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EXPERIÊNCIAS FILOSÓFICAS NO ENSINO MÉDIO

Karina Gaspar de Oliveira

Rio de Janeiro Fevereiro de 2010

PREFÁCIO

Ao analisar o livro “Hume, as ficções e os artifícios” a Mestra em Filosofia Karina Gaspar

de Oliveira, através de uma linguagem clara, explora as relações entre os principais conceitos

desenvolvidos por Hume: religião, teoria do conhecimento, política e moral. A imaginação, o

espírito,

a

subjetividade

e

outras

questões

essenciais

do

pensamento

de

David

Hume

são

protagonistas desta tese, que procura despertar no leitor o interesse pela a filosofia britânica.

Depois desse, proporciona-nos Experiências filosóficas no Ensino Médio; um livro com

grande densidade e importância ao refletir sua experiência no trabalho com o ensino de Filosofia no

Ensino Médio. Não é um livro acadêmico (como ela mesma afirma); trata-se de um livro

contagiante na leitura justamente por ser original na abordagem, e pela simplicidade da escrita que o

tornará acessível a muitos que não estão acostumados com terminologia própria dos livros de

filosofia.

O livro é uma grande contribuição na reflexão sobre o ensino da filosofia no Ensino

Médio, que, no Brasil, torna-se cada vez mais um desafio pensar numa metodologia de ensino que

não se estruture somente na bibliografia ou no estudo da História da Filosofia.

Um grande desafio apresentado no ensino de filosofia é não reluzi-lo a mais um saber

enciclopédico. Assim, urge descobrir metodologias de ensino que levem a entender o processo de

ensino-aprendizagem como uma forma de levar o aluno a ser capaz de investigar, repensar e

inventar conceitos. O retorno do ensino da filosofia no ensino médio traz consigo grandes

expectativas e também enormes desafios. Cabe ao educador tomar as medidas pedagógicas

adequadas a fim de ser uma contribuição na formação de cidadãos autônomos, capazes de pensar

por si mesmos. A autora não apresenta nenhuma orientação explícita de prática pedagógica, mas ao

ler seu livro o leitor encontrará uma dinâmica própria e original que ela utiliza ao trabalhar com

temáticas de filosofia sem perder a referência ao texto clássico, mas de modo a se aproximar da

realidade vivida por seus estudantes.

O grande desafio parece ser justamente que o ensinar filosofia transcende a mera leitura de

textos filosóficos. Diferente de acumular conhecimentos sobre a produção dos diversos pensadores,

filosofar é exercitar, organizar e coordenar o pensar, discutir criticamente, correlacionar obras e

autores, confrontar pontos de vista e emitir juízos fundamentados. Forma-se assim um sujeito

crítico que além de filosofar seja capaz de pensar sua realidade, seu momento social. “No ensino de

filosofia, tão importante quanto o processo de filosofar é fazer que os alunos encontrem sentido no

conteúdo filosófico a eles proposto, pois dessa construção de sentido depende o sucesso da

aprendizagem (GHEDIN, 2008, p.117).

Nietzsche defendia que a autonomia pretendida não apenas seria conseguida pela razão,

mas, sobretudo, a verdadeira emancipação deriva do crescimento da liberdade, da vontade e da

potência. Isso nos leva a acreditar que além da preparação teórico-técnica o professor de filosofia

deve ter também uma experiência filosófica; caso contrário será mais um comunicador do

conhecimento teórico e frio da filosofia, levando os estudantes a enfadar-se do pensamento

filosófico.

Se para Hegel o ato de ensinar filosofia leva necessariamente ao filosofar, em Kant

encontramos justamente esta diferenciação de que “não se ensina filosofia e sim filosofar”. Não é

nosso objeto de estudo entrar no mérito do debate, mas de uma forma prática podemos dizer que se

a aula de filosofia não for uma atualização dos textos clássicos, ficando apenas no conhecimento

teórico, sem que o docente busque despertar os alunos para o fato de que os grandes pensadores da

história perderam muito tempo de suas vidas para que pudessem propiciar uma reflexão sobre

problemas que ainda hoje nos são capazes de despertar curiosidade e motivar-nos a reflexão,

estaremos necessariamente banalizando o ensino de filosofia e depreciando seu valor, levando a

uma visão negativa da disciplina.

Os leitores certamente perceberão neste livro que a autora conjuga pesquisa e ensino num

ótimo subsídio para poder motivar-se cada vez mais a pensar e organizar propostas pedagógicas que

possibilitem um estabelecimento perene da filosofia no Ensino Médio de forma que sua presença

traga grandes contribuições na educação de cidadãos atuantes na sociedade brasileira.

Fábio Antonio Gabriel professor colaborador do curso de filosofia da Universidade

Estadual Norte Paraná; autor de Filosofando, noções introdutórias e Filosofando sobre a existência

Aos professores de Filosofia, companheiros de sonhos,

conquistas e muito trabalho.

AGRADECIMENTOS ESPECIAIS

Nestes seis anos de trabalho e pesquisa, foram muitos os amigos que compartilharam comigo estas experiências:

Minha família: Márcia, Jorge e Karla.

Meu maior incentivo: Alberto meu filho.

Amigos queridos: Regina, Daisy, Valesca, Miriã, Cristiane, Jonathan e Marcelo.

Mestres: Profa. Maria Helena Lisboa da Cunha e Profa. Anelice Ribetto.

Ao prof. Fabio Gabriel, autor do prefácio pela atenção e boa vontade.

Experiências Filosóficas no Ensino Médio não é um livro acadêmico. Não

foi feito para discutir teorias pedagógicas. Não obedece a uma cronologia

precisa da história da Filosofia. Seus capítulos são independentes, mas estão

interligados na medida em que discutem determinados temas da Filosofia.

Convidamos o leitor a conhecer textos, músicas, filmes, poesias, obras de

arte e de literatura. Convidamos à criação, à experimentação de um

pensamento crítico e alegre. Boa leitura!

Karina Gaspar de Oliveira

PREFÁCIO

1. FILOSOFIA GREGA

SUMÁRIO

2. O MITO DA CAVERNA E OS TIPOS DE ESCRAVIDÃO

3. BIOÉTICA NO ENSINO MÉDIO

4. CULTURA E FILOSOFIA

5. INDÚSTRIA CULTURAL: CULTURA DE MASSA, MESMICE E MEDIOCRIDADE

6. CONHECIMENTO E COMUNICAÇÃO

7. ESTÉTICA

8. AUTO-AVALIAÇÃO: ÉTICA E CIDADANIA NA PRÁTICA

9. IDEOLOGIA E PROJETO DE VIDA

10. FILOSOFIA NO VESTIBULAR

11. POLÍTICA

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANEXO

1. FILOSOFIA GREGA

“Não se ensina Filosofia. Se ensina a filosofar.” Immanuel Kant.

Embora ainda não haja um programa da disciplina num âmbito nacional, visto que o

Parâmetro Curricular Nacional de Filosofia deixa a critério da linha filosófica do professor 1 , o

surgimento dela na Grécia é tema obrigatório. Fundamental na medida em que auxilia na

compreensão de inúmeras questões levantadas pelos alunos do Ensino Médio como as seguintes:

Para que serve a Filosofia?

De onde vem esta desconhecida disciplina?

Qual é o conteúdo e quais os objetivos dela?

A primeira atividade que desenvolvemos em uma aula de filosofia para principiantes é o

acróstico que também poderá ser utilizado em diversas outras atividades. Ele servirá como uma

espécie de “palavra-puxa-palavra” na qual se discute com o grupo as palavras escolhidas por cada

um e se são coerentes com o tema abordado. Entre inúmeros feitos pelos alunos em sala de aula,

escolhemos o seguinte:

Felicidade Ideias Liberdade Observação Sabedoria Originalidade Fases da vida Interagir Aprendizado

A Grécia e o conceito de filosofia são, portanto, os pontos de partida para uma viagem pela

história da Filosofia. Tales de Mileto, descrito pelos historiadores como o primeiro filósofo, foi

também um dos precursores do que hoje os pedagogos classificam como interdisciplinaridade. A

1Parâmetros

Curriculares

Nacionais

(Ensino

Médio).

Disponível

em:

filosofia de Tales é a expressão da Paidéia grega- a filosofia está em tudo- matemática, física e

astronomia se misturam, se interligam.

Em suas viagens pelo Egito ele constatou a impossibilidade de uma filosofia egípcia por

inúmeros fatores: opressão religiosa através de um rigoroso sistema de crenças e práticas morais, no

qual política e religião paralisam o pensamento. O povo escravizado vivia em função de construir:

construir pirâmides, alimentar os sonhos do faraó. O rei Sol era a figura dominante, presença

marcante; quase sobrenatural.

No Egito, Tales se encantou com as pirâmides. Observou-as dias consecutivos e criou

teoremas a partir dessas observações. Alguns autores afirmam que ele teve insolação, mas o que

importa é que sua alma de filósofo permitiu que ele descobrisse de que modo o faraó manipulava

seus súditos. Com amplos conhecimentos de Geologia e Agricultura, entre outros, era possível, por

exemplo, prever a época das cheias e de baixa do rio Nilo e utilizar este conhecimento a seu favor

afirmando ter poderes sobre a natureza:

O excelso faraó não era somente juiz supremo e comandante e chefe do Exército, mas também o único representante dos deuses na terra. Como delegado divino, o soberano era a garantia de que os deuses continuariam favorecendo o Egito, mantendo-o seguro. (BIBLIOTECA EGITO: S/D,70).

Os pré-socráticos buscavam o princípio de tudo. Tales acreditava que era a água:

Aristóteles chamava-o de fundador da filosofia e ele lembra a sua doutrina de que a água é o elemento primordial de todas as coisas e que a Terra flutua sobre a água. (BORNHEIM: 1998, 22).

Demócrito é um exemplo importante para que o aluno compreenda a relevância da filosofia

e o fato de que ela não é uma ciência isolada. Coragem, determinação e curiosidade moviam os

gregos em uma democracia, onde as artes, a retórica e o constante questionamento eram praticados

em locais públicos e valorizados.

Heráclito compreendeu que “Tudo flui”, isto é, a vida sofre intensas transformações que são

os movimentos infinitos do universo e a natureza que se recria em novos animais e plantas. É a

filosofia que torna o homem um amante da sabedoria. Por que ninguém se banha duas vezes no

mesmo rio? Por que o rio não é o mesmo de um segundo atrás pois ideias, sentimentos e pessoas

estão se modificando constantemente.

Heráclito utiliza o gerúndio. Nunca o particípio. A filosofia é uma expressão da Archè

(princípio) e também da Phronesis (paixão). É a intensidade da vida:

O fogo se transforma em todas as coisas e todas as coisas se transformam em fogo,

assim como se trocam as mercadorias por ouro e o ouro por mercadorias. (BORNHEIM:1998, 41).

As diferenças entre a Grécia e o Egito foram amplamente discutidas com os alunos. Em

grupos, após prévia pesquisa, eles fizeram quadros comparativos entre as características de cada

povo.

As

perguntas para o debate foram as seguintes:

a)

Por que a filosofia surgiu na Grécia e não no Egito?

b)

Diferenças entre a democracia grega e o poder do faraó;

c)

Que condições foram propícias na Grécia para o surgimento do pensamento racional?

O

texto Grécia Arcaicaaponta as condições favoráveis culturais, geográficas, políticas e

religiosas:

Os

gregos organizavam-se, assim, em pequenas unidades políticas, as cidades-estados ou polis. Esse relevo acidentado, entretanto, dificulta as invasões estrangeiras ( todas essas trocas comerciais eram acompanhadas por trocas culturais. (FRANCO JR: 1994,6).

)

O grande número de ilhas próximas permite a navegação com segurança (

).

Um quadro com essas características foi elaborado com os alunos após a leitura para mostrar

a influência da filosofia em outras disciplinas. Eles foram convidados a pesquisar através de que

conceitos a filosofia influenciou outras ciências:

DIREITO

SOCIOLOGIA

Leis/tratados

democracia

FILOSOFIA

HISTORIA

PSICOLOGIA

QUIMICA

Tempo

psique

átomo

O texto Como milho da pipoca, de Rubem Alves, serviu de base para a reflexão, isto é, foi

importante para que eles pudessem compreender que a pergunta inicial- o que é Filosofia?- é de

uma infinita variedade de definições. No conto há dois tipos de milho: o que vira pipoca e o que se

recusa a estourar. A transformação não é fácil. Requer coragem, persistência e sabedoria:

Bem mas ainda temos o piruá que é o milho que se recusa a estourar. São aquelas pessoas que por mais que o fogo esquente se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito de elas serem. A presunção e o medo são a dura casca de milho que não estoura. O destino delas é triste. Ficarão duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva. Não vão dar alegria para ninguém. (ALVES: 2003, p.25).

Os pré-socráticos passaram pelo fogo, pelos obstáculos e sofrimentos da vida e superaram as

adversidades. Kant resumiu em uma frase: “não se ensina Filosofia. Se ensina a filosofar”. Nem

toda a história da filosofia é capaz de produzir um filósofo, pois ele surge da dúvida, da curiosidade

e do direito de conhecer.

Para ser filósofo não se pode limitar ao comportamento de um piruá, o

milho que não estoura e, sim, ser uma pipoca em movimento.

Aproximar a filosofia grega do cenário contemporâneo é uma tarefa que exige pesquisa.

Livros de História, Geografia, Química e Astronomia não devem ser ignorados. Uma experiência

bastante positiva foi na aula sobre Demócrito a participação de um professor de Química que, com a

Tabela Periódica, ampliou o estudo inicial dos fragmentos tornando a aula interdisciplinar.

