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CONSULTORIA (EQUIPE 3) – JARDIM BOTÂNICO DE CUBATÃO

Atendendo ao Termo de Referência BR-T1117/BID – Desenvolvimento de métodos e

modelos de manejo e recuperação ambiental em áreas degradadas por reassentamento

em áreas protegidas do Estado de São Paulo

RELATÓRIO

Informe A: Carta Geográfica Georeferenciada do Jardim Botânico de Cubatão

Eng. Agrônomo Fulvio Cavalheri Parajara CREA nº.: 5061431627

São Paulo – Brasil Dezembro de 2008

INTRODUÇÃO

Com a finalidade de demarcar os limites de uma área para fins de regularização fundiária, faz-se necessário a descrição desta área em Memorial Descritivo de Estremas, também conhecido como Memorial Descritivo de Limites Fundiários. Para tanto, deve-se colocar os dados levantados no memorial descritivo de forma clara e legível, para representar o limite com o máximo de fidelidade.

Estes dados retratam a precisão do levantamento e o sistema referencial usado. Isso significa que o memorial descritivo identifica e representa as linhas confrontantes mediante o conhecimento geodésico.

Para isso, é necessário utilizar a Geodésia, pois esta estabelece a ligação entre a linha geodésica da superfície física, com a linha geodésica constante do título de domínio.

É um sistema coordenado que serve de referência ao posicionamento no globo terrestre ou em um território nacional ou continental, utilizado para representar características terrestres, sejam elas geométricas ou físicas. Na prática, serve para a obtenção de coordenadas (latitude e longitude), que possibilitam a representação e localização em mapa de qualquer elemento da superfície do planeta. A materialização deste sistema de referência.

Os Sistemas de Informações Geográficas (SIG's) são ferramentas computacionais que permitem a captura, análise, manipulação e apresentação de dados informatizados e referenciados geograficamente. Estes sistemas não são apenas para a produção de mapas, mas uma ferramenta para análise de dados geográficos.

Com advento da informática, na segunda metade do século passado e seu rápido desenvolvimento, permitiu-se armazenar grande quantidade de dados em ambientes virtuais abrindo espaço para se desenvolver o Geoprocessamento, utilizando-se técnicas computacionais para o tratamento de informações geográficas.

As principais características destes sistemas são a capacidade de inserir e integrar dados, informações espaciais, provenientes de diferentes fontes (dados cartográficos, censitários, ambientais, imagens aéreas ou de satélites,

etc.) em um único banco de dados, oferecendo mecanismos para combinar, manipular e analisar as informações.

A razão principal da relação interdisciplinar forte entre Cartografia e Geoprocessamento é o espaço geográfico. Cartografia preocupa-se em apresentar um modelo de representação de dados para os processos que ocorrem no espaço geográfico. Geoprocessamento representa a área do conhecimento que utiliza técnicas matemáticas e computacionais, fornecidas pelos Sistemas de Informação Geográfica (SIG), para tratar os processos que ocorrem no espaço geográfico. Isto estabelece de forma clara a relação interdisciplinar entre cartografia e geoprocessamento.

Um último aspecto a ser explorado na relação interdisciplinar entre Cartografia

e Geoprocessamento diz respeito à incerteza. Tudo o que se mede ou se

modela está sujeito a erros e esses erros respondem pela qualidade de um

mapa ou da base de dados num SIG. A questão não é a busca da perfeição, mas sim o conhecimento da incerteza.

O componente de erro mais explorado é a incerteza quanto à localização. A

exatidão de posicionamento é dada pelo erro na posição ou na localização,

com relação ao sistema de referência da base de dados, de pontos bem definidos. O usuário de SIG deve se preocupar, por exemplo, com o erro na medição das coordenadas dos pontos de controle com GPS ou então com o erro planimétrico associado à escala dos mapas.

Outro componente de erro muito importante é a incerteza na atribuição de valores ou classes aos objetos que compõem a base de dados. A exatidão de atributos questiona a correção com que os atributos são associados aos objetos.

