JORNAL

54º CONGRESSO BRASILEIRO DE
DIREITO DO TRABALHO

ÍNdice das teses
painéis do congresso
1º Painel
A teoria do domínio do fato, do Direito Penal
é aplicável ao Direito do Trabalho?
BOSKOVIC, Alessandra Barichello
— O direito de greve no Brasl: Condições e limitações....................................................... 7
MAGALHÃES, Aline Carneiro
OLIVEIRA, José Ourismar Barros de
— O acidente do trabalho e a análise da aplicabilidade da teoria do domínio do fato na
seara juslaboral............................................ 9

2º Painel
Terceirização de serviços
MARTINIUK, Daiane
DISSENHA, Leila Andressa
— Cooperativas de trabalho: Análise jus administrativa — Licitude e desvirtuamento...... 12
MELO, Tatiana Guedes
— Apontamentos sobre terceirização de serviços: Eficiência ou lucratividade da empresa
no mundo concorrencial e reflexos nas relações de trabalho........................................ 14
FERREIRA, Teresinha Soares Abreu
— Terceirização de serviços............................. 17
PELEGRÍNI, Mári Ângela
— Responsabilidade na terceirização — O ovo
de Colombo................................................. 19

3º Painel
Acidentes do trabalho — Responsabilidades
AMARAL, Hugo Cesar
— A lesão estética e a reparação de natureza
moral e material: Uma tentativa de esclarecimento........................................................ 33
LOPES, Emanoel Alesandro da Cruz Sampaio
— A reiteração de acidentes de trabalho e a relação com culpa e o nexo causal.................. 35
CHARÃO, Anderson Pereira
— A impossibilidade de cumulação entre o
dano moral e o existencial........................... 37
GONÇALVES, Tiago de Araújo
DISSENHA, Leila Andressa
— Dano moral e dano estético: Natureza jurídica e possibilidade de cumulação.............. 39
MUÇOUÇAH, Renato de Almeida Oliveira
— O labor na lei de execução penal e os acidentes do trabalho: Breves questões............ 42
ARAÚJO, Maria Gilda de Freitas
— Qual a responsabilidade do empregador por
acidentes causados por terceiros?................ 45
BECK, Carolina
— O meio ambiente do trabalho sadio e equilibrado: Um direito fundamental e humano
do trabalhador............................................. 47

4º Painel
A arbitragem trabalhista

BARBOSA, Magno Luiz

CHAGAS, Bruno Anunciação das

— Terceirização, efeitos nocivos ao trabalhador e impactos na duração do trabalho....... 27

— A arbitragem trabalhista e a experiência
canadense.................................................... 50

MAXIMILIANO, Ana Maria

DISSENHA, Leila Andressa

VILLATORE, Marco Antônio César

GONÇALVES, Tiago de Araújo

— É necessária a regulação da terceirização de
serviços?...................................................... 30

— Conciliação judicial trabalhista: Técnica e
excelência.................................................... 53

LTr - Jornal do Congresso

3

........................................................... André Luiz Ferreira — Não concessão de férias — Horas extras — Dano existencial......... 87 da OIT..... 90 SILVA.... 114 da Constituição Federal...... Lucas Rafael de Menezes — Empregado doméstico e ônus da prova da jornada de trabalho..... 62 5º Painel Liberdade sindical JOAQUIM.............. 32 da lei de licitações............ Flávio LIMA.............................. Leonardo de Abreu SANTOS......................... 56 GOMES.. Aline Carneiro — Breves notas sobre o dano existencial... 106 BENTO....... Flávia Teles — Breves considerações sobre a convenção de arbitragem..... Cleyton Eduardo Todesco D............ Anne Helena Fischer PITONI........ 70 MASSONI. Gabriel Henrique — A arbitragem e a duração razoável do processo trabalhista............................................................................ corolário do estado democrático de direito............. Igor Zwicker — Indispensabilidade da CNDT nas contratações públicas por órgãos da Justiça do Trabalho.. Adriano Jannuzzi MAGALHÃES..... 104 MARTINS.... 109 — É possível defender a manutenção da unicidade sindical?.................. Igor Zwicker — Alcance da expressão “outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho”..................... 101 LOPES..................307/96) na resolução de conflitos individuais trabalhistas....... 9. Emanoel Alesandro da Cruz Sampaio — Assédio processual..................... 98 MARTINS.............. 93 — Mecanismos para garantir a liberdade de expressão no modelo sindical brasileiro.....MASSONI...................................... — A quem incumbirá o ônus da prova da jornada cumprida em processos em que a litiguem o doméstico e seu empregado...... 67 FRANÇA.................. Igor Zwicker — O desafio brasileiro de manter uma magistratura forte e independente.......... Gilzana FERNANDES....... Maíra Neiva — Pequenas reflexões sobre a democracia sindical............... Stanley Arthur — Liberdade sindical no Brasil e a OIT: A questão da cláusula assistencial — do PN 119 ao caso 2739 — Uma dupla perspectiva....................... 77 MARTINS........... Manoella Rossi — A aplicabilidade da lei de arbitragem (Lei n... Sandro Lunard — Democracia sindical: Elementos constitutivos do modelo brasileiro......... MAIA............ Igor Zwicker — O retrocesso social na redução da base de cálculo do adicional de periculosidade dos eletricitários.................... 85 6º Painel Temas atuais KEUNECKE. Túlio de Oliveira — Autoritarismos e falácias na defesa da unicidade sindical................ Robson Luiz de — Reestruturação do mundo do trabalho: A organização do estado e sua participação no financiamento dos sindicatos no Brasil................ ainda que à luz do art...................... 82 4 LTr ... 88 MARTINS... 73 GOMES.... Leda Maria Messias da INOJOSA....... o pluralismo e a necessidade de emergência das singularidades............... Sandro Lunard GACEK.. Maíra Neiva — A organização sindical.................. 58 CECCON.. Túlio de Oliveira SANTORO......... Camila S.. a Convenção n....... 75 NICOLADELI... 64 NICOLADELI............... inserta no inciso IX do art.. C... 95 MOREIRA.............Jornal do Congresso ... Janaina Aparecida do Nascimento Munhoz SANTOS............

.... Hugo Cesar LTr ....Jornal do Congresso — A modernização do direito e as novas dimensões para o acesso ao judiciário.......... Euseli — O tempo de concentraçao de um jogador deve ser considerado hora extra?.... Jéssica Chaves — A (im)penhorabilidade do bem de família na execução trabalhista e aplicação do princípio da proporcionalidade como solução................... Ronald Silka de COSTA..... Sandra Mara Freitas — Estabilidade Gestante: gravidez no curso do aviso prévio............................... Igor Zwicker — O falso serviço voluntário e a servidão disfarçada na lei geral da copa.. 116 COSSERMELLI............. 128 — Processo eletrônico e acesso ao judiciário.. 114 MARTINS................MARTINS...... Noemia Galduróz — A busca da verdade sobre o dano existencial nas relações de trabalho....... 126 7º Painel O processo juducial eletrônico SANTOS............................................... 130 5 ................. 121 AMARAL....................... Luis Felipe Carneiro — Ônus da prova da jornada — Doméstico x empregador... 119 ALMEIDA............. 123 ALVES............ 111 MALULY. Igor Zwicker — O direito dos trabalhadores ao adicional de insalubridade quando há “mera exposição” a raios solares....

.

Desse modo. Advogada e Professora do curso de Direito na Universidade Positivo e na Faculdade de Educação Superior do Paraná (FESP).Jornal do Congresso so reconhecimento das convenções coletivas de trabalho (CF. Advoga Nascimento (1989. 53): são hipóteses alternativas. portanto. inclusive o de greve. 49-51) elucida que: a negociação coletiva não teria por si expressão sem o correlato direito de greve. o que significa que a proposta de arbitragem recusada pelo empregador tem o mesmo efeito da frustração da negociação. de 28 de junho de 1989.1º Painel O DIREITO DE GREVE NO BRASIL: CONDIÇÕES E LIMITAÇÕES Alessandra Barichello Boskovic Doutoranda e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e Especialista em Direito e Processo do Trabalho pelo Centro Universitário Curitiba (2009). 60) assevera que a frustração da negociação coletiva 7 . 7. Tais limitações encontram-se disciplinadas no ordenamento jurídico brasileiro. p. Amauri Mascaro Nascimento (1989. e não foi atendido. A negociação apresenta-se. Carlos Henrique Bezerra Leite (2000. tanto na esfera constitucional quanto no âmbito infraconstitucional. Da Lei em análise pode-se observar que são dois os requisitos à legitimidade da greve no Brasil: (i) frustração de negociação coletiva ou impossibilidade de recurso à arbitragem. necessária é a análise das condições e requisitos para que sua ocorrência prime pela observância da legalidade. art.783. não constitui requisito para o exercício da greve. Coordenadora do curso de Especialização em Direito e Processo do Trabalho na Universidade Positivo. 8. inclusive o de greve. a solução do conflito pela arbitragem. como uma condição para a utilização do direito à greve. legitimidade das partes e interesse processual) a frustração da negociação coletiva. VI). definidos pela Constituição. em seus §§ 1º e 2º. p. Se o sindicato dos trabalhadores demonstrar que propôs. 37. da Constituição Federal). Registre-se que a via arbitral. Foi com o advento da Lei n. art. por sua natureza jurídica equivalente ao dissidio coletivo (heterocomposição). e (ii) aviso prévio ao empregador (ou organização empresarial). VII. a greve está diretamente relacionada com a negociação coletiva e nesse sentido é que ambas as figuras integram o campo maior dos direitos coletivos dos trabalhadores. confirma o caráter implícito da frustração da negociação coletiva para ajuizamento de qualquer dissídio coletivo. 7º. estará também legitimado para a deflagração da greve. tanto que na redação da lei é “frustrada a negociação ou verificada a impossibilidade de recurso à via arbitral”. tem como condição da ação (além da condições da ação inerentes a todo e qualquer processo — possibilidade jurídica do pedido. dentre outros. que Legislador pátrio efetivamente fixou os limites ao exercício do direito de greve (tal como requisitado pelo art. já que bastaria a recusa empresarial em negociar e o pleito terminaria sem outras consequências. XXVI) e obrigatoriedade de participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho (CF. Em se pretendendo compreender o funcionamento do direito de greve no Brasil. p. O ajuizamento de qualquer dissídio coletivo. A ausência daquela torna ilícito o exercício deste. o expresLTr . O art. 114 da Constituição Federal.

durante o período de gre8 ve. Nesta seara. ou aviso prévio. mas estabelece os prazos para sua realização. Há que se ressaltar. p. contudo.) entres as partes. Para estas atividades essenciais. Nestes casos. da Carta Maior. §§ 1º. Existem limitações. a comunicação em tela deverá ser efetuada setenta e duas horas antes do início das paralisações (art. Embora a doutrina conceitue abuso de direito como “o uso do direito para objetivos contrários ao seu fim” (NASCIMENTO. a greve não é um direito absoluto. O segundo requisito apontado à legitimidade da greve é a comunicação prévia. estabeleceu o legislador a vedação à paralização total das atividades (art. (LEITE. apesar de não recomendável. (2) Aponta-se. Nestes casos. 11). responderão os grevistas e/ou o sindicato por (1) Menciona-se. Bezerra Leite (2000. prevista no art. ou expressa. 66). O mesmo ocorrerá quando a paralisação for motivada pela superveniência de fato novo que modifique substancialmente a relação de trabalho. convenção coletiva ou sentença normativa. 10 do diploma em análise. da Lei. O primeiro deles é a regra geral. o art. 124). O ordenamento jurídico brasileiro considera abuso no exercício do direito de greve a inobservância das normas estabelecidas na Lei n. o art. De todo modo. 7. a Lei de Greve a descreve como a mera inobservância das normas nela contidas (art. basta que não se cumpra um dos dispositivos previstos na Lei para que já se configure o abuso no exercício do direito de greve. em qualquer hipótese. que não caracterizará ela abuso de direito quando tiver por objetivo exigir o cumprimento de cláusula ou condição desrespeitada. a título ilustrativo. o legislador tratou de estender a necessidade de notificação prévia também aos usuários do serviço que se pretende paralisar. na segunda. coloquem em perigo iminente a sobrevivência. 14). no que tange à paralisação coletiva na vigência de acordo coletivo. 13). 67) destaca que o diploma legal em análise acabou por confundir o conceito de abusividade com o de ilegalidade. 2000. se não atendidas. Este dispositivo estipula que quarenta e oito horas antes da greve a entidade patronal ou os empregadores diretamente interessados deverão ser notificados sobre sua ocorrência. como exemplo. assevera o autor. 2º e 3º.Jornal do Congresso . 7. é conceder ao empregador um tempo mínimo para as providências que julgue necessárias (tais como o cumprimento de obrigações contratuais. há trocas de expedientes (cartas. relacionamento com clientes e logística de mercadorias ou serviços) antes da paralisação. O segundo prazo tem caráter excepcional. o empregador simplesmente comparece ao local declinado pelo sindicato e diz que não pretende negociar.783/89. §1º. A Lei de Greve (Lei n. p. convenção coletiva ou decisão da Justiça do Trabalho. Bezerra Leite (2000. LTr . que pode ser verbal ou escrita. 1989. As limitações objetivas encontram previsão na Constituição Federal(1) e nas Leis ordinárias(2). assim consideradas aquelas que. a prestação dos serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade. Assim.pode ocorrer por recusa à negociação ou desacordo no curso dela. ofícios etc. empregadores e trabalhadores ficam obrigados a garantir. para que possam eles tomar as providências alternativas que julguem necessárias enquanto durar o movimento grevista. Em que pese seja considerada um direito fundamental. Na primeira. a saúde ou a segurança da população. da Lei de Greve.783/89) não impõe a forma a ser observada pela notificação (assim. que se caracteriza pela ausência de resposta ao pleito sindical no prazo assinalado. ao passo que as limitações subjetivas dizem respeito aos abusos eventualmente cometidos. Leciona o autor: A recusa em negociar pode ser tácita. Ainda. Essa exigência da notificação prévia se faz legal para tornar inválida a “greve de surpresa”. 3º. p. também no que tange aos serviços essenciais. a forma verbal é permitida). p. parágrafo único. bem como a manutenção da paralização após a celebração de acordo coletivo. 9º. 6º. 61) esclarece que a finalidade da notificação. e refere-se às atividades consideradas essenciais pelo art. as quais podem ser de ordem objetiva ou subjetiva.

em um mercado com 41. social. NASCIMENTO.jus. o que faz com que o Brasil ocupe a terceira posição dentre os países do G20 em quantidade de acidentes do trabalho. Em 2010. 19. 82. 2008. Acesso em: 1º.br/web/ trabalhoseguro/entenda-os-numeros>. Princípios sobre greve. .(3) (3) Informação colhida no I Seminário Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho promovido pelo TST em 2011. LEITE. Carlos Henrique Bezerra. perdendo apenas para China e Índia.365 acidentes do trabalho. abril/96. sendo 424.498 acidentes típicos.177 doenças do trabalho e 2. 17. A temática relativa aos infortúnios laborais não é nova e desde a época da Revolução Industrial é um grave problema não só trabalhista.2. com 44. 2005.355 trabalhadores formais. São Paulo: LTr.560 acidentes fatais. Compêndio de direito sindical.jus. Porto Alegre: Síntese. José Ourismar Barros de Oliveira Professor de Direito Penal e Criminologia.tst. Referências MELLO.4. Porto Alegre. Esta responsabilidade não se restringe à esfera trabalhista. Advogada. A greve como direito fundamental. n. Estudos de Direito do Trabalho e Direito Previdenciário. (5) Em 2009.068. Especialista em Direito Penal e mestrando em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais. Articulista e palestrante. Luiz Eduardo. LTr . Professora universitária. LEITE.tst.Jornal do Congresso De acordo com os Anuários Estatísticos de Acidentes do Trabalho do Ministério da Previdência Social e do Ministério do Trabalho e Emprego(4) nos últimos quatro anos(5) houve uma queda (4) Disponível em: <http://www. In: Revista Síntese Trabalhista. 1980. Em 9 . os quais serão apurados.474 acidentes do trabalho.207.quaisquer atos ilícitos ou crimes cometidos no curso da greve. Assessor Jurídico do Ministério Público de Minas Gerais.570 doenças do trabalho e 2.br/web/ trabalhoseguro/exposicao>. 4.2014.295 acidentes típicos. sendo 417. Acesso em: 22. LAVOR. As estatísticas nos dão a dimensão de quão grave é a situação. mas.546 trabalhadores formais. 2000. Porto Alegre: Síntese. ed. A greve no contexto democrático. ocorreram 733.753 acidentes fatais. Amauri Mascaro. Curitiba: Juruá. 1989. podendo abarcar também o âmbito civil ou criminal.2014. Disponível em: <http://www. 1979. ocorreram 709. Comentários à lei de greve. João Antonio G. Curitiba. O ACIDENTE DO TRABALHO E A ANÁLISE DA APLICABILIDADE DA TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO NA SEARA JUSLABORAL Aline Carneiro Magalhães Doutoranda e Mestre em Direito do Trabalho pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. GUNTHER. Maildes Alves de. Pereira. Francisco Osani de. São Paulo: LTr. A greve no Direito Positivo Brasileiro.

2014. é preciso delimitar a problematização que a pergunta quer trazer. acidente do trabalho típico é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho. da CR/88) enquanto importante ferramenta de combate dos infortúnios laborais. em 2012 foram registrados 705.955 doenças ocupacionais e 2. Título original: “Täterschaft und Tatherrschaft”. A quantidade de doenças ocupacionais apresentou queda.30. os comandantes do nazismo.935 típicos. buscada por meio de ações do Poder Público. em suas três esferas. da capacidade para o trabalho.gov.no número dos acidentes típicos(1). O primeiro é o problema de os tribunais alemães de responsabilizar os executores dos homicídios dos judeus como meros partícipes. Por exemplo. Mas antes de aprofundarmos. o número de acidentes típicos e fatais. Em comparação ao ano anterior. 20. aumentou o número de trabalhadores formais e caiu o número de acidentes típicos e doenças ocupacionais.(2) comparação com o ano anterior. isso em razão da severidade da pena do homicídio qualificado à época: pena de morte ou prisão perpétua. A teoria é idealizada inicialmente por Hans Welzel (o pai do finalismo penal). 14. publicada no ano de 2000 pela editora Marcial Pons (Madrid-Barcelona). 7º. LTr . 15. (1) Segundo o art. o mercado de trabalho contava com 46. assim entendida a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente. provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução.167 acidentes típicos.631 trabalhadores formais e ocorreram 711. Assim. 2009.. o incremento dos estudos e debates sobre o tema. em que se utilizou a citada teoria para a incriminação dos superiores hierárquicos — dirigentes — do Partido dos Trabalhadores pelos atos cometidos pelos deputados membros do partido. assim entendida a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e a doença do trabalho. ed. do Direito Penal é aplicável ao Direito do Trabalho?” aproxima-se ao que o filósofo Umberto Eco chamou de “perguntas verdadeiras”.164 acidentes do trabalho. p.).4. A redução progressiva dos acidentes do trabalho vem sendo. XXII. e atual. Diante do elevado número de acidentes do trabalho e seus deletérios efeitos — repercussões psicológicas. alguém querendo matar outrem acidente do trabalho ou doença ocupacional.213/91. todos os números inferiores em comparação ao ano anterior. 8. Acreditamos que a formulação dessa pergunta foi deduzida do que se vem discutindo atualmente sobre a teoria do domínio do fato com o julgamento pelo STF do caso “mensalão”. foi possível observar. Acesso em: 22. paulatinamente. nos últimos anos. O outro problema era o de enquadramento de mero partícipe do mandante do crime. o número de óbitos foi majorado. mas é desenvolvida plenamente com o penalista alemão Claus Roxin(3) em 1963 para resolver dois problemas no contexto do nacional socialismo alemão.Jornal do Congresso . em especial do Judiciário Trabalhista (Programa Trabalho Seguro — Programa Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho) e através da busca da conscientização dos empregadores e empregados sobre o papel da prevenção (direito fundamental insculpido no art. mas. Domínio do fato significa apenas umas das formas de autoria.083 doenças do trabalho e 2. econômicas. Tradução da sétima edição alemã por Joaquín Cuello Contreras e José Luis Serrano González de Murillo. sendo 423. (2) De acordo com a doutrina “a experiência demonstra que a maior parte destes acidentes são previsíveis AL-TUWAIJRI apud OLIVEIRA. Disponível em: <http://www. São Paulo: LTr. nos termos do art. ainda.br/ccivil_03/leis/ l8213cons. permanente ou temporária. aumentou o número de trabalhadores formais. sociais e previdenciárias — para a toda a sociedade. consideram-se acidente do trabalho a doença profissional. Indenizações por 10 Neste contexto ganha relevo as discussões sobre a aplicabilidade da teoria do domínio do fato do Direito Penal frente aos acidentes do trabalho. E.19 da Lei n. o que pode representar avanço no trato do problema. 239 acidentes do trabalho. perguntas irrespondíveis. a pergunta “A Teoria do Domínio do Fato. doenças do trabalho e acidentes fatais. entretanto. 5. ampl. (3) Na obra “Autoría y Domínio del Hecho em Derecho Penal”. Aprofundemos. Como se perguntasse: “felicidade existe?” É impossível responder essa pergunta sem saber o significado de felicidade e também de existência. Sebastião Geraldo de.717 acidentes fatais. Por fim. Já no ano de 2011. aquém do nível aceitável para o século XXI e em um país que vive sob a égide de uma Constituição fundada nos princípios da dignidade da pessoa humana e valor social do trabalho. A construção teórica subdivide-se: (a) domínio da vontade: em que o homem de trás domina a vontade do homem da frente.884 acidentes fatais. (rev. E ao afirmar a mera participação do executor evitavam-se essas penas severas.310.htm>.planalto. sendo 423. ou seja.

pela qual se asseautor do fato. pode ajudar a processualística trabalhista do empregador por acidentes do trajustrabalhista a alcançar esse desiderato. a teoria do domínio do fato não (4) FARIA.). José Eduardo (Org. In: CHAVES. fundamentada no resposta depende de outra pergunta: transportar princípio constitucional da razoável duração do propara que? Para atribuir responsabilidade civil ou cesso (art. A teoria do domínio do fato somente será aplicada na seara trabalhista quando se tratar de (5) CARVALHO. 475-J do Código de Processo Civil. mas irresponsável pelo fato em razão de sua doença. O Processo do Trapossíveis: balho deve oferecer ao seu jurisdicionado-hipossufienSe se de trata de de uma simples transposição te e credor bens natureza alimentar — um da pro(5) cesso mais ágil e eficaz .A do a art. É causador principal do fato (autor) aquele que é produtor principal do resultado. 45/04. nio do fato para verificar se o acidente do trabaEnfim. O doente mental aperta o gatilho matando a vítima. Ambos irão responder por roubo. tentemos responder: aplica-se a teoria do domínio do fato O intérprete não deve se quedar inerte diante da ao direito trabalho?e Algumas sãoinletargia dos do legisladores diante dos respostas percalços da corporação de novos procedimentos. execução. concretizar o espírito dos comandos constitucionais. tornar-se um objetivo comum principalmente dentre aos resposta também é: não. quem determina fundamental a todos brasileiros 5º. mas já será estas um passo adiante. E não se aplicará para determinar a responsabilidade individual penal do empregador pelos acidentes. pois.Jornal do Congresso guém pode dar causa a um resultado de forma principal ou acessória. valorizando mais as questões casos queosháproblemas divisão de para a realide justiça em do que de tarefas legalidade. e para determinar se esse alguém é causa principal ou acessória para o resultado é que se utiliza a teoria do domínio do fato. LXXVIII. São Paulo: LTr. Quem entregou a arma é o execuprincípio da finalidade social não só é compatorO indireto — homem de trás — o verdadeiro tível com o novo dispositivo do Código de Processo responsável pelo homicídio por autoria mediata. que. Luciano Athayde. dos princípios do Processo do Trabalho com a redação do novo um meiodadeteoria concretização dos Se dispositivo se tratar desão aplicação do domíprincípios destacados acima. 13 de nosso Código Penal. judiciário e a formação do magistrado.entrega arma de fogo para um doente mental. ele reito Processual do Trabalho. num rouSob do o prisma desse princípio. A responsabilidade penal é definida pela anáDireito e Justiça: a Função Social do Judiciário. balho ocorridos no âmbito de sua empresa? A O método colmatação de lacunas. 5º. Enquanto o partícipe Numa do processo. Para ser mais preciso. a busca da verdadeira efetividade deve lho gera responsabilidade penal do empregador. zação fato criminoso. A teoria serve Magistrados e os Advogados para quenão a sociedade nuncaatribuir perca a responsabilidade. obviamente. Lei n. e causa é toda ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. principalmente. José Eduardo Fa(4) a banco quea uma umamagistratura pessoa ficacom com ria bo ressalta queem “cabe umcarro conhecimento multidisciplinar e poderes decisórios amplia. conforme o art. (4) Sem prejuízo.e em frente ao banco para fugir com o dinheiro dos à responsabilidade de reformular a partir das próprias outra pratica de ameaça e subtração dodos dicontradições sociais oosato conceitos fechados e tipificantes nheiro. entretanto. será a solução para todos os problemas de concretização dos direitos traEstabelecidas premissas.o “se” e ointerpretação “como” da pós-positivista ação. Eduardo. O doente mental é o executor direto. 1997. o elemento que serve para atribuir um ato a alguém é o elemento “imputação”. Ordem legalresponsabilidade X Mudança social: a crise do serveJosé para fundamentar penal. como. a identifiresposta é: não. Em suma. dade de diferenciar quem é autor ou partícipe. CF). por o Dinão decide “se” ou o “como” daexemplo. esperança de que terá seus direitos tutepara lados pelo Poder Judiciário. a argumenuma depor tarefas. como sistemas legais vigentes”. São Paulo: Ática. tação torna-se mais consistente quando analisada a luz da principiologia constitucional. foi Código apenas de emProcesso razão de Civil já édivisão admitida inúmeros autores. reconhecer que a mera apliimportante! — essa análise só é feita após ter decação subsidiária do art. Civil como é justificador de sua aplicação subsidiária. Por exemplo. dizendo que se apontar para a vítima a arma disparará flores. muito embora apenasa um tenha Se numa análise infraconstitucional aplicabilidade do art. CF) e nos princípios constitucionais justrabalhistas. 475-J do Código de Processo finido quem pertence o fato Civil nodeProcesso do Trabalho não(resultado). 249-275. o efeito (resultado) pertence a quem lhe deu causa. autores. da possibilidade de estudo — comparativo — da teoria de modo a servir para aperfeiçoar os critérios de responsabilidade na seara trabalhista. Mas — É forçoso. imputa-se o resultado a quem lhe deu causa. p. Direito Processual do Trabalho: visto tipicamente como crime e haja a necessiReforma e efetividade. 11 . p. lise de todos os elementos da teoria do delito. após (c) domínio do fato: determina quem éo a Emenda Constitucional n. os tem apenas uma relação acessória com o fato. balhistas. LXXVIII. 2007. 11. é(art. Ou seja. ele princípios constitucionais devem irradiar sua aplicabilidade a todos os o subsistemas. E é autor do fato aquele que tem gurou a razoável duração do processo como direito a execução em os suas mãos. 101-102. Al- LTr . In: FARIA.232/2005: Oportunidade— de em maiorespecial: efetividadeacidente no cumprimento das sentenças fato do trabalho —trabalhispretas.deporque a teoria do domínio do cação da omissão celetista e a percepção da coerência (4) fato não serve para atribuir responsabilidades. Nesse viés quaisquer interé dependente do “se” ou do “como” da execução pretações dadas à legislação infraconstitucional devem realizada pelo autor. teoria do Direito Penal aoaplicação Direito subsidiária do Trabalho. Luis Fernando Silva de. Tal princípio pressupõe uma visão social do sistema (b) domínio funcional do fato: ocorre nos processual do trabalho. 475-Jo do sidodao multa executor direto.

2º Painel
COOPERATIVAS DE TRABALHO: ANÁLISE JUS ADMINISTRATIVA —
LICITUDE E DESVIRTUAMENTO
Daiane Martiniuk
Graduanda do Curso de Administração da PUCPR.

Leila Andressa Dissenha
Doutora e Mestra em Direito pela PUCPR; professora do
Mestrado do PPGCOOP — Programa de Pós-Graduação em
Gestão de Cooperativas da PUCPR; professora dos Cursos
de Graduação em Direito e Administração da PUCPR e da
UNINTER; pesquisadora convidada da UNIFE — Università
degli Studi di Ferrara (Itália/2011); professora dos Cursos
de Especialização da UNIARP/SC, UnC Concórdia/SC e da
EMATRA IX. Advogada.

Sob o ponto de vista Jurídico, é fácil defender o Direito e nem mesmo se cogita a
possibilidade de justificar formas ilícitas de
atuação. Mas a racionalidade jurídica, embora seja um dever de todos, nem sempre é a
norteadora de todas as atitudes. No universo
Empresarial, a tomada de decisões administrativas pode considerar múltiplas variáveis
e o Direito não pode ignorar que o desrespeito às leis e suas consequências também
são ponderados.
A ilicitude, contudo, tem um preço
alto para a administração de um empreendimento: custos econômicos e sociais que,
sob o ponto de vista jurídico, nunca valerão
a pena; é o que se pretende demonstrar neste breve estudo que, partindo da análise do
Direito e da Administração, busca compreender os motivos que levam empreendimentos a utilizar Cooperativas de Trabalho como
instrumentos de fraude de intermediação de
mão de obra.
Uma pesquisa de 2012, da Fundação
Getúlio Vargas e da Confederação Nacional
das Empresas(1), feita em uma empresa do
setor têxtil, demonstrou que o empregado

custa para a empresa cerca de três vezes mais
que seu salário, ou seja, um peso de 183% do
seu salário. Destes custos, parte é do investimento em treinamento e desenvolvimento;
outros 30% ficam por conta dos encargos e
benefícios e 27% respondem por licença maternidade entre outros. Outro aspecto importante é que segundo a mesma pesquisa,
o trabalhador rende em seus primeiros três
meses apenas 75%, pelo fato de ainda estar
em treinamento.
Além destes percentuais, há as disposições da CLT, que rege as relações empregatícias desde a criação do contrato de trabalho
até como se deve proceder com os benefícios
e demais questões que abrangem o cotidiano da empresa e, por conseguinte o do empregado. Por si só, essas orientações da CLT,
sob o ponto de vista administrativo, configuram uma grande parte dos custos financeiros
que a empresa precisa despender.
A alta carga tributária, os altos custos
sociais de contratação de mão de obra, a
competitividade marcante do mercado atual
e, principalmente, a falta de incentivos para
desenvolvimento(2) impulsionam empresá-

(1) Dados disponíveis em: <http://veja.abril.com.br/noticia/
economia/custo-de-trabalhador-e-de-ate-183-do-salariodiz-fgv>. Acesso em 05 de abril de 2014.

(2) Cita-se, por exemplo, a divulgação de pesquisa, do início
deste ano, da OCDE, de que o Brasil apresenta a segunda
maior carga tributária da América Latina. Disponível em:

12

LTr - Jornal do Congresso

rios e administradores a tentar a diminuição
de seus custos com manobras ilícitas, dentre
elas, a utilização das Cooperativas de Trabalho como instrumentos de fraude para intermediação para a mão de obra subordinada.
O Cooperativismo teve início na Europa, com a junção dos ideais do liberalismo
e do socialismo, sendo que a primeira cooperativa moderna foi a de Rochdale-Manchester, em 1844, formada pela reunião de
tecelões que tinham por objetivo melhorar
suas condições de vida.(3)
No Brasil, o movimento cooperativista
começou a se propagar por volta de 1841,
especialmente por influência da imigração
europeia, e ganhou respeito e notoriedade
como forma associativa que objetiva a união
de esforços coordenados para a realização de
determinado fim.(4)
Além dos artigos 146, inciso III, alínea
“c” e 174, § 2º, da Constituição de 1988(5),
as cooperativas são regulamentadas pela Lei
n. 5.764/1971 que define o seu regime jurídico e, principalmente, os princípios que as
regem: a livre adesão, a gestão democrática,
a participação econômica dos membros, a
autonomia, a independência, a educação, a
informação, a formação, a intercooperação
e, por fim, o interesse na comunidade.
As Cooperativas de Trabalho, por suas
especificidades, são regulamentadas por lei
própria (Lei n. 12.690, de 19 de julho de
2012), sendo uma forma relevante de geração de renda e melhoria das condições de
vida de seus membros.(6)
<http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/01/cargatributaria-brasileira-e-2-maior-da-america-latina-mostraocde.html>. Acesso em 29 de abril de 2014.
(3) LIMA NETO, Arnor. Cooperativas de trabalho. Curitiba:
Juruá, 2004, p. 124.
(4) DISSENHA, Leila Andressa; NACLE, Isabella Cristina
Costa. Cooperativas de Trabalho: Experiência Nacional e
Comparada. Jornal do 48º. Congresso de Direito do Trabalho
da LTr. São Paulo, 2008.
(5) Conforme AMARAL, Líris Silvia Zoega T. do.
Cooperativa de trabalho. Jus Navegandi, Teresina, ano 6, n.
58, agosto de 2002. Disponível em: <http://jus2.uol.com.
br/doutrina/texto.asp?id=3138>. Acesso em: 16 de abril de
2014.
(6) Conforme SINGER, Paul. Cooperativas de trabalho.
Disponível em <http://www.mte.gov.br>. Acesso em 16 de
abril de 2014.

LTr - Jornal do Congresso

De acordo com o art. 2º da Lei n.
12.690/12, considera-se Cooperativa de Trabalho “a sociedade constituída por trabalhadores para o exercício de suas atividades
laborativas ou profissionais com proveito
comum, autonomia e autogestão para obterem melhor qualificação, renda, situação
socioeconômica e condições gerais de trabalho.” A Cooperativa de Trabalho é apontada,
atualmente, como uma das melhores soluções para o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e social da sociedade.
As Cooperativas de Trabalho podem,
perfeitamente, prestar serviços aos tomadores que assim desejarem, dentro dos parâmetros da Súmula n. 330 do TST e desde que
sua constituição ocorra de acordo com os
princípios que regem tal empreendimento,
em especial, a livre adesão. Contudo, alguns
empresários têm feito apostas muito mais
arriscadas: têm transformado seu quadro de
empregados em “pseudo” Cooperativas de
Trabalho ou utilizado tais instituições para a
terceirização de suas atividades fins, em profundo e flagrante descompasso com a Súmula acima mencionada na busca pela redução
dos custos de mão de obra.
As consequências jurídicas de tais tomadas (equivocadas) de decisão podem ser
bastante gravosas: além do reconhecimento
direto de vínculo empregatício com a tomadora, as multas administrativas e até a responsabilização criminal (art. 203 do Código
Penal) podem ser desencadeadas por esta
escolha.
Analisando a Lei n. 12.690/2012, identificamos no art. 3º os princípios que norteiam as Cooperativas, dentre eles, a “adesão
voluntária e livre” e a “autonomia e independência”, princípios estes que são afrontados quando os empregados de uma empresa são obrigados a se tornarem cooperados,
desrespeitando o disposto no art. 5º da Lei
n. 12.690, que afirma não ser possível a utilização da Cooperativa como intermediação
de mão de obra subordinada.
Não são juristas que tomam as decisões
à frente de um empreendimento e, muitas
vezes, são os critérios econômicos — e não
jurídicos — que direcionam as escolhas de
13

empresários e administradores e, em que pesem todos os argumentos acerca das consequências jurídicas da ilicitude, muitos estão
dispostos a enfrentá-la.
Juridicamente, a melhor forma de combater a ilegalidade é a fiscalização e a punição; administrativamente, contudo, tendo
em vista a realidade atual do mercado e sua
competitividade, a melhor forma de combate é demonstrar as desvantagens econômicas
da ilegalidade e criar mecanismos reais de in-

centivo aos empreendedores, especialmente,
aos pequenos empreendedores, responsáveis
por boa parte da contratação de mão de obra
no Brasil atual. A punição e a retribuição são
as formas que o Direito encontra de dirigir
as condutas à licitude e a combinação bem
sucedida destas formas pode determinar,
igualmente, o equilíbrio entre o necessário
desenvolvimento empresarial e o respeito
aos direitos sociais consolidados em nossas
normas.

APONTAMENTOS SOBRE TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS: EFICIÊNCIA
OU LUCRATIVIDADE DA EMPRESA NO MUNDO CONCORRENCIAL E
REFLEXOS NAS RELAÇÕES DE TRABALHO
Tatiana Guedes Melo
Advogada e Assessora Jurídica Municipal. Pós-graduada em
Metodologia do Ensino Superior. Pós-graduanda em Direito
Público.

Para alcançar uma melhor compreensão
sobre o que a Terceirização de Serviços pode
proporcionar às empresas no mundo concorrencial, incluindo os impactos sobre as relações de
emprego, faz-se necessária a análise de alguns
conceitos.
Simplificadamente, terceirizar uma atividade é repassar a terceiros a sua consecução; é
cometer a outrem (pessoas físicas ou jurídicas,
como as sociedades cooperativas) atividades
acessórias que não lhe são essenciais e, portanto,
não fazem parte do negócio principal da empresa tomadora de serviços; antes, dão-lhe suporte.
Sérgio Pinto Martins (2009, p. 176), mais
extensamente, conceitua:
Vários nomes são utilizados para denominar a contratação de terceiros pela empresa para
prestação de serviços ligados a sua atividade-meio. Fala-se em terceirização, subcontratação,
14

filialização, desverticalização, exteriorização do
empregado, focalização, parceria etc. consiste a terceirização na possibilidade de contratar
terceiro para a realização de atividades que não
constituem o objeto principal da empresa. Essa
contratação pode compreender tanto a produção
de bens, como de serviços, como ocorre na necessidade de contratação de empresa de limpeza,
de vigilância ou até para serviços temporários.
A título de exemplo, Amauri Mascaro Nascimento (1999, p. 172) explica: “Se um colégio se vale de empresa de limpeza, a atividade
contratada é meio, mas se contrata empresa de
professores a situação caracteriza-se como contratação de atividade-fim, porque as aulas são a
finalidade do colégio”.
A terceirização de serviços pode ocorrer
mediante a contratação das Cooperativas de
Trabalho. De acordo com a Súmula n. 331 do
LTr - Jornal do Congresso

a OIT temia o surgimento de falsas cooperativas: (7) NASCIMENTO. A promulgação da referida Lei representa um marco regulatório na iniciativa de regulamentar as cooperativas de trabalho. nas atividades de limpeza e conservação e no caso de serviços especializados. Acesso em: 30 de abril de 2014. o cooperativismo contribui para o enfrentamento do desemprego e do trabalho informal. • As empresas. (8) Disponível em: <http://www. da Lei n.br>. realizado em Fortaleza. naturalmente o associado participa. Acerca das cooperativas de trabalho. de experiência de trabalho coletivo. p.org. 5. É uma estratégia que envolve um número crescente de trabalhadores. Disponível em: <http://www. Consoante. “(. no entanto. que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das sociedades cooperativas. O objetivo da referida recomendação foi acolher propostas relativas à função das cooperativas no florescimento social e econômico das nações em desenvolvimento. uma vez que o estímulo à organização de pessoas em sistema de cooperativa mobiliza cidadãos e lideranças na formação de pequenas células cooperativas. • Enquanto todas as tecnologias atuais de gestão de negócios empenham-se em conseguir que o empregado “vista a camisa da empresa”. o vínculo de emprego com o tomador de serviço e o grau de depen- 15 . com a ampliação da base de contribuição à Previdência Social. autonomia e autogestão para obterem melhor qualificação. Sônia Mascaro. foi editada no nosso ordenamento jurídico a Lei n.amaurimascaronascimento.br/sites/ default/files/topic/cooperative/pub/cooperativas_ mudancas_oportunidades_desafios_219. contribui. prevendo formas de identificação da fraude trabalhista por meio delas. 125): a permissão de terceirização na atividade empresarial privada dá-se. Contrapõe assim os impactos da crise financeira mundial na economia. quais sejam: • Eliminação de intermediários entre o capital e o trabalho..690/2012. • Grande contribuição das cooperativas para uma educação cooperativa e como exemplo para a sociedade. existem vantagens e importância nas Cooperativas. • Melhoria de renda dos associados.oitbrasil. p. 12. mesmo nesses casos. Conforme Pedro Manus (2009. De fato. situação socioeconômica e condições gerais de trabalho. Conforme verificado no Seminário Nacional de Cooperativismo de Trabalho(8). LTr . 157. 3º. constituindo-se ajuda mútua em um dos pilares básicos dessa peculiar forma de atuação no meio social”. Amilcar Barca Teixeira Júnior (2002. publicada em 1966. de acordo com o entendimento sumulado. o que foi um grande avanço para mitigar o desvirtuamento dos princípios e valores do cooperativismo trabalhista. o que não acontece com as cooperativas. com cada trabalhador aportando parte do seu capital para constituir em empreendimento comum. assim como sua punição”(7) A Organização Internacional do Trabalho (OIT) já havia tratado oficialmente do Cooperativismo na sua Recomendação de número 127. enumerados no art. definindo os termos para a organização e funcionamento regular da sociedade cooperativa. tenha acesso ao capital. sem que ele. a terceirização só é permitida quando se tratar de atividade-meio.764/1971. conforme o art. 2º. Apontamentos sobre a nova Lei n. colaborando. em dezembro de 1998.) a totalidade da lei demonstra sua intenção de evitar o desvirtuamento das cooperativas de trabalho. p. 12. renda.TST. Sônia Mascaro Nascimento. 107) explica que: “A cooperação nasce da necessidade de sobrevivência dos grupos. maiores concorrentes das cooperativas. estas são uma sociedade constituída por trabalhadores para o exercício de suas atividades laborativas ou profissionais com proveito comum. nas cooperativas.pdf> Acesso em: 30 de abril de 2014. Logo depois.com. estão sujeitas à CLT.. reduz a informalidade. inclusive. que tira sua flexibilidade. é preciso que o serviço contratado refira-se à atividade-meio e que também não se verifique pessoalidade e subordinação direta. aplicável às cooperativas. Por outro lado.Jornal do Congresso Com a terceirização.690 e as cooperativas de trabalho. Todavia.

a terceirização veio para as empresas como um caminho para. descaracterizando sua destinação legal e implicando fraude à lei. conforme dizeres de Pedro Manus (2002. A contratação das cooperativas para terceirização de serviços. contribui para maior lucratividade do tomador de serviço que pode investir o capital disponível para obter maior eficiência da sua produção e obter maior competitividade no mundo concorrencial. Lívio Rodrigues. o objetivo da terceirização de serviços: aumentar a lucratividade ou a eficiência da empresa no mundo concorrencial? Responder a esse questionamento requer uma digressão histórica. — São Paulo: Atlas. com a presença de pessoalidade e subordinação. seja para realizarem determinadas políticas do Estado.pdf>. As companhias tiveram de rever seu modelo de gestão.Jornal do Congresso . redução de perdas. qual seria. dos meios de transportes e da telefonia.oitbrasil. o que impacta as relações de emprego de um modo geral. propiciou uma conjuntura extremamente favorável para o acentuamento das relações socioeconômicas em âmbito mundial. São duas faces da mesma moeda. para investir em tecnologias mais eficientes. seja para permitirem mais lucros para os empresários privados. viabilizar sua eficiência e aumentar sua lucratividade. a competitividade e o acirramento da concorrência produziram nas empresas a necessidade de maior eficiência. é preciso cautela para que as cooperativas não venham a se configurar como uma forma de intermediação da mão de obra. pois implica possibilidade de concentração na sua atividade-fim. Bibliografia MANUS. MARTINS. Para se tornarem competitivas. A globalização. melhora da sua eficácia gerencial. 7ª edição. das técnicas de comunicação por satélites. Entretanto. Há. Participação de cooperativas LTr .br/sites/ default/files/topic/cooperative/pub/cooperativas_ mudancas_oportunidades_desafios_219.org. 2009. Destarte. Além disso. As corporações passa(9) Disponível em: <http://www. uma ameaça de instrumentalização das cooperativas de trabalho. e potencialização do espaço físico. 16 ram a desenvolver “estratégias de modificação nas relações de trabalho. em virtude da eliminação de intermediários entre o capital e o trabalho. Acesso em 30 de abril de 2014. alcançado com o aumento da lucratividade. 2002. p. Para tornar-se mais eficiente. 124). Diante da ruptura das fronteiras mercadológicas. como um fenômeno viabilizado pela evolução e alargamento da tecnologia de informação. imbuídas da demanda por capital para a ampliação das suas atividades e seu aperfeiçoamento tecnológico. com preços favoráveis no mercado.dência e subordinação do trabalhador têm de ser cuidadosamente avaliados. a fim de diminuir o custo do trabalho”. de outro. ao mesmo tempo. Sérgio Pinto. As cooperativas de trabalho entram nesse cenário enfrentando o desemprego e a informalidade de um lado e provocando diminuição do custo da mão de obra. e também diminuir seus custos fixos. TEIXEIRA JÚNIOR. viabilidade de redução e controle de custos operacionais. Esse movimento projetou reflexos também nas relações de trabalho. investindo em alta tecnologia. garantindo preço razoável para o seu produto. Direito Individual e Coletivo do Trabalho. desaparecem os encargos do empregador. não existindo contrato trabalhista. CIOTTI. maior produtividade. p. Amilcar Barca. o que demanda capital disponível. Precisam focar na sua atividade-fim. e em verdade empregados. 25ª edição. aumento da sua especialização. no processo de terceirização. negando aos supostos cooperados.(9) Terceirizar determinados serviços é uma tendência das empresas. Pedro Paulo Teixeira. — São Paulo: Atlas. os custos fixos são transformados em variáveis. aumento da flexibilidade e da agilidade da organização na tomada de decisões. as empresas devem ser eficientes. Direito do Trabalho. pois pretensas cooperativas tentam mascarar a relação de emprego. de fato. Assim. redirecionamento de verbas mediante a disponibilidade de capital para investimentos. os direitos previstos na legislação trabalhista. 155 e 156. a empresa deve dispor de maior capital. com o objetivo de flexibilizar as relações de trabalho.

pois especificamente treinadas para tal atividade. Graduada pela Universidade Federal da Bahia. com o benefício de que estas serão realizadas com mais qualidade e celeridade. Disponível em <http://www. TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS Teresinha Soares Abreu Ferreira Oficial de Justiça Federal da Seção Judiciária da Bahia. labora para uma empresa terceirizada. Terceirização Lícita Trata-se de um fenômeno crescente pelo qual o empresário. É empregado como qualquer outro. 1. a concretização de atividades acessórias ao processo produtivo. como habitualmente é reconhecido. — Brasília: OIT. 25ª edição.org. Acesso em: 30 de abril de 2014. sua única preocupaLTr . respondendo sem tantos prejuízos e de forma rápida a uma crise no mercado. Editado por Armand Pereira. NASCIMENTO. com os mesmos direitos. 1999. por exemplo o processo de construção de um edifício seria muito dificultado sem a possibilidade de se terceirizar os serviços relacionados aos elevadores. pertencem a uma categoria profissional identificada. fornecendo serviços para várias outras empresas. Sônia Mascaro. em geral outras empresas. revista e atualizada.690 e as cooperativas de trabalho. 17 . As terceirizações como soluções de mercado são lícitas e necessárias ao empresário. portanto.Jornal do Congresso ção. Apontamentos sobre a nova Lei n. Acesso em: 30 de abril de 2014. Organização Internacional do Trabalho. o seu único foco. 12. Terceirizar significa ter tranquilidade de que aquela “janela” aberta no processo produtivo será preenchida com maior excelência do que se o serviço fosse realizado internamente. Belo Horizonte: Editora Mandamentos.pdf>. podendo reunir-se para reinvindicar seus direitos junto ao empregador. NASCIMENTO.br>. com sindicato representativo. Iniciação ao Direito do Trabalho. Oportunidades e Desafios. altamente especializados. A grande vantagem para a tomadora. São Paulo: LTr. Ao contrário.oitbrasil.com. por pessoas especializadas. em colaboração com Lucienne Freire e Lizzie Lagana — 1 ed. Disponível em: <http://www. Amauri Mascaro. Isso gera uma redução de custos pois a tomadora gastaria mais inserindo na sua cadeia produtiva tal atividade acessória. vislumbrando convergir esforços na realização da sua atividade principal. Esse tipo de terceirização não tem o condão de macular direitos trabalhistas. pode incrementar de forma mais agressiva a sua atividade principal. São os únicos trabalhadores de uma empresa. amaurimascaronascimento. Especialista em Direito do Estado pela Faculdade Baiana de Direito.em procedimentos licitatórios. 2002. Cooperativas: Mudanças. br/sites/default/files/topic/cooperative/pub/ cooperativas_mudancas_oportunidades_ desafios_219. 2001. é o engessamento de custos. Não o fazendo. opta por entregar a terceiros. um terceirizado.

Assim. transferindo para terceiros esse conflito. 6. a prestadora muda. 12 da Lei n. que consiste na atividade de suporte à principal. e também. a terceirização tornou-se vantajosa financeiramente porque as tomadoras ficam libertas da mais grave consequência jurídica da relação entre capital e trabalho que é a tensão social. Independente de laborarem no ambiente da terceirizada ou no espaço físico da tomadora. Outro efeito maléfico detectado na terceirização ilícita é serem os terceirizados considerados inferiores pelos demais trabalhadores. trata-se da dificuldade que o trabalhador tem de identificar o sindicado que o representa pois tampouco tem ciência exata de quem é 18 responsável pela sua contratação. Seguem algumas situações recorrentes: 1. como ajudante geral. nutrirem em seu íntimo esse sentimento de serem trabalhadores de segunda categoria. a subordinação e pessoalidade saltam aos olhos. não raro encerram suas atividades sem o pagamento das verbas rescisórias. inclusive porque muitas vezes a terceirizada presta serviços unicamente para uma tomadora.019/74 é utilizado analogicamente concluindo-se pelo direito ao salário equitativo. 2. dentro da normalidade. ocorre o absurdo de um terceirizado prestar serviços em São Paulo sem no entanto auferir o salário mínimo regional porque a empresa terceirizada tem sua sede no Paraná. uma vez que as empresas estão terceirizando atividades principais. fazendo com que cada semana eles laborem em um tomador. muitos tomadores exigem que cargos. desse modo. como na maioria das vezes a empresa terceirizada não tem capital suficiente para a contratação de um robusto quadro de funcionários. 3. não arcando com o custo dos direitos trabalhistas.2. os terceirizados são literalmente “arremessados” no exercício das atividades sem qualquer treinamento. e pior. o art. uma vez que. somenLTr . 5. sofram rodízio. não consegue firmar uma consciência coletiva.Jornal do Congresso . Também não sabe quem são os seus verdadeiros colegas de trabalho (afinal muitos no ambiente do trabalho chamam-no de “o terceirizado”). para se tornar uma excentricidade repressiva da dignidade da pessoa humana. Infelizmente. esse instituto transformou-se num instrumento predatório de direitos. ademais. Outro efeito maléfico identificado. 3. Terceirização Ilícita A terceirização de serviços passou de um método de organização da cadeia produtiva. garantindo-se aos terceirizados o vínculo empregatício direto com a tomadora. não fazendo parte do processo criativo do produto final ou que não seja essencial à dinâmica empresarial do tomador dos serviços. Isso ocasionado pelo desvirtuamento do instituto. Em suma. 4. sofrendo com a síndrome do trabalhador de segunda classe. Ordem jurídica aplicável O TST promulgou a Súmula n. uma vez que não consegue identificar quem é na realidade o seu patrão. perdendo a noção de grupo. situação geradora de efeitos maléficas para os trabalhadores terceirizados. o empregado terceirizado tem dificuldade em ingressar em juízo. Ademais. devendo responsabilizar-se por tais danos. Nesses casos. embora prestem serviços para a mesma tomadora. A mais comum consequência jurídica do desvirtuamento do instituto é a diferença salarial entre os trabalhadores terceirizados e os empregados da tomadora. há trabalhadores que não usufruem férias há anos. mudando também o seu contrato de trabalho. Isso porque. e muito grave. Ocorre que a tomadora sabe ou pelo menos deveria saber que a prestadora de serviços não tem capacidade econômica para equipar e dar cursos de treinamento aos seus funcionários. Esse trabalhador não se sente incluído na rede de funcionários da empresa tomadora. enfraquecendo. Segundo o entendimento jurisprudencial. usufruem de menos direitos que os empregados da tomadora a exemplo de terem uma jornada mais extensa e uma contrapartida salarial menor. quando realizam idênticas funções. a reinvindicação de seus direitos. com o único propósito de não formação do vínculo empregatício. utilizando como balizador o critério da atividade-meio. 331 no intuito de regularizar a terceirização desenfreada. 5º da CF). para se evitar a comprovação do vínculo empregatício. ferindo o princípio da isonomia (art. o que ocasiona um elevado número de acidentes de trabalho entre esses trabalhadores.

com a exceção deste último. ferindo princípios e regras do ordenamento jurídico interno e internacional. Também é de fácil entendimento que queiram continuar a operar indistintamente em todos os seus setores. 4. de início. A Constituição Federal dispõe acerca dos princípios da igualdade (art. desde que não presentes a pessoalidade e subordinação. 1º). conservação. O ordenamento jurídico internacional reprime a utilização do trabalhado como mercadoria — Declaração Referente aos Fins e Objetivos da OIT (Filadélfia — 1944). Que sejam respeitados os direitos desses trabalhadores. Mestre em Direito das Relações Sociais pela PUC-SP. O Ministério Público do Trabalho. inclusive na atividade-fim. por exemplo. RESPONSABILIDADE NA TERCEIRIZAÇÃO — O OVO DE COLOMBO Mári Ângela Pelegríni Jornalista. sem nenhuma limitação quantitativa. 4. as Centrais Sindicais e o Judiciário Trabalhista são terminantemente contra referido projeto. 2º e 3º a formação de vínculo empregatício direto com o tomador de serviços no caso de haver subordinação. vigilância e trabalho temporário podem ser terceirizadas. Ou seja.330/04. LTr . PL n. o PL n. passa a ter base legal. e em qualquer atividade. LTr) e de vários artigos jurídicos. da gama de usuários do sistema. que volta à tona por conta da pressão dos empresários. é o que desejamos e esperamos que se concretize. vinculada ao TRT 15ª Região. há um projeto de lei em trâmite no Congresso Nacional. trabalho muitas vezes um tanto complexo. Juíza Titular de Vara do Trabalho. te esse tipo de atividade e mais as de limpeza. A CLT prevê em seus arts. de onde brota o projeto de lei sobre o tema. E vem surtindo efeito pois os julgadores têm sido bastante felizes em identificar em cada segmento quais as atividades-meio e quais as atividades-fim. também na atividade-fim. a absurda hipótese de uma padaria terceirizar os serviços de padeiro. ainda mais se possível. porém foi a fórmula alçada pelo TST a fim de dar um direcionamento aos julgados. levantando a bandeira de sua licitude ampla. o que vislumbram é a possibilidade de se verem livres dos encargos trabalhistas e 19 .330/04 não tem validade. maculando os direitos de uma gama de trabalhadores. Sem contar a possibilidade de redução de impostos a partir da emissão de notas fiscais entre empresas entender o porquê da febre empresarial na defesa da terceirização irrestrita. admitindo-a em qualquer segmento econômico. exceto a classe trabalhadora. desde os operacionais aos administrativos.A súmula se apresenta insuficiente para uma normatização plena. sendo indecorosa a promulgação de uma lei nesses termos. já que. Kant já preconizava que os homens devem ser um fim em si mesmos. Caso aprovado.Jornal do Congresso O incentivo para a aprovação vem. Ocorre que. exige pouco esforço intelectual. Professora Universitária e autora do livro “Trabalhadores Sem Vínculo — Do Cais ao Campo” (Ed. que prevê uma abertura sem limites à terceirização.5º) e da dignidade da pessoa humana (art. os chamados “tomadores de serviços”. E. principalmente. Parecem evidentes os vários motivos daqueles que levam os defensores da terceirização empunharem a bandeira na defesa da aprovação de lei que regulamente a matéria.

A dependência aos contratantes é incontestável e a prática tem apontado que. do descontentamento gerado aos trabalhadores envolvidos. a verdade. começa pela tendência de que os que são atraídos para formá-las deslumbram-se pela facilidade com que irão. Some-se a isso o fato de que ocupam o espaço que a própria legislação lhes oferece. outra verdade incomoda: não há nenhuma autonomia real por parte das empresas terceirizadas. a nosso sentir. pelo menos a princípio. E o termômetro é a motivação da equipe. não caminha pela orientação do PL n. pode apostar que este espaço será preenchido. Não é raro. mas os benefícios indiretos nem de perto os igualam. inclusive. mas. Não só pela condenação. Dizem que quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro. Não se desconhece. como adiante se pontua) e da Justiça do Trabalho. são animadas com a hipótese de poderem ganhar intermediando mão de obra. 12. diante da possibilidade da efetiva condenação subsidiária nas ações trabalhistas. que poderá ser feita mesmo depois da primeira audiência. pois. inclusive no âmbito do governo. A regulamentação da terceirização. com os contratantes. estas empresas não têm nenhum patrimônio ou lastro financeiro. como as plantas que se enroscam no tronco de uma velha árvore. como se diz no ditado popular: “mamar nas tetas gordas dos governos”. mas na queda vertiginosa da própria qualidade dos serviços que decorre. 1º É solidária a responsabilidade entre todos os tomadores de serviços e empresas terceirizadas. Fazer estratégias. facilitar seu enquadramento sindical. norteia-se. evidentemente guardadas as exceções louváveis. Cria-se uma segunda classe dentro do mesmo local de trabalho. pela necessidade de um único artigo. desde que seja dada a oportunidade de LTr . racionalizar serviços no departamento pessoal. treinamentos. Todas as vertentes da terceirização na atualidade caminham por várias teorias. Só não terceirizaram. a criação destas empresas. disfarçadamente equivalente. por terem o desconfortável freio da atuação eficiente. que sem muita técnica e com muita ousadia. ou driblar a necessidade de criação de cargos e concursos no setor público. equiparando-se todos como integrantes de um grupo econômico para os fins de pagamento e garantia de eventuais direitos e ou créditos trabalhistas pendentes em relação aos trabalhadores que lhes prestam ou prestaram serviços relativos ao respectivo período laborado. E para isso contam até com assessorias especializadas. como adiantamos. independentemente de sua integração inicial no polo passivo das ações. muitas vezes integradas por sócios de suas relações buscando uma troca de interesses. a categoria “terceirizada” e a categoria preponderante e cabe ao empresário sentir se isso vale a pena. Essas pessoas espertas e dadas ao ganho de dinheiro fácil. na maioria das vezes. embora nem sempre com patrimônio compatível. Frise-se que não se desconhece que muitas empresas terceirizadas são idôneas e com boas intenções (ou deveriam ser). infelizmente. toda a empresa. Ter reservas financeiras para iniciar. É preciso ter tempo para pensar. eles próprios. por parte do Ministério Público do Trabalho (particularmente sente-se falta de atuação no setor público. ou deveria. prestar serviços com a força de trabalho de outros e não de si mesmo ou quando não. tais como: plano de saúde. Vivem uma relação simbiótica. O salário pode até ser. enfim que dentre os motivos que impulsionam a terceirização. muitas vezes. A regulamentação da terceirização dos serviços. o barato pode sair caro. ousamos sugerir: Art. e o que é pior. ainda. sem pegar no pesado. crendo que nenhuma responsabilidade terão. que vários empresários e governantes incentivem. Normalmente quem acaba manchando o trabalho sério de algumas. E é natural que pessoas com esse perfil sejam atraídas neste mister. 20 Quando não se acha qualquer vínculo afetivo ou familiar nesta teia. seguro.fiscais e a imediata redução de custos. visam. além do primeiro pontuado. por algum gatuno. valendo-se não de sua própria força de trabalho. etc. é fato.690/12 em definir/alterar os conceitos de atividade-fim ou atividade-meio e nem para ampliar ou restringir suas possibilidades. redução de custos alguns sejam bem compreensíveis: não querer lidar com diferentes tipos de mão de obra contratados diretamente. fruto da odiosa diferenciação e discriminação entre iguais. não estender os direitos/benefícios. Mas.Jornal do Congresso . é uma só: economia de custos! Mas. quando não parasitária.

em seu inciso V.Jornal do Congresso tados pelos braços fortes da primeira instância. Tarefa difícil. No julgamento pelo STF da Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) n. a culpa. como se esperava. em regra. podendo o juiz definir se a entrega da defesa será até uma hora antes da audiência de instrução em se tratando de processo judicial eletrônico. Vence aquele que se quer que vença. em coro. Evidente que os julgadores não podem salvar o sistema. Em grande parte. a inspiração do STF que. Para desgosto dos entes públicos e seus procuradores. salvo requerimento de prova oral específica. jogou-se uma pá de cal na impossibilidade. pelo menos deixou uma prudente brecha para a condenação. Relegou aos juízes a difícil tarefa de procurar o erro. que foram podadas. é o consórcio intermunicipal para contratação de médicos para os municípios integrantes.defesa. ou no prazo de 15 dias. Um olhar profundo trouxe à tona uma verdade inconveniente: os vícios das licitações. a ponto de serem apelidadas pelo nosso saudoso ex-presidente do TRT15. E assim o fez levando a alteração da redação da Súmula n. o jogo de cartas marcadas faz da licitação um teatro. A novidade no Pontal do Paranapanema. como tem revelado a mídia nacional numa sequência de escândalos. a par da decisão polêmica. por exemplo. E pior. 442 da CLT) elas seguem se multiplicando. alternam-se nos contratos. independente da audiência presencial deverá ser apreciada após a réplica. e dos trabalhadores em particular. mas para alívio dos juízes. Camufladas em forma de ONG (Organização Não Governamental) e OCIPS. com um verniz legal assim como as antigas cooperativas de mão de obra no passado. agora a terceirização se alastrou no setor público e na mesma esteira da suposta “legalidade” veio a tentativa de reforço no vitorioso “lobby” que pugnou pela declaração de constitucionalidade do art. lembrando as quase extintas cooperativas de mão de obra (pelo menos não batem tanto mais às portas do judiciário como num passado recente e sombrio para os trabalhadores por ela explorados). a porção de cal veio muito fina e não teve como resultado o enterro da velha discussão. (Parágrafo único do art. reforçada pela inclusão de malfadado artigo na CLT que proclamava a inexistência de vínculo entre as cooperativas e seus “cooperados”. arrancadas pela raiz como uma erva daninha. em esmagadora maioria fraudulenta. permitindo a condenação. outras terceirizações espúrias se proliferam e recebem outro nome: consórcios ou parcerias público-privadas. (que apontaremos abaixo) parece ter sido obrigado a declarar a “constitucionalidade” do artigo da lei de licitações que impedia a condenação subsidiária dos entes públicos. com ressalva. de condenação do ente público. 21 . da Lei n. inspirados na súmula. em igual prazo. antes do prosseguimento da instrução principal. felizmente. como “gatooperativas”. ao perceberem que as terceirizadas estão às vésperas de serem defenestradas. a montar dossiês para provar o que até então pouco lhes preocupava. ausentes os pressupostos básicos de sua aceitação. 16. sem êxito prático para a vitória dos trabalhadores por conta da jurisprudência dos tribunais trabalhistas. quando não impossível. Assim como as cooperativas. com base exclusivamente na prova documental. começando a não pagar os trabalhadores. os mesmos grupos. orientados por seus departamentos jurídicos. pelo menos em parte o esforço empresarial. sem adentrar no mérito da exceção. inclusive de ofício. A seguir tenta-se justificar sugestão tão radical. 8. graças a atuação do Ministério Público do Trabalho. E elas não se extinguiram a toa ou por falta de gatunos. pois daria uma outra tese. 71. é preciso agradecer. infelizmente. desde que configurada a conduta culposa. na cidade. porque em cada caso concreto e cada vez mais. e sim porque as empresas que dela se valeram foram obrigadas a arcar com a conta final (o passivo trabalhista).666/93 —Lei de Licitações — e valeu. que tiveram. Assim como elas. desembargadores e ministros do trabalho. Adilson Bassalho Pereira no campo. É sabido que no setor público as terceirizações se disseminaram nos recursos públicos como se fossem uma praga. (nada de cooperado tinham) levanLTr . 331. cujo último ato todos conhecem. Mas. § 1º. Esta última. passam os entes públicos. após citação específica. em geral. permitida a arguição de exceção de incompetência em razão do lugar por petição. certamente pressionado pelas próprias deficiências. agora.

