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UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI ESCOLA DE ARTES, ARQUITETURA, DESIGN E MODA CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO

RESTAURO E REABILITAÇÃO DA ANTIGA INDÚSTRIA HERVY PARA A IMPLANTAÇÃO DE UM CENTRO CÍVICO EM OSASCO

SÃO PAULO

2013

1

EVERTON DE MATOS

UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI ESCOLA DE ARTES, ARQUITETURA, DESIGN E MODA CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO

RESTAURO E REABILITAÇÃO DE ESPAÇO INDÚSTRIAL PARA A IMPLANTAÇÃO DE UM CENTRO CÍVICO NO MUNICÍPIO DE OSASCO

EVERTON DE MATOS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à

Banca Examinadora do Curso de Arquitetura e

Urbanismo da Universidade Anhembi Morumbi,

sob orientação da professora Dra. Melissa

Ramos da Silva Oliveira.

SÃO PAULO

2013

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Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória.

José Saramago

AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus por ter me dado paciência e determinação durante esses cinco anos de faculdade e não ter me deixado influenciar pelas comodidades, sempre me apoiando a seguir pelo caminho da árduo, porém com maiores vantagens ao final. Agradeço a todos os meus formadores (pais, professores desde os do colégio até os universitários, equipe de trabalho e amigos) que influenciaram direta ou inidretamente na formação de quem eu sou hoje. O agradecimento em especial é para José Luis A. de Oliveira, historiador local que me apoiou com diversos conteúdos e me auxilou a encontrar informações que não teria se não fosse pela ajuda dele e pelo intermédio do André, amigo em comum.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

9

METODOLOGIA

10

CAPÍTULO 1 -

OSASCO

11

1.1

O Nascimento de Osasco

11

1.1.1

O progresso através do trem

14

1.1.2

A Vila Osasco

16

1.2

Panorama da cidade atual

19

1.3

A Sede Administrativa de Osasco

20

1.3.1

Câmara dos Vereadores

20

1.3.2

Prefeitura e Secretarias

23

CAPÍTULO 2 -

O ENTORNO

25

CAPÍTULO 3 -

A PRIMEIRA INDÚSTRIA DE OSASCO

33

3.1

A Indústria Cerâmica Sensaud de Lavaud &

33

3.2

Levantamento Atual

37

CAPÍTULO 4 -

REFERÊNCIAS PROJETUAIS

42

4.1

Sesc Pompeia

42

4.2

O Uso Como Referência

44

4.3

Paço Municipal de Bilbao

45

4.4

Uso como Referência

47

CAPÍTULO 5 - PROJETO

48

5.1

Programa de necessidades

49

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

50

5

ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1.1 - Vila Operária em Osasco

13

Figura 1.2 - Estação de Osasco no inicio de suas

15

Figura 1.3 - Fazendas em Osasco no final do século XIX

16

Figura 1.4 - Início da Produção na Indústria ABB

17

Figura 1.5 - Meios de Transporte de Osasco no inicio da década de 40

18

Figura 1.6 - Primeira Sede da Prefeitura, em

20

Figura 1.7 - Câmara Municipal de Osasco

21

Figura 1.8 - Localização da Prefeitura e Camara dos Vereadores

21

Figura 1.9 - Organograma de Funcionamento do Legislativo Municipal

22

Figura 1.10 - Prefeitura Municipal - Vista Avenida Bussocaba

24

Figura 1.11 - Secretarias Separadas da Prefeitura

24

Figura 2.1 - Mapa de Uso Atual do Solo

25

Figura 2.2 Pred. Residencial - Rua Reverendo Euclides Pereira

26

Figura 2.3 - Uso Misto - Comércios e Serviços

26

Figura 2.4 - Garagem da CPTM - Rua Zuma de Sá Fernandes

27

Figura 2.5 - Pred. Indústrial - Avenida Marechal Rondon

27

Figura 2.6 Pred. Serviços - Avenida Presidente Kennedy

28

Figura 2.7 Principais Vias

28

Figura 2.8 - Complexo viário Fuad Auada

29

Figura 2.9 - Rodovia Castelo Branco

29

Figura 2.10 - Via Adjacente a Indústria - Baixo Fluxo de Veículos

30

Figura 2.11 Meios Públicos de Transporte para Acesso ao Local

30

Figura 2.12

- Rodoviaria de Osasco

31

Figura 2.13 - Estação de Trem de Osasco - Recém Re-inaugurada

31

Figura 2.14 - Terminal de Ônibus - Largo de Osasco

32

Figura 3.1 - A Indústria Cerâmica Sensaud de Lavaud

34

Figura 3.2 - Escritorio da Cerâmica Indústrial Osasco em Nankin

35

6

Figura 3.3 - Panoramica da Indústria (1906)

36

Figura 3.4 - Vila Operária em 1922

37

Figura 3.5 - Planta de Localização das Imagens

38

Figura 3.6 - Fachada Sudoeste

38

Figura 3.7 - Fachada Noroeste - Fundos

39

Figura 3.8 - Fachada Noroeste Frente

40

Figura 4.1 - Imagem do SESC Pompéia

42

Figura 4.2 - Área ocupada pelo SESC

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Figura 4.3 - Análise do espaço

43

Figura 4.4 - Rua Interna

44

Figura 4.5 - Fachada do Paço Municipal de Bilbao

45

Figura 4.6

- Implantação

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Figura 4.7 - Planta Tipo

46

Figura 4.8 Corte indicativo de uso

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Figura 4.9 - Varanda Jardim

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UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI ESCOLA DE ARTES, ARQUITETURA, DESIGN E MODA CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO

RESUMO

RESTAURO E REABILITAÇÃO DE ESPAÇO INDÚSTRIAL PARA A IMPLANTAÇÃO DE UM CENTRO CÍVICO NO MUNICÍPIO DE OSASCO

Everton de Matos

Esse trabalho propõe o restauro e a reabilitação antiga Cerâmica Indústrial Osasco Ltda., posteriormente conhecida como Indústria Hervy. O projeto sugere a intervenção no espaço interno dessa Indústria (hoje abandonada) para a inserção de um Centro Cívico Municipal, motivado pela relação de identidade com Indústria Cerâmica e o desenvolvimento do município (bairro da capital paulistana ao longo do século XX) e a necessidade de um espaço que unifique os poderes municipais de Osasco.

