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entre o p~ofissíonaúsmoe a proIeWza@o

Mariano F. Enguíta
Os docentes vivem hoje, e desde há muito, uma cnse de identidade que se tem
visto refletida numa patente situacáo de mal estar e, mais recentemente, em
agudos conflitos em torno de seu estatuto social e ocupacional, dentre os quais
a polsmica salarial tem sido apenas a parte vislvel do iceberg. Nem a categona
nem a sociedade em que esiáo insendos conseguem pór-se de acordo em tomo
de sua imagem social e menos ainda sobre suas conseqüencias práticas em
termos de delimitaciio de campos de competencia, organiza* da carreira
docente, etc.
As mil e urna polemicas e dilemas em que se manifesta a ambivalencia da
posi@o do docente, Arvores que dificilmente permitem ver o bosque, podenam
resumir-se, em minha opíniiio, em sua localizac50 em um lugar intermedisno
e instável entre a profissionalizaqiío e a proletarizqáo. O tenno "profissio-
nalizaciio" nao se ernprega aqui como sindnimo de qualificaqib, conhecimen-
to, capacidade, formaciio e outros tracos associados, mas como expressZio de
urna posi~áosocial e ocupacional, da insercao em um tipo determinado de
relacoes sociais de producáo e de processo de trabalho. No mesmo sentido,
ainda que para designar urn conteúdo oposto, ernprega-se O termo "proleta-
nzacáo" ,que dzve se entender livre das conotacoes superficiais que o associam
unilateralmente ao trabalho fabril.
a foqa relativa desilis e daquele, isto 6,dt empegadort?se ernpregadoe reuir
ou potenciliis.
Em sentido estrito, um grupo profissional 6 uma categoria auto-regulada de Entre as forma inlyuivociis Jz prolissionalizlir;h e p r o l z h r i ~ 8 o
pessoas que trabalham diretamente para o mercado numa situaciio de privil6gio debate-se uma variada colgiio de grupos ocupacionuis que compartilham
monopolista. S6 eles podem oferecerum tipo determido de bens ou servicos, corpcteristicas de ambos os extremos. Constituem o que no jargBo sociolbgico
protegidos da ~ncor&nciapelaleí. Isto 6 o que se denomina também exercicio BC designa como semiprofiss6es, geralmente constituídas por grupos assalari-
liberal de uma profissk. Diferentementede outras categorías de trdbaihadores, dor, amidde parte de burocracias ptíblicas, cujo nível de formaciio 6 similar
os profissionais sk plenamente autonomos em seu processo de trabalho, MO ao doE profissionais liberais. Gmpos que estiio submetidos A autoridade de seus
tendo que submeter-se a uma regulqk alheia. O fato de que a lei ihes delimite anpregadores mas que lutam por manter ou ampliar sua autonomia no procefso
um campo e defina algumas de suas normas de funcionamento nao expressa sua ck trobalbo e suas vantagens relativas quanto 21 distribuim da renda, ao poder
sujeiw ao poder público, mas antes sua influencia sobre o mesmo. Os e w prestigio. Um destes grupos C o constitufdo pelos docentes.
exempios clássicos de grupos profissionais sáo, como C k m sabido, médicos,
sdvogados e arquitetos. Hoje em día, MO obstante, numerosos profissionais O docente como profissional
que &m reconhecidas as mesmas competencias e direitos que seus colegas em
exercicio liberal trabalham como assalariados pam organizacoa públicas ou HB muitas maneiras de se definir urna profissáo (v. Starr, 1982; Wilensky,
privadas. No entanto, quando se trata de grupos corn grande forca corporativa 1964; Goode, 1957; Larson, 1977). Aqui o faremos sucintamente através de
como os citados e outros, conservam, ainda nessas condicóes, grande parte de cinco caracteristicas para, a seguir, tratar de ver em que medida d o compar-
suaautonorniano pn>cesso de trabalho e de seus privihigios relativos em tennos tilhadas pelo grupo de educadores.
& renda, poder e prestfgio. Compet2ncia. O profissional supóe-se tecnicamente competente em um
No extremo oposto do arco ocupacional encontra-se a classe operaria em campo do conhecimento do qual estao excluidos os que niio o s3o. Sua
sentido estrito. Um openírio C um trabaihador que nao s6 perdeu ou nunca teve competencia deve ser o produto de uma forma~áoespecifica, geralmente de
ocesso h propriedade de seus meios de produ@o, como tambdm foi privado da dvel universitario. Seu saber tem um componente "sagiado", no sentido de
capacidade de controlar o objeto e o processo de seu trabalho, da autonomia que náo pode ser avaliado pelos profanos. S6 um profissional pode julgar a
em sua atividadepdutiva. A culmina@o e o paradigma deste processo podem outro, e sb a profisGo pode controlar o acesso de novos membros, j4 que sb
ser encontrados no trabalho dos operános industnais de uma linha de ela pode garantir e avaliar sua formaciio.
montagem, mas os feni3menos & divido, desqualificaciio e degradach do Em realidade, nZo 6 necessário que a p r o f i s a reúna tais compet&ncias:
trabalho 6060privativos da esfera industrial; encontram-se tarnbSm nos basta que assim parqa ao público. Quando com suas técnicas contribuíam
setores terciário equaternáno, ainda que menos onipresentesqueno secundano. sobretudo para acelerar a morte das pessoas, os médicos jd gozavam de um
O estatuto de uma categoria ocupacional nunca é definitivo. Alguns estatuto profissional. É mais que duvidoso que psicólogos, psiquiatras e
grupos profissionais atuais o d o porque puderam defender urna posi@o psicoanalistas contnbuam boje para a cura dos doentes psíquicos, mas tem
tradicional, enquanto outros S% de recente surgimento. Os grupos mais conseguido fazer com que um público importante assim o creia. Um elemento
proleíarizados tem sua origem, freqüzntemente,em cateporias profissionais ou
essencial para se obter a presuncao de competencia C o uso e reconhecimento
gremiais, nias náo puderam manter suas prerrogativas. O que faz com que um social de um jargáo próprio: por exemplo, chamar "cardiopatia" a urna
grupo ocupacional va parar nas fileiras privilegiadas dos profissionais ou nris enfermidadz do coracao, "interdito de reintegncáo" a urna reclamacáo &
desfavorecidas & classe oprária náo C a natureza dos k n s ou servifos que propriedade perdida ou "curriculum" a um programa de estudos.
oferece, nem a maior ou menor complexidade do processo global de sua Vocacüo. O próprio ternio profissálo evoca o aspecto religioso do tema,
produ@o, mas a possibilidade de dzcompor este último atravb da divisk do invocando as ideias de f6 e chamada. Em numerosos idiomas, v o c q h ,
trabaiho e da mwaniza@o - que está, sim, determinada em parte por sua chamada, profíssiio reúnem-se em um mesmo vocábulo ou sáo intercambidveis.
natureza intrinseca, a do processo -, o afa das empresas capitalistasou públicas O profissional nao trabalha de maneira venal, mas como servico a seus
por fa&-10 - que depende da amplitude de seu mercado r d ou potencial - e semelhantes; esta li a justificacao tebrica da proibi$iIo da competicb entre os
munbros da pmfissáo. Por isso seu trabalho 1150 pode ser pago, porque n8o Em que m4iclaconipurtifhnmos docentes essns wterlsticlis? Vejamos,
tem p m p , seu werclcio C "litxr~l" e sua retribui* toma a forrna de de maneira bstiinte breve, pela mama ordem em que foram ltpontadas
"bomrários" (certamente elevados!). A profissáo caracteriza-se por sua anteriormente.