às evidências. O mesmo erro/culpa que nasce na fonte no próprio processo de licitação. De outra parte. a magistratura há de achar a saída. cujos malefícios foram sentidos mais tarde. é forçoso reconhecer. também fruto de esquema de fraude em licitações. implanta-se e uma pequena diferença. em cada caso concreto garimpando os requisitos para a condenação do tomador: a) por não escolher bem (em licitações viciadas com cartas marcadas. Deram com uma mão e tentaram tirar com a outra. Com equivocada sensação de que a privatização trouxe o melhor dos mundos. de maneira exagerada para quem praticamente nunca fiscalizou a ponto de já se cogitar em assédio moral no serviço público). Não raro. enfim. Feito camelos cansados. Diziam: “temos que reconhecer que antes da privatização demorávamos um século para instalarem uma linha telefônica e a um preço muito caro. Não se tinha esses milhões de call centers (amontoado de seres que LTr . por exemplo. encontrar falhas no descumprimento do ato de fiscalizar. ela era sua. não se nega. já que até então não tinham a pressão de metas da economia privada. Neste cenário a livre concorrência avançou sobre o povo brasileiro numa época em que os servidores públicos. aparentes bons resultados. Neste cenário a terceirização encontrou terreno fértil para proliferar.Jornal do Congresso . imposto pelo “menor preço”. muitos se arrastavam como se estivessem num deserto para ir até um balcão. embora nem sempre com a necessária contrapartida (criação de cargos. Azar da classe trabalhadora quando não encontra julgadores antenados com tais estratégias. Regularmente contratada? Será? Quem pode garantir que fora supostamente “regularmente contratada” com as licitações viciadas que temos? Não bastasse. resultam no impedimento da discussão da matéria em âmbito nacional e isso a torna. não pagar verba alimentar é “mero inadimplemento”? Mas. no final da década de 90 havia uma sensação de descontentamento gene22 A partir de cobrança de metas e gestão por parte do CNJ no judiciário. E tem achado. gerando forjadas exigências de explicações dos atrasos pelos tomadores aos seus contratados resulta na prática em um engodo orquestrado. O cerco se fechou no inciso VI da Súmula n. b) a não vigilância (mesmo deixando de lado o requisito anterior. frise-se no início. otimização e gestões que hoje. Parece pouco o “mero” inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada. sobrou para o aplicador do direito do trabalho uma importante válvula de escape. Exemplo é a informação de que não mais será renovado o contrato por algum vício. trouxe um novo conceito e nesta onda de mais eficiência. foi o caso apelidado no de “máfia das casinhas” no interior de São Paulo. na prática. sentiu-se que a sociedade ganhou em seu clamor por mudanças. sob pena de culpa e ai sim. depois de “um século”. aos poucos. deixaram a desejar na prestação de serviços. Mas. a força das súmulas e orientações jurisprudenciais. no grande álibi da administração pública e só o Ministério Público poderá mostrar os nós desta teia). compatível com o volume de serviço e correção da remuneração pelo menos na reposição da inflação. a estabilidade. como a privatização. arejou este comportamento. a terceirização trouxe. sem dar valor no maior bem que um trabalhador pode conquistar. trouxe aparente bons resultados inicialmente a ponto de ter havido ávidos defensores e comparações calorosas. aos poucos. põe-se o juiz do trabalho na primeira instância a buscar a “culpa”. ser condenado subsidiariamente) A privatização. já se faz sentir nos resultados da administração pública (aliás. incoerentemente exigindo isso dos empresários brasileiros) aliado aos pertinentes portais de transparência que também auxiliam na fiscalização dos serviços. vinculante por tabela. embora no exercício de uma obrigação. que dispensa maiores comentários. Por exemplo na área da telefonia. ralizado da sociedade com a (in) eficiência dos serviços públicos. enfim. Pagava-se preço justo pela utilização. Um exemplo emblemático. Com dificuldade.E a culpa é para os documentos invisível. exageros à parte. o próprio tomador sabe o motivo do atraso/inadimplemento das obrigações. fazendo a sofrida população acreditar que estavam fazendo favor aos contribuintes que lhe pagavam os salários.” Sim. Embora não vinculante. 331 do TST ao “exigir” que a magistratura não condene o ente público pelo “simples fato” de não terem sido honradas as verbas trabalhistas.

se organizam em apertadas salas para incomodar outros seres). 9. 361/99. Impõe-se aguardar o desenrolar da (in)eficiência com o passar dos anos e da sociedade a paciência. permitida na lei. ou lhes foi enfiado goela abaixo está ai um caminho sem volta no mundo globalizado. por exemplo. integrante do ente público União. 23 . administrativos e ou políticos à entidade. transparência e prestação de contas. Retirou de sua estrutura os concursos para copeiras. ou elas. Depois de mais de seis anos da publicação da Lei n. definindo sua origem e facilidades para gestação desses inóspitos embriões. agora terceirizados e de lá para cá nada mudou. que qualquer entidade deve providenciar.790/99. nem os preços exagerados e nem a inclusão das telefonias como campeãs de reclamações no PROCON. apesar de ser tecnicamente clara e apresentar alguns avanços. Não se quer ser bairrista.790/99 e com centenas de entidades qualificadas. regulamentada pelo Decreto n. a primeira que aparece. vários termos de parceria entre a administração pública e organizações qualificadas como Oscips estão sendo firmados em âmbito federal. etc. Saudades das estatais na área. Como diria o filósofo Bóris Casoi: “é uma vergonha!” Sobre as OCIPS. previu a existência do “termo de parceria”. Google” e lá vem. relação com o Estado. há inúmeros sítios na rede mundial de computadores onde novo ramo de assessoria. Além dos registros obrigatórios. Deve-se dizer também que a qualificação como Oscip começa a ser exigida em algumas situações concretas. oferecem ajuda para fecundá-las em laboratórios jurídicos privados. vencendo os leilões e se era isso que os brasileiros queriam.Jornal do Congresso Basta acessar o “Dr. Hoje em dia o que mais tem são falsos autônomos. Eles. ainda existem. muitas vezes sem gozo efetivo de férias ou sem recebimento das verbas rescisórias em cada troca da empresa terceirizada. causou imensos debates e dúvidas entre as ONGs. tem também sua parcela de culpa. Se é possível que os espanhóis. (sem grifos no original). A qualificação de pessoas jurídicas como Oscip é regida pela Lei n. há também uma gama de procedimentos facultativos. Só a título exemplificativo cita-se a terceirização dos serviços de limpeza e copa em toda a Justiça do Trabalho. 9. no que pontuamos como exemplo de deficiência que adiantamos acima. Nas varas do trabalho copeiras convivem com os juízes. estadual e municipal.. portugueses. no topo da página. Atualmente.. que pode ser qualificada como OSCIP a qualquer momento ou iniciar suas atividades já como OSCIP. Aleatoriamente. acessou-se uma delas.100/99 e pela portaria n. LTr . […] Além disso. 9. a falta de estabilidade e a angústia a cada troca de terceirizada. na esteira do mesmo exemplo.]A Lei n. por décadas. (grifamos) [. Chega-se ao cúmulo de entrar com reclamação verbal na própria vara para receber seus direitos. depois da nova invasão espanhola da era moderna foi uma constante. Fiéis servidores que acompanhavam várias administrações. por exemplo. acesso a fundos públicos. na cabeça da página virtual inúmeros “links” onde vários prestadores de serviços destas incubadoras. principalmente pelo contexto político em que foi gestada e pelos temas que toca: identidade das ONGs. que podem acarretar benefícios financeiros. o instrumento jurídico que regula os repasses de recursos públicos para as organizações da sociedade civil para que executem políticas públicas chama-se “convênio”.790/99. O que mudou foi o pagamento precário. sejam todos melhores na telefonia. sem nenhum vínculo ou proteção. sem nenhum escrúpulo (é legal apregoam). mas não sob o sangramento dos milhões de terceirizados. os antigos “contínuos” do serviço público. Entre eles está a qualificação como OSCIP. assim se expressa: Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). originada dessa necessidade de “legalizações” desenfreadas e pior. inclusive para instalar linhas telefônicas. 3. ou tenham tido dinheiro para injetar na compra das estatais. instrumento considerado inadequado para regular essa relação. Infelizmente os próprios tribunais do trabalho. que pretende facilitar e desburocratizar o acesso das organizações da sociedade civil sem fins lucrativos a fundos públicos. como condição de acesso a fundos públicos (exemplo: Programa de Formação de Telecentros financiado com recursos do Fundo para a Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust)) ou como condição para a concessão de isenções fiscais (exemplo: lei do Estado de Pernambuco que concedeu a isenção do ITCMD às organizações do Estado sem fins lucrativos qualificadas como Oscip). é o que se espera. Nada quanto ao serviço.

no município paulista de Presidente Prudente. Desde auxiliares de enfermagem. 13 da Lei n. em ambos os casos. respeitados. A Lei n. pelo então governo Serra.Jornal do Congresso . passa-se uma mão de tinta para mudar as cores e lá dentro trabalham quem a OCISP quiser.vieiraconsultoria. antes de computada a sua dedução. do Ministério da Fazenda (Disponível em <http://www. obter o título de Utilidade Pública Federal e o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. a informação também é tentadora para os interessados: — Incentivo fiscal a doações — A Medida Provisória n. nos termos e condições estabelecidos pelo inciso III do parágrafo 2º do art. Sempre houve uma tentativa de fiscalização acirrada pelos órgãos competentes e espera-se que o Ministério Público do Trabalho continue firme em sua missão e as condenações subsidiárias. Não precisa muita elucubração mental para perceber que é uma ótima alternativa para sobreviver e ficar enraizado no serviço público. abandonados ou disponíveis.14).249/95. — Podem receber bens apreendidos. de forma habitual ligada à igreja católica (virou uma tradição nos serviços de saúde após a infiltração deste segmento inicialmente nas santas casas). Como um passe de mágica viu-se a transformação em Hospital Universitário privado em Hospital Regional Estadual. 9. Segundo ela.Quantos aos “principais benefícios conferidos aos portadores da qualificação de OSCIP”. 9. receber doações de empresas dedutíveis do imposto de renda.php>.790/99.158-35/2001. 10. quem sabe transformadas em solidárias na utopia da sugestão que se fez. Fácil.4. todos os empregados que lhe eram simpáticos continuaram a administrar e ou prestar serviços para o novo ente público estatal. demonstrou-se sabedoria em saber que o time LTr . estabelece que as organizações qualificadas como Oscips também podem. Cabe ressaltar que a não-remuneração de dirigentes continua sendo uma exigência obrigatória para se registrar no CNAS. doações efetuadas às Oscips podem ser deduzidas do imposto de renda das empresas doadoras tributadas sob o regime do lucro real até o limite de 2% sobre o lucro operacional dessas empresas. enfermeiros e médicos. assim como as organizações portadoras do título de Utilidade Pública Federal. professora de uma instituição de ensino há quase duas décadas. por conta das desvantagens da terceirização que a intuição de seus administradores para o mal que a cercam.637. foram todos mantidos ou contratados pela indicação dos padres e sua rede de administração. Desapropria-se um e pronto. trata de isenção fiscal para Oscips que remuneram dirigentes. as Oscips que optam por remunerar seus dirigentes que atuam efetivamente na gestão executiva e aqueles que a ela prestam serviços específicos e que tenham vínculo empregatício com a organização poderão ter isenção do imposto de renda e receber doações dedutíveis das empresas doadoras. de 30 de dezembro de 2002. Primeiro não se cumpre promessa de campanha para a construção de mais um hospital. Assim. — Termo de parceria — As parcerias firmadas entre as Oscips e o Estado podem ser regidas pelo termo de parceria. 9.com. br/?path=quem_img1. impondo aos tomadores que arquem com os prejuízos deixados pelas empresas terceirizadas. sem nenhuma capacidade financeira (penhora-se o Vaticano?). Um exemplo de nossa experiência pessoal foi a desapropriação de um hospital universitário. antes ligado à universidade onde atuamos. em seu artigo 59. A guisa de mais um exemplo pessoal. que até então eram regidos pelos convênios. sem nenhum concurso. — Possibilidade de remuneração de dirigentes — Uma grande inovação da Lei n. Simplesmente por meio de uma destas parcerias.790/99 é a possibilidade de a organização instituir remuneração para os dirigentes da entidade que atuem efetivamente na gestão executiva e para aqueles que a ela prestem serviços específicos. instrumento instituído pela Lei n. administrados pela Receita Federal — Portaria 256 de 15 de agos24 to de 2002. Acesso em 20. sem que se tenha o contratante qualquer responsabilidade pela não realização dos necessários concursos públicos. Discute-se anos na justiça o preço a pagar. presenciei ao longo dos anos as tentativas de terceirização no campus universitário e sua volta ao estado anterior. os valores praticados pelo mercado. que estabeleceu critérios mais transparentes e eficientes para o repasse de recursos públicos para entidades sem fins lucrativos. 2.

mediante prova seletiva específica e rigorosa. como advogada do conglomerado Itaú) a ponto de manter em sua central seu corpo jurídico. antes de ingressar na magistratura.estava ruim e algo deveria ser feito. qualificam-se. que se iniciou na década de 90 retrocedeu (presenciei esta transição pessoalmente. nos grandes grupos mais atentos ao custo final. que passa por uma fase de transição e necessárias adaptações à realidade. E sua decisão. Diz ainda a mesma lenda que. mesmo com a aparente redução de custos. os empregadores que têm um tino especial para a economia. Não importa quantas mil terceirizadas um tomador queira contratar. muitas vezes mais unidade e com piso salarial mais “salgado”. com o entendimento dominante de que seus motoristas. Nem mesmo o transporte de carga perecível. por exemplo. ninguém faz milagre. por exemplo contratará um escritório de advocacia que cuida de várias empresas se poderá pagar. nada mais vantajoso do que lhes enquadrar na categoria diferenciada. a responsabilidade solidária não se presume. podendo pagar bem. Havia laranjas podres que podiam contaminar as boas. não estará inserido no seio empresarial para. harmonizam-se e lhes são. funcionários e professores (não se corre o risco de cada dia um vigilante estar em uma empresa contratante). inclusive alimentícias. ainda assim. para melhor. Conta-se no campus que o antigo reitor. A terceirização do departamento jurídico dos banqueiros. mas também retrocedeu e hoje. Não há diferenças de várias categorias precarizados e os da preponderante. Desde que em cada uma das mil possa ser condenado solidariamente por irregularidades trabalhistas e quaisquer pendências em relação aos trabalhadores que lhe prestaram serviços tudo estará dentro dos eixos. Ora. Os campus estão limpos. então que venha a lei 25 . Via de regra também retrocedendo. abrirão mão de ter seus subordinados diretos? Agora. não tem mantido a frota em bom estado e acidentes fatais tem levado os empresários a repensar a opção e a falsa economia.Jornal do Congresso uma falsa economia. inclusive multinacionais. enfim. quando da invasão de uma de suas fazendas teria convocado a vigilância universitária para garantir a ordem em sua propriedade e foi informado que a terceirizada não teria autorizado o deslocamento dos vigilantes em seus postos de trabalho. um bom advogado empregado e com dedicação exclusiva? É evidente que um bom escritório. restritos nos limites da contratação aos seus campus e não em propriedade particular. os vigilantes conhecem praticamente todos os alunos. por exemplo. com restrições. Se terão que se responsabilizar pela contratada. demorou um pouco mais para enxergar que seu corpo jurídico próprio e central precisaria ser mantido. o novo alvo de tentativas de terceirizações por parte de grandes empresas. gratos. Há na verdade. um movimento inverso de terceirização. estar disponível a maior parte de seu tempo para um único interesse. em sã consciência. É o que se tem notícia. pode ser vista por todos. no dia seguinte teria recontratado diretamente seus homens. por melhor que seja a sua preparação. Desde o departamento pessoal. na maioria. Não sei se é lenda ou verdade. como um antigo médico de família. naquela época de ventos de flexibilização. Quem. E assim fez com outros setores. o setor de transportes está sendo a bola da vez. tem sido LTr . salvo engano. os grandes bancos contam com a terceirização apenas em parte do serviço nas “pontas” quando extremamente necessária a atividade descentralizada de suas sedes. pelo que se vê no dia a dia das varas do trabalho. inclusive de funcionários. O Bradesco. Terceirizar o transporte. Dedicam-se ao seu crescimento. sempre com menor potencial de risco. decorre de lei. No setor sucroalcooleiro. devem necessariamente estar vinculados aos sindicatos de trabalhadores rurais. muitas vezes frustradas. Enxergou. com a nova lei dos motoristas. deixando para os terceirizados apenas parte da responsabilidade. inconformado. Passam a fazer parte dela. e a necessidade de controle absoluto sobre as entregas e a qualidade com que chegarão seus produtos tem desmotivado estas tentativas. visando adequar os custos. o jurídico e todos os prestadores de serviços que retornam à dedicação exclusiva e direta ao tomador de serviços. o que grandes empresários sentiram na carne: os empregados diretamente contratados vestem a camisa do grupo econômico e nela estão para o que der e vier. Normalmente as empresas terceirizadas.

E se é assim e se o trabalhador não pode ficar a “ver navios” quando estas empresas. Na prática já se terceiriza tudo e aos olhos de todos. de menor importância. o bem de família. já é. numa força lobista do setor imobiliário. Alguém pagando a conta no final. a lei. há de vir e ai sim teremos a verdadeira regulamentação de sua existência. um novo sindicato. nos faz lembrar o ovo de colombo. via de regra. Quem também lucrará (já lucram) com isso são os sindicatos. num futuro próximo tudo pode vir por água abaixo. já é um alento.que imponha tal responsabilidade e nenhum problema mais existirá na tal “necessidade” de terceirização” e a tal liberdade ao pleno emprego e à livre iniciativa. Se para a locação o coitado do fiador pode ter sua própria casa. como diria Maquiavel. ou melhor. a instituição da responsabilidade solidária. Do contrário. responsabilidade solidária. sem precedentes. Aliás. penhorado. O que importa ao mundo jurídico e às relações de trabalho. acabam rescindindo seus contratos. é que todos sejam responsáveis. Em conclusão. quem sabe. Multinacionais terceirizam os auxiliares de toda a sua administração. driblar a falta de verbas e vagas criadas por lei. dependentes de seus tomadores de serviço que. encontrar. que rotulamos no nosso jardim jurídico de simbióticas. Nada será preciso mudar. candidatos à sindicalistas. Não são idôneos seus prestadores de serviço? Se têm cautela na escolha e na vigilância por que temer? Pulverizem suas empresas em mil pedaços e sintam na carne o que os trabalhadores terceirizados sentem sem o bem maior. Basta dividir a responsabilidade e de preferência solidariamente. o que. Tal artigo único sugerido no início desta tese. Mal nenhum há. aliás. Talvez em breve a universidade irá “terceirizar” seus professores. desde a contabilidade ao almoxarifado. pois. entre outras benesses que permitem a empregabilidade espúria. na economia privada a terceirização visa reduzir custos e na pública. não sejamos hipócritas. ou na pior das hipóteses. descontentes com seus desempenhos. retendo valores até então devidos. Defende-se. Uma empresa quer terceirizar (e 26 correr o risco de ser condenada por aquele que não administrou bem) que o faça afinal. além disso. embora polêmico. A discussão sobre o que é atividade-meio ou fim será. Se solidária por lei a relação. num país tão injusto com as heroicas empresas brasileiras. acaba-se com essa frenética investigação e tantas especulações. porque não os tomadores de serviço? Corram o risco da condenação e ai veremos se a euforia continua.Jornal do Congresso . Cada novo desmembramento. subsidiária em um único artigo de lei que. a estabilidade: uma insegurança diária e a certeza de que. Sindicato dos “professores terceirizados”. pois. Aos inimigos. Todos são “terceirizáveis”. descobrir ou regulamentar. nossa sugestão. por força da responsabilidade solidária legal. certamente faria cair por terra qualquer especulação tornando totalmente desnecessária qualquer regulamentação. teremos mais proteção às relações de consumo. LTr . mesmo antes da tomadora de serviço se manter viva.

Mas. ao se possibilitar a terceirização. porém sob vínculo empregatício com a empresa terceirizada. no Brasil. na acepção da palavra. 2009. Há que se ressaltar que. 452. ou seja. 27 . transferindo as atividades-meio. 19. professor de Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho da Universidade Federal de Uberlândia/MG — UFU. ed. visando enfatizar a descentralização empresarial de atividades para outrem. de suporte. 273. São Paulo: LTr . Um exemplo disso foi o que (11) SÜSSEKIND. mar. a outra empresa. dispõe: “constitui exceção ao estabelecimento do vínculo empregatício diretamente entre quem exerce o poder de comando e aquele que executa. Nesse sentido. Autor da LTr. LTr .” E conclui: O vocábulo terceiro.”(11). Sobre o fato de a empresa prestadora de serviço ser denominada terceirizada. Instituições de direito do trabalho. Maurício Godinho.(Grifos do autor) Esse tipo de contratação descaracteriza o vínculo empregatício direto. Assim. parte de suas atividades. uma atividade laboral de que se representa empresa tomadora. denota uma preocupação com a possível existência de relação empregatícia entre a empresa tomadora e os empregados da empresa prestadora dos serviços. A terceirização e o direito do trabalho. Romita (1992) ressalta que terceiro não é parte da relação jurídica e indaga: “No contrato entre a empresa de prestação de serviços e a empresa tomadora. mestre em Direito das Relações Econômico-Empresariais pela Universidade de Franca (2005) — UNIFRAN. oriundo da palavra terceiro. fora da cultura do Direito. (12) DELGADO. Delgado (2011) dispõe que terceirização é um neologismo. conforme posicionamento de Barros (2009). é o objetivo principal do Direito do Trabalho. p. Onde está o tertius?. A terceirização constitui uma relação jurídica triangular. atendo-se a empresa à sua atividade principal. há apenas o primus e secundus. mediante salário. EFEITOS NOCIVOS AO TRABALHADOR E IMPACTOS NA DURAÇÃO DO TRABALHO Magno Luiz Barbosa Doutor em Direito das Relações Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo — PUC/SP. ed. 5. no Direito do Trabalho significa que uma empresa transfere. ed. Alice Monteiro. Arion Sayão. 1. a empresa se concentra na sua atividade-fim. em que se verificará a figura da empresa tomadora dos serviços. a terceirização somente é permitida em atividades consideradas de segundo plano. 2011. que. v. p. Observa-se que. ao dissertar que “o fenômeno da terceirização consiste em transferir para outrem atividades secundárias. utilizado neste contexto para designar a empresa prestadora de serviços. Teixeira Filho (2000) na obra com Süssekind. São Paulo: LTr.Jornal do Congresso alguma. então não teria sentido atribuir ao prestador dos serviços a qualidade de terceiro(10). dentro de determinada atividade empresarial. Arnaldo et al. 426. construído pela área de administração de empresas. p. se se afirma a autonomia e a plena validade jurídica do contrato (de natureza civil) de prestação de serviços. sem dúvida (10) ROMITA. São Paulo: LTr.”(13). 10. São Paulo: LTr. a empresa(12). (13) BARROS. é o ato de transferir a terceiros.TERCEIRIZAÇÃO.. 280. sócio do Escritório Barbosa e Araújo Advogados Associados. graduado em Direito no ano de 1997. Revista LTr. pela Universidade Federal de Uberlândia — UFU. Curso de direito do trabalho. p.. a empresa irá fornecer o trabalho dito terceirizado e o trabalhador irá prestar serviços para a empresa tomadora./1992. especialista em Direito Civil (1999) e Direito Processual Civil (1998). A terceirização. Livro Manual do Trabalho Doméstico e Livro Redução da Duração do Trabalho. Curso de direito do trabalho. um terceiro. ocorre consequentemente uma exclusão de trabalhadores aos direitos reservados a determinada categoria. 2000.

16 ed. elenca os efeitos da terceirização. pois possibilita a concentração da empresa em sua atividade-fim. simplificação da estrutura da empresa e sua horizontalização. é diminuir o custo da mão de obra. como danosos. visto que os seus efeitos somente são positivos para os detentores do capital. 125-3 do Código do Trabalho francês)(17).1 (15) MANUS. a estabilidade no emprego. Manual esquemático de direito e processo do trabalho. o que poderá gerar maior lucratividade. Afinal. que impossibilita a integração do empregado na empresa(16). p. as garantias do contrato de trabalho desaparecem. sociais. 5. manter-se no mercado de forma competitiva. o que foi substituído por contratação interposta. gera maior rotatividade dos empregados. garantindo preço razoável a seu produto”. consequentemente. pois. como a França.Jornal do Congresso . ou seja. causa a pulverização sindical. 19. ocasionando desemprego periódico. antes da possibilidade de terceirização dos serviços de vigilância. Direito do trabalho. (14) SÜSSEKIND. como benéficos para a empresa. 281/282. Pedro Paulo Teixeira Manus. Há países. a baixo custo e sem lhe oferecer as garantias básicas: Vasta produção jurisprudencial se formou em torno da extensa gama de hipóteses de subministração de mão de obra a baixo custo e de exploração da energia de trabalho. o que lhe permite ampliar seu lucro. Alice Monteiro. São Paulo: LTr. como se mercadoria fosse (marchandage). exceto para o exercício do trabalho temporário (cf. burlando a legislação do trabalho. Para muitos autores. p. trabalhistas e tributários. 2007. Arnaldo et al. os encargos do empregador desaparecem e. desonerando sobremaneira a administração pública. LTr . Sobre o fenômeno da terceirização. Pedro Paulo Teixeira. 11. como Teixeira Filho (2000). porque esse instituto deixa de existir. países que adotam a terceirização são alvos de empresas multinacionais. no que tange a encargos trabalhistas e questões previdenciárias. São Paulo: LTr. quando uma empresa opta por utilizar a terceirização de algum serviço. Manus (2007). pode-se até pagar mais pelo serviço prestado. Curso de direito do trabalho. não existindo contrato de trabalho. ed.ocorreu na administração pública. Com relação ao empregado. deteriora as condições de higiene e segurança do trabalho. inobservando a legislação especial editada naquele então(14). ao passo que reduz o salário do empregado terceirizado. Hodiernamente. os campus universitários tinham a sua segurança garantida por vigilantes concursados. inclusive. 457. de imediato. 28 proporcionando redução dos encargos sociais. economia de custos. Assim. que buscam aumentar a lucratividade à custa do achatamento dos direitos dos trabalhadores. 2008. ed. Não há dúvidas de que a terceirização é um instrumento de precarização da relação de emprego. O certo é que a terceirização ainda é campo fértil para discussão sobre a garantia dos direito básicos ao trabalhador. portanto. o Ministro do Superior Tribunal do Trabalho. a fim de diminuir os seus custos e as suas responsabilidades. que gozavam de todos os direitos dos servidores públicos. faz uma interessante abordagem: É fato que. art. 2000. (16) MARTINS FILHO. permitindo maior competitividade. quando trata do assunto. p. que vedam a contratação de trabalhadores por meio da intermediação de mão de obra. o faz com a intenção de migrar dos contratos de relação direta de emprego para os contratos de natureza civil com a empresa interposta. a terceirização foi muito utilizada para explorar o trabalhador. menores custo de produção. ou no mínimo. com o fenômeno da globalização os grandes grupos econômicos procuram se instalar nos países onde terão menos encargos e. que tem nesse tipo de trabalho a possibilidade de diminuição de custos e encargos. por um terceiro. (17) BARROS. 61-62. ed. Ives Gandra da Silva. Todavia. 127. Contemplava-se desde a contratação de mão de obra por meio de empresas inidôneas até a escancarada substituição de trabalhadores próprios por vinculados a empresa interposta. São Paulo: Atlas. p.(15). ressalta com propriedade que “o que motiva o empresário a buscar o concurso desse terceiro. é óbvio. Instituições de direito do trabalho.v. 2009. Gandra Filho (2008) elenca os efeitos da terceirização na relação de emprego. São Paulo: Saraiva.

como. Direito do trabalho. em hipótese alguma. No que tange ao contraponto duração do trabalho e terceirização. o tomador dos serviços. ed. o empregado terceirizado. impondo-lhe medidas drásticas para poder manter-se em atividade(18). tornando o mercado altamente difícil para a empresa nacional. há que se observar que. está em uma representatividade coletiva (20) COURA. trabalhadores das empresas de intermediação de mão de obra tem apenas a garantia dos direitos básicos previstos na Constituição Federal e na CLT. Solange Barbosa de Castro. apesar de estar nas dependências dessa empresa tomadora. o empregado que labora por meio de empresa interposta não terá os direitos reservados aos empregados contratados diretamente pela empresa tomadora. p. 127. pois o descumprimento das obrigações trabalhistas. responsabiliza. Geralmente utiliza-se. um dos fatores mais expressivos em relação à valorização do trabalho por meio de empresas interpostas. que opte por essa forma de contratação. indubitavelmente. Nesse sentido. Revista LTr. significar uma blindagem ao empregador. O capitalismo contemporâneo e suas transformações — o impacto da terceirização trabalhista. Pedro Paulo Teixeira. 331 do TST. empresas que se utilizam dessas contratações tem o dever de fiscalizar as empresas que oferecem a prestação de serviço. que presta serviços no mesmo ambiente. verifica-se que a duração diária do trabalho nos serviços de segurança está entre as mais elevadas no ramo de serviços. quando uma instituição financeira contrata uma empresa interposta para lhe fornecer o serviço de segurança. p. Terceirização. Por exemplo. São Paulo: LTr. os empregados da empresa tomadora. São Paulo: Atlas. E acrescenta que deverá haver melhor regulação da terceirização para que se diminuam os malefícios aos trabalhadores(19). Wagner D. por exemplo. ruiu valiosas conquistas e criou muralhas entre eles”(20). Aliás. neste caso. (19) GIGLIO. ou seja. (18) MANUS. p. colocando os terceirizados em flagrante condição de inferioridade. subsidiariamente. Revista LTr. conforme previsto no referido item IV da Súmula n. dez. 331 do Tribunal Superior do Trabalho dispõe que a terceirização não pode. com pequenas vantagens eventualmente previstas em convenções coletivas de trabalho. como as empresas multinacionais. reservada aos bancários. abr./2011. o sistema de escala de 12x36. pela empresa interposta. deve necessariamente colocar no polo passivo da demanda a empresa tomadora do serviço. O modelo de trabalho. como bancários./2011. faz com que o trabalhador seja colocado em um ambiente alheio à sua representatividade coletiva. ela parece ser um instrumento de efetivação da máxima maquiavélica: a terceirização dividiu os trabalhadores.Jornal do Congresso Destarte. em que o obreiro trabalha doze horas e folga 36 horas consecutivas. por sua vez. O trabalhador. estão vinculados a normas coletivas que não se aplicam aos empregados terceirizados daquela instituição financeira. pleiteando verbas trabalhistas não pagas na relação de emprego. 29 .Lembre-se de que a terceirização é situação imposta pelo fenômeno da globalização. aumentando o número de postos formais de trabalho. é indiscutível que a redução da duração padrão de trabalho seria benéfica aos trabalhadores de empresas interpostas. Entretanto. por exemplo.”. 2007. em regra. o que poderia também culminar na necessidade de novas contratações. Tal fato se deve também ao trabalho de vigilância estar relacionado ao trabalho intermitente. como resposta natural e espontânea da sociedade às novas imposições das atividades produtivas modernas. no caso da terceirização. sem a garantia de direitos básicos do outro trabalhador. Independente da atividade em que o obreiro esteja prestando os seus serviços. perante o obreiro que prestou os serviços. o ponto crucial quanto à terceirização está relacionado às questões de representação coletiva. à medida que a competitividade aumenta com esse processo que introduz entre nós outros competidores. 1. por meio de empresa interposta. Assim. Importante salientar que o item IV da Súmula n. não terá a duração do seu trabalho diferenciada. 394. Giglio (2011) pondera que “provavelmente tenhamos que nos adaptar à terceirização. Coura (2011) acentua que: “por todos os ângulos que se analise a terceirização. LTr . Destarte. a duração semanal do trabalho de 44 horas. ao ingressar na Justiça do Trabalho. São Paulo: LTr.460. 11.

Advogado (Disponível em: <http://www./2011. “La Sapienza”/UFSC e Mestre pela PUC/SP. 10. de um modo geral. MARTINS FILHO./2011. Direito do trabalho. p./1992. GIGLIO. abr. O capitalismo contemporâneo e suas transformações — o impacto da terceirização trabalhista. Revista LTr. ed. 11. Revista LTr. 2007. equiparados aos direitos dos empregados que trabalham na empresa tomadora de serviços. 5. 2011. v. 16 ed. Graduada pela PUCPR. São Paulo: LTr. 2009. Arion Sayão. Terceirização. 19. “Tor Vergata”. que tal moldura é incompatível com o intuíto expansionista das empresas. 1.pro. Líder do Grupo de Pesquisa “Desregulamentação do Direito.forte. dez. MANUS. COURA. Considerações iniciais A relação de trabalho típica. 2000. capaz de alcançar direitos para os terceirizados. do Estado e Atividade Econômica: Enfoque Laboral”. Alice Monteiro. próprio do regime capitalista. ed. SÜSSEKIND. Revista LTr. ed. São Paulo: Saraiva. Procuradora do Município de Curitiba. 394. LTr . São Paulo: LTr. em razão da necessidade de inserí-las em um processo econômico competitivo. DELGADO. Maurício Godinho. Membro da Comissão de Direito do Trabalho OAB/PR — 2013/2015. ROMITA. São Paulo: LTr.Jornal do Congresso . Arnaldo et al. sus30 tentando-se. há muito deixou de ser a única no cenário nacional. Ives Gandra da Silva. Professor da UFSC e da UNINTER.villatore. mar. Referências bibliográficas BARROS. Pedro Paulo Teixeira. São Paulo: LTr. ed. São Paulo: LTr. Curso de direito do trabalho. Professor Titular do Curso de Mestrado e do Doutorado em Direito da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. a bilateral. São Paulo: LTr. formada entre empregado e empregador. Marco Antônio César Villatore Pós-Doutorando em Direito Econômico pela Universidade de Roma II.br>). Curso de direito do trabalho. 2008. Manual esquemático de direito e processo do trabalho. É NECESSÁRIA A REGULAÇÃO DA TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS? Ana Maria Maximiliano Pós-graduada em Direito Administrativo (Instituto Brasileiro de Estudos Jurídicos/UNIBRASIL/2000) e em Direito Constitucional (Academia Brasileira de Direito Constitucional/UNIBRASIL/2013). Instituições de direito do trabalho. Doutor pela Universidade de Roma I. Wagner D. Solange Barbosa de Castro. São Paulo: Atlas. A terceirização e o direito do trabalho.

(24) Essa transferência de poder para os magistrados. v. 81-82. Capitalismo. Considerações finais O mundo do trabalho não é estático. na afirmação de Márcio Túlio Viana./dez. New York: Harper & Row. out. das obrigações trabalhistas perante os empregados envolvidos na consecução do ajuste.com/doc/22584776/O-Donnel-1991-CebrapDemocracia-Delegativa. LTr . 31 . há outras circunstâncias fáticas que merecem ser apontadas. redunda em uma esperada alteração significativa na linguagem. que podem significar formas criativas de ocultamento e simulação. Trabalho e justiça social. na Administração Pública. A um. 4. O fenômeno da terceirização é uma das expressões dessa complexidade. Magda Barros. Percebe-se.(23) A par dessas situações. na medida em que se caracteriza como ativismo antidemocrático e próprio das democracias delegativas. 4. na argumentação e no modo de participação da sociedade. p. socialismo e democracia. demonstram o crescimento da terceirização no país em todos os âmbitos. 1991. Roberta Dantas de. 2008. 82-83 apud BIAVASCHI. em um Estado Democrático de Direito é essencial se assegurar o exercício dos (23) BIAVASCHI. Mello. Brasília. organizar a empresa e relacioná-la com outras e assim o capitalismo. Com efeito. Revista do Tribunal Superior do Trabalho. São Paulo: LTr. diminuir os custos e melhorar a qualidade do produto ou do serviço. no setor bancário. Magda Barros. n. 331 do TST. out. v. In: REIS. 67/88. etc. os capitais estão sempre à busca de lucros extraordinários. a anomia até os dias atuais de legislação que trate da terceirização de forma ampla. Solange Barbosa de Castro (Coords.2014. Tal judicialização não corresponde ao Estado Democrático de Direito. 67-88. A fim de acompanhar as inúmeras mudanças dos nossos tempos.unicamp.Jornal do Congresso mais das vezes eximem de responsabilidade os verdadeiros beneficiários da força de trabalho. php/publicacoes/433>. p. visando. Disponível em: pt.4. 74. pois há legislação específica para os casos de vigilância. p. serão decididas pelo Poder Judiciário. 331 do Tribunal Superior do Trabalho: a história da forma de compreender a terceirização. que o nó górdio das críticas ao instituto da terceirização recaem na ausência de legislação protetiva dos direitos sociais do trabalhador.Conforme J. e para tanto criam novas formas de produzir. n. no Poder Judiciário. J. p. contratos de facção. em especial “O trabalho em regime de subcontratação no Brasil” e “Transformações estruturais e emprego nos anos 90”.). 31. portanto. Guilhermo. 1975. impôs uma trajetória jurisprudencial no tocante ao tratamento da responsabilização do tomador nos casos de não cumprimento.br/cesit/index. veja-se neste sentido a Súmula n./dez. que são questões de todos os matizes. o que reflete. ou seja.eco. Assim é que a dimensão que a terceirização tomou reclama a elaboração de regulamentação a fim de não se tornar a antítese da marca do Direito do Trabalho. Acesso em: 29. 74. 25-40. (22) Disponível em: <www. não sendo resolvidas pelas instâncias políticas tradicionais que são o Congresso Nacional e o Poder Executivo. n. principalmente. como empreitadas.(22) Além dessas pesquisas. p. no (21) SCHUMPETER. 2013.scribd. as de repercussão política e social em especial têm sido judicializadas. vai engendrando novas formas de organização. A dois. CEBRAP. 74. movido por um impulso que o mantém em funcionamento. Terceirização e a justiça do trabalho. que se caracterizam como evidentes terceirizações de serviços. após. Democracia delegativa? Novos Estudos. 2008. Revista do Tribunal Superior do Trabalho. Magda Barros. o Estado se omite de editar norma heterônoma e transfere para os trabalhadores e empregadores a responsabilidade pelo gerenciamento de tais relações jurídicas. na medida em que não se asseguram expressamente os respectivos direitos trabalhistas. limpeza e conservação. Schumpeter(21). projetos de fomento. A dinâmica da Súmula n. p. a ocorrência do movimento de retorno aos ajustes de natureza civil. Contexto da terceirização e o estado democrático de direito As pesquisas publicadas pelo Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho/ Instituto de Economia — CESIT/IE.2014. Terceirização e a justiça do trabalho. Daniela Muradas. 175. Acesso em: 29. p. (24) O’DONNELL. out. seja na indústria. BIAVASCHI. Coura.4. pelo contratado. Brasília.

Eduardo. doc/22584776/O-Donnel-1991-Cebrap-Democracia-Delegativa. de de se recorrer ao ativismo judicial ou a qualquer José outra técnica delegal cunho subjetivo. de compreender a terceirização. n. a percepção da coerência Muradas. terceirização de serviços. LXXVIII. direitos sociais. poisdo a (4) FARIA.Jornal do Congresso 32 97 LTr . a argumentação torna-se mais devem consistente analisada a luz reitos sociais ser quando exigências crescenteda principiologia constitucional. Terceirização e a jusbalho deve oferecer seu jurisdicionado-hipossufiente e credor de trabalho. São Paulo: LTr. LXXVIII. bens de natureza alimentar — um protiça do Revista do Tribunal Supecesso mais ágil e eficaz(5). 101-102. Ordem X Mudança social: a crise judiciário e a formação do magistrado.e de súmulas pelo Tribunal Superior do Trabalho dos à responsabilidade de reformular a partir das próprias questionadas perante o Supremo Tribunal Fedecontradições sociais os conceitos fechados e tipificantes dos ral. nidade de maior efetividade no cumprimento das sentenças trabalhisout.php/publicacoes/433>. In: CHAVES. In: FARIA.os1º princípios constitucionais devem irradiar sua aplicabilie a3ºtodos da CRFB/1988 devem parâmetro da dade os subsistemas. perca a esperança de que terá seus direitosem: tutelados 29. O’DONNELL. LTr . Disponível em: pt. Acesso em: 29. estas Sob o prisma desse princípio. 1991. Direito Processual do Trabalho: Reforma e efetividade. n. que constitucionais. a busca da p. Luciano Athayde. identificação Daniela da omissão celetista eMello. out. 1997. pelo Poder Judiciário.2014. Lei n. ção de um projeto de sociedade.4. O intérprete não deve se quedar inerte diante da Referências letargia dos legisladores e diante dos percalços da incorporação de novos procedimentos.). Coura. 249-275. principalmente. São interpretação do processo. 25-40. os diCivil já é No admitida inúmeros autores. passando o Estado a agir como a Emenda Constitucional n. 67475-J do Código de Processo Civil. 475-J do Código de Processo EstadoporDemocrático de Direito.da razoável duração do proprincípio constitucional cesso (art. o Direitoatuação Processual do Trabalho. 334/2004. Fernando Silva de./dez. CF).scribd. Nesse sentido todos os problemas de concretização dos direitos trabalhistas. São Paulo: Ática. não há necessidaconcretizar o espíritoconclui-se dos comandos Paulo: 2013. A dinâmica da Súmula n. osNuma fundamentos e ospós-positivista fins definidos nos arts. valorizando mais as questões de justiça do que os problemas de legalidade. Brasília.232/2005: 31. Nesse viés quaisquer interpolítica. Guilhermo. LuisEstudos. 2008. mas já será um passo adiante.com/ tas. como. O método de colmatação de lacunas.4. 5º. pela qual se assefomentador participação públicacomo na construgurou a razoáveldaduração do processo direito fundamental a todos os brasileiros (art. LTr. A aplicação subsidiária do art. 74. José Eduardo Fa(4)no presente estudo consubstanciadas na edição ria ressalta que “cabe a uma magistratura com um conhecimento multidisciplinar e poderes decisórios amplia. O Processo do TraBIAVASCHI. 45/04.ser poroexemplo. numa análise a aplicabi- lidade da multa do art.e justiça social.efetividade deve Enfim. MagdaaoBarros. pode ajudar a processualística Superior do Trabalho: a história da forma justrabalhista a alcançar esse desiderato. p. José Eduardo (Org. Trabalho princípios destacados acima. In:a REIS. p.2014. p. CF) e nos princípios constituci____. 331 do Tribunal onais justrabalhistas. Solange Barbosacom de aCastro do novo dispositivo são um meio de concretização dos (Coords. Oportuva? Novos CEBRAP. fundamentada no 88. 2007. pretações dadas à legislação infraconstitucional devem Portanto.eco. 173-182. realidade social reclama pela regulamentação da Direito e Justiça: a Função Social do Judiciário. Democracia delegati(5) CARVALHO.unicamp. 5º. sem soluções implícitas.11.). certamente não como insculpido no Projeto de Lei n. 4.Tal princípio pressupõe uma visão social do sistema processual do trabalho. osSe preserve frente àinfraconstitucional terceirização. após mente satisfeitas. verdadeira tornar-se um objetivo comum principalmente dentre Disponível em: <www. v. rior do Trabalho.br/cesit/inos Magistrados e os Advogados para que a sociedade Acesso nuncadex. Roberta Dandos princípios do Processo do Trabalho redação tas de. sendo necessária a edição de legislação que sistemas legais vigentes”.Jornal do Congresso . p.

como por exemplo nos casos em que caberá a condenação do autor da lesão a custear cirurgias reparadoras ou outros gastos para minimizar o dano. Seja o trabalhador em seu ambiente de labor. A lesão de natureza estética. passemos à apreciação. (3) Processo: AIRR — 209000-66. quanto poderá repercutir materialmente. 33 . Data do Julgamento: 14. são passíveis de identificação em separado. Impende.3º Painel A LESÃO ESTÉTICA E A REPARAÇÃO DE NATUREZA MORAL E MATERIAL: UMA TENTATIVA DE ESCLARECIMENTO Hugo Cesar Amaral Bacharel em Direito e Especialista em Direito Constitucional pela Faculdade de Direito da UFU/MG. o Tribunal Superior do Trabalho orienta-se “no sentido de que há possibilidade de cumulação do dano moral com o dano estético.3.0115 Data de Julgamento: 12. o que não nos parece ser o mais acertado. Relator: Ministro João Otávio de Noronha.5. Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo Bastos. à fl.Jornal do Congresso sentido de que “é cabível a cumulação de danos morais com danos estéticos quando.”(2) A seu turno. pode gerar confusões.2008. 5ª Turma. dado o inegável sofrimento que impõe à pessoa. embora oriundos do mesmo fato.2008. Segundo pensamos a lesão estética é o fato gerador do direito à reparação.11. se inquestionáveis fossem os entendimentos emanados dos tribunais engessado restaria o direito. Advogado. questionar se a lesão estética(1) pode ser cumulada com o dano moral.10. 198 da 4ª edição de sua já clássica obra “Dano Moral”. Pois feita esta ponderação.2008. seja o transeunte caminhando pelas vias públicas. 422. 35 p. tolhida a sua necessária e imperativa evolução. por hora. ainda que decorrentes do mesmo fato. Órgão Julgador: Quarta Turma. conforme estudo histórico apresentado por Yussef Sahid Cahali. RSSTJ vol. em sede de responsabilidade civil. Toda pessoa está sujeita a um infortúnio que venha a causar-lhe lesão de natureza estética. temos que não está imune a equívocos. ainda que caminhe no sentido de uma dita uniformidade. uma vez que. Aliás. da questão em tela. seja o motorista trafegando por uma rua qualquer enfim.2014.”(3) Embora seja a jurisprudência uma relevante fonte do direito. a qual poderá tanto ter natureza moral.15.2014. LTr .3. (2) REsp 659715/RJ — Recurso Especial 2004/0096845-6. Data da Publicação/Fonte: DJe 3. o Superior Tribunal de Justiça vai tendo sua jurisprudência uniformizada no (1) Preferimos a terminologia lesão estética a dano estético. Com efeito. idônea a ilustrar e fomentar o debate jurídico. que inicialmente sequer era digna de reparação. os bens tutelados são distintos. trazendo-lhe uma depreciação de sua imagem perante a sociedade e especialmente perante si mesmo. foi galgando junto aos tribunais e à doutrina espaço e aceitação sendo já há um certo tempo digna da adequada tutela junto ao judiciário brasileiro. ou se ela está inserida neste? A questão é um tanto quanto intrincada e nossa jurisprudência majoritariamente tem caminhado no sentido de admitir a cumulação das indenizações. A profusão do uso da palavra dano. a qualquer momento podemos ser acometidos por um evento do qual sobrevenham lesões físicas que promovam o afeiamento do indivíduo ou qualquer sorte de dano corpóreo que venha a prejudicar a imagem da pessoa. breve por sinal. Data de Publicação: DEJT 21. Procurador do DMAE de Uberlândia.

ou dano estético. e assim será indenizada. dadas as questões patrimonialmente mensuráveis. 34 são que o fato trouxe para o aspecto psíquico da vítima. segundo a concebemos. poderá dar ensejo à reparação de natureza moral. fls. Aguardemos a evolução jurisprudencial.Jornal do Congresso . a indenização por dano moral. resolve-se em danos materiais(5). 37/39. inc. face ao sofrimento vivenciado. (6) Sobre o tema já dissertamos. incluídos os custos com tratamentos de reparação ou diminuição da lesão estética. Um traço peculiar da lesão estética é que o corpo físico é atingido. enquadráveis que estarão suas consequências em um das duas modalidades de dano existentes. Conceber-se que não se deve cumular o dano estético com o dano moral não gera prejuízo algum à vítima. Tem o condão de ensejar o dano moral a lesão que se revela perene. (5) Pedimos vênia aqui para divergir pontualmente dos autores na medida em que mesmo sendo temporária a lesão não se pode afastar uma proporcional indenização por danos morais. segundo nosso modesto pensar. a nosso ver. Leonídeo F. cirurgias. a perda ou redução da capacidade laborativa etc. ou seja: se possível de ser reparado. Toda e qualquer consequência da lesão estética. Aliás. por sua vez.Teresa Ancona Lopez. pois não se está deixando de indenizá-la pela lesão de natureza estética. no sentido de um tratamento lógica e cientificamente mais bem apurado do tema. V. a lesão estética(6). Não podemos. ou até mesmo os dois. tais como medicamentos. 923. não se podendo conceber a vedação à indenização por dano estético. em seu art. da lesão estética há de resultar dano moral. conferir uma natureza especial à lesão estética. no entanto. sob a coordenação do Dr. dar ensejo à reparação de natureza material. LTr . aqui. em separado. mais adiante. em artigo intitulado “O acidente do trabalho e a questão da cumulatividade das indenizações por dano moral e estético decorrentes de um mesmo fato”. Editora RT. dado a diversidade de sofrimentos dela decorrentes e o dano material. evento realizado em São Paulo entre os dias 24 e 25 de novembro de 2003. é no sentido de que a lesão estética é o fato gerador do direito à reparação moral. expressa que “o dano estético há de apresentar uma certa definitividade. donde se depreende ser ilógico indenizar. facilmente indenizável e facilmente superável”. consultas etc corresponderiam ao dano material. sob pena de retroagirmos ao pensamento que prevalecia no STF até a primeira metade do século XX. 9ª ed. a lesão estética propiciará ou o dano moral. igualmente. p. e a indenização por dano material. Sendo reparável. publicado no Publicado em Jornal do 4º Congresso Brasileiro de Segurança e Saúde no Trabalho. que acompanhará a pessoa para sempre. Enfim. Rui Stocco. citada por Rui Stocco(4). devendo ser apreciadas a dor vivenciada. ou dano material. ainda que passageiro. que rodeiam o fato. não sendo definitiva. ou seja. valorável juridicamente. morais e à imagem. assegurou a reparabilidade dos danos materiais. Em resumo. Tomo II. outra não poderia ser a conclusão. resolve-se como dano patrimonial”4. 5º. ao passo que os gastos que o infortúnio tenha lhe causado. aqui ponderada e sopesada toda a repercus(4) Tratado de Responsabilidade Civil — Doutrina e Jurisprudência. o sofrimento imposto à pessoa repara-se a título de danos morais. na medida em que a própria Constituição Federal de 1988. Ribeiro Filho. quanto às repercussões de caráter patrimonial que advenham do fato. constituirá ou dano moral. a melhor orientação sobre o tema. podendo desta situação repercutir consequências dignas de tutela pelo direito. Ainda que a jurisprudência hoje reinante entenda o contrário. assevera com aguçada propriedade que “o dano estético passageiro não é dano moral e sim dano material. Não se trata o dano estético de um tertio genus! Conclusões A lesão estética. A lesão que repercute sobre a beleza física da pessoa há de dar ensejo ou ao dano moral ou ao material. quais sejam. mas apenas se está circunscrevendo o fato (lesão estética) a uma das duas formas de reparação aceitáveis juridicamente. ou o dano material. Assim. a dimensão dos prejuízos advindos da lesão à imagem da pessoa e poderá.

de seus dons. acidentes ocorridos no local do trabalho. na CLT através dos arts. LTr .213/91. São Paulo: LTr. totalizando nestes três anos o total de 2. e relacionou outras hipóteses que também geram incapacidade laborativa.496 acidentes. A reiteração de acidentes de trabalho e a relação com a culpa e o nexo causal Os arts.213/91 trazem o conceito legal de acidente de trabalho. seja causando redução da capacidade financeira e outras consequências negativas.br/ estatisticas/>.ampl. O trabalho gera dignidade ao ser humano. Indenizações por acidente de trabalho ou doença ocupacional.980 acidentes. Isso porque a incapacidade também pode surgir por fatores causais que não se encaixam diretamente no conceito estrito de acidente do trabalho.previdencia. Graduado na Universidade Federal de Sergipe. sendo que em 2010 foram registrados cerca de 701.190. p. o acidente de trabalho atinge a expressão de trabalho do ser humano. Introdução O trabalho do ser humano é manifesto na expressão de seus talentos. a lei definiu apenas o acidente do trabalho em sentido estrito. 35 . Diante dessa dificuldade conceitual. 8. Como se vê. Os acidentes de trabalho possuem números alarmantes no Brasil. e nas Normas Regulamentadoras (NR) relativas à segurança e medicina do trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego e demais legislações. conjugando fatores do trabalho e extralaborais (concausas). Advogado Trabalhista. Sebastião Geraldo de Oliveira(2) define com propriedade as espécies de acidente de trabalho. 19 e 20 da Lei n. Em contra ponto. (1) Disponível em: <http://www. 154 a 159. seja gerando incapacidade para o trabalho de forma total ou parcial. doença profissional e doença do trabalho.Jornal do Congresso 2. o acidente típico. Sebastião Geraldo de. acidentes ou doenças provenientes de causas diversas. acrescentou dispositivo com sentido mais amplo. Acessado em 30.365 acidentes e em 2008 foram registrados 755. o Ministério da Previdência Social divulgou os dados estatísticos de acidentes de trabalho. inciso XXII.gov. No entanto. também denominado acidente típico ou acidente-tipo. o legislador formulou um conceito para o acidente do trabalho em sentido estrito. 2009.2014. os chamados acidentes do trabalho por equiparação. mas com vínculo direito ou indireto com o cumprimento do contrato de trabalho e acidentes ocorridos no trajeto de ida ou volta para o local de trabalho.919 acidentes registrados(1).. 39.A REITERAÇÃO DE ACIDENTES DE TRABALHO E A RELAÇÃO COM A CULPA E O NEXO CAUSAL Emanoel Alesandro da Cruz Sampaio Lopes Especialista em Responsabilidade Civil pela Universidade Estácio de Sá. seja limitando o trabalhador de crescer em sua capacidade produtiva e intelectual. afetando-o individualmente e coletivamente. mas que não têm ligação direta com o exercício da atividade profissional. alguns empregadores vem reiteradamente descumprindo as normas de proteção e saúde do trabalho causando acidentes de trabalho. Apesar das inúmeras normas de proteção do trabalhador insculpidas na Constituição Federal art. 8. 5 ed. 7º. da busca da realização pessoal e da garantia de sobrevivência na sociedade. acidentes ocorridos fora do local da prestação dos serviços. em 2009 foram registrados 733. que pode ser dividido em: acidente típico. rev. Atual. tais como: enfermidades decorrentes do trabalho. através da Lei n.4. (2) OLIVEIRA. 1. indicando outras hipóteses que se equiparam ao acidente típico para os efeitos legais.

Com o infortúnio laboral. especialmente a Justiça do Trabalho. da qual são pressupostos: a conduta culposa. As normas previstas na CF. NR. agindo com conduta culposa. O axioma que se defende é que o empregador deverá evitar o acidente desde o primeiro momento. A análise da culpa consiste na observância da obrigação de proteger a saúde e segurança do trabalhador no ambiente de trabalho por parte do empregador. morais e estéticos. 950 do Código Civil. O questionamento gira entorno da seguinte indagação: existe omissão da empresa em garantir a segurança do trabalhador? E por conseguinte. 7º inciso XXVIII. e a responsabilidade de restituir o acidentado ao estado anterior. O exame da repetição dos infortúnios laborais no mesmo ambiente de trabalho traz respostas sobre o cumprimento ou descumprimento das obrigações do empregador de prevenir os acidentes de trabalho. A reiteração de acidentes de trabalho dentro de um mesmo ambiente laboral é de funda36 mental importância para a análise da culpa do empregador e do nexo causal. se confunde com seu empregador. onde aplica-se. que de regra. 186 do Código Civil (CC). A repetição dos acidentes de trabalho no mesmo ambiente laboral demonstra a omissão do empregador em preservar a saúde física e emocional do trabalhador. uma vez que os números de acidentes na empresa trazem indícios do cumprimento e descumprimento das normas de proteção ao trabalhador. Reitera-se que a quantidade de acidentes de trabalho contra o mesmo empregador deve ser levada em conta para apurar a conduta culposa e o nexo causal. tem de enfrentar e encontrar a responsabilidade do empregador nos acidentes de trabalho.O problema aqui apresentado consiste na reiteração de acidentes de trabalho pelo mesmo empregador. 8. a fim de buscar a real conduta do agente. a responsabilidade civil subjetiva. em evitar infortúnios laborais. 186. Estando presente a conduta culposa do agente empregador. principalmente a conduta culposa do empregador e o nexo de causalidade. todos estes com fundamentos nos arts. Lei n. art. mesmo quando reiterados os acidentes em um mesmo ambiente de trabalho. de regra.Jornal do Congresso . pelo causador do acidente. Uma vez reiterados os acidentes de trabalho na mesma empresa chega-se a conclusão de que o empregador está descumprindo com as normas de proteger o trabalhador. o empregado acidentado vê-se desamparado. o nexo de causalidade e o dano. pleiteando danos materiais. bem como os outros elementos da responsabilidade civil: nexo causal e dano. cabendo ação judicial contra o empregador parar reparar danos materiais. estéticos e morais. quando este não toma medidas para evitar os acidentes. O empregador tem o dever legal de cumprir com o que estabelece a lei para proteger a saúde e segurança do trabalhador. não assume as responsabilidades civis e trabalhistas com o acidentado. 927. não agiu com a cautela necessária para evitar acidentes. pois não se considera normal vários acidentes no mesmo ambiente de trabalho. LTr .213/91 e outras legislações são de fundamental importância na prevenção dos acidentes de trabalho e devem ser cumpridas efetivamente em proteção a saúde e segurança do trabalhador. Uma vez violada a obrigação legal de cumprir com as normas de segurança e saúde do trabalhador e gerado o dano resta caracterizado o ilícito nos moldes do art. isto é. que além de não evitar o dano. mas torna-se necessário expandir o exame da culpa para o histórico do empregador de acidentes de trabalho ocorridos no mesmo ambiente laboral. O tema tem relevante importância pela grande dificuldade que o Judiciário brasileiro. pode e deve o empregador buscar a restituição ao estado anterior através de ação judicial contra o empregador. A análise da culpa e do nexo causal nos infortúnios laborais não deve se restringir apenas ao acidente de trabalho objeto de ação judicial. existe culpa e nexo de causalidade entre o acidente e o labor? A análise da conduta do empregador é de fundamental importância nas ações indenizatórias por acidente de trabalho. devendo promover todos os esforços possíveis para evitar a reiteração de acidentes no ambiente de trabalho. CLT. restando apenas a este procurar o judiciário para solucionar o seu problema.