Palavras chave: centro cívico Hervy - indústria cerâmica - patrimônio indústrial - Osasco

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INTRODUÇÃO

No inicio do século XX, os senhores do café inspirados na indústrialização que estava se consolidando na Europa decidem investir no desenvolvimento indústrial em terras brasileiras. São Paulo por fator logístico, recebeu grande parte desses investimentos, pois assim como no caso do tráfego do café, os bens indústrializados poderiam ser escoados através das diversas vias férreas existentes, na época, do interior para o porto.

Osasco, vila na região oeste da capital passa a se desenvolver também aos moldes do que ocorria na Capital do estado. Seu centro passa por uma transformação impulsionada pelo idealizador italiano Antonio Agú, que busca

realizar seu sonho de consolidar um bairro na fazenda adquirida no fim do século

XIX.

Impulsionado pelo desenvolvimento da região e descontentes com a administração pública da prefeitura da capital, a emancipação não tardaria a vir, e no ano de 1961 a vila passa a ser reconhecida como cidade. O caminho pelo desenvolvimento desviou-se da conservação da sua história edificada. Diversas fábricas, comércios e casas com arquiteturas correspondentes a seu passado cederam lugar a grandes redes de varejo, ou se descaracterizaram com o passar do tempo. Com o propósito de preservar parte dessa história sobrevivente do município, desenvolve-se esse projeto de restauração e reabilitação dos espaços da Indústria Hervy (hoje abandonada) com a atual necessidade de se estabelecer um centro cívico para a cidade.

O projeto consiste em uma proposta de intervir no espaço sem descaracterizar a marca da indústria no centro da cidade. O intuito maior é entender que preservar não é parar no tempo, mas sim dar novas utilidades a espaços mantendo suas características ao mesmo tempo em que se conserva a memória e a identidade do município.

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METODOLOGIA

Para a realização desse trabalho foi realizado um levantamento no Centro de Documentação Histórica de Osasco, onde pode-se encontar muito conteúdo através de livros para o desenvolvimento do conteúdo histórico da cidade. Sitios da internet e uma edição especial do jornal local em comemoração ao aniverário da cidade foram outra fontes de consultas para que pudesse concluir este. Parte das imagens foram coletadas desse mesmo Centro de Documentação Histórica e outras foram oriundas da colaboração José Luis de Oliveira, pesquisador local, durante uma entrevista realizada no dia 07/04/2013 que contribuiu para o enriquecimento de infromações nesse trabalho. As visitas feitas in loco e o relatório fotográfico gerado através dele foram necessárias para que fosse identificado os pontos de degradação da edificação. Não foi possível ultrapassar os limites da indústria, pois a visitação não foi autorizada, o que prejudicou em parte maior detalhamento das condições atuais da Indústria Cerâmica Hervy.

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CAPÍTULO 1 - OSASCO

A cidade de Osasco, assim como a Capital, tiveram as questões logísticas influenciando diretamente seu crescimento. A migração europeia, principalmente italiana para a região, em especial de Antonio Agú, aos poucos transformou o núcleo rural em loteamentos que ganhou suas primeiras casas e indústrias. Ainda distrito da cidade, Osasco se vê abandonada pela adminstração pública da Capital, e recorre a emancipação para tornar-se município e assim poder atentar-se para as carências da nova cidade que estava surgindo.

1.1 O Nascimento de Osasco

Em linha de tempo, conseguimos através de escrituras lavradas em Cartórios de Notas datar apenas a partir de 1880, as posses das terras osasquences, que girava em torno do Km 16 da antiga Estrada de Ferro Sorocabana. De acordo com tal referência, pode-se dizer ainda que a compra e venda, partilha e outros instrumentos jurídicos começaram aparecer um ano

depois e é com base nesses documentos que se afirma que nesse local criava-se

e engodava-se gado, em 1880, e esses animais eram vendidos para São Paulo ou Santana de Parnaíba. Além de gado, nos sítios, normamente de 80 a 120 alqueires eram plantados milho, mandioca e cana-de-açúcar (DANUSA, 2008).

Entretanto, segundo Danusa (2008), com o solo rico em argila, o interesse de compra, venda ou permuta em qualquer lugar próximo ao rio Tietê, estimularam

a ocupação da região por olarias que usava a matéria prima abundante no local

para a fabricação de seus produtos. O fator logístico impulsionou muito essa questão, sendo que a produção poderia ser escoada através de três meios: por barcas, que navegavam no rio Tietê; por meio carroças através da estrada provincial São Paulo-Itú (atual Avenida dos Autonomistas); ou ainda uma plataforma para carregar a produção em trens que, na época, era mais rápido e seguro.

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Antonio Agú tomou como referência o desenvolvimento dessa cidade e ao mudar-se para São Paulo aplicou o progresso em suas terras no entorno do KM 16 da estrada de Ferro Sorocabana, em São Paulo, local escolhido para realizar o sonho de construir um bairro (OLIVEIRA, 2003). No Km 16 da Ferrovia Sorocabana o desenvolvimento das olarias também caminhava em ritmo de São Paulo. Já existiam as olarias de Delfino Cerqueira, João Pinto Ferreira e João Brito. É interessante observar o comentário de Alice Canabrava em seus estudos sobre as chácaras paulistanas:

) (

baseada no solo, a fabricação de telhas e tijolos. Nessas chácaras, a olaria

encontra-se associada ao pomar de árvores frutíferas em geral, e até há videira,

encontra-se também a atividade agrícola ligada a uma produção indústrial

para a fabricação de vinho (

)

(CANABRAVA, 1953).

Conforme explicado por Danusa (2008), as terras adquiridas por Antônio Agú tinham exatamente o perfil de chácara paulistana definida por Alice Canabrava. A raridade se encontra no fato de o sitio “Ilha de São João” ter sido a primeira propriedade da região do Km 16 vendida a um italiano. Aliás, por um bom tempo, até 1902, esse foi o único sítio que passou de mãos brasileira para estrangeiros Ao que tudo indica, o núcleo central de Osasco iniciou-se em torno da Estrada de Ferro Sorocabana, abrangendo o Largo de Osasco, as ruas da Estação e outra do entorno. Quando comprou essas terras, Agú já tinha em mente fazer de Osasco um grande núcleo de desenvolvimento. Um de seus objetivos era atrair capitais de São Paulo para Osasco. E, por isso, procurou dar a cidade condições de moradia, vendendo parte de suas terras, próximas à estrada de ferro, a diversas famílias de origem italiana (OLIVEIRA e NEGRELLI, 1992) A primeira característica da formação urbana da “Vila” foi através das vilas operárias, de acordo com Danusa (2008). A grande maioria dos pequenos proprietários dos lotes comprados de Agú o fazia para ter um espaço de terra para moradia e outros investiam na instalação de pequenas fábricas.

