguncularia racemosa.

Regiões abertas. As áreas de vegetação aberta, no Brasil, se agrupam em tipos variados. Os campos de terra firme da Amazônia, como os cam- pos do rio Branco (Roraima), os de Puciari-Humaitá (Amazonas) e os do Ererê (Pará), são savanas de gramíneas baixas, com diversas árvores isoladas típicas do cerrado, como o caimbé (Curatella americana), a caro- beira (Tecoma caraíba) e a mangabeira (Hancornia speciosa). Os campos de várzea do médio e baixo Amazonas e do pantanal (rio Paraguai) são savanas sem árvores, com gramíneas de um metro ou mais de altura.

Os campos limpos são estepes úmidas que ocorrem na campanha ga- úcha, em partes do planalto meridional (campos de Vacaria RS, campos de Lajes e Curitibanos SC; campos gerais, campos de Curitiba e de Guarapu- ava PR) e no extremo oeste baiano (os gerais). Têm solos geralmente pobres, salvo na campanha, onde se enquadram no tipo prairie degradado. ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

O Brasil, país tropical de grande extensão territorial, apresenta uma geografia marcada por grande diversidade. A interação e a interdependên- cia entre os diversos elementos da paisagem (relevo, clima, vegetação, hidrografia, solo, fauna, etc.) explicam a existência dos chamados domínios geoecológicos, que podem ser entendidos como uma combinação ou síntese dos diversos elementos da natureza, individualizando uma determi- nada porção do território.

Dessa maneira, podemos reconhecer, no Brasil, a existência de seis grandes paisagens naturais: Domínio Amazônico, Domínio das Caatingas, Domínio dos Cerrados, Domínio dos Mares de Morros, Domínio das Arau- cárias e Domínio das Pradarias.

Entre os seis grandes domínios acima relacionados, inserem-se inúme- ras faixas de transição, que apresentam elementos típicos de dois ou mais deles (Pantanal, Agreste, Cocais, etc.).

Dos elementos naturais, os que mais influenciam na formação de uma paisagem natural são o clima e o relevo; eles interferem e condicionam os demais elementos, embora sejam também por eles influenciados. A cober- tura vegetal, que mais marca o aspecto visual de cada paisagem, é o elemento natural mais frágil e dependente dos demais (síntese da paisa- gem).

mais frágil e dependente dos demais (síntese da paisa- gem). Geografia 14 A Opção Certa Para

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Amazônia

No passado disputada por vários países, a Amazônia vem sendo len- tamente integrada à economia brasileira. "Pulmão do mundo", maior reser- va da natureza selvagem, seu desafio, para o Brasil, é o de um aproveita- mento equilibrado, ecológico.

Geografia física. Geograficamente, a região a que se dá o nome de Amazônia corresponde à bacia do rio Amazonas, um gigantesco losango verde que, na largura, vai da pequena cidade peruana de Pongo Manseri- che até o norte do Maranhão, e na altura, cuja altura vai do delta do Orino- co, na Venezuela, ao norte de Mato Grosso, no curso médio do rio Juruena.

Há, no entanto, pelo menos duas outras classificações. Uma é a da Amazônia como região Norte do Brasil, compreendendo cinco estados:

Amazonas, Pará, Amapá, Roraima, Acre e Rondônia, o que soma em seus

limites políticos 3.581.180km2 (42% da extensão territorial do país); outra é

a denominada Amazônia Legal, criada pela lei n 5.173, de 27 de outubro de 1966, para fins de planejamento: alcança, além da área acima, a maior parte do Maranhão, o norte de Mato Grosso e o estado do Tocantins, totalizando 5.033.072km2 (59,1% do Brasil).

A Amazônia é terra de clima equatorial, de calor intenso e úmido, com

temperaturas médias acima de 25o C e uma variação do mês mais quente ao mais frio de menos de 2o C. No sudoeste, porém, a oscilação térmica é bem maior no inverno, quando a massa polar atlântica faz a temperatura descer a 10o C ou menos, no que localmente chamam friagem. Importantes são os totais pluviométricos anuais, que ultrapassam os 1.500mm. Apesar disso, na Amazônia não é particularmente perigosa a incidência de doen- ças tropicais, e a região apresenta, nesse aspecto, ameaças muito meno- res que as de regiões parecidas da África e da Ásia.

Assim como a bacia hidrográfica do Amazonas é a maior do mundo, a floresta amazônica também é a maior floresta equatorial da face da Terra, assentada sobre a desmedida planície sedimentar que se estende entre o maciço Guiano e o planalto Brasileiro. Nesse maciço se acham as eleva- ções mais notáveis do relevo brasileiro, como o pico da Neblina, ponto culminante do país, com 3.014m; o 31 de Março, com 2.992m; e o monte Roraima, com 2.875m. A presença da água é perene sobre depósitos aluviais holocênicos e de fertilidade variável, mas em geral específica, indissociável de seu ecossistema, com vastas extensões alagadas na maior parte do ano (igapós) e contínua rede de pequenos canais entre os rios (igarapés).

O solo é, portanto, raso, de escasso aproveitamento agrícola, mas fan-

tástica riqueza vegetal: árvores (inclusive excelentes madeiras), fetos, epífitas, milhares de plantas, muitas das quais ainda não classificadas ou conhecidas (onde se podem achar, segundo ilustres farmacólogos os princípios ativos de novos medicamentos para inúmeras doenças).

A fauna é característica da selva tropical fechada sul-americana, onde

impera a onça ou jaguar como o felino mais representativo. Compreende também antas, caititus, primatas, capivaras, cervídeos, uma das maiores concentrações de aves do mundo, sobretudo psitacídeos (araras, papagai- os) e rapineiros, fauna aquática opulenta em peixes, mamíferos, crocrodili- anos, e ainda a mais extraordinária reunião de insetos do planeta.

História. Pelo Tratado de Tordesilhas (1494), toda a região da Amazô-

nia caberia ao reino de Castela. Portugal, no entanto, jamais se acomodou

a esse artifício e, com enorme dificuldade, esforçou-se por desbravá-la e

colonizá-la ao longo de mais de 200 anos. Só nas seis décadas em que amargou a dominação espanhola encontrou em seus maiores adversários aliados contra as outras potências européias. De difícil assimilação econô- mica e política, a região permaneceu quase completamente isolada do resto do país até o fim do Império.

Apesar disso, muitas de suas sociedades ameríndias originais já ti- nham sido irremediavelmente devastadas. As desastrosas tentativas de escravização, os massacres, o próprio atrito cultural com os colonizadores contribuíram para o sacrifício quase total dos representantes das línguas aruaque, caraíba, jê, tupi e pano. Graças à existência dos aruaques, res- ponsáveis pela cerâmica marajoara, pôde-se datar a ocupação pré-histórica da Amazônia, isto é, anterior à descoberta européia, concluindo-se que ela

já se fizera no século X.

De todas as regiões brasileiras, seguramente nenhuma contou com uma participação tão ampla do índio em seus processos de conquista e transformação econômica, na formação das etnias regionais, no vagaroso crescimento dos núcleos urbanos. Durante a primeira e efêmera fase de prosperidade, o ciclo da borracha, também o índio e seus descendentes tornaram-se mão-de-obra decisiva nas trilhas do duro trabalho dos serin- gais. Não obstante todas as dificuldades (pois as tribos brasileiras remon- tam a padrões sociais do neolítico), sua adaptação à sociedade nacional chegou muitas vezes a resultados espantosos, sobretudo em anos mais recentes, a partir da implantação da Zona Franca de Manaus (1972).

No início, a cobiça espanhola, francesa -- que levou até à criação da França Equinocial (1612-1615) no Maranhão --, inglesa e holandesa mobili- zou os portugueses para muitas medidas de ocupação ostensiva, como erguer o forte do Presépio (1616), germe da Cidade de Belém (1621) e instituir o estado do Maranhão e Grão-Pará (1612), que ia deste último até

o Ceará. Vieram depois as capitanias donatárias, a viagem de Pedro Teixei- ra pela Amazônia em 1639 e especialmente a colonização missionária, que em meados do século XVII chegou a reunir mais de cinqüenta mil índios em aldeias de aculturação, produção agrícola e artesanato.

Na época do marquês de Pombal esses núcleos originais foram secula- rizados, as aldeias viraram cidades como Santarém, Silves e Bragança, a

produção agrícola passou a incluir o café, o algodão, o tabaco e o arroz, e a pecuária invadiu muitos dos claros da floresta, começando a abrir outros e

a se expandir durante o século XIX. Na passagem deste para o século XX a

Amazônia se tornou atração universal. Ainda não por suas maravilhas naturais, mas por causa da borracha, na primeira arrancada da indústria automobilística nos Estados Unidos e na Europa. Exploração violentamente predatória, antagonismo social entre seringalistas e seringueiros, muita ganância e pouco planejamento provocaram um processo rápido de urbani- zação, desenvolvimento corrido e de alicerces precários: com a perda do monopólio e a queda dos preços, o fracasso reanimou alguns dos maiores problemas da região.

o fracasso reanimou alguns dos maiores problemas da região. De 1903 a 1930 as questões de

De 1903 a 1930 as questões de fronteira encontraram soluções ade- quadas e implantou-se a experiência da Fordlândia e suas plantations, que chegou a promover um novo e ilusório surto de progresso, de curta dura- ção: em 1945 estava liquidado. Vem daí uma outra história dentro da histó- ria da Amazônia que é a do interesse científico, muitas vezes entre aspas, dos países estrangeiros, no fundo não muito diferente dos motivos que originaram as disputas iniciais.

Desde Alexandre von Humboldt foram feitos estudos sobre a região, sendo ele até precedido por um brasileiro formado em Coimbra, Alexandre Rodrigues Ferreira. Depois vieram Spix, Von Martius, Henri-Anatole Cou- dreau, todos ao longo do século XIX, tempo de muita ciência mas também de revolução industrial e colonialismo. Na década de 1850 o projeto ameri- cano de Matthew E. Maury de exploração da região foi sabiamente absorvi-

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do por D. Pedro II que, sem desautorizar o empreendimento, criou uma porção de outros, paralelos, que acabaram por esvaziá-lo.

Já no século XX apareceram tentativas frustradas de internacionalizar

a região. Assim a UNESCO (1945), propondo o Instituto Internacional da

Hiléia Amazônica, para pesquisas, foi embargado pelo Congresso brasilei- ro, e os lagos projetados pelo Hudson Institute de Nova York (1964), viram- se desaprovados pelas forças armadas brasileiras, por motivos estratégi- cos.

Dessa etapa para cá a ênfase vem sendo dada à construção de gran- des rodovias "integradoras", que nem sempre atuaram efetivamente nesse sentido. A Belém-Brasília e a Brasília-Acre foram as mais bem-sucedidas. Outras, como a Transamazônica, mostraram-se excessivamente agressivas

à natureza e às peculiaridades regionais. Na atualidade, a discussão sobre

a Amazônia empolga o mundo, no domínio principalmente da ecologia. São veementemente condenadas todas as formas de agressão a suas condi- ções naturais (desmatamentos, queimadas, garimpo poluidor e tantas outras pragas) e perseguidas como solução, até aqui em termos ideais, iniciativas que conciliem o progresso econômico, humano e social com o

respeito ao meio ambiente, à riqueza da fauna e da flora amazônica. Embo-

ra ainda a maior reserva de vida selvagem do planeta, especialistas garan-

tem que dez por cento de suas matas já foram destruídas.

Cerrado

Um quarto do território brasileiro -- mais de 200 milhões de hectares -- era originalmente ocupado pelo cerrado. Na década de 1990, porém, 47 milhões de hectares já haviam sido substituídos por pastagens plantadas ou culturas de grãos.

Formação vegetal característica do Centro-Oeste brasileiro, o cerrado é constituído de árvores relativamente baixas e tortuosas, disseminadas em meio a arbustos, subarbustos e gramíneas. A estrutura do cerrado compre- ende basicamente dois estratos: o superior, formado pelas árvores e arbus- tos; e o inferior, composto por um tapete de gramíneas. As árvores típicas do cerrado atingem em média dez metros de altura, apresentam casca grossa, protegida às vezes por uma camada de cortiça, troncos, galhos e copas irregulares; algumas possuem folhas coriáceas, em certos casos tão duras que chegam a chocalhar com o vento; em outras, as folhas atingem dimensões enormes e caem ao fim da estação seca.

O cerrado predomina nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do

Sul, Goiás e Tocantins. As mais extensas áreas desse tipo de vegetação aparecem em locais de clima quente e úmido, com chuvas de verão e estação seca bem marcadas. Ocorrem subtipos de vegetação, como o cerradão, o cerradinho e os campos sujos. Entre as árvores características dos cerrados destacam-se a lixeira (Curatella americana), o pau-terra de folhas grandes ou miúdas (Qualea grandiflora e Qualea parviflora), o pequi (Caryocar brasiliensis), o pau-santo (Kielmeyera coriacea), o ipê (Tabebuia caraiba) e a peroba-do-campo (Aspidosperma tomentosum). Entre as gramíneas, as mais comuns são o capim-flecha (Tristachya chrysotryx), o barba-de-bode (Aristida pallens) e diversas espécies do gênero Androgo- pon.

pallens) e diversas espécies do gênero Androgo- pon. O solo típico do planalto central, onde se

O solo típico do planalto central, onde se encontra a maior parte do cer-

rado, é constituído de areias e argilas, soltas ou consolidadas em arenitos e filitos, e de calcários e pedregulhos, resultantes do levantamento dos sedi-

mentos do oceano primitivo. Os elementos que formam o estrato superior são providos de raízes profundas, que lhes permite atingir o lençol freático, situado de 15 a 20m de profundidade. Essa circunstância lhes confere melhores condições de sobrevivência ao longo do período de estiagem. As gramíneas do estrato inferior, devido a suas raízes curtas, ressentem-se mais da estiagem, quando entram em estado de latência, ou morte aparen- te. O tapete rasteiro apresenta então aspecto de palha seca, que favorece

a propagação de incêndios, desencadeados pelas queimadas. Mas logo após as primeiras chuvas tudo reverdece e viceja.

Quando devidamente preparado, o solo do cerrado é fértil, como com- provam as grandes plantações de soja, milho, sorgo e outras culturas. No entanto, no Centro-Oeste, imensas áreas foram submetidas a queimadas, para a formação de pastagens, o que provocou o empobrecimento do solo, pela queima de materiais orgânicos, e colocou em risco de extinção certas espécies vegetais e animais, como o tamanduá-bandeira e o lobo guará. Outra ameaça à riqueza desse ecossistema é o plantio indiscriminado de florestas homogêneas de pinheiros e eucaliptos. Mais de 150.000 espécies animais vivem no cerrado, entre elas a ema e o veado-campeiro.

Caatinga

O calor abrasante, os solos crestados e as plantas em geral retorcidas

são elementos indissociáveis da paisagem da caatinga, tipo de vegetação característico do Nordeste brasileiro, com grande variedade de aspectos em sua composição heterogênea.

