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PRÁTICAS DO DIZER

um exercício da linguagem
.
LAÍS MARIA PASSOS RODRIGUES
Especialista em Língua Portuguesa – UCPel
Professora de redação

TERESINHA DOS SANTOS BRANDÃO


Mestranda em Estudos da Linguagem – UFRGS
Professora de Língua Portuguesa e Redação da Escola de Ensino Médio Mário Quintana – Pelotas, RS

PRÁTICAS DO DIZER
um exercício da linguagem

Pelotas
Escola de Ensino Médio Mário Quintana
1999
Obra publicada pela Escola de Ensino Médio Mário Quintana
Av. Bento Gonçalves, 3395 – Pelotas, RS – Fone (0532) 27.0090
Diretor: Prof. Carlos dos Santos Valério

Revisão: Lígia Blank


Capa: Flávia Garcia Guidotti – Ilustrações: Flávia Garcia Guidotti e Gilnei da Paz
Tavares
Digitação do texto e digitalização de imagens: Flávia Garcia Guidotti
Layout e editoração eletrônica: Flávia Garcia Guidotti e Nara Rejane da Silva

Impresso no Brasil
Copyright 1999 – Laís Maria Passos Rodrigues e Teresinha dos Santos Brandão
ISBN:
Tiragem: 500 exemplares

R696p Rodrigues, Laís Maria Passos


Práticas do dizer: um exercício da
linguagem/ Laís Maria Passos Rodrigues e
Teresinha dos Santos Brandão. – Pelotas:
Escola de Ensino Médio Mário Quintana, 1999.
179p.

1. Língua portuguesa – Exercícios.


I. Brandão, Teresinha dos Santos. II.t.

CDD 469

Ficha catalográfica:
Bibliotecária Clarice Raphael Pilownic
CRB 10/490
Agradecimentos

Às nossas famílias, pelo estímulo à realização de


nossos sonhos,

À especial amiga Lígia Blank, pela leitura crítica,

Ao professor Victorino Piccinini, nosso mestre,

Aos nossos alunos, partícipes desta obra,

Ao professor Carlos Valério, pela crença em nosso


trabalho.
.
SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO.........................................................................9

APRESENTAÇÃO.........................................................................9

SENTIDOS INDIRETOS:..............................................................14

A NÃO-LITERALIDADE...............................................................14
1.1 Palavras iniciais...................................................................................................14
1.2 Prática de linguagem..........................................................................................14

SENTIDOS IMPLÍCITOS..............................................................29
2.1 Palavras Iniciais..................................................................................................29
2.2 Prática de linguagem..........................................................................................29

COERÊNCIA E COESÃO..............................................................36

TEXTUAIS................................................................................36
3.1 Palavras Iniciais..................................................................................................36
3.2 Prática de linguagem..........................................................................................37

O USO DO VOCABULÁRIO..........................................................44
4.1 Palavras iniciais...................................................................................................44
4.2 Prática de linguagem..........................................................................................46

ORGANIZAÇÃO DAS IDÉIAS: .....................................................56

A CLAREZA..............................................................................56
5.1 Palavras iniciais...................................................................................................56
5.2 Prática de linguagem..........................................................................................57
A ordem dos termos na frase.....................................................................................59
5.4 Obscuridade........................................................................................................60
5.5 Ambigüidade.......................................................................................................61
5.6 Redundância.......................................................................................................63

A ARGUMENTAÇÃO ..................................................................65
6.1 Palavras iniciais...................................................................................................65
6.2 Prática de linguagem..........................................................................................66
6.3 Recursos argumentativos....................................................................................73
6.4 Defeitos de argumentação..................................................................................75
6.5 Uso de adjetivos e advérbios na argumentação..................................................79
6.6 Norma lingüística e argumentação.....................................................................80

HETEROGENEIDADE..................................................................83

LINGÜÍSTICA ...........................................................................83
7.1 Palavras Iniciais..................................................................................................83
7.2 Prática de linguagem..........................................................................................84

ASPECTOS RELATIVOS..............................................................90
8

À NORMA CULTA DA LÍNGUA ...................................................90


8.1 Palavras iniciais...................................................................................................90
8.2 Prática de linguagem..........................................................................................91
8.2.1 Verbos.......................................................................................................91
8.2.2 Pronomes / Regência...............................................................................102
8.2.3 Artigo......................................................................................................105
8.2.4 Sustantivos..............................................................................................107
8.2.5 Adjetivos.................................................................................................109
8.2.6 Preposições.............................................................................................110
8.2.7 Concordância...........................................................................................113

QUESTÕES OBJETIVAS ...........................................................117

QUESTÕES.............................................................................155

DE VESTIBULARES..................................................................155

ESQUEMAS............................................................................172
11.1 Palavras Iniciais...............................................................................................172
11.2 Esquemas sobre verbos..................................................................................172
11.2.1 Apontamentos........................................................................................172
Verbos primitivos e derivados; correlação entre os tempos verbais..................172
11.2.2 Tempos simples e compostos da voz ativa............................................175
11.3 Esquemas sobre pronomes..............................................................................179
11.3.1 Correlação de pronomes.......................................................................179
11.3.2 Pronomes demonstrativos.....................................................................179
11.3.3 Esquemas sobre pronomes relativos.....................................................181
11.4 Esquemas sobre concordância verbal.............................................................181
11.5 Esquemas sobre concordância nominal..........................................................182
11.6 Esquemas sobre regência verbal....................................................................183
11.7 Esquemas sobre regência nominal..................................................................184
11.7.1 Regência de alguns nomes....................................................................184
11.7.2 Valor das relações estabelecidas pelas preposições..............................184

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...............................................186
APRESENTAÇÃO

Quando lingüista e docente coexistem no mesmo autor, é lícito


esperar de seu trabalho um bom resultado, como em Práticas do Dizer, que
tenho a honra de apresentar.
À luz de consagrada doutrina lingüística, as professoras Laís Maria e
Teresinha, já conhecidas em nosso meio editorial, mostram a língua materna por
inteiro, de corpo e alma, ao vivo e em suas múltiplas funções, e, embora única e
inconfundível, reconhecida, desde logo, como um conglomerado de variantes.
Quando as docentes destacam dessas variantes e privilegiam uma – a
norma culta – como objeto de ensino, não têm o propósito de proibir nem de
substituir os outros falares já do domínio dos discentes, mas de acrescentar a
esses a modalidade lingüística que a cultura intelectual requer. Bem sabem as
educadoras que seria deveras triste e empobrecedora, além de inócua, a
tentativa de eliminar variantes lingüísticas socioculturais e geográficas que não
se enquadram na norma, mas que se usam, como os vários tipos de roupagem,
conforme a situação social.
Se bem as depreendi, apontaria duas qualidades básicas que conferem
um caráter inovador a este trabalho. A primeira, de ordem didático-pedagógica,
consiste em apresentar a língua qual um mecanismo em pleno funcionamento.
Os alunos são convidados ou “desafiados” (e como os adolescentes gostam de
ser desafiados!?) a descobrir e explicar o bom ou o mau funcionamento.
A segunda qualidade está na criteriosa escolha dos textos, variáveis,
quanto a autores e assuntos, bem a propósito de mostrar as diferentes faces,
usos, funções da língua e perscrutar o que o discurso diz além do explícito. A
confrontação dos textos e seus comentários, feitos ou a fazer, têm, ademais, um
valor heurístico, capaz de revelar aspectos ocultos da língua e despertar ou
renovar a admiração que tais reflexões suscitam em relação à linguagem. E isso
é fascinante.
Por outro lado, as regras da boa gramática são, aí, insinuadas de forma
discreta, de modo que o discente passa a ter diante de si não o espectro do erro,
com seu poder inibidor, mas um espaço livre, de razoável licitude, em que pode
dar asas a sua comunicação, porque, como dizem alhures as mesmas autoras, “a
língua portuguesa não é um instrumento de suplício e opressão”.
10

Com Práticas do Dizer, Laís Maria e Teresinha prestam mais um


notável serviço à ação educativa em nosso meio. Bem hajam as autoras e os que
de sua produção desfrutam.

Victorino Piccinini
.
Caro aluno:

Esta obra é fruto não apenas de uma reflexão feita


por nós sobre o ensino de língua materna, como também de
diferentes práticas resultantes de um convívio entre nós e
nossos alunos em salas de aula ou cursos especializados.
Ela foi produzida com o intuito de capacitá-lo a
entender o mundo a partir de uma leitura atenta e crítica,
da produção de textos criativos, da adesão de estruturas
gramaticais a contextos específicos, despertando ainda mais
em você o gosto pelo estudo da língua portuguesa.
É nosso desejo que este livro seja mais um espaço
aberto à sua participação como protagonista no exercício da
linguagem, da identidade e da cidadania.

Um abraço,

as autoras.
.
SENTIDOS INDIRETOS:


“Na
A NÃO-LITERALIDADE
realidade, não são palavras
pronunciamos ou escutamos, mas verdades ou
o que

mentiras, coisas boas ou más, importantes ou


triviais, agradáveis ou desagradáveis, etc.”
(Mikail Bakthin. Marxismo e Filosofia da Linguagem.)

1.1 Palavras iniciais

N em sempre quando se utiliza a


linguagem, o entendimento entre
os interlocutores é bastante simples.
Assim sendo, o uso de alusões,
insinuações, ironias, metáforas,
ambigüidades, dentre outras, são
Ao contrário disso, na maioria das recursos comuns na linguagem
vezes em que um enunciado é cotidiana.
proferido, seu sentido literal e o Freqüentemente, o conflito entre
sentido que ele adquire no contexto o que o usuário “quis dizer” e o
não coincidem. conteúdo dito “literalmente” é fruto de
Dessa forma, se uma mãe uma intenção deliberada. No entanto,
deseja que sua filha saia da frente da há casos nos quais ocorre um
TV porque esta atrapalha a visão “deslize”, por parte do usuário,
daquela, pode expressar sua vontade decorrente de uma atitude não-
com a frase “Saia da frente da TV” ou, intencional.
simplesmente dizer, em outras Nos exercícios abaixo, você
palavras (“indiretamente”), “Você não encontra questões referentes ao que
é de vidro...” foi exposto. Depois de lê-las
atentamente, tente resolvê-las.

1.2 Prática de linguagem

1) A coluna “Painel do leitor”, do jornal Folha de São Paulo, publicou, em


16/02/98, a seguinte nota:

Macumba para turista


“Em 8/2, a Folha noticiou que o primeiro-ministro britânico
ficou entusiasmado ao ler um texto de Fernando Henrique
Cardoso e o quer participando de uma reunião mundial de líderes
de centro-esquerda. É bom que a embaixada britânica alerte Tony
Blair sobre o que FHC escreve. Pode ser só para inglês ver.”
David Nunes (Dobrada, SP)

a) Qual o significado habitual atribuído à expressão “só para inglês


ver”?
b) Associe o uso de tal expressão, especificamente neste texto, a
seu conteúdo.
2) Leia o texto abaixo e responda às questões.

FRASE
“Nós temos todas as condi-
ções de ser o iceberg que
afundou o Titanic.”
Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), pré-
candidato do partido à Presidência da
República, ao comparar o governo de FHC e
Levando em conta o contexto apresentado,
sua política econômica com o naufrágio do o que significam as expressões “iceberg” e
navio Titanic, ontem na Folha.
“Titanic”?
(Folha de São Paulo, 22/02/98)

3) A propaganda abaixo, extraída do caderno AGROFOLHA, do jornal Folha de


São Paulo, de 10/03/98, utiliza determinadas expressões às quais,
habitualmente, atribui-se um sentido não-literal. Neste texto, no entanto, há
um “jogo” entre os sentidos literal/não-literal que torna a propaganda bastante
criativa, original. Observe:
16

Você já pode se livrar dos seus abacaxis simplesmente usando o telefone. É que a Folha acaba
de criar mais um serviço exclusivo pra você: o Big Folha nos Classificados Agrofolha.
São 3 linhas e 1 título pra você fazer chover na sua horta. Com ele, você anuncia produtos
relacionados ao campo e - o que é melhor - a preços de banana:
25 reais. Debitados na sua conta telefônica ou no cartão. 224-4000
a) Retire as expressões responsáveis pelo “jogo” entre os sentidos
literal/não-literal.
b) Explique o(s) sentido(s) que ela(s) veicula(m).
4) O usuário da língua, ao pronunciar um enunciado, o faz com diferentes
propósitos que variam de acordo com a intenção dos interlocutores e com as
circunstâncias da fala. Assim, tal enunciado pode cumprir diferentes
funções, tais como as de pedir, ordenar, julgar, questionar, queixar-se, dentre
outras, como nos exemplos abaixo:
(1) Tem uma abelha na tua orelha.
(2) Você pode entrar.
(3) Eu te amo.
(4) Você poderia fazer um pouco mais de silêncio?
Em (1), podemos interpretá-lo como um alerta; em (2), uma permissão;
em (3), uma expressão de um sentimento e, em (4), uma queixa ou, até
mesmo, um pedido.
Uma pergunta, além de dirimir uma dúvida, pedir uma informação ou um
esclarecimento, pode, portanto, atender a outras finalidades.
Levando em conta essas informações e o conteúdo da tira abaixo,
explique qual a intenção da pergunta feita pela moça em “Já procurou em
‘infantil’?”

PIRATAS DO TIETÊ - Laerte

(Folha de São Paulo, 02/03/97)

5) Costuma-se definir eufemismo como o ato de suavizar a expressão de uma


idéia, substituindo a palavra ou expressão própria por outra mais agradável,
mais polida. Há casos, ainda, em que seu uso se justifica por isentar ou
amenizar a responsabilidade da declaração de seu autor. Levando em conta
essas informações, leia os textos abaixo, extraídos do jornal Folha de São
Paulo, de 16/04/98, 12/03/98 e 09/02/98, respectivamente, respondendo às
questões.

Texto I (...) E por falar em ex, eu


adoro o currículo do ministro
dos Sem-Trabalho: ex-quase
petista e atual quase tucano.
Ou seja, um tucano autêntico!
Tucano de pai e mãe!
Que insiste em dizer que
não há crise de emprego, mas
ten-dências preocupantes. É
aquela coisa de tucano de
chamar “fome” de “estômago
em esta-do de vácuo” e “crise”
de “desaceleração da
aceleração”.

a) Em que trecho(s) o autor lança mão de eufemismos?


b) Percebe-se, pelo uso de tais eufemismos, uma crítica relacionada
aos tucanos. Explique em que consiste tal crítica.
Texto II E um outro leitor me passou
um e-mail: “Não me considero
um desempregado, apenas sou
uma mão-de-obra inativa. Antes
de me formar, era a esperança
do futuro. Agora, sou um
problema social. Antes, fazia
parte da MINORIA que entrava
pra faculdade, e agora, faço
parte da MAIORIA que não tem
emprego”.
18

E sabe o que eu vi na TV?


Um psiquiatra para
desempregados. E como é que
ele recebe? Rarará. É mole? É
mole, mas sabe. É pra cima que
se anda. Fundo de poço tem
mola. Nóis sofre, mas nóis goza!
E gostoso!
E-mail: simao@uol.com.br

a) No texto, qual a expressão cuja intenção é atenuar o sentido de uma


palavra que, em nossa conjuntura social, provoca angústia ou
insatisfação?
b) O texto apresenta ainda uma outra figura de linguagem - a antítese
(ou contraste), definida como o emprego de palavras ou expressões
contrastantes, ou seja, de sentidos opostos. Destaque trechos em que
seu emprego é evidente.

Texto III Eficiência baiana


O prefeito de Belo Horizonte, Célio de Castro (PSB), esteve na
semana passada em Brasília. Ele foi pedir dinheiro federal para a
cidade, nos moldes dos empréstimos concedidos a São Paulo e a
Salvador, em operações intermediadas pelo senador Antonio Carlos
Magalhães (PFL-BA).
Na quarta-feira, ele reuniu-se com a bancada de Minas no
Congresso para pedir apoio. No final do encontro, resolveram fazer
um manifesto.
O tucano Elias Murad reclamou dos termos duros do texto e
sugeriu trocar a expressão “exigimos” por “solicitamos”.
Sandra Starling (PT) interveio:
- Então vamos colocar “solicitamos energicamente”.
Tilden Santiago (PT), que ouvia rindo, disparou:
- Nesse caso, eu acho que tanto faz o jeitinho ou a energia dos
mineiros. O que resolve é a ternura ou a malvadeza dos baianos – em
referência aos apelidos “Toninho Ternura” e “Toninho Malvadeza” de
ACM.

a) Em que trecho se lança mão de um eufemismo?


b) Por que a proposta da petista Sandra Starling
provocou risos?
6) Leia o texto abaixo:
Moça linda bem tratada
Moça linda bem tratada,
Três séculos de família,
Burra como uma porta:
Um amor.
(Mário de Andrade)
Lembrando que a ironia é a figura por meio da qual o falante expressa
o contrário do que pensa, explique a ironia presente no texto acima. Além
disso, retire do texto a expressão utilizada pelo autor para obter o efeito
irônico desejado.

7) Leia a propaganda seguinte, extraída da Folha, em 15/02/98:

Agora responda:
a) O que significa habitualmente a expressão “programa de
índio”?
b) Na propaganda, foi feita uma ressalva com o uso dessa
expressão. Explique o porquê da ressalva.
8) As gramáticas tradicionais costumam definir palavras homônimas como
aquelas que possuem grafia ou pronúncia igual.
No texto abaixo, extraído do jornal da Folha de São Paulo, de 02/12/97, a
argumentação baseia-se no emprego dos verbos “cassar” (= anular) e “caçar”
(= apanhar animais), sendo o último utilizado em sentido figurado. Observe:

TIROTEIO
20

De Geraldo Pestana (PT-PA), sobre


o fato de a Câmara ter deixado para
98 os projetos de cassação de mandato
de deputados.
– A temporada de “cassa” foi adiada Levando em conta essa diferença de
por um motivo. Caçar votos para o sentido entre os dois verbos, explique a
governo não combina com cassar ironia do texto.
mandatos que votam com o governo.

9) Depois de ler o texto abaixo, extraído do jornal Folha de São Paulo, de


13/03/98, explique a relação da afirmativa “Um homem duro é seu próprio
Titanic” com o conteúdo da narrativa.

VIDA BANDIDA
A arte de relaxar
VOLTAIRE DE SOUZA
É muito tensa a vida na cidade grande.
Filas para o cinema. Congestionamentos.
Assaltos. Para relaxar, nada melhor do que
uma banheira com hidromassagem. Douglas
fazia questão. Com o uísque do lado. Chegou
em casa nervoso. Chutou o cão de raça
Tirannus. Xingou a governanta Ana Augusta.
Entrou na banheira. A bebida. O cansaço de
um dia agitado. Adormeceu. Seu corpo
avantajado mergulhou na água. Para ser
recolhido sem vida por Ana Augusta. Que o
entregou ao cão. “Deve estar macio agora.”
Um homem duro é o seu próprio Titanic.

10) Muitas vezes, é a repetição de expressões fator responsável pela


construção de sentidos em um texto, assegurando-lhe coerência. Leia o
texto abaixo, da Folha de São Paulo, de 24/02/98:

TIROTEIO
De Arlindo Chinaglia (PT-SP),
sobre FHC, em solenidade no
Planalto, ter filosofado a respeito do
momento histórico, dizendo que
“estamos na época do pós. Pós-
qualquer coisa. Pós-liberal, pós
marxista e pós-social-democrata. É a
era do pós”: a) Identifique a expressão responsável
– O presidente tem toda a razão. pela construção de sentidos do texto.
No seu governo, vivemos a era do b) Explique a ironia nele contida a partir
pós-emprego, pós-saúde, pós- do uso de tal expressão.
segurança, pós-luz.
11) Pode-se entender por antítese o emprego de palavras ou expressões
contrastantes, ou seja, de sentidos opostos, figura de linguagem presente no
texto abaixo:
“A paz necessita de
um
fuzil para protegê-
la.”
YASSER ARAFAT,
presidente da Organização pela
Libertação da Palestina, sobre as
ameaças à paz no Oriente Médio.
(Zero Hora, 13/06/98)

a) Quais são as expressões contrastantes?


b) O que representa a palavra “fuzil” neste contexto?
c) Em sua opinião, essa declaração é válida em termos
argumentativos? Justifique.

12) Levando em conta o trecho abaixo, extraído de redação de aluno, você


considera incoerentes os termos contrastantes, sublinhados? Justifique.
“Os recentes acontecimentos como os da UNICAMP evidenciam a brutalidade dos divertidos trotes.”
(dissertação; assunto: O trote nas universidades brasileiras; ano: 1998)

13) Entende-se por metonímia a substituição de um nome por outro em virtude


de haver entre eles algum relacionamento. Leia a charge abaixo e explique
qual a relação estabelecida entre seu conteúdo e o termo “chapéu” no título
A República do Chapéu.

(Folha de São Paulo, 10/11/98)


14) No texto abaixo, há um jogo de palavras contrastantes, caracterizando uma
antítese.
22

(Folha de São Paulo)


a) Quais as expressões contrastantes?
b) Tomando por base seu conhecimento de mundo, como se explica o uso
dessas expressões na propaganda?

15) Há determinadas expressões idiomáticas, em nossa língua, as quais são


bastante usadas no cotidiano. Observe, no texto abaixo, o emprego de uma
dessas expressões:

Presente de grego
Descubra como proteger seu micro das pragas eletrônicas
Lúcia REGGIANI
da Reportagem Local
(...) Na sociedade da informação, o desafio é manter o
computador a salvo de pragas eletrônicas criadas por
programadores do mal.
(...) No final do ano, cuidado com e-mails que trazem
anexados arquivos com animações. Se receber um
arquivo natal.exe, por exemplo, delete. Existe uma
grande chance de ele estar infectado com o vírus
“W32CIH.SPACEFILLER”.
Muitas mensagens escondem um cavalo de Tróia -
que traz na pança softwares que devassam o micro e
roubam senhas. Um legítimo presente de grego.
(Folha de São Paulo, 23/12/98)
a) Retire do texto tal expressão.
b) Qual seu significado?
c) A que informações do texto você recorreu
para chegar à conclusão do sentido dessa
expressão?
16) Leia atentamente o texto abaixo:

Casa de ferreiro...
O resultado da reforma ministerial revela que o pior tipo de
solidão é ser amigo de um tucano: os economistas Serra (Saúde),
Paulo Renato (Educação) e Bresser (Ciência e Tecnologia) estão
em ministérios que não têm nada a ver com sua formação.
(Folha de São Paulo, 25/12/98)

a) O texto faz alusão a um dito popular. Qual é


ele?
b) Qual o significado desse dito?
c) Quais as informações, presentes no texto,
que você levou em conta para explicar o
significado desse dito?

17) A ironia é um recurso de linguagem muito utilizado para se criticar ou


satirizar, mesmo que, por vezes, de forma extremamente sutil. Observe:

Finalidade da tesoura
“Vou dirigir meu carro com mais tranqüilidade a partir de
1999. Comprei um estojo com os itens de primeiros socorros
exigidos por lei e finalmente vou ter uma tesoura à mão para
abrir os pacotes de salgadinhos.”
Robson Sant’Anna (São Paulo, SP)
(Folha de São Paulo, 01/01/99)

a) Freqüentemente, a ironia é utilizada para se sugerir o contrário do


que se está afirmando. Retire do texto a expressão que justifica essa
afirmativa.
b) Retire do texto uma passagem em que fica bastante claro o uso
desse recurso.
c) Explique a ironia contida no texto.

18) O autor usou, no texto abaixo, recursos de linguagem que o tornam mais
expressivo. Observe:

OSCAR QUIROGA ASTROLOGIA


Prosperar é como fazer manteiga
No céu de dezembro, a Lua que míngua em Câncer A prosperidade é como fazer manteiga: bate o leite
estará fora de curso a partir das 17h09 até as 21h56, e nada acontece.
horário de Brasília, quando ingressa em Leão. Quem desiste no meio simplesmente nunca saberá
Enquanto isso, a humanidade aqui na Terra tem a que, se tivesse continuado a bater, apesar da falta de
chance de saborear um ótimo domingo e recuperar sinais positivos, em determinado momento, todo o
as forças perdidas no meio do desespero. leite coalharia e a manteiga ficaria pronta.
A semana que começa pode ser auspiciosa para A prosperidade acontece exatamente desse jeito.
quem cumpriu suas obrigações e, apesar de meio Todos os dias uma pessoa cumpre suas obrigações e
descrentes de que isso pudesse valer alguma coisa, contempla seus vizinhos a ultrapassarem com
continuaram fazendo. atitudes desonestas.
24

Porém, de tanto cumprir as obrigações, chega o Assim como um dia também chega a espada afiada
momento em que as engrenagens misteriosas do da justiça para todos os que praticam a
destino se encaixam e a prosperidade acontece. desonestidade.
E-mail: astro@o-quiroga.com
Internet: www.quiroga.net

(Folha de São Paulo, 06/12/98)


a) Muitas vezes, a exposição de um ponto de vista dá-se através de uma
comparação. Identifique em que trecho isso ocorre.
b) Qual o efeito que o uso de tal recurso provoca nesse texto?
c) Podemos entender por metonímia a substituição de um nome por outro
em virtude de haver entre eles algum relacionamento. Explicite o
significado da expressão “a espada afiada da justiça” (último
parágrafo) nesse texto.

19) Leia o trecho abaixo:


“Começaria tudo outra vez
Se preciso fosse, meu amor
A chama em meu peito ainda queima a) No texto de Gonzaguinha, explicite o
Saiba, significado simbólico da expressão “a
Nada foi em vão.” chama”.
b) Qual a figura de linguagem
(“Começaria tudo outra vez”; letra de Gonzaga empregada nesse verso?
Júnior; Gravadora Som livre; n.º 4001236)

20) Observe a noção de metáfora abaixo:


Metáfora é o emprego de um termo com um sentido que se
lhe associa por força de uma comparação, porém, esta fica
subentendida, implícita.

Nos textos abaixo, extraídos de Veja, de 06/01/99, Zero Hora, de


14/01/99 e Folha de São Paulo de 02/08/96, respectivamente, explique o
sentido dos termos “um orixá”, “O Pelé do basquete”, “uma ilha”, “a balsa”.

“Bati duro. Para mim, Gabeira é um orixá.”


Antonio Carlos Magalhães, presidente do Senado,
sobre a carta que escreveu criticando a diplomacia
americana por ter negado visto ao deputado
Fernando Gabeira (PV-RJ), que deveria ir a Nova
York participar da Assembléia Geral da ONU

O Pelé do
basquete dá
adeus às
quadras
O astro da NBA Michael
Jordan se aposenta para
se dedicar à família
Tem gente que diz que Brasília é uma ilha.
Olha a balsa.
Jornal de Brasília
No último texto, por que foi estabelecida a relação
Brasília/ilha/balsa/Jornal de Brasília?
21) Embora o acervo lexical da língua portuguesa seja bastante rico e extenso, à
medida que palavras estrangeiras são divulgadas através dos meios de
comunicação, essas terminologias passam a fazer parte do repertório
cotidiano dos usuários, constituindo-se, dessa forma, os empréstimos da
língua inglesa, por exemplo, em um vasto campo de aplicação e divulgação.
Na propaganda abaixo, extraída de Veja, de 06/01/99, notamos a
presença de um estrangeirismo (empréstimo de palavras estrangeiras).
Identifique-o e explique seu significado nesse contexto.
26
22) Leia a definição de metáfora abaixo, assim como o texto de Galvão, e
responda ao que é proposto.
“ - E o que é metáfora?
- Quando digo que o céu chora, o que você
entende?
- Que está chovendo...
- Isso é uma metáfora.
- Então metáfora é quando digo uma coisa para
tentar dizer outra?
- É... é mais ou menos isso.”

O O Carteiro e
o Poeta simplório carteiro Mário nunca poderia imaginar
que um dia estaria travando este diálogo com
Pablo Neruda (1904-1973), o poeta do amor. Sua
vida sem graça, sem diálogos com o pai pescador
e sem amor, se transforma completamente ao
encontrar-se com o poeta chileno.
(Revista TVA, março de 1998.)

Crônica
Metáforas
ANTÔNIO MESQUITA GALVÃO
Atravessei a rua da vida e saí andando pela inteira. Lembrei do fim de nossa história... quando
calçada do ódio. O céu era uma lona azul chorei meus olhos todinhos com saudades dela...
estendida sobre minhas reflexões. As pessoas Depois dela eu morri. Dentro do meu caixão, além dos
caminhavam sobre os sonhos e despertavam no despojos, havia restos de sonhos, projetos, utopias... O
meio-fio da realidade. Na esquina, o mendigo riu movimento da rua carregou-a consigo e eu fiquei
para mim, mostrando a noite escura da má sorte parado. Andei um pouco mais. O cinema vomitava
em sua boca desdentada. Logo ali, uma criança uma pequena multidão de pessoas que curtiam aquele
era embalada pela mãe. No berço dos olhos mágico instante. No céu, o arco-íris era como uma
maternos o menino dormia no sono da espera. taça de champanhe emborcada. A claridade do fim da
Mas adiante, o ônibus parou e engoliu as pessoas tarde transformava os pingos de chuva em pingentes
que estavam na parada. Olhei do outro lado da de pérolas. Pensei nos amigos, nos parentes e em
calçada e vi um rosto conhecido. Meus joelhos, todos aqueles que partejam a vida a meu lado, à espera
sopesados pela emoção tremeram. A surpresa do nascimento do sonho em que todos possam sonhar.
colocou borboletas voando no céu da minha Lembrei de tantos amigos sepultados nas dobras do
boca. Era ela, sem dúvidas... A saudade chegou a tempo e das esquinas que escondem tantos rostos.
cavalo nas lembranças e desembarcou na estação Quando as tormentas do mar da discórdia invadiram a
vazia da solidão. Parado, fiquei preso às praia dos meus sonhos, eles foram o porto onde
circunstâncias, refém dos sentimentos... Lembrei abriguei o frágil barco de meus temores. Parou de
o passado. O farfalhar de suas saias de armação chover. O tempo guardou a chuva e acendeu as
mensageavam sonhos impossíveis. Seus cabelos, estrelas. Saí caminhando sobre a ilusão de tantos
uma cascata de petróleo, se derramavam pelos pingos coloridos que ainda teimavam em cair, e
campos secos dos meus devaneios... fiquei ali desenhavam uma estrada imaginária de luzes. Cheguei
segundos, minutos, séculos... o tempo voou em em casa e guardei as fantasias no quarto escuro da
velocidade infinita, as recordações me rodeavam memória e me refugiei no útero do esquecimento.
em asas de borboleta. Chovia. Com pena da
minha dor, o tempo chorou lágrimas da minha Escritor - colaborador
dor, o tempo chorou lágrimas de chuva, a tarde (Crônica publicada em 04/09/97)
28

(Diário Popular, 13/01/99)

a) Comparando a definição de “metáfora” usada por Neruda e


Mário com o texto de Antônio Galvão, você diria que são
compatíveis? Comprove sua posição, transcrevendo algumas
passagens do texto de Galvão.
SENTIDOS IMPLÍCITOS

“As idéias, para mim, são como nozes, e até hoje


não descobri melhor processo para saber o que
está dentro de uma e outras, - senão quebrá-las.”
(Machado de Assis. Para Gostar de Ler.)

2.1 Palavras Iniciais

A quilo que está explícito em um


texto pode, com certa facilidade,
ser contradito, revidado e se constituir,
grande quantidade de textos nos quais
o conteúdo explícito é
importante do que o implícito. O
menos

dessa forma, em matéria de polêmica, objetivo deste capítulo é, através de


controvérsia. Quando se lida com o uma leitura mais atenta de textos
conteúdo implícito, ao contrário, há diversificados, levá-lo a entender não
uma maior isenção de somente “o que está dito”, mas
responsabilidade por parte do autor. também avaliar “como é dito”,
É por isso, talvez, que encontremos tornando-o um leitor mais crítico.

2.2 Prática de linguagem

1) Observe como se instauram as informações implícitas no texto abaixo,


extraído do jornal Folha de São Paulo, de 08/02/98, respondendo, a seguir, ao
que é solicitado:

PIRATAS DO TIETÊ - Laerte


Explique a(s) significação(ões) implícita(s) dissimulada(s)
na charge.
2) Leia o trecho abaixo, amostra de redação de aluno:

“Os governos de todos os países que são contra o tráfico gastam bilhões de dólares anualmente no
combate às drogas.” (assunto: descriminalização das drogas/1998)

Agora observe a modificação proposta abaixo:

Os governos de todos os países, que são contra o tráfico, gastam bilhões de dólares anualmente no
combate às drogas.

Os dois trechos expressam sentidos diferentes uma vez que contêm


pressupostos (implícitos) também diferentes.

Supondo haver uma campanha, em nível mundial, para combater o


tráfico de drogas, qual dos dois trechos manifesta a proposta mais
radical? Justifique sua resposta.

3) Lendo o texto abaixo, extraído do Diário Popular, de 16/02/98, percebe-se uma


crítica implícita acerca de uma prática institucional em nossa sociedade: o
casamento. Depois de lê-lo com atenção, explique em que consiste tal crítica.

PRETENSIOSO
O senador Roberto Requião, que se
autoproclama candidato pelo PMDB à
Presidência da República, é
destemperado e boquirroto. Outro dia,
em meio a um jantar, perguntou à
mulher de um ilustre senador: “há
quanto tempo vocês são casados?” -
“seis anos”, respondeu a senhora,
ingenuamente. - Mais de dois anos -
para mim é incesto!”, vociferou o
grandalhão. Destemperado, boquirroto
e sem classe. E quer ser presidente da
República... Nem que a vaca tussa!!!

4) Leia o texto abaixo, amostra de redação de aluno:

“O trote que gera humilhação e violência deve ser considerado crime passível de pena.” (carta
argumentativa dirigida ao editor da Folha de São Paulo; assunto: trotes nas universidades
brasileiras; ano: 1998)

Agora observe a modificação proposta:

O trote, que gera humilhação e violência, deve ser considerado crime passível de pena.

Os dois trechos expressam sentidos diferentes, uma vez que contêm


pressupostos (implícitos) também diferentes.
Supondo haver punição para aqueles que praticam o trote, qual dos
dois trechos manifesta uma proposta mais radical de combate a tal
prática? Justifique sua resposta.
5) A propaganda abaixo, extraída da Folha de São Paulo, de 03/05/98, faz parte
de uma campanha publicitária veiculada por este jornal. Percebemos que o
texto contém uma crítica implícita. Após lê-lo, explicite tal crítica.

Obs.: “Mais” é o suplemento dominical da


Folha o qual contém artigos ligados às áreas
de Filosofia, Arte, Sociologia, dentre outras.

6) Em textos humorísticos, é muito comum que o significado implícito seja mais


expressivo do que o explícito. Observe:

(Folha de São Paulo, 12/07/97)


Após lê-lo atentamente, explique a crítica implícita que a
charge contém.

7) Observe, na charge abaixo, como se dissimulam os sentidos implícitos:


(Folha de São Paulo, 15/03/98)
* O apresentador da tela da tevê é o conhecido Ratinho Massa.
Após lê-la atentamente, explique a crítica implícita que a
charge veicula.
8) Leia a tira abaixo, extraída de Zero Hora, de 20/03/98, e, levando em conta
que ela traz implícita uma crítica, responda:

a) Que resposta estaria de acordo com a


expectativa?
b) Que crítica está implícita na charge?

9) Depois de ler o texto abaixo, extraído de Folha de São Paulo, de 26/02/98,


responda ao que é solicitado.
SUCESSÃO
“É um documento
espúrio, na base
da chantagem, da
coação. Nem os
governos militares
fizeram isso.”
Henrique Hargreaves, ex-ministro da
Casa Civil do governo Itamar Franco, ao
a) Identifique a marca lingüística que serve
criticar a estratégia dos governistas do como “pista” para as informações
PMDB de tentar abrir o voto na implícitas do texto.
Convenção Nacional, quando o partido
decidirá se aprova ou não a tese da b) Explique, a partir do uso de tal marca, os
candidatura própria do PMDB a sentidos implícitos que no texto se
presidente da República, ontem na dissimulam.
Folha.
10) Levando em conta a política educacional implantada pelo atual governo,
explicite a crítica contida na charge abaixo.

11) Tomando por base a estrutura argumentativa do texto abaixo, explique o que
se pode depreender através do último argumento exposto.

CONTRAPONTO
Também não precisa exagerar
Um diálogo imaginário entre o – Garoto, isso é uma moeda
presidente do Banco Central, estável. Você é muito novo e não se
Gustavo Franco, e o menino que lhe lembra de como era a inflação.
pediu esmola em 97 tem divertido – A inflação em 94, último ano
os senadores. Eis a versão ouvida do Itamar, foi de 1.173%. Acho que
por Amin (PPB-SC): o sr. tava no governo...
– Doutor, dá um dinheiro. – R$ 10 é muito dinheiro. Se
– Meu filho, sou contra o fosse você, guardava um pouco.
assistencialismo. Por que você não – Pôr dinheiro em banco com a
tenta arrumar um emprego? crise asiática? Não confio, não.
– Com essa taxa de desemprego! – Filho, tô espantado!! Você
O governo já prevê um índice de poderia virar economista. Pode até
7% para 98! trabalhar no Banco Central.
– Hum... tome R$ 10, vai. – Aí não, doutor. Eu tenho os
– Mas é pouco, doutor. meus princípios, né?!
(Folha de São Paulo, 15/02/98)

12) Leia a tira abaixo, extraída de Zero Hora, de 01/05/98, e, levando em conta
que ela traz implícita uma crítica, responda ao que é proposto.
a) Que resposta estaria de acordo com a
expectativa?
b) Que crítica está implícita na tira?

13) Existem algumas marcas lingüísticas que servem de “pistas” para a


interpretação dos implícitos em um texto. Leia o texto abaixo, e, levando em
conta essas informações, responda às questões.
PASSADO
“Até para morrer
a) Identifique, nesse texto, tal marca
lingüística. esse cara nos causou
b) Explique o que sugere o uso de tal problemas.”
marca.
Augusto Pinochet, ao planejar o que fazer
com o corpo do presidente chileno Salvador
Allende, segundo o livro “Interferência
Secreta”, de Patrícia Verdugo, ontem na
Folha.
(Folha de São Paulo, 16/11/98)
14) Tomando por base a conjuntura atual de nosso país, explique a crítica
implícita na tira abaixo, extraída de Zero Hora, de 10/05/98.

15) Leia o texto abaixo:

“Acho que a menina Aguinaldo Medeiros, funcionário público,


ao concordar que M., 11, grávida de
deve ter o bebê, mesmo quatro meses, em Sapucaia (RJ), tenha o
sendo pobre.” bebê, ontem na Folha.
(Folha de São Paulo, 21/12/98)

Agora responda:
Qual o pressuposto que encerra essa
declaração?
16) É muito freqüente, para evitarmos dizer explicitamente o que pensamos,
usarmos sentidos indiretos, através do emprego de expressões as quais
poderiam ser substituídas por outras.
Leia a declaração abaixo, extraída de Zero Hora, de 02/12/98, e responda:

“Não entendo como quem já andou de


Boeing admite embarcar num táxi.”
FABIANA SÁ
ex-mulher de Maurício Mattar,
sobre o namoro dele com Angélica, fazendo
referência
à música Vou de Táxi que a apresentadora
cantava

a) A que se relacionam os termos “Boeing” e “táxi”,


respectivamente?
b) O que o uso dessas expressões sugere?

17) Após ler o texto abaixo, explique qual a crítica nele implícita.

“Partido político é que nem dança de São João:


antes de começar
tem que formar uma quadrilha.”
(O Grande Livro dos Pensamentos de Casseta e Planeta. Em: Veja, 29/12/94)
COERÊNCIA E COESÃO

 TEXTUAIS

“Um galo sozinho não tece uma manhã


ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe um grito que o galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.”
(João Cabral de Melo Neto. “Tecendo a
manhã”, em A Educação pela Pedra)

3.1 Palavras Iniciais

U ma das características
responsáveis por fazer de um
texto não apenas uma seqüência de
permitem que esse texto tenha uma
lógica interna. Há, ainda, que se levar
em conta no estudo da coerência a
frases, mas um todo dotado de compatibilidade entre o “mundo do
significado é a coerência textual. texto” e o “conhecimento de mundo”
Ela é o elemento responsável pelo de quem processa o texto e de quem o
fato de um texto ter sentido para os recebe.
usuários da língua. Existem Neste capítulo, você se
determinados elementos semânticos, familiarizará com a pertinência da
sintáticos e estruturais – elementos articulação das idéias como
coesivos – que, uma vez relacionados, condição de coerência.
3.2 Prática de linguagem

1) Leia o texto abaixo:

DIADEMAS PELO BRASIL: denúncias em todo o país comprovam que a violência


policial não é exclusiva da PM paulista.

‘DIADEMAS’ SE MULTIPLICAM PELO BRASIL


da Reportagem Local

Bastaram duas semanas, desde que as imagens da violência policial na favela Naval, em
Diadema, região do ABCD paulista, foram exibidas pela primeira vez, para que o país chegasse
à conclusão de que as cenas de espancamento, tortura, extorsão e assassinato que invadiram os
lares pelos telejornais são um fato corriqueiro na rotina da polícia brasileira.
Como a Folha mostrou ao longo desse período, com o registro de casos de crimes
cometidos por policiais em todo o país, a Diadema que fica a 15 Km ao sul de São Paulo é
apenas um exemplo das dezenas de diademas espalhadas pelo território nacional, nos diversos
escalões das polícias Civil e Militar.
Diadema está, por exemplo, na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, onde policiais militares
espancaram civis.
Diadema também se encontra, como relatam os textos publicados nesta e na próxima
página, no Acre, onde nem os índios escapam da truculência policial. Diadema se repete do Rio
Grande do Norte, com o suposto envolvimento de um delegado da Polinter com grupos de
extermínio, ao Amazonas, onde até o secretário da Segurança Pública é suspeito de possuir uma
polícia paralela para praticar delitos.
Mas Diadema também revela as possibilidades do vídeo amador como meio de denúncia e
a iniciativa de estudiosos e entidades para oferecer saídas para a crise das polícias.
(Folha de São Paulo, 13/04/97)

Para que um texto seja coerente estruturalmente, é indispensável que


apresente elementos repetidos. No entanto, a repetição pode ser um problema
de expressão escrita, ocasionando, dessa forma, danos à qualidade do texto.
Não é o que ocorre, por exemplo, no texto acima, em que a repetição do
vocábulo “Diadema” é intencional.

Depois de lê-lo atentamente, explique, pelas informações nele


contidas, com que objetivo o autor usou repetidamente esse vocábulo.

2) A coerência é o elemento responsável pelo fato de um texto ter sentido para


os usuários da língua. Existem determinados elementos semânticos (de
significado), sintáticos e estruturais nesse texto que se relacionam,
obedecendo a uma lógica interna. O trecho abaixo, amostra de redação de
aluno, expressa um sentido que é o oposto ao pretendido, dificultando sua
leitura. Observe:

“(...) pois se nada for feito para impedir que acontecimentos como esses não se repitam, o Brasil
continuará sendo um país de doentes à mercê de sua sorte.” (assunto: falsificação de
remédios/1998)

Agora responda:

a) Reescreva o trecho de forma a eliminar o mal-entendido.


b) Levante uma hipótese que justifique a ocorrência desse tipo de
estrutura inadequada.
3) O texto abaixo apresenta alguns problemas. Dentre eles, destaca-se a
incoerência, ou seja, há um trecho que, se tomado literalmente (ao pé da
letra), leva a uma interpretação absurda. Observe:

“Essa possibilidade tem origem no crescente sucateamento que apresenta nossa sociedade nesse
setor: a deterioração dos prédios, a falta de materiais, os pequenos salários dos professores
congelados há mais de três anos.” (amostra de redação de aluno; assunto: problemas sociais do
Brasil; ano: 1998)
a) Transcreva o trecho problemático.
b) Qual a interpretação absurda que se pode extrair
desse trecho?
c) Explique qual a interpretação pretendida pelo autor.
d) Reescreva-o de forma a deixar explícita tal
interpretação.
e) Do ponto de vista sintático, o que provoca esse
efeito?

4) A Folha de São Paulo criou um espaço em suas páginas denominado


“Erramos”, para retificar problemas diversos detectados nas publicações de
suas matérias, tentando, dessa forma, melhorar a qualidade desse prestigioso
jornal.
Leia o trecho problemático, bem como a solução proposta para reparar o
dano, publicados na edição do dia 10/01/98. Depois, responda ao que é
solicitado.

ERRAMOS
Trecho da carta “Ética na imprensa”,
publicada no “Painel do Leitor” em 1/1,
teve seu sentido alterado. Em vez de
“Mesmo que tivesse sido sedução por
parte de uma garota de 10 anos – idade
dela na época –, teria sido estupro”, leia- Lendo o trecho e
se “mesmo que tivesse sido sedução em comparando-o com a correção
uma garota de 10 anos (idade dela na feita, percebemos a alteração de
época), teria sido estupro”. sentido. Explique-a.

5) Para que um texto seja coerente, é preciso que, no seu desenvolvimento


linear, existam alguns elementos de retomada de conceitos, idéias, tais como:
a repetição de palavras, o uso de pronomes, o emprego de artigos definidos,
substituições lexicais, o uso da concordância, dentre outros. Tais elementos
garantem a coesão, a unidade do texto.

