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AS OBJETIVAS © Thomaz. W.M.

Harrell

CAPITULO III :
AS OBJETIVAS
(O SISTEMA OPTICO DA CAMARA)

Fig 3.1

Imagem: Objetiva da primeira câmara Canon


Em Lenswork II/Canon

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CAPITULO III © Thomaz. W.M. Harrell

1.LENTES OU OBJETIVAS? 3. Abertura relativa


Uma questão frequentemente levantada até por profissio- 4. Poder de cobertura
nais é quanto a nomenclatura; lente ou objetiva? Na verdade hoje
os termos são intercambiaveis mas no estrito senso da palavra Veremos a seguir cada uma destas importantes caracteristicas
uma lente* é composta por um único elemento de vidro ou cristal em maior detalhe pois a compreensão destes princípios deve tornar
e o seu formato determina como ela afeta os raios de luz que nela claro como uma objetiva forma uma imagem o como a mesma é o
incidem. De forma geral existem duas classes; as lentes conver- resultado desse conjunto de caracteristicas.
gentes e as divergentes. Existem diversos formatos de lentes como
as biconcavas as plano-convexas* e outras. As objetivas porém 1). A DISTÂNCIA FOCAL DE UMA OBJETIVA
são compostas de diversos elementos em conjunto de forma a
produzir imagens mais precisas e sem distorções. Na figura 2-19 Uma lente ou objetiva é um elemento de vidro cujas
vemos uma lente pois possui um único elemento. Já o desenho 2- caracteristicas opticas e formato permitem controlar os raios de
20, representa uma objetiva uma vez que é composta de diversos luz que nela incidem de forma a criar e projetar uma imagem. Por
elementos (lentes). definicão; A distância focal de uma objetiva é a medida ( em milíme-
tros ou polegadas ) entre o seu eixo central e o ponto em que esta
2.O SISTEMA ÓPTICO: AS OBJETIVAS E O VISOR. forma uma imagem nítida de um objeto que se encontra a uma dis-
tância infinita. Para fins meramente ilustrativos , a figura 2-19
As objetivas tem a função primordial de formar a imagem
que será registrada no filme . O visor também faz parte do sistema
optico de quase todas as câmaras modernas. Esse dispositivo é
de grande importância uma vez que é por ele que o fotógrafo pode
ter uma idéia mais precisa do que será registrado no filme. O sis-
tema óptico portanto pode ser dividido nessas duas duas fun-
ções:
1. O Sistema de Objetivas Principais, responsável pela
formação da imagem no filme.
2. O Sistema de Visão; um conjunto de lentes , espelhos
e prismas utilizados para levar a imagem que será registrada no
filme, até o visor da câmara.

AS CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DE UMA OBJETIVA


Toda objetiva tem certas características que determinam a sua
utilidade para o uso na formação de imagens. As principais des- mostra
Fig.3.2 como é medida
DISTÂNCIA FOCAL DEaUMA
distância focal. Note-se
LENTE SIMPLES de umabem
lente
quebiconvexa*
a medida é
tas características são : ou positiva.
feita do centro da lente até o ponto onde ela produz uma imagem nítida
(ponto focal). Uma lente biconvexa tem duas convexidades o que a fazem
ser uma lente positiva Uma lente com duas concavidades seria uma lente
1. Distância focal biconcava ou uma lente negativa. existem ainda outros formatos como plana,
2. Ângulo de cobertura plano-convexa, planoconcava etc.

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O EFEITO DA DISTÂNCIA FOCAL NA IMAGEM

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Um dos fatores mais evidentes afetados pela distância focal de
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uma objetiva é a maneira como ela representa uma cena. Nas
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123456 fotografias abaixo feitas com objetivas de distâncias focais dife-
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123456 rentes, vemos como o aspecto da cena muda radicalmente. A
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123456 primeira fotografia foi feita com uma objetiva grande angular 24
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mm, a segunda com uma objetiva normal 50mm, a terceira com
uma objetiva 100 mm e a última com uma objetiva 200 mm .

Distancia focal

FIG. 3.3. DISTÂNCIA FOCAL DE UMA OBJETIVA COMPLEXA.


