JORNAL

54º CONGRESSO BRASILEIRO DE
DIREITO DO TRABALHO

ÍNdice das teses
painéis do congresso
1º Painel
A teoria do domínio do fato, do Direito Penal
é aplicável ao Direito do Trabalho?
BOSKOVIC, Alessandra Barichello
— O direito de greve no Brasl: Condições e limitações....................................................... 7
MAGALHÃES, Aline Carneiro
OLIVEIRA, José Ourismar Barros de
— O acidente do trabalho e a análise da aplicabilidade da teoria do domínio do fato na
seara juslaboral............................................ 9

2º Painel
Terceirização de serviços
MARTINIUK, Daiane
DISSENHA, Leila Andressa
— Cooperativas de trabalho: Análise jus administrativa — Licitude e desvirtuamento...... 12
MELO, Tatiana Guedes
— Apontamentos sobre terceirização de serviços: Eficiência ou lucratividade da empresa
no mundo concorrencial e reflexos nas relações de trabalho........................................ 14
FERREIRA, Teresinha Soares Abreu
— Terceirização de serviços............................. 17
PELEGRÍNI, Mári Ângela
— Responsabilidade na terceirização — O ovo
de Colombo................................................. 19

3º Painel
Acidentes do trabalho — Responsabilidades
AMARAL, Hugo Cesar
— A lesão estética e a reparação de natureza
moral e material: Uma tentativa de esclarecimento........................................................ 33
LOPES, Emanoel Alesandro da Cruz Sampaio
— A reiteração de acidentes de trabalho e a relação com culpa e o nexo causal.................. 35
CHARÃO, Anderson Pereira
— A impossibilidade de cumulação entre o
dano moral e o existencial........................... 37
GONÇALVES, Tiago de Araújo
DISSENHA, Leila Andressa
— Dano moral e dano estético: Natureza jurídica e possibilidade de cumulação.............. 39
MUÇOUÇAH, Renato de Almeida Oliveira
— O labor na lei de execução penal e os acidentes do trabalho: Breves questões............ 42
ARAÚJO, Maria Gilda de Freitas
— Qual a responsabilidade do empregador por
acidentes causados por terceiros?................ 45
BECK, Carolina
— O meio ambiente do trabalho sadio e equilibrado: Um direito fundamental e humano
do trabalhador............................................. 47

4º Painel
A arbitragem trabalhista

BARBOSA, Magno Luiz

CHAGAS, Bruno Anunciação das

— Terceirização, efeitos nocivos ao trabalhador e impactos na duração do trabalho....... 27

— A arbitragem trabalhista e a experiência
canadense.................................................... 50

MAXIMILIANO, Ana Maria

DISSENHA, Leila Andressa

VILLATORE, Marco Antônio César

GONÇALVES, Tiago de Araújo

— É necessária a regulação da terceirização de
serviços?...................................................... 30

— Conciliação judicial trabalhista: Técnica e
excelência.................................................... 53

LTr - Jornal do Congresso

3

..... Gabriel Henrique — A arbitragem e a duração razoável do processo trabalhista....... 101 LOPES.............MASSONI.................... Lucas Rafael de Menezes — Empregado doméstico e ônus da prova da jornada de trabalho..... a Convenção n....................Jornal do Congresso ......... Sandro Lunard GACEK.. Túlio de Oliveira SANTORO.............................. 93 — Mecanismos para garantir a liberdade de expressão no modelo sindical brasileiro........ C...... Sandro Lunard — Democracia sindical: Elementos constitutivos do modelo brasileiro... — A quem incumbirá o ônus da prova da jornada cumprida em processos em que a litiguem o doméstico e seu empregado.... Igor Zwicker — O retrocesso social na redução da base de cálculo do adicional de periculosidade dos eletricitários.... 77 MARTINS...... 104 MARTINS... Emanoel Alesandro da Cruz Sampaio — Assédio processual...... Cleyton Eduardo Todesco D........ Leonardo de Abreu SANTOS........ Camila S......................................... 106 BENTO.............. 82 4 LTr ..... Maíra Neiva — A organização sindical................. 88 MARTINS........ Stanley Arthur — Liberdade sindical no Brasil e a OIT: A questão da cláusula assistencial — do PN 119 ao caso 2739 — Uma dupla perspectiva................307/96) na resolução de conflitos individuais trabalhistas...... 114 da Constituição Federal.... Adriano Jannuzzi MAGALHÃES... 9................. o pluralismo e a necessidade de emergência das singularidades........ 32 da lei de licitações..................... 64 NICOLADELI........ Igor Zwicker — O desafio brasileiro de manter uma magistratura forte e independente................ 73 GOMES.................. Igor Zwicker — Alcance da expressão “outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho”. 95 MOREIRA......... Gilzana FERNANDES......... Flávia Teles — Breves considerações sobre a convenção de arbitragem.. 56 GOMES.......... Maíra Neiva — Pequenas reflexões sobre a democracia sindical..................... corolário do estado democrático de direito.......... inserta no inciso IX do art. Janaina Aparecida do Nascimento Munhoz SANTOS..... Túlio de Oliveira — Autoritarismos e falácias na defesa da unicidade sindical....... 98 MARTINS......................... 109 — É possível defender a manutenção da unicidade sindical?........................... 90 SILVA.............................. 67 FRANÇA............................ 70 MASSONI.... Flávio LIMA................ Robson Luiz de — Reestruturação do mundo do trabalho: A organização do estado e sua participação no financiamento dos sindicatos no Brasil....................... Leda Maria Messias da INOJOSA. Manoella Rossi — A aplicabilidade da lei de arbitragem (Lei n............ 58 CECCON..................... 87 da OIT....................... MAIA.................. ainda que à luz do art............... Anne Helena Fischer PITONI....................... André Luiz Ferreira — Não concessão de férias — Horas extras — Dano existencial................... Aline Carneiro — Breves notas sobre o dano existencial.... Igor Zwicker — Indispensabilidade da CNDT nas contratações públicas por órgãos da Justiça do Trabalho. 85 6º Painel Temas atuais KEUNECKE.......... 75 NICOLADELI.... 62 5º Painel Liberdade sindical JOAQUIM..............

........... Jéssica Chaves — A (im)penhorabilidade do bem de família na execução trabalhista e aplicação do princípio da proporcionalidade como solução..... Hugo Cesar LTr .... Euseli — O tempo de concentraçao de um jogador deve ser considerado hora extra?............ 114 MARTINS. Sandra Mara Freitas — Estabilidade Gestante: gravidez no curso do aviso prévio.................................... 116 COSSERMELLI................................................Jornal do Congresso — A modernização do direito e as novas dimensões para o acesso ao judiciário........... 119 ALMEIDA.. Luis Felipe Carneiro — Ônus da prova da jornada — Doméstico x empregador. Noemia Galduróz — A busca da verdade sobre o dano existencial nas relações de trabalho............ Igor Zwicker — O direito dos trabalhadores ao adicional de insalubridade quando há “mera exposição” a raios solares............. 121 AMARAL... 123 ALVES... 130 5 ....................MARTINS....... 126 7º Painel O processo juducial eletrônico SANTOS.............. Ronald Silka de COSTA..... 128 — Processo eletrônico e acesso ao judiciário............................. Igor Zwicker — O falso serviço voluntário e a servidão disfarçada na lei geral da copa..... 111 MALULY.

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XXVI) e obrigatoriedade de participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho (CF. p. tanto que na redação da lei é “frustrada a negociação ou verificada a impossibilidade de recurso à via arbitral”. Foi com o advento da Lei n. de 28 de junho de 1989. não constitui requisito para o exercício da greve. Registre-se que a via arbitral. o expresLTr . 37. em seus §§ 1º e 2º. Carlos Henrique Bezerra Leite (2000. como uma condição para a utilização do direito à greve. Em se pretendendo compreender o funcionamento do direito de greve no Brasil. que Legislador pátrio efetivamente fixou os limites ao exercício do direito de greve (tal como requisitado pelo art. a greve está diretamente relacionada com a negociação coletiva e nesse sentido é que ambas as figuras integram o campo maior dos direitos coletivos dos trabalhadores. Desse modo. portanto. Tais limitações encontram-se disciplinadas no ordenamento jurídico brasileiro. 7. 114 da Constituição Federal. inclusive o de greve. necessária é a análise das condições e requisitos para que sua ocorrência prime pela observância da legalidade. e (ii) aviso prévio ao empregador (ou organização empresarial). tanto na esfera constitucional quanto no âmbito infraconstitucional. por sua natureza jurídica equivalente ao dissidio coletivo (heterocomposição). da Constituição Federal).1º Painel O DIREITO DE GREVE NO BRASIL: CONDIÇÕES E LIMITAÇÕES Alessandra Barichello Boskovic Doutoranda e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e Especialista em Direito e Processo do Trabalho pelo Centro Universitário Curitiba (2009). p. Da Lei em análise pode-se observar que são dois os requisitos à legitimidade da greve no Brasil: (i) frustração de negociação coletiva ou impossibilidade de recurso à arbitragem. art. Se o sindicato dos trabalhadores demonstrar que propôs. O ajuizamento de qualquer dissídio coletivo. definidos pela Constituição. Coordenadora do curso de Especialização em Direito e Processo do Trabalho na Universidade Positivo. p. o que significa que a proposta de arbitragem recusada pelo empregador tem o mesmo efeito da frustração da negociação. já que bastaria a recusa empresarial em negociar e o pleito terminaria sem outras consequências. estará também legitimado para a deflagração da greve. Amauri Mascaro Nascimento (1989. e não foi atendido. dentre outros. 8. inclusive o de greve.783. 60) assevera que a frustração da negociação coletiva 7 .Jornal do Congresso so reconhecimento das convenções coletivas de trabalho (CF. tem como condição da ação (além da condições da ação inerentes a todo e qualquer processo — possibilidade jurídica do pedido. VII. 53): são hipóteses alternativas. O art. A ausência daquela torna ilícito o exercício deste. Advoga Nascimento (1989. VI). 7º. art. A negociação apresenta-se. legitimidade das partes e interesse processual) a frustração da negociação coletiva. a solução do conflito pela arbitragem. confirma o caráter implícito da frustração da negociação coletiva para ajuizamento de qualquer dissídio coletivo. Advogada e Professora do curso de Direito na Universidade Positivo e na Faculdade de Educação Superior do Paraná (FESP). 49-51) elucida que: a negociação coletiva não teria por si expressão sem o correlato direito de greve.

Este dispositivo estipula que quarenta e oito horas antes da greve a entidade patronal ou os empregadores diretamente interessados deverão ser notificados sobre sua ocorrência. Nestes casos. contudo. p. Bezerra Leite (2000. que não caracterizará ela abuso de direito quando tiver por objetivo exigir o cumprimento de cláusula ou condição desrespeitada. da Carta Maior. O segundo requisito apontado à legitimidade da greve é a comunicação prévia. na segunda. a Lei de Greve a descreve como a mera inobservância das normas nela contidas (art.783/89. Em que pese seja considerada um direito fundamental. como exemplo.783/89) não impõe a forma a ser observada pela notificação (assim. no que tange à paralisação coletiva na vigência de acordo coletivo. Assim. Bezerra Leite (2000. Ainda. responderão os grevistas e/ou o sindicato por (1) Menciona-se. 61) esclarece que a finalidade da notificação. a forma verbal é permitida). O ordenamento jurídico brasileiro considera abuso no exercício do direito de greve a inobservância das normas estabelecidas na Lei n. da Lei. 3º. Essa exigência da notificação prévia se faz legal para tornar inválida a “greve de surpresa”. 11). O primeiro deles é a regra geral. Leciona o autor: A recusa em negociar pode ser tácita. a título ilustrativo. Na primeira. p. da Lei de Greve. 124). durante o período de gre8 ve. 2º e 3º. ou aviso prévio. que se caracteriza pela ausência de resposta ao pleito sindical no prazo assinalado. Nesta seara. O segundo prazo tem caráter excepcional. o art.Jornal do Congresso . parágrafo único. 6º. 2000. 10 do diploma em análise. a comunicação em tela deverá ser efetuada setenta e duas horas antes do início das paralisações (art. ofícios etc. ao passo que as limitações subjetivas dizem respeito aos abusos eventualmente cometidos. o art. De todo modo. assim consideradas aquelas que. a saúde ou a segurança da população. mas estabelece os prazos para sua realização. que pode ser verbal ou escrita. o empregador simplesmente comparece ao local declinado pelo sindicato e diz que não pretende negociar. (LEITE. §§ 1º. se não atendidas. para que possam eles tomar as providências alternativas que julguem necessárias enquanto durar o movimento grevista. 67) destaca que o diploma legal em análise acabou por confundir o conceito de abusividade com o de ilegalidade. 66). 7. A Lei de Greve (Lei n. as quais podem ser de ordem objetiva ou subjetiva. e refere-se às atividades consideradas essenciais pelo art.pode ocorrer por recusa à negociação ou desacordo no curso dela. LTr . bem como a manutenção da paralização após a celebração de acordo coletivo. As limitações objetivas encontram previsão na Constituição Federal(1) e nas Leis ordinárias(2). 14). prevista no art. há trocas de expedientes (cartas. Para estas atividades essenciais. a prestação dos serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade.) entres as partes. assevera o autor. em qualquer hipótese. ou expressa. o legislador tratou de estender a necessidade de notificação prévia também aos usuários do serviço que se pretende paralisar. estabeleceu o legislador a vedação à paralização total das atividades (art. é conceder ao empregador um tempo mínimo para as providências que julgue necessárias (tais como o cumprimento de obrigações contratuais. convenção coletiva ou decisão da Justiça do Trabalho. §1º. (2) Aponta-se. Nestes casos. relacionamento com clientes e logística de mercadorias ou serviços) antes da paralisação. convenção coletiva ou sentença normativa. 13). apesar de não recomendável. basta que não se cumpra um dos dispositivos previstos na Lei para que já se configure o abuso no exercício do direito de greve. Há que se ressaltar. p. Embora a doutrina conceitue abuso de direito como “o uso do direito para objetivos contrários ao seu fim” (NASCIMENTO. a greve não é um direito absoluto. também no que tange aos serviços essenciais. O mesmo ocorrerá quando a paralisação for motivada pela superveniência de fato novo que modifique substancialmente a relação de trabalho. Existem limitações. empregadores e trabalhadores ficam obrigados a garantir. p. 7. 1989. coloquem em perigo iminente a sobrevivência. 9º.

365 acidentes do trabalho. Articulista e palestrante.570 doenças do trabalho e 2. Em 9 . . São Paulo: LTr. com 44. ocorreram 733.295 acidentes típicos. Curitiba. 2008.474 acidentes do trabalho.Jornal do Congresso De acordo com os Anuários Estatísticos de Acidentes do Trabalho do Ministério da Previdência Social e do Ministério do Trabalho e Emprego(4) nos últimos quatro anos(5) houve uma queda (4) Disponível em: <http://www. em um mercado com 41. A temática relativa aos infortúnios laborais não é nova e desde a época da Revolução Industrial é um grave problema não só trabalhista.2014. Maildes Alves de.jus. NASCIMENTO. Compêndio de direito sindical.br/web/ trabalhoseguro/entenda-os-numeros>. mas.(3) (3) Informação colhida no I Seminário Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho promovido pelo TST em 2011. os quais serão apurados.2. 1989. o que faz com que o Brasil ocupe a terceira posição dentre os países do G20 em quantidade de acidentes do trabalho. perdendo apenas para China e Índia. LTr . podendo abarcar também o âmbito civil ou criminal.jus.177 doenças do trabalho e 2. Luiz Eduardo. Disponível em: <http://www. sendo 424.068. A greve como direito fundamental. Especialista em Direito Penal e mestrando em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais. A greve no Direito Positivo Brasileiro. GUNTHER. LEITE. ocorreram 709. 1979. 2000.546 trabalhadores formais. 82. Advogada. Porto Alegre: Síntese.207. ed.tst. João Antonio G. Esta responsabilidade não se restringe à esfera trabalhista. Pereira. In: Revista Síntese Trabalhista. n. Acesso em: 1º. Porto Alegre: Síntese. Estudos de Direito do Trabalho e Direito Previdenciário. José Ourismar Barros de Oliveira Professor de Direito Penal e Criminologia. São Paulo: LTr.quaisquer atos ilícitos ou crimes cometidos no curso da greve.560 acidentes fatais.tst. LEITE. sendo 417. 4. 19.498 acidentes típicos. social. Carlos Henrique Bezerra.2014. A greve no contexto democrático. LAVOR. 1980. Comentários à lei de greve. Professora universitária.355 trabalhadores formais.753 acidentes fatais.4. Referências MELLO. As estatísticas nos dão a dimensão de quão grave é a situação. Porto Alegre. Curitiba: Juruá. Amauri Mascaro. Em 2010.br/web/ trabalhoseguro/exposicao>. Acesso em: 22. (5) Em 2009. O ACIDENTE DO TRABALHO E A ANÁLISE DA APLICABILIDADE DA TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO NA SEARA JUSLABORAL Aline Carneiro Magalhães Doutoranda e Mestre em Direito do Trabalho pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. 17. abril/96. 2005. Princípios sobre greve. Francisco Osani de. Assessor Jurídico do Ministério Público de Minas Gerais.

884 acidentes fatais. consideram-se acidente do trabalho a doença profissional. 14. isso em razão da severidade da pena do homicídio qualificado à época: pena de morte ou prisão perpétua. E. da CR/88) enquanto importante ferramenta de combate dos infortúnios laborais. aumentou o número de trabalhadores formais e caiu o número de acidentes típicos e doenças ocupacionais. doenças do trabalho e acidentes fatais. A quantidade de doenças ocupacionais apresentou queda. (rev. 2009.30.(2) comparação com o ano anterior. (2) De acordo com a doutrina “a experiência demonstra que a maior parte destes acidentes são previsíveis AL-TUWAIJRI apud OLIVEIRA. o número de acidentes típicos e fatais. assim entendida a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente. Mas antes de aprofundarmos.). A construção teórica subdivide-se: (a) domínio da vontade: em que o homem de trás domina a vontade do homem da frente. Acesso em: 22.167 acidentes típicos.083 doenças do trabalho e 2. São Paulo: LTr. ainda.717 acidentes fatais. LTr .631 trabalhadores formais e ocorreram 711. Acreditamos que a formulação dessa pergunta foi deduzida do que se vem discutindo atualmente sobre a teoria do domínio do fato com o julgamento pelo STF do caso “mensalão”. acidente do trabalho típico é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho. o número de óbitos foi majorado. Disponível em: <http://www.19 da Lei n. do Direito Penal é aplicável ao Direito do Trabalho?” aproxima-se ao que o filósofo Umberto Eco chamou de “perguntas verdadeiras”.planalto. buscada por meio de ações do Poder Público.br/ccivil_03/leis/ l8213cons. Já no ano de 2011. paulatinamente. em suas três esferas. O primeiro é o problema de os tribunais alemães de responsabilizar os executores dos homicídios dos judeus como meros partícipes. Tradução da sétima edição alemã por Joaquín Cuello Contreras e José Luis Serrano González de Murillo. XXII.gov. 5. nos termos do art. todos os números inferiores em comparação ao ano anterior. O outro problema era o de enquadramento de mero partícipe do mandante do crime. econômicas. publicada no ano de 2000 pela editora Marcial Pons (Madrid-Barcelona). A teoria é idealizada inicialmente por Hans Welzel (o pai do finalismo penal). Como se perguntasse: “felicidade existe?” É impossível responder essa pergunta sem saber o significado de felicidade e também de existência. 8.213/91. permanente ou temporária. o incremento dos estudos e debates sobre o tema. assim entendida a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e a doença do trabalho. ou seja.955 doenças ocupacionais e 2.935 típicos. 7º. e atual.htm>. o mercado de trabalho contava com 46. A redução progressiva dos acidentes do trabalho vem sendo. ed. a pergunta “A Teoria do Domínio do Fato. em especial do Judiciário Trabalhista (Programa Trabalho Seguro — Programa Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho) e através da busca da conscientização dos empregadores e empregados sobre o papel da prevenção (direito fundamental insculpido no art. em que se utilizou a citada teoria para a incriminação dos superiores hierárquicos — dirigentes — do Partido dos Trabalhadores pelos atos cometidos pelos deputados membros do partido. 15. perguntas irrespondíveis.. aumentou o número de trabalhadores formais. (1) Segundo o art. nos últimos anos. os comandantes do nazismo. é preciso delimitar a problematização que a pergunta quer trazer. Em comparação ao ano anterior. ampl. sociais e previdenciárias — para a toda a sociedade. 20.2014. Domínio do fato significa apenas umas das formas de autoria. mas.310. em 2012 foram registrados 705. Diante do elevado número de acidentes do trabalho e seus deletérios efeitos — repercussões psicológicas. 239 acidentes do trabalho.no número dos acidentes típicos(1). aquém do nível aceitável para o século XXI e em um país que vive sob a égide de uma Constituição fundada nos princípios da dignidade da pessoa humana e valor social do trabalho. p.164 acidentes do trabalho. entretanto. Assim. Sebastião Geraldo de. E ao afirmar a mera participação do executor evitavam-se essas penas severas. o que pode representar avanço no trato do problema. sendo 423. (3) Na obra “Autoría y Domínio del Hecho em Derecho Penal”. Aprofundemos.Jornal do Congresso . foi possível observar. Título original: “Täterschaft und Tatherrschaft”. Indenizações por 10 Neste contexto ganha relevo as discussões sobre a aplicabilidade da teoria do domínio do fato do Direito Penal frente aos acidentes do trabalho. alguém querendo matar outrem acidente do trabalho ou doença ocupacional.4. Por fim. da capacidade para o trabalho. sendo 423. provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução. Por exemplo. mas é desenvolvida plenamente com o penalista alemão Claus Roxin(3) em 1963 para resolver dois problemas no contexto do nacional socialismo alemão.

esperança de que terá seus direitos tutepara lados pelo Poder Judiciário. A responsabilidade penal é definida pela anáDireito e Justiça: a Função Social do Judiciário. a busca da verdadeira efetividade deve lho gera responsabilidade penal do empregador. valorizando mais as questões casos queosháproblemas divisão de para a realide justiça em do que de tarefas legalidade. (4) Sem prejuízo. Ou seja. 249-275. tação torna-se mais consistente quando analisada a luz da principiologia constitucional. dizendo que se apontar para a vítima a arma disparará flores.o “se” e ointerpretação “como” da pós-positivista ação. conforme o art. por o Dinão decide “se” ou o “como” daexemplo. Direito Processual do Trabalho: visto tipicamente como crime e haja a necessiReforma e efetividade. Quem entregou a arma é o execuprincípio da finalidade social não só é compatorO indireto — homem de trás — o verdadeiro tível com o novo dispositivo do Código de Processo responsável pelo homicídio por autoria mediata. Enquanto o partícipe Numa do processo. CF). 5º. os tem apenas uma relação acessória com o fato. São Paulo: Ática. LXXVIII. José Eduardo Fa(4) a banco quea uma umamagistratura pessoa ficacom com ria bo ressalta queem “cabe umcarro conhecimento multidisciplinar e poderes decisórios amplia. tentemos responder: aplica-se a teoria do domínio do fato O intérprete não deve se quedar inerte diante da ao direito trabalho?e Algumas sãoinletargia dos do legisladores diante dos respostas percalços da corporação de novos procedimentos. Por exemplo. Ordem legalresponsabilidade X Mudança social: a crise do serveJosé para fundamentar penal. a identifiresposta é: não. 11. É causador principal do fato (autor) aquele que é produtor principal do resultado. da possibilidade de estudo — comparativo — da teoria de modo a servir para aperfeiçoar os critérios de responsabilidade na seara trabalhista. Al- LTr . O doente mental é o executor direto. E não se aplicará para determinar a responsabilidade individual penal do empregador pelos acidentes. São Paulo: LTr. Lei n. pode ajudar a processualística trabalhista do empregador por acidentes do trajustrabalhista a alcançar esse desiderato. Civil como é justificador de sua aplicação subsidiária. a teoria do domínio do fato não (4) FARIA. concretizar o espírito dos comandos constitucionais. zação fato criminoso. muito embora apenasa um tenha Se numa análise infraconstitucional aplicabilidade do art. Nesse viés quaisquer interé dependente do “se” ou do “como” da execução pretações dadas à legislação infraconstitucional devem realizada pelo autor. obviamente. O Processo do Trapossíveis: balho deve oferecer ao seu jurisdicionado-hipossufienSe se de trata de de uma simples transposição te e credor bens natureza alimentar — um da pro(5) cesso mais ágil e eficaz .entrega arma de fogo para um doente mental. nio do fato para verificar se o acidente do trabaEnfim. José Eduardo (Org. balho ocorridos no âmbito de sua empresa? A O método colmatação de lacunas. quem determina fundamental a todos brasileiros 5º. A teoria do domínio do fato somente será aplicada na seara trabalhista quando se tratar de (5) CARVALHO. como. pois. 11 . foi Código apenas de emProcesso razão de Civil já édivisão admitida inúmeros autores. Em suma. Luciano Athayde. 475-J do Código de Processo Civil. Eduardo. 2007. teoria do Direito Penal aoaplicação Direito subsidiária do Trabalho. lise de todos os elementos da teoria do delito. e para determinar se esse alguém é causa principal ou acessória para o resultado é que se utiliza a teoria do domínio do fato. e causa é toda ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. Ambos irão responder por roubo.Jornal do Congresso guém pode dar causa a um resultado de forma principal ou acessória. 475-J do Código de Processo finido quem pertence o fato Civil nodeProcesso do Trabalho não(resultado). mas já será estas um passo adiante. a argumenuma depor tarefas. execução. 45/04.deporque a teoria do domínio do cação da omissão celetista e a percepção da coerência (4) fato não serve para atribuir responsabilidades. mas irresponsável pelo fato em razão de sua doença. dade de diferenciar quem é autor ou partícipe. como sistemas legais vigentes”. autores. p. 475-Jo do sidodao multa executor direto. Para ser mais preciso. pela qual se asseautor do fato. Luis Fernando Silva de. p. imputa-se o resultado a quem lhe deu causa. ele princípios constitucionais devem irradiar sua aplicabilidade a todos os o subsistemas. 1997. entretanto. A teoria serve Magistrados e os Advogados para quenão a sociedade nuncaatribuir perca a responsabilidade. o efeito (resultado) pertence a quem lhe deu causa. tornar-se um objetivo comum principalmente dentre aos resposta também é: não. num rouSob do o prisma desse princípio.e em frente ao banco para fugir com o dinheiro dos à responsabilidade de reformular a partir das próprias outra pratica de ameaça e subtração dodos dicontradições sociais oosato conceitos fechados e tipificantes nheiro. O doente mental aperta o gatilho matando a vítima. E é autor do fato aquele que tem gurou a razoável duração do processo como direito a execução em os suas mãos.232/2005: Oportunidade— de em maiorespecial: efetividadeacidente no cumprimento das sentenças fato do trabalho —trabalhispretas. judiciário e a formação do magistrado. é(art.A do a art. ele reito Processual do Trabalho.). 101-102. o elemento que serve para atribuir um ato a alguém é o elemento “imputação”. CF) e nos princípios constitucionais justrabalhistas. fundamentada no resposta depende de outra pergunta: transportar princípio constitucional da razoável duração do propara que? Para atribuir responsabilidade civil ou cesso (art. Tal princípio pressupõe uma visão social do sistema (b) domínio funcional do fato: ocorre nos processual do trabalho. principalmente. dos princípios do Processo do Trabalho com a redação do novo um meiodadeteoria concretização dos Se dispositivo se tratar desão aplicação do domíprincípios destacados acima. In: CHAVES. In: FARIA. após (c) domínio do fato: determina quem éo a Emenda Constitucional n. será a solução para todos os problemas de concretização dos direitos traEstabelecidas premissas. balhistas. que. 13 de nosso Código Penal. LXXVIII. reconhecer que a mera apliimportante! — essa análise só é feita após ter decação subsidiária do art. Mas — É forçoso.

2º Painel
COOPERATIVAS DE TRABALHO: ANÁLISE JUS ADMINISTRATIVA —
LICITUDE E DESVIRTUAMENTO
Daiane Martiniuk
Graduanda do Curso de Administração da PUCPR.

Leila Andressa Dissenha
Doutora e Mestra em Direito pela PUCPR; professora do
Mestrado do PPGCOOP — Programa de Pós-Graduação em
Gestão de Cooperativas da PUCPR; professora dos Cursos
de Graduação em Direito e Administração da PUCPR e da
UNINTER; pesquisadora convidada da UNIFE — Università
degli Studi di Ferrara (Itália/2011); professora dos Cursos
de Especialização da UNIARP/SC, UnC Concórdia/SC e da
EMATRA IX. Advogada.

Sob o ponto de vista Jurídico, é fácil defender o Direito e nem mesmo se cogita a
possibilidade de justificar formas ilícitas de
atuação. Mas a racionalidade jurídica, embora seja um dever de todos, nem sempre é a
norteadora de todas as atitudes. No universo
Empresarial, a tomada de decisões administrativas pode considerar múltiplas variáveis
e o Direito não pode ignorar que o desrespeito às leis e suas consequências também
são ponderados.
A ilicitude, contudo, tem um preço
alto para a administração de um empreendimento: custos econômicos e sociais que,
sob o ponto de vista jurídico, nunca valerão
a pena; é o que se pretende demonstrar neste breve estudo que, partindo da análise do
Direito e da Administração, busca compreender os motivos que levam empreendimentos a utilizar Cooperativas de Trabalho como
instrumentos de fraude de intermediação de
mão de obra.
Uma pesquisa de 2012, da Fundação
Getúlio Vargas e da Confederação Nacional
das Empresas(1), feita em uma empresa do
setor têxtil, demonstrou que o empregado

custa para a empresa cerca de três vezes mais
que seu salário, ou seja, um peso de 183% do
seu salário. Destes custos, parte é do investimento em treinamento e desenvolvimento;
outros 30% ficam por conta dos encargos e
benefícios e 27% respondem por licença maternidade entre outros. Outro aspecto importante é que segundo a mesma pesquisa,
o trabalhador rende em seus primeiros três
meses apenas 75%, pelo fato de ainda estar
em treinamento.
Além destes percentuais, há as disposições da CLT, que rege as relações empregatícias desde a criação do contrato de trabalho
até como se deve proceder com os benefícios
e demais questões que abrangem o cotidiano da empresa e, por conseguinte o do empregado. Por si só, essas orientações da CLT,
sob o ponto de vista administrativo, configuram uma grande parte dos custos financeiros
que a empresa precisa despender.
A alta carga tributária, os altos custos
sociais de contratação de mão de obra, a
competitividade marcante do mercado atual
e, principalmente, a falta de incentivos para
desenvolvimento(2) impulsionam empresá-

(1) Dados disponíveis em: <http://veja.abril.com.br/noticia/
economia/custo-de-trabalhador-e-de-ate-183-do-salariodiz-fgv>. Acesso em 05 de abril de 2014.

(2) Cita-se, por exemplo, a divulgação de pesquisa, do início
deste ano, da OCDE, de que o Brasil apresenta a segunda
maior carga tributária da América Latina. Disponível em:

12

LTr - Jornal do Congresso

rios e administradores a tentar a diminuição
de seus custos com manobras ilícitas, dentre
elas, a utilização das Cooperativas de Trabalho como instrumentos de fraude para intermediação para a mão de obra subordinada.
O Cooperativismo teve início na Europa, com a junção dos ideais do liberalismo
e do socialismo, sendo que a primeira cooperativa moderna foi a de Rochdale-Manchester, em 1844, formada pela reunião de
tecelões que tinham por objetivo melhorar
suas condições de vida.(3)
No Brasil, o movimento cooperativista
começou a se propagar por volta de 1841,
especialmente por influência da imigração
europeia, e ganhou respeito e notoriedade
como forma associativa que objetiva a união
de esforços coordenados para a realização de
determinado fim.(4)
Além dos artigos 146, inciso III, alínea
“c” e 174, § 2º, da Constituição de 1988(5),
as cooperativas são regulamentadas pela Lei
n. 5.764/1971 que define o seu regime jurídico e, principalmente, os princípios que as
regem: a livre adesão, a gestão democrática,
a participação econômica dos membros, a
autonomia, a independência, a educação, a
informação, a formação, a intercooperação
e, por fim, o interesse na comunidade.
As Cooperativas de Trabalho, por suas
especificidades, são regulamentadas por lei
própria (Lei n. 12.690, de 19 de julho de
2012), sendo uma forma relevante de geração de renda e melhoria das condições de
vida de seus membros.(6)
<http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/01/cargatributaria-brasileira-e-2-maior-da-america-latina-mostraocde.html>. Acesso em 29 de abril de 2014.
(3) LIMA NETO, Arnor. Cooperativas de trabalho. Curitiba:
Juruá, 2004, p. 124.
(4) DISSENHA, Leila Andressa; NACLE, Isabella Cristina
Costa. Cooperativas de Trabalho: Experiência Nacional e
Comparada. Jornal do 48º. Congresso de Direito do Trabalho
da LTr. São Paulo, 2008.
(5) Conforme AMARAL, Líris Silvia Zoega T. do.
Cooperativa de trabalho. Jus Navegandi, Teresina, ano 6, n.
58, agosto de 2002. Disponível em: <http://jus2.uol.com.
br/doutrina/texto.asp?id=3138>. Acesso em: 16 de abril de
2014.
(6) Conforme SINGER, Paul. Cooperativas de trabalho.
Disponível em <http://www.mte.gov.br>. Acesso em 16 de
abril de 2014.

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De acordo com o art. 2º da Lei n.
12.690/12, considera-se Cooperativa de Trabalho “a sociedade constituída por trabalhadores para o exercício de suas atividades
laborativas ou profissionais com proveito
comum, autonomia e autogestão para obterem melhor qualificação, renda, situação
socioeconômica e condições gerais de trabalho.” A Cooperativa de Trabalho é apontada,
atualmente, como uma das melhores soluções para o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e social da sociedade.
As Cooperativas de Trabalho podem,
perfeitamente, prestar serviços aos tomadores que assim desejarem, dentro dos parâmetros da Súmula n. 330 do TST e desde que
sua constituição ocorra de acordo com os
princípios que regem tal empreendimento,
em especial, a livre adesão. Contudo, alguns
empresários têm feito apostas muito mais
arriscadas: têm transformado seu quadro de
empregados em “pseudo” Cooperativas de
Trabalho ou utilizado tais instituições para a
terceirização de suas atividades fins, em profundo e flagrante descompasso com a Súmula acima mencionada na busca pela redução
dos custos de mão de obra.
As consequências jurídicas de tais tomadas (equivocadas) de decisão podem ser
bastante gravosas: além do reconhecimento
direto de vínculo empregatício com a tomadora, as multas administrativas e até a responsabilização criminal (art. 203 do Código
Penal) podem ser desencadeadas por esta
escolha.
Analisando a Lei n. 12.690/2012, identificamos no art. 3º os princípios que norteiam as Cooperativas, dentre eles, a “adesão
voluntária e livre” e a “autonomia e independência”, princípios estes que são afrontados quando os empregados de uma empresa são obrigados a se tornarem cooperados,
desrespeitando o disposto no art. 5º da Lei
n. 12.690, que afirma não ser possível a utilização da Cooperativa como intermediação
de mão de obra subordinada.
Não são juristas que tomam as decisões
à frente de um empreendimento e, muitas
vezes, são os critérios econômicos — e não
jurídicos — que direcionam as escolhas de
13

empresários e administradores e, em que pesem todos os argumentos acerca das consequências jurídicas da ilicitude, muitos estão
dispostos a enfrentá-la.
Juridicamente, a melhor forma de combater a ilegalidade é a fiscalização e a punição; administrativamente, contudo, tendo
em vista a realidade atual do mercado e sua
competitividade, a melhor forma de combate é demonstrar as desvantagens econômicas
da ilegalidade e criar mecanismos reais de in-

centivo aos empreendedores, especialmente,
aos pequenos empreendedores, responsáveis
por boa parte da contratação de mão de obra
no Brasil atual. A punição e a retribuição são
as formas que o Direito encontra de dirigir
as condutas à licitude e a combinação bem
sucedida destas formas pode determinar,
igualmente, o equilíbrio entre o necessário
desenvolvimento empresarial e o respeito
aos direitos sociais consolidados em nossas
normas.

APONTAMENTOS SOBRE TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS: EFICIÊNCIA
OU LUCRATIVIDADE DA EMPRESA NO MUNDO CONCORRENCIAL E
REFLEXOS NAS RELAÇÕES DE TRABALHO
Tatiana Guedes Melo
Advogada e Assessora Jurídica Municipal. Pós-graduada em
Metodologia do Ensino Superior. Pós-graduanda em Direito
Público.

Para alcançar uma melhor compreensão
sobre o que a Terceirização de Serviços pode
proporcionar às empresas no mundo concorrencial, incluindo os impactos sobre as relações de
emprego, faz-se necessária a análise de alguns
conceitos.
Simplificadamente, terceirizar uma atividade é repassar a terceiros a sua consecução; é
cometer a outrem (pessoas físicas ou jurídicas,
como as sociedades cooperativas) atividades
acessórias que não lhe são essenciais e, portanto,
não fazem parte do negócio principal da empresa tomadora de serviços; antes, dão-lhe suporte.
Sérgio Pinto Martins (2009, p. 176), mais
extensamente, conceitua:
Vários nomes são utilizados para denominar a contratação de terceiros pela empresa para
prestação de serviços ligados a sua atividade-meio. Fala-se em terceirização, subcontratação,
14

filialização, desverticalização, exteriorização do
empregado, focalização, parceria etc. consiste a terceirização na possibilidade de contratar
terceiro para a realização de atividades que não
constituem o objeto principal da empresa. Essa
contratação pode compreender tanto a produção
de bens, como de serviços, como ocorre na necessidade de contratação de empresa de limpeza,
de vigilância ou até para serviços temporários.
A título de exemplo, Amauri Mascaro Nascimento (1999, p. 172) explica: “Se um colégio se vale de empresa de limpeza, a atividade
contratada é meio, mas se contrata empresa de
professores a situação caracteriza-se como contratação de atividade-fim, porque as aulas são a
finalidade do colégio”.
A terceirização de serviços pode ocorrer
mediante a contratação das Cooperativas de
Trabalho. De acordo com a Súmula n. 331 do
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) a totalidade da lei demonstra sua intenção de evitar o desvirtuamento das cooperativas de trabalho. Contrapõe assim os impactos da crise financeira mundial na economia. sem que ele. realizado em Fortaleza. quais sejam: • Eliminação de intermediários entre o capital e o trabalho. nas atividades de limpeza e conservação e no caso de serviços especializados.org. inclusive. p. LTr . O objetivo da referida recomendação foi acolher propostas relativas à função das cooperativas no florescimento social e econômico das nações em desenvolvimento. • Melhoria de renda dos associados.oitbrasil. constituindo-se ajuda mútua em um dos pilares básicos dessa peculiar forma de atuação no meio social”. com cada trabalhador aportando parte do seu capital para constituir em empreendimento comum. contribui.TST. nas cooperativas. da Lei n. 5. 3º. Disponível em: <http://www.764/1971. publicada em 1966. é preciso que o serviço contratado refira-se à atividade-meio e que também não se verifique pessoalidade e subordinação direta. definindo os termos para a organização e funcionamento regular da sociedade cooperativa. o vínculo de emprego com o tomador de serviço e o grau de depen- 15 . Todavia. Conforme Pedro Manus (2009. no entanto. de experiência de trabalho coletivo. Acerca das cooperativas de trabalho. naturalmente o associado participa. 12. 157. 107) explica que: “A cooperação nasce da necessidade de sobrevivência dos grupos. Acesso em: 30 de abril de 2014. p. maiores concorrentes das cooperativas. que tira sua flexibilidade. 2º. estas são uma sociedade constituída por trabalhadores para o exercício de suas atividades laborativas ou profissionais com proveito comum. • As empresas.. Amilcar Barca Teixeira Júnior (2002. “(. • Enquanto todas as tecnologias atuais de gestão de negócios empenham-se em conseguir que o empregado “vista a camisa da empresa”. Sônia Mascaro Nascimento. que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das sociedades cooperativas.com. assim como sua punição”(7) A Organização Internacional do Trabalho (OIT) já havia tratado oficialmente do Cooperativismo na sua Recomendação de número 127. o cooperativismo contribui para o enfrentamento do desemprego e do trabalho informal. • Grande contribuição das cooperativas para uma educação cooperativa e como exemplo para a sociedade.690 e as cooperativas de trabalho. a terceirização só é permitida quando se tratar de atividade-meio. aplicável às cooperativas. colaborando. Conforme verificado no Seminário Nacional de Cooperativismo de Trabalho(8). 125): a permissão de terceirização na atividade empresarial privada dá-se. É uma estratégia que envolve um número crescente de trabalhadores. Sônia Mascaro. p. Apontamentos sobre a nova Lei n. Logo depois. Por outro lado.690/2012.pdf> Acesso em: 30 de abril de 2014.. 12. situação socioeconômica e condições gerais de trabalho. prevendo formas de identificação da fraude trabalhista por meio delas. enumerados no art. em dezembro de 1998. de acordo com o entendimento sumulado. o que não acontece com as cooperativas. reduz a informalidade. o que foi um grande avanço para mitigar o desvirtuamento dos princípios e valores do cooperativismo trabalhista.Jornal do Congresso Com a terceirização.amaurimascaronascimento.br/sites/ default/files/topic/cooperative/pub/cooperativas_ mudancas_oportunidades_desafios_219. Consoante. estão sujeitas à CLT. com a ampliação da base de contribuição à Previdência Social.br>. De fato. foi editada no nosso ordenamento jurídico a Lei n. uma vez que o estímulo à organização de pessoas em sistema de cooperativa mobiliza cidadãos e lideranças na formação de pequenas células cooperativas. conforme o art. (8) Disponível em: <http://www. renda. A promulgação da referida Lei representa um marco regulatório na iniciativa de regulamentar as cooperativas de trabalho. autonomia e autogestão para obterem melhor qualificação. mesmo nesses casos. a OIT temia o surgimento de falsas cooperativas: (7) NASCIMENTO. existem vantagens e importância nas Cooperativas. tenha acesso ao capital.

de fato. TEIXEIRA JÚNIOR. a competitividade e o acirramento da concorrência produziram nas empresas a necessidade de maior eficiência. o objetivo da terceirização de serviços: aumentar a lucratividade ou a eficiência da empresa no mundo concorrencial? Responder a esse questionamento requer uma digressão histórica. dos meios de transportes e da telefonia. seja para realizarem determinadas políticas do Estado. Direito Individual e Coletivo do Trabalho. Há. Assim. Esse movimento projetou reflexos também nas relações de trabalho. redirecionamento de verbas mediante a disponibilidade de capital para investimentos. pois pretensas cooperativas tentam mascarar a relação de emprego. os custos fixos são transformados em variáveis. o que impacta as relações de emprego de um modo geral. conforme dizeres de Pedro Manus (2002. Entretanto. com o objetivo de flexibilizar as relações de trabalho. desaparecem os encargos do empregador. ao mesmo tempo. As cooperativas de trabalho entram nesse cenário enfrentando o desemprego e a informalidade de um lado e provocando diminuição do custo da mão de obra.br/sites/ default/files/topic/cooperative/pub/cooperativas_ mudancas_oportunidades_desafios_219. Participação de cooperativas LTr . Para se tornarem competitivas. Diante da ruptura das fronteiras mercadológicas. como um fenômeno viabilizado pela evolução e alargamento da tecnologia de informação. Para tornar-se mais eficiente. com preços favoráveis no mercado. seja para permitirem mais lucros para os empresários privados. em virtude da eliminação de intermediários entre o capital e o trabalho. Além disso. Destarte. investindo em alta tecnologia. pois implica possibilidade de concentração na sua atividade-fim. Pedro Paulo Teixeira. 155 e 156. Acesso em 30 de abril de 2014. descaracterizando sua destinação legal e implicando fraude à lei. qual seria. de outro. As corporações passa(9) Disponível em: <http://www.(9) Terceirizar determinados serviços é uma tendência das empresas. a terceirização veio para as empresas como um caminho para. negando aos supostos cooperados. as empresas devem ser eficientes. no processo de terceirização. aumento da sua especialização. 2002. redução de perdas. contribui para maior lucratividade do tomador de serviço que pode investir o capital disponível para obter maior eficiência da sua produção e obter maior competitividade no mundo concorrencial. 2009. com a presença de pessoalidade e subordinação. e também diminuir seus custos fixos. CIOTTI. e em verdade empregados. As companhias tiveram de rever seu modelo de gestão. garantindo preço razoável para o seu produto. MARTINS.oitbrasil. — São Paulo: Atlas. São duas faces da mesma moeda. 16 ram a desenvolver “estratégias de modificação nas relações de trabalho. imbuídas da demanda por capital para a ampliação das suas atividades e seu aperfeiçoamento tecnológico. 124). A contratação das cooperativas para terceirização de serviços. a empresa deve dispor de maior capital. A globalização. Bibliografia MANUS. 7ª edição.Jornal do Congresso .pdf>. maior produtividade. não existindo contrato trabalhista. melhora da sua eficácia gerencial. o que demanda capital disponível. 25ª edição. viabilizar sua eficiência e aumentar sua lucratividade. Precisam focar na sua atividade-fim. Lívio Rodrigues. aumento da flexibilidade e da agilidade da organização na tomada de decisões. para investir em tecnologias mais eficientes. Sérgio Pinto. das técnicas de comunicação por satélites. viabilidade de redução e controle de custos operacionais. alcançado com o aumento da lucratividade. Direito do Trabalho. é preciso cautela para que as cooperativas não venham a se configurar como uma forma de intermediação da mão de obra. propiciou uma conjuntura extremamente favorável para o acentuamento das relações socioeconômicas em âmbito mundial. a fim de diminuir o custo do trabalho”. p.dência e subordinação do trabalhador têm de ser cuidadosamente avaliados. — São Paulo: Atlas. os direitos previstos na legislação trabalhista. uma ameaça de instrumentalização das cooperativas de trabalho. Amilcar Barca.org. e potencialização do espaço físico. p.

opta por entregar a terceiros. Isso gera uma redução de custos pois a tomadora gastaria mais inserindo na sua cadeia produtiva tal atividade acessória. 1. revista e atualizada. Acesso em: 30 de abril de 2014. Esse tipo de terceirização não tem o condão de macular direitos trabalhistas. Oportunidades e Desafios. fornecendo serviços para várias outras empresas. portanto. Belo Horizonte: Editora Mandamentos. Amauri Mascaro. é o engessamento de custos.Jornal do Congresso ção. 2001. — Brasília: OIT. em geral outras empresas. Iniciação ao Direito do Trabalho. 17 . Ao contrário. altamente especializados. vislumbrando convergir esforços na realização da sua atividade principal. pois especificamente treinadas para tal atividade. TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS Teresinha Soares Abreu Ferreira Oficial de Justiça Federal da Seção Judiciária da Bahia.com.oitbrasil. 2002. com os mesmos direitos. Não o fazendo. Disponível em: <http://www. a concretização de atividades acessórias ao processo produtivo. Terceirizar significa ter tranquilidade de que aquela “janela” aberta no processo produtivo será preenchida com maior excelência do que se o serviço fosse realizado internamente. Editado por Armand Pereira.br>. Terceirização Lícita Trata-se de um fenômeno crescente pelo qual o empresário. respondendo sem tantos prejuízos e de forma rápida a uma crise no mercado. São Paulo: LTr. A grande vantagem para a tomadora. NASCIMENTO. 25ª edição. com o benefício de que estas serão realizadas com mais qualidade e celeridade. br/sites/default/files/topic/cooperative/pub/ cooperativas_mudancas_oportunidades_ desafios_219. como habitualmente é reconhecido. As terceirizações como soluções de mercado são lícitas e necessárias ao empresário. Disponível em <http://www. com sindicato representativo.em procedimentos licitatórios. por pessoas especializadas. Graduada pela Universidade Federal da Bahia. Acesso em: 30 de abril de 2014. um terceirizado. por exemplo o processo de construção de um edifício seria muito dificultado sem a possibilidade de se terceirizar os serviços relacionados aos elevadores. Organização Internacional do Trabalho. sua única preocupaLTr . Cooperativas: Mudanças. Sônia Mascaro. Apontamentos sobre a nova Lei n.690 e as cooperativas de trabalho. NASCIMENTO. pertencem a uma categoria profissional identificada. pode incrementar de forma mais agressiva a sua atividade principal. amaurimascaronascimento. São os únicos trabalhadores de uma empresa. Especialista em Direito do Estado pela Faculdade Baiana de Direito.org. labora para uma empresa terceirizada. 1999. É empregado como qualquer outro.pdf>. 12. em colaboração com Lucienne Freire e Lizzie Lagana — 1 ed. o seu único foco. podendo reunir-se para reinvindicar seus direitos junto ao empregador.

trata-se da dificuldade que o trabalhador tem de identificar o sindicado que o representa pois tampouco tem ciência exata de quem é 18 responsável pela sua contratação. ademais. o art. A mais comum consequência jurídica do desvirtuamento do instituto é a diferença salarial entre os trabalhadores terceirizados e os empregados da tomadora. para se evitar a comprovação do vínculo empregatício. sofrendo com a síndrome do trabalhador de segunda classe. Também não sabe quem são os seus verdadeiros colegas de trabalho (afinal muitos no ambiente do trabalho chamam-no de “o terceirizado”). Ordem jurídica aplicável O TST promulgou a Súmula n. 331 no intuito de regularizar a terceirização desenfreada. não raro encerram suas atividades sem o pagamento das verbas rescisórias. como ajudante geral. uma vez que não consegue identificar quem é na realidade o seu patrão. Infelizmente. Outro efeito maléfico detectado na terceirização ilícita é serem os terceirizados considerados inferiores pelos demais trabalhadores. 3. 6. a subordinação e pessoalidade saltam aos olhos. sofram rodízio. Nesses casos. Ademais.Jornal do Congresso . ocorre o absurdo de um terceirizado prestar serviços em São Paulo sem no entanto auferir o salário mínimo regional porque a empresa terceirizada tem sua sede no Paraná. a terceirização tornou-se vantajosa financeiramente porque as tomadoras ficam libertas da mais grave consequência jurídica da relação entre capital e trabalho que é a tensão social. utilizando como balizador o critério da atividade-meio. enfraquecendo. que consiste na atividade de suporte à principal. dentro da normalidade. devendo responsabilizar-se por tais danos.019/74 é utilizado analogicamente concluindo-se pelo direito ao salário equitativo. somenLTr . Em suma. transferindo para terceiros esse conflito. ferindo o princípio da isonomia (art. e pior. e muito grave. 5º da CF). o que ocasiona um elevado número de acidentes de trabalho entre esses trabalhadores. Ocorre que a tomadora sabe ou pelo menos deveria saber que a prestadora de serviços não tem capacidade econômica para equipar e dar cursos de treinamento aos seus funcionários. não fazendo parte do processo criativo do produto final ou que não seja essencial à dinâmica empresarial do tomador dos serviços. inclusive porque muitas vezes a terceirizada presta serviços unicamente para uma tomadora. não consegue firmar uma consciência coletiva. 2. nutrirem em seu íntimo esse sentimento de serem trabalhadores de segunda categoria. Segundo o entendimento jurisprudencial. Isso ocasionado pelo desvirtuamento do instituto. 3. Terceirização Ilícita A terceirização de serviços passou de um método de organização da cadeia produtiva. garantindo-se aos terceirizados o vínculo empregatício direto com a tomadora. Isso porque. embora prestem serviços para a mesma tomadora. Seguem algumas situações recorrentes: 1. Outro efeito maléfico identificado. muitos tomadores exigem que cargos. fazendo com que cada semana eles laborem em um tomador. e também. 5. situação geradora de efeitos maléficas para os trabalhadores terceirizados. com o único propósito de não formação do vínculo empregatício. como na maioria das vezes a empresa terceirizada não tem capital suficiente para a contratação de um robusto quadro de funcionários. Independente de laborarem no ambiente da terceirizada ou no espaço físico da tomadora. quando realizam idênticas funções. Assim. uma vez que. 4. a prestadora muda. usufruem de menos direitos que os empregados da tomadora a exemplo de terem uma jornada mais extensa e uma contrapartida salarial menor. para se tornar uma excentricidade repressiva da dignidade da pessoa humana. uma vez que as empresas estão terceirizando atividades principais. perdendo a noção de grupo. os terceirizados são literalmente “arremessados” no exercício das atividades sem qualquer treinamento.2. 12 da Lei n. não arcando com o custo dos direitos trabalhistas. esse instituto transformou-se num instrumento predatório de direitos. há trabalhadores que não usufruem férias há anos. a reinvindicação de seus direitos. mudando também o seu contrato de trabalho. desse modo. o empregado terceirizado tem dificuldade em ingressar em juízo. Esse trabalhador não se sente incluído na rede de funcionários da empresa tomadora.

sendo indecorosa a promulgação de uma lei nesses termos.330/04. E vem surtindo efeito pois os julgadores têm sido bastante felizes em identificar em cada segmento quais as atividades-meio e quais as atividades-fim. PL n. desde que não presentes a pessoalidade e subordinação. 1º). te esse tipo de atividade e mais as de limpeza. exige pouco esforço intelectual. os chamados “tomadores de serviços”.Jornal do Congresso O incentivo para a aprovação vem. principalmente. é o que desejamos e esperamos que se concretize. Mestre em Direito das Relações Sociais pela PUC-SP. há um projeto de lei em trâmite no Congresso Nacional. de onde brota o projeto de lei sobre o tema.330/04 não tem validade. por exemplo. LTr) e de vários artigos jurídicos.5º) e da dignidade da pessoa humana (art. 4. da gama de usuários do sistema. a absurda hipótese de uma padaria terceirizar os serviços de padeiro. e em qualquer atividade. passa a ter base legal. o PL n. conservação. vigilância e trabalho temporário podem ser terceirizadas. admitindo-a em qualquer segmento econômico. também na atividade-fim. com a exceção deste último. inclusive na atividade-fim. Caso aprovado. A Constituição Federal dispõe acerca dos princípios da igualdade (art. RESPONSABILIDADE NA TERCEIRIZAÇÃO — O OVO DE COLOMBO Mári Ângela Pelegríni Jornalista. Que sejam respeitados os direitos desses trabalhadores. que prevê uma abertura sem limites à terceirização. sem nenhuma limitação quantitativa. O ordenamento jurídico internacional reprime a utilização do trabalhado como mercadoria — Declaração Referente aos Fins e Objetivos da OIT (Filadélfia — 1944). LTr . as Centrais Sindicais e o Judiciário Trabalhista são terminantemente contra referido projeto. Também é de fácil entendimento que queiram continuar a operar indistintamente em todos os seus setores.A súmula se apresenta insuficiente para uma normatização plena. 4. que volta à tona por conta da pressão dos empresários. Kant já preconizava que os homens devem ser um fim em si mesmos. de início. Ou seja. desde os operacionais aos administrativos. ainda mais se possível. ferindo princípios e regras do ordenamento jurídico interno e internacional. Ocorre que. exceto a classe trabalhadora. Parecem evidentes os vários motivos daqueles que levam os defensores da terceirização empunharem a bandeira na defesa da aprovação de lei que regulamente a matéria. maculando os direitos de uma gama de trabalhadores. A CLT prevê em seus arts. vinculada ao TRT 15ª Região. Professora Universitária e autora do livro “Trabalhadores Sem Vínculo — Do Cais ao Campo” (Ed. E. 2º e 3º a formação de vínculo empregatício direto com o tomador de serviços no caso de haver subordinação. Sem contar a possibilidade de redução de impostos a partir da emissão de notas fiscais entre empresas entender o porquê da febre empresarial na defesa da terceirização irrestrita. Juíza Titular de Vara do Trabalho. trabalho muitas vezes um tanto complexo. porém foi a fórmula alçada pelo TST a fim de dar um direcionamento aos julgados. o que vislumbram é a possibilidade de se verem livres dos encargos trabalhistas e 19 . O Ministério Público do Trabalho. já que. levantando a bandeira de sua licitude ampla.

outra verdade incomoda: não há nenhuma autonomia real por parte das empresas terceirizadas. mas. enfim que dentre os motivos que impulsionam a terceirização. mas na queda vertiginosa da própria qualidade dos serviços que decorre. com os contratantes. mas os benefícios indiretos nem de perto os igualam. ou deveria. seguro. treinamentos. Fazer estratégias. Essas pessoas espertas e dadas ao ganho de dinheiro fácil.fiscais e a imediata redução de custos. Normalmente quem acaba manchando o trabalho sério de algumas. como adiante se pontua) e da Justiça do Trabalho. como se diz no ditado popular: “mamar nas tetas gordas dos governos”. E para isso contam até com assessorias especializadas. É preciso ter tempo para pensar. não estender os direitos/benefícios. norteia-se. estas empresas não têm nenhum patrimônio ou lastro financeiro. A regulamentação da terceirização. por algum gatuno. Não se desconhece. diante da possibilidade da efetiva condenação subsidiária nas ações trabalhistas. eles próprios. é fato. independentemente de sua integração inicial no polo passivo das ações. ousamos sugerir: Art. muitas vezes integradas por sócios de suas relações buscando uma troca de interesses. a nosso sentir. fruto da odiosa diferenciação e discriminação entre iguais. desde que seja dada a oportunidade de LTr . e o que é pior.Jornal do Congresso . E o termômetro é a motivação da equipe.690/12 em definir/alterar os conceitos de atividade-fim ou atividade-meio e nem para ampliar ou restringir suas possibilidades. equiparando-se todos como integrantes de um grupo econômico para os fins de pagamento e garantia de eventuais direitos e ou créditos trabalhistas pendentes em relação aos trabalhadores que lhes prestam ou prestaram serviços relativos ao respectivo período laborado. começa pela tendência de que os que são atraídos para formá-las deslumbram-se pela facilidade com que irão. inclusive. o barato pode sair caro. muitas vezes. do descontentamento gerado aos trabalhadores envolvidos. Vivem uma relação simbiótica. ou driblar a necessidade de criação de cargos e concursos no setor público. como as plantas que se enroscam no tronco de uma velha árvore. são animadas com a hipótese de poderem ganhar intermediando mão de obra. visam. pois. Cria-se uma segunda classe dentro do mesmo local de trabalho. Ter reservas financeiras para iniciar. que vários empresários e governantes incentivem. prestar serviços com a força de trabalho de outros e não de si mesmo ou quando não. 20 Quando não se acha qualquer vínculo afetivo ou familiar nesta teia. etc. evidentemente guardadas as exceções louváveis. por parte do Ministério Público do Trabalho (particularmente sente-se falta de atuação no setor público. A regulamentação da terceirização dos serviços. pela necessidade de um único artigo. Dizem que quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro. Frise-se que não se desconhece que muitas empresas terceirizadas são idôneas e com boas intenções (ou deveriam ser). disfarçadamente equivalente. por terem o desconfortável freio da atuação eficiente. Só não terceirizaram. a categoria “terceirizada” e a categoria preponderante e cabe ao empresário sentir se isso vale a pena. facilitar seu enquadramento sindical. valendo-se não de sua própria força de trabalho. quando não parasitária. na maioria das vezes. redução de custos alguns sejam bem compreensíveis: não querer lidar com diferentes tipos de mão de obra contratados diretamente. 1º É solidária a responsabilidade entre todos os tomadores de serviços e empresas terceirizadas. sem pegar no pesado. A dependência aos contratantes é incontestável e a prática tem apontado que. racionalizar serviços no departamento pessoal. que poderá ser feita mesmo depois da primeira audiência. toda a empresa. Mas. Não só pela condenação. Não é raro. Todas as vertentes da terceirização na atualidade caminham por várias teorias. embora nem sempre com patrimônio compatível. pelo menos a princípio. é uma só: economia de custos! Mas. Some-se a isso o fato de que ocupam o espaço que a própria legislação lhes oferece. infelizmente. a verdade. a criação destas empresas. como adiantamos. E é natural que pessoas com esse perfil sejam atraídas neste mister. inclusive no âmbito do governo. tais como: plano de saúde. crendo que nenhuma responsabilidade terão. além do primeiro pontuado. O salário pode até ser. pode apostar que este espaço será preenchido. ainda. não caminha pela orientação do PL n. que sem muita técnica e com muita ousadia. 12.