Tomando-se por base os tipos mais gerais, pode-se dizer que a caatin- ga é constituída por elementos lenhosos que perdem as folhas na estação seca e se acham mais ou menos dispersos num solo em geral raso e quase sempre pedregoso. Essa zona fitogeográfica nordestina alcança o norte de Minas Gerais, Tocantins e o sul do Maranhão, cobrindo uma área de cerca de 800.000km2.

É grande a correlação da caatinga com o clima, ao qual se deve atribuir

a maior parte de suas características. Em quase toda a área da caatinga

está presente o clima quente e semi-árido (Bsh na classificação de Köppen). A estação seca, que se faz sentir pela intensidade e duração irregular, não raro se prolonga por vários meses.

A esse fenômeno está ligada a característica mais acentuada e geral

da caatinga: a perda total das folhas na estação seca. A pequenez das folhas e sua mobilidade, a grande ramificação desde a parte inferior do tronco (o que dá às árvores aparência arbustiva) e a freqüência de plantas espinhentas (a faveleira tem espinhos até nas folhas) são outros testemu- nhos da adaptação ao meio hostil.

folhas) são outros testemu- nhos da adaptação ao meio hostil. Geografia 16 A Opção Certa Para

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Algumas espécies procuram defender-se da seca armazenando água em seus tecidos, como ocorre com as plantas suculentas. Cactáceas, bromeliáceas e outras xerófilas podem ou não ocorrer, conforme as condi-

Floresta tropical que se estende pela costa oriental do Brasil, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Atingida pelo desmatamento desde o início da colonização.

Pampas

ções locais. As variações fisionômicas verificam-se não só em diferentes áreas, como também num mesmo local, gerando profundos contrastes de paisagem entre as épocas secas e as chuvosas.

Dentre as árvores que ocorrem na caatinga, são predominantes o pe- reiro (Aspidosperma pyrifolium), a faveleira (Jatropha phyllacantha), a baraúna (Schinopsis brasiliensis), a aroeira (Schinus sp.), o angico (Pipta- denia macrocarpa), a quixabeira (Bumelia sartorum), a oiticica (Licania rigida).

A região plana que conforma o centro da Argentina tem grande impor- tância econômica para o país em função da criação de gado bovino e ovino, e do plantio de cereais, em especial milho e trigo.

Chama-se pampas a imensa planície argentina que se estende da pro- víncia de Santa Fe, ao norte, até Bahía Blanca, na Patagônia, ao sul, e, de leste para oeste, do litoral atlântico até os primeiros contrafortes das pré-

O

juazeiro (Zizyphus juazeiro) é conhecido por conservar suas folhas

mesmo nas grandes secas. As cactáceas mais freqüentes são o mandaca- ru (Cereus jamacuru), o facheiro (Cereus squamosus), o xique-xique (Pilo- cereus gounellei), o quipá (Opuntia sp.) e a coroa-de-frade (Melocactus bahiensis). Dentre as bromeliáceas, sobretudo nas caatingas mais secas, destaca-se a macambira (Bromelia laciniosa).

Araucária

Árvores de perfil harmonioso e por isso muitas vezes cultivadas como ornamentais, as árvores do gênero Araucaria fornecem madeira branca e macia, e suas sementes, os pinhões, têm alto valor alimentício.

Araucária é uma conífera (as sementes não são abrigadas em frutos, mas reunidas em estróbilos em forma de cone) da família das araucariá- ceas. O gênero compreende 16 espécies, duas na América do Sul e o restante na Oceania. A espécie brasileira, o conhecido pinheiro brasileiro ou pinheiro-do-paraná, é a Araucaria angustifolia ou A. brasiliensis, e a espécie chilena é a A. araucana. São árvores de trinta a quarenta metros de altura e diâmetro de até dois metros. O tronco é cilíndrico, reto, de casca grossa e resinosa. Os cones têm de dez a vinte centímetros de diâmetro, pesam de um a cinco quilos (em média, dois quilos), e amadurecem entre abril e junho, ocasião em que libertam as sementes, num total médio de cem por estróbilo.

De variadas aplicações, as araucárias são usadas na ornamentação de parques e jardins, e os pinhões constituem alimento de aves e animais silvestres. Sua madeira é empregada em tabuados, pranchões, vigamen- tos, caixas, móveis, cabos de ferramentas e vassouras, palitos de fósforos, instrumentos musicais, compensados, pasta mecânica e celulose. Do nó da madeira fabricam-se carvões especiais e de sua resina extraem-se tintas, terebintina e ácido pirolenhoso.

Do nó da madeira fabricam-se carvões especiais e de sua resina extraem-se tintas, terebintina e ácido

cordilheiras dos Andes. Excetuadas algumas poucas serras nas áreas noroeste e sul, a região é totalmente plana. Também são conhecidas como pampas diversas planícies menores localizadas em outras áreas da Améri- ca do Sul, como o deserto do norte do Chile e as planícies do Uruguai e do estado brasileiro do Rio Grande do Sul.

Do ponto de vista geológico, os pampas argentinos correspondem a um antigo mar que regrediu totalmente depois da formação dos Andes. O embasamento cristalino foi coberto por espessa camada de sedimentos, em sua maior parte eólicos e de origem andina, embora as antigas áreas cristalinas tenham também contribuído com material para a sedimentação.

Na língua quíchua, a palavra "pampa" significa "superfície plana". A paisagem monótona da planície só é interrompida pelas serras pampeiras, cristalinas, que aparecem de forma descontínua desde a região próxima ao Atlântico (serras de Ventania e Tandilia) até o centro (serras de Córdoba e San Luis). As altitudes declinam de forma gradual de noroeste para sudes- te, desde aproximadamente 500m acima do nível do mar, em Mendoza, até 106m, em Buenos Aires.

Com terrenos superficialmente permeáveis, a região é coberta de uma vegetação herbácea, verde a leste e mais seca a oeste, o que determina a divisão em pampas secos e úmidos. A fauna característica dos pampas inclui raposas, gambás e pequenos rebanhos de guanacos, animais seme- lhantes à lhama. Existem ainda muitas espécies de pássaros aparentadas a pardais e gaviões, além de aves aquáticas oriundas das pradarias dos Estados Unidos.

Os pampas secos, a oeste, abrangem a maior parte da província ar- gentina de La Pampa, com grandes terrenos áridos, salinas, rios de água salobra e desertos arenosos. A parte leste, de extensão muito menor, inclui parte da província de Buenos Aires. Com clima temperado e terras bem irrigadas por grandes rios, os pampas do leste constituem o principal centro econômico e a região mais populosa do país. O solo consiste sobretudo de areia fina, argila e sedimentos trazidos pelos rios ou pelas tempestades de areia vindas do oeste. Os ventos frios que sopram do sul encontram perio- dicamente massas de ar quente oriundas do norte tropical, o que provoca os pamperos, vendavais acompanhados por fortes chuvas que ocorrem nas proximidades de Buenos Aires.

o que provoca os pamperos, vendavais acompanhados por fortes chuvas que ocorrem nas proximidades de Buenos

A

espécie brasileira distribui-se por todo o planalto sul do Brasil, desde

Minas Gerais até o Rio Grande do Sul. A maior concentração ocorre nos estados de Paraná, Santa Catarina e no nordeste do Rio Grande do Sul. O ponto mais ocidental que atinge é a província de Misiones, na Argentina.

O

plantio da araucária deve ser feito em terreno preparado, por seme-

adura direta dos pinhões ou por transplante de mudas já formadas. A área individual por planta deve ser de quatro a cinco metros. Para atingir um bom desenvolvimento, a araucária deve ser plantada em terras de média a boa fertilidade, em altitudes superiores a 500m, de clima ameno e com

pluviosidade acima de 1.200mm por ano. Nessas condições, ao cabo de cinqüenta anos podem-se obter árvores com quarenta a cinqüenta centíme- tros de diâmetro. Mata Atlântica

Os colonizadores espanhóis introduziram gado bovino e eqüino na re- gião pampeira, mas não se interessaram pela agricultura. Os animais eram arrebanhados pelos gauchos, conhecidos pela perícia com os cavalos e pela força. Após a libertação do domínio espanhol (1816) e a pacificação dos índios que vagavam pelas planícies, os proprietários de terras começa- ram a empregar imigrantes, em sua maioria italianos, no plantio de milho, alfafa para forragem e pastagens especiais para o gado. Cercaram então

Geografia

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suas terras e importaram da Grã-Bretanha gado ovino e bovino de raça pura. Construíram-se ferrovias que cruzavam os pampas e os gauchos gradualmente se transformaram em peões.

A área sudeste, entre Mar del Plata e Tandil, com temperaturas relati-

vamente baixas e solo pantanoso, é dedicada à criação de ovelhas e gado bovino de raça, enquanto no cinturão oeste (de Bahía Blanca a Santa Fe) cultiva-se principalmente alfafa e trigo. Perto de Rosario, milho e linho são os principais plantios, mas também se cria gado. A área rural em torno de Buenos Aires desenvolveu-se para abastecer a capital argentina de verdu- ras, legumes, frutas e leite. ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publica- ções Ltda.

Domínios Morfloclimáticos Brasileiros, Os (segundo Aziz Ab'Saber)

sobre Geografia por Denis Richter

drichtersa@hotmail.com

Dentre os diversos tipos de clima e relevo existente no Brasil, obser- vamos que os mesmos mantêm grandes relações, sejam elas de espaço, de vegetação, de solo entre outros. Caracterizando vários ambientes a longo de todo território nacional. Para entende-los, é necessário distinguir um dos outros. Pois a sua compreensão deve ser feita isoladamente. Nesse sentido, o geógrafo brasileiro Aziz Ab’Saber, faz uma classificação desses ambientes chamados de Domínios Morfoclimáticos. Este nome, morfoclimático, é devido às características morfológicas e climáticas encon- tradas nos diferentes domínios, que são 6 (seis) ao todo e mais as faixas de transição. Em cada um desses sistemas, são encontrados aspectos, histórias, culturas e economias divergentes, desenvolvendo singulares condições, como de conservação do ambiente natural e processos erosivos provocados pela ação antrópica. Nesse sentido, este texto vem explicar e exemplificar cada domínio morfoclimático, demonstrando sua localização, área, povoamento, condições bio-hidro-climáticas, preservação ambiental e economia local.

Os Domínios Morfoclimáticos

Os domínios morfoclimáticos brasileiros são definidos a partir das ca- racterísticas climáticas, botânicas, pedológicas, hidrológicas e fitogeográfi- cas; com esses aspectos é possível delimitar seis regiões de domínio morfoclimático. Devido à extensão territorial do Brasil ser muito grande, vamos nos defrontar com domínios muito diferenciados uns dos outros. Esta classificação feita, segundo o geógrafo Aziz Ab’Sáber (1970), dividiu o Brasil em seis domínios:

I – Domínio Amazônico – região norte do Brasil, com terras baixas e grande processo de sedimentação; clima e floresta equatorial;

II – Domínio dos Cerrados – região central do Brasil, como diz o nome, vegetação tipo cerrado e inúmeros chapadões;

III – Domínio dos Mares de Morros – região leste (litoral brasileiro), onde

se encontra a floresta Atlântica que possui clima diversificado;

IV – Domínio das Caatingas – região nordestina do Brasil (polígono das

secas), de formações cristalinas, área depressiva intermontanhas e de clima semi-árido;

V – Domínio das Araucárias – região sul brasileira, área do habitat do

pinheiro brasileiro (araucária), região de planalto e de clima subtropical;

VI – Domínio das Pradarias – região do sudeste gaúcho, local de coxi-

lhas subtropicais.

I – Domínio Morfoclimático Amazônico

Situação Geográfica

Situado ao norte brasileiro, o domínio Amazônico é a maior região mor- foclimática do Brasil, com uma área de aproximadamente 5 milhões km² – equivalente a 60% do território nacional – abrangendo os Estados: Amazo- nas, Amapá, Acre, Pará, Maranhão, Rondônia, Roraima, Tocantins e Mato Grosso. Encontram-se como principais cidades desta região: Manaus, Belém, Rio Branco, Macapá e Santarém.

Características do Povoamento

A região é pouco povoada, sua densidade demográfica é de aproxima- damente 2,88 hab./km². Isto se deve ao fato da grande extensão territorial e dos difíceis acessos ao interior dessa área. Nesse sentido, o governo em 1970, fez o programa de ocupação populacional na região amazônica, com migrações oriundas do nordeste. A extração da borracha permitiu desen- volver esta área, antes inóspita economicamente, numa região de alta produtividade, seja ela econômica, cultural ou social. Nessa época, muitas cidades foram afetadas com o crescimento gerado pelo capital. O governo continuou auxiliando e orientando o desenvolvimento da região e incorpora em Manaus a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), que trouxe para a capital amazonense muitas indústrias transnacionais. Tanto foi a resposta desta “zona livre”, que antes da Zona Franca de Manaus, a mesma cidade detinha uma população de 300 mil/hab e com a instalação desta área, passou para 800 mil/hab. Outros projetos são instalados pelo governo federal na região amazônica, como: o Projeto Jari, o Programa Calha Norte, o PoloNoroeste e o Projeto Grande Carajás. Com isso, inicia- se a exploração mineral e vegetal da Amazônia. Mas os resultados desses projetos foram pobres em sua maioria, pois com a retirada da vegetação natural o solo tornava-se inadequado ao cultivo da agricultura.

Características Bio-Hidro-Climáticas e Fisiográficas

Este domínio sofre grande influência fluvial, já que aí se encontra a maior bacia hidrográfica do mundo – a bacia amazônica. A região passa por dois tipos de estações flúvio-climáticas, a estação das cheias dos rios e a estação da seca, porém esta última estação não interrompe o processo pluviométrico diário, só que em índices diferentes. O transporte existente também é influenciado pela enorme rede hidrográfica, enquanto que o rodoviário é quase inexistente. Assim, o transporte fluvial e o aéreo são muito utilizados devido às facilidades encontradas neste domínio. Como se trata de uma floresta equatorial considerada um bioma riquíssimo, é de fundamental importância entendê-la para não desestruturar seu frágil equilíbrio. Devido à existência de inúmeros rios, a região sofre muita sedi- mentação por parte fluvial, já que a precipitação é abundante (2.500 mm/ano), transformando a região numa grande “esponja” que detém altas taxas de umidade no solo. Este mesmo solo é formado basicamente por latossolos, podzólicos e plintossolos, mas o mesmo não detém característi- cas de ser rico à vegetação existente, na verdade, o processo de precipita- ção é o que torna este domínio morfoclimático riquíssimo em floresta hidró- fita e não o solo, como muitas pessoas pensam que é o responsável por tudo isto. Valendo destacar os tipos de matas encontradas na Amazônia, como: de iaipó – de regiões inundadas; de várzea – de regiões inundadas ciclicamente e de terras altas – que dificilmente são inundadas. As espécies de árvores encontradas nesta região são: castanaha-do-pará, seringueira, carnaúba, mogno, etc. (essas duas últimas em extinção); os animais: peixe- boi, boto-cor-de-rosa, onça-pintada; e a flora com a vitória régia e as diver- sas orquídeas.