voc+rcoode servitp P humanidadc. ~t,perPticiu.O profasor primlrtrio tem urna competencia oficialmente
Na maüdade, Q bem sabido que o principal atrativo de urna profissáo reconhecidir mas, devido lt uma eúucacrio suprior curta, de menor prestigio
liberal C constituido por seus rendimentos e outras vantagens materiais e que a universitaria em sentido estrito. O p r o f ~ s o que
r tem um curso superior
simbólicos, que a verdadeira razáo da proibicáo daconcorrSnciat?evitara queda que nao seja uma licenciatura possui urna comp&ocia reconhecida como
das retribu¡- e que os profissionais s6 esta0 disponiveis para o público tlScnico em seu campo, mas nao como docente. Seu saber d o tem nada de
quando este possui c a p i d a d e monetaria e dentro de um horário e um
sagrado e a educas50 C um desses temas sobre os quais qualquer pessoa se
calendário decididos porele mesmos. Seus pretensamente longos horários niío considera com capacidade para opinar, de modo que seu trabalho pode ser
o sáo tanto, e quaodo o S& podem interpretar-se tamtdm como uma forma de julgado e o C por pessoas alheias ao grupo profissional. Carecem ambos, enfim,
aumentar seus rendimentos. de um jargao próprio.
Licewa. Os profissionais t&m demarcado um campo exclusivo, geral- Vocacdo. Ainda que no termo "professor" ressoea idQiadevocacao para
mente reconhecido e protegido pelo Estado. Isto os defende da intnisáo e, uma parte dos docentes, no termo "rnaatro" [professor pnmário] ressoa
portanto, da competencia aiheia. Su*-se que esta licensa 6 a contrapartida de simplesmente a idéia de trabalhador qualificado, significadooriginal da palavra
8ua compel2ncia técnica e sua vocacHo de servico. Esta idéia expresa-se em
em castelhano. Tradicionalmentereconhwia-se um componente vocacional na
termos como "licenciatura", "licenciado", "faculdade" , "facultativo",
prática da docencia, mas o retorno do individualismo consumista associado B
"vi5,a", etc.
boa saiide política e ideoldgica do capitalismo em noscos dias parece estar
ltuiepend2ncia. Os profissionais siio duplamente autónomos no exercicio terminando com isto: a imagem do graduado num curso universitario que se
& sua profish: frente BF organizar;¿íes e frente aos clientes. Frente As dedica ao ensino se move entre a de algu¿m que renunciou ambi@o economica
organizqks, claro está, no exercicio liberal da profissiio; e inclusive, quando em favor de uma vocaciio social e a dequem nao soube nemconseguiu encontrar
se convertem em trobalhadorzs assalanados, atravQ de seu controle wletivo algo melhor. Em todo o caso, o docente é um asalariado, e as opinióes sobre
das organiza@es que os empregam (por exemplo, o controle dos médicos sobre a adequaci'io ou nilo de seu salário dependem & v d o r i z . que se f a p do sw
os hospitais públicos e privados, a forma de sociedadeadotada pelas firmas de trabaiho que, diferentemente do de um profissiooal, rim, possui um p m p .
advogados, etc.). Frente ao público, porque o cliente do profissional, Licenca. O docente tem um campo demarcado, mas sb parcialmente. A
diferentemente do cliente de urna loja, o quai se sup6e ser um consumidor lei d o permite a outras pessoas avdiar e certificar os conhecimentos dos
soberano e que "oempre tcm raso", 1-150tern raziio alguma; apenas tern alunos, mas tampouco outorga aos profasores dos diferentes nfveis, exclusi-
necesidades, problemas ou urgancias que s6 o profissional sabe como
vamente, a capacidade de ensinar: juntamente com o ensino regular, hd plena
resolver. O cliente pode estar inclusive obrigado a recorrer aos servicos do
liberdade para o ensino informal; ao contdno, d o poderiamos encontrar, por
profissional, como sucede ao litigante numa disputa judicial, ao aluno em mais que buscássemos, uma medicina ou urna advogacia d o regulamentadas.
período obrigatório ou ao particular que tem que demonstrar seu bom estado
lndepend2ncia. Os docentes apenas parcialmente sáo autonomos, tanto
flsico para obter a carteira de habilita~iiode motorista.
frente Bs organizac6es como frente a seu público. Em sua quase totalidade S&
Auto-reguiqdo. Com base na identidade e na solidariedade grupa], a
assalanados. Quanto a seu público, os alunos, e por extensáo os pais, nao esti40
profíssáo regula por si mesma sua atua~iio,atravk de seu próprio código ktico dispostos a situar-se na mesma posiciio de dependgncia total que os pacientes,
e deontol6gic0, assim como de brgiíos prbprios para a resoluciio de seus
clientes de advogados, etc. A lei reconhece e outorga, por cxernplo, direito a
confiitos internos. A capacidade de auto-regulaciio sufie a real posse de urna
participar na gata0 das escolas aos pais e alunos, mas G o faz o m a m o com
wmpeencia exclusiva. A profissiio reserva-se o direito de julgar seus própnos
os pacientes em relaqao aos hospitais. N b obstante, este reconhecirnento é
mernbros, resistindo a toda pretensáo dos profanos, isto t?, dos clientes, do
apenas formal, pois os docentes ten garantidas compet&ncias exclusivas,
poder ptíblico ou de outros gnipos. Organiza-se colegial ou corporativamente, desfrutam de uma maiofla segura nos brgiios colegiados e submetidos a
em qualquer caso P margem dos sindicatos de classe.
autoridades que, em geral, Go também docentes.
dzvc impedir de verque, como categoria, os docentes zncontritm-scsubmetidos
Aso-regJoF&. A cotegoria de b>centur carece & um cúdigo &co ou a prowsos cuja tendZncia B a mesma que para n mliiorin dos trdbalhadores
daoolológico (o que oPo significo que s e j m a m o d s ou d o pomuam normas assalariados: a proletliriw~iío.Estes processos, estil clarr), nao atuam da mama
gmpais infonnais de comportamento!) e & mecanismos próprios para julgnr forma, neni ao rnesmo tenipo, neni con1 os rnesmos resultados sobre toda M
a seus membros ou resolver conflitos internos. N% controltim, enqunnto bis, catqorias de trabalhadores. Alguns forani ou Go rapidamente transformados,
A forrna~$~de oeus membros futuros, ainda que possam influir no grupo dos
outros requerem um período longo, outros resistem corn pleno exito a esta
que st formam professores através da universidírde (se bcm que, nestes casos, tendencia e outros, enfim, debatem-se e opóem resistSncia pelo meio do
otravb do setor privilegiado dos profesores universit8nos). lntervem no
caminho. Vejamos qual k m sido o promso e quid 6 a sima* dos docentep.
controle dos mecanismor finais de acesso, mas somente mb a tutela da
A quase totalidade dos docentes é hoje assalariada. Encontram-se nata
burocrrrcia público ou dor ernpregadorerr privados. Contam corn organim$ka
ñ i t u q h todos os docentes no ensino públiw e a imensa maiona na rede privada
profissionais (asr;ociacbef), mas estas d o muito menor relevantes que a6
de ensino. Neste setor h4 que excluir os docentes-empresúios, isto 6, o6 que
sindicaie, que se dividem entre oindicatoo filíados PP centrais & clase e proprietários de escolas mas contnbuem tambSm corn seu pr6prio trabalho
sindicatos independentes e aberiamente corporativos. docente e, obviamente, os que ainda que tendo uma origem docente deixatam
de trabalhar como taI para se converterern sirnplesrnente em empresários
capitalistas do setor, ainda que se trate de pcvquenos empresán'os.
