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ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO INFORMAÇÃO Nº 059/10/PDPE CONTRATAÇÃO DIRETA.

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO

INFORMAÇÃO Nº 059/10/PDPE

CONTRATAÇÃO DIRETA. INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO. SOLUÇÃO DE DATACENTER, SALA COFRE E OBRAS DE INFRA-ESTRUTURA. SECRETARIA DA FAZENDA. SINGULARIDADE DO OBJETO. PROJETO PROFISCO/RS. VIABILIDADE JURÍDICA. 1) As informações prestadas pela Supervisão de Sistemas de Informação da Secretaria da Fazenda, baseadas em estudos realizados pela área técnica competente, dão conta da necessidade da adoção de providências capazes de propiciar e garantir continuidade, integridade e segurança dos seus sistemas informatizados, bem como indicam que a melhor solução para o problema é a instalação de sala-cofre, com 47 m2, “certificada conforme norma ABNT NBR 15247 e procedimentos de certificação PE- 047-1, devidamente acreditada pelo INMETRO”. 2) Revela-se inviável o certame licitatório quando faltar qualquer dos seus pressupostos (lógico, jurídico e fático) ou, em outras palavras, quando o objeto apresentar singularidade, possuindo uma individualidade tão peculiar que os torne inassimiláveis a quaisquer outros da mesma espécie. 3) Viabilidade da contratação direta almejada, desde que justificado o preço, consoante o disposto no art. 26, § único, III, da Lei nº 8.666/93.

O senhor Secretário de Estado da Fazenda (fl. 127) submete ao exame desta Procuradoria-Geral do Estado (PGE) expediente administrativo versando a contratação direta, por inexigibilidade de licitação, da aquisição de Solução de

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO Datacenter para a Secretaria da Fazenda

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO

Datacenter para a Secretaria da Fazenda (SEFAZ) e para a PROCERGS, nos seguintes termos, segundo a solicitação inicial efetuada pela Supervisão de Sistemas de Informação daquela Pasta (fl. 2), in verbis:

“(

)

A

Supervisão de Sistemas de Informação da Secretaria de Estado da

Fazenda do Rio Grande do Sul vem pelo presente solicitar sua autorização para a

aquisição de Solução de Datacenter para Secretaria da Fazenda e PROCERGS,

através da construção de Sala Cofre e demais infra-estruturas necessárias a sua

implantação, conforme previsto nas ações 0274/7 (Implantar Site de Contingência

para sistemas de missão crítica da Fazenda/PROCERGS) e 0267/7 (readequação do

Datacenter da Fazenda) do Planejamento Estratégico da SSI para o ano de 2010.

O valor previsto para o investimento é de R$ 5.500.000,00 e a área

destinada para a instalação é o 1º andar lado Mauá do prédio-sede da SEFAZ/RS

(Av. Mauá, 1155), que apresenta condições ideais para abrigar o Datacenter, e foi

cedida pelo Departamento de Despesa Pública Estadual para esta finalidade.

Tendo em vista o disposto no Decreto nº 42.566 (Dispensa e

Inexigibilidade de Licitação), Art. 1º, Inciso II, a referida contratação deverá ser

submetida ao exame prévio da Procuradoria-Geral do Estado, solicitando a

priorização do mesmo por tratar-se de aquisição prevista no Projeto PROFISCO/RS

(Decreto 46.850, artigo 14).

A construção deste ambiente é totalmente modular, permitindo que a

mesma seja ampliada, ou mesmo deslocada para outro lugar, conforme as

necessidades da Secretaria da Fazenda, além de ser uma solução segura e

certificada de acordo com as normas brasileiras.

A justificação para aquisição, por inexigibilidade, bem como a

especificação dos requisitos técnicos da solução, está no documento anexo, cujo

título é “Justificativa para aquisição de Datacenter para Fazenda/PROCERGS”.

Neste sentido, solicita-se o encaminhamento à PGE para análise da

admissibilidade de Inexigibilidade de Licitação.

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO ( ).” O processo administrativo veio

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO

(

).”

