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UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA DA REGIÃO DE CHAPECÓ UNOCHAPECÓ ÁREA DE CIÊNCIAS DA SAÚDE CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA

Bruna Favaretto Finger

O MINI-TÊNIS COMO UMA METODOLOGIA PARA O ENSINO DO TÊNIS DE CAMPO NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR NO ENSINO FUNDAMENTAL

Chapecó - SC, 2010

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BRUNA FAVARETTO FINGER

O MINI-TÊNIS COMO UMA METODOLOGIA PARA O ENSINO DO TÊNIS DE

CAMPO NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR NO ENSINO FUNDAMENTAL

Monografia apresentada à UNOCHAPECÓ, como requisito parcial para obtenção do grau de graduado em Educação Física.

Orientador (a): Prof. Msc. Lilian Beatriz Schwinn Rodrigues

Chapecó - SC dez. 2010

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BRUNA FAVARETTO FINGER

O MINI-TÊNIS COMO UMA METODOLOGIA PARA O ENSINO DO TÊNIS DE

CAMPO NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR NO ENSINO FUNDAMENTAL

Essa monografia foi julgada adequada à obtenção do título de graduada em Educação Física e aprovado em sua forma final pelo Curso de Educação Física, da UNOCHAPECÓ.

Chapecó, 07 dezembro de 2010

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Prof. e orientadora Lilian Beatriz Schwinn Rodrigues, Msc.

Universidade Comunitária Regional de Chapecó

Prof. Altamir Trevisan Dutra, Msc.

Universidade Comunitária Regional de Chapecó

Prof. Carla dos Reis Rezer, Msc.

Universidade Comunitária Regional de Chapecó

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Dedico este trabalho aquelas pessoas que fazem meu coração sorrir, para a pessoa que eu esperava que me chutasse quando caí, e que foi uma das primeiras que me ajudou a levantar, para as pessoas que fazem a diferença em minha vida, para as pessoas que quando olho para trás, sinto muitas saudades, para as pessoas que me deram força quando eu não estava muito animada, para as pessoas que amei, para as pessoas que abracei, para as pessoas que encontro apenas em meus sonhos e para as pessoas que encontro todos os dias e não tenho a chance de dizer tudo o que sinto olhando nos olhos.

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AGRADECIMENTOS

Durante toda esta caminhada várias pessoas colaboraram e me ensinaram muitas coisas, sem elas esse sonho jamais se tornaria realidade. Afinal, atrás desta monografia tem- se uma história de dificuldades e conquistas nas quais os coadjuvantes tem um papel fundamental. Agora quero revelar meus sinceros agradecimentos aqueles que de alguma forma contribuíram para este momento. Antes de tudo, quero agradecer a Deus que nos momentos difíceis ouviu as minhas orações e me conduziu ao melhor caminho. Neste momento de alegria, no qual celebro o final de uma longa etapa, aproveito para prestar uma justa e sincera homenagem. Mãe pode ser que a minha vida não seja como tu sonhaste. Pode ser que você não tenha sido a mãe que pretendia ser, e eu, a filha que gostaria de ter. Hoje tudo isso não importa, pois juntas estamos realizando mais um sonho, com a certeza de que nada disso existiria se um dia você não estivesse confiado na minha vida, muitas e muitas vezes trabalhando dobrado, renunciando seus sonhos a favor dos meus. Neste momento tão especial, procuro entre palavras aquela que melhor exprime esta emoção, e só encontro uma:

Obrigado. Obrigado a você que me acompanhou com carinho e estímulo, procurando amenizar a minha ansiedade em cada telefonema ou rosto desanimado, me mantendo firme diante dos obstáculos. Um dia aprendemos a valorizar quem realmente faz a diferença em nossa vida, e passamos a ver que existem muitas pessoas verdadeiramente especiais, que nunca nos deixaram ou deixariam em momento algum. Por isso quero agradecer em especial, ao meu namorado querido, companheiro, que além de compreender a minha ausência, esteve sempre à disposição nas horas difíceis, consolando, incentivando e dando-me forças para prosseguir. Saiba que te amo muito. Agradeço a professora e amiga Luciane Lara Acco por ter acreditado no meu potencial e por estar ao meu lado durante toda esta caminhada. As suas orientações, recomendações e a cordialidade com que sempre me recebeu foram elementos essenciais para que este trabalho fosse realizado. A minha orientadora Lilian Beatriz Schwinn Rodrigues por ter acreditado neste estudo, pelas suas orientações e também pela dedicação que teve com este trabalho, o meu muito obrigado.

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O que sabemos é uma gota. O que ignoramos é um oceano.”

Isaac Newton

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RESUMO

Este estudo através de uma pesquisa exploratória do tipo bibliográfica tem como objetivo apresentar e descrever o mini-tênis como uma metodologia adequada para trabalhar o tênis de campo na Educação Física escolar no ensino fundamental. Por intermédio de materiais e métodos alternativos, objetivou ainda salientar a importância da iniciação do tênis de campo nas aulas de Educação Física utilizando o método do mini-tênis para a contribuição no desenvolvimento integral do adolescente. O mini-tênis é um método simples de aprender a jogar tênis, podendo ser realizado em qualquer superfície plana com dimensões reduzidas, raquete com diâmetro menor, e se possível bolas de espuma ou soft. Não havendo disponibilidade desses tipos de bolas, é possível que bolas velhas sejam utilizadas, pois dessa forma, ficam mais lentas facilitando a execução e manuseio bola-raquete. É uma das formas mais fáceis de ensinar os adolescentes de 5ª a 8ª série. As regras são simples utilizando-se de uma técnica básica e fácil para adequar a faixa etária dos alunos. O principal diferencial é a criatividade de como trabalhar com pouco material e espaço. Seu ensino está direcionado para atividades que privilegiem situações de jogos com cooperação e oposição. Conclui-se que o mini-tênis pode ser uma forma adequada para o ensino e a aprendizagem do tênis nas escolas, sendo que os materiais e as instalações necessárias estão no alcance dos professores.

Palavras-chave: Mini-tênis. Escola. Educação Física.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 - Eastern de direita

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Figura 2 - Eastern de esquerda

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Figura 3 - Continental

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Figura 4 - As fases do desenvolvimento motor

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Figura 5 - Balancear e quicar a bola com ajuda da raquete

55

Figura 6 - Equilíbrio bola sobre raquete

55

Figura 7 - Equilíbrio bola sobre raquete

56

Figura 8 - Brincadeira de pique pega

56

Figura 9 - Troca de bolas

57

Figura 10 - Troca de bolas

57

Figura 11 - Troca de bolas ao alvo

58

Figura 12 - Troca de bolas ao alvo

58

Figura 13 - Troca de bolas ao alvo

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Figura 14 - Rebater a bola

59

Figura 15 - Divisão da mini quadra verticalmente

60

Figura 16 - Demarcação do jogo de dois toques

60

Figura 17 - Divisão da mini quadra em quadrantes

61

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Principais referências que contribuíram para esta pesquisa

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Tabela 2 - Soluções aos possíveis problemas que apresentam os iniciantes

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x

LISTA DE SIGLAS

AC - Analise de Conteúdo CBD - Confederação Brasileira de Desporto CBT - Confederação Brasileira de Tênis EUA - Estados Unidos da América FFT - Federação Francesa de Tênis FIT - Federação Internacional de Tênis FPT - Federação Paulista de Tênis IRSA - Associação Nacional de Esportes de Raquete NETEC - Núcleo de Estudos em Tênis de Campo NTRP - Programa Nacional de Classificação de Tênis SED - Secretaria de Estado da Educação SNC - Sistema Nervoso Central UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina UNOCHAPECÓ - Universidade Comunitária Regional de Chapecó USPTA - Associação de Tênis Profissional dos Estados Unidos USTA - Associação de Tênis dos Estados Unidos

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SUMÁRIO

1

INTRODUÇÃO

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1.1 APRESENTAÇÃO DO TEMA

12

1.2 OBJETIVO GERAL

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1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

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PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

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2.1 CLASSIFICAÇÃO DO TIPO DE ESTUDO

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2.2 AMOSTRA E INSTRUMENTO

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2.3 PROCEDIMENTOS

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2.4 ANÁLISE DOS DADOS

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3

TÊNIS DE CAMPO

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3.1 HISTÓRICO DO TÊNIS DE CAMPO

18

3.2 O JOGO DO TÊNIS DE CAMPO

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3.3 MOVIMENTOS DE JOGO

21

3.3.1 Descrição dos principais fundamentos do tênis de campo

22

3.4 CARACTERÍSTICAS DOS JOGOS DE INICIAÇÃO

26

4 CONTRIBUIÇÕES DO TÊNIS PARA O DESENVOLVIMENTO INTEGRAL DO

ADOLESCENTE

4.1 CLASSIFICAÇÃO DAS FAIXAS ETÁRIAS DO DESENVOLVIMENTO

28

MOTOR

 

30

 

4.2

CLASSIFICAÇÃO DAS HABILIDADES MOTORAS

31

4.3

FASES DO DESENVOLVIMENTO MOTOR

32

4.4

HABILIDADES MOTORAS ESPECIALIZADAS

34

5

EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

36

 

5.1

ESPORTE NA ESCOLA

37

xii

6

MINI-TÊNIS

41

6.1 MINI-TÊNIS COMO CONTEÚDO NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

41

6.2 MÉTODOS DE ENSINO

44

6.3 VANTAGENS E BENEFÍCIOS DO MINI-TÊNIS

46

6.4 OBJETIVOS DO MINI-TÊNIS

47

7

SUGESTÕES PARA TRABALHAR O MINI-TÊNIS NA ESCOLA

49

7.1

ASPECTOS FUNDAMENTAIS PARA UMA AULA DE TÊNIS DE

CAMPO

49

7.2 ASPECTOS METODOLÓGICOS A SEREM LEVADOS EM CONTA PELO

PROFESSOR

 

50

 

7.3

RESPONSABILIDADE E CARACTERÍSTICAS DO PROFESSOR

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7.4

SUGESTÕES DE MATERIAS ALTERNATIVOS

53

7.5

SUGESTÕES DE ATIVIDADES PARA INICIAÇÃO DO TÊNIS NA

ESCOLA

 

54

8

CONCLUSÃO

62

REFERÊNCIAS

64

12

1 INTRODUÇÃO

1.1 APRESENTAÇÃO DO TEMA

O tênis é considerado pela maioria das pessoas como um esporte elitizado, porém,

muitos desconhecem que este é praticado por mais de oito milhões de pessoas em mais de duzentos países (CRESPO, 1999). É um esporte que pode ser jogado por pessoas de diferentes características e idades, trazendo benefícios à saúde, alem de ser muito divertido para os iniciantes se for jogado em dimensões menores do que as estabelecidas pela Confederação Brasileira de Tênis (CBT). As adaptações ao tênis podem ser consideradas e aproveitadas pelos professores de Educação Física no contexto escolar, utilizando como método educativo o mini-tênis.

Atualmente é comum os professores de Educação Física catalogarem o tênis como um esporte individualista, tecnicamente difícil, caro e pouco atraente aos alunos. O mini-tênis é um dos métodos mais fáceis de ensinar os adolescentes na escola, pois, é uma forma divertida e ativa que utiliza superfícies de jogo e materiais em situações reduzidas quanto a peso, altura e dimensão. As regras são simples utilizando-se de uma técnica básica e fácil para adequar à faixa etária do aluno, com isso, não é necessário trabalhá-lo em quadra e com materiais oficiais.

O tênis no âmbito escolar deve sempre buscar o lúdico e o desenvolvimento geral

do aluno deixando de lado o espírito agonístico do desporto, prevalecendo assim os aspectos de cooperação e socialização característicos do ensino fundamental. Ele propicia ao aluno o desenvolvimento de algumas potencialidades como concentração e cooperação, que são importantes para o seu desenvolvimento geral e que também são necessárias para a aprendizagem em outras disciplinas. Considerando os estágios realizados e outras atividades de aprendizagem durante a minha formação foi possível detectar que o tênis não está presente na escola como um

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conteúdo da Educação Física escolar. Este fato talvez ocorra porque também foi possível identificar que as escolas, principalmente as pertencentes às redes municipais e estaduais, nem sempre possuem espaços adequados para a prática da Educação Física que, muitas vezes, são pequenos e irregulares limitando a prática de muitas atividades entre elas, o tênis. Da mesma forma, os materiais também muitas vezes são insuficientes quando não inadequados. Está realidade chamou minha atenção, pois, como praticante do tênis desde minha infância penso ser possível a prática do mesmo no contexto escolar, apesar dos espaços e materiais nem sempre facilitarem sua aprendizagem. Assim, surge o interesse em investigar o seguinte problema: “é possível inserir o tênis de campo na escola utilizando como método educativo o mini-tênis?” A intenção de introduzir o tênis nas escolas é com que os alunos pratiquem o esporte com a devida técnica, tendo por base um conceito simples: o de facilitar o acesso ao esporte, principalmente a essa modalidade esportiva que para muitos é pouco difundida. Pela ascensão de diversos competidores brasileiros, essa modalidade vem sendo colocada cada vez mais em evidência no país. Para essa modalidade esportiva continuar em ascensão, visa o presente estudo divulgar as formas de trabalho para uma boa assimilação das diversas técnicas e táticas que é regido por esta modalidade, bem como algumas formas de iniciação a essa prática esportiva na escola em aulas de Educação Física no ensino fundamental. No primeiro momento a pesquisa apresenta a história do tênis de campo bem como os seus principais fundamentos. No segundo momento descreve as características do desenvolvimento físico, psíquico e motor dos adolescentes de 11 a 14 anos e evidência a importância da iniciação do tênis de campo na escola e suas contribuições para o desenvolvimento integral do adolescente. E num terceiro momento, descreve o método do mini-tênis para iniciação e assimilação das diversas habilidades desenvolvidas pela sua prática, salientando as possíveis alternativas para trabalhar o mini-tênis através dos materiais alternativos, compreendendo o papel do professor no ensino do tênis de campo no contexto escolar.