3. Bibliografia
Cavalieri Filho, Sergio. Programa de Responsabilidade Civil, 10 ed. São Paulo: Atlas, 2012.
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, volume 4: responsabilidade civil, 7
ed. São Paulo: Saraiva, 2012.
MORAES, Maria Celina Bodin de. Danos à pessoas humana: uma leitura civil — consti-

tucional dos danos morais. Rio de Janeiro:
Renovar, 2009.
OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de. Indenizações
por acidente de trabalho ou doença ocupacional, 5 ed. rev.,ampl. Atual. São Paulo: LTR,
2009, p. 39.
VENOZA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: Responsabilidade Civil. 3 ed. São Paulo: Atlas,
2003, p. 23.

A impossibilidade de cumulação entre o dano moral
e o existencial
Anderson Pereira Charão
Bacharel em Direito pela PUC-RS. Pós-graduado em Direito
e Processo do Trabalho pela IMED/CETRA. Assessor Jurídico
no Banco do Brasil S/A.

Com o decorrer dos anos temos experimentado uma mudança drástica nas relações de
trabalho, com a revolução tecnológica há uma
aproximação cada vez maior entre empregado e
empregador.
Já não se pode afirmar, com segurança,
que existe o completo desligamento mental
das atividades laborais após a jornada regular
de trabalho, pois, caso o empregador deseje, o
obreiro é facilmente alcançado através do celular ou do e-mail, fazendo com que suporte
sobrecarga psíquica e passe a apartar de sua
rotina os momentos em família e o lazer, negligenciando a sua própria existência em sociedade.
Há um inevitável desgaste biológico e da
integridade humana em tal situação. O Tribunal
de Cassação italiano foi o primeiro a observar a
necessidade de se estipular uma nova modalidade de indenização frente a essa nova situação até
então desconhecida. O referido tribunal, através
das sentenças 500/99 e 7.713/2000 chegou à
LTr - Jornal do Congresso

conclusão de que a lesão aos direitos da personalidade configura um dano à própria existência
da pessoa.
Segundo Júlio César Bebber, o dano existencial é uma espécie de dano extrapatrimonial
que altera, negativamente, a perspectiva de vida
atual e futura da pessoa(1). Márcia Novaes Guedes vai ainda mais longe ao conceituar o referido dano como a injusta privação do indivíduo
de manter-se ou tornar-se protagonista de sua
própria história(2). Impede que a pessoa desenvolva atividade que lhe dê prazer e realização
pessoal(3).
Conforme antes dito, o dano existencial é
uma modalidade de dano extrapatrimonial e em
razão de sua recente introdução na jurisprudên(1) BEBBER, Júlio César. Danos extrapatrimoniais (estético,
biológico e existencial): breves considerações. Revista LTr,
São Paulo, v. 73, n. 1, jan. 2009, p. 28.
(2) GUEDES, Márcia Novaes. Terror psicológico no
trabalho. 3. ed. São Paulo: Ltr, 2008, p. 129.
(3) GUEDES, Op. Cit.

37

cia brasileira(4), muitas dúvidas ainda existem,
em especial com relação à possibilidade de sua
cumulação com o dano moral.

uma modificação negativa do modo por meio do
qual o indivíduo desenvolve sua própria personalidade.(9)

Para estender essa possibilidade ou não,
cabe trazer alguns conceitos básicos.

Boucinhas Filho relata que o dano existencial nas relações de trabalho verifica-se quando
o empregador impõe um volume excessivo de
trabalho ao empregado, impossibilitando-o de
estabelecer a prática de um conjunto de atividades culturais, sociais, recreativas, esportivas,
afetivas, familiares, etc., ou de desenvolver seus
projetos de vida nos âmbitos profissional, social
e pessoal.(10)

Dano moral pode ser conceituado como
sendo “a lesão aos sentimentos que determina dor
ou sofrimentos físicos, inquietação espiritual, ou
agravo às afeições legítimas e, em geral, a toda
classe de padecimentos insuscetíveis de apreciação
pecuniária.”(5)
Carlos Alberto Bittar assevera que os danos
morais podem ser compreendidos como “turbações de ânimo, em reações desagradáveis, desconfortáveis ou constrangedoras, ou outras desse
nível, produzidas na esfera do lesado.”(6)
Paulo de Tarso Sanseverino conceitua o
dano moral como sendo “a modalidade mais difundida de prejuízo extrapatrimonial derivado de
ofensa à saúde e à integridade corporal, compreendendo a dor ou o sofrimento físico ou psicológico
padecidos pela vítima direta em consequência do
evento danoso.”(7)
O conceito de dano moral pode ser resumido como um sentir, um sofrimento, uma angústia, advindos de algum ato praticado por um
terceiro.
Já o dano existencial, como preleciona
Matteo Maccarone citado por Amaro Alves de
Almeida Neto, é uma frustração ao projeto de
vida do ser humano, que o coloca em situação
de inferioridade.(8)
Para Maria Rita Trazzi o dano existencial
vem a ser uma categoria autônoma de danos extrapatrimoniais, atinente às repercussões pessoais e existenciais de qualquer espécie de ilícito,
(4) O primeiro julgamento do TST a aplicar o dano existencial
foi o Recurso de Revista n. TST-RR-727-76.2011.5.24.0002.
(5) ALSINA, Jorge Bustamante. Teoria General de La
Responsabilidad Civil. 1993, p. 97.
(6) BITTAR, Carlos Alberto. Reparação Civil por Danos
Morais. 1994, p. 31.
(7) SANSEVERINO, Paulo de Tarso. Princípios de
reparação integral — indenização no Código Civil. São
Paulo: Saraiva, 2010, p. 298.
(8) ALMEIDA NETO, Amaro Alves de. Dano Existencial — A
tutela da finidade da pessoa humana. Disponível em: <http://
www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/cao_consumidor/
doutrinas/DANO%2520EXISTENCIAL.doc>. Acesso em:
2.3.2014.

38

Os conceitos acima trazidos nos dão elementos para verificar a existência de autonomia
do dano existencial frente ao dano moral.
Com relação ao dano moral, não residem
maiores dúvidas, pois, indiscutivelmente, ele
existe de forma independente a todas as demais
modalidades de dano — estético, material, etc.
Conforme acima conceituado, o dano existencial pressupõe uma reprogramação da vida
do indivíduo, que lhe impossibilita do convívio
com a sua própria família e a sociedade, frustrando o projeto de vida que tal pessoa desejava
realizar.
Ora, só da leitura dos elementos acima destacados já se pode concluir que o dano existencial também acarreta uma frustração ao indivíduo, um sentimento de tristeza ou impotência,
sentimentos esses inerentes ao dano moral.
Não se cogita a existência de um sujeito
que tem sua rotina modificada, afastando-se dos
seus entes queridos por imposição de seu empregador, sem que isso acarrete nenhuma consequência lesiva psíquica, posto que o ser humano
é dotado de sentimentos e não uma máquina que
consegue divorciá-los de seu agir ou de seu padecer.
(9)
TRAZZI, Maria Rita. Il danno esistenziale:
elementi
e
definizioni.
www.filodiritto.com/diritto/
penale/dannoesistenziale. (consulta em 01.03.2014)
— “un’autonoma categoria di danni non patrimoniali,
riguardanti i risvolti personali ed esistenziali di qualunque
genere di illecito, una modificazione negativa delle modalità
atraverso le quali il soggetto esplica la propria personalità”.
(10) BOUCINHAS FILHO, Jorge Cavalcanti. ALVARENGA,
Rubia Zanotelli de. O dano existencial e o direito do
trabalho.
Disponível
em:
<http://www.lex.com.br/
doutrina_24160224_O_DANO_EXISTENCIAL_E_O_
DIREITO_DO_TRABALHO.asp>. Acesso em 2.3.2014.

LTr - Jornal do Congresso

A pedagoga Anna Carolina Florêncio da
Rocha assevera que “o sofrimento psíquico é gerado no trabalhador devido à pressão que é submetido diariamente em busca de lucros, competição, eficácia e da manutenção do emprego. O trabalhador
se sente apavorado por não conseguir manter sua
energia física e mental adequada para seu desempenho no trabalho, e esse pavor é uma forma em
que se manifesta o sofrimento psíquico.”(11)
Hidemberg Alves da Frota e Fernanda Leite
Bião vão mais fundo ao concluírem que a existência humana digna (em conformidade com o princípio da dignidade da pessoa humana) se vincula não
apenas à incolumidade física, à sobrevivência biológica, à automanutenção financeira e ao exercício
dos direitos sociais, econômicos e culturais como
também à integridade psíquica e ao bem-estar psi(11) ROCHA, Anna Carolina Fonseca da. O estresse
no ambiente de trabalho. Disponível em: <http://www.
pedagogiaemfoco.pro.br/pemp05.htm>.
Acesso
em:
3.3.2014.

cológico da pessoa natural, bem assim ao direito do
indivíduo de escolher e realizar atividades (inclusive de concretizar metas) que dão sentido à sua vida
e, ao mesmo tempo, não atentam contra o ordenamento jurídico.”(12)
Ante todo o exposto, conclui-se que o dano
ao sentimento (à moral) é inerente também ao
dano à dignidade da pessoa humana (existência),
logo, com a devida vênia em relação aos doutrinadores que pregam a sua autonomia, esse último possui sim relação direta com o dano moral,
motivo pelo qual é impossível a cumulação de
condenações entre as duas figuras, em razão do
dano existencial ser um “braço” do dano moral,
sob pena de caracterização do enriquecimento
ilícito, o que é expressamente vedado pelo art.
884 do Código Civil.
(12) FROTA, Hidemberg Alves da. A dimensão existencial da
pessoa humana, o dano existencial e o dano ao projeto de vida:
Reflexões à luz do direito comparado. Disponível em: <http://
www.unigran.br/revista_juridica/ed_anteriores/23/artigos/
artigo07.pdf>. Acesso em: 03/03/2014.

DANO MORAL E DANO ESTÉTICO: NATUREZA JURÍDICA
E POSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO
Tiago de Araújo Gonçalves
Mestrando em Direito Empresarial e Cidadania, linha
de pesquisa “Atividade Empresarial e Constituição:
Inclusão e Sustentabilidade” Pela UNICURITIBA —
Centro Universitário Curitiba; Especializando em Direito
do Trabalho e Processual do Trabalho pela PUCPR;
Especializando em Direito Processual Civil pelo Instituto
de Direito Romeu Felipe Bacellar; Bacharel em Direito pela
PUCPR; membro do Grupo de Pesquisa “Desregulamentação
do Direito, do Estado e Atividade Econômica: enfoque
laboral” da PUCPR; Advogado.

Leila Andressa Dissenha
Doutora e Mestra em Direito pela PUCPR; professora do
Mestrado do PPGCOOP — Programa de Pós Graduação em
Gestão de Cooperativas da PUCPR; professora dos Cursos
de Graduação em Direito e Administração da PUCPR e da
UNINTER; pesquisadora convidada da UNIFE — Università
degli Studi di Ferrara (Itália/2011); professora dos Cursos
de Especialização da UNIARP/SC, UnC Concórdia/SC e da
EMATRA IX; advogada.

LTr - Jornal do Congresso

39

a honra e a imagem das pessoas.).. dando origem. 186 e 927. 3ª edição — 2004. Dano Moral. doenças laborais e acidentes de trabalho são apenas alguns exemplos de situações que desencadeiam tal pedido e são evidências claras de que a competitividade do mundo empresarial já é parte do cotidiano laboral. tristeza. o ocorrido. e a segunda a reparar os danos corporais. tratam-se de tutelas com objetivos diversos.(6) A partir da análise dos conceitos e disposições legais acima. um momento de busca incessante pelo sucesso financeiro que leva às empresas ao enfrentamento diário de uma batalha por seu espaço. Contudo. (5) CAHALI. classificando-se desse modo. é possível defender que a indenização por dano moral e o estético possui fundamento a proteção da integridade física e psíquica da pessoa. no semblante e/ou no corpo do trabalhador. a integridade física. a integridade individual. p. reputação. pp. a honra e os demais sagrados afetos. (6) LOPEZ. portanto. as marcas do fato permanecem. (4) CTL. assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. 2ª edição. Art. Na CLT. 2004. em boa medida. no art. trabalho extenuante. Seja decorrente de doença laboral. Antonio Celso Baeta. nem sempre. 6869. p 46. 483 — O empregado poderá considerar rescindido o contrato e pleitear a devida indenização quando: e) praticar o empregador ou seus prepostos. dano moral que provoca direta ou indiretamente dano patrimonial (cicatriz deformante. assédio moral. além da indenização por dano material. O Dano Estético. São Paulo: Juarez de Oliveira. contra ele ou pessoas de sua família. rigor excessivo. concorrência lícita e desleal e gestão de mão de obra motivadora ou aviltante são cogitadas diariamente e. saudade. os métodos para chegar à lucratividade são os mais diversos: estratégias sobre elisão e evasão fiscais. de autoria de Desembargador Cássio Colombo Filho.(2) Além do pleito de indenização. etc. lembrando-lhe. assegura a proteção à honra. por sua vez.) V — é assegurado o direito de resposta. (2) Conforme MINHOTO. São Paulo: Carta Capital. 5º (. sendo que a violação a uma destas dimensões é passível de indenização por danos morais. 40 ção infraconstitucional também tutela os mesmos valores. etc. Só esta pressão pela competitividade e sobrevivência empresarial explicaria. 34 e 43. tendo por definição o seguinte: É a privação ou diminuição daqueles bens que têm um valor precípuo na vida do homem e que são a paz. Tereza Ancona. é definido como “qualquer modificação duradoura ou permanente na aparência externa de uma pessoa. etc. A CRFB — Constituição da República Federativa do Brasil.  LTr . acidente ou agressões. 5º. a tranquilidade de espírito. à saúde.(4) Da doutrina extrai-se que o dano moral tem por função resguardar o patrimônio imaterial do sujeito. indeléveis. a liberdade individual. proporcional ao agravo. p. pois a primeira visa reparar o abalo psicológico do indivíduo. alínea e. decorrentes das mais variadas formas de aviltamento laboral: descumprimentos contratuais. SP. notadamente o Código Civil. Globalização e direito: o impacto da ordem mundial sobre o direito. tem-se tal proteção. a legisla(1) Conforme SEVCENKO. conforme art. Yussef Said. Nicolau. a vida privada. pelo lucro que lhe garantirá sobrevivência.) e dano moral puro (dor. conforme se verá no aresto do TRT9. à intimidade. Art. dia após dia. há situações em que há mais que a “dor moral” a ser indenizada: quando além do sofrimento. tristeza.) e dano que molesta a parte afetiva do patrimônio moral (dor. (3) CRFB. abaixo transcrito. Destino dos Manequins. Editora Revista dos Tribunais. ao tratar das hipóteses das faltas graves cometidas pelo empregador que ensejam a rescisão indireta do contrato de trabalho. em dano que afeta a parte social do patrimônio moral(honra. 483. protege a honra do trabalhador. Nesta batalha. 20. Editora Revista dos Tribunais. incisos V e X.(3) Além disto. a escolha se dá de forma racionalmente jurídica.). moral ou à imagem.O momento histórico atual é marcado pelo turbo capitalismo(1). X — são invioláveis a intimidade. à imagem.. o flagrante aumento do número de ações trabalhistas que pleiteiam a indenização por danos morais sofridos. a título de exemplo.Jornal do Congresso . ato lesivo da honra e boa fama. 29 de dezembro de 2004.(5) O dano estético. modificação esta que lhe acarreta um ‘enfeamento’ e lhe causa humilhações e desgostos. a uma dor moral”. embora tenham o mesmo fundamento. nos arts. o dano estético causa uma dor que perpassa o próprio fato danoso. 1998. etc.

(9) Não obstante. trazemos as considerações de Nelson Hungria que. Resp 904.] se da apreciação objetiva passamos à subjetiva. Resp 899.com. prevalecem ambas as indenizações na condenação patronal.com. ainda que a gênese destes seja a mesma — o acidente causado por culpa da reclamada na demanda. o que no caso não se configura. Neste sentido é o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça na medida em que possibilita a cumulação das respectivas indenizações. moral.2013.2014.. Relator: Cássio Colombo Filho. àquelas cicatrizes que alteraram seu corpo e a visão que ela mesma e as demais pessoas têm sobre ele — são as anomalias causadas pelo acidente que justificam a compensação do dano estético. se não de repugnância ou de mal-estar. já que seu fundamento é diverso. que pese a existência de tal argumento.445. assim se manifesta acerca do que seja uma “deformidade permanente”: não se trata de um conceito objetivo. alegando que ambos têm a mesma natureza. acessado em 9. do sofrimento da reclamante. Assim.00. por meio de pretensão posta em Recurso de Revista. Dano estético. (10) TST RR — 9954400-49. reitera-se que.09. REsp 254. Publicado no DEJT em 26. Verifica-se que o dano moral advém da dor.Contudo. (8)Disponível em: <http://www. htm>.br/artigos/4777/naose-cumulam-danos-esteticos-com-danos-morais-e-oumateriais#ixzz2zkfisL4J>. a um só tempo. A indenização por dano moral e por dano estético. em geral. cumpre fixar.869. do ponto de vista jurisprudencial. a imissão. conforme verificamos Resp 49. é da mesma natureza. A título de exemplo. a exemplo do que já ocorre com o dano moral. a saber: TRT-PR-26-02-2013 Dano moral — Dano estético — Cumulação — Possibilidade. O dano estético.0242  — 5ª Turma — Relator: Emmanoel Pereira. 387. mas. no montante em que se arbitra a reparação de danos se limita aos casos de desrespeito aos limites superiores ou inferiores da razoabilidade. 41 . Jus Navigandi. da angústia. o dano estético deve constituir-se de algo que realmente cause desconforto justificável ao trabalhador. o TST — Tribunal Superior do Trabalho também consideram o dano moral e estético são institutos diversos: Ementa: Recurso de revista. objetivo e subjetivo [. REsp 910794.(7) E.5. LTr .Jornal do Congresso mas cumulável. Alex Sandro. (7) RIBEIRO.(10) Se a possibilidade de cumulação dos pedidos é matéria um pouco menor controvertida nos Tribunais laborais.br/normas_ inferiores/regimento_interno_e_sumula_stj/stj__0387.”(8) No âmbito da Justiça do Trabalho. Não se cumulam danos estéticos com danos morais e ou materiais. verifica-se que o TRT da 9ª Região possui entendimento alinhado ao do STJ. independente.. II) No mais.10.457. Acesso em 23 de abril de 2014. o dano moral e o dano estético não se confundem.913. todavia. Resp 705. Impossível conceder-se diversas indenizações da mesma natureza pelo mesmo fundamento como se se tratassem de coisas distintas. segundo a jurisprudência dessa Corte. com a ofensa ao seu patrimônio imaterial. despontando como razoável e necessária a reparação de danos estéticos no montante de R$50. o trabalhador perdeu 4 dedos da mão direita. I) A jurisprudência desta Corte se firma no sentido da possibilidade de cumulação da indenização por lesão estética com aquela relativa ao dano moral.2006. Da mesma forma que qualquer mero dissabor não pode ser confundido com o dano moral. pelo menos de (9) TRT-PR-03472-2009-965-09-00-0-ACO-05188-2013 — 4ª Turma.dji. II) No caso presente. como explica Alex Sandro Ribeiro: Descabe tentar encontrar no baú conceitual qualquer espécie de firula expressional com o fito de dizer que se está diante de um bis in idem. que dispõe o seguinte: “É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral. desde logo. não faltam argumentos em contrário. Disponível em:< http://jus.2. em seus estudos sobre lesão corporal.1. Cumulação. Possibilidade. o seguinte: a deformidade deve ser tal que cause uma impressão. refere-se às lesões corporais visíveis. uma outra preocupação crescente acerca do tema diz respeito à possibilidade de banalização da alegação de dano estético. Data de Publicação em DEJT 15. e Súmula n.2010.025.000. para defender a impossibilidade de cumulação de pedidos a título de dano moral e estético. Faz-se possível a cumulação de dano moral e estético. ou seja.

9.” STRECK. 328 (12) TRT-PR-02086-2010-892-09-00-0-ACO-39332-2011 — 2ª Turma. Turma. É lugar-comum ouvir-se falar. Superada a questão principal. haja vista possuírem fundamento diverso uma da outra. Relator: Paulo Ricardo Pozzolo. (11) ob. Membro do Instituto Brasileiro de Direito Social “Cesarino Júnior”. é necessário dizer quando a Corte Suprema de um país erra.br/2014-abr-24/senso-incomumdoutrina-direito-ou-dever-apontar-erros-stf>. Uma das mais conhecidas formas de reintegração à sociedade.210/84). p.2013.. O labor na Lei de Execução Penal e os acidentes do trabalho: breves questões Renato de Almeida Oliveira Muçouçah Professor de Direito do Trabalho da Graduação e Mestrado da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). sendo tal trabalho obrigatório — agora coloca o labor peniLTr . à mancheia.2011. cumprindo seu papel de doutrinar os conceitos jurídicos. Ex-Pesquisador da FAPESP. de desagrado. em ressocialização ou reintegração social do preso (pessoa privada em sua liberdade... pelo Estado. É a cicatriz que acarreta chocante assimetria. Publicado no DEJT em 25. Lênio Luiz. dizem os especialistas. Nem a palavra bomba explode.conjur.10. deveria significar que-adoutrina-doutrina.. sabemos. Publicado no DEJT em 30. vale destacar que jurisprudência no TRT9 é no sentido de que “a indenização por dano estético é devida quando a lesão decorrente do acidente de trabalho compromete ou pelo menos altera a harmonia física da vítima”(12) e que ônus do empregado trazer aos autos “elementos de prova que atestem a condição pessoal da vítima ou alteração estética relevante (..)”(13). no sentido da possibilidade da cumulação das indenizações de moral e estético. conceituar o que seria o mero dissabor estético com vistas a nortear a jurisprudência. sob pena do pedido por indenização por dano estético ser julgado improcedente. Relator: Célio Horst Waldraff. Diz-se que a Lei de Execução Penal (Lei n. 42 dá-se pelo trabalho: tem este finalidade educativa e também produtiva. é a desfiguração notável. cit.(11) Neste tocante. por condenação relacionada à prática de um crime). Para que ela não continue errando. É dever da doutrina.desgosto. a controvérsia desloca-se para o enquadramento do que efetivamente seria dano estético ou mero dissabor. ante a amplitude subjetiva que permeia tais fatos. A palavra água não molha. Mas a palavra “doutrina”. (13) TRT-PR-00581-2012-670-09-00-2-ACO-42693-2013 — 1ª. caberá a doutrina.Jornal do Congresso . Acesso 30 de abril de 2014. Doutrina: direito ou dever de apontar os erros do STF? Disponível em: <http://www. ao contrário da legislação anterior — que não previa sequer remuneração ao trabalho do preso. As palavras não refletem a essência das coisas.com.(14) (14) “Ou seja. Mestre e Doutor em Direito do Trabalho pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). 7.

7. a melhor forma de se inserir um detido no mercado de trabalho. § 2º da Lei n. Literalmente. (2) Idem. p. deverá atender (conforme art. Ainda conforme a própria Lei — que permite o uso desta mão de obra barata indiscriminadamente — o dinheiro recebido pelo labor não é direcionado ao preso de maneira direta. sem configurar vínculo empregatício. seja realizado interna ou externamente. p. ao contrário dos tempos da Revolução Industrial. p. o primeiro caso não significa trabalho forçado(2). 28. Antes.210/84. 2011. 2008. LTr . p. à assistência à família e ao ressarcimento do Estado pelas despesas realizadas com a manutenção do condenado. O elemento da liberdade. O restante da pecúnia (acaso sobre) será conferido ao preso para pequenas despesas pessoais e depósito numa caderneta de poupança. negando qualquer relação empregatícia — ainda que precária — com empresas ou associações que venham a explorar esse trabalho com finalidade econômica. v. Jorge Luiz. Adeus ao trabalho? Ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade no mundo do trabalho. O trabalho exercido pelos presidiários. Cada vez trabalha-se menos. se ganha um dia de remição da pena. ao passo que para o preso provisório o labor é facultativo. só pode mesmo configurar-se a partir da subordinação à qual se submete o detento para sua inserção social. da Lei n. Ainda conforme especialistas. No plano empírico das penitenciárias. 29 da citada Lei) à eventual indenização fixada em razão do crime cometido. São Paulo: Saraiva. pois. o que só poderá engendrar. associada à execução deste. no cenário global. II. se no trabalho do presidiário este é submetido a uma exploração econômica aceita pela sociedade. à qual o detido terá acesso quando posto em liberdade. uma relação promíscua entre trabalho e pena. na Lei de Execução Penal. pois a segunda palavra define o primeiro vernáculo. mas nas dependências de alguma empresa — ainda assim. ainda cabe a per(1) MARCÃO. O trabalho do preso. Curso de Execução Penal. 43 . 66. 11. 103-104. alguns Coordenadores consideram que se houver educação voltada para o trabalho. afirma que muitos dos Coordenadores de Presídios veem a possibilidade de o preso trabalhar como algo que sirva apenas para escapar à ociosidade. 2. A pessoa condenada em definitivo está obrigada ao trabalho. Fato é que. Jorge Luiz Souto Maior tece comentários com os quais se concorda integralmente: ainda que o trabalho seja realizado de forma obrigatória. Curso de Direito do Trabalho: a relação de emprego.210/84 que anula qualquer possibilidade de o trabalho do preso ser regido pela Consolidação das Leis do Trabalho. 59. as chances de reinserção social serão maiores(3). em pesquisa de campo sobre o tema.Jornal do Congresso gunta: por que o trabalho no cárcere não segue o regime da Consolidação das Leis do Trabalho? É possível notar. 7. ed. Só não se sabe ao certo qual seria este regime. sempre restou mitigado. Rio de Janeiro: FAPERJ. a cada três dias trabalhados. Nesse último caso o detido requererá autorização para trabalhar não no estabelecimento prisional. Será esta. (3) Sistema penitenciário brasileiro: a educação e o trabalho na Política de Execução Penal. mas cada vez com maior frequência a massa trabalhadora aceita empregos ou trabalhos em contratos precários — daí falar-se em trabalho precarizado — ou em atividades quase próximas à escravidão(5). 2013. Por outro lado. Ricardo. Renato. (4) SOUTO MAIOR. Com direito de receber ao menos três quartos do salário mínimo. 15. 297. porém. embora não se consiga encontrar nenhuma justificativa plausível para admitir a diferença entre as figuras. um contrato de emprego. em nada esta suposta ausência de vontade afasta a incidência das normas trabalhistas. p. de maneira muito alva a olhos quaisquer. São Paulo: LTr. No entanto. no campo do contrato de emprego (nitidamente um contrato de adesão). há problemas que enfrentam solução ainda mais tormentosa. (5) ANTUNES. 60. São Paulo: Cortez. “talvez nunca mais acredite nesta mesma sociedade e jamais recupere sua condição de cidadão por inteiro”(4). o trabalho do preso poderá ser interno ou externo. negando direitos elementares e os trocando pela pena imposta? Nesse sentido. A relação é de troca: conforme art. É o próprio art. 2012.tenciário sob um dado regime jurídico(1). Elionaldo Fernandes Julião. a pessoa “paga” por sua pena com trabalho. que são de ordem pública. 126. o trabalhador vive o que se sente em todo o mundo: uma nova forma de ser para o trabalho. Afinal. ed.

vez que o preso encontrava-se à disposição do Estado. o que haverá de receber o detento pelos dias sem trabalhar e pelas lesões. François. nem mesmo o benefício de auxílio-doença lhe será pago. como acidentes — e não simples casos fortuitos.210/84 estabelece que o preso acidentado continue a beneficiar-se da remição da pena. para além da inconstitucionalidade destas disposições. 3. 323-325. n. como em qualquer atividade produtiva. Paris: Bernard Grasset. exemplo é o do empregado de mineradora que. não terá direito à percepção de qualquer valor em razão desse acidente? Muito recentemente o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás conheceu de um caso de acidente do trabalho de presidiário e julgou. Noutro falar: ainda que o presidiário venha a acidentar-se no trabalho. XI. 44 O art.213/91 já conceitua o que vem a ser acidente do trabalho. e de quem cobrará esses valores. 2013. mormente estéticas(7). o mesmo Tribunal indeferiu o pagamento de pensão vitalícia ao trabalhador presidiário pela ausência de provas de que este recebia salário. pois as normas trabalhistas são de ordem pública. Como se pode observar. No entanto. 224225. p. no ambiente de execução dos trabalhos. e não pela via legal.Jornal do Congresso . 7. Num olhar mais grosseiro. para além de todas estas doenças incapacitantes. Tratava-se de contribuinte individual. contrai silicose. ed. 11. Ao constatar que o detido perdeu de forma total e irreversível a funcionalidade de sua mão esquerda enquanto exercia seu ofício. Proteção jurídica à saúde do trabalhador. 3. (8)Diário de Justiça Eletrônico de Goiás. 1329. vez que sequer salário propriamente dito existe? Ora. mas ao modo como se realiza esta atividade. LTr . 7º e 8º da Carta Magna. Muito se questionou acerca da legalidade da cobrança desta contribuição social.portanto. qual seja: abandonou-se a visão do “bem” ou do “mal” atribuído a cada um. no mesmo Decreto n. por exemplo. é aquela patologia particularmente ligada a certa atividade ou profissão. mas a legislação brasileira equipara a este algumas doenças. A doença profissional. p. Foi a visão nesse sentido que propiciou a repartição social de um bem comum. eis que negam ao trabalhador a garantia de direitos sociais previstos. Problema bastante comum torna-se aquele relacionado ao INSS: deverá a autarquia arcar com os custos do acidente do trabalho? Houve um tempo (de 2003 a 2009) em que o Decreto n. passou-se a prever que a pessoa recolhida à prisão poderá contribuir facultativamente à Previdência Social. a vítima deve ser mantida pelo custeio social de todos. § 4º da Lei n. Há também a doença do trabalho. Objetivaram-se os danos causados aos trabalhadores. o problema aparenta estar solucionado: o art. prestando função laboral. Todavia. 126. de maneira a satisfazer a lógica do capital: menor custo e a maior produtividade possíveis. 19 da Lei n. v. No entanto. em verdade. cujo maior exemplo é a LER/DORT: não se liga a uma profissão ou atividade específica. 7. (6) EWALD. de maneira “esquizofrênica”. Publicado em 25 jun. estado todos os trabalhadores sujeitos a acidentes. Sebastião Geraldo de. São Paulo: LTr.048/99 previa a obrigatoriedade da contribuição social a toda pessoa que. p. nos termos da Lei de Execução Penal(8). 18-19. por assim dizer. art. nos arts. No entanto. vez que inexistente qualquer relação de emprego. L’Etat Providence. os afazeres efetuados pelos presos poderá trazer o tema dos acidentes do trabalho como discussão central.048/99. o Tribunal responsabilizou o Estado de Goiás pelo pagamento de valores a título de danos morais. ainda no século XIX foi justamente o acidente do trabalho que propiciou as primeiras normas de proteção laborativa. sobretudo. insere-se nesta lógica de precarização estrutural do labor. 8. fato que permite concluir que o ente público chama para si a responsabilidade pela integridade física da vítima. o obstáculo dogmático e cultural maior encontrado no direito brasileiro é o de reconhecer a ilegalidade dos da Lei n. prestasse serviços a uma ou mais empresas. 2010. 1986. visto ter sido instituída por decreto. Seção I. em regime fechado ou semi-aberto. 5. a partir de 2009. exposto ao pó de sílica. Esta foi e é a prova mais cabal de que o homem vive em sociedade(6). O trabalhador acidentado. poderá apresentar lesões das mais diversas naturezas.210/84 no que tange à proibição de reconhecimento de relações de emprego entre presidiários e empresas que contratam trabalho com as penitenciárias. (7) OLIVEIRA. Por encontrar-se detido. 6.

deve ser da Justiça do Trabalho: talvez desta forma reconheça-se. 45/2004. da CF/88 que assegura ”redução dos riscos inerentes ao trabalho. Assim. A saúde do trabalhador. 612. Rio de Janeiro. as lides que têm por objeto acidentes do trabalho. prevê que responderão solidariamente os autores que causarem dano a outrem. aplicável subsidiariamente à legislação trabalhista. Castro e Lazzari (2013. Carlos Alberto Pereira de: LAZZARI. p. mas existe. 942 do Código Civil. responsabilidade solidária do ente com a empresa tomadora de serviços: o art. tem status de direito fundamental social. Forense. enfim. e. O acidente que não gera danos à integridade do indivíduo não integra.(1) (1) CASTRO. em verdade. cujo art. QUAL A RESPONSABILIDADE DO EMPREGADOR POR ACIDENTES CAUSADOS POR TERCEIROS? Maria Gilda de Freitas Araújo Analista Judiciária (TRT-6ª Região). um fato violento. Manual de Direito Previdenciário. disso resultando para os tribunais do trabalho um número cada vez maior de ações que diariamente nos mesmos são protocoladas. Ora. disso resultando para os tribunais do trabalho um número cada vez maior de ações que diariamente nos mesmos são protocoladas. no sentido de que produz violação à integridade do indivíduo. 2013. portanto. acidente do trabalho seria . 19 dispõe que LTr . propondo uma definição que reputam ser mais elucidativa. 8. porém.Jornal do Congresso Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. provisória ou definitivamente. instituto regulamentado pela Lei n. 7º. advém o dever de ambos indenizarem solidariamente. provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução. inserido no art. ampliou-se a competência material da Justiça do Trabalho que passou a alcançar entre outras questões. João Batista.213/1991. (UPE). p.. 613-614) afirmam que a definição da lei não é satisfatória. permanente ou temporária. higiene e segurança”. como a relação do trabalhador presidiário dá-se com a empresa (a qual objetiva obtenção de lucros). e esta relação é supervisionada na totalidade pelo Estado. 45 . 15ª Ed. consequentemente um adequado ambiente de trabalho. 11 desta Lei. É da violência do evento que resulta a lesão corporal ou a perturbação funcional que torna o indivíduo incapaz. Profa. A competência para julgar. por meio de normas de saúde.. Com a Emenda Constitucional n. da capacidade para o trabalho. ou lhe cause a morte.O Tribunal de Justiça de Goiás andou bem em reconhecer a responsabilidade civil do Estado pelo acidente do trabalho. o liame empregatício existente entre o detento e quem lhe toma os serviços. Apesar de o nosso ordenamento contar com um bem estruturado arcabouço de normas jurídicas voltadas para o combate e a prevenção da infortunística. o conceito. é alarmante a estatística anual relacionada a acidentes do trabalho. inciso XXII.

ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar.. Não obstante a frequência de acidentes causados por terceiros. 927 do Código Civil não se aplica ao acidente de trabalho. inciso XXVIII. por ex. pois o inciso XXVIII do art. Sérgio. veio apresentar outra alternativa reparatória para os acidentes de trabalho. fazendo entrega de alimentos. Responsabilidade Civil no Acidente do Trabalho.. respectivamente. sendo que o primeiro infortúnio resulta do tipo de atividade que o obreiro realiza. quando incorrer em dolo ou culpa”. ainda são tímidos a doutrina e os julgados quanto a possibilidade de aplicar-se à espécie. ainda que exclusivamente moral. por consequência.Risco é perigo. 8. 7º da Lei Maior dispõe que a indenização só é devida em caso de dolo ou culpa. importando. segundo o qual “aquele que por ação ou omissão voluntária. então. uma atividade perigosa deve-lhe assumir os riscos e reparar o dano dela decorrente. a conduta culposa do agente. Sérgio Pinto.. o risco.É provável que o legislador não tenha definido um conceito preciso para o acidente de trabalho. 19 da Lei n. Revista LTr. em sua feição fático-violenta. sem excluir a indenização a que este está obrigado. o enfrentamento das vicissitudes de nosso trânsito. é probabilidade de dano. e. aonde em cada esquina estão reservadas novas surpresas como a de um condutor de veículo que invade a faixa contrária e colide com o veículo que vem em sua direção. isso. do art. 927 do CC/02. dizer que aquele que exerce 46 Um exemplo elucidará melhor o que foi dito no parágrafo retro: cumprir uma jornada diária sobre uma motocicleta. LTr . independentemente de culpa.213/1991. 128. o nexo causal entre o dano e o evento e. assim resumido: todo prejuízo deve ser atribuído ao seu autor e reparado por quem o causou. como deve ser apurada a responsabilidade do empregador. incisos I e II. Programa de Responsabilidade Civil. os requisitos para a aferição da culpa e. nos casos especificados em lei.. São três. p. da Lei n.(2) Em face das alusões até aqui expendidas. violar direito e causar dano a outrem. negligência ou imprudência. para o exemplo dado este veículo é a motocicleta.] Parágrafo único. (3) MARTINS.. 927 [. abril de 2013. sendo no bojo deste contexto que residem as condições para o acidente de trabalho causado por terceiros. 7º. Resolve-se o problema na relação de causalidade. 20. vol. Grande parte das decisões é no sentido de aplicar à espécie. vista apenas sob este prisma. n. por natureza. ainda.O parágrafo único do art. 04. da CF/88. não é apenas aquele inerente à atividade empresarial. a responsabilidade objetiva. desta feita consubstanciada na responsabilidade objetiva do empregador.. tendo por fundamentos o art. despoja-se da natureza da atividade para prender-se às circunstâncias nas quais dita atividade é executada. pergunta-se: na hipótese de estar-se diante de um acidente de trabalho. Ocorre que o parágrafo único do art. independentemente de ter ou não agido com culpa. dispensável qualquer juízo de valor sobre a culpa do responsável. 186 do CC/02. porque pretendia contemplar a doença profissional e a doença do trabalho. resulta das condições adversas em que o labor é exercido.(3) (2) CAVALIERI FILHO. fatos dessa natureza imprimem a essa atividade uma elevado potencial de risco. No entanto. a atividade não se enquadra como de risco. como é o caso de uma fábrica de explosivos. mormente quando o acidente é causado por terceiros? Veja-se que o risco a fundamentar a imputação da responsabilidade objetiva. algumas vezes. 7ª ed. pois. 8. Se a Constituição regulamenta de forma clara a responsabilidade no acidente de trabalho. a responsabilidade subjetiva. 77. que é aquele que materialmente causou o dano. enquanto o segundo. A doutrina do risco pode ser. 2007.213/91. risco para os direitos de outrem”. “Haverá obrigação de reparar o dano. conforme enquadramento na letra do art. São Paulo: Atlas. não pode a norma infraconstitucional dispor de forma contrária. 77-04/446.Jornal do Congresso . isto é. para imputação do dever de reparar patrimonialmente o prejuízo: a materialização do dano. comete ato ilícito”.. Art. por fim.. O enunciado acima baseia-se na teoria do risco para a qual . a cargo do empregador. que diz ser direito dos trabalhadores “seguro contra acidentes de trabalho. Em verdade. de modo que seus opositores argumentam que . o art.

um meio ambiente do trabalho equilibrado. no risco promanado da natureza da atividade.O que irá presidir à aplicação do art. poderiam ser evitados. qual seja. php?pagina=1&id=JyyJAc. junho de 2012. Veja-se que a cada ano. § 2º. No primeiro caso.>. com grandes conquistas. Acidentes do Trabalho — breves reflexões sobre a tutela jurídica do trabalhador e a quantificação da indenização do dano moral.br/site/content/materias/materia_detalhe. Dados Globais. estar-se-á desconsiderando o princípio basilar da relação de trabalho.. e a superação de problemas sociais. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte”. em 1972. temos a consagrada publicação do Decreto lei numero 5453 de 1º de maio de 1943. Porém. Disponível em: <http://www. mesmo sendo causados por terceiros estranhos à relação empregatícia. O MEIO AMBIENTE DO TRABALHO SADIO E EQUILIBRADO: UM DIREITO FUNDAMENTAL E HUMANO DO TRABALHADOR Carolina Beck Mestre em Direito pela UCS (Universidade de Caxias do Sul). 5º. “os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados.Jornal do Congresso é que se viu a necessidade do estudo acerca dos fundamentos que propiciam as mínimas garantias do trabalhador. substancia-se na culpa lato sensu e. cerca de quatro mil trabalhadores perdem suas vidas em decorrência de acidentes laborais. § 2º da Carta Magna. o qual dispõe que. Um dos assuntos de maior evidência e preocupação dos dias atuais é a preservação do meio ambiente em todos os seus aspectos. reconhecido como direito humano e fundamental do trabalhador.. Revista LTr. a aplicação do artigo civilista encontra fundamento na própria Constituição Federal vigente. o qual aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. vigente até os dias atuais. diga-se. no segundo. A partir destes dados (1) Fonte: Anuário Brasileiro de Proteção 2010. quando passam a ocorrer as primeiras intervenções sindicais no Brasil. vol. não se deve tão somente sujeitar o vitimado à comprovação da culpa empresarial ao argumento da inexistência de base jurídica para a aplicação da responsabilidade objetiva. 76-06/660.. protecao. XXVIII ou a do art. 7º. a exemplo. Evidente que o Direito do Trabalho é um ramo em crescente evolução. A busca pelo pleno desenvolvimento sustentável não cessa.com. pactua o ajuste tão somente com a sua força de trabalho. qual seja a proteção àquele que despojado da propriedade dos meios de produção. contudo. dentre eles o meio ambiente laboral.Para os seus defensores. A pensar assim. a Conferência das Nações Unidas de Estocolmo.”(4) À guisa de consideração final. Ainda. As 47 . é o fundamento da responsabilidade civil. art. em virtude da gritante estatística de acidentes do trabalho. seguro e saudável. é parte central do processo de desenvolvimento. as efetivas propostas quanto às “condições laborais” surgem apenas nas décadas de 1960 e 1970. 5º. Em 1943. 06. LTr . inclusive quanto ao aspecto do trabalho. (4) SAAD. Perfil da acidentalidade no mundo exclui o Brasil das estatísticas atualizadas da OIT. “. 76. n. para efeito da obtenção de uma indenização. Teresinha Lorena Pohlmann. A busca pela proteção ao meio ambiente do trabalho surge na década de 1930.. o Brasil é o quarto país do mundo com a maior ocorrência de acidentes do trabalho(1).

VI e VIII. desde que observados os princípios que norteiam a dignidade humana. dispostos no caput do art. é conduta obrigatória. nas palavras de Hannah Arendt. Deve-se destacar a importância do meio ambiente do trabalho como requisito indispensável para se alcançar a real proteção ao trabalho humano. transação ou renuncia acerca das garantias constitucionais deferidas ao trabalhador (meio ambiente equilibrado. em seu art. presentes tanto no art. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) também expressa a sua preocupação com a matéria. por constituir tutela de interesse público. não se reduzindo à seara da proteção particular. é uma das três atividades humanas fundamentais (fundamental por corresponder a uma das condições básicas pela qual a vida foi dada ao homem. na Convenção nº 155/81 da OIT e em especial. da Constituição da República). vislumbrando a manutenção da integridade física e moral do trabalhador. o meio ambiente do trabalho. Capítulo dos Direitos Sociais. (3) ARENDT. 2009. (1) Nesta seara. 54. em declarações internacionais. por meio de normas de saúde. encontra respaldo na Política Nacional do Meio ambiente (lei 6938/81). ao citar o artigo 200. III e IV. a qual impõe tanto ao poder publico quanto à coletividade a obrigação de defendê-los e preservá-los. inciso XXII. Trabalho e saúde se entrelaçam na vida do homem trabalhador. além da ação e do “labor”)(3). a “redução dos riscos inerentes ao trabalho. higiene e segurança”. mas trabalhar com condições ambientais dignas e salubres. em seu capítulo V. constituem fundamentos do próprio Estado Brasileiro (art. na Lei n. Em sendo assim. a defesa do meio ambiente e a proteção ao trabalho humano como princípios gerais da atividade econômica. 225 da CF/88. que merece proteção do poder publico e da sociedade organizada. 15. já que assegura a livre iniciativa econômica. A condição Humana. Sabe-se que o principal bem protegido pelo direito ambiental. a responsabilidade objetiva para todo e qualquer dano ambiental causado. O Trabalho.condições do meio ambiente laboral passam a ter cada vez mais ênfase e proteção. no títu(2) GAVIÃO FILHO. que traz uma série de artigos que cuida especificamente da “Segurança e Medicina do Trabalho”. Anizio Pres. A adoção de sistemas de prevenção e/ou precaução por parte do empregador. o meio ambiente do trabalho. ao aprovar a Convenção n. 3214/78. do Título II. Neste sentido. sob pena de sofrer graves sanções. Direito fundamental ao ambiente. é um direito fundamental do cidadão trabalhador e parafraseando Anízio Pires Gavião Filho(2). presentes na Lei n. na Carta Magna. p. na consolidação das Leis do Trabalho. “tem como objeto o bem coletivo integridade ambiental”. Não se trata de um direito trabalhista. Trata-se de direito que deve ser de pronto tutelado juridicamente e com a maior efetividade que a decisão puder conferir a esta tutela. Não se pode olvidar que o empregador é responsável pelo meio ambiente do trabalho que dispõe aos seus empregados. Essencial ao homem é trabalhar. o qual consagra por meio da Lei n. ratificada pelo Brasil. 155/81. e sim de direito difuso. 6.938/81. indispensável à aplicação do principio da indisponibilidade dos direitos e do principio da precaução. LTr . não podendo haver qualquer tipo de composição. sendo imperioso que preserve a salubridade do meio ambiente do trabalho. o meio ambiente do trabalho salubre não pode ser lido como mero “direito trabalhista” face à natureza da sua proteção. A Constituição Federal brasileira resguarda ainda.Jornal do Congresso . Hannah. não diferente dos outros aspectos. ainda mais. A vida digna e saudável. como na Conferência das Nações Unidas de Estocolmo e outros princípios da Política Nacional. é direito indisponível de forma absoluta. 1º. 170. 6938/81. face ao entrelace com o direito ambiental. 48 lo dos Direitos e Garantias Individuais. 2011. 7º. resta inexorável que o meio ambiente ecologicamente equilibrado e a sadia qualidade de vida são bens protegidos pela Constituição Brasileira. é a vida. como já afirmado. sendo que os valores sociais do trabalho que juntamente com a dignidade da pessoa humana. p. seguro e saudável). conciliação. Importante ainda ressaltar a proteção ao meio ambiente do trabalho por meio dos princípios ambientais da precaução e da prevenção e ainda o da sadia qualidade de vida. Ainda na Constituição Federal de 1988. Para a construção de um meio ambiente do trabalho seguro e saudável. por meio de instrumentos protetivos do meio laboral. Em nosso ordenamento. prevê que são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. a tutela do meio ambiente do trabalho. A par do estudo ora realizado.

475-J do Código de Processo Civil. imprescindível. 475-J do Código de Processo dejáfísica do trabalhador sãoautores. 1997. imprescindível que pretações à legislação infraconstitucional devem os empregadores cada vez maisconstitucionais. fundamentada no princípio constitucional da razoável duração do prores. São Paulo: Ática. Se numa análise infraconstitucional aplicabiPode-se concluir que a saúde e aa integridalidade da multa do art.contradições sociais os conceitos fechados e tipificantes dos sistemas legais vigentes”. de segurança medicinaconstitucido tracessoem (art. 97 49 . que o empregador não poderá nem deverá gurou a razoável duração do processo como direito medir custos para a adoção de eficazes fundamental a todos os brasileiros (art. Luis Fernando Silva de. a por exemplo. a identifibiental” em questão. diretamente atingiCivil é admitida por inúmeros a argumendas quando nãoconsistente observadas as normas por aparte tação torna-se mais quando analisada luz da principiologia constitucional. visando programas justrabalhista a alcançar esse desiderato. pela qual se assebém. atuando em conjunto. CF) e noseprincípios onais justrabalhistas. In: CHAVES.232/2005: Oportunidade de maior efetividade no cumprimento das sentenças trabalhistas. quando então teremos trabalhadores lados pelo Poder Judiciário. 5º. devendoefetividade sempre e deve de tornar-se um objetivo comum principalmente dentre forma incansável buscar meios de assegurar a os Magistrados e os Advogados para que a sociedade concretização do ideal de previsto nosso ordenunca perca a esperança que teráem seus direitos tutenamento. assegurando dignidade reito Processual do Trabalho. A aplicação subsidiária do art. Não pode o dos princípios do Processo do Trabalho com a redação trabalhador aceitarsão condições fora dos do novo dispositivo um meio laborais de concretização dos princípiosprotegidos destacados tampouco acima. e impeditivas. Direito Processual do Trabalho: Reforma e efetividade.Jornal do Congresso LTr .). p. ou seja. São Paulo: LTr.plaos princípios constitucionais irradiar aplicabilino. José Eduardo. LXXVIII. principalmente. Direito e Justiça: a Função Social do Judiciário. LXXVIII. adotem políticas concretizar o espírito dos comandos de gestão pessoal com equipes multidisciplina(4) FARIA. efetivos de prevenção. A proteção do “bem am- O método de colmatação lacunas. 45/04. In: FARIA. (5) CARVALHO. José Eduardo (Org. 249-275. padrões renunciar o dia busca da verdadeira reito Enfim. a este bem comum. 2007. Luciano Athayde.Jornal do Congresso cesso mais ágil e eficaz(5). LTr . Nesse viés quaisquer interDiantedadas de tais ponderações. odeste. garantir a saúde devem e higidez físicasua e emocional dade todos os subsistemas. do empregador. Lei n. CF).práticas 5º. Didoa trabalhador. vitoriosos e sem perdas. como. Ordem legal X Mudança social: a crise do judiciário e a formação do magistrado. 101-102. visandopós-positivista sempre e emdoprimeiro Numa interpretação processo. pode ajudar a processualística balho. 11. p. especial. Neste aspecto conclui-seapós tama Emenda Constitucional n.de a sadia qualidade cação da omissão celetista e a percepção da coerência de vida é essencial.

em cada instância.4º Painel A ARBITRAGEM TRABALHISTA E A EXPERIÊNCIA CANADENSE Bruno Anunciação das Chagas Advogado. 10). 112.2% (noventa e dois vírgula dois por cento) de todo o seu orçamento (BRASIL. Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Pará (UFPA). mas com referência ao ano de 2012. A pesquisa do CNJ afirma que a Justiça Obreira julgou 98% (noventa e oito por cento) dos casos novos que entraram no ano de 2012 (BRASIL. p. p. a fim de diminuir a quantidade de demandas que ingressam na Justiça Especializada. duzentos e dezoito reais) e. op. p. 152)(2). Um Raio x da jurisdição trabalhista no Brasil Segundo o relatório “Justiça em Números” do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). 1. por exemplo. 267). confeccionado em 2013. 2013. 20. (2) Em números. a despesa com recursos humanos. cada reclamação trabalhista nova custa R$ 3. No que diz respeito ao tempo de solução do litígio. cit. o que é obviamente inviável. 2012. em média (BRASIL.00 (três mil. para que a Justiça Obreira conseguisse liquidar todos os processos pendentes de julgamento. Experiência Canadense Brito (2010. 267). setecentos e quarenta e sete mil e trezentos e vinte e seis). Na Província de Ontário. trezentos e vinte e oito mil.326 (três milhões. tem-se uma média de 1.328. Essa taxa de congestionamento implica em um saldo de ações ingressadas e não julgadas (1) O art. bem como reduzir o saldo de processos pendentes de julgamento. p. quatrocentos e trinta e três) de demandas. quatrocentos e quarenta e seis) casos novos por 100. a Justiça Especializada julgou 3. no Brasil. I. 2.621 (três milhões.859. corresponde a 92. Neste interim. em média. em média (BRASIL. 24-25) relata que nas Províncias de British Columbia.295 (cento e doze mil. Como se pode perceber.7 (um vírgula sete) magistrados por 100.747. 2011. os governos fornecem mediadores (settlement officers) para assistir empregadores e sindicatos na resolução de conflitos antes de se recorrer à arbitragem e após exaurimento das negociações diretas entre as partes. Até o ano de 2013.000 (cem mil) habitantes (BRASIL. o Brasil possui apenas 1. seria necessário que ela mantivesse seu índice de produtividade e que não se permite o ingresso de novas reclamações trabalhistas por um ano inteiro. Dito de outro modo. a Justiça Laboral não conseguiu julgar a quantidade dos processos que ingressam no sistema. p. a mediação e a arbitragem ganham realce como interessantes opções para resolver o impasse jurisdicional. 152)(1). 50 na Justiça do Trabalho ao longo dos anos que hoje totaliza 3. dos 3.433 (três milhões. ou seja. 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal) impede o aumento da despesa com recursos humanos. p.000 (cem mil) habitantes. duzentos e noventa e cinco) ações ingressadas em 2012 não foram julgadas no mesmo período. na Justiça do Trabalho. p.446 (um mil.. na Justiça do Trabalho.218. 2013. não superam 04 (quatro) anos. A par deste grande numerário. De acordo com o levantamento do CNJ (BRASIL. New Brunswick e Saskatchewan. um levantamento feito em um determinado período mostrou que LTr . 88). é necessário o desenvolvimento de meios alternativos de resolução de controvérsias trabalhistas.Jornal do Congresso . oitocentos e cinquenta e nove mil e seiscentos e vinte e um) de casos novos. 2013. b. os julgamentos. da Lei Complementar n.

aduz-se que o caráter alimentício das verbas trabalhistas. Por quê? As partes podem transacionar direitos trabalhistas não abarcados pela indisponibilidade absoluta(3). XI. p. a um custo médio de US$ 245. 3. 2009) ainda é majoritariamente resistente à utilização da arbitragem como método de resolução de controvérsias para dissídios individuais. mostra que é conveniente (e constitucional) a utilização da arbitragem extrajudicial para redução dos processos trabalhistas. BRASIL. estima-se que os acordos daí resultantes foram alcançados em um prazo de até 03 (três) semanas. 83. 203) pode ser enfoque de arbitragem. 9. RR . portanto. após o término do contrato. 4. Organizações de âmbito nacional ou provincial têm sido ativas em programas de treinamento e encorajamento do uso desses mecanismos. uma vez que o interesse do trabalhador em conseguir o emprego vicia sua vontade e. O Governo canadense também tem encampado ADR. a juLTr . por conseguinte. o que significa US$ 1. Tribunal Superior do Trabalho (TST). Relator Ministro: Alberto Luiz Bresciani de Fontan (3) A título ilustrativo. risprudência laboral pátria (BRASIL. 2009. 2011). A justiça do trabalho brasileira e a arbitragem Em que pese o art. embora com mais comedimento que a iniciativa privada. 2010.550. Além disso.00 (um mil.0022.159900-98. Conclusão A experiência canadense. Süssekind (2000. Muitas iniciativas no campo de ADR têm sido adotadas no Canadá. Referências bibliográficas BRASIL.67. no Canadá. e que verse sobre direitos trabalhistas não abarcados pela indisponibilidade absoluta. impedem o uso irrestrito do instituto para dirimir tais controvérsias. isto é. da Lei Complementar n. Elliot (1994 apud BRITO. ao lado da indisponibilidade dos direitos em discussão e da hipossuficiência do trabalhador.5.2005. por força do art. p. os mesmos motivos que permitem o instituto da conciliação judicial na Justiça Laboral também devem admitir o uso da arbitragem para dirimir controvérsias. Como resultado disso. 1º da Lei n. 75/93 estatuir que o Ministério Público do Trabalho pode atuar como árbitro nos dissídios de competência da Justiça do Trabalho. 06 (seis) meses mais rápido do que o tempo médio de uma arbitragem convencional.307/96. mediação e arbitragem. 51 . o direito que “não caracterize um padrão civilizatório mínimo” (DELGADO. desde que seja por livre opção das partes. Dito de outro modo. 2009. ou seja. E mesmo quando a mediação não soluciona o conflito. não possui validade. não pode ser alvo de sentença arbitral. Em verdade.00 (duzentos e quarenta e cinco dólares) para cada parte. é nulo o compromisso arbitral realizado no momento do pacto laboral (convenção contratual). p. A mesma pesquisa também constatou que 97% (noventa e sete por cento) dos entrevistados achavam que os advogados tinham obrigação de informar os clientes a respeito dessas formas alternativas de resolver disputas. 08 (oito) em cada 10 (dez) conflitos trabalhistas submetidos à mediação são resolvidos. Importa dizer que a arbitragem só terá validade ela advier de vontade livre e posterior ao término do contrato de trabalho (BRASIL. ela contribui para isso mediante a identificação precisa das questões debatidas e por meio da geração de ideias. o percentual de sucesso da mediação trabalhista é de cerca de 80% (oitenta por cento). ou seja. 13) assevera que tamanha é a conscientização da sociedade canadense sobre Alternative Dispute Resolution (ADR) que uma pesquisa encomendada pela Law Society of Upper Canada. em 1992. havia 39 (trinta e nove) leis federais fazendo referência à resolução de disputas por meio de negociação.02.7% (sessenta e sete vírgula sete por cento) das disputas submetidas à mediação foram resolvidas com a ajuda desses profissionais. Em 1994. apontou que 85% (oitenta e cinco por cento) da opinião pública na Província de Ontário apoiava a utilização de métodos alternativos de solução de conflitos. aliada aos dados levantados pelo CNJ. 215) assevera que a estabilidade não é suscetível de transação e. quinhentos e cinquenta dólares) a menos do que a despesa de uma arbitragem tradicional.Jornal do Congresso Ocorre que a praxe forense nos mostra que esses argumentos não inviabilizam a conciliação judicial. Para tanto.

2012.02.2005.pdf>.2011.2005.jus. Data de Julgamento: 18.do?act ion=printInteiroTeor&format=html&hig hlight=true&numeroFormatado=RR%20 -%20159900-98. ed.2009. ed. Disponível em: <http://www. 19. 2010.jus.5. Data de Publicação: 27. Conselho Nacional de Justiça (CNJ).n].cnj. jus. Disponível em: <https://docs.9. 2013.11. Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Justiça em Números.tst. São Paulo: LTr. Departamento de Pesquisas Judiciárias.].pdf>. 2013.122940-23. Instituições de Direito do Trabalho. Disponível em: <http://aplicacao5. 4ª Turma.br/images/ Metas%20prioritarias%202013_11-092013. Mauricio Godinho.Pereira. DELGADO. Data de Julgamento: 15. Relator Ministro: Antônio José de Barros Levenhagen. Disponível em: <http://www.br/images/pesquisas-judiciarias/Publicacoes/relatorio_jn2013. br/consultaunificada2/inteiroTeor.02. Acesso em: 21 dez.cnj.n].12. 3ª Turma.n. 2013.0014&base=aco rdao&rowid=AAANGhAAFAAAxygA AD&dataPublicacao=27/11/2009&que ry=>.0014. Acesso em 21 dez. 2013. ed. Data de Publicação: 4. 1 v. Conselho Nacional de Justiça (CNJ).05. Acesso em: 21 dez. Disponível em: <http://aplicacao5. Justiça em Números. 2013. 2000. 2013. Acesso em: 21 dez. AIRR . 2013.144300-80.2004. LTr . Tribunal Superior do Trabalho (TST).n]. jus.2010.2009. . 52 . Tribunal Superior do Trabalho (TST). 1ª Turma.br/consultaunificada2/inteiroTeor. RR . 2010. .0040. 2013. Metas Nacionais do Poder Judiciário 2013. Data de Publicação: 2.tst. Brasília: [s. São Paulo: LTr.05.0022&base=a cordao&rowid=AAANGhAAFAAAuqUAA M&dataPublicacao=02/10/2009&query=>.br/ consultaunificada2/inteiroTeor.5. Disponível em: <http://aplicacao5.0040&ba se=acordao&rowid=AAAN GhAA+AAALsnAAD&dataPublicacao=04/02/2011&query=>. 8.tst. . Brasília: [s. Departamento de Pesquisas Judiciárias. .10.11. Mediação e Arbitragem de Conflitos Trabalhistas no Brasil e no Canadá.5. 2013. Curso de Direito do Trabalho. pdf>.br/images/programas/justica-em-numeros/2010/rel_justica_numeros_2010. Brasília: [s.do?action=printI nteiroTeor&format=html&highlight=tr ue&numeroFormatado=AIRR%20-%20 122940-23.jus. Arnaldo et al. . SÜSSEKIND.2009. ed. Brasília: [s. Justiça em Números.cnj. Departamento de Pesquisas Judiciárias. Acesso em: 21 dez. BRITO. 7. 9.Jornal do Congresso . Data de Julgamento: 16.2009. 9. ed.com/ uc?export=download&confirm=no_ antivirus&id=0BxR2dZ_NKZKSR1o0VE9rUDhVTU0>. Acesso em: 21 dez. Conselho Nacional de Justiça (CNJ).2.google. Disponível em <http://www. Relator Ministro: Luiz Philippe Vieira de Mello Filho. Acesso em: 21 dez.do?actio n=printInteiroTeor&format=html&high light=true&numeroFormatado=RR%20 -%20144300-80.02. Rildo Albuquerque Mousinho de. São Paulo: LTr.jus.5. 2011.2005.5.2004.

