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UNIVERSIDADE PAULISTA UNIP

SEILA AUXILIADORA DE OLIVEIRA SILVA

TABACO: MALEFÍCIOS À SAÚDE HUMANA Medicina e Terapia Cognitivo-Comportamental Breve na cessação do uso de Tabaco

SÃO PAULO

2015

SEILA AUXILIADORA DE OLIVEIRA SILVA

TABACO: MALEFÍCIOS À SAÚDE HUMANA Medicina e Terapia Cognitivo-Comportamental Breve na cessação do uso de Tabaco

Trabalho de conclusão de curso para obtenção do título de especialista em Terapia Cognitivo- Comportamental para Atuação em Múltiplas Necessidades apresentado à Universidade Paulista - UNIP.

Orientadores:

Prof. Ana Carolina S. de Oliveira Prof. Hewdy L. Ribeiro.

SÃO PAULO

2015

Silva, Seila Auxiliadora de Oliveira

Tabaco malefícios à saúde humana: medicina e terapia

cognitivo-comportamental breve na cessação do uso de tabaco

São Paulo, 2015. Seila Auxiliadora de Oliveira Silva

35 f.

Trabalho de conclusão de curso (especialização)

apresentado à pós-graduação lato sensu da Universidade

Paulista, São Paulo, 2015.

Área de concentração: Medicina.

“Orientação: Prof. Hewdy Lobo Ribeiro

“Coorientador: Prof. Ana Carolina S. Oliveira

1. Tabaco. 2. Malefícios. 3. Terapia Cognitivo-Comportamental.

Universidade Paulista - UNIP. II. Título. III. Silva, Seila Auxiliadora

de Oliveira

SEILA AUXILIADORA DE OLIVEIRA SILVA

TABACO: MALEFÍCIOS À SAÚDE HUMANA Medicina e Terapia Cognitivo-Comportamental Breve na cessação do uso de Tabaco

Aprovado em:

Trabalho de conclusão de curso para obtenção do título de especialista em Terapia Cognitivo- Comportamental para Atuação em Múltiplas Necessidades apresentado à Universidade Paulista - UNIP.

Orientadores:

Prof. Ana Carolina S. de Oliveira Prof. Hewdy L. Ribeiro

BANCA EXAMINADORA

/

Prof. Hewdy Lobo Ribeiro

Universidade Paulista UNIP

/

/ /

Prof. Ana Carolina S. Oliveira

Universidade Paulista UNIP

DEDICATÓRIA

À minha Família pelo zelo por minha formação.

À bibliotecária Márcia M. Barbosa por sua gentileza e atenção.

Aos professores por serem uma fonte de inspirações.

AGRADECIMENTOS

Meus agradecimentos aos professores, em especial, aos Professores Ana Carolina S. Oliveira, Hewdy L. Ribeiro, Michelle Cristina e Neide Zanelatto por serem encantadores na

Arte de Transmitir Conhecimentos.

EPÍGRAFE

medicamento

tranquilizador tão eficaz como o são umas poucas palavras boas” (Sigmund Freud)

“A

ciência

moderna

ainda

não

produziu

um

RESUMO

O objetivo desta pesquisa foi o de verificar a importância da cessação do uso de tabaco,

porque traz significativos benefícios à saúde humana. Para o desenvolvimento do trabalho, foram utilizados os artigos escritos e disponíveis em sitio de internet, além de informações obtidas por pesquisa bibliográfica. Após a análise dos artigos e com conhecimento obtido através das doutrinas inquiridas, pode-se visualizar que a abstenção das pessoas a qualquer

uma das formas do uso de tabaco é causa de evitar doenças relacionadas ao tabaco. Concluiu-

se que a intervenção médica associada à intervenção da terapia cognitivo-comportamental

breve, aumenta a taxa de abandono do tabaco e, com o fim de mitigar o número dos eventos doenças, é importante que as pessoas que de qualquer forma fazem uso do tabaco, possam ter conhecimento do tema “Tabaco: Malefícios à Saúde Humana”.

PALAVRAS-CHAVES: Tabaco, Malefícios, Medicina, Terapia Cognitivo-Comportamental Breve

ABSTRACT

The objective of this research was to verify the importance tobacco use cessation is related to human health significant benefits. The research developments were utilized available written articles on internet site, as well as obtained information by bibliographic research. After analysis of articles and with gained knowledge through the surveyed doctrines, we can view people who stop any a form of tobacco will avoid tobacco-related diseases. We conclude that the medical intervention associate brief cognitive-behavioral therapy increases the rate abstinence of tobacco, for to mitigate of events diseases, it is important that have knowledge of the subject “Tobacco: Malefactions to Human Health”.

Key-words: Tobacco, Malefactions, Medicine, Brief Cognitive-Behavioral Therapy

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ACTH Hormônio de Adrenocorticotrófico AHRQ Agency for Healthcare Researchand Quality ASSIST The Alcohol, Smoking and Substance Involvement Screening Test

AUDIT

FRAMES Feedback, responsibility, advice, menu, empathic e self-efficacy LENAD Levantamento Nacional Álcool e Drogas

OMS

DSM IV Manual Diagnóstico Estatístico da Associação Psiquiátrica Americana U.S Public Health Service Serviço de Saúde Pública Norte-Americana

Alcohol Use Disorder Identification Test

Organização Mundial da Saúde

SUMÁRIO

 

Página

1 INTRODUÇÃO

10

2 OBJETIVOS

12

3 METODOLOGIA

13

4 CONCEITOS E DEFINIÇÕES DETABACO E TABAGISMO

14

4.1 Conceito de tabaco

14

4.2 Definição de tabagismo produtos encontrados no tabaco

e sintomas apresentados

14

MÉTODOS DE CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS E MEDIDAS DE TRATAMENTO PARA AS DOENÇAS CAUSADAS PELO USO DE TABACO

5

18

5.1 Ocorrência de transtorno pelo uso de tabaco segundo DSM - 5

18

5.2 Enfermidades originadas pelo tabaco

20

5.3 Medidas de combate às doenças provenientes do tabaco

22

5.4 Intervenções Farmacológicas

24

6

INTERVENÇÃO BREVE É O INÍCIO DE TRATAMENTO

26

6.1 Intervenção breve

26

6.2 Estatística das doenças causadas pelo tabagismo no Brasil

30

7

CONCLUSÃO

32

REFERÊNCIAS

34

10

1 INTRODUÇÃO

Esta pesquisa decorre em razão das divulgações na mídia impressa, eletrônica e digital sobre o número de pessoas que fazem o uso do tabaco. O interesse em pesquisar a temática sobre malefícios à saúde humana, causados pelo tabagismo é pelo fato de existir a possibilidade na medicina e terapia cognitivo-comportamental breve de cessação do uso de tabaco.

Essa situação requer estudo para quantificar e qualificar os tipos de doenças que cientificará a coletividade do motivo das ocorrências, para tanto, abordar-se-á o título nomeado de Tabaco: malefícios à saúde humana, medicina e terapia cognitivo- comportamental breve na cessação do uso de Tabaco. Este Trabalho de Conclusão de Curso terá seu desenvolvimento baseado em uma perspectiva dedutiva, a partir de pesquisa bibliográfica; serão colhidas e analisadas as informações, assim como, as publicadas por mídia eletrônica, digital e impressa. Os dados serão coletados e organizados por meio de uma forma sequencial lógica, com o objetivo de facilitar o estudo dos diversos pontos que envolvem o tema. Conceituar-se-á tabaco e em especial a natureza jurídica do tabagismo, assim como, apresentar-se-á os produtos encontrados no tabaco e quais os sintomas que podem apresentar nos usuários e as diversas formas em que os efeitos são produzidos. Procurar-se-á apontar as doenças originadas pelo uso do tabaco e os resultados poderão denotar quais as formas de tratamento a serem aplicadas e a verificação da omissão ou ação da Administração Pública na divulgação e distribuição de quaisquer das formas de tabaco, para nortear as pessoas a cerca dos seus direitos quando a perda da saúde humana for por falta da orientação quanto ao abuso do fumo. Além disso, mostrar-se-á a caracterização da dependência relacionada á nicotina, destacando o uso de tabaco, para a compreensão das prováveis causas da síndrome de abstinência e da importância da manutenção da saúde humana. Tratar-se-á dos interesses sociais abarcados pela Constituição da República Federativa do Brasil que deverão ser resguardados pela Administração Pública, em virtude do princípio da indisponibilidade do interesse público para efetivar a manutenção da saúde. Revelar-se-á que a Administração Pública, tem como primeiro objetivo prestar serviço à coletividade, através das ações governamentais a serem adotadas visando atacar de frente as doenças com começo insidioso e de longa duração, como as causadas pelo tabaco, para tanto, realiza plano do bem-estar humano como estabelece no art. 6.º CF/88.