Professores de matemática foram consultados para as aulas sobre Tales. Felizmente, muitos dos

alunos têm conhecimento sobre sua produção enquanto matemático. Daí a necessidade de trabalhar

tanto com textos quanto com exemplos:

O pensamento de Heráclito:

Os filósofos milesianos (Tales, Anaximandro, etc.) haviam percebido o dinamismo das mudanças que ocorrem na physis, como o nascimento, o crescimento e o perecimento, mas não chegaram a problematizar a questão. Heráclito, inserido dentro do contexto pré-socrático, parte do princípio de que tudo é movimento, e que nada pode permanecer estático. Panta rhei, sua "máxima", significa "tudo flui", "tudo se move", exceto o próprio movimento. Ele exemplifica, dizendo que não podemos entrar duas vezes no mesmo rio, porque, ao entrarmos pela segunda

vez, não serão as mesmas águas que estarão lá, e a mesma pessoa já será diferente (de fato, a Biologia veio a descobrir muito mais tarde que nossas células estão em constante renovação, e isso é uma mudança).

Mas tal questão é apenas um pressuposto de uma doutrina que vai mais além. O devir, a mudança que acontece em todas as coisas é sempre uma alternância entre contrários: coisas quentes esfriam, coisas frias esquentam, coisas úmidas secam, coisas secas umedecem, etc. A realidade acontece, então, não em uma das alternativas, que são apenas parte da realidade, e sim da mudança ou, como ele chama, na guerra entre os opostos. Esta guerra é a realidade, aquilo que podemos dizer que é. Mas essa guerra da qual fala Heráclito não tem essa conotação de violência ou algo semelhante. Tal guerra é que permite a harmonia e mesmo a paz, já que assim é possível que os contrários possam existir: "A doença faz da saúde algo agradável e bom", ou seja, se não houvesse a doença, não haveria porque valorizar-se a saúde, por exemplo. Ele ainda considera que, nessa harmonia, os opostos coincidem da mesma forma que o princípio e o fim, em um círculo, ou a descida e a subida, em um caminho (pois o mesmo caminho é de descida e de subida); o quente é o mesmo que o frio, pois o frio é o quente quando muda (ou, dito de outra forma: o quente é o frio depois de mudar, e o frio, o quente depois de mudar, como se ambos, quente e frio, fossem "versões" diferentes da mesma coisa).

1. Que contribuições Heráclito fez à filosofia grega segundo o texto?

2. Cite duas descobertas de Tales de Mileto.

3. Diferencie a Grécia do Egito na antiguidade

4. Das condições favoráveis para o surgimento da filosofia na Grécia podemos citar: (assinale

as alternativas corretas)

(

) mar agitado

(

) relevo acidentado

(

) isolamento cultural dos gregos

(

) politeísmo

(

) solo pouco favorável

5- Explique com suas palavras as frases abaixo:

a) “Só sei que nada sei”

b) “ A água é o princípio de tudo”

6- Justifique o surgimento da filosofia na Grécia a partir da frase de Jean Pierre Vernant:“Advento

da pólis, nascimento da Filosofia: entre as duas ordens de fenômenos os vínculos são demasiado

estreitos para que o pensamento racional não apareça, em suas origens, solidário das estruturas

sociais e mentais próprias da cidade grega”.

Ainda sobre Heráclito, insistindo na tentativa de ligar passado, presente e futuro, Filosofia,

ciências naturais e tecnologia, Ross, sugere em Vitaminas Filosóficas, em dois volumes que

tratam os filósofos como médicos e seus ensinamentos como vitaminas, como impulsos para a

criação, para a cura do desânimo e da acomodação:

“Eu sou um estudioso de mim mesmo”, falava. Ele foi o primeiro filósofo, o pioneiro em tratar espiritual e internamente de Fenômenos da natureza exterior. Assim nasceu a Psicologia. Detlef B. Linke, um neurologista interessado em Filosofia, chamou-o “teórico da rede neural”. No cérebro também tudo flui e, para isso, a rede de neurônios apresenta uma estrutura hierárquica. De acordo com os mais avançados estudos de neurologia, tudo está interligado, não há um comando central, um “eu” central. Há 2,5 mil anos Heráclito antecipou as descobertas da fisiologia cerebral e das redes de computadores. (Roos: 2006, 79).

A Grécia pode ser explorada sob diversos aspectos e (autores) filósofos: Parmênides,

Xenofontes, Platão, Aristóteles

De alguns só restaram fragmentos; de outros, diversos volumes.

Os gregos inspiraram a literatura, o teatro, o cinema, a estética, a ética, a política, o direito

Mas por que a filosofia nasceu na Grécia?

Porque a filosofia nasceu na Grécia? Sabemos que um dos elementos originantes da filosofia foi a inquietação humana na busca de explicações para o real. Nessa busca, uma das primeiras formas de se tentar explicar o mundo foi com os mitos. Com o transcorrer dos tempos as explicações míticas já não satisfaziam mais. A constatação disso se deu na Grécia. Essa, portanto, é a nossa questão, aqui:

entender como e porque a filosofia, como a entendemos hoje, nasceu na Grécia. Todos os homens, em todos os tempos, desenvolveram algum tipo de reflexão, explicando seu mundo. Essa reflexão pode ser entendida como um filosofar. O ser humano sempre foi pensante e perguntante e isso fez dele um ser filosofante. Entretanto, a filosofia, como é entendida hoje, um

sistema lógico e sistemático, nasceu na Grécia. (

nasce não de mentes criativas, mas de necessidades específicas de teorização, ou de explicação racional. Diversos outros povos desenvolveram explicações para o mundo, o homem e as relações sociais, mas fizeram isso, como vimos, de forma mítica;

)

A filosofia, portanto

nenhum com as características daquelas desenvolvida pelos Gregos a partir, principalmente, do século VII aC. Sem entrar na particularidade de cada cultura, podemos assinalar alguns exemplos. Podemos dizer que para os orientais o universo é mantido pelo equilíbrio de forças opostas simbolizado na filosofia do Yin e Yang. Por sua vez os hebreus explicam a origem do mundo mediante a ação criadora de Deus, que entrega sua criação aos seres humanos, como podemos ler na Bíblia, no livro do Gênesis. Em várias culturas, de várias nações de indígenas brasileiros, encontramos narrativas míticas explicando as origens tanto daquele povo como do mundo como é conhecido por aquela civilização.

E assim por diante, cada povo tem a sua explicação, a sua cosmovisão.

Observando cada mitologia, em cada cultura diferente, podemos nos colocar a questão: qual é a filosofia que os mantém? Nessas mitologias pode ser

encontrado algum filosofar? (

estruturação racional das realidades e das relações sociais e políticas que se desenvolveram na Europa ( )

A política, como a entendemos hoje, nasceu na Grécia. E esse elemento foi

importante para o desenvolvimento da filosofia. Principalmente por que se deu a partir de um processo de reorganização das relações de poder. As tribos e clãs se reestruturaram dando origem às cidades-estado. O poder que era exercido pelo “patriarca” ou pelo irmão mais velho, passou a ser questionado e, na cidade (polis) organizaram-se as assembléias dos cidadãos

Nas

assembléias da praça eram tomadas as decisões a partir dos debates, das

argumentações pró e contra. As decisões nasciam dos debates.

(homens livres, ricos e que tinham nascido naquela cidade).(

)

A filosofia grega possibilitou a

)

A organização social se estruturou machista, principalmente em Atenas, que foi um dos principais focos de irradiação da cultura grega. Essa sociedade tinha por base o regime de escravidão: o trabalho do escravo permitia aos cidadãos mais tempo para se dedicarem à política e ao debate: é que podemos chamar de ócio virtuoso. As relações sociais entre os cidadãos, com mais tempo disponível para os debates, travavam conhecimento com outros povos e costumes, o que lhes permitia fazer comparações e generalizações e tirar conclusões novas. A sociedade grega, antes agrária e clânica, nos tempos do desenvolvimento da filosofia estava estruturada na cidade e se fundamentava no comércio e numa sociedade escravista.

A cultura é uma expressão da sociedade. Mas no caso grego isso tem um significado especial. As cidades-estados, gregas, estavam voltadas para o exterior, para o comércio. Havia poucas relações intracontinente. Mas por mar e com povos diferentes havia intenso intercâmbio não só comercial, como também cultural. Assim os gregos recebiam muitas influências de outros povos que lhes traziam valores culturais diferentes. Esse intercâmbio possibilitou assimilar novas informações que, cruzadas com seus conhecimentos, possibilitaram novas conclusões. Os gregos aprenderam muito com os povos com os quais mantinham relações comerciais. E isso foi sendo incorporado ao seu substrato cultural. Algumas inovações gregas:

calendário contando o tempo linearmente, a vida essencialmente urbana, comercial e fabril, com divisão social das funções. A partir de influências fenícias escrita passa a ser alfabética, deixando de ser ideográfica, como em

outros povos. Isso facilitou a prática de construção de textos e da comunicação, através da combinação de caracteres para formar palavras. Essa forma de escrita facilitou a comunicação pormenorizada dos conceitos. A novidade grega, portanto, não é a criação, mas are-elaboração. Disponível

em:<http://www.artigonal.com/educacao-artigos/porque-a-filosofia-nasceu-

na-grecia-376906.html>.Acesso em: 22 de setembro de 2009.

1. Segundo o texto, cite três benefícios trazidos pela escrita alfabética.

2. Retire do texto duas invenções políticas gregas.

3. Diferencie a explicação grega para a origem do mundo, da dos demais povos antigos.

4. De que maneira, segundo o texto, as intensas trocas culturais favorecem o surgimento da Filosofia?

5. Qual era a utilidade pública das assembleias?

LEIA O TEXTO E ESPONDA À QUESTÃO 6:

“A filosofia, desenvolvida pelos gregos possibilitou um grande passo na busca da compreensão do real. O desenvolvimento da racionalidade permitiu ver além das aparências. Permitiu ver mais. Permitiu ver, além do fato, suas origens e suas conseqüências, que passam a ser, também, fatos interligados a outros. Inaugura-se, dessa forma, uma nova visão de história. É possível perceber a ação humana na construção da história; a vida humana deixa de ser uma brincadeira dos deuses, para ser resultante dos condicionamentos e das relações humanasNeri de Paula Carneiro.

06- A partir do trecho acima, relacione Racionalidade e Filosofia.

07 Justifique a importância da invenção da moeda na Grécia.

08- Cite duas diferenças entre a Grécia e o Egito antigo.

09- Cite dois benefícios do surgimento da vida urbana na Grécia.

.

10- Explique a frase: "Não se ensina Filosofia. Se ensina a filosofar".

11- “A verdadeira filosofia é reaprender a ver o mundo”- esta frase do filósofo Merleau-Ponty

aponta a filosofia como um caminho para a transformação do pensamento humano. Explique

com suas palavras que benefícios a reflexão filosófica pode provocar em um indivíduo e em um

povo.

Embora o tempo da disciplina nas escolas ainda seja curto em relação às outras disciplinas

(um

ou dois tempos de 50 minutos por semana em

média), a tendência é que este sofra

modificações com a inclusão da disciplina nas três séries do Ensino Médio:

ARTIGO VI Serão incluídas a filosofia e a sociologia como disciplinas obrigatórias em todas as séries do Ensino Médio. (Lei 11684).

Vestibulares de universidades públicas federais também estão incluindo a disciplina em seu

processo seletivo: A UFRJ já iniciou a inclusão em 2007 e a UFF inicia em 2008. Demócrito, Tales,

Platão, Aristóteles e outros filósofos estarão cada vez mais próximos trazendo à contemporaneidade

a sabedoria grega.

Aristóteles e outros filósofos estarão cada vez mais próximos trazendo à contemporaneidade a sabedoria grega.

Disponívelem:http://meandros.files.wordpress.com/2008/10/heraclito-parmenides-

filosofia.gif.

A charge acima trata com humor as maiores diferenças entre as teorias de Heráclito e

Parmênides e pode ser trabalhada como atividade de encerramento dos filósofos pré-socráticos. O

professor pode, ainda, sugerir aos alunos que criem suas próprias charges sobre o surgimento da

filosofia na Grécia.

2.O MITO DA CAVERNA E OS TIPOS DE ESCRAVIDÃO

“Quem de três milênios, não é capaz de se dar conta, vive na ignorância, na sombra, a mercê dos dias, do tempo. Goethe.

ia, na sombra, a mercê dos dias, do tempo ” . Goethe. Disponível em: http://aletheiaeatabularasa.blogspot.com/.

Disponível em: http://aletheiaeatabularasa.blogspot.com/.

Uma das mais conhecidas passagens da história da Filosofia, o Mito da Caverna, do filósofo

grego Platão, inspirou filmes, livros, peças de teatro e, mais recentemente, vídeos na internet 2 . O

2 PLATÃO. A República.São Paulo:Martins Fontes Editora, 2009.

texto é apresentado em forma de diálogo, como em suas outras obras. Na República”, Platão

discute como deve ser um governo ideal. Através do personagem-filósofo Sócrates, ele interroga e

convida à reflexão seus alunos que apenas concordam com suas ideias e teorias:

Sócrates- Imagina agora, ao longo deste pequeno muro, homens que transportam objetos de toda espécie que os transpõem; estatuetas de homens e animais, de pedra, de madeira e toda espécie de matéria; naturalmente entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio. Glauco- Um quadro estranho e estranhos prisioneiros.

