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res na construção do conhecimento. São Paulo: Moderna; Campinas:
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· Falemos de sentimentos: a afetividade como um tema transver­
sal na escola. São Paulo: Moderna; Campinas: Editora da
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cional: gênero e transversalidade. São Paulo: Moderna, 2002.
0.; LITTLEJOHN, S. (orgs.). Novos paradigmas em me­
Porto Alegre: Artmed, 1999.

A intenção deste capítulo é apresentar uma perspectiva sobre a
educação em valores. Para isso, pareceu-nos adequado desenvol­
ver quatro temáticas encadeadas que consideramos fundamentais
e que, espero, dêem uma visão abrangente sobre esta questão. Na
primeira parte, "Origem da moralidade", são apresentadas as
grandes finalidades da educação em valores ou, dito de outro mo­
do, as aprendizagens éticas fundamentais que hoje deveríamos as­
segurar. Na segunda parte, "Compartilhamos alguma qualidade
moral?", tentaremos estabelecer os dinamismos morais que, além

64

65

Aprender a viver
Josep Maria Puíg

Introdução

VAIF:<R!

AHA"lr

AMORI

da óbvia diversidade valorativa que os seres humanos manifestam,
provavelmente compartilhamos e podem nos ajudar a alcançar
uma vida em comum melhor. Na terceira parte, "Como educar
em valores?", serão analisados os diferentes âmbitos de interven­
ção que devem ser cobertos por um projeto completo de educa­
ção em valores. Por último, na quarta parte, "Para um projeto de
educação em valores", formularemos dez propostas concretas pa­
ra enraizar a educação em valores nas nossas escolas.

da moralidade
Nem acabados nem programados
Nós, os seres humanos, estamos obrigados a decidir de que ma­

neira queremos viver. Somos obrigados a isso porque vivemos no

mundo em estado muito precário - nascemos inacabados e com

uma grande plasticidade - e porque tampouco estamos progra­

mados não temos um percurso vital nem um destino totalmen­

te previstos. A origem do trabalho moral situa-se precisamente
Jf
na necessidade de responder a essa indeterminação humana bá­
sica e ao leque de possibilidades que nos é oferecido pela citada
abertura antropológica. Procurar uma resposta à pergunta
"Como viver?" e aplicá-la à vida individual e coletiva é a tarefa
central da moralidade'.
Embora as incertezas

VALÉRI.1\ AMORIM ARANTES (ORG.)

10R(;.

como responder sejam muitas, pare­

ce que em qualquer caso as decisões sobre a forma de viver de­
veriam apontar para uma defesa da própria vida. Viver de modo

que nenhuma vida seja prejudicada nem colocada em perigo.
Viver assegurando a sobrevivência fisica e a reprodução
cultural e espiritual da própria vida. E, por último, viver garan­
tindo no presente e no futuro uma otimização sustentável da vi­
da. Viver, em suma, defendendo uma vida digna, uma vida que
satisfaça às tarefas essenciais da existência humana: ter uma bio­
grafia direcionada sem menosprezar os direitos dos outros.
Felicidade e justiça são as duas tarefas morais necessárias para as­
segurar uma vida boa. Duas tarefas que nem sempre é fácil preci­
sar de modo detalhado em que consistem e que nunca acabamos
de realizar completamente. Por conseguinte, "Como viver?" se
converte numa pergunta eterna; numa interrogação que nossos
alunos devem aprender a formular e responder procurando no­
vas e melhores soluçõeS.

Quatro éticas para aprender a viver4
À medida que respondemos à pergunta antropológica básica ­
como viver? -, nós, humanos, aprendemos a viver. Isto é, apren­
demos a considerar e agir diante das questões essenciais que o
percurso vital nos apresenta, e o fazemos com a vontade de en­
contrar caminhos alternativos. Queremos aprender a viver de
maneira integral, sem nos limitar a nenhuma das dimensões par­
ticulares do viver. Aprender a viver exige uma educação comple­
ta, uma educação que inclua rodas as facetas humanas. Uma edu­
4. O conteúdo desta seção fàz parte do trabalho coletivo coordenado por Puig,

1966,pp.14-20.

3. Alberoni e Veca, 1989, pp. 153-154;

66

2005.

67

Enc< /\çÃO F Vt\LOnFS: PO~TOS E CONTRf\PONTOS cação que inclua os principais âmbitos da experiência humana e a aprendizagem ética que cada um deles pressupõe: aprender a ser. 1996. os seguintes aspectos: primeiro. construir as capacidades que regulam a própria conduta ou disponibilizam as forças que nos ajudarão a orientar a conduta de acordo com os próprios critérios. mas como produ­ to de condições históricas que permitem maiores graus de indi­ vidualização em oposição à pressão uniformizadora das éticas tra­ dicionais de caráter heterônomo. modelar o caráter. terceiro. vamos nos limitar à resenha de poucas obras significativas para justificar a apresentação que propo­ mos: Delors. a formação de um pensamento autônomo e crítico que permita constituir um critério próprio e seja capaz de determinar por si mesmo o que se deve fazer nas diferentes situações vitais. segundo. quando em muitas áreas impõem-se a superfi­ cialidade e a aparência em detrimento da vida interior e do sen­ tido daquilo que se faz. O que se quer com aprender a ser é edificar uma ética pes­ soal que inclua. e quinto. quando a pluralidade moral torna mais dificil orientar a própria conduta. Morin. aprender a participar e aprender a habi­ tar o mundoS. 2004. de aprendizagem 5. exercitar as capacidades de auto-observação que incrementam a transparência e a coe­ rência.IA AMoluM ARANTES (ORCi. Aprender a ser é construir uma ética de si mesmo: a auto-ética. Portanto. aprender a conviver. Citar todas as obras relevantes para cobrir estes quatro ética seria uma tarefa interminável.) Quando se enfraquecem as certezas sobre o que é correto e o que não é. assim como potencializar o trabalho sobre si mesmo para edificar uma maneira de ser que permita um alto nível de amor­ próprio. incrementar a consciência 69 . para construir uma maneira de ser desejada e para conseguir o maior grau possível de autonomia e de responsabilidade. quarto. 1995. refor­ çar a vontade e a auto-regulação. pelo menos. é mais necessário que nunca construir uma ética pessoal que reforce a individualidade como instrumen­ to de valoração e condução. edifi­ car a autonomia e a responsabilidade. Quatro éticas para aprender a viver --I Aprender a ser Aprender a conviver Aprender a participar AUTo-trlCA ALTER-trICA SOCIOáICA Aprender a habitar o mundo EcomCA Aprender a ser Neste ponto nos referimos ao trabalho formativo que cada indi­ víduo realiza consigo mesmo para liberar-se de certas limitações. 68 ViUj'H. colocar à disposição os sensores e os motores morais. desenvolver a sensibilidade moral que predispõe a indignar-se diante daquelas situações consideradas inaceitáveis e gerar reservas de motivação para provocar o compromisso. No fato de aprender a ser há uma dupla tarefa: fazer-se como cada um de­ seja e utilizar a própria maneira de ser como ferramenta para tra­ tar das questões que a vida apresenta. Uma ética que não deve ser entendida como forma de egoísmo ou de individualismo.]onas.

