JORNAL

54º CONGRESSO BRASILEIRO DE
DIREITO DO TRABALHO

ÍNdice das teses
painéis do congresso
1º Painel
A teoria do domínio do fato, do Direito Penal
é aplicável ao Direito do Trabalho?
BOSKOVIC, Alessandra Barichello
— O direito de greve no Brasl: Condições e limitações....................................................... 7
MAGALHÃES, Aline Carneiro
OLIVEIRA, José Ourismar Barros de
— O acidente do trabalho e a análise da aplicabilidade da teoria do domínio do fato na
seara juslaboral............................................ 9

2º Painel
Terceirização de serviços
MARTINIUK, Daiane
DISSENHA, Leila Andressa
— Cooperativas de trabalho: Análise jus administrativa — Licitude e desvirtuamento...... 12
MELO, Tatiana Guedes
— Apontamentos sobre terceirização de serviços: Eficiência ou lucratividade da empresa
no mundo concorrencial e reflexos nas relações de trabalho........................................ 14
FERREIRA, Teresinha Soares Abreu
— Terceirização de serviços............................. 17
PELEGRÍNI, Mári Ângela
— Responsabilidade na terceirização — O ovo
de Colombo................................................. 19

3º Painel
Acidentes do trabalho — Responsabilidades
AMARAL, Hugo Cesar
— A lesão estética e a reparação de natureza
moral e material: Uma tentativa de esclarecimento........................................................ 33
LOPES, Emanoel Alesandro da Cruz Sampaio
— A reiteração de acidentes de trabalho e a relação com culpa e o nexo causal.................. 35
CHARÃO, Anderson Pereira
— A impossibilidade de cumulação entre o
dano moral e o existencial........................... 37
GONÇALVES, Tiago de Araújo
DISSENHA, Leila Andressa
— Dano moral e dano estético: Natureza jurídica e possibilidade de cumulação.............. 39
MUÇOUÇAH, Renato de Almeida Oliveira
— O labor na lei de execução penal e os acidentes do trabalho: Breves questões............ 42
ARAÚJO, Maria Gilda de Freitas
— Qual a responsabilidade do empregador por
acidentes causados por terceiros?................ 45
BECK, Carolina
— O meio ambiente do trabalho sadio e equilibrado: Um direito fundamental e humano
do trabalhador............................................. 47

4º Painel
A arbitragem trabalhista

BARBOSA, Magno Luiz

CHAGAS, Bruno Anunciação das

— Terceirização, efeitos nocivos ao trabalhador e impactos na duração do trabalho....... 27

— A arbitragem trabalhista e a experiência
canadense.................................................... 50

MAXIMILIANO, Ana Maria

DISSENHA, Leila Andressa

VILLATORE, Marco Antônio César

GONÇALVES, Tiago de Araújo

— É necessária a regulação da terceirização de
serviços?...................................................... 30

— Conciliação judicial trabalhista: Técnica e
excelência.................................................... 53

LTr - Jornal do Congresso

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...... Leonardo de Abreu SANTOS..... Adriano Jannuzzi MAGALHÃES......................... Robson Luiz de — Reestruturação do mundo do trabalho: A organização do estado e sua participação no financiamento dos sindicatos no Brasil...... Leda Maria Messias da INOJOSA............. 67 FRANÇA.................... Camila S.. Cleyton Eduardo Todesco D............... 82 4 LTr .. 73 GOMES.... Gabriel Henrique — A arbitragem e a duração razoável do processo trabalhista......... inserta no inciso IX do art... 104 MARTINS.....307/96) na resolução de conflitos individuais trabalhistas................ 90 SILVA................................ 101 LOPES...... 70 MASSONI....... André Luiz Ferreira — Não concessão de férias — Horas extras — Dano existencial...................... 32 da lei de licitações................. Maíra Neiva — A organização sindical... Flávio LIMA................. Lucas Rafael de Menezes — Empregado doméstico e ônus da prova da jornada de trabalho.. a Convenção n............ Flávia Teles — Breves considerações sobre a convenção de arbitragem. Gilzana FERNANDES.. 109 — É possível defender a manutenção da unicidade sindical?......... Igor Zwicker — Alcance da expressão “outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho”.......... Igor Zwicker — O desafio brasileiro de manter uma magistratura forte e independente.... 64 NICOLADELI........... Emanoel Alesandro da Cruz Sampaio — Assédio processual................. 114 da Constituição Federal............. C........................ 85 6º Painel Temas atuais KEUNECKE........... Túlio de Oliveira — Autoritarismos e falácias na defesa da unicidade sindical.... 98 MARTINS. Sandro Lunard — Democracia sindical: Elementos constitutivos do modelo brasileiro.. Anne Helena Fischer PITONI...... MAIA.......................... 75 NICOLADELI........... Maíra Neiva — Pequenas reflexões sobre a democracia sindical..... 77 MARTINS...... ainda que à luz do art................ 58 CECCON.............. Igor Zwicker — O retrocesso social na redução da base de cálculo do adicional de periculosidade dos eletricitários............. corolário do estado democrático de direito............ Janaina Aparecida do Nascimento Munhoz SANTOS...............Jornal do Congresso .. 62 5º Painel Liberdade sindical JOAQUIM. Túlio de Oliveira SANTORO.. o pluralismo e a necessidade de emergência das singularidades......MASSONI..... 95 MOREIRA................................................. 87 da OIT..................... 106 BENTO.................. — A quem incumbirá o ônus da prova da jornada cumprida em processos em que a litiguem o doméstico e seu empregado........... 56 GOMES.. 9.................. Igor Zwicker — Indispensabilidade da CNDT nas contratações públicas por órgãos da Justiça do Trabalho... Manoella Rossi — A aplicabilidade da lei de arbitragem (Lei n........ Sandro Lunard GACEK............................. 93 — Mecanismos para garantir a liberdade de expressão no modelo sindical brasileiro..... Stanley Arthur — Liberdade sindical no Brasil e a OIT: A questão da cláusula assistencial — do PN 119 ao caso 2739 — Uma dupla perspectiva.... 88 MARTINS....................................................................... Aline Carneiro — Breves notas sobre o dano existencial.........................

...... 114 MARTINS................... 130 5 ......... Hugo Cesar LTr .......................................... Sandra Mara Freitas — Estabilidade Gestante: gravidez no curso do aviso prévio. 128 — Processo eletrônico e acesso ao judiciário.. Igor Zwicker — O direito dos trabalhadores ao adicional de insalubridade quando há “mera exposição” a raios solares...........MARTINS.......... 119 ALMEIDA........................... Igor Zwicker — O falso serviço voluntário e a servidão disfarçada na lei geral da copa..... 116 COSSERMELLI........ Euseli — O tempo de concentraçao de um jogador deve ser considerado hora extra?.. Jéssica Chaves — A (im)penhorabilidade do bem de família na execução trabalhista e aplicação do princípio da proporcionalidade como solução............ 121 AMARAL.................. 126 7º Painel O processo juducial eletrônico SANTOS... Noemia Galduróz — A busca da verdade sobre o dano existencial nas relações de trabalho.Jornal do Congresso — A modernização do direito e as novas dimensões para o acesso ao judiciário. Ronald Silka de COSTA............... 123 ALVES.. 111 MALULY......................................... Luis Felipe Carneiro — Ônus da prova da jornada — Doméstico x empregador........

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e não foi atendido. Tais limitações encontram-se disciplinadas no ordenamento jurídico brasileiro. O art. por sua natureza jurídica equivalente ao dissidio coletivo (heterocomposição). 114 da Constituição Federal. inclusive o de greve. art. que Legislador pátrio efetivamente fixou os limites ao exercício do direito de greve (tal como requisitado pelo art. o que significa que a proposta de arbitragem recusada pelo empregador tem o mesmo efeito da frustração da negociação. necessária é a análise das condições e requisitos para que sua ocorrência prime pela observância da legalidade. tanto na esfera constitucional quanto no âmbito infraconstitucional. Advoga Nascimento (1989. legitimidade das partes e interesse processual) a frustração da negociação coletiva. estará também legitimado para a deflagração da greve. 53): são hipóteses alternativas. 7º. como uma condição para a utilização do direito à greve. inclusive o de greve. a greve está diretamente relacionada com a negociação coletiva e nesse sentido é que ambas as figuras integram o campo maior dos direitos coletivos dos trabalhadores. Registre-se que a via arbitral. p. a solução do conflito pela arbitragem. Desse modo. confirma o caráter implícito da frustração da negociação coletiva para ajuizamento de qualquer dissídio coletivo.1º Painel O DIREITO DE GREVE NO BRASIL: CONDIÇÕES E LIMITAÇÕES Alessandra Barichello Boskovic Doutoranda e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e Especialista em Direito e Processo do Trabalho pelo Centro Universitário Curitiba (2009). VII. Amauri Mascaro Nascimento (1989. 7. tanto que na redação da lei é “frustrada a negociação ou verificada a impossibilidade de recurso à via arbitral”. dentre outros. definidos pela Constituição. 49-51) elucida que: a negociação coletiva não teria por si expressão sem o correlato direito de greve. e (ii) aviso prévio ao empregador (ou organização empresarial). 8. A ausência daquela torna ilícito o exercício deste. portanto. VI). Em se pretendendo compreender o funcionamento do direito de greve no Brasil. Da Lei em análise pode-se observar que são dois os requisitos à legitimidade da greve no Brasil: (i) frustração de negociação coletiva ou impossibilidade de recurso à arbitragem. Carlos Henrique Bezerra Leite (2000. o expresLTr . não constitui requisito para o exercício da greve. O ajuizamento de qualquer dissídio coletivo. em seus §§ 1º e 2º. p. tem como condição da ação (além da condições da ação inerentes a todo e qualquer processo — possibilidade jurídica do pedido. Foi com o advento da Lei n. Advogada e Professora do curso de Direito na Universidade Positivo e na Faculdade de Educação Superior do Paraná (FESP). Se o sindicato dos trabalhadores demonstrar que propôs. da Constituição Federal). art. 60) assevera que a frustração da negociação coletiva 7 . 37. A negociação apresenta-se. Coordenadora do curso de Especialização em Direito e Processo do Trabalho na Universidade Positivo. já que bastaria a recusa empresarial em negociar e o pleito terminaria sem outras consequências. p.Jornal do Congresso so reconhecimento das convenções coletivas de trabalho (CF.783. de 28 de junho de 1989. XXVI) e obrigatoriedade de participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho (CF.

Para estas atividades essenciais. que pode ser verbal ou escrita. O segundo prazo tem caráter excepcional. §§ 1º. que não caracterizará ela abuso de direito quando tiver por objetivo exigir o cumprimento de cláusula ou condição desrespeitada. assevera o autor. p. p. a saúde ou a segurança da população. Na primeira. coloquem em perigo iminente a sobrevivência. 10 do diploma em análise.783/89. ou expressa. Bezerra Leite (2000.783/89) não impõe a forma a ser observada pela notificação (assim. contudo. Bezerra Leite (2000. a prestação dos serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade. Nestes casos. bem como a manutenção da paralização após a celebração de acordo coletivo. ofícios etc. 61) esclarece que a finalidade da notificação. 2000. o art. também no que tange aos serviços essenciais. da Carta Maior. e refere-se às atividades consideradas essenciais pelo art. O segundo requisito apontado à legitimidade da greve é a comunicação prévia. como exemplo. há trocas de expedientes (cartas. assim consideradas aquelas que. convenção coletiva ou decisão da Justiça do Trabalho. Existem limitações. da Lei de Greve. p. no que tange à paralisação coletiva na vigência de acordo coletivo. que se caracteriza pela ausência de resposta ao pleito sindical no prazo assinalado. O ordenamento jurídico brasileiro considera abuso no exercício do direito de greve a inobservância das normas estabelecidas na Lei n. Assim. apesar de não recomendável. §1º. Ainda. Nesta seara. 124). prevista no art. estabeleceu o legislador a vedação à paralização total das atividades (art. Embora a doutrina conceitue abuso de direito como “o uso do direito para objetivos contrários ao seu fim” (NASCIMENTO. parágrafo único. a Lei de Greve a descreve como a mera inobservância das normas nela contidas (art. mas estabelece os prazos para sua realização. é conceder ao empregador um tempo mínimo para as providências que julgue necessárias (tais como o cumprimento de obrigações contratuais. 6º. A Lei de Greve (Lei n. O primeiro deles é a regra geral. 14). (2) Aponta-se. o legislador tratou de estender a necessidade de notificação prévia também aos usuários do serviço que se pretende paralisar. empregadores e trabalhadores ficam obrigados a garantir. ou aviso prévio. 7. (LEITE. Leciona o autor: A recusa em negociar pode ser tácita. o art. 2º e 3º. em qualquer hipótese. Há que se ressaltar. O mesmo ocorrerá quando a paralisação for motivada pela superveniência de fato novo que modifique substancialmente a relação de trabalho. a comunicação em tela deverá ser efetuada setenta e duas horas antes do início das paralisações (art. 9º. a título ilustrativo. p.) entres as partes. durante o período de gre8 ve. As limitações objetivas encontram previsão na Constituição Federal(1) e nas Leis ordinárias(2). Nestes casos. da Lei. a greve não é um direito absoluto. 7. relacionamento com clientes e logística de mercadorias ou serviços) antes da paralisação. Este dispositivo estipula que quarenta e oito horas antes da greve a entidade patronal ou os empregadores diretamente interessados deverão ser notificados sobre sua ocorrência. Essa exigência da notificação prévia se faz legal para tornar inválida a “greve de surpresa”. ao passo que as limitações subjetivas dizem respeito aos abusos eventualmente cometidos. 13). De todo modo. na segunda. convenção coletiva ou sentença normativa. responderão os grevistas e/ou o sindicato por (1) Menciona-se. as quais podem ser de ordem objetiva ou subjetiva. 11).Jornal do Congresso . a forma verbal é permitida). 3º. se não atendidas. 67) destaca que o diploma legal em análise acabou por confundir o conceito de abusividade com o de ilegalidade. 1989.pode ocorrer por recusa à negociação ou desacordo no curso dela. Em que pese seja considerada um direito fundamental. LTr . para que possam eles tomar as providências alternativas que julguem necessárias enquanto durar o movimento grevista. basta que não se cumpra um dos dispositivos previstos na Lei para que já se configure o abuso no exercício do direito de greve. o empregador simplesmente comparece ao local declinado pelo sindicato e diz que não pretende negociar. 66).

2014.br/web/ trabalhoseguro/entenda-os-numeros>. Luiz Eduardo. Princípios sobre greve. ocorreram 709. (5) Em 2009. 2005. n. 82. perdendo apenas para China e Índia. LEITE. 1980. . LTr . LEITE. Amauri Mascaro. com 44.207.2. José Ourismar Barros de Oliveira Professor de Direito Penal e Criminologia. Curitiba. O ACIDENTE DO TRABALHO E A ANÁLISE DA APLICABILIDADE DA TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO NA SEARA JUSLABORAL Aline Carneiro Magalhães Doutoranda e Mestre em Direito do Trabalho pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.546 trabalhadores formais. A greve no Direito Positivo Brasileiro. Comentários à lei de greve.474 acidentes do trabalho. 2000.tst. A temática relativa aos infortúnios laborais não é nova e desde a época da Revolução Industrial é um grave problema não só trabalhista. Porto Alegre.570 doenças do trabalho e 2.355 trabalhadores formais. os quais serão apurados.jus. Porto Alegre: Síntese.295 acidentes típicos. Compêndio de direito sindical.068. ed. Advogada. sendo 417.498 acidentes típicos.br/web/ trabalhoseguro/exposicao>.177 doenças do trabalho e 2.4.tst. São Paulo: LTr. Esta responsabilidade não se restringe à esfera trabalhista. ocorreram 733. In: Revista Síntese Trabalhista. As estatísticas nos dão a dimensão de quão grave é a situação. 17. Assessor Jurídico do Ministério Público de Minas Gerais. Em 9 . Professora universitária. A greve no contexto democrático. Em 2010. em um mercado com 41. Acesso em: 22.jus.365 acidentes do trabalho. Curitiba: Juruá. São Paulo: LTr. 4.753 acidentes fatais. Especialista em Direito Penal e mestrando em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais. Acesso em: 1º.560 acidentes fatais. Carlos Henrique Bezerra. 19.Jornal do Congresso De acordo com os Anuários Estatísticos de Acidentes do Trabalho do Ministério da Previdência Social e do Ministério do Trabalho e Emprego(4) nos últimos quatro anos(5) houve uma queda (4) Disponível em: <http://www. Francisco Osani de. 1979.quaisquer atos ilícitos ou crimes cometidos no curso da greve.(3) (3) Informação colhida no I Seminário Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho promovido pelo TST em 2011. João Antonio G. o que faz com que o Brasil ocupe a terceira posição dentre os países do G20 em quantidade de acidentes do trabalho. GUNTHER. sendo 424. mas. Referências MELLO. abril/96. Pereira. LAVOR. 1989. Disponível em: <http://www. NASCIMENTO. podendo abarcar também o âmbito civil ou criminal. 2008. A greve como direito fundamental. Estudos de Direito do Trabalho e Direito Previdenciário. social. Articulista e palestrante.2014. Porto Alegre: Síntese. Maildes Alves de.

é preciso delimitar a problematização que a pergunta quer trazer. todos os números inferiores em comparação ao ano anterior. 7º. Em comparação ao ano anterior.no número dos acidentes típicos(1). Tradução da sétima edição alemã por Joaquín Cuello Contreras e José Luis Serrano González de Murillo. sendo 423. acidente do trabalho típico é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho. assim entendida a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente.955 doenças ocupacionais e 2. provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução. Aprofundemos.19 da Lei n. o incremento dos estudos e debates sobre o tema. nos últimos anos. perguntas irrespondíveis. mas. da CR/88) enquanto importante ferramenta de combate dos infortúnios laborais. sociais e previdenciárias — para a toda a sociedade.310. A quantidade de doenças ocupacionais apresentou queda. ed. o mercado de trabalho contava com 46. 8. O outro problema era o de enquadramento de mero partícipe do mandante do crime. da capacidade para o trabalho. (rev. E ao afirmar a mera participação do executor evitavam-se essas penas severas. ampl. permanente ou temporária. 20. Já no ano de 2011. Mas antes de aprofundarmos. aumentou o número de trabalhadores formais e caiu o número de acidentes típicos e doenças ocupacionais. publicada no ano de 2000 pela editora Marcial Pons (Madrid-Barcelona). (3) Na obra “Autoría y Domínio del Hecho em Derecho Penal”.. em especial do Judiciário Trabalhista (Programa Trabalho Seguro — Programa Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho) e através da busca da conscientização dos empregadores e empregados sobre o papel da prevenção (direito fundamental insculpido no art. aumentou o número de trabalhadores formais. Título original: “Täterschaft und Tatherrschaft”. A teoria é idealizada inicialmente por Hans Welzel (o pai do finalismo penal).gov. os comandantes do nazismo. (1) Segundo o art.(2) comparação com o ano anterior. alguém querendo matar outrem acidente do trabalho ou doença ocupacional.br/ccivil_03/leis/ l8213cons. entretanto.htm>.Jornal do Congresso .). em suas três esferas. Assim.2014.planalto.164 acidentes do trabalho. foi possível observar. Indenizações por 10 Neste contexto ganha relevo as discussões sobre a aplicabilidade da teoria do domínio do fato do Direito Penal frente aos acidentes do trabalho. assim entendida a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e a doença do trabalho. sendo 423. Diante do elevado número de acidentes do trabalho e seus deletérios efeitos — repercussões psicológicas. o que pode representar avanço no trato do problema. 239 acidentes do trabalho. ainda. buscada por meio de ações do Poder Público. São Paulo: LTr.4. A construção teórica subdivide-se: (a) domínio da vontade: em que o homem de trás domina a vontade do homem da frente.884 acidentes fatais.717 acidentes fatais. Domínio do fato significa apenas umas das formas de autoria. 15. isso em razão da severidade da pena do homicídio qualificado à época: pena de morte ou prisão perpétua. do Direito Penal é aplicável ao Direito do Trabalho?” aproxima-se ao que o filósofo Umberto Eco chamou de “perguntas verdadeiras”. XXII. O primeiro é o problema de os tribunais alemães de responsabilizar os executores dos homicídios dos judeus como meros partícipes. Acreditamos que a formulação dessa pergunta foi deduzida do que se vem discutindo atualmente sobre a teoria do domínio do fato com o julgamento pelo STF do caso “mensalão”. (2) De acordo com a doutrina “a experiência demonstra que a maior parte destes acidentes são previsíveis AL-TUWAIJRI apud OLIVEIRA.213/91. Por exemplo. E. 5.935 típicos. ou seja. o número de acidentes típicos e fatais. em 2012 foram registrados 705. doenças do trabalho e acidentes fatais. consideram-se acidente do trabalho a doença profissional. em que se utilizou a citada teoria para a incriminação dos superiores hierárquicos — dirigentes — do Partido dos Trabalhadores pelos atos cometidos pelos deputados membros do partido.083 doenças do trabalho e 2.631 trabalhadores formais e ocorreram 711. Disponível em: <http://www. Sebastião Geraldo de. paulatinamente. 14. a pergunta “A Teoria do Domínio do Fato. e atual. o número de óbitos foi majorado. aquém do nível aceitável para o século XXI e em um país que vive sob a égide de uma Constituição fundada nos princípios da dignidade da pessoa humana e valor social do trabalho. LTr . Por fim.30. mas é desenvolvida plenamente com o penalista alemão Claus Roxin(3) em 1963 para resolver dois problemas no contexto do nacional socialismo alemão. p. nos termos do art. Acesso em: 22. 2009. A redução progressiva dos acidentes do trabalho vem sendo. Como se perguntasse: “felicidade existe?” É impossível responder essa pergunta sem saber o significado de felicidade e também de existência.167 acidentes típicos. econômicas.

475-J do Código de Processo finido quem pertence o fato Civil nodeProcesso do Trabalho não(resultado).A do a art. Enquanto o partícipe Numa do processo. tornar-se um objetivo comum principalmente dentre aos resposta também é: não. ele princípios constitucionais devem irradiar sua aplicabilidade a todos os o subsistemas. A responsabilidade penal é definida pela anáDireito e Justiça: a Função Social do Judiciário. Direito Processual do Trabalho: visto tipicamente como crime e haja a necessiReforma e efetividade. 249-275. a busca da verdadeira efetividade deve lho gera responsabilidade penal do empregador. (4) Sem prejuízo. mas irresponsável pelo fato em razão de sua doença. LXXVIII. Em suma. Ordem legalresponsabilidade X Mudança social: a crise do serveJosé para fundamentar penal. os tem apenas uma relação acessória com o fato. após (c) domínio do fato: determina quem éo a Emenda Constitucional n. Civil como é justificador de sua aplicação subsidiária. São Paulo: LTr. Eduardo. nio do fato para verificar se o acidente do trabaEnfim. ele reito Processual do Trabalho. mas já será estas um passo adiante. É causador principal do fato (autor) aquele que é produtor principal do resultado. zação fato criminoso. O doente mental é o executor direto. 5º. concretizar o espírito dos comandos constitucionais. a argumenuma depor tarefas. 11 . CF). como. 45/04. que.entrega arma de fogo para um doente mental. valorizando mais as questões casos queosháproblemas divisão de para a realide justiça em do que de tarefas legalidade. judiciário e a formação do magistrado. principalmente. 2007. p. entretanto. imputa-se o resultado a quem lhe deu causa. Nesse viés quaisquer interé dependente do “se” ou do “como” da execução pretações dadas à legislação infraconstitucional devem realizada pelo autor. José Eduardo (Org. esperança de que terá seus direitos tutepara lados pelo Poder Judiciário. A teoria do domínio do fato somente será aplicada na seara trabalhista quando se tratar de (5) CARVALHO. é(art. 101-102. pode ajudar a processualística trabalhista do empregador por acidentes do trajustrabalhista a alcançar esse desiderato. tentemos responder: aplica-se a teoria do domínio do fato O intérprete não deve se quedar inerte diante da ao direito trabalho?e Algumas sãoinletargia dos do legisladores diante dos respostas percalços da corporação de novos procedimentos. da possibilidade de estudo — comparativo — da teoria de modo a servir para aperfeiçoar os critérios de responsabilidade na seara trabalhista. balhistas. e para determinar se esse alguém é causa principal ou acessória para o resultado é que se utiliza a teoria do domínio do fato.deporque a teoria do domínio do cação da omissão celetista e a percepção da coerência (4) fato não serve para atribuir responsabilidades. será a solução para todos os problemas de concretização dos direitos traEstabelecidas premissas. a teoria do domínio do fato não (4) FARIA. dos princípios do Processo do Trabalho com a redação do novo um meiodadeteoria concretização dos Se dispositivo se tratar desão aplicação do domíprincípios destacados acima.Jornal do Congresso guém pode dar causa a um resultado de forma principal ou acessória. Al- LTr . foi Código apenas de emProcesso razão de Civil já édivisão admitida inúmeros autores. Por exemplo. a identifiresposta é: não. fundamentada no resposta depende de outra pergunta: transportar princípio constitucional da razoável duração do propara que? Para atribuir responsabilidade civil ou cesso (art.232/2005: Oportunidade— de em maiorespecial: efetividadeacidente no cumprimento das sentenças fato do trabalho —trabalhispretas. por o Dinão decide “se” ou o “como” daexemplo. 475-Jo do sidodao multa executor direto.). O Processo do Trapossíveis: balho deve oferecer ao seu jurisdicionado-hipossufienSe se de trata de de uma simples transposição te e credor bens natureza alimentar — um da pro(5) cesso mais ágil e eficaz . A teoria serve Magistrados e os Advogados para quenão a sociedade nuncaatribuir perca a responsabilidade. e causa é toda ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. autores. o efeito (resultado) pertence a quem lhe deu causa. 11. Ambos irão responder por roubo. O doente mental aperta o gatilho matando a vítima. 475-J do Código de Processo Civil. Ou seja. São Paulo: Ática. dade de diferenciar quem é autor ou partícipe. In: FARIA. como sistemas legais vigentes”. Luciano Athayde. Mas — É forçoso. reconhecer que a mera apliimportante! — essa análise só é feita após ter decação subsidiária do art. In: CHAVES. José Eduardo Fa(4) a banco quea uma umamagistratura pessoa ficacom com ria bo ressalta queem “cabe umcarro conhecimento multidisciplinar e poderes decisórios amplia. p. balho ocorridos no âmbito de sua empresa? A O método colmatação de lacunas. pois. 13 de nosso Código Penal. conforme o art. LXXVIII. teoria do Direito Penal aoaplicação Direito subsidiária do Trabalho. quem determina fundamental a todos brasileiros 5º. Quem entregou a arma é o execuprincípio da finalidade social não só é compatorO indireto — homem de trás — o verdadeiro tível com o novo dispositivo do Código de Processo responsável pelo homicídio por autoria mediata. dizendo que se apontar para a vítima a arma disparará flores.e em frente ao banco para fugir com o dinheiro dos à responsabilidade de reformular a partir das próprias outra pratica de ameaça e subtração dodos dicontradições sociais oosato conceitos fechados e tipificantes nheiro. execução. pela qual se asseautor do fato. Luis Fernando Silva de. muito embora apenasa um tenha Se numa análise infraconstitucional aplicabilidade do art. tação torna-se mais consistente quando analisada a luz da principiologia constitucional. o elemento que serve para atribuir um ato a alguém é o elemento “imputação”. 1997. num rouSob do o prisma desse princípio. Lei n. Para ser mais preciso. CF) e nos princípios constitucionais justrabalhistas. Tal princípio pressupõe uma visão social do sistema (b) domínio funcional do fato: ocorre nos processual do trabalho. lise de todos os elementos da teoria do delito.o “se” e ointerpretação “como” da pós-positivista ação. E é autor do fato aquele que tem gurou a razoável duração do processo como direito a execução em os suas mãos. obviamente. E não se aplicará para determinar a responsabilidade individual penal do empregador pelos acidentes.

2º Painel
COOPERATIVAS DE TRABALHO: ANÁLISE JUS ADMINISTRATIVA —
LICITUDE E DESVIRTUAMENTO
Daiane Martiniuk
Graduanda do Curso de Administração da PUCPR.

Leila Andressa Dissenha
Doutora e Mestra em Direito pela PUCPR; professora do
Mestrado do PPGCOOP — Programa de Pós-Graduação em
Gestão de Cooperativas da PUCPR; professora dos Cursos
de Graduação em Direito e Administração da PUCPR e da
UNINTER; pesquisadora convidada da UNIFE — Università
degli Studi di Ferrara (Itália/2011); professora dos Cursos
de Especialização da UNIARP/SC, UnC Concórdia/SC e da
EMATRA IX. Advogada.

Sob o ponto de vista Jurídico, é fácil defender o Direito e nem mesmo se cogita a
possibilidade de justificar formas ilícitas de
atuação. Mas a racionalidade jurídica, embora seja um dever de todos, nem sempre é a
norteadora de todas as atitudes. No universo
Empresarial, a tomada de decisões administrativas pode considerar múltiplas variáveis
e o Direito não pode ignorar que o desrespeito às leis e suas consequências também
são ponderados.
A ilicitude, contudo, tem um preço
alto para a administração de um empreendimento: custos econômicos e sociais que,
sob o ponto de vista jurídico, nunca valerão
a pena; é o que se pretende demonstrar neste breve estudo que, partindo da análise do
Direito e da Administração, busca compreender os motivos que levam empreendimentos a utilizar Cooperativas de Trabalho como
instrumentos de fraude de intermediação de
mão de obra.
Uma pesquisa de 2012, da Fundação
Getúlio Vargas e da Confederação Nacional
das Empresas(1), feita em uma empresa do
setor têxtil, demonstrou que o empregado

custa para a empresa cerca de três vezes mais
que seu salário, ou seja, um peso de 183% do
seu salário. Destes custos, parte é do investimento em treinamento e desenvolvimento;
outros 30% ficam por conta dos encargos e
benefícios e 27% respondem por licença maternidade entre outros. Outro aspecto importante é que segundo a mesma pesquisa,
o trabalhador rende em seus primeiros três
meses apenas 75%, pelo fato de ainda estar
em treinamento.
Além destes percentuais, há as disposições da CLT, que rege as relações empregatícias desde a criação do contrato de trabalho
até como se deve proceder com os benefícios
e demais questões que abrangem o cotidiano da empresa e, por conseguinte o do empregado. Por si só, essas orientações da CLT,
sob o ponto de vista administrativo, configuram uma grande parte dos custos financeiros
que a empresa precisa despender.
A alta carga tributária, os altos custos
sociais de contratação de mão de obra, a
competitividade marcante do mercado atual
e, principalmente, a falta de incentivos para
desenvolvimento(2) impulsionam empresá-

(1) Dados disponíveis em: <http://veja.abril.com.br/noticia/
economia/custo-de-trabalhador-e-de-ate-183-do-salariodiz-fgv>. Acesso em 05 de abril de 2014.

(2) Cita-se, por exemplo, a divulgação de pesquisa, do início
deste ano, da OCDE, de que o Brasil apresenta a segunda
maior carga tributária da América Latina. Disponível em:

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LTr - Jornal do Congresso

rios e administradores a tentar a diminuição
de seus custos com manobras ilícitas, dentre
elas, a utilização das Cooperativas de Trabalho como instrumentos de fraude para intermediação para a mão de obra subordinada.
O Cooperativismo teve início na Europa, com a junção dos ideais do liberalismo
e do socialismo, sendo que a primeira cooperativa moderna foi a de Rochdale-Manchester, em 1844, formada pela reunião de
tecelões que tinham por objetivo melhorar
suas condições de vida.(3)
No Brasil, o movimento cooperativista
começou a se propagar por volta de 1841,
especialmente por influência da imigração
europeia, e ganhou respeito e notoriedade
como forma associativa que objetiva a união
de esforços coordenados para a realização de
determinado fim.(4)
Além dos artigos 146, inciso III, alínea
“c” e 174, § 2º, da Constituição de 1988(5),
as cooperativas são regulamentadas pela Lei
n. 5.764/1971 que define o seu regime jurídico e, principalmente, os princípios que as
regem: a livre adesão, a gestão democrática,
a participação econômica dos membros, a
autonomia, a independência, a educação, a
informação, a formação, a intercooperação
e, por fim, o interesse na comunidade.
As Cooperativas de Trabalho, por suas
especificidades, são regulamentadas por lei
própria (Lei n. 12.690, de 19 de julho de
2012), sendo uma forma relevante de geração de renda e melhoria das condições de
vida de seus membros.(6)
<http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/01/cargatributaria-brasileira-e-2-maior-da-america-latina-mostraocde.html>. Acesso em 29 de abril de 2014.
(3) LIMA NETO, Arnor. Cooperativas de trabalho. Curitiba:
Juruá, 2004, p. 124.
(4) DISSENHA, Leila Andressa; NACLE, Isabella Cristina
Costa. Cooperativas de Trabalho: Experiência Nacional e
Comparada. Jornal do 48º. Congresso de Direito do Trabalho
da LTr. São Paulo, 2008.
(5) Conforme AMARAL, Líris Silvia Zoega T. do.
Cooperativa de trabalho. Jus Navegandi, Teresina, ano 6, n.
58, agosto de 2002. Disponível em: <http://jus2.uol.com.
br/doutrina/texto.asp?id=3138>. Acesso em: 16 de abril de
2014.
(6) Conforme SINGER, Paul. Cooperativas de trabalho.
Disponível em <http://www.mte.gov.br>. Acesso em 16 de
abril de 2014.

LTr - Jornal do Congresso

De acordo com o art. 2º da Lei n.
12.690/12, considera-se Cooperativa de Trabalho “a sociedade constituída por trabalhadores para o exercício de suas atividades
laborativas ou profissionais com proveito
comum, autonomia e autogestão para obterem melhor qualificação, renda, situação
socioeconômica e condições gerais de trabalho.” A Cooperativa de Trabalho é apontada,
atualmente, como uma das melhores soluções para o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e social da sociedade.
As Cooperativas de Trabalho podem,
perfeitamente, prestar serviços aos tomadores que assim desejarem, dentro dos parâmetros da Súmula n. 330 do TST e desde que
sua constituição ocorra de acordo com os
princípios que regem tal empreendimento,
em especial, a livre adesão. Contudo, alguns
empresários têm feito apostas muito mais
arriscadas: têm transformado seu quadro de
empregados em “pseudo” Cooperativas de
Trabalho ou utilizado tais instituições para a
terceirização de suas atividades fins, em profundo e flagrante descompasso com a Súmula acima mencionada na busca pela redução
dos custos de mão de obra.
As consequências jurídicas de tais tomadas (equivocadas) de decisão podem ser
bastante gravosas: além do reconhecimento
direto de vínculo empregatício com a tomadora, as multas administrativas e até a responsabilização criminal (art. 203 do Código
Penal) podem ser desencadeadas por esta
escolha.
Analisando a Lei n. 12.690/2012, identificamos no art. 3º os princípios que norteiam as Cooperativas, dentre eles, a “adesão
voluntária e livre” e a “autonomia e independência”, princípios estes que são afrontados quando os empregados de uma empresa são obrigados a se tornarem cooperados,
desrespeitando o disposto no art. 5º da Lei
n. 12.690, que afirma não ser possível a utilização da Cooperativa como intermediação
de mão de obra subordinada.
Não são juristas que tomam as decisões
à frente de um empreendimento e, muitas
vezes, são os critérios econômicos — e não
jurídicos — que direcionam as escolhas de
13

empresários e administradores e, em que pesem todos os argumentos acerca das consequências jurídicas da ilicitude, muitos estão
dispostos a enfrentá-la.
Juridicamente, a melhor forma de combater a ilegalidade é a fiscalização e a punição; administrativamente, contudo, tendo
em vista a realidade atual do mercado e sua
competitividade, a melhor forma de combate é demonstrar as desvantagens econômicas
da ilegalidade e criar mecanismos reais de in-

centivo aos empreendedores, especialmente,
aos pequenos empreendedores, responsáveis
por boa parte da contratação de mão de obra
no Brasil atual. A punição e a retribuição são
as formas que o Direito encontra de dirigir
as condutas à licitude e a combinação bem
sucedida destas formas pode determinar,
igualmente, o equilíbrio entre o necessário
desenvolvimento empresarial e o respeito
aos direitos sociais consolidados em nossas
normas.

APONTAMENTOS SOBRE TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS: EFICIÊNCIA
OU LUCRATIVIDADE DA EMPRESA NO MUNDO CONCORRENCIAL E
REFLEXOS NAS RELAÇÕES DE TRABALHO
Tatiana Guedes Melo
Advogada e Assessora Jurídica Municipal. Pós-graduada em
Metodologia do Ensino Superior. Pós-graduanda em Direito
Público.

Para alcançar uma melhor compreensão
sobre o que a Terceirização de Serviços pode
proporcionar às empresas no mundo concorrencial, incluindo os impactos sobre as relações de
emprego, faz-se necessária a análise de alguns
conceitos.
Simplificadamente, terceirizar uma atividade é repassar a terceiros a sua consecução; é
cometer a outrem (pessoas físicas ou jurídicas,
como as sociedades cooperativas) atividades
acessórias que não lhe são essenciais e, portanto,
não fazem parte do negócio principal da empresa tomadora de serviços; antes, dão-lhe suporte.
Sérgio Pinto Martins (2009, p. 176), mais
extensamente, conceitua:
Vários nomes são utilizados para denominar a contratação de terceiros pela empresa para
prestação de serviços ligados a sua atividade-meio. Fala-se em terceirização, subcontratação,
14

filialização, desverticalização, exteriorização do
empregado, focalização, parceria etc. consiste a terceirização na possibilidade de contratar
terceiro para a realização de atividades que não
constituem o objeto principal da empresa. Essa
contratação pode compreender tanto a produção
de bens, como de serviços, como ocorre na necessidade de contratação de empresa de limpeza,
de vigilância ou até para serviços temporários.
A título de exemplo, Amauri Mascaro Nascimento (1999, p. 172) explica: “Se um colégio se vale de empresa de limpeza, a atividade
contratada é meio, mas se contrata empresa de
professores a situação caracteriza-se como contratação de atividade-fim, porque as aulas são a
finalidade do colégio”.
A terceirização de serviços pode ocorrer
mediante a contratação das Cooperativas de
Trabalho. De acordo com a Súmula n. 331 do
LTr - Jornal do Congresso

Jornal do Congresso Com a terceirização. conforme o art. em dezembro de 1998. foi editada no nosso ordenamento jurídico a Lei n. situação socioeconômica e condições gerais de trabalho. 107) explica que: “A cooperação nasce da necessidade de sobrevivência dos grupos. existem vantagens e importância nas Cooperativas. Por outro lado. o vínculo de emprego com o tomador de serviço e o grau de depen- 15 . 2º. 5. Acesso em: 30 de abril de 2014. renda.br>.690/2012. tenha acesso ao capital. prevendo formas de identificação da fraude trabalhista por meio delas. 157. LTr . com cada trabalhador aportando parte do seu capital para constituir em empreendimento comum. que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das sociedades cooperativas. 12. Conforme verificado no Seminário Nacional de Cooperativismo de Trabalho(8). É uma estratégia que envolve um número crescente de trabalhadores.. Contrapõe assim os impactos da crise financeira mundial na economia. que tira sua flexibilidade. da Lei n. mesmo nesses casos. Sônia Mascaro..com. 125): a permissão de terceirização na atividade empresarial privada dá-se. Conforme Pedro Manus (2009. realizado em Fortaleza. enumerados no art. uma vez que o estímulo à organização de pessoas em sistema de cooperativa mobiliza cidadãos e lideranças na formação de pequenas células cooperativas. Disponível em: <http://www. o cooperativismo contribui para o enfrentamento do desemprego e do trabalho informal. p. “(.) a totalidade da lei demonstra sua intenção de evitar o desvirtuamento das cooperativas de trabalho. Consoante. naturalmente o associado participa. definindo os termos para a organização e funcionamento regular da sociedade cooperativa. Todavia. autonomia e autogestão para obterem melhor qualificação. estão sujeitas à CLT. sem que ele. aplicável às cooperativas. Sônia Mascaro Nascimento. • Grande contribuição das cooperativas para uma educação cooperativa e como exemplo para a sociedade.pdf> Acesso em: 30 de abril de 2014. De fato. estas são uma sociedade constituída por trabalhadores para o exercício de suas atividades laborativas ou profissionais com proveito comum. inclusive. Logo depois. nas atividades de limpeza e conservação e no caso de serviços especializados. de acordo com o entendimento sumulado. (8) Disponível em: <http://www. a terceirização só é permitida quando se tratar de atividade-meio. nas cooperativas.690 e as cooperativas de trabalho.764/1971. maiores concorrentes das cooperativas. publicada em 1966. Acerca das cooperativas de trabalho. • As empresas.br/sites/ default/files/topic/cooperative/pub/cooperativas_ mudancas_oportunidades_desafios_219. • Enquanto todas as tecnologias atuais de gestão de negócios empenham-se em conseguir que o empregado “vista a camisa da empresa”. de experiência de trabalho coletivo. contribui. O objetivo da referida recomendação foi acolher propostas relativas à função das cooperativas no florescimento social e econômico das nações em desenvolvimento. no entanto. a OIT temia o surgimento de falsas cooperativas: (7) NASCIMENTO. • Melhoria de renda dos associados. p. constituindo-se ajuda mútua em um dos pilares básicos dessa peculiar forma de atuação no meio social”. Amilcar Barca Teixeira Júnior (2002. com a ampliação da base de contribuição à Previdência Social. A promulgação da referida Lei representa um marco regulatório na iniciativa de regulamentar as cooperativas de trabalho.org. Apontamentos sobre a nova Lei n. é preciso que o serviço contratado refira-se à atividade-meio e que também não se verifique pessoalidade e subordinação direta.amaurimascaronascimento. p. reduz a informalidade. o que foi um grande avanço para mitigar o desvirtuamento dos princípios e valores do cooperativismo trabalhista. colaborando. assim como sua punição”(7) A Organização Internacional do Trabalho (OIT) já havia tratado oficialmente do Cooperativismo na sua Recomendação de número 127. o que não acontece com as cooperativas.oitbrasil. 3º. 12.TST. quais sejam: • Eliminação de intermediários entre o capital e o trabalho.

uma ameaça de instrumentalização das cooperativas de trabalho. seja para permitirem mais lucros para os empresários privados. Destarte. e também diminuir seus custos fixos.pdf>. Direito Individual e Coletivo do Trabalho.oitbrasil. MARTINS. 25ª edição. investindo em alta tecnologia. pois pretensas cooperativas tentam mascarar a relação de emprego. As cooperativas de trabalho entram nesse cenário enfrentando o desemprego e a informalidade de um lado e provocando diminuição do custo da mão de obra. de outro. com preços favoráveis no mercado. redução de perdas. Diante da ruptura das fronteiras mercadológicas. aumento da flexibilidade e da agilidade da organização na tomada de decisões. Para se tornarem competitivas. — São Paulo: Atlas.Jornal do Congresso . a empresa deve dispor de maior capital. com a presença de pessoalidade e subordinação. — São Paulo: Atlas. A globalização. o que demanda capital disponível. 155 e 156. Acesso em 30 de abril de 2014. redirecionamento de verbas mediante a disponibilidade de capital para investimentos. 16 ram a desenvolver “estratégias de modificação nas relações de trabalho. o objetivo da terceirização de serviços: aumentar a lucratividade ou a eficiência da empresa no mundo concorrencial? Responder a esse questionamento requer uma digressão histórica. qual seria. São duas faces da mesma moeda.dência e subordinação do trabalhador têm de ser cuidadosamente avaliados. das técnicas de comunicação por satélites.org. Para tornar-se mais eficiente. o que impacta as relações de emprego de um modo geral. é preciso cautela para que as cooperativas não venham a se configurar como uma forma de intermediação da mão de obra. 2009. Entretanto. negando aos supostos cooperados. A contratação das cooperativas para terceirização de serviços. descaracterizando sua destinação legal e implicando fraude à lei. as empresas devem ser eficientes. pois implica possibilidade de concentração na sua atividade-fim. garantindo preço razoável para o seu produto. As corporações passa(9) Disponível em: <http://www. Bibliografia MANUS. 2002. 124). Lívio Rodrigues. a competitividade e o acirramento da concorrência produziram nas empresas a necessidade de maior eficiência. os direitos previstos na legislação trabalhista. com o objetivo de flexibilizar as relações de trabalho. Precisam focar na sua atividade-fim. como um fenômeno viabilizado pela evolução e alargamento da tecnologia de informação. Além disso. de fato. alcançado com o aumento da lucratividade. e em verdade empregados. Assim. Direito do Trabalho. desaparecem os encargos do empregador. melhora da sua eficácia gerencial. ao mesmo tempo. TEIXEIRA JÚNIOR. a fim de diminuir o custo do trabalho”. seja para realizarem determinadas políticas do Estado. dos meios de transportes e da telefonia. Esse movimento projetou reflexos também nas relações de trabalho. Sérgio Pinto. conforme dizeres de Pedro Manus (2002. CIOTTI. p. p. os custos fixos são transformados em variáveis. imbuídas da demanda por capital para a ampliação das suas atividades e seu aperfeiçoamento tecnológico. As companhias tiveram de rever seu modelo de gestão. não existindo contrato trabalhista. 7ª edição. maior produtividade. propiciou uma conjuntura extremamente favorável para o acentuamento das relações socioeconômicas em âmbito mundial. Amilcar Barca. Há. Participação de cooperativas LTr . viabilidade de redução e controle de custos operacionais.(9) Terceirizar determinados serviços é uma tendência das empresas. e potencialização do espaço físico. Pedro Paulo Teixeira. contribui para maior lucratividade do tomador de serviço que pode investir o capital disponível para obter maior eficiência da sua produção e obter maior competitividade no mundo concorrencial. viabilizar sua eficiência e aumentar sua lucratividade. aumento da sua especialização. para investir em tecnologias mais eficientes. no processo de terceirização.br/sites/ default/files/topic/cooperative/pub/cooperativas_ mudancas_oportunidades_desafios_219. a terceirização veio para as empresas como um caminho para. em virtude da eliminação de intermediários entre o capital e o trabalho.

Disponível em <http://www. É empregado como qualquer outro. Apontamentos sobre a nova Lei n.oitbrasil.com. Disponível em: <http://www. com sindicato representativo. São os únicos trabalhadores de uma empresa. Graduada pela Universidade Federal da Bahia. com os mesmos direitos. opta por entregar a terceiros. em colaboração com Lucienne Freire e Lizzie Lagana — 1 ed. podendo reunir-se para reinvindicar seus direitos junto ao empregador. A grande vantagem para a tomadora. Amauri Mascaro. NASCIMENTO. Belo Horizonte: Editora Mandamentos. um terceirizado. Especialista em Direito do Estado pela Faculdade Baiana de Direito.em procedimentos licitatórios. 2002. Acesso em: 30 de abril de 2014. Cooperativas: Mudanças. respondendo sem tantos prejuízos e de forma rápida a uma crise no mercado. br/sites/default/files/topic/cooperative/pub/ cooperativas_mudancas_oportunidades_ desafios_219. — Brasília: OIT. pode incrementar de forma mais agressiva a sua atividade principal. por pessoas especializadas. pois especificamente treinadas para tal atividade. com o benefício de que estas serão realizadas com mais qualidade e celeridade. a concretização de atividades acessórias ao processo produtivo. por exemplo o processo de construção de um edifício seria muito dificultado sem a possibilidade de se terceirizar os serviços relacionados aos elevadores. Iniciação ao Direito do Trabalho.org. As terceirizações como soluções de mercado são lícitas e necessárias ao empresário. 1999. Sônia Mascaro. TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS Teresinha Soares Abreu Ferreira Oficial de Justiça Federal da Seção Judiciária da Bahia. 25ª edição. 17 . Esse tipo de terceirização não tem o condão de macular direitos trabalhistas. NASCIMENTO. Organização Internacional do Trabalho.Jornal do Congresso ção. Ao contrário. portanto. pertencem a uma categoria profissional identificada. Isso gera uma redução de custos pois a tomadora gastaria mais inserindo na sua cadeia produtiva tal atividade acessória. 2001.690 e as cooperativas de trabalho. em geral outras empresas. como habitualmente é reconhecido. São Paulo: LTr. fornecendo serviços para várias outras empresas. revista e atualizada. Terceirizar significa ter tranquilidade de que aquela “janela” aberta no processo produtivo será preenchida com maior excelência do que se o serviço fosse realizado internamente. Acesso em: 30 de abril de 2014. o seu único foco. sua única preocupaLTr .pdf>. Não o fazendo. vislumbrando convergir esforços na realização da sua atividade principal. 12.br>. altamente especializados. amaurimascaronascimento. Editado por Armand Pereira. labora para uma empresa terceirizada. Terceirização Lícita Trata-se de um fenômeno crescente pelo qual o empresário. 1. Oportunidades e Desafios. é o engessamento de custos.

os terceirizados são literalmente “arremessados” no exercício das atividades sem qualquer treinamento. para se tornar uma excentricidade repressiva da dignidade da pessoa humana. sofram rodízio. 3. 331 no intuito de regularizar a terceirização desenfreada. não consegue firmar uma consciência coletiva. desse modo. trata-se da dificuldade que o trabalhador tem de identificar o sindicado que o representa pois tampouco tem ciência exata de quem é 18 responsável pela sua contratação. com o único propósito de não formação do vínculo empregatício. perdendo a noção de grupo. dentro da normalidade. Outro efeito maléfico identificado. uma vez que. utilizando como balizador o critério da atividade-meio. não arcando com o custo dos direitos trabalhistas. Isso porque. Ademais. inclusive porque muitas vezes a terceirizada presta serviços unicamente para uma tomadora. e pior. como ajudante geral. usufruem de menos direitos que os empregados da tomadora a exemplo de terem uma jornada mais extensa e uma contrapartida salarial menor. que consiste na atividade de suporte à principal. 2. Ordem jurídica aplicável O TST promulgou a Súmula n. Infelizmente. Outro efeito maléfico detectado na terceirização ilícita é serem os terceirizados considerados inferiores pelos demais trabalhadores. há trabalhadores que não usufruem férias há anos. somenLTr . 5. uma vez que as empresas estão terceirizando atividades principais. enfraquecendo. transferindo para terceiros esse conflito. Nesses casos. 4. muitos tomadores exigem que cargos.Jornal do Congresso . Esse trabalhador não se sente incluído na rede de funcionários da empresa tomadora. a subordinação e pessoalidade saltam aos olhos. A mais comum consequência jurídica do desvirtuamento do instituto é a diferença salarial entre os trabalhadores terceirizados e os empregados da tomadora. garantindo-se aos terceirizados o vínculo empregatício direto com a tomadora. não fazendo parte do processo criativo do produto final ou que não seja essencial à dinâmica empresarial do tomador dos serviços.2. mudando também o seu contrato de trabalho. como na maioria das vezes a empresa terceirizada não tem capital suficiente para a contratação de um robusto quadro de funcionários. Independente de laborarem no ambiente da terceirizada ou no espaço físico da tomadora. devendo responsabilizar-se por tais danos. não raro encerram suas atividades sem o pagamento das verbas rescisórias. Seguem algumas situações recorrentes: 1. o art.019/74 é utilizado analogicamente concluindo-se pelo direito ao salário equitativo. a prestadora muda. situação geradora de efeitos maléficas para os trabalhadores terceirizados. nutrirem em seu íntimo esse sentimento de serem trabalhadores de segunda categoria. 3. Ocorre que a tomadora sabe ou pelo menos deveria saber que a prestadora de serviços não tem capacidade econômica para equipar e dar cursos de treinamento aos seus funcionários. sofrendo com a síndrome do trabalhador de segunda classe. embora prestem serviços para a mesma tomadora. e muito grave. Terceirização Ilícita A terceirização de serviços passou de um método de organização da cadeia produtiva. para se evitar a comprovação do vínculo empregatício. Segundo o entendimento jurisprudencial. e também. a reinvindicação de seus direitos. o empregado terceirizado tem dificuldade em ingressar em juízo. Em suma. esse instituto transformou-se num instrumento predatório de direitos. a terceirização tornou-se vantajosa financeiramente porque as tomadoras ficam libertas da mais grave consequência jurídica da relação entre capital e trabalho que é a tensão social. Assim. 5º da CF). 6. quando realizam idênticas funções. 12 da Lei n. Também não sabe quem são os seus verdadeiros colegas de trabalho (afinal muitos no ambiente do trabalho chamam-no de “o terceirizado”). o que ocasiona um elevado número de acidentes de trabalho entre esses trabalhadores. uma vez que não consegue identificar quem é na realidade o seu patrão. ademais. ocorre o absurdo de um terceirizado prestar serviços em São Paulo sem no entanto auferir o salário mínimo regional porque a empresa terceirizada tem sua sede no Paraná. Isso ocasionado pelo desvirtuamento do instituto. ferindo o princípio da isonomia (art. fazendo com que cada semana eles laborem em um tomador.

