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Superior Tribunal de Justiça

EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.443 - MG

(2012/0148163-0)

RELATOR

: MINISTRO SÉRGIO KUKINA

:

:

:

:

EMBARGANTE

MUNICÍPIO DE BELO HORIZONTE

PROCURADOR

ADEMAR BORGES DE SOUSA FILHO E OUTRO(S)

EMBARGADO

CLUBE ATLÉTICO MINEIRO

ADVOGADO

RODOLFO DE LIMA GROPEN E OUTRO(S)

RELATÓRIO

a controvérsia posta no recurso.
a controvérsia posta no recurso.

a

O SENHOR MINISTRO SÉRGIO KUKINA: Trata-se de embargos de

declaração opostos por MUNICÍPIO DE BELO HORIZONTE, contra acórdão de fls. 313/319,

de minha relatoria, assim ementado:

PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE QUAISQUER DOS VÍCIOS DO ART. 535 DO CPC. REDISCUSSÃO DE QUESTÕES DECIDIDAS. IMPOSSIBILIDADE. 1. De acordo com a norma prevista no art. 535 do CPC, são cabíveis embargos de declaração nas hipóteses de obscuridade, contradição ou omissão da decisão recorrida. 2. No caso, não se verifica a existência de quaisquer das deficiências em questão, pois o acórdão embargado enfrentou e

decidiu, de maneira integral e com fundamentação suficiente, toda

3. Ademais, nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a contradição sanável por meio dos embargos de

declaração é aquela interna ao julgado embargado – por exemplo,

incompatibilidade entre a fundamentação e o dispositivo da

própria decisão, o que não aconteceu na hipótese em análise. Em outras palavras, o parâmetro da contrariedade não pode ser externo, como outro acórdão, ato normativo ou prova. Confiram-se,

a propósito, os seguintes precedentes: EDcl no REsp 1.200.563/RJ , Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 14/9/2012; EDcl no AgRg no AREsp 18.784/DF , Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 17/3/2012 ; e EDcl no AgRg no REsp 1.224.347/SC , Rel. Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 6/12/2011. 4. Embargos de declaração rejeitados.

Sustenta o embargante que (fls. 326):

os primeiros embargos de declaração opostos pelo Município de

Belo Horizonte visavam, como se colhe do acórdão ora embargado,

adequar a decisão proferida pela e. 1ª Turma ao que decidido, sob

o regime especial do recurso repetitivo, no REsp 1.114.780'SC.

Superior Tribunal de Justiça

Desta feita, mostra-se viável o conhecimento dos embargos de declaração outrora rejeitados, ainda que voltados à uniformização da jurisprudência. A tese ora defendida encontra amplo conforto na jurisprudência dessa Corte Superior, em especial das Turmas de Direito Público, como se pode observar a partir da leitura das ementas a seguir colacionadas:

Requer, por fim, sejam acolhidos os presentes embargos de declaração a fim de

que, em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior, sejam conhecidos os primeiros

embargos de declaração para adequar a decisão desta Turma à orientação jurisprudencial da 1a

Seção firmada sob o rito dos recursos repetitivos

É o relatório.
É o relatório.

Superior Tribunal de Justiça

EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.443 - MG

(2012/0148163-0)

VOTO

O SENHOR MINISTRO SÉRGIO KUKINA (Relator): De acordo com o

estatuído no art. 535 do CPC, são cabíveis embargos de declaração nas hipóteses de

obscuridade, contradição ou omissão do acórdão atacado. Entretanto, excepcionalmente, tem-se

admitido alteração do julgado, por meio dos aclaratórios, a atribuição de efeitos infringentes aos

A propósito, confiram-se: INFRINGENTES. II.
A propósito, confiram-se:
INFRINGENTES.
II.

embargos de declaração para que o acórdão embargado seja adequado ao decidido em sede de

Recurso Especial repetitivo.

TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO

RECURSO ESPECIAL. ALTERAÇÃO EXCEPCIONAL DO JULGADO, EM SEDE DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, PARA SUA ADEQUAÇÃO AO ENTENDIMENTO SUFRAGADO NO RECURSO ESPECIAL 1.299.303/SC, JULGADO SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STJ. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS, COM EFEITOS

I. Cabível a oposição de Embargos de Declaração quando houver,

na sentença ou no acórdão, obscuridade, contradição ou omissão, de acordo com o art. 535, I e II, do Código de Processo Civil.