Errado
Se algo foi feito de errado
em termos de trânsito em Pelotas,
nos últimos tempos, uma delas é
aquele pseudoquebramolas [sic]
na esquina da 15 de Novembro
com a Voluntários, com direito a Observe como, no texto ao lado, um
uma não – respeitada faixa de problema de coesão acabou interferindo em
sua coerência. Depois de lê-lo com atenção:
a) Identifique o trecho em que isso ocorre;
b) Reescreva-o, tentando desfazer tal
problema. Faça as adaptações
necessárias.
segurança. Tudo porque os carros
ficam estacionados sobre o dito
cujo, para que o motorista veja o
escoamento da outra rua. O certo
seria a sua colocação uns três
metros antes, pela 15, do local
onde está.
(Diário Popular, 15/01/98)
Obs.: As questões 6 e 7 foram elaboradas levando em conta trechos, bem como comentários, extraídos da
seguinte obra: JAPIASSU, Moacir. Jornal da imprença: a notícia levada açério. São Paulo: Jornal dos
Jornais Editora, 1997. Foram utilizados nas questões, respectivamente, os textos das páginas 82 e 91.

6) O texto abaixo, extraído do Jornal do Brasil, em julho de 1991, se tomado


literalmente, leva a uma interpretação absurda. Observe:

DENNIS CROSBY SUICIDA-SE. PELA SEGUNDA VEZ UM FILHO DE BING


CROSBY SE MATA.

a) Explique que interpretação absurda é essa.


b) Qual a interpretação pretendida pelo autor?
c) Reescreva o texto, realizando as modificações necessárias para desfazer
a incoerência.

7) A escolha da ordem dos termos na frase deve ser criteriosa para que não se
produzam textos incoerentes. Observe o texto abaixo, extraído do jornal
Independência, de São Paulo, no qual há um comentário sobre a doença da
atriz Sandra Bréa:

A TELENTOSA ATRIZ CONFIRMOU ESTA SEMANA SER PORTADORA


DO VÍRUS HIV (DA AIDS), TOMANDO REMÉDIOS QUE RETARDAM O
EFEITO DA DOENÇA; ELA DIZ QUE CONTRAIU O VÍRUS ATRAVÉS
DE UMA TRANSFUSÃO, EM UMA ENTREVISTA COLETIVA.

a) Tal qual foi escrita a notícia, o que podemos interpretar?


b) Reescreva o texto, apenas alterando a ordem dos termos, de forma a
proporcionar uma interpretação coerente, diferenciando-a da que você
explicou no item ª

Obs.: As questões de 8 a 10 foram elaboradas levando em conta trechos, bem como comentários, extraídos da
seguinte obra: JAPIASSU, Moacir. Jornal da imprença: a notícia levada açério. São Paulo: Jornal dos
Jornais Editora, 1997. Foram utilizados nas questões, respectivamente, os textos das páginas 38, 24, 52 e
18 dessa obra.

8) A escolha dos termos em um texto deve ser criteriosa para garantir-lhe a


coerência. No trecho abaixo, há duas expressões de sentido semelhante, as
quais ocasionam um efeito de incoerência. Observe:

HÁ MEDO DE PÂNICO NO MORRO


(manchete do Jornal do Commercio, Recife, em fevereiro de 1991)

a) Quais são essas expressões?


b) Reescreva o trecho de duas maneiras, utilizando, a cada
vez, uma das expressões, mesmo que, para tal, haja
alteração da intenção do autor.
9) O depoimento abaixo, publicado no Jornal do Brasil, em julho de 1994, contém
a indignação do editorialista, com relação às chacinas ocorridas no Grande Rio.
Observe:

NÃO SÃO MORTES PASSAGEIRAS

Se tomando literalmente, o depoimento leva a uma


interpretação absurda.
a) Explique que interpretação é essa.
b) Qual a interpretação pretendida pelo autor?
c) Reescreva a declaração, explicitando a intenção do autor e
fazendo as adaptações indispensáveis.
10) A maneira como certos textos são estruturados pode produzir certos efeitos
de humor, como no título da matéria extraída do jornal Zero Hora, em março
de 1994:

CAMISINHAS EM POSTES PREVINEM CONTRA A AIDS

Um leitor – Paulo Helmuller -, indignado, protestou: “Sempre pensei que a


camisinha tinha que ser colocada em outro lugar.”

a) Lendo o título, isoladamente, o que podemos interpretar?


b) Reescreva o título de outra forma, de modo a torná-lo mais claro e
coerente. Para isso, imagine que tal título foi produzido em
comentário sobre uma campanha publicitária para prevenção do
HIV.

11) A maneira como certos textos são escritos pode produzir efeitos de
incoerência, como no caso abaixo, extraído de uma manchete, seguida de
um comentário, do jornal Diário Popular, de Pelotas, em 20/03/98:

ESTUDANTE ASSASSINADA PELO NAMORADO


Universitária levou um tiro na nuca do noivo que é médico durante uma discussão do casal.

a) Transcreva o trecho incoerente.


b) Explique por que ele é incoerente.
c) Reescreva-o de forma a desfazer a incoerência,
realizando apenas as alterações indispensáveis.
d) Do ponto de vista sintático, o que provoca a
incoerência?

12) Ao articularmos as idéias em um texto, a fim de que este seja coerente, é


necessário verificarmos se elas têm a ver umas com as outras e observarmos
o tipo de relação a qual se estabelece entre elas.
Freqüentemente, escapa ao autor do texto o uso indevido de elementos
de ligação, comprometendo, desse modo, a coerência do texto. É o que
ocorre no trecho da seguinte redação:

“O passar do tempo faz com que o mundo se modifique cultural e tecnologicamente. Os


estilos de vida, modo de se vestir, as formas de lazer variam, ao passo que o mundo se
desenvolve.” (dissertação; assunto: O hábito de leitura no Brasil; ano: 1998)
a) Transcreva o nexo (elemento de ligação) responsável pela
incoerência do texto.
b) Substitua-o por outro, de forma a tornar o texto coerente.

13) Atente-se à problemática exposta no programa “Márcia”, no SBT, em


11/11/98:

“Mãe proíbe filha de 18 anos de se casar.”


A justificativa alegada pela mãe é a pouca idade da filha.
O noivo, inconformado, reclama, justificando-se:
“– Por experiência própria, alguns amigos que se casaram com essa idade (...)”

Há, na fala do noivo, expressões que, se usadas simultaneamente,


causam incoerência.
a) Transcreva tais expressões.
b) Explique o porquê da incoerência.
c) Reescreva o trecho, de forma a desfazê-la.
14) O jornal Folha de São Paulo, em março de 1994, publicou em matéria sobre
Frido Mann, neto do escritor Thomas Mann:
“A família sempre foi rodeada por tragédias. As irmãs de Thomas, Julia e Carla, se suicidaram.
Um de seus seis filhos, Klaus, escritor também se matou. O marido de Monika, também filha de
Thomas, perdeu o marido (...)”.
Sobre o texto pede-se:
a) Transcreva o trecho incoerente.
b) Explique o porquê da incoerência.
c) Do ponto de vista sintático, o que provoca a
incoerência?

15) O Correio Popular, de Campinas, em uma matéria turística, explicou:


“As gaivotas são tão amistosas que no começo da travessia
nos aconselham a levar pão e bolachas para elas.”
Agora responda:
a) O que tornou engraçada a explicação da matéria?
b) Do ponto de vista sintático, o que provocou o efeito
de humor?

Obs.: Os textos das questões 14 e 15 podem ser encontrados, respectivamente em: JAPIASSU, Moacir. Jornal
da imprença: a notícia levada açério. São Paulo: Jornal dos Jornais Editora, 1997, p.92 e 171.

16) Percebemos na charge abaixo, extraída da Folha de São Paulo, de 19/02/97,


uma incoerência a qual é, na verdade, fruto de uma intenção deliberada do
autor: provocar um efeito irônico. Depois de lê-la atentamente, responda ao
que é solicitado.
CHICLETE COM BANANA – Angeli
a) Transcreva a fala do personagem a qual melhor revela a
incoerência.
b) Explicite a crítica implícita na tira.

17) Leia a charge abaixo e responda às questões propostas.

(Em: VERISSIMO, Luís Fernando. As cobras em: se Deus existe


que eu seja atingido por um raio. Porto Alegre, L&PM, 1997, p.12)
a) O conselho dado por Queromeu faz alusão a um dito popular. Qual é
ele?
b) Comparando o nexo* empregado no dito popular por aquele usado
por Queromeu (“portanto”), explique a diferença de sentido
estabelecida entre eles.
*Na gramática tradicional, pode ser entendido como “conjunção”.

18) Leia os trechos abaixo, extraídos de redações de alunos, respondendo ao que


é solicitado.

I – “(...) com a falta de vigilância é cada vez maior o número de medicamentos vendidos sem
prescrição médica, o que, na maioria das vezes, é obrigatório.” (dissertação: assunto:
falsificação dos remédios; ano: 1998)

II – “A saúde e educação são dois dos principais problemas enfrentados atualmente pelo Brasil.”
(dissertação; assunto: Saúde Pública e Educação; ano: 1998)

Tais trechos apresentam problemas. Explique em que consistem tais


problemas.

19) Leia o texto abaixo, extraído do Diário Popular, de 23/08/98:

FETTER BUSCA TERCEIRO MANDATO


(...) Fetter Júnior, 44 anos, deputado federal por
duas legislaturas, busca a terceira, fazendo um
desafio à oposição (em especial ao PT): deixar de
investir recursos destinados à região pelo
presidente Fernando Henrique Cardoso, no caso de
vencer a eleição. Otimista, garante que a Zona Sul
terá o lugar de destaque que merece, mas alerta à
necessidade de os setores produtivos buscarem
competência para atrair investimentos e também
colher os frutos do Mercosul. (...)

Levando-se em conta o objetivo, exposto na manchete, do


deputado Fetter, um eleitor ainda indeciso, não o conhecendo,
e, baseando-se nas idéias veiculadas no texto, votaria ou não
no candidato? Justifique.

20) No texto abaixo, além do problema relativo à falta de paralelismo gramatical,


há, decorrente do uso inadequado de um elemento coesivo, uma
incoerência.
Reescreva-o, tentando desfazer os problemas.

“De fato, a leitura é uma grande arma para manter-se informado sobre os acontecimentos do
mundo ainda que ela forneça uma qualidade de argumentos, bem como desenvolver o raciocínio e
a escrita das palavras.” (redação de aluno; dissertação; assunto: O hábito de leitura entre os jovens
brasileiros; ano: 1998)

21) O trecho abaixo revela uma incoerência. Depois de lê-lo atentamente,


explique tal incoerência.

“Ressalta-se também, a ausência de investimentos, pesquisas e de política conseqüentes, as


quais ocasionam uma seca mais amena e menos mortes por falta de alimentos.” (redação de
aluno; dissertação; assunto: Os saques no Nordeste; ano: 1998)
O USO DO VOCABULÁRIO

“Chega mais mais perto e contempla as


palavras.
Cada uma tem mil faces secretas sob a face
neutra
E te pergunta, sem interesse pela resposta,
Pobre ou terrível, que lhes deres:
Trouxeste a chave?”
(Carlos Drummond de Andrade. “Procura da
poesia”)

4.1 Palavras iniciais

P arecem-nos incontestáveis pelo


menos
recorrermos
dois
ao
caminhos
significado
para
das
quem as emprega e em que contexto
estão empregadas.
Outro aspecto a ser abordado
expressões em um texto: buscarmos neste capítulo diz respeito à relação
esse significado em um dicionário ou, norma lingüística/argumentação:
então, o interpretarmos no contexto utilizar um vocabulário adequado à
em que se insere. No primeiro caso, situação de interlocução confere
contamos com o conhecimento credibilidade às informações dadas,
lingüístico registrado em uma obra assim como serve para criar uma
específica. No segundo – e este imagem elogiosa, séria ou
parece-nos o mais apropriado –, depreciativa do locutor/interlocutor,
refere-se ao conhecimento reforçan-do o peso argumentativo
extralingüístico, ou seja, à situação do texto.
de enunciação: quem disse? o que Como muitas vezes a
disse? quando disse? incoerência é decorrente do mau uso
Além disso, há que se levar em do vocabulário, alguns exercícios
conta no estudo do vocabulário, a abordarão este ponto.
imagem que cada interlocutor tem de Ademais, exercícios que visem à
si e do outro. Assim, as palavras, ampliação do léxico também lhe
neste universo imaginário, podem serão, cremos nós, de grande
mudar de sentido e marcar utilidade.
diferentes posições, dependendo de
O capítulo objetiva, além disso, por nós como um processo dinâmico,
analisar a criação de certos resultado da observação atenta e
neologismos, já que a língua é vista criativa do usuário.
46
4.2 Prática de linguagem

1) Leia o texto abaixo e responda às questões propostas.

Somos todos inocentes


CARLOS HEITOR CONY
Rio de Janeiro – Li, em um velho tratado plebe etc. etc. Não iria pedir o meu boné e me
sobre a melhor maneira de levar a vida, a máxima retirar da lida humana por tão pouco.
atribuída a Macarius Pelotinensis, um devasso do Agora, o verbo “alavancar” é dose, está
século 5 que depois se tornou eremita e morreu em acima de minhas forças resistir. Considero-me
cheiro de santidade. A máxima era um mínimo: insultado quando o usam contra mim. Já proibi um
“Devemos amar palavras velhas e mulheres amigo de me dirigir a palavra – qualquer palavra –
novas”. desde que ele me pediu um prefácio para alavancar
Bem, naquilo que me concerne, estou mais ou o livro de poemas que havia cometido em louvor de
menos por dentro da sabedoria desse tal Macarius. sua mãe. Mandei-o alavancar a mãe. Por sinal,
Desconfio das palavras novas. Suportei com uma santa senhora que não merecia tal filho e tais
educação o verbo “agilizar”, muito usado por poemas.
executivos que se sentiam “up to date”, Ali Babás ★
modernos que abriam a caverna dos tesouros com Agilizando a crônica, otimizando o texto e
a invocação do Sésamo vocabular. alavancando o próprio cronista, eis que zarparei,
Com o verbo “otimizar” embirrei mais um via aérea, para merecido repouso dos leitores (se
pouco. Nunca o usei e não gosto quando o usam. os há), e durante o mês todos folgaremos, que
Que fazer? A linguagem é dinâmica, feita pela folgar é preciso. (...)
(Folha de São Paulo, 07/07/97)

Nem sempre o uso de neologismos (palavras, frases ou expressões


novas, ou palavras antiga com sentido novo) é bem aceito entre alguns
usuários da língua. Outros, porém, não só aceitam o emprego de novas
expressões, como também as incorporam ao seu vocabulário.
a) Lendo o texto de Cony, percebemos seu ponto de vista quanto ao emprego
de neologismos. Explique tal ponto de vista.
b) Para comprovar esse ponto de vista, Cony lança mão de uma estratégia
argumentativa. Qual é ela? Transcreva a passagem do texto em que se
comprova o uso de tal estratégia.
c) Transcreva uma passagem na qual o autor ironiza o uso dos neologismos
exemplificados no texto.

2) Em coluna da Folha , de 23/07/98, o professor Pasquale Cipro Neto sustenta


uma tese a respeito do uso da língua, comprovada pelos exemplos abaixo:
(...) É célebre o caso do ex-ministro Magri: “Só Magri só esbarrou num ponto: a palavra
o presidente é imexível”. Duplo erro. Primeiro, não está registrada nos dicionários, ou seja, não
porque o presidente foi “mexido”. Depois, no está documentada. (...)
uso da palavra “imexível”. Quando o ministro FHC disse que “a
E o que há de errado em “imexível”? Será o inflação de 30% ao mês é inconvivível”, quando
processo de formação da palavra? Não. Tecnica- o secretário da Segurança Pública de São Paulo
mente, a palavra é boa. Magri usou o mais ele- disse que “a PM é incomandável”, quando o
mentar dos processos lingüísticos, o da asso- pre-sidente FHC disse que “a globalização cria
ciação, o da transferência. Se de negociar se faz pes-soas inempregáveis”, ninguém disse uma
inegociável, de discutir se faz indiscutível e de palavra.
tocar se faz intocável, de mexer só se pode fazer Nenhum dicionário registra nenhuma das
“imexível”. três palavras, tecnicamente boas, mas não
documentadas.
Lendo o texto de Pasquale, notamos que o uso da
comparação nos exemplos por ele citados não é aleatório. O
que evidencia tal comparação?
3) Observe o texto abaixo:

Incontinência verbal
“O deputado Jair Bolsonaro, em seu
destempero verbal, cometeu um crime
para o qual está prevista a pena de
reclusão. Mas ele não será processado
porque, ao chamar o arcebispo de São
Paulo de ‘desocupado’, ‘vagabundo’ e
‘megapicareta’, o fez sob a proteção da
im(p)unidade parlamentar. Temos, agora,
mais um motivo para acabar com essa
imunidade que só serve de escudo para
atitudes nada louváveis. Pelo fim da
im(p)unidade, já!”
Eduardo Rodrigues Coelho (São
Paulo, SP)
(Folha de São Pulo, 23/03/98)

a) Há um jogo de palavras, no texto acima, entre


impunidade/imunidade. Explique o que sugere
tal jogo.
b) Transcreva do texto os termos que justificam o
uso da expressão “destempero verbal”.

4) Leia o texto abaixo, respondendo à questão proposta.

“Decadência”
“Na reportagem ‘Decadentes atrapalham
reeleição de FHC’, na pág. 1-8 (Brasil) de 19/3,
o uso da palavra ‘decadentes’ para se referir a
pessoas como nós, mulheres entre 25 e 34 anos
de idade, com pós-graduação e salários abaixo
de R$ 1.200, é ofensivo, hostil e distorce a
realidade. Somos professoras substitutas na
universidade federal, onde o jogo político força
a contratação de professores substitutos que,
por sua vez, trabalham por bem menos da
metade do salário dos efetivos. Sabendo-se
também que os salários nas universidades
federais estão congelados há quase quatro anos,
representando cerca de 75% de defasagem.
Reconhecemos a culpa de FHC no
sucateamento do ensino público, mas não seria
mais correto nos chamar de ‘desprezados’,
‘desvalorizados’ ou ‘desperdiçados’?”
Misha Klein (São Carlos, SP)
(Folha de São Paulo, 25/03/98)
48
A crítica feita pela leitora Misha Klein é pertinente se levarmos
em conta que a adequação vocabular, no processo de
comunicação, está intimamente ligada à imagem estabelecida
entre os interlocutores? Justifique.
5) Ao criticar as comemorações do Movimento Tropicalista, a deputada Esther
Grossi criou uma palavra cujo registro inexiste nos dicionários. Observe:

TIROTEIO
De Esther Grossi (PT-RS), sobre o
fato de ter encontrado ACM nas
comemorações dos 30 anos do
tropicalismo no Carnaval de Salvador:
– Tropicalismo não casa com
tropicarlismo. Não dá para esquecer
que ele apoiava a ditadura quando o
movimento nasceu.
(Folha de São Paulo, 26/02/98)

A deputada utilizou, em seu texto, um recurso estilístico: a paronomásia


(palavras com sons semelhantes e sentidos diversos). Tal recurso é muito
usado também em brincadeiras cotidianas, tais como “não confundir capitão
de fragata com cafetão de gravata”, “não confundir Carolina de Sá Leitão com
caçarolinha de assar leitão” [exemplos extraídos de: SANT’ANNA, Affonso
Romano de (1991)]. Constrói-se, assim, uma forma lingüística bastante
próxima à original.
Levando em conta essas informações:

a) Retire do texto a expressão a qual se identifica com o exemplo


citado.
b) Para criá-la, a deputada usou um determinado tipo de processo, o
qual “mistura” palavras diferentes. Quais são as palavras
utilizadas nesse processo?
c) O que o emprego de tal expressão sugere?

6)

CONTRAPONTO

Fecho de ouro
Na semana passada, houve uma exaltados:
manifestação de lideranças comunitárias de – Eu acho essa situação muito preocupante.
Osasco (SP) e de políticos de oposição contra A prefeitura cobrar a conta e não repassar para
as freqüentes faltas de água na cidade. a Sabesp é muito grave.
A prefeitura da cidade é acusada de cobrar Ao perceber a aprovação da audiência,
a conta de água dos moradores, mas não Tintino tentou encerrar a fala com frase de
repassar os valores à Sabesp, a companhia efeito.
estadual de água. – Isso é uma desapropriação indébita –
Entre os políticos, estavam o deputado João disse (...)
Paulo (PT), que tem base na cidade. Pedro Depois, olhou para os lados esperando
Tintino era um dos líderes comunitários mais aprovação. Estavam todos contendo o riso.
(Folha de São Paulo, 26/03/98)
Justifique a reação da platéia diante do
pronunciamento de Pedro Tintino: “- Isso é uma
desapropriação indébita.”
7) Às vezes, o uso em público de uma expressão, quando aplicada em um
contexto impróprio, pode causar impacto e polêmica na mídia, sobretudo se
esse uso tem a ver com uma figura pública como, por exemplo, um ministro
de Estado.

Na capa da Folha, em 07/01/99, lê-se o seguinte comentário:

Ministro vê
caráter ‘lírico’
nos miseráveis
O novo ministro do Esporte,
Turismo e Juventude, Rafael Greca, 42,
disse à Folha que “há um caráter lírico
em alguns mendigos e despossuídos
brasileiros”. Para ele, o país não deve
esconder a miséria dos turistas. Greca
tomou posse ontem, na presença de
políticos e atletas. “Estou adorando ser
ministro”, afirmou. Pág. 1-7

Nesse jornal, no mesmo dia, é publicada uma reportagem com Rafael


Greca. Observe um trecho da entrevista com o ministro:

NOVO GOVERNO Rafael Greca, da pasta de Turismo e Esportes, afirma que


não é preciso esconder mendigos de turistas
Ministro vê “caráter lírico” na miséria
Folha – No Brasil, dizem que são
40 milhões os miseráveis.
Greca – Isso é uma bobagem,
porque a Índia por certo os tem em
número muito maior que nós e é um
grande porto turístico. E o povo nunca é
um defeito do país, é sempre uma
qualidade. Há um caráter até lírico em
alguns mendigos e despossuídos que os
torna personagens míticos. Não se trata
de idealizar a miséria, mas não se trata
de escondê-la também.

A declaração do ministro causou grande polêmica na mídia devido ao uso,


em entrevista, do termo “lírico”.

a) Explique o porquê da polêmica, tomando por base o fato de o ministro


ter usado tal termo nesse contexto.
b) No texto da capa, além da inadequação vocabular, percebe-se um
problema de ambigüidade (possibilidade de mais de uma leitura).
50
Transcreva o trecho ambíguo; explique por que ele é ambíguo;
reescreva-o de forma a desfazer tal ambigüidade.
c) Em termos argumentativos, a comparação entre o personagem
“Carlitos” com os miseráveis é adequada? Justifique, considerando o
texto seguinte e ilustrando sua justificativa com algumas passagens do
texto.
Greca pisou no calo de Charles Chaplin
Rafael Greca, novo ministro dos Esportes e do Turismo,
entrou com o pé esquerdo no palavrório do poder. Informou
que não pretende estimular o sumiço dos miseráveis das
cidades turísticas brasileiras, pois “o povo nunca é um defeito
do país, é sempre uma qualidade”. Ia muito bem, até que
resolveu atravessar a rua para escorregar na casca de banana
que estava na outra calçada e saiu-se com a seguinte pérola:
“Há um caráter lírico em alguns mendigos e
despossuídos que os torna semelhantes ao Carlitos.”
Encrencou-se com Carlitos. Em vida, Charles Chaplin
foi confrontado com uma observação semelhante. Nasceu
pobre, morreu-lhe o pai aos 10 anos e, na miséria, viu a mãe
enlouquecida sendo levada para um hospital. Nunca esqueceu
o olhar dessa despedida. Também não esqueceu que ela o
culpou pela loucura, pois na tarde de sua grande crise deixou
de lhe dar uma xícara de chá.
Diante de tanta desgraça, o escritor inglês Somerset
Maugham atribuiu a Chaplin uma “nostalgia dos cortiços”:
“Para ele, as ruas são um ambiente de pândegas, de aventuras
alegres e extravagantes...”.
Chaplin respondeu com uma das mais bonitas páginas
de sua “História de Minha Vida”: “Ainda não encontrei um só
pobre que sentimentalize a pobreza ou que nela encontre
libertação. (...) Peroladas como essa de que ‘as ruas da zona sul de Londres são um ambiente de
pândegas, de aventuras alegres e extravagantes’ fazem lembrar as zombarias frívolas de Maria
Antonieta. (...) Nunca achei a pobreza atrativa nem edificante. O que ela me ensinou foi só uma
distorção de valores, a superestimar as virtudes e os refinamentos dos ricos e das pretensas elites
sociais”. (Para que essa história lembre Carlitos: sua mãe terminou a existência em conforto, num
quarto cheio de flores, com os filhos já ricos e famosos.)
(Folha de São Paulo, 10/01/99)

8) A escolha de determinados termos, quando combinados, acoplados, pode


causar um “estranhamento” ao leitor.
Leia a manchete abaixo, assim como o trecho que segue, e responda ao que é
solicitado.

FINANÇAS Federalizado, Banespa deve ser vendido em maio, segundo o


Banco Central

Calabri assume e nega privatização do BB


Da Sucursal de Brasília
O novo presidente do Banco do Brasil, Andrea Calabri, disse ontem, após sua posse,
que o governo Fernando Henrique Cardoso não privatizará a instituição.
(Folha de São Paulo, 07/01/99)
a) Quais os dois termos que, usados concomitantemente,
causam “estranhamento” ao leitor, se levarmos em conta a
manchete isoladamente?
b) Lendo a informação que segue a manchete, notamos que tal
“estranhamento” pode ser desfeito. Relacione os dois termos
(referentes ao item “a”) às informações.
9) Lendo os trechos abaixo, extraídos de redações de alunos, percebe-se que a
impropriedade vocabular pode ser responsável pela alteração de sentido de
um texto, ocasionando, muitas vezes, uma incoerência.
Na leitura de cada trecho, observe as instruções abaixo:

a) Transcreva a palavra usada impropriamente.


b) Explicite o que o autor quis dizer ao usar tal palavra.
c) Explique o que ele realmente disse.
d) Reescreva o trecho problemático, substituindo tal palavra e
adequando-a à intenção do autor. Faça as adaptações
indispensáveis.

I “Entidades públicas não atendem àqueles que possuem insuficientes condições financeiras,
gerando no país uma situação de estabilidade social” (dissertação; assunto: saúde pública e
educação; ano 1998)

II “E a maneira mais acessível e barata de viabilizar essas carências é ser um leitor não só de
livros, mas de outras obras.” (dissertação; assunto: a hábito de leitura entre os jovens; ano
1998)

III “Ademais, todas, sem exceção, têm direito à educação gratuita, a condições justas de emprego
e à segurança pessoal; além de um poder judiciário que aja de forma arbitrária e sem
distinções.” (dissertação; assunto: direitos humanos; ano 1998)

IV “Além disso, há uma falta de impunidade por parte das autoridades competentes que não agem
como deveriam quando o crime envolve pessoas de melhor poder aquisitivo.” (dissertação;
assunto: violência; ano 1998)

V “Dessa forma, é imprescindível que sejam tomadas medidas energéticas para resgatar a
qualidade da saúde pública.” (dissertação; assunto: saúde pública; ano: 1998)

10) Os enunciados abaixo foram extraídos de redações de alunos e apresentam


problemas quanto à adequação vocabular. Preencha as lacunas com uma das
opções entre parênteses, aquela que julgar mais adequada ao contexto.

a) “... a sociedade __________________ para melhorar essa situação, também é conivente com a
impunidade. [assunto: impunidade]; (que nada faz / que não se mobiliza);

b) “ ...as autoridades deveriam proporcionar mais emprego,___________________que incentivem


o povo. [assunto: desemprego]; (promovendo atividades / fazendo algo);

c) “...muitos brasileiros observam tudo acontecer _____________________ e não


__________________________________________________________

_________________. [assunto: desemprego]; (de braços cruzados / inertes / impassíveis); (se


mexem para nada; procuram reverter a situação);
52
d) “Conclui-se que enquanto os políticos e a sociedade não______________________, a tendência
é e ___________________ chegará o momento em que essa situação tornar-se-á irremediável.
[assunto: violência]; (tomarem providências eficazes / arregaçarem as mangas); (ficar tudo
pior; o agravamento da problemática);

e) “Na verdade, grande parte da culpa ________________________ governo, pois este não
____________________ básicas da população de baixa renda.” [assunto: desigualdades
sociais]; (é do / concentra-se no); (supre as carências / ajuda nas necessidades);

f) “... as pessoas de baixa renda muitas vezes são obrigadas a _____________________ os estudos
para ingressarem no mercado de trabalho. [assunto: desemprego]; (abandonarem / largarem);

g) “... existem vários problemas em relação ao sistema educacional brasileiro, como:


desvalorização dos profissionais, escolas________________e equipamentos ______________.
[assunto: educação]; (caindo aos pedaços / sucateadas / desmoronando); (obsoletos / velhos /
despedaçados);

h) “Que país é este onde não há oportunidades, não há perspectivas, não há como
____________________? [assunto: que país é este?]; (sair do buraco / reverter a situação / se
equacionarem as desigualdades);

i) “_________________________muitas indústrias falindo e _____________________. [assunto:


desemprego]; (Tem / Há); (botando muitos empregados na rua / dispensando seus empregados
/ demitindo seus empregados);

j) “Os mais ricos matam por puro divertimento, até porque sabem que, pertencendo à classe mais
privilegiada, a Justiça pouco faz, ao contrário do que acontece com as classes de menor poder
aquisitivo que _____________________; policiais batem ______________________. [assunto:
morte do índio pataxó]; (são duramente penalizadas / até cadeia pegam); (em gente que não
fez nada / em pessoas inocentes);

l) “... a impunidade _______________________ a violência; portanto, torna-se inadiável


____________________. [assunto: impunidade]; (faz com que gere / encoraja); (acabar com
isso / erradicá-la / combatê-la).

11) Substitua a palavra “coisa(s)” nas frases a seguir por outra de valor mais
específico, fazendo as alterações necessárias. Para tanto, use as sugestões
do quadro.

a) A amizade consiste numa coisa que deve ser cultivada com carinho.
b) Não foi ao curso por uma série de coisas.
c) A violência constitui-se numa coisa assustadora à população brasileira.
d) O liberalismo nos costumes é uma coisa tipicamente brasileira.
e) O fisiologismo e o clientelismo são coisas encontradas em muitos políticos
brasileiros.
f) A impulsividade é uma coisa comum entre os jovens.
g) É preciso que os políticos façam alguma coisa para solucionar alguns dos
problemas brasileiros.

providência/um
sentimento/características/atitude
vícios/fatores/um fator/uma peculiaridade
12) Existem verbos que contribuem para tornar uma frase mais expressiva. Um
verbo bastante utilizado na elaboração de frases em que predomine um tema
é o “ser”:
“O movimento dos sem-terra é...”
No entanto, tal verbo poderia ser substituído por outro mais expressivo.

Utilizando a listagem abaixo, elabore


períodos, substituindo o verbo ser, na
frase citada acima.

constituir mostrar
significar expressar
constituir representar
denotar evidenciar

13) Leia a carta abaixo, publicada no Jornal do Brasil, em 10/01/99, e responda


ao que é solicitado.
Impagável
Ouvi o governador do Rio Grande do Sul declarar que a
dívida de seu Estado é impagável. A palavra impagável não é
apropriada. Na minha opinião a forma adequada deve ser –
dívida irresgatável. Segundo o Aurélio, resgatar é efetuar o
pagamento de dívida ou compromisso; pagar. Resgatável é o
que pode ser resgatado. Irresgatável, não resgatável.
Irresgatabilidade, qualidade de irresgatável. Vejamos impagável
no mesmo Aurélio. Dentre outros significados, temos: muitos
engraçado, hilariante (palhaço impagável). Os dicionários não
registram impagabilidade. José Moreita Torres – Rio de Janeiro.

a) Qual a posição defendida pelo leitor José Torres acerca de palavras as


quais não se encontram registradas em dicionários? Você concorda
com essa posição? Justifique.
b) Como se justificaria, gramaticalmente, o emprego do termo
“impagável” pelo governador do RS?

14) Complete com verbo(s) adequado(s):


É NECESSÁRIO...
a) __________________________ providências rápidas e adequadas.
b) __________________________ projetos aprovados.
c) __________________________ projetos criativos.
d) __________________________ o dever do voto.
e) __________________________ as dúvidas.
f) ___________________________ medidas eficazes.
g) __________________________ o cumprimento das leis.
h) __________________________ em vigência o decreto.
i) ___________________________ o direito de votar.
j) ___________________________ punições severas e justas.

15) Complete com complementos adequados:

É IMPRESCINDÍVEL...
54
a) destinar _____________________ ou _________________________
b) repassar _____________________ ou _________________________
c) providenciar _________________ ou _________________________
d) apresentar __________________ ou _________________________
e) aplicar _______________________ ou _________________________
f) realizar ______________________ ou _________________________
g) expor ________________________ e __________________________
h) explicitar ____________________ e __________________________
i) elucidar ______________________ e __________________________
j) erradicar _____________________ e __________________________
l) viabilizar _____________________ e __________________________
m) reverter _____________________ e __________________________
n) resgatar _____________________ e __________________________
o) invalidar _____________________ e __________________________
p) minimizar ___________________ e __________________________
q) canalizar ____________________ e __________________________
16)_O valor da adjetivação pode tornar mais consistente a argumentação em
um texto. Encontre adjetivos para “reforçar” os substantivos. Observe o
modelo:

valor positivo valor negativo


a) ... reportagens elucidativas / falaciosas, tendenciosas
b) ... projetos ___________________/___________________
c) ... artigos ___________________/___________________
d) ... postura ___________________/___________________
e) ... atitudes ___________________/___________________
f) ... posicionamento____________________________________/
g) ... dados ___________________/___________________

17) Procure sinônimos para os seguintes vocábulos. Observe o modelo:

Modelo: situação: conjuntura; circunstância; ocorrência; quadro; contexto;...


I) a) problema: ________________________________________________;
b) questão: _________________________________________________;
c) inadvertência: ____________________________________________;
d) incapacidade: ____________________________________________;
e) iniqüidade: _______________________________________________;
f) recrudescimento: _________________________________________;
g) eqüidade: ________________________________________________;
II) a) confirmar:________________________________________________;
b) considerar:_______________________________________________;
c) viabilizar:_________________________________________________;
d) invalidar:_________________________________________________;
e) implicar:__________________________________________________;
f) aumentar:________________________________________________;
g) causar:___________________________________________________;
h) reverter:__________________________________________________;
i) resgatar:__________________________________________________;
j) avaliar:____________________________________________________;
l) fomentar:_________________________________________________.
Obs.: Nos exercícios 15 e 16, você deverá criar frases usando o vocabulário proposto. Para tanto, não
se esqueça de que as questões relativas ao contexto são fundamentais.
ORGANIZAÇÃO DAS IDÉIAS:
A CLAREZA

“Catar feijão se limita com escrever:


jogam-se os grãos na água do
alguidar
e as palavras na folha de papel
e depois, joga-se fora o que boiar.”
(João Cabral de Mello Neto. Poesias
Completas)

5.1 Palavras iniciais

A clareza é uma qualidade indis-


pensável em um texto informati-
vo: ela atende não às necessidades
tões como
ambigüidade,
redundância
a obscuridade,
incoerência
dificultam
e
a
imediatas de satisfação do falante, inteligibilidade de um texto, causando
mas às suas neces-sidades danos à compreensão do leitor.
intelectuais, fruto da lógica das No entanto, aquilo que é
idéias. Daí a seleção consciente, por considerado “defeito”, “dano”,
parte do usuário, das estruturas e conforme expusemos, pode ser visto
formas lingüísticas a serem por ele como fruto de uma intenção
utilizadas, as quais devem estar em deliberada do autor, o qual pretende
sintonia com as regras elaboradas “não se fazer compreender” tão
pelo sistema lingüístico, aceitas como claramente.
de maior prestígio social pela Essas questões serão
comunidade lingüística. examinadas neste capítulo, através de
Nesse processo de comunicação, textos diversos, como di-versas são as
ques- formas do dizer de cada usuário.
57
5.2 Prática de linguagem

1) Ao organizarmos as idéias em um texto, devemos ter o cuidado de estabelecer


entre elas elementos de uma mesma função sintática ou classe gramatical. A
essa qualidade do estilo, dá-se o nome de paralelismo gramatical. No texto
abaixo, extraído de Isto É, de 18/11/98, o autor teve esse cuidado. Observe:

Cada vez mais acuados,


grande parte dos 30,6 milhões
de fumantes brasileiros tenta
deixar o vício.

Uma outra forma de manter o paralelismo no texto seria utilizar o modo


imperativo (flexionado em “tu” ou “você”). Em cada item, empregue esse
modo verbal, fazendo as alterações necessárias e mantendo o paralelismo
gramatical.

2) O paralelismo é uma das qualidades para que um texto seja elegante. Os


trechos abaixo, extraídos de redações de alunos, apresentam problemas
decorrentes da falta de paralelismo. Reescreva-os, evitando-a e fazendo as
alterações indispensáveis.

a) “(...) mesmo sendo o álcool a droga causadora de maiores danos à saúde, mais detona o corpo e
mais desperta a violência, é a mais consumida por jovens brasileiros.” (carta argumentativa,
dirigida ao editor da Folha de São Paulo; assunto: alcoolismo entre os jovens; ano: 1998)
b) “Em outros casos, os jovens começam a usar o álcool devido à pressão da turma de amigos ou
para perderem a timidez e se divertirem mais.” (idem ao item a)
c) “Penso, inicialmente, que todo menor de dezoito anos tem direito à escola, saúde, ao lazer e ser
tratado com dignidade.” (carta argumentativa dirigida ao ministro da Justiça; Estatuto da
Criança e do Adolescente; 1998)
d) “Sendo um jovem imensamente preocupado com o futuro do Brasil, e também por ter tomado
conhecimento de seu projeto sobre assédio sexual, resolvi escrever-lhe (...)” (carta
58
argumentativa dirigida à deputada Marta Suplicy; assunto: projeto de lei sobre assédio sexual;
ano; 1998)
e) “A droga é usada como apoio ou afirmação psicológica para a aceitação social, para os
relacionamentos em grupos e para se divertir em festas.” (dissertação; assunto: alcoolismo entre
os jovens; ano: 1998)
f) “É preciso, portanto, que o governo, ao invés de facilitar a aquisição de kits descartáveis
proporcionando tratamentos de recuperação (...)” (dissertação; descriminalização do uso de
drogas; ano: 1998)
g) “Acredito ser importante salientar-lhe que a descriminalização dos cassinos acarretará efeitos
nocivos à sociedade, porque as pessoas de menor poder aquisitivo acabarão gastando o pouco
que têm no jogo, além de estimular a expansão da criminalidade.” (carta argumentativa;
assunto: legalização dos cassinos; ano: 1998)
h) “A desesperança do povo é explicada pelo excesso de importância dada à economia nacional e o
desprezo aos problemas sociais, como a educação, a saúde, o desemprego, entre outros.”
(dissertação: Falta de perspectiva do brasileiro; ano: 1998)
i) “Em vista do que foi exposto, torna-se necessário um maior rigor por parte da Justiça e que o
governo tome medidas imediatas para evitar essas atrocidades.” (dissertação; assunto:
Violência; ano: 1998)

3) Em textos jornalísticos também é comum a falta de paralelismo gramatical.


Leia o texto abaixo, propondo mudanças para resolver o problema.

Energia para Bojuru


Dentro de seu programa de expansão e beneficiar todos os municípios gaúchos com o
abastecimento de energia elétrica, a Companhia Estadual de Energia Elétrica, através da
Distribuidora Sul-Sudeste, está desenvolvendo projetos na área do município de Bojuru, adiante
de São José do Norte. Segundo o superintendente da distribuidora, Leônidas Tolentino Lopes,
estão sendo aplicados R$ 2 milhões na rede de energia, que deverá ser inaugurada até o meio do
ano. Hoje, Bojuru tem abastecimento de energia através de um gerador, que funciona até às 22
horas. Nas localidades de Capivara e Passinhos, a obra está orçada em R$ 480 mil.
(Diário Popular, 24/01/98)

4) Também se constitui em um dano às qualidades de um texto, a falta de


paralelismo semântico, ou seja, a inexistência de correlação semântica
(de significado) a qual constitui uma espécie de ruptura do sistema lógico
resultante da associação de elementos, de idéias desconexas. Como
exemplo, temos: “Fiz duas operações: uma em São Paulo e outra no ouvido.” (GARCIA,
Othon, 1988, p.36)
Depois de ler atentamente os textos abaixo, transcreva, de cada um, as
expressões responsáveis pela falta de conexão entre as idéias.
I– “(...) no setor de alimentos deverão ser incluídos, além da salsicha, da
mortadela, do creme dental e da maionese, a esponja de aço, entre
outros.” (Jornal do Brasil, novembro de 1992); (citação encontrada em:
JAPIASSU, Moacir, 1997, p.29)
II – “(...) a população deve refletir e procurar resolver esses problemas, a fim
de poder desfrutar das belezas aqui existentes, olhar as coisas belas,
assim como as universidades – algumas reconhecidas internacionalmente
-, clima e solo privilegiados, inexistentes de abalos sísmicos e a certeza
de um futuro melhor.” (redação de aluno; dissertação; assunto: Brasil 500
anos)
59
III – “(...) além disso, os problemas com lixo e gravidez precoce não são
exclusivamente brasileiros.” (idem ao item “a”)
IV – “Nosso país deve, sim, ser um dos melhores não só no futebol, mas na
Justiça, Educação, Saúde e amor ao próximo.” (redação de aluno;
dissertação; assunto: A influência do futebol na vida social, econômica e
política do brasileiro; ano: 1998)
A ordem dos termos na frase

5) Alguns textos pecam pela estruturação inadequada dos períodos sobretudo


quanto à ordem dos termos, causando, por isso, dificuldades à leitura e,
conseqüentemente à interpretação.

a) Reescreva os trechos que causam dificuldades, alterando a ordem, de


forma a tornar a leitura mais simples. (Faça as modificações
absolutamente indispensáveis).
b) Com base na solução que você propôs, explique por que, do ponto de
vista sintático, os trechos abaixo oferecem dificuldade ao leitor.

I– Homem pedala em 72 países contra a AIDS


O canadense Bertrand Boudreau, 43, diz que sonhou uma noite que
estava dando a volta ao mundo de bicicleta e que sua missão era
chamar a atenção para as crianças com AIDS. (...)
(Folha de São Paulo, 05/02/98)

II – Motorista mexe em resíduos sem luvas


Sem luvas, sem máscara e sem adicional de insalubridade no
salário. É dessa forma que o motorista da prefeitura Joel Barbosa
de Souza, 54, lotado na Secretaria de Serviços e Obras, vem
transportando lixo, inclusive hospitalar, como ocorreu ontem, no
pátio do incinerador de Ponte Pequena para o aterro São João. (...)
(Folha de São Paulo, 06/02/98)

III –Local do homicídio: Gisiele mostra o vidro perfurado pelo tiro de revólver que
causou a morte da tia
Empregada doméstica morta com um tiro na janela de casa
Parentes apontam ex-companheiro da vítima como autor do crime
(Zero Hora, 10/11/98)

6) Muitas vezes, a alteração da ordem dos termos na frase é um recurso


intencional, fruto da vontade do autor. No texto abaixo, explique o que a
alteração dessa ordem provoca.

I – PARA INVESTIDORES ESTUDIOSOS... OU PARA ESTUDIOSOS INVESTIDORES!


Financiamento pela 1 Dormitório.
Incorporadora em 2 Dormitórios e Coberturas com
30 meses. Box Individual e Churrasqueira.
Prestações a partir de R$ 583,88 Elevador
(Diário Popular, 19/03/98)
No entanto, às vezes, essa alteração não é intencional e acaba
causando até mesmo incoerências, conforme percebemos no texto a seguir:
60
II – CD de Linda McCartney é boicotado
Paul McCartney deu início à campanha de defesa do single póstumo de
Linda McCartney, sua mulher, morta em 98, devido a boicote à música “The
Light Comes from Within” por TV e rádios. Os versos que motivaram o
boicote são: “Você não está f... ninguém, seu estúpido p...”.
(Folha de São Paulo, 26/01/99)
No texto II, explicite a incoerência. A seguir,
desfaça-a.

5.4 Obscuridade

7) A obscuridade é um defeito do estilo o qual dificulta a leitura a tal ponto,


muitas vezes, de tornar o texto incompreensível ao leitor. Nos textos abaixo,
explique o porquê da obscuridade.

Texto 1: (Folha de São Paulo, 28/03/98)

DIDATISMO “(A miopia) é a dificuldade


de enxergar objetos localizados no
infinito.”
Trecho do livro didático “Ciências – Uma Produção
Humana”, destinado à 8ª série, ontem na Folha.

