JORNAL

54º CONGRESSO BRASILEIRO DE
DIREITO DO TRABALHO

ÍNdice das teses
painéis do congresso
1º Painel
A teoria do domínio do fato, do Direito Penal
é aplicável ao Direito do Trabalho?
BOSKOVIC, Alessandra Barichello
— O direito de greve no Brasl: Condições e limitações....................................................... 7
MAGALHÃES, Aline Carneiro
OLIVEIRA, José Ourismar Barros de
— O acidente do trabalho e a análise da aplicabilidade da teoria do domínio do fato na
seara juslaboral............................................ 9

2º Painel
Terceirização de serviços
MARTINIUK, Daiane
DISSENHA, Leila Andressa
— Cooperativas de trabalho: Análise jus administrativa — Licitude e desvirtuamento...... 12
MELO, Tatiana Guedes
— Apontamentos sobre terceirização de serviços: Eficiência ou lucratividade da empresa
no mundo concorrencial e reflexos nas relações de trabalho........................................ 14
FERREIRA, Teresinha Soares Abreu
— Terceirização de serviços............................. 17
PELEGRÍNI, Mári Ângela
— Responsabilidade na terceirização — O ovo
de Colombo................................................. 19

3º Painel
Acidentes do trabalho — Responsabilidades
AMARAL, Hugo Cesar
— A lesão estética e a reparação de natureza
moral e material: Uma tentativa de esclarecimento........................................................ 33
LOPES, Emanoel Alesandro da Cruz Sampaio
— A reiteração de acidentes de trabalho e a relação com culpa e o nexo causal.................. 35
CHARÃO, Anderson Pereira
— A impossibilidade de cumulação entre o
dano moral e o existencial........................... 37
GONÇALVES, Tiago de Araújo
DISSENHA, Leila Andressa
— Dano moral e dano estético: Natureza jurídica e possibilidade de cumulação.............. 39
MUÇOUÇAH, Renato de Almeida Oliveira
— O labor na lei de execução penal e os acidentes do trabalho: Breves questões............ 42
ARAÚJO, Maria Gilda de Freitas
— Qual a responsabilidade do empregador por
acidentes causados por terceiros?................ 45
BECK, Carolina
— O meio ambiente do trabalho sadio e equilibrado: Um direito fundamental e humano
do trabalhador............................................. 47

4º Painel
A arbitragem trabalhista

BARBOSA, Magno Luiz

CHAGAS, Bruno Anunciação das

— Terceirização, efeitos nocivos ao trabalhador e impactos na duração do trabalho....... 27

— A arbitragem trabalhista e a experiência
canadense.................................................... 50

MAXIMILIANO, Ana Maria

DISSENHA, Leila Andressa

VILLATORE, Marco Antônio César

GONÇALVES, Tiago de Araújo

— É necessária a regulação da terceirização de
serviços?...................................................... 30

— Conciliação judicial trabalhista: Técnica e
excelência.................................................... 53

LTr - Jornal do Congresso

3

.... 90 SILVA........................ Aline Carneiro — Breves notas sobre o dano existencial.. Leda Maria Messias da INOJOSA.....MASSONI..... 9................. Lucas Rafael de Menezes — Empregado doméstico e ônus da prova da jornada de trabalho.............................................. 87 da OIT.. Maíra Neiva — Pequenas reflexões sobre a democracia sindical.. Igor Zwicker — O retrocesso social na redução da base de cálculo do adicional de periculosidade dos eletricitários........... Emanoel Alesandro da Cruz Sampaio — Assédio processual............. 73 GOMES..................307/96) na resolução de conflitos individuais trabalhistas......... Adriano Jannuzzi MAGALHÃES.... 114 da Constituição Federal.......................... o pluralismo e a necessidade de emergência das singularidades.. Robson Luiz de — Reestruturação do mundo do trabalho: A organização do estado e sua participação no financiamento dos sindicatos no Brasil.. Anne Helena Fischer PITONI........... André Luiz Ferreira — Não concessão de férias — Horas extras — Dano existencial.......... a Convenção n..... Sandro Lunard GACEK..... 82 4 LTr ............. Gabriel Henrique — A arbitragem e a duração razoável do processo trabalhista..........Jornal do Congresso . 77 MARTINS.... 67 FRANÇA................................ 93 — Mecanismos para garantir a liberdade de expressão no modelo sindical brasileiro......................... 64 NICOLADELI............... ainda que à luz do art.... Maíra Neiva — A organização sindical........................... 58 CECCON............ Cleyton Eduardo Todesco D.................. 56 GOMES.. Gilzana FERNANDES...................................... Janaina Aparecida do Nascimento Munhoz SANTOS......................... 106 BENTO........ 70 MASSONI.. 95 MOREIRA....... C.... Túlio de Oliveira SANTORO... inserta no inciso IX do art. Leonardo de Abreu SANTOS.......................... Túlio de Oliveira — Autoritarismos e falácias na defesa da unicidade sindical.... Igor Zwicker — O desafio brasileiro de manter uma magistratura forte e independente...................... Sandro Lunard — Democracia sindical: Elementos constitutivos do modelo brasileiro....... Camila S.................. 88 MARTINS... 32 da lei de licitações......... 62 5º Painel Liberdade sindical JOAQUIM.... 101 LOPES..... Stanley Arthur — Liberdade sindical no Brasil e a OIT: A questão da cláusula assistencial — do PN 119 ao caso 2739 — Uma dupla perspectiva.... 104 MARTINS.............. Manoella Rossi — A aplicabilidade da lei de arbitragem (Lei n.............. Flávio LIMA..... Igor Zwicker — Alcance da expressão “outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho”.... 98 MARTINS..... 109 — É possível defender a manutenção da unicidade sindical?........... Flávia Teles — Breves considerações sobre a convenção de arbitragem............................ 85 6º Painel Temas atuais KEUNECKE.................. — A quem incumbirá o ônus da prova da jornada cumprida em processos em que a litiguem o doméstico e seu empregado.............. MAIA....................................... Igor Zwicker — Indispensabilidade da CNDT nas contratações públicas por órgãos da Justiça do Trabalho....................... corolário do estado democrático de direito..... 75 NICOLADELI......

. 121 AMARAL...................... Luis Felipe Carneiro — Ônus da prova da jornada — Doméstico x empregador....................... 123 ALVES.... 114 MARTINS... Jéssica Chaves — A (im)penhorabilidade do bem de família na execução trabalhista e aplicação do princípio da proporcionalidade como solução........... Sandra Mara Freitas — Estabilidade Gestante: gravidez no curso do aviso prévio... Hugo Cesar LTr .... Igor Zwicker — O direito dos trabalhadores ao adicional de insalubridade quando há “mera exposição” a raios solares.... 128 — Processo eletrônico e acesso ao judiciário................................ 130 5 . Igor Zwicker — O falso serviço voluntário e a servidão disfarçada na lei geral da copa...... Ronald Silka de COSTA.. Noemia Galduróz — A busca da verdade sobre o dano existencial nas relações de trabalho........... 111 MALULY.....Jornal do Congresso — A modernização do direito e as novas dimensões para o acesso ao judiciário..... 116 COSSERMELLI.................................... 119 ALMEIDA................... 126 7º Painel O processo juducial eletrônico SANTOS....... Euseli — O tempo de concentraçao de um jogador deve ser considerado hora extra?.............................MARTINS...............

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8. a solução do conflito pela arbitragem. Tais limitações encontram-se disciplinadas no ordenamento jurídico brasileiro. art. p. O art. Foi com o advento da Lei n. estará também legitimado para a deflagração da greve. Coordenadora do curso de Especialização em Direito e Processo do Trabalho na Universidade Positivo. 49-51) elucida que: a negociação coletiva não teria por si expressão sem o correlato direito de greve. tem como condição da ação (além da condições da ação inerentes a todo e qualquer processo — possibilidade jurídica do pedido. não constitui requisito para o exercício da greve. art. 60) assevera que a frustração da negociação coletiva 7 . que Legislador pátrio efetivamente fixou os limites ao exercício do direito de greve (tal como requisitado pelo art. A ausência daquela torna ilícito o exercício deste. inclusive o de greve. de 28 de junho de 1989. O ajuizamento de qualquer dissídio coletivo. por sua natureza jurídica equivalente ao dissidio coletivo (heterocomposição). VII. tanto na esfera constitucional quanto no âmbito infraconstitucional. 114 da Constituição Federal. Registre-se que a via arbitral. portanto. a greve está diretamente relacionada com a negociação coletiva e nesse sentido é que ambas as figuras integram o campo maior dos direitos coletivos dos trabalhadores. o que significa que a proposta de arbitragem recusada pelo empregador tem o mesmo efeito da frustração da negociação. legitimidade das partes e interesse processual) a frustração da negociação coletiva. 7. Em se pretendendo compreender o funcionamento do direito de greve no Brasil. Advogada e Professora do curso de Direito na Universidade Positivo e na Faculdade de Educação Superior do Paraná (FESP). como uma condição para a utilização do direito à greve. Carlos Henrique Bezerra Leite (2000. Desse modo. 53): são hipóteses alternativas.Jornal do Congresso so reconhecimento das convenções coletivas de trabalho (CF. inclusive o de greve. já que bastaria a recusa empresarial em negociar e o pleito terminaria sem outras consequências. A negociação apresenta-se. p. 37. tanto que na redação da lei é “frustrada a negociação ou verificada a impossibilidade de recurso à via arbitral”.783. o expresLTr . p. confirma o caráter implícito da frustração da negociação coletiva para ajuizamento de qualquer dissídio coletivo. Amauri Mascaro Nascimento (1989. necessária é a análise das condições e requisitos para que sua ocorrência prime pela observância da legalidade. em seus §§ 1º e 2º. Advoga Nascimento (1989. da Constituição Federal). dentre outros. definidos pela Constituição. e não foi atendido. e (ii) aviso prévio ao empregador (ou organização empresarial). Se o sindicato dos trabalhadores demonstrar que propôs. Da Lei em análise pode-se observar que são dois os requisitos à legitimidade da greve no Brasil: (i) frustração de negociação coletiva ou impossibilidade de recurso à arbitragem. VI). XXVI) e obrigatoriedade de participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho (CF. 7º.1º Painel O DIREITO DE GREVE NO BRASIL: CONDIÇÕES E LIMITAÇÕES Alessandra Barichello Boskovic Doutoranda e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e Especialista em Direito e Processo do Trabalho pelo Centro Universitário Curitiba (2009).

Nesta seara. a Lei de Greve a descreve como a mera inobservância das normas nela contidas (art. Assim. 7. Ainda. §1º. o empregador simplesmente comparece ao local declinado pelo sindicato e diz que não pretende negociar. 14). da Carta Maior. contudo. 61) esclarece que a finalidade da notificação. ao passo que as limitações subjetivas dizem respeito aos abusos eventualmente cometidos. a prestação dos serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade. O mesmo ocorrerá quando a paralisação for motivada pela superveniência de fato novo que modifique substancialmente a relação de trabalho. 2º e 3º. também no que tange aos serviços essenciais. 13). assevera o autor. Existem limitações. durante o período de gre8 ve. como exemplo. o art. O primeiro deles é a regra geral. relacionamento com clientes e logística de mercadorias ou serviços) antes da paralisação. as quais podem ser de ordem objetiva ou subjetiva. Este dispositivo estipula que quarenta e oito horas antes da greve a entidade patronal ou os empregadores diretamente interessados deverão ser notificados sobre sua ocorrência. da Lei. convenção coletiva ou decisão da Justiça do Trabalho. A Lei de Greve (Lei n. 2000. p. Essa exigência da notificação prévia se faz legal para tornar inválida a “greve de surpresa”. em qualquer hipótese. Nestes casos. p. a greve não é um direito absoluto. a título ilustrativo. 6º. 10 do diploma em análise. Na primeira. há trocas de expedientes (cartas. que não caracterizará ela abuso de direito quando tiver por objetivo exigir o cumprimento de cláusula ou condição desrespeitada. o legislador tratou de estender a necessidade de notificação prévia também aos usuários do serviço que se pretende paralisar. o art. Em que pese seja considerada um direito fundamental. Leciona o autor: A recusa em negociar pode ser tácita. 7. empregadores e trabalhadores ficam obrigados a garantir. As limitações objetivas encontram previsão na Constituição Federal(1) e nas Leis ordinárias(2). De todo modo. Bezerra Leite (2000. que pode ser verbal ou escrita. (2) Aponta-se. 1989.Jornal do Congresso . Há que se ressaltar. no que tange à paralisação coletiva na vigência de acordo coletivo. p. bem como a manutenção da paralização após a celebração de acordo coletivo. basta que não se cumpra um dos dispositivos previstos na Lei para que já se configure o abuso no exercício do direito de greve. LTr . 3º. parágrafo único. convenção coletiva ou sentença normativa. apesar de não recomendável. estabeleceu o legislador a vedação à paralização total das atividades (art. ofícios etc. se não atendidas. §§ 1º. 67) destaca que o diploma legal em análise acabou por confundir o conceito de abusividade com o de ilegalidade. 11). 124). é conceder ao empregador um tempo mínimo para as providências que julgue necessárias (tais como o cumprimento de obrigações contratuais. Bezerra Leite (2000. na segunda. e refere-se às atividades consideradas essenciais pelo art. p. Nestes casos. mas estabelece os prazos para sua realização. Embora a doutrina conceitue abuso de direito como “o uso do direito para objetivos contrários ao seu fim” (NASCIMENTO. (LEITE. coloquem em perigo iminente a sobrevivência.pode ocorrer por recusa à negociação ou desacordo no curso dela. responderão os grevistas e/ou o sindicato por (1) Menciona-se. a comunicação em tela deverá ser efetuada setenta e duas horas antes do início das paralisações (art. para que possam eles tomar as providências alternativas que julguem necessárias enquanto durar o movimento grevista.783/89) não impõe a forma a ser observada pela notificação (assim. que se caracteriza pela ausência de resposta ao pleito sindical no prazo assinalado. O segundo requisito apontado à legitimidade da greve é a comunicação prévia. Para estas atividades essenciais. da Lei de Greve. assim consideradas aquelas que.783/89. O ordenamento jurídico brasileiro considera abuso no exercício do direito de greve a inobservância das normas estabelecidas na Lei n. O segundo prazo tem caráter excepcional. 9º.) entres as partes. a forma verbal é permitida). 66). ou aviso prévio. a saúde ou a segurança da população. ou expressa. prevista no art.

Referências MELLO. Luiz Eduardo. José Ourismar Barros de Oliveira Professor de Direito Penal e Criminologia.295 acidentes típicos.355 trabalhadores formais. n. São Paulo: LTr. . 1979.546 trabalhadores formais.474 acidentes do trabalho. 2008. Em 9 . LTr . os quais serão apurados.tst. 1989.560 acidentes fatais. 17. 2005. Especialista em Direito Penal e mestrando em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais. As estatísticas nos dão a dimensão de quão grave é a situação.2.jus. GUNTHER. sendo 424. ocorreram 709.2014. 4.207. In: Revista Síntese Trabalhista. Maildes Alves de.4.Jornal do Congresso De acordo com os Anuários Estatísticos de Acidentes do Trabalho do Ministério da Previdência Social e do Ministério do Trabalho e Emprego(4) nos últimos quatro anos(5) houve uma queda (4) Disponível em: <http://www. o que faz com que o Brasil ocupe a terceira posição dentre os países do G20 em quantidade de acidentes do trabalho. Advogada. ed.498 acidentes típicos.br/web/ trabalhoseguro/exposicao>. 2000. A greve no contexto democrático.quaisquer atos ilícitos ou crimes cometidos no curso da greve. (5) Em 2009. 82. LAVOR. podendo abarcar também o âmbito civil ou criminal. Porto Alegre. perdendo apenas para China e Índia. LEITE.jus. A greve como direito fundamental. São Paulo: LTr.365 acidentes do trabalho. Articulista e palestrante.2014.753 acidentes fatais. em um mercado com 41. Professora universitária.570 doenças do trabalho e 2. LEITE. abril/96. Porto Alegre: Síntese. João Antonio G. sendo 417. Comentários à lei de greve. Curitiba. Curitiba: Juruá. NASCIMENTO.068. Disponível em: <http://www. Francisco Osani de.(3) (3) Informação colhida no I Seminário Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho promovido pelo TST em 2011. Acesso em: 1º.br/web/ trabalhoseguro/entenda-os-numeros>.tst. Esta responsabilidade não se restringe à esfera trabalhista. A temática relativa aos infortúnios laborais não é nova e desde a época da Revolução Industrial é um grave problema não só trabalhista. O ACIDENTE DO TRABALHO E A ANÁLISE DA APLICABILIDADE DA TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO NA SEARA JUSLABORAL Aline Carneiro Magalhães Doutoranda e Mestre em Direito do Trabalho pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Em 2010. Carlos Henrique Bezerra. Princípios sobre greve. 19. Compêndio de direito sindical. Estudos de Direito do Trabalho e Direito Previdenciário. Pereira. com 44. mas. Porto Alegre: Síntese.177 doenças do trabalho e 2. social. Acesso em: 22. ocorreram 733. Assessor Jurídico do Ministério Público de Minas Gerais. Amauri Mascaro. 1980. A greve no Direito Positivo Brasileiro.

em que se utilizou a citada teoria para a incriminação dos superiores hierárquicos — dirigentes — do Partido dos Trabalhadores pelos atos cometidos pelos deputados membros do partido. Título original: “Täterschaft und Tatherrschaft”. em suas três esferas. publicada no ano de 2000 pela editora Marcial Pons (Madrid-Barcelona). Já no ano de 2011. 8.gov. isso em razão da severidade da pena do homicídio qualificado à época: pena de morte ou prisão perpétua. da CR/88) enquanto importante ferramenta de combate dos infortúnios laborais.br/ccivil_03/leis/ l8213cons. Mas antes de aprofundarmos.935 típicos. o número de acidentes típicos e fatais. assim entendida a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente. os comandantes do nazismo.Jornal do Congresso . acidente do trabalho típico é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho. entretanto. o número de óbitos foi majorado. econômicas.631 trabalhadores formais e ocorreram 711. 2009. Indenizações por 10 Neste contexto ganha relevo as discussões sobre a aplicabilidade da teoria do domínio do fato do Direito Penal frente aos acidentes do trabalho. (3) Na obra “Autoría y Domínio del Hecho em Derecho Penal”. Assim. A teoria é idealizada inicialmente por Hans Welzel (o pai do finalismo penal). Sebastião Geraldo de.167 acidentes típicos. do Direito Penal é aplicável ao Direito do Trabalho?” aproxima-se ao que o filósofo Umberto Eco chamou de “perguntas verdadeiras”. ainda.(2) comparação com o ano anterior. E. paulatinamente. Em comparação ao ano anterior. LTr .. permanente ou temporária. nos últimos anos.planalto. ed. 239 acidentes do trabalho. buscada por meio de ações do Poder Público. Como se perguntasse: “felicidade existe?” É impossível responder essa pergunta sem saber o significado de felicidade e também de existência. aumentou o número de trabalhadores formais.4. ou seja. mas. Acreditamos que a formulação dessa pergunta foi deduzida do que se vem discutindo atualmente sobre a teoria do domínio do fato com o julgamento pelo STF do caso “mensalão”. A quantidade de doenças ocupacionais apresentou queda. ampl.310.htm>. assim entendida a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e a doença do trabalho. doenças do trabalho e acidentes fatais. Diante do elevado número de acidentes do trabalho e seus deletérios efeitos — repercussões psicológicas. Domínio do fato significa apenas umas das formas de autoria. (rev. perguntas irrespondíveis.213/91. aumentou o número de trabalhadores formais e caiu o número de acidentes típicos e doenças ocupacionais.no número dos acidentes típicos(1). em especial do Judiciário Trabalhista (Programa Trabalho Seguro — Programa Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho) e através da busca da conscientização dos empregadores e empregados sobre o papel da prevenção (direito fundamental insculpido no art. Por exemplo. o mercado de trabalho contava com 46.). Por fim. A redução progressiva dos acidentes do trabalho vem sendo.2014. Aprofundemos. Tradução da sétima edição alemã por Joaquín Cuello Contreras e José Luis Serrano González de Murillo. O primeiro é o problema de os tribunais alemães de responsabilizar os executores dos homicídios dos judeus como meros partícipes. São Paulo: LTr. alguém querendo matar outrem acidente do trabalho ou doença ocupacional. aquém do nível aceitável para o século XXI e em um país que vive sob a égide de uma Constituição fundada nos princípios da dignidade da pessoa humana e valor social do trabalho.083 doenças do trabalho e 2. A construção teórica subdivide-se: (a) domínio da vontade: em que o homem de trás domina a vontade do homem da frente. O outro problema era o de enquadramento de mero partícipe do mandante do crime.955 doenças ocupacionais e 2. 7º. p. sendo 423.717 acidentes fatais. em 2012 foram registrados 705. XXII. (2) De acordo com a doutrina “a experiência demonstra que a maior parte destes acidentes são previsíveis AL-TUWAIJRI apud OLIVEIRA. todos os números inferiores em comparação ao ano anterior.30. 15. da capacidade para o trabalho. Acesso em: 22. o incremento dos estudos e debates sobre o tema. consideram-se acidente do trabalho a doença profissional. a pergunta “A Teoria do Domínio do Fato. sendo 423. (1) Segundo o art.164 acidentes do trabalho.19 da Lei n. o que pode representar avanço no trato do problema. e atual. mas é desenvolvida plenamente com o penalista alemão Claus Roxin(3) em 1963 para resolver dois problemas no contexto do nacional socialismo alemão.884 acidentes fatais. Disponível em: <http://www. 20. foi possível observar. 14. E ao afirmar a mera participação do executor evitavam-se essas penas severas. provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução. 5. sociais e previdenciárias — para a toda a sociedade. nos termos do art. é preciso delimitar a problematização que a pergunta quer trazer.

mas já será estas um passo adiante. 475-J do Código de Processo finido quem pertence o fato Civil nodeProcesso do Trabalho não(resultado). nio do fato para verificar se o acidente do trabaEnfim. 11. O Processo do Trapossíveis: balho deve oferecer ao seu jurisdicionado-hipossufienSe se de trata de de uma simples transposição te e credor bens natureza alimentar — um da pro(5) cesso mais ágil e eficaz . Quem entregou a arma é o execuprincípio da finalidade social não só é compatorO indireto — homem de trás — o verdadeiro tível com o novo dispositivo do Código de Processo responsável pelo homicídio por autoria mediata.o “se” e ointerpretação “como” da pós-positivista ação. dos princípios do Processo do Trabalho com a redação do novo um meiodadeteoria concretização dos Se dispositivo se tratar desão aplicação do domíprincípios destacados acima. Luciano Athayde. autores. Por exemplo. zação fato criminoso. Tal princípio pressupõe uma visão social do sistema (b) domínio funcional do fato: ocorre nos processual do trabalho. p. 11 . conforme o art. valorizando mais as questões casos queosháproblemas divisão de para a realide justiça em do que de tarefas legalidade. 5º. 475-J do Código de Processo Civil. Luis Fernando Silva de. 249-275. Nesse viés quaisquer interé dependente do “se” ou do “como” da execução pretações dadas à legislação infraconstitucional devem realizada pelo autor. LXXVIII. São Paulo: LTr. judiciário e a formação do magistrado. LXXVIII. A responsabilidade penal é definida pela anáDireito e Justiça: a Função Social do Judiciário. esperança de que terá seus direitos tutepara lados pelo Poder Judiciário. 45/04. será a solução para todos os problemas de concretização dos direitos traEstabelecidas premissas. a identifiresposta é: não. In: FARIA. fundamentada no resposta depende de outra pergunta: transportar princípio constitucional da razoável duração do propara que? Para atribuir responsabilidade civil ou cesso (art. Mas — É forçoso.deporque a teoria do domínio do cação da omissão celetista e a percepção da coerência (4) fato não serve para atribuir responsabilidades. o elemento que serve para atribuir um ato a alguém é o elemento “imputação”. tação torna-se mais consistente quando analisada a luz da principiologia constitucional. Ordem legalresponsabilidade X Mudança social: a crise do serveJosé para fundamentar penal. imputa-se o resultado a quem lhe deu causa.232/2005: Oportunidade— de em maiorespecial: efetividadeacidente no cumprimento das sentenças fato do trabalho —trabalhispretas. CF) e nos princípios constitucionais justrabalhistas. 475-Jo do sidodao multa executor direto. muito embora apenasa um tenha Se numa análise infraconstitucional aplicabilidade do art. concretizar o espírito dos comandos constitucionais. balhistas. Em suma. pois.A do a art. tentemos responder: aplica-se a teoria do domínio do fato O intérprete não deve se quedar inerte diante da ao direito trabalho?e Algumas sãoinletargia dos do legisladores diante dos respostas percalços da corporação de novos procedimentos. pode ajudar a processualística trabalhista do empregador por acidentes do trajustrabalhista a alcançar esse desiderato. da possibilidade de estudo — comparativo — da teoria de modo a servir para aperfeiçoar os critérios de responsabilidade na seara trabalhista. tornar-se um objetivo comum principalmente dentre aos resposta também é: não. José Eduardo Fa(4) a banco quea uma umamagistratura pessoa ficacom com ria bo ressalta queem “cabe umcarro conhecimento multidisciplinar e poderes decisórios amplia. Ou seja. 13 de nosso Código Penal. como. In: CHAVES. Civil como é justificador de sua aplicação subsidiária. Para ser mais preciso. É causador principal do fato (autor) aquele que é produtor principal do resultado. a teoria do domínio do fato não (4) FARIA. é(art. Enquanto o partícipe Numa do processo. balho ocorridos no âmbito de sua empresa? A O método colmatação de lacunas. principalmente.e em frente ao banco para fugir com o dinheiro dos à responsabilidade de reformular a partir das próprias outra pratica de ameaça e subtração dodos dicontradições sociais oosato conceitos fechados e tipificantes nheiro. São Paulo: Ática.Jornal do Congresso guém pode dar causa a um resultado de forma principal ou acessória. os tem apenas uma relação acessória com o fato. E é autor do fato aquele que tem gurou a razoável duração do processo como direito a execução em os suas mãos. E não se aplicará para determinar a responsabilidade individual penal do empregador pelos acidentes. num rouSob do o prisma desse princípio. (4) Sem prejuízo. p. dade de diferenciar quem é autor ou partícipe. teoria do Direito Penal aoaplicação Direito subsidiária do Trabalho. execução. após (c) domínio do fato: determina quem éo a Emenda Constitucional n.).entrega arma de fogo para um doente mental. mas irresponsável pelo fato em razão de sua doença. Direito Processual do Trabalho: visto tipicamente como crime e haja a necessiReforma e efetividade. entretanto. dizendo que se apontar para a vítima a arma disparará flores. o efeito (resultado) pertence a quem lhe deu causa. que. O doente mental é o executor direto. A teoria serve Magistrados e os Advogados para quenão a sociedade nuncaatribuir perca a responsabilidade. a busca da verdadeira efetividade deve lho gera responsabilidade penal do empregador. e causa é toda ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. Al- LTr . ele reito Processual do Trabalho. 1997. ele princípios constitucionais devem irradiar sua aplicabilidade a todos os o subsistemas. Ambos irão responder por roubo. Eduardo. por o Dinão decide “se” ou o “como” daexemplo. A teoria do domínio do fato somente será aplicada na seara trabalhista quando se tratar de (5) CARVALHO. 101-102. lise de todos os elementos da teoria do delito. CF). 2007. pela qual se asseautor do fato. reconhecer que a mera apliimportante! — essa análise só é feita após ter decação subsidiária do art. como sistemas legais vigentes”. e para determinar se esse alguém é causa principal ou acessória para o resultado é que se utiliza a teoria do domínio do fato. Lei n. foi Código apenas de emProcesso razão de Civil já édivisão admitida inúmeros autores. a argumenuma depor tarefas. obviamente. O doente mental aperta o gatilho matando a vítima. quem determina fundamental a todos brasileiros 5º. José Eduardo (Org.

2º Painel
COOPERATIVAS DE TRABALHO: ANÁLISE JUS ADMINISTRATIVA —
LICITUDE E DESVIRTUAMENTO
Daiane Martiniuk
Graduanda do Curso de Administração da PUCPR.

Leila Andressa Dissenha
Doutora e Mestra em Direito pela PUCPR; professora do
Mestrado do PPGCOOP — Programa de Pós-Graduação em
Gestão de Cooperativas da PUCPR; professora dos Cursos
de Graduação em Direito e Administração da PUCPR e da
UNINTER; pesquisadora convidada da UNIFE — Università
degli Studi di Ferrara (Itália/2011); professora dos Cursos
de Especialização da UNIARP/SC, UnC Concórdia/SC e da
EMATRA IX. Advogada.

Sob o ponto de vista Jurídico, é fácil defender o Direito e nem mesmo se cogita a
possibilidade de justificar formas ilícitas de
atuação. Mas a racionalidade jurídica, embora seja um dever de todos, nem sempre é a
norteadora de todas as atitudes. No universo
Empresarial, a tomada de decisões administrativas pode considerar múltiplas variáveis
e o Direito não pode ignorar que o desrespeito às leis e suas consequências também
são ponderados.
A ilicitude, contudo, tem um preço
alto para a administração de um empreendimento: custos econômicos e sociais que,
sob o ponto de vista jurídico, nunca valerão
a pena; é o que se pretende demonstrar neste breve estudo que, partindo da análise do
Direito e da Administração, busca compreender os motivos que levam empreendimentos a utilizar Cooperativas de Trabalho como
instrumentos de fraude de intermediação de
mão de obra.
Uma pesquisa de 2012, da Fundação
Getúlio Vargas e da Confederação Nacional
das Empresas(1), feita em uma empresa do
setor têxtil, demonstrou que o empregado

custa para a empresa cerca de três vezes mais
que seu salário, ou seja, um peso de 183% do
seu salário. Destes custos, parte é do investimento em treinamento e desenvolvimento;
outros 30% ficam por conta dos encargos e
benefícios e 27% respondem por licença maternidade entre outros. Outro aspecto importante é que segundo a mesma pesquisa,
o trabalhador rende em seus primeiros três
meses apenas 75%, pelo fato de ainda estar
em treinamento.
Além destes percentuais, há as disposições da CLT, que rege as relações empregatícias desde a criação do contrato de trabalho
até como se deve proceder com os benefícios
e demais questões que abrangem o cotidiano da empresa e, por conseguinte o do empregado. Por si só, essas orientações da CLT,
sob o ponto de vista administrativo, configuram uma grande parte dos custos financeiros
que a empresa precisa despender.
A alta carga tributária, os altos custos
sociais de contratação de mão de obra, a
competitividade marcante do mercado atual
e, principalmente, a falta de incentivos para
desenvolvimento(2) impulsionam empresá-

(1) Dados disponíveis em: <http://veja.abril.com.br/noticia/
economia/custo-de-trabalhador-e-de-ate-183-do-salariodiz-fgv>. Acesso em 05 de abril de 2014.

(2) Cita-se, por exemplo, a divulgação de pesquisa, do início
deste ano, da OCDE, de que o Brasil apresenta a segunda
maior carga tributária da América Latina. Disponível em:

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LTr - Jornal do Congresso

rios e administradores a tentar a diminuição
de seus custos com manobras ilícitas, dentre
elas, a utilização das Cooperativas de Trabalho como instrumentos de fraude para intermediação para a mão de obra subordinada.
O Cooperativismo teve início na Europa, com a junção dos ideais do liberalismo
e do socialismo, sendo que a primeira cooperativa moderna foi a de Rochdale-Manchester, em 1844, formada pela reunião de
tecelões que tinham por objetivo melhorar
suas condições de vida.(3)
No Brasil, o movimento cooperativista
começou a se propagar por volta de 1841,
especialmente por influência da imigração
europeia, e ganhou respeito e notoriedade
como forma associativa que objetiva a união
de esforços coordenados para a realização de
determinado fim.(4)
Além dos artigos 146, inciso III, alínea
“c” e 174, § 2º, da Constituição de 1988(5),
as cooperativas são regulamentadas pela Lei
n. 5.764/1971 que define o seu regime jurídico e, principalmente, os princípios que as
regem: a livre adesão, a gestão democrática,
a participação econômica dos membros, a
autonomia, a independência, a educação, a
informação, a formação, a intercooperação
e, por fim, o interesse na comunidade.
As Cooperativas de Trabalho, por suas
especificidades, são regulamentadas por lei
própria (Lei n. 12.690, de 19 de julho de
2012), sendo uma forma relevante de geração de renda e melhoria das condições de
vida de seus membros.(6)
<http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/01/cargatributaria-brasileira-e-2-maior-da-america-latina-mostraocde.html>. Acesso em 29 de abril de 2014.
(3) LIMA NETO, Arnor. Cooperativas de trabalho. Curitiba:
Juruá, 2004, p. 124.
(4) DISSENHA, Leila Andressa; NACLE, Isabella Cristina
Costa. Cooperativas de Trabalho: Experiência Nacional e
Comparada. Jornal do 48º. Congresso de Direito do Trabalho
da LTr. São Paulo, 2008.
(5) Conforme AMARAL, Líris Silvia Zoega T. do.
Cooperativa de trabalho. Jus Navegandi, Teresina, ano 6, n.
58, agosto de 2002. Disponível em: <http://jus2.uol.com.
br/doutrina/texto.asp?id=3138>. Acesso em: 16 de abril de
2014.
(6) Conforme SINGER, Paul. Cooperativas de trabalho.
Disponível em <http://www.mte.gov.br>. Acesso em 16 de
abril de 2014.

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De acordo com o art. 2º da Lei n.
12.690/12, considera-se Cooperativa de Trabalho “a sociedade constituída por trabalhadores para o exercício de suas atividades
laborativas ou profissionais com proveito
comum, autonomia e autogestão para obterem melhor qualificação, renda, situação
socioeconômica e condições gerais de trabalho.” A Cooperativa de Trabalho é apontada,
atualmente, como uma das melhores soluções para o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e social da sociedade.
As Cooperativas de Trabalho podem,
perfeitamente, prestar serviços aos tomadores que assim desejarem, dentro dos parâmetros da Súmula n. 330 do TST e desde que
sua constituição ocorra de acordo com os
princípios que regem tal empreendimento,
em especial, a livre adesão. Contudo, alguns
empresários têm feito apostas muito mais
arriscadas: têm transformado seu quadro de
empregados em “pseudo” Cooperativas de
Trabalho ou utilizado tais instituições para a
terceirização de suas atividades fins, em profundo e flagrante descompasso com a Súmula acima mencionada na busca pela redução
dos custos de mão de obra.
As consequências jurídicas de tais tomadas (equivocadas) de decisão podem ser
bastante gravosas: além do reconhecimento
direto de vínculo empregatício com a tomadora, as multas administrativas e até a responsabilização criminal (art. 203 do Código
Penal) podem ser desencadeadas por esta
escolha.
Analisando a Lei n. 12.690/2012, identificamos no art. 3º os princípios que norteiam as Cooperativas, dentre eles, a “adesão
voluntária e livre” e a “autonomia e independência”, princípios estes que são afrontados quando os empregados de uma empresa são obrigados a se tornarem cooperados,
desrespeitando o disposto no art. 5º da Lei
n. 12.690, que afirma não ser possível a utilização da Cooperativa como intermediação
de mão de obra subordinada.
Não são juristas que tomam as decisões
à frente de um empreendimento e, muitas
vezes, são os critérios econômicos — e não
jurídicos — que direcionam as escolhas de
13

empresários e administradores e, em que pesem todos os argumentos acerca das consequências jurídicas da ilicitude, muitos estão
dispostos a enfrentá-la.
Juridicamente, a melhor forma de combater a ilegalidade é a fiscalização e a punição; administrativamente, contudo, tendo
em vista a realidade atual do mercado e sua
competitividade, a melhor forma de combate é demonstrar as desvantagens econômicas
da ilegalidade e criar mecanismos reais de in-

centivo aos empreendedores, especialmente,
aos pequenos empreendedores, responsáveis
por boa parte da contratação de mão de obra
no Brasil atual. A punição e a retribuição são
as formas que o Direito encontra de dirigir
as condutas à licitude e a combinação bem
sucedida destas formas pode determinar,
igualmente, o equilíbrio entre o necessário
desenvolvimento empresarial e o respeito
aos direitos sociais consolidados em nossas
normas.

APONTAMENTOS SOBRE TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS: EFICIÊNCIA
OU LUCRATIVIDADE DA EMPRESA NO MUNDO CONCORRENCIAL E
REFLEXOS NAS RELAÇÕES DE TRABALHO
Tatiana Guedes Melo
Advogada e Assessora Jurídica Municipal. Pós-graduada em
Metodologia do Ensino Superior. Pós-graduanda em Direito
Público.

Para alcançar uma melhor compreensão
sobre o que a Terceirização de Serviços pode
proporcionar às empresas no mundo concorrencial, incluindo os impactos sobre as relações de
emprego, faz-se necessária a análise de alguns
conceitos.
Simplificadamente, terceirizar uma atividade é repassar a terceiros a sua consecução; é
cometer a outrem (pessoas físicas ou jurídicas,
como as sociedades cooperativas) atividades
acessórias que não lhe são essenciais e, portanto,
não fazem parte do negócio principal da empresa tomadora de serviços; antes, dão-lhe suporte.
Sérgio Pinto Martins (2009, p. 176), mais
extensamente, conceitua:
Vários nomes são utilizados para denominar a contratação de terceiros pela empresa para
prestação de serviços ligados a sua atividade-meio. Fala-se em terceirização, subcontratação,
14

filialização, desverticalização, exteriorização do
empregado, focalização, parceria etc. consiste a terceirização na possibilidade de contratar
terceiro para a realização de atividades que não
constituem o objeto principal da empresa. Essa
contratação pode compreender tanto a produção
de bens, como de serviços, como ocorre na necessidade de contratação de empresa de limpeza,
de vigilância ou até para serviços temporários.
A título de exemplo, Amauri Mascaro Nascimento (1999, p. 172) explica: “Se um colégio se vale de empresa de limpeza, a atividade
contratada é meio, mas se contrata empresa de
professores a situação caracteriza-se como contratação de atividade-fim, porque as aulas são a
finalidade do colégio”.
A terceirização de serviços pode ocorrer
mediante a contratação das Cooperativas de
Trabalho. De acordo com a Súmula n. 331 do
LTr - Jornal do Congresso

Por outro lado. de experiência de trabalho coletivo. LTr . a OIT temia o surgimento de falsas cooperativas: (7) NASCIMENTO. renda..pdf> Acesso em: 30 de abril de 2014. O objetivo da referida recomendação foi acolher propostas relativas à função das cooperativas no florescimento social e econômico das nações em desenvolvimento. aplicável às cooperativas. inclusive. 12. Conforme Pedro Manus (2009. p. Todavia. “(. Logo depois. nas atividades de limpeza e conservação e no caso de serviços especializados. Acesso em: 30 de abril de 2014.org. 3º. Consoante. maiores concorrentes das cooperativas.690/2012. Acerca das cooperativas de trabalho. naturalmente o associado participa. A promulgação da referida Lei representa um marco regulatório na iniciativa de regulamentar as cooperativas de trabalho. o que não acontece com as cooperativas. tenha acesso ao capital. De fato.Jornal do Congresso Com a terceirização. contribui. a terceirização só é permitida quando se tratar de atividade-meio. • Melhoria de renda dos associados. p. que tira sua flexibilidade. 125): a permissão de terceirização na atividade empresarial privada dá-se. Amilcar Barca Teixeira Júnior (2002. com cada trabalhador aportando parte do seu capital para constituir em empreendimento comum.. assim como sua punição”(7) A Organização Internacional do Trabalho (OIT) já havia tratado oficialmente do Cooperativismo na sua Recomendação de número 127.764/1971. reduz a informalidade. colaborando. 157. quais sejam: • Eliminação de intermediários entre o capital e o trabalho.oitbrasil. Conforme verificado no Seminário Nacional de Cooperativismo de Trabalho(8).br/sites/ default/files/topic/cooperative/pub/cooperativas_ mudancas_oportunidades_desafios_219. que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das sociedades cooperativas. uma vez que o estímulo à organização de pessoas em sistema de cooperativa mobiliza cidadãos e lideranças na formação de pequenas células cooperativas. 2º. p. Contrapõe assim os impactos da crise financeira mundial na economia. o cooperativismo contribui para o enfrentamento do desemprego e do trabalho informal. prevendo formas de identificação da fraude trabalhista por meio delas. • Grande contribuição das cooperativas para uma educação cooperativa e como exemplo para a sociedade. 5. 107) explica que: “A cooperação nasce da necessidade de sobrevivência dos grupos. autonomia e autogestão para obterem melhor qualificação. publicada em 1966. com a ampliação da base de contribuição à Previdência Social. em dezembro de 1998. conforme o art. Sônia Mascaro Nascimento. 12.690 e as cooperativas de trabalho. o vínculo de emprego com o tomador de serviço e o grau de depen- 15 . Apontamentos sobre a nova Lei n. mesmo nesses casos. definindo os termos para a organização e funcionamento regular da sociedade cooperativa. da Lei n. o que foi um grande avanço para mitigar o desvirtuamento dos princípios e valores do cooperativismo trabalhista. realizado em Fortaleza. foi editada no nosso ordenamento jurídico a Lei n.br>. existem vantagens e importância nas Cooperativas. estas são uma sociedade constituída por trabalhadores para o exercício de suas atividades laborativas ou profissionais com proveito comum. é preciso que o serviço contratado refira-se à atividade-meio e que também não se verifique pessoalidade e subordinação direta. constituindo-se ajuda mútua em um dos pilares básicos dessa peculiar forma de atuação no meio social”.com. Sônia Mascaro. enumerados no art.amaurimascaronascimento. (8) Disponível em: <http://www. • As empresas. no entanto. situação socioeconômica e condições gerais de trabalho. sem que ele. É uma estratégia que envolve um número crescente de trabalhadores. nas cooperativas. • Enquanto todas as tecnologias atuais de gestão de negócios empenham-se em conseguir que o empregado “vista a camisa da empresa”. Disponível em: <http://www.) a totalidade da lei demonstra sua intenção de evitar o desvirtuamento das cooperativas de trabalho. estão sujeitas à CLT.TST. de acordo com o entendimento sumulado.

Diante da ruptura das fronteiras mercadológicas. Para se tornarem competitivas. o objetivo da terceirização de serviços: aumentar a lucratividade ou a eficiência da empresa no mundo concorrencial? Responder a esse questionamento requer uma digressão histórica.dência e subordinação do trabalhador têm de ser cuidadosamente avaliados. com a presença de pessoalidade e subordinação. redução de perdas. p. As companhias tiveram de rever seu modelo de gestão. Entretanto.org. dos meios de transportes e da telefonia. a empresa deve dispor de maior capital. e potencialização do espaço físico. é preciso cautela para que as cooperativas não venham a se configurar como uma forma de intermediação da mão de obra. das técnicas de comunicação por satélites. desaparecem os encargos do empregador. conforme dizeres de Pedro Manus (2002. como um fenômeno viabilizado pela evolução e alargamento da tecnologia de informação.br/sites/ default/files/topic/cooperative/pub/cooperativas_ mudancas_oportunidades_desafios_219. ao mesmo tempo. seja para realizarem determinadas políticas do Estado. com preços favoráveis no mercado. Esse movimento projetou reflexos também nas relações de trabalho. Amilcar Barca. Acesso em 30 de abril de 2014. maior produtividade. A globalização. o que impacta as relações de emprego de um modo geral. investindo em alta tecnologia. as empresas devem ser eficientes. — São Paulo: Atlas. em virtude da eliminação de intermediários entre o capital e o trabalho. os direitos previstos na legislação trabalhista. 2002. MARTINS. pois pretensas cooperativas tentam mascarar a relação de emprego.pdf>. seja para permitirem mais lucros para os empresários privados. aumento da flexibilidade e da agilidade da organização na tomada de decisões.Jornal do Congresso . Bibliografia MANUS. Há. Assim. 124). para investir em tecnologias mais eficientes. não existindo contrato trabalhista. Destarte. propiciou uma conjuntura extremamente favorável para o acentuamento das relações socioeconômicas em âmbito mundial. e também diminuir seus custos fixos. aumento da sua especialização.oitbrasil. Além disso. A contratação das cooperativas para terceirização de serviços. viabilizar sua eficiência e aumentar sua lucratividade. qual seria. 2009. redirecionamento de verbas mediante a disponibilidade de capital para investimentos. os custos fixos são transformados em variáveis. de fato. Precisam focar na sua atividade-fim. Sérgio Pinto. uma ameaça de instrumentalização das cooperativas de trabalho. pois implica possibilidade de concentração na sua atividade-fim. e em verdade empregados. 7ª edição. alcançado com o aumento da lucratividade. com o objetivo de flexibilizar as relações de trabalho. de outro. melhora da sua eficácia gerencial. TEIXEIRA JÚNIOR. Para tornar-se mais eficiente. descaracterizando sua destinação legal e implicando fraude à lei. o que demanda capital disponível. Direito Individual e Coletivo do Trabalho. negando aos supostos cooperados. 25ª edição. Direito do Trabalho. no processo de terceirização. Pedro Paulo Teixeira. a fim de diminuir o custo do trabalho”. viabilidade de redução e controle de custos operacionais. Participação de cooperativas LTr . p. — São Paulo: Atlas. As cooperativas de trabalho entram nesse cenário enfrentando o desemprego e a informalidade de um lado e provocando diminuição do custo da mão de obra. imbuídas da demanda por capital para a ampliação das suas atividades e seu aperfeiçoamento tecnológico.(9) Terceirizar determinados serviços é uma tendência das empresas. 155 e 156. Lívio Rodrigues. São duas faces da mesma moeda. a terceirização veio para as empresas como um caminho para. a competitividade e o acirramento da concorrência produziram nas empresas a necessidade de maior eficiência. garantindo preço razoável para o seu produto. contribui para maior lucratividade do tomador de serviço que pode investir o capital disponível para obter maior eficiência da sua produção e obter maior competitividade no mundo concorrencial. As corporações passa(9) Disponível em: <http://www. CIOTTI. 16 ram a desenvolver “estratégias de modificação nas relações de trabalho.

Esse tipo de terceirização não tem o condão de macular direitos trabalhistas. A grande vantagem para a tomadora. TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS Teresinha Soares Abreu Ferreira Oficial de Justiça Federal da Seção Judiciária da Bahia. pois especificamente treinadas para tal atividade. Organização Internacional do Trabalho.com. vislumbrando convergir esforços na realização da sua atividade principal. um terceirizado. Acesso em: 30 de abril de 2014. por pessoas especializadas. Isso gera uma redução de custos pois a tomadora gastaria mais inserindo na sua cadeia produtiva tal atividade acessória. Belo Horizonte: Editora Mandamentos. — Brasília: OIT. Oportunidades e Desafios. Editado por Armand Pereira.Jornal do Congresso ção. Disponível em: <http://www. com sindicato representativo.690 e as cooperativas de trabalho. fornecendo serviços para várias outras empresas. pode incrementar de forma mais agressiva a sua atividade principal. 12. São os únicos trabalhadores de uma empresa.org. Disponível em <http://www. Iniciação ao Direito do Trabalho. Sônia Mascaro. As terceirizações como soluções de mercado são lícitas e necessárias ao empresário.em procedimentos licitatórios. Graduada pela Universidade Federal da Bahia. sua única preocupaLTr .pdf>.br>. labora para uma empresa terceirizada. 25ª edição. Apontamentos sobre a nova Lei n. 17 . o seu único foco. Especialista em Direito do Estado pela Faculdade Baiana de Direito. pertencem a uma categoria profissional identificada. por exemplo o processo de construção de um edifício seria muito dificultado sem a possibilidade de se terceirizar os serviços relacionados aos elevadores. Terceirização Lícita Trata-se de um fenômeno crescente pelo qual o empresário. portanto. 2002. é o engessamento de custos. com os mesmos direitos. opta por entregar a terceiros. podendo reunir-se para reinvindicar seus direitos junto ao empregador. Cooperativas: Mudanças. amaurimascaronascimento. Ao contrário. respondendo sem tantos prejuízos e de forma rápida a uma crise no mercado.oitbrasil. em colaboração com Lucienne Freire e Lizzie Lagana — 1 ed. com o benefício de que estas serão realizadas com mais qualidade e celeridade. 1. NASCIMENTO. 2001. São Paulo: LTr. a concretização de atividades acessórias ao processo produtivo. em geral outras empresas. Terceirizar significa ter tranquilidade de que aquela “janela” aberta no processo produtivo será preenchida com maior excelência do que se o serviço fosse realizado internamente. Amauri Mascaro. 1999. Acesso em: 30 de abril de 2014. br/sites/default/files/topic/cooperative/pub/ cooperativas_mudancas_oportunidades_ desafios_219. revista e atualizada. altamente especializados. É empregado como qualquer outro. NASCIMENTO. Não o fazendo. como habitualmente é reconhecido.

Isso ocasionado pelo desvirtuamento do instituto. ocorre o absurdo de um terceirizado prestar serviços em São Paulo sem no entanto auferir o salário mínimo regional porque a empresa terceirizada tem sua sede no Paraná. fazendo com que cada semana eles laborem em um tomador. dentro da normalidade. uma vez que as empresas estão terceirizando atividades principais. Outro efeito maléfico detectado na terceirização ilícita é serem os terceirizados considerados inferiores pelos demais trabalhadores. 4. somenLTr . e pior. para se evitar a comprovação do vínculo empregatício. utilizando como balizador o critério da atividade-meio. usufruem de menos direitos que os empregados da tomadora a exemplo de terem uma jornada mais extensa e uma contrapartida salarial menor. uma vez que. 12 da Lei n. Ocorre que a tomadora sabe ou pelo menos deveria saber que a prestadora de serviços não tem capacidade econômica para equipar e dar cursos de treinamento aos seus funcionários. 3. o art. 6. trata-se da dificuldade que o trabalhador tem de identificar o sindicado que o representa pois tampouco tem ciência exata de quem é 18 responsável pela sua contratação. a reinvindicação de seus direitos.019/74 é utilizado analogicamente concluindo-se pelo direito ao salário equitativo. 331 no intuito de regularizar a terceirização desenfreada. a prestadora muda. 3. mudando também o seu contrato de trabalho. uma vez que não consegue identificar quem é na realidade o seu patrão. 2. quando realizam idênticas funções. Terceirização Ilícita A terceirização de serviços passou de um método de organização da cadeia produtiva. inclusive porque muitas vezes a terceirizada presta serviços unicamente para uma tomadora. esse instituto transformou-se num instrumento predatório de direitos. como na maioria das vezes a empresa terceirizada não tem capital suficiente para a contratação de um robusto quadro de funcionários. situação geradora de efeitos maléficas para os trabalhadores terceirizados. os terceirizados são literalmente “arremessados” no exercício das atividades sem qualquer treinamento. e muito grave. Esse trabalhador não se sente incluído na rede de funcionários da empresa tomadora. que consiste na atividade de suporte à principal. enfraquecendo. transferindo para terceiros esse conflito. Ademais. perdendo a noção de grupo. não fazendo parte do processo criativo do produto final ou que não seja essencial à dinâmica empresarial do tomador dos serviços. Seguem algumas situações recorrentes: 1. ferindo o princípio da isonomia (art. Também não sabe quem são os seus verdadeiros colegas de trabalho (afinal muitos no ambiente do trabalho chamam-no de “o terceirizado”). Nesses casos. não raro encerram suas atividades sem o pagamento das verbas rescisórias. Infelizmente. há trabalhadores que não usufruem férias há anos. Outro efeito maléfico identificado. a subordinação e pessoalidade saltam aos olhos.2. embora prestem serviços para a mesma tomadora. com o único propósito de não formação do vínculo empregatício. a terceirização tornou-se vantajosa financeiramente porque as tomadoras ficam libertas da mais grave consequência jurídica da relação entre capital e trabalho que é a tensão social. desse modo. devendo responsabilizar-se por tais danos. o que ocasiona um elevado número de acidentes de trabalho entre esses trabalhadores. o empregado terceirizado tem dificuldade em ingressar em juízo. Em suma. Segundo o entendimento jurisprudencial. 5. garantindo-se aos terceirizados o vínculo empregatício direto com a tomadora. nutrirem em seu íntimo esse sentimento de serem trabalhadores de segunda categoria. ademais. e também. não arcando com o custo dos direitos trabalhistas. para se tornar uma excentricidade repressiva da dignidade da pessoa humana. muitos tomadores exigem que cargos. Ordem jurídica aplicável O TST promulgou a Súmula n. Independente de laborarem no ambiente da terceirizada ou no espaço físico da tomadora. não consegue firmar uma consciência coletiva. como ajudante geral. Isso porque.Jornal do Congresso . sofram rodízio. A mais comum consequência jurídica do desvirtuamento do instituto é a diferença salarial entre os trabalhadores terceirizados e os empregados da tomadora. sofrendo com a síndrome do trabalhador de segunda classe. 5º da CF). Assim.

há um projeto de lei em trâmite no Congresso Nacional. RESPONSABILIDADE NA TERCEIRIZAÇÃO — O OVO DE COLOMBO Mári Ângela Pelegríni Jornalista. 4. também na atividade-fim. 1º). 2º e 3º a formação de vínculo empregatício direto com o tomador de serviços no caso de haver subordinação. porém foi a fórmula alçada pelo TST a fim de dar um direcionamento aos julgados. de onde brota o projeto de lei sobre o tema. com a exceção deste último. que prevê uma abertura sem limites à terceirização. inclusive na atividade-fim. te esse tipo de atividade e mais as de limpeza. e em qualquer atividade. maculando os direitos de uma gama de trabalhadores. Ocorre que. desde os operacionais aos administrativos. o que vislumbram é a possibilidade de se verem livres dos encargos trabalhistas e 19 . Kant já preconizava que os homens devem ser um fim em si mesmos. desde que não presentes a pessoalidade e subordinação. vigilância e trabalho temporário podem ser terceirizadas. LTr . sem nenhuma limitação quantitativa. Que sejam respeitados os direitos desses trabalhadores. os chamados “tomadores de serviços”. E. conservação. levantando a bandeira de sua licitude ampla.Jornal do Congresso O incentivo para a aprovação vem. ferindo princípios e regras do ordenamento jurídico interno e internacional. 4. A Constituição Federal dispõe acerca dos princípios da igualdade (art. O Ministério Público do Trabalho. a absurda hipótese de uma padaria terceirizar os serviços de padeiro. Professora Universitária e autora do livro “Trabalhadores Sem Vínculo — Do Cais ao Campo” (Ed. vinculada ao TRT 15ª Região. o PL n.330/04. já que. Ou seja.5º) e da dignidade da pessoa humana (art. da gama de usuários do sistema. as Centrais Sindicais e o Judiciário Trabalhista são terminantemente contra referido projeto. O ordenamento jurídico internacional reprime a utilização do trabalhado como mercadoria — Declaração Referente aos Fins e Objetivos da OIT (Filadélfia — 1944). que volta à tona por conta da pressão dos empresários.330/04 não tem validade. admitindo-a em qualquer segmento econômico. por exemplo. Juíza Titular de Vara do Trabalho. sendo indecorosa a promulgação de uma lei nesses termos. PL n. trabalho muitas vezes um tanto complexo. A CLT prevê em seus arts. de início.A súmula se apresenta insuficiente para uma normatização plena. LTr) e de vários artigos jurídicos. exige pouco esforço intelectual. E vem surtindo efeito pois os julgadores têm sido bastante felizes em identificar em cada segmento quais as atividades-meio e quais as atividades-fim. exceto a classe trabalhadora. Parecem evidentes os vários motivos daqueles que levam os defensores da terceirização empunharem a bandeira na defesa da aprovação de lei que regulamente a matéria. Caso aprovado. é o que desejamos e esperamos que se concretize. principalmente. Também é de fácil entendimento que queiram continuar a operar indistintamente em todos os seus setores. passa a ter base legal. Sem contar a possibilidade de redução de impostos a partir da emissão de notas fiscais entre empresas entender o porquê da febre empresarial na defesa da terceirização irrestrita. Mestre em Direito das Relações Sociais pela PUC-SP. ainda mais se possível.

ou deveria. inclusive no âmbito do governo. que poderá ser feita mesmo depois da primeira audiência. Cria-se uma segunda classe dentro do mesmo local de trabalho. E o termômetro é a motivação da equipe. não caminha pela orientação do PL n. com os contratantes. Não se desconhece.690/12 em definir/alterar os conceitos de atividade-fim ou atividade-meio e nem para ampliar ou restringir suas possibilidades. etc. Essas pessoas espertas e dadas ao ganho de dinheiro fácil. como se diz no ditado popular: “mamar nas tetas gordas dos governos”. E para isso contam até com assessorias especializadas. Só não terceirizaram. Mas. treinamentos. mas. disfarçadamente equivalente. por algum gatuno. Some-se a isso o fato de que ocupam o espaço que a própria legislação lhes oferece. ou driblar a necessidade de criação de cargos e concursos no setor público. racionalizar serviços no departamento pessoal. Todas as vertentes da terceirização na atualidade caminham por várias teorias. A regulamentação da terceirização dos serviços. embora nem sempre com patrimônio compatível.fiscais e a imediata redução de custos. como adiantamos.Jornal do Congresso . seguro. visam. como adiante se pontua) e da Justiça do Trabalho. prestar serviços com a força de trabalho de outros e não de si mesmo ou quando não. Ter reservas financeiras para iniciar. quando não parasitária. diante da possibilidade da efetiva condenação subsidiária nas ações trabalhistas. crendo que nenhuma responsabilidade terão. tais como: plano de saúde. é uma só: economia de custos! Mas. fruto da odiosa diferenciação e discriminação entre iguais. muitas vezes. mas na queda vertiginosa da própria qualidade dos serviços que decorre. a nosso sentir. a verdade. pela necessidade de um único artigo. são animadas com a hipótese de poderem ganhar intermediando mão de obra. que sem muita técnica e com muita ousadia. é fato. muitas vezes integradas por sócios de suas relações buscando uma troca de interesses. Dizem que quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro. norteia-se. redução de custos alguns sejam bem compreensíveis: não querer lidar com diferentes tipos de mão de obra contratados diretamente. pode apostar que este espaço será preenchido. equiparando-se todos como integrantes de um grupo econômico para os fins de pagamento e garantia de eventuais direitos e ou créditos trabalhistas pendentes em relação aos trabalhadores que lhes prestam ou prestaram serviços relativos ao respectivo período laborado. Não só pela condenação. mas os benefícios indiretos nem de perto os igualam. na maioria das vezes. 20 Quando não se acha qualquer vínculo afetivo ou familiar nesta teia. por parte do Ministério Público do Trabalho (particularmente sente-se falta de atuação no setor público. pois. 1º É solidária a responsabilidade entre todos os tomadores de serviços e empresas terceirizadas. como as plantas que se enroscam no tronco de uma velha árvore. evidentemente guardadas as exceções louváveis. ousamos sugerir: Art. não estender os direitos/benefícios. além do primeiro pontuado. por terem o desconfortável freio da atuação eficiente. toda a empresa. ainda. A dependência aos contratantes é incontestável e a prática tem apontado que. sem pegar no pesado. eles próprios. facilitar seu enquadramento sindical. E é natural que pessoas com esse perfil sejam atraídas neste mister. Frise-se que não se desconhece que muitas empresas terceirizadas são idôneas e com boas intenções (ou deveriam ser). estas empresas não têm nenhum patrimônio ou lastro financeiro. independentemente de sua integração inicial no polo passivo das ações. Fazer estratégias. a criação destas empresas. É preciso ter tempo para pensar. 12. pelo menos a princípio. Normalmente quem acaba manchando o trabalho sério de algumas. que vários empresários e governantes incentivem. a categoria “terceirizada” e a categoria preponderante e cabe ao empresário sentir se isso vale a pena. e o que é pior. começa pela tendência de que os que são atraídos para formá-las deslumbram-se pela facilidade com que irão. desde que seja dada a oportunidade de LTr . enfim que dentre os motivos que impulsionam a terceirização. Vivem uma relação simbiótica. valendo-se não de sua própria força de trabalho. do descontentamento gerado aos trabalhadores envolvidos. O salário pode até ser. outra verdade incomoda: não há nenhuma autonomia real por parte das empresas terceirizadas. A regulamentação da terceirização. infelizmente. o barato pode sair caro. Não é raro. inclusive.

