Você está na página 1de 27

t(h J.,r'Aa.,'6 e-!1;", ttaoo' 4ttuìâ

lntt ta l-'íL+

,

;r-

>- /"

/T

t < t t'

Ìe*,o. & f^ì"' 2*' 'l'*''"'':.

/.:;;t

o s''v'\

7t,,t2J' - Ü*-ç'

1'Jfru'

'a

o is**1:.;fur !.Ê ,,r

-

Ò*{'.1 r'

"':

,\.

"

'

.

.

i

ALBERTO DINIZ

(Póginos de Soudode)

O(D

RTO DE JANETRO-I'!O

',

ì1

{,

,;]

1r,

,rclf,,{

. i'rúilrdÌl|xtiúrr!*r

r -,.rT|l. f||lrriq4ra

'1"-ì

AGRADECIMENTO

Li'gam-me

oo ilwstrado Desem'borgador Alberto Di'níz

as maii

gratas relaÇões de arnizad'e, Ê, êle cred,or da

mi,nlta estima pelas bel'as qualid'atles que efrorn'o',ll' 0' suú

persondidad'e; mas, o ê, ai.nda, por ser irmão de Gwilher-

mina, Batbina e Henrique, criaturas carisnnáticas para a

mi,nha snenini,ce co xo gente sensd,tú e cari,nkosa, de cora-

ção generoso, de alma grande, d'e d,iainal espírì'to. Esse queridíssimo amigo é etervto endmorddn tla boa terra e da boo gente da omorúael Barbacena, onde nascew e se cri,ou. NeIa nõo nascl, mas dedico-Ike, ta*mbem, sincera afeição

por aí ter ai,uido tôda a mì,nha infãncia.

Em esti'lo suaae e tnelotlioso conuo o seu fróPrio ca'

ró,ter -

sereno e puro, simples e inteiriço -

ocaba ÁIberto

ile escrezter algwmas lindas ldginas

aía gente" . Al,berto é escri'tor

sôbre " Minha terro e

d'e nascimento ' A lteleza

rlos seus escritos iá' foi reconkecid'o e lrocla'Ìnad'a Por

quem possui autoridade para fazêJo. Alberto escreve' nn- .

ÍS:t*g&,r

iurahtrcnte, bem. E o

faz,

Por assim d'izer, de instinto '

E.çcreae com fluência, com correção, com gtaça, com Ie-

z)eaa, coÌtt britho.

E

escrez)e, fritLci\ohtuente,

ser?l rebuscamentos e

corn singe'

setn precio'

lela, ao correr da fena,

,çiilatles, Escrezte,

porêm, ile f orma a embeaecer e a

encantar

os que o leiaua e saboreieÌn os seNls escïitas ' E,

,Çr

. ti .fi

.

a

*'l

ll

'

*

:.*Í.flil*

I

4-

PMa se ter nítid,o impressão dessa ossertit''a, Ieio-se

"Minha tcrra e a sua gente".

Por sober ql;onto

inla

rne sensibiliso tôda a lembrança

Alberto ofe'

dessa terra -

m'e tlis ser " nosso" -

receu,-nrc à leitura,

antes da publ'icíd'ad'e, a sua ellternece-

d.ora proso, d'e inspirado loesío e de esEtisito laztor lite'

,á,rio . Esta leituro proporcionou-vne ,nomentos de nmgn'í-

fico

deleite. Transportei-m,e, entd'0, oos dias

,idos

z,entt'td,e, possad,a e rnort(t,qnds sefix\re gtLartlad'a

d'a ju-

n'a m'e'

mórïa e n'o coração .

Al ão sei corno a,gradecer a Alberto Din'iz os cnt'oçõe's

sentid'as con1, essds ad,orá'aeis !á'ginas

e confôrto pdrd' quent, conxo cw'

' Elas são refrigérío

con'hece longa.e*istê.rt'

,io, ,trrrrroio d,e galos, ou' iJe benemerências '

*u tr orn,

cantonte e

Sei, porém"

desseãentad'o a crislalina e deliciosa lütfa do

nuLt'lvaroso ztern'óculo cle Alberto ' No nnom'en'to

eln que, sotz,endo-a satisfeito, obeberei-tne nessa fonte,

esqriecí a ur.Igaridode

piìdosa tta id,ade.

de tod'os os d"ias e até a tortura ün-

Mais do q,we d'antes, sou' por isso tle'

uedor o Atberto Dinic de imperecíael grotid'ã'o ' Por atmor

à z,erd'ad'e, cu,m\ro dquí o tleaer d'e exo'Itar-Iltc a generosi-

dadc e a galonterio.