Com um grande processo de lixiviação encontrado na Amazônia, essa ação torna o solo pobre levando todos os seus nutrientes pela força da capacidade do rio (correnteza). Mas esta riqueza diversa não deve ser confundida como grande potencialidade agrícola, pois com a retirada da vegetação nativa, transforma o solo num grande alvo da erosão, devido as fortes chuvas ocorridas na região. A rede hidrográfica é outra fonte de potencialidade econômica da Amazônia, pois seus leitos fluviais são de grande piscosidade, o que torna a área num importante atrativo natural para o turismo, às indústrias pesqueiras e a população ribeirinha. Com um clima equatorial, sem muitas mudanças de temperatura ao longo do ano, a região amazônica diferencia-se apenas nas épocas das chuvas (ou cheias dos rios) e das secas. Assim esta primeira época faz com que os rios transbordem e nutram as áreas de terras marginais ao leito dos mesmos. Com um solo essencialmente argiloso e a forte influência do escoamento fluvial, faz com que a Amazônia torna-se uma área de terras baixas, decapi- tando as formações existentes no seu substrato rochosos.

Condições Ambientais e Economicamente Sustentáveis

Nos dias atuais é grande a devastação ambiental na Amazônia – quei- madas, desmatamentos, extinção de espécies, etc. – fazem com que a região e o mundo preocupe-se com seu futuro, pois se trata da maior reserva florestal do globo. Ecologicamente a Amazônia está correndo muito perigo, devido ao grande atrativo econômico natural que é encontrado nesta região, o equilíbrio é colocado muitas vezes em risco. A exploração descontrolada faz com que as ideologias conservacionistas sejam deixadas

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de lado. As indústrias mineradoras geram consequências incalculáveis ao ambiente e nos rios são despejados muitos produtos químicos para esta exploração. A agricultura torna áreas de vegetação em solos de fácil erosi- vidade e em resposta a tudo isso, gera-se um efeito “dominó” no meio ambiente, onde um é responsável e necessário para o outro. São poucas as atividades econômicas que não agridem a natureza. A extração da borracha, por exemplo, era uma economia viável ecologicamente, pois necessitava da floresta para o crescimento das seringueiras. Mas atualmen- te, esta exploração é quase rara, devido à falta de indústrias consumidoras. Nesse sentido, deverão ser tomadas medidas de aprimoramento nas explo- rações existentes nesta região, para que deixem de causar imensas seque- las ao ambiente natural.

II – Domínio Morfoclimático dos Cerrados

Situação Geográfica

Formado pela própria vegetação de cerrado, nesta área encontram-se as formações de chapadas ou chapadões como a Chapada dos Guimarães

e dos Veadeiros, a fauna e flora ali situada, são de grande exuberância,

tanto para pontos turísticos, como científicos. Vale destacar que é da região do cerrado que estão três nascentes das principais bacias hidrográficas

brasileiras: a Amazônica, a São-Franciscana e a Paranáica.

Localizado na região central do Brasil, o Domínio Morfoclimático do Cerrado detém uma área de 45 milhões de hectares, sendo o segundo maior domínio por extensão territorial. Incluindo neste espaço os Estados:

do Mato Grosso, do Mato Grosso do Sul, do Tocantins (parte sul), de Goi- ás, da Bahia (parte oeste), do Maranhão (parte sudoeste) e de Minas Gerais (parte noroeste). Encontrado ao longo de sua área cidades impor- tantes como: Brasília, Cuiabá, Campo Grande, Goiânia, Palmas e Montes Claros.

Características do Povoamento

Devido a sua localização geográfica ser no interior brasileiro, o povoa-

mento e a ocupação territorial nesta região era fraca, mas o governo federal vem a intervir com os programas de políticas de interiorização do desenvol- vimento nos anos 40 e 50, e da política de integração nacional dos anos 70.

A primeira é baseada, principalmente, na construção de Brasília e a segun-

da, nos incentivos aos grandes projetos agropecuários e extrativistas, além

de investimentos de infra-estrutura, estradas e hidroelétricas. Com estes recursos, a região vem a atrair investidores e mão-de-obra, e consequen- temente ocorre um salto no crescimento populacional de cada Estado, como no Mato Grosso que em 1940 sua população era de 430 mil/hab. e em 1970 vai para 1,6 milhões/hab. Tal foi à resposta destes programas, que nos dias de hoje o setor agrícola do cerrado ocupa uma ótima coloca- ção em produção, em virtude de migrações do sul do Brasil.

Características Bio-Hidro-Climáticas e Fisiográficas

Centrada no planalto brasileiro, o domínio do cerrado é dividido pelas formações de chapadas que existem ao longo de sua extensão territorial, estas que são “gigantescos degraus” com mais de 500 metros de altura, formadas na era geológica Pré-Cambriana, limitam o planalto central e as planícies – como a Pantaneira. Com sua flora única, constituída por árvores herbáceas tortuosas e de aspecto seco, devido à composição do solo, deficiente em nutrientes e com altas concentrações de alumínio, a região passa por dois períodos sazonais de precipitação, os secos e os chuvosos. Com sua vegetação rasteira e de campos limpos, o clima tropical existente nesta área, condiz a uma boa formação e um ótimo crescimento das plan- tas. Também auxiliado pela importante rede hidrográfica da região, de onde são oriundas nascentes das três maiores bacias hidrográficas do Brasil como foi destacado no início. Isto lhe dá uma imensa responsabilidade ambiental, pois denota a sua significativa conservação natural. Com um solo formado principalmente por latossolos, areais quartzosas e podzólicos; constituem assim um solo carente em nutrientes fertilizantes, necessitando de correção para compor uma terra viável à agricultura. Observa-se tam- bém, que este mesmo solo apresenta características à fácil erosividade devido às estações chuvosas que ali ocorrem e principalmente a degrada- ção ambiental descontrolada, estes processos fazem a remoção da vegeta- ção nativa que tornam frágeis os horizontes “A” frente aos problemas ambientais existentes, como a voçoroca.

Condições Ambientais e Ecologicamente Sustentáveis

Em vista desses aspectos fisiográficos, o cerrado atraiu muita atenção para a agricultura, o que lhe tornou uma região de grande produção de grãos como a soja e agropastoril, com a ótima adaptação dos gados zebu, nelore e ibagé. Em virtude disso, o solo nativo foi retirado e alterado por outra vegetação, condizendo a uma maior facilidade aos processos erosi- vos, devido à falta de cobertura vegetal, seja ela gramínea ou herbácea. Nesse sentido, faz-se muito pouco pela preservação e conservação das matas nativas – a não ser nas áreas demarcadas como reservas bio- ecológicas. Outra exploração ativa é a mineral, como o ouro e o diamante, donde decorre uma grande devastação à natureza. Dessa forma, os gover- nos, tanto federal, estadual ou municipal, deverão tomar decisões imediatas quanto à proteção do meio natural, pois deve ocorrer, sim, a exploração pastoril, agrícola e mineral dessa região, porém não se deve esquecer que para a efetiva existência dessas economias o ambiente deverá ser pruden- temente conservado.

III – Domínio Morfoclimático de Mares de Morros

Situação Geográfica

Este domínio estende-se do sul do Brasil até o Estado da Paraíba (no nordeste), obtendo uma área total de aproximadamente 1.000.000 km². Situado mais exatamente no litoral dos Estados do: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, da Bahia, Sergipe, de Alagoas, de Pernambuco, da Paraíba; e no interior dos Estados, como: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Incluindo em sua extensão territorial cidades importantes, como: São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, Salvador, Recife, Porto Alegre e Florianópolis.

Características de Povoamento

Como encontra-se na região litorânea leste do Brasil, foi o primeiro lu- gar a ser descoberto e colonizado pelos portugueses – tanto que é em Porto Seguro, Bahia, que atracou o navegante Pedro Álvares Cabral, descobrindo o Brasil. Com isso, a primeira capital da colônia portuguesa na América foi Salvador, onde iniciaram-se os processos de colonização e povoamento, respectivamente. É neste domínio que estão as duas maiores cidades brasileiras – São Paulo e Rio de Janeiro. Isto se deve a antiga constituição das duas cidades como centros econômicos, integradores, culturais e políticos. Foram muitos os resultados desse povoamento, como por exemplo, a maior concentração populacional do Brasil e a de melhor base econômica.

Características Bio-Hidro-Climáticas e Fisiográficas

Como o próprio nome já diz, é uma região de muitos morros de formas residuais e curtos em sua convexidade, com muitos movimentos de massa generalizados. Os processos de intemperismo, como o químico, são fre- quentes, motivo pelo qual as rochas da região encontram-se geralmente em decomposição. Tem uma significativa gama de redes de drenagens, somados à boa precipitação existente (1.100 a 1.800 mm a/a e 5.000 mm a/a nas regiões serranas), que é devido à massa de ar tropical atlântica (MATA) e aos ventos alísios de sudeste, que ocasionam as chuvas de relevo nestas áreas de morros. Assim, os efeitos de sedimentação em fundos de vale e de colúvios nas áreas altas são muito intensos. A vegeta- ção natural é da mata chamada Atlântica, com poucas áreas nativas de suma importância aos ecossistemas ali existentes. Sua flora e fauna são de grande respaldo ambiental e o solo é composto em sua maioria por latosso- los e podzólicos, sendo muito variável. A textura se contradiz de região para região, pois é encontrado tanto um solo arenoso como argiloso. Como a sua extensão territorial alarga-se entre Norte – Sul, seu clima dependerá da sua situação geográfica, diferenciando-se em: tropical, tropical de altitu- de e subtropical.

Condições Ambientais e Economicamente Sustentáveis

Lembrando que foi colocado anteriormente em relação ao povoamento, essas terras já estão sendo utilizadas economicamente há muitos anos. Decorrente disso, observa-se uma considerável desgastação do solo que elucida uma atual preservação das matas restantes. Esta região já sofreu muita devastação do homem e da sociedade e devem ser tomadas atitudes urgentes para sua conservação. Existem muitos programas, tanto do go- verno como privados, para a proteção da mata atlântica. Destaca-se por exemplo, a Fundação O Boticário (privado), que detém áreas de preserva- ção ao ambiente natural e o SOS Mata Atlântica (governamental e privado). Neste sentido, a solução mais adequada para este domínio, seria a estag-

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nação de muitos processos agrícolas ao longo de sua área, pois o solo encontra-se desgastado e com problemas erosivos muito acentuados. Deixando assim, a terra “descansar” e iniciar um projeto de reconstituição à vegetação nativa.

Encontrado desde o sul paulista até o norte gaúcho, o domínio das a- raucárias ocupa uma área de 400.000 km², abrangendo em seu território cidades importantes, como: Curitiba, Ponta Grossa, Lages, Caxias do Sul, Passo Fundo, Chapecó e Cascavel.

IV – Domínio Morfoclimático das Caatingas

Características do Povoamento

Situação Geográfica

A região das araucárias foi povoada no final do século XIX, principal- mente por imigrantes italianos, alemães, poloneses, ucranianos etc. Com isto, os estrangeiros diversificaram a economia local, o que tornou essa região uma das mais prósperas economicamente. Caracterizado por colô- nias de imigração estabelecidas pela descendência estrangeira, podemos destacar como principais pontos, as cidades de: Blumenau – SC , colônia alemã; Londrina – PR, colônia japonesa; Caxias do Sul – RS, colônia italiana. Mas a vinda desses imigrantes não foi só boa vontade do governo daquela época. O Brasil tinha acabado de terminar a sua guerra com Para- guai, que deixou muitas perdas em sua população, em virtude disso a solução foi atrair imigrantes europeus e asiáticos.

Características Bio-Hidro-Climáticas e Fisiográficas

Situado no nordeste brasileiro, o domínio morfoclimático das caatingas abrange em seu território a região dos polígonos das secas. Com uma extensão de aproximadamente 850.000 km², este domínio inclui o Estado do Ceará e partes dos Estados da Bahia, de Sergipe, de Alagoas, de Per- nambuco, da Paraíba, do Rio Grande do Norte e do Piauí. Tendo como principais cidades: Crato, Petrolina, Juazeiro e Juazeiro do Norte.

Características do Povoamento

Sendo uma das áreas junto ao domínio morfoclimático dos mares de morros, de colonização pelos europeus (portugueses e holandeses), sua história de povoamento já é bastante antiga. A caatinga foi sempre um palco de lutas de independência, seja ela escravista ou nacionalista. A região tornou-se alvo de bandidos e fugitivos contrários ao Reinado Portu- guês e posteriormente ao Império Brasileiro. Como o domínio das caatingas localiza-se numa área de clima seco, logo chamou a atenção dos mesmos para refugiarem-se e construírem suas “fortalezas”, chamados de cangacei- ros. Com isso o processo de povoamento, instaurados nos anos 40 e 50, centrou-se mais em áreas próximas ao litoral, mas o governo federal inves- tiu em infra-estrutura na construção de barragens, açudes e canais fluviais, surgindo assim o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS). Entretanto, o clima “desértico” da caatinga, prejudicou muito a ocupação populacional nesta região, sendo que a caatinga continua sendo uma área preocupante no território brasileiro em vista do seus problemas sociais, que são imensos. Valendo destacar que com todos esses obstácu- los sociais e naturais da caatinga, seus habitantes partem para migração em regiões como a Amazônia e o sudeste brasileiro, chamada de migra- ções de transumância (saída na seca e volta na chuva).

Atualmente, a vegetação de araucária – chamada de pinheiro-do- Paraná, ou pinheiro-braseleiro – pouco resta, as indústrias de celulose e madeireiras da região, fizeram um extrativismo descontrolado que resultou no desaparecimento total em algumas áreas. Sua condição de arbórea, geralmente com mais de 30 m de altura, condiz a um solo profundo, em virtude de suas raízes estabelecerem a sustentação da própria árvore. A região das araucárias encontra-se no planalto meridional onde a altitude pode variar de 500 metros até cerca de 1.200 m. Isso evidencia um clima subtropical em toda sua extensão que mantém uma boa relação com a precipitação existente nesse domínio, variando de 1.200 a 1.800 mm. Nesse sentido, a região identifica-se com uma grande rede de drenagem em toda a sua extensão territorial. O solo é formado principalmente por latossolos brunos e também é encontrado latossolos roxos, cambissolos, terras brunas e solos litólicos. Com estas características, o solo detém uma

alta potencialidade agrícola, como: milho, feijão, batata, etc. As morfologias do relevo se destacam por uma forte ondulação até um montanhoso, o que

Características Bio-Hidro-Climáticas e Fisiográficas

representa num solo de fácil adesão a processos erosivos, iniciados pela degradação humana e social.

o

Condições Ambientais e Economicamente Sustentáveis

Com o seu clima semi-árido, o solo só poderia ter características seme- lhantes. Sendo raso e pedregoso, o solo da caatinga sofre muito intempe- rismo físico nos latossolos e pouca erosão nos litólicos e há influência de sais em solo, como: solonetz, solodizados, planossolos, solódicos e soon- chacks. Segundo Ab´Saber, a textura dos solos da caatinga passa de argilosa para textura média, outra característica é a diversidade de solos e ambientes, como o sertão e o agreste. Mesmo tendo aspectos de um solo pobre, a caatinga nos engana, pois necessita apenas de irrigação para florescer e desenvolver a cultura implantada. Tendo pouca rede de drena- gem, os mínimos rios existentes são em sua maioria sazonais ao período das chuvas, que ocorrem num curto intervalo durante o ano. Porém existe um “oásis” no sertão nordestino, o Rio São Francisco, vindo da região central do Brasil, irriga grandes áreas da caatinga, transformando suas margens num solo muito fértil – semelhante o que ocorre com as áreas marginais ao Rio Nilo, no Egito. Neste sentido, comprova-se que a irrigação na caatinga pode e deve ser feita com garantia de bons resultados. Outro fato que chama a atenção, é a vegetação sertaneja, pois ela sobrevive em épocas de extrema estiagem e em razão disso sua casca é dura e seca, conservando a umidade em seu interior. Assim, a região é caracterizada por uma vegetação herbácea tortuosa, tendo como espécies: as cactáceas, o madacaru, o xique-xique, etc.