1º). RESPONSABILIDADE NA TERCEIRIZAÇÃO — O OVO DE COLOMBO Mári Ângela Pelegríni Jornalista. sendo indecorosa a promulgação de uma lei nesses termos. trabalho muitas vezes um tanto complexo. Ou seja. porém foi a fórmula alçada pelo TST a fim de dar um direcionamento aos julgados. ferindo princípios e regras do ordenamento jurídico interno e internacional. 4. desde que não presentes a pessoalidade e subordinação. 2º e 3º a formação de vínculo empregatício direto com o tomador de serviços no caso de haver subordinação. Caso aprovado. as Centrais Sindicais e o Judiciário Trabalhista são terminantemente contra referido projeto. o PL n. Kant já preconizava que os homens devem ser um fim em si mesmos.5º) e da dignidade da pessoa humana (art. da gama de usuários do sistema. Também é de fácil entendimento que queiram continuar a operar indistintamente em todos os seus setores. LTr) e de vários artigos jurídicos. Parecem evidentes os vários motivos daqueles que levam os defensores da terceirização empunharem a bandeira na defesa da aprovação de lei que regulamente a matéria. com a exceção deste último. passa a ter base legal. conservação. O Ministério Público do Trabalho. por exemplo. que volta à tona por conta da pressão dos empresários. de início. vinculada ao TRT 15ª Região. O ordenamento jurídico internacional reprime a utilização do trabalhado como mercadoria — Declaração Referente aos Fins e Objetivos da OIT (Filadélfia — 1944). E. Ocorre que.A súmula se apresenta insuficiente para uma normatização plena. que prevê uma abertura sem limites à terceirização. A CLT prevê em seus arts. PL n. já que. Que sejam respeitados os direitos desses trabalhadores. de onde brota o projeto de lei sobre o tema. te esse tipo de atividade e mais as de limpeza. e em qualquer atividade. E vem surtindo efeito pois os julgadores têm sido bastante felizes em identificar em cada segmento quais as atividades-meio e quais as atividades-fim. exige pouco esforço intelectual. LTr . Sem contar a possibilidade de redução de impostos a partir da emissão de notas fiscais entre empresas entender o porquê da febre empresarial na defesa da terceirização irrestrita. A Constituição Federal dispõe acerca dos princípios da igualdade (art. inclusive na atividade-fim. sem nenhuma limitação quantitativa. maculando os direitos de uma gama de trabalhadores. ainda mais se possível. 4. também na atividade-fim. principalmente. vigilância e trabalho temporário podem ser terceirizadas. o que vislumbram é a possibilidade de se verem livres dos encargos trabalhistas e 19 .Jornal do Congresso O incentivo para a aprovação vem.330/04. desde os operacionais aos administrativos. é o que desejamos e esperamos que se concretize. Professora Universitária e autora do livro “Trabalhadores Sem Vínculo — Do Cais ao Campo” (Ed. os chamados “tomadores de serviços”. levantando a bandeira de sua licitude ampla. Mestre em Direito das Relações Sociais pela PUC-SP. a absurda hipótese de uma padaria terceirizar os serviços de padeiro. admitindo-a em qualquer segmento econômico. há um projeto de lei em trâmite no Congresso Nacional. exceto a classe trabalhadora.330/04 não tem validade. Juíza Titular de Vara do Trabalho.

valendo-se não de sua própria força de trabalho. É preciso ter tempo para pensar. Não só pela condenação. 20 Quando não se acha qualquer vínculo afetivo ou familiar nesta teia. são animadas com a hipótese de poderem ganhar intermediando mão de obra. que poderá ser feita mesmo depois da primeira audiência. Só não terceirizaram. enfim que dentre os motivos que impulsionam a terceirização. além do primeiro pontuado. diante da possibilidade da efetiva condenação subsidiária nas ações trabalhistas. Vivem uma relação simbiótica. a nosso sentir. que vários empresários e governantes incentivem. seguro. tais como: plano de saúde. A regulamentação da terceirização.690/12 em definir/alterar os conceitos de atividade-fim ou atividade-meio e nem para ampliar ou restringir suas possibilidades. a criação destas empresas. crendo que nenhuma responsabilidade terão. evidentemente guardadas as exceções louváveis. na maioria das vezes. ainda. Todas as vertentes da terceirização na atualidade caminham por várias teorias. 1º É solidária a responsabilidade entre todos os tomadores de serviços e empresas terceirizadas. não estender os direitos/benefícios. é fato. como as plantas que se enroscam no tronco de uma velha árvore. mas os benefícios indiretos nem de perto os igualam. com os contratantes. por parte do Ministério Público do Trabalho (particularmente sente-se falta de atuação no setor público. mas na queda vertiginosa da própria qualidade dos serviços que decorre. por terem o desconfortável freio da atuação eficiente. equiparando-se todos como integrantes de um grupo econômico para os fins de pagamento e garantia de eventuais direitos e ou créditos trabalhistas pendentes em relação aos trabalhadores que lhes prestam ou prestaram serviços relativos ao respectivo período laborado. visam.Jornal do Congresso . eles próprios. do descontentamento gerado aos trabalhadores envolvidos. Essas pessoas espertas e dadas ao ganho de dinheiro fácil. facilitar seu enquadramento sindical. a categoria “terceirizada” e a categoria preponderante e cabe ao empresário sentir se isso vale a pena. a verdade. Cria-se uma segunda classe dentro do mesmo local de trabalho. prestar serviços com a força de trabalho de outros e não de si mesmo ou quando não. treinamentos. E é natural que pessoas com esse perfil sejam atraídas neste mister. pelo menos a princípio. mas. Dizem que quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro. pois. como se diz no ditado popular: “mamar nas tetas gordas dos governos”. disfarçadamente equivalente. inclusive. desde que seja dada a oportunidade de LTr . A dependência aos contratantes é incontestável e a prática tem apontado que. fruto da odiosa diferenciação e discriminação entre iguais. que sem muita técnica e com muita ousadia. pela necessidade de um único artigo. muitas vezes. ou driblar a necessidade de criação de cargos e concursos no setor público. pode apostar que este espaço será preenchido. infelizmente. embora nem sempre com patrimônio compatível. sem pegar no pesado. E para isso contam até com assessorias especializadas. redução de custos alguns sejam bem compreensíveis: não querer lidar com diferentes tipos de mão de obra contratados diretamente. Mas. começa pela tendência de que os que são atraídos para formá-las deslumbram-se pela facilidade com que irão. Frise-se que não se desconhece que muitas empresas terceirizadas são idôneas e com boas intenções (ou deveriam ser). Ter reservas financeiras para iniciar. como adiante se pontua) e da Justiça do Trabalho. Some-se a isso o fato de que ocupam o espaço que a própria legislação lhes oferece. A regulamentação da terceirização dos serviços. estas empresas não têm nenhum patrimônio ou lastro financeiro. toda a empresa. inclusive no âmbito do governo. como adiantamos. Não se desconhece. E o termômetro é a motivação da equipe. 12. muitas vezes integradas por sócios de suas relações buscando uma troca de interesses. racionalizar serviços no departamento pessoal. ou deveria. Normalmente quem acaba manchando o trabalho sério de algumas. o barato pode sair caro. Não é raro. quando não parasitária. por algum gatuno. não caminha pela orientação do PL n. O salário pode até ser. ousamos sugerir: Art. independentemente de sua integração inicial no polo passivo das ações. é uma só: economia de custos! Mas. norteia-se.fiscais e a imediata redução de custos. e o que é pior. outra verdade incomoda: não há nenhuma autonomia real por parte das empresas terceirizadas. Fazer estratégias. etc.

a par da decisão polêmica. como “gatooperativas”. Mas. Evidente que os julgadores não podem salvar o sistema. podendo o juiz definir se a entrega da defesa será até uma hora antes da audiência de instrução em se tratando de processo judicial eletrônico. Adilson Bassalho Pereira no campo. salvo requerimento de prova oral específica. desde que configurada a conduta culposa. em regra. independente da audiência presencial deverá ser apreciada após a réplica. reforçada pela inclusão de malfadado artigo na CLT que proclamava a inexistência de vínculo entre as cooperativas e seus “cooperados”. alternam-se nos contratos. 331. agora a terceirização se alastrou no setor público e na mesma esteira da suposta “legalidade” veio a tentativa de reforço no vitorioso “lobby” que pugnou pela declaração de constitucionalidade do art. pois daria uma outra tese. (que apontaremos abaixo) parece ter sido obrigado a declarar a “constitucionalidade” do artigo da lei de licitações que impedia a condenação subsidiária dos entes públicos. 442 da CLT) elas seguem se multiplicando. como tem revelado a mídia nacional numa sequência de escândalos. com base exclusivamente na prova documental. em coro. mas para alívio dos juízes. 21 . § 1º. a culpa. É sabido que no setor público as terceirizações se disseminaram nos recursos públicos como se fossem uma praga. (nada de cooperado tinham) levanLTr . por exemplo. ao perceberem que as terceirizadas estão às vésperas de serem defenestradas. lembrando as quase extintas cooperativas de mão de obra (pelo menos não batem tanto mais às portas do judiciário como num passado recente e sombrio para os trabalhadores por ela explorados). Camufladas em forma de ONG (Organização Não Governamental) e OCIPS. da Lei n. a inspiração do STF que. Para desgosto dos entes públicos e seus procuradores. Esta última. E assim o fez levando a alteração da redação da Súmula n. E elas não se extinguiram a toa ou por falta de gatunos. Tarefa difícil.Jornal do Congresso tados pelos braços fortes da primeira instância. como se esperava. com um verniz legal assim como as antigas cooperativas de mão de obra no passado. outras terceirizações espúrias se proliferam e recebem outro nome: consórcios ou parcerias público-privadas. desembargadores e ministros do trabalho. agora. e dos trabalhadores em particular. Relegou aos juízes a difícil tarefa de procurar o erro. infelizmente. com ressalva. (Parágrafo único do art. é preciso agradecer. permitindo a condenação. E pior. graças a atuação do Ministério Público do Trabalho. ausentes os pressupostos básicos de sua aceitação. ou no prazo de 15 dias. após citação específica. Vence aquele que se quer que vença. que tiveram. e sim porque as empresas que dela se valeram foram obrigadas a arcar com a conta final (o passivo trabalhista). porque em cada caso concreto e cada vez mais. jogou-se uma pá de cal na impossibilidade. inspirados na súmula. No julgamento pelo STF da Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) n. a montar dossiês para provar o que até então pouco lhes preocupava. A seguir tenta-se justificar sugestão tão radical. em igual prazo. arrancadas pela raiz como uma erva daninha. passam os entes públicos. em esmagadora maioria fraudulenta. em geral. Assim como elas. A novidade no Pontal do Paranapanema. sem êxito prático para a vitória dos trabalhadores por conta da jurisprudência dos tribunais trabalhistas. Em grande parte. 16. sem adentrar no mérito da exceção. 71. 8. quando não impossível. de condenação do ente público. pelo menos em parte o esforço empresarial. felizmente. o jogo de cartas marcadas faz da licitação um teatro. orientados por seus departamentos jurídicos. é o consórcio intermunicipal para contratação de médicos para os municípios integrantes. Assim como as cooperativas. Um olhar profundo trouxe à tona uma verdade inconveniente: os vícios das licitações.defesa. certamente pressionado pelas próprias deficiências. na cidade. cujo último ato todos conhecem. a ponto de serem apelidadas pelo nosso saudoso ex-presidente do TRT15. que foram podadas. antes do prosseguimento da instrução principal. inclusive de ofício. pelo menos deixou uma prudente brecha para a condenação. a porção de cal veio muito fina e não teve como resultado o enterro da velha discussão. os mesmos grupos. começando a não pagar os trabalhadores.666/93 —Lei de Licitações — e valeu. permitida a arguição de exceção de incompetência em razão do lugar por petição. em seu inciso V.

trouxe aparente bons resultados inicialmente a ponto de ter havido ávidos defensores e comparações calorosas. Não raro. Deram com uma mão e tentaram tirar com a outra. sem dar valor no maior bem que um trabalhador pode conquistar. Neste cenário a terceirização encontrou terreno fértil para proliferar. por exemplo. aparentes bons resultados. depois de “um século”. sob pena de culpa e ai sim. De outra parte. que dispensa maiores comentários. Com dificuldade. às evidências. no final da década de 90 havia uma sensação de descontentamento gene22 A partir de cobrança de metas e gestão por parte do CNJ no judiciário. põe-se o juiz do trabalho na primeira instância a buscar a “culpa”. no grande álibi da administração pública e só o Ministério Público poderá mostrar os nós desta teia). compatível com o volume de serviço e correção da remuneração pelo menos na reposição da inflação. embora nem sempre com a necessária contrapartida (criação de cargos. Parece pouco o “mero” inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada. sentiu-se que a sociedade ganhou em seu clamor por mudanças. enfim. já se faz sentir nos resultados da administração pública (aliás. incoerentemente exigindo isso dos empresários brasileiros) aliado aos pertinentes portais de transparência que também auxiliam na fiscalização dos serviços. gerando forjadas exigências de explicações dos atrasos pelos tomadores aos seus contratados resulta na prática em um engodo orquestrado. enfim. Embora não vinculante. a magistratura há de achar a saída. ser condenado subsidiariamente) A privatização. Com equivocada sensação de que a privatização trouxe o melhor dos mundos. Neste cenário a livre concorrência avançou sobre o povo brasileiro numa época em que os servidores públicos. Diziam: “temos que reconhecer que antes da privatização demorávamos um século para instalarem uma linha telefônica e a um preço muito caro. Não se tinha esses milhões de call centers (amontoado de seres que LTr . exageros à parte. foi o caso apelidado no de “máfia das casinhas” no interior de São Paulo. Regularmente contratada? Será? Quem pode garantir que fora supostamente “regularmente contratada” com as licitações viciadas que temos? Não bastasse. Um exemplo emblemático. imposto pelo “menor preço”. de maneira exagerada para quem praticamente nunca fiscalizou a ponto de já se cogitar em assédio moral no serviço público). é forçoso reconhecer. como a privatização. a estabilidade. otimização e gestões que hoje. aos poucos. fazendo a sofrida população acreditar que estavam fazendo favor aos contribuintes que lhe pagavam os salários. o próprio tomador sabe o motivo do atraso/inadimplemento das obrigações. Feito camelos cansados. b) a não vigilância (mesmo deixando de lado o requisito anterior. muitos se arrastavam como se estivessem num deserto para ir até um balcão. Mas. implanta-se e uma pequena diferença. embora no exercício de uma obrigação. Por exemplo na área da telefonia. a terceirização trouxe. frise-se no início. não pagar verba alimentar é “mero inadimplemento”? Mas. cujos malefícios foram sentidos mais tarde. também fruto de esquema de fraude em licitações. arejou este comportamento. Exemplo é a informação de que não mais será renovado o contrato por algum vício.E a culpa é para os documentos invisível. trouxe um novo conceito e nesta onda de mais eficiência. sobrou para o aplicador do direito do trabalho uma importante válvula de escape. na prática. a força das súmulas e orientações jurisprudenciais. encontrar falhas no descumprimento do ato de fiscalizar. Azar da classe trabalhadora quando não encontra julgadores antenados com tais estratégias. não se nega.Jornal do Congresso . O cerco se fechou no inciso VI da Súmula n. resultam no impedimento da discussão da matéria em âmbito nacional e isso a torna. Pagava-se preço justo pela utilização. aos poucos. ralizado da sociedade com a (in) eficiência dos serviços públicos. E tem achado. ela era sua. já que até então não tinham a pressão de metas da economia privada. 331 do TST ao “exigir” que a magistratura não condene o ente público pelo “simples fato” de não terem sido honradas as verbas trabalhistas. O mesmo erro/culpa que nasce na fonte no próprio processo de licitação. vinculante por tabela.” Sim. em cada caso concreto garimpando os requisitos para a condenação do tomador: a) por não escolher bem (em licitações viciadas com cartas marcadas. deixaram a desejar na prestação de serviços.

oferecem ajuda para fecundá-las em laboratórios jurídicos privados.100/99 e pela portaria n.790/99. os antigos “contínuos” do serviço público. Nas varas do trabalho copeiras convivem com os juízes. instrumento considerado inadequado para regular essa relação. agora terceirizados e de lá para cá nada mudou. é o que se espera. vários termos de parceria entre a administração pública e organizações qualificadas como Oscips estão sendo firmados em âmbito federal. que qualquer entidade deve providenciar. 23 . há também uma gama de procedimentos facultativos. 9. Retirou de sua estrutura os concursos para copeiras. Saudades das estatais na área.. na cabeça da página virtual inúmeros “links” onde vários prestadores de serviços destas incubadoras. administrativos e ou políticos à entidade. vencendo os leilões e se era isso que os brasileiros queriam. que pretende facilitar e desburocratizar o acesso das organizações da sociedade civil sem fins lucrativos a fundos públicos. principalmente pelo contexto político em que foi gestada e pelos temas que toca: identidade das ONGs. acessou-se uma delas.se organizam em apertadas salas para incomodar outros seres). o instrumento jurídico que regula os repasses de recursos públicos para as organizações da sociedade civil para que executem políticas públicas chama-se “convênio”. há inúmeros sítios na rede mundial de computadores onde novo ramo de assessoria. Chega-se ao cúmulo de entrar com reclamação verbal na própria vara para receber seus direitos. 3. tem também sua parcela de culpa. apesar de ser tecnicamente clara e apresentar alguns avanços. assim se expressa: Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). estadual e municipal. por décadas. no que pontuamos como exemplo de deficiência que adiantamos acima. acesso a fundos públicos. 9. Deve-se dizer também que a qualificação como Oscip começa a ser exigida em algumas situações concretas. sem nenhum escrúpulo (é legal apregoam). no topo da página. Depois de mais de seis anos da publicação da Lei n. (grifamos) [. nem os preços exagerados e nem a inclusão das telefonias como campeãs de reclamações no PROCON. a primeira que aparece. Além dos registros obrigatórios. Entre eles está a qualificação como OSCIP. ou tenham tido dinheiro para injetar na compra das estatais. Como diria o filósofo Bóris Casoi: “é uma vergonha!” Sobre as OCIPS. Hoje em dia o que mais tem são falsos autônomos. depois da nova invasão espanhola da era moderna foi uma constante. permitida na lei. LTr .]A Lei n. mas não sob o sangramento dos milhões de terceirizados. Atualmente. A qualificação de pessoas jurídicas como Oscip é regida pela Lei n. Nada quanto ao serviço. 9. sem nenhum vínculo ou proteção. sejam todos melhores na telefonia. integrante do ente público União. por exemplo. causou imensos debates e dúvidas entre as ONGs. a falta de estabilidade e a angústia a cada troca de terceirizada. transparência e prestação de contas. Infelizmente os próprios tribunais do trabalho. Aleatoriamente. na esteira do mesmo exemplo. O que mudou foi o pagamento precário. que podem acarretar benefícios financeiros. como condição de acesso a fundos públicos (exemplo: Programa de Formação de Telecentros financiado com recursos do Fundo para a Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust)) ou como condição para a concessão de isenções fiscais (exemplo: lei do Estado de Pernambuco que concedeu a isenção do ITCMD às organizações do Estado sem fins lucrativos qualificadas como Oscip). ou lhes foi enfiado goela abaixo está ai um caminho sem volta no mundo globalizado. regulamentada pelo Decreto n. previu a existência do “termo de parceria”.Jornal do Congresso Basta acessar o “Dr. (sem grifos no original). Google” e lá vem. Se é possível que os espanhóis. por exemplo. relação com o Estado.790/99. Eles. etc. muitas vezes sem gozo efetivo de férias ou sem recebimento das verbas rescisórias em cada troca da empresa terceirizada. Não se quer ser bairrista. ou elas. originada dessa necessidade de “legalizações” desenfreadas e pior. inclusive para instalar linhas telefônicas. definindo sua origem e facilidades para gestação desses inóspitos embriões. ainda existem.790/99 e com centenas de entidades qualificadas.. Fiéis servidores que acompanhavam várias administrações. Impõe-se aguardar o desenrolar da (in)eficiência com o passar dos anos e da sociedade a paciência. 361/99. Só a título exemplificativo cita-se a terceirização dos serviços de limpeza e copa em toda a Justiça do Trabalho. que pode ser qualificada como OSCIP a qualquer momento ou iniciar suas atividades já como OSCIP. […] Além disso. portugueses.

php>. Primeiro não se cumpre promessa de campanha para a construção de mais um hospital. obter o título de Utilidade Pública Federal e o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. A guisa de mais um exemplo pessoal. Como um passe de mágica viu-se a transformação em Hospital Universitário privado em Hospital Regional Estadual. — Possibilidade de remuneração de dirigentes — Uma grande inovação da Lei n. do Ministério da Fazenda (Disponível em <http://www. Não precisa muita elucubração mental para perceber que é uma ótima alternativa para sobreviver e ficar enraizado no serviço público. por conta das desvantagens da terceirização que a intuição de seus administradores para o mal que a cercam. todos os empregados que lhe eram simpáticos continuaram a administrar e ou prestar serviços para o novo ente público estatal.com. pelo então governo Serra. 2.vieiraconsultoria. a informação também é tentadora para os interessados: — Incentivo fiscal a doações — A Medida Provisória n.790/99. br/?path=quem_img1.Jornal do Congresso . no município paulista de Presidente Prudente. Acesso em 20. 9. professora de uma instituição de ensino há quase duas décadas. os valores praticados pelo mercado. trata de isenção fiscal para Oscips que remuneram dirigentes. receber doações de empresas dedutíveis do imposto de renda. assim como as organizações portadoras do título de Utilidade Pública Federal. Sempre houve uma tentativa de fiscalização acirrada pelos órgãos competentes e espera-se que o Ministério Público do Trabalho continue firme em sua missão e as condenações subsidiárias. impondo aos tomadores que arquem com os prejuízos deixados pelas empresas terceirizadas.4. em seu artigo 59. Simplesmente por meio de uma destas parcerias. estabelece que as organizações qualificadas como Oscips também podem. Um exemplo de nossa experiência pessoal foi a desapropriação de um hospital universitário. sem que se tenha o contratante qualquer responsabilidade pela não realização dos necessários concursos públicos. Cabe ressaltar que a não-remuneração de dirigentes continua sendo uma exigência obrigatória para se registrar no CNAS. — Termo de parceria — As parcerias firmadas entre as Oscips e o Estado podem ser regidas pelo termo de parceria. que até então eram regidos pelos convênios. Desapropria-se um e pronto.158-35/2001. de 30 de dezembro de 2002. administrados pela Receita Federal — Portaria 256 de 15 de agos24 to de 2002. demonstrou-se sabedoria em saber que o time LTr . 9. foram todos mantidos ou contratados pela indicação dos padres e sua rede de administração. Segundo ela. Desde auxiliares de enfermagem. de forma habitual ligada à igreja católica (virou uma tradição nos serviços de saúde após a infiltração deste segmento inicialmente nas santas casas).Quantos aos “principais benefícios conferidos aos portadores da qualificação de OSCIP”. instrumento instituído pela Lei n.14). doações efetuadas às Oscips podem ser deduzidas do imposto de renda das empresas doadoras tributadas sob o regime do lucro real até o limite de 2% sobre o lucro operacional dessas empresas. 13 da Lei n. 9.249/95. — Podem receber bens apreendidos. quem sabe transformadas em solidárias na utopia da sugestão que se fez. passa-se uma mão de tinta para mudar as cores e lá dentro trabalham quem a OCISP quiser. Fácil. abandonados ou disponíveis.637. respeitados. em ambos os casos. enfermeiros e médicos. que estabeleceu critérios mais transparentes e eficientes para o repasse de recursos públicos para entidades sem fins lucrativos. nos termos e condições estabelecidos pelo inciso III do parágrafo 2º do art. A Lei n. presenciei ao longo dos anos as tentativas de terceirização no campus universitário e sua volta ao estado anterior. Assim. Discute-se anos na justiça o preço a pagar. 10. as Oscips que optam por remunerar seus dirigentes que atuam efetivamente na gestão executiva e aqueles que a ela prestam serviços específicos e que tenham vínculo empregatício com a organização poderão ter isenção do imposto de renda e receber doações dedutíveis das empresas doadoras. sem nenhuma capacidade financeira (penhora-se o Vaticano?). antes de computada a sua dedução. antes ligado à universidade onde atuamos. sem nenhum concurso.790/99 é a possibilidade de a organização instituir remuneração para os dirigentes da entidade que atuem efetivamente na gestão executiva e para aqueles que a ela prestem serviços específicos.

qualificam-se. abrirão mão de ter seus subordinados diretos? Agora. por exemplo. gratos. funcionários e professores (não se corre o risco de cada dia um vigilante estar em uma empresa contratante). um bom advogado empregado e com dedicação exclusiva? É evidente que um bom escritório. Há na verdade. não tem mantido a frota em bom estado e acidentes fatais tem levado os empresários a repensar a opção e a falsa economia. os empregadores que têm um tino especial para a economia. harmonizam-se e lhes são. como advogada do conglomerado Itaú) a ponto de manter em sua central seu corpo jurídico. A terceirização do departamento jurídico dos banqueiros. os grandes bancos contam com a terceirização apenas em parte do serviço nas “pontas” quando extremamente necessária a atividade descentralizada de suas sedes. Nem mesmo o transporte de carga perecível. que se iniciou na década de 90 retrocedeu (presenciei esta transição pessoalmente. o jurídico e todos os prestadores de serviços que retornam à dedicação exclusiva e direta ao tomador de serviços. inclusive de funcionários. com a nova lei dos motoristas. no dia seguinte teria recontratado diretamente seus homens. Via de regra também retrocedendo. não estará inserido no seio empresarial para. enfim. Dedicam-se ao seu crescimento. demorou um pouco mais para enxergar que seu corpo jurídico próprio e central precisaria ser mantido. devem necessariamente estar vinculados aos sindicatos de trabalhadores rurais. pode ser vista por todos. em sã consciência. O Bradesco. antes de ingressar na magistratura. No setor sucroalcooleiro. muitas vezes mais unidade e com piso salarial mais “salgado”. salvo engano. os vigilantes conhecem praticamente todos os alunos. quando da invasão de uma de suas fazendas teria convocado a vigilância universitária para garantir a ordem em sua propriedade e foi informado que a terceirizada não teria autorizado o deslocamento dos vigilantes em seus postos de trabalho. Os campus estão limpos. com o entendimento dominante de que seus motoristas. podendo pagar bem. restritos nos limites da contratação aos seus campus e não em propriedade particular. deixando para os terceirizados apenas parte da responsabilidade. Desde que em cada uma das mil possa ser condenado solidariamente por irregularidades trabalhistas e quaisquer pendências em relação aos trabalhadores que lhe prestaram serviços tudo estará dentro dos eixos. ainda assim. a responsabilidade solidária não se presume. como um antigo médico de família. Não sei se é lenda ou verdade. e a necessidade de controle absoluto sobre as entregas e a qualidade com que chegarão seus produtos tem desmotivado estas tentativas. Diz ainda a mesma lenda que. Passam a fazer parte dela. inclusive multinacionais. Desde o departamento pessoal. um movimento inverso de terceirização. então que venha a lei 25 . pelo que se vê no dia a dia das varas do trabalho. Não há diferenças de várias categorias precarizados e os da preponderante. nada mais vantajoso do que lhes enquadrar na categoria diferenciada. o que grandes empresários sentiram na carne: os empregados diretamente contratados vestem a camisa do grupo econômico e nela estão para o que der e vier. estar disponível a maior parte de seu tempo para um único interesse. mediante prova seletiva específica e rigorosa. Quem. por exemplo. Não importa quantas mil terceirizadas um tomador queira contratar. ninguém faz milagre. o novo alvo de tentativas de terceirizações por parte de grandes empresas. inclusive alimentícias. E assim fez com outros setores. na maioria. mas também retrocedeu e hoje. naquela época de ventos de flexibilização. Terceirizar o transporte. nos grandes grupos mais atentos ao custo final. Enxergou. inconformado. mesmo com a aparente redução de custos. para melhor. É o que se tem notícia. Havia laranjas podres que podiam contaminar as boas. Normalmente as empresas terceirizadas.estava ruim e algo deveria ser feito. sempre com menor potencial de risco. Ora. decorre de lei. muitas vezes frustradas. Se terão que se responsabilizar pela contratada. tem sido LTr . E sua decisão. com restrições.Jornal do Congresso uma falsa economia. por melhor que seja a sua preparação. que passa por uma fase de transição e necessárias adaptações à realidade. por exemplo contratará um escritório de advocacia que cuida de várias empresas se poderá pagar. Conta-se no campus que o antigo reitor. o setor de transportes está sendo a bola da vez. visando adequar os custos.

que rotulamos no nosso jardim jurídico de simbióticas. teremos mais proteção às relações de consumo. certamente faria cair por terra qualquer especulação tornando totalmente desnecessária qualquer regulamentação. ou melhor. sem precedentes. O que importa ao mundo jurídico e às relações de trabalho. retendo valores até então devidos. nos faz lembrar o ovo de colombo. nossa sugestão. não sejamos hipócritas. Nada será preciso mudar. Aos inimigos. além disso. Defende-se. pois. responsabilidade solidária. Multinacionais terceirizam os auxiliares de toda a sua administração. acabam rescindindo seus contratos. um novo sindicato. embora polêmico. Em conclusão. Cada novo desmembramento.que imponha tal responsabilidade e nenhum problema mais existirá na tal “necessidade” de terceirização” e a tal liberdade ao pleno emprego e à livre iniciativa. Mal nenhum há. quem sabe. porque não os tomadores de serviço? Corram o risco da condenação e ai veremos se a euforia continua. E se é assim e se o trabalhador não pode ficar a “ver navios” quando estas empresas. o que. de menor importância. ou na pior das hipóteses. A discussão sobre o que é atividade-meio ou fim será. penhorado. já é. Não são idôneos seus prestadores de serviço? Se têm cautela na escolha e na vigilância por que temer? Pulverizem suas empresas em mil pedaços e sintam na carne o que os trabalhadores terceirizados sentem sem o bem maior. Tal artigo único sugerido no início desta tese. candidatos à sindicalistas. na economia privada a terceirização visa reduzir custos e na pública. a instituição da responsabilidade solidária. via de regra. Alguém pagando a conta no final. Na prática já se terceiriza tudo e aos olhos de todos. Sindicato dos “professores terceirizados”. pois. Se solidária por lei a relação. subsidiária em um único artigo de lei que. Do contrário. desde a contabilidade ao almoxarifado. acaba-se com essa frenética investigação e tantas especulações. como diria Maquiavel. é que todos sejam responsáveis. LTr . numa força lobista do setor imobiliário. Quem também lucrará (já lucram) com isso são os sindicatos. a estabilidade: uma insegurança diária e a certeza de que. Aliás. descontentes com seus desempenhos. a lei.Jornal do Congresso . o bem de família. Se para a locação o coitado do fiador pode ter sua própria casa. num futuro próximo tudo pode vir por água abaixo. descobrir ou regulamentar. Talvez em breve a universidade irá “terceirizar” seus professores. Uma empresa quer terceirizar (e 26 correr o risco de ser condenada por aquele que não administrou bem) que o faça afinal. num país tão injusto com as heroicas empresas brasileiras. há de vir e ai sim teremos a verdadeira regulamentação de sua existência. mesmo antes da tomadora de serviço se manter viva. encontrar. Todos são “terceirizáveis”. já é um alento. aliás. entre outras benesses que permitem a empregabilidade espúria. por força da responsabilidade solidária legal. driblar a falta de verbas e vagas criadas por lei. dependentes de seus tomadores de serviço que. Basta dividir a responsabilidade e de preferência solidariamente.

sócio do Escritório Barbosa e Araújo Advogados Associados.TERCEIRIZAÇÃO. (13) BARROS. 2009. se se afirma a autonomia e a plena validade jurídica do contrato (de natureza civil) de prestação de serviços. ed. porém sob vínculo empregatício com a empresa terceirizada. 27 . A terceirização e o direito do trabalho. Arion Sayão. p. pela Universidade Federal de Uberlândia — UFU.”(11). no Direito do Trabalho significa que uma empresa transfere. que. ed. a empresa irá fornecer o trabalho dito terceirizado e o trabalhador irá prestar serviços para a empresa tomadora. é o ato de transferir a terceiros. um terceiro. de suporte.” E conclui: O vocábulo terceiro. 2000. mar. ed. v. mestre em Direito das Relações Econômico-Empresariais pela Universidade de Franca (2005) — UNIFRAN. Assim. utilizado neste contexto para designar a empresa prestadora de serviços. (12) DELGADO. graduado em Direito no ano de 1997. Um exemplo disso foi o que (11) SÜSSEKIND.Jornal do Congresso alguma.”(13). p. professor de Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho da Universidade Federal de Uberlândia/MG — UFU. há apenas o primus e secundus.(Grifos do autor) Esse tipo de contratação descaracteriza o vínculo empregatício direto. Mas. 273. Romita (1992) ressalta que terceiro não é parte da relação jurídica e indaga: “No contrato entre a empresa de prestação de serviços e a empresa tomadora. Onde está o tertius?. Revista LTr. conforme posicionamento de Barros (2009). 2011. dispõe: “constitui exceção ao estabelecimento do vínculo empregatício diretamente entre quem exerce o poder de comando e aquele que executa. A terceirização constitui uma relação jurídica triangular. a outra empresa. parte de suas atividades. a empresa se concentra na sua atividade-fim. Curso de direito do trabalho. EFEITOS NOCIVOS AO TRABALHADOR E IMPACTOS NA DURAÇÃO DO TRABALHO Magno Luiz Barbosa Doutor em Direito das Relações Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo — PUC/SP. Livro Manual do Trabalho Doméstico e Livro Redução da Duração do Trabalho. Arnaldo et al. Delgado (2011) dispõe que terceirização é um neologismo. 452. 280. ao dissertar que “o fenômeno da terceirização consiste em transferir para outrem atividades secundárias. transferindo as atividades-meio. Curso de direito do trabalho. sem dúvida (10) ROMITA. 10. oriundo da palavra terceiro. no Brasil. São Paulo: LTr. Sobre o fato de a empresa prestadora de serviço ser denominada terceirizada. dentro de determinada atividade empresarial. Maurício Godinho. Nesse sentido. construído pela área de administração de empresas. Teixeira Filho (2000) na obra com Süssekind. na acepção da palavra. uma atividade laboral de que se representa empresa tomadora. a empresa(12). 19. Há que se ressaltar que. é o objetivo principal do Direito do Trabalho. p. A terceirização. 1.. atendo-se a empresa à sua atividade principal. 426. fora da cultura do Direito. ao se possibilitar a terceirização. Instituições de direito do trabalho. São Paulo: LTr. então não teria sentido atribuir ao prestador dos serviços a qualidade de terceiro(10). p. visando enfatizar a descentralização empresarial de atividades para outrem. Observa-se que. ou seja. ocorre consequentemente uma exclusão de trabalhadores aos direitos reservados a determinada categoria. Alice Monteiro./1992. em que se verificará a figura da empresa tomadora dos serviços. denota uma preocupação com a possível existência de relação empregatícia entre a empresa tomadora e os empregados da empresa prestadora dos serviços. especialista em Direito Civil (1999) e Direito Processual Civil (1998). Autor da LTr. São Paulo: LTr. a terceirização somente é permitida em atividades consideradas de segundo plano. mediante salário.. LTr . 5. São Paulo: LTr .

causa a pulverização sindical. os encargos do empregador desaparecem e. como a França. 61-62.(15). LTr . que buscam aumentar a lucratividade à custa do achatamento dos direitos dos trabalhadores. o que poderá gerar maior lucratividade. visto que os seus efeitos somente são positivos para os detentores do capital. p. os campus universitários tinham a sua segurança garantida por vigilantes concursados. países que adotam a terceirização são alvos de empresas multinacionais. porque esse instituto deixa de existir. como se mercadoria fosse (marchandage). a terceirização foi muito utilizada para explorar o trabalhador. pode-se até pagar mais pelo serviço prestado. Não há dúvidas de que a terceirização é um instrumento de precarização da relação de emprego. (17) BARROS. São Paulo: Atlas. o que foi substituído por contratação interposta. Afinal. 5. p. Contemplava-se desde a contratação de mão de obra por meio de empresas inidôneas até a escancarada substituição de trabalhadores próprios por vinculados a empresa interposta. deteriora as condições de higiene e segurança do trabalho. que impossibilita a integração do empregado na empresa(16). o que lhe permite ampliar seu lucro. ed. quando uma empresa opta por utilizar a terceirização de algum serviço. 457. o faz com a intenção de migrar dos contratos de relação direta de emprego para os contratos de natureza civil com a empresa interposta. Com relação ao empregado. ou no mínimo. de imediato. São Paulo: LTr. gera maior rotatividade dos empregados. 11. Pedro Paulo Teixeira Manus. que gozavam de todos os direitos dos servidores públicos. garantindo preço razoável a seu produto”. antes da possibilidade de terceirização dos serviços de vigilância. São Paulo: LTr. que tem nesse tipo de trabalho a possibilidade de diminuição de custos e encargos. 19. não existindo contrato de trabalho.Jornal do Congresso . como Teixeira Filho (2000). ed. manter-se no mercado de forma competitiva. Hodiernamente. desonerando sobremaneira a administração pública. trabalhistas e tributários. (16) MARTINS FILHO. simplificação da estrutura da empresa e sua horizontalização. 127. 125-3 do Código do Trabalho francês)(17). Curso de direito do trabalho. economia de custos. faz uma interessante abordagem: É fato que. Gandra Filho (2008) elenca os efeitos da terceirização na relação de emprego.v. 2009. portanto. 2008. por um terceiro. p. 2007. Há países. ao passo que reduz o salário do empregado terceirizado. Pedro Paulo Teixeira. ressalta com propriedade que “o que motiva o empresário a buscar o concurso desse terceiro. como danosos. menores custo de produção. que vedam a contratação de trabalhadores por meio da intermediação de mão de obra. 28 proporcionando redução dos encargos sociais. Ives Gandra da Silva. ou seja.ocorreu na administração pública. sociais. Direito do trabalho. Instituições de direito do trabalho. exceto para o exercício do trabalho temporário (cf. com o fenômeno da globalização os grandes grupos econômicos procuram se instalar nos países onde terão menos encargos e. 2000. as garantias do contrato de trabalho desaparecem. permitindo maior competitividade.1 (15) MANUS. o Ministro do Superior Tribunal do Trabalho. art. Manual esquemático de direito e processo do trabalho. 16 ed. Assim. ed. Arnaldo et al. ocasionando desemprego periódico. elenca os efeitos da terceirização. a baixo custo e sem lhe oferecer as garantias básicas: Vasta produção jurisprudencial se formou em torno da extensa gama de hipóteses de subministração de mão de obra a baixo custo e de exploração da energia de trabalho. pois. Para muitos autores. a fim de diminuir os seus custos e as suas responsabilidades. a estabilidade no emprego. inobservando a legislação especial editada naquele então(14). Todavia. São Paulo: Saraiva. pois possibilita a concentração da empresa em sua atividade-fim. p. é diminuir o custo da mão de obra. O certo é que a terceirização ainda é campo fértil para discussão sobre a garantia dos direito básicos ao trabalhador. quando trata do assunto. no que tange a encargos trabalhistas e questões previdenciárias. como benéficos para a empresa. consequentemente. Sobre o fenômeno da terceirização. inclusive. Manus (2007). (14) SÜSSEKIND. é óbvio. Alice Monteiro. burlando a legislação do trabalho. 281/282.

faz com que o trabalhador seja colocado em um ambiente alheio à sua representatividade coletiva. Geralmente utiliza-se. em hipótese alguma. LTr . como. Por exemplo. O trabalhador. E acrescenta que deverá haver melhor regulação da terceirização para que se diminuam os malefícios aos trabalhadores(19). Giglio (2011) pondera que “provavelmente tenhamos que nos adaptar à terceirização. Aliás. 11. que presta serviços no mesmo ambiente. subsidiariamente. há que se observar que. empresas que se utilizam dessas contratações tem o dever de fiscalizar as empresas que oferecem a prestação de serviço. O capitalismo contemporâneo e suas transformações — o impacto da terceirização trabalhista.460. 1. com pequenas vantagens eventualmente previstas em convenções coletivas de trabalho./2011. (19) GIGLIO.Lembre-se de que a terceirização é situação imposta pelo fenômeno da globalização. impondo-lhe medidas drásticas para poder manter-se em atividade(18). O modelo de trabalho. (18) MANUS. ela parece ser um instrumento de efetivação da máxima maquiavélica: a terceirização dividiu os trabalhadores. ou seja. Terceirização. 127. 394. a duração semanal do trabalho de 44 horas. o tomador dos serviços. Pedro Paulo Teixeira. está em uma representatividade coletiva (20) COURA. p. abr. São Paulo: Atlas. Nesse sentido. o empregado terceirizado. quando uma instituição financeira contrata uma empresa interposta para lhe fornecer o serviço de segurança. por meio de empresa interposta. p. por exemplo. estão vinculados a normas coletivas que não se aplicam aos empregados terceirizados daquela instituição financeira. 2007. Revista LTr. à medida que a competitividade aumenta com esse processo que introduz entre nós outros competidores. o ponto crucial quanto à terceirização está relacionado às questões de representação coletiva. os empregados da empresa tomadora. São Paulo: LTr. deve necessariamente colocar no polo passivo da demanda a empresa tomadora do serviço. pela empresa interposta. por sua vez. Tal fato se deve também ao trabalho de vigilância estar relacionado ao trabalho intermitente. neste caso. ao ingressar na Justiça do Trabalho. o sistema de escala de 12x36. em regra. ed. Revista LTr. em que o obreiro trabalha doze horas e folga 36 horas consecutivas. Solange Barbosa de Castro. como resposta natural e espontânea da sociedade às novas imposições das atividades produtivas modernas. p. verifica-se que a duração diária do trabalho nos serviços de segurança está entre as mais elevadas no ramo de serviços. aumentando o número de postos formais de trabalho. Assim. significar uma blindagem ao empregador. Destarte. São Paulo: LTr. apesar de estar nas dependências dessa empresa tomadora. 331 do TST.Jornal do Congresso Destarte. Independente da atividade em que o obreiro esteja prestando os seus serviços. o empregado que labora por meio de empresa interposta não terá os direitos reservados aos empregados contratados diretamente pela empresa tomadora. perante o obreiro que prestou os serviços. Wagner D. No que tange ao contraponto duração do trabalho e terceirização. pleiteando verbas trabalhistas não pagas na relação de emprego. colocando os terceirizados em flagrante condição de inferioridade. como as empresas multinacionais. 29 .”. Entretanto./2011. Importante salientar que o item IV da Súmula n. responsabiliza. reservada aos bancários. tornando o mercado altamente difícil para a empresa nacional. 331 do Tribunal Superior do Trabalho dispõe que a terceirização não pode. é indiscutível que a redução da duração padrão de trabalho seria benéfica aos trabalhadores de empresas interpostas. não terá a duração do seu trabalho diferenciada. que opte por essa forma de contratação. pois o descumprimento das obrigações trabalhistas. trabalhadores das empresas de intermediação de mão de obra tem apenas a garantia dos direitos básicos previstos na Constituição Federal e na CLT. conforme previsto no referido item IV da Súmula n. como bancários. o que poderia também culminar na necessidade de novas contratações. sem a garantia de direitos básicos do outro trabalhador. Direito do trabalho. dez. indubitavelmente. por exemplo. ruiu valiosas conquistas e criou muralhas entre eles”(20). no caso da terceirização. Coura (2011) acentua que: “por todos os ângulos que se analise a terceirização. um dos fatores mais expressivos em relação à valorização do trabalho por meio de empresas interpostas.

Maurício Godinho. 5. 1. em razão da necessidade de inserí-las em um processo econômico competitivo./1992. Referências bibliográficas BARROS. formada entre empregado e empregador. 2008. São Paulo: Atlas. que tal moldura é incompatível com o intuíto expansionista das empresas. ed. ed. É NECESSÁRIA A REGULAÇÃO DA TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS? Ana Maria Maximiliano Pós-graduada em Direito Administrativo (Instituto Brasileiro de Estudos Jurídicos/UNIBRASIL/2000) e em Direito Constitucional (Academia Brasileira de Direito Constitucional/UNIBRASIL/2013). Membro da Comissão de Direito do Trabalho OAB/PR — 2013/2015. 2009. Professor da UFSC e da UNINTER. São Paulo: LTr. Direito do trabalho. Procuradora do Município de Curitiba. sus30 tentando-se. Alice Monteiro. 2011. 16 ed. São Paulo: LTr. próprio do regime capitalista./2011. “La Sapienza”/UFSC e Mestre pela PUC/SP. p. ROMITA. Ives Gandra da Silva. há muito deixou de ser a única no cenário nacional. São Paulo: LTr. 2000. Terceirização. v. São Paulo: LTr. 19. GIGLIO. Curso de direito do trabalho. Marco Antônio César Villatore Pós-Doutorando em Direito Econômico pela Universidade de Roma II. Pedro Paulo Teixeira. COURA. São Paulo: LTr. A terceirização e o direito do trabalho. dez. Solange Barbosa de Castro. ed.br>). ed. São Paulo: Saraiva. DELGADO. Revista LTr. 10. equiparados aos direitos dos empregados que trabalham na empresa tomadora de serviços. 394. MANUS. Arnaldo et al. MARTINS FILHO. O capitalismo contemporâneo e suas transformações — o impacto da terceirização trabalhista. Instituições de direito do trabalho. mar. Graduada pela PUCPR. Curso de direito do trabalho. Revista LTr. Wagner D. Líder do Grupo de Pesquisa “Desregulamentação do Direito.forte. Advogado (Disponível em: <http://www.Jornal do Congresso . LTr . 11. de um modo geral. “Tor Vergata”. capaz de alcançar direitos para os terceirizados. Revista LTr. Doutor pela Universidade de Roma I. a bilateral./2011. Arion Sayão. Manual esquemático de direito e processo do trabalho. abr.villatore.pro. Considerações iniciais A relação de trabalho típica. São Paulo: LTr. SÜSSEKIND. Professor Titular do Curso de Mestrado e do Doutorado em Direito da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. do Estado e Atividade Econômica: Enfoque Laboral”. 2007.

na argumentação e no modo de participação da sociedade. seja na indústria.unicamp. na medida em que não se asseguram expressamente os respectivos direitos trabalhistas. 2008. o que reflete. CEBRAP. Brasília. 74.(22) Além dessas pesquisas. p.com/doc/22584776/O-Donnel-1991-CebrapDemocracia-Delegativa. em especial “O trabalho em regime de subcontratação no Brasil” e “Transformações estruturais e emprego nos anos 90”. 331 do TST. limpeza e conservação. Guilhermo.scribd. Assim é que a dimensão que a terceirização tomou reclama a elaboração de regulamentação a fim de não se tornar a antítese da marca do Direito do Trabalho. 82-83 apud BIAVASCHI. p. Magda Barros. Daniela Muradas.eco. após. que são questões de todos os matizes. Capitalismo. Brasília. impôs uma trajetória jurisprudencial no tocante ao tratamento da responsabilização do tomador nos casos de não cumprimento. a anomia até os dias atuais de legislação que trate da terceirização de forma ampla. os capitais estão sempre à busca de lucros extraordinários. php/publicacoes/433>. São Paulo: LTr. Solange Barbosa de Castro (Coords. ou seja. 74. 175.2014. 2008. Contexto da terceirização e o estado democrático de direito As pesquisas publicadas pelo Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho/ Instituto de Economia — CESIT/IE. Percebe-se. In: REIS. 1991. no Poder Judiciário. que se caracterizam como evidentes terceirizações de serviços. Schumpeter(21).Jornal do Congresso mais das vezes eximem de responsabilidade os verdadeiros beneficiários da força de trabalho. Trabalho e justiça social. redunda em uma esperada alteração significativa na linguagem. v. (24) O’DONNELL. em um Estado Democrático de Direito é essencial se assegurar o exercício dos (23) BIAVASCHI. Terceirização e a justiça do trabalho. a ocorrência do movimento de retorno aos ajustes de natureza civil. movido por um impulso que o mantém em funcionamento. A fim de acompanhar as inúmeras mudanças dos nossos tempos. Disponível em: pt. p.(23) A par dessas situações. Acesso em: 29. no setor bancário. vai engendrando novas formas de organização. Revista do Tribunal Superior do Trabalho. Considerações finais O mundo do trabalho não é estático. A dois. projetos de fomento. v. pois há legislação específica para os casos de vigilância. LTr . Terceirização e a justiça do trabalho. 4. veja-se neste sentido a Súmula n.Conforme J. Mello. etc. no (21) SCHUMPETER. Revista do Tribunal Superior do Trabalho. BIAVASCHI.2014. 25-40. diminuir os custos e melhorar a qualidade do produto ou do serviço. n. p. e para tanto criam novas formas de produzir. socialismo e democracia. das obrigações trabalhistas perante os empregados envolvidos na consecução do ajuste. portanto.). O fenômeno da terceirização é uma das expressões dessa complexidade. organizar a empresa e relacioná-la com outras e assim o capitalismo. n. out. contratos de facção. Tal judicialização não corresponde ao Estado Democrático de Direito. serão decididas pelo Poder Judiciário. na Administração Pública. J. o Estado se omite de editar norma heterônoma e transfere para os trabalhadores e empregadores a responsabilidade pelo gerenciamento de tais relações jurídicas. 1975. pelo contratado. p. na afirmação de Márcio Túlio Viana. A um. Acesso em: 29.br/cesit/index./dez. A dinâmica da Súmula n. 4. out. Democracia delegativa? Novos Estudos. que o nó górdio das críticas ao instituto da terceirização recaem na ausência de legislação protetiva dos direitos sociais do trabalhador. (22) Disponível em: <www. 81-82. 331 do Tribunal Superior do Trabalho: a história da forma de compreender a terceirização. New York: Harper & Row. 2013. n. visando.4.(24) Essa transferência de poder para os magistrados. 31 . p. 31. Magda Barros./dez. há outras circunstâncias fáticas que merecem ser apontadas.4. Com efeito. 67-88. Coura. Magda Barros. na medida em que se caracteriza como ativismo antidemocrático e próprio das democracias delegativas. p. 74. principalmente. que podem significar formas criativas de ocultamento e simulação. out. não sendo resolvidas pelas instâncias políticas tradicionais que são o Congresso Nacional e o Poder Executivo. 67/88. demonstram o crescimento da terceirização no país em todos os âmbitos. como empreitadas. as de repercussão política e social em especial têm sido judicializadas. Roberta Dantas de.

a argumentação torna-se mais devem consistente analisada a luz reitos sociais ser quando exigências crescenteda principiologia constitucional. CF) e nos princípios constituci____. pelo Poder Judiciário.). LTr . v.ser poroexemplo. os diCivil já é No admitida inúmeros autores.2014. pela qual se assefomentador participação públicacomo na construgurou a razoáveldaduração do processo direito fundamental a todos os brasileiros (art. LuisEstudos. Terceirização e a jusbalho deve oferecer seu jurisdicionado-hipossufiente e credor de trabalho. terceirização de serviços. doc/22584776/O-Donnel-1991-Cebrap-Democracia-Delegativa. após mente satisfeitas.br/cesit/inos Magistrados e os Advogados para que a sociedade Acesso nuncadex. Nesse viés quaisquer interpolítica. Acesso em: 29. O’DONNELL.da razoável duração do proprincípio constitucional cesso (art. p. Fernando Silva de.11. José Eduardo Fa(4)no presente estudo consubstanciadas na edição ria ressalta que “cabe a uma magistratura com um conhecimento multidisciplinar e poderes decisórios amplia. n. osNuma fundamentos e ospós-positivista fins definidos nos arts. nidade de maior efetividade no cumprimento das sentenças trabalhisout.e de súmulas pelo Tribunal Superior do Trabalho dos à responsabilidade de reformular a partir das próprias questionadas perante o Supremo Tribunal Fedecontradições sociais os conceitos fechados e tipificantes dos ral. mas já será um passo adiante. direitos sociais. José Eduardo (Org.2014. p. estas Sob o prisma desse princípio. 1991. A dinâmica da Súmula n. 45/04. 2008. de de se recorrer ao ativismo judicial ou a qualquer José outra técnica delegal cunho subjetivo. São Paulo: LTr. verdadeira tornar-se um objetivo comum principalmente dentre Disponível em: <www. Guilhermo.232/2005: 31. rior do Trabalho. LXXVIII. Luciano Athayde. MagdaaoBarros. fundamentada no 88.Tal princípio pressupõe uma visão social do sistema processual do trabalho.4. Eduardo. São Paulo: Ática. principalmente. numa análise a aplicabi- lidade da multa do art. de compreender a terceirização. p. LXXVIII.unicamp. Ordem X Mudança social: a crise judiciário e a formação do magistrado. Solange Barbosacom de aCastro do novo dispositivo são um meio de concretização dos (Coords. Nesse sentido todos os problemas de concretização dos direitos trabalhistas. o Direitoatuação Processual do Trabalho.Jornal do Congresso . 67475-J do Código de Processo Civil. Democracia delegati(5) CARVALHO.). não há necessidaconcretizar o espíritoconclui-se dos comandos Paulo: 2013. como. poisdo a (4) FARIA. ção de um projeto de sociedade. Disponível em: pt.Jornal do Congresso 32 97 LTr . 5º.4. O intérprete não deve se quedar inerte diante da Referências letargia dos legisladores e diante dos percalços da incorporação de novos procedimentos. O Processo do TraBIAVASCHI.e justiça social. In: CHAVES. 25-40. In: FARIA. p. Lei n.php/publicacoes/433>. realidade social reclama pela regulamentação da Direito e Justiça: a Função Social do Judiciário. out. certamente não como insculpido no Projeto de Lei n. 173-182. sem soluções implícitas. a busca da p. 74. passando o Estado a agir como a Emenda Constitucional n. que constitucionais. perca a esperança de que terá seus direitosem: tutelados 29. A aplicação subsidiária do art.os1º princípios constitucionais devem irradiar sua aplicabilie a3ºtodos da CRFB/1988 devem parâmetro da dade os subsistemas. 5º.scribd. 331 do Tribunal onais justrabalhistas. Coura.eco. São interpretação do processo. 475-J do Código de Processo EstadoporDemocrático de Direito. identificação Daniela da omissão celetista eMello. In:a REIS. LTr. pretações dadas à legislação infraconstitucional devem Portanto. osSe preserve frente àinfraconstitucional terceirização. Roberta Dandos princípios do Processo do Trabalho redação tas de.com/ tas. CF). 1997. valorizando mais as questões de justiça do que os problemas de legalidade. n.efetividade deve Enfim. Oportuva? Novos CEBRAP. bens de natureza alimentar — um protiça do Revista do Tribunal Supecesso mais ágil e eficaz(5)./dez. a percepção da coerência Muradas. Trabalho princípios destacados acima. 101-102. sendo necessária a edição de legislação que sistemas legais vigentes”. Direito Processual do Trabalho: Reforma e efetividade. 334/2004. 4. Brasília. O método de colmatação de lacunas. 249-275. pode ajudar a processualística Superior do Trabalho: a história da forma justrabalhista a alcançar esse desiderato. 2007.

2014.”(3) Embora seja a jurisprudência uma relevante fonte do direito. ainda que caminhe no sentido de uma dita uniformidade.0115 Data de Julgamento: 12. Data de Publicação: DEJT 21. o Superior Tribunal de Justiça vai tendo sua jurisprudência uniformizada no (1) Preferimos a terminologia lesão estética a dano estético. Seja o trabalhador em seu ambiente de labor. questionar se a lesão estética(1) pode ser cumulada com o dano moral.2014. Com efeito. da questão em tela.3º Painel A LESÃO ESTÉTICA E A REPARAÇÃO DE NATUREZA MORAL E MATERIAL: UMA TENTATIVA DE ESCLARECIMENTO Hugo Cesar Amaral Bacharel em Direito e Especialista em Direito Constitucional pela Faculdade de Direito da UFU/MG.Jornal do Congresso sentido de que “é cabível a cumulação de danos morais com danos estéticos quando. (2) REsp 659715/RJ — Recurso Especial 2004/0096845-6. o Tribunal Superior do Trabalho orienta-se “no sentido de que há possibilidade de cumulação do dano moral com o dano estético. breve por sinal. seja o motorista trafegando por uma rua qualquer enfim. (3) Processo: AIRR — 209000-66.2008. passemos à apreciação. Aliás. Procurador do DMAE de Uberlândia. como por exemplo nos casos em que caberá a condenação do autor da lesão a custear cirurgias reparadoras ou outros gastos para minimizar o dano. Toda pessoa está sujeita a um infortúnio que venha a causar-lhe lesão de natureza estética. dado o inegável sofrimento que impõe à pessoa. 35 p. RSSTJ vol. pode gerar confusões. A profusão do uso da palavra dano. 198 da 4ª edição de sua já clássica obra “Dano Moral”. Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo Bastos. 33 . 5ª Turma. a qualquer momento podemos ser acometidos por um evento do qual sobrevenham lesões físicas que promovam o afeiamento do indivíduo ou qualquer sorte de dano corpóreo que venha a prejudicar a imagem da pessoa.3. foi galgando junto aos tribunais e à doutrina espaço e aceitação sendo já há um certo tempo digna da adequada tutela junto ao judiciário brasileiro. Data da Publicação/Fonte: DJe 3. ainda que decorrentes do mesmo fato. Advogado. à fl. trazendo-lhe uma depreciação de sua imagem perante a sociedade e especialmente perante si mesmo. são passíveis de identificação em separado.11. seja o transeunte caminhando pelas vias públicas. Impende.5. quanto poderá repercutir materialmente. temos que não está imune a equívocos. Órgão Julgador: Quarta Turma.3. ou se ela está inserida neste? A questão é um tanto quanto intrincada e nossa jurisprudência majoritariamente tem caminhado no sentido de admitir a cumulação das indenizações.15. idônea a ilustrar e fomentar o debate jurídico. uma vez que. por hora. a qual poderá tanto ter natureza moral. embora oriundos do mesmo fato. LTr . o que não nos parece ser o mais acertado. Data do Julgamento: 14. conforme estudo histórico apresentado por Yussef Sahid Cahali. tolhida a sua necessária e imperativa evolução.”(2) A seu turno. Segundo pensamos a lesão estética é o fato gerador do direito à reparação.2008. em sede de responsabilidade civil. os bens tutelados são distintos. A lesão de natureza estética.2008. 422. Pois feita esta ponderação. que inicialmente sequer era digna de reparação. Relator: Ministro João Otávio de Noronha. se inquestionáveis fossem os entendimentos emanados dos tribunais engessado restaria o direito.10.

no sentido de um tratamento lógica e cientificamente mais bem apurado do tema. expressa que “o dano estético há de apresentar uma certa definitividade. Sendo reparável. publicado no Publicado em Jornal do 4º Congresso Brasileiro de Segurança e Saúde no Trabalho. mas apenas se está circunscrevendo o fato (lesão estética) a uma das duas formas de reparação aceitáveis juridicamente. ou seja. quais sejam. a lesão estética(6). assevera com aguçada propriedade que “o dano estético passageiro não é dano moral e sim dano material. a nosso ver. quanto às repercussões de caráter patrimonial que advenham do fato. Ribeiro Filho. Rui Stocco. fls. evento realizado em São Paulo entre os dias 24 e 25 de novembro de 2003. sob pena de retroagirmos ao pensamento que prevalecia no STF até a primeira metade do século XX. incluídos os custos com tratamentos de reparação ou diminuição da lesão estética. em separado. ao passo que os gastos que o infortúnio tenha lhe causado. (5) Pedimos vênia aqui para divergir pontualmente dos autores na medida em que mesmo sendo temporária a lesão não se pode afastar uma proporcional indenização por danos morais. poderá dar ensejo à reparação de natureza moral. 923. Toda e qualquer consequência da lesão estética. conferir uma natureza especial à lesão estética. inc. morais e à imagem. não sendo definitiva. e assim será indenizada. p. valorável juridicamente. que acompanhará a pessoa para sempre. Não podemos. outra não poderia ser a conclusão. resolve-se em danos materiais(5). facilmente indenizável e facilmente superável”. Tem o condão de ensejar o dano moral a lesão que se revela perene. Assim. em seu art. mais adiante. que rodeiam o fato. a perda ou redução da capacidade laborativa etc. citada por Rui Stocco(4). consultas etc corresponderiam ao dano material. (6) Sobre o tema já dissertamos. cirurgias. resolve-se como dano patrimonial”4. da lesão estética há de resultar dano moral. pois não se está deixando de indenizá-la pela lesão de natureza estética. dar ensejo à reparação de natureza material. sob a coordenação do Dr. tais como medicamentos. ou dano material. Não se trata o dano estético de um tertio genus! Conclusões A lesão estética. Tomo II. Em resumo. 5º. Aguardemos a evolução jurisprudencial. podendo desta situação repercutir consequências dignas de tutela pelo direito. a melhor orientação sobre o tema. por sua vez. dadas as questões patrimonialmente mensuráveis. segundo a concebemos. Aliás. LTr . Enfim. 34 são que o fato trouxe para o aspecto psíquico da vítima. em artigo intitulado “O acidente do trabalho e a questão da cumulatividade das indenizações por dano moral e estético decorrentes de um mesmo fato”. assegurou a reparabilidade dos danos materiais. Ainda que a jurisprudência hoje reinante entenda o contrário. devendo ser apreciadas a dor vivenciada. e a indenização por dano material. ou até mesmo os dois. não se podendo conceber a vedação à indenização por dano estético. constituirá ou dano moral. a indenização por dano moral. ou o dano material. donde se depreende ser ilógico indenizar. enquadráveis que estarão suas consequências em um das duas modalidades de dano existentes. segundo nosso modesto pensar.Teresa Ancona Lopez.Jornal do Congresso . 9ª ed. dado a diversidade de sofrimentos dela decorrentes e o dano material. face ao sofrimento vivenciado. Um traço peculiar da lesão estética é que o corpo físico é atingido. é no sentido de que a lesão estética é o fato gerador do direito à reparação moral. aqui ponderada e sopesada toda a repercus(4) Tratado de Responsabilidade Civil — Doutrina e Jurisprudência. aqui. 37/39. A lesão que repercute sobre a beleza física da pessoa há de dar ensejo ou ao dano moral ou ao material. o sofrimento imposto à pessoa repara-se a título de danos morais. Leonídeo F. Conceber-se que não se deve cumular o dano estético com o dano moral não gera prejuízo algum à vítima. na medida em que a própria Constituição Federal de 1988. ou dano estético. igualmente. no entanto. ou seja: se possível de ser reparado. a lesão estética propiciará ou o dano moral. ainda que passageiro. Editora RT. a dimensão dos prejuízos advindos da lesão à imagem da pessoa e poderá. V.

em 2009 foram registrados 733. seja causando redução da capacidade financeira e outras consequências negativas. Acessado em 30. doença profissional e doença do trabalho. também denominado acidente típico ou acidente-tipo. Introdução O trabalho do ser humano é manifesto na expressão de seus talentos. rev. o acidente típico. 154 a 159.496 acidentes. o legislador formulou um conceito para o acidente do trabalho em sentido estrito. de seus dons. 8. Sebastião Geraldo de. (2) OLIVEIRA. acidentes ocorridos no local do trabalho. 5 ed. Sebastião Geraldo de Oliveira(2) define com propriedade as espécies de acidente de trabalho. LTr . 35 . Advogado Trabalhista. totalizando nestes três anos o total de 2. e nas Normas Regulamentadoras (NR) relativas à segurança e medicina do trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego e demais legislações.br/ estatisticas/>. 7º. São Paulo: LTr. Atual. Apesar das inúmeras normas de proteção do trabalhador insculpidas na Constituição Federal art. da busca da realização pessoal e da garantia de sobrevivência na sociedade. sendo que em 2010 foram registrados cerca de 701.190. 39. 19 e 20 da Lei n. indicando outras hipóteses que se equiparam ao acidente típico para os efeitos legais.919 acidentes registrados(1). (1) Disponível em: <http://www. alguns empregadores vem reiteradamente descumprindo as normas de proteção e saúde do trabalho causando acidentes de trabalho. Diante dessa dificuldade conceitual.ampl. que pode ser dividido em: acidente típico. 1. através da Lei n. Em contra ponto. acrescentou dispositivo com sentido mais amplo. acidentes ocorridos fora do local da prestação dos serviços. 8. afetando-o individualmente e coletivamente.. na CLT através dos arts. os chamados acidentes do trabalho por equiparação. mas com vínculo direito ou indireto com o cumprimento do contrato de trabalho e acidentes ocorridos no trajeto de ida ou volta para o local de trabalho.2014. a lei definiu apenas o acidente do trabalho em sentido estrito. conjugando fatores do trabalho e extralaborais (concausas). o acidente de trabalho atinge a expressão de trabalho do ser humano. seja gerando incapacidade para o trabalho de forma total ou parcial. O trabalho gera dignidade ao ser humano.213/91 trazem o conceito legal de acidente de trabalho. p. No entanto.Jornal do Congresso 2. inciso XXII.213/91.980 acidentes.4. mas que não têm ligação direta com o exercício da atividade profissional. acidentes ou doenças provenientes de causas diversas. seja limitando o trabalhador de crescer em sua capacidade produtiva e intelectual. e relacionou outras hipóteses que também geram incapacidade laborativa. Graduado na Universidade Federal de Sergipe.previdencia. A reiteração de acidentes de trabalho e a relação com a culpa e o nexo causal Os arts. Isso porque a incapacidade também pode surgir por fatores causais que não se encaixam diretamente no conceito estrito de acidente do trabalho. tais como: enfermidades decorrentes do trabalho.A REITERAÇÃO DE ACIDENTES DE TRABALHO E A RELAÇÃO COM A CULPA E O NEXO CAUSAL Emanoel Alesandro da Cruz Sampaio Lopes Especialista em Responsabilidade Civil pela Universidade Estácio de Sá. o Ministério da Previdência Social divulgou os dados estatísticos de acidentes de trabalho. 2009.365 acidentes e em 2008 foram registrados 755. Os acidentes de trabalho possuem números alarmantes no Brasil. Indenizações por acidente de trabalho ou doença ocupacional.gov. Como se vê.