A mim me cabe ultimar o (fue ora escreL'o sôbre o l:it'

timo e esplênd'itlo

d.istinlyu,itto no

trabalho de Al'berto Dinis, por nle katter

sna antecipad,a leitura, co x o a'rra1l'cd'r ' co'

moz,iã.atnente, do âm,ago do peíto, estas Pobres mas ofe-

tuosos e sinceras paloztras:

Mwí'to, muitíssimo obriga'

-

do, tttctt caro Alberto Dinít.

Rio de laneiro,4 de iwnh'o de 1950.

NÉston \{.qssüw,t

Áh! otaÍfi bóìle êsq\eeer o seu Pois ttolol I

'À'ii:

'àiìii, 'iíãiÃqiu,, a beìção nú*not t

GoNç^LvEs CREsrt

4*E=':

Ê,STË

rnelancó1ico poente de uma acidentada

existência em que os infortúnios supera-

na iminência

ram de

cla misteriosa viagem

muito ai alegrias,

de que não se Íe-

saudade, U

yl:

gressa,

t"Jt*

apraz-lne transportar-me

ì^t"f , à minha tão querida

a minha

-pela

Barbaceua' onde alegrcs

infância e a minha ju-

e descuidosas decorreram

u"ni"a

Quero, ainda

diante c1e suas

rnì. o

."ti"ttpt.t,

i;.t.

"ã-."Ãça"

tei.

171'na vez' banhar-me na luz irra'

Írescas e risonhas manhãs' extasiar-mc

a"rto-t tamento de seus poentes de ouro e púrpura'

maravilhado,

os seus horizontes sem fim '

;;*p*

estremecidamente, tendo-a levado cornìg.

da vicla' dela me afas-

qrundo, por exigências

fidelidade, apresentando-Íl

Retratá-la, corr a possivel

,ot .on.to a vi naqueles

fância e como veio a ser

ãlìJiprú*.po,

tão remotos dias da minha in-

nos atuais, ser-me-â util e agla-

a encher as minhas tediosas fi61ns rlc

magistrado aPosentado.

cla ciclacle,

Iniciarei a minha excursão por 111'Ìra das cxtrtrttlitl;ttlt:s

pelo Caminho Novo,

qne a traz ligacla iLo Altr)

conhecido por Alto do Cilttgrr '

<t. Snn,n' Àntônio, rrrais

6-

lheiro, Poucas casas' e bem distanciadas umas das outras, alí se viam, apenas merecendo ser mencionada aquela em

que, transferindo-se do Barro Preto, veio a residir e es-

t-abelecer-se como comerciante Timótio Abranches (filho),

casa bastante confortavel, tendo nos {undos precioso po-

mar. O espaço

que mediava entre a residência da família

e o estabelecimento comercial {ôra aproveitado coln um

bem tratado jardim, em que Íloriam camélias, rosas e dá-

Do casamento de Timótio

lias de variegados

Abranches com a

versos

matizes .

boníssima D." Candinha nasceram di-

filhos, sendo um clêles o Dr. Galdino Abranches'

que se casou com a minha irmã Balbina '

Um pouco além ficava, no lado oposto

racão eJ que o alemão Hoffman tinha

ferreiro. Atravessada

c1a rua, o bar-

a sua oÍicina de

a ponte sôbre um riachò que pol

ali corria e passaclo o

fronteiriço a uma {ileira de coqueiros, o prédio cle original

viaclttto da Estrada de Ëerro, via-se'

"Bôa Vistat',

ur,1uit.tur" do velho

toso galo assinalava

em cujo alpendre vis-

os pontos caÍdiais ' No vasto terÍeno'

a estãnder-se pelos fundos, havia um magnífico pomat'

além ãe várias outras árvores frutíferas, abun- as jaboticabeiras. Em data Íecente abriu-se uma

em que,

clavam

ruâ que, dálí partindo

vai dìsembocar no

merecida homenagem

lecimento, recebéu

e costeando terrenos do Sanatório'

Barro Preto, a qual, em justa e bem

ao primeiro diretor daquele estabe-

a denominação de "Dr '