mas também de se manos e reforçar as tendências altruístas. colocar-se no lugar dele e compreendê-lo a partir balho de interiorização propiciado pela contemplação artística. Não se trata apenas de vivência é tentar limitar o egocentrismo inevitável dos seres hu­ chegar a entender cognitivamente o outro. entendida primeiro como conhecimento e depois co­ função do interesse próprio. pa­ cultura do outro. educativo e econômico de ceder à descoberta do outro que permita tratá-lo humanamente. a realização de projetos de cola­ gera sentimentos de afeto e fraternidade. atenção e apoio. a de dentro. distinguindo-os dos próprios. primeira magnitude. sem apagar as diferenças. Quando o egocentrismo aproximar dele pelo caminho da ação conjunta. Atualmente. incrementar a aceitação. a tolerância e a com­ ra se recuperar do excesso de individualismo que valora tudo em preensão. Como temos dito. a aber­ uma tarefa educativa que pretende liberar os indivíduos dessas li­ tura para o outro prepara o caminho para a relação cortês e as mitações. Numa ordem diversa. Por outro lado. podemos afirmar que trabalhar em grupo e colaborar em proje­ vínculos pessoais baseados na abertura e na compreensão. o relaxamento ou por outras mediações que ajudem timentos do outro. 70 71 . ao prevalecer o altruísmo intensifica-se a identidade co­ aproximem os objetivos dos participantes e os convidem a rea­ mum que. A capacidade de experimentar em si mesmo os sen­ meditação. Em contra­ o reconhecimento do outro é compartilhar projetos de ação que partida. ajudando-os a estabelecer vínculos baseados na abertu­ boas maneiras. predispor-se a substituir mo se faz com todos os demais objetos. Aprender a conviver é boração é a demonstração mais clara de que se chegou a um al­ edificar a ética da alteridade. para abandonar as imagens do outro mo captação do que significam as coisas para o outro. razões e os valores alheios sem confundir-se com eles é um dos núcleos básicos da aprendizagem da convivência. qualidades que ajudam muito a desfazer a hosti­ ra e na compreensão dos demais e no compromisso com projetos lidade e criar relações cordiais. uma ética relacional preocupada em to nível de convivência. portanto. Outra forma de expressar o objetivo da aprendizagem da con­ meter-se a colaborar em projetos comuns. aprender a conviver pressupõe estabelecer é o compromisso num trabalho compartilhado. Aprender a conviver é o rancor e a vingança pelo perdão. gerar re­ que o representam como um objeto e que convidam a usá-lo co­ lações de amizade e afeto. predispõe à ajuda mútua e lizar tarefas comuns. aprender a conviver também supõe compro­ a ser realizados em comum. Um núcleo Aprender a conviver por meio do qual se torna possível desenvolver relações de aco­ Esta parte aponta para a tarefa formativa a ser levada a cabo para lhida. A antítese da separação e do isolamento criar vínculos entre as pessoas: uma alter-ética. e conhecer as a desenvolver a vida espiritual. as diferenças em relação aos outros são exageradas e fa­ Uma das melhores maneiras de incrementar a compreensão e cilmente se transformam em hostilidade e exclusão. é pro­ tos transformou-se num valor ético. finalmente.EDCC/\ÇÃO F VALORFS: Pt)l" f OS I"" COi"<TRI'PONTOS VALl~RU\ A:Vl0HIM ARA>nTS (OH!. facilitar o reconhecimento da pessoa e da superar a tendência à separação e ao isolamento entre pessoas. Além disso. e. prevalece. ) de si mesmo e a harmonia com o mundo por meio de um tra­ E.

ou cursos necessários para intervir na vida pública. mas se expressa de for­ cidadão ativo. Quando o controle das decisões sobre como se deve viver se afasta cada vez mais e se torna mais inacessível. o saber não é uma propriedade privada dos especialistas nem um produto acadêllÚco inerte que é transmitido aos jovens. em quarto lugar. a convivência planetária. ou quando o saber da tecnociência contribui para desfazer a opinião pública e tirar dos cidadãos o controle sobre as decisões significativas. O saber tem de servir para entender melhor o mundo e ser um elemento a mais na valoração e na decisão das questões que nos afetam. Quanto à segunda questão. ser uma pessoa capaz de exigir os direitos que lhe correspondem e ao mesmo tempo sentir a obrigação de cum­ prir os deveres e manifestar as virtudes cívicas necessárias que contribuam para a organização democrática da convivência.) Aprender a participar a participação contrapõe-se à dependência e à incapacidade. Para que seja possível a plena participação cívica. Aprender a participar é trabalhar por uma ética cívica que nos torne cidadãos: uma so­ cioética . Finalmente. Sem o comprollÚsso com os interesses do conjunto da sociedade não é possível participar corretamente. mas também são necessárias ou­ tras virtudes. participar pressupõe cer­ tas virtudes: não é possível que a participação democrática esteja viva sem a força exercida pelas virtudes dos cidadãos ativos. ela nos coloca um dilema bem conhecido: somos a favor de uma 73 . Par­ A terceira tarefa de aprender a viver está centrada na aprendiza­ ticipar pressupõe ser livre num duplo sentido: não estar submeti­ gem da vida em comum. respeito pelas normas e hábitos públicos. Isto é. quando uma so­ ciedade altamente diversa se fragmenta e se separa. A pri­ meira questão pede um duplo esforço: detectar valores comuns às diferentes culturas e favorecer a criação de novas formas de convivência. a aprendizagem da vida em comum é o esforço para ser um membro cívico e um cidadão ativo numa sociedade demo­ crática e participativa. ma plena na deliberação que procura conjuntamente as melhores 72 opções. Portanto. como a solidariedade. TOS E CON I RAI'ONTOS VALfóIuA AMOIU. Em terceiro lugar. O saber é um elemento ativo que deve nos perllÚtir formar uma opinião o mais fundamentada possível sobre as questões que nos afetam. conscientes de que os outros podem estar com a razão. são neces­ sárias algumas condições que não dependem inteiramente da edu­ cação. Em segundo lugar. Um processo que consiste em fazer par­ do a nenhuma forma de dOllÚnação e ser capaz de utilizar os re­ te de uma coletividade alcançando um bom nível de civismo. avalizadas por boas razões e sustentadas pela anuência dos implicados no assunto que está sendo debatido.\1 ARANTES (lIRG. e convértendo-se num a participação não se esgota nas votações. torna-se absolutamente imprescindível edificar uma ética cívica que per­ llÚta a construção de um espaço comum.a arte sem receitas que vale a pena praticar. a participação pressupõe uma democratização real do conheci­ mento. no qual seja possível participar da formação de uma opinião pública bem informada e da decisão e realização de projetos cívicos.EDUCAÇÃO E VALlIHES: por. mas que sem ela se tornam impossíveis. Em primeiro lugar. Não podemos encerrar esta parte sobre a aprendizagem da convivência sem falar de duas questões que hoje são fundamen­ tais: a convivência multi cultural e a convivência planetária. a responsabilidade. a tolerância e o profissionalismo. quando o mul­ ticulturalismo e a globalização abalam as formas estabelecidas de integração social e de formação da identidade.

