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• Debate no ProfBlog sobre concessão das 50 piores escolas do

secundário a instituições educativas ligadas à Igreja Católica –


18/2/2010

Reitor Today 04:10 PM
• Meu caro, estamos cercados. Cercados de pedragogos.
Um quer estragar as escolas que funcionam bem. Defende que o Estado
obrigue as escolas católicas a funcionarem como as públicas. A proposta, de
tão esquisita, só pode ser comparável a estoutra: o Estado deve obrigar os
restaurantes a funcionarem como as cantinas e refeitórios públicos. Para
nossa satisfação e gáudio de todos os apreciadores de bons repastos.
O outro fala, entre outros, em compromissos confessionais, em milagres e
em evangelização. Refere-se, obviamente, aos milagres que o estalinismo
operou nas sociedades proletárias avançadas que ainda subsistem, mau
grado, a luminosa ideologia marxista tenha deixado de iluminar o mundo
"velho" há muitos e bons anos.
Estes pedagogos da escola inclusiva, da escola a tempo inteiro, da escola
sem exames, sem expulsões, sem penas disciplinares, sem crucifixos, enfim,
estes defensores acérrimos da escola democrááááááática, só não explicam
bem porque se hão-de sujeitar gerações de jovens a frequentar escolas
públicas de péssima qualidade quando poderiam frequentar escolas
católicas de excelente qualidade, pelo mesmo preço.
Eles não explicam nem precisam de explicar.
Nós sabemos bem que nenhum deles colocaria os filhos ou os netos numa
das 5o piores escolas do país.
Essas são para os filhos e os netos dos outros portugueses ligeiramente mais
proletários que estes dois.
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franciscosantos Today 01:45 PM
• Ramiro,
deixo aqui este link para exemplificar porque motivo o sistema educativo
não deve assumir compromissos confessionais e as escolas devem ser
geridas numa base totalmente laica
http://www.newsobserver.com/news/counties/wake_...
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Elenáro Today 11:51 AM
• "o PS não fez outra coisa senão criar empresas públicas, aumentando
exponencialmente o controlo da economia"

Em nos anos 80 e mesmo nos 90, o estado detinha um papel bem maior do
que detém agora na economia. Nessa altura, a economia estava a "crescer"
e não foi pelo mais ou menos estado que a economia não cresceu. Na China
o estado controla tudo e todos e a economia não para de crescer. A questão
não é muito ou pouco papel do estado na economia mas sim a qualidade do
mesmo...

Em relação ao tema do post, se se puser escolas públicas nas mãos da Igreja


Católica as coisas ficarão na mesma. Conheço bem a realidade dessas
escolas por familiares e amigos. Sei bem como a "ordem" e "respeito" é
imposta naquelas que lidam com crianças dos mais baixos estratos sociais.
Não é pelo diálogo mas pela coerção e autoritarismo, por vezes, até pela
violência. Os resultados também não são maravilhosos.

Nas outras que lidam com camadas mais seriadas da sociedade, bem, aí
funcionam bem porque fazem selecção de quem lá entra e quem lá fica. E
funcionam bem é como quem diz... De repente vem-me um exemplo à
cabeça que, mesmo com seriação dos alunos, aquilo é uma bandalheira e os
alunos que saem de lá não ficam nada à frente de muitas escolas públicas.
Até diria que ficam atrás.

Esta não me parece a solução. Está-se a comparar público e privado. Está-se


a comparar escolas que têm de acolher todos os que queiram lá entrar sem
qualquer tipo de seriação, tendo depois de lidar com realidades, culturas e
valores muito distintos e até, em alguns casos, contraditórios, com escolas
que podem decidir quem lá fica dentro e quem salta fora. Não faz sentido
esta comparação.

E já agora, quanto aos 2000 mil anos de prática educativa, esta afirmação é
tudo menos honesta. Primeiro porque o ensino generalizado e com as
características modernas tem 200 anos. Até então o ensino ou não existia ou
era algo para os privilegiados e muito restrito. Logo a Igreja, no que toca ao
ensino do "povinho" tem tanta experiência como outra qualquer.

Mas mesmo assumindo que as escolas católicas são modelos a seguir, então
para quê dar a administração à Igreja? Mais fácil e rápido era aplicar os
procedimentos iguais destas escolas às públicas. Ou isso já não convém?
Será mesmo preciso haver um crucifixo na parede para as coisas
funcionarem? Ou será das Avé-Marias? Nos tempos que no ensino público se
fazia isso e naqueles que hoje ainda o fazem por esse mundo fora, não
consta que as coisas funcionem melhor. Os problemas são os mesmos,
simplesmente há instrumentos disponíveis a uns e não a outros e essa é que
é a questão.

Faça-se o inverso. Obrigue-se as escolas católicas a funcionarem como as


públicas e veja-se o resultado... Duvido que sejam bons.
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franciscosantos Today 11:21 AM
• Ramiro,
Os milagres, sejam da privatização, sejam da evangelização, sejam até do
proselitismo mais ou menos bem intencionado, estão pela hora da morte.
E, na maior parte das vezes, o que parece dificilmente é.
A propósito da eficácia da escola, do socialismo do PS, do eduquês e dos
exames, acabei de deixar um post que te convido a ler:
http://fjsantos.wordpress.com/2010/02/17/a-bota...