Joaqtirn

Dutratt ,

Prosseguindo,

vamos encontrar, logo ao atravessar a

córrego do Neto, a casa residencial de Joa-

ponte sôbre o

quim Gomes, onde, no passeio que à tarde ordinatiamente

ìariamos eu e meu pai, às vezes parávamos, atendendo a

amavel convite pata

quim Gomes pai de

saborearmos um hom café' Era Joa-

Leopoldo, que, recomendado por Hür-

7-

litlLrc Dirtiz, foi nouleatlo tesottrciro da Conrisslro (lrtls'

vinclo, f inda a Oorrtissito' a tlt-

trutoro .1. Belo Horizonte,

ti,ftt.*r ern transações

de imóveis l.Ìa llov:I Oapital tlo

DJ

tptc' rto pró" Lidia' soflia'

severa püllrçao' (ltlc lììc

depois, trabalhanclo ôle uutrta

listaclo. Fiiho ilê1e era tambetn o Quincas,

frti" Ai. clo meu ingresso na escola de

por seú péssimo comportamento'

.l.i*oo

"it"rr".i<1o.

fazencla do

cia

gã"À, t*a"

. Anos

município de Juiz de !'óra, em cujo {ôro excr-

ctime de Íerimentos

e pelo juri absolviclo'

eu a aclvocacia, foi processado por

siclo por mim clefendiclo

Em modesta casa, potlco distante da precedente' tno"

oÍicial reformaclo cla polícia rrri'

estado na gúerra c1o Paraguai' vivizl il

rava á capitão Rufino,

r-r.i.u, o qu"t, tendo

blasonar

hipotéticas proezas clue alí praticara '

Com o correr do tempo, grandes rnoclificaçõcs sc olrcl'

raram nessa parte c1a ciclade que venho cie percorrcìl ' .clìl

u .o, e"i"r,são se tendo construido excelentes pt'ótlios

estabelcciurctr-

para a sua jít rrtt-

iÀà"

,".iàer-,ci"i., não the faltanclo bem providos

tos comerciais e nem tão pouco escolas

rlerosa populaçáo infantil.

na atual praça \larechal Deodoro' oudc' ao arribai na cidade uma compauhia clc

a população,

alvoroçacla' acompanhavit

o levantamento do barracão enl qtle sc

Nela se constrtlitt' cnt <llttit

clestinado à Malcrrri-

clìreção do-Dr' Oswrtltlo

Eis-me agora

i"t io,

"it"á,

"nt .ãrl.'

"ïii*,

"a"

.o^ uiuo interêsse

,à"iir"rio- os

espetáculos '

t mais ou

il;,;;

nlenos Íecente, o ecli{ício

;";,

sob a inieligente

Fortini, erÌcontÍam as

gestantes, ricas e pobrcs' os cttitllt"

clos médicos inclisPensáveis .

r:ryntr,ïã" úagalhaesl

riano Peixoto,

,,|

Nada menos de quatro ruas,

7 de

Scna lì'igttc-ilcrft r'

Setembro e Marcclral lilo'

-

plrtcttt tlt'sstt

oútroÍa Barro l)rclrr -,

8-

praça, ot1 nela findam, além de pequena via em direçã'r ao Môrro da Fôrca, onde, transfc.rrruado, por inteligente

trabalho e dispêndio de grande soma de dinheiro, o pe-

dregoso e sáfaro terreno num encantamento de {tondosas

árvores e de lindas flôres, construiu pitoresca vivenda c1e

verão o engenheiro francês Michel, proprietário da im-

portante fábrica de velas Clichy. Falecendo, anos depois,

o rico industrial e entrando em crise a sua fábrica, in-

cluiu-se a aprazivel chácara eÍÌtre os clemais bens rece-

bidos em pagamento pelo Banco do Brasil, passando pos-

teriormente à propriedade do Conde Modesto Leal, de

na bacia das almas, o Dr. José

quem a veio a adquirir,

Severiauo cle Lirna Junior,

c1ue, pÕÍ stla vez a transferiu

para uela itlstalar-se, em aproqria-

zLo govêrno do Estatlo,

clo ódifício para tal construido, o Manicômio Judiciário '

Na extremidade oposta clo ualtrataclo e pouco po-

voado bairro de Barro Preto, num platô que se estende

para

meio a um bem selecionado pomar, que veio a ser sacrifi-

os lados do Alto cle Santo Antônio, situava-se, em

cado pelo traçaclo da Estrada de Ferro, a aprazivel vi-

Paulista q1le era'

venda do velho Timótio Abranches '

tinha êle no sangue a audácia dos bandeirantes e a vo-

líryia de arriscadas aventtlÍas, não sendo de estranhar-sc

se fizessem temerhrias e nenos fun-

(lue a seLl respeito

áadas suposições.