S: PONTOS ONTIL\PONTOS Aprender a habitar o mundo Nesta quarta e última parte propomos um trabalho educativo que vá um passo além do que já dissemos anteriormente e esta­ beleça reflexivamente em cada jovem uma ética universal da res­ ponsabilidade pelo presente e pelo futuro do homem e do plane­ ta. Trata­ se de uma ética com vontade de universalidade. mas advogar por um cosmopolitismo arraigado: pensar no conjunto da humanidade sem perder. terceiro. com as gera­ ções que ainda não chegaram. é imprescindível recu­ perá-los de maneira reflexiva e voluntária. torná-los um tema ético. totalmente imprescindível num momento em que a globalização abraça todos os âmbitos da vida e a crise eco­ lógica também se generalizou de maneira implacável por todos os cantos do planeta. Uma ética da preocupação e do cuidado com a humanidade e com a natureza. segundo. mas de um conjun­ to de princípios mínimos e de critérios de reflexão que ajude a aproximar posições e entrar em acordo quanto a posturas. aprender a viver é também aprender a refazer a relação com a natureza. É preciso inocular res­ ponsabilidade por nós mesmos. com as condições de vida que le­ garemos a elas e com a própria natureza. Essa é uma ética preocupada com o futuro. todos fazemos parte da humanidade e estamos atados a um destino comum. moral e espiritual. quando a visão antropocên­ trica e dominadora dos seres humanos submeteu a natureza a uma exploração sem piedade. Hoje. À medida que forem rompidos os vínculos dos humanos com a natureza. Aprender a habitar no mundo é adotar uma ética global e ecológica: uma ecoétíca. a ética da responsabilidade implica ensinar aos jovens que é preciso pensar nas conseqüências previsíveis de nossos atos em relação à natureza. a fim de assegurar o futuro.. Quando a promessa de felicidade e de progresso sem fim que nos propunham a ciência e a técnica se converteu numa ameaça para a natureza e para nós mesmos. mas vamos nos centrar em algumas recomendações gerais das quais todos devem estar conscientes: primeiro. formamos uma unidade 74 75 . ou seja. A ética da responsabilidade pressupõe implantar a preocupa­ ção com as condições futuras da vida humana. Encc'l. pelos que estão por vir e pelo conjunto do planeta Terra. Aprender a habitar o mundo significa modificar muitos hábi­ tos da vida cotidiana que não cabe aqui detalhar. Falamos de uma ética que não queira definir uma forma pre­ cisa de viver que todo mundo deveria adotar. torna-se necessário pensar numa ética da responsabilidade que ajude a reconstruir a harmonia e o equilíbrio do mundo na­ tural.. a fim de salvá-la e salvar a nós mesmos. no entanto. De modo mais exato. Só é legítimo atuar de maneira que os efeitos sobre a natureza sejam compatí­ veis com a permanência de uma vida humana autêntica sobre a Terra.cJ\o E VALOHI.os vínculos de pertinência ao espaço local. quando não é exagerado anunciar a ameaça de uma sucessão de catástrofres ecológicas por todo o pla­ neta. mas entendendo­ a como a busca concreta de pontos de vista aceitáveis que nos ajudem a pensar numa forma de vida que seja justa e sustentável para o conjunto da humanidade. a humanidade pre­ cisa colocar limites à sua expansão material e buscar um progres­ so psíquico.EDC(/\çAo E VALOHFS: POl'ro:" E CO""TI{ N/O cidadania local ou de uma cidadania cosmopolita? Ensinamos o enraizamento ou defendemos que a primeira lealdade tem de ser para com a humanidade? Muito provavelmente não convém op­ tar.

. 1990... multicultural e global Hoje.E VALORES: PO"'TO~ E CONTRAPONTOS com a natureza e estamos ligados à sua sobrevivência. e a segunda..""'. o desafio moral é aprender a viver apren­ der a ser. a situação a partir da qual temos de responder à pergunta sobre a maneira de viver pode ser caracterizada por um fato fun­ damental: a ampliação da diversidade moral. Mais recentemente. te­ mos de controlar reflexivamente o futuro. Küng. encarnado habitualmente pela religião. 1998.U"'. a questão que se coloca é a seguinte: que estratégia quere­ mos e podemos seguir para nos conduzir em situações de alta di­ versidade moral? É conveniente ter critérios morais comuns? É possível chegar a tê-los. no entanto.. quarto. é neces­ sário que elas compartilhem alguns critérios morais que lhes cilitem a vida em comum. nem devemos tentar fazer isso. e por meio de que procedimento pode­ . que tem propiciado o incremento dos pontos de vista morais e das posi­ culturais num mesmo espaço geopolítico. e. VALFlHA AMORIM ARANTES (ORG.. Bilbeny.UI. Serrano. Aprender a viver é reaprender uma maneira sustentável de habitar o mundo. 2004. Compartilhamos alguma qualidade moral? Aprender a viver num mundo plural. somos da opinião de que se produziu um passo que vai além do pluralismo moral ao qual estávamos acostumados na maioria das sociedades abertas e de­ mocráticas. estalllOS vivendo um novo aumento da diversidade moral. mos consegmr ISSO. para um pluralismo moral que reconhecia a diversidade de pontos de vista morais que podiam conviver numa mesma comunidade. Este fe­ nômeno de secularização e pluralidade representa um primeiro passo suficientemente conhecido de diversificação moral. gostaríamos de assinalar al­ 76 77 gumas: Cortina.. é de fato possível estabelecer critério reconhecido por todos ou isso se torna impossível quan­ do se parte de pontos de vista morais e processos de . hoje. por fim. te­ mos de nos responsabilizar por nossos atos para assegurar a vida das gerações futuras. mas não podemos con­ lima-lU totalmente. Com relação a este fato.? Em relação à conveniência de ter ou não critérios morais co­ muns. 2004. conviver.. e ao fenômeno da 6. Nessas sociedades havíamos passado de um código moral único.) globalização.seja Referimo-nos ao fenômeno do multículturalísmo.u diferentes? É conveniente e possível uma educação em valores para todo mundo? Agora. que de fato converteu todas as posturas culturais e morais da humanidade em vozes implicadas na definição de uma maneira comum de viver6 • Dito com a maior simplicidade. ou será que a convivência pode ser assegurada de outras formas?. . caso pareça conve­ niente compartilhar algo.:. a ampliação da diversidade moral. O convívio entre pessoas com diferentes crenças morais apre­ senta sempre pelo menos duas interrogações: a primeira. con­ sideramos que. participar e habitar no mundo numa situa­ ção de extrema diversidade moral. a alternativa é dara: se não contarmos com critérios comuns que regulem a convivência de maneira desejada . Entre as muitas obras que abordam estes assuntos.

é melhor reforçar tanto quanto seja possível a própria cultura e moralidade? No entanto.'O I'VALORES: PONTOS E CONTR. a força. outros não pensam do mesmo modo e acreditam ser possível alcançar algum tipo de ponto de vista moral compar­ tilhado.) no âmbito da família. nos comprometermos a trabalhar a fim de construir pontos de vista comuns a partir de dinamismos morais compartilhados. de forma que é impossível pensar em algum ti­ po de entendimento intercultural ou critério moral universal. da sociedade ou do conjunto do planeta -. Rawls. se a nossa posição estiver correta.\10RIM ARANTbS (ORG. embora esses momentos não expres­ sem o que é mais próprio dos seres humanos e das culturas. então. ou. ou seja. 2001. acham totalmente impossível e sequer acei­ tam a conveniência de tentar (e se o fazem é para acabar reco­ nhecendo que se trata de uma ilusão impossível): os valores são uma coisa relativa. O acordo deve­ ria se fundamentar em uma realidade comum a todos os seres humanos da qual derivasse um tipo de produção moral que pudéssemos compartilhar9 • Em síntese. 78 79 . no entanto. Se admitimos que seria conveniente contar com alguns cri­ térios morais comuns. 3) forme as disposições morais comuns de manei­ ra a convertê-las em procedimentos morais para enfrentar os de­ safios do presente. 2) reconheça a coincidência de alguns valores recorrentes e de um amplo acordo que estabeleça uma base edu­ cativa mínima. da escola. 9. que deveria ser oferecida pela escola. as culturas e seus critérios morais seriam in­ comensuráveis. Habcrmas. temos de ver se é possível determiná-los e por meio de que procedimentos se pode conseguir isso. Não é desejável fazê-lo em nenhuma ins­ tância da vida humana. Apel. outra postura. 7. 1998a c b. em situações de alta diversidade. postula a possibilidade de se chegar a algum tipo de acordo sobre alguns princípios morais muito gerais ou sobre os procedimentos para tratar de problemas morais. devemos pensar que. ao final. Alguns. parece que não nos resta outro caminho a não ser a ação política estratégica e. Os procedimentos habituais para tanto são de dois tipos: um é tentar determinar o que é compartilhado pelos indivíduos ou pelas culturas.EIH1CAÇ?.\I'ONrOS VAIÍ'lHA A. que obvia­ e culturas. acredito que podemos aceitar a diversidade co­ mo fato e como valor. própria de cada sujeito e quase impossíveis de harmonizar . Boff. E não parece reco­ mente também reconhece e aceita as diferenças entre indivíduos mendável limitar os procedimentos de regulação. ensinar a ser e a conviver pede trabalho para que a educação: 1) permaneça aber­ ta à diversidade de pontos de vista morais e às perspectivas cul­ turais dos alunos. 1991. 1994. da convivência à estratégia e à força. parece-nos possível detectar coincidências nos valores e. principalmente. 1997.o paradigma da clarificação de valores iria nessa direção. 2001. Walzer. Portanto. Portanto. Huntington. No que se refere à educação moral e cívica. apesar das diferenças. mas também temos de reconhecer que existem momentos de dificil entendimento e aparente inco­ mensurabilidade cultural. os valores míni­ mos aparecem de maneira reiterativa~. 8.