Texto 2: (Folha de São Paulo, 17/02/98)

CONTRAPONTO

Diálogo de surdos
Em 1983, o gaúcho Paulo Brossard passou pelo Senado e foi ao gabinete de Pedro
Simon, seu colega no PMDB. Ao encontrar um conhecido funcionário de Simon,
Brossard o interpelou com seu conhecido jeito de “Rui Barbosa em compota”, como foi
apelidado em Brasília:
- O cinesíforo está?
- Está com o doutor Ulysses – respondeu o funcionário, sem saber exatamente a
quem Brossard se referia. Mas pensando que “Cinesíforo” fosse mais um apelido do
“Turco”, como Simon é chamado pelos amigos.
- Ele é amigo do doutor Ulysses?! – espantou-se Brossard.
- Muito amigo. Cada conversa leva de duas a três horas – insistiu o funcionário.
- Se é assim, vou mesmo de táxi para o aeroporto – conformou-se o ex-senador,
que só queria uma carona do motorista (cinesíforo, no seu vocabulário) de Pedro Simon,
que mantivera o mandato e os serviços gratuitos do Senado.

Texto 3 “(...) As lojas especializadas em livros usados, ou sebos, se aproveitam com livros raros
ou baratos dos preços altos nos livros novos.” (Jornal da Tarde, de São Paulo, janeiro
de 1994. Em: JAPIASSU, Moacir. Jornal da Imprença: a notícia levada açerio. São
Paulo: Jornal dos Jornais Editora, 1997)

Obs.: Tente, no texto 3, reescrever o texto, de forma a desfazer a obscuridade.


61
5.5 Ambigüidade

8) Há textos cuja leitura pode ser tomada em mais de um sentido, fazendo com
que o leitor vacile quanto a sua interpretação. Em muitos casos, a
ambigüidade (possibilidade de mais de uma leitura) é fruto de uma intenção
deliberada, por parte do autor, e é um recurso o qual pode ser explorado com
bastante malícia e bom-humor, como nos textos a seguir, extraídos do jornal
Folha de São Paulo. Observe:

Texto 1

JOSÉ SIMÃO
Da Equipe de Articulistas

Buemba! Buemba Macaco Monkey


Simão Urgente! Sabe por que o
Guga perdeu? Porque ele fez como
na propaganda da Rider: deu férias
ao tênis.
(Folha de São Paulo, 13/11/98)
*Guga: tenista brasileiro conhecido internacionalmente.

Texto 2 Texto 3

VIDA BANDIDA VIDA BANDIDA

Cortes A família e a TV
VOLTAIRE DE SOUZA VOLTAIRE DE SOUZA
O Ano Novo sugere a tomada de Muitos fatores contribuem para a
decisões corajosas. Doutor Tarsilo crise da família brasileira. O controle
estava preocupado com a situação remoto da TV é um deles. Selene
econômica. Era um homem de posses. apertava os botões e reclamava. “Esse
“Mas nunca se sabe. Amanhã posso troço não funciona.” Altino arrancou
estar falido.” Resolveu redimensionar o controle das mãos da mulher. “Não
o orçamento doméstico. Olhou para o funciona porque você é burra. Sem
motorista Pedrinho. “Lamento. pontaria. Olha aqui.” A Carla Perez
Preciso diminuir as despesas. Cortar apareceu na tela. “Muda de canal,
na carne. Está demitido.” Pedrinho Altino. Já.” Tentou confiscar o
pediu o aviso prévio. Obteve uma aparelhinho. Recebeu um verdadeiro
resposta amarga. “E a crise dá aviso zapping de tabefes. Chorando, foi até
prévio? Cortar na carne, Pedrinho.” a cozinha. De lá voou uma faca
Na mesma noite, a mulher de Tarsilo certeira. Cravou-se no peito de Altino.
encontrou o marido morto. Pescoço “Pontaria eu tenho sim.” Um dos
cortado. Nos momentos de crise, o segredos do casamento está em nunca
importante é não perder a cabeça. perder o controle.
(Folha de São Paulo, 05/01/99) (Folha de São Paulo, 13/11/98)

Agora responda:

a) Qual é a expressão, em cada texto, cujo sentido desencadeia a dupla


interpretação?
62
b) Qual a dupla interpretação, para cada texto, tomando por base o uso
dessa expressão?

9) Há, no texto abaixo, extraído do Diário Popular, de 13/08/98, no mínimo, a


possibilidade de duas explicações para a informação veiculada. Depois de lê-
lo atentamente, levante duas hipóteses de leitura para tal informação.

50 alunos da UFPel comem no RU


e acabam com intoxicação
10) A ordem dos termos na frase pode acarretar ambigüidade, ou seja,
possibilidade de mais de uma leitura.
No jornal Balcão, de Belo Horizonte, em maio de 1994, em um anúncio,
bastante estranho, salientava-se a seguinte frase:

VENDO CAIXÃO COM POUCO USO, DE LUXO, ABAIXO DO PREÇO

A explicação vinha logo a seguir:


CAIXÃO PARA DEFUNTO COM POUCO USO, SEMINOVO, PERFEITO, DE LUXO,
LINDAS ALÇAS, ABAIXO DO PREÇO, SÓ A DINHEIRO. TEL. 227-85-85.
a) Tomando a explicação, isoladamente, quais as interpretações
possíveis?
b) O que nos permite eliminar uma dessas interpretações, levando
em conta nosso conhecimento de mundo?
Obs.: Trechos extraídos de: JAPIASSU, Moacir, 1997, p.18.

11) No trecho abaixo, extraído de redação de aluno, percebemos uma


ambigüidade, ou seja, a possibilidade de uma dupla interpretação. Depois
de lê-lo atentamente,
a) transcreva o trecho ambíguo;
b) explique quais as interpretações possíveis de tal trecho;
c) reescreva-o, de forma a desfazer a ambigüidade. Faça as
alterações absolutamente indispensáveis.
“Enfim, proponho a Vossa Excelência a implantação de um projeto nesse estilo, pois só
assim conseguiremos reduzir a miséria no Brasil que vem crescendo em grande escala.”
(carta argumentativa; assunto: planejamento familiar; ano: 1998)

12) Leia o texto abaixo:

Menino é intimado a depor por engano


Da Agência, em Belo Horizonte

Um engano levou o menino Fernando Florêncio de


Souza, 7, a comparecer anteontem à Delegacia Seccional
Sul de Belo Horizonte como suspeito de estelionato.
(Folha de São Paulo, 07/11/98)
63
Lendo a manchete, isoladamente, percebemos a possibilidade de duas
leituras.
a) Explicite as duas possibilidades de leitura.
b) Transcreva a expressão que desencadeia o duplo sentido.
c) Lendo a explicação posterior, percebemos que uma dessas
possibilidades pode ser descartada. Explique por quê.

13) A frase abaixo, se tomada isoladamente, presta-se a interpretações distintas.


Observe:

MULHER PEGA NA MÃO DE HOMEM ESCONDIDO


(manchete do programa da apresentadora Sílvia Popovic, em 28/10/98, na rede Bandeirantes de televisão)

a) Quais as interpretações?
b) Do ponto de vista sintático, o que desencadeia essa dupla
interpretação?
c) Reescreva a frase, deixando clara uma dessas interpretações.

14) Há ambigüidade nesta frase:


“Os palpites serão distribuídos entre os colegas, cada um vale vinte cruzeiros”.
(Jornal no Almoço, RBS, 28/06/94)

a) Explique as interpretações possíveis.


b) Reescreva a frase, de modo a desfazer a
ambigüidade.

5.6 Redundância
15) Leia a coluna do prof. Pasquale Cipro Neto, extraída da Folha de São Paulo,
de 24/07/98. Após, identifique nos trechos de redações de alunos as
repetições de idéias as quais causam danos à qualidade de um texto,
devido à circularidade de informações. Além disso, torne os textos mais
concisos, “enxutos”.

QUEIMANDO A LÍNGUA
MALUF E A TAUTOLOGIA
Sei bem o que é falar em público.
Ninguém está livre de escorregões, a
começar por mim. Portanto – e isto vale
para todos os textos que escrever nesta
coluna, até o fim das eleições – não tenho
a pretensão de agir discriminatoriamente
em relação a nenhum dos candidatos.
Aliás, tenho pavor de todos os chatos,
sobretudo dos que se dizem puros e castos,
combatentes dos preconceitos – em geral,
são os mais preconceituosos. Posto isso,
vamos ao que conta. O que está por trás
64
das palavras de um candidato? Suas idéias, é claro. Quando as idéias são pobres, normalmente o
discurso também é pobre.

Na verdade o que acabo de demonstrar uma tese repetindo- combate com verdade.
dizer é tautológico. O que é a com palavras diferentes”. Puxa! Quanta criatividade!
isso? É o adjetivo tautologia. Na semana passada, durante Pelo jeito, é só o aperitivo do
Vamos ao “Aurélio”: um showmício de sua campa- interminável febeapá a que nos
“Tautologia. S.f. 1. Vício de nha, realizado no Jardim Ca- submeterão Maluf e concorren-
linguagem que consiste em margo Novo, bairro da periferia tes nestas eleições.
dizer, por formas diversas, de São Paulo, Maluf, impávido, Em tempo: febeapá é
sempre a mesma coisa. 2. Filos. disse que “desemprego se expressão criada por Stanislaw
Preposição que tem por sujeito e combate com trabalho”. Ponte Preta (Sérgio Porto).
predicado um mesmo conceito, É verdade. Fome se combate Significa “festival de besteira
expresso ou não pelo mesmo com comida. Seca se combate que assola o país”. Sempre. E
termo. 3. Filos. Erro lógico que com água. Sede também se ainda. É isso.
consiste em, aparentemente, combate com água. Mentira se ★

a) “Analisando-se as gerações passadas e a atual, constato que suas idéias, bem como suas
maneiras de pensar e agir, vêm mudando bruscamente.” (dissertação; assunto:
Juventude atual; ano: 1998)
b) “Na realidade, o papel do governo é dar ensino gratuito a todos, e não cobrar este ensino, que é
direito de todos e dever do governo.” (dissertação; assunto: Educação; ano: 1998)
 A ARGUMENTAÇÃO

“As companhias de cigarro nunca vendem


nicotina, mal-estar, mau-cheiro, poluição,
etc. Vendem status social, saúde, vigor
físico, sucesso, etc.”
(Ronaldo Claver. Em: Escrever sem Doer: oficina de
redação)

6.1 Palavras iniciais

A rgumentar é discutir, questionar,


confrontar posições diante de
um tema. São as variadas posições
raciocínio lógico, ao contrário do que a
afirmação acima veicula,
organização de nosso pensamento
da

sobre esse tema que servem a quando queremos sustentar nossa


diferentes funções: influenciar, posição com argumentos claros e
amedrontar, ironizar, exigir, convincentes. Quando houver um
reivindicar, enfim, mudar argumento implícito, são a
comportamentos. Para tal, a sensibilidade, a “bagagem” de mundo,
argumentação deve ser sustentada assim como o conhecimento lingüístico
através de estratégias argumentativas do usuário fatores os quais auxiliarão
adequadas a cada contexto. Ademais, na capacidade de argumentar.
o uso de justificativas, exemplos, fatos Neste capítulo, analisaremos
auxiliam a convencer. É, desse modo, alguns pontos referentes a essa
a adesão do outro que está em jogo. questão através de uma gama de
Esse processo dá-se a textos diversificados.
partir do
6.2 Prática de linguagem

1) Leia o texto da próxima página, respondendo às questões que seguem.

Dura Lex, no Brasilis, só marcae de pratus


GUSTAVO IOSCHPE
Especial para a Folha

1 Época de eleições leva a mente a pague, o dinheiro acaba engordado a conta


pensamentos indigestos: por que é que o 50 de algum político safado que desvia verbas.
Brasil não dá certo? Por que, enfim, somos Este, por sua vez, continua na maracutaias
subdesenvolvidos, pobres e atrasados como porque sabe que ninguém vai preso por
nação, apesar da riqueza natural, da desviar dinheiro alheio. A lei vira piada. O
capacidade de muitas lideranças, da governo não arrecada, ou, se arrecada, não
esperteza dos setores produtivos? E, é claro, tem o suficiente para gastar depois de suces-
não tenho uma resposta definitiva – alguém sivos desvios. Aí você pode dizer: a falta de
tem? –, mas podia citar aqui uma série de dinheiro é uma falácia, o governo tem
10 fatores suficientes para encher todas as dinheiro, sim, só que não o aplica direito. E
edições do jornal por alguns anos, desde o por que não aplica? Por algumas razões,
topete do Cabral até o topete de Itamar, todas relacionadas à lei.
passando por fatores etéreos criados pelos Pode ser que o funcionamento responsá-
historiadores, como “herança escravocrata”, vel por comprar remédios para o posto de
“colonização de exploração”, “caudilhismo” saúde passe a mão na bufunfa, caso de crime
etc. e tal. 60 explícito e de impunidade assegurada. Ou
Mas todos esses vultos do passado não pode ser, simplesmente, que o dinheiro
adiantam muito para quem vive do agora e tenha sido mal direcionado pelo congresso,
precisa de um país que funcione. Precisamos em seu orçamento. O que não é difícil
20 de uma explicação tangível e, tomara, imaginar, dada a notória falta de lisura (leia-
mutável, sobre a qual se: vergonha na cara) de
possamos fazer algo que muitos congres-sistas
não chorar pelo leite der- (não todos, ressalte-se).
ramado. Pois cheguei ao E um país onde os
que me parece o cerne de poderosos sempre saem
todos os males, e aquilo 70 ilesos, o malandro tem
que deveria ser atacado um incentivo para virar
mais urgentemente: a lei. deputado, porque garante
O respeito à lei. Aí você a lladroagem sem riscos
30 vai dizer: mas olhe as crianças sem escola, de ir em cana. Quando a ladroa-gem não é
os favelados, os mortos nas filas de espera explícita, é im-plícita: conchavos, troca de
dos hospitais, os mendigos nos sinais. O que favores e fisiologismos mil, tudo na garantia
eles têm a ver com o cumprimento da lei? de que a lei nunca vai chegar lá. Se os do
Tudo. Porque, olhe só, para resgatar essa andar de cima se esbal-dam na impunidade,
dívida social é preciso dinheiro para o pessoal de baixo fica não só sem escola e
construir escolas, hospitais, casas etc. E 80 hospital, mas sem parâmetro moral. Aprende
dinheiro o governo obtém basicamente de que não fazem mal as pequenas
um jeito: arrecadando impostos. Aí começa contravenções, já que quem está em cima
o problema. corrompe muito mais. Assim, tem um
40 A montanha dos que sonegam impostos é incentivo a tentar sempre torcer a lei para
everestiana. A pessoa ou empresa sabe que ganho próprio, até porque sabe que a polícia
não vai para a cadeia se não pagar imposto, não tem recursos para pegar todo mundo,
então não paga, ou paga menos do que assim como o judiciário não consegue julgar
deveria. Também sabe que, mesmo que e o sistema penitenciário não consegue

90
67
punir, todos vítimas do mesmo ciclo vicioso aquela marca de pratos. Que, ao contrário do
de desrespeito à legislação. “Dura lex, sed nosso país, não quebra.
lex” – a lei é dura, mas é a lei, diziam os
Gustavo Ioschpe, 21, é escritor e estuda
latinos. De dura lex, no Brasil, só mesmo Administração na Wharton School e Ciência Política
na University of Pennsylvania, EUA, e-mail:
desembucha@cyberdude.com
1.1) Percebemos no título do texto uma ironia, a qual se baseia em uma
expressão bastante utilizada, sobretudo nos meios jurídicos.
a) Que expressão é essa?
b) Percebe-se tal ironia através da relação estabelecida entre essa
expressão e um produto de consumo de determinada marca
(objetos de vidro da marca DURALEX). O que sugere essa
relação?

1.2) Há várias maneiras, em um texto, de introduzirmos o assunto.


a) Que recurso foi utilizado para tal na introdução?
b) Qual é a questão fundamental que o autor discute nesse texto, já
evidenciada na introdução?
c) Inicialmente, o autor utiliza certos “clichês”, criticando, dessa forma, sua
“pobreza”, em termos argumentativos. Que clichês são esses?
d) O adjetivo “etéreos” (linha 13) usado para criticar o empobrecimento
desses clichês, em termos de argumentação, contrapõe-se, mais
adiante, ao emprego de outro adjetivo, revelando, através desse
contraste, posições antagônicas entre o que os historiadores costumam
atribuir como causa da problemática levantada no texto e o que,
efetivamente, Gustavo Ioschpe pensa a respeito. Identifique esse
adjetivo.

1.3) Há determinadas expressões as quais não devem ser tomadas


literalmente para que o efeito de sentido pretendido no texto seja
assegurado. “Chorar pelo leite derramado”, não levando em conta o
sentido literal, pode ser substituído por qual outra expressão?

1.4) Qual a justificativa apresentada por Gustavo para defender sua


posição diante do questionamento levantado inicialmente no texto?

1.5) Para comprovar sua posição, o autor utiliza um recurso intencional: a


circularidade das idéias, configurando, assim, um círculo vicioso, a fim
de demonstrar que ela leva a um tipo de raciocínio bastante utilizado em
textos argumentativos. Observe o esquema ilustrativo dessa afirmação:
I – descumprimento da lei → desvio de impostos → sonegação → impunidade → descumprimento da lei
arrecadados
    
II – descumprimento da lei → desvio de verbas → impunidade → descumprimento da lei
   

Elaborar círculos viciosos, levando em conta as idéias


mencionadas em I e II. Use os termos propostos e faça as
adaptações necessárias.
Para I: não só/devido a/como também/derivados
de/comprovando
Para II: em razão de/gerado por/confirmando
1.6) Qual o significado do termo “everestiana” (linha 41)? Que outra
expressão, no texto, serviu de “pista” para você chegar a essa conclusão?

1.7) Há relações estabelecidas nas linhas 42 e 43, evidenciadas pelo uso dos
nexos “se” e ”então”, respectivamente.
a) Faça substituições desses nexos, mantendo a mesma
relação semântica (de significado).
b) Quais as idéias expressas por tais nexos,
respectivamente?
c) Na linha 44, o nexo “mesmo que” poderia ser
substituído por qual outro, se mantivéssemos a
mesma idéia?
1.8) Ao lado de cada termo listado abaixo, transcreva a(s) palavra(s) a que se
refere.
a) esses (linha 17):________________;
b) aquilo (linha 26):________________;
c) Este (linha 47):__________________;
d) os (linha 76):___________________.

1.9) Expressões do tipo “ninguém vai preso”, “os poderosos sempre saem ilesos”
e “a lei nunca vai chegar lá” revelam uma conclusão a partir de uma
evidência insuficiente, provocando uma generalização excessiva. Tal
recurso é favorável ou desfavorável em termos argumentativos? Justifique.

1.10) É comum o uso de substantivos, em textos argumentativos, para marcar a


posição do autor diante de um fato, pois é através deles que se podem
criticar negativamente ou elogiar atitudes, comportamentos, idéias, etc.
Para criticar a “ladroagem” e a ”malandragem” dos poderosos, quais os
substantivos utilizados por Gustavo?

1.11) Qual a referência utilizada nas linhas 76-82, a qual serve de parâmetro
para sustentar a tese do autor, segundo a qual há impunidade em nosso país?

2) Leia os textos abaixo, comparando-os:

TEXTO 1

A culpa é sua
CLÓVIS ROSSI

São Paulo – Cai o Palace 2 e os culpados entupidos e não teria, em conseqüência,


são as vítimas, se se pudesse levar a sério a havido alagamentos. É o que alega a
afirmação de seu construtor, o deputado laboriosa Prefeitura de São Paulo, gestão
Sérgio Naya, de quem se ouviu falar que Celso Pitta. Como no Brasil há uma forte
algum morador do prédio estava tendência a que peguem modas indecentes,
construindo irregularmente uma piscina, em vamos desde logo à lista dos próximos
clara insinuação de que fora essa a causa culpados:
do desabamento. São Paulo quase some sob 1) Está desempregado? A culpa é sua.
as águas de março e os culpados são, de Quem mandou preferir ficar em casa,
novo, as vítimas. Se não fosse o tal de povo batendo papo com a “patroa”, em vez de
sujar as ruas, os bueiros não teriam ficado pegar no pesado? Você acaba se viciando
69
no generosíssimo seguro-desemprego pago 4) Não conseguiu colocar o filho na
pelo governo. escola, pública de sua preferência? A culpa é
2) Sua pequena ou microempresa sua. Por que não comprou uma casa em um
quebrou? A culpa é sua. Se tivesse PhD em bairro em que a escola próxima tem vagas?
Ásia, você ficaria sabendo que a Tailândia ia 5) Está penando na fila do INSS? A culpa
quebrar, que logo seria seguida por um é sua se você não ficou sabendo que a
punhado de “tigres” e o Brasil seria economia de mercado oferece uma penca de
obrigado a duplicar os juros, que já eram dos planos de saúde privados (a fila pelo menos é
mais altos do mundo. Será que só você não menor).
percebeu que a Ásia ia quebrar? E não me venha com a história de que o
3) Levou uma bala perdida? A culpa é seu salário não lhe permite pagar um plano
sua. Quem mandou sair à rua, dormir ou desses. Quem mandou você não se preparar
nadar sem um colete à prova de balas? para a tal de globalização?
(Folha de São Paulo, 07/08/98)
Texto 2
CHICLETE COM BANANA – Angeli

(Folha de São Paulo, 25/05/98)


Nos dois textos, os autores lançam mão de uma estratégia argumentativa
bastante peculiar; o suficiente para provocar risos no leitor.
a) Que tipo de estratégia é neles utilizada?
b) Com que finalidade o autor do texto 1 usou repetidamente a expressão “A
culpa é sua”?
c) Qual o efeito provocado, em termos argumentativos, através do uso de tal
estratégia, além da ironia?

3) Os textos abaixo fazem parte de uma coletânea sobre o amor, evidenciando


uma pluralidade de definições/descrições desse sentimento.
Depois de lê-los atentamente, compare-os respondendo ao que é proposto.

Texto 1 Texto 2
O Chão é cama para o amor urgente, “Márcia, se eu gastasse todas as
amor que não espera ir à cama. @ desde ciberespaço, ainda assim
Sobre tapete ou duro piso, a gente não poderia expressar o quanto
compõe de corpo e corpo a úmida trama. curto teclar com você.
Amor, Rick.”
E para repousar do amor, vamos à cama.
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) (declaração virtual)

Texto 3 Texto 4
“Danilo. Tô morrendo de saudade dos seus “Dizer que brevemente serás a metade
beijos, do brilho de seu olhar e, de minha alma. A metade? Brevemente?
principalmente, da sua Não: já agora és, não a metade, mas toda.
sunguinha.” Dou-te a alma inteira, deixas-me apenas
Uma pequena parte para que eu possa
(Cristina Guedes, 15) existir por algum tempo e adorar-te.”
(Graciliano Ramos, em “Cartas de Amor a Heloísa”)

Texto 5
Arte de Amar
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus – ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo
Porque os corpos se entendem, mas as almas não!
(Manuel Bandeira, 1886-1968)
Texto 6

“Se eu tivesse adivinhado em ti tanta candura e amor, não tantos dissabores e desgostos, e não
teria visto com os meus próprios olhos a maior das patifarias! Tua mana é... enfim, eu cá sei o que
ela é, e basta. Deixe-mo-la, falemos só no nosso amor! Não olhes pras minhas botas. Tuas
palavras acenderam em meu peito uma paixão vulcânico-piramidal e delirante. Há um momento
que nasceu, mas já está grande como o universo. Conquistas-te-me! Terás o pago de tanto amor!
Não duvides, amanhã virei pedir-te ao teu pai!”
Em “Os Judas em Sábado de Aleluia”, de Martins Pena, o volúvel Faustino apaixonou-se por duas irmãs
sucessivamente e descobre que a primeira era namoradeira e que a segunda o amava secretamente.

Obs.: esses textos foram extraídos do caderno “Folhateen”, do jornal Folha de São Paulo, de 08/06/97.

Agora responda:
a) Os textos 1, 4 e 5 reiteram-se ou contradizem-se quanto à
definição do que seja o amor? Justifique.
b) Em 2, 3 e 6 o tratamento dispensado ao ente querido é o
mesmo? Justifique.

4) Leia os textos abaixo, respondendo ao que é solicitado.

Texto 1 (letra de Torquato Neto, musicada


por Sérgio Brito, integrante dos “Titãs”)
Go back

Você me chama
Eu quero ir pro cinema
você reclama
meu coração não contenta
você me ama
mas de repente a madrugada mudou
e certamente
aquele trem já passou
e se passou
passou daqui pra melhor,
foi!

Só quero saber
do que pode dar certo
não tenho tempo a perder.
71
Texto II cotidiana e 85% acreditam que dependem
apenas de si mesmos para vencer na vida.
CÉLIA DE GOUVÊA FRANCO Foram arquivados os ideais socialistas, a
Da Reportagem Local rebeldia contra tudo e todos dos punks e
mudaram a filosofia yuppie – querem ter
Quais são os principais interesses de um sucesso profissional, sim, mas não a custo de
adolescente hoje? Errou quem respondeu sexo, esquecer a vida sentimental, a saúde e a boa
drogas e rock’n roll. Errou também quem forma física.
apostou em “mudar o mundo” ou “divertir-se Cidadãos do mundo, apenas 43%
ao máximo”. pretendem continuar morando nos países em
Teens de todo o mundo demonstraram que nasceram. Por isso, olham o planeta Terra
formar uma geração filha do neoliberalismo. não apenas como um imenso playground, mas
Pesquisa inédita, feita em 41 países com como um novo campo de oportunidades de
mais de 25 mil adolescentes entre 15 e 18 anos emprego.
das classes A e B, revela que a principal (...)
preocupação dos adolescentes atuais é arrumar
um bom emprego. A globalização já é coisa (Folha de São Paulo, 28/07/96)
a) Estabeleça uma comparação entre os resultados da pesquisa revelados
na Folha de São Paulo e os versos da última estrofe do texto 1: “Só quero
saber/do que pode dar certo/não tenho tempo a perder.”
b) Os rebeldes dos anos 60 consideravam as lutas sociais e bandeiras
políticas prioridades e acreditavam que a reforma de uma sociedade
concretizava-se através de passeatas, por exemplo. Os jovens da geração
atual, segundo as idéias expostas, não pensam assim. Retire do texto 1 o
verso que melhor expressa essa afirmação.
c) Retire do texto 2, no mínimo, dois argumentos que sustentam a
afirmação citada no item anterior (“b”).

5) Leia o texto abaixo, extraído da revista Veja, de 12/08/98.

Lições do Provão Ponto de Vista Claudio de Moura


Castro

Um bando de engenheiros pode desmontar um carro, examinar seu motor e


pedir o currículo de quem o desenhou, para descobrir que velocidade atingirá.
Mas há uma alternativa mais fácil e confiável: pisar no acelerador e medir a
velocidade. Assim é também com a Educação. Os funcionários do MEC
brandiram fitas métricas para medir salas, contaram livros na biblioteca e os
diplomas dos professores, no afã de adivinhar quanto aprenderiam os alunos
que cursassem nossas escolas. (...)

a) Freqüentemente, a exposição de um ponto de vista se dá


através de uma comparação. Copie onde isso ocorre no texto
lido.
b) Qual o efeito que o uso de tal recurso provoca em um texto
argumentativo?

6) Leia o texto abaixo, extraído do jornal Folha de São Paulo, de 19/01/98, e


responda ao que é solicitado.

Na ponta da língua
“Uma das características mais variedade dialetal, efeito da variedade
interessantes das línguas humanas é sua própria dos grupos que as falam. Basta
conferir não só as ruas, mas também a É exatamente o contrário do que faz Arnaldo
melhor literatura. Niskier no pobre texto publicado na Folha, em
Para muitos, no entanto, a variedade 15/01, no qual reproduz a conhecida salada de
aparece como se fosse grave defeito. Pra lugares-comuns e preconceituosos (de que
tratar essa questão sem histeria, a melhor valem as regências corretas, se é para dizer tão
saída será a conjugação do fim dos pouco?). Até porque ele sempre esteve ao lado
preconceitos (o que não se consegue por dos que produziram o descalabro da escola
decreto) com o conhecimento adequado dos brasileira.”
fatores da variação.
Uma atitude seria necessária: usar a mesmo Sírio Possenti (Campinas, SP)
critério para avaliar o comportamento do povão
e o dos bacanas.

a) Transcreva a tese, isto é, a afirmação básica que o autor toma como


verdadeira e defende em seu texto.
b) Transcreva um argumento no qual o autor se baseia para defender essa
tese.
c) Uma das maneiras possíveis de emitir nosso ponto de vista sobre um
tema é demonstrar a falsidade da argumentação daqueles que pensam
diferente de nós. Esse procedimento, chamado de contra-
argumentação, consiste em refutar argumentos alheios. Transcreva um
trecho que vale como contra-argumento para Sírio Possenti criticar a
posição de Arnaldo Niskier.
7) Comparando os dois textos abaixo, os quais tratam do mesmo assunto – o
estupro –, explique qual dos dois apresenta argumentação mais consistente.

FRASE
“A estuprada é vítima, mas pode ser que tenha sido conivente. O único
inocente nessa história, que é o feto, é que vai pagar pelo erro dos outros.”
Manoel Pestana Filho, bispo de Anápolis, sobre projeto de lei a respeito da
obrigatoriedade de atendimento pelo SUS dos casos de aborto previstos no
Código Penal, ontem na Folha.

(Folha de São Paulo, 22/08/97)

Estupro na TV
“No meio das amenidades, o TV Folha do descrever a situação de ser estuprada enquanto
último domingo, no resumo da novela ‘Torre dorme narcotizada, perder a virgindade e
de Babel’, diz que a personagem Bina ‘vai quem sabe também sua condição de não-
perder a virgindade’, quando na verdade ela grávida e não-contaminada por HPV, HIV e
vai ser estuprada enquanto dorme narcotizada. DSTs em geral?”
Dessa forma, o TV Folha ajuda a TV Maria Otilia Bocchini, professora do
Globo a ocultar o estupro, apresentando-o Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA
como mais uma situação ‘cômica’ do ‘núcleo – Escola de Comunicação e Artes – da USP (São
cômico’ da novela da oito. Que jornalista é Paulo, SP)
esse, ou essa, que acha que a expressão
(Folha de São Paulo, 29/11/98)
‘perder a virgindade’ é suficiente para
73
6.3 Recursos argumentativos

Leia o texto abaixo, referente às questões 8 e 9, respondendo ao que é


proposto.

“Adeus à política
RUBEM ALVES
Guimarães Rosa sentia também o que sinto apavorado por não ouvir nada que emita
sinto. Numa entrevista a Günter W. Lorenz, um som humano. São sempre as mesmas
disse: ‘A política é desumana, dá ao homem o palavras, que dizem as mesmas mentiras. E,
mesmo valor de uma vírgula numa conta. Não visto que os homens se conformam (...), vejo
sou um homem político, justamente porque nisso a prova de que não dão a menor
amo o homem. Deveríamos abolir a política. importância ao próprio governo e que jogam,
Políticos falam sempre de lógica, razão, essa é que é a verdade, com toda uma parte de
realidade (...) e, ao mesmo tempo, praticam os sua vida e dos seus interesses chamados
atos mais irracionais que se possa imaginar. vitais’.
Talvez eu seja um político, mas desses que só Discordo de Camus num ponto apenas.
jogam xadrez quando podem fazê-lo a favor Não acredito que o conformismo se deva ao
do homem.’ (...) fato de que os homens não dão importância ao
Dirão que estou padecendo do pessi- governo. Deve-se a terem perdido as
mismo dos velhos. Mas Albert Camus tinha só esperanças: sabem que seus esforços são
33 anos quando escreveu: ‘Cada vez que ouço inúteis. (...)”
um discurso político (...), há anos que me
(Folha de São Paulo, 09/01/98)
8) O autor lança mão de um recurso constante no texto: o uso do argumento de
autoridade, o qual consiste na citação de autores renomados, celebridades,
autoridades conhecidas para ratificar seu ponto de vista.
a) Em termos argumentativos, tal recurso é relevante? Justifique.
b) Identifique, no texto, algumas passagens nas quais o autor
utiliza tal recurso.

9) Outro recurso bastante comum em textos argumentativos é o apelo ao


raciocínio lógico, isto é, às relações que se estabelecem, por exemplo, entre
causa e conseqüência, apontando para conclusões compatíveis com as idéias
apresentadas.
Identifique as justificativas apresentadas, em entrevista a Günter, por
Guimarães Rosa, para abolir a política da sua vida.

10) A publicidade abaixo apóia-se em um recurso freqüente em textos


argumentativos: o argumento baseado no consenso, ou seja, em
proposições universalmente aceitas. No texto abaixo, extraído de Zero Hora,
de 09/06/98, percebe-se isso.
a) Identifique a frase em que tal recurso é utilizado.
b) Explique o efeito que, nesse texto, provoca o uso de
tal recurso.

11) Se alguém quisesse chamar a atenção sobre a exploração do trabalho


infantil, o uso dos dados abaixo seria pertinente? Justifique.

O trabalho infantil não é uma peculiaridade da Capital,


do Rio Grande do Sul ou do Brasil. Trata-se de um
problema mundial. Dados da Organização
Internacional do Trabalho (OIT) mostram que 20% dos jovens
com idade entre cinco e 14 anos trabalham no mundo todo. São
nada menos do que 250 milhões de crianças e adolescentes
integrando a força de trabalho nos quatro cantos do planeta.
(Zero Hora, 14/12/97)

12) As declarações a seguir, extraídas de Folha de São Paulo, de 28/03/97 e


06/02/98, respectivamente, foram sustentadas com base no raciocínio lógico:
depois de uma proposição inicial, os autores apresentam razões para
confirmar o que declaram.

Texto 1
“O suspense é como a mulher. Quanto maior a imaginação, maior a emoção.”
Alfred Hichcock
Texto 2

Elite sem futuro


“Se não há emprego, não há consumidores. Se não há
distribuição de renda, não há consumo. Socializando-se o
capital, todos participam do consumo e a economia cresce, o
que significa mais empregos, mais arrecadação, mais poupança
etc. Elite brasileira, vê se deixa a ‘burrice’ de segurar
privilégios, porque no futuro seus filhos e netos serão cidadãos
sem oportunidades, fracos e oprimidos pela globalização.”
Zeni Pinheiro (Rio de Janeiro, RJ)

As justificativas para o que os autores declaram aparecem, nos textos 1 e


2, respectivamente, através de uma comparação e de uma relação de
causa/conseqüência.
75
Retire, dos textos, argumentos que confirmem essa afirmativa.

6.4 Defeitos de argumentação

Muitas tentativas de desenvolvimento do raciocínio lógico-expositivo não são


bem sucedidas. A esse tipo de empecilho na argumentação denominamos
falácias. Nos exercícios abaixo, você encontrará alguns dos principais problemas
no desenvolver do pensamento lógico. Depois de ler as questões propostas,
tente resolvê-las.

13) Argumentar é um processo que requer o apelo à lógica, à razão. Nesse


processo, a ordenação e a relação entre as idéias é fundamental para
garantir a coerência de um texto.
Freqüentemente, cometemos determinados “erros” na construção de um
raciocínio como, por exemplo, quando, entre dois fatos, supomos haver uma
relação de causa e efeito, mas, na verdade, não é essa a relação
estabelecida; ou então, tal relação é feita de forma inadequada.
Esse tipo de problema é evidente no texto abaixo, extraído de redação de
aluno.
Observe:

“As bebedeiras e os acidentes nas estradas acontecem durante o carnaval porque este evento
dura uma semana.” (dissertação; assunto: Alcoolismo entre os jovens; ano: 1998)

a) Transcreva o trecho em que a relação causa/efeito é


inadequada.
b) Explique o porquê dessa inadequação.

14) Um outro caso bastante comum no desenvolvimento do raciocínio lógico


ocorre quando os elementos de uma comparação diferenciam-se em algum
ponto essencial da analogia. Trata-se de uma falácia denominada falsa
analogia. Depois de ler a declaração abaixo, extraída do jornal Folha de São
Paulo, de 12/12/98, explique o problema de argumentação que ela encerra.

FRASE
“Quanto mais pobre, mais malufista.”
Zulaiê Cobra (PSDB-SP), deputada federal, durante discussão com
Claudete Alves da Silva Souza, presidente do Sindicato dos Funcionários
Públicos Municipais de São Paulo, sobre a legitimidade de seu voto a favor
da reforma da Previdência, ontem na Folha.

15) Leia o texto abaixo, extraído do jornal Folha de São Paulo, de 19/02/98, e
explique o motivo da ironia de José Simão quanto à justificativa dada pelo
governo para os constantes cortes de energia elétrica de que o Rio tem sido
alvo.

JOSÉ SIMÃO
Da Equipe de Articulistas
“Buemba! Buemba! Macaquito
Simão Urgente! Desculpe o trocadilho,
mas a situação no Rio não está nada light.
Rarará. Essa é a piada do século:
audiência da Light interrompida por falta
de luz. Derruba qualquer Carnaval! A
Light promoveu uma reunião para
explicar a falta de luz, mas não conseguiu
porque faltou luz. Nem Gabriel Garcia
Márquez ia bolar tal situação. Não há
ficção que supere a realidade latino-
americana!
Mas aí vem a Light, o Don Doca
FHC e a tucanada dizendo: “Mas também
todo mundo liga o arcondicionado ao
mesmo tempo”. Rarará. Tem que fazer
rodízio de ar condicionado. De elevador,
de liquidificador e de computador!”

16) As enchentes, em São Paulo, nos últimos tempos, têm causado embaraços a
políticos, os quais deveriam apresentar soluções eficientes para evitá-las. Foi
realizada uma reportagem pelo jornal Folha de São Paulo, em 06/03/98, na
qual autoridades tentam explicar as dificuldades na resolução desse caso.
Leia atentamente as explicações dadas por essas autoridades e avalie se elas
procedem ou não, justificando.

FRASES
da Reportagem Local

O discurso e as promessas da prefeitura “A enchente é inexorável. O paulistano


se repetem após cada enchente na cidade. vai ter que usar jet-ski para fugir dos
Também os prazos para a prometida solução alagamentos.”
Reynaldo de Barros (28/09/97).
dos problemas parecem se repetir. Pitta
voltou a dizer ontem que em 30 dias a “Os problemas (de alagamento) foram
cidade estará limpa. causados por uma chuva excepcio-
Veja a seguir outros exemplos de frases nalmente forte”.
e promessas que se repetem: Reynaldo de Barros (31/01/94).

“Não sou eu que jogo papel na rua.


EFEITO “EL LIXO”
Parte da inundação é por causa da
sujeira que jogam nos córregos.” “Há maus cidadãos que não respeitam a
Paulo Maluf, então prefeito de São Paulo, sua cidade e entopem as bocas-de-lobo.”
comentando as causas das enchentes (29/02/96).
Celso Pitta (PPB), prefeito de São Paulo, ao
culpar novamente a população pelos
“São Paulo está suja porque a população alagamentos que ocorrem depois de chuvas
é porca.” fortes, ontem na Folha.
Alfredo Mário Savelli, secretário municipal das
Administrações Regionais, (18/11/97).

(Folha de São Paulo, 07/08/98)


17) Leia os textos abaixo, comparando-os.

Texto 1
77
CONTRAPONTO

Pediu para ouvir


Acusado por adversários janistas de pautar sua vida pública pelo lema “rouba, mas faz”,
Adhemar de Barros (SP) foi um dos governadores que apoiou o golpe militar, em abril de 1964.
Dois anos depois, Adhemar estava indisposto politicamente com o regime. Em junho de 66,
acabou tendo seu mandato cassado e seus direitos políticos suspensos por 10 anos.
Seus adversários aproveitaram para espalhar a versão de que o motivo da cassação era a sua
corrupção. E uma história entrou para o folclore do político:
Dias antes da cassação, Adhemar, prenunciando o pior, teria ido ao Vale do Anhangabaú
fazer o comício. Durante o evento, indignado, bateu teatralmente com a mão na calça e disse:
- Aqui neste bolso nunca entrou um centavo de dinheiro público!
Um janista, na frente do palanque, aproveitou a deixa:
- Calça nova, hein governador!?
(Folha de São Paulo, 27/12/98)

Texto 2

“Maluf rouba, mas faz”


“Sou um estudante de Arquitetura disposto a conseguir ‘algo mais’ da minha faculdade
e da minha vida. Não agüento mais estar rodeado de pessoas alheias a tudo,
preocupadas com a caixa postal do novo celular digital, entre outras coisas
‘importantes’. (...)
Mesmo querendo ter alguma participação na vida política de alguma instituição
(qualquer que seja), esbarro em pessoas que continuam passivas e desinteressadas,
daquele tipo que se prende a chavões como: ‘Maluf rouba, mas faz!’. Pode?”
Mony Lacerda Khouri, 20 (via e-mail)
(Folha de São Paulo, 24/04/98)

a) A acusação a Paulo Maluf e Adhemar de Barros, de que eles “roubam,


mas fazem” pode ser vista como um defeito de argumentação? Por
quê?

b) Qual o argumento deixado implícito, no último período do texto 1, em


relação ao comportamento de Adhemar de Barros?

18) Numere o 1o bloco de acordo com o 2o, tomando por base os defeitos de
argumentação contidos nos textos. Atente para o fato de um mesmo defeito
poder aparecer em mais de um texto.

1o bloco

( ) falsa analogia
( ) fuga do assunto
( ) estereótipo
( ) simplificação exagerada
( ) argumento autoritário*

* O argumento autoritário, neste caso, não é visto como uma estratégia, um recurso, mas como
um defeito de argumentação.
o
2 bloco
(1) HIGIENE MENTAL “É preciso ter cabeça de (2) CDHU “O brasileiro gosta de uma fila. É só
loira. Não pode pensar em nada.” ver uma que já encosta.”
Leandro Pinheiro, mergulhador, sobre a técnica Rubens Bagatella, diretor de ação regional da CDHU,
do mergulho em profundidade, ontem na Folha. sobre a fila de interessados em moradias populares
formada no posto da CDHU em Itapecerica (SP), ontem
(Folha de São Paulo, 04/01/99) na Folha.

(Folha de São Paulo, 12/03/98)

(3) TIROTEIO (4) AJUDA DIVINA


Do ex-presidente José Sarney (PMDB), “O problema não é de privatização. É de
sobre o monótono discurso de posse de eficiência, é de relacionamento mais adequados
FHC no Congresso, feito sem a verve com a população e de pedir a Deus que o verão
costumeira, e a data da posse em 1º de seja menos forte.”
janeiro: Fernando Henrique Cardoso,
– A escolha do dia é que não é propícia presidente da República, ao
defender as priva-tizações e culpar
para muita eloqüência. o calor pela crise da Light da CERJ,
ontem na Folha.
(Folha de São Paulo, 03/01/99)
(Folha de São Paulo, 15/02/98)

(5) “Quem compra um apartamento corre um


risco. E se tivesse havido um incêndio?” (6) “É como tirar um dente. Você sabe que dói,
SÉRGIO NAYA, deputado e dono da Sarsan, adia o quanto pode e, depois de feito, diz: ‘É
empresa que construiu o edifício que desabou no
Rio. só isso?’.”
Carlos Fagundes, da Associação Brasileira de Bancos Comer-
(Zero Hora, 28/02/98) ciais e Múltiplos, sobre a liberação do câmbio, ontem na Folha.
(Folha de São Paulo, 19/01/99)

(7) Aposentadoria de fome


“Como se já não bastasse sermos chamados de caipira, nós, cidadãos brasileiros, agora somos
obrigados a ouvir o presidente da República dizer que certa camada aposentada é vagabunda, pois
se aposentou antes dos 50 anos de idade. (...)
(Henrique Lobello, 21, São Paulo, SP, via e-mail)
(Folha de São Paulo, 17/06/98)

(8) Para tentar justificar suas declarações, O deputado disse estar sendo vítima de uma
Naya disse ainda que havia tomado um “avalanche”.
pouco de uísque depois de ingerir seis “Outras obras caíram no Rio de Janeiro, São
remédios para controlar problemas Paulo, Belém. Um avião caiu e matou cem pessoas.
cardíacos. “Tomei os seis comprimidos de Ninguém bloqueou bens de ninguém. Covardia o que
uma só vez. Não bebi nem uma dose de estão fazendo. É uma avalanche contra mim. Minha
uísque. Fiquei meio eufórico e não sei, deu irmã tem 1% da empresa e bloquearam os bens
essa...” dela”, afirmou.
(Folha de São Paulo, 19/09/98)

(9) “Para ter uma opinião bem formada, um bom discurso e um conhecimento geral, basta gostar de
ler.” (trecho de redação de aluno; assunto: O hábito de leitura entre os jovens)

(10) “Considero as causas dessa situação [falta de planejamento familiar] reversíveis, pois a
desigualdade social, a má distribuição de renda, o declínio da Educação são males que podem ser
facilmente remediados, basta o interesse do Governo.” (trecho de redação de aluno; assunto:
Planejamento familiar)

(11) “Foi melhor do que o enterro de Raul Seixas.”


(Carlos Godoy, 17, em declaração dada após ato pelo impeachment do ex-presidente Fernando Collor, em
26/08/92; Folhateen; suplemento de Folha de São Paulo, de 16/02/98)
79
6.5 Uso de adjetivos e advérbios na argumentação

19) Comumente é aceita a idéia de que textos descritivos têm a peculiaridade de


expor, de forma “objetiva”, quase imparcialmente, dados de uma realidade.
O texto abaixo contradiz essa idéia, pois o uso de advérbios, seguidos de
adjetivos, demonstram que seu autor intervém freqüentemente na descrição,
mostrando explicitamente seus sentimentos e gostos.