O processo administrativo veio instruído com os seguintes documentos e informações: Justificativa para Instalação de Sala Cofre etc. (fls. 3-11), Anexos 1 a 4 (fls. 12-36, 37-42, 43-110 e 111-124), versando, pela ordem, (1) Análise de Riscos e Vulnerabilidades da Infra-Estrutura do atual Datacenter, (2) Diferenças entre as Normas ABNT 15247 e EM 1047-2, (3) Empresas do Governo que já construíram Salas Cofre Certificadas e (4) Certidões.

É o relatório.

Convém sejam explicitados os pressupostos fáticos que devem ser levados em conta para o exame da consulta ou exame prévio solicitado, motivo por que se julga mais adequado seja efetuada a transcrição das informações prestadas pela Secretaria da Fazenda, in verbis:

“(

OBJETO

)

Contratação de Serviços de Engenharia para Instalação de uma Sala

cofre de 47 m 2 , certificada conforme norma ABNT NBR 15247 e procedimentos de

certificação PE-047-1 devidamente acreditada pelo INMETRO, bem como demais

infraestruturas de energia e climatização para abrigar o Datacenter da Secretaria da

Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul e PROCERGS, garantindo assim a

continuidade, a integridade e a segurança dos dados, equipamentos e serviços

informatizados.

JUSTIFICATIVA

Os avanços decorrentes da informatização das atividades fazendárias

tornaram imprescindíveis as atribuições exercidas pela Supervisão de Sistemas de

Informação para a prestação de serviços de suporte tecnológicos. A expansão dos

serviços informatizados é constante e de difícil previsão e para atender a crescente

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO demanda pelos serviços de TI é

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO

demanda pelos serviços de TI é necessário modernizar e aumentar o parque de

equipamentos.

A Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul, ao perceber a

importância estratégica da TI numa instituição, vem ao longo dos últimos anos

realizando grandes investimentos em equipamentos e sistemas de informações,

modernizando o parque de informática e processando um volume de informações

cada vez maior, através de seus sistemas de informações, mantidos pela

PROCERGS ou dentro da própria estrutura da Secretaria.

Atualmente a rede da SEFAZ possui um parque que contempla

aproximadamente 3.000 equipamentos de informática (servidores, estações de

trabalho, ativos de rede, entre outros). Interliga 71 localidades e é acessada

diariamente por cerca de 2.000 usuários internos que acessam cerca de 100 sistemas

institucionais, além do uso da Intranet. Provê também diversos serviços disponíveis

ao público externo através da Internet. A cada dia que passa são implementados

novos sistemas; são adquiridas novas máquinas; são adicionados novos usuários;

são disponibilizados novos serviços; são feitas conexões com bases de dados e

sistemas de outras instituições.

Esse crescimento, a despeito das diversas adequações implementadas

nos últimos anos, superou a infra-estrutura elétrica, lógica, de climatização e de

telecomunicações, bem como as demais instalações originalmente projetadas para

abrigar a Sala dos Servidores da SSI. As condições de segurança física deste

ambiente são inadequadas para suportar os equipamentos que ali estão e que

processam e armazenam grandes volumes de informações.

A atual estrutura é composta por paredes em divisória de vidro, não

oferecendo a proteção necessária contra fogo, calor, umidade, gases corrosivos e

água; não possui piso elevado, gerando dificuldade de manobra da infra-estrutura de

cabeamento e elétrica; possui áreas com risco de infiltração de água em virtude de

janelas envidraçadas faceadas para a área externa do prédio; possui tomadas sem

padronização e organização e quadros elétricos inadequados, aumentando o risco de

curto-circuito; sistema de ar-condicionado impróprio para ambientes de datacenter;

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO não possui sistema de detecção e

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO

não possui sistema de detecção e combate à incêndio automático; não possui

controle de acesso.

A ocorrência de um acidente natural, ou mesmo intencional, pode

significar a perda definitiva e irrecuperável de informações e conhecimento “explícito”

gerado pelos servidores da Fazenda.

Neste sentido, e visando garantir a continuidade das operações

realizadas pela Secretaria da Fazenda, outro patamar de segurança dos ativos

informacionais e dos bens de informática faz-se necessário, afim de que sejam

evitados riscos potenciais como incêndios e suas conseqüências, penetrações de

jatos d’água, vazamentos, alagamentos, curto-circuito, falta de energia, poeira,

explosão e ainda roubo de informações.