No capítulo VII descreve a dura realidade de habitantes de uma caverna. Eles vivem na

escravidão e na escuridão. Não questionam nem fazem movimentos para modificar o ambiente em

que vivem. 3

A escuridão é a metáfora da ignorância. Entretanto, um dos moradores, consegue se libertar

das correntes. Ele vê a luz do sol, que quase o cega. O sol platônico é o conhecimento, a sabedoria,

a Filosofia. A leitura foi feita nas turmas de maneira teatral. Sócrates e Glauco foram representados

por alunos que realizaram ensaios antes da apresentação.

O tema do bimestre era: “É possível ser livre?” Os alunos já haviam estudado o conceito de

escravidão, a escravidão ao longo da história e a escravidão hoje. O texto filosófico foi utilizado

para questionar a escravidão do pensamento e a dificuldade de se libertar dela:

Sócrates- Considera agora o que lhes acontecerá naturalmente, se forem libertados de suas cadeias e curados de sua ignorância. Que se liberte um desses prisioneiros que seja ele obrigado a endireitar-se imediatamente, a voltar o pescoço, a caminhar, a erguer os olhos para a luz. Ao fazer todos esses movimentos sofrerá, e o deslumbramento impedilo-á de distinguir os objetos de que antes via as sombras.

Após algumas aulas discutindo, o tema Escravidão e liberdadefoi proposto por um aluno.

A ideia/objetivo era, através de um desenho ou montagem com imagens de jornais e revistas,

“resumir” em uma ilustração as relações entre escravidão física e o trabalho exaustivo com a

escravidão da ignorância, do pensamento. Os resultados foram surpreendentes e auxiliaram os

3 Ler: PESSANHA, José Américo Mota. Platão e as idéias. In: REZENDE, Antonio. Curso de Filosofia. Rio de Janeiro:

Jorge Zahar Editor, 2004.

alunos a entender e recordar, na hora dos exames, os conteúdos discutidos. Cavernas, escravos em

diversos períodos históricos, escravos da internet e do consumo/moda também apareceram entre as

produções.

O poema Eu etiquetade Carlos Drummond de Andrade estudado junto com o texto a

Indústria Culturalde Theodor Adorno foi lembrado pela temática da escravidão da moda, da

beleza.

Na hora de escolher um filme que conseguisse fazer uma síntese deste tema tão amplo, foi

escolhida a produção brasileira “Quanto vale ou é por quilo?” Inspirado no conto “Pai contra mãe

de Machado de Assis. No filme, o diretor Sérgio Bianchi faz um paralelo entre a escravidão do

século XIX no país e a escravidão atual onde o negro teve a senzala substituída pela favela.

Entretanto, a exclusão social permanece.

Com o lema “mais valem pobres na mão do que pobres roubando” é possível compreender

como políticos, empresários e ONGs mantêm a desigualdade social e a ignorância. Os alunos

perceberam com certa facilidade as relações presentes no filme apresentado com o Mito da

Caverna, pois nos dois casos é a ignorância que mantém os homens na escuridão. Foram propostas

algumas questões para a reflexão:

a) O mito da Caverna é ainda hoje considerado um dos mais importantes textos

filosóficos. Relacione-os aos temas liberdade e escravidão. Platão, através do

personagem filósofo Sócrates, aponta um caminho rumo à liberdade.

b) De que modo é possível ser livre segundo o Mito da Caverna?

c) Existem muitos tipos de escravidão. O mais divulgado é o trabalho forçado. Porém, a

humanidade se submete às outras “prisões invisíveis”. Cite três tipos e explique.

d) O consumismo é uma forma de escravidão? Justifique.

e) Em Quanto vale ou é por quilo?Tem-se um filme que se passa em dois planos

cronológicos: Séculos XIX e XXI. De que modo a escravidão ainda existe no Brasil

de acordo com o filme?

A Música também é um recurso bem aceito por adolescentes. É preciso, entretanto, ser

coerente na escolha. Para finalizar o tema “É possível ser livre?” seguem algumas sugestões de

músicas e poesias:

HAITI (Caetano Veloso)

Quando você for convidado pra subir no adro Da fundação casa de Jorge Amado Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos Dando porrada na nuca de malandros pretos De ladrões mulatos e outros quase brancos Tratados como pretos Só pra mostrar aos outros quase pretos (E são quase todos pretos)

E aos quase brancos pobres como pretos

Como é que pretos, pobres e mulatos

E

quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados

E

não importa se os olhos do mundo inteiro

Possam estar por um momento voltados para o largo Onde os escravos eram castigados

E hoje um batuque um batuque

Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária Em dia de

parada

E a grandeza épica de um povo em formação

Nos atrai, nos deslumbra e estimula Não importa nada:

Nem o traço do sobrado Nem a lente do fantástico, Nem o disco de Paul Simon Ninguém, ninguém é cidadão Se você for a festa do pelô, e se você não for Pense no Haiti, reze pelo Haiti

O

Haiti é aqui

O

Haiti não é aqui

E

na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado Diante de

qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer Plano de educação que

pareça fácil Que pareça fácil e rápido

E vá representar uma ameaça de democratização

Do ensino do primeiro grau

E

se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital

E

o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto

E

nenhum no marginal

E

se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual

Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco Brilhante de lixo do Leblon

E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo

Diante da chacina 111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres

E

pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos

E

quando você for dar uma volta no Caribe

E

quando for trepar sem camisinha

E

apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba

Pense no Haiti, reze pelo Haiti

O

Haiti é aqui

O

Haiti não é aqui

GRES Estação Primeira de Mangueira 1988

O negro samba negro joga capoeira Ele é o rei, na verde e Rosa da Mangueira Será que já raiou a liberdade Ou se foi tudo ilusão Será, que a lei Áurea tão sonhada Há tanto tempo assinada Não foi o fim da escravidão Hoje dentro da realidade, onde está a liberdade Onde está que ninguém viu Moço não se esqueça que o negro Também construiu, as riquezas do nosso Brasil

Pergunte ao Criador,pergunte ao criador quem pintou esta aquarela Livre do açoite da senzala Preso na miséria da favela,

Sonhei

A tristeza do negro acabou

Foi uma nova redenção Senhor, ai senhor Eis a luta do bem contra o mal Que tanto sangue derramou Contra o preconceito racial

que

Zumbi dos Palmares voltou

Miséria SA

Rappa

Senhoras e senhores estamos aqui Pedindo uma ajuda por necessidade Pois tenho irmão doente em casa Qualquer trocadinho é bem recebido Vou agradecendo antes de mais nada Aqueles que não puderem contribuir Deixamos também o nosso muito obrigado Pela boa vontade e atenção dispensada

Bom dia passageiros

É o que lhes deseja

A miséria S.A

Que acabou de chegar

Bom dia passageiros

É o que lhes deseja

A miséria S.A

Que acabou de falar

Lhes deseja, lhes deseja Lhes deseja, lhes deseja

Em sites de música como o Vagalume 4 é possível encontrar as letras. Dependendo do

comportamento da turma não é recomendável levar o rádio para ouvi-las, pois poderá causar

agitação e prejudicar a atividade. Caso haja algum aluno ou grupo com talento para compor pode-se

propor que eles criem uma música sobre o tema que foi estudado.

As três músicas sugeridas tratam da escravidão física. É necessário que o professor não se

fixe na desigualdade social. O que importa é a ignorância, a falta de esclarecimento, de uma

educação de qualidade.

A seguir texto do escritor uruguaio Eduardo Galeano, extraído do Livro dos Abraços, no

qual relata crônicas de duas vivências pela América Latina:

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Vende-se: Uma negra meio bocal, da nação cabinda, pela quantidade de 430 pesos. Tem rudimentos de costurar e passar.

Sanguessugas recém-chegadas da Europa, da melhor qualidade, por quatro, cinco e seis vinténs uma.

Um carro, por quinhentos patacões, ou troca-se por negra.

Uma negra, de idade de treze a quatorze anos, sem vícios, de nação bangala.

Um mulatinho de idade onze anos, com rudimentos de alfaiate.

Essência de salsaparrilha, a dois pesos o frasquinho.

Uma primeirica com poucos dias de parida. Não tem cria, mas tem abundante leite bom.

Um leão, manso feito um cão, que come de tudo, e também uma cômoda e uma caixa de embuia.

Uma criada sem vícios nem doenças, de nação conga, de idade de uns

dezoito anos, e alem disso um piano e outros móveis a preços cômodos. (Dos jornais uruguaios de 1840, vinte e sete anos depois da abolição

da escravatura.)

A ambição de Platão para a Grécia era um rei filósofo. As aulas de filosofia devem despertar

4 Fonte eletrônica: http://vagalume.uol.com.br/.

para o questionamento, para a compreensão dos inúmeros aspectos que levam à escravidão, às

“prisões invisíveis” das quais grande parte da humanidade sequer se dá conta.

QUESTÕES DISCUTIDAS EM AULAS, PROVAS E DISCUSSÕES EM GRUPO:

1. Defina de forma filosófica escravidão.

2. De que modo a filosofia liberta o homem da ignorância, da escuridão?

3. O MITO DA CAVERNA

textos

filosóficos. Relacione-o com a escravidão em países pobres, como os da África, por

exemplo.

é ainda hoje considerado um dos mais importantes

4. Existem muitos tipos de escravidão. O mais divulgado é o trabalho forçado. Porém, a humanidade se submete à outras "prisões invisíveis" , isto é, são as chamadas formas de escravidão psicológicas . Cite dois exemplos.

O BICHO Vi ontem um bicho na imundície do pátio/catando comida entre os detritos/ quando achava alguma coisa/não examinava nem cheirava: engolia com voracidade/O bicho não era um cão/não era um gato/não era um rato/ o bicho, meu Deus, era um homem. Manuel Bandeira

5. Releia o poema e responda: De que modo a desigualdade social desumaniza o homem e mantém as diversas formas de escravidão?

6. Justifique a frase: "O consumismo é uma forma de escravidão dominante no mundo atual e muito divulgado pela mídia".

7. Segundo Platão, grande parte da humanidade vive como os homens do Mito da Caverna. De que modo a ignorância do mundo atual faz com que o texto de Platão pareça que "foi escrito ontem"?

8. Ao longo da história da humanidade é possível identificar em diferentes países e épocas diversas formas de escravidão. Crianças, mulheres e idosos também foram (e ainda são!) submetidos a trabalhos forçados. Cite três épocas e lugares onde é possível localizar este tipo de situação lamentável.

9. No Brasil, há milhões de crianças que são exploradas pelos pais e por outros adultos. Cite três exemplos de trabalho infantil presentes atualmente no campo ou nas grandes cidades.

10. Na Grécia havia escravos? Em que trabalhavam?

11. Em que condições viviam e trabalhavam os servos na Idade Média?

13. O consumismo é atualmente uma das formas mais presentes de escravidão, de ignorância do homem. Explique esta afirmativa.

14. Relacione liberdade e Filosofia.

15. Platão, através do personagem -filósofo Sócrates, aponta um caminho rumo à liberdade. De que modo é possível ser livre segundo o Mito da Caverna.

16. O trabalho infantil é o exemplo mais cruel de escravidão ainda hoje. Cite dois exemplos de trabalho onde crianças são a mão - de -obra utilizada.

17. Cite três tipos de escravidão que não se relacionam ao trabalho forçado.

18. Uma das principais teorias de Platão é o chamado “Mito da Caverna” (ou “Alegoria da Caverna”). Nela, Platão busca explicar a evolução do conhecimento, a partir dos prisioneiros que dão as costas para o sol (do conhecimento) e se prendem às sombras (ilusões do conhecimento).

19. Os depoimentos a seguir foram retirados do site Yahoo. São respostas sobre as possíveis relações entre o Mito da Caverna e a Educação. Comente-os.

QUE RELAÇÃO HÁ ENTRE O MITO DA CAVERNA E A EDUCAÇÃO ?

Arlei- Tem a ver com o inovar, não ter medo de buscar novas metodologias e novas tecnologias para a sala de aula. De certa forma isso assusta alguns professores. Por que formação continuada, eventos e congressos se dentro da minha sala de aula está tão bom? Já formei tantos alunos e eles se "deram bem na vida" Esses comentários, bastante comuns na educação brasileira se relacionam com o mito da caverna, onde pressupõe-se estar seguro, mas lá fora existe uma grande quantidade de tendências e como educadores temos o dever de buscá-las. Nossos alunos merecem.

Josimar- Devemos sair da zona de conforto, buscar mais, fazer além do que os outros fazem. Existem varias fontes de conhecimento, mas nós temos que ir até elas para conquistá-lo. Temos que sair da caverna se quisermos ver e conhecer as coisas do mundo, mas temos que tomar atitudes.

Acesso em: 09 de setembro de 2009. 23h:11min.

20- A partir da música abaixo e do Mito da Caverna relacione conhecimento e ignorância com sombras e luz.

O MITO DA CAVERNA Quarto de Madame

Sombras mais sombras Sombras mais sombras Ao meu redor, ao meu redor!

Hei como pode saber se só o que viu é o fundo da caverna com a pouca luz que vem da fogueira lá

fora

Nem o q te prende como marionete ainda você pode ver

Sai das amarras, vire seu rosto e enxergue pela primeira vez. Sai das amarras, vire seu rosto e enxergue pela primeira vez.