(nada de cooperado tinham) levanLTr . certamente pressionado pelas próprias deficiências. é o consórcio intermunicipal para contratação de médicos para os municípios integrantes. salvo requerimento de prova oral específica. graças a atuação do Ministério Público do Trabalho. Em grande parte. a culpa. em igual prazo.666/93 —Lei de Licitações — e valeu. em seu inciso V. desde que configurada a conduta culposa. orientados por seus departamentos jurídicos. da Lei n. (Parágrafo único do art. Um olhar profundo trouxe à tona uma verdade inconveniente: os vícios das licitações. como “gatooperativas”. na cidade. que tiveram. em geral. permitindo a condenação. antes do prosseguimento da instrução principal. Assim como as cooperativas. sem adentrar no mérito da exceção. Camufladas em forma de ONG (Organização Não Governamental) e OCIPS. é preciso agradecer. Evidente que os julgadores não podem salvar o sistema. cujo último ato todos conhecem. Mas.defesa. reforçada pela inclusão de malfadado artigo na CLT que proclamava a inexistência de vínculo entre as cooperativas e seus “cooperados”. a inspiração do STF que. independente da audiência presencial deverá ser apreciada após a réplica. E elas não se extinguiram a toa ou por falta de gatunos. a ponto de serem apelidadas pelo nosso saudoso ex-presidente do TRT15. pois daria uma outra tese. infelizmente. É sabido que no setor público as terceirizações se disseminaram nos recursos públicos como se fossem uma praga. quando não impossível. jogou-se uma pá de cal na impossibilidade. Esta última. porque em cada caso concreto e cada vez mais. como se esperava. A novidade no Pontal do Paranapanema. com um verniz legal assim como as antigas cooperativas de mão de obra no passado. pelo menos em parte o esforço empresarial. Assim como elas. que foram podadas. passam os entes públicos. No julgamento pelo STF da Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) n. Relegou aos juízes a difícil tarefa de procurar o erro. 21 . outras terceirizações espúrias se proliferam e recebem outro nome: consórcios ou parcerias público-privadas. 442 da CLT) elas seguem se multiplicando. § 1º. ausentes os pressupostos básicos de sua aceitação. lembrando as quase extintas cooperativas de mão de obra (pelo menos não batem tanto mais às portas do judiciário como num passado recente e sombrio para os trabalhadores por ela explorados). os mesmos grupos. alternam-se nos contratos.Jornal do Congresso tados pelos braços fortes da primeira instância. pelo menos deixou uma prudente brecha para a condenação. em regra. arrancadas pela raiz como uma erva daninha. permitida a arguição de exceção de incompetência em razão do lugar por petição. em coro. mas para alívio dos juízes. (que apontaremos abaixo) parece ter sido obrigado a declarar a “constitucionalidade” do artigo da lei de licitações que impedia a condenação subsidiária dos entes públicos. felizmente. agora. 16. a par da decisão polêmica. com ressalva. Adilson Bassalho Pereira no campo. podendo o juiz definir se a entrega da defesa será até uma hora antes da audiência de instrução em se tratando de processo judicial eletrônico. a porção de cal veio muito fina e não teve como resultado o enterro da velha discussão. A seguir tenta-se justificar sugestão tão radical. inspirados na súmula. agora a terceirização se alastrou no setor público e na mesma esteira da suposta “legalidade” veio a tentativa de reforço no vitorioso “lobby” que pugnou pela declaração de constitucionalidade do art. começando a não pagar os trabalhadores. 331. Vence aquele que se quer que vença. desembargadores e ministros do trabalho. com base exclusivamente na prova documental. E assim o fez levando a alteração da redação da Súmula n. de condenação do ente público. a montar dossiês para provar o que até então pouco lhes preocupava. ao perceberem que as terceirizadas estão às vésperas de serem defenestradas. 8. e dos trabalhadores em particular. por exemplo. 71. como tem revelado a mídia nacional numa sequência de escândalos. Tarefa difícil. E pior. em esmagadora maioria fraudulenta. e sim porque as empresas que dela se valeram foram obrigadas a arcar com a conta final (o passivo trabalhista). o jogo de cartas marcadas faz da licitação um teatro. inclusive de ofício. Para desgosto dos entes públicos e seus procuradores. sem êxito prático para a vitória dos trabalhadores por conta da jurisprudência dos tribunais trabalhistas. ou no prazo de 15 dias. após citação específica.

Regularmente contratada? Será? Quem pode garantir que fora supostamente “regularmente contratada” com as licitações viciadas que temos? Não bastasse.” Sim. não se nega. vinculante por tabela. o próprio tomador sabe o motivo do atraso/inadimplemento das obrigações. incoerentemente exigindo isso dos empresários brasileiros) aliado aos pertinentes portais de transparência que também auxiliam na fiscalização dos serviços. sob pena de culpa e ai sim. aos poucos. também fruto de esquema de fraude em licitações. às evidências.Jornal do Congresso . Não se tinha esses milhões de call centers (amontoado de seres que LTr . foi o caso apelidado no de “máfia das casinhas” no interior de São Paulo. Com equivocada sensação de que a privatização trouxe o melhor dos mundos. compatível com o volume de serviço e correção da remuneração pelo menos na reposição da inflação. ralizado da sociedade com a (in) eficiência dos serviços públicos.E a culpa é para os documentos invisível. Deram com uma mão e tentaram tirar com a outra. muitos se arrastavam como se estivessem num deserto para ir até um balcão. frise-se no início. ela era sua. O cerco se fechou no inciso VI da Súmula n. não pagar verba alimentar é “mero inadimplemento”? Mas. a força das súmulas e orientações jurisprudenciais. que dispensa maiores comentários. deixaram a desejar na prestação de serviços. Diziam: “temos que reconhecer que antes da privatização demorávamos um século para instalarem uma linha telefônica e a um preço muito caro. como a privatização. sentiu-se que a sociedade ganhou em seu clamor por mudanças. já se faz sentir nos resultados da administração pública (aliás. aos poucos. embora nem sempre com a necessária contrapartida (criação de cargos. a magistratura há de achar a saída. por exemplo. é forçoso reconhecer. b) a não vigilância (mesmo deixando de lado o requisito anterior. na prática. embora no exercício de uma obrigação. Um exemplo emblemático. implanta-se e uma pequena diferença. põe-se o juiz do trabalho na primeira instância a buscar a “culpa”. De outra parte. resultam no impedimento da discussão da matéria em âmbito nacional e isso a torna. Neste cenário a livre concorrência avançou sobre o povo brasileiro numa época em que os servidores públicos. aparentes bons resultados. O mesmo erro/culpa que nasce na fonte no próprio processo de licitação. 331 do TST ao “exigir” que a magistratura não condene o ente público pelo “simples fato” de não terem sido honradas as verbas trabalhistas. fazendo a sofrida população acreditar que estavam fazendo favor aos contribuintes que lhe pagavam os salários. de maneira exagerada para quem praticamente nunca fiscalizou a ponto de já se cogitar em assédio moral no serviço público). enfim. no final da década de 90 havia uma sensação de descontentamento gene22 A partir de cobrança de metas e gestão por parte do CNJ no judiciário. Exemplo é a informação de que não mais será renovado o contrato por algum vício. cujos malefícios foram sentidos mais tarde. Por exemplo na área da telefonia. E tem achado. a estabilidade. Mas. enfim. trouxe aparente bons resultados inicialmente a ponto de ter havido ávidos defensores e comparações calorosas. sem dar valor no maior bem que um trabalhador pode conquistar. em cada caso concreto garimpando os requisitos para a condenação do tomador: a) por não escolher bem (em licitações viciadas com cartas marcadas. no grande álibi da administração pública e só o Ministério Público poderá mostrar os nós desta teia). já que até então não tinham a pressão de metas da economia privada. depois de “um século”. Feito camelos cansados. Neste cenário a terceirização encontrou terreno fértil para proliferar. exageros à parte. ser condenado subsidiariamente) A privatização. imposto pelo “menor preço”. Azar da classe trabalhadora quando não encontra julgadores antenados com tais estratégias. encontrar falhas no descumprimento do ato de fiscalizar. Pagava-se preço justo pela utilização. trouxe um novo conceito e nesta onda de mais eficiência. Não raro. gerando forjadas exigências de explicações dos atrasos pelos tomadores aos seus contratados resulta na prática em um engodo orquestrado. Parece pouco o “mero” inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada. sobrou para o aplicador do direito do trabalho uma importante válvula de escape. Com dificuldade. Embora não vinculante. a terceirização trouxe. arejou este comportamento. otimização e gestões que hoje.

sejam todos melhores na telefonia. há inúmeros sítios na rede mundial de computadores onde novo ramo de assessoria. originada dessa necessidade de “legalizações” desenfreadas e pior. há também uma gama de procedimentos facultativos. 23 . relação com o Estado. vários termos de parceria entre a administração pública e organizações qualificadas como Oscips estão sendo firmados em âmbito federal. Infelizmente os próprios tribunais do trabalho. ou lhes foi enfiado goela abaixo está ai um caminho sem volta no mundo globalizado. Depois de mais de seis anos da publicação da Lei n. apesar de ser tecnicamente clara e apresentar alguns avanços. Atualmente. 9. 9. 3.790/99 e com centenas de entidades qualificadas. (grifamos) [. no topo da página... inclusive para instalar linhas telefônicas. (sem grifos no original). integrante do ente público União. Retirou de sua estrutura os concursos para copeiras. Só a título exemplificativo cita-se a terceirização dos serviços de limpeza e copa em toda a Justiça do Trabalho. […] Além disso. na esteira do mesmo exemplo. ou elas. é o que se espera. o instrumento jurídico que regula os repasses de recursos públicos para as organizações da sociedade civil para que executem políticas públicas chama-se “convênio”.790/99. que pode ser qualificada como OSCIP a qualquer momento ou iniciar suas atividades já como OSCIP. Aleatoriamente. depois da nova invasão espanhola da era moderna foi uma constante. A qualificação de pessoas jurídicas como Oscip é regida pela Lei n. Eles. por exemplo. vencendo os leilões e se era isso que os brasileiros queriam. Nada quanto ao serviço. a falta de estabilidade e a angústia a cada troca de terceirizada. Nas varas do trabalho copeiras convivem com os juízes. sem nenhum escrúpulo (é legal apregoam). por décadas. causou imensos debates e dúvidas entre as ONGs. administrativos e ou políticos à entidade. Hoje em dia o que mais tem são falsos autônomos. no que pontuamos como exemplo de deficiência que adiantamos acima. muitas vezes sem gozo efetivo de férias ou sem recebimento das verbas rescisórias em cada troca da empresa terceirizada. O que mudou foi o pagamento precário. previu a existência do “termo de parceria”. 9. agora terceirizados e de lá para cá nada mudou. que podem acarretar benefícios financeiros. definindo sua origem e facilidades para gestação desses inóspitos embriões. Google” e lá vem. que qualquer entidade deve providenciar. que pretende facilitar e desburocratizar o acesso das organizações da sociedade civil sem fins lucrativos a fundos públicos. sem nenhum vínculo ou proteção. Não se quer ser bairrista. Como diria o filósofo Bóris Casoi: “é uma vergonha!” Sobre as OCIPS. acesso a fundos públicos. acessou-se uma delas. na cabeça da página virtual inúmeros “links” onde vários prestadores de serviços destas incubadoras. portugueses. Se é possível que os espanhóis. por exemplo. Além dos registros obrigatórios.Jornal do Congresso Basta acessar o “Dr.790/99. a primeira que aparece. LTr . mas não sob o sangramento dos milhões de terceirizados. instrumento considerado inadequado para regular essa relação. Fiéis servidores que acompanhavam várias administrações. assim se expressa: Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). Impõe-se aguardar o desenrolar da (in)eficiência com o passar dos anos e da sociedade a paciência.100/99 e pela portaria n.se organizam em apertadas salas para incomodar outros seres). principalmente pelo contexto político em que foi gestada e pelos temas que toca: identidade das ONGs. regulamentada pelo Decreto n. Chega-se ao cúmulo de entrar com reclamação verbal na própria vara para receber seus direitos. Saudades das estatais na área. como condição de acesso a fundos públicos (exemplo: Programa de Formação de Telecentros financiado com recursos do Fundo para a Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust)) ou como condição para a concessão de isenções fiscais (exemplo: lei do Estado de Pernambuco que concedeu a isenção do ITCMD às organizações do Estado sem fins lucrativos qualificadas como Oscip). estadual e municipal. tem também sua parcela de culpa. Entre eles está a qualificação como OSCIP. oferecem ajuda para fecundá-las em laboratórios jurídicos privados. 361/99. etc. permitida na lei. transparência e prestação de contas. Deve-se dizer também que a qualificação como Oscip começa a ser exigida em algumas situações concretas. nem os preços exagerados e nem a inclusão das telefonias como campeãs de reclamações no PROCON.]A Lei n. ou tenham tido dinheiro para injetar na compra das estatais. ainda existem. os antigos “contínuos” do serviço público.

sem nenhuma capacidade financeira (penhora-se o Vaticano?). obter o título de Utilidade Pública Federal e o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. os valores praticados pelo mercado. doações efetuadas às Oscips podem ser deduzidas do imposto de renda das empresas doadoras tributadas sob o regime do lucro real até o limite de 2% sobre o lucro operacional dessas empresas.790/99 é a possibilidade de a organização instituir remuneração para os dirigentes da entidade que atuem efetivamente na gestão executiva e para aqueles que a ela prestem serviços específicos.Jornal do Congresso . enfermeiros e médicos.637. A Lei n. presenciei ao longo dos anos as tentativas de terceirização no campus universitário e sua volta ao estado anterior.158-35/2001. Desapropria-se um e pronto.php>. impondo aos tomadores que arquem com os prejuízos deixados pelas empresas terceirizadas. antes ligado à universidade onde atuamos. Fácil. sem que se tenha o contratante qualquer responsabilidade pela não realização dos necessários concursos públicos. 9. em ambos os casos. passa-se uma mão de tinta para mudar as cores e lá dentro trabalham quem a OCISP quiser. as Oscips que optam por remunerar seus dirigentes que atuam efetivamente na gestão executiva e aqueles que a ela prestam serviços específicos e que tenham vínculo empregatício com a organização poderão ter isenção do imposto de renda e receber doações dedutíveis das empresas doadoras. a informação também é tentadora para os interessados: — Incentivo fiscal a doações — A Medida Provisória n.14). que até então eram regidos pelos convênios. por conta das desvantagens da terceirização que a intuição de seus administradores para o mal que a cercam. professora de uma instituição de ensino há quase duas décadas. estabelece que as organizações qualificadas como Oscips também podem. 9. — Termo de parceria — As parcerias firmadas entre as Oscips e o Estado podem ser regidas pelo termo de parceria. Não precisa muita elucubração mental para perceber que é uma ótima alternativa para sobreviver e ficar enraizado no serviço público. 2. Como um passe de mágica viu-se a transformação em Hospital Universitário privado em Hospital Regional Estadual. A guisa de mais um exemplo pessoal.Quantos aos “principais benefícios conferidos aos portadores da qualificação de OSCIP”. 10. 13 da Lei n. foram todos mantidos ou contratados pela indicação dos padres e sua rede de administração. — Possibilidade de remuneração de dirigentes — Uma grande inovação da Lei n. Simplesmente por meio de uma destas parcerias. Assim. 9. — Podem receber bens apreendidos. receber doações de empresas dedutíveis do imposto de renda. administrados pela Receita Federal — Portaria 256 de 15 de agos24 to de 2002. abandonados ou disponíveis. de 30 de dezembro de 2002. do Ministério da Fazenda (Disponível em <http://www.4.249/95. respeitados. pelo então governo Serra. instrumento instituído pela Lei n.vieiraconsultoria. nos termos e condições estabelecidos pelo inciso III do parágrafo 2º do art. Um exemplo de nossa experiência pessoal foi a desapropriação de um hospital universitário. Desde auxiliares de enfermagem. em seu artigo 59. Sempre houve uma tentativa de fiscalização acirrada pelos órgãos competentes e espera-se que o Ministério Público do Trabalho continue firme em sua missão e as condenações subsidiárias. Acesso em 20.790/99. antes de computada a sua dedução. trata de isenção fiscal para Oscips que remuneram dirigentes.com. Cabe ressaltar que a não-remuneração de dirigentes continua sendo uma exigência obrigatória para se registrar no CNAS. Segundo ela. demonstrou-se sabedoria em saber que o time LTr . todos os empregados que lhe eram simpáticos continuaram a administrar e ou prestar serviços para o novo ente público estatal. Discute-se anos na justiça o preço a pagar. de forma habitual ligada à igreja católica (virou uma tradição nos serviços de saúde após a infiltração deste segmento inicialmente nas santas casas). no município paulista de Presidente Prudente. br/?path=quem_img1. quem sabe transformadas em solidárias na utopia da sugestão que se fez. que estabeleceu critérios mais transparentes e eficientes para o repasse de recursos públicos para entidades sem fins lucrativos. sem nenhum concurso. Primeiro não se cumpre promessa de campanha para a construção de mais um hospital. assim como as organizações portadoras do título de Utilidade Pública Federal.

abrirão mão de ter seus subordinados diretos? Agora. demorou um pouco mais para enxergar que seu corpo jurídico próprio e central precisaria ser mantido. muitas vezes frustradas. E assim fez com outros setores. Diz ainda a mesma lenda que. por exemplo. mediante prova seletiva específica e rigorosa. Nem mesmo o transporte de carga perecível. Há na verdade. No setor sucroalcooleiro. Terceirizar o transporte. que passa por uma fase de transição e necessárias adaptações à realidade. o setor de transportes está sendo a bola da vez. Os campus estão limpos. Se terão que se responsabilizar pela contratada. por melhor que seja a sua preparação. estar disponível a maior parte de seu tempo para um único interesse. Não importa quantas mil terceirizadas um tomador queira contratar. Não há diferenças de várias categorias precarizados e os da preponderante. visando adequar os custos. sempre com menor potencial de risco. podendo pagar bem. decorre de lei. mas também retrocedeu e hoje. na maioria. gratos. antes de ingressar na magistratura. Dedicam-se ao seu crescimento. os vigilantes conhecem praticamente todos os alunos. A terceirização do departamento jurídico dos banqueiros. É o que se tem notícia. nada mais vantajoso do que lhes enquadrar na categoria diferenciada. e a necessidade de controle absoluto sobre as entregas e a qualidade com que chegarão seus produtos tem desmotivado estas tentativas.Jornal do Congresso uma falsa economia. Conta-se no campus que o antigo reitor. Passam a fazer parte dela. Enxergou. ainda assim. os empregadores que têm um tino especial para a economia. E sua decisão. ninguém faz milagre. com o entendimento dominante de que seus motoristas. como um antigo médico de família. não tem mantido a frota em bom estado e acidentes fatais tem levado os empresários a repensar a opção e a falsa economia. Normalmente as empresas terceirizadas. devem necessariamente estar vinculados aos sindicatos de trabalhadores rurais. Não sei se é lenda ou verdade. O Bradesco. tem sido LTr . que se iniciou na década de 90 retrocedeu (presenciei esta transição pessoalmente. quando da invasão de uma de suas fazendas teria convocado a vigilância universitária para garantir a ordem em sua propriedade e foi informado que a terceirizada não teria autorizado o deslocamento dos vigilantes em seus postos de trabalho. salvo engano. restritos nos limites da contratação aos seus campus e não em propriedade particular. os grandes bancos contam com a terceirização apenas em parte do serviço nas “pontas” quando extremamente necessária a atividade descentralizada de suas sedes. como advogada do conglomerado Itaú) a ponto de manter em sua central seu corpo jurídico. inclusive alimentícias. inclusive de funcionários.estava ruim e algo deveria ser feito. não estará inserido no seio empresarial para. harmonizam-se e lhes são. com a nova lei dos motoristas. um bom advogado empregado e com dedicação exclusiva? É evidente que um bom escritório. Havia laranjas podres que podiam contaminar as boas. qualificam-se. Ora. Via de regra também retrocedendo. no dia seguinte teria recontratado diretamente seus homens. mesmo com a aparente redução de custos. muitas vezes mais unidade e com piso salarial mais “salgado”. funcionários e professores (não se corre o risco de cada dia um vigilante estar em uma empresa contratante). em sã consciência. inclusive multinacionais. então que venha a lei 25 . enfim. o que grandes empresários sentiram na carne: os empregados diretamente contratados vestem a camisa do grupo econômico e nela estão para o que der e vier. nos grandes grupos mais atentos ao custo final. pode ser vista por todos. naquela época de ventos de flexibilização. por exemplo. Quem. Desde o departamento pessoal. o jurídico e todos os prestadores de serviços que retornam à dedicação exclusiva e direta ao tomador de serviços. para melhor. por exemplo contratará um escritório de advocacia que cuida de várias empresas se poderá pagar. com restrições. pelo que se vê no dia a dia das varas do trabalho. Desde que em cada uma das mil possa ser condenado solidariamente por irregularidades trabalhistas e quaisquer pendências em relação aos trabalhadores que lhe prestaram serviços tudo estará dentro dos eixos. deixando para os terceirizados apenas parte da responsabilidade. o novo alvo de tentativas de terceirizações por parte de grandes empresas. inconformado. um movimento inverso de terceirização. a responsabilidade solidária não se presume.

LTr . Cada novo desmembramento. A discussão sobre o que é atividade-meio ou fim será. aliás.que imponha tal responsabilidade e nenhum problema mais existirá na tal “necessidade” de terceirização” e a tal liberdade ao pleno emprego e à livre iniciativa. driblar a falta de verbas e vagas criadas por lei. não sejamos hipócritas. num futuro próximo tudo pode vir por água abaixo. um novo sindicato. certamente faria cair por terra qualquer especulação tornando totalmente desnecessária qualquer regulamentação. Quem também lucrará (já lucram) com isso são os sindicatos. Talvez em breve a universidade irá “terceirizar” seus professores. Não são idôneos seus prestadores de serviço? Se têm cautela na escolha e na vigilância por que temer? Pulverizem suas empresas em mil pedaços e sintam na carne o que os trabalhadores terceirizados sentem sem o bem maior. a instituição da responsabilidade solidária. Sindicato dos “professores terceirizados”. por força da responsabilidade solidária legal. mesmo antes da tomadora de serviço se manter viva. entre outras benesses que permitem a empregabilidade espúria. embora polêmico. já é um alento. Defende-se. num país tão injusto com as heroicas empresas brasileiras.Jornal do Congresso . pois. na economia privada a terceirização visa reduzir custos e na pública. numa força lobista do setor imobiliário. responsabilidade solidária. nossa sugestão. pois. Multinacionais terceirizam os auxiliares de toda a sua administração. desde a contabilidade ao almoxarifado. além disso. subsidiária em um único artigo de lei que. descobrir ou regulamentar. Aliás. dependentes de seus tomadores de serviço que. Do contrário. já é. ou melhor. porque não os tomadores de serviço? Corram o risco da condenação e ai veremos se a euforia continua. sem precedentes. nos faz lembrar o ovo de colombo. há de vir e ai sim teremos a verdadeira regulamentação de sua existência. que rotulamos no nosso jardim jurídico de simbióticas. é que todos sejam responsáveis. Nada será preciso mudar. E se é assim e se o trabalhador não pode ficar a “ver navios” quando estas empresas. a lei. Se solidária por lei a relação. Mal nenhum há. a estabilidade: uma insegurança diária e a certeza de que. o bem de família. teremos mais proteção às relações de consumo. Se para a locação o coitado do fiador pode ter sua própria casa. via de regra. O que importa ao mundo jurídico e às relações de trabalho. descontentes com seus desempenhos. Na prática já se terceiriza tudo e aos olhos de todos. de menor importância. acaba-se com essa frenética investigação e tantas especulações. Tal artigo único sugerido no início desta tese. Basta dividir a responsabilidade e de preferência solidariamente. encontrar. quem sabe. Uma empresa quer terceirizar (e 26 correr o risco de ser condenada por aquele que não administrou bem) que o faça afinal. como diria Maquiavel. penhorado. candidatos à sindicalistas. o que. Alguém pagando a conta no final. acabam rescindindo seus contratos. ou na pior das hipóteses. retendo valores até então devidos. Todos são “terceirizáveis”. Em conclusão. Aos inimigos.

Livro Manual do Trabalho Doméstico e Livro Redução da Duração do Trabalho. utilizado neste contexto para designar a empresa prestadora de serviços. Assim. Sobre o fato de a empresa prestadora de serviço ser denominada terceirizada. ed. porém sob vínculo empregatício com a empresa terceirizada. parte de suas atividades. Um exemplo disso foi o que (11) SÜSSEKIND. 10. ed.TERCEIRIZAÇÃO. atendo-se a empresa à sua atividade principal. a terceirização somente é permitida em atividades consideradas de segundo plano. de suporte. Onde está o tertius?. 452. 2000. sócio do Escritório Barbosa e Araújo Advogados Associados.. Autor da LTr. 426. transferindo as atividades-meio. a empresa se concentra na sua atividade-fim. na acepção da palavra. Mas.”(11)..Jornal do Congresso alguma. v. a outra empresa. Arion Sayão. a empresa irá fornecer o trabalho dito terceirizado e o trabalhador irá prestar serviços para a empresa tomadora. Alice Monteiro. mestre em Direito das Relações Econômico-Empresariais pela Universidade de Franca (2005) — UNIFRAN. é o objetivo principal do Direito do Trabalho. Teixeira Filho (2000) na obra com Süssekind. A terceirização. Romita (1992) ressalta que terceiro não é parte da relação jurídica e indaga: “No contrato entre a empresa de prestação de serviços e a empresa tomadora. ao dissertar que “o fenômeno da terceirização consiste em transferir para outrem atividades secundárias. Revista LTr. p. fora da cultura do Direito. especialista em Direito Civil (1999) e Direito Processual Civil (1998). sem dúvida (10) ROMITA. graduado em Direito no ano de 1997. mediante salário. visando enfatizar a descentralização empresarial de atividades para outrem. 5. 19. mar. p. 273.”(13). dispõe: “constitui exceção ao estabelecimento do vínculo empregatício diretamente entre quem exerce o poder de comando e aquele que executa. uma atividade laboral de que se representa empresa tomadora. Delgado (2011) dispõe que terceirização é um neologismo. então não teria sentido atribuir ao prestador dos serviços a qualidade de terceiro(10). ou seja. conforme posicionamento de Barros (2009). é o ato de transferir a terceiros. (13) BARROS. Nesse sentido. 2009. São Paulo: LTr. A terceirização e o direito do trabalho. São Paulo: LTr. oriundo da palavra terceiro. professor de Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho da Universidade Federal de Uberlândia/MG — UFU. um terceiro. Instituições de direito do trabalho. no Direito do Trabalho significa que uma empresa transfere. se se afirma a autonomia e a plena validade jurídica do contrato (de natureza civil) de prestação de serviços. há apenas o primus e secundus. São Paulo: LTr . Curso de direito do trabalho. Maurício Godinho. Há que se ressaltar que. Curso de direito do trabalho. 1. Observa-se que.(Grifos do autor) Esse tipo de contratação descaracteriza o vínculo empregatício direto. denota uma preocupação com a possível existência de relação empregatícia entre a empresa tomadora e os empregados da empresa prestadora dos serviços. 2011.” E conclui: O vocábulo terceiro. que. EFEITOS NOCIVOS AO TRABALHADOR E IMPACTOS NA DURAÇÃO DO TRABALHO Magno Luiz Barbosa Doutor em Direito das Relações Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo — PUC/SP. pela Universidade Federal de Uberlândia — UFU. p. 27 . Arnaldo et al. (12) DELGADO. p. construído pela área de administração de empresas. no Brasil. a empresa(12). ed./1992. A terceirização constitui uma relação jurídica triangular. ocorre consequentemente uma exclusão de trabalhadores aos direitos reservados a determinada categoria. São Paulo: LTr. dentro de determinada atividade empresarial. ao se possibilitar a terceirização. 280. LTr . em que se verificará a figura da empresa tomadora dos serviços.

1 (15) MANUS. com o fenômeno da globalização os grandes grupos econômicos procuram se instalar nos países onde terão menos encargos e. os campus universitários tinham a sua segurança garantida por vigilantes concursados. Pedro Paulo Teixeira. Alice Monteiro. Curso de direito do trabalho. de imediato. desonerando sobremaneira a administração pública. ao passo que reduz o salário do empregado terceirizado. ed. LTr . São Paulo: Atlas. Não há dúvidas de que a terceirização é um instrumento de precarização da relação de emprego. elenca os efeitos da terceirização. Sobre o fenômeno da terceirização. 61-62. antes da possibilidade de terceirização dos serviços de vigilância. ou seja. garantindo preço razoável a seu produto”. 5. que gozavam de todos os direitos dos servidores públicos. p. que tem nesse tipo de trabalho a possibilidade de diminuição de custos e encargos. o que poderá gerar maior lucratividade. São Paulo: LTr. a baixo custo e sem lhe oferecer as garantias básicas: Vasta produção jurisprudencial se formou em torno da extensa gama de hipóteses de subministração de mão de obra a baixo custo e de exploração da energia de trabalho. p. o Ministro do Superior Tribunal do Trabalho. Para muitos autores. portanto. 2009. p. por um terceiro. p. países que adotam a terceirização são alvos de empresas multinacionais. ressalta com propriedade que “o que motiva o empresário a buscar o concurso desse terceiro. 19. art. que vedam a contratação de trabalhadores por meio da intermediação de mão de obra. Com relação ao empregado. 16 ed. pois possibilita a concentração da empresa em sua atividade-fim.(15). ocasionando desemprego periódico. pois. 281/282. Todavia. no que tange a encargos trabalhistas e questões previdenciárias. 457. Ives Gandra da Silva. ed. (17) BARROS. o faz com a intenção de migrar dos contratos de relação direta de emprego para os contratos de natureza civil com a empresa interposta. como a França. é óbvio. gera maior rotatividade dos empregados. visto que os seus efeitos somente são positivos para os detentores do capital. Assim. 28 proporcionando redução dos encargos sociais. Pedro Paulo Teixeira Manus. causa a pulverização sindical. permitindo maior competitividade. inobservando a legislação especial editada naquele então(14). o que foi substituído por contratação interposta. quando uma empresa opta por utilizar a terceirização de algum serviço. a fim de diminuir os seus custos e as suas responsabilidades.Jornal do Congresso . Direito do trabalho. Contemplava-se desde a contratação de mão de obra por meio de empresas inidôneas até a escancarada substituição de trabalhadores próprios por vinculados a empresa interposta. Instituições de direito do trabalho. a terceirização foi muito utilizada para explorar o trabalhador. exceto para o exercício do trabalho temporário (cf. os encargos do empregador desaparecem e. como benéficos para a empresa. inclusive. Arnaldo et al. a estabilidade no emprego. 11. sociais. porque esse instituto deixa de existir. São Paulo: LTr. Afinal. Manual esquemático de direito e processo do trabalho. menores custo de produção. 125-3 do Código do Trabalho francês)(17). São Paulo: Saraiva. como danosos. Manus (2007). consequentemente. pode-se até pagar mais pelo serviço prestado. que impossibilita a integração do empregado na empresa(16). 2000. Gandra Filho (2008) elenca os efeitos da terceirização na relação de emprego. 127.v. é diminuir o custo da mão de obra. o que lhe permite ampliar seu lucro. como Teixeira Filho (2000). O certo é que a terceirização ainda é campo fértil para discussão sobre a garantia dos direito básicos ao trabalhador. ed. simplificação da estrutura da empresa e sua horizontalização. não existindo contrato de trabalho. ou no mínimo. quando trata do assunto. Hodiernamente. burlando a legislação do trabalho. (14) SÜSSEKIND. manter-se no mercado de forma competitiva. as garantias do contrato de trabalho desaparecem. Há países. deteriora as condições de higiene e segurança do trabalho. que buscam aumentar a lucratividade à custa do achatamento dos direitos dos trabalhadores. (16) MARTINS FILHO.ocorreu na administração pública. trabalhistas e tributários. como se mercadoria fosse (marchandage). economia de custos. faz uma interessante abordagem: É fato que. 2008. 2007.

331 do Tribunal Superior do Trabalho dispõe que a terceirização não pode. Entretanto. 127. ao ingressar na Justiça do Trabalho. trabalhadores das empresas de intermediação de mão de obra tem apenas a garantia dos direitos básicos previstos na Constituição Federal e na CLT. por exemplo.Lembre-se de que a terceirização é situação imposta pelo fenômeno da globalização. está em uma representatividade coletiva (20) COURA. não terá a duração do seu trabalho diferenciada. há que se observar que. Aliás. perante o obreiro que prestou os serviços. E acrescenta que deverá haver melhor regulação da terceirização para que se diminuam os malefícios aos trabalhadores(19). Wagner D. é indiscutível que a redução da duração padrão de trabalho seria benéfica aos trabalhadores de empresas interpostas. ou seja. como resposta natural e espontânea da sociedade às novas imposições das atividades produtivas modernas.Jornal do Congresso Destarte. à medida que a competitividade aumenta com esse processo que introduz entre nós outros competidores. por sua vez. no caso da terceirização. pleiteando verbas trabalhistas não pagas na relação de emprego. indubitavelmente. o empregado terceirizado. aumentando o número de postos formais de trabalho. O trabalhador. os empregados da empresa tomadora. um dos fatores mais expressivos em relação à valorização do trabalho por meio de empresas interpostas. conforme previsto no referido item IV da Súmula n. com pequenas vantagens eventualmente previstas em convenções coletivas de trabalho. em hipótese alguma. neste caso. por meio de empresa interposta./2011. por exemplo. ruiu valiosas conquistas e criou muralhas entre eles”(20). empresas que se utilizam dessas contratações tem o dever de fiscalizar as empresas que oferecem a prestação de serviço. como. o ponto crucial quanto à terceirização está relacionado às questões de representação coletiva. em que o obreiro trabalha doze horas e folga 36 horas consecutivas. como as empresas multinacionais. quando uma instituição financeira contrata uma empresa interposta para lhe fornecer o serviço de segurança.”. que opte por essa forma de contratação. como bancários. Destarte. sem a garantia de direitos básicos do outro trabalhador. Direito do trabalho. responsabiliza. 394. ela parece ser um instrumento de efetivação da máxima maquiavélica: a terceirização dividiu os trabalhadores. o tomador dos serviços. reservada aos bancários. 1. (19) GIGLIO. tornando o mercado altamente difícil para a empresa nacional. abr. Revista LTr. 29 . estão vinculados a normas coletivas que não se aplicam aos empregados terceirizados daquela instituição financeira. faz com que o trabalhador seja colocado em um ambiente alheio à sua representatividade coletiva. ed. 11. Nesse sentido. Assim. Pedro Paulo Teixeira. subsidiariamente. o que poderia também culminar na necessidade de novas contratações. pois o descumprimento das obrigações trabalhistas. Coura (2011) acentua que: “por todos os ângulos que se analise a terceirização. p. Revista LTr.460. p. O capitalismo contemporâneo e suas transformações — o impacto da terceirização trabalhista. LTr . Giglio (2011) pondera que “provavelmente tenhamos que nos adaptar à terceirização. significar uma blindagem ao empregador. Solange Barbosa de Castro. 331 do TST. 2007. Terceirização. impondo-lhe medidas drásticas para poder manter-se em atividade(18). Independente da atividade em que o obreiro esteja prestando os seus serviços. Geralmente utiliza-se. em regra. que presta serviços no mesmo ambiente. o empregado que labora por meio de empresa interposta não terá os direitos reservados aos empregados contratados diretamente pela empresa tomadora. dez. pela empresa interposta. Importante salientar que o item IV da Súmula n. O modelo de trabalho. verifica-se que a duração diária do trabalho nos serviços de segurança está entre as mais elevadas no ramo de serviços. o sistema de escala de 12x36. p. apesar de estar nas dependências dessa empresa tomadora. a duração semanal do trabalho de 44 horas. São Paulo: LTr. Tal fato se deve também ao trabalho de vigilância estar relacionado ao trabalho intermitente. No que tange ao contraponto duração do trabalho e terceirização./2011. colocando os terceirizados em flagrante condição de inferioridade. São Paulo: Atlas. Por exemplo. deve necessariamente colocar no polo passivo da demanda a empresa tomadora do serviço. (18) MANUS. São Paulo: LTr.

Terceirização. É NECESSÁRIA A REGULAÇÃO DA TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS? Ana Maria Maximiliano Pós-graduada em Direito Administrativo (Instituto Brasileiro de Estudos Jurídicos/UNIBRASIL/2000) e em Direito Constitucional (Academia Brasileira de Direito Constitucional/UNIBRASIL/2013). A terceirização e o direito do trabalho. Curso de direito do trabalho. 2000. 394. 5. Revista LTr. ROMITA. equiparados aos direitos dos empregados que trabalham na empresa tomadora de serviços. p. sus30 tentando-se. Professor Titular do Curso de Mestrado e do Doutorado em Direito da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. v. Professor da UFSC e da UNINTER./1992. MANUS. em razão da necessidade de inserí-las em um processo econômico competitivo./2011. MARTINS FILHO. SÜSSEKIND. São Paulo: LTr. Pedro Paulo Teixeira. Marco Antônio César Villatore Pós-Doutorando em Direito Econômico pela Universidade de Roma II. Advogado (Disponível em: <http://www. COURA. ed.Jornal do Congresso . Considerações iniciais A relação de trabalho típica. a bilateral. 2008. 2009. mar. Revista LTr. Revista LTr.br>). ed. Alice Monteiro. formada entre empregado e empregador. São Paulo: LTr. 16 ed. abr. São Paulo: Atlas. Arnaldo et al./2011. São Paulo: Saraiva. Membro da Comissão de Direito do Trabalho OAB/PR — 2013/2015. Referências bibliográficas BARROS. que tal moldura é incompatível com o intuíto expansionista das empresas. Maurício Godinho. há muito deixou de ser a única no cenário nacional. ed. “La Sapienza”/UFSC e Mestre pela PUC/SP. GIGLIO. O capitalismo contemporâneo e suas transformações — o impacto da terceirização trabalhista. Doutor pela Universidade de Roma I. Graduada pela PUCPR. São Paulo: LTr.villatore. São Paulo: LTr. Arion Sayão. de um modo geral. próprio do regime capitalista. 2007. “Tor Vergata”. Líder do Grupo de Pesquisa “Desregulamentação do Direito. dez. capaz de alcançar direitos para os terceirizados. LTr . 1. Ives Gandra da Silva. 10. ed. 19.forte. do Estado e Atividade Econômica: Enfoque Laboral”. Solange Barbosa de Castro. 11. Procuradora do Município de Curitiba. Direito do trabalho. Manual esquemático de direito e processo do trabalho.pro. Curso de direito do trabalho. 2011. São Paulo: LTr. São Paulo: LTr. DELGADO. Wagner D. Instituições de direito do trabalho.

eco. 74.2014. Revista do Tribunal Superior do Trabalho. n. Assim é que a dimensão que a terceirização tomou reclama a elaboração de regulamentação a fim de não se tornar a antítese da marca do Direito do Trabalho. out. 2008. que o nó górdio das críticas ao instituto da terceirização recaem na ausência de legislação protetiva dos direitos sociais do trabalhador. Contexto da terceirização e o estado democrático de direito As pesquisas publicadas pelo Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho/ Instituto de Economia — CESIT/IE. BIAVASCHI. A dinâmica da Súmula n. 67/88. no setor bancário. LTr . no (21) SCHUMPETER. as de repercussão política e social em especial têm sido judicializadas. 1991. A dois.4. Acesso em: 29. Daniela Muradas. há outras circunstâncias fáticas que merecem ser apontadas. seja na indústria. que podem significar formas criativas de ocultamento e simulação. no Poder Judiciário. 175. Solange Barbosa de Castro (Coords. 82-83 apud BIAVASCHI. Terceirização e a justiça do trabalho. n. Capitalismo. CEBRAP. n. Percebe-se. principalmente. p. Terceirização e a justiça do trabalho. Magda Barros. p. p. que são questões de todos os matizes. out. São Paulo: LTr. Trabalho e justiça social. 74. J. em um Estado Democrático de Direito é essencial se assegurar o exercício dos (23) BIAVASCHI. (24) O’DONNELL. etc. Acesso em: 29. 74. Guilhermo. In: REIS. out. 1975. limpeza e conservação.br/cesit/index.scribd. (22) Disponível em: <www. ou seja. Magda Barros. veja-se neste sentido a Súmula n. Brasília. 4. organizar a empresa e relacioná-la com outras e assim o capitalismo. 331 do Tribunal Superior do Trabalho: a história da forma de compreender a terceirização. p. após. a ocorrência do movimento de retorno aos ajustes de natureza civil. v. socialismo e democracia. 25-40. 2008.2014. Tal judicialização não corresponde ao Estado Democrático de Direito. 2013. 331 do TST. Com efeito. 81-82. que se caracterizam como evidentes terceirizações de serviços. Magda Barros. Revista do Tribunal Superior do Trabalho. o que reflete. Coura.). Mello. A fim de acompanhar as inúmeras mudanças dos nossos tempos. vai engendrando novas formas de organização. e para tanto criam novas formas de produzir. p. movido por um impulso que o mantém em funcionamento. demonstram o crescimento da terceirização no país em todos os âmbitos. v. Schumpeter(21). projetos de fomento. serão decididas pelo Poder Judiciário. Democracia delegativa? Novos Estudos.(24) Essa transferência de poder para os magistrados. na Administração Pública. não sendo resolvidas pelas instâncias políticas tradicionais que são o Congresso Nacional e o Poder Executivo. A um.4. impôs uma trajetória jurisprudencial no tocante ao tratamento da responsabilização do tomador nos casos de não cumprimento. portanto. pelo contratado. os capitais estão sempre à busca de lucros extraordinários. a anomia até os dias atuais de legislação que trate da terceirização de forma ampla. das obrigações trabalhistas perante os empregados envolvidos na consecução do ajuste.Conforme J. Disponível em: pt. na afirmação de Márcio Túlio Viana. o Estado se omite de editar norma heterônoma e transfere para os trabalhadores e empregadores a responsabilidade pelo gerenciamento de tais relações jurídicas.(23) A par dessas situações. redunda em uma esperada alteração significativa na linguagem. na medida em que não se asseguram expressamente os respectivos direitos trabalhistas. na medida em que se caracteriza como ativismo antidemocrático e próprio das democracias delegativas. Brasília. na argumentação e no modo de participação da sociedade. New York: Harper & Row. php/publicacoes/433>. em especial “O trabalho em regime de subcontratação no Brasil” e “Transformações estruturais e emprego nos anos 90”. p.unicamp. visando.Jornal do Congresso mais das vezes eximem de responsabilidade os verdadeiros beneficiários da força de trabalho. pois há legislação específica para os casos de vigilância. contratos de facção. diminuir os custos e melhorar a qualidade do produto ou do serviço. 67-88. p. Roberta Dantas de.com/doc/22584776/O-Donnel-1991-CebrapDemocracia-Delegativa. como empreitadas. O fenômeno da terceirização é uma das expressões dessa complexidade./dez. Considerações finais O mundo do trabalho não é estático.(22) Além dessas pesquisas. 31. 4. 31 ./dez.

Terceirização e a jusbalho deve oferecer seu jurisdicionado-hipossufiente e credor de trabalho. 67475-J do Código de Processo Civil. estas Sob o prisma desse princípio. 334/2004. LTr .os1º princípios constitucionais devem irradiar sua aplicabilie a3ºtodos da CRFB/1988 devem parâmetro da dade os subsistemas. nidade de maior efetividade no cumprimento das sentenças trabalhisout.efetividade deve Enfim.2014.ser poroexemplo. a percepção da coerência Muradas. Acesso em: 29. Coura. 173-182. sendo necessária a edição de legislação que sistemas legais vigentes”. 331 do Tribunal onais justrabalhistas.4.232/2005: 31. LXXVIII. 1991. São Paulo: LTr. In: CHAVES.e justiça social.scribd. Nesse viés quaisquer interpolítica. osSe preserve frente àinfraconstitucional terceirização.com/ tas. osNuma fundamentos e ospós-positivista fins definidos nos arts. após mente satisfeitas. José Eduardo (Org. a argumentação torna-se mais devem consistente analisada a luz reitos sociais ser quando exigências crescenteda principiologia constitucional. n. CF). v. Brasília.Jornal do Congresso . pela qual se assefomentador participação públicacomo na construgurou a razoáveldaduração do processo direito fundamental a todos os brasileiros (art.Tal princípio pressupõe uma visão social do sistema processual do trabalho. LTr. LXXVIII. out. A aplicação subsidiária do art. Disponível em: pt.br/cesit/inos Magistrados e os Advogados para que a sociedade Acesso nuncadex. O método de colmatação de lacunas. O’DONNELL. 74. Trabalho princípios destacados acima. terceirização de serviços. p. direitos sociais. 101-102. Luciano Athayde. fundamentada no 88. 1997.). Lei n.eco. Solange Barbosacom de aCastro do novo dispositivo são um meio de concretização dos (Coords.). 2007. O intérprete não deve se quedar inerte diante da Referências letargia dos legisladores e diante dos percalços da incorporação de novos procedimentos.unicamp. realidade social reclama pela regulamentação da Direito e Justiça: a Função Social do Judiciário. perca a esperança de que terá seus direitosem: tutelados 29. Roberta Dandos princípios do Processo do Trabalho redação tas de. passando o Estado a agir como a Emenda Constitucional n. 45/04.2014. rior do Trabalho. pode ajudar a processualística Superior do Trabalho: a história da forma justrabalhista a alcançar esse desiderato. a busca da p. 249-275.php/publicacoes/433>. verdadeira tornar-se um objetivo comum principalmente dentre Disponível em: <www. bens de natureza alimentar — um protiça do Revista do Tribunal Supecesso mais ágil e eficaz(5). Direito Processual do Trabalho: Reforma e efetividade.Jornal do Congresso 32 97 LTr . doc/22584776/O-Donnel-1991-Cebrap-Democracia-Delegativa. o Direitoatuação Processual do Trabalho. identificação Daniela da omissão celetista eMello. 475-J do Código de Processo EstadoporDemocrático de Direito. Oportuva? Novos CEBRAP. Democracia delegati(5) CARVALHO. p. de de se recorrer ao ativismo judicial ou a qualquer José outra técnica delegal cunho subjetivo. principalmente. MagdaaoBarros. de compreender a terceirização. Eduardo. A dinâmica da Súmula n. 2008. 4.da razoável duração do proprincípio constitucional cesso (art. São interpretação do processo. sem soluções implícitas. que constitucionais. Fernando Silva de. p. Nesse sentido todos os problemas de concretização dos direitos trabalhistas. Ordem X Mudança social: a crise judiciário e a formação do magistrado. 5º. José Eduardo Fa(4)no presente estudo consubstanciadas na edição ria ressalta que “cabe a uma magistratura com um conhecimento multidisciplinar e poderes decisórios amplia. não há necessidaconcretizar o espíritoconclui-se dos comandos Paulo: 2013. mas já será um passo adiante. São Paulo: Ática. certamente não como insculpido no Projeto de Lei n. pretações dadas à legislação infraconstitucional devem Portanto.11. n. In:a REIS. p. ção de um projeto de sociedade. 5º./dez. pelo Poder Judiciário. Guilhermo. CF) e nos princípios constituci____.4. In: FARIA. os diCivil já é No admitida inúmeros autores. poisdo a (4) FARIA. numa análise a aplicabi- lidade da multa do art. 25-40. O Processo do TraBIAVASCHI. como. valorizando mais as questões de justiça do que os problemas de legalidade. LuisEstudos.e de súmulas pelo Tribunal Superior do Trabalho dos à responsabilidade de reformular a partir das próprias questionadas perante o Supremo Tribunal Fedecontradições sociais os conceitos fechados e tipificantes dos ral.

ou se ela está inserida neste? A questão é um tanto quanto intrincada e nossa jurisprudência majoritariamente tem caminhado no sentido de admitir a cumulação das indenizações. Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo Bastos. se inquestionáveis fossem os entendimentos emanados dos tribunais engessado restaria o direito. Seja o trabalhador em seu ambiente de labor. que inicialmente sequer era digna de reparação. (3) Processo: AIRR — 209000-66. o que não nos parece ser o mais acertado. pode gerar confusões.3.2008. Data de Publicação: DEJT 21.2008. breve por sinal. questionar se a lesão estética(1) pode ser cumulada com o dano moral. como por exemplo nos casos em que caberá a condenação do autor da lesão a custear cirurgias reparadoras ou outros gastos para minimizar o dano. Procurador do DMAE de Uberlândia. LTr . Data da Publicação/Fonte: DJe 3. ainda que caminhe no sentido de uma dita uniformidade. a qualquer momento podemos ser acometidos por um evento do qual sobrevenham lesões físicas que promovam o afeiamento do indivíduo ou qualquer sorte de dano corpóreo que venha a prejudicar a imagem da pessoa. seja o motorista trafegando por uma rua qualquer enfim.10.3º Painel A LESÃO ESTÉTICA E A REPARAÇÃO DE NATUREZA MORAL E MATERIAL: UMA TENTATIVA DE ESCLARECIMENTO Hugo Cesar Amaral Bacharel em Direito e Especialista em Direito Constitucional pela Faculdade de Direito da UFU/MG. Relator: Ministro João Otávio de Noronha.5. os bens tutelados são distintos. RSSTJ vol. embora oriundos do mesmo fato. por hora. (2) REsp 659715/RJ — Recurso Especial 2004/0096845-6.Jornal do Congresso sentido de que “é cabível a cumulação de danos morais com danos estéticos quando.0115 Data de Julgamento: 12.2014. trazendo-lhe uma depreciação de sua imagem perante a sociedade e especialmente perante si mesmo. Pois feita esta ponderação. são passíveis de identificação em separado. Com efeito. dado o inegável sofrimento que impõe à pessoa. tolhida a sua necessária e imperativa evolução. ainda que decorrentes do mesmo fato.11. 422. Toda pessoa está sujeita a um infortúnio que venha a causar-lhe lesão de natureza estética. 5ª Turma. temos que não está imune a equívocos. a qual poderá tanto ter natureza moral. o Superior Tribunal de Justiça vai tendo sua jurisprudência uniformizada no (1) Preferimos a terminologia lesão estética a dano estético. seja o transeunte caminhando pelas vias públicas.2008. Aliás. Órgão Julgador: Quarta Turma. Data do Julgamento: 14. 33 . A profusão do uso da palavra dano. Segundo pensamos a lesão estética é o fato gerador do direito à reparação.”(3) Embora seja a jurisprudência uma relevante fonte do direito. em sede de responsabilidade civil. foi galgando junto aos tribunais e à doutrina espaço e aceitação sendo já há um certo tempo digna da adequada tutela junto ao judiciário brasileiro. A lesão de natureza estética. conforme estudo histórico apresentado por Yussef Sahid Cahali. Advogado. quanto poderá repercutir materialmente. idônea a ilustrar e fomentar o debate jurídico. uma vez que.3. passemos à apreciação.2014. à fl. o Tribunal Superior do Trabalho orienta-se “no sentido de que há possibilidade de cumulação do dano moral com o dano estético. Impende.”(2) A seu turno. 35 p. da questão em tela. 198 da 4ª edição de sua já clássica obra “Dano Moral”.15.

o sofrimento imposto à pessoa repara-se a título de danos morais. no sentido de um tratamento lógica e cientificamente mais bem apurado do tema. Ribeiro Filho. 923. consultas etc corresponderiam ao dano material. Ainda que a jurisprudência hoje reinante entenda o contrário. publicado no Publicado em Jornal do 4º Congresso Brasileiro de Segurança e Saúde no Trabalho. Em resumo. LTr . (5) Pedimos vênia aqui para divergir pontualmente dos autores na medida em que mesmo sendo temporária a lesão não se pode afastar uma proporcional indenização por danos morais. ao passo que os gastos que o infortúnio tenha lhe causado. devendo ser apreciadas a dor vivenciada. Tem o condão de ensejar o dano moral a lesão que se revela perene. e a indenização por dano material. conferir uma natureza especial à lesão estética. 37/39. valorável juridicamente. Tomo II. facilmente indenizável e facilmente superável”. que rodeiam o fato. ou o dano material. a lesão estética propiciará ou o dano moral. aqui. Aliás. que acompanhará a pessoa para sempre. não sendo definitiva. Enfim. donde se depreende ser ilógico indenizar. na medida em que a própria Constituição Federal de 1988. mais adiante. Assim. Aguardemos a evolução jurisprudencial. Conceber-se que não se deve cumular o dano estético com o dano moral não gera prejuízo algum à vítima. em separado.Jornal do Congresso . no entanto. resolve-se em danos materiais(5). ainda que passageiro. Não se trata o dano estético de um tertio genus! Conclusões A lesão estética. Rui Stocco. 9ª ed. a lesão estética(6). ou seja: se possível de ser reparado. (6) Sobre o tema já dissertamos. a melhor orientação sobre o tema. a dimensão dos prejuízos advindos da lesão à imagem da pessoa e poderá. quanto às repercussões de caráter patrimonial que advenham do fato. quais sejam. expressa que “o dano estético há de apresentar uma certa definitividade. podendo desta situação repercutir consequências dignas de tutela pelo direito. Sendo reparável. face ao sofrimento vivenciado. cirurgias. em artigo intitulado “O acidente do trabalho e a questão da cumulatividade das indenizações por dano moral e estético decorrentes de um mesmo fato”. ou seja. resolve-se como dano patrimonial”4. igualmente. fls. citada por Rui Stocco(4). segundo nosso modesto pensar. sob pena de retroagirmos ao pensamento que prevalecia no STF até a primeira metade do século XX. Leonídeo F. V. pois não se está deixando de indenizá-la pela lesão de natureza estética. tais como medicamentos. p. dar ensejo à reparação de natureza material. 34 são que o fato trouxe para o aspecto psíquico da vítima. por sua vez. a nosso ver. ou dano estético. mas apenas se está circunscrevendo o fato (lesão estética) a uma das duas formas de reparação aceitáveis juridicamente. a indenização por dano moral.Teresa Ancona Lopez. em seu art. assegurou a reparabilidade dos danos materiais. Editora RT. evento realizado em São Paulo entre os dias 24 e 25 de novembro de 2003. Não podemos. constituirá ou dano moral. dadas as questões patrimonialmente mensuráveis. e assim será indenizada. A lesão que repercute sobre a beleza física da pessoa há de dar ensejo ou ao dano moral ou ao material. Um traço peculiar da lesão estética é que o corpo físico é atingido. segundo a concebemos. morais e à imagem. ou dano material. sob a coordenação do Dr. poderá dar ensejo à reparação de natureza moral. ou até mesmo os dois. outra não poderia ser a conclusão. não se podendo conceber a vedação à indenização por dano estético. a perda ou redução da capacidade laborativa etc. dado a diversidade de sofrimentos dela decorrentes e o dano material. incluídos os custos com tratamentos de reparação ou diminuição da lesão estética. 5º. aqui ponderada e sopesada toda a repercus(4) Tratado de Responsabilidade Civil — Doutrina e Jurisprudência. assevera com aguçada propriedade que “o dano estético passageiro não é dano moral e sim dano material. enquadráveis que estarão suas consequências em um das duas modalidades de dano existentes. Toda e qualquer consequência da lesão estética. da lesão estética há de resultar dano moral. inc. é no sentido de que a lesão estética é o fato gerador do direito à reparação moral.

seja gerando incapacidade para o trabalho de forma total ou parcial. acidentes ocorridos no local do trabalho. o legislador formulou um conceito para o acidente do trabalho em sentido estrito. 8. e relacionou outras hipóteses que também geram incapacidade laborativa. doença profissional e doença do trabalho..496 acidentes.365 acidentes e em 2008 foram registrados 755. da busca da realização pessoal e da garantia de sobrevivência na sociedade. afetando-o individualmente e coletivamente. Sebastião Geraldo de. 5 ed. acidentes ocorridos fora do local da prestação dos serviços.2014. 2009. Os acidentes de trabalho possuem números alarmantes no Brasil.br/ estatisticas/>. na CLT através dos arts. 35 . 7º. e nas Normas Regulamentadoras (NR) relativas à segurança e medicina do trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego e demais legislações.4. Em contra ponto. Acessado em 30.213/91. mas com vínculo direito ou indireto com o cumprimento do contrato de trabalho e acidentes ocorridos no trajeto de ida ou volta para o local de trabalho.980 acidentes. que pode ser dividido em: acidente típico. Advogado Trabalhista.213/91 trazem o conceito legal de acidente de trabalho. Diante dessa dificuldade conceitual. totalizando nestes três anos o total de 2. 39. indicando outras hipóteses que se equiparam ao acidente típico para os efeitos legais.previdencia. mas que não têm ligação direta com o exercício da atividade profissional. sendo que em 2010 foram registrados cerca de 701. o Ministério da Previdência Social divulgou os dados estatísticos de acidentes de trabalho.A REITERAÇÃO DE ACIDENTES DE TRABALHO E A RELAÇÃO COM A CULPA E O NEXO CAUSAL Emanoel Alesandro da Cruz Sampaio Lopes Especialista em Responsabilidade Civil pela Universidade Estácio de Sá. Isso porque a incapacidade também pode surgir por fatores causais que não se encaixam diretamente no conceito estrito de acidente do trabalho. 1. o acidente de trabalho atinge a expressão de trabalho do ser humano.Jornal do Congresso 2. seja causando redução da capacidade financeira e outras consequências negativas.ampl. de seus dons. os chamados acidentes do trabalho por equiparação.919 acidentes registrados(1). 154 a 159. (2) OLIVEIRA. Como se vê. O trabalho gera dignidade ao ser humano. Indenizações por acidente de trabalho ou doença ocupacional. São Paulo: LTr. também denominado acidente típico ou acidente-tipo. Introdução O trabalho do ser humano é manifesto na expressão de seus talentos. Atual. inciso XXII. p.gov. em 2009 foram registrados 733. seja limitando o trabalhador de crescer em sua capacidade produtiva e intelectual. acrescentou dispositivo com sentido mais amplo. Sebastião Geraldo de Oliveira(2) define com propriedade as espécies de acidente de trabalho. Graduado na Universidade Federal de Sergipe. a lei definiu apenas o acidente do trabalho em sentido estrito. No entanto. (1) Disponível em: <http://www.190. 19 e 20 da Lei n. rev. A reiteração de acidentes de trabalho e a relação com a culpa e o nexo causal Os arts. Apesar das inúmeras normas de proteção do trabalhador insculpidas na Constituição Federal art. alguns empregadores vem reiteradamente descumprindo as normas de proteção e saúde do trabalho causando acidentes de trabalho. através da Lei n. 8. LTr . tais como: enfermidades decorrentes do trabalho. conjugando fatores do trabalho e extralaborais (concausas). acidentes ou doenças provenientes de causas diversas. o acidente típico.

morais e estéticos. todos estes com fundamentos nos arts. 186 do Código Civil (CC). O axioma que se defende é que o empregador deverá evitar o acidente desde o primeiro momento. a fim de buscar a real conduta do agente. devendo promover todos os esforços possíveis para evitar a reiteração de acidentes no ambiente de trabalho. LTr . A análise da culpa consiste na observância da obrigação de proteger a saúde e segurança do trabalhador no ambiente de trabalho por parte do empregador. não agiu com a cautela necessária para evitar acidentes.Jornal do Congresso . mas torna-se necessário expandir o exame da culpa para o histórico do empregador de acidentes de trabalho ocorridos no mesmo ambiente laboral. mesmo quando reiterados os acidentes em um mesmo ambiente de trabalho. pois não se considera normal vários acidentes no mesmo ambiente de trabalho. cabendo ação judicial contra o empregador parar reparar danos materiais. art. A análise da culpa e do nexo causal nos infortúnios laborais não deve se restringir apenas ao acidente de trabalho objeto de ação judicial. A reiteração de acidentes de trabalho dentro de um mesmo ambiente laboral é de funda36 mental importância para a análise da culpa do empregador e do nexo causal. bem como os outros elementos da responsabilidade civil: nexo causal e dano. 7º inciso XXVIII. CLT. Com o infortúnio laboral.213/91 e outras legislações são de fundamental importância na prevenção dos acidentes de trabalho e devem ser cumpridas efetivamente em proteção a saúde e segurança do trabalhador. O exame da repetição dos infortúnios laborais no mesmo ambiente de trabalho traz respostas sobre o cumprimento ou descumprimento das obrigações do empregador de prevenir os acidentes de trabalho. tem de enfrentar e encontrar a responsabilidade do empregador nos acidentes de trabalho. que de regra. isto é. e a responsabilidade de restituir o acidentado ao estado anterior. pode e deve o empregador buscar a restituição ao estado anterior através de ação judicial contra o empregador. o nexo de causalidade e o dano. Uma vez violada a obrigação legal de cumprir com as normas de segurança e saúde do trabalhador e gerado o dano resta caracterizado o ilícito nos moldes do art. principalmente a conduta culposa do empregador e o nexo de causalidade. A repetição dos acidentes de trabalho no mesmo ambiente laboral demonstra a omissão do empregador em preservar a saúde física e emocional do trabalhador. o empregado acidentado vê-se desamparado. existe culpa e nexo de causalidade entre o acidente e o labor? A análise da conduta do empregador é de fundamental importância nas ações indenizatórias por acidente de trabalho. especialmente a Justiça do Trabalho. O questionamento gira entorno da seguinte indagação: existe omissão da empresa em garantir a segurança do trabalhador? E por conseguinte. 950 do Código Civil. de regra. a responsabilidade civil subjetiva. Uma vez reiterados os acidentes de trabalho na mesma empresa chega-se a conclusão de que o empregador está descumprindo com as normas de proteger o trabalhador. que além de não evitar o dano. pleiteando danos materiais. estéticos e morais. restando apenas a este procurar o judiciário para solucionar o seu problema.O problema aqui apresentado consiste na reiteração de acidentes de trabalho pelo mesmo empregador. Lei n. O tema tem relevante importância pela grande dificuldade que o Judiciário brasileiro. agindo com conduta culposa. As normas previstas na CF. NR. quando este não toma medidas para evitar os acidentes. 186. da qual são pressupostos: a conduta culposa. não assume as responsabilidades civis e trabalhistas com o acidentado. O empregador tem o dever legal de cumprir com o que estabelece a lei para proteger a saúde e segurança do trabalhador. onde aplica-se. 8. uma vez que os números de acidentes na empresa trazem indícios do cumprimento e descumprimento das normas de proteção ao trabalhador. Reitera-se que a quantidade de acidentes de trabalho contra o mesmo empregador deve ser levada em conta para apurar a conduta culposa e o nexo causal. 927. Estando presente a conduta culposa do agente empregador. em evitar infortúnios laborais. pelo causador do acidente. se confunde com seu empregador.