(6) (4) Atualmente. Marcelo Ivan. A conciliação tem origem tão remota quanto a própria humanidade e. v. Marcelo Ivan. 2003. Vale destacar que tanto prestígio é dedicado. por força das Ações Diretas de Inconstitucionalidade n.[coord. 179. Especializando em Direito Processual Civil pelo Instituto de Direito Romeu Felipe Bacellar. Estado e atividade econômica: o direito laboral em perspectiva. 2. 13.CONCILIAÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA: TÉCNICA E EXCELÊNCIA Leila Andressa Dissenha Doutora e Mestra em Direito pela PUCPR. professora dos Cursos de Especialização da UNIARP/SC. São Paulo: LTr. no Brasil. 2139 e 2160. Especializando em Direito do Trabalho e Processual do Trabalho pela PUCPR. ao lado da mediação e da arbitragem. São Paulo: LTr. In VILLATORE. hoje. 11. Altamiro J. Roland. linha de pesquisa “Atividade Empresarial e Constituição: Inclusão e Sustentabilidade” Pela UNICURITIBA — Centro Universitário Curitiba. LTr . HASSON. (6) Conforme MELEK. cujas funções abarcavam também a condução de tentativas de conciliação. HASSON. sendo reconhecida como facultativa(4) a passagem da futura demanda trabalhista por tais instituições para tentativa de acordo. Advogado. UnC Concórdia/SC e da EMATRA IX. (3) Conforme PACHECO. p. p. 53 . Bacharel em Direito pela PUCPR. à conciliação judicial. professora do Mestrado do PPGCOOP — Programa de Pós Graduação em Gestão de Cooperativas da PUCPR. rapidez na solução. dos. Iara Alves Cordeiro. p. que outrora representavam a esperança de desafogamento da Justiça do Trabalho. (2) Conforme MELEK. do Estado e Atividade Econômica: enfoque laboral” da PUCPR. dos. advogada. 371. Comissão de Conciliação Prévia: Conviviologia Jurídica e Harmonia Social.(1) A Justiça do Trabalho apresenta uma vocação histórica para a conciliação(2).]. Marco Antônio César. A conciliação é aclamada há anos como a melhor forma de solução de conflitos e as razões para tanto são notórias: maior aceitabilidade. apresentam-se praticamente em desuso. gerando total ineficácia e insegurança em relação aos trabalhos destas instituições. menor impacto emocional. neste momento. Altamiro J. ALMEIDA. HASSON. Curitiba: Juruá. professora dos Cursos de Graduação em Direito e Administração da PUCPR e da UNINTER. Roland. membro do Grupo de Pesquisa “Desregulamentação do Direito. custo social reduzido e aguçamento da sensação de efetiva Justiça na prestação jurisdicional. p. Os Direitos Trabalhistas e a Arbitragem. Fundamentos sociais e econômicos na homologação de transação extrajudicial no direito processual do trabalho: limites e possibilidades. pois tem sua origem como “Juntas de Conciliação e Arbitragem” e. pois a extrajudicial encontra-se em franco declínio: as Comissões de Conciliação Prévia. 2010. Tiago de Araújo Gonçalves Mestrando em Direito Empresarial e Cidadania. pesquisadora convidada da UNIFE — Università degli Studi di Ferrara (Itália/2011). 2001. está presente desde as Ordenações Portuguesas(3). 2001. desde a CLT de 1943 já previa a figura dos Vogais. tal passagem é considerada facultativa.Jornal do Congresso aposta para o aperfeiçoamento do acesso à Justiça e do próprio Poder Judiciário. Comissão de Conciliação Prévia: Conviviologia Jurídica e Harmonia Social. Roland. São Paulo: LTr. ela é a grande (1) Conforme SANTOS.(5) As razões para este declínio são claras e justificáveis: a falha metabólica legal que não obriga o comparecimento da parte requerida à tentativa de conciliação é uma delas e é agravada pela possibilidade de posterior questionamento judicial do acordo realizado no âmbito das Comissões. (5) Conforme SANTOS. Ronald Silka de.

29ª. Conciliar significa muito mais que reunir as partes para questioná-las acerca da possibilidade de acordo. VILLATORE. mas. por exemplo. p. 2013. o que. Curitiba: Juruá. os autores acima mencionados. 2. dos. São Paulo: LTr. 2001. fato é que.(7) A impossibilidade de homologação de acordos extrajudiciais pelo Magistrado Trabalhista. São Paulo: LTr. o Magistrado corre o risco de macular sua imparcialidade e ser acusado de pré-julgamento. pelo menos é assim que deveria ser. econômica e jurídica. p. a demora do processo.Assim. na conciliação não é possível ao conciliador propor soluções para o caso. a ascensão da conciliação nos dias atuais está no âmbito judicial. Comissão de Conciliação Prévia: Conviviologia Jurídica e Harmonia Social. (7) Conforme CARRION. 268.[coord. p. ou. 114 da CRFB/88 e da aplicação do princípio da proteção. por si próprias. ou seja. (8) Conforme LORENTZ. cheguem à melhor solução para seu conflito. p.. ALMEIDA.. Lutiana Nacur. como a análise comportamental da Psicologia. 471. Eis o principal motivo para que sua atuação como conciliador encontre obvias restrições. por exemplo) sob o argumento de que haverá uma demora de anos para que a prestação judicial chegue às suas mãos. CLT 70 anos de consolidação: uma reflexão social. um problema social e economicamente alarmante. Estado e atividade econômica: o direito laboral em perspectiva. São Paulo: Atlas. também gera consequências de alta relevância: não são poucos os casos desmantelados pela Justiça do Trabalho de conluio entre empresas e trabalhadores para validar acordos a partir de falsas reclamatórias trabalhistas. mas encontra restrições para ser mediador: ao formular a “proposta do juízo”. A conciliação é um procedimento eminentemente técnico. Marco Antônio César. p. na prática. O Magistrado trabalhista está autorizado constitucionalmente a atuar como conciliador. In CAVALCANTE. São Paulo: Saraiva. Métodos Extrajudiciais de Solução de Conflitos Trabalhistas. HASSON. A conciliação consiste na mera aproximação das partes para que elas. Jorge Souto Maior e Lutiana Nacur Lorentz(8).(9) Diferentemente da mediação. LTr . Uma perspectiva de atuação cada vez mais aprimorada dos Magistrados na conciliação de conflitos advém das disposições do Conselho Nacional de Justiça que vem auxiliando no aprimoramento da vocação natural dos Magistrados para a Conciliação. In VILLATORE. questionam os “maus acordos” judiciais: situações de flagrante renúncia unilateral de direitos sob o argumento do fator “tempo”. afirmam que se está diante de um “mau acordo” que não deveria ser homologado judicialmente.]. conforme se apreende da leitura do art. certamente. são apenas alguns dos múltiplos detalhes que compõem os estudos mais aprofundados acerca da atual Conciliação. distanciamento emocional.Jornal do Congresso . 179. 379. Quando um trabalhador abre mão parcialmente de um direito que sabe devido (valores de FGTS não depositados durante o vínculo. ed. No mesmo esteio encontram-se os argumentos sobre o despreparo de alguns Magistrados para conduzir a conciliação. ocorre com muito mais justificativa em razão das limitações judiciais quanto ao dever de imparcialidade. Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho. consideração do “iceberg” comportamental e utilização de ciências auxiliares. certamente. Jouberto de Quadros Pessoa. A Consolidação das leis do trabalho e as formas alternativas de solução de conflitos. ou a análise econômica de custos de transação da Economia. 2002. Tal limitação de atuação dos Magistrados pode advir de diversos fatores. v. (10) DISSENHA. Altamiro J. 2004. colaborará para o aperfeiçoamento do Poder Judiciário e da própria distribuição da Justiça.. Marco Antônio César. como já mencionado. 78 54 rismo por diversos profissionais da área jurídica: forma. incentivando seu constante aprimoramento e excelência na condução de procedimentos de conciliação. por melhor intenção que tenha havido quando da instituição das referidas Comissões. Valentin. sendo que esta é a prática forense mais comum atualmente. linguagem e ambiente de abordagem das partes (raport). Leila Andressa. mas vem sendo utilizado com bastante empiFundamentos sociais e econômicos na homologação de transação extrajudicial no direito processual do trabalho: limites e possibilidades. Roland . Ronald Silka de. onde ela ocorre sob o auspício do Estado e das garantias dos princípios processuais e materiais trabalhistas. elas não alcançaram o objetivo almejado de ser um filtro de demandas trabalhistas e acesso à Justiça para as partes. 2010. dentre ele o próprio desconhecimento da técnica.(10) (9) Conforme SANTOS. Todavia.

já elencadas. a obrigação legal do juiz de empenhar esforços na condução de uma solução conciliatória dos conflitos e a melhor utilização do tempo no Processo do Trabalho demonstrariam a existência de compatibilidade.conjur. cujas vantagens. não elide a necessidade de estimular a Justiça do Trabalho. aos Magistrados. Muitos profissionais do Direito foram forjados pelas Faculdades de Direito e pela prática forense tradicional a atuarem como verdadeiros “gladiadores” e não estão preparados para uma postura negocial. são inegáveis.com. Da mesma forma. Resolução de Conflitos: é preciso discutir o conciliador na Justiça Trabalhista. Consultor Jurídico. Como inexiste norma específica sobre o tema. do Código de Processo Civil ao Processo do Trabalho. o que abriria a possibilidade de contratação de LTr . Uma nova boa perspectiva para os defensores da conciliação judicial é a crescente defesa da tese de aplicabilidade subsidiária do art. a função primordial de todos. É mais um indício de que caminhamos para a excelência na aplicação das práticas de conciliação. o art. seus Magistrados e os profissionais da Advocacia a revisitarem seus conceitos de atuação e estarem disponíveis ao constante estudo de formas de alternativas solução de conflitos. (11) NEIVA. a boa perspectiva encontra-se na disseminação.Jornal do Congresso Conciliadores para auxílio dos Magistrados trabalhistas. de Disciplinas de Direito Negocial (Mediação/Conciliação/Arbitragem) nas Faculdades de Direito e em cursos ofertados por órgãos como a própria Ordem dos Advogados do Brasil. cada vez maior.Vale mencionar que as dificuldades no aprimoramento das práticas conciliativas não se restringem. Como explica Rogério Neiva(11). também. aos Advogados. de forma alguma. O autor explica que o prestígio da conciliação no texto consolidado. a defesa dos direitos de seu cliente. Rogério. especialmente pelo receio de comprometimento da parcialidade da Justiça Laboral. inclusive. podendo o juiz ser auxiliado por conciliador”. resta a discussão acerca da possibilidade de compatibilização. 55 . mas. ainda que venha a ser implementada sem maiores questionamentos. Tal auxílio no aperfeiçoamento das práticas de conciliação judicial não está isento de dúvidas e críticas. Tal artigo dispõe que “A conciliação será reduzida a termo e homologada por sentença. Disponível em: <http://www. Acesso em 28 de abril de 2014. preparando profissionais para esta forma de solução de conflitos tão salutar na defesa dos interesses de seus patrocinados. 277. § 1º. por excelência. 769 da CLT impõe a observância de dois critérios para aplicabilidade subsidiária de normas: omissão e compatibilidade. Com relação aos Advogados. eis que a pacificação é. br/2012-dez-03/rogerio-neiva-preciso-discutir-adocaoconciliador-justica-trabalhista>. tal medida. O posicionamento agressivo de um Advogado pode restringir significativamente as possibilidades de sucesso na tentativa de conciliação e comprometer.

como admitir que. um trabalhador demore tantos anos para receber. as normas são vistas como absolutamente indisponíveis. já era reconhecida pela sociedade. proposta a que. art. 74. na prática. LTr . juntamente com o Prof. quais os padrões e garantias mínimos a serem mantidos nesses canais alternativos de modo a evitar que eles proporcionem uma “justiça de segunda classe”. 1994. GARTH. ramo no qual. Revista de Processo n. ainda. abr/jun. mas a “necessidade de predispor cautelas eficazes contra o risco de que. p. como propõe Mauro Cappelletti(2). se imponha na realidade o poder da parte economicamente mais forte”. a tese da indisponibilidade absoluta de direitos não tem fundamento. a busca de tais vias alternativas deve ser cercada de cuidados(4) para que atinja sua finalidade e não sofra desvirtuamento: quais serão as instituições a promovê-las e mediante quais procedimentos. Os métodos alternativos de solução de conflitos no quadro de movimento universal do acesso à Justiça. como novos caminhos para tratar as demandas fora do sistema formal (conciliação. Ellen Gracie Northfleet. (1) Como adverte Antonio Rodrigues de Freitas Jr. Dentro da teoria de Cappelletti de acesso à Justiça. Advogado. Arbitragem nos dissídios individuais trabalhistas: Brasil e Itália Desde os tempos antigos a figura de um terceiro. 82-97. Liga-se ao movimento de acesso à Justiça em uma concepção “contextual” e tridimensional do direito. outrora denominado árbitro. Doutor em Direito do Trabalho pela USP. Formas alternativas de solução de conflitos no quadro do acesso à justiça Polêmica é a aceitação da arbitragem em dissídios individuais trabalhistas. Amauri Mascaro Nascimento considera a arbitragem uma forma quase sempre facultativa e voluntária de solução de conflitos por um terceiro investido de poder (3) CAPPELLETTI. Mauro. tradicionalmente. Mas se os direitos trabalhistas são indisponíveis e irrenunciáveis. Gabriel Henrique Santoro Professor do Curso de Estágio Profissional de Advocacia do Complexo Educacional FMU..A arbitragem e a duração razoável do processo trabalhista Túlio de Oliveira Massoni Professor da UNIFESP. judicialmente. 1998. ele menciona os “obstáculos processuais”. quais pessoas integrarão os referidos órgãos. 186). Bryan Garth. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor. (2)CAPPELLETTI.206-7. 56 em certas áreas ou espécies de litígios.Jornal do Congresso . (4) Como ressaltou o Ministro Sepúlveda Pertence. a segunda reflete a resposta ou solução jurídica (normas e instituições para atender àquela necessidade). sob o pálio da liberdade contratual. e uma terceira. os referidos créditos? Ou. por ostentarem natureza alimentar (CTN. mediação e arbitragem). Acesso à Justiça.. eis que “o mesmo direito que não pode ser renunciado na mediação não poderá sê-lo em jurisdição”. Bryant. 1. entendendo-os como o fato de que. 2009). o que preocupa não é a legitimidade constitucional da arbitragem instituída consensualmente. sendo o contrário também verdadeiro (“Conflitos de Justiça e limites da mediação para a difusão da cultura da paz”. denominou de “terceira onda” no movimento de acesso à Justiça. que avalia os impactos e resultados da resposta jurídica pensada. Para o autor. Trad.(3) Obviamente. 2. Mestrando em Direito do Trabalho pela PUC/SP. Daí o incentivo a formas extrajudiciais de composição de conflitos. a primeira dimensão reflete o problema. Mauro. Advogado. no voto proferido no AGRSE 5. o processo tradicional em juízo pode não ser o melhor caminho para a vindicação efetiva de direitos. uma exigência social. como aceitar que sejam celebrados acordos perante a Justiça em valores tão ínfimos?(1) A arbitragem poderia ser uma solução para o problema da morosidade judicial? Ou agravaria ainda mais a postura negligente ante os direitos trabalhistas? A arbitragem é método alternativo de solução de conflitos em crescente expansão em diversos ramos do direito. como controlar a independência e a imparcialidade destas pessoas.

a lei italiana optou por excluir do mecanismo arbitral. a Lei nº 10. que regula o trabalho nos portos.2008. por sua vez. 32. 475-N). TST — AIRR — 1475/2000-193-05-00. 3. 12.5. 57 .0005. necessariamente. 9.5. TST — RR — n. 1º da Lei n. 114. pois cessada a vulnerabilidade do trabalhador.10. que determina que as partes poderão recorrer à arbitragem quando frustrada a negociação coletiva. e a arbitragem alternativa. IV.106500-58. que compete ao Ministério Público do Trabalho atuar como árbitro.5. como meio de solução do litígio. o árbitro. expressa no acordo de vontades para escolha do árbitro ou árbitros que decidem o conflito. DEJT 7. Dora Maria da Costa. como um desdobramento do procedimento conciliatório frustrado (art. incentivou formas extrajudiciais de solução de conflitos.(10) Antes de abandonar a ideia de forma (8)TST — RR n. 183. (9)TST — RR n.12. Por fim. que trata da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas. caracterizando a arbitragem como procedimento de autocomposição. a Lei n. Algumas propostas para reflexão Não podemos negar as vantagens da arbitragem no atual cenário de morosidade judicial. inciso II. Há a arbitragem prevista pela lei. DEJT 9. por sua importância. tema que. apenas será válida se prevista no contrato coletivo e. se assim for solicitado pelas partes. Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira. 219. a preocupação com a duração razoável do processo não é uma exclusividade brasileira. Vol. p. Da mesma forma.307/96.(8) Entretanto. João Batista Brito Pereira.2012. as partes poderão utilizar-se da arbitragem de ofertas finais.9. 37 da Lei n. Amauri Mascaro. 9. A figura da arbitragem está prevista em diversos dispositivos legais do ordenamento jurídico brasileiro. 7ª Turma — Rel. 31. 12.2008. de 4 de novembro de 2010. não fazendo qualquer menção se em dissídios coletivos ou individuais.(6) Para alguns. 409 a 412 do Código de Processo Civil italiano. em especial a conciliação (art. A posição do TST. 2005. figura como título executivo judicial (CPC. corrupção passiva ou concussão (art.15. Mas ambas as correntes reconhecem que a decisão arbitral. § 10 da lei supracitada. Na Itália. há dois modos de recusar mudanças: uma é simplesmente dizer não às reformas. Barros Levenhagen. autorizando a arbitragem em dissídios individuais. que prevê o uso da arbitragem apenas em relação aos bens patrimo(5)NASCIMENTO.2011.02. 3ª Turma. LTr . Outros ressaltam a natureza voluntária do instituto. II e VI. 83. Pedro Paulo Manus. em especial quando já extinta a relação empregatícia. TST — AIRR: 58500-26.101/00.307/96). da Lei n. publicação: DJ — 17. Min. 4. 295. Quanto ao objeto. bem ainda quando inexistirem vícios de consentimento(9). uma vez prolatada. a arbitragem possui natureza heterocompositiva. que o autoriza a adotar uma solução e impô-la às partes. Rel.8. sendo nula a sentença arbitral proferida fora dos limites fixados (art. DEJT de 19.decisório pelas partes conflitantes.2009. após o período de experiência (periodo di prova). IX. 1993.815/2013. A celebração da cláusula compromissória no curso do contrato de trabalho. 30) e a arbitragem em matéria justrabalhista (art. São Paulo: LTr. recusa a arbitragem em dissídios individuais. DEJT 19/06/2009. que no caso da negociação resultar em impasse. modificando os arts. 3.(5) Octávio Bueno Magano.815/2013). Min. há precedentes da mais alta Corte trabalhista sinalizando uma mudança de perspectiva sobre o tema.2007.15. nos dissídios de competência da Justiça do Trabalho. Destaca-se também a Lei Complementar nº 75/93. (10) Como lembra Mauro Cappelletti. quando houver a participação do sindicato profissional na escolha deste procedimento e as partes estiverem assistidas por advogados. conforme art. O referido autor destaca como elementos nucleares da sua definição o caráter privado do juízo arbitral e a natureza voluntária do instituto. da Lei n. haja vista a posição suprapartes do árbitro. tem-se o art. inclusive no campo trabalhista(7). 31.0091. 31). 9. o objeto da arbitragem pode ser delimitado pelas partes. São Paulo: LTr. edição. 32. prevê em seu art. a qual estabelece em seu art. traz previsão expressa da aplicação da arbitragem para dirimir os conflitos decorrentes da relação entre o trabalhador portuário e o órgão gestor de mão de obra (art. Min. Min. o outro — talvez menos ostensivo — é exigir a perfeição (o enfoque do tudo-ou-nada). Com efeito. prevista em contrato coletivo de trabalho (art. p. Rel. não estão sujeitas à arbitragem as controvérsias relativas à cessação do contrato de trabalho. §§ 1º a 5º).2011. §§ 6º a 11). da CF. entendendo ser relativa a indisponibilidade dos direitos patrimoniais. Min. ao lado da jurisdição. (6)MAGANO.307/96). ainda majoritária. 217400-10. art. 8ª Turma. No que tange à amplitude. define arbitragem como a decisão de um conflito levada a efeito por pessoa ou pessoas escolhidas pelas partes nele envolvidas. Compêndio de Direito Sindical.0069. 4º. (7) A Lei n. bem como aquela proferida por árbitro incompetente ou nos casos de prevaricação. 1799/2004-024-05-00 — 4ª Turma — Rel. Octávio Bueno.Jornal do Congresso niais e disponíveis. § 1º. 31. 5ª Turma — Rel. Manual de direito do trabalho: direito coletivo do trabalho. com base no art.

AgRg.2001).peremptória. a discussão judicial de nulidades procedimentais. c) estipulação da cláusula arbitral apenas após o rompimento da relação de emprego. entretanto. d) composição paritária do órgão arbitral. renuncia-se o direito de acesso ao Poder Judiciário quanto às questões materiais postas à análise arbitral. e) custeio dos gastos pelas entidades sindicais. A polêmica inicia-se por parcela minoritária da doutrina e jurisprudência defenderem suposta afronta ao princípio da inafastabilidade da jurisdição(1). 58 uma vez eleito. Observa-se que o direito de ação não é um dever. rel. g) criação de regras procedimentais claras e zelosas do contraditório e da ampla defesa. eis que a arbitragem é meio facultativo de solução de conflitos.307/96) NA RESOLUÇÃO DE CONFLITOS INDIVIDUAIS TRABALHISTAS Manoella Rossi Keunecke Graduada em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina. Em suma.307/96 e os princípios constitucionais do acesso à justiça. pela via da negociação coletiva de trabalho. A solução é apresentada através de laudo arbitral.206-Espanha. 5º da Constituição Federal. contra sua vontade. as partes previamente elegem árbitro imparcial para solucionar o conflito de forma definitiva. Especialista em Direito Constitucional pela UNIDERP. ora propostos: a) previsão em contratos coletivos de trabalho. Parece. f) exclusão. 9. A APLICABILIDADE DA LEI DE ARBITRAGEM (LEI N.Jornal do Congresso . se necessário. Não há renúncia de direitos materiais trabalhistas. que devem prestar assistência jurídica aos membros da categoria. (1) Inciso XXXV do art. 12. conciliação e a jurisdição. 114). corrigindo os desvios de percurso que surgirem. Min. Sobre a perspectiva coletiva. e) participação do MPT. Especialista em Direito Material e Processual do Trabalho pela UNIDERP. uma falsa problemática. a utilizar o procedimento arbitral. eis que a LC n. não sendo permitido obrigar-se alguém. evitando vícios de consentimento.12. talvez seja possível a introdução da arbitragem para conflitos individuais. Mas a introdução do mecanismo arbitral deverá se cercar de cuidados mínimos. cuja exequibilidade em Juízo é permitida pelo inciso IV do art. 475-N do CPC. dado que não há. 83. uma proteção efetiva à dispensa imotivada. há autorização constitucional para que o conflito possa ser dirimido por arbitragem (§ 1º do art. de outros temas que se considerem infensos à via arbitral. 9. Sepúlveda Pertence. Ao lado da mediação. No entanto. na verdade. b) as partes estarem acompanhadas de advogados. IX) não diferencia os dissídios em que o referido órgão pode atuar como árbitro (se individuais ou coletivos). mas de método de resolução de conflitos. sendo ainda possível. observando-se os resultados empíricos.307/96. Em LTr . no sentido de que todo e qualquer litígio deve ser submetido ao Poder Judiciário. Sobre a inexistência de conflito entre a aplicabilidade da Lei n. 9. 75/93 (art. inafastabilidade da jurisdição e do juiz natural já se manifestou o Supremo Tribunal Federal (SE 5. do objeto da via arbitral. de certos direitos (como os direitos de personalidade) ou delimitação. a arbitragem é um meio de solução de conflitos — instituído e regulado pela Lei n. e. no Brasil.

há regras que permitem o uso da arbitragem para conflitos trabalhistas desportivos (Lei n. Os disponíveis são aqueles sobre os quais as partes podem transigir e dispor. à incidência das normas de proteção à saúde e segurança do trabalhador. mormente. isto é. da CLT).2011.2011.” O próprio Maurício Godinho Delgado conclui que “Somente será passível de transação lícita parcela juridicamente não imantada pela indisponibilidade absoluta [. AIRR — 25970012.6. RR — 10290048.2012. 6ª Turma. data de julgamento 17. todo o direito que puder ser objeto de transação pode ser examinado e julgado por meio do juízo arbitral.11. na limitação feita pelo próprio art. Conclui-se.2011. 1º da aludida Lei quanto à natureza do direito posto ao árbitro: “As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis”..6.0012 Data de Julgamento: 29.04. 151) igualmente corrobora a possibilidade de transacionar-se direitos trabalhistas. 216).12. 444. Isso porque também há dissenso sobre a natureza indisponível dos direitos trabalhistas.2012. 9. Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado. Horácio Raymundo de Senna. p. p. 415/2005. o que. em princí(2) TST. e que determinam a obrigatoriedade de arbitragem de ofertas finais pelos destinatários da Lei dos Portos (Lei n.615/98) e pelo Ministério Público do Trabalho (LC n. 9.].2009. a parcela de direitos trabalhistas de disponibilidade relativa pode ser livremente transacionada pelas partes contratuais. desde que não haja prejuízo ao 59 . não há regra que proíba a utilização da arbitragem nos conflitos individuais trabalhistas.6.10.2012. 3ª Turma. Ao inverso.10. Pode-se citar grandes juristas como Carlos Henrique Bezerra Leite.039.2012.2008.307/1996 vaticina que a arbitragem só pode resolver conflitos em envolvendo direitos patrimoniais disponíveis. são aqueles direitos que podem ser alterados durante a vigência da relação de trabalho desde que não importem em prejuízo.5. 9. a faculdade da disponibilidade de direitos por ato voluntário e isolado do empregado. Data de Publicação: DEJT 9. 6ª Turma. p. Data de Publicação: DEJT 16.]” (2014. 214 e 215) os divide em: direitos de indisponibilidade absoluta e relativa. Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado. Segundo Nélson Nery Júnior (2003. 1.430). portanto.18.40.2012. p. 3ª Turma. p. (BEZERRA LEITE. Francisco Ferreira Jorge Neto e Jouberto de Quadros Pessoa Cavalcante. RR — 9050078. AIRR. Assim. 158) A questão que revolve o princípio da indisponibilidade dos direitos trabalhistas é questão de direito substancial e sobre estes o Ministro e jurista Maurício Godinho Delgado (2014. 8).0654 Data de Julgamento: 7. Já os direitos de indisponibilidade relativa — sobre os quais poderia haver transação — são os que traduzem interesse individual ou bilateral simples.12.0052 Data de Julgamento: 20. e 468.2007.09. ao salário mínimo. (JORGE NETO E CAVALCANTE. que não caracterizam um padrão civilizatório mínimo. A primeira espécie de direitos trabalhistas constituem um patamar civilizatório mínimo. Relator Min. inviabiliza a sua aplicação como método de solução dos conflitos individuais trabalhistas. “Em suma.5.2009. 2012. que os direitos transacionáveis são os de indisponibilidade relativa.” (SCHIAVI.10. como o direito à anotação da CTPS.02. cujas palavras transcreve-se. 12. Não se pode perceber como sinônimos a imperatividade das normas trabalhistas e a indisponibilidade indiscriminada destas. em linha de princípio. data de publicação 26. “O fato de existirem normas de ordem pública no Direito do Trabalho (art.815/2013).âmbito infraconstitucional.0031 Data de Julgamento: 29. Américo Plá Rodriguez (2000. Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado.307/96.5.05. 75/93).6. Pertencendo ao Direito Privado. Data de Publicação: DEJT 29. 1º da Lei n. respectivamente: O art.5. 2007. o Direito do Trabalho não se coaduna com a Lei n. 116) Parece não restar dúvidas de que se está — quando se analisa o Direito do Trabalho — diante de um direito que não comporta. Data de Publicação: DEJT 31. Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo Bastos. Parcela expressiva da doutrina e jurisprudência(2) dos Tribunais Regionais do Trabalho percebe os direitos trabalhistas como dotados de ampla indisponibilidade. p. não admitindo a arbitragem como mecanismo de solução dos conflitos individuais de trabalho..2012.9. LTr . 9º. 2ª Turma.2009. merecendo tutela de nível de interesse público. não significa dizer que os Direitos Trabalhistas são indisponíveis. A segunda problemática sobre a admissibilidade da utilização deste método heterocompositivo perante litígios trabalhistas recai. AIRR — 26971.Jornal do Congresso pio. p.

empregado, parte hipossuficiente na vigência de
relação de trabalho. A própria CLT prevê, no art.
625-D, a passagem — já tendo sido declarada
pelo STF sua facultatividade(3) — pela Comissão
de Conciliação Prévia, em que há transação de
direitos e cuja exequibilidade judicial(4) é amplamente aceita pelo TST(5), possuindo, inclusive,
eficácia liberatória geral quanto a todo o período
contratual.
A distinção entre a Comissão e a arbitragem é que nesta a decisão sobre o direito posto
é direcionada a um terceiro eleito, em comum
acordo, pelas partes, e não por elas transacionada. Entretanto, as semelhanças — aspecto de
maior relevância — entre estas formas de resolução de conflitos é que não se trata de renúncia
de direitos materiais e a submissão a ambas é facultativa, de livre eleição das partes.
Se a legislação permite e a jurisprudência
chancela a validade da conciliação, não só via
CCP, mas principalmente durante o trâmite processual em Juízo (art. 846 e 850 da CLT), a doutrina não deve rechaçar, de imediato, a aplicabilidade da arbitragem nos conflitos trabalhistas
individuais. A questão é mais complexa e sua
análise deve ser cindida em aspectos que tomem
em consideração o tempo da obrigação de submissão à arbitragem e as condições qualificativas
dos sujeitos compromissados.
A subordinação e hipossuficiência do empregado é grande empecilho para que se considere válida cláusula compromissória — pactuada anteriormente ao conflito — ou compromisso
arbitral — eleição posterior ao dissenso — de
forma indiscriminada. De fato e de regra, presume-se a mácula na livre manifestação de vontade
do empregado que elege o Juízo Arbitral no momento da pactuação do contrato de trabalho até
(3) ADIs n. 2139 e 2160.
(4) Parágrafo único do art. 625-E da CLT.
(5) AIRR — 180900-76.2008.5.02.0014 Data de Julgamento:
15/02/2012, Relator Ministro: Ives Gandra Martins Filho, 7ª
Turma, Data de Publicação: DEJT 2.3.2012; RR — 11280042.2007.5.01.0011 Data de Julgamento: 16.5.2012, Relator
Ministro: Ives Gandra Martins Filho, 7ª Turma, Data de
Publicação: DEJT 18.5.2012; RR — 690-72.2010.5.04.0024
Data de Julgamento: 7.8.2012, Relator Ministro: Ives
Gandra Martins Filho, 7ª Turma, Data de Publicação:
DEJT 10.8.2012; ARR — 325000-82.2003.5.02.0020 Data
de Julgamento: 22.8.2012, Relator Ministro: Ives Gandra
Martins Filho, 7ª Turma, Data de Publicação: DEJT
24.8.2012.

60

o termo final deste, com a rescisão contratual.
Durante este lapso temporal, há posição de desvantagem e nítida dependência do empregado
em relação ao empregador.
A situação é diversa quando a eleição ocorre mediante compromisso arbitral tomado após
o fim do contrato de trabalho, ocasião em que
não há vulnerabilidade, dependência ou subordinação que singularizam a típica relação empregatícia. O clima é de ampla liberdade e, por
isso, não se poderia presumir vício de vontade
na escolha de submissão de conflito à arbitragem. Neste sentido, há especial jurisprudência
do Tribunal Superior do Trabalho:
Dissídio individual — Sentença arbitral —
Validade — Efeitos — Extinção do processo sem
resolução do mérito — Art. 267, VII, do CPC. I —
O art. 1º da Lei n. 9.307/96, ao estabelecer ser a
arbitragem meio adequado para dirimir litígios
relativos a direitos patrimoniais disponíveis, não
se constitui em óbice absoluto à sua aplicação
nos dissídios individuais decorrentes da relação
de emprego. II — Isso porque o princípio da irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas deve
ser examinado a partir de momentos temporais
distintos, relacionados, respectivamente, com o
ato da admissão do empregado, com a vigência
da pactuação e a sua posterior dissolução. III —
Nesse sentido, sobressai o relevo institucional
do ato de contratação do empregado e da vigência do contrato de trabalho, em função do qual
impõe-se realçar a indisponibilidade dos direitos
trabalhistas, visto que, numa e noutra situação,
é nítida a posição de inferioridade econômica do
empregado, circunstância que dilucida a evidência de seu eventual consentimento achar-se intrinsecamente maculado por essa difusa e incontornável superioridade de quem está em vias de
o contratar ou já o tenha contratado. IV — Isso
porque o contrato de emprego identifica-se com
os contratos de adesão, atraindo a nulidade das
chamadas cláusulas leoninas, a teor do 424 do
Código Civil de 2002, com as quais guarda íntima correlação eventual cláusula compromissória
de eleição da via arbitral, para solução de possíveis conflitos trabalhistas, no ato da admissão do
trabalhador ou na constância do pacto, a qual
por isso mesmo se afigura jurídica e legalmente
inválida. V — Diferentemente dessas situações
contemporâneas à contratação do empregado e
à vigência da pactuação, cabe destacar que, após
LTr - Jornal do Congresso

a dissolução do contrato de trabalho, acha-se
minimizada a sua vulnerabilidade oriunda da
sua hipossuficiência econômico-financeira, na
medida em que se esgarçam significativamente
os laços de dependência e subordinação do trabalhador face àquele que o pretenda admitir ou
que já o tenha admitido, cujos direitos trabalhistas, por conta da sua patrimonialidade, passam
a ostentar relativa disponibilidade. VI — Desse
modo, não se depara, previamente, com nenhum
óbice intransponível para que ex-empregado e
ex-empregador possam eleger a via arbitral para
solucionar conflitos trabalhistas, provenientes
do extinto contrato de trabalho, desde que essa
opção seja manifestada em clima de ampla liberdade, reservado o acesso ao Judiciário para dirimir possível controvérsia sobre a higidez da manifestação volitiva do ex-trabalhador, na esteira
do art. 5º, inciso XXXV da Constituição. VII —
Tendo em conta que no acórdão impugnado não
há nenhum registro sobre eventual vício de consentimento do recorrido, ao eleger, após a extinção do contrato de trabalho, a arbitragem como
meio de composição de conflito trabalhista, uma
vez que a tese ali sufragada ficara circunscrita à
inadmissibilidade da solução arbitral em sede de
dissídio individual, não se sustenta a conclusão
ali exarada sobre a nulidade do acordo firmado
pelas partes perante o Tribunal Arbitral. Recurso
conhecido e provido.(6)
Neste sentido, seguem as doutrinas de
Mauro Schiavi (2014, p. 64), Luiz Carlos Amorim Robortella (1997, p. 147) e Jorge Luiz Souto Maior (2000, p. 147), que também percebem
oportunidade de considerar-se válido compromisso arbitral eleito por empregados de alta qualificação, alto escalão, graduados e executivos,
cuja dependência é demasiadamente rarefeita.
Há precedente jurisprudencial que distinga empregados pela sua qualificação a fim de apurar
o grau de subordinação e hipossuficiência para,
finalmente, entender pela validade da eleição
do Juízo Arbitral (TRT — 15ª R. — Proc. 10482004-032-15-00-0-RO — Ac. 9503/06 — 11ª C
— Rel. Flávio Nunes Campos — DOESP 3.3.06).

brio de eventual hipossuficiência pode ser também sanado pela presença do órgão sindical ou
Ministério Público do Trabalho no momento da
assunção do compromisso arbitral, assim como
acontece com as rescisões de contratos de trabalho de duração superior a 1 ano (§ 1º do art. 477
da CLT). Muitas das Convenções Coletivas já
preveem a faculdade da arbitragem às categorias
e o assessoramento sindical.
A questão da aplicação da arbitragem nos
conflitos individuais trabalhistas — como visto,
aqui defendida em específicas hipóteses —, possui caráter de exceção e, portanto, deve aguardar estabelecimento de parâmetros doutrinários
e jurisprudenciais mais bem delimitados. O que
não se pode é rechaçar-se em absoluto a possibilidade de sua aplicação sem uma análise pormenorizada dos institutos apenas debatidos. As
vantagens de sua utilização são inúmeras e as
condições de aplicabilidade pouco estudadas ou
aprofundadas.
Referências
BEZZERA LEITE, Carlos Henrique. Curso de
direito processual do trabalho. 10ª ed. São
Paulo: LTr, 2012.
CAVALCANTE, Jouberto de Quadros Pessoa;
JORGE NETO, Francisco Ferreira. Direito
Processual do Trabalho. Tomo I. 3ª ed. Rio
de Janeiro: Lúmen Júris Editora, 2007.
DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito
do trabalho. 13ª ed. São Paulo: LTr, 2014.
NERY JÚNIOR, Nélson. Comentários ao Código
de Processo Civil. 7ª ed. São Paulo: RT, 2003.
PLÁ RODRIGUEZ, Américo. Princípios de Direito do Trabalho, 3ª ed São Paulo: LTr,
2000.
ROBORTELLA, Luiz Carlos Amorim. Solução
extrajudicial dos conflitos do trabalho. In:
Revista Trabalho & Doutrina n. 14. São
Paulo: Saraiva, 1997.

O grau de certeza da validade da escolha,
higidez da vontade do empregado e do equilí-

SCHIAVI, Mauro. Aspectos polêmicos e atuais
da arbitragem como meio de solução dos
conflitos trabalhistas. Disponível em: <lacier.com.br>. Acessado em: 1º.5.2014.

(6) RR — 144300-80.2005.5.02.0040 Data de Julgamento:
15.12.2010, Relator Ministro: Antônio José de Barros
Levenhagen, 4ª Turma, Data de Publicação: DEJT 4.2.2011.

SOUTO MAIOR, Jorge Luiz. Temas de Direito Processual do Trabalho. São Paulo: LTr, 2000.

LTr - Jornal do Congresso

61

Breves Considerações sobre a Convenção de Arbitragem
Flávia Teles Ceccon
Mestre em Direito — PUC-PR; Especialista em Direito
Processual Civil — PUC-PR; Especialista em Direito Público
— UniBrasil; Especialista em Administração Pública —
UniCesumar; Advogada, Professora Universitária.

Com o intuito de assegurar e facilitar o
acesso à Justiça a todos os brasileiros foram
concebidos meios alternativos de solução de
conflitos, os quais são uma opção àqueles que
não desejam procurar o Poder Judiciário para
resolver questões que importunem a vida em
sociedade. Tal escolha pode decorrer por conta da necessidade de soluções mais rápidas ou
também pela grande especialização de determinadas matérias. Nestes casos, se a questão for
enviada à apreciação do Judiciário precisará de
laudos periciais e infelizmente tal meio de prova pode ser bastante oneroso em determinadas
situações específicas.
Os meios alternativos englobam a conciliação e o arbitramento. Contudo, existem certos
casos que não podem ser analisados de tal forma
precisando ser julgados pelo Poder Judiciário.
Trata-se de pretensões que “[...] necessariamente são sujeitas a exame judicial para que possam
ser satisfeitas [...] se referem a direitos e interesses regidos por normas de extrema indisponibilidade [...].”(1)Respeitando-se tais exceções os
meios alternativos podem ser úteis na solução
de muitas questões empresariais, especialmente
nas que envolvem litígios trabalhistas de ordem
meramente patrimonial.
Seguindo o exemplo de vários países do
mundo, o Brasil editou a Lei n. 9.307 em 23 de
setembro de 1996 para regulamentar a arbitragem. Tal assunto também é tratado no ordenamento jurídico pátrio nos arts. 851 a 853 do Código Civil de 2002 e pelo Decreto n. 4.311/2002
e Decreto Legislativo n. 52/2002. O ilustre doutrinador André Luiz Santa Cruz Ramos explica
didaticamente que “a arbitragem não se confun(1) CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada
Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do
Processo. 17. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores,
2001. p. 31.

62

de com a mediação nem com a conciliação. Na
arbitragem, o árbitro julga o litígio a ele submetido e impõe às partes uma solução definitiva, tal
como ocorre no processo jurisdicional. Na mediação, [...], o mediador apenas se limita a tentar aproximar as partes, criando condições para
que elas cheguem sozinhas a um consenso sobre
o litígio submetido ao mediador. [...]. Por fim,
a arbitragem também não deve ser confundida
com a conciliação, já que nesta o conciliador vai
além do que faz o mediador, influindo no ânimo
das partes, apontando vantagens de um determinado acordo, [...].”(2)Aspecto importante na arbitragem é que a sentença proferida pelo árbitro
não é sujeita a recurso ou homologação pelo Poder Judiciário, conforme dicção do art. 18 da Lei
n. 9.307 de 1996. A conveniência ou não de tal
ponto deve ser analisada pelas partes envolvidas
em virtude da sua irreversibilidade.
Nas relações trabalhistas há o conflito de
duas partes: daqueles que entregam sua força de
trabalho e dos que dela precisam para desenvolver sua atividade empresarial. O equilíbrio só é
alcançado quando ambas se conscientizam da
necessidade da cooperação mútua. Na resolução de possíveis litígios não pode ser diferente.
A arbitragem extrajudicial só será interessante
para reduzir os processos trabalhistas se as partes envolvidas se conscientizarem de que terão
que fazer concessões para o bem de todos. Caso
uma delas queira insistir na lide e a não ceder
em nenhum aspecto parece ser mais conveniente
a procura pelo Poder Judiciário, pois lá a parte
terá espaço para interpor recursos e discutir a
questão por mais tempo caso se sinta injustiçada
ou prejudicada por eventuais erros.
(2) RAMOS, André Luiz Santa Cruz. Direito Empresarial
Esquematizado. 3. ed. rev.atual. e ampl. Rio de Janeiro:
Forense; São Paulo: MÉTODO, 2013. p. 603.

LTr - Jornal do Congresso

Isto pode ser prejudicial àquele. Antonio Carlos de Araújo. que detenha menor conhecimento jurídico sobre os temas que ali serão debatidos tornando a figura do árbitro essencial para garantir a justiça da decisão. que não pode ser esquecido. Especialmente. que engloba a cláusula compromissória e o compromisso arbitral.307 de 1996: “As partes interessadas podem submeter a solução de seus litígios ao juízo arbitral mediante convenção de arbitragem. rev. 4º da Lei n. Portanto. recai sobre a seleção dos árbitros. MARINONI. rev. 2001. 9. p. São Paulo: MÉTODO. sem dúvida. 2000. 3. “a temática do acesso à justiça. ampl.” (4) O art. Novas Linhas do Processo Civil. p. o art. Porque.Jornal do Congresso devida orientação jurídica sobre eventuais consequências de sua escolha. André Luiz Santa Cruz. Assim. Eles devem ser imparciais para garantir a justiça das decisões. ed. e ampl. por exemplo. O compromisso arbitral foi trazido no art. GRINOVER. Direito Empresarial Esquematizado. 2000. 25. 603. relativamente a tal contrato. 31. podendo ser judicial ou extrajudicial.] a convenção através da qual as partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir. conforme a lição de Luiz Guilherme Marinoni. atual. Parece salutar que ao instituir a cláusula compromissória os participantes da relação contratual já façam a previsão de certos pontos como.” (5) Neste sentido. está intimamente ligada à noção de justiça social. parágrafo primeiro(3). Novas Linhas do Processo Civil. verifica-se a utilidade da arbitragem como um verdadeiro meio de dar celeridade à resolução de conflitos propiciando a concretização do acesso à justiça. Pois. agilizam o processo e não precisam convencionar o compromisso arbitral posteriormente. Ada Pellegrini. ed. 4. rev. Diante disto. Desta forma. § 1º Poderão as partes escolher. 9º da mesma lei: “[. 63 .” Então. rev. Escolhe-se tal caminho pela convenção de arbitragem. Rio de Janeiro: Forense. aquela é um acordo sobre uma lide que pode nunca vir a ocorrer e este opera sobre uma questão já existente. do empresário e de toda sociedade. RAMOS. desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. porque o art. Por isso. Luiz Guilherme. 1º da Lei anteriormente citada(4). a previsão das regras que serão aplicadas para dirimir as futuras questões..”(6) Principalmente.. Luiz Guilherme. ampl. 17. assim entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral.. parece prudente que não exista qualquer forma de interferência ou pressão que possa vir a interferir ou inviabilizar seu trabalho. São Paulo: Malheiros Editores. Em tais situações qualquer uma das partes pode submeter o caso diretamente à arbitragem não precisando fazer a notificação da outra para instaurá-la. livremente. Todavia. São Paulo: Malheiros Editores. Cândido Rangel. (6) MARINONI..307 de 1996 conceitua a cláusula compromissória como sendo “[. 2013. ed. Podem optar pela arbitragem as pessoas capazes de contratar. Desta maneira. quando o Estado tutela estes assuntos não ignora que os mesmos acarretam reflexos diretos em aspectos econômicos e sociais que podem ser nefastos à sociedade como um todo. p. em ambos os casos instaura-se a arbitragem que exclui a apreciação da matéria pelo Judiciário. 3º da Lei n. Bibliografia CINTRA. 2º. 1º diz: “As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis. não se pode afastar os processos trabalhistas de tal escopo.” LTr . São Paulo: Malheiros Editores. DINAMARCO.Outro ponto crucial. a critério das partes. da Lei em análise permite que as partes escolham com liberdade as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem. é importante que se divulgue amplamente tal informação às partes envolvidas nas relações trabalhistas para que ninguém siga tal opção sem a (3) Texto do artigo citado: “A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade. atual. as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem. 25. 4.] é a convenção através da qual as partes submetem um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoas. ao criar meios alternativos de solução de conflitos almejou facilitar e agilizar a concretização dos direitos fundamentais dos cidadãos. Teoria Geral do Processo. no Direito do Trabalho que envolve questões de sobrevivência do trabalhador. conforme o art. p.” Ressalta-se que tal cláusula deve ser convencionada por escrito. ed. 9.(5) O próprio art.

Jornal do Congresso . professora do Mestrado em Ciências Jurídicas e da Graduação em Direito do Centro Universitário de MaringáPR (CESUMAR). a liberdade de expressão do trabalhador é tolhida. através do art. que passaram a existir movimentos de trabalhadores em prol de seus direitos.45. com o surgimento de práticas pró-laboral e buscas efetivas pela melhoria das condições de trabalho. A extrema falta de autonomia existente no modelo sindical brasileiro perdurou até a Constituição Federal de 1988. infelizmente. Esta obrigação de unicidade sindical retira do trabalhador o direito de escolha de filiação. Os sindicatos nasceram nas sociedades capitalistas. estes. pois somente os dirigentes sindicais gozam de estabilidade. consequentemente será representado por tal órgão. Leonardo de Abreu Pitoni Advogado e Mestrando em Ciências Jurídicas pelo Unicesumar. somente autorizando um por município.5º Painel MECANISMOS PARA GARANTIR A LIBERDADE DE EXPRESSÃO NO MODELO SINDICAL BRASILEIRO Leda Maria Messias da Silva Pós-doutora em Direito do Trabalho. transformando os sindicatos em órgãos de colaboração. No Brasil apenas ao final do século XIX e início do século XX. (1) NASCIMENTO. o Governo retirou a autonomia sindical. no Rio de Janeiro. pois as determinações constitucionais exteriorizam o seu costume e comportamento intervencionista. cujo objeto de suas negociações possui efeito erga omnes sobre aquela classe trabalhadora. Após um período de crescimento e fortalecimento dos sindicatos. 2013. 8º. professora da Universidade Estadual de Maringá-PR (UEM). Maringá-PR. o modelo atual ainda sofre sequelas do longo período de segregação e intervenção do Estado. Doutora e Mestre em Direito das Relações Sociais. e as empresas terão que fazer o respectivo pagamento de cada funcionário de seu quadro funcional. sem que os mesmos precisem “demonstrar serviço” a favor da classe que representa. ex-professora da Universidade Cândido Mendes. Por outro lado. já que a contribuição sindical é obrigatória. nos anos 30. fruto. São Paulo: LTr. LTr . os sindicatos não conseguem protege-lo da demissão arbitrária. pois obrigatoriamente pertencerá ao único sindicato existente na base territorial. ou seja. da Sociedade Brasileira de Bioética. sabe-se que. dos aspectos jurídicos que determinaram o surgimento do Direito do Trabalho(1). ainda. 64 Isto porque a Constituição prevê a contribuição sindical obrigatória e limita a criação de sindicatos nas bases territoriais. iniciou-se uma fase de forte intervencionismo estatal. Esta situação gera certo comodismo ao sindicato existente. Iniciação ao Direito do Trabalho. Todavia. Pertenceu. como resposta à opressão sofrida pelas classes trabalhadoras. ademais. e mesmo que não se filie. o que acaba contribuindo para perpetuar o modelo sindical brasileiro atual. Subárea de Direito do Trabalho. por não ter estabilidade geral no emprego. p. pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa — Portugal. 38 ed. tornando livre a associação e proibindo a intervenção estatal. ao Comitê Permanente de Ética em Pesquisa do Cesumar-COPEC. pela Pontifícia Universidade Católica de São PauloPUC-SP. ex-membro da Diretoria — PR. Amauri Mascaro.

atualmente o Poder Judiciário possui dificuldades em proteger o trabalhador nos casos de dispensa arbitrária. 158 passasse a ter vigência no ordenamento jurídico brasileiro. a qual depende do mesmo para o sustento de ambos. Dessa forma. deixando-o mais uma vez desamparado diante das mazelas das relações trabalhistas. ainda não ocorreu. indispensável para a garantia da dignidade da pessoa humana e como tal. Sabe-se que a dispensa arbitrária é uma espécie de “dispensa sem justa causa injusta”. independe de regulamentação. como. até o momento não ocorreu. sendo que o art. destarte. pois. 158.100/96. e. acesso em 25. LTr . não permitindo.2014. em 1988. porquanto denunciada pelo Decreto n. 2. um dos mecanismos que se propõe para esta falta de atuação do trabalhador junto ao Sindicato de sua categoria. uma solução alternativa. sendo um duro golpe à dignidade do trabalhador. sem regulamentá-lo. Ainda. como já foi dito. Ocorre que o Legislador. É premente. foi um direito muito importante. ou seja. Infelizmente.br/jurispru dencia/1891778/recurso-de-revista-rr-43727635199851 25555-437276-3519985125555>. propõe-se. 443 do TST.O trabalhador individual não tem autonomia para exigir do sindicato. por exemplo. a liberdade de expressão neste sistema é completamente limitada. apoiou a greve dos empregados por melhores salários e condições no ambiente de trabalho. haja vista que o empregador pode promover sua demissão sem justificar os motivos. momentaneamente.4. 158 da Organização Mundial do Trabalho visa especificamente proteger o trabalhador contra a dispensa arbitrária. prevê proteção ao trabalhador que se insurge contra alguma opressão ou situação imposta pelo empregador. 2. depois de cessado o movimento. 4º da referida convenção determina que: “Não se dará término à relação de trabalho de um trabalhador a menos que exista para isso uma causa justificada relacionada com sua capacidade ou seu comportamento ou baseada nas necessidades de funcionamento da empresa. pelo que. que o Legislador regulamente a dispensa arbitrária que poderá trazer prejuízos irreparáveis ao trabalhador. nem liberdade para reclamar seus direitos. sem o risco de sofrer eventuais retaliações? A indagação sequer precisa de resposta. ou seja. que o empregador assim proceda em relação ao término do contrato de trabalho.100/1996. passa de 25 anos e a regulamentação do inciso I. poderíamos aplicar até a Súmula n. sendo que o Governo após muita pressão das grandes corporações denunciou o referido pacto internacional através do Decreto n. confirma este entendimento. 158 da OIT. ficou em vigência apenas por alguns meses no Brasil. seria a ratificação da Convenção n. neste trabalho. em via de consequência. A dispensa discriminatória já é considerada uma dispensa arbitrária e a Súmula n. No entanto.Jornal do Congresso modelo atual. Definitivamente. porque o empregado. garantir o trabalho e a renda do trabalhador e da sua família. Recurso a que se nega provimento” (2). o atual modelo sindical brasileiro. para o término do contrato de trabalho. nada mais justo e lógico que fazer valer um direito fundamental do trabalhador que é o de ter o seu trabalho preservado. a Convenção n. 443 por analogia. E. do art. mas que foi rapidamente extirpado pelo Estado.jusbrasil. conforme se vê em decisão do Tribunal Superior do Trabalho: “Não há suporte jurídico para concessão de reintegração no emprego por dispensa arbitrária. 7º. que um empregado reclame ou proteste abertamente por seus direitos. Portanto. A Convenção n. Diante dessa premência e da inatividade do Legislador. da CLT. essa Convenção da OIT. é um direito fundamental. com amparo na Convenção n. se posta inerte. ainda sofre com intervenção estatal. cessando sua validade no território brasileiro. quando o empregador sem qualquer razão objetiva. Assim. ou seja. sabe-se que seria difícil que a Convenção n. pois se trata 65 . há uma rescisão do contrato de trabalho. pois. Porém. estabelecimento ou serviço. por medo de ser demitido sumariamente. chefe de setor. além daquela que por omissão do legislador. desde que o texto deste artigo foi inserido na Constituição Federal. 158 da OIT. a regulamentação da dispensa arbitrária. conquistado pelo trabalhador brasileiro. Portanto. Esta condição é facilmente comprovada através de uma simples pergunta: é possível no (2) Disponível em: <http://tst. o demite sem justa causa.com. sem que se apresente qualquer razão de ordem econômico-financeira ou qualquer das figuras da justa causa.”.

restringindo-se mais ao setor público. não se pode deixar de admitir a existência do direito. somente terão a ganhar. por que não em outros casos. a resposta é que não. demitir aquele que exerce o seu direito. 158 da OIT. a ausência de regulamentação.. conforme já foi mencionado. 7º da Constituição Federal é dar voz ao trabalhador. não bastasse estar totalmente desvinculado do liame jurídico que une empregado e empregador por meio do contrato de trabalho. passa a ter vigência imediata. Concluindo. Já existem decisões que consideram que em determinadas situações estamos diante de um caso de dispensa arbitrária.029/95. 7º. do art. embora não regulamentado. 7º. 158 da OIT ou regulamentado o inciso I. ou seja. nessa hipótese. Ademais. mesmo que não tenha havido a ratificação da Convenção n.. não é motivo para a dispensa arbitrária e seria motivo de reintegrar o empregado. que.45. 7º. quando pensamos no modelo sindical atual e indagamos se existe liberdade de expressão no modelo sindical brasileiro. como o Princípio da Continuidade da Relação de Emprego. como. ou é muito pífia essa liberdade dos trabalhadores perante o seu sindicato de classe.. à vida. São Paulo: LTr. pois. mas porque. não pode ser motivo para manter por tanto tempo inerte a aplicabilidade de um direito fundamental. e a Lei dispense a contribuição sindical obrigatória para que o Sindicato sobreviva da contribuição associativa.14. este direito está de conformidade com os princípios gerais de Direito. face à eficácia do mandamento contido no inciso I. ao menos deveria ser ratificada a Convenção n.de abuso do poder potestativo do empregador. convergem para a reintegração do empregado. que por analogia. motivo que. podemos comparar ao direito de greve do servidor público. se poderá haver a reintegração nesses casos já citados. mas enquanto isso não ocorre. aplicar por analogia a citada Lei. nesse caso não poderá ser acusado de “usurpar a função do Legislador”.Jornal do Congresso . que determina a reintegração no emprego. a dispensa do reclamante se deu em razão de prática discriminatória decorrente de sua opção sexual.com. para casos de discriminação. portanto. p. o exposto. Iniciação ao Direito do Trabalho. não existe.br/jurispru dencia/18177644/agravo-de-instrumento-emrecurso-de-revista-airr-742405320025020019-742 40-5320025020019>. fique constatada uma arbitrariedade no momento de optar pela rescisão contratual do empregado. Assim. ou seja. do art. da Constituição Federal. para demonstrar que os elementos contidos no ordenamento jurídico brasileiro. a discriminação é apenas uma espécie de dispensa sem justa causa arbitrária e. certamente. por tratar-se de um direito fundamental.4.. É premente que o Judiciário faça o que o Legislador não fez e. certamente. no caso transcrito a seguir: “. sob pena de ferir direitos de personalidade do trabalhador. por tratar-se de um direito fundamental e. Na verdade. no caso o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana. Considerando. desde que. 2013. pois o salário trata de verbas alimentares). a Lei n. 9. o inciso I. No tocante à iniciativa privada. acesso em 25. o mecanismo para garantir a liberdade de expressão no modelo sindical brasileiro é aplicar de imediato o Instituto da Dispensa Arbitrária. Amauri Mascaro. por exemplo. Podemos diante da falta de regulamentação. por tratar-se de proteger um direito fundamental (o direito ao emprego e. face ao direito fundamental que está em jogo. no tocante à participação dos associados. revela-se violador dos direitos personalíssimos do ser humano.”(3). bem como com os princípios de Direito do Trabalho. que são aqueles que garantem a dignidade da pessoa humana.jusbrasil. pois para que isso ocorra a contento. do art. que precisa apoiar o seu sindicato de classe para que este se sinta forte. o Judiciário deverá conceder ao trabalhador a estabilidade geral no emprego. da CLT. LTr . Referências NASCIMENTO. Esta medida é de suma importância. como já foi dito. Ora. mais especificamente. também. também não existe. não deve ser admissível que qualquer cidadão trabalhador seja dispensado sem um justo motivo. dar eficácia ao inciso I. 38 ed. já temos em nosso ordenamento jurídico. que independe de regulamentação para a sua vigência. (3) Disponível em: <http://tst. pois com trabalhadores mais participativos e sindicatos mais atuantes. evidente está que a participação em movimento sindical. portanto. todos os envolvidos nesse processo. art. 66 além de que.

