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Material Básico de Estudo

Vetores e Álgebra Vetorial

Produzida por: Júlio César Tomio Professor: Hugo Vieira

Paisagem fractal com “Mandelbrot”

Professor: Hugo Vieira Paisagem fractal com “Mandelbrot” “Eu nunca ensino aos meus alunos, apenas tento dar

“Eu nunca ensino aos meus alunos, apenas tento dar condições nas quais eles possam aprender”. (Albert Einstein)

Acadêmico(a):

Turma:

Segundo Semestre de 2010.

Instituto Superior Tupy

Sociedade Educacional de Santa Catarina SOCIESC

Vetores e Álgebra Vetorial

Professor Júlio César Tomio

MENSAGEM PARA O(A) ACADÊMICO(A)

Com satisfação, apresento este material que tem como finalidade dar suporte ao “curso” de Geometria Analítica que se estende durante a primeira fase de seu curso superior, e, conseqüentemente, auxiliar em futuras aplicações nas disciplinas subseqüentes que necessitarão dos conhecimentos e conceitos aqui trabalhados e desenvolvidos. A concepção deste, baseada na experiência de alguns anos de docência, também objetiva otimizar o processo de estudo, principalmente no ambiente de sala de aula.

Esta obra almeja mediar com excelência o processo de ensino-aprendizagem de Vetores e de Álgebra Vetorial. Para tanto, contribuições em forma de crítica, sugestões ou correções serão calorosamente recebidas. Ficarei imensamente agradecido caso você queira fazer parte do processo de aprimoramento deste material.

A realização de um curso superior é um fato muito importante em sua vida pessoal e profissional. Dedique-se! Faça tudo da melhor maneira que puder, pois desta forma você estará justificando um dos maiores (e também um dos melhores) investimentos que você já fez em você mesmo.

Desejo que a sua vivência no ambiente acadêmico seja a melhor possível, e que a passagem por esta nova etapa de sua vida contribua para o seu engrandecimento profissional e pessoal (e também espiritual), possibilitando uma melhora significativa na sua qualidade de vida e também na daqueles que convivem próximos de você.

Muita garra, e sucesso!

Professor Júlio César Tomio.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (Comentadas)

Este material foi produzido com base na bibliografia abaixo e também com contribuições minhas e de colegas professores.

Normalmente, as Referências Bibliográficas aparecem nas últimas páginas de um livro. Apresento estas referências aqui, objetivando sempre lembrá-lo que a busca por outras fontes de informação é um fator de grande importância em qualquer estudo que se queira realizar.

WINTERLE, Paulo. Vetores e Geometria Analítica. São Paulo: Makron Books, 2000.

Neste livro você encontrará a grande maioria dos conteúdos desenvolvidos na disciplina com uma

linguagem bastante objetiva e acessível e também uma grande quantidade de exercícios (esse é o nosso livro texto).

quantidade de exercícios (esse é o nosso livro texto).  VENTURI, Jacir J. Álgebra Vetorial e

VENTURI, Jacir J. Álgebra Vetorial e Geometria Analítica. 7. ed. Curitiba: Unificado, s.d.

Neste livro você encontrará a grande maioria dos conteúdos desenvolvidos na disciplina, porém com uma

linguagem diferenciada do anterior. Este livro pode ser “baixado” na internet na íntegra. O endereço é:

www.geometriaanalitica.com.br.

na íntegra. O endereço é: www.geometriaanalitica.com.br. Os livros abaixo, tanto quanto os anteriores, são ótimas

Os livros abaixo, tanto quanto os anteriores, são ótimas fontes de consulta e também se encontram em nossa biblioteca.

ANTON, Howard; RORRES, Chris. Álgebra Linear com aplicações. 8 ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.

STEINBRUCH, Alfredo. WINTERLE, Paulo. Geometria Analítica. 2. ed. São Paulo: Makron Books, 1987.

ZILL, Dennis G.; CULLEN, Michael R. Matemática Avançada para Engenharia 2: Álgebra linear e cálculo vetorial. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009.

Não tenha medo de crescer lentamente. Apenas tenha medo de ficar parado. (Provérbio chinês)

Vetores e Álgebra Vetorial

Professor Júlio César Tomio

GEOMETRIA ANALÍTICA

ÍNDICE

Sistemas de Coordenadas

04

Sistemas de Coordenadas Retangulares (ou Cartesianas)

04

Sistemas de Coordenadas Unidimensional (1 ou E 1 )

05

Eixo Real (ou eixo das abscissas)

06

Estudo do Ponto no 1 Distância entre dois Pontos

06

Sistemas de Coordenadas Bidimensional

07

Sistema Cartesiano Ortogonal O Plano 2 ou E 2

07

Tópico Extra: Bissetrizes dos Quadrantes do 2

08

Sistemas de Coordenadas Tridimensional

09

Sistema Cartesiano Ortogonal O Espaço 3 ou E 3

09

VETORES E ÁLGEBRA VETORIAL

Vetores

14

Introdução

14

Noções Básicas

15

Particularidade dos Vetores

17

Operações com Vetores na Forma Geométrica

18

Vetores no 2

22

Operações com Vetores na Forma Algébrica (Analítica) no 2

25

Vetores no 3

29

Operações com Vetores na Forma Algébrica (Analítica) no 3

30

Paralelismo (ou Colinearidade) de Vetores

33

Cálculo do Módulo de um Vetor

35

Vetor Unitário

37

Tópico Especial: Desigualdade Triangular

38

Versor de um Vetor

40

Produto Escalar

41

Definição Algébrica do Produto Escalar

41

Definição Geométrica do Produto Escalar

42

Ângulo entre dois vetores

43

Ângulos Diretores e Cossenos Diretores de um Vetor

48

Tópico Especial: Projeção de um Vetor sobre Outro

50

Produto Vetorial

52

Definição

52

Outras Aplicações do Produto Vetorial

54

Produto Misto

58

Definição

58

Interpretação Geométrica do Produto Misto

58

Uma Aplicação do Produto Misto (na Mecânica Geral)

59

Estudo da Reta no Espaço 3

63

 

Apêndice

66

Vetores e Álgebra Vetorial

Professor Júlio César Tomio

SISTEMAS DE COORDENADAS

A

Geometria faz com que possamos adquirir o hábito de raciocinar,

e

esse hábito pode ser empregado, então, na pesquisa da verdade e ajudar-nos na vida! (Jacques Bernoulli)

Um sistema de coordenadas pode ser considerado como um dispositivo organizado para posicionar e localizar com relativa precisão, pontos, objetos, partículas, pessoas, equipamentos, como um avião numa viagem intercontinental, por exemplo, entre outros.