Percebe-se atualmente que esta arbórea quase desapareceu dessa

região, devido à descontrolada exploração da araucária para produção de celulose. Felizmente, medidas foram tomadas e hoje a araucária é protegi- da por lei estadual no Paraná. Mas os questionamentos ambientais não estão somente na vegetação. Devido este solo ser utilizado há anos vêem

a

ocorrer uma erosividade considerada. Em virtude do mesmo, surge a

técnica de manejo agrícola chamada plantio direto, que evidencia uma proteção ao solo nu em épocas de pós-safra. Nesse sentido, o domínio morfoclimático das araucárias, que compreende uma importante área no sul brasileiro, detém um nível de conservação e reestruturação vegetal consi- derável. Mas não se deve estagnar esse processo positivo, pois necessita- mos muito dessas terras férteis que mantém as economias locais.

VI – Domínio Morfoclimático das Pradarias

Situação Geográfica

Situado ao extremo sul brasileiro, mais exatamente a sudeste gaúcho,

o

domínio morfoclimático das pradarias compreende uma extensão, segun-

do Ab’Saber, de 80.000 km² e de 45.000 km² de acordo com Fontes & Ker

Condições Ambientais e Economicamente Sustentáveis

UFV. Tendo como cidades importantes em sua abrangência: Uruguaiana, Bagé, Alegrete, Itaqui e Rosário do Sul.

Devido o homem não intervir de significativa maneira em seu habitat, o ambiente natural da caatinga encontra-se pouco devastado. Sua região poderia ser ocupada mais a nível agrícola, em virtude do seu solo possuir boas condições de manejo, só necessitando de irrigação artificial. Assim, considerando os fatos apresentados, a caatinga teria condições de desen- volver-se economicamente com a agricultura, que seria de suma importân- cia para acabar com a miséria existente. Mas sem esquecer de utilizar os recursos naturais com equilíbrio, sendo feito de modo organizado e pré- estabelecido à não causar desastres e consequências ambientais futuros.

V – Domínio Morfoclimático das Araucárias

Características do Povoamento

Território mãe da cultura gauchesca, suas tradições ultrapassam gera- ções, demonstrando a força da mesma. Caracterizado por um baixo povo- amento, a região destaca-se grandes pelos latifúndios agropastoris, que são até hoje marcas conhecidas dos pampas gaúchos. Os jesuítas inicia- ram o povoamento com a catequização dos índios e posteriormente surgem as povoações de charqueadas. Passando por bandeirantes e tropeiros, as pradarias estagnam esse processo (ciclo do charque) com a venda de lotes de terras para militares, pelo governo federal. Devido à proximidade geo- gráfica com a divisão fronteiriça de dois países (Argentina e Uruguai), ocorreram várias tentativas de anexação dos pampas a uma destas nações

Situação Geográfica

Geografia

20 A Opção Certa Para a Sua Realização

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– devido aos tratados de Madrid e de Tordesilhas. Mas as tentativas foram

inválidas, hoje os pampas continuam sendo parte do território brasileiro.

Características Bio-Hidro-Climáticas e Fisiográficas

Como é uma área também chamada de pradarias mistas, o solo condiz ao mesmo. Segundo Ab’Saber, que o caracteriza como diferente de todos os outros domínios morfoclimáticos, existindo o paleossolo vermelho e o paleossolo claro, sendo de clima quente e frio. Denominado um solo jovem, devido guardar materiais ferrosos e primários, sua coloração vêem a ser escura. Estabelecido por um clima subtropical com zonas temperadas úmidas e sub-úmidas, a região é sujeita a sofrer alguma estiagem durante o ano. Sua amplitude térmica alcança índices elevados, como em Uruguaia- na, considera a mais alta do Brasil, com 7° a/a. Isto evidencia suas limita- ções agrícolas, pois o solo é pouco espesso e têm indícios de pedrugosi- dade. Assim, caracteriza-o a uma atividade pastoril de bovinos e ovinos. Com a utilização do solo sem controle, denota-se um sério problema erosi- vo que origina as ravinas e posteriormente as voçorocas. Esse processo amplia-se rapidamente e origina o chamado deserto dos pampas. A drena- gem existente é perene com rios de grande vazão, como: Rio Uruguai, Rio Ibicuí e o Rio Santa Maria.

Condições Ambientais e Economicamente Sustentáveis

O domínio morfoclimático das Pradarias detém importantes reservas

biológicas, como a do Parque Estadual do Espinilho (Uruguaiana e Barra do Quarai) e a Reserva Biológica de Donato (São Borja). As condições ambientais atuais fora desses parques, são muito preocupantes. Com o início da formação de um deserto que tende a crescer anualmente, essa região está sendo foco de muitos estudos e projetos para estagnar esse processo. Devido ao mau uso da terra pelo homem, como a monocultura e as queimadas, essas darão origem as ravinas, que por sua vez farão surgir às voçorocas. Como o solo é muito arenoso e a morfologia do relevo é levemente ondulado, rapidamente os montantes de areia espalham-se na região ocasionados pela ação eólica. Em virtude a tudo isso, poucas medi- das estão sendo tomadas, exceto os estudos feitos. Assim, as autoridades locais deverão estar alerta, para que esse processo erosivo tenha um fim antes que torne toda as pradarias num imenso deserto.

Faixas de Transições

Encontrados entre os vários domínios morfoclimáticos brasileiros, as faixas de transições são: as Zonas dos Cocais, a Zona Costeira, o Agreste,

o Meio-Norte, as Pradarias, o Pantanal e as Dunas. Espalhadas por todo o

território nacional, constituem importantes áreas ambientais e econômicas.

Faixas de Transição Nordestinas

A zona dos cocais, representa uma importante fonte de renda à popu-

lação nordestina, pois é nessa área principalmente, que se faz à extração

dos cocos. A zona costeira detém outra característica, é uma importante região ambiental, onde se encontra a vegetação de mangue, que constitui

um bioma riquíssimo em decomposição de matéria. Outra faixa de transição

é o agreste, que é responsável pela produção de alimentos para o nordes-

te, como: leite, aves, sisal, entre outras matérias primas para indústrias. No

litoral cearense, encontra-se as dunas, que é uma região de montantes de areias depositados pela ação dos ventos e de constante remodelação.

O meio-norte se estabelece entre a caatinga do sertão e a Amazônia

(Maranhão e Piauí). Com uma diversidade de vegetação como cerrado e matas de cocais, o meio-norte detém sua economia na pecuária bovina, chamada de pé-duro e na criação do jegue. A carnaúba e o óleo de babaçú são outras fontes de extrativismo. Sem esquecer que todas estas zonas

demonstradas situam-se na região nordestina brasileira.

Faixa de Transição da Região Sul Brasileira

Na região sul, encontra-se a zona de transição das Pradarias, que se situa entre os domínios morfoclimáticos da Araucária e das Pradarias. São geralmente campos acima de serras e são encontradas vegetações do tipo araucárias, de campo, floresta e cerrado. Assim, os sistemas naturais situados nessa região, são de fundamental importância para o meio natural envolvente a ela.

Faixa de Transição – Pantanal

O pantanal é uma das principais zonas de transição encontrada no

Brasil. Ele é um complexo ambiental de suma importância, pois compreen-

de uma grande diversidade de fauna e flora. Situado em regiões serranas e em terras altas, o pantanal é considerado um grande reservatório de água, devido encontrar-se numa depressão entre várias montanhas. Sua rede fluvial é composta por rios, como: Cuiabá, Taquari, Paraguai etc, sendo considerados rios perenes.

Como o pantanal passa por duas estações climáticas durante o ano, a seca e as cheias dos rios, essa região detém características e denomina- ções únicas, como: “cordilheira” – que significa áreas mais altas, onde não sofrem alagamentos (pequenas elevações); salinas – regiões deprimidas que se tornam lagoas rasas e salgadas com as cheias dos rios; barreiros – são os depósitos de sal após a seca das salinas; caixas – canais que ligam lagoas, existindo somente durante as inundações; e vazante – cursos d´aguas existente durante as épocas das chuvas. Com tudo, o pantanal sofre consequências ambientais como a exploração mineral, que poluem intensamente os rios – considerados como os responsáveis pela existência da biodiversidade da região. A pecuária e a utilização de enormes monocul- turas, fazem o despejo de uma grande quantidade de agrotóxicos aos rios.

Nesse sentido, a preservação dessas zonas de transição são conside- radas de suma importância para a existência dos domínios morfoclimáticos brasileiros. Pois eles estabelecem uma relação direta com a fauna, flora, hidrografia, clima e morfologia, conservando o equilíbrio dos frágeis siste- mas ecológicos.

Principais Regiões Fitogeográficas do Brasil

ecológicos. Principais Regiões Fitogeográficas do Brasil A Amazônia A Floresta Amazônica ocupa a Região Norte do

A Amazônia

A Floresta Amazônica ocupa a Região Norte do Brasil, abrangendo

cerca de 47% do território nacional. É a maior formação florestal do planeta, condicionada pelo clima equatorial úmido. Esta possui uma grande varie-

dade de fisionomias vegetais, desde as florestas densas até os campos. Florestas densas são representadas pelas florestas de terra firme, as florestas de várzea, periodicamente alagadas, e as florestas de igapó, permanentemente inundadas e ocorrem na por quase toda a Amazônia central. Os campos de Roraima ocorrem sobre solos pobres no extremo setentrional da bacia do Rio Branco. As campinaranas desenvolvem-se sobre solos arenosos, espalhando-se em manchas ao longo da bacia do Rio Negro. Ocorrem ainda áreas de cerrado isoladas do ecossistema do Cerrado do planalto central brasileiro.

O Semi-árido (Caatinga)

A área nuclear do Semi-Árido compreende todos os estados do Nor-

deste brasileiro, além do norte de Minas Gerais, ocupando cerca de 11% do território nacional. Seu interior, o Sertão nordestino, é caracterizado pela ocorrência da vegetação mais rala do Semi-árido, a Caatinga. As áreas mais elevadas sujeitas a secas menos intensas, localizadas mais próximas do litoral, são chamadas de Agreste. A área de transição entre a Caatinga e a Amazônia é conhecida como Meio-norte ou Zona dos cocais. Grande

Geografia

21 A Opção Certa Para a Sua Realização

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parte do Sertão nordestino sofre alto risco de desertificação devido à de- gradação da cobertura vegetal e do solo.

O

Cerrado

O

Cerrado ocupa a região do Planalto Central brasileiro. A área nuclear

contínua do Cerrado corresponde a cerca de 22% do território nacional, sendo que há grandes manchas desta fisionomia na Amazônia e algumas menores na Caatinga e na Mata Atlântica. Seu clima é particularmente marcante, apresentando duas estações bem definidas. O Cerrado apresen- ta fisionomias variadas, indo desde campos limpos desprovidos de vegeta- ção lenhosa a cerradão, uma formação arbórea densa. Esta região é per- meada por matas ciliares e veredas, que acompanham os cursos d'água.

A Mata Atlântica

A Mata Atlântica, incluindo as florestas estacionais semideciduais, ori-

ginalmente foi a floresta com a maior extensão latitudinal do planeta, indo de cerca de 6 a 32 o S. Esta já cobriu cerca de 11% do território nacional. Hoje, porém a Mata Atlântica possui apenas 4% da cobertura original. A variabilidade climática ao longo de sua distribuição é grande, indo desde climas temperados superúmidos no extremo sul a tropical úmido e semi- árido no nordeste. O relevo acidentado da zona costeira adiciona ainda mais variabilidade a este ecossistema. Nos vales geralmente as árvores se

desenvolvem muito, formando uma floresta densa. Nas enconstas esta floresta é menos densa, devido à freqüente queda de árvores. Nos topos dos morros geralmente aparecem áreas de campos rupestres. No extremo sul a Mata Atlântica gradualmente se mescla com a floresta de Araucárias.

O Pantanal Mato-Grossense

O Pantanal mato-grossense é a maior planície de inundação contínua do planeta, coberta por vegetação predominantemente aberta e que ocupa 1,8% do território nacional. Este ecossistema é formado por terrenos em grande parte arenosos, cobertos de diferentes fisionomias devido a varie- dade de microrelevos e regimes de inundação. Como área transicional entre Cerrado e Amazônia, o Pantanal ostenta um mosaico de ecossiste- mas terrestres com afinidades sobretudo com o Cerrado.

Outras Formações

Os Campos do Sul (Pampas)

No clima temperado do extremo sul do país desenvolvem-se os cam- pos do sul ou pampas, que já representaram 2,4% da cobertura vegetal do país. Os terrenos planos das planícies e planaltos gaúchos e as coxilhas, de relevo suave-ondulado, são colonizados por espécies pioneiras campes- tres que formam uma vegetação tipo savana aberta. Há ainda áreas de florestas estacionais e de campos de cobertura gramíneo-lenhosa.

A Mata de Araucárias (Região dos Pinheirais)

No Planalto Meridional Brasileiro, com altitudes superiores a 500m, destaca-se a área de dispersão do pinheiro-do-paraná, Araucária angustifo- lia, que já ocupou cerca de 2,6% do território nacional. Nestas florestas coexistem representantes da flora tropical e temperada do Brasil, sendo dominadas, no entanto, pelo pinheiro-do-paraná. As florestas variam em densidade arbórea e altura da vegetação e podem ser classificadas de acordo com aspectos de solo, como aluviais, ao longo dos rios, submonta- nas, que já inexistem, e montanas, que dominavam a paisagem. A vegeta- ção aberta dos campos gramíneo-lenhosos ocorre sobre solos rasos. Devido ao seu alto valor econômico a Mata de Araucária vêm sofrendo forte pressão de desmatamento.