em igual prazo. orientados por seus departamentos jurídicos. Esta última. os mesmos grupos. como se esperava. 8. jogou-se uma pá de cal na impossibilidade. Evidente que os julgadores não podem salvar o sistema. E elas não se extinguiram a toa ou por falta de gatunos. após citação específica. ou no prazo de 15 dias. permitida a arguição de exceção de incompetência em razão do lugar por petição. com um verniz legal assim como as antigas cooperativas de mão de obra no passado. desembargadores e ministros do trabalho. E assim o fez levando a alteração da redação da Súmula n.Jornal do Congresso tados pelos braços fortes da primeira instância. Relegou aos juízes a difícil tarefa de procurar o erro. outras terceirizações espúrias se proliferam e recebem outro nome: consórcios ou parcerias público-privadas. agora. pelo menos deixou uma prudente brecha para a condenação. e sim porque as empresas que dela se valeram foram obrigadas a arcar com a conta final (o passivo trabalhista). em coro. independente da audiência presencial deverá ser apreciada após a réplica. pois daria uma outra tese. 21 . em seu inciso V. como tem revelado a mídia nacional numa sequência de escândalos. E pior. No julgamento pelo STF da Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) n. A novidade no Pontal do Paranapanema. antes do prosseguimento da instrução principal. reforçada pela inclusão de malfadado artigo na CLT que proclamava a inexistência de vínculo entre as cooperativas e seus “cooperados”. inspirados na súmula. por exemplo. como “gatooperativas”. agora a terceirização se alastrou no setor público e na mesma esteira da suposta “legalidade” veio a tentativa de reforço no vitorioso “lobby” que pugnou pela declaração de constitucionalidade do art. na cidade. Um olhar profundo trouxe à tona uma verdade inconveniente: os vícios das licitações. 442 da CLT) elas seguem se multiplicando. a montar dossiês para provar o que até então pouco lhes preocupava. certamente pressionado pelas próprias deficiências. a inspiração do STF que. com base exclusivamente na prova documental. Assim como as cooperativas. § 1º. desde que configurada a conduta culposa. 16. que foram podadas. quando não impossível. porque em cada caso concreto e cada vez mais. Vence aquele que se quer que vença. é preciso agradecer. Adilson Bassalho Pereira no campo. Em grande parte. que tiveram. a porção de cal veio muito fina e não teve como resultado o enterro da velha discussão. lembrando as quase extintas cooperativas de mão de obra (pelo menos não batem tanto mais às portas do judiciário como num passado recente e sombrio para os trabalhadores por ela explorados). da Lei n. (nada de cooperado tinham) levanLTr . sem êxito prático para a vitória dos trabalhadores por conta da jurisprudência dos tribunais trabalhistas. de condenação do ente público. A seguir tenta-se justificar sugestão tão radical. (Parágrafo único do art. o jogo de cartas marcadas faz da licitação um teatro. Camufladas em forma de ONG (Organização Não Governamental) e OCIPS. 71. salvo requerimento de prova oral específica. ausentes os pressupostos básicos de sua aceitação. Tarefa difícil. (que apontaremos abaixo) parece ter sido obrigado a declarar a “constitucionalidade” do artigo da lei de licitações que impedia a condenação subsidiária dos entes públicos. em regra. a culpa. pelo menos em parte o esforço empresarial. cujo último ato todos conhecem. em esmagadora maioria fraudulenta. podendo o juiz definir se a entrega da defesa será até uma hora antes da audiência de instrução em se tratando de processo judicial eletrônico. inclusive de ofício. permitindo a condenação. a par da decisão polêmica. infelizmente. começando a não pagar os trabalhadores. ao perceberem que as terceirizadas estão às vésperas de serem defenestradas. arrancadas pela raiz como uma erva daninha. Assim como elas. alternam-se nos contratos. Mas. passam os entes públicos. É sabido que no setor público as terceirizações se disseminaram nos recursos públicos como se fossem uma praga. em geral. Para desgosto dos entes públicos e seus procuradores. sem adentrar no mérito da exceção.defesa. a ponto de serem apelidadas pelo nosso saudoso ex-presidente do TRT15.666/93 —Lei de Licitações — e valeu. é o consórcio intermunicipal para contratação de médicos para os municípios integrantes. felizmente. com ressalva. 331. graças a atuação do Ministério Público do Trabalho. e dos trabalhadores em particular. mas para alívio dos juízes.

ela era sua. arejou este comportamento. o próprio tomador sabe o motivo do atraso/inadimplemento das obrigações. no grande álibi da administração pública e só o Ministério Público poderá mostrar os nós desta teia). já que até então não tinham a pressão de metas da economia privada. E tem achado. embora nem sempre com a necessária contrapartida (criação de cargos. De outra parte. Embora não vinculante. não se nega. na prática. Neste cenário a livre concorrência avançou sobre o povo brasileiro numa época em que os servidores públicos. que dispensa maiores comentários. vinculante por tabela. compatível com o volume de serviço e correção da remuneração pelo menos na reposição da inflação. já se faz sentir nos resultados da administração pública (aliás. não pagar verba alimentar é “mero inadimplemento”? Mas.E a culpa é para os documentos invisível. implanta-se e uma pequena diferença. é forçoso reconhecer. aparentes bons resultados. exageros à parte. Um exemplo emblemático. cujos malefícios foram sentidos mais tarde. Não raro. põe-se o juiz do trabalho na primeira instância a buscar a “culpa”. Pagava-se preço justo pela utilização. no final da década de 90 havia uma sensação de descontentamento gene22 A partir de cobrança de metas e gestão por parte do CNJ no judiciário. Com equivocada sensação de que a privatização trouxe o melhor dos mundos. frise-se no início. Deram com uma mão e tentaram tirar com a outra. também fruto de esquema de fraude em licitações. Por exemplo na área da telefonia. sentiu-se que a sociedade ganhou em seu clamor por mudanças.” Sim. incoerentemente exigindo isso dos empresários brasileiros) aliado aos pertinentes portais de transparência que também auxiliam na fiscalização dos serviços. a estabilidade. como a privatização. de maneira exagerada para quem praticamente nunca fiscalizou a ponto de já se cogitar em assédio moral no serviço público). enfim. a terceirização trouxe. Mas. trouxe aparente bons resultados inicialmente a ponto de ter havido ávidos defensores e comparações calorosas. resultam no impedimento da discussão da matéria em âmbito nacional e isso a torna. trouxe um novo conceito e nesta onda de mais eficiência. sob pena de culpa e ai sim. por exemplo. Azar da classe trabalhadora quando não encontra julgadores antenados com tais estratégias. encontrar falhas no descumprimento do ato de fiscalizar. Parece pouco o “mero” inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada.Jornal do Congresso . 331 do TST ao “exigir” que a magistratura não condene o ente público pelo “simples fato” de não terem sido honradas as verbas trabalhistas. enfim. ser condenado subsidiariamente) A privatização. a magistratura há de achar a saída. O mesmo erro/culpa que nasce na fonte no próprio processo de licitação. Não se tinha esses milhões de call centers (amontoado de seres que LTr . Feito camelos cansados. otimização e gestões que hoje. depois de “um século”. deixaram a desejar na prestação de serviços. gerando forjadas exigências de explicações dos atrasos pelos tomadores aos seus contratados resulta na prática em um engodo orquestrado. em cada caso concreto garimpando os requisitos para a condenação do tomador: a) por não escolher bem (em licitações viciadas com cartas marcadas. Neste cenário a terceirização encontrou terreno fértil para proliferar. aos poucos. Com dificuldade. ralizado da sociedade com a (in) eficiência dos serviços públicos. fazendo a sofrida população acreditar que estavam fazendo favor aos contribuintes que lhe pagavam os salários. a força das súmulas e orientações jurisprudenciais. b) a não vigilância (mesmo deixando de lado o requisito anterior. Regularmente contratada? Será? Quem pode garantir que fora supostamente “regularmente contratada” com as licitações viciadas que temos? Não bastasse. aos poucos. Exemplo é a informação de que não mais será renovado o contrato por algum vício. foi o caso apelidado no de “máfia das casinhas” no interior de São Paulo. sobrou para o aplicador do direito do trabalho uma importante válvula de escape. sem dar valor no maior bem que um trabalhador pode conquistar. embora no exercício de uma obrigação. imposto pelo “menor preço”. O cerco se fechou no inciso VI da Súmula n. Diziam: “temos que reconhecer que antes da privatização demorávamos um século para instalarem uma linha telefônica e a um preço muito caro. muitos se arrastavam como se estivessem num deserto para ir até um balcão. às evidências.

apesar de ser tecnicamente clara e apresentar alguns avanços. ou tenham tido dinheiro para injetar na compra das estatais. (grifamos) [. acesso a fundos públicos. […] Além disso. oferecem ajuda para fecundá-las em laboratórios jurídicos privados. Google” e lá vem. que pode ser qualificada como OSCIP a qualquer momento ou iniciar suas atividades já como OSCIP.790/99 e com centenas de entidades qualificadas. permitida na lei. originada dessa necessidade de “legalizações” desenfreadas e pior. no topo da página. 9. ainda existem. que pretende facilitar e desburocratizar o acesso das organizações da sociedade civil sem fins lucrativos a fundos públicos. Nas varas do trabalho copeiras convivem com os juízes. Impõe-se aguardar o desenrolar da (in)eficiência com o passar dos anos e da sociedade a paciência. há também uma gama de procedimentos facultativos. Retirou de sua estrutura os concursos para copeiras. que qualquer entidade deve providenciar. depois da nova invasão espanhola da era moderna foi uma constante. 361/99. muitas vezes sem gozo efetivo de férias ou sem recebimento das verbas rescisórias em cada troca da empresa terceirizada. por décadas. na cabeça da página virtual inúmeros “links” onde vários prestadores de serviços destas incubadoras. administrativos e ou políticos à entidade. que podem acarretar benefícios financeiros. sem nenhum vínculo ou proteção. Entre eles está a qualificação como OSCIP. Deve-se dizer também que a qualificação como Oscip começa a ser exigida em algumas situações concretas. acessou-se uma delas. por exemplo. a falta de estabilidade e a angústia a cada troca de terceirizada. ou elas. sejam todos melhores na telefonia. é o que se espera. instrumento considerado inadequado para regular essa relação. estadual e municipal. ou lhes foi enfiado goela abaixo está ai um caminho sem volta no mundo globalizado. 3. Infelizmente os próprios tribunais do trabalho. 9. causou imensos debates e dúvidas entre as ONGs. a primeira que aparece. tem também sua parcela de culpa.. nem os preços exagerados e nem a inclusão das telefonias como campeãs de reclamações no PROCON. (sem grifos no original). na esteira do mesmo exemplo. Não se quer ser bairrista. principalmente pelo contexto político em que foi gestada e pelos temas que toca: identidade das ONGs. regulamentada pelo Decreto n. Eles. transparência e prestação de contas. relação com o Estado. sem nenhum escrúpulo (é legal apregoam). Aleatoriamente. 23 . A qualificação de pessoas jurídicas como Oscip é regida pela Lei n. Fiéis servidores que acompanhavam várias administrações. inclusive para instalar linhas telefônicas. portugueses.790/99. Além dos registros obrigatórios. Saudades das estatais na área. Depois de mais de seis anos da publicação da Lei n. assim se expressa: Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). etc. Como diria o filósofo Bóris Casoi: “é uma vergonha!” Sobre as OCIPS. agora terceirizados e de lá para cá nada mudou. mas não sob o sangramento dos milhões de terceirizados. os antigos “contínuos” do serviço público. Só a título exemplificativo cita-se a terceirização dos serviços de limpeza e copa em toda a Justiça do Trabalho. Chega-se ao cúmulo de entrar com reclamação verbal na própria vara para receber seus direitos. definindo sua origem e facilidades para gestação desses inóspitos embriões. previu a existência do “termo de parceria”. Nada quanto ao serviço. o instrumento jurídico que regula os repasses de recursos públicos para as organizações da sociedade civil para que executem políticas públicas chama-se “convênio”. integrante do ente público União.se organizam em apertadas salas para incomodar outros seres). há inúmeros sítios na rede mundial de computadores onde novo ramo de assessoria. LTr . 9. vencendo os leilões e se era isso que os brasileiros queriam. Se é possível que os espanhóis.Jornal do Congresso Basta acessar o “Dr. por exemplo. como condição de acesso a fundos públicos (exemplo: Programa de Formação de Telecentros financiado com recursos do Fundo para a Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust)) ou como condição para a concessão de isenções fiscais (exemplo: lei do Estado de Pernambuco que concedeu a isenção do ITCMD às organizações do Estado sem fins lucrativos qualificadas como Oscip).790/99. no que pontuamos como exemplo de deficiência que adiantamos acima. Hoje em dia o que mais tem são falsos autônomos. Atualmente. O que mudou foi o pagamento precário.100/99 e pela portaria n.. vários termos de parceria entre a administração pública e organizações qualificadas como Oscips estão sendo firmados em âmbito federal.]A Lei n.

790/99 é a possibilidade de a organização instituir remuneração para os dirigentes da entidade que atuem efetivamente na gestão executiva e para aqueles que a ela prestem serviços específicos. Sempre houve uma tentativa de fiscalização acirrada pelos órgãos competentes e espera-se que o Ministério Público do Trabalho continue firme em sua missão e as condenações subsidiárias. demonstrou-se sabedoria em saber que o time LTr . 9. A guisa de mais um exemplo pessoal.158-35/2001. que até então eram regidos pelos convênios. Simplesmente por meio de uma destas parcerias. em ambos os casos. obter o título de Utilidade Pública Federal e o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. instrumento instituído pela Lei n. Assim. a informação também é tentadora para os interessados: — Incentivo fiscal a doações — A Medida Provisória n. receber doações de empresas dedutíveis do imposto de renda. por conta das desvantagens da terceirização que a intuição de seus administradores para o mal que a cercam.php>. impondo aos tomadores que arquem com os prejuízos deixados pelas empresas terceirizadas. A Lei n. pelo então governo Serra.Jornal do Congresso .790/99. de forma habitual ligada à igreja católica (virou uma tradição nos serviços de saúde após a infiltração deste segmento inicialmente nas santas casas). Primeiro não se cumpre promessa de campanha para a construção de mais um hospital. 9. de 30 de dezembro de 2002.14). no município paulista de Presidente Prudente.637.4.com. em seu artigo 59. Desapropria-se um e pronto. nos termos e condições estabelecidos pelo inciso III do parágrafo 2º do art. Como um passe de mágica viu-se a transformação em Hospital Universitário privado em Hospital Regional Estadual. enfermeiros e médicos.249/95. foram todos mantidos ou contratados pela indicação dos padres e sua rede de administração. presenciei ao longo dos anos as tentativas de terceirização no campus universitário e sua volta ao estado anterior. 13 da Lei n. sem nenhuma capacidade financeira (penhora-se o Vaticano?). Desde auxiliares de enfermagem. professora de uma instituição de ensino há quase duas décadas. trata de isenção fiscal para Oscips que remuneram dirigentes. assim como as organizações portadoras do título de Utilidade Pública Federal. administrados pela Receita Federal — Portaria 256 de 15 de agos24 to de 2002. sem nenhum concurso. do Ministério da Fazenda (Disponível em <http://www. os valores praticados pelo mercado. sem que se tenha o contratante qualquer responsabilidade pela não realização dos necessários concursos públicos. respeitados. antes ligado à universidade onde atuamos. abandonados ou disponíveis. — Podem receber bens apreendidos. passa-se uma mão de tinta para mudar as cores e lá dentro trabalham quem a OCISP quiser. antes de computada a sua dedução. Cabe ressaltar que a não-remuneração de dirigentes continua sendo uma exigência obrigatória para se registrar no CNAS. — Possibilidade de remuneração de dirigentes — Uma grande inovação da Lei n. Fácil. que estabeleceu critérios mais transparentes e eficientes para o repasse de recursos públicos para entidades sem fins lucrativos.vieiraconsultoria. 9. Segundo ela. br/?path=quem_img1. Não precisa muita elucubração mental para perceber que é uma ótima alternativa para sobreviver e ficar enraizado no serviço público. quem sabe transformadas em solidárias na utopia da sugestão que se fez. Um exemplo de nossa experiência pessoal foi a desapropriação de um hospital universitário.Quantos aos “principais benefícios conferidos aos portadores da qualificação de OSCIP”. 10. as Oscips que optam por remunerar seus dirigentes que atuam efetivamente na gestão executiva e aqueles que a ela prestam serviços específicos e que tenham vínculo empregatício com a organização poderão ter isenção do imposto de renda e receber doações dedutíveis das empresas doadoras. todos os empregados que lhe eram simpáticos continuaram a administrar e ou prestar serviços para o novo ente público estatal. doações efetuadas às Oscips podem ser deduzidas do imposto de renda das empresas doadoras tributadas sob o regime do lucro real até o limite de 2% sobre o lucro operacional dessas empresas. Acesso em 20. 2. estabelece que as organizações qualificadas como Oscips também podem. Discute-se anos na justiça o preço a pagar. — Termo de parceria — As parcerias firmadas entre as Oscips e o Estado podem ser regidas pelo termo de parceria.

Desde o departamento pessoal. Ora. Enxergou. E sua decisão. nos grandes grupos mais atentos ao custo final. por exemplo. harmonizam-se e lhes são. Havia laranjas podres que podiam contaminar as boas.estava ruim e algo deveria ser feito. o setor de transportes está sendo a bola da vez. Normalmente as empresas terceirizadas. pelo que se vê no dia a dia das varas do trabalho. Os campus estão limpos. Passam a fazer parte dela. o novo alvo de tentativas de terceirizações por parte de grandes empresas. Terceirizar o transporte. então que venha a lei 25 . podendo pagar bem. como advogada do conglomerado Itaú) a ponto de manter em sua central seu corpo jurídico. tem sido LTr . para melhor. Quem. Há na verdade. antes de ingressar na magistratura. Desde que em cada uma das mil possa ser condenado solidariamente por irregularidades trabalhistas e quaisquer pendências em relação aos trabalhadores que lhe prestaram serviços tudo estará dentro dos eixos.Jornal do Congresso uma falsa economia. quando da invasão de uma de suas fazendas teria convocado a vigilância universitária para garantir a ordem em sua propriedade e foi informado que a terceirizada não teria autorizado o deslocamento dos vigilantes em seus postos de trabalho. muitas vezes frustradas. ninguém faz milagre. por exemplo contratará um escritório de advocacia que cuida de várias empresas se poderá pagar. Conta-se no campus que o antigo reitor. inclusive alimentícias. nada mais vantajoso do que lhes enquadrar na categoria diferenciada. O Bradesco. um bom advogado empregado e com dedicação exclusiva? É evidente que um bom escritório. funcionários e professores (não se corre o risco de cada dia um vigilante estar em uma empresa contratante). por exemplo. Não há diferenças de várias categorias precarizados e os da preponderante. pode ser vista por todos. um movimento inverso de terceirização. E assim fez com outros setores. inconformado. ainda assim. em sã consciência. abrirão mão de ter seus subordinados diretos? Agora. Dedicam-se ao seu crescimento. Nem mesmo o transporte de carga perecível. com a nova lei dos motoristas. inclusive multinacionais. É o que se tem notícia. Via de regra também retrocedendo. que passa por uma fase de transição e necessárias adaptações à realidade. que se iniciou na década de 90 retrocedeu (presenciei esta transição pessoalmente. os empregadores que têm um tino especial para a economia. demorou um pouco mais para enxergar que seu corpo jurídico próprio e central precisaria ser mantido. qualificam-se. A terceirização do departamento jurídico dos banqueiros. não tem mantido a frota em bom estado e acidentes fatais tem levado os empresários a repensar a opção e a falsa economia. no dia seguinte teria recontratado diretamente seus homens. Se terão que se responsabilizar pela contratada. deixando para os terceirizados apenas parte da responsabilidade. muitas vezes mais unidade e com piso salarial mais “salgado”. Não sei se é lenda ou verdade. não estará inserido no seio empresarial para. na maioria. mesmo com a aparente redução de custos. os vigilantes conhecem praticamente todos os alunos. naquela época de ventos de flexibilização. No setor sucroalcooleiro. por melhor que seja a sua preparação. Diz ainda a mesma lenda que. os grandes bancos contam com a terceirização apenas em parte do serviço nas “pontas” quando extremamente necessária a atividade descentralizada de suas sedes. estar disponível a maior parte de seu tempo para um único interesse. o que grandes empresários sentiram na carne: os empregados diretamente contratados vestem a camisa do grupo econômico e nela estão para o que der e vier. decorre de lei. como um antigo médico de família. salvo engano. gratos. e a necessidade de controle absoluto sobre as entregas e a qualidade com que chegarão seus produtos tem desmotivado estas tentativas. mediante prova seletiva específica e rigorosa. enfim. visando adequar os custos. o jurídico e todos os prestadores de serviços que retornam à dedicação exclusiva e direta ao tomador de serviços. com o entendimento dominante de que seus motoristas. mas também retrocedeu e hoje. a responsabilidade solidária não se presume. restritos nos limites da contratação aos seus campus e não em propriedade particular. devem necessariamente estar vinculados aos sindicatos de trabalhadores rurais. sempre com menor potencial de risco. com restrições. Não importa quantas mil terceirizadas um tomador queira contratar. inclusive de funcionários.

sem precedentes.Jornal do Congresso . O que importa ao mundo jurídico e às relações de trabalho. Todos são “terceirizáveis”. acabam rescindindo seus contratos. Em conclusão. penhorado. Alguém pagando a conta no final. subsidiária em um único artigo de lei que. teremos mais proteção às relações de consumo. A discussão sobre o que é atividade-meio ou fim será. retendo valores até então devidos. pois. não sejamos hipócritas. descobrir ou regulamentar. num país tão injusto com as heroicas empresas brasileiras. Basta dividir a responsabilidade e de preferência solidariamente. ou na pior das hipóteses. aliás. é que todos sejam responsáveis.que imponha tal responsabilidade e nenhum problema mais existirá na tal “necessidade” de terceirização” e a tal liberdade ao pleno emprego e à livre iniciativa. a lei. certamente faria cair por terra qualquer especulação tornando totalmente desnecessária qualquer regulamentação. que rotulamos no nosso jardim jurídico de simbióticas. Defende-se. nos faz lembrar o ovo de colombo. Aliás. desde a contabilidade ao almoxarifado. Do contrário. Não são idôneos seus prestadores de serviço? Se têm cautela na escolha e na vigilância por que temer? Pulverizem suas empresas em mil pedaços e sintam na carne o que os trabalhadores terceirizados sentem sem o bem maior. na economia privada a terceirização visa reduzir custos e na pública. Aos inimigos. num futuro próximo tudo pode vir por água abaixo. LTr . já é. Talvez em breve a universidade irá “terceirizar” seus professores. como diria Maquiavel. Multinacionais terceirizam os auxiliares de toda a sua administração. embora polêmico. por força da responsabilidade solidária legal. além disso. Se para a locação o coitado do fiador pode ter sua própria casa. quem sabe. descontentes com seus desempenhos. Uma empresa quer terceirizar (e 26 correr o risco de ser condenada por aquele que não administrou bem) que o faça afinal. dependentes de seus tomadores de serviço que. candidatos à sindicalistas. de menor importância. encontrar. nossa sugestão. Cada novo desmembramento. via de regra. driblar a falta de verbas e vagas criadas por lei. um novo sindicato. responsabilidade solidária. Tal artigo único sugerido no início desta tese. há de vir e ai sim teremos a verdadeira regulamentação de sua existência. Se solidária por lei a relação. Quem também lucrará (já lucram) com isso são os sindicatos. acaba-se com essa frenética investigação e tantas especulações. o bem de família. ou melhor. porque não os tomadores de serviço? Corram o risco da condenação e ai veremos se a euforia continua. Mal nenhum há. Na prática já se terceiriza tudo e aos olhos de todos. mesmo antes da tomadora de serviço se manter viva. numa força lobista do setor imobiliário. entre outras benesses que permitem a empregabilidade espúria. o que. a instituição da responsabilidade solidária. Nada será preciso mudar. a estabilidade: uma insegurança diária e a certeza de que. E se é assim e se o trabalhador não pode ficar a “ver navios” quando estas empresas. Sindicato dos “professores terceirizados”. pois. já é um alento.

273. Alice Monteiro. ed. construído pela área de administração de empresas. uma atividade laboral de que se representa empresa tomadora. conforme posicionamento de Barros (2009). p. Teixeira Filho (2000) na obra com Süssekind. A terceirização constitui uma relação jurídica triangular.(Grifos do autor) Esse tipo de contratação descaracteriza o vínculo empregatício direto. 2011. Livro Manual do Trabalho Doméstico e Livro Redução da Duração do Trabalho. (12) DELGADO. em que se verificará a figura da empresa tomadora dos serviços. LTr . dentro de determinada atividade empresarial.TERCEIRIZAÇÃO. Observa-se que. graduado em Direito no ano de 1997. São Paulo: LTr.Jornal do Congresso alguma. Há que se ressaltar que. v. Nesse sentido. é o ato de transferir a terceiros. se se afirma a autonomia e a plena validade jurídica do contrato (de natureza civil) de prestação de serviços. 2000. 27 . Revista LTr. transferindo as atividades-meio. A terceirização. ou seja. Mas. utilizado neste contexto para designar a empresa prestadora de serviços. São Paulo: LTr. Instituições de direito do trabalho. professor de Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho da Universidade Federal de Uberlândia/MG — UFU. pela Universidade Federal de Uberlândia — UFU. Arion Sayão. mar. São Paulo: LTr . 280. São Paulo: LTr. a empresa se concentra na sua atividade-fim. sócio do Escritório Barbosa e Araújo Advogados Associados./1992.” E conclui: O vocábulo terceiro. Assim. Romita (1992) ressalta que terceiro não é parte da relação jurídica e indaga: “No contrato entre a empresa de prestação de serviços e a empresa tomadora. no Brasil.. Autor da LTr. Um exemplo disso foi o que (11) SÜSSEKIND. EFEITOS NOCIVOS AO TRABALHADOR E IMPACTOS NA DURAÇÃO DO TRABALHO Magno Luiz Barbosa Doutor em Direito das Relações Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo — PUC/SP. 426. a empresa irá fornecer o trabalho dito terceirizado e o trabalhador irá prestar serviços para a empresa tomadora. mediante salário. mestre em Direito das Relações Econômico-Empresariais pela Universidade de Franca (2005) — UNIFRAN. 1. Sobre o fato de a empresa prestadora de serviço ser denominada terceirizada. ed.”(11). 10. dispõe: “constitui exceção ao estabelecimento do vínculo empregatício diretamente entre quem exerce o poder de comando e aquele que executa. denota uma preocupação com a possível existência de relação empregatícia entre a empresa tomadora e os empregados da empresa prestadora dos serviços. ocorre consequentemente uma exclusão de trabalhadores aos direitos reservados a determinada categoria. Maurício Godinho. é o objetivo principal do Direito do Trabalho. 452. na acepção da palavra. p. Delgado (2011) dispõe que terceirização é um neologismo. 2009. a outra empresa. ao se possibilitar a terceirização. porém sob vínculo empregatício com a empresa terceirizada. visando enfatizar a descentralização empresarial de atividades para outrem. p. há apenas o primus e secundus. no Direito do Trabalho significa que uma empresa transfere. sem dúvida (10) ROMITA. a terceirização somente é permitida em atividades consideradas de segundo plano. 5. especialista em Direito Civil (1999) e Direito Processual Civil (1998). então não teria sentido atribuir ao prestador dos serviços a qualidade de terceiro(10). 19. de suporte. (13) BARROS. que. atendo-se a empresa à sua atividade principal.”(13). p. oriundo da palavra terceiro. parte de suas atividades. Arnaldo et al. um terceiro. a empresa(12). ed.. A terceirização e o direito do trabalho. ao dissertar que “o fenômeno da terceirização consiste em transferir para outrem atividades secundárias. Curso de direito do trabalho. Curso de direito do trabalho. fora da cultura do Direito. Onde está o tertius?.

que gozavam de todos os direitos dos servidores públicos. desonerando sobremaneira a administração pública. o que lhe permite ampliar seu lucro. economia de custos. inobservando a legislação especial editada naquele então(14). é óbvio. Contemplava-se desde a contratação de mão de obra por meio de empresas inidôneas até a escancarada substituição de trabalhadores próprios por vinculados a empresa interposta. consequentemente. quando uma empresa opta por utilizar a terceirização de algum serviço. p. Hodiernamente. a estabilidade no emprego. a terceirização foi muito utilizada para explorar o trabalhador. 5. 281/282. O certo é que a terceirização ainda é campo fértil para discussão sobre a garantia dos direito básicos ao trabalhador. de imediato. como benéficos para a empresa. p. que buscam aumentar a lucratividade à custa do achatamento dos direitos dos trabalhadores. a fim de diminuir os seus custos e as suas responsabilidades.Jornal do Congresso . com o fenômeno da globalização os grandes grupos econômicos procuram se instalar nos países onde terão menos encargos e. ed. São Paulo: LTr. as garantias do contrato de trabalho desaparecem. Afinal. visto que os seus efeitos somente são positivos para os detentores do capital. burlando a legislação do trabalho. Manus (2007). p. 61-62. São Paulo: LTr. 11. Sobre o fenômeno da terceirização. trabalhistas e tributários. Direito do trabalho. portanto. menores custo de produção. Ives Gandra da Silva. ocasionando desemprego periódico. que vedam a contratação de trabalhadores por meio da intermediação de mão de obra. pode-se até pagar mais pelo serviço prestado. a baixo custo e sem lhe oferecer as garantias básicas: Vasta produção jurisprudencial se formou em torno da extensa gama de hipóteses de subministração de mão de obra a baixo custo e de exploração da energia de trabalho. o que foi substituído por contratação interposta. exceto para o exercício do trabalho temporário (cf. manter-se no mercado de forma competitiva. 2009. pois. Gandra Filho (2008) elenca os efeitos da terceirização na relação de emprego. Arnaldo et al. o Ministro do Superior Tribunal do Trabalho. que impossibilita a integração do empregado na empresa(16). ou no mínimo. ou seja.v. faz uma interessante abordagem: É fato que. ressalta com propriedade que “o que motiva o empresário a buscar o concurso desse terceiro. pois possibilita a concentração da empresa em sua atividade-fim. os encargos do empregador desaparecem e. (14) SÜSSEKIND. não existindo contrato de trabalho. simplificação da estrutura da empresa e sua horizontalização. Para muitos autores. permitindo maior competitividade. elenca os efeitos da terceirização. garantindo preço razoável a seu produto”.ocorreu na administração pública. países que adotam a terceirização são alvos de empresas multinacionais. sociais. é diminuir o custo da mão de obra. ao passo que reduz o salário do empregado terceirizado. Pedro Paulo Teixeira. ed. que tem nesse tipo de trabalho a possibilidade de diminuição de custos e encargos.(15). (16) MARTINS FILHO. quando trata do assunto. Assim. Pedro Paulo Teixeira Manus. como Teixeira Filho (2000). 2007. 457. como a França. antes da possibilidade de terceirização dos serviços de vigilância. 19. 28 proporcionando redução dos encargos sociais. São Paulo: Atlas. por um terceiro. causa a pulverização sindical. (17) BARROS. Alice Monteiro. o que poderá gerar maior lucratividade. no que tange a encargos trabalhistas e questões previdenciárias. art. LTr . gera maior rotatividade dos empregados. Todavia. Não há dúvidas de que a terceirização é um instrumento de precarização da relação de emprego. 2008. 16 ed. Manual esquemático de direito e processo do trabalho. Com relação ao empregado. deteriora as condições de higiene e segurança do trabalho. São Paulo: Saraiva. como se mercadoria fosse (marchandage). o faz com a intenção de migrar dos contratos de relação direta de emprego para os contratos de natureza civil com a empresa interposta. p. Instituições de direito do trabalho. ed. porque esse instituto deixa de existir. como danosos. Curso de direito do trabalho. Há países. 2000. 125-3 do Código do Trabalho francês)(17). inclusive.1 (15) MANUS. 127. os campus universitários tinham a sua segurança garantida por vigilantes concursados.

LTr . a duração semanal do trabalho de 44 horas. em regra. Entretanto. por meio de empresa interposta. p. deve necessariamente colocar no polo passivo da demanda a empresa tomadora do serviço. está em uma representatividade coletiva (20) COURA. indubitavelmente. Nesse sentido. Direito do trabalho. 2007. como. ruiu valiosas conquistas e criou muralhas entre eles”(20). p. aumentando o número de postos formais de trabalho. que opte por essa forma de contratação. por exemplo. 29 . ela parece ser um instrumento de efetivação da máxima maquiavélica: a terceirização dividiu os trabalhadores. Revista LTr. os empregados da empresa tomadora. sem a garantia de direitos básicos do outro trabalhador. pois o descumprimento das obrigações trabalhistas. não terá a duração do seu trabalho diferenciada. Revista LTr. um dos fatores mais expressivos em relação à valorização do trabalho por meio de empresas interpostas. Pedro Paulo Teixeira. São Paulo: LTr. o que poderia também culminar na necessidade de novas contratações. por exemplo. em hipótese alguma. por sua vez. No que tange ao contraponto duração do trabalho e terceirização. Coura (2011) acentua que: “por todos os ângulos que se analise a terceirização. (19) GIGLIO. 331 do TST. o empregado terceirizado. no caso da terceirização. o ponto crucial quanto à terceirização está relacionado às questões de representação coletiva. perante o obreiro que prestou os serviços. dez.460. impondo-lhe medidas drásticas para poder manter-se em atividade(18)./2011. como resposta natural e espontânea da sociedade às novas imposições das atividades produtivas modernas. O modelo de trabalho. Destarte. São Paulo: LTr. colocando os terceirizados em flagrante condição de inferioridade. Independente da atividade em que o obreiro esteja prestando os seus serviços. São Paulo: Atlas. ed. 394. Wagner D. o tomador dos serviços. tornando o mercado altamente difícil para a empresa nacional. Importante salientar que o item IV da Súmula n. responsabiliza. significar uma blindagem ao empregador. o empregado que labora por meio de empresa interposta não terá os direitos reservados aos empregados contratados diretamente pela empresa tomadora. abr. em que o obreiro trabalha doze horas e folga 36 horas consecutivas. neste caso. Geralmente utiliza-se./2011. verifica-se que a duração diária do trabalho nos serviços de segurança está entre as mais elevadas no ramo de serviços. pleiteando verbas trabalhistas não pagas na relação de emprego. E acrescenta que deverá haver melhor regulação da terceirização para que se diminuam os malefícios aos trabalhadores(19). Tal fato se deve também ao trabalho de vigilância estar relacionado ao trabalho intermitente. Giglio (2011) pondera que “provavelmente tenhamos que nos adaptar à terceirização.Lembre-se de que a terceirização é situação imposta pelo fenômeno da globalização. apesar de estar nas dependências dessa empresa tomadora. conforme previsto no referido item IV da Súmula n. pela empresa interposta. 1. como bancários. como as empresas multinacionais. Terceirização. o sistema de escala de 12x36. p. que presta serviços no mesmo ambiente.Jornal do Congresso Destarte. O capitalismo contemporâneo e suas transformações — o impacto da terceirização trabalhista.”. há que se observar que. ao ingressar na Justiça do Trabalho. Assim. Por exemplo. faz com que o trabalhador seja colocado em um ambiente alheio à sua representatividade coletiva. 11. estão vinculados a normas coletivas que não se aplicam aos empregados terceirizados daquela instituição financeira. reservada aos bancários. O trabalhador. ou seja. é indiscutível que a redução da duração padrão de trabalho seria benéfica aos trabalhadores de empresas interpostas. Solange Barbosa de Castro. quando uma instituição financeira contrata uma empresa interposta para lhe fornecer o serviço de segurança. empresas que se utilizam dessas contratações tem o dever de fiscalizar as empresas que oferecem a prestação de serviço. trabalhadores das empresas de intermediação de mão de obra tem apenas a garantia dos direitos básicos previstos na Constituição Federal e na CLT. Aliás. (18) MANUS. 127. à medida que a competitividade aumenta com esse processo que introduz entre nós outros competidores. com pequenas vantagens eventualmente previstas em convenções coletivas de trabalho. subsidiariamente. 331 do Tribunal Superior do Trabalho dispõe que a terceirização não pode.

sus30 tentando-se. LTr . Professor Titular do Curso de Mestrado e do Doutorado em Direito da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. DELGADO. Ives Gandra da Silva./2011. Direito do trabalho. formada entre empregado e empregador. 394. “Tor Vergata”. Arnaldo et al. Advogado (Disponível em: <http://www. que tal moldura é incompatível com o intuíto expansionista das empresas. Revista LTr. capaz de alcançar direitos para os terceirizados. p./2011.pro. São Paulo: LTr. a bilateral. 11. próprio do regime capitalista. ROMITA. Solange Barbosa de Castro. É NECESSÁRIA A REGULAÇÃO DA TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS? Ana Maria Maximiliano Pós-graduada em Direito Administrativo (Instituto Brasileiro de Estudos Jurídicos/UNIBRASIL/2000) e em Direito Constitucional (Academia Brasileira de Direito Constitucional/UNIBRASIL/2013).forte. Wagner D. Professor da UFSC e da UNINTER./1992. Curso de direito do trabalho. São Paulo: Atlas. Manual esquemático de direito e processo do trabalho. ed. São Paulo: LTr. em razão da necessidade de inserí-las em um processo econômico competitivo. ed. Considerações iniciais A relação de trabalho típica. dez. de um modo geral. 2009. COURA. Referências bibliográficas BARROS. Doutor pela Universidade de Roma I. SÜSSEKIND. São Paulo: LTr. GIGLIO. A terceirização e o direito do trabalho. Arion Sayão. 2011. 16 ed. do Estado e Atividade Econômica: Enfoque Laboral”. Marco Antônio César Villatore Pós-Doutorando em Direito Econômico pela Universidade de Roma II. 2008. Revista LTr. São Paulo: Saraiva. Instituições de direito do trabalho. 2007.Jornal do Congresso . São Paulo: LTr.br>). Pedro Paulo Teixeira. Procuradora do Município de Curitiba. mar.villatore. MANUS. ed. 10. Maurício Godinho. v. Alice Monteiro. há muito deixou de ser a única no cenário nacional. abr. 5. Revista LTr. Membro da Comissão de Direito do Trabalho OAB/PR — 2013/2015. 19. O capitalismo contemporâneo e suas transformações — o impacto da terceirização trabalhista. Graduada pela PUCPR. São Paulo: LTr. Líder do Grupo de Pesquisa “Desregulamentação do Direito. Curso de direito do trabalho. equiparados aos direitos dos empregados que trabalham na empresa tomadora de serviços. 1. Terceirização. “La Sapienza”/UFSC e Mestre pela PUC/SP. 2000. MARTINS FILHO. ed. São Paulo: LTr.

74. Revista do Tribunal Superior do Trabalho. no Poder Judiciário. v. em especial “O trabalho em regime de subcontratação no Brasil” e “Transformações estruturais e emprego nos anos 90”. na afirmação de Márcio Túlio Viana. pois há legislação específica para os casos de vigilância. que podem significar formas criativas de ocultamento e simulação. p. na Administração Pública. 82-83 apud BIAVASCHI.unicamp. a anomia até os dias atuais de legislação que trate da terceirização de forma ampla. Revista do Tribunal Superior do Trabalho. no setor bancário. serão decididas pelo Poder Judiciário. v. A fim de acompanhar as inúmeras mudanças dos nossos tempos.scribd. out. 331 do Tribunal Superior do Trabalho: a história da forma de compreender a terceirização. São Paulo: LTr. Magda Barros. out. Assim é que a dimensão que a terceirização tomou reclama a elaboração de regulamentação a fim de não se tornar a antítese da marca do Direito do Trabalho. LTr . 74. Coura. o Estado se omite de editar norma heterônoma e transfere para os trabalhadores e empregadores a responsabilidade pelo gerenciamento de tais relações jurídicas. out. O fenômeno da terceirização é uma das expressões dessa complexidade. das obrigações trabalhistas perante os empregados envolvidos na consecução do ajuste. p. movido por um impulso que o mantém em funcionamento. vai engendrando novas formas de organização. Considerações finais O mundo do trabalho não é estático.Jornal do Congresso mais das vezes eximem de responsabilidade os verdadeiros beneficiários da força de trabalho. Guilhermo. portanto. como empreitadas. veja-se neste sentido a Súmula n. Terceirização e a justiça do trabalho. n. (22) Disponível em: <www. BIAVASCHI.(24) Essa transferência de poder para os magistrados. que se caracterizam como evidentes terceirizações de serviços. Terceirização e a justiça do trabalho. n. 1975. Brasília. diminuir os custos e melhorar a qualidade do produto ou do serviço. 67-88. 4. há outras circunstâncias fáticas que merecem ser apontadas. Acesso em: 29. Percebe-se. 2008. Tal judicialização não corresponde ao Estado Democrático de Direito. 175. na medida em que não se asseguram expressamente os respectivos direitos trabalhistas. organizar a empresa e relacioná-la com outras e assim o capitalismo.4.Conforme J. limpeza e conservação. In: REIS. Magda Barros.(23) A par dessas situações. na medida em que se caracteriza como ativismo antidemocrático e próprio das democracias delegativas. Solange Barbosa de Castro (Coords. n. Democracia delegativa? Novos Estudos. A dois./dez. o que reflete. p. que o nó górdio das críticas ao instituto da terceirização recaem na ausência de legislação protetiva dos direitos sociais do trabalhador. na argumentação e no modo de participação da sociedade. socialismo e democracia. a ocorrência do movimento de retorno aos ajustes de natureza civil.(22) Além dessas pesquisas. Mello.). J. 31 . 25-40. Schumpeter(21).4. etc.eco. 2008. p. contratos de facção. 74. não sendo resolvidas pelas instâncias políticas tradicionais que são o Congresso Nacional e o Poder Executivo. 1991. Capitalismo. (24) O’DONNELL. Magda Barros. pelo contratado.2014. A um. CEBRAP. Roberta Dantas de.com/doc/22584776/O-Donnel-1991-CebrapDemocracia-Delegativa./dez. ou seja. Com efeito. principalmente. em um Estado Democrático de Direito é essencial se assegurar o exercício dos (23) BIAVASCHI. p. New York: Harper & Row. p. Daniela Muradas. 81-82. e para tanto criam novas formas de produzir. 31. 2013. Contexto da terceirização e o estado democrático de direito As pesquisas publicadas pelo Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho/ Instituto de Economia — CESIT/IE. após.br/cesit/index. Acesso em: 29. php/publicacoes/433>. p. 67/88. demonstram o crescimento da terceirização no país em todos os âmbitos. A dinâmica da Súmula n. 331 do TST. projetos de fomento. as de repercussão política e social em especial têm sido judicializadas. Brasília. Disponível em: pt. seja na indústria. impôs uma trajetória jurisprudencial no tocante ao tratamento da responsabilização do tomador nos casos de não cumprimento. os capitais estão sempre à busca de lucros extraordinários.2014. 4. no (21) SCHUMPETER. Trabalho e justiça social. visando. redunda em uma esperada alteração significativa na linguagem. que são questões de todos os matizes.

doc/22584776/O-Donnel-1991-Cebrap-Democracia-Delegativa. n. LXXVIII. não há necessidaconcretizar o espíritoconclui-se dos comandos Paulo: 2013. 475-J do Código de Processo EstadoporDemocrático de Direito. 1991. Guilhermo. out. sendo necessária a edição de legislação que sistemas legais vigentes”.4. osSe preserve frente àinfraconstitucional terceirização. 249-275. p. Trabalho princípios destacados acima. p. passando o Estado a agir como a Emenda Constitucional n. O intérprete não deve se quedar inerte diante da Referências letargia dos legisladores e diante dos percalços da incorporação de novos procedimentos. Nesse viés quaisquer interpolítica. Democracia delegati(5) CARVALHO. MagdaaoBarros.2014. estas Sob o prisma desse princípio. Roberta Dandos princípios do Processo do Trabalho redação tas de. fundamentada no 88. bens de natureza alimentar — um protiça do Revista do Tribunal Supecesso mais ágil e eficaz(5). numa análise a aplicabi- lidade da multa do art. Brasília. sem soluções implícitas. 334/2004.). A dinâmica da Súmula n. 173-182. 67475-J do Código de Processo Civil. Terceirização e a jusbalho deve oferecer seu jurisdicionado-hipossufiente e credor de trabalho. 101-102. realidade social reclama pela regulamentação da Direito e Justiça: a Função Social do Judiciário.com/ tas.scribd. 331 do Tribunal onais justrabalhistas.br/cesit/inos Magistrados e os Advogados para que a sociedade Acesso nuncadex. perca a esperança de que terá seus direitosem: tutelados 29. 1997.4. ção de um projeto de sociedade. n.Jornal do Congresso . 2007. o Direitoatuação Processual do Trabalho. LTr. mas já será um passo adiante. rior do Trabalho.11. nidade de maior efetividade no cumprimento das sentenças trabalhisout. direitos sociais.eco. 5º./dez.da razoável duração do proprincípio constitucional cesso (art.os1º princípios constitucionais devem irradiar sua aplicabilie a3ºtodos da CRFB/1988 devem parâmetro da dade os subsistemas. após mente satisfeitas. Solange Barbosacom de aCastro do novo dispositivo são um meio de concretização dos (Coords. como.e de súmulas pelo Tribunal Superior do Trabalho dos à responsabilidade de reformular a partir das próprias questionadas perante o Supremo Tribunal Fedecontradições sociais os conceitos fechados e tipificantes dos ral. p. principalmente. O’DONNELL. v. O Processo do TraBIAVASCHI. In: FARIA. Luciano Athayde. Oportuva? Novos CEBRAP. valorizando mais as questões de justiça do que os problemas de legalidade. pode ajudar a processualística Superior do Trabalho: a história da forma justrabalhista a alcançar esse desiderato. José Eduardo (Org.Jornal do Congresso 32 97 LTr . José Eduardo Fa(4)no presente estudo consubstanciadas na edição ria ressalta que “cabe a uma magistratura com um conhecimento multidisciplinar e poderes decisórios amplia. Acesso em: 29. Lei n. Nesse sentido todos os problemas de concretização dos direitos trabalhistas.e justiça social. 4. LuisEstudos. terceirização de serviços. São Paulo: Ática. Coura. p. 45/04. a argumentação torna-se mais devem consistente analisada a luz reitos sociais ser quando exigências crescenteda principiologia constitucional.unicamp. a busca da p. Fernando Silva de. a percepção da coerência Muradas. 2008. certamente não como insculpido no Projeto de Lei n.ser poroexemplo. In: CHAVES. identificação Daniela da omissão celetista eMello. 25-40. de compreender a terceirização. LTr . São Paulo: LTr. LXXVIII.Tal princípio pressupõe uma visão social do sistema processual do trabalho. de de se recorrer ao ativismo judicial ou a qualquer José outra técnica delegal cunho subjetivo.efetividade deve Enfim. São interpretação do processo. O método de colmatação de lacunas.2014. CF). que constitucionais. Eduardo. A aplicação subsidiária do art. In:a REIS. 5º. osNuma fundamentos e ospós-positivista fins definidos nos arts. pretações dadas à legislação infraconstitucional devem Portanto.php/publicacoes/433>. pela qual se assefomentador participação públicacomo na construgurou a razoáveldaduração do processo direito fundamental a todos os brasileiros (art. poisdo a (4) FARIA. Ordem X Mudança social: a crise judiciário e a formação do magistrado. Direito Processual do Trabalho: Reforma e efetividade. CF) e nos princípios constituci____. Disponível em: pt. 74.). verdadeira tornar-se um objetivo comum principalmente dentre Disponível em: <www. os diCivil já é No admitida inúmeros autores. pelo Poder Judiciário.232/2005: 31.

35 p.5. idônea a ilustrar e fomentar o debate jurídico. Pois feita esta ponderação.3º Painel A LESÃO ESTÉTICA E A REPARAÇÃO DE NATUREZA MORAL E MATERIAL: UMA TENTATIVA DE ESCLARECIMENTO Hugo Cesar Amaral Bacharel em Direito e Especialista em Direito Constitucional pela Faculdade de Direito da UFU/MG. conforme estudo histórico apresentado por Yussef Sahid Cahali. os bens tutelados são distintos. Advogado.3. passemos à apreciação. A profusão do uso da palavra dano. uma vez que. o que não nos parece ser o mais acertado. temos que não está imune a equívocos. em sede de responsabilidade civil.2014.2008. seja o motorista trafegando por uma rua qualquer enfim. pode gerar confusões.”(3) Embora seja a jurisprudência uma relevante fonte do direito. questionar se a lesão estética(1) pode ser cumulada com o dano moral. Segundo pensamos a lesão estética é o fato gerador do direito à reparação. breve por sinal. Toda pessoa está sujeita a um infortúnio que venha a causar-lhe lesão de natureza estética. Relator: Ministro João Otávio de Noronha. tolhida a sua necessária e imperativa evolução. LTr . 33 . (3) Processo: AIRR — 209000-66. dado o inegável sofrimento que impõe à pessoa.Jornal do Congresso sentido de que “é cabível a cumulação de danos morais com danos estéticos quando. ou se ela está inserida neste? A questão é um tanto quanto intrincada e nossa jurisprudência majoritariamente tem caminhado no sentido de admitir a cumulação das indenizações.10. Data do Julgamento: 14. se inquestionáveis fossem os entendimentos emanados dos tribunais engessado restaria o direito. quanto poderá repercutir materialmente. Órgão Julgador: Quarta Turma. Com efeito. Aliás. o Tribunal Superior do Trabalho orienta-se “no sentido de que há possibilidade de cumulação do dano moral com o dano estético. ainda que caminhe no sentido de uma dita uniformidade. embora oriundos do mesmo fato. ainda que decorrentes do mesmo fato. da questão em tela. Data da Publicação/Fonte: DJe 3.0115 Data de Julgamento: 12. RSSTJ vol. Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo Bastos. a qualquer momento podemos ser acometidos por um evento do qual sobrevenham lesões físicas que promovam o afeiamento do indivíduo ou qualquer sorte de dano corpóreo que venha a prejudicar a imagem da pessoa. seja o transeunte caminhando pelas vias públicas.2014. o Superior Tribunal de Justiça vai tendo sua jurisprudência uniformizada no (1) Preferimos a terminologia lesão estética a dano estético. como por exemplo nos casos em que caberá a condenação do autor da lesão a custear cirurgias reparadoras ou outros gastos para minimizar o dano. Seja o trabalhador em seu ambiente de labor.”(2) A seu turno. à fl. Impende. são passíveis de identificação em separado. Data de Publicação: DEJT 21.2008. Procurador do DMAE de Uberlândia. A lesão de natureza estética. foi galgando junto aos tribunais e à doutrina espaço e aceitação sendo já há um certo tempo digna da adequada tutela junto ao judiciário brasileiro. 422. que inicialmente sequer era digna de reparação.3. (2) REsp 659715/RJ — Recurso Especial 2004/0096845-6. 5ª Turma. a qual poderá tanto ter natureza moral. 198 da 4ª edição de sua já clássica obra “Dano Moral”.11.2008. por hora. trazendo-lhe uma depreciação de sua imagem perante a sociedade e especialmente perante si mesmo.15.

Aliás. assevera com aguçada propriedade que “o dano estético passageiro não é dano moral e sim dano material. dadas as questões patrimonialmente mensuráveis. ou dano estético. no sentido de um tratamento lógica e cientificamente mais bem apurado do tema. inc. fls. em separado. A lesão que repercute sobre a beleza física da pessoa há de dar ensejo ou ao dano moral ou ao material. tais como medicamentos. Não se trata o dano estético de um tertio genus! Conclusões A lesão estética. expressa que “o dano estético há de apresentar uma certa definitividade. constituirá ou dano moral. face ao sofrimento vivenciado. facilmente indenizável e facilmente superável”. Assim. da lesão estética há de resultar dano moral. podendo desta situação repercutir consequências dignas de tutela pelo direito. a lesão estética propiciará ou o dano moral. Tomo II. Sendo reparável. devendo ser apreciadas a dor vivenciada. Enfim. 34 são que o fato trouxe para o aspecto psíquico da vítima. consultas etc corresponderiam ao dano material. no entanto. segundo a concebemos. resolve-se como dano patrimonial”4. cirurgias. aqui. pois não se está deixando de indenizá-la pela lesão de natureza estética. (6) Sobre o tema já dissertamos. Não podemos. ou dano material. quais sejam. ou até mesmo os dois. citada por Rui Stocco(4). outra não poderia ser a conclusão. dar ensejo à reparação de natureza material. o sofrimento imposto à pessoa repara-se a título de danos morais. ou seja: se possível de ser reparado. Em resumo. e a indenização por dano material. enquadráveis que estarão suas consequências em um das duas modalidades de dano existentes. Tem o condão de ensejar o dano moral a lesão que se revela perene. em artigo intitulado “O acidente do trabalho e a questão da cumulatividade das indenizações por dano moral e estético decorrentes de um mesmo fato”. a lesão estética(6). Conceber-se que não se deve cumular o dano estético com o dano moral não gera prejuízo algum à vítima. sob a coordenação do Dr. a indenização por dano moral. morais e à imagem. Toda e qualquer consequência da lesão estética. mais adiante. ou o dano material. aqui ponderada e sopesada toda a repercus(4) Tratado de Responsabilidade Civil — Doutrina e Jurisprudência. 5º. quanto às repercussões de caráter patrimonial que advenham do fato. dado a diversidade de sofrimentos dela decorrentes e o dano material. Editora RT. Um traço peculiar da lesão estética é que o corpo físico é atingido. a melhor orientação sobre o tema. Leonídeo F. Aguardemos a evolução jurisprudencial. 37/39. ainda que passageiro. resolve-se em danos materiais(5). mas apenas se está circunscrevendo o fato (lesão estética) a uma das duas formas de reparação aceitáveis juridicamente.Jornal do Congresso . 9ª ed. Rui Stocco. valorável juridicamente. a perda ou redução da capacidade laborativa etc. a nosso ver. igualmente.Teresa Ancona Lopez. por sua vez. 923. é no sentido de que a lesão estética é o fato gerador do direito à reparação moral. conferir uma natureza especial à lesão estética. ou seja. Ribeiro Filho. publicado no Publicado em Jornal do 4º Congresso Brasileiro de Segurança e Saúde no Trabalho. sob pena de retroagirmos ao pensamento que prevalecia no STF até a primeira metade do século XX. p. na medida em que a própria Constituição Federal de 1988. ao passo que os gastos que o infortúnio tenha lhe causado. donde se depreende ser ilógico indenizar. incluídos os custos com tratamentos de reparação ou diminuição da lesão estética. V. não sendo definitiva. não se podendo conceber a vedação à indenização por dano estético. que acompanhará a pessoa para sempre. LTr . segundo nosso modesto pensar. e assim será indenizada. assegurou a reparabilidade dos danos materiais. poderá dar ensejo à reparação de natureza moral. em seu art. evento realizado em São Paulo entre os dias 24 e 25 de novembro de 2003. Ainda que a jurisprudência hoje reinante entenda o contrário. (5) Pedimos vênia aqui para divergir pontualmente dos autores na medida em que mesmo sendo temporária a lesão não se pode afastar uma proporcional indenização por danos morais. que rodeiam o fato. a dimensão dos prejuízos advindos da lesão à imagem da pessoa e poderá.

Diante dessa dificuldade conceitual. A reiteração de acidentes de trabalho e a relação com a culpa e o nexo causal Os arts. Advogado Trabalhista.919 acidentes registrados(1). seja gerando incapacidade para o trabalho de forma total ou parcial. Como se vê.br/ estatisticas/>. sendo que em 2010 foram registrados cerca de 701. (1) Disponível em: <http://www. 8. o acidente típico. Apesar das inúmeras normas de proteção do trabalhador insculpidas na Constituição Federal art.496 acidentes.Jornal do Congresso 2. afetando-o individualmente e coletivamente. Sebastião Geraldo de Oliveira(2) define com propriedade as espécies de acidente de trabalho. 154 a 159. 1. 39.980 acidentes.190. Indenizações por acidente de trabalho ou doença ocupacional. seja causando redução da capacidade financeira e outras consequências negativas. No entanto. indicando outras hipóteses que se equiparam ao acidente típico para os efeitos legais. alguns empregadores vem reiteradamente descumprindo as normas de proteção e saúde do trabalho causando acidentes de trabalho. (2) OLIVEIRA. acrescentou dispositivo com sentido mais amplo. o legislador formulou um conceito para o acidente do trabalho em sentido estrito. Em contra ponto. também denominado acidente típico ou acidente-tipo.4. rev. Introdução O trabalho do ser humano é manifesto na expressão de seus talentos. inciso XXII.. p. 7º. 8. tais como: enfermidades decorrentes do trabalho. conjugando fatores do trabalho e extralaborais (concausas). mas que não têm ligação direta com o exercício da atividade profissional. LTr . acidentes ocorridos fora do local da prestação dos serviços. através da Lei n. o Ministério da Previdência Social divulgou os dados estatísticos de acidentes de trabalho.gov. 5 ed.ampl. doença profissional e doença do trabalho. e nas Normas Regulamentadoras (NR) relativas à segurança e medicina do trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego e demais legislações. 2009. a lei definiu apenas o acidente do trabalho em sentido estrito. acidentes ocorridos no local do trabalho. Acessado em 30. 19 e 20 da Lei n. os chamados acidentes do trabalho por equiparação. seja limitando o trabalhador de crescer em sua capacidade produtiva e intelectual. de seus dons. Atual. Isso porque a incapacidade também pode surgir por fatores causais que não se encaixam diretamente no conceito estrito de acidente do trabalho. o acidente de trabalho atinge a expressão de trabalho do ser humano. Sebastião Geraldo de. da busca da realização pessoal e da garantia de sobrevivência na sociedade. O trabalho gera dignidade ao ser humano. acidentes ou doenças provenientes de causas diversas.A REITERAÇÃO DE ACIDENTES DE TRABALHO E A RELAÇÃO COM A CULPA E O NEXO CAUSAL Emanoel Alesandro da Cruz Sampaio Lopes Especialista em Responsabilidade Civil pela Universidade Estácio de Sá.213/91. na CLT através dos arts. mas com vínculo direito ou indireto com o cumprimento do contrato de trabalho e acidentes ocorridos no trajeto de ida ou volta para o local de trabalho. totalizando nestes três anos o total de 2. São Paulo: LTr. Graduado na Universidade Federal de Sergipe.365 acidentes e em 2008 foram registrados 755.213/91 trazem o conceito legal de acidente de trabalho. Os acidentes de trabalho possuem números alarmantes no Brasil.previdencia. que pode ser dividido em: acidente típico. em 2009 foram registrados 733.2014. e relacionou outras hipóteses que também geram incapacidade laborativa. 35 .

em evitar infortúnios laborais. que de regra. 186 do Código Civil (CC). morais e estéticos. LTr . não agiu com a cautela necessária para evitar acidentes. A repetição dos acidentes de trabalho no mesmo ambiente laboral demonstra a omissão do empregador em preservar a saúde física e emocional do trabalhador. Lei n. Uma vez violada a obrigação legal de cumprir com as normas de segurança e saúde do trabalhador e gerado o dano resta caracterizado o ilícito nos moldes do art. O exame da repetição dos infortúnios laborais no mesmo ambiente de trabalho traz respostas sobre o cumprimento ou descumprimento das obrigações do empregador de prevenir os acidentes de trabalho. onde aplica-se. art. O tema tem relevante importância pela grande dificuldade que o Judiciário brasileiro. O axioma que se defende é que o empregador deverá evitar o acidente desde o primeiro momento. Com o infortúnio laboral. e a responsabilidade de restituir o acidentado ao estado anterior. 186. restando apenas a este procurar o judiciário para solucionar o seu problema. 950 do Código Civil. A análise da culpa e do nexo causal nos infortúnios laborais não deve se restringir apenas ao acidente de trabalho objeto de ação judicial. pode e deve o empregador buscar a restituição ao estado anterior através de ação judicial contra o empregador. uma vez que os números de acidentes na empresa trazem indícios do cumprimento e descumprimento das normas de proteção ao trabalhador. todos estes com fundamentos nos arts. pleiteando danos materiais. o empregado acidentado vê-se desamparado. O empregador tem o dever legal de cumprir com o que estabelece a lei para proteger a saúde e segurança do trabalhador. agindo com conduta culposa. o nexo de causalidade e o dano. isto é. se confunde com seu empregador. tem de enfrentar e encontrar a responsabilidade do empregador nos acidentes de trabalho. devendo promover todos os esforços possíveis para evitar a reiteração de acidentes no ambiente de trabalho. NR. não assume as responsabilidades civis e trabalhistas com o acidentado. quando este não toma medidas para evitar os acidentes. que além de não evitar o dano. estéticos e morais. 7º inciso XXVIII. A análise da culpa consiste na observância da obrigação de proteger a saúde e segurança do trabalhador no ambiente de trabalho por parte do empregador. a fim de buscar a real conduta do agente. da qual são pressupostos: a conduta culposa. pelo causador do acidente. CLT.Jornal do Congresso . Estando presente a conduta culposa do agente empregador. especialmente a Justiça do Trabalho. A reiteração de acidentes de trabalho dentro de um mesmo ambiente laboral é de funda36 mental importância para a análise da culpa do empregador e do nexo causal.O problema aqui apresentado consiste na reiteração de acidentes de trabalho pelo mesmo empregador. de regra. mas torna-se necessário expandir o exame da culpa para o histórico do empregador de acidentes de trabalho ocorridos no mesmo ambiente laboral. mesmo quando reiterados os acidentes em um mesmo ambiente de trabalho. existe culpa e nexo de causalidade entre o acidente e o labor? A análise da conduta do empregador é de fundamental importância nas ações indenizatórias por acidente de trabalho. 927. 8. O questionamento gira entorno da seguinte indagação: existe omissão da empresa em garantir a segurança do trabalhador? E por conseguinte. As normas previstas na CF. pois não se considera normal vários acidentes no mesmo ambiente de trabalho. bem como os outros elementos da responsabilidade civil: nexo causal e dano. Uma vez reiterados os acidentes de trabalho na mesma empresa chega-se a conclusão de que o empregador está descumprindo com as normas de proteger o trabalhador. principalmente a conduta culposa do empregador e o nexo de causalidade. Reitera-se que a quantidade de acidentes de trabalho contra o mesmo empregador deve ser levada em conta para apurar a conduta culposa e o nexo causal. a responsabilidade civil subjetiva.213/91 e outras legislações são de fundamental importância na prevenção dos acidentes de trabalho e devem ser cumpridas efetivamente em proteção a saúde e segurança do trabalhador. cabendo ação judicial contra o empregador parar reparar danos materiais.