Sistemas estratégicos, como o da Nota Fiscal Eletrônica, que exige o

processamento contínuo 24 horas por dia, todos os 365 dias do ano, podem colocar,

em risco, o controle da arrecadação Estadual, bem como causar transtornos

irreparáveis aos contribuintes.

Podemos exemplificar que os processos mais críticos que poderiam

estar indisponíveis são:

Finanças Públicas do Estado (FPE);

Recursos Humanos do Estado (RHE);

Arrecadação do Estado (SAR);

Nota Fiscal Eletrônica (NF-e);

Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e);

SEFAZ VIRTUAL do RS (SVRS);

Sistema dos Postos Fiscais (Postos Fiscais);

Sistema de Armazenamento de Arquivos da Fazenda;

Sistema de Correio Eletrônico da Fazenda;

Sistemas de Auditoria Fiscal Eletrônica (PRN);

Sistema de Apuração do Índice de Retorno do ICMS

Sistema de Cadastro;

Sistema de Informações Gerencias;

(AIM);

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO Outros sistemas estratégicos. O atual ambiente

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO

Outros sistemas estratégicos.

O atual ambiente onde estão instalados os equipamentos servidores

hospedados na Supervisão de Sistemas de Informação, não oferece condições de

climatização adequada, segurança contra incêndio, controle de acesso e solução de

energia adequada, conforme constatado por consultoria especializada contratada

para elaborar trabalho sobre “ANÁLISE DE RISCOS E VULNERABILIDADES DA

INFRA-ESTRUTURA DO ATUAL DATACENTER E DEMAIS SUBSISTEMAS COM

SUGESTÃO DE SOLUÇÃO PARA O NOVO DATACENTER” (anexo 1).

Os problemas atuais exigem que a Secretaria da Fazenda invista numa

estrutura de datacenter moderna e que siga o que recomenda as normas brasileiras

para segurança de informações e construção de Salas-Cofre, com independência de

alimentação energética.

Este novo ambiente trabalharia de forma redundante com o ambiente da

PROCERGS, de forma que um sirva de contingência para o outro, garantindo-se à

Companhia e à Fazenda altíssimo índice de disponibilidade para os sistemas que

exijam este nível de serviço.

ESCOLHA DA SOLUÇÃO

Na busca por alternativas para a guarda segura dos equipamentos e

dados da SEFAZ/RS esta Supervisão de Sistemas de Informação consultou diversas

fontes de pesquisa com o objetivo de tomar conhecimento dos principais riscos a

serem evitados e das soluções disponíveis no mercado para mitigá-las e chegou as

seguintes opções:

Readequação e melhorias da estrutura existente atualmente na SSI;

Guarda dos equipamentos e sistemas diretamente com a PROCERGS

(“colocation”);

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO Guarda dos equipamentos e sistemas com

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO

Guarda dos equipamentos e sistemas com um fornecedor privado

(“colocation”);

Construção de um prédio para abrigar o novo datacenter, em terreno

próprio;

Construção de um novo datacenter no prédio-sede da Fazenda.

Ao analisar os prós e contras de cada uma das opções, chegamos as

seguintes conclusões:

Readequação e melhorias da estrutura existente atualmente na SSI –

obras no espaço físico disponível atualmente não traria os benefícios desejados e

possivelmente os riscos e vulnerabilidade não seriam solucionados;

Guarda dos equipamentos e sistemas diretamente com a PROCERGS

(“colocation”) – disponibilidade imediata, porém em caso de paradas no ambiente da

Procergs não teríamos a redundância;

Guarda dos equipamentos e sistemas com um fornecedor privado

(“colocation”) - necessidade de licitações periódicas para renovação de serviços, o

custo mensal superar em 48 meses o valor da implantação de uma ambiente próprio,

além das questões envolvendo a garantia de segurança e sigilo fiscal das

informações fazendárias;

Construção de um prédio para abrigar o novo datacenter, em terreno

próprio – dificuldade na identificação de local para a referida construção, bem como

riscos envolvendo obra civil;

Construção de um novo datacenter no prédio-sede da Fazenda – após a

identificação de um novo local que teria condições de abrigar o novo datacenter, esta

pareceu a melhor solução.