DADOS ESPACIAIS

Dados espaciais caracterizam-se especificamente pelo atributo da localização geográfica. Há outros fatores importantes inerentes aos dados espaciais, mas a localização é preponderante. Um objeto qualquer (como uma cidade, a foz de um rio ou o pico de uma montanha) somente tem sua localização geográfica estabelecida quando se pode descrevê-lo em relação a outro objeto cuja

posição seja previamente conhecida ou quando se determina sua localização em relação a certo sistema de coordenadas.

O estabelecimento de localizações sobre a superfície terrestre sempre foi um dos objetos de estudo da Geodésia, ciência que se encarrega da determinação da forma e das dimensões da Terra.

GEODÉSIA

A definição de posições sobre a superfície terrestre requer que a Terra possa ser tratada matematicamente. Para o técnico a melhor aproximação dessa Terra matematicamente tratável é o geóide, que pode ser definido como a superfície equipotencial do campo da gravidade terrestre que mais se aproxima do nível médio dos mares. A adoção do geóide como superfície matemática de referência esbarra no conhecimento limitado do campo da gravidade terrestre.

Por isso que a Cartografia vale-se da aproximação mais grosseira aceita pelo geodesista: um elipsóide de revolução . Visto de um ponto situado em seu eixo de rotação, projeta-se como um círculo; visto a partir de uma posição sobre seu plano do equador, projeta-se como uma elipse, que é definida por um raio equatorial ou semi-eixo maior e por um achatamento nos pólos.

Neste ponto torna-se oportuno colocar o conceito de datum planimétrico. Começa-se com certo elipsóide de referência, que é escolhido a partir de critérios geodésicos de adequação ou conformidade à região da superfície terrestre a ser mapeada. O próximo passo consiste em posicionar o elipsóide em relação à Terra real. Para isto impõe-se inicialmente a restrição de preservação do paralelismo entre o eixo de rotação da Terra real e o do elipsóide. Com esta restrição escolhe-se um ponto central (ou origem) no país ou região e se impõe, desta vez, a anulação do desvio da vertical, que é o ângulo formado entre a vertical do lugar no ponto origem e a normal à superfície do elipsóide. Fica definida então a estrutura básica para o sistema geodésico do país ou região: o datum planimétrico. Trata-se, portanto, de uma superfície de referência elipsoidal posicionada com respeito a certa região. Sobre esta superfície realizam-se as medições geodésicas que dão vida à rede geodésica planimétrica da região.

Dado um ponto sobre a superfície do elipsóide de referência de certo datum planimétrico, a latitude geodésica é o ângulo entre a normal ao elipsóide, no ponto, e o plano do equador. A longitude geodésica é o ângulo entre o meridiano que passa no ponto e o meridiano origem (Greenwich, por convenção). Fala-se aqui da definição do sistema de paralelos e meridianos sobre a superfície elipsoidal do datum.

Um dos problemas típicos na criação da base de dados de um SIG aqui no Brasil tem sido a coexistência de três sistemas geodésicos de referência:

Córrego Alegre e SAD- 69. Algumas cartas topográficas referem-se à Córrego Alegre, que é o mais antigo datum planimétrico brasileiro, enquanto outras utilizam como referência o SAD-69.

Entretanto a Resolução do Presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nº 1 de 2005 altera a caracterização do Sistema Geodésico Brasileiro (SGB), definindo como SGB e para o Sistema Cartográfico Nacional (SCN), o sistema SIRGAS 2000 (Sistema de Referência Geocêntrico para as Américas).

SISTEMAS DE COORDENADAS GEOGRÁFICAS

O usuário de Sistemas de Informação Geográfica está acostumado a navegar em seus dados através de ferramentas simples como o apontamento na tela com o cursor e a subseqüente exibição das coordenadas geográficas da posição indicada. Por trás da simplicidade aparente dessa ação, há algumas transformações entre diferentes sistemas de coordenadas que garantem a relação entre um ponto na tela do computador e as coordenadas geográficas.