Hoje em dia, os termos "docente", "educador", "mestre" ou "profea-
Segundo a iconografia usuai, um proletário C um trabalhador que veste macado sor" evocam de imediato a imagem de um trabalhador assalariado, mas nem
azui, realiza peoadas tarefas flsicas, vive no limite da sobrevivencia, segut a
sempre foi assim. Atí há poucas dkadas, na Espanha, grande parte dos
esquerda e talvez chegue a ser seu o reino des& terra. A sociologia d o pode professores primários estava muito mais para trabalhadores aut8nomos que
negar que assim seja, mas, sim, pode oferecer uma defini* menos rombtica estabeleciam, por sua pr6pria conta, escolas nos povoados, ainda que com o
e maís científica. Um proietiúio 6 uma pessoa que se ve obngada a vender sua apoio dos governos locais sob a forma de locais adquados e subvencóes para
-
foqa de trabaiho nHo o resultado de seu irabalho, mas sua capacidade & os alunos sem recursos econdmicos. Nas escolas privadas unitárias o mestre era
trabaiho - . Posto que nenhum capitalista a comprará por nada, um proletário ao mamo tempo o empresário e o trabalhador, talvez como apoio desua esposa
C também um trabaihador que produz mais & que recebe, seu saiário, e mais ou di: algum servente; era, em sentido estrito, um pequeno-burguh. A
do que o n w s á x i o para a reposi* dos meioo de trabalho que emprega; vale terminologia do msgistdrio todavia apresenta vestígios disto, por exemplo
dizer que produz um oobretrabalho, um excadente ou, pan ser mais exato, urna quando se refere ao "mestre proprietário" (rmesrropropietario) ou ao "cargo
m&-valia. Para assegurar que assirn ocorra, o capitalista faz tudo o que pode, em propriedadz" (plilza en propiedad). Outras reminescdncias, menos sim-
e pode'bastante, pmra controlar e organizaro multado e o proceso de trabaiho. bdlicas e mais matzriais, perduraram atd bem pouco tempo, como 6 o caso das
Um proletllio, por conseguinte, t um tmbabdor que pcrdeu o controle sobre "permanencias" e das aulas particulares dadas pelos mesmos mestres a alguns
oa meios, o objetivo e o processo dc seu írabalho (sobre o processo de
de seus alunos.
p r o l ~ v a, FernPbdu Enguita, 1989).
A urbanizaciío, a introduciío das escolas completas e senadas, as
Mas nem a sociedade aem o setor capitalista & mtsma se dividem clara
wncentracóes escolares, a expansao do setor público, a cna* de escolas
e abatamente cm pcrfeitos burgueses e perfeitos pmletárior. Deixando de lado privadas para setora corn poder aquisitivo alto e sua generalizq50 para todos
os primeiros, que aqui n8o interessam, a prole&rizacao nHo se pode entender
corn a política de subvenc&s, e a expansao do setor público S& os fatores que
como um uúto ou urna mudaqa drástia de coodi@o, mas como um processo
t&mfeito desaparecer o docente autonomo, inclusive o mestre público semi-
prolongado, desigual e marcado por conflitor abertos ou disfanpdor. A
aut8nomo da zona rural. A criacao e logo o prdomfnio absoluto das escolas
proldack@o C o proce~oopelo qual um grupo de trabdhadom perde, mais
corn vários grupos escolares supunha a divisáo e hierarquizacáo dos docenteo,
ou mewr sucessivamente, o controle sobre seus meios de produsik, o objetivo
com a aparicáo da figura do diretor e outras intermediárias. A figurado diretor
de ceu trabalho e a organi- de sua aiividade.
tem seu correlato em urna certa perda de autonomia por parte do professor de
Obviamente, es &mdi@cs de vida e trabalho dos professores d o sHo as
base.
&S estivadores ou dos operários da industria autornobilística, mas isso náo nos
Outro aspecto a ser considerado 6que a regulamentqáo do ensino pasou, paro o profasor 6 conjunto de conhecimentoo que &ved transmitir,
com o tempo, da oituaqiio de limitar-se aos rcquisitm mair gerais para a de faqWidos mesmos e a forma & transmiti-los e organit8-los. Ainda que de
prescrever cspecificacbcs detalhadas para os programas de ensino. A &mi- menor tzpercuss50 M) conjunto cti vida escolar, um efeito similar @m outros
nistw$b determina as matérias que deverh ser dadas em cada curso, os horas recursos docentes, como os programas informatizados ou os chamados
que serPo dedicadas a cada materia e os temas de que se comporá. Em outras "pacotes curriculares" .
paiavras, o docente tem perdido progressivamente a capacidade de decidir qual Numa outra veia, os docentes, como a grande maioria dos trabalhadoru
r e d o resultado deseu trabalbo, pois estej4 Ihechega previamenteestabelecido assalariados, produzem urn sobretrabalho e, tratando-se do setor privado, urna
cm forma de disciplinas, hodnos, programas, normas de avalia#io, etc. Náo mato-valia, da qual se apropriam seus ernpregadores. A velha discussáo entra
só assim, diretamente, mas também, indiretamente, através dos exames marxistas sobre se os docentes sáo trabalhadores "produtivoe" ou "impro-
públicos (os antigos exames de "ingresso" e revalidqilo, os atuais exames de dutivos" carece inteirarnente de sentido. Em primeiro lugar, porque desde o
belc$b) e, em gerai, dos requisitos de acaso e dos pr6-requisitos de base dos momento em que, como assalariados do setor privado, permitern a seua
niveis ulteriores, aos quais deve amoldar-se o ensino nos anteriores. Tanto o empresários embolsarem uma quantidade de dinheiro superior ao que 1he.s
wino privado como o pilblico v&em-seafetados por estas regolamentacaes custam, jB produzem urna mais-valia, independentemente de que o resulíado
g&; aidm disso, a diferenca principal entre um e outro, que n8o C tHo de seu trabaiho seja um bem ou um servico (Fernández Enguita, 1985);quanto
importante para o que aqui nos inieressa, consiste em que, no pnmeiro, a aos do setor público, nao podem produzir nem deixar de produzir mais-valia
interpr-50 ou os acréscimos Bs normas legais procedem do propnetáno ou porque n h produzem valor, jB que o setor piiblico UZOproduz para o mercado.
oeu representante, enquanto no segundo provem de um diretor nomeado pela Em segundo lugar, ainda que fosse ao contrtino isso d o modificaria suas
Administrago. condifies de trabalho nem suas relagoes sociais de producao. A categorizaQb
As regulamentas6es que recaem sobre o docente nao concernem somente dos trabalhadore-s do setor capitalista e a análise das r e l w sociaia de
ao que ensinar, mas tambdm, amiúde, a como ensinar. Em todo o caso, producao em que es60 imersos 6 funcáo de seu lugar no processo material de
qualquer coisa náo pode ser ensinada de qualquer maneira, de modo que, ao producao, nZo no processo de valoriza~áo.
decidir um contetído, as autoridades escolares limitam também a gama de Os empresários do ensino privado &m o mamo interesse que podem ter
métodos posslveis. Mas, aidm disso, sobretudo as autoridades das escolas, os fabricantes de salsichas em explorar os seus assalariados, comqando pelos
jxx&unimporaos educadores formas deorganizar asturmas eoutras atividades, professores, ou seja todo o interesse do mundo. Quanto ao setor público como
p n x d m m t o s & avaliacáo, cnttnos de disciplina para os alunos, etc. O empregador, ainda que seus trabalhadores venbam a conseguir meihores
&cate perde assim, também,e mesmo que s6 parcialmente, o controle sobre condick, paraum mesmo trabalho, queos do setorpnvado, nilo tmenos cedo
sai processo da trsbaiho. que, no contexto da atual e prolongadacrise fiscal do Estado, este tendea limitar
Esto perdn de autonomia pode ser considerarada tambdm como um seus gastos em salános e os docentes costumam ser urna das categorias de
pooesro & deaqualifica@o do posto de trabalho. Veado limitada su- funciondrios mais vulnerdveis.