Nas raras vezes em que se dirigia à ci-

clacie, de orclinário para tratar de assuntos relaciona<los

com o contrato que firmara com o govêrno para o trans- porte de malas postais para o interior da província, mon-

iarra garboso cavalo, Iazendo-se acompanhar cle sett ho

mem de conf iança .

Pouco depois da proclamação da República, foi essa

propriedade adquirida

por uma sociedade de que faziam

parte o capitalista

comendador Francisco Ferreira e os

---T-----

t)

ruódicos Roclrigucs

n'."ur,."i.-*

ïm

;r;;;*d;ail.ua

.ift

""ì.",o".

Caldas e Cxrurìalves lìauxrs'-trola vin<Lr

luxttoso hotel, a clue logo af luiratn'--no

os favoreciclos clo "lrn-

opíparo jarúar ' a que nlo fal'

recente Íortuna,

À noite, após

taunrll fina, iguarias

" riir-,t odo. pa-res

.^., n.fo.

oï",'*t

;;ìi;;t.

ir*."rr"r,

e espoucante champagne' elegantcs

tlis-

consultando seus próprios e imediatos

deslizavam, ao som de languorosas val-

vastos sa1ões Íeericamente iluminados' enquanto

t i.r.tiosos conciliábulos, próceres politicos

resolviam,

assuntos de capital importância para o f uttll'o

cla*

nacionalidade.

D.- curta

cluração foi, porém, essa áurea fase tlr>

que entroll em crise corn a dó-

jôgo de bolsa Adcluiriu-o' então' tr

fattstoso estabelecin.rento,

bacle do escanrlaloso

do Estado, que o transformou' para tal adaptan-

em Sanatório destinado ao tl'ata-

;; p.i.oput"

;

br.

Foi-lhe o prin,eiro e competente di-

Dutra,

clue' compulsóriamentc

-Joaquim

,r.io o ,",

súbstituido pelo Dr ' Antônio. Tci-

.local'

govêrno

ão-o .onrr.ni"ntemente,

;";;

;;;;'-

"p".*"àa"

*eira .

R"rtlorrido êste, por exigências da politica

ae Oiiveira, Íoi,

n"r" " S"r*,atio

por

sua vez' substituitlo pollco tempo' Íeirlte-

pelo Dr . Cesarinì, isso, porém, pol'

graclo que se viu no precedente cargo' em virtucle clc uru-

i",rçu áp"r"d"

na situação política rio Estado '

VerìÍicando-se acúmulo de doentes no Sanatório' rc- solvett o govêrno anexar-lhe um hospital-colônia' desti-

n"ao 'noí,-

oo, ïo

n.,

no qual se adotaria o reginre <lo,ofatt pelos mestres da moclerna psiquiatliit

pr"ronitodo

.nnló á qu"

cloentes is

melhores resultados oÍerece ' Recolhenr-sr: os

snas celas durante a noite' entregando-sc tto

tt".

a" <lia,

sob a vigilância cle guardas cspecializlclos'

serviços, cle preferência aos cle lavottrit ' Arltlui"

a cliversos

10*

rida uma Íaz,enda nas vizinhanças, foi ela conveniente-

mente adaptada aos fins a que se destinava, achando-se

confiacla essa seção clo Sanatório ao Dr . Celso Alves Pe-

queno, que, dotado de espírito cristão, vem se esmerando em amenizar a sorte dos infelizes alí internados. Bem próximo ao Sanatório, na baixada qúe se segue

a

uma das encostas do Môrro da Fôrca, situa-se o amplo

e

sombrio edifício da Santa Casa de Misericórdia, doado

à pobreza de Barbacena por Antônio Armond, cuja me-

mória vem sendo Íeverenciada por seus conteÍrâneos, com

nraioria cle razáo por quantos se víram por êle beneficia-

dos. Figura meu pai entre os vários e súcessivos prove-

dores tlessa pia instituição, dêle tendo sido a iniciativa da

introdução alí das Irmãs

de Caridade. É seu atuai pro-

veclor o preclaro barbacenense Ministro Antônio Carlc,

LaÍa1,s11g de Andrada, que, emljora com obrigatória resi-

clência na capital da República, tern sabido bem correspon-

cler à confiança dos que o elegeram para acluele posto,

hontoso sem dúvida, mas a impôr rovas preocupações a

quem as têm de sobra no exercício de suas próprias fun- ções cle lllirristro do Supremo Tribunal Federal e presiden-