11

Por fim, apresentar-se-á o resultado obtido nesta pesquisa, com a finalidade de divulgar a importância da aplicação da intervenção breve na rede primária de saúde, para reduzir ou suprimir as prováveis causas das doenças originadas pelo uso de tabaco e o percentual estatisticamente para o ano de 2025 no Brasil.

12

2 OBJETIVOS Os objetivos estão relacionados a problematização da indagação, que é diminuir o tempo na cessação de todas as formas do uso de tabaco, utilizando-se da Medicina associada à Terapia Cognitivo-Comportamental Breve.

13

3 METODOLOGIA Esta pesquisa terá seu desenvolvimento baseado em uma perspectiva dedutiva, a partir de pesquisa bibliográfica; serão colhidas e analisadas as informações, assim como, as publicadas por meio eletrônico e estudos desenvolvidos. Os dados serão coletados e organizados por meio de uma forma sequencial lógica, com o objetivo de facilitar o estudo dos diversos pontos que envolvem o tema.

14

4 CONCEITOS E DEFINIÇÕES DE TABACO E TABAGISMO Nesta parte, mencionam-se conceitos e fala sobre os sintomas causados pelo tabagismo.

e dependências

4.1 Conceito de tabaco De acordo com o Dicionário Aurélio a expressão Tabaco é definida como abaixo:

Grande erva, molemente tomentosa, da família das solanáceas (Nicotiana tabacum), de origem sul-americana, de folhas amplas, oblongas, acuminadas e macias, flores vistosas, tubulosas e róseas, e que possui nicotina, razão por que a infusão das folhas servem para matar parasitos. Dessecadas as folhas constituem o fumo ou tabaco. (FERREIRA, 2004, p. 1903).

4.2 Definição de tabagismo, produtos encontrados no tabaco e sintomas apresentados

O Dicionário Aurélio (2004, p. 1903) define tabagismo como “abuso do tabaco. Intoxicação provocada por esse abuso.Para Alessandra (2011, p. 145) conceitua que “o termo tabagismo pode ser utilizado para denominar o consumo de qualquer produto derivado do tabaco.Luiz Carlos (2012, p. 21) define que “o tabagismo é uma doença crônica de dependência à nicotina, geralmente iniciada na adolescência, caracterizando-se pela inalação da fumaça proveniente da combustão do tabaco contido nos cigarros.Segundo Riquinho e Hennington (2014) pelo estudo cultivo do tabaco no Sul do Brasil: doença da folha verde e outros agravos à saúde, o primeiro registro que se tem sobre a doença da folha verde do tabaco foi feito por Bernardino Ramazzini, na Itália, no Século XVIII. Em 1970, a Doença da Folha Verde do Tabaco foi descrita na Flórida nos Estados Unidos da América como uma doença específica dos trabalhadores rurais do tabaco. A

Doença da Folha Verde do Tabaco decorre do estímulo ou inibição de receptores do sistema nervoso central levando a pessoa a um quadro clínico de vômitos, náuseas, tontura e cefaleia, dores abdominais, diarreia, alterações da pressão arterial e da frequência cardíaca durante ou após a exposição à nicotiana tabacum. No Brasil, há estudos epidemiológicos, os quais revelaram as informações clínicas: presença de vômito, náusea, dor de cabeça e tontura, e laboratoriais: exame da saliva para medira quantidade de cotidina (metabolismo da nicotina) que confirmaram a ocorrência da Doença da Folha Verde do Tabaco. Os problemas respiratórios que são consequências do contato com a poeira da folha do tabaco e do processo de secagem, ainda foram poucos estudados. Para Lopes (2009), o tabagismo até o final do século passado tinha uma boa aceitação social, pois estava associado ao charme proporcionado pela indústria cinematográfica e

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intensa propaganda. O combate ao tabagismo ganhou maior importância e a percepção do fumar como um tanto desejável reduziu, nas últimas duas décadas. Na segunda década de vida, a maior parte dos fumantes inicia a dependência. Em pouco tempo é possível observar sintomas de dependência e abstinência. Fatores que desencadeiam o tabagismo é o fato de os pais fumarem, círculo de amigos, preço acessível dos cigarros. Conforme Antonio Carlos Lopes (2009), o tabaco contém muitos produtos tóxicos, como por exemplo, (monóxido de carbono, alcatrão e a nicotina), desta forma, a dependência de nicotina foi reconhecida em 1988, por meio do relatório do Cirurgião Geral Dr. Koop, sendo como a responsável pelo uso continuado do tabaco. No entanto, a nicotina após ser inalada atravessa a barreira hematoencefálica em oito segundos e seu efeito é produzido quase que instantaneamente, ela liga-se a receptores pré-sinápticos, neurônios periféricos e sinapses musculares sendo captada por receptores específicos, chamados nicotínicos, levando a aumento indireto da função dopaminérgica mesolímbica, assim, existindo interação dos efeitos hormonais, substâncias psicoativas e neuropeptídeos (dopamina, adrenalina, catecolaminas, serotonina, acetilcolina, hormônios hipofisários e prolactina) elevando os níveis de hormônio de adrenocorticotrófico (ACTH) e aumentando a liberação de hormônios hipofisários. Os efeitos não agradáveis relacionados à intoxicação pela nicotina (náuseas, ansiedade, cefaleia) são rapidamente superados com o desenvolvimento de tolerância. De acordo com Antonio Carlos (2009), são diversos os fatores relacionados no estabelecimento da dependência relacionada á nicotina que produz efeitos que reforçam o seu uso, como melhora do desempenho cognitivo, melhora do humor, diminui a ansiedade e ajuda a controlar o peso, destacando que a manutenção da dependência da nicotina é a síndrome de abstinência, que começa em poucas horas após o último cigarro. Segundo Lopes a DSM IV (Manual Diagnóstico Estatístico da Associação Psiquiátrica Americana), mostra os critérios para a dependência de substâncias psicoativas, aplicáveis a nicotina são como se expõe:

- Desenvolvimento de tolerância, o que significa que a mesma dose torna-se menos eficaz com o uso continuado.

- Usar a substância em quantidades maiores ou por um período de tempo menor do

que o pretendido.

- Tentativas ou desejos persistentes de reduzir ou parar de usar a substância.

- Gastar muito tempo para a obtenção, uso ou recuperação dos efeitos da substância.

- Prejuízo das atividades sociais, ocupacionais ou recreacionais por causa do uso da

substância. -Persistência no uso da substância apesar de ter consciência de ter um problema físico ou psicológico que tende a ser causado ou exacerbado pela substância. (LOPES, 2009, p. 2519).