porfbdlidder & fe tomarisbes, o docentej4 n8o precisa das capacidadea e
dcmwuhocimcntosnaxdaiospant fa&-lo. A desqualifica$iSov&serefoqada,
d h dbrú, pela divioao da trabalho docente, que reflete dupiamente a
pircalartsc8o do conhccimento e das fun- da escola. A primeira, atravCs A categoria dos docentes, de ricordo corn o exposto, compartilha t r q s
áa proUfaq30 & cspbciaiidades e o confinamento dos docentes em & a s a próprios dos grupos profissionaisaom outrss características da c l a s s e o p e ~ a .
disciplinas. A segunda, por meio da delimita@ode funcW que sHo atribuídas Para sua proletariza~áocontribuern seu crescimento numdnco, a expan& e
de forma separada a trabalhadoces especfficos, desmembrando-seas assim darr concentrwáo das empresas privadas do setor, a tendencia ao corte dos gastos
compeü!ncias de todos: 4 o caso da orient.30, da educa& especial, do rociaio, a ldgica controladora da Administrac50 pública e a repercusdo de seas:
0. .tendimento psicoldgico, etc. salArios sobre os custor da forca de trabalho adulta. Mas hd tamtdm outros
Finalmente, para este processo contribuem também os fntukanies & fatorer que atuam contra esta tendhncia e, por conseguinte, a favor de sua
íivros-did8ticose outras mercadork educacionais. O Iivro-did8tico especifica profissionalizacáo. O main importante, sem diívida, t a natuteza especffica do
tnrbalhodocente, que d o u presta fwilrnente B padtonim$o, B fragm6nrs$&
extrema das tamfas, oem B substitui@o& atividade humana pela das máquinas A rciviiiclicac;lío do rcconhwiiiiznto de seu profissionalismopor parte dos
-Pinbi que e e t ~úftimaseja Go cara aos profetas da tecnologia -. Outros fatorea docentes dzve scr ~ntcnclida,de acordo com atas coordenah, coino urna
expressio siiitLtica de sua rzsist?ncia A p r o l z t a b ~ á ~Ao. levantar asa
&vPnb, que com efeito váo na mesma d i w , &o a igualdade de &el&
forma& entre os docentes e as p r o f i s s h liberais, a cresccnte aten* social bandeiw. os docentes atuam do marno modo que na sua é p c a o fizeram os
-
&& iproblemática da educaciio ao menos a longo praw e a enormc - gremios de trabalhadores artesanais na origem & muitas ocupq6es hoje
plenamente prolztarimdas - p r exemplo, os mwgnícos ou os gráficos -, ou
impodacia do setor público frente ao privado.
Como conseqü&ncia,acategoria dos docentes move-se mais ou menos em que o fazem agora numerosos grupos ocupacionais & cri* relativamente
um lugar intermediário e contraditório entre os dois pólos da o r g a n i z . do recente - por exemplo, os pilotos ou os jornalistas -. NinguCm na história
tiabalho e da posi* do trabalhador, isto 6, no lugar das semiprofiss6e.s. Os aceitou de bom grado converter-se em, ou permanecer, pn>l&o.
docentes es& submetidos B autoridade de organizac6es burocráticas, sejam As formas que toma, contudo, expressam algo mais. Concretamente, o
públicas ou privadas, recebem salários que podem caracterizar-secomo baixos clima politico social do perfodo e a relaqáo da categoría docente com O resto
t perdetam praticamente toda capacidade de determinar os fins de seu trabalho. dos trabalhadores. Há dez ou quinze anos os docentes denominavam-se a si
Náo obstante, seguem desempenhando alymas iarefas de alta qualific- - mesmos "trabalhadores do ensino"; discutiam-se por toda parte seu carater de
em compara& com o conjunto dos trabalhadores assalariados - e conservam classe, sua funsáo produtiva ou improdutiva, etc., quase semprecom a vontade
grande parte do controle sobre seu pmesso de trabalho. De certa forma, pode- de demonstrar que eram tao bons trabalhadores como quaisquer outros. Hoje
se dizer que tanto eles como a sociedade em geral e seus empregadores em em dia se fala sobretudo de "profissionalismo", "dignifica@o da profissáo
particular tem aceitado os termos de um pacto: autonomia em troca de baixos docente" e outras expressóes do mesmo estilo. Numa palavra: antes se
samw. reivindicava a identidade com o resto dos trabalhadores, agora se trata de
Nada permite esperar que os docentes venham a se converter finalmente sublinhar e reforsar a diferenca.
em um grupo profissional nem em um segmento a mais do proletariado, no
sentido forte desses dois conceitos. As mudanw sofridas pela categoria, assim A JerniniuagEao do setor
como os confiitosem curso eas op@espresentes, movem-se&atro deum leque
de possibilidades cujos extremos continuam contidos dentro dos hites da Se o ernprego do plural masculino oculta sempre a composi@io por sexo das
a r n b i g ü i i e própria das semiprofiss6es. Tmta-se, scmpre, & ganhar ou categorias designadas, no caso da doczncia falsifica e inverte nidicalmente a
perdet um pouco & algo, de escolher entre o braaco e o p w . realidade. De 419.951 professores no perlodo 1985-86, 243.008, ou seja
A maioria d a mudaxqas na posich dos docentes ocorxicb no último 57,86 % , eram professoras. (Estes dados, como todos os que se empregado a
período pode ser inteqmtada sob a clave deste zigwmgw ailre a pro%&- seguir, procedem do C.I.D.E., 1988b. Corrzspondem sempre ao periodo
n a l i z w e a prolecariza@. A favor da primeira i¿!mapontsdo, por exempb, indicado, exceto no caso da Universidade, que sao de 1984-85. Este relatório,
o r e b a t i os profassorres de pnmeim grau como "pmfessores de E.O.B. w m notáveis insufici$ncias, proporciona algumas v e a s dados contradit6rios
[Ensino Oeral Básico]" e a conversáo das Escolas de MagistCño un flamaatar entre si, mas é o único levantamento sistemíitico sobre a presenca da mulher
Escolas UniversiEBrias, com a coaqüente e l e v q h dos requisitos & acesso no sistema eúucativo espanhol de que dispmos.)
e titulqh; a proclama~hconstitucional da liberdade de cátedra e o reconha Desagregando os nllmeros por setores, as mulheres representam 93,8 %
cimento formal de compt2ncias aos colegiados & profesrrores; enfim, a do professorado de ensino pr6-escolar (cujo total, incluidos ambos os sexos,
funcionariza* da maioria dos docentes do setor ptíblico. A favor da segunda C de 39.573 professores), 62,l % do de E. C.B. í 193.445), 48,7 % do B.U.P.
apontam, por exemplo, a i r r u ~ ~ i de i o novos especialistas nos centros que e C.O.U.(76.550), 33,6 7% do de F.P. (49.408), 24,89 % doprofessorado da
concentram para si compt2ncias arrancadas aos que s6 traba- em sala de Universidade (44.98 l ) , 72,l % do de educac;?oespecial (13.965) e 50,7% do
aula; a adrnisdo de pais e alunos nos conselhos escohres, o que questiona a de educas50 permanente de adultos (3.029).'