te do Superior Tribunal Eleitoral. Nem por isso faltalhe

ten-Ìpo para, informando-se clas necessidades da SâÍÌta Casa de Misericórdia, provêJas convenientemente, como

nenhum outro melhor o Íatìa,

Benfeitores não têm faltado a essa pia institLrição,

um dêles tendo sido o ilustre barbacenense Embaixador

Olyntho de Magalhães, que a dotou conl rlma completa

sala de operações, batizada com o nome de sua digna es-

pôsa. Apaixonâdo poÍ sua teÍra natal, que the não saía

do pensamento onde quer que se encontrasse no exercício

de sua alta missão diplomática, náo se limitou em bene-

-

11 -

ficiâ-la com a jír in,portante dotaqão feita à sua Snrrtrr

Casa de Misericórdia, tendo ainda disposto cm sctl tcs-

tamento, com assentimento e aplauso de stta virtuosa cotr-

sorte, que tôda a sua foltuna, com a exclusão atr)enas d0

pequenos legados, se aplicasse na construção, no terreno

"* q,r" ,a situava a casa que herdara de seus progenito- res, ;le amplo e confortavel edifício em qúe venham abri"

gar-se, livÍes de maiores pÍeocupações, môças solteiras dc

bôas famílias, que sejam orfãs de pais e não disponhant

d.e recursos para a sua decente manutenção, delas apenas

irrepreensivel pÍocedimento. Obtida <le com-

se exigindo

petente

pÍofissional a indispensavel planta, proviclenciou

D.' Isabel, desejosa de dar perfeita e imediata execução

à suprema vontade de seu saudoso marido, no sentido de iniciarem-se as obras, agora bastante adiantadas ' Por êsse nobre gesto de solidariedade humana, fizeram-se am'

bos credores da gratidão da atual e das futuras gerações

barbacenenses ,

Volto agora ao Barro Preto, do qual me afastara,

para, de preferência algo dilet do Môrro da Fôrca e cla

Santa Casa de N{isericórdia. Não passava êle, nos mcus

de infância, de um pobre subúrbio, deixado pela

municipalidade no mais compieto abandono . lJma on

tempos

oútra casa de melhor aparência ali havia, a contrastar colÌr

casebres destituidos de qualquer confôrto. Casas propria-

mente apenas se poderiam considerar duas de propriedâdc do comerciante Teixeira de Abreu, aquela em quc, alrtes

de transferir-se para o Caminho Novo, residia Tirlrótio

Abranches Filho, e a clo velho Emilio Gonçalvcs. Só l)clìl

mais"tarcle, quando cla instalação clo Sanatório,

vcio ôlc l

rcccber dos pocleres pírblicos estadual c nrtttricipal algtttttt

nrcl)ror aurcntos, nu.rito util tantbem lhc tcnclo sitlo a lni'

12-

ciativa de particulares. Tornou-se coïn o tempo movimen-

tado bairro industrial, como

resultado cla instalação alí da

que é o engenlieiro José

importante Íâbrica de tecidos, de

Edwards Ribeiro competente direúr

gerente]

e de vá-rias

fábricas de produtos cle cerâmica, alguÃas delas em franca

prospericlade .

Era nêsse outrora tão maltràtado bairro

que morava

o velho Emilio Gonçalves, de todos querido pela lhaneza

cle seu trato e sobretudo por suas virtudes cÌvicas e pri_

vadas. Do seu casamento com a boníssima D." Ana nas_

ceram diversos filhos, dentre êles

qüe, por seus superiores predicados intelectuais

Enilio, João e Antônio,

e morais,

vierarn a ser figuras das mais represefltativas da socie-

dade barbacenense. Casou-se Emílio Filho com uma

dada sobrinha do Conselheiro Lafayette, sendo seus filhos

pren-

Carlos Gonçalves, acatado cliretor

do grupo escolar Bias

Fortes, e Paulo Gonçalves, proprietár.io e reciator cio con_

ceituado órgão cla inrprensa

,,Cidacle

cle lJarbacena,,

oontribuição para o progresso local tem sido clas

eficientes.