Um simples mapa cartográfico ou um sofisticado GPS (Sistema de Posicionamento Global) são exemplos, entre outros, de aplicações de sistemas de coordenadas.

Nosso estudo estará concentrado no sistema de coordenadas cartesianas (retangulares) de duas e três dimensões, por ser o sistema mais difundido. Entretanto, em alguns casos, torna-se melhor a utilização de outros modelos de sistema.

Podemos classificar os principais sistemas de coordenadas em:

Unidimensional:

Bidimensional:

Tridimensional:

 

 

Eixo ouRetaRealR

1

Retangularou Cartesiano

Polar

Retangular ou C artesiano

C ilíndrico

Esférico

R 2

R 3

Matematicamente é possível se trabalhar com sistemas de coordenadas com mais de 3 dimensões, como por exemplo, o R 4 , onde poderíamos considerar a 4ª coordenada como sendo o tempo, entretanto sua representação gráfica ficaria restrita a somente 3 dimensões. Desta forma, poderemos criar um espaço R n , onde as várias coordenadas podem assumir outros valores de interesse.

SISTEMAS DE COORDENADAS RETANGULARES (OU CARTESIANAS)

Como nosso estudo estará baseado principalmente no sistema de coordenadas retangulares, vamos considerar algumas situações para melhor exemplificar a utilização dos sistemas de coordenadas, quanto às dimensões necessárias para cada caso. Vejamos a seguir:

1) Posição de um pistão no cilindro de um motor

O desenho abaixo representa de forma bastante simplificada, um pistão num cilindro de um motor de combustão interna. Considere que seja de interesse a posição deste cilindro durante o funcionamento do motor.

Observe que o sistema trabalha com uma dimensão, ou seja, para determinarmos a posição exata do pistão, necessitamos de apenas uma coordenada, considerando um referencial dado.

Sistema de Coordenadas Unidimensional

Matematicamente, podemos escrever a posição “P” do pistão com a medida “x” P (x). A medida “x” é dita coordenada do ponto P, ou ainda, abscissa do ponto P.

Referencial (origem) x
Referencial (origem)
x

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2) Posição de uma bola de sinuca numa mesa

O desenho abaixo apresenta uma visão superior de uma mesa de sinuca. Considere que seja de interesse a posição da bola branca sobre a mesa (de maneira que esta esteja sempre em contato com a superfície de jogo da mesa).

Sistema de Coordenadas Bidimensional

Referencial (origem)

x y
x
y

Observe que o sistema trabalha com duas dimensões, ou seja, para determinarmos a posição exata da bola, necessitamos de duas coordenadas, considerando um referencial dado.

Matematicamente podemos escrever a posição “P” da bola com as coordenadas “x” e “y” P (x , y). As medidas “x” e “y” são ditas coordenadas do ponto P, ou ainda, “x” é a abscissa do ponto P e “y” é a ordenada do ponto P.

3) Posição de uma bola de basquete numa quadra (em jogo)

Abaixo, temos um desenho que representa esquematicamente uma quadra de basquete. Considere que seja de interesse a posição da bola em qualquer momento do jogo.

Sistema de Coordenadas Tridimensional

  y z
y
z
x
x

Referencial (origem)

Observe que o sistema trabalha com três dimensões, ou seja, para determinarmos a posição exata da bola, necessitamos de três coordenadas, considerando um referencial dado.

Matematicamente podemos escrever a posição “P” da bola com as coordenadas “x”, “y” e “z” P (x , y , z). As medidas “x”, “y” e “z” são ditas coordenadas do ponto P, ou ainda, “x” é a abscissa do ponto P, “y” é a ordenada do ponto P e “z” é a cota do ponto P.

SISTEMAS DE COORDENADAS UNIDIMENSIONAL (1 ou E 1 )

Vamos fazer um breve estudo sobre este sistema de coordenadas, que na verdade dará origem aos outros que veremos em

seguida (2 e 3 , sendo este último o nosso campo de maior interesse).

Nas rodovias podemos observar no acostamento pequenas placas chamadas de “marcos quilométricos”. Elas determinam a sua posição na rodovia a partir de um referencial (origem), o “quilômetro zero”, que numa rodovia federal, localiza-se na divisa de um estado com o outro. Apesar da rodovia não ser uma linha reta, podemos dizer que os marcos quilométricos correspondem a um sistema de coordenadas unidimensional, pois com uma única informação quilométrica poderemos determinar a posição de um veículo com problemas mecânicos, por exemplo. Matematicamente, teremos:

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Eixo Real (ou eixo das abscissas)

origem

A B C  D E F G       
A
B
C
D
E
F
G
– 4
–3
–2
–1
0
1
2
3
4
5
6
7
 3,14159265
17
1
2
8
5
2
3
1 uc

x

Obs.: uc unidade de comprimento

Temos que a abscissa (ou coordenada) do ponto A é 4. Podemos escrever então: A 4.

Daí, temos que:

B

17

5

, C 2, D

   8 3   

Estudo do Ponto no 1

Distância entre dois Pontos:

, E 4, F 5e G 7.

No caso do 1 , torna-se simples determinarmos a distância entre dois pontos. Veremos intuitivamente através de algumas perguntas

a) Qual a distância entre os pontos F e E?

Resposta: 1 uc

b) Qual a distância entre E e G?

Resposta: 3 uc

c) Qual a distância entre A e F?

Resposta: 9 uc, que podemos escrever d(A,F) = 9 uc

d) Qual a distância entre B e D?

Antes de responder esta pergunta, faremos uma generalização matemática. Veja:

d AB

 

A

B

 

x

 

x A

x B

Obs.: Note que d AB = d BA .