ou teremos de nos con­ formar com a universalidade do proveito econômico e do rela­ tivismo moral e cultural? No entanto. 10. Este primeiro aspecto. pede-nos também um esforço de compreensão das diferentes posturas. Uma realidade humana univer­ sal que permita detectar dinamismos morais compartilhados que ajudem a conduzir a vida moral individual e harmonizar a con­ vivência coletiva. pensamos que "o que é compartilhado" nos dará base suficiente para construir uma pro­ posta de educação em valores para todo mundo.) Compartilhamentos mínimos: enraizamento e abertura para o outro Se defendemos uma educação em valores que tenha um núcleo comum para todo mundo. Partindo de uma perspectiva educativa. Não há possibilidade de romper a so­ cialização num ethos moral singular.F. o enraizamento universal a diferentes conteúdos de socialização.T05 E CO"lTRAPON'roS VAI. nós. parece que nós.EDUCAÇl\O E VALORES: 1'0!'. embora seja evidente que existe urna multiplicidade de mundos vitais. nos abre para obrigações morais bem claras e para tarefas educativas consideráveis. finalmente. pede-nos uma vontade de críti­ ca e de autocrítica que torne possível a aprendizagem moral in­ terpessoal e intercultural. Garcia Gómez-Heras.não nos dá nenhuma segurança mo­ ral universalizável? O que compartilhamos se a confiança em um eu originário e fonte de certeza moral tornou-se também tão discutível? Temos alguma coisa em comum que nos permita construir um projeto moral para todos. partimos de uma pri­ meira realidade comum: estamos arraigados a uma forma de vida particular.que tampouco é homogênea . humanos.. Pede-nos o reconhe­ cimento e o respeito às diferentes formas de vida e a pontos de vista morais.RIA AMORIM ARANl'ES (OIU.2000. 80 Em primeiro lugar. Essa primeira experiência de vinculação pode ser concretizada em duas abordagens com­ plementares: o enraizamento a uma forma de vida particular e a abertura para o outro. mas suficiente para construir uma proposta educativa para todo mundo. seres humanos. compartilhamos a necessidade de pertencer a uma maneira parti­ cular de entender o mundo. independentemente das circuns­ tâncias históricas e socioculturais. e não é nada recomendável tentar fazer isso1". o que não signi­ fica uma educação uniforme. O que compartilhamos se não compartilharmos religião. será necessário estabelecer-uma reali­ dade compartilhada sobre a qual possamos fundamentar a propos­ ta. Portanto. Portanto. Portanto. e. mas unicamente uma educação com um fundo comum. Ou seja. a questão básica deste capítulo pode ser formulada dizendo que estamos procurando alguma realidade que seja co­ mum a todos os seres humanos. é universal a imersão em uma maneira de viver e é uni­ versal a diferença no conteúdo material da socialização. trata-se de valorizar o uso mo­ ral da pluralidade e as diferenças. 81 . partimos de uma ex­ periência inicial que é universalmente compartilhada que pode­ ria ser qualificada de imersão ou de vinculação com o mundo natural e sociocultural. Uma experiência que pode nos servir de fundamento moral mínimo. Ninguém escapa à fusão em um mundo vital. me­ tafisica ou projeto político? O que compartilhamos se num mundo multicultural e global a adesão a uma sociedade .

À medida que os processos de diálogo estão orientados para obter compreensão entre os participantes e ambos procedem de modo a alcançar um certo nível de acordo. para che­ gar a ser e para ajudar a ser é imprescindível viver uma variedade de relações intersubjetivas. VALf'JUA AMORIM ARANTES (ORG. 1982. Estamos nos referin­ do a formas como o encontro interpessoal ou a relação afetiva. seres humanos. o diálogo ou a relação comunicativa. A in­ clusão e a concordância dos demais na deliberação e na ação mo­ ral se convertem. 1999. 82 83 . poderemos ver que ele não se apresenta como uma totalidade ho­ mogênea: a intersubjetividade se manifesta por intermédio de fi­ guras bem diferenciadas que a concretizam. Reconhecemos no outro uma obrigação moral. descobrimos na relação com o outro a estrutura da moralidade. podemos partir de uma intuição sufIcientemente clara: a prin­ cípio não temos um eu originário. De fato. desde o primeiro olhar da mãe para o seu bebê. Até aqui temos dois elementos compartilhados que permitem defInir um ponto de vista moral: a universalidade do enraizamento a realidades diferentes e a universalidade da abertura para o outro. de incluí-lo em nossa reflexão e ação moral. a abertura universal para o outro. Nós. da idéia de abertura para o outro. nós. humanos. Permite­ nos extrair. e a participação em projetos ou a relação de cooperação no trabalho. portanto. ao mesmo tempo. Bello. Uma estrutura que se expressa na necessidade de reconhecer o outro. reconhecemos que a moralidade é algo intersubjetivo. 2000. Neste espaço interpessoal de relação aparecem os sentimentos que nos vinculam aos demais e nos ajudam a en­ frentar as difIculdades vitais. 11. o núcleo da mora­ lidade. Portan­ to. A primeira forma de abertura para os demais se dá pelo en­ contro cara a cara. 1997. 451-476. Duas palavras sobre cada um deles. Sair de si mesmo a fim de esta­ belecer uma relação correta com os outros é. pp. uma necessidade imprescindível e uma exigência moral. no critério moral e no horizonte de crítica social. partimos de outra rea­ lidade comum: estamos abertos à criação de laços com os demais. TodoTOV.) Dinamismo da intersubjetividade Se olharmos mais detidamente o segundo elemento compartilha­ do da moralidade a universalidade da abertura para os demais -. Buber. de colocar-se no lugar dele. São três dinamismos da intersubjetividade que apontam para diferentes direções de valor. O afeto. mas junto com os demais. a amizade e o amor tornam­ se verdadeiros mecanismos sociais ou procedimentos morais compartilhados que apontam uma direção de valor capaz de atuar como um horizonte normativo compartilhado 12 • A segunda forma de abertura para os demais se produz por meio do diálogo. isolado e todo-poderoso. nos leva ainda a deveres morais e a tarefas educativas. de agir de maneira aceitável para os demais. não nos fazemos na so­ lidão. Hume. Levinas. Aristóteles. Em su­ ma. Neste espaço interpessoal de relação entra em jogo um conjunto de mecanismos comunicacionais que nos per­ mitem manter intercâmbios construtivos com os demais sobre os assuntos que afetam os interlocutores. 1974 e 1949. mas estamos em relação com os demais e dependemos dos vínculos que estabelecemos1 1 • Este novo aspecto comum.Enuc f. VALOR['S: PONTOS TI CONTRAPONTOS Em segundo lugar. 1988. o diálogo se transfor­ 12. de fato.