3. Bibliografia
Cavalieri Filho, Sergio. Programa de Responsabilidade Civil, 10 ed. São Paulo: Atlas, 2012.
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, volume 4: responsabilidade civil, 7
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MORAES, Maria Celina Bodin de. Danos à pessoas humana: uma leitura civil — consti-

tucional dos danos morais. Rio de Janeiro:
Renovar, 2009.
OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de. Indenizações
por acidente de trabalho ou doença ocupacional, 5 ed. rev.,ampl. Atual. São Paulo: LTR,
2009, p. 39.
VENOZA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: Responsabilidade Civil. 3 ed. São Paulo: Atlas,
2003, p. 23.

A impossibilidade de cumulação entre o dano moral
e o existencial
Anderson Pereira Charão
Bacharel em Direito pela PUC-RS. Pós-graduado em Direito
e Processo do Trabalho pela IMED/CETRA. Assessor Jurídico
no Banco do Brasil S/A.

Com o decorrer dos anos temos experimentado uma mudança drástica nas relações de
trabalho, com a revolução tecnológica há uma
aproximação cada vez maior entre empregado e
empregador.
Já não se pode afirmar, com segurança,
que existe o completo desligamento mental
das atividades laborais após a jornada regular
de trabalho, pois, caso o empregador deseje, o
obreiro é facilmente alcançado através do celular ou do e-mail, fazendo com que suporte
sobrecarga psíquica e passe a apartar de sua
rotina os momentos em família e o lazer, negligenciando a sua própria existência em sociedade.
Há um inevitável desgaste biológico e da
integridade humana em tal situação. O Tribunal
de Cassação italiano foi o primeiro a observar a
necessidade de se estipular uma nova modalidade de indenização frente a essa nova situação até
então desconhecida. O referido tribunal, através
das sentenças 500/99 e 7.713/2000 chegou à
LTr - Jornal do Congresso

conclusão de que a lesão aos direitos da personalidade configura um dano à própria existência
da pessoa.
Segundo Júlio César Bebber, o dano existencial é uma espécie de dano extrapatrimonial
que altera, negativamente, a perspectiva de vida
atual e futura da pessoa(1). Márcia Novaes Guedes vai ainda mais longe ao conceituar o referido dano como a injusta privação do indivíduo
de manter-se ou tornar-se protagonista de sua
própria história(2). Impede que a pessoa desenvolva atividade que lhe dê prazer e realização
pessoal(3).
Conforme antes dito, o dano existencial é
uma modalidade de dano extrapatrimonial e em
razão de sua recente introdução na jurisprudên(1) BEBBER, Júlio César. Danos extrapatrimoniais (estético,
biológico e existencial): breves considerações. Revista LTr,
São Paulo, v. 73, n. 1, jan. 2009, p. 28.
(2) GUEDES, Márcia Novaes. Terror psicológico no
trabalho. 3. ed. São Paulo: Ltr, 2008, p. 129.
(3) GUEDES, Op. Cit.

37

cia brasileira(4), muitas dúvidas ainda existem,
em especial com relação à possibilidade de sua
cumulação com o dano moral.

uma modificação negativa do modo por meio do
qual o indivíduo desenvolve sua própria personalidade.(9)

Para estender essa possibilidade ou não,
cabe trazer alguns conceitos básicos.

Boucinhas Filho relata que o dano existencial nas relações de trabalho verifica-se quando
o empregador impõe um volume excessivo de
trabalho ao empregado, impossibilitando-o de
estabelecer a prática de um conjunto de atividades culturais, sociais, recreativas, esportivas,
afetivas, familiares, etc., ou de desenvolver seus
projetos de vida nos âmbitos profissional, social
e pessoal.(10)

Dano moral pode ser conceituado como
sendo “a lesão aos sentimentos que determina dor
ou sofrimentos físicos, inquietação espiritual, ou
agravo às afeições legítimas e, em geral, a toda
classe de padecimentos insuscetíveis de apreciação
pecuniária.”(5)
Carlos Alberto Bittar assevera que os danos
morais podem ser compreendidos como “turbações de ânimo, em reações desagradáveis, desconfortáveis ou constrangedoras, ou outras desse
nível, produzidas na esfera do lesado.”(6)
Paulo de Tarso Sanseverino conceitua o
dano moral como sendo “a modalidade mais difundida de prejuízo extrapatrimonial derivado de
ofensa à saúde e à integridade corporal, compreendendo a dor ou o sofrimento físico ou psicológico
padecidos pela vítima direta em consequência do
evento danoso.”(7)
O conceito de dano moral pode ser resumido como um sentir, um sofrimento, uma angústia, advindos de algum ato praticado por um
terceiro.
Já o dano existencial, como preleciona
Matteo Maccarone citado por Amaro Alves de
Almeida Neto, é uma frustração ao projeto de
vida do ser humano, que o coloca em situação
de inferioridade.(8)
Para Maria Rita Trazzi o dano existencial
vem a ser uma categoria autônoma de danos extrapatrimoniais, atinente às repercussões pessoais e existenciais de qualquer espécie de ilícito,
(4) O primeiro julgamento do TST a aplicar o dano existencial
foi o Recurso de Revista n. TST-RR-727-76.2011.5.24.0002.
(5) ALSINA, Jorge Bustamante. Teoria General de La
Responsabilidad Civil. 1993, p. 97.
(6) BITTAR, Carlos Alberto. Reparação Civil por Danos
Morais. 1994, p. 31.
(7) SANSEVERINO, Paulo de Tarso. Princípios de
reparação integral — indenização no Código Civil. São
Paulo: Saraiva, 2010, p. 298.
(8) ALMEIDA NETO, Amaro Alves de. Dano Existencial — A
tutela da finidade da pessoa humana. Disponível em: <http://
www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/cao_consumidor/
doutrinas/DANO%2520EXISTENCIAL.doc>. Acesso em:
2.3.2014.

38

Os conceitos acima trazidos nos dão elementos para verificar a existência de autonomia
do dano existencial frente ao dano moral.
Com relação ao dano moral, não residem
maiores dúvidas, pois, indiscutivelmente, ele
existe de forma independente a todas as demais
modalidades de dano — estético, material, etc.
Conforme acima conceituado, o dano existencial pressupõe uma reprogramação da vida
do indivíduo, que lhe impossibilita do convívio
com a sua própria família e a sociedade, frustrando o projeto de vida que tal pessoa desejava
realizar.
Ora, só da leitura dos elementos acima destacados já se pode concluir que o dano existencial também acarreta uma frustração ao indivíduo, um sentimento de tristeza ou impotência,
sentimentos esses inerentes ao dano moral.
Não se cogita a existência de um sujeito
que tem sua rotina modificada, afastando-se dos
seus entes queridos por imposição de seu empregador, sem que isso acarrete nenhuma consequência lesiva psíquica, posto que o ser humano
é dotado de sentimentos e não uma máquina que
consegue divorciá-los de seu agir ou de seu padecer.
(9)
TRAZZI, Maria Rita. Il danno esistenziale:
elementi
e
definizioni.
www.filodiritto.com/diritto/
penale/dannoesistenziale. (consulta em 01.03.2014)
— “un’autonoma categoria di danni non patrimoniali,
riguardanti i risvolti personali ed esistenziali di qualunque
genere di illecito, una modificazione negativa delle modalità
atraverso le quali il soggetto esplica la propria personalità”.
(10) BOUCINHAS FILHO, Jorge Cavalcanti. ALVARENGA,
Rubia Zanotelli de. O dano existencial e o direito do
trabalho.
Disponível
em:
<http://www.lex.com.br/
doutrina_24160224_O_DANO_EXISTENCIAL_E_O_
DIREITO_DO_TRABALHO.asp>. Acesso em 2.3.2014.

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A pedagoga Anna Carolina Florêncio da
Rocha assevera que “o sofrimento psíquico é gerado no trabalhador devido à pressão que é submetido diariamente em busca de lucros, competição, eficácia e da manutenção do emprego. O trabalhador
se sente apavorado por não conseguir manter sua
energia física e mental adequada para seu desempenho no trabalho, e esse pavor é uma forma em
que se manifesta o sofrimento psíquico.”(11)
Hidemberg Alves da Frota e Fernanda Leite
Bião vão mais fundo ao concluírem que a existência humana digna (em conformidade com o princípio da dignidade da pessoa humana) se vincula não
apenas à incolumidade física, à sobrevivência biológica, à automanutenção financeira e ao exercício
dos direitos sociais, econômicos e culturais como
também à integridade psíquica e ao bem-estar psi(11) ROCHA, Anna Carolina Fonseca da. O estresse
no ambiente de trabalho. Disponível em: <http://www.
pedagogiaemfoco.pro.br/pemp05.htm>.
Acesso
em:
3.3.2014.

cológico da pessoa natural, bem assim ao direito do
indivíduo de escolher e realizar atividades (inclusive de concretizar metas) que dão sentido à sua vida
e, ao mesmo tempo, não atentam contra o ordenamento jurídico.”(12)
Ante todo o exposto, conclui-se que o dano
ao sentimento (à moral) é inerente também ao
dano à dignidade da pessoa humana (existência),
logo, com a devida vênia em relação aos doutrinadores que pregam a sua autonomia, esse último possui sim relação direta com o dano moral,
motivo pelo qual é impossível a cumulação de
condenações entre as duas figuras, em razão do
dano existencial ser um “braço” do dano moral,
sob pena de caracterização do enriquecimento
ilícito, o que é expressamente vedado pelo art.
884 do Código Civil.
(12) FROTA, Hidemberg Alves da. A dimensão existencial da
pessoa humana, o dano existencial e o dano ao projeto de vida:
Reflexões à luz do direito comparado. Disponível em: <http://
www.unigran.br/revista_juridica/ed_anteriores/23/artigos/
artigo07.pdf>. Acesso em: 03/03/2014.

DANO MORAL E DANO ESTÉTICO: NATUREZA JURÍDICA
E POSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO
Tiago de Araújo Gonçalves
Mestrando em Direito Empresarial e Cidadania, linha
de pesquisa “Atividade Empresarial e Constituição:
Inclusão e Sustentabilidade” Pela UNICURITIBA —
Centro Universitário Curitiba; Especializando em Direito
do Trabalho e Processual do Trabalho pela PUCPR;
Especializando em Direito Processual Civil pelo Instituto
de Direito Romeu Felipe Bacellar; Bacharel em Direito pela
PUCPR; membro do Grupo de Pesquisa “Desregulamentação
do Direito, do Estado e Atividade Econômica: enfoque
laboral” da PUCPR; Advogado.

Leila Andressa Dissenha
Doutora e Mestra em Direito pela PUCPR; professora do
Mestrado do PPGCOOP — Programa de Pós Graduação em
Gestão de Cooperativas da PUCPR; professora dos Cursos
de Graduação em Direito e Administração da PUCPR e da
UNINTER; pesquisadora convidada da UNIFE — Università
degli Studi di Ferrara (Itália/2011); professora dos Cursos
de Especialização da UNIARP/SC, UnC Concórdia/SC e da
EMATRA IX; advogada.

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483 — O empregado poderá considerar rescindido o contrato e pleitear a devida indenização quando: e) praticar o empregador ou seus prepostos. (3) CRFB. etc. Nicolau.. etc. a integridade física. (5) CAHALI. assédio moral. 5º. o flagrante aumento do número de ações trabalhistas que pleiteiam a indenização por danos morais sofridos. a integridade individual. Contudo. A CRFB — Constituição da República Federativa do Brasil. doenças laborais e acidentes de trabalho são apenas alguns exemplos de situações que desencadeiam tal pedido e são evidências claras de que a competitividade do mundo empresarial já é parte do cotidiano laboral. modificação esta que lhe acarreta um ‘enfeamento’ e lhe causa humilhações e desgostos. por sua vez. 34 e 43. a liberdade individual. ao tratar das hipóteses das faltas graves cometidas pelo empregador que ensejam a rescisão indireta do contrato de trabalho. a vida privada.) V — é assegurado o direito de resposta. Yussef Said. a escolha se dá de forma racionalmente jurídica. (4) CTL. 20. no art. a uma dor moral”. há situações em que há mais que a “dor moral” a ser indenizada: quando além do sofrimento.) e dano que molesta a parte afetiva do patrimônio moral (dor. além da indenização por dano material. é definido como “qualquer modificação duradoura ou permanente na aparência externa de uma pessoa.) e dano moral puro (dor. Art. 2ª edição.(4) Da doutrina extrai-se que o dano moral tem por função resguardar o patrimônio imaterial do sujeito. notadamente o Código Civil. (2) Conforme MINHOTO. a honra e a imagem das pessoas. 3ª edição — 2004.. assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. no semblante e/ou no corpo do trabalhador. sendo que a violação a uma destas dimensões é passível de indenização por danos morais. 186 e 927. rigor excessivo. embora tenham o mesmo fundamento. protege a honra do trabalhador. Art. saudade. a honra e os demais sagrados afetos. Globalização e direito: o impacto da ordem mundial sobre o direito. e a segunda a reparar os danos corporais. lembrando-lhe. Na CLT.(5) O dano estético. à imagem. Tereza Ancona. em boa medida.O momento histórico atual é marcado pelo turbo capitalismo(1). Destino dos Manequins. assegura a proteção à honra. Dano Moral. tendo por definição o seguinte: É a privação ou diminuição daqueles bens que têm um valor precípuo na vida do homem e que são a paz. decorrentes das mais variadas formas de aviltamento laboral: descumprimentos contratuais.(2) Além do pleito de indenização. 2004. nem sempre. a legisla(1) Conforme SEVCENKO. 6869. O Dano Estético. moral ou à imagem. Só esta pressão pela competitividade e sobrevivência empresarial explicaria. 483. dano moral que provoca direta ou indiretamente dano patrimonial (cicatriz deformante. de autoria de Desembargador Cássio Colombo Filho. tristeza. os métodos para chegar à lucratividade são os mais diversos: estratégias sobre elisão e evasão fiscais. p. em dano que afeta a parte social do patrimônio moral(honra. 1998. Editora Revista dos Tribunais. à intimidade. conforme se verá no aresto do TRT9. 5º (. abaixo transcrito. reputação. dia após dia. pp. conforme art. à saúde. Nesta batalha. a título de exemplo. dando origem.(3) Além disto. tristeza. concorrência lícita e desleal e gestão de mão de obra motivadora ou aviltante são cogitadas diariamente e. São Paulo: Carta Capital. classificando-se desse modo. incisos V e X. é possível defender que a indenização por dano moral e o estético possui fundamento a proteção da integridade física e psíquica da pessoa. São Paulo: Juarez de Oliveira. as marcas do fato permanecem. SP. Editora Revista dos Tribunais. portanto.(6) A partir da análise dos conceitos e disposições legais acima.Jornal do Congresso .  LTr . alínea e. Seja decorrente de doença laboral. pelo lucro que lhe garantirá sobrevivência. tratam-se de tutelas com objetivos diversos. um momento de busca incessante pelo sucesso financeiro que leva às empresas ao enfrentamento diário de uma batalha por seu espaço. Antonio Celso Baeta. o ocorrido. contra ele ou pessoas de sua família.). 40 ção infraconstitucional também tutela os mesmos valores. etc. proporcional ao agravo. a tranquilidade de espírito. indeléveis. acidente ou agressões. tem-se tal proteção. (6) LOPEZ. p. ato lesivo da honra e boa fama. pois a primeira visa reparar o abalo psicológico do indivíduo. o dano estético causa uma dor que perpassa o próprio fato danoso. X — são invioláveis a intimidade.). p 46. etc. 29 de dezembro de 2004. trabalho extenuante. nos arts.

a imissão. no montante em que se arbitra a reparação de danos se limita aos casos de desrespeito aos limites superiores ou inferiores da razoabilidade. para defender a impossibilidade de cumulação de pedidos a título de dano moral e estético. verifica-se que o TRT da 9ª Região possui entendimento alinhado ao do STJ. o seguinte: a deformidade deve ser tal que cause uma impressão. mas. uma outra preocupação crescente acerca do tema diz respeito à possibilidade de banalização da alegação de dano estético.2014. não faltam argumentos em contrário.000.br/normas_ inferiores/regimento_interno_e_sumula_stj/stj__0387.2013. por meio de pretensão posta em Recurso de Revista. o dano estético deve constituir-se de algo que realmente cause desconforto justificável ao trabalhador.(7) E. pelo menos de (9) TRT-PR-03472-2009-965-09-00-0-ACO-05188-2013 — 4ª Turma.(9) Não obstante. prevalecem ambas as indenizações na condenação patronal. e Súmula n. objetivo e subjetivo [. Acesso em 23 de abril de 2014. independente. Dano estético. htm>.025.913. despontando como razoável e necessária a reparação de danos estéticos no montante de R$50. com a ofensa ao seu patrimônio imaterial. Resp 904. Data de Publicação em DEJT 15. reitera-se que. o trabalhador perdeu 4 dedos da mão direita. a saber: TRT-PR-26-02-2013 Dano moral — Dano estético — Cumulação — Possibilidade. em geral. o TST — Tribunal Superior do Trabalho também consideram o dano moral e estético são institutos diversos: Ementa: Recurso de revista. 387.Contudo. trazemos as considerações de Nelson Hungria que. Publicado no DEJT em 26.Jornal do Congresso mas cumulável. desde logo. já que seu fundamento é diverso. Resp 705. REsp 254. Resp 899. II) No mais. acessado em 9.2006. O dano estético. a exemplo do que já ocorre com o dano moral. Da mesma forma que qualquer mero dissabor não pode ser confundido com o dano moral. A indenização por dano moral e por dano estético. Impossível conceder-se diversas indenizações da mesma natureza pelo mesmo fundamento como se se tratassem de coisas distintas. se não de repugnância ou de mal-estar.869.(10) Se a possibilidade de cumulação dos pedidos é matéria um pouco menor controvertida nos Tribunais laborais. a um só tempo. Faz-se possível a cumulação de dano moral e estético.”(8) No âmbito da Justiça do Trabalho. REsp 910794. do sofrimento da reclamante.com. Possibilidade. do ponto de vista jurisprudencial. Neste sentido é o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça na medida em que possibilita a cumulação das respectivas indenizações. (10) TST RR — 9954400-49. o dano moral e o dano estético não se confundem.dji. A título de exemplo.0242  — 5ª Turma — Relator: Emmanoel Pereira. 41 . o que no caso não se configura. assim se manifesta acerca do que seja uma “deformidade permanente”: não se trata de um conceito objetivo. I) A jurisprudência desta Corte se firma no sentido da possibilidade de cumulação da indenização por lesão estética com aquela relativa ao dano moral.br/artigos/4777/naose-cumulam-danos-esteticos-com-danos-morais-e-oumateriais#ixzz2zkfisL4J>.. da angústia.2010. ou seja. cumpre fixar.1.457. Alex Sandro. Relator: Cássio Colombo Filho.] se da apreciação objetiva passamos à subjetiva. em seus estudos sobre lesão corporal. alegando que ambos têm a mesma natureza. como explica Alex Sandro Ribeiro: Descabe tentar encontrar no baú conceitual qualquer espécie de firula expressional com o fito de dizer que se está diante de um bis in idem. Jus Navigandi. moral. refere-se às lesões corporais visíveis.10. àquelas cicatrizes que alteraram seu corpo e a visão que ela mesma e as demais pessoas têm sobre ele — são as anomalias causadas pelo acidente que justificam a compensação do dano estético. (8)Disponível em: <http://www. ainda que a gênese destes seja a mesma — o acidente causado por culpa da reclamada na demanda. LTr . Cumulação.com.5. Disponível em:< http://jus.. Assim. (7) RIBEIRO.2. segundo a jurisprudência dessa Corte. II) No caso presente. que pese a existência de tal argumento.00. todavia. Não se cumulam danos estéticos com danos morais e ou materiais. conforme verificamos Resp 49.09. é da mesma natureza.445. que dispõe o seguinte: “É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral. Verifica-se que o dano moral advém da dor.

dizem os especialistas.9.(11) Neste tocante. conceituar o que seria o mero dissabor estético com vistas a nortear a jurisprudência.. sabemos.com. é a desfiguração notável. As palavras não refletem a essência das coisas. de desagrado. ante a amplitude subjetiva que permeia tais fatos.Jornal do Congresso . haja vista possuírem fundamento diverso uma da outra. Nem a palavra bomba explode. Diz-se que a Lei de Execução Penal (Lei n. cumprindo seu papel de doutrinar os conceitos jurídicos.)”(13). p. no sentido da possibilidade da cumulação das indenizações de moral e estético. cit.” STRECK. caberá a doutrina. 7.. em ressocialização ou reintegração social do preso (pessoa privada em sua liberdade. sendo tal trabalho obrigatório — agora coloca o labor peniLTr . Acesso 30 de abril de 2014. É a cicatriz que acarreta chocante assimetria. Publicado no DEJT em 25. Ex-Pesquisador da FAPESP. Relator: Paulo Ricardo Pozzolo.. pelo Estado.desgosto. Lênio Luiz.(14) (14) “Ou seja. (11) ob.conjur. à mancheia. 328 (12) TRT-PR-02086-2010-892-09-00-0-ACO-39332-2011 — 2ª Turma. por condenação relacionada à prática de um crime). Mas a palavra “doutrina”. É dever da doutrina. (13) TRT-PR-00581-2012-670-09-00-2-ACO-42693-2013 — 1ª. A palavra água não molha.210/84). é necessário dizer quando a Corte Suprema de um país erra. Doutrina: direito ou dever de apontar os erros do STF? Disponível em: <http://www. Turma. sob pena do pedido por indenização por dano estético ser julgado improcedente.2011. É lugar-comum ouvir-se falar. 42 dá-se pelo trabalho: tem este finalidade educativa e também produtiva. Membro do Instituto Brasileiro de Direito Social “Cesarino Júnior”. deveria significar que-adoutrina-doutrina.10. Publicado no DEJT em 30. Mestre e Doutor em Direito do Trabalho pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Relator: Célio Horst Waldraff..2013. Superada a questão principal. O labor na Lei de Execução Penal e os acidentes do trabalho: breves questões Renato de Almeida Oliveira Muçouçah Professor de Direito do Trabalho da Graduação e Mestrado da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). ao contrário da legislação anterior — que não previa sequer remuneração ao trabalho do preso. Para que ela não continue errando. vale destacar que jurisprudência no TRT9 é no sentido de que “a indenização por dano estético é devida quando a lesão decorrente do acidente de trabalho compromete ou pelo menos altera a harmonia física da vítima”(12) e que ônus do empregado trazer aos autos “elementos de prova que atestem a condição pessoal da vítima ou alteração estética relevante (.br/2014-abr-24/senso-incomumdoutrina-direito-ou-dever-apontar-erros-stf>. a controvérsia desloca-se para o enquadramento do que efetivamente seria dano estético ou mero dissabor.. Uma das mais conhecidas formas de reintegração à sociedade.

Ainda conforme especialistas. “talvez nunca mais acredite nesta mesma sociedade e jamais recupere sua condição de cidadão por inteiro”(4). 2011. Será esta. No entanto. 60. 43 . São Paulo: Cortez. porém. afirma que muitos dos Coordenadores de Presídios veem a possibilidade de o preso trabalhar como algo que sirva apenas para escapar à ociosidade. 2008. ainda cabe a per(1) MARCÃO.210/84. se no trabalho do presidiário este é submetido a uma exploração econômica aceita pela sociedade. Curso de Direito do Trabalho: a relação de emprego. ao passo que para o preso provisório o labor é facultativo. 66. 126. à qual o detido terá acesso quando posto em liberdade. um contrato de emprego. Cada vez trabalha-se menos. seja realizado interna ou externamente. Com direito de receber ao menos três quartos do salário mínimo. II. Curso de Execução Penal. LTr . no campo do contrato de emprego (nitidamente um contrato de adesão). deverá atender (conforme art. É o próprio art. Ricardo. a melhor forma de se inserir um detido no mercado de trabalho. Renato. No plano empírico das penitenciárias. sempre restou mitigado. (2) Idem. (5) ANTUNES. as chances de reinserção social serão maiores(3). Jorge Luiz Souto Maior tece comentários com os quais se concorda integralmente: ainda que o trabalho seja realizado de forma obrigatória. mas cada vez com maior frequência a massa trabalhadora aceita empregos ou trabalhos em contratos precários — daí falar-se em trabalho precarizado — ou em atividades quase próximas à escravidão(5). se ganha um dia de remição da pena. negando direitos elementares e os trocando pela pena imposta? Nesse sentido. Antes. pois a segunda palavra define o primeiro vernáculo. de maneira muito alva a olhos quaisquer. p. (3) Sistema penitenciário brasileiro: a educação e o trabalho na Política de Execução Penal. à assistência à família e ao ressarcimento do Estado pelas despesas realizadas com a manutenção do condenado. 2. o primeiro caso não significa trabalho forçado(2).210/84 que anula qualquer possibilidade de o trabalho do preso ser regido pela Consolidação das Leis do Trabalho. a cada três dias trabalhados. uma relação promíscua entre trabalho e pena. mas nas dependências de alguma empresa — ainda assim. no cenário global. o que só poderá engendrar. associada à execução deste. a pessoa “paga” por sua pena com trabalho. Nesse último caso o detido requererá autorização para trabalhar não no estabelecimento prisional. Rio de Janeiro: FAPERJ. A pessoa condenada em definitivo está obrigada ao trabalho. só pode mesmo configurar-se a partir da subordinação à qual se submete o detento para sua inserção social. 59.Jornal do Congresso gunta: por que o trabalho no cárcere não segue o regime da Consolidação das Leis do Trabalho? É possível notar. o trabalhador vive o que se sente em todo o mundo: uma nova forma de ser para o trabalho. Afinal. Fato é que. O trabalho do preso. 28. p. A relação é de troca: conforme art. 103-104. 2013. alguns Coordenadores consideram que se houver educação voltada para o trabalho. p. 11. Literalmente. embora não se consiga encontrar nenhuma justificativa plausível para admitir a diferença entre as figuras. Ainda conforme a própria Lei — que permite o uso desta mão de obra barata indiscriminadamente — o dinheiro recebido pelo labor não é direcionado ao preso de maneira direta. O restante da pecúnia (acaso sobre) será conferido ao preso para pequenas despesas pessoais e depósito numa caderneta de poupança. ao contrário dos tempos da Revolução Industrial. Só não se sabe ao certo qual seria este regime. Elionaldo Fernandes Julião. pois. negando qualquer relação empregatícia — ainda que precária — com empresas ou associações que venham a explorar esse trabalho com finalidade econômica. o trabalho do preso poderá ser interno ou externo.tenciário sob um dado regime jurídico(1). Adeus ao trabalho? Ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade no mundo do trabalho. 2012. ed. que são de ordem pública. 15. v. O trabalho exercido pelos presidiários. da Lei n. sem configurar vínculo empregatício. § 2º da Lei n. Jorge Luiz. O elemento da liberdade. 7. 29 da citada Lei) à eventual indenização fixada em razão do crime cometido. na Lei de Execução Penal. ed. p. há problemas que enfrentam solução ainda mais tormentosa. 297. em pesquisa de campo sobre o tema. São Paulo: Saraiva. em nada esta suposta ausência de vontade afasta a incidência das normas trabalhistas. 7. São Paulo: LTr. (4) SOUTO MAIOR. p. Por outro lado.

Há também a doença do trabalho. 7. exemplo é o do empregado de mineradora que. qual seja: abandonou-se a visão do “bem” ou do “mal” atribuído a cada um. § 4º da Lei n. 2013. insere-se nesta lógica de precarização estrutural do labor. mas a legislação brasileira equipara a este algumas doenças. passou-se a prever que a pessoa recolhida à prisão poderá contribuir facultativamente à Previdência Social. Publicado em 25 jun. sobretudo. (7) OLIVEIRA. o que haverá de receber o detento pelos dias sem trabalhar e pelas lesões. eis que negam ao trabalhador a garantia de direitos sociais previstos. o mesmo Tribunal indeferiu o pagamento de pensão vitalícia ao trabalhador presidiário pela ausência de provas de que este recebia salário. L’Etat Providence.Jornal do Congresso . a vítima deve ser mantida pelo custeio social de todos. fato que permite concluir que o ente público chama para si a responsabilidade pela integridade física da vítima. 1329. 7. mas ao modo como se realiza esta atividade. e de quem cobrará esses valores. Como se pode observar. 126. No entanto. como acidentes — e não simples casos fortuitos. contrai silicose. 7º e 8º da Carta Magna.048/99. o Tribunal responsabilizou o Estado de Goiás pelo pagamento de valores a título de danos morais. 3. nem mesmo o benefício de auxílio-doença lhe será pago. Ao constatar que o detido perdeu de forma total e irreversível a funcionalidade de sua mão esquerda enquanto exercia seu ofício. nos termos da Lei de Execução Penal(8). estado todos os trabalhadores sujeitos a acidentes. os afazeres efetuados pelos presos poderá trazer o tema dos acidentes do trabalho como discussão central. ed. 224225. prestasse serviços a uma ou mais empresas. art. não terá direito à percepção de qualquer valor em razão desse acidente? Muito recentemente o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás conheceu de um caso de acidente do trabalho de presidiário e julgou. por exemplo. XI. Foi a visão nesse sentido que propiciou a repartição social de um bem comum. São Paulo: LTr. ainda no século XIX foi justamente o acidente do trabalho que propiciou as primeiras normas de proteção laborativa. No entanto. Seção I. Todavia. p. Por encontrar-se detido. pois as normas trabalhistas são de ordem pública. Proteção jurídica à saúde do trabalhador. Esta foi e é a prova mais cabal de que o homem vive em sociedade(6). 2010. mormente estéticas(7). por assim dizer. Sebastião Geraldo de. Noutro falar: ainda que o presidiário venha a acidentar-se no trabalho.210/84 no que tange à proibição de reconhecimento de relações de emprego entre presidiários e empresas que contratam trabalho com as penitenciárias. para além de todas estas doenças incapacitantes. Tratava-se de contribuinte individual. vez que inexistente qualquer relação de emprego. para além da inconstitucionalidade destas disposições. Num olhar mais grosseiro. como em qualquer atividade produtiva. poderá apresentar lesões das mais diversas naturezas. a partir de 2009. 8.portanto. no mesmo Decreto n. François. e não pela via legal. de maneira “esquizofrênica”. de maneira a satisfazer a lógica do capital: menor custo e a maior produtividade possíveis. p. prestando função laboral. 5. p. 3. Problema bastante comum torna-se aquele relacionado ao INSS: deverá a autarquia arcar com os custos do acidente do trabalho? Houve um tempo (de 2003 a 2009) em que o Decreto n. 323-325. visto ter sido instituída por decreto. n. 1986. em verdade. O trabalhador acidentado. vez que sequer salário propriamente dito existe? Ora. 6. Objetivaram-se os danos causados aos trabalhadores. 18-19. 19 da Lei n.210/84 estabelece que o preso acidentado continue a beneficiar-se da remição da pena. é aquela patologia particularmente ligada a certa atividade ou profissão. (8)Diário de Justiça Eletrônico de Goiás. (6) EWALD. no ambiente de execução dos trabalhos.048/99 previa a obrigatoriedade da contribuição social a toda pessoa que. 44 O art. cujo maior exemplo é a LER/DORT: não se liga a uma profissão ou atividade específica. em regime fechado ou semi-aberto. o obstáculo dogmático e cultural maior encontrado no direito brasileiro é o de reconhecer a ilegalidade dos da Lei n. nos arts. LTr .213/91 já conceitua o que vem a ser acidente do trabalho. Muito se questionou acerca da legalidade da cobrança desta contribuição social. vez que o preso encontrava-se à disposição do Estado. No entanto. o problema aparenta estar solucionado: o art. v. exposto ao pó de sílica. A doença profissional. 11. Paris: Bernard Grasset.

inciso XXII. deve ser da Justiça do Trabalho: talvez desta forma reconheça-se.. 942 do Código Civil.213/1991. acidente do trabalho seria . da CF/88 que assegura ”redução dos riscos inerentes ao trabalho. consequentemente um adequado ambiente de trabalho. João Batista. Com a Emenda Constitucional n. e esta relação é supervisionada na totalidade pelo Estado. A saúde do trabalhador. tem status de direito fundamental social. responsabilidade solidária do ente com a empresa tomadora de serviços: o art. disso resultando para os tribunais do trabalho um número cada vez maior de ações que diariamente nos mesmos são protocoladas. higiene e segurança”. e. Castro e Lazzari (2013. propondo uma definição que reputam ser mais elucidativa. 45/2004. 11 desta Lei. (UPE). inserido no art. Manual de Direito Previdenciário. cujo art. Apesar de o nosso ordenamento contar com um bem estruturado arcabouço de normas jurídicas voltadas para o combate e a prevenção da infortunística. Ora. enfim. em verdade. Carlos Alberto Pereira de: LAZZARI. por meio de normas de saúde. prevê que responderão solidariamente os autores que causarem dano a outrem. um fato violento. 2013. é alarmante a estatística anual relacionada a acidentes do trabalho. ou lhe cause a morte. p. instituto regulamentado pela Lei n. A competência para julgar. as lides que têm por objeto acidentes do trabalho. É da violência do evento que resulta a lesão corporal ou a perturbação funcional que torna o indivíduo incapaz.Jornal do Congresso Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. disso resultando para os tribunais do trabalho um número cada vez maior de ações que diariamente nos mesmos são protocoladas. QUAL A RESPONSABILIDADE DO EMPREGADOR POR ACIDENTES CAUSADOS POR TERCEIROS? Maria Gilda de Freitas Araújo Analista Judiciária (TRT-6ª Região). Profa. mas existe. aplicável subsidiariamente à legislação trabalhista. ampliou-se a competência material da Justiça do Trabalho que passou a alcançar entre outras questões. o liame empregatício existente entre o detento e quem lhe toma os serviços. Rio de Janeiro. no sentido de que produz violação à integridade do indivíduo. Forense. 15ª Ed.. 45 . 19 dispõe que LTr . porém. 612. 8. p.(1) (1) CASTRO. provisória ou definitivamente.O Tribunal de Justiça de Goiás andou bem em reconhecer a responsabilidade civil do Estado pelo acidente do trabalho. o conceito. advém o dever de ambos indenizarem solidariamente. permanente ou temporária. O acidente que não gera danos à integridade do indivíduo não integra. como a relação do trabalhador presidiário dá-se com a empresa (a qual objetiva obtenção de lucros). provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução. da capacidade para o trabalho. 613-614) afirmam que a definição da lei não é satisfatória. portanto. 7º. Assim.

abril de 2013. Responsabilidade Civil no Acidente do Trabalho. que é aquele que materialmente causou o dano. isto é. desta feita consubstanciada na responsabilidade objetiva do empregador.213/91. respectivamente. ainda são tímidos a doutrina e os julgados quanto a possibilidade de aplicar-se à espécie..É provável que o legislador não tenha definido um conceito preciso para o acidente de trabalho. vista apenas sob este prisma. importando. 186 do CC/02. São três. é probabilidade de dano. o art. inciso XXVIII. assim resumido: todo prejuízo deve ser atribuído ao seu autor e reparado por quem o causou.. para imputação do dever de reparar patrimonialmente o prejuízo: a materialização do dano. da Lei n. violar direito e causar dano a outrem. Art. conforme enquadramento na letra do art. por fim. fatos dessa natureza imprimem a essa atividade uma elevado potencial de risco. veio apresentar outra alternativa reparatória para os acidentes de trabalho. n.] Parágrafo único. a responsabilidade objetiva. dizer que aquele que exerce 46 Um exemplo elucidará melhor o que foi dito no parágrafo retro: cumprir uma jornada diária sobre uma motocicleta. São Paulo: Atlas. negligência ou imprudência. quando incorrer em dolo ou culpa”. da CF/88.(3) (2) CAVALIERI FILHO. incisos I e II. independentemente de culpa. No entanto. sendo no bojo deste contexto que residem as condições para o acidente de trabalho causado por terceiros. para o exemplo dado este veículo é a motocicleta. Revista LTr. vol. Programa de Responsabilidade Civil. 128. “Haverá obrigação de reparar o dano. 77. Sérgio Pinto. a cargo do empregador. 7ª ed. em sua feição fático-violenta.. que diz ser direito dos trabalhadores “seguro contra acidentes de trabalho. 20. pois. Sérgio. nos casos especificados em lei. resulta das condições adversas em que o labor é exercido. p. segundo o qual “aquele que por ação ou omissão voluntária. mormente quando o acidente é causado por terceiros? Veja-se que o risco a fundamentar a imputação da responsabilidade objetiva. despoja-se da natureza da atividade para prender-se às circunstâncias nas quais dita atividade é executada. uma atividade perigosa deve-lhe assumir os riscos e reparar o dano dela decorrente.213/1991. a responsabilidade subjetiva. aonde em cada esquina estão reservadas novas surpresas como a de um condutor de veículo que invade a faixa contrária e colide com o veículo que vem em sua direção. o nexo causal entre o dano e o evento e. a conduta culposa do agente. não é apenas aquele inerente à atividade empresarial. enquanto o segundo. a atividade não se enquadra como de risco.. não pode a norma infraconstitucional dispor de forma contrária.Risco é perigo. Não obstante a frequência de acidentes causados por terceiros.. 8. o enfrentamento das vicissitudes de nosso trânsito.Jornal do Congresso . 927 do CC/02. (3) MARTINS. sendo que o primeiro infortúnio resulta do tipo de atividade que o obreiro realiza. algumas vezes. por consequência. risco para os direitos de outrem”. como é o caso de uma fábrica de explosivos. por ex. A doutrina do risco pode ser. LTr . Em verdade.O parágrafo único do art. então. 2007. Se a Constituição regulamenta de forma clara a responsabilidade no acidente de trabalho.. de modo que seus opositores argumentam que . Resolve-se o problema na relação de causalidade. 927 [. 19 da Lei n. ainda. ainda que exclusivamente moral.(2) Em face das alusões até aqui expendidas. Ocorre que o parágrafo único do art. 04. 7º da Lei Maior dispõe que a indenização só é devida em caso de dolo ou culpa. O enunciado acima baseia-se na teoria do risco para a qual . Grande parte das decisões é no sentido de aplicar à espécie.. e. isso. 8. fazendo entrega de alimentos. pergunta-se: na hipótese de estar-se diante de um acidente de trabalho. ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar. porque pretendia contemplar a doença profissional e a doença do trabalho. 927 do Código Civil não se aplica ao acidente de trabalho.. os requisitos para a aferição da culpa e. do art. por natureza. sem excluir a indenização a que este está obrigado. 7º. comete ato ilícito”. tendo por fundamentos o art. o risco. como deve ser apurada a responsabilidade do empregador. independentemente de ter ou não agido com culpa. 77-04/446. pois o inciso XXVIII do art. dispensável qualquer juízo de valor sobre a culpa do responsável.

7º. vigente até os dias atuais. em virtude da gritante estatística de acidentes do trabalho.br/site/content/materias/materia_detalhe. dentre eles o meio ambiente laboral. “os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. o qual dispõe que. LTr . substancia-se na culpa lato sensu e. a exemplo. (4) SAAD. no segundo. é parte central do processo de desenvolvimento. em 1972. As 47 . No primeiro caso. 76. contudo. não se deve tão somente sujeitar o vitimado à comprovação da culpa empresarial ao argumento da inexistência de base jurídica para a aplicação da responsabilidade objetiva.”(4) À guisa de consideração final. a Conferência das Nações Unidas de Estocolmo. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte”. Veja-se que a cada ano. quando passam a ocorrer as primeiras intervenções sindicais no Brasil. 5º. as efetivas propostas quanto às “condições laborais” surgem apenas nas décadas de 1960 e 1970.O que irá presidir à aplicação do art. “. Teresinha Lorena Pohlmann. junho de 2012. Evidente que o Direito do Trabalho é um ramo em crescente evolução. A pensar assim.Jornal do Congresso é que se viu a necessidade do estudo acerca dos fundamentos que propiciam as mínimas garantias do trabalhador. Ainda.>. XXVIII ou a do art. A busca pela proteção ao meio ambiente do trabalho surge na década de 1930. um meio ambiente do trabalho equilibrado.Para os seus defensores.com. protecao. estar-se-á desconsiderando o princípio basilar da relação de trabalho. 06. Em 1943. pactua o ajuste tão somente com a sua força de trabalho. Disponível em: <http://www.. com grandes conquistas. seguro e saudável. é o fundamento da responsabilidade civil. 5º. qual seja a proteção àquele que despojado da propriedade dos meios de produção. no risco promanado da natureza da atividade. Acidentes do Trabalho — breves reflexões sobre a tutela jurídica do trabalhador e a quantificação da indenização do dano moral. Dados Globais. cerca de quatro mil trabalhadores perdem suas vidas em decorrência de acidentes laborais.. § 2º da Carta Magna. art. reconhecido como direito humano e fundamental do trabalhador. n. qual seja. A partir destes dados (1) Fonte: Anuário Brasileiro de Proteção 2010. php?pagina=1&id=JyyJAc. mesmo sendo causados por terceiros estranhos à relação empregatícia. diga-se. § 2º. A busca pelo pleno desenvolvimento sustentável não cessa. temos a consagrada publicação do Decreto lei numero 5453 de 1º de maio de 1943. Um dos assuntos de maior evidência e preocupação dos dias atuais é a preservação do meio ambiente em todos os seus aspectos.. 76-06/660. Porém. poderiam ser evitados.. o qual aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Revista LTr. vol. a aplicação do artigo civilista encontra fundamento na própria Constituição Federal vigente. inclusive quanto ao aspecto do trabalho. Perfil da acidentalidade no mundo exclui o Brasil das estatísticas atualizadas da OIT. e a superação de problemas sociais. para efeito da obtenção de uma indenização. O MEIO AMBIENTE DO TRABALHO SADIO E EQUILIBRADO: UM DIREITO FUNDAMENTAL E HUMANO DO TRABALHADOR Carolina Beck Mestre em Direito pela UCS (Universidade de Caxias do Sul). o Brasil é o quarto país do mundo com a maior ocorrência de acidentes do trabalho(1).

ao citar o artigo 200. Neste sentido. prevê que são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. Ainda na Constituição Federal de 1988. 48 lo dos Direitos e Garantias Individuais. Direito fundamental ao ambiente. o meio ambiente do trabalho. Essencial ao homem é trabalhar. não se reduzindo à seara da proteção particular. LTr . na Carta Magna. p. 170. presentes tanto no art. constituem fundamentos do próprio Estado Brasileiro (art. a defesa do meio ambiente e a proteção ao trabalho humano como princípios gerais da atividade econômica. é a vida. o meio ambiente do trabalho salubre não pode ser lido como mero “direito trabalhista” face à natureza da sua proteção. é conduta obrigatória. transação ou renuncia acerca das garantias constitucionais deferidas ao trabalhador (meio ambiente equilibrado. 155/81. Deve-se destacar a importância do meio ambiente do trabalho como requisito indispensável para se alcançar a real proteção ao trabalho humano. conciliação. 1º. Para a construção de um meio ambiente do trabalho seguro e saudável. Anizio Pres. Não se trata de um direito trabalhista. Não se pode olvidar que o empregador é responsável pelo meio ambiente do trabalho que dispõe aos seus empregados. A vida digna e saudável. 7º. A Constituição Federal brasileira resguarda ainda. A adoção de sistemas de prevenção e/ou precaução por parte do empregador. é direito indisponível de forma absoluta. e sim de direito difuso. é uma das três atividades humanas fundamentais (fundamental por corresponder a uma das condições básicas pela qual a vida foi dada ao homem. que traz uma série de artigos que cuida especificamente da “Segurança e Medicina do Trabalho”. Hannah. por meio de normas de saúde. Capítulo dos Direitos Sociais. em seu capítulo V. 2009. da Constituição da República). 2011.938/81. 15. 6. 6938/81. Trabalho e saúde se entrelaçam na vida do homem trabalhador. Em sendo assim. a “redução dos riscos inerentes ao trabalho. além da ação e do “labor”)(3). Sabe-se que o principal bem protegido pelo direito ambiental. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) também expressa a sua preocupação com a matéria. “tem como objeto o bem coletivo integridade ambiental”. não podendo haver qualquer tipo de composição. Trata-se de direito que deve ser de pronto tutelado juridicamente e com a maior efetividade que a decisão puder conferir a esta tutela. presentes na Lei n. o qual consagra por meio da Lei n. higiene e segurança”. 54. sob pena de sofrer graves sanções. III e IV. resta inexorável que o meio ambiente ecologicamente equilibrado e a sadia qualidade de vida são bens protegidos pela Constituição Brasileira. inciso XXII. por constituir tutela de interesse público. por meio de instrumentos protetivos do meio laboral. dispostos no caput do art. 225 da CF/88. Importante ainda ressaltar a proteção ao meio ambiente do trabalho por meio dos princípios ambientais da precaução e da prevenção e ainda o da sadia qualidade de vida. já que assegura a livre iniciativa econômica. A par do estudo ora realizado.condições do meio ambiente laboral passam a ter cada vez mais ênfase e proteção. p. Em nosso ordenamento. em declarações internacionais. A condição Humana. sendo imperioso que preserve a salubridade do meio ambiente do trabalho. seguro e saudável). ratificada pelo Brasil. desde que observados os princípios que norteiam a dignidade humana. como na Conferência das Nações Unidas de Estocolmo e outros princípios da Política Nacional.Jornal do Congresso . a qual impõe tanto ao poder publico quanto à coletividade a obrigação de defendê-los e preservá-los. encontra respaldo na Política Nacional do Meio ambiente (lei 6938/81). é um direito fundamental do cidadão trabalhador e parafraseando Anízio Pires Gavião Filho(2). a tutela do meio ambiente do trabalho. como já afirmado. indispensável à aplicação do principio da indisponibilidade dos direitos e do principio da precaução. na Lei n. não diferente dos outros aspectos. (1) Nesta seara. na Convenção nº 155/81 da OIT e em especial. que merece proteção do poder publico e da sociedade organizada. vislumbrando a manutenção da integridade física e moral do trabalhador. o meio ambiente do trabalho. em seu art. O Trabalho. face ao entrelace com o direito ambiental. a responsabilidade objetiva para todo e qualquer dano ambiental causado. do Título II. no títu(2) GAVIÃO FILHO. ao aprovar a Convenção n. nas palavras de Hannah Arendt. mas trabalhar com condições ambientais dignas e salubres. VI e VIII. na consolidação das Leis do Trabalho. (3) ARENDT. ainda mais. 3214/78. sendo que os valores sociais do trabalho que juntamente com a dignidade da pessoa humana.

). vitoriosos e sem perdas. Não pode o dos princípios do Processo do Trabalho com a redação trabalhador aceitarsão condições fora dos do novo dispositivo um meio laborais de concretização dos princípiosprotegidos destacados tampouco acima. José Eduardo (Org.de a sadia qualidade cação da omissão celetista e a percepção da coerência de vida é essencial.práticas 5º. In: CHAVES. quando então teremos trabalhadores lados pelo Poder Judiciário. a este bem comum. Direito e Justiça: a Função Social do Judiciário. Luciano Athayde. do empregador. José Eduardo. diretamente atingiCivil é admitida por inúmeros a argumendas quando nãoconsistente observadas as normas por aparte tação torna-se mais quando analisada luz da principiologia constitucional. p. 45/04. visandopós-positivista sempre e emdoprimeiro Numa interpretação processo. 101-102. CF) e noseprincípios onais justrabalhistas. e impeditivas. 475-J do Código de Processo dejáfísica do trabalhador sãoautores. pode ajudar a processualística balho. Direito Processual do Trabalho: Reforma e efetividade. p. 11. LTr .Jornal do Congresso LTr . como. imprescindível que pretações à legislação infraconstitucional devem os empregadores cada vez maisconstitucionais. A proteção do “bem am- O método de colmatação lacunas.plaos princípios constitucionais irradiar aplicabilino. ou seja. Lei n. que o empregador não poderá nem deverá gurou a razoável duração do processo como direito medir custos para a adoção de eficazes fundamental a todos os brasileiros (art. padrões renunciar o dia busca da verdadeira reito Enfim. Didoa trabalhador. 2007.contradições sociais os conceitos fechados e tipificantes dos sistemas legais vigentes”. especial. 97 49 . a por exemplo. a identifibiental” em questão. imprescindível. Luis Fernando Silva de. Nesse viés quaisquer interDiantedadas de tais ponderações. devendoefetividade sempre e deve de tornar-se um objetivo comum principalmente dentre forma incansável buscar meios de assegurar a os Magistrados e os Advogados para que a sociedade concretização do ideal de previsto nosso ordenunca perca a esperança que teráem seus direitos tutenamento. São Paulo: Ática. garantir a saúde devem e higidez físicasua e emocional dade todos os subsistemas. CF). Se numa análise infraconstitucional aplicabiPode-se concluir que a saúde e aa integridalidade da multa do art. pela qual se assebém. A aplicação subsidiária do art. odeste. atuando em conjunto. adotem políticas concretizar o espírito dos comandos de gestão pessoal com equipes multidisciplina(4) FARIA. Neste aspecto conclui-seapós tama Emenda Constitucional n. São Paulo: LTr. 249-275. 5º. assegurando dignidade reito Processual do Trabalho. (5) CARVALHO. LXXVIII. de segurança medicinaconstitucido tracessoem (art. visando programas justrabalhista a alcançar esse desiderato. efetivos de prevenção. 1997. 475-J do Código de Processo Civil. In: FARIA. fundamentada no princípio constitucional da razoável duração do prores. LXXVIII.232/2005: Oportunidade de maior efetividade no cumprimento das sentenças trabalhistas. Ordem legal X Mudança social: a crise do judiciário e a formação do magistrado. principalmente.Jornal do Congresso cesso mais ágil e eficaz(5).

a Justiça Laboral não conseguiu julgar a quantidade dos processos que ingressam no sistema. 2013.. por exemplo.7 (um vírgula sete) magistrados por 100. 267). A par deste grande numerário. 88). dos 3. duzentos e dezoito reais) e. Na Província de Ontário. confeccionado em 2013. De acordo com o levantamento do CNJ (BRASIL. em média (BRASIL. corresponde a 92. Neste interim.621 (três milhões. 2012. é necessário o desenvolvimento de meios alternativos de resolução de controvérsias trabalhistas. 1. 20. cit. não superam 04 (quatro) anos. 112. o que é obviamente inviável. a mediação e a arbitragem ganham realce como interessantes opções para resolver o impasse jurisdicional. 2013. Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Pará (UFPA). ou seja. em cada instância. p. os julgamentos. (2) Em números. da Lei Complementar n. 267).747. 50 na Justiça do Trabalho ao longo dos anos que hoje totaliza 3.2% (noventa e dois vírgula dois por cento) de todo o seu orçamento (BRASIL.326 (três milhões.859. tem-se uma média de 1. a despesa com recursos humanos. no Brasil. 152)(1). 152)(2). duzentos e noventa e cinco) ações ingressadas em 2012 não foram julgadas no mesmo período. em média. Um Raio x da jurisdição trabalhista no Brasil Segundo o relatório “Justiça em Números” do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). cada reclamação trabalhista nova custa R$ 3.328. um levantamento feito em um determinado período mostrou que LTr . b. 24-25) relata que nas Províncias de British Columbia.4º Painel A ARBITRAGEM TRABALHISTA E A EXPERIÊNCIA CANADENSE Bruno Anunciação das Chagas Advogado. 2011.000 (cem mil) habitantes (BRASIL. Essa taxa de congestionamento implica em um saldo de ações ingressadas e não julgadas (1) O art. em média (BRASIL. I. para que a Justiça Obreira conseguisse liquidar todos os processos pendentes de julgamento. na Justiça do Trabalho. mas com referência ao ano de 2012. p. a Justiça Especializada julgou 3.Jornal do Congresso .433 (três milhões. Experiência Canadense Brito (2010. na Justiça do Trabalho. 10). Como se pode perceber.446 (um mil. seria necessário que ela mantivesse seu índice de produtividade e que não se permite o ingresso de novas reclamações trabalhistas por um ano inteiro. Até o ano de 2013. Dito de outro modo. setecentos e quarenta e sete mil e trezentos e vinte e seis). 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal) impede o aumento da despesa com recursos humanos. p.295 (cento e doze mil. New Brunswick e Saskatchewan. os governos fornecem mediadores (settlement officers) para assistir empregadores e sindicatos na resolução de conflitos antes de se recorrer à arbitragem e após exaurimento das negociações diretas entre as partes. oitocentos e cinquenta e nove mil e seiscentos e vinte e um) de casos novos. bem como reduzir o saldo de processos pendentes de julgamento. p. p. p. 2013. p. op. 2. A pesquisa do CNJ afirma que a Justiça Obreira julgou 98% (noventa e oito por cento) dos casos novos que entraram no ano de 2012 (BRASIL. trezentos e vinte e oito mil.218. o Brasil possui apenas 1. quatrocentos e quarenta e seis) casos novos por 100. No que diz respeito ao tempo de solução do litígio. quatrocentos e trinta e três) de demandas.000 (cem mil) habitantes. a fim de diminuir a quantidade de demandas que ingressam na Justiça Especializada.00 (três mil.

desde que seja por livre opção das partes.00 (um mil. O Governo canadense também tem encampado ADR. 2010. A justiça do trabalho brasileira e a arbitragem Em que pese o art. 2009) ainda é majoritariamente resistente à utilização da arbitragem como método de resolução de controvérsias para dissídios individuais. Conclusão A experiência canadense. risprudência laboral pátria (BRASIL. no Canadá. 203) pode ser enfoque de arbitragem.67. 83. 2011). por conseguinte. Organizações de âmbito nacional ou provincial têm sido ativas em programas de treinamento e encorajamento do uso desses mecanismos. Relator Ministro: Alberto Luiz Bresciani de Fontan (3) A título ilustrativo.00 (duzentos e quarenta e cinco dólares) para cada parte. p. embora com mais comedimento que a iniciativa privada. e que verse sobre direitos trabalhistas não abarcados pela indisponibilidade absoluta. ela contribui para isso mediante a identificação precisa das questões debatidas e por meio da geração de ideias. aliada aos dados levantados pelo CNJ. Em verdade. o que significa US$ 1. 2009. isto é. 13) assevera que tamanha é a conscientização da sociedade canadense sobre Alternative Dispute Resolution (ADR) que uma pesquisa encomendada pela Law Society of Upper Canada. ou seja. ou seja. Além disso. aduz-se que o caráter alimentício das verbas trabalhistas. o percentual de sucesso da mediação trabalhista é de cerca de 80% (oitenta por cento). Dito de outro modo. por força do art. 08 (oito) em cada 10 (dez) conflitos trabalhistas submetidos à mediação são resolvidos. p. a juLTr . mediação e arbitragem. o direito que “não caracterize um padrão civilizatório mínimo” (DELGADO.159900-98. não possui validade. uma vez que o interesse do trabalhador em conseguir o emprego vicia sua vontade e. 215) assevera que a estabilidade não é suscetível de transação e. portanto. Referências bibliográficas BRASIL. E mesmo quando a mediação não soluciona o conflito. BRASIL. 3.0022. Tribunal Superior do Trabalho (TST). não pode ser alvo de sentença arbitral. 2009. Por quê? As partes podem transacionar direitos trabalhistas não abarcados pela indisponibilidade absoluta(3). p. 06 (seis) meses mais rápido do que o tempo médio de uma arbitragem convencional. mostra que é conveniente (e constitucional) a utilização da arbitragem extrajudicial para redução dos processos trabalhistas.550. apontou que 85% (oitenta e cinco por cento) da opinião pública na Província de Ontário apoiava a utilização de métodos alternativos de solução de conflitos. Em 1994. os mesmos motivos que permitem o instituto da conciliação judicial na Justiça Laboral também devem admitir o uso da arbitragem para dirimir controvérsias. 4. Importa dizer que a arbitragem só terá validade ela advier de vontade livre e posterior ao término do contrato de trabalho (BRASIL. A mesma pesquisa também constatou que 97% (noventa e sete por cento) dos entrevistados achavam que os advogados tinham obrigação de informar os clientes a respeito dessas formas alternativas de resolver disputas.02. RR . 9. ao lado da indisponibilidade dos direitos em discussão e da hipossuficiência do trabalhador. impedem o uso irrestrito do instituto para dirimir tais controvérsias.307/96. havia 39 (trinta e nove) leis federais fazendo referência à resolução de disputas por meio de negociação.7% (sessenta e sete vírgula sete por cento) das disputas submetidas à mediação foram resolvidas com a ajuda desses profissionais. Como resultado disso. 75/93 estatuir que o Ministério Público do Trabalho pode atuar como árbitro nos dissídios de competência da Justiça do Trabalho. Elliot (1994 apud BRITO.Jornal do Congresso Ocorre que a praxe forense nos mostra que esses argumentos não inviabilizam a conciliação judicial.5. 51 . em 1992. é nulo o compromisso arbitral realizado no momento do pacto laboral (convenção contratual). estima-se que os acordos daí resultantes foram alcançados em um prazo de até 03 (três) semanas. da Lei Complementar n. após o término do contrato. XI. Para tanto. a um custo médio de US$ 245. Süssekind (2000. 1º da Lei n. quinhentos e cinquenta dólares) a menos do que a despesa de uma arbitragem tradicional. Muitas iniciativas no campo de ADR têm sido adotadas no Canadá.2005.