Veja:

 

P

Q

 

x

 

6

0

7

Logo:

d AB = | x B x A |

Distância entre dois pontos na reta 1 , ou comprimento do segmento de reta AB.

d PQ = | x P x Q |

ou

d QP = | x Q x P |

d PQ = | 6 7 |

d QP = | 7 (6) | = | 7 + 6 |

d PQ = | 13

|

d PQ =

13

uc

d QP = |

13

|

d QP =

13

uc

Observe que a distância entre dois pontos quaisquer é sempre um valor absoluto, ou seja, positivo. Agora, podemos retornar a pergunta ”d”, que ficou em aberto, e respondê-la:

d) Qual a distância entre B e D?

Vetores e Álgebra Vetorial

Professor Júlio César Tomio

Então temos: d  x  x BD D B 17 8 d  
Então temos:
d
x
x
BD
D
B
17
8
d
BD
5
3
 51 40
d
BD
15

Observações:

 91 15
 91
15
d BD 

d

BD

d

BD

91

15

d

BD

6,07

uc

A

B

A

M

N

 

r

 6,07 uc A B A M N   r Segmento de reta AB: AB Semi-reta
 6,07 uc A B A M N   r Segmento de reta AB: AB Semi-reta

Segmento de reta AB:

AB

Semi-reta (partindo de A)

Reta “r” (elemento infinito)

Reta que passa por M e N: MN

Para refletir: Verdadeiramente, o que mais prazer me proporciona, não é o saber mas o estudar; não a posse mas a conquista; não o estar aqui mas o chegar além. (Carl Friedrich Gauss)

SISTEMAS DE COORDENADAS BIDIMENSIONAL

Sistema Cartesiano Ortogonal O Plano 2 ou E 2

O Sistema Cartesiano Ortogonal, também conhecido como Plano Cartesiano é formado por dois eixos reais, perpendiculares (ortogonais) entre si, gerando quatro regiões denominadas quadrantes. O eixo “x” também é dito eixo das abscissas e o eixo “y” também é dito eixo das ordenadas.

A intersecção dos eixos coordenados determina um ponto único, denominado origem (0 , 0). Cada ponto neste plano é determinado por um par (ou dupla) ordenado(a) na forma (x , y), sendo que “x” e “y” formam as coordenadas de um ponto.

Façamos então a marcação dos pontos:

A(7, 5)

B(7, 5)

C(3, 5)

D(6, 2)

E(8, 0)A(7, 5) B( – 7, 5) C( – 3, – 5) D(6, – 2)  

F(5, 0)

G(0, 8)C( – 3, – 5) D(6, – 2)   E(8, 0) F( – 5, 0)

H(0, 3)

O(0, 0) origem do sistema

Observações:

y 2º Q. 1º Q. origem 1 2 3 4 5 6 7 8 9
y
2º Q.
Q.
origem
1
2
3
4
5
6
7
8
9
x
3º Q.
Q.

Todo ponto pertencente ao eixo das abscissas terá ordenada nula, ou seja, será da forma: (x , 0).

Todo ponto pertencente ao eixo das ordenadas terá abscissa nula, ou seja, será da forma: (0 , y).

Vetores e Álgebra Vetorial

Professor Júlio César Tomio

Tópico Extra: Bissetrizes dos Quadrantes do 2

Veja os casos: y b 1,3 A(4, 4) 4 A B(–3, –3) –3 45º 
Veja os casos:
y
b 1,3
A(4, 4)
4 A
B(–3, –3)
–3
45º
4
x
Genericamente
(p , p)
B –3
y b 2,4 3 C 135º 4  –3 x D – 4
y
b 2,4
3
C
135º
4
–3
x
D
– 4

C(3, 3)

D(4, 4)

Genericamente (p , –p) ou (–p , p)
Genericamente
(p , –p) ou (–p , p)

Os pontos (x, y) do plano, onde x = y, ou seja, de coordenadas iguais, definem uma reta denominada bissetriz dos quadrantes ímpares (1º e 3º quadrantes b 1,3 ), cuja equação evidentemente é y = x.

Já os pontos (x, y) do plano, onde x = y (ou y = x), ou seja, de coordenadas opostas, definem uma reta denominada bissetriz dos quadrantes pares (2º e 4º quadrantes b 2,4 ), cuja equação evidentemente é y = x.

EXERCÍCIOS Sistema Cartesiano Ortogonal

1) Observando a peça plana ao

lado, determine as coordenadas

dos pontos A, B, C, D,

considerando:

, M e N,

a) a origem no ponto A;

b) a origem no centro da

peça (

a origem no ponto A ; b) a origem no centro da peça ( ) .

).

20 20 40 E F G H D C I B M A N J
20
20
40
E
F
G
H
D
C
I
B
M
A
N
J
L
25
35
40
120
20
20
2515
10
20
2040

2) Calcule o valor de “m” de modo que o ponto Q(m 2 + 5 , 6m) pertença à bissetriz do 2º e 4º quadrante.

RESPOSTAS RESPOSTAS RESPOSTAS RESPOSTAS RESPOSTAS RESPOSTAS RESPOSTAS

1) Veja tabela abaixo:

2) m = 1 ou m = 5

 
 

A

B

C

D

E

F

G

H

I

J

L

M

N

a

(0,0)

(0,20)

(20,40)

(20,55)

(40,80)

(80,80)

(80,60)

(120,60)

(120,20)

(100,0)

(60,0)

(60,10)

(25,0)

b

(-60,-40)

(-60,-20)

(-40,0)

(-40,15)

(-20,40)

(20,40)

(20,20)

(60,20)

(60,-20)

(40,-40)

(0,-40)

(0,-30)

(-35,-40)

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Professor Júlio César Tomio

SISTEMA DE COORDENADAS TRIDIMENSIONAL

Sistema Cartesiano Ortogonal O Espaço 3 ou E 3

Consideramos como sendo o espaço cartesiano 3 (ou E 3 ), o conjunto dado por três eixos reais perpendiculares dois a dois, denotados por “x” , “y” e “z”, que se interceptam em uma origem (ponto O), com orientação conforme abaixo:

z (eixo da cotas)

O . . .
O
.
.
.

y (eixo das ordenadas)

x (eixo das abscissas)

z 3 4 2 1 x y 5
z
3
4
2
1
x
y
5

Os três planos do 3 : yOz, xOy e xOz, geram oitos regiões (sub-espaços) chamadas de octantes (ou oitantes) que podem ser observados na figura acima e a direita (os números identificam cada octante).