Ecossistemas costeiros e insulares

Os ecossistemas costeiros geralmente estão associados à Mata Atlân- tica devido a sua proximidade. Nos solos arenosos dos cordões litorâneos e dunas, desenvolvem-se as restingas, que pode ocorrer desde a forma rastejante até a forma arbórea. Os manguesais e os campos salinos de origem fluvio-marinha desenvolvem-se sobre solos salinos. No terreno plano arenoso ou lamacento da Plataforma Continental desenvolvem-se os ecossistemas bênticos. Na zona das marés destacam-se as praias e os rochedos, estes colonizados por algas. As ilhas e os recifes constituem-se acidentes geográficos marcantes da paisagem superficial. http://www.brcactaceae.org/ecossistemas.html

III - Organização do espaço (agrário: atividades econômi- cas, modernização e conflitos; e urbano: atividades eco- nômicas, emprego e pobreza; rede urbana e regiões me- tropolitanas).

A agricultura brasileira se iniciou na região nordeste do Brasil, no sé- culo XVI, com a criação das chamadas “Capitanias Hereditárias” e o início do cultivo da cana.

Baseada na monocultura, na mão de obra escrava e em gran- des latifúndios, a agricultura permaneceria basicamente restrita à cana com alguns cultivos diferentes para subsistência da população da região, porém de pouca expressividade.

Só a partir do século XVIII com a mineração e o início das plantações de café, que a partir do século XIX seriam o principal produto brasileiro, é que o cultivo de outros vegetais começa a ganhar mais expressividade. Muitos engenhos são abandonados e a atividade canavieira se estagna devido à transferência da mão-de-obra para a mineração e o cultivo do café.

Tal como ocorrera com o período de grande produção da cana-de- açúcar, o auge da cafeicultura no Brasil representou uma nova fase eco- nômica. Por isso, podemos dizer que a história da agricultura no Brasil está intimamente associada com a história do desenvolvimento do próprio país. Ainda mais, quando se considera o período a partir do século XIX quando o café se tornou o principal artigo de exportação brasileiro, logo após o declí- nio da mineração.

Mas o cultivo do café, que durante todo o século XIX faria fortunas e in- fluenciaria fortemente a política do país, começa a declinar por volta de 1902 quando a crise atinge seu ponto culminante, o Brasil produzira mais de 16 milhões de sacas de café enquanto que o consumo mundial pouco ultrapassava os 15 milhões fazendo com que o preço do café, que já estava em queda, chegasse a 33 francos (bem menos que os 102 francos de

1885).

Desta forma, houve uma necessidade de diversificação da economia que, entre outras atividades além das estreantes indústrias, começava a valorizar outros tipos de culturas. Além do que, o aumento

da urbanização do país exigia também, o aumento do cultivo de matérias- primas. Mas, esta mudança tomaria forma mesmo, só a partir da década de

1940.

Atualmente, segundo dados do último levantamento realizado pelo IB- GE em novembro de 2007, no Brasil são cultivados 58.033,075 ha de terra. Sendo que a cana-de-açúcar ainda predomina: são produzidos 514.079,729t contra 58.197,297t da soja em grão. Quanto ao café em grão, este responde por cerca de 2.178,246t. Caroline Faria

Agricultura moderna

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

moderna Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Laranjal em Avaré da Revolução Industrial, situada entre

Laranjal em Avaré

da Revolução

Industrial, situada entre o final do século XVIII e o inicio do século XIX, com

A agricultura moderna surgiu

após

a

primeira

fase

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base na utilização da energia a vapor e também da eletricidade. Logo, ela é aquela caracterizada pela maior regularização das safras e o aumento da

produção agrícola

devido

à

utilização

de tratores, colheitadeiras, semeadeiras e alguns agrícolas.

novos

implementos

A invenção da máquina de separar o caroço da fibra do algodão, por

exemplo, possibilitou o fornecimento abundante dessa importante matéria prima por um baixo preço. O Cotton Gin, o descaroçador de algodão, foi inventado em 1793 por Eli Whitney, um mestre-escola da Nova Inglaterra. Do ponto de vista de diversos historiadores, essa invenção contribuiu mais para a extinção da escravatura na América do Norte, que todas as teorias que pudessem incentivá-lo na época.

que todas as teorias que pudessem incentivá-lo na época. Colheitadeira em um campo de cultivo de

Colheitadeira em um campo de cultivo de cereais

Nesse período houve também um grande desenvolvimento do conhecimento científico e a criação de novos tratos culturais, que foram introduzidos nas lavouras. Contudo, o principal fator de estímulo ao desenvolvimento e a modernização da agricultura foi a acumulação de bens de capital, que proporcionaram um aumento da capacidade de financiar máquinas modernas e, assim, a produtividade agrícola aumentou. Isso porque a Revolução Industrial provocou uma grande acumulação de capital.

Como a produtividade agrícola aumentou rapidamente, e como a demanda por produtos agrícolas não aumentou, já que a quantidade de alimentos que uma pessoa pode consumir é limitada em função da capacidade do seu estômago, a porcentagem da população que trabalhava na agricultura se reduziu drásticamente e foram buscar empregos nas cidades, gerando um grande processo de urbanização.

Ocorreu ainda nessa a etapa da evolução agrícola o desenvolvimento da pecuária leiteira na Europa Ocidental(França, Dinamarca etc.), nos EUA e, mais tarde, na ex-URSS, da floricultura nos Países Baixos e de olivais nas penínsulas Ibérica e Balcânica. Atualmente a maioria dos países subdesenvolvidos encontra se com a agricultura nesse estágio.

Os conflitos pela terra no Brasil

Maria Teresa Manfredo

O tema da divisão da terra evoca uma questão recorrente no Brasil: os

conflitos fundiários que, no decorrer da história do país, adquiriram diferen- tes contornos. De acordo com a doutora em história pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Marina Machado, muitas vezes esses conflitos aconteceram por envolverem divisões territoriais administrativas, constru- ção de limites e de fronteiras. Para ela, é fundamental, também, considerar que tal discussão é atravessada pela questão das disputas entre terras latifundiárias. A expansão - ou não - de uma fronteira explora diferentes aspectos e interesses, de diferentes grupos envolvidos em um mesmo processo (fazendeiros, moradores, grupos indígenas, agentes do governo, representantes da igreja etc.), lembra a historiadora.

Num período mais recente, a partir da segunda metade da década de 1990, após a fase de reestruturação e modernização da produção agrícola, as questões econômicas relacionadas a esses conflitos ganharam maior grau de complexidade. De acordo com a economista Viviam Souza Nasci- mento, que desenvolveu pesquisa sobre o tema junto à Universidade de São Paulo (USP), nos últimos anos a complexificação dessas disputas se deu em função "do aumento das demandas sociais criadas com a crise

econômica da década de 1980, da modernização do setor agrícola e das significativas mudanças institucionais que alteraram o ambiente de negó- cios brasileiro".

Por outro lado, Nascimento relembra o percurso histórico dessa ques- tão, sinalizando que convencionalmente atribui-se a raiz desses conflitos no Brasil ao problema da concentração de terras, que teria suas origens no modelo de ocupação territorial adotado no século XVI pela Coroa Portu- guesa, durante o período da colonização. Contudo, para ela é "a falta de regulamentação e fiscalização na distribuição de terras no país que efeti- vamente contribuiu para a concentração fundiária".

Carlos Alberto Feliciano, geógrafo da Universidade Estadual Paulista (Unesp, campus de Presidente Prudente), reforça que entre as principais causas dos conflitos fundiários no Brasil está a concentração de terras. Esses conflitos são bastante antigos no Brasil, com maior evidência a partir do século XIX, tendo se agravado ainda mais no século XX.

Entre os principais conflitos no início do século XX estão Canudos e Contestado, que "embora muitas vezes sejam lembrados como episódios que envolveram questões religiosas, estão diretamente voltados para uma questão de luta pela terra", afirma a historiadora Marina Machado. Nesse sentido, Feliciano ressalta que o assunto em nosso país ultrapassa a ques- tão das fronteiras legais das unidades federativas, mas ao mesmo tempo é movido pelas relações sociais de poder e disputa que nelas são materiali- zadas.

Em comparação aos séculos anteriores, é possível afirmar que no sé- culo XX houve, ao mesmo tempo, uma redução na concentração fundiária e uma valorização da terra no país. Isso se deu, por um lado, devido ao fato de os agricultores brasileiros passarem a investir em atividades urbano- industriais - em decorrência, sobretudo, da desvalorização mundial do café durante a Primeira Guerra Mundial e a crise econômica de 1929. Por outro lado, houve um aumento do valor de uso da terra, gerando maior produtivi- dade em propriedades de pequeno e médio porte em algumas regiões do país - como é o caso da região Sul.

Para o geógrafo da Unesp, além da concentração de terra, a constru- ção da propriedade privada no Brasil trouxe consigo o significado de terra como reserva de valor, "onde boa parte dos ditos 'proprietários' vivem da renda que ela pode lhes auferir, mesmo sendo improdutiva."

Foi na década de 1960, que surgiu com maior intensidade a discussão sobre a necessidade de reforma agrária no Brasil, principalmente nas regiões Norte e Nordeste que sofriam mais com a concentração fundiária. No mesmo período, seguiu-se a criação da organização das Ligas Campo- nesas e muitos outros conflitos, como o episódio de Trombas e Formoso, em Goiás (das décadas de 1950 e 1960). Ocorreu também nessa época a discussão sobre terras devolutas - "um tipo de terra pública que deveria estar sob o domínio do Estado, mas que está na esfera privada, seja ligada a proprietários, ou então, a grandes empreendimentos, como bancos ou indústrias", explica Feliciano.

Em meio a esse contexto, em março de 1963, foi aprovado o Estatuto do Trabalhador Rural, regulando as relações de trabalho no campo, que até então estavam à margem da legislação trabalhista. Contudo, com o golpe militar de 1964, as ideias foram revistas e a reforma agrária realizada nesse período foi concentrada na fronteira agrícola do Centro-Oeste, visando sobretudo a ocupação do território.

Entre 1980 e 1990, surgiram várias organizações em defesa da refor- ma agrária como o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, Ligas Cam- ponesas e a Pastoral da Terra.

Em 1993, o Congresso Nacional estabeleceu que a improdutividade das terras caracterizava o não cumprimento do caso previsto pela Constitu- ição de 1988 de função social da propriedade; ficou estabelecido por Lei que a improdutividade procederia à desapropriação. Atualmente, por parte dos movimentos, as ocupações de terra tornaram-se o principal mecanismo de pressão sobre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), para a execução dos processos de desapropriação e assentamen- tos.

Para Viviam Nascimento, um caminho para minimizar o conflito neste sentido é fortalecer as políticas de controle e fiscalização da propriedade agrícola, "organizando a titulação, acompanhando o mercado de terras

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(incluindo a compra por parte dos estrangeiros), além de fiscalizar e agir com rapidez nas resoluções de conflitos".

Segundo Carlos Feliciano, "a solução para esse impasse é a realização de uma reforma agrária ampla, baseada em critérios legais melhor defini- dos", de acordo com o pesquisador, só assim o Estado cumpriria o que a Constituição Federal estabelece como função social da propriedade: ser produtiva, respeitar as leis trabalhistas, ambientais, gerando desenvolvi- mento para a região a que pertence.

Mapeamento dos conflitos

Em abril deste ano, a Comissão Pastoral da Terra lançou um relatório sobre conflitos no campo a partir de dados coletados em 2010. Dos 638 conflitos neste último ano, mais da metade refere-se a posseiros (antigos donos de pequenas áreas sem títulos da propriedade) e a povos e comuni- dades tradicionais (indígenas, quilombolas, extrativistas etc.) - totalizando 57% das violências ligadas à terra, no ano. A maioria tem sua causa ligada a grandes projetos, como barragens, ferrovias, rodovias, parques eólicos, e mineração.

Mas o que mais marca o ano de 2010 nesse quesito é o crescimento do número de assassinatos em conflitos no campo: 34 assassinatos, um número 30% maior que em 2009, quando foram registrados 26. O estado do Pará mantém a liderança quanto ao número dos assassinatos, 18, número 100% maior que em 2009, quando foram registrados 9 mortes. Além dos assassinatos, em 2010 foram registradas 55 tentativas de assas- sinato, 125 pessoas receberam ameaças de morte, 4 foram torturadas, 88 presas e 90 agredidas.

Com relação aos conflitos de terra propriamente ditos, o total permane- ceu muito próximo ao de 2009, passando de 854 para 853, em 2010. Os

embates protagonizados pelos movimentos sociais do campo caíram 38%; por outro lado, os conflitos gerados por expulsões, pistolagem, despejos e ameaças cresceram 21% - passando de 528, em 2009, para 638, em 2010.

A região Nordeste teve o maior número de conflitos, com 43,7% (279),

seguido da região Norte com 36,7% (234). As demais regiões concentraram 9,6% (61) no Sudeste, 5,8% (37) no Centro-Oeste e 4,2% (27) no Sul.

A chamada Amazônia Legal concentra 65% dos conflitos de terra, sen-

do que Maranhão, Pará e Tocantins concentram 46,2% desse total.

Ao analisar as categorias sociais que foram vítimas das 604 ocorrên- cias de ações violentas em conflitos no campo, 57% envolveram popula- ções tradicionais, como comunidades indígenas ou ribeirinhas. Outros 43% atingiram setores que eram considerados protagonistas da luta pela refor- ma agrária, como os sem-terra (182 conflitos), os assentados (61), peque- nos proprietários (9) e outros.

Para a Pastoral da Terra, esses dados "deixam evidente que não é por causa da ação dos sem-terra que a violência no campo persiste, mas sim devido à violência sobre a qual se alicerçou todo o processo de ocupação territorial brasileiro desde o tempo da Colônia até os dias de hoje."

O espaço urbano no Brasil Crescimento urbano – crescimento da população que vive nas cida-

des.

Urbanização – corresponde a transferência de populações originárias das zonas rurais em direção às cidades.

O processo de urbanização brasileira começou a partir de 1940, como

resultado da modernização econômica e do grande desenvolvimento indus- trial graças a entradas de capital estrangeiro no país.

As empresas transnacionais preferiram se instalar nas cidades em que a concentração populacional fosse maior e de melhor infra-estrutura, dando origem às grandes metrópoles.

A industrialização gerou empregos para os profissionais qualificados,

expandiu a classe média e o nível de consumo urbano. A cidade transfor- mou-se num padrão de modernidade, gerando êxodo rural.

A tecnologia e o nível de modernização econômica não estavam adap-

tados à realidade brasileira.

A migração campo-cidade gerou desemprego e aumento das ativida-

des do setor terciário informal.

O modelo de desenvolvimento econômico e social adotado no Brasil a

partir dos anos 50 levou a um processo de metropolização.

Ocorrência do fenômeno da conurbação, que constituem as regiões metropolitanas (criadas em 1974 e 1975).