O referido quadro jurídico-político decorre da aplicação do Precedente Normativo n. o movimento sindical brasileiro tem experimentado um cenário de agudização das incertezas jurídicas nos seus instrumentos jurídicos — acordos e convenções coletivas — decorrente do ataque à eficácia e consistência das cláusulas contributivas.jusbra sil. ou quando não. assistencial. membro da Ordem de Advogados do Distrito de Columbia (Washington. 119 do TST(2). É ofensiva a essa modalidade de liberdade cláusula constante de acordo. <http://tst. obrigando trabalhadores não sindicalizados. acesso em 25.Jornal do Congresso nado precedente judicial tem sustentado a atuação administrativa e judicial de componentes do Ministério Público do Trabalho.4. convenção coletiva ou sentença normativa estabelecendo contribuição LTr . em 2008. 5º. no âmbito administrativo.JUS BRASIL. O mencio(1) Tópico e comentário sob a responsabilidade exclusiva de Sandro Lunard Nicoladeli (2) Nº 119. Sendo nulas as estipulações que inobservem tal restrição. tornamse passíveis de devolução os valores irregularmente descontados. ações anulatórias e/ou declaratórias de nulidade cláusulas de instrumentos normativos.4. 1. o aforamento direto de demandas judiciais: ações civis públicas.com. Harvard University. D.4 3 7 2 7 6 3 5 1 9 9 85125555-437276-3519985125555>. JUS BRASIL. em seus arts. As medidas judiciais demandam tutela jurisdicional buscando a invalidade. assegura o direito de livre associação e sindicalização.com. juris doutor em Direito pela Harvard Law School.re v i s t a . Departamento de Sociologia. Perspectiva nacional do tema — marco situacional interno(1) Na última década. especialista em normas internacionais e liberdade sindical pela OIT.br/jurisprudencia/1891778/ re c u r s o . acesso em 25. diretor-adjunto do Escritório da OIT no Brasil desde 2011. O MPT.2014. inseridas nos referidos pactos coletivos.C. XX e 8º. Contribuições sindicais — inobservância de preceitos constitucionais.) desde 1979. V. em favor de entidade sindical a título de taxa para custeio do sistema confederativo.14.d e . “A Constituição da República. Stanley Arthur Gacek Advogado trabalhista.br/jurispru dencia/18177644/agravo-de-instrumento -em-recurso-de-revista-airr-7424053200 25020019-74240-5320025020019>. mestre e doutorando em Direito pela Universidade Federal do Paraná/UFPr e professor de Direito do Trabalho na UFPr. Disponível em: <http://tst. revigoramento ou fortalecimento sindical e outras da mesma espécie. Liberdade sindical no Brasil e a OIT: a questão da cláusula assistencial — do PN 119 ao caso 2739 — uma dupla perspectiva Sandro Lunard Nicoladeli Advogado trabalhista.jusbrasil. nulidade das cláusulas contributivas e/ou até a devolução dos valores descontados a título das taxas e contribuições assistenciais. tem proposto e executado centenas de ajustamentos de conduta/TAC. e professor visitante.” 67 .r r.

as medidas administrativas e judiciais intentadas pelo Ministério Público do Trabalho têm. em decorrência da aplicação do Precedente Normativo 119 do Tribunal Superior do Trabalho. (3) Tópico e comentário sob a responsabilidade de Stanley Gacek LTr . aumentado significativamente. A queixa foi apresentada perante o CLS no dia 2 de novembro de 2009. via revisão do referido precedente. mas. por conta da política do MPT de processar sindicatos pela inclusão de cláusulas de contribuições assistenciais nos acordos e nas convenções negociadas. sendo que alguns casos determina-se até a devolução dos recursos financeiros de forma retroativa. A denúncia foi registrada e cadastrada como o caso no. reduzem ou suprimem diversos serviços assistenciais (saúde. 74 do TST. Nova Central Sindical 68 de Trabalhadores do Brasil (NCST). b) seja pela atuação inquisitória de alguns membros do Ministério Público do Trabalho. subordinado ao Conselho de Administração do organismo internacional. praticadas por componentes do MPT. Noutras palavras. pois estão compelidas a limitarem bruscamente suas fontes de receita. diante deste cenário inóspito. levando à Justiça do Trabalho demandas calcadas no precedente jurisprudencial no. por conta da asfixia financeira. contando. a longo prazo. sendo que tais procedimentos determinam. Os efeitos diretos e indiretos destas medidas. impondo TAC ou aforando medidas judiciais. são aprovadas em assembleia geral da categoria profissional.Jornal do Congresso . tais contribuições. 2. em razão da estruturação do sistema sindical brasileiro. É digno de registro as várias iniciativas intentadas pelo movimento sindical brasileiro. por meio de ajuizamento de medidas judiciais conducentes às decisões da Justiça do Trabalho. representado pelas centrais sindicais. determinando a forma de arrecadação e os destinatários/contribuintes passíveis de imposição da arrecadação das entidades sindicais. na forma de queixa/reclamação. na prática. 2739 do Comitê de Liberdade Sindical da OIT (CLS). Central Única dos Trabalhadores (CUT). acionado mediante procedimento previsto nos artigos 24 e 26 da Constituição da OIT. materializado pelos constantes ataques ao movimento sindical. há claro rebaixamento do patamar civilizatório dos trabalhadores e de indesejável enfraquecimento do sindicato como interlocutor social responsável pela necessária mediação das relações coletivas de trabalho. escolas e etc. pelo contrário. União Geral dos Trabalhadores (UGT). que chancelam a anulação e/ ou desconstituição da vigência e/ou da efetividade das referidas cláusulas contributivas previstas nos instrumentos coletivos. em termos gerais. seja pela via administrativa (TAC) ou reflexa. além disso. ou quando não ao menos. beneficiários do instrumento coletivo. convênios. pois fragilizam suas entidades de representação. em verdade. com a participação dos trabalhadores não filiados ao sindicato. mobilizaram-se as centrais sindicais: Força Sindical (FS). Dessa forma. que também obrigam o pagamento dessas contribuições pelos trabalhadores não filiados. A denúncia alegou descumprimento dos princípios de liberdade sindical. em razão da dupla intervenção estatal: a) seja pela edição do Precedente Normativo (119) que interfere na organização sindical. que formularam queixa perante o Comitê de Liberdade Sindical/CLS. inclusive. Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Brasil (CTB) e a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB). prejuízos aos trabalhadores. O Comitê de Liberdade Sindical (CLS) se insere como parte do controle especial procedido pelo órgão. na sede da Organização Internacional do Trabalho na cidade de Genebra. no sentido de mediar tentativas de mudança de posicionamento do Tribunal Superior do Trabalho. o retorno do entendimento residente no então Precedente Normativo n. gerando. vez que as convenções coletivas têm sua reconhecida característica de universalidade. por óbvio. A queixa relata a ocorrência de atos violadores à liberdade sindical. inexoravelmente. efeitos nefastos nas finanças sindicais. 119 do Tribunal Superior do Trabalho. Perspectiva internacional do tema — o sistema de controle da OIT(3) A OIT possui sistema de controle da aplicação das normas internacionais.).Diga-se de passagem. Todas as tentativas restaram infrutíferas. resultam no desequilíbrio dos atores sociais inseridos na relação capital e trabalho. Suiça.

a liberdade sindical e as normas internacionais: vol. vale ressaltar que dentre as prerrogativas sindicais permitidas pelo artigo 513. o Brasil tem o dever de responder ao Comitê. de forma idêntica. fixadas em assembleia da categoria e inseridas nos instrumentos coletivos de trabalho e cobradas dos não filiados à entidade sindical são válidas de acordo com a doutrina da OIT. Recopilação de decisões e princípios do Comitê de Liberdade Sindical do Conselho de Administração da OIT. a prática tem que ser re(4) Tópico e comentário sob a responsabilidade de Stanley Gacek (5) Caso No.Jornal do Congresso alizada exclusivamente através da negociação dos acordos e das convenções coletivas. mais especificamente. II. junho de 2012 — Consultado em 18 de abril de 2014: <http://www. e exclusivamente através do processo de negociação coletiva. o Comitê de Peritos pela Aplicação de Convenções e Recomendações. Relatório definitivo. conforme a Recopilação de decisões e princípios do CLS(6). 87 e 98 da OIT. no precedente 480.” (tradução livre do inglês: Gacek) A transcrição do trecho supra é resultado concreto do trabalho analítico e interpretativo levado a cabo pelo CLS. 2739. é importante salientar que as observações reproduzidas representam a avaliação mais atualizada do sistema normativo da OIT em relação à realidade brasileira. vez que já se manifestara sobre este tema. Todos os 185 estados-membro da OIT. (A Convenção 98 foi ratificada pelo Brasil em 1952. sem a imposição direta pelas autoridades do Estado. descontadas dos salários dos trabalhadores. devido à autoridade constitucional da organização. o Comitê havia seguido em casos anteriores o seguinte princípio: se a legislação permitir a prática do desconto obrigatório de contribuições destinadas à sustentação da atividade sindical. Dessa feita.guardião da liberdade sindical e da aplicação das Convenções ns. portanto. contendo suas conclusões finais(5) — item 332: “Quanto à questão de contribuições destinadas à sustentação da estrutura sindical. Portanto. Apreciações gerais do contexto brasileiro Em razão do contido no relatório definitivo do caso n. in: Direito Coletivo. composto. 125 69 . 2013 p. além do CLS. não são contrários aos princípios de liberdade sindical. desde que a legislação nacional permita a prática dos descontos obrigatórios. examinando as queixas apresentadas contra os governos por violação dos convênios e princípios em matéria de liberdade sindical. Portanto. 2739 em junho de 2012. têm a obrigação de responder ao CLS sobre qualquer queixa registrada contra eles. alínea “b” da CLT. São Paulo: LTr. na alínea “e”. as deduções contributivas — cláusulas assistenciais — também chamadas deduções de seguridade sindical. 2739. mesmo sem sua ratificação da Convenção 87. inclusive dos não filiados. como órgão de controle da OIT. em inglês.” Em geral. sem a necessidade de ratificação das Convenções 87 (liberdade sindical) e 98 (organização sindical e negociação coletiva) pelo estado-membro em questão. Portanto. conforme a uma cláusula negociada numa convenção ou um acordo coletivo aplicável também aos não filiados que aproveitam dos benefícios da representação sindical. por três representantes de cada grupo representado na OIT (trabalhadores/empregadores/governos) — totalizando nove componentes. é atribuição do sindicato: “impor contribuições a todos aqueles que participam as categorias econômicas ou profissionais ou das profissões liberais representadas. o CLS produziu o relatório definitivo no caso n. 4. é a de garantir e promover o direito de associação dos trabalhadores e empregadores. Criado em novembro de 1951 pela OIT. situa-se a competência para “celebrar convenções de trabalho”. ou union security. e. Brasil. do mesmo artigo. têm observado e concluído que o Estado e as autoridades governamentais têm o dever de afastar-se da administração e do fi(6) Organização Internacional do Trabalho. revisão técnica Sandro Lunard Nicoladeli e Tatyana Scheila Friedrich. A missão do CLS.) 3 Conclusões do CLS — análise da queixa(4) Após longo procedimento de comunicações e observações fornecidas pelo governo brasileiro. ilo. os órgãos de controle da OIT.org/dyn/normlex/es/f?p=1000:50002:0::NO:50002 :P50002_COMPLAINT_TEXT_ID:3063459> LTr . inclusive dos não filiados. presidido por uma personalidade independente. o CLS é constituído no modelo tripartite. notadamente sobre a questão do custeio sindical.

não é contrário aos princípios de liberdade sindical. 2012. 42-44. 101st Session. Funchal. não ratificada pelo Brasil. ilo. regulamentação do montante dos fundos repassados às federações sindicais. Sociedade e Educação – TSE. Pesquisador do Centro de Investigação em Educação — CIE da Universidade da Madeira — Funchal em Portugal e desenvolve estudos e pesquisas sobre Currículo e formação profissional.org/dyn/ normlex> consultado em 22 de abril de 2014. Committee of Experts. Doutor em Educação na Linha de Politicas Públicas pela Universidade Julio Mesquita Filho — UNESP/Araraquara (2002).) o poder de supervisão geral e indefinida das contas sindicais pelas autoridades públicas. dos Peritos da OIT. sindicato nos casos de multas e penalidades impostas na organização. 2012.nanciamento interno das organizações sindicais. 2012. Especialista em Direito Educacional (2010). ILC. ILO Geneva. cidadania e precarização do trabalho.. 2012. sobretudo em sintonia com o conteúdo normativo da Convenção 98 da OIT sobre a organização sindical e a negociação coletiva. Mestre em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia (1997). 2012. p. ILC. portanto. (8) General Survey on the Fundamental Conventions. Portanto. também.org/dyn/normlex> consultado em 22 de abril de 2014. 70 LTr .Jornal do Congresso . tal contribuição é.ilo. Pós-Doutor em Política Educacional pela Universidade Federal da Paraíba (2010) e Universidade da Madeira. mas com os seus princípios aplicáveis ao Brasil através da competência do CLS. Committee of Experts.(8)” Em suma. a cotização sindical — cláusula assistencial — prevista nos instrumentos coletivos. segundo os órgãos de controle da OIT. desde que a legislação nacional permita..) intervenção e gerenciamento externo na aplicação dos ativos e das contas de um (7) General Survey on the Fundamental Conventions Concerning Rights at Work in Light of the ILO Declaration on Social Justice for a Fair Globalization. tal entendimento de não intervenção ou abstencionista na administração sindical é também definido no relatório produzido pela comissão de peritos da OIT(7). 2008. o poder das autoridades de regular e limitar os salários e os benefícios máximos dos empregados contratados pelos sindicatos. devida pelos trabalhadores não associados. e da Convenção 87 sobre liberdade sindical. É membro do Grupo de Pesquisa em Trabalho. a referida conclusão encontra-se em consonância com os princípios da liberdade sindical prevista nos instrumentos da OIT.. Professor da Universidade Federal de Uberlândia. Tal relatório exemplifica os casos de ingerências contra a autonomia administrativa e financeira sindical praticadas por parte das autoridades públicas: (. Portugal. tratado internacional ratificado pelo Brasil. Professor Associado da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia atua do Programa de Pós-Graduação em Educação na Linha de Pesquisa em Trabalho. ILO Geneva. 101st Session.. REESTRUTURAÇÃO DO MUNDO DO TRABALHO: A ORGANIZAÇÃO DO ESTADO E SUA PARTICIPAÇÃO NO FINANCIAMENTO DOS SINDICATOS NO BRASIL Robson Luiz de França Advogado. extraído do site <www. Trabalho e educação. Educação e Formação Humana. Extraído do site <www. (. p. 43-44.

diante do contexto da formação profissional. Pode-se perceber que os melhores empregos acabam com os mais ricos. O Estado ao seu modo tem subordinado as forças sindicais e cooptado seus agentes no processo reducionista da formação profissional tendo em vista a apropriação do discurso de que o desemprego é por falta de qualificação do trabalhador ou ainda o processo de qualificação por meio de a educação consistir como o principal meio de formação profissional do trabalhador e como meio de manter seu emprego. dentro de uma ótica subalterna ao capital (Arrighi.Este trabalho resulta de pesquisa vinculada ao Grupo de Pesquisa de Trabalho. na fase da vida em que se encontram. com a ideia de que a educação é caminho para que os trabalhadores escapem do desemprego. A cidadania deve ser tratada como instrumento de crescimento de cada brasileiro e defendida e desenvolvida com o apoio de todos os brasileiros. por um lado e por outro se apresenta de forma inexorável a criação e reprodução dos mecanismos de controle próprios do capital pelos sindicatos que por sua vez possuem a responsabilidade de organizar e reordenar as forças dos trabalhadoLTr . cultural e de civilidade. não apenas do ponto de vista produtivo. Nos estudos desenvolvidos percebeu-se a importância de um olhar apurado na tentativa de relacionar as questões colocadas para a educação provenientes das mudanças no mundo do trabalho e o impacto dessas questões no processo de formação do cidadão tendo em vista que a construção de um conceito de cidadania coerente com a sociedade que se deseja pautado nos princípios gerais do exercício da cidadania. de fato. como também da cidadania. reconhecidos e poder exercer seus direitos e obrigações de cidadania. as autoridades públicas devem cumprir suas funções de maneira apropriada. Desta forma há um discurso que precisa ser desvelado a partir do conhecimento das propostas dos sindicatos sobre a qualificação profissional e formação profissional a partir da apropriação de um fundo público bem como essa apropriação podem significar resistência ou adaptação às exigências do capital. a informação precisa ser difundida por todos os modos e meios de forma a alcançar todos os cidadãos. com o envolvimento dos seus pais. sobretudo na lógica da administração dos fundos públicos destinados à qualificação da força de trabalho. para que estes se entendam como tal e saibam o que isso significa.Jornal do Congresso res em prol do desenvolvimento social. figurados neste trabalho como agentes sociais. qual seja: O Estado deve servir ao cidadão. Percebe-se também que os movimentos sociais. A crise atual do capitalismo bem como o seu processo de reorganização e a construção de uma nova sociabilidade no Brasil . Sociedade e Educação do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia. apreendendo as contradições dessas parcerias e o enfraquecimento das lutas sindicais. a educação deve ser a pedra fundamental para a consciência da cidadania e seu pleno exercício. A lei deve ser. através de programas específicos desenvolvidos nas escolas de todos os níveis. A crise do capitalismo tem afetado diretamente os trabalhadores dos diversos setores produtivos. sendo que os menos favorecidos e com alta escolaridade ficam desempregados além de sofrer preconceitos raciais e de classe. seguindo os princípios da ética e da moralidade exigidos pelo exercício da cidadania. cada cidadão deve exercer sua cidadania em sua plenitude. o conhecimento da História da Nação e seus símbolos devem servir de subsídio para o soerguimento da cidadania brasileira. sem prevenção se qualquer natureza. Nesse sentido é que o envolvimento dos sindicatos na busca de maior financiamento público para a formação profissional se recoloca. É necessário que ocorra uma expansão da escolaridade. Cada brasileiro deve ter educação básica. 1997) apresenta-se como um período de amplas e 71 . especialmente na infância e adolescência. A questão referente à qualificação e a posição assumida pela ação sindical. o instrumento de justiça e se aprimorar onde não estiver cumprindo sua finalidade. Os idosos devem ser considerados. parecem funcionar atualmente como um auxílio do capital na precarização e desarticulação dos trabalhadores tendo em vista as contradições e determinações do capital que parecem interferir na ação dos movimentos desses agentes. de forma ilusória. se esta comunga. evitando-se manipulações de qualquer natureza.

98. na maioria das vezes. vale observar que a chave dos acordos. diversas propostas de formação e qualificação dos trabalhadores tem sido implementadas e entendidas como modelos de solução positiva pelos dirigentes dos Sindicatos. DALLEGRAVE NETO. trata-se de acordos buscam garantir a ampliação da oferta de empregos com trabalhadores melhor qualificados. RIFKIN. Revista Jurídica. respostas mais consequente à ofensiva empresarial pudessem ser construídas na arena pública da sociedade política. Filosofia do Direito. No entanto.gov. É neste contexto que se apresentam os sindicatos dos trabalhadores como os representantes dos interesses e poderão estabelecer equilíbrio entre o capital e o trabalho. José Afonso. “O fim dos empregos”. desafios e o papel do Ministério do Trabalho. ou seja. Os princípios do direito do Trabalho e a teoria crítica do direito. Benjamin. Homepage: <www. Referências BRASIL. 72 CORIAT. E. n. Porém percebe-se uma alteração profunda nas linhas de atuação dos Sindicatos no Brasil. J. et al. HERKENHOFF. O poder das organizações. Rio de Janeiro: Revan/UFRJ. J. através da criação de um espaço democrático de resolução do conflito capital-trabalho. reside. Tradução de Emerson S. MARX. H. São Paulo: Saraiva 1996. Ministério do Trabalho do. mesmo que implementada em patamares razoáveis. na participação do Estado (na esfera federal e estadual). Tendências do Mercado de Trabalho Brasileiro: rumos. Poderíamos supor que. É visível. Karl. 2002. não têm surtido o efeito desejado pelo Governo e pelos sindicatos e principalmente pelos trabalhadores que na expectativa de garantir o emprego ou entrar no mercado de trabalho têm visto seus esforços redundar em precarização do trabalho por meio da informalidade. BUTLER. LTr . PAGÉS. Ingo Wolfgang. Gênese dos Direitos Humanos. que assume a responsabilidade de financiamento do Sindicato e dos Projetos de Qualificação dos Trabalhadores. Liberal. 1995. A Eficácia dos Direitos Fundamentais. 17ª ed. diante desse quadro. ano XII. Makron Books.5. alteração no interior dos processos de trabalho. nov. 1992.profundas transformações nos polos científicos científico-tecnológico. Parece acentuar-se uma tendência de consistir em um aparelho do Estado e do Capital e a defesa dos afiliados nesta força de poder apresentar-se como causa segunda. T. Curitiba. Para os seus defensores. Aparecida/SP: Editora Santuário. mtb. 10. Gomes. Exposição realizada na câmara dos Deputados em 14.. capitaneados pelo Sindicato. reorganização dos Estados. através da ação sobre o núcleo dirigente do aparelho de Estado.Jornal do Congresso . 1967.br>. que no campo das negociações diretas entre empresários e sindicatos. Classe Social e Status. 1996. MARSHALL. Rio de Janeiro. Essas experiências têm sido intensamente debatidas nos meios sindicais. (1996).J. CANOTILHO. M. João Baptista. 1994. Rio de Janeiro: Zahar editores. SARLET. REALE. porém. em busca de garantias gerais que impedissem as perdas sucessivas nas negociações específicas. (1983). São Paulo. p. 78-89. Direito Constitucional. a qualificação para o trabalho. Analistas acadêmicos vislumbraram na iniciativa um novo patamar nas relações de trabalho no Brasil. Cidadania. com um recuo no papel arbitral do Estado e um reconhecimento mútuo entre empresários e trabalhadores como atores legítimos no processo de negociação. Pensar pelo Avesso: o modelo japonês de trabalho e organização. O Capital. da Silva. político e acadêmico. Por outro lado. a situação tem sido extremamente desfavorável para os trabalhadores e as estratégias sindicais não têm conseguido formular respostas que fujam à lógica desta fase do processo de expansão capitalista. 6ª ed. 1972. etc. São Paulo: Atlas. Diversos acordos têm sido feitos em nome dos trabalhadores. Os empresários defendem o acordo como um instrumento de ampliação da oferta de mão de obra qualificada. 1993. Coimbra: Almedina. “A contribuição de Hayek às idéias políticas e econômicas de nosso tempo”. Miguel.

de 1998. p. O silêncio não é ausência de palavras. No mais. Professor Convidado da Universidade Tor Vergata (Roma II) e da FGV-RJ. poder normativo da Justiça do Trabalho. 3. da dependência. Especialista em Direito Sindical pela Universidade de Modena. 7. os atos de brutalidade contra “cidadãos que a polícia não gosta”. da assistência benemérita da elite.(1) Emblemático o diag(1) Caberia então ao Estado organizar/controlar diretamente os sindicatos. como já se disse. com todos os efeitos deletérios. No Prefácio da obra Problemas de Direito Sindical. da hierarquia excludente. apagando da memória histórica todo o movimento operário pré-Revolução de 1930. Professor concursado da UNIFESP. mas também impedi-lo de sustentar outro discurso. uma tese sustentada por Oliveira Vianna. 46. Itália. n./dez. Oliveira. constituído por obra benemérita das elites”. em pleno século XXI. São Paulo. Incentiva a perpetuação entre nós de um modelo sindical de assujeitamento da classe trabalhadora que engendra um sindicalismo. do ponto de vista estritamente jurídico. com a CF/88. enquadramento sindical automático. uma figura que. Impor o silêncio não é apenas calar o interlocutor. povo significa uma multidão de homens. para ser incluída na ordem das coisas. 1989. “é preferível que o governo procure recomendar aos sindicatos (2) PAOLI. hoje. Bacharel em Ciências Sociais pela USP. É autoritário e falacioso o discurso que defende a manutenção da unicidade sindical sob a pretensão de supostamente “proteger” a classe trabalhadora da pulverização de entidades sindicais inexpressivas. ideólogo do Estado Novo varguista e arquiteto do corporativismo estatal. Rio de Janeiro: Max Limonad.Autoritarismos e falácias na defesa da unicidade sindical Túlio de Oliveira Massoni Doutor em Direito do Trabalho pela USP. lançador das bases do nosso modelo sindical. Problemas de direito sindical. representação legal de todos os membros da categoria profissional ou econômica. nos anos de 1930. Ainda segundo Paoli. tão conhecidos até hoje.(2) O mais escandaloso é o fato de esta tese. Estudos Avançados. set. p. mas insuficiente uma transição incompleta por não permitir a plena liberdade organizativa e autônoma por parte dos trabalhadores. 1. obteve relativa liberdade de administração interna face aos poderes públicos: um avanço em relação ao período anterior. a necessidade deste modelo sindical com base na incompetência da classe trabalhadora de se auto-organizar de forma independente e autônoma. diretamente interessados. Oliveira Vianna justificava. de acordo com o Comitê de Liberdade Sindical da OIT.Jornal do Congresso nóstico de Maria Célia Paoli sobre tal discurso autoritário: tratava-se de “um horizonte simbólico que despachava os trabalhadores pobres a um mundo do favor. como porcada significa uma multidão de porcos” (VIANNA. Além disso. convém registrar que a Convenção n. 1943) LTr . 2007) e de artigos em revistas especializadas. a despeito da “boa intenção” de se evitar uma multiplicidade excessiva de pequenos sindicatos concorrentes entre si. no campo sindical. Por que a defesa da unicidade sindical constitui um discurso autoritário? Autoritário porque reproduz. Trabalhadores e cidadania: experiência do mundo público na história do Brasil moderno. Autor do Livro “Representatividade Sindical”(LTr. cujos resquícios até hoje encontramos entre nós: sindicato único por categoria imposto por lei. necessitava ser um habitante silencioso e sem interioridade. nega voz aos próprios trabalhadores. 73 . afirma Oliveira Vianna que “o Brasil não tem povo” e que “no Brasil. v. Advogado de Amauri Mascaro Nascimento Advocacia. são portanto registrados desde o final do século passado e completam o quadro do paternalismo privativista. 4066. Maria Célia. contribuição sindical compulsória. assim reconhecido pela Declaração de Princípios Fundamentais da OIT. de “cofres cheios e assembleias vazias”. Professor assistente do Programa de Pós-Graduação da PUC-SP. 87 da OIT é considerada um direito fundamental. Tal discurso protetor. ser reproduzida pelo próprio movimento sindical brasileiro (melhor dizendo: por suas lideranças) que.

Existem igualmente situações complexas de pluralidade na unidade e de unidade na pluralidade que resistem a uma catalogação simplista. 2002. muito embora seja indiscutível a conveniência tática. p. na verdade estimula. (3) Ademais. (4) 2. 42). São Paulo: LTr. Ângela Maria Carneiro (Org. não resulta da unicidade sindical. mantinha financeiramente a estrutura de representação profissional do tipo corporativo. (4) ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. sacrificando o princípio da livre determinação de cada trabalhador. Terceiro. Armando. BARTOLOMEI DE LA CRUZ. o princípio da livre escolha de organizações de empregadores e de trabalhadores. Neoliberalismo e corporativismo de Estado no Brasil. caso desejada. São Paulo: Boitempo. porque a força do movimento sindical decorre de suas bases democráticas. “a auto-organização sindical passa pela possibilidade de livre organização. 1990. contudo. segundo dizem os seus defensores. a pluralidade sindical. In: ARAÚJO. a coexistência de mais de um sindicato representativo e concorrente. a possibilidade da pluralidade. (5) BOITO JR. é inadmissível impor. LTr .Jornal do Congresso .que se associem voluntariamente e constituam organizações fortes e unidas e não que imponha. Daí a “diferença fundamental entre a vigência de um monopólio sindical instituído e mantido por lei e a decisão voluntária dos trabalhadores ou de seus sindicatos de criar uma organização única. não foi formulado para apoiar qualquer tese favorável ao “pluralismo sindical”. isto é. denuncia o curioso paradoxo do modelo brasileiro de unicidade sindical: “a propalada virtude da unicidade sindical. p. de sua liberdade organizativa e de ação. Estado e controle sindical no Brasil. pela via legal ou administrativa. quando. Geraldo von. que a unidade pode ser alcançada sem se afastar dos princípios da liberdade sindical. 247. Compêndio de direito sindical. porque. porque uma eventual pluralidade organizativa não impede uma unidade de ação. A unicidade orgânica pode assegurar a união formal. (6) GALLART FOLCH. evitar o fracionamento da ação”. pode conviver com a unidade de ação entre as diversas entidades. associada à regalia das taxas sindicais obrigatórias. Alejandro. que na prática de outros países os termos unidade e pluralidade não são necessariamente antagônicos. Não impede. uma próspera indústria da criação de sindicatos. Como ensina Alejandro Gallart Folch. tampouco serviu para respaldar a noção de “monopólio sindical”. 41-42. 1957. a unidade da organização sindical dos trabalhadores. El sindicalismo como fenómeno social y como problema jurídico.(6) E. A experiência mostra que a pluralidade organizacional não impede a ação unitária e pode. pela via legislativa. a unidade de ação.). perfazendo um número de quase 20 mil entidades sindicais com vínculos fortes com o Estado e vínculos precários com os trabalhadores representados. Sérgio 74 Segundo. fazendo do sindicalismo brasileiro um dos mais pulverizados do mundo”. porque “de fato”. às vezes. Como adverte Amauri Mascaro Nascimento.(5) (3) POTOBSKY. a superação da diversidade sindical é um problema de orientação dos Amad. Buenos Aires: Astrea. Em suma. p. uma unificação obrigatória que prive os trabalhadores do livre exercício de seus direitos sindicais”. p. principal responsável pela formação daqueles sindicatos fracos” (COSTA. 73. A pluralidade pode prejudicar a união orgânica. limitou-se a garantir. Sérgio Amad Costa alude a uma espécie de círculo vicioso: “o imposto sindical garantia a sobrevivência de sindicatos fracos e. já temos em nosso país um modelo sindical extremamente pulverizado e não-representativo. diversos sindicatos se unem numa atuação conjunta. 166-167. por exemplo. embora organicamente sejam sindicatos separados. Héctor G. paralelamente. Buenos Aires: Zavalia. quarto. ademais. Observa-se. A liberdade sindical. 1986. 176-177. LTr. Amauri Mascaro. Não pode. no entanto. Armando Boito Jr. p. 182). firmado no artigo 2º da Convenção n. La organización internacional del trabajo: el sistema normativo internacional: los instrumentos sobre derechos humanos fundamentales. Do corporativismo ao neoliberalismo: Estado e trabalhadores no Brasil e na Inglaterra. de uma frente unida em seus eventuais confrontos. que não resulte da aplicação de uma lei promulgada para esse fim” (p. que seria assegurar. São Paulo: Queiroz. 1993. 2005. É impossível compatibilizá-la com o monopólio sindical orgânico. Por que a defesa da unicidade sindical constitui um argumento falacioso? Primeiro. uma unicidade forçada que. conduzir a ela. (7)NASCIMENTO. 87.(7) Acrescente-se. p. pelo menos. assim. para os trabalhadores. prive o movimento de sua espontaneidade.

A democracia sindical também se insere nesse contexto. da área da liberdade sindical e nega. não se possibilita ao trabalhador escolher qual o sindicato o representará. 2. ao sistema de unicidade sindical. Introdução O intuito desse singelo trabalho é debater as condições necessárias para que seja assegurada a democracia sindical. Só existe realmente democracia quando ideias divergentes encontram espaço para se manifestarem. A ideia de imposição de um modelo.. a priori. exclusivamente. A resolução de divergências pela atividade legislativa ou administrativa do Estado afasta os trabalhadores. Modernidade e Democracia pela PUC Minas. Democracia sindical: unicidade. quando se remete ao modelo de sindicato único — de forma ampla — também se refere ao sindicato que livremente constrói a unidade. choca com a própria ideia de liberdade. previsto pela Convenção n. Esse modelo indica um maior grau de democracia. na ordem profissional. O que se propõe é aprofundar o debate para além do modelo sindical mais condizente com o momento atual. A unicidade sindical implica na imposição normativa do sistema de sindicato único. A premissa da qual parte essa resenha é de os problemas não se restringem à oposição entre unicidade e pluralismo. LTr . de modo a permitir a reconstrução da solidariedade coletiva. 1. tão essencial em qualquer modelo democrático. No entanto. por meio do amadurecimento político. pluralismo ou unidade? A democracia representativa parte do pressuposto da aceitação das divergências. quanto no sistema de sindicato único. mas também perpassa pela necessidade de se estabilizar as relações sociais dos trabalhadores. juridicamente. o direito à divergência. consciente ou inconscientemente. Professora das Faculdades Milton Campos (graduação). p. Contagem e Região. 177. Para que haja democracia na eleição de representação dos trabalhadores é necessário que seja garantido que todas as matrizes ideológicas se expressem. 87 da OIT. é uma construção madura de uma unidade necessária entre os trabalhadores.Jornal do Congresso E isso é possível tanto no regime de pluralismo. Especialista em Direito Material e Processual do Trabalho pela Faculdade Pitágoras. Ele não é uma imposição.trabalhadores. Alejandro. há um problema extremamente mais profundo do que a adoção ou não do plura75 . Isso porque. próprio de toda solução livre. cit. que possibilita que a representação abarque as mais diversas ideias. resolvido livremente entre esses. quando se fala em regime de sindicato único não se remete. No entanto. op. Ao contrário. PEQUENAS REFLEXÕES SOBRE A DEMOCRACIA SINDICAL Maíra Neiva Gomes Coordenadora do Departamento Jurídico e Coordenadora Pedagógica do Programa de Formação Política Permanente Ignácio Hernandez do Sindicato dos Metalúrgicos de Belo Horizonte. Mestre e Doutoranda em Direito do Trabalho.(1) (1) GALLART FOLCH.

Para que isso se torne algo efetivo. de Renato Neto e Cláudia Rocha de Almeida. o fator mais relevante para se garantir a democracia sindical não se restrinja ao debate do sindicalismo único ou plural e sim sobre a necessidade de se combater os métodos que propiciam o afrouxamento dos laços sociais construídos pelos trabalhadores. 1997. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 2006. tal como o conhecemos nos séculos XX e XXI. Somente sindicatos democráticos serão capazes de reconstruir os laços de solidariedade que estão se esfacelando. O 18 brumário de Luís Bonaparte e cartas a Kugelmann. MARX. de forma mais profunda. E. Era dos extremos: o breve século XX — 1914 — 1991. dominação e servidão. 1. A formação da classe operária: a maldição de Adão. Trad. a fragmentação do espaço produtivo são obstáculos muito maiores do que a unicidade sindical na trajetória de reconstrução da legitimidade social dos sindicatos. 4. Só haverá fortalecimento das entidades sindicais se a elas for dada a oportunidade de reconstruírem os laços de solidariedade coletiva. Friedrich. Karl. Georg Wilhelm Friedrich. v. 4. de Leandro Konder e Renato Guimarães. de José Henrique Santos. 2004. cracia sindical. é calcado na ideia de resistência coletiva. Miséria da filosofia: resposta à filosofia da miséria de Proudhon. p. Sem sombra de dúvidas é chegado o momento de se aprofundar o debate sobre a demo76 LTr . a solidariedade coletiva. 2002a. 4. São Paulo: Companhia das Letras. se faça necessário. Considerações finais THOMPSON. 204 p. Mas para se propiciar a reconstrução de tais laços. ENGELS. Porto Alegre: L&PM. 125-135. Karl. P. Só haverá solidariedade coletiva se o convívio dos trabalhadores se desenvolver de forma permanente e constante. MARX. 1993. 598 p.lismo que busca propiciar a construção livre da unidade no que se refere a representação sindical. 21-139. ed. o sindicalismo é um fenômeno psicossocial. P. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Trad. A alta rotatividade da mão-de-obra. In: SANTOS. Independência e dependência da consciência-de-si. 2001. Se faz urgente também debater formas de se concretizar. HOBSBAWM. de forma a garantir a estabilidade das relações sociais dos trabalhadores. 2001. de Denise Bottmann. de Sueli Tomazini Barros Cassal. É um processo de identificação. MARX. 2. também ampliar o debate. 2006). Mas para que isso ocorra se faz primordial certa estabilização das relações sociais construídas pelos trabalhadores. a liberdade sindical que assegure a democracia sindical. Trad. que permita que o trabalhador se enxergue no outro e identifique no outro. Trad. como proposto por Marx (1997. Rio de Janeiro: Paz e Terra. mediado pelo trabalho. Manifesto comunista: 1848. Eric J. p. de Paulo Ferreira Leite. 196 p. ed. 1995. 347 p. A formação da classe operária: a árvore da liberdade. 2. é essencial não apenas debater o modelo de sindicalismo que mais se enquadra nos parâmetros do século XXI. Karl. ed. Trad. Trad. talvez. ed. tópico que se pretende discutir no próximo item. José Henrique. Referências bibliográficas HEGEL. 131 p. 3. Mais do que garantir pluralismo ou eleições sindicais democráticas no modelo de sindicato único é necessário garantir a estabilidade das relações sociais entre os próprios trabalhadores. ele mesmo. talvez. a partir do desenvolvimento das ideias de Hegel (1993). no plano da realidade. de modo que a eles seja permitido desenvolver. O 18 brumário de Luís Bonaparte. Assim. 3. Trad. Trabalho e riqueza na fenomenologia do espírito de Hegel. que forma a consciência de classe. Karl. de Marcos Santarrita. O sindicato. v. São Paulo: Centauro. THOMPSON. A estabilização das relações sociais como forma de consolidar a solidariedade coletiva Antes de um fenômeno jurídico. construída em um mesmo espaço físico. E. São Paulo: Loyola. In: MARX. Para que tal resistência se manifeste é necessário que se construa laços coletivos de solidariedade.Jornal do Congresso .

2009. 529/ 532 da CLT). José Carlos. Belo Horizonte: Crisálida. 3. mesmo com todo esse processo repressivo. VIANA. conforme confirma Passos(2). ed. A leitura desse diploma legal (1) AROUCA. que estavam sob o crivo e jugo do Ministério do Trabalho e Emprego. 2007. Trad. Edésio. Sindicalismo no Brasil — Os primeiros 100 anos?. 2003. Márcio Túlio. nos lapsos temporais democráticos (45/64). ou seja. tal intervenção era materializada no Decreto 1402/39. Márcio Túlio. 94-97 (4) AROUCA. de Denise Bottmann. 1. 440 p. Havia ainda o expurgo dos militantes sindicais considerados “indesejáveis/inelegíveis”. Terceirização e sindicato: um enfoque para além do jurídico. E.THOMPSON. que se opusessem ao Estado-Novo getulista. especialista em normas internacionais e liberdade sindical pela OIT. Disponível no DVD Magister — Revista Eletrônica 77 . 200. LTr . configurado na formação do Comando Geral dos Trabalhadores(CGT). consultor de entidades sindicais. Mesmo antes da edição da Consolidação das Leis do Trabalho. LTR Revista legislação do trabalho. p. Direito de resistência — possibilidades de autodefesa do empregado em face do empregador. 775-790. por professarem ideologias “contrárias” ao regime(3). São Paulo: LTr. a história brasileira denota a incansável sanha autoritária dos sucessivos governos. p. 2. O caso da “seção IV — das eleições sindicais” (arts. agora. Curso Básico de Direito Sindical. Ainda assim. DEMOCRACIA SINDICAL: ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO MODELO BRASILEIRO Sandro Lunard Nicoladeli Advogado trabalhista. p. Ano 67. Segundo o registro histórico trazido por Arouca(1). número 7. 87 e ss (2) PASSOS. 2a ed. In: INÁCIO. v. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Organizada a CLT (1943) importa-se o texto do então Decreto 1402/39(4). 1.Jornal do Congresso denota que o estado corporativista detinha total controle sobre as eleições sindicais. mestre e doutorando em Direito pela Universidade Federal do Paraná/UFPr e professor de Direito do Trabalho na UFPr. 456 p. P. intervindo e criminalizando o livre e regular funcionamento das organizações do movimento operário. cit. José Carlos. 110. VIANA. São Paulo: LTR. op. José Reginaldo (org). Histórico do processo político e eleitoral dos sindicatos brasileiros O sindicalismo brasileiro sempre esteve marcado por constantes e sucessivas intervenções estatais no seu regular funcionamento. São Paulo. redigido por Oliveira Vianna. houve um avanço na mobilização sindical e ascensão política dos dirigentes. A formação da classe operária: a força dos trabalhadores. jul. 3. Os direitos dos trabalhadores: no limite da desconstituição do sistema legal de contratação do trabalho. CLT 70 Anos — Direito Sindical. 1996. 2002b. rede(3) AROUCA. ed. p.

a classe fundiária era representada pela figura política do coronelismo. São Paulo: Ed. se completa um ciclo — fechamento da intervenção absoluta do Estado nas relações sindicais e abre-se um período de reconstrução democrática. 530 (condenação por crime doloso — qual crime?/ suspensão do gozo dos direitos políticos — decidida por quem no estado de exceção?). com o processo de urbanização e industrialização (pós década de 30). avançou na autonomia e independência do sindicalismo frente ao estado e ao patronato. ou seja. ao se transplantar. das Centrais Sindicais. do ponto de vista organizativo por um modelo de unidade/unicidade. p. ou seja. como também a remessa dos documentos do procedimento eleitoral ao referido órgão (art. (5) SILVA. Assim. 129-147. Por fim. 53 — Dez/Jan de 2014. Assim. Tais elementos ordenaram e conformaram severos limites nas experiências democráticas. em especial a criação. o sistema. a democracia capitalista jungida e resultante dessa tradição condensa um capitalismo tardio e relações de poder lastreadas numa cultura autoritária. o modelo sindical brasileiro no seu art. na sua essência. O Brasil optou. (7) op. (8) PASSOS. 194-201. LTr . LTr. No plano jurídico. 529/ 532). Democracia e capitalismo no Brasil: balanço e perspectivas. nos demais dispositivos da seção regulamenta-se as condições do pleito eleitoral. 9090/45 — editado nos estertores da ditadura do Estado-Novo — e o Decreto-lei n. as centrais sindicais. 532). pelos trabalhadores rurais originários do campesinato. art. unicidade sindical. correspondeno a uma cultura política antiassociativa. op. elemento fundante das relações de poder e de trabalho no âmbito rural. Posteriormente. 8º — sistema confederativo. o déficit democrático brasileiro. 138. em grande parte. como analisado por Passos(8). Décio. Relações coletivas de trabalho: configurações institucionais no brasil contemporâneo. 6/7 — 1996.signado como título V — organização sindical — sobretudo na “seção IV — Das eleições sindicais” (arts. mesmo que gradativamente surjam novos elementos. 229/67 — editado no bojo da reforma da CLT durante o período inicial regime militar — impondo amarras e restrições quanto à participação ao pleito sindical. contudo. 78 anteriormente. por lei. pelo exagerado status jurídico da liberdade associativa e sindical negativa. a Constituição Federal consagrou. traduzida. cit. posteriormente. inicialmente. Déficit democrático e os elementos constituintes da massa operária urbana. caracterizados pela lealdade ao senhor e fidelidade ao chefe político(7). (6) SAES. p. o sistema sindical para a base constitucional de 1988. mas — singularmente — o modelo. Muito embora reinassem as relevantes condicionantes ideológicas do regime militar. verificado no mais recentemente no período republicano. pelo óbvio motivo que o operariado urbano é composto. assim compreendidos os critérios: político (adesão). candidato e/ou estava em condição de (in) elegibilidade no âmbito das entidades sindicais. custeio compulsório — herança do modelo anterior. categorial (diversidade) e geográfico (amplitude territorial) previsto na lei de reconhecimento das centrais sindicais — Lei n. Desse modo. 2008. Sayonara Grillo Coutinho Leonardo da. 11648/2008. p. Magister de Direito Trabalhista e Previdenciário n. juridicamente. os “donos do poder”. 3. a estrutura se mantém. fortalecimento crescente do patrimonialismo e o caráter autoritário da cultura nacional(6). Os novos dispositivos direcionavam-se às hipóteses em que o dirigente incorresse em infração de natureza ético-administrativa — lembrando que os sindicatos sofriam constantes perseguições e intervenções nos anos de chumbo(5) — ou que não reunisse as condições para ser eleitor. previstas nos incs. fundamentalmente. alterado pelo Decreto-lei n. 204. Edésio. p.Jornal do Congresso . importa-se aquele modo de relações de poder. Revista de Sociologia e política n. 531). superado o período do arbítrio. cit. IV e V do art. reconhecidas legalmente com antigo e vindicado critério de representatividade pelo movimento sindical. Consultado em 01 de maio de 2014. O texto normativo sintetiza a regulação dos processos eleitorais sindicais pelo MTE. caracteriza-se pela: fragilização da sociedade civil perante o Estado. via portaria (§ 4º do art. como analisado por Saes. Diga-se de passagem. evidentemente influenciando o processo constituinte da construção da cultura política e organizativa do operariado brasileiro. combinado com a adoção de um sistema de pluralidade na cúpula.

na realização de um processo eleitoral democrático. Edson Bueno.0005. Brasília.5. 2013. visando aferir o eventual déficit na adesão às instituições políticas. ora recepcionando os dispositivos celetários pertinentes às eleições sindicais. 530 e 531 da CLT na solução de conflitos intrassindicais: TRT 08ª R. a jurisprudência vem repercutindo e aplicando o modelo de processo eleitoral inserido no marco regulatório da CLT. TST. Vladson Bahia. 44. Des. sempre nos moldes da Constituição Federal. p. No plano da participação política ou do associativismo. 67. de forma peremptória e exclusiva. p. especificamente na sua agenda legislativa(13). Além disso. Relª Desª Fed. TRT 07ª R. derivado de uma releitura e adequação ao texto constitucional(11). vale registrar alguns dados: a) segundo estudos da OIT(14) a taxa média de sindicalização.5. DEJTMA 5. no caso. 79 . p.2005. 56 (10) Arestos que reconhecem a incompatibilidade e não recepção dos arts.5. na manifestação da sua representação sindical mais influente.11.2012. RO 190486.2013.. Godofredo.pdf>. Juiz João de Deus Gomes de Souza.Jornal do Congresso institucional da OIT(12).2011. Des. Franco Diniz. Nosso modelo sindical está assentado numa estruturação socioeconômica e constitucional. Rel.07. Coréia do Sul) e outras nações de expressivo desenvolvimento capitalista (India e China). DEJTPA 23. AIRR 0000491-14. políticos e econômicos da sociedade brasileira.cni. Basta uma breve pesquisa nos repertórios de jurisprudência. no tópico atinente a questão do modelo sindical. RO 0000491-14. todavia a despeito do horizonte e fundamento valorativo constitucional — democrático e pluralista — ainda assim. DEJTCE 27.0001. foi de 16% (de(12) Na nossa visão esta questão merece uma análise um pouco mais acurada. AP 0000352-92. culturais.2005. p. p. Ericson.2008.11. Izabella de Castro Ramos.12. mesmo assim.6. Pastora do Socorro Teixeira Leal. com isonomia. Consultado em 1 de maio de 2014. 29.0004.2010.5. Para além dos debates acadêmicos no âmbito da ciência juslaboral e (9) CRIVELLI. resultante do nosso estágio e desenvolvimento civilizatório.br/sites/default/files/topic/gender/doc/ relatoriotdvers%C3%A3oweb_876.. Julg. o patronato industrial defende a manutenção do sistema sindical com pequenos ajustes.org.2012. sociais. um sindicalismo maior ou menor estágio organizacional ou de representatividade. (11) Decisões que aplicam os arts. amalgamado a partir dos seus elementos históricos.9. Rel. Guilherme Augusto Caputo Bastos. A crise dos referenciais normativos e do modelo de democracia sindical Os aspecto constitutivos da democracia sindical eleitoral. mas.. Julg. DEJTMS 17. 532 da CLT ao texto constitucional: TRT 24ª R.pdf>. também... 40. Min. Rel. RO 153000-02.2011. Frederico. não define. Democracia Sindical no Brasil. obviamente. Rel. desde o sindicalismo laboral ao sindicalismo patronal. (14) Organização Internacional do Trabalho. Outro aspecto controvertido da democracia sindical é que a ratificação da Convenção n. São Paulo: LTr.11. ROS 153400-84. p. James Magno Araújo Farias. observa-se que países com democracia liberal estável (Brasil. assecuratório do direito de oposição(9). Primeira Turma. os atores sociais de forma majoritária rejeitam o modelo pluralista. p. assim entendida. Relª Desª Dulcina de Holanda Palhano. Perfil do trabalho decente no Brasil: um olhar sobre as unidades da Federação. 20. p. embora considere salutar como objetivo de qualquer sistema sindical.5. Segunda Turma.0108.16. Por exemplo. aqui se adota o modelo comparativo entre instituições da democracia representativa (sindicato-partido).2012.0004. que indicam um aspecto pendular: ora rechaçando a aplicação do texto celetário.4.2012. portanto a adesão ou não ao tratado. 1955. Disponível em: <http:// www.6. Relª Juíza Conv.br/portal/data/files/ FF808081394937F001396E54A78251C1/Agenda%20 Legislativa%202012.org. poderia se afirmar que a seção relativa às eleições sindicais estaria derrogada pelo texto constitucional.23.5. DOEMS 5. Gonçalves Cezar. 87 da Organização Internacional do Trabalho/ OIT. lisura e imparcialidade teria quais referenciais normativos? Numa primeira leitura.oit. TRT 16ª R.24.23. 529. DEJT 19. porém. DEJTMT 20. invocando sua desarmonia com o texto constitucional(10). 530.12. a Confederação Nacional da Indústria/CNI. 3. 17. para problematizar a democracia sindical e sua crise. RO 1491/2004-004-24-00-2. TRT 24ª R. tal intento terá um longo percurso. 2000.08. Quarta Turma.2011.0001.2012..2012.2009. 6.4. Portanto. pois confrontados os países não ratificantes da Convenção 87 da OIT. seria uma forma de resolução do déficit democrático dos sindicatos. LTr . 104. Disponível em: <http://www. (13) Confederação Nacional da Indústria. para o ano de 2009. Estados Unidos. Unidade de Assuntos Legislativos — Agenda Legislativa da Indústria 2013 / Orgs: Menezes. Consultado em 29 de abril de 2014. TRT 23ª R. p. Primeira Turma. no caso brasileiro.

em que se verificou o claro divórcio entre a pauta dos manifestantes e a incapacidade e/ou descrença de que instituições representativas possam canalizar as demandas sociais. Consultado em 30 de abril de 2014. processos decisórios (eleições/ assembleias) e regras internas. Pelo contrário. 3ª ed.. pois se tutela o direito de participação. em especial os metalúrgicos do ABC/São Paulo. democracia direta e neoliberalismo na ordem global. para o referido autor. São Paulo: Ed. baixa adesão aos partidos. b) igualdade de direitos ou paridade de armas. No caso brasileiro.. o processo político de efetiva legitimação democrática foi precedido por um período de luta pela anistia. É. 2013. em 1986. Liberalismo e Democracia. 5. embora contando com um sistema pluripartidário. crível afirmar que a população brasileira tem baixa adesão às instituições representativas da democracia. combinado a mecanismos de legitimação da direção sindical. com as grandes greves e o surgimento de grandes líderes. Ainda.tse. É um reflexo da sociedade brasileira em que não há estímulo ou desencanto com a vida associativa e organizada — partidária ou sindical. Brasiliense. seja via a inscrição de eleitores ao(s) partido(s). (20) CRIVELLI. op.jus. desenvolveram lutas. 2011. Ericson. eleições diretas.. Curso de direito do trabalho: relações individuais. eleger-se deputado constituinte. p. 9-61. 194-201. cit.970. Para Bobbio(16) a democracia moderna. São Paulo: Saraiva. a estruturação e funcionamento do subsistema político de democracia na estrutura sindical não está imune. É um dado da realidade. b) segundo dados do TSE(15). 628. p.296 de eleitores filiados a partidos políticos. p. coexistência de grupos de oposição (princípios da pluralidade e tolerância). negociação e contratação coletiva) e autoridades em geral. que mesmo limitadas pela ditadura militar. nas palavras de Genro(21): (18) MARTINEZ. seja via filiação dos trabalhadores ao sindicato. 80 Desse modo. formata-se na modalidade de democracia representativa. segundo Crivelli(20). sindicais e coletivas do trabalho. compreendido na década — 1975 a 1985 — onde há participação decisiva das entidades sindicais.(19) A democracia como procedimento — que supera a formalidade democrática. Edésio. (15) Tribunal Superior Eleitoral. a taxa média de filiação partidária. (17) PASSOS.violentar a democracia interna ou quando negar os valores que lhe são próprios e essenciais. como também. como sintetiza Passos(17). Somado a isto. 2002. 1990. a democracia sindical possui aspectos internos e externos: a) internos — análise nas relações de poder. 369-374 (19) ___________. (21) GENRO. 6.Jornal do Congresso . ainda assim. op. a conformação do regime democrático intrassindical ou democracia sindical interna tem fundamento axiológico na CF/88 (democrático e pluralista). constituinte. juntamente com outros dirigentes sindicais. com participação de forma direta ou indireta nos espaços deliberativos. Crise da democracia: direito. LTr . há no fundamento ético da soberania interna expressa nas assembleias. conforme Martinez(18). b) externos: refere-se à relação frente aos empregadores (greve.8% (dez virgula oito por cento). dentre eles Luis Inácio Lula da Silva que viria. resulta num índice de adesão formal partidária de 10. São Paulo: Saraiva. a própria entidade sindical pode cometer ato antissindical quando “. O Brasil contava com 11.”. necessária expressão de fonte de consulta e legitimação. Democracia sindical: aspectos constitutivos e disjuntivos do processo político interno. (16) BOBBIO. está conectado ao processo de crise democrática e representatividade na sociedade brasileira. 22. mas em verdade garante a ampla igualdade de condições (método ou inspiração ética): a) igualdade perante a lei e estatutos. Condutas Antissindicais.br/eleicoes/estatisticas/filiados>. Nessa senda. Um reflexo disso foram as manifestações populares de junho de 2013. Petrópolis/RJ: Vozes. Norberto. p. tendo como ultima ratio a formação de entidades sindicais lastreadas em bases democráticas (estruturação e funcionamento). p. Disponível em: <http:// www.zesseis por cento). Conclusão Em suma. portanto. em que o espaço do debate político iguala e valoriza o espaço deliberativo expresso no voto. cit. as pessoas têm baixa participação política nos sindicatos. Tarso.. inserida no Estado liberal. caracterizado pela variada matiz ideológica. Luciano. p.

seja nacional ou local. A superação do modelo (22) MOYA. Constitucionalismo e democracia: uma leitura a partir de Carlos Santiago Ninno e Roberto Gargarella. In GODOY. 72-73. mediado pelo necessário debate público inserido na vida sindical. São Paulo: Saraiva: 2012.“Esta cultura do consumismo.. de modo que expresse a vontade coletiva dos interessados.” Portanto.) reduz a capacidade de coesão da cultura democrática tradicional: o sentimento de pertencimento à comunidade determinada. influenciará na conformação de uma nova cultura política dos trabalhadores e de suas instituições sindicais. Democracia sindical interna: un analisis juridico. é substituído pelo sentimento de vinculação através do consumo e dirigido ao prazer alienado. 81 . (23) Modelo de democracia proposto por Santiago Ninno. tornando os sindicatos num espaço de democracia deliberativa com decisões coletivas e imparciais(23). p. Miguel Gualano. definido por Moya(22). LTr . a superação deste modelo individualista-consumista que influencia e aflige os trabalhadores exige um imperativo ético. materializado num projeto político-jurídico de conteúdo e alcance da democraticidade sindical. A execução deste projeto político elevará o patamar civilizatório da representação sindical. 17-25.Jornal do Congresso individualista por um associativo-público consistirá na superação do déficit de legitimação e de representatividade sindical. Madrid: Editorial Trotta. Rosario Gallardo.. p. como elemento desestruturador da ideia democrática(. por conseguinte.

em uma determinada base territorial. 39ª ed. Jouberto de Quadros Pessoa.II. 2012. A relação coletiva de trabalho para parte dos doutrinadores é adotado a denominação Direito Coletivo do Trabalho. Octávio Bueno. Munhoz Maia Estudantes de Direito na Instituição de Direito de Sorocaba — FADI A doutrina costuma distinguir o Direito do Trabalho em basicamente dois tipos de relações: a individual e a coletiva. Cognitio Juris. Mauricio Godinho. Compêndio de direito sindical. a negociação coletiva e os instrumentos normativos decorrentes. 2012)(5). Iniciação ao Direito do Trabalho. O autor afirma ainda que ao impor o princípio da uniTrabalho — Direito Coletivo do Trabalho. 2014. agosto 2012. A unicidade sindical é a vedação do direito de criação de mais de um sindicato na mesma base territorial. É a chamada unicidade ou monismo sindical. Amauri Mascaro.Jornal do Congresso . Curso de Direito do Trabalho. inclusive. Editora LTr. a apenas um ente sindical representativo de determinada categoria profissional ou de certa atividade econômica. 2014.com/artigos/05/08. Direito Coletivo do Trabalho “é a parte do Direito do Trabalho que tem por objetivo regular os interesses da categoria profissional de cada um dos sujeitos laborais”. as demais organizações sindicais. Francisco Ferreira Jorge. as convenções coletivas e a greve”. tecnicamente. A partir do exposto definimos Direito Coletivo do Trabalho como o segmento do Direito do Trabalho que regula a organização sindical. (6) NASCIMENTO. São Paulo. Rio de Janeiro: Forense. Amauri Mascaro. os conflitos coletivos de trabalho e suas formas de solução. São Paulo: LTr. Acesso em: 30 de Abril de 2014. Número 5. Assim. São Paulo: Atlas. Direito do trabalho. Octávio Bueno Magaconceitua “Direito Coletivo do Trabalho é a (4) (1) DELGADO. Gustavo Filipe Barbosa. LTr . Manual de Direito do 82 Para Amauri Mascaro Nascimento(6) a lei poderá limitar a criação de sindicatos. (5) GARCIA. com destaque para as relações sociojurídicas dos grupos. Disponível em: <http:// www. São Paulo. parte da doutrina prefere denominar a matéria como Direito Coletivo do Trabalho. Ed.html>. diz respeito ao contrato individual de trabalho entre empregado e empregador e seus interesses individuais. as entidades sindicais. 1995. no Nesta mesma linha. São Paulo: LTr. as questões ultrapassam o contrato individual de trabalho para atingir uma coletividade que se une para defender suas reivindicações. como as relações coletivas de trabalho não se restringem aos entes sindicais. No entanto. nesta. já para outros Direito sindical. (3) NASCIMENTO. com vista aos sujeitos do direito coletivo. 13ª ed. (2) RUPRECHT.É POSSÍVEL DEFENDER A MANUTENÇÃO DA UNICIDADE SINDICAL? Gilzana Lima Janaina Aparecida do N. 2013. parte do Direito do Trabalho que trata da organização sindical. Os Princípios do Direito do Trabalho. às subjetivistas. A denominação Direito Coletivo do Trabalho tem caráter objetivista. (2) A denominação Direito Sindical tem caráter subjetivo. RODRIGUES. 6ª ed. NETO. Direito coletivo do trabalho. Ano II. por enfocarem a estrutura e as relações do ramo jurídico a que se reportam. São Paulo: LTr.cognitiojuris. Organização sindical — estrutura externa. Naquela. da negociação e da convenção coletiva do trabalho. João Pessoa. Alfredo J. 7ª ed. De forma resumida os autores que adotam a denominação Direito Sindical asseveram ser o direito sindicato a figura de maior destaque no setor do direito em análise. LTr. CAVALCANTE. a representação dos trabalhadores nas empresas. ao invés de apenas indicarem um de seus sujeitos atuantes”. Conceito Para Alfredo Ruprecht . (4) MAGANO. Desta forma Amauri Mascaro do Nascimento(3) conceitua Direito Sindical como sendo “ramo do Direito do Trabalho que estuda os sindicatos. Vol. 1995. 7ª ed. dos conflitos coletivos do trabalho e dos mecanismos de solução dos mesmos conflitos”. 2012. para Maurício Godinho Delgado (1)“as denominações objetivistas tendem a ser superiores. a representação dos trabalhadores na empresa e a greve (GARCIA. Silvana Maria de Oliveira Prince.

por meio da Convenção n. sindicatos de trabalhadores autônomos e sindicatos de profissionais liberais. com o desequilíbrio nas relações jurídico-econômicas entre o trabalho e capital. 8º. mas que se contradiz com a proibição de mais de um sindicato da categoria na mesma base territorial.cidade sindical o país não acompanhou a evolução do sindicalismo dos países democráticos. É importante ressaltar que o Brasil não ratificou a Convenção n. tanto para a caracterização de outros sindicatos em razão das organizações monopolistas já constituídas como também o livre arbítrio de seu associado se filiar. Outras Convenções foram criadas pela OIT para complementar. pois estabelece princípios e diretrizes da liberdade sindical. 8º. No Brasil. incisos I e V. 87 da OIT. instituiu o princípio da liberdade sindical como condição sine qua non para uma efetiva melhoria nas condições dos trabalhadores. extirpando a obrigatoriedade de o trabalhador filiar-se ou manter-se filiado a sindicato. Ao decorrer da história os sindicatos foram surgindo. de 1948. 87 da OIT No entanto ao realizar a leitura dos arts. administrar sindicatos. depois na França em 1884. sindicatos de categorias econômicas. proibiam as corporações de ofício e ao mesmo tempo acabou por suprimir o direito de associação. entre elas as de n. 98 de 1849. podendo desta forma ser considerada como pilar do direito sindical. n. não mais se exigindo a prévia autorização do poder estatal para criação dos entes sindicais. Em alguns países. que tratam. Surgiu então primeiramente na Inglaterra 1824. Alemanha e Itália. mas uma liberdade limitada. n. As péssimas condições de trabalho desta época. 151 de 1978. da autonomia sindical (em uma das suas facetas). sendo o principal deles a não intervenção ou interferência do Poder Público na organização sindical. garantir a atuação dos sindicatos e a de assegurar o direito de se filiar ou não a um sindicato. com uma existência institucional. mas como uma nova realidade. a Constituição Federal de 1988. sindicatos de categorias diferenciadas. garantia o direito ao homem de se organizar em sindicatos com a finalidade de proteger seus interesses comuns. no art. visto que a doutrina traz várias classificações permitindo aos sindicatos se dividirem em: sindicatos de categorias. 154 de 1981. foi adotado o princípio da pluralidade sindical. podendo ser resumida em: fundar sindicatos. que são os trabalhadores de uma mesma profissão. Documentos importantes no plano internacional como a Declaração Universal de Direitos do Homem. Além dessas classificações. que são os de empregadores. 141 de 1975 e n. Unicidade sindical A Constituição Federal de 1988 introduziu princípios do direito coletivo. Concenção n. chegando a determinado ponto que este não poderia ser defeso em lei. por exemplo. 87. primeiro país a garantir o direito de associação em 1919. 8º que garante a liberdade sindical. LTr . II da CF/88 e 516 da CLT é possível se verificar que o Brasil adotou o sistema da unicidade sindical — os sindicatos só podem representar uma categoria em determinada base territorial. como a França. com uma forma de buscar melhores condições de trabalho. Evolução histórica do sindicato Na Revolução Industrial. Isto pode ser confirmado. segundo o qual na mesma base territorial pode ser criados tantos sindicatos quantos os trabalhadores de uma categoria quiserem. Com a Revolução Francesa em 1789. normatizada pelo liberalismo jurídico viciado pela desigualdade entre os trabalhadores e empregadores. é que se iniciou a consciência operaria de lutar em busca de seus interesses. porém essa unicidade não é absoluta. por exemplo. mesmo sem apoio legal. respectivamente. que são os de trabalhadores. e da livre associação sindical. foram fatores determinantes para o surgimento do sindicalismo. a Constituição Federal de 1988 no mesmo art. é possível ainda a dissociação ou desdobramento de categorias ecléticas — inte- Organização Internacional do Trabalho (OIT). e por fim na Alemanha. durante o século XVIII. em vários dos seus dispositivos assegurou a liberdade sindical.Jornal do Congresso 83 .

ao se fazer uma comparação entre as duas modalidades existentes. passem a ser categorias específicas (NASCIMENTO. cada um poderia constituir o sindicato que quisesse. as pessoas iriam perceber que muitos sindicatos não têm poder de pressão e iriam começar a se agrupar. Amauri Mascaro. Posteriormente. Sergio Pinto Martins(8) é um dos defensores da pluralidade sindical e conclui que “Com a pluralidade sindical. ao passo que os sindicatos. O ideal seria o Brasil ratificar de vez a Convenção n. Os sindicatos devem ser criados por profissão ou por atividade do empregador. já que para nós concluímos que acima do princípio da liberdade sindical prevalece o princípio do interesse social dos trabalhadores. para deixar de vez esse modelo corporativista sindical (ou semicorporativista) que inibe qualquer possibilidade de desenvolvimento da representação e participação dos trabalhadores na gestão das empresas. São Paulo: LTr. Sergio Pinto. destacando-se. Direito do trabalho. LTr . 2012. É o modelo escolhido pela maior parte dos países democráticos. acabam por se tornarem um sindicato uno. Já a pluralidade sindical não há limitação na criação dos órgãos sindicais. (7) NASCIMENTO. 84 Como visto a unicidade sindical proíbe a livre criação de sindicatos. Compêndio de direito sindical. que é ser possível ou não do modelo da unicidade sindical. não pode ser inferior a um município. a criação de muitos sindicatos. A tendência seria. por conta das próprias circunstâncias. num primeiro momento. conexas ou similares para que estas. depreende-se que a unicidade sindical termina por tolher a tão almejada liberdade sindical. por livre escolha dos seus integrantes. no entanto permanece com um sistema de índole evidentemente autoritária. visto que os sindicatos tem por objetivo defender os interesses de seus representados. São Paulo: Atlas. podendo estes ser livremente instituídos. Esse meio de dissociação de sindicatos funciona como uma alternativa para a pluralidade sindical e se for reelaborado em alguns pontos talvez possa compatibilizar nosso ordenamento jurídico com a liberdade sindical preconizada pela OIT. pois sozinhos não teriam condições de reivindicar melhores condições de trabalho. já alcançada por muitos países que adotaram o pluralismo sindical. (8) MARTINS. 2014)(7).” Conclusão O estudo da liberdade sindical no Brasil esbarra em uma questão relativamente complexa. a qual. na realidade brasileira. 35ª ed.gradas por atividades principais. o Brasil. 2014. restringindo-os a um único ente sindical por categoria profissional ou por atividade econômica em determinada base territorial. da pluralidade pode derivar a unidade sindical. 87 da OIT ao invés de garantir uma liberdade mascarada.Jornal do Congresso . porém livremente. A nosso sentir. 7ª ed. A nosso sentir.