Desprenda Respire Caminhe e veja Corra e sofra contemple esteja Padeça aprenda se entregue e cresça Sorria perceba se queime e vença

Volte e conte a verdade aos outros que mundo lá fora é de vocês Volte e conte a verdade aos outros que o mundo lá fora também é de vocês

O que iriam dizer de você Aquele não sabe mais o que vê Louco Insano

Sai das amarras, vire seu rosto e enxergue pela primeira vez. Volte e conte a verdade aos outros que mundo lá fora é de vocês

Flores e folhas flores e folhas Ao meu redor ao meu redor

No vestibular de 2009 da UFF, o Mito da Caverna esteve presente:

Em seu diálogo A República, Platão descreve na célebre Alegoria da Caverna a situação de homens aprisionados desde a infância no fundo de uma caverna e de tal forma que só podem olhar para uma parede em frente sobre a qual se projetam as sombras de bonecos colocados atrás destes homens. Um destes homens se liberta, sai da caverna e aos poucos se acostuma com a luminosidade externa, começa a distinguir as coisas e por fim descobre o Sol como a fonte da luz. Ele se dá conta, então, da ilusão representada pelas sombras que ele e os outros tomavam como realidade. Exultante com sua descoberta, ele retorna à caverna para relatar sua experiência, que é assim narrada por Sócrates:

“Suponha que esse homem volte à caverna e retome o seu antigo lugar. Desta vez, não seria pelas trevas que ele teria os olhos ofuscados, ao vir diretamente do Sol? E se ele tivesse que emitir de novo um juízo sobre as sombras e entrar em competição com os prisioneiros que continuaram acorrentados, enquanto sua vista ainda está confusa, seus olhos ainda não se recompuseram, enquanto lhe deram um tempo curto demais para acostumar-se com a escuridão, ele não ficaria ridículo? Os prisioneiros não diriam que, depois de ter ido até o alto, voltou com a vista perdida, que não vale mesmo a pena subir até lá? E se alguém tentasse retirar os seus laços, fazê-los subir, você acredita que, se pudessem agarrá-lo e executá-lo, não o matariam?”.

Platão parece estar descrevendo a situação do “filósofo” quando este pretende esclarecer os demais seres humanos sobre o que ele pensa ser a verdade. A partir

desta narrativa de Platão, discorra sobre qual o papel do “filósofo” no mundo contemporâneo. Disponível em:<www.uff.br> .Acesso em: 20 de janeiro de 2010.

O Mito da Caverna também pode ser apresentado através da história em quadrinhos.

Maurício de Souza 5 fez uma adaptação da história com o desfecho fazendo uma relação entre a

teoria platônica e os dias atuais. Um dos temas que ele explora nos quadrinhos é a influência da

mídia, o que possibilita tratar do Mito junto com outros temas como: consumismo, propagandas,

influência dos meios de comunicação no gosto e nas escolhas do senso comum, entre outros. Em

sites como o youtube 6 é possível achar desde trabalhos de alunos até entrevistas de professores que

utilizam exemplos do cotidiano para explicar o Mito da Caverna e demonstrar sua relevância nos

dias atuais.

Ao relacionar estes temas tão presentes na vida dos adolescentes, o interesse pelo assunto

aumenta. Os trabalhos em grupo servem para que eles possam discutir estes temas e elaborar uma

nova ideia, um novo conceito ao compartilhar as ideias do grupo. Por mais que seja trabalhoso

administrar uma sala em verdadeira “ebulição” com jovens discutindo em voz, alta os resultados

são surpreendentes!

3.BIOÉTICA NO ENSINO MÉDIO

A bioética é o conjunto de conceitos, argumentos e normas que valorizam e justificam eticamente os atos humanos que podem ter efeitos irreversíveis sobre os fenômenos vitais. Kottow.

Após uma caminhada filosófica ao longo de um ano letivo, no 4º bimestre, além do

amadurecimento de conceitos básicos, foi possível discutir questões de moral e ética. Partindo dos

textos Sentido e relevância da ética7 e Política é cidadania8

foi proposto às turmas de 1º e 3º

anos do ensino médio, que se dividissem em quatro grupos para escolherem quatro entre seis temas

propostos. Os dois restantes seriam automaticamente excluídos.

5 Ver anexo.

6 Fonte eletrônica: br.mozdev.org/firefox/youtube.

7 MARCONDES, Danilo. Textos básicos de Ética. Rio de Janeiro: Jorge Zahar , 2007.

8 CORTELLA, Mario Sérgio. Política é Cidadania. Disponível em: <HTTP:

www2.uol.com.br/aprendiz/n_revistas/revista_educação/junho02?panoramica.htm.

Os grupos tiveram a liberdade de decidir qual tema gostariam de pesquisar e não foi

necessário fazer sorteio. Antes da escolha, algumas sugestões foram feitas pela professora em

relação

à

facilidade

que

alguns

relacionadas ao assunto.

integrantes

teriam

para

entrevistar

profissionais

de

áreas

Um dos grupos que escolheu o tema aborto trabalhou com a turma a música de Fervet Opus

e imagens de fetos após o procedimento:

ABORTO

O meu corpo foi dilacerado

Ninguém pediu minha opinião Os abutres estão comendo agora

O que foi meu coração

Eu cheguei na hora errada Não era pra estar ali Mesmo vindo sem avisar Achei que iria ficar feliz

Não fui eu quem estava no motel

Nem fui eu quem encontrou aquele rapaz Eu só tinha a esperança De um dia chamá-lo de pai

Mãe:

O que você fez comigo

Não deixou eu te amar Meu corpo está dividido Dentro de sacos de lixo hospitalar

A igreja acha que é pecado

Outros acham que deve fazer

E eu sem poder opinar

Fui morto antes de nascer

A ciência explica tudo

Cria e mata os filhos seus

O homem está levando a sério

A brincadeira de ser DEUS 9

O filme brasileiro Abril Despedaçadofoi exibido em uma das aulas seguido de um debate

entre duas famílias nordestinas no começo do século XX que se exterminam aos poucos. Os

personagens são escravizados pelas crenças e valores morais passados de geração em geração.

A ideia de trabalhar questões de bioética foi aproximar os adolescentes de temas polêmicos

e atuais sobre os quais eles têm pouca ou nenhuma informação. Eutanásia, aborto, gravidez na

9 Letra disponível no site: <www.vagalume.uol.br>.Acesso em: 10 de junho de 2009.

adolescência, pena de morte, células-tronco, clonagem e relação médico-paciente deveriam ser

pesquisados em diversas fontes tais como: internet, livros, revistas e encontros com profissionais e

especialistas no assunto, filmes, músicas e literatura ficcional e especializada. A exigência principal

para a apresentação foi a de que a mesma deveria ser extremamente criativa, sem parte escrita a ser

entregue.

Os resultados foram muito além das expectativas: Gráficos, entrevistas, animação, peças de

teatro, música e dança, representaram de forma eficaz a pesquisa séria feita pelos alunos; e a

integração foi um dos pontos mais marcantes.

Todos fizeram estudos comparativos entre os países que são a favor e os que são contra os

assuntos abordados. Apontaram a relação entre moral e religião que se confundem com questões

éticas e científicas. Os conflitos internos nos grupos, serviram para exercitar nos jovens a

capacidade e a habilidade do trabalho em equipe. As aulas anteriores às apresentações foram muito

importantes na medida em que foram utilizados estudos de casos com exemplos dos quatro temas.

A professora também acompanhou o andamento da pesquisa através de um e-mail criado

para facilitar a comunicação, indicando livros, sites e locais a serem visitados.

Um dos grupos de aborto/adolescência foi até o NESA/HUPE 10 que atende diariamente

jovens entre 13 e 18 anos com dúvidas, medos e ideias equivocadas sobre drogas, doenças

sexualmente transmissíveis e puberdade. Lá conseguiram vídeos, cartazes e conversaram com

adolescentes internados na unidade.

Em 2009, a mesma experiência foi repetida só que com dois outros filmes: Junoe Hotel

Ruanda. O primeiro trata do tema gravidez na adolescência. Juno é uma jovem que ao descobrir

que está grávida aos 16 anos idealiza uma família perfeita para quem pretende doar o seu bebê.

Encontra um casal no caderno de classificados de um jornal. Após o nascimento ela cumpre a

promessa e se nega até mesmo a ver o recém-nascido.

No segundo filme, Hotel Ruanda, tão realista e atual quanto Juno, é retratado o conflito

10 Informações sobre o Nesa no site: www.nesa.uerj.br.

étnico, que em 1994, matou milhares de ruandeses. Nos dois filmes questões de ética, bioética,

moral e direitos humanos são abordados e as discussões com os adolescentes foram extremamente

polêmicas e repletas de dúvidas e desafios.

O grupo da 3ª série do Colégio Ícaro, em 2008, que pesquisou sobre a pena de morte

compôs a seguinte letra:

PENA DE MORTE A pena de morte nos “States” é liberada

Aqui no Brasil é muito criticada São muitas controvérsias, muitas discussões Quem for a favor levante uma das mãos

A pena de morte foi inventada para punir os homens

Com mente fraca

É uma opção que o Brasil deve adotar

Para aqueles homens que matam os garotos Um exemplo eu vou citar: o da garota Eloá Lindemberg safado escute o que eu vou falar:

Na cadeia meu parceiro, você tem que sentar Nenhum de nós aqui está querendo te julgar Mas tem certos crimes que merecem a cadeia

Nós não estamos dizendo que geral tem que sentar Pois nós não somos Deus e é ele quem vai julgar Se a sua missão na Terra é fazer o mal Você não é de Deus, você é um animal

A minha opinião animal tem que sentar

Se eu fosse presidente a peã eu ia liberar Podem ter certeza que os crimes iriam acabar Lula meu parceiro escute o que eu vou falar:

Libera ela logo pro Lindemberg pagar Esse é nosso protesto e nossa opinião Quem for à favor bate na palma da mão!

As charges a seguir foram apresentadas a grupos com cinco alunos. Eles deveriam elaborar

as dez lições básicas para a Ética e para a Bioética atualmente, valorizando a vida humana e a

atuação respeitosa e competente das autoridades e profissionais envolvidos. Os resultados foram

debates em que o relativismo foi suprimido pelo pensamento crítico na medida em que uma das

regras para a apresentação era o respeito à idéia proposta pelo outro grupo.

Também foi proposto que os grupos relacionassem as imagens aos textos pesquisados e

lidos durante as aulas. Eles já tinham lido diversos textos on line e fragmentos de livros de Bioética

para a elaboração do trabalho temático já citado. Entretanto, o debate não pode e não deve cair no

vazio, no “eu acho”:

Ensinar é conduzir à ante-sala de desafios que, em última instância, são pessoais. O que cabe ao professor é estimular a levar adiante este desafio. Filosofar, então, é atrever-se a pensar, porque isto supõe uma maneira nova de se relacionar com o mundo e com o conhecimento e não meramente reproduzi-los. E isso implica incerteza. Pensar supõe que há algo novo que se põe em jogo. É uma atitude produtora e criadora. (KOHAN: 2004, 30).

CHARGE I

atitude produtora e criadora. (KOHAN: 2004, 30). CHARGE I Disponível em: <

Disponível em: <pt.dreamstime.com/aborto-thumb8189124.jpg>. Acesso em: 14 de julho de 2009.

CHARGE II

Acesso em: 14 de julho de 2009. CHARGE II Disponível em:<

julho de 2009 11 .

>.

Acesso em: 14 de

11 Tradução: Quando a vida é a morte, a morte é a vida e a minha vida é minha propriedade privada. Eutanásia

CHARGE III

CHARGE III Disponível em: <www.domboscoitaquera.org.br/ /palestras/31.jpg> . setembro de 2009. Acesso em: 10 de

setembro de 2009.

Acesso em:

10

de

GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA A gravidez precoce é uma das ocorrências mais preocupantes relacionadas à sexualidade da adolescência, com sérias conseqüências para a vida dos adolescentes envolvidos, de seus filhos que nascerão e de suas famílias. A incidência de gravidez na adolescência está crescendo e, nos EUA, onde existem boas estatísticas, vê-se que de 1975 a 1989 a porcentagem dos nascimentos de adolescentes grávidas e solteiras aumentou 74,4%. Em 1990, os partos de mães adolescentes representaram 12,5% de todos os nascimentos no país. Lidando com esses números, estima-se que aos 20 anos, 40% das mulheres brancas e 64% de mulheres negras terão experimentado ao menos uma gravidez nos EUA .

No Brasil a cada ano, cerca de 20% das crianças que nascem são filhas de adolescentes, número que representa três vezes mais garotas com menos de 15 anos grávidas que na década de 70, engravidam hoje em dia. A grande maioria dessas adolescentes não tem condições financeiras nem emocionais para assumir a maternidade e, por causa da repressão familiar, muitas delas fogem de casa e quase todas abandonam os estudos.

A Pesquisa Nacional em Demografia e Saúde, de 1996, mostrou um dado alarmante; 14% das adolescentes já tinham pelo menos um filho e as jovens mais

pobres apresentavam fecundidade dez vezes maior. Entre as garotas grávidas atendidas pelo SUS no período de 1993 a 1998, houve aumento de 31% dos casos de meninas grávidas entre 10 e 14 anos. Nesses cinco anos, 50 mil adolescentes foram parar nos hospitais públicos devido a complicações de abortos clandestinos. Quase três mil na faixa dos 10 a 14 anos.

Segundo Maria Sylvia de Souza Vitalle e Olga Maria Silvério Amâncio, da UNIFESP, quando a atividade sexual tem como resultante a gravidez, gera conseqüências tardias e a longo prazo, tanto para a adolescente quanto para o recém-nascido. A adolescente poderá apresentar problemas de crescimento e desenvolvimento, emocionais e comportamentais, educacionais e de aprendizado, além de complicações da gravidez e problemas de parto. É por isso que alguns autores considerem a gravidez na adolescência como sendo uma das complicações da atividade sexual. Ainda segundo essas autoras, o contexto familiar tem uma relação direta com a época em que se inicia a atividade sexual. As adolescentes que iniciam vida sexual precocemente ou engravidam nesse período, geralmente vêm de famílias cujas mães se assemelharam à essa biografia, ou seja, também iniciaram vida sexual precoce ou engravidaram durante a adolescência.