O afeto. No entanto. Como educar em valores? Vias educativas do enraizamento e da abertura para os demais A força moral do enraizamento e da abertura para os demais se traduz em práticas educativas que pernútem deixar manifestos os valores de todos os dinanúsmos morais. No entanto. 14.EDU E VAl. Trata-se. A obra de Jfugen Habermas em seu conjunto fundamentou amplamente os aspectos que temos enunciado. o diálogo e a cooperação são procedimentos ou ferramen­ tas que nos ajudam a lidar com as dificuldades sociomorais que a vida pode nos apresentar. Resta-nos saber quais são os espaços onde serão implantadas as diferentes práticas formativas. as rela­ 85 . por­ tanto. esses três procedimentos morais trazem implícita uma finalidade moral. Cada um deles aponta para certos horizontes de perfeição: amizade e amor quanto ao afeto.ORES: PO]'. fixar objetivos desejáveis e es­ tabelecer elementos de crítica e de transformação da realidade. finalmente. Além disso.s. de pensar os âmbitos que devem ser considera­ dos na hora de prever um plano completo de educação em valo­ res. Veremos que as ações realizadas no nível ínterpessoal terão de ser combinadas com outras que tenham um caráter curricular. e.TOS E CONTRAPONTOS ma em um poderoso instrumento moral e em uma pauta de va­ lor que é compartilhada por qualquer sujeito capaz de falar!3. permitem defi­ nir procedimentos de ação moral. 1996. Via interpessoal O primeiro nível do modelo de formação em valores que pro­ pomos focaliza a atenção nos vínculos interpessoais que se esta­ belecem entre os educadores e seus alunos. vale a pena destacar os seguintes volumes: Haberma. uma das vertentes que todos os seres humanos têm em comum. nos ajudam a adquirir os valores que expressam o enraiza­ mento e a abertura para os demais. A terceira forma de abertura para os demais se produz pela par­ ticipação em projetos de intervenção no mundo natural ou social. Conseqüentemente. 84 VAI. Em suma. portanto.ÍoRIA AMORIM ARANTES elemento de crítica e de transformação da realidade. transformar-se em valores compartilhados por todos à medida que estão relacionados com a abertura para os demais. um telos. Dworkin. 1987 e 1998a e b. o trabalho em projetos compartilhados se converte tam­ bém num forte dinamismo moral e num espaço compartilhado de valores para qualquer ser humano 14 • Repito que esses dinamismos da intersubjetividade. há um último conjunto de intervenções que incidirá na vida do grupo-classe e do centro educacional. além de estabelecerem modalidades concretas de relação. todos têm a capacidade de se converter num 13.As práticas educativas. compreensão e acordo no que se refere ao diá­ logo e cooperação e transformação no trabalho com projetos. À medida que a realização de projetos conjuntos se dá por mecamsmos de cooperação entre todos os par­ ticipantes e é orientada para uma transformação otimizadora da realidade. Neste espaço de relação há uma série de procedin:entos conjun­ tos que nos permitem propor intervenções sobre a realidade com o intuito de otimizá-Ia. O jogo comple­ mentar e coordenado do trabalho nesses três âmbitos produzirá uma educação em valores completa.

As rela. Buber. 1949 e 1974. Só assim é possível fazer com que uma sucessão de encontros seja seguida por uma relação inter­ pessoal realmente educativa. se vinculam tivamente e se dispõem a ficar pessoalmente envolvidos numa re­ lação que vai do instrumental. o es­ paço das relações interpessoais tem um efeito insubstituível na formação da moralidade. fez isso apoiado em posições sociológicas. 16.Enuc . e além de seus modos de se manifestar. Por outro lado. embora nào sejam os únicos.) É óbvio que a educação pressupõe interação entre educadores e educandos. elas apare­ cem e fazem parte de qualquer momento educativo. A questão é ver se essa interação é apenas um mero contato entre sujeitos-objetivados realizando um intercâmbio que não vai além do previsto para o papel que desempenham. Aj\. Um deles. Aí reside precisamente parte de sua complexidade e importância: não costumam ser programadas re­ flexivamente. 1961 e 1979. 15. c. embora çam e se desenvolvam ao longo de todas as demais experiências educativas e acabem caracterizando um vínculo educativo com­ plexo. 87 . Por último. 2) um encontro de aco­ lhida e reconhecimento.. Apesar do que dissemos. 86 1HIi1\ CONTRAPUNTOS VAIJRL\.:TOS ções interpessoais não constituem um espaço com fronteiras ní­ tidas que possam ser delimitadas em outros momentos com se­ melhante relevância formativa. Muito ao contrário.IORI1\t j\RANTES ( G. tem. A au­ têntica relação educativa não está concebida para objetivar e dis­ ciplinar.\o I E VALORES: 1'01'. falar de relações interpessoais hoje é algo muito impreciso. mas para converter o sujeito com o qual se comparti­ lha uma situação formativa em "alguém reconhecido".ções interpessoais não são uma atividade entre tantas outras. acima de tudo. a interação é um verdadeiro encontro entre indivíduos singulares 15 • Ou seja. cálido e aberto ao outro 16 • Todo encontro tem uma realidade física na qual os sujeitos se fazem mutuamente presentes. Daí podemos concluir a im­ portância de gerar uma atitude educativa voltada para evitar os meros contatos superficiais e favorecer encontros autênticos. basean­ do-se em posturas filosóficas. Goffillan. ou se. Bubcr. e o outro. mas sur­ gem no interior de qualquer situação educativa e têm de transversal e onipresente. e 3) um encontro que gera qualidades morais de responsabilidade e respeito. Gijon. devido ao fato de se apresentarem geralmente na apare­ forma de episódios breves os encontros -. Às vezes a educação converte as relações interpessoais num exercício de saber voltado para objetivar os educandos e num exercício de poder para discipliná-los. tarefa que pressuponha pelo menos uma operação que conjugue conhe­ cimento e afeto. propuseram o tema do encontro como chave de seu pensamento. Destacamos aqui dois autores relevantes que. também um lado imprevisível. se o encontro tem um inevitável lado rotinei­ ro. 2003. alguém com quem se criam laços morais de mão dupla: a responsabili­ dade do adulto em relação ao jovem e o respeito do jovem em relação ao adulto. ao contrário. criando situações e práticas formativas que facilitem a multipli­ cação dos encontros pessoais. Mas vejamos cada um os elementos que compõem uma rela­ ção educativa autêntica: 1) um encontro. uma relação cara a cara entre dois sujeitos que por meio das expressões faciais. dos gestos e da palavra criam um vínculo mútuo e se envolvem numa situação não totalmente pro­ gramada de participação conjunta numa tarefa formativa. 1970.

relação de acolhida e reconhecimento. Nesta sário que o encontro encerre uma clara iniciativa do educador exigência muda do aluno e no dever de satisfazê-la de forma res­ para acolher.recebe afeto. para cuidar dele e ajudá-lo to . através de sua corporeidade . mos­ Via curricular O segundo nível do modelo de formação em valores que esta­ mos desenvolvendo aborda o que vamos chamar de "tarefas curriculares". 2000. mas para demonstrar que o moral da relação educativa. responsabilidade que não se limita a nenhuma condição que possa eximi-la. Rawls. é neces­ clama ajuda incondicional e sem oferecer nada em troca. 18.ÇÃO fi VALORES: PO:-'. pp. quando um jovem se sente apreciado pelo adul­ mos confiança em suas possibilidades. são lançadas as bases para da responsabilidade que antes impulsionava o educador para a entrada no mundo social. Uma vez criado o vín­ ra o outro não deve ser confundida com uma atitude passiva ou culo de afeto recíproco. compartilha tempo com ele. Quando se consegue uma mento de obrigação de certo modo paralelo. finalmente. O outro. acaba também tendo apreço por ele.ElH. para se poder manifestar que te­ Por sua vez.I>uch. e re­ basta uma sucessão de encontros. Estamos diante de uma dupla obrigação moral que não po­ que esteja disposto a acolher e reconhecer. Essas tarefas orientadas para a formação em valores podem ser distri­ 17. a sua fragilidade. para aceitá-lo tal como ele é.C:\. 1997.as expressões faciais -. 1999. Levinas.pp. Piaget.TOS E CONTIU\PONTOS EDCCAÇÃO li VALOH ES: PONTOS E CONTRAPONTOS Mas para que se produza uma relação educativa autêntica não tra a sua contingência. 15-37. e é maior a probabilidade de que os disposta a entregar-se na ajuda. Apesar de importante. que esteja disposto a de ser eterna nem explica todos os dinamismos e as tarefas da vincular-se afetivamente. que vá além dos contatos tingi­ adotem pelo afeto recebido '9 . chegamos ao limiar dos dois movimentos mo­ educação em valores. 27-61.embora talvez não ex­ clusiva . 88 89 . A socialização depende de alguém eles. mas é imprescindível como um de seus es­ paços e momentos. É gerado nos jovens um senti­ dos pela indiferença ou pelo legalismo.de trabalhar valores. Não st'. mas sim como uma abertura combativa. ou seja. Estamos nos referindo à responsabilidade pelo outro e ao respei­ to que gera obrigação. lores e condutas aos jovens. trata de ponsável por parte do educador reside o primeiro movimento encontrar-se para escrutar ou dominar. é mais fácil para o educador indicar va­ dominada pelo destino. rais que se produzem em toda relação humana constituída. e que se inscreve no tempo des­ tinado às diferentes disciplinas e ocupações do currículo. embora diferente. o conjunto de afazeres realizados pelo grupo-classe com a intenção manifesta . mas indo além dela. 19. reconhecer e aceitar o educando 17. Essa abertura pa­ -. cuidado. 1979. para ouvi-lo por uma escuta sem fil­ elogios por seus esforços e é valorizado de modo incondicional tros e. 511-536. N este ponto. educando estava sendo esperado. pp. ouve em tudo que for possível. a sua necessidade. No primeiro movimento aludimos à res­ ponsabilidade incondicional do educador para com o educan­ do '8 • A relação educativa pressupõe uma responsabilidade ética do adulto para com o jovem.