Professora das Faculdades Milton Campos (graduação). propiciando a consolidação de um movimento sindical que não mais contesta o sistema capitalista industrial. 85 . a organização da resistência coletiva dos trabalhadores absorve elementos da própria organização da produção e vice-versa. a reorganização produtiva se desenvolveu absorvendo bandeiras do próprio movimento que contestava. promovendo uma política macroeconômica keynesiana. trabalho e Estado. 1. que aceita a reunião de trabalhadores subordinados em um mesmo espaço físico. Ou seja. Mas que exige a construção de direitos trabalhistas como forma de impor limites à exploração do trabalho. Ao se analisar o desenvolvimento histórico do movimento sindical. em um segundo momento. em um primeiro momento. para. Quando. observa-se que. tentaram impedir a implantação do sistema fabril de produção — ainda incipiente naquela época — buscando preservar sua condição de artesãos livres. utilizando este elemento da racionalização da produção para fortificar a resistência coletiva. dos lucros — por meio da distribuição de renda propiciada pela edificação de direitos sociais. 2002a. Tal aceitação — pelos trabalhadores — da forma de organização da produção se aprofunda ao longo do século XX. se esboçará o desenvolvimento histórico do movimento sindical e. especialmente após o término da segunda guerra mundial. o sindicalismo moderno. os luddistas do norte da Inglaterra. aceitar tais formas de estruturação do processo produtivo e dela retirar elementos para fortalecer sua resistência. LTr .A ORGANIZAÇÃO SINDICAL. ao longo de sua história. O pós-fordismo incorporou noções de igualdade e liberdade que se revelaram como fortes anseios dos trabalhadores e seus filhos. ocorreu a primeira fissura do “pacto fordista”. onde este último media interesses das classes que se opõe. Modernidade e Democracia pela PUC Minas. o capital. No entanto. se desenvolve em uma relação de mimetismo com o próprio capital. Thompson (2004.Jornal do Congresso O momento posterior do sindicalismo inglês se desenvolve ainda no século XIX. o sindicalismo busca impedir que o capital imponha sua forma de organizar o trabalho. consequentemente. inclusive na representação sindical. É assim que se consolida o “pacto fordista”. em sua múltiplas esferas. O movimento sindical imita o capital e vice-versa Segundo Márcio Túlio Viana (1999). O PLURALISMO E A NECESSIDADE DE EMERGÊNCIA DAS SINGULARIDADES Maíra Neiva Gomes Coordenadora do Departamento Jurídico e Coordenadora Pedagógica do Programa de Formação Política Permanente Ignácio Hernandez do Sindicato dos Metalúrgicos de Belo Horizonte. Para tanto. com o cartismo. 2002b). a partir da compreensão da necessidade de reaquisição de legitimidade social das entidades sindicais profissionais. o movimento de mimetismo também pode ser observado na própria organização do espaço produtivo. Mestre e Doutoranda em Direito do Trabalho. com destaque para o próprio Direito do Trabalho. 87 da OIT. o declínio do método cartesiano e a necessidade de emergência das singularidades. no início do século XIX. Especialista em Direito Material e Processual do Trabalho pela Faculdade Pitágoras. inicialmente. A CONVENÇÃO 87 DA OIT. 2.P. Introdução O intuito do presente estudo é analisar a possibilidade de adoção da Convenção n. posteriormente. na década de 1960/1970. calcada na elevação progressiva do consumo — e. Pacto implícito entre capital. Contagem e Região. De acordo com o historiador E.

Mas onde se encaixa a Convenção n. o que Descartes denominava de etapa indutiva. Isso porque tudo que é novo causa estranheza e dificuldades de adaptação. No método de analise sugerido por Descartes (2000). 86 assegurar a homogeneidade e continuidade do encadeamento das razões. quanto espaço produtivo não são desconectados da realidade social. procedendo a ordenação das proposições obtidas na primeira fase do processo de conhecimento. mais claros. menos hierarquizado. substituída pelo termo “colaborador” e outros similares. portanto. a reflexão se dá a partir da observação e compreensão da relação de dependência entre os objetos. quando as singulares requerem reconhecimento. o método científico consistia na decomposição do todo em elementos mais simples e evidentes que seriam. mulheres. a realização de reuniões periódicas para discutir problemas e soluções do processo produtivo criaram o simbolismo de maior igualdade e liberdade no espaço produtivo. Ou seja. 87 da OIT nesse contexto? Ora. garantindo-se assim a universalidade das “verdades” científicas. É preciso sim reconhecer as diferenças. calcado no pluralismo de ideias e na possibilidade de emergência das singularidades representadas implique. Considerações finais Talvez. essas novas técnicas de gestão de mão-de-obra vem recrudescendo o poder diretivo que se interioriza na alma dos trabalhadores e passa também a ser exercido por eles mesmos. Mas é ainda assim que hoje se vê a sociedade? Na segunda metade do século XX. em um primeiro momento. entre os trabalhadores existe sim diferenças relevantes. inicia-se o processo dedutivo de síntese. a reinvenção do sindicalismo — que é marca constante de seu desenvolvimento LTr . a adoção de um modelo de ampla liberdade sindical. Bem como da necessidade do Estado de controlar o movimento sindical. que divide a classe trabalhadora em categorias. muitas vezes. O declínio do pensamento cartesiano e a necessária emergência das singularidades O pensamento científico tende a reproduzir elementos da própria cultura social. entre outros grupos sociais minoritários. pois o “pacto fordista”. homoafetivos. Mais do que isso. talvez. As elaborações anteriores — tanto do movimento sindical. Mas mais do que isso. No entanto. tanto sindicato. a designação de líderes de equipes pelos próprios trabalhadores. quanto da organização do capital — partiram de uma compreensão da própria sociedade que. É nesse contexto cultural que a normatização sindical se desenvolve no Brasil — e no mundo — na primeira metade do século XX.agora ingressos na Universidade nos países do capitalismo central.Jornal do Congresso . No entanto. ainda no século XVII. na fragilidade dos sindicatos. homogêneas. ela parte do princípio de que existem sim divergências no todo considerado homogêneo. hoje esteja em declínio. As contestações que emergem a partir da década de 1960 tocam justamente na inviabilidade de não se observar as opressões que se desenvolvem no seio social. assegurando-se que todas as singularidades se manifestem. divididas de forma estanque e compartimentada. 3. excluía singularidades relevantes e acabava por justificar opressões aos negros. No decorrer dos séculos XIX e XX havia uma crença no progresso ininterrupto da ciência e da própria tecnologia humana. No entanto. A premissa é da construção de unidades sólidas. o método de analise científica e das demais áreas do pensamento humano se dava a partir das premissas de homogeneidade compartimentada cartesiana. A partir da “revelação” da verdade das partes do objeto. começam a eclodir singularidades. Ou seja. ela reconhece o direito elementar da democracia no novo milênio. 4. conforme se pretende demonstrar no item posterior. inclusive na representação. de forma a (1) A eliminação da palavra empregado. tal como era a sociedade pela qual clamavam os movimentos contestatórios das décadas de 60/70. de reconstrução do todo. O espaço produtivo — pelo menos no que diz respeito às aparências iniciais(1) — se mostrou mais heterogêneo. É dessa ideia que nasce a teoria do sindicato único.

Jornal do Congresso 97 87 . 3. 5º. cesso (art. Márcio Túlio. 1. destacados 1996. de (5) enfoque para além do jurídico. 79 p. Márcio Túlio. 475-J do Código de Processo paradaseu fortalecimento. a busca da verdadeira efetividade deve VIANA. número 7. dev. Ordem legal X Mudança social: a crise do judiciário e a formação do magistrado. p. 1. um A formação da classe ope- O intérprete não devede seAdão.Jornal do Congresso LTr . 45/04.natureza alimentar — um pro2002a./jun. fundamental a todos os brasileiros (art. justrabalhista a alcançar esse2002b. legislação do trabalho.VIANA. 440 p. o que aé aplicabiessencial lidade multa do art. Rio de Jaonais de justrabalhistas. Ano 67. do prorária: a força dos trabalhadores. 204 p. jul. 2007. os princípios constitucionais irradiar sua aplicabiliHOBSBAWM. 5º.uma valorizando mais as questões — podedo propiciar maior identificação social de justiça do que os problemas de legalidade. Processo Civil. LTR — nidade um de maior efetividade no cumprimento das sentenças trabalhisIn: Revista CHAVES. Paz e Terra. Civil já é admitida por inúmeros autores. Tal princípio pressupõe uma visão social do sistema processual trabalho. quedarTrad. 11. p. 475-J do Código de Processo Civil no Processo do Trabalho não será a solução para todos os problemas de concretização dos direitos trabalhistas. A aplicação subsidiária do art. por exemplo. 2. o Diséculo XX — 1914 — 1991. O método colmatação a identifiVIANA. CF). (4) FARIA. José Eduardo. Cláudia Rocha de Almeicorporação novos O Processo do Traed. José Eduardo Faria(4)sentação. 1995. a argumentação torna-se mais consistente quando analisada a luz Referências bibliográficas da principiologia constitucional. LTr . São Paulo: do novo são um meio 1. São Paulo: LTr.oferecer ao seu te e credor de 347 bens p. LXXVIII. CF) e nos princípios constituciDenise Bottmann. pode ajudar a processualística neiro: Paz e Terra. 101-102. após a Emenda Constitucional n. de ed. José Eduardo (Org. 4. o sindicato pode voltar a Se numa análise infraconstitucional adquirir legitimidade social. Numa interpretação pós-positivista do processo. A formação da classe ope. René. São Paulo: Ática. Direitodedelacunas. 2000. nhia das Letras. 775-790. cesso mais ágil e eficaz(5). São Paulo: Escala. Lei n. pelo Poder 29 Judiciário. LXXVIII. balho da. deve4.tível com o novo dispositivo do Código de Processo Civil como é justificador de sua aplicação subsidiária.devem Era dos extremos: o breve dade a todos os subsistemas. 2. In: FARIA. de P. Nesse viés quaisquer interSantarrita. concretização dos princípios LTR. de Marreito Processual do Trabalho. p. Rio de Janeiro: tas. v. 2003. v. THOMPSON. ed. Rio de jurisdicionado-hipossufienJaneiro: Paz e Terra. dos trabalhadores com sua instituição de repreSob o prisma desse princípio. como. para se manifestarem. fundamentada princípio constitucional da razoável duração Trad. ed. jan. Trad. Direito e Justiça: a Função Social do Judiciário. principalmente. 3. Discurso do método. Belo Holados rizonte. será passo adiante. P. Luis Fernando Silva de. São Paulo. São Paulo: Compapretações cos dadas à legislação devem concretizar o espírito dos comandos constitucionais. p. 598 p. 456 acima. inerte de diante rária: a maldição Re-da letargia dos legisladores e diante dos percalços da innato de Neto e procedimentos. THOMPSON. Luciano Athayde. (59). 41-51. 2004. E. ressalta que “cabe a uma magistratura com um co- nhecimento multidisciplinar e poderes decisórios ampliaAbarcando diversos discursos e reivindicados à responsabilidade de reformular a partir das próprias ções. Trad. desiderato. Enfim. p. O direito. pela qual se assegurou a razoável duração do processo como direito DESCARTES. 1999. resistência — cação da omissão celetista e a percepção da coerência possibilidades de autodefesa do empregado dos princípios do Processo do Trabalho com a redação emdispositivo face do empregador. Direito Processual do Trabalho: Denise Bottmann. ed. Eric J. Terceirização e sindicato: CARVALHO. 249-275. A formação da classe ope-no 475-J do Código E. MárciodeTúlio. P. 1997.232/2005: Oporturária: a árvore da liberdade. Revista do que Tribunal Reos Magistrados os Advogados para a sociedade nuncagional perca ado esperança que seus direitos tuteTrabalhodeda 3ªterá Região.). a química e a tornar-se um objetivo comum principalmente dentre realidade esindical. mas já E. infraconstitucional ed. THOMPSON. cação subsidiária do art. Reforma e efetividade. onde as singularidades encontram espaços contradições sociais os conceitos fechados e tipificantes dos sistemas legais vigentes”.

e) a atividade de natureza não-lucrativa e d) o âmbito residencial. c) a prestação de serviço para pessoa física ou família. 338. entre eles o que prevê a duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais. discute-se de quem seria o ônus de provar sua ocorrência. Para que esse direito tenha a plena eficácia pretendida pela Constituição. Dessa forma. em especial quanto a seu controle e como se dará a aplicação do ônus da prova quando pleiteadas horas extras em juízo. limites de atraso. eis que dependem de regulamentação. C. de 11 de dezembro de 1972. as regras para adoção de controle de jornada de trabalho. compensação da jornada. os empregados domésticos passaram a ter direito à limitação da jornada de trabalho e consequentemente ao recebimento de horas extras. quando pleiteadas as horas extraordinárias em juízo. razão pela qual faz-se necessário um estudo pormenorizado do tema. 88 A Lei n. Não se aplicam as regras do horário noturno e seu adicional. como é o caso da jornada de trabalho. São Paulo: Método. Tendo em vista essa relação ocorrer no âmbito residencial e se tratar de situação de trabalho muito peculiar. mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. (1) Direito do Trabalho. b) a continuidade. trazendo a Emenda n.p. 8ª edição. a) o enquadramento do trabalhador como doméstico. 2013. como as regras para horas in itinere. 72/2013. etc. LTr . muitos questionamentos surgiram quanto à aplicação dos mesmos à realidade desses trabalhadores. aplica-se no que for compatível o capítulo da “duração do trabalho”. define como trabalhador doméstico aquele que presta serviços de natureza contínua e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família no âmbito residencial destas. alguns direitos ora reconhecidos geraram diversas discussões. o empregado doméstico passou da completa marginalização ao reconhecimento de alguns direitos. Referida Emenda Constitucional alterou o parágrafo único do art. a partir da promulgação da emenda. um dos temas mais discutidos é a jornada do trabalho. até que a lei específica discipline a questão. Somente com a presença desses requisitos uma relação pode ser considerada como doméstica. Nesse contexto. facultada a compensação de horários e a redução da jornada. Vólia Bomfim Cassar(1) define os requisitos para que uma relação seja considerada de trabalho doméstico. assegurando à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos previstos em diversos incisos. Assim. Joaquim Especialista em Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho Com o advento da Emenda Constitucional n. caso ultrapassado tal limite. Ao longo dos anos.6º Painel A quem incumbirá o ônus da prova da jornada cumprida em processos em que a litiguem o doméstico e seu empregador? Camila S. Diante das peculiaridades da relação de trabalho doméstica.Jornal do Congresso . 7º da Constituição Federal. que estendeu diversos direitos trabalhistas aos empregados domésticos. devem ser utilizadas analogicamente as regras da CLT. 5859. intervalos Interjornada e intrajornada. 72 quase a igualdade de direitos com os demais trabalhadores. Levando em consideração o conceito legal. tais sejam.

ao sentenciar o juiz verificará a quem cabia o encargo de prová-los. a jurisprudência estabeleceu duas situações onde haverá presunção relativa de veracidade das alegações do autor. pois se trata de fato constitutivo de seu direito. Nesse sentido. a não apresentação injustificada dos controles de frequência gera presunção relativa de veracidade da jornada de trabalho. 74. de demonstrar a existência ou inexistência daqueles fatos controvertidos no processo. a única hipótese em que o réu fica desincumbido de qualquer ônus da prova ocorre quando apresentar defesa de mérito direta por “negativa absoluta. relativo às horas extras. a aplicação prática dos novos direitos vem causando muitas dúvidas. § 2º. que tramita perante do Congresso Nacional. prevalecendo a jornada da inicial se dele não se desincumbir. não haverá necessidade de socorrer-se das regras sobre o ônus da prova. atrairá o ônus da prova. prevê em seu texto que o registro da jornada de trabalho do emprega89 . sua ocorrência não é muito comum na relação de trabalho doméstico. São Paulo: Saraiva. 6º. (2) Primeiras Linhas de Direito Processual Civil. Tal hipótese ocorrerá sempre que o réu negar os fatos constitutivos do direito do autor com base em uma afirmativa. necessários para o convencimento do juiz. As situações que permitem a inversão do ônus da prova quando se trata de horas extras estão previstas na Súmula n. II — ao réu. mesmo ao apresentar defesa de mérito direta. quanto à existência de fato impeditivo. que passa a ser do empregador. caso isso ocorra. porém em casos onde a realização da instrução não for suficiente para tanto.(2) Em relação às horas extras. se o juiz concluiu a instrução e formou seu convencimento sobre os fatos. p. em regra. na prática têm-se realizado o emprego subsidiário da CLT nessas relações. ao prever que este incumbe: I — ao autor. 2008. Insta salientar que. ponto que atrai a aplicação analógica ao direito do trabalho. o art. que tem como pressuposto a hipossuficiência do trabalhador. O art. a qual pode ser elidida por prova em contrário. é importante destacar que o Projeto de Lei n. adverte que há casos pelos quais o réu. ocorrerá a inversão do ônus da prova. devendo. No segundo caso. Quanto à primeira situação. portanto. 224/2013. Por sua vez. Cabe ressaltar que. que traz como requisitos a verossimilhança da alegação ou quando ele for hipossuficiente. tendo em vista a omissão legislativa e a necessidade de dar-se aplicabilidade imediata aos dispositivos constitucionais. uma vez adotado o controle. 362. quanto ao fato constitutivo do seu direito. “fazer a contraprova ou prova contrária”. 338 do Tribunal Superior do Trabalho. o registro da jornada é obrigatório e a não apresentação desses culminará na inversão do ônus da prova para o empregador. a fim de solucionar as questões levadas a juízo. em especial quando se trata do ônus de comprovar eventuais horas extraordinárias. embora a CLT afaste a aplicação de seus dispositivos aos domésticos. atribuído a uma das partes. sendo ônus do empregador que conta com mais de 10 (dez) empregados o registro da jornada de trabalho na forma do art. a regra contida nos dispositivos acima mencionados prevalecerá. sendo o ônus da prova do autor. A inversão do ônus da prova tem sido admitida na seara trabalhista. Porém. da CLT. os mesmos tem que ser idôneos e caso apresentem horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de prova. ou indeterminada”.Jornal do Congresso A segunda determina que os cartões de ponto que demonstram horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de prova. em situações excepcionais.Por se tratar de significativa mudança no regramento legal anterior. A primeira delas prevê que. 818 da CLT determina que a prova das alegações incumbe à parte que as fizer. O princípio é consagrado no Código de Defesa do Consumidor. modificativo ou extintivo do direito do autor. muitas delas concentrando-se no campo processual. em seu art. LTr . invertendo-se o ônus da prova. 333 do Código de Processo Civil sintetiza o ônus da prova. invertendo-se o ônus para o empregador. VIII. O ônus da prova pode ser definido como o encargo. ou seja. Por este raciocínio. eis que apenas poucas famílias têm a possibilidade de contar com mais de 10 (dez) empregados em sua residência. Moacyr Amaral Santos. Porém. entretanto.

2012. 2008. evitando-se a oneração excessiva de alguma das partes. OLIVEIRA. Vólia Bomfim. Direito do Trabalho. São Paulo: LTR. é importante lembrar que nas relações de trabalho doméstico. 45. A prova no Processo do Trabalho. 1999. eis que uma vez obrigatório o registro. dentre outros avanços — como a con90 sagração do princípio da razoável duração do processo e meios que garantam a sua celeridade enquanto direito fundamental e pétreo dos indivíduos. 2013. as regras relativas ao ônus da prova devem ser adotadas com cuidado pelos magistrados. o ônus da prova automaticamente passará ao empregador.2004. São Paulo: Método. Moacyr Amaral. SANTOS. São Paulo: Saraiva. em especial quanto à jor- nada de trabalho. 10ª ed. enquanto não regulamentada definitivamente a questão. será alterada a dinâmica existente atualmente. especialmente no âmbito processual. Carlos Henrique Bezerra. Primeiras Linhas de Direito Processual Civil. de eficácia social plena e aplicação imeLTr .2004. para que tenha plena efetividade é necessária sua regulamentação infra legal. Assim. Professor de Direito nas Faculdades Integradas Ipiranga e na Famaz – Faculdade Metropolitana da Amazônia. sempre ressaltando-se as características especiais da relação de trabalho doméstico. 72/2023 represente grande inovação nos direitos concedidos aos domésticos no Brasil. razão pela qual as regras quanto ao ônus da prova devem ser aplicadas de forma cautelosa. Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade de Campinas e Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes. embora a Emenda Constitucional n. mecânica (relógio de ponto) ou eletronicamente. De qualquer forma. Ante tais fatos. 8ª ed. ALCANCE DA EXPRESSÃO “OUTRAS CONTROVÉRSIAS DECORRENTES DA RELAÇÃO DE TRABALHO”.do doméstico será obrigatório e poderá ser feito manual (folhas de ponto). Bibliografia CASSAR. conhecida como “Reforma do Poder Judiciário”. trouxe. Francisco Antonio de. LEITE. Curso de Direito Processual do Trabalho. atualmente exerce o cargo em comissão de Assessor Jurídico-Administrativo. muitas vezes o empregador também pode ser considerado hipossuficiente e se colocar em pé de igualdade com o empregado. 114 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL Igor Zwicker Martins Bacharel em Direito e Especialista em Gestão de Serviços Públicos pela Universidade da Amazônia. caso aprovado tal dispositivo. INSERTA NO INCISO IX DO ART.Jornal do Congresso . que certamente é a novidade que mais gera dúvidas.12. A Emenda Constitucional n. Analista Judiciário – Área Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. Ou seja. de 30.12. publicada no DOU de 31. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais.

Marcos Neves (coords. onerosidade e subordinação jurídica. mas que têm se revelado minoritárias e excepcionais. 5. Quando a CF tratou de “outras controvérsias” decorrentes das relações de trabalho. Vicente José Malheiros da. 114 da CF para percebermos que a interpretação que se dá à expressão “outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho”. isto é. o próprio Judiciário Trabalhista foi tímido. por sua vez. da CLT). 2005. jogou pá de cal na cizânia para consagrar a competência material da Justiça do Trabalho para todas as relações de trabalho. § 3º. No caso concreto. inserta no inciso IX. São Paulo: LTr. Outrossim. como pretendeu o Poder Constituinte Derivado de 2004. 643 da CLT) e de trabalhadores portuários e os operadores portuários ou o OGMO — Órgão Gestor de Mão de Obra decorrentes da relação de trabalho (art.2006.4. concluiu pela competência da Justiça do Trabalho para apreciar pedido de um motorista que denunciou ter sido incluído em “lista suja” por empresa que sequer foi sua empregadora. os incisos I e IX do art. 3. A título ilustrativo. a competência material da Justiça do Trabalho já vinha sendo alargada.395-MC/DF. posteriormente ratificada pelo Plenário. de trabalhadores rurais não sujeitos a vínculo empregatício (art. justamente por serem decisões.). Em 5. 5º. Justiça do Trabalho – nova competência. atual e notória. da CF) —. Nova competência da Justiça do Trabalho. que têm nos causado esse inconformismo. indicasse que a competência material da Justiça do Trabalho seria ampliada para “outras relações de trabalho”.2004. Se fosse para o inciso IX ter o mesmo vigor interpretativo do inciso I. não alcançou a amplitude pretendida pelo Poder Constituinte Derivado de 2004. por força da decisão liminar proferida pelo STF na ADI n. como se sinônimos fossem. se o inciso IX se referisse apenas a “relações de trabalho”. limitava-se — sem razão de ser — ao vínculo empregatício. diariamente. à exceção dos servidores públicos. justamente pelos quase dez anos passados de sua publicação no DOU. LXXVIII.Jornal do Congresso E pensamos dessa forma em decorrência do hábito que temos de ler. basta analisarmos. não eventualidade. a 3ª Turma do TST. nossa competência material. 652. a jurisprudência do TST e de tribunais regionais trabalhistas. taxativamente: “as ações oriundas das relações de trabalho”. LTr . a saber: as causas de interesse de pequenos empreiteiros (art. na petição inicial. FAVA. na interpretação que fez da referida Emenda — e Direito nada mais é que interpretação. embora soe contraditório e paradoxal tratar da Emenda Constitucional n. às relações de trabalho na qual estivessem necessariamente presentes — cumulativamente — os pressupostos da relação de emprego: pessoalidade. em 5. Ora. Isso porque. que a Constituição contém palavras inúteis. A Emenda Constitucional n.12. incluindo-se suas lides conexas. Grijalbo Fernandes. corretas. ao longo desses anos. o tema ainda se revela atual. Com efeito. não decorram quaisquer das hipóteses trazidas nos incisos I a VIII do art. seria admitir que a lei contém palavras inúteis — aliás. em acréscimo às relações de emprego.2014. por maioria. “que é motorista de carreta e que a re91 . 45 e de seus impactos na competência material da Justiça do Trabalho como um tema atual. 45.diata (art. foram poucas. entendemos que são toda e qualquer controvérsia que envolva relações de trabalho. como bem ressalta Vicente José Malheiros da Fonseca(1). para além do julgamento das ações que abrangem apenas conflitos oriundos das relações de emprego. combinadamente. e ter a oportunidade de constatar que decisões de vanguarda. de trabalhadores avulsos e seus tomadores de serviços (art.2. anterior a 31. 114 da CF. da causa de pedir remota — os fatos trazidos em juízo — não decorra necessariamente uma relação de trabalho ou.889/73). a. Com efeito. vinculados ao Poder Público por relação jurídico-estatutária. 114. e que já deveriam formar jurisprudência iterativa. In: COUTINHO. (1) FONSECA. gradativamente. a nosso ver. 17 da Lei n. consoante voto da relatoria do Ministro Cezar Peluso. a substancial ampliação da competência material da Justiça Especializada do Trabalho. ainda que. ainda. 643. nesses quase dez anos. no fundo. Isso porque o próprio inciso I já diz isso. que dão a perfeita amplitude ao inciso IX do art. o reclamante alegou. Entretanto. trazemos alguns exemplos práticos. isto é. então o inciso IX não teria razão de existir. da CLT). III.

4. a empresa-ré não mantém qualquer ligação direta com o autor. porquanto a ação movida pelo trabalhador faz referências a temas notadamente de direito trabalhista e processual trabalhista. tendo como substrato a reclamação trabalhista na qual os supostos acordos lesivos teriam sido firmados e homologados. sendo o caso sob exame bastante ilustrativo. o sindicato suscitou a incompetência material da Justiça do Trabalho. A controvérsia. com base nessas informações. pois a reclamada vem fornecendo informações negativas. O Relator do recurso do trabalhador. concluir: “Todavia.. tanto o Juízo da Vara Cível quanto o Juízo da Vara do Trabalho suscitaram sua incompetência material. esse entendimento merece ser reavaliado. 124. Naquela ação. 5º. Registro que não há prova alguma nos autos de que o autor tenha tentado manter vínculo de emprego com a ré. que prejudicou direitos de um trabalhador. com suas lides conexas (art. em 14. que. Desse modo. CF).clamada é seguradora de centenas de empresas que utilizam o transporte de cargas. abrange as relações de emprego e também as de trabalho. Naquela decisão. Ministro Mauricio Godinho Delgado. isto é. E conclui o eminente Ministro: Como se vê. Nesse contexto. citando interessante conflito negativo de competência julgado pela 2ª Seção do STJ: o CC n. somente a Justiça Especializada terá plenas condições de avaliar a procedência de tais alegações formuladas pelo autor contra o sindicato réu.2014. data maxima venia. 92 circunstâncias que enquadram. CF). CF). esta Justiça Especial não é a competente para apreciar e julgar a presente ação. impondo ao trabalhador restrições de acesso ao mercado de trabalho (art. Assim sendo. restringia-se à competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar lide na qual a causa de pedir remota era a inclusão do nome do empregado em “lista de risco”. não há entre o autor e a ré relação de trabalho. os quais configurariam conduta deficiente e danosa praticada pelo sindicato requerido ao representar o trabalhador. pois fora dos limites impostos pelo art. se o fez foi em relação à empresas que não fazem parte da lide.. vem sendo impedido de prestar serviços desde maio de 2006. o Juízo declarou a competência material da Justiça do Trabalho. I. o litígio nos marcos da competência da Justiça do Trabalho. com referência negativa no sentido de “não recomendado/com restrição”. alegando não se tratar nem de lide decorrente de relação de trabalho/emprego nem tampouco relativa a conflito de representação sindical. uma vez que a ré é uma empresa que assessora empresas outras que necessitam de transporte.) O fulcro da lide. e que. sobre processo no qual um sindicato foi condenado por incúria. a competência da Justiça do Trabalho. Por outro lado. ao final.930/MG. sendo seu relacionamento vinculado ao setor de transporte das empresas que possivelmente contratariam os serviços do autor. em seu Portal de Notícias. Naquele caso. 45/2004 (art. o impedem de trabalhar”. favoráveis à declaração da competência material da Justiça Comum Estadual. que em tudo recomenda que a apreciação seja feita pela própria Justiça Laboral”. O juízo obreiro terá melhor e mais adequada compreensão para avaliar as condutas imputadas ao réu e suas consequências para o trabalhador. gerando o citado conflito. (. Ministro Raul Araújo. dada a causa de pedir da ação indenizatória. foi divulgado julgado do egrégio TRT da 3ª Região. I a IX. recentemente. inapelavelmente. ampliada pela EC n. acertadamente assim consignou: Embora não empregatício o vínculo entre as partes (fato incontroverso). LTr . são as consequências oriundas de informações prestadas para possível empregador (relações de trabalho). XIII. fornecendo dados e informações sobre os prestadores de serviços. em razão de sua atuação. 114 da Constituição Federal. portanto. por conseguinte. Do que se viu. 114. E que interessante: o Relator. 114.Jornal do Congresso . naquele momento. traz em seu voto inúmeros julgados contrários ao seu entendimento. de acordo com o contrato que firmam. para. os fatos alegados na inicial dizem respeito a supostos atos praticados em juízo e a consectários desses na esfera extrajudicial. Segundo decisão da Corte Regional.(2) (2) Sem destaques no original.

ainda que. 114 da CF. Revista do TST. com respaldo no art. apud. afetivas. VI e IX. privação da convivência com os amigos. p. (1) Andreas J. cultura etc. os objetivos de importância vital para a realização 93 . Especialista em Direito do Trabalho/UFPE e em Direito Público/ESMAPE André Luiz Ferreira Santos Analista Judiciário (Área Direito)/TRT19. NÃO CONCESSÃO DE FÉRIAS — HORAS EXTRAS — DANO EXISTENCIAL Anne Helena Fischer Inojosa Juíza Titular de Vara do Trabalho/TRT19. p.Jornal do Congresso O dano existencial representa uma alteração substancial. A eficácia dos direitos fundamentais nas relações entre particulares: o caso das relações de trabalho. a demanda agitada pelo promovente será adequadamente conhecida e julgada. da Constituição Federal. nas relações familiares. 114. de 2004. Doutoranda em Direitos Fundamentais —Universidade Castilla-La Mancha. inclusive pelos próprios órgãos da Justiça do Trabalho. aí compreendendo-se o convívio familiar. aqui o que se resguarda é um plano maior. 77. é a “vida das relações”. 83. para entendermos que. na qual os acordos foram firmados. O dano existencial engloba duas vertentes: a privação da vida social do empregado. 114 da CF. culturais e abrange todo acontecimento que incida de forma negativa sobre os afazeres da pessoa. Graduando em Ciências Sociais/UFAL O dano existencial provém do direito italiano e é uma faceta dos danos imateriais tendo passado a ser uma figura indenizável. que visa garantir as prestações materiais básicas. Especialista em Direito Constitucional/UFAL e em Direito Público/CESMAC. ainda é muito tímida a interpretação que se dá ao inciso IX do art. a falta de se desenvolver uma atividade que dê prazer e realização. LTr . Direitos Sociais e Controle Judicial no Brasil e na Alemanha. 41-49. que ultrapassa o mínimo. conforme ensina o professor Andreas Krell(1). sociais. Krell. Como se vê. passível de repercutir de forma permanente ou temporária sobre a sua existência. Entendemos que esta modalidade de dano não advenha da doutrina do mínimo existencial do Direito Alemão. “Outras controvérsias” equivalem a toda e qualquer controvérsia que envolva relações de trabalho. não decorram quaisquer das hipóteses previstas nos incisos I a VIII do art. não quer dizer “relações de trabalho”. Espanha. e a vertente relativa às metas. aquelas necessárias para uma vida digna. uma renúncia de forma involuntária às atividades cotidianas.Somente no âmbito da Justiça Laboral. pois isso já foi dito no inciso I do mesmo art. incluindo-se as suas lides conexas. Daniel Sarmento e Fábio Rodrigues Gomes. É hora de imprimirmos a tal inciso o alcance que quis dar o Poder Constituin- te Derivado. a mesma que antes conheceu e julgou a lide original. v. quando o inciso IX trata de “outras controvérsias” decorrentes das relações de trabalho. 114. da causa de pedir remota.

No âmbito do Direito do Trabalho.24. no mínimo quando as mesmas são prestadas. um projeto de existência humana. Tal prova deve ser inconteste porque cada pessoa tem uma forma diversa de pensar e sentir.10. requer. a corte negou o dano existencial pleiteado porque não havia indicação precisa dos prejuízos sociais suportados por um motorista de caminhão que postulava a indenização por ter feito horas extras.0102. (4) Processo 0002659-46. 94 LTr . já tendo atingido o seu projeto de vida. assim como o pagamento com o acréscimo de 50%.jus. Em artigo na Revista Consultor Jurídico em 18/3/2014. d. O dano existencial é um dano que alcança a vítima de modo parcial ou total quanto à impossibilidade de execução. assessora do presidente da corporação reclamada. deve se utilizar do juízo de ponderação a fim de não banalizar mais um instituto de responsabilidade civil. cuja CTPS não havia sido assinada. o limite diário da sua prestação. continuação ou reconstrução do seu projeto de vida e a dificuldade de retomar sua vida em relação.2012. Do ponto de vista profissional.2013. não têm interesse em ascender. Tratava-se de uma economista. Um bom exemplo de aplicação do novel instituto no Brasil foi o julgamento do RR 72776. a atrair a já notória “indústria do dano moral” (ou seria a indústria de pretensões?). (2) (3) Relator Ministro Hugo Carlos Scheurmann. por si só. também há previsão legal (Art. assim como a não concessão do gozo de férias poderão.1. para a sua verificação.6. assim como também que o impeçam a dar continuidade aos seus projetos de vida e profissionais como a continuação dos estudos e aperfeiçoamento profissional que lhe tragam assim também o desenvolvimento pessoal. TRT10.2011.0002(3). A CLT já prevê nos seus artigos. a demonstração objetiva de um prejuízo concreto. originar o pagamento de dano existencial. além das multas administrativas por descumprimento da legislação em vigor. houve um dano existencial e como toda espécie de dano moral. relativamente às horas extras. Notícia de 31. O operador do direito.trt10.br>. para alguns. devendo serem pagas em dobro. deve ser reparado.Jornal do Congresso Hindemberge Alves da Frota — Revista Latinoamericana de Derechos Humanos. há punições específicas para tais infrações. Da mesma forma em relação às férias não concedidas no prazo legal ou diminuídas no período de fruição das mesmas. . existem empregados que já se sentem felizes e satisfeitos nos postos que ocupam na empresa. Sônia Mascaro fala que é necessário que se faça uma comprovação efetiva.2014. Em interessante julgado do 10º Regional Trabalhista. em que o TST deferiu a uma trabalhadora a reparação de 25 mil porque esta não gozava de férias há 10 anos. não geram a presunção de prejuízo e nem são condutas capazes de gerar Desde que fique comprovado que a conduta do empregador atingiu o projeto de vida do empregado ou o seu desenvolvimento profissional impedindo-o também do convívio social e familiar. naqueles autos.do projeto de vida. então. Dentre essas práticas a cobrança de trabalho em sobrejornada. diferentemente do primeiro. ficou provado o prejuízo das relações sociais e familiares. vol. Ademais. da possibilidade de rescisão indireta do contrato de trabalho quando há cobrança em excesso do labor (sobrejornada) ou a não concessão de férias. viável e adequado aos potenciais do obreiro. <www. j. entretanto este segundo.5. 22(2)247 — Julio-Diciembre/2011. 3ª Turma. tal dano decorre de atitudes patronais que impossibilitem o empregado dessa convivência familiar e social. resultando em uma falta de perspectiva para o presente e futuro. o dano existencial pois conforme já dito acima.5.(4) Aquele Tribunal Trabalhista tem adotado a tese de que dano moral e existencial são espécies do dano extrapatrimonial. Entretanto é necessário que o ilícito tenha ocasionado a abusiva privação de componente significativo do projeto de vida e/ou de relações sociais e familiares. sobretudo no âmbito familiar(2). em 20. clara e sem dúvidas do prejuízo sofrido pelo empregado e o nexo de causalidade pois as condutas ilícitas do empregador (horas extras e falta de concessão de férias). qual seja. 483. não têm ambição de progredirem profissionalmente. em razão da privação do seu direito ao descanso. CLT). como bom hermeneuta. e.

não ensejariam tal indenização. fator imprescindível. com o devido pagamento do adicional. INDISPENSABILIDADE DA CNDT NAS CONTRATAÇÕES PÚBLICAS POR ÓRGÃOS DA JUSTIÇA DO TRABALHO.Jornal do Congresso das Leis do Trabalho (CLT) e alterou a Lei n. de 7. acrescentou o Título VII-A à Consolidação LTr . Não se está aqui a defender a monetização dos prejuízos. estes hão de ser observados. entretanto. citado neste artigo. estará o operador munido de elementos para a definição do montante a ser estabelecido como reparador ao eventual prejuízo sofrido. mormente em face da não recepção da Lei de Imprensa.Assim como também na vida familiar pois também existem empregados que têm como objetivo acumular bens visando a segurança da família mesmo que em detrimento do seu convívio mais de perto pois. atualmente exerce o cargo em comissão de Assessor Jurídico-Administrativo. em curto período de tempo. Analista Judiciário — Área Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. a razoabilidade está a indicar que presentes os elementos do dano: ato ilícito. O tema ainda é incipiente na jurisprudência. multas administrativas e adicionais. d) a viabilidade do projeto de vida frustrado e.7. a não concessão de férias durante dois anos ou a exigência de labor em sobrejornada. 8. 12. ao se aposentarem poderem ter aquela convivência. Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade de Campinas e Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes. dos riscos pela frustração dos projetos de vida.7. que cuida das normas gerais para licitações e contratos da Administração Pública. b) potencial do obreiro. publicada no DOU de 8. A Lei n.666/93. configurada a lesão ao “eu existencial”. em que a ausência de férias ultrapassava a prescrição quinquenal). principalmente após decorrido o prazo prescricional (como no julgado do TST. com vacatio legis de 180 dias. lembrando que desempenha uma função social que deve ser aliada à manutenção da atividade e dos empregos — feito isto. com a consequente reprovação do ato patronal. 95 .2011. Deste modo. Verificados os elementos ensejadores da responsabilização. por óbvio que não desconhecemos que no ordenamento jurídico não há tarifação legal. se o ordenamento jurídico prevê sanções para o descumprimento como a rescisão indireta. nexo de causalidade e efetivo prejuízo. entretanto. AINDA QUE À LUZ DO ART. Professor de Direito nas Faculdades Integradas Ipiranga e na Famaz — Faculdade Metropolitana da Amazônia. e) o porte da empresa. c) sua relação sócio-familiar. 32 DA LEI DE LICITAÇÕES Igor Zwicker Martins Bacharel em Direito e Especialista em Gestão de Serviços Públicos pela Universidade da Amazônia. inclusive pretendem com tal acumulação. há de incidir a doutrina em discussão. o julgador há de apreciar se houve um dano à realização do projeto de vida e prejuízo à “vida das relações”. deverão ser adotados critérios de proporcionalidade para a fixação de quantum. sem compromissos. cabe ao intérprete apreciar fatores como: a) número de férias não concedidas ou número de meses em labor com sobrejornada. ao contrário.2011. Lado outro.440.

§ 1º. 27 e 29. 8. 8.2006. a apresentação da CNDT.742/ DF. é vedado à Administração descumprir tal dever. § 2º. 12. Quanto à Lei de Licitações.741/2012-1.666/93 (art.666/93). orçamentária. 32. 32. Pelo Ofício Circular CSJT. por ocasião de cada ato de pagamento. § 1º. a Presidência do CSJT encaminhou a todos os Regionais o Acórdão n. a quem cabe exercer a supervisão administrativa. da Lei n. no qual o TCU determinou às unidades setoriais do Sistema de Controle Interno de todos os Poderes da União que orientassem seus órgãos e entidades a exigir das empresas contratadas. 28 a 31 da Lei n. para as hipóteses de contratação direta.ASCAUD n. que passem a fazer constar dos respectivos editais de licitação a exigência da CNDT.Jornal do Congresso . IV. 111-A. 8. expedida gratuita e eletronicamente. caracterizando restrição ao caráter competitivo do certame qualquer exigência para além daquele rol taxativo. Érica Miranda dos Santos Requi. no todo ou em parte. abster-se de exigir. conforme iterativa.716/DF e 4.Citada lei instituiu a Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas (CNDT). como a própria lei impõe a exigência de prova de inexistência de débitos inadimplidos perante a Justiça do Trabalho nas licitações públicas. destacando-se. passou-se a ter a exigência da regularidade trabalhista (arts. É comum. deve a Administração. alterou os arts. documentos para além daqueles previstos nos arts. 1. a exemplo do Acórdão n. Ocorre que. da Constituição Federal (CF). que já existe parecer do Ministério Público Federal (MPF) opinando pela total improcedência das ações. 874/2007 — TCU — 2ª Câmara. 4.440/11. mediante apresentação de certidão negativa ou positiva com efeitos negativos. ainda.6. para a habilitação nas licitações. passou a ser a orientação do colendo Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT).666/93. como órgão central do sistema e cujas decisões têm efeito vinculante. do mesmo estatuto de licitação”. fornecimento de bens para pronta entrega e leilão. para comprovar a inexistência de débitos inadimplidos perante a Justiça do Trabalho (art. § 1º. inclusive. 8. 002. para que o TCU examinasse a 96 possibilidade de recomendar aos órgãos e entidades da administração direta e indireta da União. e 29. com a edição da Lei n. segundo o qual a documentação de que tratam os arts.054/2012 — TCU — Plenário. da Lei n. Concluiu o TCU que. no qual o TCU orientou o INSS.SG. a despeito de a constitucionalidade da Lei n. lavrado no Processo n. atual e notória jurisprudência tanto do colendo Tribunal de Contas da União (TCU) quanto dos órgãos dotados de jurisdição. de qualificações técnica e econômico-financeira e de regularidade fiscal.666/93). a documentação relativa à regularidade fiscal e trabalhista deve incluir a prova de inexistência de débitos inadimplidos perante a Justiça do Trabalho. da Lei de Licitações). na forma do art. para habilitação em processos licitatórios. pleito acolhido. trata de Solicitação formulada justamente pela Presidência do colendo Tribunal Superior do Trabalho (TST). II. deparamo-nos com a inteligência do art. conforme ampla jurisprudência. 3º.440/11 estar sendo questionada no âmbito do excelso Supremo Tribunal Federal (STF) pelas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) n. 642-A da CLT). 32. “conforme facultado pelo art. V. É de se ressaltar que o Acórdão n. da Lei n. Entretanto. a não deixar de considerar a possibilidade de reduzir as exigências de habilitação jurídica. em reforço à previsão legal. I. 27. de 21.2012. 1. até a presente data nada foi decidido de concreto pelo STF. 28 a 31 da referida Lei de Licitações poderá ser dispensada. II. em consonância com o art. § 1º. vai além: “Sempre LTr . Como cediço. tornando a CNDT documento igualmente exigível. pertinente à habilitação dos interessados. ambos insertos na Seção II do Capítulo II. para qualquer modalidade licitatória e. nos casos de convite. 12.6. 39. cujo rol de documentos. de 18. nas contratações por dispensa (art. 63 da Resolução TCU n. integrante da Equipe Técnica Zênite.054/ 2012. inclusive. tanto nos processos licitatórios quanto nas contratações diretas. 191. 24. é taxativo. Essa. Lembremos que. imprimir-se interpretativa ampliativa do citado art. financeira e patrimonial da Justiça do Trabalho de 1º e 2º graus. anotou-se a obrigatoriedade da norma legal que determina que. concurso. outrossim. De plano.

2º da Lei n. Ademais. o consenso é que. ainda. Rio de Janeiro: Renovar. Não é demais ressaltar que essa é a própria mens legis da Lei n. 5º. mormente diante das normas-princípios. no todo ou em parte. não é lógico que a própria Justiça do Trabalho — sabedora das dificuldades que enfrenta a execução trabalhista. para a concretização de verbas de natureza alimentar e superprivilegiada. eficácia social plena e aplicação imediata. é claro. doutrina plenamente aplicável aos contratos de natureza trabalhista. exceto no que diz respeito à comprovação de regularidade fiscal. § 1º. 32. diante da própria inteligência do art. que não pode se furtar a exigir — nem excepcionalmente — a CNDT. quando a eminente jurista trata. § 1º. Com efeito. por força do art. Entretanto.que a Administração identificar a inexistência de risco e a consequente desnecessidade de verificação de determinado aspecto relativo ao rol de documentos habilitatórios dos licitantes. 8. mormente aqueles em que existe o vínculo de emprego caracterizado: tal paradigma revela o desequilíbrio entre as partes contratantes na medida em que o objeto do contrato. 32 que a documentação habilitatória “poderá” ser dispensada. enquanto mero instrumento de salvaguarda do direito material. LXXVIII e § 1º. mesmo quando aplicável a inteligência do art. e sem o seu trabalho. para uma delas. § 4º. perpassa pelas lições da brilhante Teresa Negreiros (Teoria do contrato: novos paradigmas. no uso do seu poder discricionário (vinculado. mediante apresentação de certidão negativa. estará autorizada a dispensar o documento correspondente. temos o inafastável pressuposto da subordinação jurídica. se mata. que admite juízo de conveniência e oportunidade. ao menos pelos órgãos da Justiça do Trabalho. do paradigma da essencialidade.666/93. deixando claro (visto que a lei não contém — ou não deveria conter — palavras inúteis) que tal dispensa é ato volitivo da Administração. nos casos de contratação direta”. Ocorre que. enquanto direito fundamental do trabalhador. consoante leitura dos arts. regulamentar.Jornal do Congresso tempo. 9. mas a natureza da obrigação a ser executada”. da CF. fiscalizatório e punitivo).012/95. Aliado a isso. 32. existe. da CF). 12. da CF. ao interesse público primário que permeia todo o Direito Administrativo). 6º e 7º. fruto do Substitutivo da Câmara dos Deputados ao Projeto de 97 . um homem não tem honra — e sem a sua honra. que tem se mostrado. O contrato individual de trabalho. juntamente com o certificado de regularidade do FGTS e da Seguridade Social. o processo trabalhista. independentemente da modalidade licitatória adotada ou. IV. da Lei n. bem consta no § 1º do citado art. 195. que demandam urgência na sua efetividade e efetivação. se morre. também a exigência da prova de inexistência de débitos inadimplidos perante a Justiça do Trabalho. Vide arts. é o seu próprio meio de sobrevivência. com milhões de processos pendentes somente na fase de execução —. se castram os seus sonhos. e o poder empregatício. seu sonho é sua vida e vida é trabalho. do qual decorrem os demais poderes à disposição do empregador (diretivo. inerente ao vínculo de emprego. § 1º. na bela canção “Um homem também chora (guerreiro menino)”: um homem se humilha. “não é a modalidade de licitação ou a dilação temporal que deve nortear o agente administrativo quanto à decisão de dispensa dos documentos. para contratos civis. aliás. Como nas letras do poeta Gonzaguinha. § 3º. 8.666/93. indiscutivelmente. entendemos inafastável. de natureza constitucional e pétrea. dentre as quais o princípio da razoável duração do processo e meios que garantam a celeridade da tramitação do processo judicial trabalhista. De todo modo.440/11. e 60. 100 da CF e 186 do Código Tributário Nacional (CTN). o seu salário. deve ser interpretada à luz de princípios e regras constitucionais. obviamente. da Lei n. os únicos documentos que permanecem exigíveis e cuja exigência é inafastável são o comprovante de regularidade perante o FGTS. por ter natureza infraconstitucional. Não dá pra ser feliz. IV. ao longo do LTr . 8. A própria Lei n. por força do art. Para o trabalhador. Segundo orientação formulada em discussões realizadas pelo Núcleo Zênite de Pesquisa e Desenvolvimento.666/93. e a Seguridade Social. 32. talvez o único meio de sobrevivência digno do qual dispõe (arts. mesmo diante do art. importante instrumento de coerção ao cumprimento das decisões judiciais trabalhistas. deixe de exigir o documento. 2002).

o jovem indevidamente preso que perde sua juventude na cadeia. § 1º. para uso do poder discricionário pelo administrador. 2009. 32. como o dano estético e o dano existencial. Neste sentido Flaviana Rampazzo Soares. responsabilidade dos membros do Judiciário. 8. Doutorando em Direito.666/93. 98 Este teve origem na Itália. LTr . material ou imaterial. não se tendo espaço. a CR/88 trouxe a obrigatoriedade de proteção máxima à pessoa por meio de um sistema normativo composto por direitos fundamentais e da personalidade. Entretanto o dano imaterial foi considerado sinônimo de dano moral. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Articulista e palestrante. a humilhação de um trabalhador sujeito à mobbing. a pessoa submetida a trabalho análogo ao escravo.Jornal do Congresso . Responsabilidade civil por dano existencial. motivo pelo qual no início da década de 1960 foi identificado o danno alla vita di relazione (dano à vida em sociedade).Lei do Senado (PLS) n. Consultor empresarial e Advogado. Professora universitária. da Lei n. em todos os casos. devendo ser exigida. O dano material passou a ser integralmente reparado nas espécies danos emergentes e lucros cessantes. Fora destas hipóteses não cabia indenização por danos morais. ainda que diante da inteligência do art. No âmbito pátrio ao consagrar a dignidade da pessoa humana como um dos princípios fundamentais da República. objeto de ressarcimento. Assim. mas. nesse sentido. a mulher que deseja ter um filho. ficando as vítimas de inúmeros danos imateriais decorrentes de um ilícito civil sem qualquer reparação(1). país que até alguns anos atrás só reconhecia o dano material (prejuízo econômico) e o dano moral decorrente de um crime ou de exíguos casos previstos na lei (dano processual. Neste contexto começou a ser desenvolvida a tese de que todo dano injusto. ganha importância a sua integral proteção com vistas a promover sua dignidade e permitir o gozo dos direitos considerados humanos fundamentais. 77/02. Professor universitário. em amplo amparo à vítima. o que vem sendo objeto de discussões na medida em que se identificam outras espécies de danos extrapatrimoniais. Especialista em Inteligência Empresarial. entendemos não ser razoável à própria Justiça do Trabalho dispensar a exigência da certidão. Aline Carneiro Magalhães Doutoranda e Mestre em Direito do Trabalho pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. A partir do momento em que o homem passa a exercer um papel central na sociedade e no ordenamento jurídico. reconhecendo na CNDT poderoso mecanismo de fiscalização indireta para obtenção de maior objetividade e efetividade em relação aos direitos sociais inscritos na Constituição de 1988. Autor de livros e artigos. BREVES NOTAS SOBRE O DANO EXISTENCIAL Adriano Jannuzzi Moreira Mestre em Direito pela Faculdade de Direito Milton Campos. a CNDT. (1) De acordo com a doutrina eram exemplos de danos não indenizáveis na Itália da época: o vazio existencial decorrente da morte de um parente próximo. conforme consta em parecer da Comissão de Assuntos Sociais ao projeto de lei no Senado Federal. cometido contra a pessoa deveria ser indenizado. Advogada. injusta detenção e violação de normas de tratamento de dados pessoais). perde esta capacidade por erro médico.

(3) Insta salientar que está em tramitação no Senado o projeto de emenda constitucional (PEC 19/10) para inserir o direito à busca da felicidade entre os direitos sociais. 2009. v. a submissão do obreiro a condição degradante ou análoga à de escravo. do repouso semanal remunerado e das férias. O descumprimento pelo empregador dos direitos trabalhistas capazes de permitir que o obreiro desfrute de uma vida digna e saudável fora do ambiente de trabalho. ao patrimônio material (lucros cessantes ou danos emergentes). o que o leva a constantemente projetar o futuro e fazer escolhas visando à realização do projeto de vida. educacional ou profissional) e obrigue a pessoa a resignar-se com o seu futuro e a replanejar seu projeto de vida. 944. sociais. negativamente. a submissão do obreiro à ambiente de trabalho sujeito aos infortúnios laborais e seus efeitos. teatro. sendo conceituado como a alteração substancial nas relações familiares. São Paulo. Qualquer fato injusto que impeça a sua plena realização (na dimensão familiar. a exigência de um número tão grande de atribuições que o trabalhador fique esgotado a ponto de não encontrar forças para desfrutar de seu tempo livre. o seu relacionamento social e profissional. caput). Para a parte da doutrina que considera o dano existencial uma espécie do dano imaterial. afeti- (2) Neste sentido Júlio César Bebber no artigo existencial na seara laboral: a realização de horas extras além do previsto em lei. um ter que refazer ou um fazer diferente não volitivo. 2009. no direito fundamental à liberdade (art. importa.(5) Segundo a doutrina(4). abrangendo todo acontecimento que incide. ma. 186. sendo suscetível de repercutir. a exemplo da limitação de jornada. afetivas. intitulado “Danos extrapatrimoniais (estético. científica. intelectual. por natureza. encontrando fundamento constitucional no princípio da dignidade da pessoa humana (art. consequentemente. 5º. que passou a compreender o dano à vida de relação e o dano ao projeto de vida. do ponto de vista do dano existencial. 73. Revista LTr. Por projeto de vida entende-se tudo aquilo que determinada pessoa decidiu fazer com a sua vida(2). Livraria do Advogado. 226 e 227) e no princípio civil da reparação integral do dano (arts. Responsabilidade civil por dano existencial. um sentir) e do dano estético porque este afeta a aparência externa da pessoa causando um “afeiamento”. cinema. 948. são exemplos de dano 99 . ele se difere do dano moral porque este consiste na lesão sofrida pela pessoa no tocante à sua personalidade (repercussão íntima. O dano existencial é um dano que impede a realização pessoal do indivíduo (com perda da qualidade de vida e. no direito à proteção à família (art. dos intervalos intra e interjoranda. modificação in pejus da personalidade). representando renúncia involuntária às atividades diárias e aos projetos de vida. à constituição biológica ou estética ou ao bem estar psicológico da víti- O dano existencial no Direito do Trabalho decorre da conduta patronal que impossibilita o empregado de se relacionar e de conviver em sociedade por meio de atividades recreativas. deve ser considerado um dano existencial. independentemente de ter havido ataque à integridade física ou psíquica.(3) Já por vida de relações (em sociedade) entende-se o dano por ofensas físicas ou psíquicas que impeçam alguém de desfrutar total ou parcialmente dos prazeres propiciados pelas diversas formas de atividades recreativas (prática de esportes. artística. Soares. busca sempre extrair o máximo das suas potencialidades. 1º. com dimensão objetiva e representando um não poder fazer. turismo. 1. biológico e existencial): breves considerações”. consistentemente sobre a sua existência. gera uma hiperexploração da mão de obra humana e um dano ao obreiro que tem sido denominado de existencial.Jornal do Congresso (5) De acordo com a doutrina. sobre o complexo de afazeres da pessoa. O ser humano. 949). afetivo-sexual. n. dimensão subjetiva. Essa vedação interfere decisivamente no estado de ânimo da pessoa atingindo. jan. LTr . que o ilícito tenha ocasionado ao sujeito a abusiva privação de componente significativo de seu projeto de vida e/ou de sua vida de relação.Com o desenvolvimento do estudo sobre o tema. culturais. desportiva. por conseguinte. agremiações recreativas). III). (4) Neste sentido Flaviana R. foi cunhada na Itália a expressão dano existencial. a exigência de um número tão grande de atribuições que o empregado precise permanecer em atividade durante seus períodos de descanso e mesmo longe da empresa. A teoria italiana foi trazida para o direito pátrio e tem sido aplicada na seara laboral.