exclusividade dos docentes sobre as quest&s do ensicm e s u d a por isso sua Portanto, uma análise da catrgoria docente n k pode ser simplesmente
hostilidade; e, claro, a pnla de poder aquisitivo dos irabalbodom do setor. urna análise de classe: tem que ser tamwrn, necessariamente e na mesma
medida, urna an8lise de gSnero. Se isto 6 verdade para praticamente qualquer
cotegoria de tnibiúhaciores, mais v~dwieiroserá para um setor que, wmo o dos lizayáo" (Pai.Liii, 1984) r! czrto ou n;lo: basta que tenha sido considzrado como
QcenIto, esa constitufdo em sua maioria por mulheres. O contrário signifi- tal.
ca& negar-sc os meios para comprender tanto a evo1uc;áo global e a posi* Por último, a zscola, ti ziii eslxcinI ti escola pública (logo, devicio B
~ 0 ~ i ada. lcalegona como suas frdturas e sua problemática internas. ilitcrvznyáo estatal e 2 ncgociayiio colctiva, iriiiib¿m a privada), foi e d um dos
O termo "feminiz.ac$Zo" n5o s6 expressa um ponto de chegada, como poucos setorw de eniprego em que as niulheres recekm o mesmo salario que
também e fundamentalmente um processo. O aumento proporcional & os honiens (ao menos neste país: v. Piqueras, 1988; rGo dassim no Reino Unido
presenp das mulheres no professorado tem sido espetacular e praticamente nem nos Estados Uní dos, por exzmplo: v. Apple, 1986). Conseqüentemente,
constante ao longo do tempo, muito acima de sua presensa m u i a na populacáo t! lógico que as mulheres educadrts tenham preferido um emprego no ensino
&va do país. Em 1957, as mulheres já eram 62,37 96 dos professores de escola antes que em outros rnuitos setores onJz a discriminaciio salarial era manifesta,
pnmária; se nos fixamos nos subgrupos do sistema atual mais assimiláveis aldm de oferwer, em geral, condi<;Cesde trabalho menos desejgveis.
hueles vemos que hoje representam 85,91 % do professorado do ciclo inicial O processo de feminizacáo tem tido conseqüencias importantes para o
e 68,14 46 do ciclo médio de E.G.B. Nos anos 1940-45 representavam 19,7 ensino, de maneira geral raramente levadas em consideracao na análise deste.
96 do professorado do bacharelado; hoje sZo 55,O % do professorado do ciclo A primeira, sem dúvida, foi fazer da escola urna instituicáo menos sexista do
superiordeE.G.B. e48,7 56 d0B.U.P. eC.0.U. Nosanos 1944-45eram4,5 que parece quando se atenta somente para a anBlise do contetído dos estudos.
% do professorado uníversitário; hoje significam 24,89 %. Paradoxalmente, a feminizaciio massiva do setor fez com que, M primeira
Podem aduzir-se diversos motivos para esteprocesso. Em primeiro lugar, instituiciio formal distinta da familia a que se incorporam, a imensa maioria das
o ensino C uma das atividades extradombticas que a ideologia patriarcal crian~aspudesse encontrar mulheres em papdis e func6es dio domhticas,
imperante aceitou sempre entre as adequadas para as mulheres, vendo-a em distintos dos de dona de casa, esposa e m&. Alím disso, e apesar da
grande medida como uma ocupas50 transitória para as jovens e urna preparas50 possibilidade de mimetiza~aopelas mulherzs dos comportamentos masculinos
pata o exercicio da matemidade. Como outras "profissoes femininas" em um contexto ainda dominado pelas normas de comportamentodeste genero,
(enfemeiras, modistas, assistentes sociais, etc) fica incluida no que se podem nao resta dúvida de que a presensa maciqa das mulheres tem contribuido para
considerar extensoes extradomésticas das funcoes domésticas, surgidas sob o o desenvolvimentoda crítica feminista e das atitudes nao sexistas, num sentido
a m p m do desenvolvimento dos servicos públicos no marco do Estado mais amplo, dentro das escolas (sobre o caráter sexista e anti-sexista da escola
assistencial. ver Fernández Enguita, 1988; e Subirats e Brullet, 1988).
Em segundo lugar, os baixos salános do ensino tzrn afugentado progres- A segunda, de sentido contrario, refere-se B relacáo da escola w m o
sivamente do mesmo os v a r h educados, para os quais a indústria, o comércio mundo do trabalho. Se os professores primários do sexo masculino costuma-
e outros ramos da Administracáo pública abriam novas e melhores oportu- vam proceder de familias encakadas por trabalhadores manuais & indiistria
nidades de emprego - pelo menos em termos de salário -. Ern contrapartida, ou camponeses, as professoras primárias t2m mais probabilidades de proceder
a crenca social de que o trabalho da mulher 6 sempre transitdrio ou an8malo de familias de classe m a i a que enviaram seus filhos homens a estudos com mais
e seu salário uma segunda fonte de renda, compartilhada em certo grau pelas valor de mercado e suas filhas di retamente ao ensino -ou indirebmente, atravb
píprias mulheres, tem favorecido a manuten~20dos salários em nfveis baixos. de estudos sem grande valor ocupacional -. No entanto, C altamente provável
Em terceiro lugar, o empenho em submeter os docentes, tradicionalmente que estas mulheres, se niio caem na endogamia profissional, contratem
um setor inclinado Bs iddias avancadas e pmgressistas, convertendo-os em fiCis matrimonio com homens corn urn status ocupacional mais alto, inequivoca-
transmissores da culturae moral dominantese defensores da conformidade com mente de classe mddia. O resultado final ¿ um distanciamento global do
a ordem estabelecida, tem atuado tamMm em favor da aceitas% das mulheres, professorado com relagiío ao mundo, A experiincia, cultura e aos valores do
normalmente consideradas como mais cohservadoras, menos ativas e mais trabalho manual.
dispostas a aceitar a autoridade e a hierarquia que OS homens, tanto por sua A terceira e! a outra face de um dos motivos do processo de feminizacáo.
distinta educagZo como pela menor relevancia do trabalho remunerado em suas Esta, efetivamente, tern contribuido 21 proletariza~aoou tern dificultado a
vidas. Para explicar o processo de ferninizaciio niío irnporb muito se este profissionalizaciio do setor docente. Por urn lado, a iddia do "segundo salário"
argumento, que um autor tcm qualificado de "teoria machista da profissiona- e do "emprego provisório" perrnitern 2i socidade pagar menos. Alclm disso,
u m miedade patriarcal está menos dispostii a conceder autonomia no trabalho
Ps muihcres que aos homens. Por outro, existe urna sCrie de fatores que k at¿ aqui vinios falrindo dos docentes rni geral, chega o momenlo de atentar
dificultam a aciio sindical das mulheres: d e d e a "dupla jornada" atS a escassa pam s u s divisoes internas. Referir-se ao "profcssorado" =m msiior e s p i f i -
atenck das organbc6es sindicais e profissionais sua problemática especf- cacño C ocultar as notiíveis diferegas que s e p a r a os distintos grupos de
fica, passando por sua educacáo mais conservadora, os escnípulos de seus pmfessores, diferencas que dizem respito a seus salhios, suas condi* de
maridos diante de qualquer atividade extradomCstica, etc. Definitivamente, trabaiho, seu prestfgio, suas oportunidades de promocZo e outros bens e
ttata-se de um efeito previsto que, por meio de urn raciocinio teleol6gic0, viuitagens sociais dmejáveis.