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Uma característica marcante desse período, segundo Danusa (2008), é que 99% dos proprietários dos lotes da estação de Osasco eram italianos. O período de maior número de escrituras de compra e venda foi entre 1898

e 1899. Não havia projeto de loteamento 1 antes da venda ou da construção da

moradia. Primeiro se fazia a casa, depois é que se media e demarcava o lote. O único mapa de uma proposta de loteamento foi feito pelo arquiteto Júlio Saltini, entre 1907 ou 1908. Mas isso nunca chegou a ser colocado em prática, confome

relatado por Danusa (2008). Tal falta de planejamento atrapalhou apenas a simetria dos lotes, mas não

a preocupação de ter calçadas, de definir e nomear ruas, avenidas e largos. As

calçadas tinham dois metros de largura. As ruas Primitiva Vianco, Antônio Agú e João Batista já existiam e iam do Largo da Estação até a estrada Provincial São Paulo-Itú, o que ainda hoje empresta à cidade a idéia de que no largo da Estação,

está o Arco do Triunfo, como em Paris, só que em Osasco o triunfo ficou com os imigrantes que conseguiram se estabelecer, progredir, criar raízes (DANUSA,

2008).

se estabelecer, progredir, criar raízes (DANUSA, 2008). Figura 1.1 - Vila Operária em Osasco Fonte :

Figura 1.1 - Vila Operária em Osasco Fonte: Câmara dos Vereadores do Municipio de Osasco

1 Esse mapa se encontra no Anexo I

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Em 1892, devido a febre amarela que assolou São Paulo, as vilas operárias passaram a ter normas técnicas para sua construção. Tal condição se estendia também para a então Vila Osasco, que integrava na época o distrito paulistano da Consolação (DANUSA, 2008). De acordo com Danusa (2008), diferente do que acontecia na Capital, em Osasco, as habitações operárias estavam ligadas a determinada indústria. As do Frigorífico Continental eram as mais organizadas e também com melhores condições de higiene. Diferente dessa, as habitações dos operários da Cerâmica Indústrial Osasco ou Sensaud de Levaud & Cia eram precárias.

1.1.1 O progresso através do trem

Tal como São Paulo, o centro da Villa Osasco, no período de Agú, progrediu a grandes passos. Enquanto os seus vizinhos ainda trabalhavam com foco na plantação e na pecuária, Agú tinha o foco de, além disso, conseguir desenvolver um bairro em seu sítio. Dessa forma empenhou todos os esforços para viabilizar o desenvolvimento de sua área contendo um armazém para carga e descarga, comércios diversos, fábricas, cooperativas de abastecimento e as diversas casas recém-loteadas (DANUSA, 2008). O progresso econômico obtido através das vias férreas é inquestionável. São Paulo se tornou a “locomotiva brasileira”, através da associação entre cafezais e vias férreas. Trens eram o meio de transporte mais rápido, barato e eficiente para escoar a produção agrícola ou indústrial dos lugares mais distantes para o Porto de Santos.

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Figura 1.2 - Estação de Osasco no inicio de suas operações. Fonte: Estações Ferroviárias Como

Figura 1.2 - Estação de Osasco no inicio de suas operações. Fonte: Estações Ferroviárias

Como dito no início do texto, no Km 16 da Ferrovia Sorocabana, havia um pórtico e esse era usado como ponto para transportar a produção desse local e pessoas. Essa singela forma de parada de trem não chegava a ser uma estação que determinava um ponto constante de carga e descarga e tornava parava obrigatória dos trens. Devido a essa condição “precária”, o departamento de tráfego da Companhia Sorocabana passou a exigir uma estação intermediária entre São Paulo e Barueri, em 1894. Em agosto de 1895, o superintendência declarou aberta uma estação no km 16. Nesse mesmo ano, em setembro, o relatório apresentado aos acionistas da Cia. União Sorocabana e Ituana continha os serviços realizados: foram estabelecidos dois desvios: um no km 3 da linha Porto Martins-São Manuel, de 100m, e outro, no km 16, de 250m, na estação Osasco, para os trens de carga. Nesse mesmo ano, a estação de Osasco já era uma realidade. No ano seguinte ela foi ampliada por Antonio Agú, passando a fazer parte do projeto original uma sala de visitantes.

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1.1.2

A Vila Osasco

No início do século XX, Osasco já se consolidava com um bairro operário. Nele, habitavam mais de 300 famílias, ligadas a atividades indústriais e comerciais desenvolvidas por Antônio Agú e os demais empresários. O bairro operário contava com um restaurante, de propriedade de Emílio Barbiani; comércio de gêneros alimentícios de José Lisboa; loja de fazendas de Guiseppe Miguel; fábrica de cerveja de Gioni & Miguel; louças e produtos alimentícios dos Irmãos Gianetti, que era uma fábrica de massas e padaria, localizada no Largo da Estação, onde hoje está a loja Marisa; a Cooperativa de Produtos Alimentícios da Cerâmica Sensaud de Lavaud, que ficava na rua da Estação, e as olarias dos Irmãos Rovay, onde anteriormente era a olaria de José Manuel Rodrigues ou Olaria São João.

era a olaria de José Manuel Rodrigues ou Olaria São João. Figura 1.3 - Fazendas em

Figura 1.3 - Fazendas em Osasco no final do século XIX Fonte: Coleção Particular de Jose Luiz A. de Oliveira

Havia ainda os seguintes comércios: José Carletto, com gêneros alimentícios; César Mischer, também com gêneros alimentícios; o sapateiro João Tonto, o funileiro Cheso Baptiste e a quitanda de Aliere Giovanni. As primeiras ruas já estavam ocupadas com moradias. Primitiva Vianco, Enrico Dell’Ácqua (atual Antonio Agú), Giovanni Brícola (atual rua João Batista), o

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largo dos Operários (onde hoje está a praça Marques de Herval), a rua da Estação, entre tantas outras que tiveram seus nomes mudados com o passar dos anos.