A distância focal de uma objetiva complexa é medida do
seu centro optico até o ponto onde ela produz uma imagem
nítida de um objeto que se encontra no infinito (plano focal).

Acima: vemos como é medida a distância focal de uma obje-


tiva complexa e os diferentes elementos que a compõem.
Abaixo: vemos alguns formatos de elementos (lentes) utiliza-
dos em objetivas.
Formatos de lentes 24mm 50mm
3.4
Plano- convexa Bi-convexa Menisco-convexa

Lentes Convergentes

Lentes Divergentes

Plano-concava Bi-concava Concava-menisco

100 mm 200mm
*Lente: As lentes são corpos transparentes que servem para a reprodução
optica de um objeto. São fabricadas com tipos especiais de vidro e as suas Fig 3.5 As ilustrações acima mostram como a distância focal
superficies geralmente possuem um polimento esférico concavo ou conve- da objetiva afeta o tamanho da imagem formada e o angulo de
xo. cobertura. Fotos: Canon Lenswork 2001

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2. O ANGULO DE COBERTURA.
O ângulo de cobertura (ou ângulo de campo visual) de
uma objetiva refere-se a área que esta pode cobrir a sua
frente. Esta característica é determinada principalmente pela
distância focal da objetiva. Objetivas grande angulares (de
pequena distância focal) tem um ângulo de cobertura mai-
or que as normais. Para melhor entender a questão do o
ângulo de cobertura das objetivas ver detalhadamente as
fotografias na Figura 2.15. (Página anterior)
Angulo de Cobertura

Fig.3.6. ANGULO DE COBERTURA DE UMA OBJETIVA. A distância


focal de uma objetiva determina o ângulo com que esta poderá
cobrir a cena . Este fator é chamado de ANGULO DE COBERTURA. Via de
regra as objetivas de pequena distância focal tem um grande
angulo de cobertura e são genéricamente chamadas de Grande-
angulares. As de distância focal longa são chamadas de Tele-
objetivas. Para melhor entender a relação entre ângulo de cober-
tura e o tamanho da imagem volte para a figura 2.21 da página
anterior e compare com a tabela 2.23. Verá que uma objetiva 24 Fig. 3.7 Tabela de ângulos de cobertura de algumas objeti-
mm tem um angulo de cobertura de 84 graus emquanto que a de
200mm é apenas 12graus.
vas de diferentes distâncias focais

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3. ABERTURA RELATIVA 3 b.O DIAFRAGMA


Na página anterior vimos que a distância focal de uma
objetiva tem importante influência sobre o seu desempenho. O diafragma é o dispositivo utilizado para se diminuir a quan-
Essêncialmente a distância focal de uma objetiva determina tidade de luz que passa pela objetiva. ( Na verdade o diafragma é
o angulo de cobertura ou seja o campo que esta capatará . um dispositivo para diminuirmos o diâmetro efetivo da objetiva). O
diafragma ou iris tem exatamente a mesma função que a iris do
Agora examinaremos um outro fator que também deve ser
olho humano.( veja fig 3.9).
considerado. Este é o fator da abertura relativa de uma ob-
jetiva. A abertura relativa de uma objetiva refere-se à sua
capacidade máxima de transmissão de luz. Uma objetiva que
transmite muita luz é considerada “rápida” e uma que trans-
mite pouca luz é “lenta”, no jargão dos profissionais. = f 2.8
Técnicamente esta capacidade é medida em pontos “f”e
é chamada de abertura relativa. Chama-se de abertura re-
lativa por ser uma equação derivada de dois fatores: a dis-
tância focal da objetiva dividido pelo diâmetro efetivo da mes- =f8
ma. Um exemplo; uma objetiva com distância focal de 100mm
e um diâmetro efetivo de 50mm teria uma abertura relativa
de f2. Vemos portanto que o diametro efetivo de uma obje-
tiva torna-se um fator primordial para determinar quanta = f 16
luz essa objetiva é capaz de transmitir. A formula é muito
simples sendo que divide-se a distância focal da objetiva pelo
Fig 3.9. A iris do olho humano regula a entrada de luz automa-
seu diametro efetivo. ( Ver Fig. 3.8.) ticamente fechando ou abrindo de acordo com a luz ambiente. O
diafragma ou iris de uma objeitva tem a mesma função e permite
regular a quantidade exata de luz que passará para o filme.
A ABERTURA RELATIVA DE UMA OBJETIVA
E OS PONTOS 'f'
Distância Focal (DF) O funcionamento da iris ou diafragma
= f (abertura relativa) O diafragma ou iris é composto de uma série de folhas
Diâmetro Efetivo (DE) metálicas sobrepostas. Quando o anel no corpo da objetiva mar-