Disponível

Acesso em: 20 de novembro de 2009.

em:

1. De acordo com o texto, qual é a importância e o papel da família na prevenção da gravidez na adolescência?

2. Que consequências negativas a gravidez precoce pode trazer?

3. De acordo com os textos estudados, relacione liberdade e adolescência.

A FAMILIA E O ADOLESCENTE

A família, em nossa sociedade, é o primeiro agente socializador da criança e

do adolescente. As características da família têm influência direta nas características do adolescente (nível interno e relacionamento com o meio externo). A sociedade oferece um modelo de família (família pensada), mas as famílias vão estabelecendo um modo de viver cotidiano (família vivida). Cada família tem sua especificidade e esta deve ser considerada em todo trabalho envolvendo famílias. No geral, o adolescente é parte integrante do sistema familiar; portanto, a família deve ser considerada e trabalhada no atendimento de adolescentes. O relacionamento estabelecido entre família e adolescente está na dependência do posicionamento dos pais frente ao processo adolescente dos filhos. Percebe-se a necessidade de que haja conhecimento e compreensão sobre as características do processo adolescente para que o relacionamento seja harmonioso e facilitador da vivência do processo adolescente. No atendimento de adolescentes, o assistente social deve atuar na linha de orientação com adolescentes e/ou família, enfocando a adolescência, o relacionamento familiar e o relacionamento mais amplo com a sociedade.

Mensagem à família

Na educação de nossos filhos Todo exagero é negativo. Responda-lhe, não o instrua. Proteja-o, não o cubra. Ajude-o, não o substitua. Abrigue-o, não o esconda. Ame-o, não o idolatre. Acompanhe-o, não o leve. Mostre-lhe o perigo, não o atemorize. Inclua-o, não o isole. Alimente suas esperanças, não as descarte. Não exija que seja o melhor, peça-lhe para ser bom e dê exemplo. Não o mime em demasia, rodeie-o de amor. Não o mande estudar, prepare-lhe um clima de estudo. Não fabrique um castelo para ele, vivam todos com naturalidade. Não lhe ensine a ser, seja você como quer que ele seja. Não lhe dedique a vida, vivam todos. Lembre-se de que seu filho não o escuta, ele o olha. E, finalmente, quando a gaiola do canário se quebrar, não compre outra Ensina-lhe a viver sem portas.

Disponível em : http://www.pensador.info/frase/Mzk5NzM2/

A ética, seu significado filosófico e sua aplicabilidade atual, foi discutida a partir de dois

textos clássicos: A Ética a Nicômaco, do filósofo grego Aristóteles e a Fundamentação da

metafísica dos costumes, do alemão Immanuel Kant.

Para

facilitar

o

aprendizado,

apresentamos as atividades propostas:

selecionamos

os

textos

complementares

a

seguir

e

ou maneira de pensar e expressar. Ética é uma palavra de origem grega com duas traduções possíveis: costume e propriedade de caráter.

Ser Ético nada mais é do que agir direito, proceder bem, sem prejudicar os outros. É ser altruísta, é estar tranqüilo com a consciência pessoal. "É cumprir com os valores da sociedade em que vive, ou seja, onde mora, trabalha, estuda, etc." Ética é tudo que envolve integridade, é ser honesto em qualquer situação, é ter coragem para assumir seus erros e decisões, ser tolerante e flexível, é ser humilde. Todo ser ético reflete sobre suas ações, pensa se fez o bem ou o mal para o seu próximo. É ter a consciência "limpa".

Um profissional deve saber diferenciar a Ética da moral e do direito. A moral estabelece regras para garantir a ordem independente de fronteiras geográficas. O direito estabelece as regras de uma sociedade delimitada pelas fronteiras do Estado. As leis têm uma base territorial, valendo apenas para aquele lugar. Pessoas afirmam que em alguns pontos elas podem gerar conflitos. O desacato civil ocorre quando argumentos morais impedem que uma pessoa acate certas leis. Às vezes as propostas da ética podem parecer justas ou injustas. Ética é diferente da moral e do direito porque não estabelece regras concretas.

A Ética profissional se inicia com a reflexão. Quando escolhemos a nossa profissão,

passamos a ter deveres profissionais obrigatórios. Os jovens quando escolhem sua carreira, escolhem pelo dinheiro e não pelos deveres e valores. Ao completar a formação em nível superior, a pessoa faz um juramento, que significa seu comprometimento profissional. Isso caracteriza o aspecto moral da ética profissional. Mesmo quando você exerce uma carreira remunerada, não está isento das obrigações daquela carreira. Nós adolescentes temos várias perguntas para fazer sobre o futuro profissional. Quando temos uma carreira a seguir devemos colaborar mesmo com o que não é proposto.

Muitas propostas podem surgir, por isso devemos estar receptivos.

Sabemos que existem vários tipos de ÉTICA: ética social, do trabalho, familiar, profissional. Ética profissional é refletir sobre as ações realizadas no exercício de uma profissão e deve ser iniciada antes da prática profissional. Se você já iniciou a sua atividade profissional fora da área que você gosta não quer dizer que você não tenha deveres e obrigações a cumprir como profissional.

Ser um profissional ético nada mais é do que ser profissional mesmo nos momentos mais inoportunos. Para ser uma pessoa ética, devemos seguir um conjunto de valores. Ser ético é proceder sem prejudicar os outros. Algumas das características básicas de como ser um profissional ético é ser bom, correto, justo e adequado. Além de ser individual, qualquer decisão ética tem por trás valores fundamentais. Eis

algumas das principais:

1. Ser honesto em qualquer situação - é a virtude dos negócios.

2. Ter coragem para assumir as decisões - mesmo que seja contra a opinião alheia.

3. Ser tolerante e flexível - deve-se conhecer para depois julgar aas pessoas.

4. Ser íntegro - agir de acordo com seus princípios

5. Ser humilde - só assim conseguimos reconhecer o sucesso individual.

Disponível em: http://br.geocities.com/educatrabalho/etica.html

1. Cite uma profissão e três atitudes que o profissional dela deve ter especificamente em sua prática a partir dos conceitos do texto.

2. Relacione ética e reflexão.

3. Relacione ética profissional e integridade.

4. Cite três exemplos de atitudes antiéticas.

5. Defina consciência moral;

6. Justifique a importância da Bioética atualmente.

7. Cite duas questões fundamentais da Bioética atual.

8. Defina senso moral.

fundamentais da Bioética atual. 8. Defina senso moral. Disponível em: ricbrsp.blogspot.com. 9. A partir da charge

Disponível em: ricbrsp.blogspot.com.

9. A partir da charge acima justifique a importância dos valores éticos na política.

10. A partir da frase a seguir , justifique a importância da bioética para a medicina:“A palavra

‘bioética’ designa um conjunto de pesquisas, de discursos e práticas, via de regra pluridisciplinares, que têm por objeto esclarecer e resolver questões éticas suscitadas pelos avanços e a aplicação das tecnociências biomédicas. 11. J, é uma mulher de 56 anos. Há 18 está em coma. Seu plano de saúde se recusa a continuar pagando a internação. O caso já esteve na justiça e a causa foi vencida pelo plano. Em seu

país, subdesenvolvido, não há vagas nem recursos suficientes para mantê-la em um hospital público. De acordo com a ÉTICA, isto é, como os valores universais direitos humanos, por exemplo, como a família deve proceder ?

12. De que modo a filosofia pode auxiliar os jovens a compreender questões de Bioética como o aborto? Cite três medidas possíveis de serem realizadas em escolas ou hospitais.

13. No filme Juno, a personagem principal encontra uma alternativa para não praticar o aborto. Cite um benefício e um prejuízo que tal atitude poderá implicar no futuro da criança.

14.

A

Bioética pode ser definida como:

a)

Bioética é uma ética aplicada, chamada também de “ética prática”, que visa “dar conta” dos conflitos e controvérsias morais implicados pelas práticas no âmbito das Ciências da Vida e da Saúde.

b)

Pode-se dizer que a bioética tem uma tríplice função, reconhecida acadêmica e socialmente:

descritiva, normativa com relação a tais conflitos e protetora, no sentido, bastante intuitivo, de amparar, na medida do possível, todos os envolvidos em alguma disputa de interesses e valores.

c)

Mas a Bioética, como forma talvez especial da ética, é, antes, um ramo da Filosofia, podendo ser definida de diversos modos, de acordo com as tradições, os autores, os contextos e, talvez, os próprios objetos em exame. Algumas definições:

d)

Bioética é o estudo sistemático das dimensões morais - incluindo visão moral, decisões, conduta e políticas - das ciências da vida e atenção à saúde, utilizando uma variedade de metodologias éticas em um cenário interdisciplinar

e)

Todas estão corretas

O resultado final foi que os alunos ficaram mais curiosos e persistentes. A aula de filosofia

deve ser um espaço de criação onde o conhecimento e o aprendizado sejam compartilhados.

4. CULTURA E FILOSOFIA

O que têm em comum cinema, literatura e Filosofia? Há tempo suficiente para relacioná-los

em poucas aulas de um bimestre? Na primeira pergunta a resposta é que há inúmeras questões e

possibilidades. Na segunda, a interdisciplinaridade é capaz de respondê-la de forma satisfatória.

Projetos, aulões, feiras culturais, gincanas e olimpíadas de conhecimento são modos de aproximar

saberes, relacioná-los e construir um conhecimento mais amplo, menos preconceituoso investindo

na curiosidade e na criatividade dos jovens.

É evidente que os mais pessimistas dirão que este tipo de trabalho apresenta várias

dificuldades: falta de tempo, falta de interesse de outros professores, o famoso “eu não ganho pra

isso”, indisciplina dos alunos, etc. Entretanto para aquele que “levanta a bandeira” da filosofia no

ensino médio, deve estar sempre atento e atualizado sobre as manifestações culturais tanto as

clássicas quanto as mais recentes. Cinema e literatura são as duas manifestações culturais mais

pesquisadas pela filosofia contemporânea. Gilles Deleuze, por exemplo, escreveu textos e obras

sobre o tema relacionando filmes e autores de ficção, cineastas e filmes às obras filosóficas.

Kafka, Lawrence, Beckett, Lewis Carroll, entre outros, estão entre os autores que povoam a

filosofia deleuziana. Filmes como o clássico O gordo e o magrotambém. Deleuze relaciona em

Crítica e Clínica”, Kafka e Kant:

Quando o tempo sai dos gonzos, temos de renunciar ao ciclo antigo das faltas e expiações para seguir a estrada infinita da morte lenta, do juízo prorrogado ou da dívida infinita. O tempo não nos deixa alternativa jurídica senão a de Kafka em o Processo: Ou a “absolvição aparente” ou a “moratória ilimitada”. (DELEUZE: 1997, 42).

Em outro exemplo, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche estudou e analisou a literatura

grega para formular conceitos fundamentais de seu pensamento como o apolíneo e o dionisíaco.

Nas mais diversas “áreas” da Filosofia: Ética, Estética e Teoria do Conhecimento é possível

encontrar relações e referências com o cinema e a Literatura.

Também na Alemanha, um século depois, Adorno e Horkeheimer denunciaram o cinema

enquanto mero reprodutor dos valores e ideais da Indústria Cultural. Na literatura brasileira é

possível encontrar poemas, crônicas e contos que podem enriquecer as aulas de Filosofia. Pode-se,

inclusive, buscar-se informar com o professor da disciplina que conteúdo e/ou autor a turma está

estudando naquele período.

Em algumas das experiências desenvolvidas foi possível utilizar poemas de Carlos

Drummond de Andrade, Mário Quintana, Tiago de Mello e Manoel de Barros. Em sites oficiais

como o e Carlos Drummond de Andrade é possível encontrar um excelente acervo. Filosofia, artes e

ciências têm inúmeros pontos de convergência:

A história da filosofia nos revela, contudo, que ao longo dessa tradição não houve uma única linha predominante no pensamento, nem um único estilo de fazer Filosofia. A filosofia desenvolve-se através de aproximações em maior ou menor grau com a ciência natural, a matemática, a arte, a política, a religião e o mito. O pensamento filosófico expressou-se em diferentes estilos, em poemas, diálogos, aforismos, tratados, cartas, autobiografias. (KOHAN: 2004,57).

Muitos professores de filosofia se questionam sobre a presença da disciplina no ensino

médio. Quais são os objetivos? Qual deve ser o conteúdo ensinado? Como passar este conteúdo?

Alguns educadores são contra este retorno, a maioria deles, professores universitários que acreditam

que a filosofia é “para poucos”. Outros já perceberam a falta que ela têm feito às gerações que

pouco questionam, e aceitam as situações mais bizarras sem o mínimo protesto.

Estabelecer relações entre a filosofia e a cultura é um dos temas mais importantes a ser

trabalhado no ensino médio, pois torna possível, por exemplo, compreender que elementos sociais,

culturais, religiosos e econômicos favoreceram o surgimento de um tipo de filosofia em uma

determinada sociedade. Por exemplo: os gregos tinham diversas condições favoráveis para o

surgimento de um pensamento racional, questionador e autônomo.

Arendt define a cultura como uma relação entre pensamento e prática:

Neste sentido, compreendemos por cultura a atitude para com, ou melhor, o modo de relacionamento prescrito pelas civilizações com respeito às menos úteis e mais mundana das coisas, obras de arte, poetas, músicas, filósofos e daí por diante. (1972: 257).