Na busca por subsídios para a construção de um novo Datacenter em

local cedido pelo Departamento da Despesa Estadual, (1º andar lado Mauá do prédio-

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO sede da SEFAZ/RS), foi contratada uma

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sede da SEFAZ/RS), foi contratada uma consultoria especializada com o objetivo de

disponibilizar aos gestores da SEFAZ o conjunto de informações necessárias para a

tomada de decisão sobre a melhor Solução para o novo Datacenter da SEFAZ, a ser

construído no prédio-sede do órgão, levando em consideração a segurança das

informações e continuidade dos serviços versus investimento.

(

)

Conforme citado anteriormente, a consultoria, ao término dos trabalhos,

apresentou relatório contendo “ANÁLISE DE RISCOS E VULNERABILIDADES DA

INFRA-ESTRUTURA DO ATUAL DATACENTER E DEMAIS SUBSISTEMAS” e

também “SUGESTÃO DE SOLUÇÃO PARA O NOVO DATACENTER”, que levando

em consideração a segurança das informações e continuidade dos serviços

prestados, foi sugerido que sejam seguidas Normas Técnicas para sua execução.

Atualmente há uma série de normas e leis nacionais e internacionais que

regulamentam a gestão da informação, dos equipamentos de informática e das

mídias de armazenamento de dados.

Entende-se por norma o documento estabelecido por consenso e

aprovado por um organismo reconhecido, que fornece, para uso comum e repetitivo,

regras, diretrizes ou características para atividades ou seus resultados, visando à

obtenção de um grau ótimo de ordenação em um dado contexto.

Conforme conta no site www.abnt.org.br, a Associação Brasileira

de Normas Técnicas (ABNT) é o órgão responsável pela normalização técnica no

país, fornecendo a base necessária ao desenvolvimento tecnológico brasileiro. É

uma entidade privada, sem fins lucrativos, reconhecida como único Foro Nacional de

Normalização através da Resolução n.º 07 do CONMETRO, de 24.08.1992. É

membro fundador da ISO (International Organization for Standardization), da

COPANT (Comissão Panamericana de Normas Técnicas) e da AMN (Associação

Mercosul de Normalização). A ABNT é a única e exclusiva representante no Brasil

das seguintes entidades internacionais: ISO (International Organization for

Standardization), IEC (International Electrotechnical Commission); e das entidades de

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO normalização Normas Técnicas) e a AMN

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normalização

Normas Técnicas) e a AMN (Associação Mercosul de Normalização).

regional

COPANT

(Comissão

Panamericana

de

Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ANBT as

normas que devem ser seguidas na construção de um Datacenter seguro e com

proteção total contra sinistros, a fim de garantir a proteção e continuidade dos

serviços informatizados, resulta da combinação de fatores físicos e ambientais que

tem seus parâmetros previstos nas Normas ABNT NBR ISO/IEC 27002, NBR 11515 e

NBR 15247 identificadas abaixo:

de

Segurança – Código de prática para a gestão de segurança da informação; Código de

prática para a gestão da segurança da informação em seu Capítulo 9, item 9.2.1 letra

d recomenda que sejam adotados controles para minimizar o risco de ameaças

físicas, tais como furto, incêndio, explosivos, fumaça, água, poeira , vibração, efeitos

químicos, interferência com o suprimento de energia elétrica , radiação

eletromagnética e vandalismo. 'Convém que as instalações de processamento da

informação críticas ou sensíveis sejam mantidas em áreas seguras, protegidas por

perímetro de segurança definidos, com barreiras de segurança e controles de acesso

apropriados.” “Convém que sejam projetadas e aplicadas proteção física contra

incêndios, enchentes, terremotos, explosões, perturbações de ordem pública e outras

formas de desastres naturais ou causadas pelo homem.'