Fig. 3.8. Formula para determinar a abertura relativa de uma objeti- PONTOS T. Além dos pontos f existem pontos “T”. Teoricamente, a mesma aber-
tura deveria ser igual para todas as objetivas mas existem pequenas diferenças na
va. Divide-se a Distância Focal (DF) pelo Diametro Efetivo (DE (DE). O transmissão de luz de uma objetiva para outra e que para o uso geral são insignifi-
resultado é a abertura relativa da objetiva. Este fator é impoortante cantes. Os pontos " T " representam a medida exata da capacidade de transmissão
pois determina o numero “f” de maxima transmissão para a objetiva. de luz por meio de testes de laboratório realizados em cada objetiva. Sómente
objetivas extremamente precisas são calibradas em pontos T.

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cando os pontos f é girado num sentido ou outro (ver ilustra-


ção) as folhas fecham ou abrem um orifício na objetiva. Este
orifício regula a entrada de luz de acordo com o ponto f mar-
cado no anel da objeiva. A marcação mais comum dos pon-
tos f em objetivas é a seguinte:
f 1.4, f 2.0 , f 2.4, f 3.5, f 4, f 5.6, f 8, f 11, f 16 e
f 22. É muito importante lembrarmos que cada "ponto" ou FOCO
diafragma marcado na objetiva em ordem crescente significa
uma redução da luz pela metade. Se fecharmos o diafragma
de f4 para f8 por exemplo, a redução de luz será de quatro (
4x) e não de duas vezes como seria a lógica. Isto acontece DIAFRAGMA
porque os pontos “f” são derivados de uma equação (abertu-
ra relativa) e não seguem uma lógica aritmética. Por este sis-
tema, f2.0 é duas vezes mais luz que f4 que é duas vezes
mais luz que f5,6 e assim por diante.
Outro aspecto importante a ser lembrado é que os pon-
tos “f” representam (teóricamente) a mesma quantidade de
luz para todas as objetivas. Isto quer dizer que f8 representa
a mesma quantidade de luz para uma tele-objetiva ou para Fig. 3.10 O anel do diafragma numa objetiva e os números das aber-
turas em pontos "f". Acima vemos o anel de foco com as distâncias. A
uma grande angular. Porém existe um outro sistema utiliza-
tabela do meio indica as aberturas de profundidade de campo.
do em objetivas altamente profissionais e de precisão. Este
sistema é chamado de pontos " t ". Os pontos " t " progressivamente. Este termo refere-se à capacidade de uma
correspondem aos pontos “ f ” mas são mais precisos e exa- objetiva de manter em foco objetos que se encontram além e
tos. aquem do assunto principal focalizado (Ver profundidade de
Existem ainda outras razões de importância para redu- campo páginas 30 & 32).
zirmos a abertura da objetiva, além de simplesmente con- O controle de profundidade de campo mediante a
trolar a quantidade de luz que por ele passa. Uma dessas regulagem das aberturas do diafragma constitui um dos
considerações é que uma objetiva tem maior definição quan- recursos mais criativos da fotografia e qualquer fotogra-
do o diafragma está fechado aproximadamente pela metade. fo sério deve estar bem familiarizado com este recurso. A
Isto acontece porque nessa abertura estamos utilizando so- profundidade de campo é afetada por outros fatores como a
mente a parte central dos elementos, opticamente mais per- distância focal da objetiva e a distância entre o objeto focali-
feitos nessa região, e porque o diafragma tende a reduzir a zado e o filme. De forma geral podemos afirmar que quanto
difração dos raios de luz dentro da própria objetiva. Ainda menor a distância focal de uma objetiva, maior será a sua
outra consideração importante é que na medida em que o profundidade de campo. Também de forma geral podemos
diafragma é fechado a profundidade de campo aumenta afirmar que quanto mais próximo o objeto do plano do filme,
menor será a profundidade de campo obtida.
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RESUMO DAS CARACTERISTICAS DAS OBJETIVAS: 2. ANGULO DE COBERTURA. O ângulo de cobertura de