SISTEMA DE PROJEÇÃO UTM - “UNIVERSAL TRANSVERSE MERCATOR”

O mapeamento sistemático do Brasil, que compreende a elaboração de cartas topográficas, é feito na projeção UTM (1:250.000, 1:100.000, 1:50.000, 1:25.000). Relacionam-se, a seguir, suas principais características:

- a superfície de projeção é um cilindro transverso e a projeção é conforme;

- o meridiano central da região de interesse, o equador e os meridianos situados a 90° do meridiano central são representados por retas;

- os outros meridianos e os paralelos são curvas complexas;

- a escala aumenta com a distância em relação ao meridiano central, tornando- se infinita a 90° do meridiano central;

- como a Terra é dividida em 60 fusos de 6° de long itude, o cilindro transverso adotado como superfície de projeção assume 60 posições diferentes, já que seu eixo mantém-se sempre perpendicular ao meridiano central de cada fuso;

- aplica-se ao meridiano central de cada fuso um fator de redução de escala igual a 0,9996, para minimizar as variações de escala dentro do fuso;

- duas linhas aproximadamente retas, uma a leste e outra a oeste, distantes cerca de 1°37’ do meridiano central, são representa das em verdadeira grandeza.

SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA

O sistema de informação geográfica utilizado para a realização deste trabalho

foi o software ARCGIS versão 9.1. Os mapeamentos e a interpretação das ortofotos digitais, foram realizados com a função EDITOR, usando como apoio o mapeamento realizado pela Fundação Florestal para o Plano de Manejo do

Parque Estadual da Serra do Mar (PMPESM).

O sistema de geodésico utilizado para a demarcação de estremas do Jardim

Botânico de Cubatão é o WGS 84, compatível com o sistema SIRGAS 2000, classificado atualmente como oficial para o Brasil pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

DESCRIÇÃO DE ESTREMAS DO JARDIM BOTÂNICO DE CUBATÃO

Para a descrição dos limites (estremas) do Jardim Botânico de Cubatão (ANEXO I), utilizamos a o sistema de referenciamento geodésico WGS 84, sistema compatível com o sistema SIRGAS 2000 ao nível de centímetro, de acordo com Resolução do Rio do Janeiro, do IBGE, sobre a transição do Sistema Geodésico Brasileiro.

Para a utilização deste sistema, usou-se a metodologia de conversão estabelecida pelo IBGE para conversão dos sistemas Córrego Alegre e SAD 69 para o sistema WGS 84.

Para a definição do limites do Jardim Botânico de Cubatão, utilizamos o banco de dados fornecido pela Fundação Florestal no PMPESM, juntamente com o

banco de dados disponibilizado pela CDHU, parcerias realizadas para atender ao Termo de Referência do Banco Interamericano de Desenvolvimento, na contratação de consultores para o Programa do Banco que tem como propósito promove a conservação, uso sustentável e a recuperação sócio-ambiental do Parque Estadual Serra do Mar.

A criação do Parque Estadual da Serra do Mar foi realizada através do Decreto

10.251 de 1997 e, complementado pelo Decreto 13.313 de 1979, que dá nova

redação ao artigo 2º do Decreto 10.251/77. Estes decretos consideram a importância da flora e fauna ocorrentes em todo o trecho da Serra do Mar, em seus biomas e ecossistemas.

Devido à grande extensão do Parque Estadual Serra do Mar, a descrição de

estremas do Parque fica parcialmente prejudicada quando necessitamos da descrição parcial dos limites em uma escala pequena. Caso do limite próximo a cidade de Cubatão, entre os pontos P25 e P30, que constam do Decreto

13.313 de 1979, em especial na área conhecida como bairro da Água Fria,

área de ocupação irregular dentro do Parque Estadual Serra do Mar. A utilização do sistema de referência no decreto 13.313 de 1979 não foi descrita. De acordo com a data deste decreto, presume-se utilização do sistema de referência Córrego Alegre, em vigência no período.

ANEXO I

MEMORIAL DESCRITIVO DE ESTREMAS

IMÓVEL: Jardim Botânico de Cubatão

INSTITUIÇÃO: Secretaria de Estado do Meio Ambiente – Instituto Florestal e Instituto de Botânica de São Paulo

MUNICÍPIO: Cubatão

UF: SP

ÁREA: 347.99 ha ou 3.479.918 m².