integra-se na cadeia das causas do processo de feminizacáo. Nao obstante, há As pesquisas de estratifica~iioreconhecem isto quando, ao se referirem
que reafirmar que a iuta pela profissionalizac50 do setor pasa assim a ser náo aos trabalhadores 11.50 manuais e dos servicos, situam, no geraI, dez por c a t o
só um conflito de classe, mas tarnb¿m de género, e como tal deve ser vista. dos professores - constitufdo basicamenie pelos funcionários docentes da
O genero níío s6 separa os docentes de outros grupos ocupacionais: universidade e, no caso, os diretores de centros secundáríos - no estrato
também osdivide entresi. Os percentuais que antes referimos, distribuidospara superior, junto aos "gerentes, diretores eprofissionais" liberais, enoventapor
os sucesivos niveis do ensino, já mostravam que, se a presenca das mulheres cento do restante no segundo grupo,junto aos "tScnicos eempregados médios"
na educq3ío aproxima-se de tr&squintos, há uma tendencia decrescente desde (v. Miguel, 1974: 372-3). Esta classifica~iiotodtivia 6 demasiado generosa,
a quase totalidade do professorado de ensino pr6-escolar até a quarta parte do vale dizer mistificadora, com a realidade social dos profesores, vi& que se
universitário, o que significa urna presenca inversamente proporcional aos deve Zi impofincia comumente dada educa$% formal, h margem de sua
salários, Bautonomia, ao prestfgio e &S oportunidadesdeprornoqiio profissional retribuicáo social, nos estudos sobre estratificacáo ocupacional. Sem tal
dos distintos subgrupos de docentes. miopia, estzs bern'poderiarn descer ao capitulo de "administrativos e traóaiha-
Enconttamos a mama coisa ao nos fixarmos em outros crittrios de dores de sorvi~os".
hierarquizacáointerna do professorado. As mulheres sáo 25 % do professorado Em todo o caso, o que aqui interessa sublinhar nEo 6sua Iocaiiza~Zofrente
universitário em seu conjunto, mas este percentual, que 6 tamwm o que a outros trabalhadores nao educadores, mas sua diversidade interna. Esta se
representam no pmfessorado das faculdades, cresce para 30,5 % nas escolas manifesta abertarnente, por exemplo, nos salários de cada categona (todas as
universiiárias e decresce para 9,4 96 nas escolas bknicas superiores. Nas refer8ncia.s quantitativas se baseiam nos dados dispníveis em C.I.D.E.,
escolas universitárias, onde sua presenca global d maior, pode representar, 1988a). Um catedrático de universidade recebe um vencimento que equivale
contudo, desde 66,6 % em Biblioteconomia e Documenta~áoou 60.3 96 em a mais do que o dobro do vencimento de um "mestre proprietano" (maestro
Trabalho Social atC 2,3 % em Obras Públicas ou 8,7 96 em Telecomunicacáo. propietario) e a t r k vezes (quatro até hií muito p u c o ) o de um ajudante
Nestemesmo grupo docente, 30,7 96 dos homens s5o catzdrdticos, mas s6 24,2 universiiário, todos eles em regime de dedic- exclusiva. Além disso, o
% das mulberes o Go. Nas escolas tknicas superiores 16,3 % dos homens e catedrático universitário tem oportunidades& aumentar e mais que dobrar sai
2.0 1das mulheres o d o . Nas faculdades, 14.8 % deles e 3.2 % delas (todos vencimento através de pesquisas remuneradas, conf&cias e similares, para
os dados d o do período 1983-84). Poderiam ser acrescidos outros dados sobre n3o falar do exercfcioliberal deuma profissk, que o profesorprimário nunca
o ensino universirário, mas 60parece necesshrio. ted. A isto, todavia, há que acrescentarretribui- indirehscomo a bolsa para
No Bacharelado e C.O.U., 14.3 % dos homens siío catldráticos, frente pesquisa que Ihe corresponde em qualquer caso, as ajudas & viagens, etc. Um
a 8,3 % das mulheres. No Ensino Geral Basico, onde as mulhzrrs representam cateddtico de ensino secundáriorecebe, por sua vez, um saláriosuperior quasc
62,l % do conjunto do professorado, 60,todavia, s6 46,49 % dos diretores quarenta por cento ao de um professor primário. Tudo isso sáo m& que
sem docencia e 39.52 % dos que t2m docencia. Isto quer dizer que siio diretores exemplos dentro do srtor público que devem ser complementados com o
nove de cada cem professores hornens, mas s6 qualro de cada cem professoras; registro das diferencas entre este e o privado: assim, os rendimen- de um
tm outras paliivras, estas t2m menos da metade de oportunidades de chegar B catedrático de instituto público superam em mais da metade aos & um titular
d i r e o que aqueles. de escola privada de ensino secundário, sendo ambos os graus mhimos
alcancAveis, e os de um profasor primário estatal superam ern um t e w os de
urn professor pnmário do ensino privado. para ser um grupo a niais de usalaridos 160manuis. Se a isto se soma 0 fato
As condi* de trahaiho siro igualmente hekrog2neas. No m i n o de que se trata de trabalhadores que compartilham titulac;h universitária com
píblioo, urn professor de E. C .B. tern vinte e cinco horas letivas semanais, um outros nielhor situados na Adn~inistrac;iiopública e t m empresas privadas
profeosor de ensino médio demito e um catedrático ou titular universitario oito. (tiimb¿m a con~partilhamcoiii outros pior situados em ambas, mas urna
Altm disso, este último tem um calendano notavdmente maís curto - ciikgoria scmpre quer obter isononiia - a palavm & or&m dos dltimos tempos
prnticamante reduzido B metade do ano civil -, pode diminuir sua carga letiva - corn relaciío aos que vivem melhor, e niio ao contirio), compreender-se4
global legal por diversos procedimentos, tem toda ordem & facilidades para por que este subgrupoB o mais prmupado com a " d i g a i f i c . profissional".
pequenas ausencias e para l i c e n p prolongadas. Também entre ensino público Desde a perspectiva dcsta fragmentaciío interna podese captar meihor a
e privado U difereqas: frente aoja assinalado para o primeiro, os professores gama de dificuldades que apresenta a articu1ac;ao conjunta dos interesa
& todos os níveis nilo universitários do segundo &vem cumprir semanalmente ,
presumfveis de todos os docentes. Há professora e professores. Cada um se
vinte e oito horas letivas. considera mais acima dos que estiio abaixo, mas injustamente discriminado
Seu grau de autonomia & d menos diferente. Enquanto os professores pelos que esta0 por cima. Em todo o caso, esta divisk torna muito difícil, numa
d o universitários es% limitados a dar as disciplinas ou áreas de sua &pocade cultivo das diferencas, a aceitacao de propostas como a do "corpo
especialidade que figuram nos programas, que sáo poucas, e devem seguir os único" de professores.
temas preparados pela Administr-, os universitários p d e m dar qualquer
conteiido a suas disciplinas e mudar facilmente de uma para outra. Enquanto
os primeiros se encontram submetidos em diferentes graus 3 autoridade de
colegiados, diretores e proprietános, os segundos &o plenamente aut8nomos A recente greve de profissoris do ensino' público universitário
frente Ps autoridades academicas no exercicio de sua docencia. colocou de novo ern foco esta problemática, trazendo A luz as ambigüidades de
Seu prestfgio social d inteiramente.díspar. Se os catedráticos de univer- ambas as partes. A Administra~áoatuou ao longo de todo o conflito como se
sidade aparecem sempre nos primeiros postos de qualquer classificaw, os estivesse convencida - e provavrlmente estava, com um setor da imprensa
professores primários continuarn sendo objeto de frases como "passar mais -
fazendo coro de que os professores nada mais 6 0 do que fracassados,
fome que um mestreescola", "cada mestrinho tem seu livrinho", etc. Sua perdedores, incompetentes. Naturalmente, niio empregou taisepftetos, mas sHo
auto-imagem está também polarizada: enquanto os professores universitários o coroldrio latente de urna filosofia segundo a qual s6 se converte em professor
se consideram parte da nata da sociedade, os professores primfios vikm-se quem nao pode se converter em outra coisa: estudantes que nZo foram capazes
como classe médii baixa, "professorinhas" e assim sucessivamente. de cursar um curso universitário em lugar do magis%o e portadores de títulos
A partir desta hierarquizm$o podemos e devemos matizar todas as universitários que nao souberam encontrar trabalho no wrerclcio liberal da
consideq5es sobre o embate entre proñssionaliqSo e prol&uk@o dentro profissiio, em uma empresa privada ou em uma categoria melhor r e m u d
do rdor docente. Éurna grande pwíe da popuh@o a que agora passa mais fome e de maior prestfgio.