1.2 OBJETIVO GERAL

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Apresentar e descrever o mini-tênis como uma metodologia adequada para trabalhar o tênis de campo na Educação Física escolar no ensino fundamental.

1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Descrever a importância da iniciação do tênis de campo na escola, bem como suas contribuições para o desenvolvimento integral do adolescente.escolar no ensino fundamental. 1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Caracterizar o desenvolvimento físico, psíquico e motor

Caracterizar o desenvolvimento físico, psíquico e motor dos adolescentes de 11 a 14 anos.para o desenvolvimento integral do adolescente. Descrever o método do mini-tênis para iniciação e

Descrever o método do mini-tênis para iniciação e assimilação das diversas habilidades, tanto motoras como intelectuais, desenvolvidas pela prática do tênis.físico, psíquico e motor dos adolescentes de 11 a 14 anos. Evidenciar as possíveis alternativas para

Evidenciar as possíveis alternativas para trabalhar o mini-tênis na escola em aulas de Educação Física através dos materiais alternativos.como intelectuais, desenvolvidas pela prática do tênis. Compreender o papel do professor no ensino do tênis

Compreender o papel do professor no ensino do tênis de campo no contexto escolar.alternativas para trabalhar o mini-tênis na escola em aulas de Educação Física através dos materiais alternativos.

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2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

2.1 CLASSIFICAÇÃO DO TIPO DE ESTUDO

A classificação apresentada neste estudo leva em conta dois critérios diferentes: o

nível e os procedimentos utilizados na coleta de dados. Esta pesquisa é exploratória do tipo bibliográfica, por proporcionar conhecimento sobre o sujeito do estudo (tênis de campo) e sua influência sobre uma variável (mini-tênis) (HERDT; LEONEL, 2005). Segundo Herdt e Leonel (2005) “a pesquisa bibliográfica se desenvolve tentando explicar um problema a partir das teorias publicadas em diversos tipos de fontes: livros, artigos, manuais, enciclopédias anais, meios eletrônicos, etc.”

2.2 AMOSTRA E INSTRUMENTO

O instrumento utilizado para a coleta de dados foi a análise documental, neste

sentido, a pesquisa tem como objetivo apresentar e descrever o mini-tênis a ser inserido no

currículo escolar, como uma metodologia adequada para o ensino, aprendizagem e prática do tênis de campo. Além dos autores utilizados para caracterizar os temas Educação Física escolar e desenvolvimento humano apresentados nas referências deste trabalho, a amostra para a apresentação da proposta teve como principais referências, conforme a tabela 1:

Tabela 1 - Principais referências que contribuíram para esta pesquisa.

Autor

Título

Tipo de obra

Ano

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BOMPA, T. O.

Treinando atletas de desporto coletivo

Livro

2005

CAYER, L.

Pedagogia da ação no ensino do jogo de tênis

Artigo

1990

CRESPO, M.

Ejercicios para mejorar tu tenis, nível avanzado

Livro

1993

CRESPO, M.

Metodología de la enseñanza del tenis

Livro

1999.

CRESPO, M.

Mini-tenis: Un medio para el aprendizaje del tenis

Livro

1996

CRESPO, M.

Juegos para iniciantes

Livro

1994

CRESPO, M., et al.

La técnica del tenis, em: Tênis I, C.O.E.

Artigo

1992

GALLIETTE, R.

Tênis Metodologia de ensino.

Livro

1996

MURRAY, J.

Tenis inteligente: cómo jugar y ganar el partido mental

Livro

2002

PINTO, J;

O tênis como alternativa no currículo escolar para crianças entre 8 e 12 anos

Artigo

1998

CUNHA, F.

SALUM, C.

El tenis en la escuela

Livro

1987

ZLESAK, F

Concepto de aprendizaje progresivo en el tenis

Livro

1989

2.3 PROCEDIMENTOS

O trabalho dividiu-se nas seguintes etapas: escolha do tema; delimitação do tema

e formulação do problema; elaboração do plano de desenvolvimento da pesquisa; identificação, localização das fontes e obtenção do material; leitura do material; tomada de apontamentos e redação do trabalho (HERDT; LEONEL, 2005).

A seleção do referencial teórico foi realizada a partir da temática central mini-

tênis, tendo como tema secundário o tênis de campo. Para tal, realizei uma busca no meu

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acervo particular sobre tênis, obras, artigos e periódicos presentes na biblioteca, assim como, artigos disponíveis na internet. A seleção dos mesmos ocorreu a partir da presença no título das palavras: tênis, mini-tênis, Educação Física e aprendizagem do tênis, sendo que os selecionados foram lidos e destacados os pontos importantes para a organização do trabalho.

2.4 ANÁLISE DOS DADOS

A análise dos dados objetiva segundo Gil (1994, p. 166) “organizar e sumariar os

dados de forma tal que possibilitem o fornecimento de respostas ao problema proposto para investigação. Ainda Gil afirma que a investigação tem como objetivo a procura do sentido mais amplo das respostas, o que é feito mediante sua ligação a outros conhecimentos anteriores obtidos”. Neste sentido, a organização dos dados levantados teve como eixo norteador a

técnica de Análise de Conteúdo (AC) (BARDIN, 2002). Para a autora a AC é “[

conjunto de técnicas de análise das comunicações que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens”. A AC é dividida em três fases: a descrição ou preparação do material, a inferência ou dedução e a interpretação. Para a preparação do material foi utilizado livros, artigos e periódicos que tivessem como temática central o tênis de campo, a Educação Física escolar e o mini-tênis. A inferência ou dedução permitiu que os conteúdos recolhidos se constituíssem em dados de análises reflexivas. Por fim, a interpretação que foi a fase mais duradoura onde explorou-se o material, e fez-se uma analise quanto a homogeneidade, pertinência, objetividade, fidelidade e produtividade das referências. A proposta para uma metodologia do mini-tênis teve como princípio a complexidade, ou seja, atividades de iniciação que implicam o reconhecimento dos materiais e espaços; os fundamentos propriamente ditos e formas de jogar.

um

]

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3 TÊNIS DE CAMPO

3.1 HISTÓRICO DO TÊNIS DE CAMPO

A origem do tênis de campo está remonta desde o Império Romano. A Escócia se considerava o primeiro país que jogou tênis, mas na realidade o esporte surgiu do jogo do balão (harpastum) praticado pelos romanos, que o levaram para todas as regiões do mundo. O Harpastum foi adaptado no País Basco e recebeu o nome de jeu de paume, porque a bola era batida com a palma da mão contra um muro, mais ou menos o que ocorre hoje com a Pelota Basca (VAZ, 1977). O major inglês Walter Clopton Wingfield, em serviço na Índia, a pedido das senhoras inglesas, estudou os jogos precursores do tênis, introduziu alterações em suas regras e padronizou as medidas da quadra em 1873. Propôs nome ao novo jogo de sphairistike, que em grego significa jogo de bola, onde eram realizadas as partidas no gramado de uma mansão. Consultando Sturm (1982, p.24), encontra-se uma interessante passagem:

Normalmente, usava-se, para o “jogo de palmada” bolas feitas de pano de linho enrolado, misturado com couro e forrada também de couro. Enquanto essas bolas tinham uma certa elasticidade no piso de madeira, ou de pedra (tal como as de mistura de madeira com cortiça, que mais tarde apareceram), na relva já isso não sucedia. Assim se compreende que o interesse por esse tipo de desporto só pudesse ter viabilidade em meados do século XIX, com o aparecimento de bolas de borracha.

As raquetes não eram empregadas, os jogadores usavam as mãos nuas e depois optaram por usar luvas. No século XIV, já havia jogadores que usavam um utensílio de madeira em forma de pá, conhecido como battoir que mais tarde recebeu um cabo e também as cordas trançadas. O jogo era praticado dividindo-se em duas quadras, a vanguarda e a retaguarda, distinguindo-se a primeira por um losango marcado no centro onde está o lugar

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em que se deve efetuar o saque (CBT, 2008a). Sturm (1982, p.23), escreveu uma passagem sobre o aparecimento das raquetes:

Originalmente usava-se como raquete um instrumento curvo de madeira com pega curta. Mas já no século XVI, utilizava-se uma moldura de madeira unidas por fitas de couro ou de tripa. Essas supostas raquetes eram fabricadas em madeira de freixo, ou de tília, de tal maneira entrelaçada que ficava uma face áspera e outra lisa.

O tênis de campo tem uma necessidade numérica para a formação de um time reduzida a no máximo de quatro pessoas. Os imigrantes necessitavam de um número maior de pessoas para jogar futebol e outros esportes, convidando assim os nativos brasileiros para completar o time, enquanto que para o jogo de tênis, apenas um pequeno grupo já era suficiente (DUMAZEDIER, 1980). Com o desenvolvimento da sociedade e seus diversos interesses, pode-se visualizar o esporte, através de duas categorias de praticantes hoje reconhecidas: o consumidor de “esporte de lazer” e o trabalhador, ou seja, o “esporte profissional”. Em plena Guerra dos Cem Anos, o rei Carlos V condenou o jeu de paume, declarando que todo jogo que não contribua para o ofício das armas será eliminado. Com a Revolução Francêsa e as Guerras Napoleônicas, o esporte praticamente desapareceu junto com a destruição das quadras. O jogo de tênis tem sua identidade com peculiaridades próprias, ganhando elementos relativos aos seus praticantes (CBT, 2008a). Desde a chegada, dos primeiros imigrantes no Brasil, elementos antropológicos de uma cultura de movimentos corporais já apareceram como componentes importantes no universo específico desta prática (DAÓLIO, 2004). A Copa Davis que é um dos torneios mais importantes do mundo do tênis surgiu, como um duelo entre britânicos e norte-americanos, em 1899. Primeiro, o torneio se limitava ao confronto entre EUA e Inglaterra. Em 1906, belgas e franceses entraram na disputa. O número de participantes, a partir daí, cresceu tanto que, em 1923, os organizadores precisaram dividir os jogadores em zonas (VAZ, 1977). No Brasil, as primeiras quadras foram construídas em 1892, no São Paulo Athletic Club, fundado pelos ingleses. Mas o esporte no país só era praticado como lazer e convívio social. O primeiro torneio só foi acontecer em 1904, um interclubes entre o São Paulo, o Tennis Club de Santos e o Paulistano. Em 1924, foi fundada a Federação Paulista de Tênis (FPT), tendo na década de 30 um número recorde de 30 filiados. Até o ano de 1955, o tênis

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era membro junto com mais outros esportes da Confederação Brasileira de Desporto (CBD), posteriormente o tênis passou a ser cargo da CBT criada no governo de Juscelino Kubitschek (CBT, 2008b). O tênis de campo foi protagonista no Brasil junto com o futebol e outros esportes, porém, estes tiveram muitas diferenças nas formas como se desenvolveram. Alguns descaminhos fizeram com que o jogo de tênis fosse menos difundido que os demais esportes (vôlei, futebol, basquete), um dos fatores é pelos materiais serem caros para a prática da modalidade. Hoje o tênis de campo é jogado por mais de oito milhões de pessoas em mais de duzentos países, sendo considerado uma atividade saudável que traz benefícios para todas as idades (DUMAZEDIER, 1980).

3.2 O JOGO DO TÊNIS DE CAMPO

Após a fase inicial de aprendizado do jogo de tênis, com a combinação das habilidades básicas, começa-se a ensinar o domínio do jogo que seriam as habilidades específicas: saque (serviço), direito na base (forehand), revés da base (backhand), voleio direito (voleio de forehand), voleio revés (voleio de backhand) e cortada (smash). No ensino de qualquer modalidade esportiva é necessário que se leve em conta os procedimentos seqüenciais para seu aprendizado e os movimentos naturais, como habilidades básicas necessárias para que seja adquirida uma técnica futura mais avançada (STUCHI, 2006). Na fase inicial de aprendizado, o aluno está se acostumando com a convenção do espaço da quadra, regras oficiais de jogo, e pontuações. Outra grande influência é a característica do lugar: um retângulo de no mínimo 18X36m onde está centralizada a quadra com 23,77X10,97m, dividida ao meio por uma rede com altura de 107cm nas extremidades, 0,91m no centro, contendo áreas de saque e corredores de duplas (STUCHI, 2006). As raquetes têm um formato padrão variando entre 63 a 68 cm de comprimento e pesando entre 280 a 350 gramas. A bola é um importante item como componente do jogo, onde é incorporada pelas sofisticadas batidas de múltiplas formas de contatos. Ela sofre muitos efeitos dos movimentos da raquete, e suas formas de vôo e de quicar no solo é um motivo que leva ao jogador a ter grande atenção (GARCÍA; FUERTES, 1996).

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3.3 MOVIMENTOS DE JOGO

Os movimentos recebem a denominação padrão dentro de três principais situações de jogo (STUCCHI, 2004):

Situação de saque: no início de cada ponto, individual ou em dupla, pode-se usar o primeiro ou segundo saque. Esses dois movimentos têm diferenças significativas, pois o primeiro saque é mais agressivo e, conseqüentemente, há mais chances de erros; já o segundo saque é de segurança onde a porcentagem de erro diminui significativamente. Situação de jogo base com direita e revés: inclui bolas curtas, devoluções de saque, passada lateral, lob e golpe de aproximação da rede. Situação de jogo de rede com voleio de direita e revés: Inclui voleio baixo (defensivo), voleio alto (ofensivo), jogo alto acima da cabeça (cortadas), smash e jogo de duplas com trocas de voleios.