NBR

ISO/IEC

27002:

Tecnologia

da

Informação

–Técnicas

NBR 11515: Critérios de segurança física relativos ao armazenamento

de Dados; Critérios de segurança física relativos ao armazenamento de dados fixam

as condições ambientais exigíveis para os ambientes de CPD. No item 2.3, cofre e

sala cofre são definidos como um espaço delimitado que mantém um ambiente

interno dentro de certas condições, mesmo quando sujeito à situações adversas, tais

como incêndio e seus derivados (calor, vapor e gases), avarias mecânicas e demais

riscos físicos. Orienta a adoção de Salas Cofres para a proteção de hardware, onde

estabelece limites críticos de resistência destes equipamentos – 75º C e 85% de

umidade relativa.

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO NBR 15247: ( Unidades de Armazenagem

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NBR 15247: (Unidades de Armazenagem Segura – Salas cofres e

Cofres para Hardware – Classificação e Métodos de Ensaio de Resistência ao Fogo);

A ABNT NBR 15247 é norma brasileira utilizada para ensaiar (testar) Salas cofres.

Define os critérios de testes para Salas cofres e é hoje a mais ampla certificação e o

mais alto nível de proteção de sala cofre vigente no mercado mundial. Foi elaborada

no Comitê Brasileiro de Segurança contra Incêndio, pela Comissão de Estudo de

Salas cofres, cofres, armários e recipientes de proteção contra incêndios e passou a

vigorar no Brasil desde 31/01/2005. Somente um compartimento certificado conforme

esta norma dá a certeza de que as informações e equipamentos contidos na sala

cofre estarão preservados contra sinistros e seus efeitos, assegurando os limites de

emergência dentro da sala cofre, quanto temperatura e umidade.

Em complementação às normas descritas acima, a ABNT criou um

programa de certificação de Salas cofres ABNT NI 09.113.01 que tem como base

todas as exigências da NBR ISO/IEC 27002, NBR 11515 e NBR 15247. O

procedimento de certificação de salas cofres foi desenvolvido para garantir ao

consumidor que o produto adquirido proteja contra os riscos recomendados pela

ABNTNBR ISO/IEC 27002 e as condições ambientais recomendadas pela ABNT NBR

11515 e atenda a todas as especificações e requisitos das normas ABNT NBR ISO

9001, ABNT NBR 15247, ABNT NBR 5628, ABNT NBR 6118, ABNT NBR 10636,

ABNT 10897, ABNT NBR IEC 60529, ASTM E779 E NFPA 2001.

Além da ABNT NBR 15247 existe a norma internacional EN 1047-2 que

também versa sobre segurança contra incêndio, porém segundo o Sr. Guy Ladvocat,

gerente técnico da ABNT, a norma brasileira é mais completa (anexo 2).

(

)

ESCOLHA DO FORNECEDOR E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL

O projeto visa à instalação de uma Sala cofre, certificada com a marca

de segurança ABNT, conforme procedimentos NI/ABNT 09.113.01, para a proteção

dos equipamentos de processamentos de dados críticos do estado e suas

informações, incorporando infra-estrutura de alta disponibilidade, ambientes físicos

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO altamente protegidos e sistemas de controle

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altamente protegidos e sistemas de controle e monitoração do ambiente e deverá ser

implementado em local adequado com um mínimo de paradas possíveis e

programadas.

Visando garantir ao Estado que a solução a ser implantada seja

realmente segura, buscamos assegurar que nossa instalação seja certificada por uma

entidade autônoma e de credibilidade nacional. Para tanto, estamos exigindo que o

projeto tenha a certificação da ABNT.

Vale ressaltar que o procedimento de certificação PE-047-1, acreditado

pelo INMETRO, estabelece os critérios para certificação das Salas Cofres para

Hardware, visando indicar qual o nível adequado de qualidade a que estes devem se

submeter em seu processo produtivo, sempre em conformidade com os requisitos da

ABNT NBR 15247, daí a necessidade de se ter a Sala cofre certificada, pois é a única

forma de termos certeza que um Organismo independente avaliou qualidade e

funcionalidade do produto.

Além do mais, é preciso levar em conta o disposto na Lei nº 8.666, de

21/06/1993, Capítulo I DAS DISPOSIÇÕES GERAIS, Seção II Das Definições, Art.

