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DIREITO V ANDERSON FERNANDES DE MATOS DA PROVA NO PROCESSO PENAL PARACATU 2012

DIREITO V

ANDERSON FERNANDES DE MATOS

DA PROVA NO PROCESSO PENAL

PARACATU

2012

DA PROVA NO PROCESSO PENAL

CONCEITO DE PROVA

É atividade probatória, isto é, no conjunto de atos praticados pelas partes, por terceiros, (testemunhas, peritos, etc.) e até pelo juiz para averiguar a verdade e formar a convicção deste último.

MEIOS DE PROVA

Meios de prova são as coisas ou ações utilizadas para pesquisar ou demonstrar a verdade:

depoimentos, perícias, reconhecimentos, etc. Como no processo penal brasileiro vige o princípio da verdade real, não há limitação dos meios de prova.

PROVAS INDADIMISSÍVEIS

São inadmissíveis as provas que sejam incompatíveis com os princípios de respeito ao direito de defesa e à dignidade humana, os meios cuja utilização se opõem as normas reguladoras do direito que, com caráter geral, regem a vida social de um povo. Em resumo, a prova é proibida toda vez eu caracterizar violação de normas legais ou de princípios do ordenamento de natureza processual ou material.

ÔNUS DA PROVA

É a faculdade ou encargo que tem a parte de demonstrar no processo a real ocorrência de um fato que alegou em seu interesse, o qual se apresenta como relevante para o julgamento da pretensão deduzida pelo autor da ação penal. A regra de que o ônus da prova da alegação incumbe a quem a fizer não é, aliás, absoluta, pois “o juiz poderá, no curso da instrução ou antes de proferir sentença, determinar, de ofício, diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante” (art. 502, caput)

SISTEMAS DE AVALIAÇÃO DA PROVA

Pelo sistema da certeza moral do juiz, este decide sobre a admissibilidade de sua decisão, sua avaliação, seu carreamento para os autos. É o julgamento que preside, de certo modo, o Tribunal do Júri. Pelo sistema da certeza moral do legislador, também chamado de sistema da verdade legal ou formal, a lei impõe ao juiz a observância de certos preceitos, estabelece o valor de cada prova, institui uma hierarquia delas, de forma que não lhe deixa praticamente nenhuma liberdade de apreciação. Pelo sistema da livre convicção ou da verdade real ou do livre convencimento, o juiz forma sua convicção pela livre apreciação da prova. Não fica adstrito a critérios valorativos e é livre na sua escolha, aceitação, valoração.

INTERROGATÓRIO

Trata-se do ato processual que confere oportunidade ao acusado de se dirigir diretamente ao juiz, apresentando a sua versão defensiva aos fatos que lhe foram imputados pela acusação, podendo inclusive indicar meio de prova bem como confessar, se entender cabível, ou mesmo permanecer em silêncio, fornecendo apenas dados de qualificação. O interrogatório policial é o que se realiza durante o inquérito, quando a autoridade policial ouve o indiciado, acerca da imputação indiciária.

CONFISSÃO

A confissão é o reconhecimento realizado em juízo, por uma das partes, a respeito da veracidade dos fatos que lhe são atribuídos e capazes de ocasionar-lhe consequências jurídicas desfavoráveis. Significa, em outras palavras, a aceitação, pelo autor da prática criminosa, da realidade da imputação que lhe é feita.

PROVA TESTEMUNHAL

Prova testemunhal é aquela obtida por meio de uma declaração de cunho representativo, emanada de uma pessoa que não é parte no processo, acerca de fatos pretéritos, que não haviam adquirido natureza processual no momento de sua observação, com a finalidade precípua de influenciar a convicção do juiz em determinado sentido. Desta sorte, a Prova testemunhal é produzida através de inquirição de testemunhas, que são pessoas estranhas ao

processo e que tem conhecimento direto da causa, conhecimento este obtido por qualquer um dos seus sentidos. Portanto, é fundamental que a pessoa a ser inquirida tenha conhecimento direto sobre o fato, não podendo ser o conhecimento adquirido através de terceiros.

RECONHECIMENTO DE PESSOAS E COISAS

É o ato pelo qual alguém verifica e confirma a identidade de pessoa ou coisa que lhe é mostrada, com pessoa ou coisa que já viu, que conhece, em ato processual praticado diante da autoridade policial ou judiciária, de acordo com a forma especial prevista em lei. Visa como fim a prova da identidade física da pessoa ou da coisa, com o que se tem um objeto de prova introduzido no processo.

PROVA DOCUMENTAL

O documento pode ser conceituado de forma ampla ou de modo restrito. Em sentido amplo, é o objeto idôneo a servir de prova, que inclui não só o escrito, mas também objetos outros, como fotografias, filmes, discos, etc. Em sentido estrito, pode-se defini-lo como toda a peça escrita que condensa graficamente o pensamento de alguém, podendo provar um fato ou a realização de algum ato dotado de significação ou relevância jurídica.

PROVA INDICIÁRIA

Na prova indireta, a representação do fato a provar se faz através da construção lógica: esta é que revela o fato ou circunstância. Provas indiretas são os indícios e presunções. O Código de Processo Penal define o que é indício no artigo 329: “Considera-se indício a circunstância conhecida e provada que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluir-se a existência de outra ou outras circunstâncias.” Sobre seu valor probatório, é tanto mais forte o indício, quanto mais íntima sua relação com o fato, não havendo princípios inflexíveis sobre o valor da prova indiciária no processo.

BUSCA E APREENSÃO

A busca é a diligência destinada a encontrar-se a pessoa ou coisa que se procura e a apreensão é a medida que a ela se segue. Para nossa lei, é ela meio de prova, de natureza acautelatória e

coercitiva, consubstanciado no apossamento de elementos instrutórios, quer relacionados com objetos, quer com as pessoas do culpado e da vítima, quer ainda com a prática criminosa que tenha deixado vestígios.

REFERÊNCIAS

MIRABETE, Júlio F. Processo Penal. 17ª Edição. São Paulo: Editora Atlas, 2005. 855p.