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FACULDADE IDEAL CURSO DE ENGENHARIA CIVIL SEMANA ACADÊMICA 2013

CICLO DA PRODUÇÃO DO GESSO

ÊNFASE NA RECICLAGEM

Cristiane Araujo dos Santos Silva

Jocymara Antônia Raiol Costa

Trabalho apresentado a Coordenadoria da Semana de

Engenharia da Faculdade Ideal, de acordo com o Edital

para seleção de trabalhos técnico-acadêmicos.

Área de concentração: Materiais de Construção Civil

Orientador: Prof. MSc. Jefferson Maia Lima

Período: 26 a 30 de agosto de 2013.

BELÉM

2013

Rua dos Mundurucus, 1445 Batista Campos, CEP: 66025-660, Belém-PA. E-mail: semanaacademica2013@outlook.com

RESUMO

Com o desenvolvimento das construções as tecnologias de aplicação de gesso foram sendo aprimoradas, com isso houve um aumento no consumo deste material, chegando a ser um dos materiais mais consumidos do mundo. No entanto, um problema preocupante está em relação ao resíduo gerado pelo mesmo.

Considera-se que o destino deste resíduo se dá de forma inadequada, contaminando o meio ambiente. A deposição inadequada do resíduo de gesso pode contaminar o solo e o lençol freático. Isso acontece devido às características físicas e químicas do material, que em contato com o ambiente pode se tornar tóxico.

Através de revisões bibliográficas este trabalho mostra de forma sucinta o processo de extração, fabricação e aplicação, focando a viabilidade de reaproveitamento do resíduo de gesso, tendo como parâmetros pesquisas de estudiosos da área, resoluções do Conselho Nacional de Meio Ambiente CONAMA, e estatísticas do Departamento Nacional de Produção Mineral DNPM. Nessa linha de pensamento, propõe-se a reutilização do material citado, tanto na indústria cimenteira quanto na indústria de transformação de gesso, haja vista os resultados satisfatórios demonstrando viabilidade até o quinto ciclo de reciclagem.

O desenvolvimento sustentável requer uma redução do consumo de matérias primas naturais não renováveis de forma a minimizar os impactos ambientais. É de grande importância pensar em sustentabilidade hoje para termos um futuro melhor em geração de empregos, conservação de recursos naturais e preservação de meio ambiente.

Palavras-chave: Reciclagem de gesso, resíduo de gesso, sustentabilidade.

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SUMÁRIO

1.

INTRODUÇÃO

4

1.1

IMPORTÂNCIA

4

1.2

OBJETIVOS

5

1.3

JUSTIFICATIVAS

5

2.

GIPSITA

7

3.

PROCESSO PRODUTIVO DO GESSO

9

4.

APLICAÇÕES DA GIPSITA E DO GESSO

11

4.1

INDUSTRIA DE CIMENTO

11

4.2

REVESTIMENTOS

11

4.3

PLACAS E ARTEFATO

12

5.

GERAÇÃO DE RESÍDUOS

14

6.

POTENCIAIS APLICAÇÕES DO RESÍDUO

17

6.1

INDUSTRIA CIMENTEIRA

18

6.2

INDUSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO DE GESSO

19

7.

CONCLUSÃO

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8.

REFERÊNCIAS

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1.

INTRODUÇÃO

1.1.

IMPORTÂNCIA

A busca pelo aperfeiçoamento das técnicas construtivas com o intuito de otimizar a produção e redução de custos sempre foi uma estratégia utilizada pelas grandes construtoras. Ao longo dos anos, os avanços tecnológicos levaram ao desenvolvimento e melhorias nas diversas aplicações para o gesso na construção civil, material oriundo do mineral gipsita disposto em grande escala em nosso país. A utilização do gesso como material de construção em território nacional teve um crescimento diretamente proporcional ao observado na indústria da construção civil. Apesar desse aspecto positivo na economia nacional, o acréscimo no consumo de materiais de construção leva a uma grande desvantagem sobre a óptica da maior quantidade de resíduos gerados. No que tange aos resíduos gerados pela cadeia do gesso, de forma geral, os mesmos, por não terem uma destinação apropriada nos dias atuais, são depositados em aterros sanitários degradando o meio ambiente em razão do contato inapropriado com solo e contaminando o lençol freático. Para tanto, existe uma forte corrente na busca do reuso ou reciclagem de materiais descartados com o foco na redução do impacto ambiental, seja durante a extração das matérias primas ou durante o processo produtivo, com um custo-benefício adequado. A indústria de construção civil, considerada altamente degradante ao meio ambiente por gerar uma grande quantidade de resíduos, tanto durante a fabricação quanto na aplicação, também é apontada como um dos setores mais vantajosos para absorver volumes vultosos de resíduos e subprodutos industriais. Dentre as alternativas consideradas viáveis para a utilização dos resíduos gerados por materiais de gesso apresentam-se como soluções adequadas o aproveitamento na indústria de fabricação de cimento Portland e na de transformação de gesso através da produção de placas e painéis alternativos.