6o, item X-Projeto Executivo - o conjunto dos elementos necessários e suficientes à

execução completa da obra, de acordo com as normas pertinentes da Associação

Brasileira de Normas Técnicas-ABNT;

Diante das pesquisas e análises efetuadas no mercado pela Supervisão

de Sistemas de Informação, identificamos as empresas do Governo que já

construíram Salas Cofres Certificadas, apenas para citar algumas:

Supremo Tribunal Federal (anexo 3);

Fundação para o Desenvolvimento da Educação do Estado de São

Paulo (anexo 3);

Departamento de Obras Públicas do Estado de Minas Gerais (anexo 3);

Ministério Público do Estado de São Paulo (anexo 3);

PRODESP – Companhia de Processamento de Dados do Estado de São

Paulo;

Justiça Federal de 1ª Instância do RS;

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO Tribunal Superior Eleitoral; Presidência da República;

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Tribunal Superior Eleitoral;

Presidência da República;

Secretaria da Fazenda de SP (Projeto aprovado);

Serpro;

PRODAM - Companhia de Processamento de Dados de São Paulo;

PRODEB – Companhia de Processamento de Dados do Estado da

Bahia;

IMESP – Imprensa Oficial do Estado de São Paulo;

Aeronáutica;

Entre outras.

Identificamos que em todas as situações a empresa ACECO TI LTDA. foi

quem construiu estes ambientes, sendo a única empresa no mercado especializada

na construção de Salas Cofres para Hardwares.

Sala Cofre é um produto fabricado pela Lampertz GmbH & Co., na

Alemanha, com tecnologia alemã. A Sismetal Ltda. é importadora e fabricante

exclusiva no Brasil da Lampert e a ACECO TI LTDA. é sua representante exclusiva

no Brasil para a distribuição, manutenção, assistência técnica e construção de sala

cofre.

Em pesquisa realizada recentemente junto à Associação Brasileira de

Normas Técnicas /ABNT, constatou-se que a empresa Aceco TI é a única detentora

no Brasil da Certificação ABNT NBR 15247 e seus Procedimentos de Certificação PE

047-1 e somente a ABNT está creditada pelo INMETRO para certificação de Salas-

Cofre (anexo 4).

Verificamos também que a empresa ACECO TI LTDA. já realizou ao

longo de sua existência, mais de 300 construções de ambientes seguros com Salas

Sofres, tendo realizado inclusive obras de ampliação com o site em operação. Esta

capacidade é importante para futuras ampliações, dado a complexidade e a

impossibilidade de paralisação de nossas atividades para a realização de obras de

qualquer natureza no Datacenter.

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO Além disto a solução oferecida pela

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Além disto a solução oferecida pela ACECO possui modularidade e

flexibilidade, ou seja, a sala cofre pode ser ampliada, desmontada e montada em

outro local a qualquer tempo, dependendo de nossas necessidades, sem que haja

perda dos investimentos já realizados.

Esta capacidade de modularidade e flexibilidade da solução é importante

para atender às futuras necessidades da Secretaria da Fazenda, dada a

complexidade e dinâmica do ambiente de TI, e a impossibilidade de paralisação de

nossas atividades para realização de obras de qualquer natureza no Datacenter, sem

que haja perda dos investimentos já realizados.

( ).”

Com efeito, a situação fática descrita nas informações prestadas pela Secretaria da Fazenda revela não só a necessidade da contratação (ou do objeto do contrato), como a escolha da futura contratada, apontada como a única apta a satisfazer plenamente o interesse público subjacente, o que conduz ao enquadramento do caso concreto na hipótese de inexigibilidade de licitação prevista pelo art. 25, inciso I, da Lei de Licitações e Contratos Administrativos.

Diante dos pressupostos fáticos do caso concreto, tal como foram expostos pela Secretaria da Fazenda e se encontram explicitados pelos documentos que estão no processo administrativo, o certame licitatório revela-se inviável, por falta dos pressupostos da licitação.