Nada muda da noite para o dia e o distrito de Osasco vivia as mesmas dificuldades do Brasil. Porém, algumas mudanças começam a acontecer. É o caso do número de habitantes no distrito, que começa a década com 15.258 e termina com 41.328. Em uma década a população quase que triplica (DANUSA, 2008).

uma década a população quase que triplica (DANUSA, 2008). Figura 1.4 - Início da Produção na

Figura 1.4 - Início da Produção na Indústria ABB Fonte: Coleção Particular de Jose Luiz A. de Oliveira

Três grandes indústrias se instalam praticamente no centro da cidade. Indústria Elétrica Brown Boveri S/A. Ao lado desta, a Eternit do Brasil Cimento Amianto S/A e a mais distante das duas anteriores, porém mais próxima do centro e que ainda hoje está na cidade, a Indústria de Artefatos de Ferro - CIMAF. Estas se somam as que já estavam nas décadas anteriores como a Frigorífico Wilson do Brasil S/A, que passa a ocupar as instalações do antigo Frigorífico Continental. A Hervy S/A que passa a ocupar as instalações da Cerâmica Indústrial Osasco. O Cotonifício Beltramo, que ocupa as instalações da antiga Fábrica de Tecidos Hernique Dell Ácqua. E ainda a Cia. Sorocabana de Material Ferroviário - SOMA, onde hoje está a oficina da CPTM (DANUSA, 2008).

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Além das grandes indústrias, o comércio se mantinha estável no distrito, pois as grandes indústrias mantinham suas cooperativas de abastecimento. Nos bairros em formação, no entanto, este comércio era de comerciantes. É o caso da Casa Rosa, que ficava no loteamento da Vila Yolanda na Av. Delfino Cerqueira. Com esse crescimento, em 1944, Osasco passou de zona distrital para subdistrito da cidade de São Paulo. Mas os problemas se acumulavam: faltavam serviços básicos, como transporte, hospitais e escolas para a população que crescia (COTIDIANO WEB DIÁRIO, 2010).

a população que crescia (COTIDIANO WEB DIÁRIO, 2010). Figura 1.5 - Meios de Transporte de Osasco

Figura 1.5 - Meios de Transporte de Osasco no inicio da década de 40 Fonte: Coleção Particular de Jose Luiz A. de Oliveira

Segundo Sanazar (2013), devido a insatisfação dos moradores da região com a administração pública da Capital, surgiu a Sado (Sociedade Amigos do Distrito de Osasco) cujo primeiro diretor era o dentista Reynaldo de Oliveira. O grupo tinha como objetivo reivindicar da Capital melhores condições para o bairro. Nessa luta, iniciava-se também o movimento emancipacionista, que em 1952, tornou-se mais atuante, inclusive com a vinda de deputados ao então distrito para falar da questão da emancipação. No ano seguinte, foi marcada uma consulta popular sobre o tema na qual a população deveria marcar “sim” ou “não” para a emancipação. Nessa vez o “não venceu” (SANAZAR, 2013).

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Dado a isso, o movimento começou a estudar o motivo dessa derrota e percebeu que a influência de falsas promessas do então prefeito de São Paulo, Jânio Quadros, que prometia um mercado municipal e uma linha de ônibus para São Paulo foi o que impulsionou esse resultado (SANAZAR, 2013). Cinco anos mais tarde fora retomada a luta. Pelas leis da época, para haver plebiscitos era necessário que pelo menos um terço dos eleitores de Osasco se inscrevessem até o dia 30 de abril. A meta foi alcançada e a votação foi marcada para 21 de dezembro desse mesmo ano. Dessa vez, com a maioria dos votos a favor da emancipação, escândalos de fraude nas eleições vieram a tona e entraves judiciais impediram as primeira seleições municipais (SANAZAR, 2013). As eleições finalmente ocorreram e Hirant Sanazar foi eleito o primeiro prefeito de Osasco, em 4 de fevereiro de 1963. Em 7 de fevereiro ocorreu sua diplomação, junto com os vereadores eleitos, e no dia 19 de fevereiro aconteceu sua posse fato que tornou Osasco oficialmente uma cidade (PIRES, 1991).

1.2 Panorama da cidade atual

Cinquenta e um anos após sua emancipação, a cidade vive uma nova realidade. Sendo uma das principais cidades do Brasil, Osasco, viu-se transformar-se aos poucos em uma cidade de serviços e comércio afastando-se aos poucos da característica indústrial. Hoje a cidade é sede de grandes empresas e possui uma boa infraestrutura no que diz respeito a comércio e serviços. Segundo números do PIB, Osasco é a 12ª maior cidade do Brasil e a 4ª maior do estado de São Paulo (IBGE, 2009), com renda per capita de R$ 47 342,34 (IBGE, 2009) e IDH de 0,818 (PNDU, 2010). Possui uma boa malha viária, sendo o fator logístico um atrativo para a instalação de diversas empresas, geralmente na proximidade das rodovias que cortam o município (Rod. Castelo branco, Rod. Anhanguera, Rod. Raposo Tavares e Rodoanel Mário Covas). Possui diversas linhas intermunicipais que conectam Osasco à diversas cidades da Região Metropolitana de São Paulo. A cidade possui cinco estações ferroviárias e duas linhas de trem.

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1.3 A Sede Administrativa de Osasco

1.3 A Sede Administrativa de Osasco Figura 1.6 - Primeira Sede da Prefeitura, em 1962. Fonte:

Figura 1.6 - Primeira Sede da Prefeitura, em 1962. Fonte: Osasco Contando História

Após a emancipação do município, a cidade se organiza para a criação de uma sede, em que se edifica o centro do poder da nova cidade. De 1961 até a hoje, essa sede se mudou de endereço, de espaço, mas até hoje ainda existe a necessidade de uma mudança para adaptação ao grande crescimento que a cidade vem tendo nas últimas décadas. Hoje encontra-se segregado as sedes dos poderes legislativo e executivo. As secretarias estão em grande parte no mesmo prédio que ficam a prefeitura da cidade, geralmente em locais improvisados e sem condições de atender a demanda de público que a frequenta diariamente.

1.3.1 Câmara dos Vereadores

Situada na região central da cidade de Osasco, na Avenida dos Autonomistas, a Câmara dos Vereadores de Osasco é uma espaço totalmente independente da sede administativa do município, considerando os aspectos físicos.