Em regra, não é permitida, em sede de Embargos Declaratórios,

a alteração de julgado, a fim de adaptá-lo a novo entendimento

jurisprudencial. Excepcionalmente, entretanto, tem o Superior Tribunal de Justiça admitido a atribuição de efeitos infringentes aos Embargos de Declaração, a fim de que o acórdão embargado seja adequado ao decidido em sede de Recurso Especial submetido ao regime do art. 543-C do CPC. Precedentes do STJ (EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.270.547/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, DJe de 11/06/2013; EDcl no AgRg no Ag 1.310.217/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 25/09/2012). [ ]

V. Embargos de Declaração acolhidos, com efeitos infringentes.

(EDcl nos EDcl no REsp 1185452/MG , Rel. Ministra ASSUSETE

MAGALHÃES,

SEGUNDA

TURMA,

julgado

em 17/03/2015,

DJe

25/03/2015)

EMBARGOS

DE DECLARAÇÃO

NO AGRAVO

REGIMENTAL

NO

AGRAVO

EM RECURSO

ESPECIAL.

ADMINISTRATIVO.

JUROS

Superior Tribunal de Justiça

MORATÓRIOS E CORREÇÃO MONETÁRIA EM CONDENAÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. LEI 11.960/09. INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL POR ARRASTAMENTO. ADIN 4.357/DF. NOVA ORIENTAÇÃO DA PRIMEIRA SEÇÃO. RESP 1.270.439/PR, REL. MIN. CASTRO

MEIRA, DJE 02.08.2013, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC. POSSIBILIDADE DE ATRIBUIÇÃO DE EFEITOS INFRINGENTES AOS EMBARGOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS, COM EFEITOS INFRINGENTES, PARA ADEQUAR O JULGAMENTO AO QUANTO DECIDIDO EM RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. [ ]

4. 5.
4.
5.

A hipótese é de atribuição excepcional de efeitos infringentes

aos presentes Embargos Declaratórios, para adequar o julgamento ao quanto decidido em recurso representativo de controvérsia.

Embargos de Declaração acolhidos, com efeitos modificativos,

para adequar o julgamento ao quanto decidido em recurso representativo de controvérsia. (EDcl no AgRg no AREsp 29.723/SP , Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/08/2014, DJe 19/08/2014)

PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONFORMAÇÃO AO ENTENDIMENTO DO STJ NO ÂMBITO DE RECURSO REPETITIVO. POSSIBILIDADE. ESPECIAL EFICÁCIA VINCULATIVA DESSE PRECEDENTE (CPC, ART. 543-C, § 7º), QUE IMPÕE SUA ADOÇÃO EM CASOS ANÁLOGOS. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL. REAJUSTE DE 28,86%.

INCIDÊNCIA SOBRE A RAV, DE FORMA INTEGRAL. ENTENDIMENTO CONSOLIDADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO NO RESP 1.318.315/AL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. 1. O precedente jurisprudencial submetido ao rito do art. 543-C é dotado de carga valorativa qualificada. Dessa forma, mesmo quando não estão presentes as hipóteses previstas no art. 535 do CPC, é possível, excepcionalmente, acolher os embargos de declaratórios com efeitos modificativos, a fim de se adequar o julgamento da matéria ao que restou pacificado pela Corte no âmbito dos recursos repetitivos. 2. Precedentes: EDcl no AgRg no Ag 1265439/SP, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 2.5.2012; EDcl nos EDcl nos EDcl nos EDcl no REsp 790318/RS, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 25.5.2010; e EDcl no REsp 1098302/BA, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 2.2.2011.

]4. [

Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes,

para dar provimento ao recurso especial. (EDcl no AgRg no Ag 1404675/RS , Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/10/2013, DJe 15/10/2013)

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Nos primeiros Embargos de Declaração, o Município de Belo Horizonte alegara

contradição e omissão no acórdão quanto à comprovação da remessa da guia de recolhimento do

IPTU, cujo lançamento ocorre de ofício, para a residência do contribuinte, sustentando que, no

julgamento do REsp 1.114.780/SC, sob o rito dos recursos repetitivos, esta Corte firmou

entendimento no sentido de que “cabe ao contribuinte comprovar que não recebeu a guia de

cobrança do

tributo lançado de ofício ” (fl. 310).

Referidos embargos de declaração foram rejeitados, nos seguintes termos:

para a residência do recorrido. Reforçando
para
a residência
do recorrido.
Reforçando

Com efeito, decidiu-se que o recurso não tinha condições de ser conhecido pelo óbice da Súmula 7/STJ, pois o Município recorrente afirmou que promoveu a notificação direta do sujeito passivo e o Tribunal de origem reconheceu expressamente que não houve comprovação de envio da guia de recolhimento do tributo (IPTU)

esse entendimento,

referenciou-se o julgamento da 2ª Turma no AgRg no REsp 1.156.710/MG, Rel. Ministro Castro Meira, DJe de 04/04/2011. Por oportuno, veja-se o seguinte excerto do voto (fls. 298/299):

3. O recurso especial não reúne condições de ser conhecido. A argumentação do recorrente parte do pressuposto de que "promoveu a notificação direta do sujeito passivo, mediante o envio da guia de lançamento ao endereço do contribuinte" (fl. 221). Todavia, o acórdão recorrido consigna o seguinte:

O apelante alega que o envio da guia de recolhimento do IPTU para o endereço do contribuinte é bastante para comprovar o lançamento do tributo; que cabia ao apelado comprovar que não recebeu as guias de recolhimento do IPTU; que foi publicado edital, indicando o lançamento do tributo; que o Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que "o encaminhamento do carnê de recolhimento ao contribuinte é suficiente para se considerar o sujeito passivo como notificado do lançamento dos tributos objeto de lançamento anual e direto/de ofício, como é o caso do IPTU" (fl. 158). A leitura dos autos permite constatar que não há prova de que o executado tenha sido regularmente notificado do crédito executado. Ressalte-se que o embargante alegou que não foi devidamente notificado do lançamento, de forma que, nos termos do artigo 333, II, do Código de Processo Civil, cabia à embargada comprovar a regular notificação. Afinal, não há como provar fato negativo.

Superior Tribunal de Justiça

Na verdade, a jurisprudência já firmou entendimento de que, tratando-se de tributo cujo lançamento ocorre de ofício, como é o caso do IPTU, é cabível a notificação do lançamento por edital, que somente se aperfeiçoará com o envio da guia de pagamento ao contribuinte. No caso, embora a Municipalidade alegue que enviou as guias de pagamento ao sujeito passivo, não há prova disso nos autos. Assim, é certo que não ocorreu a regular constituição do crédito, sendo impossível sua execução. Nesse ponto, ressalto que, embora o Superior Tribunal de Justiça entenda que a Fazenda Pública não esteja obrigada a comprovar o recebimento das guias pelo devedor (REsp 1.111.124/PR, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, publicado em 04/05/2009), é necessária a comprovação de que as guias foram enviadas, mesmo porque, se não houve envio de guia, a prova é impossível por parte do contribuinte. Conforme bem decidido, "não se pode exigir do contribuinte a prova de que a correspondência sequer foi enviada" (fl. 152). Enfim, correta a sentença, ao julgar procedentes os embargos (fls. 193/194).

sentença, ao julgar procedentes os embargos (fls. 193/194). Assim, refutar essas afirmações demanda a reapreciação

Assim, refutar essas afirmações demanda a reapreciação do conjunto fático-probatório dos autos, o que não é cabível no âmbito do recurso especial, conforme estabelece a Súmula 7 do STJ.

Ademais, nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a contradição sanável por meio dos embargos de declaração é aquela interna ao julgado embargado – por exemplo, a incompatibilidade entre a fundamentação e o dispositivo da própria decisão. Em outras palavras, o parâmetro da contrariedade não pode ser externo, como outro acórdão, ato normativo ou prova.

Conforme já assinalado, tem-se acolhido, excepcionalmente, alteração do julgado,

por meio dos aclaratórios, a atribuição de efeitos infringentes aos embargos de declaração para

que o acórdão embargado seja adequado ao decidido em sede de recurso especial repetitivo.

Contudo, na hipótese dos autos, é inaplicável a conformação ao entendimento firmado no âmbito

do REsp 1.114.780/SC, julgado sob o rito dos recursos reptitivos, haja vista ter esta Turma

negado provimento ao agravo regimental do município por força do óbice da Súmula 7/STJ, sob

fundamento de que o Município recorrente afirmou que promoveu a notificação direta do sujeito

passivo e o Tribunal de origem reconheceu expressamente que não houve comprovação de envio

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da guia de recolhimento do tributo (IPTU) para a residência do recorrido. Reforçando esse entendimento, referenciou-se o julgamento da 2ª Turma no AgRg no REsp 1.156.710/MG, Rel. Ministro Castro Meira, DJe de 04/04/2011.

Ante o exposto, rejeitam-se os embargos declaratórios.

É como voto.

rejeitam-se os embargos declaratórios. É como voto. Documento: 48059464 - RELATÓRIO E VOTO - Site certificado