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Antonio Carlos (2009) fala que os principais sintomas da síndrome de abstinência são:

fissura, humor disfórico ou depressivo, insônia ou sonolência excessiva, irritabilidade, ansiedade, dificuldade de se concentrar, inquietação, bradicardia, cefaleia, constipação intestinal e aumento do apetite. Não é apenas a dependência à nicotina que determina a persistência do uso de qualquer uma das formas do uso de tabaco, também estão associados os fatores socioculturais, ambientais, comportamentais e psicológicos. Como pode se observar a dependência e a abstinência da nicotina podem ocorrer em todas as formas do uso de tabaco (cigarros, cachimbos, charutos e fumo mascado), assim, o desejo de fumar pode surgir independentemente do estado de necessidade fisiológica. Goldman e Ausielo (2009) dizem que a fumaça do tabaco é um aerossol com partículas que contém água, nicotina e outros alcaloides, além de alcatrão. Essa fumaça contém mais de 4.000 agentes químicos diferentes muito dos quais podem contribuir para doença nos seres humanos e onde dos quais pelo menos 50 são conhecidos carcinógenos. O fumo passivo ou fumo ambiental contém uma mistura similar de carcinógenos para a qual não existe um nível seguro de exposição. Também, fala que os principais produtos químicos tóxicos presentes na fase particulada do fumo incluem nicotina, benzopireno e outros hidrocarbonetos policíclicos,Nnitrosonornicotina, ß-naftilamina, Polônio 210, níquel, cádmio, arsênio e chumbo. A fase gasosa contém monóxido de carbono, acetaldeído, acetona, metanol, óxido de nitrogênio, cianeto de hidrogênio, acroleina, amônia, benzeno, formaldeído, nitrosaminas e cloreto de vinila. A fumaça do tabaco pode produzir doença por meio de absorção sistêmica de toxinas e/ou causar lesão pulmonar local pelos gases oxidantes. Goldman e Ausielo (2009) definem a dependência do tabaco como o uso compulsivo da nicotina, que é uma substância maléfica psicoativa, com consequências deletérias para o indivíduo ou para a sociedade porque pela fumaça do cigarro, a nicotina é rapidamente absorvida pela circulação pulmonar e após essa absorção a nicotina se desloca para o cérebro e atua sobre receptores colinérgicos nicotínicos onde produz os efeitos de prazer que acontecem entre 10 a 15 segundos após a tragada, no entanto, a absorção é mais lenta do tabaco sem fumaça e seus efeitos farmacológicos são menos intensos. Falam os citados autores que a dependência química com o uso de tabaco em longo prazo, em associação a aumento da quantidade de receptores colinérgicos nicotínicos no cérebro é frequente ocorrerem sintomas de abstinência, mesmo quando o indivíduo fica poucas horas em fumar, que incluem ansiedade, dificuldade de concentração, irritabilidade, inquietação, desejo compulsivo por tabaco (craving), fome, distúrbio do sono, e em alguns pode ocorrer depressão.

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Vale salientar, Goldman e Ausielo (2009) quando dizem que as formas não fumadas de tabaco também oferecem risco à saúde como dependência química e incluem o tabaco inalado (rapé) e o tabaco mascado (“fumo de rolo”). Em geral, o tabaco da forma não fumada é flavorizado com alcaçuz e contém bicarbonato de sódio para conservar o ph alcalino local e facilitar a absorção na cavidade oral da nicotina. Outros elementos químicos como sódio, ácidoglicirrizínico e nitrosaminas (potencialmente carcinogênico) também são absorvidos sistematicamente. Que o risco à saúde do fumante passivo consiste na fumaça gerada enquanto o cigarro está sendo consumido e no fluxo de fumaça exalado pelo fumante, que há evidências que a exposição passiva ao fumo tem comprovada ação causal no câncer em seres humanos. Os doutrinadores informam que na fumaça passiva são encontradas maiores concentrações de amônia, formaldeído e nitrosaminas do que na fumaça do fumante ativo. Portanto, essa exposição é nociva à saúde de não fumantes. Harrison et al. (2013) fala que foram os Norte-Americanos nativos que apresentaram o uso da folha de tabaco a Colombo e que se espalhou rapidamente na Europa. O uso de tabaco em forma de cigarro tornou-se popular no século XX, sendo, portanto um fenômeno moderno, assim como a epidemia das doenças causadas por essa forma do uso de tabaco. Desta forma, o tabaco tanto existente nos cigarros como mascado e é a fonte mais importante de aumento da mortalidade por cânceres de pulmão e oral, possuindo mais de 4000 compostos tendo a nicotina como seu principal componente gerador de dependência e muitos outros componentes que são considerados tóxicos e carcinógenos e vários aditivos químicos usados na fabricação de diferentes produtos de tabaco. Para Harrison et al. (2013) os fumantes de cigarros têm maior risco de desenvolver aterosclerose de grandes vasos, assim como doenças de pequenos vasos. Cerca de 90% das doenças vasculares periféricas nas pessoas não diabéticas, aproximadamente 50% dos aneurismas de aorta, por volta de 20 a 30% das coronariopatias e 10% dos casos de doença vascular cerebral oclusiva são causados pelo fumo, porque há uma interação multiplicadora entre tabagismo e outros fatores de risco cardíaco como hipertensão arterial sistêmica e hiperlipidemia, de modo que o risco nos hipertensos e dislipidêmicos de desenvolverem doenças cardiovasculares é substancialmente maior nos fumantes do que nos não fumantes. O tabagismo também aumenta a probabilidade de infarto do miocárdio e morte súbita cardíaca por promover agregação plaquetária e oclusão vascular, sendo essa probabilidade diminuída com a cessação do uso de tabaco.

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5 MÉTODOS DE CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS E DE TRATAMENTO PARA AS DOENÇAS CAUSADAS PELO USO DE TABACO Neste tópico se pretende descrever quais os tipos de enfermidades e sobre os Métodos de Critérios Diagnósticos e de Tratamentos aplicados, com a finalidade de mitigar a manifestação desses males nas pessoas expostas ao uso de tabaco.

5.1 Ocorrência de transtorno pelo uso de tabaco segundo DSM - 5 Os Critérios Diagnósticos para o DSM 5 podem ser apresentados com a seguir, in

verbis:

A. Um padrão problemático de uso de tabaco, levando a comprometimento ou

sofrimento clinicamente significativo, manifestado por pelo menos dois dos

seguintes critérios, ocorrendo durante um período de 12 meses:

1.Tabaco é frequentemente consumido em maiores quantidades ou por um período mais longo do que o pretendido.

2. Existe um desejo persistente ou esforços malsucedidos no sentido de reduzir ou

controlar o uso de tabaco.

3. Muito tempo é gasto em atividades necessárias para a obtenção ou uso de tabaco.

4. Fissura ou um forte desejo ou necessidade de usar tabaco.

5. Uso recorrente de tabaco resultando em fracasso em cumprir obrigações

importantes no trabalho, na escola ou em casa (p. ex., interferência no trabalho).

6. Uso continuado de tabaco apesar de problemas sociais ou interpessoais persistentes ou recorrentes causados ou exacerbados pelos seus efeitos (p. ex., discussões com os outros sobre o uso de tabaco).

7. Importantes atividades sociais, profissional ou recreacionais são abandonadas ou

reduzidas em virtude do uso de tabaco.

8. Uso recorrente de tabaco em situações nas quais isso representa perigo para a

integridade física (p. ex., fumar na cama).

9. O uso de tabaco é mantido apesar da consciência de ter um problema físico ou

psicológico persistente ou recorrente que tende a ser causado ou exacerbado por ele.

10. Tolerância, definida por qualquer um dos seguintes aspectos: a. Necessidade de

quantidades progressivamente maiores de tabaco para atingir o efeito desejado. b.

Efeito acentuadamente menor com o uso continuado da mesma quantidade de

tabaco.

11. Abstinência, manifestada por qualquer dos seguintes aspectos:

a. Síndrome de abstinência característica de tabaco (consultar os Critérios A e B do conjunto de critérios para abstinência de tabaco).

b. Tabaco (ou uma substância estreitamente relacionada, como nicotina) é

consumido para aliviar ou evitar os sintomas de abstinência. Especificar se:

Em remissão inicial:

Após todos os critérios para transtorno por uso de tabaco terem sido preenchidos anteriormente, nenhum dos critérios para transtorno por uso de tabaco foi preenchido durante um período mínimo de três meses, porém inferior a 12 meses (com exceção de que o Critério A4, “Fissura ou um forte desejo ou necessidade de usar tabaco”, ainda pode ocorrer). Em remissão sustentada:

Após todos os critérios para transtorno por uso de tabaco terem sido preenchidos anteriormente, nenhum dos critérios para transtorno por uso de tabaco foi preenchido em nenhum momento durante um período igual ou superior a 12 meses (com exceção de que o Critério A4, “Fissura ou um forte desejo ou necessidade de usar tabaco”, ainda pode ocorrer). Em terapia de manutenção:

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O individuo vem em uso de medicamentos de manutenção de longo prazo, como

medicamentos de reposição de nicotina, e nenhum dos critérios para transtorno por uso de tabaco foi satisfeito para essa classe de medicamento (exceto tolerância ou abstinência do medicamento de reposição de nicotina).