Esses movimentos devem acontecer de maneira natural durante o jogo, orientados por princípios físicos de acordo com o primeiro vôo, que seria antes da primeira quicada ao solo, e do segundo vôo após quicar ao solo. Todos os movimentos de rebatidas com membros superiores descrevem movimentos circulares, como os de arremessos, uns mais amplos, outros mais curtos. Alguns movimentos circulares são feitos acelerando a cabeça da raquete de baixo para cima e outros de cima para baixo. Os iniciantes cruzam o movimento pela frente do corpo com diferentes intensidades, arremessando-o pelos lados do corpo e sobre a cabeça, a fim de rebater a bola mais curta ou mais longa com determinado efeito. Cada movimento durante o jogo de tênis tem suas características próprias. Todos parecem subordinados a três aplicações seqüenciais segundo Stucchi (2004):

A- Antecipação: o impulso que busca forças dentro de uma movimentação equilibrada para a rebatida. B- Contato: encontro da raquete com a bola. C- Terminação: extensão do movimento como conseqüência da força aplicada e do produto da rebatida escolhida para aquele momento de jogo.

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É importante que o aluno tenha um rendimento pessoal dos gestos esportivos do tênis de campo. O modelo dos fundamentos básicos do tênis deverá ser apresentado, porém este procedimento deve ser seguido de maneira individual. Em seguida cada aluno adquire seu estilo pessoal na forma de jogar. Alguns itens são comuns em todas as pessoas como:

distância percorrida, peso da raquete, velocidade de bola, irregularidade do piso, condições climáticas, utilização das alavancas de seguimento corporal e formas de fazer contato com a bola (efeitos) (CAYER, 1990).

3.3.1 Descrição dos principais fundamentos do tênis de campo

O primeiro passo para adquirir bons golpes é aprender as empunhaduras corretas, pois nenhuma empunhadura serve para todos os golpes. A empunhadura para o movimento de drive de direita é a eastern de direita (figura 1) que é a primeira empunhadura a ser ensinada. A raquete com a mão esquerda (se o aluno dor destro), com o cabo apontado para o corpo do aluno; colocar a palma da mão de encontro ao lado plano, oposto ao que golpeará a bola (lado direito do cabo, em relação ao aluno), de maneira que o cabo e seu braço formem uma linha reta. Feche os dedos firmemente ao redor do cabo. A face da raquete que baterá a bola, e a palma da mão, está num mesmo plano e não existe uma linha quebrada em seu punho, ele está completamente reto (SISTO, s.d.).

em seu punho, ele está completamente reto (SISTO, s.d.). Figura 1 – Eastern de direita Fonte:

Figura 1Eastern de direita Fonte: SISTO, s.d. Fundamentos de todos os golpes: empunhaduras. Disponível em:

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O drive de esquerda deve ser segurado a raquete como descrito acima no golpe de drive de direita. A empunhadura é eastern de esquerda (figura 2), o aluno deve mover a mão para trás, até que a palma da mão fique na face plana superior do cabo e com o braço formando quase uma linha reta com ele. Feche os dedos firmemente ao seu redor, com o polegar diagonalmente atrás, e não paralelo do cabo. Para golpear a bola, o aluno usará as cordas oposta à usada na direita. No drive de esquerda com duas mãos o aluno deve colocar a palma de sua mão esquerda no lado plano oposto a da mão direita e fechando os dedos firmemente ao redor do cabo (SISTO, s.d.).

fechando os dedos firmemente ao redor do cabo (SISTO, s.d.). Figura 2 – Eastern de esquerda

Figura 2Eastern de esquerda Fonte: SISTO, s.d. Fundamentos de todos os golpes: empunhaduras. Disponível em:

A empunhadura continental (figura 3) é também conhecida como universal, e usada no slice, no voleio, no smash, no lob e na deixada, bem como nos três tipos de saque:

slice, chapado e american twist. Nunca deve ser usada nos drives, particularmente no de direita, onde não dá firmeza. Para esta empunhadura o aluno deve mover a mão um oitavo de círculo para trás, até que a palma da mão esteja exatamente no meio entre as posições de direita e esquerda. Feche os dedos firmemente, deixando o polegar em posição diagonal natural e quebre o punho de modo a formar um ângulo do braço com o cabo da raquete, que fará com que a cabeça da raquete fique mais alta. As duas empunhaduras que devem ser ensinadas ao aluno é a eastern de direita e esquerda e a empunhadura continental, posteriormente ele sentirá a necessidade ou não de mudar de empunhadura conforme a sua adaptação ao golpe (SISTO, s.d.).

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24 Figura 3 – Continental Fonte: SISTO, s.d. Fundamentos de todos os golpes: empunhaduras. Disponível em:

Figura 3Continental Fonte: SISTO, s.d. Fundamentos de todos os golpes: empunhaduras. Disponível em:

Os movimentos de direita (forehand) e de esquerda (backhand) são os mais importantes no jogo de tênis. Eles são usados, provavelmente, duas vezes mais do que todos os outros golpes combinados, por isso deve-se ensiná-los na escola. O drive (forehand) é o único golpe no jogo de tênis que é igualmente importante, tanto no ataque como na defesa. Pode ser usado para fazer pontos com o uso da potência e colocação, ao mesmo tempo em que é usado para conservar a bola em jogo, quando se está sendo atacado pelo adversário. É o golpe que tem a maior gama de potência e angulação (TILDEN, 1979). Segundo Crespo (1996), o movimento de backhand é muito semelhante ao de forehand, porém este pode ser executado com uma ou duas mãos. Estes têm três fases de movimento: início, desenvolvimento e terminação. O drive e o forehand devem ter uma preparação antecipada (fase inicial) e uma boa colocação dos pés, o que conserva seu corpo de lado para a rede, afastado da trajetória da bola, e o peso do corpo em condições de mover- se para frente, com o golpe. Não importa a altura nem o impacto da bola, a cabeça da raquete deve ser levada abaixo da linha de sua trajetória. No momento do impacto, a face da raquete deve atingir a superfície central da bola, com um movimento ligeiramente ascendente e definitivamente para frente, que se continua até o fim da extensão do braço (desenvolvimento do movimento). O simples fato de haver golpeado com a face plana da raquete em direção ligeiramente ascendente e ter continuado o movimento até o fim, dará à bola o efeito de topspin (quando o movimento é realizado de baixo para cima da bola). Todos os movimentos de forehand e de backhand devem ser golpeados na altura da cintura, salvo se o quique da bola for alto, desta forma o aluno deve avançar e golpeá-la na

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subida. Porém é mais fácil ensinar ao aluno primeiramente deixar a bola descer, e recuar se necessário. Se o quique da bola for tão baixo que não possa atingir a altura da cintura, este deve flexionar as pernas, para poder golpeá-la corretamente (CRESPO, 1996, 1999).

O aluno deve manter uma empunhadura no ângulo de aproximadamente 90° no

golpe de forehand e backhand, entre o seu antebraço e o cabo da raquete, e efetuar o movimento de cima para baixo, este efeito é dado o nome de slice (cortada). A terminação

desses movimentos é sempre em lado oposto a mão que está executando o movimento. A parte posterior do cabo da raquete deve apontar para o céu, e a raquete deve ficar retilínea a cabeça (TILDEN, 1979).

O saque é o golpe mais importante do jogo, pois é aquele que inicia o ponto. Ele

envolve duas habilidades básicas em sua execução: o arremesso por cima da cabeça (que dá origem ao movimento do braço dominante que segura a raquete) e o lançamento da bola para cima. Para treinar o movimento do braço dominante, o professor pode utilizar uma meia de cano mais longo com duas a três bolas de tênis dentro dela. Segure-a pelas pontas dos dedos e execute o movimento de saque. Se o movimento estiver certo, as bolas que estão no meio não irão bater no aluno. Esse movimento vai soltar o braço do aluno, que como conseqüência irá realizar uma boa execução quando a raquete for introduzida no movimento. Em seguida, o movimento completo, pode ser executado com bola e raquete (CRESPO, 1996, 1999). Crespo (1996, 1999), salienta ao aluno que este não deverá mexer o pé da frente

para alcançar um lançamento incorreto. Sacar em quatro fases também é uma boa atividade para se aprender este fundamento. Coloque quatro bolas no chão da quadra, perto da rede, na linha de saque, entre as linhas de saque e fundo, e na linha de fundo. O aluno deverá ir até a bola próxima à rede, e sacar por cima dela. Caso tenha sido bem sucedido, e o seu pé da frente não se mexeu, este poderá ir sucessivamente para a segunda, terceira e quarta bola.

O voleio e o smash representam no tênis o máximo em ataque. A mecânica do

voleio bloqueado é idêntica na direita e na esquerda, somente com os pés ao contrário e uma preparação curta. A empunhadura é a “continental” (martelo), o jogo de pés se houver tempo para executá-lo, é o mesmo usado no jogo de fundo. Muitas vezes, uma bola vem tão subitamente, que não há tempo de trocar os pés. O aluno deve levantar a cabeça da raquete acima do punho, bloqueando assim a bola (CRESPO, 1996, 1999).

A cabeça da raquete deve ser movimentada para frente em direção à trajetória da

bola golpeando-a com o punho firme, com o movimento descendente (de cima para baixo), imprimindo o efeito backspin, diretamente em direção ao lugar onde deseja que ela vá, e, acima de tudo, não se deve acompanhá-la com a raquete. O voleio vai ganhar potência da

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força da bola do adversário, acrescido da solidez do seu bloqueio e da firmeza do seu punho. Quanto mais baixa a bola estiver, mais se deve flexionar as pernas, pois em todos os voleios, a cabeça da raquete, no momento do impacto com a bola, deve estar acima do punho (TILDEN, 1979).

O voleio de deixada é batido da mesma maneira que o bloqueado, exceto que o

punho é afrouxado ligeiramente e um pequeno backspin dá o efeito na bola. A cabeça da

raquete se movimenta para baixo e sob a bola. O smash é um golpe que utiliza a força bruta e

a potência. Deve-se ter os olhos atentos na bola, virar-se de lado para ela conservando um pé

pelo menos no chão até atingi-la e golpeando-a chapado fazendo a terminação abaixo das axilas. Smash, em teoria, é sempre um golpe de ataque e deve ser executado com grande decisão. Somente se a bola for muito alta e muito funda que se tenha que pular para alcançá- la, é que pode ser jogado defensivamente (TILDEN, 1979).

3.4 CARACTERÍSTICAS DOS JOGOS DE INICIAÇÃO

O mais importante de uma aula primeiramente é adaptá-la a idade do aluno, ao

mesmo tempo em que o enfoque não seja voltado para a competição, fazendo com que a aula se torne divertida. Segundo Cruz (2003), o professor não deve insistir demais em um mesmo jogo e não o prolongar, pois o aluno fica saturado e começa a dispersar fugindo dos objetivos propostos. Jogos tradicionais podem ser resgatados e até mesmo adaptados para o tênis. Rodrigues (1993) explica que nas aulas de Educação Física devemos utilizar exercícios sempre do mais simples para o mais complexo, pois desta forma se constitui um meio de educar e aperfeiçoar o aluno. Ainda destaca a educação pelo movimento ou psicomotricidade, permitindo que o aluno conheça o próprio corpo, ajuste e aperfeiçoe os esquemas motores e enriqueça seu acervo de movimentos. Portanto a cada exercício pode-se fazer inúmeras variações, onde cada uma delas deverá ser dificultada conforme o avanço do aluno. Para Negrine (1986), educar o físico é melhorar o tônus muscular ou a resistência aeróbica e anaeróbica de uma pessoa. Bloom (1985) ressalta que com o tempo os jovens aprendem a valorizar a sua área

e se vêem como especiais e diferentes, ou ainda como melhores que os outros adolescentes de sua idade. Essa sensação é especial para o jovem e causa um estímulo para a persistência no curso do desenvolvimento, especialmente nos primeiros anos da aprendizagem.

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Posteriormente, quando o adolescente começa a instrução formal, a valorização pelas pessoas da sociedade é fundamental. Se a disputa for com eliminação, o professor deve promover uma rápida reintegração, isso segundo a metodologia de ensino de Galliette (1996). Em todas as turmas vamos observar alunos com melhor desempenho no esporte e outros que não se identificam. O mais provável é que esses que não se identifiquem sejam exclusos da aula pelos colegas. Se o professor promover uma rápida reintegração ou outra atividade para os eliminados eles irão sentir-se úteis, e com certeza estarão na próxima aula com disposição.

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4 CONTRIBUIÇÕES DO TÊNIS PARA O DESENVOLVIMENTO INTEGRAL DO ADOLESCENTE

O conceito de aprendizagem progressiva proposta por Zlesak (1989) para o

aprendizado e desenvolvimento da técnica desportiva do tenista, contempla a sua intervenção ativa tanto no planejamento quanto na ação prevista para as atividades realizadas na quadra de tênis. Nesta perspectiva, o conhecimento é produzido na relação do indivíduo com o meio

e, por conseguinte, na relação do pensamento com todos os fatores implícitos e decorrentes

da atividade com a qual interage. O aluno precisa conhecer seu corpo, suas extensões, seu equilíbrio, seu potencial de movimento e aprender a trabalhar com ele. As habilidades de recepção sem a bola são fundamentais para assimilação do esporte. Segundo Grangeiro (1996), exercícios de recepção com companheiro, objetivados à competição, desenvolvem a aprendizagem e a motivação.