3. Bibliografia
Cavalieri Filho, Sergio. Programa de Responsabilidade Civil, 10 ed. São Paulo: Atlas, 2012.
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, volume 4: responsabilidade civil, 7
ed. São Paulo: Saraiva, 2012.
MORAES, Maria Celina Bodin de. Danos à pessoas humana: uma leitura civil — consti-

tucional dos danos morais. Rio de Janeiro:
Renovar, 2009.
OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de. Indenizações
por acidente de trabalho ou doença ocupacional, 5 ed. rev.,ampl. Atual. São Paulo: LTR,
2009, p. 39.
VENOZA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: Responsabilidade Civil. 3 ed. São Paulo: Atlas,
2003, p. 23.

A impossibilidade de cumulação entre o dano moral
e o existencial
Anderson Pereira Charão
Bacharel em Direito pela PUC-RS. Pós-graduado em Direito
e Processo do Trabalho pela IMED/CETRA. Assessor Jurídico
no Banco do Brasil S/A.

Com o decorrer dos anos temos experimentado uma mudança drástica nas relações de
trabalho, com a revolução tecnológica há uma
aproximação cada vez maior entre empregado e
empregador.
Já não se pode afirmar, com segurança,
que existe o completo desligamento mental
das atividades laborais após a jornada regular
de trabalho, pois, caso o empregador deseje, o
obreiro é facilmente alcançado através do celular ou do e-mail, fazendo com que suporte
sobrecarga psíquica e passe a apartar de sua
rotina os momentos em família e o lazer, negligenciando a sua própria existência em sociedade.
Há um inevitável desgaste biológico e da
integridade humana em tal situação. O Tribunal
de Cassação italiano foi o primeiro a observar a
necessidade de se estipular uma nova modalidade de indenização frente a essa nova situação até
então desconhecida. O referido tribunal, através
das sentenças 500/99 e 7.713/2000 chegou à
LTr - Jornal do Congresso

conclusão de que a lesão aos direitos da personalidade configura um dano à própria existência
da pessoa.
Segundo Júlio César Bebber, o dano existencial é uma espécie de dano extrapatrimonial
que altera, negativamente, a perspectiva de vida
atual e futura da pessoa(1). Márcia Novaes Guedes vai ainda mais longe ao conceituar o referido dano como a injusta privação do indivíduo
de manter-se ou tornar-se protagonista de sua
própria história(2). Impede que a pessoa desenvolva atividade que lhe dê prazer e realização
pessoal(3).
Conforme antes dito, o dano existencial é
uma modalidade de dano extrapatrimonial e em
razão de sua recente introdução na jurisprudên(1) BEBBER, Júlio César. Danos extrapatrimoniais (estético,
biológico e existencial): breves considerações. Revista LTr,
São Paulo, v. 73, n. 1, jan. 2009, p. 28.
(2) GUEDES, Márcia Novaes. Terror psicológico no
trabalho. 3. ed. São Paulo: Ltr, 2008, p. 129.
(3) GUEDES, Op. Cit.

37

cia brasileira(4), muitas dúvidas ainda existem,
em especial com relação à possibilidade de sua
cumulação com o dano moral.

uma modificação negativa do modo por meio do
qual o indivíduo desenvolve sua própria personalidade.(9)

Para estender essa possibilidade ou não,
cabe trazer alguns conceitos básicos.

Boucinhas Filho relata que o dano existencial nas relações de trabalho verifica-se quando
o empregador impõe um volume excessivo de
trabalho ao empregado, impossibilitando-o de
estabelecer a prática de um conjunto de atividades culturais, sociais, recreativas, esportivas,
afetivas, familiares, etc., ou de desenvolver seus
projetos de vida nos âmbitos profissional, social
e pessoal.(10)

Dano moral pode ser conceituado como
sendo “a lesão aos sentimentos que determina dor
ou sofrimentos físicos, inquietação espiritual, ou
agravo às afeições legítimas e, em geral, a toda
classe de padecimentos insuscetíveis de apreciação
pecuniária.”(5)
Carlos Alberto Bittar assevera que os danos
morais podem ser compreendidos como “turbações de ânimo, em reações desagradáveis, desconfortáveis ou constrangedoras, ou outras desse
nível, produzidas na esfera do lesado.”(6)
Paulo de Tarso Sanseverino conceitua o
dano moral como sendo “a modalidade mais difundida de prejuízo extrapatrimonial derivado de
ofensa à saúde e à integridade corporal, compreendendo a dor ou o sofrimento físico ou psicológico
padecidos pela vítima direta em consequência do
evento danoso.”(7)
O conceito de dano moral pode ser resumido como um sentir, um sofrimento, uma angústia, advindos de algum ato praticado por um
terceiro.
Já o dano existencial, como preleciona
Matteo Maccarone citado por Amaro Alves de
Almeida Neto, é uma frustração ao projeto de
vida do ser humano, que o coloca em situação
de inferioridade.(8)
Para Maria Rita Trazzi o dano existencial
vem a ser uma categoria autônoma de danos extrapatrimoniais, atinente às repercussões pessoais e existenciais de qualquer espécie de ilícito,
(4) O primeiro julgamento do TST a aplicar o dano existencial
foi o Recurso de Revista n. TST-RR-727-76.2011.5.24.0002.
(5) ALSINA, Jorge Bustamante. Teoria General de La
Responsabilidad Civil. 1993, p. 97.
(6) BITTAR, Carlos Alberto. Reparação Civil por Danos
Morais. 1994, p. 31.
(7) SANSEVERINO, Paulo de Tarso. Princípios de
reparação integral — indenização no Código Civil. São
Paulo: Saraiva, 2010, p. 298.
(8) ALMEIDA NETO, Amaro Alves de. Dano Existencial — A
tutela da finidade da pessoa humana. Disponível em: <http://
www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/cao_consumidor/
doutrinas/DANO%2520EXISTENCIAL.doc>. Acesso em:
2.3.2014.

38

Os conceitos acima trazidos nos dão elementos para verificar a existência de autonomia
do dano existencial frente ao dano moral.
Com relação ao dano moral, não residem
maiores dúvidas, pois, indiscutivelmente, ele
existe de forma independente a todas as demais
modalidades de dano — estético, material, etc.
Conforme acima conceituado, o dano existencial pressupõe uma reprogramação da vida
do indivíduo, que lhe impossibilita do convívio
com a sua própria família e a sociedade, frustrando o projeto de vida que tal pessoa desejava
realizar.
Ora, só da leitura dos elementos acima destacados já se pode concluir que o dano existencial também acarreta uma frustração ao indivíduo, um sentimento de tristeza ou impotência,
sentimentos esses inerentes ao dano moral.
Não se cogita a existência de um sujeito
que tem sua rotina modificada, afastando-se dos
seus entes queridos por imposição de seu empregador, sem que isso acarrete nenhuma consequência lesiva psíquica, posto que o ser humano
é dotado de sentimentos e não uma máquina que
consegue divorciá-los de seu agir ou de seu padecer.
(9)
TRAZZI, Maria Rita. Il danno esistenziale:
elementi
e
definizioni.
www.filodiritto.com/diritto/
penale/dannoesistenziale. (consulta em 01.03.2014)
— “un’autonoma categoria di danni non patrimoniali,
riguardanti i risvolti personali ed esistenziali di qualunque
genere di illecito, una modificazione negativa delle modalità
atraverso le quali il soggetto esplica la propria personalità”.
(10) BOUCINHAS FILHO, Jorge Cavalcanti. ALVARENGA,
Rubia Zanotelli de. O dano existencial e o direito do
trabalho.
Disponível
em:
<http://www.lex.com.br/
doutrina_24160224_O_DANO_EXISTENCIAL_E_O_
DIREITO_DO_TRABALHO.asp>. Acesso em 2.3.2014.

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A pedagoga Anna Carolina Florêncio da
Rocha assevera que “o sofrimento psíquico é gerado no trabalhador devido à pressão que é submetido diariamente em busca de lucros, competição, eficácia e da manutenção do emprego. O trabalhador
se sente apavorado por não conseguir manter sua
energia física e mental adequada para seu desempenho no trabalho, e esse pavor é uma forma em
que se manifesta o sofrimento psíquico.”(11)
Hidemberg Alves da Frota e Fernanda Leite
Bião vão mais fundo ao concluírem que a existência humana digna (em conformidade com o princípio da dignidade da pessoa humana) se vincula não
apenas à incolumidade física, à sobrevivência biológica, à automanutenção financeira e ao exercício
dos direitos sociais, econômicos e culturais como
também à integridade psíquica e ao bem-estar psi(11) ROCHA, Anna Carolina Fonseca da. O estresse
no ambiente de trabalho. Disponível em: <http://www.
pedagogiaemfoco.pro.br/pemp05.htm>.
Acesso
em:
3.3.2014.

cológico da pessoa natural, bem assim ao direito do
indivíduo de escolher e realizar atividades (inclusive de concretizar metas) que dão sentido à sua vida
e, ao mesmo tempo, não atentam contra o ordenamento jurídico.”(12)
Ante todo o exposto, conclui-se que o dano
ao sentimento (à moral) é inerente também ao
dano à dignidade da pessoa humana (existência),
logo, com a devida vênia em relação aos doutrinadores que pregam a sua autonomia, esse último possui sim relação direta com o dano moral,
motivo pelo qual é impossível a cumulação de
condenações entre as duas figuras, em razão do
dano existencial ser um “braço” do dano moral,
sob pena de caracterização do enriquecimento
ilícito, o que é expressamente vedado pelo art.
884 do Código Civil.
(12) FROTA, Hidemberg Alves da. A dimensão existencial da
pessoa humana, o dano existencial e o dano ao projeto de vida:
Reflexões à luz do direito comparado. Disponível em: <http://
www.unigran.br/revista_juridica/ed_anteriores/23/artigos/
artigo07.pdf>. Acesso em: 03/03/2014.

DANO MORAL E DANO ESTÉTICO: NATUREZA JURÍDICA
E POSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO
Tiago de Araújo Gonçalves
Mestrando em Direito Empresarial e Cidadania, linha
de pesquisa “Atividade Empresarial e Constituição:
Inclusão e Sustentabilidade” Pela UNICURITIBA —
Centro Universitário Curitiba; Especializando em Direito
do Trabalho e Processual do Trabalho pela PUCPR;
Especializando em Direito Processual Civil pelo Instituto
de Direito Romeu Felipe Bacellar; Bacharel em Direito pela
PUCPR; membro do Grupo de Pesquisa “Desregulamentação
do Direito, do Estado e Atividade Econômica: enfoque
laboral” da PUCPR; Advogado.

Leila Andressa Dissenha
Doutora e Mestra em Direito pela PUCPR; professora do
Mestrado do PPGCOOP — Programa de Pós Graduação em
Gestão de Cooperativas da PUCPR; professora dos Cursos
de Graduação em Direito e Administração da PUCPR e da
UNINTER; pesquisadora convidada da UNIFE — Università
degli Studi di Ferrara (Itália/2011); professora dos Cursos
de Especialização da UNIARP/SC, UnC Concórdia/SC e da
EMATRA IX; advogada.

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além da indenização por dano material. 20. SP. por sua vez. p 46. 29 de dezembro de 2004. Art. a integridade física. 186 e 927. indeléveis. 483. embora tenham o mesmo fundamento. O Dano Estético. a escolha se dá de forma racionalmente jurídica. proporcional ao agravo. dano moral que provoca direta ou indiretamente dano patrimonial (cicatriz deformante. tendo por definição o seguinte: É a privação ou diminuição daqueles bens que têm um valor precípuo na vida do homem e que são a paz. Na CLT. (5) CAHALI. em boa medida.O momento histórico atual é marcado pelo turbo capitalismo(1). (6) LOPEZ. a liberdade individual. etc. (2) Conforme MINHOTO. alínea e. tem-se tal proteção. Contudo. 1998. Dano Moral. lembrando-lhe. conforme se verá no aresto do TRT9. Nicolau. em dano que afeta a parte social do patrimônio moral(honra. protege a honra do trabalhador. notadamente o Código Civil. de autoria de Desembargador Cássio Colombo Filho. classificando-se desse modo.) e dano moral puro (dor. reputação. decorrentes das mais variadas formas de aviltamento laboral: descumprimentos contratuais. contra ele ou pessoas de sua família.  LTr . p.) e dano que molesta a parte afetiva do patrimônio moral (dor. Yussef Said. abaixo transcrito. A CRFB — Constituição da República Federativa do Brasil. as marcas do fato permanecem. (3) CRFB. trabalho extenuante. os métodos para chegar à lucratividade são os mais diversos: estratégias sobre elisão e evasão fiscais. é possível defender que a indenização por dano moral e o estético possui fundamento a proteção da integridade física e psíquica da pessoa. 483 — O empregado poderá considerar rescindido o contrato e pleitear a devida indenização quando: e) praticar o empregador ou seus prepostos. assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.). dia após dia. dando origem. etc.(6) A partir da análise dos conceitos e disposições legais acima. à saúde. pelo lucro que lhe garantirá sobrevivência. acidente ou agressões. é definido como “qualquer modificação duradoura ou permanente na aparência externa de uma pessoa. ao tratar das hipóteses das faltas graves cometidas pelo empregador que ensejam a rescisão indireta do contrato de trabalho. assédio moral. concorrência lícita e desleal e gestão de mão de obra motivadora ou aviltante são cogitadas diariamente e. 40 ção infraconstitucional também tutela os mesmos valores. Destino dos Manequins. 34 e 43. há situações em que há mais que a “dor moral” a ser indenizada: quando além do sofrimento. etc. o dano estético causa uma dor que perpassa o próprio fato danoso. Tereza Ancona. o ocorrido. a legisla(1) Conforme SEVCENKO. saudade.(5) O dano estético. Art. incisos V e X. a honra e os demais sagrados afetos.) V — é assegurado o direito de resposta. e a segunda a reparar os danos corporais.(4) Da doutrina extrai-se que o dano moral tem por função resguardar o patrimônio imaterial do sujeito. Nesta batalha. tristeza. pois a primeira visa reparar o abalo psicológico do indivíduo. 6869. conforme art. 3ª edição — 2004. modificação esta que lhe acarreta um ‘enfeamento’ e lhe causa humilhações e desgostos. Antonio Celso Baeta. à imagem. a tranquilidade de espírito. X — são invioláveis a intimidade. São Paulo: Juarez de Oliveira. nos arts.Jornal do Congresso . assegura a proteção à honra. ato lesivo da honra e boa fama. a integridade individual. a uma dor moral”.. moral ou à imagem. (4) CTL. pp. tratam-se de tutelas com objetivos diversos. portanto. doenças laborais e acidentes de trabalho são apenas alguns exemplos de situações que desencadeiam tal pedido e são evidências claras de que a competitividade do mundo empresarial já é parte do cotidiano laboral. Só esta pressão pela competitividade e sobrevivência empresarial explicaria. um momento de busca incessante pelo sucesso financeiro que leva às empresas ao enfrentamento diário de uma batalha por seu espaço. o flagrante aumento do número de ações trabalhistas que pleiteiam a indenização por danos morais sofridos. Seja decorrente de doença laboral. no semblante e/ou no corpo do trabalhador. a vida privada. 5º. à intimidade. 5º (.).(2) Além do pleito de indenização. Globalização e direito: o impacto da ordem mundial sobre o direito. 2004. Editora Revista dos Tribunais.. nem sempre. Editora Revista dos Tribunais. a título de exemplo. no art. sendo que a violação a uma destas dimensões é passível de indenização por danos morais. p. a honra e a imagem das pessoas. tristeza. São Paulo: Carta Capital. rigor excessivo.(3) Além disto. 2ª edição. etc.

Disponível em:< http://jus. o dano estético deve constituir-se de algo que realmente cause desconforto justificável ao trabalhador.dji. objetivo e subjetivo [. Assim. Faz-se possível a cumulação de dano moral e estético. I) A jurisprudência desta Corte se firma no sentido da possibilidade de cumulação da indenização por lesão estética com aquela relativa ao dano moral.com. uma outra preocupação crescente acerca do tema diz respeito à possibilidade de banalização da alegação de dano estético. II) No caso presente. do ponto de vista jurisprudencial. Impossível conceder-se diversas indenizações da mesma natureza pelo mesmo fundamento como se se tratassem de coisas distintas.2006. despontando como razoável e necessária a reparação de danos estéticos no montante de R$50.2014.10. como explica Alex Sandro Ribeiro: Descabe tentar encontrar no baú conceitual qualquer espécie de firula expressional com o fito de dizer que se está diante de um bis in idem. LTr .025. 387. prevalecem ambas as indenizações na condenação patronal. Relator: Cássio Colombo Filho. assim se manifesta acerca do que seja uma “deformidade permanente”: não se trata de um conceito objetivo. o TST — Tribunal Superior do Trabalho também consideram o dano moral e estético são institutos diversos: Ementa: Recurso de revista. Cumulação.br/artigos/4777/naose-cumulam-danos-esteticos-com-danos-morais-e-oumateriais#ixzz2zkfisL4J>. da angústia. a um só tempo. pelo menos de (9) TRT-PR-03472-2009-965-09-00-0-ACO-05188-2013 — 4ª Turma. do sofrimento da reclamante. com a ofensa ao seu patrimônio imaterial. mas. alegando que ambos têm a mesma natureza.. Resp 899. Jus Navigandi. o seguinte: a deformidade deve ser tal que cause uma impressão. (10) TST RR — 9954400-49. verifica-se que o TRT da 9ª Região possui entendimento alinhado ao do STJ. Publicado no DEJT em 26.2010. htm>. é da mesma natureza. 41 . Dano estético. Acesso em 23 de abril de 2014.(10) Se a possibilidade de cumulação dos pedidos é matéria um pouco menor controvertida nos Tribunais laborais.869. não faltam argumentos em contrário. e Súmula n.445.0242  — 5ª Turma — Relator: Emmanoel Pereira.913. A indenização por dano moral e por dano estético.457. Resp 705.(7) E. Possibilidade. o que no caso não se configura.09. que dispõe o seguinte: “É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral. Data de Publicação em DEJT 15. a exemplo do que já ocorre com o dano moral.Contudo. já que seu fundamento é diverso. Resp 904.br/normas_ inferiores/regimento_interno_e_sumula_stj/stj__0387. refere-se às lesões corporais visíveis.000. moral. REsp 254. o trabalhador perdeu 4 dedos da mão direita. Não se cumulam danos estéticos com danos morais e ou materiais. trazemos as considerações de Nelson Hungria que. ainda que a gênese destes seja a mesma — o acidente causado por culpa da reclamada na demanda. O dano estético. para defender a impossibilidade de cumulação de pedidos a título de dano moral e estético. no montante em que se arbitra a reparação de danos se limita aos casos de desrespeito aos limites superiores ou inferiores da razoabilidade. segundo a jurisprudência dessa Corte. (7) RIBEIRO.Jornal do Congresso mas cumulável. a saber: TRT-PR-26-02-2013 Dano moral — Dano estético — Cumulação — Possibilidade.(9) Não obstante. desde logo. A título de exemplo.2013. ou seja.00.com.5. em seus estudos sobre lesão corporal. II) No mais. Neste sentido é o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça na medida em que possibilita a cumulação das respectivas indenizações. por meio de pretensão posta em Recurso de Revista.1. em geral. que pese a existência de tal argumento.”(8) No âmbito da Justiça do Trabalho. cumpre fixar. acessado em 9. Verifica-se que o dano moral advém da dor. (8)Disponível em: <http://www. conforme verificamos Resp 49. àquelas cicatrizes que alteraram seu corpo e a visão que ela mesma e as demais pessoas têm sobre ele — são as anomalias causadas pelo acidente que justificam a compensação do dano estético. independente. o dano moral e o dano estético não se confundem.. todavia.2. a imissão. reitera-se que. Alex Sandro. REsp 910794. Da mesma forma que qualquer mero dissabor não pode ser confundido com o dano moral.] se da apreciação objetiva passamos à subjetiva. se não de repugnância ou de mal-estar.

Mas a palavra “doutrina”. A palavra água não molha. em ressocialização ou reintegração social do preso (pessoa privada em sua liberdade. a controvérsia desloca-se para o enquadramento do que efetivamente seria dano estético ou mero dissabor. Membro do Instituto Brasileiro de Direito Social “Cesarino Júnior”. Nem a palavra bomba explode.)”(13). de desagrado.(11) Neste tocante.2011. dizem os especialistas. ao contrário da legislação anterior — que não previa sequer remuneração ao trabalho do preso. É lugar-comum ouvir-se falar.” STRECK. Publicado no DEJT em 30. caberá a doutrina.conjur.. Para que ela não continue errando. Doutrina: direito ou dever de apontar os erros do STF? Disponível em: <http://www. é necessário dizer quando a Corte Suprema de um país erra.2013. no sentido da possibilidade da cumulação das indenizações de moral e estético.9..com. 7.desgosto. sendo tal trabalho obrigatório — agora coloca o labor peniLTr . O labor na Lei de Execução Penal e os acidentes do trabalho: breves questões Renato de Almeida Oliveira Muçouçah Professor de Direito do Trabalho da Graduação e Mestrado da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). é a desfiguração notável. vale destacar que jurisprudência no TRT9 é no sentido de que “a indenização por dano estético é devida quando a lesão decorrente do acidente de trabalho compromete ou pelo menos altera a harmonia física da vítima”(12) e que ônus do empregado trazer aos autos “elementos de prova que atestem a condição pessoal da vítima ou alteração estética relevante (. Mestre e Doutor em Direito do Trabalho pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Turma. cumprindo seu papel de doutrinar os conceitos jurídicos. É dever da doutrina. deveria significar que-adoutrina-doutrina. sob pena do pedido por indenização por dano estético ser julgado improcedente. É a cicatriz que acarreta chocante assimetria. Lênio Luiz.10.210/84).. 328 (12) TRT-PR-02086-2010-892-09-00-0-ACO-39332-2011 — 2ª Turma. Uma das mais conhecidas formas de reintegração à sociedade. haja vista possuírem fundamento diverso uma da outra. pelo Estado. 42 dá-se pelo trabalho: tem este finalidade educativa e também produtiva. Diz-se que a Lei de Execução Penal (Lei n. Relator: Célio Horst Waldraff. (13) TRT-PR-00581-2012-670-09-00-2-ACO-42693-2013 — 1ª. Acesso 30 de abril de 2014. Relator: Paulo Ricardo Pozzolo. Publicado no DEJT em 25. por condenação relacionada à prática de um crime). sabemos. (11) ob. Superada a questão principal... ante a amplitude subjetiva que permeia tais fatos. As palavras não refletem a essência das coisas.br/2014-abr-24/senso-incomumdoutrina-direito-ou-dever-apontar-erros-stf>. Ex-Pesquisador da FAPESP. à mancheia. cit.Jornal do Congresso . p. conceituar o que seria o mero dissabor estético com vistas a nortear a jurisprudência.(14) (14) “Ou seja.

a melhor forma de se inserir um detido no mercado de trabalho. o trabalho do preso poderá ser interno ou externo. “talvez nunca mais acredite nesta mesma sociedade e jamais recupere sua condição de cidadão por inteiro”(4). 60. seja realizado interna ou externamente. uma relação promíscua entre trabalho e pena. No plano empírico das penitenciárias. 2012. v. alguns Coordenadores consideram que se houver educação voltada para o trabalho. São Paulo: Cortez. ao contrário dos tempos da Revolução Industrial. A relação é de troca: conforme art. porém. 2011. à qual o detido terá acesso quando posto em liberdade. na Lei de Execução Penal. Curso de Direito do Trabalho: a relação de emprego. LTr . O trabalho exercido pelos presidiários. em pesquisa de campo sobre o tema. Rio de Janeiro: FAPERJ. O elemento da liberdade. negando direitos elementares e os trocando pela pena imposta? Nesse sentido. pois. Por outro lado. embora não se consiga encontrar nenhuma justificativa plausível para admitir a diferença entre as figuras. que são de ordem pública. 297. São Paulo: Saraiva. Ainda conforme especialistas. 43 . se ganha um dia de remição da pena. O restante da pecúnia (acaso sobre) será conferido ao preso para pequenas despesas pessoais e depósito numa caderneta de poupança. a cada três dias trabalhados. p. só pode mesmo configurar-se a partir da subordinação à qual se submete o detento para sua inserção social. (2) Idem. Curso de Execução Penal. p. mas cada vez com maior frequência a massa trabalhadora aceita empregos ou trabalhos em contratos precários — daí falar-se em trabalho precarizado — ou em atividades quase próximas à escravidão(5). as chances de reinserção social serão maiores(3). afirma que muitos dos Coordenadores de Presídios veem a possibilidade de o preso trabalhar como algo que sirva apenas para escapar à ociosidade. Adeus ao trabalho? Ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade no mundo do trabalho. um contrato de emprego. no cenário global. 7. São Paulo: LTr. deverá atender (conforme art. p. Nesse último caso o detido requererá autorização para trabalhar não no estabelecimento prisional. no campo do contrato de emprego (nitidamente um contrato de adesão). 15. A pessoa condenada em definitivo está obrigada ao trabalho. sempre restou mitigado. mas nas dependências de alguma empresa — ainda assim. Antes.210/84 que anula qualquer possibilidade de o trabalho do preso ser regido pela Consolidação das Leis do Trabalho. Afinal. 126. ed. se no trabalho do presidiário este é submetido a uma exploração econômica aceita pela sociedade. ainda cabe a per(1) MARCÃO. sem configurar vínculo empregatício. da Lei n. 7. associada à execução deste. Cada vez trabalha-se menos. II. Fato é que. 11. Será esta. No entanto. 2. o primeiro caso não significa trabalho forçado(2). em nada esta suposta ausência de vontade afasta a incidência das normas trabalhistas. 66. O trabalho do preso. É o próprio art. Ainda conforme a própria Lei — que permite o uso desta mão de obra barata indiscriminadamente — o dinheiro recebido pelo labor não é direcionado ao preso de maneira direta. o que só poderá engendrar. (4) SOUTO MAIOR. Jorge Luiz Souto Maior tece comentários com os quais se concorda integralmente: ainda que o trabalho seja realizado de forma obrigatória. à assistência à família e ao ressarcimento do Estado pelas despesas realizadas com a manutenção do condenado. 103-104. 59. 2013. p. 2008. 28.210/84. (3) Sistema penitenciário brasileiro: a educação e o trabalho na Política de Execução Penal. negando qualquer relação empregatícia — ainda que precária — com empresas ou associações que venham a explorar esse trabalho com finalidade econômica. ed. § 2º da Lei n. de maneira muito alva a olhos quaisquer. a pessoa “paga” por sua pena com trabalho. ao passo que para o preso provisório o labor é facultativo. Ricardo.Jornal do Congresso gunta: por que o trabalho no cárcere não segue o regime da Consolidação das Leis do Trabalho? É possível notar. Literalmente. (5) ANTUNES. pois a segunda palavra define o primeiro vernáculo. 29 da citada Lei) à eventual indenização fixada em razão do crime cometido. Renato. Jorge Luiz.tenciário sob um dado regime jurídico(1). Só não se sabe ao certo qual seria este regime. Elionaldo Fernandes Julião. há problemas que enfrentam solução ainda mais tormentosa. o trabalhador vive o que se sente em todo o mundo: uma nova forma de ser para o trabalho. Com direito de receber ao menos três quartos do salário mínimo. p.

18-19. qual seja: abandonou-se a visão do “bem” ou do “mal” atribuído a cada um. pois as normas trabalhistas são de ordem pública. 1986.portanto. Todavia. Sebastião Geraldo de. o problema aparenta estar solucionado: o art. vez que sequer salário propriamente dito existe? Ora. no mesmo Decreto n.Jornal do Congresso . 5. p. 126. art. Proteção jurídica à saúde do trabalhador. Ao constatar que o detido perdeu de forma total e irreversível a funcionalidade de sua mão esquerda enquanto exercia seu ofício. não terá direito à percepção de qualquer valor em razão desse acidente? Muito recentemente o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás conheceu de um caso de acidente do trabalho de presidiário e julgou. 7º e 8º da Carta Magna. o que haverá de receber o detento pelos dias sem trabalhar e pelas lesões. 7. exposto ao pó de sílica. em regime fechado ou semi-aberto. a partir de 2009. por exemplo. § 4º da Lei n. (6) EWALD. visto ter sido instituída por decreto. 224225. A doença profissional. 323-325. é aquela patologia particularmente ligada a certa atividade ou profissão. 11. sobretudo. poderá apresentar lesões das mais diversas naturezas. prestando função laboral. Tratava-se de contribuinte individual.048/99. Publicado em 25 jun. Foi a visão nesse sentido que propiciou a repartição social de um bem comum. fato que permite concluir que o ente público chama para si a responsabilidade pela integridade física da vítima. a vítima deve ser mantida pelo custeio social de todos. e não pela via legal. Noutro falar: ainda que o presidiário venha a acidentar-se no trabalho. n. p. Num olhar mais grosseiro. 7. como em qualquer atividade produtiva. ainda no século XIX foi justamente o acidente do trabalho que propiciou as primeiras normas de proteção laborativa. o Tribunal responsabilizou o Estado de Goiás pelo pagamento de valores a título de danos morais. estado todos os trabalhadores sujeitos a acidentes. Esta foi e é a prova mais cabal de que o homem vive em sociedade(6). nos arts. no ambiente de execução dos trabalhos. L’Etat Providence. Seção I. 2013. O trabalhador acidentado.048/99 previa a obrigatoriedade da contribuição social a toda pessoa que. Paris: Bernard Grasset. 6. para além de todas estas doenças incapacitantes. (7) OLIVEIRA. (8)Diário de Justiça Eletrônico de Goiás. p. nem mesmo o benefício de auxílio-doença lhe será pago. os afazeres efetuados pelos presos poderá trazer o tema dos acidentes do trabalho como discussão central. o obstáculo dogmático e cultural maior encontrado no direito brasileiro é o de reconhecer a ilegalidade dos da Lei n. nos termos da Lei de Execução Penal(8). de maneira “esquizofrênica”. No entanto. LTr . e de quem cobrará esses valores. São Paulo: LTr. No entanto. No entanto. vez que inexistente qualquer relação de emprego. Há também a doença do trabalho. insere-se nesta lógica de precarização estrutural do labor. vez que o preso encontrava-se à disposição do Estado. exemplo é o do empregado de mineradora que. mas a legislação brasileira equipara a este algumas doenças. 2010. por assim dizer. para além da inconstitucionalidade destas disposições. o mesmo Tribunal indeferiu o pagamento de pensão vitalícia ao trabalhador presidiário pela ausência de provas de que este recebia salário. 19 da Lei n. cujo maior exemplo é a LER/DORT: não se liga a uma profissão ou atividade específica. Como se pode observar. ed. Muito se questionou acerca da legalidade da cobrança desta contribuição social. como acidentes — e não simples casos fortuitos. Objetivaram-se os danos causados aos trabalhadores. em verdade. XI. prestasse serviços a uma ou mais empresas. Problema bastante comum torna-se aquele relacionado ao INSS: deverá a autarquia arcar com os custos do acidente do trabalho? Houve um tempo (de 2003 a 2009) em que o Decreto n. passou-se a prever que a pessoa recolhida à prisão poderá contribuir facultativamente à Previdência Social. contrai silicose. de maneira a satisfazer a lógica do capital: menor custo e a maior produtividade possíveis.210/84 no que tange à proibição de reconhecimento de relações de emprego entre presidiários e empresas que contratam trabalho com as penitenciárias. 8.210/84 estabelece que o preso acidentado continue a beneficiar-se da remição da pena. eis que negam ao trabalhador a garantia de direitos sociais previstos. 44 O art. mormente estéticas(7).213/91 já conceitua o que vem a ser acidente do trabalho. v. 3. Por encontrar-se detido. François. 1329. mas ao modo como se realiza esta atividade. 3.

(UPE). 11 desta Lei. ou lhe cause a morte. provisória ou definitivamente. e. portanto.(1) (1) CASTRO. disso resultando para os tribunais do trabalho um número cada vez maior de ações que diariamente nos mesmos são protocoladas. propondo uma definição que reputam ser mais elucidativa. Ora. da capacidade para o trabalho.Jornal do Congresso Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. em verdade. provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução. inciso XXII. Rio de Janeiro. é alarmante a estatística anual relacionada a acidentes do trabalho. permanente ou temporária. tem status de direito fundamental social. deve ser da Justiça do Trabalho: talvez desta forma reconheça-se. p. 612. 15ª Ed. 613-614) afirmam que a definição da lei não é satisfatória. 942 do Código Civil. 45 . disso resultando para os tribunais do trabalho um número cada vez maior de ações que diariamente nos mesmos são protocoladas. 7º. Profa. 2013. p. Apesar de o nosso ordenamento contar com um bem estruturado arcabouço de normas jurídicas voltadas para o combate e a prevenção da infortunística. 19 dispõe que LTr . advém o dever de ambos indenizarem solidariamente. higiene e segurança”. É da violência do evento que resulta a lesão corporal ou a perturbação funcional que torna o indivíduo incapaz..213/1991. Manual de Direito Previdenciário.. A saúde do trabalhador. A competência para julgar. como a relação do trabalhador presidiário dá-se com a empresa (a qual objetiva obtenção de lucros). as lides que têm por objeto acidentes do trabalho. enfim. QUAL A RESPONSABILIDADE DO EMPREGADOR POR ACIDENTES CAUSADOS POR TERCEIROS? Maria Gilda de Freitas Araújo Analista Judiciária (TRT-6ª Região). porém. mas existe. por meio de normas de saúde. João Batista. e esta relação é supervisionada na totalidade pelo Estado. aplicável subsidiariamente à legislação trabalhista. 45/2004. Assim. no sentido de que produz violação à integridade do indivíduo. da CF/88 que assegura ”redução dos riscos inerentes ao trabalho. responsabilidade solidária do ente com a empresa tomadora de serviços: o art. O acidente que não gera danos à integridade do indivíduo não integra. acidente do trabalho seria . consequentemente um adequado ambiente de trabalho. Carlos Alberto Pereira de: LAZZARI. cujo art. ampliou-se a competência material da Justiça do Trabalho que passou a alcançar entre outras questões. Forense. inserido no art. um fato violento. Castro e Lazzari (2013.O Tribunal de Justiça de Goiás andou bem em reconhecer a responsabilidade civil do Estado pelo acidente do trabalho. instituto regulamentado pela Lei n. 8. prevê que responderão solidariamente os autores que causarem dano a outrem. o conceito. Com a Emenda Constitucional n. o liame empregatício existente entre o detento e quem lhe toma os serviços.

ainda.. ainda que exclusivamente moral. 927 do CC/02.] Parágrafo único.É provável que o legislador não tenha definido um conceito preciso para o acidente de trabalho. Não obstante a frequência de acidentes causados por terceiros. “Haverá obrigação de reparar o dano. a cargo do empregador. Resolve-se o problema na relação de causalidade. da CF/88. Responsabilidade Civil no Acidente do Trabalho. isto é.Jornal do Congresso . Ocorre que o parágrafo único do art. sendo que o primeiro infortúnio resulta do tipo de atividade que o obreiro realiza. do art. abril de 2013. independentemente de ter ou não agido com culpa. São três. n. algumas vezes... e. 7º da Lei Maior dispõe que a indenização só é devida em caso de dolo ou culpa. São Paulo: Atlas. conforme enquadramento na letra do art.(2) Em face das alusões até aqui expendidas. independentemente de culpa. o art.(3) (2) CAVALIERI FILHO. risco para os direitos de outrem”. é probabilidade de dano. 8. pergunta-se: na hipótese de estar-se diante de um acidente de trabalho. Grande parte das decisões é no sentido de aplicar à espécie. 20. 927 [. a atividade não se enquadra como de risco. que diz ser direito dos trabalhadores “seguro contra acidentes de trabalho. sendo no bojo deste contexto que residem as condições para o acidente de trabalho causado por terceiros. como é o caso de uma fábrica de explosivos. No entanto. o risco. por fim. dispensável qualquer juízo de valor sobre a culpa do responsável. uma atividade perigosa deve-lhe assumir os riscos e reparar o dano dela decorrente. incisos I e II. pois. resulta das condições adversas em que o labor é exercido.Risco é perigo. respectivamente. Revista LTr. como deve ser apurada a responsabilidade do empregador. p. 7ª ed. para imputação do dever de reparar patrimonialmente o prejuízo: a materialização do dano. Em verdade. os requisitos para a aferição da culpa e. em sua feição fático-violenta. isso. (3) MARTINS. por consequência.213/1991.. inciso XXVIII. a responsabilidade subjetiva. Sérgio Pinto. por ex.O parágrafo único do art.213/91. Se a Constituição regulamenta de forma clara a responsabilidade no acidente de trabalho. da Lei n. porque pretendia contemplar a doença profissional e a doença do trabalho. quando incorrer em dolo ou culpa”. vol. fatos dessa natureza imprimem a essa atividade uma elevado potencial de risco. 186 do CC/02. A doutrina do risco pode ser. importando. não pode a norma infraconstitucional dispor de forma contrária. fazendo entrega de alimentos. 8. tendo por fundamentos o art... despoja-se da natureza da atividade para prender-se às circunstâncias nas quais dita atividade é executada. O enunciado acima baseia-se na teoria do risco para a qual . dizer que aquele que exerce 46 Um exemplo elucidará melhor o que foi dito no parágrafo retro: cumprir uma jornada diária sobre uma motocicleta. pois o inciso XXVIII do art. por natureza. para o exemplo dado este veículo é a motocicleta. de modo que seus opositores argumentam que . Art. 7º.. 927 do Código Civil não se aplica ao acidente de trabalho. Sérgio. desta feita consubstanciada na responsabilidade objetiva do empregador. 19 da Lei n. enquanto o segundo. o enfrentamento das vicissitudes de nosso trânsito. não é apenas aquele inerente à atividade empresarial. sem excluir a indenização a que este está obrigado. 77. ainda são tímidos a doutrina e os julgados quanto a possibilidade de aplicar-se à espécie. a responsabilidade objetiva. a conduta culposa do agente. 77-04/446. 128. mormente quando o acidente é causado por terceiros? Veja-se que o risco a fundamentar a imputação da responsabilidade objetiva. assim resumido: todo prejuízo deve ser atribuído ao seu autor e reparado por quem o causou. então. LTr . Programa de Responsabilidade Civil. que é aquele que materialmente causou o dano. segundo o qual “aquele que por ação ou omissão voluntária. o nexo causal entre o dano e o evento e. violar direito e causar dano a outrem. veio apresentar outra alternativa reparatória para os acidentes de trabalho. nos casos especificados em lei. 04. aonde em cada esquina estão reservadas novas surpresas como a de um condutor de veículo que invade a faixa contrária e colide com o veículo que vem em sua direção. 2007. negligência ou imprudência. vista apenas sob este prisma. comete ato ilícito”. ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar..

A partir destes dados (1) Fonte: Anuário Brasileiro de Proteção 2010. Perfil da acidentalidade no mundo exclui o Brasil das estatísticas atualizadas da OIT. 06. protecao. a Conferência das Nações Unidas de Estocolmo. Porém. as efetivas propostas quanto às “condições laborais” surgem apenas nas décadas de 1960 e 1970. 7º.Para os seus defensores. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte”. com grandes conquistas. reconhecido como direito humano e fundamental do trabalhador. “. substancia-se na culpa lato sensu e. um meio ambiente do trabalho equilibrado. A pensar assim. junho de 2012. 76-06/660.”(4) À guisa de consideração final. contudo. qual seja a proteção àquele que despojado da propriedade dos meios de produção. para efeito da obtenção de uma indenização. § 2º. (4) SAAD. 76. cerca de quatro mil trabalhadores perdem suas vidas em decorrência de acidentes laborais. no risco promanado da natureza da atividade. inclusive quanto ao aspecto do trabalho. Revista LTr. e a superação de problemas sociais. § 2º da Carta Magna. pactua o ajuste tão somente com a sua força de trabalho. n. o Brasil é o quarto país do mundo com a maior ocorrência de acidentes do trabalho(1)... não se deve tão somente sujeitar o vitimado à comprovação da culpa empresarial ao argumento da inexistência de base jurídica para a aplicação da responsabilidade objetiva. Disponível em: <http://www. No primeiro caso. temos a consagrada publicação do Decreto lei numero 5453 de 1º de maio de 1943. quando passam a ocorrer as primeiras intervenções sindicais no Brasil.Jornal do Congresso é que se viu a necessidade do estudo acerca dos fundamentos que propiciam as mínimas garantias do trabalhador. é parte central do processo de desenvolvimento. o qual aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. no segundo. Ainda. o qual dispõe que. em virtude da gritante estatística de acidentes do trabalho. XXVIII ou a do art. mesmo sendo causados por terceiros estranhos à relação empregatícia. art. php?pagina=1&id=JyyJAc. Em 1943. A busca pelo pleno desenvolvimento sustentável não cessa. poderiam ser evitados. A busca pela proteção ao meio ambiente do trabalho surge na década de 1930. é o fundamento da responsabilidade civil. vol.com. “os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. As 47 ... LTr . O MEIO AMBIENTE DO TRABALHO SADIO E EQUILIBRADO: UM DIREITO FUNDAMENTAL E HUMANO DO TRABALHADOR Carolina Beck Mestre em Direito pela UCS (Universidade de Caxias do Sul). estar-se-á desconsiderando o princípio basilar da relação de trabalho. Um dos assuntos de maior evidência e preocupação dos dias atuais é a preservação do meio ambiente em todos os seus aspectos. seguro e saudável. a aplicação do artigo civilista encontra fundamento na própria Constituição Federal vigente. Dados Globais. diga-se. em 1972. 5º. qual seja. Veja-se que a cada ano.O que irá presidir à aplicação do art. Evidente que o Direito do Trabalho é um ramo em crescente evolução. 5º. Acidentes do Trabalho — breves reflexões sobre a tutela jurídica do trabalhador e a quantificação da indenização do dano moral. vigente até os dias atuais. dentre eles o meio ambiente laboral.br/site/content/materias/materia_detalhe. a exemplo. Teresinha Lorena Pohlmann.>.

presentes na Lei n. prevê que são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. indispensável à aplicação do principio da indisponibilidade dos direitos e do principio da precaução. 155/81. Em nosso ordenamento. desde que observados os princípios que norteiam a dignidade humana. 15. nas palavras de Hannah Arendt. em seu capítulo V. transação ou renuncia acerca das garantias constitucionais deferidas ao trabalhador (meio ambiente equilibrado. 2011. Anizio Pres. e sim de direito difuso. Neste sentido. mas trabalhar com condições ambientais dignas e salubres. Em sendo assim. A Constituição Federal brasileira resguarda ainda. na Lei n. encontra respaldo na Política Nacional do Meio ambiente (lei 6938/81). III e IV. inciso XXII. resta inexorável que o meio ambiente ecologicamente equilibrado e a sadia qualidade de vida são bens protegidos pela Constituição Brasileira. 54. por meio de instrumentos protetivos do meio laboral. na Carta Magna. do Título II. sob pena de sofrer graves sanções. “tem como objeto o bem coletivo integridade ambiental”. 170. dispostos no caput do art. Essencial ao homem é trabalhar. face ao entrelace com o direito ambiental. ao citar o artigo 200. 225 da CF/88. a tutela do meio ambiente do trabalho. em declarações internacionais. Não se pode olvidar que o empregador é responsável pelo meio ambiente do trabalho que dispõe aos seus empregados. ainda mais. na consolidação das Leis do Trabalho. constituem fundamentos do próprio Estado Brasileiro (art. 7º. p. 6938/81. Importante ainda ressaltar a proteção ao meio ambiente do trabalho por meio dos princípios ambientais da precaução e da prevenção e ainda o da sadia qualidade de vida. ratificada pelo Brasil. é um direito fundamental do cidadão trabalhador e parafraseando Anízio Pires Gavião Filho(2). por meio de normas de saúde. A par do estudo ora realizado. já que assegura a livre iniciativa econômica. ao aprovar a Convenção n. Capítulo dos Direitos Sociais. 2009. (1) Nesta seara. 48 lo dos Direitos e Garantias Individuais. é conduta obrigatória. como já afirmado. presentes tanto no art. não podendo haver qualquer tipo de composição. (3) ARENDT. 3214/78. como na Conferência das Nações Unidas de Estocolmo e outros princípios da Política Nacional. a qual impõe tanto ao poder publico quanto à coletividade a obrigação de defendê-los e preservá-los. Hannah. o meio ambiente do trabalho salubre não pode ser lido como mero “direito trabalhista” face à natureza da sua proteção. Deve-se destacar a importância do meio ambiente do trabalho como requisito indispensável para se alcançar a real proteção ao trabalho humano. seguro e saudável). é a vida. sendo que os valores sociais do trabalho que juntamente com a dignidade da pessoa humana. a defesa do meio ambiente e a proteção ao trabalho humano como princípios gerais da atividade econômica.Jornal do Congresso . Trata-se de direito que deve ser de pronto tutelado juridicamente e com a maior efetividade que a decisão puder conferir a esta tutela. A vida digna e saudável. a responsabilidade objetiva para todo e qualquer dano ambiental causado. O Trabalho. Ainda na Constituição Federal de 1988. não diferente dos outros aspectos.condições do meio ambiente laboral passam a ter cada vez mais ênfase e proteção. por constituir tutela de interesse público. 1º. no títu(2) GAVIÃO FILHO. Não se trata de um direito trabalhista.938/81. em seu art. que traz uma série de artigos que cuida especificamente da “Segurança e Medicina do Trabalho”. Para a construção de um meio ambiente do trabalho seguro e saudável. conciliação. 6. na Convenção nº 155/81 da OIT e em especial. o qual consagra por meio da Lei n. vislumbrando a manutenção da integridade física e moral do trabalhador. sendo imperioso que preserve a salubridade do meio ambiente do trabalho. LTr . Sabe-se que o principal bem protegido pelo direito ambiental. o meio ambiente do trabalho. A condição Humana. Direito fundamental ao ambiente. além da ação e do “labor”)(3). a “redução dos riscos inerentes ao trabalho. é direito indisponível de forma absoluta. VI e VIII. que merece proteção do poder publico e da sociedade organizada. p. da Constituição da República). higiene e segurança”. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) também expressa a sua preocupação com a matéria. A adoção de sistemas de prevenção e/ou precaução por parte do empregador. não se reduzindo à seara da proteção particular. Trabalho e saúde se entrelaçam na vida do homem trabalhador. é uma das três atividades humanas fundamentais (fundamental por corresponder a uma das condições básicas pela qual a vida foi dada ao homem. o meio ambiente do trabalho.

odeste. 1997. a este bem comum.232/2005: Oportunidade de maior efetividade no cumprimento das sentenças trabalhistas. LXXVIII. A proteção do “bem am- O método de colmatação lacunas. São Paulo: Ática. Direito Processual do Trabalho: Reforma e efetividade. CF) e noseprincípios onais justrabalhistas. padrões renunciar o dia busca da verdadeira reito Enfim. atuando em conjunto. 475-J do Código de Processo dejáfísica do trabalhador sãoautores.práticas 5º. fundamentada no princípio constitucional da razoável duração do prores. quando então teremos trabalhadores lados pelo Poder Judiciário. CF). assegurando dignidade reito Processual do Trabalho. imprescindível que pretações à legislação infraconstitucional devem os empregadores cada vez maisconstitucionais. Ordem legal X Mudança social: a crise do judiciário e a formação do magistrado.Jornal do Congresso LTr . Luciano Athayde. 97 49 . 101-102. e impeditivas. diretamente atingiCivil é admitida por inúmeros a argumendas quando nãoconsistente observadas as normas por aparte tação torna-se mais quando analisada luz da principiologia constitucional. LXXVIII. LTr .de a sadia qualidade cação da omissão celetista e a percepção da coerência de vida é essencial. devendoefetividade sempre e deve de tornar-se um objetivo comum principalmente dentre forma incansável buscar meios de assegurar a os Magistrados e os Advogados para que a sociedade concretização do ideal de previsto nosso ordenunca perca a esperança que teráem seus direitos tutenamento. adotem políticas concretizar o espírito dos comandos de gestão pessoal com equipes multidisciplina(4) FARIA. Não pode o dos princípios do Processo do Trabalho com a redação trabalhador aceitarsão condições fora dos do novo dispositivo um meio laborais de concretização dos princípiosprotegidos destacados tampouco acima. pela qual se assebém. 5º. p. 249-275. (5) CARVALHO.contradições sociais os conceitos fechados e tipificantes dos sistemas legais vigentes”. José Eduardo. principalmente. A aplicação subsidiária do art.plaos princípios constitucionais irradiar aplicabilino. a por exemplo. José Eduardo (Org. imprescindível. pode ajudar a processualística balho. do empregador. Didoa trabalhador. Direito e Justiça: a Função Social do Judiciário.Jornal do Congresso cesso mais ágil e eficaz(5). que o empregador não poderá nem deverá gurou a razoável duração do processo como direito medir custos para a adoção de eficazes fundamental a todos os brasileiros (art. 11. Neste aspecto conclui-seapós tama Emenda Constitucional n. In: CHAVES. ou seja. visando programas justrabalhista a alcançar esse desiderato. Luis Fernando Silva de. 2007. Lei n. 475-J do Código de Processo Civil. Se numa análise infraconstitucional aplicabiPode-se concluir que a saúde e aa integridalidade da multa do art. In: FARIA. especial. p. a identifibiental” em questão. efetivos de prevenção. visandopós-positivista sempre e emdoprimeiro Numa interpretação processo. Nesse viés quaisquer interDiantedadas de tais ponderações. como. garantir a saúde devem e higidez físicasua e emocional dade todos os subsistemas. 45/04. São Paulo: LTr.). vitoriosos e sem perdas. de segurança medicinaconstitucido tracessoem (art.

dos 3. Um Raio x da jurisdição trabalhista no Brasil Segundo o relatório “Justiça em Números” do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). b.295 (cento e doze mil. p. é necessário o desenvolvimento de meios alternativos de resolução de controvérsias trabalhistas. cada reclamação trabalhista nova custa R$ 3. A par deste grande numerário. bem como reduzir o saldo de processos pendentes de julgamento. 2013. 10). 267). 267). 2. 2013.7 (um vírgula sete) magistrados por 100. a Justiça Especializada julgou 3. A pesquisa do CNJ afirma que a Justiça Obreira julgou 98% (noventa e oito por cento) dos casos novos que entraram no ano de 2012 (BRASIL. 2012. p. confeccionado em 2013. da Lei Complementar n. I. corresponde a 92. Até o ano de 2013. em média (BRASIL.326 (três milhões. New Brunswick e Saskatchewan. No que diz respeito ao tempo de solução do litígio. ou seja. trezentos e vinte e oito mil. duzentos e noventa e cinco) ações ingressadas em 2012 não foram julgadas no mesmo período. no Brasil. em média. op. por exemplo. 152)(1).4º Painel A ARBITRAGEM TRABALHISTA E A EXPERIÊNCIA CANADENSE Bruno Anunciação das Chagas Advogado. 152)(2). Dito de outro modo. duzentos e dezoito reais) e.000 (cem mil) habitantes. quatrocentos e quarenta e seis) casos novos por 100. Experiência Canadense Brito (2010. Neste interim. Como se pode perceber.859. na Justiça do Trabalho. 1. os julgamentos. p.218.2% (noventa e dois vírgula dois por cento) de todo o seu orçamento (BRASIL. a Justiça Laboral não conseguiu julgar a quantidade dos processos que ingressam no sistema. quatrocentos e trinta e três) de demandas. 112. (2) Em números.. em cada instância. os governos fornecem mediadores (settlement officers) para assistir empregadores e sindicatos na resolução de conflitos antes de se recorrer à arbitragem e após exaurimento das negociações diretas entre as partes. tem-se uma média de 1. o Brasil possui apenas 1. 20. a despesa com recursos humanos. em média (BRASIL. um levantamento feito em um determinado período mostrou que LTr . na Justiça do Trabalho. oitocentos e cinquenta e nove mil e seiscentos e vinte e um) de casos novos. 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal) impede o aumento da despesa com recursos humanos. a mediação e a arbitragem ganham realce como interessantes opções para resolver o impasse jurisdicional. p.747. Na Província de Ontário. para que a Justiça Obreira conseguisse liquidar todos os processos pendentes de julgamento. seria necessário que ela mantivesse seu índice de produtividade e que não se permite o ingresso de novas reclamações trabalhistas por um ano inteiro. a fim de diminuir a quantidade de demandas que ingressam na Justiça Especializada. 88). cit. p. Essa taxa de congestionamento implica em um saldo de ações ingressadas e não julgadas (1) O art. p. 24-25) relata que nas Províncias de British Columbia. 50 na Justiça do Trabalho ao longo dos anos que hoje totaliza 3.000 (cem mil) habitantes (BRASIL. não superam 04 (quatro) anos.00 (três mil.Jornal do Congresso .433 (três milhões.446 (um mil. setecentos e quarenta e sete mil e trezentos e vinte e seis). Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Pará (UFPA). p. De acordo com o levantamento do CNJ (BRASIL.621 (três milhões. o que é obviamente inviável. mas com referência ao ano de 2012. 2011.328. 2013.

2005. 2011). XI. Tribunal Superior do Trabalho (TST). p. E mesmo quando a mediação não soluciona o conflito.550. embora com mais comedimento que a iniciativa privada. 2010. impedem o uso irrestrito do instituto para dirimir tais controvérsias. 08 (oito) em cada 10 (dez) conflitos trabalhistas submetidos à mediação são resolvidos. aliada aos dados levantados pelo CNJ. Organizações de âmbito nacional ou provincial têm sido ativas em programas de treinamento e encorajamento do uso desses mecanismos. apontou que 85% (oitenta e cinco por cento) da opinião pública na Província de Ontário apoiava a utilização de métodos alternativos de solução de conflitos. 1º da Lei n. Além disso. o que significa US$ 1. estima-se que os acordos daí resultantes foram alcançados em um prazo de até 03 (três) semanas. em 1992. Importa dizer que a arbitragem só terá validade ela advier de vontade livre e posterior ao término do contrato de trabalho (BRASIL. 75/93 estatuir que o Ministério Público do Trabalho pode atuar como árbitro nos dissídios de competência da Justiça do Trabalho. Dito de outro modo. portanto. mostra que é conveniente (e constitucional) a utilização da arbitragem extrajudicial para redução dos processos trabalhistas. 4. não pode ser alvo de sentença arbitral. Por quê? As partes podem transacionar direitos trabalhistas não abarcados pela indisponibilidade absoluta(3). o direito que “não caracterize um padrão civilizatório mínimo” (DELGADO. desde que seja por livre opção das partes. 13) assevera que tamanha é a conscientização da sociedade canadense sobre Alternative Dispute Resolution (ADR) que uma pesquisa encomendada pela Law Society of Upper Canada. a um custo médio de US$ 245. O Governo canadense também tem encampado ADR. Relator Ministro: Alberto Luiz Bresciani de Fontan (3) A título ilustrativo. havia 39 (trinta e nove) leis federais fazendo referência à resolução de disputas por meio de negociação.5. por força do art. 9. A justiça do trabalho brasileira e a arbitragem Em que pese o art. Conclusão A experiência canadense.159900-98. p. Em verdade. Elliot (1994 apud BRITO.0022.7% (sessenta e sete vírgula sete por cento) das disputas submetidas à mediação foram resolvidas com a ajuda desses profissionais. Referências bibliográficas BRASIL. o percentual de sucesso da mediação trabalhista é de cerca de 80% (oitenta por cento). BRASIL. a juLTr . da Lei Complementar n. 3. é nulo o compromisso arbitral realizado no momento do pacto laboral (convenção contratual). por conseguinte. após o término do contrato. Muitas iniciativas no campo de ADR têm sido adotadas no Canadá. Em 1994.00 (um mil.02. os mesmos motivos que permitem o instituto da conciliação judicial na Justiça Laboral também devem admitir o uso da arbitragem para dirimir controvérsias. Como resultado disso. 203) pode ser enfoque de arbitragem. ou seja. 06 (seis) meses mais rápido do que o tempo médio de uma arbitragem convencional.67. 215) assevera que a estabilidade não é suscetível de transação e. risprudência laboral pátria (BRASIL. ao lado da indisponibilidade dos direitos em discussão e da hipossuficiência do trabalhador. 51 .307/96. no Canadá. ou seja. mediação e arbitragem. uma vez que o interesse do trabalhador em conseguir o emprego vicia sua vontade e. aduz-se que o caráter alimentício das verbas trabalhistas. 2009. ela contribui para isso mediante a identificação precisa das questões debatidas e por meio da geração de ideias. 83. isto é. não possui validade. A mesma pesquisa também constatou que 97% (noventa e sete por cento) dos entrevistados achavam que os advogados tinham obrigação de informar os clientes a respeito dessas formas alternativas de resolver disputas. e que verse sobre direitos trabalhistas não abarcados pela indisponibilidade absoluta. Para tanto. 2009.Jornal do Congresso Ocorre que a praxe forense nos mostra que esses argumentos não inviabilizam a conciliação judicial. p. 2009) ainda é majoritariamente resistente à utilização da arbitragem como método de resolução de controvérsias para dissídios individuais.00 (duzentos e quarenta e cinco dólares) para cada parte. Süssekind (2000. RR . quinhentos e cinquenta dólares) a menos do que a despesa de uma arbitragem tradicional.