A Catedral de Notre Dame


vista do Quai de Montebello

Ça va, m’sieur...
Romanticamente comovido nos Quais que margeiam o Sena,
contemplativamente enlevado nos jardins do Palais du Luxembourg,
nostalgicamente perdido nas vielas existencialistas do Quartier Latin,
gulosamente deliciado nos bistrôs do Marais, celestialmente maravilhado
com a Catedral de Notre-Dame, ricamente adornado nas vitrinas de Champs
Élysées, historicamente esclarecido na Esplanade des Invalides,
monumentalmente embasbacado no parque Champ de Mars, eroticamente
excitado nos cabarés de Place Pigalle, reverentemente ilustrado ao longo dos
corredores do Louvre, patrioticamente exaltado na Place de la Bastille,
culturalmente entusiasmado nos cinco andares de Beaubourg, alegremente
embriagado nas brasseries de Saint-Germain, criativamente eletrizado no
Museu Picasso, divinamente hipnotizado pelos vitrais da Sainte Chapelle,
artisticamente motivado nas ladeiras de Montmartre, ternamente apaixonado
sob as árvores do Place Dauphine, calorosamente iluminado pelas telas
impressionistas da Gare d’Orsay. Em Paris, pode-se ficar tudo isso e muito
mais.
Foi um pouco assim que fiquei, bobamente enfeitiçado pela simples razão
de estar lá, seguindo os passos do Luis Fernando, traçando meus desenhos
pelas ruas, parques e bulevares de uma cidade inesquecivelmente
encantada.
Joaquim da Fonseca
(VERRISSIMO, Luis Fernando, FONSECA, Joaquim da. Traçando Paris. Porto Alegre: Artes e Ofícios
Editora, 1995; ilustrações de Joaquim da Fonseca)
a) Faça uma breve listagem do uso dessas categorias gramaticais.
b) No último parágrafo, que expressão melhor revela o estado de
espírito do autor? E que outro termo define, segundo Joaquim da
Fonseca, a cidade de Paris?
6.6 Norma lingüística e argumentação

20) Existem determinadas transgressões relativas aos aspectos gramaticais ou


lexicais (de vocabulário) que, embora não prejudiquem a clareza do
enunciado, afetam a imagem do enunciador e sua credibilidade. Esses
“erros” ou inadequações influenciam no poder de argumentação do texto,
sendo responsáveis, por vezes, pela “desqualificação”, por parte da opinião
pública, dos discursos alheios.
O professor de português Pasquale Cipro Neto, o qual ministra cursos e
mantém programas em rádio e televisão, em nível nacional, concedeu uma
entrevista a Veja, de 10/09/97, na qual aborda temas relativos ao uso da
Língua Portuguesa no Brasil. Observe:

Veja – O ex-presidente Fernando Collor coisa “não se adéqua”. Ninguém falava nada.
errava muito? Em compensação, o mundo caiu em cima do
Pasquale – E como! O curioso é que muitas ex-ministro Rogério Magri quando ele soltou
pessoas que votaram nele justificavam sua o “imexível”. Sabe por quê? Porque língua no
escolha dizendo que o Lula era analfabeto. Brasil é um incrível elemento de
Ora, o Fernandinho detonava a língua. Ele discriminação social. Os mesmos que
costumava mandar bilhetinhos para seus apedrejam o Lula porque ele fala “penso de
assessores com erros de concordância. Certa que” bancam os surdos ao ouvir um
vez escreveu “Causa-me espanto as empresário cometer uma bobagem idêntica.
repercussões”, com o verbo no singular e o Não há diferenças entre a linguagem média do
sujeito no plural. Fernandinho também dizia empresário brasileiro e a de um sindicalista.
barbaridades do tipo “a polícia interviu” e tal Estamos todos nivelados por baixo.
Neste trecho, conforme se vê, o professor ridiculariza o ex-presidente
Fernando Collor.
a) Releia os trechos alvos da crítica que aparecem em negrito
no texto e adapte-os à norma culta da língua.
b) Transcreva a tese sobre o uso da Língua Portuguesa, isto é, a
afirmação básica que o professor aceita como verdadeira e
defende nesse trecho.
c) Transcreva um argumento no qual o autor se baseia para
defender sua tese.

21) Há determinadas transgressões relativas aos aspectos gramaticais,


ortográficos, semânticos (de significado) ou ao nível de linguagem que,
embora não prejudiquem a clareza do enunciado, afetam a imagem do
enunciador e sua credibilidade. Esses “erros” ou inadequações prejudicam,
por vezes, o poder de argumentação do texto e são responsáveis, por parte
da opinião pública, dos discursos alheios.
Tal fato pode ser observado na nota publicada abaixo, no jornal Folha de
São Paulo, em 19/04/98:
A GAFE DA SEMANA
Ratinho “espanca” a língua portuguesa
da Redação

Imagem exibida no “Ratinho Livre” de segunda


81
Em um programa com duas brigas ao vivo, até a
língua portuguesa foi agredida.
No “Ratinho Livre” da última segunda, perguntou-
se aos telespectadores, via sistema 0900, se os
seqüestradores do empresário Abílio Diniz deveriam
ser extraditados.
Até aí tudo bem, não fosse o erro de ortografia
gritante que apareceu, vária vezes, na tela de um
computador: escreveu-se “estraditados” (sic), quando o
correto é “extraditados”. Pega mal, principalmente em
um programa tão “educativo”. (DANIEL CASTRO)
Agora observe o texto abaixo, extraído do Diário Popular, de 25/01/98, e,
levando em conta as informações anteriores, assim como a leitura dos textos,
responda às questões que seguem:

Bronca
Mãe de aluno de uma terceira série do esta lavação não é briga partidária? Por que
Colégio Pelotense, envia fax e pede que sempre se refere ao Colégio Pelotense? Por
sejam formuladas perguntas ao secretário da que tais atitudes não foram tomadas antes do
Educação, professor Luiz Magno Bonini. fim do ano letivo, de formaturas e perdas de
Vamos lá: “Será que só foi o Pelotense que conteúdo para vestibulares? Será que 18 dias
fêz a famosa operação tartaruga? Os outros se tornarão tão eficazes ou será simples
colégios municipais não fizeram? Será que capricho?”. Feitas.

a) Retire do texto “A Gafe da Semana” o trecho que denuncia, de forma


irônica, a imagem negativa a qual o jornalista tem de “Ratinho”.
b) No texto “Bronca” aparece um erro de acentuação gráfica.
Identifique-o e, a seguir, comente o efeito que ele produz num texto
enviado a um secretário de Educação.

22) “Sic” é uma expressão latina que significa “assim”. Ela é utilizada entre
colchetes ou parênteses, numa citação, para indicar que o texto original é
aquele mesmo, por mais errado ou estranho que pareça.
No texto abaixo, extraído do jornal Folha de São Paulo, de 21/02/98, o
jornalista utilizou o termo latino para mostrar um “erro” de Collor semelhante
ao de seu ex-ministro Antônio Magri. Observe:

EX-PRESIDENTE segundo Curvelo, deve ser lançado até a


Collor tira livro da Internet Páscoa.
Curvelo afirmou que o texto está na
para correções Internet desde novembro passado e reproduz
da Redação o que foi publicado na revista “Veja” dois
meses antes. A página de Collor
O ex-presidente Fernando Collor de
(http://www.visionpoint.com/collor) existe
Mello decidiu tirar da sua página pessoal na
desde 95.
Internet o primeiro capítulo de seu livro
Curvelo disse que os erros seriam
“Crônicas de um Golpe – A Versão de quem
corrigidos neste fim-de-semana por ele e
Viveu o Fato”.
pela secretária de Collor, e o texto voltaria
Segundo seu assessor de imprensa, Rony
“ao ar” na próxima segunda-feira.
Curvelo, a retirada se deve a numerosos
A maioria dos erros é de ortografia, como
erros de português encontrados no texto.
um “alí”.
Como o título sugere, o livro de Collor
Collor também cria um neologismo
narra sua saída da Presidência da República,
inspirado em seu ex-ministro Antônio
em 1992, sustentando a versão de que foi
Rogério Magri – que cunhou a palavra
vítima de um golpe. O livro já está pronto e,
“imexível”. Diz que “a caravana seguia aqueles que fechavam a rua adiante”, em
imparável (sic) a pé, para o confronto com confronto em 89.
Embora a expressão “imparável” não exista registrada em dicionários,
consegue-se perceber a intenção do autor ao utilizá-la.
Levando em conta essa afirmação, responda às questões seguintes.
a) Explique o significado de tal expressão no texto de Collor.
b) Tomando por base o fato de o usuário da língua, ao utilizá-la, não
“inventar” formas lingüísticas aleatoriamente, levante hipótese(s) que
possa(m) justificar o uso de expressões como as usadas por Collor e
Magri.
c) O uso de expressões como essas podem “desqualificar”, em termos
de argumentação, a fala de Magri ou o livro de Collor? Justifique.
23) Há determinadas transgressões relativas aos aspectos gramaticais, lexicais
ou fonológicos que afetam a imagem do enunciador e sua credibilidade,
influenciando positiva ou negativamente em seu poder de argumentação.
Observe, na declaração abaixo, extraída de Zero Hora, de 13/01/99, o quanto
a fala da apresentadora Carla Perez pode provocar efeitos de ironia na mídia
e nos telespectadores:

“Letra ‘i’. I de ‘iscola’. É isso, Rita?”


CARLA PEREZ
Apresentadora do programa Fantasia, ao certificar-se com a
telespectadora indicada por Rita, sobre sua aposta na letra “i”
durante um dos jogos do programa. Prontamente, a
telespectadora respondeu: “Não, Carla. É ‘i’ de ‘igreja.’”
(Zero Hora, 13/1/99)

Neste caso, a troca da letra ‘e” por “i” foi alvo de polêmica e deboche por
dois motivos: um deles refere-se ao fato da possibilidade de a telespectadora
Rita prejudicar-se devido ao engano da apresentadora.
Levando em conta a relação do uso da norma lingüística culta com a
imagem do usuário da língua, neste contexto, qual seria o outro motivo?
HETEROGENEIDADE
LINGÜÍSTICA

“A vida não me chegava pelos jornais nem


pelos livros
Vinha da boca do povo
Na língua errada do povo
Língua certa do povo.”
(Manuel Bandeira. “Evocação do Recife”)

7.1 Palavras Iniciais

Do ponto de vista científico, não “(...) aquilo que se chama


há como se afirmar que uma forma vulgarmente de língua correta não
lingüística é “melhor” do que outra. passa de uma variedade da língua
As variedades são, na que, em determinado tempo da
verdade, diferenças, não “erros”. história, por ser mais utilizada pelos
Por outro lado, se não existem cidadãos mais influentes da região
erros, há, isto sim, inadequações mais influente do país, foi a
quanto à variedade a ser utilizada escolhida para servir de expressão
em uma situação específica. de poder, da cultura deste grupo;
“Erro” remete, pois, à avaliação de transformada em única expressão
teor político e social – por vezes, da única cultura. Seu domínio
até mesmo, preconceituosas – e, passou a ser necessário para se ter
com efeito, não se dá em acesso ao poder.”
decorrência das expressões Neste capítulo, trataremos de
lingüísticas em si mesmas. questões relativas aos níveis de
O lingüista Possenti (1984) linguagem e sua relação com o
afirma: contexto.
84
7.2 Prática de linguagem

1) É um recurso muito utilizado por escritores o uso de um estilo e nível de


linguagem que não são seus para produzir determinados efeitos sobre os
leitores. Foi o que fez Cony, no texto abaixo, publicado pelo jornal Folha de
São Paulo, de 25/12/97, ao relatar uma história bíblica: o nascimento de Jesus
Cristo. Observe:

A história mais bonita


CARLOS HEITOR CONY Em silêncio (os evangelhos não
registram uma única palavra dita pelo
Rio de Janeiro – Se alguém conhece história carpinteiro José), ele nem comenta o fato com
mais bonita, que conte logo, diga adeus e vá- a mulher. Nove meses depois, numa gruta,
se embora. A que eu conheço é antiga e faz cercados por um boi e um burro, nasce a
hoje, mais ou menos, dois mil anos. Um criança. Ele protege a mulher e o filho que
homem humilde, casado com uma jovem mais não é dele. Sabendo que Herodes quer matar
moça do que ele, sonha com um anjo que, os recém-nascidos, toma a mulher e o
com alguma rispidez, lhe avisa: menino, foge para o Egito.
– Olhe, não esquenta a cabeça mas sua Não tem uma idéia precisa do que está
mulher vai ter um filho. Güenta as pontas, acontecendo com ele e com aquilo que
você não tem nada a ver com isso, fique na poderia chamar de “sua família”. Cumpre,
sua e deixa o resto por nossa conta. sempre em silêncio, uma ordem misteriosa
Na mesma ocasião, outro anjo aparece à vinda de uma entidade na qual talvez não
mulher – na realidade, uma menina de 15 acredite.
anos – e lhe dá um recado equivalente: Tampouco a menina-moça compreende o
– Não esquente a cabeça, mas você vai que está se passando. Mais tarde, os pintores
ter um filho... da Renascença encheriam o mundo com
A menina poderia ter perguntado: aquela cena banal, a moça com o seio de
– Mas como? Estou casada com um fora, amamentando a criança, o homem à
homem mais velho e ainda sou virgem! distância, cuidando que os inimigos não se
– Fique na sua – diz o anjo -, você não aproximassem.
entenderá o que está acontecendo, mas é a Como disse no início desta crônica,
vontade de Deus. A menina-moça responde: quem conhecer história mais bonita que diga
“Seja feita em mim a sua vontade”. adeus e vá-se embora.

Agora responda:

a) Levante uma hipótese que justifique a opção feita por Cony ao introduzir em
seu texto o emprego da linguagem coloquial (como o uso da gíria) e do
discurso direto para narrar este acontecimento.
b) Uma das estruturas lingüísticas típicas desse nível de linguagem – o
coloquial- pode ser constatada pela mistura de tratamento. Retire do
texto duas passagens em que é evidente tal mistura.
c) Se comparássemos essas passagens, selecionadas por você – referentes ao
item b, com as estruturas previstas pela norma culta da língua, como
elas deveriam ser reescritas?
d) Transcreva, do texto acima, os termos ressaltados e copie, ao lado de cada
um, a(s) expressão(ões) a que se refere(m).
e) Transcreva os trechos em que é empregado o discurso indireto.
85
f) Reescreva esses trechos, utilizando o discurso direto e efetuando as
necessárias adaptações.
2) O usuário da língua habitualmente emprega e reconhece vários níveis de
linguagem, associados a diferentes falantes e estilos ou contextos. Por vezes,
ele utiliza um estilo que não é o seu para produzir efeitos. É o que faz Mylton
Severiano, na revista Caros Amigos, ano 2, nº 14, maio/98. Observe:

Palavras também I was Eu era, estava, eu foi

enlouquecem You was Tu ou você era, tu ou você

Pasquale Cipro Neto, o professor de foi


Nossa Língua Portuguesa, agrada meu He, she was Ele, ela era, foi
filho adolescente e minha mãe
setuagenária. Só não gosto daquele You was Vós, vocês era, vocês foi
negócio de “norma culta”. Quem fala They was Eles era, eles foi
“nós foi” não é o inculto. Pode até ter
mais cultura do que quem fala “nós
fomos”. Se fôssemos atrás do culto, Conclusão: neguinho que fala “errado”
estaríamos falando até hoje não “bispo”, está mais perto do inglês do que
mas “episcopum”, “vossa mercê” em imagina o pessoal da “norma culta”.
vez de “você”. Experimente traduzir a Está rumando para a simplicidade ficção
conjugação do verbos em inglês ao pé que um dia nos aproximará do inglês,
da letra e terá bem idéia de onde este pela síntese, sem perder beleza. Nós
celerado mental quer chegar. Exemplo chega lá.
com o verbo to be (ser, estar), no
passado.

a) O texto contém uma crítica implícita. Explicite-a.


b) Qual a tese, isto é, a afirmação básica que o autor toma
como verdadeira, com relação ao “falar errado”, e
defende em seu texto?

3) As línguas variam na fala e/ou na escrita. Na pronúncia, é muito comum haver


alterações decorrentes dos aspectos regionais, culturais ou econômicos. Em
algumas regiões brasileiras, por exemplo, costuma-se introduzir a letra “i” em
palavras como “treis”, aliais” (por “três” e “aliás”). Ainda há alteração
fonológica no que concerne ao uso do “lh”, como em “navaia”, “véia” (por
“navalha” e “velha”).
No entanto, ao lermos o texto abaixo, percebemos que, além de a
variação, neste caso, ser intencional, a causa do desvio de pronúncia é outra,
diferente das citadas.
Observe:

CONTRAPONTO

Português atrasado
Ex-ministro da Agricultura de Collor, Foi recebido por correligionários, entre
Antonio Cabrera (PFL), que é pré-candidato eles um vereador muito falante conhecido na
ao Senado em coligação com Paulo Maluf região como Maia.
(PPB), já visitou quase 500 cidades do interior De repente, Maia chamou Cabrera a um
paulista em busca de votos. canto. Depois de alguns instantes de mistério,
Há alguns dias, ele esteve em Rafard, a o vereador disse que tinha uma sugestão de
170 Km de São Paulo. slogan para a campanha do pefelista:
- Não faça bestera (sic), vote no Cabrera.
86
O candidato não resistiu e caiu na vereador mais votado na cidade com um
gargalhada. slogan de lavra própria:
Orgulhoso, Maia contou que ele mesmo - Vote em Maia. Não atrapaia (sic). Não
bolara a frase. E que também tinha sido faia (sic).
(Folha de São Paulo, 02/04/98)

a) Levante uma hipótese que justifique, pelo sentido global do texto,


tal alteração.
b) Explique a ironia dissimulada no texto a partir dessa alteração de
pronúncia.
4) Depois de ler o texto abaixo, responda ao que é proposto.

CURSO MADAME NATASHA


DE PIANO E PORTUGUÊS

Aula de mudança
Madame Natasha tem horror a música. Ela
combate o MSN – Movimento dos Sem-Nexo – e,
para isso, concedeu uma de suas bolsas de estudo
ao ministro Paulo Renato Souza, da Educação, que
levou a FFHH um decreto com a seguinte pérola:

“Educação a distância é uma forma de ensino que


possibilita a auto-aprendizagem, com a mediação
de recursos didáticos sistematica-mente
organizados, apresentados em diferentes suportes
de informação, utilizados isoladamente ou
combinados e veiculados pelos diversos meios de
comunicação”.
Madame acredita que o professor quis dizer que
educação a distância é educação a distância.
(Folha de São Paulo, 10/05/98)

a) Explique, tomando por base noções relativas à heterogeneidade lingüística,


por que Madame Natasha apenas reproduziu, no último parágrafo, a fala de
Paulo Renato Souza.
b) Retire uma expressão que caracteriza o tom irônico de Madame Natasha
quanto ao tipo de discurso produzido pelo ministro.

5) Na propaganda abaixo, é utilizado um nível de linguagem bastante informal,


coloquial. Percebem-se nela várias nuanças da palavra “jeito” (e variações).
Explique os diferentes sentidos que esse termo adquire no decorrer do texto.
87

6) O texto abaixo relata a história de migrantes nordestinos e sua penosa


adaptação à cidade grande:

DOUTOR
(TONI GARRIDO – BINO – DA GAMA – LAZÃO)

Ó DOUTOR, TEM QUE ME AJUDAR


EU TÔ COM DOR,
NÃO SEI DOUTOR
NO QUE VAI DAR
DESCI PRO ASFALTO
SUBI NA VIDA, E DEPOIS VI
QUE A INTENÇÃO DA AUTORIDADE
NÃO RESUME NADA AQUI
AQUI ESTOU,
SUA LICENÇA PARA PROXEGAR
“CÊ” ME DESCULPE MAS EU VOU FALAR
SOU NORDESTINO HONESTO, TRABALHADOR
COM OITO BOCAS PARA SUSTENTAR
E A NÊGA DIZ QUE TEM MAIS UM PRA CHEGAR
SUBINDO O MORRO ONDE EU SOU MORADOR
MÃO NA CABEÇA ENCOSTA PRA LÁ
FÉLIX PACHECO NÃO ADIANTOU
NÃO TENHO CULPA
SE POR LÁ ROLOU
DE MADRUGADA ROLOU BAN-BAN-BAN
EU VOU, VOU VOLTAR PRO MEU SERTÃO
POIS AQUI NÃO FICO NÃO
QUERO MAIS QUE ÁGUA
PRA VIVER.
DESCOBRI
UM CAMINHO DE ILUSÃO
CONTERRÂNEO CORAÇÃO
NESTA TERRA NÃO QUER MAIS
SOFRER
Ó DOUTOR...
BAN, BAN
88
(Cidade Negra, “Sobre todas as forças”. Gravadora EPIC; 1994; CD 85.229/2-476246)

Há, na música, algumas peculiaridades as quais justificam o fato de não se


usar a linguagem padrão. Sobre isso, responda:
a) A palavra “doutor” foi necessariamente usada, nesse texto, no sentido
literal? Justifique.
b) Levante algumas hipóteses sobre a possível identidade desse nordestino,
tais como o grau de escolaridade, a classe social a que pertence, o grupo
social com quem convive.
c) Transcreva algumas passagens do texto que podem ser associadas a
essa possível identidade.
d) Reescreva as estruturas abaixo, usando um nível de linguagem mais
formal, supondo tratar-se de um outro contexto.
- “Desci pro asfalto”;
- “Subi na vida”;
- “Sua licença para aproxegar”;
- “Com oito bocas para sustentar”;
- “E a nêga diz que tem mais um pra chegar”;
- “Não tenho culpa/Se por lá rolou ban-ban-ban”.
7) A gíria é um instrumento de renovação da língua, devido à criatividade. Ela
tem um uso limitado pois, se utilizada em contexto o qual não lhe é próprio,
torna-se um empecilho à comunicação. Às vezes, no entanto, seu emprego é
intencional.
O texto abaixo explora bastante esse estilo. Observe.
89

(Folha de São Paulo, Folhateen, 18,01/99)

Agora responda:
a) O que se depreende do comentário texto da propaganda?
b) Como a propaganda se dirige a um público jovem, há abundância de
gírias. Retire algumas marcas lingüísticas desse estilo.
c) É comum o uso de palavras estrangeiras na formação de gírias.
Culturalmente, o que esses empréstimos lingüísticos podem significar?
Retire uma expressão característica desses empréstimos.
ASPECTOS RELATIVOS

 À NORMA CULTA DA LÍNGUA

Língua
Gosto de sentir a minha língua roçar
A língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar
A criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a
amizade
E quem há de negar que esta lhe é
superior
E deixa os portugais morrerem à
míngua
“Minha pátria é minha língua”
(Caetano Veloso)

8.1 Palavras iniciais

Assim como não devemos textos em linguagem padrão. Além


desconsiderar níveis de linguagens do mais, este nível de linguagem
diferentes da norma culta, não permite-nos uma maior
podemos, igualmente, nos participação política e dá-nos
esquecer de que há sérias acesso a uma posição de maior
implicações em não usá-la: quem prestígio social e econômico, pois a
domina apenas formas não- linguagem das ciências,
padrões da nossa língua, tecnologias, e das artes é
possivelmente tenha muita representada, na maior parte das
dificuldade em ler ou produzir vezes, pela norma culta.
91
Assim, este capítulo visa a “padrão”, não ignorando, no
proporcionar-lhe um maior contato entanto, as outras variantes, frutos
com a linguagem considerada de sua experiência pessoal.
8.2 Prática de linguagem

8.2.1 Verbos
1) Num enunciado do tipo “Os portugueses teriam chegado ao Brasil no ano de
1500”, o locutor atribui a outrem – graças à utilização do futuro do pretérito
– a responsabilidade pelo que é dito. Seu emprego pode ser visto, por
conseguinte, como um certo distanciamento acerca da informação
veiculada. É como se, ao usar essa forma verbal, o usuário se isentasse do que
está sendo dito ou, pelo menos, pudesse em dúvida esse dizer.
Agora observe:

I – “A modelo brasileira Luciana Gimenez, que estaria grávida de Jagger.” (ao lado da
informação sobre a possível paternidade de Mike Jagger, do “Stones”, aparece a fotografia da
modelo; extraído de: Folha de São Paulo, 28/11/98)

II – Perigo
É de foice, estrelas e rosas a disputa pelo poder e comando dentro do
Colégio Pelotense. O PDT ainda não digeriu a reeleição do professor
Adinho para mais dois anos na direção. Informações que circulam dentro
do colégio dão conta de que o prefeito Anselmo Rodrigues (PDT) teria
dado um prazo de três meses para o secretário Luiz Bonini reverter o
quadro. Teria, que fique bem claro. A comunidade escolar deve estar bem
atenta para o que ocorre, sob pena dos estudantes serem os maiores
prejudicados. Olho vivo é muito pouco.
(Diário Popular, 06/02/98)

Que idéia fica implícita, em cada texto, a partir do uso do futuro


do pretérito?

2) Freqüentemente encontramos definições do presente do indicativo como


sendo “o tempo que indica o fato que ocorre no momento da fala”. Os textos
abaixo evidenciam, no entanto, outros valores do emprego de tal tempo, que
não podem ser explicados por essa noção simples e básica.
Depois de lê-los atentamente, explicite, em cada texto, o valor do
presente do indicativo.

I – (Folha de São Paulo, 25/03/98)


EVENTO Masp, MAM e Pinacoteca participam

Folha faz amanhã


debate sobre museu
II – (Folha de São Paulo, 02/03/98)
Hoje e amanhã, a Marcha Global pela
Marcha percorre RS Erradicação do Trabalho Infantil
esta semana percorrerá o Rio Grande do Sul para
discutir meios de colocar crianças na
Da Reportagem Local escola e tirá-las do trabalho.
III – (Folha de São Paulo, 02/03/98)

Morre Claudio Villas Bôas, 82, indigenista


Morreu ontem em São Paulo o indigenista Claudio Villas Bôas,
82, vítima de infarto. Com o irmão Orlando, fez a primeira expedição
de contato do homem branco com índios do Xingu. Fernando
Henrique Cardoso disse em nota que “ele fez da questão indígena sua
bandeira de vida”.

IV – (Zero Hora, 08/01/99)

DIRCEU ALVES JR

O Enviado
Especial/Rio
céu do Rio se tomou de
nuvens negras na noite
de quarta-feira. Nada, no
entanto, era motivo para
atrapalhar a estréia
oficial de As cidades.
Depois de quatro anos,
Chico Buarque voltou ao
palco em um show solo.
E pôde ter a certeza de
que sempre estará
acompanhado. O público
que lotou o Canecão,
cena que deverá se repetir de quintas a domingos até o dia 7 de fevereiro, quando se encerra
a temporada carioca, se tornou cúmplice do artista. Saboreou cada verso que saía na garganta
nem sempre convincente de Chico, perdoou eventuais tropeços e ovacionou o ídolo de forma
que qualquer falha parece parte do roteiro.
O olhar não disfarça a velha timidez. Chico abre o show com Para Todos e Amor
Barato. Só depois balbucia um boa-noite que ganha um caloroso eco. O cenário de Gringo
Cardia contrasta o concreto dos edifícios com os cobertores que servem de parede aos
barracos nas grandes cidades. Chico, todo de branco, morde os lábios, relembra A Volta do
Malandro e Homenagem ao Malandro, saúda Tom Jobim, influência nítida nos arranjos do
espetáculo, com Sem Você.
O diálogo masculino de Aquela Mulher abre espaço para o bloco em que Chico lança
seu olhar sobre a alma feminina. Seguem-se Sob Medida, O meu Amor e Teresinha e o
público se manifesta –cada vez mais. Mas o moço tímido continua tenso com a estréia e os
hipnotizados 1,8 mil olhares voltados para ele. Recheando toda as fachas do CD As Cidades,
Chico maltrata os corações em As Vitrines, convida ao samba em Quem te Viu, Quem te Vê e
ameaça começar a se soltar em Como se Fosse uma Primavera e Cotidiano.

V – (Folha de São Paulo, 15/02/98)


93
DE VOLTA Jorgina Fernandes, condenada a 25
anos de reclusão por fraude contra a Previdência,
chega ontem ao Rio de Janeiro, extraditada da
Costa Rica, e obtém prisão especial Pág. 1-6
3) Observe a canção de Chico Buarque:

“Todo dia ela faz tudo igual


Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.”
(“Cotidiano”, música extraída de: “Construção”; PHILIPS; 1993 (remasterizado); 836013-1)

Agora responda:

a) Qual o valor do presente do indicativo nesse texto?


b) Associe o título da música (“Cotidiano”) ao valor do presente do
indicativo nesse texto.

4) Leia a charge abaixo, extraída de Nova, de fevereiro de 98, respondendo à


questão.
Estabeleça relações entre as figuras mencionadas pela
personagem Radical Chic e o valor dos tempos verbais a
que ela se refere.
5) Um assunto que deve ser levado em conta no estudo dos verbos é o valor
dos modos e tempos verbais para, assim, melhor entendermos o
funcionamento dessa categoria gramatical. Depois de ler o texto abaixo,
estabeleça uma relação entre o título “O futuro a Deus pertence” e o tempo e
modo verbais empregados no trecho “Se tudo der errado, se a inflação voltar,
se o Real despencar, o País afundar...”
95

6) Nossa língua apresenta uma grande variedade de locuções verbais (verbo


auxiliar + verbo principal), equivalendo a um verbo único. Tais locuções,
dependendo do contexto, expressam sentidos variados.
Nos trechos abaixo, explique o valor das locuções verbais “vai iniciar” e
“vêm ocorrendo”, respectivamente.

★ MARCHA – O MST vai iniciar uma campanha para receber alimentos a


serem usados durante a marcha na via Dutra marcada para 27 de janeiro.
(Folha de São Paulo, 14/01/98)

Conflitos vêm ocorrendo desde 1995


(manchete sobre os rumos do MST no Brasil)
(Folha de São Paulo, 05/03/98)

7) Leia atentamente o texto abaixo, resolvendo as questões solicitadas.

Os 10 mandamentos de quem mora em uma república


1 – Procurarás manter sempre o bom humor. dade, principalmente se dormires no mesmo quarto.
2 – Não comerás a comida do próximo, se vós não 7 – Não avançarás nas roupas do próximo sem
dividistes a conta do supermercado. pedir autorização prévia.
3 – Não ligarás o som alto, se o próximo estiver 8 – Manterás seus domínios em “alguma” ordem.
dormindo ou estudando. 9 – Manterás a louça em estado de uso e NÃO
4 – Não se esquecerás de pagar as contas do mês sujarás todas as panelas, ou pratos, ou talheres
que ficaram sob tua guarda e responsabilidade. simultaneamente.
5 – Os ambientes comuns (sala, cozinha, 10 – Não esconderás a correspondência do próxi-
banheiro) deverão ser mantidos em ordem mo no meio da tua nem deixarás de dar os recados.
“familiar”. Fonte: e-mail para o Fovest enviado pelos
6 – Respeitarás o direito do próximo à privaci- membros da república Arka!
(Folha de São Paulo, 17/12/98)
a) O emprego das formas verbais, neste texto, corresponde adequadamente à
definição de futuro como designando “um fato ocorrido após o momento em
que se fala”? Justifique.
b) Imagine a seguinte situação: dois estudantes chegam a uma cidade e
procuram uma república a fim de se hospedarem. As personalidades de
ambos diferem-se: o primeiro é bastante obediente, regrado, disciplinado e
cauteloso. Já o segundo tem um comportamento irreverente, rebelde e
indisciplinado. Levando em conta esses dados, aponte duas leituras
possíveis que cada estudante faria do emprego do futuro.

8) Justifique o emprego do pretérito imperfeito do indicativo na charge


abaixo. Ademais, explicite a crítica nela implícita.
MARCO AURÉLIO

marcoaurélio@zerohora.com.br
(Zero Hora, 10/08/98)

9) Para responder às questões propostas, leia o seguinte fragmento poético de


Pedro Henrique Saraiva Leão:
“se eu fosse te escrever
escrever-te-ia em minúsculas,
nunca em maiúsculas,
embora subliminarmente
eu te sublinhasse;
se eu fosse te pintar
nunca usaria o azul,
talvez um vermelho contido,
esbatido, apenas um tênue rubor;
se eu fosse te esculpir,
faltaria mármore, meu amor”
(AYALA, Walmir [seleção e apresentação]. Poemas de Amor. Rio de Janeiro: EDIOURO, 1991, p.124)

a) Qual o tempo verbal a que o poeta recorreu a fim de expressar seu amor?
b) O que o uso desse tempo verbal exprime no texto?
c) Para que os desejos do poeta se tornem realidade, é preciso que outro
fato no passado aconteça, ou seja, há, nesse poema, uma relação de
dependência entre dois fatos – o segundo expresso pelo uso do futuro do
pretérito (“escrever-te-ia”; “usaria”; “faltaria”). Levando em conta o
sentido global do texto, assim como o emprego/valor dos tempos verbais,
explique o que representa o uso da forma “faltaria” no último verso.
10) Construções do tipo “Os jovens tem uma proposta muito radical quanto a
isso” ou “Os mais velhos vem as coisas com mais lucidez do que os mais
jovens” são comuns na linguagem escrita coloquial. Tais estruturas, no
97
entanto, já estão sendo usadas em jornais de circulação nacional ou regional,
assim como em redações de alunos, conforme se observa nos textos abaixo,
os quais deveriam ser representativos da norma culta da língua:

I – (Diário Popular, 17/01/98)


CENTRO de Pesquisas Meteorológicas
acompanha a instabilidade climática

Meteorologistas prevêm dias mais úmidos em 98


No Sul as precipitações serão maiores até fevereiro

II – (Folha de São Paulo, 16/11/97)


Zazá
Segunda: Ângelo diz a Hugo que Teresa não
está no Brasil. Os japoneses propõe a Zazá
controlar o projeto do avião. Zazá não gosta da
proposta. Douglas beija Valéria. Vítor descobre
que Lúcia está grávida. Valéria rompe com
Samuel. Beatriz, ameaçada por Fabiana, pede a
Hugo que pare de investigar o assassino de
Silas.

III – (Folha de São Paulo, 24/01/98)

IV – (Diário Popular, 01/02/98)


Reencontro
Só para lembrar: vereadores de Pelotas tem encontro marcado
para terça-feira, a partir das 8h 30min, no plenário da Câmara.

V – (Diário Popular, 02/02/94)

O reitor da UFPel, César Borges, obteu ontem, em Brasília, a liberação de CR$ 954
milhões, correspondente ao saldo de 31% da URP, para o pagamento do saldo residual
aos servidores técnico-administrativos e professores da Federal.
VI – (Correio do Povo, 10/01/99)
Estudante da Ufrgs é destaque nacional
A Ufrgs será precursora de um fato O diretor do Instituto de Química,
inédito nas universidades do país, na Dimitrios Samios, afirmou que a
terça-feira. O estudante de Química, antecipação foi defendida por ele por se
Cristiano Krug, se formará como tratar de um aluno excepcional. “Temos
bacharel no curso antes do prazo que viabilizarmos às pessoas dotadas de
regulamentar, levando só três anos para capacidade especial a possibilidade de
concluí-lo. Normalmente o curso leva utilização destas habilidades o mais cedo
cerca de cinco anos. possível, sendo úteis à sociedade”,
(...) justificou.

VII – “(...) tenho certeza de que, assim que você vier aqui e ser recepcionado por este povo
maravilhoso, mudará de opinião sobre o Brasil.” (carta argumentativa de aluno; tema da
UNICAMP/99)

VIII – “Esse novo modelo penal, se obter boa aceitação na sociedade, poderá trazer inúmeras
vantagem ao País.” (dissertação de aluno; assunta: Penas Alternativas; ano: 1998)

IX – “Se as penas alternativas virem a ser aplicadas, com certeza, diminuirá o índice de
criminalidade.” (idem ao IX)

Agora, identifique, em cada texto, a forma


verbal inadequada a adapte-a à norma
culta da língua.

11) Construção do tipo “Se o governo propor medidas eficazes, resolverá o


problema” ou “Xuxa e as Paquitas entreteram as crianças durante a
apresentação do show” são comuns na linguagem coloquial e aceitáveis na
oralidade. Tais estruturas, consideradas incorretas pela gramática normativa,
no entanto, já estão utilizadas na modalidade escrita, conforme se observa
nos trechos abaixo:

I – “Um parlamentar (...) diz que, se o governo não ocupar espaços e obter sinais positivos de
queda da inflação, ficará muito difícil...” (Folha de São Paulo, 03/11/93)

II – “...uma maneira de reivindicar a interrupção da revista constitucional enquanto o Congresso


não se desfazer dos implicados em corrupção...” (Folha de São Paulo, 03/11/93)

III – “Se manter sua proposta, Moraci poderá não ficar no São Paulo.” (Folha de São Paulo,
08/02/94)

Agora, identifique, em cada item, a forma


verbal inadequada e adapte-a à norma culta
da língua.

Obs.: Os trechos de jornais desta questão podem ser encontradas em: LEITE, Ricardo et alii. Novas palavras:
literatura, gramática, redação e leitura. São Paulo, FTD, 1997, vol.II, p. 307.
99
12) Ao produzirmos textos, devemos ter o cuidado de estabelecer certas
correlações entre os verbos a fim de que eles se ajustem adequadamente
às várias possibilidades de emprego de tempos e modos.
Os textos abaixo não atendem a essa exigência e, por isso, devem ser
readaptados. Faça, portanto, as readaptações, considerando as informações
anteriores.
I– “(...) portanto, para continuar a tradição deveria haver regulamentos por parte das
universidades, para que sejam feitos somente trotes saudáveis como, por exemplo. (...)”
(trecho de redação de aluno; carta argumentativa, dirigida ao editor do jornal Folha de São
Paulo; assunto: trote universitário)
II – “Gostaria então, [sic] que a senhora reavalie a posição do governo frente a [sic]
necessidade da criação de uma nova lei (...)” (trecho de redação de aluno; carta argu-
mentativa dirigida à deputada Marta Suplicy; assunto: projeto de lei sobre assédio sexual)
III – “Paralelamente ocorreu uma abertura descontrolada da economia, o que inviabiliza a união
da estabilidade com um crescimento que gerasse empregos.” (dissertação ou carta
argumentativa dirigida ao presidente da República; assunto: avaliação dos quatro anos do
Plano Real/1998)
IV – “Para isso, deveria existir um órgão que fiscalizasse a programação, pois só assim cenas de
constrangimento entre os telespectadores poderão ser evitadas.” (carta argumentativa
dirigida à deputada Marta Suplicy; assunto: censura na televisão brasileira)
V– “Este ato irresponsável tem de ser reprovado pelo Congresso, pois caso for aprovado, com
certeza, só traria malefícios à sociedade.” (dissertação; assunto: Legalização dos Cassinos;
ano: 1998)

13) É comum e perfeitamente aceitável alguns compositores da MPB


contemporânea não seguirem as normas prescritas pela gramática normativa.
Nos textos abaixo, é evidente a mistura de tratamento a qual os torna
mais expressivos por aproximá-los da língua coloquial. Observe:
I – Chuva, suor e cerveja II – Samba de Orly
Não se perca de mim Vai meu irmão
Não se esqueça de mim Pegue esse avião
Não desapareça Você tem razão
A chuva tá caindo De correr assim
E quando a chuva começa Desse frio
Eu acabo de perder a cabeça Mas beija
Não saia do meu lado O meu Rio de Janeiro
Segure meu pierrot molhado Antes que um aventureiro
E vamos embolar ladeira abaixo Lance mão
Acho que a chuva ajuda a gente a se ver Pede perdão
Venha, veja, deixa, beija Pela omissão (Pela duração)
Seja o que Deus quiser Um tanto forçada (Dessa temporada)
A gente se embala, s’imbora, se embola Mas não diga nada
Só pára na porta da igreja Que me viu chorando
A gente se olha, se beija, se molha E pros da pesada
De chuva, suor e cerveja. Diz que eu vou levando
Caetano Veloso
Vê como é que anda
Aquela vida à-toa
E se puder me manda
Uma notícia boa
Toquinho/Vinícius de Moraes/Chico Buarque
a) Retire os versos em que há essa alteração.
b) Compare a ocorrência desses versos com aquilo que
seria exigido, num outro contexto, pelas gramáticas
normativas.

13) Leia atentamente as frases abaixo, extraídas de placas de advertência no


trânsito, encontradas na estrada que liga a avenida Ferreira Viana, em
Pelotas, à praia do Laranjal, também nesta cidade:

I– CONSERVE A DIREITA
FACILITE A ULTRAPASSAGEM

II – AMA O PRÓXIMO
GUIA COM CUIDADO
SOMOS UMA GRANDE FAMÍLIA
Jovens do MFC

III – DEVAGAR
NÃO ESTRAGA TUA FESTA

IV – DEVAGAR
NÃO ABUSA DA TUA
AUTO-CONFIANÇA [sic]

Nessas placas, há uma visível mistura de tratamento bastante


comum hoje, principalmente na linguagem coloquial, veiculada pelos meios
de comunicação de massa.
Provavelmente, a população-alvo, a ser atingida pelas mensagens das
placas seja a de grupos de jovens, daí o tom de “informalidade” constante
nelas. Em se tratando, no entanto, de uma linguagem formal, com
obediência às regras da norma culta da língua, como as placas deveriam
ser reescritas?

14) Há, no texto abaixo, extraído do jornal Folha de São Paulo, de 07/03/98, uma
visível mistura de tratamento bastante comum hoje, principalmente na
linguagem coloquial. Provavelmente, por se tratar de um “samba”, canção
popular, o tom de informalidade permite a ocorrência de tal mistura.

a) Identifique os versos nos quais ocorre a mistura de


tratamento.
b) Compare a ocorrência de tais versos com os que
seriam exigidos, num outro contexto, pela gramática
normativa.

O ‘SAMBA DO ITAMAR’

“O Brasil está tão triste...


saudades do pai do Real
Itamar ainda existe
tá na mente da geral
Itamar, que saudades de você!
Itamar, nosso povo quer te ver,
no poder, pra valer
Itamar colocou ardem
101
num país sem solução
é o voto dos humildes
é o grito do povão”
Autores: Roberval Uzêda, Cláudio Felipe e Jussara (membros do Nenacif –
Núcleo Espontâneo Nacional Comunitário de Apoio a Itamar Franco,
presidente 98)
15) Você encontrará, após a leitura dos fragmentos da propaganda da COFAP, da
Folha, de 25/07/98, propostas de alterações de algumas estruturas verbais.
Siga as instruções para resolvê-las.

Texto 1

Quem avisa amigo é.


Transportar bloqueio policial
sem autorização:

multa de R$164,00,
apreensão e remoção
do veículo, suspensão
do direito de dirigir
e recolhimento
do documentode habilitação.

Texto II Usar buzina prolongada


e sucessivamente
entre 22h e 6h:
multa de R$ 46,00.

Texto III Estacionar em fila dupla:


multa de R$ 109,00.
Preencha as lacunas, seguindo as indicações entre
parênteses.

Texto I
Se você/tu/eles/nós ____________________ (transpor) bloqueio policial sem
autorização, ____________________ (pagar) multa de R$ 164,00...

Texto II
Não ____________________ (usar; tu/você) buzina prolongada e
sucessivamente...

Texto III
____________________ (Atentar-se; tu) e ____________________ (comemorar)
o Dia do Motorista por muitos e muitos anos.
____________________ (Respeitar; tu) o código e ____________________
(verificar) ____________________ amortecedores regularmente.

8.2.2 Pronomes / Regência

16) Há, no português do Brasil contemporâneo, um largo emprego da palavra


onde, que evidencia um descompasso entre o que a norma culta da língua
prevê para o uso e a utilização, efetivamente, desse termo em textos, por
exemplo, de alunos como os que seguem abaixo. Depois de lê-los
atentamente, tente fazer substituições referentes ao uso desse pronome.
(Obs.: faça outras alterações que julgar indispensáveis)

1) “Percebo, inicialmente que o trote deveria ser uma atitude de comemoração por uma vitória
alcançada, porém, na grande maioria das universidades brasileiras, transformou-se em uma
atitude violenta e primitiva, onde os calouros são obrigados a enfrentar diversas humilhações
(...)” (carta argumentativa ao editor da Folha de São Paulo; assunto: trote nas universidades
brasileiras.)
2) “Só com punições severas, os jovens vão compreender que há outras maneiras mais divertidas
de receber calouros onde ninguém se machuque.” (idem ao 1)
3) “(...) jovens das camadas sociais mais baixas são castigados como prevê a lei, sendo que, às
vezes, isto ocorre de maneira exagerada e ilegal, onde policiais apelam para a violência
física.” (carta argumentativa ao ministro da Justiça; assunto: Estatuto da Criança e do
Adolescente)
4) “Um exemplo claro é o assassinato do índio pataxó, onde um menor participou e foi
absolvido.” (idem ao item 3)
5) “Primeiramente, acho que há uma excessiva liberdade de expressão nos programas, os quais
vão ao ar em qualquer horário, muitas vezes em horários nobres, onde pessoas de todas as
idades sentam-se em frente de suas televisões.” (carta argumentativa dirigida à deputada Marta
Suplicy; assunto: censura na televisão brasileira)
6) “(...)colocar nossa democracia em risco pode fazer com que o Brasil volte aos tempos da
‘ditadura’ onde notícias de jornais são recolhidas (...)” (idem ao item 5)
7) “(...) mas transmitir em hora destinada a eles, não num domingo à tarde onde há muitas
crianças assistindo (...)” (idem ao item 5)
103
8) “Julgo necessárias medidas severas que combatam este excessivo consumo de álcool iniciado
geralmente na adolescência, onde o produto se torna um ‘analgésico’ à inibição e à timidez.”
(carta argumentativa dirigida ao editor da Folha de São Paulo; assunto: alcoolismo entre os
jovens)

9) “(...) todos sabemos que estamos num novo tempo onde existe a liberdade de expressão e
censura essas músicas [‘legalize já] seria considerado por muitos ‘careta’.” (dissertação;
assunto: descriminalização das drogas)
10) “A aceitação em um grupo de amigos também é um fator marcante, onde quem não aderir ao
uso de alguma droga (...)” (idem ao item 9)

17) Merece especial atenção, no encaixamento da orações, o uso do pronome


relativo. Os textos abaixo, extraídos de redações de alunos, apresentam
problemas vários, dentre eles, o emprego inadequado de tal pronome. Depois
de lê-los atentamente, faça as mudanças indispensáveis para que tais
problemas sejam resolvidos.