Nessa fase recomenda-se que as aulas sejam em grupos para evitar cansaço e desmotivação onde o trabalho seja baseado na ludicidade e criatividade. Avaliar e organizar adequadamente

a disposição dos alunos em uma aula, sabendo aproveitar bem os espaços e materiais

disponíveis para garantir uma aula agradável. Vaz (1977) entende que o aluno precisa conhecer o material que será utilizado para a prática da modalidade. No caso do tênis de campo, o aluno deve se acostumar com a raquete, que passará a ser uma extensão de seu braço. Os exercícios de controle de bola podem ser individuais ou em grupos procurando sempre inseri-los do modo mais simples até o mais complexo, criando dificuldades e facilitando-as. Mesquita (1986) afirmou que muito mais que aperfeiçoamento técnico de movimento, deve ser oferecido ao aluno a vivência de múltiplos esportes para que ele escolha qual melhor se adapte, tendo a sua própria autonomia pessoal. A iniciação do jogo de tênis deve passar pela aprendizagem das técnicas fundamentais, porém não deve ser puramente técnica, mas deve conter elementos que facilitarão a compreensão e realização das tarefas na busca de um melhor desempenho.

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É próprio de qualquer jogo estabelecer regras que permitem a todos atingirem seus objetivos igualmente. O professor como mediador deve colocar em discussão e questionar os reais motivos das mesmas na ludicidade da ação, evitando a excessiva preocupação com o resultado. Nesse mesmo sentido Daólio (1996, 2004) enfatiza que a

prática esportiva nas aulas de Educação Física tem que ultrapassar regras, táticas, técnicas devendo ser contextualizada na realidade sociocultural de onde se encontra.

O jogar tênis exige uma concentração e atenção que pode tornar um bom

pressuposto para as atividades teóricas relacionadas com as disciplinas escolares. “No tênis, o

aspecto da concentração é fundamental para a prática do mesmo, sendo assim, o componente atenção é primordial para que se desenvolvam os aspectos inerentes ao mesmo” (TOROK; BUENO, 1983, apud CUNHA; PINTO, 1998, p. 29). Tilden (1979) enfoca também a concentração, que com a prática do tênis tende a se tornar um hábito, sendo de grande valor para os afazeres do dia-a-dia do aluno, os quais requerem atenção e concentração. Com a concentração e atenção bem desenvolvidas, o aluno terá maiores possibilidades de sucesso em atividades em que esses requisitos sejam necessários. Para Siqueira (1991, apud CUNHA; PINTO, 1998, p. 29), “o tênis é um jogo que envolve movimentos físicos de outros esportes tais como: correr, saltar e arremessar, e usa atributos básicos de rapidez, destreza e resistência”. Para controlar isso é preciso a coordenação motora que, segundo Budinger (1982), corresponde aos movimentos correlatos do tênis como: lançar, pegar, balancear e quicar. Siqueira (1991) constata ainda que o tênis tem o aporte de desenvolver três pontos de coordenação:

A-

desenvolvimento da coordenação grossa;

B-

desenvolvimento da coordenação fina;

C-

estabilização da coordenação fina.

Portanto são inúmeras as habilidades físicas trabalhadas pelo tênis de campo. Mas para que possamos incluir este esporte na escola é preciso conhecer a faixa etária dos alunos que será trabalhado e também suas limitações físicas. Desta forma o professor trabalhará as habilidades motoras de acordo com o nível de aptidão dos jovens procurando utilizar atividades sempre do mais simples para o mais complexo a fim de obter uma evolução gradativa respeitando o desenvolvimento motor da turma.

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4.1 CLASSIFICAÇÃO DAS FAIXAS ETÁRIAS DO DESENVOLVIMENTO MOTOR

O campo do desenvolvimento humano é o estudo científico de como as pessoas

mudam, e como ficam iguais da concepção até a morte. As mudanças são mais presentes na infância, porém duram ao longo da vida. Existem dois tipos de mudanças no desenvolvimento: quantitativa e qualitativa. A mudança quantitativa é uma mudança em número ou quantidade, como aumento de peso e altura. E a mudança qualitativa é uma mudança na estrutura ou organização, por exemplo, a fala. Rápidas mudanças no desenvolvimento ocorrem durante os primeiros vinte e quatro meses após o nascimento e influenciam por toda a vida. As mudanças evolutivas que ocorrem durante esse período são resultados do desenvolvimento neurológico, o qual sofre influência de fatores genéticos e ambientais (GALLAHUE; OZMUN, 2003, 2005). Cada criança apresenta seu padrão característico de desenvolvimento, que é dado

através da influência sofrida em seu meio. Durante os primeiros anos de vida o progresso de desenvolvimento costuma obedecer a uma seqüência ordenada, porém algumas crianças podem apresentar características mais ou menos desenvolvidas devido a cada uma apresentar uma considerável variabilidade individual (GALLAHUE; OZMUN, 2003, 2005).

O nível de desenvolvimento motor pode ser classificado de diferentes maneiras, a

mais freqüente é a classificação pela idade cronológica. A idade cronológica é a idade do indivíduo em meses e/ou ano. Desta forma conhecendo apenas a data de nascimento de alguém, pode-se facilmente calcular sua idade cronológica. A idade cronológica fornece uma estimativa aproximada do nível de desenvolvimento do indivíduo, onde a idade e o desenvolvimento estão relacionados, porém um não depende do outro (GALLAHUE; OZMUN, 2003, 2005). A idade biológica é variável, corresponde aproximadamente com idade cronológica que pode ser determinada a partir da: idade morfológica, idade óssea, idade

dental, idade sexual. “A idade morfológica fornece a altura e o peso atingido pelo indivíduo segundo os padrões normais de desenvolvimento oferecidos pelo Centro Nacional de Estatísticas da Saúde” (2000 apud GALLAHUE; OZMUN, 2005 p. 12). A idade óssea pode ser determinada por radiografias dos ossos carpais da mão e do pulso. Em caso de crescimentos retardados ou acelerados a idade óssea é utilizada para pesquisa laboratorial.

A idade dental não é um meio muito utilizado para determinar a idade biológica,

porém, com o desenvolvimento dos dentes, desde a aparição das pontas até o fechamento das

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raízes fornece uma mensuração da idade pela calcificação. E por fim a idade sexual sendo o último método para determinar a idade biológica. As características sexuais primárias e secundárias são um meio preciso de avaliar a maturação sexual, entretanto com as influências culturais e sociais na avaliação da idade biológica, este método não é muito utilizado (GALLAHUE; OZMUN, 2003, 2005).

4.2 CLASSIFICAÇÃO DAS HABILIDADES MOTORAS

Existem várias maneiras de se classificar as habilidades motoras, entre elas a mais usada é a taxionomia unidimensional, que é um meio abrangente de classificação. Há quatro formas de classificação de habilidades motoras: muscular, temporal, ambiental e funcional. Os aspectos musculares de movimento são classificados em movimentos rudimentares e movimentos refinados. Os movimentos rudimentares envolvem grandes músculos do corpo, por exemplo, o movimento de backhand ou forehand realizado no tênis de campo. Um movimento refinado envolve as realizações de movimentos precisos como o saque no tênis de campo. (GALLAHUE; OZMUN, 2003, 2005). Os aspectos temporais de movimentos podem ser classificados como: discreto, seriado e contínuo. O movimento discreto tem início, meio e fim bem definidos como o saque no tênis de campo. No tênis de campo todos os movimentos são classificados como discretos. Movimento seriado envolve um único movimento realizado várias vezes em rápida seqüência e o movimento contínuo é um exercício cujo movimento é repetido por um determinado tempo (GALLAHUE; OZMUN, 2003, 2005). Os aspectos ambientais dividem-se em uma tarefa aberta, que é realizado num ambiente onde as condições estão em constantes mudanças e o indivíduo necessita fazer ajustes ou alterações no movimento de acordo com a situação. A maioria das atividades em grupos ou em duplas envolvem habilidades abertas, dependendo do feedback externo e interno para a execução correta (GALLAHUE; OZMUN, 2003, 2005). Um exemplo de tarefa aberta é o jogo de tênis onde os praticantes devem realizar ajustes em função do tempo, quadra, ambiente, materiais e outros. A tarefa fechada é realizada em um ambiente estável e previsível, onde o indivíduo determina quando deve iniciar o movimento. Habilidades fechadas têm como característica rigidez de desempenho (GALLAHUE; OZMUN, 2003, 2005).

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4.3 FASES DO DESENVOLVIMENTO MOTOR

As alterações no comportamento motor são perceptíveis por todos nós bebês, crianças, adolescentes e adultos que estamos envolvidos em um processo de desenvolvimento no qual o mundo está constantemente mudando de acordo com as nossas próprias necessidades. Os próprios fatores individuais dos indivíduos (biologia), do ambiente (experiência) e da tarefa (físico/mecânicos), contribuem para que seja observado o comportamento motor, e o desenvolvimento motor (GALLAHUE; OZMUN, 2003, 2005). Os movimentos observados são classificados em três categorias: movimentos estabilizadores, manipulativos e locomotores. O movimento estabilizador é qualquer movimento que utilize equilíbrio, que seja não-locomotor e não-manipulativo, como por exemplo, no momento do saque no tênis. Os movimentos locomotores estão diretamente relacionados às mudanças na localização do corpo, como caminhar, correr e pular na quadra durante o jogo de tênis. Por fim os movimentos manipulativos que tem como características a manipulação motora rudimentar e a refinada. A manipulação motora rudimentar aplica forças a determinado objeto ou recebe força dele, por exemplo, o movimento de forehand e backhand. A manipulação motora refinada envolve o uso dos músculos da mão e do punho, como no simples ato de segurar a raquete (GALLAHUE; OZMUN, 2003, 2005). As seguintes fases do desenvolvimento motor e os estágios de desenvolvimento que compõem a cada um estão presentes na ampulheta criada por Gallahue e Ozmun (2003, 2005), uma invenção heurística útil para conceituar e explicar o processo de desenvolvimento. Aproximadamente dos 11 aos 14 anos onde o estágio é de aplicação, mudanças são notadas no comportamento dos adolescentes. Há uma sofisticação cognitiva e decorrente da experiência, o adolescente pode se tornar capaz de vários fatores relacionados ao ambiente, indivíduo e a tarefa. Nesta fase começa-se a tomar decisões próprias e fazer as atividades as quais se identifica mais. O professor propõe atividades com objetivo de refinar as habilidades mais complexas utilizando-as nos jogos desportivos. Na seqüência a ampulheta do desenvolvimento motor elaborados por Gallahue e Ozmun, (2003, 2005):

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33 Figura 4 – As fases do desenvolvimento motor Fonte: Gallahue e Ozmun (2005, p. 57).

Figura 4 As fases do desenvolvimento motor Fonte: Gallahue e Ozmun (2005, p. 57).

O estágio de utilização permanente envolve indivíduos dos 14 anos em diante, sendo este, o auge do processo de desenvolvimento motor. O repertório de movimentos adquiridos pelo indivíduo é utilizado por toda a vida. O que pode influenciar neste estágio é:

dinheiro, equipamento, instalações disponíveis, limitações físicas e outros. A participação do indivíduo dependerá da motivação, das oportunidades, das condições físicas e do talento. O objetivo para os professores é desenvolver as habilidades motoras para que os indivíduos sejam mais felizes e saudáveis capacitando-os para determinadas situações na vida cotidiana (GALLAHUE; OZMUN, 2003, 2005). Os professores devem ter cuidado, pois muitas vezes confundem as crianças com adultos. As crianças não são um adulto em miniatura, portanto, determinadas atividades devem ser adaptáveis a diferentes idades. Com a aquisição progressiva das habilidades motoras de forma apropriada, ocorre um desenvolvimento total em crianças, jovens e adultos. É interessante que o adolescente tenha a liberdade de experimentar duas ou mais áreas para poder escolher a que mais gosta e a que melhor se identifica. Portanto, é primordial que se oportunize aos adolescentes nesta faixa etária um acervo maior de atividades pré-desportivas durante as aulas de Educação Física, para que eles possam além de desenvolver seus padrões

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motores, escolher em qual esporte se especializar, incluindo desta forma o mini-tênis como sugestão no currículo da Educação Física para o ensino do tênis de campo (GALLAHUE; OZMUN, 2003, 2005).

4.4 HABILIDADES MOTORAS ESPECIALIZADAS

As habilidades motoras especializadas são padrões maduros de desenvolvimento que foram refinados e combinados para formar habilidades esportivas e outras habilidades motoras específicas e complexas (GALLAHUE; OZMUN, 2003, 2005). Muitos adolescentes têm suas habilidades motoras atrasadas em função de limitadas práticas, ensino deficiente ou ausência de encorajamento. Crianças mais velhas, adolescentes e adultos devem ser capazes de realizar movimentos fundamentais no estágio maduro. Caso o indivíduo não consiga efetuar a tarefa neste estágio terá conseqüências diretas nas habilidades específicas na fase motora especializada. Mesmo que uma pessoa esteja apta cognitivamente e afetivamente para avançar para a fase das habilidades motoras especializadas, a progressão depende do resultado obtido na fase anterior. De acordo com Gallahue e Ozmun (2005, p. 61) “o progresso ao longo da fase de habilidades motoras especializadas depende do desenvolvimento de habilidades motoras fundamentais maduras”. Quando a criança atinge o estágio maduro, poucas alterações ocorrem até que ela esteja na fase motora especializada. O padrão básico permanece inalterado, o que varia é a precisão, exatidão e controle nos movimentos. A melhora no desempenho é observada ano a ano quanto mais o adolescente aprimora a força, resistência, tempo de reação, velocidade de movimento, coordenação e assim por diante (GALLAHUE; OZMUN, 2003, 2005). Na fase especializada, existem três estágios que dependem de fatores neuromusculares, cognitivos e afetivos do próprio indivíduo. Para que as habilidades sejam desenvolvidas, depende de uma combinação de condições próprias da tarefa, do indivíduo e do ambiente. É necessário reconhecer as condições que possam limitar ou aumentar o desenvolvimento para que o ensino seja bem sucedido. Quando as condições são identificadas para cada indivíduo, o ensino se resume em diminuir os obstáculos (condições limitantes) e maximizar os suportes (condições facilitadoras) (GALLAHUE; OZMUN, 2003, 2005).