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Figura 1.7 - Câmara Municipal de Osasco Fonte: Google Street View Prefeitura Câmara dos Vereadores

Figura 1.7 - Câmara Municipal de Osasco Fonte: Google Street View

- Câmara Municipal de Osasco Fonte: Google Street View Prefeitura Câmara dos Vereadores Terreno da Intervenção

Prefeitura Câmara dos Vereadores Terreno da Intervenção

Figura 1.8 - Localização da Prefeitura e Camara dos Vereadores Fonte: Google Earth Organização: Matos, 2013

Possui 21 vereadores e uma área estimada 2700m² (Google Earth). A Câmara de Vereadores de Osasco tem a seguinte estrutura para possibilitar o funcionamento do Poder Legislativo

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Figura 1.9 - Organograma de Funcionamento do Legislativo Municipal Fonte: Camara dos Vereadores de Osasco

Figura 1.9 - Organograma de Funcionamento do Legislativo Municipal

Fonte: Camara dos Vereadores de Osasco

O site da Câmara dos Vereadores do Município descreve o funcionamento de cada uma dessas áreas, possibilitando assim a estimativa de espaços necessários para a concepção do projeto.

Secretaria Administrativa da Câmara - Órgão que responde pela prestação dos serviços administrativos de natureza burocrática, incumbindo-se do expediente, da correspondência, das publicações e demais atribuições administrativas da Câmara, como os Anais, que reproduzem os acontecimentos ocorridos durante as sessões da Câmara, traduzidos pelas notas taquigráficas. Assessoria Técnica Legislativa - Atua na elaboração de pareceres técnico-legislativos a fim de elucidar proposições a serem deliberadas pelo Plenário e no assessoramento à Mesa da Câmara quanto aos assuntos legislativos e jurídicos. Assessora também os Vereadores na orientação dos trabalhos legislativos e na elaboração das proposições, limitando-se a colaborar no aprimoramento formal e técnico das leis e resoluções. Assessoria Jurídica - Cuida dos aspectos legais dos atos da Câmara, emite pareceres sobre a constitucionalidade, legalidade dos projetos encaminhados pelos Vereadores, quando solicitados. Dá assistência a todos os

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processos licitatórios, funcionais, judiciais e assiste também ao Presidente e aos Vereadores durante as sessões. Diretor-Secretário da Administração Legislativa da Câmara - É o funcionário que supervisiona as tarefas administrativas em apoio à Presidência e aos Vereadores no desenvolvimento dos trabalhos legislativos. Divisão de Serviços Parlamentares - Cuida de toda a correspondência, da montagem dos processos e dos projetos, controlando o andamento destes; das sessões solenes; do expediente de toda forma de contato da Casa; do arquivo das leis; dos processos de denominação de ruas: do protocolo; da elaboração de estatísticas; relatório anual; dos autógrafos; do atendimento ao público e do fornecimento de cópias de leis. Gabinete dos Vereadores - Local dentro da edificação da Câmara onde o Vereador recebe seus correligionários, seus conhecidos, os moradores que buscam contato para os mais diferentes objetivos, quer para sugestões de leis, quer para reivindicações de melhorias em suas comunidades. É como se fosse um escritório onde ele exerce suas atividades de contato, de preparação de suas matérias.

1.3.2 Prefeitura e Secretarias

A sede administativa do município possui uma instalação precária e aparentemente improvisada para abrigar não apenas a prefeitura e suas respectivas repartiçõse, mas também grande parte das secretarias municipais. Possui aproximadamente 8.550 m² de área construída e uma grande movimentação de pessoas em seu interior, tanto funcionários quanto munícipes, principalmente nas secretarias de finanças e no Departamento de Uso e Controle do Solo (ligado a Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano)

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Figura 1.10 - Prefeitura Municipal - Vista Avenida Bussocaba Fonte: Encontra Osasco Atualmente, o município

Figura 1.10 - Prefeitura Municipal - Vista Avenida Bussocaba Fonte: Encontra Osasco

Atualmente, o município possui 18 secretarias, sendo 11 delas no mesmo edifício da prefeitura e as demais espalhadas pela cidade conforme mapa abaixo:

e as demais espalhadas pela cidade conforme mapa abaixo: Prefeitura Câmara dos Vereadores Secretarias Terreno da
Prefeitura Câmara dos Vereadores Secretarias Terreno da Intervenção
Prefeitura
Câmara dos Vereadores
Secretarias
Terreno da Intervenção

Figura 1.11 - Secretarias Separadas da Prefeitura Fonte: Google Earth Organização: Matos 2013

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CAPÍTULO 2 - O ENTORNO

A região da antiga indústria cerâmica possui uma relação de proximidade

entre o centro e a zona norte da cidade. Fica entre o Rio Tietê, Rodovia Castelo Branco e a Linha Férrea possuindo bom acesso tanto para que usa transporte privado quanto coletivo.

A quadra em que está situada, provavelmente por não ter hoje nenhum

grande atrativo, possui um fluxo de veículos fraco, diferente da via paralela de acesso que leva ao centro, cujo fluxo é intenso principalmente em horários de pico de veículos oriundos da zona norte da cidade ou do interior sentido capital pela Rodovia Castelo Branco.

O fluxo de pessoas é intenso em horário comercial, principalmente dado a

proximidade com a Estação Osasco. Devido a linha férrea, essa estação é o único vínculo direto entre o centro da cidade e a região da antiga indústria cerâmica.

centro da cidade e a região da antiga indústria cerâmica. Predominante - Residencial Misto - Comércio

Predominante - Residencial Misto - Comércio e Serviços Garagem CPTM Terreno da Intervenção Predominante - Indústrial Predominante - Serviços

Figura 2.1 - Mapa de Uso Atual do Solo Fonte: Google Earth Organização: Matos, 2013

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Figura 2.2 – Pred. Residencial - Rua Reverendo Euclides Pereira Fonte: Google Street View Figura

Figura 2.2 Pred. Residencial - Rua Reverendo Euclides Pereira Fonte: Google Street View

- Rua Reverendo Euclides Pereira Fonte: Google Street View Figura 2.3 - Uso Misto - Comércios

Figura 2.3 - Uso Misto - Comércios e Serviços Fonte: Google Street View

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Figura 2.4 - Garagem da CPTM - Rua Zuma de Sá Fernandes Fonte: Google Street

Figura 2.4 - Garagem da CPTM - Rua Zuma de Sá Fernandes Fonte: Google Street View

CPTM - Rua Zuma de Sá Fernandes Fonte: Google Street View Figura 2.5 - Pred. Indústrial