, cuJa

n]a I s

Esquina cour a casa do

velho Emílio Gonçalves a Íua

Córrego

das pómbas.

onde

que se dirige ao Crocotó e ao

tem lioje aprazivel casa residencial o ilnstre barbaceuense

cleputaclo Bias Fortes. Foi a essa

rua,

situado nos con{ins

Diniz-,', única

."u.

.orrt".lâ_

da. cidade, que se apôs o norne de ,.Henrique

e insignificante distinção que n.Ìereceu .1"

Íeos quem

terra natal -

tantos e tão relevantes serviqos pl estou à sua

Vejo-me

agora, saindo da praça Nlarechal Deodoro,

Magalhães, antiga São Vicente, a qual,

a começar rla rua Visconde de Caran-

na rua Olyntho de

em sua parte Íinal,

13-

rlai, aincla ó, conr insignificautes altcraçõcs, a utcsutn rlo$ velhos tempos, col'ìì as rlesrnas modestas casas, constÍtli-

<lrrs nmas nos funclos dos quintais dos prédios da rua Scna

lligueiredo, outras nos terrenos que clão para o MôÍro da

li'ôrca. Numa dessas casinhas lnorava o sapateiro lilisiá-

rio, de cuja rudimentar arte fui, quando lnenino, unra clas

vítimas.

Em sua paÍte superior, apresenta-se hojc bcrr'r

melhorada, nela se tendo construido, clepois cle convcrlicn-

ttrmente aplainada, alguns prédios de bôa aparência, tais conro os que pertencelam ao meu saudoso amigo Carlos

Goiano, o de Mario Cruz lVlachatlo e o que para sua rc- sidência, quando ainda se encontrava em Barbacena, Ícz

construir o Dr. Cesarini. Na casa que foi de seu soÍ{r(}

c que ora lhe pertence reside o meu velho arrrigo Àlvarrr

Xtleniconi, que, aincla vigoroso e sempre bem hrrrtrotado,

rlesfruta agoÍa o olittnr cu,nt, tlignitate de unra berrr nrcrc.

cida aposentadoria, tal a correção com qlle se houvc trrr

rlcseurpenho clo cargo cle coletor. Pai venturriso, teur ôlc

riois {ilhos, Vlozart e Mnrilo, dos quais póclc c dcvu

orgulhar-se .

Jisqrrina conÌ essa casa, partindo do largo do lÌosírritr,

a rua Cônego Vieira, em a qual apenas um préclio se virr

nos velhos tempos, o sobrado em que residira D." Micaela, destinaclo posteriormente às mais diversas serventias. Itoi rê1e <1ue artistas improvisados representaram, entre outrals

peças, o drama de Castro Alves

"Gonzaga e a lnconÍi.

rlência Mineira"

-

em que os papéis de ll'iradcntcs,

'lorlnaz Gonzaga e Visconcle cle ÌJarbacena foranr interprc-

tados por José Tonraz, Carlos Silva e l-eopoldo Gonrcs, c

o cle X{ar'ília, ent traac.tti, pelo Juca Ferrcira. Iìoi nirrda

-,

iúí qrre ouví belissima

oração

pÍoferida pelo Condc (lc

Âíouso Cclso, (ltlc, cnt corlparrhia dc scrr ihrstrc pai, vcra-

-t4-

neava entáo em nossa cidade. Aos poucos e demorada_

mente se foi essa rua estendendo, nela construindo_se novos

e vistosos prédios, até chegar à avenida Coronel

José

Máximo, que se lhe segue em direção à cachoeira, ãnde

anos mais tarde veio a funcionar importante charqueada,

para cujo

mais fácil e rápido transporte de seus produtos

da estação do Sanatório, ,r* ,u-ul du E

se Íez, a partir

trada de Ferro.