Sobre os pressupostos da licitação, valho-me da transcrição de trecho de Parecer nº 13.484, aprovado pelo Conselho Superior desta Procuradoria-Geral do Estado, e do qual fui relator, nos seguintes termos, in verbis:

“A conclusão pela possibilidade da contratação direta parte do exame

dos pressupostos da licitação. Segundo o magistério doutrinário de CELSO

ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO: 'A realização de qualquer licitação depende da

ocorrência de certos pressupostos. À falta deles, o certame licitatório seria um

autêntico sem-sentido ou simplesmente não atenderia às finalidades em vista das

quais foi concebido. Ditos pressupostos são de três ordens, a saber: a) pressuposto

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO lógico; b) pressuposto jurídico; e c)

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lógico; b) pressuposto jurídico; e c) pressuposto fático' 1 . Reportando-se à lição do

renomado mestre, ADILSON ABREU DALLARI enfatiza: 'Para que possa haver

licitação é necessário que os bens a serem licitados sejam equivalentes,

intercambiáveis e homogêneos. Não se licitam coisas desiguais. É pressuposto lógico

do instituto que os bens a serem adquiridos ou os serviços a serem contratados não

possuam individualidade tal que os torne únicos na espécie e, portanto, insuscetíveis

de substituição por equivalente perfeito' 2 . É pressuposto lógico da licitação a

existência de uma pluralidade de objetos e de uma pluralidade de ofertantes 3 . Se não

houver pluralidade de objetos e pluralidade de ofertantes nem mesmo se pode cogitar

de licitação. A impossibilidade é reconhecível já no próprio plano do raciocínio

abstrato. O pressuposto jurídico, por sua vez, tem relação com a finalidade do

instituto jurídico da licitação, que é obviamente instrumental. Não é um fim em si

mesmo; é um meio para chegar utilmente a determinado resultado: o travamento de

uma certa relação jurídica. Afirma o eminente jurista: 'Quando nem mesmo em tese

pode cumprir tal função, seria descabido realizá-la. Embora fosse logicamente

possível realizá-la, seria ilógico fazê-lo em face do interesse jurídico a que se tem que

atender' 4 . Em resumo se pode afirmar que a licitação, como toda atividade

administrativa, visa à prossecução do interesse público. ADILSON ABREU DALLARI,

ao examinar as hipóteses de contratação direta previstas na Lei de Licitações e

Contratos Administrativos, leciona que 'O norte a orientar o exegeta ou o aplicador da

lei e os agentes públicos em geral será sempre o interesse público em sua acepção

mais ampla, que não se confunde com o simples interesse da Administração' 5 . O

pressuposto fático da licitação, para finalizar o exame dos pressupostos, é a

existência de interessados em disputar o objeto do certame; nos casos em que tal

interesse não concorra, não há como realizá-la, ensina CELSO ANTÔNIO BANDEIRA

DE MELLO 6 .”

Em parecer publicado no Boletim de Licitações e Contratos (BLC) de abril de 2008, pp. 183-198, o professor CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO enfatiza o seguinte, in verbis:

“( )

Finalmente, de par com as hipóteses em que a licitação é proibida ou

que é dispensável, existem situações em que é simplesmente inviável e por isto os

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO de um lado, uma pluralidade eventual

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de um lado, uma pluralidade eventual de ofertantes e, de outro, uma pluralidade de

objetos substancialmente equivalentes e, por isto, aptos a atender a específica

necessidade ou conveniência que se intenta acudir.

( )

4. Há mais de vinte anos, examinando o tema do objeto licitável,

grifamos:

'São singulares os bens que possuem uma individualidade tão peculiar

que os torne inassimiláveis a quaisquer outros da mesma espécie. Esta

individualidade referida pode provir: a) da natureza íntima deles; b) da circunstância

de serem únicos; 1) quer em sentido absoluto; 2) quer em razão de evento externo a

eles'.”

No mesmo sentido - e destacando o caráter das hipóteses de inexigibilidade de licitação -, o professor e Ministro do Supremo Tribunal Federal EROS ROBERTO GRAU, em parecer cuja cópia foi juntada nos autos do processo administrativo que versava a contratação direta da Petróleo Brasileiro S/A – PETROBRÁS para arrendamento de área ou terminal portuário no porto de Rio Grande, neste Estado, fez as seguintes e pertinentes observações, que vão transcritas com os grifos existentes no original, verbis:

“A invialidade de competição dá lugar à inexigibilidade de licitação.