Figura 2.5 - Pred. Indústrial - Avenida Marechal Rondon Fonte: Google Street View

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Figura 2.6 – Pred. Serviços - Avenida Presidente Kennedy Fonte: Google Street View Via de

Figura 2.6 Pred. Serviços - Avenida Presidente Kennedy Fonte: Google Street View

- Avenida Presidente Kennedy Fonte: Google Street View Via de Trafego Fraco Via de Trafego Moderado

Via de Trafego Fraco Via de Trafego Moderado Via de Trafego Intenso Terreno da Intervenção

Figura 2.7 Principais Vias Fonte: Google Street View Organização: Matos, 2013

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Figura 2.8 - Complexo viário Fuad Auada Fonte: Construbase Figura 2.9 - Rodovia Castelo Branco

Figura 2.8 - Complexo viário Fuad Auada Fonte: Construbase

2.8 - Complexo viário Fuad Auada Fonte: Construbase Figura 2.9 - Rodovia Castelo Branco Fonte: Alex

Figura 2.9 - Rodovia Castelo Branco Fonte: Alex Falcão/ Futura Press/ Terra Noticias

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Figura 2.10 - Via Adjacente a Indústria - Baixo Fluxo de Veículos Fonte: Matos, 2013

Figura 2.10 - Via Adjacente a Indústria - Baixo Fluxo de Veículos Fonte: Matos, 2013

a Indústria - Baixo Fluxo de Veículos Fonte: Matos, 2013 Figura 2.11 Meios Públicos de Transporte

Figura 2.11 Meios Públicos de Transporte para Acesso ao Local Fonte: Google Earth Organização: Matos, 2013

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Figura 2.12 - Rodoviaria de Osasco Fonte: Sempretops.com Figura 2.13 - Estação de Trem de

Figura 2.12 - Rodoviaria de Osasco Fonte: Sempretops.com

Figura 2.12 - Rodoviaria de Osasco Fonte: Sempretops.com Figura 2.13 - Estação de Trem de Osasco

Figura 2.13 - Estação de Trem de Osasco - Recém Re-inaugurada Fonte: Falle Criativo

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Figura 2.14 - Terminal de Ônibus - Largo de Osasco Fonte: Jornal Página Zero 32

Figura 2.14 - Terminal de Ônibus - Largo de Osasco Fonte: Jornal Página Zero

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CAPÍTULO 3 - A PRIMEIRA INDÚSTRIA DE OSASCO

A revolução indústrial do Brasil foi tardia e financiada pelo sucesso

internacional das lavouras de café. A intenção de muitos fazendeiros era diversificar seus investimentos através do processo indústrial (OLIVEIRA, 2003).

As crises foram rotinas no Brasil e a saída foi sempre procurar novas ideias

e novos produtos. Assim, mesmo sendo dono de uma fábrica de tijolos e telhas (que eram os produtos mais promissores no mercado consumidor da época), o Agú sofria, como todos os outros brasileiros, com a falta de capital de giro - dinheiro. Isso o forçou a buscar alternativas para expandir e diversificar sua produção (DANUSA, 2008, OLIVEIRA, 2003) Mesmo a construção de taipa sendo trocada pela de alvenaria, as dívidas e custos do fundador de Osasco eram altos demais para que mantivesse seus negócio funcionando. Já havia vendido diversos lotes de terra. Com dificuldade, pagava seus empréstimos a bancos e a credores, mas a saída para a crise só surgiu quando o mesmo arrendou sua cerâmica para o engenheiro Evaristhe Sensaud de Lavaud (DANUSA, 2008). O então engenheiro francês estava em busca de jazidas de cerâmicas ou de alguém que necessitasse de sua apurada técnica e pesquisa. Possuía patentes para fazer um tipo especial de calçamento de ruas. Para fabricar esse tipo de calçamento e aumentar a produção já existente, a olaria de Antônio Agú precisava

de um forno de fogo contínuo. Arrendar a cerâmica para Evaristhe foi a saída que Antônio Agú encontrou para sua crise econômica particular (OLIVEIRA, 2003).

3.1 A Indústria Cerâmica Sensaud de Lavaud & Cia.

O arrendamento da indústria foi no ano de 1898. Nessa época, a olaria

tinha duas fábricas: uma de telhas e outra de tijolos. O arrendamento compreendia

as duas fábricas, formas, galpões, máquinas, utensílios, animais e carros. A construção destas duas fábricas ficava a 25m do eixo da linha férrea. Ligado a

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esse arrendamento, estava também uma área de 40 mil metros quadrados, onde se encontrava a escavação para a retirada de argila (DANUSA, 2008).

a escavação para a retirada de argila (DANUSA, 2008). Figura 3.1 - A Indústria Cerâmica Sensaud

Figura 3.1 - A Indústria Cerâmica Sensaud de Lavaud Fonte: Camara dos Vereadores do Municipio de Osasco

O contrato de arrendamento duraria até 1908. Ao Barão Evaristhe ficava a obrigação de pagar doze contos de réis por ano ao locador Antônio Agú. O pagamento deveria ser feito através de prestações trimestrais de três contos de réis. Já o locatário ficava com todo o produto existente na fábrica, tanto cru como cozido, sendo que a importância dos produtos seria paga ao arrendatário em 90 dias (OLIVEIRA, 2003).

tanto cru como cozido, sendo que a importância dos produtos seria paga ao arrendatário em 90

34

.

. Figura 3.2 - Escritorio da Cerâmica Indústrial Osasco em Nankin Fonte: Coleção Particular de Jose

Figura 3.2 - Escritorio da Cerâmica Indústrial Osasco em Nankin Fonte: Coleção Particular de Jose Luiz A. de Oliveira

Para mudar os galpões já existentes, o Barão poderia mudá-los de lugar (como de fato o fez), mas não podia desfazer-se deles. Outro direito do locador era deixar ou não o doutor José Feliciano de Almeida Rosa passar nos terrenos arrendados junto a olaria, bem como permitir que o fabricante de vinho Pierre Darriet continuasse com sua fábrica de vinho nos terrenos da olaria, conforme descrito por Danusa (2008). Todas as benfeitorias realizadas pelo arrendador nesses dez anos ficariam pertencendo ao proprietário, terminado o prazo do contrato. No entanto, o locatário poderia dispor de toda a argila e areias encontradas nos terrenos arrendados, não só para fabricação dos produtos como para vender (DANUSA, 2008).