186 do Código Civil (CC). da qual são pressupostos: a conduta culposa. Reitera-se que a quantidade de acidentes de trabalho contra o mesmo empregador deve ser levada em conta para apurar a conduta culposa e o nexo causal. pelo causador do acidente. morais e estéticos. pois não se considera normal vários acidentes no mesmo ambiente de trabalho. LTr . art. especialmente a Justiça do Trabalho. CLT. Uma vez violada a obrigação legal de cumprir com as normas de segurança e saúde do trabalhador e gerado o dano resta caracterizado o ilícito nos moldes do art. devendo promover todos os esforços possíveis para evitar a reiteração de acidentes no ambiente de trabalho. 186. NR. e a responsabilidade de restituir o acidentado ao estado anterior. 7º inciso XXVIII. A análise da culpa e do nexo causal nos infortúnios laborais não deve se restringir apenas ao acidente de trabalho objeto de ação judicial. a responsabilidade civil subjetiva. pode e deve o empregador buscar a restituição ao estado anterior através de ação judicial contra o empregador. Estando presente a conduta culposa do agente empregador. restando apenas a este procurar o judiciário para solucionar o seu problema. quando este não toma medidas para evitar os acidentes. onde aplica-se. 927.O problema aqui apresentado consiste na reiteração de acidentes de trabalho pelo mesmo empregador. que de regra. o empregado acidentado vê-se desamparado. bem como os outros elementos da responsabilidade civil: nexo causal e dano. pleiteando danos materiais. uma vez que os números de acidentes na empresa trazem indícios do cumprimento e descumprimento das normas de proteção ao trabalhador. não assume as responsabilidades civis e trabalhistas com o acidentado. Com o infortúnio laboral. o nexo de causalidade e o dano. em evitar infortúnios laborais. As normas previstas na CF. estéticos e morais. se confunde com seu empregador. Lei n. 8. mesmo quando reiterados os acidentes em um mesmo ambiente de trabalho. A análise da culpa consiste na observância da obrigação de proteger a saúde e segurança do trabalhador no ambiente de trabalho por parte do empregador. O exame da repetição dos infortúnios laborais no mesmo ambiente de trabalho traz respostas sobre o cumprimento ou descumprimento das obrigações do empregador de prevenir os acidentes de trabalho. agindo com conduta culposa. principalmente a conduta culposa do empregador e o nexo de causalidade. não agiu com a cautela necessária para evitar acidentes. O axioma que se defende é que o empregador deverá evitar o acidente desde o primeiro momento. O tema tem relevante importância pela grande dificuldade que o Judiciário brasileiro. O questionamento gira entorno da seguinte indagação: existe omissão da empresa em garantir a segurança do trabalhador? E por conseguinte.213/91 e outras legislações são de fundamental importância na prevenção dos acidentes de trabalho e devem ser cumpridas efetivamente em proteção a saúde e segurança do trabalhador. cabendo ação judicial contra o empregador parar reparar danos materiais. Uma vez reiterados os acidentes de trabalho na mesma empresa chega-se a conclusão de que o empregador está descumprindo com as normas de proteger o trabalhador. A repetição dos acidentes de trabalho no mesmo ambiente laboral demonstra a omissão do empregador em preservar a saúde física e emocional do trabalhador. todos estes com fundamentos nos arts. O empregador tem o dever legal de cumprir com o que estabelece a lei para proteger a saúde e segurança do trabalhador. 950 do Código Civil. isto é. existe culpa e nexo de causalidade entre o acidente e o labor? A análise da conduta do empregador é de fundamental importância nas ações indenizatórias por acidente de trabalho.Jornal do Congresso . que além de não evitar o dano. de regra. mas torna-se necessário expandir o exame da culpa para o histórico do empregador de acidentes de trabalho ocorridos no mesmo ambiente laboral. a fim de buscar a real conduta do agente. A reiteração de acidentes de trabalho dentro de um mesmo ambiente laboral é de funda36 mental importância para a análise da culpa do empregador e do nexo causal. tem de enfrentar e encontrar a responsabilidade do empregador nos acidentes de trabalho.

3. Bibliografia
Cavalieri Filho, Sergio. Programa de Responsabilidade Civil, 10 ed. São Paulo: Atlas, 2012.
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, volume 4: responsabilidade civil, 7
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MORAES, Maria Celina Bodin de. Danos à pessoas humana: uma leitura civil — consti-

tucional dos danos morais. Rio de Janeiro:
Renovar, 2009.
OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de. Indenizações
por acidente de trabalho ou doença ocupacional, 5 ed. rev.,ampl. Atual. São Paulo: LTR,
2009, p. 39.
VENOZA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: Responsabilidade Civil. 3 ed. São Paulo: Atlas,
2003, p. 23.

A impossibilidade de cumulação entre o dano moral
e o existencial
Anderson Pereira Charão
Bacharel em Direito pela PUC-RS. Pós-graduado em Direito
e Processo do Trabalho pela IMED/CETRA. Assessor Jurídico
no Banco do Brasil S/A.

Com o decorrer dos anos temos experimentado uma mudança drástica nas relações de
trabalho, com a revolução tecnológica há uma
aproximação cada vez maior entre empregado e
empregador.
Já não se pode afirmar, com segurança,
que existe o completo desligamento mental
das atividades laborais após a jornada regular
de trabalho, pois, caso o empregador deseje, o
obreiro é facilmente alcançado através do celular ou do e-mail, fazendo com que suporte
sobrecarga psíquica e passe a apartar de sua
rotina os momentos em família e o lazer, negligenciando a sua própria existência em sociedade.
Há um inevitável desgaste biológico e da
integridade humana em tal situação. O Tribunal
de Cassação italiano foi o primeiro a observar a
necessidade de se estipular uma nova modalidade de indenização frente a essa nova situação até
então desconhecida. O referido tribunal, através
das sentenças 500/99 e 7.713/2000 chegou à
LTr - Jornal do Congresso

conclusão de que a lesão aos direitos da personalidade configura um dano à própria existência
da pessoa.
Segundo Júlio César Bebber, o dano existencial é uma espécie de dano extrapatrimonial
que altera, negativamente, a perspectiva de vida
atual e futura da pessoa(1). Márcia Novaes Guedes vai ainda mais longe ao conceituar o referido dano como a injusta privação do indivíduo
de manter-se ou tornar-se protagonista de sua
própria história(2). Impede que a pessoa desenvolva atividade que lhe dê prazer e realização
pessoal(3).
Conforme antes dito, o dano existencial é
uma modalidade de dano extrapatrimonial e em
razão de sua recente introdução na jurisprudên(1) BEBBER, Júlio César. Danos extrapatrimoniais (estético,
biológico e existencial): breves considerações. Revista LTr,
São Paulo, v. 73, n. 1, jan. 2009, p. 28.
(2) GUEDES, Márcia Novaes. Terror psicológico no
trabalho. 3. ed. São Paulo: Ltr, 2008, p. 129.
(3) GUEDES, Op. Cit.

37

cia brasileira(4), muitas dúvidas ainda existem,
em especial com relação à possibilidade de sua
cumulação com o dano moral.

uma modificação negativa do modo por meio do
qual o indivíduo desenvolve sua própria personalidade.(9)

Para estender essa possibilidade ou não,
cabe trazer alguns conceitos básicos.

Boucinhas Filho relata que o dano existencial nas relações de trabalho verifica-se quando
o empregador impõe um volume excessivo de
trabalho ao empregado, impossibilitando-o de
estabelecer a prática de um conjunto de atividades culturais, sociais, recreativas, esportivas,
afetivas, familiares, etc., ou de desenvolver seus
projetos de vida nos âmbitos profissional, social
e pessoal.(10)

Dano moral pode ser conceituado como
sendo “a lesão aos sentimentos que determina dor
ou sofrimentos físicos, inquietação espiritual, ou
agravo às afeições legítimas e, em geral, a toda
classe de padecimentos insuscetíveis de apreciação
pecuniária.”(5)
Carlos Alberto Bittar assevera que os danos
morais podem ser compreendidos como “turbações de ânimo, em reações desagradáveis, desconfortáveis ou constrangedoras, ou outras desse
nível, produzidas na esfera do lesado.”(6)
Paulo de Tarso Sanseverino conceitua o
dano moral como sendo “a modalidade mais difundida de prejuízo extrapatrimonial derivado de
ofensa à saúde e à integridade corporal, compreendendo a dor ou o sofrimento físico ou psicológico
padecidos pela vítima direta em consequência do
evento danoso.”(7)
O conceito de dano moral pode ser resumido como um sentir, um sofrimento, uma angústia, advindos de algum ato praticado por um
terceiro.
Já o dano existencial, como preleciona
Matteo Maccarone citado por Amaro Alves de
Almeida Neto, é uma frustração ao projeto de
vida do ser humano, que o coloca em situação
de inferioridade.(8)
Para Maria Rita Trazzi o dano existencial
vem a ser uma categoria autônoma de danos extrapatrimoniais, atinente às repercussões pessoais e existenciais de qualquer espécie de ilícito,
(4) O primeiro julgamento do TST a aplicar o dano existencial
foi o Recurso de Revista n. TST-RR-727-76.2011.5.24.0002.
(5) ALSINA, Jorge Bustamante. Teoria General de La
Responsabilidad Civil. 1993, p. 97.
(6) BITTAR, Carlos Alberto. Reparação Civil por Danos
Morais. 1994, p. 31.
(7) SANSEVERINO, Paulo de Tarso. Princípios de
reparação integral — indenização no Código Civil. São
Paulo: Saraiva, 2010, p. 298.
(8) ALMEIDA NETO, Amaro Alves de. Dano Existencial — A
tutela da finidade da pessoa humana. Disponível em: <http://
www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/cao_consumidor/
doutrinas/DANO%2520EXISTENCIAL.doc>. Acesso em:
2.3.2014.

38

Os conceitos acima trazidos nos dão elementos para verificar a existência de autonomia
do dano existencial frente ao dano moral.
Com relação ao dano moral, não residem
maiores dúvidas, pois, indiscutivelmente, ele
existe de forma independente a todas as demais
modalidades de dano — estético, material, etc.
Conforme acima conceituado, o dano existencial pressupõe uma reprogramação da vida
do indivíduo, que lhe impossibilita do convívio
com a sua própria família e a sociedade, frustrando o projeto de vida que tal pessoa desejava
realizar.
Ora, só da leitura dos elementos acima destacados já se pode concluir que o dano existencial também acarreta uma frustração ao indivíduo, um sentimento de tristeza ou impotência,
sentimentos esses inerentes ao dano moral.
Não se cogita a existência de um sujeito
que tem sua rotina modificada, afastando-se dos
seus entes queridos por imposição de seu empregador, sem que isso acarrete nenhuma consequência lesiva psíquica, posto que o ser humano
é dotado de sentimentos e não uma máquina que
consegue divorciá-los de seu agir ou de seu padecer.
(9)
TRAZZI, Maria Rita. Il danno esistenziale:
elementi
e
definizioni.
www.filodiritto.com/diritto/
penale/dannoesistenziale. (consulta em 01.03.2014)
— “un’autonoma categoria di danni non patrimoniali,
riguardanti i risvolti personali ed esistenziali di qualunque
genere di illecito, una modificazione negativa delle modalità
atraverso le quali il soggetto esplica la propria personalità”.
(10) BOUCINHAS FILHO, Jorge Cavalcanti. ALVARENGA,
Rubia Zanotelli de. O dano existencial e o direito do
trabalho.
Disponível
em:
<http://www.lex.com.br/
doutrina_24160224_O_DANO_EXISTENCIAL_E_O_
DIREITO_DO_TRABALHO.asp>. Acesso em 2.3.2014.

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A pedagoga Anna Carolina Florêncio da
Rocha assevera que “o sofrimento psíquico é gerado no trabalhador devido à pressão que é submetido diariamente em busca de lucros, competição, eficácia e da manutenção do emprego. O trabalhador
se sente apavorado por não conseguir manter sua
energia física e mental adequada para seu desempenho no trabalho, e esse pavor é uma forma em
que se manifesta o sofrimento psíquico.”(11)
Hidemberg Alves da Frota e Fernanda Leite
Bião vão mais fundo ao concluírem que a existência humana digna (em conformidade com o princípio da dignidade da pessoa humana) se vincula não
apenas à incolumidade física, à sobrevivência biológica, à automanutenção financeira e ao exercício
dos direitos sociais, econômicos e culturais como
também à integridade psíquica e ao bem-estar psi(11) ROCHA, Anna Carolina Fonseca da. O estresse
no ambiente de trabalho. Disponível em: <http://www.
pedagogiaemfoco.pro.br/pemp05.htm>.
Acesso
em:
3.3.2014.

cológico da pessoa natural, bem assim ao direito do
indivíduo de escolher e realizar atividades (inclusive de concretizar metas) que dão sentido à sua vida
e, ao mesmo tempo, não atentam contra o ordenamento jurídico.”(12)
Ante todo o exposto, conclui-se que o dano
ao sentimento (à moral) é inerente também ao
dano à dignidade da pessoa humana (existência),
logo, com a devida vênia em relação aos doutrinadores que pregam a sua autonomia, esse último possui sim relação direta com o dano moral,
motivo pelo qual é impossível a cumulação de
condenações entre as duas figuras, em razão do
dano existencial ser um “braço” do dano moral,
sob pena de caracterização do enriquecimento
ilícito, o que é expressamente vedado pelo art.
884 do Código Civil.
(12) FROTA, Hidemberg Alves da. A dimensão existencial da
pessoa humana, o dano existencial e o dano ao projeto de vida:
Reflexões à luz do direito comparado. Disponível em: <http://
www.unigran.br/revista_juridica/ed_anteriores/23/artigos/
artigo07.pdf>. Acesso em: 03/03/2014.

DANO MORAL E DANO ESTÉTICO: NATUREZA JURÍDICA
E POSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO
Tiago de Araújo Gonçalves
Mestrando em Direito Empresarial e Cidadania, linha
de pesquisa “Atividade Empresarial e Constituição:
Inclusão e Sustentabilidade” Pela UNICURITIBA —
Centro Universitário Curitiba; Especializando em Direito
do Trabalho e Processual do Trabalho pela PUCPR;
Especializando em Direito Processual Civil pelo Instituto
de Direito Romeu Felipe Bacellar; Bacharel em Direito pela
PUCPR; membro do Grupo de Pesquisa “Desregulamentação
do Direito, do Estado e Atividade Econômica: enfoque
laboral” da PUCPR; Advogado.

Leila Andressa Dissenha
Doutora e Mestra em Direito pela PUCPR; professora do
Mestrado do PPGCOOP — Programa de Pós Graduação em
Gestão de Cooperativas da PUCPR; professora dos Cursos
de Graduação em Direito e Administração da PUCPR e da
UNINTER; pesquisadora convidada da UNIFE — Università
degli Studi di Ferrara (Itália/2011); professora dos Cursos
de Especialização da UNIARP/SC, UnC Concórdia/SC e da
EMATRA IX; advogada.

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incisos V e X.(6) A partir da análise dos conceitos e disposições legais acima. a uma dor moral”. Editora Revista dos Tribunais. portanto. (3) CRFB. trabalho extenuante. indeléveis. etc. há situações em que há mais que a “dor moral” a ser indenizada: quando além do sofrimento. 483. Seja decorrente de doença laboral. p 46. a honra e os demais sagrados afetos. os métodos para chegar à lucratividade são os mais diversos: estratégias sobre elisão e evasão fiscais. sendo que a violação a uma destas dimensões é passível de indenização por danos morais. Antonio Celso Baeta. 2ª edição. Só esta pressão pela competitividade e sobrevivência empresarial explicaria. a honra e a imagem das pessoas. dano moral que provoca direta ou indiretamente dano patrimonial (cicatriz deformante. notadamente o Código Civil. no semblante e/ou no corpo do trabalhador.(4) Da doutrina extrai-se que o dano moral tem por função resguardar o patrimônio imaterial do sujeito. (4) CTL. dia após dia. lembrando-lhe. é possível defender que a indenização por dano moral e o estético possui fundamento a proteção da integridade física e psíquica da pessoa.) e dano moral puro (dor. a integridade física. assegura a proteção à honra. tratam-se de tutelas com objetivos diversos. classificando-se desse modo. por sua vez. São Paulo: Juarez de Oliveira. SP. (2) Conforme MINHOTO. São Paulo: Carta Capital. contra ele ou pessoas de sua família. Art.) e dano que molesta a parte afetiva do patrimônio moral (dor. X — são invioláveis a intimidade. decorrentes das mais variadas formas de aviltamento laboral: descumprimentos contratuais. Na CLT. embora tenham o mesmo fundamento. nem sempre. pelo lucro que lhe garantirá sobrevivência. à imagem. 5º (.(5) O dano estético. 3ª edição — 2004. em dano que afeta a parte social do patrimônio moral(honra. etc. moral ou à imagem. abaixo transcrito. 1998. saudade. 5º.. alínea e.O momento histórico atual é marcado pelo turbo capitalismo(1). tristeza.. Globalização e direito: o impacto da ordem mundial sobre o direito. 483 — O empregado poderá considerar rescindido o contrato e pleitear a devida indenização quando: e) praticar o empregador ou seus prepostos. dando origem. a título de exemplo. 29 de dezembro de 2004. Nesta batalha. a tranquilidade de espírito.  LTr . pois a primeira visa reparar o abalo psicológico do indivíduo. proporcional ao agravo. o flagrante aumento do número de ações trabalhistas que pleiteiam a indenização por danos morais sofridos. a integridade individual. Dano Moral. p. 40 ção infraconstitucional também tutela os mesmos valores. Nicolau. concorrência lícita e desleal e gestão de mão de obra motivadora ou aviltante são cogitadas diariamente e. é definido como “qualquer modificação duradoura ou permanente na aparência externa de uma pessoa. Contudo.). a escolha se dá de forma racionalmente jurídica. além da indenização por dano material. Tereza Ancona. e a segunda a reparar os danos corporais.Jornal do Congresso . assédio moral. acidente ou agressões. o dano estético causa uma dor que perpassa o próprio fato danoso.(3) Além disto.(2) Além do pleito de indenização.) V — é assegurado o direito de resposta. assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.). conforme art. a liberdade individual. ao tratar das hipóteses das faltas graves cometidas pelo empregador que ensejam a rescisão indireta do contrato de trabalho. 34 e 43. modificação esta que lhe acarreta um ‘enfeamento’ e lhe causa humilhações e desgostos. Yussef Said. à intimidade. etc. Editora Revista dos Tribunais. tendo por definição o seguinte: É a privação ou diminuição daqueles bens que têm um valor precípuo na vida do homem e que são a paz. doenças laborais e acidentes de trabalho são apenas alguns exemplos de situações que desencadeiam tal pedido e são evidências claras de que a competitividade do mundo empresarial já é parte do cotidiano laboral. no art. a vida privada. tem-se tal proteção. (6) LOPEZ. reputação. tristeza. O Dano Estético. protege a honra do trabalhador. 20. de autoria de Desembargador Cássio Colombo Filho. o ocorrido. Art. p. 2004. ato lesivo da honra e boa fama. rigor excessivo. (5) CAHALI. a legisla(1) Conforme SEVCENKO. pp. em boa medida. conforme se verá no aresto do TRT9. 186 e 927. A CRFB — Constituição da República Federativa do Brasil. etc. 6869. um momento de busca incessante pelo sucesso financeiro que leva às empresas ao enfrentamento diário de uma batalha por seu espaço. à saúde. Destino dos Manequins. nos arts. as marcas do fato permanecem.

assim se manifesta acerca do que seja uma “deformidade permanente”: não se trata de um conceito objetivo. Cumulação. já que seu fundamento é diverso.10.”(8) No âmbito da Justiça do Trabalho. Possibilidade. ainda que a gênese destes seja a mesma — o acidente causado por culpa da reclamada na demanda. o seguinte: a deformidade deve ser tal que cause uma impressão. cumpre fixar.00.2.445. Jus Navigandi.025. para defender a impossibilidade de cumulação de pedidos a título de dano moral e estético.1. acessado em 9. refere-se às lesões corporais visíveis. Da mesma forma que qualquer mero dissabor não pode ser confundido com o dano moral. segundo a jurisprudência dessa Corte. Resp 705. não faltam argumentos em contrário.2010.2013. a um só tempo.com. àquelas cicatrizes que alteraram seu corpo e a visão que ela mesma e as demais pessoas têm sobre ele — são as anomalias causadas pelo acidente que justificam a compensação do dano estético. prevalecem ambas as indenizações na condenação patronal. (8)Disponível em: <http://www.Contudo. Não se cumulam danos estéticos com danos morais e ou materiais. a saber: TRT-PR-26-02-2013 Dano moral — Dano estético — Cumulação — Possibilidade. Verifica-se que o dano moral advém da dor.000.457. como explica Alex Sandro Ribeiro: Descabe tentar encontrar no baú conceitual qualquer espécie de firula expressional com o fito de dizer que se está diante de um bis in idem.2014.(7) E. (7) RIBEIRO. do ponto de vista jurisprudencial. trazemos as considerações de Nelson Hungria que. o dano moral e o dano estético não se confundem. 387. I) A jurisprudência desta Corte se firma no sentido da possibilidade de cumulação da indenização por lesão estética com aquela relativa ao dano moral. Disponível em:< http://jus. (10) TST RR — 9954400-49. da angústia. do sofrimento da reclamante. A indenização por dano moral e por dano estético.0242  — 5ª Turma — Relator: Emmanoel Pereira. conforme verificamos Resp 49. no montante em que se arbitra a reparação de danos se limita aos casos de desrespeito aos limites superiores ou inferiores da razoabilidade.br/artigos/4777/naose-cumulam-danos-esteticos-com-danos-morais-e-oumateriais#ixzz2zkfisL4J>. REsp 254. todavia. mas. com a ofensa ao seu patrimônio imaterial.br/normas_ inferiores/regimento_interno_e_sumula_stj/stj__0387. Alex Sandro. Faz-se possível a cumulação de dano moral e estético. a exemplo do que já ocorre com o dano moral. o que no caso não se configura.09. pelo menos de (9) TRT-PR-03472-2009-965-09-00-0-ACO-05188-2013 — 4ª Turma.(9) Não obstante.. objetivo e subjetivo [. A título de exemplo. Dano estético. O dano estético. que pese a existência de tal argumento. despontando como razoável e necessária a reparação de danos estéticos no montante de R$50. II) No caso presente.5. em geral. Relator: Cássio Colombo Filho. Neste sentido é o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça na medida em que possibilita a cumulação das respectivas indenizações. alegando que ambos têm a mesma natureza.(10) Se a possibilidade de cumulação dos pedidos é matéria um pouco menor controvertida nos Tribunais laborais. é da mesma natureza. que dispõe o seguinte: “É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral.. uma outra preocupação crescente acerca do tema diz respeito à possibilidade de banalização da alegação de dano estético. o dano estético deve constituir-se de algo que realmente cause desconforto justificável ao trabalhador. 41 . verifica-se que o TRT da 9ª Região possui entendimento alinhado ao do STJ.dji. II) No mais.2006. Publicado no DEJT em 26. moral. e Súmula n. desde logo. o trabalhador perdeu 4 dedos da mão direita.913. Data de Publicação em DEJT 15.] se da apreciação objetiva passamos à subjetiva. Impossível conceder-se diversas indenizações da mesma natureza pelo mesmo fundamento como se se tratassem de coisas distintas.com. Acesso em 23 de abril de 2014. LTr . em seus estudos sobre lesão corporal.869. a imissão. ou seja. reitera-se que. por meio de pretensão posta em Recurso de Revista. REsp 910794. o TST — Tribunal Superior do Trabalho também consideram o dano moral e estético são institutos diversos: Ementa: Recurso de revista. htm>.Jornal do Congresso mas cumulável. Resp 899. Resp 904. Assim. se não de repugnância ou de mal-estar. independente.

no sentido da possibilidade da cumulação das indenizações de moral e estético.” STRECK. cit.desgosto. em ressocialização ou reintegração social do preso (pessoa privada em sua liberdade. Turma. Mas a palavra “doutrina”.(14) (14) “Ou seja. deveria significar que-adoutrina-doutrina. 328 (12) TRT-PR-02086-2010-892-09-00-0-ACO-39332-2011 — 2ª Turma. haja vista possuírem fundamento diverso uma da outra.Jornal do Congresso . pelo Estado. O labor na Lei de Execução Penal e os acidentes do trabalho: breves questões Renato de Almeida Oliveira Muçouçah Professor de Direito do Trabalho da Graduação e Mestrado da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). As palavras não refletem a essência das coisas.br/2014-abr-24/senso-incomumdoutrina-direito-ou-dever-apontar-erros-stf>. Acesso 30 de abril de 2014. Doutrina: direito ou dever de apontar os erros do STF? Disponível em: <http://www.9. Publicado no DEJT em 30. A palavra água não molha. (13) TRT-PR-00581-2012-670-09-00-2-ACO-42693-2013 — 1ª. Uma das mais conhecidas formas de reintegração à sociedade. sendo tal trabalho obrigatório — agora coloca o labor peniLTr .2011. vale destacar que jurisprudência no TRT9 é no sentido de que “a indenização por dano estético é devida quando a lesão decorrente do acidente de trabalho compromete ou pelo menos altera a harmonia física da vítima”(12) e que ônus do empregado trazer aos autos “elementos de prova que atestem a condição pessoal da vítima ou alteração estética relevante (. Relator: Célio Horst Waldraff. dizem os especialistas. Mestre e Doutor em Direito do Trabalho pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).. Diz-se que a Lei de Execução Penal (Lei n.(11) Neste tocante.)”(13). Lênio Luiz.210/84).2013. Para que ela não continue errando. É a cicatriz que acarreta chocante assimetria. sabemos. Nem a palavra bomba explode. a controvérsia desloca-se para o enquadramento do que efetivamente seria dano estético ou mero dissabor. à mancheia. conceituar o que seria o mero dissabor estético com vistas a nortear a jurisprudência. sob pena do pedido por indenização por dano estético ser julgado improcedente.. Relator: Paulo Ricardo Pozzolo. Membro do Instituto Brasileiro de Direito Social “Cesarino Júnior”. ao contrário da legislação anterior — que não previa sequer remuneração ao trabalho do preso.10. cumprindo seu papel de doutrinar os conceitos jurídicos. p. é necessário dizer quando a Corte Suprema de um país erra. É dever da doutrina. ante a amplitude subjetiva que permeia tais fatos. É lugar-comum ouvir-se falar.com. é a desfiguração notável. Publicado no DEJT em 25. Ex-Pesquisador da FAPESP... caberá a doutrina.conjur. 42 dá-se pelo trabalho: tem este finalidade educativa e também produtiva. de desagrado. Superada a questão principal.. (11) ob. 7. por condenação relacionada à prática de um crime).

sem configurar vínculo empregatício. porém. p. II. Jorge Luiz. 28. mas cada vez com maior frequência a massa trabalhadora aceita empregos ou trabalhos em contratos precários — daí falar-se em trabalho precarizado — ou em atividades quase próximas à escravidão(5). as chances de reinserção social serão maiores(3). São Paulo: LTr. 2012. 126. que são de ordem pública. seja realizado interna ou externamente. da Lei n. Nesse último caso o detido requererá autorização para trabalhar não no estabelecimento prisional. No entanto. 2011. 2008. p. Adeus ao trabalho? Ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade no mundo do trabalho. uma relação promíscua entre trabalho e pena. “talvez nunca mais acredite nesta mesma sociedade e jamais recupere sua condição de cidadão por inteiro”(4). LTr . sempre restou mitigado. a pessoa “paga” por sua pena com trabalho. São Paulo: Saraiva. Por outro lado. ao contrário dos tempos da Revolução Industrial. 103-104. 7. São Paulo: Cortez. Elionaldo Fernandes Julião. 29 da citada Lei) à eventual indenização fixada em razão do crime cometido. Só não se sabe ao certo qual seria este regime. mas nas dependências de alguma empresa — ainda assim. O restante da pecúnia (acaso sobre) será conferido ao preso para pequenas despesas pessoais e depósito numa caderneta de poupança. o trabalhador vive o que se sente em todo o mundo: uma nova forma de ser para o trabalho. Cada vez trabalha-se menos. A relação é de troca: conforme art.Jornal do Congresso gunta: por que o trabalho no cárcere não segue o regime da Consolidação das Leis do Trabalho? É possível notar. pois. É o próprio art. há problemas que enfrentam solução ainda mais tormentosa. 7. o que só poderá engendrar. pois a segunda palavra define o primeiro vernáculo. em pesquisa de campo sobre o tema. 60. 43 . 297. negando qualquer relação empregatícia — ainda que precária — com empresas ou associações que venham a explorar esse trabalho com finalidade econômica. deverá atender (conforme art. Jorge Luiz Souto Maior tece comentários com os quais se concorda integralmente: ainda que o trabalho seja realizado de forma obrigatória. 11. No plano empírico das penitenciárias. Ainda conforme a própria Lei — que permite o uso desta mão de obra barata indiscriminadamente — o dinheiro recebido pelo labor não é direcionado ao preso de maneira direta. A pessoa condenada em definitivo está obrigada ao trabalho. Com direito de receber ao menos três quartos do salário mínimo. Curso de Execução Penal. p. § 2º da Lei n. ed. embora não se consiga encontrar nenhuma justificativa plausível para admitir a diferença entre as figuras.tenciário sob um dado regime jurídico(1). Fato é que. 2. p. O trabalho do preso. só pode mesmo configurar-se a partir da subordinação à qual se submete o detento para sua inserção social. Antes. (2) Idem. se no trabalho do presidiário este é submetido a uma exploração econômica aceita pela sociedade. a melhor forma de se inserir um detido no mercado de trabalho. 66. (3) Sistema penitenciário brasileiro: a educação e o trabalho na Política de Execução Penal. 2013. no campo do contrato de emprego (nitidamente um contrato de adesão). Curso de Direito do Trabalho: a relação de emprego. ao passo que para o preso provisório o labor é facultativo. o primeiro caso não significa trabalho forçado(2). negando direitos elementares e os trocando pela pena imposta? Nesse sentido. em nada esta suposta ausência de vontade afasta a incidência das normas trabalhistas. à assistência à família e ao ressarcimento do Estado pelas despesas realizadas com a manutenção do condenado. O trabalho exercido pelos presidiários. afirma que muitos dos Coordenadores de Presídios veem a possibilidade de o preso trabalhar como algo que sirva apenas para escapar à ociosidade. ainda cabe a per(1) MARCÃO. Ricardo. à qual o detido terá acesso quando posto em liberdade. (4) SOUTO MAIOR.210/84 que anula qualquer possibilidade de o trabalho do preso ser regido pela Consolidação das Leis do Trabalho. Literalmente. associada à execução deste.210/84. v. 59. a cada três dias trabalhados. Rio de Janeiro: FAPERJ. O elemento da liberdade. (5) ANTUNES. Afinal. um contrato de emprego. de maneira muito alva a olhos quaisquer. ed. no cenário global. Renato. alguns Coordenadores consideram que se houver educação voltada para o trabalho. o trabalho do preso poderá ser interno ou externo. na Lei de Execução Penal. p. Ainda conforme especialistas. 15. se ganha um dia de remição da pena. Será esta.

19 da Lei n. vez que o preso encontrava-se à disposição do Estado.210/84 estabelece que o preso acidentado continue a beneficiar-se da remição da pena. qual seja: abandonou-se a visão do “bem” ou do “mal” atribuído a cada um. v. mormente estéticas(7). em regime fechado ou semi-aberto. Seção I. insere-se nesta lógica de precarização estrutural do labor. no ambiente de execução dos trabalhos. O trabalhador acidentado.048/99. a partir de 2009. 2013. mas ao modo como se realiza esta atividade. 7. ed. passou-se a prever que a pessoa recolhida à prisão poderá contribuir facultativamente à Previdência Social. 126. por exemplo. Foi a visão nesse sentido que propiciou a repartição social de um bem comum.213/91 já conceitua o que vem a ser acidente do trabalho. 2010. pois as normas trabalhistas são de ordem pública. p. como acidentes — e não simples casos fortuitos. como em qualquer atividade produtiva. Objetivaram-se os danos causados aos trabalhadores. Paris: Bernard Grasset. vez que sequer salário propriamente dito existe? Ora. p. para além da inconstitucionalidade destas disposições. São Paulo: LTr. Num olhar mais grosseiro. nos arts. XI. art.portanto. nem mesmo o benefício de auxílio-doença lhe será pago.048/99 previa a obrigatoriedade da contribuição social a toda pessoa que. Por encontrar-se detido. 3. 1986. Todavia. fato que permite concluir que o ente público chama para si a responsabilidade pela integridade física da vítima. Publicado em 25 jun. para além de todas estas doenças incapacitantes. Sebastião Geraldo de. Esta foi e é a prova mais cabal de que o homem vive em sociedade(6). é aquela patologia particularmente ligada a certa atividade ou profissão. estado todos os trabalhadores sujeitos a acidentes. 8. prestasse serviços a uma ou mais empresas. exposto ao pó de sílica. 6. 5. e de quem cobrará esses valores. em verdade. 18-19. nos termos da Lei de Execução Penal(8). Noutro falar: ainda que o presidiário venha a acidentar-se no trabalho. n. sobretudo. Tratava-se de contribuinte individual. eis que negam ao trabalhador a garantia de direitos sociais previstos. 44 O art. p. de maneira a satisfazer a lógica do capital: menor custo e a maior produtividade possíveis.Jornal do Congresso . visto ter sido instituída por decreto. o mesmo Tribunal indeferiu o pagamento de pensão vitalícia ao trabalhador presidiário pela ausência de provas de que este recebia salário.210/84 no que tange à proibição de reconhecimento de relações de emprego entre presidiários e empresas que contratam trabalho com as penitenciárias. o que haverá de receber o detento pelos dias sem trabalhar e pelas lesões. contrai silicose. 7. o obstáculo dogmático e cultural maior encontrado no direito brasileiro é o de reconhecer a ilegalidade dos da Lei n. 1329. Proteção jurídica à saúde do trabalhador. 7º e 8º da Carta Magna. § 4º da Lei n. (7) OLIVEIRA. Ao constatar que o detido perdeu de forma total e irreversível a funcionalidade de sua mão esquerda enquanto exercia seu ofício. ainda no século XIX foi justamente o acidente do trabalho que propiciou as primeiras normas de proteção laborativa. a vítima deve ser mantida pelo custeio social de todos. 11. por assim dizer. no mesmo Decreto n. No entanto. Há também a doença do trabalho. François. e não pela via legal. os afazeres efetuados pelos presos poderá trazer o tema dos acidentes do trabalho como discussão central. prestando função laboral. Problema bastante comum torna-se aquele relacionado ao INSS: deverá a autarquia arcar com os custos do acidente do trabalho? Houve um tempo (de 2003 a 2009) em que o Decreto n. mas a legislação brasileira equipara a este algumas doenças. L’Etat Providence. 224225. de maneira “esquizofrênica”. (6) EWALD. Como se pode observar. vez que inexistente qualquer relação de emprego. o problema aparenta estar solucionado: o art. No entanto. 323-325. o Tribunal responsabilizou o Estado de Goiás pelo pagamento de valores a título de danos morais. A doença profissional. poderá apresentar lesões das mais diversas naturezas. (8)Diário de Justiça Eletrônico de Goiás. Muito se questionou acerca da legalidade da cobrança desta contribuição social. exemplo é o do empregado de mineradora que. não terá direito à percepção de qualquer valor em razão desse acidente? Muito recentemente o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás conheceu de um caso de acidente do trabalho de presidiário e julgou. No entanto. LTr . 3. cujo maior exemplo é a LER/DORT: não se liga a uma profissão ou atividade específica.

45 . 942 do Código Civil. da capacidade para o trabalho. ampliou-se a competência material da Justiça do Trabalho que passou a alcançar entre outras questões. 2013. no sentido de que produz violação à integridade do indivíduo. provisória ou definitivamente. É da violência do evento que resulta a lesão corporal ou a perturbação funcional que torna o indivíduo incapaz. Apesar de o nosso ordenamento contar com um bem estruturado arcabouço de normas jurídicas voltadas para o combate e a prevenção da infortunística. Rio de Janeiro. 612. Ora. higiene e segurança”. um fato violento. disso resultando para os tribunais do trabalho um número cada vez maior de ações que diariamente nos mesmos são protocoladas. e. o liame empregatício existente entre o detento e quem lhe toma os serviços. por meio de normas de saúde. A competência para julgar. 613-614) afirmam que a definição da lei não é satisfatória. O acidente que não gera danos à integridade do indivíduo não integra. 7º. 19 dispõe que LTr . portanto. Manual de Direito Previdenciário. é alarmante a estatística anual relacionada a acidentes do trabalho. como a relação do trabalhador presidiário dá-se com a empresa (a qual objetiva obtenção de lucros). 11 desta Lei. e esta relação é supervisionada na totalidade pelo Estado. instituto regulamentado pela Lei n.213/1991. consequentemente um adequado ambiente de trabalho. QUAL A RESPONSABILIDADE DO EMPREGADOR POR ACIDENTES CAUSADOS POR TERCEIROS? Maria Gilda de Freitas Araújo Analista Judiciária (TRT-6ª Região).O Tribunal de Justiça de Goiás andou bem em reconhecer a responsabilidade civil do Estado pelo acidente do trabalho. Com a Emenda Constitucional n. Carlos Alberto Pereira de: LAZZARI.. Assim. deve ser da Justiça do Trabalho: talvez desta forma reconheça-se. 45/2004. cujo art. o conceito. ou lhe cause a morte. 15ª Ed. enfim. p. propondo uma definição que reputam ser mais elucidativa. p. Profa. permanente ou temporária. porém. prevê que responderão solidariamente os autores que causarem dano a outrem. advém o dever de ambos indenizarem solidariamente. disso resultando para os tribunais do trabalho um número cada vez maior de ações que diariamente nos mesmos são protocoladas. as lides que têm por objeto acidentes do trabalho. da CF/88 que assegura ”redução dos riscos inerentes ao trabalho. inserido no art. responsabilidade solidária do ente com a empresa tomadora de serviços: o art. provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução. A saúde do trabalhador.Jornal do Congresso Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art.. Castro e Lazzari (2013. 8. em verdade. João Batista. mas existe. inciso XXII. (UPE). tem status de direito fundamental social.(1) (1) CASTRO. acidente do trabalho seria . Forense. aplicável subsidiariamente à legislação trabalhista.

927 do CC/02. Se a Constituição regulamenta de forma clara a responsabilidade no acidente de trabalho. Sérgio. então.. a cargo do empregador. não pode a norma infraconstitucional dispor de forma contrária. pois. sendo que o primeiro infortúnio resulta do tipo de atividade que o obreiro realiza. a responsabilidade subjetiva.(2) Em face das alusões até aqui expendidas. aonde em cada esquina estão reservadas novas surpresas como a de um condutor de veículo que invade a faixa contrária e colide com o veículo que vem em sua direção. veio apresentar outra alternativa reparatória para os acidentes de trabalho. Revista LTr. comete ato ilícito”... 128. não é apenas aquele inerente à atividade empresarial. isto é. inciso XXVIII. o risco. como deve ser apurada a responsabilidade do empregador. O enunciado acima baseia-se na teoria do risco para a qual . enquanto o segundo. por consequência. para imputação do dever de reparar patrimonialmente o prejuízo: a materialização do dano. n. que diz ser direito dos trabalhadores “seguro contra acidentes de trabalho.. por ex.Jornal do Congresso . a responsabilidade objetiva. fatos dessa natureza imprimem a essa atividade uma elevado potencial de risco. sendo no bojo deste contexto que residem as condições para o acidente de trabalho causado por terceiros. os requisitos para a aferição da culpa e. e. em sua feição fático-violenta. 2007. vista apenas sob este prisma. 7ª ed. a conduta culposa do agente.. 77. isso. LTr .O parágrafo único do art. Art. quando incorrer em dolo ou culpa”. por natureza. ainda que exclusivamente moral. 927 [. A doutrina do risco pode ser. 7º da Lei Maior dispõe que a indenização só é devida em caso de dolo ou culpa. 7º.. Programa de Responsabilidade Civil. como é o caso de uma fábrica de explosivos. algumas vezes. vol. o art. 927 do Código Civil não se aplica ao acidente de trabalho. ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar. 77-04/446. Responsabilidade Civil no Acidente do Trabalho. No entanto. da Lei n. negligência ou imprudência. risco para os direitos de outrem”. que é aquele que materialmente causou o dano. importando. fazendo entrega de alimentos. Grande parte das decisões é no sentido de aplicar à espécie. uma atividade perigosa deve-lhe assumir os riscos e reparar o dano dela decorrente. pergunta-se: na hipótese de estar-se diante de um acidente de trabalho. o nexo causal entre o dano e o evento e.(3) (2) CAVALIERI FILHO. tendo por fundamentos o art. segundo o qual “aquele que por ação ou omissão voluntária.É provável que o legislador não tenha definido um conceito preciso para o acidente de trabalho. abril de 2013. incisos I e II. o enfrentamento das vicissitudes de nosso trânsito. 186 do CC/02. 20. Em verdade. resulta das condições adversas em que o labor é exercido.. respectivamente. 04. porque pretendia contemplar a doença profissional e a doença do trabalho. Sérgio Pinto. ainda são tímidos a doutrina e os julgados quanto a possibilidade de aplicar-se à espécie. independentemente de culpa. desta feita consubstanciada na responsabilidade objetiva do empregador. nos casos especificados em lei. para o exemplo dado este veículo é a motocicleta. ainda. Ocorre que o parágrafo único do art. por fim. p. 8. 8. violar direito e causar dano a outrem. pois o inciso XXVIII do art. São três. Não obstante a frequência de acidentes causados por terceiros. é probabilidade de dano. 19 da Lei n. conforme enquadramento na letra do art.213/1991.213/91. (3) MARTINS. Resolve-se o problema na relação de causalidade.. mormente quando o acidente é causado por terceiros? Veja-se que o risco a fundamentar a imputação da responsabilidade objetiva. independentemente de ter ou não agido com culpa. dizer que aquele que exerce 46 Um exemplo elucidará melhor o que foi dito no parágrafo retro: cumprir uma jornada diária sobre uma motocicleta.] Parágrafo único. dispensável qualquer juízo de valor sobre a culpa do responsável. a atividade não se enquadra como de risco. da CF/88.Risco é perigo. de modo que seus opositores argumentam que . do art. assim resumido: todo prejuízo deve ser atribuído ao seu autor e reparado por quem o causou. sem excluir a indenização a que este está obrigado. “Haverá obrigação de reparar o dano. despoja-se da natureza da atividade para prender-se às circunstâncias nas quais dita atividade é executada. São Paulo: Atlas.

. qual seja. Perfil da acidentalidade no mundo exclui o Brasil das estatísticas atualizadas da OIT. em virtude da gritante estatística de acidentes do trabalho.O que irá presidir à aplicação do art. com grandes conquistas.. XXVIII ou a do art. LTr . 76-06/660. dentre eles o meio ambiente laboral. é o fundamento da responsabilidade civil. pactua o ajuste tão somente com a sua força de trabalho. o qual dispõe que. em 1972. A busca pela proteção ao meio ambiente do trabalho surge na década de 1930. mesmo sendo causados por terceiros estranhos à relação empregatícia. “os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. Disponível em: <http://www.>. Porém.Jornal do Congresso é que se viu a necessidade do estudo acerca dos fundamentos que propiciam as mínimas garantias do trabalhador. estar-se-á desconsiderando o princípio basilar da relação de trabalho. as efetivas propostas quanto às “condições laborais” surgem apenas nas décadas de 1960 e 1970.. qual seja a proteção àquele que despojado da propriedade dos meios de produção. junho de 2012. A partir destes dados (1) Fonte: Anuário Brasileiro de Proteção 2010. o qual aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. reconhecido como direito humano e fundamental do trabalhador.”(4) À guisa de consideração final. Dados Globais. 5º. no segundo. Evidente que o Direito do Trabalho é um ramo em crescente evolução.com. inclusive quanto ao aspecto do trabalho. “. Acidentes do Trabalho — breves reflexões sobre a tutela jurídica do trabalhador e a quantificação da indenização do dano moral. diga-se. no risco promanado da natureza da atividade.br/site/content/materias/materia_detalhe. para efeito da obtenção de uma indenização. e a superação de problemas sociais. substancia-se na culpa lato sensu e. contudo. Veja-se que a cada ano. art. vigente até os dias atuais. um meio ambiente do trabalho equilibrado. o Brasil é o quarto país do mundo com a maior ocorrência de acidentes do trabalho(1). php?pagina=1&id=JyyJAc. Em 1943. Um dos assuntos de maior evidência e preocupação dos dias atuais é a preservação do meio ambiente em todos os seus aspectos. A pensar assim. Ainda. quando passam a ocorrer as primeiras intervenções sindicais no Brasil. As 47 . (4) SAAD. cerca de quatro mil trabalhadores perdem suas vidas em decorrência de acidentes laborais. Teresinha Lorena Pohlmann. O MEIO AMBIENTE DO TRABALHO SADIO E EQUILIBRADO: UM DIREITO FUNDAMENTAL E HUMANO DO TRABALHADOR Carolina Beck Mestre em Direito pela UCS (Universidade de Caxias do Sul). Revista LTr. § 2º.Para os seus defensores. 76. A busca pelo pleno desenvolvimento sustentável não cessa. poderiam ser evitados. n. protecao. é parte central do processo de desenvolvimento.. § 2º da Carta Magna. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte”. temos a consagrada publicação do Decreto lei numero 5453 de 1º de maio de 1943. a Conferência das Nações Unidas de Estocolmo. não se deve tão somente sujeitar o vitimado à comprovação da culpa empresarial ao argumento da inexistência de base jurídica para a aplicação da responsabilidade objetiva. seguro e saudável. a aplicação do artigo civilista encontra fundamento na própria Constituição Federal vigente. 7º. vol. 5º. 06. No primeiro caso. a exemplo.

LTr . Hannah. (3) ARENDT. como já afirmado. prevê que são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. é direito indisponível de forma absoluta. Importante ainda ressaltar a proteção ao meio ambiente do trabalho por meio dos princípios ambientais da precaução e da prevenção e ainda o da sadia qualidade de vida. a defesa do meio ambiente e a proteção ao trabalho humano como princípios gerais da atividade econômica. por meio de normas de saúde. A adoção de sistemas de prevenção e/ou precaução por parte do empregador. ao aprovar a Convenção n. sendo que os valores sociais do trabalho que juntamente com a dignidade da pessoa humana. nas palavras de Hannah Arendt. VI e VIII. que merece proteção do poder publico e da sociedade organizada. 15. presentes na Lei n. conciliação. não se reduzindo à seara da proteção particular. é conduta obrigatória. Deve-se destacar a importância do meio ambiente do trabalho como requisito indispensável para se alcançar a real proteção ao trabalho humano. na consolidação das Leis do Trabalho. vislumbrando a manutenção da integridade física e moral do trabalhador. Ainda na Constituição Federal de 1988. e sim de direito difuso. Para a construção de um meio ambiente do trabalho seguro e saudável. por constituir tutela de interesse público. Sabe-se que o principal bem protegido pelo direito ambiental. Não se trata de um direito trabalhista. III e IV. 6938/81. sob pena de sofrer graves sanções. sendo imperioso que preserve a salubridade do meio ambiente do trabalho. A condição Humana.Jornal do Congresso . Não se pode olvidar que o empregador é responsável pelo meio ambiente do trabalho que dispõe aos seus empregados. 2011. o meio ambiente do trabalho. por meio de instrumentos protetivos do meio laboral. 1º. o meio ambiente do trabalho salubre não pode ser lido como mero “direito trabalhista” face à natureza da sua proteção. Anizio Pres. além da ação e do “labor”)(3). 155/81. 54. já que assegura a livre iniciativa econômica. 48 lo dos Direitos e Garantias Individuais. 2009. 170. mas trabalhar com condições ambientais dignas e salubres. a tutela do meio ambiente do trabalho. “tem como objeto o bem coletivo integridade ambiental”. é um direito fundamental do cidadão trabalhador e parafraseando Anízio Pires Gavião Filho(2). o qual consagra por meio da Lei n. ao citar o artigo 200.938/81. em seu art. higiene e segurança”. desde que observados os princípios que norteiam a dignidade humana. resta inexorável que o meio ambiente ecologicamente equilibrado e a sadia qualidade de vida são bens protegidos pela Constituição Brasileira. Essencial ao homem é trabalhar. é uma das três atividades humanas fundamentais (fundamental por corresponder a uma das condições básicas pela qual a vida foi dada ao homem. Em nosso ordenamento. na Carta Magna. em declarações internacionais. a responsabilidade objetiva para todo e qualquer dano ambiental causado. inciso XXII. no títu(2) GAVIÃO FILHO. da Constituição da República). a qual impõe tanto ao poder publico quanto à coletividade a obrigação de defendê-los e preservá-los. na Convenção nº 155/81 da OIT e em especial. A vida digna e saudável. não podendo haver qualquer tipo de composição. 3214/78. O Trabalho. A Constituição Federal brasileira resguarda ainda. constituem fundamentos do próprio Estado Brasileiro (art. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) também expressa a sua preocupação com a matéria. p. 6.condições do meio ambiente laboral passam a ter cada vez mais ênfase e proteção. presentes tanto no art. que traz uma série de artigos que cuida especificamente da “Segurança e Medicina do Trabalho”. Neste sentido. como na Conferência das Nações Unidas de Estocolmo e outros princípios da Política Nacional. encontra respaldo na Política Nacional do Meio ambiente (lei 6938/81). em seu capítulo V. seguro e saudável). p. a “redução dos riscos inerentes ao trabalho. (1) Nesta seara. Capítulo dos Direitos Sociais. indispensável à aplicação do principio da indisponibilidade dos direitos e do principio da precaução. do Título II. face ao entrelace com o direito ambiental. A par do estudo ora realizado. ratificada pelo Brasil. na Lei n. Direito fundamental ao ambiente. transação ou renuncia acerca das garantias constitucionais deferidas ao trabalhador (meio ambiente equilibrado. ainda mais. não diferente dos outros aspectos. dispostos no caput do art. 225 da CF/88. Trata-se de direito que deve ser de pronto tutelado juridicamente e com a maior efetividade que a decisão puder conferir a esta tutela. é a vida. Trabalho e saúde se entrelaçam na vida do homem trabalhador. o meio ambiente do trabalho. Em sendo assim. 7º.

Didoa trabalhador. como. Não pode o dos princípios do Processo do Trabalho com a redação trabalhador aceitarsão condições fora dos do novo dispositivo um meio laborais de concretização dos princípiosprotegidos destacados tampouco acima. 475-J do Código de Processo Civil.). de segurança medicinaconstitucido tracessoem (art. 101-102. vitoriosos e sem perdas. e impeditivas.Jornal do Congresso cesso mais ágil e eficaz(5).Jornal do Congresso LTr . Luis Fernando Silva de. garantir a saúde devem e higidez físicasua e emocional dade todos os subsistemas. assegurando dignidade reito Processual do Trabalho. LTr . 249-275. visandopós-positivista sempre e emdoprimeiro Numa interpretação processo. CF) e noseprincípios onais justrabalhistas.plaos princípios constitucionais irradiar aplicabilino.232/2005: Oportunidade de maior efetividade no cumprimento das sentenças trabalhistas. pela qual se assebém. Lei n. Nesse viés quaisquer interDiantedadas de tais ponderações. imprescindível. LXXVIII. quando então teremos trabalhadores lados pelo Poder Judiciário. a este bem comum. 475-J do Código de Processo dejáfísica do trabalhador sãoautores. devendoefetividade sempre e deve de tornar-se um objetivo comum principalmente dentre forma incansável buscar meios de assegurar a os Magistrados e os Advogados para que a sociedade concretização do ideal de previsto nosso ordenunca perca a esperança que teráem seus direitos tutenamento. Direito e Justiça: a Função Social do Judiciário. do empregador. a identifibiental” em questão. 2007. José Eduardo. adotem políticas concretizar o espírito dos comandos de gestão pessoal com equipes multidisciplina(4) FARIA. odeste. A proteção do “bem am- O método de colmatação lacunas.contradições sociais os conceitos fechados e tipificantes dos sistemas legais vigentes”. padrões renunciar o dia busca da verdadeira reito Enfim. LXXVIII. Se numa análise infraconstitucional aplicabiPode-se concluir que a saúde e aa integridalidade da multa do art. p.de a sadia qualidade cação da omissão celetista e a percepção da coerência de vida é essencial. principalmente. 97 49 . 5º. In: CHAVES. 45/04.práticas 5º. 1997. atuando em conjunto. diretamente atingiCivil é admitida por inúmeros a argumendas quando nãoconsistente observadas as normas por aparte tação torna-se mais quando analisada luz da principiologia constitucional. 11. São Paulo: Ática. A aplicação subsidiária do art. p. In: FARIA. que o empregador não poderá nem deverá gurou a razoável duração do processo como direito medir custos para a adoção de eficazes fundamental a todos os brasileiros (art. CF). Luciano Athayde. especial. fundamentada no princípio constitucional da razoável duração do prores. Direito Processual do Trabalho: Reforma e efetividade. visando programas justrabalhista a alcançar esse desiderato. Ordem legal X Mudança social: a crise do judiciário e a formação do magistrado. São Paulo: LTr. Neste aspecto conclui-seapós tama Emenda Constitucional n. pode ajudar a processualística balho. a por exemplo. efetivos de prevenção. José Eduardo (Org. ou seja. imprescindível que pretações à legislação infraconstitucional devem os empregadores cada vez maisconstitucionais. (5) CARVALHO.

2% (noventa e dois vírgula dois por cento) de todo o seu orçamento (BRASIL. os governos fornecem mediadores (settlement officers) para assistir empregadores e sindicatos na resolução de conflitos antes de se recorrer à arbitragem e após exaurimento das negociações diretas entre as partes.326 (três milhões. 88). os julgamentos. 2013. b.446 (um mil. p.218. p. a Justiça Especializada julgou 3. em média (BRASIL. Essa taxa de congestionamento implica em um saldo de ações ingressadas e não julgadas (1) O art.7 (um vírgula sete) magistrados por 100. a fim de diminuir a quantidade de demandas que ingressam na Justiça Especializada. a Justiça Laboral não conseguiu julgar a quantidade dos processos que ingressam no sistema. p.000 (cem mil) habitantes (BRASIL. 152)(2). 20. p. duzentos e noventa e cinco) ações ingressadas em 2012 não foram julgadas no mesmo período.747. (2) Em números. 267). A par deste grande numerário. 50 na Justiça do Trabalho ao longo dos anos que hoje totaliza 3. 24-25) relata que nas Províncias de British Columbia. oitocentos e cinquenta e nove mil e seiscentos e vinte e um) de casos novos. em média (BRASIL. 2011.4º Painel A ARBITRAGEM TRABALHISTA E A EXPERIÊNCIA CANADENSE Bruno Anunciação das Chagas Advogado. 2013. um levantamento feito em um determinado período mostrou que LTr . o que é obviamente inviável. 2013. Experiência Canadense Brito (2010. 10). De acordo com o levantamento do CNJ (BRASIL. a mediação e a arbitragem ganham realce como interessantes opções para resolver o impasse jurisdicional. 2. ou seja. 1. 267). a despesa com recursos humanos. A pesquisa do CNJ afirma que a Justiça Obreira julgou 98% (noventa e oito por cento) dos casos novos que entraram no ano de 2012 (BRASIL. 152)(1). setecentos e quarenta e sete mil e trezentos e vinte e seis). confeccionado em 2013. cada reclamação trabalhista nova custa R$ 3. Na Província de Ontário. p. Como se pode perceber. da Lei Complementar n. I.295 (cento e doze mil. em cada instância. no Brasil. cit. New Brunswick e Saskatchewan. para que a Justiça Obreira conseguisse liquidar todos os processos pendentes de julgamento. p. quatrocentos e quarenta e seis) casos novos por 100. Dito de outro modo.000 (cem mil) habitantes. 112. quatrocentos e trinta e três) de demandas. na Justiça do Trabalho. em média. Até o ano de 2013. corresponde a 92. Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Pará (UFPA).328. op. 2012. é necessário o desenvolvimento de meios alternativos de resolução de controvérsias trabalhistas. Um Raio x da jurisdição trabalhista no Brasil Segundo o relatório “Justiça em Números” do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No que diz respeito ao tempo de solução do litígio. Neste interim. tem-se uma média de 1. na Justiça do Trabalho.Jornal do Congresso . trezentos e vinte e oito mil..859. não superam 04 (quatro) anos. p. bem como reduzir o saldo de processos pendentes de julgamento. seria necessário que ela mantivesse seu índice de produtividade e que não se permite o ingresso de novas reclamações trabalhistas por um ano inteiro. mas com referência ao ano de 2012. dos 3. 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal) impede o aumento da despesa com recursos humanos.00 (três mil. por exemplo. duzentos e dezoito reais) e.621 (três milhões. o Brasil possui apenas 1.433 (três milhões.

02. 3. da Lei Complementar n.307/96. quinhentos e cinquenta dólares) a menos do que a despesa de uma arbitragem tradicional.67. 215) assevera que a estabilidade não é suscetível de transação e. 2011). Relator Ministro: Alberto Luiz Bresciani de Fontan (3) A título ilustrativo. 13) assevera que tamanha é a conscientização da sociedade canadense sobre Alternative Dispute Resolution (ADR) que uma pesquisa encomendada pela Law Society of Upper Canada. p. 75/93 estatuir que o Ministério Público do Trabalho pode atuar como árbitro nos dissídios de competência da Justiça do Trabalho. XI. Importa dizer que a arbitragem só terá validade ela advier de vontade livre e posterior ao término do contrato de trabalho (BRASIL. 08 (oito) em cada 10 (dez) conflitos trabalhistas submetidos à mediação são resolvidos.0022. O Governo canadense também tem encampado ADR. não pode ser alvo de sentença arbitral. p. portanto. aliada aos dados levantados pelo CNJ. Organizações de âmbito nacional ou provincial têm sido ativas em programas de treinamento e encorajamento do uso desses mecanismos. em 1992. embora com mais comedimento que a iniciativa privada. impedem o uso irrestrito do instituto para dirimir tais controvérsias. Süssekind (2000. e que verse sobre direitos trabalhistas não abarcados pela indisponibilidade absoluta. Como resultado disso. Dito de outro modo. Além disso. 4. 51 .00 (duzentos e quarenta e cinco dólares) para cada parte.5. Tribunal Superior do Trabalho (TST).159900-98. 9. risprudência laboral pátria (BRASIL. Elliot (1994 apud BRITO. ou seja. os mesmos motivos que permitem o instituto da conciliação judicial na Justiça Laboral também devem admitir o uso da arbitragem para dirimir controvérsias. A justiça do trabalho brasileira e a arbitragem Em que pese o art.7% (sessenta e sete vírgula sete por cento) das disputas submetidas à mediação foram resolvidas com a ajuda desses profissionais.Jornal do Congresso Ocorre que a praxe forense nos mostra que esses argumentos não inviabilizam a conciliação judicial. A mesma pesquisa também constatou que 97% (noventa e sete por cento) dos entrevistados achavam que os advogados tinham obrigação de informar os clientes a respeito dessas formas alternativas de resolver disputas. E mesmo quando a mediação não soluciona o conflito. Em verdade. o direito que “não caracterize um padrão civilizatório mínimo” (DELGADO. 1º da Lei n. apontou que 85% (oitenta e cinco por cento) da opinião pública na Província de Ontário apoiava a utilização de métodos alternativos de solução de conflitos. BRASIL. ao lado da indisponibilidade dos direitos em discussão e da hipossuficiência do trabalhador. Por quê? As partes podem transacionar direitos trabalhistas não abarcados pela indisponibilidade absoluta(3). uma vez que o interesse do trabalhador em conseguir o emprego vicia sua vontade e. Em 1994. a juLTr . por conseguinte. é nulo o compromisso arbitral realizado no momento do pacto laboral (convenção contratual). RR . mediação e arbitragem. Para tanto. ela contribui para isso mediante a identificação precisa das questões debatidas e por meio da geração de ideias. 2009) ainda é majoritariamente resistente à utilização da arbitragem como método de resolução de controvérsias para dissídios individuais. Conclusão A experiência canadense. estima-se que os acordos daí resultantes foram alcançados em um prazo de até 03 (três) semanas. desde que seja por livre opção das partes. 2009. mostra que é conveniente (e constitucional) a utilização da arbitragem extrajudicial para redução dos processos trabalhistas. 83. o que significa US$ 1. p. 2010.550. 203) pode ser enfoque de arbitragem. por força do art. Referências bibliográficas BRASIL. havia 39 (trinta e nove) leis federais fazendo referência à resolução de disputas por meio de negociação. 2009. não possui validade. ou seja.2005. a um custo médio de US$ 245.00 (um mil. isto é. 06 (seis) meses mais rápido do que o tempo médio de uma arbitragem convencional. após o término do contrato. o percentual de sucesso da mediação trabalhista é de cerca de 80% (oitenta por cento). aduz-se que o caráter alimentício das verbas trabalhistas. Muitas iniciativas no campo de ADR têm sido adotadas no Canadá. no Canadá.