uma objetiva refere-se a área que esta pode cobrir a sua frente.
A função da objetiva é de formar a imagem que será registra- Esta característica é determinada principalmente pela dis-
da no filme fotográfico, no dispositivo de captação de vídeo tância focal da objetiva. Objetivas grande angulares (de pe-
ou no filme cinematográfico. As caracteristicas da imagem quena distância focal) tem um ângulo de cobertura maior
formada são determinadas principalmente pela distância fo- que as normais. Por outro lado as objetivas de grande dis-
cal da objetiva, a sua abertura relativa e a abertura de dia- tância focal tem um angulo de cobertura mais reduzido De
fragma utilizada além do tipo de filme utilizado. As princi- forma geral podemos estabelecer a regra que : quanto menor
pais caracteristiacas de uma objetiva são: a distância focal de uma objetiva, maior será o seu angulo de
cobertura e maior será também a sua profundidade de campo.
1 DISTÂNCIA FOCAL. Todas as objetivas tem uma distân-
3. ABERTURA RELATIVA . As objeti-
vas também tem uma abertura relati-
va. A abertura relativa de uma objetiva
representa a sua máxima capacidade
de transmissão de luz. A abertura rela-
tiva é derivada da distância focal divi-
dida pelo diâmetro efetivo da mesma.
O 4.PODER DE COBERTURA. O po-
der de cobertura de uma objetiva des-
creve a capacidade dessa objetiva de co-
brir um determinado tamanho de ne-
gativo. O poder de cobertura é um fa-
tor importante sobretudo quando se
está fazendo uso de lentes
f 2.8 f4 f5.6 f.8 f11 f16 f22 intercambiáveis. O mais importante é
lembrar-se que a objetiva foi projetada
Fig 3.11 O efeito do diafragma sobre a abertura relativa de uma objetiva. para cobrir a area do formato para o
qual ela foi intencionada.

cia focal. A distância focal de uma objetiva é a medida em 5. A PROFUNDIDADE DE CAMPO. A profundidade de cam-
mm. cm. ou em polegadas do seu centro óptico até o ponto po diz respeito ao poder de uma objetiva de estender o seu
onde ela produz uma imagem nítida de um objeto situado no alcance de foco além e aquem do objeto focalizado. Diferen-
infinito. tes objetivas possuem diferentes profundidades de campo.
Via de regra as objetivas grande angulares possuem por si

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uma grande profundidade de campo e as tele-objetivas pou- A IMPORTÂNCIA DO PODER DE COBERTURA


ca.
É muito comum as pessoas confundirem os termos ân-
É possível aumentar a profundidade de campo de qualquer gulo de cobertura e poder de cobertura. Já vimos que o
objetiva mediante o fechamento da iris ou diafragma. Este ângulo de cobertura de uma objetiva representa o ângulo do
fenômeno é devido ao fato de que ao diminuirmos a abertura campo que ela capta à sua frente. O poder de cobertura por
estamos trabalhando com as partes centrais dos elementos outro lado, refere-se à area, formato ou o tamanho do nega-
e reduzindo os efetos de refração . tivo para o qual essa objetiva foi projetada. Embaixo vemos
o caso de uma objetiva cujo poder de cobertura é insuficien-
7. A IRIS. O diafragma ou iris e dispositivo utilizado para te para cobrir o negativo inteiro.
reduzirmos a abertura da objetiva. Dessa forma podemos
controlar a quantidade ou intensidade da luz que atinge o
filme. As aberturas do diafragma são calibradas em pontos
"f ". Ainda outro fator afetado pelo fechamento da iris é a
profundidade de campo (Ver item 6 nesta página e ilustra-
ções na página seguinte).

Fig. 3.13 Quando se utiliza uma objetiva feita


para um formato menor numa câmara de forma-
to maior é possivel que aconteça o efeito de
vinheta na imagem que vemos acima.