Em ambiente protegido:

Este especificador adicional é usado se o individuo encontra-se em um ambiente no qual o acesso ao tabaco é restrito. Código baseado na gravidade atual: Nota para os códigos da CID- 10-MC: Se também houver abstinência de tabaco ou outro transtorno do sono induzido por

tabaco, não utilizar os códigos abaixo para transtorno por uso de tabaco. No caso, o transtorno por uso de tabaco comórbido é indicado pelo 4º caractere do código de transtorno induzido por tabaco (ver a nota para codificação para abstinência de tabaco ou um transtorno do sono induzido por tabaco). Por exemplo, se houver comorbidade de transtorno do sono induzido por tabaco e transtorno por uso de tabaco, apenas o código pata transtorno do sono induzido por tabaco é fornecido, sendo que o 4º caractere indica se o transtorno por uso de tabaco comórbido é moderado ou grave: F17.208 para transtorno por uso de tabaco moderado ou grave com transtorno do sono induzido por tabaco. Não é permitido codificar um transtorno por uso de tabaco leve comórbido com transtorno do sono induzido por

tabaco.

Especificar a gravidade atual:

305.1

(Z72.0) Leve: Presença de 2 ou 3 sintomas.

305.1

(F17.200) Moderado: Presença de 4 ou 5 sintomas.

305.1

(F17.200) Grave: Presença de 6 ou mais sintomas.

Abstinência de Tabaco 292.0 (F17.203) Critérios Diagnósticos

A. Uso diário de tabaco durante um período mínimo de várias semanas.

B. Cessação abrupta do uso de tabaco, ou redução da quantidade de tabaco utilizada,

seguida, no prazo de 24 horas, por quatro (ou mais) dos seguintes sinais ou sintomas:

1.

Irritabilidade, frustração ou raiva.

2.

Ansiedade.

3.

Dificuldade de concentração.

4.

Aumento do apetite.

5.

Inquietação.

6.

Humor deprimido.

7.

Insônia.

C.

Os sinais ou sintomas do Critério B causam sofrimento clinicamente significativo

ou

prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da

vida do indivíduo.

D. Os sinais ou sintomas não são atribuíveis a outra condição médica nem são mais

bem

abstinência de outra substância. Nota para codificação: O código da CID-9-MC é 292.0. O código da CID- 10-MC para abstinência de tabaco é F17.203. Observar que o código da CID- 10-MC indica a presença comórbida de um transtorno por uso de tabaco moderado ou grave, refletindo o fato de que a abstinência de tabaco pode ocorrer apenas na presença de um transtorno por uso de tabaco moderado ou grave. Não é permitido codificar um transtorno por uso de tabaco leve comórbido com abstinência de tabaco.

transtorno mental, incluindo intoxicação por ou

explicados

por

outro

Transtorno Relacionado ao Tabaco Não Especificado 292.9 (F17.209) Esta categoria aplica-se a apresentações em que sintomas característicos de um transtorno relacionado ao tabaco que causam sofrimento clinicamente significativo

ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da

vida do indivíduo predominam, mas não satisfazem todos os critérios para qualquer transtorno relacionado ao tabaco específico nem para outro transtorno na classe diagnóstica de transtornos relacionados a substâncias e transtornos aditivos. (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2014, p. 571-577).

20

5.2 Enfermidades originadas pelo tabaco De acordo com Antonio Carlos Lopes (2009) o tabaco causa doenças como cânceres de pulmão, de laringe, neoplasias de bexiga, boca, esôfago, bem como doenças cardiovasculares, aumenta o risco de neoplasia de estômago, cólon, rim e pâncreas, pneumonias, aneurisma de aorta abdominal, periodontite e complicações maternas fetais, entre outras. Também os tabagistas têm maiores índices de infecção pós-cirúrgica, maiores dificuldades de cicatrização, maior risco de fraturas e complicações relacionadas ao diabetes. Já os cigarros de baixo teor não protegem ou diminuem o risco relacionado ao tabagismo, não reduzem o risco de fumar ou ajudam na cessação do tabagismo, também esclarece o doutrinador que o fumo passivo causa morbidade e mortalidade de milhares de não fumantes, e causa maior morbidade nos filhos e cônjuges de fumantes e conclui que o tabagismo é a causa global mais importante de morte e doença evitáveis. De acordo com Goldman e Ausielo (2009) o uso do tabaco é importante causa de morte por câncer, doença cardiovascular e doença pulmonar. O fumo é um fator de risco importante para osteoporose em transtornos reprodutivos e em lesões ligadas a incêndios e a trauma. Todas as formas do uso de tabaco causam câncer especialmente os cigarros industrializados. Conforme destacam os autores Goldman e Ausielo o tabaco causa doenças como a seguir transcritas:

- Doença cardiovascular como, morte súbita, infarto agudo do miocárdio, angina instável, doenças oclusivas vasculares periféricas e profundas. O tabagismo também acelera a aterosclerose e promove eventos isquêmicos agudos. O Autor ressalta que

os mecanismos pelos efeitos do tabagismo não foram plenamente esclarecidos, mas

acredita-se que incluam: (a) estresse hemodinâmico (a nicotina aumenta a frequência cardíaca e eleva transitoriamente a pressão arterial); (b) lesão e disfunção endoteliais

(com prejuízo da liberação de óxido nítrico e da vasodilatação por ele provocada); (c) desenvolvimento de um perfil lipídico aterogênico (tabagistas têm em média, níveis mais altos de lipoproteínas de baixa densidade [LDL] e de lipoproteínas de baixa densidade oxidada, além de níveis mais baixos de colesterol ligado à lipoproteína de alta densidade [HDL] do que os nãos fumantes; (d) aumento da coagulabilidade; (e) arritmogênese e hipoxemia relativa nos tecidos corporais causada pelos efeitos do monóxido de carbono. Devido essa hipoxemia relativa os fumantes desenvolvem a policitemia e a elevação dos níveis de fibrinogênio que aumentam a viscosidade sanguínea e eleva o risco de fenômenos trombóticos. Tabagismo também induz um estado de atividade inflamatória crônica, verificado com elevação dos níveis sanguíneos de Proteína C reativa e outros marcadores inflamatórios.

O uso de tabaco também atua sinergicamente com outros fatores de risco de

cardiopatia como hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia e, paciente com disfunção ventricular esquerda aumenta o risco de cardiopatia isquêmica. Mulheres que fazem uso de anticoncepcionais orais e fumam, também apresentam elevação sinérgica no risco de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral. - Doença pulmonar como, câncer de pulmão, asma, bronquite crônica, enfisema, suscetibilidade aumentada à pneumonia, à tuberculose pulmonar (que pode ser a mais importante infecção associada ao fumo) e à pneumonite intersticial

21

descamativa e também morbidade aumentada por infecção respiratória viral. As doenças pulmonares causadas pelo uso de tabaco são as alterações anatomopatológicas do pulmão representadas pela superposição das síndromes de

bronquite crônica, enfisema e obstrução das vias aéreas. O tabagismo é a principal causa de câncer de pulmão.

- Doença oral como câncer oral, gengivite, retração gengival, manchas dentárias e

leucoplaquia. -Doença gastrointestinal como, úlcera péptica, refluxo gastroesofágico, Doença de Crohn. O fumo aumenta no estômago a secreção ácida de pepsinogênio, reduz a secreção de bicarbonato pancreático, reduz o fluxo sanguíneo da mucosa gástrica e

inibe a síntese de prostaglandinas e reduz o tono do esfíncter pilórico onde acarreta um elevado risco de produzir úlceras gástricas e duodenais com retardo na cicatrização das mesmas e que também aumenta o risco de recidiva após o tratamento da úlcera. O tabagismo também está associado a sintomas de refluxo gastroesofágico.