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HASSON. linha de pesquisa “Atividade Empresarial e Constituição: Inclusão e Sustentabilidade” Pela UNICURITIBA — Centro Universitário Curitiba. sendo reconhecida como facultativa(4) a passagem da futura demanda trabalhista por tais instituições para tentativa de acordo. apresentam-se praticamente em desuso. advogada.(5) As razões para este declínio são claras e justificáveis: a falha metabólica legal que não obriga o comparecimento da parte requerida à tentativa de conciliação é uma delas e é agravada pela possibilidade de posterior questionamento judicial do acordo realizado no âmbito das Comissões. dos. 2. A conciliação é aclamada há anos como a melhor forma de solução de conflitos e as razões para tanto são notórias: maior aceitabilidade. 2139 e 2160. Estado e atividade econômica: o direito laboral em perspectiva. 2010. Roland. do Estado e Atividade Econômica: enfoque laboral” da PUCPR.(6) (4) Atualmente. 2001. Especializando em Direito Processual Civil pelo Instituto de Direito Romeu Felipe Bacellar. à conciliação judicial. Altamiro J. UnC Concórdia/SC e da EMATRA IX. Iara Alves Cordeiro. Bacharel em Direito pela PUCPR. (3) Conforme PACHECO. (2) Conforme MELEK. São Paulo: LTr. A conciliação tem origem tão remota quanto a própria humanidade e. Ronald Silka de. desde a CLT de 1943 já previa a figura dos Vogais. Fundamentos sociais e econômicos na homologação de transação extrajudicial no direito processual do trabalho: limites e possibilidades. 2001. HASSON. gerando total ineficácia e insegurança em relação aos trabalhos destas instituições. Marcelo Ivan. pesquisadora convidada da UNIFE — Università degli Studi di Ferrara (Itália/2011).]. por força das Ações Diretas de Inconstitucionalidade n. pois tem sua origem como “Juntas de Conciliação e Arbitragem” e. HASSON. custo social reduzido e aguçamento da sensação de efetiva Justiça na prestação jurisdicional. Roland. menor impacto emocional. Marco Antônio César. neste momento. 53 . 13. LTr . ALMEIDA. Roland. no Brasil. cujas funções abarcavam também a condução de tentativas de conciliação. 179. p. tal passagem é considerada facultativa. Vale destacar que tanto prestígio é dedicado. Advogado. São Paulo: LTr. professora dos Cursos de Graduação em Direito e Administração da PUCPR e da UNINTER. dos.(1) A Justiça do Trabalho apresenta uma vocação histórica para a conciliação(2). está presente desde as Ordenações Portuguesas(3). p. In VILLATORE. v. 371. Comissão de Conciliação Prévia: Conviviologia Jurídica e Harmonia Social. membro do Grupo de Pesquisa “Desregulamentação do Direito. Comissão de Conciliação Prévia: Conviviologia Jurídica e Harmonia Social. professora do Mestrado do PPGCOOP — Programa de Pós Graduação em Gestão de Cooperativas da PUCPR. p. Curitiba: Juruá. pois a extrajudicial encontra-se em franco declínio: as Comissões de Conciliação Prévia. Os Direitos Trabalhistas e a Arbitragem. p. (6) Conforme MELEK. professora dos Cursos de Especialização da UNIARP/SC. Altamiro J.[coord. São Paulo: LTr. 11. ela é a grande (1) Conforme SANTOS.Jornal do Congresso aposta para o aperfeiçoamento do acesso à Justiça e do próprio Poder Judiciário. hoje. ao lado da mediação e da arbitragem. Marcelo Ivan. (5) Conforme SANTOS. Especializando em Direito do Trabalho e Processual do Trabalho pela PUCPR.CONCILIAÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA: TÉCNICA E EXCELÊNCIA Leila Andressa Dissenha Doutora e Mestra em Direito pela PUCPR. Tiago de Araújo Gonçalves Mestrando em Direito Empresarial e Cidadania. que outrora representavam a esperança de desafogamento da Justiça do Trabalho. 2003. rapidez na solução.

]. a ascensão da conciliação nos dias atuais está no âmbito judicial. Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho. 379. Estado e atividade econômica: o direito laboral em perspectiva. 179. questionam os “maus acordos” judiciais: situações de flagrante renúncia unilateral de direitos sob o argumento do fator “tempo”.Assim. 78 54 rismo por diversos profissionais da área jurídica: forma. são apenas alguns dos múltiplos detalhes que compõem os estudos mais aprofundados acerca da atual Conciliação. Curitiba: Juruá. São Paulo: Saraiva. por si próprias. (8) Conforme LORENTZ.. os autores acima mencionados.(7) A impossibilidade de homologação de acordos extrajudiciais pelo Magistrado Trabalhista.(10) (9) Conforme SANTOS. afirmam que se está diante de um “mau acordo” que não deveria ser homologado judicialmente. Roland . Uma perspectiva de atuação cada vez mais aprimorada dos Magistrados na conciliação de conflitos advém das disposições do Conselho Nacional de Justiça que vem auxiliando no aprimoramento da vocação natural dos Magistrados para a Conciliação. v. o Magistrado corre o risco de macular sua imparcialidade e ser acusado de pré-julgamento. na prática. um problema social e economicamente alarmante. p. Leila Andressa. 268. Marco Antônio César. Métodos Extrajudiciais de Solução de Conflitos Trabalhistas. por melhor intenção que tenha havido quando da instituição das referidas Comissões. Valentin. por exemplo) sob o argumento de que haverá uma demora de anos para que a prestação judicial chegue às suas mãos. fato é que. dos. A Consolidação das leis do trabalho e as formas alternativas de solução de conflitos. ALMEIDA. na conciliação não é possível ao conciliador propor soluções para o caso. 2. HASSON. distanciamento emocional. cheguem à melhor solução para seu conflito. (10) DISSENHA. ou seja. como já mencionado. VILLATORE.. econômica e jurídica. a demora do processo. mas encontra restrições para ser mediador: ao formular a “proposta do juízo”. Ronald Silka de. onde ela ocorre sob o auspício do Estado e das garantias dos princípios processuais e materiais trabalhistas. por exemplo. A conciliação consiste na mera aproximação das partes para que elas. (7) Conforme CARRION. 2001. pelo menos é assim que deveria ser. São Paulo: LTr. mas. p. O Magistrado trabalhista está autorizado constitucionalmente a atuar como conciliador. 114 da CRFB/88 e da aplicação do princípio da proteção. dentre ele o próprio desconhecimento da técnica. p. 2002. 2013. In CAVALCANTE. ou a análise econômica de custos de transação da Economia. No mesmo esteio encontram-se os argumentos sobre o despreparo de alguns Magistrados para conduzir a conciliação. ou. LTr . CLT 70 anos de consolidação: uma reflexão social. Todavia. Jorge Souto Maior e Lutiana Nacur Lorentz(8). p. certamente. 2004. São Paulo: LTr. A conciliação é um procedimento eminentemente técnico. Quando um trabalhador abre mão parcialmente de um direito que sabe devido (valores de FGTS não depositados durante o vínculo.[coord. também gera consequências de alta relevância: não são poucos os casos desmantelados pela Justiça do Trabalho de conluio entre empresas e trabalhadores para validar acordos a partir de falsas reclamatórias trabalhistas. elas não alcançaram o objetivo almejado de ser um filtro de demandas trabalhistas e acesso à Justiça para as partes. mas vem sendo utilizado com bastante empiFundamentos sociais e econômicos na homologação de transação extrajudicial no direito processual do trabalho: limites e possibilidades. ocorre com muito mais justificativa em razão das limitações judiciais quanto ao dever de imparcialidade. Lutiana Nacur. In VILLATORE. p. 29ª.Jornal do Congresso . Conciliar significa muito mais que reunir as partes para questioná-las acerca da possibilidade de acordo. 2010. Eis o principal motivo para que sua atuação como conciliador encontre obvias restrições. consideração do “iceberg” comportamental e utilização de ciências auxiliares. Tal limitação de atuação dos Magistrados pode advir de diversos fatores.. Marco Antônio César. ed. 471. Jouberto de Quadros Pessoa.(9) Diferentemente da mediação. como a análise comportamental da Psicologia. São Paulo: Atlas. o que. colaborará para o aperfeiçoamento do Poder Judiciário e da própria distribuição da Justiça. Altamiro J. incentivando seu constante aprimoramento e excelência na condução de procedimentos de conciliação. certamente. Comissão de Conciliação Prévia: Conviviologia Jurídica e Harmonia Social. conforme se apreende da leitura do art. linguagem e ambiente de abordagem das partes (raport). sendo que esta é a prática forense mais comum atualmente.

Consultor Jurídico. Como explica Rogério Neiva(11).com. Como inexiste norma específica sobre o tema. aos Magistrados. Uma nova boa perspectiva para os defensores da conciliação judicial é a crescente defesa da tese de aplicabilidade subsidiária do art. a defesa dos direitos de seu cliente. Com relação aos Advogados. podendo o juiz ser auxiliado por conciliador”. § 1º. Tal artigo dispõe que “A conciliação será reduzida a termo e homologada por sentença. br/2012-dez-03/rogerio-neiva-preciso-discutir-adocaoconciliador-justica-trabalhista>. 55 . de Disciplinas de Direito Negocial (Mediação/Conciliação/Arbitragem) nas Faculdades de Direito e em cursos ofertados por órgãos como a própria Ordem dos Advogados do Brasil. cada vez maior. a obrigação legal do juiz de empenhar esforços na condução de uma solução conciliatória dos conflitos e a melhor utilização do tempo no Processo do Trabalho demonstrariam a existência de compatibilidade. também. tal medida. a função primordial de todos. seus Magistrados e os profissionais da Advocacia a revisitarem seus conceitos de atuação e estarem disponíveis ao constante estudo de formas de alternativas solução de conflitos. aos Advogados. Da mesma forma. cujas vantagens. o que abriria a possibilidade de contratação de LTr . Acesso em 28 de abril de 2014. mas. por excelência. a boa perspectiva encontra-se na disseminação. especialmente pelo receio de comprometimento da parcialidade da Justiça Laboral. inclusive. O autor explica que o prestígio da conciliação no texto consolidado. não elide a necessidade de estimular a Justiça do Trabalho. ainda que venha a ser implementada sem maiores questionamentos. preparando profissionais para esta forma de solução de conflitos tão salutar na defesa dos interesses de seus patrocinados. Muitos profissionais do Direito foram forjados pelas Faculdades de Direito e pela prática forense tradicional a atuarem como verdadeiros “gladiadores” e não estão preparados para uma postura negocial. (11) NEIVA.Vale mencionar que as dificuldades no aprimoramento das práticas conciliativas não se restringem. Resolução de Conflitos: é preciso discutir o conciliador na Justiça Trabalhista. o art. Rogério.conjur. O posicionamento agressivo de um Advogado pode restringir significativamente as possibilidades de sucesso na tentativa de conciliação e comprometer. de forma alguma. eis que a pacificação é. 769 da CLT impõe a observância de dois critérios para aplicabilidade subsidiária de normas: omissão e compatibilidade. É mais um indício de que caminhamos para a excelência na aplicação das práticas de conciliação. já elencadas. do Código de Processo Civil ao Processo do Trabalho.Jornal do Congresso Conciliadores para auxílio dos Magistrados trabalhistas. Disponível em: <http://www. Tal auxílio no aperfeiçoamento das práticas de conciliação judicial não está isento de dúvidas e críticas. são inegáveis. resta a discussão acerca da possibilidade de compatibilização. 277.

juntamente com o Prof. um trabalhador demore tantos anos para receber. Doutor em Direito do Trabalho pela USP. uma exigência social. (2)CAPPELLETTI. Para o autor. Ellen Gracie Northfleet. eis que “o mesmo direito que não pode ser renunciado na mediação não poderá sê-lo em jurisdição”. Trad. Os métodos alternativos de solução de conflitos no quadro de movimento universal do acesso à Justiça. GARTH. ramo no qual. já era reconhecida pela sociedade. outrora denominado árbitro. Revista de Processo n. 186). Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor. (1) Como adverte Antonio Rodrigues de Freitas Jr. a segunda reflete a resposta ou solução jurídica (normas e instituições para atender àquela necessidade). Acesso à Justiça. como aceitar que sejam celebrados acordos perante a Justiça em valores tão ínfimos?(1) A arbitragem poderia ser uma solução para o problema da morosidade judicial? Ou agravaria ainda mais a postura negligente ante os direitos trabalhistas? A arbitragem é método alternativo de solução de conflitos em crescente expansão em diversos ramos do direito. o processo tradicional em juízo pode não ser o melhor caminho para a vindicação efetiva de direitos. Mas se os direitos trabalhistas são indisponíveis e irrenunciáveis.. que avalia os impactos e resultados da resposta jurídica pensada. e uma terceira. Arbitragem nos dissídios individuais trabalhistas: Brasil e Itália Desde os tempos antigos a figura de um terceiro. como admitir que. a busca de tais vias alternativas deve ser cercada de cuidados(4) para que atinja sua finalidade e não sofra desvirtuamento: quais serão as instituições a promovê-las e mediante quais procedimentos. 56 em certas áreas ou espécies de litígios. o que preocupa não é a legitimidade constitucional da arbitragem instituída consensualmente. 2. sendo o contrário também verdadeiro (“Conflitos de Justiça e limites da mediação para a difusão da cultura da paz”. Mestrando em Direito do Trabalho pela PUC/SP. Advogado. denominou de “terceira onda” no movimento de acesso à Justiça. 2009).A arbitragem e a duração razoável do processo trabalhista Túlio de Oliveira Massoni Professor da UNIFESP. a primeira dimensão reflete o problema.Jornal do Congresso . 82-97. Mauro. abr/jun. Bryan Garth. (4) Como ressaltou o Ministro Sepúlveda Pertence. 74. os referidos créditos? Ou. art. LTr . quais os padrões e garantias mínimos a serem mantidos nesses canais alternativos de modo a evitar que eles proporcionem uma “justiça de segunda classe”. sob o pálio da liberdade contratual. 1998. tradicionalmente. 1994. se imponha na realidade o poder da parte economicamente mais forte”. Daí o incentivo a formas extrajudiciais de composição de conflitos. p. ele menciona os “obstáculos processuais”. quais pessoas integrarão os referidos órgãos. proposta a que. entendendo-os como o fato de que. no voto proferido no AGRSE 5. as normas são vistas como absolutamente indisponíveis. Mauro. Gabriel Henrique Santoro Professor do Curso de Estágio Profissional de Advocacia do Complexo Educacional FMU. ainda. 1. mas a “necessidade de predispor cautelas eficazes contra o risco de que. Amauri Mascaro Nascimento considera a arbitragem uma forma quase sempre facultativa e voluntária de solução de conflitos por um terceiro investido de poder (3) CAPPELLETTI.. como controlar a independência e a imparcialidade destas pessoas. mediação e arbitragem). Advogado.206-7. judicialmente. como novos caminhos para tratar as demandas fora do sistema formal (conciliação. Bryant. Dentro da teoria de Cappelletti de acesso à Justiça. por ostentarem natureza alimentar (CTN.(3) Obviamente. como propõe Mauro Cappelletti(2). a tese da indisponibilidade absoluta de direitos não tem fundamento. Formas alternativas de solução de conflitos no quadro do acesso à justiça Polêmica é a aceitação da arbitragem em dissídios individuais trabalhistas. Liga-se ao movimento de acesso à Justiça em uma concepção “contextual” e tridimensional do direito. na prática.

9. entendendo ser relativa a indisponibilidade dos direitos patrimoniais. TST — AIRR: 58500-26. ao lado da jurisdição. 409 a 412 do Código de Processo Civil italiano.2007. edição. Mas ambas as correntes reconhecem que a decisão arbitral. inciso II. necessariamente. de 4 de novembro de 2010. apenas será válida se prevista no contrato coletivo e. 2005. nos dissídios de competência da Justiça do Trabalho. Compêndio de Direito Sindical.5. Por fim. modificando os arts. por sua importância.(10) Antes de abandonar a ideia de forma (8)TST — RR n. 31. da CF. 8ª Turma. Rel. Manual de direito do trabalho: direito coletivo do trabalho. 32. 12. IV. há precedentes da mais alta Corte trabalhista sinalizando uma mudança de perspectiva sobre o tema. A celebração da cláusula compromissória no curso do contrato de trabalho. 3ª Turma.(5) Octávio Bueno Magano.307/96. tem-se o art. DEJT 9. (10) Como lembra Mauro Cappelletti. 295. se assim for solicitado pelas partes. caracterizando a arbitragem como procedimento de autocomposição. 31. § 10 da lei supracitada. após o período de experiência (periodo di prova). haja vista a posição suprapartes do árbitro. A posição do TST. recusa a arbitragem em dissídios individuais. sendo nula a sentença arbitral proferida fora dos limites fixados (art. 12. inclusive no campo trabalhista(7).decisório pelas partes conflitantes. não estão sujeitas à arbitragem as controvérsias relativas à cessação do contrato de trabalho. em especial a conciliação (art. 9. 4º. 30) e a arbitragem em matéria justrabalhista (art.106500-58. A figura da arbitragem está prevista em diversos dispositivos legais do ordenamento jurídico brasileiro.5.2011.2009. pois cessada a vulnerabilidade do trabalhador. 1993. 4. TST — AIRR — 1475/2000-193-05-00. 475-N). Min. a Lei nº 10. prevê em seu art. e a arbitragem alternativa. 1799/2004-024-05-00 — 4ª Turma — Rel. São Paulo: LTr. Há a arbitragem prevista pela lei. a lei italiana optou por excluir do mecanismo arbitral.02. Amauri Mascaro. por sua vez. traz previsão expressa da aplicação da arbitragem para dirimir os conflitos decorrentes da relação entre o trabalhador portuário e o órgão gestor de mão de obra (art. uma vez prolatada. publicação: DJ — 17. Outros ressaltam a natureza voluntária do instituto. TST — RR — n. Da mesma forma.8. da Lei n. Pedro Paulo Manus. §§ 1º a 5º). João Batista Brito Pereira. que determina que as partes poderão recorrer à arbitragem quando frustrada a negociação coletiva.12. 57 . Vol. 219. há dois modos de recusar mudanças: uma é simplesmente dizer não às reformas.2008.2011.307/96). prevista em contrato coletivo de trabalho (art. a Lei n. 37 da Lei n. o objeto da arbitragem pode ser delimitado pelas partes. § 1º. Rel. Dora Maria da Costa. com base no art. (6)MAGANO. art.(8) Entretanto. a qual estabelece em seu art. 31. a arbitragem possui natureza heterocompositiva. DEJT de 19.2012. bem como aquela proferida por árbitro incompetente ou nos casos de prevaricação.10.2008.5. São Paulo: LTr. quando houver a participação do sindicato profissional na escolha deste procedimento e as partes estiverem assistidas por advogados. que compete ao Ministério Público do Trabalho atuar como árbitro. DEJT 7. expressa no acordo de vontades para escolha do árbitro ou árbitros que decidem o conflito. o árbitro. 3. Na Itália. Min. §§ 6º a 11). (9)TST — RR n.0091. da Lei n.0005. 5ª Turma — Rel. O referido autor destaca como elementos nucleares da sua definição o caráter privado do juízo arbitral e a natureza voluntária do instituto.815/2013). como um desdobramento do procedimento conciliatório frustrado (art. bem ainda quando inexistirem vícios de consentimento(9). 114. No que tange à amplitude. DEJT 19/06/2009. Com efeito.Jornal do Congresso niais e disponíveis. Min.9. como meio de solução do litígio. (7) A Lei n. Destaca-se também a Lei Complementar nº 75/93. ainda majoritária.(6) Para alguns. autorizando a arbitragem em dissídios individuais. Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira. corrupção passiva ou concussão (art. 31). 183. que regula o trabalho nos portos. incentivou formas extrajudiciais de solução de conflitos.815/2013. Min. p. II e VI. IX. Algumas propostas para reflexão Não podemos negar as vantagens da arbitragem no atual cenário de morosidade judicial.0069. conforme art. 83. Quanto ao objeto. não fazendo qualquer menção se em dissídios coletivos ou individuais. 217400-10. 32.15. que no caso da negociação resultar em impasse.15. 3. LTr . figura como título executivo judicial (CPC. o outro — talvez menos ostensivo — é exigir a perfeição (o enfoque do tudo-ou-nada). 1º da Lei n. que trata da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas. a preocupação com a duração razoável do processo não é uma exclusividade brasileira. Octávio Bueno. em especial quando já extinta a relação empregatícia. Barros Levenhagen. define arbitragem como a decisão de um conflito levada a efeito por pessoa ou pessoas escolhidas pelas partes nele envolvidas.101/00. Min. as partes poderão utilizar-se da arbitragem de ofertas finais. que prevê o uso da arbitragem apenas em relação aos bens patrimo(5)NASCIMENTO. tema que. 9.307/96). que o autoriza a adotar uma solução e impô-la às partes. 7ª Turma — Rel. p.

a discussão judicial de nulidades procedimentais. 9. Mas a introdução do mecanismo arbitral deverá se cercar de cuidados mínimos. conciliação e a jurisdição. observando-se os resultados empíricos. 9. mas de método de resolução de conflitos. AgRg. 12. contra sua vontade. na verdade. renuncia-se o direito de acesso ao Poder Judiciário quanto às questões materiais postas à análise arbitral. e) participação do MPT. A polêmica inicia-se por parcela minoritária da doutrina e jurisprudência defenderem suposta afronta ao princípio da inafastabilidade da jurisdição(1). rel. 9. eis que a LC n. g) criação de regras procedimentais claras e zelosas do contraditório e da ampla defesa.12. Em LTr . não sendo permitido obrigar-se alguém. Especialista em Direito Material e Processual do Trabalho pela UNIDERP. (1) Inciso XXXV do art. 83. Em suma. 475-N do CPC. Sobre a perspectiva coletiva. Especialista em Direito Constitucional pela UNIDERP.peremptória. Sepúlveda Pertence. 75/93 (art. se necessário. Ao lado da mediação. Observa-se que o direito de ação não é um dever. c) estipulação da cláusula arbitral apenas após o rompimento da relação de emprego. cuja exequibilidade em Juízo é permitida pelo inciso IV do art. de certos direitos (como os direitos de personalidade) ou delimitação. f) exclusão. no Brasil. A APLICABILIDADE DA LEI DE ARBITRAGEM (LEI N. No entanto.307/96 e os princípios constitucionais do acesso à justiça. uma falsa problemática. ora propostos: a) previsão em contratos coletivos de trabalho. no sentido de que todo e qualquer litígio deve ser submetido ao Poder Judiciário. a utilizar o procedimento arbitral. de outros temas que se considerem infensos à via arbitral. sendo ainda possível. há autorização constitucional para que o conflito possa ser dirimido por arbitragem (§ 1º do art. as partes previamente elegem árbitro imparcial para solucionar o conflito de forma definitiva.Jornal do Congresso . dado que não há. corrigindo os desvios de percurso que surgirem. Sobre a inexistência de conflito entre a aplicabilidade da Lei n. IX) não diferencia os dissídios em que o referido órgão pode atuar como árbitro (se individuais ou coletivos). 58 uma vez eleito. d) composição paritária do órgão arbitral.307/96. inafastabilidade da jurisdição e do juiz natural já se manifestou o Supremo Tribunal Federal (SE 5. Parece. 114). b) as partes estarem acompanhadas de advogados. a arbitragem é um meio de solução de conflitos — instituído e regulado pela Lei n. 5º da Constituição Federal. Não há renúncia de direitos materiais trabalhistas. pela via da negociação coletiva de trabalho. talvez seja possível a introdução da arbitragem para conflitos individuais. evitando vícios de consentimento. e) custeio dos gastos pelas entidades sindicais. que devem prestar assistência jurídica aos membros da categoria.206-Espanha. uma proteção efetiva à dispensa imotivada. Min. entretanto.307/96) NA RESOLUÇÃO DE CONFLITOS INDIVIDUAIS TRABALHISTAS Manoella Rossi Keunecke Graduada em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina. eis que a arbitragem é meio facultativo de solução de conflitos. e. do objeto da via arbitral. A solução é apresentada através de laudo arbitral.2001).

615/98) e pelo Ministério Público do Trabalho (LC n. e que determinam a obrigatoriedade de arbitragem de ofertas finais pelos destinatários da Lei dos Portos (Lei n. AIRR — 26971. o Direito do Trabalho não se coaduna com a Lei n. que os direitos transacionáveis são os de indisponibilidade relativa.039.02. cujas palavras transcreve-se.5. 2012. Relator Min.. da CLT).]” (2014.2008.11. Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado. Ao inverso. Pode-se citar grandes juristas como Carlos Henrique Bezerra Leite. 415/2005. Horácio Raymundo de Senna. 8). AIRR.6.12. Data de Publicação: DEJT 31. Os disponíveis são aqueles sobre os quais as partes podem transigir e dispor. Já os direitos de indisponibilidade relativa — sobre os quais poderia haver transação — são os que traduzem interesse individual ou bilateral simples. 1. em linha de princípio. Assim. p. desde que não haja prejuízo ao 59 .2012. 2ª Turma.12.10. Américo Plá Rodriguez (2000. 12. 444.” (SCHIAVI. 6ª Turma. data de publicação 26. como o direito à anotação da CTPS.Jornal do Congresso pio. Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado.10.0052 Data de Julgamento: 20. respectivamente: O art. p. Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo Bastos. a parcela de direitos trabalhistas de disponibilidade relativa pode ser livremente transacionada pelas partes contratuais. são aqueles direitos que podem ser alterados durante a vigência da relação de trabalho desde que não importem em prejuízo.2011. Conclui-se.05. AIRR — 25970012.2012.2012. 75/93). que não caracterizam um padrão civilizatório mínimo.5. ao salário mínimo.5. Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado. A segunda problemática sobre a admissibilidade da utilização deste método heterocompositivo perante litígios trabalhistas recai. p. p. 3ª Turma.09. Parcela expressiva da doutrina e jurisprudência(2) dos Tribunais Regionais do Trabalho percebe os direitos trabalhistas como dotados de ampla indisponibilidade. Data de Publicação: DEJT 9. na limitação feita pelo próprio art.6.9. Não se pode perceber como sinônimos a imperatividade das normas trabalhistas e a indisponibilidade indiscriminada destas. p. Segundo Nélson Nery Júnior (2003.2007. isto é. 1º da Lei n.815/2013).0031 Data de Julgamento: 29.2009. (BEZERRA LEITE. não admitindo a arbitragem como mecanismo de solução dos conflitos individuais de trabalho.307/96. LTr . 214 e 215) os divide em: direitos de indisponibilidade absoluta e relativa. 6ª Turma. todo o direito que puder ser objeto de transação pode ser examinado e julgado por meio do juízo arbitral. mormente. Data de Publicação: DEJT 16. 151) igualmente corrobora a possibilidade de transacionar-se direitos trabalhistas. Pertencendo ao Direito Privado. 9. o que. Data de Publicação: DEJT 29. “O fato de existirem normas de ordem pública no Direito do Trabalho (art.18. p. p. 9. 9. há regras que permitem o uso da arbitragem para conflitos trabalhistas desportivos (Lei n. e 468.10. 9º. 3ª Turma. data de julgamento 17.04. RR — 10290048. 158) A questão que revolve o princípio da indisponibilidade dos direitos trabalhistas é questão de direito substancial e sobre estes o Ministro e jurista Maurício Godinho Delgado (2014.5.” O próprio Maurício Godinho Delgado conclui que “Somente será passível de transação lícita parcela juridicamente não imantada pela indisponibilidade absoluta [.6. não há regra que proíba a utilização da arbitragem nos conflitos individuais trabalhistas.2012.2011. RR — 9050078.430).2012. A primeira espécie de direitos trabalhistas constituem um patamar civilizatório mínimo. (JORGE NETO E CAVALCANTE. à incidência das normas de proteção à saúde e segurança do trabalhador. 216). 1º da aludida Lei quanto à natureza do direito posto ao árbitro: “As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis”. portanto.. 2007. Isso porque também há dissenso sobre a natureza indisponível dos direitos trabalhistas.6. inviabiliza a sua aplicação como método de solução dos conflitos individuais trabalhistas. 116) Parece não restar dúvidas de que se está — quando se analisa o Direito do Trabalho — diante de um direito que não comporta.âmbito infraconstitucional. em princí(2) TST.307/1996 vaticina que a arbitragem só pode resolver conflitos em envolvendo direitos patrimoniais disponíveis.2009. Francisco Ferreira Jorge Neto e Jouberto de Quadros Pessoa Cavalcante. merecendo tutela de nível de interesse público. a faculdade da disponibilidade de direitos por ato voluntário e isolado do empregado.40.0654 Data de Julgamento: 7.]. “Em suma.2012.0012 Data de Julgamento: 29.2011. não significa dizer que os Direitos Trabalhistas são indisponíveis.2009.

empregado, parte hipossuficiente na vigência de
relação de trabalho. A própria CLT prevê, no art.
625-D, a passagem — já tendo sido declarada
pelo STF sua facultatividade(3) — pela Comissão
de Conciliação Prévia, em que há transação de
direitos e cuja exequibilidade judicial(4) é amplamente aceita pelo TST(5), possuindo, inclusive,
eficácia liberatória geral quanto a todo o período
contratual.
A distinção entre a Comissão e a arbitragem é que nesta a decisão sobre o direito posto
é direcionada a um terceiro eleito, em comum
acordo, pelas partes, e não por elas transacionada. Entretanto, as semelhanças — aspecto de
maior relevância — entre estas formas de resolução de conflitos é que não se trata de renúncia
de direitos materiais e a submissão a ambas é facultativa, de livre eleição das partes.
Se a legislação permite e a jurisprudência
chancela a validade da conciliação, não só via
CCP, mas principalmente durante o trâmite processual em Juízo (art. 846 e 850 da CLT), a doutrina não deve rechaçar, de imediato, a aplicabilidade da arbitragem nos conflitos trabalhistas
individuais. A questão é mais complexa e sua
análise deve ser cindida em aspectos que tomem
em consideração o tempo da obrigação de submissão à arbitragem e as condições qualificativas
dos sujeitos compromissados.
A subordinação e hipossuficiência do empregado é grande empecilho para que se considere válida cláusula compromissória — pactuada anteriormente ao conflito — ou compromisso
arbitral — eleição posterior ao dissenso — de
forma indiscriminada. De fato e de regra, presume-se a mácula na livre manifestação de vontade
do empregado que elege o Juízo Arbitral no momento da pactuação do contrato de trabalho até
(3) ADIs n. 2139 e 2160.
(4) Parágrafo único do art. 625-E da CLT.
(5) AIRR — 180900-76.2008.5.02.0014 Data de Julgamento:
15/02/2012, Relator Ministro: Ives Gandra Martins Filho, 7ª
Turma, Data de Publicação: DEJT 2.3.2012; RR — 11280042.2007.5.01.0011 Data de Julgamento: 16.5.2012, Relator
Ministro: Ives Gandra Martins Filho, 7ª Turma, Data de
Publicação: DEJT 18.5.2012; RR — 690-72.2010.5.04.0024
Data de Julgamento: 7.8.2012, Relator Ministro: Ives
Gandra Martins Filho, 7ª Turma, Data de Publicação:
DEJT 10.8.2012; ARR — 325000-82.2003.5.02.0020 Data
de Julgamento: 22.8.2012, Relator Ministro: Ives Gandra
Martins Filho, 7ª Turma, Data de Publicação: DEJT
24.8.2012.

60

o termo final deste, com a rescisão contratual.
Durante este lapso temporal, há posição de desvantagem e nítida dependência do empregado
em relação ao empregador.
A situação é diversa quando a eleição ocorre mediante compromisso arbitral tomado após
o fim do contrato de trabalho, ocasião em que
não há vulnerabilidade, dependência ou subordinação que singularizam a típica relação empregatícia. O clima é de ampla liberdade e, por
isso, não se poderia presumir vício de vontade
na escolha de submissão de conflito à arbitragem. Neste sentido, há especial jurisprudência
do Tribunal Superior do Trabalho:
Dissídio individual — Sentença arbitral —
Validade — Efeitos — Extinção do processo sem
resolução do mérito — Art. 267, VII, do CPC. I —
O art. 1º da Lei n. 9.307/96, ao estabelecer ser a
arbitragem meio adequado para dirimir litígios
relativos a direitos patrimoniais disponíveis, não
se constitui em óbice absoluto à sua aplicação
nos dissídios individuais decorrentes da relação
de emprego. II — Isso porque o princípio da irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas deve
ser examinado a partir de momentos temporais
distintos, relacionados, respectivamente, com o
ato da admissão do empregado, com a vigência
da pactuação e a sua posterior dissolução. III —
Nesse sentido, sobressai o relevo institucional
do ato de contratação do empregado e da vigência do contrato de trabalho, em função do qual
impõe-se realçar a indisponibilidade dos direitos
trabalhistas, visto que, numa e noutra situação,
é nítida a posição de inferioridade econômica do
empregado, circunstância que dilucida a evidência de seu eventual consentimento achar-se intrinsecamente maculado por essa difusa e incontornável superioridade de quem está em vias de
o contratar ou já o tenha contratado. IV — Isso
porque o contrato de emprego identifica-se com
os contratos de adesão, atraindo a nulidade das
chamadas cláusulas leoninas, a teor do 424 do
Código Civil de 2002, com as quais guarda íntima correlação eventual cláusula compromissória
de eleição da via arbitral, para solução de possíveis conflitos trabalhistas, no ato da admissão do
trabalhador ou na constância do pacto, a qual
por isso mesmo se afigura jurídica e legalmente
inválida. V — Diferentemente dessas situações
contemporâneas à contratação do empregado e
à vigência da pactuação, cabe destacar que, após
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a dissolução do contrato de trabalho, acha-se
minimizada a sua vulnerabilidade oriunda da
sua hipossuficiência econômico-financeira, na
medida em que se esgarçam significativamente
os laços de dependência e subordinação do trabalhador face àquele que o pretenda admitir ou
que já o tenha admitido, cujos direitos trabalhistas, por conta da sua patrimonialidade, passam
a ostentar relativa disponibilidade. VI — Desse
modo, não se depara, previamente, com nenhum
óbice intransponível para que ex-empregado e
ex-empregador possam eleger a via arbitral para
solucionar conflitos trabalhistas, provenientes
do extinto contrato de trabalho, desde que essa
opção seja manifestada em clima de ampla liberdade, reservado o acesso ao Judiciário para dirimir possível controvérsia sobre a higidez da manifestação volitiva do ex-trabalhador, na esteira
do art. 5º, inciso XXXV da Constituição. VII —
Tendo em conta que no acórdão impugnado não
há nenhum registro sobre eventual vício de consentimento do recorrido, ao eleger, após a extinção do contrato de trabalho, a arbitragem como
meio de composição de conflito trabalhista, uma
vez que a tese ali sufragada ficara circunscrita à
inadmissibilidade da solução arbitral em sede de
dissídio individual, não se sustenta a conclusão
ali exarada sobre a nulidade do acordo firmado
pelas partes perante o Tribunal Arbitral. Recurso
conhecido e provido.(6)
Neste sentido, seguem as doutrinas de
Mauro Schiavi (2014, p. 64), Luiz Carlos Amorim Robortella (1997, p. 147) e Jorge Luiz Souto Maior (2000, p. 147), que também percebem
oportunidade de considerar-se válido compromisso arbitral eleito por empregados de alta qualificação, alto escalão, graduados e executivos,
cuja dependência é demasiadamente rarefeita.
Há precedente jurisprudencial que distinga empregados pela sua qualificação a fim de apurar
o grau de subordinação e hipossuficiência para,
finalmente, entender pela validade da eleição
do Juízo Arbitral (TRT — 15ª R. — Proc. 10482004-032-15-00-0-RO — Ac. 9503/06 — 11ª C
— Rel. Flávio Nunes Campos — DOESP 3.3.06).

brio de eventual hipossuficiência pode ser também sanado pela presença do órgão sindical ou
Ministério Público do Trabalho no momento da
assunção do compromisso arbitral, assim como
acontece com as rescisões de contratos de trabalho de duração superior a 1 ano (§ 1º do art. 477
da CLT). Muitas das Convenções Coletivas já
preveem a faculdade da arbitragem às categorias
e o assessoramento sindical.
A questão da aplicação da arbitragem nos
conflitos individuais trabalhistas — como visto,
aqui defendida em específicas hipóteses —, possui caráter de exceção e, portanto, deve aguardar estabelecimento de parâmetros doutrinários
e jurisprudenciais mais bem delimitados. O que
não se pode é rechaçar-se em absoluto a possibilidade de sua aplicação sem uma análise pormenorizada dos institutos apenas debatidos. As
vantagens de sua utilização são inúmeras e as
condições de aplicabilidade pouco estudadas ou
aprofundadas.
Referências
BEZZERA LEITE, Carlos Henrique. Curso de
direito processual do trabalho. 10ª ed. São
Paulo: LTr, 2012.
CAVALCANTE, Jouberto de Quadros Pessoa;
JORGE NETO, Francisco Ferreira. Direito
Processual do Trabalho. Tomo I. 3ª ed. Rio
de Janeiro: Lúmen Júris Editora, 2007.
DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito
do trabalho. 13ª ed. São Paulo: LTr, 2014.
NERY JÚNIOR, Nélson. Comentários ao Código
de Processo Civil. 7ª ed. São Paulo: RT, 2003.
PLÁ RODRIGUEZ, Américo. Princípios de Direito do Trabalho, 3ª ed São Paulo: LTr,
2000.
ROBORTELLA, Luiz Carlos Amorim. Solução
extrajudicial dos conflitos do trabalho. In:
Revista Trabalho & Doutrina n. 14. São
Paulo: Saraiva, 1997.

O grau de certeza da validade da escolha,
higidez da vontade do empregado e do equilí-

SCHIAVI, Mauro. Aspectos polêmicos e atuais
da arbitragem como meio de solução dos
conflitos trabalhistas. Disponível em: <lacier.com.br>. Acessado em: 1º.5.2014.

(6) RR — 144300-80.2005.5.02.0040 Data de Julgamento:
15.12.2010, Relator Ministro: Antônio José de Barros
Levenhagen, 4ª Turma, Data de Publicação: DEJT 4.2.2011.

SOUTO MAIOR, Jorge Luiz. Temas de Direito Processual do Trabalho. São Paulo: LTr, 2000.

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Breves Considerações sobre a Convenção de Arbitragem
Flávia Teles Ceccon
Mestre em Direito — PUC-PR; Especialista em Direito
Processual Civil — PUC-PR; Especialista em Direito Público
— UniBrasil; Especialista em Administração Pública —
UniCesumar; Advogada, Professora Universitária.

Com o intuito de assegurar e facilitar o
acesso à Justiça a todos os brasileiros foram
concebidos meios alternativos de solução de
conflitos, os quais são uma opção àqueles que
não desejam procurar o Poder Judiciário para
resolver questões que importunem a vida em
sociedade. Tal escolha pode decorrer por conta da necessidade de soluções mais rápidas ou
também pela grande especialização de determinadas matérias. Nestes casos, se a questão for
enviada à apreciação do Judiciário precisará de
laudos periciais e infelizmente tal meio de prova pode ser bastante oneroso em determinadas
situações específicas.
Os meios alternativos englobam a conciliação e o arbitramento. Contudo, existem certos
casos que não podem ser analisados de tal forma
precisando ser julgados pelo Poder Judiciário.
Trata-se de pretensões que “[...] necessariamente são sujeitas a exame judicial para que possam
ser satisfeitas [...] se referem a direitos e interesses regidos por normas de extrema indisponibilidade [...].”(1)Respeitando-se tais exceções os
meios alternativos podem ser úteis na solução
de muitas questões empresariais, especialmente
nas que envolvem litígios trabalhistas de ordem
meramente patrimonial.
Seguindo o exemplo de vários países do
mundo, o Brasil editou a Lei n. 9.307 em 23 de
setembro de 1996 para regulamentar a arbitragem. Tal assunto também é tratado no ordenamento jurídico pátrio nos arts. 851 a 853 do Código Civil de 2002 e pelo Decreto n. 4.311/2002
e Decreto Legislativo n. 52/2002. O ilustre doutrinador André Luiz Santa Cruz Ramos explica
didaticamente que “a arbitragem não se confun(1) CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada
Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do
Processo. 17. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores,
2001. p. 31.

62

de com a mediação nem com a conciliação. Na
arbitragem, o árbitro julga o litígio a ele submetido e impõe às partes uma solução definitiva, tal
como ocorre no processo jurisdicional. Na mediação, [...], o mediador apenas se limita a tentar aproximar as partes, criando condições para
que elas cheguem sozinhas a um consenso sobre
o litígio submetido ao mediador. [...]. Por fim,
a arbitragem também não deve ser confundida
com a conciliação, já que nesta o conciliador vai
além do que faz o mediador, influindo no ânimo
das partes, apontando vantagens de um determinado acordo, [...].”(2)Aspecto importante na arbitragem é que a sentença proferida pelo árbitro
não é sujeita a recurso ou homologação pelo Poder Judiciário, conforme dicção do art. 18 da Lei
n. 9.307 de 1996. A conveniência ou não de tal
ponto deve ser analisada pelas partes envolvidas
em virtude da sua irreversibilidade.
Nas relações trabalhistas há o conflito de
duas partes: daqueles que entregam sua força de
trabalho e dos que dela precisam para desenvolver sua atividade empresarial. O equilíbrio só é
alcançado quando ambas se conscientizam da
necessidade da cooperação mútua. Na resolução de possíveis litígios não pode ser diferente.
A arbitragem extrajudicial só será interessante
para reduzir os processos trabalhistas se as partes envolvidas se conscientizarem de que terão
que fazer concessões para o bem de todos. Caso
uma delas queira insistir na lide e a não ceder
em nenhum aspecto parece ser mais conveniente
a procura pelo Poder Judiciário, pois lá a parte
terá espaço para interpor recursos e discutir a
questão por mais tempo caso se sinta injustiçada
ou prejudicada por eventuais erros.
(2) RAMOS, André Luiz Santa Cruz. Direito Empresarial
Esquematizado. 3. ed. rev.atual. e ampl. Rio de Janeiro:
Forense; São Paulo: MÉTODO, 2013. p. 603.

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(5) O próprio art. ao criar meios alternativos de solução de conflitos almejou facilitar e agilizar a concretização dos direitos fundamentais dos cidadãos. 2001. ed. Eles devem ser imparciais para garantir a justiça das decisões. São Paulo: MÉTODO. Desta forma. 4. da Lei em análise permite que as partes escolham com liberdade as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem. do empresário e de toda sociedade.” Ressalta-se que tal cláusula deve ser convencionada por escrito. São Paulo: Malheiros Editores. 4.307 de 1996 conceitua a cláusula compromissória como sendo “[. ampl. rev.. São Paulo: Malheiros Editores. Novas Linhas do Processo Civil. 31. em ambos os casos instaura-se a arbitragem que exclui a apreciação da matéria pelo Judiciário. Especialmente. podendo ser judicial ou extrajudicial. Escolhe-se tal caminho pela convenção de arbitragem. GRINOVER. rev..307 de 1996: “As partes interessadas podem submeter a solução de seus litígios ao juízo arbitral mediante convenção de arbitragem. Cândido Rangel. 17. Rio de Janeiro: Forense. o art. Em tais situações qualquer uma das partes pode submeter o caso diretamente à arbitragem não precisando fazer a notificação da outra para instaurá-la. 3º da Lei n. Parece salutar que ao instituir a cláusula compromissória os participantes da relação contratual já façam a previsão de certos pontos como.. p.”(6) Principalmente.” (4) O art. sem dúvida.” LTr . p. Todavia. 2000. Desta maneira. aquela é um acordo sobre uma lide que pode nunca vir a ocorrer e este opera sobre uma questão já existente. MARINONI. Ada Pellegrini. 63 . está intimamente ligada à noção de justiça social. conforme o art. 2000. Novas Linhas do Processo Civil. Bibliografia CINTRA. que não pode ser esquecido. quando o Estado tutela estes assuntos não ignora que os mesmos acarretam reflexos diretos em aspectos econômicos e sociais que podem ser nefastos à sociedade como um todo. ampl. ed. Portanto. livremente. Direito Empresarial Esquematizado. 4º da Lei n. atual. que engloba a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. Por isso. assim entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. relativamente a tal contrato. 1º diz: “As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis. 603. 9. 3. 9º da mesma lei: “[. atual. é importante que se divulgue amplamente tal informação às partes envolvidas nas relações trabalhistas para que ninguém siga tal opção sem a (3) Texto do artigo citado: “A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade. “a temática do acesso à justiça. não se pode afastar os processos trabalhistas de tal escopo. verifica-se a utilidade da arbitragem como um verdadeiro meio de dar celeridade à resolução de conflitos propiciando a concretização do acesso à justiça. 2º. § 1º Poderão as partes escolher.] a convenção através da qual as partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir.” Então. Assim. conforme a lição de Luiz Guilherme Marinoni. 9. DINAMARCO. que detenha menor conhecimento jurídico sobre os temas que ali serão debatidos tornando a figura do árbitro essencial para garantir a justiça da decisão. 25.] é a convenção através da qual as partes submetem um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoas. Pois. a critério das partes. desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública.. 2013. RAMOS. parece prudente que não exista qualquer forma de interferência ou pressão que possa vir a interferir ou inviabilizar seu trabalho. (6) MARINONI. Porque. Luiz Guilherme. agilizam o processo e não precisam convencionar o compromisso arbitral posteriormente. O compromisso arbitral foi trazido no art. Teoria Geral do Processo.Outro ponto crucial. Podem optar pela arbitragem as pessoas capazes de contratar.Jornal do Congresso devida orientação jurídica sobre eventuais consequências de sua escolha. as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem. recai sobre a seleção dos árbitros. ed. p. a previsão das regras que serão aplicadas para dirimir as futuras questões. Isto pode ser prejudicial àquele. 1º da Lei anteriormente citada(4). ed. por exemplo. Diante disto. 25. rev. Antonio Carlos de Araújo. rev. porque o art. Luiz Guilherme. André Luiz Santa Cruz. e ampl. p.” (5) Neste sentido. parágrafo primeiro(3). São Paulo: Malheiros Editores. no Direito do Trabalho que envolve questões de sobrevivência do trabalhador.

da Sociedade Brasileira de Bioética.5º Painel MECANISMOS PARA GARANTIR A LIBERDADE DE EXPRESSÃO NO MODELO SINDICAL BRASILEIRO Leda Maria Messias da Silva Pós-doutora em Direito do Trabalho. p. cujo objeto de suas negociações possui efeito erga omnes sobre aquela classe trabalhadora. Amauri Mascaro. 2013. professora da Universidade Estadual de Maringá-PR (UEM). Após um período de crescimento e fortalecimento dos sindicatos. Leonardo de Abreu Pitoni Advogado e Mestrando em Ciências Jurídicas pelo Unicesumar. No Brasil apenas ao final do século XIX e início do século XX. somente autorizando um por município. pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa — Portugal.45. o que acaba contribuindo para perpetuar o modelo sindical brasileiro atual. pois obrigatoriamente pertencerá ao único sindicato existente na base territorial. (1) NASCIMENTO. por não ter estabilidade geral no emprego. ainda. professora do Mestrado em Ciências Jurídicas e da Graduação em Direito do Centro Universitário de MaringáPR (CESUMAR). pela Pontifícia Universidade Católica de São PauloPUC-SP. estes. 8º. o Governo retirou a autonomia sindical. Pertenceu. fruto. pois as determinações constitucionais exteriorizam o seu costume e comportamento intervencionista. no Rio de Janeiro. A extrema falta de autonomia existente no modelo sindical brasileiro perdurou até a Constituição Federal de 1988. Por outro lado. a liberdade de expressão do trabalhador é tolhida. transformando os sindicatos em órgãos de colaboração. Todavia. ademais. ou seja. Os sindicatos nasceram nas sociedades capitalistas. como resposta à opressão sofrida pelas classes trabalhadoras. com o surgimento de práticas pró-laboral e buscas efetivas pela melhoria das condições de trabalho. pois somente os dirigentes sindicais gozam de estabilidade. ex-membro da Diretoria — PR. que passaram a existir movimentos de trabalhadores em prol de seus direitos. e mesmo que não se filie. iniciou-se uma fase de forte intervencionismo estatal. ao Comitê Permanente de Ética em Pesquisa do Cesumar-COPEC. nos anos 30. Esta situação gera certo comodismo ao sindicato existente. já que a contribuição sindical é obrigatória. 38 ed. Subárea de Direito do Trabalho. sabe-se que. o modelo atual ainda sofre sequelas do longo período de segregação e intervenção do Estado. tornando livre a associação e proibindo a intervenção estatal. Doutora e Mestre em Direito das Relações Sociais. dos aspectos jurídicos que determinaram o surgimento do Direito do Trabalho(1). consequentemente será representado por tal órgão.Jornal do Congresso . Iniciação ao Direito do Trabalho. sem que os mesmos precisem “demonstrar serviço” a favor da classe que representa. 64 Isto porque a Constituição prevê a contribuição sindical obrigatória e limita a criação de sindicatos nas bases territoriais. Maringá-PR. São Paulo: LTr. Esta obrigação de unicidade sindical retira do trabalhador o direito de escolha de filiação. os sindicatos não conseguem protege-lo da demissão arbitrária. LTr . infelizmente. através do art. e as empresas terão que fazer o respectivo pagamento de cada funcionário de seu quadro funcional. ex-professora da Universidade Cândido Mendes.

100/1996. 2. confirma este entendimento. porquanto denunciada pelo Decreto n. nem liberdade para reclamar seus direitos. ficou em vigência apenas por alguns meses no Brasil.br/jurispru dencia/1891778/recurso-de-revista-rr-43727635199851 25555-437276-3519985125555>. ou seja. 158 da OIT. pois. seria a ratificação da Convenção n. deixando-o mais uma vez desamparado diante das mazelas das relações trabalhistas. Diante dessa premência e da inatividade do Legislador. Recurso a que se nega provimento” (2). pois se trata 65 . Portanto. por medo de ser demitido sumariamente. como. E. propõe-se. pois. 158 da OIT. 7º. garantir o trabalho e a renda do trabalhador e da sua família. Sabe-se que a dispensa arbitrária é uma espécie de “dispensa sem justa causa injusta”. A Convenção n. ainda sofre com intervenção estatal.”. até o momento não ocorreu. sabe-se que seria difícil que a Convenção n. Dessa forma. mas que foi rapidamente extirpado pelo Estado. Porém. essa Convenção da OIT. sem que se apresente qualquer razão de ordem econômico-financeira ou qualquer das figuras da justa causa. é um direito fundamental. prevê proteção ao trabalhador que se insurge contra alguma opressão ou situação imposta pelo empregador. passa de 25 anos e a regulamentação do inciso I.2014. em via de consequência. nada mais justo e lógico que fazer valer um direito fundamental do trabalhador que é o de ter o seu trabalho preservado. com amparo na Convenção n. momentaneamente. 2. É premente. Infelizmente. há uma rescisão do contrato de trabalho. a Convenção n. como já foi dito. 158 da Organização Mundial do Trabalho visa especificamente proteger o trabalhador contra a dispensa arbitrária. indispensável para a garantia da dignidade da pessoa humana e como tal. sendo um duro golpe à dignidade do trabalhador. acesso em 25. um dos mecanismos que se propõe para esta falta de atuação do trabalhador junto ao Sindicato de sua categoria. chefe de setor. cessando sua validade no território brasileiro. 4º da referida convenção determina que: “Não se dará término à relação de trabalho de um trabalhador a menos que exista para isso uma causa justificada relacionada com sua capacidade ou seu comportamento ou baseada nas necessidades de funcionamento da empresa. No entanto. 443 por analogia. destarte. Definitivamente. 443 do TST. apoiou a greve dos empregados por melhores salários e condições no ambiente de trabalho. atualmente o Poder Judiciário possui dificuldades em proteger o trabalhador nos casos de dispensa arbitrária. LTr . porque o empregado.Jornal do Congresso modelo atual. além daquela que por omissão do legislador. ainda não ocorreu. ou seja. Portanto. do art. 158.com. desde que o texto deste artigo foi inserido na Constituição Federal. por exemplo. ou seja. em 1988. haja vista que o empregador pode promover sua demissão sem justificar os motivos. o atual modelo sindical brasileiro. conquistado pelo trabalhador brasileiro. foi um direito muito importante. da CLT. e. para o término do contrato de trabalho.O trabalhador individual não tem autonomia para exigir do sindicato. neste trabalho. que um empregado reclame ou proteste abertamente por seus direitos. não permitindo.100/96. conforme se vê em decisão do Tribunal Superior do Trabalho: “Não há suporte jurídico para concessão de reintegração no emprego por dispensa arbitrária. independe de regulamentação. se posta inerte. A dispensa discriminatória já é considerada uma dispensa arbitrária e a Súmula n. quando o empregador sem qualquer razão objetiva. que o empregador assim proceda em relação ao término do contrato de trabalho. a regulamentação da dispensa arbitrária. o demite sem justa causa. que o Legislador regulamente a dispensa arbitrária que poderá trazer prejuízos irreparáveis ao trabalhador. depois de cessado o movimento. 158 passasse a ter vigência no ordenamento jurídico brasileiro. poderíamos aplicar até a Súmula n. sem regulamentá-lo. sendo que o Governo após muita pressão das grandes corporações denunciou o referido pacto internacional através do Decreto n. estabelecimento ou serviço. a liberdade de expressão neste sistema é completamente limitada. pelo que. Ocorre que o Legislador. sem o risco de sofrer eventuais retaliações? A indagação sequer precisa de resposta. sendo que o art. uma solução alternativa.4. Ainda. Assim.jusbrasil. a qual depende do mesmo para o sustento de ambos. Esta condição é facilmente comprovada através de uma simples pergunta: é possível no (2) Disponível em: <http://tst.

o mecanismo para garantir a liberdade de expressão no modelo sindical brasileiro é aplicar de imediato o Instituto da Dispensa Arbitrária. bem como com os princípios de Direito do Trabalho. já temos em nosso ordenamento jurídico.14. ao menos deveria ser ratificada a Convenção n..029/95. que por analogia. para demonstrar que os elementos contidos no ordenamento jurídico brasileiro. motivo que. Iniciação ao Direito do Trabalho. Assim. evidente está que a participação em movimento sindical. para casos de discriminação. 158 da OIT ou regulamentado o inciso I. não deve ser admissível que qualquer cidadão trabalhador seja dispensado sem um justo motivo. não bastasse estar totalmente desvinculado do liame jurídico que une empregado e empregador por meio do contrato de trabalho. o exposto. por tratar-se de um direito fundamental. Referências NASCIMENTO. Ora. LTr . Esta medida é de suma importância. como o Princípio da Continuidade da Relação de Emprego. embora não regulamentado. mas enquanto isso não ocorre. a ausência de regulamentação. passa a ter vigência imediata. o Judiciário deverá conceder ao trabalhador a estabilidade geral no emprego. mesmo que não tenha havido a ratificação da Convenção n. (3) Disponível em: <http://tst. São Paulo: LTr. No tocante à iniciativa privada. portanto. o inciso I. no caso o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana. que são aqueles que garantem a dignidade da pessoa humana. art.br/jurispru dencia/18177644/agravo-de-instrumento-emrecurso-de-revista-airr-742405320025020019-742 40-5320025020019>. todos os envolvidos nesse processo. não pode ser motivo para manter por tanto tempo inerte a aplicabilidade de um direito fundamental. certamente. acesso em 25.com. por que não em outros casos.”(3). a dispensa do reclamante se deu em razão de prática discriminatória decorrente de sua opção sexual. que precisa apoiar o seu sindicato de classe para que este se sinta forte. da Constituição Federal. ou é muito pífia essa liberdade dos trabalhadores perante o seu sindicato de classe. por tratar-se de proteger um direito fundamental (o direito ao emprego e. 7º da Constituição Federal é dar voz ao trabalhador. convergem para a reintegração do empregado. face à eficácia do mandamento contido no inciso I. ou seja. também. a resposta é que não. p. e a Lei dispense a contribuição sindical obrigatória para que o Sindicato sobreviva da contribuição associativa. 7º. este direito está de conformidade com os princípios gerais de Direito. demitir aquele que exerce o seu direito. fique constatada uma arbitrariedade no momento de optar pela rescisão contratual do empregado. que determina a reintegração no emprego. mais especificamente. no caso transcrito a seguir: “. pois o salário trata de verbas alimentares). 38 ed. no tocante à participação dos associados. não é motivo para a dispensa arbitrária e seria motivo de reintegrar o empregado. Já existem decisões que consideram que em determinadas situações estamos diante de um caso de dispensa arbitrária. também não existe. 7º. dar eficácia ao inciso I. se poderá haver a reintegração nesses casos já citados. Na verdade. podemos comparar ao direito de greve do servidor público. pois. Amauri Mascaro. não se pode deixar de admitir a existência do direito.. somente terão a ganhar. nessa hipótese. mas porque. certamente. do art. 9. desde que. como já foi dito.jusbrasil.. Ademais. nesse caso não poderá ser acusado de “usurpar a função do Legislador”. à vida. portanto. como. 2013. ou seja. que. 66 além de que. a discriminação é apenas uma espécie de dispensa sem justa causa arbitrária e. sob pena de ferir direitos de personalidade do trabalhador. a Lei n. Concluindo. que independe de regulamentação para a sua vigência.. do art. não existe. por tratar-se de um direito fundamental e. pois para que isso ocorra a contento. Podemos diante da falta de regulamentação. Considerando. da CLT. quando pensamos no modelo sindical atual e indagamos se existe liberdade de expressão no modelo sindical brasileiro. conforme já foi mencionado. pois com trabalhadores mais participativos e sindicatos mais atuantes. revela-se violador dos direitos personalíssimos do ser humano. do art.Jornal do Congresso . 7º.45. por exemplo. É premente que o Judiciário faça o que o Legislador não fez e. 158 da OIT. face ao direito fundamental que está em jogo.4. aplicar por analogia a citada Lei. restringindo-se mais ao setor público.de abuso do poder potestativo do empregador.

XX e 8º. revigoramento ou fortalecimento sindical e outras da mesma espécie.r r. o movimento sindical brasileiro tem experimentado um cenário de agudização das incertezas jurídicas nos seus instrumentos jurídicos — acordos e convenções coletivas — decorrente do ataque à eficácia e consistência das cláusulas contributivas. D. ou quando não. assistencial.Jornal do Congresso nado precedente judicial tem sustentado a atuação administrativa e judicial de componentes do Ministério Público do Trabalho. mestre e doutorando em Direito pela Universidade Federal do Paraná/UFPr e professor de Direito do Trabalho na UFPr. Perspectiva nacional do tema — marco situacional interno(1) Na última década. 5º. em 2008. e professor visitante. em favor de entidade sindical a título de taxa para custeio do sistema confederativo.4. no âmbito administrativo. acesso em 25.jusbra sil. É ofensiva a essa modalidade de liberdade cláusula constante de acordo. ações anulatórias e/ou declaratórias de nulidade cláusulas de instrumentos normativos. especialista em normas internacionais e liberdade sindical pela OIT. juris doutor em Direito pela Harvard Law School. O MPT. o aforamento direto de demandas judiciais: ações civis públicas.4. acesso em 25. inseridas nos referidos pactos coletivos. JUS BRASIL. Stanley Arthur Gacek Advogado trabalhista. Contribuições sindicais — inobservância de preceitos constitucionais.4 3 7 2 7 6 3 5 1 9 9 85125555-437276-3519985125555>.C. “A Constituição da República. assegura o direito de livre associação e sindicalização.JUS BRASIL. O mencio(1) Tópico e comentário sob a responsabilidade exclusiva de Sandro Lunard Nicoladeli (2) Nº 119. O referido quadro jurídico-político decorre da aplicação do Precedente Normativo n.com.br/jurispru dencia/18177644/agravo-de-instrumento -em-recurso-de-revista-airr-7424053200 25020019-74240-5320025020019>. Disponível em: <http://tst.” 67 . diretor-adjunto do Escritório da OIT no Brasil desde 2011.) desde 1979. membro da Ordem de Advogados do Distrito de Columbia (Washington.re v i s t a . Liberdade sindical no Brasil e a OIT: a questão da cláusula assistencial — do PN 119 ao caso 2739 — uma dupla perspectiva Sandro Lunard Nicoladeli Advogado trabalhista. Departamento de Sociologia. 1. convenção coletiva ou sentença normativa estabelecendo contribuição LTr .jusbrasil. Sendo nulas as estipulações que inobservem tal restrição. nulidade das cláusulas contributivas e/ou até a devolução dos valores descontados a título das taxas e contribuições assistenciais. <http://tst. V. 119 do TST(2). em seus arts. As medidas judiciais demandam tutela jurisdicional buscando a invalidade. Harvard University. tem proposto e executado centenas de ajustamentos de conduta/TAC.br/jurisprudencia/1891778/ re c u r s o .14. tornamse passíveis de devolução os valores irregularmente descontados.2014.com. obrigando trabalhadores não sindicalizados.d e .