Para que os alunos pudessem entender que a cultura é uma produção humana muito ampla,

utilizamos

uma dinâmica criada para esta situação especificamente denominada “dinâmica dos

países”. Cada aluno recebeu um papel com o nome de um país. O primeiro passo era se apresentar

com características culturais do país: música, literatura, língua, geografia

Uma dinâmica bem interessante, simples e rápida pode ser feita com grupos de até 25

alunos, pois caso a turma seja superior a este número ela se estenderá por muito tempo. Uma

alternativa possível é realizá-la em dupla.

DINÂMICA DOS PAÍSES

Cada aluno ou dupla recebe um papel no qual está escrito o nome de um país. É recomendável que sejam utilizados países dos quais os brasileiros tenham uma quantidade básica de informações. Seguem algumas sugestões: Alemanha, Portugal, Japão, Argentina, África do Sul, Índia, China, Paraguai, Cuba, Itália, Espanha, Grécia, etc. Cada aluno ou dupla deverá citar características culturais deste país para que o grupo adivinhe. Um complemento para animar ainda mais a atividade é dar balas ou bombons a quem acertar os países.

No segundo momento após todos se apresentarem, é possível discutir dois tópicos: o

conceito de cultura (sendo retomado) e a diversidade cultural. Em seguida podem-se elaborar o

seguinte quadro:

 

Culinária

literatura

língua

cinema

artes plásticas

   

CULTURA

 

Música

religião

artesanato

folclore

teatro

esportes

Com a fixação destes conteúdos as turmas assistiram dois filmes: o primeiro a ser exibido

foi Casamento Grego. A história relata a vida de uma família grega que vive nos Estados Unidos,

mas preserva suas tradições natais. O pai da noiva acredita que os gregos são superiores, pois foi

neste país que surgiram inúmeras descobertas e invenções como a filosofia por exemplo.

Ao apresentar o namorado norte-americano à família a filha causa a revolta dos parentes que

não aceitam que ela se relacione com um não-grego. Isto por que, segundo o pai, há dois tipos de

pessoas no mundo:os gregos e os não-gregos.

Em forma de comédia é possível perceber claramente o conflito cultural, o preconceito e as

crenças etnocêntricas. O noivo é que deve se adaptar ao estilo de vida grego. Deve se batizar em

uma igreja grega. Deve aprender as danças. Deve saborear e a adorar a culinária grega.

Na aula seguinte os alunos deveriam apresentar aspectos relevantes do filme. A discussão

foi proveitosa na medida em que a maioria compreendeu as ideias contidas neste discurso

nacionalista, inclusive, relacionando- o à outros

povos árabes, judeus, japoneses, etc. As guerras

também foram lembradas enquanto desejo de impor cultura

e religião: Segunda Guerra mundial,

conflito Israel-Palestina, etc.

Após estar bem definido o conceito de cultura e seus mais diversos aspectos, as turmas

assistiram ao filme Casamento à Indiana. Tão festivos quanto os gregos, os indianos também

costumam escolher os parceiros para os filhos. Em geral são primos distantes ou filhos de amigos.

Esse tipo de casamento, conhecido como “casamento arranjado” é retratado no filme. Em seguida,

os alunos foram estimulados a pesquisar sobre essa cultura, a família, o casamento, o papel da

mulher na sociedade, a religião, etc.

Posteriormente foi possível estabelecer critérios de comparação entre as duas culturas. Para

ampliar a compreensão dos alunos foi proposto o seguinte trabalho: cada aluno deveria assistir um

filme de sua preferência e ressaltar aspectos de conflito culturais presentes nele. O tempo de

apresentação poderia variar de acordo com o número de alunos assim como ele também poderia ser

desenvolvido

em dupla, trio ou grupo. O importante é que não haja mais de uma apresentação

sobre um mesmo filme.

A professora sugeriu alguns:

BORAT- Trata-se de um homem do Cazaquistão que resolve visitar os Estados Unidos.

O CAÇADOR DE PIPAS- Retrata os conflitos culturais e religiosos que o Afeganistão

enfrentou nos últimos anos.

SUPER SIZE ME- Um homem saudável,com o objetivo de desmascarar os belos sanduíches

dos fast-foods resolve usar seu próprio corpo para realizar uma experiência. Faz suas refeições em

lanchonetes e observar as mudanças em seu corpo decorrentes desta prática. Trata-se, portanto da

denúncia de uma sociedade cada dia mais obesa.

TIROS EM COLUMBINE assim como Super Size Me, o filme trata da sociedade norte-

americana. Michael Moore (cineasta perseguido pelo governo Bush) explica com exemplos como se

criam assassinos em série e busca as raízes desta questão na cultura do país.

ABRIL DESPEDAÇADO, produção brasileira, retrata os conflitos em família que cultivam

o ódio adquirido em disputas de terra. Elas criam suas próprias regras e crenças. São inúmeros os

filmes que podem ser utilizados como recursos para que compreendam os diversos aspectos da

cultura de um povo.

Outra alternativa é que os grupos se reúnam para criar uma apresentação de um aspecto de

uma cultura. Exemplo: um grupo apresenta uma música espanhola com roupas típicas e castanholas.

Outro grupo prepara um doce argentino chamado alfajor e assim por diante. Com este tipo de

experiência é certamente mais fácil voltar à teoria, despertar o interesse pelo texto filosófico. Após

este estudo do tema cultura que se prosseguirá através do estudo com Adorno e Horkheimer na

Indústria Cultural.

5. INDÚSTRIA CULTURAL : CULTURA DE MASSA, MESMICE E MEDIOCRIDADE

No segundo bimestre as turmas de 1ª e 3ª série dos colégios Ícaro, Miguel Couto e

Instituto Guanabara foram apresentados à obra dos filósofos alemães T. Adorno e Horkheimer. O

texto Indústria Culturalpresente na coletânea Dialética do Esclarecimentofoi o ponto de

partida e de chegada na viagem feita pelo tema filosofia e cultura. Cinema, música, teatro, TV e a

imprensa em geral fazem parte do cotidiano dos jovens no Brasil, a diversidade cultural colabora

para a formação de várias tribos urbanas.

A música cria um estilo, um modo de vestir, hábitos e linguagem além de gírias próprias.

Eles criaram nos anos 50 do século XX o termo Indústria Cultural. Trata-se de um texto simples e

breve sem o conteúdo ser simplório.

A cultura e a produção de conhecimentos originários dela é um dos assuntos obrigatórios

nas

aulas

de

Filosofia.

Dada

esta

necessidade

elaborei

por

temas

(trechos

do

texto)

um

planejamento bimestral de seis ou sete aulas de 50 minutos.

Em meio à cultura do texto filosófico, outros recursos foram utilizados para relacionar

filosofia à cultura contemporânea. O texto começou, então, a fazer sentido para os adolescentes e

passou a se atualizar a partir dos conceitos de cultura, fundamentais para este estudo. Essa relação

se estabeleceu através de diversos textos.

Modismo

consumismo

meios de comunicação

Mediocridade

CULTURA

Indústria Cultural

subjetividade

Identidade cultural

mundo do consumo

A leitura foi feita pelos grupos, após a proposta de um trabalho de imagem com temas

retirados do texto. Cada grupo buscou em revistas, jornais ou desenhos retratar conceitos como:

mediocridade, repetição, aversão ao novo, perda da identidade cultural dentre outros.

Cada meio de comunicação foi analisado enquanto facilitador do processo de decadência da

cultura. Rádio, TV, cinema e propagandas tiveram seus exemplos relacionados à atualidade.

Exemplos: letras de músicas repetitivas presentes no funk, pagode e axé. É importante observar que

estes exemplos partiram da vivência e conhecimento dos alunos; o que despertou sua curiosidade e

interesse.

Inclusive uma das perguntas presentes na avaliação bimestral foi: “o texto de Adorno e

Horkheimer, Indústria Cultural, escrito nos anos 50 ainda permanece atual. Isto é, parece que foi

escrito ontem. Justifique esta afirmativa com exemplos.”

Outra questão similar é: “o texto Indústria Cultural escrito nos anos 50 permanece atual.

Explique esta afirmativa com exemplos atualmente presentes nos meios de comunicação utilizando

argumentos filosóficos”.

A TELEVISÃO

A TV com seus programas vazios de conteúdo cultural também foi abordada:

É com razão que o interesse de inúmeros consumidores se prende à técnica, não aos conteúdos teimosamente repetidos, ocos e em parte abandonados. (ADORNO: 1985, 127).

Programas da TV aberta e por assinatura foram citados durante as aulas. Seus objetivos,

público-alvo e mensagens foram analisados. Humorísticos, infantis, novelas e os de televendas

foram os principais responsáveis por formar opiniões, valores e ideias assimilados de forma natural,

isto é, sem crítica pelo senso comum.

O

cinema,

ponto

importante

do

texto,

ganhou

comparações.

O

norte-americano

foi

considerado o mais violento e com final previsível. Alemães, franceses e espanhóis assim como

japoneses e alguns brasileiros, todos eles vistos apenas por um pequenos grupo de alunos, foram

considerados diferentes do modelo adotado por Hollywood. Isto por tratar-se de uma estética

diferente com produções mais artísticas, cenas mais longas e lentas além de finais inusitados foram

algumas das características mais citadas.

O lazer e o consumo, destaques do texto, se misturam de forma que é impossível separar um

do outro: os jovens perceberam que cada vez mais a propaganda informa que “ser feliz é poder

consumir”. As horas de lazer devem ser utilizadas para que se obtenha essa felicidade específica.

O que impressiona é que este trio diversão-felicidade-consumo, além de fazer parte e tomar

conta das novas gerações já instaurou nelas a crença de que esta relação é verdadeira

inquestionável.

e

O lazer sem utilidade denunciado por Adorno é uma das facetas da Indústria Cultural:

Divertir significa sempre: Não ter que pesar nisso, esquecer o sofrimento.

A liberdade prometida pela diversão e a liberação de pensamento como negação. (ADORNO: 1985, 135).

(

).

TV, rádio, cinema e os meios de comunicação em geral vendem imagens de felicidade:

Mulheres magras e jovens, carros importados, famílias ricas

Não

há miséria na fantasia

hollywoodiana conforme afirma Galeano, em o Livro dos Abraços:

A televisão/3

A TV dispara imagens que reproduzem o sistema e as vozes que lhe fazem

eco; e não há canto do mundo que ela não alcance. O planeta inteiro é um vasto subúrbio de Dallas. Nós comemos emoções importadas como se fossem salsichas em lata, enquanto os jovens filhos da televisão, treinados para contemplar a vida em vez de fazê-la, sacodem os ombros. Na América Latina, a liberdade de expressão consiste no direito ao resmungo em algum rádio ou em jornais de escassa circulação. Os livros não precisam ser proibidos pela polícia: os preços já os proíbem. (GALEANO: 2002,81).

A internet, invenção recente, complexa e polêmica também foi tema das discussões em aula

e nos grupos. Muitos alunos afirmaram que ela é o fim do percurso da Indústria Cultural, pois traz

em sua tecnologia a propaganda, facilidade de consumo, fuga da realidade, desvalorização da

subjetividade e das relações humanas, a realidade virtual.

Eu etiqueta, poema de Carlos Drummond de Andrade, muito estudado nas aulas de

Literatura, foi utilizado para tratar da questão da moda. Moda e consumo. Consumo e perda da

identidade:

E fazem de mim homem-anúncio itinerante, escravo da matéria anunciada. Estou, estou na moda (ANDRADE: 1984, 85-87).

A questão da marca, da loja famosa que, pela publicidade, torna seus produtos caros causou

polêmica. Alguns alunos, tão imersos na Indústria Cultural, não conseguem perceber as armadilhas

da propaganda: eles crêem que aquele tênis, blusa ou casaco das marcas X ou Y devem ser mais

caros e não possuí-los é um motivo muito justo para sentir-se infeliz:

Pessoas se apegam à marcas. Torcem por elas como se torce por um time de futebol. Criam vínculos algumas vezes de tal forma solidificados que poderíamos estabelecer um paralelo com a religião. (ACCIOLY: 2000, p.10).

A perda da individualidade, portanto, não é muito questionada:

Por me ostentar assim tão orgulhoso de ser não eu, mas artigo industrial

peço que meu nome retifiquem. Meu nome novo é coisa( 1984, 86).

(ANDRADE:

)

Consumo, moda e dívidas formam outra finalidade da Indústria Cultural: se para ser feliz é

preciso consumir e estar na moda não se deve medir esforços para isso. Cartões de crédito são

instrumentos de prazer, pois propiciam o acesso ao sonho de consumo.

O filme Super Size Me, documentário utilizado também nas aulas de Estética tem como

temática além dos maus hábitos alimentares dos norte-americanos, a expressão da modernidade, do

consumismo na atualidade.