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dos. São Paulo: LTr. (6) Conforme MELEK. 2001. pois a extrajudicial encontra-se em franco declínio: as Comissões de Conciliação Prévia. 53 . Roland. Curitiba: Juruá. HASSON. tal passagem é considerada facultativa. desde a CLT de 1943 já previa a figura dos Vogais. Iara Alves Cordeiro. Altamiro J.(6) (4) Atualmente. LTr . 2010. A conciliação tem origem tão remota quanto a própria humanidade e. que outrora representavam a esperança de desafogamento da Justiça do Trabalho. A conciliação é aclamada há anos como a melhor forma de solução de conflitos e as razões para tanto são notórias: maior aceitabilidade. professora dos Cursos de Especialização da UNIARP/SC. 11. p. neste momento. Altamiro J. Comissão de Conciliação Prévia: Conviviologia Jurídica e Harmonia Social. v. p. custo social reduzido e aguçamento da sensação de efetiva Justiça na prestação jurisdicional. São Paulo: LTr. 371. Estado e atividade econômica: o direito laboral em perspectiva. Vale destacar que tanto prestígio é dedicado. Marcelo Ivan. UnC Concórdia/SC e da EMATRA IX. professora do Mestrado do PPGCOOP — Programa de Pós Graduação em Gestão de Cooperativas da PUCPR. Os Direitos Trabalhistas e a Arbitragem. São Paulo: LTr. Roland. In VILLATORE. Tiago de Araújo Gonçalves Mestrando em Direito Empresarial e Cidadania. hoje. Ronald Silka de. Marcelo Ivan. (3) Conforme PACHECO. no Brasil. professora dos Cursos de Graduação em Direito e Administração da PUCPR e da UNINTER. (2) Conforme MELEK. Fundamentos sociais e econômicos na homologação de transação extrajudicial no direito processual do trabalho: limites e possibilidades. Especializando em Direito do Trabalho e Processual do Trabalho pela PUCPR. 2. HASSON.[coord. pois tem sua origem como “Juntas de Conciliação e Arbitragem” e.]. cujas funções abarcavam também a condução de tentativas de conciliação. à conciliação judicial. 2003. 13. HASSON. Advogado. dos. Bacharel em Direito pela PUCPR. Roland. do Estado e Atividade Econômica: enfoque laboral” da PUCPR. pesquisadora convidada da UNIFE — Università degli Studi di Ferrara (Itália/2011). por força das Ações Diretas de Inconstitucionalidade n.Jornal do Congresso aposta para o aperfeiçoamento do acesso à Justiça e do próprio Poder Judiciário.(5) As razões para este declínio são claras e justificáveis: a falha metabólica legal que não obriga o comparecimento da parte requerida à tentativa de conciliação é uma delas e é agravada pela possibilidade de posterior questionamento judicial do acordo realizado no âmbito das Comissões. sendo reconhecida como facultativa(4) a passagem da futura demanda trabalhista por tais instituições para tentativa de acordo. Especializando em Direito Processual Civil pelo Instituto de Direito Romeu Felipe Bacellar. apresentam-se praticamente em desuso. ao lado da mediação e da arbitragem. p.(1) A Justiça do Trabalho apresenta uma vocação histórica para a conciliação(2). ela é a grande (1) Conforme SANTOS. 179. ALMEIDA. 2001. membro do Grupo de Pesquisa “Desregulamentação do Direito.CONCILIAÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA: TÉCNICA E EXCELÊNCIA Leila Andressa Dissenha Doutora e Mestra em Direito pela PUCPR. linha de pesquisa “Atividade Empresarial e Constituição: Inclusão e Sustentabilidade” Pela UNICURITIBA — Centro Universitário Curitiba. 2139 e 2160. está presente desde as Ordenações Portuguesas(3). advogada. rapidez na solução. Comissão de Conciliação Prévia: Conviviologia Jurídica e Harmonia Social. gerando total ineficácia e insegurança em relação aos trabalhos destas instituições. Marco Antônio César. menor impacto emocional. p. (5) Conforme SANTOS.

471. mas encontra restrições para ser mediador: ao formular a “proposta do juízo”. Jorge Souto Maior e Lutiana Nacur Lorentz(8). econômica e jurídica. 78 54 rismo por diversos profissionais da área jurídica: forma. Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho. mas vem sendo utilizado com bastante empiFundamentos sociais e econômicos na homologação de transação extrajudicial no direito processual do trabalho: limites e possibilidades. o que. Lutiana Nacur. 379. p. distanciamento emocional. conforme se apreende da leitura do art. dos. 2004. como já mencionado. Todavia. sendo que esta é a prática forense mais comum atualmente. Uma perspectiva de atuação cada vez mais aprimorada dos Magistrados na conciliação de conflitos advém das disposições do Conselho Nacional de Justiça que vem auxiliando no aprimoramento da vocação natural dos Magistrados para a Conciliação. CLT 70 anos de consolidação: uma reflexão social. São Paulo: LTr. fato é que. ALMEIDA. consideração do “iceberg” comportamental e utilização de ciências auxiliares. p. O Magistrado trabalhista está autorizado constitucionalmente a atuar como conciliador. na conciliação não é possível ao conciliador propor soluções para o caso.[coord. dentre ele o próprio desconhecimento da técnica. v. por melhor intenção que tenha havido quando da instituição das referidas Comissões. 2010. Marco Antônio César. Curitiba: Juruá. a demora do processo. na prática. Roland . ou a análise econômica de custos de transação da Economia. ou seja. 2013.Assim. Quando um trabalhador abre mão parcialmente de um direito que sabe devido (valores de FGTS não depositados durante o vínculo. VILLATORE. HASSON. 114 da CRFB/88 e da aplicação do princípio da proteção. Eis o principal motivo para que sua atuação como conciliador encontre obvias restrições. Tal limitação de atuação dos Magistrados pode advir de diversos fatores. Marco Antônio César. (7) Conforme CARRION. 29ª. 2001. São Paulo: Atlas. p. LTr . São Paulo: LTr. mas. Altamiro J. Valentin.(10) (9) Conforme SANTOS. onde ela ocorre sob o auspício do Estado e das garantias dos princípios processuais e materiais trabalhistas. 2. Métodos Extrajudiciais de Solução de Conflitos Trabalhistas.]. A conciliação é um procedimento eminentemente técnico. a ascensão da conciliação nos dias atuais está no âmbito judicial. por si próprias. Conciliar significa muito mais que reunir as partes para questioná-las acerca da possibilidade de acordo. p.. certamente. também gera consequências de alta relevância: não são poucos os casos desmantelados pela Justiça do Trabalho de conluio entre empresas e trabalhadores para validar acordos a partir de falsas reclamatórias trabalhistas. questionam os “maus acordos” judiciais: situações de flagrante renúncia unilateral de direitos sob o argumento do fator “tempo”. (8) Conforme LORENTZ. colaborará para o aperfeiçoamento do Poder Judiciário e da própria distribuição da Justiça. afirmam que se está diante de um “mau acordo” que não deveria ser homologado judicialmente.. Estado e atividade econômica: o direito laboral em perspectiva. 268.. ou. No mesmo esteio encontram-se os argumentos sobre o despreparo de alguns Magistrados para conduzir a conciliação. In VILLATORE. por exemplo.(9) Diferentemente da mediação. um problema social e economicamente alarmante. elas não alcançaram o objetivo almejado de ser um filtro de demandas trabalhistas e acesso à Justiça para as partes. 2002. Ronald Silka de. In CAVALCANTE. pelo menos é assim que deveria ser. A conciliação consiste na mera aproximação das partes para que elas. p. 179. A Consolidação das leis do trabalho e as formas alternativas de solução de conflitos. certamente. como a análise comportamental da Psicologia. Comissão de Conciliação Prévia: Conviviologia Jurídica e Harmonia Social. Leila Andressa. (10) DISSENHA. cheguem à melhor solução para seu conflito. ocorre com muito mais justificativa em razão das limitações judiciais quanto ao dever de imparcialidade.Jornal do Congresso . linguagem e ambiente de abordagem das partes (raport). São Paulo: Saraiva. ed. incentivando seu constante aprimoramento e excelência na condução de procedimentos de conciliação.(7) A impossibilidade de homologação de acordos extrajudiciais pelo Magistrado Trabalhista. o Magistrado corre o risco de macular sua imparcialidade e ser acusado de pré-julgamento. Jouberto de Quadros Pessoa. por exemplo) sob o argumento de que haverá uma demora de anos para que a prestação judicial chegue às suas mãos. são apenas alguns dos múltiplos detalhes que compõem os estudos mais aprofundados acerca da atual Conciliação. os autores acima mencionados.

ainda que venha a ser implementada sem maiores questionamentos. de forma alguma. de Disciplinas de Direito Negocial (Mediação/Conciliação/Arbitragem) nas Faculdades de Direito e em cursos ofertados por órgãos como a própria Ordem dos Advogados do Brasil. também. Tal auxílio no aperfeiçoamento das práticas de conciliação judicial não está isento de dúvidas e críticas. a obrigação legal do juiz de empenhar esforços na condução de uma solução conciliatória dos conflitos e a melhor utilização do tempo no Processo do Trabalho demonstrariam a existência de compatibilidade. Como explica Rogério Neiva(11). 55 . inclusive. do Código de Processo Civil ao Processo do Trabalho. Uma nova boa perspectiva para os defensores da conciliação judicial é a crescente defesa da tese de aplicabilidade subsidiária do art.conjur. tal medida. cujas vantagens. O posicionamento agressivo de um Advogado pode restringir significativamente as possibilidades de sucesso na tentativa de conciliação e comprometer. Disponível em: <http://www. podendo o juiz ser auxiliado por conciliador”. são inegáveis. não elide a necessidade de estimular a Justiça do Trabalho. aos Magistrados. resta a discussão acerca da possibilidade de compatibilização. a boa perspectiva encontra-se na disseminação.Jornal do Congresso Conciliadores para auxílio dos Magistrados trabalhistas. Muitos profissionais do Direito foram forjados pelas Faculdades de Direito e pela prática forense tradicional a atuarem como verdadeiros “gladiadores” e não estão preparados para uma postura negocial. O autor explica que o prestígio da conciliação no texto consolidado. seus Magistrados e os profissionais da Advocacia a revisitarem seus conceitos de atuação e estarem disponíveis ao constante estudo de formas de alternativas solução de conflitos. Tal artigo dispõe que “A conciliação será reduzida a termo e homologada por sentença. § 1º. a função primordial de todos. eis que a pacificação é. Como inexiste norma específica sobre o tema.com. especialmente pelo receio de comprometimento da parcialidade da Justiça Laboral. por excelência. o que abriria a possibilidade de contratação de LTr . 277. br/2012-dez-03/rogerio-neiva-preciso-discutir-adocaoconciliador-justica-trabalhista>. Acesso em 28 de abril de 2014. Da mesma forma. Consultor Jurídico. Rogério. (11) NEIVA.Vale mencionar que as dificuldades no aprimoramento das práticas conciliativas não se restringem. mas. Com relação aos Advogados. a defesa dos direitos de seu cliente. cada vez maior. preparando profissionais para esta forma de solução de conflitos tão salutar na defesa dos interesses de seus patrocinados. aos Advogados. já elencadas. É mais um indício de que caminhamos para a excelência na aplicação das práticas de conciliação. 769 da CLT impõe a observância de dois critérios para aplicabilidade subsidiária de normas: omissão e compatibilidade. Resolução de Conflitos: é preciso discutir o conciliador na Justiça Trabalhista. o art.

tradicionalmente. juntamente com o Prof. o que preocupa não é a legitimidade constitucional da arbitragem instituída consensualmente. Advogado. entendendo-os como o fato de que. ramo no qual.A arbitragem e a duração razoável do processo trabalhista Túlio de Oliveira Massoni Professor da UNIFESP.. p. um trabalhador demore tantos anos para receber. 74. Liga-se ao movimento de acesso à Justiça em uma concepção “contextual” e tridimensional do direito. a busca de tais vias alternativas deve ser cercada de cuidados(4) para que atinja sua finalidade e não sofra desvirtuamento: quais serão as instituições a promovê-las e mediante quais procedimentos. como novos caminhos para tratar as demandas fora do sistema formal (conciliação. Para o autor. como propõe Mauro Cappelletti(2). proposta a que. eis que “o mesmo direito que não pode ser renunciado na mediação não poderá sê-lo em jurisdição”. 1. por ostentarem natureza alimentar (CTN. como aceitar que sejam celebrados acordos perante a Justiça em valores tão ínfimos?(1) A arbitragem poderia ser uma solução para o problema da morosidade judicial? Ou agravaria ainda mais a postura negligente ante os direitos trabalhistas? A arbitragem é método alternativo de solução de conflitos em crescente expansão em diversos ramos do direito. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor. art. quais os padrões e garantias mínimos a serem mantidos nesses canais alternativos de modo a evitar que eles proporcionem uma “justiça de segunda classe”. Daí o incentivo a formas extrajudiciais de composição de conflitos. as normas são vistas como absolutamente indisponíveis. judicialmente. Mas se os direitos trabalhistas são indisponíveis e irrenunciáveis. Bryant. já era reconhecida pela sociedade. os referidos créditos? Ou. GARTH. Formas alternativas de solução de conflitos no quadro do acesso à justiça Polêmica é a aceitação da arbitragem em dissídios individuais trabalhistas. 2009). Os métodos alternativos de solução de conflitos no quadro de movimento universal do acesso à Justiça. mediação e arbitragem). ele menciona os “obstáculos processuais”. como controlar a independência e a imparcialidade destas pessoas. no voto proferido no AGRSE 5.206-7. Doutor em Direito do Trabalho pela USP. LTr . Trad. 1994.. e uma terceira. 1998. o processo tradicional em juízo pode não ser o melhor caminho para a vindicação efetiva de direitos. 56 em certas áreas ou espécies de litígios. uma exigência social. 2. Arbitragem nos dissídios individuais trabalhistas: Brasil e Itália Desde os tempos antigos a figura de um terceiro. sendo o contrário também verdadeiro (“Conflitos de Justiça e limites da mediação para a difusão da cultura da paz”. Ellen Gracie Northfleet. 82-97. sob o pálio da liberdade contratual. a tese da indisponibilidade absoluta de direitos não tem fundamento. Bryan Garth. (4) Como ressaltou o Ministro Sepúlveda Pertence. que avalia os impactos e resultados da resposta jurídica pensada. abr/jun. Gabriel Henrique Santoro Professor do Curso de Estágio Profissional de Advocacia do Complexo Educacional FMU. mas a “necessidade de predispor cautelas eficazes contra o risco de que.Jornal do Congresso . quais pessoas integrarão os referidos órgãos. Amauri Mascaro Nascimento considera a arbitragem uma forma quase sempre facultativa e voluntária de solução de conflitos por um terceiro investido de poder (3) CAPPELLETTI. Dentro da teoria de Cappelletti de acesso à Justiça. se imponha na realidade o poder da parte economicamente mais forte”. denominou de “terceira onda” no movimento de acesso à Justiça. Acesso à Justiça. Advogado. a primeira dimensão reflete o problema. (1) Como adverte Antonio Rodrigues de Freitas Jr. na prática. ainda. outrora denominado árbitro. Mauro.(3) Obviamente. a segunda reflete a resposta ou solução jurídica (normas e instituições para atender àquela necessidade). 186). (2)CAPPELLETTI. Revista de Processo n. como admitir que. Mauro. Mestrando em Direito do Trabalho pela PUC/SP.

conforme art. tema que. Min.decisório pelas partes conflitantes.2009. No que tange à amplitude. § 1º. 4º.10. 32. que no caso da negociação resultar em impasse.2008. da Lei n. o árbitro. Dora Maria da Costa. (10) Como lembra Mauro Cappelletti. entendendo ser relativa a indisponibilidade dos direitos patrimoniais.2011. 217400-10. corrupção passiva ou concussão (art. nos dissídios de competência da Justiça do Trabalho. 9. Há a arbitragem prevista pela lei. 57 . p.5. art. Destaca-se também a Lei Complementar nº 75/93. da CF. o outro — talvez menos ostensivo — é exigir a perfeição (o enfoque do tudo-ou-nada). Da mesma forma.(6) Para alguns. como um desdobramento do procedimento conciliatório frustrado (art. Por fim. a Lei nº 10. 12. não estão sujeitas à arbitragem as controvérsias relativas à cessação do contrato de trabalho. Rel. A celebração da cláusula compromissória no curso do contrato de trabalho. as partes poderão utilizar-se da arbitragem de ofertas finais. se assim for solicitado pelas partes. define arbitragem como a decisão de um conflito levada a efeito por pessoa ou pessoas escolhidas pelas partes nele envolvidas.5. 1799/2004-024-05-00 — 4ª Turma — Rel. 31. 4. haja vista a posição suprapartes do árbitro. 1º da Lei n. Pedro Paulo Manus. 3. que prevê o uso da arbitragem apenas em relação aos bens patrimo(5)NASCIMENTO. bem ainda quando inexistirem vícios de consentimento(9). em especial a conciliação (art. O referido autor destaca como elementos nucleares da sua definição o caráter privado do juízo arbitral e a natureza voluntária do instituto. Na Itália. 3ª Turma. São Paulo: LTr. prevista em contrato coletivo de trabalho (art. necessariamente. 7ª Turma — Rel. Com efeito. Barros Levenhagen.2008. TST — AIRR: 58500-26. 30) e a arbitragem em matéria justrabalhista (art. após o período de experiência (periodo di prova). 5ª Turma — Rel. há dois modos de recusar mudanças: uma é simplesmente dizer não às reformas. Mas ambas as correntes reconhecem que a decisão arbitral. recusa a arbitragem em dissídios individuais. João Batista Brito Pereira.2012. Compêndio de Direito Sindical. Vol.(5) Octávio Bueno Magano.307/96. Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira. 3. pois cessada a vulnerabilidade do trabalhador. DEJT 9. 1993. Min. p. a Lei n. a arbitragem possui natureza heterocompositiva. 31). em especial quando já extinta a relação empregatícia.(8) Entretanto. A figura da arbitragem está prevista em diversos dispositivos legais do ordenamento jurídico brasileiro. inciso II.0005. modificando os arts. TST — AIRR — 1475/2000-193-05-00. como meio de solução do litígio. Rel. sendo nula a sentença arbitral proferida fora dos limites fixados (art. expressa no acordo de vontades para escolha do árbitro ou árbitros que decidem o conflito. 31.Jornal do Congresso niais e disponíveis. LTr .15.12. inclusive no campo trabalhista(7). 9. Min.0091.0069. que compete ao Ministério Público do Trabalho atuar como árbitro. 409 a 412 do Código de Processo Civil italiano. §§ 1º a 5º). Min. DEJT 19/06/2009. bem como aquela proferida por árbitro incompetente ou nos casos de prevaricação.307/96).8. Manual de direito do trabalho: direito coletivo do trabalho. traz previsão expressa da aplicação da arbitragem para dirimir os conflitos decorrentes da relação entre o trabalhador portuário e o órgão gestor de mão de obra (art. há precedentes da mais alta Corte trabalhista sinalizando uma mudança de perspectiva sobre o tema.815/2013). Octávio Bueno. Quanto ao objeto. incentivou formas extrajudiciais de solução de conflitos. 295.5. de 4 de novembro de 2010. IV. Amauri Mascaro. § 10 da lei supracitada. §§ 6º a 11). 475-N).106500-58. publicação: DJ — 17. 83. 219. (9)TST — RR n. prevê em seu art.307/96). 8ª Turma. figura como título executivo judicial (CPC.9. 32. que regula o trabalho nos portos. que trata da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas. Algumas propostas para reflexão Não podemos negar as vantagens da arbitragem no atual cenário de morosidade judicial. IX. 12. Min. 2005.2007. tem-se o art. uma vez prolatada. apenas será válida se prevista no contrato coletivo e. autorizando a arbitragem em dissídios individuais. II e VI. a lei italiana optou por excluir do mecanismo arbitral. não fazendo qualquer menção se em dissídios coletivos ou individuais. a preocupação com a duração razoável do processo não é uma exclusividade brasileira. da Lei n. 9. que o autoriza a adotar uma solução e impô-la às partes. São Paulo: LTr.815/2013. e a arbitragem alternativa. 183. quando houver a participação do sindicato profissional na escolha deste procedimento e as partes estiverem assistidas por advogados. DEJT de 19. Outros ressaltam a natureza voluntária do instituto.(10) Antes de abandonar a ideia de forma (8)TST — RR n.101/00. com base no art. A posição do TST. que determina que as partes poderão recorrer à arbitragem quando frustrada a negociação coletiva.02. por sua importância. 37 da Lei n. 114. a qual estabelece em seu art. por sua vez. (7) A Lei n. 31. DEJT 7. ainda majoritária. (6)MAGANO. edição. o objeto da arbitragem pode ser delimitado pelas partes. caracterizando a arbitragem como procedimento de autocomposição.2011. ao lado da jurisdição. TST — RR — n.15.

eis que a LC n. evitando vícios de consentimento. as partes previamente elegem árbitro imparcial para solucionar o conflito de forma definitiva. entretanto. 9. Observa-se que o direito de ação não é um dever. observando-se os resultados empíricos. (1) Inciso XXXV do art. a utilizar o procedimento arbitral.2001). A APLICABILIDADE DA LEI DE ARBITRAGEM (LEI N.12. mas de método de resolução de conflitos. f) exclusão. Não há renúncia de direitos materiais trabalhistas. Em LTr . pela via da negociação coletiva de trabalho. AgRg. Sepúlveda Pertence. do objeto da via arbitral. dado que não há. 475-N do CPC. e) participação do MPT. renuncia-se o direito de acesso ao Poder Judiciário quanto às questões materiais postas à análise arbitral. 9. IX) não diferencia os dissídios em que o referido órgão pode atuar como árbitro (se individuais ou coletivos).peremptória.206-Espanha.307/96. A solução é apresentada através de laudo arbitral.Jornal do Congresso . Especialista em Direito Material e Processual do Trabalho pela UNIDERP. Min.307/96) NA RESOLUÇÃO DE CONFLITOS INDIVIDUAIS TRABALHISTAS Manoella Rossi Keunecke Graduada em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina. corrigindo os desvios de percurso que surgirem. 75/93 (art. Em suma. na verdade. 9. a arbitragem é um meio de solução de conflitos — instituído e regulado pela Lei n. no sentido de que todo e qualquer litígio deve ser submetido ao Poder Judiciário. ora propostos: a) previsão em contratos coletivos de trabalho. uma proteção efetiva à dispensa imotivada. conciliação e a jurisdição. 114). não sendo permitido obrigar-se alguém. de outros temas que se considerem infensos à via arbitral.307/96 e os princípios constitucionais do acesso à justiça. A polêmica inicia-se por parcela minoritária da doutrina e jurisprudência defenderem suposta afronta ao princípio da inafastabilidade da jurisdição(1). uma falsa problemática. 5º da Constituição Federal. talvez seja possível a introdução da arbitragem para conflitos individuais. sendo ainda possível. a discussão judicial de nulidades procedimentais. há autorização constitucional para que o conflito possa ser dirimido por arbitragem (§ 1º do art. Especialista em Direito Constitucional pela UNIDERP. cuja exequibilidade em Juízo é permitida pelo inciso IV do art. Mas a introdução do mecanismo arbitral deverá se cercar de cuidados mínimos. Parece. de certos direitos (como os direitos de personalidade) ou delimitação. b) as partes estarem acompanhadas de advogados. e) custeio dos gastos pelas entidades sindicais. d) composição paritária do órgão arbitral. 58 uma vez eleito. Ao lado da mediação. No entanto. Sobre a inexistência de conflito entre a aplicabilidade da Lei n. e. se necessário. 12. Sobre a perspectiva coletiva. c) estipulação da cláusula arbitral apenas após o rompimento da relação de emprego. no Brasil. 83. eis que a arbitragem é meio facultativo de solução de conflitos. inafastabilidade da jurisdição e do juiz natural já se manifestou o Supremo Tribunal Federal (SE 5. que devem prestar assistência jurídica aos membros da categoria. g) criação de regras procedimentais claras e zelosas do contraditório e da ampla defesa. contra sua vontade. rel.

430).0654 Data de Julgamento: 7. AIRR — 26971.2012.039. p.” O próprio Maurício Godinho Delgado conclui que “Somente será passível de transação lícita parcela juridicamente não imantada pela indisponibilidade absoluta [. e 468. respectivamente: O art.18. Ao inverso. Relator Min.2012.2012.10. 3ª Turma. Data de Publicação: DEJT 29. data de publicação 26. mormente.2009.2008.0012 Data de Julgamento: 29. portanto. Data de Publicação: DEJT 9. 9º. Isso porque também há dissenso sobre a natureza indisponível dos direitos trabalhistas. Parcela expressiva da doutrina e jurisprudência(2) dos Tribunais Regionais do Trabalho percebe os direitos trabalhistas como dotados de ampla indisponibilidade.2011.307/1996 vaticina que a arbitragem só pode resolver conflitos em envolvendo direitos patrimoniais disponíveis. há regras que permitem o uso da arbitragem para conflitos trabalhistas desportivos (Lei n.815/2013). 444.5. desde que não haja prejuízo ao 59 .615/98) e pelo Ministério Público do Trabalho (LC n.11. 1º da Lei n. 1º da aludida Lei quanto à natureza do direito posto ao árbitro: “As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis”. 1. não significa dizer que os Direitos Trabalhistas são indisponíveis. inviabiliza a sua aplicação como método de solução dos conflitos individuais trabalhistas.6.09. 9.5. Américo Plá Rodriguez (2000. não admitindo a arbitragem como mecanismo de solução dos conflitos individuais de trabalho.2011.2011. (BEZERRA LEITE.02.. 214 e 215) os divide em: direitos de indisponibilidade absoluta e relativa. p. AIRR. que não caracterizam um padrão civilizatório mínimo. 6ª Turma. Pertencendo ao Direito Privado. em princí(2) TST.10. 216). p. Já os direitos de indisponibilidade relativa — sobre os quais poderia haver transação — são os que traduzem interesse individual ou bilateral simples.6. A segunda problemática sobre a admissibilidade da utilização deste método heterocompositivo perante litígios trabalhistas recai. Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado. ao salário mínimo. não há regra que proíba a utilização da arbitragem nos conflitos individuais trabalhistas.].307/96.5. RR — 9050078.0031 Data de Julgamento: 29. 2ª Turma. que os direitos transacionáveis são os de indisponibilidade relativa. o que. Não se pode perceber como sinônimos a imperatividade das normas trabalhistas e a indisponibilidade indiscriminada destas. 75/93).2007. a parcela de direitos trabalhistas de disponibilidade relativa pode ser livremente transacionada pelas partes contratuais.0052 Data de Julgamento: 20. 2012.12.6. a faculdade da disponibilidade de direitos por ato voluntário e isolado do empregado.40. 9. “Em suma. (JORGE NETO E CAVALCANTE. cujas palavras transcreve-se. “O fato de existirem normas de ordem pública no Direito do Trabalho (art. Segundo Nélson Nery Júnior (2003. p. data de julgamento 17. 158) A questão que revolve o princípio da indisponibilidade dos direitos trabalhistas é questão de direito substancial e sobre estes o Ministro e jurista Maurício Godinho Delgado (2014. Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo Bastos.2012.2009.âmbito infraconstitucional. merecendo tutela de nível de interesse público. e que determinam a obrigatoriedade de arbitragem de ofertas finais pelos destinatários da Lei dos Portos (Lei n. p. 9.Jornal do Congresso pio. 8). na limitação feita pelo próprio art. Francisco Ferreira Jorge Neto e Jouberto de Quadros Pessoa Cavalcante.]” (2014. são aqueles direitos que podem ser alterados durante a vigência da relação de trabalho desde que não importem em prejuízo. Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado. Horácio Raymundo de Senna. AIRR — 25970012. 3ª Turma. Data de Publicação: DEJT 16. 2007.12. à incidência das normas de proteção à saúde e segurança do trabalhador. como o direito à anotação da CTPS. Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado. 6ª Turma. todo o direito que puder ser objeto de transação pode ser examinado e julgado por meio do juízo arbitral.05. Pode-se citar grandes juristas como Carlos Henrique Bezerra Leite.9.10. da CLT).2009.2012. Assim. 12. 116) Parece não restar dúvidas de que se está — quando se analisa o Direito do Trabalho — diante de um direito que não comporta. LTr . isto é. p.6. Os disponíveis são aqueles sobre os quais as partes podem transigir e dispor. Conclui-se. Data de Publicação: DEJT 31.” (SCHIAVI. A primeira espécie de direitos trabalhistas constituem um patamar civilizatório mínimo. o Direito do Trabalho não se coaduna com a Lei n.04. em linha de princípio. 415/2005.2012. p. RR — 10290048. 151) igualmente corrobora a possibilidade de transacionar-se direitos trabalhistas.5..

empregado, parte hipossuficiente na vigência de
relação de trabalho. A própria CLT prevê, no art.
625-D, a passagem — já tendo sido declarada
pelo STF sua facultatividade(3) — pela Comissão
de Conciliação Prévia, em que há transação de
direitos e cuja exequibilidade judicial(4) é amplamente aceita pelo TST(5), possuindo, inclusive,
eficácia liberatória geral quanto a todo o período
contratual.
A distinção entre a Comissão e a arbitragem é que nesta a decisão sobre o direito posto
é direcionada a um terceiro eleito, em comum
acordo, pelas partes, e não por elas transacionada. Entretanto, as semelhanças — aspecto de
maior relevância — entre estas formas de resolução de conflitos é que não se trata de renúncia
de direitos materiais e a submissão a ambas é facultativa, de livre eleição das partes.
Se a legislação permite e a jurisprudência
chancela a validade da conciliação, não só via
CCP, mas principalmente durante o trâmite processual em Juízo (art. 846 e 850 da CLT), a doutrina não deve rechaçar, de imediato, a aplicabilidade da arbitragem nos conflitos trabalhistas
individuais. A questão é mais complexa e sua
análise deve ser cindida em aspectos que tomem
em consideração o tempo da obrigação de submissão à arbitragem e as condições qualificativas
dos sujeitos compromissados.
A subordinação e hipossuficiência do empregado é grande empecilho para que se considere válida cláusula compromissória — pactuada anteriormente ao conflito — ou compromisso
arbitral — eleição posterior ao dissenso — de
forma indiscriminada. De fato e de regra, presume-se a mácula na livre manifestação de vontade
do empregado que elege o Juízo Arbitral no momento da pactuação do contrato de trabalho até
(3) ADIs n. 2139 e 2160.
(4) Parágrafo único do art. 625-E da CLT.
(5) AIRR — 180900-76.2008.5.02.0014 Data de Julgamento:
15/02/2012, Relator Ministro: Ives Gandra Martins Filho, 7ª
Turma, Data de Publicação: DEJT 2.3.2012; RR — 11280042.2007.5.01.0011 Data de Julgamento: 16.5.2012, Relator
Ministro: Ives Gandra Martins Filho, 7ª Turma, Data de
Publicação: DEJT 18.5.2012; RR — 690-72.2010.5.04.0024
Data de Julgamento: 7.8.2012, Relator Ministro: Ives
Gandra Martins Filho, 7ª Turma, Data de Publicação:
DEJT 10.8.2012; ARR — 325000-82.2003.5.02.0020 Data
de Julgamento: 22.8.2012, Relator Ministro: Ives Gandra
Martins Filho, 7ª Turma, Data de Publicação: DEJT
24.8.2012.

60

o termo final deste, com a rescisão contratual.
Durante este lapso temporal, há posição de desvantagem e nítida dependência do empregado
em relação ao empregador.
A situação é diversa quando a eleição ocorre mediante compromisso arbitral tomado após
o fim do contrato de trabalho, ocasião em que
não há vulnerabilidade, dependência ou subordinação que singularizam a típica relação empregatícia. O clima é de ampla liberdade e, por
isso, não se poderia presumir vício de vontade
na escolha de submissão de conflito à arbitragem. Neste sentido, há especial jurisprudência
do Tribunal Superior do Trabalho:
Dissídio individual — Sentença arbitral —
Validade — Efeitos — Extinção do processo sem
resolução do mérito — Art. 267, VII, do CPC. I —
O art. 1º da Lei n. 9.307/96, ao estabelecer ser a
arbitragem meio adequado para dirimir litígios
relativos a direitos patrimoniais disponíveis, não
se constitui em óbice absoluto à sua aplicação
nos dissídios individuais decorrentes da relação
de emprego. II — Isso porque o princípio da irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas deve
ser examinado a partir de momentos temporais
distintos, relacionados, respectivamente, com o
ato da admissão do empregado, com a vigência
da pactuação e a sua posterior dissolução. III —
Nesse sentido, sobressai o relevo institucional
do ato de contratação do empregado e da vigência do contrato de trabalho, em função do qual
impõe-se realçar a indisponibilidade dos direitos
trabalhistas, visto que, numa e noutra situação,
é nítida a posição de inferioridade econômica do
empregado, circunstância que dilucida a evidência de seu eventual consentimento achar-se intrinsecamente maculado por essa difusa e incontornável superioridade de quem está em vias de
o contratar ou já o tenha contratado. IV — Isso
porque o contrato de emprego identifica-se com
os contratos de adesão, atraindo a nulidade das
chamadas cláusulas leoninas, a teor do 424 do
Código Civil de 2002, com as quais guarda íntima correlação eventual cláusula compromissória
de eleição da via arbitral, para solução de possíveis conflitos trabalhistas, no ato da admissão do
trabalhador ou na constância do pacto, a qual
por isso mesmo se afigura jurídica e legalmente
inválida. V — Diferentemente dessas situações
contemporâneas à contratação do empregado e
à vigência da pactuação, cabe destacar que, após
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a dissolução do contrato de trabalho, acha-se
minimizada a sua vulnerabilidade oriunda da
sua hipossuficiência econômico-financeira, na
medida em que se esgarçam significativamente
os laços de dependência e subordinação do trabalhador face àquele que o pretenda admitir ou
que já o tenha admitido, cujos direitos trabalhistas, por conta da sua patrimonialidade, passam
a ostentar relativa disponibilidade. VI — Desse
modo, não se depara, previamente, com nenhum
óbice intransponível para que ex-empregado e
ex-empregador possam eleger a via arbitral para
solucionar conflitos trabalhistas, provenientes
do extinto contrato de trabalho, desde que essa
opção seja manifestada em clima de ampla liberdade, reservado o acesso ao Judiciário para dirimir possível controvérsia sobre a higidez da manifestação volitiva do ex-trabalhador, na esteira
do art. 5º, inciso XXXV da Constituição. VII —
Tendo em conta que no acórdão impugnado não
há nenhum registro sobre eventual vício de consentimento do recorrido, ao eleger, após a extinção do contrato de trabalho, a arbitragem como
meio de composição de conflito trabalhista, uma
vez que a tese ali sufragada ficara circunscrita à
inadmissibilidade da solução arbitral em sede de
dissídio individual, não se sustenta a conclusão
ali exarada sobre a nulidade do acordo firmado
pelas partes perante o Tribunal Arbitral. Recurso
conhecido e provido.(6)
Neste sentido, seguem as doutrinas de
Mauro Schiavi (2014, p. 64), Luiz Carlos Amorim Robortella (1997, p. 147) e Jorge Luiz Souto Maior (2000, p. 147), que também percebem
oportunidade de considerar-se válido compromisso arbitral eleito por empregados de alta qualificação, alto escalão, graduados e executivos,
cuja dependência é demasiadamente rarefeita.
Há precedente jurisprudencial que distinga empregados pela sua qualificação a fim de apurar
o grau de subordinação e hipossuficiência para,
finalmente, entender pela validade da eleição
do Juízo Arbitral (TRT — 15ª R. — Proc. 10482004-032-15-00-0-RO — Ac. 9503/06 — 11ª C
— Rel. Flávio Nunes Campos — DOESP 3.3.06).

brio de eventual hipossuficiência pode ser também sanado pela presença do órgão sindical ou
Ministério Público do Trabalho no momento da
assunção do compromisso arbitral, assim como
acontece com as rescisões de contratos de trabalho de duração superior a 1 ano (§ 1º do art. 477
da CLT). Muitas das Convenções Coletivas já
preveem a faculdade da arbitragem às categorias
e o assessoramento sindical.
A questão da aplicação da arbitragem nos
conflitos individuais trabalhistas — como visto,
aqui defendida em específicas hipóteses —, possui caráter de exceção e, portanto, deve aguardar estabelecimento de parâmetros doutrinários
e jurisprudenciais mais bem delimitados. O que
não se pode é rechaçar-se em absoluto a possibilidade de sua aplicação sem uma análise pormenorizada dos institutos apenas debatidos. As
vantagens de sua utilização são inúmeras e as
condições de aplicabilidade pouco estudadas ou
aprofundadas.
Referências
BEZZERA LEITE, Carlos Henrique. Curso de
direito processual do trabalho. 10ª ed. São
Paulo: LTr, 2012.
CAVALCANTE, Jouberto de Quadros Pessoa;
JORGE NETO, Francisco Ferreira. Direito
Processual do Trabalho. Tomo I. 3ª ed. Rio
de Janeiro: Lúmen Júris Editora, 2007.
DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito
do trabalho. 13ª ed. São Paulo: LTr, 2014.
NERY JÚNIOR, Nélson. Comentários ao Código
de Processo Civil. 7ª ed. São Paulo: RT, 2003.
PLÁ RODRIGUEZ, Américo. Princípios de Direito do Trabalho, 3ª ed São Paulo: LTr,
2000.
ROBORTELLA, Luiz Carlos Amorim. Solução
extrajudicial dos conflitos do trabalho. In:
Revista Trabalho & Doutrina n. 14. São
Paulo: Saraiva, 1997.

O grau de certeza da validade da escolha,
higidez da vontade do empregado e do equilí-

SCHIAVI, Mauro. Aspectos polêmicos e atuais
da arbitragem como meio de solução dos
conflitos trabalhistas. Disponível em: <lacier.com.br>. Acessado em: 1º.5.2014.

(6) RR — 144300-80.2005.5.02.0040 Data de Julgamento:
15.12.2010, Relator Ministro: Antônio José de Barros
Levenhagen, 4ª Turma, Data de Publicação: DEJT 4.2.2011.

SOUTO MAIOR, Jorge Luiz. Temas de Direito Processual do Trabalho. São Paulo: LTr, 2000.

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61

Breves Considerações sobre a Convenção de Arbitragem
Flávia Teles Ceccon
Mestre em Direito — PUC-PR; Especialista em Direito
Processual Civil — PUC-PR; Especialista em Direito Público
— UniBrasil; Especialista em Administração Pública —
UniCesumar; Advogada, Professora Universitária.

Com o intuito de assegurar e facilitar o
acesso à Justiça a todos os brasileiros foram
concebidos meios alternativos de solução de
conflitos, os quais são uma opção àqueles que
não desejam procurar o Poder Judiciário para
resolver questões que importunem a vida em
sociedade. Tal escolha pode decorrer por conta da necessidade de soluções mais rápidas ou
também pela grande especialização de determinadas matérias. Nestes casos, se a questão for
enviada à apreciação do Judiciário precisará de
laudos periciais e infelizmente tal meio de prova pode ser bastante oneroso em determinadas
situações específicas.
Os meios alternativos englobam a conciliação e o arbitramento. Contudo, existem certos
casos que não podem ser analisados de tal forma
precisando ser julgados pelo Poder Judiciário.
Trata-se de pretensões que “[...] necessariamente são sujeitas a exame judicial para que possam
ser satisfeitas [...] se referem a direitos e interesses regidos por normas de extrema indisponibilidade [...].”(1)Respeitando-se tais exceções os
meios alternativos podem ser úteis na solução
de muitas questões empresariais, especialmente
nas que envolvem litígios trabalhistas de ordem
meramente patrimonial.
Seguindo o exemplo de vários países do
mundo, o Brasil editou a Lei n. 9.307 em 23 de
setembro de 1996 para regulamentar a arbitragem. Tal assunto também é tratado no ordenamento jurídico pátrio nos arts. 851 a 853 do Código Civil de 2002 e pelo Decreto n. 4.311/2002
e Decreto Legislativo n. 52/2002. O ilustre doutrinador André Luiz Santa Cruz Ramos explica
didaticamente que “a arbitragem não se confun(1) CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada
Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do
Processo. 17. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores,
2001. p. 31.

62

de com a mediação nem com a conciliação. Na
arbitragem, o árbitro julga o litígio a ele submetido e impõe às partes uma solução definitiva, tal
como ocorre no processo jurisdicional. Na mediação, [...], o mediador apenas se limita a tentar aproximar as partes, criando condições para
que elas cheguem sozinhas a um consenso sobre
o litígio submetido ao mediador. [...]. Por fim,
a arbitragem também não deve ser confundida
com a conciliação, já que nesta o conciliador vai
além do que faz o mediador, influindo no ânimo
das partes, apontando vantagens de um determinado acordo, [...].”(2)Aspecto importante na arbitragem é que a sentença proferida pelo árbitro
não é sujeita a recurso ou homologação pelo Poder Judiciário, conforme dicção do art. 18 da Lei
n. 9.307 de 1996. A conveniência ou não de tal
ponto deve ser analisada pelas partes envolvidas
em virtude da sua irreversibilidade.
Nas relações trabalhistas há o conflito de
duas partes: daqueles que entregam sua força de
trabalho e dos que dela precisam para desenvolver sua atividade empresarial. O equilíbrio só é
alcançado quando ambas se conscientizam da
necessidade da cooperação mútua. Na resolução de possíveis litígios não pode ser diferente.
A arbitragem extrajudicial só será interessante
para reduzir os processos trabalhistas se as partes envolvidas se conscientizarem de que terão
que fazer concessões para o bem de todos. Caso
uma delas queira insistir na lide e a não ceder
em nenhum aspecto parece ser mais conveniente
a procura pelo Poder Judiciário, pois lá a parte
terá espaço para interpor recursos e discutir a
questão por mais tempo caso se sinta injustiçada
ou prejudicada por eventuais erros.
(2) RAMOS, André Luiz Santa Cruz. Direito Empresarial
Esquematizado. 3. ed. rev.atual. e ampl. Rio de Janeiro:
Forense; São Paulo: MÉTODO, 2013. p. 603.

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1º da Lei anteriormente citada(4). Direito Empresarial Esquematizado. parágrafo primeiro(3). Novas Linhas do Processo Civil. atual. Todavia.] a convenção através da qual as partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir. 9º da mesma lei: “[. Isto pode ser prejudicial àquele. Teoria Geral do Processo. relativamente a tal contrato. Cândido Rangel.] é a convenção através da qual as partes submetem um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoas. a previsão das regras que serão aplicadas para dirimir as futuras questões. ao criar meios alternativos de solução de conflitos almejou facilitar e agilizar a concretização dos direitos fundamentais dos cidadãos.. GRINOVER. Parece salutar que ao instituir a cláusula compromissória os participantes da relação contratual já façam a previsão de certos pontos como. ed.(5) O próprio art. que engloba a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. porque o art. ed.”(6) Principalmente. Especialmente.” LTr . Assim.” Então. aquela é um acordo sobre uma lide que pode nunca vir a ocorrer e este opera sobre uma questão já existente.Outro ponto crucial. rev. podendo ser judicial ou extrajudicial. André Luiz Santa Cruz. O compromisso arbitral foi trazido no art. Antonio Carlos de Araújo. ed. 9. quando o Estado tutela estes assuntos não ignora que os mesmos acarretam reflexos diretos em aspectos econômicos e sociais que podem ser nefastos à sociedade como um todo. por exemplo. 4º da Lei n. assim entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. conforme a lição de Luiz Guilherme Marinoni. verifica-se a utilidade da arbitragem como um verdadeiro meio de dar celeridade à resolução de conflitos propiciando a concretização do acesso à justiça.” (4) O art. ed.307 de 1996: “As partes interessadas podem submeter a solução de seus litígios ao juízo arbitral mediante convenção de arbitragem. São Paulo: Malheiros Editores. 31. 1º diz: “As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis. (6) MARINONI. rev. p. 2013. Podem optar pela arbitragem as pessoas capazes de contratar. Novas Linhas do Processo Civil.. 2001. está intimamente ligada à noção de justiça social. da Lei em análise permite que as partes escolham com liberdade as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem. ampl. Desta forma. 3º da Lei n. do empresário e de toda sociedade. São Paulo: MÉTODO. MARINONI.Jornal do Congresso devida orientação jurídica sobre eventuais consequências de sua escolha. 2000. RAMOS. conforme o art. Bibliografia CINTRA. as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem.” (5) Neste sentido. 9. Luiz Guilherme. 603. rev. § 1º Poderão as partes escolher. Rio de Janeiro: Forense. Escolhe-se tal caminho pela convenção de arbitragem. Luiz Guilherme. Desta maneira. São Paulo: Malheiros Editores. 17.” Ressalta-se que tal cláusula deve ser convencionada por escrito. p. DINAMARCO. a critério das partes. Portanto. p. Diante disto. Porque.. 2º.307 de 1996 conceitua a cláusula compromissória como sendo “[. “a temática do acesso à justiça. 25. o art. desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. em ambos os casos instaura-se a arbitragem que exclui a apreciação da matéria pelo Judiciário. é importante que se divulgue amplamente tal informação às partes envolvidas nas relações trabalhistas para que ninguém siga tal opção sem a (3) Texto do artigo citado: “A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade. atual. 2000. que detenha menor conhecimento jurídico sobre os temas que ali serão debatidos tornando a figura do árbitro essencial para garantir a justiça da decisão. p. 4. e ampl. rev. que não pode ser esquecido. São Paulo: Malheiros Editores. ampl. 25. sem dúvida. recai sobre a seleção dos árbitros. não se pode afastar os processos trabalhistas de tal escopo. Eles devem ser imparciais para garantir a justiça das decisões. agilizam o processo e não precisam convencionar o compromisso arbitral posteriormente. no Direito do Trabalho que envolve questões de sobrevivência do trabalhador. parece prudente que não exista qualquer forma de interferência ou pressão que possa vir a interferir ou inviabilizar seu trabalho. Pois.. Ada Pellegrini. 63 . Em tais situações qualquer uma das partes pode submeter o caso diretamente à arbitragem não precisando fazer a notificação da outra para instaurá-la. 3. 4. Por isso. livremente.

estes.Jornal do Congresso . ex-membro da Diretoria — PR. 2013. com o surgimento de práticas pró-laboral e buscas efetivas pela melhoria das condições de trabalho. pois obrigatoriamente pertencerá ao único sindicato existente na base territorial. (1) NASCIMENTO. e as empresas terão que fazer o respectivo pagamento de cada funcionário de seu quadro funcional.5º Painel MECANISMOS PARA GARANTIR A LIBERDADE DE EXPRESSÃO NO MODELO SINDICAL BRASILEIRO Leda Maria Messias da Silva Pós-doutora em Direito do Trabalho. A extrema falta de autonomia existente no modelo sindical brasileiro perdurou até a Constituição Federal de 1988. como resposta à opressão sofrida pelas classes trabalhadoras. Pertenceu. professora da Universidade Estadual de Maringá-PR (UEM). por não ter estabilidade geral no emprego. sabe-se que. o modelo atual ainda sofre sequelas do longo período de segregação e intervenção do Estado. os sindicatos não conseguem protege-lo da demissão arbitrária. Os sindicatos nasceram nas sociedades capitalistas. pois as determinações constitucionais exteriorizam o seu costume e comportamento intervencionista. da Sociedade Brasileira de Bioética. dos aspectos jurídicos que determinaram o surgimento do Direito do Trabalho(1). já que a contribuição sindical é obrigatória. consequentemente será representado por tal órgão. Após um período de crescimento e fortalecimento dos sindicatos. professora do Mestrado em Ciências Jurídicas e da Graduação em Direito do Centro Universitário de MaringáPR (CESUMAR). cujo objeto de suas negociações possui efeito erga omnes sobre aquela classe trabalhadora. Maringá-PR. 64 Isto porque a Constituição prevê a contribuição sindical obrigatória e limita a criação de sindicatos nas bases territoriais. sem que os mesmos precisem “demonstrar serviço” a favor da classe que representa. tornando livre a associação e proibindo a intervenção estatal. iniciou-se uma fase de forte intervencionismo estatal. pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa — Portugal. Esta obrigação de unicidade sindical retira do trabalhador o direito de escolha de filiação. 38 ed. No Brasil apenas ao final do século XIX e início do século XX. Doutora e Mestre em Direito das Relações Sociais. ex-professora da Universidade Cândido Mendes. a liberdade de expressão do trabalhador é tolhida. Por outro lado. Amauri Mascaro. pela Pontifícia Universidade Católica de São PauloPUC-SP. Leonardo de Abreu Pitoni Advogado e Mestrando em Ciências Jurídicas pelo Unicesumar. e mesmo que não se filie. ou seja. Esta situação gera certo comodismo ao sindicato existente. LTr . no Rio de Janeiro. o Governo retirou a autonomia sindical. Iniciação ao Direito do Trabalho. que passaram a existir movimentos de trabalhadores em prol de seus direitos. ao Comitê Permanente de Ética em Pesquisa do Cesumar-COPEC. ainda. p.45. infelizmente. somente autorizando um por município. São Paulo: LTr. fruto. pois somente os dirigentes sindicais gozam de estabilidade. através do art. o que acaba contribuindo para perpetuar o modelo sindical brasileiro atual. Subárea de Direito do Trabalho. Todavia. 8º. ademais. nos anos 30. transformando os sindicatos em órgãos de colaboração.

passa de 25 anos e a regulamentação do inciso I. uma solução alternativa. E. com amparo na Convenção n. garantir o trabalho e a renda do trabalhador e da sua família.br/jurispru dencia/1891778/recurso-de-revista-rr-43727635199851 25555-437276-3519985125555>.O trabalhador individual não tem autonomia para exigir do sindicato. 443 do TST. 443 por analogia. pelo que. A Convenção n.100/1996. LTr . a regulamentação da dispensa arbitrária. há uma rescisão do contrato de trabalho. ou seja. pois. 2.com. que o Legislador regulamente a dispensa arbitrária que poderá trazer prejuízos irreparáveis ao trabalhador. depois de cessado o movimento. por exemplo. a liberdade de expressão neste sistema é completamente limitada. se posta inerte. a qual depende do mesmo para o sustento de ambos. nada mais justo e lógico que fazer valer um direito fundamental do trabalhador que é o de ter o seu trabalho preservado. e.100/96. É premente. conforme se vê em decisão do Tribunal Superior do Trabalho: “Não há suporte jurídico para concessão de reintegração no emprego por dispensa arbitrária. não permitindo. conquistado pelo trabalhador brasileiro. deixando-o mais uma vez desamparado diante das mazelas das relações trabalhistas. destarte. pois se trata 65 .”. um dos mecanismos que se propõe para esta falta de atuação do trabalhador junto ao Sindicato de sua categoria. Portanto. 158 da Organização Mundial do Trabalho visa especificamente proteger o trabalhador contra a dispensa arbitrária. Assim. por medo de ser demitido sumariamente. sendo um duro golpe à dignidade do trabalhador. Esta condição é facilmente comprovada através de uma simples pergunta: é possível no (2) Disponível em: <http://tst. desde que o texto deste artigo foi inserido na Constituição Federal. sem regulamentá-lo. que um empregado reclame ou proteste abertamente por seus direitos. em 1988. porque o empregado. para o término do contrato de trabalho. o atual modelo sindical brasileiro. haja vista que o empregador pode promover sua demissão sem justificar os motivos. Porém. ou seja. sem que se apresente qualquer razão de ordem econômico-financeira ou qualquer das figuras da justa causa. até o momento não ocorreu. que o empregador assim proceda em relação ao término do contrato de trabalho. foi um direito muito importante. além daquela que por omissão do legislador. Definitivamente. seria a ratificação da Convenção n. nem liberdade para reclamar seus direitos. da CLT. o demite sem justa causa. indispensável para a garantia da dignidade da pessoa humana e como tal. Sabe-se que a dispensa arbitrária é uma espécie de “dispensa sem justa causa injusta”. sendo que o Governo após muita pressão das grandes corporações denunciou o referido pacto internacional através do Decreto n. cessando sua validade no território brasileiro. a Convenção n. estabelecimento ou serviço. 2. momentaneamente. acesso em 25. Ocorre que o Legislador. neste trabalho. em via de consequência. 7º. 158.2014. poderíamos aplicar até a Súmula n. sabe-se que seria difícil que a Convenção n. independe de regulamentação. 158 da OIT. ficou em vigência apenas por alguns meses no Brasil. apoiou a greve dos empregados por melhores salários e condições no ambiente de trabalho.jusbrasil. Ainda.4. porquanto denunciada pelo Decreto n. Recurso a que se nega provimento” (2). propõe-se. mas que foi rapidamente extirpado pelo Estado. Portanto. Dessa forma. 158 da OIT. chefe de setor. é um direito fundamental. quando o empregador sem qualquer razão objetiva. pois. Infelizmente. como. atualmente o Poder Judiciário possui dificuldades em proteger o trabalhador nos casos de dispensa arbitrária. confirma este entendimento. prevê proteção ao trabalhador que se insurge contra alguma opressão ou situação imposta pelo empregador. sem o risco de sofrer eventuais retaliações? A indagação sequer precisa de resposta. ou seja. como já foi dito. ainda sofre com intervenção estatal. A dispensa discriminatória já é considerada uma dispensa arbitrária e a Súmula n. do art. sendo que o art. ainda não ocorreu. 4º da referida convenção determina que: “Não se dará término à relação de trabalho de um trabalhador a menos que exista para isso uma causa justificada relacionada com sua capacidade ou seu comportamento ou baseada nas necessidades de funcionamento da empresa. Diante dessa premência e da inatividade do Legislador. No entanto. 158 passasse a ter vigência no ordenamento jurídico brasileiro.Jornal do Congresso modelo atual. essa Convenção da OIT.

No tocante à iniciativa privada. revela-se violador dos direitos personalíssimos do ser humano. 38 ed. 66 além de que. que precisa apoiar o seu sindicato de classe para que este se sinta forte. Amauri Mascaro.. mesmo que não tenha havido a ratificação da Convenção n. quando pensamos no modelo sindical atual e indagamos se existe liberdade de expressão no modelo sindical brasileiro. ao menos deveria ser ratificada a Convenção n. mais especificamente. 7º. como. convergem para a reintegração do empregado. sob pena de ferir direitos de personalidade do trabalhador. certamente.”(3). do art. 158 da OIT ou regulamentado o inciso I. o Judiciário deverá conceder ao trabalhador a estabilidade geral no emprego. por tratar-se de um direito fundamental e. não existe. não deve ser admissível que qualquer cidadão trabalhador seja dispensado sem um justo motivo. todos os envolvidos nesse processo. como o Princípio da Continuidade da Relação de Emprego. a resposta é que não.de abuso do poder potestativo do empregador.. nesse caso não poderá ser acusado de “usurpar a função do Legislador”. por que não em outros casos. portanto. pois. no caso o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana. desde que. pois com trabalhadores mais participativos e sindicatos mais atuantes. por exemplo. restringindo-se mais ao setor público. por tratar-se de um direito fundamental. Podemos diante da falta de regulamentação. É premente que o Judiciário faça o que o Legislador não fez e. como já foi dito. Na verdade. também não existe. o mecanismo para garantir a liberdade de expressão no modelo sindical brasileiro é aplicar de imediato o Instituto da Dispensa Arbitrária. para demonstrar que os elementos contidos no ordenamento jurídico brasileiro. Já existem decisões que consideram que em determinadas situações estamos diante de um caso de dispensa arbitrária. se poderá haver a reintegração nesses casos já citados. que determina a reintegração no emprego. pois para que isso ocorra a contento. Ademais. portanto. 2013. 7º da Constituição Federal é dar voz ao trabalhador. à vida. mas enquanto isso não ocorre. ou seja. no caso transcrito a seguir: “. mas porque. embora não regulamentado. da CLT. Esta medida é de suma importância. da Constituição Federal. não é motivo para a dispensa arbitrária e seria motivo de reintegrar o empregado. 7º. p.. conforme já foi mencionado. não pode ser motivo para manter por tanto tempo inerte a aplicabilidade de um direito fundamental. dar eficácia ao inciso I. face ao direito fundamental que está em jogo. já temos em nosso ordenamento jurídico.jusbrasil.45. o inciso I. passa a ter vigência imediata. também. Concluindo. face à eficácia do mandamento contido no inciso I. a Lei n. que. somente terão a ganhar. 158 da OIT.029/95. não bastasse estar totalmente desvinculado do liame jurídico que une empregado e empregador por meio do contrato de trabalho. demitir aquele que exerce o seu direito. para casos de discriminação. fique constatada uma arbitrariedade no momento de optar pela rescisão contratual do empregado. o exposto.Jornal do Congresso . LTr . Ora. a discriminação é apenas uma espécie de dispensa sem justa causa arbitrária e. (3) Disponível em: <http://tst. acesso em 25. que são aqueles que garantem a dignidade da pessoa humana. Assim. podemos comparar ao direito de greve do servidor público. motivo que. 9. ou seja.4. evidente está que a participação em movimento sindical. que independe de regulamentação para a sua vigência. Referências NASCIMENTO. 7º. que por analogia.14. ou é muito pífia essa liberdade dos trabalhadores perante o seu sindicato de classe. pois o salário trata de verbas alimentares).com. São Paulo: LTr. não se pode deixar de admitir a existência do direito. certamente. este direito está de conformidade com os princípios gerais de Direito. a ausência de regulamentação. Considerando. art. e a Lei dispense a contribuição sindical obrigatória para que o Sindicato sobreviva da contribuição associativa. aplicar por analogia a citada Lei. no tocante à participação dos associados. a dispensa do reclamante se deu em razão de prática discriminatória decorrente de sua opção sexual. bem como com os princípios de Direito do Trabalho. Iniciação ao Direito do Trabalho. nessa hipótese.br/jurispru dencia/18177644/agravo-de-instrumento-emrecurso-de-revista-airr-742405320025020019-742 40-5320025020019>. do art.. do art. por tratar-se de proteger um direito fundamental (o direito ao emprego e.

convenção coletiva ou sentença normativa estabelecendo contribuição LTr .JUS BRASIL. 5º.Jornal do Congresso nado precedente judicial tem sustentado a atuação administrativa e judicial de componentes do Ministério Público do Trabalho.4 3 7 2 7 6 3 5 1 9 9 85125555-437276-3519985125555>. tem proposto e executado centenas de ajustamentos de conduta/TAC.re v i s t a .br/jurispru dencia/18177644/agravo-de-instrumento -em-recurso-de-revista-airr-7424053200 25020019-74240-5320025020019>. <http://tst.4.C. O mencio(1) Tópico e comentário sob a responsabilidade exclusiva de Sandro Lunard Nicoladeli (2) Nº 119. assegura o direito de livre associação e sindicalização. As medidas judiciais demandam tutela jurisdicional buscando a invalidade. O referido quadro jurídico-político decorre da aplicação do Precedente Normativo n. Departamento de Sociologia.” 67 . juris doutor em Direito pela Harvard Law School. nulidade das cláusulas contributivas e/ou até a devolução dos valores descontados a título das taxas e contribuições assistenciais. o aforamento direto de demandas judiciais: ações civis públicas. Stanley Arthur Gacek Advogado trabalhista.jusbra sil. JUS BRASIL.d e .r r.com. Perspectiva nacional do tema — marco situacional interno(1) Na última década. XX e 8º. membro da Ordem de Advogados do Distrito de Columbia (Washington. o movimento sindical brasileiro tem experimentado um cenário de agudização das incertezas jurídicas nos seus instrumentos jurídicos — acordos e convenções coletivas — decorrente do ataque à eficácia e consistência das cláusulas contributivas. Harvard University.br/jurisprudencia/1891778/ re c u r s o . e professor visitante.14. revigoramento ou fortalecimento sindical e outras da mesma espécie. Contribuições sindicais — inobservância de preceitos constitucionais. diretor-adjunto do Escritório da OIT no Brasil desde 2011. inseridas nos referidos pactos coletivos. É ofensiva a essa modalidade de liberdade cláusula constante de acordo.com.2014. V. mestre e doutorando em Direito pela Universidade Federal do Paraná/UFPr e professor de Direito do Trabalho na UFPr. Sendo nulas as estipulações que inobservem tal restrição. O MPT. em 2008. em favor de entidade sindical a título de taxa para custeio do sistema confederativo. especialista em normas internacionais e liberdade sindical pela OIT. D. tornamse passíveis de devolução os valores irregularmente descontados. obrigando trabalhadores não sindicalizados. “A Constituição da República. Disponível em: <http://tst. acesso em 25. 119 do TST(2). ou quando não. ações anulatórias e/ou declaratórias de nulidade cláusulas de instrumentos normativos. 1. no âmbito administrativo.) desde 1979.4. acesso em 25. Liberdade sindical no Brasil e a OIT: a questão da cláusula assistencial — do PN 119 ao caso 2739 — uma dupla perspectiva Sandro Lunard Nicoladeli Advogado trabalhista. assistencial. em seus arts.jusbrasil.

praticadas por componentes do MPT. beneficiários do instrumento coletivo. acionado mediante procedimento previsto nos artigos 24 e 26 da Constituição da OIT. É digno de registro as várias iniciativas intentadas pelo movimento sindical brasileiro. representado pelas centrais sindicais. 119 do Tribunal Superior do Trabalho. sendo que tais procedimentos determinam. há claro rebaixamento do patamar civilizatório dos trabalhadores e de indesejável enfraquecimento do sindicato como interlocutor social responsável pela necessária mediação das relações coletivas de trabalho. o retorno do entendimento residente no então Precedente Normativo n. no sentido de mediar tentativas de mudança de posicionamento do Tribunal Superior do Trabalho. são aprovadas em assembleia geral da categoria profissional. Nova Central Sindical 68 de Trabalhadores do Brasil (NCST). inexoravelmente. mobilizaram-se as centrais sindicais: Força Sindical (FS). levando à Justiça do Trabalho demandas calcadas no precedente jurisprudencial no. além disso. em razão da estruturação do sistema sindical brasileiro.Jornal do Congresso .). Suiça. na sede da Organização Internacional do Trabalho na cidade de Genebra. subordinado ao Conselho de Administração do organismo internacional. Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Brasil (CTB) e a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB). na forma de queixa/reclamação. 2739 do Comitê de Liberdade Sindical da OIT (CLS). Todas as tentativas restaram infrutíferas. materializado pelos constantes ataques ao movimento sindical. pois fragilizam suas entidades de representação. efeitos nefastos nas finanças sindicais. b) seja pela atuação inquisitória de alguns membros do Ministério Público do Trabalho. Os efeitos diretos e indiretos destas medidas. tais contribuições. pois estão compelidas a limitarem bruscamente suas fontes de receita. Dessa forma. resultam no desequilíbrio dos atores sociais inseridos na relação capital e trabalho. A denúncia alegou descumprimento dos princípios de liberdade sindical. que formularam queixa perante o Comitê de Liberdade Sindical/CLS. por conta da asfixia financeira. as medidas administrativas e judiciais intentadas pelo Ministério Público do Trabalho têm. A denúncia foi registrada e cadastrada como o caso no. escolas e etc. seja pela via administrativa (TAC) ou reflexa. O Comitê de Liberdade Sindical (CLS) se insere como parte do controle especial procedido pelo órgão. vez que as convenções coletivas têm sua reconhecida característica de universalidade. ou quando não ao menos. diante deste cenário inóspito. em decorrência da aplicação do Precedente Normativo 119 do Tribunal Superior do Trabalho.Diga-se de passagem. mas. reduzem ou suprimem diversos serviços assistenciais (saúde. Noutras palavras. determinando a forma de arrecadação e os destinatários/contribuintes passíveis de imposição da arrecadação das entidades sindicais. com a participação dos trabalhadores não filiados ao sindicato. sendo que alguns casos determina-se até a devolução dos recursos financeiros de forma retroativa. 74 do TST. impondo TAC ou aforando medidas judiciais. por conta da política do MPT de processar sindicatos pela inclusão de cláusulas de contribuições assistenciais nos acordos e nas convenções negociadas. aumentado significativamente. convênios. inclusive. Central Única dos Trabalhadores (CUT). em verdade. contando. 2. em razão da dupla intervenção estatal: a) seja pela edição do Precedente Normativo (119) que interfere na organização sindical. a longo prazo. por meio de ajuizamento de medidas judiciais conducentes às decisões da Justiça do Trabalho. A queixa foi apresentada perante o CLS no dia 2 de novembro de 2009. por óbvio. via revisão do referido precedente. União Geral dos Trabalhadores (UGT). A queixa relata a ocorrência de atos violadores à liberdade sindical. que chancelam a anulação e/ ou desconstituição da vigência e/ou da efetividade das referidas cláusulas contributivas previstas nos instrumentos coletivos. (3) Tópico e comentário sob a responsabilidade de Stanley Gacek LTr . que também obrigam o pagamento dessas contribuições pelos trabalhadores não filiados. gerando. na prática. Perspectiva internacional do tema — o sistema de controle da OIT(3) A OIT possui sistema de controle da aplicação das normas internacionais. pelo contrário. prejuízos aos trabalhadores. em termos gerais.