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rapidez na solução. Roland. In VILLATORE. Fundamentos sociais e econômicos na homologação de transação extrajudicial no direito processual do trabalho: limites e possibilidades. HASSON. HASSON.]. neste momento. UnC Concórdia/SC e da EMATRA IX. 2001.(6) (4) Atualmente. 53 . do Estado e Atividade Econômica: enfoque laboral” da PUCPR.[coord. 2010. Altamiro J. São Paulo: LTr. Comissão de Conciliação Prévia: Conviviologia Jurídica e Harmonia Social. Ronald Silka de. 2. Os Direitos Trabalhistas e a Arbitragem. advogada. (5) Conforme SANTOS. Advogado. custo social reduzido e aguçamento da sensação de efetiva Justiça na prestação jurisdicional. Bacharel em Direito pela PUCPR. Marcelo Ivan. HASSON. p.CONCILIAÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA: TÉCNICA E EXCELÊNCIA Leila Andressa Dissenha Doutora e Mestra em Direito pela PUCPR. 2001. (6) Conforme MELEK. São Paulo: LTr. (2) Conforme MELEK. dos. 371. menor impacto emocional. São Paulo: LTr. desde a CLT de 1943 já previa a figura dos Vogais. Comissão de Conciliação Prévia: Conviviologia Jurídica e Harmonia Social. pois tem sua origem como “Juntas de Conciliação e Arbitragem” e. (3) Conforme PACHECO. ela é a grande (1) Conforme SANTOS. apresentam-se praticamente em desuso. p. à conciliação judicial. tal passagem é considerada facultativa. professora dos Cursos de Graduação em Direito e Administração da PUCPR e da UNINTER. Roland. p. p. gerando total ineficácia e insegurança em relação aos trabalhos destas instituições. 11. dos. pesquisadora convidada da UNIFE — Università degli Studi di Ferrara (Itália/2011).Jornal do Congresso aposta para o aperfeiçoamento do acesso à Justiça e do próprio Poder Judiciário. 13. membro do Grupo de Pesquisa “Desregulamentação do Direito. Roland. Vale destacar que tanto prestígio é dedicado. Marco Antônio César.(5) As razões para este declínio são claras e justificáveis: a falha metabólica legal que não obriga o comparecimento da parte requerida à tentativa de conciliação é uma delas e é agravada pela possibilidade de posterior questionamento judicial do acordo realizado no âmbito das Comissões. está presente desde as Ordenações Portuguesas(3). Especializando em Direito do Trabalho e Processual do Trabalho pela PUCPR. Estado e atividade econômica: o direito laboral em perspectiva. 2003. linha de pesquisa “Atividade Empresarial e Constituição: Inclusão e Sustentabilidade” Pela UNICURITIBA — Centro Universitário Curitiba. cujas funções abarcavam também a condução de tentativas de conciliação. 2139 e 2160.(1) A Justiça do Trabalho apresenta uma vocação histórica para a conciliação(2). hoje. Tiago de Araújo Gonçalves Mestrando em Direito Empresarial e Cidadania. professora dos Cursos de Especialização da UNIARP/SC. que outrora representavam a esperança de desafogamento da Justiça do Trabalho. professora do Mestrado do PPGCOOP — Programa de Pós Graduação em Gestão de Cooperativas da PUCPR. Iara Alves Cordeiro. ALMEIDA. v. Altamiro J. A conciliação tem origem tão remota quanto a própria humanidade e. A conciliação é aclamada há anos como a melhor forma de solução de conflitos e as razões para tanto são notórias: maior aceitabilidade. LTr . Marcelo Ivan. pois a extrajudicial encontra-se em franco declínio: as Comissões de Conciliação Prévia. Curitiba: Juruá. no Brasil. Especializando em Direito Processual Civil pelo Instituto de Direito Romeu Felipe Bacellar. 179. por força das Ações Diretas de Inconstitucionalidade n. ao lado da mediação e da arbitragem. sendo reconhecida como facultativa(4) a passagem da futura demanda trabalhista por tais instituições para tentativa de acordo.

conforme se apreende da leitura do art. dentre ele o próprio desconhecimento da técnica.]. Métodos Extrajudiciais de Solução de Conflitos Trabalhistas.. o que. Todavia. ou a análise econômica de custos de transação da Economia. mas encontra restrições para ser mediador: ao formular a “proposta do juízo”. elas não alcançaram o objetivo almejado de ser um filtro de demandas trabalhistas e acesso à Justiça para as partes. 2013. A Consolidação das leis do trabalho e as formas alternativas de solução de conflitos. sendo que esta é a prática forense mais comum atualmente. certamente. Roland . São Paulo: Atlas. certamente. 2. 78 54 rismo por diversos profissionais da área jurídica: forma.[coord. Lutiana Nacur. Altamiro J. Valentin. afirmam que se está diante de um “mau acordo” que não deveria ser homologado judicialmente. dos. por si próprias. os autores acima mencionados. distanciamento emocional.Assim. por exemplo. 179. 114 da CRFB/88 e da aplicação do princípio da proteção. econômica e jurídica. ou seja. ocorre com muito mais justificativa em razão das limitações judiciais quanto ao dever de imparcialidade. o Magistrado corre o risco de macular sua imparcialidade e ser acusado de pré-julgamento. Conciliar significa muito mais que reunir as partes para questioná-las acerca da possibilidade de acordo. p.(10) (9) Conforme SANTOS. A conciliação consiste na mera aproximação das partes para que elas. pelo menos é assim que deveria ser. Jouberto de Quadros Pessoa. também gera consequências de alta relevância: não são poucos os casos desmantelados pela Justiça do Trabalho de conluio entre empresas e trabalhadores para validar acordos a partir de falsas reclamatórias trabalhistas. p. 2004. In CAVALCANTE. (7) Conforme CARRION. na prática. Quando um trabalhador abre mão parcialmente de um direito que sabe devido (valores de FGTS não depositados durante o vínculo. como a análise comportamental da Psicologia. (8) Conforme LORENTZ. Estado e atividade econômica: o direito laboral em perspectiva. HASSON. Uma perspectiva de atuação cada vez mais aprimorada dos Magistrados na conciliação de conflitos advém das disposições do Conselho Nacional de Justiça que vem auxiliando no aprimoramento da vocação natural dos Magistrados para a Conciliação. cheguem à melhor solução para seu conflito. ed. ou. 471. como já mencionado. In VILLATORE. são apenas alguns dos múltiplos detalhes que compõem os estudos mais aprofundados acerca da atual Conciliação. Comissão de Conciliação Prévia: Conviviologia Jurídica e Harmonia Social. São Paulo: Saraiva. na conciliação não é possível ao conciliador propor soluções para o caso. consideração do “iceberg” comportamental e utilização de ciências auxiliares.Jornal do Congresso . Marco Antônio César. A conciliação é um procedimento eminentemente técnico.(7) A impossibilidade de homologação de acordos extrajudiciais pelo Magistrado Trabalhista. 2001. VILLATORE. por melhor intenção que tenha havido quando da instituição das referidas Comissões. 268.(9) Diferentemente da mediação. 2010. 29ª. p. CLT 70 anos de consolidação: uma reflexão social. (10) DISSENHA. Leila Andressa. 379. Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho. um problema social e economicamente alarmante. fato é que.. p. colaborará para o aperfeiçoamento do Poder Judiciário e da própria distribuição da Justiça. questionam os “maus acordos” judiciais: situações de flagrante renúncia unilateral de direitos sob o argumento do fator “tempo”. Tal limitação de atuação dos Magistrados pode advir de diversos fatores. Ronald Silka de. No mesmo esteio encontram-se os argumentos sobre o despreparo de alguns Magistrados para conduzir a conciliação. por exemplo) sob o argumento de que haverá uma demora de anos para que a prestação judicial chegue às suas mãos. linguagem e ambiente de abordagem das partes (raport). a ascensão da conciliação nos dias atuais está no âmbito judicial. p.. mas vem sendo utilizado com bastante empiFundamentos sociais e econômicos na homologação de transação extrajudicial no direito processual do trabalho: limites e possibilidades. Curitiba: Juruá. Eis o principal motivo para que sua atuação como conciliador encontre obvias restrições. São Paulo: LTr. onde ela ocorre sob o auspício do Estado e das garantias dos princípios processuais e materiais trabalhistas. a demora do processo. Marco Antônio César. ALMEIDA. mas. O Magistrado trabalhista está autorizado constitucionalmente a atuar como conciliador. LTr . 2002. Jorge Souto Maior e Lutiana Nacur Lorentz(8). v. São Paulo: LTr. incentivando seu constante aprimoramento e excelência na condução de procedimentos de conciliação.

§ 1º. Disponível em: <http://www. O autor explica que o prestígio da conciliação no texto consolidado. a defesa dos direitos de seu cliente. de Disciplinas de Direito Negocial (Mediação/Conciliação/Arbitragem) nas Faculdades de Direito e em cursos ofertados por órgãos como a própria Ordem dos Advogados do Brasil. o art. 769 da CLT impõe a observância de dois critérios para aplicabilidade subsidiária de normas: omissão e compatibilidade. a função primordial de todos. Consultor Jurídico. também.conjur. especialmente pelo receio de comprometimento da parcialidade da Justiça Laboral. aos Magistrados. 55 . cada vez maior. podendo o juiz ser auxiliado por conciliador”.com. seus Magistrados e os profissionais da Advocacia a revisitarem seus conceitos de atuação e estarem disponíveis ao constante estudo de formas de alternativas solução de conflitos. ainda que venha a ser implementada sem maiores questionamentos.Jornal do Congresso Conciliadores para auxílio dos Magistrados trabalhistas. Rogério. Tal artigo dispõe que “A conciliação será reduzida a termo e homologada por sentença. resta a discussão acerca da possibilidade de compatibilização. são inegáveis. br/2012-dez-03/rogerio-neiva-preciso-discutir-adocaoconciliador-justica-trabalhista>. inclusive. Tal auxílio no aperfeiçoamento das práticas de conciliação judicial não está isento de dúvidas e críticas. preparando profissionais para esta forma de solução de conflitos tão salutar na defesa dos interesses de seus patrocinados.Vale mencionar que as dificuldades no aprimoramento das práticas conciliativas não se restringem. Como explica Rogério Neiva(11). tal medida. por excelência. É mais um indício de que caminhamos para a excelência na aplicação das práticas de conciliação. Com relação aos Advogados. não elide a necessidade de estimular a Justiça do Trabalho. aos Advogados. Uma nova boa perspectiva para os defensores da conciliação judicial é a crescente defesa da tese de aplicabilidade subsidiária do art. a obrigação legal do juiz de empenhar esforços na condução de uma solução conciliatória dos conflitos e a melhor utilização do tempo no Processo do Trabalho demonstrariam a existência de compatibilidade. Da mesma forma. cujas vantagens. já elencadas. do Código de Processo Civil ao Processo do Trabalho. de forma alguma. (11) NEIVA. o que abriria a possibilidade de contratação de LTr . mas. O posicionamento agressivo de um Advogado pode restringir significativamente as possibilidades de sucesso na tentativa de conciliação e comprometer. Muitos profissionais do Direito foram forjados pelas Faculdades de Direito e pela prática forense tradicional a atuarem como verdadeiros “gladiadores” e não estão preparados para uma postura negocial. Acesso em 28 de abril de 2014. 277. Como inexiste norma específica sobre o tema. eis que a pacificação é. a boa perspectiva encontra-se na disseminação. Resolução de Conflitos: é preciso discutir o conciliador na Justiça Trabalhista.

. 56 em certas áreas ou espécies de litígios. ramo no qual. como propõe Mauro Cappelletti(2). denominou de “terceira onda” no movimento de acesso à Justiça. as normas são vistas como absolutamente indisponíveis. Doutor em Direito do Trabalho pela USP. como novos caminhos para tratar as demandas fora do sistema formal (conciliação. abr/jun. 1. Revista de Processo n. a busca de tais vias alternativas deve ser cercada de cuidados(4) para que atinja sua finalidade e não sofra desvirtuamento: quais serão as instituições a promovê-las e mediante quais procedimentos. 1994. quais os padrões e garantias mínimos a serem mantidos nesses canais alternativos de modo a evitar que eles proporcionem uma “justiça de segunda classe”. sendo o contrário também verdadeiro (“Conflitos de Justiça e limites da mediação para a difusão da cultura da paz”. na prática. (2)CAPPELLETTI. quais pessoas integrarão os referidos órgãos. Amauri Mascaro Nascimento considera a arbitragem uma forma quase sempre facultativa e voluntária de solução de conflitos por um terceiro investido de poder (3) CAPPELLETTI. Bryant.(3) Obviamente. Advogado. os referidos créditos? Ou. e uma terceira. eis que “o mesmo direito que não pode ser renunciado na mediação não poderá sê-lo em jurisdição”. Mestrando em Direito do Trabalho pela PUC/SP. GARTH. Bryan Garth. a tese da indisponibilidade absoluta de direitos não tem fundamento. um trabalhador demore tantos anos para receber. já era reconhecida pela sociedade.206-7.. Mauro. 2009). tradicionalmente. o processo tradicional em juízo pode não ser o melhor caminho para a vindicação efetiva de direitos. Ellen Gracie Northfleet. que avalia os impactos e resultados da resposta jurídica pensada. (4) Como ressaltou o Ministro Sepúlveda Pertence. como aceitar que sejam celebrados acordos perante a Justiça em valores tão ínfimos?(1) A arbitragem poderia ser uma solução para o problema da morosidade judicial? Ou agravaria ainda mais a postura negligente ante os direitos trabalhistas? A arbitragem é método alternativo de solução de conflitos em crescente expansão em diversos ramos do direito. Mauro. se imponha na realidade o poder da parte economicamente mais forte”. Mas se os direitos trabalhistas são indisponíveis e irrenunciáveis. mediação e arbitragem).A arbitragem e a duração razoável do processo trabalhista Túlio de Oliveira Massoni Professor da UNIFESP. judicialmente. o que preocupa não é a legitimidade constitucional da arbitragem instituída consensualmente. sob o pálio da liberdade contratual. no voto proferido no AGRSE 5. Trad. Daí o incentivo a formas extrajudiciais de composição de conflitos. mas a “necessidade de predispor cautelas eficazes contra o risco de que. Acesso à Justiça. como admitir que.Jornal do Congresso . por ostentarem natureza alimentar (CTN. Arbitragem nos dissídios individuais trabalhistas: Brasil e Itália Desde os tempos antigos a figura de um terceiro. outrora denominado árbitro. (1) Como adverte Antonio Rodrigues de Freitas Jr. Gabriel Henrique Santoro Professor do Curso de Estágio Profissional de Advocacia do Complexo Educacional FMU. 2. p. art. 82-97. LTr . uma exigência social. 1998. juntamente com o Prof. Advogado. proposta a que. ele menciona os “obstáculos processuais”. Para o autor. 186). Dentro da teoria de Cappelletti de acesso à Justiça. 74. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor. como controlar a independência e a imparcialidade destas pessoas. a segunda reflete a resposta ou solução jurídica (normas e instituições para atender àquela necessidade). Liga-se ao movimento de acesso à Justiça em uma concepção “contextual” e tridimensional do direito. Os métodos alternativos de solução de conflitos no quadro de movimento universal do acesso à Justiça. ainda. a primeira dimensão reflete o problema. entendendo-os como o fato de que. Formas alternativas de solução de conflitos no quadro do acesso à justiça Polêmica é a aceitação da arbitragem em dissídios individuais trabalhistas.

define arbitragem como a decisão de um conflito levada a efeito por pessoa ou pessoas escolhidas pelas partes nele envolvidas. 12.9. O referido autor destaca como elementos nucleares da sua definição o caráter privado do juízo arbitral e a natureza voluntária do instituto. 31. ainda majoritária. como meio de solução do litígio. § 1º. DEJT 19/06/2009.(5) Octávio Bueno Magano. se assim for solicitado pelas partes. Dora Maria da Costa.307/96).106500-58. Na Itália. o objeto da arbitragem pode ser delimitado pelas partes. 4.Jornal do Congresso niais e disponíveis. que o autoriza a adotar uma solução e impô-la às partes. 32. TST — RR — n. publicação: DJ — 17. haja vista a posição suprapartes do árbitro. 2005. p. bem como aquela proferida por árbitro incompetente ou nos casos de prevaricação. que trata da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas.815/2013). IV. as partes poderão utilizar-se da arbitragem de ofertas finais. §§ 1º a 5º). Rel. de 4 de novembro de 2010.307/96). DEJT 7. como um desdobramento do procedimento conciliatório frustrado (art. a qual estabelece em seu art.2011. p. Mas ambas as correntes reconhecem que a decisão arbitral. (9)TST — RR n. 30) e a arbitragem em matéria justrabalhista (art. Da mesma forma. 9. traz previsão expressa da aplicação da arbitragem para dirimir os conflitos decorrentes da relação entre o trabalhador portuário e o órgão gestor de mão de obra (art. prevê em seu art.0091. A posição do TST. Min. 114. inciso II.15. entendendo ser relativa a indisponibilidade dos direitos patrimoniais.5. a Lei nº 10. (10) Como lembra Mauro Cappelletti. 475-N). que regula o trabalho nos portos. 37 da Lei n. Min. figura como título executivo judicial (CPC. que determina que as partes poderão recorrer à arbitragem quando frustrada a negociação coletiva. (6)MAGANO.decisório pelas partes conflitantes. que compete ao Ministério Público do Trabalho atuar como árbitro. Min. Destaca-se também a Lei Complementar nº 75/93. que prevê o uso da arbitragem apenas em relação aos bens patrimo(5)NASCIMENTO. §§ 6º a 11). expressa no acordo de vontades para escolha do árbitro ou árbitros que decidem o conflito. A figura da arbitragem está prevista em diversos dispositivos legais do ordenamento jurídico brasileiro. 7ª Turma — Rel. Por fim. 295. Quanto ao objeto. Compêndio de Direito Sindical. 3. uma vez prolatada. 4º. No que tange à amplitude. 219. 3ª Turma. TST — AIRR: 58500-26.5. autorizando a arbitragem em dissídios individuais. a arbitragem possui natureza heterocompositiva. 32. da Lei n. A celebração da cláusula compromissória no curso do contrato de trabalho. 31. IX.0069. sendo nula a sentença arbitral proferida fora dos limites fixados (art. por sua vez. recusa a arbitragem em dissídios individuais. LTr . o outro — talvez menos ostensivo — é exigir a perfeição (o enfoque do tudo-ou-nada). DEJT 9. há dois modos de recusar mudanças: uma é simplesmente dizer não às reformas. a preocupação com a duração razoável do processo não é uma exclusividade brasileira. DEJT de 19. inclusive no campo trabalhista(7). 3. 31). 5ª Turma — Rel. 409 a 412 do Código de Processo Civil italiano.2008.2011. da Lei n. Rel.(8) Entretanto.307/96. 1799/2004-024-05-00 — 4ª Turma — Rel. em especial a conciliação (art. Com efeito.(6) Para alguns. ao lado da jurisdição. caracterizando a arbitragem como procedimento de autocomposição. após o período de experiência (periodo di prova). Barros Levenhagen. Algumas propostas para reflexão Não podemos negar as vantagens da arbitragem no atual cenário de morosidade judicial. tem-se o art. Amauri Mascaro. São Paulo: LTr. pois cessada a vulnerabilidade do trabalhador.15.0005. 9.12. (7) A Lei n. II e VI.2007. 57 . incentivou formas extrajudiciais de solução de conflitos. edição. quando houver a participação do sindicato profissional na escolha deste procedimento e as partes estiverem assistidas por advogados. conforme art. o árbitro. corrupção passiva ou concussão (art. TST — AIRR — 1475/2000-193-05-00. § 10 da lei supracitada. modificando os arts. tema que.101/00. da CF. necessariamente. com base no art. apenas será válida se prevista no contrato coletivo e. Há a arbitragem prevista pela lei. 8ª Turma. Outros ressaltam a natureza voluntária do instituto. que no caso da negociação resultar em impasse.(10) Antes de abandonar a ideia de forma (8)TST — RR n. Octávio Bueno.10.8. Min. 12. nos dissídios de competência da Justiça do Trabalho. e a arbitragem alternativa. 83. a lei italiana optou por excluir do mecanismo arbitral. Manual de direito do trabalho: direito coletivo do trabalho. bem ainda quando inexistirem vícios de consentimento(9). 217400-10. Min. 1993. 1º da Lei n.5.02. não fazendo qualquer menção se em dissídios coletivos ou individuais. 183. Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira. 31. João Batista Brito Pereira. por sua importância.2008. há precedentes da mais alta Corte trabalhista sinalizando uma mudança de perspectiva sobre o tema.2012. em especial quando já extinta a relação empregatícia. Pedro Paulo Manus. não estão sujeitas à arbitragem as controvérsias relativas à cessação do contrato de trabalho. prevista em contrato coletivo de trabalho (art. Vol.2009. 9.815/2013. a Lei n. art. São Paulo: LTr.

Especialista em Direito Material e Processual do Trabalho pela UNIDERP. pela via da negociação coletiva de trabalho. renuncia-se o direito de acesso ao Poder Judiciário quanto às questões materiais postas à análise arbitral. 75/93 (art.2001). dado que não há. 9. não sendo permitido obrigar-se alguém. eis que a LC n. Sobre a perspectiva coletiva. AgRg. 58 uma vez eleito. uma falsa problemática. A polêmica inicia-se por parcela minoritária da doutrina e jurisprudência defenderem suposta afronta ao princípio da inafastabilidade da jurisdição(1). ora propostos: a) previsão em contratos coletivos de trabalho. rel. Não há renúncia de direitos materiais trabalhistas. No entanto. talvez seja possível a introdução da arbitragem para conflitos individuais. de certos direitos (como os direitos de personalidade) ou delimitação. uma proteção efetiva à dispensa imotivada. Ao lado da mediação.12. Sepúlveda Pertence. na verdade. inafastabilidade da jurisdição e do juiz natural já se manifestou o Supremo Tribunal Federal (SE 5.Jornal do Congresso . IX) não diferencia os dissídios em que o referido órgão pode atuar como árbitro (se individuais ou coletivos). 5º da Constituição Federal. se necessário. A solução é apresentada através de laudo arbitral. Especialista em Direito Constitucional pela UNIDERP. e. b) as partes estarem acompanhadas de advogados. entretanto. corrigindo os desvios de percurso que surgirem. 12. f) exclusão. Observa-se que o direito de ação não é um dever. eis que a arbitragem é meio facultativo de solução de conflitos. g) criação de regras procedimentais claras e zelosas do contraditório e da ampla defesa. que devem prestar assistência jurídica aos membros da categoria. sendo ainda possível. Parece. a utilizar o procedimento arbitral. observando-se os resultados empíricos. no Brasil. evitando vícios de consentimento. Em suma. 475-N do CPC. no sentido de que todo e qualquer litígio deve ser submetido ao Poder Judiciário. conciliação e a jurisdição. a arbitragem é um meio de solução de conflitos — instituído e regulado pela Lei n. há autorização constitucional para que o conflito possa ser dirimido por arbitragem (§ 1º do art. Sobre a inexistência de conflito entre a aplicabilidade da Lei n. cuja exequibilidade em Juízo é permitida pelo inciso IV do art. 83. Min. c) estipulação da cláusula arbitral apenas após o rompimento da relação de emprego.307/96 e os princípios constitucionais do acesso à justiça. as partes previamente elegem árbitro imparcial para solucionar o conflito de forma definitiva. contra sua vontade. 9. A APLICABILIDADE DA LEI DE ARBITRAGEM (LEI N. e) participação do MPT. Em LTr .307/96) NA RESOLUÇÃO DE CONFLITOS INDIVIDUAIS TRABALHISTAS Manoella Rossi Keunecke Graduada em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina. mas de método de resolução de conflitos. d) composição paritária do órgão arbitral. Mas a introdução do mecanismo arbitral deverá se cercar de cuidados mínimos.peremptória. e) custeio dos gastos pelas entidades sindicais. (1) Inciso XXXV do art.206-Espanha. 114). de outros temas que se considerem infensos à via arbitral. do objeto da via arbitral. 9. a discussão judicial de nulidades procedimentais.307/96.

6ª Turma. 1º da aludida Lei quanto à natureza do direito posto ao árbitro: “As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis”. 444. Relator Min. p. Assim. A segunda problemática sobre a admissibilidade da utilização deste método heterocompositivo perante litígios trabalhistas recai. p. Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado. 9.2012.2009. Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado.0654 Data de Julgamento: 7.11. Américo Plá Rodriguez (2000.04.2012. Data de Publicação: DEJT 16. RR — 9050078. Data de Publicação: DEJT 31. 3ª Turma.039. na limitação feita pelo próprio art.2012. a faculdade da disponibilidade de direitos por ato voluntário e isolado do empregado. 116) Parece não restar dúvidas de que se está — quando se analisa o Direito do Trabalho — diante de um direito que não comporta. A primeira espécie de direitos trabalhistas constituem um patamar civilizatório mínimo. o que. AIRR.40.6.12. 151) igualmente corrobora a possibilidade de transacionar-se direitos trabalhistas. Não se pode perceber como sinônimos a imperatividade das normas trabalhistas e a indisponibilidade indiscriminada destas. não admitindo a arbitragem como mecanismo de solução dos conflitos individuais de trabalho.âmbito infraconstitucional.18. 9. data de publicação 26. Pertencendo ao Direito Privado.2012. Os disponíveis são aqueles sobre os quais as partes podem transigir e dispor. inviabiliza a sua aplicação como método de solução dos conflitos individuais trabalhistas. isto é. Pode-se citar grandes juristas como Carlos Henrique Bezerra Leite.815/2013). desde que não haja prejuízo ao 59 .6.615/98) e pelo Ministério Público do Trabalho (LC n. 214 e 215) os divide em: direitos de indisponibilidade absoluta e relativa. AIRR — 26971. Data de Publicação: DEJT 29.0012 Data de Julgamento: 29.]” (2014. data de julgamento 17. RR — 10290048. não há regra que proíba a utilização da arbitragem nos conflitos individuais trabalhistas. (JORGE NETO E CAVALCANTE. merecendo tutela de nível de interesse público. Francisco Ferreira Jorge Neto e Jouberto de Quadros Pessoa Cavalcante.5. Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo Bastos. p. Isso porque também há dissenso sobre a natureza indisponível dos direitos trabalhistas. (BEZERRA LEITE. 8).10. não significa dizer que os Direitos Trabalhistas são indisponíveis. portanto. 158) A questão que revolve o princípio da indisponibilidade dos direitos trabalhistas é questão de direito substancial e sobre estes o Ministro e jurista Maurício Godinho Delgado (2014.2009.02.2011..2011. 1. a parcela de direitos trabalhistas de disponibilidade relativa pode ser livremente transacionada pelas partes contratuais. em princí(2) TST. Horácio Raymundo de Senna. cujas palavras transcreve-se. Conclui-se.2012. o Direito do Trabalho não se coaduna com a Lei n.5.9. e 468. são aqueles direitos que podem ser alterados durante a vigência da relação de trabalho desde que não importem em prejuízo.6. 6ª Turma. 3ª Turma. e que determinam a obrigatoriedade de arbitragem de ofertas finais pelos destinatários da Lei dos Portos (Lei n. Já os direitos de indisponibilidade relativa — sobre os quais poderia haver transação — são os que traduzem interesse individual ou bilateral simples. LTr . p. à incidência das normas de proteção à saúde e segurança do trabalhador. Segundo Nélson Nery Júnior (2003.].0031 Data de Julgamento: 29.2012.” (SCHIAVI.307/1996 vaticina que a arbitragem só pode resolver conflitos em envolvendo direitos patrimoniais disponíveis.2011. p.5. “Em suma. Parcela expressiva da doutrina e jurisprudência(2) dos Tribunais Regionais do Trabalho percebe os direitos trabalhistas como dotados de ampla indisponibilidade. ao salário mínimo.6. 2ª Turma.2007. Data de Publicação: DEJT 9.10.Jornal do Congresso pio. 75/93). 2007. como o direito à anotação da CTPS. que os direitos transacionáveis são os de indisponibilidade relativa. 9º.307/96. p.2009. respectivamente: O art. que não caracterizam um padrão civilizatório mínimo.5. 415/2005. 2012. “O fato de existirem normas de ordem pública no Direito do Trabalho (art. 1º da Lei n. há regras que permitem o uso da arbitragem para conflitos trabalhistas desportivos (Lei n. AIRR — 25970012. 9.” O próprio Maurício Godinho Delgado conclui que “Somente será passível de transação lícita parcela juridicamente não imantada pela indisponibilidade absoluta [. todo o direito que puder ser objeto de transação pode ser examinado e julgado por meio do juízo arbitral.12. mormente.10. em linha de princípio. Ao inverso. Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado. p.09.430). da CLT). 12.05.0052 Data de Julgamento: 20. 216)..2008.

empregado, parte hipossuficiente na vigência de
relação de trabalho. A própria CLT prevê, no art.
625-D, a passagem — já tendo sido declarada
pelo STF sua facultatividade(3) — pela Comissão
de Conciliação Prévia, em que há transação de
direitos e cuja exequibilidade judicial(4) é amplamente aceita pelo TST(5), possuindo, inclusive,
eficácia liberatória geral quanto a todo o período
contratual.
A distinção entre a Comissão e a arbitragem é que nesta a decisão sobre o direito posto
é direcionada a um terceiro eleito, em comum
acordo, pelas partes, e não por elas transacionada. Entretanto, as semelhanças — aspecto de
maior relevância — entre estas formas de resolução de conflitos é que não se trata de renúncia
de direitos materiais e a submissão a ambas é facultativa, de livre eleição das partes.
Se a legislação permite e a jurisprudência
chancela a validade da conciliação, não só via
CCP, mas principalmente durante o trâmite processual em Juízo (art. 846 e 850 da CLT), a doutrina não deve rechaçar, de imediato, a aplicabilidade da arbitragem nos conflitos trabalhistas
individuais. A questão é mais complexa e sua
análise deve ser cindida em aspectos que tomem
em consideração o tempo da obrigação de submissão à arbitragem e as condições qualificativas
dos sujeitos compromissados.
A subordinação e hipossuficiência do empregado é grande empecilho para que se considere válida cláusula compromissória — pactuada anteriormente ao conflito — ou compromisso
arbitral — eleição posterior ao dissenso — de
forma indiscriminada. De fato e de regra, presume-se a mácula na livre manifestação de vontade
do empregado que elege o Juízo Arbitral no momento da pactuação do contrato de trabalho até
(3) ADIs n. 2139 e 2160.
(4) Parágrafo único do art. 625-E da CLT.
(5) AIRR — 180900-76.2008.5.02.0014 Data de Julgamento:
15/02/2012, Relator Ministro: Ives Gandra Martins Filho, 7ª
Turma, Data de Publicação: DEJT 2.3.2012; RR — 11280042.2007.5.01.0011 Data de Julgamento: 16.5.2012, Relator
Ministro: Ives Gandra Martins Filho, 7ª Turma, Data de
Publicação: DEJT 18.5.2012; RR — 690-72.2010.5.04.0024
Data de Julgamento: 7.8.2012, Relator Ministro: Ives
Gandra Martins Filho, 7ª Turma, Data de Publicação:
DEJT 10.8.2012; ARR — 325000-82.2003.5.02.0020 Data
de Julgamento: 22.8.2012, Relator Ministro: Ives Gandra
Martins Filho, 7ª Turma, Data de Publicação: DEJT
24.8.2012.

60

o termo final deste, com a rescisão contratual.
Durante este lapso temporal, há posição de desvantagem e nítida dependência do empregado
em relação ao empregador.
A situação é diversa quando a eleição ocorre mediante compromisso arbitral tomado após
o fim do contrato de trabalho, ocasião em que
não há vulnerabilidade, dependência ou subordinação que singularizam a típica relação empregatícia. O clima é de ampla liberdade e, por
isso, não se poderia presumir vício de vontade
na escolha de submissão de conflito à arbitragem. Neste sentido, há especial jurisprudência
do Tribunal Superior do Trabalho:
Dissídio individual — Sentença arbitral —
Validade — Efeitos — Extinção do processo sem
resolução do mérito — Art. 267, VII, do CPC. I —
O art. 1º da Lei n. 9.307/96, ao estabelecer ser a
arbitragem meio adequado para dirimir litígios
relativos a direitos patrimoniais disponíveis, não
se constitui em óbice absoluto à sua aplicação
nos dissídios individuais decorrentes da relação
de emprego. II — Isso porque o princípio da irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas deve
ser examinado a partir de momentos temporais
distintos, relacionados, respectivamente, com o
ato da admissão do empregado, com a vigência
da pactuação e a sua posterior dissolução. III —
Nesse sentido, sobressai o relevo institucional
do ato de contratação do empregado e da vigência do contrato de trabalho, em função do qual
impõe-se realçar a indisponibilidade dos direitos
trabalhistas, visto que, numa e noutra situação,
é nítida a posição de inferioridade econômica do
empregado, circunstância que dilucida a evidência de seu eventual consentimento achar-se intrinsecamente maculado por essa difusa e incontornável superioridade de quem está em vias de
o contratar ou já o tenha contratado. IV — Isso
porque o contrato de emprego identifica-se com
os contratos de adesão, atraindo a nulidade das
chamadas cláusulas leoninas, a teor do 424 do
Código Civil de 2002, com as quais guarda íntima correlação eventual cláusula compromissória
de eleição da via arbitral, para solução de possíveis conflitos trabalhistas, no ato da admissão do
trabalhador ou na constância do pacto, a qual
por isso mesmo se afigura jurídica e legalmente
inválida. V — Diferentemente dessas situações
contemporâneas à contratação do empregado e
à vigência da pactuação, cabe destacar que, após
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a dissolução do contrato de trabalho, acha-se
minimizada a sua vulnerabilidade oriunda da
sua hipossuficiência econômico-financeira, na
medida em que se esgarçam significativamente
os laços de dependência e subordinação do trabalhador face àquele que o pretenda admitir ou
que já o tenha admitido, cujos direitos trabalhistas, por conta da sua patrimonialidade, passam
a ostentar relativa disponibilidade. VI — Desse
modo, não se depara, previamente, com nenhum
óbice intransponível para que ex-empregado e
ex-empregador possam eleger a via arbitral para
solucionar conflitos trabalhistas, provenientes
do extinto contrato de trabalho, desde que essa
opção seja manifestada em clima de ampla liberdade, reservado o acesso ao Judiciário para dirimir possível controvérsia sobre a higidez da manifestação volitiva do ex-trabalhador, na esteira
do art. 5º, inciso XXXV da Constituição. VII —
Tendo em conta que no acórdão impugnado não
há nenhum registro sobre eventual vício de consentimento do recorrido, ao eleger, após a extinção do contrato de trabalho, a arbitragem como
meio de composição de conflito trabalhista, uma
vez que a tese ali sufragada ficara circunscrita à
inadmissibilidade da solução arbitral em sede de
dissídio individual, não se sustenta a conclusão
ali exarada sobre a nulidade do acordo firmado
pelas partes perante o Tribunal Arbitral. Recurso
conhecido e provido.(6)
Neste sentido, seguem as doutrinas de
Mauro Schiavi (2014, p. 64), Luiz Carlos Amorim Robortella (1997, p. 147) e Jorge Luiz Souto Maior (2000, p. 147), que também percebem
oportunidade de considerar-se válido compromisso arbitral eleito por empregados de alta qualificação, alto escalão, graduados e executivos,
cuja dependência é demasiadamente rarefeita.
Há precedente jurisprudencial que distinga empregados pela sua qualificação a fim de apurar
o grau de subordinação e hipossuficiência para,
finalmente, entender pela validade da eleição
do Juízo Arbitral (TRT — 15ª R. — Proc. 10482004-032-15-00-0-RO — Ac. 9503/06 — 11ª C
— Rel. Flávio Nunes Campos — DOESP 3.3.06).

brio de eventual hipossuficiência pode ser também sanado pela presença do órgão sindical ou
Ministério Público do Trabalho no momento da
assunção do compromisso arbitral, assim como
acontece com as rescisões de contratos de trabalho de duração superior a 1 ano (§ 1º do art. 477
da CLT). Muitas das Convenções Coletivas já
preveem a faculdade da arbitragem às categorias
e o assessoramento sindical.
A questão da aplicação da arbitragem nos
conflitos individuais trabalhistas — como visto,
aqui defendida em específicas hipóteses —, possui caráter de exceção e, portanto, deve aguardar estabelecimento de parâmetros doutrinários
e jurisprudenciais mais bem delimitados. O que
não se pode é rechaçar-se em absoluto a possibilidade de sua aplicação sem uma análise pormenorizada dos institutos apenas debatidos. As
vantagens de sua utilização são inúmeras e as
condições de aplicabilidade pouco estudadas ou
aprofundadas.
Referências
BEZZERA LEITE, Carlos Henrique. Curso de
direito processual do trabalho. 10ª ed. São
Paulo: LTr, 2012.
CAVALCANTE, Jouberto de Quadros Pessoa;
JORGE NETO, Francisco Ferreira. Direito
Processual do Trabalho. Tomo I. 3ª ed. Rio
de Janeiro: Lúmen Júris Editora, 2007.
DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito
do trabalho. 13ª ed. São Paulo: LTr, 2014.
NERY JÚNIOR, Nélson. Comentários ao Código
de Processo Civil. 7ª ed. São Paulo: RT, 2003.
PLÁ RODRIGUEZ, Américo. Princípios de Direito do Trabalho, 3ª ed São Paulo: LTr,
2000.
ROBORTELLA, Luiz Carlos Amorim. Solução
extrajudicial dos conflitos do trabalho. In:
Revista Trabalho & Doutrina n. 14. São
Paulo: Saraiva, 1997.

O grau de certeza da validade da escolha,
higidez da vontade do empregado e do equilí-

SCHIAVI, Mauro. Aspectos polêmicos e atuais
da arbitragem como meio de solução dos
conflitos trabalhistas. Disponível em: <lacier.com.br>. Acessado em: 1º.5.2014.

(6) RR — 144300-80.2005.5.02.0040 Data de Julgamento:
15.12.2010, Relator Ministro: Antônio José de Barros
Levenhagen, 4ª Turma, Data de Publicação: DEJT 4.2.2011.

SOUTO MAIOR, Jorge Luiz. Temas de Direito Processual do Trabalho. São Paulo: LTr, 2000.

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61

Breves Considerações sobre a Convenção de Arbitragem
Flávia Teles Ceccon
Mestre em Direito — PUC-PR; Especialista em Direito
Processual Civil — PUC-PR; Especialista em Direito Público
— UniBrasil; Especialista em Administração Pública —
UniCesumar; Advogada, Professora Universitária.

Com o intuito de assegurar e facilitar o
acesso à Justiça a todos os brasileiros foram
concebidos meios alternativos de solução de
conflitos, os quais são uma opção àqueles que
não desejam procurar o Poder Judiciário para
resolver questões que importunem a vida em
sociedade. Tal escolha pode decorrer por conta da necessidade de soluções mais rápidas ou
também pela grande especialização de determinadas matérias. Nestes casos, se a questão for
enviada à apreciação do Judiciário precisará de
laudos periciais e infelizmente tal meio de prova pode ser bastante oneroso em determinadas
situações específicas.
Os meios alternativos englobam a conciliação e o arbitramento. Contudo, existem certos
casos que não podem ser analisados de tal forma
precisando ser julgados pelo Poder Judiciário.
Trata-se de pretensões que “[...] necessariamente são sujeitas a exame judicial para que possam
ser satisfeitas [...] se referem a direitos e interesses regidos por normas de extrema indisponibilidade [...].”(1)Respeitando-se tais exceções os
meios alternativos podem ser úteis na solução
de muitas questões empresariais, especialmente
nas que envolvem litígios trabalhistas de ordem
meramente patrimonial.
Seguindo o exemplo de vários países do
mundo, o Brasil editou a Lei n. 9.307 em 23 de
setembro de 1996 para regulamentar a arbitragem. Tal assunto também é tratado no ordenamento jurídico pátrio nos arts. 851 a 853 do Código Civil de 2002 e pelo Decreto n. 4.311/2002
e Decreto Legislativo n. 52/2002. O ilustre doutrinador André Luiz Santa Cruz Ramos explica
didaticamente que “a arbitragem não se confun(1) CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada
Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do
Processo. 17. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores,
2001. p. 31.

62

de com a mediação nem com a conciliação. Na
arbitragem, o árbitro julga o litígio a ele submetido e impõe às partes uma solução definitiva, tal
como ocorre no processo jurisdicional. Na mediação, [...], o mediador apenas se limita a tentar aproximar as partes, criando condições para
que elas cheguem sozinhas a um consenso sobre
o litígio submetido ao mediador. [...]. Por fim,
a arbitragem também não deve ser confundida
com a conciliação, já que nesta o conciliador vai
além do que faz o mediador, influindo no ânimo
das partes, apontando vantagens de um determinado acordo, [...].”(2)Aspecto importante na arbitragem é que a sentença proferida pelo árbitro
não é sujeita a recurso ou homologação pelo Poder Judiciário, conforme dicção do art. 18 da Lei
n. 9.307 de 1996. A conveniência ou não de tal
ponto deve ser analisada pelas partes envolvidas
em virtude da sua irreversibilidade.
Nas relações trabalhistas há o conflito de
duas partes: daqueles que entregam sua força de
trabalho e dos que dela precisam para desenvolver sua atividade empresarial. O equilíbrio só é
alcançado quando ambas se conscientizam da
necessidade da cooperação mútua. Na resolução de possíveis litígios não pode ser diferente.
A arbitragem extrajudicial só será interessante
para reduzir os processos trabalhistas se as partes envolvidas se conscientizarem de que terão
que fazer concessões para o bem de todos. Caso
uma delas queira insistir na lide e a não ceder
em nenhum aspecto parece ser mais conveniente
a procura pelo Poder Judiciário, pois lá a parte
terá espaço para interpor recursos e discutir a
questão por mais tempo caso se sinta injustiçada
ou prejudicada por eventuais erros.
(2) RAMOS, André Luiz Santa Cruz. Direito Empresarial
Esquematizado. 3. ed. rev.atual. e ampl. Rio de Janeiro:
Forense; São Paulo: MÉTODO, 2013. p. 603.

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9º da mesma lei: “[. é importante que se divulgue amplamente tal informação às partes envolvidas nas relações trabalhistas para que ninguém siga tal opção sem a (3) Texto do artigo citado: “A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade. 1º diz: “As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis. 2000. p. relativamente a tal contrato. São Paulo: Malheiros Editores. Novas Linhas do Processo Civil.. São Paulo: Malheiros Editores. as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem. 63 . MARINONI.307 de 1996: “As partes interessadas podem submeter a solução de seus litígios ao juízo arbitral mediante convenção de arbitragem. e ampl.(5) O próprio art. RAMOS. 2001.Jornal do Congresso devida orientação jurídica sobre eventuais consequências de sua escolha.307 de 1996 conceitua a cláusula compromissória como sendo “[. 9.Outro ponto crucial. ed. Por isso. por exemplo. 603. 2013. p. ampl. em ambos os casos instaura-se a arbitragem que exclui a apreciação da matéria pelo Judiciário. Isto pode ser prejudicial àquele. Cândido Rangel.. 25. Direito Empresarial Esquematizado.” (4) O art. André Luiz Santa Cruz. que não pode ser esquecido.” LTr . Eles devem ser imparciais para garantir a justiça das decisões. do empresário e de toda sociedade. 2000. quando o Estado tutela estes assuntos não ignora que os mesmos acarretam reflexos diretos em aspectos econômicos e sociais que podem ser nefastos à sociedade como um todo.” (5) Neste sentido. agilizam o processo e não precisam convencionar o compromisso arbitral posteriormente. Em tais situações qualquer uma das partes pode submeter o caso diretamente à arbitragem não precisando fazer a notificação da outra para instaurá-la. a critério das partes. atual. Diante disto. 17. Ada Pellegrini. rev. Podem optar pela arbitragem as pessoas capazes de contratar.” Ressalta-se que tal cláusula deve ser convencionada por escrito. Desta forma. 25. conforme o art. 2º. Antonio Carlos de Araújo. Luiz Guilherme. 4º da Lei n. São Paulo: MÉTODO... desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. Bibliografia CINTRA. 1º da Lei anteriormente citada(4). p. porque o art. atual. está intimamente ligada à noção de justiça social. recai sobre a seleção dos árbitros.”(6) Principalmente. ao criar meios alternativos de solução de conflitos almejou facilitar e agilizar a concretização dos direitos fundamentais dos cidadãos. Assim. Todavia. p. a previsão das regras que serão aplicadas para dirimir as futuras questões. que detenha menor conhecimento jurídico sobre os temas que ali serão debatidos tornando a figura do árbitro essencial para garantir a justiça da decisão. São Paulo: Malheiros Editores. Novas Linhas do Processo Civil.” Então. 4. 9. Parece salutar que ao instituir a cláusula compromissória os participantes da relação contratual já façam a previsão de certos pontos como. DINAMARCO. Especialmente. assim entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. livremente. ed. aquela é um acordo sobre uma lide que pode nunca vir a ocorrer e este opera sobre uma questão já existente. Desta maneira. que engloba a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. ed. 4. Escolhe-se tal caminho pela convenção de arbitragem. ampl. “a temática do acesso à justiça. GRINOVER. (6) MARINONI. ed. Portanto. 3º da Lei n.] é a convenção através da qual as partes submetem um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoas. § 1º Poderão as partes escolher. Rio de Janeiro: Forense. 31. não se pode afastar os processos trabalhistas de tal escopo. verifica-se a utilidade da arbitragem como um verdadeiro meio de dar celeridade à resolução de conflitos propiciando a concretização do acesso à justiça. O compromisso arbitral foi trazido no art. Luiz Guilherme. no Direito do Trabalho que envolve questões de sobrevivência do trabalhador. parágrafo primeiro(3). rev. rev. rev. sem dúvida. conforme a lição de Luiz Guilherme Marinoni.] a convenção através da qual as partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir. Teoria Geral do Processo. 3. podendo ser judicial ou extrajudicial. da Lei em análise permite que as partes escolham com liberdade as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem. o art. Pois. parece prudente que não exista qualquer forma de interferência ou pressão que possa vir a interferir ou inviabilizar seu trabalho. Porque.

já que a contribuição sindical é obrigatória. professora do Mestrado em Ciências Jurídicas e da Graduação em Direito do Centro Universitário de MaringáPR (CESUMAR). sabe-se que. por não ter estabilidade geral no emprego. Maringá-PR. estes. Os sindicatos nasceram nas sociedades capitalistas. Todavia. o Governo retirou a autonomia sindical. Leonardo de Abreu Pitoni Advogado e Mestrando em Ciências Jurídicas pelo Unicesumar. 2013. pois somente os dirigentes sindicais gozam de estabilidade. através do art. p. a liberdade de expressão do trabalhador é tolhida. LTr . que passaram a existir movimentos de trabalhadores em prol de seus direitos. da Sociedade Brasileira de Bioética. no Rio de Janeiro. o modelo atual ainda sofre sequelas do longo período de segregação e intervenção do Estado. dos aspectos jurídicos que determinaram o surgimento do Direito do Trabalho(1). pois obrigatoriamente pertencerá ao único sindicato existente na base territorial. pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa — Portugal. No Brasil apenas ao final do século XIX e início do século XX. ex-professora da Universidade Cândido Mendes. A extrema falta de autonomia existente no modelo sindical brasileiro perdurou até a Constituição Federal de 1988. ou seja. Esta obrigação de unicidade sindical retira do trabalhador o direito de escolha de filiação. como resposta à opressão sofrida pelas classes trabalhadoras. 8º. iniciou-se uma fase de forte intervencionismo estatal. cujo objeto de suas negociações possui efeito erga omnes sobre aquela classe trabalhadora. Iniciação ao Direito do Trabalho. nos anos 30. ex-membro da Diretoria — PR. 38 ed. fruto. com o surgimento de práticas pró-laboral e buscas efetivas pela melhoria das condições de trabalho. o que acaba contribuindo para perpetuar o modelo sindical brasileiro atual. Amauri Mascaro. ademais. pois as determinações constitucionais exteriorizam o seu costume e comportamento intervencionista. e as empresas terão que fazer o respectivo pagamento de cada funcionário de seu quadro funcional. transformando os sindicatos em órgãos de colaboração. Doutora e Mestre em Direito das Relações Sociais. Esta situação gera certo comodismo ao sindicato existente. sem que os mesmos precisem “demonstrar serviço” a favor da classe que representa. Subárea de Direito do Trabalho. (1) NASCIMENTO. tornando livre a associação e proibindo a intervenção estatal. e mesmo que não se filie. somente autorizando um por município. os sindicatos não conseguem protege-lo da demissão arbitrária. 64 Isto porque a Constituição prevê a contribuição sindical obrigatória e limita a criação de sindicatos nas bases territoriais. São Paulo: LTr. ao Comitê Permanente de Ética em Pesquisa do Cesumar-COPEC.Jornal do Congresso . ainda. Após um período de crescimento e fortalecimento dos sindicatos.5º Painel MECANISMOS PARA GARANTIR A LIBERDADE DE EXPRESSÃO NO MODELO SINDICAL BRASILEIRO Leda Maria Messias da Silva Pós-doutora em Direito do Trabalho. Por outro lado. Pertenceu. professora da Universidade Estadual de Maringá-PR (UEM).45. pela Pontifícia Universidade Católica de São PauloPUC-SP. infelizmente. consequentemente será representado por tal órgão.

conforme se vê em decisão do Tribunal Superior do Trabalho: “Não há suporte jurídico para concessão de reintegração no emprego por dispensa arbitrária. Esta condição é facilmente comprovada através de uma simples pergunta: é possível no (2) Disponível em: <http://tst. pois. em via de consequência. até o momento não ocorreu. pois se trata 65 . a Convenção n. propõe-se. sendo um duro golpe à dignidade do trabalhador. nada mais justo e lógico que fazer valer um direito fundamental do trabalhador que é o de ter o seu trabalho preservado. ainda sofre com intervenção estatal. Dessa forma. mas que foi rapidamente extirpado pelo Estado. Ainda. não permitindo. essa Convenção da OIT. da CLT. deixando-o mais uma vez desamparado diante das mazelas das relações trabalhistas. 158. 158 da OIT. ou seja. prevê proteção ao trabalhador que se insurge contra alguma opressão ou situação imposta pelo empregador.O trabalhador individual não tem autonomia para exigir do sindicato. desde que o texto deste artigo foi inserido na Constituição Federal. como. para o término do contrato de trabalho. sem regulamentá-lo. Recurso a que se nega provimento” (2). nem liberdade para reclamar seus direitos. Definitivamente.2014. ou seja. cessando sua validade no território brasileiro. a qual depende do mesmo para o sustento de ambos.com. pois. é um direito fundamental. como já foi dito. a liberdade de expressão neste sistema é completamente limitada. depois de cessado o movimento. e. No entanto. 2. que o Legislador regulamente a dispensa arbitrária que poderá trazer prejuízos irreparáveis ao trabalhador. haja vista que o empregador pode promover sua demissão sem justificar os motivos. porque o empregado. em 1988. poderíamos aplicar até a Súmula n. quando o empregador sem qualquer razão objetiva. com amparo na Convenção n. apoiou a greve dos empregados por melhores salários e condições no ambiente de trabalho. 4º da referida convenção determina que: “Não se dará término à relação de trabalho de um trabalhador a menos que exista para isso uma causa justificada relacionada com sua capacidade ou seu comportamento ou baseada nas necessidades de funcionamento da empresa. garantir o trabalho e a renda do trabalhador e da sua família. chefe de setor. foi um direito muito importante.br/jurispru dencia/1891778/recurso-de-revista-rr-43727635199851 25555-437276-3519985125555>. atualmente o Poder Judiciário possui dificuldades em proteger o trabalhador nos casos de dispensa arbitrária. Porém. Diante dessa premência e da inatividade do Legislador. por exemplo. seria a ratificação da Convenção n. Portanto. independe de regulamentação. Sabe-se que a dispensa arbitrária é uma espécie de “dispensa sem justa causa injusta”. ou seja. que o empregador assim proceda em relação ao término do contrato de trabalho. porquanto denunciada pelo Decreto n. E. sendo que o Governo após muita pressão das grandes corporações denunciou o referido pacto internacional através do Decreto n. indispensável para a garantia da dignidade da pessoa humana e como tal. por medo de ser demitido sumariamente. 2. o atual modelo sindical brasileiro. Portanto. ficou em vigência apenas por alguns meses no Brasil. ainda não ocorreu. acesso em 25. 158 passasse a ter vigência no ordenamento jurídico brasileiro. estabelecimento ou serviço. sendo que o art. 158 da OIT. Infelizmente. do art. que um empregado reclame ou proteste abertamente por seus direitos. É premente. Assim. A Convenção n.Jornal do Congresso modelo atual. confirma este entendimento. LTr .jusbrasil. Ocorre que o Legislador. pelo que. conquistado pelo trabalhador brasileiro. 7º.100/1996. se posta inerte. sem que se apresente qualquer razão de ordem econômico-financeira ou qualquer das figuras da justa causa. o demite sem justa causa. momentaneamente. 443 do TST. 158 da Organização Mundial do Trabalho visa especificamente proteger o trabalhador contra a dispensa arbitrária.4. passa de 25 anos e a regulamentação do inciso I. neste trabalho. a regulamentação da dispensa arbitrária. um dos mecanismos que se propõe para esta falta de atuação do trabalhador junto ao Sindicato de sua categoria. sabe-se que seria difícil que a Convenção n.”. destarte. A dispensa discriminatória já é considerada uma dispensa arbitrária e a Súmula n. sem o risco de sofrer eventuais retaliações? A indagação sequer precisa de resposta. 443 por analogia. além daquela que por omissão do legislador. uma solução alternativa.100/96. há uma rescisão do contrato de trabalho.

da CLT. do art. do art. mais especificamente. não deve ser admissível que qualquer cidadão trabalhador seja dispensado sem um justo motivo. quando pensamos no modelo sindical atual e indagamos se existe liberdade de expressão no modelo sindical brasileiro. bem como com os princípios de Direito do Trabalho.br/jurispru dencia/18177644/agravo-de-instrumento-emrecurso-de-revista-airr-742405320025020019-742 40-5320025020019>. por exemplo.com. (3) Disponível em: <http://tst. não é motivo para a dispensa arbitrária e seria motivo de reintegrar o empregado. 2013. Iniciação ao Direito do Trabalho. pois para que isso ocorra a contento. a dispensa do reclamante se deu em razão de prática discriminatória decorrente de sua opção sexual.14. o mecanismo para garantir a liberdade de expressão no modelo sindical brasileiro é aplicar de imediato o Instituto da Dispensa Arbitrária. pois. Esta medida é de suma importância.. por tratar-se de um direito fundamental. para casos de discriminação. embora não regulamentado. nessa hipótese. face ao direito fundamental que está em jogo. Já existem decisões que consideram que em determinadas situações estamos diante de um caso de dispensa arbitrária. da Constituição Federal. que. restringindo-se mais ao setor público. no tocante à participação dos associados. por tratar-se de um direito fundamental e. Podemos diante da falta de regulamentação. dar eficácia ao inciso I. por tratar-se de proteger um direito fundamental (o direito ao emprego e. mesmo que não tenha havido a ratificação da Convenção n. 158 da OIT. este direito está de conformidade com os princípios gerais de Direito. todos os envolvidos nesse processo. que determina a reintegração no emprego. sob pena de ferir direitos de personalidade do trabalhador. 158 da OIT ou regulamentado o inciso I. portanto. não existe. No tocante à iniciativa privada. 9. conforme já foi mencionado. face à eficácia do mandamento contido no inciso I. mas porque. 7º. que independe de regulamentação para a sua vigência. também não existe. aplicar por analogia a citada Lei. revela-se violador dos direitos personalíssimos do ser humano. Amauri Mascaro. por que não em outros casos. do art. para demonstrar que os elementos contidos no ordenamento jurídico brasileiro. certamente. Assim.. como o Princípio da Continuidade da Relação de Emprego. também. já temos em nosso ordenamento jurídico. pois o salário trata de verbas alimentares). e a Lei dispense a contribuição sindical obrigatória para que o Sindicato sobreviva da contribuição associativa. como.jusbrasil. somente terão a ganhar. Considerando. É premente que o Judiciário faça o que o Legislador não fez e. portanto. pois com trabalhadores mais participativos e sindicatos mais atuantes. demitir aquele que exerce o seu direito. não bastasse estar totalmente desvinculado do liame jurídico que une empregado e empregador por meio do contrato de trabalho. a Lei n. Concluindo.. ou seja. 66 além de que. certamente. se poderá haver a reintegração nesses casos já citados. a resposta é que não.029/95. motivo que. mas enquanto isso não ocorre. LTr . não pode ser motivo para manter por tanto tempo inerte a aplicabilidade de um direito fundamental.”(3). convergem para a reintegração do empregado. que precisa apoiar o seu sindicato de classe para que este se sinta forte. p.. que por analogia. a discriminação é apenas uma espécie de dispensa sem justa causa arbitrária e. no caso transcrito a seguir: “. Referências NASCIMENTO. ou seja. desde que. art. fique constatada uma arbitrariedade no momento de optar pela rescisão contratual do empregado. que são aqueles que garantem a dignidade da pessoa humana. o Judiciário deverá conceder ao trabalhador a estabilidade geral no emprego.de abuso do poder potestativo do empregador. o inciso I.Jornal do Congresso . podemos comparar ao direito de greve do servidor público.4. evidente está que a participação em movimento sindical. 7º da Constituição Federal é dar voz ao trabalhador. São Paulo: LTr. a ausência de regulamentação. o exposto. acesso em 25. ao menos deveria ser ratificada a Convenção n. como já foi dito. ou é muito pífia essa liberdade dos trabalhadores perante o seu sindicato de classe. Ademais. não se pode deixar de admitir a existência do direito. no caso o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana. 38 ed. 7º. 7º. passa a ter vigência imediata. Ora. nesse caso não poderá ser acusado de “usurpar a função do Legislador”. Na verdade.45. à vida.

d e . O referido quadro jurídico-político decorre da aplicação do Precedente Normativo n. acesso em 25. JUS BRASIL.Jornal do Congresso nado precedente judicial tem sustentado a atuação administrativa e judicial de componentes do Ministério Público do Trabalho. e professor visitante. Sendo nulas as estipulações que inobservem tal restrição. acesso em 25. Harvard University. assegura o direito de livre associação e sindicalização. “A Constituição da República. em 2008. 5º. Departamento de Sociologia.jusbrasil. membro da Ordem de Advogados do Distrito de Columbia (Washington. nulidade das cláusulas contributivas e/ou até a devolução dos valores descontados a título das taxas e contribuições assistenciais.) desde 1979. ações anulatórias e/ou declaratórias de nulidade cláusulas de instrumentos normativos.br/jurispru dencia/18177644/agravo-de-instrumento -em-recurso-de-revista-airr-7424053200 25020019-74240-5320025020019>. Disponível em: <http://tst.C.2014. o movimento sindical brasileiro tem experimentado um cenário de agudização das incertezas jurídicas nos seus instrumentos jurídicos — acordos e convenções coletivas — decorrente do ataque à eficácia e consistência das cláusulas contributivas. em favor de entidade sindical a título de taxa para custeio do sistema confederativo. <http://tst. 1. tornamse passíveis de devolução os valores irregularmente descontados. 119 do TST(2). inseridas nos referidos pactos coletivos.com.4. diretor-adjunto do Escritório da OIT no Brasil desde 2011. D.jusbra sil.re v i s t a . Liberdade sindical no Brasil e a OIT: a questão da cláusula assistencial — do PN 119 ao caso 2739 — uma dupla perspectiva Sandro Lunard Nicoladeli Advogado trabalhista. obrigando trabalhadores não sindicalizados. revigoramento ou fortalecimento sindical e outras da mesma espécie. É ofensiva a essa modalidade de liberdade cláusula constante de acordo. tem proposto e executado centenas de ajustamentos de conduta/TAC. XX e 8º. em seus arts.” 67 . o aforamento direto de demandas judiciais: ações civis públicas. O mencio(1) Tópico e comentário sob a responsabilidade exclusiva de Sandro Lunard Nicoladeli (2) Nº 119.4.4 3 7 2 7 6 3 5 1 9 9 85125555-437276-3519985125555>. As medidas judiciais demandam tutela jurisdicional buscando a invalidade. mestre e doutorando em Direito pela Universidade Federal do Paraná/UFPr e professor de Direito do Trabalho na UFPr.br/jurisprudencia/1891778/ re c u r s o . juris doutor em Direito pela Harvard Law School. ou quando não. assistencial. Perspectiva nacional do tema — marco situacional interno(1) Na última década. especialista em normas internacionais e liberdade sindical pela OIT.14. O MPT.JUS BRASIL. V. no âmbito administrativo. convenção coletiva ou sentença normativa estabelecendo contribuição LTr .com. Contribuições sindicais — inobservância de preceitos constitucionais. Stanley Arthur Gacek Advogado trabalhista.r r.