A partir da década de 80 houve o que se chama de desmetropolização,

com os índices de crescimento econômico maiores nas cidades médias, havendo assim um processo de desconcentração econômica. Outras regiões passaram a atrair mais que as regiões metropolitanas, havendo também desconcentração populacional. Está ocorrendo um declínio da importância das metrópoles na dinâmica social e econômica do país. Um número crescente de cidades passou a pertencer ao conjunto das cidades médias e grandes. Podemos dizer que o Brasil se modernizou e que a grande maioria da população brasileira, já está de alguma forma integrada aos sistemas de consumo, produção e informação.

Existe hoje uma integração entre o Brasil urbano e o agrário, um absol- vendo aspectos do outro. A produção rural incorporou inovações tecnológi- cas produzidas nas cidades. O Brasil rural tradicional está desaparecendo e sobrevive apenas nas regiões mais pobres.

A produção comercial está cada vez mais voltada para a cidade.

A produtividade aumentou e o meio rural integrou-se aos principais

mercados nacionais e internacionais.

A implantação de modernos sistemas de transportes e de comunica-

ções reduziu as distâncias e possibilitou a desconcentração das atividades econômicas, que se difundiram por todo o país e hoje são coordenadas a partir de diretrizes produzidas nos grandes centros nacionais e internacio- nais.

Segundo o modelo informacional, São Paulo é a metrópole mundial brasileira que exerce controle sobre os principais sistemas de comunicação que difundem as inovações por todo o país, através dos meios de comuni- cação. Observa-se uma ruptura com a hierarquia urbana tradicional e a formu- lação de um novo modelo de relações, muito mais complexo e adequado ao quadro social e econômico do Brasil contemporâneo. Autoria: Elton Santiago

-o0o-

O processo de urbanização do Brasil, fruto de uma industrialização tar-

dia, realizada num país subdesenvolvido, trouxe uma série de problemas. Esses problemas urbanos normalmente estão relacionados com o tipo de desenvolvimento que vem ocorrendo no país por várias décadas, do qual, por um lado, aumenta a riqueza de uma minoria e, por outro, agrava-se o problema da maioria dos habitantes.

Um desses problemas é a moradia. Enquanto em algumas áreas das grandes cidades brasileiras surgem ou crescem novos bairros ricos com, com residências moderníssimas, em outras, ou as vezes, até nas vizinhan- ças, multiplicam-se as favelas, cortiços e demais habitações precárias.

Mas o tipo de habitação popular que vem crescendo nos últimos anos, nos grandes centros urbanos do país, é a casa própria da periferia. Trata- se de uma casinha que o trabalhador constrói, ele mesmo, com a ajuda de familiares e amigos, sob a forma de mutirão, geralmente nos fins de sema- na e feriados, num lote de terra que adquire na periferia da cidade. A cons- trução leva vários anos e o material vai sendo adquirido aos poucos.

Ocorre, porém, que, ao residir na periferia da grande cidade, o traba- lhador e sua família terão de gastar mais em transporte para o serviço, além de perder várias horas por dia dentro de ônibus ou trens. E o transpor- te coletivo (ônibus, trens, metrôs) é um dos grandes problemas das metró- poles brasileiras, com carência e precariedade das linhas de ônibus e trens, com atraso na expansão das linhas de metrôs nas cidades onde esse transporte existe, sem contar o acédio sexual e roubos que ocorrem nos vagões ou nos ônibus lotados, nos quais vão pessoas penduradas nas portas, janelas ou até mesmo em cima dos mesmos, representando um grande perigo de acidentes.

Outro problema importante nas grandes cidades brasileiras é a infra- estrutura urbana: água encanada, pavimentação de ruas, iluminação e eletricidade, transportes, rede de esgotos etc. Apesar de a cada ano au- mentar a área abrangida por esses serviços, o rápido crescimento das cidades torna-os sempre insuficientes. E a ampliação dessa infra-estrutura não tem conseguido acompanhar o ritmo de crescimento das áreas urba-

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nas dessas metrópoles. Assim, na Grande São Paulo, por exemplo, apenas 50 % dos domicílios são servidos por rede de esgotos e 65 % pela de água encanada.

Essa insuficiência dos recursos aplicados na expansão da infra- estrutura urbana decorre não apenas da rápida expansão das cidades como também da existência de terrenos baldios ou espaços ociosos em seu interior. É comum empresas imobiliárias, ao realizarem um loteamento na periferia, onde ainda não existem serviços de infra-estrutura, deixarem, entre as áreas que estão vendendo e o bairro mais próximo, um espaço de terras sem lotear. Com o crescimento da área loteada, ocorrerão reivindica- ções para que o local provido de infra-estrutura. E, quando isso ocorrer, tais serviços terão que passar pelo espaço ocioso. Aí é que esse espaço pode- rá ser vendido ou loteado, mas agora por um preço bastante superior.

Esse procedimento acaba prejudicando a maioria da população, pois leva a população trabalhadora da periferia para locais cada vez mais dis- tantes do centro da cidade. Esses espaços vazios ou ociosos abrangem atualmente cerca de 40 % da área urbana da cidade de São Paulo.

Outro problema comum nas grandes cidades é a violência urbana. Os acidentes de transito, com milhares de feridos e mortos a cada ano. O abuso do motorista e o desrespeito ao pedestre são de fato algo comum. A violência policial, especialmente sobre a população mais pobre, é também muito frequente. E o número de assaltos, estupros e assassinatos cresce cada vez mais. Surgiu nos últimos anos, nas grandes metrópoles até uma figura nova de assaltante: o trombadinha, delinquente juvenil, fruto do crescimento do desemprego e do declínio dos salários reais, isto é, da inflação sempre superior aos aumentos salariais; como decorrência desses fatos, agravados ainda pela falta de assistência social às famílias pobres, às mães solteiras, às vitimas de estupro ou da violência do marido, do pai, etc., multiplicam-se pelas ruas os menores abandonados, a partir dos quais surgirão os trombadinhas ou delinqüentes juvenis. Prof. Miguel Jeronymo Filho

Atividades Econômicas do Brasil

Nona maior economia do planeta, segundo classificação do Banco Mundial, o Brasil desenvolve em seu território atividades dos setores primário, secundário e terciário. Esse último é o destaque do país, res- ponsável por mais da metade do seu Produto Interno Bruto (PIB) e pela geração de 75% de seus empregos.

Um dos propulsores do desenvolvimento econômico brasileiro dos últimos anos, o setor terciário, que corresponde à venda de produtos e aos serviços comerciais oferecidos à população, é ainda uma das razões do aumento da competitividade interna e externa do Brasil, acelerando o seu progresso tecnológico. Segundo a Central Brasileira do Setor de Serviços (CEBRASSE), das 500 maiores empresas no Brasil, 124 atuam nesse setor. Nessas empresas destacam-se, sucessivamente, as ativi- dades de telecomunicações, serviços públicos, tecnologia e computação, além das comunicações. Para o investidor estrangeiro são várias as opções de negócio no país, como o comércio de veículos, objetos pesso- ais e domésticos, combustíveis, alimentos, além das atividades imobiliá- rias, aluguéis e serviços prestados às empresas.

A indústria, parte do setor secundário, é também um setor de grande importância na formação da riqueza nacional. Com destaque na produ- ção de bens de capital, ela tem na região Sudeste, em especial a Região Metropolitana de São Paulo, a maior concentração do país. Por categoria de uso, essa atividade divide-se em indústrias de bens de capital, bens intermediários, bens de consumo duráveis, semiduráveis e não duráveis. A indústria de capital (produtora de bens que serão utilizados no proces- so produtivo, como máquinas e equipamentos) é um dos destaques entre as categorias no Brasil, tanto em termos de produção física, quanto em termos de faturamento. Os produtos mais vendidos da indústria brasileira são o óleo diesel, minério de ferro beneficiado, automóveis com cilindra- das, gasolina automotiva (exceto para aviação), óleos brutos de petróleo, álcool combustível, telefones celulares, açúcar cristal e cervejas ou chope.

Já o setor primário no Brasil, dividido em atividades de agricultura, pecuária, extrativismo vegetal, caça, pesca e mineração, tem como destaque a agropecuária. Essa atividade, que faz uso do solo para o cultivo de plantas e a criação de animais, é responsável por cerca de

27% do PIB do Brasil, aproximadamente 42% de suas exportações totais em 2009 e mais de 17 milhões de empregos. Além disso, o Brasil é o responsável pelo fornecimento de 25% do mercado mundial de alimen- tos. Líder mundial em vários setores, o país tem no café, açúcar, álcool (a partir da cana-de-açúcar) e suco de laranja algumas de suas principais produções e exportações. Também importante, em primeiro lugar nas vendas externas, são o complexo de soja(farelo, óleo e grão), a carne bovina e a carne de frango. Portal online do IBGE

Economia

A economia do Brasil tem um mercado livre e exportador. Com

um PIB nominal de 2,48 trilhões de dólares (4,14 trilhões de reais), foi classificada como a sexta maior economia do mundo em 2011, segundo

o FMI (considerando o PIB de 2,09 trilhões de dólares, para 2010) , ou a

sétima, de acordo com o Banco Mundial (também considerando um PIB de 2.09 trilhões de dólares em 2010) e o World Factbook da CIA (estimando o PIB de 2011 em 2,28 trilhões de dólares). É a segunda maior do continente americano, atrás apenas dos Estados Unidos.

A economia brasileira tem apresentado um crescimento consistente e,

segundo o banco de investimento Goldman Sachs, deve tornar-se a quarta

maior do mundo por volta de 2050.

O Brasil é uma das chamadas potências emergentes: é o "B" do

grupo BRICS. É membro de diversas organizações econômicas, como

o Mercosul, a UNASUL, o G8+5, o G20 e o Grupo de Cairns. Tem centenas

de parceiros comerciais, e cerca de 60% das exportações do país referem- se a produtos manufaturados e semimanufaturados. Os principais parceiros comerciais do Brasil em 2008 foram:Mercosul e América Latina (25,9% do comércio), União Europeia (23,4%), Ásia (18,9%), Estados Unidos (14,0%)

e outros (17,8%).

Segundo o Fórum Econômico Mundial, o Brasil foi o país que mais aumentou sua competitividade em 2009, ganhando oito posições entre outros países, superando a Rússia pela primeira vez e fechando parcialmente a diferença de competitividade com a Índia e

a China, economias BRIC . Importantes passos dados desde a década de

1990 para a sustentabilidade fiscal, bem como as medidas tomadas para liberalizar e abrir a economia, impulsionaram significativamente os fundamentos do país em matéria de competitividade, proporcionando um melhor ambiente para o desenvolvimento do setor privado.

O país dispõe de setor tecnológico sofisticado e desenvolve projetos

que vão desde submarinos a aeronaves (a Embraer é a terceira maior empresa fabricante de aviões no mundo). O Brasil também está envolvido na pesquisa espacial. Possui um centro de lançamento de satélites e foi o único país do Hemisfério Sul a integrar a equipe responsável pela construção do Estação Espacial Internacional (EEI).[25] É também o pioneiro na introdução, em sua matriz energética, de um biocombustível – o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar.Em 2008, a Petrobrás criou a subsidiária, a Petrobrás Biocombustível, que tem como objetivo principal a produção de biodiesel e etanol, a partir de fontes renováveis, como biomassa e produtos agrícolas.

História

Quando os exploradores portugueses chegaram no século XV, as tribos indígenas do Brasil totalizavam cerca de 2,5 milhões de pessoas, que praticamente viviam de maneira inalterada desde a Idade da Pedra. Da colonização portuguesa do Brasil (1500-1822) até o final dos anos 1930, os elementos de mercado da economia brasileira basearam-se na produção de produtos primários para exportação. Dentro do Império Português, o Brasil era uma colônia submetida a uma política imperial mercantil, que tinha três principais grandes ciclos de produção econômica - o açúcar,

o ouro e, a partir do início do século XIX, o café. A economia do Brasil foi fortemente dependente do trabalho escravizado Africano até o final do século XIX (cerca de 3 milhões de escravos africanos importados no total). Desde então, o Brasil viveu um período de crescimento econômico e demográfico forte, acompanhado de imigração em massa da Europa (principalmente Portugal, Itália, Espanha e Alemanha) até os anos 1930. Na América, os Estados Unidos, o Brasil, o Canadá e

a Argentina (em ordem decrescente) foram os países que receberam a

maioria dos imigrantes. No caso do Brasil, as estatísticas mostram que 4,5 milhões de pessoas emigraram para o país entre 1882 e 1934.

APOSTILAS OPÇÃO

A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos

Atualmente, com uma população de 190 milhões e recursos naturais abundantes, o Brasil é um dos dez maiores mercados do mundo, produzindo 35 milhões de toneladas de aço, 26 milhões de toneladas de cimento, 3,5 milhões de aparelhos de televisão e 5 milhões de geladeiras. Além disso, cerca de 70 milhões de metros cúbicos de petróleo estão sendo processados anualmente em combustíveis, lubrificantes, gás propano e uma ampla gama de mais de cem produtos petroquímicos. Além disso, o Brasil tem pelo menos 161.500 quilômetros de estradas pavimentadas e mais de 108.000 megawatts de capacidade instalada de energia elétrica.

apenas o primeiro passo para a implementação de um programa de reforma da qualidade da terra.

 

Mais de 600 000 km² de terras são divididas em cerca de cinco mil

domínios da propriedade rural, uma área agrícola atualmente com três

fronteiras:

a região Centro-Oeste (cerrado), a região Norte (área de

transição) e de partes da região Nordeste (semiárido). Na vanguarda das culturas de grãos, que produzem mais de 110 milhões de toneladas/ano, é a de soja, produzindo 50 milhões de toneladas.

 

Na

pecuária bovina de sensibilização do setor, o "boi verde", que é

Seu PIB real per capita ultrapassou US$ 8.000 em 2008, devido à forte

criado em pastagens, em uma dieta de feno e sais minerais, conquistou

continuada valorização do real, pela primeira vez nesta década. Suas

contas do setor industrial respondem por três quintos da produção industrial da economia latino-americana. O desenvolvimento científico e tecnológico do país é um atrativo para o investimento direto estrangeiro, que teve uma média de US$ 30 bilhões por ano nos últimos anos, em comparação com apenas US$ 2 bilhões/ano na década passada,evidenciando um crescimento notável. O setor agrícola, também tem sido notavelmente dinâmico: há duas décadas esse setor tem mantido Brasil entre os países com maior produtividade em áreas relacionadas ao

e

setor rural. O setor agrícola e o setor de mineração também apoiaram superávits comerciais que permitiram ganhos cambiais maciços e pagamentos da dívida externa.

na Ásia, Europa e nas Américas, particularmente depois do

período de susto causado pela "doença da vaca louca". O Brasil possui o maior rebanho bovino do mundo, com 198 milhões de cabeças, responsável pelas exportações superando a marca de US$ 1 bilhão/ano.