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Figura 3.3 - Panoramica da Indústria (1906) Fonte: Coleção Particular de Jose Luiz A. de

Figura 3.3 - Panoramica da Indústria (1906) Fonte: Coleção Particular de Jose Luiz A. de Oliveira

De acordo com Danusa (2008), uma das cláusulas deste contrato usada pelo locador foi a do valor total da fábrica, bem como a forma de pagamento. 50 contos de réis, na ocasião de lavratura da escritura de compra e venda, 50 contos de réis no fim de dois anos e mais 50 ao fim de três anos, contados da data em que esta escritura de compra e venda fosse assinada em cartório. Os juros seriam de 1% ao mês, tendo como garantia os imóveis existentes. Caso o Barão fizesse sociedade com outras pessoas, o locador, Antônio Agú, se comprometia em aumentar o preço de compra para 150 contos de réis, sendo que 100 contos ficariam para a “formação do capital da sociedade”. Desta forma, a indústria custaria na verdade 50 contos de reis. O barão construiu e manteve um forno de fogo contínuo por alguns anos. O sistema do forno chamava-se Sensaud e tinha 22 compartimentos para queimar tijolos e telhas; 47 metros de comprimento por 7m de largura e 3 de altura. As dimensões do forno são fornecidas por Antônio Francisco Bandeira Júnior, em seu livro “A Indústria no Estado de São Paulo em 1901”.

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Figura 3.4 - Vila Operária em 1922 Fonte: Coleção Particular de Jose Luiz A. de

Figura 3.4 - Vila Operária em 1922 Fonte: Coleção Particular de Jose Luiz A. de Oliveira

Em cinco anos, a tecnologia do fogo contínuo foi substituída por fornos semi-contínuos e intermitentes. Para construir o seu primeiro forno de fogo contínuo, o Barão teve de arrumar capital para investimento. É na busca desse capital adicional que surge a firma Sensaud de Lavaud & Cia que supostamente mais tarde originaria a Cerâmica Indústrial Osasco Ltda. Que ainda existe, porém com produção reduzida e com o nome fantasia "Hervy" (referente ao nome de seu Diretor Comercial, Hermman Levy) (DANUSA, 2008).

3.2 Levantamento Atual

Atualmente, a indústria encontra-se desocupada. Suas atividades terminaram oficialmente no ano de 1992, em Osasco, sendo sua planta indústrial transferida para Taubaté (OLIVEIRA, 2013). De um modo geral, o edificil apresenta um bom estado de conservação, com se observa nas imagens a seguir:

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Figura 3.5 - Planta de Localização das Imagens Fonte: Google Earth Organização: Matos, 2013 1

Figura 3.5 - Planta de Localização das Imagens Fonte: Google Earth

Organização: Matos, 2013

1 2
1
2

Figura 3.6 - Fachada Sudoeste

38

Legenda

Fato

Lesão Primária

Lesão Secundária

1 Umidade de Infiltração

1 Umidade de Infiltração

Umidade

Desprendimento

2 Presença de Mofo

Organismos

Erosão Quimica

1 2 3
1
2
3

Figura 3.7 - Fachada Noroeste - Fundos

Legenda

Fato

Lesão Primária

Lesão Secundária

1 Vidros quebrados/ Faltantes

Desprendimento

Erosão Física

2 Alvenaria Danificada

Desprendimento

Erosão Física

3 Plantas na Alvenaria

Organismos

Erosão Quimica

39

1 2
1
2

Figura 3.8 - Fachada Noroeste Frente

Legenda

Fato

Lesão Primária

Lesão Secundária

1 Vidros quebrados/ Faltantes

Desprendimento

Erosão Física

2 Alvenaria Danificada

Desprendimento

Erosão Física

40

Pagina em A3 com o desenho feito no photoshop

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CAPÍTULO 4 - REFERÊNCIAS PROJETUAIS

Para o desenvolvimento do projeto torna-se necessário enriquecer o repertório, tanto para a concepção do espaço como para o processo de restauração. As referências abaixo são obras que possuem uma relação em comum com o projeto a ser desenvolvido em aspecto histórico ou projetual.

4.1 Sesc Pompeia

O projeto realizado pela arquiteta Lina Bo bardi, em 1977, propunha a preservação do espaço fabril, ao mesmo tempo que revitalizava o espaço a fim de criar um espaço em que as pessoas pudessem conviver.

fim de criar um espaço em que as pessoas pudessem conviver. Figura 4.1 - Imagem do

Figura 4.1 - Imagem do SESC Pompéia Fonte: Debora Machado

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Figura 4.2 - Área ocupada pelo SESC Fonte: Google Earth Figura 4.3 - Análise do

Figura 4.2 - Área ocupada pelo SESC Fonte: Google Earth

Figura 4.2 - Área ocupada pelo SESC Fonte: Google Earth Figura 4.3 - Análise do espaço

Figura 4.3 - Análise do espaço Fonte: Debora Machado

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4.2 O Uso Como Referência Figura 4.4 - Rua Interna Fonte: Debora Machado O projeto

4.2 O Uso Como Referência

Figura 4.4 - Rua Interna Fonte: Debora Machado

O projeto de Bo Bardi, apresenta o mesmo sentido que irei desenvolver nesse aqui apresentado. A ideia é Referência-lo quanto a intervenção do espaço antigo e o novo dentro de seu projeto e qual a relação das pessoas com ele.

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4.3 Paço Municipal de Bilbao

Projeto desenvolvido pelo IMB Arquitetos tornou-se a nova matriz da prefeitura de Bilbao. Está situado aos fundos da fachada do Palácio Neobarroco que abriga a camara municipal da cidade, construída em 1892.

abriga a camara municipal da cidade, construída em 1892. Figura 4.5 - Fachada do Paço Municipal

Figura 4.5 - Fachada do Paço Municipal de Bilbao Fonte: Archdaily

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Área de AtendimentoAcessos Verticais Área Molhadas (WC)

Acessos VerticaisÁrea de Atendimento Área Molhadas (WC)

Área Molhadas (WC)Área de Atendimento Acessos Verticais

de Atendimento Acessos Verticais Área Molhadas (WC) Figura 4.6 - Implantação Fonte: Archdaily

Figura 4.6 - Implantação Fonte: Archdaily Organização: Matos, 2012

Área de Acesso Restrito/IndicadoAcessos Verticais Área Molhadas (WC) Hall (circulação horizontal)