Os valores reais contidos nos três eixos estão ordenados de forma crescente conforme indicação das setas dos respectivos eixos. No espaço tridimensional, a cada terna ou tripla ordenada de números reais (x, y, z), associamos um único ponto; assim:

x

z z P P (x P , y P , z P ) y P
z
z P
P (x P , y P , z P )
y P
O
y
x P

Observação: Origem O (0 , 0 , 0)

Máquinas operatrizes, sistemas automatizados e sistemas de robótica utilizam, na sua grande maioria, um sistema de 3 eixos cartesianos, como no exemplo da fresadora ao lado:

Por questões técnicas, as posições dos eixos coordenados podem diferir das usadas no estudo científico (na geometria analítica e outras áreas de aplicabilidade da matemática).

A figura apresenta os eixos de deslocamentode uma fresadora.

os “ eixos de deslocamento ” de uma fresadora. Para refletir: A receita para a ignorância

Para refletir: A receita para a ignorância perpétua é permanecer satisfeito com suas opiniões e contente com seus conhecimentos. (Elbert Hubbard)

Vetores e Álgebra Vetorial

Professor Júlio César Tomio

Para melhor exemplificação, tomemos o paralelepípedo da figura abaixo, onde temos P(2 , 4 , 3).

z

3

E

Com base na figura ao lado, e levando em consideração que um ponto qualquer (x , y , z) está no:

eixo “x” quando y = 0 e z = 0, tem-se A(2 , 0 , 0);

eixo “y” quando x = 0 e z = 0, tem-se C(0 , 4 , 0);

eixo “z” quando x = 0 e y = 0, tem-se E(0 , 0 , 3);

plano “xy” quando z = 0, tem-se B(2 , 4 , 0);

plano “xz” quando y = 0, tem-se F(2 , 0 , 3);

plano “yz” quando x = 0, tem-se D(0 , 4 , 3).

3);  plan o “yz” quando x = 0, tem -se D(0 , 4 , 3).

D

F

 plan o “yz” quando x = 0, tem -se D(0 , 4 , 3). D
 plan o “yz” quando x = 0, tem -se D(0 , 4 , 3). D
4
4

C

O

P

x

2 A
2
A

y

B

Assim, a figura à direita destaca os 3 planos do sistema 3 .

à direita destaca os 3 planos do sistema ℝ 3 . Ao lado (esquerdo) podemos observar

Ao lado (esquerdo) podemos observar uma representação usual de dois pontos (e suas coordenadas) para um sistema cartesiano de uma máquina operatriz com CNC (comando numérico computadorizado). Vale observar que, neste caso, temos os eixos x, y e z em posições diferentes daquelas que farão parte de nosso estudo. Este fato não interfere no entendimento da posição dos pontos, pois mesmo assim, a marcação e identificação dos pontos são processos análogos aos que estudamos aqui.

dos pontos são processos análogos aos que estudamos aqui. Para marcar um ponto no espaço, como

Para marcar um ponto no espaço, como por exemplo, o ponto A(3 , 2 , 4), sugerimos o seguinte procedimento:

1º) marca-se o ponto A’(3 , –2 , 0) no plano “xy”; 2º) desloca-se A’ paralelamente ao eixo “z”, 4 unidades para cima (se fosse 4, seriam 4 unidades para baixo) para se obter então o ponto A desejado.

A figura ao lado ilustra este procedimento.

EXEMPLOS:

1) Considerando os pontos P(0, 3, 2) e Q(4, 3, 7), localize-os no sistema

de coordenadas cartesianas 3 e faça a representação do segmento PQ .

Assim sendo, temos a representação ao lado:

(desenho fora da escala)

z 7 Q –3 3 • y –2 P 4 x
z
7
Q
–3
3
y
–2
P
4
x

Vetores e Álgebra Vetorial

Professor Júlio César Tomio

2) Construa dois sistemas de coordenadas 3 e localize os pontos A(2, 4, 3) e B(3, 5, 4) separadamente, determinando

em qual octante se encontra cada ponto.

EXERCÍCIOS

1) Observando a figura ao lado, determine as

coordenadas dos pontos A, B, C, D, E, F e P.

A(

,

,

)

B(

,

,

)

E(

,

,

)

C(

,

,

)

F(

,

,

)

D(

,

,

)

P(

,

,

)

x

z

5

C

D

B

) D( , , ) P( , , ) x z 5 C D B 7
) D( , , ) P( , , ) x z 5 C D B 7
7
7

E

O

P

3 A
3
A

y

F

2) Represente cada um dos pontos dados a seguir em seu respectivo sistema 3 e compare suas representações com as dos

seus colegas de classe, discutindo cada caso, se necessário.

a)

A(1, 5, 4)

b) B(1, 5, 4)

c) C(2, 0, 5)

d) D(2, 4, 1)

3)

No referencial da figura ao lado está representada uma pirâmide de

base quadrangular regular em que B(6, 0, 0) e V(3, 0, 8). Determine:

a) as coordenadas do ponto A e do ponto C.

b) a altura da pirâmide.

Observação: Medidas em metros.

e) E(2, 3, 1)

f) F(1, 4, 3)

e) E(2, – 3, – 1) f) F( – 1, – 4, – 3) 4) Seja

4) Seja a pirâmide de base OABC e P o seu vértice superior. Dados O(0, 0, 0), A(2, 0, 0), B(2, 2, 0), C(0, 2, 0) e P(1, 1, 9),

faça a representação geométrica da pirâmide e especifique o formato da base da pirâmide e também sua altura.

Para refletir: É uma pena que mesmo a mentira tendo perna curta, a verdade muitas vezes só consiga rastejar. (Mr. Pi)

Vetores e Álgebra Vetorial

Professor Júlio César Tomio

5) Na figura a seguir, dois vértices de um paralelepípedo retangular com as faces paralelas ao planos coordenados estão indicados. Determine as coordenadas dos seis vértices restantes.

Determine as coordenadas dos seis vértices restantes. 6) Observando a peça a seguir, determine as coordenadas

6) Observando a peça a seguir, determine as coordenadas cartesianas de cada ponto indicado.

z

F D G E I H B
F
D
G
E
I
H
B
A J x
A J
x
C
C

y

7) Observando a peça abaixo, determine as coordenadas cartesianas de cada ponto indicado.

