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A MAIOR MENTIRA A RESPEITO DA FELICIDADE

De Marcelo Assis da Silva.

Há um enorme engano, que é muito comum, a respeito da felicidade, que é tão comum, mas tão comum,
que é tido como uma grande verdade, quando não passa de uma grande mentira. Esse engano é a crença
de que a felicidade é algo que devemos conquistar.

Não importa se essa conquista se dá por intermédio das coisas materiais como dinheiro, posses, sucesso
ou poder. Aliás, vocês podem pensar que é disso que eu estou falando: que a grande mentira é
acreditarmos que seremos felizes se tivermos um carro, aquele emprego maravilhoso, ou coisa do gênero.

No entanto, não é exatamente disso que eu quero falar. É verdade, que isso faz parte dessa crença errônea
a respeito da felicidade, mas isso é apenas um sintoma e não a doença em si.
Eu quero falar sobre o erro de pensarmos que a felicidade é algo que temos que buscar, não só por meio
das coisas materiais, ou meditando todos os dias, qualquer forma de buscar é um engano . O engano está
no fato que ao acreditarmos que temos que buscar a felicidade, nós desenvolvemos uma crença que NÓS
SOMOS PESSOAS INFELIZES e que a felicidade é um ideal a ser alcançado, quando na verdade, nós
não somos infelizes, e sim, ESTAMOS INFELIZES. Pode não parecer muito diferente, mas ser infeliz
indica que a infelicidade faz parte da nossa essência e que para sermos felizes teríamos que realizar
mudanças muito profundas, de uma profundidade tal, ao ponto de conseguirmos alterar nossa essência, o
que é impossível.

Porém, se encararmos a infelicidade como um mero estado, fica mais fácil de lidarmos com o problema.
Não é preciso um esforço sobre humano para que sejamos felizes. Na verdade, nós não precisamos nos
tornar felizes, NÓS SOMOS FELIZES, porque a felicidade faz parte da nossa essência. A felicidade, a
alegria e a paz interior são o que nós somos, elas não podem ser criadas, conquistadas ou compradas,
porque estão dentro de nós o tempo inteiro, porque como partes de nós, não poderíamos, mesmo se
quiséssemos, ficar separados delas.

Então, por que somos infelizes? Se a felicidade é o nosso estado natural, não deveríamos ser todos
felizes? Vou ser honesto, não sei a razão de o sofrimento existir. Uma explicação que acho razoável, está
descrita no livro “Conversando Com Deus”, no qual o autor pergunta a Deus a razão do sofrimento e
Deus explica que o sofrimento existe para que nos lembremos do que não queremos, para assim
chegarmos ao que queremos. No entanto, não é importante sabermos a razão de sofremos para sermos
felizes.
O importante é entender, que a felicidade faz parte de nossa essência. Imagine o nosso interior como se
fosse uma linda paisagem, como, por exemplo, uma linda cachoeira, com pássaros cantando, num belo
dia e com uma leve brisa soprando. Tudo em paz, equilíbrio e harmonia, imaginou? Agora se imagine,
com uma buzina que faz um barulho horroroso quando a apertamos e o tempo todo perturbando a
magnífica paz desse ambiente idílico. O que aconteceria? Com o barulho da buzina perturbando a paz
natural do ambiente, seria difícil para nós continuarmos a percebê-la, não é verdade?

É isso que ocorre conosco. Nosso interior está sempre em paz. Ele é paz, alegria e felicidade, mas quando
resolvermos perturbá-lo com o sofrimento que criamos, passamos a ter dificuldade em reconhecer essa
paz dentro de nós, ao ponto de acharmos que ela não existe em nosso interior. Como estamos sempre
apertando a buzina e apertamos com tanta frequência, que até parece, que essa perturbação é o nosso
estado natural.

Passamos a nos identificar com o nosso sofrimento, dizemos que somos infelizes, ao invés de dizermos
que estamos infelizes, porque esse apertar da buzina passou a ser algo mecânico e automático, daí a ilusão
de que somos dessa forma. Mas é só pararmos de apertar a buzina, para que percebamos como é a nossa
verdadeira natureza; paz, alegria e felicidade que sempre estiveram por baixo do barulho irritante
produzido pela buzina.

A infelicidade é algo que criamos, ela sim é um resultado que nos esforçamos para obter. É um corpo
estranho que esforçamos para criar e para manter em nosso interior, mas de jeito algum é algo inerente a
nós. Não passa de um estado que criamos constantemente que mascara a nossa felicidade interior
inerente.

Por isso, não podemos conquistar a felicidade e a alegria de viver, porque não podemos conquistar o que
somos e o que já possuímos naturalmente. Qualquer tentativa nesse sentido está fardada ao fracasso,
porque buscamos atingir um objetivo impossível. O nosso esforço vai resultar em mais infelicidade, já
que esse é o único resultado que podemos conquistar.

Temos, na verdade, de nos reencontrar com a felicidade, nos reencontrar com o nosso verdadeiro eu, com
nosso mundo interior e aos poucos vamos parando de contaminar nosso interior com o sofrimento que
criamos, deixando que ele seja o que sempre foi, é e será.