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Conforme a ampulheta de Gallahue e Ozmun (2003, 2005), a fase motora especializada é composta por três estágios; no estágio de transição ocorre um aumento de interesse na prática desportiva e nos padrões de desempenho. Os adolescentes comparam suas habilidades motoras uns com os outros. Este é o estágio onde o adolescente experimenta diferentes esportes não se sentindo limitado por fatores fisiológicos, anatômicos ou ambientais. No estágio de aplicação o adolescente torna-se mais consciente de seus recursos físicos, e de suas limitações escolhendo o esporte o qual tem mais habilidades. Os indivíduos selecionam as atividades atléticas a praticar de acordo com suas habilidades no estágio de utilização permanente. Há uma maior especialização no refinamento de habilidades que são escolhidas através de interesse pessoais, habilidades, ambição, disponibilidade e experiências passadas. Muitos indivíduos não aprimoram suas habilidades motoras especializadas na seqüência proposta por Gallahue e Ozmun (2003,

2005).

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5 EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

Para Betti e Zuliani (2002, p. 73) a “Educação física é uma expressão que surge no século XVIII, em obras de filósofos preocupados cofm a educação. A formação da criança e do jovem passa a ser concebida como uma educação integral-corpo, mente e espírito, como desenvolvimento pleno da personalidade”. A Educação Física sofre com a visão fragmentada de homem, de corpo e mente e no decorrer dos anos no Brasil sofreu modificações que acompanharam também o pensamento político-econômico da época. Ainda Betti e Zuliani (2002, p. 74) expõem que a Educação Física, junto com a Educação Artística e a Educação Moral e Cívica, são um incomodo para a escola, não fazem parte dos conhecimentos essenciais e são postas de lado, isoladas dos currículos.

No ensino fundamental a Educação Física tem um papel importante quando o assunto é inclusão. Nas aulas podemos observar os “grupinhos” formados, ou por aptidão, ou por afinidades, personalidade, ou condição social. O mais comum é encontrarmos na sala de aula alunos aptos e inaptos â atividade física. Normalmente aqueles que não desenvolvem as destrezas para o esporte são excluídos durante a aula e até discriminados pela turma. A Educação Física, por intermédio de sua pratica pedagógica, pode reforçar essa formação de grupos distintos, bem como, romper com esse processo que muitas vezes é imposto pela própria educação vinda da família ou pela sociedade. Esta inclusão deve ter a participação de todos e deve ser refletida para que esses grupos tenham as mesmas oportunidades. Portanto, se entende que uma disciplina pode gerar uma mudança de comportamento primeiramente local, durante a aula de Educação Física, posteriormente, na sala de aula, escola, casa, bairro até alcançar a sociedade. Por este motivo ainda se tem a esperança de que através da educação o mundo possa ser mudado e reorganizado, deixando de lado suas divisões, exclusões, seus desrespeitos, suas guerras. Na sala de aula os professores encontram uma rica diversidade cultural. Cabe a eles fazer com que os alunos tenham experiências variadas, se respeitem e não esqueçam suas origens. O princípio da diversidade aplica-se na construção dos processos de ensino e

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aprendizagem e orienta a escolha de objetivos e conteúdos, visando ampliar as relações entre os conhecimentos da cultura corporal de movimento e os sujeitos da aprendizagem. Busca-se legitimar as diversas possibilidades de aprendizagem que se estabelecem com a consideração das dimensões afetivas, cognitivas, motoras e socioculturais dos alunos. (PCN, 1997). As escolhas dos conteúdos que os alunos precisam conhecer devem incidir segundo Betti e Zuliani (2002, p. 77) “sobre a totalidade da cultura corporal de movimento, incluindo jogos, esporte, atividades rítmicas/expressivas, dança, lutas/artes marciais, ginásticas e práticas de aptidão física, com suas variações e combinações”. Nas categorias de conteúdos o tênis de campo mostra que é possível trabalhar seus ensinamentos na escola utilizando as três dimensões que a Educação Física tem enquanto conteúdos:

Neste sentido é importante lembrar as diferentes dimensões dos conteúdos, ou sejam não somente enfatizar a prática, mas também, os conteúdos conceituais e aqueles voltados às formas de ser estar na prática. Os conteúdos conceituais prezam pela aprendizagem do contexto histórico-cultural, transformações ocorridas com o tênis no decorrer dos tempos, suas origens e o seu valor no contexto escolar (BARROSO e DARIDO, 2006). Os atitudinais estão ligados a valores, propiciam a intervenção dos professores na re- significação do papel do tênis no contexto educacional, refletindo sobre as diferenças de atitudes, de corporeidade, dando valor às relações humanas, respeitando os companheiros, diálogos para resolução de problemas, valorizando a solidariedade e justiça. Já os procedimentais estão ligados ao fazer, com aprendizagem de novas provas, de jogos que possibilitem o fazer com descontração e prazer.

5.1 ESPORTE NA ESCOLA

O esporte é tratado pelos autores Barroso e Darido (2006), Rennó et al., s.d., e

Stucchi (2004), como um fenômeno sócio-cultural, sendo considerado um patrimônio da humanidade. Historicamente foram criadas diversas modalidades esportivas, que sofreram modificações até atingirmos o momento atual. O esporte proporciona grande impacto no desenvolvimento social e da saúde da população, pois esta atividade pode contribuir para a superação de problemas sociais e econômicos dos mesmos (RENNÓ et al., s.d.).

O esporte é um conteúdo que está inserido no planejamento da Educação Física,

por ser uma atividade com ênfase no desenvolvimento de valências físicas de grande

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importância para os alunos, tais como: força, agilidade, coordenação fina e grossa e noção espaço temporal, e também, pelo aspecto da competição (RENNÓ et al., s.d.). O esporte desenvolve valores tais como o respeito aos adversários, o jogo limpo (fair play), espírito de equipe e o respeito às regras (POZZOBON e ASQUITH, 2001, apud, MANGRICH e STINGHEN, 2009). Além destes aspectos, os alunos estão frente a situações de tomada de decisões como a escolha de companheiros, que estratégias utilizar para a resolução dos problemas inerentes à prática, entre outros. O esporte compreende diferentes modalidades, cuja oferta e procura varia em função das condições climáticas, dos hábitos, costumes e tradições de cada povo. Algumas modalidades esportivas, no entanto, têm preferência universal. Entre essas modalidades, está o futebol, o basquetebol, o voleibol, e o handebol. Rennó et al., s.d., destacam a importância do esporte na sociedade sendo demonstrada de diversas formas, como, por exemplo, a preocupação dos governos em tornar o esporte obrigatório. No âmbito social, o esporte tem função pedagógica no processo de formação do indivíduo, ressaltando a disciplina, o respeito à hierarquia e às “regras do jogo”, a solidariedade, o espírito de equipe e outros fatores do desenvolvimento humano. As aulas de educação física têm como objetivo oportunizar os alunos a diferentes práticas corporais que estão ligadas as manifestações culturais da comunidade onde a escola está inserida. Esta disciplina é composta pelos conteúdos da cultura corporal, que conforme Chiminazzo (2008), compreende principalmente: jogos, lutas, esportes, dança e ginástica, atividades privilegiadas na escola até porque são sugeridas pelos PCN´s Parâmetros Curriculares Nacionais nas especificações para a Educação Física escolar (BRASIL, 1997). A situação do esporte na escola nem sempre é considerada adequada. Muitas escolas não apresentam as condições estruturais ideais, como a falta de materiais esportivos, os espaços são inadequados, os professores não têm um bom salário o que gera pouca atualização dos mesmos em cursos e especializações. Dentre as possibilidades de mudança no esporte escolar apontadas por Rennó et al., s.d., estão à valorização da atividade curricular da Educação Física e massificar o desporto. Estabelecer diretrizes e ações para que as escolas e as universidades sejam importantes formadoras de atletas. Criar condições e exigir investimentos em espaço, equipamentos e materiais necessários, bem como, incentivar a realização de jogos colegiais e universitários em todos os estados. Recuperar as instalações esportivas das escolas e universidades.

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5.2 A IMPORTÂNCIA DO TÊNIS NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA

O tênis de campo segundo Crespo (1999), é jogado por 8 milhões de pessoas

desmistificando a falsa idéia de que ele é um esporte minoritário. É o primeiro esporte com raquete onde pode se ensinar até vinte e quatro pessoas na mesma quadra podendo ser apreendido em apenas uma hora. Ao contrário do que a maioria pensa, para se jogar tênis precisa de uma raquete e uma bola para cada dois ou três alunos. O tênis pode ser jogado nas escolas, em academias, em universidades, instalações municipais e privadas. Na escola o tênis deve ser ensinado através de muitas atividades em duplas, em trios e em grupos, com

pouca técnica. Os jogos devem ser adaptados aos alunos sendo divertidos para que estes sejam motivados à prática do esporte.

O tênis no âmbito escolar deve sempre buscar o lúdico e o desenvolvimento geral

do aluno e deixar de lado o espírito agonístico do desporto, tornando-se um meio e não um fim em si mesmo. Devem prevalecer os aspectos de cooperação e socialização característicos do ensino fundamental. As escolas, principalmente municipais e estaduais, nem sempre são dotadas de grandes espaços para as aulas de Educação Física e, quando existem, são pequenos e irregulares, não sendo específicos a todas as atividades, porém o improviso e a criatividade fazem parte do dia-a-dia do professor nestes ambientes (CRESPO, 1996, 1999).

O tênis na escola pode ser incorporado como um projeto sócio-educativo de

cunho esportivo para atendimento a crianças e adolescentes, na própria escola. Compreende

curso de iniciação e aperfeiçoamento do tênis no período escolar ou extra-escolar, oportunizando a prática de um esporte considerado de elite que contribui com o desenvolvimento pessoal e social do aluno, através do esporte, lazer e recreação. Comprovando a importância no tênis nas escolas, foi implantado nas escolas da

rede pública do estado de Santa Catarina o Projeto Tênis Júnior. O referido projeto é uma parceria entre a Secretaria de Estado da Educação (SED) e o Núcleo de Estudos em Tênis de Campo (NETEC) da UFSC. O projeto já está implantado em 116 municípios catarinenses. O objetivo do convênio realizado com a UFSC é fazer com que as escolas se apropriem da cultura do tênis, desta forma democratizando esta modalidade para todas as camadas da população. Além disso, propõe desenvolver nos alunos habilidades físicas, psicomotoras e sociais, através de uma aula de Educação Física mais interessante (WOLFF; AGUIAR, s.d.).

A SED promove curso de capacitação para os professores de Educação Física que

ministrarão as aulas de tênis. A metodologia do projeto permite a realização de aulas com até

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40 alunos simultaneamente (WOLFF; AGUIAR, s.d.). Foi desenvolvido pelo Núcleo de Estudos em Tênis de Campo da Universidade Federal de Santa Catarina (NETEC-UFSC), em parceria com a Empresa Guarani Indústria e Comércio, um material especial para a iniciação do tênis pelas escolas. Para a implantação do Projeto a empresa fornece o material didático- pedagógico e os cursos de capacitação. Através de um curso de 16 (dezesseis) horas/aula os professores recebem instruções, metodologias e técnicas para a aplicação prática do mini- tênis. O método de ensino é focado no processo de ensino-aprendizagem, utilizando-se preferencialmente os jogos de cooperação (SANTOS, s.d.) Estes materiais foram adequados para utilização da metodologia do mini-tênis desenvolvida pela Federação Internacional de Tênis. O material do curso contém uma apostila e um DVD com instruções técnicas e metodológicas, além de outros recursos tecnológicos que servirão de suporte e consulta permanente aos educadores. São distribuídos kits contendo raquetes, redes, suportes de sustentação, bolinhas e sacolas. Segundo Ribeiro (2008 apud, WOLFF; AGUIAR, s.d.), “estamos entregando estes kits e já há mais escolas solicitando, pois é um projeto que está dando certo em todas as escolas onde foi implantado”. O Projeto Tênis Júnior está alcançando excelentes resultados. Os estudantes que apresentam bom desempenho nesse esporte são convidados pelas entidades afins para desenvolver suas aptidões tenísticas (SANTOS, s.d.)

41

6 MINI-TÊNIS

6.1 MINI-TÊNIS COMO CONTEÚDO NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

A escola precisa proporcionar aos alunos diferentes conte conteúdos a fim de motivá-los para a prática esportiva. Com esse intuito vem a idéia de implantar o mini-tênis nas aulas de Educação Física escolar. Esta modalidade já esta sendo incluída nos conteúdos da escola, porem poucos são os professores capacitados a trabalhar com este conteúdo. Ferraz e Knijnik (2007) enfatizam que o tênis não é mais um esporte de elite, sendo praticado hoje em toda parte, seja em quadras oficias ou através da adaptação dos espaços disponíveis, Entendem que para isso, é necessária a elaboração de projetos e qualificação de professores através de cursos que englobem a parte técnica e tática desta modalidade, bem como apresentar o método de mini-tênis como um meio simples de trabalhar este esporte na escola.