1) “Em relação aos que já cometeram crimes hediondos, não acredito nas medidas socio-
educativas, nas quais na maioria das vezes não funcionam.” (idem ao item 3 do exercício 16)
2) “Mas gostaria ainda de lembrar-lhe que essas pessoas o qual vão ao programa, a maioria tem
seus problemas resolvidos, entretanto não é julgar o programa do Ratinho por um programa de
péssima qualidade, pois por outro lado ele ajuda os necessitados.” (Carta argumentativa
dirigida ao editor da revista Veja; assunto: guerra pela audiência e a qualidade dos programas
na televisão brasileira)
3) “Penso que, ao comentar sobre as ‘porcarias’ pelas quais se refere, em alguns programas, o
senhor deveria respeitar o pensamento de outras pessoas, nos quais difere do seu (...)” (idem
ao item 2 deste exercício)
4) “Por isso, não é justo aceitar que pessoas inocentes sejam usadas por este tipo de programa, na
qual deseja somente aumentar seu índice de audiência (...)” (idem ao item 2 deste exercício)
5) “Gostaria de dizer-lhe que o usuário, no qual abusa do álcool (...)” (idem ao item 8 do
exercício 16)
6) “Como conseqüência deste quadro, o governo quer liberar o uso da droga denominada
‘maconha’, na qual seu uso é muito comum entre jovens de várias idades (...)” (idem ao item 9
do exercício 16)
7) “O ensino público é uma questão das quais gera muita polêmica, pois vários governantes
interessados em privatizá-lo (...)” (dissertação; assunto: privatização das universidades
públicas brasileiras)
8) “O Brasil está enfrentando uma crise econômica, na qual reflete-se em todos os setores
responsáveis pelo desenvolvimento do país.” (dissertação; assunto: Avaliação dos 4 anos do
Real; ano: 1998)
9) “(...) diferentes dos comerciantes, profissionais liberais, na qual já têm o desconto previsto no
contracheque (...)” (idem ao item 7 deste exercício)
10) “O momento crucial pelo qual o Brasil atravessa é inevitável para um futuro melhor e
estável.” (dissertação; assunto: ações do governo e seus reflexos na vida do povo brasileiro)

18) O pronome relativo “cujo” (e variantes) raramente é utilizado na


linguagem oral, a não ser em situações de formalidade. Provavelmente,
devido a isso, na escrita, produz-se um tipo de estrutura a qual evita o uso de
tal pronome.
Observe os trechos abaixo, amostras de redações de alunos, e responda
às questões propostas:
1 – “A discriminação racial no Brasil de hoje é reflexo de um passado mal resolvido, o qual não
foi possível eliminar os resíduos deixados(...)” (dissertação; assunto: racismo no
Brasil/1998)
2 – “O diretor James Cameron abriu mão de seu pagamento para concluir o filme o qual já
haviam acabado os recursos.” (trabalho de aluno sobre o filme “Titanic”)
Com as alterações que se fizerem indispensáveis, introduza o
pronome cujo e variante, em cada texto, observando os critérios
da norma culta da língua.

19) Para que um texto seja coerente, é necessário que contenha elementos os
quais permitam a retomada de conceitos, idéias, personagens, dentre outros.
Um dos elementos responsáveis pela coesão textual é o uso de pronomes.
Leia o texto abaixo, extraído de Veja, de 23/09/98, respondendo às questões.

a) Indique a que/quem se referem os termos sublinhados.


b) Explicite o sentido da expressão sublinhada “todo o”.
c) Levando em conta o sentido global do texto, explique
seu objetivo.
d) A argumentação do texto baseia-se numa característica
marcante de determinadas pessoas. Explicite-a.
e) Trace um paralelo (comparação) entre essa
característica (item “d”) e os serviços prestados pelas
agências BRADESCO.

“ESTAR À FRENTE. SEMPRE À FRENTE.

Você já reparou que entre tantas pessoas que fazem exatamente a mesma coisa sempre
existem aquelas que encontram uma maneira de fazer melhor? Gente que se supera. Gente que
insiste, persiste, que acredita tanto nas suas idéias que não descansa enquanto não consegue
colocá-las em pé. Esse é o tipo de gente que você reconhece de longe. Porque está à frente,
servindo de exemplo, servindo de referência para todos aqueles que vêm depois.
São pessoas assim que movem o mundo e ampliam horizontes. São pessoas assim que
fazem as coisas acontecerem.

(...) É pensando assim que o BRADESCO ajuda a promover o


crescimento das comunidades onde atua. Por isso criou uma rede
com mais de 6300 pontos de atendimento em todo o país, sendo
o primeiro Banco a interligar on-line, real-time suas agências.
Essa vocação pioneira revolucionou o cotidiano de seus clientes”.

Obs.: transcrevemos apenas parte da propaganda do BRADESCO.

20) Observe a charge abaixo, extraída de Zero Hora, de 12/09/97:


105

A atitude do juiz, ao apitar, é pertinente, em termos gramaticais,


é pertinente?
21) Leia o texto abaixo e resolva as questões propostas.

Possessivos/demonstrativos
Eu estou na minha, ele está na dele, ela foi na tua, eu parti para outra, você vai na
dela, ela está naquela, nós não estamos nessa, eu prefiro a minha, corto logo a dele, me
meto na dela. Sem essa!”

(FERNANDES, Millôr. Millôr definitivo: a bíblia do caos, Porto Alegre, L&PM, 1994. p.377.)

O uso dos vários pronomes, nesse texto, descreve


um tipo de relacionamento entre as pessoas.
Caracterize-o sucintamente.

8.2.3 Artigo

22) Geralmente as histórias infantis começam em expressões do tipo “Era uma


vez um rei/uma rainha (...)” ou “Num reino distante (...)”. Tais expressões
produzem efeitos de irrealidade, ficção ou, até mesmo, de “mentira”.
Somente no decorrer desses textos é que a história vai tomando concretude,
através da determinação de alguns termos com o uso de artigos ou
pronomes, por exemplo: o rei/a rainha/nesse reino.
Agora leia o texto de Millôr, comparando-o com o tipo de texto/trecho
citado e responda às questões.

LUTA DE CLASSES

Estava o rei lavando os pratos


Depois de enxugar os garfos.
A rainha dava tratos aos móveis
Vasculhava a sala, a copa e o salão
Deixando aos principezinhos a tarefa
De encerar o chão
Enquanto a criada na varanda
Deitada numa rede de fina contextura
Lia um livro de aventura
Quando entrou um rei vizinho
De um reinado bem maior
E bem baixinho, bem baixinho
Ofereceu à criada
Um emprego melhor.
(FERNANDES, Millôr. Literatura Comparada; seleção de textos, notas, estudos bibliográfico,
histórico e crítico por Maria Célia Paulollo. São Paulo: Abril Educação, 1980. p.35)

a) Que tipo de efeito produz, nesse texto, o uso do artigo


definido em “o rei”, “a rainha”, “a criada”?
b) Qual a diferença de sentido estabelecida entre o “o rei” e “um
rei vizinho”?
c) As atitudes do rei e da rainha (início do poema) contrastam
com as da criada. O que evidencia tal contraste?
d) “Quando entrou um rei vizinho” introduz uma modificação nos
rumos da história. Qual a relação entre o título do poema e tal
modificação?

23) Os artigos são responsáveis por diversos detalhes de sentidos diferentes,


dependendo das situações em que são empregados.
Na charge abaixo, explique a diferença de sentidos dos artigos a/o, os
quais antecedem a palavra “capital”.

(Zero Hora, 18/07/98)

24) Depois de ler o texto abaixo, responda às questões:

Notícia de jornal
Tentou contra a existência
num humilde barracão
Joana de Tal
por causa de um tal João.
Depois de medicada,
retirou-se pro lar;
e aí a notícia
carece de exatidão.
O lar não mais existe,
ninguém volta ao que acabou.
Joana é mais uma mulata triste
que errou
- errou na dose, errou no amor
Joana errou de João.
Ninguém notou, ninguém morou
Na dor que era o seu mal:
- A dor da gente não sai no jornal.
(Luís Reis e Haroldo Barbosa)
107
(texto extraído de: TERRA, Ernani e NICOLA, José de. Curso Prático de
Língua, Literatura e Redação. São Paulo: Scipione. v.3, p.253.)

a) Há, na substituição de um artigo por outro, em “num humilde


barracão” e “O lar não mais existe”, uma evidente diferença de
significados. Explicite tal diferença.
b) Qual a diferença estabelecida entre os termos sublinhados nos
versos “por causa de um tal João” e “Joana errou de João”?
c) “Joana de tal” contrasta com “Joana é mais uma mulata triste “em
que sentido?

8.2.4 Sustantivos

25) A charge abaixo explora a possibilidade de ler a seqüência “primavera” de


formas diferentes.

TIRA-TEIMA Rekern

(Zero Hora, 27/09/97)

a) Explique a dupla possibilidade de leitura.


b) Relacione uma dessas possibilidades ao termo “nepotismo”, explicando a
crítica implícita.

26) Escreva nas lacunas das frases a seguir, um vocábulo de sentido geral que
substitua as palavras destacadas.

a) “O técnico Paulo Autuori parou o coletivo em vários momentos e passou orientações aos
jogadores. A seguir, algumas das frases do ____________________.” (Zero Hora, 14/01/99)

b) “Dunga posou para as fotos com a criançada. O ____________________.pegou os mais


novos no colo (...).” (adaptação: Zero Hora, 14/01/99)

c) “O Banco Bilbao Vizcaya acaba de chegar ao Brasil. São mais de 20 milhões de clientes em
35 países. Toda essa experiência internacional a __________________ trouxe para trabalhar
ao seu lado e contribuir para o desenvolvimento dos seus projetos pessoais e empresariais.
Porque, de agora em diante, o ___________________ quer ser tão brasileiro quanto você. E,
juntos, construir um futuro melhor. CCV Banco Bilbao Vizcaya. Fortaleza e Progresso. (Zero
Hora, 14/01/99)
d) “Foi enterrado ontem em Gênova (norte da Itália) o compositor Fabrizio De André, que
morreu na última segunda, aos 58 nos, vítima de câncer. O ____________________ foi autor
de alguns dos principais clássicos da música italiana (...)” (Folha de São Paulo, 14/01/99)

e) “Houve discussões sobre o futuro das universidades públicas, sobre o que estas
____________________ representam para o desenvolvimento do País.”

f) “A greve das universidades públicas perdurou durante vários meses. Tal


__________________ interferiu no período de férias de milhares de estudantes.”

(itens “e” e “f”: trechos de redações de alunos; assunto: greve nas universidades públicas; ano: 1998)

27) Substitua as orações sublinhadas por um substantivo de sentido equivalente.

a) A sociedade brasileira anseia por que se invistam em áreas sociais,


como Educação e Saúde.
b) Desejamos que as reformas sociais resultem em benefícios à
população mais carente.
c) É urgente que decidam sobre os novos projetos do MEC.
d) A sociedade, como um todo, necessita de que se resgate a ética em
nosso país.
e) Acreditamos em que se revertam os problemas econômicos atuais.

28) Os textos abaixo contêm passagens que devem ser adaptadas à norma culta
da língua. Faça tais adaptações.

a) VIGILANTES DESARMADOS
O soldado PM Caldeira não hesitou em desarmar os vigilantes
particulares Ronaldo e Eduardo Cabeda, que portavam cassetetes em
via pública, na rua João Vieira da Cunha. Sabedor que os dois
elementos não são “confiáveis”, o policial não hesitou em desarmá-los,
entregando os dois instrumentos de madeira no Centro de Operações.
Segundo o PM, Eduardo responde processo por lesão corporal.
(Diário Popular, 30/01/98)

b) Não é isso que pretendemos e nem é esse o papel reservado para as


crianças e adolescentes é na escola, é na praça, é nos parques, é nos
ginásios. E, enfim, estudando e brincando. Temos certeza que é, desta
forma, que o Brasil entregará para o seu futuro uma geração de líderes,
de trabalhadores, de empresários e de cidadãos.
(Diário Popular, 29/09/97)

c) Religiosa vê maior liberdade


do enviado especial

Irmã Isabelita de la Caridad tem 75 anos.


É cubana e, no país, a número dois de sua
ordem, as Filhas da Caridade de São Vicente
de Paulo, instaladas em Havana num convento
109
de quase 150 anos, no decadente centro
histórico da capital do país.
Eis sua entrevista. (JBN)


Folha – A Sra. esperava que um dia o
papa visitaria Cuba?
Irmã Isabelita de la Caridad – Sempre
tive esperanças que um dia isso aconteceria.
Era uma das coisas que pedia em minhas
orações à Santíssima Virgem.
(Folha de São Paulo, 22/01/98)

8.2.5 Adjetivos
29) Leia o texto abaixo e responda às questões que seguem.

A rosa de Hiroxima*

Pense nas crianças


Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
No poema, sobressai-se o uso de adjetivos: Tais
Rotas alteradas
expressões servem para marcar uma posição diante
Pensem nas feridas
de um fato, expressar estados de espírito
Como rosas cálidas
diversos, tais como alegria, paz, insatisfação,
Mas oh não se esqueça
indignação, dentre outros.
Da rosa da rosa
Sobre isso responda:
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
a) O que o uso desses adjetivos deixa transparecer no
A rosa radioativa
poema?
Estúpida e inválida
b) A palavra “rosa”, no título, está sendo empregada
A rosa com cirrose
no sentido metafórico. Por qual outro termo
A anti-rosa atômica
podemos substituí-la para ficar mais claro o fato
Sem cor sem perfume
histórico ao qual se refere a poesia?
Sem rosa sem nada.
c) Por que a rosa funciona como uma “anti-rosa”?
(Vinícius de Moraes) Neste sentido, qual o papel que os adjetivos
* Nome original: Hiroshima desempenham para “caracterizar” essa rosa?
O poema foi musicado, nos d) O uso do imperativo, mesclado com o dos adjetivos,
anos 70, pelo grupo “Secos exerce que função no poema?
& Molhados”, e é de
e) Explique o significado do adjetivo “hereditária”,
autoria de Vinícius de
Moraes. relacionan-do-o ao episódio histórico em questão.

30) Um jornalista da revista Caros Amigos, n.º 21, de dezembro de 1998, assim
se manifestou acerca da política praticada pelo governo israelense:

“(...) Foi emblemática, a esse respeito, a crianças, mulheres e velhos palestinos


promoção, em outubro, de Ariel Sharon ao miseráveis e indefesos, de Sabra e Shatila. À
cargo de chanceler de Natanyahu. Sharon, época, mesmo seus aliados do Likud
um fascistóide, era ministro da Defesa de consideraram que seria recomendável que
Israel, em 1982, quando foi responsabilizado ele saísse de cena por algum tempo. Ao
pela covarde chacina de milhares de assumir o novo cargo de chanceler, Sharon
declarou-se contrário à devolução dos disse que jamais apertaria a mão de Iasser
territórios palestinos ocupados por Israel e Arafat. Uma pérola de pessoa. (...)”

Para fazer tal crítica à política israelense, o


jornalista lançou não de determinados adjetivos.
a) Explicite aqueles referentes aos políticos
israelenses e, por outro lado, aos cidadãos
palestinos.
b) Qual o significado de “emblemática” no texto?
c) Para ironizar a figura de Sharon, no final do
texto, o jornalista utiliza ums expressão.
Explicite-a.
d) Tal expressão (item “c”) efetivamente condiz
com a imagem que o jornalista tem de Sharon?
Justifique.

8.2.6 Preposições

31) Leia o belo poema de Mário Quintana, respondendo ao que é proposto.

Nunca Ninguém Sabe


Nunca ninguém sabe se estou louco para rir ou para chorar.
Por isso a meu verso tem
Esse quase imperceptível tremor...
A vida é louca, o mundo é triste:
Vale a pena matar-se por isso?
Nem por ninguém!
Só se deve morrer de puro amor...
(AYALA, Walmir [seleção e apresentação]. Poemas de Amor. Rio de Janeiro: EDIOURO, 1991. p. 115.)

Um ponto importante no estudo das preposições é o valor que elas


adquirem em um determinado contexto.
a) Qual o valor das preposições destacadas no texto?
b) O estado de “dúvida”, “incerteza” quanto aos sentimentos perpassam o
poema como um todo. Retire alguns versos que comprovam essa
afirmação.
c) Apesar das dúvidas, inadequação, ao menos uma certeza o eu-lírico tem.
Qual é ela?
d) Você concorda com essa certeza do poeta? Justifique.

32) Leia a charge abaixo e explicite a crítica nela contida. Além disso, explique o
valor da preposição “sem” neste contexto.
111

(Zero Hora, 30/8/97)


33)

a) Na propaganda, as preposições são exploradas semanticamente.


Comente.
b) Qual a relação estabelecida pelas preposições nas expressões: fala
ao coração; beijos de chocolate com mensagens de amor.
113
8.2.7 Concordância
34) As gramáticas normativas consideram incorretas construções com a seguinte
concordância: “Falta verbas para a Educação”, “Subiu os preços dos
remédios” ou “Saiu os convidados”. Apesar disso, tais estruturas são
bastante comuns na linguagem popular.
Os textos abaixo, extraídos de jornais de circulação nacional, regional,
de campanhas realizadas por instituições governamentais, portanto,
representativos da norma culta da língua, apresentam problemas de
concordância que contrariam essa modalidade de língua. Observe:

I – Por isso peço desculpas ao jornalista Barreto, mas acho que


existe expressões muito piores que estão na boca do povo.
(Diário Popular, 30/07/97)

II – Na verdade, tem toda a razão o senhor Latorre,


quando afirma em nada ligarem-se a personagem
Norma, da ópera de Bellini, com a ópera Aída, de
Giuseppe Verdi. Ocorreu é que na entrevista,
concedida informalmente ao jornalista Vitor Minas,
muitos dados foram comentados sobre a vida e a
carreira de nossa ilustre conterrânea. Ora, sabendo-
se não ser o senhor Minas conhecedor mais
profundo do assunto – o que nos foi dito, na ocasião,
pelo próprio jornalista – é compreensível que tenha
acontecido alguns enganos no momento de compor a
matéria. Aliás, entre esses, situa-se um que é bem
engraçado: pode-se ler na reportagem, que a
pesquisadora é prima da mãe de Zola Amaro, de
quem se distancia bastante no tempo, sendo sua avó,
isto sim, prima em primeiro grau da própria cantora.
(Diário Popular, 07/07/97)

III – O QUE É AIDS?


Doente de AIDS
É aquele que após alguns anos de ter sido infectado, começa a desenvolver doenças
oportunistas. Pode aparecer vários sintomas como: Febres seguidas, Diarréia constante,
Tosse seca, Emagrecimento súbito, Perda de apetite, Ínguas, Suores noturnos, Manchas no
corpo, mas existem outras doenças que podem apresentar estes mesmos sintomas e não
ser AIDS.
Em caso de dúvida procure um médico para fazer o teste anti-HIV.
ALERTA: Programa de Prevenção da AIDS
Secretaria Municipal de Saúde de Pelotas
APOIO: Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da UFPel
Editora e Gráfica Universitária

IV – O desafio
André Vieira dos Santos, leitor assíduo da Língua Viva, manda o desafio
de hoje. Onde está o erro na propaganda do Botafogo Praias Shopping:
“Ainda nem inaugurou e não pára de chegar mais lojistas. Imaginem
quando vierem os consumidores.”
(Jornal do Brasil, 10/01/99)

a) Transcreva, de cada texto, os trechos em que o problema de concordância é evidente.


b) Reescreva-os, adaptando-os à norma culta da língua.

35) As gramáticas normativas consideram incorretas construções com a seguinte


concordância: “Subiu as mensalidades”, “Aluga-se apartamentos” ou
“Houveram muitos problemas”. Apesar disso, tais estruturas são bastante
comuns na linguagem popular.
Os textos a seguir, extraídos de jornais, de resultados de pesquisas de
alunos universitários apresentam problemas de concordância que contrariam
as normas previstas pelas gramáticas normativas. Observe:

I – (Diário Popular, 06/02/98) II – (Diário Popular, 07.08/94)

 BOM AGÊNCIA DE ACOMPANHANTES


SELECIONA-SE GAROTAS:
A secretaria Municipal de
Transportes suspendeu as Boa apresentação, para acompanhantes
atividades e recolheu três executivos. Ótimos ganhos. Idade mínima
ônibus irregulares, que 18 anos. Interessadas mandarem curriculum
transportavam passageiros para caixa AP deste jornal.
sem licença. Tratam-se de
coletivos de associações de
bairros, que trafegam em
III – (Diário Popular, 20/02/94)
desacordo com a
legislação vigente. Os
veículos ficarão recolhidos
até serem liberados pela
Podem haver mais
SMT, após pagamento das
multas previstas em lei. cortes nas estatais
IV –
Você apóia os EUA no ataque ao Sudão e ao
Afeganistão, realizado no último dia 20?

SIM André Takei Ueda, 15,


São Paulo, SP

“Eles tinham de revidar as


explosões nas embaixadas norte-
americanas para frear novos
atentados. Agora os terroristas já
sabem que podem haver
conseqüências que implicam em
mortes, o que eles não desejam.”
André, 15
(Folha de São Paulo, 31/08/98)
Obs.: Há ainda, neste texto, ainda um problema de regência
verbal. Identifique-o e adapte a passagem à norma
culta.

V – (Diário Popular, 11 e 12/10/97)

GEMINI
CONSULTORIA E NEGÓCIO$
COMPRA-SE CHEQUES PRÉ-DATADOS
- restaurantes, farmácias, mercados, minimerca-
dos, postos de gasolina, casa de conveniências,
escolas particulares, ferragens etc. (...)
115
VI – (Diário Popular, 29,09/97) VII – (Diário Popular, 2 e 3/11/97)

Technicolor  Beth e Décio Zerwes


Quinta-feira passada, diretor-presidente de voltaram encantados com a Dina-
empresa que tem bom reconhecimento de marca. “Usa-se mais bicicletas
ICMS em Pelotas, recebeu visitas de pessoas que automóveis. Não poluem e
interessadas na produção de um filme. são saudáveis”. O amor à
Buscaram apoio dentro do que permite a natureza é o forte, tanto quanto vi
legislação estadual. Só que, pelo que o na Suíça e Áustria. Madames de
“Espeto” ficou sabendo, a produção não teria prefe-rência, nas compras com
nada a ver com Pelotas e região. Se a suas bicicletas...
disposição de ajudar existe, que se auxilie
projetos culturais daqui. Nomes e projetos
serão confirmados e divulgados em seguida.

VIII – “Este trabalho se propõe à análise de publicações na imprensa sobre o patrimônio


histórico da Região Sul do Estado. Para isso, investigou-se as publicações dos jornais
Diário Popular, de Pelotas – de tiragem regional – e Zero Hora, de Porto Alegre – de
tiragem estadual – nas décadas de 80 e 90.” (pesquisa de aluno; assunto: Conservação do
Patrimônio Histórico; ano: 1997)

IV – (Diário Popular, 16/05/95)


“Em política não se pede cargos, ocupa-se espaços”
JOSÉ EDUARDO ANDRADE VIEIRA, presidente do PTB, um dos
possíveis integrantes do governo FHC

Após lê-los atentamente:


a) transcreva as passagens em que o problema de
concordância é evidente:
b) reescreva-as de forma a adequa-las à norma culta da língua.

36) As gramáticas consideram incorretas construções tais como “Coloque menas


pimenta na comida”, “Maria é meia louca” ou “É bom a comida”. Apesar
disso, tais estruturas são bastante comuns na linguagem popular.
Os textos abaixo apresentam problemas de concordância que
contrariam a norma culta da língua.

I – (Diário Popular, 21/09/97) II – (Folha de São Paulo, 21/09/97)


“Afinal de contas, as coisas estão cada vez
Falta tudo melhores: primeiro, as pessoas passam a co-
É desumano a situação das pessoas que mer mais, consumir mais produtos de higiene,
sem emprego e sem renda, se vêem eletrodomésticos, e, por fim, observamos que
obrigadas a esmolar ou até mesmo as pessoas estão cuidando mais de si mesmo.”
furtar para poder alimentar seus filhos. Colaborou Renata Giraldo, da Sucursal Brasília

III – (Diário Popular, 29/09/97) IV – “Penso, inicialmente, que o álcool é uma


De outubro de 1997 a outubro de droga, mas não é levado à [sic] sério os seus
1998 vou comemorar meus 50 anos efeitos, pois a venda é praticamente liberada
de jornalismo. Neles serão contados (...)” (carta argumentativa dirigida ao editor
minha participação e colaboração, do jornal Folha de São Paulo; assunto:
comunitária. alcoolismo entre os jovens)
a) Transcreva, de cada texto, os trechos em que o problema de
concordância é evidente.
b) Reescreva-os, adaptando-os à norma culta da língua.
37) Dentre os problemas abaixo, extraídos de redações de alunos, encontra-se o
relativo à concordância. Depois de ler os textos/trechos com atenção,
identifique as passagens em que ele é evidente, adequando-as à norma
culta da língua.

1) “O preconceito racial é uma questão muito frágil, que precisa ser cuidadosamente analizada
[sic], para que não hajam equívocos.” (carta argumentativa dirigida à jornalista Marilene
Felinto; assunto: preconceito racial)

2) “É freqüente os casos em que os novos alunos são levados aos hospitais em virtude das
agressões feitas pelos veteranos.” (carta argumentativa dirigida ao editor do jornal Folha de
São Paulo; assunto: trote nas universidades brasileiras)

3) “(...) além disso já houveram vários trotes que acabam com vítimas fatais.” (idem ao item 2)

4) “Só deve ser permitido brincadeiras sadias (...)” (idem ao item 2)

5) “Gostaria ainda de lembrar-lhe que não estão havendo punições adequadas para todos os
alunos praticantes de violência no trote.” (idem ao item 2)

6) “É importante e preciso que se reflita sobre as violências cometidas e que se exija punições
adequadas.” (idem ao item 2)

7) “A selvageria que se tornou os ritos de iniciação é algo deprimente.” (idem ao item 2)

8) “Creio ser válida também, uma política de prevenção para a marginalização, distribuição de
renda, moradia, acesso restrito à educação, saúde, cultura, lazer entre outros.” (carta
argumentativa dirigida ao editor do jornal Folha de São Paulo ou ao ministro da Justiça;
assunto: Estatuto da Criança e do Adolescente)

9) “Portanto, acho que deveriam haver penas mais rígidas para os que exploram os menores.”
(idem ao item 8)

10) “Na edição de seu jornal, do dia 13 de outubro de 1997, foi noticiado as falhas do estatuto da
Criança e do Adolescente.” (idem ao item 8)

11) “É mostrado na reportagem situações em que a lei ‘esqueceu’ da existência dos menores de
idade (...)” (idem ao item 8)

12) “Para diminuir esses problemas construiu-se os ‘CAICS’, que deveriam ser o ‘Centro de
Atenção Integral à Criança e Adolescente’,” (idem ao item 8)

13) “Também deveria ser propostas penas alternativas, como serviços à comunidade.” (idem ao
item 8)

QUESTÕES OBJETIVAS

1) Leia o texto abaixo, respondendo ao que é solicitado

AIDÉTICO. Antes de pronunciar essa palavra,


lembre que uma palavra pode
esconder muitos sentidos.
Uma palavra carrega ódio.
Uma palavra carrega repulsa.
Uma palavra carrega desprezo.
Uma palavra exclui.
Uma palavra isola.
Uma palavra machuca.
Uma palavra humilha.
Uma palavra, às vezes, mata.

Uma palavra não é só


uma palavra.
GAPA - Bahia - 10 anos
Preconceito tem cura. Respeite o portador do HIV.
Apoio: Fundação MACARTHUR

(Caros Amigos, ano 2, número 16, julho/1998)

Assinale a alternativa adequada segundo o texto:

a) “Uma palavra não é só palavra” expressa, no texto, uma contradição


inaceitável.
b) “muitos sentidos” inclui, semanticamente, os substantivos “ódio”,
“repulsa”, “desprezo” e os verbos “exclui”, “isola”, “machuca”,
“humilha”, “mata”, mas exclui o termo “preconceito”.
c) O efeito de sentido da propaganda funciona como uma ameaça ao
interlocutor.
d) No texto, a gradação tem por função enumerar fatos numa progressão.
“Uma palavra, às vezes, mata” é o argumento mais enfático na série de
argumentos apresentados.
e) Respeitar o portador de HIV pressupõe o uso de gestos, ações, e não de
palavras.
Texto referente às questões de
2 a 8:

Nunca confie numa revolução de 30 anos


GUSTAVO IOSCHPE
especial para a Folha

Admirei, durante muito tempo, a geração puro, parece agora confinada ao papel de
de 68. Lia sobre aquela eclosão de maio, rebelde. Não uma rebeldia destrambelhada, mas
comandada pelos estudantes universitários uma rebeldia com propósitos válidos e
parisienses, e me dava uma vontade tremenda de elogiáveis, de derrubar alguns ícones
ter vivenciado aquilo. Ficar lendo Marcuse, fundamentais das relações de poder. Contudo,
Debray e Deleuze e sonhando com tantos ainda assim, rebeldia, e não revolução, mudança
outros; participar de conversas com Sartre sobre estrutural. Tiveram sucesso em sua empreitada.
os rumos da Sorbonne; protestar contra a tirania Não fossem os revoltosos de maio, você hoje
dos pais, professores e de quase todo o mundo provavelmente não poderia mandar seus pais à
pós-balzaquiano; xingar o De Gaulle... Lutar, p.q.p. sem ser apresentado a uma vara de
aparentemente, por um mundo melhor. marmelo ou conseguir uma transa com aqueles
Some-se a todo esse romantismo o fato de papos de “Ih, gata, desencana, não fica assim
que Maio de 68 foi a antítese da reprimida, deixa os teus
revolução carrancuda, chata. Seus impulsos..”. Dessa forma, 68 foi
lemas, simbolizados em lemas um divisor de águas, mas de
singelos como “Sejamos realistas. importância muito reduzida pra um
Exijamos o impossível”, “A movimento que queria criar uma
imaginação no poder” e “É nova concepção de mundo. Em
proibido proibir”, são também de uma época cheia de colonialismo,
uma anti-sisudez enternecedora. imperialismo (vide Vietnã),
Pois o tempo passa, e o totalitarismo (Primavera de Praga)
movimento dos guris que não e tantos outros males mais sérios
confiavam em ninguém de mais de que os esporros paternos, ficar na
30 anos completa sua terceira superficialidade é pecado suficiente
década de existência e, para desencantar até os fãs mais
apropriadamente, deixa cair muitas ardorosos.
de suas máscaras e transparecer O bom deste aniversário é ver
uma base com a consistência dos que pelo menos a minha desilusão
mingaus que suas lideranças está sendo compartilhada por quase
deviam comer quando crianças. todos. Sempre é bom repartir a
Ainda que muito cedo para miséria. Assim fica mais fácil
uma análise definitiva, parece que o que ficou aceitar que aquele movimento idolatrado vai
de 68 foram os slogans e as fotos bonitas. Nota- ficar na memória coletiva como um produto pra
se agora que os “revolucionários” liderados pelo consumo externo; mais um acontecimento da
lendário Daniel Cohn-Bendit (“O Vermelho”) iconografia pop. Esta decompõe tudo em
estavam mesmo interessados em implantar suas símbolos, slogans, imagens. Tudo
idéias de pequena burguesia. Queriam o amor pasteurizadinho, “marketable”, Che Guevara
livre, a universidade democrática, um S.A. etc. Muito apropriado aos nossos tempos,
relacionamento aberto com os pais e outras em que os três Ms de 68 Mao, Marx e Marcuse
mudanças comportamentais do gênero. Mudar o foram substituídos no imaginário popular pelos
mundo, só depois que desse pra transar no 3Ms da companhia que fabrica aqueles
campus numa boa. quadrinhos autocolantes, em que “mudar o
A geração que parecia entrar na história mundo” foi arriscado e substituído por “lavar o
como arauto da mudança radical, do idealismo carro” na lista de lembretes.
119

Gustavo Ioschpe, 21, é escritor e estuda administração na EUA, e-mail: desembucha@cyberdude.com. O colunista está de
Wharton School e ciência política na University of Pennsylvania, férias no Brasil.

(Folha de São Paulo, Folhateen, 25/05/98)


*Vocabulário:
antítese: qualquer oposição flagrante; ser ou coisa que representa essa
oposição; o oposto.
sisudez: seriedade, gravidade circunspecção.
2) Assinale a alternativa inadequada quanto ao texto lido:

a) O autor faz uma distinção entre “rebeldia” e “revolução”; o primeiro termo


refere-se às “idéias da pequena burguesia”, o segundo, à “mudança
estrutural”.
b) “mudar o mundo, só depois que desse pra transar no campus numa boa”
remete à idéia de rebeldia, não de revolução.
c) O autor mostra-se totalmente avesso à idéia de rebeldia dos jovens de 68,
pois esta sobrepôs o consumismo da sociedade capitalista aos ideais
revolucionários.
d) Uma das imagens, usadas no texto, a qual sintetiza a “vitória” do
capitalismo sobre os ideais revolucionários de maio de 68 pode ser
comprovada pelo uso da expressão “Che Guevara S.A.”.
e) “Sejamos realistas. Exijamos o impossível”, “A imaginação no poder” e “É
proibido proibir” funcionam, no texto, como uma antítese de “lavar o carro”.

3) Assinale a alternativa que melhor condiz com o(s) sentido(s) expresso(s) no


texto:

a) Comparando-se o título do texto “Nunca confie numa revolução de 30


anos”, bem como seu conteúdo, com o slogan criado pelos jovens da
geração de 68 – “Não confie em ninguém maior de 30 anos” -, este
contextualizado naquela época, é adequado afirmar que o ponto de vista,
nas duas versões, é o mesmo, embora o contexto histórico seja diferente.
b) O ponto de vista sustentado pelo autor ratifica (confirma) plenamente o dos
ideais dos jovens de 68. Percebe-se isso pela afirmação do autor, no início
do texto: “Admirei, durante muito tempo, a geração de 68.”
c) O uso do pretérito na frase “Admirei, durante muito tempo, a geração de
68”, acrescentado pela expressão “durante muito tempo”, deixa implícita a
idéia de que, agora, o autor não admira da mesma maneira a qual a
admirava, posição que se justifica por argumentos como “ficar na
superficialidade é pecado suficiente para desencantar os fãs ardorosos”.
d) O uso de adjetivos e substantivos servem, em termos argumentativos, para
expressar pontos de vista, explicitar posicionamentos diante de uma
realidade. No texto, “antítese da revolução carrancuda, chata” opõe-se ao
sentido da expressão “uma anti-sisudez enternecedora”.
e) O uso da expressão “mas” em “mas de importância muito reduzida pra um
movimento que queria criar um nova concepção de mundo” opõe-se à
critica, feita por Ioschpe, e ao emprego do termo “revolução” usado pelos
jovens da geração de 68. Esse nexo “mas” expressa uma relação de
condição para que haja a proclamada “mudança estrutural”.
4) Observe a frase “O bom deste aniversário é ver que pelo menos a minha
desilusão está sendo partilhada por quase todos” e assinale a alternativa a qual
melhor expressa o sentido do termo sublinhado, levando em conta as devidas
alterações.

a) no mínimo
b) apesar disso
c) contraditoriamente
d) em especial
e) ainda bem que
Os períodos das questões 4 e 5 devem ser modificados em razão da
sugestão proposta. Sem alterar a idéia contida no período dado, construa um
novo período. Considere as mudanças indispensáveis.

5) “Ainda que muito cedo para uma análise definitiva, parece que o que ficou de
68 foram os slogans e as fotos bonitas.”
INICIE COM: Parece que o que ficou de 68 foram os slogans e as fotos
bonitas...
a) por isso b) contudo c) uma vez que d) a menos que e)
enquanto

6) “(...) 68 foi um divisor de águas, mas de uma importância muito reduzida pra
um movimento que queria criar uma nova concepção de mundo.”
INICIE COM: 68 teve uma importância muito reduzida pra um movimento que
queria criar uma nova concepção de mundo...
a) ainda assim b) além disso c) nem por isso d) por isso e) porque

7) Em “Não fossem os revoltosos de maio, você hoje provavelmente não


poderia (...)”, a oração sublinhada expressa a idéia de:
a) oposição b) conclusão c) conseqüência d) condição e) causa

8) Para que um texto seja coerente, é preciso que, no seu desenvolvimento


linear, existam elementos de retomada de conceitos, idéias, tais como: a
repetição de palavras, o uso de pronomes, o emprego de artigos definidos,
substituições lexicais, o uso da concordância, dentre outros. Tais elementos
garantem a coesão, a unidade do texto.
Observe como, no texto lido, através das expressões sublinhadas, a
relação coesão/coerência é feita de forma adequada.
“Admirei, durante muito tempo, a geração de 68. Lia sobre aquela eclosão de maio, comandada
pelos estudantes universitários parisienses, e me dava uma vontade tremenda de ter vivenciado
aquilo.”

Agora leia os trechos/textos abaixo, extraídos de redações de alunos,


levando em conta as afirmações anteriores.

I – “Sinceramente, confesso-lhe piedade por tão ridícula cena de humilhação, pois as emissoras
não estão se importando com os diversos problemas apresentados, eles querem que se ‘matem’
121

em público, se for necessário.” (carta argumentativa dirigida ao editor da revista Veja;


assunto: a guerra pela audiência e a qualidade dos programas na televisão brasileira)

II – “Viemos, hoje em dia, num mundo possuído por guerras, literalmente, e essa chegou até as
emissoras.” (idem)

III – “Penso, inicialmente, que a principal causa da existência de fenômenos como o sucesso de
Ratinho, Márcio, Gugu Liberato, dentre outros, é a baixa qualidade educacional de nosso
povo.” (idem)

Podemos afirmar sobre esses textos que sua incoerência é


decorrente de um problema de coesão em:
a) I e II b) II e III c) I e III d) III e) II
9) Todo texto mantém relações com outros textos, ele é formado por uma série
de textos que se cruzam na sua constituição, em relações diversas de ruptura,
reiteração (confirmação) ou transformação. A esse processo de
“entrecruzamento” de textos, denominamos intertextualidade, o qual
depende, portanto, do conhecimento de outros textos previamente existentes.
O caderno “Mais”, do jornal Folha de São Paulo, de 10/05/98, publicou
um série de reportagens sobre maio/68, ilustrando tais textos com cartazes
que eram fixados nas ruas da Europa daquela época. Observe alguns deles:

I II

“Eu participo, tu participas..., “Menores de 21 anos:


eles se aproveitam” eis sua cédula de votação”
(um paralelepípedo)

III IV
“A ordem reina” “Seja jovem e cale a boca”

É inadequado afirmar sobre eles que:


a) somente I e II esboçam um perfil de denúncia política;
b) o cartaz II funciona como uma antítese do cartaz IV;
c) os quatro cartazes expressam um caráter de denúncia política;
d) os quatro cartazes sugerem a existência de dois momentos de fatos
políticos – as rebeliões, na Europa, em 68: os cartazes I e II revelam um
período de incitação (estímulo) à rebeldia, enquanto os dois últimos
denunciam um período de repressão.
e) o cartaz III critica a omissão da juventude no movimento de maio de 68.

10) A coerência de um texto não deveria apenas de sua lógica interna, decorre
também da “bagagem do mundo”, ou seja, dos conhecimentos
compartilhados entre os interlocutores. Tais conhecimentos, arquivados em
nossa memória, incluem o conhecimento lingüístico, o não-verbal (associação
de imagens), conceitos, fatos generalizados de domínio público, episódios
históricos e dados particulares provenientes da experiência de cada
indivíduo.
Considerando essas afirmações e, levando em conta os quatro cartazes
da questão anterior, é adequado afirmar que:

a) em I, a coerência do texto é construída através do inusitado da


última conjugação “eles se aproveitam” que acaba por “quebrar” o
encadeamento das idéias, produzindo, através dessa “quebra”, uma
crítica de caráter denunciativo;
b) em III, a linguagem não-verbal (imagens) torna-se desnecessária
para a construção da coerência do texto, em vista de a declaração
ter um caráter mais incisivo (direto) do que a imagem;
c) em todos os cartazes a linguagem não-verbal é mais significativa do
que as declarações, visto que, sem ela, a coerência do texto é
prejudicada, ao passo que, sem as declarações, isso não ocorre;
d) em todos as cartazes, as declarações são mais significativas do que
a linguagem não-verbal, visto que, sem elas, a coerência do texto é
prejudicada, ao passo que, sem a linguagem não-verbal, isso não
ocorre;
e) em IV, a imagem confirma a omissão dos jovens na construção do
movimento de maio de 68.
123

11) França, Maio de 68. Paris entre em convulsão social – radicalidade na


constatação a qualquer forma de autoritarismo, a construção de barricadas,
as passeatas. Esses são alguns exemplos da “festa revolucionária” dos
estudantes franceses daquela época. Foram eles que, com sua força poética
e alegria contagiante, mudaram comportamentos e relações sem paralelos
com outras revoluções do gênero.
Levando-se em conta esse contexto sócio-histórico e, lendo as
declarações abaixo, podemos considerar coerentes a(s) aquela(s)
referente(s) a:

I. “Estamos tranqüilos: 2 mais 2 são mais 4.”


II. “É proibido proibir”.
III. “Levemos a revolução a sério, mas não nos levemos a sério.”

a) I e II
b) II e III
c) III e I
d) I, II e III
e) III

Texto referente às questões de


12 e 16:

FREI BETTO – Colocamos tantos vulcões na pequena


América Central, e o Brasil não terá
O dia da Criação nenhum? Distribuímos terremotos pelo
(narrado em ano de eleição) Caribe e México, desertos no sul do Peru e
norte do Chile, neves nos Andes. E nada
disso nas terras de Santa Cruz?
Tantos vulcões na América Central
Os serafins, filiados à CUT, já pensavam
e o Brasil não tem nenhum? em denunciar Javé como injusto:

N
– Senhor, por que tantos privilégios ao
o dia da Criação da América Latina, os
Brasil? Nada de tufão, furacão, maremoto ou
anjos, intrigados, protestaram juntos ao
montanhas inabitáveis? Não estaria o
Senhor. Foi o primeiro gesto de pressão s
Criador transferindo de lugar o Jardim do
indical:
Éden?
– Javé, a não é uma injustiça dotar o
Os benjamins, pragmáticos, já tinham
Brasil de extensão tão grande? Veja, a
feito os cálculos das vantagens do Brasil:
Venezuela é proporcional à Argentina; o
Panamá, ao Uruguai; a Nicarágua, à Bolívia.
Por que não dividir o Brasil em dois ou três
países?
Diante do soberano silêncio do Criador,
os querubins apresentam outra queixa:
– Se o Todo-Poderoso não modificar Um vento forte soprou a assembléia de
Seus planos, o Brasil terá 600 milhões de anjos. Afinal, Javé rompeu o silêncio:
terras agriculturáveis, rios imensos e pisco- – Se dependesse de mim, o Brasil seria o
sos, costa de 8,5 milhões de quilômetros Paraíso na Terra. Mas esperem só pra ver
quadrados, a mais rica floresta tropical da que tipo de políticos os eleitores vão
terra, potencial para quatro safras por ano e escolher para governá-lo.
capacidade de produzir tudo que os seres hu- Frei Betto é escritor
manos necessitarem para sobreviver e ser
felizes.
(Caros Amigos, julho de 1998, ano 2, n.º 16, p. 16)

12) A gradação é uma figura de linguagem em que são apresentadas séries de


idéias em progressão. O humor do texto acima encontra-se no inusitado de
uma frase, a qual acaba por “quebrar” o encadeamento dessa progressão.
Assinale a alternativa que revela o inusitado no texto:

a) “Senhor, por que tantos privilégios ao Brasil?”


b) “Por que não dividir o Brasil em dois ou três países?
c) “Se dependesse de mim, o Brasil seria o Paraíso na Terra.”
d) “Mas esperem só pra ver que tipo de políticos os eleitores vão escolher
para governá-lo.”
e) “Um vento forte soprou a assembléia de anjos.”
13) Assinale a alternativa INADEQUADA:

a) No texto, a gradação tem por função enumerar os fatos numa progressão,


a qual parte do menos para o mais enfático.
b) Em termos semântica (de significado), a força argumentativa concentra-se
no último elemento da enumeração desses fatos.
c) O inusitado, no texto, produz um efeito de ironia, assim como uma crítica
às atitudes dos brasileiros no período eleitoral.
d) A marca responsável por desencadear o inusitado, no texto, é o uso do
nexo “Se” no último parágrafo.
e) No último parágrafo há a manifestação, por parte de Javé, de duas
opiniões: uma explícita e outra implícita. Em termos de argumentação, a
opinião implícita tem um peso argumentativo verdadeiramente mais
intenso do que a explícita.