I z A H G F B C E D x
I
z
A
H
G
F
B
C
E
D
x

y

Vetores e Álgebra Vetorial

Professor Júlio César Tomio

8) Observando a peça ao lado, determine as coordenadas cartesianas de cada ponto indicado.

z I H F E G C D B x A y
z
I
H
F
E
G
C
D
B
x
A
y

9) A figura abaixo apresenta um paralelepípedo retângulo de arestas paralelas aos eixos coordenados e de medidas 2, 1 e 3.

Escrevas as coordenadas dos vértices deste sólido, sabendo que A(2,1, 2) . Note que o ponto A está no 4º octante.

(2,  1, 2) . Note que o ponto A está no 4º octante. x 10)

x

10) A figura abaixo apresenta um paralelepípedo retângulo de arestas paralelas aos eixos coordenados e de medidas 1, 2 e

3. Escrevas as coordenadas dos vértices deste sólido, sabendo que A(3, 1,2). Observe atentamente que o ponto A se

encontra no 6º octante.

z –3 D C A B 1 y 3 –2 E H x 2 F
z
–3
D C
A
B
1
y
3
–2
E
H
x
2
F
1 G

Vetores e Álgebra Vetorial

Professor Júlio César Tomio

11) Representando os pontos A(10, 2, 2), B(2, 0, 4) e C(4, 2, 4) num 3 e ligando-os, temos o triângulo ABC. Faça a representação gráfica e diga se é possível determinar o tipo de triângulo em questão, quanto aos seus lados e quanto aos seus ângulos?11) Representando os pontos A(10, – 2, – 2), B(2, 0, – 4) e C(4, –

RESPOSTAS RESPOSTAS RESPOSTAS RESPOSTAS RESPOSTAS RESPOSTAS RESPOSTAS

1) A(3, 0, 0),

B(3, 0, 5),

C(0, 0, 5),

D(0, 7, 5),

3a) A(3,3, 0) e C(3, 3, 0)

3b) 8 m

E(0, 7, 0),

F(3, 7, 0)

e

P(3, 7, 5)

2) Veja com seus colegas de classe!

4) A base da pirâmide é quadrada tendo lado com 2 uc e altura igual a 9 uc.

5) Vértices Superiores: (3, 3, 7), (3, 6, 7) e (1, 3, 7) Vértices Inferiores: (3, 6, 4), (1, 6, 4) e (1, 3, 4)

6) A(40, 0, 0), B(40, 25, 0), C(0, 25, 0), D(0, 25, 25), E(10, 25, 25), F(0, 0, 25), G(30, 0, 25), H(40, 0, 25), I(30, 10, 25) e J(40, 25, 10)

7) A(0, 0, 30), B(20, 0, 15), C(50, 0, 10), D(50, 0, 0), E(50, 20, 0), F(50, 20, 20), G(50, 20, 30), H(20, 20, 30) e I(0, 20, 30)

8) A(0, 30, 0), B(0, 30, 10), C(5, 30, 10), D(25, 30, 0), E(30, 30, 10), F(30, 10, 10), G(0, 10, 10), H(15, 10, 25) e I(15, 0, 40)

9) B(2, 3, 2),

C(3, 3, 2), D(3, 1, 2), E(3, 1, 5), F(2, 1, 5), G(2, 3, 5)

e

H(3, 3, 5)

10) B(3, 2, 2), C(5, 2, 2), D(5, 1, 2), E(5, 1, 5), F(3, 1, 5), G(3, 2, 5) e H(5, 2, 5)

11) Neste caso, graficamente não é possível (ou torna-se muito difícil) determinar com segurança o tipo de

triângulo (em relação aos lados e aos ângulos), pois a perspectiva aqui utilizada não permite tal verificação e mesmo

utilizando uma escala conveniente, algumas medidas não aparecem na sua verdadeira grandeza. Entretanto,

algebricamente (ou analiticamente) é possível determinarmos com precisão absoluta o tipo de triângulo. As medidas dos

lados do triângulo podem ser calculadas através da fórmula da distância entre dois pontos A e B no espaço dada

por:

e através destas medidas conhecidas, utilizando-se do Teorema

de Pitágoras, podemos classificar o triângulo quanto aos seus ângulos. Assim sendo, veremos que o triângulo ABC é

ângulos. Assim sendo, veremos que o triângulo ABC é  ( x B  x A

ângulos. Assim sendo, veremos que o triângulo ABC é  ( x B  x A

( x

B

x

A

)

2

(

y y

B

A

)

2

(

z z

B

A

)

2

d AB

) 2 (  y  y B A ) 2 (  z  z
) 2 (  y  y B A ) 2 (  z  z

EQÜILÁTERO, pois AB BC CA 72 6 2 uc e desta forma também é ACUTÂNGULO, pois tem os seus ângulos

internos iguais a 60º . Em breve, poderemos calcular com precisão cada um dos 3 ângulos internos de um triângulo

qualquer através da aplicação do conceito de produto escalar”.

VETORES Introdução

Antes de tratarmos propriamente de vetores, precisamos identificar aquilo que chamamos de grandezas físicas. Na matemática e em outras ciências ditas “exatas”, só podemos equacionar e quantificar situações que envolvem grandezas físicas, ou seja, aquelas que, no mínimo, podem ser associadas a uma escala de medida conhecida, como a distância entre a sua casa e a padaria mais próxima, por exemplo. Essa distância pode ser dada em metros, quilômetros, ou ainda, em uma outra escala que possa ser conveniente.

As grandezas físicas podem ser divididas em escalares ou vetoriais. Veja o esquema abaixo:

Grandezas Físicas

Escalares

V etoriais

-

-

-

Módulo (número

unidade)

Módulo (número

Direção

Sentido

unidade)

Exemplos de grandezas físicas escalares:

Distância, tempo, massa, temperatura.

Exemplos de grandezas físicas vetoriais:

Velocidade, aceleração, força, torque (momento), campo magnético.

Com o crescimento da tecnologia e da área industrial, tornou-se crescente também a necessidade de equacionar situações que envolvessem grandezas vetoriais. Nesse momento, a sistematização da teoria vetorial ganha impulso, possibilitando estudar mais profundamente fenômenos ligados a tais situações.