No sentido de popularizar o tênis nas escolas, a International Tennis Federation (ITF, 2008) propõe a implantação de uma forma atenuada denominada mini-tênis. Por intermédio deste método o professor consegue construir um processo simplificado do ensino do tênis de campo que poderá ser aplicado na escola com alunos de diferentes faixas etárias No início do aprendizado do tênis de campo o iniciante enfrenta alguns problemas. Quanto mais tarde se iniciar a prática do tênis, maiores são as dificuldades de aprendizado. Os professores devem criar situações para que os alunos se adaptem a vários aspectos a fim de que o aprendizado seja mais efetivo e motivante. Todas as adaptações seguem uma linha de atuação comum. Primeiramente adaptação dos principais elementos do tênis (quadra, raquete, rede e bola), e depois adaptação ao método de ensino utilizado. O mini-tênis é um método de se aprender a jogar tênis, onde as regras são similares adequadas tanto para os iniciantes jovens como para os adultos (CRESPO, 1994, 1996).

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Segundo Crespo (1994, 1996), o tênis é um esporte muito divertido para os iniciantes se for jogado em dimensões menores do que as estabelecidas pela CBT. Pode-se considerar que todas as adaptações feitas seguindo as normas do mini-tênis solucionam muitos problemas aos alunos que são iniciantes no tênis. Estas adaptações podem ser consideradas e aproveitadas pelos professores de Educação Física no contexto escolar, utilizando como método educativo o mini-tênis. No entanto, as adaptações e progressões que podem ser realizadas no âmbito escolar são limitadas se comparadas com o que se pode desfrutar em academias de tênis, devido às condições da escola (espaço, instalações, números de alunos, tempo). Neste sentido os iniciantes em âmbito escolar enfrentam alguns problemas para a prática do tênis, pois as condições na maioria das vezes não são adequadas. Segue na tabela 2, as soluções aos possíveis problemas que apresentam os iniciantes:

Tabela 2 - Soluções aos possíveis problemas que apresentam os iniciantes.

PROBLEMA

DISTÂNCIA DO CORPO-BOLA

VELOCIDADE E REBATIDA

FORÇA DO GOLPE E TAMANHO DA

SOLUÇÃO

Utilizar raquetes

NA BOLA Tocar as boas por

QUADRA Reduzir as dimensões

mais curtas.

outras mais lentas.

da quadra e da rede.

PROGRESSÕES

1. Com uma mão.

1.

Utilizar bolas

1.

Jogar sem rede e sem

2. Rebater com uma

raquete de madeira

de plástico.

2. Utilizar bola de

linhas.

2. Com linha e com rede.

ou plástico.

tênis dentro de

3. Quadra e rede nas

3.

Utilizar raquete de

uma bolsa de

dimensões do mini tênis.

Tênis na seguinte progressão: mini, baby-tênis Junior e normal.

plástico pequena.

3. Bolas de

espumas ou soft.

4. Bolas murchas.

5. Bola normal.

4. Utilizar metade da quadra.

5. Quadra normal.

Tabela 2 Fonte: El tênis en la escuela: Problemas em su tratamiento, posibles adaptaciones y propuesta de actividades y organización a través del mini-tênis. ed. 5 p.14.

43

Hoje em dia é comum ver professores de Educação Física catalogar o tênis como um esporte individualista, tecnicamente difícil, caro e pouco atraente aos alunos. A dificuldade de controlar 20 a 35 alunos, o espaço, material são alguns dos motivos pelos quais os professores não trabalham em sua maioria o tênis nas escolas. Segundo Salum (1987), os professores de Educação Física possuem conhecimentos acadêmicos suficientes que os permite difundir o tênis de campo na escola na versão mini-tênis. Crespo (1994, 1996, 1999) afirma que os professores licenciados em Educação Física, devido aos seus conhecimentos gerais, são capazes de ensinar o mini-tênis nas escolas. O complemento técnico específico da modalidade e os conceitos concretos do tênis podem ser encontrados em livros, artigos, revista, cursos e vídeos.

O mini-tênis é uma maneira divertida e ativa de aprender a prática do tênis.

Zlesak (1989) relata que a prática do mini-tênis pode ser feita em uma superfície de jogo plana com dimensões reduzidas, raquete com diâmetro menor, e se possível bolas de espumas ou soft. Não havendo disponibilidade desses tipos de bolas, é possível que bolas velhas sejam utilizadas, pois desta forma, ficam mais lentas facilitando a execução e manuseio bola-raquete. É um dos métodos mais eficientes de ensinar os adolescentes na escola. Zlesak (1989) descreve o mini-tênis como um modo de ensinar a jogar tênis de forma divertida e ativa, utilizando superfícies de jogo e materiais em situações reduzidas quanto a peso, altura

e dimensão. As regras são simples utilizando-se de uma técnica básica e fácil para adequar a faixa etária dos alunos, com isso, não é necessário trabalhá-lo em quadra oficial de tênis.

O mini-tênis pode ser trabalhado em qualquer superfície plana, como o pátio da

escola, ou uma quadra poliesportiva. O principal diferencial é a criatividade de como trabalhar com pouco material e espaço. Deixando registrado que o mini-tênis serve também para jovens e adultos. Seu ensino está direcionado para a tarefa privilegiando o método de ensino global e os exercícios abertos, através de situações de jogo com cooperação e oposição (CRESPO, 1999). O mini-tênis é uma adaptação do tênis formal, jogado num campo reduzido, com dimensões semelhantes às de um campo de badmington. Pode ser jogado com qualquer raquete, porém esta deve ser compatível às características morfológicas do aluno. Além de ser um exercício recreativo divertido, o mini-tênis apresenta-se como uma fórmula natural e apelativa, facilitadora do processo ensino aprendizagem deste desporto. Os principais gestos técnicos utilizados no tênis podem ser adaptados e introduzidos ao mini-tênis. Na realidade o mini-tênis é o meio ideal para a aprendizagem de todo o tipo de destreza. As técnicas

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aprendidas nas quadras de mini-tênis com facilidade podem ser transferidas ao tênis formal (CRESPO, 1993, 1994, 1999). O treino técnico-tático deve reduzir-se ao máximo aos exercícios específicos relacionados com o desenvolvimento da técnica para desenvolver os pressupostos técnicos essenciais (rotação do tronco, ponto de impacto, equilíbrio, jogo de pés básico), como conseqüência os alunos terão sucesso nas tarefas propostas. O método global deve ser utilizado para aprendizagem da técnica. Devem ser introduzidos todos os gestos técnicos básicos (serviço, direita, esquerda, voleio e smash), através de exercícios abertos que obriguem os alunos a tomar decisões (SCHÖNBORN, 1999). Gradualmente as cinco situações de jogo do tênis: serviço, resposta ao serviço, dois jogadores ao fundo, jogador ao fundo e adversário na rede e jogador na rede e adversário ao fundo, devem ser ensinadas junto com as noções de jogo neutro, ataque, defesa e contra- ataque. Os espaços vazios devem ser explorados, desta forma o campo ficará dominado lateralmente e em profundidade, para isso é necessário desenvolver o controle da distância, direção, altura, e velocidade da bola (SCHÖNBORN, 1999). Essa modalidade representa uma atividade complementar dentro da iniciação esportiva, sendo importante a participação também em outros esportes. Certas noções técnicas e táticas são introduzidas de forma gradual e oportuna. Os exercícios específicos para coordenação são realizados em forma de brincadeiras, utilizando todos os tipos de recursos disponíveis (SCHÖNBORN, 1999).

6.2 MÉTODOS DE ENSINO

Para Crespo (1999), 83% da aprendizagem do tênis de campo, se obtém através de demonstrações, 11% por explicações, e apenas 6% pela execução do movimento. Para o ensinamento do tênis de campo existem vários métodos. O tipo de método a ser utilizado dependerá da idade dos alunos, fase de desenvolvimento que se encontram, tipo de aula, instalações, materiais disponíveis e nível de compreensão intelectual. Na iniciação da modalidade, o importante é desenvolver diferentes habilidades como progressão estática (com lançamento) e progressão dinâmica (intercâmbio de golpes). Durante os últimos anos a metodologia de ensino do tênis de campo sofreu uma grande evolução, aparecendo novas propostas diferentes do método tradicional de ensino do

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esporte (CRESPO, 1999). As novas iniciativas partem tanto do campo universitário, como das academias especializadas (DUGAL, 1991; FFT, 2000). Os estudos realizados têm demonstrado que com a aplicação do método tradicional de ensino, os alunos dominam a técnica durante os exercícios e treinamentos, porém em partidas oficiais não sabem em que momento utilizar a técnica. Isso ocorre provavelmente porque durante o treinamento não são feitas análises de situações de jogo avaliando desta forma o uso tático e a técnica aprendida (MESQUITA, 1972).

Para o processo de aprendizagem do tênis de campo, as habilidades básicas, associadas aos materiais, correspondem a uma fase importante no processo de desenvolvimento motor como item fundamental de domínio dos movimentos com os materiais necessários para o jogo, para que não causem desequilíbrios corporais prejudiciais (TANI, 1988, p.65)

Bunker e Thorpe (1982) descrevem que o enfoque de ensinar está baseado na compreensão do jogo. Esses autores sugerem que a compreensão e o conhecimento dos fundamentos do jogo e a tática devem ser ensinadas antes do domínio das habilidades motrizes (técnicas) em todos os esportes. As estratégicas para ensinar podem ser variadas:

por exemplo, situações de jogo (serviço, jogo de fundo, subida a rede), simplificar o esporte através do mini-tênis, modificando as condições (altura da rede, bola macia, dimensões de quadra) e ensinar padrões táticos para que os alunos se acostumem a tomar as melhores decisões durante a partida. Bunker e Thorpe (1982) afirmam que toda aula deve ter início, meio e fim. O início da aula deve ser usado para desenvolver uma atividade de descontração e feedback sobre o que foi visto na aula anterior, para então, apresentar o que vai ser realizado. É ainda de fundamental importância um trabalho de aquecimento inicial para diminuir o risco de lesão de alguma articulação ou músculo. O período intermediário da aula deve ser dirigido ao aprendizado, onde um dos elementos da metodologia de ensino é trabalhado especificamente. Já na parte final será importante proporcionar outro momento de descontração, onde estará presente o fator psicológico de motivação e despertar o desejo do aluno de retornar na próxima aula. Ele deve sair da aula feliz, sentido que se esforçou muito e foi produtiva. É interessante ter ainda uma conversa final para apontar o que foi trabalhado em aula. É importante a realização de golpes sem bola em todas as progressões. Evidentemente que o aluno que não saiba executar o golpe sem bola também não saberá

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efetuá-lo com bola. Se o aluno realizar o fundamento corretamente sem bola podemos afirmar que, o mesmo tem uma idéia precisa de como rebatê-la. Com esse método o aluno tem condições de exercitar seus golpes e corrigi-los sem a ajuda de um treinador. Não se pode esquecer que o ensino do tênis deve ser voltado para as condições psico-motrizes dos alunos, tentando desenvolver ao máximo a coordenação motora e a habilidade dos mesmos, a fim de torná-los aptos a adquirirem os fundamentos técnicos e ainda, serem capazes de realizá-los com eficiência (TOOK; BUENO, 1983). No processo específico de aprendizagem e desenvolvimento da técnica desportiva, ressalta-se a importância de compreender a necessidade da execução de várias repetições dos gestos motores (TUBINO, 1992). O professor propõe inicialmente os exercícios indicando a forma correta de realizá-los, explicando a sua natureza, a compreensão dos resultados e a relação da quantidade de repetições com os objetivos da qualidade. O elemento de repetição e alternância segundo Huizinga (1988) representa em certa quantidade de exercícios similares para cumprir um mesmo objetivo, a regularidade dos golpes altamente complexos. Os exercícios iniciais são praticados sem necessidade de rede, podendo assim, ser realizado em qualquer espaço plano. O domínio da técnica do aluno depende, essencialmente, de um trabalho de múltiplas repetições dos gestos motores (GALLWEY, 1996; SCHÖNBORN, 1999; GREEN, 1976). Após o aluno atingir um nível satisfatório de controle da bola na horizontal, introduz-se a rede. Os alunos podem exercitar a troca de bolas em duplas ou com o professor. Nesse momento as exigências técnicas começam a ser introduzidas gradualmente. A noção de execução completa de movimento da posição lateral deve ser introduzida em aula, pois é interessante trabalhar lateralidade do aluno como, por exemplo, corrida em direção à bola. De acordo com Schonborn (1999), os alunos devem aprender as ações técnico- desportivas no contexto de elaboração de uma jogada ou de combinações de golpes. Todas essas ações devem ser dedicadas à íntima relação entre a ação e a recepção dos golpes executados pelo companheiro, que constituem o sistema funcional do esporte. De acordo com o aprendizado serão introduzidas pequenas noções táticas referentes ao posicionamento do aluno após uma rebatida sempre a orientando onde é mais conveniente rebater a bola. Um exemplo freqüente é: um golpe cruzado seguido de um paralelo.

6.3 VANTAGENS E BENEFÍCIOS DO MINI-TÊNIS

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O mini-tênis oferece uma grande quantidade de vantagens e benefícios aos alunos.

Segundo Crespo (1996), o mini-tênis tem as seguintes vantagens:

Diversão durante a prática do jogo assegurando um aprendizado mais fácil e rápido devido a

Diversão durante a prática do jogo assegurando um aprendizado mais fácil e rápido devido a se adaptar às características dos alunos.

Assegura uma boa condição física e mental através de um aprendizado ligado ao divertimento.