2739 em junho de 2012. II. notadamente sobre a questão do custeio sindical. fixadas em assembleia da categoria e inseridas nos instrumentos coletivos de trabalho e cobradas dos não filiados à entidade sindical são válidas de acordo com a doutrina da OIT. a liberdade sindical e as normas internacionais: vol. Portanto. presidido por uma personalidade independente. o Comitê de Peritos pela Aplicação de Convenções e Recomendações. vale ressaltar que dentre as prerrogativas sindicais permitidas pelo artigo 513. portanto. é atribuição do sindicato: “impor contribuições a todos aqueles que participam as categorias econômicas ou profissionais ou das profissões liberais representadas. 4.guardião da liberdade sindical e da aplicação das Convenções ns. examinando as queixas apresentadas contra os governos por violação dos convênios e princípios em matéria de liberdade sindical. de forma idêntica. descontadas dos salários dos trabalhadores. o CLS é constituído no modelo tripartite. 87 e 98 da OIT. conforme a Recopilação de decisões e princípios do CLS(6). o Comitê havia seguido em casos anteriores o seguinte princípio: se a legislação permitir a prática do desconto obrigatório de contribuições destinadas à sustentação da atividade sindical.” (tradução livre do inglês: Gacek) A transcrição do trecho supra é resultado concreto do trabalho analítico e interpretativo levado a cabo pelo CLS. Recopilação de decisões e princípios do Comitê de Liberdade Sindical do Conselho de Administração da OIT. em inglês.” Em geral. Portanto. por três representantes de cada grupo representado na OIT (trabalhadores/empregadores/governos) — totalizando nove componentes. sem a necessidade de ratificação das Convenções 87 (liberdade sindical) e 98 (organização sindical e negociação coletiva) pelo estado-membro em questão. Brasil. Criado em novembro de 1951 pela OIT. Apreciações gerais do contexto brasileiro Em razão do contido no relatório definitivo do caso n. 125 69 . revisão técnica Sandro Lunard Nicoladeli e Tatyana Scheila Friedrich.) 3 Conclusões do CLS — análise da queixa(4) Após longo procedimento de comunicações e observações fornecidas pelo governo brasileiro. na alínea “e”. devido à autoridade constitucional da organização. (A Convenção 98 foi ratificada pelo Brasil em 1952. é importante salientar que as observações reproduzidas representam a avaliação mais atualizada do sistema normativo da OIT em relação à realidade brasileira. composto. 2013 p. Dessa feita. e exclusivamente através do processo de negociação coletiva. conforme a uma cláusula negociada numa convenção ou um acordo coletivo aplicável também aos não filiados que aproveitam dos benefícios da representação sindical. ilo. Relatório definitivo. as deduções contributivas — cláusulas assistenciais — também chamadas deduções de seguridade sindical. contendo suas conclusões finais(5) — item 332: “Quanto à questão de contribuições destinadas à sustentação da estrutura sindical. alínea “b” da CLT. não são contrários aos princípios de liberdade sindical. vez que já se manifestara sobre este tema. sem a imposição direta pelas autoridades do Estado. ou union security. desde que a legislação nacional permita a prática dos descontos obrigatórios. junho de 2012 — Consultado em 18 de abril de 2014: <http://www. São Paulo: LTr. têm a obrigação de responder ao CLS sobre qualquer queixa registrada contra eles.org/dyn/normlex/es/f?p=1000:50002:0::NO:50002 :P50002_COMPLAINT_TEXT_ID:3063459> LTr . 2739. é a de garantir e promover o direito de associação dos trabalhadores e empregadores. do mesmo artigo.Jornal do Congresso alizada exclusivamente através da negociação dos acordos e das convenções coletivas. os órgãos de controle da OIT. mais especificamente. inclusive dos não filiados. in: Direito Coletivo. além do CLS. A missão do CLS. o Brasil tem o dever de responder ao Comitê. a prática tem que ser re(4) Tópico e comentário sob a responsabilidade de Stanley Gacek (5) Caso No. o CLS produziu o relatório definitivo no caso n. como órgão de controle da OIT. no precedente 480. mesmo sem sua ratificação da Convenção 87. situa-se a competência para “celebrar convenções de trabalho”. 2739. Portanto. e. Todos os 185 estados-membro da OIT. têm observado e concluído que o Estado e as autoridades governamentais têm o dever de afastar-se da administração e do fi(6) Organização Internacional do Trabalho. inclusive dos não filiados.

Trabalho e educação. 101st Session. ILO Geneva. 2012.nanciamento interno das organizações sindicais. 2008. Mestre em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia (1997). ILC. Portanto. 2012. Pesquisador do Centro de Investigação em Educação — CIE da Universidade da Madeira — Funchal em Portugal e desenvolve estudos e pesquisas sobre Currículo e formação profissional. 2012. também. mas com os seus princípios aplicáveis ao Brasil através da competência do CLS. Portugal. Committee of Experts. ilo. sindicato nos casos de multas e penalidades impostas na organização. a referida conclusão encontra-se em consonância com os princípios da liberdade sindical prevista nos instrumentos da OIT. o poder das autoridades de regular e limitar os salários e os benefícios máximos dos empregados contratados pelos sindicatos.) o poder de supervisão geral e indefinida das contas sindicais pelas autoridades públicas. 43-44. e da Convenção 87 sobre liberdade sindical.. cidadania e precarização do trabalho. segundo os órgãos de controle da OIT. ILO Geneva.. Sociedade e Educação – TSE. a cotização sindical — cláusula assistencial — prevista nos instrumentos coletivos. regulamentação do montante dos fundos repassados às federações sindicais. Funchal. É membro do Grupo de Pesquisa em Trabalho.(8)” Em suma. dos Peritos da OIT. Educação e Formação Humana.org/dyn/ normlex> consultado em 22 de abril de 2014. 70 LTr . portanto. Especialista em Direito Educacional (2010). devida pelos trabalhadores não associados. Doutor em Educação na Linha de Politicas Públicas pela Universidade Julio Mesquita Filho — UNESP/Araraquara (2002). 42-44. (8) General Survey on the Fundamental Conventions. extraído do site <www. desde que a legislação nacional permita. 2012. 101st Session.) intervenção e gerenciamento externo na aplicação dos ativos e das contas de um (7) General Survey on the Fundamental Conventions Concerning Rights at Work in Light of the ILO Declaration on Social Justice for a Fair Globalization. ILC.. (. p. tratado internacional ratificado pelo Brasil. Committee of Experts. sobretudo em sintonia com o conteúdo normativo da Convenção 98 da OIT sobre a organização sindical e a negociação coletiva. Professor Associado da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia atua do Programa de Pós-Graduação em Educação na Linha de Pesquisa em Trabalho. Tal relatório exemplifica os casos de ingerências contra a autonomia administrativa e financeira sindical praticadas por parte das autoridades públicas: (..Jornal do Congresso . 2012.org/dyn/normlex> consultado em 22 de abril de 2014. não é contrário aos princípios de liberdade sindical. REESTRUTURAÇÃO DO MUNDO DO TRABALHO: A ORGANIZAÇÃO DO ESTADO E SUA PARTICIPAÇÃO NO FINANCIAMENTO DOS SINDICATOS NO BRASIL Robson Luiz de França Advogado. Extraído do site <www. p. Pós-Doutor em Política Educacional pela Universidade Federal da Paraíba (2010) e Universidade da Madeira. Professor da Universidade Federal de Uberlândia. tal contribuição é.ilo. tal entendimento de não intervenção ou abstencionista na administração sindical é também definido no relatório produzido pela comissão de peritos da OIT(7). não ratificada pelo Brasil.

sobretudo na lógica da administração dos fundos públicos destinados à qualificação da força de trabalho. figurados neste trabalho como agentes sociais. Nesse sentido é que o envolvimento dos sindicatos na busca de maior financiamento público para a formação profissional se recoloca. com a ideia de que a educação é caminho para que os trabalhadores escapem do desemprego. dentro de uma ótica subalterna ao capital (Arrighi. o instrumento de justiça e se aprimorar onde não estiver cumprindo sua finalidade. especialmente na infância e adolescência. apreendendo as contradições dessas parcerias e o enfraquecimento das lutas sindicais. de fato. através de programas específicos desenvolvidos nas escolas de todos os níveis.Este trabalho resulta de pesquisa vinculada ao Grupo de Pesquisa de Trabalho. as autoridades públicas devem cumprir suas funções de maneira apropriada. Percebe-se também que os movimentos sociais. como também da cidadania.Jornal do Congresso res em prol do desenvolvimento social. a informação precisa ser difundida por todos os modos e meios de forma a alcançar todos os cidadãos. Desta forma há um discurso que precisa ser desvelado a partir do conhecimento das propostas dos sindicatos sobre a qualificação profissional e formação profissional a partir da apropriação de um fundo público bem como essa apropriação podem significar resistência ou adaptação às exigências do capital. se esta comunga. sem prevenção se qualquer natureza. 1997) apresenta-se como um período de amplas e 71 . na fase da vida em que se encontram. Cada brasileiro deve ter educação básica. Nos estudos desenvolvidos percebeu-se a importância de um olhar apurado na tentativa de relacionar as questões colocadas para a educação provenientes das mudanças no mundo do trabalho e o impacto dessas questões no processo de formação do cidadão tendo em vista que a construção de um conceito de cidadania coerente com a sociedade que se deseja pautado nos princípios gerais do exercício da cidadania. É necessário que ocorra uma expansão da escolaridade. parecem funcionar atualmente como um auxílio do capital na precarização e desarticulação dos trabalhadores tendo em vista as contradições e determinações do capital que parecem interferir na ação dos movimentos desses agentes. O Estado ao seu modo tem subordinado as forças sindicais e cooptado seus agentes no processo reducionista da formação profissional tendo em vista a apropriação do discurso de que o desemprego é por falta de qualificação do trabalhador ou ainda o processo de qualificação por meio de a educação consistir como o principal meio de formação profissional do trabalhador e como meio de manter seu emprego. cada cidadão deve exercer sua cidadania em sua plenitude. Pode-se perceber que os melhores empregos acabam com os mais ricos. diante do contexto da formação profissional. por um lado e por outro se apresenta de forma inexorável a criação e reprodução dos mecanismos de controle próprios do capital pelos sindicatos que por sua vez possuem a responsabilidade de organizar e reordenar as forças dos trabalhadoLTr . A lei deve ser. a educação deve ser a pedra fundamental para a consciência da cidadania e seu pleno exercício. evitando-se manipulações de qualquer natureza. o conhecimento da História da Nação e seus símbolos devem servir de subsídio para o soerguimento da cidadania brasileira. seguindo os princípios da ética e da moralidade exigidos pelo exercício da cidadania. cultural e de civilidade. A questão referente à qualificação e a posição assumida pela ação sindical. Os idosos devem ser considerados. A crise do capitalismo tem afetado diretamente os trabalhadores dos diversos setores produtivos. qual seja: O Estado deve servir ao cidadão. com o envolvimento dos seus pais. não apenas do ponto de vista produtivo. A crise atual do capitalismo bem como o seu processo de reorganização e a construção de uma nova sociabilidade no Brasil . para que estes se entendam como tal e saibam o que isso significa. sendo que os menos favorecidos e com alta escolaridade ficam desempregados além de sofrer preconceitos raciais e de classe. reconhecidos e poder exercer seus direitos e obrigações de cidadania. A cidadania deve ser tratada como instrumento de crescimento de cada brasileiro e defendida e desenvolvida com o apoio de todos os brasileiros. de forma ilusória. Sociedade e Educação do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia.

PAGÉS. Homepage: <www. Rio de Janeiro: Zahar editores. 1972. Pensar pelo Avesso: o modelo japonês de trabalho e organização. Analistas acadêmicos vislumbraram na iniciativa um novo patamar nas relações de trabalho no Brasil. n. Karl. Para os seus defensores. ano XII. nov. LTr . 1993. São Paulo: Atlas. Diversos acordos têm sido feitos em nome dos trabalhadores. 1992. 1994. a qualificação para o trabalho. J. RIFKIN.J. A Eficácia dos Direitos Fundamentais. (1983). T. Por outro lado. que assume a responsabilidade de financiamento do Sindicato e dos Projetos de Qualificação dos Trabalhadores. Exposição realizada na câmara dos Deputados em 14.profundas transformações nos polos científicos científico-tecnológico. Essas experiências têm sido intensamente debatidas nos meios sindicais. não têm surtido o efeito desejado pelo Governo e pelos sindicatos e principalmente pelos trabalhadores que na expectativa de garantir o emprego ou entrar no mercado de trabalho têm visto seus esforços redundar em precarização do trabalho por meio da informalidade. (1996). BUTLER.gov. Tradução de Emerson S. desafios e o papel do Ministério do Trabalho. Coimbra: Almedina. 1967. etc. Rio de Janeiro: Revan/UFRJ. diversas propostas de formação e qualificação dos trabalhadores tem sido implementadas e entendidas como modelos de solução positiva pelos dirigentes dos Sindicatos. Revista Jurídica. trata-se de acordos buscam garantir a ampliação da oferta de empregos com trabalhadores melhor qualificados. a situação tem sido extremamente desfavorável para os trabalhadores e as estratégias sindicais não têm conseguido formular respostas que fujam à lógica desta fase do processo de expansão capitalista. José Afonso. Cidadania. alteração no interior dos processos de trabalho. respostas mais consequente à ofensiva empresarial pudessem ser construídas na arena pública da sociedade política. REALE. político e acadêmico. HERKENHOFF. com um recuo no papel arbitral do Estado e um reconhecimento mútuo entre empresários e trabalhadores como atores legítimos no processo de negociação. E. Os princípios do direito do Trabalho e a teoria crítica do direito. 72 CORIAT. M. Referências BRASIL. Liberal.5. Makron Books. p.. 1995. Ministério do Trabalho do. na maioria das vezes.Jornal do Congresso . em busca de garantias gerais que impedissem as perdas sucessivas nas negociações específicas. Filosofia do Direito. 1996. reside. H. Benjamin. reorganização dos Estados. MARSHALL. DALLEGRAVE NETO. Miguel. Aparecida/SP: Editora Santuário. 2002. 78-89. MARX. Os empresários defendem o acordo como um instrumento de ampliação da oferta de mão de obra qualificada. 10. capitaneados pelo Sindicato. Rio de Janeiro. ou seja. através da criação de um espaço democrático de resolução do conflito capital-trabalho. É neste contexto que se apresentam os sindicatos dos trabalhadores como os representantes dos interesses e poderão estabelecer equilíbrio entre o capital e o trabalho. na participação do Estado (na esfera federal e estadual). Porém percebe-se uma alteração profunda nas linhas de atuação dos Sindicatos no Brasil. Ingo Wolfgang. diante desse quadro. “A contribuição de Hayek às idéias políticas e econômicas de nosso tempo”. Direito Constitucional. através da ação sobre o núcleo dirigente do aparelho de Estado. que no campo das negociações diretas entre empresários e sindicatos. Parece acentuar-se uma tendência de consistir em um aparelho do Estado e do Capital e a defesa dos afiliados nesta força de poder apresentar-se como causa segunda. São Paulo.98. Gênese dos Direitos Humanos. O poder das organizações. SARLET. J. da Silva. Curitiba. Gomes. porém.br>. Classe Social e Status. 17ª ed. CANOTILHO. João Baptista. É visível. et al. “O fim dos empregos”. São Paulo: Saraiva 1996. Poderíamos supor que. Tendências do Mercado de Trabalho Brasileiro: rumos. mesmo que implementada em patamares razoáveis. 6ª ed. mtb. No entanto. O Capital. vale observar que a chave dos acordos.

a despeito da “boa intenção” de se evitar uma multiplicidade excessiva de pequenos sindicatos concorrentes entre si. Estudos Avançados. Especialista em Direito Sindical pela Universidade de Modena. nos anos de 1930. 87 da OIT é considerada um direito fundamental. Bacharel em Ciências Sociais pela USP. Trabalhadores e cidadania: experiência do mundo público na história do Brasil moderno. os atos de brutalidade contra “cidadãos que a polícia não gosta”./dez. É autoritário e falacioso o discurso que defende a manutenção da unicidade sindical sob a pretensão de supostamente “proteger” a classe trabalhadora da pulverização de entidades sindicais inexpressivas. p. 2007) e de artigos em revistas especializadas. v. Rio de Janeiro: Max Limonad. 3. Além disso. Professor Convidado da Universidade Tor Vergata (Roma II) e da FGV-RJ. Autor do Livro “Representatividade Sindical”(LTr. convém registrar que a Convenção n. assim reconhecido pela Declaração de Princípios Fundamentais da OIT. obteve relativa liberdade de administração interna face aos poderes públicos: um avanço em relação ao período anterior. são portanto registrados desde o final do século passado e completam o quadro do paternalismo privativista. Incentiva a perpetuação entre nós de um modelo sindical de assujeitamento da classe trabalhadora que engendra um sindicalismo. poder normativo da Justiça do Trabalho. Problemas de direito sindical. contribuição sindical compulsória. tão conhecidos até hoje. p. uma figura que. ser reproduzida pelo próprio movimento sindical brasileiro (melhor dizendo: por suas lideranças) que. da hierarquia excludente. hoje. 73 .Jornal do Congresso nóstico de Maria Célia Paoli sobre tal discurso autoritário: tratava-se de “um horizonte simbólico que despachava os trabalhadores pobres a um mundo do favor. da dependência. 4066.Autoritarismos e falácias na defesa da unicidade sindical Túlio de Oliveira Massoni Doutor em Direito do Trabalho pela USP. Oliveira.(1) Emblemático o diag(1) Caberia então ao Estado organizar/controlar diretamente os sindicatos. para ser incluída na ordem das coisas. Oliveira Vianna justificava. Maria Célia. cujos resquícios até hoje encontramos entre nós: sindicato único por categoria imposto por lei. “é preferível que o governo procure recomendar aos sindicatos (2) PAOLI. com a CF/88. mas insuficiente uma transição incompleta por não permitir a plena liberdade organizativa e autônoma por parte dos trabalhadores. enquadramento sindical automático. de 1998. em pleno século XXI. necessitava ser um habitante silencioso e sem interioridade. Itália. set. Ainda segundo Paoli. Professor concursado da UNIFESP. constituído por obra benemérita das elites”. 7. No Prefácio da obra Problemas de Direito Sindical. Advogado de Amauri Mascaro Nascimento Advocacia. 1943) LTr . Professor assistente do Programa de Pós-Graduação da PUC-SP. 46. a necessidade deste modelo sindical com base na incompetência da classe trabalhadora de se auto-organizar de forma independente e autônoma. lançador das bases do nosso modelo sindical. de “cofres cheios e assembleias vazias”. Tal discurso protetor. mas também impedi-lo de sustentar outro discurso. do ponto de vista estritamente jurídico. n. povo significa uma multidão de homens. diretamente interessados. nega voz aos próprios trabalhadores. como porcada significa uma multidão de porcos” (VIANNA. uma tese sustentada por Oliveira Vianna. representação legal de todos os membros da categoria profissional ou econômica. com todos os efeitos deletérios. O silêncio não é ausência de palavras. no campo sindical. afirma Oliveira Vianna que “o Brasil não tem povo” e que “no Brasil. No mais. São Paulo. como já se disse. Por que a defesa da unicidade sindical constitui um discurso autoritário? Autoritário porque reproduz. apagando da memória histórica todo o movimento operário pré-Revolução de 1930. 1.(2) O mais escandaloso é o fato de esta tese. da assistência benemérita da elite. de acordo com o Comitê de Liberdade Sindical da OIT. 1989. ideólogo do Estado Novo varguista e arquiteto do corporativismo estatal. Impor o silêncio não é apenas calar o interlocutor.

BARTOLOMEI DE LA CRUZ. 176-177. Não impede. assim. 2005. contudo. a possibilidade da pluralidade. Estado e controle sindical no Brasil. Alejandro. a unidade de ação. 42). Como ensina Alejandro Gallart Folch. (4) 2. é inadmissível impor. Armando Boito Jr. isto é. ademais. Como adverte Amauri Mascaro Nascimento. pode conviver com a unidade de ação entre as diversas entidades. p. diversos sindicatos se unem numa atuação conjunta. tampouco serviu para respaldar a noção de “monopólio sindical”. (7)NASCIMENTO. Compêndio de direito sindical. que seria assegurar. prive o movimento de sua espontaneidade. Armando.Jornal do Congresso . segundo dizem os seus defensores. Geraldo von. na verdade estimula. Existem igualmente situações complexas de pluralidade na unidade e de unidade na pluralidade que resistem a uma catalogação simplista. mantinha financeiramente a estrutura de representação profissional do tipo corporativo. porque.que se associem voluntariamente e constituam organizações fortes e unidas e não que imponha. 73. que não resulte da aplicação de uma lei promulgada para esse fim” (p. LTr. (3) Ademais. p. porque “de fato”. Amauri Mascaro. Terceiro. 182). o princípio da livre escolha de organizações de empregadores e de trabalhadores. Sérgio 74 Segundo. 1990. p. 41-42. p. Buenos Aires: Astrea. por exemplo. É impossível compatibilizá-la com o monopólio sindical orgânico. 2002. denuncia o curioso paradoxo do modelo brasileiro de unicidade sindical: “a propalada virtude da unicidade sindical. (6) GALLART FOLCH. Sérgio Amad Costa alude a uma espécie de círculo vicioso: “o imposto sindical garantia a sobrevivência de sindicatos fracos e. principal responsável pela formação daqueles sindicatos fracos” (COSTA. 1993. quarto. evitar o fracionamento da ação”. p. Ângela Maria Carneiro (Org. Héctor G. perfazendo um número de quase 20 mil entidades sindicais com vínculos fortes com o Estado e vínculos precários com os trabalhadores representados. pela via legislativa. quando. Daí a “diferença fundamental entre a vigência de um monopólio sindical instituído e mantido por lei e a decisão voluntária dos trabalhadores ou de seus sindicatos de criar uma organização única. a unidade da organização sindical dos trabalhadores.). p.(5) (3) POTOBSKY. já temos em nosso país um modelo sindical extremamente pulverizado e não-representativo. a pluralidade sindical. no entanto. A pluralidade pode prejudicar a união orgânica. uma unicidade forçada que. uma unificação obrigatória que prive os trabalhadores do livre exercício de seus direitos sindicais”. Observa-se.(7) Acrescente-se. La organización internacional del trabajo: el sistema normativo internacional: los instrumentos sobre derechos humanos fundamentales. LTr . Neoliberalismo e corporativismo de Estado no Brasil. El sindicalismo como fenómeno social y como problema jurídico. para os trabalhadores. caso desejada. A experiência mostra que a pluralidade organizacional não impede a ação unitária e pode. Por que a defesa da unicidade sindical constitui um argumento falacioso? Primeiro. fazendo do sindicalismo brasileiro um dos mais pulverizados do mundo”. (5) BOITO JR. (4) ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. limitou-se a garantir. muito embora seja indiscutível a conveniência tática. associada à regalia das taxas sindicais obrigatórias. Não pode. às vezes. de sua liberdade organizativa e de ação. sacrificando o princípio da livre determinação de cada trabalhador. Em suma. 87. não resulta da unicidade sindical. Buenos Aires: Zavalia. “a auto-organização sindical passa pela possibilidade de livre organização. de uma frente unida em seus eventuais confrontos. embora organicamente sejam sindicatos separados. A liberdade sindical. pelo menos. Do corporativismo ao neoliberalismo: Estado e trabalhadores no Brasil e na Inglaterra. São Paulo: LTr. porque a força do movimento sindical decorre de suas bases democráticas. In: ARAÚJO. porque uma eventual pluralidade organizativa não impede uma unidade de ação. 247. pela via legal ou administrativa.(6) E. que na prática de outros países os termos unidade e pluralidade não são necessariamente antagônicos. paralelamente. não foi formulado para apoiar qualquer tese favorável ao “pluralismo sindical”. uma próspera indústria da criação de sindicatos. 1957. São Paulo: Queiroz. a coexistência de mais de um sindicato representativo e concorrente. a superação da diversidade sindical é um problema de orientação dos Amad. conduzir a ela. São Paulo: Boitempo. que a unidade pode ser alcançada sem se afastar dos princípios da liberdade sindical. 1986. 166-167. A unicidade orgânica pode assegurar a união formal. firmado no artigo 2º da Convenção n.

cit.trabalhadores. 177. Para que haja democracia na eleição de representação dos trabalhadores é necessário que seja garantido que todas as matrizes ideológicas se expressem.. da área da liberdade sindical e nega. que possibilita que a representação abarque as mais diversas ideias. Esse modelo indica um maior grau de democracia. a priori. Só existe realmente democracia quando ideias divergentes encontram espaço para se manifestarem. juridicamente. de modo a permitir a reconstrução da solidariedade coletiva. LTr . Ao contrário. A democracia sindical também se insere nesse contexto. A resolução de divergências pela atividade legislativa ou administrativa do Estado afasta os trabalhadores. PEQUENAS REFLEXÕES SOBRE A DEMOCRACIA SINDICAL Maíra Neiva Gomes Coordenadora do Departamento Jurídico e Coordenadora Pedagógica do Programa de Formação Política Permanente Ignácio Hernandez do Sindicato dos Metalúrgicos de Belo Horizonte. Introdução O intuito desse singelo trabalho é debater as condições necessárias para que seja assegurada a democracia sindical. o direito à divergência. Isso porque. 1. quando se remete ao modelo de sindicato único — de forma ampla — também se refere ao sindicato que livremente constrói a unidade. op. por meio do amadurecimento político. próprio de toda solução livre. Contagem e Região. tão essencial em qualquer modelo democrático. Especialista em Direito Material e Processual do Trabalho pela Faculdade Pitágoras.(1) (1) GALLART FOLCH. A premissa da qual parte essa resenha é de os problemas não se restringem à oposição entre unicidade e pluralismo. Alejandro. 87 da OIT. mas também perpassa pela necessidade de se estabilizar as relações sociais dos trabalhadores.Jornal do Congresso E isso é possível tanto no regime de pluralismo. exclusivamente. previsto pela Convenção n. ao sistema de unicidade sindical. não se possibilita ao trabalhador escolher qual o sindicato o representará. A ideia de imposição de um modelo. Modernidade e Democracia pela PUC Minas. é uma construção madura de uma unidade necessária entre os trabalhadores. O que se propõe é aprofundar o debate para além do modelo sindical mais condizente com o momento atual. p. Democracia sindical: unicidade. quanto no sistema de sindicato único. Mestre e Doutoranda em Direito do Trabalho. No entanto. na ordem profissional. 2. há um problema extremamente mais profundo do que a adoção ou não do plura75 . Professora das Faculdades Milton Campos (graduação). No entanto. Ele não é uma imposição. resolvido livremente entre esses. pluralismo ou unidade? A democracia representativa parte do pressuposto da aceitação das divergências. consciente ou inconscientemente. A unicidade sindical implica na imposição normativa do sistema de sindicato único. choca com a própria ideia de liberdade. quando se fala em regime de sindicato único não se remete.

p. Georg Wilhelm Friedrich. cracia sindical. In: SANTOS. como proposto por Marx (1997. talvez. Era dos extremos: o breve século XX — 1914 — 1991. é calcado na ideia de resistência coletiva. 1997. 2. no plano da realidade. a partir do desenvolvimento das ideias de Hegel (1993). Trad. A estabilização das relações sociais como forma de consolidar a solidariedade coletiva Antes de um fenômeno jurídico. HOBSBAWM. ed. mediado pelo trabalho. p. 131 p. dominação e servidão. Referências bibliográficas HEGEL. 3. ed. 204 p. Karl. ENGELS. Karl. Para que tal resistência se manifeste é necessário que se construa laços coletivos de solidariedade. 196 p. 2001. Eric J. Trad. O 18 brumário de Luís Bonaparte e cartas a Kugelmann. Trad. 3. P. é essencial não apenas debater o modelo de sindicalismo que mais se enquadra nos parâmetros do século XXI. MARX. 125-135. de forma a garantir a estabilidade das relações sociais dos trabalhadores. São Paulo: Loyola. 2. E. 4. Friedrich. Karl. 1993. Rio de Janeiro: Paz e Terra. ele mesmo. 347 p. 598 p. Se faz urgente também debater formas de se concretizar. v. 2001. Mas para se propiciar a reconstrução de tais laços. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Mais do que garantir pluralismo ou eleições sindicais democráticas no modelo de sindicato único é necessário garantir a estabilidade das relações sociais entre os próprios trabalhadores. 4. de Paulo Ferreira Leite. construída em um mesmo espaço físico. 1995. Miséria da filosofia: resposta à filosofia da miséria de Proudhon. o fator mais relevante para se garantir a democracia sindical não se restrinja ao debate do sindicalismo único ou plural e sim sobre a necessidade de se combater os métodos que propiciam o afrouxamento dos laços sociais construídos pelos trabalhadores. José Henrique. a liberdade sindical que assegure a democracia sindical. Independência e dependência da consciência-de-si. A formação da classe operária: a árvore da liberdade. o sindicalismo é um fenômeno psicossocial. 2006. Trad. 21-139. Para que isso se torne algo efetivo. 1.Jornal do Congresso . 2006). de Renato Neto e Cláudia Rocha de Almeida. Mas para que isso ocorra se faz primordial certa estabilização das relações sociais construídas pelos trabalhadores. de Denise Bottmann. E. a fragmentação do espaço produtivo são obstáculos muito maiores do que a unicidade sindical na trajetória de reconstrução da legitimidade social dos sindicatos. de Leandro Konder e Renato Guimarães. Somente sindicatos democráticos serão capazes de reconstruir os laços de solidariedade que estão se esfacelando. a solidariedade coletiva. que forma a consciência de classe. P. Porto Alegre: L&PM. Só haverá solidariedade coletiva se o convívio dos trabalhadores se desenvolver de forma permanente e constante. O sindicato. ed.lismo que busca propiciar a construção livre da unidade no que se refere a representação sindical. de modo que a eles seja permitido desenvolver. Assim. também ampliar o debate. de Sueli Tomazini Barros Cassal. São Paulo: Centauro. MARX. Trabalho e riqueza na fenomenologia do espírito de Hegel. Manifesto comunista: 1848. v. se faça necessário. Só haverá fortalecimento das entidades sindicais se a elas for dada a oportunidade de reconstruírem os laços de solidariedade coletiva. 4. THOMPSON. São Paulo: Companhia das Letras. O 18 brumário de Luís Bonaparte. MARX. de forma mais profunda. Trad. Considerações finais THOMPSON. In: MARX. de José Henrique Santos. que permita que o trabalhador se enxergue no outro e identifique no outro. 2002a. Trad. 2004. É um processo de identificação. de Marcos Santarrita. Karl. talvez. ed. tal como o conhecemos nos séculos XX e XXI. Sem sombra de dúvidas é chegado o momento de se aprofundar o debate sobre a demo76 LTr . tópico que se pretende discutir no próximo item. A alta rotatividade da mão-de-obra. Rio de Janeiro: Paz e Terra. A formação da classe operária: a maldição de Adão. Trad.

São Paulo. p. 94-97 (4) AROUCA. 2007. 1. Márcio Túlio. Sindicalismo no Brasil — Os primeiros 100 anos?. Os direitos dos trabalhadores: no limite da desconstituição do sistema legal de contratação do trabalho. Mesmo antes da edição da Consolidação das Leis do Trabalho. Segundo o registro histórico trazido por Arouca(1). 110. 2003. 2a ed. jul. São Paulo: LTR. Organizada a CLT (1943) importa-se o texto do então Decreto 1402/39(4). intervindo e criminalizando o livre e regular funcionamento das organizações do movimento operário. Curso Básico de Direito Sindical. E. mestre e doutorando em Direito pela Universidade Federal do Paraná/UFPr e professor de Direito do Trabalho na UFPr. p. 3. A leitura desse diploma legal (1) AROUCA. cit.THOMPSON. LTR Revista legislação do trabalho. P. consultor de entidades sindicais. nos lapsos temporais democráticos (45/64). que estavam sob o crivo e jugo do Ministério do Trabalho e Emprego. p. Havia ainda o expurgo dos militantes sindicais considerados “indesejáveis/inelegíveis”. ou seja. LTr . tal intervenção era materializada no Decreto 1402/39. O caso da “seção IV — das eleições sindicais” (arts. Histórico do processo político e eleitoral dos sindicatos brasileiros O sindicalismo brasileiro sempre esteve marcado por constantes e sucessivas intervenções estatais no seu regular funcionamento. In: INÁCIO. p. Direito de resistência — possibilidades de autodefesa do empregado em face do empregador. VIANA. José Carlos. especialista em normas internacionais e liberdade sindical pela OIT. 2009. José Reginaldo (org). 87 e ss (2) PASSOS. Ano 67. José Carlos. mesmo com todo esse processo repressivo. por professarem ideologias “contrárias” ao regime(3). CLT 70 Anos — Direito Sindical. redigido por Oliveira Vianna. v. 2002b. 440 p. Edésio. rede(3) AROUCA. ed. 2. a história brasileira denota a incansável sanha autoritária dos sucessivos governos. que se opusessem ao Estado-Novo getulista. 1996. São Paulo: LTr.Jornal do Congresso denota que o estado corporativista detinha total controle sobre as eleições sindicais. Disponível no DVD Magister — Revista Eletrônica 77 . conforme confirma Passos(2). Terceirização e sindicato: um enfoque para além do jurídico. A formação da classe operária: a força dos trabalhadores. Rio de Janeiro: Paz e Terra. op. Ainda assim. VIANA. houve um avanço na mobilização sindical e ascensão política dos dirigentes. 456 p. 200. Trad. configurado na formação do Comando Geral dos Trabalhadores(CGT). 3. 1. 529/ 532 da CLT). Belo Horizonte: Crisálida. 775-790. DEMOCRACIA SINDICAL: ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO MODELO BRASILEIRO Sandro Lunard Nicoladeli Advogado trabalhista. Márcio Túlio. ed. de Denise Bottmann. agora. número 7.

Muito embora reinassem as relevantes condicionantes ideológicas do regime militar. Assim. assim compreendidos os critérios: político (adesão). previstas nos incs. Posteriormente. avançou na autonomia e independência do sindicalismo frente ao estado e ao patronato. 229/67 — editado no bojo da reforma da CLT durante o período inicial regime militar — impondo amarras e restrições quanto à participação ao pleito sindical. Tais elementos ordenaram e conformaram severos limites nas experiências democráticas. ou seja. 529/ 532). Desse modo. IV e V do art. Sayonara Grillo Coutinho Leonardo da. 138. fundamentalmente. cit. os “donos do poder”. nos demais dispositivos da seção regulamenta-se as condições do pleito eleitoral. 11648/2008. a estrutura se mantém. 78 anteriormente. unicidade sindical. a Constituição Federal consagrou. 531). do ponto de vista organizativo por um modelo de unidade/unicidade. Consultado em 01 de maio de 2014. categorial (diversidade) e geográfico (amplitude territorial) previsto na lei de reconhecimento das centrais sindicais — Lei n. Diga-se de passagem. op. caracterizados pela lealdade ao senhor e fidelidade ao chefe político(7). Edésio. 6/7 — 1996. candidato e/ou estava em condição de (in) elegibilidade no âmbito das entidades sindicais. com o processo de urbanização e industrialização (pós década de 30). p. Magister de Direito Trabalhista e Previdenciário n. contudo. reconhecidas legalmente com antigo e vindicado critério de representatividade pelo movimento sindical. correspondeno a uma cultura política antiassociativa. 9090/45 — editado nos estertores da ditadura do Estado-Novo — e o Decreto-lei n. verificado no mais recentemente no período republicano. 194-201. a democracia capitalista jungida e resultante dessa tradição condensa um capitalismo tardio e relações de poder lastreadas numa cultura autoritária. caracteriza-se pela: fragilização da sociedade civil perante o Estado. importa-se aquele modo de relações de poder. juridicamente. como analisado por Saes. custeio compulsório — herança do modelo anterior. art. p. 204. 129-147. evidentemente influenciando o processo constituinte da construção da cultura política e organizativa do operariado brasileiro. alterado pelo Decreto-lei n. p. (7) op. São Paulo: Ed. o sistema sindical para a base constitucional de 1988. das Centrais Sindicais. se completa um ciclo — fechamento da intervenção absoluta do Estado nas relações sindicais e abre-se um período de reconstrução democrática. as centrais sindicais. o modelo sindical brasileiro no seu art. 532). Déficit democrático e os elementos constituintes da massa operária urbana. No plano jurídico. (6) SAES.Jornal do Congresso . cit. Revista de Sociologia e política n. pelos trabalhadores rurais originários do campesinato. p. o sistema. como também a remessa dos documentos do procedimento eleitoral ao referido órgão (art. via portaria (§ 4º do art.signado como título V — organização sindical — sobretudo na “seção IV — Das eleições sindicais” (arts. ou seja. Assim. 2008. LTr. 8º — sistema confederativo. Por fim. ao se transplantar. combinado com a adoção de um sistema de pluralidade na cúpula. fortalecimento crescente do patrimonialismo e o caráter autoritário da cultura nacional(6). pelo óbvio motivo que o operariado urbano é composto. a classe fundiária era representada pela figura política do coronelismo. mesmo que gradativamente surjam novos elementos. Democracia e capitalismo no Brasil: balanço e perspectivas. posteriormente. O Brasil optou. em especial a criação. inicialmente. Os novos dispositivos direcionavam-se às hipóteses em que o dirigente incorresse em infração de natureza ético-administrativa — lembrando que os sindicatos sofriam constantes perseguições e intervenções nos anos de chumbo(5) — ou que não reunisse as condições para ser eleitor. na sua essência. O texto normativo sintetiza a regulação dos processos eleitorais sindicais pelo MTE. o déficit democrático brasileiro. em grande parte. elemento fundante das relações de poder e de trabalho no âmbito rural. por lei. 3. como analisado por Passos(8). Décio. mas — singularmente — o modelo. 53 — Dez/Jan de 2014. 530 (condenação por crime doloso — qual crime?/ suspensão do gozo dos direitos políticos — decidida por quem no estado de exceção?). Relações coletivas de trabalho: configurações institucionais no brasil contemporâneo. traduzida. pelo exagerado status jurídico da liberdade associativa e sindical negativa. (5) SILVA. (8) PASSOS. superado o período do arbítrio. LTr .

p..6.2011. também. 6.11. Des. DEJTCE 27. amalgamado a partir dos seus elementos históricos. 532 da CLT ao texto constitucional: TRT 24ª R.oit. DEJTMA 5. políticos e econômicos da sociedade brasileira. tal intento terá um longo percurso. Consultado em 1 de maio de 2014.2012. 2013.pdf>. assecuratório do direito de oposição(9).4. especificamente na sua agenda legislativa(13).0001. Frederico. Primeira Turma. sociais.2011.08.5. Por exemplo. DOEMS 5. para o ano de 2009.2013. Portanto. Edson Bueno. portanto a adesão ou não ao tratado. p. poderia se afirmar que a seção relativa às eleições sindicais estaria derrogada pelo texto constitucional.. Consultado em 29 de abril de 2014.23. não define. derivado de uma releitura e adequação ao texto constitucional(11).2012. Relª Desª Dulcina de Holanda Palhano. DEJT 19. 87 da Organização Internacional do Trabalho/ OIT. p. 29. resultante do nosso estágio e desenvolvimento civilizatório. Coréia do Sul) e outras nações de expressivo desenvolvimento capitalista (India e China). Além disso. TRT 23ª R. p.11. Ericson.2012. TRT 07ª R.5.org. 2000. para problematizar a democracia sindical e sua crise.24. mas.2009.0004. culturais.pdf>. AP 0000352-92. 56 (10) Arestos que reconhecem a incompatibilidade e não recepção dos arts. aqui se adota o modelo comparativo entre instituições da democracia representativa (sindicato-partido). 3. de forma peremptória e exclusiva. Franco Diniz. pois confrontados os países não ratificantes da Convenção 87 da OIT. embora considere salutar como objetivo de qualquer sistema sindical. vale registrar alguns dados: a) segundo estudos da OIT(14) a taxa média de sindicalização. DEJTMS 17. Unidade de Assuntos Legislativos — Agenda Legislativa da Indústria 2013 / Orgs: Menezes. Min.5. (11) Decisões que aplicam os arts. p. p. todavia a despeito do horizonte e fundamento valorativo constitucional — democrático e pluralista — ainda assim. No plano da participação política ou do associativismo.9.2008. p. RO 1491/2004-004-24-00-2. foi de 16% (de(12) Na nossa visão esta questão merece uma análise um pouco mais acurada. desde o sindicalismo laboral ao sindicalismo patronal. Segunda Turma. Izabella de Castro Ramos. Juiz João de Deus Gomes de Souza. RO 190486.br/portal/data/files/ FF808081394937F001396E54A78251C1/Agenda%20 Legislativa%202012. a Confederação Nacional da Indústria/CNI. (14) Organização Internacional do Trabalho. mesmo assim. Estados Unidos. Des. visando aferir o eventual déficit na adesão às instituições políticas.6. Nosso modelo sindical está assentado numa estruturação socioeconômica e constitucional. 529. Quarta Turma. Relª Juíza Conv.2012. 530.2010. Rel..org.0108. Primeira Turma. com isonomia. 67. no caso. 530 e 531 da CLT na solução de conflitos intrassindicais: TRT 08ª R. ROS 153400-84. Julg. p. Rel. na realização de um processo eleitoral democrático. Basta uma breve pesquisa nos repertórios de jurisprudência. RO 0000491-14. um sindicalismo maior ou menor estágio organizacional ou de representatividade.11. a jurisprudência vem repercutindo e aplicando o modelo de processo eleitoral inserido no marco regulatório da CLT. Democracia Sindical no Brasil. sempre nos moldes da Constituição Federal.12. 40. A crise dos referenciais normativos e do modelo de democracia sindical Os aspecto constitutivos da democracia sindical eleitoral. no tópico atinente a questão do modelo sindical.0005.br/sites/default/files/topic/gender/doc/ relatoriotdvers%C3%A3oweb_876. Gonçalves Cezar.5. lisura e imparcialidade teria quais referenciais normativos? Numa primeira leitura.Jornal do Congresso institucional da OIT(12). DEJTMT 20. obviamente.2005.4.16. os atores sociais de forma majoritária rejeitam o modelo pluralista. Disponível em: <http:// www. 79 . Julg. 1955. Godofredo. (13) Confederação Nacional da Indústria.2012. 20. Brasília. seria uma forma de resolução do déficit democrático dos sindicatos.2012. Guilherme Augusto Caputo Bastos.12. Disponível em: <http://www.0004. 104. AIRR 0000491-14.2005. Rel. Perfil do trabalho decente no Brasil: um olhar sobre as unidades da Federação. invocando sua desarmonia com o texto constitucional(10). Relª Desª Fed.07. Outro aspecto controvertido da democracia sindical é que a ratificação da Convenção n. RO 153000-02. o patronato industrial defende a manutenção do sistema sindical com pequenos ajustes.. TRT 16ª R. que indicam um aspecto pendular: ora rechaçando a aplicação do texto celetário. 44. observa-se que países com democracia liberal estável (Brasil. p.5. assim entendida. Pastora do Socorro Teixeira Leal.cni. São Paulo: LTr.23. DEJTPA 23. Para além dos debates acadêmicos no âmbito da ciência juslaboral e (9) CRIVELLI.. TST. Rel. porém..2011. na manifestação da sua representação sindical mais influente. ora recepcionando os dispositivos celetários pertinentes às eleições sindicais. no caso brasileiro. 17. TRT 24ª R.0001. Vladson Bahia.5. James Magno Araújo Farias. LTr .

a democracia sindical possui aspectos internos e externos: a) internos — análise nas relações de poder.zesseis por cento). seja via filiação dos trabalhadores ao sindicato. (15) Tribunal Superior Eleitoral. as pessoas têm baixa participação política nos sindicatos.. É um dado da realidade. (16) BOBBIO. tendo como ultima ratio a formação de entidades sindicais lastreadas em bases democráticas (estruturação e funcionamento). São Paulo: Ed. com as grandes greves e o surgimento de grandes líderes. Norberto.8% (dez virgula oito por cento). há no fundamento ético da soberania interna expressa nas assembleias.Jornal do Congresso . para o referido autor. 22. baixa adesão aos partidos.violentar a democracia interna ou quando negar os valores que lhe são próprios e essenciais. o processo político de efetiva legitimação democrática foi precedido por um período de luta pela anistia. 369-374 (19) ___________. desenvolveram lutas. 2002. Tarso. 628.970. 6. juntamente com outros dirigentes sindicais. Petrópolis/RJ: Vozes. negociação e contratação coletiva) e autoridades em geral.. (20) CRIVELLI. Condutas Antissindicais. Consultado em 30 de abril de 2014. com participação de forma direta ou indireta nos espaços deliberativos. como sintetiza Passos(17). p. Democracia sindical: aspectos constitutivos e disjuntivos do processo político interno. Ericson. (17) PASSOS. Ainda. caracterizado pela variada matiz ideológica. compreendido na década — 1975 a 1985 — onde há participação decisiva das entidades sindicais. b) igualdade de direitos ou paridade de armas. eleições diretas. a taxa média de filiação partidária. 1990. inserida no Estado liberal. p. embora contando com um sistema pluripartidário.. Luciano. 3ª ed. 9-61. portanto.br/eleicoes/estatisticas/filiados>. Nessa senda. democracia direta e neoliberalismo na ordem global. Disponível em: <http:// www. Brasiliense. p. está conectado ao processo de crise democrática e representatividade na sociedade brasileira.”.tse..(19) A democracia como procedimento — que supera a formalidade democrática. 2013. Um reflexo disso foram as manifestações populares de junho de 2013. nas palavras de Genro(21): (18) MARTINEZ. a estruturação e funcionamento do subsistema político de democracia na estrutura sindical não está imune. São Paulo: Saraiva. necessária expressão de fonte de consulta e legitimação. Curso de direito do trabalho: relações individuais. b) externos: refere-se à relação frente aos empregadores (greve. op. Edésio. cit. p. a própria entidade sindical pode cometer ato antissindical quando “. que mesmo limitadas pela ditadura militar. No caso brasileiro. (21) GENRO. dentre eles Luis Inácio Lula da Silva que viria. processos decisórios (eleições/ assembleias) e regras internas. combinado a mecanismos de legitimação da direção sindical. a conformação do regime democrático intrassindical ou democracia sindical interna tem fundamento axiológico na CF/88 (democrático e pluralista). Somado a isto. Liberalismo e Democracia. crível afirmar que a população brasileira tem baixa adesão às instituições representativas da democracia. em que o espaço do debate político iguala e valoriza o espaço deliberativo expresso no voto.296 de eleitores filiados a partidos políticos. segundo Crivelli(20). pois se tutela o direito de participação. b) segundo dados do TSE(15). O Brasil contava com 11. 80 Desse modo. Pelo contrário. op. resulta num índice de adesão formal partidária de 10. coexistência de grupos de oposição (princípios da pluralidade e tolerância). p. sindicais e coletivas do trabalho. conforme Martinez(18). 194-201. 2011. constituinte. Crise da democracia: direito. ainda assim.jus. LTr . formata-se na modalidade de democracia representativa. em que se verificou o claro divórcio entre a pauta dos manifestantes e a incapacidade e/ou descrença de que instituições representativas possam canalizar as demandas sociais. como também. seja via a inscrição de eleitores ao(s) partido(s). eleger-se deputado constituinte. mas em verdade garante a ampla igualdade de condições (método ou inspiração ética): a) igualdade perante a lei e estatutos. cit. É. É um reflexo da sociedade brasileira em que não há estímulo ou desencanto com a vida associativa e organizada — partidária ou sindical. Conclusão Em suma. São Paulo: Saraiva. em especial os metalúrgicos do ABC/São Paulo. p. em 1986. 5. Para Bobbio(16) a democracia moderna.

“Esta cultura do consumismo. Democracia sindical interna: un analisis juridico. é substituído pelo sentimento de vinculação através do consumo e dirigido ao prazer alienado. mediado pelo necessário debate público inserido na vida sindical.) reduz a capacidade de coesão da cultura democrática tradicional: o sentimento de pertencimento à comunidade determinada. por conseguinte. A superação do modelo (22) MOYA. p. 17-25. São Paulo: Saraiva: 2012. definido por Moya(22). tornando os sindicatos num espaço de democracia deliberativa com decisões coletivas e imparciais(23). (23) Modelo de democracia proposto por Santiago Ninno. p. LTr .” Portanto. influenciará na conformação de uma nova cultura política dos trabalhadores e de suas instituições sindicais. Madrid: Editorial Trotta. Constitucionalismo e democracia: uma leitura a partir de Carlos Santiago Ninno e Roberto Gargarella.Jornal do Congresso individualista por um associativo-público consistirá na superação do déficit de legitimação e de representatividade sindical.. materializado num projeto político-jurídico de conteúdo e alcance da democraticidade sindical. Miguel Gualano. 72-73. A execução deste projeto político elevará o patamar civilizatório da representação sindical. de modo que expresse a vontade coletiva dos interessados. seja nacional ou local. como elemento desestruturador da ideia democrática(. Rosario Gallardo. 81 .. In GODOY. a superação deste modelo individualista-consumista que influencia e aflige os trabalhadores exige um imperativo ético.

É POSSÍVEL DEFENDER A MANUTENÇÃO DA UNICIDADE SINDICAL? Gilzana Lima Janaina Aparecida do N. nesta. A unicidade sindical é a vedação do direito de criação de mais de um sindicato na mesma base territorial. Mauricio Godinho. (3) NASCIMENTO. tecnicamente. Conceito Para Alfredo Ruprecht . Amauri Mascaro. São Paulo. Vol. 1995. parte do Direito do Trabalho que trata da organização sindical. Manual de Direito do 82 Para Amauri Mascaro Nascimento(6) a lei poderá limitar a criação de sindicatos. Direito Coletivo do Trabalho “é a parte do Direito do Trabalho que tem por objetivo regular os interesses da categoria profissional de cada um dos sujeitos laborais”. LTr . Direito coletivo do trabalho. Iniciação ao Direito do Trabalho. O autor afirma ainda que ao impor o princípio da uniTrabalho — Direito Coletivo do Trabalho. inclusive.II. 7ª ed. É a chamada unicidade ou monismo sindical. (6) NASCIMENTO. (5) GARCIA. a negociação coletiva e os instrumentos normativos decorrentes. 2012. a representação dos trabalhadores na empresa e a greve (GARCIA. as questões ultrapassam o contrato individual de trabalho para atingir uma coletividade que se une para defender suas reivindicações. 1995. Jouberto de Quadros Pessoa. São Paulo: LTr. Acesso em: 30 de Abril de 2014. São Paulo: LTr. De forma resumida os autores que adotam a denominação Direito Sindical asseveram ser o direito sindicato a figura de maior destaque no setor do direito em análise. 6ª ed.Jornal do Congresso . a representação dos trabalhadores nas empresas. Desta forma Amauri Mascaro do Nascimento(3) conceitua Direito Sindical como sendo “ramo do Direito do Trabalho que estuda os sindicatos.cognitiojuris. Assim. com vista aos sujeitos do direito coletivo.html>. 2014. Gustavo Filipe Barbosa. Ano II. Curso de Direito do Trabalho. (2) RUPRECHT. 2012)(5). da negociação e da convenção coletiva do trabalho. Octávio Bueno. em uma determinada base territorial. Direito do trabalho. as demais organizações sindicais. A relação coletiva de trabalho para parte dos doutrinadores é adotado a denominação Direito Coletivo do Trabalho. 39ª ed. 2013. por enfocarem a estrutura e as relações do ramo jurídico a que se reportam. para Maurício Godinho Delgado (1)“as denominações objetivistas tendem a ser superiores. NETO. Ed. João Pessoa. Francisco Ferreira Jorge. A denominação Direito Coletivo do Trabalho tem caráter objetivista. como as relações coletivas de trabalho não se restringem aos entes sindicais. ao invés de apenas indicarem um de seus sujeitos atuantes”. São Paulo: Atlas. (4) MAGANO. Compêndio de direito sindical. Silvana Maria de Oliveira Prince. os conflitos coletivos de trabalho e suas formas de solução. LTr. a apenas um ente sindical representativo de determinada categoria profissional ou de certa atividade econômica. parte da doutrina prefere denominar a matéria como Direito Coletivo do Trabalho. as convenções coletivas e a greve”. dos conflitos coletivos do trabalho e dos mecanismos de solução dos mesmos conflitos”. Naquela. Disponível em: <http:// www. São Paulo. Munhoz Maia Estudantes de Direito na Instituição de Direito de Sorocaba — FADI A doutrina costuma distinguir o Direito do Trabalho em basicamente dois tipos de relações: a individual e a coletiva. Número 5. Cognitio Juris. 2012. 13ª ed. No entanto. (2) A denominação Direito Sindical tem caráter subjetivo. 7ª ed. agosto 2012. Rio de Janeiro: Forense. Amauri Mascaro.com/artigos/05/08. RODRIGUES. Alfredo J. 2014. no Nesta mesma linha. as entidades sindicais. A partir do exposto definimos Direito Coletivo do Trabalho como o segmento do Direito do Trabalho que regula a organização sindical. já para outros Direito sindical. diz respeito ao contrato individual de trabalho entre empregado e empregador e seus interesses individuais. Editora LTr. CAVALCANTE. com destaque para as relações sociojurídicas dos grupos. Organização sindical — estrutura externa. Os Princípios do Direito do Trabalho. Octávio Bueno Magaconceitua “Direito Coletivo do Trabalho é a (4) (1) DELGADO. São Paulo: LTr. às subjetivistas.

garantir a atuação dos sindicatos e a de assegurar o direito de se filiar ou não a um sindicato. podendo desta forma ser considerada como pilar do direito sindical. mesmo sem apoio legal. a Constituição Federal de 1988. 98 de 1849. visto que a doutrina traz várias classificações permitindo aos sindicatos se dividirem em: sindicatos de categorias. primeiro país a garantir o direito de associação em 1919. com uma existência institucional. É importante ressaltar que o Brasil não ratificou a Convenção n. mas que se contradiz com a proibição de mais de um sindicato da categoria na mesma base territorial. sindicatos de categorias diferenciadas. 141 de 1975 e n. n. 8º. 8º que garante a liberdade sindical. Evolução histórica do sindicato Na Revolução Industrial. pois estabelece princípios e diretrizes da liberdade sindical. LTr . respectivamente. segundo o qual na mesma base territorial pode ser criados tantos sindicatos quantos os trabalhadores de uma categoria quiserem. sindicatos de categorias econômicas. n. Com a Revolução Francesa em 1789. durante o século XVIII. Além dessas classificações. e por fim na Alemanha. proibiam as corporações de ofício e ao mesmo tempo acabou por suprimir o direito de associação. porém essa unicidade não é absoluta. 8º. incisos I e V. garantia o direito ao homem de se organizar em sindicatos com a finalidade de proteger seus interesses comuns. Em alguns países. administrar sindicatos. e da livre associação sindical. tanto para a caracterização de outros sindicatos em razão das organizações monopolistas já constituídas como também o livre arbítrio de seu associado se filiar. que são os de empregadores. não mais se exigindo a prévia autorização do poder estatal para criação dos entes sindicais. Surgiu então primeiramente na Inglaterra 1824. com o desequilíbrio nas relações jurídico-econômicas entre o trabalho e capital. que são os de trabalhadores. sindicatos de trabalhadores autônomos e sindicatos de profissionais liberais. 87 da OIT. em vários dos seus dispositivos assegurou a liberdade sindical. mas como uma nova realidade. depois na França em 1884. sendo o principal deles a não intervenção ou interferência do Poder Público na organização sindical. de 1948. é possível ainda a dissociação ou desdobramento de categorias ecléticas — inte- Organização Internacional do Trabalho (OIT). podendo ser resumida em: fundar sindicatos. Concenção n. Outras Convenções foram criadas pela OIT para complementar. Alemanha e Itália. II da CF/88 e 516 da CLT é possível se verificar que o Brasil adotou o sistema da unicidade sindical — os sindicatos só podem representar uma categoria em determinada base territorial. a Constituição Federal de 1988 no mesmo art. por exemplo. no art. As péssimas condições de trabalho desta época. chegando a determinado ponto que este não poderia ser defeso em lei. da autonomia sindical (em uma das suas facetas). Documentos importantes no plano internacional como a Declaração Universal de Direitos do Homem. normatizada pelo liberalismo jurídico viciado pela desigualdade entre os trabalhadores e empregadores. Unicidade sindical A Constituição Federal de 1988 introduziu princípios do direito coletivo. por meio da Convenção n. Isto pode ser confirmado.cidade sindical o país não acompanhou a evolução do sindicalismo dos países democráticos. foi adotado o princípio da pluralidade sindical. por exemplo. 87 da OIT No entanto ao realizar a leitura dos arts. No Brasil. que são os trabalhadores de uma mesma profissão. com uma forma de buscar melhores condições de trabalho.Jornal do Congresso 83 . que tratam. é que se iniciou a consciência operaria de lutar em busca de seus interesses. 151 de 1978. 154 de 1981. foram fatores determinantes para o surgimento do sindicalismo. instituiu o princípio da liberdade sindical como condição sine qua non para uma efetiva melhoria nas condições dos trabalhadores. 87. Ao decorrer da história os sindicatos foram surgindo. extirpando a obrigatoriedade de o trabalhador filiar-se ou manter-se filiado a sindicato. entre elas as de n. como a França. mas uma liberdade limitada.