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VETORES Noções Básicas

Conceito:

O “vetor” pode ser definido de várias maneiras:

É um ente matemático utilizado para representar grandezas físicas vetoriais.

É uma tripla constituída de uma direção, um sentido e um número não negativo (módulo).

É o conjunto de todos os segmentos orientados de mesma direção, de mesmo sentido e de mesmo comprimento.

Etimologia da Palavra Vetor:

O termo vetor pode ser oriundo do verbo latino vehere [transportar, levar]. Assim, vetor seria o particípio passado de vehere, significando transportado, levado. Os romanos chamavam de vector aquele que carregava alguma coisa. Implicava o portador de uma mensagem, por exemplo. Pois: veho [levar] + or [aquele que faz]. Daí também a palavra vehiculum (veículo). No caso específico de Matemática, podemos dizer que um vector é um transportador de três informações de uma grandeza vetorial: direção, sentido e magnitude, ou ainda, que um ponto A é transportado (pelo vetor) até um ponto B.

Apesar de esses significados aparentarem um pouco abstratos para o momento, veremos a seguir que, na verdade, fazem bastante sentido.

Representações e Notações:

Algumas convenções são importantes para que possamos “desfrutar” ao máximo da utilização da linguagem vetorial. Vejamos algumas notações e representações usuais.

y

extremidade do vetor

v  B A | v  |  módulo do vetor (depende de escala)
v
B
A
| v
|
 módulo do vetor
(depende de escala)

origem do vetor

0

x

Um vetor normalmente é representado

por uma letra minúscula juntamente com uma “flechinha” sobre ela, mas também podemos representar um vetor pelos dois pontos que o definem.

Então, no caso ao lado:

Podemos considerar ainda que:

v

AB

A v B

v B A

Resumindo, temos:

AB

B A

v

Resumindo, temos:  AB  B  A v  Esquentando o Processador! 1) Tente ligar

Esquentando o Processador!

1) Tente ligar os nove pontos (quadradinhos) da figura ao lado com apenas quatro segmentos de reta unidos (consecutivos), passando em cada ponto exatamente uma vez, de modo que nenhum segmento de reta seja traçado duas vezes!

2) Qual o valor do número x” na seqüência: { 2 , 10 , 12 , 16 , 17 , 18 , 19 , x } ?

n a seqüência: { 2 , 10 , 12 , 16 , 17 , 18 ,

Para refletir: A vida é um eco. Se você não está gostando do que está recebendo, observe o que está emitindo. (Lair Ribeiro)

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Detalhando, temos:

Módulo (intensidade, norma ou comprimento):

Determina a magnitude da grandeza que esta sendo representada pelo vetor, ou seja, é um número real não negativo

acompanhado de sua unidade. Geometricamente, o módulo é o comprimento do vetor (segundo uma escala adequada de desenho).

v  B A | v  |  módulo do vetor (depende de escala)
v
B
A
| v
|
 módulo do vetor
(depende de escala)

Módulo do vetor v

: | v | | AB| | B A|

Direção:

É a reta suporte de atuação do vetor. A direção pode ser vertical, horizontal ou oblíqua. Quando a direção é oblíqua,

normalmente está associada a um ângulo de referência.

Sentido:

Para cada direção sempre teremos 2 sentidos. Por exemplo, se a direção for vertical, o sentido poderá ser para cima ou

para baixo.

 f Exemplos:  módulo : | f  150N     |
f
Exemplos:
módulo :
| f
 150N
   |
f :
 direção :
v ertical
  sentido :
para cima
v  160º   módulo : | v  |  26 cm /
v
160º
  módulo :
|
v  |
 26 cm / s
v :
 160ºcom a horizontal
direção :
  para baixo
sentido :

Vetor Livre:

Considere que os vetores v , v

sendo, devemos considerar que v = v

transladado de uma posição para outra mantendo suas características de módulo, direção e sentido.

, v

e v

= v

apresentados abaixo, tenham mesmo módulo, mesma direção e sentido. Assim

= v

. Isso faz com que um vetor seja qualificado como “livre”, pois pode ser

y v  v  v   v  é o vetor posição. v
y
v 
v 
v 
 v  é o vetor posição.
v 
0
x
v 
e v 
de v 
, v 
e  v 
Os vetores v
,
são denominados imagens geométricas de v  e esse vetor v  é dito, representante natural
. O vetor que for representado com sua origem coincidente com a origem de um sistema de coordenadas é

chamado vetor posição, no caso acima, o vetor v .

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Particularidades dos Vetores:

Vetores Iguais:

Dois vetores u e w

direção e sentido. Caso contrário, escrevemos: u

anteriormente.

são iguais, e indica-se por u

w , se tiverem iguais todas as suas três características: módulo,

w . Uma ilustração sobre a igualdade de vetores já foi apresentada

Vetores Paralelos:

Dois vetores u e w

são paralelos, e indica-se por u

abaixo temos u

//

w

//

v .

Observe que u e w têm mesmo sentido e

que u e w têm sentido contrário ao de v .

A direção dos vetores dados ao lado é vertical.

//

Vetores Ortogonais:

Dois vetores u e w

algum representante de w , como na figura [a] abaixo.

são ortogonais, e indica-se por u

w , se os seus representantes tiverem a mesma direção. Na figura

 

u

w

v

w , se algum representante de u formar ângulo reto (90º) com

Na figura [b] ao lado, temos dois representantes dos vetores u e w , com origem (em comum) no ponto O, onde se forma o ângulo reto.

Podemos utilizar, em alguns casos específicos, perpendicular como sinônimo de ortogonal.

u

 
  

 

w

 

w

w  
 
 

 

O

u

 

[a]

[b]

Vetor Nulo (ou Zero):

 

Qualquer ponto do espaço pode ser um representante do vetor NULO ou vetor ZERO, e indica-se por 0 (a origem do vetor coincide com a extremidade, ambas, neste caso, no ponto A).

ou também por AA

Desta forma temos:

0 :

   |

módulo :

direção :

sentido :

0 | 0

não definida

não definido

Pelo fato do vetor nulo não possuir direção e sentido definidos; em algumas situações torna-se conveniente considerar o vetor nulo paralelo (ou perpendicular) a qualquer vetor.