2. tais contribuições. Dessa forma. A denúncia alegou descumprimento dos princípios de liberdade sindical. 119 do Tribunal Superior do Trabalho. a longo prazo. Central Única dos Trabalhadores (CUT). o retorno do entendimento residente no então Precedente Normativo n.). na forma de queixa/reclamação. há claro rebaixamento do patamar civilizatório dos trabalhadores e de indesejável enfraquecimento do sindicato como interlocutor social responsável pela necessária mediação das relações coletivas de trabalho. em razão da dupla intervenção estatal: a) seja pela edição do Precedente Normativo (119) que interfere na organização sindical. reduzem ou suprimem diversos serviços assistenciais (saúde. beneficiários do instrumento coletivo. inclusive.Diga-se de passagem. prejuízos aos trabalhadores. que também obrigam o pagamento dessas contribuições pelos trabalhadores não filiados. aumentado significativamente. É digno de registro as várias iniciativas intentadas pelo movimento sindical brasileiro. Os efeitos diretos e indiretos destas medidas. subordinado ao Conselho de Administração do organismo internacional. que formularam queixa perante o Comitê de Liberdade Sindical/CLS. Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Brasil (CTB) e a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB). acionado mediante procedimento previsto nos artigos 24 e 26 da Constituição da OIT. além disso. inexoravelmente. materializado pelos constantes ataques ao movimento sindical. por óbvio. Noutras palavras. A queixa relata a ocorrência de atos violadores à liberdade sindical. em termos gerais. via revisão do referido precedente. com a participação dos trabalhadores não filiados ao sindicato. resultam no desequilíbrio dos atores sociais inseridos na relação capital e trabalho. por conta da política do MPT de processar sindicatos pela inclusão de cláusulas de contribuições assistenciais nos acordos e nas convenções negociadas. por meio de ajuizamento de medidas judiciais conducentes às decisões da Justiça do Trabalho. vez que as convenções coletivas têm sua reconhecida característica de universalidade. Todas as tentativas restaram infrutíferas. sendo que alguns casos determina-se até a devolução dos recursos financeiros de forma retroativa. determinando a forma de arrecadação e os destinatários/contribuintes passíveis de imposição da arrecadação das entidades sindicais. em decorrência da aplicação do Precedente Normativo 119 do Tribunal Superior do Trabalho. impondo TAC ou aforando medidas judiciais. Nova Central Sindical 68 de Trabalhadores do Brasil (NCST). 74 do TST. que chancelam a anulação e/ ou desconstituição da vigência e/ou da efetividade das referidas cláusulas contributivas previstas nos instrumentos coletivos. mas. União Geral dos Trabalhadores (UGT). em razão da estruturação do sistema sindical brasileiro. praticadas por componentes do MPT. as medidas administrativas e judiciais intentadas pelo Ministério Público do Trabalho têm. levando à Justiça do Trabalho demandas calcadas no precedente jurisprudencial no.Jornal do Congresso . gerando. ou quando não ao menos. escolas e etc. Suiça. convênios. pois fragilizam suas entidades de representação. em verdade. (3) Tópico e comentário sob a responsabilidade de Stanley Gacek LTr . no sentido de mediar tentativas de mudança de posicionamento do Tribunal Superior do Trabalho. são aprovadas em assembleia geral da categoria profissional. Perspectiva internacional do tema — o sistema de controle da OIT(3) A OIT possui sistema de controle da aplicação das normas internacionais. b) seja pela atuação inquisitória de alguns membros do Ministério Público do Trabalho. seja pela via administrativa (TAC) ou reflexa. por conta da asfixia financeira. pois estão compelidas a limitarem bruscamente suas fontes de receita. pelo contrário. na sede da Organização Internacional do Trabalho na cidade de Genebra. na prática. contando. A denúncia foi registrada e cadastrada como o caso no. diante deste cenário inóspito. A queixa foi apresentada perante o CLS no dia 2 de novembro de 2009. O Comitê de Liberdade Sindical (CLS) se insere como parte do controle especial procedido pelo órgão. 2739 do Comitê de Liberdade Sindical da OIT (CLS). mobilizaram-se as centrais sindicais: Força Sindical (FS). sendo que tais procedimentos determinam. efeitos nefastos nas finanças sindicais. representado pelas centrais sindicais.

contendo suas conclusões finais(5) — item 332: “Quanto à questão de contribuições destinadas à sustentação da estrutura sindical. como órgão de controle da OIT.” (tradução livre do inglês: Gacek) A transcrição do trecho supra é resultado concreto do trabalho analítico e interpretativo levado a cabo pelo CLS. 125 69 . Criado em novembro de 1951 pela OIT. 4. 87 e 98 da OIT. Relatório definitivo. o CLS é constituído no modelo tripartite. do mesmo artigo. vez que já se manifestara sobre este tema. o CLS produziu o relatório definitivo no caso n. fixadas em assembleia da categoria e inseridas nos instrumentos coletivos de trabalho e cobradas dos não filiados à entidade sindical são válidas de acordo com a doutrina da OIT. é a de garantir e promover o direito de associação dos trabalhadores e empregadores. ou union security. revisão técnica Sandro Lunard Nicoladeli e Tatyana Scheila Friedrich. mesmo sem sua ratificação da Convenção 87. in: Direito Coletivo. por três representantes de cada grupo representado na OIT (trabalhadores/empregadores/governos) — totalizando nove componentes. além do CLS. vale ressaltar que dentre as prerrogativas sindicais permitidas pelo artigo 513.org/dyn/normlex/es/f?p=1000:50002:0::NO:50002 :P50002_COMPLAINT_TEXT_ID:3063459> LTr . alínea “b” da CLT. Recopilação de decisões e princípios do Comitê de Liberdade Sindical do Conselho de Administração da OIT. Apreciações gerais do contexto brasileiro Em razão do contido no relatório definitivo do caso n. 2739 em junho de 2012. de forma idêntica. descontadas dos salários dos trabalhadores. sem a necessidade de ratificação das Convenções 87 (liberdade sindical) e 98 (organização sindical e negociação coletiva) pelo estado-membro em questão. examinando as queixas apresentadas contra os governos por violação dos convênios e princípios em matéria de liberdade sindical. devido à autoridade constitucional da organização. o Brasil tem o dever de responder ao Comitê. os órgãos de controle da OIT. no precedente 480. desde que a legislação nacional permita a prática dos descontos obrigatórios. conforme a Recopilação de decisões e princípios do CLS(6). a prática tem que ser re(4) Tópico e comentário sob a responsabilidade de Stanley Gacek (5) Caso No. é atribuição do sindicato: “impor contribuições a todos aqueles que participam as categorias econômicas ou profissionais ou das profissões liberais representadas. Portanto.Jornal do Congresso alizada exclusivamente através da negociação dos acordos e das convenções coletivas. composto. 2739. A missão do CLS. o Comitê de Peritos pela Aplicação de Convenções e Recomendações. sem a imposição direta pelas autoridades do Estado. inclusive dos não filiados. e. (A Convenção 98 foi ratificada pelo Brasil em 1952.guardião da liberdade sindical e da aplicação das Convenções ns. em inglês. a liberdade sindical e as normas internacionais: vol. Brasil. na alínea “e”. têm a obrigação de responder ao CLS sobre qualquer queixa registrada contra eles. 2739. e exclusivamente através do processo de negociação coletiva. inclusive dos não filiados. Portanto. situa-se a competência para “celebrar convenções de trabalho”.” Em geral. conforme a uma cláusula negociada numa convenção ou um acordo coletivo aplicável também aos não filiados que aproveitam dos benefícios da representação sindical. Portanto. II.) 3 Conclusões do CLS — análise da queixa(4) Após longo procedimento de comunicações e observações fornecidas pelo governo brasileiro. é importante salientar que as observações reproduzidas representam a avaliação mais atualizada do sistema normativo da OIT em relação à realidade brasileira. mais especificamente. têm observado e concluído que o Estado e as autoridades governamentais têm o dever de afastar-se da administração e do fi(6) Organização Internacional do Trabalho. 2013 p. não são contrários aos princípios de liberdade sindical. portanto. Todos os 185 estados-membro da OIT. ilo. São Paulo: LTr. junho de 2012 — Consultado em 18 de abril de 2014: <http://www. presidido por uma personalidade independente. Dessa feita. as deduções contributivas — cláusulas assistenciais — também chamadas deduções de seguridade sindical. notadamente sobre a questão do custeio sindical. o Comitê havia seguido em casos anteriores o seguinte princípio: se a legislação permitir a prática do desconto obrigatório de contribuições destinadas à sustentação da atividade sindical.

org/dyn/normlex> consultado em 22 de abril de 2014. Professor da Universidade Federal de Uberlândia. 2012. Mestre em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia (1997).. sindicato nos casos de multas e penalidades impostas na organização. tal entendimento de não intervenção ou abstencionista na administração sindical é também definido no relatório produzido pela comissão de peritos da OIT(7). regulamentação do montante dos fundos repassados às federações sindicais. e da Convenção 87 sobre liberdade sindical. 2012. Pós-Doutor em Política Educacional pela Universidade Federal da Paraíba (2010) e Universidade da Madeira. devida pelos trabalhadores não associados. REESTRUTURAÇÃO DO MUNDO DO TRABALHO: A ORGANIZAÇÃO DO ESTADO E SUA PARTICIPAÇÃO NO FINANCIAMENTO DOS SINDICATOS NO BRASIL Robson Luiz de França Advogado. sobretudo em sintonia com o conteúdo normativo da Convenção 98 da OIT sobre a organização sindical e a negociação coletiva.. 2012. É membro do Grupo de Pesquisa em Trabalho. Doutor em Educação na Linha de Politicas Públicas pela Universidade Julio Mesquita Filho — UNESP/Araraquara (2002). cidadania e precarização do trabalho. Especialista em Direito Educacional (2010). 2012.) intervenção e gerenciamento externo na aplicação dos ativos e das contas de um (7) General Survey on the Fundamental Conventions Concerning Rights at Work in Light of the ILO Declaration on Social Justice for a Fair Globalization. a cotização sindical — cláusula assistencial — prevista nos instrumentos coletivos. ilo. Educação e Formação Humana.(8)” Em suma. (. portanto. 2012. 101st Session. Tal relatório exemplifica os casos de ingerências contra a autonomia administrativa e financeira sindical praticadas por parte das autoridades públicas: (. ILO Geneva.. p. Funchal. 2008. extraído do site <www. segundo os órgãos de controle da OIT. ILC. Pesquisador do Centro de Investigação em Educação — CIE da Universidade da Madeira — Funchal em Portugal e desenvolve estudos e pesquisas sobre Currículo e formação profissional. Sociedade e Educação – TSE. Professor Associado da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia atua do Programa de Pós-Graduação em Educação na Linha de Pesquisa em Trabalho.org/dyn/ normlex> consultado em 22 de abril de 2014. mas com os seus princípios aplicáveis ao Brasil através da competência do CLS. Trabalho e educação. desde que a legislação nacional permita. (8) General Survey on the Fundamental Conventions. não é contrário aos princípios de liberdade sindical. tal contribuição é. p. Portugal. Portanto. 43-44.nanciamento interno das organizações sindicais.) o poder de supervisão geral e indefinida das contas sindicais pelas autoridades públicas. também. Committee of Experts. Committee of Experts. 70 LTr . o poder das autoridades de regular e limitar os salários e os benefícios máximos dos empregados contratados pelos sindicatos. ILO Geneva. dos Peritos da OIT. a referida conclusão encontra-se em consonância com os princípios da liberdade sindical prevista nos instrumentos da OIT.Jornal do Congresso . Extraído do site <www..ilo. 101st Session. tratado internacional ratificado pelo Brasil. não ratificada pelo Brasil. ILC. 42-44.

Sociedade e Educação do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia. as autoridades públicas devem cumprir suas funções de maneira apropriada. se esta comunga. evitando-se manipulações de qualquer natureza. o instrumento de justiça e se aprimorar onde não estiver cumprindo sua finalidade. cada cidadão deve exercer sua cidadania em sua plenitude. 1997) apresenta-se como um período de amplas e 71 . figurados neste trabalho como agentes sociais. É necessário que ocorra uma expansão da escolaridade. de forma ilusória. reconhecidos e poder exercer seus direitos e obrigações de cidadania. qual seja: O Estado deve servir ao cidadão. sendo que os menos favorecidos e com alta escolaridade ficam desempregados além de sofrer preconceitos raciais e de classe. a informação precisa ser difundida por todos os modos e meios de forma a alcançar todos os cidadãos. por um lado e por outro se apresenta de forma inexorável a criação e reprodução dos mecanismos de controle próprios do capital pelos sindicatos que por sua vez possuem a responsabilidade de organizar e reordenar as forças dos trabalhadoLTr . dentro de uma ótica subalterna ao capital (Arrighi. o conhecimento da História da Nação e seus símbolos devem servir de subsídio para o soerguimento da cidadania brasileira. como também da cidadania. A cidadania deve ser tratada como instrumento de crescimento de cada brasileiro e defendida e desenvolvida com o apoio de todos os brasileiros. Os idosos devem ser considerados. especialmente na infância e adolescência. na fase da vida em que se encontram. Nos estudos desenvolvidos percebeu-se a importância de um olhar apurado na tentativa de relacionar as questões colocadas para a educação provenientes das mudanças no mundo do trabalho e o impacto dessas questões no processo de formação do cidadão tendo em vista que a construção de um conceito de cidadania coerente com a sociedade que se deseja pautado nos princípios gerais do exercício da cidadania. seguindo os princípios da ética e da moralidade exigidos pelo exercício da cidadania. a educação deve ser a pedra fundamental para a consciência da cidadania e seu pleno exercício. Cada brasileiro deve ter educação básica. através de programas específicos desenvolvidos nas escolas de todos os níveis. A lei deve ser. Nesse sentido é que o envolvimento dos sindicatos na busca de maior financiamento público para a formação profissional se recoloca. para que estes se entendam como tal e saibam o que isso significa. Pode-se perceber que os melhores empregos acabam com os mais ricos. sem prevenção se qualquer natureza. A questão referente à qualificação e a posição assumida pela ação sindical.Este trabalho resulta de pesquisa vinculada ao Grupo de Pesquisa de Trabalho.Jornal do Congresso res em prol do desenvolvimento social. com a ideia de que a educação é caminho para que os trabalhadores escapem do desemprego. A crise do capitalismo tem afetado diretamente os trabalhadores dos diversos setores produtivos. diante do contexto da formação profissional. parecem funcionar atualmente como um auxílio do capital na precarização e desarticulação dos trabalhadores tendo em vista as contradições e determinações do capital que parecem interferir na ação dos movimentos desses agentes. não apenas do ponto de vista produtivo. sobretudo na lógica da administração dos fundos públicos destinados à qualificação da força de trabalho. A crise atual do capitalismo bem como o seu processo de reorganização e a construção de uma nova sociabilidade no Brasil . Percebe-se também que os movimentos sociais. apreendendo as contradições dessas parcerias e o enfraquecimento das lutas sindicais. de fato. com o envolvimento dos seus pais. O Estado ao seu modo tem subordinado as forças sindicais e cooptado seus agentes no processo reducionista da formação profissional tendo em vista a apropriação do discurso de que o desemprego é por falta de qualificação do trabalhador ou ainda o processo de qualificação por meio de a educação consistir como o principal meio de formação profissional do trabalhador e como meio de manter seu emprego. cultural e de civilidade. Desta forma há um discurso que precisa ser desvelado a partir do conhecimento das propostas dos sindicatos sobre a qualificação profissional e formação profissional a partir da apropriação de um fundo público bem como essa apropriação podem significar resistência ou adaptação às exigências do capital.

Pensar pelo Avesso: o modelo japonês de trabalho e organização. Tendências do Mercado de Trabalho Brasileiro: rumos. a qualificação para o trabalho. São Paulo: Saraiva 1996. Analistas acadêmicos vislumbraram na iniciativa um novo patamar nas relações de trabalho no Brasil. Gênese dos Direitos Humanos. Ministério do Trabalho do. Gomes. mesmo que implementada em patamares razoáveis. Makron Books. diversas propostas de formação e qualificação dos trabalhadores tem sido implementadas e entendidas como modelos de solução positiva pelos dirigentes dos Sindicatos.J. ano XII. diante desse quadro. Direito Constitucional. reorganização dos Estados. na participação do Estado (na esfera federal e estadual). em busca de garantias gerais que impedissem as perdas sucessivas nas negociações específicas. T. 1994. SARLET. “O fim dos empregos”.98. etc. Rio de Janeiro: Zahar editores.br>. a situação tem sido extremamente desfavorável para os trabalhadores e as estratégias sindicais não têm conseguido formular respostas que fujam à lógica desta fase do processo de expansão capitalista. MARSHALL. Rio de Janeiro. É visível. Curitiba. J. É neste contexto que se apresentam os sindicatos dos trabalhadores como os representantes dos interesses e poderão estabelecer equilíbrio entre o capital e o trabalho. Os princípios do direito do Trabalho e a teoria crítica do direito. respostas mais consequente à ofensiva empresarial pudessem ser construídas na arena pública da sociedade política. DALLEGRAVE NETO. 2002. Por outro lado. ou seja. J. Rio de Janeiro: Revan/UFRJ. Homepage: <www. nov. Liberal. 1992. Benjamin. BUTLER. José Afonso. São Paulo. (1996). PAGÉS. Aparecida/SP: Editora Santuário. vale observar que a chave dos acordos. Tradução de Emerson S. HERKENHOFF. p. Diversos acordos têm sido feitos em nome dos trabalhadores. através da ação sobre o núcleo dirigente do aparelho de Estado. LTr . Para os seus defensores. 1972. 1996. O Capital. 10.gov. RIFKIN. “A contribuição de Hayek às idéias políticas e econômicas de nosso tempo”.Jornal do Congresso . porém. Essas experiências têm sido intensamente debatidas nos meios sindicais. 1993. 1967. alteração no interior dos processos de trabalho. trata-se de acordos buscam garantir a ampliação da oferta de empregos com trabalhadores melhor qualificados. 17ª ed. Parece acentuar-se uma tendência de consistir em um aparelho do Estado e do Capital e a defesa dos afiliados nesta força de poder apresentar-se como causa segunda. CANOTILHO. O poder das organizações. político e acadêmico. No entanto. n. 72 CORIAT.5. Exposição realizada na câmara dos Deputados em 14. reside. M. A Eficácia dos Direitos Fundamentais.profundas transformações nos polos científicos científico-tecnológico. da Silva. et al. E. MARX. (1983). Coimbra: Almedina. H. Porém percebe-se uma alteração profunda nas linhas de atuação dos Sindicatos no Brasil. na maioria das vezes. João Baptista. com um recuo no papel arbitral do Estado e um reconhecimento mútuo entre empresários e trabalhadores como atores legítimos no processo de negociação. que assume a responsabilidade de financiamento do Sindicato e dos Projetos de Qualificação dos Trabalhadores.. Classe Social e Status. Os empresários defendem o acordo como um instrumento de ampliação da oferta de mão de obra qualificada. que no campo das negociações diretas entre empresários e sindicatos. 1995. Filosofia do Direito. São Paulo: Atlas. através da criação de um espaço democrático de resolução do conflito capital-trabalho. 78-89. mtb. capitaneados pelo Sindicato. REALE. 6ª ed. não têm surtido o efeito desejado pelo Governo e pelos sindicatos e principalmente pelos trabalhadores que na expectativa de garantir o emprego ou entrar no mercado de trabalho têm visto seus esforços redundar em precarização do trabalho por meio da informalidade. Referências BRASIL. Cidadania. Revista Jurídica. Ingo Wolfgang. Karl. desafios e o papel do Ministério do Trabalho. Poderíamos supor que. Miguel.

poder normativo da Justiça do Trabalho. obteve relativa liberdade de administração interna face aos poderes públicos: um avanço em relação ao período anterior. 1. lançador das bases do nosso modelo sindical. a necessidade deste modelo sindical com base na incompetência da classe trabalhadora de se auto-organizar de forma independente e autônoma. convém registrar que a Convenção n. de acordo com o Comitê de Liberdade Sindical da OIT. como porcada significa uma multidão de porcos” (VIANNA. Professor concursado da UNIFESP. No Prefácio da obra Problemas de Direito Sindical. Maria Célia. uma tese sustentada por Oliveira Vianna. nos anos de 1930./dez. hoje. para ser incluída na ordem das coisas.(1) Emblemático o diag(1) Caberia então ao Estado organizar/controlar diretamente os sindicatos. com a CF/88. 1989. 7. Advogado de Amauri Mascaro Nascimento Advocacia. n. São Paulo. com todos os efeitos deletérios. de “cofres cheios e assembleias vazias”. v. 3. Itália. Impor o silêncio não é apenas calar o interlocutor. É autoritário e falacioso o discurso que defende a manutenção da unicidade sindical sob a pretensão de supostamente “proteger” a classe trabalhadora da pulverização de entidades sindicais inexpressivas. Professor Convidado da Universidade Tor Vergata (Roma II) e da FGV-RJ. do ponto de vista estritamente jurídico. assim reconhecido pela Declaração de Princípios Fundamentais da OIT. p. 73 . 46. mas também impedi-lo de sustentar outro discurso. no campo sindical. Especialista em Direito Sindical pela Universidade de Modena. apagando da memória histórica todo o movimento operário pré-Revolução de 1930. 4066. Oliveira. afirma Oliveira Vianna que “o Brasil não tem povo” e que “no Brasil. Oliveira Vianna justificava. set. os atos de brutalidade contra “cidadãos que a polícia não gosta”. Incentiva a perpetuação entre nós de um modelo sindical de assujeitamento da classe trabalhadora que engendra um sindicalismo. cujos resquícios até hoje encontramos entre nós: sindicato único por categoria imposto por lei. Ainda segundo Paoli. Problemas de direito sindical. contribuição sindical compulsória. No mais. mas insuficiente uma transição incompleta por não permitir a plena liberdade organizativa e autônoma por parte dos trabalhadores. Professor assistente do Programa de Pós-Graduação da PUC-SP. necessitava ser um habitante silencioso e sem interioridade. O silêncio não é ausência de palavras. Tal discurso protetor. tão conhecidos até hoje. como já se disse. diretamente interessados. nega voz aos próprios trabalhadores. enquadramento sindical automático. p. de 1998. representação legal de todos os membros da categoria profissional ou econômica. “é preferível que o governo procure recomendar aos sindicatos (2) PAOLI. a despeito da “boa intenção” de se evitar uma multiplicidade excessiva de pequenos sindicatos concorrentes entre si.Autoritarismos e falácias na defesa da unicidade sindical Túlio de Oliveira Massoni Doutor em Direito do Trabalho pela USP. Além disso. Trabalhadores e cidadania: experiência do mundo público na história do Brasil moderno. ser reproduzida pelo próprio movimento sindical brasileiro (melhor dizendo: por suas lideranças) que.(2) O mais escandaloso é o fato de esta tese. Rio de Janeiro: Max Limonad. Bacharel em Ciências Sociais pela USP. da dependência. da hierarquia excludente. são portanto registrados desde o final do século passado e completam o quadro do paternalismo privativista. constituído por obra benemérita das elites”. uma figura que.Jornal do Congresso nóstico de Maria Célia Paoli sobre tal discurso autoritário: tratava-se de “um horizonte simbólico que despachava os trabalhadores pobres a um mundo do favor. Estudos Avançados. povo significa uma multidão de homens. em pleno século XXI. 87 da OIT é considerada um direito fundamental. 1943) LTr . Por que a defesa da unicidade sindical constitui um discurso autoritário? Autoritário porque reproduz. da assistência benemérita da elite. 2007) e de artigos em revistas especializadas. ideólogo do Estado Novo varguista e arquiteto do corporativismo estatal. Autor do Livro “Representatividade Sindical”(LTr.

isto é. Como adverte Amauri Mascaro Nascimento. pelo menos.que se associem voluntariamente e constituam organizações fortes e unidas e não que imponha. na verdade estimula. Em suma. 2005. tampouco serviu para respaldar a noção de “monopólio sindical”. Observa-se. Daí a “diferença fundamental entre a vigência de um monopólio sindical instituído e mantido por lei e a decisão voluntária dos trabalhadores ou de seus sindicatos de criar uma organização única. “a auto-organização sindical passa pela possibilidade de livre organização. Armando. pela via legal ou administrativa.). A liberdade sindical. quando. evitar o fracionamento da ação”. porque a força do movimento sindical decorre de suas bases democráticas. La organización internacional del trabajo: el sistema normativo internacional: los instrumentos sobre derechos humanos fundamentales. de sua liberdade organizativa e de ação. 41-42. p. caso desejada. A experiência mostra que a pluralidade organizacional não impede a ação unitária e pode. firmado no artigo 2º da Convenção n. de uma frente unida em seus eventuais confrontos. (7)NASCIMENTO. principal responsável pela formação daqueles sindicatos fracos” (COSTA. 1990. associada à regalia das taxas sindicais obrigatórias. Armando Boito Jr. BARTOLOMEI DE LA CRUZ. 2002. que na prática de outros países os termos unidade e pluralidade não são necessariamente antagônicos. segundo dizem os seus defensores. pode conviver com a unidade de ação entre as diversas entidades. é inadmissível impor. p. uma unificação obrigatória que prive os trabalhadores do livre exercício de seus direitos sindicais”. (5) BOITO JR. Geraldo von. Neoliberalismo e corporativismo de Estado no Brasil. perfazendo um número de quase 20 mil entidades sindicais com vínculos fortes com o Estado e vínculos precários com os trabalhadores representados. Do corporativismo ao neoliberalismo: Estado e trabalhadores no Brasil e na Inglaterra. 247. Alejandro. Sérgio 74 Segundo. não foi formulado para apoiar qualquer tese favorável ao “pluralismo sindical”. 176-177. prive o movimento de sua espontaneidade. a pluralidade sindical. Buenos Aires: Zavalia. São Paulo: Boitempo. (6) GALLART FOLCH. Compêndio de direito sindical. no entanto. ademais. denuncia o curioso paradoxo do modelo brasileiro de unicidade sindical: “a propalada virtude da unicidade sindical. Não pode. às vezes. A unicidade orgânica pode assegurar a união formal. fazendo do sindicalismo brasileiro um dos mais pulverizados do mundo”. a unidade de ação. já temos em nosso país um modelo sindical extremamente pulverizado e não-representativo. não resulta da unicidade sindical. É impossível compatibilizá-la com o monopólio sindical orgânico. sacrificando o princípio da livre determinação de cada trabalhador. o princípio da livre escolha de organizações de empregadores e de trabalhadores. (4) ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. que seria assegurar. muito embora seja indiscutível a conveniência tática. Por que a defesa da unicidade sindical constitui um argumento falacioso? Primeiro.(6) E.(7) Acrescente-se. conduzir a ela. porque “de fato”.Jornal do Congresso . a possibilidade da pluralidade. Como ensina Alejandro Gallart Folch. 166-167. LTr. para os trabalhadores. São Paulo: LTr. uma próspera indústria da criação de sindicatos. quarto.(5) (3) POTOBSKY. (4) 2. que a unidade pode ser alcançada sem se afastar dos princípios da liberdade sindical. por exemplo. 182). Buenos Aires: Astrea. Ângela Maria Carneiro (Org. Sérgio Amad Costa alude a uma espécie de círculo vicioso: “o imposto sindical garantia a sobrevivência de sindicatos fracos e. diversos sindicatos se unem numa atuação conjunta. A pluralidade pode prejudicar a união orgânica. limitou-se a garantir. 42). p. 73. São Paulo: Queiroz. 1993. 87. Terceiro. Amauri Mascaro. porque. p. assim. In: ARAÚJO. a coexistência de mais de um sindicato representativo e concorrente. Héctor G. embora organicamente sejam sindicatos separados. que não resulte da aplicação de uma lei promulgada para esse fim” (p. p. LTr . mantinha financeiramente a estrutura de representação profissional do tipo corporativo. a superação da diversidade sindical é um problema de orientação dos Amad. contudo. pela via legislativa. 1986. porque uma eventual pluralidade organizativa não impede uma unidade de ação. paralelamente. uma unicidade forçada que. Estado e controle sindical no Brasil. a unidade da organização sindical dos trabalhadores. Existem igualmente situações complexas de pluralidade na unidade e de unidade na pluralidade que resistem a uma catalogação simplista. El sindicalismo como fenómeno social y como problema jurídico. p. (3) Ademais. Não impede. 1957.

A unicidade sindical implica na imposição normativa do sistema de sindicato único. pluralismo ou unidade? A democracia representativa parte do pressuposto da aceitação das divergências. quanto no sistema de sindicato único. ao sistema de unicidade sindical. não se possibilita ao trabalhador escolher qual o sindicato o representará. por meio do amadurecimento político. No entanto.(1) (1) GALLART FOLCH. a priori. Esse modelo indica um maior grau de democracia. Para que haja democracia na eleição de representação dos trabalhadores é necessário que seja garantido que todas as matrizes ideológicas se expressem. O que se propõe é aprofundar o debate para além do modelo sindical mais condizente com o momento atual. de modo a permitir a reconstrução da solidariedade coletiva. p. choca com a própria ideia de liberdade. 1. op. Introdução O intuito desse singelo trabalho é debater as condições necessárias para que seja assegurada a democracia sindical. PEQUENAS REFLEXÕES SOBRE A DEMOCRACIA SINDICAL Maíra Neiva Gomes Coordenadora do Departamento Jurídico e Coordenadora Pedagógica do Programa de Formação Política Permanente Ignácio Hernandez do Sindicato dos Metalúrgicos de Belo Horizonte. Alejandro. Professora das Faculdades Milton Campos (graduação). cit. 2. A democracia sindical também se insere nesse contexto. 87 da OIT.Jornal do Congresso E isso é possível tanto no regime de pluralismo. tão essencial em qualquer modelo democrático. na ordem profissional. há um problema extremamente mais profundo do que a adoção ou não do plura75 . A resolução de divergências pela atividade legislativa ou administrativa do Estado afasta os trabalhadores. quando se fala em regime de sindicato único não se remete. Contagem e Região. No entanto. exclusivamente. é uma construção madura de uma unidade necessária entre os trabalhadores. previsto pela Convenção n. Isso porque.. Especialista em Direito Material e Processual do Trabalho pela Faculdade Pitágoras. A premissa da qual parte essa resenha é de os problemas não se restringem à oposição entre unicidade e pluralismo. o direito à divergência. juridicamente. próprio de toda solução livre. mas também perpassa pela necessidade de se estabilizar as relações sociais dos trabalhadores. Democracia sindical: unicidade. Modernidade e Democracia pela PUC Minas. 177. resolvido livremente entre esses. da área da liberdade sindical e nega. Ao contrário. LTr . quando se remete ao modelo de sindicato único — de forma ampla — também se refere ao sindicato que livremente constrói a unidade. Ele não é uma imposição. Mestre e Doutoranda em Direito do Trabalho. Só existe realmente democracia quando ideias divergentes encontram espaço para se manifestarem.trabalhadores. consciente ou inconscientemente. que possibilita que a representação abarque as mais diversas ideias. A ideia de imposição de um modelo.

São Paulo: Loyola. Mas para se propiciar a reconstrução de tais laços. A alta rotatividade da mão-de-obra. ed. v. P. 204 p. de forma mais profunda. talvez. O 18 brumário de Luís Bonaparte e cartas a Kugelmann. Georg Wilhelm Friedrich. 2004. A formação da classe operária: a árvore da liberdade. Considerações finais THOMPSON. Mais do que garantir pluralismo ou eleições sindicais democráticas no modelo de sindicato único é necessário garantir a estabilidade das relações sociais entre os próprios trabalhadores. In: SANTOS. José Henrique. Trad. 1. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1993. 196 p. MARX. HOBSBAWM. 4. Karl. Eric J. Só haverá solidariedade coletiva se o convívio dos trabalhadores se desenvolver de forma permanente e constante. mediado pelo trabalho. ENGELS. 4. no plano da realidade. Assim. Referências bibliográficas HEGEL. Era dos extremos: o breve século XX — 1914 — 1991. é essencial não apenas debater o modelo de sindicalismo que mais se enquadra nos parâmetros do século XXI. 2. Trad. de Paulo Ferreira Leite. Trad. a solidariedade coletiva. tópico que se pretende discutir no próximo item. talvez. Trad. Trad. que forma a consciência de classe. Para que isso se torne algo efetivo. de Sueli Tomazini Barros Cassal. 21-139. de Denise Bottmann. O sindicato. Karl. A formação da classe operária: a maldição de Adão. a fragmentação do espaço produtivo são obstáculos muito maiores do que a unicidade sindical na trajetória de reconstrução da legitimidade social dos sindicatos. a liberdade sindical que assegure a democracia sindical. Rio de Janeiro: Paz e Terra. construída em um mesmo espaço físico. ele mesmo. como proposto por Marx (1997. THOMPSON. v. Miséria da filosofia: resposta à filosofia da miséria de Proudhon. Trabalho e riqueza na fenomenologia do espírito de Hegel. se faça necessário. Somente sindicatos democráticos serão capazes de reconstruir os laços de solidariedade que estão se esfacelando. MARX. Para que tal resistência se manifeste é necessário que se construa laços coletivos de solidariedade. 2001. 598 p. 2. ed. Porto Alegre: L&PM. Trad. 2002a. a partir do desenvolvimento das ideias de Hegel (1993). São Paulo: Companhia das Letras. Só haverá fortalecimento das entidades sindicais se a elas for dada a oportunidade de reconstruírem os laços de solidariedade coletiva. 2001. p. In: MARX. é calcado na ideia de resistência coletiva. Mas para que isso ocorra se faz primordial certa estabilização das relações sociais construídas pelos trabalhadores. São Paulo: Centauro. de José Henrique Santos. 3. de modo que a eles seja permitido desenvolver. o sindicalismo é um fenômeno psicossocial. 347 p. p. de Leandro Konder e Renato Guimarães. 3. Se faz urgente também debater formas de se concretizar. de Marcos Santarrita.lismo que busca propiciar a construção livre da unidade no que se refere a representação sindical. 2006). tal como o conhecemos nos séculos XX e XXI. Trad. E. ed. 4.Jornal do Congresso . E. 125-135. A estabilização das relações sociais como forma de consolidar a solidariedade coletiva Antes de um fenômeno jurídico. ed. Karl. 2006. Friedrich. que permita que o trabalhador se enxergue no outro e identifique no outro. O 18 brumário de Luís Bonaparte. Sem sombra de dúvidas é chegado o momento de se aprofundar o debate sobre a demo76 LTr . MARX. P. 131 p. dominação e servidão. 1995. cracia sindical. É um processo de identificação. Manifesto comunista: 1848. Independência e dependência da consciência-de-si. de forma a garantir a estabilidade das relações sociais dos trabalhadores. o fator mais relevante para se garantir a democracia sindical não se restrinja ao debate do sindicalismo único ou plural e sim sobre a necessidade de se combater os métodos que propiciam o afrouxamento dos laços sociais construídos pelos trabalhadores. Rio de Janeiro: Paz e Terra. de Renato Neto e Cláudia Rocha de Almeida. Karl. 1997. também ampliar o debate.

THOMPSON. 3. houve um avanço na mobilização sindical e ascensão política dos dirigentes. 94-97 (4) AROUCA.Jornal do Congresso denota que o estado corporativista detinha total controle sobre as eleições sindicais. v. 110. A formação da classe operária: a força dos trabalhadores. Ano 67. Edésio. redigido por Oliveira Vianna. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 2. Mesmo antes da edição da Consolidação das Leis do Trabalho. mesmo com todo esse processo repressivo. José Carlos. Márcio Túlio. que se opusessem ao Estado-Novo getulista. Terceirização e sindicato: um enfoque para além do jurídico. mestre e doutorando em Direito pela Universidade Federal do Paraná/UFPr e professor de Direito do Trabalho na UFPr. 200. Segundo o registro histórico trazido por Arouca(1). Sindicalismo no Brasil — Os primeiros 100 anos?. Direito de resistência — possibilidades de autodefesa do empregado em face do empregador. 3. agora. configurado na formação do Comando Geral dos Trabalhadores(CGT). A leitura desse diploma legal (1) AROUCA. 440 p. 529/ 532 da CLT). nos lapsos temporais democráticos (45/64). ou seja. 87 e ss (2) PASSOS. por professarem ideologias “contrárias” ao regime(3). consultor de entidades sindicais. 2007. Ainda assim. conforme confirma Passos(2). Os direitos dos trabalhadores: no limite da desconstituição do sistema legal de contratação do trabalho. número 7. São Paulo: LTr. Márcio Túlio. a história brasileira denota a incansável sanha autoritária dos sucessivos governos. São Paulo. Histórico do processo político e eleitoral dos sindicatos brasileiros O sindicalismo brasileiro sempre esteve marcado por constantes e sucessivas intervenções estatais no seu regular funcionamento. VIANA. 2009. p. tal intervenção era materializada no Decreto 1402/39. LTr . 1. VIANA. Trad. intervindo e criminalizando o livre e regular funcionamento das organizações do movimento operário. 2a ed. Havia ainda o expurgo dos militantes sindicais considerados “indesejáveis/inelegíveis”. p. p. O caso da “seção IV — das eleições sindicais” (arts. 1996. São Paulo: LTR. Belo Horizonte: Crisálida. rede(3) AROUCA. José Carlos. P. cit. José Reginaldo (org). p. 1. CLT 70 Anos — Direito Sindical. In: INÁCIO. ed. Organizada a CLT (1943) importa-se o texto do então Decreto 1402/39(4). op. Curso Básico de Direito Sindical. Disponível no DVD Magister — Revista Eletrônica 77 . jul. E. 2002b. especialista em normas internacionais e liberdade sindical pela OIT. LTR Revista legislação do trabalho. 2003. de Denise Bottmann. que estavam sob o crivo e jugo do Ministério do Trabalho e Emprego. 775-790. 456 p. DEMOCRACIA SINDICAL: ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO MODELO BRASILEIRO Sandro Lunard Nicoladeli Advogado trabalhista. ed.

categorial (diversidade) e geográfico (amplitude territorial) previsto na lei de reconhecimento das centrais sindicais — Lei n. Consultado em 01 de maio de 2014. O texto normativo sintetiza a regulação dos processos eleitorais sindicais pelo MTE. mesmo que gradativamente surjam novos elementos. contudo. 78 anteriormente. como analisado por Saes. 229/67 — editado no bojo da reforma da CLT durante o período inicial regime militar — impondo amarras e restrições quanto à participação ao pleito sindical. o sistema sindical para a base constitucional de 1988. LTr . como também a remessa dos documentos do procedimento eleitoral ao referido órgão (art. pelos trabalhadores rurais originários do campesinato. 529/ 532). Desse modo. verificado no mais recentemente no período republicano. ou seja. Assim. importa-se aquele modo de relações de poder. No plano jurídico. do ponto de vista organizativo por um modelo de unidade/unicidade. correspondeno a uma cultura política antiassociativa. art. posteriormente. como analisado por Passos(8). evidentemente influenciando o processo constituinte da construção da cultura política e organizativa do operariado brasileiro. 129-147. Posteriormente. Déficit democrático e os elementos constituintes da massa operária urbana. Sayonara Grillo Coutinho Leonardo da. com o processo de urbanização e industrialização (pós década de 30). Magister de Direito Trabalhista e Previdenciário n. 3. cit. os “donos do poder”. 138. São Paulo: Ed. 531). alterado pelo Decreto-lei n. Tais elementos ordenaram e conformaram severos limites nas experiências democráticas. o sistema. 53 — Dez/Jan de 2014. 532). p. ou seja. combinado com a adoção de um sistema de pluralidade na cúpula. Diga-se de passagem. previstas nos incs. O Brasil optou. Revista de Sociologia e política n. Por fim. p. custeio compulsório — herança do modelo anterior. por lei. cit. em grande parte.signado como título V — organização sindical — sobretudo na “seção IV — Das eleições sindicais” (arts. pelo óbvio motivo que o operariado urbano é composto. ao se transplantar. op. a democracia capitalista jungida e resultante dessa tradição condensa um capitalismo tardio e relações de poder lastreadas numa cultura autoritária. (5) SILVA. p. LTr. reconhecidas legalmente com antigo e vindicado critério de representatividade pelo movimento sindical. 204. (7) op. avançou na autonomia e independência do sindicalismo frente ao estado e ao patronato. p. Edésio. juridicamente. IV e V do art. superado o período do arbítrio. Democracia e capitalismo no Brasil: balanço e perspectivas. a classe fundiária era representada pela figura política do coronelismo. (8) PASSOS. elemento fundante das relações de poder e de trabalho no âmbito rural. unicidade sindical. Décio. Muito embora reinassem as relevantes condicionantes ideológicas do regime militar. das Centrais Sindicais. 8º — sistema confederativo. traduzida.Jornal do Congresso . (6) SAES. a estrutura se mantém. candidato e/ou estava em condição de (in) elegibilidade no âmbito das entidades sindicais. mas — singularmente — o modelo. as centrais sindicais. 9090/45 — editado nos estertores da ditadura do Estado-Novo — e o Decreto-lei n. o déficit democrático brasileiro. 194-201. caracteriza-se pela: fragilização da sociedade civil perante o Estado. em especial a criação. via portaria (§ 4º do art. 2008. 11648/2008. a Constituição Federal consagrou. se completa um ciclo — fechamento da intervenção absoluta do Estado nas relações sindicais e abre-se um período de reconstrução democrática. nos demais dispositivos da seção regulamenta-se as condições do pleito eleitoral. caracterizados pela lealdade ao senhor e fidelidade ao chefe político(7). fundamentalmente. 6/7 — 1996. na sua essência. fortalecimento crescente do patrimonialismo e o caráter autoritário da cultura nacional(6). Os novos dispositivos direcionavam-se às hipóteses em que o dirigente incorresse em infração de natureza ético-administrativa — lembrando que os sindicatos sofriam constantes perseguições e intervenções nos anos de chumbo(5) — ou que não reunisse as condições para ser eleitor. pelo exagerado status jurídico da liberdade associativa e sindical negativa. 530 (condenação por crime doloso — qual crime?/ suspensão do gozo dos direitos políticos — decidida por quem no estado de exceção?). assim compreendidos os critérios: político (adesão). inicialmente. o modelo sindical brasileiro no seu art. Relações coletivas de trabalho: configurações institucionais no brasil contemporâneo. Assim.

No plano da participação política ou do associativismo.2009.Jornal do Congresso institucional da OIT(12). AP 0000352-92. mesmo assim. ora recepcionando os dispositivos celetários pertinentes às eleições sindicais.23. não define. DEJTPA 23. p. RO 190486. p. 104. Outro aspecto controvertido da democracia sindical é que a ratificação da Convenção n.pdf>. Ericson. sempre nos moldes da Constituição Federal. DOEMS 5. Portanto.5. RO 1491/2004-004-24-00-2. Godofredo. 67. 3. TRT 23ª R. Rel. (11) Decisões que aplicam os arts. na realização de um processo eleitoral democrático. derivado de uma releitura e adequação ao texto constitucional(11).2011. Quarta Turma. DEJTMT 20. James Magno Araújo Farias. lisura e imparcialidade teria quais referenciais normativos? Numa primeira leitura. um sindicalismo maior ou menor estágio organizacional ou de representatividade.0004. observa-se que países com democracia liberal estável (Brasil. Estados Unidos. de forma peremptória e exclusiva. Além disso.2011.org. Relª Desª Dulcina de Holanda Palhano.5. Gonçalves Cezar. com isonomia. que indicam um aspecto pendular: ora rechaçando a aplicação do texto celetário. Nosso modelo sindical está assentado numa estruturação socioeconômica e constitucional. especificamente na sua agenda legislativa(13). ROS 153400-84. Frederico. Pastora do Socorro Teixeira Leal. o patronato industrial defende a manutenção do sistema sindical com pequenos ajustes.2012.2012.2011. poderia se afirmar que a seção relativa às eleições sindicais estaria derrogada pelo texto constitucional.org.pdf>. 1955.0108. 40.16. p. Julg. portanto a adesão ou não ao tratado. p. São Paulo: LTr. DEJTMS 17. 56 (10) Arestos que reconhecem a incompatibilidade e não recepção dos arts. 2000.24. Rel. Primeira Turma.2012. AIRR 0000491-14. Edson Bueno.2005. (13) Confederação Nacional da Indústria. invocando sua desarmonia com o texto constitucional(10). 79 . Unidade de Assuntos Legislativos — Agenda Legislativa da Indústria 2013 / Orgs: Menezes.2013. Min.5. os atores sociais de forma majoritária rejeitam o modelo pluralista. Izabella de Castro Ramos.12.. Consultado em 29 de abril de 2014. Basta uma breve pesquisa nos repertórios de jurisprudência. p.12.5. assecuratório do direito de oposição(9). TRT 07ª R.4. sociais. 2013.08. 44.2012. na manifestação da sua representação sindical mais influente. para o ano de 2009. DEJTMA 5. Brasília. Julg.5. TRT 24ª R.2005. Por exemplo.. 530 e 531 da CLT na solução de conflitos intrassindicais: TRT 08ª R. Relª Desª Fed.oit.2012. Des. TST... 17. porém.2012. aqui se adota o modelo comparativo entre instituições da democracia representativa (sindicato-partido). RO 0000491-14. resultante do nosso estágio e desenvolvimento civilizatório.11. embora considere salutar como objetivo de qualquer sistema sindical. Para além dos debates acadêmicos no âmbito da ciência juslaboral e (9) CRIVELLI. 529.0004. 6. Juiz João de Deus Gomes de Souza. assim entendida. mas. TRT 16ª R.11.. vale registrar alguns dados: a) segundo estudos da OIT(14) a taxa média de sindicalização. Democracia Sindical no Brasil. no caso brasileiro. DEJTCE 27. Rel. A crise dos referenciais normativos e do modelo de democracia sindical Os aspecto constitutivos da democracia sindical eleitoral. p. foi de 16% (de(12) Na nossa visão esta questão merece uma análise um pouco mais acurada. Rel. Relª Juíza Conv. Disponível em: <http:// www.6. Franco Diniz. todavia a despeito do horizonte e fundamento valorativo constitucional — democrático e pluralista — ainda assim. Guilherme Augusto Caputo Bastos.cni. culturais.br/portal/data/files/ FF808081394937F001396E54A78251C1/Agenda%20 Legislativa%202012.23. Segunda Turma. p. p. para problematizar a democracia sindical e sua crise. Primeira Turma.07. DEJT 19.2010. (14) Organização Internacional do Trabalho. Coréia do Sul) e outras nações de expressivo desenvolvimento capitalista (India e China). Consultado em 1 de maio de 2014. amalgamado a partir dos seus elementos históricos. 29. 532 da CLT ao texto constitucional: TRT 24ª R. a jurisprudência vem repercutindo e aplicando o modelo de processo eleitoral inserido no marco regulatório da CLT. desde o sindicalismo laboral ao sindicalismo patronal. 87 da Organização Internacional do Trabalho/ OIT. Des. RO 153000-02. obviamente. tal intento terá um longo percurso.0001. Perfil do trabalho decente no Brasil: um olhar sobre as unidades da Federação.11. no caso.0001.. Disponível em: <http://www. seria uma forma de resolução do déficit democrático dos sindicatos.6. p. pois confrontados os países não ratificantes da Convenção 87 da OIT. visando aferir o eventual déficit na adesão às instituições políticas.4.5.9. políticos e econômicos da sociedade brasileira. no tópico atinente a questão do modelo sindical. 20. LTr .2008.br/sites/default/files/topic/gender/doc/ relatoriotdvers%C3%A3oweb_876. Vladson Bahia. a Confederação Nacional da Indústria/CNI. também.0005. 530.

296 de eleitores filiados a partidos políticos.8% (dez virgula oito por cento). É um dado da realidade. Ericson. juntamente com outros dirigentes sindicais. Brasiliense. desenvolveram lutas. 628. op. (16) BOBBIO. constituinte. em que o espaço do debate político iguala e valoriza o espaço deliberativo expresso no voto. a própria entidade sindical pode cometer ato antissindical quando “. (17) PASSOS. as pessoas têm baixa participação política nos sindicatos. (21) GENRO. baixa adesão aos partidos. Conclusão Em suma.. negociação e contratação coletiva) e autoridades em geral. Luciano.”. Disponível em: <http:// www. pois se tutela o direito de participação. resulta num índice de adesão formal partidária de 10. com as grandes greves e o surgimento de grandes líderes. cit. com participação de forma direta ou indireta nos espaços deliberativos.. como sintetiza Passos(17). 80 Desse modo. São Paulo: Ed. em que se verificou o claro divórcio entre a pauta dos manifestantes e a incapacidade e/ou descrença de que instituições representativas possam canalizar as demandas sociais. Somado a isto. que mesmo limitadas pela ditadura militar. Para Bobbio(16) a democracia moderna. p. mas em verdade garante a ampla igualdade de condições (método ou inspiração ética): a) igualdade perante a lei e estatutos. compreendido na década — 1975 a 1985 — onde há participação decisiva das entidades sindicais. LTr . o processo político de efetiva legitimação democrática foi precedido por um período de luta pela anistia. p.(19) A democracia como procedimento — que supera a formalidade democrática. há no fundamento ético da soberania interna expressa nas assembleias. 369-374 (19) ___________.. É. 9-61. embora contando com um sistema pluripartidário. a conformação do regime democrático intrassindical ou democracia sindical interna tem fundamento axiológico na CF/88 (democrático e pluralista).Jornal do Congresso . São Paulo: Saraiva. (15) Tribunal Superior Eleitoral. conforme Martinez(18). São Paulo: Saraiva.. democracia direta e neoliberalismo na ordem global. caracterizado pela variada matiz ideológica. 3ª ed. Petrópolis/RJ: Vozes. segundo Crivelli(20). 2013. Condutas Antissindicais. a estruturação e funcionamento do subsistema político de democracia na estrutura sindical não está imune. Norberto. Nessa senda. Pelo contrário. eleições diretas. nas palavras de Genro(21): (18) MARTINEZ. Democracia sindical: aspectos constitutivos e disjuntivos do processo político interno. tendo como ultima ratio a formação de entidades sindicais lastreadas em bases democráticas (estruturação e funcionamento). portanto. Consultado em 30 de abril de 2014. para o referido autor.970. combinado a mecanismos de legitimação da direção sindical.violentar a democracia interna ou quando negar os valores que lhe são próprios e essenciais. p. 2011. formata-se na modalidade de democracia representativa.br/eleicoes/estatisticas/filiados>. seja via filiação dos trabalhadores ao sindicato. 5. a democracia sindical possui aspectos internos e externos: a) internos — análise nas relações de poder. eleger-se deputado constituinte. cit. No caso brasileiro. 6. processos decisórios (eleições/ assembleias) e regras internas. seja via a inscrição de eleitores ao(s) partido(s). b) externos: refere-se à relação frente aos empregadores (greve. em 1986.tse. (20) CRIVELLI. Um reflexo disso foram as manifestações populares de junho de 2013. p. b) igualdade de direitos ou paridade de armas. crível afirmar que a população brasileira tem baixa adesão às instituições representativas da democracia. inserida no Estado liberal. Edésio. a taxa média de filiação partidária. Liberalismo e Democracia.zesseis por cento). ainda assim. sindicais e coletivas do trabalho. 1990. dentre eles Luis Inácio Lula da Silva que viria. Crise da democracia: direito. Ainda. p. 194-201. como também. É um reflexo da sociedade brasileira em que não há estímulo ou desencanto com a vida associativa e organizada — partidária ou sindical. coexistência de grupos de oposição (princípios da pluralidade e tolerância). necessária expressão de fonte de consulta e legitimação. Curso de direito do trabalho: relações individuais. 22. O Brasil contava com 11. op. em especial os metalúrgicos do ABC/São Paulo.jus. está conectado ao processo de crise democrática e representatividade na sociedade brasileira. p. b) segundo dados do TSE(15). Tarso. 2002.

influenciará na conformação de uma nova cultura política dos trabalhadores e de suas instituições sindicais. In GODOY. é substituído pelo sentimento de vinculação através do consumo e dirigido ao prazer alienado. (23) Modelo de democracia proposto por Santiago Ninno. mediado pelo necessário debate público inserido na vida sindical. Miguel Gualano. definido por Moya(22).) reduz a capacidade de coesão da cultura democrática tradicional: o sentimento de pertencimento à comunidade determinada. tornando os sindicatos num espaço de democracia deliberativa com decisões coletivas e imparciais(23). Constitucionalismo e democracia: uma leitura a partir de Carlos Santiago Ninno e Roberto Gargarella. p. Madrid: Editorial Trotta. a superação deste modelo individualista-consumista que influencia e aflige os trabalhadores exige um imperativo ético.“Esta cultura do consumismo. 17-25.Jornal do Congresso individualista por um associativo-público consistirá na superação do déficit de legitimação e de representatividade sindical. materializado num projeto político-jurídico de conteúdo e alcance da democraticidade sindical. como elemento desestruturador da ideia democrática(. A execução deste projeto político elevará o patamar civilizatório da representação sindical. Rosario Gallardo. A superação do modelo (22) MOYA..” Portanto. seja nacional ou local. de modo que expresse a vontade coletiva dos interessados. por conseguinte.. São Paulo: Saraiva: 2012. LTr . p. 72-73. 81 . Democracia sindical interna: un analisis juridico.

A relação coletiva de trabalho para parte dos doutrinadores é adotado a denominação Direito Coletivo do Trabalho. A partir do exposto definimos Direito Coletivo do Trabalho como o segmento do Direito do Trabalho que regula a organização sindical. diz respeito ao contrato individual de trabalho entre empregado e empregador e seus interesses individuais. Os Princípios do Direito do Trabalho. 2013. 2014.É POSSÍVEL DEFENDER A MANUTENÇÃO DA UNICIDADE SINDICAL? Gilzana Lima Janaina Aparecida do N. Octávio Bueno Magaconceitua “Direito Coletivo do Trabalho é a (4) (1) DELGADO. 2012)(5). parte da doutrina prefere denominar a matéria como Direito Coletivo do Trabalho. (2) RUPRECHT. Assim. Jouberto de Quadros Pessoa. Amauri Mascaro.cognitiojuris. LTr. Munhoz Maia Estudantes de Direito na Instituição de Direito de Sorocaba — FADI A doutrina costuma distinguir o Direito do Trabalho em basicamente dois tipos de relações: a individual e a coletiva. 1995. Direito Coletivo do Trabalho “é a parte do Direito do Trabalho que tem por objetivo regular os interesses da categoria profissional de cada um dos sujeitos laborais”. São Paulo: LTr. Acesso em: 30 de Abril de 2014. No entanto. a representação dos trabalhadores na empresa e a greve (GARCIA. inclusive. NETO. as demais organizações sindicais. Octávio Bueno.com/artigos/05/08. Conceito Para Alfredo Ruprecht . Disponível em: <http:// www.Jornal do Congresso . (2) A denominação Direito Sindical tem caráter subjetivo. com vista aos sujeitos do direito coletivo. para Maurício Godinho Delgado (1)“as denominações objetivistas tendem a ser superiores. Mauricio Godinho. A unicidade sindical é a vedação do direito de criação de mais de um sindicato na mesma base territorial. Editora LTr. Organização sindical — estrutura externa. Gustavo Filipe Barbosa. 2014. Manual de Direito do 82 Para Amauri Mascaro Nascimento(6) a lei poderá limitar a criação de sindicatos. em uma determinada base territorial. a apenas um ente sindical representativo de determinada categoria profissional ou de certa atividade econômica.html>. De forma resumida os autores que adotam a denominação Direito Sindical asseveram ser o direito sindicato a figura de maior destaque no setor do direito em análise. às subjetivistas. as questões ultrapassam o contrato individual de trabalho para atingir uma coletividade que se une para defender suas reivindicações. as entidades sindicais. Rio de Janeiro: Forense. os conflitos coletivos de trabalho e suas formas de solução. Desta forma Amauri Mascaro do Nascimento(3) conceitua Direito Sindical como sendo “ramo do Direito do Trabalho que estuda os sindicatos. Alfredo J. parte do Direito do Trabalho que trata da organização sindical. (3) NASCIMENTO. como as relações coletivas de trabalho não se restringem aos entes sindicais. 39ª ed. É a chamada unicidade ou monismo sindical.II. Silvana Maria de Oliveira Prince. 6ª ed. São Paulo: LTr. Vol. 7ª ed. Direito coletivo do trabalho. Curso de Direito do Trabalho. RODRIGUES. no Nesta mesma linha. Compêndio de direito sindical. São Paulo: LTr. Cognitio Juris. a negociação coletiva e os instrumentos normativos decorrentes. Iniciação ao Direito do Trabalho. O autor afirma ainda que ao impor o princípio da uniTrabalho — Direito Coletivo do Trabalho. já para outros Direito sindical. Ed. tecnicamente. João Pessoa. 2012. (6) NASCIMENTO. 7ª ed. CAVALCANTE. Naquela. 2012. São Paulo. Ano II. ao invés de apenas indicarem um de seus sujeitos atuantes”. com destaque para as relações sociojurídicas dos grupos. da negociação e da convenção coletiva do trabalho. nesta. por enfocarem a estrutura e as relações do ramo jurídico a que se reportam. São Paulo. Direito do trabalho. 13ª ed. 1995. agosto 2012. Número 5. (4) MAGANO. a representação dos trabalhadores nas empresas. A denominação Direito Coletivo do Trabalho tem caráter objetivista. as convenções coletivas e a greve”. (5) GARCIA. dos conflitos coletivos do trabalho e dos mecanismos de solução dos mesmos conflitos”. LTr . Francisco Ferreira Jorge. Amauri Mascaro. São Paulo: Atlas.

é que se iniciou a consciência operaria de lutar em busca de seus interesses. LTr . que são os de trabalhadores. 87 da OIT No entanto ao realizar a leitura dos arts. foi adotado o princípio da pluralidade sindical. Unicidade sindical A Constituição Federal de 1988 introduziu princípios do direito coletivo. Documentos importantes no plano internacional como a Declaração Universal de Direitos do Homem. primeiro país a garantir o direito de associação em 1919.cidade sindical o país não acompanhou a evolução do sindicalismo dos países democráticos. Outras Convenções foram criadas pela OIT para complementar. Alemanha e Itália. segundo o qual na mesma base territorial pode ser criados tantos sindicatos quantos os trabalhadores de uma categoria quiserem. É importante ressaltar que o Brasil não ratificou a Convenção n. é possível ainda a dissociação ou desdobramento de categorias ecléticas — inte- Organização Internacional do Trabalho (OIT). extirpando a obrigatoriedade de o trabalhador filiar-se ou manter-se filiado a sindicato. por exemplo. Concenção n. podendo desta forma ser considerada como pilar do direito sindical. n. a Constituição Federal de 1988. mas como uma nova realidade. 141 de 1975 e n. e por fim na Alemanha. tanto para a caracterização de outros sindicatos em razão das organizações monopolistas já constituídas como também o livre arbítrio de seu associado se filiar. por exemplo. 151 de 1978. Ao decorrer da história os sindicatos foram surgindo. com uma forma de buscar melhores condições de trabalho. visto que a doutrina traz várias classificações permitindo aos sindicatos se dividirem em: sindicatos de categorias. em vários dos seus dispositivos assegurou a liberdade sindical. No Brasil. chegando a determinado ponto que este não poderia ser defeso em lei. sindicatos de categorias diferenciadas. entre elas as de n. Além dessas classificações. a Constituição Federal de 1988 no mesmo art. e da livre associação sindical. sindicatos de categorias econômicas. mas que se contradiz com a proibição de mais de um sindicato da categoria na mesma base territorial. proibiam as corporações de ofício e ao mesmo tempo acabou por suprimir o direito de associação. que são os de empregadores. pois estabelece princípios e diretrizes da liberdade sindical. garantia o direito ao homem de se organizar em sindicatos com a finalidade de proteger seus interesses comuns. sindicatos de trabalhadores autônomos e sindicatos de profissionais liberais. podendo ser resumida em: fundar sindicatos. depois na França em 1884. de 1948. sendo o principal deles a não intervenção ou interferência do Poder Público na organização sindical. n. Evolução histórica do sindicato Na Revolução Industrial. As péssimas condições de trabalho desta época. que tratam. Surgiu então primeiramente na Inglaterra 1824. foram fatores determinantes para o surgimento do sindicalismo. respectivamente.Jornal do Congresso 83 . 8º. por meio da Convenção n. normatizada pelo liberalismo jurídico viciado pela desigualdade entre os trabalhadores e empregadores. Em alguns países. no art. Com a Revolução Francesa em 1789. com uma existência institucional. como a França. Isto pode ser confirmado. da autonomia sindical (em uma das suas facetas). garantir a atuação dos sindicatos e a de assegurar o direito de se filiar ou não a um sindicato. 8º. 8º que garante a liberdade sindical. 87. mesmo sem apoio legal. que são os trabalhadores de uma mesma profissão. 98 de 1849. durante o século XVIII. 87 da OIT. II da CF/88 e 516 da CLT é possível se verificar que o Brasil adotou o sistema da unicidade sindical — os sindicatos só podem representar uma categoria em determinada base territorial. mas uma liberdade limitada. incisos I e V. porém essa unicidade não é absoluta. administrar sindicatos. não mais se exigindo a prévia autorização do poder estatal para criação dos entes sindicais. 154 de 1981. instituiu o princípio da liberdade sindical como condição sine qua non para uma efetiva melhoria nas condições dos trabalhadores. com o desequilíbrio nas relações jurídico-econômicas entre o trabalho e capital.

num primeiro momento. Direito do trabalho. Os sindicatos devem ser criados por profissão ou por atividade do empregador. a criação de muitos sindicatos. destacando-se. A nosso sentir. (8) MARTINS. cada um poderia constituir o sindicato que quisesse. São Paulo: Atlas.Jornal do Congresso . na realidade brasileira. ao se fazer uma comparação entre as duas modalidades existentes. a qual. que é ser possível ou não do modelo da unicidade sindical. (7) NASCIMENTO. o Brasil. já alcançada por muitos países que adotaram o pluralismo sindical. por livre escolha dos seus integrantes. acabam por se tornarem um sindicato uno. pois sozinhos não teriam condições de reivindicar melhores condições de trabalho. O ideal seria o Brasil ratificar de vez a Convenção n. A tendência seria. LTr . no entanto permanece com um sistema de índole evidentemente autoritária. ao passo que os sindicatos. visto que os sindicatos tem por objetivo defender os interesses de seus representados. 2014. 84 Como visto a unicidade sindical proíbe a livre criação de sindicatos. Compêndio de direito sindical. Amauri Mascaro. podendo estes ser livremente instituídos. Já a pluralidade sindical não há limitação na criação dos órgãos sindicais.” Conclusão O estudo da liberdade sindical no Brasil esbarra em uma questão relativamente complexa. restringindo-os a um único ente sindical por categoria profissional ou por atividade econômica em determinada base territorial. por conta das próprias circunstâncias. já que para nós concluímos que acima do princípio da liberdade sindical prevalece o princípio do interesse social dos trabalhadores. Esse meio de dissociação de sindicatos funciona como uma alternativa para a pluralidade sindical e se for reelaborado em alguns pontos talvez possa compatibilizar nosso ordenamento jurídico com a liberdade sindical preconizada pela OIT. passem a ser categorias específicas (NASCIMENTO. Posteriormente. depreende-se que a unicidade sindical termina por tolher a tão almejada liberdade sindical. É o modelo escolhido pela maior parte dos países democráticos.gradas por atividades principais. conexas ou similares para que estas. para deixar de vez esse modelo corporativista sindical (ou semicorporativista) que inibe qualquer possibilidade de desenvolvimento da representação e participação dos trabalhadores na gestão das empresas. São Paulo: LTr. 35ª ed. 2014)(7). 87 da OIT ao invés de garantir uma liberdade mascarada. 2012. Sergio Pinto. não pode ser inferior a um município. da pluralidade pode derivar a unidade sindical. as pessoas iriam perceber que muitos sindicatos não têm poder de pressão e iriam começar a se agrupar. 7ª ed. porém livremente. Sergio Pinto Martins(8) é um dos defensores da pluralidade sindical e conclui que “Com a pluralidade sindical. A nosso sentir.