- Transtornos reprodutivos como fertilidade reduzida, parto prematura, baixo peso

ao nascimento, aborto espontâneo, descolamento da placenta, ruptura prematura das

membranas e mortalidade perinatal aumentada.

Outras complicações do tabaco:

- Diabetes mellitus não insulino dependente (o tabagismo é um fator de risco

independente e os efeitos da nicotina, em usuários das formas não fumada de tabaco aparentemente contribuem em algum grau para a resistência à insulina), menopausa

precoce, osteoporose, catarata, ambliopia do fumo, degeneração macular relacionada à idade, enrugamento prematuro da pele, Doença de Graves, agravamento de hipotireoidismo, metabolismo ou efeitos de drogas alteradas.

- Osteoporose - o uso do tabaco aumenta a taxa de perda óssea em fases mais tardias

da vida adulta e diminui o pico de massa óssea no início da fase adulta. O tabagismo é antagônico ao efeito da terapia de reposição estrogênica em mulheres na pós- menopausa.

- Problema reprodutivo o tabagismo é causa importante de problemas reprodutivos

em humanos. O retardo do crescimento pelo uso de tabaco na gestação é denominado síndrome tabágica fetal. Também causa isquemia placentária mediada por efeitos vasoconstritivos da nicotina e hipóxia pela exposição crônica ao monóxido de carbono e pelo aumento da coagulabilidade. Incluem como outros efeitos adversos do tabagismo rugas faciais prematuras, aumento do risco de cataratas, disfunções olfativas e lesões relacionadas a incêndios. Está associada ao uso de tabaco a Doença de Graves, que diminui a secreção do hormônio tireoidiano em mulheres com hipotireoidismo subclínico, aumenta a gravidade dos sintomas clínicos em mulheres com hipotireoidismo clinicamente

manifesto ou subclínico. Tabaco também pode interagir no metabolismo do medicamento acelerando-o ou por ações farmacológicas antagônicas da nicotina sobre os medicamentos. (GOLDMAN; AUSIELO, 2009, p. 200-201).

Segundo Harrison et al. (2013) o tabagismo causa câncer de pulmão, cavidade oral e naso, oro e hipofaringe, cavidade nasal e seios paranasais, laringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, ureter, bexiga, colo uterino e também causa leucemia mieloide e aumento do risco de câncer colorretal, hepatocelular e possivelmente câncer de mama na pré- menopausa. Os riscos de câncer aumentam com o aumento do número de cigarros fumados por dia e com a duração do tabagismo. Ademais, há interações sinérgicas, para desenvolvimento de câncer da cavidade oral, de esôfago e de pulmão, entre o tabagismo e o uso de álcool. Exposição ocupacional ao asbesto e ao radônio também aumenta o risco de

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câncer entre os fumantes que os nãos fumantes. O abandono do uso de tabaco reduz o risco de câncer relativo à continuação do tabagismo. O fumo de cigarro é responsável por 90% dos casos de doença pulmonar obstrutiva crônica. O tabagismo causa alterações fisiopatológicas nos pulmões, que progridem diretamente proporcional à intensidade e à duração do fumo. A inflamação crônica e o estreitamento das pequenas vias respiratórias e/ou a rotura das paredes alveolares resultando em enfisema pulmonar que podem causar insuficiência respiratória em cerca de 15% a 25% dos tabagistas. O número de cigarros consumidos por dia e o nível de inalação da fumaça correlacionam-se com o risco de morte por câncer de pulmão. Em fumantes jovens que apresentam obstrução crônica do fluxo aéreo, após o abandono do uso de tabaco a principal mudança é o alentecimento da taxa de declínio na função pulmonar com o aumento da idade, em vez da normalização da função pulmonar. (HARRISSON, et al., 2013, p. 3561). Na gravidez amniorrex prematura, descolamento prematuro de placenta e placenta prévia são complicações maternas que estão associadas ao uso de fumo de cigarro durante a gestação. Também há um pequeno risco de aborto espontâneo entre as tabagistas. Os recém- nascidos de mães fumantes podem ser pequenos para a idade gestacional, tem a probabilidade de sofrer parto prematuro, ter taxas mais altas de síndrome de desconforto respiratório neonatal e taxa de mortalidade perinatal mais elevada. Também podem ter atraso do desenvolvimento nos primeiros anos de vida e são mais propensos a morrer de síndrome de

morte súbita do lactente. (HARRISSON et al., 2013, p. 3562).

Outras doenças que podem ocorrer com o uso de tabaco é o atraso da cicatrização das úlceras pépticas; aumenta o risco de osteoporose, cataratas senis e degeneração macular; resulta em litíase biliar e colecistite em mulheres e impotência masculina, enrugamento da pele, e menopausa precoce. Outrossim, a fumaça de tabaco ambiental causa risco de câncer em pulmão e coronariopatia em indivíduos não fumantes e aumenta esse risco quando expostos em longo prazo à fumaça de tabaco ambiental. O tabagismo passivo também aumenta a incidência de infecções respiratórias, otite média crônica e asma em crianças.O mecanismo dos cigarros com taxas menores de alcatrão e nicotina e filtros com orifícios de ventilação, é compensado pelos fumantes por aumentarem o número de cigarros fumados por dia ou inalarem a fumaça mais vezes e profundamente, para esses fumantes que mudam para o cigarro com teor reduzido de nicotina o benefício não é significativo para a redução das doenças causadas pelo tabagismo. (HARRISSON et al., 2013, p. 3562-3563).

5.3 Medidas de combate às doenças provenientes do tabaco

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De acordo com Lopes (2009) são utilizados métodos individuais (aconselhamento, tratamento psicoterápico ou farmacológico) e populacionais (medidas de prevenção, aumento da taxação restrição dos locais de venda, proibição da venda do cigarro para menores e campanhas educacionais) na diminuição do uso do tabaco. Segundo o doutrinador Lopes o tratamento não farmacológico de aconselhamento a relação médico-paciente oferece um contexto único e poderoso para o tratamento da dependência de nicotina, conclui que o tratamento farmacológico se somado a uma abordagem cognitivo-comportamental, dobra as chances de abstinência do uso de tabaco. E ainda fala que Glynn et al., elaboraram técnicas simples, cujo uso recomenda-se aos clínicos como a seguir:

- Arguir, sempre que possível se o paciente fuma.

- Aconselhar todos os fumantes a parar.

- Averiguar se o paciente deseja parar.

- Ajudar o paciente a parar, usando material de autoajuda e medicamentos quando necessário.

- Acompanhar o paciente, marcando futuras visitas.

Com relação ao Tratamento Farmacológico:

- Reposição de nicotina (adesivos, gomas, spray nasal).

- Medicação sem nicotina (Bupropiona, Nortriptilina, Vareniclina e Clonidina). (LOPES, 2009, p. 2021-2521).

Para Goldman e Ausielo (2009), em concordância Lopes (2009), a intervenção para cessação do uso de tabaco deve partir desde a simples orientação médica para parar de fumar, programas de intervenção mínima e tratamentos em clínicas especializadas [aumentam a taxa de abandono para 3%, 10% e de 25% a 30% respectivamente]. Salientam que o tratamento de intervenção para a cessação do uso de tabaco inclui um programa prático de abandono de tabagismo para uso em consultórios desenvolvido pelo U.S Public Health Service (Serviço de Saúde Pública Norte-Americana) consiste em cinco “A”, como a seguir reproduzido:

- Arguir sobre o tabagismo em qualquer oportunidade.

- Aconselhar todos os fumantes a parar.

- Avaliar a disposição para tentar parar.

- Ajudar o paciente a parar e manter-se abstinente e

- Arranjar ou providenciar acompanhamento para reforçar o abandono do hábito. (GOLDMAN; AUSIELO, 2009, p. 203).