Vetor Oposto:

A cada vetor

v 0

corresponde um vetor oposto

v  A
v
A

B

, de mesmo módulo e direção, porém, de sentido contrário.

v

 v 
 v

Se o vetor oposto de v é o vetor

, então o vetor oposto de AB é o vetor AB , que pode ser escrito BA .

v

Algebricamente temos: BA AB (B A) (AB) AB

É importante observar que: | v |

 

|

v | , porém v

 

v . Destacamos ainda que:

v v

(

)

0

.

Para refletir: Existem vitórias da alma e do espírito. Às vezes, mesmo quando você perde, você ganha. (Elie Wisel)

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EXERCÍCIOS Vetores Noções Básicas

1) Considerando o losango EFGH inscrito no retângulo ABCD, e sendo O é ponto de interseção das diagonais deste losango,

decida se é verdadeira ou falsa cada uma das afirmações abaixo:

D

E

A

H O 
H
O

F

C

G

B

a) EO OG

c) b) DO AF  CH HG

e) d) |H| C O| O| |HD| | O B|

f) HE O C

g) | AC| |BD|

1 | OA|  |DB| h) 2 j) i) AF// GF// CD HG
1
| OA| 
|DB|
h)
2
j) i) AF// GF// CD HG

k) AO// OC

l) AB EO OH CB o) OBFE

m)

n) AOHF

2) A figura abaixo representa um paralelepípedo retângulo. Decida se cada uma das afirmações é verdadeira ou falsa.

a)

b)

c)

d)

DH BF

AC GE

AB AF   CG BC

e) BG // ED

f) g) h) | | AB AC AG //GH | |   | | HF DF | |

i) DG DF

j) (B D) (D H)

 

H

G

 
 
 

E

F

 

D

C

  H G   E F   D C A B  
  H G   E F   D C A B  

A

B

 

RESPOSTAS RESPOSTAS RESPOSTAS RESPOSTAS RESPOSTAS RESPOSTAS RESPOSTAS

1a) V

1b) F

1c) V

1d) V

1e) F

1f) F

1g) V

1h) V

1i) V

1j) F

1k) V

1l) V

1m) V

1n) F

1o) V

2a) V

2b) V

2c) V

2d) V

2e) F

2f) V

2g) V

2h) V

2i) F

2j) V

OPERAÇÕES COM VETORES NA FORMA GEOMÉTRICA

Multiplicação de um Vetor por um Escalar

Dado um vetor

n v

.

, tal que:

v 0

nv

e um número real (escalar) n 0 , chama-se produto do número real n pelo vetor v , o novo vetor

módulo : | nv |

|

n

|

.

|

v |

direção : a mesma de v

sentido :

n

se n

se

0

0

 

 

nv tem o mesmo sentido de v nv tem sentido contrário de v

Abaixo, segue um vetor v com alguns de seus “múltiplos escalares”:

  v 1 v 2   2 v  v 5 v 
v
1 v
2
 2 v
v
5
v
3 v
1 
v

2

Nota: Observe que qualquer um dos múltiplos escalares de v possui a mesma direção de v . Logo, todos os vetores do exemplo acima são paralelos. Assim, podemos escrever que, se dois vetores (não nulos) u e v são paralelos, então existe um número real n 0 , tal que u nv .

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Adição (e Subtração) de Vetores

CASO 1: Vetores com mesma direção (paralelos ou colineares):

O processo de adição de dois ou mais vetores paralelos é bastante intuitivo. Veja os exemplos a seguir.

f1

f2

R

| f

1

|

100N

e |

f

2

|

100N

f

1

f

2

0

| R | 0N

NOTA: Quando adicionamos dois ou mais vetores, temos como resultado um novo vetor denominado “vetor soma” ou “vetor resultante”; sendo este último termo o mais comum.

resultante” ; sendo este último termo o mais comum.        f 1  
     

f

1

 

f2

|

f

1

|

120N

e

|  120N e

|

f

2

|

100N

   

f

1

|

f

1

|

50N

e

|

f

2

|

120N

f

2

R

R

  f f 1 2    f   f  |
f
f
1
2
  f
 f
 | R | 
220N
R  
 f
 f
1
2
1
2
f
2
  f
 f
 | R |  70N
1
2
f
1
R    
f
 f
1
2

CASO 2: Vetores com direções diferentes (não paralelos):

Abordaremos de forma sucinta dois métodos para adição de vetores não paralelos (não colineares). Veja a seguir:

Método do Paralelogramo

Para adicionarmos dois vetores pelo método do paralelogramo, inicialmente esses vetores devem ter uma origem comum [situação I]. Traçam-se linhas auxiliares paralelas a esses vetores em cada uma das suas extremidades [situação II], formando um paralelogramo. O vetor resultante (vetor soma) terá sua origem comum aos vetores somados e sua extremidade será a intersecção das linhas auxiliares [situação III]. Note que o vetor resultante está sobre a diagonal do paralelogramo.

I

 f 1
f
1

f

2

II

 f 1 
f
1

f

2

III

 f 1
f
1

f

2

R

Podemos dizer, de maneira informal, que o vetor resultante faz o mesmo papel, ou que tem a mesma função, ou ainda que executa o mesmo trabalho dos vetores que o resultaram.

 f 1
f
1

f

2

R     f  f 1 2
R    
f
 f
1
2

Vetores e Álgebra Vetorial

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Observação: o cálculo do módulo do vetor resultante para o método do paralelogramo pode ser feito através da fórmula:

|

R |

|
|

f 1

|

2

|

f 2

|

2

2.| f1 |.| f2 |.cos

(sendo o ângulo entre os vetores

f 1

e

f

2

)

A relação acima é muito comum no estudo da Física. Trata-se de uma adaptação da lei dos cossenos (aplicada em triângulos quaisquer). Entretanto essa fórmula apresenta grande limitação em situações tridimensionais, que é o foco de nossos estudos futuros. Veremos métodos analíticos mais eficazes para o cálculo do módulo de um vetor resultante e também da sua direção, em estudos posteriores.

Método do Polígono (Linha Poligonal)

Para adicionarmos dois vetores pelo método do polígono [situação I], translada-se um dos vetores (mantendo obviamente suas características de módulo, direção e sentido), colocando sua origem na extremidade do outro vetor [situação II], formando um “caminho”. O vetor resultante (vetor soma) terá sua origem comum ao “primeiro” vetor e sua extremidade comum à extremidade do “último” vetor [situação III]. Note que o vetor resultante fecha um polígono com os vetores somados.