a empatia. embora sua localização temporal no currículo possa variar. Em outras ocasiões.por exemplo. Os alunos deveriam perceber essas sessões como uma oportunidade para tratar assuntos de interesse co­ mum e discutir e abordar situações que os inquietam. al­ guns elementos básicos da cultura moral de uma sociedade. 1995 e 1996. Em alguns casos serão tratadas questões estreitamente vinculadas à vida de­ les. esse conteúdo não se refere a saberes acabados nem a informa­ ções que devam ser retidas e memorizadas. mas aos quais eles não devem per­ manecer indiferentes.b:DLJC!\CAo E VAL(H~ PONTOS E NTRl. ou também no espaço temporal que pode ser ocupado por alguma discipli­ na de livre escolha. apreciar e usar um conjunto de con­ ceitos e elementos essenciais de uma cultura moral que podem ajudar a compreender e valorar certos fatos e controvérsias sub­ metidos à consideraçã0 20 • Vejamos mais detidamente estes três momentos do trabalho curricular sobre valores. A diversidade de enfoques ao abordar um assunto propicia a cada aluno uma elaboração mais complexa e completa dos pró­ prios pontos de vista. Ao falar de inteli­ gência moral nos referimos a um conjunto de capacidades psicomorais . a res­ peitar as normas sociais. Ao contrário do que ocorre em outros momentos escolares. 90 VALÉRli\ A'VIORIM ARANIES (ORG. prin­ cipalmente. o juízo moral. Se a inteligência nos permite conduzir um processo de adap­ tação ótimo ao meio fisico e cultural. a inteligência moral nos torna possível adaptar e ao mesmo tempo otimizar nossa relação com o entorno sociaL As diferentes capacidades que configuram a inteligência moral ajudam a nos relacionar com os outros.que tornam possíveis 91 . E. por último. são es­ paços em que cada membro do grupo constrói opiniões próprias com base no debate com os iguais e com os professo­ res. este nível de modelo de formação em valores se refere às tarefas de aula destinadas a trabalhar valores. então. Puíg. o autoconhecimento. a considerar os conflitos de valor. e. As tarefas curriculares colocam em jogo três grandes blocos de conteúdo: as questões pessoais ou socialmente relevantes. desenvol­ ver as diferentes capacidades da inteligência moral e predispor os alunos a usá-las corretamente em situações de deliberação mo­ ral. As tarefas curriculares destinadas a trabalhar valores devem tudo que ser realizadas num espaço em que seja possível falar 20. assuntos que despertam o interesse dos alunos. aqueles problemas que eles percebem nos seus diferentes âmbitos de relações. o conteúdo pode refe­ rir-se a assuntos de relevância social que talvez escapem à expe­ riência imediata dos alunos. o diálogo e a auto-regulação . Estes blocos de conteúdo apontam também algumas finalidades da formação cívico-moral: aprender a considerar reflexiva e critica­ mente questões controvertidas da vida social e pessoal. como poderia acontecer durante o tem­ po destinado à aula de orientação ou à reflexão ética. São espaços destina­ dos a falar de assuntos que permitem opiniões diversas. a enfrentar as experiências vitais e. as disposições que constituem a inteligência moral e. condensar o tem­ po destinado a tratar de assuntos relacionados com o valor em certos espaços escolares. finalmente.' preocupa o grupo. como ocorre quando são abordados assuntos moralmente rele­ vantes às diferentes áreas escolares. Ou. acima de tudo.PONTOS buídas de maneira transversal ao longo das disciplinas escolares. conhecer. Em síntese.

para não tirar o protagonismo de seus aprendizes. Pelo contrário. questionar. os espaços escolares destinados a tra­ balhar aspectos relacionados com os valores não podem se con­ verter em aulas que caiam na inculcação de valores nem na me­ ra trasmissão de conhecimento. comparar. colocamos em ação uma série de ca­ pacidades que nos permitem exercer atividades como valorar. e não há dúvida de que o desenvolvimento das ta­ refas curriculares constitui uma experiência educativa essencial. Por outro lado.\O E VALORES: PONTOS I: CONTRAPONTOS V. a aula deve ser uma espécie de oficina onde alunos e professor trabalhem conjuntamente as questões significativas. Assim. debatendo.J\LÜUA AMOR1M ARANTES (ORG. Enfrentar experiências moralmente controvertidas e resolver os dilemas morais do cotidiano requer mais que o uso correto da inteligência moral.sejam sessões de deliberação ou de reflexão -. É quase impossível e totalmente indesejável que as aulas sejam dessa natureza. as pessoas colocam em jogo não só suas capacidades individuais.. e para a maneira pela qual esse formato institucional cria um clima ou cultura moral. modelos. Em suma.~l EDUCAÇ. Na cultura moral cristalizam-se idéias. desenvolver a inteligência moral e adquirir elementos essenciais da cultura moral são três objetivos da formação moral que são trabalhados ao mesmo tempo nas aulas. momentos. mas realizan­ do intervenções que os ajudam a melhorar. e o professor conduzindo a ati­ vidade. N o entanto. trata-se de conseguir que as tarefas curriculares destinadas à formação em valores mostrem que o assunto abordado é tão importante quan­ to o modo de tratá-lo. mas é totalmente inadequado pretender isolar qualquer um dos três O terceiro nível do nosso modelo de formação em valores volta o olhar para o formato que é dado às instituições escolares. que cada sociedade em particu­ lar e também a espécie humana em seu conjunto elaboraram ao longo do tempo. cooperando. elas devem ser convertidas em fóruns de consideração e diálogo. Via institucional Considerar assuntos relevantes. nós. ajudando-se mutuamente na consideração da temática proposta de alguma maneira to­ dos estão ensinando os colegas -. juntamente com a inteligência moral. A cultura moral é. normas. instituições sociais e outros elementos que servem de guia de valores para uma comunidade. humanos. tomar decisões e levá-las a cabo.) a deliberação e a direção moral. ajudando quando necessário.II . em momentos que propiciem o autoconhecimento e a reflexão. Trata-se de recursos e propos­ tas que cada coletividade reconhece como moralmente válidos e eficazes. sempre de modo discreto. A inteligência moral tem uma natureza funcionar e seu uso correto permíte a cada um lidar adequadamente com as questões morais que se apresentam no dia-a-dia. Costumamos aceitar que a relação pessoal entre educador e aluno é uma fonte de influência educativa de primei­ ra magnitude. na tentativa de procurar soluções para os conflitos individuais e coletivos. Diante de experiências de con­ flito moral. nem sempre reconhecemos que o ambiente de uma 92 93 I I I I I I11 III Ili I. Os primei­ ros refletindo. ! ~ \UI. mas também usam guias de valor que lhes permítem orientar a resolução dos conflitos. um ins­ trumento de primeira ordem para regular a convivência e me­ lhorar nosso modo de vida. A cultura moral é constituída por elementos de natureza diferente. Em ambos os casos . compreender. É possível dar maior relevância a um deles. prá­ ticas.