O PLURALISMO E A NECESSIDADE DE EMERGÊNCIA DAS SINGULARIDADES Maíra Neiva Gomes Coordenadora do Departamento Jurídico e Coordenadora Pedagógica do Programa de Formação Política Permanente Ignácio Hernandez do Sindicato dos Metalúrgicos de Belo Horizonte. onde este último media interesses das classes que se opõe. se desenvolve em uma relação de mimetismo com o próprio capital. em um segundo momento. ao longo de sua história. aceitar tais formas de estruturação do processo produtivo e dela retirar elementos para fortalecer sua resistência. com destaque para o próprio Direito do Trabalho. 85 . 2002b). a reorganização produtiva se desenvolveu absorvendo bandeiras do próprio movimento que contestava. Mestre e Doutoranda em Direito do Trabalho. ocorreu a primeira fissura do “pacto fordista”. promovendo uma política macroeconômica keynesiana. inclusive na representação sindical. 2002a. Tal aceitação — pelos trabalhadores — da forma de organização da produção se aprofunda ao longo do século XX. para.Jornal do Congresso O momento posterior do sindicalismo inglês se desenvolve ainda no século XIX. o declínio do método cartesiano e a necessidade de emergência das singularidades. O pós-fordismo incorporou noções de igualdade e liberdade que se revelaram como fortes anseios dos trabalhadores e seus filhos. Pacto implícito entre capital. LTr . Para tanto. calcada na elevação progressiva do consumo — e. Introdução O intuito do presente estudo é analisar a possibilidade de adoção da Convenção n. No entanto. o movimento de mimetismo também pode ser observado na própria organização do espaço produtivo. o capital. propiciando a consolidação de um movimento sindical que não mais contesta o sistema capitalista industrial. em sua múltiplas esferas. na década de 1960/1970. 1.P. a organização da resistência coletiva dos trabalhadores absorve elementos da própria organização da produção e vice-versa. a partir da compreensão da necessidade de reaquisição de legitimidade social das entidades sindicais profissionais. Ao se analisar o desenvolvimento histórico do movimento sindical. Ou seja. 87 da OIT. Mas que exige a construção de direitos trabalhistas como forma de impor limites à exploração do trabalho. que aceita a reunião de trabalhadores subordinados em um mesmo espaço físico. consequentemente. Especialista em Direito Material e Processual do Trabalho pela Faculdade Pitágoras.A ORGANIZAÇÃO SINDICAL. posteriormente. Quando. se esboçará o desenvolvimento histórico do movimento sindical e. o sindicalismo busca impedir que o capital imponha sua forma de organizar o trabalho. no início do século XIX. 2. dos lucros — por meio da distribuição de renda propiciada pela edificação de direitos sociais. especialmente após o término da segunda guerra mundial. tentaram impedir a implantação do sistema fabril de produção — ainda incipiente naquela época — buscando preservar sua condição de artesãos livres. com o cartismo. O movimento sindical imita o capital e vice-versa Segundo Márcio Túlio Viana (1999). A CONVENÇÃO 87 DA OIT. Modernidade e Democracia pela PUC Minas. Professora das Faculdades Milton Campos (graduação). utilizando este elemento da racionalização da produção para fortificar a resistência coletiva. os luddistas do norte da Inglaterra. De acordo com o historiador E. em um primeiro momento. Contagem e Região. Thompson (2004. trabalho e Estado. inicialmente. É assim que se consolida o “pacto fordista”. observa-se que. o sindicalismo moderno.

O declínio do pensamento cartesiano e a necessária emergência das singularidades O pensamento científico tende a reproduzir elementos da própria cultura social. assegurando-se que todas as singularidades se manifestem. 87 da OIT nesse contexto? Ora.Jornal do Congresso . 4. na fragilidade dos sindicatos. Considerações finais Talvez. É nesse contexto cultural que a normatização sindical se desenvolve no Brasil — e no mundo — na primeira metade do século XX. ainda no século XVII. No entanto. Mas é ainda assim que hoje se vê a sociedade? Na segunda metade do século XX. menos hierarquizado. quanto espaço produtivo não são desconectados da realidade social. quando as singulares requerem reconhecimento. a realização de reuniões periódicas para discutir problemas e soluções do processo produtivo criaram o simbolismo de maior igualdade e liberdade no espaço produtivo. 86 assegurar a homogeneidade e continuidade do encadeamento das razões. hoje esteja em declínio. conforme se pretende demonstrar no item posterior. ela parte do princípio de que existem sim divergências no todo considerado homogêneo. pois o “pacto fordista”. Mas onde se encaixa a Convenção n. de forma a (1) A eliminação da palavra empregado. divididas de forma estanque e compartimentada. No decorrer dos séculos XIX e XX havia uma crença no progresso ininterrupto da ciência e da própria tecnologia humana. a designação de líderes de equipes pelos próprios trabalhadores. que divide a classe trabalhadora em categorias. É dessa ideia que nasce a teoria do sindicato único. inclusive na representação. homoafetivos. A premissa é da construção de unidades sólidas. Mas mais do que isso. As contestações que emergem a partir da década de 1960 tocam justamente na inviabilidade de não se observar as opressões que se desenvolvem no seio social. o método de analise científica e das demais áreas do pensamento humano se dava a partir das premissas de homogeneidade compartimentada cartesiana. tal como era a sociedade pela qual clamavam os movimentos contestatórios das décadas de 60/70. inicia-se o processo dedutivo de síntese. Bem como da necessidade do Estado de controlar o movimento sindical. essas novas técnicas de gestão de mão-de-obra vem recrudescendo o poder diretivo que se interioriza na alma dos trabalhadores e passa também a ser exercido por eles mesmos. mais claros. Isso porque tudo que é novo causa estranheza e dificuldades de adaptação. portanto. No entanto. quanto da organização do capital — partiram de uma compreensão da própria sociedade que. a adoção de um modelo de ampla liberdade sindical. mulheres. a reinvenção do sindicalismo — que é marca constante de seu desenvolvimento LTr . garantindo-se assim a universalidade das “verdades” científicas. a reflexão se dá a partir da observação e compreensão da relação de dependência entre os objetos. entre os trabalhadores existe sim diferenças relevantes. em um primeiro momento. 3. A partir da “revelação” da verdade das partes do objeto.agora ingressos na Universidade nos países do capitalismo central. o método científico consistia na decomposição do todo em elementos mais simples e evidentes que seriam. excluía singularidades relevantes e acabava por justificar opressões aos negros. homogêneas. No entanto. tanto sindicato. Ou seja. começam a eclodir singularidades. entre outros grupos sociais minoritários. Ou seja. muitas vezes. No método de analise sugerido por Descartes (2000). substituída pelo termo “colaborador” e outros similares. procedendo a ordenação das proposições obtidas na primeira fase do processo de conhecimento. calcado no pluralismo de ideias e na possibilidade de emergência das singularidades representadas implique. O espaço produtivo — pelo menos no que diz respeito às aparências iniciais(1) — se mostrou mais heterogêneo. Mais do que isso. de reconstrução do todo. ela reconhece o direito elementar da democracia no novo milênio. o que Descartes denominava de etapa indutiva. As elaborações anteriores — tanto do movimento sindical. talvez. É preciso sim reconhecer as diferenças.

um A formação da classe ope- O intérprete não devede seAdão. 475-J do Código de Processo paradaseu fortalecimento. P. 2.natureza alimentar — um pro2002a. p. São Paulo: do novo são um meio 1.uma valorizando mais as questões — podedo propiciar maior identificação social de justiça do que os problemas de legalidade. THOMPSON. número 7.Jornal do Congresso LTr . o Diséculo XX — 1914 — 1991. (4) FARIA. São Paulo: LTr.tível com o novo dispositivo do Código de Processo Civil como é justificador de sua aplicação subsidiária. 1. THOMPSON. Márcio Túlio. São Paulo. Luis Fernando Silva de. jul. de P. A formação da classe ope-no 475-J do Código E. fundamental a todos os brasileiros (art. O método colmatação a identifiVIANA. pelo Poder 29 Judiciário. cesso (art. v. 3. p. ed. Rio de Jaonais de justrabalhistas. quedarTrad. José Eduardo. concretização dos princípios LTR. legislação do trabalho. (59). Belo Holados rizonte. mas já E. A aplicação subsidiária do art. O direito. 2003. 456 acima. balho da. do prorária: a força dos trabalhadores. de Marreito Processual do Trabalho. dos trabalhadores com sua instituição de repreSob o prisma desse princípio. 475-J do Código de Processo Civil no Processo do Trabalho não será a solução para todos os problemas de concretização dos direitos trabalhistas. 440 p. 598 p. a química e a tornar-se um objetivo comum principalmente dentre realidade esindical. 45/04. será passo adiante. José Eduardo Faria(4)sentação. Ano 67. Numa interpretação pós-positivista do processo. cação subsidiária do art. destacados 1996. como. 775-790. 3. para se manifestarem. ed. P. CF). Civil já é admitida por inúmeros autores. 5º. resistência — cação da omissão celetista e a percepção da coerência possibilidades de autodefesa do empregado dos princípios do Processo do Trabalho com a redação emdispositivo face do empregador. Trad. 1995. Luciano Athayde. 1. justrabalhista a alcançar esse2002b. Rio de Janeiro: tas. o que aé aplicabiessencial lidade multa do art. por exemplo. inerte de diante rária: a maldição Re-da letargia dos legisladores e diante dos percalços da innato de Neto e procedimentos.VIANA. 2. Cláudia Rocha de Almeicorporação novos O Processo do Traed. principalmente. Lei n. dev.oferecer ao seu te e credor de 347 bens p. nhia das Letras. 101-102. 79 p.232/2005: Oporturária: a árvore da liberdade. Eric J. onde as singularidades encontram espaços contradições sociais os conceitos fechados e tipificantes dos sistemas legais vigentes”. São Paulo: Escala. fundamentada princípio constitucional da razoável duração Trad. Discurso do método. os princípios constitucionais irradiar sua aplicabiliHOBSBAWM. p. In: FARIA. 204 p. E. José Eduardo (Org. 11. p. Direitodedelacunas. 1999. René. Márcio Túlio. de ed. pela qual se assegurou a razoável duração do processo como direito DESCARTES. São Paulo: Compapretações cos dadas à legislação devem concretizar o espírito dos comandos constitucionais. de (5) enfoque para além do jurídico. deve4. Direito Processual do Trabalho: Denise Bottmann./jun. 4. infraconstitucional ed. Processo Civil. CF) e nos princípios constituciDenise Bottmann.). Reforma e efetividade. ed. v.devem Era dos extremos: o breve dade a todos os subsistemas. pode ajudar a processualística neiro: Paz e Terra. LXXVIII. p. 2004. Revista do que Tribunal Reos Magistrados os Advogados para a sociedade nuncagional perca ado esperança que seus direitos tuteTrabalhodeda 3ªterá Região. desiderato. 5º. A formação da classe ope. 1997. Rio de jurisdicionado-hipossufienJaneiro: Paz e Terra. Ordem legal X Mudança social: a crise do judiciário e a formação do magistrado. a argumentação torna-se mais consistente quando analisada a luz Referências bibliográficas da principiologia constitucional. Enfim. Direito e Justiça: a Função Social do Judiciário. após a Emenda Constitucional n. o sindicato pode voltar a Se numa análise infraconstitucional adquirir legitimidade social. LXXVIII. 2007. Trad. a busca da verdadeira efetividade deve VIANA. 41-51. MárciodeTúlio. 249-275. LTR — nidade um de maior efetividade no cumprimento das sentenças trabalhisIn: Revista CHAVES. São Paulo: Ática. Tal princípio pressupõe uma visão social do sistema processual trabalho. ressalta que “cabe a uma magistratura com um co- nhecimento multidisciplinar e poderes decisórios ampliaAbarcando diversos discursos e reivindicados à responsabilidade de reformular a partir das próprias ções. Nesse viés quaisquer interSantarrita. Terceirização e sindicato: CARVALHO. 2000. LTr . Paz e Terra. jan. THOMPSON.Jornal do Congresso 97 87 . cesso mais ágil e eficaz(5).

e) a atividade de natureza não-lucrativa e d) o âmbito residencial. o empregado doméstico passou da completa marginalização ao reconhecimento de alguns direitos. Vólia Bomfim Cassar(1) define os requisitos para que uma relação seja considerada de trabalho doméstico. 72 quase a igualdade de direitos com os demais trabalhadores. devem ser utilizadas analogicamente as regras da CLT.Jornal do Congresso . as regras para adoção de controle de jornada de trabalho. (1) Direito do Trabalho. de 11 de dezembro de 1972. São Paulo: Método. 2013. Para que esse direito tenha a plena eficácia pretendida pela Constituição. Joaquim Especialista em Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho Com o advento da Emenda Constitucional n. Não se aplicam as regras do horário noturno e seu adicional. caso ultrapassado tal limite. aplica-se no que for compatível o capítulo da “duração do trabalho”. alguns direitos ora reconhecidos geraram diversas discussões. muitos questionamentos surgiram quanto à aplicação dos mesmos à realidade desses trabalhadores. eis que dependem de regulamentação. 338. os empregados domésticos passaram a ter direito à limitação da jornada de trabalho e consequentemente ao recebimento de horas extras. a partir da promulgação da emenda. assegurando à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos previstos em diversos incisos. razão pela qual faz-se necessário um estudo pormenorizado do tema. discute-se de quem seria o ônus de provar sua ocorrência. Diante das peculiaridades da relação de trabalho doméstica. 7º da Constituição Federal.p. Somente com a presença desses requisitos uma relação pode ser considerada como doméstica. 5859. Referida Emenda Constitucional alterou o parágrafo único do art. quando pleiteadas as horas extraordinárias em juízo.6º Painel A quem incumbirá o ônus da prova da jornada cumprida em processos em que a litiguem o doméstico e seu empregador? Camila S. compensação da jornada. entre eles o que prevê a duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais. como é o caso da jornada de trabalho. facultada a compensação de horários e a redução da jornada. define como trabalhador doméstico aquele que presta serviços de natureza contínua e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família no âmbito residencial destas. 72/2013. tais sejam. 88 A Lei n. como as regras para horas in itinere. c) a prestação de serviço para pessoa física ou família. a) o enquadramento do trabalhador como doméstico. Nesse contexto. trazendo a Emenda n. intervalos Interjornada e intrajornada. b) a continuidade. 8ª edição. etc. LTr . até que a lei específica discipline a questão. um dos temas mais discutidos é a jornada do trabalho. limites de atraso. Dessa forma. Assim. Levando em consideração o conceito legal. em especial quanto a seu controle e como se dará a aplicação do ônus da prova quando pleiteadas horas extras em juízo. que estendeu diversos direitos trabalhistas aos empregados domésticos. C. Tendo em vista essa relação ocorrer no âmbito residencial e se tratar de situação de trabalho muito peculiar. mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. Ao longo dos anos.

uma vez adotado o controle. ocorrerá a inversão do ônus da prova. na prática têm-se realizado o emprego subsidiário da CLT nessas relações. os mesmos tem que ser idôneos e caso apresentem horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de prova. Nesse sentido. da CLT. O art. 224/2013. Por este raciocínio. 818 da CLT determina que a prova das alegações incumbe à parte que as fizer. a regra contida nos dispositivos acima mencionados prevalecerá. a qual pode ser elidida por prova em contrário. pois se trata de fato constitutivo de seu direito. caso isso ocorra.(2) Em relação às horas extras. As situações que permitem a inversão do ônus da prova quando se trata de horas extras estão previstas na Súmula n. ou seja. entretanto. a jurisprudência estabeleceu duas situações onde haverá presunção relativa de veracidade das alegações do autor. Porém. mesmo ao apresentar defesa de mérito direta. de demonstrar a existência ou inexistência daqueles fatos controvertidos no processo. A inversão do ônus da prova tem sido admitida na seara trabalhista. ou indeterminada”. a fim de solucionar as questões levadas a juízo. relativo às horas extras. ponto que atrai a aplicação analógica ao direito do trabalho. Insta salientar que. tendo em vista a omissão legislativa e a necessidade de dar-se aplicabilidade imediata aos dispositivos constitucionais. a não apresentação injustificada dos controles de frequência gera presunção relativa de veracidade da jornada de trabalho. 338 do Tribunal Superior do Trabalho. p. 333 do Código de Processo Civil sintetiza o ônus da prova. “fazer a contraprova ou prova contrária”. embora a CLT afaste a aplicação de seus dispositivos aos domésticos. que tramita perante do Congresso Nacional. muitas delas concentrando-se no campo processual. invertendo-se o ônus da prova. § 2º. sendo ônus do empregador que conta com mais de 10 (dez) empregados o registro da jornada de trabalho na forma do art. atribuído a uma das partes. O princípio é consagrado no Código de Defesa do Consumidor. prevalecendo a jornada da inicial se dele não se desincumbir. eis que apenas poucas famílias têm a possibilidade de contar com mais de 10 (dez) empregados em sua residência.Por se tratar de significativa mudança no regramento legal anterior. ao prever que este incumbe: I — ao autor. quanto ao fato constitutivo do seu direito. é importante destacar que o Projeto de Lei n. necessários para o convencimento do juiz. II — ao réu. sendo o ônus da prova do autor. São Paulo: Saraiva. A primeira delas prevê que. a única hipótese em que o réu fica desincumbido de qualquer ônus da prova ocorre quando apresentar defesa de mérito direta por “negativa absoluta.Jornal do Congresso A segunda determina que os cartões de ponto que demonstram horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de prova. 6º. Porém. LTr . em especial quando se trata do ônus de comprovar eventuais horas extraordinárias. quanto à existência de fato impeditivo. em seu art. prevê em seu texto que o registro da jornada de trabalho do emprega89 . 362. invertendo-se o ônus para o empregador. que tem como pressuposto a hipossuficiência do trabalhador. não haverá necessidade de socorrer-se das regras sobre o ônus da prova. atrairá o ônus da prova. se o juiz concluiu a instrução e formou seu convencimento sobre os fatos. modificativo ou extintivo do direito do autor. a aplicação prática dos novos direitos vem causando muitas dúvidas. VIII. 74. Quanto à primeira situação. adverte que há casos pelos quais o réu. o registro da jornada é obrigatório e a não apresentação desses culminará na inversão do ônus da prova para o empregador. 2008. que passa a ser do empregador. Moacyr Amaral Santos. porém em casos onde a realização da instrução não for suficiente para tanto. (2) Primeiras Linhas de Direito Processual Civil. portanto. em regra. sua ocorrência não é muito comum na relação de trabalho doméstico. O ônus da prova pode ser definido como o encargo. o art. Cabe ressaltar que. que traz como requisitos a verossimilhança da alegação ou quando ele for hipossuficiente. Por sua vez. ao sentenciar o juiz verificará a quem cabia o encargo de prová-los. No segundo caso. devendo. em situações excepcionais. Tal hipótese ocorrerá sempre que o réu negar os fatos constitutivos do direito do autor com base em uma afirmativa.

2004. Carlos Henrique Bezerra. 2008. caso aprovado tal dispositivo. Direito do Trabalho. SANTOS. Assim. 1999. 114 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL Igor Zwicker Martins Bacharel em Direito e Especialista em Gestão de Serviços Públicos pela Universidade da Amazônia. que certamente é a novidade que mais gera dúvidas.2004. de 30. ALCANCE DA EXPRESSÃO “OUTRAS CONTROVÉRSIAS DECORRENTES DA RELAÇÃO DE TRABALHO”. evitando-se a oneração excessiva de alguma das partes. São Paulo: LTR. 2012. 45. INSERTA NO INCISO IX DO ART. LEITE.12.Jornal do Congresso . embora a Emenda Constitucional n. eis que uma vez obrigatório o registro. A prova no Processo do Trabalho. Moacyr Amaral. as regras relativas ao ônus da prova devem ser adotadas com cuidado pelos magistrados. 10ª ed. Ou seja. razão pela qual as regras quanto ao ônus da prova devem ser aplicadas de forma cautelosa.12. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. De qualquer forma. Francisco Antonio de.do doméstico será obrigatório e poderá ser feito manual (folhas de ponto). o ônus da prova automaticamente passará ao empregador. muitas vezes o empregador também pode ser considerado hipossuficiente e se colocar em pé de igualdade com o empregado. A Emenda Constitucional n. atualmente exerce o cargo em comissão de Assessor Jurídico-Administrativo. São Paulo: Saraiva. dentre outros avanços — como a con90 sagração do princípio da razoável duração do processo e meios que garantam a sua celeridade enquanto direito fundamental e pétreo dos indivíduos. Bibliografia CASSAR. 8ª ed. sempre ressaltando-se as características especiais da relação de trabalho doméstico. conhecida como “Reforma do Poder Judiciário”. em especial quanto à jor- nada de trabalho. Vólia Bomfim. de eficácia social plena e aplicação imeLTr . Professor de Direito nas Faculdades Integradas Ipiranga e na Famaz – Faculdade Metropolitana da Amazônia. para que tenha plena efetividade é necessária sua regulamentação infra legal. 2013. OLIVEIRA. Analista Judiciário – Área Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. é importante lembrar que nas relações de trabalho doméstico. será alterada a dinâmica existente atualmente. São Paulo: Método. especialmente no âmbito processual. Curso de Direito Processual do Trabalho. Primeiras Linhas de Direito Processual Civil. Ante tais fatos. trouxe. Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade de Campinas e Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes. mecânica (relógio de ponto) ou eletronicamente. 72/2023 represente grande inovação nos direitos concedidos aos domésticos no Brasil. publicada no DOU de 31. enquanto não regulamentada definitivamente a questão.

Entretanto.4. o próprio Judiciário Trabalhista foi tímido. FAVA. na petição inicial. In: COUTINHO.395-MC/DF. diariamente. 17 da Lei n. concluiu pela competência da Justiça do Trabalho para apreciar pedido de um motorista que denunciou ter sido incluído em “lista suja” por empresa que sequer foi sua empregadora. indicasse que a competência material da Justiça do Trabalho seria ampliada para “outras relações de trabalho”. o tema ainda se revela atual. 45 e de seus impactos na competência material da Justiça do Trabalho como um tema atual. Quando a CF tratou de “outras controvérsias” decorrentes das relações de trabalho. por maioria.2. anterior a 31. (1) FONSECA. a jurisprudência do TST e de tribunais regionais trabalhistas. então o inciso IX não teria razão de existir. ainda. isto é. da CF) —.). Com efeito.2006. de trabalhadores rurais não sujeitos a vínculo empregatício (art. como bem ressalta Vicente José Malheiros da Fonseca(1). se o inciso IX se referisse apenas a “relações de trabalho”. gradativamente. Marcos Neves (coords. a. seria admitir que a lei contém palavras inúteis — aliás. o reclamante alegou. 45. que dão a perfeita amplitude ao inciso IX do art. LXXVIII. Ora. trazemos alguns exemplos práticos. da CLT). 114 da CF. Em 5. a nosso ver. isto é. Isso porque o próprio inciso I já diz isso. atual e notória.2014. da causa de pedir remota — os fatos trazidos em juízo — não decorra necessariamente uma relação de trabalho ou.2004. Grijalbo Fernandes. entendemos que são toda e qualquer controvérsia que envolva relações de trabalho. ainda que. 114 da CF para percebermos que a interpretação que se dá à expressão “outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho”. Vicente José Malheiros da. 3. 5º. 652. A título ilustrativo. Com efeito. nesses quase dez anos.diata (art. e que já deveriam formar jurisprudência iterativa. 2005. 643 da CLT) e de trabalhadores portuários e os operadores portuários ou o OGMO — Órgão Gestor de Mão de Obra decorrentes da relação de trabalho (art. ao longo desses anos. § 3º. combinadamente. justamente por serem decisões. nossa competência material. por força da decisão liminar proferida pelo STF na ADI n. foram poucas. a 3ª Turma do TST. São Paulo: LTr. à exceção dos servidores públicos. basta analisarmos. por sua vez. como se sinônimos fossem. A Emenda Constitucional n.889/73). às relações de trabalho na qual estivessem necessariamente presentes — cumulativamente — os pressupostos da relação de emprego: pessoalidade. consoante voto da relatoria do Ministro Cezar Peluso. a competência material da Justiça do Trabalho já vinha sendo alargada. 643. jogou pá de cal na cizânia para consagrar a competência material da Justiça do Trabalho para todas as relações de trabalho. Se fosse para o inciso IX ter o mesmo vigor interpretativo do inciso I. a substancial ampliação da competência material da Justiça Especializada do Trabalho. como pretendeu o Poder Constituinte Derivado de 2004. não alcançou a amplitude pretendida pelo Poder Constituinte Derivado de 2004. 114. em 5. onerosidade e subordinação jurídica. em acréscimo às relações de emprego. Justiça do Trabalho – nova competência. taxativamente: “as ações oriundas das relações de trabalho”. No caso concreto. mas que têm se revelado minoritárias e excepcionais. posteriormente ratificada pelo Plenário. inserta no inciso IX. de trabalhadores avulsos e seus tomadores de serviços (art. para além do julgamento das ações que abrangem apenas conflitos oriundos das relações de emprego. justamente pelos quase dez anos passados de sua publicação no DOU. incluindo-se suas lides conexas.12. e ter a oportunidade de constatar que decisões de vanguarda.Jornal do Congresso E pensamos dessa forma em decorrência do hábito que temos de ler. não decorram quaisquer das hipóteses trazidas nos incisos I a VIII do art. da CLT). na interpretação que fez da referida Emenda — e Direito nada mais é que interpretação. não eventualidade. limitava-se — sem razão de ser — ao vínculo empregatício. III. que têm nos causado esse inconformismo. Isso porque. que a Constituição contém palavras inúteis. corretas. embora soe contraditório e paradoxal tratar da Emenda Constitucional n. vinculados ao Poder Público por relação jurídico-estatutária. “que é motorista de carreta e que a re91 . os incisos I e IX do art. 5. LTr . no fundo. a saber: as causas de interesse de pequenos empreiteiros (art. Nova competência da Justiça do Trabalho. Outrossim.

Naquela ação. o Juízo declarou a competência material da Justiça do Trabalho. sendo o caso sob exame bastante ilustrativo.4.) O fulcro da lide. Naquela decisão. o impedem de trabalhar”. com referência negativa no sentido de “não recomendado/com restrição”. data maxima venia. em seu Portal de Notícias. sendo seu relacionamento vinculado ao setor de transporte das empresas que possivelmente contratariam os serviços do autor.Jornal do Congresso . 45/2004 (art. para. A controvérsia. XIII. pois a reclamada vem fornecendo informações negativas. por conseguinte. os quais configurariam conduta deficiente e danosa praticada pelo sindicato requerido ao representar o trabalhador.930/MG. CF). I. 124. que prejudicou direitos de um trabalhador. ao final.clamada é seguradora de centenas de empresas que utilizam o transporte de cargas. uma vez que a ré é uma empresa que assessora empresas outras que necessitam de transporte.2014. os fatos alegados na inicial dizem respeito a supostos atos praticados em juízo e a consectários desses na esfera extrajudicial. fornecendo dados e informações sobre os prestadores de serviços. porquanto a ação movida pelo trabalhador faz referências a temas notadamente de direito trabalhista e processual trabalhista. Por outro lado. favoráveis à declaração da competência material da Justiça Comum Estadual. recentemente. em 14. que.(2) (2) Sem destaques no original. 114. sobre processo no qual um sindicato foi condenado por incúria. (. inapelavelmente. Ministro Raul Araújo. pois fora dos limites impostos pelo art. Ministro Mauricio Godinho Delgado. isto é. O juízo obreiro terá melhor e mais adequada compreensão para avaliar as condutas imputadas ao réu e suas consequências para o trabalhador. a empresa-ré não mantém qualquer ligação direta com o autor. Naquele caso. o litígio nos marcos da competência da Justiça do Trabalho. com suas lides conexas (art.. traz em seu voto inúmeros julgados contrários ao seu entendimento. 114. de acordo com o contrato que firmam. 114 da Constituição Federal. Nesse contexto. esta Justiça Especial não é a competente para apreciar e julgar a presente ação. CF). tanto o Juízo da Vara Cível quanto o Juízo da Vara do Trabalho suscitaram sua incompetência material. E que interessante: o Relator. não há entre o autor e a ré relação de trabalho. Segundo decisão da Corte Regional. Do que se viu. impondo ao trabalhador restrições de acesso ao mercado de trabalho (art. restringia-se à competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar lide na qual a causa de pedir remota era a inclusão do nome do empregado em “lista de risco”. são as consequências oriundas de informações prestadas para possível empregador (relações de trabalho). esse entendimento merece ser reavaliado. abrange as relações de emprego e também as de trabalho. ampliada pela EC n. 92 circunstâncias que enquadram. portanto. que em tudo recomenda que a apreciação seja feita pela própria Justiça Laboral”. somente a Justiça Especializada terá plenas condições de avaliar a procedência de tais alegações formuladas pelo autor contra o sindicato réu. citando interessante conflito negativo de competência julgado pela 2ª Seção do STJ: o CC n. naquele momento. acertadamente assim consignou: Embora não empregatício o vínculo entre as partes (fato incontroverso). CF). alegando não se tratar nem de lide decorrente de relação de trabalho/emprego nem tampouco relativa a conflito de representação sindical. o sindicato suscitou a incompetência material da Justiça do Trabalho. Assim sendo. E conclui o eminente Ministro: Como se vê. tendo como substrato a reclamação trabalhista na qual os supostos acordos lesivos teriam sido firmados e homologados. 5º. gerando o citado conflito. Registro que não há prova alguma nos autos de que o autor tenha tentado manter vínculo de emprego com a ré. e que. vem sendo impedido de prestar serviços desde maio de 2006.. a competência da Justiça do Trabalho. dada a causa de pedir da ação indenizatória. concluir: “Todavia. em razão de sua atuação. se o fez foi em relação à empresas que não fazem parte da lide. Desse modo. com base nessas informações. LTr . O Relator do recurso do trabalhador. I a IX. foi divulgado julgado do egrégio TRT da 3ª Região.

para entendermos que. aí compreendendo-se o convívio familiar. 77. inclusive pelos próprios órgãos da Justiça do Trabalho. Daniel Sarmento e Fábio Rodrigues Gomes. de 2004. a mesma que antes conheceu e julgou a lide original. ainda que. LTr . 114 da CF. a demanda agitada pelo promovente será adequadamente conhecida e julgada. privação da convivência com os amigos. Direitos Sociais e Controle Judicial no Brasil e na Alemanha. sociais. Krell. NÃO CONCESSÃO DE FÉRIAS — HORAS EXTRAS — DANO EXISTENCIAL Anne Helena Fischer Inojosa Juíza Titular de Vara do Trabalho/TRT19. ainda é muito tímida a interpretação que se dá ao inciso IX do art. VI e IX. “Outras controvérsias” equivalem a toda e qualquer controvérsia que envolva relações de trabalho. é a “vida das relações”. Especialista em Direito Constitucional/UFAL e em Direito Público/CESMAC. É hora de imprimirmos a tal inciso o alcance que quis dar o Poder Constituin- te Derivado. conforme ensina o professor Andreas Krell(1). cultura etc. 114. que visa garantir as prestações materiais básicas. com respaldo no art. os objetivos de importância vital para a realização 93 . afetivas. e a vertente relativa às metas. apud. Entendemos que esta modalidade de dano não advenha da doutrina do mínimo existencial do Direito Alemão. culturais e abrange todo acontecimento que incida de forma negativa sobre os afazeres da pessoa. quando o inciso IX trata de “outras controvérsias” decorrentes das relações de trabalho. uma renúncia de forma involuntária às atividades cotidianas. Especialista em Direito do Trabalho/UFPE e em Direito Público/ESMAPE André Luiz Ferreira Santos Analista Judiciário (Área Direito)/TRT19. que ultrapassa o mínimo. p. 83. v. A eficácia dos direitos fundamentais nas relações entre particulares: o caso das relações de trabalho. a falta de se desenvolver uma atividade que dê prazer e realização. aquelas necessárias para uma vida digna. O dano existencial engloba duas vertentes: a privação da vida social do empregado. não decorram quaisquer das hipóteses previstas nos incisos I a VIII do art. p. incluindo-se as suas lides conexas. Revista do TST. passível de repercutir de forma permanente ou temporária sobre a sua existência. da Constituição Federal. Como se vê. 114 da CF. da causa de pedir remota. na qual os acordos foram firmados.Jornal do Congresso O dano existencial representa uma alteração substancial. aqui o que se resguarda é um plano maior. Espanha.Somente no âmbito da Justiça Laboral. Doutoranda em Direitos Fundamentais —Universidade Castilla-La Mancha. nas relações familiares. (1) Andreas J. Graduando em Ciências Sociais/UFAL O dano existencial provém do direito italiano e é uma faceta dos danos imateriais tendo passado a ser uma figura indenizável. 114. não quer dizer “relações de trabalho”. 41-49. pois isso já foi dito no inciso I do mesmo art.

2014. originar o pagamento de dano existencial. resultando em uma falta de perspectiva para o presente e futuro. qual seja. houve um dano existencial e como toda espécie de dano moral. já tendo atingido o seu projeto de vida. 94 LTr .do projeto de vida.1. também há previsão legal (Art. devendo serem pagas em dobro. um projeto de existência humana. Tal prova deve ser inconteste porque cada pessoa tem uma forma diversa de pensar e sentir. ficou provado o prejuízo das relações sociais e familiares.jus.24. (2) (3) Relator Ministro Hugo Carlos Scheurmann. sobretudo no âmbito familiar(2). assim como o pagamento com o acréscimo de 50%. assim como também que o impeçam a dar continuidade aos seus projetos de vida e profissionais como a continuação dos estudos e aperfeiçoamento profissional que lhe tragam assim também o desenvolvimento pessoal. há punições específicas para tais infrações. 483. diferentemente do primeiro.trt10. a corte negou o dano existencial pleiteado porque não havia indicação precisa dos prejuízos sociais suportados por um motorista de caminhão que postulava a indenização por ter feito horas extras. a atrair a já notória “indústria do dano moral” (ou seria a indústria de pretensões?). Em artigo na Revista Consultor Jurídico em 18/3/2014. d.2012. em 20. Notícia de 31. Um bom exemplo de aplicação do novel instituto no Brasil foi o julgamento do RR 72776. relativamente às horas extras. Do ponto de vista profissional. Ademais. Da mesma forma em relação às férias não concedidas no prazo legal ou diminuídas no período de fruição das mesmas. requer. para alguns. Tratava-se de uma economista. TRT10. 22(2)247 — Julio-Diciembre/2011.6. para a sua verificação.5. (4) Processo 0002659-46. vol. como bom hermeneuta. tal dano decorre de atitudes patronais que impossibilitem o empregado dessa convivência familiar e social. no mínimo quando as mesmas são prestadas. não geram a presunção de prejuízo e nem são condutas capazes de gerar Desde que fique comprovado que a conduta do empregador atingiu o projeto de vida do empregado ou o seu desenvolvimento profissional impedindo-o também do convívio social e familiar.(4) Aquele Tribunal Trabalhista tem adotado a tese de que dano moral e existencial são espécies do dano extrapatrimonial. deve ser reparado.10.Jornal do Congresso Hindemberge Alves da Frota — Revista Latinoamericana de Derechos Humanos. assessora do presidente da corporação reclamada. Entretanto é necessário que o ilícito tenha ocasionado a abusiva privação de componente significativo do projeto de vida e/ou de relações sociais e familiares. <www. não têm interesse em ascender. o dano existencial pois conforme já dito acima.br>.0102. . em razão da privação do seu direito ao descanso.0002(3). naqueles autos. a demonstração objetiva de um prejuízo concreto. por si só.5. j. então. existem empregados que já se sentem felizes e satisfeitos nos postos que ocupam na empresa.2011. entretanto este segundo. Em interessante julgado do 10º Regional Trabalhista. A CLT já prevê nos seus artigos. o limite diário da sua prestação. CLT).2013. da possibilidade de rescisão indireta do contrato de trabalho quando há cobrança em excesso do labor (sobrejornada) ou a não concessão de férias. No âmbito do Direito do Trabalho. 3ª Turma. clara e sem dúvidas do prejuízo sofrido pelo empregado e o nexo de causalidade pois as condutas ilícitas do empregador (horas extras e falta de concessão de férias). viável e adequado aos potenciais do obreiro. O dano existencial é um dano que alcança a vítima de modo parcial ou total quanto à impossibilidade de execução. Sônia Mascaro fala que é necessário que se faça uma comprovação efetiva. deve se utilizar do juízo de ponderação a fim de não banalizar mais um instituto de responsabilidade civil. assim como a não concessão do gozo de férias poderão. continuação ou reconstrução do seu projeto de vida e a dificuldade de retomar sua vida em relação. O operador do direito. não têm ambição de progredirem profissionalmente. além das multas administrativas por descumprimento da legislação em vigor. Dentre essas práticas a cobrança de trabalho em sobrejornada. e. em que o TST deferiu a uma trabalhadora a reparação de 25 mil porque esta não gozava de férias há 10 anos. cuja CTPS não havia sido assinada.

ao contrário. de 7. e) o porte da empresa. multas administrativas e adicionais. d) a viabilidade do projeto de vida frustrado e. por óbvio que não desconhecemos que no ordenamento jurídico não há tarifação legal. 12. Professor de Direito nas Faculdades Integradas Ipiranga e na Famaz — Faculdade Metropolitana da Amazônia. lembrando que desempenha uma função social que deve ser aliada à manutenção da atividade e dos empregos — feito isto. 95 . principalmente após decorrido o prazo prescricional (como no julgado do TST. com o devido pagamento do adicional. atualmente exerce o cargo em comissão de Assessor Jurídico-Administrativo. fator imprescindível. publicada no DOU de 8. acrescentou o Título VII-A à Consolidação LTr . a não concessão de férias durante dois anos ou a exigência de labor em sobrejornada. Deste modo. configurada a lesão ao “eu existencial”. que cuida das normas gerais para licitações e contratos da Administração Pública. o julgador há de apreciar se houve um dano à realização do projeto de vida e prejuízo à “vida das relações”. Lado outro. em curto período de tempo. entretanto. inclusive pretendem com tal acumulação. deverão ser adotados critérios de proporcionalidade para a fixação de quantum.2011.7. c) sua relação sócio-familiar. dos riscos pela frustração dos projetos de vida. nexo de causalidade e efetivo prejuízo. O tema ainda é incipiente na jurisprudência. INDISPENSABILIDADE DA CNDT NAS CONTRATAÇÕES PÚBLICAS POR ÓRGÃOS DA JUSTIÇA DO TRABALHO. Não se está aqui a defender a monetização dos prejuízos. Analista Judiciário — Área Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região.Assim como também na vida familiar pois também existem empregados que têm como objetivo acumular bens visando a segurança da família mesmo que em detrimento do seu convívio mais de perto pois. com a consequente reprovação do ato patronal. Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade de Campinas e Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes. entretanto. Verificados os elementos ensejadores da responsabilização.7.440. citado neste artigo. 8.2011. sem compromissos. b) potencial do obreiro.666/93. em que a ausência de férias ultrapassava a prescrição quinquenal). estes hão de ser observados. se o ordenamento jurídico prevê sanções para o descumprimento como a rescisão indireta. com vacatio legis de 180 dias. estará o operador munido de elementos para a definição do montante a ser estabelecido como reparador ao eventual prejuízo sofrido. A Lei n. cabe ao intérprete apreciar fatores como: a) número de férias não concedidas ou número de meses em labor com sobrejornada. mormente em face da não recepção da Lei de Imprensa.Jornal do Congresso das Leis do Trabalho (CLT) e alterou a Lei n. 32 DA LEI DE LICITAÇÕES Igor Zwicker Martins Bacharel em Direito e Especialista em Gestão de Serviços Públicos pela Universidade da Amazônia. a razoabilidade está a indicar que presentes os elementos do dano: ato ilícito. ao se aposentarem poderem ter aquela convivência. há de incidir a doutrina em discussão. não ensejariam tal indenização. AINDA QUE À LUZ DO ART.

SG. é vedado à Administração descumprir tal dever.440/11. para comprovar a inexistência de débitos inadimplidos perante a Justiça do Trabalho (art. 12. no qual o TCU orientou o INSS. IV. 8. 63 da Resolução TCU n. 8. por ocasião de cada ato de pagamento. 27. integrante da Equipe Técnica Zênite.741/2012-1. pleito acolhido. 24. 874/2007 — TCU — 2ª Câmara. 002.6. “conforme facultado pelo art. de qualificações técnica e econômico-financeira e de regularidade fiscal. 32. 8.716/DF e 4. § 1º. a não deixar de considerar a possibilidade de reduzir as exigências de habilitação jurídica. nos casos de convite. § 1º. fornecimento de bens para pronta entrega e leilão. para qualquer modalidade licitatória e.666/93). de 18. ambos insertos na Seção II do Capítulo II.666/93). 32. expedida gratuita e eletronicamente. 12. 28 a 31 da referida Lei de Licitações poderá ser dispensada. I. 32.2012. de 21. da Constituição Federal (CF). 39. a documentação relativa à regularidade fiscal e trabalhista deve incluir a prova de inexistência de débitos inadimplidos perante a Justiça do Trabalho. 1. destacando-se. cujo rol de documentos. É comum. outrossim.440/11 estar sendo questionada no âmbito do excelso Supremo Tribunal Federal (STF) pelas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) n. § 1º. concurso. deve a Administração. na forma do art. no qual o TCU determinou às unidades setoriais do Sistema de Controle Interno de todos os Poderes da União que orientassem seus órgãos e entidades a exigir das empresas contratadas. deparamo-nos com a inteligência do art. 1. De plano. com a edição da Lei n. a quem cabe exercer a supervisão administrativa.6. orçamentária. para a habilitação nas licitações. é taxativo. tanto nos processos licitatórios quanto nas contratações diretas.666/93 (art. nas contratações por dispensa (art. 3º. Concluiu o TCU que. anotou-se a obrigatoriedade da norma legal que determina que. como a própria lei impõe a exigência de prova de inexistência de débitos inadimplidos perante a Justiça do Trabalho nas licitações públicas. documentos para além daqueles previstos nos arts. 4. para habilitação em processos licitatórios. alterou os arts. a Presidência do CSJT encaminhou a todos os Regionais o Acórdão n. a apresentação da CNDT. passou a ser a orientação do colendo Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT). Essa.666/93. da Lei n.ASCAUD n. Ocorre que. no todo ou em parte. caracterizando restrição ao caráter competitivo do certame qualquer exigência para além daquele rol taxativo. II. lavrado no Processo n. 111-A. Quanto à Lei de Licitações. do mesmo estatuto de licitação”. a despeito de a constitucionalidade da Lei n. em reforço à previsão legal. Érica Miranda dos Santos Requi. e 29. em consonância com o art. passou-se a ter a exigência da regularidade trabalhista (arts.054/2012 — TCU — Plenário. da Lei de Licitações). 8. 27 e 29. abster-se de exigir. tornando a CNDT documento igualmente exigível. vai além: “Sempre LTr . conforme ampla jurisprudência. que passem a fazer constar dos respectivos editais de licitação a exigência da CNDT.Citada lei instituiu a Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas (CNDT).742/ DF. a exemplo do Acórdão n. da Lei n. V. § 1º. Entretanto. atual e notória jurisprudência tanto do colendo Tribunal de Contas da União (TCU) quanto dos órgãos dotados de jurisdição. para as hipóteses de contratação direta. que já existe parecer do Ministério Público Federal (MPF) opinando pela total improcedência das ações. trata de Solicitação formulada justamente pela Presidência do colendo Tribunal Superior do Trabalho (TST). da Lei n. Lembremos que. mediante apresentação de certidão negativa ou positiva com efeitos negativos. financeira e patrimonial da Justiça do Trabalho de 1º e 2º graus.Jornal do Congresso . É de se ressaltar que o Acórdão n. Como cediço.2006. imprimir-se interpretativa ampliativa do citado art. § 2º. conforme iterativa.054/ 2012. 28 a 31 da Lei n. ainda. segundo o qual a documentação de que tratam os arts. até a presente data nada foi decidido de concreto pelo STF. inclusive. pertinente à habilitação dos interessados. como órgão central do sistema e cujas decisões têm efeito vinculante. 642-A da CLT). inclusive. II. Pelo Ofício Circular CSJT. para que o TCU examinasse a 96 possibilidade de recomendar aos órgãos e entidades da administração direta e indireta da União. 191.

da CF). e o poder empregatício. os únicos documentos que permanecem exigíveis e cuja exigência é inafastável são o comprovante de regularidade perante o FGTS. 32. aliás. indiscutivelmente. o consenso é que. 100 da CF e 186 do Código Tributário Nacional (CTN). não é lógico que a própria Justiça do Trabalho — sabedora das dificuldades que enfrenta a execução trabalhista. 32. 5º. o processo trabalhista. O contrato individual de trabalho. mediante apresentação de certidão negativa. quando a eminente jurista trata.666/93. De todo modo. talvez o único meio de sobrevivência digno do qual dispõe (arts. se castram os seus sonhos. por força do art. da CF. ao interesse público primário que permeia todo o Direito Administrativo). § 1º.666/93. que admite juízo de conveniência e oportunidade. mormente diante das normas-princípios. Não dá pra ser feliz. Entretanto. entendemos inafastável. é claro. mesmo diante do art. inerente ao vínculo de emprego. estará autorizada a dispensar o documento correspondente. § 4º. é o seu próprio meio de sobrevivência. enquanto direito fundamental do trabalhador. § 1º. IV. no todo ou em parte. A própria Lei n. 195. 8. com milhões de processos pendentes somente na fase de execução —. Aliado a isso. que demandam urgência na sua efetividade e efetivação. da CF. exceto no que diz respeito à comprovação de regularidade fiscal.que a Administração identificar a inexistência de risco e a consequente desnecessidade de verificação de determinado aspecto relativo ao rol de documentos habilitatórios dos licitantes. na bela canção “Um homem também chora (guerreiro menino)”: um homem se humilha. seu sonho é sua vida e vida é trabalho. 12. 6º e 7º. obviamente. fruto do Substitutivo da Câmara dos Deputados ao Projeto de 97 . para contratos civis. Rio de Janeiro: Renovar. mormente aqueles em que existe o vínculo de emprego caracterizado: tal paradigma revela o desequilíbrio entre as partes contratantes na medida em que o objeto do contrato. e a Seguridade Social. 32. para uma delas. consoante leitura dos arts. dentre as quais o princípio da razoável duração do processo e meios que garantam a celeridade da tramitação do processo judicial trabalhista. fiscalizatório e punitivo).666/93. e 60. nos casos de contratação direta”. 8. deixando claro (visto que a lei não contém — ou não deveria conter — palavras inúteis) que tal dispensa é ato volitivo da Administração. temos o inafastável pressuposto da subordinação jurídica. se mata. 2º da Lei n. Ademais. § 1º. também a exigência da prova de inexistência de débitos inadimplidos perante a Justiça do Trabalho. do qual decorrem os demais poderes à disposição do empregador (diretivo. um homem não tem honra — e sem a sua honra. deve ser interpretada à luz de princípios e regras constitucionais. o seu salário. se morre. 2002). IV. importante instrumento de coerção ao cumprimento das decisões judiciais trabalhistas. diante da própria inteligência do art. ao longo do LTr . 8. perpassa pelas lições da brilhante Teresa Negreiros (Teoria do contrato: novos paradigmas. Segundo orientação formulada em discussões realizadas pelo Núcleo Zênite de Pesquisa e Desenvolvimento. juntamente com o certificado de regularidade do FGTS e da Seguridade Social.440/11. mas a natureza da obrigação a ser executada”. da Lei n.012/95. mesmo quando aplicável a inteligência do art. Como nas letras do poeta Gonzaguinha. Para o trabalhador. bem consta no § 1º do citado art. de natureza constitucional e pétrea. doutrina plenamente aplicável aos contratos de natureza trabalhista. da Lei n. 9. por ter natureza infraconstitucional. Ocorre que. LXXVIII e § 1º. regulamentar. enquanto mero instrumento de salvaguarda do direito material. ainda. para a concretização de verbas de natureza alimentar e superprivilegiada. que não pode se furtar a exigir — nem excepcionalmente — a CNDT. do paradigma da essencialidade.Jornal do Congresso tempo. existe. e sem o seu trabalho. independentemente da modalidade licitatória adotada ou. 32 que a documentação habilitatória “poderá” ser dispensada. por força do art. deixe de exigir o documento. Vide arts. § 3º. ao menos pelos órgãos da Justiça do Trabalho. “não é a modalidade de licitação ou a dilação temporal que deve nortear o agente administrativo quanto à decisão de dispensa dos documentos. Com efeito. no uso do seu poder discricionário (vinculado. eficácia social plena e aplicação imediata. Não é demais ressaltar que essa é a própria mens legis da Lei n. que tem se mostrado.

ainda que diante da inteligência do art. em amplo amparo à vítima. Entretanto o dano imaterial foi considerado sinônimo de dano moral. Articulista e palestrante. Autor de livros e artigos. motivo pelo qual no início da década de 1960 foi identificado o danno alla vita di relazione (dano à vida em sociedade). Doutorando em Direito. § 1º. o que vem sendo objeto de discussões na medida em que se identificam outras espécies de danos extrapatrimoniais. Professora universitária. mas. O dano material passou a ser integralmente reparado nas espécies danos emergentes e lucros cessantes. a pessoa submetida a trabalho análogo ao escravo. para uso do poder discricionário pelo administrador. da Lei n. reconhecendo na CNDT poderoso mecanismo de fiscalização indireta para obtenção de maior objetividade e efetividade em relação aos direitos sociais inscritos na Constituição de 1988. 77/02. ficando as vítimas de inúmeros danos imateriais decorrentes de um ilícito civil sem qualquer reparação(1). A partir do momento em que o homem passa a exercer um papel central na sociedade e no ordenamento jurídico. 2009. Professor universitário. ganha importância a sua integral proteção com vistas a promover sua dignidade e permitir o gozo dos direitos considerados humanos fundamentais. responsabilidade dos membros do Judiciário. a humilhação de um trabalhador sujeito à mobbing. Consultor empresarial e Advogado. Advogada. 8. em todos os casos. Neste sentido Flaviana Rampazzo Soares. Fora destas hipóteses não cabia indenização por danos morais. Assim. injusta detenção e violação de normas de tratamento de dados pessoais). Porto Alegre: Livraria do Advogado. a mulher que deseja ter um filho.666/93. Aline Carneiro Magalhães Doutoranda e Mestre em Direito do Trabalho pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. como o dano estético e o dano existencial. cometido contra a pessoa deveria ser indenizado.Jornal do Congresso . Especialista em Inteligência Empresarial. não se tendo espaço. devendo ser exigida. Neste contexto começou a ser desenvolvida a tese de que todo dano injusto. 98 Este teve origem na Itália. No âmbito pátrio ao consagrar a dignidade da pessoa humana como um dos princípios fundamentais da República. país que até alguns anos atrás só reconhecia o dano material (prejuízo econômico) e o dano moral decorrente de um crime ou de exíguos casos previstos na lei (dano processual. LTr . Responsabilidade civil por dano existencial. o jovem indevidamente preso que perde sua juventude na cadeia. material ou imaterial. BREVES NOTAS SOBRE O DANO EXISTENCIAL Adriano Jannuzzi Moreira Mestre em Direito pela Faculdade de Direito Milton Campos. conforme consta em parecer da Comissão de Assuntos Sociais ao projeto de lei no Senado Federal. 32. entendemos não ser razoável à própria Justiça do Trabalho dispensar a exigência da certidão. (1) De acordo com a doutrina eram exemplos de danos não indenizáveis na Itália da época: o vazio existencial decorrente da morte de um parente próximo. perde esta capacidade por erro médico. a CNDT.Lei do Senado (PLS) n. a CR/88 trouxe a obrigatoriedade de proteção máxima à pessoa por meio de um sistema normativo composto por direitos fundamentais e da personalidade. nesse sentido. objeto de ressarcimento.

gera uma hiperexploração da mão de obra humana e um dano ao obreiro que tem sido denominado de existencial. representando renúncia involuntária às atividades diárias e aos projetos de vida. n. 186. desportiva.(5) Segundo a doutrina(4). cinema. deve ser considerado um dano existencial.Com o desenvolvimento do estudo sobre o tema. ma. no direito fundamental à liberdade (art. encontrando fundamento constitucional no princípio da dignidade da pessoa humana (art. são exemplos de dano 99 .Jornal do Congresso (5) De acordo com a doutrina. III). importa.(3) Já por vida de relações (em sociedade) entende-se o dano por ofensas físicas ou psíquicas que impeçam alguém de desfrutar total ou parcialmente dos prazeres propiciados pelas diversas formas de atividades recreativas (prática de esportes. sobre o complexo de afazeres da pessoa. 5º. jan. por conseguinte. LTr . Essa vedação interfere decisivamente no estado de ânimo da pessoa atingindo. que o ilícito tenha ocasionado ao sujeito a abusiva privação de componente significativo de seu projeto de vida e/ou de sua vida de relação. a exigência de um número tão grande de atribuições que o empregado precise permanecer em atividade durante seus períodos de descanso e mesmo longe da empresa. 226 e 227) e no princípio civil da reparação integral do dano (arts. culturais. o que o leva a constantemente projetar o futuro e fazer escolhas visando à realização do projeto de vida. foi cunhada na Itália a expressão dano existencial. educacional ou profissional) e obrigue a pessoa a resignar-se com o seu futuro e a replanejar seu projeto de vida. dimensão subjetiva. por natureza. que passou a compreender o dano à vida de relação e o dano ao projeto de vida. Por projeto de vida entende-se tudo aquilo que determinada pessoa decidiu fazer com a sua vida(2). sendo suscetível de repercutir. negativamente. artística. teatro. independentemente de ter havido ataque à integridade física ou psíquica. um ter que refazer ou um fazer diferente não volitivo. consequentemente. Soares. com dimensão objetiva e representando um não poder fazer. sociais. 2009. modificação in pejus da personalidade). do ponto de vista do dano existencial. Livraria do Advogado. 1º. biológico e existencial): breves considerações”. ele se difere do dano moral porque este consiste na lesão sofrida pela pessoa no tocante à sua personalidade (repercussão íntima. dos intervalos intra e interjoranda. intitulado “Danos extrapatrimoniais (estético. 2009. intelectual. O dano existencial é um dano que impede a realização pessoal do indivíduo (com perda da qualidade de vida e. 73. Revista LTr. (3) Insta salientar que está em tramitação no Senado o projeto de emenda constitucional (PEC 19/10) para inserir o direito à busca da felicidade entre os direitos sociais. à constituição biológica ou estética ou ao bem estar psicológico da víti- O dano existencial no Direito do Trabalho decorre da conduta patronal que impossibilita o empregado de se relacionar e de conviver em sociedade por meio de atividades recreativas. Para a parte da doutrina que considera o dano existencial uma espécie do dano imaterial. busca sempre extrair o máximo das suas potencialidades. O descumprimento pelo empregador dos direitos trabalhistas capazes de permitir que o obreiro desfrute de uma vida digna e saudável fora do ambiente de trabalho. do repouso semanal remunerado e das férias. 944. a submissão do obreiro à ambiente de trabalho sujeito aos infortúnios laborais e seus efeitos. um sentir) e do dano estético porque este afeta a aparência externa da pessoa causando um “afeiamento”. turismo. consistentemente sobre a sua existência. 948. O ser humano. científica. no direito à proteção à família (art. Responsabilidade civil por dano existencial. (4) Neste sentido Flaviana R. caput). A teoria italiana foi trazida para o direito pátrio e tem sido aplicada na seara laboral. sendo conceituado como a alteração substancial nas relações familiares. 949). Qualquer fato injusto que impeça a sua plena realização (na dimensão familiar. a submissão do obreiro a condição degradante ou análoga à de escravo. ao patrimônio material (lucros cessantes ou danos emergentes). o seu relacionamento social e profissional. afetivas. afeti- (2) Neste sentido Júlio César Bebber no artigo existencial na seara laboral: a realização de horas extras além do previsto em lei. a exemplo da limitação de jornada. abrangendo todo acontecimento que incide. São Paulo. afetivo-sexual. a exigência de um número tão grande de atribuições que o trabalhador fique esgotado a ponto de não encontrar forças para desfrutar de seu tempo livre. 1. agremiações recreativas). v.