5.2013. Disponível” em: <http://jus. Excepcionalmente. LTr .5.2014.0016. esportivas. 100 vezes identificam a ofensa à vida de relações ou ao projeto de vida. social e pessoal. Juiz Convocado Raul Zoratto Sanvicente.04. 11. Hugo Carlos Scheuermann. 3ª turma do TRT10. prosseguir ou mesmo recomeçar os seus projetos de vida e sua vida de relações.15. RO-28161-2012-028-09-00-6ACO-40650-2013.12. Disponível em: <http://www.1. 2ª turma do TRT9.2014.(7) As decisões muitas (6) Neste sentido Jorge Cavalcanti Boucinhas Filho e Rúbia Zanotelli de Alvarenga no artigo intitulado “O dano existencial e o Direito do Trabalho”.2013. contribua para a proteção do empregado e promoção da sua dignidade. Brígida Joaquina Charão Barcelos Toschi.2011. 2ª turma do TRT4. culturais.0002.2011.0015 RO.Jornal do Congresso . espirituais.5. 1ª turma do TRT3. Convocado Paulo Eduardo Queiroz Gonçalves.(6) Em análise jurisprudencial feita no TST e TRT’s pudemos observar que na maioria dos casos apreciados o dano existencial não foi considerado uma espécie autônoma de dano imaterial. (8) RO-0001133-16. 11. 20. (7)RR-727-76.93.3.000. Ana Carolina Zaina. TRT4. Edison dos Santos Pelegrini.(8) Neste contexto. mas. sociais e de descanso. 5ª turma do TRT15.24. Acesso em: 15. que serão.2013.2012. TRT4.5. em dois deles pela privação do convívio social decorrente da imposição de jornada exaustiva e em outro pela imposição de volume de trabalho excessivo. 18.5.2013. RO0001443-94.10. 18. quer parecer que ainda não há consenso sobre o tema que carece de análise e debates aprofundados para sua caracterização — como espécie autônoma de dano imaterial ou expressão do dano moral por nós conhecido que influenciaria na fixação do quantum indenizatório —. em alguns julgados o dano existencial foi considerado espécie autônoma de dano imaterial indenizável.lex.04.2014.04. 19. mas um dano moral.2013. 4ª turma do TRT2.4.13.com.br/doutrina_24160224_O_ DANO_EXISTENCIAL_E_O_DIREITO_DO_>.2014.2013. com.5. Acesso em: 15. 1ª turma do TST.6. Importante nos atentarmos para o contexto e peculiaridades do país em que a teoria nasceu e sua compatibilidade (e necessidade) com a realidade e ordenamento jurídico pátrio.10.2011.br/artigos/20349/nocoes-fundamentais-sobre-odano-existencial>. para que importação do instituto sem um prévio e sólido estudo não gere descrédito e banalização. RO-0059609-14.0010.11. RO-0000136. José Leone Cordeiro Leite. RO-000713-72. Ainda.0027. Ricardo Artur Costa e Trigueiros. indenizam a vítima por dano moral. Ana Luiza Heineck Kruse. 29.2. que lhe trarão bem-estar físico e mental. alcance e cabimento.4. TRT13. 19. RO-0015084520125020271 A28. responsáveis pelo seu crescimento e/ou realização profissional. por sua vez. 17. mas.2013.3.2014. Vicente Vanderlei Nogueira de Brito.2012. É a conduta patronal que o impede de executar. 9. Hidemberg Alves da Frota no artigo intitulado “Noções fundamentais sobre o dano existencial.4.vas.2014. RO-01924-2011-113-03-00-2. RO-02659-2012102-10-00-9 RO.

disponibilizado em 26. 106 e sua correlação com o Código Ibero-Americano de Ética Judicial. constitui elemento a ser valorizado para efeito de merecimento. Professor de Direito nas Faculdades Integradas Ipiranga e na Famaz — Faculdade Metropolitana da Amazônia. Aponta ele para a necessidade de se evitar recursos desnecessários e se colaborar com a prestação jurisdicional como um todo.8. contraditoriamente registra no parágrafo único que a disciplina judiciária do magistrado. insculpido no Código Ibero-Americano de Ética Judicial (2006)”. — É o caso do 8º Regional assumir a responsabilidade institucional como princípio a ser vivido e não apenas decorativo de Códigos de 101 . COROLÁRIO DO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO Igor Zwicker Martins Bacharel em Direito e Especialista em Gestão de Serviços Públicos pela Universidade da Amazônia. “nos termos do princípio da responsabilidade institucional insculpido no Código Ibero-Americano de Ética Judicial”. da referida resolução é ainda mais incisivo: “A disciplina judiciária do magistrado.2013. em seu art. o princípio da responsabilidade institucional não se contrapõe. que na avaliação da qualidade das decisões proferidas serão levados em consideração. temos em registros recentes. inclusive. por exemplo. 5º. A Resolução n. Tal aspecto deve. Analista Judiciário — Área Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. que dispõe sobre critérios objetivos para aferição do merecimento para promoção de magistrados e acesso aos Tribunais de 2º grau. 106 do CNJ. 10. Já o art. A respeito da Resolução n. 41 a 47 do Código Ibero-Americano de Ética Judicial. LXXVIII. aplicando a jurisprudência sumulada do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores. 15. O art. p. para que chegue à instância superior as razões. fundamentando-o. implementando o coman(1) Fonte: DEJT – Diário Eletrônico da Justiça do Trabalho nº 1.O DESAFIO BRASILEIRO DE MANTER UMA MAGISTRATURA FORTE E INDEPENDENTE. — Com efeito. 5º. diz. da Resolução 106 do CNJ. com registro de eventual ressalva de entendimento. o respeito às súmulas do STF e dos Tribunais Superiores. ser levado em consideração para efeito de promoção na carreira. 5º. “e”. LTr . no capítulo destinado à responsabilidade institucional. decisões contrárias a súmulas e Orientações jurisprudenciais do TST só geram falsa expectativa para a parte vencedora e gastos desnecessários para a vencida e para o contribuinte. subscrito pelo Brasil. bastando que o julgador ressalve entendimento diverso ao da jurisprudência pacificada. onde restou consignado. Tal aspecto é contemplado nos arts. Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade de Campinas e Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes. 10. é o que diz respeito à responsabilidade institucional do magistrado. aplicando a jurisprudência sumulada do STF e dos Tribunais Superiores. e. entre outros. atualmente exerce o cargo em comissão de Assessor Jurídico-Administrativo. parágrafo único. embora diga no caput que em tal avaliação não serão utilizados critérios que venham atentar contra a independência funcional e a liberdade de convencimento do magistrado (tais como índices de reforma de decisões). com registro de eventual ressalva de entendimento. nos termos do princípio da responsabilidade institucional. conforme dispõe o art.297/2013.Jornal do Congresso do constitucional do art. a Inspeção realizada pelo Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho no TRT da 8ª Região. assoberbando as Cortes Superiores. mas se conjuga com o da independência do magistrado ao julgar. constitui elemento a ser valorizado para efeito de merecimento. o seguinte(1): — Aspecto relevante para a prestação jurisdicional célere e barata. Por outro lado. em eventual recurso da parte vencida.

discorrendo sobre a rebeldia judiciária e criticando o desalinho da jurisprudência. vaidoso. LTr . De início. entendemos equivocada a leitura que se faz do Código Ibero-Americano de Ética Judicial. sobretudo o deliberado. com as suas atitudes e comportamentos. mas também que não interfira na independência de outros colegas. especialmente quando a matéria já se encontra sumulada. quando menos. não estão dirigidas a situar o Juiz numa posição de privilégio: sua razão de ser é a de garantir aos cidadãos o direito de serem julgados com parâmetros jurídicos. “com certa frequência”. e que dizem. do TRT da 2ª Região. na atuação jurisdicional de outro colega. o STJ alcunhou a sentença de rebelde. 4º Exige-se do magistrado que seja eticamente independente e que não interfira.Jornal do Congresso . “tanto por representação quanto de ofício”. Art. exceto em respeito às normas legais. Art. a independência “é uma competência que se outorga aos Juízes. da leitura sistemática do Código. Conselhos Superiores ou no CNJ. o mérito de decisões judiciais”. 485. 1º do Código. vitaliciedade. ao art. do CPC. com amparo no art. 102 Art. 343 do STF. “o correto sentido da norma jurídica. quer seja externa ou interna à ordem judicial. 106 do CNJ. 42. É imprescindível ao Juiz”. Não nos parece que o compromisso a que deva assumir o Magistrado com o “bom funcionamento de todo o sistema judicial” esteja ligado à pretensão do Código em fazê-lo seguir decisões de instâncias superiores. especialmente porque. Art. 5º Impõe-se ao magistrado pautar-se no desempenho de suas atividades sem receber indevidas influências externas e estranhas à justa convicção que deve formar para a solução dos casos que lhe sejam submetidos. diz respeito. 41 a 47. deu provimento ao REsp. de qualquer modo. 6º. “é o Magistrado o garantidor da democracia”. já no primeiro capítulo — que trata da independência do Magistrado –. O Juiz poderá reivindicar que se reconheçam os seus direitos e sejam fornecidos os meios que possibilitem ou facilitem a sua independência. do TJPR. “contra provimento judicial de mérito transitado em julgado que ofende direito em tese”. julgado em 19. Art. 5º. além de cumprir as suas obrigações específicas de caráter individual.Ética da Magistratura. em sua derradeira sessão no Tribunal Pleno. 7º. como já bem ressalta o art. De fato. E uma garantia inafastável. É a soma dos nossos predicamentos: a inamovibilidade. O Juiz. 6º É dever do magistrado denunciar qualquer interferência que vise a limitar sua independência. Não só se exige que o juiz eticamente seja independente. inseridos no capítulo que trata da responsabilidade institucional). 3º. Tratou-se de recurso especial interposto contra decisão proferida em ação rescisória pelo TJRS. recalcitrante e. Art. mas também os princípios gerais do direito que a informam”. “onde se discute e questiona. categoricamente: (2) Os destaques (negrito e sublinhado) não constam dessa forma no original. Naquela assentada. no âmbito do Estado Constitucional. como forma de evitar a arbitrariedade e de realizar os valores constitucionais e salvaguardar os direitos fundamentais. seja nas Corregedorias. E como bem pontuou o Desembargador Miguel Kfouri Neto. encontramos dispositivos muito mais específicos. Tal principiologia é reiterada no Código de Ética da Magistratura Nacional: Art.267. deve deixar evidente que não recebe influências — diretas ou indiretas — de nenhum outro poder público ou privado. as instituições que. Como bem colocou a Desembargadora do Trabalho Rita Maria Silvestre.163. garantem a independência judicial. O Juiz tem o direito e o dever de denunciar qualquer tentativa de perturbação da sua independência. Tribunais. em suma. repetida pelos órgãos de controle (arts.2013. que diz: “O Juiz institucionalmente responsável é o que. assume um compromisso ativo no bom funcionamento de todo o sistema judicial”. pura e simplesmente. V. 1. mormente porque a referência feita pela Resolução n. removendo o óbice da Súmula n.(2) Também citamos a decisão proferida no REsp n. considerada não apenas aquela positivada.9. Artigo publicado no site da AMB relatou a abertura de processos administrativos disciplinares. onde o STJ. inafastabilidade.

atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos. é só. 93.Jornal do Congresso A própria LOMAN. 130 do CPC. A garantia de independência do Juiz é uma prerrogativa que alcança níveis globais: não se concebe. os motivos de sua decisão” (TST-AIRR-82-46. 40.2014). Por outro lado. da CF exige apenas que as decisões judiciais sejam fundamentadas. e 60. trazendo critério antidemocrático. não contribuem com o Estado Democrático de Direito.Isso está muito claro na Constituição Federal de 1988. por limitarem as instâncias ordinárias. em seu art. salvo casos de impropriedade ou excesso de linguagem. 5º. o princípio da inafastabilidade da jurisdição. um Juiz despido da sua independência funcional. O art. de forma fundamentada. o magistrado não pode ser punido ou prejudicado pelas opiniões que manifestar ou pelo teor das decisões que proferir.5.04. porque afeta diretamente o livre convencimento motivado e a independência do Juiz. porque embaraça a promoção na carreira. dentro de sua carta de direitos fundamentais. § 4º. ideia seguida pelo art. 131 do CPC consagra. Relator Ministro: Emmanoel Pereira. por outro lado.09. Como bem costuma reiterar o TST em seus julgamentos.4. Data de Publicação: DEJT 15. assim. consagra. como diria o Ministro Marco Aurélio. pontua que a atividade censória de Tribunais e Conselhos é exercida com o resguardo devido à dignidade e à independência do magistrado e. Por ora. fundamentando. 41. terceiro. Relator Desembargador Convocado: João Pedro Silvestrin. em grau de recurso de revista. quando alça a República Federativa do Brasil a status de Estado Democrático de Direito e. cristalizam na sociedade um demérito no Magistrado que age conforme suas convicções — ou. que irradiam eficácia erga omnes e efeito vinculante são as decisões proferidas pelo STF em seus processos objetivos e as súmulas vinculantes. ao contrário. da CF). em nenhum lugar do mundo. a sua decisão. garantindo ao Estado-Juiz o monopólio da jurisdição. Já o art. do STF. em seu art. enfim.4. 5ª Turma. porque não vê na criatividade judicial — e sim no engessamento e mera repetição da jurisprudência — um critério de merecimento. o magistrado exponha. LTr . consoante art.0095. “o conjunto probatório dos autos é de livre apreciação e valoração pelo magistrado. críticas abertas em processos. IV. o seu convencimento definitivo” (TST-Ag-AIRR-164200-65. que traz a força renovadora do Direito. Tais regras. 106 do CNJ. o princípio do livre convencimento motivado: o juiz apreciará livremente a prova. verdadeira intimidação ao livre convencimento do Juiz: primeiro. Data de Julgamento: 9. segundo sua ciência e consciência. 8ª Turma.0521. Os únicos institutos previstos em nosso ordenamento jurídico.4.2012. “o princípio do livre convencimento motivado exige apenas que. outrossim. além de apequenarem a Ciência Jurídica. Data de Julgamento: 09/04/2014. de eficácia social plena e aplicação imediata (arts. 5º. a partir da apreciação dos fatos e provas constantes do processo.2014. O art. pétreos. segundo. a Juízes e suas “sentenças rebeldes”. caput e § 1º. mormente o Juízo de 1º grau.2014) etc. Temos que tais regras não encontram guarida nem na Constituição Federal de 1988 nem na legislação infraconstitucional nem nos Códigos de Ética. formando. IX. o que não encontra guarida em nossa democracia. sua própria independência para julgar. em última análise. parecem também tentar limitar o livre convencimento do Magistrado e.2009. Basta refletir no citado critério de promoção por merecimento. insertas na Resolução n. XXXV. Data de Publicação: DEJT 15.5. 103 . 765 da CLT confere aos juízes ampla liberdade na direção do processo.

e desestimular a parte contrária na efetivação dos direitos. Introdução O processo judicial ao longo da história conquistou garantias constitucionais importantíssimas que garantem o fiel cumprimento do ordenamento jurídico pátrio. com a finalidade de lesar a parte adversária. Rui. 927 do CC. Todo o titular de um direito ao exercê-lo possui limites. 2002. 87. Ada Pellegrini. devido processo legal. visando tumultuar o feito e obter vantagens indevidas de ordem processual. 29. para interpor recursos. fazendo com que o processo judicial tenha andamento lento. em excesso. retardando a demanda. Em síntese. que com práticas abusivas do direito processual desestimulam a parte adversa. Tal prática consiste em abuso de direito e ilícito civil nos moldes do art. Ada Pelegrini(1) conceitua o processo judicial como instrumento por meio do qual os órgãos jurisdicionais atuam para pacificar as pessoas conflitantes. O assédio Processual é caracterizado pelo conjunto de atos reprováveis de uma das partes no processo. 5º da Constituição Federal: acesso à justiça. convencido de não ter razão. em qualquer de suas fases. a má-fé processual é identificada quando uma parte utiliza dos instrumentos processuais. humilhando a outra parte no processo. procrastinar a prestação jurisdicional. ou criar obstáculos ao exercício do seu direito. negando-se a cumprir decisões. Teoria Geral do Processo. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. com ânimo de prejudicar o adversário ou terceiro. social. p. 2007. O processo judicial e suas normas processuais devem ser respeitadas na sua integralida- A procrastinação por uma das partes no andamento de processo judicial. observadas ao longo do seu curso. Rui Stoco(2) afirma que a má-fé processual é a qualificação jurídica da conduta. contraditório. (1) GRINOVER. eliminando os conflitos e fazendo cumprir o preceito jurídico pertinente a cada caso que lhe é apresentado em busca de solução. A finalidade destas demandas e atos processuais temerários consiste em retardar. sob pena de ir de encontro a finalidade deste. sendo passível de responsabilidade civil conforme preceitua o art.ASSÉDIO PROCESSUAL Emanoel Alesandro da Cruz Sampaio Lopes Especialista em Responsabilidade Civil pela Universidade Estácio de Sá. 187 do Código Civil. com o objetivo de retardar o trâmite processual. com o objetivo de gerar danos à parte contrária. com o objetivo de lesar a outra parte. legalmente sancionada. 104 LTr . daquele que atua em juízo. requerimentos de provas. a boa-fé e os bons costumes. caracteriza-se como assédio processual. Os princípios constitucionais insculpidos no art. ampla defesa são exemplos destas conquistas que garantem a efetividade do processo judicial. petições despropositadas. As normas de direito processual e os princípios processuais constitucionais não devem ser utilizados de forma arbitrária no processo judicial. 1. embargos. devendo ser observado o fim econômico. Graduado na Universidade Federal de Sergipe. fazendo com que a outra parte desacredite na capacidade do Judiciário de apresentar uma solução justa e adequada para o conflito. 23ª ed. objetivando retardar a entrega da prestação jurisdicional à parte contrária. São Paulo: Malheiros Editores. Abuso do Direito e Má-Fé Processual. Assédio Processual O dano processual ou assédio processual expressa-se quando uma das partes utiliza das faculdades processuais com abuso de poder. agravos. Advogado Trabalhista. 2. fundamentado-se ou não em norma processual. procedendo de modo temerário e provocando incidentes manifestamente infundados.Jornal do Congresso . a busca pela justiça e a segurança jurídica. (2) STOCO. no entanto. de. estas normas possuem limites e não podem ser utilizadas de forma abusiva. p.

Em que pese a tímida jurisprudência sobre o tema. no entanto. O dano processual consiste em ilícito nos moldes do art. este é passível de reparação a luz do já citado art. 187 e 927 do CC. fazendo-a desacreditar do seu direito. 37 da I Jornada de Direito Civil. Danos à pessoas humana: uma leitura civil — constitucional dos danos morais. de difícil separação. inciso LXXVIII da CF. o assédio moral e o assédio sexual nas relações do trabalho: frente à doutrina. com o objetivo de ganhar tempo. Programa de Responsabilidade Civil. enquanto o primeiro ocorre de forma reiterada. cominado com o art. a matéria ora em estudo consiste em tema recorrente nos processos judiciais de todo o judiciário do país. O dano moral. A utilização dos instrumentos processuais dentro do processo judicial com a finalidade de causar danos a outra parte. Maria Celina Bodin de. consiste em tarefa árdua. porque nesta Justiça grande parte dos processos em trâmite discute-se verbas salariais que tem natureza alimentícia. GRINOVER. O assédio processual distingue-se da litigância de má-fé. A separação entre a licitude e a ilicitude decorrente do abuso de poder processual. São Paulo: Malheiros Editores. 23ª ed. O Código de Processo Civil nos artigos 14 a 18 traz a baila os limites processuais das partes e procuradores para o exercício do direito no processo judicial. 927 todos do Código Civil. 2002. Ada Pellegrini. quando configurado a prática de assédio processual no processo judicial. os danos podem e devem ser reparados. Abuso do Direito e Má-Fé Processual. MORAES. Reginald Delmar Hintz. os bons costumes e o fim econômico. Bibliografia Cavalieri Filho. jurisprudência e legislação. onde não é necessário LTr . de dano moral ou assédio moral. 5º. uma vez que a parte excede o seu direito dentro do processo. aplicando-se a responsabilidade objetiva. Na esfera da Justiça do Trabalho o dano ganha uma maior importância. 2009. São Paulo: LTr. 187. STOCO. caracteriza-se como assédio processual e este é passível de reparação nos termos do art. 10 ed. desestimular a parte contrária. 3. Rui. e tal prática produza danos a parte adversa. incumbindo aos operadores do direito combater o assédio processual e buscar a reparação pelos danos causados. Conclusão A prática do assédio processual gera danos ao assediado que vê a marcha processual retardada e sem efetivar os direitos ali pleiteados. Rio de Janeiro: Renovar. 2012. inclusive maculando a norma constitucional da duração razoável do processo insculpida no art. ou fase do processo. 105 . São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. ainda que de forma velada. Sergio. uma vez que o assediador utiliza de atitudes prevista em lei para causar danos a parte adversária. Existindo a prática do assédio processual e o dano. enquanto a litigância de má-fé apresenta-se no processo como um fato isolado. inclusive contrariando a boa-fé. 187 do CC. São Paulo: Atlas. causando danos à outra parte no processo. sob a aparência de exercício regular dos atos processuais.Jornal do Congresso Portanto. a fim de que o processo possa servir de instrumento efetivo na concretização dos direitos. 2007. Inclusive tal entendimento é confirmado pelo Enunciado n. intensiva. sucessiva durante todo o processo. a prova da culpa. 2006. a verdadeira finalidade consiste em procrastinar a marcha processual e desestimulando a parte contrária.A prática do assédio processual é velada. de caráter acidentário. Teoria Geral do Processo. FELKER.

nesse sentido.09. traz como fundamentos da ordem econômica a valorização do trabalho humano e a livre iniciativa. Nesse sentido. Min. LTr . 2ª Turma. rev. Quando o caput do mencionado preceito constitucional enuncia que irá detalhar o conteúdo indisponível de uma relação de emprego.5.2.2009. na carta de direitos sociais mínimos dos trabalhadores. ed. que tanto pelo Pacto Internacional dos Direitos Econômicos.2013).5. Data de Julgamento: 19. Data de Julgamento: 11. evidentemente. Aline Paula Bonna. STF-RE 581. O próprio STF desenvolve tal principiologia da mesma forma que os órgãos de jurisdição trabalhista: “O princípio da proibição do retrocesso impede.2. j.2013. também. por cláusula de avanço social. nomeado “Protocolo de San Salvador”.352 AgR/AM.2011. e como objetivo o bem-estar social e a justiça social. Relator Ministro: Augusto César Leite de Carvalho. 1º.Jornal do Congresso . e seu Protocolo Adicional.2014). Professor de Direito nas Faculdades Integradas Ipiranga e na Famaz — Faculdade Metropolitana da Amazônia. temos que a ordem social tem como base o primado do trabalho. A partir do art. observadas. 106 vo ‘outros direitos que visem à melhoria de sua condição social’. O art. O art. assegurando-se a todos uma existência digna. 23. o inciso XXIII consagra. 6ª Turma. em tema de direitos fundamentais de caráter social. Min. Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade de Campinas e Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes. insalubres ou perigosas. mas. como bem coloca o TST. Data de Publicação: DEJT 21.8. 7º da CF. 193. que traz a ideia de progressividade dos direitos sociais. p. Sociais e Culturais (Decreto n. ao propugnar pela redução dos riscos inerentes ao trabalho. atualmente exerce o cargo em comissão de Assessor Jurídico-Administrativo. conforme ditames da justiça social. da CF tem-se nos valores sociais do trabalho e nos valores sociais da livre iniciativa fundamentos de existência e validade da República Federativa do Brasil.0010. 170. e atual. 591/92). IV. “não se pode olvidar que o art. de afirmação dos direitos fundamentais.02. que diz: Destaque-se. a razão de ser é buscar melhores condições de trabalho. Celso de Mello. Celso de Mello.2014. as conquistas sociais já alcançadas” (TST-RR-51000-12. Pelo art. Rel. ato contínuo. sempre ascendente. Rel. 2011. E complementa: “Sob os enfoques axiológico e teleológico. Essa também é a ideologia consagrada no Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos. adicional de remuneração para as atividades penosas. São Paulo: LTr.2. atende a um postulado imanente aos direitos fundamentais: a proibição de retrocesso” (TST-RR-2157600-05. j. Data de Publicação: DEJT 7. caput. além de outros que visem a melhoria da condição social do trabalhador — propugna não somente pela vedação ao retrocesso social. e de logo põe a sal(1) OLIVEIRA. Sobre a vedação ao retrocesso social. 29.2014). 148. O inciso XXII traz em seu bojo o princípio do risco mínimo regressivo(1).O RETROCESSO SOCIAL NA REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO ADICIONAL DE PERICULOSIDADE DOS ELETRICITÁRIOS Igor Zwicker Martins Bacharel em Direito e Especialista em Gestão de Serviços Públicos pela Universidade da Amazônia.12. 6ª Turma. ao elencar direitos sociais mínimos.0303. que sejam desconstituídas as conquistas já alcançadas pelo cidadão ou pela formação social em que ele vive” (STF-ARE 639.337 AgR/SP.2007. Proteção jurídica à saúde do trabalhador. Analista Judiciário — Área Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. Redatora Ministra: Kátia Magalhães Arruda. 7º da Constituição Federal revela-se como uma centelha de proteção ao trabalhador a deflagrar um programa ascendente. 2ª Turma.10. 6. Sebastião Geraldo de.

369/85. que pretendeu reduzir a base de cálculo do adicional de periculosidade para os eletricitários. a clara natureza salarial do adicional de periculosidade. 2ª Turma. 279 da SDI-1 do TST: Adicional de periculosidade. que impede a redução do patamar de tutela já conferido à pessoa humana. Em relação aos eletricitários. O adicional de periculosidade incide apenas sobre o salário básico e não sobre este acrescido de outros adicionais. com o advento da Lei n. nos termos em que estão concebidos pelo Pacto. Base de cálculo. seja para se adequar a ela. indiscutivelmente. apenas o salário básico obreiro (como as outras hipóteses legais de adicional de periculosidade) e sim a totalidade dos salários percebidos.321/99).Jornal do Congresso Adicional. 7. pago em caráter permanente. § 1º. sendo equivocada e simplista a visão de que os direitos sociais só demandariam prestações positivas. citando Flávia Piovesan: Se os direitos civis e políticos devem ser assegurados de plano pelo Estado. Eletricitários.740/RS. seja para rechaçá-la expressamente —. o Brasil se comprometeu a implementar. 7.369/85. que teve a sua redação substancialmente alterada. Eletricitários. Outrossim. dá direito ao empregado a receber o adicional de periculosidade de forma integral. Súmula n. O trabalho exercido em condições perigosas. era mais benéfica ao trabalhador que exerce atividade no setor de energia elétrica em condições de periculosidade.2006. § 5º.369. João Otávio de Noronha. nos arts. uma remuneração adicional de 30% sobre o salário que perceber. Ainda Aline Paula Bonna. para os trabalhadores que interagem em instalações elétricas e serviços com eletricidade — categoria de quem se exige uma série de procedimentos padronizados e treinamentos de cunho específico (NR-10 e NR-16) e que. isto é. prêmios ou participações nos lucros da empresa”. Partindo de tais premissas. 12.740/12. cabe realçar que tanto os direitos sociais. de 20. a previsão de percepção de salário de periculosidade segundo as regras do art. os direitos ligados à igualdade. 7.369/85 e incluída a energia elétrica no bojo do art. foi revogada expressamente e in totum a Lei n. 457. como base de cálculo.Sociais e Culturais. seja com a revogação expressa da Lei n. 356. extrai-se a vedação do retrocesso. porque a Lei n. A CLT indica. Tal disposição. 7. j. em vigor desde 1999 (Decreto n. seja com a inclusão da energia elétrica no art. 7. Dessa noção de progressividade. e 142. sociais e culturais resulta a cláusula de proibição do retrocesso social em matéria de direitos sociais. 193. como um vetor dinâmico e unidirecional positivo. Periculosidade. agora também regulada pelo vetusto § 1º do citado art. 1º da Lei n. entendimento já consolidado pelo STJ (REsp n. por sua vez. integra o cálculo de indenização e de horas extras. apresentam realização progressiva. 3. que diz: LTr . Interpretação. progressivamente e com o máximo de seus recursos disponíveis. art. Incidência. indiscutivelmente. por não trazer. Ocorre que. O adicional de periculosidade dos eletricitários deverá ser calculado sobre o conjunto de parcelas de natureza salarial. quanto pelo apelidado Protocolo de São Salvador. 132: Adicional de periculosidade. 7. Integração I — O adicional de periculosidade. Da aplicação progressiva dos direitos econômicos. inclusive acidentes fatais —. Lei n. atual e notória jurisprudência do TST: Súmula n.3. também é iterativa.4. DJ 6. embora de forma intermitente. O legislador demonstrou de forma clara. Assim trata a matéria a Súmula n. de 1966. não estabeleceu nenhuma proporcionalidade em relação ao seu pagamento. o cálculo do adicional de periculosidade deverá ser efetuado sobre a totalidade das parcelas de natureza salarial. Idem quanto à Orientação Jurisprudencial n. 107 .1985. Exposição intermitente. sem escusa ou demora — têm a chamada autoaplicabilidade. é exposta com maior intensidade a acidentes do trabalho. 1º. 361: Adicional de periculosidade. como os direitos civis e políticos demandam do Estado prestações positivas e negativas. No entanto. de 1977: “O trabalho em condições de periculosidade assegura ao empregado um adicional de 30% sobre o salário sem os acréscimos resultantes de gratificações.369/85.09. Min. 253). econômicos e culturais. Rel.2006 p. fato é que tínhamos. os direitos sociais. 193 da CLT. 193. 191 do TST — a qual ainda não foi revista em momento posterior à alteração legislativa.

houve. segundo dados da própria OIT. o item 108 II da Súmula n. Os argumentos são falaciosos. ainda que condicional. em suma. tanto que sofre incidência de imposto de renda e contribuições previdenciárias. Triste é constatar os argumentos que deram azo à alteração legislativa: que a medida foi tomada para atender aos interesses da política econômica do Governo na área de energia.740/12 tramita a ADI n. 132. o trabalho no País. As estradas mal conservadas. adotou o rito abreviado do art. proposta pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria (CNTI). porque se é para ser isonômico e agir em um Estado Democrático de Direito. porque não se pode tratar desiguais de forma igual. a ausência de ferrovias. como também não se descura que o adicional tem clara natureza salarial.OJ n. todas do TST) e não se incorpora definitivamente ao salário (à semelhança do adicional noturno. pois há outras categorias que exercem funções igualmente sujeitas a risco. Inserção em folha de pagamento. teve sua base de cálculo reduzida. o Relator.Jornal do Congresso . a Súmula n. 2) o adicional não se incorpora ao salário dos trabalhadores. violou um dos princípios mais caros do Direito do Trabalho. sustenta-se a falácia de que o custo do trabalho faz parte do chamado “Custo Brasil”. 9. 12. Em desfavor da Lei n. em defesa do ato legal impugnado. alteração lesiva aos trabalhadores. é inverter totalmente a lógica do sistema: a uma. conforme Súmula n. 172 (SDI-1): Adicional de insalubridade ou periculosidade. tem baixo custo na comparação internacional. E. LTr . 12. que se majore a base de cálculo das outras categorias e não se reduza a dos eletricitários. a duas. tendo em vista a relevância da matéria e seu especial significado para a ordem social e a segurança jurídica.740/12. pois há outras categorias que exercem funções igualmente sujeitas a risco. A Advocacia-Geral da União já se manifestou formalmente na ADI. ao reduzir a base de cálculo do adicional. a má gestão de obras e empresas. dizer que não é possível pagar valores diferentes aos eletricitários. Assim. pois os eletricitários sempre tiveram base de cálculo superior. Condenada ao pagamento do adicional de insalubridade ou periculosidade. mês a mês e enquanto o trabalho for executado sob essas condições. 265 do TST). Mais uma vez. trazendo. 5013/DF. que propugna por cláusulas de avanço social. desconstituindo conquistas já alcançadas pelos trabalhadores que interagem em instalações elétricas e serviços com eletricidade. 3) não é possível pagar valores diferentes aos eletricitários. 364 e a OJ n. 259 da SDI-1. base de sua sustentação constitucional: o princípio da proibição do retrocesso social. a empresa deverá inserir. Como bem ressalta o Economista José Álvaro Cardoso. o custo excessivo da energia elétrica. Ministro Ricardo Lewandowski. o valor correspondente em folha de pagamento. 12 da Lei n. sob a exata ótica do STF. Não se descura que o adicional de periculosidade tem natureza de salário-condição (nesse sentido. a burocracia e a corrupção — esses sim — podem ser contabilizados no “Custo Brasil”. Por outro lado. os seguintes argumentos: 1) o adicional é caracterizado como um “salário-condição”. Condenação. tal disposição da Lei n. Na ação. que tem natureza tipicamente salarial. enquanto salário.868/99.

Prevê a Súmula 338 que “é ônus do empregador [. se aprovado. 7º. por analogia. LTr . Ocorre que o Projeto de Lei indicado prevê que será “obrigatório o registro do horário de trabalho do empregado doméstico.. Professor na Universidade Norte do Paraná/UNOPAR/Londrina. atraindo. Observamos que em um dos conflitos mais comuns que são julgados pela Justiça do Trabalho. Mestre em Direito.EMPREGADO DOMÉSTICO E ÔNUS DA PROVA DA JORNADA DE TRABALHO Flávio Bento Doutor em Educação. se o trabalhador afirmar que laborou como empregado e a pessoa ou família que se utilizava de seus servi109 .Jornal do Congresso Com a eventual aprovação do texto do art. quanto à possibilidade de pré-assinalação do horário de intervalo para descanso e alimentação. Lucas Rafael de Menezes Santos Acadêmico do Curso de Graduação em Direito na UNOPAR/ Londrina. a qual pode ser elidida por prova em contrário” [Inciso I]. 12 do Projeto de Lei n. mecânico ou eletrônico. desde que idôneo” [art. inciso XVI] foram grandes conquistas dos empregados domésticos na reforma constitucional citada.] o registro da jornada de trabalho na forma do art. Tal texto.. apesar de seu reconhecimento ter ocorrido tardiamente. 7º. Chegamos à conclusão provisória que a imposição legal da obrigação de controle e fiscalização da jornada de trabalho será mais rígida e trará consequências jurídicas sérias para o empregador doméstico [pessoa física] do que para as empresas. por qualquer meio manual. o aspecto da limitação da jornada normal de trabalho é um assunto de grande destaque. mas terá aplicação. Fernandes Acadêmico do Curso de Graduação em Direito na UNOPAR/ Londrina.] prevalecendo a jornada da inicial se dele não se desincumbir”. Em uma análise sem considerar a eventual aprovação integral do Projeto de Lei n. 12]. 224/2013 como transcrito acima. da CLT” e que “a não apresentação injustificada dos controles de frequência gera presunção relativa de veracidade da jornada de trabalho. o que não nos parece uma posição social e jurídica adequada. ao empregador doméstico sempre ficará o ônus de provar a real jornada de trabalho que for cumprida pelo empregado doméstico. A “duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais” [Constituição Federal. § 2º. 72 de 2013. Cleyton Eduardo Todesco D. 74. inclusive. 74 da CLT no que se refere à dispensa do controle de jornada quando o empregador possuir menos de 10 empregados. afastará a incidência do art. inciso XIII] e o direito à “remuneração do serviço extraordinário superior no mínimo em cinquenta por cento à do normal” [Constituição Federal. 74 da CLT que dispensa o controle de jornada quando o empregador possuir menos de 10 empregados e que permite que o horário de intervalo para descanso e alimentação seja pré-assinalado. 338 do Tribunal Superior do Trabalho. a aplicação de parte da Súmula n. 224/2013 afirmaríamos que no âmbito doméstico se aplicaria a regra do art. Teremos ainda uma discussão sobre a aplicação de parte do inciso III da Súmula n.. o que envolve o reconhecimento de relação de emprego. art. Dentre as diversas questões jurídicas relativas ao trabalho doméstico que foram atingidas pela edição da Emenda Constitucional n. 338: “os cartões de ponto que demonstram horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de prova [. art. de vínculo de emprego..

processo n. o ônus de provar que ocorreu uma relação de emprego é do trabalhador. decorrente especialmente da confiança estabelecida entre as partes no âmbito residencial”. não poderá ser aplicada no tocante à prova da jornada de trabalho. já que a previsão normativa de ser “obrigatório o registro do horário de trabalho do empregado doméstico” não gerará dúvidas de interpretação. “nos termos das disposições contidas no art. DEJT em 28. ainda. Talvez a única situação acidental que poderá tornar mais flexível a obrigação do registro do horário de trabalho do empregado doméstico será a hipótese de confissão do próprio empregado. impõe a inexigibilidade das rígidas formalidades aplicáveis aos contratos de emprego em geral.2012]. dentre outras situações. uma situação jurídica inadequada. já admitida em situações semelhantes: “No caso.2008].2010]. 48900-90. já que a obrigação do empregador doméstico quanto ao controle de jornada passará a ser expressa na lei com a aprovação do texto do Projeto de Lei. que há uma parcela da jurisprudência que atribui “o ônus de comprovar a existência dos requisitos legais. ora ao empregador. 1º da Lei n. nos meses de dezembro de 2008 e 2009.12. 110 Essa indicada “flexibilidade nos meios comprobatórios das questões fáticas controvertidas” vem sendo admitida em questões que envolvam a comprovação de pagamento de salário [TRT-PR-21446-2010-028-09-00-4. posto tratar-se de fato constitutivo de direito invocado” [TRT-PR-02826-2009-322-09-00-2. 224/2013 [que já demora]. consideramos que a proposta do Projeto de Lei n.2. DEJT 19. Consideremos.6. porque aquele “vale-se da mão de obra apenas com o intuito de dar suporte às lides próprias do ambiente familiar. sendo desarrazoada a determinação de novo pagamento dos 13º salários desses anos. será da pessoa ou família a obrigação de provar que esse trabalhador laborava como diarista. presente confissão expressa da autora.Jornal do Congresso . 224/2013. 12 como proposto. e essa ideia mais rígida.11. recebeu salário em dobro. motivo pelo qual se admite uma maior flexibilidade nos meios comprobatórios das questões fáticas controvertidas relativas à relação contratual de tal natureza” [TRT-PR-21446-2010-028-09-00-4.2. Mas se a pessoa ou família negar a prestação de serviços. ensejadores do reconhecimento de vínculo de emprego pretendido (art. 818 da CLT e inciso I do art. DEJT em 26.2. sem possibilidade dessa exigência ser flexível. O conteúdo da declaração mostra-se coerente. Nesse tipo de conflito [de reconhecimento de relação de emprego]. se a interpretação dos doutrinadores admitirá a flexibilização da obrigação tratada neste estudo. 224/2013.2009]. o ônus da prova deverá seguir a orientação jurisprudencial vigente. DJPR em 26.5. ficará mais rígida para o empregador doméstico do que para as empresas. mantido o texto do art.2012]. quanto à prova jornada de trabalho. ou a comprovação de concessão de vale transporte [TRT-PR-12346-2007-004-09-00-1.2012]. que ora conferem o ônus da prova ao empregado. DEJT em 28.12. 333 do CPC. em princípio.ços alegar que ele era diarista. decorrente especialmente da confiança estabelecida entre as partes no âmbito residencial. Ainda na hipótese de aprovação integral do Projeto de Lei n. entretanto. Essa maior rigidez afasta a reconhecida ideia de que o empregador doméstico não deve ser equiparado ao empregador urbano [empresa]. Resta-nos acompanhar a aprovação do Projeto de Lei n. o que nos parece. no tocante à obrigação do registro do horário de trabalho. LTr . sempre considerando a “natureza peculiar do contrato de emprego doméstico. sem obter lucratividade do trabalho prestado” [TST. por importar nítido enriquecimento sem causa por parte da autora” [TRT-PR-21446-2010-028-09-00-4.2006. razoável e sincero. Em conclusão.0051. e. de que. mas no caso do ônus da prova da jornada a Justiça do Trabalho não deverá seguir as orientações prevalecentes na jurisprudência. 5. Essa posição é mais severa quanto ao ônus da prova do trabalhador. a ideia de que “a natureza peculiar do contrato de emprego doméstico.859/1972)” ao trabalhador doméstico. DEJT em 28. não poderá ser utilizada.

higiene e segurança —. mas. 111 . ao elencar direitos sociais mínimos. equipamentos de trabalho e rotinas repetitivas e semiautomáticas que são fatores propícios à ocorrência de acidente com lesão. que consagra o atualmente chamado princípio do risco mínimo regressivo. oferecendo condições de trabalho inseguras. 170. 1 do MTE — Ministério do Trabalho e Emprego (disposições gerais) foi alterada em seu item 1. (. maquinário. garantindo um ambiente de trabalho 100% seguro ou minimamente inseguro. não é demais lembrar que a NR-1 — Norma Regulamentadora n. p. assegurando-se a todos uma existência digna. conforme julgado abaixo. de forma ampla. Redator Ministro: Hugo Carlos Scheuermann.3. O próprio art. consoante inciso XXII do art.Jornal do Congresso tião Geraldo de Oliveira(1). 2011. sendo-lhe reti(1) OLIVEIRA. Proteção jurídica à saúde do trabalhador. 1º. 7º da CF.) (TST-RR-6540-94.. quando o empregador descumpre as determinações legais de saúde.2014) Ademais.2006. a importância dada pelo Poder Constituinte Originário ao trabalho — palavra inicialmente de significado pejorativo. higiene e segurança para caracterizar a sua culpa. a título exemplificativo: (. O inciso XXII traz em seu bojo o princípio do risco mínimo regressivo. Analista Judiciário — Área Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. o TST já vem desenvolvendo. tem-se nos valores sociais do trabalho e nos valores sociais da livre iniciativa fundamentos de existência e validade da República Federativa do Brasil. Já no art. por cláusula de avanço social. Um rápido passeio pela Carta Cidadã de 1988 deixa explícita. da CF. atualmente exerce o cargo em comissão de Assessor Jurídico-Administrativo.7. Sebastião Geraldo de. nos dias de hoje equivale a atividade que também é sinônimo de direito à felicidade. cabendo às empresas cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho. a demonstração da simples violação pelo empregador de norma de conduta que diz respeito à saúde. 3. Data de Julgamento: 26/02/2014.04. 6. 7º da CF. quando se verificar o que a doutrina denomina — culpa contra a legalidade —. traz como fundamentos da ordem econômica a valorização do trabalho humano e a livre iniciativa. ao propugnar pela redução dos riscos inerentes ao trabalho (complementado pelo art. e atual.. também. batizado por Sebastião Geraldo de Oliveira. pois. ao leitor. devido ao seu ascendente linguístico tripalium. 148. ed. caput. 1ª Turma. 157. IV. 193. por meio de normas de saúde. Pelo art.O DIREITO DOS TRABALHADORES AO ADICIONAL DE INSALUBRIDADE QUANDO HÁ “MERA EXPOSIÇÃO” A RAIOS SOLARES Igor Zwicker Martins Bacharel em Direito e Especialista em Gestão de Serviços Públicos pela Universidade da Amazônia.5. além de outros que visem a melhoria da condição social do trabalhador — propugna não somente pela vedação ao retrocesso social. ao empregador é exigido o dever de cumprir os preceitos legais a respeito dos deveres de cuidado com a segurança e medicina do trabalho e ao empregado é assegurado como direito fundamental a — redução dos riscos inerentes ao trabalho. São Paulo: LTr. ou seja. da CLT). Professor de Direito nas Faculdades Integradas Ipiranga e na Famaz — Faculdade Metropolitana da Amazônia. assim entendida a condição inerente às instalações. O art.0203. o princípio batizado por SebasLTr .. higiene e medicina do trabalho. e como objetivo o bem-estar social e a justiça social.) Assim. vale dizer. conforme ditames da justiça social. Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade de Campinas e Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes.. temos que a ordem social tem como base o primado do trabalho. Basta. por sua vez. Data de Publicação: DEJT 7. I. rev. Com efeito.

5. 3214/78 do MTE). de acordo com a Resolução TST n. 852-D da CLT e 335 do CPC) e normas de higiene. ao qual a Orientação Jurisprudencial n.2014) Se analisarmos as decisões que ensejaram a alteração da OJ.2012. quando de sua edição. 173 da SBDI-1 faz referência. Essa tem sido a base das decisões da Corte Superior Trabalhista. assim dispõe a Orientação Jurisprudencial n. 195. o processo n.2012). há expressa menção a “Ambientes externos com carga solar”. entre outros.Jornal do Congresso . em especial diante da incumbência precípua das empresas de cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho. Ocorre que. equivalente a um “ato inseguro”. inclusive em ambiente externo com carga solar. segurança e medicina do trabalho (em contraposição às condições inseguras. Recurso de embargos conhecido e desprovido. é que o agente insalubre deve estar inserido na relação do MTE (art. a nosso ver. por razões de cunho jurídico e científico. assim considerados os atos de ação ou omissão praticados pelo empregado. voluntária ou involuntariamente.09. segundo o projeto “Prof2000” (Portugal). Data de Publicação: DEJT 15. É cediço que. da CLT). A razão dessa alteração foi a de justamente demonstrar que a ação humana praticada pelo trabalhador. Anexo 3. nas condições previstas no Anexo 3 da NR 15 da Portaria N. 186 (DEJT de 25. julgado em 23. nesses termos: Adicional de insalubridade — Exposição ao calor do sol — Orientação jurisprudencial n. está inserida dentro da dinâmica juslaboral e do contexto das condições de trabalho. Em relação às atividades a céu aberto por sujeição a radiação solar. Aliás. Inegável. da CLT). deve ser mantida a condenação ao pagamento de adicional de insalubridade. Data de Julgamento: 9. Exposição ao sol e ao calor. em desacordo com as regras de experiência comum (arts.0567. caput. Pois bem. mediante perícia técnica. 3 da mesma norma regulamentar. caput. não há como prevalecer tal entendimento. há de ocorrer. para a percepção do adicional de insalubridade. temos.. II — Tem direito ao adicional de insalubridade o trabalhador que exerce atividade exposto ao calor acima dos limites de tolerância. 195 da CLT e Anexo 7 da NR 15 da Portaria n. Rel. não podendo ser tida isoladamente. A OJ foi recentemente alterada.4. havendo comprovação. na qual não há qualquer diferenciação a respeito da necessidade de exposição ao mencionado fator em ambiente fechado ou aberto. do Ministério do Trabalho. por sujeição à radiação solar (art.15. 193. 3ª Turma. SDI-1. indevido o adicional de insalubridade ao trabalhador em atividade a céu aberto. concomitantemente.2014. cuja redação originária do enunciado falava apenas em “atividade a céu 112 aberto”. foi de vedar o pagamento de adicional de insalubridade em razão do fator radiação solar. o segundo. portanto. TST-ARR-153200-96. 173. conforme se verifica do item 1 do referido anexo. o mesmo entendimento não pode ser aplicado às hipóteses em que o laudo pericial constata a submissão do trabalhador ao agente insalubre calor.2012. Min. ante a inexistência de previsão legal neste sentido. 26 e 27. I — Ausente previsão legal. Atividade a céu aberto. existem vários LTr .0133. sendo irrelevante o fato da alta temperatura decorrer do contato com a luz solar. o qual encontra previsão no anexo n.rada a expressão “atos inseguros”.09.4. pelo empregado. tendo o TST acrescentado a expressão “sujeição à radiação solar”.5. da SDI-1 do TST: Adicional de insalubridade. 3214/78 do MTE. saúde. para a inclusão do item II e alteração parcial do item I. trata das radiações não-ionizantes. da submissão do reclamante a trabalho insalubre decorrente da exposição ao fator calor.2008. Relator Ministro: Alexandre de Souza Agra Belmonte. O Anexo 7 da NR15 do Ministério do Trabalho. reveladas no descumprimento parcial ou total dessas normas de proteção pelos empregadores). Cientificamente. Renato de Lacerda Paiva. Entretanto. é que a caracterização e a classificação da insalubridade far-se-á mediante perícia técnica (art.08. que o intuito desta Corte. (. nos termos da NR 15. 173 da SBDI-1 — Inaplicabilidade. não se confundindo com a mera exposição a raios solares.)” (TST-AIRR-629-28. Dessa forma. a saber: “A condenação da empresa ao pagamento de adicional de insalubridade decorreu da exposição do autor a níveis insalubres do agente calor. dois requisitos: o primeiro..

medidas de controle de riscos ocupacionais. o trabalho em atividade a céu aberto por sujeição a radiação solar gera direito à percepção do adicional de insalubridade. UV-B. 173 da SDI-1 do TST. e UV-C. a NR-21 e o Anexo n. citando expressamente a faixa de 400-320 nanômetros. a resposta se encontra nas próprias Normas Regulamentadoras do MTE. de 400 a 320 nanômetros. o que não ocorre com as radiações UV-A e UV-B. 193 e 195 da CLT. e subdivide-se nas zonas A. 3. devendo ser revisto o enunciado da OJ n. a NR-21 (trabalho a céu aberto) exige medidas especiais que protejam os trabalhadores contra a insolação excessiva e a NR-15 (atividades e operações insalubres). 200. infravermelha (IV). o que permite concluir que. como a nossa atmosfera não consegue bloquear na totalidade os raios UV-B. tem sua principal fonte no Sol. de 320 a 290 nanômetros. sem a proteção adequada. sobretudo no trabalho a céu aberto. são a principal causa do câncer de pele e outras doenças relacionadas à pele e também aos olhos (perda da acuidade visual. pelo ozônio e pelo oxigênio.). Dessa forma. As atividades ou operações que exponham os trabalhadores às radiações da luz negra (ultravioleta na faixa — 400-320 nanômetros) não serão consideradas insalubres. utilização de vestuário adequado. sem prejuízo do cumprimento das normas de proteção à saúde pelo empregador. 200. encadeamento devido a contrastes muito grandes no campo visual ou a brilhos excessivos da fonte luminosa etc. situada entre a troposfera e a estratosfera. 2. visível (V). em decorrência de laudo de inspeção realizada no local de trabalho. por seu Anexo n. 7 (radiações não ionizantes).Jornal do Congresso bres. são radiações não ionizantes as microondas. de 290 a 100 nanômetros. de forma a proteger o rosto e a pele do corpo. A radiação ultravioleta. As operações ou atividades que exponham os trabalhadores às radiações não ionizantes. incluindo chapéus. considerada a mais perigosa. de tecido apropriado às condições climáticas (temperatura e umidade). V. a restar cumprida a inteligência dos arts. causam alterações no sistema nervoso central. de adicional de insalubridade. entendemos que simplesmente interpretar o trabalho em atividade a céu aberto por sujeição a radiação solar como “mera exposição” a raios solares é chancelar a exposição do trabalhador a agentes insalubres e permitir a deterioração da sua saúde. com firme interpretação científico-jurídica. a colocar pá de cal na cizânia. limitação da exposição. Isso porque o art. são a porção mais perigosa da radiação (a nocividade dos raios UV-B é cerca de mil vezes mais agressiva que a dos raios UV-A). micro-ondas e radiofrequências. limpo. Os raios solares UV-B agem na superfície da pele e são efetivamente responsáveis pelas queimaduras solares e diversas outras doenças. laser. uso de filtros solares (fotoprotetores). pelo trabalho em atividade a céu aberto por sujeição a radiação solar. V. uso de equipamentos de proteção individual. 113 . B e C: UV-A (denominada luz negra). Para os efeitos desta norma. possuem alta ação danosa de radiação UV. fadiga ocular. funciona como um filtro natural aos raios ultravioleta e bloqueia totalmente as radiações UV-C. da CLT exige do próprio MTE o estabelecimento de disposições complementares que tratem de proteção contra insolação. Juridicamente. diz o seguinte: 1. 7 da NR-15 dão guarida à percepção. Veja-se que a própria NR-15. arejado. A camada de ozônio. O Auditor-Fiscal do Trabalho Carlos Roberto Miranda traz em seu site medidas de prevenção adequadas à proteção dos trabalhadores expostos a raios solares: controle ambiental da fonte da radiação. Concluímos. ultravioletas e laser. exames médicos periódicos. afasta a hipótese de insalubridade apenas nos casos de radiações da luz negra.tipos de radiações não ionizantes: ultravioleta (UV). acertadamente. distúrbios cardiovasculares e respiratórios etc. que o art. indo o próprio Poder Judiciário de encontro à rede protetiva geral constitucional e infraconstitucional pertinente à saúde do trabalhador. fazendo clara alusão à radiação UV-A. da CLT. serão consideradas insalu- LTr .

pois nele há a previsão de impossibilidade de inversão do onus probandi. Como referidas provas são. empregador que alega que no dia 17. estar-se-á cerceando a persecução de direitos de alguma ou ambas as partes. nestes casos cabe ao Juiz determinar que a parte que faz a alegação esteja incumbida de produzir a prova. v. Importante. que dispõe que o estabelecimento. Contudo. 333. praticamente. 118 da CLT. dependendo do tipo de prova a ser produzida. Tal situação exemplificativa nos faz deduzir que a contrario sensu o raciocínio de que o empregador doméstico que não atinge tais situLTr . nada mudará. sendo. também pelo fato de estarmos tratando de uma situação onde há prestação de serviços a um empregador pessoa física que.ÔNUS DA PROVA DA JORNADA — DOMÉSTICO X EMPREGADOR Luis Felipe Carneiro Maluly Estudante do 10º Termo do Curso de Direito da Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE) de Presidente Prudente/SP.g. 72. 769 do mesmo instituto legal. tal disposição revela-se muito frágil quando em jogo uma análise prática pois. Por exemplo. E. por exemplo. Nestes casos. uma pessoa ter que provar que nunca esteve em Manhattan. onde prevê que ao autor incumbe a prova dos fatos constitutivos de seu direito. na grande maioria das vezes. com cautela. empregador. o que é concebido pelo art. pautar-nos pelo que dispõe o art. encetou contrato com apenas um(a) empregado(a). 332 a 341. mormente quando os fatos resultarem em prova de difícil produção. Dele. do art. ou então aqueles não fundados em tempo indeterminado. à situação prevista no § 2º. A distribuição do ônus da prova. já é pacífico que ao empregador cabe o ônus da prova da justa causa e se envolver trabalho doméstico. portanto pessoa jurídica. temos de levar em conta que a Emenda Constitucional n. pois. por liberalidade. Ao se indagar a quem incumbe o ônus da prova. quanto à jornada ressalta-se a necessidade de utilizarmos subsidiariamente o Código de Processo Civil. o ônus probatório não poderia ser de outra forma disposto. Devemos. então. seja essa dificuldade pela sua onerosidade ou especificidade técnica. entre seus arts. que contar com mais de 10 (dez) funcionários será obrigado a ter controle de jornada. modificativos e extintivos do direito do autor. poderá ser feita à luz do que já construiu a doutrina e jurisprudência para os demais trabalhadores e sob esta ótica deverão tais entraves serem dirimidos. 74 da CLT.Jornal do Congresso . será o ônus da prova. Partindo-se do pressuposto que antes do advento de seu texto. há singela previsão legal de que a prova dos fatos incumbe a quem os alega. agora. de maior relevância. na mesma linha de raciocínio: por equiparação. da mesma forma. valendo-nos do disposto no Código de Processo Civil. tais dificuldades devem ser respondidas. Porém. quando se vislumbra a dificuldade da prova no seio familiar. de acordo com o art. equiparou estes trabalhadores aos urbanos e rurais. mas com as cautelas de praxe tendo em vista a realidade distinta dentro do âmbito familiar. 332 do CPC ao réu cabe a prova dos fatos impeditivos. o disposto no parágrafo único do mencionado artigo.4. No bojo do art. os empregados domésticos não estavam sujeitos nem a jornada de trabalho e muito menos ao seu controle.2014 o funcionário não compareceu às atividades la114 borativas porque estava em Manhattan. empregado ou empregador. são os fatos negativos. impossíveis de serem produzidas. quando da comprovação da jornada de trabalho do doméstico. não se amoldando. o que segundo a melhor doutrina.. uma vez que tais restrições não existiam no meio jurídico. ex. porque se correria o risco de imputar à parte a produção de provas diabólicas. quando se tratar de direito indisponível da parte ou quando for de excessiva onerosidade à parte.

estariam os doutrinadores e julgadores contrariando a realidade peculiar em análise. eis que as horas extras que persegue.). sua própria experiência pessoal (senso médio do homem comum) será imprescindível. nos lares brasileiros. podemos chegar. via de regra. deve o empregador realizar no máximo contraprova de que não era a jornada narrada na inicial aquela praticada ou que não havia a feitura de horas extraordinárias a partir do pressuposto de que caberá. onde deverá o julgador fazer um juízo axiológico entre os fatos narrados no processo pelas partes. abeberar-se na sociologia jurídica. via de regra. sob pena de presunção de validade da jornada alegada. de aplicação subsidiária. vizinhos. Portanto. o ônus da prova documental será de exclusividade do empregador. o doméstico é um empregado que não está sujeito à fiscalização imediata pelo empregador. os tipos de prova que foram produzidas. a pelo menos duas singelas conclusões. Assim agindo. Em conclusão. será válida. sem sombra de dúvida. em regra. aplicável indistintamente à teoria da inversão do ônus da prova sempre aos empregadores domésticos.ações (menos de 10 empregados). que se materializa no momento da prolação da sentença pelo Magistrado. e a rogo de qual parte ficou a produção das referidas provas que instruíram o feito e nortearão sua decisão. quais sejam: a) sempre que adotado meio de controle da jornada pelo empregador. em regra. por exemplo. é público e notório que. observadas todas LTr . entender. é sabido que o ônus objetivo da prova está diretamente ligado ao Juiz. sendo certo que para que haja um julgamento justo deverão caminhar lado a lado na persecução do objetivo colimado todo o esforço de convencimento enfim da prova da jornada de trabalho. ao passo que ônus subjetivo da prova está relacionado às partes. com prova testemunhal (outros empregados da residência. o que convenhamos. por equiparação. a despeito de sua condição de hipossuficiente sob a ótica econômica. embasado na distribuição do ônus da prova previsto no Código de Processo Civil. na fase de instrução visando o convencimento do Juiz para que ele possa sentenciar com base na maior proximidade da realidade dos fatos que se espera sejam vividos. exceções de famílias abastadas à parte. ao empregado. Não há como. à luz do princípio da aptidão para a prova. pois no caso de sair um dia ou outro mais cedo do serviço (com tarefas executadas a contento) será difícil para o empregador descobrir e provar que não houve o cumprimento integral da jornada. desde que não conflite com a realidade do âmbito familiar. por ser o detentor dos “cartões-ponto”.Jornal do Congresso as regras de validade e eficácia de tais anotações trazidas pela CLT e pelas Súmulas do TST. e b) No caso de não existir o controle da jornada pelo empregador. conhecidos. pois. principalmente nesta seara. a prova de suas alegações. fato constitutivo de seu direito. a partir da realidade vivida no âmbito doméstico. dispensado está do referido controle que é exatamente o caso do doméstico que. haja vista hoje dia ser raridade homem ou mulher. Outra previsão acerca do ônus da prova presente no Código de Processo Civil é o ônus objetivo da prova. de ordinário acontece! Por outro lado. em uma análise superficial. apesar de a jurisprudência no TST sobre a distribuição do ônus da prova estar consolidada para os trabalhadores urbanos e rurais. sua utilização para os domésticos. etc. sob pena de incorrer na exigência de comprovação das chamadas provas diabólicas por serem as diversas situações vivenciadas dentro das residências de caráter negativo. é. Destaque-se que. empregadores que não trabalhem fora de casa. salvo quando existente controle escrito. também. o onus probandi deverá recair sobre o empregado. o que poderá ser antes provado. 115 . Balancear a distribuição do ônus da prova tendo como parâmetro. onde o laboratório a ser investigado é uma reprodução do que ordinário acontece em todos os lares nacionais. ficando o empregado doméstico “livre” para executar suas tarefas dentro ou aquém de seu horário de trabalho. e exigida sua apresentação deverá juntar aos autos. ferindo a ciência do Direito que deve. também pelo doméstico. analisadas tais situações e aplicando-as na solução da problemática apresentada. não chega a preencher tal requisito numérico.

considera-se serviço voluntário a atividade não remunerada prestada por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza. inexiste um dos pressupostos básicos da relação de emprego. Entre essas inúmeras relações de trabalho em sentido lato. 3º. guardadas as proporções de onde estejam inseridas as classes sociais (A. A relação de emprego é apenas uma das espécies da relação de trabalho — o grande gênero —.608/98). está o serviço voluntário. 2º e 3º da CLT. ou a instituição privada de fins não lucrativos. Toda relação de emprego. Mas existem diversas outras relações de trabalho. Inteligência dos arts. LTr .608/98. a juntada de tais documentos. educacionais. parágrafo único). inclusive mutualidade. que empresta sua força de trabalho a outrem. científicos. Segundo o art. que caracterizam a relação de emprego: pessoalidade. o gênero. atualmente exerce o cargo em comissão de Assessor Jurídico-Administrativo.Neste caso. em sentido lato. 9. Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade de Campinas e Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes. ouvidas sempre como informantes. onde existe a prestação de servi116 ços por uma pessoa física. 1º da Lei. O serviço voluntário não gera vínculo empregatício (art. qual seja.Jornal do Congresso . a de contrato-realidade). mesmo no caso de acolhimento de contradita contra as pessoas amigas e ou parentes. sem embargo da possibilidade de o prestador do serviço voluntário ser ressarcido pelas despesas que comprovadamente realizar. não eventualidade. devendo existir cumulativamente. culturais. C ou D). cabe destacar que o juiz o trabalho deverá dar maior relevância à prova oral. 9. dados os objetivos que permeiam tal prestação de serviços. é uma relação de trabalho. sob pena de considerar-se verdadeira a jornada alegada na inicial. Finalmente. O FALSO SERVIÇO VOLUNTÁRIO E A SERVIDÃO DISFARÇADA NA LEI GERAL DA COPA Igor Zwicker Martins Bacharel em Direito e Especialista em Gestão de Serviços Públicos pela Universidade da Amazônia. por ser espécie. teremos inevitavelmente uma relação de emprego. da Lei n. caput. deverá requerer. o da onerosidade. subordinação jurídica e onerosidade. que tenha objetivos cívicos. B. após a prova de sua existência. entre suas características. Analista Judiciário — Área Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. evidentemente em caso de negativa de sua juntada. para a formação do vínculo empregatício. onde rigorosamente faltarão um ou mais dos quatro pressupostos citados (pois se todos estiverem presentes. Professor de Direito nas Faculdades Integradas Ipiranga e na Famaz — Faculdade Metropolitana da Amazônia. 1º. como o peso que melhor se harmonizar com o que de ordinário acontece nas famílias brasileira. capaz que fazer existir no mundo jurídico o contrato de trabalho. regulado pela Lei n. Na prestação do serviço voluntário. recreativos ou de assistência social. no desempenho das atividades voluntárias (art. que tem. seus indispensáveis pressupostos.