14) A enumeração, no texto, tem função determinada. Assinale a alternativa a


qual melhor evidencia essa função.

a) Mostrar as contradições das riquezas e pobrezas de nosso país,


ressaltando, dentre as primeiras, nossos privilégios.
b) Revelar a inexistência, quase total de conscientização política da maioria
do povo.
c) Ressaltar a confusão de Javé bem como sua dificuldade em diferençar o
justo do injusto.
d) Apontar que o problema maior de nossa sociedade concentra-se no grupo
de políticos eleitos, e não nas camadas populares;
e) Evidenciar a indignação dos anjos com relação às decisões de Javé,
sobretudo pelo fato deste declarar que, por Ele, o Brasil seria o Paraíso na
Terra.
125

15) A leitura global do texto permite concluir que:

a) Apesar das contradições sociais, econômicas e políticas concentradas em


nosso país, o Brasil ainda pode ser, pelas riquezas que apresenta, o
Paraíso na Terra.
b) Mesmo que sejam vencidas tais contradições (referentes ao item a), o
Brasil não tem chance de ser o “País do Futuro”.
c) Javé é tão injusto quanto o homem, neste texto, pois não consegue
“salvar” nosso país das mãos de um governo ruim.
d) Não basta um país ter riquezas imensuráveis; é preciso existir um governo
capaz de gerenciar tais riquezas de forma eficaz.
e) Javé aparece, neste texto, simbolicamente, em desigualdade com o ser
humano.

16) Assinale a alternativa cujo ditado melhor revela a crítica implícita no texto:

a) Devagar se vai ao longe.


b) Vai devagar com o andor que o santo é de barro.
c) É como dar pérolas aos porcos.
d) Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
e) Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.

17) Observe atentamente os textos abaixo:

I – “Não estamos mais no tempo da dona Rosane. A dona Ruth pensa e fala como ser humano.”
(declaração de Betinho, sociólogo falecido recentemente, sobre as primeiras-damas da
República. Em: Zero Hora, 22/02/95)
II

Dolly
“Vale tudo, menos clonar político brasileiro!!!”
Paulo de Tarso Moroni Porrelli (São Paulo, SP)
(Folha de São Paulo, 09/02/98)

III - “Assédio só é crime quando o homem é feio.” (frase extraída de um anúncio das Lojas
Renner. Em: Folha de São Paulo, 24/04/97. O anúncio apresenta fotos de um homem
branco, jovem, em elegante terno e gravata, gel no cabelo, tentando seduzir uma moça.)

Há determinados textos que nos fornecem informações implícitas acerca


de um fato ou tema. Considerando essa afirmação, assinale a alternativa
inadequada.
a) Em I, pela comparação entre a ex-primeira-dama e a atual, subentende-se
que aquela pensava e agia de forma desumana, o que concorre para
desprestigiar a imagem de Rosane e enaltecer a de Ruth.
b) Em II, a afirmação instaura um pressuposto acerca da opinião corrente que
se tem dos políticos em nosso país, a qual, neste caso, é reforçada pela
expressão “Vale tudo”.
c) Podemos subentender de III que, se um homem vestir-se bem,
embelezando-se com terno, camisa e gravata das Lojas Renner, poderá
sentir-se à vontade para assediar, pois não será rejeitado nem tido como
criminoso.
d) O anúncio citado em III, pelo seu conteúdo implícito, pode ser visto como
um insulto às mulheres e um incentivo ao assédio sexual.
e) Os três textos contém subentendidas imagens depreciativas e verdadeiras
das pessoas em questão.

18) Leia a charge abaixo:

(Em: VERISSIMO, Luis Fernando. As Cobras em: se Deus existe que eu seja atingido por um raio.
Porto Alegre, L&PM, 1997, p.29)

A crítica implícita na charge pode ser assim sintetizada:


a) A maior preocupação de todo governo é distrair o povo; por
isso, propõe um jingle de fácil assimilação.
b) As músicas cujas letras são fáceis agradam ao povo e ao
governo.
c) Determinados políticos, ao invés de proporem soluções
para os reais problemas comunitários, objetivam manipular
a opinião pública.
d) Rimas fáceis e programas comprometidos com as reais
necessidades do povo são incompatíveis.
e) As letras criadas para os “jingles” são incompatíveis com os
programas dos partidos políticos.
19) Leia o texto abaixo, extraído do jornal Folha de São Paulo, de 29/01/98,
assinalando a alternativa adequada:

“Apoio machista
O Movimento Machista Mineiro
elegeu Bill Clinton o ‘macho do ano’.
Segundo o presidente do grupo, Luiz
Mário Ladeira, Clinton é o primeiro
estrangeiro a receber a ‘honraria’.
“Durante o ano passado, nenhuma
figura pública honrou as tradições do
machismo como Bill Clinton.”

a) O texto tem o objetivo específico de relatar, de forma imparcial e fiel, as


informações acerca do escândalo sexual em que se envolveu o presidente
dos EUA, Bill Clinton.
b) A notícia sobre esse episódio é produzida através da visão de mundo do
jornalista, o que reforça a idéia de que texto algum é neutro. O substantivo
“honraria”, em termos argumentativos, marca a posição crítica do
jornalista concernente ao fato em questão.
127

c) Como se trata de um texto jornalístico, este tem um caráter meramente


informativo, já que visa a registrar, com precisão, como funciona a
organização do Movimento Machista Mineiro.
d) O verbo honrar, neste texto, é utilizado pelo jornalista para caracterizar
positivamente a imagem do presidente americano.
e) A expressão “macho do ano” não possui valor argumentativo.

ATENÇÃO O texto abaixo, extraído de Folha de São Paulo, de 09/02/98,


refere-se às questões 19 e 20.

“Procurando o botão
Do senador Roberto Requião (PR), no ato dos
oposicionistas do PMDB pelo candidato próprio à Presidência,
ontem em São Paulo: ‘O governo FHC só existe na televisão.
Se desligar a televisão, acaba o governo’.”

20) Assinale a alternativa em que o sentido do enunciado em destaque sofre


alteração:

a) O governo de FHC não acabará, a menos que se desligue a televisão.


b) Desde que se mantenha a televisão ligada, o governo de FHC não acabará.
c) A não ser que se desligue a televisão, o governo FHC acabará.
d) Mesmo que o governo de FHC só exista na televisão, se a desligarmos, ele
não acabará.
e) O governo de FHC não acabará, exceto se desligarmos a televisão.

21) A idéia expressa pelo uso de nexo “Se”, neste trecho, é de:

a) causa
b) finalidade
c) conclusão
d) condição
e) concessão
Leia o texto abaixo e responda às questões
propostas.

OS PRESIDENTES
1 Tinha um presidente, que, antes, havia sido ditador, mas depois foi eleito, só que um
2 negão amigo dele arrumou encrenca na rua e o presidente deu um tiro no peito, peito dele,
3 não do negão, foi um bafafá, mas assumiu o vice, depois veio um presidente que constituiu
4 uma cidade no meio do nada e mudou a capital pra lá, aí veio outro, [*1] que falava
5 esquisito e tinha mania de vassoura, e que de repente renunciou, ninguém entendeu bem
6 por que, então deu uma confusão danada, mas acabou assumindo o vice, que começou a
7 ter idéias e foi derrubado pelos militares, que botaram um general na presidência, aliás,
8 um não, vários, um atrás do outro, [*2] teve aquele baixinho, depois aquele outro que teve
9 um treco, e assumiu uma junta militar, aí vieram mais três, que não gostavam muito de ser
10 presidentes e, quando ninguém mais agüentava os generais, eles deixaram entrar um civil,
11 que tinha sido ministro daquele que deu um tiro no peito, [*3] mas ele também teve um
12 treco, bem no dia da posse, e entrou esse outro, que seria vice, tinha um bigode estranho e
13 se dizia poeta, que fez uma lei proibindo os preços de subir e deu com os burros n’água,
14 foi quando voltou a eleição direta [*4] e ganhou um almofadinha, que confiscou o
15 dinheiro da população, construiu uma cascata em sua casa e quase foi pra cadeia, junto
16 com o tesoureiro, que depois foi morto em circunstâncias misteriosas, mas quando o
17 almofadinha dançou, entrou um vice, aquele do topete, amante do pão de queijo, [*5] que
18 relançou o fusca e lançou um novo dinheiro, bolado por um ministro, que, por isso, virou
18 presidente, e está aí, querendo ficar um pouquinho, talvez disputando a eleição com o do
19 bigode, o do topete e, se deixarem, o da cascata. Bom, é basicamente isso [*6].
FOLHA, 75 ANOS TENTANDO EXPLICAR ESSE PAÍS
FOLHA DE SÃO PAULO
NÃO DÁ PARA NÃO LER.
(Veja, 22/01/97)
[*1] Ao fundo da página, percebe-se a figura de Getúlio Vargas;
[*2] ao fundo da página, percebe-se a figura de Jânio Quadros;
[*3] ao fundo da página, percebem-se as figuras de militares;
[*4] ao fundo da página, percebe-se a figura de Tancredo Neves e alguns militares;
[*5] ao fundo da página, percebe-se a figura de Collor de Mello;
[*6] ao fundo, percebe-se a figura de Fernando Henrique Cardoso.

22) Habitualmente o usuário da língua usa e reconhece diferentes níveis de


linguagem, associados a diferentes falantes, estilos, objetivos e contextos.
Muitas vezes, ele utiliza um desses estilos com uma intenção deliberada,
revelando, portanto, determinadas intenções. Levando em conta essa
afirmação, assinale a alternativa adequada:
a) Redigido de acordo com a norma culta da língua, este anúncio produziria
no leitor o mesmo efeito de sentido.
b) O nível de linguagem utilizado visa a tratar o leitor com intimidade,
coloquialismo, tentando envolvê-lo na trama da história, criando, além
disso, um clima de maior veracidade e realismo aos fatos narrados.
c) A linguagem coloquial empregada no texto objetiva evidenciar que, para
se conhecer a história do Brasil, não é necessário o leitor dominar a norma
culta da língua como um todo, apenas lhe é fundamental conhecer regras
básicas de gramática normativa.
d) Um exemplo bastante elucidativo de variações da escrita pode ser
comprovado nas diferentes seções de um jornal; no entanto, a linguagem
usada nesta propaganda acaba por expressar uma contradição já que, na
Folha, é a utilização da norma culta e o uso de uma linguagem técnica,
especializada que predominam.
e) O texto é formado por uma sucessão de períodos curtos – encadeados por
expressões tais como “e que”, “e então”, “e daí”, “depois”, dentre outras –
as quais visam reproduzir, na escrita, um ritmo e estilo característicos da
norma culta da língua.
23) Os conflitos da trama dão-se, sobretudo, através das expressões abaixo, com
exceção de:
a) “foi um bafafá” (linha 3)
b) “então deu uma confusão danada” (linha 6)
c) “que não gostavam muito de ser presidentes” (linhas 9, 10)
d) “deu com os burros n’água” (linha 13)
e) “o almofadinha dançou” (linhas 16, 17)

24) O anúncio acima encontra-se repleto de expressões coloquiais, de gírias.


Assinale a alternativa em que a explicação encontrada à direita não
corresponde ao sentido da expressão à esquerda.
129

a) “foi um bafafá (linha 3) / houve um tumulto, uma grande confusão.


b) “deu com os burros n’água” (linha 13) / deu-se mal, fez tolice.
c) “o almofadinha dançou” (linhas 16, 17) / saiu-se muito mal, não obteve o
que esperava.
d) “teve um treco” (linhas 8, 9) / teve um mal-estar, teve um grave problema
físico ou psicológico.
e) “arrumou encrenca” (linha 2) / evitou uma discussão.

25) O narrador intervém freqüentemente para comentar e avaliar os


personagens e fatos da história.
Assinale a alternativa na qual melhor percebemos isso:
a) pelo uso de expressões adjetivas, tais como “e tinha mania de vassoura”
(linha 5), “aquele baixinho” (linha 8), “tinha um bigode estranho e se dizia
poeta” (linhas 12, 13), “aquele do topete” (linha 17);
b) pelo emprego de estruturas avaliativas do tipo “quando ninguém mais
agüentava os generais” (linha 10) e “ninguém entendeu bem por que”
(linhas 5, 6);
c) pelo emprego de orações apreciativas como em “eles deixaram entrar um
civil” (linha 10), e “e, se deixarem” (linha 19);
d) pela utilização de termos como “o do bigode”, “o do topete” e “o da
cascata” (linhas 18 e 19);
e) todas as alternativas anteriores estão corretas.

26) Observe o trecho na linha 1 “Tinha um presidente, que antes, havia sido
ditador, mas depois foi eleito”. Agora, assinale a alternativa em que o sentido
do trecho é substancialmente alterado:
a) Tinha um presidente, que, apesar de ter sido ditador, depois, foi eleito.
b) Tinha um presidente, que, embora, depois tenha sido eleito, antes, havia
sido ditador.
c) Tinha um presidente, o qual, antes havia sido ditador, mesmo que, depois,
tenha sido eleito.
d) Tinha um presidente, que, antes, havia sido ditador, por conseguinte,
depois, foi eleito.
e) Tinha um presidente, que, antes havia sido ditador, no entanto, depois foi
eleito.

27) Observe no trecho da questão anterior as orações aqui em negrito e, após,


assinale a alternativa cujo conteúdo é o mais adequado.
“Tinha um presidente, que, antes, havia sido ditador, mas depois foi
eleito (...)” (l. 1)
a) O trecho expressa uma reprovação, seguida de um comentário favorável.
b) O trecho expressa uma compensação, seguida de um comentário
desfavorável.
c) O trecho, como um todo, expressa uma reprovação aos militares.
c) O trecho, como um todo, expressa uma compensação.
d) Neste trecho, não há avaliação, por parte do narrador, apenas existe a
informação sobre como os fatos sucederam-se historicamente.
28) A expressão “não do negão” (linhas 2, 3) foi utilizada no texto:

a) para desfazer uma possível ambigüidade;


b) para desqualificar a imagem do presidente [o da linha 1];
c) para evidenciar que, neste contexto, o ‘negão’ era figura mais importante
do que o próprio presidente;
d) para desfazer uma possível contradição;
e) para desfazer uma incoerência argumentativa.

29) Determinadas expressões fazem mais do que somar argumentos ou fatos já


enunciados. Na linha 7, o termo “aliás” tem por função:

a) introduzir um argumento decisivo com o qual reforça os argumentos ou


fatos já enunciados;
b) retificar as idéias apresentadas, evidenciando, com isso, uma contradição;
c) ratificar (confirmar) as idéias apresentadas, alterando, por completo, o
sentido dos argumentos anteriores;
d) compensar um erro cometido, através de uma explicação;
e) retificar, evidenciando, através de seu uso, uma idéia de restrição.

30) Para evitar repetições de palavras, o autor da propaganda utiliza


determinados elementos coesivos, ou seja, termos que retomam outros
anteriormente referidos. Assinale a alternativa na qual tal retomada é feita
de forma incorreta:

a) dele (linha 1): presidente (linha 1);


b) dele (linha 2): presidente (linha 1);
c) lá (linha 4): cidade no meio do nada (linha 4);
d) bolado (linha 1): um novo dinheiro (linha 18);
e) o da cascata (linha 15): o tesoureiro (linha 16).

31) Observe as informações implícitas dissimuladas nos trechos abaixo:

I – “(...) mas acabou assumindo o vice, que começou a ter idéias e foi
derrubado pelos militares (...)” (linhas 6, 7);
II – “(...) e quando ninguém mais agüentava os generais, eles deixaram
entrar um civil (...)” (linha 10).

Sobre tais trechos, é inadequado afirmar que:

a) I assinala um conflito entre o vice e os militares;


b) II marca um conflito entre a sociedade civil e os militares;
c) em I há um argumento desfavorável aos militares;
d) em II há um argumento desfavorável aos militares;
e) em I e II os conflitos restringiam-se à esfera militar.
131

32) Leia a charge abaixo, extraída da Folha de São Paulo, de 16/11/98, e observe
as afirmações que seguem:

I – A charge critica o imperialismo norte-americano em relação a nosso país.


II – Observando a charge como um todo, notamos que a palavras “forte”
aponta para mais de um sentido.
III – “Yes” é um termo que confirma o estado de submissão do Brasil com
relação aos EUA.
Sobre tais proposições é correto afirmar que a alternativa a qual está
de acordo com o conteúdo da charge é:
a) I e III b) II c) III d) I e II e) I, II e III

Texto referente às questões de 33


a 38

CRISE NO GOLFO
“Se a política do Iraque não mudar, não teremos opções.
Não duvidem: nós temos a autoridade, a responsabilidade,
os meios e a disposição de fazer isto.”
Madeleine Albright, secretária de Estado dos
EUA, ao reforçar as ameaças de um ataque
militar dos EUA contra o Iraque caso Saddam
Hussein continue restringindo o trabalho das equipes de inspeção de armas da
ONU, ontem na Folha.

(Folha de São Paulo, 11/02/98)

33) Assinale a alternativa em que a substituição efetuada altera o sentido


fundamental do enunciado: “Se a política do Iraque não mudar, não
teremos opções.”

a) Não teremos opções, a não ser que a política do Iraque mude.


b) Teremos opções, desde que a política do Iraque mude.
c) Não teremos opções, salvo se a política do Iraque mudar.
d) Não teremos opções, exceto se a política do Iraque mudar.
e) Teremos opções, a menos que a política do Iraque não mude.

34) A idéia expressa pelo nexo “Se” na frase em negrito na questão anterior é
de:
a) causa b) condição c) concessão d) inclusão e)
exclusão

35) Observe o período: “Não duvidem: nós temos a autoridade, a


responsabilidade, os meios e a disposição de fazer isto.”
Os dois pontos (:) do período em negrito poderiam ser substituídos por
vírgula, explicitando-se a relação entre as orações pelo uso do nexo:
a) por isso b) já que c) pois d) embora e) para
que

36) A idéia expressa pelo nexo que você assinalou na questão anterior é de:
a) explicação b) causa c) concessão d) oposição e)
condição

37) O termo “isto” (linha 6) refere-se às expressões ou aos trechos:


a) “trabalho das equipes de inspeção de armas da ONU”
b) “opções”
c) “autoridade”
d) “ataque militar dos EUA contra o Iraque”
e) “reforçar as ameaças”

38) A alternativa com melhor redação, considerando correção, clareza e


concisão, bem como o sentido veiculado no texto é:

a) Se a política do Iraque não mudar não duvidem. Os EUA atacarão o Iraque,


pois não terão opções.
b) Os EUA atacarão o Iraque: não duvidem; não terão opções se a política
daquele país não mudar.
c) Não duvidem se os EUA atacarem o Iraque, o qual não terá opções: a
política deste país não muda.
d) Se a política do Iraque não mudar não duvidem: os EUA – não terão opções
– atacarão o Iraque.
e) Não duvidem: os EUA não terão opções, a não ser atacarem o Iraque se a
política deste país não mudar.

39) Compare as seguintes estruturas com a charge e responda ao que é


proposto.

1º texto:

* A sociedade é violenta porque a TV é violenta, ou a


TV é violenta porque a sociedade é violenta?
133

* A pessoa está com problemas porque abusa de


drogas, ou abusa de drogas porque está com
problemas?
* Fico ansioso porque fumo, ou fumo porque fico
ansioso?
* A escola está uma droga porque as crianças
depredam, ou as crianças depredam porque a escola
está uma droga?
(Caros Amigos, ano II, nº 16, jul./98)

Obs.: Provavelmente, o título da matéria – “Tostines” – deve-se à propaganda desta marca de biscoitos:
“Vende mais porque é fresquinhos ou é fresquinho porque vende mais?”

2º texto:

BIG BANG BANG – Adão Iturrusgarai

(Folha de São Paulo, 02/12/97)


Sobre os dois textos é adequado afirmar:

a) No primeiro texto, as estruturas causa/efeito são impróprias, já que, em


tais estruturas, a causa permanece como causa e o efeito continua como
efeito, não configurando a circularidade.
b) Para que tal circularidade fosse adequada, seria necessário inverter a
ordem causa/efeito como, por exemplo, na estrutura: Fico ansioso porque
fumo, ou porque fumo fico ansioso?
c) Somente no primeiro texto os círculos viciosos estão construídos
adequadamente.
d) Somente no segundo texto os círculos viciosos estão construídos
adequadamente.
e) Tanto o primeiro quanto o segundo textos apresentam adequadamente
estruturas de círculos viciosos.

40) Observe o trecho do segundo texto da questão anterior: “(...) se você não
tem nenhum problema, não pode solucionar nada!” e parta do pressuposto
de que “Toda solução vem de um problema” para resolver esta questão.
Agora observe a possibilidade de divisão do período:
A – Você não tem nenhum problema.
B – Você não pode solucionar nada.
Reunindo-se, com as modificações que se fizerem necessárias, as
orações A e B em um único período, assinale a alternativa que não expressa
a circunstância ou aquela na qual essa relação está expressa de forma
inadequada:
a) Circunstância de causa: Você não pode solucionar
nada visto que não tem nenhum problema.
b) Circunstância de conseqüência: Você não tem
nenhum problema, de forma que não pode solucionar
nada.
c) Circunstância de conclusão: Você não tem nenhum
problema; portanto não pode solucionar nada.
d) Circunstância de causa: Você não tem nenhum
problema uma vez que não pode solucionar nada.
e) Circunstância de conclusão: Você não tem nenhum
problema; logo não pode solucionar nada.

41) No trecho da questão 39 (2º texto) “(...) se você não tem nenhum problema,
não pode solucionar nada.”, o nexo “se” expressa circunstância de:

a) conseqüência b) conclusão c) causa d) condição e)


comparação

42) Leia o texto abaixo, respondendo ao que é solicitado.

“Fora do mapa
Em seu quarto informe mundial, a Unesco levanta dados
assustadores a respeito do número de crianças sem
escolarização. A quantidade de analfabetos em todo o mundo
chega a alarmantes 870 milhões. A Unesco recomenda
investimentos com ênfase nos professores, capazes de reverter
esse processo. As condições em alguns países são tão
deploráveis que 90% das escolas não têm eletricidade. Em três
quartos dos países visitados os alunos não dispõem sequer de
um mapa do mundo em suas salas de aula.”
(Educação, 10/07/98)

É inadequada a alternativa:

a) A expressão “Fora do mapa”, em gíria, significa “fora do


comum; fora de série; não estar no gibi”. No título, ela
evidencia a perplexidade do jornalista diante dos dados em
questão.

b) A expressão “Fora do mapa” deixa clara a posição crítica do


jornal em relação aos dados estatísticos apresentados.

c) A expressão em negrito “(...) não dispõem sequer de um


mapa (...)” poderia ser substituída, sem prejuízo de sentido,
por “ao menos”.

d) Como se trata de um texto informativo, não existe


possibilidade de a expressão “Fora do mapa”, por meio da
ironia, criticar a situação, em nível mundial, dos setores
educacionais.
135

e) Há um “jogo” entre os sentidos literal e não-literal, assim


como entre o título e o conteúdo da matéria, o qual a torna
bastante criativa, original.

43) Observe, ainda, com relação ao texto da questão 42, o seguinte período: “As
condições [de Educação] em alguns países são tão deploráveis que 90% da
escolas não têm eletricidade.”
Em tal período, há uma relação de causa/conseqüência evidente pelo
uso do nexo que antecedido pela expressão tão, indicadores de
conseqüência. Se quiséssemos manter essa mesma relação
(causa/conseqüência), utilizando um nexo de conclusão, a alternativa
inaceitável seria:

a) 90% das escolas não têm eletricidade; as condições [de


Educação] em alguns países são, pois, deploráveis.
b) As condições [de Educação] em alguns países são
muito deploráveis, pois 90% das escolas não têm
eletricidade.
c) 90% das escolas não têm eletricidade; portanto, as
condições [de Educação] em alguns países são muito
deploráveis.
d) 90% das escolas não têm eletricidade: as condições [de
Educação] em alguns países são, por conseguinte,
muito deploráveis.
e) 90% das escolas não têm eletricidade; por isso as
condições [de Educação] em alguns países são muito
deploráveis.
44) Observe os textos do 1º módulo associando-os às idéias que melhor os
representam no 2º módulo.

1º módulo

(1) Titanic
“Seguindo a orientação do nosso presidente, faço minha
oração a Deus: senhor meu Deus, livrai-nos dos icebergs,
reduza seu impacto, pois, se FHC, ACM e companhia são os
tripulantes do ‘Titanic-Brasil’, nós somos o seu casco. Amém.”
Luiz Cláudio Costa (Santos, SP)
(Folha de São Paulo, 14/03/98)

(2) “Proibido amarrar burros na frente do comitê do “Partido X”, para não perturbar os que estão
lá dentro.” (suposta propaganda do “Partido Y” em oposição ao “Partido X”)

(3) “Brasil das leis formidáveis, tão formidáveis que asseguram estabilidade de emprego numa
terra onde não há empregos.” (REIS, Eduardo. De Colombo a Kubitschek. In: CUNHA,
Maria Antonieta. Ler e redigir. São Paulo: Atual, 1988. v.3, p.75)

(4) CHICLETE COM BANANA – Angeli


(Folha de São Paulo, 28/02/98)

2º módulo

( ) Antítese
( ) Ambigüidade
( ) Metáfora
( ) Ironia e antítese

Uma seqüência possível obtida na vertical é:


a) 2 – 4 – 1 – 3
b) 3 – 1 – 4 – 2
c) 4 – 2 – 1 – 3
d) 1 – 3 – 4 – 2
e) 4 – 2 – 3 – 1

45) Leia o texto abaixo, de autoria de Elio Gaspari:

CURSO MADAME NATASHA


DE PIANO E PORTUGUÊS

“Madame Natasha tem horror a música. Ela


socorre os desconectados do vernáculo. Decidiu
conceder uma de suas bolsas de estudo à professora
Maria Beatriz Gomes da Silva, presidente da
Comissão Estadual do Governo do Rio Grande do
Sul para elaboração do Projeto de Informática na
Educação. No relatório que essa comissão produziu,
Natasha encontrou o seguinte adereço:
137

- O ambiente informatizado oportuniza a


possibilidade de ruptura de estruturas estatísticas.
Toda experiência de aprendizagem pode ser
simulada, mas a simulação, que é uma expressão
simbólica, no ambiente digital passa a ser também
“real”, passível de experiência sensorial.
Madame acreditaniza que quiseram dizerinizar o
seguinte:
- O computador é um instrumento pedagógico
versátil.”
(Folha de São Paulo, 22/02/98)

Sobre ele é impróprio afirmar:


a) Pode-se justificar a mudança do código lingüístico, no último período,
pelo fato de, assim, Madame Natasha tentar adaptar a linguagem
utilizada no relatório a um nível de linguagem compreensível aos
interlocutores (no texto, os “desconectores do vernáculo”).
b) O fato de, no último período, Madame Natasha utilizar um código
lingüístico diferente daquele em uso no relatório, comunicando
aproximadamente o mesmo conteúdo informativo, justificando-se
devido a uma mesma idéia poder ser transmitida através de realizações
(níveis de linguagem) diferentes.
c) Ao citar um trecho do relatório em questão, o jornalista Elio Gaspari
revela uma intenção determinada: a de ironizar, o que torna a ironia um
recurso possível de argumentação.
d) Este texto é um exemplo de que habitualmente o usuário da língua é
capaz de reconhecer e empregar diferentes níveis de linguagem,
associados a diferentes falantes, estilos e contextos, fato o qual aponta
para uma característica própria das línguas: a homogeneidade.
e) Madame Natasha utiliza, no último período, uma linguagem coloquial
para melhor se fazer entender.
46) Observe a charge abaixo:

(Folha de São Paulo, 01/03/97)


Percebemos nela uma incoerência, mesmo sendo esta fruto de uma
intenção deliberada do autor: produzir um efeito de ironia, humor.
Assinale a alternativa que melhor revela a incoerência do personagem:
a) “Tá uma vergonha!”
b) “Ora, em praça pública.”
c) “Bem... podemos atacar de surpresa (...)”
d) “Como iremos conter todo esse exibicionismo (...)?”
e) “Só uma pergunta?”

47) Assinale, dentre os ditados abaixo, aquele que melhor traduz a crítica
implícita na charge da questão anterior:
a) De grão em grão a galinha enche o papo.
b) Uma andorinha só não faz verão.
c) Quando a cabeça não pensa o corpo padece.
d) Faça o que eu digo, não faça o que eu faço.
e) Diga-me com quem andas e eu te direi quem és.

48) Leia o texto abaixo e responda às questões que seguem.


O SHOW
O cartaz O dia A música
O desejo A preparação A vibração
A ida A participarão
O pai O estádio
O fim
O dinheiro A multidão
A volta
O ingresso A expectativa
O vazio
(Em: KOCH, I. V., TRAVAGLIA, I. C. A coerência textual. São Paulo: Contexto, 1991.)

Sobre esse texto é inadequado afirmar que:


a) não há elementos relacionais (coesivos) explícitos no texto; apesar
disso, o texto pode ser visto como um todo coerente;
b) o texto narra a ida de uma pessoa a um show. Percebe-se isso
principalmente pela relação entre o título e a 1ª estrofe do poema;
c) a ordem dos fatos e a escolha das palavras são elementos
fundamentais para a compreensão do texto;
d) a coerência é construída também pela idéias que o interlocutor tem do
que seja um show, ou seja, todos os elementos, no texto, apontam
para um esquema básico de um show que as pessoas têm em mente,
respeitando-se, é claro, possíveis variações.
e) A coerência, neste texto, constrói-se através de elementos intra e
extratextuais.
49) Leia atentamente os dois textos:

I - (Folha de São Paulo, 25/09/98)


OS PESCOÇUDOS – Galhardo

II - (Folha de São Paulo, 30/08/98)


CHICHETE COM BANANA - Angeli
139

Sobre as charges é inadequado afirmar que:


a) elas se reiteram, pois ambas apontam para a idéia de que nem sempre os
ladrões pertencem às classes menos abastadas;
b) elas se contradizem, pois, na 1a, não fica claro se o personagem
aproveitará sua oportunidade; já na 2a, é explícito o fato de o personagem
procurar tirar vantagem;
c) o texto I poderia ser substituído, sem prejuízos de sentido, por outro
ditado: “Ladrão que rouba de ladrão tem cem anos de perdão”;
d) elas se reiteram, uma vez que evidenciam ser a corrupção fruto de uma
circunstância, de uma situação determinada, específica;
e) há uma relação semântica (de significado) entre os dois textos, pois a
temática, o conteúdo das charges não se diferenciam substancialmente.

50) Leia com atenção os trechos que seguem.


I – “Assim é imprescindível que se possam vender bebidas alcoólicas para menores de 18 anos,
pois só assim se terá controle sobre os jovens e também uma maior perspectiva de vida.”
(trecho de redação de aluno; assunto: alcoolismo entre os jovens; ano: 1997)
II – “Programas do tipo ‘Domingo Legal’, no qual a modelo Luiza Ambiel foi posta na banheira
praticamente nua, não deviam ser permitidos (...)” (carta argumentativa produzida por aluno
e dirigida à deputada Marta Suplicy; assunto: censura na televisão brasileira; ano: 1998)
III – “Projeto de doação de Anselmo pode ser considerado ilegal.” (Diário Popular, 05/06/97)
São várias as causas da incoerência textual. Sobre isso, levando em
conta os trechos lidos, não é adequado levantar como hipótese para justificar
tais incoerências as idéias contidas na alternativa:
a) Em I a incoerência é decorrente de uma inadequação do uso do
vocabulário, mais precisamente do emprego da expressão “é
imprescindível”, a qual não condiz com o significado pretendido ou cabível
no texto.
b) Em II a incoerência é decorrente da ordem dos termos na frase ou cabível
no texto.
c) Em II a incoerência é decorrente de um problema ocasionado pelo uso
inadequado de um nexo de coesão.
d) Em III a incoerência é resultado da incompatibilidade entre a afirmação do
autor e o mundo que o representa, ou seja, o absurdo do conteúdo da
manchete deve-se ao fato de, em nossa sociedade, ser proibida a doação
de pessoas.
e) No texto I a incoerência deve-se ao fato de seu autor fazer uma afirmação
e, em seqüência posterior, contradizer o conteúdo posto.

Texto referentes às questões de


51 a 57:
Texto I

GEORGES BOURDOUKAN sua nação. E a cruz, com cê maiúsculo, era o


Quinhentos anos símbolo de seu deus, com dê maiúsculo.
E por tais símbolos matariam ou morreriam
O que os naturais da Terra se preciso fosse.
têm a comemorar? Os nativos, penalizados, lamentavam a

E
pobreza dos visitantes. Apenas um deus...
ram felizes à sua maneira. Andavam nus
Onde já se viu? Não conseguiam imaginar um
e nunca tinham ouvido falar do pecado
deus único, vivendo eternamente só, sem uma
original. No paraíso onde viviam, eram
companheira, ou alguém com quem pudesse
centenas, milhares, milhões de Adãos e Evas.
compartilhar toda a imensidão do universo. E
Entre eles e a natureza havia um amor
o que dizer, então, matar ou morrer por um
recíproco. Amor feito de respeito e solidarie-
pedaço de pano? Quantos já não haviam
dade. Suas crianças gozavam de todos os privi-
matado para conseguir aqueles tecidos para
légios. Seus velhos eram os depositários da
cobrir o corpo? Mas os receberam bem, por
sabedoria e da tradição. Menores abandona-
entender que, convivendo juntos, pudessem
dos, nem pensar. Idosos descartáveis, uma he-
melhorá-los.
resia. Ninguém explorava ninguém. A palavra
Encheram-nos de presentes.
lucro não tinha significado. Viviam em comu-
Os visitantes julgaram a recepção pacífica
nidade e suas necessidades eram supridas cole-
e os presentes como sinal de fraqueza. E, antes
tivamente. Tinham vários deuses, porque não
de desembainhar as espadas, ajoelharam-se
eram egoístas. Eram deuses com letra mi-
diante da cruz para dar graças ao seu Deus.
núscula, é verdade, que habitavam as águas, as
Todos sabem o que aconteceu depois.
árvores, as montanhas e os campos. Mas não
Agora que se preparam as festividades para
eram deuses mercantilistas. Ignoravam o dan-
relembrar os quinhentos anos do “descobri-
do é que se recebe. E não obrigavam ninguém
mento”, pergunta-se o que os naturais da terra
a se ajoelhar. Mas, sempre que solicitados,
têm a comemorar, além do sarampo, varíola,
davam ares de sua graça. Para apagar
malária, tuberculose, alcoolismo, prostituição
incêndios ou para regar os campos de milho,
e sua quase extinção...
mandioca ou batata. Não eram vingativos. Não
Mas justiça seja feita.
diziam “não matarás!” e mais adiante “vá a
Eles ganharam o privilégio de ter apenas
Canaã e passe todos pelo fio da espada!”
um deus, com dê maiúsculo, além de aprender
Mas eram deuses com letra minúscula.
a vestir camisetas, calções, sandálias havaianas
Um dia, suas terras foram alcançadas por
e de ser batizados com nomes cristãos. Peri
homens vestidos dos pés à cabeça. Desem-
virou Galdino* e Galdino virou tocha humana
barcaram de suas naus ostentando estandartes
em Brasília.
e dois pedaços de madeira em forma de cruz.
Moral da história. Cada um tire a sua.
Explicaram que aos estandartes davam o nome
de bandeiras, com bê maiúsculo, símbolo de Georges Bourdoukan é jornalista e escritor.

(Caros Amigos, São Paulo, ano II, n. 14, maio/98)


*Galdino: refere-se ao índio pataxó hã-hã-hãe Galdino Jesus dos Santos, queimado vivo, em Brasília, no
ano de 1997, por jovens de classe média.
51) Assinale a alternativa inadequada quanto ao texto lido:
a) Levando em conta a argumentação do texto como um todo, percebemos
que, no penúltimo parágrafo, a palavra “privilégio” está sendo utilizada de
forma irônica.
b) “(...) matar ou morrer por um pedaço de pano” e “ajoelharam-se diante da
cruz para dar graças ao seu Deus” são trechos que, no texto, denunciam a
tirania dos colonizadores portugueses sobre os índios brasileiros.
c) “Ignoravam o dando é que se recebe”, “Apenas um deus... Onde já se
viu?” e “(...) matar ou morrer por um pedaço de pano” são trechos que
evidenciam um imaginário de vida indígena diferente daquele dos
colonizadores.
141

d) As expressões em negrito no trecho “Os nativos, penalizados,


lamentavam a pobreza dos visitantes” estão sendo empregadas
ironicamente.
e) Ao citar “Eles ganharam o privilégio (...) e de ser batizados com nomes
cristãos”, o autor remete esse trecho à expressão “justiça” (“Mas justiça
seja feita”) a qual, neste texto, é utilizada de forma irônica.

52) É adequado afirmar sobre o texto:


a) Ao declarar “Peri virou Galdino e Galdino virou tocha humana em Brasília”
o autor não inclui a idéia de o descaso com os indígenas ser um fato
histórico em nosso país.
b) O termo “recepção pacífica” sugere, pela própria natureza dos índios, que
eles seriam derrotados pelos “civilizados”.
c) A palavras “depois” em “Todos sabem o que acontece depois” subentende
que o processo de colonização dos índios pelos portugueses apresenta um
lado positivo. Percebemos isso pela explicação “Mas justiça seja feita. Eles
ganharam o privilégio (...)”
d) As expressões “sarampo, varíola, malária, tuberculose, alcoolismo,
prostituição e sua quase extinção...” contêm substantivos os quais servem
para desqualificar a imagem dos colonizadores portugueses. Tais
expressões funcionam como antítese de “paraíso”, esta qualificadora da
imagem dos índios.
e) O uso da letra minúscula no termo “deuses” em “Mas eram deuses com
letra minúscula” desqualifica a crença religiosa dos indígenas.

53) No trecho “Viviam em comunidade e suas necessidades eram supridas


coletivamente”, o termo em negrito não poderia ser substituído, sem haver
alteração de sentido por:
a) preenchidas
b) providas
c) abastecidas
d) fornecidas
e) originadas

Os períodos das questões 54 e 55 devem ser modificados em razão da sugestão


proposta. Sem alterar a idéia contida no período dado, construa um novo, a partir
do proposto, de forma a escolher o elemento em destaque que melhor se ajuste
ao novo período. Considere as mudanças indispensáveis.

54) “Tinham vários deuses, porque não eram egoístas”.


Comece com: Não eram egoístas...
a) por conseguinte b) no entanto c) uma vez que d) apesar de e)
embora

55) “E não obrigavam ninguém a se ajoelhar. Mas sempre que solicitados, davam
ares de sua graça.”
Comece com: Sempre que solicitados, davam ares de sua graça...
a) portanto b) visto que c) embora d) desde que e) para
que
56) Em “Mas os receberam bem, por entender que, convivendo juntos,
pudessem melhorá-los” a oração em negrito expressa idéia de:
a) conclusão b) oposição c) condição d) finalidade e)
concessão

57) Para que um texto seja coerente, é preciso que, no seu desenvolvimento
linear, existam alguns elementos de retomadas de conceitos, idéias, tais
como: a repetição de palavras, o uso de pronomes, o emprego de artigos
definidos, substituições lexicais, o uso da concordância, dentre outros. Tais
elementos garantem a coesão, a unidade do texto.
Observe como, no texto lido, através das expressões em negrito, a
relação coesão/coerência é feita de forma adequada:

“Desembarcaram de suas naus ostentando estandartes e dois


pedaços de madeira em forma de cruz. Explicaram que aos estandartes
davam o nome de bandeira, com bê maiúsculo, símbolo de sua nação. E a
cruz, com cê maiúsculo, era o símbolo de deus, com dê maiúsculo.
E por tais símbolos matariam ou morreriam se preciso fosse.”

Agora leia os trechos/textos abaixo, extraídos de redações de alunos,


levando em conta as afirmações anteriores.
I – “No que diz respeito aos tóxicos, acredito ser a pior delas o álcool pois (...)” (carta
argumentativa dirigida ao editor da Folha de São Paulo, assunto: alcoolismo entre os jovens)
II – “Comprova-se também a ignorância de muitas pessoas em relação a esta droga, já que
desconhecem os malefícios que o uso das bebidas alcoólicas trazem ao organismo de quem
as consome.” (idem ao I)
III – “Hoje em dia o Brasil enfrenta uma ‘guerra’ interna entre a política e os traficantes de
drogas. Os primeiros, com o objetivo de acabar com o tráfico (...)” (dissertação; assunto:
descriminalização do uso das drogas)

Podemos afirmar sobre eles que sua incoerência relaciona-se a um


problema de coesão em:

a) I e III b) II e III c) I e II d) I, II e III e) I

58) A intertextualidade compreende as diversas formas pelas quais a produção e


recepção de um determinado texto, por parte dos interlocutores, depende
dos conhecimentos de outros textos previamente existentes.
Leia o texto abaixo, comparando-o com o texto I, e, levando em conta a
intertextualidade que entre eles se estabelece, responda ao que é solicitado.

Texto II

erro de português
Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.
(ANDRADE, Oswald. Poesias Reunidas)
Podemos afirmar sobre os dois textos que:
143

a) o texto II exprime descontentamento pelo fato de o português ter “vestido


o índio” em vez de o índio ter “despido o português”, ao passo que, no
texto I, a declaração com a vestimenta utilizada pelos colonizadores é
completamente ignorada;
b) os dois textos mantêm uma relação de oposição, afastamento, em termos
argumentativos, uma vez que a tese defendida em ambos são diferentes;
c) no texto II, no 4º verso, o poema exprime a irônica consternação por os
portugueses terem conseguido aculturar os índios, descaracterizá-los,
através do processo de colonização. Essa crítica confirma-se, no texto I, no
penúltimo parágrafo;
d) no texto I, o período que expressa a indignação do autor quanto ao
processo de aculturação sofrido pelos índios, de forma mais extremada é:
“Peri virou Galdino e Galdino virou tocha humana em Brasília”. Já, no texto
II, é o 5º verso o qual exprime tal indignação.
e) O último período do texto I, “Moral da história. Cada um tire a sua”
evidencia a falta de um posicionamento crítico por parte do autor. O
mesmo ocorre, no texto II, com relação à expressão “Que pena!”

59) Observe atentamente a charge abaixo:

(VERISIMO, Luis Fernando. As aventuras da família Brasil II. Porto Alegre, L&PM)

Há determinados textos que nos fornecem informações implícitas acerca


de um fato ou tema. Assinale a alternativa na qual a crítica implícita na
charge pode ser melhor sintetizada:
a) A charge critica a falta de conhecimento cultural, de informação sobre
dados históricos da geração atual; daí a necessidade da explicação do avô
ao seu neto.
b) A charge critica o fato de o quanto os adultos podem manipular os mais
jovens através de uma estratégia argumentativa: a fuga do assunto.
c) A charge expressa a seguinte crítica: a crise social e econômica, no Brasil,
é histórica, ou seja, tem suas origens desde a época do descobrimento
deste país.
d) A fala do avô em “porque não tem dinheiro” contrapõe-se à explicação
posterior de que “Tudo começou em 1500, quando...”, evidenciando um
discurso contraditório por parte deste personagem.
e) A charge critica a passividade das pessoas mais idosas quanto à questão
econômica atual.
60) Leia atentamente o texto abaixo, extraído de Zero Hora, de 27/04/97:

ITAMAR MELO

“A o incendiarem o índio pataxó hã-hã-hãe


Galdino Jesus dos Santos com a frieza
de quem dizima antagonistas virtuais
em um jogo de videogame, cinco jovens brasileiros de
classe média alta mostraram ao país que a violência
não é um mero subproduto da miséria. Oriundos de
famílias da elite brasileira, cometeram um ato de
selvageria que nem mesmo os primitivos e
incivilizados indígenas pataxós que Pedro Ávares
Cabral encontrou em 1500 seriam capazes de
conceber.”

Assinale a alternativa inadequada:


a) Os termos “primitivos” e “incivilizados” podem funcionar, neste texto,
como uma ironia.
b) “(...) que Pedro Álvares Cabral encontrou em 1500 seriam capazes de
conceber” não remete à selvageria dos indígenas.
c) “subproduto da miséria” funciona como antítese de “classe média” e “elite
brasileira”.
d) A expressão “com a frieza de quem dizima antagonistas virtuais em um
jogo de videogame” contrasta, neste texto, com “incivilizados indígenas
pataxós que Pedro Ávares Cabral encontrou em 1500 (...)”
e) o uso “ato de servageria”, no texto, equipara os jovens brasileiros aos
indígenas da época de Cabral.

61) Leia os textos abaixo, comparando-os e resolvendo as questões propostas.