5.2011. Juiz Convocado Raul Zoratto Sanvicente. (7)RR-727-76.2013. Ainda.2011.2013.2012. Ana Luiza Heineck Kruse.br/doutrina_24160224_O_ DANO_EXISTENCIAL_E_O_DIREITO_DO_>. contribua para a proteção do empregado e promoção da sua dignidade. Hugo Carlos Scheuermann.13. 11. 19.2013. RO-01924-2011-113-03-00-2. 19. 20.0002.5. LTr . esportivas. Disponível” em: <http://jus. 100 vezes identificam a ofensa à vida de relações ou ao projeto de vida. 3ª turma do TRT10. mas. para que importação do instituto sem um prévio e sólido estudo não gere descrédito e banalização. 9.Jornal do Congresso .3. com.(7) As decisões muitas (6) Neste sentido Jorge Cavalcanti Boucinhas Filho e Rúbia Zanotelli de Alvarenga no artigo intitulado “O dano existencial e o Direito do Trabalho”. social e pessoal. Convocado Paulo Eduardo Queiroz Gonçalves. 1ª turma do TRT3.2014. espirituais. RO-000713-72.2014.4. RO0001443-94. indenizam a vítima por dano moral.24.2.0016. em alguns julgados o dano existencial foi considerado espécie autônoma de dano imaterial indenizável. 4ª turma do TRT2. em dois deles pela privação do convívio social decorrente da imposição de jornada exaustiva e em outro pela imposição de volume de trabalho excessivo.1.vas.6.2013.11.10. 18. 5ª turma do TRT15.4. 2ª turma do TRT4. mas. quer parecer que ainda não há consenso sobre o tema que carece de análise e debates aprofundados para sua caracterização — como espécie autônoma de dano imaterial ou expressão do dano moral por nós conhecido que influenciaria na fixação do quantum indenizatório —. Ana Carolina Zaina.04.(6) Em análise jurisprudencial feita no TST e TRT’s pudemos observar que na maioria dos casos apreciados o dano existencial não foi considerado uma espécie autônoma de dano imaterial. (8) RO-0001133-16. que lhe trarão bem-estar físico e mental.3.4.04. TRT4.0015 RO. 2ª turma do TRT9. TRT13. sociais e de descanso. 17. Disponível em: <http://www.2013. 18. José Leone Cordeiro Leite.12. RO-0000136.10. Hidemberg Alves da Frota no artigo intitulado “Noções fundamentais sobre o dano existencial. culturais.(8) Neste contexto. TRT4. RO-02659-2012102-10-00-9 RO. que serão. 1ª turma do TST. por sua vez.93.5. RO-0059609-14.04. Ricardo Artur Costa e Trigueiros.5.br/artigos/20349/nocoes-fundamentais-sobre-odano-existencial>. É a conduta patronal que o impede de executar. prosseguir ou mesmo recomeçar os seus projetos de vida e sua vida de relações.5.5. Brígida Joaquina Charão Barcelos Toschi.0027. RO-28161-2012-028-09-00-6ACO-40650-2013. Excepcionalmente.2013.000.lex. Edison dos Santos Pelegrini.2012.2014. 29. responsáveis pelo seu crescimento e/ou realização profissional.2014. Acesso em: 15.com.2014.2013. alcance e cabimento.0010. Importante nos atentarmos para o contexto e peculiaridades do país em que a teoria nasceu e sua compatibilidade (e necessidade) com a realidade e ordenamento jurídico pátrio. 11. Vicente Vanderlei Nogueira de Brito. mas um dano moral.15. RO-0015084520125020271 A28.2014. Acesso em: 15.2011.

contraditoriamente registra no parágrafo único que a disciplina judiciária do magistrado. no capítulo destinado à responsabilidade institucional. A respeito da Resolução n. 10. em eventual recurso da parte vencida. subscrito pelo Brasil. 5º. Tal aspecto deve. bastando que o julgador ressalve entendimento diverso ao da jurisprudência pacificada. temos em registros recentes. entre outros. ser levado em consideração para efeito de promoção na carreira. 5º. para que chegue à instância superior as razões. diz. — Com efeito. nos termos do princípio da responsabilidade institucional. insculpido no Código Ibero-Americano de Ética Judicial (2006)”. onde restou consignado. 5º. 15. A Resolução n. 41 a 47 do Código Ibero-Americano de Ética Judicial. O art. fundamentando-o. que dispõe sobre critérios objetivos para aferição do merecimento para promoção de magistrados e acesso aos Tribunais de 2º grau. Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade de Campinas e Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes.Jornal do Congresso do constitucional do art. a Inspeção realizada pelo Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho no TRT da 8ª Região. Por outro lado.2013. inclusive. “e”. com registro de eventual ressalva de entendimento. — É o caso do 8º Regional assumir a responsabilidade institucional como princípio a ser vivido e não apenas decorativo de Códigos de 101 .8.297/2013. constitui elemento a ser valorizado para efeito de merecimento. aplicando a jurisprudência sumulada do STF e dos Tribunais Superiores. da referida resolução é ainda mais incisivo: “A disciplina judiciária do magistrado. assoberbando as Cortes Superiores. decisões contrárias a súmulas e Orientações jurisprudenciais do TST só geram falsa expectativa para a parte vencedora e gastos desnecessários para a vencida e para o contribuinte. Aponta ele para a necessidade de se evitar recursos desnecessários e se colaborar com a prestação jurisdicional como um todo. Tal aspecto é contemplado nos arts. Professor de Direito nas Faculdades Integradas Ipiranga e na Famaz — Faculdade Metropolitana da Amazônia. embora diga no caput que em tal avaliação não serão utilizados critérios que venham atentar contra a independência funcional e a liberdade de convencimento do magistrado (tais como índices de reforma de decisões). o respeito às súmulas do STF e dos Tribunais Superiores. 106 do CNJ. LTr . Já o art. com registro de eventual ressalva de entendimento. o seguinte(1): — Aspecto relevante para a prestação jurisdicional célere e barata. LXXVIII. Analista Judiciário — Área Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. mas se conjuga com o da independência do magistrado ao julgar. 106 e sua correlação com o Código Ibero-Americano de Ética Judicial. da Resolução 106 do CNJ. 10. implementando o coman(1) Fonte: DEJT – Diário Eletrônico da Justiça do Trabalho nº 1. disponibilizado em 26. constitui elemento a ser valorizado para efeito de merecimento. “nos termos do princípio da responsabilidade institucional insculpido no Código Ibero-Americano de Ética Judicial”. por exemplo. atualmente exerce o cargo em comissão de Assessor Jurídico-Administrativo. e. parágrafo único. que na avaliação da qualidade das decisões proferidas serão levados em consideração. o princípio da responsabilidade institucional não se contrapõe. p. COROLÁRIO DO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO Igor Zwicker Martins Bacharel em Direito e Especialista em Gestão de Serviços Públicos pela Universidade da Amazônia. aplicando a jurisprudência sumulada do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores. é o que diz respeito à responsabilidade institucional do magistrado.O DESAFIO BRASILEIRO DE MANTER UMA MAGISTRATURA FORTE E INDEPENDENTE. conforme dispõe o art. em seu art.

LTr . 42. do TRT da 2ª Região. 6º. especialmente porque. entendemos equivocada a leitura que se faz do Código Ibero-Americano de Ética Judicial. 5º. no âmbito do Estado Constitucional. “contra provimento judicial de mérito transitado em julgado que ofende direito em tese”. 485. 41 a 47. como já bem ressalta o art. de qualquer modo. repetida pelos órgãos de controle (arts. “o correto sentido da norma jurídica. É imprescindível ao Juiz”. 3º. já no primeiro capítulo — que trata da independência do Magistrado –. garantem a independência judicial. “é o Magistrado o garantidor da democracia”. removendo o óbice da Súmula n. Art. 102 Art. assume um compromisso ativo no bom funcionamento de todo o sistema judicial”.267. O Juiz tem o direito e o dever de denunciar qualquer tentativa de perturbação da sua independência. 1. Art. 106 do CNJ. que diz: “O Juiz institucionalmente responsável é o que. pura e simplesmente. Conselhos Superiores ou no CNJ. quando menos. inseridos no capítulo que trata da responsabilidade institucional). “tanto por representação quanto de ofício”. Como bem colocou a Desembargadora do Trabalho Rita Maria Silvestre. julgado em 19. Art. 4º Exige-se do magistrado que seja eticamente independente e que não interfira. deve deixar evidente que não recebe influências — diretas ou indiretas — de nenhum outro poder público ou privado.9. as instituições que. inafastabilidade. o STJ alcunhou a sentença de rebelde. “onde se discute e questiona. discorrendo sobre a rebeldia judiciária e criticando o desalinho da jurisprudência. De início. na atuação jurisdicional de outro colega.163. 1º do Código. Art. E como bem pontuou o Desembargador Miguel Kfouri Neto. como forma de evitar a arbitrariedade e de realizar os valores constitucionais e salvaguardar os direitos fundamentais. da leitura sistemática do Código. 5º Impõe-se ao magistrado pautar-se no desempenho de suas atividades sem receber indevidas influências externas e estranhas à justa convicção que deve formar para a solução dos casos que lhe sejam submetidos. vitaliciedade. além de cumprir as suas obrigações específicas de caráter individual. Art. exceto em respeito às normas legais. deu provimento ao REsp. com as suas atitudes e comportamentos. Não nos parece que o compromisso a que deva assumir o Magistrado com o “bom funcionamento de todo o sistema judicial” esteja ligado à pretensão do Código em fazê-lo seguir decisões de instâncias superiores. V. considerada não apenas aquela positivada. e que dizem. O Juiz. vaidoso. ao art. seja nas Corregedorias. 6º É dever do magistrado denunciar qualquer interferência que vise a limitar sua independência. “com certa frequência”. encontramos dispositivos muito mais específicos. O Juiz poderá reivindicar que se reconheçam os seus direitos e sejam fornecidos os meios que possibilitem ou facilitem a sua independência. Tal principiologia é reiterada no Código de Ética da Magistratura Nacional: Art. sobretudo o deliberado.Ética da Magistratura. do CPC. Naquela assentada. Tratou-se de recurso especial interposto contra decisão proferida em ação rescisória pelo TJRS. 343 do STF. onde o STJ. recalcitrante e. diz respeito. E uma garantia inafastável.2013. mas também que não interfira na independência de outros colegas. mormente porque a referência feita pela Resolução n.Jornal do Congresso . em sua derradeira sessão no Tribunal Pleno. do TJPR. De fato. não estão dirigidas a situar o Juiz numa posição de privilégio: sua razão de ser é a de garantir aos cidadãos o direito de serem julgados com parâmetros jurídicos. o mérito de decisões judiciais”. quer seja externa ou interna à ordem judicial.(2) Também citamos a decisão proferida no REsp n. 7º. É a soma dos nossos predicamentos: a inamovibilidade. Tribunais. especialmente quando a matéria já se encontra sumulada. em suma. com amparo no art. Não só se exige que o juiz eticamente seja independente. categoricamente: (2) Os destaques (negrito e sublinhado) não constam dessa forma no original. mas também os princípios gerais do direito que a informam”. Artigo publicado no site da AMB relatou a abertura de processos administrativos disciplinares. a independência “é uma competência que se outorga aos Juízes.

131 do CPC consagra. não contribuem com o Estado Democrático de Direito.5. XXXV.04. Data de Publicação: DEJT 15. o magistrado exponha. 5º. o princípio do livre convencimento motivado: o juiz apreciará livremente a prova. 765 da CLT confere aos juízes ampla liberdade na direção do processo. Temos que tais regras não encontram guarida nem na Constituição Federal de 1988 nem na legislação infraconstitucional nem nos Códigos de Ética. porque embaraça a promoção na carreira. Por ora. o magistrado não pode ser punido ou prejudicado pelas opiniões que manifestar ou pelo teor das decisões que proferir. Como bem costuma reiterar o TST em seus julgamentos. em nenhum lugar do mundo. porque não vê na criatividade judicial — e sim no engessamento e mera repetição da jurisprudência — um critério de merecimento. porque afeta diretamente o livre convencimento motivado e a independência do Juiz. quando alça a República Federativa do Brasil a status de Estado Democrático de Direito e. da CF). terceiro.4. a sua decisão.2012. Os únicos institutos previstos em nosso ordenamento jurídico.5. fundamentando.0521. além de apequenarem a Ciência Jurídica. que traz a força renovadora do Direito. o seu convencimento definitivo” (TST-Ag-AIRR-164200-65. consagra. ideia seguida pelo art. o que não encontra guarida em nossa democracia.09. do STF. trazendo critério antidemocrático. 41. 106 do CNJ.0095. Tais regras. “o conjunto probatório dos autos é de livre apreciação e valoração pelo magistrado. formando. a Juízes e suas “sentenças rebeldes”. é só. assim. 5ª Turma. 8ª Turma. 130 do CPC. dentro de sua carta de direitos fundamentais. Data de Julgamento: 9. e 60. como diria o Ministro Marco Aurélio. pontua que a atividade censória de Tribunais e Conselhos é exercida com o resguardo devido à dignidade e à independência do magistrado e. de forma fundamentada. Já o art. mormente o Juízo de 1º grau.Isso está muito claro na Constituição Federal de 1988. atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos. O art. LTr . em última análise. de eficácia social plena e aplicação imediata (arts. O art. Data de Publicação: DEJT 15. IV. “o princípio do livre convencimento motivado exige apenas que. parecem também tentar limitar o livre convencimento do Magistrado e. consoante art. Data de Julgamento: 09/04/2014. os motivos de sua decisão” (TST-AIRR-82-46.2014. 5º. sua própria independência para julgar. pétreos. em seu art. enfim. por outro lado.4. por limitarem as instâncias ordinárias. Basta refletir no citado critério de promoção por merecimento. em seu art. Por outro lado. Relator Ministro: Emmanoel Pereira. críticas abertas em processos. um Juiz despido da sua independência funcional. A garantia de independência do Juiz é uma prerrogativa que alcança níveis globais: não se concebe.2014) etc. 93. segundo sua ciência e consciência.2009. em grau de recurso de revista. que irradiam eficácia erga omnes e efeito vinculante são as decisões proferidas pelo STF em seus processos objetivos e as súmulas vinculantes. segundo. cristalizam na sociedade um demérito no Magistrado que age conforme suas convicções — ou. 40. insertas na Resolução n. da CF exige apenas que as decisões judiciais sejam fundamentadas. o princípio da inafastabilidade da jurisdição. salvo casos de impropriedade ou excesso de linguagem. verdadeira intimidação ao livre convencimento do Juiz: primeiro. caput e § 1º. outrossim. Relator Desembargador Convocado: João Pedro Silvestrin.Jornal do Congresso A própria LOMAN.2014). ao contrário. IX. garantindo ao Estado-Juiz o monopólio da jurisdição.4. 103 . a partir da apreciação dos fatos e provas constantes do processo. § 4º.

(1) GRINOVER. 187 do Código Civil. petições despropositadas. requerimentos de provas. visando tumultuar o feito e obter vantagens indevidas de ordem processual. legalmente sancionada. Rui. Introdução O processo judicial ao longo da história conquistou garantias constitucionais importantíssimas que garantem o fiel cumprimento do ordenamento jurídico pátrio. devido processo legal. retardando a demanda. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Ada Pelegrini(1) conceitua o processo judicial como instrumento por meio do qual os órgãos jurisdicionais atuam para pacificar as pessoas conflitantes. O processo judicial e suas normas processuais devem ser respeitadas na sua integralida- A procrastinação por uma das partes no andamento de processo judicial. com ânimo de prejudicar o adversário ou terceiro. p. a boa-fé e os bons costumes. O assédio Processual é caracterizado pelo conjunto de atos reprováveis de uma das partes no processo. fundamentado-se ou não em norma processual. ou criar obstáculos ao exercício do seu direito. Rui Stoco(2) afirma que a má-fé processual é a qualificação jurídica da conduta. eliminando os conflitos e fazendo cumprir o preceito jurídico pertinente a cada caso que lhe é apresentado em busca de solução. estas normas possuem limites e não podem ser utilizadas de forma abusiva. fazendo com que a outra parte desacredite na capacidade do Judiciário de apresentar uma solução justa e adequada para o conflito. p. 87. a busca pela justiça e a segurança jurídica. Abuso do Direito e Má-Fé Processual. São Paulo: Malheiros Editores. embargos. com o objetivo de retardar o trâmite processual. ampla defesa são exemplos destas conquistas que garantem a efetividade do processo judicial. com o objetivo de lesar a outra parte. a má-fé processual é identificada quando uma parte utiliza dos instrumentos processuais. objetivando retardar a entrega da prestação jurisdicional à parte contrária. 2002. humilhando a outra parte no processo. Todo o titular de um direito ao exercê-lo possui limites. 927 do CC. Teoria Geral do Processo. caracteriza-se como assédio processual. negando-se a cumprir decisões. no entanto. (2) STOCO. devendo ser observado o fim econômico. procrastinar a prestação jurisdicional. com o objetivo de gerar danos à parte contrária. As normas de direito processual e os princípios processuais constitucionais não devem ser utilizados de forma arbitrária no processo judicial. 1. Advogado Trabalhista. para interpor recursos. A finalidade destas demandas e atos processuais temerários consiste em retardar. Ada Pellegrini. 104 LTr . social. Graduado na Universidade Federal de Sergipe. fazendo com que o processo judicial tenha andamento lento. em excesso. daquele que atua em juízo. e desestimular a parte contrária na efetivação dos direitos. sob pena de ir de encontro a finalidade deste. com a finalidade de lesar a parte adversária. 29.ASSÉDIO PROCESSUAL Emanoel Alesandro da Cruz Sampaio Lopes Especialista em Responsabilidade Civil pela Universidade Estácio de Sá. sendo passível de responsabilidade civil conforme preceitua o art. observadas ao longo do seu curso. 23ª ed. 2007. em qualquer de suas fases. 5º da Constituição Federal: acesso à justiça. contraditório. de. convencido de não ter razão. 2. Em síntese. Assédio Processual O dano processual ou assédio processual expressa-se quando uma das partes utiliza das faculdades processuais com abuso de poder. que com práticas abusivas do direito processual desestimulam a parte adversa. procedendo de modo temerário e provocando incidentes manifestamente infundados.Jornal do Congresso . Tal prática consiste em abuso de direito e ilícito civil nos moldes do art. agravos. Os princípios constitucionais insculpidos no art.

A separação entre a licitude e a ilicitude decorrente do abuso de poder processual. causando danos à outra parte no processo. sob a aparência de exercício regular dos atos processuais. Rio de Janeiro: Renovar. ainda que de forma velada. com o objetivo de ganhar tempo. São Paulo: Malheiros Editores. os bons costumes e o fim econômico. enquanto a litigância de má-fé apresenta-se no processo como um fato isolado. 2006. incumbindo aos operadores do direito combater o assédio processual e buscar a reparação pelos danos causados. enquanto o primeiro ocorre de forma reiterada. Abuso do Direito e Má-Fé Processual. de difícil separação. Ada Pellegrini. Sergio. GRINOVER. ou fase do processo. 2002. 2007. desestimular a parte contrária. 187 e 927 do CC. intensiva. inclusive contrariando a boa-fé. Na esfera da Justiça do Trabalho o dano ganha uma maior importância. Programa de Responsabilidade Civil. 3. 2009. de caráter acidentário. 23ª ed. a fim de que o processo possa servir de instrumento efetivo na concretização dos direitos. Maria Celina Bodin de. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Reginald Delmar Hintz. STOCO. 187 do CC. os danos podem e devem ser reparados. Rui. cominado com o art. e tal prática produza danos a parte adversa. inciso LXXVIII da CF. 2012. este é passível de reparação a luz do já citado art. 10 ed. 5º. fazendo-a desacreditar do seu direito. 927 todos do Código Civil. inclusive maculando a norma constitucional da duração razoável do processo insculpida no art. consiste em tarefa árdua. a prova da culpa. O Código de Processo Civil nos artigos 14 a 18 traz a baila os limites processuais das partes e procuradores para o exercício do direito no processo judicial. 37 da I Jornada de Direito Civil. sucessiva durante todo o processo. Em que pese a tímida jurisprudência sobre o tema. 105 . o assédio moral e o assédio sexual nas relações do trabalho: frente à doutrina. no entanto. São Paulo: LTr. FELKER. uma vez que o assediador utiliza de atitudes prevista em lei para causar danos a parte adversária. Conclusão A prática do assédio processual gera danos ao assediado que vê a marcha processual retardada e sem efetivar os direitos ali pleiteados. O assédio processual distingue-se da litigância de má-fé. Teoria Geral do Processo. quando configurado a prática de assédio processual no processo judicial. uma vez que a parte excede o seu direito dentro do processo. São Paulo: Atlas. A utilização dos instrumentos processuais dentro do processo judicial com a finalidade de causar danos a outra parte. Bibliografia Cavalieri Filho. porque nesta Justiça grande parte dos processos em trâmite discute-se verbas salariais que tem natureza alimentícia. Inclusive tal entendimento é confirmado pelo Enunciado n.Jornal do Congresso Portanto. Danos à pessoas humana: uma leitura civil — constitucional dos danos morais. Existindo a prática do assédio processual e o dano. jurisprudência e legislação. onde não é necessário LTr . a matéria ora em estudo consiste em tema recorrente nos processos judiciais de todo o judiciário do país. MORAES. 187.A prática do assédio processual é velada. a verdadeira finalidade consiste em procrastinar a marcha processual e desestimulando a parte contrária. de dano moral ou assédio moral. O dano moral. aplicando-se a responsabilidade objetiva. O dano processual consiste em ilícito nos moldes do art. caracteriza-se como assédio processual e este é passível de reparação nos termos do art.

Jornal do Congresso . conforme ditames da justiça social. Quando o caput do mencionado preceito constitucional enuncia que irá detalhar o conteúdo indisponível de uma relação de emprego. que traz a ideia de progressividade dos direitos sociais.2014).2. que tanto pelo Pacto Internacional dos Direitos Econômicos. Rel. 1º. 2ª Turma. IV.352 AgR/AM. 170. que sejam desconstituídas as conquistas já alcançadas pelo cidadão ou pela formação social em que ele vive” (STF-ARE 639. j. temos que a ordem social tem como base o primado do trabalho. Sebastião Geraldo de. Analista Judiciário — Área Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. Relator Ministro: Augusto César Leite de Carvalho. O próprio STF desenvolve tal principiologia da mesma forma que os órgãos de jurisdição trabalhista: “O princípio da proibição do retrocesso impede. Data de Publicação: DEJT 7. atende a um postulado imanente aos direitos fundamentais: a proibição de retrocesso” (TST-RR-2157600-05. ao propugnar pela redução dos riscos inerentes ao trabalho.2011.2014). ed.0303. traz como fundamentos da ordem econômica a valorização do trabalho humano e a livre iniciativa. p.2013). também. e seu Protocolo Adicional. e como objetivo o bem-estar social e a justiça social. ao elencar direitos sociais mínimos. observadas. Data de Publicação: DEJT 21. 106 vo ‘outros direitos que visem à melhoria de sua condição social’.5. A partir do art.O RETROCESSO SOCIAL NA REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO ADICIONAL DE PERICULOSIDADE DOS ELETRICITÁRIOS Igor Zwicker Martins Bacharel em Direito e Especialista em Gestão de Serviços Públicos pela Universidade da Amazônia. 591/92). 2ª Turma. sempre ascendente.337 AgR/SP. evidentemente. as conquistas sociais já alcançadas” (TST-RR-51000-12. E complementa: “Sob os enfoques axiológico e teleológico.8. atualmente exerce o cargo em comissão de Assessor Jurídico-Administrativo. 2011. adicional de remuneração para as atividades penosas. Rel. Data de Julgamento: 11.09. Nesse sentido. 6ª Turma. Celso de Mello. e de logo põe a sal(1) OLIVEIRA. São Paulo: LTr.2014. 148. além de outros que visem a melhoria da condição social do trabalhador — propugna não somente pela vedação ao retrocesso social.2009. Pelo art. 7º da CF. 6ª Turma. por cláusula de avanço social. 193. em tema de direitos fundamentais de caráter social. mas. O art.2. insalubres ou perigosas. Proteção jurídica à saúde do trabalhador. e atual.2007. caput. 23. Sociais e Culturais (Decreto n. O art. da CF tem-se nos valores sociais do trabalho e nos valores sociais da livre iniciativa fundamentos de existência e validade da República Federativa do Brasil.0010. nomeado “Protocolo de San Salvador”. ato contínuo. como bem coloca o TST. 7º da Constituição Federal revela-se como uma centelha de proteção ao trabalhador a deflagrar um programa ascendente. j.12. 6. Min. Aline Paula Bonna. Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade de Campinas e Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes. o inciso XXIII consagra. na carta de direitos sociais mínimos dos trabalhadores. que diz: Destaque-se. O inciso XXII traz em seu bojo o princípio do risco mínimo regressivo(1). Min. “não se pode olvidar que o art. Celso de Mello. Data de Julgamento: 19. LTr . Professor de Direito nas Faculdades Integradas Ipiranga e na Famaz — Faculdade Metropolitana da Amazônia. Redatora Ministra: Kátia Magalhães Arruda. de afirmação dos direitos fundamentais.5.10. 29.02. rev. nesse sentido. assegurando-se a todos uma existência digna.2013. Sobre a vedação ao retrocesso social. Essa também é a ideologia consagrada no Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos.2. a razão de ser é buscar melhores condições de trabalho. STF-RE 581.

também é iterativa. 253).4. nos termos em que estão concebidos pelo Pacto. a clara natureza salarial do adicional de periculosidade. 193. Dessa noção de progressividade. de 1977: “O trabalho em condições de periculosidade assegura ao empregado um adicional de 30% sobre o salário sem os acréscimos resultantes de gratificações. Eletricitários. Incidência. 2ª Turma. João Otávio de Noronha. progressivamente e com o máximo de seus recursos disponíveis. o cálculo do adicional de periculosidade deverá ser efetuado sobre a totalidade das parcelas de natureza salarial. prêmios ou participações nos lucros da empresa”. isto é.09. que pretendeu reduzir a base de cálculo do adicional de periculosidade para os eletricitários. j. indiscutivelmente. O legislador demonstrou de forma clara. 193. Min. Da aplicação progressiva dos direitos econômicos. que teve a sua redação substancialmente alterada.740/RS. Lei n. 107 . não estabeleceu nenhuma proporcionalidade em relação ao seu pagamento. pago em caráter permanente. extrai-se a vedação do retrocesso. Base de cálculo. 457. citando Flávia Piovesan: Se os direitos civis e políticos devem ser assegurados de plano pelo Estado. Interpretação. que diz: LTr . como um vetor dinâmico e unidirecional positivo. 279 da SDI-1 do TST: Adicional de periculosidade.740/12. atual e notória jurisprudência do TST: Súmula n. 193 da CLT. por não trazer. Exposição intermitente. Idem quanto à Orientação Jurisprudencial n. 1º da Lei n. O adicional de periculosidade incide apenas sobre o salário básico e não sobre este acrescido de outros adicionais. No entanto. e 142. porque a Lei n. quanto pelo apelidado Protocolo de São Salvador. 356.369.369/85 e incluída a energia elétrica no bojo do art. 7. como base de cálculo. Eletricitários. cabe realçar que tanto os direitos sociais. em vigor desde 1999 (Decreto n. seja com a revogação expressa da Lei n. a previsão de percepção de salário de periculosidade segundo as regras do art. Assim trata a matéria a Súmula n. embora de forma intermitente. 7. 7.3. 12.369/85. era mais benéfica ao trabalhador que exerce atividade no setor de energia elétrica em condições de periculosidade.1985. Tal disposição. Súmula n. como os direitos civis e políticos demandam do Estado prestações positivas e negativas.Sociais e Culturais. O trabalho exercido em condições perigosas. sociais e culturais resulta a cláusula de proibição do retrocesso social em matéria de direitos sociais. seja para se adequar a ela. que impede a redução do patamar de tutela já conferido à pessoa humana. Em relação aos eletricitários. § 5º. de 20.369/85.2006 p. 7. seja para rechaçá-la expressamente —. é exposta com maior intensidade a acidentes do trabalho.2006. para os trabalhadores que interagem em instalações elétricas e serviços com eletricidade — categoria de quem se exige uma série de procedimentos padronizados e treinamentos de cunho específico (NR-10 e NR-16) e que. foi revogada expressamente e in totum a Lei n. 361: Adicional de periculosidade. Rel. fato é que tínhamos. indiscutivelmente.369/85. 1º. O adicional de periculosidade dos eletricitários deverá ser calculado sobre o conjunto de parcelas de natureza salarial. 132: Adicional de periculosidade. DJ 6. inclusive acidentes fatais —. § 1º. Outrossim. apresentam realização progressiva.321/99). entendimento já consolidado pelo STJ (REsp n. uma remuneração adicional de 30% sobre o salário que perceber. seja com a inclusão da energia elétrica no art. 191 do TST — a qual ainda não foi revista em momento posterior à alteração legislativa.Jornal do Congresso Adicional. agora também regulada pelo vetusto § 1º do citado art. com o advento da Lei n. Partindo de tais premissas. integra o cálculo de indenização e de horas extras. nos arts. 7. 7. dá direito ao empregado a receber o adicional de periculosidade de forma integral. os direitos sociais. de 1966. o Brasil se comprometeu a implementar. sem escusa ou demora — têm a chamada autoaplicabilidade. A CLT indica. Ainda Aline Paula Bonna. Integração I — O adicional de periculosidade. Periculosidade. Ocorre que. os direitos ligados à igualdade. art. 3. apenas o salário básico obreiro (como as outras hipóteses legais de adicional de periculosidade) e sim a totalidade dos salários percebidos. por sua vez. econômicos e culturais. sendo equivocada e simplista a visão de que os direitos sociais só demandariam prestações positivas.

desconstituindo conquistas já alcançadas pelos trabalhadores que interagem em instalações elétricas e serviços com eletricidade. como também não se descura que o adicional tem clara natureza salarial. pois os eletricitários sempre tiveram base de cálculo superior.Jornal do Congresso . a burocracia e a corrupção — esses sim — podem ser contabilizados no “Custo Brasil”. base de sua sustentação constitucional: o princípio da proibição do retrocesso social. o item 108 II da Súmula n. Triste é constatar os argumentos que deram azo à alteração legislativa: que a medida foi tomada para atender aos interesses da política econômica do Governo na área de energia. A Advocacia-Geral da União já se manifestou formalmente na ADI. segundo dados da própria OIT. tem baixo custo na comparação internacional. sob a exata ótica do STF. As estradas mal conservadas. porque se é para ser isonômico e agir em um Estado Democrático de Direito. pois há outras categorias que exercem funções igualmente sujeitas a risco. o trabalho no País. que tem natureza tipicamente salarial. trazendo. Assim. tanto que sofre incidência de imposto de renda e contribuições previdenciárias. 259 da SDI-1. Em desfavor da Lei n. Condenada ao pagamento do adicional de insalubridade ou periculosidade. todas do TST) e não se incorpora definitivamente ao salário (à semelhança do adicional noturno. porque não se pode tratar desiguais de forma igual. Ministro Ricardo Lewandowski. LTr . Por outro lado. tal disposição da Lei n. mês a mês e enquanto o trabalho for executado sob essas condições. houve. a empresa deverá inserir. a Súmula n. tendo em vista a relevância da matéria e seu especial significado para a ordem social e a segurança jurídica. ainda que condicional.740/12 tramita a ADI n. em defesa do ato legal impugnado. Na ação. a duas. 2) o adicional não se incorpora ao salário dos trabalhadores. em suma. alteração lesiva aos trabalhadores.740/12. o valor correspondente em folha de pagamento. Mais uma vez. 9. 12 da Lei n. que se majore a base de cálculo das outras categorias e não se reduza a dos eletricitários. 172 (SDI-1): Adicional de insalubridade ou periculosidade. Os argumentos são falaciosos. Condenação.OJ n. sustenta-se a falácia de que o custo do trabalho faz parte do chamado “Custo Brasil”. ao reduzir a base de cálculo do adicional. o custo excessivo da energia elétrica. proposta pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria (CNTI). 5013/DF. violou um dos princípios mais caros do Direito do Trabalho. é inverter totalmente a lógica do sistema: a uma. 3) não é possível pagar valores diferentes aos eletricitários. 364 e a OJ n. enquanto salário. conforme Súmula n. Inserção em folha de pagamento. Não se descura que o adicional de periculosidade tem natureza de salário-condição (nesse sentido. teve sua base de cálculo reduzida. E. dizer que não é possível pagar valores diferentes aos eletricitários. 132. os seguintes argumentos: 1) o adicional é caracterizado como um “salário-condição”. pois há outras categorias que exercem funções igualmente sujeitas a risco. 12. Como bem ressalta o Economista José Álvaro Cardoso. o Relator. 12. 265 do TST). a má gestão de obras e empresas. que propugna por cláusulas de avanço social. a ausência de ferrovias. adotou o rito abreviado do art.868/99.

art. Fernandes Acadêmico do Curso de Graduação em Direito na UNOPAR/ Londrina. inciso XVI] foram grandes conquistas dos empregados domésticos na reforma constitucional citada. Prevê a Súmula 338 que “é ônus do empregador [. se aprovado. quanto à possibilidade de pré-assinalação do horário de intervalo para descanso e alimentação. mas terá aplicação. afastará a incidência do art. 74. Dentre as diversas questões jurídicas relativas ao trabalho doméstico que foram atingidas pela edição da Emenda Constitucional n. atraindo. a qual pode ser elidida por prova em contrário” [Inciso I]. inciso XIII] e o direito à “remuneração do serviço extraordinário superior no mínimo em cinquenta por cento à do normal” [Constituição Federal... art. apesar de seu reconhecimento ter ocorrido tardiamente. 72 de 2013. desde que idôneo” [art. Ocorre que o Projeto de Lei indicado prevê que será “obrigatório o registro do horário de trabalho do empregado doméstico.] prevalecendo a jornada da inicial se dele não se desincumbir”. Professor na Universidade Norte do Paraná/UNOPAR/Londrina. Observamos que em um dos conflitos mais comuns que são julgados pela Justiça do Trabalho. 74 da CLT que dispensa o controle de jornada quando o empregador possuir menos de 10 empregados e que permite que o horário de intervalo para descanso e alimentação seja pré-assinalado. 12]. a aplicação de parte da Súmula n.Jornal do Congresso Com a eventual aprovação do texto do art. ao empregador doméstico sempre ficará o ônus de provar a real jornada de trabalho que for cumprida pelo empregado doméstico. Lucas Rafael de Menezes Santos Acadêmico do Curso de Graduação em Direito na UNOPAR/ Londrina. mecânico ou eletrônico. 338: “os cartões de ponto que demonstram horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de prova [. Teremos ainda uma discussão sobre a aplicação de parte do inciso III da Súmula n. A “duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais” [Constituição Federal.. se o trabalhador afirmar que laborou como empregado e a pessoa ou família que se utilizava de seus servi109 . 12 do Projeto de Lei n. 74 da CLT no que se refere à dispensa do controle de jornada quando o empregador possuir menos de 10 empregados. Chegamos à conclusão provisória que a imposição legal da obrigação de controle e fiscalização da jornada de trabalho será mais rígida e trará consequências jurídicas sérias para o empregador doméstico [pessoa física] do que para as empresas. por analogia. o que envolve o reconhecimento de relação de emprego. LTr .. 224/2013 afirmaríamos que no âmbito doméstico se aplicaria a regra do art. Tal texto. Mestre em Direito. o que não nos parece uma posição social e jurídica adequada. inclusive. 7º. da CLT” e que “a não apresentação injustificada dos controles de frequência gera presunção relativa de veracidade da jornada de trabalho.EMPREGADO DOMÉSTICO E ÔNUS DA PROVA DA JORNADA DE TRABALHO Flávio Bento Doutor em Educação. 7º. § 2º. Cleyton Eduardo Todesco D. por qualquer meio manual. 224/2013 como transcrito acima. o aspecto da limitação da jornada normal de trabalho é um assunto de grande destaque. Em uma análise sem considerar a eventual aprovação integral do Projeto de Lei n. de vínculo de emprego.] o registro da jornada de trabalho na forma do art. 338 do Tribunal Superior do Trabalho.

Talvez a única situação acidental que poderá tornar mais flexível a obrigação do registro do horário de trabalho do empregado doméstico será a hipótese de confissão do próprio empregado. Consideremos. o ônus da prova deverá seguir a orientação jurisprudencial vigente. DJPR em 26.2008]. que há uma parcela da jurisprudência que atribui “o ônus de comprovar a existência dos requisitos legais. de que. 110 Essa indicada “flexibilidade nos meios comprobatórios das questões fáticas controvertidas” vem sendo admitida em questões que envolvam a comprovação de pagamento de salário [TRT-PR-21446-2010-028-09-00-4. ficará mais rígida para o empregador doméstico do que para as empresas. impõe a inexigibilidade das rígidas formalidades aplicáveis aos contratos de emprego em geral. 12 como proposto.11. que ora conferem o ônus da prova ao empregado. Ainda na hipótese de aprovação integral do Projeto de Lei n. Nesse tipo de conflito [de reconhecimento de relação de emprego]. DEJT 19.ços alegar que ele era diarista. e. “nos termos das disposições contidas no art. o ônus de provar que ocorreu uma relação de emprego é do trabalhador. será da pessoa ou família a obrigação de provar que esse trabalhador laborava como diarista. sendo desarrazoada a determinação de novo pagamento dos 13º salários desses anos. 224/2013 [que já demora].2009].859/1972)” ao trabalhador doméstico. DEJT em 28. entretanto. Essa maior rigidez afasta a reconhecida ideia de que o empregador doméstico não deve ser equiparado ao empregador urbano [empresa]. se a interpretação dos doutrinadores admitirá a flexibilização da obrigação tratada neste estudo. sem possibilidade dessa exigência ser flexível. 333 do CPC. ora ao empregador. razoável e sincero. 48900-90. 818 da CLT e inciso I do art.6. DEJT em 28.2012]. porque aquele “vale-se da mão de obra apenas com o intuito de dar suporte às lides próprias do ambiente familiar. presente confissão expressa da autora. processo n. DEJT em 26. não poderá ser aplicada no tocante à prova da jornada de trabalho.2012]. 224/2013. recebeu salário em dobro. ainda. 224/2013. sem obter lucratividade do trabalho prestado” [TST. mas no caso do ônus da prova da jornada a Justiça do Trabalho não deverá seguir as orientações prevalecentes na jurisprudência.0051. uma situação jurídica inadequada. o que nos parece. Essa posição é mais severa quanto ao ônus da prova do trabalhador.2006.2. mantido o texto do art. O conteúdo da declaração mostra-se coerente. nos meses de dezembro de 2008 e 2009. no tocante à obrigação do registro do horário de trabalho. motivo pelo qual se admite uma maior flexibilidade nos meios comprobatórios das questões fáticas controvertidas relativas à relação contratual de tal natureza” [TRT-PR-21446-2010-028-09-00-4. a ideia de que “a natureza peculiar do contrato de emprego doméstico.5. LTr . não poderá ser utilizada. ou a comprovação de concessão de vale transporte [TRT-PR-12346-2007-004-09-00-1. dentre outras situações. já que a obrigação do empregador doméstico quanto ao controle de jornada passará a ser expressa na lei com a aprovação do texto do Projeto de Lei. 5. 1º da Lei n. por importar nítido enriquecimento sem causa por parte da autora” [TRT-PR-21446-2010-028-09-00-4.2. decorrente especialmente da confiança estabelecida entre as partes no âmbito residencial”. quanto à prova jornada de trabalho. decorrente especialmente da confiança estabelecida entre as partes no âmbito residencial. Mas se a pessoa ou família negar a prestação de serviços.Jornal do Congresso . posto tratar-se de fato constitutivo de direito invocado” [TRT-PR-02826-2009-322-09-00-2. e essa ideia mais rígida. já admitida em situações semelhantes: “No caso.12. Resta-nos acompanhar a aprovação do Projeto de Lei n.2. em princípio. DEJT em 28.2010].12. já que a previsão normativa de ser “obrigatório o registro do horário de trabalho do empregado doméstico” não gerará dúvidas de interpretação.2012]. sempre considerando a “natureza peculiar do contrato de emprego doméstico. ensejadores do reconhecimento de vínculo de emprego pretendido (art. Em conclusão. consideramos que a proposta do Projeto de Lei n.

higiene e segurança —. conforme julgado abaixo. oferecendo condições de trabalho inseguras. consoante inciso XXII do art. (. Data de Julgamento: 26/02/2014. tem-se nos valores sociais do trabalho e nos valores sociais da livre iniciativa fundamentos de existência e validade da República Federativa do Brasil..) (TST-RR-6540-94. Proteção jurídica à saúde do trabalhador.04. Redator Ministro: Hugo Carlos Scheuermann. não é demais lembrar que a NR-1 — Norma Regulamentadora n. ao elencar direitos sociais mínimos. Data de Publicação: DEJT 7. 170. IV. 2011. Analista Judiciário — Área Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. a importância dada pelo Poder Constituinte Originário ao trabalho — palavra inicialmente de significado pejorativo. 7º da CF.2014) Ademais. vale dizer. sendo-lhe reti(1) OLIVEIRA. higiene e segurança para caracterizar a sua culpa. e atual. Já no art. Com efeito.Jornal do Congresso tião Geraldo de Oliveira(1). Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade de Campinas e Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes. 3.3. 111 . garantindo um ambiente de trabalho 100% seguro ou minimamente inseguro. o TST já vem desenvolvendo. 1ª Turma.7.2006. I. O inciso XXII traz em seu bojo o princípio do risco mínimo regressivo. assegurando-se a todos uma existência digna. maquinário. a título exemplificativo: (. p. e como objetivo o bem-estar social e a justiça social. 157. pois. ed. 7º da CF.) Assim. por sua vez. temos que a ordem social tem como base o primado do trabalho. quando se verificar o que a doutrina denomina — culpa contra a legalidade —. higiene e medicina do trabalho. da CF. de forma ampla.0203. além de outros que visem a melhoria da condição social do trabalhador — propugna não somente pela vedação ao retrocesso social. 6. ao leitor.. 1º. ao empregador é exigido o dever de cumprir os preceitos legais a respeito dos deveres de cuidado com a segurança e medicina do trabalho e ao empregado é assegurado como direito fundamental a — redução dos riscos inerentes ao trabalho. mas. devido ao seu ascendente linguístico tripalium. caput. assim entendida a condição inerente às instalações. Pelo art. 148. Um rápido passeio pela Carta Cidadã de 1988 deixa explícita. o princípio batizado por SebasLTr . a demonstração da simples violação pelo empregador de norma de conduta que diz respeito à saúde. Sebastião Geraldo de. da CLT).5.. O próprio art. atualmente exerce o cargo em comissão de Assessor Jurídico-Administrativo. São Paulo: LTr. equipamentos de trabalho e rotinas repetitivas e semiautomáticas que são fatores propícios à ocorrência de acidente com lesão. batizado por Sebastião Geraldo de Oliveira. Basta. ou seja.O DIREITO DOS TRABALHADORES AO ADICIONAL DE INSALUBRIDADE QUANDO HÁ “MERA EXPOSIÇÃO” A RAIOS SOLARES Igor Zwicker Martins Bacharel em Direito e Especialista em Gestão de Serviços Públicos pela Universidade da Amazônia. por cláusula de avanço social. Professor de Direito nas Faculdades Integradas Ipiranga e na Famaz — Faculdade Metropolitana da Amazônia. conforme ditames da justiça social. O art. cabendo às empresas cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho. 193. que consagra o atualmente chamado princípio do risco mínimo regressivo. 1 do MTE — Ministério do Trabalho e Emprego (disposições gerais) foi alterada em seu item 1. ao propugnar pela redução dos riscos inerentes ao trabalho (complementado pelo art. também. quando o empregador descumpre as determinações legais de saúde.. por meio de normas de saúde. traz como fundamentos da ordem econômica a valorização do trabalho humano e a livre iniciativa. rev. nos dias de hoje equivale a atividade que também é sinônimo de direito à felicidade.

Em relação às atividades a céu aberto por sujeição a radiação solar.2012. Pois bem. mediante perícia técnica. Anexo 3. 186 (DEJT de 25. A razão dessa alteração foi a de justamente demonstrar que a ação humana praticada pelo trabalhador. não há como prevalecer tal entendimento. por razões de cunho jurídico e científico. há expressa menção a “Ambientes externos com carga solar”.5. O Anexo 7 da NR15 do Ministério do Trabalho. Entretanto.2008. da CLT). que o intuito desta Corte. 26 e 27. Rel.09. 193. É cediço que. o segundo. TST-ARR-153200-96. da SDI-1 do TST: Adicional de insalubridade. Aliás. o qual encontra previsão no anexo n. havendo comprovação. 3 da mesma norma regulamentar. conforme se verifica do item 1 do referido anexo. entre outros. por sujeição à radiação solar (art. nos termos da NR 15. Min. SDI-1. Dessa forma. assim considerados os atos de ação ou omissão praticados pelo empregado.2014. indevido o adicional de insalubridade ao trabalhador em atividade a céu aberto. A OJ foi recentemente alterada. segurança e medicina do trabalho (em contraposição às condições inseguras. é que o agente insalubre deve estar inserido na relação do MTE (art. o processo n. há de ocorrer.0567.2012).09. Atividade a céu aberto. Relator Ministro: Alexandre de Souza Agra Belmonte. da submissão do reclamante a trabalho insalubre decorrente da exposição ao fator calor. 173 da SBDI-1 faz referência.4. Recurso de embargos conhecido e desprovido. 3ª Turma. cuja redação originária do enunciado falava apenas em “atividade a céu 112 aberto”. inclusive em ambiente externo com carga solar. temos. Cientificamente. a saber: “A condenação da empresa ao pagamento de adicional de insalubridade decorreu da exposição do autor a níveis insalubres do agente calor. existem vários LTr . quando de sua edição. Renato de Lacerda Paiva. Essa tem sido a base das decisões da Corte Superior Trabalhista. do Ministério do Trabalho.2014) Se analisarmos as decisões que ensejaram a alteração da OJ. sendo irrelevante o fato da alta temperatura decorrer do contato com a luz solar.0133. 173.08. caput. para a inclusão do item II e alteração parcial do item I. não se confundindo com a mera exposição a raios solares. Inegável. tendo o TST acrescentado a expressão “sujeição à radiação solar”. ante a inexistência de previsão legal neste sentido. a nosso ver. nesses termos: Adicional de insalubridade — Exposição ao calor do sol — Orientação jurisprudencial n. ao qual a Orientação Jurisprudencial n. não podendo ser tida isoladamente.5. foi de vedar o pagamento de adicional de insalubridade em razão do fator radiação solar. 852-D da CLT e 335 do CPC) e normas de higiene. é que a caracterização e a classificação da insalubridade far-se-á mediante perícia técnica (art. em desacordo com as regras de experiência comum (arts. nas condições previstas no Anexo 3 da NR 15 da Portaria N.rada a expressão “atos inseguros”. reveladas no descumprimento parcial ou total dessas normas de proteção pelos empregadores). assim dispõe a Orientação Jurisprudencial n. deve ser mantida a condenação ao pagamento de adicional de insalubridade. (.15. 173 da SBDI-1 — Inaplicabilidade.2012. voluntária ou involuntariamente. está inserida dentro da dinâmica juslaboral e do contexto das condições de trabalho. 195 da CLT e Anexo 7 da NR 15 da Portaria n. Ocorre que. concomitantemente.4. da CLT). caput. dois requisitos: o primeiro. portanto.. o mesmo entendimento não pode ser aplicado às hipóteses em que o laudo pericial constata a submissão do trabalhador ao agente insalubre calor. I — Ausente previsão legal. trata das radiações não-ionizantes..Jornal do Congresso . segundo o projeto “Prof2000” (Portugal). 195. para a percepção do adicional de insalubridade. II — Tem direito ao adicional de insalubridade o trabalhador que exerce atividade exposto ao calor acima dos limites de tolerância. Data de Julgamento: 9. em especial diante da incumbência precípua das empresas de cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho. na qual não há qualquer diferenciação a respeito da necessidade de exposição ao mencionado fator em ambiente fechado ou aberto. pelo empregado. saúde. 3214/78 do MTE). equivalente a um “ato inseguro”. Data de Publicação: DEJT 15. Exposição ao sol e ao calor. julgado em 23.)” (TST-AIRR-629-28. 3214/78 do MTE. de acordo com a Resolução TST n.

sem a proteção adequada. arejado. em decorrência de laudo de inspeção realizada no local de trabalho. 3. 193 e 195 da CLT. A camada de ozônio. são a principal causa do câncer de pele e outras doenças relacionadas à pele e também aos olhos (perda da acuidade visual. 113 . tem sua principal fonte no Sol. exames médicos periódicos. funciona como um filtro natural aos raios ultravioleta e bloqueia totalmente as radiações UV-C. da CLT. medidas de controle de riscos ocupacionais.Jornal do Congresso bres. pelo ozônio e pelo oxigênio. incluindo chapéus. fadiga ocular. de forma a proteger o rosto e a pele do corpo. fazendo clara alusão à radiação UV-A. micro-ondas e radiofrequências. indo o próprio Poder Judiciário de encontro à rede protetiva geral constitucional e infraconstitucional pertinente à saúde do trabalhador. são a porção mais perigosa da radiação (a nocividade dos raios UV-B é cerca de mil vezes mais agressiva que a dos raios UV-A). UV-B. afasta a hipótese de insalubridade apenas nos casos de radiações da luz negra. 7 (radiações não ionizantes). entendemos que simplesmente interpretar o trabalho em atividade a céu aberto por sujeição a radiação solar como “mera exposição” a raios solares é chancelar a exposição do trabalhador a agentes insalubres e permitir a deterioração da sua saúde. 2. citando expressamente a faixa de 400-320 nanômetros. 200. a NR-21 e o Anexo n. Os raios solares UV-B agem na superfície da pele e são efetivamente responsáveis pelas queimaduras solares e diversas outras doenças. diz o seguinte: 1. o que não ocorre com as radiações UV-A e UV-B. Isso porque o art. da CLT exige do próprio MTE o estabelecimento de disposições complementares que tratem de proteção contra insolação. sem prejuízo do cumprimento das normas de proteção à saúde pelo empregador. limitação da exposição. Dessa forma. a NR-21 (trabalho a céu aberto) exige medidas especiais que protejam os trabalhadores contra a insolação excessiva e a NR-15 (atividades e operações insalubres). serão consideradas insalu- LTr . laser. encadeamento devido a contrastes muito grandes no campo visual ou a brilhos excessivos da fonte luminosa etc. O Auditor-Fiscal do Trabalho Carlos Roberto Miranda traz em seu site medidas de prevenção adequadas à proteção dos trabalhadores expostos a raios solares: controle ambiental da fonte da radiação. utilização de vestuário adequado. a colocar pá de cal na cizânia. por seu Anexo n. devendo ser revisto o enunciado da OJ n. e UV-C. uso de filtros solares (fotoprotetores). considerada a mais perigosa. 7 da NR-15 dão guarida à percepção. como a nossa atmosfera não consegue bloquear na totalidade os raios UV-B. e subdivide-se nas zonas A. situada entre a troposfera e a estratosfera. com firme interpretação científico-jurídica. A radiação ultravioleta. de tecido apropriado às condições climáticas (temperatura e umidade). acertadamente. de 320 a 290 nanômetros. de 290 a 100 nanômetros. As operações ou atividades que exponham os trabalhadores às radiações não ionizantes. Para os efeitos desta norma. pelo trabalho em atividade a céu aberto por sujeição a radiação solar. ultravioletas e laser. 173 da SDI-1 do TST. sobretudo no trabalho a céu aberto. uso de equipamentos de proteção individual. Concluímos. Veja-se que a própria NR-15. o que permite concluir que. As atividades ou operações que exponham os trabalhadores às radiações da luz negra (ultravioleta na faixa — 400-320 nanômetros) não serão consideradas insalubres.). são radiações não ionizantes as microondas. de 400 a 320 nanômetros. 200. V. distúrbios cardiovasculares e respiratórios etc. causam alterações no sistema nervoso central. Juridicamente. infravermelha (IV). a restar cumprida a inteligência dos arts. a resposta se encontra nas próprias Normas Regulamentadoras do MTE. visível (V). V. possuem alta ação danosa de radiação UV. B e C: UV-A (denominada luz negra). que o art. limpo.tipos de radiações não ionizantes: ultravioleta (UV). o trabalho em atividade a céu aberto por sujeição a radiação solar gera direito à percepção do adicional de insalubridade. de adicional de insalubridade.

na mesma linha de raciocínio: por equiparação. à situação prevista no § 2º. nestes casos cabe ao Juiz determinar que a parte que faz a alegação esteja incumbida de produzir a prova. Contudo. Nestes casos. quanto à jornada ressalta-se a necessidade de utilizarmos subsidiariamente o Código de Processo Civil. o ônus probatório não poderia ser de outra forma disposto. pautar-nos pelo que dispõe o art. será o ônus da prova. agora. do art. Ao se indagar a quem incumbe o ônus da prova. Tal situação exemplificativa nos faz deduzir que a contrario sensu o raciocínio de que o empregador doméstico que não atinge tais situLTr . por exemplo. ou então aqueles não fundados em tempo indeterminado. quando da comprovação da jornada de trabalho do doméstico. onde prevê que ao autor incumbe a prova dos fatos constitutivos de seu direito. com cautela. que contar com mais de 10 (dez) funcionários será obrigado a ter controle de jornada. não se amoldando. poderá ser feita à luz do que já construiu a doutrina e jurisprudência para os demais trabalhadores e sob esta ótica deverão tais entraves serem dirimidos. também pelo fato de estarmos tratando de uma situação onde há prestação de serviços a um empregador pessoa física que. há singela previsão legal de que a prova dos fatos incumbe a quem os alega. praticamente. Como referidas provas são. de acordo com o art.. empregador. encetou contrato com apenas um(a) empregado(a). pois nele há a previsão de impossibilidade de inversão do onus probandi. impossíveis de serem produzidas. Por exemplo. No bojo do art. dependendo do tipo de prova a ser produzida. ex. que dispõe que o estabelecimento. Dele. quando se vislumbra a dificuldade da prova no seio familiar. 72. portanto pessoa jurídica. de maior relevância. 332 a 341. 333. tais dificuldades devem ser respondidas. o disposto no parágrafo único do mencionado artigo. empregador que alega que no dia 17.ÔNUS DA PROVA DA JORNADA — DOMÉSTICO X EMPREGADOR Luis Felipe Carneiro Maluly Estudante do 10º Termo do Curso de Direito da Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE) de Presidente Prudente/SP. 118 da CLT. uma vez que tais restrições não existiam no meio jurídico. Porém. porque se correria o risco de imputar à parte a produção de provas diabólicas. então. nada mudará. 769 do mesmo instituto legal. mas com as cautelas de praxe tendo em vista a realidade distinta dentro do âmbito familiar. 74 da CLT. Partindo-se do pressuposto que antes do advento de seu texto. 332 do CPC ao réu cabe a prova dos fatos impeditivos. uma pessoa ter que provar que nunca esteve em Manhattan. valendo-nos do disposto no Código de Processo Civil. quando se tratar de direito indisponível da parte ou quando for de excessiva onerosidade à parte. estar-se-á cerceando a persecução de direitos de alguma ou ambas as partes. o que é concebido pelo art. o que segundo a melhor doutrina. v.Jornal do Congresso . os empregados domésticos não estavam sujeitos nem a jornada de trabalho e muito menos ao seu controle. são os fatos negativos.g. E. tal disposição revela-se muito frágil quando em jogo uma análise prática pois. por liberalidade. entre seus arts.4. sendo. temos de levar em conta que a Emenda Constitucional n. equiparou estes trabalhadores aos urbanos e rurais. na grande maioria das vezes. mormente quando os fatos resultarem em prova de difícil produção. já é pacífico que ao empregador cabe o ônus da prova da justa causa e se envolver trabalho doméstico. da mesma forma.2014 o funcionário não compareceu às atividades la114 borativas porque estava em Manhattan. empregado ou empregador. pois. Devemos. Importante. seja essa dificuldade pela sua onerosidade ou especificidade técnica. A distribuição do ônus da prova. modificativos e extintivos do direito do autor.

deve o empregador realizar no máximo contraprova de que não era a jornada narrada na inicial aquela praticada ou que não havia a feitura de horas extraordinárias a partir do pressuposto de que caberá. haja vista hoje dia ser raridade homem ou mulher. apesar de a jurisprudência no TST sobre a distribuição do ônus da prova estar consolidada para os trabalhadores urbanos e rurais. os tipos de prova que foram produzidas. em regra. conhecidos. pois. aplicável indistintamente à teoria da inversão do ônus da prova sempre aos empregadores domésticos. analisadas tais situações e aplicando-as na solução da problemática apresentada. que se materializa no momento da prolação da sentença pelo Magistrado. o que convenhamos. é. a pelo menos duas singelas conclusões. e a rogo de qual parte ficou a produção das referidas provas que instruíram o feito e nortearão sua decisão. embasado na distribuição do ônus da prova previsto no Código de Processo Civil. principalmente nesta seara. também pelo doméstico. de aplicação subsidiária. Em conclusão. Portanto. ao passo que ônus subjetivo da prova está relacionado às partes. o onus probandi deverá recair sobre o empregado. ferindo a ciência do Direito que deve. observadas todas LTr . será válida. sua utilização para os domésticos. sua própria experiência pessoal (senso médio do homem comum) será imprescindível. e exigida sua apresentação deverá juntar aos autos. com prova testemunhal (outros empregados da residência. quais sejam: a) sempre que adotado meio de controle da jornada pelo empregador. não chega a preencher tal requisito numérico.ações (menos de 10 empregados). etc. entender. é sabido que o ônus objetivo da prova está diretamente ligado ao Juiz. Não há como. sob pena de presunção de validade da jornada alegada. por equiparação. por exemplo. 115 . Destaque-se que. podemos chegar. nos lares brasileiros. em uma análise superficial. sob pena de incorrer na exigência de comprovação das chamadas provas diabólicas por serem as diversas situações vivenciadas dentro das residências de caráter negativo. exceções de famílias abastadas à parte. e b) No caso de não existir o controle da jornada pelo empregador. via de regra. vizinhos. o ônus da prova documental será de exclusividade do empregador. dispensado está do referido controle que é exatamente o caso do doméstico que.Jornal do Congresso as regras de validade e eficácia de tais anotações trazidas pela CLT e pelas Súmulas do TST. de ordinário acontece! Por outro lado. a prova de suas alegações. salvo quando existente controle escrito.). onde o laboratório a ser investigado é uma reprodução do que ordinário acontece em todos os lares nacionais. estariam os doutrinadores e julgadores contrariando a realidade peculiar em análise. em regra. empregadores que não trabalhem fora de casa. abeberar-se na sociologia jurídica. o que poderá ser antes provado. na fase de instrução visando o convencimento do Juiz para que ele possa sentenciar com base na maior proximidade da realidade dos fatos que se espera sejam vividos. fato constitutivo de seu direito. sem sombra de dúvida. pois no caso de sair um dia ou outro mais cedo do serviço (com tarefas executadas a contento) será difícil para o empregador descobrir e provar que não houve o cumprimento integral da jornada. ficando o empregado doméstico “livre” para executar suas tarefas dentro ou aquém de seu horário de trabalho. Assim agindo. por ser o detentor dos “cartões-ponto”. desde que não conflite com a realidade do âmbito familiar. à luz do princípio da aptidão para a prova. via de regra. eis que as horas extras que persegue. Outra previsão acerca do ônus da prova presente no Código de Processo Civil é o ônus objetivo da prova. sendo certo que para que haja um julgamento justo deverão caminhar lado a lado na persecução do objetivo colimado todo o esforço de convencimento enfim da prova da jornada de trabalho. Balancear a distribuição do ônus da prova tendo como parâmetro. o doméstico é um empregado que não está sujeito à fiscalização imediata pelo empregador. a partir da realidade vivida no âmbito doméstico. a despeito de sua condição de hipossuficiente sob a ótica econômica. também. onde deverá o julgador fazer um juízo axiológico entre os fatos narrados no processo pelas partes. é público e notório que. ao empregado.

que tem. é uma relação de trabalho. subordinação jurídica e onerosidade. 9. educacionais. Professor de Direito nas Faculdades Integradas Ipiranga e na Famaz — Faculdade Metropolitana da Amazônia. deverá requerer. a juntada de tais documentos. por ser espécie. a de contrato-realidade). evidentemente em caso de negativa de sua juntada. Na prestação do serviço voluntário. em sentido lato.608/98. sem embargo da possibilidade de o prestador do serviço voluntário ser ressarcido pelas despesas que comprovadamente realizar. o gênero. 2º e 3º da CLT. não eventualidade. Inteligência dos arts. para a formação do vínculo empregatício. está o serviço voluntário. caput. A relação de emprego é apenas uma das espécies da relação de trabalho — o grande gênero —. entre suas características. científicos. Segundo o art. guardadas as proporções de onde estejam inseridas as classes sociais (A. qual seja. regulado pela Lei n. Analista Judiciário — Área Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. seus indispensáveis pressupostos. Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade de Campinas e Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes. O serviço voluntário não gera vínculo empregatício (art. Mas existem diversas outras relações de trabalho. ou a instituição privada de fins não lucrativos. B. LTr . C ou D).Neste caso. atualmente exerce o cargo em comissão de Assessor Jurídico-Administrativo.Jornal do Congresso . recreativos ou de assistência social. sob pena de considerar-se verdadeira a jornada alegada na inicial. capaz que fazer existir no mundo jurídico o contrato de trabalho. devendo existir cumulativamente. 1º da Lei. como o peso que melhor se harmonizar com o que de ordinário acontece nas famílias brasileira. ouvidas sempre como informantes. 3º. mesmo no caso de acolhimento de contradita contra as pessoas amigas e ou parentes. inexiste um dos pressupostos básicos da relação de emprego. no desempenho das atividades voluntárias (art. da Lei n. Finalmente. parágrafo único). cabe destacar que o juiz o trabalho deverá dar maior relevância à prova oral. Entre essas inúmeras relações de trabalho em sentido lato. considera-se serviço voluntário a atividade não remunerada prestada por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza. onde rigorosamente faltarão um ou mais dos quatro pressupostos citados (pois se todos estiverem presentes. dados os objetivos que permeiam tal prestação de serviços. teremos inevitavelmente uma relação de emprego. que caracterizam a relação de emprego: pessoalidade. 9. culturais. após a prova de sua existência. que tenha objetivos cívicos. o da onerosidade.608/98). O FALSO SERVIÇO VOLUNTÁRIO E A SERVIDÃO DISFARÇADA NA LEI GERAL DA COPA Igor Zwicker Martins Bacharel em Direito e Especialista em Gestão de Serviços Públicos pela Universidade da Amazônia. inclusive mutualidade. 1º. que empresta sua força de trabalho a outrem. onde existe a prestação de servi116 ços por uma pessoa física. Toda relação de emprego.