I  f 1
I
f
1

f

2

  II f III f  2  2 f f 1 1 R
II
f
III
f
2
2
f
f
1
1
R    
f
 f
1
2

Para somarmos mais que dois vetores (três, no caso a seguir), o processo é análogo ao descrito acima.

I

 f 1  f 2  f 3
f
1
f
2
f
3

II

  f f 2 1  f 3
f
f 2
1
f
3

III

  f f 2 1  f 3 R     f
f
f 2
1
f 3
R    
f
 f
 f
1
2
3

Qualquer seqüência escolhida para a soma dos vetores resultará no mesmo vetor resultante. Veja:

 I f 1  f 2  f 3
I
f
1
f
2
f
3

II

 f 2   f 3 f 1
f
2
 
f
3
f 1
III  f 2 R    f f 3 1
III
f 2
R
 
f
f
3
1

No caso abaixo, o vetor resultante é NULO. Observe que “organizando” os vetores na sequencia “extremidade-origem”, a linha poligonal se fecha não deixando espaço para o vetor resultante.

  f 1 f 2  f  3 f 4
 
f 1 f
2
f
3
f
4
  f 2 f 3  f 1
 
f
2
f
3
f
1

f

4

R

f

1

f

2

f

3

f

4

0

Comentário: O método do paralelogramo “adiciona” apenas dois vetores em cada operação, entretanto o método do polígono pode “adicionar” uma quantidade finita qualquer de vetores numa única operação, tornando-se assim um processo mais versátil.

Vetores e Álgebra Vetorial

Professor Júlio César Tomio

A Subtração de Vetores: Um Caso Particular da Adição

A expressão

R

f

1

f

2

Portanto, para subtrair

Veja o exemplo abaixo:

I

f

2

pode ser escrita como

R (

f

1

f )

2

de

f

1

devemos ADICIONAR

f

1

com

II

f

1

f

1

 

f

2

f

2

 
   

Agora, veja no esquema ao lado, o vetor resultante

da soma e da subtração dos mesmos dois vetores.

.

f

2

f 2 , sendo este último, o vetor oposto de . R  III 
f 2
, sendo este último, o vetor oposto de
.
R
III
f
1
R  
 f
 f
1
2
com
 f
2
 f
  f
 f
  f
1
2
1
2
f
1

f

2

NOTA: Quando subtraímos dois vetores, temos como resultado um novo vetor denominado “vetor diferença” ou mesmo “vetor resultante”; sendo este último termo o mais comum.

EXERCÍCIOS Operações com Vetores na Forma Geométrica

1)

a)

b)

c)

2)

a)

E

Com base na figura ao lado, determine os vetores resultantes para cada caso, expressando-os com origem no ponto A.

D

E

OC CH 2.AE EH   FG 2.AF

d) EH EF

f) e) 2.OE EO   BG 2.OC

g)

A

H C  O
H
C
 O

G

F

B

j) i) OG AF FO HO AO

1  BC  EH
1  BC  EH

2

h) FE FG

Nos cubos abaixo, represente a soma dos vetores indicados:

H F D
H
F
D

A

B

G

C

b)

H E F D A B
H
E
F
D
A
B

G

C

3) No hexágono regular ao lado, obter o vetor resultante de:

a) (B A) + (E F) + (F A) expressando-o com origem no ponto A

b) (D A) (E A) + (E B) expressando-o com origem no ponto B

c) (C D) + (F B) (A B) expressando-o com origem no ponto F

d) (C A) (C E) + (B C) expressando-o com origem no ponto C

F E A D B C
F
E
A
D
B
C

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4) Decida se é verdadeira ou falsa cada uma das afirmações abaixo.

a) Os vetores

3 v

e

4 v

são paralelos e de mesmo sentido.

//

| u //

b) Se u

c)

d)

Se u

Se

|

v

v

, então | u | | v |

.

,

| u

| v

| 2

|

e | v | 6

v

.

então u

, então v

3 ou v 3 u

u

.

5)

Dois vetores têm módulo 10 e 14. Qual o módulo máximo possível do vetor soma desses vetores? E o mínimo possível?

do vetor soma desses vetores? E o mínimo possível? 6) Demonstre algebricamente que o segmento cujos

6) Demonstre algebricamente que o segmento cujos extremos são os pontos médios de dois lados de um triângulo qualquer é paralelo ao terceiro lado e igual a sua metade.

Sugestão:

C M N A B
C
M
N
A
B
1  AB
1
 AB

Devemos demonstrar que: MN

2

RESPOSTAS RESPOSTAS RESPOSTAS RESPOSTAS RESPOSTAS RESPOSTAS RESPOSTAS

1a) AE

1b) AC

1c) AC

1d) AB

1e) AO

1f) AD

1g) AH

1h) AD

1i) AO

1j) AC

2a) AG

2b) AE

3a) AD

3b) BD

3c) FF

3d) CD

4a) F

4b) F

4c) V

4d) F

5) Módulo Máximo: 24 [Vetores com mesma direção e sentido] Módulo Mínimo: 4 [Vetores com mesma direção e sentidos contrários]

VETORES NO 2

Considere os pontos O(0 , 0), P(4 , 3), A(5 , 5), B(9 , 8), C(4, 6) e D(0, 3) no Sistema Cartesiano Ortogonal. Desta

forma, podemos considerar também os vetores: v OP

, w AB e u CD

. Representando-os no plano, temos:

y w  B 8 A 5 v  P 3 – 4 O 4
y
w
B
8
A
5
v
P
3
– 4
O
4
5
9
x
u
D
– 3
– 6
C

Lembre-se que um vetor tem infinitos representantes, sendo estes de mesmo módulo, direção e sentido. Então podemos

afirmar que v

O vetor v também é chamado de vetor posição ou representante natural dos vetores AB ou CD , pois é aquele que

tem sua origem coincidindo com a origem do sistema cartesiano ortogonal.

w

u

ou que OP AB CD . Dentre estes vetores, o que melhor caracteriza-os é o vetor v OP .

Vetores e Álgebra Vetorial

Professor Júlio César Tomio

Tomando um vetor qualquer definido por dois pontos A e B , podemos escrever:

AB B A

(

x

B

,