No Instituto Guanabara, em 2009, com as turmas 101 e 102 foi proposto a partir do filme, a

produção de um texto intitulado “Super Size Me e a Indústria Cultural hoje”. Os textos foram

surpreendentes. Para motivar os alunos, levaram a imagem a seguir que foi ampliada e discutida

com o grupo:

a imagem a seguir que foi ampliada e discutida com o grupo: Disponível em:

Um dos textos que mais me chamou a atenção foi o de Raissa Bastos Thomazini, da turma

101, do Instituto Guanabara pela seriedade e profundidade com a qual tratou o tema:

“Se você já parou para pensar o que o filme tem em comum com a Indústria Cultural você vai ver que tem muita coisa a se comparar. Uma delas é o consumismo. Isso quer dizer que as pessoas não sabem a hora de parar, em relação ao filme, as pessoas não sabem a hora de parar de comprar e de comer fast-food elas viram compulsivas e não vêem o mal que aquilo pode causar; além de virar dependentes de um belo sanduíche e de uma linda

batata frita, elas viram dependentes da gordura e do sedentarismo, da pressão ala e do colesterol. Outra característica que pode ser destacada da Indústria Cultural é a cópia e o divertimento sem utilidade; isso em relação ao que o filme mostra é o fato de atingir o público infantil com brinquedos junto ao lanche, com isso, a criança quase sempre come o lanche porque sabe que quando vir outra criança com um brinquedo novo, ela pedirá para a mãe um brinquedo igual. Vem a cópia que é a repercussão desse brinquedo no meio infantil. Por último, vou citar o lixo cultural que são os desenhos e propagandas que as redes de fast-food fazem para atingir (a todo o momento) o público infantil como jovens e adultos; as crianças com os desenhos e propagandas que anunciam o novo brinquedo, e os mais velhos com as novidades gastronômicas se assim podem ser chamadas e também com as promoções que são feitas através das propagandas que passam a todo o momento. Além dessas comparações, podem ser citadas outras, pois a Indústria Cultural tem muito a ver com o filme e com as atitudes das pessoas no seu cotidiano”.

Já Valéria Oliva, da mesma turma, enfatiza outras características da Indústria Cultural

presentes no filme:

“A Indústria Cultural é caracterizada pela mesmice, repetição e uso da arte

A lanchonete

apresentada no filme é utilizada como exemplo por ser muito conhecida

).O (

falta de limites e até cria necessidades. Muitas pessoas comem fast-food não por estarem com fome, mas pela simples necessidade de consumir”.

filme se relaciona com o consumismo, a ilusão que é característica da

para fazer propagandas de produtos de baixa qualidade (

).

Ao final do bimestre cada grupo apresentou o cartaz com imagens da Indústria Cultural com

excelentes resultados.

O consumismo também foi relacionado à moda, aos filmes com finais previsíveis e à

influências das propagandas na vida, sobretudo, dos jovens. O poema A vitrine complementou a

idéia central de Eu Etiqueta de Carlos Drummond de Andrade:

A VITRINE

A vitrine é só um vidro

Entre a coisa e o comprador, cada qual com seu preço,

Cada um com seu valor.

A cidade está à venda:

Móveis, imóveis, amor,

O futuro sem entrada,

A esperança sem fiador.

Os objetos discutem

O preço dos compradores,

Os produtos avaliam Futuros possuidores, Os artefatos consomem Tranqüilos consumidores.

Poema extraído do Anuário Brasileiro de Propaganda.

ATIVIDADE COM CHARGES As duas charges abaixo foram utilizadas como temas de

abertura de aulas sobre as relações entre consumismo, mídia e manipulação do povo. Outra sugestão

é utilizá-las junto com a letra da música a televisão do grupo brasileiro Titãs, citada neste capítulo.

do grupo brasileiro Titãs, citada neste capítulo. Disponível em: entaodaumaideia.files.wordpress.com/2009/04/a

Disponível em: entaodaumaideia.files.wordpress.com/2009/04/a

Disponível em: aideiadenaoterideia.files.wordpress.com/2009/ Disponível em:

Disponível em: aideiadenaoterideia.files.wordpress.com/2009/

em: aideiadenaoterideia.files.wordpress.com/2009/ Disponível em:

Disponível em: http://karaminholas.zip.net/images/ENGRACADINHA.JPG

INDÚSTRIA CULTURAL E CONSUMISMO Discutindo tema de redação de modo filosófico.

UFRJ REDAÇÃO 2005 Redação

Leia com atenção os trechos abaixo:

você tem uma divisão porque o que você vê

exibido como modelo de identidade e de felicidade e de norma corpórea é

transmitido maciçamente para todo mundo. Agora, existe uma lacuna real entre

quem pode imitar ou não. [

consome produto da moda, para a boate e restaurantes, onde toda essa preocupação está presente. As pessoas exibem. As mais famosas, para tomar o caso das garotas, são as mais magras. Quando você chegar no restaurante, vai estar em questão um cardápio que não engorde, você precisa ter bastante dinheiro para fazer exames freqüentes e para saber suas taxas sangüíneas, para ir nas melhores academias, para variar o cardápio de exercícios que você pode fazer. Em suma, você opta por ginástica, depois por massagem, por tensão, relaxamento, isso movimenta uma economia e exige uma disponibilidade financeira que só a concentração de renda no Brasil explica.(Entrevista com Jurandir Freire Costa,publicada em O Pasquim, no 21, 23/07/2002)

No caso, da classe média para cima, ela viaja, ela

Agora, na cultura urbana [

]

],

Bom, o que me chama atenção em termos físicos especialmente uma pessoa que tem proporções nas diferentes partes do corpo humano. Não necessariamente tem que ser uma pessoa com, muito bonita, mas que dá, transmite, com a impressão de

harmonia [

vista da aparência física de uma pessoa, é ela transmitir essa idéia de harmonia, de equilíbrio e que, de proporção entre diferentes partes do corpo humano e que,

portanto, dá à gente a impressão de algo que é fruto não só de uma mera característica externa, que possa ter uma pele assim, ou um cabelo desse modo, mas que é realmente expressão de uma realidade pessoal mais profunda. Então, eh, acho que uma pessoa é uma pessoa na sua totalidade, no que ela é, e na aparência. Mas aquilo que ela aparenta não deve estar dissociado do que ela é. (Fala carioca NURC - Documentos: Corpo humano - inq.0360/M2A)

Então, eu acho que, realmente, o principal, pra mim, do ponto de

]

Em nossa sociedade de consumo, a fonte vital de todas as energias é o corpo. Para se ter saúde, é preciso ter um corpo saudável; e, para tanto, é necessário obedecer a inúmeras regras, leis de medida, peso e volume. (Rosy Feros, em “A metáfora do corpo (II): beleza se põe à mesa”. Revista eletrônica interNeWWWs, jan. 2000).A partir das reflexões propostas nos trechos acima,produza um texto dissertativo- argumentativo em que você apresente suas ideias acerca da valorização do corpo humano.

ATIVIDADE HÁBITOS E CRENÇAS

O primeiro passo é a leitura do texto Eu sei, mas não deviade Marina Colassanti que trata

de hábitos nada saudáveis que adquirimos e não questionamos. Em seguida, relaciona-se o texto

com a charge abaixo que trata da rotina. Vejamos alguns trechos significativos:

que

necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que

A gente se acostuma

a

pagar por

tudo

o que deseja

e

o

de

as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais

trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas

em que se cobra.( )

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses

pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado. Disponível em: < http://www.releituras.com/mcolasanti_eusei.asp>. Acesso em: 21 de janeiro de 2010.

> . Acesso em: 21 de janeiro de 2010.

São inúmeros os aspectos da vida cotidiana abordados nesta atividade: o comodismo

do povo em relação à política, a rotina como prisão do pensamento e da criatividade, a incrível

capacidade do ser humano de se adaptar às situações que o prejudicam e a baixa qualidade de vida

trazida pela rotina previsível e monótona.

6. CONHECIMENTO E COMUNICAÇÃO

A Oficina Conhecimento e Comunicação foi apresentada inicialmente no ano de 2008 na

UERJ. Organizado pela Sociedade de Estudo e Atividades Filosóficas (SEAF) em parceria com a

editora UAPÊ e o Departamento de filosofia da UERJ. Os resultados das discussões que a atividade

propiciou foram positivos e motivaram a utilização da oficina com turmas do ensino médio.

XIII Encontro Estadual de Professores de filosofia SEAF 25 a 26-set-2008

Oficina: Conhecimento e Comunicação

Autor: Karina Gaspar de Oliveira

Instituição: Colégio Miguel Couto/ Colégio Ícaro

Resumo A oficina Conhecimento e Comunicação é o resultado da prática docente com alunos do

Ensino Médio e tem como objetivo principal discutir a relação entre a linguagem utilizada pelo

professor e o entendimento que esta faixa etária de adolescentes possui.

Metodologia A oficina está dividida em dois momentos: a dinâmica e a discussão sobre a mesma.

A dinâmica consiste em uma folha com um vaso de plantas desenhado e partida ao meio. Todo o

grupo recebe primeiro o lado direito e deve desenhar nele. Depois cada um recebe o lado esquerdo e

deve descrever o desenho que fez na outra parte. O dinamizador mistura o lado esquerdo e

redistribui. A pessoa que receber este lado deverá tentar reproduzir o desenho descrito.

Justificativa A relevância deste trabalho está em discutir e enfatizar a clareza e a objetividade que o

professor deve utilizar ao trabalhar um conteúdo filosófico. Quanto mais adequada for a sua

linguagem melhor será o resultado do trabalho desenvolvido.

Impactos esperados que os professores repensem sua prática docente.

Na

primeira

atividade

os

conceitos-personagem

foram

momentos

de

descontração.

Entretanto ela também tem a função de medir o conhecimento da turma acerca daquele conceito e

este nível varia muito.

Alguns alunos apresentam resistência pelo próprio desconhecimento do assunto. Outros

tentam auxiliar aqueles que têm dúvidas. Ao final, surge a questão: foi fácil ou difícil virar

conceito? Será que na linguagem que utilizamos há a importância de adequá-la aos diversos

ambientes de convivência?

Em seguida, cada um recebeu a metade esquerda do vaso, canetas coloridas foram colocadas

no meio da roda formada pelas mesas. Surgiu um clima de desconfiança e curiosidade.

Por que desenhar apenas na metade do vaso? Após a finalização dos desenhos a terceira

etapa é a mais complexa: Descrever sua criação. Em geral é importante observar que os alunos

apresentam certa dificuldade nesta tarefa: falta de vocabulário e de coerência. Neste caso o

professor deve explicar sem exemplos para não influenciá-los. Com a descrição feita, cada aluno

recebe o texto de um colega e deve juntá-lo ao desenho. Assim é possível levantar inúmeras

questões: clareza, objetividade e criatividade.

O professor deve conduzir a discussão para a questão seguinte: que relações há entre

comunicação e Filosofia? Apontando a necessidade do hábito do estudo para criar a familiaridade

com os conceitos apreendidos. É sem dúvida uma atividade divertida e instrutiva que pode ser

finalizada com o poema de Mário Quintana sobre a indiferença, pois para filosofar é necessário

paixão, desejo, intensidade. A indiferença e a filosofia são incompatíveis:

Mário Quintana

Todos os jardins deveriam ser fechados, com altos muros de um cinza muito pálido,

onde uma fonte

pudesse cantar

sozinha

JARDIM INTERIOR

entre o vermelho dos cravos.

O que mata o jardim não é mesmo

alguma ausência nem o abandono

O que mata um jardim é esse olhar vazio

de quem por ele passa indiferente.

SUGESTÃO DE PERGUNTAS PARA DISCUSSÃO

1-

Relacione o poema à Filosofia.

2-

Por que é a indiferença que mata o jardim?

3-

Quando filosofamos somos indiferentes? Explique.

4-

Que mudanças positivas a filosofia pode produzir na vida de uma pessoa?

5-

Que temas/assuntos se estudam em Filosofia?

Também pode ser sugerida como atividade para casa ou trabalho para o bimestre, a criação

de um desenho que ilustre o poema. Ele também pode ser sugerido quando o objetivo é trabalhar o

conceito de Filosofia.

O vaso, enquanto dinâmica, também pode sofrer adaptações. Por exemplo: inventar uma

atividade que tenha como objetivo discutir a arte na Grécia, o simulacro platônico entre outros. A

aula de filosofia não pode se limitar à leitura e análise de textos. Ela necessita de experiências

estéticas: arte, música, cinema

7. Estética

Incentivar a criatividade. Convidar a filosofar!

Disponível em: http://fofas.adnet.med.br/main/anorexia_nervosa_fotos.htm . A Estética é, atualmente, uma das palavras

A Estética é, atualmente, uma das palavras mais usadas nos meios de comunicação. Ela

relaciona beleza, boa forma física e felicidade. O apelo da mídia chega a ser cruel. A cada dia que

passa, a célebre frase do poeta carioca Vinícius de Moraes parece ecoar na cabeça dos brasileiros,

em especial, das mulheres: “me desculpem as feias mas beleza é fundamental”. A frase traz à tona a

preocupação com a aparência cada vez mais cedo. Há décadas atrás, as mulheres só começavam a

se preocupar a partir dos 30 anos. Era considerada uma idadelimite, um passaporte para a

maturidade e o princípio assustador de um processo de envelhecimento. Atualmente, meninas de

seis ou sete anos já demonstram vontade própria e querem seguir a moda dos adultos: maquiagem,

salto alto e escovas além de esmalte e sutiã com enchimento. Na adolescência, plásticas e

lipoaspirações são os objetos de desejo.

Começamos o estudo pela definição do conceito:

O que é estética?

Do que se ocupa a estética? alguns filósofos antigos, geradores do pensamento moderno como Aristóteles, já analisavam o juízo de gosto do

ser humano, buscando segundo Platão, o caminho para se chegar ao belo. A

estética é

Estética (do grego αισθητική: perceber, sentir) é um ramo da filosofia que trata da natureza da beleza. Destacando-se da Poética, esse campo da teoria arte foi delimitado no século 18 para considerar a arte como contemplação, menos preocupado com a obra em si ou na sua criação, mas em como ela age sobre o espírito de quem frui a obra e que sentido tem essa ação. Estética (do grego αισθητική ou aisthésis: perceber, sentir) é um ramo da filosofia que tem por objeto o estudo da natureza do belo e dos fundamentos da arte. Ela estuda o julgamento e as emoções estéticas, bem como as diferentes formas de arte, do trabalho artístico; idéia de obra de arte e de criação; relação entre matérias e forma nas artes; toda a realidade, de todos os seres. Disponível em:

, simples assim?