SISTEMA DE COORDENADAS: UTM

DATUM: WGS _1984 – Zona 23 S

Inicia-se a descrição deste perímetro no ponto, situado a margem esquerda da Rodovia dos Imigrantes, sentido litoral, na saída do túnel, nas coordenadas UTM 349786 e 7356447, deste segue acompanhado esta Rodovia até coordenadas UTM 350308 e 7356280. Deste segue acompanhando estrada de serviços do Parque Estadual Serra do Mar até coordenada UTM 350467 e 7356371. Segue ainda acompanhado a estrada, até a coordenada UTM

350536 e 7356146, continua acompanhando a estrada e atravessando o rio

Cubatão até coordenada UTM 350548 e 7356005. Continua acompanhado a estrada até o ponto coordenada UTM 350979 e 7355919. Segue até a

coordenada UTM 351015 e 7355950. A partir deste ponto acompanha novamente a Rodovia dos Imigrantes até coordenada UTM 351162 e 7355894. Segue linha reta até coordenada UTM 351138 e 7355703. Segue acompanhando a Rodovia Padre Manuel da Nóbrega até coordenada UTM

351730 e 7355910. Segue linha reta até coordenada UTM 351918 e 7356031.

Acompanha margem esquerda do trevo de acesso da Rodovia Padre Manuel da Nóbrega para Rodovia dos Imigrantes até coordenada UTM 352294 e 7356240. Segue acompanhando novamente a Rodovia Padre Manuel da Nóbrega até coordenada UTM 352697 e 7356381. Segue até coordenada UTM 352712 e 7356399. Acompanha novamente a Rodovia Padre Manuel da Nóbrega até coordenada UTM 353475 e 7356404. Segue linha reta até coordenada UTM 353629 e 7356660. Segue linha sobre o divisor de águas até coordenada UTM 353043 e 7356739. Segue até coordenada UTM 352866 e 7356839, continua até coordenada UTM 352798 e 7356850, continuando até

coordenada UTM 352498 e 7356809 e dai até coordenada UTM 352408 e

7356805. Continua acompanhando o divisor de águas até a coordenada UTM

351732 e 7356413. Segue em linha reta, atravessando o rio Cubatão até

coordenada UTM 351453 e 7356692. Acompanha a margem do rio Cubatão até coordenada UTM 352017 e 7357671. Segue até coordenada UTM 351989

e 7357679. Daí continua em linha reta até coordenada UTM 351928 e 7357898. Segue até coordenada UTM 351826 e 7357897 e continuando até coordenada UTM 351782 e 7357943. Deste ponto até coordenada UTM

351760 e 7357929. Dai até coordenada UTM 351713 e 7357924. Segue em

linha reta até coordenada UTM 351459 e 7357816. Continua até coordenada UTM 351400 e 7357816. Segue linha reta até coordenada UTM 351281 e

7357516. Dai até coordenada UTM 351185 e 7357585. Deste ponto acompanha a Rodovia Anchieta até coordenada UTM 350215 e 7356890.

Segue até coordenada UTM 350256 e 7356797. Dai segue em linha reta até coordenada UTM 349977 e 7356665. Deste ponto até coordenada UTM 349929 e 7356800. Acompanha novamente a Rodovia Anchieta até coordenada UTM 349725 e 7356810. Segue linha reta até coordenada UTM

349621 e 7356708. Dai até coordenada UTM 349555 e 7356746. Segue até

coordenada UTM 349522 e 7356810. Acompanha a Rodovia Anchieta até coordenada UTM 349414 e 7356710. Acompanha Estrada de serviço do Parque Estadual Serra do Mar até a coordenada UTM 349541 e 7356173. Ainda acompanhando a estrada até coordenada UTM 349381 e 7356234. Deste ponto continua acompanhando a estrada até coordenada UTM 349515 e 7355954, e dai até coordenada UTM 349625 e 7355953. Acompanha ainda a estrada até coordenada UTM 349714 e 7356285. Dai continua acompanhando a Estrada de Acesso a balança de pesagem de caminhões da Rodovia dos Imigrantes, sentido capital, até a coordenada UTM 349876 e 7356328. Deste ponto até coordenada UTM 349858 e 7356329. Acompanha talude do pátio da balança até coordenada UTM 349781 e 7356433. Segue até coordenada UTM 349786 e 7356447 (ponto inicial).

São Paulo, 10 de novembro de 2008

Eng. Agrônomo Fulvio Cavalheri Parajara

ANEXO II

ANEXO II