Texto I

(BROWNE, Dick. O melhor de Hagar, o Horrível. Porto Alegre: L&PM, 1997. v.I, p.60)

Texto II
145

(VERISSIMO, Luis Fernando. As cobras em: se Deus existe que eu seja atingido por um raio.
Porto Alegre: L&PM, 1997. p.19)
Texto III
Sobre tais textos, é adequado afirmar:
“O amor é finalmente
a) O texto II aponta para uma noção de amor
um embaraço de pernas,
como um sentimento carnal; prova disso é o
uma união de barrigas, uso das imagens – pernas, barrigas,
um breve tremor de artérias, artérias, bocas, veias, ancas – no poema.
uma confusão de bocas, b) Enquanto o texto III é descritivo, o II é
uma batalha de veias, narrativo e o I, informativo.
um reboliço de ancas, c) Os três textos criticam o sentimentalismo
quem diz outra coisa é besta.” exacer-bado e o romantismo dos tempos
Gregório de Matos passados.
(In: BARBOSA, S. A., AMARAL, E. d) No texto II, Flecha realmente acredita no
Escrever é desvendar o mundo: a lin- equilíbrio entre a paixão e a razão.
guagem criadora e o pensamento lógico. e) O que prevalece, no texto I, é a função
Campinas: Papirus, 1986) conativa da linguagem.

62) Assinale, dentre os trechos abaixo, extraídos de redações de alunos, aquele


no qual a palavra quê é empregada de forma mais clara, adequada e
elegante.

a) “Primeiramente deve-se levar em conta os aspectos a favor da distribuição de seringas ao


usuário, que significa um dos principais motivos da contaminação de doenças como a Aids e a
hepatite C.” (assunto: Projeto de Redução de Danos da Secretaria Municipal de Saúde de
POA: trocar de seringas usadas por novas, a fim de evitar transmissão de doenças; ano: 1998)
b) “Principalmente, gostaria de salientar que nem a falsificação é capaz de diminuir o consumo de
medicamentos do País, que cresce a cada dia.” (assunto: os perigos da automedicação; ano:
1998)
c) “Também contribui para isso a propaganda feita no exterior sobre o país, que sempre mostra
mulheres, carnaval e praias.” (assunto: exploração do turismo sexual infantil; ano: 1998)
d) “Porém, paradoxalmente, discordo da Justiça com relação às medidas utilizadas por Pedro, um
jovem de 17 anos, professor de Educação Física em uma escola que esfaqueou um taxista para
roubar o carro.” (assunto: Estatuto da Criança e do Adolescente; ano: 1998)
e) “Inicialmente, ressalto ser a censura na tevê um mecanismo autoritário, que é herança ainda da
época dos militares no poder.” (assunto: censura na tevê; ano: 1998)

63) Leia atentamente o trecho abaixo, extraído de redação de aluno:

I – “Por isso, considero que o jovem menor de idade que é capaz de infringir a lei e também
‘matar’, pode ser responsável pelos seus atos e enfrentar punições como as já citadas.”
(assunto: Estatuto da Criança e do Adolescente; ano: 1998)
II – Por isso, considero que o jovem menor de idade, que é capaz de infringir a lei e também
‘matar’, pode ser responsável pelos seu atos enfrentar punições como as já citadas.
Sobre tais trechos é adequado afirmar que:
a) em I o pressuposto é o de que todo jovem menor de idade é capaz de
infringir a lei;
b) em II o pressuposto é o de que somente alguns jovens menores de idade
são capazes de infringir a lei;
c) caso houvesse uma proposta de redução de idade penal, de 18 para 16
anos, a justificativa mais radical poderia ser dada levando-se em conta a
idéia pressuposta em II;
d) caso houvesse tal proposta (mencionada em “c”), a justificativa mais
radical poderia ser dada levando-se em conta a idéia pressuposta em I;
e) embora as estruturas gramaticais em I e II sejam diferentes, encerram o
mesmo pressuposto.
64) Observe os textos abaixo:

I – “FESTIM MAIA Cidade incentiva visita a sítios arqueológicos


CANCÚN QUER LEVAR OS TURISTAS À RUÍNA”
II – “Devido à ‘guerra da audiência’, emissoras colocam no ar cenas de violência, crimes, roubos
e sexo explícito, a qualquer horário. Isso pode inspirar crianças, adolescentes e até adultos a
fazerem o mesmo.” (amostra de redação de aluno; assunto: Censura na televisão brasileira;
carta ao editor do jornal Folha de São Paulo)
III – “Compre correndo Quatro Rodas” (texto de propaganda da revista Quatro Rodas)

Há textos cuja leitura pode ser tomada em mais de um sentido, fazendo


com que o leitor vacile quanto à sua interpretação. Em muitos casos, a
ambigüidade (possibilidade de mais de uma leitura) é fruto de uma
intenção deliberada do autor e pode ser desfeita através do conhecimento
de mundo do leitor. No entanto, em outros, ela é decorrente de um
descuido, por parte daquele, já que a estrutura sintática por ele utilizada
não é conveniente.

Levando em conta essas informações, assinale a alternativa inadequada:


a) Em I, a ambigüidade é decorrente do uso da expressão “levar à ruína”,
porém, o duplo sentido pode ser desfeito se remetermos tal expressão à
explicação que se encontra acima da manchete: “Cidade incentiva visita a
sítios arqueológicos”.
b) A dupla interpretação, em II, é decorrente do emprego da expressão “o
mesmo”.
c) Em III, a expressão “Compre correndo” pode ser interpretada de duas
formas distintas: comprar rapidamente ou comprar praticando corrida.
d) A ambigüidade, em III, é decorrente do uso do verbo no gerúndio
(“correndo”).
e) A dupla interpretação, em II, é decorrente do emprego da expressão
“Isso”.

65) Para que um texto seja coerente estruturalmente, é indispensável que


apresente elementos repetidos. No entanto, a repetição pode ser um
problema de expressão escrita, ocasionando, dessa forma, danos à qualidade
do texto. Não é o que ocorre, por exemplo, no texto abaixo, no qual a
repetição do vocabulário “droga” é intencional. Observe:
147

“Cidade maravilhosa
O presidente Fernando Henrique que está mais do que certo. A droga é
mesmo um grande agente do mal no Rio de Janeiro: a droga do telefone, a
droga da falta d’água, a droga da falta de luz, a droga da escada magirus que
não funciona, a droga da mangueira furada do bombeiro e assim por diante.”
(Folha de São Paulo, 18/02/98)
*agente: causa, motivo, razão.
Podemos afirmar, pelas informações nele contidas, que o autor usou
repetidamente este vocábulo com o objetivo de:
a) evidenciar que os problemas pelos quais passa o Rio de Janeiro não
são de fácil resolução. Prova disso é o uso irônico da expressão
“grande agente”, usada por Fernando Henrique;
b) comparar os vários tipos de problemas enfrentados pela população do
Rio de Janeiro e, dessa forma, ratificar (confirmar) a posição de
Fernando Henrique;
c) ridicularizar, através dos múltiplos sentidos da palavra “droga”, a
população carioca;
d) enfatizar, de forma irônica, que os problemas enfrentados pela
população carioca não se concentram em um único ponto mas, ao
contrário, encontram-se disseminados em outras situações do
cotidiano dessa cidade;
e) denegrir a imagem do Rio de Janeiro.
Texto e ilustração referentes às questões de
66 a 69:

Stephen Hawking é um dos mais brilhantes


físi-cos teóricos do século 20. Sua
deficiência motora severa obrigou-o a
exercitar um poderoso e claro raciocínio em
detrimento da caneta e do papel. Tal clareza
de pensamento reflete-se não apenas em
suas várias publicações técnicas, mas
igualmente na Breve História do Tempo,
obra em que o cien-tista apresenta o
conceito de relatividade ao leitor leigo.

ESTE
EFICIENTE
FÍSICO É
UM
DEFICIENTE
FÍSICO.

Stephen W. Hawking ganhou notoriedade mundial cadeira de Newton, em


pela sua eficiência como físico. E não pela sua Cambridge. E não por ocupar
deficiência física. Ele é reconhecido por ocupar a uma cadeira de rodas. Hawking
sofre e luta contra uma rara moléstia degenerativa. Mas
Outra fonte de recursos é o Samburá,
seu mérito não está no sofrimento. Autor do best seller
um bazar permanente que recebe
“Uma breve história do tempo”, é doutor em
doações de roupas, livros, móveis e
Cosmologia, professor lacasiano de matemática, tido
objetos que são restaurados pelos
como o mais brilhante físico teórico desde Einstein.
nossos alunos e depois revendidos.
Quando o Lar Escola São Francisco diz que ser
Mas nossa receita é insuficiente.
deficiente físico não significa ser um deficiente não é
Precisamos contar com a ajuda da
uma frase de efeito. Hawking é talvez o exemplo mais
comunidade. Por isso estamos aqui,
famoso dessa verdade. Mas existem outros exemplos,
pedindo a sua colaboração. Você pode
brasileiros, de deficientes que se tornaram eficientes
doar dinheiro ou tornar-se sócio
profissionais, graças ao trabalho da nossa entidade e,
mensalista da entidade (sua doação é
principalmente, ao trabalho deles mesmos. O Lar
dedutível do Imposto de Renda). Pode
Escola São Francisco tem mais de 50 anos dedicados
doar ou comprar móveis, roupas,
ao tratamento, educação, reabilitação e
objetos para o Bazar Samburá. Pode
profissionalização de deficientes físicos. Em convênio
alugar a Capela São Francisco para
com a Escola Paulista de Medicina, o Lar Escola faz
batizados e missas. Pode doar parte do
em média mais de 400 atendimentos por dia. Nosso
seu tempo ajudando nosso serviço de
trabalho não tem fins lucrativos mas pode ter um fim.
voluntárias. E, claro, pode nos visitar:
Nossas despesas com salários de especialistas e
conhecer a honestidade e a beleza do
manutenção de aparelhos são altíssimas. Parte do
nosso trabalho também é uma maneira
nosso dinheiro é gerado pela Ortopedia São Francisco,
de ajudar.
que fabrica aparelhos ortopédicos (aliás alguns
funcionários são ex-alunos).
Para doações ou
outras formas de
ajuda, ligue:
(011) 549-3322.

(texto: extraído da revista Guia de Programação da NET; ilustração: retirada da Nova Enciclopédia
Ilustrada Folha, 1996, vol. I, p. 437)
66) Sobre a argumentação do texto não é adequado afirmar:

a) Ao relatar sobre a vida de Hawking, o autor expõe uma tese, isto é, uma
afirmação básica que toma como verdadeira e defende no texto. Tal tese
poderia ser assim sintetizada: a deficiência física não se relaciona
necessariamente à eficiência profissional.
b) O autor citou, além do físico Hawking, nomes de cientistas renomados, tais
como Newton e Einstein, para acrescentar ao seu ponto de vista o peso de
autoridade de teóricos reconhecidos e respeitados universalmente.
c) Sobretudo a primeira parte do texto é construída através de imagens ou
idéias contrastantes, tais como eficiência/deficiência, cadeira de
Newton/cadeira de rodas, eficiente físico/deficiente físico, deficiente
físico/ser humano deficiente. Nessa relação de oposição, o conector “e
não” aponta para a conclusão de que eficiência/deficiência são termos
excludentes.
d) Em “Nosso trabalho não tem fins lucrativos mas pode ter um fim”, a
palavra “fins” indica “finalidade, função, propósito”, enquanto o termo
“fim” denota “final, término”.
e) Levando em conta ser o ato de argumentar uma tentativa de conseguir a
adesão do outro, influenciando-o em sua maneira de pensar e agir,
podemos afirmar que, ao citar exemplos, brasileiros, de deficientes os
quais se tornaram excelentes profissionais através do Lar Escola São
149

Francisco, o autor objetiva aproximar o leitor a uma realidade a qual lhe é


conhecida, íntima, bastante chegada.

67) As ressalvas e concessões introduzidas no interior de um texto


argumentativo têm importante função. No final do texto, o autor faz a
seguinte ressalva: “E, claro, pode nos visitar”.
Assinale a alternativa que melhor justifique a existência de tal ressalva:

a) Simplesmente pedir ajuda financeira ao leitor poderia levar a duvidar da


seriedade da instituição assistencial, enquanto, ao fazer tal ressalva, o Lar
Escola São Francisco resguarda-se de uma possível acusação de, através
dessa propaganda, estar visando somente ao lucro.
b) A ressalva tem a clara intenção de identificar a honestidade do trabalho do
Lar Escola São Francisco com um bom desempenho profissional dos
deficientes físicos.
c) A ressalva foi feita, no final do texto, para mostrar ao interlocutor que
existem muitas maneiras de se ajudar os deficientes físicos.
d) O autor visa a lembrar o interlocutor, através do termo “beleza do nosso
trabalho”, para o fato de ser a beleza um conceito o qual remete,
sobretudo, ao interior, ao íntimo das pessoas. Prova disso são os exemplos
citados de deficientes físicos competentes.
e) Tal ressalva tem a intenção de restringir a visita à entidade aos
colaboradores.

68) Em “E, claro, pode nos visitar: conhecer a honestidade e a beleza do nosso
trabalho também é uma maneira de ajudar”, os dois pontos (:) desse período
poderiam ser substituídos por vírgula, explicitando-se o nexo entre as
orações pela conjunções:

a) embora
b) pois
c) como
d) portanto
e) para

69) Assinale o período em que não ocorre a mesma relação de significado


indicada pelos ternos em negrito em “Mas existem outros exemplos,
brasileiros, de deficientes que se tornaram eficientes profissionais, graças
ao trabalho de nosso entidade e, principalmente, ao trabalho deles
mesmos.”

a) Devido à sua moléstia, muitos deficientes físicos sentem-se incapazes


profissionalmente.
b) Ainda que sejam capazes profissionalmente, muitos deficientes físicos não
acreditam em seu potencial.
c) Muitos deficientes físicos não têm boas chances no mercado de trabalho,
em virtude do preconceito de que são alvo.
d) Muitos deficientes físicos, em decorrência do preconceito de que são alvo,
não têm boas chances no mercado de trabalho.
e) Em vista do preconceito de que são alvo, muitos deficientes físicos acabam
por não acreditar em seu potencial.

70) Observe os textos abaixo:

I – Investigação
“Se prevalecer a lógica de nossos
congressistas, o deputado Sérgio Naya
será absolvido sob a alegação de nada
ter sido encontrado de concreto.”
(Folha de São Paulo, 04/04/98)

II - “Ao tomar conhecimento de sua inusitada afirmação que a nova ‘vedete’ do Plano Real é a
dentadura, por considerá-la oportuna e surpreendente, resolvi escrever-lhe a fim de
manifestar minha discordância.” (amostra de redação de aluno; assunto: Plano Real)

III - “Outro aspecto a ser considerado consiste no despreparo dos policiais, fragilidade de
segurança nos presídios que ao executarem suas funções demonstram falta de equilíbrio
emocional.” (amostra de redação de aluno)

Há textos cuja leitura pode ser tomada em mais de um sentido, fazendo


com que o leitor vacile quanto à sua interpretação. Em muitos casos, a
ambigüidade (possibilidade de mais de uma leitura) é fruto de uma
intenção deliberada do autor e pode ser desfeita através do conhecimento
de mundo do leitor. No entanto, em outros casos, ela é decorrente de um
descuido, por parte daquele, já que a estrutura sintática por ele utilizada
não é conveniente.

Tomando por base essas informações, é inadequado afirmar que:


a) a ambigüidade do texto I é ocasionada pelo uso da expressão
“concreto”, a qual pode significar “uma mistura de aglutinante com
água e material constituído de areia e pedra, de modo que forme uma
massa compacta e, com o tempo, endureça” ou, então, ter o sentido
de “claro, definido, passível de ser provado”;
b) a ambigüidade, em II, ocorre devido ao uso do pronome “la”, o qual
pode remeter a dois termos: “declaração” ou “dentadura”;
c) em III, a ambigüidade é decorrente do pronome “que”;
d) em III, podemos compreender que os policiais ou os presídios
demonstram falta de equilíbrio emocional;
e) somente os textos II e III contêm ambigüidade.

71) Eufemismo pode ser entendido como o ato de suavizar a expressão duma
idéia, substituindo a palavra ou expressão própria por outra mais agradável,
mais polida, menos ofensiva ou violenta.
Levando em conta essa informação, leia os textos abaixo, de autoria de
Millôr Fernandes, e responda ao que é proposto:

I– “Mas craque verdadeiro em correção política era o cara que xingou o Collor na rampa,
lembram? Disse que o Presidente era um indivíduo do sexo masculino com preferência
151

sexual confiante, e descendente direto de pessoas acostumadas a cobrar por suas transas
sexuais.”
II – “Como dizia o pai de um filho burro: ‘Às vezes tenho que concordar em que meu filho não
atingiu o índice normal de aproveitamento para meninos de sua idade’.”
III – “O fogo da paixão, como qualquer outro fogo, não vive sem oxigênio. Agora vocês me
digam o que significa oxigênio aí nessa parábola que acabo de inventar.”

Sobre tais textos, podemos afirmar que:


a) I e II são exemplos de uso de
eufemismo;
b) II e III são exemplos de uso de
eufemismo;
c) I e III são exemplos de uso de
eufemismo;
d) todos são exemplos de uso de
eufemismo;
e) nenhum é exemplo de uso de
eufemismo.
Texto referente às questões de
72 a 77

COTIDIANO IMAGINÁRIO

O verdadeiro culpado
MOACYR SCLIAR notícia sobre o julgamento dos matadores do
Colunista da Folha índio pataxó.
“Fogo em índio não foi homicídio, diz TJ” - Estou inteiramente de acordo com a
(Cotidiano, 06/03/98) decisão - disse o cavalheiro ao meu lado,
homem de meia-idade, elegantemente vestido,
1 As pessoas que espiam o jornal por cima do porém um tanto vacilante: provavelmente
10
ombro da gente são as que conhecem a verdade tomara alguns conhaques a mais.
dos fatos. Foi o que constatei na sexta-feira
última quando, numa lanchonete, lia na Folha a
- Não foi homicídio coisa nenhuma. Aliás, praticam esportes. Ficam, pois, flácidos – e um
vou mais além: acho que o verdadeiro culpado corpo flácido, sem aquela sadia rigidez dos
é o índio. atletas, seguramente é presa fácil das chamas.
Não deixava de ser uma tese interessante, e Se os índios jogassem tênis, por exemplo, isso
me aprestei a ouvi-la. Sem se fazer de rogado, não aconteceria. Trata-se de um estilo de vida
expôs seus argumentos. perigoso, e o indivíduo ter de arcar com o
- Em primeiro lugar: o cara provocou. Um perigo gerado por seu estilo de vida. E o cocar?
sujeito que deita num banco num ponto de E aquelas penas que os índios usam? Aquilo
20 ônibus e fica dormindo, sem tomar qualquer está pedindo fogo.
precaução em sua defesa, está fazendo o quê? Fiquei esperando um terceiro argumento,
Está dando idéias. Qualquer cara normal que que não veio. O homem considerava aquilo
passa por ali pensará numa sacanagem. Pode suficiente.
ser uma coisa simples, como roubar os sapatos - - Para mim, este pataxó deveria até ser
se o elemento tiver sapatos, claro. Ou pode ser condenado. Pena leve, que fosse; porém
uma brincadeira mais sofisticada, exigindo condenado, e sem apelação.
álcool e fósforos. De qualquer modo, a - Mas ele morreu - ponderei.
provocação partiu dele, do índio. 50 - Viu? - disse ele, triunfante. - Eu não disse?
Olhou-me - evidentemente eu estava funcio- É a comprovação da má-fé. Morreu! O que não
30 nado como um juiz em seu tribunal imaginário - fazem eles para escapar da Justiça!
e continuou: O escritor Moacyr Scliar escreve nesta coluna,
- Em segundo lugar, tenho fortes razões para às segundas-feiras, um texto de ficção baseado
crer que os índios são mais combustíveis que a em notícias publicadas no jornal.
população em geral. Índios, que eu saiba, não (Folha de São Paulo, 09/03/98)
72) Assinale a alternativa inadequada quanto ao texto lido:

a) O texto ironiza o uso intencional de determinadas estratégias


argumentativas, as quais servem para persuadir o leitor, ou seja,
convencê-lo de um ponto de vista, influenciando seu comportamento e
40
suas idéias. Usa, para tanto, não o apelo d vista, influenciando seu
comportamento e suas idéias. Usa, para tanto, não o apelo à
racionalidade, seguido da evidência concreta, mas a recorrência a
argumentos não-relevantes, tais como a flacidez dos índios, o uso do
cocar, dentre outros.
b) O personagem que defende a idéia de o índio ter sido responsável por sua
própria morte lança mão de um recurso bastante comum quando o
objetivo é persuadir o interlocutor: a fuga do tema, indroduzindo-o a
relacionar algo que não tem relação necessária com o foco da discussão.
c) Os dois argumentos usados por esse personagem (mencionado na
alternativa b), somados à possibilidade de um terceiro - a morte o índio -
confirmam a tese de que o índio é o verdadeiro culpado pela sua morte e
servem, obviamente, como justificativa para o ponto de vista defendido
pelo TJ, na reportagem da Folha (Cotidiano, 06/03/98), segundo a qual
“Fogo em índio não foi homicídio”.]
d) O texto acima pode servir como exemplo para a idéia de que “um
argumento não é necessariamente uma prova de verdade. Trata-se, acima
de tudo, de um recurso de natureza lingüística destinado a levar o
interlocutor a aceitar os pontos de vista daquele que fala.” (Platão e Fiorin,
1996, p.279)
e) Levando em conta os argumentos apresentados pelo defensor da idéia de
não homicídio, o último desses argumentos é coerente.

Observe o trecho referente às questões de


73 a 75:
153

“Se os índios jogassem tênis, por exemplo, isso não aconteceria.” (linhas 37 e
38)

73) É adequado afirmar sobre ele que:


a) a condição para “isso” não acontecer é os índios jogarem tênis;
b) a condição para os índios jogarem tênis é “isso” não acontecer;
c) a relação entre os fatos jogar tênis/“isso” não acontecer é de comparação,
evidenciada pelo uso do nexo “Se”;
d) não existe relação entre os fatos jogar tênis/“isso” não acontecer. Eles
apenas aparecem no texto para evidenciar uma outra relação implícita:
serem flácidos/serem mais combustíveis;
e) jogar tênis/”isso” não acontecer são, no texto, fatos contraditórios, já que
a relação entre eles é de oposição.

74) A idéia expressa pelo nexo “Se”, neste trecho, é de:


a) conclusão b) condição c) causa d) oposição e)
comparação

75) Assinale a alternativa em que o sentido do trecho sublinhado sofre alteração:


a) Isso não aconteceria, amenos que os índios jogassem tênis;
b) Desde que os índios jogassem tênis, isso não aconteceria;
c) A não ser que os índios jogassem tênis, isso não aconteceria;
d) Isso não aconteceria, contanto que os índios jogassem tênis.
e) Ainda que os índios jogassem tênis, isso não aconteceria.
76) Observe a seguinte frase:
Os índios não praticam esportes, ficam, pois, flácidos.
Nela há uma relação de causa/conseqüência evidenciada pelo uso do
nexo pois, indicador de conclusão. Se quiséssemos manter essa mesma
relação (causa/conseqüência), porém utilizando um nexo de causa, a
alternativa inaceitável seria:
a) Os índios ficam flácidos pois não praticam esportes;
b) Como não praticam esportes, os índios ficam flácidos;
c) Posto que não praticam esportes, os índios ficam flácidos;
d) Os índios não praticam esportes, por isso ficam flácidos.
e) Por não praticarem esportes, os índios ficam flácidos.

77) Assinale a opção em que a mudança na ordem dos termos não altera o
sentido do enunciado:
a) É inevitável a crença de que os índios só servem para procriar;
b) A sentença judicial da morte do índio pataxó é apenas o reflexo de uma
sociedade em desequilíbrio.
c) Uma atitude judicial que pode ser constatada é sempre alvo de polêmica.
d) A sentença de morte do índio pataxó foi logicamente questionada pela
opinião pública.
e) Logicamente, a sentença de morte do índio pataxó foi questionada pela
opinião pública.

78) A ironia é um recurso de linguagem muito utilizado para se criticar ou


satirizar, mesmo que, por vezes, de forma extremamente sutil. Seu uso
implica conhecimento de mundo entre os interlocutores e, freqüentemente,
ela é utilizada para sugerir o contrário do que se está dizendo.
No texto abaixo, extraído do jornal Folha de São Paulo, de 21/03/98, o
jornalista José Simão lança mão dessa figura de linguagem. Observe:

E a pérola do Oscar continua com Stallone:


“O cinema não é feito só de filmes”. É feito
de quê? Pulgas? O Brasil devia ganhar o
Oscar de melhor pulgueiro. Oscar de melhor
baixaria no cine Saci do centrão!
E-mail: simao@uol.com.br

Depois de lê-lo com atenção, assinale a laternativa que não condiz com
o(s) sentido(s) nele veiculado(s):

a) Neste contexto, a afirmação de Stallone poderia ser interpretada como


uma ressalva, a qual serviria para evidenciar o quanto a indústria
cinematográfica é complexa: depende, dentre outros fatores, de
marketing, investimento financeiro.
b) Um telespectador/leitor comum, deferentemente de Simão, saberia
reconhecer que, em contextos deste tipo, a intervenção de Stallone
poderia expressar uma crítica a certas concepções limitadas referentes à
indústria cinematográfica.
c) O efeito de humor do texto reside no fato de Simão ter interpretado
literalmente (ao pé da letra) a intervenção de Stallone.
d) Provavelmente, Simão desconsiderou o sentido implícito da intervenção de
Stallone, desencadeando, por isso, o caráter irônico do texto.
e) O efeito de ironia, neste texto, é decorrente do conceito que Simão tem da
indústria cinematográfica.
79) Não pode ser entendido como sinônimo de “esconder”, no texto, o termo:
a) ocultar
b) proteger-se
c) encobrir
d) guardar consigo
e) reservar

80) Dependendo o tipo de interlocutor, é comum e perfeitamente aceitável em


textos de campanhas publicitárias a mistura de tratamento. Os
enunciados abaixo (adaptados) evidenciam essa mistura, com exceção de:
a) “Se você não se cuidar, a Aids vai te pegar.”
b) “Beija, acaricia, aperte a mão de um portador do HIV: o vírus não se
transmite por relações na escola, no clube, no trabalho ou em lugares
públicos.”
c) “Como se previne a Aids? Exija teste anti-HIV para transfusão; reduz o
número de parceiros; use sempre a camisinha; não usa seringas e agulhas
que não sejam descartáveis.”
d) “Não negues amor a alguém contaminado pelo HIV. Previna-se do vírus,
não das pessoas.”
e) “Respeite o portador do HIV, pois amanhã a vítima pode ser você.”
QUESTÕES

 DE VESTIBULARES

1) (FUVEST/99)
Um jornal era isso, o sobressalto da novidade e a garantia de que a nossa rotina continuava.
Simultaneamente um espalhafato – um espalha fatos – e um repetidor das nossas confortáveis
banalidades municipais.
(L. F. Veríssimo, O Estado de S. Paulo, 18/10/98, D7)

a) Interprete o jogo de palavras entre espalhafato e espalha fatos,


considerando-o no contexto do trecho acima.
b) A qual dos termos do primeiro período de refere a expressão “confortáveis
banalidades municipais”?

2) (UNICAMP/99)
Freqüentemente a propaganda explora semelhanças explícitas entre
segmentos (palavras, partes das palavras, etc.) para sugerir a existência de
relações de sentido entre esses segmentos. A estratégia é visível em algumas
propagandas que mantiveram a sua eficácia por muito tempo, como Melhoral,
melhoral, é melhor e não faz mal” e “Tomou doril, a dor sumiu”.
a) Transcreva, dentre os slogans abaixo, aqueles em que esse procedimento é
utilizado.
b) Analise um dos slogans que você terá apontado na resposta à questão a,
explicitando o tipo de relação que se estabelece através do processo acima
descrito.
1. Vista seu filho como ele gostaria de ser visto.
(Propaganda da Petystil, cadeia de lojas de roupas infantis)
2. Igual a todos os outros de sua categoria. Juntos.
(Propaganda do carro Chrysler Neon LE)
3. Philips Energy Saver. A iluminação inteligente.
4. O mercado evolui, a Xerox revoluciona.

3) (UNICAMP/98)
Dois adesivos foram colocados no vidro traseiro de um carro:
em cima:
Deus é fiel
e bem embaixo:
PORQUE PARA DEUS NADA É IMPOSSÍVEL

É possível ler os dois adesivos em seqüência, constituindo um único


período. Neste caso,
a) o que se estaria afirmando sobre a fidelidade?
b) o que o dono do carro poderia estar querendo afirmar sobre si mesmo?

4) (FUVEST/99)
O cheque em branco que o eleitor passa ao eleito é alto demais, faz parte da condição mesma
de candidato expor-se ao escrutínio público e abrir mão de uma série de prerrogativas, entre elas
a privacidade.
(Folha de São Paulo, 03/09/98)
a) Há algum problema de coerência na expressão alto demais, dado o
contexto lingüístico em que ela ocorre?
b) Qual é, no texto, a relação de sentido entre prerrogativas e privacidade?

5) (UNICAMP/98)
No Diário do Povo, jornal de Campinas, S.P., há uma secção intitulada
Perguntas da Semana, que se propõe a debater “temas de interesse coletivo”.
No dia 9 de setembro de 1997, foi proposto o seguinte debate: Segundo
análises meteorológicas, o fenômeno de El Niño provocará violentas chuvas
nos meses de verão (dezembro, janeiro, fevereiro e março). Você acha que a
Prefeitura deveria adotar ações preventivas para evitar inundações e
desabamentos na cidade, ao invés de esperar acontecerem as tragédias?
Do modo como a pergunta foi feita, ela favorecendo claramente uma das
respostas possíveis.
a) Explicite como se dá o direcionamento da resposta.
b) Reescreva a pergunta de modo a não dirigir a resposta.

6) (UNICAMP/99)
Na embalagem de um aparelho eletrônico, você encontra um “Termo de
Garantia” no qual se lêem, entre outras, as informações abaixo:

Este produto é garantido pelas Amelco S.A. Indústria Eletrônica dentro das seguintes
condições:
1. Fica garantida, por um período de 6 (seis) meses a contar da data da emissão da nota fiscal de
venda ao consumidor, a substituição de peças, partes ou componentes que apresentam defeitos
de fabricação, exceto aqueles decorrentes de instalação e uso inadequado e em desacordo com
as especificações contidas no “Manual de Instruções”.
2. A Amelco não se responsabiliza pelos produtos agregados aos seus pelos consumidores, e ainda
por defeitos que esses causarem. (...)
3. Essa garantia será extinta caso:
• O defeito for causado pelo consumidor ou por terceiros estranhos ao fabricante;
• O produto tiver sido violado, alterado, adulterado ou consertado por pessoas ou empresas
não autorizadas pelo fabricante;
• Sejam interligados ao produto elementos não recomendados pelo fabricante;
• Não sejam seguidas as instruções constantes no manual, principalmente quanto à correta
instalação e voltagem elétrica.
a) Aponte uma contradição na cláusula 1.
b) Considerando o uso corrente, o pronome esses (cláusula 2) pode ser
interpretado como referindo-se a mais de um antecedente. Aponte dois.
c) A terceira cláusula é em grande parte repetitiva em relação às cláusulas 1 e
2, mas sempre acrescenta algum dado novo. Aponte dois desses dados
novos.

7) (UNICAMP/98)

Cantor do Chili Peppers sofre acidente de moto.


O vocalista do grupo norte-americano Red Hor Chili Peppers, Anthony Kiedis, 34, teve de ser
operado em Los Angeles, Costa Oeste dos EUA, após fraturar o punho em um acidente de moto. O
acidente aconteceu quando um automóvel que ia à sua frente fez uma manobra inesperada. O fato
obrigou o grupo a cancelar shows no Havaí e no Alasca.
(Folha de São Paulo, 18/07/97)

a) A que se refere o fato do último período?


b) Se o último período fosse “O fato obrigou o músico a jogar sua moto contra
um muro”, a que estaria se referindo o fato?

8) (FUVEST/99)
Mesmo sem ver quem está do outro lado da linha, os fãs dos bate-papos virtuais viram
amigos, namoram e alguns chegam até a casar.
(Época, nº1, 25/05/98)

a) O segmento sublinhado constitui uma oração reduzida. Substitua-a por uma


oração desenvolvida (introduzida por conjunção e com o verbo no modo
indicativo ou subjuntivo), sem produzir alteração do sentido.
b) Reescreva a oração “os fãs dos bate-papos virtuais viram amigos” sem
mudar-lhe o sentido e sem provocar incorreção, apenas substituindo o
verbo.

9) (UFPEL/95)
Há algum tempo, o ex-ministro Antônio Rogério Magri foi ridicularizado por
ter usado a palavra imexível. O fato é que, apesar das críticas advindas do uso
de um terno não existente na língua, foi ele entendido por todos, uma vez que
continha o sufixo vel, formador de adjetivos (louvor, agradável) e o prefixo in
(im, i), sinalizador de negação (injusto, impróprio, ilegal).
No texto abaixo, o prefixo in aparece em outras palavras:

A legislação penal brasileira tornou inimputável a prática do


abortamento em duas circunstâncias: no chamado aborto necessário, que é
aquele quando, em função da gravidez, a gestante corre risco de vida ou na
chamado, por sinal, de forma esdrúxula, aborto sentimental, que é aquele
resultante do delito de estupro. Este, face à indignação e à opressão da
mulher violentada, que se veria na injusta situação de viver uma gravidez
indesejada ou criar um filho fruto de um ato criminoso contra a sua liberdade
sexual. Aqueles, para preservar a vida da gestante.
Inobstante o direito assegurado pelas mulheres nessas duas
hipóteses e o dever constitucional do Estado de promover e garantir a saúde
a todos, as unidades pertencentes à Rede de Saúde Pública não prestam
atendimento às mulheres que procuram seus serviços nos casos amparados
em lei, impedindo-as de interromper a gravidez.
(Marcos Rolin, Projetos Feministas, p. 24)

Após a leitura, responda:


a) Qual é o significado da palavra inimputável no contexto em que aparece?
b) que nexo subordinativo poderia ser usado para substituir inobstante,
palavras não existente na língua que conduz ao sentido de não obstante?

10) (UFPEL/95)
Tomando como base o texto da questão anterior:
a) retire dele os termos a que se referem os pronomes este e aquele;
b) transcreva um trecho em que a vírgula tenha sido utilizada para indicar
omissão de termos como em: “Aquele, para preservar a vida da gestante.”

11) (UFPEL/99)
Leia atentamente o que segue:
I. “Neologismo – palavras, frase ou expressão nova, ou palavra antiga com sentido novo.”
Novo Dicionário Aurélio. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1998.
II. (...) “Qualquer pessoa capaz de somar dois mais dois sabe perfeitamente que a vitória de Lula
fere os interesses da comunidade financeira internacional. Banqueiros, corretores e empresas de
consultoria que rodam pelo mundo em busca de bons negócios acham FH apenas razoável.
Gostariam que ele pisasse mais fundo nas políticas fiscais e na privataria.” (...)
Élio Gaspari, Zero Hora de 17 de junho de 1998.

Considere os itens I e II, acima, para responder às seguintes perguntas.


a) Qual o neologismo utilizado pelo jornalista?
b) A que fato da realidade brasileira o neologismo se refere?
c) Qual á a posição do jornalista em relação a esse fato, depreendida pelo uso
desse neologismo? Justifique.

12) (UNICAMP/99)
Acaba de chegar ao Brasil um medicamento contra renite. O antiinflamatório em spray
Nasonez diminui sintomas como nariz tampado e coriza. Diferente de outros medicamentos, é
aplicado uma vez por dia, e em doses pequenas. Estudos realizados pela Schering-Plough,
laboratório responsável pelo remédio, mostram que ele não apresenta efeitos colaterais, comuns
em outros medicamentos, como o sangramento nasal. “O produto é indicado para adultos e
crianças maiores de 12 anos, mas estuda-se a possibilidade de ele ser usado em crianças
pequenas”, diz o alergista Wilson Aun, de São Paulo.
(ISTO É, 04/11/98)

a) Segundo o texto, quais seriam as vantagens do uso de Nasonez em relação


a produtos congêneres?
a) O objetivo de que trata este texto é chamado, “antiinflamatório”, “remédio”
e “produto”. Qual desses termos é o mais específico?
b) Duas das palavras indicadas em b podem ser sinônimas. Quais são elas?

13) (FUVEST/97)
Assim devia ser a relação de autor para leitor: uma face nua num espelho límpido. Mas é tão
difícil... Ou a face está mascarada ou o espelho embaciado.
[Mário Quintana]

a) Explique como é que Mário Quintana caracteriza, em sua concepção


idealizada.
I. o autor;
II. o leitor.
b) Reescreva o último período do texto, iniciando-o com “Mesmo que a face...”.
Faça apenas as alterações necessárias, preservando a idéia original do
autor.

14) (FUVEST/99)
Um material moderno, de abordagem inovadora, que ensina de maneira cativante e, acima de
todo, eficiente. Mais do que isso, um material pautado por um método de ensino atual, que pensa
em uma formação integral para o aluno, com valores que respeitam o seu crescimento e preparam
para a vida.

O trecho acima, extraído de um texto publicitário, procura convencer o


leitor por meio de juízos categóricos, isto é, juízos que, sem apresentar razões
ou provas evidentes, não admitem contestação.
a) Transcreva duas expressões ou palavras que comprovem esse fato.
b) Justifique sua escolha.

15) (UNICAMP/98)
A Folha de São Paulo de 30 de novembro de 1996 trazia, na página 14 da
secção “Mundo”, uma notícia da qual foi extraído o trecho abaixo:
“PF prende acusado de terrorismo nos EUA
O libanês Marwán Al Safadi, suspeito do tentado ocorrido no World Trade Center em Nova
York (EUA), em 1993, foi preso no último dia 6 em Assunção (Paraguai), após ser localizado pela
PF (Polícia Federal)...”

a) Transcreva, do texto, as expressões que indicam as circunstâncias de lugar


e tempo da prisão do suposto terrorista.
b) A que fato mencionado no título refere-se a expressão “nos EUA”,
considerando o sentido geral da notícia?
c) O título da notícia se presta a interpretação distintas. Quais são essas
interpretações?

16) (UFPEL/99)

O fragmento abaixo é parágrafo introdutório de um ensaio publicado na


revista VEJA n.º 17, de 29 de abril de 1998, sob o título “Considerações sobre
ela, sem dizer seu nome”.
1 “Há ocasiões em que ela age por atacado. Leva um ministro e, menos de 48 horas depois o
2 líder do governo na Câmara. Leva ainda, no mesmo período, para ficar nas pessoas que
3 aparecem nos jornais e na TV, um cantor de dor-de-cotovelo, um escritor mexicano, a
4 mulher de um Beatle. Que arrastão! Ela, a Inominável, a Indesejável das Gentes, mostra
5 nessa ocasião um fôlego de corredor de maratona. É o momento em que nos lembra que
6 não relaxou sua vigência, a nós que tantas vezes pretendemos negá-la, e na vida de cada dia
7 temos como fim último nos distrair de sua existência. Nessas horas em que age por
8 atacado, ela chega com a exuberância de uma virtuose de seu ofício, a fúria de um touro ao
9 entrar na arena, a fome de gols de um centroavante dopado. Feita sua obra, deixa-nos
10 embasbacados como diante de um acróbata do impossível que, depois de um salto sobre o
11 abismo, nos dissesse: ‘Viram do que sou capaz?”

No título e nesse parágrafo do texto, aparece um pronome que se refere


a uma palavra não-explícita.
a) Qual é a palavra que não foi explicitada?
b) Copie do parágrafo o trecho que a levou à resposta do item anterior.
c) Qual é a interpretação que se pode dar à expressão “age por atacado”
(linhas 07 e 08), à luz do tema do texto?

17) (FUVEST/99)
Amantes dos antigos bolachões penam não só para encontrar os discos, que ficam a cada dia mais
raros. A dificuldade aparece também na hora de trocar a agulha, ou de levar o taca-discos para o
conserto.
(Jornal da Tarde, 22/10/98, p.1C)

a) Tendo em vista que no texto acima falta paralelismo sintático, reescreva-o


em um só período, mantendo o mesmo sentido e fazendo as alterações
necessárias para que o paralelismo se estabeleça.
b) Justifique as alterações efetuadas.

18) (UNESP/96)

A questão de número 17 baseia-se no seguinte recorte de jornal:


As demissões também poderão ser revistas em parte. Só
nãos será aceita nas negociações a reversão total de todas as
demissões, como queriam os líderes grevistas.
Aumento salarial também não poderá entrar em pauta,
pelo menos não antes da próxima data-base em setembro.

No texto que lhe apresentamos, recortado de uma notícia publicada em


03/06/95, o revisor “cochilou” naquilo que os gramáticos dominam
“pleonasmo vicioso”, ou seja, o emprego de mais de uma palavra,
desnecessariamente, para expressar o mesmo sentido. Leia-o atentamente e,
a seguir:
a) Explique onde e como ocorre o acidente de texto na notícia.
b) Escreva uma versão nova da frase, sem a redundância.

19) (FUVEST/99)
Maurício saudou, com silenciosa admiração, esta minha avisada malícia. E imediatamente,
para o meu Príncipe:
– Há três anos que não te vejo, Jacinto... Como tem sido possível, neste Paris que é uma
aldeola, e que tu atravancas?”
[Eça de Queirós, A cidade e as serras]

a) Transponha para o discurso indireto o excerto acima, fazendo as


adaptações necessárias.
b) Justifique, agrupando-as em dois blocos, as alterações realizadas.

20) (FUVEST/98)

Tentei rir, para mostrar que não tinha nada. Nem por isso permitiu adiar a confidência,
pegou em mim, levou-me ao quarto dela, acendeu vela, e ordenou-me que lhe dissesse tudo. Então
eu perguntei-lhe, para principiar, quando é que ia para o seminário.
– Agora só para o não, depois das férias.
(Machado de Assis, Dom Casmurro)

Neste excerto, que narra um fato ocorrido entre Bentinho e sua mãe, observa-
se o emprego do discurso direto e do discurso indireto.
a) Transcreva os trechos em que é empregado o discurso indireto.
b) Transponha esses trechos para o discurso direto, efetuando as necessárias
adaptações.

21) (UNICAMP/99)
O texto “O FMI vem aí. Viva o FMI”, do articulista Luiz Nassif, publicado
na revista ÍCARO, está redigido no português culto característico do
jornalismo, e contém, inclusive, um bom número de expressões típicas da
linguagem dos economistas, como “desequilíbrio conjuntural”, “royalties”,
“produtos primários”, política cambial”. No entanto, contém também termos
ou expressões informais, como na seguinte frase: “há um ou outro caso de
mudanças estruturais no mundo que deixa os países com a broxa na mão”.
Leia o trecho abaixo, que é parte do mesmo artigo, e responda às
questões:

Países já chegam ao FMI com todos esses impasses, denotando a incapacidade de suas
elites de chegarem a fórmulas consensuais para enfrentar a crise – mesmo porque essas fórmula
implicam prejuízos aos interesses de alguns grupos poderosos. Aí a burocracia do FMI deita e
rola. Há, em geral, economistas especializados em determinadas região do globo. Mas, na
maioria das vezes, as fórmulas aplicadas aos países são homogêneas, burocráticas, de quem está
por cima de carne-seca e não quer saber de limitações de ordem social ou política.
(...) Sem os recursos adicionais do Fundo, a travessia de 1999 seria inferno, com as
reservas cambiais se esvaindo e o país sendo obrigado ou a fechar sua economia maior será
produzir um acordo que obrigue, sim, o governo e Congresso a acelerarem as reformas
essenciais.
(ÍCARO, 170, out. 1998)

a) Transcreva outras três expressões do trecho que tenham mesmo


característica de informalidade.
b) Substitua as referidas expressões por outras, típicas da linguagem formal.

22) (FUVEST/96)
“Ele é o homem,
eu sou apenas
uma mulher.”

Nesses versos, reforça-se a oposição entre os termos homem e


mulher.
a) Identifique os recursos lingüísticos utilizados para provocar esse reforço.
b) Explique por que esses recursos causam tal efeito.

23) (UFPEL/99)
Leia atentamente os textos abaixo:

Texto 01
Por outro lado, não tive intenção de fazer de Macunaíma um símbolo brasileiro. Mas, se ele não
é o Braseiro, ninguém poderá negar que ele é um brasileiro, e bem brasileiro por sinal.
(fragmento de uma carta escrita pelo escritor Mário de Andrade ao crítico Augusto Meyer)
Texto 02
Não foi um gol. Foi “o” gol.
(título de uma crônica de David Coimbra, publicada em jornal da Capital, sobre um gol de Falcão no
Campeonato Brasileiro de 1976, Zero Hora)
Texto 03
“Todo o jogador tem o direito de não estar satisfeito com a reserva. Agora, quando for
solicitado pelo técnico, precisa provar que merece no time.”
(palavras de Zico, publicadas em Zero Hora, durante a Copa do Mundo de 1998)

Nos dois primeiros textos, os autores se valem da oposição artigo


definido/artigo indefinido, artigo indefinido/artigo definido para caracterizar,
de forma diferente, o substantivo a que se referem esses artigos.
a) Que sentidos a oposição dos artigos trouxe aos substantivos a que se
referem?
No terceiro texto, a expressão “Todo o jogador” remete a um sentido que,
certamente, não era o pretendido pelo autor da frase.
b) Que sentido a presença do artigo trouxe à expressão?