Nova Central Sindical 68 de Trabalhadores do Brasil (NCST). gerando. União Geral dos Trabalhadores (UGT). A denúncia foi registrada e cadastrada como o caso no. as medidas administrativas e judiciais intentadas pelo Ministério Público do Trabalho têm. 2. são aprovadas em assembleia geral da categoria profissional. via revisão do referido precedente. em decorrência da aplicação do Precedente Normativo 119 do Tribunal Superior do Trabalho. subordinado ao Conselho de Administração do organismo internacional. a longo prazo. sendo que alguns casos determina-se até a devolução dos recursos financeiros de forma retroativa. seja pela via administrativa (TAC) ou reflexa. tais contribuições. Todas as tentativas restaram infrutíferas. A queixa foi apresentada perante o CLS no dia 2 de novembro de 2009. pelo contrário. diante deste cenário inóspito. em razão da estruturação do sistema sindical brasileiro. que chancelam a anulação e/ ou desconstituição da vigência e/ou da efetividade das referidas cláusulas contributivas previstas nos instrumentos coletivos. É digno de registro as várias iniciativas intentadas pelo movimento sindical brasileiro. Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Brasil (CTB) e a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB). beneficiários do instrumento coletivo. O Comitê de Liberdade Sindical (CLS) se insere como parte do controle especial procedido pelo órgão. prejuízos aos trabalhadores. na sede da Organização Internacional do Trabalho na cidade de Genebra. pois fragilizam suas entidades de representação. inexoravelmente. escolas e etc. efeitos nefastos nas finanças sindicais. mas. b) seja pela atuação inquisitória de alguns membros do Ministério Público do Trabalho.Diga-se de passagem. por conta da asfixia financeira. (3) Tópico e comentário sob a responsabilidade de Stanley Gacek LTr . A queixa relata a ocorrência de atos violadores à liberdade sindical. inclusive. vez que as convenções coletivas têm sua reconhecida característica de universalidade. sendo que tais procedimentos determinam.). A denúncia alegou descumprimento dos princípios de liberdade sindical. contando. o retorno do entendimento residente no então Precedente Normativo n. 2739 do Comitê de Liberdade Sindical da OIT (CLS). 74 do TST. ou quando não ao menos. praticadas por componentes do MPT. em verdade. Os efeitos diretos e indiretos destas medidas. Noutras palavras. que também obrigam o pagamento dessas contribuições pelos trabalhadores não filiados. levando à Justiça do Trabalho demandas calcadas no precedente jurisprudencial no.Jornal do Congresso . com a participação dos trabalhadores não filiados ao sindicato. reduzem ou suprimem diversos serviços assistenciais (saúde. Central Única dos Trabalhadores (CUT). Perspectiva internacional do tema — o sistema de controle da OIT(3) A OIT possui sistema de controle da aplicação das normas internacionais. resultam no desequilíbrio dos atores sociais inseridos na relação capital e trabalho. Dessa forma. mobilizaram-se as centrais sindicais: Força Sindical (FS). pois estão compelidas a limitarem bruscamente suas fontes de receita. por meio de ajuizamento de medidas judiciais conducentes às decisões da Justiça do Trabalho. materializado pelos constantes ataques ao movimento sindical. por conta da política do MPT de processar sindicatos pela inclusão de cláusulas de contribuições assistenciais nos acordos e nas convenções negociadas. por óbvio. na prática. que formularam queixa perante o Comitê de Liberdade Sindical/CLS. 119 do Tribunal Superior do Trabalho. em termos gerais. na forma de queixa/reclamação. em razão da dupla intervenção estatal: a) seja pela edição do Precedente Normativo (119) que interfere na organização sindical. impondo TAC ou aforando medidas judiciais. além disso. determinando a forma de arrecadação e os destinatários/contribuintes passíveis de imposição da arrecadação das entidades sindicais. acionado mediante procedimento previsto nos artigos 24 e 26 da Constituição da OIT. representado pelas centrais sindicais. no sentido de mediar tentativas de mudança de posicionamento do Tribunal Superior do Trabalho. aumentado significativamente. há claro rebaixamento do patamar civilizatório dos trabalhadores e de indesejável enfraquecimento do sindicato como interlocutor social responsável pela necessária mediação das relações coletivas de trabalho. convênios. Suiça.

portanto. sem a necessidade de ratificação das Convenções 87 (liberdade sindical) e 98 (organização sindical e negociação coletiva) pelo estado-membro em questão. o CLS é constituído no modelo tripartite. em inglês. têm a obrigação de responder ao CLS sobre qualquer queixa registrada contra eles. A missão do CLS. 4. 2013 p. Apreciações gerais do contexto brasileiro Em razão do contido no relatório definitivo do caso n.) 3 Conclusões do CLS — análise da queixa(4) Após longo procedimento de comunicações e observações fornecidas pelo governo brasileiro. de forma idêntica. junho de 2012 — Consultado em 18 de abril de 2014: <http://www.guardião da liberdade sindical e da aplicação das Convenções ns. Brasil. 2739.org/dyn/normlex/es/f?p=1000:50002:0::NO:50002 :P50002_COMPLAINT_TEXT_ID:3063459> LTr . do mesmo artigo. além do CLS. contendo suas conclusões finais(5) — item 332: “Quanto à questão de contribuições destinadas à sustentação da estrutura sindical. Dessa feita. Recopilação de decisões e princípios do Comitê de Liberdade Sindical do Conselho de Administração da OIT. devido à autoridade constitucional da organização. ilo. inclusive dos não filiados. revisão técnica Sandro Lunard Nicoladeli e Tatyana Scheila Friedrich. 87 e 98 da OIT. Todos os 185 estados-membro da OIT. o CLS produziu o relatório definitivo no caso n. sem a imposição direta pelas autoridades do Estado. o Comitê de Peritos pela Aplicação de Convenções e Recomendações. fixadas em assembleia da categoria e inseridas nos instrumentos coletivos de trabalho e cobradas dos não filiados à entidade sindical são válidas de acordo com a doutrina da OIT. 2739 em junho de 2012. e exclusivamente através do processo de negociação coletiva. alínea “b” da CLT. 2739. conforme a uma cláusula negociada numa convenção ou um acordo coletivo aplicável também aos não filiados que aproveitam dos benefícios da representação sindical. Criado em novembro de 1951 pela OIT. não são contrários aos princípios de liberdade sindical. mais especificamente. mesmo sem sua ratificação da Convenção 87. desde que a legislação nacional permita a prática dos descontos obrigatórios. inclusive dos não filiados. é atribuição do sindicato: “impor contribuições a todos aqueles que participam as categorias econômicas ou profissionais ou das profissões liberais representadas. conforme a Recopilação de decisões e princípios do CLS(6).” (tradução livre do inglês: Gacek) A transcrição do trecho supra é resultado concreto do trabalho analítico e interpretativo levado a cabo pelo CLS. vez que já se manifestara sobre este tema. é a de garantir e promover o direito de associação dos trabalhadores e empregadores. as deduções contributivas — cláusulas assistenciais — também chamadas deduções de seguridade sindical. e. in: Direito Coletivo. descontadas dos salários dos trabalhadores. ou union security. o Comitê havia seguido em casos anteriores o seguinte princípio: se a legislação permitir a prática do desconto obrigatório de contribuições destinadas à sustentação da atividade sindical. por três representantes de cada grupo representado na OIT (trabalhadores/empregadores/governos) — totalizando nove componentes. no precedente 480.Jornal do Congresso alizada exclusivamente através da negociação dos acordos e das convenções coletivas. como órgão de controle da OIT. os órgãos de controle da OIT. a prática tem que ser re(4) Tópico e comentário sob a responsabilidade de Stanley Gacek (5) Caso No. a liberdade sindical e as normas internacionais: vol. vale ressaltar que dentre as prerrogativas sindicais permitidas pelo artigo 513. Portanto. composto. Portanto. na alínea “e”. situa-se a competência para “celebrar convenções de trabalho”. é importante salientar que as observações reproduzidas representam a avaliação mais atualizada do sistema normativo da OIT em relação à realidade brasileira. Relatório definitivo. examinando as queixas apresentadas contra os governos por violação dos convênios e princípios em matéria de liberdade sindical. Portanto. presidido por uma personalidade independente. 125 69 . têm observado e concluído que o Estado e as autoridades governamentais têm o dever de afastar-se da administração e do fi(6) Organização Internacional do Trabalho.” Em geral. (A Convenção 98 foi ratificada pelo Brasil em 1952. o Brasil tem o dever de responder ao Comitê. notadamente sobre a questão do custeio sindical. II. São Paulo: LTr.

mas com os seus princípios aplicáveis ao Brasil através da competência do CLS. Funchal. 2012. tal contribuição é. 2012. segundo os órgãos de controle da OIT. Pesquisador do Centro de Investigação em Educação — CIE da Universidade da Madeira — Funchal em Portugal e desenvolve estudos e pesquisas sobre Currículo e formação profissional.org/dyn/ normlex> consultado em 22 de abril de 2014. ILC.) o poder de supervisão geral e indefinida das contas sindicais pelas autoridades públicas.. 70 LTr . e da Convenção 87 sobre liberdade sindical.. não é contrário aos princípios de liberdade sindical. ILO Geneva. desde que a legislação nacional permita. 2008. o poder das autoridades de regular e limitar os salários e os benefícios máximos dos empregados contratados pelos sindicatos. Extraído do site <www. a cotização sindical — cláusula assistencial — prevista nos instrumentos coletivos. 2012. (. Doutor em Educação na Linha de Politicas Públicas pela Universidade Julio Mesquita Filho — UNESP/Araraquara (2002). Committee of Experts. ILO Geneva. É membro do Grupo de Pesquisa em Trabalho. (8) General Survey on the Fundamental Conventions. tratado internacional ratificado pelo Brasil.Jornal do Congresso . p. Professor Associado da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia atua do Programa de Pós-Graduação em Educação na Linha de Pesquisa em Trabalho. a referida conclusão encontra-se em consonância com os princípios da liberdade sindical prevista nos instrumentos da OIT.(8)” Em suma. 101st Session. 101st Session. Portanto. REESTRUTURAÇÃO DO MUNDO DO TRABALHO: A ORGANIZAÇÃO DO ESTADO E SUA PARTICIPAÇÃO NO FINANCIAMENTO DOS SINDICATOS NO BRASIL Robson Luiz de França Advogado. dos Peritos da OIT. Trabalho e educação. Pós-Doutor em Política Educacional pela Universidade Federal da Paraíba (2010) e Universidade da Madeira. Tal relatório exemplifica os casos de ingerências contra a autonomia administrativa e financeira sindical praticadas por parte das autoridades públicas: (. Committee of Experts. também.ilo. ILC. ilo. p. Educação e Formação Humana. sobretudo em sintonia com o conteúdo normativo da Convenção 98 da OIT sobre a organização sindical e a negociação coletiva.nanciamento interno das organizações sindicais. portanto. Mestre em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia (1997). devida pelos trabalhadores não associados. não ratificada pelo Brasil. Professor da Universidade Federal de Uberlândia. 43-44. extraído do site <www. 42-44. Sociedade e Educação – TSE. Portugal.) intervenção e gerenciamento externo na aplicação dos ativos e das contas de um (7) General Survey on the Fundamental Conventions Concerning Rights at Work in Light of the ILO Declaration on Social Justice for a Fair Globalization.. tal entendimento de não intervenção ou abstencionista na administração sindical é também definido no relatório produzido pela comissão de peritos da OIT(7). 2012.org/dyn/normlex> consultado em 22 de abril de 2014. regulamentação do montante dos fundos repassados às federações sindicais. 2012.. Especialista em Direito Educacional (2010). sindicato nos casos de multas e penalidades impostas na organização. cidadania e precarização do trabalho.

por um lado e por outro se apresenta de forma inexorável a criação e reprodução dos mecanismos de controle próprios do capital pelos sindicatos que por sua vez possuem a responsabilidade de organizar e reordenar as forças dos trabalhadoLTr . a educação deve ser a pedra fundamental para a consciência da cidadania e seu pleno exercício. Percebe-se também que os movimentos sociais. seguindo os princípios da ética e da moralidade exigidos pelo exercício da cidadania. diante do contexto da formação profissional. 1997) apresenta-se como um período de amplas e 71 . A crise atual do capitalismo bem como o seu processo de reorganização e a construção de uma nova sociabilidade no Brasil . o conhecimento da História da Nação e seus símbolos devem servir de subsídio para o soerguimento da cidadania brasileira. o instrumento de justiça e se aprimorar onde não estiver cumprindo sua finalidade. A lei deve ser. como também da cidadania. Nesse sentido é que o envolvimento dos sindicatos na busca de maior financiamento público para a formação profissional se recoloca.Jornal do Congresso res em prol do desenvolvimento social. as autoridades públicas devem cumprir suas funções de maneira apropriada. de forma ilusória. sem prevenção se qualquer natureza. de fato. especialmente na infância e adolescência. evitando-se manipulações de qualquer natureza. cada cidadão deve exercer sua cidadania em sua plenitude. Desta forma há um discurso que precisa ser desvelado a partir do conhecimento das propostas dos sindicatos sobre a qualificação profissional e formação profissional a partir da apropriação de um fundo público bem como essa apropriação podem significar resistência ou adaptação às exigências do capital. se esta comunga. O Estado ao seu modo tem subordinado as forças sindicais e cooptado seus agentes no processo reducionista da formação profissional tendo em vista a apropriação do discurso de que o desemprego é por falta de qualificação do trabalhador ou ainda o processo de qualificação por meio de a educação consistir como o principal meio de formação profissional do trabalhador e como meio de manter seu emprego. A cidadania deve ser tratada como instrumento de crescimento de cada brasileiro e defendida e desenvolvida com o apoio de todos os brasileiros. com a ideia de que a educação é caminho para que os trabalhadores escapem do desemprego.Este trabalho resulta de pesquisa vinculada ao Grupo de Pesquisa de Trabalho. com o envolvimento dos seus pais. Sociedade e Educação do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia. Nos estudos desenvolvidos percebeu-se a importância de um olhar apurado na tentativa de relacionar as questões colocadas para a educação provenientes das mudanças no mundo do trabalho e o impacto dessas questões no processo de formação do cidadão tendo em vista que a construção de um conceito de cidadania coerente com a sociedade que se deseja pautado nos princípios gerais do exercício da cidadania. sendo que os menos favorecidos e com alta escolaridade ficam desempregados além de sofrer preconceitos raciais e de classe. figurados neste trabalho como agentes sociais. qual seja: O Estado deve servir ao cidadão. cultural e de civilidade. dentro de uma ótica subalterna ao capital (Arrighi. A questão referente à qualificação e a posição assumida pela ação sindical. É necessário que ocorra uma expansão da escolaridade. através de programas específicos desenvolvidos nas escolas de todos os níveis. para que estes se entendam como tal e saibam o que isso significa. a informação precisa ser difundida por todos os modos e meios de forma a alcançar todos os cidadãos. Os idosos devem ser considerados. reconhecidos e poder exercer seus direitos e obrigações de cidadania. Pode-se perceber que os melhores empregos acabam com os mais ricos. na fase da vida em que se encontram. A crise do capitalismo tem afetado diretamente os trabalhadores dos diversos setores produtivos. não apenas do ponto de vista produtivo. apreendendo as contradições dessas parcerias e o enfraquecimento das lutas sindicais. Cada brasileiro deve ter educação básica. parecem funcionar atualmente como um auxílio do capital na precarização e desarticulação dos trabalhadores tendo em vista as contradições e determinações do capital que parecem interferir na ação dos movimentos desses agentes. sobretudo na lógica da administração dos fundos públicos destinados à qualificação da força de trabalho.

na participação do Estado (na esfera federal e estadual). MARX. Miguel. BUTLER.Jornal do Congresso . Filosofia do Direito. João Baptista. H.br>. 1994.98. ano XII. Referências BRASIL. Por outro lado. Coimbra: Almedina. com um recuo no papel arbitral do Estado e um reconhecimento mútuo entre empresários e trabalhadores como atores legítimos no processo de negociação. 1972. HERKENHOFF. através da criação de um espaço democrático de resolução do conflito capital-trabalho. José Afonso. a situação tem sido extremamente desfavorável para os trabalhadores e as estratégias sindicais não têm conseguido formular respostas que fujam à lógica desta fase do processo de expansão capitalista. Parece acentuar-se uma tendência de consistir em um aparelho do Estado e do Capital e a defesa dos afiliados nesta força de poder apresentar-se como causa segunda. Essas experiências têm sido intensamente debatidas nos meios sindicais. São Paulo. É visível. trata-se de acordos buscam garantir a ampliação da oferta de empregos com trabalhadores melhor qualificados. É neste contexto que se apresentam os sindicatos dos trabalhadores como os representantes dos interesses e poderão estabelecer equilíbrio entre o capital e o trabalho. não têm surtido o efeito desejado pelo Governo e pelos sindicatos e principalmente pelos trabalhadores que na expectativa de garantir o emprego ou entrar no mercado de trabalho têm visto seus esforços redundar em precarização do trabalho por meio da informalidade. São Paulo: Saraiva 1996. mtb. mesmo que implementada em patamares razoáveis. J. et al. nov. capitaneados pelo Sindicato.gov. T. DALLEGRAVE NETO. Tradução de Emerson S. Rio de Janeiro. Analistas acadêmicos vislumbraram na iniciativa um novo patamar nas relações de trabalho no Brasil. Exposição realizada na câmara dos Deputados em 14. 6ª ed. (1983). reorganização dos Estados. que assume a responsabilidade de financiamento do Sindicato e dos Projetos de Qualificação dos Trabalhadores. diversas propostas de formação e qualificação dos trabalhadores tem sido implementadas e entendidas como modelos de solução positiva pelos dirigentes dos Sindicatos. M. A Eficácia dos Direitos Fundamentais. político e acadêmico. Aparecida/SP: Editora Santuário.5. Porém percebe-se uma alteração profunda nas linhas de atuação dos Sindicatos no Brasil. 17ª ed. 1996. Karl. 10. a qualificação para o trabalho. 78-89. Os princípios do direito do Trabalho e a teoria crítica do direito. 2002. Gênese dos Direitos Humanos. 1995. (1996). Poderíamos supor que. Diversos acordos têm sido feitos em nome dos trabalhadores. Cidadania. Ingo Wolfgang. No entanto. E.. respostas mais consequente à ofensiva empresarial pudessem ser construídas na arena pública da sociedade política. porém. REALE. Os empresários defendem o acordo como um instrumento de ampliação da oferta de mão de obra qualificada. “O fim dos empregos”. 1992.J. J.profundas transformações nos polos científicos científico-tecnológico. SARLET. Makron Books. 72 CORIAT. na maioria das vezes. vale observar que a chave dos acordos. reside. diante desse quadro. da Silva. PAGÉS. Ministério do Trabalho do. Tendências do Mercado de Trabalho Brasileiro: rumos. RIFKIN. Homepage: <www. 1993. Classe Social e Status. São Paulo: Atlas. n. CANOTILHO. Pensar pelo Avesso: o modelo japonês de trabalho e organização. desafios e o papel do Ministério do Trabalho. através da ação sobre o núcleo dirigente do aparelho de Estado. “A contribuição de Hayek às idéias políticas e econômicas de nosso tempo”. p. Rio de Janeiro: Revan/UFRJ. que no campo das negociações diretas entre empresários e sindicatos. Direito Constitucional. em busca de garantias gerais que impedissem as perdas sucessivas nas negociações específicas. Curitiba. O poder das organizações. alteração no interior dos processos de trabalho. etc. 1967. Rio de Janeiro: Zahar editores. Liberal. Para os seus defensores. Benjamin. LTr . MARSHALL. O Capital. ou seja. Gomes. Revista Jurídica.

nega voz aos próprios trabalhadores. 1.Autoritarismos e falácias na defesa da unicidade sindical Túlio de Oliveira Massoni Doutor em Direito do Trabalho pela USP. como porcada significa uma multidão de porcos” (VIANNA. uma figura que. É autoritário e falacioso o discurso que defende a manutenção da unicidade sindical sob a pretensão de supostamente “proteger” a classe trabalhadora da pulverização de entidades sindicais inexpressivas. p. 87 da OIT é considerada um direito fundamental. mas também impedi-lo de sustentar outro discurso. poder normativo da Justiça do Trabalho. Problemas de direito sindical. 73 . para ser incluída na ordem das coisas. convém registrar que a Convenção n. hoje. n. com todos os efeitos deletérios. Oliveira Vianna justificava. Ainda segundo Paoli. do ponto de vista estritamente jurídico. 7. Professor assistente do Programa de Pós-Graduação da PUC-SP. da assistência benemérita da elite. Além disso. v.Jornal do Congresso nóstico de Maria Célia Paoli sobre tal discurso autoritário: tratava-se de “um horizonte simbólico que despachava os trabalhadores pobres a um mundo do favor. No mais. afirma Oliveira Vianna que “o Brasil não tem povo” e que “no Brasil. constituído por obra benemérita das elites”. a necessidade deste modelo sindical com base na incompetência da classe trabalhadora de se auto-organizar de forma independente e autônoma. cujos resquícios até hoje encontramos entre nós: sindicato único por categoria imposto por lei. Advogado de Amauri Mascaro Nascimento Advocacia. Itália. Por que a defesa da unicidade sindical constitui um discurso autoritário? Autoritário porque reproduz. da hierarquia excludente. Professor concursado da UNIFESP. representação legal de todos os membros da categoria profissional ou econômica. em pleno século XXI. de 1998. Maria Célia. Incentiva a perpetuação entre nós de um modelo sindical de assujeitamento da classe trabalhadora que engendra um sindicalismo. 3. com a CF/88. mas insuficiente uma transição incompleta por não permitir a plena liberdade organizativa e autônoma por parte dos trabalhadores. de acordo com o Comitê de Liberdade Sindical da OIT. Trabalhadores e cidadania: experiência do mundo público na história do Brasil moderno. 1989. set. Bacharel em Ciências Sociais pela USP. de “cofres cheios e assembleias vazias”. uma tese sustentada por Oliveira Vianna. p.(2) O mais escandaloso é o fato de esta tese. Estudos Avançados. Impor o silêncio não é apenas calar o interlocutor. Especialista em Direito Sindical pela Universidade de Modena. ser reproduzida pelo próprio movimento sindical brasileiro (melhor dizendo: por suas lideranças) que. da dependência. O silêncio não é ausência de palavras. os atos de brutalidade contra “cidadãos que a polícia não gosta”. São Paulo. Autor do Livro “Representatividade Sindical”(LTr. povo significa uma multidão de homens. nos anos de 1930. apagando da memória histórica todo o movimento operário pré-Revolução de 1930./dez. lançador das bases do nosso modelo sindical. 4066. Tal discurso protetor. diretamente interessados. obteve relativa liberdade de administração interna face aos poderes públicos: um avanço em relação ao período anterior. Oliveira. Professor Convidado da Universidade Tor Vergata (Roma II) e da FGV-RJ. Rio de Janeiro: Max Limonad. são portanto registrados desde o final do século passado e completam o quadro do paternalismo privativista. 1943) LTr . 46. necessitava ser um habitante silencioso e sem interioridade. no campo sindical. como já se disse. assim reconhecido pela Declaração de Princípios Fundamentais da OIT. ideólogo do Estado Novo varguista e arquiteto do corporativismo estatal. tão conhecidos até hoje. 2007) e de artigos em revistas especializadas.(1) Emblemático o diag(1) Caberia então ao Estado organizar/controlar diretamente os sindicatos. “é preferível que o governo procure recomendar aos sindicatos (2) PAOLI. a despeito da “boa intenção” de se evitar uma multiplicidade excessiva de pequenos sindicatos concorrentes entre si. contribuição sindical compulsória. enquadramento sindical automático. No Prefácio da obra Problemas de Direito Sindical.

A pluralidade pode prejudicar a união orgânica. Ângela Maria Carneiro (Org. p. (5) BOITO JR. 2002. uma próspera indústria da criação de sindicatos. Sérgio 74 Segundo. Como ensina Alejandro Gallart Folch. p. Daí a “diferença fundamental entre a vigência de um monopólio sindical instituído e mantido por lei e a decisão voluntária dos trabalhadores ou de seus sindicatos de criar uma organização única. p. pela via legal ou administrativa. a unidade de ação. 1990. na verdade estimula. a possibilidade da pluralidade. que na prática de outros países os termos unidade e pluralidade não são necessariamente antagônicos.(5) (3) POTOBSKY. denuncia o curioso paradoxo do modelo brasileiro de unicidade sindical: “a propalada virtude da unicidade sindical. que seria assegurar. uma unicidade forçada que. o princípio da livre escolha de organizações de empregadores e de trabalhadores. pode conviver com a unidade de ação entre as diversas entidades. Por que a defesa da unicidade sindical constitui um argumento falacioso? Primeiro. sacrificando o princípio da livre determinação de cada trabalhador. A experiência mostra que a pluralidade organizacional não impede a ação unitária e pode. 247. Não impede. de uma frente unida em seus eventuais confrontos. perfazendo um número de quase 20 mil entidades sindicais com vínculos fortes com o Estado e vínculos precários com os trabalhadores representados. É impossível compatibilizá-la com o monopólio sindical orgânico. 176-177. isto é. porque uma eventual pluralidade organizativa não impede uma unidade de ação. 41-42. Armando Boito Jr. a coexistência de mais de um sindicato representativo e concorrente. mantinha financeiramente a estrutura de representação profissional do tipo corporativo. Como adverte Amauri Mascaro Nascimento. que não resulte da aplicação de uma lei promulgada para esse fim” (p. BARTOLOMEI DE LA CRUZ. Compêndio de direito sindical. caso desejada. Estado e controle sindical no Brasil.que se associem voluntariamente e constituam organizações fortes e unidas e não que imponha. Observa-se. La organización internacional del trabajo: el sistema normativo internacional: los instrumentos sobre derechos humanos fundamentales.Jornal do Congresso . porque. Em suma. 42). para os trabalhadores. de sua liberdade organizativa e de ação. Amauri Mascaro. porque a força do movimento sindical decorre de suas bases democráticas. A unicidade orgânica pode assegurar a união formal. no entanto.). segundo dizem os seus defensores.(6) E. a unidade da organização sindical dos trabalhadores. quarto. São Paulo: Boitempo. evitar o fracionamento da ação”. Terceiro. uma unificação obrigatória que prive os trabalhadores do livre exercício de seus direitos sindicais”. é inadmissível impor. 2005. conduzir a ela. contudo. já temos em nosso país um modelo sindical extremamente pulverizado e não-representativo. a pluralidade sindical. São Paulo: LTr. Buenos Aires: Zavalia. associada à regalia das taxas sindicais obrigatórias. pelo menos. (4) 2. muito embora seja indiscutível a conveniência tática. 182). embora organicamente sejam sindicatos separados. Sérgio Amad Costa alude a uma espécie de círculo vicioso: “o imposto sindical garantia a sobrevivência de sindicatos fracos e. 1957. Héctor G. “a auto-organização sindical passa pela possibilidade de livre organização. 1986. Existem igualmente situações complexas de pluralidade na unidade e de unidade na pluralidade que resistem a uma catalogação simplista. Armando. Alejandro. quando. prive o movimento de sua espontaneidade.(7) Acrescente-se. por exemplo. pela via legislativa. ademais. 87. firmado no artigo 2º da Convenção n. (3) Ademais. diversos sindicatos se unem numa atuação conjunta. (6) GALLART FOLCH. limitou-se a garantir. (4) ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. LTr. Do corporativismo ao neoliberalismo: Estado e trabalhadores no Brasil e na Inglaterra. tampouco serviu para respaldar a noção de “monopólio sindical”. p. 1993. Buenos Aires: Astrea. A liberdade sindical. El sindicalismo como fenómeno social y como problema jurídico. porque “de fato”. não resulta da unicidade sindical. não foi formulado para apoiar qualquer tese favorável ao “pluralismo sindical”. Não pode. (7)NASCIMENTO. Neoliberalismo e corporativismo de Estado no Brasil. Geraldo von. fazendo do sindicalismo brasileiro um dos mais pulverizados do mundo”. principal responsável pela formação daqueles sindicatos fracos” (COSTA. São Paulo: Queiroz. assim. LTr . que a unidade pode ser alcançada sem se afastar dos princípios da liberdade sindical. a superação da diversidade sindical é um problema de orientação dos Amad. In: ARAÚJO. às vezes. paralelamente. p. 73. p. 166-167.

pluralismo ou unidade? A democracia representativa parte do pressuposto da aceitação das divergências.Jornal do Congresso E isso é possível tanto no regime de pluralismo. Isso porque.trabalhadores. choca com a própria ideia de liberdade. por meio do amadurecimento político. juridicamente. o direito à divergência. A democracia sindical também se insere nesse contexto. Especialista em Direito Material e Processual do Trabalho pela Faculdade Pitágoras. mas também perpassa pela necessidade de se estabilizar as relações sociais dos trabalhadores. Ele não é uma imposição. exclusivamente. Introdução O intuito desse singelo trabalho é debater as condições necessárias para que seja assegurada a democracia sindical. quando se fala em regime de sindicato único não se remete. No entanto. A premissa da qual parte essa resenha é de os problemas não se restringem à oposição entre unicidade e pluralismo. 1. consciente ou inconscientemente. op. Para que haja democracia na eleição de representação dos trabalhadores é necessário que seja garantido que todas as matrizes ideológicas se expressem. LTr . que possibilita que a representação abarque as mais diversas ideias.. quando se remete ao modelo de sindicato único — de forma ampla — também se refere ao sindicato que livremente constrói a unidade. previsto pela Convenção n. da área da liberdade sindical e nega. resolvido livremente entre esses. O que se propõe é aprofundar o debate para além do modelo sindical mais condizente com o momento atual. de modo a permitir a reconstrução da solidariedade coletiva. é uma construção madura de uma unidade necessária entre os trabalhadores. p. No entanto. Alejandro. Professora das Faculdades Milton Campos (graduação). PEQUENAS REFLEXÕES SOBRE A DEMOCRACIA SINDICAL Maíra Neiva Gomes Coordenadora do Departamento Jurídico e Coordenadora Pedagógica do Programa de Formação Política Permanente Ignácio Hernandez do Sindicato dos Metalúrgicos de Belo Horizonte. ao sistema de unicidade sindical. A resolução de divergências pela atividade legislativa ou administrativa do Estado afasta os trabalhadores. 87 da OIT. tão essencial em qualquer modelo democrático. Mestre e Doutoranda em Direito do Trabalho. quanto no sistema de sindicato único. próprio de toda solução livre. a priori. Ao contrário. 177. Democracia sindical: unicidade. não se possibilita ao trabalhador escolher qual o sindicato o representará. cit. há um problema extremamente mais profundo do que a adoção ou não do plura75 . 2.(1) (1) GALLART FOLCH. Contagem e Região. A unicidade sindical implica na imposição normativa do sistema de sindicato único. Esse modelo indica um maior grau de democracia. A ideia de imposição de um modelo. Só existe realmente democracia quando ideias divergentes encontram espaço para se manifestarem. Modernidade e Democracia pela PUC Minas. na ordem profissional.

2001. 3. MARX. que permita que o trabalhador se enxergue no outro e identifique no outro. talvez. Trabalho e riqueza na fenomenologia do espírito de Hegel. Trad. 4. José Henrique. 2001. de forma a garantir a estabilidade das relações sociais dos trabalhadores. Se faz urgente também debater formas de se concretizar. Karl. Para que tal resistência se manifeste é necessário que se construa laços coletivos de solidariedade. ed. tópico que se pretende discutir no próximo item. Friedrich. 4. Trad. Trad. v. Rio de Janeiro: Paz e Terra. dominação e servidão. Para que isso se torne algo efetivo. Eric J. é essencial não apenas debater o modelo de sindicalismo que mais se enquadra nos parâmetros do século XXI.Jornal do Congresso . cracia sindical. Miséria da filosofia: resposta à filosofia da miséria de Proudhon. p. Só haverá solidariedade coletiva se o convívio dos trabalhadores se desenvolver de forma permanente e constante. Trad. In: SANTOS. ENGELS. Somente sindicatos democráticos serão capazes de reconstruir os laços de solidariedade que estão se esfacelando. Trad. 2002a. A formação da classe operária: a maldição de Adão. THOMPSON. ed. São Paulo: Companhia das Letras. Trad. se faça necessário. O 18 brumário de Luís Bonaparte e cartas a Kugelmann. Era dos extremos: o breve século XX — 1914 — 1991. P. de José Henrique Santos. 3. 1. A formação da classe operária: a árvore da liberdade. 1993. 2004. Referências bibliográficas HEGEL. P. a fragmentação do espaço produtivo são obstáculos muito maiores do que a unicidade sindical na trajetória de reconstrução da legitimidade social dos sindicatos. que forma a consciência de classe. A alta rotatividade da mão-de-obra. In: MARX. no plano da realidade. Rio de Janeiro: Paz e Terra. de Paulo Ferreira Leite. Sem sombra de dúvidas é chegado o momento de se aprofundar o debate sobre a demo76 LTr . Mais do que garantir pluralismo ou eleições sindicais democráticas no modelo de sindicato único é necessário garantir a estabilidade das relações sociais entre os próprios trabalhadores. de Denise Bottmann. construída em um mesmo espaço físico. Trad. de Marcos Santarrita. Considerações finais THOMPSON. de forma mais profunda. de Sueli Tomazini Barros Cassal. O sindicato. de Renato Neto e Cláudia Rocha de Almeida. a liberdade sindical que assegure a democracia sindical. 131 p. São Paulo: Loyola. tal como o conhecemos nos séculos XX e XXI. É um processo de identificação. também ampliar o debate. 347 p. 598 p. Rio de Janeiro: Paz e Terra. v. ed. 196 p. 2. a solidariedade coletiva. mediado pelo trabalho. Mas para que isso ocorra se faz primordial certa estabilização das relações sociais construídas pelos trabalhadores. 1997. o sindicalismo é um fenômeno psicossocial. Assim. 204 p. Manifesto comunista: 1848. Karl. é calcado na ideia de resistência coletiva. como proposto por Marx (1997. de Leandro Konder e Renato Guimarães. Karl. Independência e dependência da consciência-de-si. E. 125-135. E. ed. São Paulo: Centauro. o fator mais relevante para se garantir a democracia sindical não se restrinja ao debate do sindicalismo único ou plural e sim sobre a necessidade de se combater os métodos que propiciam o afrouxamento dos laços sociais construídos pelos trabalhadores. Porto Alegre: L&PM. Só haverá fortalecimento das entidades sindicais se a elas for dada a oportunidade de reconstruírem os laços de solidariedade coletiva. Georg Wilhelm Friedrich. HOBSBAWM. 2006). 2. a partir do desenvolvimento das ideias de Hegel (1993). A estabilização das relações sociais como forma de consolidar a solidariedade coletiva Antes de um fenômeno jurídico. 1995. O 18 brumário de Luís Bonaparte. Karl. 2006. de modo que a eles seja permitido desenvolver. MARX. p. 21-139.lismo que busca propiciar a construção livre da unidade no que se refere a representação sindical. Mas para se propiciar a reconstrução de tais laços. talvez. ele mesmo. MARX. 4.

Segundo o registro histórico trazido por Arouca(1). 1. 3. 2007. v. 2002b. intervindo e criminalizando o livre e regular funcionamento das organizações do movimento operário. houve um avanço na mobilização sindical e ascensão política dos dirigentes. São Paulo. E. Edésio. p. Organizada a CLT (1943) importa-se o texto do então Decreto 1402/39(4). O caso da “seção IV — das eleições sindicais” (arts. 3. por professarem ideologias “contrárias” ao regime(3).Jornal do Congresso denota que o estado corporativista detinha total controle sobre as eleições sindicais. op. Sindicalismo no Brasil — Os primeiros 100 anos?. jul. DEMOCRACIA SINDICAL: ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO MODELO BRASILEIRO Sandro Lunard Nicoladeli Advogado trabalhista. nos lapsos temporais democráticos (45/64). consultor de entidades sindicais. mesmo com todo esse processo repressivo. A formação da classe operária: a força dos trabalhadores. Histórico do processo político e eleitoral dos sindicatos brasileiros O sindicalismo brasileiro sempre esteve marcado por constantes e sucessivas intervenções estatais no seu regular funcionamento. ed. Havia ainda o expurgo dos militantes sindicais considerados “indesejáveis/inelegíveis”. 2003. São Paulo: LTr. 94-97 (4) AROUCA. tal intervenção era materializada no Decreto 1402/39. redigido por Oliveira Vianna. que se opusessem ao Estado-Novo getulista. Ainda assim. Curso Básico de Direito Sindical. Belo Horizonte: Crisálida. Terceirização e sindicato: um enfoque para além do jurídico. Márcio Túlio. p. A leitura desse diploma legal (1) AROUCA. LTR Revista legislação do trabalho. CLT 70 Anos — Direito Sindical. 775-790. 200. Os direitos dos trabalhadores: no limite da desconstituição do sistema legal de contratação do trabalho.THOMPSON. 440 p. São Paulo: LTR. Márcio Túlio. LTr . rede(3) AROUCA. que estavam sob o crivo e jugo do Ministério do Trabalho e Emprego. mestre e doutorando em Direito pela Universidade Federal do Paraná/UFPr e professor de Direito do Trabalho na UFPr. 529/ 532 da CLT). Disponível no DVD Magister — Revista Eletrônica 77 . Direito de resistência — possibilidades de autodefesa do empregado em face do empregador. 1996. Ano 67. 2a ed. a história brasileira denota a incansável sanha autoritária dos sucessivos governos. Trad. número 7. 1. P. 87 e ss (2) PASSOS. 110. p. 456 p. José Reginaldo (org). 2. ou seja. agora. Mesmo antes da edição da Consolidação das Leis do Trabalho. configurado na formação do Comando Geral dos Trabalhadores(CGT). VIANA. 2009. de Denise Bottmann. José Carlos. p. Rio de Janeiro: Paz e Terra. José Carlos. VIANA. cit. ed. conforme confirma Passos(2). especialista em normas internacionais e liberdade sindical pela OIT. In: INÁCIO.

inicialmente. as centrais sindicais. 11648/2008. Magister de Direito Trabalhista e Previdenciário n. op. p. p. Os novos dispositivos direcionavam-se às hipóteses em que o dirigente incorresse em infração de natureza ético-administrativa — lembrando que os sindicatos sofriam constantes perseguições e intervenções nos anos de chumbo(5) — ou que não reunisse as condições para ser eleitor. (8) PASSOS. LTr . LTr. por lei. 529/ 532). Democracia e capitalismo no Brasil: balanço e perspectivas. 3. Déficit democrático e os elementos constituintes da massa operária urbana. 531). Relações coletivas de trabalho: configurações institucionais no brasil contemporâneo. Revista de Sociologia e política n. verificado no mais recentemente no período republicano. 8º — sistema confederativo. previstas nos incs. unicidade sindical. correspondeno a uma cultura política antiassociativa. p. reconhecidas legalmente com antigo e vindicado critério de representatividade pelo movimento sindical. mesmo que gradativamente surjam novos elementos. (6) SAES. das Centrais Sindicais. custeio compulsório — herança do modelo anterior. Por fim. posteriormente. categorial (diversidade) e geográfico (amplitude territorial) previsto na lei de reconhecimento das centrais sindicais — Lei n. com o processo de urbanização e industrialização (pós década de 30). ou seja. pelos trabalhadores rurais originários do campesinato. fortalecimento crescente do patrimonialismo e o caráter autoritário da cultura nacional(6). Edésio. evidentemente influenciando o processo constituinte da construção da cultura política e organizativa do operariado brasileiro. 229/67 — editado no bojo da reforma da CLT durante o período inicial regime militar — impondo amarras e restrições quanto à participação ao pleito sindical. 204. juridicamente. na sua essência. o sistema sindical para a base constitucional de 1988. Diga-se de passagem. Posteriormente. avançou na autonomia e independência do sindicalismo frente ao estado e ao patronato. a classe fundiária era representada pela figura política do coronelismo. caracterizados pela lealdade ao senhor e fidelidade ao chefe político(7). o déficit democrático brasileiro. mas — singularmente — o modelo. 129-147. 78 anteriormente. 9090/45 — editado nos estertores da ditadura do Estado-Novo — e o Decreto-lei n. caracteriza-se pela: fragilização da sociedade civil perante o Estado. como analisado por Passos(8). a Constituição Federal consagrou. p. ao se transplantar. assim compreendidos os critérios: político (adesão). Assim. ou seja. o modelo sindical brasileiro no seu art. 194-201. se completa um ciclo — fechamento da intervenção absoluta do Estado nas relações sindicais e abre-se um período de reconstrução democrática. São Paulo: Ed.Jornal do Congresso . do ponto de vista organizativo por um modelo de unidade/unicidade. em grande parte. nos demais dispositivos da seção regulamenta-se as condições do pleito eleitoral. como também a remessa dos documentos do procedimento eleitoral ao referido órgão (art. 138. 532). Desse modo. 2008. alterado pelo Decreto-lei n. o sistema. IV e V do art. pelo exagerado status jurídico da liberdade associativa e sindical negativa. superado o período do arbítrio. Muito embora reinassem as relevantes condicionantes ideológicas do regime militar. traduzida. art. a democracia capitalista jungida e resultante dessa tradição condensa um capitalismo tardio e relações de poder lastreadas numa cultura autoritária.signado como título V — organização sindical — sobretudo na “seção IV — Das eleições sindicais” (arts. como analisado por Saes. Assim. em especial a criação. contudo. importa-se aquele modo de relações de poder. Sayonara Grillo Coutinho Leonardo da. Consultado em 01 de maio de 2014. elemento fundante das relações de poder e de trabalho no âmbito rural. 6/7 — 1996. os “donos do poder”. via portaria (§ 4º do art. cit. O texto normativo sintetiza a regulação dos processos eleitorais sindicais pelo MTE. a estrutura se mantém. No plano jurídico. pelo óbvio motivo que o operariado urbano é composto. 53 — Dez/Jan de 2014. cit. fundamentalmente. (7) op. 530 (condenação por crime doloso — qual crime?/ suspensão do gozo dos direitos políticos — decidida por quem no estado de exceção?). (5) SILVA. O Brasil optou. Tais elementos ordenaram e conformaram severos limites nas experiências democráticas. candidato e/ou estava em condição de (in) elegibilidade no âmbito das entidades sindicais. Décio. combinado com a adoção de um sistema de pluralidade na cúpula.

11. Rel. tal intento terá um longo percurso. p.5. Democracia Sindical no Brasil. 532 da CLT ao texto constitucional: TRT 24ª R. Disponível em: <http:// www. Ericson.. Portanto.2008. sempre nos moldes da Constituição Federal. 79 . obviamente.07. um sindicalismo maior ou menor estágio organizacional ou de representatividade. Min. DOEMS 5.5. Consultado em 29 de abril de 2014. AP 0000352-92. 2013. a Confederação Nacional da Indústria/CNI. James Magno Araújo Farias. Estados Unidos. no caso brasileiro.0108. LTr .0005. Unidade de Assuntos Legislativos — Agenda Legislativa da Indústria 2013 / Orgs: Menezes. Frederico. Godofredo. DEJTMS 17. Juiz João de Deus Gomes de Souza. p. 3.oit. Rel. no tópico atinente a questão do modelo sindical. TRT 24ª R. Nosso modelo sindical está assentado numa estruturação socioeconômica e constitucional. p. sociais. porém. Pastora do Socorro Teixeira Leal. Julg. Consultado em 1 de maio de 2014.. os atores sociais de forma majoritária rejeitam o modelo pluralista. Relª Desª Fed. ora recepcionando os dispositivos celetários pertinentes às eleições sindicais.2012. 67. Franco Diniz. especificamente na sua agenda legislativa(13). 1955.2009. (13) Confederação Nacional da Indústria. p. (11) Decisões que aplicam os arts. na realização de um processo eleitoral democrático. observa-se que países com democracia liberal estável (Brasil.4. Vladson Bahia. de forma peremptória e exclusiva.2011. com isonomia. 17. mesmo assim. p. 44. 6. Disponível em: <http://www. 530. 529.5. Julg. DEJTMT 20. derivado de uma releitura e adequação ao texto constitucional(11).23. Primeira Turma. ROS 153400-84..6.5. Perfil do trabalho decente no Brasil: um olhar sobre as unidades da Federação. que indicam um aspecto pendular: ora rechaçando a aplicação do texto celetário.2012. p.br/portal/data/files/ FF808081394937F001396E54A78251C1/Agenda%20 Legislativa%202012. Quarta Turma. também.2013.2010.11.. Des. TST.2012. no caso. 20. Relª Desª Dulcina de Holanda Palhano.11. DEJTMA 5. 104. pois confrontados os países não ratificantes da Convenção 87 da OIT. Coréia do Sul) e outras nações de expressivo desenvolvimento capitalista (India e China).2012. 56 (10) Arestos que reconhecem a incompatibilidade e não recepção dos arts. São Paulo: LTr. 29.6.pdf>.0004.2011.4.pdf>. foi de 16% (de(12) Na nossa visão esta questão merece uma análise um pouco mais acurada. vale registrar alguns dados: a) segundo estudos da OIT(14) a taxa média de sindicalização. TRT 07ª R. mas. DEJT 19. TRT 23ª R. Guilherme Augusto Caputo Bastos. visando aferir o eventual déficit na adesão às instituições políticas. Relª Juíza Conv. AIRR 0000491-14.5. para problematizar a democracia sindical e sua crise. portanto a adesão ou não ao tratado.0001. DEJTCE 27. RO 153000-02. p. embora considere salutar como objetivo de qualquer sistema sindical. seria uma forma de resolução do déficit democrático dos sindicatos. Além disso. DEJTPA 23. invocando sua desarmonia com o texto constitucional(10).br/sites/default/files/topic/gender/doc/ relatoriotdvers%C3%A3oweb_876.12.cni. poderia se afirmar que a seção relativa às eleições sindicais estaria derrogada pelo texto constitucional.. na manifestação da sua representação sindical mais influente. Izabella de Castro Ramos. RO 190486. amalgamado a partir dos seus elementos históricos. assim entendida. desde o sindicalismo laboral ao sindicalismo patronal. políticos e econômicos da sociedade brasileira.2012. RO 1491/2004-004-24-00-2.. não define.24. Rel. RO 0000491-14. Rel. Segunda Turma. lisura e imparcialidade teria quais referenciais normativos? Numa primeira leitura.org.5. Edson Bueno. aqui se adota o modelo comparativo entre instituições da democracia representativa (sindicato-partido).2005.2011.2012. Brasília. TRT 16ª R.0004. resultante do nosso estágio e desenvolvimento civilizatório.08. a jurisprudência vem repercutindo e aplicando o modelo de processo eleitoral inserido no marco regulatório da CLT.9.0001. 530 e 531 da CLT na solução de conflitos intrassindicais: TRT 08ª R. No plano da participação política ou do associativismo. (14) Organização Internacional do Trabalho. Basta uma breve pesquisa nos repertórios de jurisprudência.12. Primeira Turma. o patronato industrial defende a manutenção do sistema sindical com pequenos ajustes. Para além dos debates acadêmicos no âmbito da ciência juslaboral e (9) CRIVELLI. para o ano de 2009. Gonçalves Cezar.23.16. Outro aspecto controvertido da democracia sindical é que a ratificação da Convenção n. A crise dos referenciais normativos e do modelo de democracia sindical Os aspecto constitutivos da democracia sindical eleitoral. todavia a despeito do horizonte e fundamento valorativo constitucional — democrático e pluralista — ainda assim. Des. p.org.Jornal do Congresso institucional da OIT(12). Por exemplo. culturais. 87 da Organização Internacional do Trabalho/ OIT. 40. assecuratório do direito de oposição(9). p. 2000.2005.

zesseis por cento). p. Norberto. Ainda. b) segundo dados do TSE(15). conforme Martinez(18). Curso de direito do trabalho: relações individuais. democracia direta e neoliberalismo na ordem global. Luciano. o processo político de efetiva legitimação democrática foi precedido por um período de luta pela anistia. Democracia sindical: aspectos constitutivos e disjuntivos do processo político interno.Jornal do Congresso . resulta num índice de adesão formal partidária de 10. 6. a estruturação e funcionamento do subsistema político de democracia na estrutura sindical não está imune. desenvolveram lutas. 22. com as grandes greves e o surgimento de grandes líderes.jus. 369-374 (19) ___________. seja via a inscrição de eleitores ao(s) partido(s). (20) CRIVELLI.. Para Bobbio(16) a democracia moderna. Liberalismo e Democracia. São Paulo: Saraiva. (17) PASSOS. op. 5. compreendido na década — 1975 a 1985 — onde há participação decisiva das entidades sindicais. tendo como ultima ratio a formação de entidades sindicais lastreadas em bases democráticas (estruturação e funcionamento).”. formata-se na modalidade de democracia representativa. baixa adesão aos partidos. (21) GENRO. constituinte.(19) A democracia como procedimento — que supera a formalidade democrática. com participação de forma direta ou indireta nos espaços deliberativos. p. Conclusão Em suma. Disponível em: <http:// www. caracterizado pela variada matiz ideológica.tse. coexistência de grupos de oposição (princípios da pluralidade e tolerância).violentar a democracia interna ou quando negar os valores que lhe são próprios e essenciais. p. p. a conformação do regime democrático intrassindical ou democracia sindical interna tem fundamento axiológico na CF/88 (democrático e pluralista).br/eleicoes/estatisticas/filiados>. Petrópolis/RJ: Vozes. negociação e contratação coletiva) e autoridades em geral. O Brasil contava com 11. Condutas Antissindicais. Crise da democracia: direito. para o referido autor. em que o espaço do debate político iguala e valoriza o espaço deliberativo expresso no voto. 2002. No caso brasileiro. processos decisórios (eleições/ assembleias) e regras internas. Consultado em 30 de abril de 2014.970. segundo Crivelli(20). op.. portanto. em 1986. É um dado da realidade. 194-201. Pelo contrário. Brasiliense. (16) BOBBIO. 3ª ed. (15) Tribunal Superior Eleitoral. a taxa média de filiação partidária. cit. há no fundamento ético da soberania interna expressa nas assembleias. b) externos: refere-se à relação frente aos empregadores (greve. está conectado ao processo de crise democrática e representatividade na sociedade brasileira. 9-61. 1990. Ericson. as pessoas têm baixa participação política nos sindicatos. Somado a isto. Um reflexo disso foram as manifestações populares de junho de 2013. inserida no Estado liberal. LTr . embora contando com um sistema pluripartidário. eleger-se deputado constituinte. seja via filiação dos trabalhadores ao sindicato. pois se tutela o direito de participação. dentre eles Luis Inácio Lula da Silva que viria. É um reflexo da sociedade brasileira em que não há estímulo ou desencanto com a vida associativa e organizada — partidária ou sindical. Nessa senda. Edésio. 2011. São Paulo: Ed. como também.8% (dez virgula oito por cento). 2013. que mesmo limitadas pela ditadura militar. ainda assim.296 de eleitores filiados a partidos políticos. sindicais e coletivas do trabalho. em que se verificou o claro divórcio entre a pauta dos manifestantes e a incapacidade e/ou descrença de que instituições representativas possam canalizar as demandas sociais. a própria entidade sindical pode cometer ato antissindical quando “. p. a democracia sindical possui aspectos internos e externos: a) internos — análise nas relações de poder. crível afirmar que a população brasileira tem baixa adesão às instituições representativas da democracia. cit. p. mas em verdade garante a ampla igualdade de condições (método ou inspiração ética): a) igualdade perante a lei e estatutos. juntamente com outros dirigentes sindicais. em especial os metalúrgicos do ABC/São Paulo. São Paulo: Saraiva. como sintetiza Passos(17). É. 628. 80 Desse modo. combinado a mecanismos de legitimação da direção sindical.. nas palavras de Genro(21): (18) MARTINEZ.. b) igualdade de direitos ou paridade de armas. eleições diretas. necessária expressão de fonte de consulta e legitimação. Tarso.

A superação do modelo (22) MOYA.) reduz a capacidade de coesão da cultura democrática tradicional: o sentimento de pertencimento à comunidade determinada. São Paulo: Saraiva: 2012. como elemento desestruturador da ideia democrática(. por conseguinte. (23) Modelo de democracia proposto por Santiago Ninno.” Portanto. LTr . 81 .Jornal do Congresso individualista por um associativo-público consistirá na superação do déficit de legitimação e de representatividade sindical.“Esta cultura do consumismo. p. mediado pelo necessário debate público inserido na vida sindical. de modo que expresse a vontade coletiva dos interessados. Madrid: Editorial Trotta. seja nacional ou local. p.. Democracia sindical interna: un analisis juridico.. In GODOY. Miguel Gualano. Constitucionalismo e democracia: uma leitura a partir de Carlos Santiago Ninno e Roberto Gargarella. 17-25. A execução deste projeto político elevará o patamar civilizatório da representação sindical. definido por Moya(22). 72-73. Rosario Gallardo. tornando os sindicatos num espaço de democracia deliberativa com decisões coletivas e imparciais(23). materializado num projeto político-jurídico de conteúdo e alcance da democraticidade sindical. a superação deste modelo individualista-consumista que influencia e aflige os trabalhadores exige um imperativo ético. influenciará na conformação de uma nova cultura política dos trabalhadores e de suas instituições sindicais. é substituído pelo sentimento de vinculação através do consumo e dirigido ao prazer alienado.

É POSSÍVEL DEFENDER A MANUTENÇÃO DA UNICIDADE SINDICAL? Gilzana Lima Janaina Aparecida do N. LTr. A unicidade sindical é a vedação do direito de criação de mais de um sindicato na mesma base territorial. João Pessoa. Vol.com/artigos/05/08. Os Princípios do Direito do Trabalho. Compêndio de direito sindical. Munhoz Maia Estudantes de Direito na Instituição de Direito de Sorocaba — FADI A doutrina costuma distinguir o Direito do Trabalho em basicamente dois tipos de relações: a individual e a coletiva.II. Editora LTr. como as relações coletivas de trabalho não se restringem aos entes sindicais. as entidades sindicais. agosto 2012. 1995. a apenas um ente sindical representativo de determinada categoria profissional ou de certa atividade econômica. no Nesta mesma linha. em uma determinada base territorial. 2013. os conflitos coletivos de trabalho e suas formas de solução. Jouberto de Quadros Pessoa. Direito do trabalho. Gustavo Filipe Barbosa. Ano II. Manual de Direito do 82 Para Amauri Mascaro Nascimento(6) a lei poderá limitar a criação de sindicatos. Direito coletivo do trabalho. tecnicamente. A partir do exposto definimos Direito Coletivo do Trabalho como o segmento do Direito do Trabalho que regula a organização sindical. Naquela.html>. (6) NASCIMENTO. com vista aos sujeitos do direito coletivo. diz respeito ao contrato individual de trabalho entre empregado e empregador e seus interesses individuais. Octávio Bueno. para Maurício Godinho Delgado (1)“as denominações objetivistas tendem a ser superiores. NETO. 7ª ed. nesta. 7ª ed. Mauricio Godinho. Iniciação ao Direito do Trabalho. 2012. Desta forma Amauri Mascaro do Nascimento(3) conceitua Direito Sindical como sendo “ramo do Direito do Trabalho que estuda os sindicatos. 6ª ed.Jornal do Congresso . A denominação Direito Coletivo do Trabalho tem caráter objetivista. (2) RUPRECHT. É a chamada unicidade ou monismo sindical. Acesso em: 30 de Abril de 2014. 1995. São Paulo. 2012. já para outros Direito sindical. inclusive. às subjetivistas. as questões ultrapassam o contrato individual de trabalho para atingir uma coletividade que se une para defender suas reivindicações. com destaque para as relações sociojurídicas dos grupos. São Paulo: LTr. Octávio Bueno Magaconceitua “Direito Coletivo do Trabalho é a (4) (1) DELGADO. as convenções coletivas e a greve”. A relação coletiva de trabalho para parte dos doutrinadores é adotado a denominação Direito Coletivo do Trabalho. CAVALCANTE. De forma resumida os autores que adotam a denominação Direito Sindical asseveram ser o direito sindicato a figura de maior destaque no setor do direito em análise. da negociação e da convenção coletiva do trabalho. Silvana Maria de Oliveira Prince. por enfocarem a estrutura e as relações do ramo jurídico a que se reportam. (4) MAGANO. parte do Direito do Trabalho que trata da organização sindical. a negociação coletiva e os instrumentos normativos decorrentes. Número 5. Conceito Para Alfredo Ruprecht . Organização sindical — estrutura externa. 2012)(5). São Paulo: LTr. 2014. Francisco Ferreira Jorge. No entanto.cognitiojuris. Amauri Mascaro. Ed. Alfredo J. Direito Coletivo do Trabalho “é a parte do Direito do Trabalho que tem por objetivo regular os interesses da categoria profissional de cada um dos sujeitos laborais”. 39ª ed. São Paulo. 2014. a representação dos trabalhadores na empresa e a greve (GARCIA. RODRIGUES. Disponível em: <http:// www. Amauri Mascaro. parte da doutrina prefere denominar a matéria como Direito Coletivo do Trabalho. Rio de Janeiro: Forense. O autor afirma ainda que ao impor o princípio da uniTrabalho — Direito Coletivo do Trabalho. 13ª ed. as demais organizações sindicais. (2) A denominação Direito Sindical tem caráter subjetivo. dos conflitos coletivos do trabalho e dos mecanismos de solução dos mesmos conflitos”. a representação dos trabalhadores nas empresas. Cognitio Juris. Curso de Direito do Trabalho. (5) GARCIA. Assim. LTr . São Paulo: Atlas. ao invés de apenas indicarem um de seus sujeitos atuantes”. (3) NASCIMENTO. São Paulo: LTr.

com o desequilíbrio nas relações jurídico-econômicas entre o trabalho e capital. que são os de empregadores. foi adotado o princípio da pluralidade sindical. 154 de 1981. proibiam as corporações de ofício e ao mesmo tempo acabou por suprimir o direito de associação. No Brasil. por meio da Convenção n. garantir a atuação dos sindicatos e a de assegurar o direito de se filiar ou não a um sindicato. que são os de trabalhadores. 151 de 1978. instituiu o princípio da liberdade sindical como condição sine qua non para uma efetiva melhoria nas condições dos trabalhadores. mas como uma nova realidade. não mais se exigindo a prévia autorização do poder estatal para criação dos entes sindicais. 141 de 1975 e n. 98 de 1849. Documentos importantes no plano internacional como a Declaração Universal de Direitos do Homem. por exemplo. normatizada pelo liberalismo jurídico viciado pela desigualdade entre os trabalhadores e empregadores. 8º. por exemplo. de 1948. 8º que garante a liberdade sindical. n. em vários dos seus dispositivos assegurou a liberdade sindical. a Constituição Federal de 1988 no mesmo art. n. que tratam.Jornal do Congresso 83 . sendo o principal deles a não intervenção ou interferência do Poder Público na organização sindical. É importante ressaltar que o Brasil não ratificou a Convenção n. segundo o qual na mesma base territorial pode ser criados tantos sindicatos quantos os trabalhadores de uma categoria quiserem. com uma forma de buscar melhores condições de trabalho. mesmo sem apoio legal. primeiro país a garantir o direito de associação em 1919. visto que a doutrina traz várias classificações permitindo aos sindicatos se dividirem em: sindicatos de categorias. que são os trabalhadores de uma mesma profissão. foram fatores determinantes para o surgimento do sindicalismo. II da CF/88 e 516 da CLT é possível se verificar que o Brasil adotou o sistema da unicidade sindical — os sindicatos só podem representar uma categoria em determinada base territorial. 87. durante o século XVIII. 87 da OIT.cidade sindical o país não acompanhou a evolução do sindicalismo dos países democráticos. Concenção n. Alemanha e Itália. 87 da OIT No entanto ao realizar a leitura dos arts. Unicidade sindical A Constituição Federal de 1988 introduziu princípios do direito coletivo. mas uma liberdade limitada. LTr . e da livre associação sindical. Em alguns países. podendo desta forma ser considerada como pilar do direito sindical. mas que se contradiz com a proibição de mais de um sindicato da categoria na mesma base territorial. podendo ser resumida em: fundar sindicatos. Com a Revolução Francesa em 1789. entre elas as de n. administrar sindicatos. no art. da autonomia sindical (em uma das suas facetas). garantia o direito ao homem de se organizar em sindicatos com a finalidade de proteger seus interesses comuns. Ao decorrer da história os sindicatos foram surgindo. a Constituição Federal de 1988. incisos I e V. porém essa unicidade não é absoluta. Isto pode ser confirmado. tanto para a caracterização de outros sindicatos em razão das organizações monopolistas já constituídas como também o livre arbítrio de seu associado se filiar. com uma existência institucional. é que se iniciou a consciência operaria de lutar em busca de seus interesses. respectivamente. depois na França em 1884. chegando a determinado ponto que este não poderia ser defeso em lei. pois estabelece princípios e diretrizes da liberdade sindical. sindicatos de categorias econômicas. 8º. sindicatos de categorias diferenciadas. extirpando a obrigatoriedade de o trabalhador filiar-se ou manter-se filiado a sindicato. e por fim na Alemanha. Surgiu então primeiramente na Inglaterra 1824. é possível ainda a dissociação ou desdobramento de categorias ecléticas — inte- Organização Internacional do Trabalho (OIT). Outras Convenções foram criadas pela OIT para complementar. Além dessas classificações. As péssimas condições de trabalho desta época. sindicatos de trabalhadores autônomos e sindicatos de profissionais liberais. como a França. Evolução histórica do sindicato Na Revolução Industrial.