Fig.
3.12

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A IMPORTÂNCIA DA ABERTURA DO DIAFRAGMA NA Figuras 2.24e 2-25. As ilustrações nesta página mostram
como o fechamento progressivo do diafragma afeta a
PROFUNDIDADE DE CAMPO.
profunidade de campo de uma objetiva. A primeira foi feita
O efeito causado pelo fechamento do diafragma pode com o diafragma totalmente aberto. A segunda com a menor
ser dramático como podemos ver nas imagens abaixo. O abertura (f22). Vemos que as duas fotos são bastante diferen-
recurso de profundidade de campo tornou-se um elemento tes devido a profundidade de campo . Este recurso é um dos
de linguagem na fotografia e quem sabe bem explorá-lo tem mais importantes da fotografia pois como pode se ve,r passa
uma exelente ferramenta ao seu dispor. Vale a pena estudaar de um simples reurso técnico assumindo o nível de linguagem.
o texto ao lado. Cada uma das fotografias comunica coisas completamente di-
ferentes. Na primeira foto a mensagem é úni-
ca. Não há como confundir: o rosto da moça é
o destaque, o resto é pano de fundo. Na se-
gunda fotografia a mensagem é dividida entre
o fundo e o primeiro plano. A fisionomia da
moça é atraente mas a riqueza de informação
no segundo plano chama a nossa atenção para
os detalhes da textura das folhas caídas, e
outros pormenores que colocam o primeiro pla-
no em relação ao segundo dando outros signi-
ficados a foto.

Fig.3.14 Abertura do Fig. 3.15 Abertura do diafrag-


diafragma: f2 . ma: f22

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OS TIPOS DE OBJETIVAS

Agora que já vimos as ca-


racterísticas comuns a todas as
objetivas iremos fazer uma
análise dos diferentes tipos de
objetivas existentes. Basica-
mente existem quatro tipos de
objetivas:
X (1) as normais,
X (2) as grande angulares,
X (3) as tele objetivas,
X (4) as zoom.
Além destes quatro tipos básicos existem também:
X as objetivas para aplicações especiais
X as lentes suplementares

1. AS OBJETIVAS NORMAIS:
Fig 3.16A regra da diagonal do negativo é a melhor forma de podermos determinar
Uma objetiva normal é definidia como tendo uma dis- se uma objetiva é normal ou não para o formato que está sendo utilizado.
tância focal igual à diagonal do negativo para o qual ela será
utilizada. (Ver figuras 3.16 e 3.17) Esta regra é muito útil
pois dentre todas as que encontramos é a mais fácil de veri-
ficar e a mais “objetiva”.
Vejamos o exemplo a direita e abaixo: O formato 35 mm al
on
ag
mede 24 x 36 mm e a sua diagonal é de 43mm, esta deveria Di mm
43 35mm
ser a distância focal "normal" para esse formato. ( Ver Fig.
3.17).
Outra forma de se descrever uma objetiva normal é pelo
seu ângulo de cobertura . Diz-se que as objetivas normais se
aproximam do ângulo de visão do olho humano que é de
aproximadamente 50o graus. Este critério porém parece
Fig 3.17. A diagonal do negatiavo 35mm é de 43mm
bastante relativo uma vez que é necessário fecharmos um aproximadamente. Obs. A largura do filme inteiro é de 35
dos nossos olhos e olhar fixamente a nossa frente para mm mas a diagonal da área da imagem é que deve ser medi-
chagarmos a uma aproximação deste angulo. da.

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2. AS OBJETIVAS GRANDE ANGULARES As grande angulares tem as suas desvantagens. Em


Por definição uma grande angular tem uma distância focal primeiro lugar por serem objetivas de grande ângulo de co-
inferior a diagonal do negativo para o qual ela será utiliza- bertura representam a cena com uma distorção conhecida
da. Isto quer dizer que o seu poder de cobertura será maior como 'distorção esférica isto é elas reproduzem linhas retas
que o normal acima dos 50 graus de uma objetiva normal. como curvas. Hoje as grande angulares modernas possuem
(Veja exemplo abaixo) um alto grau de correção deste defeito mas ele é praticamen-
Existem objetivas do tipo "olho de peixe" que tem dis- te impossível de eliminar por completo. O defeito porém pode
tâncias focais muito pequenas ( 7 ou 8mm) e portanto um ser usado como um efeito. O uso de grande angulares em
angulo de cobertura que pode ultrapassar os 180 graus. as close-ups de rostos distorçe a fisionomia de forma singular.
objetivas grande angulares mais utiizadas porém são aque- Uma vantagem das grande angulares é a sua grande profun-
las com uma distância focal entre 20 e 35 mm. didade de campo o que permite planos onde quase tudo está
em foco.