No caso do tratamento farmacológico Goldman e Ausielo (2009) falam que consiste em três medicações que foram aprovadas para cessação do tabagismo: terapia de reposição de nicotina, bupropiona e vareniclina. Essas medicações se forem usadas corretamente, duplicam as taxas de abandono do tabaco em comparação com tratamentos com placebos. Afirmam

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esses doutrinadores que o abandono de todas as formas do uso de tabaco, por tabagista de qualquer idade, são benefícios substanciais à saúde desses seres humanos. Harrison (2013) afirma que as farmacoterapias em combinação com aconselhamento podem aumentar significadamente as taxas de cessação do uso de tabaco, na intervenção médica todos os pacientes devem ser perguntados se fumam, sua experiência anterior de abandono do fumo e se no momento estão interessados em abandonar o tabagismo. Os pacientes que não estão interessados a abandonar o vício devem ser incentivados e motivados a fazê-lo; devem receber uma mensagem médica clara, forte e personalizada de que o fumo é uma preocupação importante de saúde, e receber uma oferta de auxílio caso eles se interessem por abandonar o fumo futuramente, devem também, receber aconselhamento por outro membro da equipe de saúde, assistência ambulatorial, programa intensivo de abandono do fumo com sessões pré-estabelecidas.

5.4 Intervenções farmacológicas Harrison et al. aborda essas intervenções como a seguir se expõe:

Reposição de nicotina, incluindo adesivos, chicletes e pastilhas vendidos sem prescrição médica, assim como inaladores nasais e orais de nicotina disponíveis sob prescrição. Tais produtos podem ser usados por até 3 a 6 meses, e alguns são concebidos para possibilitar uma redução gradual da dose com a duração crescente da abstinência. Antidepressivos como a bupropiona (300 mg em doses fracionadas por até 6 meses) também se mostraram eficazes, bem como a vareniclina, um agonista parcial do receptor nicotínico de acetilcolina (dose inicial de 0,5 mg/dia, aumentando para 1 mg 2 vezes/dia no 8 o dia; duração do tratamento de até 6 meses). Sintomas psiquiátricos graves, como ideação suicida, foram relatados com vareniclina, resultando em uma advertência do FDA e uma recomendação para supervisão terapêutica mais rigorosa, mas as evidências para estabelecer a frequência dessas respostas e a especificidade de sua associação com vareniclina continuam incertas. Algumas evidências apoiam o uso combinado de reposição da nicotina (TRN) e antidepressivos, bem como o uso de chicletes ou pastilhas nos momentos de avidez aguda em pacientes que usam adesivos. O pré-tratamento com antidepressivos ou vareniclina é recomendado por 1-2 meses anteriores à data de abandono e o pré-tratamento com produtos de reposição de nicotina também está sendo explorado. A TRN é instituída em doses diferentes, sendo as doses mais altas recomendadas para os fumantes mais contumazes. A clonidina ou a nortriptilina podem ser úteis para pacientes que não respondem ao tratamento farmacológico de primeira linha, ou que são incapazes de usar outras terapias. Os antidepressivos são mais eficazes para pacientes com história de sintomas de depressão. As recomendações atuais são oferecer tratamento farmacológico, em geral com TRN ou vareniclina, a todos que irão aceitá-lo e fornecer aconselhamento e outra forma de apoio como parte da tentativa de abandono. Atualmente, as indicações dos produtos de TRN aprovadas pelo U. S. Food and Drug Administration limitam-se ao uso por curto prazo durante uma tentativa de abandono do tabagismo. Entretanto, não é incomum que fumantes individuais utilizem esses produtos, sobretudo aqueles adquiridos sem prescrição médica, por períodos mais longos e às vezes sem a intenção de parar. Existem alguns dados sugerindo que o uso da TRN por prazo mais longo pode possibilitar o abandono do fumo em alguns fumantes que são incapazes de fazê-lo com uso mais breve, e que alguns indivíduos são capazes de

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alcançar a abstinência de tabaco através do uso crônico da TRN. (HARRISON; et al., 2013, p. 3564).

Harrison (2013) fala que aproximadamente 90% dos indivíduos que se tornam fumante iniciam o comportamento durante a adolescência. A prevenção do início do fumo deve começar nos primeiros anos do ensino fundamental. Os médicos que assistem os adolescentes devem explicar que o uso de todas as formas de tabaco causa dependência e são maléficas.

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6 INTERVENÇÃO BREVE É O INÍCIO DO TRATAMENTO Tanto quanto possível, nesta parte mostrar-se-á que a intervenção breve tem grande influência para parar o uso de tabaco e diminuir a estatística de doenças não transmissíveis.

6.1 Intervenção breve De acordo com South-Paul et al. (2010) frequentemente o tratamento para parar de fumar começa com uma intervenção breve, na qual um médico ou outro profissional de saúde aconselha o fumante a deixar o hábito de fumar e pode recomendar métodos de abandono. Aponta o autor que os estudos estatísticos das intervenções breves têm um considerável potencial de reduzir as taxas de tabagismo, sendo que até mesmo intervenções breves mínimas geram um aumento estimado de 30% na probabilidade de deixar o fumo. Uma revisão com Cochrane dos conselhos breves para abandono do tabagismo por um médico comparados com a ausência de conselhos (ou assistência habitual) verificou aumento considerável nas possibilidades de abandono do tabaco. Diz ainda que, embora estudos anteriores tenham examinado o efeito das intervenções breves em ambientes controlados, foram realizadas poucas pesquisas para examinar seus efeitos em ambientes não experimentais durante um longo tempo. Para South-Paul et al. (2010) o uso das intervenções breves para promover o abandono do tabagismo é da Agency for Health care Research and Quality (AHRQ) recomendam que os profissionais de saúde realizem a triagem de tabagismo em todos os pacientes e ofereçam conselhos e tratamentos comportamentais de acompanhamento a todos os fumantes. Estudos controlados observaram que o envolvimento de um médico, especialmente nas intervenções mais longas aumenta as taxas de abandono do fumo. Além disso, os médicos que aconselham seus pacientes a pararem de fumar uma vez podem não fornecer conselhos adicionais caso esses pacientes não apresentarem iniciativa para abandonarem o tabaco. Muitos estudos analisaram a eficácia das intervenções breves. Embora esses resultados, em geral, indicaram que as intervenções breves aumentaram as taxas de abandono do tabaco em aproximadamente

30%.

Para o Ilustre Doutor South-Paul et al. (2010) o tratamento para todos os fumantes deve pelo menos ter uma intervenção breve segundo as diretrizes sobre dependência de tabaco. O tratamento farmacológico dobra o efeito de qualquer intervenção para o abandono do fumo, e a dependência de nicotina deve ser vista como uma doença crônica. Assim, os clínicos deverão compreender a necessidade de atenção ativa e contínua em vez de apenas assistência aguda. E também, devem reconhecer que existem vários tratamentos eficazes para

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tabagismo. Os tratamentos para o abandono do tabagismo designados por clínicos (p.ex., médicos, psicólogos, enfermeiros, dentistas ou terapeutas), podem aumentar a abstinência ao uso do tabaco. É importante destacar que a combinação de farmacoterapia e aconselhamento comportamental para cada fumante ajuda a aumentar a chance de alcançar a abstinência duradoura. South-Paul et al. (2010, p. 628-629), menciona que o tabaco use and dependence clinical practice guide line panel recomenda cinco ações específicas “os 5 As” que são:

Agir sobre o uso de tabaco, Aconselhar todos os fumantes a deixarem o tabaco, Avaliar o interesse por abandonar o fumo, Auxiliar na criação de um plano de abandono e Acompanhamento para avaliar o progresso.Porque os usuários de tabaco têm dependência física de nicotina, além de possuírem uma diversidade de comportamentos psicológicos e sociais reforçados. South-Paul et al. (2010), indica como tratamento farmacológico a terapia de reposição de nicotina (os adesivos, pastilhas e resinas de nicotina, sprays nasais), bupropiona, vareniclina, clonidina, nortriptilina e uma vacina conjugada contra nicotina (NicVAX) que está sendo pesquisada. No mesmo sentido Diehl (2011), fala que vários estudos apontam que o aconselhamento por um profissional da saúde aumenta as taxas de cessação do uso de tabaco. De acordo com uma técnica estatística avaliou o tempo de contato em 35 estudos e mostrou uma taxa estimada de abstinência de 11% caso o fumante tente parar de fumar sozinho. Em contraposição 14,4% se ele for submetido a um aconselhamento mínimo (menor que três minutos); 18,8% a um aconselhamento entre quatro a trinta minutos; e 26,5% se o aconselhamento for intensivo (de trinta e um a noventa minutos), isso demonstra que mesmo em alguns poucos minutos da consulta podem ajudar o paciente a deixar de fumar. Diehl (2011), diz que a intervenção breve é uma das intervenções psicossociais para o tratamento de transtornos por uso de substância, pode ser usada em outras situações como aplicar a intervenção breve na rede de atenção básica de saúde é preferível, porque é nesse local que ocorre o primeiro contato da maioria dos indivíduos com os serviços de saúde. Também, é uma intervenção desenvolvida em curto espaço de tempo, em sessões que variam de cinco a quarenta e cinco minutos e que raras vezes ultrapassam cinco encontros. Segundo Diehl (2011) uma das vantagens de aplicar a intervenção breve na rede de atenção primária de saúde, é que lá ocorre o primeiro contato entre a maioria da população e os serviços de saúde. Baseia-se a intervenção breve no modelo cognitivo de dependência, em que fatores etiológicos predisponentes (genéticos ambientais, culturais e psicológicos) atuam

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e interagem, maximizando a chance de desenvolver uma dependência. Dessa forma, o indivíduo poderá ou não se tornar dependente ao entrar em contato com certa substância com potencial aditivo, dependendo do número e da intensidade dos fatores predisponentes. Para Diehl fala que Bandura diz que o comportamento de consumir substâncias é o resultado de uma interação dinâmica e recíproca entre fatores individuais e ambientais, que no primeiro momento de uma intervenção breve é primordial fazer uma triagem com vistas ao rastreamento (screening) dos padrões de consumo do indivíduo. Para fazer a triagem é possível usar o DSM-IV ou a CID-10. Diehl (2011), diz que após avaliar a história do paciente a partir dos resultados de questionários e/ou por meio de um critério diagnóstico, planeja-se a intervenção de tratamento. Para pacientes com diagnóstico de dependência moderada ou grave, ou que apresentem com morbidades associadas, o tratamento com base na abstinência é o mais indicado. Geralmente, esses pacientes demandam um atendimento mais intensivo e especializado. Nos casos de pacientes com dependência leve, a abstinência continua sendo indicada, mas o tratamento por intervenção breve pode ser efetivo. A partir da clara identificação de seu padrão atual de consumo e dos riscos associados, serão estabelecidas as metas para cada paciente individualmente. Diehl (2011) fala que pode contribuir de forma significativa para eficácia da intervenção breve o acrônimo: FRAMES (feedback, responsibility, advice, menu, empathic e self-efficacy), como a seguir transcrito:

O termo feedback é empregado para definir a retroalimentação do paciente mediante comunicação dos resultados de sua avaliação, mais comumente feita por meio da devolutiva dos resultados obtidos na aplicação de um instrumento de rastreamento por exemplo, o profissional informa o resultado da pontuação no AUDIT e esclarece seu significado em termos de qual parcela da população em geral apresenta o mesmo nível de risco, assim como informa qual a carga de risco associada àquela pontuação obtida pelo paciente. Responsibility (responsabilidade): refere-se à ênfase na autonomia do paciente e suas responsabilidades nas decisões, que implicam posicionamento necessário de autoproteção, cuidado e compromisso com a mudança. Advice (aconselhamento): corresponde às orientações e recomendações que o profissional deve oferecer ao paciente, fundamentadas no conhecimento empírico atual, sendo estas claras, diretas e desvinculadas de juízo de valor moral ou social, preservando-lhe a autonomia de decisão. Menu (lista de opções): é o fornecimento ao paciente de um catálogo de alternativas de ações voltadas para ajuda mútua ou para opções de tratamento disponíveis que possam ser implementadas por ele. Empathic (empatia): refere-se ao modo empático, solidário e compreensivo; postura que deve ser adotada pelo profissional diante de seu paciente. Self-efficacy (autoeficácia): é o termo empregado para o foco que o profissional deve ter no sentido de promover e facilitar a confiança do paciente em seus recursos e em seu sucesso, correspondendo a um reforço de seu otimismo e sua autoconfiança, voltada a uma maior autopercepção da eficácia pessoal e da consecução de metas assumidas. Um teórico cognitivista propôs que self-efficacy (autoeficácia) represente

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uma influência importante sobre o comportamento que se manifesta em uma resposta conjunta dos sistemas cognitivo, motivacional e emocional. Tem-se percepção de baixa autoeficácia devido à falta de habilidades de enfrentamento, uma pessoa provavelmente terá crenças distorcidas e negativas sobre si mesma e sobre sua condição, e terá menos motivação. (DIEHL, 2011, p. 248).

Diehl (2011) observa que também estão presentes na entrevista motivacional (responsibility, menu, empathic e self-efficacy). São considerados passos da intervenção breve a avaliação e feedback, negociação da meta de tratamento, técnicas de modificação do comportamento, material de mútua ajuda e seguimento. Diehl (2011) mostra a importância da aplicação da intervenção breve no tratamento e na prevenção de outras substâncias, pois alguns estudos indicam que ela pode ser eficaz, para avaliar o consumo dessas substâncias utiliza-se um questionário de rastreamento desenvolvido pela OMS, o ASSIST (The Alcohol, Smoking and Substance Involvement Screening Test). Atualmente existe grande evidência da eficácia da intervenção breve no tratamento e na prevenção secundária de problemas ligados ao consumo de álcool e/ou outras substâncias. A intervenção breve apresenta como sendo um plano significante para atender os estágios iniciais dos transtornos por uso de substância e prevenir o agravamento e problemas ligados a esses transtornos. Por isso, a intervenção breve seria de grande utilidade se aplicada na rede de atenção primária de saúde. Também é necessário informar aos profissionais dos serviços de atenção primária de saúde à importância da intervenção breve, além de treiná-los de maneira adequada para poderem aplicá-la. De acordo com Hales, Yudofsky e Gabbard (2012) foi proposto por Steenbarger (2002) que as terapias breves apresentassem elementos comuns como o que se expõe:

Engajamento rápida formação de aliança terapêutica e explicação dos problemas presentes em objetivos claros. Discrepância fornecer novas habilidades, novas compreensões e experiências que desafiem os padrões do paciente e facilitam novos discernimentos e ações. Consolidação ensaios de novos padrões em situações variadas, acompanhados de feedback, para garantir a internalização e a prevenção de recaída. (HALES; YUDOFSKY; GABBARD, 2012, p. 1203).

O tratamento é iniciado com um período de engajamento, em que o terapeuta e o paciente formam uma aliança de trabalho em que o paciente tem desejo de mudar e são criadas as metas para a mudança mutuamente. Transferir a queixa atual do paciente para a linguagem da abordagem terapêutica é primordial para a formação dessa aliança. Permitindo assim que os pacientes percebam suas dificuldades por outra perspectiva, com novas alternativas de mudança. Dessa forma a terapia baseia-se em procedimentos para criar novas experiências que desafiem antigos padrões de pensamento ou comportamento, possibilitando

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novas compreensões e modelos de ação. A última fase da terapia busca consolidar essas compreensões, generalizando-as para várias situações, fixando a internalização e evitando recaídas. No mesmo sentido, Hales et al., (2006 apud Hoth e Fonagy, 2012, p. 1203-1207) falam que as terapias cognitivas e comportamentais dominam a literatura sobre resultados terapêuticos e também, informa que a maior parte das pesquisas é direcionada para a terapia breve e comprova claramente a sua eficácia para uma grande diversidade de pacientes.