Pioneiro e líder na fabricação de celulose de madeira de fibra-curta, o Brasil também tem alcançado resultados positivos no setor de embalagens, em que é o quinto maior produtor mundial. No mercado externo, responde por 25% das exportações mundiais de açúcar bruto e açúcar refinado, é o líder mundial nas exportações de soja e é responsável por 80% do suco de laranja do planeta e, desde 2003, teve o maior números de vendas de carne de frango, entre os que lidam no setor.

mercados

Indústria

Com um grau de desigualdade ainda grande, a economia brasileira tornou-se uma das maiores do mundo. De acordo com a lista de bilionários da revista Forbes de 2011, o Brasil é o oitavo país do mundo em número de bilionários, à frente inclusive do Japão, com um número bastante superior aos dos demais países latino americanos.

 

O

Brasil tem o segundo maior parque industrial na América.

Contabilizando 28,5% do PIB do país, as diversas indústrias brasileiras variam

de

automóveis, aço e petroquímicos até computadores, aeronaves e bens

 

de

consumo duráveis. Com o aumento da estabilidade econômica fornecido

Componentes da economia

pelo Plano Real, as empresas brasileiras e multinacionais têm investido pesadamente em novos equipamentos e tecnologia, uma grande parte dos quais foi comprado de empresas estadunidenses.

O

setor de serviços responde pela maior parte do PIB, com 66,8%,

seguido pelo setor industrial, com 29,7% (estimativa para 2007), enquanto

agricultura representa 3,5% (2008 est). A força de trabalho brasileira é estimada em 100,77 milhões, dos quais 10% são ocupados na agricultura, 19% no setor da indústria e 71% no setor de serviços.

a

Agricultura e produção de alimentos

 

O

Brasil possui também um diversificado e relativamente

sofisticado setor de

serviços. Durante a década de 1990, o setor

bancário representou 16% do PIB. Apesar de sofrer uma grande reformulação, a indústria de serviços financeiros do Brasil oferece às empresas locais uma vasta gama de produtos e está atraindo inúmeros

O

desempenho da agricultura brasileira põe o agronegócio em uma

novos operadores, incluindo empresas financeiras estadunidenses. A Bolsa

posição de destaque em termos de saldo comercial do Brasil, apesar das

de

Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo está passando por um

barreiras alfandegárias e das políticas de subsídios adotadas por alguns países desenvolvidos. Em 2010, segundo a OMC o país foi o terceiro maior exportador agrícola do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e da União Europeia.

processo de consolidação e o setor de resseguros, anteriormente monopolista, está sendo aberto a empresas de terceiros.

 

Em

31 de Dezembro de 2007, havia cerca de 21.304.000 linhas

 

de

banda larga no Brasil. Mais de 75% das linhas de banda larga via DSL e

No espaço de cinquenta e cinco anos (de 1950 a 2005), a população brasileira passou de aproximadamente 52 milhões para cerca de 185 milhões de indivíduos, ou seja, um crescimento demográfico médio de 2% ao ano. A fim de atender a essa demanda, uma autêntica revolução

verde teve lugar, permitindo que o país criasse e expandisse seu complexo

10% através de modem por cabo.

 

As

reservas de recursos minerais são extensas. Grandes reservas

de

e

de

ferro e manganês são importantes fontes de matérias-primas industriais

de exportação. Depósitos

níquel, estanho, cromita, urânio, bauxita, berílio, cobre, chumbo,tungstên

receitas

 

io,

zinco, ouro, nióbio e outros minerais são explorados. Alta qualidade de

setor de agronegócio. No entanto, a expansão da fronteira agrícola se deu à custa de grandes danos ao meio ambiente, destacando-se

desmatamento de grandes áreas da Amazônia, sobretudo nas últimas quatro décadas.

o

cozimento de carvão de grau exigido na indústria siderúrgica está em falta.

O

indústria de alta tecnologia. De acordo com a Associação Mundial do Aço, o

Brasil possui extensas reservas de terras raras, minerais essenciais à

A

importância dada ao produtor rural tem lugar na forma do Plano da

Brasil é um dos maiores produtores de aço do mundo, tendo estado sempre entre os dez primeiros nos últimos anos.

Agricultura e Pecuária e através de outro programa especial voltado para

a

agricultura familiar (Pronaf), que garantem o financiamento de

 

equipamentos e da cultura, incentivando o uso de novas tecnologias e pelo zoneamento agrícola. Com relação à agricultura familiar, mais de 800 mil habitantes das zonas rurais são auxiliados pelo crédito e por programas de pesquisa e extensão rural, notadamente através da Embrapa. A linha especial de crédito para mulheres e jovens agricultores visa estimular o espírito empreendedor e a inovação.

O Brasil, juntamente com o México, tem estado na vanguarda do fenômeno das multinacionais latino-americanas, que, graças à tecnologia superior e organização, têm virado sucesso mundial. Essas multinacionais têm feito essa transição, investindo maciçamente

exterior, na região e fora dela, e assim realizando uma parcela crescente

no

de suas receitas a nível internacional. O Brasil também é pioneiro nos

campos da pesquisa de petróleo em águas profundas, de onde 73% de

Com o Programa de Reforma Agrária, por outro lado, o objetivo do país

suas reservas são extraídas. De acordo com estatísticas do governo, o Brasil foi o primeiro país capitalista a reunir as dez maiores empresas

é

dar vida e condições adequadas de trabalho para mais de um milhão de

famílias que vivem em áreas distribuídas pelo governo federal, uma iniciativa capaz de gerar dois milhões de empregos. Através de parcerias, políticas públicas e parcerias internacionais, o governo está trabalhando para garantir infra-estrutura para os assentamentos, a exemplo de escolas

montadoras

de automóvel em seu território nacional.

 

Maiores companhias

 

Em

2012, 33 empresas brasileiras foram incluídas na Forbes Global

e

estabelecimentos de saúde. A idéia é que o acesso à terra represente

2000 - uma classificação anual das principais 2000 companhias em todo o mundo pela revista Forbes.

Geografia

26 A Opção Certa Para a Sua Realização

APOSTILAS OPÇÃO

A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos

Energia

O governo brasileiro empreendeu um ambicioso programa para reduzir

a dependência do petróleo importado. As importações eram responsáveis

por mais de 70% das necessidades de petróleo do país, mas o Brasil se

tornou autossuficiente em petróleo em 2006. O Brasil é um dos principais produtores mundiais de energia hidrelétrica, com capacidade atual de cerca de 108.000 megawatts. Hidrelétricas existentes fornecem 80% da eletricidade do país. Dois grandes projetos hidrelétricos, a 15.900

megawatts de Itaipu, no rio Paraná (a maior

da barragem de Tucuruí no Pará, no norte do Brasil, estão em operação. O primeiro reator nuclear comercial do Brasil, Angra I, localizado perto do Rio de Janeiro, está em operação há mais de 10 anos. Angra II foi concluído em 2002 e está em operação também. Angra III tem a sua inauguração prevista para 2014. Os três reatores terão uma capacidade combinada de 9.000 megawatts quando concluídos. O governo também planeja construir mais 17 centrais nucleares até ao ano de 2020.

represa do mundo) e

Situação econômica

Somente em 1808, mais de trezentos anos depois de ser descoberto por Portugal, é que o Brasil obteve uma autorização do governo português para estabelecer as primeiras fábricas.

No século XXI, o Brasil é uma das dez maiores economias do mundo.

Se, pelo menos até meados do século XX, a pauta de suas exportações era

basicamente constituída de matérias-primas e alimentos, como o açúcar, borracha e ouro, hoje 84% das exportações se constituem de produtos manufaturados e semimanufaturados.

O período de grande transformação econômica e crescimento ocorreu

entre 1875 e 1975.

produção interna aumentou 32,3% .

O agronegócio (agricultura e pecuária) cresceu 47%, ou 3,6% ao ano, sendo o setor mais dinâmico - mesmo depois de ter resistido às crises internacionais, que exigiram uma constante adaptação da economia brasileira.

A posição em termos de transparência do Brasil no ranking

internacional é a 75ª de acordo com a Transparência Internacional. É igual à posição da Colômbia, do Peru e do Suriname.

Nos anos

2000,

a

Controle e reforma

Entre as medidas recentemente adotadas a fim de equilibrar a economia, o Brasil realizou reformas para a sua segurança social e para os sistemas fiscais. Essas mudanças trouxeram consigo um acréscimo notável: a Lei de Responsabilidade Fiscal, que controla as despesas públicas dos Poderes Executivos federal, estadual e municipal. Ao mesmo tempo, os investimentos foram feitos no sentido da eficiência da administração e políticas foram criadas para incentivar as exportações, a indústria e o comércio, criando "janelas de oportunidade" para os investidores locais e internacionais e produtores. Com estas mudanças, o Brasil reduziu sua vulnerabilidade. Além disso, diminuiu drasticamente as importações de petróleo bruto e tem metade da sua dívida doméstica pela taxa de câmbio ligada a certificados. O país viu suas exportações crescerem, em média, a 20% ao ano. A taxa de câmbio não coloca pressão sobre o setor industrial ou sobre a inflação (em 4% ao ano) e acaba com a possibilidade de uma crise de liquidez. Como resultado, o país, depois de 12 anos, conseguiu um saldo positivo nas contas que medem as exportações/importações, acrescido de juros, serviços e pagamentos no exterior. Assim, respeitados economistas dizem que o país não será profundamente afetado pela atual crise econômica mundial.

Sem empregos e educação, milhões ficam à margem de crescimento brasileiro

Júlia Dias Carneiro e Paula Adamo Idoeta

Da BBC Brasil no Piauí e em São Paulo

e Paula Adamo Idoeta Da BBC Brasil no Piauí e em São Paulo Assunção do Piauí

Assunção do Piauí tem o 10º pior rendimento per capita domiciliar do Brasil. (Foto: Júlia Carneiro - BBC Brasil)

Ao chegar de carro por uma estrada de terra arenosa, uma placa dá as boas-vindas a Assunção do Piauí, "a capital do feijão". Mas as letras desbotadas, quase apagadas, deixam claro que a principal atividade econômica local já viu melhores dias.

Na pequena cidade, a 270 km de Teresina, as colheitas fracas estão fazendo muitos desistirem de plantar feijão.

"Aqui é assim, a gente só trabalha no escuro. Num ano dá e no outro não dá", diz a dona de casa Francisca Pereira Moreno, mãe de cinco filhos.

Depois de conversar com alguns moradores de Assunção, perguntar onde cada um trabalha parece perder sentido. Os principais empregos da cidade são na prefeitura local, mas para adultos como Francisca, que não sabe ler nem escrever, a única opção está na roça ou nos serviços domés- ticos. Sem alternativas, a maioria sobrevive do Bolsa Família.

"Tem que ter o Bolsa Família. Porque a renda aqui do feijão não está dando dinheiro. Dá R$ 60, R$ 70", diz Francisca.

A cidade é um dos retratos de um Brasil que ficou praticamente à mar-

gem do crescimento econômico nacional registrado nos últimos anos e que tem colocado o país próximo de economias consideradas de primeiro mundo como a Grã-Bretanha.

Apesar do recuo constante da pobreza desde o início do Plano Real, em 1994, e da emergência da classe C, na última década, o país ainda tem focos de pobreza extrema que se caracterizam por baixo rendimento domi- ciliar, acesso limitado a serviços como saúde e educação e poucas pers- pectivas de trabalho para os moradores locais.

Oportunidades insuficientes

Definindo a pobreza extrema

Grupo cada vez menor no Brasil, os extremamente pobres ficaram mais difíceis de serem estimados:

- Segundo o Censo 2010, cerca de 16,2 milhões de pessoas vivem

com até R$ 70, em média, de renda domiciliar per capita. O número serviu

como base para o Brasil Sem Miséria. Mas o próprio IBGE faz recortes diferentes, falando também em 12 milhões de pessoas com renda nesse patamar (excluindo os "sem rendimento").

- Marcelo Néri, da FGV, acha o número superestimado e prefere usar

os dados do Pnad, citando cerca de 10 milhões de pessoas nessa situação

- Estudo do Ipea calculava, em 2009, 8,7 milhões de pessoas vivendo com menos de R$ 67, contra 15 milhões em 2004

Divergências numéricas à parte, especialistas concordam que a pobre- za extrema vai além da mera questão de renda. Diz respeito também à falta de acesso a empregos, serviços básicos, educação e perspectivas.

“Com o crescimento e a geração de empregos, uma parte da popula- ção saiu da pobreza extrema. (Mas) as oportunidades não foram suficientes para todos – sobraram os com menos condições de aproveitar, como os que não tinham vínculos com o mercado de trabalho ou acesso à Previdên- cia e à assistência social”, explicou Rafael Osório, pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas).

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Segundo o Censo 2010, em média 8,5% da população brasileira ainda vive com renda per capita mensal de até R$ 70. Isso equivale a cerca de 16,2 milhões de pessoas – praticamente a população do estado do Rio de Janeiro.

Com 7,5 mil habitantes, Assunção do Piauí, visitada pela BBC Brasil em janeiro, teve em 2010 o 10º pior rendimento per capita domiciliar do país – uma média de R$ 137 reais, contra R$ 1.180 de São Paulo.

A taxa de analfabetismo é de quase 40% entre pessoas com 15 anos

ou mais. A cidade tem quase 1.500 famílias beneficiárias do Bolsa Família.

"Muitos ficam na fila de espera (do programa) porque Assunção já ex- trapolou a cota que o Ministério do Desenvolvimento estipula para cada cidade", diz a assistente social Ana Alaídes Soares Câmara, que trabalha no Centro de Referência de Assistência Social da cidade.

‘O terço mais difícil’

Assistência Social da cidade. ‘O terço mais difícil’ Cerca de 20% da população de Assunção do

Cerca de 20% da população de Assunção do Piauí depende do Bolsa Família. (Foto: Júlia Carneiro – BBC Brasil)

Desde o Plano Real, a pobreza caiu 67% no Brasil, algo inédito na sé- rie estatística, disse à BBC Brasil o pesquisador Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da FGV. “Falta o último terço, que é o mais difícil da jorna- da.”

Para Neri, é possível que o número de extremamente pobres seja até menor do que o estimado pelo Censo, se for levada em conta a renda obtida em transações não monetárias, como trocas e agricultura familiar.

“Pelo Pnad (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios, também do IBGE), essas pessoas seriam 5,5% da população”, disse o pesquisador da FGV.

A incerteza a respeito do tamanho dessa população revela, na verda-

de, uma boa notícia: como o grupo de extremamente pobres está cada vez menor, eles ficam pouco representados na amostra geral dos brasileiros, explicou Rafael Osório, do Ipea.

“As pessoas extremamente pobres são mais difíceis de se investigar. Algumas sequer são achadas, não interagem com o Estado, não têm documentos, e o acesso a elas é complicado”, disse.

Além disso, a pobreza extrema não é apenas uma questão de renda:

diz respeito também à falta de acesso a serviços básicos, como saneamen- to, moradia e educação de qualidade, e ao isolamento em relação ao mercado de trabalho.

Faltam atividades econômicas

O perfil dos extremamente pobres

Apesar das dificuldades em perfilar a população mais carente, um es- tudo de agosto de 2011 do Ipea traz algumas características dessas pes- soas, a partir de um universo estudado entre 2004 e 2009:

- 41,8% das famílias extremamente pobres eram casais com uma a três crianças

- Na média geral, essas famílias tinham 4,2 pessoas

- Muitas viviam em moradias precárias ou sob risco

- 29% eram produtores agrícolas e 34% eram inativos (não trabalha- vam nem procuravam emprego)

- Entre famílias rurais de municípios pequenos, a incidência de pobreza extrema era mais de duas vezes superior à média nacional

- Muitos são pequenos produtores rurais, incapazes de produzir exce-

dente que gere renda; não têm conexão regular com o mercado de trabalho

e podem passam períodos desempregados

Mas, um relatório do Ipea tenta traçar um perfil desse Brasil que demo- ra a crescer: em 2009, 41,8% das famílias extremamente pobres eram formadas por casais com uma a três crianças; 29% eram agricultores e 34% eram inativos (não trabalhavam nem procuravam emprego).

Dados do Censo 2010 indicam que muitos desses bolsões extrema-

mente pobres se concentram em cidades de porte mediano, de entre 10 mil

e 50 mil habitantes.

“São cidades onde faltam atividades econômicas”, explicou Osório. “Muitas têm poucos atrativos para empresas e dependem cada vez mais de políticas sociais, e algumas têm um vácuo generacional (sua população economicamente ativa migra em busca de empregos).”

Mas o pesquisador ressalva que não se trata de uma população fixa e estagnada: “Uma parcela tem rendimento incerto e transita entre uma camada de renda e outra. É o caso, por exemplo, de um guardador de carro – se ele ficar doente, perde a renda (e passa a figurar entre os extre- mamente pobres)”.

Estratégias

Como, então, combater essa pobreza extrema?

A presidente Dilma Rousseff lançou como uma das prioridades de seu governo o programa Brasil Sem Miséria, que tem a ambiciosa meta de erradicar a pobreza extrema até 2014 e que foca as pessoas com renda per capita mensal de até R$ 70.

Iniciado em junho do ano passado, o plano contém ações que comple- mentam o Bolsa Família, com programas para fomentar o emprego, a capacitação profissional e atividades econômicas locais, bem como o aumento da oferta de serviços públicos como saúde, educação e sanea- mento.

Os especialistas ouvidos pela BBC Brasil elogiam o foco estabelecido pelo programa, mas o projeto tem óbvias dificuldades em levar serviços, renda e oportunidades para as pessoas mais excluídas.

serviços, renda e oportunidades para as pessoas mais excluídas. Geografia 28 A Opção Certa Para a

APOSTILAS OPÇÃO

A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos

Assunção do Piauí: A cidade vive da cultura do feijão. (foto: Júlia Car- neiro - BBC Brasil)

“É preciso localizar (as populações empobrecidas), levar serviços pú- blicos, com agentes sociais. É algo mais caro, mais artesanal”, afirmou Neri, da FGV.

Regiões metropolitanas do Brasil

Atualmente no Brasil há 60 regiões metropolitanas, distribuídas por todas as grandes regiões do país, e definidas por leis federais ou estaduais.

A

criação de uma região metropolitana não se presta a uma finalidade

meramente estatística; o principal objetivo é a viabilização de sistemas de

Para Osório, uma alternativa seria aumentar os valores pagos pelo

gestão

abrangidos. Todavia,

de

funções

públicas

no

de

Brasil,

interesse

comum

municípios

metropolitanas não

dos

as regiões

Bolsa Família. “A maior parte dos extremamente pobres já faz parte do programa. Se aumentarem os valores, daremos um baque na pobreza.”

possuempersonalidade

jurídica própria,

nem

os

cidadãos

elegem

representantes para a gestão metropolitana.

 

Mas os pesquisadores concordam que o grande estímulo para a saída da pobreza é a geração de empregos – e o desafio do Brasil é conseguir

Segundo dados do IBGE, as "12 redes metropolitanas de primeiro

nível"

são

as

seguintes: Belém, Belo

Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre,Recife, Rio de

gerar vagas em áreas mais pobres justamente num momento de desacele- ração econômica.

"Gerar empregos depende, em última instância, da economia", disse Osório. "E o cenário é adverso, apesar de ser o melhor caminho. Isso pode não ocorrer com a mesma intensidade do que nos anos de crescimento."

Janeiro, Salvador e São Paulo. Também é acrescentada a RIDE deBrasília, como sendo a "13ª rede metropolitana de primeiro nível". A RIDE de Brasília é uma região metropolitana de abrangência interestadual.

As regiões metropolitanas de primeiro nível são praticamente as

A rede urbana e as Regiões Metropolitanas.

mesmos de 40 anos atrás, excetuando-se Brasília e Manaus - que exercem influência sobre uma das maiores área percentuais: 19% da área do país, e de menor densidade: 2,2 hab./km², correspondendo a 1,9% da população do País e 1,7% do PIB nacional, no entanto, além destas concentrarem a

A complexidade da rede urbana brasileira

A

rede urbana brasileira, nos últimos anos, vem passando por um gran-

de processo de transformação oriundo do forte fenômeno de integração dos mercados proporcionado pela Globalização.

Estas cidades ligadas umas as outras estão em processo contínuo de dinamismo e assumem a sua importância dentro da rede de acordo com a sua produção, circulação, consumo e os diversos aspectos das relações sociais.

Segundo Correa (2001, p. 359), há alguns tipos de redes, como exem- plo, tem-se redes do tipo solar, dendrítico, christalleriano, axial e complexo. Nas formas mais antigas desse sistema integrado de cidades a rede dendrí- tica tomava destaque, posteriormente, a forma mais comum das redes de cidades caracterizava-se pelo modelo Christalleriano, ou seja, um modelo baseado na teoria dos lugares centrais, por sua vez, de acordo com Christal- ler (1966), consiste no desenvolvimento desigual dos centros urbanos, com um grande centro urbano se sustentando no fornecimento de serviços especializados – centrais – cuja produtividade é superior à encontrada em centros urbanos menores.

maior parte da população e do PIB de suas redes urbanas (respectivamente 47,3% e 75,5%), mostrando uma grande disparidade no

PIB per capita das cidades-polos em relação ao conjunto dos municípios das redes metropolitanas.

Critérios e conceitos

Cada Estado-membro define seus critérios específicos não só para a instituição, como também para a gestão metropolitana, com a finalidade de integrar a organização,planejamento e execução de funções públicas de interesse comum dos municípios, que podem ser enfrentadas a partir de uma perspectiva regional.

A Constituição

do estado

de

Minas Gerais, por exemplo,

define

uma região metropolitana como "o conjunto de municípios limítrofes que

apresentam a ocorrência ou a tendência de continuidade do tecido urbano

e

de complementaridade de funções urbanas, que tenha como núcleo a

capital do estado ou metrópole regional e que exija planejamento integrado

e gestão conjunta permanente por parte dos entes públicos nela atuantes".

 

A

mesma legislação estabelece regras para a administração da Região

rede urbana brasileira, até a década de 1970, caracterizava-se, de

acordo com Corrêa (2001, p.360), por uma menor complexidade funcional dos seus centros urbanos, ou seja, por um pequeno grau de articulação entre os centros urbanos, com interações espaciais predominantemente regionais, e pela existência de padrões espaciais simples. Corrêa (2001,

A

Metropolitana de Belo Horizonte, com a participação do governo estadual, das prefeituras e da sociedade civil.

Região integrada de desenvolvimento econômico

Além dessas regiões metropolitanas, existem as regiões integradas de

p.428) ressalta que, a partir desse período, as modificações que, sobretudo, irão caracterizar a rede urbana brasileira são a continuidade da criação de novos núcleos urbanos, a crescente complexidade funcional dos centros urbanos, a mais intensa articulação entre centros e regiões, a complexidade dos padrões espaciais da rede e as novas formas de urbanização. Tais mudanças constituem expressão continuada e atualizada de uma estrutura social crescentemente diferenciada e complexa, visto que as relações soci- ais, seja por meio de fatores internos ou externos, estruturam o processo de urbanização, que, no caso brasileiro, traduz-se em uma maior complexidade da rede urbana, uma vez que se constitui em um reflexo, um meio e uma condição social. A rede urbana reflete e reforça as características dos con- textos políticos, econômicos e socioculturais da própria realidade em sua complexidade.

desenvolvimento

econômico,

que

se

constituem

como

regiões

metropolitanas

em

que

conurbaçãoentre

cidades

de

dois

ou

mais

estados, como o que ocorre no Distrito Federal, naGrande Teresina e

em Petrolina/Juazeiro.

 

Aglomerações urbanas

 

Uma aglomeração urbana é o espaço urbano contínuo, resultante de

um

processo

deconurbação ainda

incipiente.

Trata-se

de

um

espaço

urbano de nível sub-metropolitano ou, em termos simplificados, de uma região metropolitana de menor porte, em que asáreas urbanas de

duas ou mais cidades são fracamente conurbadas. São cinco as aglomerações já estabelecidas por lei:

A

verdade é que ultimamente as relações entre as cidades brasileiras

Aglomeração Urbana de Jundiaí;

 

estão bem mais integradas, as cidades não estão mais inseridas, somente, na economia regional. “Trata-se, em toda parte, de uma rede urbana que sofreu o impacto da globalização, na qual, cada centro, por minúsculo que seja, participa, ainda que não exclusivamente, de um ou mais circuitos espaciais de produção” (SANTOS, 1988).

Aglomeração Urbana de Piracicaba;

Aglomeração urbana do Litoral Norte (Rio Grande do Sul);

 

Aglomeração Urbana do Nordeste do Rio Grande do Sul (região de Caxias do Sul);

rede de cidades continua sendo um sistema integrado e hierarquizado

que vai dos pequenos aglomerados às regiões metropolitanas ou grandes cidades, mas suas conexões, no entanto, adquirem contornos complexos, agora não mais exibindo um padrão exclusivamente christalleriano e muito menos dendrítico como aponta Corrêa (2001, p. 365), estabelece-se assim uma relação de múltiplos circuitos na rede urbana. Lázaro Wandson de Nazaré Teles

A

Aglomeração urbana do Sul (Rio Grande do Sul) (região de Pelotas).

Ainda

mais

uma

aglomerações

existentes

somente

para

fins

estatísticos, são elas:

 

Aglomeração Urbana Central

 

Geografia

29 A Opção Certa Para a Sua Realização

APOSTILAS OPÇÃO

A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos

Microrregiões

Microrregião é, de acordo com a Constituição brasileira de 1988, um

agrupamento

organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum, definidas por lei complementar estadual.

Não tem a função de uma região metropolitana, no entanto para fim estatístico agrupa vários municípios com características socioeconômicas similares.

a

de

municípios limítrofes.

Sua

finalidade

é

integrar

Conurbações não-oficiais

Aglomerados urbanos não-metropolitanos

Um aglomerado urbano não-metropolitano é o espaço urbano semicontínuo (às vezes sem nenhuma continuidade), resultante de um virtual processo de conurbação. Não pode ser classificado como um espaço urbano metropolitano, mas já apresenta um nível de interligação de transportes e serviços muito grandes. Este fenômeno é observado nas seguintes cidades (e seus entornos): Campo Grande; Santa Maria;Porto Velho; Castanhal e Três Lagoas-Andradina.

Aglomerados urbanos fronteiriços

Assim como os aglomerados urbanos não-metropolitanos, um aglomerado urbano fronteiriço é o espaço urbano resultante de um virtual

Este

fenômeno é observado nas seguintes cidades (e seus entornos) de fronteira: Marco das Três Fronteiras; Zona de Fronteira Corumbá-Puerto Suárez e a Fronteira da Paz.

processo

de conurbação

fronteiriço

entre

dois

ou

mais

países.

Quais são as

Regiões Metropolitanas do
Regiões
Metropolitanas
do

Brasil?

 

Alagoas

 

Região Metropolitana de Maceió

 

Alagoas

 

Região Metropolitana

do

Agreste

 

Amapá

 

Região Metropolitana de Macapá

 

Amazonas

 

Região Metropolitana de Manaus

 

Bahia

 

Região Metropolitana de Salva

do

r

Ceará

 

Região Metropolitana de Fortaleza

 

Ceará

 

Região Metropolitana

do

Cariri

 

Espírito Santo

 

Região Metropolitana de Vitória

 

Goiás

 

Região Metropolitana de Goiânia

 

Maranhão

 

Região Metropolitana de São Luís

 

Maranhão

 

Região

Metropolitana

do

Su

do

este

Mara-

 

nhense

Mato Grosso

 

Região Metropolitana

do

Vale

do

Rio Cuiabá

Minas Gerais

 

Região Metropolitana de Belo Horizonte

 

Minas Gerais

 

Região Metropolitana

do

Vale

do

Aço

Pará

 

Região Metropolitana de Belém

 

Paraíba

 

Região Metropolitana de João Pessoa

 

Paraíba

 

Região Metropolitana de Campina Grande

Paraná

 

Região Metropolitana de Curitiba

 

Paraná

 

Região Metropolitana de Londrina

 

Paraná

 

Região Metropolitana de Maringá

 

Pernambuco

 

Região Metropolitana

do

Recife

 

Rio de Janeiro

 

Região Metropolitana

do

Rio de Janeiro

 

Rio

Gran-

Região Metropolitana de Natal

 

de

do

Norte

 

Rio Grande

do

Sul

Região Metropolitana de Porto Alegre

 

Santa Catarina

 

Região

Metropolitana

do

Norte/Nordeste

 

Catarinense

 

Santa Catarina

 

Região Metropolitana de Florianópolis

 

Santa Catarina

 

Região Metropolitana

do

Vale

do

Itajaí

São Paulo

 

Região Metropolitana de São Paulo

 

São Paulo

 

Região Metropolitana de Campinas

 

São Paulo

 

Região Metropolitana da Baixada Santista

Sergipe

 

Região Metropolitana de Aracaju

 

IV - Dinâmica da população brasileira (fluxos migratórios, áreas de crescimento e de perda populacional).

População brasileira: Crescimento, fecundidade e outros dados demográficos

Cláudio Mendonça

No último século a população brasileira multiplicou por dez: em 1900 residiam noBrasil cerca de 17 milhões de pessoas, no ano 2000 quase 170 milhões. Desde o primeiro recenseamento (1872) ocorreram várias mudan- ças no padrão da evoluçãodemográfica brasileira.

Até o início da década de 1930 o crescimento da população do Brasil contou com forte contribuição da imigração. A partir de 1934, com a adoção da "Lei de Cotas" que estabelecia limites à entrada de imigrantes, o aumen- to da população dependeu, principalmente, do crescimento vegetativo (cv), isto é, a diferença entre as taxas de natalidade e a de mortalidade expressa em % (por cem) ou %0 ( por mil) habitantes.

No entanto, foi depois da Segunda Guerra Mundial