Em plano inferior

à rua Cônego Vieira, mas não pa_

a rua Teó{ilo Ottoni, em que se

destacando_se o qo. i.".oolrtroi,

querido e sempre lem_

I_,ogo

adeante

quin_

'.ou,

ralela à mesma, corre

vêem excelentes prédios,

para sua residência o meu muito

brado amigo Dr . Franklim Abranches

.

desta, abriu-se, com o córte pelo meio dos extÃsos

tais dos prédios da rua 15 de Novembro, urnu nolru

que deveria desembocar na ' 13 de Maio. Não houve

c,posição e muito menos exigência

de indenização

po.

p".,.

com-

üos proprletartos, na certeza de que lhes seriam Íarta

pensação as posses de que disporiam e que, sem dúvida,

bem depressa se valorizariam.

Antes de prosseguir

em minha primitiva rota, que

"o

"o.uião

de Baixc,

Raras casas e bem espaçadas

tempos

nela se enconiravam,

Bôa Vista, em

superior quali

o,rt., qoe

yiz

me

levaria, subindo pela rua Sena Figueiredo

encaminhar-mg-ei pela outrora rua

da cidade,

atualmente 7 de Setembro.

umas das outras nos velhos

a primeira das quais a de Candinho

cujo quintal abundavam jaboticabeiras de

dade . Seguia-se-lhe, a alguma distância, u.u

e]r e mgus irmãos por várias vezes fomos

penso ter pertencido ao abastado comerciante pauta

Mais além' o velho e Íeio. sobrado

de Antônio pini", ona"

convidados

a

chupar ótinas jaboticabas. Avizinhava_se aa" " p.Èll" a.

-15-

sólida construção,

pesadas cargas

a

iuru aiu*rit

complemento

*bri!u,rt-

.1"

destinado por meu pai ao depósito de

seÍem transpoÍtadas,

ern carros de boi'

Êralhe indispensavel

cidades do interior '

um grande e bem coberto rancho, em que se

os tropeiros, que abasteciam o mercado local

gãtl"ro. alimenticios e, ao regressar' levavam o sal que

se fazia preciso no interior, quando não, cargas que se

em costas de burro ' Viam-se, em con-

podiam transportar

iino"ção, os

sobrados dos irmãos Nico e Zico Maia, a casa

Pereira, aquela em que residiu,-na

.o-.i.iul do português

írltima fase de sua

vicla, meu cunhado Dr' Pio Alves Pe-

queno, conceituaclo clínico e perÍeito homem de bem,-e vá-

,lios

velha

nutn dos quais residia, em companhia de sua

"nselrres,

mãe,

o tipo popular Antônio Farinha Sêca, tirador

de esmolas para

A partir,

o-er.o é ã aspeclo

a demolição clos

várias confrarias religiosas '

porém, da praça Hermilo Alves'. bem di-

dessa rua, tendo-se nela construido' com

antigos, novos e bonitos prédios' sobre'

algumas casas' se abriu a

tudo cluando, desapropriadas

avenidã Getúlio Vargas'

que, partìndo da praça dos An-

<iradas, põe o centro cla.cidade em direta comunicação com

a estaçãã

da Estrada de Ferro. Entre as várias e confor-

casas dessa parte da rua 7 de Setembro figura a

taveis

que Íica em sua extremidade,

Èêca . Nela por largos

esquinando com a da Ponte

anos residiu o Dr ' Prestes Pi-

mentel, preclaro varão que se impôs ao respeito e à estima cle seus concidadãos por suas excelsas virtudes cívicas e privadas . Nos primórdios da proclamação da República'

àbandonando a advocacia, ingressou na magistratura'

tendo sido nomeado Juiz de Direito da comarca de Juiz

de Fóra e posteriormente promovido a desembargador do

Superior Tribtrnal de Justiça do Estado, em cujas funções

16-

se houve sempíe com honra e dignidade. D.' Mariquinhas,

sua espôsa, era uma senhora de esmerada educação, uma das raras subsistentes daquelas grandes damas que foram

o orgulho e o encanto das passadas gerações. Mas para

mim o maior merecimento dessas duas criaturas de escol

foi o de terem sido os progenitores dêsse brasileiro, por tantos títulos notavel, que é o emérito proÍessor Mendes Pimentel, mzu muito querido amigc.r.

Percorridas três das quatro

ruas em comunicação com

a pÍaça Marechal Deodoro, enveredo-me agora pela prin- cipal delas, pela rua Sena Figueiredo, antiga ladeira iira- dentes, em direção ao centro da cidade. Vejo logo de co- mêço, dando a frente para a rua e um dos lados para a praça, o prédio de largas proporções de que foi proprie_

tário o hábi1 pirotécnico Antônio Cesarino,

cujos íogos