6.2 Estatística das doenças causadas pelo tabagismo no Brasil A Constituição Federal da República Federativa do Brasil de 1988 (2011) confere aos valores sociais da saúde e da inviolabilidade do direito à vida o status de princípios fundamentais. O Capítulo II do mesmo diploma legal declara os direitos sociais no art. 6.º, estando entre eles a saúde e a educação. Essas garantias constitucionais são necessárias porque estão no plano do bem-estar humano na sociedade. Daí a importância da Administração Pública, possuir um conjunto de ações governamentais a serem adotadas visando atacar de frente as doenças com começo insidioso e de longa duração, como as causadas pelo tabaco. Malta e Silva Junior (2013) falam que no Brasil existe a revisão do plano de ações estratégicas para enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis e a definição das metas globais para o enfrentamento dessas doenças até 2025 porque “estima-se que o tabagismo seja responsável por aproximadamente 70% dos cânceres de pulmão, 42% das doenças respiratórias crônicas e 10% das doenças do aparelho circulatório”, esse “controle do tabagismo constitui uma meta fundamental na prevenção e controle de doenças crônicas não transmissíveis no mundo.” Para Malta e Silva Junior (2013) no Estado Brasileiro a utilização do tabaco tem decrescido, tendo como linha de base a pesquisa nacional em saúde e nutrição (1989). A redução do tabagismo que se verificou no Brasil foi devido à tomada de medidas educativas, preventivas, legislativas e regulatórias. Que tem como “objetivo a redução de todas as formas de uso do tabaco (fumo de cigarro, cachimbo, narguilé, mascado, gomas, outras), para tanto, inclui-se regulação das propagandas, programas de cessação do tabagismo, entre outros”. No II LENAD - Levantamento Nacional de Álcool e Drogas foi apresentado pela equipe LENAD, Ronaldo Laranjeira et al. (2013) como se expõe:

O INPAD (Instituto Nacional de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas) da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo); financiado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e pela Fundação de

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Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) desenvolveu em 2006 a primeira coleta de dados do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD). A segunda fase do levantamento foi realizada em 2012, repetindo a coleta de informações sobre o consumo de álcool e tabaco para permitir análises de tendências. Aperfeiçoamentos das técnicas de coleta de informações sobre substâncias ilícitas permitiu uma avaliação mais fidedigna sobre este tema. A segunda fase também contou com um estudo mais aprofundado sobre os fatores de risco e proteção para o desenvolvimento de transtornos relacionados ao uso de substâncias. Ambos os levantamentos foram executados pela Ipsos Public Affairs e utilizaram a mesma metodologia, a amostragem probabilística, escolhendo aleatoriamente indivíduos com 14 anos ou mais de todo território brasileiro. Em 2006, 3007 entrevistas a domicílio foram realizadas, enquanto que, em 2012, um total de 4607 indivíduos de 14 anos de idade ou mais foram entrevistados em suas residências. A metodologia probabilística utilizada em ambos os estudos garante que as amostras representam toda a população brasileira. O desenho da pesquisa permite que se explore tendências no consumo de álcool e tabaco da população no período de 6 anos. Prevalências do consumo de substâncias ilícitas do país e das diferentes entre as regiões também estão sendo identificadas. (LARANJEIRA, et al. 2013).

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7 CONCLUSÃO Propôs-se nesta pesquisa esclarecer à coletividade sobre o assunto Tabaco: malefícios à saúde humana, medicina e terapia cognitivo-comportamental breve na cessação do uso de tabaco.

Para o leitor ter ideia clara sobre o título da pesquisa que foi abalizada em pesquisa bibliográfica, conceituou-se tabaco e tabagismo, bem como, a Doença da Folha Verde do Tabaco, foi descrita na Itália, no Século XVIII, já em 1970, foi descrita na Flórida nos Estados Unidos da América como uma doença específica dos trabalhadores rurais do tabaco

apresentando sintomas, como vômitos, cefaleia, tontura, também existe estudos no Brasil que apresentam as mesmas informações clinicas.

A sociedade através deste trabalho teve a possibilidade para obter conhecimentos

sobre quais malefícios podemos relacionar ao uso de tabaco, como os elevados riscos de doenças cardiovasculares, neoplasias, distúrbios pulmonares, complicações na gravidez, complicações gastrointestinais, dentre outras. Este Trabalho de Conclusão de Curso aduziu as causas e exibe a predominância das doenças dos cânceres de pulmão no percentual de 70%, das doenças respiratórias crônicas no percentual de 42% e das doenças do aparelho circulatório alcançam o percentual de 10%. Verifica-se que prevalece os diferentes tipos de cânceres de pulmão que apresenta o maior percentual, possivelmente está associada fumaça do tabaco que possui mais de 4000 elementos químicos, onde muitos deles são tóxicos e carcinógicos e que podem ser encontrados em todas as formas do uso de tabaco. Desta forma, justifica-se a existência dos malefícios de todas as formas do uso de tabaco à saúde humana que pode ser evitado e modificado com as intervenções médicas e as

psicossociais como terapia cognitivo-comportamental breve, que deve ser realizada em locais de atendimento à saúde, como um todo, e como se trata de saúde humana, parece inevitável um componente de objetividade e implementação na apreciação desse interesse.

O resultado desta pesquisa pode dispor de bom êxito, porque após proceder á análise

dos elementos de informação sobre os malefícios do tabaco à saúde humana, pesquisados nas doutrinas, bem como, das notícias trazidas ao conhecimento da coletividade pela mídia impressa, eletrônica e digital realizados, desta forma, o trabalho apontou o percentual das causas e tipos das doenças, em estatística, para o ano de 2025 no Brasil. Por outro lado, ao considerar o foco da saúde humana, que reside na base de medidas educativas, preventivas, legislativas e regulatórias, pode-se deduzir que este trabalho indicou que existe carência na temática Educação porque o resultado da pesquisa demonstrou grande

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percentual que ocorrerá a causa denominada de cânceres de pulmão, atingirá o percentual de 70% no ano de 2025, sucedida pela causa doenças respiratórias crônicas no percentual de 42%. É importante salientar que a determinação das causas das doenças ocorridas pelo uso do tabaco, servirá de suporte para que haja concentração de esforços para suprimi-las, por parte de toda a sociedade e dos órgãos da Administração Pública. Momento em que o tema encontra relevância, porque existindo o papel do clínico que

se inicia na Medicina Preventiva e o tratamento de condições clínicas, contudo cada vez mais, no momento se estende ao aconselhamento de saúde, como por exemplo: verificar os fatores de risco de um cliente e orientá-lo a mudar o estilo de vida, executar com acompanhamento a intervenção de Terapia Cognitivo-Comportamental Breve apropriada a cada caso clínico. A sociedade com maior qualidade de vida pode-se dizer que a Administração Pública alcança seus objetivos em conformidade com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade e da probidade administrativa e como consequência, é afasta a perda da saúde humana for por falta de orientação quanto ao abuso do fumo. Recomenda-se á coletividade que ponha em prática os conhecimentos obtidos com esta pesquisa relativa á intervenção da Medicina somada à Terapia Cognitivo- Comportamental Breve, que considere os conceitos aplicados pela atividade de saúde pública. Por outro lado, vale confiar á Administração Pública a realização de campanhas educacionais, preventivas, com ênfase na preservação da vida no Brasil, para que a coletividade se empenhe em conservar o abandono e a prevenção de todas as formas do uso de tabaco para que as atuais e futuras gerações, igualmente, com o fim de cultivar a saúde humana. Ao ponderar o resultado deste trabalho, bem como, o número de ocorrências das doenças causadas pelo tabaco, observa que dentre os tratamentos discutidos, a Medicina somada à Terapia Cognitivo-Comportamental Breve exibiu resultados, em geral, que indicou

o aumento das taxas de abandono do tabaco em aproximadamente 30%. Diante disto, é

importante que haja extensão deste trabalho para os demais Estados, para determinar as causas das doenças ocorridas com a finalidade de eliminá-las, mas este tema não é objeto desta pesquisa ficando para outra oportunidade.

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REFERÊNCIAS

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