\IOHIM ARANTES (ORG. deve ser objeto de uma preparação consciente e minuciosa. voltemos um pouco atrás para rever a natureza de um meio educativo e sua cultura moral. mas a que melhor a caracteriza tem a ver com a formação das disposições para agir de um modo determinado e manter es­ se modo de se conduzir no tempo. e se as tarefas curriculares de educação em valores ocupavam um espaço temporal previsto e delimitado. Essa afirmação pressupõe várias questões que vamos re­ passar brevemente.TOS E CONTRAPO TOS instituição educacional exerce enorme pressão formativa em seus alunos. Ou se­ ja. 2003. 9-28. 1992. Em segundo lugar. Kohlberg.. A cultura exerce outras funções forma­ tivas. e o faz de modo que eles fiquem totalmente imersos e se­ jam inevitavelmente afetados. veremos como a cultura moral das instituições es­ colares incide sobre o comportamento dos sujeitos dando forma a seus hábitos e virtudes. portanto. esse processo de embeber-se em valores e convertê-los em hábitos e atitudes depende da capaci­ 95 I ~ . Na realidade.) Em que dimensões do sujeito em formação a cultura moral influi? Embora seja impossível estabelecer uma dimensão exclu­ siva para cada espaço ou nível até aqui considerado. Em primeiro lugar. Afirmamos que a totalidade da instituição é uma poderosa força educativa que incide sem cessar na formação pessoal dos alunos. vimos também que as tarefas curriculares centravam-se principalmente na formação dos instrumentos cognitivos que permitam estabele­ cer um ponto de vista pessoal diante de situações controvertidas. afirma-se algo que costumamos expressar de modo metafórico: a atmosfera do centro nos impregna como que por osmose quando mergulhamos em sua realidade. até criar um vínculo interpessoal entre o educador e cada um dos alunos. Em que espaço formativo atua a cultura moral? Se os encon­ tros se apresentavam como pontos disseminados entre todas as atividades educativas. A cultura moral é uma forma onipresente de educação em valores e. por último. Elas têm forma moral e educam moral­ mente 21 • Se tais afirmações estão corretas. Powers et al. vimos que os encontros e o vínculo interpessoal tinham um efeito motivador muito intenso na formação do modo de ser do educando. Neste ponto. 1968. A tese que defen­ demos é que a construção da personalidade moral depende em parte do efeito causado pelo conjunto da instituição educacio­ nal. Jackson et al.entros educacionais. pp. 21. Piaget. é preciso construir uma cultura moral que exerça uma poderosa ação educativa.ED1JCA(:C\O E VALORhS: I'O:-'. fosse transversalmente distribuído ou concentrado numa só matéria.\LÉRL\ A. A cultura moral não pode ficar nas mãos do acaso. e. 1997. pp. a cultura moral deve ser entendida como a to­ talidade do meio que acolhe e cerca completamente os educan­ dos. Puig. 265-270. assim como na construção de um sistema de práti­ cas que converta esses centros em comunidades democráticas.. Não é exagero afirmar que as instituições em si são pro­ fundamente educativas. 94 V. 2000. ao contrário. Em outras palavras. a cultura moral das instituições educativas ocu­ pa todo o espaço disponível tudo faz parte da cultura de uma comunidade. seu instrumen­ to mais efetivo. os valores expressos pela instituição educacional nos embebem e se tornam hábitos e atitudes pessoais conforme os colocamos em prática. é preciso pensar me­ lhor no desenho das práticas pedagógicas realizadas nos J.

projeto de prá­ ticas e construção de meios . portanto. Vimos que a cultura moral depende do conjunto das práti­ cas educativas que funcionam numa instituição e que. de festa. como as escolas são espaços de con­ vivência e de aprendizagem da convivência. As instituições escolares devem organizar o modo como transmitem conhecimento aos alunos por meio de múltiplas práticas de ensino e aprendizagem.EDlJCAÇAo F.RIA A. de realização de projetos que vão além das aulas. Por outro lado. mas através do meio. a convivência e a ani­ mação.\>tORIM ARANTES (ORG. Ambos os conceitos . Projetar práticas é idealizar peças educativas. VALOIU'S: PONTOS F.) dade da instituição de vivenciar realmente os valores defendi­ dos. é idealizar processos que persigam objetivos específicos e. o que exige um es­ forço de animação social e cultural. ao advertir que não se educa de modo direto. a criação de um es­ paço que seja educativo por si mesmo. ou seja.com que nossos alunos vivam valores por intermédio das práticas e ativi­ dades que lhes propomos. o trabalho cooperativo e os projetos são algumas das práticas clássicas des­ se âmbito. em qualquer centro educacional fazemos . e Dewey nos sugere. estará sendo estimulado um processo real de implantação de hábitos e atitudes. elas incidem em três grandes campos: o trabalho escolar. A aula magistral. Finalmente. de eventos culturais ou de ati­ vidades esportivas pode ser uma das possíveis práticas estabeleci­ das nesse âmbito. As assembléias de classe e a resolução de conflitos são algumas pos­ sibilidades próprias desse campo. por exemplo. Agora sabemos melhor o que significa cultivar práticas e cons­ truir meios: é pensar em propostas que atenderiam corretamente às necessidades formativas nos campos do trabalho escolar. Para isso é preciso imagi­ nar formas de convivência escolar. Uma instituição é um sistema.apontam para um mesmo objetivo: a reconstrução do mundo da vida nas escolas. Isso foi feito magistralmente por Freinet em suas aulas. Em suma. A nosso ver. Temos visto como as práticas de deli­ beração e autoconhecimento convidam com intensidade à rea­ lização de valores como. a escola também deve ser um espaço de vida e um espaço conectado ao resto da sociedade. isto é. uma instituição é um sistema de prá­ ticas educativas. de participação. simulta­ 96 97 . À medida que o centro propõe atividades que convidam os alunos a praticar valores normalmente. uma das tarefas dos educadores é colocar em ação práticas edu­ cativas adequadas a cada circunstância. res­ ta ainda determinar as áreas que devem ser cobertas por tais prá­ ticas em uma instituição escolar. da convivência e da animação. Voltando ao princípio. também devem ins­ tituir práticas pensadas expressamente para alcançar esses fins. Conseqüentemente. um conjunto inter-relacionado e coerente de práticas que conseguem incrementar o efeito educativo justa­ mente pela sinergia que se estabelece entre todas as propostas. Algo que hoje preferimos expressar com outras palavras: educa-se por intermédio do cultivo de práticas e da construção de meios. de animação e de trabalho que predisponham a viver e aprender de acordo com certos princípios e valores. devem ser centros de cultura e de ci­ dadania. Mas em uma escola são oferecidas mui­ tas outras práticas educativas que cristalizam valores e convidam seus alunos a vivê-las. CONTRAPONTOS V!\LÉ. Não se trata de uma única prática isolada nem de uma multiplicidade de propostas incoerentes. Em ter­ ceiro lugar. o reconhecimento do outro e a autenticidade. A organização de festas. Eles devem ser locais de cul­ tura.