24) (FUVEST/99)

Observe este texto, criando para propaganda de embalagens:


Ao final do processo de reciclagem, aquele lixo de lata vira lata de luxo, embalando as bebidas
que todo mundo gosta, das marcas que todo mundo pode confiar.

a) Reescreva, corrigindo-os, os segmentos os texto que apresentam algum


desvio em relação à norma gramatical.
b) Transcreva do texto um trecho em que apareça um recurso de estilo que
torne a mensagem mais expressiva. Explique em que consiste esse
recurso.

25) (UNICAMP/94)
Leia atentamente os textos abaixo:
I. Estes são alguns dos equipamentos que a reserva de
mercado não permitia a entrada no país sem a
autorização do DEPIN.
(FSP, 18/10/92)

II. Fazer pesquisa insinuando que 64% dos brasileiros


acham que existe corrupção no governo Itamar não é um
ato inteligente, de um jornal de que todos gostam e que é
dever de nós brasileiros lutar pela conservação de sua
isenção.
(Adaptação de Ewerton Almeida, vice-líder do PMDB da Bahia,
Painel do Leitor, FSP, 08/06/93)

Reescreva os trechos acima, introduzindo as seqüências “cuja entrada”


e “cuja isenção”, respectivamente. (Faça apenas as alterações necessárias,
decorrentes da nova estrutura das frases.)

26) (FUVEST/97)
“No dia 19, Juscelino registrou a amargura que lhe dominava: “Não
estou bem por dentro”, anotou. “Uma das razões que tornaram (sic)
triste a longa permanência na fazenda é a ausência de alguns amigos.”
(O Estado de São Paulo, 14/03/97)

Usa-se sic entre parênteses, numa citação, para indicar que o texto
original é aquele mesmo, por errado ou estranho que pareça.
a) Apresente uma justificativa para aceitar ou não o sic usado pelo autor do
texto.
b) Há no texto uma construção que justifica o emprego do sic. Transcreva-a,
aplicando o sic no lugar adequado.

27) (UNICAMP/97)
No dia 10/11 próximo passado, os jornais divulgaram a carta mediante a
qual o médico Adib Jatene solicitava ao Presidente da República sua
demissão do cargo e Ministro da Saúde, e a carta do Presidente da República,
aceitando a demissão. Dessas cartas foram extraídas respectivamente, os
dois trechos abaixo:

A Sua Excelência, o Senhor Doutor Meu Caro Jatene,


Fernando Henrique Cardoso, Presidente da Exatamente porque acredito que é preciso tornar
República Federativa do Brasil. possível o necessário, apoiei a CPMF e fif, junto
... consigo, os esforços para aumentar a adoção do
Repito a frase aprendida de Vossa Excelência: Ministério da Saúde. Só assim foi possível quase
“A política não é a arte do possível. É a arte de dobrar, em dois anos, os recursos do SUS. Ainda
tornar o possível necessário.” sim, eles são insuficientes. O que fazer? Continuar
Estou tranqüilo porque dei minha contribuição lutando, como continuarei: pena que sem você,
com lealdade e no limite de minha capacidade, sem embora com sua inspiração.
trair os ideais dos que lutam no setor saúde pela ...
equidade e pela garantia de acesso às camadas mais Resta agradecer, muito sinceramente, sua
sofridas da população. Outros complementarão o colaboração, sua coragem para diagnosticar os
trabalho, sob a liderança de Vossa Excelência, para problemas do ministério e enfrentar as soluções, e o
que seja possível atender ao necessário que ânimo que você infundiu em todos nós.
detestamos. Tenha a certeza de que suas declarações
Aproveito para manifestar-lhe o meu melhor mostrando a disposição de continuar a luta pela saúde
apreço, não ficarão nas palavras. O Brasil precisa de gente
Cordialmente, como você.
Adib Jatene Com afetuoso abraço.
Ministro da Saúde Fernando Henrique Cardoso

28) (UFPEL/94)
Os textos abaixo apresentam construções consideradas erradas pelas
gramáticas normativas da língua.
I – Repercutiu em Brasília a forma como o governador Alceu Collares foi homenageado no
seu aniversário. Foi uma festa comparável às grandes convenções norte-americanas.
Sobrou candidatos às eleições de 1994.
(Correio do Povo, 10/09/93)
II – Os avanços no campo da Neurologia são muitos. Hoje, já se sabe que as
características autistas não devem conduzir a um diagnóstico fechado, nem mesmo ter a
questão enfocada apenas como um problema psicológico. Pode, haver causas orgânicas.
(Diário Popular, 11/09/93)
III – Você quer um presidente que a Nação acompanhe a formação dele.
(Propaganda veiculada pela TV)

a) Transcreva as frases que apresentam as construções incorretas.


b) Reescreva essas frases, adequando-as às exigências da norma culta.

29) (FUVEST/96)
“(...) O antropófago Claude Lévi-Strauss detestou a Baía de Guanabara
Pareceu-lhe uma boca banguela.
E eu, menos a conhecera mais a amara?
Sou cego de tanto vê-la, de tanto tê-la estrela
O que é uma coisa bela?”
[Caetano Veloso, O Estrangeiro]

a) Na linguagem literária, muitas vezes, o mais-que-perfeito do indicativo


substitui outras formas verbais, como no verso: “E eu, menos a conhecera
mais a amara?”. Reescreva-o, usando as formas que o mais-que-perfeito
substituiu.
b) Tanto sou como é são formas de presente do indicativo. Apesar disso, a
visão de tempo que elas transmitem não é a mesma em uma e outra. Em
que consiste essa diferença?

30) (FUVEST)
Leia:
“Eles pediram que a Petrobrás garanta que não
haverá inquéritos administrativos contra os grevistas”.
(Folha de São Paulo, 03/06/95)

a) Redija a frase acima de duas maneiras diferentes, situando o pedido em


duas perspectivas diversas, conforme o início dado:
I. Eles haviam pedido que a Petrobrás...
II. Se eles tivessem pedido, a Petrobrás...
b) Cada nova frase irá permitir uma interpretação diferente, em relação à
atitude dos que pedem e à atitude da Petrobrás. Exponha as interpretação,
indicação o mecanismo gramatical que leva a cada uma delas.

31) (UFPEL/95)

No jornal Folha de São Paulo de 18/03/94, aparece o seguinte:

O problema está no gerúndio


O gerúndio situa-se no fundo de grande parte dos problemas de nossa Nação.
Se questionarmos nosso aluno acerca do tema que solicitamos, ele responde:
“Estou pensando...”, o governo “está combatendo a inflação”, assim como
nosso aumento de salário “está sendo pensado...” E nada sai do lugar!

Após ler o texto responda:


a) qual é a relação existente entre o título do texto e a reflexão que nele faz
o autor?

32) (UFPEL/95)
As frases abaixo, que aparecem em periódicos gaúchos, tratando do
polêmico assunto Calendário Rotativo, apresentam formas verbais
inadequadas:
I. “Os choques entre professores, alunos e Brigada Militar adviram, sem dúvida,
de posturas radicais, sem a concessão mútua que leva ao entendimento
final.”
II. “A guerra no ensino público gaúcho não terá trégua se as partes interessadas
na questão manterem sua postura radical.”

Responda:
a) que formas verbais são inadequadas?
b) que formas deveriam ter sido empregadas?

33) (UNICAMP)
No texto abaixo, ocorre uma forma que é inadequada em contextos
mais formais, especialmente na escrita.
“Lula e Meneguelli divergem sobre o pacto. Concordam em negociar,
mas Lula só aprova um acordo se o governo retirar a medida provisória dos
salários, suspender os vetos à lei da Previdência e repor perdas salariais.”
(Folha de São Paulo, 21/09/90)

a) Identifique essa forma e reescreva o trecho em que ocorre, de modo a


adequá-lo à modalidade escrita.
b) Como se poderia explicar a ocorrência de tal forma (e outras
semelhantes), dado que os falantes não “inventam” formas lingüísticas
sem alguma motivação?

34) (UNESP/98)

ÍNDIA
J. A. Flores/M. O. Guerrero/
José Fortuna
Índia, seus cabelos nos ombros caídos,
Negros como a noite que não tem luar;
Seus lábios de rosa para mim sorrindo
E a doce meiguice desse seu olhar.
Índia da pele morena,
Sua boca pequena
Eu quero beijar.
Índia, sangue tupi,
Tem cheiro da flor;
Vem que eu quero lhe dar,
Todo o meu grande amor.
Quando eu for embora para bem distante,
E chegar a hora de dizer-lhe adeus,
Fica nos meus braços só mais um instante,
Deixa os meus lábios se unirem aos seus.
Índia, levarei saudade
Da felicidade
Que você me deu.
Índia, a sua imagem,
Sempre comigo vai;
Dentro do meu coração,
Flor do meu Paraguai!
In: Sucessos Inesquecíveis de Cascatinha e Inhana.
LP0.34.405.432, Phonodisc, 1987.

De acordo com a gramática normativa, a guarânia Índia apresentaria


“erros” de concordância verbal. Revendo forte presença do registro informal
da linguagem e sua espontaneidade, formas de tratamento em segunda e
terceira pessoas se mesclam no mesmo contexto, com vistas a um efeito
estilístico de aproximação entre as personagens. Tomando como modelo a
concordância estabelecida na primeira estrofe, releia cuidadosamente o texto
e, a seguir,
a) identifique os versos que configurariam “erros” de concordância verbal, na
terceira estrofe;
b) rescreva os membros versos identificados no item a, de acordo com o que
estabelece a gramática normativa.
As questões seguintes foram extraídas de UFPEL/99
– 1a fase

35) No jornal Zero Hora de 31 de maio de 1998, aparece a seguinte charge:


Sampaulo Interino
Fonte: IOTTI. ZH, maio 1998.
Sobre ela, pode-se afirmar que
(a) os números expressos no título e no texto da charge remetem ao exagero
de protecionismo ao Nordeste por parte do governo.
(b) o título “Jogo dos 700 erros” remete explicitamente as diferenças gráficas
entre um quadro e outro da charge e implicitamente aos erros do
governo com relação a situação da fome no Nordeste.
(c) a charge aborda o modo eficiente com que os governos tentam resolver o
problema nordestino.
(d) as significativas mudanças gráficas entre uma e outra metade da charge
evidenciam que a política pouco mudou de 300 anos para cá.
(e) o título e uma alusão bem-humorada ao conhecido “Jogo dos 7 erros” e
uma crítica ao continuismo da postura apresentada pela classe política
diante do problema da seca no Nordeste.

As questões de números 36 e 37 referem-se ao


texto abaixo:

Na revista VEJA n.º 31/98, foi publicado o artigo de Marcos de Sá Correia


“Uma treva na luz”, do qual foram extraídos os seguintes trechos:
1 "A última do carioca é a notícia de que a prefeitura deu para instalar interruptores nos postes
2 de iluminação das favelas, para que os interessados possam desligar a luz quando chega a polícia.
3 Democratizou-se o toque de recolher, que em outras terras costuma ser prerrogativa típica de
4 governos fortes, porque, sem o interruptor, os postes seriam apagados no peito. É o que explicou ao
5 Globo um funcionário da Riocel, a empresa municipal que tem a patente da novidade: ‘Cansamos de
6 perder lâmpadas por disparos dos traficantes...’
7 (...)
8 No Borel, que se debruça sobre o bairro da Tijuca, uma empreiteira do Rio Grande do Norte
9 desistiu de um contrato de 9 milhões de reais para urbanizar a favela, porque ‘os donos do morro’
10 faziam por ela a seleção do pessoal e a noite conferiam a identidade dos engenheiros. ‘Não estamos
11 acostumados com isso’, alegou o diretor Gilberto Sá. E pensar que, no começo do século, na
12 geopolítica do cangaço, para procurar bandido de calibre suficiente para peitar prefeito e governador,
13 era preciso procurar na história do Nordeste. O mapa do Brasil está ao contrario.”

36) Leia atentamente as afirmativas abaixo:


I – O título do artigo foi usado intencionalmente, por ser a antítese de uma
expressão de uso popular.
II – O título do artigo, conotativamente, remete a idéia de que esta acabando
a esperança de reverter a situação do morro.
III – O autor diz que se democratizou o toque de recolher porque ha
conivência entre a empresa do Nordeste e os "donos do morro".
IV – O autor diz que o mapa do Brasil está ao contrário, porque está
acontecendo, no Rio de Janeiro, o que acontecia na época do cangaço,
fato que surpreende o diretor de uma empresa do Nordeste.
Quais as alternativas que estão corretas?
(a) As alternativas I, III e IV
(b) As alternativas I, II e IV
(c) As alternativas II, III e IV
(d) As alternativas I, II e III
(e) Todas as alternativas estão corretas.

37) A respeito do texto transcrito na questão anterior, são feitas algumas


afirmativas. Você devera marcar a alternativa incorreta.
(a) O pronome “ela” (linha 11) se refere à palavra favela.
(b) A expressão “deu para instalar” (linha 01) traz em si a idéia de
processo que esta começando.
(c) A vírgula que aparece depois da palavra Borel, no trecho “No Borel,
que se debruça sobre o bairro da Tijuca...” (linha 09), não poderia
ser suprimida, sem alteração do sentido da frase.
(d) O pronome “isso” (linha 12) faz referência à atitude dos donos do morro.
(e) O verbo “peitar” (linha 14) tem um sentido diferente daquele que o
dicionário Aurélio registra: subornar, corromper.

38) Na etiqueta de uma toalha Artex lê-se o seguinte:

“Lavar antes de usar. Cores escuras ‘sangram’: lavar separadamente. Não usar água
sanitária. Evitar amaciante em excesso. Secar imediatamente. Não passar.”
A presença do infinitivo, em instruções de etiquetas e manuais
explicativos, é procedimento muito utilizado pelas indústrias, uma vez que,
dirigindo-se a qualquer leitor, garante a atuação sobre esse leitor virtual.
Leia atentamente o que está escrito abaixo:

I - Se o autor se dirigisse a um ouvinte, tratando-o por “tu”, a etiqueta traria


o seguinte:
“Lava antes de usar. Cores escuras ‘sangram’: lava separadamente. Não usa água
sanitária. Evita amaciante em excesso. Seca imediatamente. Não passa.”

II - Se o autor se dirigisse a um ouvinte, tratando-o por ”você”, o texto da


etiqueta seria:
“Lave antes de usar. Cores escuras ‘sangram’: lave separadamente. Não use água
sanitária. Evite amaciante em excesso. Seque imediatamente. Não passe.”

III - Se a redação do texto fosse alterada, e o ouvinte fosse tratado por


“você”, uma proposta possível seria:
“Antes de utilizar este produto, observe as seguintes recomendações:
- lave-o antes de usar;
- lave-o separadamente, se ele for de cor escura;
- não use água sanitária;
- evite o uso de amaciante em excesso;
- seque imediatamente;
- não passe este produto.”
Com relação aos textos acima, há adequação das formas verbais no
imperativo a norma escrita padrão
(a) em I e III.
(b) em I e II.
(c) em II e III.
(d) apenas em I.
(e) em todas as alternativas.

39) A imprensa nacional noticiou, com destaque, no dia 08 de junho de 98, uma
segunda-feira, o corte do jogador Romário, da Seleção Brasileira de Futebol.
Na notícia abaixo, aparece um trecho do telefonema feito da França pelo
treinador Zagallo a esposa, que estava no Brasil, na véspera do dia em que
esse corte foi anunciado. Esse trecho contém as palavras proferidas pelo
treinador - colocadas entre aspas - em discurso direto.
Às 21h 30min do dia 07 de junho, hora do Brasil, Zagallo telefonou a sua mulher para
comunicar-lhe a notícia que seria de domínio público na manhã seguinte: “Cortei o Romário.
Esta decisão me amargurou muito, mas os médicos disseram que a dor renitente na sua perna
não o deixara jogar. Escolhi, para substituí-lo, o meio-campo Émerson, que estará aqui ainda
nesta segunda-feira”.
Fonte: Veja, n.23. 1998.
Se você relatasse agora o que foi dito por Zagallo, naquela noite, ou
seja, se você utilizasse o discurso indireto, a versão adequada a língua
escrita padrão seria:
(a) Zagallo comunicou a mulher que cortara Romário. Revelou que essa
decisão o amargurou muito, mas argumentou que os médicos disseram
que a dor renitente na perna do jogador não ia lhe deixar jogar. Contou à
esposa que escolheu, para substituir Romário, o meio-campo Émerson,
que iria estar na França ainda naquele dia.
(b) Zagallo comunicou à mulher que havia cortado Romário. Revelou que
aquela decisão lhe amargurara muito, mas argumentou que os médicos
tinham dito a ele que a dor renitente na sua perna não o deixaria jogar.
Contou à esposa que escolhera, para substituir Romário, o meio-campo
Émerson, que estaria lá ainda na segunda-feira.
(c) Zagallo comunicou à mulher ter cortado Romário. Revelou que aquela
decisão o tinha amargurado muito, mas argumentou que os médicos
haviam dito que a dor renitente na perna do jogador não o deixaria jogar.
Contou à esposa que escolhera, para substituir Romário, o meio-campo
Émerson, que estaria lá ainda naquela segunda-feira.
(d) Zagallo comunicou a mulher haver cortado Romário. Revelou que essa
decisão muito amargurara ele, mas argumentou que os médicos haviam
dito que a dor renitente na sua perna não iria deixá-lo jogar. Contou à
esposa ter escolhido, para substituir Romário, o meio-campo Emerson,
que lá estaria naquele dia.
(e) Zagallo comunicou à mulher que cortara Romário. Revelou ter-lhe
amargurado muito essa decisão, mas argumentou que os médicos tinham
dito que a dor renitente na perna do atleta não o deixaria jogar. Contou à
esposa que escolheu, para substituir Romário, o meio-campo Émerson,
que estaria lá somente na segunda-feira.

40) Leia esta notícia, publicada no jornal Correio do Povo em 29 de agosto de


1998.

Com o Grêmio onde o Grêmio estiver


Time tenta a tão necessária reabilitação no Campeonato Brasileiro enfrentando o
Palmeiras de Felipão, Arce e Paulo Nunes
O Grêmio tem um encontro marcado com seu passado, hoje a tarde, no estádio Olímpico.
Justamente no dia em que precisa vencer para aliviar o sofrimento da sua torcida, o time gaúcho
terá pela frente o Palmeiras, cujo técnico, Luiz Felipe Scolari, levou a equipe gaúcha às suas mais
recentes conquistas. Até hoje, passados 18 meses de sua despedida, Felipão segue sendo apontado
como insubstituível no Olímpico. Não bastasse a presença vigorosa de Luiz Felipe à beira do
gramado, o Palmeiras ainda conta com Arce e Paulo Nunes, uma dupla que cansou de dar alegrias
aos torcedores gremistas nas gloriosas jornadas de 95 e 96. O reencontro será penoso.
(...)
Arbitragem: Antônio Pereira da Silva, com José Bonfim Cruz e Flávio Kanitz (trio
goiano). Local: estádio Olímpico. Inicio: 16 h.

Naquela data, também a página de humor do jornal Zero Hora (Marco


Aurélio & Companhia) noticiou o mesmo fato, ironizando a reverência aos
antigos técnico e jogadores do Grêmio, agora profissionais do adversário
daquele dia, e a má fase do time gaúcho. Leia o texto abaixo.
Suponha que um torcedor fanático do Grêmio, tendo acesso ao texto de
Marco Aurélio, fizesse veladamente uma alteração em um trecho do segundo
texto de modo a diminuir a ironia nele presente. A alteração mais eficiente
seria:

(a) 10h – Chegada dos “insubstituíveis” ao aeroporto.


(b) “Com o Grêmio, só onde o Grêmio não estiver.”
(c) 6h – Alvorada com queima de faixas no Olímpico.
(d) 16h – Confraternização.
(e) 12h 30min – Almoço na Mosqueteiro com a presença de ex-torcedores.

42) Um dos aspectos a que devemos prestar atenção, quando elaboramos um


texto, é a adequação vocabular, isto é, precisamos utilizar palavras que
signifiquem exatamente o que queremos dizer e que sejam apropriadas em
um determinado contexto.
Observe este fragmento de uma redação de vertibulando (1998):

“Portanto, torna-se imprescindível o governo manter sua popularidade (...), realizando algumas
medidas provisórias para resolver...”

Nesse fragmento, podemos observar que “imprescindível” (de que se


pode prescindir, indispensável) está bem empregado, mas “realizando”
configura um uso inadequado. Termos mais precisos para tal caso seriam
“tomando” ou “implementando”.
Com relação à adequação vocabular dos termos sublinhados nos trechos
a seguir, extraídos de redações de vestibulandos

I – “(...) o controle financeiro deve ser feito por todas as classes de nossa sociedade, a fim de que
o Brasil possa sair da crise sem maiores iniqüidades.”
II – “O povo já não resiste às fortes especulações de que vem implementando.”
III – “Isso porque as medidas (...) não oferecem soluções concretas e duradouras funcionando
apenas como um paliativo.”
IV – “(...) a realidade evidencia a marginalização decorrente dessa política, cada vez mais
preocupada com os anseios da classe dominante.”

Podemos afirmar que:


(a) à exceção de I, o termo sublinhado em todos os fragmentos está bem
empregado.
(b) o termo sublinhado em III está bem empregado, o mesmo acontece com
o termo sublinhado em IV.
(c) o termo sublinhado em I está bem empregado, o mesmo acontece em II e
III.
(d) o termo sublinhado em II está bem empregado, o mesmo acontece com o
termo sublinhado em IV.
(e) apenas o termo sublinhado em III está bem empregado.

ESQUEMAS

11.1 Palavras Iniciais

N ão pretendemos em tão
limitado espaço abordar os
amplos e complexos conteúdos
de alguns exercícios contidos neste
livro.
É, efetivamente, através do
relativos à gramática normativa. funcionamento das estruturas
Os esquemas que seguem lingüísticas nos textos que tais
são tênues “pinceladas” os quais esquemas poderão ser proveitosos.
servem de guia para a resolução

11.2 Esquemas sobre verbos

11.2.1 Apontamentos
Verbos primitivos e derivados; correlação entre os
tempos verbais

VIR: convir, intervir, provir, sobrevir, advir


VER: prever, rever, antever
TER: conter, deter, manter, obter, ...
PÔR: compor, dispor, expor, transpor, ...

TER: Fut. subj. Fut. pres. ind.


Se eu tiver dinheiro, viajarei.
Se tu tiveres dinheiro, viajarás.
Se ele tiver dinheiro, viajará.
Se nós tivermos dinheiro, viajaremos.
Se vós tiverdes dinheiro, viajareis.
Se tiverem dinheiro, viajarão.
eles

Pret. imp. subj. Fut. pret. ind.


Se eu tivesse dinheiro, viajaria.
Se tu tivesses dinheiro, viajarias.
Se ele tivesse dinheiro, viajaria.
Se nós tivéssemos dinheiro, viajaríamos.
Se vós tivésseis dinheiro, viajaríeis.
Se eles tivessem dinheiro, viajariam.
PÔR: Fut. subj. Fut. pres. ind.
Se eu puser o dinheiro no lucrarei.
Se tu puseres banco, lucrarás.
Se ele puser o dinheiro no lucrará.
Se nós pusermos banco, lucraremos.
Se vós puserdes o dinheiro no lucrareis.
Se eles puserem banco, lucrarão.
o dinheiro no
banco,
o dinheiro no
banco,
o dinheiro no
banco,

VER: Fut. subj. Fut. pres. ind.


Quando eu vir empecilhos, tentarei vencê-los.
Quando tu vires empecilhos, tentarás vencê-los.
Quando ele vir empecilhos, tentará vencê-los.
Quando nós virmos empecilhos, tentaremos vencê-
Quando vós virdes empecilhos, los.
Quando eles virem empecilhos, tentareis vencê-los.
tentarão vencê-los.

Pret. imp. Fut. pret. ind.


subj.
Se eu visse empecilhos, tentaria vencê-los.
Se tu visses empecilhos, tentarias vencê-los.
Se ele visse empecilhos, tentaria vencê-los.
Se nós víssemos empecilhos, tentaríamos vencê-
Se vós vísseis empecilhos, los.
Se eles vissem empecilhos, tentaríeis vencê-
los.
tentariam vencê-
los.

VIR: Fut. subj. Fut. pres. ind.


Quando eu vier aqui novamente, avisarei.
Quando tu vieres aqui novamente, avisarás.
Quando ele vier aqui novamente, avisará.
Quando nós viermos aqui novamente, avisaremos.
Quando vós vierdes aqui novamente, avisareis.
Quando eles vierem aqui novamente, avisarão.

Pret. imp. Fut. pret. ind.


subj.
Se eu viesse aqui novamente, avisaria.
Se tu viesses aqui novamente, avisarias.
Se ele viesse aqui novamente, avisaria.
Se nós viéssemos aqui novamente, avisaríamos.
Se vós viésseis aqui novamente, avisaríeis.
Se eles vissem aqui novamente, avisariam.

Singular e plural

TER: ele tem/eles têm ele


(derivados do TER): ele contém/eles convém/eles convêm
contêm
ATENÇÃ PÔR: ele põe/eles põem
ele detém/eles
O detêm CRER: ele crê/eles crêem
VIR: ele vem/eles vêm DAR: que ele dê/que eles
(derivados do VIR): ele provém/eles dêem
provêm LER: ele lê/eles lêem
VER: ele vê/eles vêem
Correlação verbal

É necessário que eu fizesse...


Foi necessário que eu
Era necessário fizesse...
Será necessário que eu faça...
Seria necessário que eu
Se for necessário, fizesse...
Se fosse necessário, farei...
que eu faça... faria...

Verbos terminados em IAR: regularmente, como o copiar: adio,


amplio...
Outros verbos em IAR: como se terminassem em EAR: eu, tu, ele,
eles, eu anseio, tu anseias, ele anseia, nós ansiamos, vós ansiais, eles anseiam.

M A R I O
e n e n d
d s m c i
i i e e a
a a d n r
r r i d
a i
r a
r

Verbos terminados em EAR: intercalam um i eufônico nas formas


rizotônicas (acento tônico no radical): areio, bloqueio, nomeio, receio...
QUERER e PÔR → com s: pus, puseram... quis, quiseram...
Verbo REQUERER: não se conjuga em todas as formas como o
querer, mas como o VENDER: pret.: requeri,
requereste... (vender); requeresse... (vende
requerer, requereres... (vender)

11.2.2 Tempos simples e compostos da voz ativa


MODO TEMPO
Indicativo Presente → amo
S i m p l e s : a m e i
1 . p e r f e i t o
C o m p o s t o : t e n h o a m a d o
P r e t é 2 r .i t oi m p e r f e i t o
S i m p l e s : a m a r a
3 . m a i s - q u e - p e r f e i t o
C o m p o s t o : t i n h a a m a d o ,
S i m p l e s : a m a r e i
1 . d o p r e s e n t e
C o m p o s t o : t e r e i a m a d o , h a v
F u t u r o
S i m p l e s : a m a r i a
2 . d o p r e t é r i t o
C o m p o s t o : t e r i a a m a d o , h a v
Subjuntiv Presente → ame
o 1 . p e r f e i t o : t e n h a a m a d o
P r e t é 2 r i. t oi m p e r f e i t o : a m a s s e
3 . m a i s - q u e p e r f e i t o : t i v e s s e a m a d o
S i m p l e s : a m a r
F u t u r o
C o m p o s t o : t i v e r a m a d o
Obs.: Das formas nominais, só i infinitivo e o gerúndio possuem formas
compostas: infinitivo pessoal (ter amado, teres amado, etc.), Infinitivo pessoal
(ter amado), gerúndio (tendo amado).

 Modo imperativo
O Imperativo negativo é formado de modo idêntico ao presente do
subjuntivo (em todas as pessoas, menos a primeira do singular que não existe no
Imperativo).
Imperativo negativo = Pres.
subj.
........................ eu parta
não partas tu tu partas
não parta você ele parta
não partamos nós
nós partamos
não partais vós vós partais
não partam eles partam
vocês

Na frase, poderá aparecer qualquer palavra de valor negativo: NÃO,


NUNCA, JAMAIS, NADA, NEM, etc.
O Imperativo afirmativo é também formado do presente do subjuntivo,
com exceção das segundas pessoas (TU e VÓS) que são provenientes do
indicativo (menos a letra “S” final).
Pres. indic. Imperativo Pres. subj.
afirmativo
Eu amo ........................ eu ame
Ti amas AMA tu tu ames
Ele ama ame você ele ame
Nós amemos nós Nós
amamos AMAI vós amemos
Vós amais amem vocês vós ameis
Eles amam eles amem
Observações:
1. o verbo SER faz, 2. Os verbos terminados em – ZER ou ZIR
excepcionalmente, no imperativo (quando o “Z” não é precedido de
afirmativo: consoante), na 2ª pessoa do singular,
SÊ tu podem perder – é facultativo – o “E”
seja você final:
sejamos nós traze ou traz tu
SEDE vós dize ou diz tu
sejam vocês faze ou faz tu

Valor dos tempos verbais

Indicativo

Presente
• Simultaneamente ao momento em que ocorre a comunicação:
Candidatos revelam seus projetos.
• Processos regulares, habituais, ou aquilo que tem validade
permanente: Durmo cedo. Todos os cidadãos são iguais perante a lei.
• Para conferir atualidade (Presente histórico): No dia 17 de dezembro
de 1989, pela primeira vez, em quase trinta anos, o povo brasileiro
elege diretamente o presidente da República
• Fato futuro próximo e de realização tida como ceifa: Dia 2 de agosto
encerra-se a Fenadoce, em Pelotas.
• Valor imperativo, como uma forma delicada e familiar de pedir alguma
coisa: Depois vocês resolvem esse problema para mim.

Pretérito imperfeito
• Idéia de continuidade, de processo que no passado era constante ou
freqüente: Naquela época, dançávamos rock todos os sábados.
• Transposição para o passado: Eu admirava a paisagem. A vida
passava devagar.
• Processo que estava em desenvolvimento quando da ocorrência de
outro: A torcida ainda acreditava na vitória, quando o time adversário
fez outro gol.
• Denota cortesia: Gostaria de ver aquele livro.
• Pode substituir o futuro do pretérito: Se ele pudesse, largava tudo e
ficava com ela.

Pretérito perfeito
• (Simples) - processos verbais concluídos: Os primeiros imigrantes
italianos chegaram ao Brasil no século passado.
• (Composto) - processos que se repetem ou se prolongam até o
presente: Tenho visto coisas em que ninguém acredita Os
professores não têm conseguido melhores condições de trabalho.

Pretérito mais-que-perfeito
• Processo que ocorreu antes de outro processo passado: Era tarde
demais quando ela percebeu que ele a amara intensamente.
• Confere solenidade à expressão: “E, se mais mundo houvera, lá
chegara” (Camões).
• Valor sofisticado: “E eu, menos a conhecera. mais a amara?”
(Caetano Veloso).
• Expressões populares: “Quem me dera!”.

Futuro do presente
• (Simples)
 Processos tidos como certos ou prováveis: Realizar-se-á, no
domingo, a partida decisiva.
 Valor de imperativo, com tom enfático e categórico: Não furtarás!
 Pode ser mais branda e sugere a necessidade de que se adote certa
conduta: Você compreenderá a minha conduta.
 Dúvida ou incerteza em relação a fatos do presente: Será Paula
quem está lá fora?
 Circunstância de condição, relacionando-se com o futuro do
subjuntivo para indicar processos cuja realização é tida como
possível: Se houver pressão popular, as reformas sociais virão.
Obs.: O futuro é pouco usado na linguagem cotidiana. Em seu lugar, é
normal o emprego de locuções verbais com o Infinitivo: Vou chegar daqui a
pouco.
• (Composto)
 Fato ainda não realizado no momento presente, mas já passado em
relação a outro fato futuro: Quando estivermos lá, o dia já terá
amanhecido.

Futuro do pretérito
• Processos posteriores ao momento passado a que nos estamos
referindo: Concluí que não seria feliz ao lado dele.
• Dúvida ou incerteza em relação a um fato passado: Haveria dez mil
pessoas na manifestação.
• Circunstância de condição, relaciona-se com o Pretérito Imperfeito do
Subjuntivo para indicar processos que acreditamos de difícil realização:
Faria tudo diferente, se pudesse.
• Composto - processo encerrado posteriormente a uma época passada
a que estamos nos referindo: Previu-se que àquela hora os candidatos
já teriam entregado as provas.
• Circunstância de condições, relaciona-se com o pretérito mais que
perfeito do subjuntivo, exprimindo processos hipotéticos ou de
realização desejada mas já impossível:
• Se ele me tivesse avisado a tempo, eu o teria avisado.
• Exprime incerteza sobre fatos passados: Teria sido ele o autor do
crime?

Subjuntivo

Presente
• Processos que se desenvolvem no momento da comunicação: Pena
que a vida seja tão difícil para muitos!
• Processo possível num futuro próximo: É possível que ele compareça
aos debates.

Pretérito imperfeito
• Processos de limites imprecisos, anteriores ao momento da
comunicação: Chovesse ou não, eu correria todas as manhãs.
• Relaciona-se com o futuro do pretérito do indicativo na expressão de
condição ou concessão: Mesmo que tentasse, não conseguira.
• Relaciona-se com os pretéritos e imperfeito do Indicativo: Pedi-lhe que
compreendesse a situação.

Pretérito perfeito
Obs.: Só ocorre na forma composta.
• Processos anteriores supostamente concluídos no momento da
comunicação: Espero que você já tenha encontrado uma saída.
• Processos ainda não realizados no momento da comunicação: Espero
que o exame já tenha terminado quando eu lá chegar.

Pretérito mais-que-perfeito
Obs.: Só ocorre na forma composta.
• Processo anterior a outro processo passado.: Aguardei até que tivesse
completado seu discurso para então começar a expor minha opinião.
• Relaciona-se com o futuro do pretérito simples ou composto do
Indicativo na expressão de fatos irreais e hipotéticos do passado: Ainda
que me tivesse ajudado, eu não teria obtido sucesso.

Futuro
• (Simples)
 Indica possibilidade ainda não realizadas no momento da
comunicação: Quando puder, irei visitá-las.
 Relaciona-se com o futuro do presente do Indicativo na expressão
de fatos condicionados cuja realização julgamos possível: Se vier
aqui no próximo mês, trarei sua encomenda.
• (Composto)
 Processo futuro possível como terminado em relação a outro fato
futuro: Quando tiverem chegado à praia, encontrarão o navio
abandonado.

Formas nominais

Infinitivo
• Processo verbal em si mesmo, sem qualquer noção de tempo ou modo.
É a forma pela qual se nomeia os verbos: É proibido fumar.
• Obs.: Substituição do infinitivo através do artigo: O querer excessivo
poderá ser prejudicado. “Os quereres...” (Caetano Veloso)
• Composto: Valor de passado, indicando um processo já concluído no
momento da comunicação: Ter ficado até o fim da palestra não nos
acrescentou nada.

Particípio
• Natureza do verbo e do adjetivo.
• Função verbal: locuções verbais: O problema terá sido resolvido até
amanhã. Não há nada que possa ser feito. Aprovada a proposta,
retiramo-nos.
• (Processo completo anterior a outro)
• Função adjetiva: (caracterizador de subjetivos): Teve papel destacado
no debate.
• Teve atuação destacada no debate.
• Voz passiva: Os documentos foram entregues.

Gerúndio
• Natureza verbal, função de advérbio e de adjetivo.
• Processo prolongado ou incompleto: Andam dizendo que haverá
greve.
• Função de advérbio: Chorando muito, ele procurava refúgio.
• Função de adjetivo: Ali estavam crianças brincando (Caracteriza um
substantivo)
• Em orações reduzidas: Obedecendo a teus pais, serás feliz. (...caso
obedeças...)

11.3 Esquemas sobre pronomes

11.3.1 Correlação de pronomes

reto oblíquos possessiv demonstrativ


s os os

1ª pessoa eu me, mim meu este


(a que fala) comigo minha esta

2ª pessoa tu te teu esse


(a quem nos ti tua essa
dirigimos/ com quem contigo
se fala)

3ª pessoa ele se, si, seu aquele


(de quem se fala; a ela consigo sua aquela
quem nos referimos) o, a, (o.d.)
lhe (o.i.)

11.3.2 Pronomes demonstrativos

Funções
Especial Temporal Cognoscitiva Distributiva
Pronomes
aqui, comigo Presente, atual Vamos apresentar Em oposição à
Este (próximo a pessoa “aquele”
que fala)
e suas Ex.: Ex.: Este dia está Ex.: Ex.:
variações Este livro aqui é bom para caminhar. Espero Matemática e
meu. sinceramente isto: Literatura são matérias
que se procedam as que me agradam: esta
reformas. me desenvolve a
sensibilidade; aquela,
o raciocínio.
aí, contigo, próximo Passado próximo no Já o conhecemos.
Esse à pessoa com quem tempo.
e suas se fala.
variações
Ex.: Ex.: Ex.:
Esse livro aí é teu? Em junho fez muito Que as reformas
frio; nesse mês fui à sejam efetuadas
Canela. rapidamente: é isso
que a sociedade quer.
Aquele lá, ali, longe de nós,distante no tempo em oposição a “este”.
e suasafastado das pessoas
variações que falam.
Ex.: Ex.:
Aqueles rapazes são Naquela época, não
os vencedores havia televisão
11.3.3 Esquemas sobre pronomes relativos

Emprego do pronome relativo cujo (e variantes)


• cujo estabelece uma relação possuidor/possuído;
• cujo é o único relativo com antecedente e conseqüente;
• cujo concorda em gênero e número com o conseguinte;
• cujo poderá vir precedido de preposição, se a regra do verbo ou nome
que o segue assim o exigir.

Emprego do pronome relativo onde


• mais especificamente para indicar lugar: Cuba é um país onde existe
um sistema de saúde modelo.

Emprego do pronome relativo quem


• para indicar pessoas: Pinochet foi um ditador a quem o mundo
condenou.

11.4 Esquemas sobre concordância verbal

Haver Fazer
É impessoal (3ª pessoa do É impessoal (3ª pessoa do
singular) em três sentidos: singular) em dois casos:
• EXISTIR: Havia lugares na sala. • TER DECORRIDO: Não o vejo faz
• Existiam lugares na sala. dois anos.
• OCORRER: Houve brigas na • FENÔMENO NATURAL: Fará dias
saída. ensolarados.
• TER OCORRIDO: Não o vejo há Parecer +
dois anos. Infinitivo
Pode-se flexionar o verbo
Obs.: O verbo HAVER transmite a PARECER ou o INFIITIVO que o
impessoa-lidade ao auxiliar. acompanha (mas jamais os dois):
Ex.: Aqui deve haver minérios. Eles pareciaM caminhar sobre
ovos.
Elas parecia caminharEM sobre
ovos.

A partícula “SE”
Partícula apassivadora → o verbo concorda com o sujeito (que sempre
estará expresso):
Alugam-se casas.
Consertam-se relógios.
Partícula de indeterminação do sujeito → o verbo fica na 3ª pessoa
do singular.
Precisa-se | de | funcionários
Necessita- | de | empregados.
se
Trata-se | de | assuntos...
Fala-se | em | assuntos...
Ama-se | a | deuses de
barro.

11.5 Esquemas sobre concordância nominal

Meio
a) VARIA (quando substantivo, numeral ou adjetivo):
• Os fins não justificam os MEIOS.
• Comeu só MEIA melancia.
b) INVARIÁVEL (quando advérbio = um pouco, um tanto):
• Maria está MEIO adoentada.

Anexo e Incluso
Concordam com o substantivo a que se referem:
• Vão ANEXOS os recibos.
• INCLUSAS lhe remeto as pastas.
Obs.: EM ANEXO é invariável;
Ex.: Vão EM ANEXO mil cartas.
Mesmo e Próprio
a) variam:
• Foram elas MESMAS que me beijaram.
b) MESMO (= embora) invariável:
• Elas, MESMO sendo advogadas, não intervieram.

a) Adjetivo (= sozinho) varia:
• Zé João ficaram sós.
b) Advérbio (= somente) invariável:
• Eles estão só olhando.

Bastante

a) Advérbio (= muito) invariável:


• Eles estão BASTANTE apaixonados.
b) Adjetivo (= muitos(as) varia:
• Ele possui BASTANTES imóveis.

Caro e Barato
a) Como adjetivos → variam:
• Comprou presentes CAROS (BARATOS)
b) Como advérbios → invariáveis:
• Compra CARO (BARATO) os presentes.

Um e Outro → Nem um Nem Outro


• Substantivos → no singular;

• adjetivos (se houver) → no plural:


Um e outro ALUNO CONTENTES saíram da sala.

11.6 Esquemas sobre regência verbal

1. Agradar:
VTD = fazer carinho: Ela agrada o filho.
VTI = satisfazer: O acordo não agradou aos sindicalistas.

2. Assistir:
VTD (preferível) = das assistência: O governo assiste os desabrigados.
VTI = presenciar: Preposição A: Ele assistiu à manifestação
VTI = favorecer: Este direito não lhe assiste.
VI = residir: Preposição EM.: Ele assiste em Pelotas.

3. Aspirar:
VTD = cheirar, sorver: Ela aspirava o aroma do jasmim.
VTI = almejar, ambicionar: Preposição A: Ana aspira ao cargo (a ele).
4. Visar:
VTD = pôr visto: Esqueci-me de visar o cheque.
VTD = apontar: Visou o perigoso assaltante.
VTI = ambicionar, almejar: Visamos à justiça social.

5. Obedecer/desobedecer/obstar:
VTI = preposição A: Obedecemos às leis de trânsito. Nada obsta ao
acordo.

6. Preferir:
VTDI = preposição A e sem expressões de intensidade ou tempo:
Prefiro cinema a teatro.

7. Pagar/perdoar/agradecer:
VTDI = Pagou a dívida ao cobrador.
OD OI

8. Avisar/comunicar/informar/advertir/prevenir:
VTDI = Avisei o aluno da mudança / Avisei-lhe da mudança.

9. Chegar/ir:
VTI = preposição A: Chegou ao aeroporto.

10. IMPLICAR:
VTD = acarretar: O sucesso implica persistência.
VTI = preposição com: Ele implicou com o irmão.
VTI = envolveu-se: preposição NEM: Ele implicou-se em seqüestros.

11. Esquecer/lembrar:
VTD: Ele esqueceu o documento.
VTI: Ele se esqueceu do documento.

12. Morar/residir/situar:
VI = preposição EM: Moro em Pelotas.

13. Custar:
VTI = preposição A + verbo no infinitivo: Custa ao rapaz entender o
assunto.

14. Responder:
VTI = preposição A: Respondemos às questões.

15. Pedir:
VTDI = preposição A: Pedimos a Ama um copo de cerveja.
Observação: = pedir licença (preposição par): Pediu para sair.

11.7 Esquemas sobre regência nominal

11.7.1 Regência de alguns nomes


acessível a certo de permissivo a
afável com, para compatível com prejudicial a
com compreensível a prestes a, para
agradável a contrário a propício a
alheio a desfavorável a responsável por
análogo a essencial para sensível a
ansioso de, por incompatível com útil a, para
apto a, para passível de negligente em

11.7.2 Valor das relações estabelecidas pelas


preposições
A
• causa ou motivo: dormir ao pingos de chuva.
• conformidade: sair ao pai/ir ao encontro.
• destino: Daqui a Buenos Aires é longe.
• distância: parar a meio metro da chegada.
• exposição: estar ao sol.
• fim: saiu a passear.
• instrumento: escrever a caneta.
• meio: ir a cavalo.

COM
• causa: irritou-se com o pronunciamento
• companhia: chegou com os amigos.
• modo: falava com cautela.

DE
• assunto: falar de política
• causa: morrer de fome.
• definição: homem de princípios.
• fim: dei-lhe algo de beber
• posse: casa de Ana.
• qualidade: comprar artigos de primeira
• obrigatoriedade: tenho de viajar
• oposição: ir de encontro.

PARA
• conseqüência: estava preocupada demais para interessar-se por
futilidades.
• fim: vir para ficar.

POR
• causa: por ironia, encontraram-se no cais.
• tempo: amar-te-ei por toda a vida.
• meio: enviar pela Internet.
SEM
• ausência: estar sem dinheiro.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRÉ, H. Gramática ilustrada. Rio de Janeiro: Moderna, 1983.

CARVALHO, N. Empréstimos lingüísticos. São Paulo: Ática, 1989.

COUTO do, H. H. (Coord.). A redação como libertação. Brasília: UnB, 1990.

CUNHA, C. F. da Gramática da língua portuguesa. FAE, 1983.

CUNHA, J. C. Pragmática lingüística e didática das línguas. Belém: UFPA, 1991.

FIORIN, J. L. Elementos de análise do discurso. São Paulo: Contexto, 1990.

JAPIASSU, M. Jornal da imprença: a notícia levada açério. São Paulo: Jornal dos
Jornais, 1997.

ORLANDI, E. A linguagem e seu funcionamento. Campinas: Pontes, 1987.

POSSENTI, S. Discurso, estilo e subjetividade. São Paulo: Martins Fontes, 1988.

RODRIGUES, L. M. P., BARBOSA, M. E. O, BRANDÃO, T. S. Maneiras do dizer:


língua portuguesa e ensino médio. Pelotas: Escola de Ensino Médio Mário
Quintana, 1998.