São Paulo: Atlas. A nosso sentir. conexas ou similares para que estas. 35ª ed. Direito do trabalho. no entanto permanece com um sistema de índole evidentemente autoritária. a qual. já que para nós concluímos que acima do princípio da liberdade sindical prevalece o princípio do interesse social dos trabalhadores. na realidade brasileira. 2014)(7). da pluralidade pode derivar a unidade sindical. LTr . (7) NASCIMENTO. 2012. por livre escolha dos seus integrantes. num primeiro momento. ao passo que os sindicatos. ao se fazer uma comparação entre as duas modalidades existentes. por conta das próprias circunstâncias. 2014. que é ser possível ou não do modelo da unicidade sindical. Compêndio de direito sindical. para deixar de vez esse modelo corporativista sindical (ou semicorporativista) que inibe qualquer possibilidade de desenvolvimento da representação e participação dos trabalhadores na gestão das empresas. Já a pluralidade sindical não há limitação na criação dos órgãos sindicais. O ideal seria o Brasil ratificar de vez a Convenção n. não pode ser inferior a um município. restringindo-os a um único ente sindical por categoria profissional ou por atividade econômica em determinada base territorial. A tendência seria. depreende-se que a unicidade sindical termina por tolher a tão almejada liberdade sindical. cada um poderia constituir o sindicato que quisesse. Sergio Pinto Martins(8) é um dos defensores da pluralidade sindical e conclui que “Com a pluralidade sindical. São Paulo: LTr. acabam por se tornarem um sindicato uno. Amauri Mascaro. 7ª ed. visto que os sindicatos tem por objetivo defender os interesses de seus representados. A nosso sentir. Esse meio de dissociação de sindicatos funciona como uma alternativa para a pluralidade sindical e se for reelaborado em alguns pontos talvez possa compatibilizar nosso ordenamento jurídico com a liberdade sindical preconizada pela OIT. a criação de muitos sindicatos.Jornal do Congresso . já alcançada por muitos países que adotaram o pluralismo sindical. (8) MARTINS. destacando-se.” Conclusão O estudo da liberdade sindical no Brasil esbarra em uma questão relativamente complexa. pois sozinhos não teriam condições de reivindicar melhores condições de trabalho. Sergio Pinto. Posteriormente. 87 da OIT ao invés de garantir uma liberdade mascarada. Os sindicatos devem ser criados por profissão ou por atividade do empregador. passem a ser categorias específicas (NASCIMENTO. porém livremente. 84 Como visto a unicidade sindical proíbe a livre criação de sindicatos. podendo estes ser livremente instituídos. as pessoas iriam perceber que muitos sindicatos não têm poder de pressão e iriam começar a se agrupar.gradas por atividades principais. o Brasil. É o modelo escolhido pela maior parte dos países democráticos.

utilizando este elemento da racionalização da produção para fortificar a resistência coletiva. Para tanto. De acordo com o historiador E. 87 da OIT. calcada na elevação progressiva do consumo — e. se esboçará o desenvolvimento histórico do movimento sindical e. inclusive na representação sindical. o sindicalismo moderno. se desenvolve em uma relação de mimetismo com o próprio capital. o capital. 1. 2. o sindicalismo busca impedir que o capital imponha sua forma de organizar o trabalho. Especialista em Direito Material e Processual do Trabalho pela Faculdade Pitágoras. propiciando a consolidação de um movimento sindical que não mais contesta o sistema capitalista industrial. o movimento de mimetismo também pode ser observado na própria organização do espaço produtivo. especialmente após o término da segunda guerra mundial. no início do século XIX. os luddistas do norte da Inglaterra. posteriormente. promovendo uma política macroeconômica keynesiana. Mestre e Doutoranda em Direito do Trabalho. em um primeiro momento. com o cartismo. Introdução O intuito do presente estudo é analisar a possibilidade de adoção da Convenção n. inicialmente. aceitar tais formas de estruturação do processo produtivo e dela retirar elementos para fortalecer sua resistência. em sua múltiplas esferas. a partir da compreensão da necessidade de reaquisição de legitimidade social das entidades sindicais profissionais. 2002a. observa-se que.A ORGANIZAÇÃO SINDICAL. dos lucros — por meio da distribuição de renda propiciada pela edificação de direitos sociais. O movimento sindical imita o capital e vice-versa Segundo Márcio Túlio Viana (1999). Quando. Tal aceitação — pelos trabalhadores — da forma de organização da produção se aprofunda ao longo do século XX. o declínio do método cartesiano e a necessidade de emergência das singularidades. Thompson (2004. O PLURALISMO E A NECESSIDADE DE EMERGÊNCIA DAS SINGULARIDADES Maíra Neiva Gomes Coordenadora do Departamento Jurídico e Coordenadora Pedagógica do Programa de Formação Política Permanente Ignácio Hernandez do Sindicato dos Metalúrgicos de Belo Horizonte. a reorganização produtiva se desenvolveu absorvendo bandeiras do próprio movimento que contestava. Ao se analisar o desenvolvimento histórico do movimento sindical. 2002b). a organização da resistência coletiva dos trabalhadores absorve elementos da própria organização da produção e vice-versa. em um segundo momento.P. que aceita a reunião de trabalhadores subordinados em um mesmo espaço físico. com destaque para o próprio Direito do Trabalho. Contagem e Região. para. Pacto implícito entre capital. A CONVENÇÃO 87 DA OIT. Mas que exige a construção de direitos trabalhistas como forma de impor limites à exploração do trabalho. ocorreu a primeira fissura do “pacto fordista”. trabalho e Estado. onde este último media interesses das classes que se opõe. No entanto. É assim que se consolida o “pacto fordista”. O pós-fordismo incorporou noções de igualdade e liberdade que se revelaram como fortes anseios dos trabalhadores e seus filhos. Ou seja. Professora das Faculdades Milton Campos (graduação). Modernidade e Democracia pela PUC Minas. LTr . ao longo de sua história. na década de 1960/1970. tentaram impedir a implantação do sistema fabril de produção — ainda incipiente naquela época — buscando preservar sua condição de artesãos livres. consequentemente. 85 .Jornal do Congresso O momento posterior do sindicalismo inglês se desenvolve ainda no século XIX.

quanto espaço produtivo não são desconectados da realidade social. ainda no século XVII. As elaborações anteriores — tanto do movimento sindical. o que Descartes denominava de etapa indutiva. Ou seja. que divide a classe trabalhadora em categorias. hoje esteja em declínio. inicia-se o processo dedutivo de síntese. Mas onde se encaixa a Convenção n. tanto sindicato. na fragilidade dos sindicatos. É nesse contexto cultural que a normatização sindical se desenvolve no Brasil — e no mundo — na primeira metade do século XX. 87 da OIT nesse contexto? Ora. substituída pelo termo “colaborador” e outros similares. de forma a (1) A eliminação da palavra empregado. em um primeiro momento. a adoção de um modelo de ampla liberdade sindical.Jornal do Congresso . a reinvenção do sindicalismo — que é marca constante de seu desenvolvimento LTr . inclusive na representação. conforme se pretende demonstrar no item posterior. quanto da organização do capital — partiram de uma compreensão da própria sociedade que. muitas vezes. pois o “pacto fordista”. O espaço produtivo — pelo menos no que diz respeito às aparências iniciais(1) — se mostrou mais heterogêneo. A premissa é da construção de unidades sólidas. menos hierarquizado.agora ingressos na Universidade nos países do capitalismo central. a realização de reuniões periódicas para discutir problemas e soluções do processo produtivo criaram o simbolismo de maior igualdade e liberdade no espaço produtivo. A partir da “revelação” da verdade das partes do objeto. talvez. No entanto. O declínio do pensamento cartesiano e a necessária emergência das singularidades O pensamento científico tende a reproduzir elementos da própria cultura social. mais claros. No entanto. homoafetivos. entre os trabalhadores existe sim diferenças relevantes. calcado no pluralismo de ideias e na possibilidade de emergência das singularidades representadas implique. ela reconhece o direito elementar da democracia no novo milênio. quando as singulares requerem reconhecimento. Bem como da necessidade do Estado de controlar o movimento sindical. ela parte do princípio de que existem sim divergências no todo considerado homogêneo. garantindo-se assim a universalidade das “verdades” científicas. começam a eclodir singularidades. No método de analise sugerido por Descartes (2000). excluía singularidades relevantes e acabava por justificar opressões aos negros. o método científico consistia na decomposição do todo em elementos mais simples e evidentes que seriam. 4. É preciso sim reconhecer as diferenças. procedendo a ordenação das proposições obtidas na primeira fase do processo de conhecimento. mulheres. Mas mais do que isso. As contestações que emergem a partir da década de 1960 tocam justamente na inviabilidade de não se observar as opressões que se desenvolvem no seio social. Mas é ainda assim que hoje se vê a sociedade? Na segunda metade do século XX. divididas de forma estanque e compartimentada. entre outros grupos sociais minoritários. É dessa ideia que nasce a teoria do sindicato único. Considerações finais Talvez. essas novas técnicas de gestão de mão-de-obra vem recrudescendo o poder diretivo que se interioriza na alma dos trabalhadores e passa também a ser exercido por eles mesmos. tal como era a sociedade pela qual clamavam os movimentos contestatórios das décadas de 60/70. a designação de líderes de equipes pelos próprios trabalhadores. portanto. Ou seja. No decorrer dos séculos XIX e XX havia uma crença no progresso ininterrupto da ciência e da própria tecnologia humana. No entanto. de reconstrução do todo. assegurando-se que todas as singularidades se manifestem. Mais do que isso. 3. homogêneas. Isso porque tudo que é novo causa estranheza e dificuldades de adaptação. a reflexão se dá a partir da observação e compreensão da relação de dependência entre os objetos. 86 assegurar a homogeneidade e continuidade do encadeamento das razões. o método de analise científica e das demais áreas do pensamento humano se dava a partir das premissas de homogeneidade compartimentada cartesiana.

249-275. justrabalhista a alcançar esse2002b. José Eduardo Faria(4)sentação. 2. v. 3. cação subsidiária do art. LXXVIII. 598 p. José Eduardo.natureza alimentar — um pro2002a. como.devem Era dos extremos: o breve dade a todos os subsistemas. de P. ed.Jornal do Congresso LTr .). destacados 1996. O direito. 456 acima. pelo Poder 29 Judiciário. a argumentação torna-se mais consistente quando analisada a luz Referências bibliográficas da principiologia constitucional. principalmente. LTr . 11. THOMPSON. São Paulo: do novo são um meio 1. Ordem legal X Mudança social: a crise do judiciário e a formação do magistrado. dos trabalhadores com sua instituição de repreSob o prisma desse princípio. cesso (art. 204 p. 101-102. A aplicação subsidiária do art. número 7. São Paulo: Compapretações cos dadas à legislação devem concretizar o espírito dos comandos constitucionais. 2000. São Paulo: Ática. São Paulo: Escala. ed. um A formação da classe ope- O intérprete não devede seAdão. Processo Civil. 3. pode ajudar a processualística neiro: Paz e Terra. fundamental a todos os brasileiros (art. Rio de Jaonais de justrabalhistas. de ed. 475-J do Código de Processo paradaseu fortalecimento. CF) e nos princípios constituciDenise Bottmann. Rio de jurisdicionado-hipossufienJaneiro: Paz e Terra. Discurso do método. Rio de Janeiro: tas. p. 1997. p. (4) FARIA. Revista do que Tribunal Reos Magistrados os Advogados para a sociedade nuncagional perca ado esperança que seus direitos tuteTrabalhodeda 3ªterá Região. 1. Direito Processual do Trabalho: Denise Bottmann. 1999. René. Márcio Túlio. 2007. do prorária: a força dos trabalhadores. Nesse viés quaisquer interSantarrita. THOMPSON. por exemplo. infraconstitucional ed. Civil já é admitida por inúmeros autores.oferecer ao seu te e credor de 347 bens p. 5º. a química e a tornar-se um objetivo comum principalmente dentre realidade esindical. 45/04. pela qual se assegurou a razoável duração do processo como direito DESCARTES. jan. nhia das Letras. Luis Fernando Silva de. o Diséculo XX — 1914 — 1991. 4. CF). p. MárciodeTúlio. José Eduardo (Org. Cláudia Rocha de Almeicorporação novos O Processo do Traed. 2. Direito e Justiça: a Função Social do Judiciário. Enfim. Trad. 2004. balho da. Numa interpretação pós-positivista do processo. desiderato. mas já E. v. A formação da classe ope-no 475-J do Código E. Reforma e efetividade. ressalta que “cabe a uma magistratura com um co- nhecimento multidisciplinar e poderes decisórios ampliaAbarcando diversos discursos e reivindicados à responsabilidade de reformular a partir das próprias ções. P. LTR — nidade um de maior efetividade no cumprimento das sentenças trabalhisIn: Revista CHAVES. 1. Trad.uma valorizando mais as questões — podedo propiciar maior identificação social de justiça do que os problemas de legalidade. São Paulo: LTr. 41-51. Paz e Terra./jun. p. onde as singularidades encontram espaços contradições sociais os conceitos fechados e tipificantes dos sistemas legais vigentes”. Ano 67. de Marreito Processual do Trabalho.232/2005: Oporturária: a árvore da liberdade. concretização dos princípios LTR.tível com o novo dispositivo do Código de Processo Civil como é justificador de sua aplicação subsidiária. P. 440 p. fundamentada princípio constitucional da razoável duração Trad. Eric J. legislação do trabalho. THOMPSON. 1995. Márcio Túlio. jul. para se manifestarem.VIANA. será passo adiante. (59). 775-790. Terceirização e sindicato: CARVALHO. o que aé aplicabiessencial lidade multa do art. In: FARIA. o sindicato pode voltar a Se numa análise infraconstitucional adquirir legitimidade social. 79 p. 5º. A formação da classe ope. p. Belo Holados rizonte. LXXVIII. inerte de diante rária: a maldição Re-da letargia dos legisladores e diante dos percalços da innato de Neto e procedimentos. cesso mais ágil e eficaz(5). Direitodedelacunas. 475-J do Código de Processo Civil no Processo do Trabalho não será a solução para todos os problemas de concretização dos direitos trabalhistas. os princípios constitucionais irradiar sua aplicabiliHOBSBAWM. São Paulo. O método colmatação a identifiVIANA. de (5) enfoque para além do jurídico. dev.Jornal do Congresso 97 87 . Lei n. deve4. 2003. resistência — cação da omissão celetista e a percepção da coerência possibilidades de autodefesa do empregado dos princípios do Processo do Trabalho com a redação emdispositivo face do empregador. Luciano Athayde. após a Emenda Constitucional n. quedarTrad. a busca da verdadeira efetividade deve VIANA. ed. Tal princípio pressupõe uma visão social do sistema processual trabalho. E.

que estendeu diversos direitos trabalhistas aos empregados domésticos. trazendo a Emenda n. 2013. compensação da jornada. devem ser utilizadas analogicamente as regras da CLT. assegurando à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos previstos em diversos incisos. intervalos Interjornada e intrajornada.p. c) a prestação de serviço para pessoa física ou família. LTr . as regras para adoção de controle de jornada de trabalho. Nesse contexto. caso ultrapassado tal limite. quando pleiteadas as horas extraordinárias em juízo. 7º da Constituição Federal. Assim. Dessa forma. (1) Direito do Trabalho. discute-se de quem seria o ônus de provar sua ocorrência. C.Jornal do Congresso . Somente com a presença desses requisitos uma relação pode ser considerada como doméstica. etc. muitos questionamentos surgiram quanto à aplicação dos mesmos à realidade desses trabalhadores. até que a lei específica discipline a questão. Vólia Bomfim Cassar(1) define os requisitos para que uma relação seja considerada de trabalho doméstico. Tendo em vista essa relação ocorrer no âmbito residencial e se tratar de situação de trabalho muito peculiar. Ao longo dos anos. Levando em consideração o conceito legal. eis que dependem de regulamentação. entre eles o que prevê a duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais. facultada a compensação de horários e a redução da jornada. de 11 de dezembro de 1972. 5859. 338. 72/2013. 72 quase a igualdade de direitos com os demais trabalhadores. Diante das peculiaridades da relação de trabalho doméstica. Para que esse direito tenha a plena eficácia pretendida pela Constituição. Referida Emenda Constitucional alterou o parágrafo único do art. alguns direitos ora reconhecidos geraram diversas discussões. São Paulo: Método. um dos temas mais discutidos é a jornada do trabalho. a partir da promulgação da emenda. razão pela qual faz-se necessário um estudo pormenorizado do tema. 88 A Lei n. em especial quanto a seu controle e como se dará a aplicação do ônus da prova quando pleiteadas horas extras em juízo. como as regras para horas in itinere.6º Painel A quem incumbirá o ônus da prova da jornada cumprida em processos em que a litiguem o doméstico e seu empregador? Camila S. aplica-se no que for compatível o capítulo da “duração do trabalho”. tais sejam. a) o enquadramento do trabalhador como doméstico. mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. o empregado doméstico passou da completa marginalização ao reconhecimento de alguns direitos. Joaquim Especialista em Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho Com o advento da Emenda Constitucional n. b) a continuidade. os empregados domésticos passaram a ter direito à limitação da jornada de trabalho e consequentemente ao recebimento de horas extras. como é o caso da jornada de trabalho. 8ª edição. define como trabalhador doméstico aquele que presta serviços de natureza contínua e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família no âmbito residencial destas. e) a atividade de natureza não-lucrativa e d) o âmbito residencial. Não se aplicam as regras do horário noturno e seu adicional. limites de atraso.

LTr . na prática têm-se realizado o emprego subsidiário da CLT nessas relações. em situações excepcionais. embora a CLT afaste a aplicação de seus dispositivos aos domésticos. Tal hipótese ocorrerá sempre que o réu negar os fatos constitutivos do direito do autor com base em uma afirmativa. é importante destacar que o Projeto de Lei n. Quanto à primeira situação. necessários para o convencimento do juiz. não haverá necessidade de socorrer-se das regras sobre o ônus da prova. quanto à existência de fato impeditivo. atribuído a uma das partes. A primeira delas prevê que. caso isso ocorra. modificativo ou extintivo do direito do autor. II — ao réu. Insta salientar que. se o juiz concluiu a instrução e formou seu convencimento sobre os fatos. ao prever que este incumbe: I — ao autor. sendo o ônus da prova do autor. 333 do Código de Processo Civil sintetiza o ônus da prova. em regra. Por sua vez. Nesse sentido. sendo ônus do empregador que conta com mais de 10 (dez) empregados o registro da jornada de trabalho na forma do art. de demonstrar a existência ou inexistência daqueles fatos controvertidos no processo. A inversão do ônus da prova tem sido admitida na seara trabalhista. portanto. 74. uma vez adotado o controle. que passa a ser do empregador. Moacyr Amaral Santos. a aplicação prática dos novos direitos vem causando muitas dúvidas. porém em casos onde a realização da instrução não for suficiente para tanto. mesmo ao apresentar defesa de mérito direta. entretanto. O princípio é consagrado no Código de Defesa do Consumidor. o art.Jornal do Congresso A segunda determina que os cartões de ponto que demonstram horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de prova. ou indeterminada”. Cabe ressaltar que. 6º. O art. prevalecendo a jornada da inicial se dele não se desincumbir. ponto que atrai a aplicação analógica ao direito do trabalho. ou seja. a regra contida nos dispositivos acima mencionados prevalecerá. tendo em vista a omissão legislativa e a necessidade de dar-se aplicabilidade imediata aos dispositivos constitucionais. VIII. 224/2013.Por se tratar de significativa mudança no regramento legal anterior. invertendo-se o ônus para o empregador. 362. sua ocorrência não é muito comum na relação de trabalho doméstico. a fim de solucionar as questões levadas a juízo. 818 da CLT determina que a prova das alegações incumbe à parte que as fizer. Porém. São Paulo: Saraiva. devendo. ocorrerá a inversão do ônus da prova. (2) Primeiras Linhas de Direito Processual Civil. “fazer a contraprova ou prova contrária”. ao sentenciar o juiz verificará a quem cabia o encargo de prová-los. em seu art. quanto ao fato constitutivo do seu direito. relativo às horas extras. os mesmos tem que ser idôneos e caso apresentem horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de prova. adverte que há casos pelos quais o réu. pois se trata de fato constitutivo de seu direito. a jurisprudência estabeleceu duas situações onde haverá presunção relativa de veracidade das alegações do autor. que tem como pressuposto a hipossuficiência do trabalhador. que traz como requisitos a verossimilhança da alegação ou quando ele for hipossuficiente. a única hipótese em que o réu fica desincumbido de qualquer ônus da prova ocorre quando apresentar defesa de mérito direta por “negativa absoluta. muitas delas concentrando-se no campo processual. 338 do Tribunal Superior do Trabalho. p. em especial quando se trata do ônus de comprovar eventuais horas extraordinárias. As situações que permitem a inversão do ônus da prova quando se trata de horas extras estão previstas na Súmula n. eis que apenas poucas famílias têm a possibilidade de contar com mais de 10 (dez) empregados em sua residência. o registro da jornada é obrigatório e a não apresentação desses culminará na inversão do ônus da prova para o empregador. 2008. Porém.(2) Em relação às horas extras. invertendo-se o ônus da prova. da CLT. atrairá o ônus da prova. que tramita perante do Congresso Nacional. O ônus da prova pode ser definido como o encargo. prevê em seu texto que o registro da jornada de trabalho do emprega89 . a não apresentação injustificada dos controles de frequência gera presunção relativa de veracidade da jornada de trabalho. § 2º. No segundo caso. a qual pode ser elidida por prova em contrário. Por este raciocínio.

A Emenda Constitucional n. sempre ressaltando-se as características especiais da relação de trabalho doméstico. Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade de Campinas e Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes. trouxe. embora a Emenda Constitucional n. De qualquer forma. conhecida como “Reforma do Poder Judiciário”. que certamente é a novidade que mais gera dúvidas. A prova no Processo do Trabalho.2004. publicada no DOU de 31. Analista Judiciário – Área Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região.2004. para que tenha plena efetividade é necessária sua regulamentação infra legal. Direito do Trabalho. eis que uma vez obrigatório o registro.12. Vólia Bomfim. 1999. 45. 2013.do doméstico será obrigatório e poderá ser feito manual (folhas de ponto). Assim. evitando-se a oneração excessiva de alguma das partes. ALCANCE DA EXPRESSÃO “OUTRAS CONTROVÉRSIAS DECORRENTES DA RELAÇÃO DE TRABALHO”. dentre outros avanços — como a con90 sagração do princípio da razoável duração do processo e meios que garantam a sua celeridade enquanto direito fundamental e pétreo dos indivíduos. Bibliografia CASSAR. São Paulo: LTR. em especial quanto à jor- nada de trabalho. razão pela qual as regras quanto ao ônus da prova devem ser aplicadas de forma cautelosa. Curso de Direito Processual do Trabalho. de 30. será alterada a dinâmica existente atualmente. muitas vezes o empregador também pode ser considerado hipossuficiente e se colocar em pé de igualdade com o empregado. Francisco Antonio de. mecânica (relógio de ponto) ou eletronicamente. INSERTA NO INCISO IX DO ART.12. Primeiras Linhas de Direito Processual Civil. Carlos Henrique Bezerra. o ônus da prova automaticamente passará ao empregador. São Paulo: Método. São Paulo: Saraiva. é importante lembrar que nas relações de trabalho doméstico. 2008.Jornal do Congresso . SANTOS. caso aprovado tal dispositivo. atualmente exerce o cargo em comissão de Assessor Jurídico-Administrativo. OLIVEIRA. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. especialmente no âmbito processual. 2012. 72/2023 represente grande inovação nos direitos concedidos aos domésticos no Brasil. Professor de Direito nas Faculdades Integradas Ipiranga e na Famaz – Faculdade Metropolitana da Amazônia. Ou seja. LEITE. de eficácia social plena e aplicação imeLTr . Moacyr Amaral. as regras relativas ao ônus da prova devem ser adotadas com cuidado pelos magistrados. enquanto não regulamentada definitivamente a questão. 10ª ed. Ante tais fatos. 114 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL Igor Zwicker Martins Bacharel em Direito e Especialista em Gestão de Serviços Públicos pela Universidade da Amazônia. 8ª ed.

como se sinônimos fossem. 643. embora soe contraditório e paradoxal tratar da Emenda Constitucional n. por sua vez.395-MC/DF. 114 da CF para percebermos que a interpretação que se dá à expressão “outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho”. Isso porque. ainda que. gradativamente.889/73). FAVA. da CLT).2006. basta analisarmos. corretas. nesses quase dez anos. Ora. LTr . e que já deveriam formar jurisprudência iterativa. a substancial ampliação da competência material da Justiça Especializada do Trabalho. 652. ao longo desses anos. justamente por serem decisões. 3. não alcançou a amplitude pretendida pelo Poder Constituinte Derivado de 2004. como bem ressalta Vicente José Malheiros da Fonseca(1).diata (art. a competência material da Justiça do Trabalho já vinha sendo alargada. então o inciso IX não teria razão de existir. por maioria. LXXVIII. não decorram quaisquer das hipóteses trazidas nos incisos I a VIII do art. limitava-se — sem razão de ser — ao vínculo empregatício. mas que têm se revelado minoritárias e excepcionais. o próprio Judiciário Trabalhista foi tímido. que dão a perfeita amplitude ao inciso IX do art. 45 e de seus impactos na competência material da Justiça do Trabalho como um tema atual. concluiu pela competência da Justiça do Trabalho para apreciar pedido de um motorista que denunciou ter sido incluído em “lista suja” por empresa que sequer foi sua empregadora. (1) FONSECA. que a Constituição contém palavras inúteis.12. posteriormente ratificada pelo Plenário. a saber: as causas de interesse de pequenos empreiteiros (art. a 3ª Turma do TST. Com efeito.). In: COUTINHO. ainda. não eventualidade. § 3º. justamente pelos quase dez anos passados de sua publicação no DOU. 17 da Lei n. que têm nos causado esse inconformismo. Se fosse para o inciso IX ter o mesmo vigor interpretativo do inciso I. da causa de pedir remota — os fatos trazidos em juízo — não decorra necessariamente uma relação de trabalho ou. no fundo. às relações de trabalho na qual estivessem necessariamente presentes — cumulativamente — os pressupostos da relação de emprego: pessoalidade. na interpretação que fez da referida Emenda — e Direito nada mais é que interpretação. diariamente.2. de trabalhadores rurais não sujeitos a vínculo empregatício (art. Justiça do Trabalho – nova competência. incluindo-se suas lides conexas. seria admitir que a lei contém palavras inúteis — aliás. entendemos que são toda e qualquer controvérsia que envolva relações de trabalho. Nova competência da Justiça do Trabalho. 5º. como pretendeu o Poder Constituinte Derivado de 2004. à exceção dos servidores públicos. a. “que é motorista de carreta e que a re91 . a nosso ver. para além do julgamento das ações que abrangem apenas conflitos oriundos das relações de emprego. 5. 114 da CF. jogou pá de cal na cizânia para consagrar a competência material da Justiça do Trabalho para todas as relações de trabalho. Entretanto. isto é. 643 da CLT) e de trabalhadores portuários e os operadores portuários ou o OGMO — Órgão Gestor de Mão de Obra decorrentes da relação de trabalho (art. Outrossim. trazemos alguns exemplos práticos. combinadamente. os incisos I e IX do art. por força da decisão liminar proferida pelo STF na ADI n. na petição inicial. III. Grijalbo Fernandes. consoante voto da relatoria do Ministro Cezar Peluso. Isso porque o próprio inciso I já diz isso. Marcos Neves (coords. São Paulo: LTr. atual e notória. nossa competência material. em acréscimo às relações de emprego. Vicente José Malheiros da. de trabalhadores avulsos e seus tomadores de serviços (art. Quando a CF tratou de “outras controvérsias” decorrentes das relações de trabalho. isto é.Jornal do Congresso E pensamos dessa forma em decorrência do hábito que temos de ler. indicasse que a competência material da Justiça do Trabalho seria ampliada para “outras relações de trabalho”.4. da CF) —. taxativamente: “as ações oriundas das relações de trabalho”. 45. o reclamante alegou. No caso concreto. e ter a oportunidade de constatar que decisões de vanguarda. inserta no inciso IX. Com efeito. a jurisprudência do TST e de tribunais regionais trabalhistas. em 5. anterior a 31. se o inciso IX se referisse apenas a “relações de trabalho”. 2005.2004. Em 5. 114. foram poucas. A Emenda Constitucional n.2014. A título ilustrativo. vinculados ao Poder Público por relação jurídico-estatutária. onerosidade e subordinação jurídica. da CLT). o tema ainda se revela atual.

O Relator do recurso do trabalhador. que prejudicou direitos de um trabalhador. Registro que não há prova alguma nos autos de que o autor tenha tentado manter vínculo de emprego com a ré. pois a reclamada vem fornecendo informações negativas. em 14. em razão de sua atuação. LTr . para. por conseguinte. CF). 114. recentemente. uma vez que a ré é uma empresa que assessora empresas outras que necessitam de transporte. 45/2004 (art. tanto o Juízo da Vara Cível quanto o Juízo da Vara do Trabalho suscitaram sua incompetência material. os fatos alegados na inicial dizem respeito a supostos atos praticados em juízo e a consectários desses na esfera extrajudicial. isto é. os quais configurariam conduta deficiente e danosa praticada pelo sindicato requerido ao representar o trabalhador. Naquela ação. (. a empresa-ré não mantém qualquer ligação direta com o autor. porquanto a ação movida pelo trabalhador faz referências a temas notadamente de direito trabalhista e processual trabalhista. o impedem de trabalhar”.) O fulcro da lide. de acordo com o contrato que firmam.2014. o Juízo declarou a competência material da Justiça do Trabalho. 92 circunstâncias que enquadram. que. abrange as relações de emprego e também as de trabalho. que em tudo recomenda que a apreciação seja feita pela própria Justiça Laboral”. concluir: “Todavia. sendo seu relacionamento vinculado ao setor de transporte das empresas que possivelmente contratariam os serviços do autor. sendo o caso sob exame bastante ilustrativo.. vem sendo impedido de prestar serviços desde maio de 2006. ao final. Assim sendo. são as consequências oriundas de informações prestadas para possível empregador (relações de trabalho). 5º. favoráveis à declaração da competência material da Justiça Comum Estadual. a competência da Justiça do Trabalho. gerando o citado conflito. pois fora dos limites impostos pelo art. com referência negativa no sentido de “não recomendado/com restrição”. com suas lides conexas (art. citando interessante conflito negativo de competência julgado pela 2ª Seção do STJ: o CC n. sobre processo no qual um sindicato foi condenado por incúria. O juízo obreiro terá melhor e mais adequada compreensão para avaliar as condutas imputadas ao réu e suas consequências para o trabalhador.(2) (2) Sem destaques no original. o litígio nos marcos da competência da Justiça do Trabalho. portanto. 114. com base nessas informações. se o fez foi em relação à empresas que não fazem parte da lide. restringia-se à competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar lide na qual a causa de pedir remota era a inclusão do nome do empregado em “lista de risco”. I.. Segundo decisão da Corte Regional. Desse modo. Nesse contexto. XIII.Jornal do Congresso . E que interessante: o Relator. e que. ampliada pela EC n. 124. E conclui o eminente Ministro: Como se vê. esse entendimento merece ser reavaliado. inapelavelmente. alegando não se tratar nem de lide decorrente de relação de trabalho/emprego nem tampouco relativa a conflito de representação sindical. CF). dada a causa de pedir da ação indenizatória. esta Justiça Especial não é a competente para apreciar e julgar a presente ação.4.clamada é seguradora de centenas de empresas que utilizam o transporte de cargas. Ministro Mauricio Godinho Delgado. foi divulgado julgado do egrégio TRT da 3ª Região. A controvérsia. Ministro Raul Araújo. data maxima venia. fornecendo dados e informações sobre os prestadores de serviços. Naquela decisão. tendo como substrato a reclamação trabalhista na qual os supostos acordos lesivos teriam sido firmados e homologados. Do que se viu. traz em seu voto inúmeros julgados contrários ao seu entendimento. impondo ao trabalhador restrições de acesso ao mercado de trabalho (art. em seu Portal de Notícias. não há entre o autor e a ré relação de trabalho. Por outro lado. Naquele caso. 114 da Constituição Federal. o sindicato suscitou a incompetência material da Justiça do Trabalho.930/MG. acertadamente assim consignou: Embora não empregatício o vínculo entre as partes (fato incontroverso). somente a Justiça Especializada terá plenas condições de avaliar a procedência de tais alegações formuladas pelo autor contra o sindicato réu. naquele momento. CF). I a IX.

É hora de imprimirmos a tal inciso o alcance que quis dar o Poder Constituin- te Derivado. Entendemos que esta modalidade de dano não advenha da doutrina do mínimo existencial do Direito Alemão. quando o inciso IX trata de “outras controvérsias” decorrentes das relações de trabalho. 83. uma renúncia de forma involuntária às atividades cotidianas. incluindo-se as suas lides conexas. privação da convivência com os amigos. inclusive pelos próprios órgãos da Justiça do Trabalho. cultura etc. 41-49. Krell. 114 da CF. LTr . de 2004. da causa de pedir remota. não decorram quaisquer das hipóteses previstas nos incisos I a VIII do art. aqui o que se resguarda é um plano maior. com respaldo no art. Especialista em Direito Constitucional/UFAL e em Direito Público/CESMAC. ainda que. Doutoranda em Direitos Fundamentais —Universidade Castilla-La Mancha. culturais e abrange todo acontecimento que incida de forma negativa sobre os afazeres da pessoa. (1) Andreas J. na qual os acordos foram firmados. 77. para entendermos que. Daniel Sarmento e Fábio Rodrigues Gomes. NÃO CONCESSÃO DE FÉRIAS — HORAS EXTRAS — DANO EXISTENCIAL Anne Helena Fischer Inojosa Juíza Titular de Vara do Trabalho/TRT19. que ultrapassa o mínimo. v. aí compreendendo-se o convívio familiar. Graduando em Ciências Sociais/UFAL O dano existencial provém do direito italiano e é uma faceta dos danos imateriais tendo passado a ser uma figura indenizável. não quer dizer “relações de trabalho”. Especialista em Direito do Trabalho/UFPE e em Direito Público/ESMAPE André Luiz Ferreira Santos Analista Judiciário (Área Direito)/TRT19. os objetivos de importância vital para a realização 93 . a demanda agitada pelo promovente será adequadamente conhecida e julgada. nas relações familiares. pois isso já foi dito no inciso I do mesmo art. e a vertente relativa às metas. O dano existencial engloba duas vertentes: a privação da vida social do empregado. Espanha. VI e IX. Revista do TST. Como se vê. “Outras controvérsias” equivalem a toda e qualquer controvérsia que envolva relações de trabalho. Direitos Sociais e Controle Judicial no Brasil e na Alemanha. 114 da CF. afetivas. 114. conforme ensina o professor Andreas Krell(1). a mesma que antes conheceu e julgou a lide original. sociais.Somente no âmbito da Justiça Laboral. é a “vida das relações”. A eficácia dos direitos fundamentais nas relações entre particulares: o caso das relações de trabalho. da Constituição Federal. a falta de se desenvolver uma atividade que dê prazer e realização.Jornal do Congresso O dano existencial representa uma alteração substancial. apud. p. ainda é muito tímida a interpretação que se dá ao inciso IX do art. que visa garantir as prestações materiais básicas. passível de repercutir de forma permanente ou temporária sobre a sua existência. aquelas necessárias para uma vida digna. p. 114.

por si só.2013. já tendo atingido o seu projeto de vida. Dentre essas práticas a cobrança de trabalho em sobrejornada. Em interessante julgado do 10º Regional Trabalhista. há punições específicas para tais infrações. a demonstração objetiva de um prejuízo concreto. clara e sem dúvidas do prejuízo sofrido pelo empregado e o nexo de causalidade pois as condutas ilícitas do empregador (horas extras e falta de concessão de férias).2012. sobretudo no âmbito familiar(2). assim como o pagamento com o acréscimo de 50%. j.10. tal dano decorre de atitudes patronais que impossibilitem o empregado dessa convivência familiar e social. deve se utilizar do juízo de ponderação a fim de não banalizar mais um instituto de responsabilidade civil.5. entretanto este segundo. para a sua verificação. como bom hermeneuta. assessora do presidente da corporação reclamada. assim como também que o impeçam a dar continuidade aos seus projetos de vida e profissionais como a continuação dos estudos e aperfeiçoamento profissional que lhe tragam assim também o desenvolvimento pessoal.0102. em 20. O dano existencial é um dano que alcança a vítima de modo parcial ou total quanto à impossibilidade de execução. ficou provado o prejuízo das relações sociais e familiares. houve um dano existencial e como toda espécie de dano moral. além das multas administrativas por descumprimento da legislação em vigor. existem empregados que já se sentem felizes e satisfeitos nos postos que ocupam na empresa. Ademais.5. no mínimo quando as mesmas são prestadas. CLT).2014. deve ser reparado. O operador do direito. originar o pagamento de dano existencial. em razão da privação do seu direito ao descanso. também há previsão legal (Art.jus. A CLT já prevê nos seus artigos. Um bom exemplo de aplicação do novel instituto no Brasil foi o julgamento do RR 72776. Entretanto é necessário que o ilícito tenha ocasionado a abusiva privação de componente significativo do projeto de vida e/ou de relações sociais e familiares. 22(2)247 — Julio-Diciembre/2011. Sônia Mascaro fala que é necessário que se faça uma comprovação efetiva. o limite diário da sua prestação. . requer. o dano existencial pois conforme já dito acima. <www. e. não têm ambição de progredirem profissionalmente.1. continuação ou reconstrução do seu projeto de vida e a dificuldade de retomar sua vida em relação. relativamente às horas extras.do projeto de vida. em que o TST deferiu a uma trabalhadora a reparação de 25 mil porque esta não gozava de férias há 10 anos. diferentemente do primeiro.6. Da mesma forma em relação às férias não concedidas no prazo legal ou diminuídas no período de fruição das mesmas. TRT10. um projeto de existência humana. a corte negou o dano existencial pleiteado porque não havia indicação precisa dos prejuízos sociais suportados por um motorista de caminhão que postulava a indenização por ter feito horas extras. 94 LTr . não têm interesse em ascender.24.0002(3). No âmbito do Direito do Trabalho.br>. viável e adequado aos potenciais do obreiro. Tal prova deve ser inconteste porque cada pessoa tem uma forma diversa de pensar e sentir.(4) Aquele Tribunal Trabalhista tem adotado a tese de que dano moral e existencial são espécies do dano extrapatrimonial. d. da possibilidade de rescisão indireta do contrato de trabalho quando há cobrança em excesso do labor (sobrejornada) ou a não concessão de férias. então. a atrair a já notória “indústria do dano moral” (ou seria a indústria de pretensões?). cuja CTPS não havia sido assinada. naqueles autos. 483. assim como a não concessão do gozo de férias poderão. devendo serem pagas em dobro. (2) (3) Relator Ministro Hugo Carlos Scheurmann. não geram a presunção de prejuízo e nem são condutas capazes de gerar Desde que fique comprovado que a conduta do empregador atingiu o projeto de vida do empregado ou o seu desenvolvimento profissional impedindo-o também do convívio social e familiar. para alguns. Em artigo na Revista Consultor Jurídico em 18/3/2014. 3ª Turma. vol. (4) Processo 0002659-46.2011. Do ponto de vista profissional. resultando em uma falta de perspectiva para o presente e futuro.trt10. qual seja. Tratava-se de uma economista.Jornal do Congresso Hindemberge Alves da Frota — Revista Latinoamericana de Derechos Humanos. Notícia de 31.

7. fator imprescindível. mormente em face da não recepção da Lei de Imprensa. sem compromissos. Não se está aqui a defender a monetização dos prejuízos.2011. multas administrativas e adicionais. AINDA QUE À LUZ DO ART. d) a viabilidade do projeto de vida frustrado e. Verificados os elementos ensejadores da responsabilização. 95 .7. principalmente após decorrido o prazo prescricional (como no julgado do TST. nexo de causalidade e efetivo prejuízo. acrescentou o Título VII-A à Consolidação LTr . entretanto. em que a ausência de férias ultrapassava a prescrição quinquenal). b) potencial do obreiro. estará o operador munido de elementos para a definição do montante a ser estabelecido como reparador ao eventual prejuízo sofrido. ao contrário. o julgador há de apreciar se houve um dano à realização do projeto de vida e prejuízo à “vida das relações”. Lado outro.666/93. Professor de Direito nas Faculdades Integradas Ipiranga e na Famaz — Faculdade Metropolitana da Amazônia. inclusive pretendem com tal acumulação.Jornal do Congresso das Leis do Trabalho (CLT) e alterou a Lei n. citado neste artigo. por óbvio que não desconhecemos que no ordenamento jurídico não há tarifação legal. de 7. lembrando que desempenha uma função social que deve ser aliada à manutenção da atividade e dos empregos — feito isto. com a consequente reprovação do ato patronal. há de incidir a doutrina em discussão. deverão ser adotados critérios de proporcionalidade para a fixação de quantum. dos riscos pela frustração dos projetos de vida. INDISPENSABILIDADE DA CNDT NAS CONTRATAÇÕES PÚBLICAS POR ÓRGÃOS DA JUSTIÇA DO TRABALHO. que cuida das normas gerais para licitações e contratos da Administração Pública. O tema ainda é incipiente na jurisprudência. estes hão de ser observados. a não concessão de férias durante dois anos ou a exigência de labor em sobrejornada. a razoabilidade está a indicar que presentes os elementos do dano: ato ilícito. ao se aposentarem poderem ter aquela convivência. Analista Judiciário — Área Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. e) o porte da empresa. cabe ao intérprete apreciar fatores como: a) número de férias não concedidas ou número de meses em labor com sobrejornada. não ensejariam tal indenização.440. 32 DA LEI DE LICITAÇÕES Igor Zwicker Martins Bacharel em Direito e Especialista em Gestão de Serviços Públicos pela Universidade da Amazônia. Deste modo.2011. entretanto. 8. Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade de Campinas e Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes. com o devido pagamento do adicional. atualmente exerce o cargo em comissão de Assessor Jurídico-Administrativo. 12. com vacatio legis de 180 dias. publicada no DOU de 8. se o ordenamento jurídico prevê sanções para o descumprimento como a rescisão indireta. configurada a lesão ao “eu existencial”. c) sua relação sócio-familiar. em curto período de tempo.Assim como também na vida familiar pois também existem empregados que têm como objetivo acumular bens visando a segurança da família mesmo que em detrimento do seu convívio mais de perto pois. A Lei n.

passou-se a ter a exigência da regularidade trabalhista (arts. § 1º. É comum. inclusive. 28 a 31 da Lei n. 12. pleito acolhido. § 1º. para comprovar a inexistência de débitos inadimplidos perante a Justiça do Trabalho (art. 63 da Resolução TCU n. trata de Solicitação formulada justamente pela Presidência do colendo Tribunal Superior do Trabalho (TST). caracterizando restrição ao caráter competitivo do certame qualquer exigência para além daquele rol taxativo. como a própria lei impõe a exigência de prova de inexistência de débitos inadimplidos perante a Justiça do Trabalho nas licitações públicas. Essa. da Lei n. “conforme facultado pelo art. no qual o TCU determinou às unidades setoriais do Sistema de Controle Interno de todos os Poderes da União que orientassem seus órgãos e entidades a exigir das empresas contratadas. da Constituição Federal (CF).666/93). cujo rol de documentos. deve a Administração. deparamo-nos com a inteligência do art.440/11. por ocasião de cada ato de pagamento. 24.2012. 1. financeira e patrimonial da Justiça do Trabalho de 1º e 2º graus. II. abster-se de exigir. 1. 642-A da CLT). 111-A. 8. 191. imprimir-se interpretativa ampliativa do citado art. segundo o qual a documentação de que tratam os arts. que já existe parecer do Ministério Público Federal (MPF) opinando pela total improcedência das ações.666/93 (art. de 18. V. Érica Miranda dos Santos Requi. nos casos de convite. que passem a fazer constar dos respectivos editais de licitação a exigência da CNDT. a não deixar de considerar a possibilidade de reduzir as exigências de habilitação jurídica. para qualquer modalidade licitatória e. Entretanto. destacando-se. ainda. conforme iterativa. É de se ressaltar que o Acórdão n. anotou-se a obrigatoriedade da norma legal que determina que.Citada lei instituiu a Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas (CNDT).ASCAUD n.6.742/ DF. na forma do art. 874/2007 — TCU — 2ª Câmara. I. tornando a CNDT documento igualmente exigível. § 2º. de 21. tanto nos processos licitatórios quanto nas contratações diretas. como órgão central do sistema e cujas decisões têm efeito vinculante. 27 e 29. para que o TCU examinasse a 96 possibilidade de recomendar aos órgãos e entidades da administração direta e indireta da União. em reforço à previsão legal.666/93). a documentação relativa à regularidade fiscal e trabalhista deve incluir a prova de inexistência de débitos inadimplidos perante a Justiça do Trabalho. 8. IV. 3º. é taxativo. é vedado à Administração descumprir tal dever. § 1º. a apresentação da CNDT.6. § 1º. até a presente data nada foi decidido de concreto pelo STF. ambos insertos na Seção II do Capítulo II.Jornal do Congresso .716/DF e 4. alterou os arts. no todo ou em parte. 27. da Lei de Licitações).054/ 2012. do mesmo estatuto de licitação”. De plano. concurso. para as hipóteses de contratação direta. 12. documentos para além daqueles previstos nos arts. 32. Concluiu o TCU que. Pelo Ofício Circular CSJT. a quem cabe exercer a supervisão administrativa.741/2012-1. Lembremos que. da Lei n. Quanto à Lei de Licitações. expedida gratuita e eletronicamente. 8.440/11 estar sendo questionada no âmbito do excelso Supremo Tribunal Federal (STF) pelas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) n. passou a ser a orientação do colendo Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT). conforme ampla jurisprudência. inclusive. 39. lavrado no Processo n. 4.666/93.054/2012 — TCU — Plenário. integrante da Equipe Técnica Zênite. a exemplo do Acórdão n. e 29. com a edição da Lei n. 8. da Lei n. no qual o TCU orientou o INSS. para a habilitação nas licitações. 32. 32. de qualificações técnica e econômico-financeira e de regularidade fiscal. a Presidência do CSJT encaminhou a todos os Regionais o Acórdão n. em consonância com o art. 002.SG. orçamentária. outrossim. fornecimento de bens para pronta entrega e leilão. atual e notória jurisprudência tanto do colendo Tribunal de Contas da União (TCU) quanto dos órgãos dotados de jurisdição.2006. mediante apresentação de certidão negativa ou positiva com efeitos negativos. a despeito de a constitucionalidade da Lei n. 28 a 31 da referida Lei de Licitações poderá ser dispensada. pertinente à habilitação dos interessados. II. vai além: “Sempre LTr . para habilitação em processos licitatórios. nas contratações por dispensa (art. Como cediço. Ocorre que.

32. da CF. não é lógico que a própria Justiça do Trabalho — sabedora das dificuldades que enfrenta a execução trabalhista. § 4º. bem consta no § 1º do citado art. § 1º. da Lei n. deve ser interpretada à luz de princípios e regras constitucionais. 2º da Lei n. independentemente da modalidade licitatória adotada ou. IV. no uso do seu poder discricionário (vinculado. Não é demais ressaltar que essa é a própria mens legis da Lei n.440/11. 32. Rio de Janeiro: Renovar. na bela canção “Um homem também chora (guerreiro menino)”: um homem se humilha. se mata. eficácia social plena e aplicação imediata. mediante apresentação de certidão negativa. de natureza constitucional e pétrea. o seu salário. fruto do Substitutivo da Câmara dos Deputados ao Projeto de 97 . nos casos de contratação direta”.666/93. IV. 32 que a documentação habilitatória “poderá” ser dispensada. perpassa pelas lições da brilhante Teresa Negreiros (Teoria do contrato: novos paradigmas. também a exigência da prova de inexistência de débitos inadimplidos perante a Justiça do Trabalho. obviamente. e sem o seu trabalho. mesmo quando aplicável a inteligência do art. da CF. do paradigma da essencialidade. Ocorre que. Como nas letras do poeta Gonzaguinha. que admite juízo de conveniência e oportunidade. por força do art. com milhões de processos pendentes somente na fase de execução —. Segundo orientação formulada em discussões realizadas pelo Núcleo Zênite de Pesquisa e Desenvolvimento. um homem não tem honra — e sem a sua honra. 2002). mesmo diante do art. estará autorizada a dispensar o documento correspondente. quando a eminente jurista trata. no todo ou em parte.que a Administração identificar a inexistência de risco e a consequente desnecessidade de verificação de determinado aspecto relativo ao rol de documentos habilitatórios dos licitantes. para contratos civis. exceto no que diz respeito à comprovação de regularidade fiscal. regulamentar. consoante leitura dos arts. 6º e 7º. Com efeito. da CF). § 1º. inerente ao vínculo de emprego. A própria Lei n. mormente aqueles em que existe o vínculo de emprego caracterizado: tal paradigma revela o desequilíbrio entre as partes contratantes na medida em que o objeto do contrato. 12. fiscalizatório e punitivo). talvez o único meio de sobrevivência digno do qual dispõe (arts. 8.666/93. mormente diante das normas-princípios. ao interesse público primário que permeia todo o Direito Administrativo). § 1º. deixando claro (visto que a lei não contém — ou não deveria conter — palavras inúteis) que tal dispensa é ato volitivo da Administração. do qual decorrem os demais poderes à disposição do empregador (diretivo. que não pode se furtar a exigir — nem excepcionalmente — a CNDT. LXXVIII e § 1º. ao menos pelos órgãos da Justiça do Trabalho. temos o inafastável pressuposto da subordinação jurídica. § 3º. ao longo do LTr . deixe de exigir o documento. enquanto mero instrumento de salvaguarda do direito material. para a concretização de verbas de natureza alimentar e superprivilegiada. o consenso é que. diante da própria inteligência do art. seu sonho é sua vida e vida é trabalho. 32. e a Seguridade Social. Vide arts.666/93. entendemos inafastável. se castram os seus sonhos.012/95. e o poder empregatício. doutrina plenamente aplicável aos contratos de natureza trabalhista. os únicos documentos que permanecem exigíveis e cuja exigência é inafastável são o comprovante de regularidade perante o FGTS. é claro. juntamente com o certificado de regularidade do FGTS e da Seguridade Social. existe. se morre. O contrato individual de trabalho. 8. que tem se mostrado. da Lei n. 9. De todo modo. por ter natureza infraconstitucional. enquanto direito fundamental do trabalhador. para uma delas. ainda. importante instrumento de coerção ao cumprimento das decisões judiciais trabalhistas. 8. 5º. aliás. Aliado a isso. é o seu próprio meio de sobrevivência. e 60. indiscutivelmente. Para o trabalhador.Jornal do Congresso tempo. mas a natureza da obrigação a ser executada”. que demandam urgência na sua efetividade e efetivação. o processo trabalhista. 100 da CF e 186 do Código Tributário Nacional (CTN). Entretanto. dentre as quais o princípio da razoável duração do processo e meios que garantam a celeridade da tramitação do processo judicial trabalhista. Não dá pra ser feliz. “não é a modalidade de licitação ou a dilação temporal que deve nortear o agente administrativo quanto à decisão de dispensa dos documentos. Ademais. 195. por força do art.

32. (1) De acordo com a doutrina eram exemplos de danos não indenizáveis na Itália da época: o vazio existencial decorrente da morte de um parente próximo. Especialista em Inteligência Empresarial. injusta detenção e violação de normas de tratamento de dados pessoais). 77/02. devendo ser exigida. país que até alguns anos atrás só reconhecia o dano material (prejuízo econômico) e o dano moral decorrente de um crime ou de exíguos casos previstos na lei (dano processual. como o dano estético e o dano existencial. 8.666/93. ainda que diante da inteligência do art. Doutorando em Direito. a humilhação de um trabalhador sujeito à mobbing. ganha importância a sua integral proteção com vistas a promover sua dignidade e permitir o gozo dos direitos considerados humanos fundamentais. BREVES NOTAS SOBRE O DANO EXISTENCIAL Adriano Jannuzzi Moreira Mestre em Direito pela Faculdade de Direito Milton Campos. responsabilidade dos membros do Judiciário. objeto de ressarcimento. Professora universitária. a CNDT. 2009. em amplo amparo à vítima. LTr . material ou imaterial. o que vem sendo objeto de discussões na medida em que se identificam outras espécies de danos extrapatrimoniais. Responsabilidade civil por dano existencial. mas. não se tendo espaço. Fora destas hipóteses não cabia indenização por danos morais.Jornal do Congresso . para uso do poder discricionário pelo administrador. a mulher que deseja ter um filho. da Lei n. conforme consta em parecer da Comissão de Assuntos Sociais ao projeto de lei no Senado Federal. reconhecendo na CNDT poderoso mecanismo de fiscalização indireta para obtenção de maior objetividade e efetividade em relação aos direitos sociais inscritos na Constituição de 1988. Consultor empresarial e Advogado. Professor universitário. Porto Alegre: Livraria do Advogado. cometido contra a pessoa deveria ser indenizado. Autor de livros e artigos. nesse sentido. Neste contexto começou a ser desenvolvida a tese de que todo dano injusto.Lei do Senado (PLS) n. entendemos não ser razoável à própria Justiça do Trabalho dispensar a exigência da certidão. Aline Carneiro Magalhães Doutoranda e Mestre em Direito do Trabalho pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Neste sentido Flaviana Rampazzo Soares. a CR/88 trouxe a obrigatoriedade de proteção máxima à pessoa por meio de um sistema normativo composto por direitos fundamentais e da personalidade. § 1º. o jovem indevidamente preso que perde sua juventude na cadeia. ficando as vítimas de inúmeros danos imateriais decorrentes de um ilícito civil sem qualquer reparação(1). O dano material passou a ser integralmente reparado nas espécies danos emergentes e lucros cessantes. Articulista e palestrante. No âmbito pátrio ao consagrar a dignidade da pessoa humana como um dos princípios fundamentais da República. Advogada. Assim. perde esta capacidade por erro médico. A partir do momento em que o homem passa a exercer um papel central na sociedade e no ordenamento jurídico. 98 Este teve origem na Itália. motivo pelo qual no início da década de 1960 foi identificado o danno alla vita di relazione (dano à vida em sociedade). a pessoa submetida a trabalho análogo ao escravo. Entretanto o dano imaterial foi considerado sinônimo de dano moral. em todos os casos.

n. que passou a compreender o dano à vida de relação e o dano ao projeto de vida. afetivo-sexual. 1º.(5) Segundo a doutrina(4). dimensão subjetiva. 944. por natureza. dos intervalos intra e interjoranda. sobre o complexo de afazeres da pessoa. um ter que refazer ou um fazer diferente não volitivo. consequentemente.(3) Já por vida de relações (em sociedade) entende-se o dano por ofensas físicas ou psíquicas que impeçam alguém de desfrutar total ou parcialmente dos prazeres propiciados pelas diversas formas de atividades recreativas (prática de esportes. 949).Jornal do Congresso (5) De acordo com a doutrina. 226 e 227) e no princípio civil da reparação integral do dano (arts. 186. sociais. por conseguinte. encontrando fundamento constitucional no princípio da dignidade da pessoa humana (art. do ponto de vista do dano existencial. a submissão do obreiro à ambiente de trabalho sujeito aos infortúnios laborais e seus efeitos. 2009. (3) Insta salientar que está em tramitação no Senado o projeto de emenda constitucional (PEC 19/10) para inserir o direito à busca da felicidade entre os direitos sociais. afetivas. turismo. importa. Qualquer fato injusto que impeça a sua plena realização (na dimensão familiar. um sentir) e do dano estético porque este afeta a aparência externa da pessoa causando um “afeiamento”. sendo conceituado como a alteração substancial nas relações familiares. Livraria do Advogado. intitulado “Danos extrapatrimoniais (estético. no direito à proteção à família (art. 948. a exigência de um número tão grande de atribuições que o trabalhador fique esgotado a ponto de não encontrar forças para desfrutar de seu tempo livre. LTr . 1. ao patrimônio material (lucros cessantes ou danos emergentes). educacional ou profissional) e obrigue a pessoa a resignar-se com o seu futuro e a replanejar seu projeto de vida. v. Para a parte da doutrina que considera o dano existencial uma espécie do dano imaterial. artística. busca sempre extrair o máximo das suas potencialidades. 73. 2009. gera uma hiperexploração da mão de obra humana e um dano ao obreiro que tem sido denominado de existencial. teatro. O ser humano. representando renúncia involuntária às atividades diárias e aos projetos de vida. desportiva. foi cunhada na Itália a expressão dano existencial. Soares. cinema. a submissão do obreiro a condição degradante ou análoga à de escravo. A teoria italiana foi trazida para o direito pátrio e tem sido aplicada na seara laboral. 5º. sendo suscetível de repercutir. no direito fundamental à liberdade (art. científica. O dano existencial é um dano que impede a realização pessoal do indivíduo (com perda da qualidade de vida e. abrangendo todo acontecimento que incide. intelectual. Essa vedação interfere decisivamente no estado de ânimo da pessoa atingindo. Revista LTr. consistentemente sobre a sua existência. biológico e existencial): breves considerações”. independentemente de ter havido ataque à integridade física ou psíquica. à constituição biológica ou estética ou ao bem estar psicológico da víti- O dano existencial no Direito do Trabalho decorre da conduta patronal que impossibilita o empregado de se relacionar e de conviver em sociedade por meio de atividades recreativas. agremiações recreativas). a exigência de um número tão grande de atribuições que o empregado precise permanecer em atividade durante seus períodos de descanso e mesmo longe da empresa. III). (4) Neste sentido Flaviana R. do repouso semanal remunerado e das férias. afeti- (2) Neste sentido Júlio César Bebber no artigo existencial na seara laboral: a realização de horas extras além do previsto em lei. São Paulo. culturais. são exemplos de dano 99 . com dimensão objetiva e representando um não poder fazer. modificação in pejus da personalidade). negativamente. caput). O descumprimento pelo empregador dos direitos trabalhistas capazes de permitir que o obreiro desfrute de uma vida digna e saudável fora do ambiente de trabalho. Por projeto de vida entende-se tudo aquilo que determinada pessoa decidiu fazer com a sua vida(2). ma. a exemplo da limitação de jornada. ele se difere do dano moral porque este consiste na lesão sofrida pela pessoa no tocante à sua personalidade (repercussão íntima. o seu relacionamento social e profissional.Com o desenvolvimento do estudo sobre o tema. Responsabilidade civil por dano existencial. deve ser considerado um dano existencial. jan. que o ilícito tenha ocasionado ao sujeito a abusiva privação de componente significativo de seu projeto de vida e/ou de sua vida de relação. o que o leva a constantemente projetar o futuro e fazer escolhas visando à realização do projeto de vida.

(8) Neste contexto. 19. RO-02659-2012102-10-00-9 RO.2011. prosseguir ou mesmo recomeçar os seus projetos de vida e sua vida de relações.2013.15.br/artigos/20349/nocoes-fundamentais-sobre-odano-existencial>. RO-0000136.0016. Brígida Joaquina Charão Barcelos Toschi.(7) As decisões muitas (6) Neste sentido Jorge Cavalcanti Boucinhas Filho e Rúbia Zanotelli de Alvarenga no artigo intitulado “O dano existencial e o Direito do Trabalho”.2014. mas um dano moral. Hugo Carlos Scheuermann. 29. 17. mas. indenizam a vítima por dano moral.04.5.lex.3. Juiz Convocado Raul Zoratto Sanvicente. em dois deles pela privação do convívio social decorrente da imposição de jornada exaustiva e em outro pela imposição de volume de trabalho excessivo. espirituais.4. 4ª turma do TRT2. quer parecer que ainda não há consenso sobre o tema que carece de análise e debates aprofundados para sua caracterização — como espécie autônoma de dano imaterial ou expressão do dano moral por nós conhecido que influenciaria na fixação do quantum indenizatório —. (7)RR-727-76.4.12. 9.2014. 19. Ana Carolina Zaina. social e pessoal.5. 3ª turma do TRT10.2012. culturais.1. 20.5.10.2.2013.4. Ricardo Artur Costa e Trigueiros.93. RO-0059609-14. RO-0015084520125020271 A28. É a conduta patronal que o impede de executar. para que importação do instituto sem um prévio e sólido estudo não gere descrédito e banalização. Acesso em: 15. responsáveis pelo seu crescimento e/ou realização profissional.5.0010. Ana Luiza Heineck Kruse.2011. sociais e de descanso.2014.3. Disponível em: <http://www. 1ª turma do TRT3. Edison dos Santos Pelegrini. em alguns julgados o dano existencial foi considerado espécie autônoma de dano imaterial indenizável.2013. 18. Convocado Paulo Eduardo Queiroz Gonçalves.11.2013.2014. 1ª turma do TST. mas. esportivas. 11. que serão.0002. LTr . Vicente Vanderlei Nogueira de Brito.0027.04. 100 vezes identificam a ofensa à vida de relações ou ao projeto de vida. RO0001443-94. alcance e cabimento. TRT4.6.(6) Em análise jurisprudencial feita no TST e TRT’s pudemos observar que na maioria dos casos apreciados o dano existencial não foi considerado uma espécie autônoma de dano imaterial. RO-28161-2012-028-09-00-6ACO-40650-2013. Acesso em: 15. José Leone Cordeiro Leite.br/doutrina_24160224_O_ DANO_EXISTENCIAL_E_O_DIREITO_DO_>.Jornal do Congresso .vas. TRT13. com. por sua vez.000.10.2013. RO-01924-2011-113-03-00-2. (8) RO-0001133-16.2011. Importante nos atentarmos para o contexto e peculiaridades do país em que a teoria nasceu e sua compatibilidade (e necessidade) com a realidade e ordenamento jurídico pátrio. 2ª turma do TRT9. Disponível” em: <http://jus.5.2013.2014.2014.2013. Ainda. Excepcionalmente. RO-000713-72. Hidemberg Alves da Frota no artigo intitulado “Noções fundamentais sobre o dano existencial.2012.24. 11. 18. contribua para a proteção do empregado e promoção da sua dignidade.0015 RO.04. TRT4.5. 2ª turma do TRT4. 5ª turma do TRT15.com.13. que lhe trarão bem-estar físico e mental.

é o que diz respeito à responsabilidade institucional do magistrado. LTr .2013. “nos termos do princípio da responsabilidade institucional insculpido no Código Ibero-Americano de Ética Judicial”. Tal aspecto deve. LXXVIII. decisões contrárias a súmulas e Orientações jurisprudenciais do TST só geram falsa expectativa para a parte vencedora e gastos desnecessários para a vencida e para o contribuinte. aplicando a jurisprudência sumulada do STF e dos Tribunais Superiores. constitui elemento a ser valorizado para efeito de merecimento. embora diga no caput que em tal avaliação não serão utilizados critérios que venham atentar contra a independência funcional e a liberdade de convencimento do magistrado (tais como índices de reforma de decisões). o seguinte(1): — Aspecto relevante para a prestação jurisdicional célere e barata. 106 do CNJ. Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade de Campinas e Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes. da Resolução 106 do CNJ. 41 a 47 do Código Ibero-Americano de Ética Judicial. insculpido no Código Ibero-Americano de Ética Judicial (2006)”. e. 5º. 106 e sua correlação com o Código Ibero-Americano de Ética Judicial.Jornal do Congresso do constitucional do art. onde restou consignado. em seu art. contraditoriamente registra no parágrafo único que a disciplina judiciária do magistrado. com registro de eventual ressalva de entendimento. parágrafo único. no capítulo destinado à responsabilidade institucional. que na avaliação da qualidade das decisões proferidas serão levados em consideração. inclusive. Professor de Direito nas Faculdades Integradas Ipiranga e na Famaz — Faculdade Metropolitana da Amazônia. entre outros. Já o art. “e”. 10.297/2013. diz. Tal aspecto é contemplado nos arts. assoberbando as Cortes Superiores. em eventual recurso da parte vencida. subscrito pelo Brasil. constitui elemento a ser valorizado para efeito de merecimento. o respeito às súmulas do STF e dos Tribunais Superiores. Analista Judiciário — Área Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. COROLÁRIO DO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO Igor Zwicker Martins Bacharel em Direito e Especialista em Gestão de Serviços Públicos pela Universidade da Amazônia. mas se conjuga com o da independência do magistrado ao julgar. a Inspeção realizada pelo Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho no TRT da 8ª Região. O art. aplicando a jurisprudência sumulada do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores. para que chegue à instância superior as razões. 10.8. p. atualmente exerce o cargo em comissão de Assessor Jurídico-Administrativo. A Resolução n. Por outro lado. — Com efeito. bastando que o julgador ressalve entendimento diverso ao da jurisprudência pacificada. que dispõe sobre critérios objetivos para aferição do merecimento para promoção de magistrados e acesso aos Tribunais de 2º grau. 15. 5º. da referida resolução é ainda mais incisivo: “A disciplina judiciária do magistrado. disponibilizado em 26. nos termos do princípio da responsabilidade institucional. com registro de eventual ressalva de entendimento. temos em registros recentes. o princípio da responsabilidade institucional não se contrapõe. conforme dispõe o art. — É o caso do 8º Regional assumir a responsabilidade institucional como princípio a ser vivido e não apenas decorativo de Códigos de 101 . ser levado em consideração para efeito de promoção na carreira. Aponta ele para a necessidade de se evitar recursos desnecessários e se colaborar com a prestação jurisdicional como um todo. fundamentando-o. A respeito da Resolução n. 5º. por exemplo. implementando o coman(1) Fonte: DEJT – Diário Eletrônico da Justiça do Trabalho nº 1.O DESAFIO BRASILEIRO DE MANTER UMA MAGISTRATURA FORTE E INDEPENDENTE.

repetida pelos órgãos de controle (arts. diz respeito. o STJ alcunhou a sentença de rebelde. encontramos dispositivos muito mais específicos. De início. 6º. no âmbito do Estado Constitucional. em suma. de qualquer modo. mas também que não interfira na independência de outros colegas. 7º. Naquela assentada. especialmente quando a matéria já se encontra sumulada. 343 do STF. 3º. “com certa frequência”. Tribunais. na atuação jurisdicional de outro colega. do TJPR.2013. 5º Impõe-se ao magistrado pautar-se no desempenho de suas atividades sem receber indevidas influências externas e estranhas à justa convicção que deve formar para a solução dos casos que lhe sejam submetidos. Não nos parece que o compromisso a que deva assumir o Magistrado com o “bom funcionamento de todo o sistema judicial” esteja ligado à pretensão do Código em fazê-lo seguir decisões de instâncias superiores. 42. 1. como já bem ressalta o art. Tal principiologia é reiterada no Código de Ética da Magistratura Nacional: Art. removendo o óbice da Súmula n. Art. do TRT da 2ª Região.267. entendemos equivocada a leitura que se faz do Código Ibero-Americano de Ética Judicial. Tratou-se de recurso especial interposto contra decisão proferida em ação rescisória pelo TJRS. não estão dirigidas a situar o Juiz numa posição de privilégio: sua razão de ser é a de garantir aos cidadãos o direito de serem julgados com parâmetros jurídicos. “o correto sentido da norma jurídica. Art. O Juiz tem o direito e o dever de denunciar qualquer tentativa de perturbação da sua independência.Ética da Magistratura. inafastabilidade. recalcitrante e. onde o STJ. Art. julgado em 19. mas também os princípios gerais do direito que a informam”. especialmente porque. e que dizem. seja nas Corregedorias. assume um compromisso ativo no bom funcionamento de todo o sistema judicial”. além de cumprir as suas obrigações específicas de caráter individual. garantem a independência judicial. 41 a 47. Como bem colocou a Desembargadora do Trabalho Rita Maria Silvestre. a independência “é uma competência que se outorga aos Juízes. 4º Exige-se do magistrado que seja eticamente independente e que não interfira. que diz: “O Juiz institucionalmente responsável é o que. 1º do Código. “é o Magistrado o garantidor da democracia”. 102 Art. Conselhos Superiores ou no CNJ.9. Art. quando menos. LTr . Art. 6º É dever do magistrado denunciar qualquer interferência que vise a limitar sua independência. “contra provimento judicial de mérito transitado em julgado que ofende direito em tese”. exceto em respeito às normas legais. ao art. “onde se discute e questiona. em sua derradeira sessão no Tribunal Pleno. De fato. quer seja externa ou interna à ordem judicial. V. vitaliciedade. 106 do CNJ. mormente porque a referência feita pela Resolução n. com as suas atitudes e comportamentos. com amparo no art. É a soma dos nossos predicamentos: a inamovibilidade. categoricamente: (2) Os destaques (negrito e sublinhado) não constam dessa forma no original. sobretudo o deliberado. O Juiz. da leitura sistemática do Código. Não só se exige que o juiz eticamente seja independente. É imprescindível ao Juiz”. 485. “tanto por representação quanto de ofício”. 5º. vaidoso. como forma de evitar a arbitrariedade e de realizar os valores constitucionais e salvaguardar os direitos fundamentais. do CPC. Artigo publicado no site da AMB relatou a abertura de processos administrativos disciplinares. inseridos no capítulo que trata da responsabilidade institucional).(2) Também citamos a decisão proferida no REsp n. deu provimento ao REsp.Jornal do Congresso . discorrendo sobre a rebeldia judiciária e criticando o desalinho da jurisprudência. as instituições que. já no primeiro capítulo — que trata da independência do Magistrado –.163. deve deixar evidente que não recebe influências — diretas ou indiretas — de nenhum outro poder público ou privado. E uma garantia inafastável. O Juiz poderá reivindicar que se reconheçam os seus direitos e sejam fornecidos os meios que possibilitem ou facilitem a sua independência. o mérito de decisões judiciais”. E como bem pontuou o Desembargador Miguel Kfouri Neto. pura e simplesmente. considerada não apenas aquela positivada.

4. consoante art. Já o art. caput e § 1º. 41. terceiro. o magistrado exponha. § 4º. os motivos de sua decisão” (TST-AIRR-82-46. mormente o Juízo de 1º grau.4. “o princípio do livre convencimento motivado exige apenas que. 40. a sua decisão. críticas abertas em processos. da CF exige apenas que as decisões judiciais sejam fundamentadas. Data de Julgamento: 09/04/2014. por outro lado. segundo.2014). em última análise. Relator Desembargador Convocado: João Pedro Silvestrin. a partir da apreciação dos fatos e provas constantes do processo. pontua que a atividade censória de Tribunais e Conselhos é exercida com o resguardo devido à dignidade e à independência do magistrado e. de forma fundamentada. 103 . insertas na Resolução n.09.5. 765 da CLT confere aos juízes ampla liberdade na direção do processo. “o conjunto probatório dos autos é de livre apreciação e valoração pelo magistrado. que traz a força renovadora do Direito. Por outro lado. 106 do CNJ. não contribuem com o Estado Democrático de Direito. ao contrário. a Juízes e suas “sentenças rebeldes”. enfim. cristalizam na sociedade um demérito no Magistrado que age conforme suas convicções — ou. Data de Julgamento: 9. o magistrado não pode ser punido ou prejudicado pelas opiniões que manifestar ou pelo teor das decisões que proferir. 5º. A garantia de independência do Juiz é uma prerrogativa que alcança níveis globais: não se concebe. O art.4. verdadeira intimidação ao livre convencimento do Juiz: primeiro.Jornal do Congresso A própria LOMAN.Isso está muito claro na Constituição Federal de 1988. porque não vê na criatividade judicial — e sim no engessamento e mera repetição da jurisprudência — um critério de merecimento. 5ª Turma. da CF). IX. Tais regras. dentro de sua carta de direitos fundamentais.2014) etc. 93. 130 do CPC. em seu art. assim.2014. fundamentando. sua própria independência para julgar. o princípio do livre convencimento motivado: o juiz apreciará livremente a prova. Basta refletir no citado critério de promoção por merecimento. 131 do CPC consagra.2009. parecem também tentar limitar o livre convencimento do Magistrado e. trazendo critério antidemocrático. Como bem costuma reiterar o TST em seus julgamentos.0521. em nenhum lugar do mundo. quando alça a República Federativa do Brasil a status de Estado Democrático de Direito e. LTr . o princípio da inafastabilidade da jurisdição. segundo sua ciência e consciência. ideia seguida pelo art. o seu convencimento definitivo” (TST-Ag-AIRR-164200-65. 5º. O art.5. porque embaraça a promoção na carreira. Data de Publicação: DEJT 15. Data de Publicação: DEJT 15. Os únicos institutos previstos em nosso ordenamento jurídico. 8ª Turma. Relator Ministro: Emmanoel Pereira. do STF. outrossim.04. porque afeta diretamente o livre convencimento motivado e a independência do Juiz. é só. XXXV. de eficácia social plena e aplicação imediata (arts. garantindo ao Estado-Juiz o monopólio da jurisdição. em grau de recurso de revista. em seu art. Temos que tais regras não encontram guarida nem na Constituição Federal de 1988 nem na legislação infraconstitucional nem nos Códigos de Ética. formando. além de apequenarem a Ciência Jurídica. salvo casos de impropriedade ou excesso de linguagem. IV.0095. atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos. consagra. e 60. pétreos. como diria o Ministro Marco Aurélio. que irradiam eficácia erga omnes e efeito vinculante são as decisões proferidas pelo STF em seus processos objetivos e as súmulas vinculantes. por limitarem as instâncias ordinárias. o que não encontra guarida em nossa democracia. Por ora. um Juiz despido da sua independência funcional.2012.

convencido de não ter razão. daquele que atua em juízo. 2007. 5º da Constituição Federal: acesso à justiça. Os princípios constitucionais insculpidos no art. retardando a demanda. com o objetivo de lesar a outra parte. São Paulo: Malheiros Editores. 87. 23ª ed. devendo ser observado o fim econômico. sob pena de ir de encontro a finalidade deste. Tal prática consiste em abuso de direito e ilícito civil nos moldes do art. com a finalidade de lesar a parte adversária. Abuso do Direito e Má-Fé Processual. Em síntese. estas normas possuem limites e não podem ser utilizadas de forma abusiva. Ada Pellegrini. contraditório. procedendo de modo temerário e provocando incidentes manifestamente infundados. A finalidade destas demandas e atos processuais temerários consiste em retardar. negando-se a cumprir decisões. Rui. para interpor recursos. p. 1. social. e desestimular a parte contrária na efetivação dos direitos. petições despropositadas. caracteriza-se como assédio processual.ASSÉDIO PROCESSUAL Emanoel Alesandro da Cruz Sampaio Lopes Especialista em Responsabilidade Civil pela Universidade Estácio de Sá. Introdução O processo judicial ao longo da história conquistou garantias constitucionais importantíssimas que garantem o fiel cumprimento do ordenamento jurídico pátrio. legalmente sancionada. Ada Pelegrini(1) conceitua o processo judicial como instrumento por meio do qual os órgãos jurisdicionais atuam para pacificar as pessoas conflitantes. objetivando retardar a entrega da prestação jurisdicional à parte contrária. requerimentos de provas. Assédio Processual O dano processual ou assédio processual expressa-se quando uma das partes utiliza das faculdades processuais com abuso de poder. a má-fé processual é identificada quando uma parte utiliza dos instrumentos processuais. 187 do Código Civil. em excesso. ampla defesa são exemplos destas conquistas que garantem a efetividade do processo judicial. em qualquer de suas fases. a boa-fé e os bons costumes. 2002. 29. embargos. a busca pela justiça e a segurança jurídica. p. 927 do CC. com o objetivo de gerar danos à parte contrária. de. visando tumultuar o feito e obter vantagens indevidas de ordem processual. com ânimo de prejudicar o adversário ou terceiro.Jornal do Congresso . devido processo legal. que com práticas abusivas do direito processual desestimulam a parte adversa. (2) STOCO. As normas de direito processual e os princípios processuais constitucionais não devem ser utilizados de forma arbitrária no processo judicial. Todo o titular de um direito ao exercê-lo possui limites. (1) GRINOVER. observadas ao longo do seu curso. 104 LTr . eliminando os conflitos e fazendo cumprir o preceito jurídico pertinente a cada caso que lhe é apresentado em busca de solução. agravos. fundamentado-se ou não em norma processual. humilhando a outra parte no processo. com o objetivo de retardar o trâmite processual. ou criar obstáculos ao exercício do seu direito. Advogado Trabalhista. fazendo com que o processo judicial tenha andamento lento. 2. no entanto. Teoria Geral do Processo. Rui Stoco(2) afirma que a má-fé processual é a qualificação jurídica da conduta. Graduado na Universidade Federal de Sergipe. O processo judicial e suas normas processuais devem ser respeitadas na sua integralida- A procrastinação por uma das partes no andamento de processo judicial. sendo passível de responsabilidade civil conforme preceitua o art. O assédio Processual é caracterizado pelo conjunto de atos reprováveis de uma das partes no processo. fazendo com que a outra parte desacredite na capacidade do Judiciário de apresentar uma solução justa e adequada para o conflito. procrastinar a prestação jurisdicional. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais.

Em que pese a tímida jurisprudência sobre o tema. São Paulo: Atlas. causando danos à outra parte no processo. MORAES. 2007. Rio de Janeiro: Renovar. Maria Celina Bodin de. a fim de que o processo possa servir de instrumento efetivo na concretização dos direitos. a verdadeira finalidade consiste em procrastinar a marcha processual e desestimulando a parte contrária. incumbindo aos operadores do direito combater o assédio processual e buscar a reparação pelos danos causados. Teoria Geral do Processo. 2006. A utilização dos instrumentos processuais dentro do processo judicial com a finalidade de causar danos a outra parte. de difícil separação. uma vez que a parte excede o seu direito dentro do processo. 2012. de caráter acidentário. e tal prática produza danos a parte adversa. este é passível de reparação a luz do já citado art. Existindo a prática do assédio processual e o dano. GRINOVER. São Paulo: Malheiros Editores. inciso LXXVIII da CF. os danos podem e devem ser reparados. 23ª ed. inclusive maculando a norma constitucional da duração razoável do processo insculpida no art. no entanto. aplicando-se a responsabilidade objetiva. fazendo-a desacreditar do seu direito. ou fase do processo. 2002. uma vez que o assediador utiliza de atitudes prevista em lei para causar danos a parte adversária. Na esfera da Justiça do Trabalho o dano ganha uma maior importância. caracteriza-se como assédio processual e este é passível de reparação nos termos do art. 2009. Sergio. cominado com o art. enquanto a litigância de má-fé apresenta-se no processo como um fato isolado. o assédio moral e o assédio sexual nas relações do trabalho: frente à doutrina. 927 todos do Código Civil. enquanto o primeiro ocorre de forma reiterada. 187 do CC. os bons costumes e o fim econômico. a prova da culpa. Inclusive tal entendimento é confirmado pelo Enunciado n. Ada Pellegrini. STOCO. 10 ed. 105 . desestimular a parte contrária. onde não é necessário LTr . sucessiva durante todo o processo. sob a aparência de exercício regular dos atos processuais. consiste em tarefa árdua. 5º. a matéria ora em estudo consiste em tema recorrente nos processos judiciais de todo o judiciário do país. Danos à pessoas humana: uma leitura civil — constitucional dos danos morais. Rui. A separação entre a licitude e a ilicitude decorrente do abuso de poder processual. 3. inclusive contrariando a boa-fé. ainda que de forma velada.Jornal do Congresso Portanto. com o objetivo de ganhar tempo. O dano moral. intensiva. porque nesta Justiça grande parte dos processos em trâmite discute-se verbas salariais que tem natureza alimentícia. Bibliografia Cavalieri Filho. O Código de Processo Civil nos artigos 14 a 18 traz a baila os limites processuais das partes e procuradores para o exercício do direito no processo judicial.A prática do assédio processual é velada. Abuso do Direito e Má-Fé Processual. 37 da I Jornada de Direito Civil. de dano moral ou assédio moral. O assédio processual distingue-se da litigância de má-fé. O dano processual consiste em ilícito nos moldes do art. Programa de Responsabilidade Civil. FELKER. São Paulo: LTr. quando configurado a prática de assédio processual no processo judicial. 187 e 927 do CC. Conclusão A prática do assédio processual gera danos ao assediado que vê a marcha processual retardada e sem efetivar os direitos ali pleiteados. Reginald Delmar Hintz. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. jurisprudência e legislação. 187.

Rel. em tema de direitos fundamentais de caráter social.Jornal do Congresso . Sebastião Geraldo de.5. atende a um postulado imanente aos direitos fundamentais: a proibição de retrocesso” (TST-RR-2157600-05.2.2007. Redatora Ministra: Kátia Magalhães Arruda. ed. temos que a ordem social tem como base o primado do trabalho. 2ª Turma. também. STF-RE 581.0303. e seu Protocolo Adicional.2014). sempre ascendente. adicional de remuneração para as atividades penosas.2013. que diz: Destaque-se. E complementa: “Sob os enfoques axiológico e teleológico. atualmente exerce o cargo em comissão de Assessor Jurídico-Administrativo. o inciso XXIII consagra. que tanto pelo Pacto Internacional dos Direitos Econômicos. Data de Publicação: DEJT 21. Rel. 106 vo ‘outros direitos que visem à melhoria de sua condição social’. O art.5.2. Analista Judiciário — Área Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. nomeado “Protocolo de San Salvador”.12. Min. que traz a ideia de progressividade dos direitos sociais. A partir do art. Celso de Mello.09. O art.2009. 6. 29. 591/92). j. de afirmação dos direitos fundamentais. as conquistas sociais já alcançadas” (TST-RR-51000-12. 2ª Turma. 6ª Turma. e atual. Data de Julgamento: 19. 7º da CF.02. Data de Julgamento: 11. Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade de Campinas e Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes. da CF tem-se nos valores sociais do trabalho e nos valores sociais da livre iniciativa fundamentos de existência e validade da República Federativa do Brasil. Essa também é a ideologia consagrada no Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos. Proteção jurídica à saúde do trabalhador. 7º da Constituição Federal revela-se como uma centelha de proteção ao trabalhador a deflagrar um programa ascendente.0010. j. como bem coloca o TST.2. na carta de direitos sociais mínimos dos trabalhadores. Aline Paula Bonna. observadas. O inciso XXII traz em seu bojo o princípio do risco mínimo regressivo(1). que sejam desconstituídas as conquistas já alcançadas pelo cidadão ou pela formação social em que ele vive” (STF-ARE 639. traz como fundamentos da ordem econômica a valorização do trabalho humano e a livre iniciativa. Quando o caput do mencionado preceito constitucional enuncia que irá detalhar o conteúdo indisponível de uma relação de emprego. 170. evidentemente. insalubres ou perigosas.10. 148.352 AgR/AM. 2011. Nesse sentido. Sociais e Culturais (Decreto n. São Paulo: LTr. nesse sentido.2013). 23.8. 1º. LTr . mas. 6ª Turma. assegurando-se a todos uma existência digna. Pelo art. ato contínuo. rev. conforme ditames da justiça social.O RETROCESSO SOCIAL NA REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO ADICIONAL DE PERICULOSIDADE DOS ELETRICITÁRIOS Igor Zwicker Martins Bacharel em Direito e Especialista em Gestão de Serviços Públicos pela Universidade da Amazônia.337 AgR/SP. caput. por cláusula de avanço social. Min.2014. Relator Ministro: Augusto César Leite de Carvalho. ao propugnar pela redução dos riscos inerentes ao trabalho. Professor de Direito nas Faculdades Integradas Ipiranga e na Famaz — Faculdade Metropolitana da Amazônia.2014). 193. “não se pode olvidar que o art. Sobre a vedação ao retrocesso social. Data de Publicação: DEJT 7. e de logo põe a sal(1) OLIVEIRA. além de outros que visem a melhoria da condição social do trabalhador — propugna não somente pela vedação ao retrocesso social. e como objetivo o bem-estar social e a justiça social. a razão de ser é buscar melhores condições de trabalho. IV. ao elencar direitos sociais mínimos. Celso de Mello.2011. p. O próprio STF desenvolve tal principiologia da mesma forma que os órgãos de jurisdição trabalhista: “O princípio da proibição do retrocesso impede.

entendimento já consolidado pelo STJ (REsp n. 361: Adicional de periculosidade. também é iterativa. porque a Lei n. 193 da CLT. em vigor desde 1999 (Decreto n. Exposição intermitente. por não trazer. Min.369/85. 7. Eletricitários. Ocorre que.369/85 e incluída a energia elétrica no bojo do art. Integração I — O adicional de periculosidade. 191 do TST — a qual ainda não foi revista em momento posterior à alteração legislativa. e 142. apenas o salário básico obreiro (como as outras hipóteses legais de adicional de periculosidade) e sim a totalidade dos salários percebidos.369. prêmios ou participações nos lucros da empresa”. 279 da SDI-1 do TST: Adicional de periculosidade.Sociais e Culturais. dá direito ao empregado a receber o adicional de periculosidade de forma integral. que teve a sua redação substancialmente alterada. foi revogada expressamente e in totum a Lei n. Rel. integra o cálculo de indenização e de horas extras. Partindo de tais premissas. Dessa noção de progressividade. agora também regulada pelo vetusto § 1º do citado art. econômicos e culturais. 7. de 1966.3. O legislador demonstrou de forma clara. Incidência. 457.Jornal do Congresso Adicional. Ainda Aline Paula Bonna. Súmula n. § 5º. § 1º. 3. não estabeleceu nenhuma proporcionalidade em relação ao seu pagamento. j.1985. a clara natureza salarial do adicional de periculosidade. inclusive acidentes fatais —. a previsão de percepção de salário de periculosidade segundo as regras do art. nos termos em que estão concebidos pelo Pacto.740/12.2006. 7. Outrossim. sem escusa ou demora — têm a chamada autoaplicabilidade. indiscutivelmente. Lei n. sociais e culturais resulta a cláusula de proibição do retrocesso social em matéria de direitos sociais. isto é. 253). de 1977: “O trabalho em condições de periculosidade assegura ao empregado um adicional de 30% sobre o salário sem os acréscimos resultantes de gratificações.4. extrai-se a vedação do retrocesso. uma remuneração adicional de 30% sobre o salário que perceber. O trabalho exercido em condições perigosas. seja com a revogação expressa da Lei n. 1º. DJ 6. 7. indiscutivelmente. O adicional de periculosidade dos eletricitários deverá ser calculado sobre o conjunto de parcelas de natureza salarial. Periculosidade.321/99). sendo equivocada e simplista a visão de que os direitos sociais só demandariam prestações positivas. O adicional de periculosidade incide apenas sobre o salário básico e não sobre este acrescido de outros adicionais. Em relação aos eletricitários. 7. como base de cálculo. 1º da Lei n. quanto pelo apelidado Protocolo de São Salvador. Interpretação. que pretendeu reduzir a base de cálculo do adicional de periculosidade para os eletricitários. era mais benéfica ao trabalhador que exerce atividade no setor de energia elétrica em condições de periculosidade. é exposta com maior intensidade a acidentes do trabalho.369/85. o Brasil se comprometeu a implementar. seja com a inclusão da energia elétrica no art. de 20. Base de cálculo. seja para rechaçá-la expressamente —. por sua vez. Assim trata a matéria a Súmula n. fato é que tínhamos. 7. Da aplicação progressiva dos direitos econômicos. como os direitos civis e políticos demandam do Estado prestações positivas e negativas. No entanto. 356. 107 . citando Flávia Piovesan: Se os direitos civis e políticos devem ser assegurados de plano pelo Estado. atual e notória jurisprudência do TST: Súmula n. o cálculo do adicional de periculosidade deverá ser efetuado sobre a totalidade das parcelas de natureza salarial. os direitos sociais. embora de forma intermitente. os direitos ligados à igualdade. 132: Adicional de periculosidade. para os trabalhadores que interagem em instalações elétricas e serviços com eletricidade — categoria de quem se exige uma série de procedimentos padronizados e treinamentos de cunho específico (NR-10 e NR-16) e que. nos arts. A CLT indica. seja para se adequar a ela. 193. João Otávio de Noronha. progressivamente e com o máximo de seus recursos disponíveis. 2ª Turma. Idem quanto à Orientação Jurisprudencial n.740/RS. como um vetor dinâmico e unidirecional positivo. cabe realçar que tanto os direitos sociais. 193. 12.369/85. apresentam realização progressiva. Eletricitários.2006 p.09. com o advento da Lei n. Tal disposição. pago em caráter permanente. que impede a redução do patamar de tutela já conferido à pessoa humana. que diz: LTr . art.

que propugna por cláusulas de avanço social. o custo excessivo da energia elétrica. Condenada ao pagamento do adicional de insalubridade ou periculosidade. Ministro Ricardo Lewandowski. trazendo. pois os eletricitários sempre tiveram base de cálculo superior. 172 (SDI-1): Adicional de insalubridade ou periculosidade. mês a mês e enquanto o trabalho for executado sob essas condições. E. Como bem ressalta o Economista José Álvaro Cardoso. a Súmula n. sustenta-se a falácia de que o custo do trabalho faz parte do chamado “Custo Brasil”. LTr . Mais uma vez. a burocracia e a corrupção — esses sim — podem ser contabilizados no “Custo Brasil”. a ausência de ferrovias. proposta pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria (CNTI).868/99. porque se é para ser isonômico e agir em um Estado Democrático de Direito. 12 da Lei n. a empresa deverá inserir. o valor correspondente em folha de pagamento. ainda que condicional. enquanto salário. tanto que sofre incidência de imposto de renda e contribuições previdenciárias. em defesa do ato legal impugnado. Condenação. 3) não é possível pagar valores diferentes aos eletricitários.OJ n. em suma. todas do TST) e não se incorpora definitivamente ao salário (à semelhança do adicional noturno. sob a exata ótica do STF. Assim. os seguintes argumentos: 1) o adicional é caracterizado como um “salário-condição”. 259 da SDI-1. alteração lesiva aos trabalhadores. Triste é constatar os argumentos que deram azo à alteração legislativa: que a medida foi tomada para atender aos interesses da política econômica do Governo na área de energia. tal disposição da Lei n. que se majore a base de cálculo das outras categorias e não se reduza a dos eletricitários. Por outro lado. A Advocacia-Geral da União já se manifestou formalmente na ADI. Não se descura que o adicional de periculosidade tem natureza de salário-condição (nesse sentido.740/12 tramita a ADI n. 12. houve. tendo em vista a relevância da matéria e seu especial significado para a ordem social e a segurança jurídica. Os argumentos são falaciosos. porque não se pode tratar desiguais de forma igual. tem baixo custo na comparação internacional. base de sua sustentação constitucional: o princípio da proibição do retrocesso social. teve sua base de cálculo reduzida. 132. Na ação. dizer que não é possível pagar valores diferentes aos eletricitários. 12. 9. segundo dados da própria OIT. 5013/DF. 364 e a OJ n. Em desfavor da Lei n.740/12. a duas. conforme Súmula n. As estradas mal conservadas. desconstituindo conquistas já alcançadas pelos trabalhadores que interagem em instalações elétricas e serviços com eletricidade. pois há outras categorias que exercem funções igualmente sujeitas a risco. pois há outras categorias que exercem funções igualmente sujeitas a risco. a má gestão de obras e empresas. como também não se descura que o adicional tem clara natureza salarial. adotou o rito abreviado do art. que tem natureza tipicamente salarial. violou um dos princípios mais caros do Direito do Trabalho. Inserção em folha de pagamento. o trabalho no País. 2) o adicional não se incorpora ao salário dos trabalhadores. o Relator. é inverter totalmente a lógica do sistema: a uma. 265 do TST). ao reduzir a base de cálculo do adicional. o item 108 II da Súmula n.Jornal do Congresso .

por qualquer meio manual. o que envolve o reconhecimento de relação de emprego. 224/2013 afirmaríamos que no âmbito doméstico se aplicaria a regra do art. o que não nos parece uma posição social e jurídica adequada... Fernandes Acadêmico do Curso de Graduação em Direito na UNOPAR/ Londrina. 74 da CLT que dispensa o controle de jornada quando o empregador possuir menos de 10 empregados e que permite que o horário de intervalo para descanso e alimentação seja pré-assinalado. 338: “os cartões de ponto que demonstram horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de prova [. quanto à possibilidade de pré-assinalação do horário de intervalo para descanso e alimentação. LTr . § 2º. Teremos ainda uma discussão sobre a aplicação de parte do inciso III da Súmula n. inclusive. o aspecto da limitação da jornada normal de trabalho é um assunto de grande destaque. 338 do Tribunal Superior do Trabalho.EMPREGADO DOMÉSTICO E ÔNUS DA PROVA DA JORNADA DE TRABALHO Flávio Bento Doutor em Educação. a qual pode ser elidida por prova em contrário” [Inciso I]. apesar de seu reconhecimento ter ocorrido tardiamente. 224/2013 como transcrito acima. Lucas Rafael de Menezes Santos Acadêmico do Curso de Graduação em Direito na UNOPAR/ Londrina. Dentre as diversas questões jurídicas relativas ao trabalho doméstico que foram atingidas pela edição da Emenda Constitucional n. afastará a incidência do art.] o registro da jornada de trabalho na forma do art. 12 do Projeto de Lei n. Chegamos à conclusão provisória que a imposição legal da obrigação de controle e fiscalização da jornada de trabalho será mais rígida e trará consequências jurídicas sérias para o empregador doméstico [pessoa física] do que para as empresas.Jornal do Congresso Com a eventual aprovação do texto do art. 12]. por analogia. Mestre em Direito. desde que idôneo” [art. inciso XVI] foram grandes conquistas dos empregados domésticos na reforma constitucional citada. 7º. Tal texto. da CLT” e que “a não apresentação injustificada dos controles de frequência gera presunção relativa de veracidade da jornada de trabalho. de vínculo de emprego. mecânico ou eletrônico. 7º. Em uma análise sem considerar a eventual aprovação integral do Projeto de Lei n. mas terá aplicação.. inciso XIII] e o direito à “remuneração do serviço extraordinário superior no mínimo em cinquenta por cento à do normal” [Constituição Federal. art. ao empregador doméstico sempre ficará o ônus de provar a real jornada de trabalho que for cumprida pelo empregado doméstico.] prevalecendo a jornada da inicial se dele não se desincumbir”. se aprovado. Professor na Universidade Norte do Paraná/UNOPAR/Londrina. Ocorre que o Projeto de Lei indicado prevê que será “obrigatório o registro do horário de trabalho do empregado doméstico. atraindo. Cleyton Eduardo Todesco D.. Observamos que em um dos conflitos mais comuns que são julgados pela Justiça do Trabalho. 72 de 2013. Prevê a Súmula 338 que “é ônus do empregador [. se o trabalhador afirmar que laborou como empregado e a pessoa ou família que se utilizava de seus servi109 . a aplicação de parte da Súmula n. 74 da CLT no que se refere à dispensa do controle de jornada quando o empregador possuir menos de 10 empregados. A “duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais” [Constituição Federal. art. 74.

224/2013 [que já demora].12. razoável e sincero. DEJT em 28.859/1972)” ao trabalhador doméstico. não poderá ser aplicada no tocante à prova da jornada de trabalho.5. DEJT 19.2.2012].Jornal do Congresso . sendo desarrazoada a determinação de novo pagamento dos 13º salários desses anos. o ônus da prova deverá seguir a orientação jurisprudencial vigente.2012]. dentre outras situações. DEJT em 26. Consideremos. presente confissão expressa da autora. a ideia de que “a natureza peculiar do contrato de emprego doméstico. já admitida em situações semelhantes: “No caso. consideramos que a proposta do Projeto de Lei n. 224/2013. Resta-nos acompanhar a aprovação do Projeto de Lei n. motivo pelo qual se admite uma maior flexibilidade nos meios comprobatórios das questões fáticas controvertidas relativas à relação contratual de tal natureza” [TRT-PR-21446-2010-028-09-00-4. se a interpretação dos doutrinadores admitirá a flexibilização da obrigação tratada neste estudo. nos meses de dezembro de 2008 e 2009. ensejadores do reconhecimento de vínculo de emprego pretendido (art. será da pessoa ou família a obrigação de provar que esse trabalhador laborava como diarista. o ônus de provar que ocorreu uma relação de emprego é do trabalhador. posto tratar-se de fato constitutivo de direito invocado” [TRT-PR-02826-2009-322-09-00-2. 818 da CLT e inciso I do art. 224/2013. ainda. sempre considerando a “natureza peculiar do contrato de emprego doméstico.2. ora ao empregador.12. e essa ideia mais rígida. ou a comprovação de concessão de vale transporte [TRT-PR-12346-2007-004-09-00-1. Essa posição é mais severa quanto ao ônus da prova do trabalhador. não poderá ser utilizada. Mas se a pessoa ou família negar a prestação de serviços. 333 do CPC. ficará mais rígida para o empregador doméstico do que para as empresas. 48900-90. sem possibilidade dessa exigência ser flexível. porque aquele “vale-se da mão de obra apenas com o intuito de dar suporte às lides próprias do ambiente familiar. em princípio.6.2012]. sem obter lucratividade do trabalho prestado” [TST. 110 Essa indicada “flexibilidade nos meios comprobatórios das questões fáticas controvertidas” vem sendo admitida em questões que envolvam a comprovação de pagamento de salário [TRT-PR-21446-2010-028-09-00-4. Talvez a única situação acidental que poderá tornar mais flexível a obrigação do registro do horário de trabalho do empregado doméstico será a hipótese de confissão do próprio empregado. que ora conferem o ônus da prova ao empregado. processo n. decorrente especialmente da confiança estabelecida entre as partes no âmbito residencial. DEJT em 28. “nos termos das disposições contidas no art. Ainda na hipótese de aprovação integral do Projeto de Lei n. Essa maior rigidez afasta a reconhecida ideia de que o empregador doméstico não deve ser equiparado ao empregador urbano [empresa]. recebeu salário em dobro. que há uma parcela da jurisprudência que atribui “o ônus de comprovar a existência dos requisitos legais. LTr . de que. 1º da Lei n.11. mas no caso do ônus da prova da jornada a Justiça do Trabalho não deverá seguir as orientações prevalecentes na jurisprudência. O conteúdo da declaração mostra-se coerente.2009]. o que nos parece. Nesse tipo de conflito [de reconhecimento de relação de emprego]. impõe a inexigibilidade das rígidas formalidades aplicáveis aos contratos de emprego em geral.ços alegar que ele era diarista.2010]. DEJT em 28. 5. no tocante à obrigação do registro do horário de trabalho. já que a obrigação do empregador doméstico quanto ao controle de jornada passará a ser expressa na lei com a aprovação do texto do Projeto de Lei. DJPR em 26.2006. uma situação jurídica inadequada.0051.2.2008]. e. Em conclusão. quanto à prova jornada de trabalho. decorrente especialmente da confiança estabelecida entre as partes no âmbito residencial”. 12 como proposto. mantido o texto do art. por importar nítido enriquecimento sem causa por parte da autora” [TRT-PR-21446-2010-028-09-00-4. já que a previsão normativa de ser “obrigatório o registro do horário de trabalho do empregado doméstico” não gerará dúvidas de interpretação. entretanto.

) Assim. a demonstração da simples violação pelo empregador de norma de conduta que diz respeito à saúde. ao elencar direitos sociais mínimos. da CF. não é demais lembrar que a NR-1 — Norma Regulamentadora n. batizado por Sebastião Geraldo de Oliveira.5. São Paulo: LTr. nos dias de hoje equivale a atividade que também é sinônimo de direito à felicidade. Analista Judiciário — Área Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. conforme ditames da justiça social. Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade de Campinas e Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes. também.. garantindo um ambiente de trabalho 100% seguro ou minimamente inseguro. Data de Julgamento: 26/02/2014. maquinário. Pelo art. a título exemplificativo: (. o TST já vem desenvolvendo. p. cabendo às empresas cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho. sendo-lhe reti(1) OLIVEIRA. assim entendida a condição inerente às instalações. por meio de normas de saúde. higiene e segurança —.2006.2014) Ademais. traz como fundamentos da ordem econômica a valorização do trabalho humano e a livre iniciativa. 1º. quando se verificar o que a doutrina denomina — culpa contra a legalidade —. Proteção jurídica à saúde do trabalhador. além de outros que visem a melhoria da condição social do trabalhador — propugna não somente pela vedação ao retrocesso social. quando o empregador descumpre as determinações legais de saúde. IV. ao propugnar pela redução dos riscos inerentes ao trabalho (complementado pelo art. 6. 1ª Turma. I. e como objetivo o bem-estar social e a justiça social. temos que a ordem social tem como base o primado do trabalho. 170. Redator Ministro: Hugo Carlos Scheuermann. a importância dada pelo Poder Constituinte Originário ao trabalho — palavra inicialmente de significado pejorativo.04. por sua vez. vale dizer. 193. higiene e medicina do trabalho. caput. 157. Já no art. 3. rev. devido ao seu ascendente linguístico tripalium. conforme julgado abaixo.. 148.) (TST-RR-6540-94. Data de Publicação: DEJT 7. mas. Professor de Direito nas Faculdades Integradas Ipiranga e na Famaz — Faculdade Metropolitana da Amazônia.0203. oferecendo condições de trabalho inseguras.. (. consoante inciso XXII do art. tem-se nos valores sociais do trabalho e nos valores sociais da livre iniciativa fundamentos de existência e validade da República Federativa do Brasil. assegurando-se a todos uma existência digna. Com efeito. O próprio art. pois. O art.Jornal do Congresso tião Geraldo de Oliveira(1).. equipamentos de trabalho e rotinas repetitivas e semiautomáticas que são fatores propícios à ocorrência de acidente com lesão. ao empregador é exigido o dever de cumprir os preceitos legais a respeito dos deveres de cuidado com a segurança e medicina do trabalho e ao empregado é assegurado como direito fundamental a — redução dos riscos inerentes ao trabalho. por cláusula de avanço social.O DIREITO DOS TRABALHADORES AO ADICIONAL DE INSALUBRIDADE QUANDO HÁ “MERA EXPOSIÇÃO” A RAIOS SOLARES Igor Zwicker Martins Bacharel em Direito e Especialista em Gestão de Serviços Públicos pela Universidade da Amazônia. que consagra o atualmente chamado princípio do risco mínimo regressivo. ed. da CLT). de forma ampla. 2011. e atual. o princípio batizado por SebasLTr . 111 . 7º da CF.7. 1 do MTE — Ministério do Trabalho e Emprego (disposições gerais) foi alterada em seu item 1. ao leitor. O inciso XXII traz em seu bojo o princípio do risco mínimo regressivo. 7º da CF. atualmente exerce o cargo em comissão de Assessor Jurídico-Administrativo. Um rápido passeio pela Carta Cidadã de 1988 deixa explícita. higiene e segurança para caracterizar a sua culpa. Basta. ou seja.3. Sebastião Geraldo de.

é que o agente insalubre deve estar inserido na relação do MTE (art. o segundo. havendo comprovação. saúde.2012.2008. (. há expressa menção a “Ambientes externos com carga solar”.. assim dispõe a Orientação Jurisprudencial n.2014. 26 e 27. A OJ foi recentemente alterada. Essa tem sido a base das decisões da Corte Superior Trabalhista. Cientificamente. cuja redação originária do enunciado falava apenas em “atividade a céu 112 aberto”. Relator Ministro: Alexandre de Souza Agra Belmonte. existem vários LTr . voluntária ou involuntariamente. 186 (DEJT de 25. A razão dessa alteração foi a de justamente demonstrar que a ação humana praticada pelo trabalhador. 173. mediante perícia técnica. julgado em 23. pelo empregado. 3ª Turma.09.4. Exposição ao sol e ao calor. o mesmo entendimento não pode ser aplicado às hipóteses em que o laudo pericial constata a submissão do trabalhador ao agente insalubre calor. caput.5. da submissão do reclamante a trabalho insalubre decorrente da exposição ao fator calor. 3214/78 do MTE. entre outros. a saber: “A condenação da empresa ao pagamento de adicional de insalubridade decorreu da exposição do autor a níveis insalubres do agente calor. do Ministério do Trabalho. Atividade a céu aberto. foi de vedar o pagamento de adicional de insalubridade em razão do fator radiação solar. para a percepção do adicional de insalubridade. não se confundindo com a mera exposição a raios solares. Anexo 3. da CLT). nas condições previstas no Anexo 3 da NR 15 da Portaria N. nos termos da NR 15. 852-D da CLT e 335 do CPC) e normas de higiene. sendo irrelevante o fato da alta temperatura decorrer do contato com a luz solar. Min. 3 da mesma norma regulamentar. Recurso de embargos conhecido e desprovido. na qual não há qualquer diferenciação a respeito da necessidade de exposição ao mencionado fator em ambiente fechado ou aberto. Dessa forma. nesses termos: Adicional de insalubridade — Exposição ao calor do sol — Orientação jurisprudencial n. Inegável. Ocorre que. portanto. em especial diante da incumbência precípua das empresas de cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho. caput. equivalente a um “ato inseguro”. a nosso ver. por sujeição à radiação solar (art. quando de sua edição.2012). ante a inexistência de previsão legal neste sentido. O Anexo 7 da NR15 do Ministério do Trabalho. não podendo ser tida isoladamente. indevido o adicional de insalubridade ao trabalhador em atividade a céu aberto. há de ocorrer. É cediço que. da SDI-1 do TST: Adicional de insalubridade. Aliás.0567.4.Jornal do Congresso .2012. o processo n. não há como prevalecer tal entendimento.0133.15. 193. está inserida dentro da dinâmica juslaboral e do contexto das condições de trabalho.2014) Se analisarmos as decisões que ensejaram a alteração da OJ. trata das radiações não-ionizantes. em desacordo com as regras de experiência comum (arts. o qual encontra previsão no anexo n. concomitantemente. dois requisitos: o primeiro. para a inclusão do item II e alteração parcial do item I. ao qual a Orientação Jurisprudencial n. conforme se verifica do item 1 do referido anexo. 173 da SBDI-1 faz referência.)” (TST-AIRR-629-28. Em relação às atividades a céu aberto por sujeição a radiação solar. Data de Julgamento: 9. TST-ARR-153200-96. temos. que o intuito desta Corte. segurança e medicina do trabalho (em contraposição às condições inseguras. Pois bem. Entretanto. é que a caracterização e a classificação da insalubridade far-se-á mediante perícia técnica (art. deve ser mantida a condenação ao pagamento de adicional de insalubridade. assim considerados os atos de ação ou omissão praticados pelo empregado. II — Tem direito ao adicional de insalubridade o trabalhador que exerce atividade exposto ao calor acima dos limites de tolerância.09. 3214/78 do MTE). reveladas no descumprimento parcial ou total dessas normas de proteção pelos empregadores). 195. de acordo com a Resolução TST n.rada a expressão “atos inseguros”. da CLT). por razões de cunho jurídico e científico. inclusive em ambiente externo com carga solar. SDI-1.08. Rel.. Data de Publicação: DEJT 15. I — Ausente previsão legal.5. segundo o projeto “Prof2000” (Portugal). 195 da CLT e Anexo 7 da NR 15 da Portaria n. 173 da SBDI-1 — Inaplicabilidade. tendo o TST acrescentado a expressão “sujeição à radiação solar”. Renato de Lacerda Paiva.

200. diz o seguinte: 1. serão consideradas insalu- LTr . a NR-21 (trabalho a céu aberto) exige medidas especiais que protejam os trabalhadores contra a insolação excessiva e a NR-15 (atividades e operações insalubres). O Auditor-Fiscal do Trabalho Carlos Roberto Miranda traz em seu site medidas de prevenção adequadas à proteção dos trabalhadores expostos a raios solares: controle ambiental da fonte da radiação. V. são radiações não ionizantes as microondas. ultravioletas e laser. A radiação ultravioleta. por seu Anexo n. 2. o que permite concluir que. a resposta se encontra nas próprias Normas Regulamentadoras do MTE. de forma a proteger o rosto e a pele do corpo. encadeamento devido a contrastes muito grandes no campo visual ou a brilhos excessivos da fonte luminosa etc. incluindo chapéus. 173 da SDI-1 do TST. As operações ou atividades que exponham os trabalhadores às radiações não ionizantes. pelo ozônio e pelo oxigênio. a NR-21 e o Anexo n. citando expressamente a faixa de 400-320 nanômetros. 113 . Isso porque o art. funciona como um filtro natural aos raios ultravioleta e bloqueia totalmente as radiações UV-C. afasta a hipótese de insalubridade apenas nos casos de radiações da luz negra. com firme interpretação científico-jurídica. da CLT exige do próprio MTE o estabelecimento de disposições complementares que tratem de proteção contra insolação. Concluímos.). UV-B. uso de equipamentos de proteção individual. causam alterações no sistema nervoso central. de adicional de insalubridade. fazendo clara alusão à radiação UV-A. possuem alta ação danosa de radiação UV. em decorrência de laudo de inspeção realizada no local de trabalho. Veja-se que a própria NR-15. exames médicos periódicos. sem prejuízo do cumprimento das normas de proteção à saúde pelo empregador. tem sua principal fonte no Sol. devendo ser revisto o enunciado da OJ n. Juridicamente. o trabalho em atividade a céu aberto por sujeição a radiação solar gera direito à percepção do adicional de insalubridade. são a principal causa do câncer de pele e outras doenças relacionadas à pele e também aos olhos (perda da acuidade visual. Os raios solares UV-B agem na superfície da pele e são efetivamente responsáveis pelas queimaduras solares e diversas outras doenças. limpo. A camada de ozônio. Para os efeitos desta norma. sobretudo no trabalho a céu aberto. infravermelha (IV). 193 e 195 da CLT. a restar cumprida a inteligência dos arts. V. 3. acertadamente. distúrbios cardiovasculares e respiratórios etc. 200. sem a proteção adequada. Dessa forma. fadiga ocular. a colocar pá de cal na cizânia. As atividades ou operações que exponham os trabalhadores às radiações da luz negra (ultravioleta na faixa — 400-320 nanômetros) não serão consideradas insalubres. utilização de vestuário adequado. o que não ocorre com as radiações UV-A e UV-B. micro-ondas e radiofrequências. e UV-C. indo o próprio Poder Judiciário de encontro à rede protetiva geral constitucional e infraconstitucional pertinente à saúde do trabalhador. de tecido apropriado às condições climáticas (temperatura e umidade). de 320 a 290 nanômetros.Jornal do Congresso bres. limitação da exposição. considerada a mais perigosa. laser. pelo trabalho em atividade a céu aberto por sujeição a radiação solar. 7 da NR-15 dão guarida à percepção. e subdivide-se nas zonas A. de 400 a 320 nanômetros. visível (V). medidas de controle de riscos ocupacionais. situada entre a troposfera e a estratosfera. da CLT. uso de filtros solares (fotoprotetores). 7 (radiações não ionizantes). que o art. arejado. B e C: UV-A (denominada luz negra). são a porção mais perigosa da radiação (a nocividade dos raios UV-B é cerca de mil vezes mais agressiva que a dos raios UV-A).tipos de radiações não ionizantes: ultravioleta (UV). de 290 a 100 nanômetros. como a nossa atmosfera não consegue bloquear na totalidade os raios UV-B. entendemos que simplesmente interpretar o trabalho em atividade a céu aberto por sujeição a radiação solar como “mera exposição” a raios solares é chancelar a exposição do trabalhador a agentes insalubres e permitir a deterioração da sua saúde.

praticamente. nestes casos cabe ao Juiz determinar que a parte que faz a alegação esteja incumbida de produzir a prova. de maior relevância. à situação prevista no § 2º. estar-se-á cerceando a persecução de direitos de alguma ou ambas as partes.g. de acordo com o art. o ônus probatório não poderia ser de outra forma disposto. nada mudará. não se amoldando. também pelo fato de estarmos tratando de uma situação onde há prestação de serviços a um empregador pessoa física que. Importante. ex. Tal situação exemplificativa nos faz deduzir que a contrario sensu o raciocínio de que o empregador doméstico que não atinge tais situLTr . na grande maioria das vezes. Por exemplo. são os fatos negativos. uma vez que tais restrições não existiam no meio jurídico. 74 da CLT. sendo. quando se tratar de direito indisponível da parte ou quando for de excessiva onerosidade à parte. mormente quando os fatos resultarem em prova de difícil produção. tais dificuldades devem ser respondidas. seja essa dificuldade pela sua onerosidade ou especificidade técnica. que contar com mais de 10 (dez) funcionários será obrigado a ter controle de jornada. poderá ser feita à luz do que já construiu a doutrina e jurisprudência para os demais trabalhadores e sob esta ótica deverão tais entraves serem dirimidos. Partindo-se do pressuposto que antes do advento de seu texto. agora. Contudo. na mesma linha de raciocínio: por equiparação. por liberalidade. portanto pessoa jurídica. mas com as cautelas de praxe tendo em vista a realidade distinta dentro do âmbito familiar. por exemplo. 72. porque se correria o risco de imputar à parte a produção de provas diabólicas. v. que dispõe que o estabelecimento. tal disposição revela-se muito frágil quando em jogo uma análise prática pois. há singela previsão legal de que a prova dos fatos incumbe a quem os alega.4. impossíveis de serem produzidas. o disposto no parágrafo único do mencionado artigo. modificativos e extintivos do direito do autor. Devemos. temos de levar em conta que a Emenda Constitucional n. Nestes casos. quanto à jornada ressalta-se a necessidade de utilizarmos subsidiariamente o Código de Processo Civil. o que é concebido pelo art. E. dependendo do tipo de prova a ser produzida. será o ônus da prova. do art. quando se vislumbra a dificuldade da prova no seio familiar. pautar-nos pelo que dispõe o art. 118 da CLT. 769 do mesmo instituto legal. equiparou estes trabalhadores aos urbanos e rurais.2014 o funcionário não compareceu às atividades la114 borativas porque estava em Manhattan. 332 a 341. Dele. quando da comprovação da jornada de trabalho do doméstico. empregador que alega que no dia 17. A distribuição do ônus da prova. Como referidas provas são. os empregados domésticos não estavam sujeitos nem a jornada de trabalho e muito menos ao seu controle. uma pessoa ter que provar que nunca esteve em Manhattan. pois nele há a previsão de impossibilidade de inversão do onus probandi. o que segundo a melhor doutrina. No bojo do art. já é pacífico que ao empregador cabe o ônus da prova da justa causa e se envolver trabalho doméstico.Jornal do Congresso . empregador. então. encetou contrato com apenas um(a) empregado(a). Ao se indagar a quem incumbe o ônus da prova. 332 do CPC ao réu cabe a prova dos fatos impeditivos. onde prevê que ao autor incumbe a prova dos fatos constitutivos de seu direito. valendo-nos do disposto no Código de Processo Civil. da mesma forma. pois.. com cautela.ÔNUS DA PROVA DA JORNADA — DOMÉSTICO X EMPREGADOR Luis Felipe Carneiro Maluly Estudante do 10º Termo do Curso de Direito da Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE) de Presidente Prudente/SP. empregado ou empregador. 333. Porém. entre seus arts. ou então aqueles não fundados em tempo indeterminado.

conhecidos. e b) No caso de não existir o controle da jornada pelo empregador. o ônus da prova documental será de exclusividade do empregador. haja vista hoje dia ser raridade homem ou mulher. sem sombra de dúvida. que se materializa no momento da prolação da sentença pelo Magistrado. principalmente nesta seara. Destaque-se que. aplicável indistintamente à teoria da inversão do ônus da prova sempre aos empregadores domésticos. via de regra. entender. o que poderá ser antes provado. Balancear a distribuição do ônus da prova tendo como parâmetro. por ser o detentor dos “cartões-ponto”.Jornal do Congresso as regras de validade e eficácia de tais anotações trazidas pela CLT e pelas Súmulas do TST. sob pena de presunção de validade da jornada alegada. ficando o empregado doméstico “livre” para executar suas tarefas dentro ou aquém de seu horário de trabalho. com prova testemunhal (outros empregados da residência. pois no caso de sair um dia ou outro mais cedo do serviço (com tarefas executadas a contento) será difícil para o empregador descobrir e provar que não houve o cumprimento integral da jornada. ao passo que ônus subjetivo da prova está relacionado às partes. por equiparação. deve o empregador realizar no máximo contraprova de que não era a jornada narrada na inicial aquela praticada ou que não havia a feitura de horas extraordinárias a partir do pressuposto de que caberá. ferindo a ciência do Direito que deve. via de regra. o que convenhamos. também. quais sejam: a) sempre que adotado meio de controle da jornada pelo empregador. sendo certo que para que haja um julgamento justo deverão caminhar lado a lado na persecução do objetivo colimado todo o esforço de convencimento enfim da prova da jornada de trabalho. também pelo doméstico. dispensado está do referido controle que é exatamente o caso do doméstico que. podemos chegar. Portanto. abeberar-se na sociologia jurídica. Não há como. a pelo menos duas singelas conclusões. será válida. analisadas tais situações e aplicando-as na solução da problemática apresentada.ações (menos de 10 empregados). embasado na distribuição do ônus da prova previsto no Código de Processo Civil. sob pena de incorrer na exigência de comprovação das chamadas provas diabólicas por serem as diversas situações vivenciadas dentro das residências de caráter negativo. vizinhos. por exemplo. pois. sua utilização para os domésticos. 115 . a prova de suas alegações. Em conclusão. ao empregado. de aplicação subsidiária. fato constitutivo de seu direito. empregadores que não trabalhem fora de casa. na fase de instrução visando o convencimento do Juiz para que ele possa sentenciar com base na maior proximidade da realidade dos fatos que se espera sejam vividos. é público e notório que. a partir da realidade vivida no âmbito doméstico. Assim agindo. sua própria experiência pessoal (senso médio do homem comum) será imprescindível. observadas todas LTr . onde deverá o julgador fazer um juízo axiológico entre os fatos narrados no processo pelas partes. o onus probandi deverá recair sobre o empregado. os tipos de prova que foram produzidas. nos lares brasileiros. é. eis que as horas extras que persegue. e exigida sua apresentação deverá juntar aos autos.). de ordinário acontece! Por outro lado. onde o laboratório a ser investigado é uma reprodução do que ordinário acontece em todos os lares nacionais. é sabido que o ônus objetivo da prova está diretamente ligado ao Juiz. não chega a preencher tal requisito numérico. salvo quando existente controle escrito. exceções de famílias abastadas à parte. etc. estariam os doutrinadores e julgadores contrariando a realidade peculiar em análise. apesar de a jurisprudência no TST sobre a distribuição do ônus da prova estar consolidada para os trabalhadores urbanos e rurais. em regra. a despeito de sua condição de hipossuficiente sob a ótica econômica. e a rogo de qual parte ficou a produção das referidas provas que instruíram o feito e nortearão sua decisão. Outra previsão acerca do ônus da prova presente no Código de Processo Civil é o ônus objetivo da prova. em regra. à luz do princípio da aptidão para a prova. em uma análise superficial. desde que não conflite com a realidade do âmbito familiar. o doméstico é um empregado que não está sujeito à fiscalização imediata pelo empregador.

teremos inevitavelmente uma relação de emprego. por ser espécie. entre suas características. Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade de Campinas e Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes. que tem. para a formação do vínculo empregatício. 3º.Jornal do Congresso . 2º e 3º da CLT. caput. culturais. B. é uma relação de trabalho. Analista Judiciário — Área Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. regulado pela Lei n. Toda relação de emprego. a de contrato-realidade). parágrafo único). cabe destacar que o juiz o trabalho deverá dar maior relevância à prova oral. dados os objetivos que permeiam tal prestação de serviços.608/98). atualmente exerce o cargo em comissão de Assessor Jurídico-Administrativo. 9. onde rigorosamente faltarão um ou mais dos quatro pressupostos citados (pois se todos estiverem presentes. o da onerosidade. que caracterizam a relação de emprego: pessoalidade. devendo existir cumulativamente. que tenha objetivos cívicos. inexiste um dos pressupostos básicos da relação de emprego. no desempenho das atividades voluntárias (art. Na prestação do serviço voluntário. 9. ouvidas sempre como informantes. em sentido lato. O FALSO SERVIÇO VOLUNTÁRIO E A SERVIDÃO DISFARÇADA NA LEI GERAL DA COPA Igor Zwicker Martins Bacharel em Direito e Especialista em Gestão de Serviços Públicos pela Universidade da Amazônia. ou a instituição privada de fins não lucrativos. subordinação jurídica e onerosidade. O serviço voluntário não gera vínculo empregatício (art. A relação de emprego é apenas uma das espécies da relação de trabalho — o grande gênero —. 1º da Lei. guardadas as proporções de onde estejam inseridas as classes sociais (A. inclusive mutualidade. Segundo o art. sem embargo da possibilidade de o prestador do serviço voluntário ser ressarcido pelas despesas que comprovadamente realizar.Neste caso. científicos. Finalmente. Mas existem diversas outras relações de trabalho. considera-se serviço voluntário a atividade não remunerada prestada por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza. que empresta sua força de trabalho a outrem. qual seja. recreativos ou de assistência social. após a prova de sua existência. capaz que fazer existir no mundo jurídico o contrato de trabalho. evidentemente em caso de negativa de sua juntada. o gênero. onde existe a prestação de servi116 ços por uma pessoa física. como o peso que melhor se harmonizar com o que de ordinário acontece nas famílias brasileira. sob pena de considerar-se verdadeira a jornada alegada na inicial. LTr . da Lei n. Inteligência dos arts. mesmo no caso de acolhimento de contradita contra as pessoas amigas e ou parentes. Professor de Direito nas Faculdades Integradas Ipiranga e na Famaz — Faculdade Metropolitana da Amazônia.608/98. a juntada de tais documentos. está o serviço voluntário. educacionais. C ou D). Entre essas inúmeras relações de trabalho em sentido lato. não eventualidade. 1º. seus indispensáveis pressupostos. deverá requerer.

e 117 . 12. afirma o seguinte: A onerosidade. pela intenção econômica (intenção onerosa. filantropo político ou religioso. por exemplo. ed. 57 e 58 da referida Lei. em que há também efetiva prestação de trabalho sem contraprestação onerosa real pelo tomador dos serviços (. comunitário. com o intuito essencial de auferir um ganho econômico pelo trabalho ofertado. ser enfocada sob a ótica do trabalho realizado ou mesmo sob a ótica do tomador dos serviços.Jornal do Congresso prestação de trabalho e ausência de contraprestação onerosa real pelo tomador dos serviços. A Lei n. Mauricio Godinho. 13. LTr . E conclui: No plano subjetivo. para quem recebe o serviço prestado. apenas o exame do plano subjetivo da onerosidade é que responderá pela sua ocorrência (ou não) no quando complexo da relação social construída. Curso de Direito do Trabalho. O serviço voluntário que vier a ser prestado por pessoa física para auxiliar a FIFA. com o intuito contraprestativo trabalhista. finalmente. Mauricio Godinho Delgado(1). para um plano de destaque na investigação e avaliação criteriosa a ser feita pelo operador jurídico.). Ocorre que existem determinadas situações “em que a pesquisa da dimensão subjetiva da onerosidade será a única via hábil a permitir aferir-se a existência (ou não) desse elemento fático-jurídico na relação de trabalho vivenciada pelas partes”. previdenciária ou afim para o tomador do serviço voluntário. pois) conferida pelas partes — em especial pelo prestador de serviços — ao fato da prestação de trabalho. não deve. a Subsidiária FIFA no Brasil ou o COL na organização e realização dos Eventos constituirá atividade não remunerada e atenderá ao disposto neste artigo. nem obrigação de natureza trabalhista. Deve a onerosidade. No plano objetivo. Existirá o elemento fático-jurídico da onerosidade no vínculo firmado entre as partes caso a prestação de serviços tenha sido pactuada. contudo. ao lado de um plano subjetivo de análise do mesmo elemento. ou situações de trabalho voluntário. como elemento fático-jurídico correspondente da relação de emprego. resta óbvio dizer que a onerosidade de materializa pelo próprio pagamento dos salários e. sempre tendo determinado valor econômico para seu tomador. criada especialmente para os eventos que se aproximam. outras distintas situações de trabalho voluntário. A pesquisa da intenção das partes — notadamente do prestador de serviços — desponta nessas situações fronteiriças. conhecida como “Lei Geral da Copa”. 2014. em território brasileiro. aponta o eminente jurista: Trata-se. 57. Em qualquer dessas situações. de situações tipificadas como de servidão disfarçada. E prossegue: A pesquisa do elemento onerosidade no contexto de uma relação sociojurídica concreta deve envolver duas dimensões diferenciadas mas combinadas: um plano objetivo de análise. p. pelo trabalhador. todo trabalho — mesmo simples — é passível de mensuração econômica no contemporâneo sistema de mercado. portanto. com as consequências econômicas favoráveis ao prestador oriundas das normas jurídicas trabalhistas incidentes. A prestação laboral ter-se-ia feito visando à formação de um vínculo empregatício entre as partes.A onerosidade é um pressuposto altamente relevante na relação de emprego. dados os caráteres bilateral e sinalagmático que dão característica a essa relação jurídica: à força de trabalho do empregado corresponde o dever do empregador de pagar salário — talvez o único meio de sobrevivência digna do trabalhador. filantropo político ou religioso em que a prestação de trabalho se confere em um contexto de alguma reciprocidade material em benefício do prestador enfocado.. Nesse sentido. É que. como bem ressalta o mestre. consoante arts. 299-301. § 1º O serviço voluntário referido no caput: I — não gera vínculo empregatício. ser enfocada sob a ótica do prestador de serviços: apenas nessa perspectiva é que ela constitui elemento fático-jurídico da relação de emprego. comunitário. dificilmente terá o operador jurídico dificuldade em vislumbrar a presença da onerosidade em uma relação de trabalho investigada. o elemento fático-jurídico da onerosidade estaria sempre presente. a onerosidade se manifesta pela intenção contraprestativa. que dizem: Art. desde que houvesse prestação de trabalho por alguém a outrem: afinal. em que há efetiva (1) DELGADO. ao discorrer sobre a onerosidade.663/12.. traz uma regra bastante peculiar. considerado sob qualquer dessas duas perspectivas. São Paulo: LTr. ou.

Jornal do Congresso . assim definidos pelo art. 58. domiciliada no Brasil. por (tentarem) afastar. de eficácia social plena e aplicação imediata (arts. 12. constituída sob as leis brasileiras com o objetivo de promover a Copa das Confederações FIFA 2013 e a Copa do Mundo FIFA 2014.II — será exercido mediante a celebração de termo de adesão entre a entidade contratante e o voluntário. LTr . em nosso Estado Democrático de Direito. entre outras. pois. ao analisar a presente Lei. em relação aos eventos. cujo capital social total pertence à FIFA. e suas subsidiárias não domiciliadas no Brasil. 57 e 58. ocultação. por exemplo. 16 da Lei n. Já desde o parecer da JUCERJA. da CF) e consagra o princípio da inafastabilidade da jurisdição. tal manobra foi considerada irregular pela Procuradoria da Junta Comercial.). alimentação e uniformes. pétreos. a exemplo de transporte. § 3º O prestador do serviço voluntário poderá ser ressarcido pelas despesas que comprovadamente realizar no desempenho das atividades voluntárias. o intuito lucrativo permeia toda a Lei. 118 III — Copa do Mundo FIFA 2014 — Comitê Organizador Brasileiro Ltda. em face da inexistência de critério pré-definido para a divisão dos lucros. no plano subjetivo. para os fins de que trata esta Lei. que diz: “Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos”. desde que expressamente autorizadas pela entidade a que for prestado o serviço voluntário. não há um inciso sequer sobre as pessoas físicas relacionadas nos arts. a afastar a possibilidade de prestação de “serviço voluntário”. com a intenção de obter vantagens para si ou para outrem etc. XXXV. e 60. 9. Assim. certas relações jurídicas (“não existe vínculo de emprego”. não descaracteriza a gratuidade do serviço voluntário. 2º da Lei n. que garante ao Estado-Juiz o monopólio da jurisdição. negociação. a Lei n. Tal conclusão se mostra ainda mais evidente quando pesquisamos sobre a natureza jurídica do COL (Copa do Mundo FIFA 2014 — Comitê Organizador Brasileiro Ltda. está inserido na carta de direitos fundamentais. peremptoriamente. da CF.608. de 18 de fevereiro de 1998. dele devendo constar o objeto e as condições de seu exercício. II — Subsidiária FIFA no Brasil: pessoa jurídica de direito privado. oferecimento. Aliás. pela intenção econômica (onerosa) conferida. ousamos vislumbrar. a obrigação de indenizar danos. (COL): pessoa jurídica de direito privado.2008. com atividades relacionadas aos eventos”. 2º da Lei n. observará o disposto na Lei n. 12. § 4º. Art. 5º. condutas relacionadas a atividades de publicidade. no plano subjetivo. exposição à venda.663/12: I — Fédération Internationale de Football Association (FIFA): associação suíça de direito privado. 5º. bem como os eventos relacionados. § 2º A concessão de meios para a prestação do serviço voluntário. percebemos de forma clara que a onerosidade se manifesta pela intenção contraprestativa. caput e § 1º. 53 do Código Civil. a Subsidiária FIFA no Brasil ou o COL. Dessa forma. apenas se estipulando em contrato social que os lucros poderiam ser distribuídos de forma desvinculada da participação societária. nesse ajuste legislativo. IV. claramente. 12. que chega a regulamentar. mas se fala.663/12).). 12.663/12 tenta afastar essa aparência de atividade remunerada. Curioso constatar que. sem autorização da FIFA ou da pessoa por ela indicada. “não existe onerosidade” etc. reconhecida pela FIFA. desvio ou transferência de ingressos. venda. em franca violação ao art. inclusive. bem como os seus subcontratados. (art. Eis aí um típico exemplo — e atual — de uma relação sociojurídica concreta com a necessidade de se perquirir.6. descurando o legislador pátrio do art. ao longo de todo o art. a onerosidade. uma situação tipificada como de servidão disfarçada. entidade mundial que regula o esporte de futebol de associação. lucros cessantes e qualquer proveito obtido por aquele que praticar. o qual. quando se tentou registrar o COL como se associação fosse. em que há a efetiva prestação de trabalho e ausência de contraprestação onerosa real pelo tomador dos serviços — a FIFA. O serviço voluntário que vier a ser prestado por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza ou instituição privada de fins não lucrativos. de 4. São as leis conhecidas popularmente como “toques de Midas”. nos parceiros comerciais da FIFA (inciso XI): “pessoas jurídicas licenciadas ou autorizadas com base em qualquer relação contratual. convites ou qualquer outro tipo de autorização ou credencial para os eventos de forma onerosa.663/12. transporte.

desde que esteja programada qualquer competição amistosa ou oficial. por conta (dentre outras) de estar atrelado à condição de salubridade do trabalhador. Sabe-se que o horário de trabalho é o tempo à disposição do empregado em face do empregador.6. 9. Nesse caso. por prazo não superior a 3 (três) dias por semana. 6. claramente já demonstrada. em conjunto com a onerosidade.Jornal do Congresso O atleta será obrigado a concentrar se. ser reconhecido. 119 . em 11. o direito à remuneração de no mínimo 50% a mais sobre as horas extras. Ato contínuo. 1º da própria Lei n.746/0001-08. desde que não seja fixado expressamente outro limite.Como cediço. 6. segundo art. A constituição da república garantiu a todos os trabalhadores urbanos e rurais. convier ao empregador. dispõe: LTr . envolvendo “serviço extraordinário” o art. 7º. o COL seria composta majoritariamente por entidade sem fins lucrativos (a CBF). consoante CNPJ n. O art. o COL acabou sendo registrado na JUCERJA. então. 58 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).2008. 10.014. não se enquadra os dispositivos celetistas e constitucionais. menciona que duração normal do trabalho. por sua vez. seja porque o COL não é entidade pública. regulamenta a profissão. A legislação trabalhista disciplina que a duração normal do trabalho. ocorrerá o labor em horas extras. havendo trabalho acima do referido limite (diário ou semanal). para os empregados em qualquer atividade privada. salvo exceções. O TEMPO DE CONCENTRAÇÃO DE UM JOGADOR DEVE SER CONSIDERADO HORA EXTRA? Euseli dos Santos Advogado trabalhista militante em Uberaba (MG) e Mestrando em Direito pela Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP) A jornada de trabalho é um tema interessante e sempre teve atenção especial do Direito do trabalho. XVI. citado.608/98. de forma que a distribuição dos lucros — procedida de maneira desvinculada da participação societária — poderia representar violação indireta ao previsto no estatuto da própria CBF e violação do art. o vínculo empregatício deverá.354/74. como sociedade empresária limitada. A Lei n. Ocorre que o jogador profissional. por conta que a Lei n.354/1976. será oito horas diárias e quarenta e quatro semanais. não excederá de 8 horas diárias. no máximo. e ficar à disposição do empregador quando da realização de competição fora da localidade onde tenha sua sede. em seu art. seja porque não é instituição privada de fins não lucrativos. a jogar pá de cal na cizânia. 53 do Código Civil. da Constituição da República prevê o direito à remuneração do respectivo período com o adicional de no mínimo 50%. 7º. Logo. a afastar por completo a possibilidade de prestação de serviço voluntário. E caso estejam presentes os outros pressupostos da relação de emprego.

Horas extra. 2011. subtende-se que o jogador estará descansado e com isso apto a desenvolver a sua atividade quando da realização do evento. para efeito de pagamento de horas extras. Desse modo. A concentração tem a finalidade principal de resguardar o atleta. pois a profissão é regulamentada por lei própria. A concentração. 2000).2009. desde que não exceda a três dias por semana.8. a concentração do jogador de futebol. A doutrina é bem clara: A concentração é o período em que o atleta irá ficar num hotel antes das partidas para descansar. 80).. não se pagará hora extra. evitar ingestão de bebidas alcoólicas. Recurso de revista que se nega provimento (BRASIL. Recurso de Revista n.Entende-se que. 2ª Turma. 80). 120 Considerações finais Foi visto que o regime de concentração do jogador profissional não é tido como tempo a disposição do empregador. é uma característica especial do contrato de trabalho do atleta profissional. p. O jogador profissional então. o minimo que se pode fazer é remunerar como extraordinário o período gasto em concentração que extrapolar o limite das quarenta e quatro horas semanais de trabalho (OLIVEIRA. de forma a poder exigir maior e melhor rendimento durante a competição. Fernandes. O período de concentração. pois existe lei especial que se aplica ao caso específico. não seja considerado como hora extra. 2009. já que a sistemática não se equipara ao tempo em que o empregado permanece à disposição do empregador. não faz jus ao recebimento de horas extras. A concentração é obrigação contratual e legalmente admitida. Jogador de futebol. pois apesar de que o jogador não está atuando. a meu ver. (. 2009. o período de concentração não gera o direito a horas extras.) horas extras.Jornal do Congresso . e por isso. vez que aquele acaba permanecendo mais que o dobro do tempo em atividades benéficas ao empregador. E uma forma de preservar a saúde do atleta para que ele possa bem desempenhar o seu mister de jogar a partida desportiva (MARTINS. visto que o período é sim tempo à disposição do empregador. Período de concentração. 297/2002-104-0300-8. por conta de concentração: O Jogador de futebol. atividades de treino. tratando-se de característica especial de trabalho do jogador profissional. já que o empregador tem maiores condições de controlar o período de sono. pois ela é levada a efeito para atender interesses do empregador. ele está à disposição do clube (empregador). não importando se ele fica teoricamente descansando. Tempo à disposição pela CTL. de drogas ou substâncias proibidas para o esporte. Período de concentração. as regras celetista e constitucionais. Observa-se que a concentração do jogador de futebol é uma característica marcante do contrato de trabalho. se alimentar adequadamente. Brasília: Tribunal Superior do Trabalho. Recurso de Revista conhecido e não provido (BRASIL. não se admitindo o deferimento de horas extras neste período. é considerado trabalho extra. aguardando ou executando ordens. etc. portanto. Referências BRASIL. Entendo que a legislação deverá se aperfeiçoar para conferir ao jogador profissional o direito às horas extras nos casos de concentração. tem natureza jurídica e essência diversa das horas de trabalho em prontidão ou sobreaviso. 2009). Nos termos do art. deveria ser considerada como tempo à disposição. Muitos vão dizer que é injusto o fato de que o regime de concentração. Relator Ministro José Simpliciano Fontes F. 6. 7º da Lei n. dentre outras. sendo totalmente distinta a situação do atleta profissional de futebol em relação ao profissional em geral. LTr . Diga-se que além disso é um costume existente na maioria dos países. não integrando a jornada de trabalho. não podendo aplicar a ambas as matérias..354/76. DEJT 7. pois havendo a concentração. propiciando-lhe melhor condição física e psicológica. Diga-se que a jurisprudência é uníssona em não reconhecer o direito do jogador profissional em receber pelas horas extras. p. ingestão de bebida alcoólica.

aquilo que ficou decidido na fase cognitiva. São Paulo: Atlas.br/secoes/ artigosf/Daniel_impenhorabil. Relator Ministro Barros Levenhagem.5. A (IM)PENHORABILIDADE DO BEM DE FAMÍLIA NA EXECUÇÃO TRABALHISTA E APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE COMO SOLUÇÃO Jéssica Chaves Costa Bacherela em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora. 2. São Paulo: LTR.Jornal do Congresso Atualmente. Acesso em: 5 jan. Daniel Amorim Assumpção. É nesse sentido que a execução trabalhista busca. Sergio Pinto. 4º Turma. como afirma com maestria Daniel Amorim Assumpção(1): (1) NEVES. Lei que Regulamenta a Profissão de Atleta Profissional — 6. é na execução que ocorre o atravancamento processual. muitas vezes ocorre em razão de regras contidas na legislação esparsa. por meio de atos praticados pela Justiça do Trabalho. não voluntariamente satisfeita pelo devedor. 3º. 1. perguntamos se não estaria o legislador pátrio exagerando na proteção do devedor.1943. caput. Direitos trabalhistas do atleta profissional de futebol.009 de 29 de março de 1990: Art. coercitivamente. a tutela executiva visa tornar concreto. 2009.adv. esquecendo-se por muitas vezes que o credor também é humano.5. Jean Marcel Mariano. a satisfação de obrigação consagrada em título judicial ou extrajudicial.flaviotartuce. 2000. em evidente e injusto detrimento do credor. Obviamente que não se pretende com tal afirmação glorificar ou ainda justificar métodos ultrapassados na busca da satisfação do direito. se necessário. 1988.354. 2011. 1976. Constituição Federal. 1943. que. 40. Por mais célere que se consiga tornar o processo de conhecimento. Martins. e sofre ao não receber seu crédito diante da ineficácia do processo executivo. BRASIL. Impenhorabilidade de bens — Análise com vistas à efetivação da tutela jurisdicional. BRASIL. Brasília: Senado Federal. 8. Brasília: Congresso Nacional. Recurso de Revista n. da Lei n. A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo 121 . 2014. Decreto 5.2000. O que nos preocupa é se não estaríamos na tal “humanização” da execução. BRASIL. como a responsabilidade pessoal da Lei das XII Tábuas ou métodos de infâmia conhecidos na Idade Média. Consolidação das Leis de Trabalho. Pós-graduanda pela Universidade Cândido Mendes.doc>. Brasília: Tribunal Superior do Trabalho.452 de 1º. 3º. Rio de Janeiro: Ministério do Trabalho. LTr . OLIVEIRA. Disponível em: <http://www.576/97. diante do manifesto fracasso do processo de execução por quantia certa.BRASIL. A impenhorabilidade do bem de família na execução trabalhista Assim dispõe o art. DEJT 1. O contrato de trabalho do atleta profissional de futebol. Dos entraves à execução trabalhista Ao contrário do processo de conhecimento.

(2) GIORDANI. e com ela sua finalidade. 8.Jornal do Congresso .br/artigos_doutrina_ fampg_01. há o direito a dignidade do trabalhador a ter a satisfação de seu crédito no âmbito executivo. economicamente mais fraco. deter os mesmos direitos e prerrogativas daquele que não tem condições de saldar suas dívidas. 2014. Acesso em: 8. seu aproveitamento não é pacífico. mas de igual relevância. em razão destes não serem absolutos. esse ramo do direito poderia perder sua identidade. por outro lado. Inobstante a doutrina e jurisprudência majoritária acatarem a previsão expressa da Lei n. de receber o direito como algo posto. é a proteção do empregado. o crédito trabalhista será quitado.009/90 ao proteger a moradia do devedor não se preocupou em distinguir imóveis de alto valor dos imóveis de baixo valor. Nesse diapasão. se faz necessária análise minuciosa da situação. o que permitirá.) não haveria espaço para aplicação da Lei n.009/90. do contrário. pois. 4ª ed. Nesse caso. há de se dispensar tutela àquele e não a este.009/90 na Justiça do Trabalho. com o bem levado à hasta pública.. Rainer.. 8.asp>. de um lado temos que os fundamentos justificadores da norma jurídica que estabelece a impenhorabilidade do bem de família são a proteção especial conferida pelo Estado à família e o direito a moradia do devedor. LTr . Isso porque estamos diante de colisão de direitos fundamentais. por meio de juízos comparativos de ponderação dos interesses envolvidos no caso concreto. harmonizá-los. impõe-se proceder à compatibilização entre os mesmos. ainda que ostensiva e evidente exteriorização de riqueza. Por meio deste artigo. A aplicação do princípio da proporcionalidade pode ser vislumbrada por meio de decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região(3) que permitiu a penhora de único bem de família residencial detentor de valor suntuoso para a satisfação da dívida trabalhista devida ao credor. trabalhista ou de outra natureza (. atento a que. conferindo tratamento jurídico único diante de situações muito distintas e que pode evidenciar disparidades. conforme afirma Rainer Ckzajkowisk (4): A Lei abrange a possibilidade de o proprietário de uma residência luxuosa que não cumpra o adimplemento de uma obrigação. uma vez que a norma merece ser interpretada a luz do caso concreto. através da redução proporcional do âmbito de aplicação de ambos ou de apenas um deles. 8. economicamente falando. sua não aplicação seria justificada por meio da incompatibilidade com a natureza alimentar do crédito trabalhista. entre o empregado que recebe seu salário e o empregador que não paga. se aplicada. 8.009. Do princípio da proporcionalidade como solução Aplicar o princípio da proporcionalidade como solução para a celeuma que envolve a impenhorabilidade do bem de família legal na execução trabalhista constitui-se como mecanismo hábil para estabelecer equilíbrio entre o direito à moradia do devedor e sua família e o direito do trabalhador à efetiva tutela executiva. não estaria protegendo a parte mais fraca da relação jurídica. É nesse sentido o entendimento de Francisco Alberto de Motta Giordani(2): (.de execução civil. mas sim o mais forte. A Lei n. mostra-se totalmente razoável a penhora de único imóvel residencial de alto valor.). previdenciária. com evidente repercussão no Processo do Trabalho.009/90 como absoluta e escusável apenas nas exceções disciplinadas nos incisos do seu art. 8.com. Disponível em: <http://www. retornando a diferença ao devedor. Em caso de colisão entre direitos fundamentais. a partir da ponderação dos direitos fundamentais... tendo em vista o caráter imperativo da norma. pois. (4) CKZAJKOWISK.apej. Data de Publicação: 10. sendo claro e irrecusável que. sendo que para parte da doutrina e jurisprudência.2012. mediante o emprego do princípio da proporcionalidade. alcança-se solução que não invalida o direito à moradia. de modo a permitir que este adquira imóvel para moradia digna.2. fiscal. Juruá. 3º. assim. 2002. Francisco Alberto de Motta Peixoto. mesmo porque. jan. a razão do Direito do Trabalho. A impenhorabilidade do bem de família: comentários à Lei n. Todavia. torna-se indiscutível a aplicação da regra que atribui impenhorabilidade ao bem de família legal à Justiça do Trabalho. 122 3. A aplicação da Lei n. já que. bem como com os princípios do Direito do Trabalho e sua finalidade precípua de proteger a parte mais vulnerável da relação jurídica. Relator: SAMUEL HUGO LIMA. apenas restringindo seu (3) TRT-15 — AGVPET: 6304 SP 006304/2012. afastando-se.

apenas lhe propiciem bem estar. 8. (“Tu não me procurarias. na Universidade de SorocabaUniso e na Faculdade de Direito de Sorocaba (FADI). é possível concluir que a Lei n. sendo permitida a penhora sobre outros que.009/90 na Justiça do Trabalho. apej.Jornal do Congresso Como identificar os pontos fundamentais da problemática do Direito do Trabalho? O presente estudo tem por objetivo responder a seguinte pergunta: “Dano Existen123 . protegidos pela impenhorabilidade por meio da parte final do parágrafo único do art. A luz do princípio da proporcionalidade. 8009/90 que resguarda a impenhorabilidade do bem de família não deve ser aplicada por meio de mera subsunção legal. Referências bibliográficas CKZAJKOWISK. 8.009/90. Este é o entendimento dos TRT/SP 02990205572 — Ac 3ª T 19990345190 e TRT 1ª Região — AP 03009-97. Rainer. Acesso em: 8. Advogada Trabalhista.br/artigos_doutrina_fampg_01. se já não me tivesses encontrado”) Blaise Pascal Quais as causas das inquietações vividas no mundo das relações do trabalho contemporâneas? Quantas respostas serão necessárias para chegar na essência do Direito do Trabalho? LTr . Deste modo. devem ser impenhoráveis somente os bens indispensáveis à família do devedor. A busca da verdade sobre o dano existencial nas relações de trabalho Noemia Galduróz Cossermelli Doutora e Mestre em Direito do Trabalho pela PUC-SP.flaviotartuce.doc. 1º da Lei n.âmbito de aplicação. GIORDANI. Na mesma esteira de pensamento. asp>. A impenhorabilidade do bem de família: comentários à Lei n. garantindo a observância do direito à dignidade do credor laboral. Disponível em: <http://www.br/ secoes/artigosf/Daniel_impenhorabil. Console-toi. tu ne me chercherais pas si tu ne m’avais trouvé. Francisco Alberto de Motta Peixoto.009/90. Impenhorabilidade de bens — Análise com vistas à efetivação da tutela jurisdicional. Juruá. Professora Titular de Direito do Trabalho na UNIP-Sorocaba. é necessário que haja posição intermediária quanto à aplicação da mencionada Lei. Isso porque o princípio da proporcionalidade se mostra como meio adequado a acomodar objetivos e atenuar tensões. A aplicação da Lei n. A partir dos casos concretos que ilustram que a aplicação do princípio da proporcionalidade leva a decisão equânime e justa diante do conflito de direitos fundamentais. devendo ser realizado exame do caso concreto. 8. NEVES. Daniel Amorim Assumpção. para que seu raio de ação seja restringido em prol dos direitos fundamentais em conflito. 2014. adequando os interesses em conflito de modo que ambos possam conviver sem o completo esvaziamento do outro. 4ª ed.com. Disponível em: <http://www. jan. Situação semelhante se dá no tocante aos bens móveis que guarnecem a casa. não absolutamente indispensáveis à sobrevivência familiar. 2002. considerando a impenhorabilidade como absoluta.adv.> Acesso em: 5 jan 2014.

47. 4) ordem familiar (tempo de convivência com os entes queridos). concretizar sonhos. O sistema jurídico da jornada extraordinária encontra fundamentos nos aspectos a) econômicos.. nacional e internacional.. dispõe: Art. resultar num prejuízo que deva ser reparado. talvez. por acúmulo de ação laboral superior à suportável (.Jornal do Congresso .cial — Trabalhar em horas extras e férias gera dano moral?” Um pouco de história A exploração do trabalho humano na Inglaterra (1830) fez com que os trabalhadores se unissem em defesa de seus interesses.. por si só.) Os empregados constrangidos pela exigência compulsória de horas extras.. A evolução jurídica. (. d) condições satisfatórias de vida e de trabalho. As primeiras leis na era industrial limitaram a jornada de trabalho em 10 horas...” Um pouco de norma jurídica brasileira A Constituição Federal de 1988. com jornada com 08 horas como os Estados Unidos (1868) e Austrália (1901). Em virtude do labor em jornada excessiva. que se ressarçam os vitimados pela exploração do poder econômico. Por que somente agora está se falando tanto em direito existencial (projetos de vida) do trabalhador? Qual é a causa? LTr . Um pouco de doutrina Jorge Boucinhas: “(. lutar em igualdade de condições. sobre normas de proteção à jornada e ao descanso é significativa. b) humanos. A Encíclica Rerum Novarum (Coisas Novas) afirma que “não deve o trabalho prolongar-se por mais tempo do que as forças o permitem” (Papa Leão XIII — 1891). que servirá de fundamento para as ações trabalhistas que tenham por objeto o pedido de reparação por dano existencial. Se a vitória não pode ser provada e confirmada cabalmente. surge triunfantemente o Princípio da proteção à vida existencial do trabalhador.) são candidatos potenciais aos sintomas de irrealização dos sonhos comuns a todos (. o resultado teria se consumado. Rússia (1887). o mesmo ocorre em relação ao insucesso da obtenção do resultado esperado. em virtude do alto nível de desemprego que ocorrera logo após a 2ª Guerra Mundial. o desrespeito de poucos seja inibido. possibilitando. As trade-unions (sindicatos) lutaram por uma jornada de trabalho de oito horas. É direito. Outros. Ainda que não reproduzido o instituto jurídico da jornada de trabalho na sua inteireza.” Raimundo Simão de Melo: “Se a perda de uma chance for enquadrada como dano emergente ou lucro cessante. resultando conquistas muito importantes para a classe trabalhadora. com a obtenção da chance pretendida. Assim. terá o autor da ação que comprovar de forma inequívoca que. 7º — São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. facultada a compensação de horários e a redução da jornada. da Organização Internacional do Trabalho (OIT) adotou a semana de 40 horas. como na Inglaterra (1847). além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XIII — duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais. Não é favor” Sonia Mascaro Nascimento: “Importante se ressaltar que para se ter o dano existencial necessário se faz a comprovação do prejuízo e o nexo de causalidade com a conduta. França (1848). Assim.. Neste cenário.. c) políticos. A Convenção n. o trabalhador pode ter seu projeto de vida abortado ou nunca realizado e. não fosse a existência do ato danoso. consequentemente. a muitos. mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho.) É preciso que se avance nas relações trabalhistas. não são condutas capazes gerar o dano existencial. a não concessão de férias por longo período ou a sobrecarga de horas extras para além do limite legal de forma reiterada. observa-se que a flexibilização trazida pelo legislador constituinte diz respeito à compensação e a redução da jornada.) Haverá o dano existencial se restar comprovado o 124 dano a um projeto de vida e/ou ao convívio social e familiar. o direito de realizar o mais simples objetivo da maioria dos seres humanos: viver com dignidade. o que é impossível. que se punam os exploradores. Áustria (1885).

maior o interesse dele em continuar ajustando condições de trabalho que violam direitos que ele. Miguel. ou não gozar férias regulares. Este modelo servirá de fundamento para manter vivo o círculo vicioso das relações trabalhistas entre empregado e empregador. ainda que objetivamente desproporcional. fica estimulado pelo aumento em seu orçamento. função e essência do Direito do Trabalho. Para o instituto das férias. 1996. teremos um modelo em que qualquer violação por parte do empregador. Filosofia do Direito. O empregado. <http://www. Se permanecer a cultura de que a violação dos direitos dos trabalhadores seja reparada com quantias em dinheiro. n. na prática. ALVARENGA. sai ganhando porque o risco é calculado. e isto está fomentando. Trata-se do famoso “ganha-ganha” no mundo dos negócios. Editora Saraiva. Blaise. e a tendência nos tribunais de arbitrar indenizações por dano existencial. os interesses econômicos na relação jurídica entre empregado e empregador. mesmo que condenado a pagar indenização por dano existencial. justificada pela desproporção objetiva entre os sujeitos. por pressão e/ou medo de perder o emprego e. PASCAL. ou não. este deverá “pagar” pelo prejuízo causado. vale o mesmo raciocínio. Está evidente que. Rubia Zanotelli de. Revista Magister de Direito do Trabalho. Jorge Cavalcanti. In Miguel Reale. Le Mystère de Jésus.br/2014-mar-18/ sonia-mascaro-dano-existencial-requer-prova-prejuizo-nexo-causalidade>. Filosofia do Direito. como titular. 1996. pagamento de férias em dobro. 125 . como forma de punição ao empregador. BOUCINHAS FILHO. a cultura jurídica criada é de que a reparação da lesão do direito sofrida pelo empregado. São Paulo. Bibliografia NASCIMENTO. Será esta a verdadeira essência e função do Direito do Trabalho? Vivemos numa constante dialética a respeito do equilíbrio da relação jurídica entre empregado e empregador. como adicional de horas extras muito superior a 50% (acordo coletivo e convenção coletivas de trabalho). e o embate maior está em flexibilizar. Sabemos que na maioria dos casos. mesmo que trabalhando em jornadas excessivas. O empregador. o que tem prevalecido é o entendimento na não flexibilização. REALE. como dito anteriormente. as normas trabalhistas.com. São Paulo. Editora Saraiva. Ano X. Quanto maior o ganho financeiro do empregado.Jornal do Congresso tões de ordem existencial do trabalhador. Sonia Mascaro. 57. nestas condições. os empregados se sujeitam a trabalhar em jornadas excessivas. mas. não poderia dispor. seja em dinheiro. Dano Existencial requer prova de prejuízo e nexo causalidade.Não vai aqui nenhuma pretensão em dizer que danos não devam ser reparados. cada vez mais. Trata-se de uma modalidade de ganha-ganha que é totalmente contrária aos princípios. poderá refletir nas ques- LTr . Dano existencial e o Direito do Trabalho.conjur.

ou seja. É o que nos informa a atual redação do item III da Súmula n. viabilizando a ruptura do contrato por ato unilateral do empregador. Nesse diapasão. desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto”. Uma vez cessada a condição ensejadora da estabilidade provisória. 1. No entanto. Advogada. o empregado. Introdução 2. A partir da confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. Assim. arbitrariamente ou sem justa causa. houve alteração jurisprudencial. O contrato a termo tem como uma de suas características a ciência. o termo final do contrato por prazo determinado resta postergado para o momento em que se verifica o término da garantia provisória de emprego.2012) LTr . dentre os quais. conforme estabelece o art. quer pela alteração das condições pessoais ou contratuais. há a estabilidade conferida à “empregada gestante. 10. autorizando a reintegração ou a indenização correspondente ao período de estabilidade. quer pelo decurso de sua vigência. Dentre as modalidades de garantias provisórias de emprego. inciso II. 196 da SBDI-1 . havia o entendimento de que o termo final dos contratos por prazo determinado não poderia ser protraído em virtude de aquisição de estabilidade. 185/2012. n. Professora de Direito do Trabalho na Universidade de Fortaleza (UNIFOR).2000)”. A estabilidade pode ser definitiva ou provisória. 244. há prefixação do dia em que se extinguirá a eficácia do contrato. I do TST). A efetivação da dispensa sem justa causa é ato nulo. A referida estabilidade provoca alguns questionamentos. só haverá extinção do vínculo empregatício nas hipóteses legalmente autorizadas. Rogers College of Law. conforme disposição legal. Nessa situação. não configurando situação de dispensa arbitrária ou sem justa causa. do ADCT. quanto ao tema. Observa-se. a aquisição de estabilidade quando a gravidez ocorre no curso de um contrato a termo e durante o curso do aviso prévio. alínea b. em face do término do prazo. sendo esta de duração determinada no tempo e conferida ao trabalhador em virtude de uma circunstância pessoal ou contratual. de origem constitucional. como pode se observar através da antiga redação do item III da Súmula n.Estabilidade Gestante: gravidez no curso do aviso prévio Sandra Mara Freitas Alves Mestre em Direito Internacional pela Universidade do Arizona — James E. DEJT 25. conforme o caso (Súmula n. 244 do TST: “A empregada gestante tem direito à estabilidade provisória prevista no art. o termo final do contrato implicaria na extinção natural do vínculo empregatício. Gravidez no curso de um contrato a termo A estabilidade é instituto jurídico que impõe limites ao poder potestativo do empregador de dispensar. 10. II. 244: “Não há direito da empregada gestante à estabilidade provisória na hipótese de admissão mediante contrato de experiência. do momento de extinção do vínculo. (ex-OJ n. b do ADCT. visto que a extinção da relação de emprego.inserida em 8. pelas partes. não constitui dispensa arbitrária ou sem justa causa. fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa da empregada gestante. Especialista em Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho pela Universidade Candido Mendes. passando o TST a adotar o entendimento de que a ocorrência de gravidez no curso do contrato a termo implica em aquisição de estabilidade.11. uma mudança na jurisprudência e legislação pátrias. (Redação dada pela Res.Jornal do Congresso . 126 Esse era o entendimento do Tribunal Superior do Trabalho. mesmo na hipótese de admissão mediante contrato por tempo determinado. não haverá mais a garantia de manutenção do vínculo empregatício.9. Portanto.

fundamentada Conclui-se. tas. mas. José Eduardo. Reforma e efetividade. consolidando a máxima proteção à maternidade. estabilidade provisória prevista na alínea b do inciso II do art. Eduardo Faextingui-lo. decisão deconcretização dispensar arfundamental a todos os brasileiros 5º. O aviso prévio não implica em fim da relação empregatícia. do contrato trabalho pela parte que decide O intérprete não deve se quedar inerte diante da dos legisladores e diante dos percalços da inSob o prisma desse princípio. São Paulo: LTr. Ordem legal X Mudança social: a crise do (5) CARVALHO. Curso de direito do trabalho. Conclusão corporação de novos procedimentos. após a comunicação da resbalho deve oferecer ao seu jurisdicionado-hipossufiennhecimento multidisciplinar e poderes decisórios ampliado contrato. o contrato continua a produzir efeitos legais durante o período do pré-aviso. não cabe ao intérprete.te e credor O atual noalimentar sentido de de entendimento bens de natureza — confeum prodos àcisão responsabilidade de reformular das próprias (5) cesso mais ágil e eficaz contradições sociais os conceitos e tipificantes dos . tação mais consistente analisada a luz da principiologia constitucional. 475-J do Código de Processo lo. p. após O método de colmatação lacunas. ocasionando alteração do Texto Celetista. Luciano Athayde. ed. lados pelo Poder Judiciário. 5º. entretanto. in verbis: “A confirmação do estado de gravidez ad. Vólia Bomfim. Orientação Numa interpretação pós-positivista os princípios constitucionais irradiar sua aplicabiliEnfim. à gurou a razoável duração do processo como direito dos princípios do Processo do Trabalho com a redação § 1º. 9.812/2013 acrescentou o art. 2010. para terminaçãoa do víncu. O Processo do Traria(4)vínculo ressalta de que “cabe a uma magistratura com um coemprego. ed. cação subsidiária do art. São Paulo:legal LTr. busca da pelo verdadeira efetividade deve é risco a ser aassumido empregador (art. trabalhado ouCF) indenizado. A condição essencial para que a 3. São Paulo: MÉTODO. Consiconcretizar o espírito dos comandos constitucionais. in fine. ainda LTr . 13. se a gravidez diato. ed. atravésdo daprocesso. b do ADCT) não fez qualquer restrição acerca da modalidade contratual. 2007.nidade judiciário e a formação do magistrado. 475-J do Código de Processo tível com o novo dispositivo do Código de Processo dene no deProcesso dúvidasdo que o prazonão doserá aviso prévio para se Civil Trabalho a solução Civil como é justificador de sua aplicação subsidiária. Aquisição de estabilidade gestante no curso empregada faça jus à estabilidade é que a graviaviso prévio É forçoso. por ocasião comunicação da dispensa Direito e Justiça: a Função Social do Judiciário. que durante o prazo do aviso prévio trabalhado ou indenizado. 475-J do Código de Processo Civil.trato para a data final do período estabilitário. tude de concepção ocorrida no curso do avisono princípio constitucional da razoável duração do proSe numa infraconstitucional aplicabiatravés do análise pré-aviso. CLT). 1997. Luis Fernando Silva de. que o prazo estabelecido.deo concretização que justifica. passo adiante. São Paulo: Ática. 101-102. Assim. ao vínculo de emprego. processual valorizando mais asdaquestões a aquisição dojáreferido de justiça do que de os problemas de legalidade. para todos os efeitos legais (art. do novodo dispositivo sãoAum meio de dos princípios destacados bitrariamente ou semacima. José Eduardo (Org. LXXVIII. conferir conpretações dadas à legislação infraconstitucional devem a esperança que terá seus direitos tutedeve corresponder à do término do prazo do avi. de imeParece razoável entender que. mas. mas apenas manifestação formal do desejo de extinguir o contrato em momento futuro. CF). Direito Processual do Trabalho: tante o direito à garantia provisória no emprego. e nos princípios constitucilidade da multa do art. Assim se(art.nunca dições básicas de sustento do nascituro.Jornal do Congresso 127 . ou seja.cesso prévio. A aplicação subsidiária art. mas será um direito. todos problemas direitos traTal princípio pressupõe uma visão social do sistema do qualdosetrabalho. estabelecer restrições a direitos. 82devem da SDI-1: dade a todos os subsistemas. 2014. datorna-se que o aviso prévio sejaquando indenizado. 249-275. Por essa razão. 10. Jurisprudencial n. não haja impedimento para a rescisão do p. como. 45/04. quaisquer não sóperca o emprego. Assim preceitua o referido artigo. até o decurso dofechados prazo do aviso prévio.CASSAR.232/2005: Oportuocorre no curso do aviso confere à ges. Direito do trabalho. asseguramaternidade aealcançar à criança. pela partea partir que deseja extin. Há a obrigação deJosé manutenção do letargia 4. FARIA. Maurício Godinho. a identifi-se a integração desse período ao contrato de 227 da CF/88. In: CHAVES. por exemplo. ainda que indenizado”. 391-A à CLT. posicionou o Tribututela nascituro. 487. pode ajudar a processualística efetividade ao princípio da proteção integral à Civil já é admitida por inúmeros autores. como posto no art. principalmente. LXXVIII. Alice Monteiro de.desobretudo. Lei n. pois a legislação visa assegurar “A data de saídaNesse a serviés anotada na interCTPS os Magistrados e os Advogados para que a sociedade reito Processual do Trabalho. vem conferir (art. derando que o aviso prévio não põe fim. Curso de direito do trabalho. Essa garantia de não visa apenas à a Emenda Constitucional n. O aviso prévio é o instituto jurídico através acoplaosao contrato. Ainonais justrabalhistas. In: prévio. porque a superviniência de gravidez do prazo estabilitário. não restrigiu a aplicação da estabilidade da gestante aos contratos por prazo determinado. 2º. 2014. so prévio.). a argumenjustrabalhista essetal desiderato. garante à empregada gestante a DELGADO. justa causa a empregada nal Superior do Trabalho. torna-se irrelevan(4) FARIA.A Constituição de 1988 ao estabelecer relevante proteção à maternidade (art. 6. só podendo se efetivar a dispensa após o decurso contrato. Bibliografia 12. formaliza a comunicação rescisão balhistas. do pelo legislador infraconstitucional. sobretudo. São Paulo: LTr. de maior efetividadeda no cumprimento das sentenças trabalhiste que. rir a garantia da estabilidade provisória em do virsistemas legais vigentes”. BARROS. vindo no curso do contrato de trabalho. 5. pela qual se assecação da omissão celetista e a percepção da coerência trabalho. gui-lo. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias”. integra o contrato para todos os efeitos. II. o Ditornar-se um objetivo comum principalmente dentre caput da CLT). A Lei n. quando o próprio legislador não o fez.dos plenamente. proteção objetiva da gestante. portanto. reconhecer que a meraInapliOdo princípio da finalidade social não só é compadez ocorra durante o vínculo empregatício. no curso do aviso prévio protrai o termo do conEsse entendimento passou a ser adota. 11.

p. Um milênio depois. Se as leis da associação humana já não são as mesmas que foram as da antiquidade. Nossas fronteiras deixaram de esbarrar nas fronteiras do tempo e do espaço graças ao e-mail e das redes sociais. o direito e instituições da Grécia e de Roma. os homens voltaram a temer o Apocalipse. Fazemos (*) COULANGES. 159. Advogado. Livraria Clássica Editora. 6. Tradução Portuguesa. Levada por crenças religiosas. uma onda de terror se espalhou pelo mundo medieval(1).” Fustel de Coulanges(*). a terceira. efetivamente transformou o planeta em uma grande aldeia global. a ameaça. que propiciaram grande avanço do comércio internacional. algo do nosso ser a modificar-se de século em século: a nossa inteligência. Tradução: Maria Célia Paoli. fato este que efetivamente não ocorreu. (1) HOBSBAWM. as empresas. da segurança e do poder que ela oferece. mas a tecnológica o bug do milênio(2). porém. a sociedade. Rio de Janeiro: Pás e Terra. nem só da força. Deus espalharia sua ira sobre o mundo na forma de morte e destruição. 128 parte de um mundo deslumbrado com os avanços tecnológicos da eletrônica e da informatização. a quarta globalização. Professor Assistente no Grupo de Pesquisa: Desregulamentação do Direito. o trabalho é desenvolvido em qualquer lugar e em qualquer hora. que se tem conhecimento foi a do Império Romano. ambos pela PUCPR. Nunca estivemos tão fascinados pela tecnologia e tão dependentes do conforto. “As grandes transformações que de tempos a tempos aparecem na constituição das sociedades não podem ser o efeito nem do acaso. graduado pela Faculdade de Direito de Curitiba. LTr . A causa que as produz deve ser poderosa e devendo residir no próprio homem. a razão está em que no homem alguma coisa se transformou. até porque ela nunca foi tão visível e onipresente. do Estado e Atividade Econômica: enfoque laboral na PUCPR. modificassem o seu modo de observar o mundo e também alterou de forma crucial as re(3) A globalização está dividido em quatro fases: a primeira. efectivamente. que findou com a feudalização política e comercial. Porto: 1950. após as guerras napoleônicas e determina a supremacia do liberalismo sobre o mercantilismo e está associada à Revolução Industrial em que surgiram as primeiras noções de relação de trabalho. aparece na segunda metade do século XIX. A comparação é um exemplo da dimensão que a tecnologia vem assumindo em nossas vidas. A cidade antiga: estudo sobre o culto. não era mais a divina. Nações e Nacionalismo desde 1780. 7ª ed. Neste contexto a história informa a ocorrência do fenômeno denominado globalização tecnológica(3) que. a sociedade cristã temia o Juízo final. Especialista em Direito do Trabalho e em Formação Pedagógica do Professor Universitário. a segunda. Segundo registros históricos na passagem de 999 para o ano 1000. Eric J. os Estados. Membro Diretor da AATPR. 2008. (2) Imaginava-se que com a mudança de calendário em razão da alteração do milênio os computadores iriam paralisar suas operações. coincide com as grandes descobertas dos séculos XIV e XV. estão vinculadas às notáveis inovações tecnológicas nos instrumentos de navegação. Fustel de. fez com que as pessoas.7º Painel A MODERNIZAÇÃO DO DIREITO E AS NOVAS DIMENSÕES PARA O ACESSO AO JUDICIÁRIO Ronald Silka de Almeida Mestre em Direitos Fundamentais e Democracia pela UniBrasil.Jornal do Congresso . Temos. fenômeno contemporâneo resultado do desenvolvimento dos mercados e também em razão do expressivo avanço tecnológico (informática e eletrônica). p. Anna Maria Quirino.

notificações e sentenças) é que ocorreu um aparente desafogo no trâmite das atividades das secretarias das varas em razão de que advogados e partes não mais necessitam de se dirigirem ao foro para se inteirarem do andamento do processo e realizarem algum procedimento.br/ccivil_03/constituicao/ constituicaocompilado.] XXXIV — são a todos assegurados. São Paulo: LTr. posto que para o exercício do jus postulandi independe de a parte possuir ou não conhecimentos e disponibilidade de aparelhos e sistemas de informática. p. 839. sem restrição.” Disponível em: <http://www. escritório digital. e pelos sindicatos de classe. posto que mesmo quando inexistia o sistema informatizado de consulta processual. Neste ponto é de se observar que não há o que se falar em prejuízo do jurisdicionado ao direito de acesso ao judiciário conforme preconiza LTr .lações de trabalho e a necessidade de uma constante atualização de normas e de mecanismos tecnológicos. ou por seus representantes. O sistema Judiciário brasileiro vem. pode-se dizer sem sombra de dúvida criou-se uma verdadeira babilônia de sistemas operacionais: provi. e-doc. (5) CLT — “Art. é que têm efetivo acesso ao conteúdo dos processos. por José Eduardo Duarte Saad. o que ocorre na realidade é uma restrição à publicidade dos atos. os Tribunais pátrios no afã de se atualizarem criaram seus próprios sistemas. Nunca é (4) CRFB — “art. XXXV — a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. bem como possuir um certificado digital. Entretanto. para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal. b) a obtenção de certidões em repartições públicas. Entretanto. (ressalvados os casos de segredo de justiça) pelas pessoas que não eram partes integrantes do processo e que hoje já não é possível ficando estritamente restrita aos advogados que portam certificação digital. entrementes diante da exigência de: a) possuir um computador com os sistemas mínimos exigidos para a leitura dos arquivos judiciais. em primeiro lugar assim como ocorreu uma explosão tecnológica a partir da década dos anos 1980.htm>. Em segundo. O que se tem observado na realidade é uma verdadeira restrição em relação à consulta processual que era efetuada de forma plena a todas as peças processuais. não se pode confundir o acesso à justiça com o acesso à visualização das peças processuais. independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder. srre. Eduardo Gabriel. sisdoc. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. edoc2. spe. à liberdade. Consolidação das Leis do Trabalho: comentada.gov. A sistemática normativa indica que à parte basta se dirigir ao órgão de primeiro grau para apresentar as suas razões ao judiciário conforme preconiza o disposto no art. Ana Maria Saad Castello Branco. Acesso em: 2 mai. mandados. Incisos XXXIV e XXXV(4). projudi. nos casos em que ocorria o jus postulandi a parte sempre teve de se dirigir pessoalmente ao órgão judiciário mais próximo de seu domicílio para ter conhecimento do andamento do processo. alguns aspectos devem ser levados em conta nesta difícil tarefa de atualização tecnológica do sistema judiciário brasileiro. b) ser portador de uma chave eletrônica representada pelo Certificado Digital. às partes a consulta fica restrita a meras informações de andamento processual. precad. atual. b) por intermédio das Procuradorias Regionais da Justiça do Trabalho. tentando acompanhar as evoluções tecnológicas para em prol de uma melhor racionalidade dos procedimentos minimizar os efeitos de uma demorada entrega jurisdicional. sem distinção de qualquer natureza. entre outros e culminando com o PJe — Processo Judicial Eletrônico que vem sendo instalado paulatinamente em todo o território nacional. da CLT(5).planalto. Porém um aspecto relevante deve ser observado conforme citado anteriormente as partes e procuradores não necessitam mais ficarem se deslocando até o foro para terem notícias do andamento do processo que lhes interessa. e ampl. rev. tão somente os advogados. 1122.Jornal do Congresso a garantia constitucional insculpida no artigo 5º. de plano o que se observou em relação a adoção de sistemas eletrônicos de petição e inclusive para a realização das atividades jurisdicionais (audiências. à segurança e à propriedade. fato este que não lhe fora retirado com a informatização dos sistemas processuais. o acesso se dá através dos mecanismos oferecidos pelo próprio judiciário que acompanha e orienta o cidadão. e-proc. à igualdade. 47ª ed.” SAAD. de forma árdua. procuradores das partes. 839 — A reclamação poderá ser apresentada: a) pelos empregados e empregadores.. ou seja.. 2014. 5º Todos são iguais perante a lei. nos termos seguintes: [. 2014. pessoalmente. 129 .

colhido os frutos dos avanços que a inteligência humana tem colocado à nossa disposição.demais lembrar que mesmo no caso de se utilizar o jus postulandi e a parte não ter qualquer noção da sistemática processual. Entendemos que com a unificação de sistemas e de procedimentos e até mesmo com a atualização de normas processuais adequadas ao processo do trabalho se estará no caminho da tão almejada entrega jurisdicional que passará a ocorrer de forma efetiva e quiçá atendendo-se ao princípio fundamental insculpido no artigo 5º. descabe enumerar as incontáveis benesses que os avanços no mundo dos computadores trouxeram para o mundo das pessoas. Introdução A evolução científica e tecnológica é inerente ao ser humano e todos temos. Embora à primeira vista possa parecer cercado de vantagens o dito processo eletrônico. qual seja a unificação e melhoria dos sistemas para um pleno acesso do jurisdicionado. em que pese ainda não estar totalmente adequado ao processo do trabalho. seja permitindo melhoria nos meios de comunicação entre as pessoas. LXXVIII. da Constituição Federal da razoável duração do processo. 1. A modernização dos sistemas se faz necessário para uma melhor agilidade das atribuições do judiciário. já há muito tempo. pois traria economia de papel. a verdade é que uma implementação autoritária do processo eletrônico pode trazer LTr . Advogado. PROCESSO ELETRÔNICO E ACESSO AO JUDICIÁRIO Hugo Cesar Amaral Bacharel e especialista em Direito Constitucional pela Faculdade de Direito da UFU/MG. No âmbito específico da informática os avanços tem sido grandiosos e muitos benefícios têm proporcionado à humanidade. em tese daria rapidez ao trâmite dos processos. mas nem por isso deve-se deixar de observar as regras basilares de segurança e acessibilidade ao processo de forma a dar efetividade à atuação judiciária. O processo eletrônico no âmbito trabalhista sem sombra de dúvida trouxe uma agilização aos trabalhos dos profissionais que atuam nesta área. sendo igualmente eletrônicos todos os demais atos processuais praticados. 130 O universo dos profissionais do direito igualmente não poderia deixar de ser beneficiado pelos avanços da informática e referidos avanços estão a culminar no chamado processo eletrônico. seja proporcionando um maior acesso às informações. Efetividade esta que deve se concretizar através de uma participação mais ativa do judiciário através da concretização de instrumentos. o processo trabalhista ainda assim tem o impulso oficial através do juiz.Jornal do Congresso . como por exemplo a simultaneidade de emissão de documentos notificações e citações através de um único procedimento. através do qual se pretende a substituição dos autos de papel por arquivos virtuais e eletrônicos. Procurador do DMAE de Uberlândia/MG. permitiria a visualização e acesso aos autos a qualquer momento. enfim. dada a desnecessidade de juntada de documentos. etc. sempre sendo necessário alguns ajustes em face das constantes alterações nos sistemas informatizados.

nestas circunstâncias. a adoção do processo eletrônico quando se impede. p. 2. em “Comunicação eletrônica dos atos processuais: breve balanço dos cinco anos de vigência da Lei n. Não está se falando que o processo eletrônico impedirá o acesso à Justiça. a título de exemplificação da complexidade inerente ao sistema. o art. (2) Se a um jovem advogado o processo eletrônico pode trazer dificuldades imaginemos a uma pessoa idosa. seja pela complexidade inerente ao uso do sistema(1). AASP. n. o processo eletrônico demanda recursos de informática que nem todo jurisdicionado e mesmo nem todo advogado. a parte não tomará conhecimento do ato e sofrerá as consequências processuais disto. 5º. do TRT da 3ª Região: “As petições. 131 . acompanhadas ou não de anexos. sobretudo. Ocorre que o direito ao acesso ao Judiciário não há de ser concebido apenas quanto à possibilidade de a pessoa lesada ou ameaçada de lesão em seu direito poder bater às portas da Justiça. Melhor explicando. seja pelos custos que estão agregados ao uso do processo eletrônico (certificações. Faltante este cadastro.Jornal do Congresso alta velocidade etc). 11. no canto inferior do lado direito”. Em nosso país os serviços de Internet são precários e sobretudo onerosos. inábil a manusear os recursos de informática. e é essa a sensação que se depreende (1) Cumpre aqui citar. exigindo-se prévio cadastro no mesmo. apenas serão aceitas em formato PDF (Portable Document Format). inciso XXXV informa que a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário a lesão ou ameaça a direito. Em nome da modernidade se está a ferir um direito fundamental. abr.prejuízos aos jurisdicionados. sequencialmente. entretanto sua adoção há de ser parcimoniosa. inc. 2º da Instrução Normativa n. mas sim que a forma como o mesmo vier a ser implementado poderá dificultar o acesso ao Judiciário estando. Uma tese despretensiosa como a presente não esgotaria a apreciação das possíveis inconstitucionalidades que rondam o processo eletrônico. conforme for a localidade em que atua. concomitantemente à sua implementação. Numa análise não aprofundada da questão da adoção do processo eletrônico pode passar despercebida eventual colisão da sistemática que se queira implementar com o direito fundamental em questão. sendo que as páginas deverão ser configuradas para papel tamanho A4 (210x297 mm) e numeradas. utilizando-se frente e verso. 11. Conclusões O processo eletrônico pode trazer efetivamente inúmeros benefícios à Justiça brasileira.419/2006 prevê que o procurador deverá ser intimado e citado virtualmente em um portal especifico. no tamanho máximo. 3/2006. de 20 folhas impressas ou 40 páginas. sendo que o acesso ao peticionamento eletrônico de regra é sujeito a obtenção de certificações digitais e aquisição de aparelhos a onerar ainda mais o labor do causídico. temos que melhor atende ao espírito do amplo acesso ao Judiciário que um sistema repleto de exigências técnicas que dificultarão o simples ato de propor uma ação. insculpido em nossa Carta Política de 1988 em seu art. Esta situação fulmina o direito ao acesso à Justiça para aquele causídico e para aquela parte(2) que não tenha se desincumbido das inúmeras e complexas exigências para a utilização do processo eletrônico. 2012. Nos preocupa. Limitar-se o acesso ao Judiciário à via eletrônica. A citada norma constitucional assegurou o direito fundamental do chamado acesso à Justiça. tem à sua disposição. 69-76. Processo eletrônico e acesso à Justiça Nossa Constituição Federal. Revista do Advogado. mas a título de ilustração a Lei n. 115. 5º. efetivada paulatinamente e não se vedando a utilização do peticionamento em papel para a parte e para o causídico que assim o desejar. em seu art. a ferir os dizeres do sobrecitado inciso XXXV.419/2006. internet em LTr . Adiante melhor desenvolveremos nossas ideias. por operação. o uso do “vetusto” peticionamento em papel. (3) As ponderações são de Heitor Vitor Mendonça Sica. atingindo pela via direta o direito fundamental do acesso ao Judiciário. Inquestionável a inconstitucionalidade!(3) 3. XXXV. Ainda que o peticionamento em papel possa parecer algo arcaico. respeitado o limite de 2 megabytes.

O método de colmatação de lacunas. p. Nesse viés quaisquer interdades e imperfeições que dificultam o acesso ao pretações dadas à legislação infraconstitucional devem concretizar o espírito dos comandos constitucionais. CF). Abolir-se o peticioEnfim. como. São Paulo: LTr. Luis Fernando Silva de. por exemplo. Ordem legal X Mudança social: a crise do judiciário e a formação do magistrado. nunca perca a esperança de que terá seus direitos tute- (4) FARIA. busca da verdadeira efetividade deve tornar-se um objetivo comum principalmente dentre namento em papel nos soa. pela qual se assedo rápido avanço do PJe.Jornal do Congresso 132 lados pelo Poder Judiciário. a princíAdotar-se o processo Numa interpretação pós-positivista do processo. 249-275. onais justrabalhistas. indiscutivelmente gurou duração do processo comoaodireito ferea orazoável direito constitucional ao acesso Poder fundamental a todos os brasileiros (art. 97 LTr . 5º. José Eduardo (Org. (5) CARVALHO. sob o argumento da modernidade. Luciano Athayde. São Paulo: Ática. a argumentação torna-se mais consistente quando analisada a luz da principiologia constitucional. 1997. In: CHAVES. pode ajudar a processualística justrabalhista a alcançar esse desiderato. In: FARIA. Judiciário. após a Emenda Constitucional n. 45/04. LXXVIII. do novo dispositivo são um meio de concretização dos princípios destacados acima. 2007. eletrônico. José Eduardo. principalmente.Jornal do Congresso . 101-102. a identifi- cação da omissão celetista a percepção da coerência Judiciário. Direito e Justiça: a Função Social do Judiciário. os Magistrados e os Advogados para que a sociedade beirar à ofensa ao texto constitucional.Civil já é admitida por inúmeros autores. 11. está a esconder dificulreito Processual do Trabalho. da princípiosOconstitucionais devem irradiar sua aplicabilidade a todos os subsistemas.). o Diagilidade e da economia. data máxima vênia. LTr . pio. os PJe. p. recanto aondeemilhões de brasileiros dos princípios do lídimas Processopretensões do Trabalhode com a redação direcionam suas justiça. Direito Processual do Trabalho: Reforma e efetividade. Lei n. nos soaa até adequado.232/2005: Oportunidade de maior efetividade no cumprimento das sentenças trabalhistas.

749 Assistente de Redação: Sonia Regina da Silva Claro Composição a laser LINOTEC . desde que citada a fonte. Redator Responsável: ARMANDO CASIMIRO COSTA DET N.JORNAL DO CONGRESSO Expediente Os conceitos e opiniões emitidos nas teses e colaborações aqui publicadas são de inteira responsabilidade de seus autores. É permitida a reprodução total ou parcial de qualquer matéria desta publicação.

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