Note-se bem, no entanto, que a lei não cria hipóteses de

inexigibilidade de licitação decorrentes de situações de inviabilidade de

competição. Estas constituem objetos do mundo do ser, não do mundo do dever-ser

jurídico. Hipóteses de inexigibilidade de licitação decorrentes de inviabilidade de

competição existem --- ou não existem --- no mundo dos fatos. Por esta razão é que

o artigo 25 da Lei nº 8.666/93, v.g., enuncia o conceito de inexigibilidade de

licitação (há inexigibilidade dela “quando houver inviabilidade de licitação) e,

ademais, dá exemplos de alguns casos de inviabilidade de competição (seus

incisos), outros, além desses, podendo se manifestar.”

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO A situação fática sub examine ,

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A situação fática sub examine, tal como se encontra revelada pelas informações prestadas pela SEFAZ e pelos documentos encartados no expediente, permitem que se reconheça a singularidade do objeto do contrato. Dentre as outras soluções técnicas cogitadas pela consultoria na área de informática ou pelos técnicos de informática da Secretaria da Fazenda e/ou da Companhia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul (PROCERGS), a construção da sala-cofre, com todas as especificações do objeto, é a que melhor atende a finalidade de propiciar maior segurança aos sistemas de informação da Secretaria da Fazenda. A par das justificativas de ordem técnica, a opção por essa solução insere-se no âmbito da discricionariedade, ou seja, dentro da margem de liberdade que a ordem jurídico-normativa confere ao Administrador para, concretamente e segundo razoável juízo de oportunidade e conveniência, decidir sobre o ato ou providência que melhor satisfaça o interesse público.

A transcrição das informações prestadas pela Supervisão de Sistemas de Informação da Secretaria da Fazenda, na parte intitulada “Escolha do fornecedor e fundamentação legal”, revela que a pretendida contratação direta, por inexigibilidade de licitação, satisfaz plenamente a exigência constante do art. 26, § único, inciso II, da Lei de Licitações e Contratos Administrativos. A inexigibilidade, por sua vez, funda-se no permissivo do art. 25, caput e inciso I, embora também fosse viável o enquadramento no inciso II.

Verifica-se pelo relatório desta informação que não houve menção a preço e minuta de contrato. Com efeito, a Secretaria da Fazenda preferiu encaminhar consulta inicial sobre a viabilidade jurídica da contratação direta.

Portanto, resta inviável, por ora, o exame da justificativa de preço e da minuta do contrato, destacando-se que o primeiro ponto – a justificativa de preço – é condição ou requisito indispensável à legalidade da contratação direta, conforme disposto no art. 26, § único, II, da Lei nº 8.666/93.

Ante o exposto, conclui-se no sentido da viabilidade jurídica da contratação direta pretendida pela Secretaria da Fazenda, ante a situação de

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO inexigibilidade de licitação, nos termos do

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inexigibilidade de licitação, nos termos do permissivo do art. 25, caput e inciso I, da Lei de Licitações e Contratos Administrativos, devendo, oportunamente e antes da celebração do contrato, haver o integral cumprimento do artigo 26, parágrafo único, inciso III, da Lei nº 8.666/93, com a justificativa de preço.

É a informação.

À consideração superior.

Porto Alegre, 19 de abril de 2010

Bruno de Castro Winkler Procurador do Estado

SPI nº 023332-1400/10-0

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO Processo n.º 023332-14.00/10-0 Acolho as conclusões

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Processo n.º 023332-14.00/10-0

Acolho as conclusões da Informação n.º 059/10, da Procuradoria do Domínio Público Estadual, de autoria do Procurador do Estado Doutor BRUNO DE CASTRO WINKLER.

Restitua-se o expediente à Secretaria da Fazenda.

Em 27 de abril de 2010.

Eliana Soledade Graeff Martins, Procuradora-Geral do Estado.

1

Curso de Direito Administrativo, Malheiros, São Paulo, 14ª edição, 2002, pp. 479-480.

2 Aspectos Jurídicos da Licitação, Saraiva, São Paulo, 5ª edição, 2000, p. 48.

3 BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio, op. cit., p. 479.

4 BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio, op. cit., p. 480.

5 Op. cit. p. 49.

6 Op. cit. p. 480.