ou, simplesmente, come pior que um mesh-escola. Ainda que os professores O raciocínio era muito simples: se aceitam um traóaiho mal remunerado,
tenham perdido autonomia e, provavelmente, presiígio social, & há por que C que n3o valem para outro. O pressuposto subjacente Cqueo ilnico critério para
duvidar que sua posi* material meihorou ao longo do tempo em termos de escolher um emprego frente a outro 6 a remunerach. k m , negava-se aos
rendimcntos, & se-a no empctgO e, em certos aspectos, & c o n d i c b & docentes a possibilidade de que haviam decidido rblo, simplesmentc, por
trabalho. A posicáo dos pmfessores universitários tem-se degradado relativa- possuirem uma vocag5o social superior rmbic2o son8mia. IM 6,negava-
mente náo tanto por urna queda & suas coodi@es materiais como pela expanso se a eles uma característica que. sem dúvida. reconhsc-scgcnuosamente pan
da categoria, que tem passado de ser urna minoria muito rzstrita a j A S o &- grupos profissionais queobtem elevados rendimentos e d o moveriam um dedo
lo tanto; isto, quando menos, traduz-se em perdía de prestigio e distinciio, se se nao fosse em troca destes.
d o coletiva, ao menos individualmente. Osubgrupo mais castigado provavel- Por outro I d o , todavia, pedia-se aos professorcr profiirrionalismo p a n
mente tenha sido o do professorado & ensino médio que, corn a massifica$io suportarsuasituacZo. Nao mais vocack, mas resigneo. Pelo visto, da mama
e virtual univemlizagiio b t z , deixou de ser uma minoria bastante exclusiva forma que ao aceitar um trabalho mal remunerado haviam mostrado nao ser

Teotia & Educncdo. 4. 1991


mplitude. Suu atitudc?;e comportamzntos nik &o iguais, p k n d o ir desde
a p Z e a , oo exigiruma melhora em seus vencimentor mwtravam icr urna alta prwcupqiío w m seu trdhitlho, um d w j o constante de atualizai$3,
ptoússi~ñais,mas simplesmentecorporativos, urna espécie de corporativismo urna eleviida rapnsabiliclade, etc. a g o pissividude, n rotina e a a p l i q k da
obfeiro-funcionarial. Ao cont&o, para dar crédito a seu pmfiscrionalismo kido menor tnifoqo mais absolutas. A culturaprofissionaldogrupo 160parece
tinhnm @e dar por boa a condi* que 80 mesmo tempo lhes era negada, sua suficiente para garantir a atuaciío & cada um de seus membras, ainda que,
raagrít remunen&b, e sentir-se suficientementeretribuídos para poder atender tarnpouco, caiba negar-lhequalquer eficácia (valea pena ac-ntarque outroa
a uma vo- que nHo se lhes mnhecia, possuir um prestígio que d o se lhes grupos semiprofissionais ou profissionais tampouco ~~~tam tal camderb-
&bula e desempenbar urna funeo social que n8o os recompensava. Porque, tica, aindaquea pretendam eque se lhes reconhep). A funcionarizqh, 6 ,
u,ñmeao cabo, em nossa sociedade d o existe outro indicador de tais virtudes impede que atuem como estimulo do rzndimento os mecanismos habituab do
que aHo irenda; alCm disso, 6 precisamente o presumido indicador, náo o mercado.
indicado, o que dá de comer. Este é o marco em que se deve avaliar o problema que tem sido chamaQ
Esta complicaqáo n b C um fenomeno exclusivamente local, ainda que de " m i r a docente": como instituir um sistema de estímulos que i m w de
mtre n6s receba urna fei* espetacular devido h r t m u n e r ~ i bc o m p d v a - dormir na poltrona aqueles que parecem dispostos a faz&-lo, ainda que muitos
mente baixa da d&ncia. Em urna economia de mercado su+-se que a forma 160o estejam e aquela náo passe de mediocre. Nao resta ddvida de que um sefor
de aírair trabalhadores capacitados para qualqs~eratividade C oferecer uma do professorado encontra em sua vocacáo e responsabilidade estímulo sufici-
r e m q mais elevada que outras a quepossam se dedicar alternativamente. ente para render adequadamente em seu trabalho; para ates, o problema 6
N h disco, presumese que o rendimento do trabalhador no posto de trabalho simplesmente de justip: que seu bom trabaiho seja reconhecido e recompen-
6 proporcional ti sua satisfa~hdiante do mesmo e esta aos salários percebidos. sado. A queti% 6-que a organizqh do corpo docente, como a de quaiquer
SktuWicamente, cada reuniáo internacional, seja do organismo que for, na outro, náo pode estar baseada na presuns20 da boa vontade individual e carecer
qual sediscute como elevar a qualidadeda educac3o-o tema da modaem nossos & meios para atuar quando esta nao exista; ao contrário, deve estarorganiLada
dias - é mencionado o problemas dos professores. Afirma-se que a qualidade B pmva da pior vontade, ou da falta de qualquer vontade, e contar com os meios
& ensino depende essencialmente dates e reconhece-se de imediato que suas para recompensar a boa e, onde náo exista, criá-laou aproximar-sedos mesrnos
remmem$h baixas. Mas, a seguir, aceita-se estoicamente que t? quase resultados através de outras rnotivac$es.
impossfvelelev8-las-6 muito fácil serest6ico 8s custas dos outros -pelo grande A atual situaqáo presta-se bastante h atitude do aproveiíador. O professor
niImen, & trabalbadores do setor, a necessidadede wnter o gasto pSblico, etc., que prefere trabalhar somente o mínimo se adapta normalmentea uma espécie
epmp&-se "remuned-los" por outros caminbos, fundamentalmente trd-los de "acordo brezhnieviano" que consiste em conformar-secom receber p u c o
bem, elevar seu prestigio, reconhecer seu profissionalismo e exaltar s u em troca de MO dar mais. Com este comportamento degrada a imagem & sua
fu@. Oproblema, comoj4 foi dito, B que estas coisas, ainda que d o c a q a m categoria e cerceia as oportunidades daqueles que ttabalham mais duramente
por si mesmas de importancia, se comcm. Por outra partc, 6 inviável elevar de o h uma recompensa adequada. Quando estes últimos explodem justa-
o aatus simb6lico de umacategoria sem que, ato continuo, estapqa que aquele mente por n k ver reconhecido o valor de seu trabalho, en% se invoca a
se wrpreue na medida & valor universal, o dinbeim, recorrendo se necedrio bandeira do igualitarismo e da solidariedade do setor e consegue ser aceito,
for ao conflito trabalhista. Ademais, a combinaqáo de uma elevada p d porque sua participaqao 6 necessária numa confrontaqZo, e pela solid&edade
moral com escasas recompensas materiais, da eleva$% do status simb6lico efetiva daqueles aos quais nao deu mostras de td no trabalho cotidiano.