Assegura uma boa condição física e mental através de um aprendizado ligado ao divertimento.

Desenvolvimento dos padrões motores básicos: lançar, golpear, rebater, correr, saltar. O jogador aprende as habilidades

Desenvolvimento dos padrões motores básicos: lançar, golpear, rebater, correr, saltar. O jogador aprende as habilidades fundamentais que podem ser úteis para a prática de outros esportes posteriormente.

É um método que pode ser praticado por todas as idades. O mini-tênis se destina

É

um método que pode ser praticado por todas as idades. O mini-tênis se destina

especialmente para os jogadores mais jovens, embora seja adequado a diversos níveis de jogo.

Facilitar a aprendizagem dos gestos técnicos e noções táticas.

Facilitar a aprendizagem dos gestos técnicos e noções táticas.

Este método motiva o aluno a fidelizá-lo à modalidade ajudando a promoção do esporte.

Este método motiva o aluno a fidelizá-lo à modalidade ajudando a promoção do esporte.

Permite detectar, desde cedo, jovens talentos devido a sua facilidade de aprendizagem técnico-tática.

Permite detectar, desde cedo, jovens talentos devido a sua facilidade de aprendizagem técnico-tática.

É colocado mais alunos por quadra, otimizando o espaço.

É

colocado mais alunos por quadra, otimizando o espaço.

6.4 OBJETIVOS DO MINI-TÊNIS

Segundo a Escuela Nacional de Maestria de Tênis (1992), os objetivos do mini- tênis no âmbito escolar são:

Facilitar o aprendizado dos alunos, desta forma a técnica é simplificada até que o aluno tenha uma melhor coordenação corporal e saiba solucionar os problemas de jogo (velocidade da bola, peso da raquete, altura da rede e dimensões de quadra).os objetivos do mini- tênis no âmbito escolar são: Fazer do tênis um esporte gratificante e

Fazer do tênis um esporte gratificante e divertido com a introdução de um grande número de jogos.bola, peso da raquete, altura da rede e dimensões de quadra). Fomentar a participação e a

Fomentar a participação e a prática esportiva de todos.de quadra). Fazer do tênis um esporte gratificante e divertido com a introdução de um grande

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Aprender as habilidades e destrezas básicas do tênis.48 Aprender jogos baseados em outros esportes para melhorar as habilidades gerais. Incentivar a prática do

Aprender jogos baseados em outros esportes para melhorar as habilidades gerais.48 Aprender as habilidades e destrezas básicas do tênis. Incentivar a prática do tênis por toda

Incentivar a prática do tênis por toda a vida dos alunos.e destrezas básicas do tênis. Aprender jogos baseados em outros esportes para melhorar as habilidades gerais.

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7 SUGESTÕES PARA TRABALHAR O MINI-TÊNIS NA ESCOLA

7.1 ASPECTOS FUNDAMENTAIS PARA UMA AULA DE TÊNIS DE CAMPO

A proposta do mini-tênis tem como foco orientador o tênis de campo. Para tal, é necessário considerar que o tênis de campo tem várias características que o tornam de difícil aplicação na escola. Dentre elas temos:

tornam de difícil aplicação na escola. Dentre elas temos: Número de alunos: em uma aula de

Número de alunos: em uma aula de tênis numa academia especializada com um professor, raramente se tem mais de 5 alunos. Na aula de Educação Física em sua maioria as classes contem de 20 a 35 alunos. Material: o material para a prática do tênis é caro, porém para o ensino deste esporte nas escolas, os professores não precisam de materiais oficiais. Pode-se utilizar materiais alternativos como bolas de plásticos, espuma ou bolas velhas. Para substituir as raquetes é possível utilizar apenas a mão, raquetes de tênis de mesa ou de badmintom, de plástico e de madeira. É possível realizar um trabalho interdisciplinar para confecção e arrecadação dos materiais necessários para a prática do esporte. Os próprios alunos podem fabricar suas raquetes para posteriormente utilizarem nas aulas de Educação Física. A rede pode ser representada por uma linha ou corda onde nela se amarra alguns pedaços de plásticos que servem para facilitar a visibilidade dos alunos. Espaço e instalações: não tem necessidade de se ter uma quadra oficial para que se inicie a prática do tênis. Segundo Salum (1987), para apreender a jogar o mini-tênis basta uma quadra poliesportiva ou mesmo uma área qualquer plana e lisa. A demarcação da quadra pode ser feita com giz, cordas ou cones. A respeito do tamanho não existe uma regra específica este pode ser variado conforme a evolução do aluno. A utilização apenas de uma parede também pode ser uma opção ao professor como forma de ensino da modalidade (CRESPO, 1996).

apenas de uma parede também pode ser uma opção ao professor como forma de ensino da
apenas de uma parede também pode ser uma opção ao professor como forma de ensino da

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Organização: o professor deverá ter domínio sobre a turma, um método eficaz é dividir a turma o professor deverá ter domínio sobre a turma, um método eficaz é dividir a turma por duplas, trios ou grupos de acordo com o nível de cada aluno. As atividades devem ser variadas e a estrutura do grupo deve ser alterada em cada aula para que todos possam jogar com todos. Uma forma legal de trabalhar seria o trabalho individual no início e no final das aulas e na parte principal o trabalho em grupos.

Conteúdo: deve-se ter consciência de que o tênis é um esporte complicado a nível técnico. As deve-se ter consciência de que o tênis é um esporte complicado a nível técnico. As atividades deverão ser centradas no aprendizado dos fundamentos técnicos, táticos e no regulamento básico do esporte. Segundo a Federação Internacional de Tênis (F.I.T., 1991), as técnicas básicas são as posições de iniciação, golpe de direita e revés, voleios, saque, recepção de saque e smash. Assim, recomenda-se não usar espaço muito reduzido para ensinar o tênis de campo, pois podem atrapalhar toda uma movimentação inerente ao esporte, descaracterizando-o e afastando-o dos objetivos a curto e longo prazo. Pode-se adaptar espaços alternativos na escola ocupando qualquer área plana existente próxima a instituição escolar. Os materiais são fundamentais para o ensino das destrezas do tênis de campo segundo Oliveira (1986, p.26), “os materiais do jogo em suas várias possibilidades de utilização, enquanto necessidade de uso nas fases iniciais de aprendizagem podem ser encarados como brinquedos das brincadeiras para designar tanto o objeto quanto a ação.”

7.2

PROFESSOR

ASPECTOS

METODOLÓGICOS

A

SEREM

LEVADOS

EM

CONTA

PELO

Segundo Tubino (1980), a formação de uma sociedade capitalista, o trabalho, a seriedade, os compromissos profissionais, determinaram comportamentos, ditando regras de obrigatoriedade, tarefas e metas para o lucro financeiro, visando a competitividade no mercado. No nosso cotidiano devemos ter uma grande quantidade de tempo para trabalho produtivo, incluindo o esporte profissional ou de espetáculo que vem acompanhado de intenções políticas ideológicas e de interesses, e um pequeno período de tempo livre para as relações sociais do “esporte de lazer” (STUCCHI, 2004). Na atuação do professor durante as aulas, faz-se necessário aplicar uma técnica didática em função de uma série de variedades com objetivos relacionados às tarefas motrizes, respeitando a individualidade biológica do aluno (DELGADO, 1993). Neste

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sentido, segundo Sáenz-López (1997), a técnica de ensinar de forma correta deve ser primeiramente dada uma informação inicial a fim de oferecer conhecimento e manter os alunos motivados. As duas variações técnicas de ensino ao tênis são (DELGADO, 1993):

A- A instrução direta onde se baseia em ensinar através de modelos já estabelecidos, proporcionando informações diretas aos alunos sobre as soluções dos problemas, a fim de que eles executem os exercícios com perfeição. B- Indagação ao aluno é quando o professor propõe aos alunos que eles por si só descubram o erro ao qual estão cometendo. O professor neste método instiga ao aluno a se auto-corrigir.

Segundo a Escuela Nacional de Maestria de Tênis (1992), a técnica mais adequada seria a de indagação ao aluno, onde o professor propõe problemas aos alunos para que eles pensem e solucionam (com ajuda do professor). Se utilizar o método de instrução direta deve levar em conta os seguintes pontos:

Explicações claras e breves.

Explicações claras e breves.

As demonstrações são fundamentais devendo ser lentas.

As demonstrações são fundamentais devendo ser lentas.

A prática deve ser dinâmica e divertida, com muitos jogos e competições

A prática deve ser dinâmica e divertida, com muitos jogos e competições

 

dirigidas.

As correções devem ser poucas.

As

correções devem ser poucas.

Segundo a classificação de Mosston e Ashworth, (1986), o mini-tênis enquanto estratégia em sua prática pode ser incluído dentro do método global de ensino com modificações da situação real, pois a sua base metodológica está centrada na adaptação das características do tênis. Neste sentido Pinto e Cunha (1998) propõem a estratégia da prática global e suas variações para se ensinar o mini tênis no âmbito escolar. O trabalho deve ser por níveis onde os métodos de ensino podem variar de acordo com a resposta da turma que está sendo trabalhada. Uma vez analisada a proposta de diversos autores sobre qual o melhor método a ser utilizado para se ensinar tênis no âmbito escolar, aconselha-se que o método de indagação ao aluno seja aplicado. Quanto ao estilo de ensino, recomenda-se o cognitivo (resolução de problemas), sem descuidar a necessidade de individualizar o ensino (estilo individualizado),

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criando assim um clima de socialização com jogos cooperativos. A estratégia global pode ser adotada para o ensino da tática e do regulamento básico do tênis (PHINNEY, 1993).

7.3 RESPONSABILIDADE E CARACTERÍSTICAS DO PROFESSOR

No processo de aprendizagem do mini-tênis do aluno, o papel do professor consiste em planejar a programação das atividades. Inicialmente, definindo os objetivos principais e justificando de forma que os alunos possam compreender a essência do trabalho, assim como, as variações possíveis de acordo com as condições pessoais que se apresentam as circunstâncias específicas. Isso porque toda a atividade proposta possui variações quanto à intensidade e volume. É preciso considerar que nem todos os alunos têm a mesma condição para a realização do trabalho proposto. A participação deve ser espontânea, ingressando no processo de aprendizagem, realizando exercícios diferenciados quanto ao grau de aquisição do desempenho, com respeito às limitações de cada aluno (GALLIETT, 1996). No processo de aprendizagem do mini-tênis é recomendável, ainda, que após a realização da atividade, seja efetuada a avaliação dos objetivos propostos. Neste momento o professor deve estimular o aluno a manifestar sua interpretação diferenciada e qualificada das atividades realizadas. As contribuições de todos, individualmente e no contexto do grupo, determinaram os passos seguintes a serem orientados na direção do aperfeiçoamento técnico- desportivo dos alunos (GALLIETT, 1996). O professor deverá compreender a interação de toda a complexidade da ação humana no quadro da intervenção escolar. Isso significa que o aluno não deve se restringir somente aos ensinamentos do seu professor, mas sim participar ativamente da construção da própria proposta de ensino. O professor deve assumir um papel de condutor de um processo capaz de proporcionar um conjunto variado de possibilidades de desenvolvimento. O aluno será agente decisivo e determinante no seu próprio processo educativo. O professor deve respeitar a evolução do aluno, motivando este a melhorar sua técnica com o passar das aulas. Importante fomentar o jogo em equipes e em duplas (MURRAY, 2002). Bento (1989) afirma que o professor deve ter uma imagem e uma aparência adequada para que esse possa também cobrar de seus alunos. O uso adequado da voz e a capacidade de comunicação asseguram o professor a comunicação fácil e precisa. Capacidade de organização, liderança e disciplina devem estar presentes no primeiro dia de

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aula para que os alunos saibam de suas responsabilidades ao longo das aulas. Difícil será um professor garantir a total segurança em sua aula prática. Porém, deverá o educador, ter consciência das medidas a serem tomadas, fazendo com que haja o mínimo de riscos possíveis a seus alunos.

É responsabilidade do professor, manter atenção nos intervalos durante as aulas,

para que o aluno se hidrate corretamente, lembrando que muita ou pouca água pode causar danos na saúde. A temperatura corpórea pode aumentar muito, por isso, recomenda-se que os praticantes ingiram bastante água antes, durante e depois da prática esportiva. O professor deve saber dosar de acordo com a atividade proposta o nível de água a ser ingerido, ressalta- se que não é recomendado dizer não a um aluno que pede para beber água ou a ir ao banheiro

(TANI, 1988). Toda a aula deve ter início, meio e fim bem distintos segundo Galliett (1996). O aquecimento e relaxamento devem estar presentes nessa divisão da aula. De acordo com a evolução da turma e as possíveis dúvidas, é importante que o professor explique o porquê da realização de determinados exercícios. Por exemplo, que região do corpo está sendo alongada, e o que poderá acontecer se não executarmos esses movimentos corretamente no tempo adequado.

7.4 SUGESTÕES DE MATERIAS ALTERNATIVOS

O tênis é rotulado como um esporte caro, devido ao custo das raquetes e bolas

oficiais. Serão propostos materiais alternativos diversos como (CRESPO, 1993):

RAQUETE: pode ser fabricada em madeira (cedro, por ser resistente e leve) ou com cabides usados de arames. Desta forma abre-se o cabide na parte inferior deixando-o de forma oval, revestindo-o com meia de nylon. O cabo é feito com a parte superior do cabide. Deve ter o diâmetro de 12 a 15 cm e comprimento da cabeça entre 15 e 20 cm (forma elíptica), o comprimento total da raquete (cabeça mais cabo) não deve ultrapassar 35 cm. BOLA: não precisa ser necessariamente a oficial, que tem um custo mais elevado, pode ser qualquer tipo de bola que quique e que seja de circunferência semelhante a uma bola oficial. Evitar bolas que quiquem muito rápido, preferir bolas mais lentas que as oficiais. O mercado possui essas bolas a custos bem reduzidos. Pode-se confeccionar bolas de meia

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como também bolas de balão cheio com água. Para confeccionar as bolas de água utilizam-se oito balões sendo que o primeiro deve ser, cheio de água e os demais sendo colocados de forma que fique uma bola necessitando tirar as pontas dos balões. REDE (divisória da quadra): este material nem sempre é de fácil manejo e tem um preço relativamente caro, porém pode ser facilmente substituída por cordas de nylon, elásticos, barbantes etc., amarrados em cadeiras ou mesas. A altura da rede não deve ultrapassar 80 cm do solo. Outra sugestão é aproveitar toda extensão da área e com auxílio de dois mini postes de madeira ou bambu fixos no chão ou piso, amarrar uma grande cordinha de nylon e criar tantas mini quadras quantas forem possíveis. Como sugestão, amarrar algumas fitas de plástico na corda para facilitar a visualização.

7.5 SUGESTÕES DE ATIVIDADES PARA INICIAÇÃO DO TÊNIS NA ESCOLA

As atividades a seguir apresentadas foram pensadas a partir de uma seqüência pedagógica que é fundamental para a aprendizagem do tênis, quais sejam: manejo com os materiais, desenvolvimento das habilidades básicas, atividades que propiciem o aprendizado das habilidades específicas do tênis de campo de forma lúdica primeiramente trabalhando os fundamentos isolados e posteriormente mesclando os golpes, por fim jogos de oposição e de cooperação. Portanto serão apresentados treze exercícios, sendo que o primeiro foi proposto por Budinger, do segundo ao décimo, a proposição é de Jaquet, e os três últimos, são propostas fundamentadas por Dhellemes e Bechade (1988 apud PINTO; CUNHA, 1998, p.

30).

1) Balancear e quicar a bola com ajuda da raquete; um aluno um de frente para o outro, após lançar a bola, este joga a bola para o alto e a rebate com a raquete em direção ao chão, sendo que a bola deve chegar ao colega. (Figura 5)

55

55 Figura 5 – Balancear e quicar a bola com ajuda da raquete Fonte: Pinto e

Figura 5 Balancear e quicar a bola com ajuda da raquete Fonte: Pinto e Cunha, (1998, p. 31).

2) Equilíbrio bola sobre raquete: para que o aluno descubra os diversos níveis de movimento como: abaixar-se, sentar-se e subir uma escada, deslocar-se para frente, atrás, direita, esquerda, correr, parar etc. (Figura 6).

atrás, direita, esquerda, correr, parar etc. (Figura 6). Figura 6 – Equilíbrio bola sobre raquete Fonte:

Figura 6 Equilíbrio bola sobre raquete Fonte: Pinto e Cunha, (1998, p. 31).

3) Equilíbrio bola sobre raquete: um aluno de frente para o

outro, segurando a

raquete com uma bola que está sendo equilibrada sobre a mesma, sendo que uma vai passar a raquete para a mão da outra sem deixar a bola cair (Figura 7).

56

56 Figura 7 – Equilíbrio bola sobre raquete Fonte: Pinto e Cunha, (1998, p. 31). Brincadeira

Figura 7 Equilíbrio bola sobre raquete Fonte: Pinto e Cunha, (1998, p. 31).

Brincadeira

equilibrando uma bola de tênis (Figura 8).

4)

de

pique

pega

tendo

na

mão

de

cada

aluno

uma

raquete

8). 4) de pique pega tendo na mão de cada aluno uma raquete Figura 8 –

Figura 8 Brincadeira de pique pega Fonte: Pinto e Cunha, (1998, p. 31).

5) Troca de bolas: colocar duas colunas dispostas uma de frente para a outra, sendo que elas vão trocar bolas longas, onde o alvo será um círculo desenhado na quadra oposta, sendo a equipe vencedora a que mais vezes acertar com a bola o interior do círculo (Figura 9).

57

57 Figura 9 – Troca de bolas Fonte: Pinto e Cunha, (1998, p. 31). 6) Troca

Figura 9 Troca de bolas Fonte: Pinto e Cunha, (1998, p. 31).

6) Troca de bolas: colocar duas colunas dispostas uma de frente para a outra, sendo que elas vão trocar bolas longas, o objetivo será passar a bola dentro de um alvo fixo (no caso, duas cordas estendidas no centro da quadra); ganha a equipe que menos vezes errar o alvo (Figura 10).

ganha a equipe que menos vezes errar o alvo (Figura 10). Figura 10 – Troca de

Figura 10 Troca de bolas Fonte: Pinto e Cunha, (1998, p. 31).

7) Troca de bolas ao alvo: duas colunas de frente para um arco no centro da quadra, deverão seguir o seguinte procedimento: o aluno da coluna A deverá golpear a bola para o centro do arco em direção ao primeiro aluno da coluna B, que pegará a raquete em

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cima de uma cadeira e golpeará rebatendo a bola para o centro do arco, deixando a raquete onde a pegou, e assim subseqüentemente para os demais alunos dessa coluna (Figura 11).

para os demais alunos dessa coluna (Figura 11). Figura 11 – Troca de bolas ao alvo

Figura 11 Troca de bolas ao alvo Fonte: Pinto e Cunha, (1998, p. 32).

8) Troca de bolas ao alvo: duas caixas serão colocadas próximas às linhas de fundo da quadra. Uma, contendo várias bolas, e a outra, vazia, cinco alunos com raquete deverão estar dispostos por toda a quadra, sendo que, o primeiro deve estar próxima à caixa com bolas, e o quinto, próximo à caixa sem bolas. O primeiro deverá golpear a bola para a segunda e assim subseqüentemente até o quinto aluno, que deverá rebater a bola para a caixa vazia próxima à linha de fundo onde ela se encontra (Figura 12).

próxima à linha de fundo onde ela se encontra (Figura 12). Figura 12 – Troca de

Figura 12 Troca de bolas ao alvo Fonte: Pinto e Cunha, (1998, p. 32).

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9) Troca de bolas ao alvo: de um dos lados da quadra o professor lançará a bola para o aluno que se encontrará do outro lado, previamente demarcado com alguns círculos no chão. O aluno deverá rebater a bola sem tocar os pés no interior do círculo (Figura 13).

bola sem tocar os pés no interior do círculo (Figura 13). Figura 13 – Troca de

Figura 13 Troca de bolas ao alvo Fonte: Pinto e Cunha, (1998, p. 32).

10) Rebater a bola: os alunos deverão estar dispostos em uma única coluna próximas da rede, de onde deverão rebater a bola que lhe foi lançada, antes que esta toque o chão, para o professor que a lançou do outro lado da quadra, e em seguida, deslocar-se para o final da coluna, passando a vez para o aluno seguinte e assim por diante (Figura 14).

a vez para o aluno seguinte e assim por diante (Figura 14). Figura 14 – Rebater

Figura 14 Rebater a bola Fonte: Pinto e Cunha, (1998, p. 32).

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Utilizando-se dos diversos formatos para as mini-quadras, como uma contribuição à estruturação espaço-temporal, sugerem-se os seguintes jogos:

11) Dividir a mini-quadra em duas partes usando uma corda verticalmente colocada, sendo assim promover mini-jogos entre os alunos, onde os pontos serão contados de um a quatro e sem vantagens, como é o caso dos set’s oficiais (Figura 15).

como é o caso dos set’s oficiais (Figura 15). Figura 15 – Divisão da mini-quadra verticalmente

Figura 15 Divisão da mini-quadra verticalmente Fonte: Pinto e Cunha, (1998, p. 32).

12) Jogo dos dois toques: colocar os alunos dispostos em duplas, a dupla A sacará para a dupla B, que ao receber, não poderá rebater a bola de primeira, terá que passar para seu colega de dupla e só assim poderá passar para a quadra oposta, e assim subseqüentemente; os pontos serão de um a quatro como no exercício anterior (Figura 16).

de um a quatro como no exercício anterior (Figura 16). Figura 16 – Demarcação do jogo

Figura 16 Demarcação do jogo de dois toques Fonte: Pinto e Cunha, (1998, p. 32).

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13) Dividir a mini quadra em quadrantes e atribuir pontos a cada um, sendo que, cada grupo de alunos ficará na diagonal do outro grupo; estes devem executar os fundamentos do tênis propostos pelo professor em todos os números, soma pontos se o aluno colocar a bola em jogo. Vence o jogo o grupo que alcançar primeiro 33 pontos (Figura 17).

o jogo o grupo que alcançar primeiro 33 pontos (Figura 17). Figura 17 – Divisão da

Figura 17 Divisão da mini-quadra em quadrantes Fonte: Pinto e Cunha, (1998, p. 32).

As sugestões de exercícios e mini jogos para a iniciação ao tênis escolar apresentadas, deverão servir de base para que os professores de Educação Física criem novas opções para um bom aproveitamento do tênis como atividade em suas aulas, contribuindo para o maior enriquecimento do acervo motor do aluno. Os jogos deverão se aproximar da realidade, principalmente quanto às regras, o que contribuirá com o maior envolvimento cognitivo na atividade.

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8 CONCLUSÃO

O presente trabalho teve como objetivo apresentar e descrever o mini-tênis como

uma metodologia adequada para trabalhar o tênis de campo na Educação Física escolar no

ensino fundamental. Para tal, muitas foram as leituras realizadas, no entanto, os resultados ora apresentados são conclusivos de uma etapa, sendo necessário estudos posteriores para o aprofundamento da proposta. Na provisoriedade das conclusões é possível identificar que os professores de Educação Física possuem conhecimentos acadêmicos suficientes para difundir o tênis de campo na escola através de uma metodologia adequada que seria o mini-tênis. O complemento técnico específico da modalidade e os conceitos concretos do tênis, mesmo não contemplados na formação, podem ser adquiridos por intermédio da formação continuada ou encontrados em livros, artigos, revistas e vídeos.

O mais importante de uma aula de Educação Física primeiramente é o professor

adequá-la às necessidades e interesses dos alunos bem como adaptando-a às faixas etárias e

suas características. Neste sentido, as contribuições provenientes dos estudos acerca do desenvolvimento motor podem ser uma ferramenta importante na condução das aulas, pois,

além do fator social, cada criança apresenta um padrão característico de desenvolvimento.

É necessário enfatizar que os espaços e materiais podem ser adaptados a prática

do mini-tênis nas aulas de Educação Física escolar rompendo assim, com a idéia de que alguns esportes não podem ser ensinados nas escolas sem os devidos equipamentos e espaços oficiais. Neste sentido, também é possível romper com a idéia de que alguns esportes não podem ser trabalhados na escola, pois, com materiais alternativos e com uma metodologia adequada à aula pode se tornar divertida.

O tênis no âmbito escolar, deve sempre buscar o lúdico e o desenvolvimento

global do aluno, deixando de lado o espírito agonístico do desporto, tornando-se um meio e não um fim em si mesmo. Este esporte envolve padrões de movimento e/ou habilidades motoras fundamentais específicas como bater e rebater. Habilidades motoras de outros

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esportes também estão presentes, tais como: correr, saltar e arremessar, e ainda usa atributos básicos de rapidez, destreza e resistência. O tênis também possibilita o desenvolvimento da concentração e da cooperação, sendo que estas são componentes primordiais para que se desenvolvam os aspectos inerentes de grande valor para os fazeres do cotidiano do aluno, os quais requerem esses quesitos. No processo de aprendizagem do mini-tênis, o papel do professor consiste em planejar e programar as atividades, inicialmente, definindo os objetivos principais e justificando de forma com que os alunos possam compreender a essência do trabalho, assim como, as variações possíveis de acordo com as condições pessoais que se apresentam nas circunstâncias específicas. É bom ressaltar que as atividades propostas devem vir ao encontro das intencionalidades políticas e pedagógicas do projeto educativo da escola. As atividades devem levar em consideração a especificidade do jogar tênis, principalmente, o bater e rebater, contemplando sempre movimentos estabilizadores, manipulativos e locomotores. Para tal, sugere-se a seguinte seqüência pedagógica: manejo com os materiais, desenvolvimento das habilidades básicas, atividades pedagógicas que propiciem o aprendizado das habilidades específicas do tênis de campo de forma lúdica primeiramente trabalhando os fundamentos isolados e posteriormente mesclando os golpes, por fim jogos de oposição e de cooperação. Com a prática do mini-tênis, este propicia uma diversão durante o jogo, assegurando assim um aprendizado mais lúdico devido a este se adaptar às características dos alunos. O mini-tênis pode ser desenvolvido em qualquer área plana, através de materiais alternativos. A raquete pode ser fabricada em madeira (cedro, por ser resistente e leve) ou com cabides de arame recicláveis. A bola não precisa ser necessariamente a oficial, que tem um custo mais elevado, pode ser qualquer tipo de bola que quique e que seja de circunferência semelhante a uma bola oficial. A rede pode ser substituída por cordas de nylon, elásticos ou barbantes, amarrada em cadeiras ou mesas. Neste sentido, o mini-tênis no contexto escolar pode se configurar como uma metodologia adequada para a prática e o ensino do tênis de campo na Educação Física escolar no ensino fundamental, possibilitando aos alunos práticas que muitas vezes lhes são negadas em decorrência da alegação da falta de espaços e materiais adequados. Assim, a Educação Física pode possibilitar aos alunos a vivência do esporte da escola, como um fenômeno sócio-cultural, que pode ser vivenciado por todos.

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