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1.2. OBJETIVOS

Diante desse contexto, o objetivo geral é apresentar uma pesquisa acadêmica sobre as formas principais de reaproveitamento dos resíduos gerados a partir da aplicação do gesso na construção civil através da exposição de resultados bem sucedidos.

Outrossim, objetiva divulgar em nível acadêmico as diretrizes básicas da resolução 307/02 do CONAMA que trata da gestão dos resíduos da construção civil, a qual reconhece o resíduo do gesso como um material reciclado. O trabalho tem a finalidade de mostrar números divulgados em pesquisas que apontaram a geração de grandes volumes de resíduo proveniente da construção civil, sendo este sem destinação apropriada. Por fim, objetiva mostrar a viabilidade em recuperar um resíduo que não era considerado possível de ser reciclado até pouco tempo, tanto que existem poucas usinas de reciclo para este material no país (PINHEIRO, 2011).

1.3. JUSTIFICATIVA

Os principais problemas enfrentados pela humanidade nos dias atuais são advindos dos efeitos causados pela poluição gerada nos grandes centros urbanos. Como exemplo, pode ser mencionada a grande produção de lixo urbano que ocasiona a poluição de lagos e rios, além da poluição do ar, oriunda de indústrias de transformação, que contribui para o efeito estufa. Tudo o que é produzido pela natureza rapidamente se transforma. Porém, caso não se tome providências bem definidas para colaborar com a diminuição de descarte de materiais inservíveis, por si só, a natureza não terá condições de se manter sustentável. Portanto, com a reciclagem, o resíduo passa a ser tratado como matéria-prima alternativa que será utilizada para fabricar novos produtos, trazendo como vantagens a diminuição da quantidade deste que vai para os lixões, poupando os recursos naturais, reduzindo a poluição e, além de tudo, gerando empregos. Em todos os setores da economia há uma grande importância de se fazer valer a sustentabilidade para que as gerações futuras tenham uma vida mais saudável.

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Na construção civil não é diferente, com o grande crescimento nos últimos anos houve a necessidade de criar leis para tentar diminuir o grande impacto ambiental gerado pelos resíduos sem destinação. Assim, tem-se a necessidade de buscar alternativas para viabilizar o uso destes materiais depositados através de uma política de educação ambiental mais forte, estudos para conhecer os potenciais de cada resíduo e incentivos para os grandes geradores, no caso, as grandes e médias construtoras, consideradas na atualidade as maiores consumidoras de elementos à base de gesso.

Visando contribuir com o referido tema, este trabalho propõe apresentar de através de levantamento de material bibliográfico os principais aspectos relacionados à reutilização do resíduo de gesso na construção civil e em outros setores da indústria, disponibilizando, dessa forma, um destino ambientalmente correto.

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2. GIPSITA A gipsita (CaSO 4 .2H 2 O), mineral abundante na natureza, é encontrado em granulação fina a média, estratificada ou maciça, coloração em tons claros de amarelo e marrom. Hoje a gipsita tem uma grande importância em diversos setores da economia, utilizada como adição na indústria cimenteira, na odontologia, na agricultura, na indústria de papel, na fabricação de tintas, discos, pólvora, botões de fósforos, no acabamento de tecidos de algodão, entre outras. Na construção civil, é utilizada no polimento de chapas estanhadas, como fíller na construção de estradas asfaltadas e como gesso (CaSO 4 .½H2O), fabricado a partir de uma desidratação a uma temperatura de cerca de 160ºC, termo este mais apropriado para a gipsita bruta calcinada. O consumo aparente de gipsita que se dá em grande maioria pela construção civil que em 2011 foi de aproximadamente 3.307.436 de toneladas. Apesar da grande quantidade utilizada nacionalmente, nesse mesmo ano importou-se mais de 5% do consumo nacional de gipsita (Tabela 01), isto por conta do transporte das jazidas até fábricas e assim para comercialização no mercado interno encarecer muito o produto final (DNPM, 2012).

Tabela 01 Principais Estatísticas no Brasil.

2012). Tabela 01 – Principais Estatísticas no Brasil. Rua dos Mundurucus, 1445 Batista Campos, CEP: 66025-660,

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Em rede nacional os principais depósitos de gipsita reconhecidas pelo Departamento Nacional de Produto Mineral DNPM, ocorrem associados às bacias sedimentares conhecidas como Bacia Amazônica (Amazonas e Pará); Bacia do Meio Norte ou Bacia do Parnaíba (Maranhão e Tocantins); Bacia Potiguar (Rio Grande do Norte); Bacia Sedimentar do Araripe (Piauí, Ceará e Pernambuco); e Bacia do Recôncavo (Bahia), sendo dentre estas citadas a Bacia Sedimentar do Araripe considerada a mais apropriada economicamente e a Bacia do Amazônica é descartada por inviabilidade na logística e infra-estrutura (DNPM, 2012).

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3. PROCESSO PRODUTIVO DO GESSO

O processo de produção do gesso, a partir da utilização da gipsita natural, consta

das etapas: extração e preparação da matéria-prima; calcinação; pulverização; ensilagem; e acondicionamento (PINHEIRO, 2011). De forma geral a calcinação do minério de gipsita consiste, basicamente, na desidratação térmica do sulfato de cálcio di-hidratado (CaSO 4 .2H 2 O). A variação da temperatura permite obter gesso beta com diferentes características diretamente relacionadas à sua utilização: gesso rápido ou de fundição que nas temperaturas de 120ºC a

180ºC a gipsita perde 1 1/2 moléculas de água, passando de di hidratado para hemi- hidratado (CaSO 4 .1/2H 2 O), utilizado na construção civil e gesso lento ou de revestimento (PINHEIRO, 2011). Além desses tipos, existem ainda o gesso cerâmico, que é uma variedade mais nobre do gesso de fundição, e o gesso f í ller , que corresponde à fração de finos que se recupera dos vapores que são lançados na atmosfera, durante a etapa de calcinação (DNPM, 2012). Durante a etapa de pulverização, o gesso produzido na calcinação passa por uma moagem fina, de forma a adquirir a granulometria adequada à sua utilização. Em geral, as granulometrias são especificadas por norma. Por fim, no acondicionamento são utilizadas embalagens de estanques, de forma a proteger o material da umidade ambiente (ABREU, 2005 apud PINHEIRO, 2011).

Tabela 02 - Fluxograma do processo de produção do gesso.

Tabela 02 - Fluxograma do processo de produção do gesso . A desidratação total ou parcial

A desidratação total ou parcial da Gipsita esta se torna um aglomerante aéreo

(endurece pela ação química do CO 2 do ar), sendo assim este é um material muito utilizado em construção devido às suas propriedades de aderência. A sua maleabilidade fazem da argamassa deste ligante um bom material para a execução de pormenores decorativos em paredes e tetos, assim como fazer o estuque que reveste as paredes. É um bom isolante térmico e acústico devido ao fato de ter uma baixa condutividade térmica e um elevado

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Coeficiente de absorção acústica. Contudo, a sua fraca resistência quando posto em contacto com água, faz do gesso um mau material para ser utilizado em exteriores. É também utilizado como barreira corta-fogo, pois como tem um baixo coeficiente de condutibilidade térmica, impede que o fogo alastre a outras zonas do local onde o gesso está aplicado, normalmente em habitações; para além do baixo coeficiente de condutibilidade térmica possui ainda a característica de libertar água quando exposto ao calor do fogo (calcinação a quente).

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4. APLICAÇÕES DA GIPSITA E DO GESSO

O gesso é um dos materiais que, com a tecnologia, apresenta grande importância

para a sociedade por se enquadrar no processo de desenvolvimento sustentável.

A maior aplicação do gesso é na indústria da construção civil (revestimento de

paredes, placas, blocos, painéis, etc), onde pode ser utilizado como alternativa em relação a outros materiais como a cal, o cimento, a alvenaria e a madeira. É também muito utilizado na confecção de moldes para as indústrias cerâmica, metalúrgica e de plásticos. Por sua resistência ao fogo é empregado na confecção de portas corta-fogo. Com uma mistura de

gesso e amianto, são confeccionados isolantes para cobertura de tubulações e caldeiras, enquanto isolantes acústicos são produzidos com a adição de material poroso ao gesso (MUNHOZ; RENÓFIO, 2006).

4.1. INDÚSTRIA DE CIMENTO

No setor industrial a grande aplicação da gipsita é na fabricação do cimento Portland, como retardador do tempo de pega, onde é adicionado ao clínquer em um percentual de 3 a 5 % em massa.

4.2. REVESTIMENTOS

A presença do gesso na construção, em forma de revestimento de paredes de

alvenaria ou mesmo como material para construção das divisórias internas dos imóveis, começou a ser difundido na mesma época que o poliestireno expandido (comumente denominado de isopor), que é aplicado nas lajes dos edifícios. Porém, por considerarem alto o investimento, os empresários do setor somente a partir do ano 2000 intensificaram o uso do produto. As placas de gesso para forro de tetos são as mais conhecidas, mas cerca de 90% das empresas pernambucanas do setor já incluem o gesso no acabamento de suas obras e algumas aplicam o produto também para a construção das paredes internas e no nivelamento de pisos para aplicação de cerâmica.

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O gesso é usado para dar acabamento às paredes de alvenaria, dispensando o reboco

e massa corrida. Com isso há um ganho em rapidez para execução do serviço e na redução

do desperdício de material. Isto compensa o preço final do produto. Depois de aplicado o gesso, a parede está pronta para ser pintada, e, no caso da alvenaria, a argamassa tem que ser coberta por gesso ou por massa corrida, para receber a pintura. De uma só vez o gesso pode substituir o chapisco, o emboço e o reboco de um revestimento interno, o que significa economia de mão-de-oba e de material.

O acabamento quanto à lisura da superfície é muito superior ao de argamassas de

cimento e cal, proporcionando uma base super adequada para a pintura. A alta porosidade do revestimento em gesso vai permitir um isolamento térmico e acústico, enquanto que a

baixa condutividade térmica do material e sua incombustividade conferem-lhe a vantagem da resistência ao fogo.

O gesso apresenta retração insignificante em relação às argamassas de cimento e cal

mal dosadas, o que gera fissuras, causando descolamento do revestimento. Além disso, possui uma alta durabilidade quando aplicado em interiores e estudos e são sendo realizados para tornar esse material pouco permeável, através da mistura com aditivos, o que possibilitará sua utilização em exteriores.

4.3. PLACAS E ARTEFATOS

O uso do gesso na arquitetura de interiores poderá ter até duas funções, a decorativa

com molduras, frisos, florões, sancas, cimalhas, iluminação embutida, revestimentos de colunas, frentes de lareira, captéis, além de perfis e bordas de janelas e portas e rebaixamento de teto, aí não só pela sua função estética, mas também, muitas vezes, pela necessidade de se esconder uma tubulação hidro-sanitária aparente no teto.

Existe no mercado opções de modelos prontos ou peças feitas sob encomenda para

o espaço e no estilo solicitado. Neste caso, com moldes desenvolvidos especificamente, o preço também é diferenciado. Por sua maleabilidade, é material ideal para trabalhos meticulosos de restauração de peças antigas. Seguindo o padrão de qualidade e resistência exigido por arquitetos, decoradores e consumidores finais, as empresas investem no desenvolvimento de ferramentas e tecnologia. Por conta disso, cada vez mais empresas oferecem trabalhos exclusivos.

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13 Figura 01 – Ilustrações de Placas e Artefatos Rua dos Mundurucus, 1445 Batista Campos, CEP:
13 Figura 01 – Ilustrações de Placas e Artefatos Rua dos Mundurucus, 1445 Batista Campos, CEP:
13 Figura 01 – Ilustrações de Placas e Artefatos Rua dos Mundurucus, 1445 Batista Campos, CEP:
13 Figura 01 – Ilustrações de Placas e Artefatos Rua dos Mundurucus, 1445 Batista Campos, CEP:

Figura 01 Ilustrações de Placas e Artefatos

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5. GERAÇÃO DE RESÍDUOS

Mundialmente, os resíduos da construção civil se diversificam muito, devido à peculiaridades dos sistemas construtivos de cada país. Estudos revelam que nos Estados Unidos, a produção de resíduos da construção civil atinge uma taxa de geração de 20 à 39 kg/m² de área construída. Esta taxa varia conforme o tipo construção, seja ela uma residência ou um prédio. A composição percentual pode ser vista figura abaixo:

A composição percentual pode ser vista figura abaixo: Figura 02 – Composição Percentual de Resíduos de

Figura 02 Composição Percentual de Resíduos de Construção e Demolição dos EUA Fonte: Word Taste 1994 apud Munhoz e Renófio 2006.

No Brasil, a situação não é a mesma devido à diferença do sistema construtivo. Estudos recentes realizados na cidade de São Carlos mostram a composição dos resíduos da construção civil no Brasil, conforme pode ser visto na figura que se segue:

Dessa forma, verifica-se que no Brasil, quanto aos resíduos do gesso gera-se uma quantidade bem menor em relação aos Estados Unidos. Isso ocorre porque nos EUA, é utilizado o sistema drywall para a construção de paredes, enquanto que no Brasil ainda é utilizado blocos cerâmicos, apesar de que a construção com sistema drywall tem aumentado significativamente nos últimos anos. Segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Chapas para Drywall (DRYWALL, 2012), o uso de gesso na construção civil brasileira vem crescendo gradativamente ao longo dos últimos anos. Ganhou impulso a partir de 1990, com a introdução de tecnologia drywall nas vedações internas de todos os tipos de edificações no país.

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15 Figura 03 – Composição Percentual de Resíduos de Const. e Demolição do Munic. de São

Figura 03 Composição Percentual de Resíduos de Const. e Demolição do Munic. de São Carlos Fonte: Neto 2005 apud Munhoz e Renófio 2006.

Entretanto, toda essa utilização gera resíduos. Estima-se que o desperdício de gesso na indústria da construção civil é de 45%, enquanto os fabricantes do gesso em pó estimam perdas em torno de 30% da massa de gesso. Em ordem de importância, pelo volume de resíduos gerados nas obras, estão os seguintes materiais produzidos à base de gesso: gesso para revestimento; placas e ornamentos de gesso fundido; chapas para drywall; e massas para tratamento de juntas de sistemas drywall. A ordem de geração de resíduo está sendo ilustrada de acordo com a Figura 04, a

seguir.

A gestão destes resíduos de gesso, da mesma forma que ocorre com outros materiais empregados nos canteiros de obras, passou a demandar atenção cada vez maior dos construtores, em razão das rigorosas exigências da legislação ambiental brasileira. A construção civil apesar de seus reconhecidos impactos socioeconômico para o país, ela ainda carece de uma firme política para a destinação de seus resíduos sólidos, principalmente em centros urbanos.

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16 Figura 04 - Fluxograma do Processo de Reciclagem do Gesso. A geração de resíduo de

Figura 04 - Fluxograma do Processo de Reciclagem do Gesso.

A geração de resíduo de gesso de construção representa um problema econômico com graves consequências e impacto ecológico. Estes resíduos sólidos que acabam em aterros sanitários ou são depositados de forma irregular em terrenos baldios contaminam o meio ambiente, pois o gesso é um material tóxico que libera íons Ca 2+ e SO 4 2- que alteram a alcalinidade do solo e contaminam lençóis freáticos. Além disso, a decomposição do resíduo de gesso em aterros leva a geração de gás sulfídrico, devido às reações do sulfato com a matéria orgânica.

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6. POTENCIAIS APLICAÇÕES DO RESÍDUO

Desde a década de 90 a utilização das tecnologias em gesso vem crescendo cada vez mais na construção civil e, proporcionalmente, a quantidade de resíduo gerado também. Logo, a questão ambiental ficou mais forte e assim foi criado pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) a resolução nº 431/11 estabelecendo uma nova classificação para o gesso (Classe B - Resíduos recicláveis) que deverão ser reutilizados, reciclados ou encaminhados a áreas de armazenamento temporário, sendo dispostos de modo a permitir a sua utilização ou reciclagem futura. A resolução nº 448/12 estabelece que os municípios e o Distrito Federal elaborem seus Planos Municipais de Gestão de Resíduos de Construção Civil. A Prefeitura Municipal de Belém estimula em seu plano diretor o uso, reuso e reciclagem de resíduos em especial o reaproveitamento de resíduos inertes da construção civil (LEI MUNICIPAL Nº 8.655, 2008). No entanto, apesar do incentivo, não se vê algo de concreto sendo feito para que isto ocorra. A lei existe, porém, a fiscalização sobre a destinação dos resíduos gerados nas construções ainda não tem força em nosso município. Pesquisados métodos de reciclagem do gesso, avançou-se de forma significativa em pelo menos três frentes para o reaproveitamento desse material:

Indústria cimenteira, para a qual o resíduo do gesso (gipsita) é um ingrediente útil e necessário, que atua como retardador de pega do cimento;

Setor agrícola, no qual o resíduo do gesso (gipsita) é utilizado como corretivo da acidez do solo e na melhoria das características deste;

Indústria de transformação do gesso, que pode reincorporar seus resíduos, em certa proporção, em seus processos de produção (opção muito pouco utilizada, na prática) após processo de calcinação.

Essas três frentes de reaproveitamento foram largamente testadas, sendo não só tecnicamente possíveis, como economicamente viáveis. Portanto, representam importantes contribuições à sustentabilidade da construção civil brasileira (DRYWALL, 2012).

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6.1. INDÚSTRIA CIMENTEIRA

A produção nacional de cimento, de acordo com dados de 2010, é de aproximadamente 80 milhões de toneladas anuais, em cuja fabricação pode entrar até 5% de gipsita. Ou seja, existe um potencial de consumo de gipsita de até 4 milhões de toneladas por ano, parte dos quais podem ser supridos integralmente com resíduos de gesso oriundos da construção, com efeitos positivos sobre o meio ambiente e a longevidade das jazidas brasileiras desse minério (DRYWALL, 2012). O fornecimento de gipsita à indústria do cimento está sujeito a especificações técnicas que incluem a granulometria do produto, o seu teor de umidade e, em particular, o seu teor em SO 3 . Relativamente a este último parâmetro, as fábricas de cimento têm exigido às pedreiras de gesso que ele seja cada vez maior, situação que coloca pressão de exploração sobre os sectores mais ricos dos jazigos, inviabilizando o aproveitamento do recurso numa lógica de geoindústria de resíduo zero. Para obviar a que tal não aconteça, pode recorrer-se à beneficiação do gesso, nomeadamente através da correção dos teores em SO 3 da matéria- prima produzida (PACHECO; MATIAS, 2010).

3 da matéria- prima produzida (PACHECO; MATIAS, 2010). Figura 05 – Esquema do Processo Produtivo do

Figura 05 Esquema do Processo Produtivo do Cimento.

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6.2. INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO DE GESSO

O processo de reutilização do resíduo do gesso se dá primeiramente pelas seguintes etapas: segregação e coleta de resíduo, secagem, trituração e moagem. Assim se dá as características das placas produzidas, onde é indicado o tipo de gesso utilizado e a forma da mistura, e são apresentados os tempos de endurecimento do material verificado na produção.

Tabela 04 Produção de Placas de Gesso.

produção. Tabela 04 – Produção de Placas de Gesso. Fonte: Olindo Savi, 2012 Pode-se observar no

Fonte: Olindo Savi, 2012

Pode-se observar no processo de fabricação a diferença de trabalhabilidade entre o gesso comercial e o reciclado, que apresenta maior dificuldade na mistura e na moldagem da placa. A mistura das pastas de gesso reciclado não puderam ser realizadas mecanicamente porque o pó se mantém em suspensão, dificultando sua incorporação na água, cuja mistura apresentou um aspecto cremoso (Figura 07), e não o aspecto líquido da pasta de gesso comercial (Figura 06). As pastas mistas foram misturadas utilizando os dois processos, mistura manual por um minuto e igual tempo com o uso da batedeira (SAVI,

2012.)

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20 Figura 06 – Pasta de Gesso Comercial Fonte: Savi, 2012. Figura 07 – Pasta de

Figura 06 Pasta de Gesso Comercial Fonte: Savi, 2012.

Figura 06 – Pasta de Gesso Comercial Fonte: Savi, 2012. Figura 07 – Pasta de Gesso

Figura 07 Pasta de Gesso Reciclado Fonte: Savi, 2012.

Os estudos realizados indicam que o gesso é tecnicamente reciclável e que é possível a sua utilização na produção de placas de forro. As placas produzidas com gesso reciclado apresentaram aspectos de cor e resistência física e mecânica compatível com a obtida com o gesso comercial. As características físicas e mecânicas do gesso reciclado, de forma geral, são compatíveis ou superiores às do gesso comercial. As pastas de gesso reciclado, por apresentar um aspecto mais viscoso, confere-lhe maior trabalhabilidade. Assim, a melhor utilização do gesso reciclado puro é em indústrias de grande porte, que possuam equipamentos adequados, ou em indústrias que produzem placas de grandes dimensões, como as de painéis de parede. Outra forma de utilização do gesso reciclado puro é na produção de elementos complementares, como rodaforros e sancas, que utilizam pastas com maior consistência. Para as pequenas indústrias, que possuem equipamentos similares aos empregados nesta pesquisa, a melhor forma de utilização do gesso reciclado é em pastas mistas com o gesso comercial, que melhoram a trabalhabilidade da pasta, conferindo-lhe maior fluidez, deixando-a com aspecto próximo daquele obtido com o gesso comercial puro (SAVI,

2012).

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21 Figura 08 – Placa de Gesso Reciclado (esquerda) e Placa de Gesso Reciclado (direta) Fonte:

Figura 08 Placa de Gesso Reciclado (esquerda) e Placa de Gesso Reciclado (direta) Fonte: Savi, 2012.

Como mencionado, ainda essa opção de transformação de gesso é pouco utilizada, então precisamos de mais iniciativas para a preservação dos recursos naturais, que aparentemente eram vistos como ilimitados. Assim, a melhor opção era a da exploração, sem qualquer preocupação com a reciclagem, sendo que hoje sabe-se que a realidade é diferente.

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7.

CONCLUSÃO

A utilização do gesso na construção civil vem crescendo numa proporção de 20% a

30% anualmente. Usado como placas para forros, sancas e molduras, rebaixamento de tetos e como componente do drywall . Quando descartado inadequadamente em aterros,

cria sérios problemas ambientais podendo contaminar o solo e o lençol freático pelas características físicas e químicas presentes em sua composição.

O gesso em aterros é um problema, porque acaba criando bolsões e desestabiliza o

terreno, alem do que pode e deve ser reciclado seguindo assim o conceito de

sustentabilidade e atendendo assim à legislação.

A resolução Nº 307 do CONAMA alterou a classificação do gesso para a classe B,

passando para a categoria de reciclagem obrigatória, pois o resíduo do gesso é 100% aproveitado.

É preciso mudar os hábitos das empresas construtoras no que diz respeito à

reciclagem do gesso, assim como toda obra ou reforma que produz entulho e que não pode

ser destinado aos aterros comuns. É comum o resíduo da construção civil não receber a atenção devida. Em termos de volume, é semelhante à quantidade de lixo doméstico. O construtor deve ter atenção especial na separação do material, pois quando é misturado a outros rejeitos a sua reciclagem é dificultada. Cerca de 3% das placas de drywall e de 20% a 25% do produto comprado para fazer rebaixamentos, sancas e paredes viram rejeitos. Deve-se apostar na ideia que sustentabilidade é a palavra dita hoje que terá reflexo amanhã e que todos terão que se adaptar para não sofrerem prejuízos incalculáveis.

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8.

REFERÊNCIAS

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