corn a &grada@o do status econ6mic0, 6 pode deixar de traduzir-se em Esta política de "caft? para todos" encontra necessariamente eco nos
fnrstracao pessoal e, por conseqü&ncia,em dcsafei(;Zio para com o próprio sindicatos de classe. Nenhum trabalhador nem sindicalista v&pessoalm-te
trabalho. com bons olhos o companheiro que nilo cumpre as normas; se ao da
Outro aspecto & questao t? que os educadores podem ser martires, mas empresa, as informalmente aceitas pela categona ocupacional de que se trate.
isso n h garante que sejam santos. A funcionarizasilo do ensino piiblico, No entanto, a organk@o e a dinamita coletivas sindicais apontam em o u m
romada P relativa autonomia de cada docente no exercfcio de seu trabalho - sentido. Os sindicatos baseiam sua existencia no que os -adores tem cm
pprtícularmente, como j A se disse, em seu procesm de tmbalho -,permite que comum, & no que os diferencia. Qualquer reconhecimento das diferenw,
rari, rendimentos e esforqos individuais se movam em graus de grande
sobretudo no plano das recompensas, pode ameqar s u existencia mama. Lato
C tanto mais certo desde o momento em que se organizam como sindicatos "de
indrlstria" e dí~"de ofício", antepondo a dimensáo de assalariados B de APPLE, M.W. ( 1 986): 7't,crclrczrs(rllil IP.~I.V:
A j)olififUI~>COIIOI)I)'of L.~U.SSatad
pmfissional. Tal o@, pmvavelmente a mais vidvel e ndequada em geral a itr rclrrc.rrtiurr, Nucva Yoik, Routlzclgz snd Kegirn Paul.
gender rul<rrioti~
partir deum certo desenvolvimentoda industriali+, tem seus custos quando C.I.D.E. (1988ü): El sisrema er1itcri1ii.o e.v~~uriol, Madrid, Ministerio de
se aplica em particular a -ores semiprofissionais como os docentes: concre- Educación.
tamente, a dificuldade de defender um sistema diferencial de recompensas C.I.D.E. (1 98%): Loprc~smcinde las nilqeres en elsístema ducarivo espuAo1,
quando de fato existe uma atitude diferenciada frente ao trabalho. Por Madrid, Instituto de la Mujer.
a c ~ i m o a, dinfámica dos wnflitos coletivos entre empregados e emprega- FERNANDEZ ENGUITA, M. (1985): "El problemadel trabajo productivo",
dores redunda na mesma dirw20. Em sua origem, seu transcurso e sua Revkta Esyarfolu de Ittvestigaciones Socioiógicas 30.
resolu@o, a unidade B a base da f o r ~ da
a categoria e resulta necessário fechar FERNANDEZ ENGUITA, M. (1988): Mujer y curricuIum" trabalho apre-
ou ignorar qualquer fissuraque possa ame&-la. No conjunto, tudo isto reforp sentado no seminário La iguaWculde oportunidadedelas rnujeres en la reforma
um igualitarismo que, para alCm de qualquer critt?rio de equivalencia entre os educaiva, Madrid, Ministerio de Educación e Ciencia, 15-16 de dcciembre.
trabaihos individuais, remete-se B condick formal identica dos membros da FERNANDEZ ENGUITA, M. (1 989): La cura oculta de la escuela: Edic-
categoria e pnva a este da capacidade de controlar individualmente a seus cacibny trabajo en elcapifalisnw,Madrid, Eudzma, 1990. (Edicáo brasileira:
membms. Porto Alegre, Artes M¿i,Iicas, 1989).
A SOIUG~O s6 pode vir ntravh de mecanismos que garantam, ao mesmo GOODE, W.J. (1957): "Comrnunity within a community: The Profession",
tempo, certa capacidade de controle da socieúade sobre a profissiio docente e American Sociological Review, abril, 194-200.
c a t o campo de auto-regulasZo desta; que assegurem um sistema de estímulos LARSON, M.S. (1977) : nle rise of professionalkm A sociological analysis,
e contra-estímulos suscetlveis de mobilizar a energia individual dos docentes Berkeley, University of California Press.
M dirqao desejada e um sistema de contrapesos que permita a estes nao se MIGUEL, A. de (1974): Esrrucrura social de EspatTa, Madrid, Tzcnos.
converterem em simples marioneta da autoridade de plantao. Creio que PARKIN, F. (198-1): M¿~rxi.si>ia y reoria de clases: una critica burguesa,
corresponde B sociedade fixar os fins, grandes e pequenos, do ensino e ao grupo Madrid, Espasa-Calpe.
profissional arbitrar os meios. No plano & carreira docente isto significa PIQUERAS, J.A. (1988): El taller y lu escucla, Madrid, Siglo X X I .
empregar as oportunidades de acesso, estancamento e rebaixamento, os STARR, P. ( 1982) : 7he social rran.folnlarion qfAmerican medicine, Nueva
diferenciais de salános e os beneficios e oportunidades marginais como York, Baic Books.
instrumentos positivos e negativos de sanciio, mas de maneira que, uma vez SUBIRATS, M. y BKULLET, C. ( 1988) : Rosa y Azul: la tramnlision de los
estabelecidos os criterios, sejam os próprios docentes quem os apliquem. generos en la escuela nikra, Madrid, Instituto de la Mujer.
WILENSKY, H.L. (1964) : "Tlie professionalization of everyone?" , Ame-
rican Journal of Sociology, septiembre, 137- 157.
I.E.G.B.: Educacáo Geriii Básica, oito anos de curso básico. F.P.: Forinaqiio
Profissional,curso ap6s a Educa~áoBhica; cursos de 1O , 2' e 3 O graus com durafáo
de dois anos cada um. C.O.U.: Curso de OrientacZo Universi&ia; tPm acesso os que
tenham Bacharelado ou Forinaciio Profissinal de 2 O grau; programado e supervisio-
nado pela universidade, desenvolvido por escolas do estado e particulares. B.U.P.:
Bacharelado Unificado e Polivalente, curso com dura~aode tres anos, compreende Mariano Fzrnándzz Enguita 6 professor do Departamento de Sociologia da
matériaa comuns e a escolhn Iívre de titividado dciiica profissioiial. (Nota do Editor, Universidade Cornplutensz de Madrid.
corn agradeciinentos B Profrssorn I l u Jardiin).
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Sistema educacional, sistema ocupacional e p o l i t ~ c ada educaqjo -
Produq2io Editorial: Afro Marcondes dos Santos
Contribuicáo a deterrninacáo das funcóes sociais do sistema educacional 3
P r o d u ~ á o Gráfica: Enyl Xavier de Mendonca
Claus Offe (traducáo Vanilda Paiva)
Copa de: Milton José de Almeida
Igreja. domesticadora de massas ou fonta do direito coletivo e indi-
EDITORA REVISTA D O S TRlBUNAlS LTDA. vidual? Urna aporia p6s-concillar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60
Rua Conde do Pinhal, 78/80 - (011) 37-2433 Roberto Romano
01501 - Sáo Paulo - SP Las reformas comprensivas en Europa y las nuevas formas de dcse-
gualdad educativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 :1
Mariano F. Enguita y Henry h4. Levin
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DEBATES

Municipalizaqáo d o ensino de 1." grau - Urna proposta de democrati-


zacáo ou de sonegaciio da educacáo destinada as classes populares? 114
Maria de Fatima Costa Félix

Universidad y Democracia en Mexico - La mirada liacia la izqi~ierdn 126


Olac Fuentes Molinnr

RESENHAS
Redencso e Utopia. O Judaisnio Iit~ertAriona Eciropa Central -- Michael
L0wy . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 155
Vanilda Po:i/a

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