São Paulo: LTr. Deve a onerosidade. Nesse sentido. como bem ressalta o mestre. ao lado de um plano subjetivo de análise do mesmo elemento. apenas o exame do plano subjetivo da onerosidade é que responderá pela sua ocorrência (ou não) no quando complexo da relação social construída. a Subsidiária FIFA no Brasil ou o COL na organização e realização dos Eventos constituirá atividade não remunerada e atenderá ao disposto neste artigo. todo trabalho — mesmo simples — é passível de mensuração econômica no contemporâneo sistema de mercado. Em qualquer dessas situações. Mauricio Godinho Delgado(1). afirma o seguinte: A onerosidade. 299-301. previdenciária ou afim para o tomador do serviço voluntário. No plano objetivo. dados os caráteres bilateral e sinalagmático que dão característica a essa relação jurídica: à força de trabalho do empregado corresponde o dever do empregador de pagar salário — talvez o único meio de sobrevivência digna do trabalhador. O serviço voluntário que vier a ser prestado por pessoa física para auxiliar a FIFA. a onerosidade se manifesta pela intenção contraprestativa. com o intuito essencial de auferir um ganho econômico pelo trabalho ofertado. desde que houvesse prestação de trabalho por alguém a outrem: afinal. LTr . pelo trabalhador. Existirá o elemento fático-jurídico da onerosidade no vínculo firmado entre as partes caso a prestação de serviços tenha sido pactuada. em território brasileiro. contudo. portanto. E conclui: No plano subjetivo. e 117 . que dizem: Art. de situações tipificadas como de servidão disfarçada. E prossegue: A pesquisa do elemento onerosidade no contexto de uma relação sociojurídica concreta deve envolver duas dimensões diferenciadas mas combinadas: um plano objetivo de análise. 57 e 58 da referida Lei. filantropo político ou religioso em que a prestação de trabalho se confere em um contexto de alguma reciprocidade material em benefício do prestador enfocado.. resta óbvio dizer que a onerosidade de materializa pelo próprio pagamento dos salários e. aponta o eminente jurista: Trata-se. em que há também efetiva prestação de trabalho sem contraprestação onerosa real pelo tomador dos serviços (. traz uma regra bastante peculiar. pois) conferida pelas partes — em especial pelo prestador de serviços — ao fato da prestação de trabalho. Curso de Direito do Trabalho. dificilmente terá o operador jurídico dificuldade em vislumbrar a presença da onerosidade em uma relação de trabalho investigada. com o intuito contraprestativo trabalhista.Jornal do Congresso prestação de trabalho e ausência de contraprestação onerosa real pelo tomador dos serviços. o elemento fático-jurídico da onerosidade estaria sempre presente.). consoante arts. A Lei n. A pesquisa da intenção das partes — notadamente do prestador de serviços — desponta nessas situações fronteiriças.. 2014. não deve. em que há efetiva (1) DELGADO. por exemplo. ser enfocada sob a ótica do prestador de serviços: apenas nessa perspectiva é que ela constitui elemento fático-jurídico da relação de emprego.A onerosidade é um pressuposto altamente relevante na relação de emprego. Ocorre que existem determinadas situações “em que a pesquisa da dimensão subjetiva da onerosidade será a única via hábil a permitir aferir-se a existência (ou não) desse elemento fático-jurídico na relação de trabalho vivenciada pelas partes”. sempre tendo determinado valor econômico para seu tomador. 13. com as consequências econômicas favoráveis ao prestador oriundas das normas jurídicas trabalhistas incidentes. p. É que. ou situações de trabalho voluntário. ao discorrer sobre a onerosidade. ou. outras distintas situações de trabalho voluntário. 57. A prestação laboral ter-se-ia feito visando à formação de um vínculo empregatício entre as partes. comunitário. considerado sob qualquer dessas duas perspectivas. nem obrigação de natureza trabalhista. pela intenção econômica (intenção onerosa. 12. § 1º O serviço voluntário referido no caput: I — não gera vínculo empregatício.663/12. para quem recebe o serviço prestado. comunitário. Mauricio Godinho. criada especialmente para os eventos que se aproximam. filantropo político ou religioso. finalmente. para um plano de destaque na investigação e avaliação criteriosa a ser feita pelo operador jurídico. ser enfocada sob a ótica do trabalho realizado ou mesmo sob a ótica do tomador dos serviços. ed. como elemento fático-jurídico correspondente da relação de emprego. conhecida como “Lei Geral da Copa”.

ocultação. o intuito lucrativo permeia toda a Lei.). certas relações jurídicas (“não existe vínculo de emprego”. 57 e 58. “não existe onerosidade” etc. Art. descurando o legislador pátrio do art. uma situação tipificada como de servidão disfarçada. 2º da Lei n. § 3º O prestador do serviço voluntário poderá ser ressarcido pelas despesas que comprovadamente realizar no desempenho das atividades voluntárias. ao analisar a presente Lei. 12. de 18 de fevereiro de 1998. para os fins de que trata esta Lei.663/12 tenta afastar essa aparência de atividade remunerada. exposição à venda.663/12: I — Fédération Internationale de Football Association (FIFA): associação suíça de direito privado. LTr . alimentação e uniformes. a afastar a possibilidade de prestação de “serviço voluntário”. de eficácia social plena e aplicação imediata (arts. no plano subjetivo. desvio ou transferência de ingressos. não há um inciso sequer sobre as pessoas físicas relacionadas nos arts. (art. Já desde o parecer da JUCERJA. negociação. O serviço voluntário que vier a ser prestado por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza ou instituição privada de fins não lucrativos. quando se tentou registrar o COL como se associação fosse. a Lei n. 16 da Lei n. percebemos de forma clara que a onerosidade se manifesta pela intenção contraprestativa. com a intenção de obter vantagens para si ou para outrem etc. está inserido na carta de direitos fundamentais. (COL): pessoa jurídica de direito privado.Jornal do Congresso . em franca violação ao art. pétreos. sem autorização da FIFA ou da pessoa por ela indicada. a obrigação de indenizar danos. inclusive. 2º da Lei n.608. tal manobra foi considerada irregular pela Procuradoria da Junta Comercial. por (tentarem) afastar. em nosso Estado Democrático de Direito. São as leis conhecidas popularmente como “toques de Midas”. cujo capital social total pertence à FIFA. claramente. da CF. o qual. em face da inexistência de critério pré-definido para a divisão dos lucros. transporte. a onerosidade. bem como os seus subcontratados. nesse ajuste legislativo. Dessa forma. 12. constituída sob as leis brasileiras com o objetivo de promover a Copa das Confederações FIFA 2013 e a Copa do Mundo FIFA 2014. ousamos vislumbrar. Aliás. 5º. mas se fala. e suas subsidiárias não domiciliadas no Brasil. 53 do Código Civil. que diz: “Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos”. 58.663/12. II — Subsidiária FIFA no Brasil: pessoa jurídica de direito privado. pela intenção econômica (onerosa) conferida. e 60. de 4. reconhecida pela FIFA. 12. ao longo de todo o art. no plano subjetivo. com atividades relacionadas aos eventos”. observará o disposto na Lei n. dele devendo constar o objeto e as condições de seu exercício. nos parceiros comerciais da FIFA (inciso XI): “pessoas jurídicas licenciadas ou autorizadas com base em qualquer relação contratual.II — será exercido mediante a celebração de termo de adesão entre a entidade contratante e o voluntário. a Subsidiária FIFA no Brasil ou o COL. assim definidos pelo art. IV.2008. § 4º. bem como os eventos relacionados. Curioso constatar que. oferecimento. domiciliada no Brasil. venda. Assim. desde que expressamente autorizadas pela entidade a que for prestado o serviço voluntário. lucros cessantes e qualquer proveito obtido por aquele que praticar. peremptoriamente.663/12). convites ou qualquer outro tipo de autorização ou credencial para os eventos de forma onerosa. Tal conclusão se mostra ainda mais evidente quando pesquisamos sobre a natureza jurídica do COL (Copa do Mundo FIFA 2014 — Comitê Organizador Brasileiro Ltda. pois. § 2º A concessão de meios para a prestação do serviço voluntário. em relação aos eventos. caput e § 1º. a exemplo de transporte. que garante ao Estado-Juiz o monopólio da jurisdição. entre outras. entidade mundial que regula o esporte de futebol de associação. Eis aí um típico exemplo — e atual — de uma relação sociojurídica concreta com a necessidade de se perquirir. por exemplo. da CF) e consagra o princípio da inafastabilidade da jurisdição. 5º. XXXV. que chega a regulamentar.6. em que há a efetiva prestação de trabalho e ausência de contraprestação onerosa real pelo tomador dos serviços — a FIFA. 12. apenas se estipulando em contrato social que os lucros poderiam ser distribuídos de forma desvinculada da participação societária. condutas relacionadas a atividades de publicidade. 9. não descaracteriza a gratuidade do serviço voluntário.). 118 III — Copa do Mundo FIFA 2014 — Comitê Organizador Brasileiro Ltda.

Ocorre que o jogador profissional. desde que não seja fixado expressamente outro limite. claramente já demonstrada. não excederá de 8 horas diárias. em seu art. 119 . a afastar por completo a possibilidade de prestação de serviço voluntário.014. O art. para os empregados em qualquer atividade privada. como sociedade empresária limitada. desde que esteja programada qualquer competição amistosa ou oficial.746/0001-08. 6. XVI. em 11. Nesse caso. menciona que duração normal do trabalho. ocorrerá o labor em horas extras. O TEMPO DE CONCENTRAÇÃO DE UM JOGADOR DEVE SER CONSIDERADO HORA EXTRA? Euseli dos Santos Advogado trabalhista militante em Uberaba (MG) e Mestrando em Direito pela Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP) A jornada de trabalho é um tema interessante e sempre teve atenção especial do Direito do trabalho. consoante CNPJ n. A Lei n. Ato contínuo. 10.354/1976.Como cediço. A constituição da república garantiu a todos os trabalhadores urbanos e rurais. no máximo. salvo exceções. seja porque o COL não é entidade pública.Jornal do Congresso O atleta será obrigado a concentrar se. havendo trabalho acima do referido limite (diário ou semanal). ser reconhecido. a jogar pá de cal na cizânia. convier ao empregador. da Constituição da República prevê o direito à remuneração do respectivo período com o adicional de no mínimo 50%. por prazo não superior a 3 (três) dias por semana. então. o direito à remuneração de no mínimo 50% a mais sobre as horas extras. envolvendo “serviço extraordinário” o art. E caso estejam presentes os outros pressupostos da relação de emprego. de forma que a distribuição dos lucros — procedida de maneira desvinculada da participação societária — poderia representar violação indireta ao previsto no estatuto da própria CBF e violação do art. 53 do Código Civil. o vínculo empregatício deverá. por sua vez. 7º. seja porque não é instituição privada de fins não lucrativos. o COL seria composta majoritariamente por entidade sem fins lucrativos (a CBF). Sabe-se que o horário de trabalho é o tempo à disposição do empregado em face do empregador. Logo. 7º.6. e ficar à disposição do empregador quando da realização de competição fora da localidade onde tenha sua sede. não se enquadra os dispositivos celetistas e constitucionais. por conta que a Lei n. dispõe: LTr .608/98. 9. em conjunto com a onerosidade. 1º da própria Lei n. 58 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A legislação trabalhista disciplina que a duração normal do trabalho. o COL acabou sendo registrado na JUCERJA. 6.2008. será oito horas diárias e quarenta e quatro semanais. segundo art. regulamenta a profissão. por conta (dentre outras) de estar atrelado à condição de salubridade do trabalhador. citado.354/74.

não se pagará hora extra. Recurso de Revista conhecido e não provido (BRASIL. subtende-se que o jogador estará descansado e com isso apto a desenvolver a sua atividade quando da realização do evento. ingestão de bebida alcoólica. não se admitindo o deferimento de horas extras neste período. Fernandes. vez que aquele acaba permanecendo mais que o dobro do tempo em atividades benéficas ao empregador. LTr . ele está à disposição do clube (empregador). não faz jus ao recebimento de horas extras. Diga-se que a jurisprudência é uníssona em não reconhecer o direito do jogador profissional em receber pelas horas extras. Horas extra. 6. 7º da Lei n. tem natureza jurídica e essência diversa das horas de trabalho em prontidão ou sobreaviso. Muitos vão dizer que é injusto o fato de que o regime de concentração. propiciando-lhe melhor condição física e psicológica. Relator Ministro José Simpliciano Fontes F. o minimo que se pode fazer é remunerar como extraordinário o período gasto em concentração que extrapolar o limite das quarenta e quatro horas semanais de trabalho (OLIVEIRA. sendo totalmente distinta a situação do atleta profissional de futebol em relação ao profissional em geral. Recurso de Revista n. não importando se ele fica teoricamente descansando. Tempo à disposição pela CTL. A concentração tem a finalidade principal de resguardar o atleta. aguardando ou executando ordens. 2009. 2009). 2000). 2009.. 120 Considerações finais Foi visto que o regime de concentração do jogador profissional não é tido como tempo a disposição do empregador. tratando-se de característica especial de trabalho do jogador profissional.. dentre outras. Desse modo. é considerado trabalho extra. Período de concentração. etc. e por isso. já que o empregador tem maiores condições de controlar o período de sono. pois apesar de que o jogador não está atuando. para efeito de pagamento de horas extras. o período de concentração não gera o direito a horas extras. a concentração do jogador de futebol. não podendo aplicar a ambas as matérias.354/76. não seja considerado como hora extra.Entende-se que. Recurso de revista que se nega provimento (BRASIL. de drogas ou substâncias proibidas para o esporte. as regras celetista e constitucionais. O período de concentração.) horas extras. Referências BRASIL. de forma a poder exigir maior e melhor rendimento durante a competição. E uma forma de preservar a saúde do atleta para que ele possa bem desempenhar o seu mister de jogar a partida desportiva (MARTINS. pois a profissão é regulamentada por lei própria. Entendo que a legislação deverá se aperfeiçoar para conferir ao jogador profissional o direito às horas extras nos casos de concentração. Período de concentração. visto que o período é sim tempo à disposição do empregador. Observa-se que a concentração do jogador de futebol é uma característica marcante do contrato de trabalho. DEJT 7. portanto. p.8. já que a sistemática não se equipara ao tempo em que o empregado permanece à disposição do empregador. Brasília: Tribunal Superior do Trabalho. A concentração é obrigação contratual e legalmente admitida.2009. pois havendo a concentração. Nos termos do art. 80). O jogador profissional então. deveria ser considerada como tempo à disposição. não integrando a jornada de trabalho. evitar ingestão de bebidas alcoólicas. pois existe lei especial que se aplica ao caso específico. Diga-se que além disso é um costume existente na maioria dos países. 297/2002-104-0300-8. 2ª Turma. atividades de treino. p. (. desde que não exceda a três dias por semana. por conta de concentração: O Jogador de futebol. pois ela é levada a efeito para atender interesses do empregador. A doutrina é bem clara: A concentração é o período em que o atleta irá ficar num hotel antes das partidas para descansar.Jornal do Congresso . a meu ver. Jogador de futebol. é uma característica especial do contrato de trabalho do atleta profissional. 80). 2011. se alimentar adequadamente. A concentração.

4º Turma. se necessário. 2000. por meio de atos praticados pela Justiça do Trabalho. Brasília: Congresso Nacional. a tutela executiva visa tornar concreto. Brasília: Senado Federal.1943. Consolidação das Leis de Trabalho. Decreto 5. Acesso em: 5 jan. Rio de Janeiro: Ministério do Trabalho. perguntamos se não estaria o legislador pátrio exagerando na proteção do devedor. A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo 121 . BRASIL. 1943.Jornal do Congresso Atualmente.5. e sofre ao não receber seu crédito diante da ineficácia do processo executivo. aquilo que ficou decidido na fase cognitiva. Lei que Regulamenta a Profissão de Atleta Profissional — 6. esquecendo-se por muitas vezes que o credor também é humano. Dos entraves à execução trabalhista Ao contrário do processo de conhecimento. é na execução que ocorre o atravancamento processual. diante do manifesto fracasso do processo de execução por quantia certa.br/secoes/ artigosf/Daniel_impenhorabil.2000. Constituição Federal. Jean Marcel Mariano. Sergio Pinto.576/97. a satisfação de obrigação consagrada em título judicial ou extrajudicial.009 de 29 de março de 1990: Art.adv.doc>. em evidente e injusto detrimento do credor. O contrato de trabalho do atleta profissional de futebol. A (IM)PENHORABILIDADE DO BEM DE FAMÍLIA NA EXECUÇÃO TRABALHISTA E APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE COMO SOLUÇÃO Jéssica Chaves Costa Bacherela em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora. 2014. 2009. Daniel Amorim Assumpção. 2011. Direitos trabalhistas do atleta profissional de futebol. Brasília: Tribunal Superior do Trabalho.5. 8. caput. Obviamente que não se pretende com tal afirmação glorificar ou ainda justificar métodos ultrapassados na busca da satisfação do direito. BRASIL. 2. É nesse sentido que a execução trabalhista busca. A impenhorabilidade do bem de família na execução trabalhista Assim dispõe o art. como a responsabilidade pessoal da Lei das XII Tábuas ou métodos de infâmia conhecidos na Idade Média. 3º. como afirma com maestria Daniel Amorim Assumpção(1): (1) NEVES. que. BRASIL. 1.452 de 1º. 1988. Impenhorabilidade de bens — Análise com vistas à efetivação da tutela jurisdicional. muitas vezes ocorre em razão de regras contidas na legislação esparsa. DEJT 1. coercitivamente. Recurso de Revista n. Por mais célere que se consiga tornar o processo de conhecimento. Relator Ministro Barros Levenhagem. LTr . São Paulo: LTR. O que nos preocupa é se não estaríamos na tal “humanização” da execução. Disponível em: <http://www. Pós-graduanda pela Universidade Cândido Mendes. 40. da Lei n.BRASIL. 3º. não voluntariamente satisfeita pelo devedor. OLIVEIRA. 1976.354. Martins. São Paulo: Atlas.flaviotartuce.

a partir da ponderação dos direitos fundamentais.009/90 como absoluta e escusável apenas nas exceções disciplinadas nos incisos do seu art. atento a que. Todavia. fiscal. É nesse sentido o entendimento de Francisco Alberto de Motta Giordani(2): (. LTr . 4ª ed. (2) GIORDANI. a razão do Direito do Trabalho.Jornal do Congresso . A Lei n. com o bem levado à hasta pública. mesmo porque. impõe-se proceder à compatibilização entre os mesmos. seu aproveitamento não é pacífico.2. em razão destes não serem absolutos. previdenciária. harmonizá-los. alcança-se solução que não invalida o direito à moradia. de um lado temos que os fundamentos justificadores da norma jurídica que estabelece a impenhorabilidade do bem de família são a proteção especial conferida pelo Estado à família e o direito a moradia do devedor. Juruá. torna-se indiscutível a aplicação da regra que atribui impenhorabilidade ao bem de família legal à Justiça do Trabalho. há o direito a dignidade do trabalhador a ter a satisfação de seu crédito no âmbito executivo. conforme afirma Rainer Ckzajkowisk (4): A Lei abrange a possibilidade de o proprietário de uma residência luxuosa que não cumpra o adimplemento de uma obrigação. Nesse diapasão. 122 3.. bem como com os princípios do Direito do Trabalho e sua finalidade precípua de proteger a parte mais vulnerável da relação jurídica. 8. através da redução proporcional do âmbito de aplicação de ambos ou de apenas um deles. e com ela sua finalidade. com evidente repercussão no Processo do Trabalho. tendo em vista o caráter imperativo da norma. por outro lado. Por meio deste artigo.apej. o crédito trabalhista será quitado.2012. A impenhorabilidade do bem de família: comentários à Lei n. (4) CKZAJKOWISK.009/90 ao proteger a moradia do devedor não se preocupou em distinguir imóveis de alto valor dos imóveis de baixo valor. mas de igual relevância. Acesso em: 8. 8. mas sim o mais forte. Francisco Alberto de Motta Peixoto. ainda que ostensiva e evidente exteriorização de riqueza. Disponível em: <http://www. 3º. por meio de juízos comparativos de ponderação dos interesses envolvidos no caso concreto.). de receber o direito como algo posto.br/artigos_doutrina_ fampg_01. é a proteção do empregado. pois. conferindo tratamento jurídico único diante de situações muito distintas e que pode evidenciar disparidades. o que permitirá. economicamente mais fraco. 8. Rainer.de execução civil. 2002. Relator: SAMUEL HUGO LIMA. A aplicação da Lei n. deter os mesmos direitos e prerrogativas daquele que não tem condições de saldar suas dívidas. entre o empregado que recebe seu salário e o empregador que não paga. 8. A aplicação do princípio da proporcionalidade pode ser vislumbrada por meio de decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região(3) que permitiu a penhora de único bem de família residencial detentor de valor suntuoso para a satisfação da dívida trabalhista devida ao credor. sendo claro e irrecusável que. Inobstante a doutrina e jurisprudência majoritária acatarem a previsão expressa da Lei n.009/90 na Justiça do Trabalho. Do princípio da proporcionalidade como solução Aplicar o princípio da proporcionalidade como solução para a celeuma que envolve a impenhorabilidade do bem de família legal na execução trabalhista constitui-se como mecanismo hábil para estabelecer equilíbrio entre o direito à moradia do devedor e sua família e o direito do trabalhador à efetiva tutela executiva.. pois. Nesse caso. economicamente falando. sua não aplicação seria justificada por meio da incompatibilidade com a natureza alimentar do crédito trabalhista. mostra-se totalmente razoável a penhora de único imóvel residencial de alto valor. trabalhista ou de outra natureza (. 8. há de se dispensar tutela àquele e não a este.. afastando-se. de modo a permitir que este adquira imóvel para moradia digna. 2014. Isso porque estamos diante de colisão de direitos fundamentais.. retornando a diferença ao devedor. sendo que para parte da doutrina e jurisprudência.com. apenas restringindo seu (3) TRT-15 — AGVPET: 6304 SP 006304/2012.) não haveria espaço para aplicação da Lei n. assim. já que. jan.asp>. esse ramo do direito poderia perder sua identidade. do contrário. não estaria protegendo a parte mais fraca da relação jurídica. mediante o emprego do princípio da proporcionalidade.009/90. se faz necessária análise minuciosa da situação. se aplicada. Data de Publicação: 10.009. uma vez que a norma merece ser interpretada a luz do caso concreto. Em caso de colisão entre direitos fundamentais.

GIORDANI. é necessário que haja posição intermediária quanto à aplicação da mencionada Lei. A busca da verdade sobre o dano existencial nas relações de trabalho Noemia Galduróz Cossermelli Doutora e Mestre em Direito do Trabalho pela PUC-SP. Daniel Amorim Assumpção.009/90 na Justiça do Trabalho. devendo ser realizado exame do caso concreto. garantindo a observância do direito à dignidade do credor laboral. NEVES. protegidos pela impenhorabilidade por meio da parte final do parágrafo único do art. A luz do princípio da proporcionalidade.br/artigos_doutrina_fampg_01.doc. Francisco Alberto de Motta Peixoto. Este é o entendimento dos TRT/SP 02990205572 — Ac 3ª T 19990345190 e TRT 1ª Região — AP 03009-97. A aplicação da Lei n. na Universidade de SorocabaUniso e na Faculdade de Direito de Sorocaba (FADI). Rainer. 8009/90 que resguarda a impenhorabilidade do bem de família não deve ser aplicada por meio de mera subsunção legal. 4ª ed. Referências bibliográficas CKZAJKOWISK. A partir dos casos concretos que ilustram que a aplicação do princípio da proporcionalidade leva a decisão equânime e justa diante do conflito de direitos fundamentais. é possível concluir que a Lei n.009/90. sendo permitida a penhora sobre outros que. devem ser impenhoráveis somente os bens indispensáveis à família do devedor.flaviotartuce. 1º da Lei n. adequando os interesses em conflito de modo que ambos possam conviver sem o completo esvaziamento do outro. Na mesma esteira de pensamento. para que seu raio de ação seja restringido em prol dos direitos fundamentais em conflito. não absolutamente indispensáveis à sobrevivência familiar. 8. Disponível em: <http://www.com. (“Tu não me procurarias. apenas lhe propiciem bem estar. tu ne me chercherais pas si tu ne m’avais trouvé. A impenhorabilidade do bem de família: comentários à Lei n. 8.adv. se já não me tivesses encontrado”) Blaise Pascal Quais as causas das inquietações vividas no mundo das relações do trabalho contemporâneas? Quantas respostas serão necessárias para chegar na essência do Direito do Trabalho? LTr . 8. asp>. Console-toi. Isso porque o princípio da proporcionalidade se mostra como meio adequado a acomodar objetivos e atenuar tensões. Juruá. 2002. 2014.009/90. Situação semelhante se dá no tocante aos bens móveis que guarnecem a casa.âmbito de aplicação. Acesso em: 8.> Acesso em: 5 jan 2014. Advogada Trabalhista. Disponível em: <http://www. considerando a impenhorabilidade como absoluta. apej. Professora Titular de Direito do Trabalho na UNIP-Sorocaba. Impenhorabilidade de bens — Análise com vistas à efetivação da tutela jurisdicional.Jornal do Congresso Como identificar os pontos fundamentais da problemática do Direito do Trabalho? O presente estudo tem por objetivo responder a seguinte pergunta: “Dano Existen123 . jan. Deste modo.br/ secoes/artigosf/Daniel_impenhorabil.

possibilitando. além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XIII — duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais. da Organização Internacional do Trabalho (OIT) adotou a semana de 40 horas. b) humanos. Neste cenário...) são candidatos potenciais aos sintomas de irrealização dos sonhos comuns a todos (. Se a vitória não pode ser provada e confirmada cabalmente... resultar num prejuízo que deva ser reparado. As primeiras leis na era industrial limitaram a jornada de trabalho em 10 horas. 47.) É preciso que se avance nas relações trabalhistas. terá o autor da ação que comprovar de forma inequívoca que. em virtude do alto nível de desemprego que ocorrera logo após a 2ª Guerra Mundial. França (1848). não são condutas capazes gerar o dano existencial. A Encíclica Rerum Novarum (Coisas Novas) afirma que “não deve o trabalho prolongar-se por mais tempo do que as forças o permitem” (Papa Leão XIII — 1891). não fosse a existência do ato danoso. que se punam os exploradores. o que é impossível. 4) ordem familiar (tempo de convivência com os entes queridos). facultada a compensação de horários e a redução da jornada. como na Inglaterra (1847). Por que somente agora está se falando tanto em direito existencial (projetos de vida) do trabalhador? Qual é a causa? LTr .. A Convenção n.. lutar em igualdade de condições. o trabalhador pode ter seu projeto de vida abortado ou nunca realizado e. Rússia (1887). consequentemente.” Um pouco de norma jurídica brasileira A Constituição Federal de 1988. concretizar sonhos. c) políticos. com jornada com 08 horas como os Estados Unidos (1868) e Austrália (1901). talvez. A evolução jurídica.. Um pouco de doutrina Jorge Boucinhas: “(.” Raimundo Simão de Melo: “Se a perda de uma chance for enquadrada como dano emergente ou lucro cessante. o mesmo ocorre em relação ao insucesso da obtenção do resultado esperado. Não é favor” Sonia Mascaro Nascimento: “Importante se ressaltar que para se ter o dano existencial necessário se faz a comprovação do prejuízo e o nexo de causalidade com a conduta. mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. por acúmulo de ação laboral superior à suportável (. As trade-unions (sindicatos) lutaram por uma jornada de trabalho de oito horas. nacional e internacional. 7º — São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. o resultado teria se consumado. O sistema jurídico da jornada extraordinária encontra fundamentos nos aspectos a) econômicos. resultando conquistas muito importantes para a classe trabalhadora. d) condições satisfatórias de vida e de trabalho. dispõe: Art. o direito de realizar o mais simples objetivo da maioria dos seres humanos: viver com dignidade. que servirá de fundamento para as ações trabalhistas que tenham por objeto o pedido de reparação por dano existencial. observa-se que a flexibilização trazida pelo legislador constituinte diz respeito à compensação e a redução da jornada.) Haverá o dano existencial se restar comprovado o 124 dano a um projeto de vida e/ou ao convívio social e familiar. Assim. Áustria (1885). Em virtude do labor em jornada excessiva. com a obtenção da chance pretendida. sobre normas de proteção à jornada e ao descanso é significativa. Assim. a não concessão de férias por longo período ou a sobrecarga de horas extras para além do limite legal de forma reiterada.cial — Trabalhar em horas extras e férias gera dano moral?” Um pouco de história A exploração do trabalho humano na Inglaterra (1830) fez com que os trabalhadores se unissem em defesa de seus interesses. a muitos.) Os empregados constrangidos pela exigência compulsória de horas extras. que se ressarçam os vitimados pela exploração do poder econômico. (. por si só. surge triunfantemente o Princípio da proteção à vida existencial do trabalhador. É direito. Outros.. o desrespeito de poucos seja inibido. Ainda que não reproduzido o instituto jurídico da jornada de trabalho na sua inteireza.Jornal do Congresso .

Para o instituto das férias. função e essência do Direito do Trabalho. Quanto maior o ganho financeiro do empregado. fica estimulado pelo aumento em seu orçamento. nestas condições. e a tendência nos tribunais de arbitrar indenizações por dano existencial. Se permanecer a cultura de que a violação dos direitos dos trabalhadores seja reparada com quantias em dinheiro. Dano existencial e o Direito do Trabalho. poderá refletir nas ques- LTr . O empregado. e o embate maior está em flexibilizar. BOUCINHAS FILHO. Rubia Zanotelli de.com. ou não gozar férias regulares. mas. Editora Saraiva. 1996. Le Mystère de Jésus. O empregador. as normas trabalhistas. Filosofia do Direito. Miguel. por pressão e/ou medo de perder o emprego e. 57. como dito anteriormente. <http://www. vale o mesmo raciocínio. como titular. ou não. PASCAL. o que tem prevalecido é o entendimento na não flexibilização. mesmo que trabalhando em jornadas excessivas. este deverá “pagar” pelo prejuízo causado. na prática. 1996.conjur. pagamento de férias em dobro. Sabemos que na maioria dos casos. e isto está fomentando. Editora Saraiva. como forma de punição ao empregador. São Paulo. sai ganhando porque o risco é calculado. Filosofia do Direito. ainda que objetivamente desproporcional. os interesses econômicos na relação jurídica entre empregado e empregador. Revista Magister de Direito do Trabalho. como adicional de horas extras muito superior a 50% (acordo coletivo e convenção coletivas de trabalho). Dano Existencial requer prova de prejuízo e nexo causalidade.br/2014-mar-18/ sonia-mascaro-dano-existencial-requer-prova-prejuizo-nexo-causalidade>. 125 . Trata-se do famoso “ganha-ganha” no mundo dos negócios. São Paulo. mesmo que condenado a pagar indenização por dano existencial. Está evidente que. a cultura jurídica criada é de que a reparação da lesão do direito sofrida pelo empregado. n.Jornal do Congresso tões de ordem existencial do trabalhador. Ano X. justificada pela desproporção objetiva entre os sujeitos. maior o interesse dele em continuar ajustando condições de trabalho que violam direitos que ele. não poderia dispor. Bibliografia NASCIMENTO. In Miguel Reale. ALVARENGA. Este modelo servirá de fundamento para manter vivo o círculo vicioso das relações trabalhistas entre empregado e empregador. REALE. cada vez mais. Blaise. Sonia Mascaro. teremos um modelo em que qualquer violação por parte do empregador. seja em dinheiro. Trata-se de uma modalidade de ganha-ganha que é totalmente contrária aos princípios. Será esta a verdadeira essência e função do Direito do Trabalho? Vivemos numa constante dialética a respeito do equilíbrio da relação jurídica entre empregado e empregador. Jorge Cavalcanti.Não vai aqui nenhuma pretensão em dizer que danos não devam ser reparados. os empregados se sujeitam a trabalhar em jornadas excessivas.

não configurando situação de dispensa arbitrária ou sem justa causa. Assim. alínea b. quanto ao tema. n. 185/2012. ou seja. não haverá mais a garantia de manutenção do vínculo empregatício. O contrato a termo tem como uma de suas características a ciência. arbitrariamente ou sem justa causa. dentre os quais. de origem constitucional. (ex-OJ n.2012) LTr . Rogers College of Law. do ADCT. conforme o caso (Súmula n. não constitui dispensa arbitrária ou sem justa causa. Especialista em Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho pela Universidade Candido Mendes. conforme estabelece o art.9. a aquisição de estabilidade quando a gravidez ocorre no curso de um contrato a termo e durante o curso do aviso prévio. DEJT 25. o termo final do contrato implicaria na extinção natural do vínculo empregatício. (Redação dada pela Res. Advogada. 1.Jornal do Congresso . passando o TST a adotar o entendimento de que a ocorrência de gravidez no curso do contrato a termo implica em aquisição de estabilidade. só haverá extinção do vínculo empregatício nas hipóteses legalmente autorizadas. inciso II. A efetivação da dispensa sem justa causa é ato nulo. Uma vez cessada a condição ensejadora da estabilidade provisória. viabilizando a ruptura do contrato por ato unilateral do empregador. mesmo na hipótese de admissão mediante contrato por tempo determinado. quer pelo decurso de sua vigência.Estabilidade Gestante: gravidez no curso do aviso prévio Sandra Mara Freitas Alves Mestre em Direito Internacional pela Universidade do Arizona — James E. conforme disposição legal. uma mudança na jurisprudência e legislação pátrias. sendo esta de duração determinada no tempo e conferida ao trabalhador em virtude de uma circunstância pessoal ou contratual. Portanto. Introdução 2. autorizando a reintegração ou a indenização correspondente ao período de estabilidade. 196 da SBDI-1 . houve alteração jurisprudencial. Nessa situação. 10. em face do término do prazo. visto que a extinção da relação de emprego. I do TST). 244. há a estabilidade conferida à “empregada gestante.2000)”.inserida em 8. do momento de extinção do vínculo. b do ADCT. A estabilidade pode ser definitiva ou provisória. 126 Esse era o entendimento do Tribunal Superior do Trabalho. A referida estabilidade provoca alguns questionamentos. Gravidez no curso de um contrato a termo A estabilidade é instituto jurídico que impõe limites ao poder potestativo do empregador de dispensar. 244 do TST: “A empregada gestante tem direito à estabilidade provisória prevista no art. pelas partes. No entanto. Observa-se. desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto”. há prefixação do dia em que se extinguirá a eficácia do contrato. A partir da confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. 244: “Não há direito da empregada gestante à estabilidade provisória na hipótese de admissão mediante contrato de experiência. como pode se observar através da antiga redação do item III da Súmula n. o empregado. havia o entendimento de que o termo final dos contratos por prazo determinado não poderia ser protraído em virtude de aquisição de estabilidade. Nesse diapasão. fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa da empregada gestante. quer pela alteração das condições pessoais ou contratuais. II. É o que nos informa a atual redação do item III da Súmula n. 10.11. Dentre as modalidades de garantias provisórias de emprego. Professora de Direito do Trabalho na Universidade de Fortaleza (UNIFOR). o termo final do contrato por prazo determinado resta postergado para o momento em que se verifica o término da garantia provisória de emprego.

para terminaçãoa do víncu. ainda LTr . CLT). 475-J do Código de Processo Civil. até o decurso dofechados prazo do aviso prévio. b do ADCT) não fez qualquer restrição acerca da modalidade contratual. 249-275. não cabe ao intérprete. por exemplo. asseguramaternidade aealcançar à criança. LXXVIII. José Eduardo. 11. vindo no curso do contrato de trabalho. se a gravidez diato. O Processo do Traria(4)vínculo ressalta de que “cabe a uma magistratura com um coemprego. São Paulo: LTr.deo concretização que justifica. 2014. 2010. que o prazo estabelecido. pois a legislação visa assegurar “A data de saídaNesse a serviés anotada na interCTPS os Magistrados e os Advogados para que a sociedade reito Processual do Trabalho. ed. Por essa razão. 5º. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias”. in fine. e nos princípios constitucilidade da multa do art. Ainonais justrabalhistas. Jurisprudencial n. 2007. estabelecer restrições a direitos. entretanto. à gurou a razoável duração do processo como direito dos princípios do Processo do Trabalho com a redação § 1º. 391-A à CLT. mas apenas manifestação formal do desejo de extinguir o contrato em momento futuro. so prévio. São Paulo:legal LTr. Direito do trabalho. São Paulo: MÉTODO. tude de concepção ocorrida no curso do avisono princípio constitucional da razoável duração do proSe numa infraconstitucional aplicabiatravés do análise pré-aviso. Alice Monteiro de. 10. p. 6. passo adiante.dos plenamente.cesso prévio. In: prévio. ed. portanto. Assim preceitua o referido artigo. ao vínculo de emprego. o Ditornar-se um objetivo comum principalmente dentre caput da CLT). trabalhado ouCF) indenizado. 5. O aviso prévio não implica em fim da relação empregatícia. Essa garantia de não visa apenas à a Emenda Constitucional n. justa causa a empregada nal Superior do Trabalho.te e credor O atual noalimentar sentido de de entendimento bens de natureza — confeum prodos àcisão responsabilidade de reformular das próprias (5) cesso mais ágil e eficaz contradições sociais os conceitos e tipificantes dos . de imeParece razoável entender que. a argumenjustrabalhista essetal desiderato. quaisquer não sóperca o emprego. 2º. Assim. para todos os efeitos legais (art. como. Curso de direito do trabalho. 475-J do Código de Processo lo. não haja impedimento para a rescisão do p. 101-102. 2014. 487. cação subsidiária do art. do contrato trabalho pela parte que decide O intérprete não deve se quedar inerte diante da dos legisladores e diante dos percalços da inSob o prisma desse princípio. Orientação Numa interpretação pós-positivista os princípios constitucionais irradiar sua aplicabiliEnfim. Consiconcretizar o espírito dos comandos constitucionais. após a comunicação da resbalho deve oferecer ao seu jurisdicionado-hipossufiennhecimento multidisciplinar e poderes decisórios ampliado contrato. São Paulo: LTr.A Constituição de 1988 ao estabelecer relevante proteção à maternidade (art. ou seja. A aplicação subsidiária art. A Lei n. proteção objetiva da gestante. tas. Lei n. só podendo se efetivar a dispensa após o decurso contrato. Ordem legal X Mudança social: a crise do (5) CARVALHO. garante à empregada gestante a DELGADO. Curso de direito do trabalho. ocasionando alteração do Texto Celetista. no curso do aviso prévio protrai o termo do conEsse entendimento passou a ser adota. do novodo dispositivo sãoAum meio de dos princípios destacados bitrariamente ou semacima. do pelo legislador infraconstitucional. 475-J do Código de Processo tível com o novo dispositivo do Código de Processo dene no deProcesso dúvidasdo que o prazonão doserá aviso prévio para se Civil Trabalho a solução Civil como é justificador de sua aplicação subsidiária. BARROS. Reforma e efetividade. pela qual se assecação da omissão celetista e a percepção da coerência trabalho. atravésdo daprocesso. estabilidade provisória prevista na alínea b do inciso II do art. após O método de colmatação lacunas. in verbis: “A confirmação do estado de gravidez ad. busca da pelo verdadeira efetividade deve é risco a ser aassumido empregador (art. quando o próprio legislador não o fez. A condição essencial para que a 3. FARIA.232/2005: Oportuocorre no curso do aviso confere à ges. LXXVIII. ed. Luis Fernando Silva de. José Eduardo (Org. Luciano Athayde. São Paulo: Ática. II. que durante o prazo do aviso prévio trabalhado ou indenizado. conferir conpretações dadas à legislação infraconstitucional devem a esperança que terá seus direitos tutedeve corresponder à do término do prazo do avi. pode ajudar a processualística efetividade ao princípio da proteção integral à Civil já é admitida por inúmeros autores.CASSAR. formaliza a comunicação rescisão balhistas. sobretudo. fundamentada Conclui-se. In: CHAVES.nidade judiciário e a formação do magistrado. integra o contrato para todos os efeitos. decisão deconcretização dispensar arfundamental a todos os brasileiros 5º. torna-se irrelevan(4) FARIA. derando que o aviso prévio não põe fim. mas.812/2013 acrescentou o art.nunca dições básicas de sustento do nascituro. datorna-se que o aviso prévio sejaquando indenizado. consolidando a máxima proteção à maternidade. o contrato continua a produzir efeitos legais durante o período do pré-aviso. de maior efetividadeda no cumprimento das sentenças trabalhiste que. 1997. tação mais consistente analisada a luz da principiologia constitucional.desobretudo. Vólia Bomfim. todos problemas direitos traTal princípio pressupõe uma visão social do sistema do qualdosetrabalho. Há a obrigação deJosé manutenção do letargia 4.). não restrigiu a aplicação da estabilidade da gestante aos contratos por prazo determinado. CF). lados pelo Poder Judiciário.Jornal do Congresso 127 . 45/04. pela partea partir que deseja extin. Direito Processual do Trabalho: tante o direito à garantia provisória no emprego. reconhecer que a meraInapliOdo princípio da finalidade social não só é compadez ocorra durante o vínculo empregatício. Aquisição de estabilidade gestante no curso empregada faça jus à estabilidade é que a graviaviso prévio É forçoso. mas será um direito. Maurício Godinho. rir a garantia da estabilidade provisória em do virsistemas legais vigentes”. gui-lo. O aviso prévio é o instituto jurídico através acoplaosao contrato. 9. 13. 82devem da SDI-1: dade a todos os subsistemas. a identifi-se a integração desse período ao contrato de 227 da CF/88. Bibliografia 12.trato para a data final do período estabilitário. processual valorizando mais asdaquestões a aquisição dojáreferido de justiça do que de os problemas de legalidade. mas. principalmente. Conclusão corporação de novos procedimentos. Assim se(art. ainda que indenizado”. porque a superviniência de gravidez do prazo estabilitário. como posto no art. Eduardo Faextingui-lo. vem conferir (art. por ocasião comunicação da dispensa Direito e Justiça: a Função Social do Judiciário. posicionou o Tribututela nascituro.

Jornal do Congresso . do Estado e Atividade Econômica: enfoque laboral na PUCPR. 2008. as empresas. o trabalho é desenvolvido em qualquer lugar e em qualquer hora. Temos. não era mais a divina. da segurança e do poder que ela oferece. algo do nosso ser a modificar-se de século em século: a nossa inteligência. Se as leis da associação humana já não são as mesmas que foram as da antiquidade. 6. a sociedade. Tradução: Maria Célia Paoli. Nossas fronteiras deixaram de esbarrar nas fronteiras do tempo e do espaço graças ao e-mail e das redes sociais. que propiciaram grande avanço do comércio internacional. 128 parte de um mundo deslumbrado com os avanços tecnológicos da eletrônica e da informatização. fez com que as pessoas. Membro Diretor da AATPR. p. Porto: 1950. porém. Segundo registros históricos na passagem de 999 para o ano 1000. 7ª ed. “As grandes transformações que de tempos a tempos aparecem na constituição das sociedades não podem ser o efeito nem do acaso. Especialista em Direito do Trabalho e em Formação Pedagógica do Professor Universitário. Advogado. Fustel de. a sociedade cristã temia o Juízo final. Anna Maria Quirino. efectivamente. estão vinculadas às notáveis inovações tecnológicas nos instrumentos de navegação. A cidade antiga: estudo sobre o culto. graduado pela Faculdade de Direito de Curitiba. ambos pela PUCPR. nem só da força. os Estados. (2) Imaginava-se que com a mudança de calendário em razão da alteração do milênio os computadores iriam paralisar suas operações. Eric J. Nações e Nacionalismo desde 1780. a segunda. Fazemos (*) COULANGES. p. (1) HOBSBAWM. Deus espalharia sua ira sobre o mundo na forma de morte e destruição.7º Painel A MODERNIZAÇÃO DO DIREITO E AS NOVAS DIMENSÕES PARA O ACESSO AO JUDICIÁRIO Ronald Silka de Almeida Mestre em Direitos Fundamentais e Democracia pela UniBrasil. os homens voltaram a temer o Apocalipse. a quarta globalização. mas a tecnológica o bug do milênio(2). a razão está em que no homem alguma coisa se transformou. coincide com as grandes descobertas dos séculos XIV e XV. Levada por crenças religiosas. até porque ela nunca foi tão visível e onipresente. Tradução Portuguesa. aparece na segunda metade do século XIX. A comparação é um exemplo da dimensão que a tecnologia vem assumindo em nossas vidas. LTr .” Fustel de Coulanges(*). Livraria Clássica Editora. o direito e instituições da Grécia e de Roma. a terceira. Rio de Janeiro: Pás e Terra. uma onda de terror se espalhou pelo mundo medieval(1). fato este que efetivamente não ocorreu. Um milênio depois. fenômeno contemporâneo resultado do desenvolvimento dos mercados e também em razão do expressivo avanço tecnológico (informática e eletrônica). A causa que as produz deve ser poderosa e devendo residir no próprio homem. a ameaça. Neste contexto a história informa a ocorrência do fenômeno denominado globalização tecnológica(3) que. Nunca estivemos tão fascinados pela tecnologia e tão dependentes do conforto. que findou com a feudalização política e comercial. 159. modificassem o seu modo de observar o mundo e também alterou de forma crucial as re(3) A globalização está dividido em quatro fases: a primeira. Professor Assistente no Grupo de Pesquisa: Desregulamentação do Direito. que se tem conhecimento foi a do Império Romano. após as guerras napoleônicas e determina a supremacia do liberalismo sobre o mercantilismo e está associada à Revolução Industrial em que surgiram as primeiras noções de relação de trabalho. efetivamente transformou o planeta em uma grande aldeia global.

Eduardo Gabriel. Incisos XXXIV e XXXV(4). pode-se dizer sem sombra de dúvida criou-se uma verdadeira babilônia de sistemas operacionais: provi. sisdoc. notificações e sentenças) é que ocorreu um aparente desafogo no trâmite das atividades das secretarias das varas em razão de que advogados e partes não mais necessitam de se dirigirem ao foro para se inteirarem do andamento do processo e realizarem algum procedimento. escritório digital. por José Eduardo Duarte Saad. Porém um aspecto relevante deve ser observado conforme citado anteriormente as partes e procuradores não necessitam mais ficarem se deslocando até o foro para terem notícias do andamento do processo que lhes interessa. nos termos seguintes: [. Acesso em: 2 mai. b) ser portador de uma chave eletrônica representada pelo Certificado Digital. à igualdade. edoc2. e ampl. fato este que não lhe fora retirado com a informatização dos sistemas processuais. e-proc. XXXV — a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. o acesso se dá através dos mecanismos oferecidos pelo próprio judiciário que acompanha e orienta o cidadão. Ana Maria Saad Castello Branco. os Tribunais pátrios no afã de se atualizarem criaram seus próprios sistemas. rev. entrementes diante da exigência de: a) possuir um computador com os sistemas mínimos exigidos para a leitura dos arquivos judiciais. é que têm efetivo acesso ao conteúdo dos processos. Entretanto.. p. Nunca é (4) CRFB — “art.Jornal do Congresso a garantia constitucional insculpida no artigo 5º. O sistema Judiciário brasileiro vem. tentando acompanhar as evoluções tecnológicas para em prol de uma melhor racionalidade dos procedimentos minimizar os efeitos de uma demorada entrega jurisdicional. sem distinção de qualquer natureza. para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. em primeiro lugar assim como ocorreu uma explosão tecnológica a partir da década dos anos 1980. spe. nos casos em que ocorria o jus postulandi a parte sempre teve de se dirigir pessoalmente ao órgão judiciário mais próximo de seu domicílio para ter conhecimento do andamento do processo. projudi. e pelos sindicatos de classe. Em segundo. 5º Todos são iguais perante a lei. (5) CLT — “Art. b) a obtenção de certidões em repartições públicas. de forma árdua. Neste ponto é de se observar que não há o que se falar em prejuízo do jurisdicionado ao direito de acesso ao judiciário conforme preconiza LTr .] XXXIV — são a todos assegurados. A sistemática normativa indica que à parte basta se dirigir ao órgão de primeiro grau para apresentar as suas razões ao judiciário conforme preconiza o disposto no art. pessoalmente. bem como possuir um certificado digital. sem restrição. ou por seus representantes. à liberdade. mandados. 1122. Entretanto. às partes a consulta fica restrita a meras informações de andamento processual. 2014.” SAAD. atual. 129 .br/ccivil_03/constituicao/ constituicaocompilado. entre outros e culminando com o PJe — Processo Judicial Eletrônico que vem sendo instalado paulatinamente em todo o território nacional. procuradores das partes.. da CLT(5). precad.planalto. independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder. tão somente os advogados. Consolidação das Leis do Trabalho: comentada. e-doc.” Disponível em: <http://www. srre. não se pode confundir o acesso à justiça com o acesso à visualização das peças processuais. o que ocorre na realidade é uma restrição à publicidade dos atos. 839 — A reclamação poderá ser apresentada: a) pelos empregados e empregadores.lações de trabalho e a necessidade de uma constante atualização de normas e de mecanismos tecnológicos. de plano o que se observou em relação a adoção de sistemas eletrônicos de petição e inclusive para a realização das atividades jurisdicionais (audiências. ou seja. b) por intermédio das Procuradorias Regionais da Justiça do Trabalho.htm>. alguns aspectos devem ser levados em conta nesta difícil tarefa de atualização tecnológica do sistema judiciário brasileiro.gov. à segurança e à propriedade. posto que para o exercício do jus postulandi independe de a parte possuir ou não conhecimentos e disponibilidade de aparelhos e sistemas de informática. 839. posto que mesmo quando inexistia o sistema informatizado de consulta processual. 47ª ed. 2014. São Paulo: LTr. (ressalvados os casos de segredo de justiça) pelas pessoas que não eram partes integrantes do processo e que hoje já não é possível ficando estritamente restrita aos advogados que portam certificação digital. O que se tem observado na realidade é uma verdadeira restrição em relação à consulta processual que era efetuada de forma plena a todas as peças processuais.

já há muito tempo. Efetividade esta que deve se concretizar através de uma participação mais ativa do judiciário através da concretização de instrumentos. 1. da Constituição Federal da razoável duração do processo. Entendemos que com a unificação de sistemas e de procedimentos e até mesmo com a atualização de normas processuais adequadas ao processo do trabalho se estará no caminho da tão almejada entrega jurisdicional que passará a ocorrer de forma efetiva e quiçá atendendo-se ao princípio fundamental insculpido no artigo 5º.Jornal do Congresso . dada a desnecessidade de juntada de documentos. Procurador do DMAE de Uberlândia/MG.demais lembrar que mesmo no caso de se utilizar o jus postulandi e a parte não ter qualquer noção da sistemática processual. No âmbito específico da informática os avanços tem sido grandiosos e muitos benefícios têm proporcionado à humanidade. seja permitindo melhoria nos meios de comunicação entre as pessoas. permitiria a visualização e acesso aos autos a qualquer momento. em que pese ainda não estar totalmente adequado ao processo do trabalho. sendo igualmente eletrônicos todos os demais atos processuais praticados. a verdade é que uma implementação autoritária do processo eletrônico pode trazer LTr . LXXVIII. pois traria economia de papel. o processo trabalhista ainda assim tem o impulso oficial através do juiz. seja proporcionando um maior acesso às informações. sempre sendo necessário alguns ajustes em face das constantes alterações nos sistemas informatizados. etc. mas nem por isso deve-se deixar de observar as regras basilares de segurança e acessibilidade ao processo de forma a dar efetividade à atuação judiciária. Introdução A evolução científica e tecnológica é inerente ao ser humano e todos temos. 130 O universo dos profissionais do direito igualmente não poderia deixar de ser beneficiado pelos avanços da informática e referidos avanços estão a culminar no chamado processo eletrônico. enfim. O processo eletrônico no âmbito trabalhista sem sombra de dúvida trouxe uma agilização aos trabalhos dos profissionais que atuam nesta área. através do qual se pretende a substituição dos autos de papel por arquivos virtuais e eletrônicos. como por exemplo a simultaneidade de emissão de documentos notificações e citações através de um único procedimento. PROCESSO ELETRÔNICO E ACESSO AO JUDICIÁRIO Hugo Cesar Amaral Bacharel e especialista em Direito Constitucional pela Faculdade de Direito da UFU/MG. qual seja a unificação e melhoria dos sistemas para um pleno acesso do jurisdicionado. A modernização dos sistemas se faz necessário para uma melhor agilidade das atribuições do judiciário. colhido os frutos dos avanços que a inteligência humana tem colocado à nossa disposição. descabe enumerar as incontáveis benesses que os avanços no mundo dos computadores trouxeram para o mundo das pessoas. Embora à primeira vista possa parecer cercado de vantagens o dito processo eletrônico. em tese daria rapidez ao trâmite dos processos. Advogado.

no tamanho máximo. no canto inferior do lado direito”. Esta situação fulmina o direito ao acesso à Justiça para aquele causídico e para aquela parte(2) que não tenha se desincumbido das inúmeras e complexas exigências para a utilização do processo eletrônico. efetivada paulatinamente e não se vedando a utilização do peticionamento em papel para a parte e para o causídico que assim o desejar.419/2006 prevê que o procurador deverá ser intimado e citado virtualmente em um portal especifico. AASP. (3) As ponderações são de Heitor Vitor Mendonça Sica. (2) Se a um jovem advogado o processo eletrônico pode trazer dificuldades imaginemos a uma pessoa idosa. mas sim que a forma como o mesmo vier a ser implementado poderá dificultar o acesso ao Judiciário estando. Faltante este cadastro. 11. entretanto sua adoção há de ser parcimoniosa. n. sendo que o acesso ao peticionamento eletrônico de regra é sujeito a obtenção de certificações digitais e aquisição de aparelhos a onerar ainda mais o labor do causídico. por operação. A citada norma constitucional assegurou o direito fundamental do chamado acesso à Justiça. respeitado o limite de 2 megabytes. XXXV. Processo eletrônico e acesso à Justiça Nossa Constituição Federal. inciso XXXV informa que a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário a lesão ou ameaça a direito. o uso do “vetusto” peticionamento em papel. Revista do Advogado. insculpido em nossa Carta Política de 1988 em seu art. 5º. do TRT da 3ª Região: “As petições. Melhor explicando. inábil a manusear os recursos de informática. concomitantemente à sua implementação. de 20 folhas impressas ou 40 páginas. Conclusões O processo eletrônico pode trazer efetivamente inúmeros benefícios à Justiça brasileira. a título de exemplificação da complexidade inerente ao sistema. inc. Adiante melhor desenvolveremos nossas ideias. o art. temos que melhor atende ao espírito do amplo acesso ao Judiciário que um sistema repleto de exigências técnicas que dificultarão o simples ato de propor uma ação. em seu art. Ainda que o peticionamento em papel possa parecer algo arcaico. Limitar-se o acesso ao Judiciário à via eletrônica.Jornal do Congresso alta velocidade etc). tem à sua disposição. sobretudo. nestas circunstâncias. apenas serão aceitas em formato PDF (Portable Document Format). sequencialmente. em “Comunicação eletrônica dos atos processuais: breve balanço dos cinco anos de vigência da Lei n. abr. seja pela complexidade inerente ao uso do sistema(1). atingindo pela via direta o direito fundamental do acesso ao Judiciário. a ferir os dizeres do sobrecitado inciso XXXV. a adoção do processo eletrônico quando se impede. Ocorre que o direito ao acesso ao Judiciário não há de ser concebido apenas quanto à possibilidade de a pessoa lesada ou ameaçada de lesão em seu direito poder bater às portas da Justiça. e é essa a sensação que se depreende (1) Cumpre aqui citar. 3/2006. 69-76. 2012.419/2006. internet em LTr . seja pelos custos que estão agregados ao uso do processo eletrônico (certificações. utilizando-se frente e verso. 115. 131 . Nos preocupa. 2º da Instrução Normativa n. acompanhadas ou não de anexos. Uma tese despretensiosa como a presente não esgotaria a apreciação das possíveis inconstitucionalidades que rondam o processo eletrônico. Em nome da modernidade se está a ferir um direito fundamental. a parte não tomará conhecimento do ato e sofrerá as consequências processuais disto. Não está se falando que o processo eletrônico impedirá o acesso à Justiça. sendo que as páginas deverão ser configuradas para papel tamanho A4 (210x297 mm) e numeradas. Inquestionável a inconstitucionalidade!(3) 3. 11. exigindo-se prévio cadastro no mesmo. 2. Numa análise não aprofundada da questão da adoção do processo eletrônico pode passar despercebida eventual colisão da sistemática que se queira implementar com o direito fundamental em questão. 5º.prejuízos aos jurisdicionados. o processo eletrônico demanda recursos de informática que nem todo jurisdicionado e mesmo nem todo advogado. conforme for a localidade em que atua. p. mas a título de ilustração a Lei n. Em nosso país os serviços de Internet são precários e sobretudo onerosos.

pela qual se assedo rápido avanço do PJe. pio. busca da verdadeira efetividade deve tornar-se um objetivo comum principalmente dentre namento em papel nos soa. por exemplo. indiscutivelmente gurou duração do processo comoaodireito ferea orazoável direito constitucional ao acesso Poder fundamental a todos os brasileiros (art. LXXVIII. onais justrabalhistas. São Paulo: Ática. a princíAdotar-se o processo Numa interpretação pós-positivista do processo. (5) CARVALHO.). p. da princípiosOconstitucionais devem irradiar sua aplicabilidade a todos os subsistemas. pode ajudar a processualística justrabalhista a alcançar esse desiderato. data máxima vênia. 11. a argumentação torna-se mais consistente quando analisada a luz da principiologia constitucional.Jornal do Congresso 132 lados pelo Poder Judiciário. Luis Fernando Silva de. principalmente. do novo dispositivo são um meio de concretização dos princípios destacados acima. In: CHAVES. sob o argumento da modernidade. Luciano Athayde. eletrônico.232/2005: Oportunidade de maior efetividade no cumprimento das sentenças trabalhistas. O método de colmatação de lacunas. os Magistrados e os Advogados para que a sociedade beirar à ofensa ao texto constitucional. 97 LTr . p. José Eduardo (Org. nunca perca a esperança de que terá seus direitos tute- (4) FARIA. os PJe. Lei n. o Diagilidade e da economia. a identifi- cação da omissão celetista a percepção da coerência Judiciário. Abolir-se o peticioEnfim. 101-102. José Eduardo. 249-275. como. In: FARIA. 45/04. CF). após a Emenda Constitucional n. 5º.Jornal do Congresso . São Paulo: LTr. recanto aondeemilhões de brasileiros dos princípios do lídimas Processopretensões do Trabalhode com a redação direcionam suas justiça. 2007. Judiciário. Direito e Justiça: a Função Social do Judiciário. Ordem legal X Mudança social: a crise do judiciário e a formação do magistrado. LTr . Nesse viés quaisquer interdades e imperfeições que dificultam o acesso ao pretações dadas à legislação infraconstitucional devem concretizar o espírito dos comandos constitucionais. está a esconder dificulreito Processual do Trabalho.Civil já é admitida por inúmeros autores. 1997. nos soaa até adequado. Direito Processual do Trabalho: Reforma e efetividade.

É permitida a reprodução total ou parcial de qualquer matéria desta publicação. desde que citada a fonte. 749 Assistente de Redação: Sonia Regina da Silva Claro Composição a laser LINOTEC . Redator Responsável: ARMANDO CASIMIRO COSTA DET N.JORNAL DO CONGRESSO Expediente Os conceitos e opiniões emitidos nas teses e colaborações aqui publicadas são de inteira responsabilidade de seus autores.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful