Você está na página 1de 38
1
1

UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA MARCELE BRESSANE

TRANSEXUALIDADE E A DESPATOLOGIZAÇÃO DA IDENTIDADE TRANS

Tubarão

2015

2
2

MARCELE BRESSANE

TRANSEXUALIDADE E A DESPATOLOGIZAÇÃO DA IDENTIDADE TRANS

Projeto de pesquisa para Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado ao Curso de Psicologia da Universidade do Sul de Santa Catarina, como parcial à obtenção do título de Psicólogo.

Profª. Rosane Romanha Msc Módulo Temático Profº. Rosa Cristina Módulo Metodológico

Tubarão

2015

Lista de quadros

3
3

Quadro 1 Cronograma da pesquisa

29

Quadro

2 Orçamento

30

SUMÁRIO

4
4

1

INTRODUÇÃO

5

1.1

PROBLEMA

DE PESQUISA

7

1.2

OBJETIVOS

7

  • 1.2.1 Objetivo geral

7

  • 1.2.2 Objetivos Específicos

7

1.3

JUSTIFICATIVA

8

2

REVISÃO DA

LITERATURA

10

2.1

GÊNERO E SEXUALIDADE

10

  • 2.1.1 Identidade de Gênero

11

  • 2.1.2 Papel de Gênero

12

  • 2.1.3 Orientação Sexual e transexualidade

13

  • 2.2 MOVIMENTOS SOCIAIS

16

  • 2.3 DESPATOLOGIZAÇÃO

20

  • 2.3.1 Patologia da transexualidade - Classificação Diagnóstica

21

  • 2.3.2 Cirurgia de redesignação sexual

23

  • 2.3.3 A acepção da lei

24

3

MÉTODO

27

  • 3.1 DELINEAMENTO DA PESQUISA

27

  • 3.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA

27

  • 3.3 PROCEDIMENTOS DE COLETAS DE DADOS

28

  • 3.4 ASPECTOS

28

  • 3.5 PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE

29

  • 3.6 CRONOGRAMA

29

  • 3.7 ORÇAMENTO

30

REFERÊNCIAS

31

APÊNDICE

APÊNDICE B Termo de consentimento livre e esclarecido

A

36

37

38

5

  • 1 INTRODUÇÃO

A transexualidade é estudada há anos e, desde 1950, é considerada uma categoria distinta na área médica, com seus próprios atributos e características. Para Pinto e Bruns (2003, p 49), o transexual mostra dor e angústia quanto à sua identidade biológica, não usando, e nem tocando, em seus órgãos sexuais durante as relações sexuais. Tenta, ao máximo, escondê-los. O transexual não consegue se distinguir no espelho e, desde a infância, busca a compreensão e aceitação da sociedade e da família, para poder realizar a troca de sexo. Geralmente, usa vestimentas e nome do sexo oposto, até chegar à cirurgia de redesignação sexual. Atualmente, este tipo de cirurgia está sendo realizada pelo SUS (Sistema Único de Saúde) 1 . A realização da cirurgia de redesignação sexual pelo SUS foi uma vitória de todos os transexuais. Este passo só foi dado pela motivação de muitos ativistas e defensores da causa LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) do Brasil, movimento que se articula desde o final da década de 1960, período que explodia a ditadura militar no país. Desde seu início, ativistas transexuais lutavam para que esta cirurgia fosse reconhecida e legalizada. A primeira cirurgia realizada em território brasileiro foi em 1971, pelo médico Roberto Farina, tendo seu registro cassado depois de realizadas diversas cirurgias. Todavia, a primeira cirurgia deste tipo legalizada em nosso país foi em 1998. Entre o movimento e a legalização, há uma diferença de 38 anos. Este dado mostra que, no Brasil, ainda são muito recentes as pesquisas e avanços na área da saúde e na área judicial em relação à transexualidade. O movimento LGBT inicia-se com a presença mais marcante de homossexuais. Após duas décadas de existência do movimento, os transexuais tornam-se mais participativos, ou seja, o número de transexuais, que aparecem nas mídias e nas ruas para reinvindicar seus direitos, cresceu. Com o aparecimento da AIDS, síndrome atribuída, em sua maioria, aos homossexuais, o movimento LGBT expande e ganha maior visibilidade. Isso amplia os lugares de acesso às discussões

  • 1 Desde 2008, entra na lista de cirurgias gratuitas pelo SUS a redesignação sexual (cirurgia de troca de sexo). Até 2014, foram realizadas 243 procedimentos cirurgicos em quatro hospitais-escolas que são permitidos. Para obter o atendimento, o transexual deverá seguir as seguintes obrigações:

acompanhamento psicológico durante dois anos, laudo psicológico/psiquiátrico favorável e diagnóstico de transexualidade.