A tendência seria.gradas por atividades principais. (7) NASCIMENTO. Amauri Mascaro. passem a ser categorias específicas (NASCIMENTO. já alcançada por muitos países que adotaram o pluralismo sindical. já que para nós concluímos que acima do princípio da liberdade sindical prevalece o princípio do interesse social dos trabalhadores. Posteriormente.Jornal do Congresso . pois sozinhos não teriam condições de reivindicar melhores condições de trabalho. ao se fazer uma comparação entre as duas modalidades existentes. na realidade brasileira. O ideal seria o Brasil ratificar de vez a Convenção n. A nosso sentir. 2012. destacando-se. para deixar de vez esse modelo corporativista sindical (ou semicorporativista) que inibe qualquer possibilidade de desenvolvimento da representação e participação dos trabalhadores na gestão das empresas. A nosso sentir. as pessoas iriam perceber que muitos sindicatos não têm poder de pressão e iriam começar a se agrupar. 2014)(7). 84 Como visto a unicidade sindical proíbe a livre criação de sindicatos. É o modelo escolhido pela maior parte dos países democráticos. porém livremente. o Brasil. Os sindicatos devem ser criados por profissão ou por atividade do empregador. depreende-se que a unicidade sindical termina por tolher a tão almejada liberdade sindical. num primeiro momento. no entanto permanece com um sistema de índole evidentemente autoritária. 2014. podendo estes ser livremente instituídos. ao passo que os sindicatos. restringindo-os a um único ente sindical por categoria profissional ou por atividade econômica em determinada base territorial. a qual. conexas ou similares para que estas. visto que os sindicatos tem por objetivo defender os interesses de seus representados. Sergio Pinto. da pluralidade pode derivar a unidade sindical. São Paulo: LTr. cada um poderia constituir o sindicato que quisesse. 87 da OIT ao invés de garantir uma liberdade mascarada. que é ser possível ou não do modelo da unicidade sindical. 35ª ed. não pode ser inferior a um município. Sergio Pinto Martins(8) é um dos defensores da pluralidade sindical e conclui que “Com a pluralidade sindical.” Conclusão O estudo da liberdade sindical no Brasil esbarra em uma questão relativamente complexa. (8) MARTINS. LTr . acabam por se tornarem um sindicato uno. por conta das próprias circunstâncias. São Paulo: Atlas. a criação de muitos sindicatos. 7ª ed. Compêndio de direito sindical. Já a pluralidade sindical não há limitação na criação dos órgãos sindicais. Esse meio de dissociação de sindicatos funciona como uma alternativa para a pluralidade sindical e se for reelaborado em alguns pontos talvez possa compatibilizar nosso ordenamento jurídico com a liberdade sindical preconizada pela OIT. por livre escolha dos seus integrantes. Direito do trabalho.

Jornal do Congresso O momento posterior do sindicalismo inglês se desenvolve ainda no século XIX. dos lucros — por meio da distribuição de renda propiciada pela edificação de direitos sociais. ao longo de sua história. 1. onde este último media interesses das classes que se opõe. Especialista em Direito Material e Processual do Trabalho pela Faculdade Pitágoras. na década de 1960/1970. a reorganização produtiva se desenvolveu absorvendo bandeiras do próprio movimento que contestava. utilizando este elemento da racionalização da produção para fortificar a resistência coletiva. observa-se que. Introdução O intuito do presente estudo é analisar a possibilidade de adoção da Convenção n. a partir da compreensão da necessidade de reaquisição de legitimidade social das entidades sindicais profissionais. 2002a. o sindicalismo busca impedir que o capital imponha sua forma de organizar o trabalho. LTr . Modernidade e Democracia pela PUC Minas. Mas que exige a construção de direitos trabalhistas como forma de impor limites à exploração do trabalho. No entanto.A ORGANIZAÇÃO SINDICAL. posteriormente. no início do século XIX. com destaque para o próprio Direito do Trabalho. 2002b). Professora das Faculdades Milton Campos (graduação). Mestre e Doutoranda em Direito do Trabalho. inicialmente. os luddistas do norte da Inglaterra. o sindicalismo moderno. aceitar tais formas de estruturação do processo produtivo e dela retirar elementos para fortalecer sua resistência. De acordo com o historiador E. Pacto implícito entre capital. 2. que aceita a reunião de trabalhadores subordinados em um mesmo espaço físico. trabalho e Estado. a organização da resistência coletiva dos trabalhadores absorve elementos da própria organização da produção e vice-versa. Quando. especialmente após o término da segunda guerra mundial. Tal aceitação — pelos trabalhadores — da forma de organização da produção se aprofunda ao longo do século XX. Thompson (2004. calcada na elevação progressiva do consumo — e.P. se desenvolve em uma relação de mimetismo com o próprio capital. ocorreu a primeira fissura do “pacto fordista”. O pós-fordismo incorporou noções de igualdade e liberdade que se revelaram como fortes anseios dos trabalhadores e seus filhos. o capital. O PLURALISMO E A NECESSIDADE DE EMERGÊNCIA DAS SINGULARIDADES Maíra Neiva Gomes Coordenadora do Departamento Jurídico e Coordenadora Pedagógica do Programa de Formação Política Permanente Ignácio Hernandez do Sindicato dos Metalúrgicos de Belo Horizonte. tentaram impedir a implantação do sistema fabril de produção — ainda incipiente naquela época — buscando preservar sua condição de artesãos livres. propiciando a consolidação de um movimento sindical que não mais contesta o sistema capitalista industrial. o movimento de mimetismo também pode ser observado na própria organização do espaço produtivo. É assim que se consolida o “pacto fordista”. Ao se analisar o desenvolvimento histórico do movimento sindical. promovendo uma política macroeconômica keynesiana. 87 da OIT. consequentemente. Contagem e Região. em um segundo momento. se esboçará o desenvolvimento histórico do movimento sindical e. o declínio do método cartesiano e a necessidade de emergência das singularidades. com o cartismo. em um primeiro momento. em sua múltiplas esferas. 85 . O movimento sindical imita o capital e vice-versa Segundo Márcio Túlio Viana (1999). para. inclusive na representação sindical. A CONVENÇÃO 87 DA OIT. Para tanto. Ou seja.

o método de analise científica e das demais áreas do pensamento humano se dava a partir das premissas de homogeneidade compartimentada cartesiana. pois o “pacto fordista”. Mas mais do que isso. portanto. As contestações que emergem a partir da década de 1960 tocam justamente na inviabilidade de não se observar as opressões que se desenvolvem no seio social. calcado no pluralismo de ideias e na possibilidade de emergência das singularidades representadas implique. tanto sindicato. hoje esteja em declínio. em um primeiro momento. 86 assegurar a homogeneidade e continuidade do encadeamento das razões. 87 da OIT nesse contexto? Ora. excluía singularidades relevantes e acabava por justificar opressões aos negros. No entanto. 4. É preciso sim reconhecer as diferenças. o método científico consistia na decomposição do todo em elementos mais simples e evidentes que seriam. garantindo-se assim a universalidade das “verdades” científicas. Mas é ainda assim que hoje se vê a sociedade? Na segunda metade do século XX. procedendo a ordenação das proposições obtidas na primeira fase do processo de conhecimento. que divide a classe trabalhadora em categorias. Mas onde se encaixa a Convenção n. mulheres. ela parte do princípio de que existem sim divergências no todo considerado homogêneo. a designação de líderes de equipes pelos próprios trabalhadores. Bem como da necessidade do Estado de controlar o movimento sindical. na fragilidade dos sindicatos. conforme se pretende demonstrar no item posterior. Mais do que isso. homogêneas. inclusive na representação. menos hierarquizado. Considerações finais Talvez. O espaço produtivo — pelo menos no que diz respeito às aparências iniciais(1) — se mostrou mais heterogêneo. muitas vezes. essas novas técnicas de gestão de mão-de-obra vem recrudescendo o poder diretivo que se interioriza na alma dos trabalhadores e passa também a ser exercido por eles mesmos. A premissa é da construção de unidades sólidas. É nesse contexto cultural que a normatização sindical se desenvolve no Brasil — e no mundo — na primeira metade do século XX. mais claros. tal como era a sociedade pela qual clamavam os movimentos contestatórios das décadas de 60/70. a adoção de um modelo de ampla liberdade sindical. homoafetivos. substituída pelo termo “colaborador” e outros similares. inicia-se o processo dedutivo de síntese. quando as singulares requerem reconhecimento. A partir da “revelação” da verdade das partes do objeto. assegurando-se que todas as singularidades se manifestem. entre os trabalhadores existe sim diferenças relevantes. ela reconhece o direito elementar da democracia no novo milênio. começam a eclodir singularidades.Jornal do Congresso . quanto espaço produtivo não são desconectados da realidade social. talvez. No método de analise sugerido por Descartes (2000). Ou seja. a reflexão se dá a partir da observação e compreensão da relação de dependência entre os objetos. No entanto. quanto da organização do capital — partiram de uma compreensão da própria sociedade que. ainda no século XVII. de reconstrução do todo. 3. a reinvenção do sindicalismo — que é marca constante de seu desenvolvimento LTr . divididas de forma estanque e compartimentada. o que Descartes denominava de etapa indutiva. a realização de reuniões periódicas para discutir problemas e soluções do processo produtivo criaram o simbolismo de maior igualdade e liberdade no espaço produtivo. entre outros grupos sociais minoritários. No entanto. É dessa ideia que nasce a teoria do sindicato único. O declínio do pensamento cartesiano e a necessária emergência das singularidades O pensamento científico tende a reproduzir elementos da própria cultura social. As elaborações anteriores — tanto do movimento sindical.agora ingressos na Universidade nos países do capitalismo central. Isso porque tudo que é novo causa estranheza e dificuldades de adaptação. Ou seja. No decorrer dos séculos XIX e XX havia uma crença no progresso ininterrupto da ciência e da própria tecnologia humana. de forma a (1) A eliminação da palavra empregado.

475-J do Código de Processo Civil no Processo do Trabalho não será a solução para todos os problemas de concretização dos direitos trabalhistas. Tal princípio pressupõe uma visão social do sistema processual trabalho. de Marreito Processual do Trabalho. Luciano Athayde. para se manifestarem. a argumentação torna-se mais consistente quando analisada a luz Referências bibliográficas da principiologia constitucional. THOMPSON. após a Emenda Constitucional n. 440 p. Civil já é admitida por inúmeros autores. 2. São Paulo: Ática.natureza alimentar — um pro2002a. 2004. do prorária: a força dos trabalhadores. 1. Enfim. LXXVIII. concretização dos princípios LTR. In: FARIA. 249-275. Ordem legal X Mudança social: a crise do judiciário e a formação do magistrado. Rio de Jaonais de justrabalhistas. 11. pode ajudar a processualística neiro: Paz e Terra. Discurso do método. fundamentada princípio constitucional da razoável duração Trad. onde as singularidades encontram espaços contradições sociais os conceitos fechados e tipificantes dos sistemas legais vigentes”. cesso (art. 204 p. 3. CF) e nos princípios constituciDenise Bottmann. ed. 2003. Márcio Túlio. P.tível com o novo dispositivo do Código de Processo Civil como é justificador de sua aplicação subsidiária. Nesse viés quaisquer interSantarrita. 41-51. p. René.Jornal do Congresso LTr . o Diséculo XX — 1914 — 1991. São Paulo: LTr. Márcio Túlio. ed. Rio de Janeiro: tas. 456 acima. 1999. Trad. dos trabalhadores com sua instituição de repreSob o prisma desse princípio. Terceirização e sindicato: CARVALHO. Direito Processual do Trabalho: Denise Bottmann.uma valorizando mais as questões — podedo propiciar maior identificação social de justiça do que os problemas de legalidade. 3. infraconstitucional ed. 598 p./jun. Lei n. ed. São Paulo: Compapretações cos dadas à legislação devem concretizar o espírito dos comandos constitucionais. A formação da classe ope. v. LTR — nidade um de maior efetividade no cumprimento das sentenças trabalhisIn: Revista CHAVES. P. os princípios constitucionais irradiar sua aplicabiliHOBSBAWM. balho da. legislação do trabalho. a química e a tornar-se um objetivo comum principalmente dentre realidade esindical. nhia das Letras.). p. quedarTrad. 1. José Eduardo Faria(4)sentação. p. a busca da verdadeira efetividade deve VIANA. THOMPSON. p. E. 101-102.232/2005: Oporturária: a árvore da liberdade. justrabalhista a alcançar esse2002b. um A formação da classe ope- O intérprete não devede seAdão. mas já E. A formação da classe ope-no 475-J do Código E. CF). jan. inerte de diante rária: a maldição Re-da letargia dos legisladores e diante dos percalços da innato de Neto e procedimentos.oferecer ao seu te e credor de 347 bens p. Eric J. LTr . A aplicação subsidiária do art. pelo Poder 29 Judiciário. por exemplo. de P. Rio de jurisdicionado-hipossufienJaneiro: Paz e Terra. Direito e Justiça: a Função Social do Judiciário. ressalta que “cabe a uma magistratura com um co- nhecimento multidisciplinar e poderes decisórios ampliaAbarcando diversos discursos e reivindicados à responsabilidade de reformular a partir das próprias ções. 475-J do Código de Processo paradaseu fortalecimento. Luis Fernando Silva de. número 7. como. v. 1997. José Eduardo. 2. São Paulo: do novo são um meio 1. Reforma e efetividade. dev. 5º. 45/04. Cláudia Rocha de Almeicorporação novos O Processo do Traed. 2007. THOMPSON. 5º. 1995. cesso mais ágil e eficaz(5). São Paulo. Numa interpretação pós-positivista do processo. cação subsidiária do art. resistência — cação da omissão celetista e a percepção da coerência possibilidades de autodefesa do empregado dos princípios do Processo do Trabalho com a redação emdispositivo face do empregador.Jornal do Congresso 97 87 . O direito. Ano 67. jul. (4) FARIA. desiderato. 4. O método colmatação a identifiVIANA. Belo Holados rizonte. Trad. José Eduardo (Org. Processo Civil. principalmente. (59).VIANA. deve4. 79 p. Revista do que Tribunal Reos Magistrados os Advogados para a sociedade nuncagional perca ado esperança que seus direitos tuteTrabalhodeda 3ªterá Região. Direitodedelacunas. fundamental a todos os brasileiros (art. LXXVIII. São Paulo: Escala. o que aé aplicabiessencial lidade multa do art. 2000. 775-790. de ed. o sindicato pode voltar a Se numa análise infraconstitucional adquirir legitimidade social. p. de (5) enfoque para além do jurídico.devem Era dos extremos: o breve dade a todos os subsistemas. Paz e Terra. MárciodeTúlio. será passo adiante. pela qual se assegurou a razoável duração do processo como direito DESCARTES. destacados 1996.

São Paulo: Método. muitos questionamentos surgiram quanto à aplicação dos mesmos à realidade desses trabalhadores. razão pela qual faz-se necessário um estudo pormenorizado do tema. quando pleiteadas as horas extraordinárias em juízo. como é o caso da jornada de trabalho. as regras para adoção de controle de jornada de trabalho. b) a continuidade. Assim. (1) Direito do Trabalho. Joaquim Especialista em Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho Com o advento da Emenda Constitucional n. Dessa forma. facultada a compensação de horários e a redução da jornada. Não se aplicam as regras do horário noturno e seu adicional. 5859. de 11 de dezembro de 1972. discute-se de quem seria o ônus de provar sua ocorrência. eis que dependem de regulamentação. 72 quase a igualdade de direitos com os demais trabalhadores. Para que esse direito tenha a plena eficácia pretendida pela Constituição. Diante das peculiaridades da relação de trabalho doméstica. C. como as regras para horas in itinere. compensação da jornada.Jornal do Congresso . c) a prestação de serviço para pessoa física ou família. Levando em consideração o conceito legal. 88 A Lei n. em especial quanto a seu controle e como se dará a aplicação do ônus da prova quando pleiteadas horas extras em juízo.p. Vólia Bomfim Cassar(1) define os requisitos para que uma relação seja considerada de trabalho doméstico. Tendo em vista essa relação ocorrer no âmbito residencial e se tratar de situação de trabalho muito peculiar. etc. assegurando à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos previstos em diversos incisos. tais sejam. mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. até que a lei específica discipline a questão. alguns direitos ora reconhecidos geraram diversas discussões. devem ser utilizadas analogicamente as regras da CLT. que estendeu diversos direitos trabalhistas aos empregados domésticos. os empregados domésticos passaram a ter direito à limitação da jornada de trabalho e consequentemente ao recebimento de horas extras. o empregado doméstico passou da completa marginalização ao reconhecimento de alguns direitos. 72/2013. trazendo a Emenda n. 7º da Constituição Federal. a) o enquadramento do trabalhador como doméstico. Somente com a presença desses requisitos uma relação pode ser considerada como doméstica. Ao longo dos anos. aplica-se no que for compatível o capítulo da “duração do trabalho”. intervalos Interjornada e intrajornada. caso ultrapassado tal limite. LTr . 2013. entre eles o que prevê a duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais. 8ª edição. define como trabalhador doméstico aquele que presta serviços de natureza contínua e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família no âmbito residencial destas. Referida Emenda Constitucional alterou o parágrafo único do art. Nesse contexto.6º Painel A quem incumbirá o ônus da prova da jornada cumprida em processos em que a litiguem o doméstico e seu empregador? Camila S. um dos temas mais discutidos é a jornada do trabalho. limites de atraso. e) a atividade de natureza não-lucrativa e d) o âmbito residencial. 338. a partir da promulgação da emenda.

necessários para o convencimento do juiz. relativo às horas extras. invertendo-se o ônus da prova. A inversão do ônus da prova tem sido admitida na seara trabalhista. a não apresentação injustificada dos controles de frequência gera presunção relativa de veracidade da jornada de trabalho. de demonstrar a existência ou inexistência daqueles fatos controvertidos no processo. O ônus da prova pode ser definido como o encargo. ao prever que este incumbe: I — ao autor. se o juiz concluiu a instrução e formou seu convencimento sobre os fatos. O princípio é consagrado no Código de Defesa do Consumidor. p. os mesmos tem que ser idôneos e caso apresentem horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de prova. muitas delas concentrando-se no campo processual. uma vez adotado o controle. porém em casos onde a realização da instrução não for suficiente para tanto. II — ao réu. (2) Primeiras Linhas de Direito Processual Civil. 333 do Código de Processo Civil sintetiza o ônus da prova. Tal hipótese ocorrerá sempre que o réu negar os fatos constitutivos do direito do autor com base em uma afirmativa. a qual pode ser elidida por prova em contrário. mesmo ao apresentar defesa de mérito direta. que traz como requisitos a verossimilhança da alegação ou quando ele for hipossuficiente. a fim de solucionar as questões levadas a juízo. é importante destacar que o Projeto de Lei n. § 2º. que tem como pressuposto a hipossuficiência do trabalhador. Porém. em regra. o registro da jornada é obrigatório e a não apresentação desses culminará na inversão do ônus da prova para o empregador. 818 da CLT determina que a prova das alegações incumbe à parte que as fizer. entretanto. No segundo caso. ao sentenciar o juiz verificará a quem cabia o encargo de prová-los. caso isso ocorra. em situações excepcionais. sua ocorrência não é muito comum na relação de trabalho doméstico. 74.Jornal do Congresso A segunda determina que os cartões de ponto que demonstram horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de prova. Insta salientar que. quanto à existência de fato impeditivo. atrairá o ônus da prova. Nesse sentido. que tramita perante do Congresso Nacional. As situações que permitem a inversão do ônus da prova quando se trata de horas extras estão previstas na Súmula n. Quanto à primeira situação. embora a CLT afaste a aplicação de seus dispositivos aos domésticos. em especial quando se trata do ônus de comprovar eventuais horas extraordinárias. pois se trata de fato constitutivo de seu direito. VIII. em seu art. modificativo ou extintivo do direito do autor. prevê em seu texto que o registro da jornada de trabalho do emprega89 . 6º. ou indeterminada”. Porém. quanto ao fato constitutivo do seu direito. eis que apenas poucas famílias têm a possibilidade de contar com mais de 10 (dez) empregados em sua residência. a jurisprudência estabeleceu duas situações onde haverá presunção relativa de veracidade das alegações do autor. que passa a ser do empregador.(2) Em relação às horas extras. portanto. Cabe ressaltar que. prevalecendo a jornada da inicial se dele não se desincumbir. São Paulo: Saraiva. ponto que atrai a aplicação analógica ao direito do trabalho. 362. na prática têm-se realizado o emprego subsidiário da CLT nessas relações. O art. a única hipótese em que o réu fica desincumbido de qualquer ônus da prova ocorre quando apresentar defesa de mérito direta por “negativa absoluta. da CLT. não haverá necessidade de socorrer-se das regras sobre o ônus da prova. atribuído a uma das partes. A primeira delas prevê que. ocorrerá a inversão do ônus da prova. Por este raciocínio. o art. a aplicação prática dos novos direitos vem causando muitas dúvidas. LTr . 2008. a regra contida nos dispositivos acima mencionados prevalecerá. 338 do Tribunal Superior do Trabalho. 224/2013. tendo em vista a omissão legislativa e a necessidade de dar-se aplicabilidade imediata aos dispositivos constitucionais. “fazer a contraprova ou prova contrária”. Moacyr Amaral Santos.Por se tratar de significativa mudança no regramento legal anterior. adverte que há casos pelos quais o réu. sendo o ônus da prova do autor. invertendo-se o ônus para o empregador. ou seja. Por sua vez. sendo ônus do empregador que conta com mais de 10 (dez) empregados o registro da jornada de trabalho na forma do art. devendo.

São Paulo: Método. OLIVEIRA. Direito do Trabalho. embora a Emenda Constitucional n. evitando-se a oneração excessiva de alguma das partes. SANTOS. A Emenda Constitucional n. enquanto não regulamentada definitivamente a questão. 2008. 10ª ed. ALCANCE DA EXPRESSÃO “OUTRAS CONTROVÉRSIAS DECORRENTES DA RELAÇÃO DE TRABALHO”.12. o ônus da prova automaticamente passará ao empregador. atualmente exerce o cargo em comissão de Assessor Jurídico-Administrativo. 72/2023 represente grande inovação nos direitos concedidos aos domésticos no Brasil. LEITE. muitas vezes o empregador também pode ser considerado hipossuficiente e se colocar em pé de igualdade com o empregado. que certamente é a novidade que mais gera dúvidas.2004.Jornal do Congresso . trouxe. será alterada a dinâmica existente atualmente. Professor de Direito nas Faculdades Integradas Ipiranga e na Famaz – Faculdade Metropolitana da Amazônia. 1999. 45. São Paulo: Saraiva. Assim. para que tenha plena efetividade é necessária sua regulamentação infra legal. Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade de Campinas e Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. INSERTA NO INCISO IX DO ART. Bibliografia CASSAR. Vólia Bomfim. Francisco Antonio de. de eficácia social plena e aplicação imeLTr .12. A prova no Processo do Trabalho. as regras relativas ao ônus da prova devem ser adotadas com cuidado pelos magistrados. conhecida como “Reforma do Poder Judiciário”. Primeiras Linhas de Direito Processual Civil.do doméstico será obrigatório e poderá ser feito manual (folhas de ponto). razão pela qual as regras quanto ao ônus da prova devem ser aplicadas de forma cautelosa. 114 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL Igor Zwicker Martins Bacharel em Direito e Especialista em Gestão de Serviços Públicos pela Universidade da Amazônia. sempre ressaltando-se as características especiais da relação de trabalho doméstico. Curso de Direito Processual do Trabalho. publicada no DOU de 31. é importante lembrar que nas relações de trabalho doméstico. de 30. especialmente no âmbito processual. dentre outros avanços — como a con90 sagração do princípio da razoável duração do processo e meios que garantam a sua celeridade enquanto direito fundamental e pétreo dos indivíduos. De qualquer forma. eis que uma vez obrigatório o registro. 2013. caso aprovado tal dispositivo. Carlos Henrique Bezerra. 2012. 8ª ed. Ou seja. mecânica (relógio de ponto) ou eletronicamente. São Paulo: LTR. em especial quanto à jor- nada de trabalho.2004. Analista Judiciário – Área Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. Ante tais fatos. Moacyr Amaral.

indicasse que a competência material da Justiça do Trabalho seria ampliada para “outras relações de trabalho”. a nosso ver. a saber: as causas de interesse de pequenos empreiteiros (art. à exceção dos servidores públicos. que dão a perfeita amplitude ao inciso IX do art. não eventualidade. Nova competência da Justiça do Trabalho.diata (art. 114 da CF. de trabalhadores avulsos e seus tomadores de serviços (art. justamente por serem decisões. concluiu pela competência da Justiça do Trabalho para apreciar pedido de um motorista que denunciou ter sido incluído em “lista suja” por empresa que sequer foi sua empregadora. que têm nos causado esse inconformismo.889/73). onerosidade e subordinação jurídica. gradativamente. diariamente. FAVA. como pretendeu o Poder Constituinte Derivado de 2004. por maioria. a substancial ampliação da competência material da Justiça Especializada do Trabalho.). 643. Outrossim. entendemos que são toda e qualquer controvérsia que envolva relações de trabalho. no fundo.Jornal do Congresso E pensamos dessa forma em decorrência do hábito que temos de ler. taxativamente: “as ações oriundas das relações de trabalho”. LTr . Isso porque o próprio inciso I já diz isso. como bem ressalta Vicente José Malheiros da Fonseca(1). trazemos alguns exemplos práticos. 45. A título ilustrativo. ainda que. São Paulo: LTr. os incisos I e IX do art. 5º. 17 da Lei n. ainda. 5. III. combinadamente. não alcançou a amplitude pretendida pelo Poder Constituinte Derivado de 2004. não decorram quaisquer das hipóteses trazidas nos incisos I a VIII do art. Com efeito. o reclamante alegou. da CLT). consoante voto da relatoria do Ministro Cezar Peluso.395-MC/DF. isto é. na petição inicial. da CLT). Vicente José Malheiros da. Isso porque. jogou pá de cal na cizânia para consagrar a competência material da Justiça do Trabalho para todas as relações de trabalho. “que é motorista de carreta e que a re91 . justamente pelos quase dez anos passados de sua publicação no DOU. por força da decisão liminar proferida pelo STF na ADI n. para além do julgamento das ações que abrangem apenas conflitos oriundos das relações de emprego.12. Com efeito. a jurisprudência do TST e de tribunais regionais trabalhistas. Marcos Neves (coords. Em 5.2006. Grijalbo Fernandes. a 3ª Turma do TST. 45 e de seus impactos na competência material da Justiça do Trabalho como um tema atual. Entretanto. seria admitir que a lei contém palavras inúteis — aliás. de trabalhadores rurais não sujeitos a vínculo empregatício (art.2014. e que já deveriam formar jurisprudência iterativa. da CF) —. 643 da CLT) e de trabalhadores portuários e os operadores portuários ou o OGMO — Órgão Gestor de Mão de Obra decorrentes da relação de trabalho (art. e ter a oportunidade de constatar que decisões de vanguarda. isto é. na interpretação que fez da referida Emenda — e Direito nada mais é que interpretação. em 5. 3. atual e notória. posteriormente ratificada pelo Plenário. embora soe contraditório e paradoxal tratar da Emenda Constitucional n. 2005. Quando a CF tratou de “outras controvérsias” decorrentes das relações de trabalho. inserta no inciso IX. por sua vez. que a Constituição contém palavras inúteis.2. corretas. Justiça do Trabalho – nova competência. basta analisarmos. incluindo-se suas lides conexas. 652. In: COUTINHO.4. a competência material da Justiça do Trabalho já vinha sendo alargada. A Emenda Constitucional n. Se fosse para o inciso IX ter o mesmo vigor interpretativo do inciso I. nossa competência material. limitava-se — sem razão de ser — ao vínculo empregatício. vinculados ao Poder Público por relação jurídico-estatutária. nesses quase dez anos. § 3º. No caso concreto. foram poucas. ao longo desses anos.2004. (1) FONSECA. o próprio Judiciário Trabalhista foi tímido. 114 da CF para percebermos que a interpretação que se dá à expressão “outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho”. 114. o tema ainda se revela atual. como se sinônimos fossem. Ora. a. se o inciso IX se referisse apenas a “relações de trabalho”. anterior a 31. então o inciso IX não teria razão de existir. da causa de pedir remota — os fatos trazidos em juízo — não decorra necessariamente uma relação de trabalho ou. em acréscimo às relações de emprego. LXXVIII. às relações de trabalho na qual estivessem necessariamente presentes — cumulativamente — os pressupostos da relação de emprego: pessoalidade. mas que têm se revelado minoritárias e excepcionais.

Naquela ação. concluir: “Todavia.(2) (2) Sem destaques no original.. CF). favoráveis à declaração da competência material da Justiça Comum Estadual.) O fulcro da lide. sendo o caso sob exame bastante ilustrativo. que. E conclui o eminente Ministro: Como se vê. 114. citando interessante conflito negativo de competência julgado pela 2ª Seção do STJ: o CC n. vem sendo impedido de prestar serviços desde maio de 2006. Segundo decisão da Corte Regional. Por outro lado. dada a causa de pedir da ação indenizatória. esse entendimento merece ser reavaliado. que prejudicou direitos de um trabalhador.2014. em razão de sua atuação. somente a Justiça Especializada terá plenas condições de avaliar a procedência de tais alegações formuladas pelo autor contra o sindicato réu. que em tudo recomenda que a apreciação seja feita pela própria Justiça Laboral”. Assim sendo.Jornal do Congresso . data maxima venia. tanto o Juízo da Vara Cível quanto o Juízo da Vara do Trabalho suscitaram sua incompetência material. 45/2004 (art. Desse modo. 114 da Constituição Federal. sobre processo no qual um sindicato foi condenado por incúria. naquele momento. XIII. e que. A controvérsia. porquanto a ação movida pelo trabalhador faz referências a temas notadamente de direito trabalhista e processual trabalhista. alegando não se tratar nem de lide decorrente de relação de trabalho/emprego nem tampouco relativa a conflito de representação sindical. restringia-se à competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar lide na qual a causa de pedir remota era a inclusão do nome do empregado em “lista de risco”. gerando o citado conflito. em 14. esta Justiça Especial não é a competente para apreciar e julgar a presente ação. por conseguinte. o litígio nos marcos da competência da Justiça do Trabalho.clamada é seguradora de centenas de empresas que utilizam o transporte de cargas. Registro que não há prova alguma nos autos de que o autor tenha tentado manter vínculo de emprego com a ré. I a IX. a empresa-ré não mantém qualquer ligação direta com o autor. com suas lides conexas (art. sendo seu relacionamento vinculado ao setor de transporte das empresas que possivelmente contratariam os serviços do autor. traz em seu voto inúmeros julgados contrários ao seu entendimento. fornecendo dados e informações sobre os prestadores de serviços. 124. recentemente. o impedem de trabalhar”. CF). pois fora dos limites impostos pelo art. não há entre o autor e a ré relação de trabalho. 92 circunstâncias que enquadram. E que interessante: o Relator. Nesse contexto.930/MG. a competência da Justiça do Trabalho. I. Naquela decisão. com referência negativa no sentido de “não recomendado/com restrição”. pois a reclamada vem fornecendo informações negativas. para. são as consequências oriundas de informações prestadas para possível empregador (relações de trabalho). foi divulgado julgado do egrégio TRT da 3ª Região. ao final. impondo ao trabalhador restrições de acesso ao mercado de trabalho (art. se o fez foi em relação à empresas que não fazem parte da lide. CF). (. Naquele caso. o sindicato suscitou a incompetência material da Justiça do Trabalho. acertadamente assim consignou: Embora não empregatício o vínculo entre as partes (fato incontroverso). isto é.4. LTr . Do que se viu. os quais configurariam conduta deficiente e danosa praticada pelo sindicato requerido ao representar o trabalhador. em seu Portal de Notícias. com base nessas informações. O juízo obreiro terá melhor e mais adequada compreensão para avaliar as condutas imputadas ao réu e suas consequências para o trabalhador. o Juízo declarou a competência material da Justiça do Trabalho. O Relator do recurso do trabalhador. Ministro Mauricio Godinho Delgado. de acordo com o contrato que firmam. abrange as relações de emprego e também as de trabalho. 5º. ampliada pela EC n. tendo como substrato a reclamação trabalhista na qual os supostos acordos lesivos teriam sido firmados e homologados.. inapelavelmente. portanto. os fatos alegados na inicial dizem respeito a supostos atos praticados em juízo e a consectários desses na esfera extrajudicial. uma vez que a ré é uma empresa que assessora empresas outras que necessitam de transporte. Ministro Raul Araújo. 114.

77. que visa garantir as prestações materiais básicas. e a vertente relativa às metas. Como se vê. apud. NÃO CONCESSÃO DE FÉRIAS — HORAS EXTRAS — DANO EXISTENCIAL Anne Helena Fischer Inojosa Juíza Titular de Vara do Trabalho/TRT19. nas relações familiares. afetivas. 114 da CF. para entendermos que. VI e IX. pois isso já foi dito no inciso I do mesmo art. sociais. 83. os objetivos de importância vital para a realização 93 . v. privação da convivência com os amigos. não decorram quaisquer das hipóteses previstas nos incisos I a VIII do art. conforme ensina o professor Andreas Krell(1). Direitos Sociais e Controle Judicial no Brasil e na Alemanha. p. Krell. cultura etc. a mesma que antes conheceu e julgou a lide original. é a “vida das relações”. Doutoranda em Direitos Fundamentais —Universidade Castilla-La Mancha. 114. LTr .Somente no âmbito da Justiça Laboral. quando o inciso IX trata de “outras controvérsias” decorrentes das relações de trabalho.Jornal do Congresso O dano existencial representa uma alteração substancial. Especialista em Direito do Trabalho/UFPE e em Direito Público/ESMAPE André Luiz Ferreira Santos Analista Judiciário (Área Direito)/TRT19. ainda que. (1) Andreas J. ainda é muito tímida a interpretação que se dá ao inciso IX do art. passível de repercutir de forma permanente ou temporária sobre a sua existência. É hora de imprimirmos a tal inciso o alcance que quis dar o Poder Constituin- te Derivado. O dano existencial engloba duas vertentes: a privação da vida social do empregado. a demanda agitada pelo promovente será adequadamente conhecida e julgada. Revista do TST. que ultrapassa o mínimo. a falta de se desenvolver uma atividade que dê prazer e realização. da Constituição Federal. culturais e abrange todo acontecimento que incida de forma negativa sobre os afazeres da pessoa. Especialista em Direito Constitucional/UFAL e em Direito Público/CESMAC. com respaldo no art. na qual os acordos foram firmados. uma renúncia de forma involuntária às atividades cotidianas. Daniel Sarmento e Fábio Rodrigues Gomes. de 2004. 114 da CF. aqui o que se resguarda é um plano maior. “Outras controvérsias” equivalem a toda e qualquer controvérsia que envolva relações de trabalho. aí compreendendo-se o convívio familiar. Graduando em Ciências Sociais/UFAL O dano existencial provém do direito italiano e é uma faceta dos danos imateriais tendo passado a ser uma figura indenizável. p. 114. 41-49. A eficácia dos direitos fundamentais nas relações entre particulares: o caso das relações de trabalho. não quer dizer “relações de trabalho”. Entendemos que esta modalidade de dano não advenha da doutrina do mínimo existencial do Direito Alemão. Espanha. inclusive pelos próprios órgãos da Justiça do Trabalho. aquelas necessárias para uma vida digna. incluindo-se as suas lides conexas. da causa de pedir remota.

viável e adequado aos potenciais do obreiro. <www. não geram a presunção de prejuízo e nem são condutas capazes de gerar Desde que fique comprovado que a conduta do empregador atingiu o projeto de vida do empregado ou o seu desenvolvimento profissional impedindo-o também do convívio social e familiar. e. Do ponto de vista profissional. cuja CTPS não havia sido assinada. Dentre essas práticas a cobrança de trabalho em sobrejornada. deve ser reparado. CLT). 22(2)247 — Julio-Diciembre/2011. deve se utilizar do juízo de ponderação a fim de não banalizar mais um instituto de responsabilidade civil. (2) (3) Relator Ministro Hugo Carlos Scheurmann. Tratava-se de uma economista. Tal prova deve ser inconteste porque cada pessoa tem uma forma diversa de pensar e sentir. Entretanto é necessário que o ilícito tenha ocasionado a abusiva privação de componente significativo do projeto de vida e/ou de relações sociais e familiares. não têm ambição de progredirem profissionalmente. resultando em uma falta de perspectiva para o presente e futuro. 483. originar o pagamento de dano existencial. o limite diário da sua prestação.2011. Um bom exemplo de aplicação do novel instituto no Brasil foi o julgamento do RR 72776.br>. No âmbito do Direito do Trabalho. por si só. .0002(3). d. Em artigo na Revista Consultor Jurídico em 18/3/2014. então. há punições específicas para tais infrações. em razão da privação do seu direito ao descanso. qual seja. tal dano decorre de atitudes patronais que impossibilitem o empregado dessa convivência familiar e social. diferentemente do primeiro. naqueles autos.5.trt10. para alguns. devendo serem pagas em dobro. em 20. ficou provado o prejuízo das relações sociais e familiares.Jornal do Congresso Hindemberge Alves da Frota — Revista Latinoamericana de Derechos Humanos. sobretudo no âmbito familiar(2). existem empregados que já se sentem felizes e satisfeitos nos postos que ocupam na empresa.jus. O operador do direito.0102.2013. clara e sem dúvidas do prejuízo sofrido pelo empregado e o nexo de causalidade pois as condutas ilícitas do empregador (horas extras e falta de concessão de férias). Sônia Mascaro fala que é necessário que se faça uma comprovação efetiva. em que o TST deferiu a uma trabalhadora a reparação de 25 mil porque esta não gozava de férias há 10 anos. 94 LTr . um projeto de existência humana. já tendo atingido o seu projeto de vida. relativamente às horas extras. a demonstração objetiva de um prejuízo concreto. 3ª Turma. o dano existencial pois conforme já dito acima. TRT10. não têm interesse em ascender.2014. entretanto este segundo.2012. Da mesma forma em relação às férias não concedidas no prazo legal ou diminuídas no período de fruição das mesmas. O dano existencial é um dano que alcança a vítima de modo parcial ou total quanto à impossibilidade de execução. vol. no mínimo quando as mesmas são prestadas. para a sua verificação.5.6. A CLT já prevê nos seus artigos. (4) Processo 0002659-46.do projeto de vida. assessora do presidente da corporação reclamada. além das multas administrativas por descumprimento da legislação em vigor. a corte negou o dano existencial pleiteado porque não havia indicação precisa dos prejuízos sociais suportados por um motorista de caminhão que postulava a indenização por ter feito horas extras. continuação ou reconstrução do seu projeto de vida e a dificuldade de retomar sua vida em relação.10. Notícia de 31. Em interessante julgado do 10º Regional Trabalhista. a atrair a já notória “indústria do dano moral” (ou seria a indústria de pretensões?). houve um dano existencial e como toda espécie de dano moral.1. da possibilidade de rescisão indireta do contrato de trabalho quando há cobrança em excesso do labor (sobrejornada) ou a não concessão de férias. também há previsão legal (Art.(4) Aquele Tribunal Trabalhista tem adotado a tese de que dano moral e existencial são espécies do dano extrapatrimonial. assim como também que o impeçam a dar continuidade aos seus projetos de vida e profissionais como a continuação dos estudos e aperfeiçoamento profissional que lhe tragam assim também o desenvolvimento pessoal. j. assim como o pagamento com o acréscimo de 50%. Ademais.24. assim como a não concessão do gozo de férias poderão. requer. como bom hermeneuta.

INDISPENSABILIDADE DA CNDT NAS CONTRATAÇÕES PÚBLICAS POR ÓRGÃOS DA JUSTIÇA DO TRABALHO. estes hão de ser observados. lembrando que desempenha uma função social que deve ser aliada à manutenção da atividade e dos empregos — feito isto. principalmente após decorrido o prazo prescricional (como no julgado do TST.7. 32 DA LEI DE LICITAÇÕES Igor Zwicker Martins Bacharel em Direito e Especialista em Gestão de Serviços Públicos pela Universidade da Amazônia. Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade de Campinas e Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes. O tema ainda é incipiente na jurisprudência.7. configurada a lesão ao “eu existencial”. ao se aposentarem poderem ter aquela convivência. mormente em face da não recepção da Lei de Imprensa. 12. inclusive pretendem com tal acumulação. por óbvio que não desconhecemos que no ordenamento jurídico não há tarifação legal. em curto período de tempo.Jornal do Congresso das Leis do Trabalho (CLT) e alterou a Lei n. há de incidir a doutrina em discussão. se o ordenamento jurídico prevê sanções para o descumprimento como a rescisão indireta. de 7. entretanto. deverão ser adotados critérios de proporcionalidade para a fixação de quantum. Verificados os elementos ensejadores da responsabilização.Assim como também na vida familiar pois também existem empregados que têm como objetivo acumular bens visando a segurança da família mesmo que em detrimento do seu convívio mais de perto pois. com o devido pagamento do adicional. d) a viabilidade do projeto de vida frustrado e. AINDA QUE À LUZ DO ART. 8. A Lei n. Analista Judiciário — Área Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. dos riscos pela frustração dos projetos de vida. em que a ausência de férias ultrapassava a prescrição quinquenal). sem compromissos. multas administrativas e adicionais. que cuida das normas gerais para licitações e contratos da Administração Pública. cabe ao intérprete apreciar fatores como: a) número de férias não concedidas ou número de meses em labor com sobrejornada. a razoabilidade está a indicar que presentes os elementos do dano: ato ilícito. não ensejariam tal indenização. acrescentou o Título VII-A à Consolidação LTr .2011.2011. Lado outro. c) sua relação sócio-familiar. o julgador há de apreciar se houve um dano à realização do projeto de vida e prejuízo à “vida das relações”. 95 . com a consequente reprovação do ato patronal. Não se está aqui a defender a monetização dos prejuízos. atualmente exerce o cargo em comissão de Assessor Jurídico-Administrativo. estará o operador munido de elementos para a definição do montante a ser estabelecido como reparador ao eventual prejuízo sofrido. Deste modo. fator imprescindível. Professor de Direito nas Faculdades Integradas Ipiranga e na Famaz — Faculdade Metropolitana da Amazônia. nexo de causalidade e efetivo prejuízo. com vacatio legis de 180 dias.440. ao contrário. e) o porte da empresa. citado neste artigo. entretanto.666/93. b) potencial do obreiro. a não concessão de férias durante dois anos ou a exigência de labor em sobrejornada. publicada no DOU de 8.

da Lei n. pertinente à habilitação dos interessados. que já existe parecer do Ministério Público Federal (MPF) opinando pela total improcedência das ações. é vedado à Administração descumprir tal dever. II. 3º. concurso. 28 a 31 da Lei n. segundo o qual a documentação de que tratam os arts. com a edição da Lei n. para habilitação em processos licitatórios. Concluiu o TCU que. Pelo Ofício Circular CSJT. lavrado no Processo n. vai além: “Sempre LTr . para qualquer modalidade licitatória e. 8. de 18. financeira e patrimonial da Justiça do Trabalho de 1º e 2º graus.666/93. da Lei de Licitações). Érica Miranda dos Santos Requi. 111-A. para as hipóteses de contratação direta. por ocasião de cada ato de pagamento. Entretanto. para comprovar a inexistência de débitos inadimplidos perante a Justiça do Trabalho (art.666/93 (art. da Lei n. mediante apresentação de certidão negativa ou positiva com efeitos negativos. trata de Solicitação formulada justamente pela Presidência do colendo Tribunal Superior do Trabalho (TST). a exemplo do Acórdão n.6. Quanto à Lei de Licitações. tornando a CNDT documento igualmente exigível. De plano. 8. 642-A da CLT). V. a quem cabe exercer a supervisão administrativa. a documentação relativa à regularidade fiscal e trabalhista deve incluir a prova de inexistência de débitos inadimplidos perante a Justiça do Trabalho. 32.2006. 874/2007 — TCU — 2ª Câmara. 1. 39. tanto nos processos licitatórios quanto nas contratações diretas. Como cediço. em reforço à previsão legal. da Constituição Federal (CF). 27 e 29. a apresentação da CNDT. § 2º.ASCAUD n. nas contratações por dispensa (art. como a própria lei impõe a exigência de prova de inexistência de débitos inadimplidos perante a Justiça do Trabalho nas licitações públicas. até a presente data nada foi decidido de concreto pelo STF. deve a Administração. 63 da Resolução TCU n. na forma do art. 8.666/93). conforme ampla jurisprudência. de 21. Essa. outrossim. 32. como órgão central do sistema e cujas decisões têm efeito vinculante. § 1º. deparamo-nos com a inteligência do art. atual e notória jurisprudência tanto do colendo Tribunal de Contas da União (TCU) quanto dos órgãos dotados de jurisdição. ambos insertos na Seção II do Capítulo II. I.6. expedida gratuita e eletronicamente. e 29. documentos para além daqueles previstos nos arts.Citada lei instituiu a Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas (CNDT). a despeito de a constitucionalidade da Lei n.2012. é taxativo. no qual o TCU determinou às unidades setoriais do Sistema de Controle Interno de todos os Poderes da União que orientassem seus órgãos e entidades a exigir das empresas contratadas.440/11. “conforme facultado pelo art. passou a ser a orientação do colendo Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT). 8. pleito acolhido. para a habilitação nas licitações. nos casos de convite.666/93).741/2012-1. fornecimento de bens para pronta entrega e leilão. Lembremos que. de qualificações técnica e econômico-financeira e de regularidade fiscal. II.SG. destacando-se. inclusive.054/2012 — TCU — Plenário. 002. integrante da Equipe Técnica Zênite. 12. da Lei n.742/ DF.440/11 estar sendo questionada no âmbito do excelso Supremo Tribunal Federal (STF) pelas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) n. 32. 28 a 31 da referida Lei de Licitações poderá ser dispensada. caracterizando restrição ao caráter competitivo do certame qualquer exigência para além daquele rol taxativo. passou-se a ter a exigência da regularidade trabalhista (arts.Jornal do Congresso . em consonância com o art. 27. inclusive. IV. para que o TCU examinasse a 96 possibilidade de recomendar aos órgãos e entidades da administração direta e indireta da União. do mesmo estatuto de licitação”. Ocorre que.054/ 2012. 4. ainda. a Presidência do CSJT encaminhou a todos os Regionais o Acórdão n. imprimir-se interpretativa ampliativa do citado art. É comum. cujo rol de documentos. a não deixar de considerar a possibilidade de reduzir as exigências de habilitação jurídica. § 1º. que passem a fazer constar dos respectivos editais de licitação a exigência da CNDT. no todo ou em parte. 1. conforme iterativa. § 1º.716/DF e 4. 12. orçamentária. 191. § 1º. no qual o TCU orientou o INSS. abster-se de exigir. anotou-se a obrigatoriedade da norma legal que determina que. É de se ressaltar que o Acórdão n. 24. alterou os arts.

inerente ao vínculo de emprego. que demandam urgência na sua efetividade e efetivação. Ademais. ainda. enquanto mero instrumento de salvaguarda do direito material. aliás. Não é demais ressaltar que essa é a própria mens legis da Lei n. é claro. 100 da CF e 186 do Código Tributário Nacional (CTN). mediante apresentação de certidão negativa. não é lógico que a própria Justiça do Trabalho — sabedora das dificuldades que enfrenta a execução trabalhista. Rio de Janeiro: Renovar. da Lei n. da CF. deixe de exigir o documento. diante da própria inteligência do art. O contrato individual de trabalho. § 1º. 6º e 7º. e 60. mormente aqueles em que existe o vínculo de emprego caracterizado: tal paradigma revela o desequilíbrio entre as partes contratantes na medida em que o objeto do contrato. 32. exceto no que diz respeito à comprovação de regularidade fiscal. o consenso é que. o seu salário. dentre as quais o princípio da razoável duração do processo e meios que garantam a celeridade da tramitação do processo judicial trabalhista. juntamente com o certificado de regularidade do FGTS e da Seguridade Social. § 1º. 9. seu sonho é sua vida e vida é trabalho. se castram os seus sonhos. consoante leitura dos arts. que tem se mostrado. mormente diante das normas-princípios. e o poder empregatício. Para o trabalhador. deve ser interpretada à luz de princípios e regras constitucionais. se morre. A própria Lei n. independentemente da modalidade licitatória adotada ou. nos casos de contratação direta”. ao interesse público primário que permeia todo o Direito Administrativo). deixando claro (visto que a lei não contém — ou não deveria conter — palavras inúteis) que tal dispensa é ato volitivo da Administração. “não é a modalidade de licitação ou a dilação temporal que deve nortear o agente administrativo quanto à decisão de dispensa dos documentos. que não pode se furtar a exigir — nem excepcionalmente — a CNDT. ao menos pelos órgãos da Justiça do Trabalho. para contratos civis. 12. 32. mas a natureza da obrigação a ser executada”. 8. LXXVIII e § 1º. ao longo do LTr . que admite juízo de conveniência e oportunidade. obviamente. por ter natureza infraconstitucional. também a exigência da prova de inexistência de débitos inadimplidos perante a Justiça do Trabalho. 195. fiscalizatório e punitivo).012/95. com milhões de processos pendentes somente na fase de execução —. do qual decorrem os demais poderes à disposição do empregador (diretivo. do paradigma da essencialidade. IV. para uma delas. para a concretização de verbas de natureza alimentar e superprivilegiada. Com efeito. perpassa pelas lições da brilhante Teresa Negreiros (Teoria do contrato: novos paradigmas. mesmo diante do art. da CF). Ocorre que. da Lei n. enquanto direito fundamental do trabalhador.440/11. fruto do Substitutivo da Câmara dos Deputados ao Projeto de 97 . doutrina plenamente aplicável aos contratos de natureza trabalhista. por força do art. no uso do seu poder discricionário (vinculado. na bela canção “Um homem também chora (guerreiro menino)”: um homem se humilha. indiscutivelmente. regulamentar.666/93. por força do art. 5º. se mata. 2002). Vide arts. Entretanto. temos o inafastável pressuposto da subordinação jurídica. estará autorizada a dispensar o documento correspondente. IV. talvez o único meio de sobrevivência digno do qual dispõe (arts.Jornal do Congresso tempo. § 1º. no todo ou em parte. eficácia social plena e aplicação imediata. entendemos inafastável. existe. um homem não tem honra — e sem a sua honra. importante instrumento de coerção ao cumprimento das decisões judiciais trabalhistas. 32 que a documentação habilitatória “poderá” ser dispensada. Aliado a isso. Segundo orientação formulada em discussões realizadas pelo Núcleo Zênite de Pesquisa e Desenvolvimento. e a Seguridade Social. e sem o seu trabalho. é o seu próprio meio de sobrevivência. os únicos documentos que permanecem exigíveis e cuja exigência é inafastável são o comprovante de regularidade perante o FGTS. De todo modo.que a Administração identificar a inexistência de risco e a consequente desnecessidade de verificação de determinado aspecto relativo ao rol de documentos habilitatórios dos licitantes. Como nas letras do poeta Gonzaguinha. da CF. 8. Não dá pra ser feliz. 8. § 3º. 32. mesmo quando aplicável a inteligência do art. § 4º.666/93. bem consta no § 1º do citado art. o processo trabalhista. de natureza constitucional e pétrea.666/93. 2º da Lei n. quando a eminente jurista trata.

material ou imaterial. devendo ser exigida.Jornal do Congresso . a humilhação de um trabalhador sujeito à mobbing. (1) De acordo com a doutrina eram exemplos de danos não indenizáveis na Itália da época: o vazio existencial decorrente da morte de um parente próximo. ficando as vítimas de inúmeros danos imateriais decorrentes de um ilícito civil sem qualquer reparação(1). 32. BREVES NOTAS SOBRE O DANO EXISTENCIAL Adriano Jannuzzi Moreira Mestre em Direito pela Faculdade de Direito Milton Campos. LTr . injusta detenção e violação de normas de tratamento de dados pessoais). Responsabilidade civil por dano existencial. conforme consta em parecer da Comissão de Assuntos Sociais ao projeto de lei no Senado Federal. o jovem indevidamente preso que perde sua juventude na cadeia. da Lei n. reconhecendo na CNDT poderoso mecanismo de fiscalização indireta para obtenção de maior objetividade e efetividade em relação aos direitos sociais inscritos na Constituição de 1988. ganha importância a sua integral proteção com vistas a promover sua dignidade e permitir o gozo dos direitos considerados humanos fundamentais. em amplo amparo à vítima. 8. A partir do momento em que o homem passa a exercer um papel central na sociedade e no ordenamento jurídico. Fora destas hipóteses não cabia indenização por danos morais. 98 Este teve origem na Itália. 2009. país que até alguns anos atrás só reconhecia o dano material (prejuízo econômico) e o dano moral decorrente de um crime ou de exíguos casos previstos na lei (dano processual. mas.666/93. Neste contexto começou a ser desenvolvida a tese de que todo dano injusto. motivo pelo qual no início da década de 1960 foi identificado o danno alla vita di relazione (dano à vida em sociedade). Consultor empresarial e Advogado. em todos os casos. § 1º. Aline Carneiro Magalhães Doutoranda e Mestre em Direito do Trabalho pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. a CR/88 trouxe a obrigatoriedade de proteção máxima à pessoa por meio de um sistema normativo composto por direitos fundamentais e da personalidade. nesse sentido. 77/02. No âmbito pátrio ao consagrar a dignidade da pessoa humana como um dos princípios fundamentais da República. objeto de ressarcimento. Assim. Doutorando em Direito. o que vem sendo objeto de discussões na medida em que se identificam outras espécies de danos extrapatrimoniais. Advogada. O dano material passou a ser integralmente reparado nas espécies danos emergentes e lucros cessantes. Professor universitário. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Entretanto o dano imaterial foi considerado sinônimo de dano moral. a pessoa submetida a trabalho análogo ao escravo. responsabilidade dos membros do Judiciário.Lei do Senado (PLS) n. para uso do poder discricionário pelo administrador. a CNDT. Especialista em Inteligência Empresarial. perde esta capacidade por erro médico. ainda que diante da inteligência do art. não se tendo espaço. Neste sentido Flaviana Rampazzo Soares. entendemos não ser razoável à própria Justiça do Trabalho dispensar a exigência da certidão. Articulista e palestrante. Professora universitária. cometido contra a pessoa deveria ser indenizado. como o dano estético e o dano existencial. Autor de livros e artigos. a mulher que deseja ter um filho.

negativamente.Com o desenvolvimento do estudo sobre o tema. que o ilícito tenha ocasionado ao sujeito a abusiva privação de componente significativo de seu projeto de vida e/ou de sua vida de relação. importa. dimensão subjetiva. 944. Revista LTr. (3) Insta salientar que está em tramitação no Senado o projeto de emenda constitucional (PEC 19/10) para inserir o direito à busca da felicidade entre os direitos sociais. Soares. Qualquer fato injusto que impeça a sua plena realização (na dimensão familiar. agremiações recreativas). São Paulo. A teoria italiana foi trazida para o direito pátrio e tem sido aplicada na seara laboral.(3) Já por vida de relações (em sociedade) entende-se o dano por ofensas físicas ou psíquicas que impeçam alguém de desfrutar total ou parcialmente dos prazeres propiciados pelas diversas formas de atividades recreativas (prática de esportes. o que o leva a constantemente projetar o futuro e fazer escolhas visando à realização do projeto de vida.Jornal do Congresso (5) De acordo com a doutrina. com dimensão objetiva e representando um não poder fazer. do ponto de vista do dano existencial. por natureza. independentemente de ter havido ataque à integridade física ou psíquica. ao patrimônio material (lucros cessantes ou danos emergentes). 1º. consequentemente. Livraria do Advogado. a exigência de um número tão grande de atribuições que o trabalhador fique esgotado a ponto de não encontrar forças para desfrutar de seu tempo livre. n. a submissão do obreiro a condição degradante ou análoga à de escravo. um sentir) e do dano estético porque este afeta a aparência externa da pessoa causando um “afeiamento”. afeti- (2) Neste sentido Júlio César Bebber no artigo existencial na seara laboral: a realização de horas extras além do previsto em lei. intelectual. artística. 73. no direito à proteção à família (art. 226 e 227) e no princípio civil da reparação integral do dano (arts. encontrando fundamento constitucional no princípio da dignidade da pessoa humana (art. III). a exemplo da limitação de jornada. 1. a exigência de um número tão grande de atribuições que o empregado precise permanecer em atividade durante seus períodos de descanso e mesmo longe da empresa. cinema. Responsabilidade civil por dano existencial. 5º.(5) Segundo a doutrina(4). caput). Para a parte da doutrina que considera o dano existencial uma espécie do dano imaterial. v. modificação in pejus da personalidade). 948. Essa vedação interfere decisivamente no estado de ânimo da pessoa atingindo. 2009. à constituição biológica ou estética ou ao bem estar psicológico da víti- O dano existencial no Direito do Trabalho decorre da conduta patronal que impossibilita o empregado de se relacionar e de conviver em sociedade por meio de atividades recreativas. afetivas. 2009. educacional ou profissional) e obrigue a pessoa a resignar-se com o seu futuro e a replanejar seu projeto de vida. jan. afetivo-sexual. são exemplos de dano 99 . turismo. que passou a compreender o dano à vida de relação e o dano ao projeto de vida. ma. do repouso semanal remunerado e das férias. um ter que refazer ou um fazer diferente não volitivo. (4) Neste sentido Flaviana R. representando renúncia involuntária às atividades diárias e aos projetos de vida. biológico e existencial): breves considerações”. abrangendo todo acontecimento que incide. teatro. a submissão do obreiro à ambiente de trabalho sujeito aos infortúnios laborais e seus efeitos. por conseguinte. foi cunhada na Itália a expressão dano existencial. científica. sendo conceituado como a alteração substancial nas relações familiares. O descumprimento pelo empregador dos direitos trabalhistas capazes de permitir que o obreiro desfrute de uma vida digna e saudável fora do ambiente de trabalho. dos intervalos intra e interjoranda. Por projeto de vida entende-se tudo aquilo que determinada pessoa decidiu fazer com a sua vida(2). 949). O ser humano. deve ser considerado um dano existencial. sociais. sendo suscetível de repercutir. gera uma hiperexploração da mão de obra humana e um dano ao obreiro que tem sido denominado de existencial. consistentemente sobre a sua existência. o seu relacionamento social e profissional. culturais. LTr . ele se difere do dano moral porque este consiste na lesão sofrida pela pessoa no tocante à sua personalidade (repercussão íntima. busca sempre extrair o máximo das suas potencialidades. desportiva. 186. no direito fundamental à liberdade (art. sobre o complexo de afazeres da pessoa. intitulado “Danos extrapatrimoniais (estético. O dano existencial é um dano que impede a realização pessoal do indivíduo (com perda da qualidade de vida e.

3. 3ª turma do TRT10.24.2013.2014.4. mas um dano moral.04.13.2014.5. prosseguir ou mesmo recomeçar os seus projetos de vida e sua vida de relações.vas.5. 18.2011. RO-0000136.1.(6) Em análise jurisprudencial feita no TST e TRT’s pudemos observar que na maioria dos casos apreciados o dano existencial não foi considerado uma espécie autônoma de dano imaterial.11. por sua vez.15. Ana Luiza Heineck Kruse.2012. 5ª turma do TRT15.3. 100 vezes identificam a ofensa à vida de relações ou ao projeto de vida. 1ª turma do TST. Ricardo Artur Costa e Trigueiros. 11. RO-02659-2012102-10-00-9 RO.5. TRT4. alcance e cabimento.2014.4. RO-01924-2011-113-03-00-2.0002.12. 2ª turma do TRT4. sociais e de descanso.5.0010. RO-000713-72.2013.lex.2011.000.2013. TRT4. Acesso em: 15.0016. Vicente Vanderlei Nogueira de Brito. RO0001443-94.Jornal do Congresso . É a conduta patronal que o impede de executar. 18. 4ª turma do TRT2. Convocado Paulo Eduardo Queiroz Gonçalves.6. José Leone Cordeiro Leite. 9. 19.2011.2014.5. Disponível em: <http://www. mas. 1ª turma do TRT3.10. LTr . 17. Juiz Convocado Raul Zoratto Sanvicente. responsáveis pelo seu crescimento e/ou realização profissional.2. Excepcionalmente. Hidemberg Alves da Frota no artigo intitulado “Noções fundamentais sobre o dano existencial. Brígida Joaquina Charão Barcelos Toschi.br/doutrina_24160224_O_ DANO_EXISTENCIAL_E_O_DIREITO_DO_>. Disponível” em: <http://jus.2014.4. RO-28161-2012-028-09-00-6ACO-40650-2013. em alguns julgados o dano existencial foi considerado espécie autônoma de dano imaterial indenizável. 19. Edison dos Santos Pelegrini. 20.2014.0027. Ana Carolina Zaina.04.93.com. Ainda.br/artigos/20349/nocoes-fundamentais-sobre-odano-existencial>. que serão. TRT13. (7)RR-727-76. RO-0059609-14.(8) Neste contexto. Importante nos atentarmos para o contexto e peculiaridades do país em que a teoria nasceu e sua compatibilidade (e necessidade) com a realidade e ordenamento jurídico pátrio. que lhe trarão bem-estar físico e mental.2013.10. para que importação do instituto sem um prévio e sólido estudo não gere descrédito e banalização.2013. (8) RO-0001133-16. Hugo Carlos Scheuermann. com. 29. esportivas.0015 RO. espirituais. Acesso em: 15. mas. culturais. 11.2013.04.(7) As decisões muitas (6) Neste sentido Jorge Cavalcanti Boucinhas Filho e Rúbia Zanotelli de Alvarenga no artigo intitulado “O dano existencial e o Direito do Trabalho”. 2ª turma do TRT9. em dois deles pela privação do convívio social decorrente da imposição de jornada exaustiva e em outro pela imposição de volume de trabalho excessivo.2012. social e pessoal.5. indenizam a vítima por dano moral. contribua para a proteção do empregado e promoção da sua dignidade.2013. RO-0015084520125020271 A28. quer parecer que ainda não há consenso sobre o tema que carece de análise e debates aprofundados para sua caracterização — como espécie autônoma de dano imaterial ou expressão do dano moral por nós conhecido que influenciaria na fixação do quantum indenizatório —.

106 e sua correlação com o Código Ibero-Americano de Ética Judicial. A respeito da Resolução n. o princípio da responsabilidade institucional não se contrapõe. que na avaliação da qualidade das decisões proferidas serão levados em consideração. 106 do CNJ.Jornal do Congresso do constitucional do art. “e”. p. decisões contrárias a súmulas e Orientações jurisprudenciais do TST só geram falsa expectativa para a parte vencedora e gastos desnecessários para a vencida e para o contribuinte. Tal aspecto é contemplado nos arts. ser levado em consideração para efeito de promoção na carreira. subscrito pelo Brasil. fundamentando-o. Tal aspecto deve. e.2013. aplicando a jurisprudência sumulada do STF e dos Tribunais Superiores. diz. LTr . 10. constitui elemento a ser valorizado para efeito de merecimento. o seguinte(1): — Aspecto relevante para a prestação jurisdicional célere e barata. no capítulo destinado à responsabilidade institucional. da Resolução 106 do CNJ. Por outro lado. assoberbando as Cortes Superiores. por exemplo. mas se conjuga com o da independência do magistrado ao julgar. com registro de eventual ressalva de entendimento. 41 a 47 do Código Ibero-Americano de Ética Judicial. para que chegue à instância superior as razões. Analista Judiciário — Área Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. “nos termos do princípio da responsabilidade institucional insculpido no Código Ibero-Americano de Ética Judicial”. LXXVIII. contraditoriamente registra no parágrafo único que a disciplina judiciária do magistrado. 10. Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade de Campinas e Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes. nos termos do princípio da responsabilidade institucional. inclusive. aplicando a jurisprudência sumulada do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores. em seu art. 5º. com registro de eventual ressalva de entendimento. insculpido no Código Ibero-Americano de Ética Judicial (2006)”. que dispõe sobre critérios objetivos para aferição do merecimento para promoção de magistrados e acesso aos Tribunais de 2º grau. 15. O art.8. Aponta ele para a necessidade de se evitar recursos desnecessários e se colaborar com a prestação jurisdicional como um todo. o respeito às súmulas do STF e dos Tribunais Superiores. 5º. atualmente exerce o cargo em comissão de Assessor Jurídico-Administrativo. temos em registros recentes. constitui elemento a ser valorizado para efeito de merecimento. disponibilizado em 26. entre outros. em eventual recurso da parte vencida. — Com efeito. Já o art. embora diga no caput que em tal avaliação não serão utilizados critérios que venham atentar contra a independência funcional e a liberdade de convencimento do magistrado (tais como índices de reforma de decisões). da referida resolução é ainda mais incisivo: “A disciplina judiciária do magistrado. é o que diz respeito à responsabilidade institucional do magistrado.297/2013. COROLÁRIO DO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO Igor Zwicker Martins Bacharel em Direito e Especialista em Gestão de Serviços Públicos pela Universidade da Amazônia. implementando o coman(1) Fonte: DEJT – Diário Eletrônico da Justiça do Trabalho nº 1. 5º. conforme dispõe o art. Professor de Direito nas Faculdades Integradas Ipiranga e na Famaz — Faculdade Metropolitana da Amazônia. a Inspeção realizada pelo Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho no TRT da 8ª Região. onde restou consignado. bastando que o julgador ressalve entendimento diverso ao da jurisprudência pacificada.O DESAFIO BRASILEIRO DE MANTER UMA MAGISTRATURA FORTE E INDEPENDENTE. parágrafo único. — É o caso do 8º Regional assumir a responsabilidade institucional como princípio a ser vivido e não apenas decorativo de Códigos de 101 . A Resolução n.

em suma. já no primeiro capítulo — que trata da independência do Magistrado –. considerada não apenas aquela positivada. deve deixar evidente que não recebe influências — diretas ou indiretas — de nenhum outro poder público ou privado. Art. recalcitrante e. 102 Art. O Juiz poderá reivindicar que se reconheçam os seus direitos e sejam fornecidos os meios que possibilitem ou facilitem a sua independência. 6º. O Juiz. inseridos no capítulo que trata da responsabilidade institucional).9. o mérito de decisões judiciais”. Art. entendemos equivocada a leitura que se faz do Código Ibero-Americano de Ética Judicial. sobretudo o deliberado. “onde se discute e questiona. “tanto por representação quanto de ofício”. repetida pelos órgãos de controle (arts. a independência “é uma competência que se outorga aos Juízes. na atuação jurisdicional de outro colega. do CPC. 5º. diz respeito. Naquela assentada. 42. onde o STJ. E uma garantia inafastável. 1. “com certa frequência”. as instituições que. Artigo publicado no site da AMB relatou a abertura de processos administrativos disciplinares. V.267. assume um compromisso ativo no bom funcionamento de todo o sistema judicial”. De fato. encontramos dispositivos muito mais específicos. o STJ alcunhou a sentença de rebelde. quer seja externa ou interna à ordem judicial. Não só se exige que o juiz eticamente seja independente. removendo o óbice da Súmula n. mormente porque a referência feita pela Resolução n. seja nas Corregedorias.Ética da Magistratura. Como bem colocou a Desembargadora do Trabalho Rita Maria Silvestre. julgado em 19. É imprescindível ao Juiz”.Jornal do Congresso . Tal principiologia é reiterada no Código de Ética da Magistratura Nacional: Art. garantem a independência judicial. deu provimento ao REsp. 343 do STF. 6º É dever do magistrado denunciar qualquer interferência que vise a limitar sua independência. mas também os princípios gerais do direito que a informam”. como já bem ressalta o art. de qualquer modo. 7º. “é o Magistrado o garantidor da democracia”. do TJPR. no âmbito do Estado Constitucional. mas também que não interfira na independência de outros colegas. inafastabilidade. 41 a 47. especialmente quando a matéria já se encontra sumulada. 106 do CNJ. Não nos parece que o compromisso a que deva assumir o Magistrado com o “bom funcionamento de todo o sistema judicial” esteja ligado à pretensão do Código em fazê-lo seguir decisões de instâncias superiores. ao art. 4º Exige-se do magistrado que seja eticamente independente e que não interfira. quando menos. Art. com amparo no art.163. 5º Impõe-se ao magistrado pautar-se no desempenho de suas atividades sem receber indevidas influências externas e estranhas à justa convicção que deve formar para a solução dos casos que lhe sejam submetidos. do TRT da 2ª Região. É a soma dos nossos predicamentos: a inamovibilidade. De início. com as suas atitudes e comportamentos. especialmente porque. Art. categoricamente: (2) Os destaques (negrito e sublinhado) não constam dessa forma no original. “contra provimento judicial de mérito transitado em julgado que ofende direito em tese”. além de cumprir as suas obrigações específicas de caráter individual. Conselhos Superiores ou no CNJ. Tratou-se de recurso especial interposto contra decisão proferida em ação rescisória pelo TJRS. 3º. vitaliciedade.(2) Também citamos a decisão proferida no REsp n.2013. pura e simplesmente. “o correto sentido da norma jurídica. 485. não estão dirigidas a situar o Juiz numa posição de privilégio: sua razão de ser é a de garantir aos cidadãos o direito de serem julgados com parâmetros jurídicos. da leitura sistemática do Código. Art. O Juiz tem o direito e o dever de denunciar qualquer tentativa de perturbação da sua independência. LTr . que diz: “O Juiz institucionalmente responsável é o que. discorrendo sobre a rebeldia judiciária e criticando o desalinho da jurisprudência. vaidoso. E como bem pontuou o Desembargador Miguel Kfouri Neto. em sua derradeira sessão no Tribunal Pleno. exceto em respeito às normas legais. 1º do Código. e que dizem. como forma de evitar a arbitrariedade e de realizar os valores constitucionais e salvaguardar os direitos fundamentais. Tribunais.

não contribuem com o Estado Democrático de Direito. que irradiam eficácia erga omnes e efeito vinculante são as decisões proferidas pelo STF em seus processos objetivos e as súmulas vinculantes.2012. do STF. enfim. terceiro. em seu art.0095.Jornal do Congresso A própria LOMAN.4. caput e § 1º. que traz a força renovadora do Direito. por outro lado. 103 . o seu convencimento definitivo” (TST-Ag-AIRR-164200-65. 765 da CLT confere aos juízes ampla liberdade na direção do processo. “o princípio do livre convencimento motivado exige apenas que. outrossim.Isso está muito claro na Constituição Federal de 1988. em última análise. sua própria independência para julgar. Por outro lado. é só. Basta refletir no citado critério de promoção por merecimento. 40. formando. insertas na Resolução n. atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos.04. dentro de sua carta de direitos fundamentais.2014. salvo casos de impropriedade ou excesso de linguagem. pétreos. os motivos de sua decisão” (TST-AIRR-82-46. em nenhum lugar do mundo. porque afeta diretamente o livre convencimento motivado e a independência do Juiz. Data de Julgamento: 9.2014). o que não encontra guarida em nossa democracia. A garantia de independência do Juiz é uma prerrogativa que alcança níveis globais: não se concebe. 93. Os únicos institutos previstos em nosso ordenamento jurídico. XXXV. O art. ideia seguida pelo art. de forma fundamentada. Relator Desembargador Convocado: João Pedro Silvestrin. mormente o Juízo de 1º grau. Tais regras. a partir da apreciação dos fatos e provas constantes do processo. 131 do CPC consagra. Por ora. parecem também tentar limitar o livre convencimento do Magistrado e. o princípio do livre convencimento motivado: o juiz apreciará livremente a prova. 5º. Data de Publicação: DEJT 15.4. em seu art. assim. a sua decisão. pontua que a atividade censória de Tribunais e Conselhos é exercida com o resguardo devido à dignidade e à independência do magistrado e. e 60. a Juízes e suas “sentenças rebeldes”. da CF).2014) etc. Relator Ministro: Emmanoel Pereira. consoante art. Como bem costuma reiterar o TST em seus julgamentos. críticas abertas em processos. o magistrado não pode ser punido ou prejudicado pelas opiniões que manifestar ou pelo teor das decisões que proferir. Temos que tais regras não encontram guarida nem na Constituição Federal de 1988 nem na legislação infraconstitucional nem nos Códigos de Ética. 5ª Turma.2009. quando alça a República Federativa do Brasil a status de Estado Democrático de Direito e. como diria o Ministro Marco Aurélio. além de apequenarem a Ciência Jurídica. em grau de recurso de revista. 5º. ao contrário. Já o art. um Juiz despido da sua independência funcional.5. porque não vê na criatividade judicial — e sim no engessamento e mera repetição da jurisprudência — um critério de merecimento. “o conjunto probatório dos autos é de livre apreciação e valoração pelo magistrado. fundamentando. o magistrado exponha. verdadeira intimidação ao livre convencimento do Juiz: primeiro. consagra. 130 do CPC. de eficácia social plena e aplicação imediata (arts. § 4º. Data de Julgamento: 09/04/2014. segundo. da CF exige apenas que as decisões judiciais sejam fundamentadas. garantindo ao Estado-Juiz o monopólio da jurisdição. O art. por limitarem as instâncias ordinárias. 41. cristalizam na sociedade um demérito no Magistrado que age conforme suas convicções — ou. 8ª Turma.5. Data de Publicação: DEJT 15. 106 do CNJ. IX. IV.0521. o princípio da inafastabilidade da jurisdição. LTr . segundo sua ciência e consciência.09.4. porque embaraça a promoção na carreira. trazendo critério antidemocrático.

embargos. com o objetivo de retardar o trâmite processual. social. devido processo legal. contraditório. Teoria Geral do Processo. O assédio Processual é caracterizado pelo conjunto de atos reprováveis de uma das partes no processo. e desestimular a parte contrária na efetivação dos direitos. Rui. As normas de direito processual e os princípios processuais constitucionais não devem ser utilizados de forma arbitrária no processo judicial. São Paulo: Malheiros Editores. para interpor recursos. a boa-fé e os bons costumes. 23ª ed. (1) GRINOVER. p.ASSÉDIO PROCESSUAL Emanoel Alesandro da Cruz Sampaio Lopes Especialista em Responsabilidade Civil pela Universidade Estácio de Sá. com o objetivo de lesar a outra parte. Todo o titular de um direito ao exercê-lo possui limites. A finalidade destas demandas e atos processuais temerários consiste em retardar. Advogado Trabalhista. Ada Pelegrini(1) conceitua o processo judicial como instrumento por meio do qual os órgãos jurisdicionais atuam para pacificar as pessoas conflitantes. humilhando a outra parte no processo. procedendo de modo temerário e provocando incidentes manifestamente infundados. ou criar obstáculos ao exercício do seu direito. com o objetivo de gerar danos à parte contrária. Graduado na Universidade Federal de Sergipe. estas normas possuem limites e não podem ser utilizadas de forma abusiva. ampla defesa são exemplos destas conquistas que garantem a efetividade do processo judicial. Rui Stoco(2) afirma que a má-fé processual é a qualificação jurídica da conduta. sendo passível de responsabilidade civil conforme preceitua o art. p. objetivando retardar a entrega da prestação jurisdicional à parte contrária. fundamentado-se ou não em norma processual. 104 LTr . observadas ao longo do seu curso. requerimentos de provas. Introdução O processo judicial ao longo da história conquistou garantias constitucionais importantíssimas que garantem o fiel cumprimento do ordenamento jurídico pátrio. em excesso. sob pena de ir de encontro a finalidade deste. com ânimo de prejudicar o adversário ou terceiro. Os princípios constitucionais insculpidos no art. negando-se a cumprir decisões. a má-fé processual é identificada quando uma parte utiliza dos instrumentos processuais. agravos. convencido de não ter razão. no entanto. que com práticas abusivas do direito processual desestimulam a parte adversa. devendo ser observado o fim econômico. 2002. a busca pela justiça e a segurança jurídica. retardando a demanda. Ada Pellegrini. procrastinar a prestação jurisdicional. 2. em qualquer de suas fases.Jornal do Congresso . São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. legalmente sancionada. O processo judicial e suas normas processuais devem ser respeitadas na sua integralida- A procrastinação por uma das partes no andamento de processo judicial. daquele que atua em juízo. 2007. eliminando os conflitos e fazendo cumprir o preceito jurídico pertinente a cada caso que lhe é apresentado em busca de solução. visando tumultuar o feito e obter vantagens indevidas de ordem processual. 1. 29. com a finalidade de lesar a parte adversária. Abuso do Direito e Má-Fé Processual. 187 do Código Civil. de. Tal prática consiste em abuso de direito e ilícito civil nos moldes do art. fazendo com que a outra parte desacredite na capacidade do Judiciário de apresentar uma solução justa e adequada para o conflito. (2) STOCO. Assédio Processual O dano processual ou assédio processual expressa-se quando uma das partes utiliza das faculdades processuais com abuso de poder. petições despropositadas. caracteriza-se como assédio processual. 5º da Constituição Federal: acesso à justiça. 927 do CC. Em síntese. fazendo com que o processo judicial tenha andamento lento. 87.

Jornal do Congresso Portanto. MORAES. Em que pese a tímida jurisprudência sobre o tema. Abuso do Direito e Má-Fé Processual. 2009. este é passível de reparação a luz do já citado art. inciso LXXVIII da CF. Reginald Delmar Hintz. consiste em tarefa árdua. fazendo-a desacreditar do seu direito. quando configurado a prática de assédio processual no processo judicial. São Paulo: Atlas. A utilização dos instrumentos processuais dentro do processo judicial com a finalidade de causar danos a outra parte. ainda que de forma velada. inclusive contrariando a boa-fé. GRINOVER. FELKER. 105 . com o objetivo de ganhar tempo. 5º. de difícil separação. 187 do CC. inclusive maculando a norma constitucional da duração razoável do processo insculpida no art. incumbindo aos operadores do direito combater o assédio processual e buscar a reparação pelos danos causados. enquanto a litigância de má-fé apresenta-se no processo como um fato isolado. e tal prática produza danos a parte adversa. a matéria ora em estudo consiste em tema recorrente nos processos judiciais de todo o judiciário do país. Rio de Janeiro: Renovar. cominado com o art. Bibliografia Cavalieri Filho. uma vez que o assediador utiliza de atitudes prevista em lei para causar danos a parte adversária. uma vez que a parte excede o seu direito dentro do processo. A separação entre a licitude e a ilicitude decorrente do abuso de poder processual. porque nesta Justiça grande parte dos processos em trâmite discute-se verbas salariais que tem natureza alimentícia. Inclusive tal entendimento é confirmado pelo Enunciado n. 187 e 927 do CC. O Código de Processo Civil nos artigos 14 a 18 traz a baila os limites processuais das partes e procuradores para o exercício do direito no processo judicial. O assédio processual distingue-se da litigância de má-fé. causando danos à outra parte no processo. o assédio moral e o assédio sexual nas relações do trabalho: frente à doutrina. no entanto. caracteriza-se como assédio processual e este é passível de reparação nos termos do art. 10 ed. São Paulo: LTr. Sergio. 927 todos do Código Civil. 23ª ed. Rui. Programa de Responsabilidade Civil. sucessiva durante todo o processo. Maria Celina Bodin de. Na esfera da Justiça do Trabalho o dano ganha uma maior importância. enquanto o primeiro ocorre de forma reiterada. a verdadeira finalidade consiste em procrastinar a marcha processual e desestimulando a parte contrária. O dano processual consiste em ilícito nos moldes do art. 2002. de dano moral ou assédio moral. 3.A prática do assédio processual é velada. ou fase do processo. jurisprudência e legislação. os danos podem e devem ser reparados. aplicando-se a responsabilidade objetiva. 2012. a prova da culpa. 187. STOCO. São Paulo: Malheiros Editores. 2007. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 37 da I Jornada de Direito Civil. Ada Pellegrini. 2006. Danos à pessoas humana: uma leitura civil — constitucional dos danos morais. desestimular a parte contrária. Conclusão A prática do assédio processual gera danos ao assediado que vê a marcha processual retardada e sem efetivar os direitos ali pleiteados. os bons costumes e o fim econômico. sob a aparência de exercício regular dos atos processuais. O dano moral. Existindo a prática do assédio processual e o dano. intensiva. de caráter acidentário. a fim de que o processo possa servir de instrumento efetivo na concretização dos direitos. Teoria Geral do Processo. onde não é necessário LTr .

Min.352 AgR/AM. STF-RE 581. insalubres ou perigosas. Professor de Direito nas Faculdades Integradas Ipiranga e na Famaz — Faculdade Metropolitana da Amazônia.2011. 6. 7º da Constituição Federal revela-se como uma centelha de proteção ao trabalhador a deflagrar um programa ascendente.0010. ao propugnar pela redução dos riscos inerentes ao trabalho.8. 23.09. Analista Judiciário — Área Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. O inciso XXII traz em seu bojo o princípio do risco mínimo regressivo(1). em tema de direitos fundamentais de caráter social. Essa também é a ideologia consagrada no Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos. 2ª Turma. Sebastião Geraldo de. como bem coloca o TST. 29. Celso de Mello. O próprio STF desenvolve tal principiologia da mesma forma que os órgãos de jurisdição trabalhista: “O princípio da proibição do retrocesso impede. traz como fundamentos da ordem econômica a valorização do trabalho humano e a livre iniciativa.2.12.2014. o inciso XXIII consagra. atualmente exerce o cargo em comissão de Assessor Jurídico-Administrativo. conforme ditames da justiça social. que tanto pelo Pacto Internacional dos Direitos Econômicos. temos que a ordem social tem como base o primado do trabalho. mas. Quando o caput do mencionado preceito constitucional enuncia que irá detalhar o conteúdo indisponível de uma relação de emprego. Rel. 7º da CF. na carta de direitos sociais mínimos dos trabalhadores. Relator Ministro: Augusto César Leite de Carvalho. O art.337 AgR/SP. 6ª Turma. Data de Publicação: DEJT 21. p. 2ª Turma. ato contínuo. Data de Julgamento: 19. Proteção jurídica à saúde do trabalhador. e seu Protocolo Adicional. rev. São Paulo: LTr.2007.5. Rel. 170.2. LTr . O art. Sociais e Culturais (Decreto n. que traz a ideia de progressividade dos direitos sociais. caput. E complementa: “Sob os enfoques axiológico e teleológico. também. que diz: Destaque-se.O RETROCESSO SOCIAL NA REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO ADICIONAL DE PERICULOSIDADE DOS ELETRICITÁRIOS Igor Zwicker Martins Bacharel em Direito e Especialista em Gestão de Serviços Públicos pela Universidade da Amazônia. 6ª Turma. 193.2009. Data de Julgamento: 11. “não se pode olvidar que o art. evidentemente. e de logo põe a sal(1) OLIVEIRA. observadas. Nesse sentido. 591/92). Sobre a vedação ao retrocesso social. além de outros que visem a melhoria da condição social do trabalhador — propugna não somente pela vedação ao retrocesso social. nesse sentido. e atual. da CF tem-se nos valores sociais do trabalho e nos valores sociais da livre iniciativa fundamentos de existência e validade da República Federativa do Brasil. Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade de Campinas e Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes. as conquistas sociais já alcançadas” (TST-RR-51000-12. 106 vo ‘outros direitos que visem à melhoria de sua condição social’. 148. adicional de remuneração para as atividades penosas.5. IV.Jornal do Congresso . e como objetivo o bem-estar social e a justiça social.10. ed. que sejam desconstituídas as conquistas já alcançadas pelo cidadão ou pela formação social em que ele vive” (STF-ARE 639. j.2013). a razão de ser é buscar melhores condições de trabalho. atende a um postulado imanente aos direitos fundamentais: a proibição de retrocesso” (TST-RR-2157600-05. ao elencar direitos sociais mínimos.2014). assegurando-se a todos uma existência digna.2014). Aline Paula Bonna. 1º. A partir do art.2013. Min. de afirmação dos direitos fundamentais.2. Redatora Ministra: Kátia Magalhães Arruda. Celso de Mello. sempre ascendente. 2011. nomeado “Protocolo de San Salvador”. Data de Publicação: DEJT 7.02. por cláusula de avanço social. Pelo art.0303. j.

extrai-se a vedação do retrocesso. de 1966. que teve a sua redação substancialmente alterada. citando Flávia Piovesan: Se os direitos civis e políticos devem ser assegurados de plano pelo Estado. inclusive acidentes fatais —. porque a Lei n. A CLT indica. de 1977: “O trabalho em condições de periculosidade assegura ao empregado um adicional de 30% sobre o salário sem os acréscimos resultantes de gratificações. cabe realçar que tanto os direitos sociais. sociais e culturais resulta a cláusula de proibição do retrocesso social em matéria de direitos sociais.740/RS. apresentam realização progressiva. prêmios ou participações nos lucros da empresa”. Eletricitários. nos arts.321/99). uma remuneração adicional de 30% sobre o salário que perceber. por sua vez. embora de forma intermitente. a clara natureza salarial do adicional de periculosidade. Exposição intermitente. agora também regulada pelo vetusto § 1º do citado art. Interpretação. Ocorre que. No entanto.Sociais e Culturais.2006 p. indiscutivelmente. Incidência. Em relação aos eletricitários. atual e notória jurisprudência do TST: Súmula n. econômicos e culturais. isto é. DJ 6. seja com a inclusão da energia elétrica no art. pago em caráter permanente. 457. João Otávio de Noronha. art.369/85.369/85. seja com a revogação expressa da Lei n. é exposta com maior intensidade a acidentes do trabalho. Lei n. os direitos ligados à igualdade. 361: Adicional de periculosidade.3. 193. que diz: LTr . 193 da CLT. entendimento já consolidado pelo STJ (REsp n. sendo equivocada e simplista a visão de que os direitos sociais só demandariam prestações positivas. Tal disposição. 12. dá direito ao empregado a receber o adicional de periculosidade de forma integral. § 5º. em vigor desde 1999 (Decreto n. o cálculo do adicional de periculosidade deverá ser efetuado sobre a totalidade das parcelas de natureza salarial. j. nos termos em que estão concebidos pelo Pacto. o Brasil se comprometeu a implementar. Assim trata a matéria a Súmula n. era mais benéfica ao trabalhador que exerce atividade no setor de energia elétrica em condições de periculosidade. Outrossim. Rel. seja para rechaçá-la expressamente —. 107 . 1º da Lei n. 7. fato é que tínhamos.369/85 e incluída a energia elétrica no bojo do art. O adicional de periculosidade dos eletricitários deverá ser calculado sobre o conjunto de parcelas de natureza salarial. como os direitos civis e políticos demandam do Estado prestações positivas e negativas. que pretendeu reduzir a base de cálculo do adicional de periculosidade para os eletricitários. a previsão de percepção de salário de periculosidade segundo as regras do art. Da aplicação progressiva dos direitos econômicos. Integração I — O adicional de periculosidade. 7. 191 do TST — a qual ainda não foi revista em momento posterior à alteração legislativa. que impede a redução do patamar de tutela já conferido à pessoa humana. O trabalho exercido em condições perigosas.4. integra o cálculo de indenização e de horas extras. para os trabalhadores que interagem em instalações elétricas e serviços com eletricidade — categoria de quem se exige uma série de procedimentos padronizados e treinamentos de cunho específico (NR-10 e NR-16) e que. Ainda Aline Paula Bonna.369. 7. não estabeleceu nenhuma proporcionalidade em relação ao seu pagamento. apenas o salário básico obreiro (como as outras hipóteses legais de adicional de periculosidade) e sim a totalidade dos salários percebidos. de 20. com o advento da Lei n. também é iterativa. e 142. 132: Adicional de periculosidade. Dessa noção de progressividade.369/85. como um vetor dinâmico e unidirecional positivo. os direitos sociais.740/12. § 1º. 356. 7. 279 da SDI-1 do TST: Adicional de periculosidade. Base de cálculo. 2ª Turma.1985. Eletricitários. Partindo de tais premissas. progressivamente e com o máximo de seus recursos disponíveis. 3. 7. quanto pelo apelidado Protocolo de São Salvador.Jornal do Congresso Adicional. 253). Min.2006. como base de cálculo. Súmula n. por não trazer. foi revogada expressamente e in totum a Lei n. indiscutivelmente. O legislador demonstrou de forma clara. 193. Periculosidade. 1º. Idem quanto à Orientação Jurisprudencial n. seja para se adequar a ela. O adicional de periculosidade incide apenas sobre o salário básico e não sobre este acrescido de outros adicionais. sem escusa ou demora — têm a chamada autoaplicabilidade.09. 7.

todas do TST) e não se incorpora definitivamente ao salário (à semelhança do adicional noturno. trazendo. proposta pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria (CNTI).Jornal do Congresso . pois os eletricitários sempre tiveram base de cálculo superior. a ausência de ferrovias. o trabalho no País. segundo dados da própria OIT. que tem natureza tipicamente salarial. que propugna por cláusulas de avanço social. E. dizer que não é possível pagar valores diferentes aos eletricitários. Na ação. ao reduzir a base de cálculo do adicional. como também não se descura que o adicional tem clara natureza salarial. o item 108 II da Súmula n. os seguintes argumentos: 1) o adicional é caracterizado como um “salário-condição”. Em desfavor da Lei n. porque se é para ser isonômico e agir em um Estado Democrático de Direito. a empresa deverá inserir. Como bem ressalta o Economista José Álvaro Cardoso. 265 do TST). sob a exata ótica do STF. Inserção em folha de pagamento. Não se descura que o adicional de periculosidade tem natureza de salário-condição (nesse sentido. 3) não é possível pagar valores diferentes aos eletricitários. violou um dos princípios mais caros do Direito do Trabalho. 172 (SDI-1): Adicional de insalubridade ou periculosidade. base de sua sustentação constitucional: o princípio da proibição do retrocesso social. desconstituindo conquistas já alcançadas pelos trabalhadores que interagem em instalações elétricas e serviços com eletricidade. a burocracia e a corrupção — esses sim — podem ser contabilizados no “Custo Brasil”. em suma. tal disposição da Lei n. 2) o adicional não se incorpora ao salário dos trabalhadores.740/12 tramita a ADI n. tendo em vista a relevância da matéria e seu especial significado para a ordem social e a segurança jurídica. 364 e a OJ n. As estradas mal conservadas. a duas. é inverter totalmente a lógica do sistema: a uma. Assim. sustenta-se a falácia de que o custo do trabalho faz parte do chamado “Custo Brasil”. em defesa do ato legal impugnado. conforme Súmula n. pois há outras categorias que exercem funções igualmente sujeitas a risco. Condenada ao pagamento do adicional de insalubridade ou periculosidade. 259 da SDI-1. tem baixo custo na comparação internacional. tanto que sofre incidência de imposto de renda e contribuições previdenciárias. enquanto salário. o Relator. adotou o rito abreviado do art. teve sua base de cálculo reduzida. Condenação. ainda que condicional. Mais uma vez. A Advocacia-Geral da União já se manifestou formalmente na ADI. a Súmula n.740/12. Triste é constatar os argumentos que deram azo à alteração legislativa: que a medida foi tomada para atender aos interesses da política econômica do Governo na área de energia.868/99. 12. LTr . 12 da Lei n. 132.OJ n. Ministro Ricardo Lewandowski. porque não se pode tratar desiguais de forma igual. Os argumentos são falaciosos. 12. o custo excessivo da energia elétrica. 9. alteração lesiva aos trabalhadores. pois há outras categorias que exercem funções igualmente sujeitas a risco. a má gestão de obras e empresas. houve. Por outro lado. mês a mês e enquanto o trabalho for executado sob essas condições. o valor correspondente em folha de pagamento. que se majore a base de cálculo das outras categorias e não se reduza a dos eletricitários. 5013/DF.

art. art. 338: “os cartões de ponto que demonstram horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de prova [. por analogia. 72 de 2013. o que não nos parece uma posição social e jurídica adequada. se o trabalhador afirmar que laborou como empregado e a pessoa ou família que se utilizava de seus servi109 . da CLT” e que “a não apresentação injustificada dos controles de frequência gera presunção relativa de veracidade da jornada de trabalho. Cleyton Eduardo Todesco D. Tal texto..EMPREGADO DOMÉSTICO E ÔNUS DA PROVA DA JORNADA DE TRABALHO Flávio Bento Doutor em Educação. inciso XIII] e o direito à “remuneração do serviço extraordinário superior no mínimo em cinquenta por cento à do normal” [Constituição Federal. inciso XVI] foram grandes conquistas dos empregados domésticos na reforma constitucional citada.. apesar de seu reconhecimento ter ocorrido tardiamente. Mestre em Direito. Lucas Rafael de Menezes Santos Acadêmico do Curso de Graduação em Direito na UNOPAR/ Londrina. 7º.] o registro da jornada de trabalho na forma do art. Professor na Universidade Norte do Paraná/UNOPAR/Londrina. LTr . ao empregador doméstico sempre ficará o ônus de provar a real jornada de trabalho que for cumprida pelo empregado doméstico. por qualquer meio manual. Observamos que em um dos conflitos mais comuns que são julgados pela Justiça do Trabalho. Ocorre que o Projeto de Lei indicado prevê que será “obrigatório o registro do horário de trabalho do empregado doméstico. atraindo.] prevalecendo a jornada da inicial se dele não se desincumbir”. 7º. Prevê a Súmula 338 que “é ônus do empregador [. 12]. o que envolve o reconhecimento de relação de emprego. mecânico ou eletrônico.Jornal do Congresso Com a eventual aprovação do texto do art. Teremos ainda uma discussão sobre a aplicação de parte do inciso III da Súmula n. desde que idôneo” [art. a qual pode ser elidida por prova em contrário” [Inciso I]. 74 da CLT no que se refere à dispensa do controle de jornada quando o empregador possuir menos de 10 empregados. o aspecto da limitação da jornada normal de trabalho é um assunto de grande destaque.. 74 da CLT que dispensa o controle de jornada quando o empregador possuir menos de 10 empregados e que permite que o horário de intervalo para descanso e alimentação seja pré-assinalado. a aplicação de parte da Súmula n. 12 do Projeto de Lei n. 224/2013 como transcrito acima. se aprovado. mas terá aplicação. Em uma análise sem considerar a eventual aprovação integral do Projeto de Lei n. 74. 338 do Tribunal Superior do Trabalho.. § 2º. afastará a incidência do art. Dentre as diversas questões jurídicas relativas ao trabalho doméstico que foram atingidas pela edição da Emenda Constitucional n. de vínculo de emprego. quanto à possibilidade de pré-assinalação do horário de intervalo para descanso e alimentação. inclusive. Chegamos à conclusão provisória que a imposição legal da obrigação de controle e fiscalização da jornada de trabalho será mais rígida e trará consequências jurídicas sérias para o empregador doméstico [pessoa física] do que para as empresas. Fernandes Acadêmico do Curso de Graduação em Direito na UNOPAR/ Londrina. 224/2013 afirmaríamos que no âmbito doméstico se aplicaria a regra do art. A “duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais” [Constituição Federal.

2012]. no tocante à obrigação do registro do horário de trabalho. posto tratar-se de fato constitutivo de direito invocado” [TRT-PR-02826-2009-322-09-00-2. Essa maior rigidez afasta a reconhecida ideia de que o empregador doméstico não deve ser equiparado ao empregador urbano [empresa]. processo n. ficará mais rígida para o empregador doméstico do que para as empresas. 110 Essa indicada “flexibilidade nos meios comprobatórios das questões fáticas controvertidas” vem sendo admitida em questões que envolvam a comprovação de pagamento de salário [TRT-PR-21446-2010-028-09-00-4. decorrente especialmente da confiança estabelecida entre as partes no âmbito residencial. nos meses de dezembro de 2008 e 2009. mantido o texto do art. ensejadores do reconhecimento de vínculo de emprego pretendido (art. Mas se a pessoa ou família negar a prestação de serviços.2010].Jornal do Congresso . Em conclusão. e essa ideia mais rígida.2009]. já admitida em situações semelhantes: “No caso. sem possibilidade dessa exigência ser flexível. quanto à prova jornada de trabalho. 224/2013. que há uma parcela da jurisprudência que atribui “o ônus de comprovar a existência dos requisitos legais.2. sempre considerando a “natureza peculiar do contrato de emprego doméstico. DEJT 19. 5. Ainda na hipótese de aprovação integral do Projeto de Lei n. Talvez a única situação acidental que poderá tornar mais flexível a obrigação do registro do horário de trabalho do empregado doméstico será a hipótese de confissão do próprio empregado. entretanto.ços alegar que ele era diarista. razoável e sincero. “nos termos das disposições contidas no art. sem obter lucratividade do trabalho prestado” [TST. mas no caso do ônus da prova da jornada a Justiça do Trabalho não deverá seguir as orientações prevalecentes na jurisprudência. 818 da CLT e inciso I do art. 12 como proposto. DEJT em 28.859/1972)” ao trabalhador doméstico. já que a obrigação do empregador doméstico quanto ao controle de jornada passará a ser expressa na lei com a aprovação do texto do Projeto de Lei. por importar nítido enriquecimento sem causa por parte da autora” [TRT-PR-21446-2010-028-09-00-4. o que nos parece. Consideremos.12. e. ainda. Nesse tipo de conflito [de reconhecimento de relação de emprego]. 48900-90. a ideia de que “a natureza peculiar do contrato de emprego doméstico. decorrente especialmente da confiança estabelecida entre as partes no âmbito residencial”. se a interpretação dos doutrinadores admitirá a flexibilização da obrigação tratada neste estudo. que ora conferem o ônus da prova ao empregado. LTr .6.2. impõe a inexigibilidade das rígidas formalidades aplicáveis aos contratos de emprego em geral.2012].0051. sendo desarrazoada a determinação de novo pagamento dos 13º salários desses anos. não poderá ser utilizada. 333 do CPC. será da pessoa ou família a obrigação de provar que esse trabalhador laborava como diarista. o ônus da prova deverá seguir a orientação jurisprudencial vigente. em princípio. DJPR em 26. dentre outras situações. 1º da Lei n. 224/2013. O conteúdo da declaração mostra-se coerente. motivo pelo qual se admite uma maior flexibilidade nos meios comprobatórios das questões fáticas controvertidas relativas à relação contratual de tal natureza” [TRT-PR-21446-2010-028-09-00-4. Essa posição é mais severa quanto ao ônus da prova do trabalhador. presente confissão expressa da autora.2. de que. DEJT em 26.11. DEJT em 28.2012].2008]. DEJT em 28. não poderá ser aplicada no tocante à prova da jornada de trabalho.2006.5. recebeu salário em dobro. uma situação jurídica inadequada. ou a comprovação de concessão de vale transporte [TRT-PR-12346-2007-004-09-00-1. consideramos que a proposta do Projeto de Lei n. ora ao empregador. porque aquele “vale-se da mão de obra apenas com o intuito de dar suporte às lides próprias do ambiente familiar.12. 224/2013 [que já demora]. já que a previsão normativa de ser “obrigatório o registro do horário de trabalho do empregado doméstico” não gerará dúvidas de interpretação. o ônus de provar que ocorreu uma relação de emprego é do trabalhador. Resta-nos acompanhar a aprovação do Projeto de Lei n.

(. batizado por Sebastião Geraldo de Oliveira. a título exemplificativo: (.04. nos dias de hoje equivale a atividade que também é sinônimo de direito à felicidade. garantindo um ambiente de trabalho 100% seguro ou minimamente inseguro. ao elencar direitos sociais mínimos. O inciso XXII traz em seu bojo o princípio do risco mínimo regressivo. mas. que consagra o atualmente chamado princípio do risco mínimo regressivo.Jornal do Congresso tião Geraldo de Oliveira(1). ou seja. 111 . temos que a ordem social tem como base o primado do trabalho. 1 do MTE — Ministério do Trabalho e Emprego (disposições gerais) foi alterada em seu item 1. ao propugnar pela redução dos riscos inerentes ao trabalho (complementado pelo art. Data de Julgamento: 26/02/2014. por cláusula de avanço social. equipamentos de trabalho e rotinas repetitivas e semiautomáticas que são fatores propícios à ocorrência de acidente com lesão. São Paulo: LTr. O art. Redator Ministro: Hugo Carlos Scheuermann. 2011. quando o empregador descumpre as determinações legais de saúde. traz como fundamentos da ordem econômica a valorização do trabalho humano e a livre iniciativa. caput.) (TST-RR-6540-94. higiene e medicina do trabalho. Pelo art..O DIREITO DOS TRABALHADORES AO ADICIONAL DE INSALUBRIDADE QUANDO HÁ “MERA EXPOSIÇÃO” A RAIOS SOLARES Igor Zwicker Martins Bacharel em Direito e Especialista em Gestão de Serviços Públicos pela Universidade da Amazônia. atualmente exerce o cargo em comissão de Assessor Jurídico-Administrativo. Basta. 7º da CF..3. p. não é demais lembrar que a NR-1 — Norma Regulamentadora n. por sua vez. rev. Proteção jurídica à saúde do trabalhador.) Assim. ao empregador é exigido o dever de cumprir os preceitos legais a respeito dos deveres de cuidado com a segurança e medicina do trabalho e ao empregado é assegurado como direito fundamental a — redução dos riscos inerentes ao trabalho. da CLT). pois. de forma ampla. cabendo às empresas cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho. 7º da CF. Já no art. O próprio art. vale dizer.5. 170.2014) Ademais. oferecendo condições de trabalho inseguras.. e como objetivo o bem-estar social e a justiça social. por meio de normas de saúde. quando se verificar o que a doutrina denomina — culpa contra a legalidade —. tem-se nos valores sociais do trabalho e nos valores sociais da livre iniciativa fundamentos de existência e validade da República Federativa do Brasil. Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade de Campinas e Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes. 193.7.0203. higiene e segurança para caracterizar a sua culpa. IV. da CF. consoante inciso XXII do art. 6. conforme ditames da justiça social. além de outros que visem a melhoria da condição social do trabalhador — propugna não somente pela vedação ao retrocesso social. maquinário. o princípio batizado por SebasLTr . devido ao seu ascendente linguístico tripalium. Com efeito. assegurando-se a todos uma existência digna. 157. Sebastião Geraldo de.2006. higiene e segurança —. I. 148. Um rápido passeio pela Carta Cidadã de 1988 deixa explícita. também.. o TST já vem desenvolvendo. Data de Publicação: DEJT 7. conforme julgado abaixo. 1º. sendo-lhe reti(1) OLIVEIRA. 3. ed. 1ª Turma. a importância dada pelo Poder Constituinte Originário ao trabalho — palavra inicialmente de significado pejorativo. Professor de Direito nas Faculdades Integradas Ipiranga e na Famaz — Faculdade Metropolitana da Amazônia. e atual. ao leitor. a demonstração da simples violação pelo empregador de norma de conduta que diz respeito à saúde. assim entendida a condição inerente às instalações. Analista Judiciário — Área Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região.

nos termos da NR 15. Relator Ministro: Alexandre de Souza Agra Belmonte. trata das radiações não-ionizantes. 193. Rel. segundo o projeto “Prof2000” (Portugal). quando de sua edição. sendo irrelevante o fato da alta temperatura decorrer do contato com a luz solar.15. nas condições previstas no Anexo 3 da NR 15 da Portaria N. foi de vedar o pagamento de adicional de insalubridade em razão do fator radiação solar.2012)..5. na qual não há qualquer diferenciação a respeito da necessidade de exposição ao mencionado fator em ambiente fechado ou aberto. para a inclusão do item II e alteração parcial do item I.2012.4. Em relação às atividades a céu aberto por sujeição a radiação solar. 186 (DEJT de 25. inclusive em ambiente externo com carga solar. da CLT).5. em especial diante da incumbência precípua das empresas de cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho. 173 da SBDI-1 faz referência. Entretanto. concomitantemente. indevido o adicional de insalubridade ao trabalhador em atividade a céu aberto.4. não se confundindo com a mera exposição a raios solares.rada a expressão “atos inseguros”. Recurso de embargos conhecido e desprovido. Renato de Lacerda Paiva.)” (TST-AIRR-629-28.2008. entre outros. é que a caracterização e a classificação da insalubridade far-se-á mediante perícia técnica (art. há de ocorrer. 195 da CLT e Anexo 7 da NR 15 da Portaria n. da SDI-1 do TST: Adicional de insalubridade. segurança e medicina do trabalho (em contraposição às condições inseguras. que o intuito desta Corte. 173. havendo comprovação. O Anexo 7 da NR15 do Ministério do Trabalho. reveladas no descumprimento parcial ou total dessas normas de proteção pelos empregadores).08. 3ª Turma.09. o qual encontra previsão no anexo n. 3214/78 do MTE. A razão dessa alteração foi a de justamente demonstrar que a ação humana praticada pelo trabalhador. da CLT). assim considerados os atos de ação ou omissão praticados pelo empregado. Data de Publicação: DEJT 15. existem vários LTr .2012. Inegável. a nosso ver.09. Aliás. ao qual a Orientação Jurisprudencial n. 3214/78 do MTE). É cediço que.2014. está inserida dentro da dinâmica juslaboral e do contexto das condições de trabalho. mediante perícia técnica. o segundo. 26 e 27. é que o agente insalubre deve estar inserido na relação do MTE (art. por razões de cunho jurídico e científico. de acordo com a Resolução TST n. não podendo ser tida isoladamente. dois requisitos: o primeiro.0567. tendo o TST acrescentado a expressão “sujeição à radiação solar”. caput. caput. o processo n.Jornal do Congresso . não há como prevalecer tal entendimento. Atividade a céu aberto. Exposição ao sol e ao calor. Data de Julgamento: 9. SDI-1. voluntária ou involuntariamente. A OJ foi recentemente alterada. equivalente a um “ato inseguro”. Anexo 3.0133. temos. para a percepção do adicional de insalubridade. portanto. Essa tem sido a base das decisões da Corte Superior Trabalhista.. deve ser mantida a condenação ao pagamento de adicional de insalubridade. em desacordo com as regras de experiência comum (arts. julgado em 23. Cientificamente. Dessa forma. ante a inexistência de previsão legal neste sentido. I — Ausente previsão legal. 3 da mesma norma regulamentar.2014) Se analisarmos as decisões que ensejaram a alteração da OJ. nesses termos: Adicional de insalubridade — Exposição ao calor do sol — Orientação jurisprudencial n. 173 da SBDI-1 — Inaplicabilidade. Pois bem. assim dispõe a Orientação Jurisprudencial n. pelo empregado. há expressa menção a “Ambientes externos com carga solar”. saúde. 852-D da CLT e 335 do CPC) e normas de higiene. TST-ARR-153200-96. conforme se verifica do item 1 do referido anexo. 195. da submissão do reclamante a trabalho insalubre decorrente da exposição ao fator calor. Ocorre que. Min. cuja redação originária do enunciado falava apenas em “atividade a céu 112 aberto”. por sujeição à radiação solar (art. o mesmo entendimento não pode ser aplicado às hipóteses em que o laudo pericial constata a submissão do trabalhador ao agente insalubre calor. do Ministério do Trabalho. II — Tem direito ao adicional de insalubridade o trabalhador que exerce atividade exposto ao calor acima dos limites de tolerância. a saber: “A condenação da empresa ao pagamento de adicional de insalubridade decorreu da exposição do autor a níveis insalubres do agente calor. (.

As operações ou atividades que exponham os trabalhadores às radiações não ionizantes. afasta a hipótese de insalubridade apenas nos casos de radiações da luz negra. utilização de vestuário adequado.Jornal do Congresso bres. e UV-C. Veja-se que a própria NR-15. da CLT. são a porção mais perigosa da radiação (a nocividade dos raios UV-B é cerca de mil vezes mais agressiva que a dos raios UV-A). com firme interpretação científico-jurídica. Concluímos. o que permite concluir que. fadiga ocular. 2. Isso porque o art. são a principal causa do câncer de pele e outras doenças relacionadas à pele e também aos olhos (perda da acuidade visual. medidas de controle de riscos ocupacionais. 7 (radiações não ionizantes). As atividades ou operações que exponham os trabalhadores às radiações da luz negra (ultravioleta na faixa — 400-320 nanômetros) não serão consideradas insalubres. a NR-21 e o Anexo n. infravermelha (IV). 200. a colocar pá de cal na cizânia. Os raios solares UV-B agem na superfície da pele e são efetivamente responsáveis pelas queimaduras solares e diversas outras doenças. da CLT exige do próprio MTE o estabelecimento de disposições complementares que tratem de proteção contra insolação. 7 da NR-15 dão guarida à percepção. de 400 a 320 nanômetros. e subdivide-se nas zonas A. a NR-21 (trabalho a céu aberto) exige medidas especiais que protejam os trabalhadores contra a insolação excessiva e a NR-15 (atividades e operações insalubres). uso de equipamentos de proteção individual. possuem alta ação danosa de radiação UV. pelo ozônio e pelo oxigênio.tipos de radiações não ionizantes: ultravioleta (UV). tem sua principal fonte no Sol. Para os efeitos desta norma. V. considerada a mais perigosa. laser. serão consideradas insalu- LTr . o trabalho em atividade a céu aberto por sujeição a radiação solar gera direito à percepção do adicional de insalubridade. pelo trabalho em atividade a céu aberto por sujeição a radiação solar. B e C: UV-A (denominada luz negra). de 290 a 100 nanômetros. são radiações não ionizantes as microondas. funciona como um filtro natural aos raios ultravioleta e bloqueia totalmente as radiações UV-C.). a resposta se encontra nas próprias Normas Regulamentadoras do MTE. de forma a proteger o rosto e a pele do corpo. uso de filtros solares (fotoprotetores). fazendo clara alusão à radiação UV-A. A radiação ultravioleta. de 320 a 290 nanômetros. sem prejuízo do cumprimento das normas de proteção à saúde pelo empregador. encadeamento devido a contrastes muito grandes no campo visual ou a brilhos excessivos da fonte luminosa etc. limpo. por seu Anexo n. acertadamente. limitação da exposição. causam alterações no sistema nervoso central. o que não ocorre com as radiações UV-A e UV-B. 173 da SDI-1 do TST. O Auditor-Fiscal do Trabalho Carlos Roberto Miranda traz em seu site medidas de prevenção adequadas à proteção dos trabalhadores expostos a raios solares: controle ambiental da fonte da radiação. visível (V). Juridicamente. como a nossa atmosfera não consegue bloquear na totalidade os raios UV-B. arejado. distúrbios cardiovasculares e respiratórios etc. 193 e 195 da CLT. a restar cumprida a inteligência dos arts. A camada de ozônio. diz o seguinte: 1. devendo ser revisto o enunciado da OJ n. Dessa forma. ultravioletas e laser. de adicional de insalubridade. 3. V. em decorrência de laudo de inspeção realizada no local de trabalho. incluindo chapéus. 113 . exames médicos periódicos. que o art. sobretudo no trabalho a céu aberto. 200. indo o próprio Poder Judiciário de encontro à rede protetiva geral constitucional e infraconstitucional pertinente à saúde do trabalhador. micro-ondas e radiofrequências. UV-B. sem a proteção adequada. de tecido apropriado às condições climáticas (temperatura e umidade). situada entre a troposfera e a estratosfera. entendemos que simplesmente interpretar o trabalho em atividade a céu aberto por sujeição a radiação solar como “mera exposição” a raios solares é chancelar a exposição do trabalhador a agentes insalubres e permitir a deterioração da sua saúde. citando expressamente a faixa de 400-320 nanômetros.

Dele. Tal situação exemplificativa nos faz deduzir que a contrario sensu o raciocínio de que o empregador doméstico que não atinge tais situLTr . quando se vislumbra a dificuldade da prova no seio familiar. empregador. já é pacífico que ao empregador cabe o ônus da prova da justa causa e se envolver trabalho doméstico. de acordo com o art. 333. tal disposição revela-se muito frágil quando em jogo uma análise prática pois. o ônus probatório não poderia ser de outra forma disposto. não se amoldando. também pelo fato de estarmos tratando de uma situação onde há prestação de serviços a um empregador pessoa física que.2014 o funcionário não compareceu às atividades la114 borativas porque estava em Manhattan. será o ônus da prova. A distribuição do ônus da prova. onde prevê que ao autor incumbe a prova dos fatos constitutivos de seu direito. tais dificuldades devem ser respondidas. Importante. 118 da CLT. quanto à jornada ressalta-se a necessidade de utilizarmos subsidiariamente o Código de Processo Civil. pautar-nos pelo que dispõe o art. dependendo do tipo de prova a ser produzida. Porém. seja essa dificuldade pela sua onerosidade ou especificidade técnica. da mesma forma. Como referidas provas são.g. Ao se indagar a quem incumbe o ônus da prova. impossíveis de serem produzidas. praticamente. na mesma linha de raciocínio: por equiparação. o que segundo a melhor doutrina. portanto pessoa jurídica. que contar com mais de 10 (dez) funcionários será obrigado a ter controle de jornada.ÔNUS DA PROVA DA JORNADA — DOMÉSTICO X EMPREGADOR Luis Felipe Carneiro Maluly Estudante do 10º Termo do Curso de Direito da Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE) de Presidente Prudente/SP. quando se tratar de direito indisponível da parte ou quando for de excessiva onerosidade à parte. Contudo. equiparou estes trabalhadores aos urbanos e rurais. pois nele há a previsão de impossibilidade de inversão do onus probandi. sendo. Nestes casos. poderá ser feita à luz do que já construiu a doutrina e jurisprudência para os demais trabalhadores e sob esta ótica deverão tais entraves serem dirimidos. à situação prevista no § 2º. nestes casos cabe ao Juiz determinar que a parte que faz a alegação esteja incumbida de produzir a prova. quando da comprovação da jornada de trabalho do doméstico. No bojo do art. Por exemplo. uma vez que tais restrições não existiam no meio jurídico. entre seus arts. E. ex. por liberalidade.. encetou contrato com apenas um(a) empregado(a). mas com as cautelas de praxe tendo em vista a realidade distinta dentro do âmbito familiar. empregador que alega que no dia 17. que dispõe que o estabelecimento. ou então aqueles não fundados em tempo indeterminado. então. Devemos.4. com cautela. o que é concebido pelo art. 72. mormente quando os fatos resultarem em prova de difícil produção. 769 do mesmo instituto legal. de maior relevância. v. por exemplo.Jornal do Congresso . porque se correria o risco de imputar à parte a produção de provas diabólicas. empregado ou empregador. pois. há singela previsão legal de que a prova dos fatos incumbe a quem os alega. temos de levar em conta que a Emenda Constitucional n. o disposto no parágrafo único do mencionado artigo. na grande maioria das vezes. são os fatos negativos. Partindo-se do pressuposto que antes do advento de seu texto. estar-se-á cerceando a persecução de direitos de alguma ou ambas as partes. os empregados domésticos não estavam sujeitos nem a jornada de trabalho e muito menos ao seu controle. uma pessoa ter que provar que nunca esteve em Manhattan. 332 a 341. 332 do CPC ao réu cabe a prova dos fatos impeditivos. do art. modificativos e extintivos do direito do autor. 74 da CLT. valendo-nos do disposto no Código de Processo Civil. agora. nada mudará.

fato constitutivo de seu direito. é sabido que o ônus objetivo da prova está diretamente ligado ao Juiz. na fase de instrução visando o convencimento do Juiz para que ele possa sentenciar com base na maior proximidade da realidade dos fatos que se espera sejam vividos. o que poderá ser antes provado. empregadores que não trabalhem fora de casa.Jornal do Congresso as regras de validade e eficácia de tais anotações trazidas pela CLT e pelas Súmulas do TST. apesar de a jurisprudência no TST sobre a distribuição do ônus da prova estar consolidada para os trabalhadores urbanos e rurais. estariam os doutrinadores e julgadores contrariando a realidade peculiar em análise. abeberar-se na sociologia jurídica. onde deverá o julgador fazer um juízo axiológico entre os fatos narrados no processo pelas partes. nos lares brasileiros. sua utilização para os domésticos. Não há como. principalmente nesta seara. desde que não conflite com a realidade do âmbito familiar. o onus probandi deverá recair sobre o empregado. Em conclusão. exceções de famílias abastadas à parte. via de regra. entender. ao empregado.ações (menos de 10 empregados). por equiparação. sem sombra de dúvida. Balancear a distribuição do ônus da prova tendo como parâmetro. onde o laboratório a ser investigado é uma reprodução do que ordinário acontece em todos os lares nacionais. Destaque-se que. em uma análise superficial. deve o empregador realizar no máximo contraprova de que não era a jornada narrada na inicial aquela praticada ou que não havia a feitura de horas extraordinárias a partir do pressuposto de que caberá. o doméstico é um empregado que não está sujeito à fiscalização imediata pelo empregador. por ser o detentor dos “cartões-ponto”. Assim agindo. podemos chegar. aplicável indistintamente à teoria da inversão do ônus da prova sempre aos empregadores domésticos. ao passo que ônus subjetivo da prova está relacionado às partes. a prova de suas alegações. o ônus da prova documental será de exclusividade do empregador. a pelo menos duas singelas conclusões. que se materializa no momento da prolação da sentença pelo Magistrado. à luz do princípio da aptidão para a prova. também pelo doméstico. via de regra. a partir da realidade vivida no âmbito doméstico. Outra previsão acerca do ônus da prova presente no Código de Processo Civil é o ônus objetivo da prova. sob pena de presunção de validade da jornada alegada. conhecidos. etc. pois. não chega a preencher tal requisito numérico. vizinhos. de aplicação subsidiária. será válida. os tipos de prova que foram produzidas. é. de ordinário acontece! Por outro lado.). salvo quando existente controle escrito. quais sejam: a) sempre que adotado meio de controle da jornada pelo empregador. a despeito de sua condição de hipossuficiente sob a ótica econômica. 115 . sendo certo que para que haja um julgamento justo deverão caminhar lado a lado na persecução do objetivo colimado todo o esforço de convencimento enfim da prova da jornada de trabalho. Portanto. também. e exigida sua apresentação deverá juntar aos autos. por exemplo. observadas todas LTr . e b) No caso de não existir o controle da jornada pelo empregador. ficando o empregado doméstico “livre” para executar suas tarefas dentro ou aquém de seu horário de trabalho. pois no caso de sair um dia ou outro mais cedo do serviço (com tarefas executadas a contento) será difícil para o empregador descobrir e provar que não houve o cumprimento integral da jornada. e a rogo de qual parte ficou a produção das referidas provas que instruíram o feito e nortearão sua decisão. ferindo a ciência do Direito que deve. em regra. o que convenhamos. sob pena de incorrer na exigência de comprovação das chamadas provas diabólicas por serem as diversas situações vivenciadas dentro das residências de caráter negativo. dispensado está do referido controle que é exatamente o caso do doméstico que. analisadas tais situações e aplicando-as na solução da problemática apresentada. eis que as horas extras que persegue. em regra. sua própria experiência pessoal (senso médio do homem comum) será imprescindível. haja vista hoje dia ser raridade homem ou mulher. embasado na distribuição do ônus da prova previsto no Código de Processo Civil. é público e notório que. com prova testemunhal (outros empregados da residência.

2º e 3º da CLT. o gênero. subordinação jurídica e onerosidade. Inteligência dos arts. como o peso que melhor se harmonizar com o que de ordinário acontece nas famílias brasileira. atualmente exerce o cargo em comissão de Assessor Jurídico-Administrativo. por ser espécie. evidentemente em caso de negativa de sua juntada. Entre essas inúmeras relações de trabalho em sentido lato. não eventualidade. sem embargo da possibilidade de o prestador do serviço voluntário ser ressarcido pelas despesas que comprovadamente realizar. Mas existem diversas outras relações de trabalho. após a prova de sua existência. inclusive mutualidade. Professor de Direito nas Faculdades Integradas Ipiranga e na Famaz — Faculdade Metropolitana da Amazônia. inexiste um dos pressupostos básicos da relação de emprego. capaz que fazer existir no mundo jurídico o contrato de trabalho. para a formação do vínculo empregatício.Neste caso. que tenha objetivos cívicos. cabe destacar que o juiz o trabalho deverá dar maior relevância à prova oral. seus indispensáveis pressupostos. culturais. considera-se serviço voluntário a atividade não remunerada prestada por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza. mesmo no caso de acolhimento de contradita contra as pessoas amigas e ou parentes. B. O FALSO SERVIÇO VOLUNTÁRIO E A SERVIDÃO DISFARÇADA NA LEI GERAL DA COPA Igor Zwicker Martins Bacharel em Direito e Especialista em Gestão de Serviços Públicos pela Universidade da Amazônia. A relação de emprego é apenas uma das espécies da relação de trabalho — o grande gênero —. LTr . Analista Judiciário — Área Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. parágrafo único). 1º. caput. Segundo o art. teremos inevitavelmente uma relação de emprego. a de contrato-realidade).Jornal do Congresso . Toda relação de emprego. é uma relação de trabalho. guardadas as proporções de onde estejam inseridas as classes sociais (A. que caracterizam a relação de emprego: pessoalidade. devendo existir cumulativamente. da Lei n. C ou D). o da onerosidade. deverá requerer. a juntada de tais documentos. em sentido lato. 3º. educacionais. 9. O serviço voluntário não gera vínculo empregatício (art. 9.608/98. está o serviço voluntário. entre suas características. 1º da Lei. regulado pela Lei n. Na prestação do serviço voluntário. qual seja. recreativos ou de assistência social. Finalmente. científicos. onde existe a prestação de servi116 ços por uma pessoa física. que tem. onde rigorosamente faltarão um ou mais dos quatro pressupostos citados (pois se todos estiverem presentes. sob pena de considerar-se verdadeira a jornada alegada na inicial. ouvidas sempre como informantes. Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade de Campinas e Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes.608/98). ou a instituição privada de fins não lucrativos. que empresta sua força de trabalho a outrem. no desempenho das atividades voluntárias (art. dados os objetivos que permeiam tal prestação de serviços.