Foram também sugeridas algumas perguntas para discussão em pequenos grupos de quatro ou cinco alunos:

1.

O

que é beleza para você?

2.

Existem padrões de beleza?

3.

É possível definir algo como belo e fazer com que todos o aceitem como tal?

4.

Quando estamos apaixonados vemos a beleza da pessoa amada?

5.

O

gosto é universal ou individual?

6.

É possível estabelecer um padrão do gosto?

7.

Que critérios utilizar para definir a beleza?

8.

O

que diferencia uma obra de arte de um desenho infantil?

9.

Como a moda determina a beleza em uma cultura?

Estas perguntas foram base para que pudéssemos relacionar a estética enquanto teoria da

arte com outros assuntos tais como: moda, mídia, consumismo e, sobretudo, doenças relacionadas à

busca pelo corpo perfeito.

O texto de Hegel chamado “Estética, foi lido e relacionado às perguntas precedentes na

aula seguinte:

Corre entre os homens que o noivo acha sempre bela a noiva (outro tanto se não dirá da opinião do marido sobre a mulher), mais bela do que todas as mulheres, e será porventura uma felicidade para as duas partes não existirem regras do gosto subjetivo.Se dos indivíduos e dos gostos acidentais passarmos ao s gostos dominantes nas diversas nações, verificamos que também eles variam de uma para outra nação. É comum dizer-se que uma beleza européia ao agrada a um chinês ou a um hotentote, que a noção de beleza de um chinês é diferente da de um negro, e a deste diferente a do europeu. E ao considerarmos as obras de arte destes povos extra-europeus, as suas imagens dos deuses, tais como brotaram da sua fantasia, e tão sublimes aos seus olhos, e tão profundamente veneradas, aparecem-nos elas, com efeito, como ídolos medonhos, assim também a sua música medonha nos soa aos ouvidos. Por seu lado, esses povos consideram a nossa escultura, a nossa pintura e a nossa música como insignificantes, senão como absurdas e feias 12 .

Em outra aula, o tema escolhido foram as relações da estética enquanto prática que visa a

beleza, e as distorções provocadas pelo uso inadequado e abusivo da medicina estética.

ESTÉTICA e DISTORÇÕES - Atualmente ouvimos o tempo todo apalavra estética. Ela saiu dos

livros de história da arte e de filosofia para ocupar um importante espaço na medicina. Porém esta

mudança vem ocorrendo com inúmeras distorções. Uma

tabela

foi

entregue

aos

alunos.

Inicialmente cada um procurou fazer a sua e, na hora da discussão, todos os exemplos foram

colocados no quadro:

EXAGEROS DA ESTÉTICA

Excesso de plásticas;

Bronzeamento artificial;

Lipoaspiração;

Retirada de costela;

Dietas da moda;

Anabolizantes;

Remédios para emagrecer;

Receitas caseiras para bronzeamento;

12 HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Estética: A idéia e o ideal. V. XXX. São Paulo: Abril Cultural, 1974. P.127-128. Coleção Pensadores.

Alisamento de cabelo com formol

Os

temas

para

o

trabalho

em

grupo

foram

os

seguintes:

ANOREXIA,

BULIMIA,

OBESIDADE/ ANSIEDADE, DEPRESSÃO e PLÁSTICA (incluindo lipoaspiração). A regra para

a apresentação foi a seguinte: o trabalho não teria parte escrita a ser entregue ao professor. A

criatividade deveria ser o ponto alto do trabalho. E foi.

O grupo sobre depressão apresentou a carta e o depoimento de uma aluna que sofre há anos

com a doença. Ela é obesa e, por isso, muitas vezes se sente excluída do grupo. Um grupo sobre

anorexia também divulgou para a turma o relato de uma modelo que descreve a relação entre

anorexia e suicídio. Outro grupo focou sua pesquisa em sites de relacionamentos como o Orkut. Lá

detectaram problemas alarmantes como comunidades que incentivam a anorexia e a bulimia além

do suicídio. Por outro lado há outras que divulgam relatos de pessoas que superaram seus medos e

doenças como a “Bulimia e anorexia: Eu superei”:

Eu tive anorexia brava, forte mesmo uma vez

pequenas, e a última foi agora

de contar calorias, de comer só pensando em praticar exercícios pra compensar, de passar vontade, fome, de viver pensando no que eu vou comer na próxima refeição, de ficar procurando alimentos com baixas calorias, de não querer nem um pouco de

Percebi que desde que eu sou

assim, nada de bom veio pra mim, ninguém me amou mais, eu não tive mais

namorados, ninguém começou a ser meu amigo, nada, nada!! Ao contrário, eu só

criei um sofrimento pra mim

não sei vocês, mas quanto mais eu me privo das coisas, mais eu alimento um

desejo secreto por elas

por que é proibido

gosto. Parei um pouco de pensar em qualquer tipo de regime, dieta, até reeducação alimentar eu deixei um pouco de lado (é lógico também que não vou sair comendo

que nem uma doida)

alimentos gostosos como coisas que fazem parte da minha vida, não como um veneno ou uma coisa que nunca vai ser pra mim! Não estou gorda porque estou malhando bastante (adoro esportes). Estou me adorando menos magra, sem cara de doente. Isso é tão feio. Hoje eu penso assim, mas antes achava aquela ossada toda aparente a coisa mais linda do mundo. É difícil sair dessa, principalmente quando

To tentando parar de pensar em comida, e enxergando os

Por isso passei a me permitir tudo que eu

gordura nas refeições

Depois tive umas crises Por mim mesma! Cansei

Só que eu decidi mudar

Parei pra um balanço

rsrs

Descobri que isso não leva a nada de bom! E que,

Às vezes nem to com vontade, mas tenho que comer só

Louco isso né?

você começa a engordar (é claro q vai engordar, você vai comer normal e não exageradamente).”

A relação entre Estética, moda e consumo foi discutida a partir do polêmico texto :

A ONG alemã Magersucht enviou para grandes nomes da moda como o estilista Karl Langerfeld e a top model Heidi Klum, um cinto rosa bem dentro da tendência fashion. Cada furo, uma estação da moda: primavera-verão, outono-inverno. O penúltimo furo é em forma de cruz, numa alusão à magreza exagerada promovida pela indústria da moda. No pacote, uma nota explicando como a moda pode influenciar no aparecimento de doenças como a bulimia e a anorexia. A peça criada pela Ogilvy Frankfurt, no entanto, não foi bem recebida pelas celebridades mas ganhou grande repercussão na mídia alemã. De acordo com a Magersucht, o acesso ao site da instituição aumentou em 25% após a campanha.

Em seguida, algumas questões foram propostas:

1-

Relacione estética e anorexia.

2-

2-Os transtornos alimentares são cada dia mais freqüentes. Como é possível tratar deste tema de modo filosófico?

Alguns

filmes

que

abordam

a

temática

da

estética

podem

ser

exibidos.

Entre

eles

recomendamos dois. O primeiro, Ela é demais, uma produção norte-americana dos anos 1990, que

fez um expressivo sucesso em seu país de origem e seu tema principal é o resgate da auto-estima;

problema comum a quem apresenta sintomas causados pelos exageros com a beleza e a busca pelo

corpo perfeito. O filme começa pela necessidade de uma jovem de modificar sua aparência para ser

notada. Entretanto o que está em jogo é sua autoconfiança e sua capacidade de se tornar alguém

especial.

Super Size Me- A dieta do palhaço, trata de uma denúncia contra a má alimentação oferecida

pelas redes de fast-food, em especial, o Mc Donalds.

Ele relaciona saúde, obesidade e riscos

causados por uma dieta rica em gordura e açúcar aliada à vida sedentária.

Os adolescentes

costumam aceitar bem as duas produções e discutem os temas abordados enriquecendo a leitura dos

textos e os debates.

A imaginação também foi tema de uma aula. O texto de Suzanne Langer A Imaginação,

foi discutido com a turma. Em seguida foram propostas algumas questões:

A Imaginação

A imaginação é provavelmente a maior força a atuar sobre os nossos sentimentos-

maior e mais constante do que influências exteriores, com ruídos e visões amedrontadores (relâmpagos e trovões, um caminhão em disparada, um tigre furioso), ou prazer sexual direto, inclusive mesmo os intensos prazeres da excitação sexual. O que esteja realmente acontecendo é, para um ser humano,

apenas uma pequena parte da realidade; a maior parte é o que ele imagina em conexão com as vistas e o som do momento.

A imaginação constitui o seu mundo. O que não quer dizer que seu mundo seja

uma fantasia, sua vida um sonho, nem qualquer outra coisa assim, poética e pseudofilosófica. Isso significa que o seu “mundo” é maior do que os estímulos que o cercam; e a medida deste, o alcance de sua imaginação coerente e equilibrada. O

ambiente de um animal consiste das coisas que lhe atuam sobre os sentidos. Coisas ausentes, que ele deseje ou tema, provavelmente não têm substitutos em sua consciência, como as imagens de tais coisas na nossa, mas aparecem, quando por fim, o fazem, como satisfações de necessidades imperiosas, ou como crise em seu espreitar e reagir mais ou menos constante (

No centro da experiência humana, portanto, existe sempre a atividade de imaginar

a realidade, concebendo-lhe a estrutura através de palavras, imagens ou outros

símbolos, e assimilando-lhe percepções reais à medida que surgem- isto é, interpretando-as à luz das ideias gerais, usualmente tácitas. Esse processo de interpretação é tão natural e constante que sua maior parte decore de modo inconsciente. (SUZANNE: 1971, 132-136).

DINÂMICA DOS SONHOS

Uma forma criativa de fazer com que os alunos exercitem sua imaginação é pedir que eles relatem detalhadamente um sonho que tiveram. Em seguida os papéis são trocados e um desenhará o sonho do outro. Em um terceiro momento, o “dono” do sonho comentará semelhanças e diferenças entre sua descrição do mesmo e a produção do colega. É uma atividade divertida e que poderá suscitar inúmeras questões.

O texto abaixo foi retirado de uma prova de Literatura Brasileira da UFRJ. Ele trata de

questões de Estética estudadas neste bimestre. Repare como a filosofia se relaciona com outras

disciplinas:

A PRODUÇÃO CULTURAL DO CORPO

UFRJ 2006 PROVA DE LITERATURA BRASILEIRA

O corpo humano recebe, ao longo do tempo, múltiplas interpretações.

A

depender de diversos fatores, mudam a leitura e a representação que

o

homem faz de seu próprio corpo. Os textos desta prova utilizam, sob

diversas perspectivas, elementos corporais para a construção da temática textual.

TEXTO I A produção cultural do corpo Pensar o corpo como algo produzido na e pela cultura é, simultaneamente, um desafio e uma necessidade. Um desafio porque rompe, de certa forma, com o olhar naturalista sobre o qual muitas vezes o corpo é observado, explicado, classificado e tratado. Uma necessidade porque ao desnaturalizá-lo revela, sobretudo, que o corpo é histórico. Isto é, mais do que um dado natural cuja materialidade nos presentifica no mundo, o corpo é uma construção sobre a qual são conferidas diferentes marcas em diferentes tempos, espaços, conjunturas econômicas, grupos sociais, étnicos, etc. Não é, portanto, algo dado a priori nem mesmo é universal: o corpo é provisório, mutável e mutante, suscetível a inúmeras intervenções consoante o desenvolvimento científico e tecnológico de cada cultura bem como suas leis, seus códigos morais, as representações que cria sobre os corpos, os discursos que sobre ele produz e reproduz. Um corpo não é apenas um corpo. É também o seu entorno. Mais do que um conjunto de músculos, ossos, vísceras, reflexos e sensações, o corpo é também a roupa e os acessórios que o adornam, as intervenções que nele se operam, a imagem que dele se produz, as máquinas que nele se acoplam, os sentidos que nele se incorporam, os silêncios que por ele falam, os vestígios que nele se exibem, a educação de seus

enfim, é um sem limite de possibilidades sempre reinventadas

gestos

e a serem descobertas. Não são, portanto, as semelhanças biológicas que o definem mas, fundamentalmente, os significados culturais e sociais que a ele se atribuem.

(GOELLNER, Silvana Vilodre. A produção cultural do corpo. In:

LOURO, Guacira Lopes (org.) Corpo, gênero e sexualidade; um debate contemporâneo na educação. Petrópolis: Vozes, 2003. p.28-29)

1- Explique a frase:

“O

corpo

é

histórico”

relacionando-a

estética

com

a

atualmente.

2- Relacione corpo e

cultura a partir da

 

leitura do texto.

3-

De que modo

a

cultura

“corpo” ?

cria

um

4- “Mais do que um

de

músculos, ossos,

vísceras, reflexos

o

corpo é também a

conjunto

e

sensações,

roupa e

os

acessórios

que

o

adornam,

as

intervenções que

nele se operam, a

imagem que dele

se produz, as máquinas que nele se acoplam”. Justifique a partir desta afirmativa a

complexidade e transitoriedade do corpo.

REPRODUÇÃO PARCIAL DA OBRA

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A AUTORA Karina Gaspar de Oliveira é Graduada e Mestre em Filosofia (UERJ).Possui DELE (nível

A AUTORA

Karina Gaspar de Oliveira é Graduada e Mestre em Filosofia (UERJ).Possui DELE (nível C.2) em Espanhol. Professora já atuou no ensino Fundamental II, Médio e Superior. É especialista em Pedagogia Empresarial e Orientação Educacional (UCAM). Possui diversos livros publicados. Alguns em domínio público para fins educacionais.

E-mail para contato: karinabuccos@yahoo.com.br.