rico e coerente. vale a pena aprofun­ dar. . Nesta última parte pretendemos comentar brevemente algumas idéias e recomendações que poderiam contribuir para dar maior solidez à educação moral. tendem a mercantilizá-los e a impor-lhes a fria lógica do sistema e. Tanto os conteúdos atitudinais de todas as áreas como os transversais. por um lado. uma questão de base e desenvolver várias pro­ VALÊ. Um impulso que deveria basear-se em propostas acessí­ veis e maior exigência em sua programação e ministração. mas que tentam estabelecer alguns critérios que poderiam orientar esses ensinamentos e al­ gumas propostas que ajudariam a concretizá-los. pelo menos. ARANTES (ORG. Do mesmo modo. como a consideração dis­ da educação em valores.\0 I' VA! OH [\S: 1'0!'i'10'> I. Portanto. Reforçar a consideração distribuida e compartilhada postas concretas. da indisciplina e mesmo da que surgem nas escolas.educativo denso. Os esforços para revítalizar e dar um novo sentido crível às instituições es­ colares nos parece uma tarefa essencial para conseguir a melhor Conhecimentos formação cívico-moral. a intervenção edu­ cativa consiste também em encaixar essas peças de modo que no final se construa um conjunto coerente. A soma das diferentes pe­ ças pensadas para atender a cada uma das necessidades educativas deve produzír uma imagem de conjunto: um meio . são duas moda­ lidades formativas bem conhecidas. nos centros educacionais. e procedimentos para formar cidadãos Introduzir de maneira visível nas áreas correspondentes a aborda­ gem de assuntos políticos. mas que esperam um novo impulso. por outro lado. Os processos educativos são vividos em ca­ da peça ou prática e também no conjunto produzido pelo meio. seria conveniente exa­ minar com maior clareza de que modo competem atualmente.' NTRAPO TOS neamente. Que tipos de interesse conduzíriam a e que meconcretas poderíamos propor para desenvolver o espaço da cultura moral de uma instituição educativa? Para tornar plena­ mente formativo o espaço da cultura moral. convivência e animação. pode-se dizer que uma das principais do educa­ dor é projetar práticas e construir meios. as forças que os reconstroem como comunidades de­ mocráticas. onde predomina a lógica da vida. econômicos e jurídicos imprescindíveis para entender a organização social. que tratam de assuntos de valor a propósito do conteúdo de cada disciplina. poder-se­ da educação em valores ia pensar mais detalhadamente o que significa atualmente con­ verter os nossos centros educacionais em comunidades demo­ cráticas de aprendizagem.lUA AMORI:I1. conhecer os con­ 99 .. No que se refere à questão de base. trabalhar sistematicamente os Direitos Humanos e.:\<.) Para um projeto de educação em valores Dez propostas Dar à educação em valores um lugar e forte dentro da es­ cola requer torná-la visível por meio propostas concretas. 98 algumas propostas vigentes. no momento oportuno. Por outro lado. São comentários heterogêneos. Somente assim se­ rão detectadas as causas da anomia. É o que vamos fazer com as sugestões a seguir. as forças que. expressem valores.

em outros espaços não tão formais onde possam ter um papel menos testemunhal e mais ativo. e uma de preparação e coordenação. tanto no que se refere ao trabalho em aula com o grupo-classe como na acolhida. entendido como fenômeno antropológico. mas oferecer uma experiência significativa que prepare para a vida co­ mo cidadão. pro­ pomos uma dedicação de sete horas: três de trabalho com o gru­ po-classe. Devem participar das diferentes instâncias das escolas. até a escolha dos membros para formar um Conselho de Representantes. por meio das assembléias. Devem sê-lo no Conselho Escolar e. portanto. as assembléias de classe. para serem muito mais protagonistas do que são agora. criar uma cultura escolar que realmente embeba de valores os nossos alunos. A escola tem de se comprometer a trabalhar os conteúdos que tocam os fatos religiosos em momentos do currículo que forem mais oportunos. Isso significa dedicar esforço ao planejamento e à realização dessas atividades. aderir à proposta de que to­ dos os alunos adquiram um conhecimento suficiente do fato re­ ligioso. precisamos nos ver como cristalizadores dos valores no meio. histórico e cultural. Educação laica e cultura religiosa Separar a educação religiosa confessional do curríc~lo da edu­ cação formal mas. Portanto. de modo que a orientação seja considerada um espaço fundamental da educação em valores. com atribuições e res­ ponsabilidades como incentivar a associação de alunos e a orga­ 100 101 . desde o nível da classe. educadores. três de atenção aos alunos e suas famílias. Concretamente. uma ampliação horária e a correta compensação. por outro lado. A cultura das instituições educacionais deveria reforçar de manei­ ra muito acentuada a participação dos alunos. convivência e animação.EDlJCAÇAo E VALOR!'S: PONTOS E CONTRAPONTOS ceitos e as reflexões éticas que ajudam a entender a experiência pessoal e social. en­ fim. sociológico. Precisamos. os contratos pedagógicos. os conteúdos básicos pa­ ra um projeto de cidadania ativa. É preciso explorar todas as conseqüên­ cias da convicção de que educar não é unicamente instruir. Incrementar. Entendemos que ela o seja. e também em relação à regulação e à dinamização da vida coletiva. com uma dedicação de tempo adequa­ da e mantendo o mesmo espírito de respeito. as festas e celebrações e muitas outras prá­ ticas educativas a serem imitadas ou inventadas. e propor como trabalho cooperativo os projetos de pesquisa. sobretudo. A participação como a melhor escola de cidadania mento e ajuda individual de cada aluno. de vontade de en­ tender e de crítica que se manifesta igualmente em qualquer outra matéria. segui­ E VALORES: PONTOS E CONTRAPONTOS Construir uma cultura moral de centro que impregne valores nos alunos Fazer com que os alunos vivenciem os centros educacionais co­ mo verdadeiras comunidades democráticas de aprendizagem. temos de fazer de cada esco­ la um ambiente rico em práticas e atividades educativas que cumpram seus objetivos e ao mesmo tempo expressem e façam viver em valores. Uma orientação com tempo suficiente para educar em valores Reforçar a tarefa de orientação com um encargo preciso. nós. a mediação de conflitos.

alunos e professores. podemos resumir tudo que dissemos numa idéia fundamental e nas conseqüências mais que prováveis que sua realização implicaria. e investigação para uma As escolas como centros de cultura e civismo Formação. Primeiro.. desenvolver habilidades. com alguns educadores também diferentes e com atividades que vão além das propria­ mente curriculares. Ambas as medidas não parecem. A tese básica já foi expressa anterior­ . Deve-se desenvolver. como não são os únicos.>[(JS E . estender esse trabalho às atividades de aprendizagem escolar é um dos me­ lhores dinamismos de formação pessoal e educação cívica.\10IUM ARANTES (ORG. mas a realidade de­ monstrará exatamente o contrário. as escolas devem se abrir e traba­ sores que dêem uma visão dara do que é e como tem de ser tra­ balhada a educação moral e cívica. à aprendizagem-serviço. a convivência.) nização de atividades.)N lhar em rede com outras instâncias que atuem no mesmo terri­ tório para otimizar as tarefas. à me­ diação de conflitos. Segundo. ao Conselho de Representantes. a princípio. assistenciais ou culturais da população. dependerá de cada esco­ la implantar os mais adequados. 102 103 Para concluir. A for­ ça manifestada por estas propostas para sensibilizar. Aqui há um objetivo duplo. uma cultura da deliberação e da cooperação entre alunos. abrir o centro além do horário destinado ao cumprimento de suas obrigações curricu­ lares. às festas e celebrações. à Associação de Alunos e Alunas e à de Pais e Mães. Esses são alguns dos processos que facilitam a participação. do educador social e do animador sociocultural e se responsabili­ ze por promover em cada escola todas aquelas atividades que em alguma medida transcendam o trabalho estrito das aulas. Trata-se de estender a tarefa educativa do centro de modo diverso. investigação e formação que permitam cobrir diferentes objetivos num mesmo processo de colocar em andamento propostas de educação moral e cívica.ONTHAP. Um novo perfil de educador para impulsionar A formação cívico-moral pela aprendizagem-serviço Implantar nos centros educativos e de acordo com a idade dos alunos programas de aprendizagem-serviço na comunidade. a participação e o civismo Criar uma nova figura educativa que mescle o papel do pedagogo. envolver na vida cidadã e exercitar a crítica é tão grande que de nenhum modo a educação moral e cí­ vica deve prescindir delas. à coordenação das ati­ vidades extracurriculares e outras que sejam estabelecidas. em suma. e entre EDU OLORES PO!'. Vale a pena fazê-lo porque servir à comunidade e. além disso. vinculadas à educação em valores.R1A t\. Vincular a escola à universida­ de e a projetos de inovação. inovação abertos à comunidade Converter os centros educativos em núcleos culturais abertos melhor educação civico-moral Desenvolver planos de formação inicial e permanente dos profes­ aos alunos e à comunidade e também coordená-los com outras instâncias educativas. Atividades como coordenar parte das ações da escola vinculadas ao Plano de Ação de Orientação. a fim de torná-lo um espaço cultural e formativo.VALÊ. com alguns usuários em parte diferentes. responsabili­ zar.

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