13. LTr . considerado sob qualquer dessas duas perspectivas. a Subsidiária FIFA no Brasil ou o COL na organização e realização dos Eventos constituirá atividade não remunerada e atenderá ao disposto neste artigo. todo trabalho — mesmo simples — é passível de mensuração econômica no contemporâneo sistema de mercado. outras distintas situações de trabalho voluntário. Curso de Direito do Trabalho. em que há também efetiva prestação de trabalho sem contraprestação onerosa real pelo tomador dos serviços (. como elemento fático-jurídico correspondente da relação de emprego. A Lei n. filantropo político ou religioso em que a prestação de trabalho se confere em um contexto de alguma reciprocidade material em benefício do prestador enfocado. Mauricio Godinho Delgado(1). comunitário. com as consequências econômicas favoráveis ao prestador oriundas das normas jurídicas trabalhistas incidentes. p. pelo trabalhador. ed. ao lado de um plano subjetivo de análise do mesmo elemento. filantropo político ou religioso. desde que houvesse prestação de trabalho por alguém a outrem: afinal. 57. consoante arts. E conclui: No plano subjetivo.). o elemento fático-jurídico da onerosidade estaria sempre presente. portanto. comunitário. aponta o eminente jurista: Trata-se. Nesse sentido. ou. Existirá o elemento fático-jurídico da onerosidade no vínculo firmado entre as partes caso a prestação de serviços tenha sido pactuada. com o intuito contraprestativo trabalhista. nem obrigação de natureza trabalhista. previdenciária ou afim para o tomador do serviço voluntário.A onerosidade é um pressuposto altamente relevante na relação de emprego. A prestação laboral ter-se-ia feito visando à formação de um vínculo empregatício entre as partes. traz uma regra bastante peculiar. dificilmente terá o operador jurídico dificuldade em vislumbrar a presença da onerosidade em uma relação de trabalho investigada. em que há efetiva (1) DELGADO..Jornal do Congresso prestação de trabalho e ausência de contraprestação onerosa real pelo tomador dos serviços. A pesquisa da intenção das partes — notadamente do prestador de serviços — desponta nessas situações fronteiriças. ao discorrer sobre a onerosidade. para um plano de destaque na investigação e avaliação criteriosa a ser feita pelo operador jurídico. São Paulo: LTr. Mauricio Godinho. apenas o exame do plano subjetivo da onerosidade é que responderá pela sua ocorrência (ou não) no quando complexo da relação social construída. não deve. 12. por exemplo. de situações tipificadas como de servidão disfarçada. em território brasileiro. É que.. para quem recebe o serviço prestado. 57 e 58 da referida Lei. 299-301. Em qualquer dessas situações. e 117 . como bem ressalta o mestre. E prossegue: A pesquisa do elemento onerosidade no contexto de uma relação sociojurídica concreta deve envolver duas dimensões diferenciadas mas combinadas: um plano objetivo de análise. com o intuito essencial de auferir um ganho econômico pelo trabalho ofertado. criada especialmente para os eventos que se aproximam. finalmente.663/12. pela intenção econômica (intenção onerosa. ser enfocada sob a ótica do trabalho realizado ou mesmo sob a ótica do tomador dos serviços. resta óbvio dizer que a onerosidade de materializa pelo próprio pagamento dos salários e. Ocorre que existem determinadas situações “em que a pesquisa da dimensão subjetiva da onerosidade será a única via hábil a permitir aferir-se a existência (ou não) desse elemento fático-jurídico na relação de trabalho vivenciada pelas partes”. a onerosidade se manifesta pela intenção contraprestativa. que dizem: Art. afirma o seguinte: A onerosidade. Deve a onerosidade. ou situações de trabalho voluntário. ser enfocada sob a ótica do prestador de serviços: apenas nessa perspectiva é que ela constitui elemento fático-jurídico da relação de emprego. pois) conferida pelas partes — em especial pelo prestador de serviços — ao fato da prestação de trabalho. § 1º O serviço voluntário referido no caput: I — não gera vínculo empregatício. sempre tendo determinado valor econômico para seu tomador. contudo. O serviço voluntário que vier a ser prestado por pessoa física para auxiliar a FIFA. 2014. conhecida como “Lei Geral da Copa”. No plano objetivo. dados os caráteres bilateral e sinalagmático que dão característica a essa relação jurídica: à força de trabalho do empregado corresponde o dever do empregador de pagar salário — talvez o único meio de sobrevivência digna do trabalhador.

de eficácia social plena e aplicação imediata (arts. condutas relacionadas a atividades de publicidade. de 18 de fevereiro de 1998. ao analisar a presente Lei. pela intenção econômica (onerosa) conferida. ousamos vislumbrar. São as leis conhecidas popularmente como “toques de Midas”. Aliás. § 3º O prestador do serviço voluntário poderá ser ressarcido pelas despesas que comprovadamente realizar no desempenho das atividades voluntárias. o qual. desde que expressamente autorizadas pela entidade a que for prestado o serviço voluntário. tal manobra foi considerada irregular pela Procuradoria da Junta Comercial. com a intenção de obter vantagens para si ou para outrem etc. alimentação e uniformes. que garante ao Estado-Juiz o monopólio da jurisdição. entre outras. 12. nos parceiros comerciais da FIFA (inciso XI): “pessoas jurídicas licenciadas ou autorizadas com base em qualquer relação contratual. nesse ajuste legislativo. convites ou qualquer outro tipo de autorização ou credencial para os eventos de forma onerosa. 5º. XXXV. a Lei n. o intuito lucrativo permeia toda a Lei. desvio ou transferência de ingressos. oferecimento.608. em franca violação ao art. não descaracteriza a gratuidade do serviço voluntário. em nosso Estado Democrático de Direito. a exemplo de transporte. a onerosidade. Assim. O serviço voluntário que vier a ser prestado por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza ou instituição privada de fins não lucrativos. claramente. para os fins de que trata esta Lei.663/12). 2º da Lei n. apenas se estipulando em contrato social que os lucros poderiam ser distribuídos de forma desvinculada da participação societária. a Subsidiária FIFA no Brasil ou o COL. transporte. da CF) e consagra o princípio da inafastabilidade da jurisdição. negociação. está inserido na carta de direitos fundamentais. e suas subsidiárias não domiciliadas no Brasil. (COL): pessoa jurídica de direito privado.663/12 tenta afastar essa aparência de atividade remunerada. (art. bem como os eventos relacionados. em face da inexistência de critério pré-definido para a divisão dos lucros. 53 do Código Civil. 2º da Lei n. e 60.663/12. peremptoriamente. ocultação. ao longo de todo o art. 16 da Lei n. mas se fala. 12. por (tentarem) afastar. bem como os seus subcontratados. da CF.). II — Subsidiária FIFA no Brasil: pessoa jurídica de direito privado. 118 III — Copa do Mundo FIFA 2014 — Comitê Organizador Brasileiro Ltda. que chega a regulamentar. 5º. certas relações jurídicas (“não existe vínculo de emprego”. por exemplo. pétreos. domiciliada no Brasil. observará o disposto na Lei n. inclusive. a obrigação de indenizar danos. percebemos de forma clara que a onerosidade se manifesta pela intenção contraprestativa. Art. 57 e 58.). § 4º. caput e § 1º. sem autorização da FIFA ou da pessoa por ela indicada. assim definidos pelo art. venda. lucros cessantes e qualquer proveito obtido por aquele que praticar. Curioso constatar que. em que há a efetiva prestação de trabalho e ausência de contraprestação onerosa real pelo tomador dos serviços — a FIFA. Tal conclusão se mostra ainda mais evidente quando pesquisamos sobre a natureza jurídica do COL (Copa do Mundo FIFA 2014 — Comitê Organizador Brasileiro Ltda. 12. reconhecida pela FIFA. entidade mundial que regula o esporte de futebol de associação. 12. com atividades relacionadas aos eventos”. quando se tentou registrar o COL como se associação fosse. Eis aí um típico exemplo — e atual — de uma relação sociojurídica concreta com a necessidade de se perquirir. no plano subjetivo. Dessa forma. dele devendo constar o objeto e as condições de seu exercício.II — será exercido mediante a celebração de termo de adesão entre a entidade contratante e o voluntário. em relação aos eventos. cujo capital social total pertence à FIFA. de 4. constituída sob as leis brasileiras com o objetivo de promover a Copa das Confederações FIFA 2013 e a Copa do Mundo FIFA 2014. 9. IV. “não existe onerosidade” etc. § 2º A concessão de meios para a prestação do serviço voluntário. pois. 58.Jornal do Congresso .2008. LTr . que diz: “Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos”. Já desde o parecer da JUCERJA. exposição à venda.6. a afastar a possibilidade de prestação de “serviço voluntário”. uma situação tipificada como de servidão disfarçada. no plano subjetivo. descurando o legislador pátrio do art.663/12: I — Fédération Internationale de Football Association (FIFA): associação suíça de direito privado. não há um inciso sequer sobre as pessoas físicas relacionadas nos arts.

58 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). por prazo não superior a 3 (três) dias por semana. Nesse caso. 53 do Código Civil. não se enquadra os dispositivos celetistas e constitucionais. por sua vez. 7º. envolvendo “serviço extraordinário” o art. 119 . O TEMPO DE CONCENTRAÇÃO DE UM JOGADOR DEVE SER CONSIDERADO HORA EXTRA? Euseli dos Santos Advogado trabalhista militante em Uberaba (MG) e Mestrando em Direito pela Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP) A jornada de trabalho é um tema interessante e sempre teve atenção especial do Direito do trabalho. regulamenta a profissão. menciona que duração normal do trabalho. 1º da própria Lei n. desde que esteja programada qualquer competição amistosa ou oficial. 9. Ocorre que o jogador profissional. a jogar pá de cal na cizânia. o COL seria composta majoritariamente por entidade sem fins lucrativos (a CBF).014. será oito horas diárias e quarenta e quatro semanais. consoante CNPJ n. Logo. dispõe: LTr .Como cediço. ocorrerá o labor em horas extras.354/1976. 6. 7º. 6. então. Sabe-se que o horário de trabalho é o tempo à disposição do empregado em face do empregador. não excederá de 8 horas diárias. E caso estejam presentes os outros pressupostos da relação de emprego. em 11. o COL acabou sendo registrado na JUCERJA. de forma que a distribuição dos lucros — procedida de maneira desvinculada da participação societária — poderia representar violação indireta ao previsto no estatuto da própria CBF e violação do art. o direito à remuneração de no mínimo 50% a mais sobre as horas extras. o vínculo empregatício deverá. desde que não seja fixado expressamente outro limite. em seu art. A legislação trabalhista disciplina que a duração normal do trabalho. como sociedade empresária limitada. havendo trabalho acima do referido limite (diário ou semanal). e ficar à disposição do empregador quando da realização de competição fora da localidade onde tenha sua sede. claramente já demonstrada. A constituição da república garantiu a todos os trabalhadores urbanos e rurais. em conjunto com a onerosidade. a afastar por completo a possibilidade de prestação de serviço voluntário. seja porque não é instituição privada de fins não lucrativos. por conta que a Lei n.Jornal do Congresso O atleta será obrigado a concentrar se. no máximo. 10. da Constituição da República prevê o direito à remuneração do respectivo período com o adicional de no mínimo 50%. por conta (dentre outras) de estar atrelado à condição de salubridade do trabalhador.354/74.608/98.2008. salvo exceções. O art. Ato contínuo. XVI. segundo art. A Lei n. para os empregados em qualquer atividade privada.746/0001-08. ser reconhecido. seja porque o COL não é entidade pública. convier ao empregador. citado.6.

. desde que não exceda a três dias por semana. (. Muitos vão dizer que é injusto o fato de que o regime de concentração. A doutrina é bem clara: A concentração é o período em que o atleta irá ficar num hotel antes das partidas para descansar. 80). de drogas ou substâncias proibidas para o esporte. A concentração. E uma forma de preservar a saúde do atleta para que ele possa bem desempenhar o seu mister de jogar a partida desportiva (MARTINS. ingestão de bebida alcoólica.354/76. não seja considerado como hora extra. se alimentar adequadamente. aguardando ou executando ordens. de forma a poder exigir maior e melhor rendimento durante a competição. pois apesar de que o jogador não está atuando. Desse modo. Jogador de futebol.) horas extras.Jornal do Congresso . atividades de treino. 80). 6. pois ela é levada a efeito para atender interesses do empregador. pois existe lei especial que se aplica ao caso específico. por conta de concentração: O Jogador de futebol. 2009). Brasília: Tribunal Superior do Trabalho. 2000). não importando se ele fica teoricamente descansando. 2011. visto que o período é sim tempo à disposição do empregador. Nos termos do art. Entendo que a legislação deverá se aperfeiçoar para conferir ao jogador profissional o direito às horas extras nos casos de concentração. para efeito de pagamento de horas extras. sendo totalmente distinta a situação do atleta profissional de futebol em relação ao profissional em geral. Referências BRASIL. 2009. portanto.2009. O período de concentração. ele está à disposição do clube (empregador). não faz jus ao recebimento de horas extras. a meu ver. Recurso de Revista n. Fernandes. Período de concentração. p. O jogador profissional então. 297/2002-104-0300-8. não se admitindo o deferimento de horas extras neste período. as regras celetista e constitucionais. LTr . deveria ser considerada como tempo à disposição. A concentração é obrigação contratual e legalmente admitida. tratando-se de característica especial de trabalho do jogador profissional. Recurso de Revista conhecido e não provido (BRASIL. 7º da Lei n.8.. Recurso de revista que se nega provimento (BRASIL. 2009. o período de concentração não gera o direito a horas extras. subtende-se que o jogador estará descansado e com isso apto a desenvolver a sua atividade quando da realização do evento. não integrando a jornada de trabalho. vez que aquele acaba permanecendo mais que o dobro do tempo em atividades benéficas ao empregador. já que a sistemática não se equipara ao tempo em que o empregado permanece à disposição do empregador. pois a profissão é regulamentada por lei própria. evitar ingestão de bebidas alcoólicas. é uma característica especial do contrato de trabalho do atleta profissional. Diga-se que a jurisprudência é uníssona em não reconhecer o direito do jogador profissional em receber pelas horas extras. A concentração tem a finalidade principal de resguardar o atleta. 2ª Turma. a concentração do jogador de futebol. Tempo à disposição pela CTL. p. não podendo aplicar a ambas as matérias. propiciando-lhe melhor condição física e psicológica. o minimo que se pode fazer é remunerar como extraordinário o período gasto em concentração que extrapolar o limite das quarenta e quatro horas semanais de trabalho (OLIVEIRA. etc. dentre outras. já que o empregador tem maiores condições de controlar o período de sono.Entende-se que. Diga-se que além disso é um costume existente na maioria dos países. é considerado trabalho extra. e por isso. pois havendo a concentração. Horas extra. não se pagará hora extra. Observa-se que a concentração do jogador de futebol é uma característica marcante do contrato de trabalho. DEJT 7. 120 Considerações finais Foi visto que o regime de concentração do jogador profissional não é tido como tempo a disposição do empregador. Período de concentração. tem natureza jurídica e essência diversa das horas de trabalho em prontidão ou sobreaviso. Relator Ministro José Simpliciano Fontes F.

3º. Obviamente que não se pretende com tal afirmação glorificar ou ainda justificar métodos ultrapassados na busca da satisfação do direito.576/97. não voluntariamente satisfeita pelo devedor. perguntamos se não estaria o legislador pátrio exagerando na proteção do devedor.452 de 1º. Recurso de Revista n. coercitivamente. como a responsabilidade pessoal da Lei das XII Tábuas ou métodos de infâmia conhecidos na Idade Média. 1943. 1. Constituição Federal.2000. como afirma com maestria Daniel Amorim Assumpção(1): (1) NEVES. Relator Ministro Barros Levenhagem. DEJT 1. A impenhorabilidade do bem de família na execução trabalhista Assim dispõe o art. em evidente e injusto detrimento do credor. 1976.354. O que nos preocupa é se não estaríamos na tal “humanização” da execução. É nesse sentido que a execução trabalhista busca. diante do manifesto fracasso do processo de execução por quantia certa. Brasília: Senado Federal. Dos entraves à execução trabalhista Ao contrário do processo de conhecimento. Rio de Janeiro: Ministério do Trabalho. é na execução que ocorre o atravancamento processual. por meio de atos praticados pela Justiça do Trabalho. A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo 121 . Disponível em: <http://www.5. Consolidação das Leis de Trabalho. 3º. São Paulo: Atlas. Por mais célere que se consiga tornar o processo de conhecimento. aquilo que ficou decidido na fase cognitiva. que. 2011.br/secoes/ artigosf/Daniel_impenhorabil. se necessário. 2.5. Lei que Regulamenta a Profissão de Atleta Profissional — 6.BRASIL. Decreto 5.adv. muitas vezes ocorre em razão de regras contidas na legislação esparsa. Direitos trabalhistas do atleta profissional de futebol. São Paulo: LTR. OLIVEIRA. Brasília: Tribunal Superior do Trabalho. 2014. esquecendo-se por muitas vezes que o credor também é humano. Daniel Amorim Assumpção.009 de 29 de março de 1990: Art. Jean Marcel Mariano. A (IM)PENHORABILIDADE DO BEM DE FAMÍLIA NA EXECUÇÃO TRABALHISTA E APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE COMO SOLUÇÃO Jéssica Chaves Costa Bacherela em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora. O contrato de trabalho do atleta profissional de futebol. LTr . Sergio Pinto.1943.doc>. 2000. Brasília: Congresso Nacional. 2009. BRASIL. BRASIL. 40. Pós-graduanda pela Universidade Cândido Mendes. e sofre ao não receber seu crédito diante da ineficácia do processo executivo. BRASIL. 1988. Acesso em: 5 jan. 4º Turma. a tutela executiva visa tornar concreto. Impenhorabilidade de bens — Análise com vistas à efetivação da tutela jurisdicional. 8.flaviotartuce.Jornal do Congresso Atualmente. Martins. a satisfação de obrigação consagrada em título judicial ou extrajudicial. caput. da Lei n.

por outro lado. Francisco Alberto de Motta Peixoto. assim. deter os mesmos direitos e prerrogativas daquele que não tem condições de saldar suas dívidas. torna-se indiscutível a aplicação da regra que atribui impenhorabilidade ao bem de família legal à Justiça do Trabalho. uma vez que a norma merece ser interpretada a luz do caso concreto. o que permitirá.009/90 ao proteger a moradia do devedor não se preocupou em distinguir imóveis de alto valor dos imóveis de baixo valor. A Lei n. Do princípio da proporcionalidade como solução Aplicar o princípio da proporcionalidade como solução para a celeuma que envolve a impenhorabilidade do bem de família legal na execução trabalhista constitui-se como mecanismo hábil para estabelecer equilíbrio entre o direito à moradia do devedor e sua família e o direito do trabalhador à efetiva tutela executiva. de um lado temos que os fundamentos justificadores da norma jurídica que estabelece a impenhorabilidade do bem de família são a proteção especial conferida pelo Estado à família e o direito a moradia do devedor. de modo a permitir que este adquira imóvel para moradia digna. já que. através da redução proporcional do âmbito de aplicação de ambos ou de apenas um deles. entre o empregado que recebe seu salário e o empregador que não paga. Isso porque estamos diante de colisão de direitos fundamentais. mediante o emprego do princípio da proporcionalidade. esse ramo do direito poderia perder sua identidade. com evidente repercussão no Processo do Trabalho. mas de igual relevância. 8. tendo em vista o caráter imperativo da norma. 122 3. economicamente falando. 4ª ed. Acesso em: 8. mas sim o mais forte. Juruá. 2014. (4) CKZAJKOWISK. atento a que.2. retornando a diferença ao devedor. se aplicada. 8. há de se dispensar tutela àquele e não a este. Em caso de colisão entre direitos fundamentais.de execução civil. fiscal. 8.Jornal do Congresso . conferindo tratamento jurídico único diante de situações muito distintas e que pode evidenciar disparidades. com o bem levado à hasta pública.br/artigos_doutrina_ fampg_01. Por meio deste artigo. de receber o direito como algo posto. pois. Disponível em: <http://www.) não haveria espaço para aplicação da Lei n.com. previdenciária. mostra-se totalmente razoável a penhora de único imóvel residencial de alto valor. sua não aplicação seria justificada por meio da incompatibilidade com a natureza alimentar do crédito trabalhista.asp>. Nesse caso... do contrário. mesmo porque. afastando-se.2012. harmonizá-los. 3º. sendo que para parte da doutrina e jurisprudência.. seu aproveitamento não é pacífico. 2002. ainda que ostensiva e evidente exteriorização de riqueza. Relator: SAMUEL HUGO LIMA. 8. apenas restringindo seu (3) TRT-15 — AGVPET: 6304 SP 006304/2012. e com ela sua finalidade. há o direito a dignidade do trabalhador a ter a satisfação de seu crédito no âmbito executivo. Rainer. alcança-se solução que não invalida o direito à moradia.009/90 na Justiça do Trabalho. Nesse diapasão. conforme afirma Rainer Ckzajkowisk (4): A Lei abrange a possibilidade de o proprietário de uma residência luxuosa que não cumpra o adimplemento de uma obrigação.. se faz necessária análise minuciosa da situação. o crédito trabalhista será quitado.009/90. É nesse sentido o entendimento de Francisco Alberto de Motta Giordani(2): (. a partir da ponderação dos direitos fundamentais. por meio de juízos comparativos de ponderação dos interesses envolvidos no caso concreto. impõe-se proceder à compatibilização entre os mesmos. (2) GIORDANI. 8. pois. em razão destes não serem absolutos. sendo claro e irrecusável que.apej.009/90 como absoluta e escusável apenas nas exceções disciplinadas nos incisos do seu art. A aplicação do princípio da proporcionalidade pode ser vislumbrada por meio de decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região(3) que permitiu a penhora de único bem de família residencial detentor de valor suntuoso para a satisfação da dívida trabalhista devida ao credor. A aplicação da Lei n.). LTr . não estaria protegendo a parte mais fraca da relação jurídica. a razão do Direito do Trabalho. A impenhorabilidade do bem de família: comentários à Lei n. trabalhista ou de outra natureza (.009. economicamente mais fraco. bem como com os princípios do Direito do Trabalho e sua finalidade precípua de proteger a parte mais vulnerável da relação jurídica. Data de Publicação: 10. Inobstante a doutrina e jurisprudência majoritária acatarem a previsão expressa da Lei n. jan. é a proteção do empregado. Todavia.

br/ secoes/artigosf/Daniel_impenhorabil. A partir dos casos concretos que ilustram que a aplicação do princípio da proporcionalidade leva a decisão equânime e justa diante do conflito de direitos fundamentais. Deste modo. Disponível em: <http://www.com. 8009/90 que resguarda a impenhorabilidade do bem de família não deve ser aplicada por meio de mera subsunção legal. tu ne me chercherais pas si tu ne m’avais trouvé. Acesso em: 8. Juruá. A luz do princípio da proporcionalidade. sendo permitida a penhora sobre outros que. Rainer.flaviotartuce. garantindo a observância do direito à dignidade do credor laboral.Jornal do Congresso Como identificar os pontos fundamentais da problemática do Direito do Trabalho? O presente estudo tem por objetivo responder a seguinte pergunta: “Dano Existen123 . Situação semelhante se dá no tocante aos bens móveis que guarnecem a casa. A aplicação da Lei n. 8. se já não me tivesses encontrado”) Blaise Pascal Quais as causas das inquietações vividas no mundo das relações do trabalho contemporâneas? Quantas respostas serão necessárias para chegar na essência do Direito do Trabalho? LTr . adequando os interesses em conflito de modo que ambos possam conviver sem o completo esvaziamento do outro.> Acesso em: 5 jan 2014. Advogada Trabalhista. Professora Titular de Direito do Trabalho na UNIP-Sorocaba. devendo ser realizado exame do caso concreto. Francisco Alberto de Motta Peixoto.br/artigos_doutrina_fampg_01. apenas lhe propiciem bem estar. Isso porque o princípio da proporcionalidade se mostra como meio adequado a acomodar objetivos e atenuar tensões. protegidos pela impenhorabilidade por meio da parte final do parágrafo único do art. Referências bibliográficas CKZAJKOWISK.doc. asp>.009/90 na Justiça do Trabalho. Na mesma esteira de pensamento. (“Tu não me procurarias.009/90. A impenhorabilidade do bem de família: comentários à Lei n.adv. Disponível em: <http://www. apej. 8. 8. é necessário que haja posição intermediária quanto à aplicação da mencionada Lei. GIORDANI. devem ser impenhoráveis somente os bens indispensáveis à família do devedor.âmbito de aplicação. Impenhorabilidade de bens — Análise com vistas à efetivação da tutela jurisdicional.009/90. Console-toi. 1º da Lei n. jan. considerando a impenhorabilidade como absoluta. Daniel Amorim Assumpção. Este é o entendimento dos TRT/SP 02990205572 — Ac 3ª T 19990345190 e TRT 1ª Região — AP 03009-97. na Universidade de SorocabaUniso e na Faculdade de Direito de Sorocaba (FADI). A busca da verdade sobre o dano existencial nas relações de trabalho Noemia Galduróz Cossermelli Doutora e Mestre em Direito do Trabalho pela PUC-SP. NEVES. 2014. 2002. para que seu raio de ação seja restringido em prol dos direitos fundamentais em conflito. é possível concluir que a Lei n. não absolutamente indispensáveis à sobrevivência familiar. 4ª ed.

. A Convenção n. resultar num prejuízo que deva ser reparado. (.. além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XIII — duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais. a muitos. que se punam os exploradores. não são condutas capazes gerar o dano existencial. o mesmo ocorre em relação ao insucesso da obtenção do resultado esperado. o trabalhador pode ter seu projeto de vida abortado ou nunca realizado e.) É preciso que se avance nas relações trabalhistas. Outros. Rússia (1887). A evolução jurídica. que se ressarçam os vitimados pela exploração do poder econômico. concretizar sonhos. Um pouco de doutrina Jorge Boucinhas: “(. não fosse a existência do ato danoso.” Raimundo Simão de Melo: “Se a perda de uma chance for enquadrada como dano emergente ou lucro cessante.. sobre normas de proteção à jornada e ao descanso é significativa. possibilitando.. da Organização Internacional do Trabalho (OIT) adotou a semana de 40 horas.cial — Trabalhar em horas extras e férias gera dano moral?” Um pouco de história A exploração do trabalho humano na Inglaterra (1830) fez com que os trabalhadores se unissem em defesa de seus interesses. com jornada com 08 horas como os Estados Unidos (1868) e Austrália (1901).) Os empregados constrangidos pela exigência compulsória de horas extras. o desrespeito de poucos seja inibido.) Haverá o dano existencial se restar comprovado o 124 dano a um projeto de vida e/ou ao convívio social e familiar. d) condições satisfatórias de vida e de trabalho. O sistema jurídico da jornada extraordinária encontra fundamentos nos aspectos a) econômicos. consequentemente. França (1848). Assim. b) humanos. surge triunfantemente o Princípio da proteção à vida existencial do trabalhador.) são candidatos potenciais aos sintomas de irrealização dos sonhos comuns a todos (. o resultado teria se consumado. o direito de realizar o mais simples objetivo da maioria dos seres humanos: viver com dignidade.Jornal do Congresso . A Encíclica Rerum Novarum (Coisas Novas) afirma que “não deve o trabalho prolongar-se por mais tempo do que as forças o permitem” (Papa Leão XIII — 1891). c) políticos. 47. Se a vitória não pode ser provada e confirmada cabalmente. As primeiras leis na era industrial limitaram a jornada de trabalho em 10 horas. observa-se que a flexibilização trazida pelo legislador constituinte diz respeito à compensação e a redução da jornada. por acúmulo de ação laboral superior à suportável (. Não é favor” Sonia Mascaro Nascimento: “Importante se ressaltar que para se ter o dano existencial necessário se faz a comprovação do prejuízo e o nexo de causalidade com a conduta. como na Inglaterra (1847). com a obtenção da chance pretendida. Áustria (1885). nacional e internacional. em virtude do alto nível de desemprego que ocorrera logo após a 2ª Guerra Mundial. lutar em igualdade de condições. mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. Em virtude do labor em jornada excessiva. talvez. que servirá de fundamento para as ações trabalhistas que tenham por objeto o pedido de reparação por dano existencial. 7º — São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais.. por si só. As trade-unions (sindicatos) lutaram por uma jornada de trabalho de oito horas. terá o autor da ação que comprovar de forma inequívoca que. Assim. Por que somente agora está se falando tanto em direito existencial (projetos de vida) do trabalhador? Qual é a causa? LTr . facultada a compensação de horários e a redução da jornada. resultando conquistas muito importantes para a classe trabalhadora.” Um pouco de norma jurídica brasileira A Constituição Federal de 1988. dispõe: Art. o que é impossível. a não concessão de férias por longo período ou a sobrecarga de horas extras para além do limite legal de forma reiterada. Neste cenário. Ainda que não reproduzido o instituto jurídico da jornada de trabalho na sua inteireza.. 4) ordem familiar (tempo de convivência com os entes queridos).. É direito..

teremos um modelo em que qualquer violação por parte do empregador. 57. ou não. mesmo que trabalhando em jornadas excessivas. como forma de punição ao empregador. PASCAL. Está evidente que. mas. nestas condições. Quanto maior o ganho financeiro do empregado. maior o interesse dele em continuar ajustando condições de trabalho que violam direitos que ele.Não vai aqui nenhuma pretensão em dizer que danos não devam ser reparados. por pressão e/ou medo de perder o emprego e. Será esta a verdadeira essência e função do Direito do Trabalho? Vivemos numa constante dialética a respeito do equilíbrio da relação jurídica entre empregado e empregador. Jorge Cavalcanti. 1996. 1996. sai ganhando porque o risco é calculado. Filosofia do Direito. BOUCINHAS FILHO. não poderia dispor. 125 . REALE. Miguel. ALVARENGA. como titular. poderá refletir nas ques- LTr . Se permanecer a cultura de que a violação dos direitos dos trabalhadores seja reparada com quantias em dinheiro. In Miguel Reale. Blaise. função e essência do Direito do Trabalho. Filosofia do Direito. os interesses econômicos na relação jurídica entre empregado e empregador. mesmo que condenado a pagar indenização por dano existencial. como adicional de horas extras muito superior a 50% (acordo coletivo e convenção coletivas de trabalho). Sabemos que na maioria dos casos. Editora Saraiva. O empregador.com. pagamento de férias em dobro. este deverá “pagar” pelo prejuízo causado. Editora Saraiva. Ano X. Bibliografia NASCIMENTO. os empregados se sujeitam a trabalhar em jornadas excessivas.Jornal do Congresso tões de ordem existencial do trabalhador. São Paulo. o que tem prevalecido é o entendimento na não flexibilização. Trata-se do famoso “ganha-ganha” no mundo dos negócios. Dano Existencial requer prova de prejuízo e nexo causalidade.br/2014-mar-18/ sonia-mascaro-dano-existencial-requer-prova-prejuizo-nexo-causalidade>. São Paulo. <http://www. cada vez mais. Este modelo servirá de fundamento para manter vivo o círculo vicioso das relações trabalhistas entre empregado e empregador. na prática. Sonia Mascaro. n. fica estimulado pelo aumento em seu orçamento. Dano existencial e o Direito do Trabalho. e a tendência nos tribunais de arbitrar indenizações por dano existencial. Rubia Zanotelli de. ou não gozar férias regulares. e isto está fomentando. Revista Magister de Direito do Trabalho. vale o mesmo raciocínio. as normas trabalhistas. Para o instituto das férias. a cultura jurídica criada é de que a reparação da lesão do direito sofrida pelo empregado. como dito anteriormente. O empregado. Le Mystère de Jésus.conjur. e o embate maior está em flexibilizar. ainda que objetivamente desproporcional. Trata-se de uma modalidade de ganha-ganha que é totalmente contrária aos princípios. seja em dinheiro. justificada pela desproporção objetiva entre os sujeitos.

O contrato a termo tem como uma de suas características a ciência. 185/2012. pelas partes. Advogada. viabilizando a ruptura do contrato por ato unilateral do empregador. Observa-se. quer pela alteração das condições pessoais ou contratuais. (Redação dada pela Res. 196 da SBDI-1 . não configurando situação de dispensa arbitrária ou sem justa causa. arbitrariamente ou sem justa causa. de origem constitucional. mesmo na hipótese de admissão mediante contrato por tempo determinado. do ADCT. como pode se observar através da antiga redação do item III da Súmula n. conforme o caso (Súmula n. A estabilidade pode ser definitiva ou provisória. II. quanto ao tema. sendo esta de duração determinada no tempo e conferida ao trabalhador em virtude de uma circunstância pessoal ou contratual. Professora de Direito do Trabalho na Universidade de Fortaleza (UNIFOR). 244.2000)”. houve alteração jurisprudencial. uma mudança na jurisprudência e legislação pátrias. inciso II.2012) LTr .Jornal do Congresso .inserida em 8. 244 do TST: “A empregada gestante tem direito à estabilidade provisória prevista no art. visto que a extinção da relação de emprego. Nessa situação. há a estabilidade conferida à “empregada gestante. 1. Nesse diapasão. b do ADCT. Dentre as modalidades de garantias provisórias de emprego. 10. há prefixação do dia em que se extinguirá a eficácia do contrato. 10.Estabilidade Gestante: gravidez no curso do aviso prévio Sandra Mara Freitas Alves Mestre em Direito Internacional pela Universidade do Arizona — James E. em face do término do prazo. 244: “Não há direito da empregada gestante à estabilidade provisória na hipótese de admissão mediante contrato de experiência. A partir da confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. Especialista em Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho pela Universidade Candido Mendes. Rogers College of Law. o termo final do contrato por prazo determinado resta postergado para o momento em que se verifica o término da garantia provisória de emprego. desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto”. Uma vez cessada a condição ensejadora da estabilidade provisória. Assim.11. Portanto. o empregado. A efetivação da dispensa sem justa causa é ato nulo. I do TST). conforme estabelece o art. não haverá mais a garantia de manutenção do vínculo empregatício. DEJT 25. A referida estabilidade provoca alguns questionamentos.9. n. havia o entendimento de que o termo final dos contratos por prazo determinado não poderia ser protraído em virtude de aquisição de estabilidade. fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa da empregada gestante. conforme disposição legal. dentre os quais. o termo final do contrato implicaria na extinção natural do vínculo empregatício. É o que nos informa a atual redação do item III da Súmula n. a aquisição de estabilidade quando a gravidez ocorre no curso de um contrato a termo e durante o curso do aviso prévio. No entanto. alínea b. só haverá extinção do vínculo empregatício nas hipóteses legalmente autorizadas. 126 Esse era o entendimento do Tribunal Superior do Trabalho. autorizando a reintegração ou a indenização correspondente ao período de estabilidade. Gravidez no curso de um contrato a termo A estabilidade é instituto jurídico que impõe limites ao poder potestativo do empregador de dispensar. ou seja. (ex-OJ n. Introdução 2. do momento de extinção do vínculo. quer pelo decurso de sua vigência. não constitui dispensa arbitrária ou sem justa causa. passando o TST a adotar o entendimento de que a ocorrência de gravidez no curso do contrato a termo implica em aquisição de estabilidade.

a identifi-se a integração desse período ao contrato de 227 da CF/88. porque a superviniência de gravidez do prazo estabilitário. Maurício Godinho. 11. 2007. CF). não haja impedimento para a rescisão do p. Alice Monteiro de. todos problemas direitos traTal princípio pressupõe uma visão social do sistema do qualdosetrabalho. Conclusão corporação de novos procedimentos.232/2005: Oportuocorre no curso do aviso confere à ges. como posto no art. tação mais consistente analisada a luz da principiologia constitucional. ao vínculo de emprego. Jurisprudencial n. Assim. quaisquer não sóperca o emprego. garante à empregada gestante a DELGADO. in fine. que o prazo estabelecido. O Processo do Traria(4)vínculo ressalta de que “cabe a uma magistratura com um coemprego. reconhecer que a meraInapliOdo princípio da finalidade social não só é compadez ocorra durante o vínculo empregatício. decisão deconcretização dispensar arfundamental a todos os brasileiros 5º. Luis Fernando Silva de. de imeParece razoável entender que.812/2013 acrescentou o art. 10. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias”. a argumenjustrabalhista essetal desiderato. São Paulo: MÉTODO. José Eduardo (Org. do contrato trabalho pela parte que decide O intérprete não deve se quedar inerte diante da dos legisladores e diante dos percalços da inSob o prisma desse princípio. que durante o prazo do aviso prévio trabalhado ou indenizado. Bibliografia 12. 101-102. ou seja. Por essa razão. São Paulo: Ática. portanto. Lei n. Curso de direito do trabalho. 2º. vem conferir (art. Consiconcretizar o espírito dos comandos constitucionais. A condição essencial para que a 3. justa causa a empregada nal Superior do Trabalho. quando o próprio legislador não o fez. 5. Curso de direito do trabalho. Essa garantia de não visa apenas à a Emenda Constitucional n. BARROS. 2014. In: CHAVES. FARIA. pois a legislação visa assegurar “A data de saídaNesse a serviés anotada na interCTPS os Magistrados e os Advogados para que a sociedade reito Processual do Trabalho. após O método de colmatação lacunas. no curso do aviso prévio protrai o termo do conEsse entendimento passou a ser adota. São Paulo: LTr. à gurou a razoável duração do processo como direito dos princípios do Processo do Trabalho com a redação § 1º. O aviso prévio é o instituto jurídico através acoplaosao contrato. tude de concepção ocorrida no curso do avisono princípio constitucional da razoável duração do proSe numa infraconstitucional aplicabiatravés do análise pré-aviso. LXXVIII. Orientação Numa interpretação pós-positivista os princípios constitucionais irradiar sua aplicabiliEnfim. Reforma e efetividade. datorna-se que o aviso prévio sejaquando indenizado. sobretudo. CLT). derando que o aviso prévio não põe fim.trato para a data final do período estabilitário.nunca dições básicas de sustento do nascituro. José Eduardo. 6. o contrato continua a produzir efeitos legais durante o período do pré-aviso. pela partea partir que deseja extin. estabelecer restrições a direitos.te e credor O atual noalimentar sentido de de entendimento bens de natureza — confeum prodos àcisão responsabilidade de reformular das próprias (5) cesso mais ágil e eficaz contradições sociais os conceitos e tipificantes dos .dos plenamente. não restrigiu a aplicação da estabilidade da gestante aos contratos por prazo determinado. como. ainda que indenizado”. só podendo se efetivar a dispensa após o decurso contrato. 13. gui-lo. A aplicação subsidiária art.desobretudo. cação subsidiária do art.Jornal do Congresso 127 . Aquisição de estabilidade gestante no curso empregada faça jus à estabilidade é que a graviaviso prévio É forçoso. busca da pelo verdadeira efetividade deve é risco a ser aassumido empregador (art. Vólia Bomfim. II. Direito do trabalho. 45/04. tas. Ainonais justrabalhistas. 475-J do Código de Processo tível com o novo dispositivo do Código de Processo dene no deProcesso dúvidasdo que o prazonão doserá aviso prévio para se Civil Trabalho a solução Civil como é justificador de sua aplicação subsidiária. 82devem da SDI-1: dade a todos os subsistemas. mas apenas manifestação formal do desejo de extinguir o contrato em momento futuro. conferir conpretações dadas à legislação infraconstitucional devem a esperança que terá seus direitos tutedeve corresponder à do término do prazo do avi. b do ADCT) não fez qualquer restrição acerca da modalidade contratual. in verbis: “A confirmação do estado de gravidez ad. lados pelo Poder Judiciário.). 2014. atravésdo daprocesso. A Lei n. 1997. mas. posicionou o Tribututela nascituro. e nos princípios constitucilidade da multa do art. passo adiante. ainda LTr . mas. ed. Luciano Athayde. 2010. vindo no curso do contrato de trabalho. Assim preceitua o referido artigo. São Paulo: LTr. ed. por ocasião comunicação da dispensa Direito e Justiça: a Função Social do Judiciário. Ordem legal X Mudança social: a crise do (5) CARVALHO. se a gravidez diato. integra o contrato para todos os efeitos. O aviso prévio não implica em fim da relação empregatícia.cesso prévio. após a comunicação da resbalho deve oferecer ao seu jurisdicionado-hipossufiennhecimento multidisciplinar e poderes decisórios ampliado contrato. Direito Processual do Trabalho: tante o direito à garantia provisória no emprego. formaliza a comunicação rescisão balhistas. 475-J do Código de Processo lo. pode ajudar a processualística efetividade ao princípio da proteção integral à Civil já é admitida por inúmeros autores. entretanto. estabilidade provisória prevista na alínea b do inciso II do art. pela qual se assecação da omissão celetista e a percepção da coerência trabalho. para terminaçãoa do víncu. São Paulo:legal LTr. 9. do novodo dispositivo sãoAum meio de dos princípios destacados bitrariamente ou semacima. so prévio. torna-se irrelevan(4) FARIA. 249-275. fundamentada Conclui-se. rir a garantia da estabilidade provisória em do virsistemas legais vigentes”. até o decurso dofechados prazo do aviso prévio. por exemplo.CASSAR. In: prévio. ocasionando alteração do Texto Celetista. LXXVIII. 391-A à CLT. 475-J do Código de Processo Civil. mas será um direito. Eduardo Faextingui-lo. Assim se(art. principalmente. processual valorizando mais asdaquestões a aquisição dojáreferido de justiça do que de os problemas de legalidade. de maior efetividadeda no cumprimento das sentenças trabalhiste que. do pelo legislador infraconstitucional. asseguramaternidade aealcançar à criança. Há a obrigação deJosé manutenção do letargia 4. não cabe ao intérprete. 5º. p. o Ditornar-se um objetivo comum principalmente dentre caput da CLT).deo concretização que justifica. proteção objetiva da gestante. consolidando a máxima proteção à maternidade. para todos os efeitos legais (art. ed.nidade judiciário e a formação do magistrado.A Constituição de 1988 ao estabelecer relevante proteção à maternidade (art. trabalhado ouCF) indenizado. 487.

7ª ed. (1) HOBSBAWM. os Estados. Advogado. Professor Assistente no Grupo de Pesquisa: Desregulamentação do Direito. a quarta globalização. da segurança e do poder que ela oferece. do Estado e Atividade Econômica: enfoque laboral na PUCPR. coincide com as grandes descobertas dos séculos XIV e XV. Fazemos (*) COULANGES. p. p. Tradução Portuguesa.7º Painel A MODERNIZAÇÃO DO DIREITO E AS NOVAS DIMENSÕES PARA O ACESSO AO JUDICIÁRIO Ronald Silka de Almeida Mestre em Direitos Fundamentais e Democracia pela UniBrasil. modificassem o seu modo de observar o mundo e também alterou de forma crucial as re(3) A globalização está dividido em quatro fases: a primeira. algo do nosso ser a modificar-se de século em século: a nossa inteligência.Jornal do Congresso . 6. Neste contexto a história informa a ocorrência do fenômeno denominado globalização tecnológica(3) que. A comparação é um exemplo da dimensão que a tecnologia vem assumindo em nossas vidas. porém. a sociedade. Livraria Clássica Editora. a sociedade cristã temia o Juízo final. ambos pela PUCPR. 2008. aparece na segunda metade do século XIX. Nossas fronteiras deixaram de esbarrar nas fronteiras do tempo e do espaço graças ao e-mail e das redes sociais. graduado pela Faculdade de Direito de Curitiba. (2) Imaginava-se que com a mudança de calendário em razão da alteração do milênio os computadores iriam paralisar suas operações. nem só da força. “As grandes transformações que de tempos a tempos aparecem na constituição das sociedades não podem ser o efeito nem do acaso. 128 parte de um mundo deslumbrado com os avanços tecnológicos da eletrônica e da informatização. Nações e Nacionalismo desde 1780. Anna Maria Quirino. Se as leis da associação humana já não são as mesmas que foram as da antiquidade. Fustel de. Porto: 1950. LTr . as empresas. após as guerras napoleônicas e determina a supremacia do liberalismo sobre o mercantilismo e está associada à Revolução Industrial em que surgiram as primeiras noções de relação de trabalho. a razão está em que no homem alguma coisa se transformou. Nunca estivemos tão fascinados pela tecnologia e tão dependentes do conforto. que findou com a feudalização política e comercial. os homens voltaram a temer o Apocalipse. Eric J. fez com que as pessoas. o trabalho é desenvolvido em qualquer lugar e em qualquer hora. efetivamente transformou o planeta em uma grande aldeia global. mas a tecnológica o bug do milênio(2). Membro Diretor da AATPR. a ameaça. fato este que efetivamente não ocorreu. Rio de Janeiro: Pás e Terra.” Fustel de Coulanges(*). Deus espalharia sua ira sobre o mundo na forma de morte e destruição. Um milênio depois. A cidade antiga: estudo sobre o culto. a terceira. o direito e instituições da Grécia e de Roma. que se tem conhecimento foi a do Império Romano. efectivamente. que propiciaram grande avanço do comércio internacional. 159. A causa que as produz deve ser poderosa e devendo residir no próprio homem. Segundo registros históricos na passagem de 999 para o ano 1000. fenômeno contemporâneo resultado do desenvolvimento dos mercados e também em razão do expressivo avanço tecnológico (informática e eletrônica). não era mais a divina. Tradução: Maria Célia Paoli. a segunda. Especialista em Direito do Trabalho e em Formação Pedagógica do Professor Universitário. estão vinculadas às notáveis inovações tecnológicas nos instrumentos de navegação. até porque ela nunca foi tão visível e onipresente. uma onda de terror se espalhou pelo mundo medieval(1). Levada por crenças religiosas. Temos.

5º Todos são iguais perante a lei. rev. 839. Neste ponto é de se observar que não há o que se falar em prejuízo do jurisdicionado ao direito de acesso ao judiciário conforme preconiza LTr . mandados.] XXXIV — são a todos assegurados. não se pode confundir o acesso à justiça com o acesso à visualização das peças processuais. srre. O que se tem observado na realidade é uma verdadeira restrição em relação à consulta processual que era efetuada de forma plena a todas as peças processuais.br/ccivil_03/constituicao/ constituicaocompilado. (ressalvados os casos de segredo de justiça) pelas pessoas que não eram partes integrantes do processo e que hoje já não é possível ficando estritamente restrita aos advogados que portam certificação digital. por José Eduardo Duarte Saad. Ana Maria Saad Castello Branco. 839 — A reclamação poderá ser apresentada: a) pelos empregados e empregadores. notificações e sentenças) é que ocorreu um aparente desafogo no trâmite das atividades das secretarias das varas em razão de que advogados e partes não mais necessitam de se dirigirem ao foro para se inteirarem do andamento do processo e realizarem algum procedimento. de plano o que se observou em relação a adoção de sistemas eletrônicos de petição e inclusive para a realização das atividades jurisdicionais (audiências. às partes a consulta fica restrita a meras informações de andamento processual. Acesso em: 2 mai. e-proc. é que têm efetivo acesso ao conteúdo dos processos. nos termos seguintes: [.htm>. escritório digital. O sistema Judiciário brasileiro vem. precad. edoc2.Jornal do Congresso a garantia constitucional insculpida no artigo 5º. nos casos em que ocorria o jus postulandi a parte sempre teve de se dirigir pessoalmente ao órgão judiciário mais próximo de seu domicílio para ter conhecimento do andamento do processo. atual. o acesso se dá através dos mecanismos oferecidos pelo próprio judiciário que acompanha e orienta o cidadão. spe. p. 47ª ed..” SAAD. procuradores das partes. à segurança e à propriedade. 129 . Entretanto. para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal. e ampl. tentando acompanhar as evoluções tecnológicas para em prol de uma melhor racionalidade dos procedimentos minimizar os efeitos de uma demorada entrega jurisdicional. 1122. ou por seus representantes. tão somente os advogados. São Paulo: LTr. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. pessoalmente. posto que para o exercício do jus postulandi independe de a parte possuir ou não conhecimentos e disponibilidade de aparelhos e sistemas de informática. sem restrição. e pelos sindicatos de classe. à igualdade. de forma árdua.” Disponível em: <http://www. e-doc. fato este que não lhe fora retirado com a informatização dos sistemas processuais. da CLT(5). bem como possuir um certificado digital. entre outros e culminando com o PJe — Processo Judicial Eletrônico que vem sendo instalado paulatinamente em todo o território nacional. 2014. sem distinção de qualquer natureza.lações de trabalho e a necessidade de uma constante atualização de normas e de mecanismos tecnológicos. Incisos XXXIV e XXXV(4). à liberdade. Em segundo. independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder. Nunca é (4) CRFB — “art. ou seja. Consolidação das Leis do Trabalho: comentada.planalto. posto que mesmo quando inexistia o sistema informatizado de consulta processual. XXXV — a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. b) por intermédio das Procuradorias Regionais da Justiça do Trabalho. em primeiro lugar assim como ocorreu uma explosão tecnológica a partir da década dos anos 1980. Eduardo Gabriel. A sistemática normativa indica que à parte basta se dirigir ao órgão de primeiro grau para apresentar as suas razões ao judiciário conforme preconiza o disposto no art. 2014. Entretanto.gov. projudi. pode-se dizer sem sombra de dúvida criou-se uma verdadeira babilônia de sistemas operacionais: provi. alguns aspectos devem ser levados em conta nesta difícil tarefa de atualização tecnológica do sistema judiciário brasileiro. entrementes diante da exigência de: a) possuir um computador com os sistemas mínimos exigidos para a leitura dos arquivos judiciais. Porém um aspecto relevante deve ser observado conforme citado anteriormente as partes e procuradores não necessitam mais ficarem se deslocando até o foro para terem notícias do andamento do processo que lhes interessa. (5) CLT — “Art. b) ser portador de uma chave eletrônica representada pelo Certificado Digital. o que ocorre na realidade é uma restrição à publicidade dos atos. sisdoc. b) a obtenção de certidões em repartições públicas.. os Tribunais pátrios no afã de se atualizarem criaram seus próprios sistemas.

permitiria a visualização e acesso aos autos a qualquer momento. da Constituição Federal da razoável duração do processo. mas nem por isso deve-se deixar de observar as regras basilares de segurança e acessibilidade ao processo de forma a dar efetividade à atuação judiciária. enfim. seja permitindo melhoria nos meios de comunicação entre as pessoas. a verdade é que uma implementação autoritária do processo eletrônico pode trazer LTr . Introdução A evolução científica e tecnológica é inerente ao ser humano e todos temos. A modernização dos sistemas se faz necessário para uma melhor agilidade das atribuições do judiciário. Entendemos que com a unificação de sistemas e de procedimentos e até mesmo com a atualização de normas processuais adequadas ao processo do trabalho se estará no caminho da tão almejada entrega jurisdicional que passará a ocorrer de forma efetiva e quiçá atendendo-se ao princípio fundamental insculpido no artigo 5º. Efetividade esta que deve se concretizar através de uma participação mais ativa do judiciário através da concretização de instrumentos. o processo trabalhista ainda assim tem o impulso oficial através do juiz. dada a desnecessidade de juntada de documentos. Procurador do DMAE de Uberlândia/MG. descabe enumerar as incontáveis benesses que os avanços no mundo dos computadores trouxeram para o mundo das pessoas. qual seja a unificação e melhoria dos sistemas para um pleno acesso do jurisdicionado. sempre sendo necessário alguns ajustes em face das constantes alterações nos sistemas informatizados.Jornal do Congresso .demais lembrar que mesmo no caso de se utilizar o jus postulandi e a parte não ter qualquer noção da sistemática processual. 1. etc. pois traria economia de papel. No âmbito específico da informática os avanços tem sido grandiosos e muitos benefícios têm proporcionado à humanidade. seja proporcionando um maior acesso às informações. já há muito tempo. como por exemplo a simultaneidade de emissão de documentos notificações e citações através de um único procedimento. PROCESSO ELETRÔNICO E ACESSO AO JUDICIÁRIO Hugo Cesar Amaral Bacharel e especialista em Direito Constitucional pela Faculdade de Direito da UFU/MG. O processo eletrônico no âmbito trabalhista sem sombra de dúvida trouxe uma agilização aos trabalhos dos profissionais que atuam nesta área. Advogado. 130 O universo dos profissionais do direito igualmente não poderia deixar de ser beneficiado pelos avanços da informática e referidos avanços estão a culminar no chamado processo eletrônico. sendo igualmente eletrônicos todos os demais atos processuais praticados. em que pese ainda não estar totalmente adequado ao processo do trabalho. através do qual se pretende a substituição dos autos de papel por arquivos virtuais e eletrônicos. Embora à primeira vista possa parecer cercado de vantagens o dito processo eletrônico. colhido os frutos dos avanços que a inteligência humana tem colocado à nossa disposição. em tese daria rapidez ao trâmite dos processos. LXXVIII.

2012. 131 . 5º. mas sim que a forma como o mesmo vier a ser implementado poderá dificultar o acesso ao Judiciário estando. Faltante este cadastro. temos que melhor atende ao espírito do amplo acesso ao Judiciário que um sistema repleto de exigências técnicas que dificultarão o simples ato de propor uma ação. 115. e é essa a sensação que se depreende (1) Cumpre aqui citar. do TRT da 3ª Região: “As petições. em “Comunicação eletrônica dos atos processuais: breve balanço dos cinco anos de vigência da Lei n. 11. sendo que o acesso ao peticionamento eletrônico de regra é sujeito a obtenção de certificações digitais e aquisição de aparelhos a onerar ainda mais o labor do causídico. seja pelos custos que estão agregados ao uso do processo eletrônico (certificações. Numa análise não aprofundada da questão da adoção do processo eletrônico pode passar despercebida eventual colisão da sistemática que se queira implementar com o direito fundamental em questão. (2) Se a um jovem advogado o processo eletrônico pode trazer dificuldades imaginemos a uma pessoa idosa. tem à sua disposição.prejuízos aos jurisdicionados. por operação. Em nosso país os serviços de Internet são precários e sobretudo onerosos. de 20 folhas impressas ou 40 páginas. 11. a título de exemplificação da complexidade inerente ao sistema. Revista do Advogado. o processo eletrônico demanda recursos de informática que nem todo jurisdicionado e mesmo nem todo advogado. a adoção do processo eletrônico quando se impede. Conclusões O processo eletrônico pode trazer efetivamente inúmeros benefícios à Justiça brasileira. abr. AASP. concomitantemente à sua implementação. Em nome da modernidade se está a ferir um direito fundamental. inábil a manusear os recursos de informática.Jornal do Congresso alta velocidade etc). Processo eletrônico e acesso à Justiça Nossa Constituição Federal. Melhor explicando. o art. Esta situação fulmina o direito ao acesso à Justiça para aquele causídico e para aquela parte(2) que não tenha se desincumbido das inúmeras e complexas exigências para a utilização do processo eletrônico. exigindo-se prévio cadastro no mesmo. 3/2006. Inquestionável a inconstitucionalidade!(3) 3. Nos preocupa. insculpido em nossa Carta Política de 1988 em seu art.419/2006 prevê que o procurador deverá ser intimado e citado virtualmente em um portal especifico. 2. seja pela complexidade inerente ao uso do sistema(1). a ferir os dizeres do sobrecitado inciso XXXV. Ocorre que o direito ao acesso ao Judiciário não há de ser concebido apenas quanto à possibilidade de a pessoa lesada ou ameaçada de lesão em seu direito poder bater às portas da Justiça. conforme for a localidade em que atua. respeitado o limite de 2 megabytes. 5º. atingindo pela via direta o direito fundamental do acesso ao Judiciário. p. sequencialmente. A citada norma constitucional assegurou o direito fundamental do chamado acesso à Justiça. Uma tese despretensiosa como a presente não esgotaria a apreciação das possíveis inconstitucionalidades que rondam o processo eletrônico. 69-76. inciso XXXV informa que a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário a lesão ou ameaça a direito. (3) As ponderações são de Heitor Vitor Mendonça Sica. no canto inferior do lado direito”.419/2006. entretanto sua adoção há de ser parcimoniosa. Adiante melhor desenvolveremos nossas ideias. n. nestas circunstâncias. inc. apenas serão aceitas em formato PDF (Portable Document Format). utilizando-se frente e verso. em seu art. acompanhadas ou não de anexos. 2º da Instrução Normativa n. internet em LTr . no tamanho máximo. Limitar-se o acesso ao Judiciário à via eletrônica. mas a título de ilustração a Lei n. a parte não tomará conhecimento do ato e sofrerá as consequências processuais disto. sendo que as páginas deverão ser configuradas para papel tamanho A4 (210x297 mm) e numeradas. sobretudo. Ainda que o peticionamento em papel possa parecer algo arcaico. XXXV. efetivada paulatinamente e não se vedando a utilização do peticionamento em papel para a parte e para o causídico que assim o desejar. Não está se falando que o processo eletrônico impedirá o acesso à Justiça. o uso do “vetusto” peticionamento em papel.

o Diagilidade e da economia. In: FARIA. a argumentação torna-se mais consistente quando analisada a luz da principiologia constitucional.Civil já é admitida por inúmeros autores. Judiciário. nos soaa até adequado. (5) CARVALHO.232/2005: Oportunidade de maior efetividade no cumprimento das sentenças trabalhistas. José Eduardo. recanto aondeemilhões de brasileiros dos princípios do lídimas Processopretensões do Trabalhode com a redação direcionam suas justiça. Direito e Justiça: a Função Social do Judiciário. após a Emenda Constitucional n. In: CHAVES.Jornal do Congresso 132 lados pelo Poder Judiciário. Luciano Athayde. 101-102. LTr . Luis Fernando Silva de. 45/04. 5º. a identifi- cação da omissão celetista a percepção da coerência Judiciário.Jornal do Congresso . p.). São Paulo: Ática. pela qual se assedo rápido avanço do PJe. busca da verdadeira efetividade deve tornar-se um objetivo comum principalmente dentre namento em papel nos soa. indiscutivelmente gurou duração do processo comoaodireito ferea orazoável direito constitucional ao acesso Poder fundamental a todos os brasileiros (art. da princípiosOconstitucionais devem irradiar sua aplicabilidade a todos os subsistemas. nunca perca a esperança de que terá seus direitos tute- (4) FARIA. O método de colmatação de lacunas. 1997. por exemplo. José Eduardo (Org. principalmente. São Paulo: LTr. data máxima vênia. a princíAdotar-se o processo Numa interpretação pós-positivista do processo. CF). como. sob o argumento da modernidade. 11. do novo dispositivo são um meio de concretização dos princípios destacados acima. Nesse viés quaisquer interdades e imperfeições que dificultam o acesso ao pretações dadas à legislação infraconstitucional devem concretizar o espírito dos comandos constitucionais. p. Abolir-se o peticioEnfim. Ordem legal X Mudança social: a crise do judiciário e a formação do magistrado. Lei n. Direito Processual do Trabalho: Reforma e efetividade. os PJe. LXXVIII. os Magistrados e os Advogados para que a sociedade beirar à ofensa ao texto constitucional. 249-275. onais justrabalhistas. pio. 97 LTr . 2007. pode ajudar a processualística justrabalhista a alcançar esse desiderato. está a esconder dificulreito Processual do Trabalho. eletrônico.

desde que citada a fonte.JORNAL DO CONGRESSO Expediente Os conceitos e opiniões emitidos nas teses e colaborações aqui publicadas são de inteira responsabilidade de seus autores. 749 Assistente de Redação: Sonia Regina da Silva Claro Composição a laser LINOTEC . É permitida a reprodução total ou parcial de qualquer matéria desta publicação. Redator Responsável: ARMANDO CASIMIRO COSTA DET N.

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