3. AS TELEOBJETIVAS
Uma teleobjetiva é justamente aquilo que o seu nome
sugere. "Tele" é distância, tele- visão, tele-scópio, tele-fone. A
teleobjetiva serve para fotografar objetos que se encontram a
distância. Por definição qualquer objetiva com uma distân-
cia focal MAIOR do que o normal (a diagonal do negativo)
pode ser considerada uma tele objetiva. Isto significa que
uma objetiva de 80mm é uma teleobjetiva como também é
uma de 800mm. A diferença entre as duas será uma diferen-
180 ça em grau. A teleobjeiva de 800mm é dez vezes mais forte
graus que a de 80mm. O angulo de cobertura da objetiva mais
poderosa será dez vezes mais agudo e a imagem será dez
vezes maior que a da objetiva de 80mm.
As teleobjetivas por sua natureza, são maiores e mais
pesadas que as outras objetivas. Para melhor entendermos
isto é só lembrarmos que uma teleobjetiva de 800mm tem
que ter nada menos do que 80 centímetros entre o seu eixo
Fig.3.18 Uma grande angular com uma distância focal a metade da optico e o plano focal. Isto significa que ela tem que ter no
diagonal do negativo terá um angulo de cobertura o dobro do normal. minimo 80cm de comprimento. As teleobjetivas são compri-
Neste caso a objetiva olho de peixe de 7.5mm tem um angulo de cober- das e também são mais lentas que outras objetivas porque
tura de aproximadamente 180 graus ou seja; metade de um circulo!.

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absorvem mais luz. Dificilmente uma teleobjetiva acima dos 4. AS OBJETIVAS ZOOM
300mm tem uma abertura maior que f5.6 ou f8. As que pos- Até o presente momento discutimos objetivas de distân-
suem aberturas maiores como as 300mm f2.8 comuns entre cia focal fixa. As objetivas zoom apresentam um caso único
fotógrafos e cinegrafistas de esportes custam dez vezes mais em que a sua distância focal é variável. Na objetiva zoom,
que as de aberturas menores. Uma desvantagem das teleob- um ou mais grupos de elementos ópticos são movidos dentro
jetivas é que devido ao fato que elas aumentam a imagem a da objetiva para modificar a distância focal. Isto representa
sua tendência é de aumentar também as vibrações e por isto uma grande vantagem uma vez que torna possível fotografar
devem ser utilizadas montadas num tripé ou outro suporte
sólido e estável. Outra característica das teleobjetivas é uma
profundidade de campo reduzida e um achatamento da ima-
gem com perda de perspectiva chamada por muitos de "com-
pressão".

Fig 3.19. Teleobjetiva de 400mm com abertura de diafragma de


2.8 da maraca Canon..

Fig.3.20 A Objetiva Zoom pode mudar a sua distância focal mdiante


um complexo deslocamento de seus elementos internos. Aqui mostrada
objetiva Nikon 50 - 300mm.

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ou filmar cenas com mais de uma distância focal sem ter