Acessos VerticaisÁrea de Acesso Restrito/Indicado Área Molhadas (WC) Hall (circulação horizontal)

Área Molhadas (WC)Área de Acesso Restrito/Indicado Acessos Verticais Hall (circulação horizontal)

Hall (circulação horizontal)Área de Acesso Restrito/Indicado Acessos Verticais Área Molhadas (WC)

Área Molhadas (WC) Hall (circulação horizontal) Figura 4.7 - Planta Tipo Fonte: Archdaily Organização:

Figura 4.7 - Planta Tipo Fonte: Archdaily Organização: Matos, 2012

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Área de Acesso Restrito/IndicadoÁrea de Atendimento Garagem

Área de AtendimentoÁrea de Acesso Restrito/Indicado Garagem

GaragemÁrea de Acesso Restrito/Indicado Área de Atendimento

Acesso Restrito/Indicado Área de Atendimento Garagem Figura 4.8 Corte indicativo de uso Fonte: Archdaily

Figura 4.8 Corte indicativo de uso Fonte: Archdaily Organização: Matos, 2012

de uso Fonte: Archdaily Organização: Matos, 2012 4.4 Uso como Referência Figura 4.9 - Varanda Jardim

4.4 Uso como Referência

Figura 4.9 - Varanda Jardim Fonte: Archdaily

A organização do espaço e a implantação do mesmo dentro de um contexto totalmente diferente do projetado foram as principais motivações que me influenciaram na escolha desse projeto para referencia ao meu.

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CAPÍTULO 5 - PROJETO

A intenção é através dessa linha lógica de raciocínio chegarmos a um produto que atenda as necessidadadades pré-estipuladas, sem que fuja da intenção primordial de preservação e do estabelecimento de um centro cívico local. As informações acima coletadas contribuem para a definição do projeto quanto ao seu partido, necessidades, organização e fluxo tornando-o mais coeso ao seu propósito.

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5.1 Programa de necessidades

SETOR

AMBIENTE

QUANTIDADE

ESTIMATIVA DE USO

Prefeitura

Recepção / espera

01

Gabinete Prefeito com sanitário

01

Gabinete Vice Prefeito com sanitário

01

Sala de Reunião

03

40 pessoas (total)

Chefe do Gabinete

02

Setor de produção

01

20 pessoas

Assessorias

05

Almoxarifado

01

Sanitários

02

05 bacias; 05 lavatórios

Arquivos e Protocolos

01

Sala de eventos - Auditório

01

350 pessoas

Sanitário público

02

10 bacias; 10 lavatórios

Central da GCM

Sala de Produção

01

Secretarias

Sala secretário

18

Sala Vice Secretário

18

Sala Reunião

09

Ala de Atendimento ao Público

02

Arquivo

01

Almoxarifado

01

Sanitários

02

15 bacias; 15 lavatórios

Copa

01

Refeitório

01

Sanitário Público

02

Pré-atendimento/ Espera

01

Serviços

Casa Loterica

01

Correios

01

Agência Bancária

01

Copias e Papelaria

01

Oficina de Capacitação

01

Praça de Alimentaçaõ

01

Ambulatório

01

Procom

01

Centro de Amparo ao Trabalhador

01

Fundo Social

01

Inclusão digital

01

Administração

01

Câmara

Plenário público 350 pessoas

01

Gabinetes Vereadores Gabinete / Secretaria / sanitário

20

Gabinetes Suplentes Gabinete / Secretaria / sanitário

21

Sala Reunião

05

Sala Comissões

08

Diretoria Diretor Secretaria Setor de produção

01

Biblioteca Legislativa

01

Sala de Imprensa

01

Sanitário público

02

05 bacias; 05 lavatórios

Assessoria legislativa

01

02 pessoas

Praça Cívica

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CANABRAVA, A. P. As chácaras paulistanas. ASSOCIAÇÃO DOS GEÓGRAFOS BRASILEIROS, São Paulo, v. IV, 1953.

COTIDIANO WEB DIÁRIO. Osasco Completa 48 anos de Emancipação. Web

em:

Diário,

<http://www.webdiario.com.br/?din=view_noticias&id=41346>. Acesso em: 17 mar.

2013.

2010.

Disponível

DANUSA, M. A História de Osasco. Camara Osasco, 2008. Disponível em:

<http://www.camaraosasco.sp.gov.br/osasco/historia/index2.htm>. Acesso em: 02 mar. 2013.

DANUSA, M. Antônio Agu no Km 16 da Estrada de Ferro Sorocabana. Camara de

em:

<http://www.camaraosasco.sp.gov.br/osasco/historia/index3.htm>. Acesso em: 02 mar. 2013.

Osasco,

2008.

Disponível

JUNIOR, A. F. B. A industria no estado de São Paulo em 1901. São Paulo:

Diario Oficial, 1901.

OLIVEIRA, J. L. A. De olaria a Cia de Cerâmica Industrial de Osasco 1885- 1912. Centro UniversitÁrio FIEO - UNIFIEO, Osasco, 2003.

50

OLIVEIRA, N. C. D.; NEGRELLI, A. L. M. R. Osasco e sua história. São Paulo:

CG Editora, 1992.

PIRES, L. Primeira Hora - Rochdalle Piratininga. Camara Osasco, 1991.

em:

<http://www.camaraosasco.sp.gov.br/osasco/historia/ph/index26.htm>. Acesso em: 17 mar. 2013.

Disponível

SANAZAR, H. Sua História, Sua Gente. Diário da Região, Osasco, p. 2-23, fev.

2013.

MACHADO, Débora dos Santos Candido. Público e comunitário : projeto arquitetônico como promotor do espaço de convivência, São Paulo, 2009.

Entrevista

OLIVEIRA, J. L. A. Entrevista: História de Osasco. Osasco/São Paulo 07 abr.

2013

Sites Câmara de Vereadores do Município de Osasco.

http

.camaraosasco.sp.gov.br

Osasco Contando a História http://osasco-contandohistoria-osasco.blogspot.com

51

IBGE :

 

http://

.ibge.gov.br

PNDU

Imagens

Jornal Pagina Zero

Archdaily.com

http://www.archdaily.com/166456

Falle Criativo

Alex Falcão/Futura Press http://www.noticias.terra.com.br

Construbase

Encontra Osasco http://www.encontraosasco.com.br/osasco/prefeitura-de-osasco.shtml

52

ANEXO 1

ANEXO 1 53

53