comunitário. afirma o seguinte: A onerosidade. ser enfocada sob a ótica do trabalho realizado ou mesmo sob a ótica do tomador dos serviços. § 1º O serviço voluntário referido no caput: I — não gera vínculo empregatício. com o intuito essencial de auferir um ganho econômico pelo trabalho ofertado. Curso de Direito do Trabalho.Jornal do Congresso prestação de trabalho e ausência de contraprestação onerosa real pelo tomador dos serviços. O serviço voluntário que vier a ser prestado por pessoa física para auxiliar a FIFA. E conclui: No plano subjetivo. e 117 . conhecida como “Lei Geral da Copa”. criada especialmente para os eventos que se aproximam. 12. 57. LTr . todo trabalho — mesmo simples — é passível de mensuração econômica no contemporâneo sistema de mercado. filantropo político ou religioso. É que.. ser enfocada sob a ótica do prestador de serviços: apenas nessa perspectiva é que ela constitui elemento fático-jurídico da relação de emprego. em que há também efetiva prestação de trabalho sem contraprestação onerosa real pelo tomador dos serviços (. finalmente. com as consequências econômicas favoráveis ao prestador oriundas das normas jurídicas trabalhistas incidentes. considerado sob qualquer dessas duas perspectivas. contudo. nem obrigação de natureza trabalhista. filantropo político ou religioso em que a prestação de trabalho se confere em um contexto de alguma reciprocidade material em benefício do prestador enfocado. 299-301. como bem ressalta o mestre. outras distintas situações de trabalho voluntário. o elemento fático-jurídico da onerosidade estaria sempre presente. pelo trabalhador. ed. No plano objetivo. de situações tipificadas como de servidão disfarçada. E prossegue: A pesquisa do elemento onerosidade no contexto de uma relação sociojurídica concreta deve envolver duas dimensões diferenciadas mas combinadas: um plano objetivo de análise. que dizem: Art. em que há efetiva (1) DELGADO.A onerosidade é um pressuposto altamente relevante na relação de emprego. Existirá o elemento fático-jurídico da onerosidade no vínculo firmado entre as partes caso a prestação de serviços tenha sido pactuada. Em qualquer dessas situações. pois) conferida pelas partes — em especial pelo prestador de serviços — ao fato da prestação de trabalho. comunitário. com o intuito contraprestativo trabalhista. Nesse sentido. em território brasileiro. para um plano de destaque na investigação e avaliação criteriosa a ser feita pelo operador jurídico. apenas o exame do plano subjetivo da onerosidade é que responderá pela sua ocorrência (ou não) no quando complexo da relação social construída.663/12. ao discorrer sobre a onerosidade. ou situações de trabalho voluntário. pela intenção econômica (intenção onerosa. 57 e 58 da referida Lei. traz uma regra bastante peculiar. portanto. São Paulo: LTr. p.).. consoante arts. desde que houvesse prestação de trabalho por alguém a outrem: afinal. resta óbvio dizer que a onerosidade de materializa pelo próprio pagamento dos salários e. 13. por exemplo. dados os caráteres bilateral e sinalagmático que dão característica a essa relação jurídica: à força de trabalho do empregado corresponde o dever do empregador de pagar salário — talvez o único meio de sobrevivência digna do trabalhador. aponta o eminente jurista: Trata-se. dificilmente terá o operador jurídico dificuldade em vislumbrar a presença da onerosidade em uma relação de trabalho investigada. 2014. a Subsidiária FIFA no Brasil ou o COL na organização e realização dos Eventos constituirá atividade não remunerada e atenderá ao disposto neste artigo. sempre tendo determinado valor econômico para seu tomador. A pesquisa da intenção das partes — notadamente do prestador de serviços — desponta nessas situações fronteiriças. Mauricio Godinho Delgado(1). A prestação laboral ter-se-ia feito visando à formação de um vínculo empregatício entre as partes. como elemento fático-jurídico correspondente da relação de emprego. A Lei n. Ocorre que existem determinadas situações “em que a pesquisa da dimensão subjetiva da onerosidade será a única via hábil a permitir aferir-se a existência (ou não) desse elemento fático-jurídico na relação de trabalho vivenciada pelas partes”. ao lado de um plano subjetivo de análise do mesmo elemento. a onerosidade se manifesta pela intenção contraprestativa. Mauricio Godinho. previdenciária ou afim para o tomador do serviço voluntário. para quem recebe o serviço prestado. Deve a onerosidade. ou. não deve.

inclusive. entidade mundial que regula o esporte de futebol de associação. lucros cessantes e qualquer proveito obtido por aquele que praticar. 16 da Lei n. 12. uma situação tipificada como de servidão disfarçada. tal manobra foi considerada irregular pela Procuradoria da Junta Comercial. desde que expressamente autorizadas pela entidade a que for prestado o serviço voluntário. em nosso Estado Democrático de Direito. observará o disposto na Lei n. 12. caput e § 1º. constituída sob as leis brasileiras com o objetivo de promover a Copa das Confederações FIFA 2013 e a Copa do Mundo FIFA 2014. LTr . ousamos vislumbrar. no plano subjetivo. convites ou qualquer outro tipo de autorização ou credencial para os eventos de forma onerosa. 12.663/12: I — Fédération Internationale de Football Association (FIFA): associação suíça de direito privado. ao analisar a presente Lei. de 18 de fevereiro de 1998. mas se fala. em franca violação ao art. apenas se estipulando em contrato social que os lucros poderiam ser distribuídos de forma desvinculada da participação societária. de 4. e 60. por (tentarem) afastar. venda. 57 e 58. 2º da Lei n. 5º. a afastar a possibilidade de prestação de “serviço voluntário”. e suas subsidiárias não domiciliadas no Brasil. certas relações jurídicas (“não existe vínculo de emprego”. domiciliada no Brasil. Aliás. § 3º O prestador do serviço voluntário poderá ser ressarcido pelas despesas que comprovadamente realizar no desempenho das atividades voluntárias. peremptoriamente. O serviço voluntário que vier a ser prestado por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza ou instituição privada de fins não lucrativos. a Lei n. § 2º A concessão de meios para a prestação do serviço voluntário. IV. bem como os eventos relacionados.). a obrigação de indenizar danos. entre outras. Tal conclusão se mostra ainda mais evidente quando pesquisamos sobre a natureza jurídica do COL (Copa do Mundo FIFA 2014 — Comitê Organizador Brasileiro Ltda.663/12. bem como os seus subcontratados. transporte. de eficácia social plena e aplicação imediata (arts.6. ocultação. Art. cujo capital social total pertence à FIFA. que garante ao Estado-Juiz o monopólio da jurisdição.663/12 tenta afastar essa aparência de atividade remunerada. não descaracteriza a gratuidade do serviço voluntário. (art.Jornal do Congresso . negociação. condutas relacionadas a atividades de publicidade. oferecimento. pétreos. 12. Dessa forma. com atividades relacionadas aos eventos”. com a intenção de obter vantagens para si ou para outrem etc. 9. (COL): pessoa jurídica de direito privado. em que há a efetiva prestação de trabalho e ausência de contraprestação onerosa real pelo tomador dos serviços — a FIFA. pois. 2º da Lei n.2008. reconhecida pela FIFA. Já desde o parecer da JUCERJA. para os fins de que trata esta Lei. alimentação e uniformes. II — Subsidiária FIFA no Brasil: pessoa jurídica de direito privado. dele devendo constar o objeto e as condições de seu exercício. pela intenção econômica (onerosa) conferida.).608. por exemplo. 5º. a Subsidiária FIFA no Brasil ou o COL. nos parceiros comerciais da FIFA (inciso XI): “pessoas jurídicas licenciadas ou autorizadas com base em qualquer relação contratual. percebemos de forma clara que a onerosidade se manifesta pela intenção contraprestativa. 58. “não existe onerosidade” etc. Eis aí um típico exemplo — e atual — de uma relação sociojurídica concreta com a necessidade de se perquirir. § 4º. que chega a regulamentar. a onerosidade. da CF. o qual. que diz: “Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos”. quando se tentou registrar o COL como se associação fosse. não há um inciso sequer sobre as pessoas físicas relacionadas nos arts. a exemplo de transporte. no plano subjetivo.II — será exercido mediante a celebração de termo de adesão entre a entidade contratante e o voluntário. está inserido na carta de direitos fundamentais. o intuito lucrativo permeia toda a Lei. exposição à venda. 53 do Código Civil. 118 III — Copa do Mundo FIFA 2014 — Comitê Organizador Brasileiro Ltda. assim definidos pelo art. XXXV. nesse ajuste legislativo. desvio ou transferência de ingressos.663/12). claramente. Curioso constatar que. descurando o legislador pátrio do art. em face da inexistência de critério pré-definido para a divisão dos lucros. da CF) e consagra o princípio da inafastabilidade da jurisdição. Assim. ao longo de todo o art. em relação aos eventos. São as leis conhecidas popularmente como “toques de Midas”. sem autorização da FIFA ou da pessoa por ela indicada.

XVI. salvo exceções. a jogar pá de cal na cizânia.2008. por prazo não superior a 3 (três) dias por semana.354/1976. em seu art. desde que não seja fixado expressamente outro limite. 7º. o vínculo empregatício deverá. O TEMPO DE CONCENTRAÇÃO DE UM JOGADOR DEVE SER CONSIDERADO HORA EXTRA? Euseli dos Santos Advogado trabalhista militante em Uberaba (MG) e Mestrando em Direito pela Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP) A jornada de trabalho é um tema interessante e sempre teve atenção especial do Direito do trabalho. não excederá de 8 horas diárias. consoante CNPJ n. não se enquadra os dispositivos celetistas e constitucionais. 9. como sociedade empresária limitada. o direito à remuneração de no mínimo 50% a mais sobre as horas extras. por conta que a Lei n. e ficar à disposição do empregador quando da realização de competição fora da localidade onde tenha sua sede. O art. menciona que duração normal do trabalho. seja porque não é instituição privada de fins não lucrativos. de forma que a distribuição dos lucros — procedida de maneira desvinculada da participação societária — poderia representar violação indireta ao previsto no estatuto da própria CBF e violação do art. Sabe-se que o horário de trabalho é o tempo à disposição do empregado em face do empregador. 7º. em conjunto com a onerosidade. o COL seria composta majoritariamente por entidade sem fins lucrativos (a CBF). será oito horas diárias e quarenta e quatro semanais. Logo. por sua vez.6.746/0001-08.Como cediço. Ato contínuo. desde que esteja programada qualquer competição amistosa ou oficial. 1º da própria Lei n. para os empregados em qualquer atividade privada. Ocorre que o jogador profissional. 6. A Lei n. segundo art. a afastar por completo a possibilidade de prestação de serviço voluntário. citado.608/98. 10. 53 do Código Civil. seja porque o COL não é entidade pública. então. da Constituição da República prevê o direito à remuneração do respectivo período com o adicional de no mínimo 50%. no máximo. regulamenta a profissão. o COL acabou sendo registrado na JUCERJA. havendo trabalho acima do referido limite (diário ou semanal). A legislação trabalhista disciplina que a duração normal do trabalho. claramente já demonstrada. 6. E caso estejam presentes os outros pressupostos da relação de emprego. envolvendo “serviço extraordinário” o art. convier ao empregador. ocorrerá o labor em horas extras.Jornal do Congresso O atleta será obrigado a concentrar se. 58 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). 119 . A constituição da república garantiu a todos os trabalhadores urbanos e rurais.354/74. ser reconhecido.014. dispõe: LTr . em 11. Nesse caso. por conta (dentre outras) de estar atrelado à condição de salubridade do trabalhador.

354/76. Observa-se que a concentração do jogador de futebol é uma característica marcante do contrato de trabalho. Horas extra. se alimentar adequadamente. Entendo que a legislação deverá se aperfeiçoar para conferir ao jogador profissional o direito às horas extras nos casos de concentração. 2000). pois a profissão é regulamentada por lei própria. Período de concentração. 2009). não podendo aplicar a ambas as matérias. Relator Ministro José Simpliciano Fontes F. tem natureza jurídica e essência diversa das horas de trabalho em prontidão ou sobreaviso. (. etc. 297/2002-104-0300-8. p. Recurso de Revista conhecido e não provido (BRASIL. de forma a poder exigir maior e melhor rendimento durante a competição. não importando se ele fica teoricamente descansando. sendo totalmente distinta a situação do atleta profissional de futebol em relação ao profissional em geral. já que a sistemática não se equipara ao tempo em que o empregado permanece à disposição do empregador. Jogador de futebol. Brasília: Tribunal Superior do Trabalho. Período de concentração. já que o empregador tem maiores condições de controlar o período de sono.. E uma forma de preservar a saúde do atleta para que ele possa bem desempenhar o seu mister de jogar a partida desportiva (MARTINS. não seja considerado como hora extra. não faz jus ao recebimento de horas extras. Fernandes. a concentração do jogador de futebol. a meu ver. 2009. pois havendo a concentração. Diga-se que a jurisprudência é uníssona em não reconhecer o direito do jogador profissional em receber pelas horas extras. 7º da Lei n.Jornal do Congresso . A concentração tem a finalidade principal de resguardar o atleta. p. 6. não integrando a jornada de trabalho. A doutrina é bem clara: A concentração é o período em que o atleta irá ficar num hotel antes das partidas para descansar. Recurso de Revista n. ingestão de bebida alcoólica. 2ª Turma. pois apesar de que o jogador não está atuando. evitar ingestão de bebidas alcoólicas. é uma característica especial do contrato de trabalho do atleta profissional. A concentração. pois ela é levada a efeito para atender interesses do empregador. dentre outras.) horas extras.2009. atividades de treino. deveria ser considerada como tempo à disposição. Recurso de revista que se nega provimento (BRASIL. tratando-se de característica especial de trabalho do jogador profissional. DEJT 7. Desse modo. de drogas ou substâncias proibidas para o esporte. Muitos vão dizer que é injusto o fato de que o regime de concentração. Referências BRASIL. o período de concentração não gera o direito a horas extras. desde que não exceda a três dias por semana.Entende-se que. pois existe lei especial que se aplica ao caso específico. 2011. 80). aguardando ou executando ordens. por conta de concentração: O Jogador de futebol. 2009. 120 Considerações finais Foi visto que o regime de concentração do jogador profissional não é tido como tempo a disposição do empregador. o minimo que se pode fazer é remunerar como extraordinário o período gasto em concentração que extrapolar o limite das quarenta e quatro horas semanais de trabalho (OLIVEIRA. subtende-se que o jogador estará descansado e com isso apto a desenvolver a sua atividade quando da realização do evento. Tempo à disposição pela CTL. as regras celetista e constitucionais. Diga-se que além disso é um costume existente na maioria dos países. é considerado trabalho extra.8.. não se admitindo o deferimento de horas extras neste período. Nos termos do art. O período de concentração. A concentração é obrigação contratual e legalmente admitida. e por isso. propiciando-lhe melhor condição física e psicológica. vez que aquele acaba permanecendo mais que o dobro do tempo em atividades benéficas ao empregador. O jogador profissional então. portanto. para efeito de pagamento de horas extras. visto que o período é sim tempo à disposição do empregador. LTr . não se pagará hora extra. 80). ele está à disposição do clube (empregador).

452 de 1º. 2. que. perguntamos se não estaria o legislador pátrio exagerando na proteção do devedor. diante do manifesto fracasso do processo de execução por quantia certa. 1. 3º. Impenhorabilidade de bens — Análise com vistas à efetivação da tutela jurisdicional. 1976. BRASIL. e sofre ao não receber seu crédito diante da ineficácia do processo executivo.adv. como a responsabilidade pessoal da Lei das XII Tábuas ou métodos de infâmia conhecidos na Idade Média. Brasília: Congresso Nacional. 2009. a satisfação de obrigação consagrada em título judicial ou extrajudicial. DEJT 1. 4º Turma. A (IM)PENHORABILIDADE DO BEM DE FAMÍLIA NA EXECUÇÃO TRABALHISTA E APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE COMO SOLUÇÃO Jéssica Chaves Costa Bacherela em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora. A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo 121 . 1988. O que nos preocupa é se não estaríamos na tal “humanização” da execução.5. O contrato de trabalho do atleta profissional de futebol. 2014. como afirma com maestria Daniel Amorim Assumpção(1): (1) NEVES. Lei que Regulamenta a Profissão de Atleta Profissional — 6. Direitos trabalhistas do atleta profissional de futebol. por meio de atos praticados pela Justiça do Trabalho. Martins. Rio de Janeiro: Ministério do Trabalho. caput.576/97. não voluntariamente satisfeita pelo devedor. coercitivamente.BRASIL.br/secoes/ artigosf/Daniel_impenhorabil. 2011. é na execução que ocorre o atravancamento processual. muitas vezes ocorre em razão de regras contidas na legislação esparsa. Sergio Pinto. Recurso de Revista n. 40.doc>. LTr . 3º. São Paulo: Atlas. Brasília: Tribunal Superior do Trabalho. 8. 2000.5.2000. Consolidação das Leis de Trabalho. Pós-graduanda pela Universidade Cândido Mendes. Constituição Federal. Daniel Amorim Assumpção. a tutela executiva visa tornar concreto. BRASIL. aquilo que ficou decidido na fase cognitiva. Brasília: Senado Federal. É nesse sentido que a execução trabalhista busca. Relator Ministro Barros Levenhagem.009 de 29 de março de 1990: Art. esquecendo-se por muitas vezes que o credor também é humano. Acesso em: 5 jan. Jean Marcel Mariano. A impenhorabilidade do bem de família na execução trabalhista Assim dispõe o art. Decreto 5.flaviotartuce. da Lei n. 1943. São Paulo: LTR. se necessário.1943. Dos entraves à execução trabalhista Ao contrário do processo de conhecimento.Jornal do Congresso Atualmente. em evidente e injusto detrimento do credor. OLIVEIRA. BRASIL. Disponível em: <http://www.354. Obviamente que não se pretende com tal afirmação glorificar ou ainda justificar métodos ultrapassados na busca da satisfação do direito. Por mais célere que se consiga tornar o processo de conhecimento.

009/90 ao proteger a moradia do devedor não se preocupou em distinguir imóveis de alto valor dos imóveis de baixo valor. 2014. mas de igual relevância.. (2) GIORDANI. A Lei n. A impenhorabilidade do bem de família: comentários à Lei n. 2002. mediante o emprego do princípio da proporcionalidade. e com ela sua finalidade. economicamente falando.com. 8. conforme afirma Rainer Ckzajkowisk (4): A Lei abrange a possibilidade de o proprietário de uma residência luxuosa que não cumpra o adimplemento de uma obrigação. esse ramo do direito poderia perder sua identidade. 3º. (4) CKZAJKOWISK. Juruá. 8.asp>. Rainer. Francisco Alberto de Motta Peixoto. É nesse sentido o entendimento de Francisco Alberto de Motta Giordani(2): (. do contrário. se aplicada.).. previdenciária. 122 3. A aplicação da Lei n. Acesso em: 8. em razão destes não serem absolutos. atento a que.Jornal do Congresso . mesmo porque.. Relator: SAMUEL HUGO LIMA. 8.apej. há o direito a dignidade do trabalhador a ter a satisfação de seu crédito no âmbito executivo. torna-se indiscutível a aplicação da regra que atribui impenhorabilidade ao bem de família legal à Justiça do Trabalho. Data de Publicação: 10. o crédito trabalhista será quitado. A aplicação do princípio da proporcionalidade pode ser vislumbrada por meio de decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região(3) que permitiu a penhora de único bem de família residencial detentor de valor suntuoso para a satisfação da dívida trabalhista devida ao credor.009/90 na Justiça do Trabalho. pois. há de se dispensar tutela àquele e não a este. fiscal. ainda que ostensiva e evidente exteriorização de riqueza. se faz necessária análise minuciosa da situação. de receber o direito como algo posto. 8. Disponível em: <http://www. pois. LTr . Do princípio da proporcionalidade como solução Aplicar o princípio da proporcionalidade como solução para a celeuma que envolve a impenhorabilidade do bem de família legal na execução trabalhista constitui-se como mecanismo hábil para estabelecer equilíbrio entre o direito à moradia do devedor e sua família e o direito do trabalhador à efetiva tutela executiva. com o bem levado à hasta pública. Nesse diapasão. Isso porque estamos diante de colisão de direitos fundamentais.009/90 como absoluta e escusável apenas nas exceções disciplinadas nos incisos do seu art. bem como com os princípios do Direito do Trabalho e sua finalidade precípua de proteger a parte mais vulnerável da relação jurídica.2. deter os mesmos direitos e prerrogativas daquele que não tem condições de saldar suas dívidas. uma vez que a norma merece ser interpretada a luz do caso concreto..br/artigos_doutrina_ fampg_01. 4ª ed. apenas restringindo seu (3) TRT-15 — AGVPET: 6304 SP 006304/2012. a razão do Direito do Trabalho. harmonizá-los. retornando a diferença ao devedor. trabalhista ou de outra natureza (.2012. Por meio deste artigo. sendo claro e irrecusável que. com evidente repercussão no Processo do Trabalho. Em caso de colisão entre direitos fundamentais. por outro lado. impõe-se proceder à compatibilização entre os mesmos. sendo que para parte da doutrina e jurisprudência. mostra-se totalmente razoável a penhora de único imóvel residencial de alto valor. de um lado temos que os fundamentos justificadores da norma jurídica que estabelece a impenhorabilidade do bem de família são a proteção especial conferida pelo Estado à família e o direito a moradia do devedor. assim.009. tendo em vista o caráter imperativo da norma.) não haveria espaço para aplicação da Lei n. jan. Nesse caso. sua não aplicação seria justificada por meio da incompatibilidade com a natureza alimentar do crédito trabalhista. conferindo tratamento jurídico único diante de situações muito distintas e que pode evidenciar disparidades.009/90. de modo a permitir que este adquira imóvel para moradia digna. entre o empregado que recebe seu salário e o empregador que não paga. mas sim o mais forte. o que permitirá. através da redução proporcional do âmbito de aplicação de ambos ou de apenas um deles.de execução civil. por meio de juízos comparativos de ponderação dos interesses envolvidos no caso concreto. alcança-se solução que não invalida o direito à moradia. não estaria protegendo a parte mais fraca da relação jurídica. 8. a partir da ponderação dos direitos fundamentais. afastando-se. seu aproveitamento não é pacífico. é a proteção do empregado. já que. economicamente mais fraco. Todavia. Inobstante a doutrina e jurisprudência majoritária acatarem a previsão expressa da Lei n.

asp>. Disponível em: <http://www. A busca da verdade sobre o dano existencial nas relações de trabalho Noemia Galduróz Cossermelli Doutora e Mestre em Direito do Trabalho pela PUC-SP.Jornal do Congresso Como identificar os pontos fundamentais da problemática do Direito do Trabalho? O presente estudo tem por objetivo responder a seguinte pergunta: “Dano Existen123 . 8. Juruá.com. A partir dos casos concretos que ilustram que a aplicação do princípio da proporcionalidade leva a decisão equânime e justa diante do conflito de direitos fundamentais. Acesso em: 8. apej. 4ª ed. NEVES. 8. na Universidade de SorocabaUniso e na Faculdade de Direito de Sorocaba (FADI). sendo permitida a penhora sobre outros que. A luz do princípio da proporcionalidade.doc. adequando os interesses em conflito de modo que ambos possam conviver sem o completo esvaziamento do outro. considerando a impenhorabilidade como absoluta. para que seu raio de ação seja restringido em prol dos direitos fundamentais em conflito.br/ secoes/artigosf/Daniel_impenhorabil. Situação semelhante se dá no tocante aos bens móveis que guarnecem a casa. Francisco Alberto de Motta Peixoto. (“Tu não me procurarias. Este é o entendimento dos TRT/SP 02990205572 — Ac 3ª T 19990345190 e TRT 1ª Região — AP 03009-97.âmbito de aplicação. 2002. é necessário que haja posição intermediária quanto à aplicação da mencionada Lei. 8009/90 que resguarda a impenhorabilidade do bem de família não deve ser aplicada por meio de mera subsunção legal. Referências bibliográficas CKZAJKOWISK.> Acesso em: 5 jan 2014.009/90 na Justiça do Trabalho. Impenhorabilidade de bens — Análise com vistas à efetivação da tutela jurisdicional. devem ser impenhoráveis somente os bens indispensáveis à família do devedor. A aplicação da Lei n. protegidos pela impenhorabilidade por meio da parte final do parágrafo único do art. Advogada Trabalhista. 8. é possível concluir que a Lei n. apenas lhe propiciem bem estar.009/90. se já não me tivesses encontrado”) Blaise Pascal Quais as causas das inquietações vividas no mundo das relações do trabalho contemporâneas? Quantas respostas serão necessárias para chegar na essência do Direito do Trabalho? LTr . Na mesma esteira de pensamento. tu ne me chercherais pas si tu ne m’avais trouvé. GIORDANI. 1º da Lei n.009/90. A impenhorabilidade do bem de família: comentários à Lei n. jan. garantindo a observância do direito à dignidade do credor laboral.flaviotartuce. não absolutamente indispensáveis à sobrevivência familiar. Rainer. Console-toi. Isso porque o princípio da proporcionalidade se mostra como meio adequado a acomodar objetivos e atenuar tensões. Deste modo.br/artigos_doutrina_fampg_01. Professora Titular de Direito do Trabalho na UNIP-Sorocaba. 2014. Disponível em: <http://www.adv. Daniel Amorim Assumpção. devendo ser realizado exame do caso concreto.

. Por que somente agora está se falando tanto em direito existencial (projetos de vida) do trabalhador? Qual é a causa? LTr . 4) ordem familiar (tempo de convivência com os entes queridos). lutar em igualdade de condições.. o que é impossível. Em virtude do labor em jornada excessiva.. consequentemente. O sistema jurídico da jornada extraordinária encontra fundamentos nos aspectos a) econômicos. d) condições satisfatórias de vida e de trabalho. É direito. dispõe: Art.. c) políticos.) são candidatos potenciais aos sintomas de irrealização dos sonhos comuns a todos (. não fosse a existência do ato danoso. sobre normas de proteção à jornada e ao descanso é significativa. resultar num prejuízo que deva ser reparado. resultando conquistas muito importantes para a classe trabalhadora. Outros. França (1848). 7º — São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. terá o autor da ação que comprovar de forma inequívoca que. a não concessão de férias por longo período ou a sobrecarga de horas extras para além do limite legal de forma reiterada.. o resultado teria se consumado. com a obtenção da chance pretendida. (. Rússia (1887). Áustria (1885).) É preciso que se avance nas relações trabalhistas.. Assim. que servirá de fundamento para as ações trabalhistas que tenham por objeto o pedido de reparação por dano existencial. como na Inglaterra (1847).) Os empregados constrangidos pela exigência compulsória de horas extras. o desrespeito de poucos seja inibido.cial — Trabalhar em horas extras e férias gera dano moral?” Um pouco de história A exploração do trabalho humano na Inglaterra (1830) fez com que os trabalhadores se unissem em defesa de seus interesses. 47. por si só.” Um pouco de norma jurídica brasileira A Constituição Federal de 1988.. o mesmo ocorre em relação ao insucesso da obtenção do resultado esperado.Jornal do Congresso . b) humanos. o direito de realizar o mais simples objetivo da maioria dos seres humanos: viver com dignidade. As trade-unions (sindicatos) lutaram por uma jornada de trabalho de oito horas. que se ressarçam os vitimados pela exploração do poder econômico. surge triunfantemente o Princípio da proteção à vida existencial do trabalhador. da Organização Internacional do Trabalho (OIT) adotou a semana de 40 horas. facultada a compensação de horários e a redução da jornada. observa-se que a flexibilização trazida pelo legislador constituinte diz respeito à compensação e a redução da jornada. por acúmulo de ação laboral superior à suportável (. Ainda que não reproduzido o instituto jurídico da jornada de trabalho na sua inteireza. Um pouco de doutrina Jorge Boucinhas: “(. o trabalhador pode ter seu projeto de vida abortado ou nunca realizado e.) Haverá o dano existencial se restar comprovado o 124 dano a um projeto de vida e/ou ao convívio social e familiar. que se punam os exploradores. Neste cenário. A Encíclica Rerum Novarum (Coisas Novas) afirma que “não deve o trabalho prolongar-se por mais tempo do que as forças o permitem” (Papa Leão XIII — 1891). A Convenção n. possibilitando..” Raimundo Simão de Melo: “Se a perda de uma chance for enquadrada como dano emergente ou lucro cessante. Se a vitória não pode ser provada e confirmada cabalmente. além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XIII — duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais. concretizar sonhos. não são condutas capazes gerar o dano existencial. As primeiras leis na era industrial limitaram a jornada de trabalho em 10 horas. talvez. mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. Assim. Não é favor” Sonia Mascaro Nascimento: “Importante se ressaltar que para se ter o dano existencial necessário se faz a comprovação do prejuízo e o nexo de causalidade com a conduta. a muitos. nacional e internacional. com jornada com 08 horas como os Estados Unidos (1868) e Austrália (1901). A evolução jurídica. em virtude do alto nível de desemprego que ocorrera logo após a 2ª Guerra Mundial.

a cultura jurídica criada é de que a reparação da lesão do direito sofrida pelo empregado. Dano existencial e o Direito do Trabalho. Filosofia do Direito. cada vez mais. Se permanecer a cultura de que a violação dos direitos dos trabalhadores seja reparada com quantias em dinheiro. como dito anteriormente. nestas condições. as normas trabalhistas. Filosofia do Direito. Trata-se do famoso “ganha-ganha” no mundo dos negócios. este deverá “pagar” pelo prejuízo causado. por pressão e/ou medo de perder o emprego e. justificada pela desproporção objetiva entre os sujeitos. Jorge Cavalcanti.br/2014-mar-18/ sonia-mascaro-dano-existencial-requer-prova-prejuizo-nexo-causalidade>. Editora Saraiva. não poderia dispor. PASCAL.Não vai aqui nenhuma pretensão em dizer que danos não devam ser reparados. 1996. O empregado. <http://www. São Paulo. fica estimulado pelo aumento em seu orçamento. Bibliografia NASCIMENTO. os interesses econômicos na relação jurídica entre empregado e empregador. mesmo que trabalhando em jornadas excessivas. Quanto maior o ganho financeiro do empregado. 125 . o que tem prevalecido é o entendimento na não flexibilização.com. ainda que objetivamente desproporcional. Revista Magister de Direito do Trabalho. 1996. Este modelo servirá de fundamento para manter vivo o círculo vicioso das relações trabalhistas entre empregado e empregador. como adicional de horas extras muito superior a 50% (acordo coletivo e convenção coletivas de trabalho). Será esta a verdadeira essência e função do Direito do Trabalho? Vivemos numa constante dialética a respeito do equilíbrio da relação jurídica entre empregado e empregador. e a tendência nos tribunais de arbitrar indenizações por dano existencial. pagamento de férias em dobro. REALE. e o embate maior está em flexibilizar. BOUCINHAS FILHO. seja em dinheiro. Ano X. como titular. vale o mesmo raciocínio. Para o instituto das férias. e isto está fomentando. como forma de punição ao empregador. Dano Existencial requer prova de prejuízo e nexo causalidade. teremos um modelo em que qualquer violação por parte do empregador.Jornal do Congresso tões de ordem existencial do trabalhador. In Miguel Reale. Trata-se de uma modalidade de ganha-ganha que é totalmente contrária aos princípios. Rubia Zanotelli de. os empregados se sujeitam a trabalhar em jornadas excessivas. ALVARENGA. O empregador. Blaise. Miguel. Sabemos que na maioria dos casos. mas.conjur. função e essência do Direito do Trabalho. ou não gozar férias regulares. sai ganhando porque o risco é calculado. na prática. ou não. mesmo que condenado a pagar indenização por dano existencial. São Paulo. Editora Saraiva. Sonia Mascaro. poderá refletir nas ques- LTr . maior o interesse dele em continuar ajustando condições de trabalho que violam direitos que ele. Está evidente que. 57. Le Mystère de Jésus. n.

9. há prefixação do dia em que se extinguirá a eficácia do contrato. II. quer pela alteração das condições pessoais ou contratuais. 185/2012.2000)”. 10. 1. de origem constitucional. em face do término do prazo. b do ADCT. a aquisição de estabilidade quando a gravidez ocorre no curso de um contrato a termo e durante o curso do aviso prévio. (Redação dada pela Res. Uma vez cessada a condição ensejadora da estabilidade provisória. Nesse diapasão. DEJT 25. visto que a extinção da relação de emprego.inserida em 8. Nessa situação. autorizando a reintegração ou a indenização correspondente ao período de estabilidade. só haverá extinção do vínculo empregatício nas hipóteses legalmente autorizadas. Professora de Direito do Trabalho na Universidade de Fortaleza (UNIFOR). o termo final do contrato por prazo determinado resta postergado para o momento em que se verifica o término da garantia provisória de emprego. A referida estabilidade provoca alguns questionamentos. Gravidez no curso de um contrato a termo A estabilidade é instituto jurídico que impõe limites ao poder potestativo do empregador de dispensar. A estabilidade pode ser definitiva ou provisória. No entanto. É o que nos informa a atual redação do item III da Súmula n. desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto”. Portanto. 196 da SBDI-1 . conforme estabelece o art. viabilizando a ruptura do contrato por ato unilateral do empregador. Observa-se. fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa da empregada gestante. do ADCT.Jornal do Congresso . Advogada.Estabilidade Gestante: gravidez no curso do aviso prévio Sandra Mara Freitas Alves Mestre em Direito Internacional pela Universidade do Arizona — James E. pelas partes. n. não haverá mais a garantia de manutenção do vínculo empregatício. 244: “Não há direito da empregada gestante à estabilidade provisória na hipótese de admissão mediante contrato de experiência. Assim.2012) LTr . ou seja. 10. Especialista em Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho pela Universidade Candido Mendes. A partir da confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. conforme disposição legal.11. mesmo na hipótese de admissão mediante contrato por tempo determinado. I do TST). quer pelo decurso de sua vigência. o termo final do contrato implicaria na extinção natural do vínculo empregatício. não constitui dispensa arbitrária ou sem justa causa. Dentre as modalidades de garantias provisórias de emprego. havia o entendimento de que o termo final dos contratos por prazo determinado não poderia ser protraído em virtude de aquisição de estabilidade. Rogers College of Law. arbitrariamente ou sem justa causa. passando o TST a adotar o entendimento de que a ocorrência de gravidez no curso do contrato a termo implica em aquisição de estabilidade. 244. 244 do TST: “A empregada gestante tem direito à estabilidade provisória prevista no art. Introdução 2. conforme o caso (Súmula n. houve alteração jurisprudencial. uma mudança na jurisprudência e legislação pátrias. O contrato a termo tem como uma de suas características a ciência. inciso II. há a estabilidade conferida à “empregada gestante. A efetivação da dispensa sem justa causa é ato nulo. sendo esta de duração determinada no tempo e conferida ao trabalhador em virtude de uma circunstância pessoal ou contratual. (ex-OJ n. não configurando situação de dispensa arbitrária ou sem justa causa. o empregado. quanto ao tema. 126 Esse era o entendimento do Tribunal Superior do Trabalho. dentre os quais. alínea b. como pode se observar através da antiga redação do item III da Súmula n. do momento de extinção do vínculo.

Direito do trabalho. mas. garante à empregada gestante a DELGADO. pela qual se assecação da omissão celetista e a percepção da coerência trabalho. ainda LTr . cação subsidiária do art. vindo no curso do contrato de trabalho. FARIA. 11. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias”. lados pelo Poder Judiciário. todos problemas direitos traTal princípio pressupõe uma visão social do sistema do qualdosetrabalho. Luis Fernando Silva de. conferir conpretações dadas à legislação infraconstitucional devem a esperança que terá seus direitos tutedeve corresponder à do término do prazo do avi. Maurício Godinho. 13. Reforma e efetividade. José Eduardo. do contrato trabalho pela parte que decide O intérprete não deve se quedar inerte diante da dos legisladores e diante dos percalços da inSob o prisma desse princípio. 2014. São Paulo: LTr. José Eduardo (Org. São Paulo: Ática. atravésdo daprocesso. In: prévio. 391-A à CLT. 101-102. justa causa a empregada nal Superior do Trabalho. após a comunicação da resbalho deve oferecer ao seu jurisdicionado-hipossufiennhecimento multidisciplinar e poderes decisórios ampliado contrato. tas. A aplicação subsidiária art. posicionou o Tribututela nascituro. busca da pelo verdadeira efetividade deve é risco a ser aassumido empregador (art. para todos os efeitos legais (art. à gurou a razoável duração do processo como direito dos princípios do Processo do Trabalho com a redação § 1º. o Ditornar-se um objetivo comum principalmente dentre caput da CLT). datorna-se que o aviso prévio sejaquando indenizado. para terminaçãoa do víncu. tude de concepção ocorrida no curso do avisono princípio constitucional da razoável duração do proSe numa infraconstitucional aplicabiatravés do análise pré-aviso. passo adiante. Aquisição de estabilidade gestante no curso empregada faça jus à estabilidade é que a graviaviso prévio É forçoso. Assim preceitua o referido artigo. 2010. formaliza a comunicação rescisão balhistas. pode ajudar a processualística efetividade ao princípio da proteção integral à Civil já é admitida por inúmeros autores. do novodo dispositivo sãoAum meio de dos princípios destacados bitrariamente ou semacima. LXXVIII. como posto no art. ou seja. O aviso prévio é o instituto jurídico através acoplaosao contrato. portanto. após O método de colmatação lacunas. principalmente. porque a superviniência de gravidez do prazo estabilitário. mas apenas manifestação formal do desejo de extinguir o contrato em momento futuro. trabalhado ouCF) indenizado. ed.deo concretização que justifica.nunca dições básicas de sustento do nascituro. vem conferir (art. quando o próprio legislador não o fez. decisão deconcretização dispensar arfundamental a todos os brasileiros 5º. São Paulo: LTr. do pelo legislador infraconstitucional. 6. torna-se irrelevan(4) FARIA. In: CHAVES. Assim. Assim se(art.nidade judiciário e a formação do magistrado. até o decurso dofechados prazo do aviso prévio. Curso de direito do trabalho. não restrigiu a aplicação da estabilidade da gestante aos contratos por prazo determinado. a identifi-se a integração desse período ao contrato de 227 da CF/88. Essa garantia de não visa apenas à a Emenda Constitucional n. 2014.Jornal do Congresso 127 .trato para a data final do período estabilitário. se a gravidez diato.232/2005: Oportuocorre no curso do aviso confere à ges. b do ADCT) não fez qualquer restrição acerca da modalidade contratual. quaisquer não sóperca o emprego. CLT). 475-J do Código de Processo lo.desobretudo. fundamentada Conclui-se. Orientação Numa interpretação pós-positivista os princípios constitucionais irradiar sua aplicabiliEnfim.812/2013 acrescentou o art. consolidando a máxima proteção à maternidade.dos plenamente. ed. Direito Processual do Trabalho: tante o direito à garantia provisória no emprego. 82devem da SDI-1: dade a todos os subsistemas. que o prazo estabelecido. Ordem legal X Mudança social: a crise do (5) CARVALHO. so prévio.CASSAR.A Constituição de 1988 ao estabelecer relevante proteção à maternidade (art. Ainonais justrabalhistas. gui-lo. no curso do aviso prévio protrai o termo do conEsse entendimento passou a ser adota. A condição essencial para que a 3. p. pois a legislação visa assegurar “A data de saídaNesse a serviés anotada na interCTPS os Magistrados e os Advogados para que a sociedade reito Processual do Trabalho. asseguramaternidade aealcançar à criança. rir a garantia da estabilidade provisória em do virsistemas legais vigentes”. de imeParece razoável entender que. 475-J do Código de Processo tível com o novo dispositivo do Código de Processo dene no deProcesso dúvidasdo que o prazonão doserá aviso prévio para se Civil Trabalho a solução Civil como é justificador de sua aplicação subsidiária. São Paulo:legal LTr. derando que o aviso prévio não põe fim. pela partea partir que deseja extin. ocasionando alteração do Texto Celetista. ainda que indenizado”. de maior efetividadeda no cumprimento das sentenças trabalhiste que.te e credor O atual noalimentar sentido de de entendimento bens de natureza — confeum prodos àcisão responsabilidade de reformular das próprias (5) cesso mais ágil e eficaz contradições sociais os conceitos e tipificantes dos . mas será um direito. 45/04. A Lei n.). 249-275. Lei n. 5.cesso prévio. Luciano Athayde. Por essa razão. Consiconcretizar o espírito dos comandos constitucionais. Eduardo Faextingui-lo. São Paulo: MÉTODO. O Processo do Traria(4)vínculo ressalta de que “cabe a uma magistratura com um coemprego. reconhecer que a meraInapliOdo princípio da finalidade social não só é compadez ocorra durante o vínculo empregatício. 2º. 10. Há a obrigação deJosé manutenção do letargia 4. CF). Conclusão corporação de novos procedimentos. e nos princípios constitucilidade da multa do art. a argumenjustrabalhista essetal desiderato. mas. O aviso prévio não implica em fim da relação empregatícia. LXXVIII. proteção objetiva da gestante. estabelecer restrições a direitos. não haja impedimento para a rescisão do p. estabilidade provisória prevista na alínea b do inciso II do art. o contrato continua a produzir efeitos legais durante o período do pré-aviso. entretanto. ed. não cabe ao intérprete. Bibliografia 12. BARROS. II. 9. integra o contrato para todos os efeitos. Jurisprudencial n. tação mais consistente analisada a luz da principiologia constitucional. que durante o prazo do aviso prévio trabalhado ou indenizado. Curso de direito do trabalho. ao vínculo de emprego. processual valorizando mais asdaquestões a aquisição dojáreferido de justiça do que de os problemas de legalidade. só podendo se efetivar a dispensa após o decurso contrato. como. in fine. 1997. 475-J do Código de Processo Civil. Vólia Bomfim. por exemplo. in verbis: “A confirmação do estado de gravidez ad. por ocasião comunicação da dispensa Direito e Justiça: a Função Social do Judiciário. 5º. 487. sobretudo. Alice Monteiro de. 2007.

que se tem conhecimento foi a do Império Romano. p. Especialista em Direito do Trabalho e em Formação Pedagógica do Professor Universitário. o direito e instituições da Grécia e de Roma. coincide com as grandes descobertas dos séculos XIV e XV. Eric J. não era mais a divina. Se as leis da associação humana já não são as mesmas que foram as da antiquidade. a sociedade cristã temia o Juízo final.” Fustel de Coulanges(*). Porto: 1950. mas a tecnológica o bug do milênio(2). modificassem o seu modo de observar o mundo e também alterou de forma crucial as re(3) A globalização está dividido em quatro fases: a primeira. a quarta globalização. Tradução Portuguesa. a ameaça. os homens voltaram a temer o Apocalipse. Rio de Janeiro: Pás e Terra. Advogado. A causa que as produz deve ser poderosa e devendo residir no próprio homem. A comparação é um exemplo da dimensão que a tecnologia vem assumindo em nossas vidas. Nunca estivemos tão fascinados pela tecnologia e tão dependentes do conforto. A cidade antiga: estudo sobre o culto.Jornal do Congresso . 159.7º Painel A MODERNIZAÇÃO DO DIREITO E AS NOVAS DIMENSÕES PARA O ACESSO AO JUDICIÁRIO Ronald Silka de Almeida Mestre em Direitos Fundamentais e Democracia pela UniBrasil. Temos. Deus espalharia sua ira sobre o mundo na forma de morte e destruição. as empresas. aparece na segunda metade do século XIX. Fazemos (*) COULANGES. fato este que efetivamente não ocorreu. “As grandes transformações que de tempos a tempos aparecem na constituição das sociedades não podem ser o efeito nem do acaso. Livraria Clássica Editora. a segunda. ambos pela PUCPR. a razão está em que no homem alguma coisa se transformou. 6. p. que findou com a feudalização política e comercial. Fustel de. 2008. da segurança e do poder que ela oferece. Segundo registros históricos na passagem de 999 para o ano 1000. algo do nosso ser a modificar-se de século em século: a nossa inteligência. Nações e Nacionalismo desde 1780. Levada por crenças religiosas. que propiciaram grande avanço do comércio internacional. (1) HOBSBAWM. o trabalho é desenvolvido em qualquer lugar e em qualquer hora. até porque ela nunca foi tão visível e onipresente. do Estado e Atividade Econômica: enfoque laboral na PUCPR. (2) Imaginava-se que com a mudança de calendário em razão da alteração do milênio os computadores iriam paralisar suas operações. Tradução: Maria Célia Paoli. efectivamente. 128 parte de um mundo deslumbrado com os avanços tecnológicos da eletrônica e da informatização. 7ª ed. uma onda de terror se espalhou pelo mundo medieval(1). Professor Assistente no Grupo de Pesquisa: Desregulamentação do Direito. graduado pela Faculdade de Direito de Curitiba. nem só da força. Um milênio depois. estão vinculadas às notáveis inovações tecnológicas nos instrumentos de navegação. fez com que as pessoas. após as guerras napoleônicas e determina a supremacia do liberalismo sobre o mercantilismo e está associada à Revolução Industrial em que surgiram as primeiras noções de relação de trabalho. porém. Anna Maria Quirino. os Estados. a terceira. LTr . a sociedade. fenômeno contemporâneo resultado do desenvolvimento dos mercados e também em razão do expressivo avanço tecnológico (informática e eletrônica). Neste contexto a história informa a ocorrência do fenômeno denominado globalização tecnológica(3) que. Nossas fronteiras deixaram de esbarrar nas fronteiras do tempo e do espaço graças ao e-mail e das redes sociais. Membro Diretor da AATPR. efetivamente transformou o planeta em uma grande aldeia global.

edoc2. São Paulo: LTr. (5) CLT — “Art.. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. tão somente os advogados. os Tribunais pátrios no afã de se atualizarem criaram seus próprios sistemas. de forma árdua. Ana Maria Saad Castello Branco. O que se tem observado na realidade é uma verdadeira restrição em relação à consulta processual que era efetuada de forma plena a todas as peças processuais. precad. à segurança e à propriedade. Incisos XXXIV e XXXV(4). independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder. à liberdade. srre. nos casos em que ocorria o jus postulandi a parte sempre teve de se dirigir pessoalmente ao órgão judiciário mais próximo de seu domicílio para ter conhecimento do andamento do processo. Entretanto. b) a obtenção de certidões em repartições públicas. pode-se dizer sem sombra de dúvida criou-se uma verdadeira babilônia de sistemas operacionais: provi. 129 . às partes a consulta fica restrita a meras informações de andamento processual. entre outros e culminando com o PJe — Processo Judicial Eletrônico que vem sendo instalado paulatinamente em todo o território nacional. posto que para o exercício do jus postulandi independe de a parte possuir ou não conhecimentos e disponibilidade de aparelhos e sistemas de informática. (ressalvados os casos de segredo de justiça) pelas pessoas que não eram partes integrantes do processo e que hoje já não é possível ficando estritamente restrita aos advogados que portam certificação digital. 5º Todos são iguais perante a lei.” SAAD.planalto.br/ccivil_03/constituicao/ constituicaocompilado. tentando acompanhar as evoluções tecnológicas para em prol de uma melhor racionalidade dos procedimentos minimizar os efeitos de uma demorada entrega jurisdicional. posto que mesmo quando inexistia o sistema informatizado de consulta processual. e-doc. sem restrição. 47ª ed.” Disponível em: <http://www. Entretanto. spe. entrementes diante da exigência de: a) possuir um computador com os sistemas mínimos exigidos para a leitura dos arquivos judiciais. Nunca é (4) CRFB — “art. p. e ampl. sisdoc. por José Eduardo Duarte Saad. para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal. de plano o que se observou em relação a adoção de sistemas eletrônicos de petição e inclusive para a realização das atividades jurisdicionais (audiências. escritório digital. XXXV — a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. 2014. A sistemática normativa indica que à parte basta se dirigir ao órgão de primeiro grau para apresentar as suas razões ao judiciário conforme preconiza o disposto no art. 839 — A reclamação poderá ser apresentada: a) pelos empregados e empregadores. não se pode confundir o acesso à justiça com o acesso à visualização das peças processuais. e-proc. alguns aspectos devem ser levados em conta nesta difícil tarefa de atualização tecnológica do sistema judiciário brasileiro. Neste ponto é de se observar que não há o que se falar em prejuízo do jurisdicionado ao direito de acesso ao judiciário conforme preconiza LTr . Eduardo Gabriel. projudi. e pelos sindicatos de classe. O sistema Judiciário brasileiro vem. 1122. ou por seus representantes. 839. notificações e sentenças) é que ocorreu um aparente desafogo no trâmite das atividades das secretarias das varas em razão de que advogados e partes não mais necessitam de se dirigirem ao foro para se inteirarem do andamento do processo e realizarem algum procedimento. sem distinção de qualquer natureza. em primeiro lugar assim como ocorreu uma explosão tecnológica a partir da década dos anos 1980.lações de trabalho e a necessidade de uma constante atualização de normas e de mecanismos tecnológicos. atual.Jornal do Congresso a garantia constitucional insculpida no artigo 5º. Consolidação das Leis do Trabalho: comentada. da CLT(5). nos termos seguintes: [.htm>. Porém um aspecto relevante deve ser observado conforme citado anteriormente as partes e procuradores não necessitam mais ficarem se deslocando até o foro para terem notícias do andamento do processo que lhes interessa. bem como possuir um certificado digital. Acesso em: 2 mai. b) ser portador de uma chave eletrônica representada pelo Certificado Digital. é que têm efetivo acesso ao conteúdo dos processos. o acesso se dá através dos mecanismos oferecidos pelo próprio judiciário que acompanha e orienta o cidadão. 2014. à igualdade. mandados. rev. pessoalmente. o que ocorre na realidade é uma restrição à publicidade dos atos. fato este que não lhe fora retirado com a informatização dos sistemas processuais. ou seja. Em segundo. procuradores das partes.gov. b) por intermédio das Procuradorias Regionais da Justiça do Trabalho.] XXXIV — são a todos assegurados..

demais lembrar que mesmo no caso de se utilizar o jus postulandi e a parte não ter qualquer noção da sistemática processual. descabe enumerar as incontáveis benesses que os avanços no mundo dos computadores trouxeram para o mundo das pessoas. PROCESSO ELETRÔNICO E ACESSO AO JUDICIÁRIO Hugo Cesar Amaral Bacharel e especialista em Direito Constitucional pela Faculdade de Direito da UFU/MG.Jornal do Congresso . a verdade é que uma implementação autoritária do processo eletrônico pode trazer LTr . já há muito tempo. Advogado. LXXVIII. Embora à primeira vista possa parecer cercado de vantagens o dito processo eletrônico. sendo igualmente eletrônicos todos os demais atos processuais praticados. 130 O universo dos profissionais do direito igualmente não poderia deixar de ser beneficiado pelos avanços da informática e referidos avanços estão a culminar no chamado processo eletrônico. sempre sendo necessário alguns ajustes em face das constantes alterações nos sistemas informatizados. seja proporcionando um maior acesso às informações. da Constituição Federal da razoável duração do processo. pois traria economia de papel. O processo eletrônico no âmbito trabalhista sem sombra de dúvida trouxe uma agilização aos trabalhos dos profissionais que atuam nesta área. Entendemos que com a unificação de sistemas e de procedimentos e até mesmo com a atualização de normas processuais adequadas ao processo do trabalho se estará no caminho da tão almejada entrega jurisdicional que passará a ocorrer de forma efetiva e quiçá atendendo-se ao princípio fundamental insculpido no artigo 5º. etc. Procurador do DMAE de Uberlândia/MG. No âmbito específico da informática os avanços tem sido grandiosos e muitos benefícios têm proporcionado à humanidade. como por exemplo a simultaneidade de emissão de documentos notificações e citações através de um único procedimento. 1. colhido os frutos dos avanços que a inteligência humana tem colocado à nossa disposição. Introdução A evolução científica e tecnológica é inerente ao ser humano e todos temos. em que pese ainda não estar totalmente adequado ao processo do trabalho. seja permitindo melhoria nos meios de comunicação entre as pessoas. Efetividade esta que deve se concretizar através de uma participação mais ativa do judiciário através da concretização de instrumentos. qual seja a unificação e melhoria dos sistemas para um pleno acesso do jurisdicionado. em tese daria rapidez ao trâmite dos processos. permitiria a visualização e acesso aos autos a qualquer momento. dada a desnecessidade de juntada de documentos. A modernização dos sistemas se faz necessário para uma melhor agilidade das atribuições do judiciário. mas nem por isso deve-se deixar de observar as regras basilares de segurança e acessibilidade ao processo de forma a dar efetividade à atuação judiciária. enfim. o processo trabalhista ainda assim tem o impulso oficial através do juiz. através do qual se pretende a substituição dos autos de papel por arquivos virtuais e eletrônicos.

Jornal do Congresso alta velocidade etc). 115. o art. sobretudo. acompanhadas ou não de anexos. Processo eletrônico e acesso à Justiça Nossa Constituição Federal. exigindo-se prévio cadastro no mesmo. Limitar-se o acesso ao Judiciário à via eletrônica. (2) Se a um jovem advogado o processo eletrônico pode trazer dificuldades imaginemos a uma pessoa idosa.419/2006 prevê que o procurador deverá ser intimado e citado virtualmente em um portal especifico. tem à sua disposição. sequencialmente. no canto inferior do lado direito”. em seu art. Numa análise não aprofundada da questão da adoção do processo eletrônico pode passar despercebida eventual colisão da sistemática que se queira implementar com o direito fundamental em questão. internet em LTr . a parte não tomará conhecimento do ato e sofrerá as consequências processuais disto. utilizando-se frente e verso. Em nosso país os serviços de Internet são precários e sobretudo onerosos. Uma tese despretensiosa como a presente não esgotaria a apreciação das possíveis inconstitucionalidades que rondam o processo eletrônico. no tamanho máximo. a adoção do processo eletrônico quando se impede. seja pelos custos que estão agregados ao uso do processo eletrônico (certificações.prejuízos aos jurisdicionados. sendo que o acesso ao peticionamento eletrônico de regra é sujeito a obtenção de certificações digitais e aquisição de aparelhos a onerar ainda mais o labor do causídico. apenas serão aceitas em formato PDF (Portable Document Format). Inquestionável a inconstitucionalidade!(3) 3. p. inc. o processo eletrônico demanda recursos de informática que nem todo jurisdicionado e mesmo nem todo advogado. 69-76. Nos preocupa. n. 131 . efetivada paulatinamente e não se vedando a utilização do peticionamento em papel para a parte e para o causídico que assim o desejar. concomitantemente à sua implementação. do TRT da 3ª Região: “As petições. 2. Adiante melhor desenvolveremos nossas ideias. seja pela complexidade inerente ao uso do sistema(1). abr. atingindo pela via direta o direito fundamental do acesso ao Judiciário. insculpido em nossa Carta Política de 1988 em seu art. em “Comunicação eletrônica dos atos processuais: breve balanço dos cinco anos de vigência da Lei n. Ocorre que o direito ao acesso ao Judiciário não há de ser concebido apenas quanto à possibilidade de a pessoa lesada ou ameaçada de lesão em seu direito poder bater às portas da Justiça. o uso do “vetusto” peticionamento em papel. a ferir os dizeres do sobrecitado inciso XXXV. (3) As ponderações são de Heitor Vitor Mendonça Sica. a título de exemplificação da complexidade inerente ao sistema. de 20 folhas impressas ou 40 páginas. Esta situação fulmina o direito ao acesso à Justiça para aquele causídico e para aquela parte(2) que não tenha se desincumbido das inúmeras e complexas exigências para a utilização do processo eletrônico. 2012. AASP. 5º. nestas circunstâncias. entretanto sua adoção há de ser parcimoniosa. respeitado o limite de 2 megabytes. inábil a manusear os recursos de informática. Ainda que o peticionamento em papel possa parecer algo arcaico. XXXV. 11. Revista do Advogado. Faltante este cadastro. 11. conforme for a localidade em que atua. 2º da Instrução Normativa n. e é essa a sensação que se depreende (1) Cumpre aqui citar. Melhor explicando. 5º. Conclusões O processo eletrônico pode trazer efetivamente inúmeros benefícios à Justiça brasileira. mas sim que a forma como o mesmo vier a ser implementado poderá dificultar o acesso ao Judiciário estando. 3/2006. sendo que as páginas deverão ser configuradas para papel tamanho A4 (210x297 mm) e numeradas. A citada norma constitucional assegurou o direito fundamental do chamado acesso à Justiça. temos que melhor atende ao espírito do amplo acesso ao Judiciário que um sistema repleto de exigências técnicas que dificultarão o simples ato de propor uma ação. mas a título de ilustração a Lei n.419/2006. por operação. inciso XXXV informa que a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário a lesão ou ameaça a direito. Em nome da modernidade se está a ferir um direito fundamental. Não está se falando que o processo eletrônico impedirá o acesso à Justiça.

Jornal do Congresso 132 lados pelo Poder Judiciário. LTr . a argumentação torna-se mais consistente quando analisada a luz da principiologia constitucional. Luis Fernando Silva de. a princíAdotar-se o processo Numa interpretação pós-positivista do processo. São Paulo: LTr. (5) CARVALHO. Direito Processual do Trabalho: Reforma e efetividade. Nesse viés quaisquer interdades e imperfeições que dificultam o acesso ao pretações dadas à legislação infraconstitucional devem concretizar o espírito dos comandos constitucionais. 5º. José Eduardo. os PJe. onais justrabalhistas. busca da verdadeira efetividade deve tornar-se um objetivo comum principalmente dentre namento em papel nos soa. recanto aondeemilhões de brasileiros dos princípios do lídimas Processopretensões do Trabalhode com a redação direcionam suas justiça. 1997. In: CHAVES. p. 101-102. p. da princípiosOconstitucionais devem irradiar sua aplicabilidade a todos os subsistemas. o Diagilidade e da economia. pela qual se assedo rápido avanço do PJe. sob o argumento da modernidade. data máxima vênia. In: FARIA. eletrônico. 2007. por exemplo. os Magistrados e os Advogados para que a sociedade beirar à ofensa ao texto constitucional. O método de colmatação de lacunas. LXXVIII. nos soaa até adequado. após a Emenda Constitucional n. 45/04. nunca perca a esperança de que terá seus direitos tute- (4) FARIA. Lei n. Judiciário. 11.Jornal do Congresso . 249-275. CF). indiscutivelmente gurou duração do processo comoaodireito ferea orazoável direito constitucional ao acesso Poder fundamental a todos os brasileiros (art. a identifi- cação da omissão celetista a percepção da coerência Judiciário. do novo dispositivo são um meio de concretização dos princípios destacados acima. Direito e Justiça: a Função Social do Judiciário. Abolir-se o peticioEnfim. Ordem legal X Mudança social: a crise do judiciário e a formação do magistrado.232/2005: Oportunidade de maior efetividade no cumprimento das sentenças trabalhistas. principalmente. pio. está a esconder dificulreito Processual do Trabalho. José Eduardo (Org. Luciano Athayde.Civil já é admitida por inúmeros autores. pode ajudar a processualística justrabalhista a alcançar esse desiderato. como. 97 LTr . São Paulo: Ática.).

JORNAL DO CONGRESSO Expediente Os conceitos e opiniões emitidos nas teses e colaborações aqui publicadas são de inteira responsabilidade de seus autores. Redator Responsável: ARMANDO CASIMIRO COSTA DET N. desde que citada a fonte. É permitida a reprodução total ou parcial de qualquer matéria desta publicação. 749 Assistente de Redação: Sonia Regina da Silva Claro Composição a laser LINOTEC .