que trocar de objetivas na câmara. As primeiras objetivas 5. OBJETIVAS ESPECIAIS
zoom apareceram nos anos 30 e foram sendo aperfeiçoadas
Existe um grande número de objetivas para aplicações
atravéz dos tempos até o ponto em que hoje é impensável
especiais e seria impossível mencionar todas aqui mas vale a
uma filmadora ou camcorder não ser equipada com uma
pena descrever algumas das mais importantes.
objetiva deste tipo. As primeiras zoom não possuiam uma
A.) OBJETIVAS DE DISTÂNCIA FOCAL EXTREMA
relação muito grande isto é; a sua capacidade de mudar de
Em primeiro lugar poderíamos deixar claro que as obje-
distância focal não passava de 3 ou 4 vezes. Hoje não é
tivas com distâncias focais extremas são consideradas obje-
nada incomum encotrarmos objetivas com relações de 15
tivas especiais já que são utilizadas para propósitos muito
ou 20 vezes.
especficos. Nesta categoria podemos incluir as extremas olho
As zoom demoraram para ser utilizadas em larga es-
de peixe ou as super tele-objetivas.
cala devido ao fato que as objetivas fixas produziam ima-
B.) OBJETIVAS E LENTES SUPLEMENTARES
gens de maior resolução e eram muito mais leves. Embora
Nesta classe são incluiidas objetivas que acopladas a
a questão tamanho ainda seja um fator que desfavorece as
outras objetivas modificam as características ópticas das mes-
zoom para todas as aplicações, a questão da qualidade da
mas. Este tipo de objetiva inclui desde lentes de aproxima-
imagem é praticamente insignificante hoje. O uso das obje-
ção até suplementos que tranformam uma objetiva normal
tivas zoom tornou-se praticamente padrão nos anos 60 e
em tele objetiva ou grande angular. Este tipo de objetiva tor-
70 na televisão. Depois disto, é que elas passaram a ser
na-se hoje bastante popular uma vez que muitas câmaras (
utilizadas nas câmaras de vídeo, no cinema e na fotografia.
principalmente camcorders, câmaras digitais, e algumas câ-
Hoje em dia as objetivas zoom são cada vez mais comuns
maras fotográficas.) amadoras ou semi-profissionais são
em camaras de todos os tipos. a sua praticidade está mais
fabaricadas com objetivas incorporadas que não podem ser
do que comprovada sobre as objetivas de distância focal
substituidas.
fixa uma vez que o fotógrafo não precisa ficar trocando de
C.) OBJETIVAS SNORKEL
objetiva no meio de um trabalho. Com a ajuda da compu-
A tecnologia de fibras ópticas possibilitou o desenho de obje-
tação, novos desenhos e formulas opticas se tornaram pos-
tivas que podem ser acopladas numa extremidade de um
síveis a um custo muito mais baixo ao mesmo tempo que se
chicote de fibras ópticas e o outro extremo na câmara. Desta
verifica um aumento qualitativo.
maneira a objetiva pode ser colocada em lugares outrora com-
pletamente inacessíveis para uma câmara. As aplicações
são múltiplas e quase inesgotáveis. A medicina a ciência, a
engenharia e a publicidade tem se aproveitado muito destes
recursos.

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D.) OBJETIVAS ANTI VIBRAÇÃO


Sempre a vibração ou trepidação foi um problema para a
fotografia uma vez que o resultado produz fotografias tremi-
das. Até certo ponto o uso de velocidades de obturador
mais elevadas resolvia parte do problema. Posteriormente
foram criados sistemas tremendamente complexos para di-
minuir os efeitos da trepidação. A Dynalens é um sistema
que utiliza objetivas que posssuem um fluido compensador
interno que minimiza os efeitos de movimentos bruscos quan-
do fotografando ou filmando de helicópteros ou aviões. Algu-
mas das soluções mais modernas utilizam sistemas eletrôni-
cos de compensação de movimento que oferecem resultados
surpreendentes.

E.) OBJETIVAS CATADIOPTRICAS


As objetivas catadióptricas são uma solução para limitar o
desconfortável tamanho de teleobjetivas extremas. Como se
sabe, uma objetiva com uma distância focal de 1000mm
teria que ter no mínimo um metro de comprimento. (Ver defi-
nição de distância focal) O desenho de objetivas catadioptricas
permite reduzir este tamanho para menos da metade por
meio de espelhos. (Veja ilustração) A maior desvantagem
deste tipo de objetiva é que devido ao sistema de espelhos
estas objetivas não podem ter um diafragama e são portanto
de abertura fixa. Uma segunda desvantagem do seu dese-
nho é que elas costumam ter uma abertura relativamente Fig. 3.21. Objeitva catadióptrica
pequena geralmente entre f-6 ou f-8 dependendo da sua dis-
tância focal. Muitas objetivas catadioptricas são verdadeiros
telescópios e na verdade o seu desenho é derivado de um
tipo de telescópio. A característeica mas evidente destas
objetivas é que elas são “gordas” ou seja, são mais largas do
que compridas.

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