6

de políticas públicas voltadas para essas pessoas. Inúmeras causas são defendidas nas manifestações. Dentre estas, a luta contra homofobia/transfobia, o casamento entre pessoas de mesmo sexo, a adoção de filhos por casais gays e a despatologização, foco do presente estudo. Patologizar a transexualidade significa colocá-la no quadro de doenças mentais, ou seja, aquelas que precisam de ajuda psiquiátrica. Havendo uma dúvida sobre cura e diminuição de sintomas da transexualidade. A despatologização mostra-se contrária, buscando humanizar a transexualidade, lutando pela diminuição do preconceito e a retirada da transexualidade das classificações nosográficas. Em 1993, a homossexualidade foi retirada da quarta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais DSM IV (APA, 2002), declarando, assim, que homossexuais não são portadores de uma doença. Um grande avanço! Na última versão do mesmo manual, em 2014, a transexualidade não aparece mais em suas páginas. Entretanto, a Décima Edição da Classificação Internacional de Doenças CID 10 (OMS, 1994) ainda descreve o transexualismo como uma patologia. Esta descrição patológica, feita pela CID 10, é utilizada pelos médicos na avaliação para autorização da cirurgia de redesignação sexual. Com medo da perda da autorização para a cirurgia, ou de avanços na área da saúde, como a hormonioterapia, e na área jurídica, como a utilização do nome social, muitos transexuais são contra a despatologização da transexualidade. Há muitos avanços e etapas vencidas pelos movimentos sociais, como o movimento LGBT ou movimento transfeminista, sem dúvida. O transexual pode mudar seus documentos, inserindo o nome social neles. Há casamentos transgêneros sendo realizados. Mas, há um grande desafio: o preconceito e a marginalização contra transexuais. Segundo a ONG International Transgender Europe 2 , houve 486 mortes de transexuais e travestis no Brasil, entre janeiro de 2008 e abril de 2013. A causa mais provável dessas mortes, apontada pela ONG, são o preconceito e a exclusão social. (Revista Exame, 2014). Este número deve ser ainda maior, pois, foram catalogadas só as mortes noticiadas na mídia. É apenas um número, diante da enorme impunidade, medo e dificuldade que passam os

2 Organização Não Governamental européia que tem como objetivo a diminuição da discriminação perante as pessoas trans e que tanto os familiares quando os transexuais tenham o respeito e serem valorizadas pelos outros da sociedade. Iniciou-se em 2005 e hoje tem um escritório em Berlin. Há seis anos criou uma pesquisa que passa pelo mundo para contabilizar a quantidade, os novos desafios e a reliadade da população trans.

7

transexuais. Hoje, a transexualidade é discutida em meios acadêmicos, na área da saúde, na área jurídica e nas mídias. O conceito e os crimes realizados contra os transexuais estão mais aparentes na sociedade; transexualismo virou estatística, tema a ser trabalho e respeitado. Diante deste tumulto de informações, preconceitos, violência e movimento de despatologização, ter a compreensão dos transexuais, segundo sua própria identidade trans, torna necessário ouvir o transexual, questionando qual sua compreensão acerca do movimento de despatologização da identidade trans.

  • 1.1 PROBLEMA DE PESQUISA

Qual

transexual?

a

compreensão da despatologização da

identidade trans pelo

  • 1.2 OBJETIVOS

    • 1.2.1 Objetivo geral

Identificar a compreensão acerca do movimento de despatologização da identidade trans pelo transexual.

  • 1.2.2 Objetivos Específicos

1.

Identificar

o

que

os

transexuais

conhecem

a

respeito

da

transexualidade; 2. Identificar o que os transexuais compreendem do movimento de despatologização da identidade trans; 3. Identificar o que os transexuais compreendem como consequência da despatologização da identidade trans; 4. Identificar o impacto pessoal da despatologização da identidade trans.

8

1.3 JUSTIFICATIVA

Diferentemente de como acontece no Brasil, os estudos sobre transexualidade em outros países encontram-se bem mais evidentes. Há, por exemplo, grupos internacionais que estudam e lutam pelos direitos dos transexuais, como o movimento Stop Trans Pathologization 3 , que se iniciou na Europa e hoje há adeptos em 28 países, inclusive no Brasil. Este movimento tem como objetivo:

A retirada da transexualidade dos manuais internacionais diagnósticos, o livre acesso aos tratamentos hormanais (sem tutela psiquiátrica), luta contra transfobia e serviços públicos de atenção a saúde trans-específica. (CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA - SP, 2011).

A escassez no número de pesquisas, com esta temática, realizadas no Brasil, acaba contribuindo para o aumento do preconceito, na marginalização e na exclusão dos transexuais pela sociedade. A maioria das pesquisas realizadas no Brasil tem o teor das áreas de saúde e/ou judicial, como demonstrado nos trabalhos de Barboza (2012) e Lionço (2009). Poucos investimentos têm sido dedicados a trabalhos buscando a compreensão do transexual em relação à sua própria identidade trans. Diante disto, políticas não são implementadas ou modificadas a favor da transexualidade. A saúde pública não trabalha com as realidades da população trans. Quando se busca por estudos com esta temática, realizados pela área da psicologia, diminui ainda mais os números de pesquisas. O profissional psicólogo parece estar pouco inserido no que diz respeito ao movimento LGBT. Ao mesmo tempo, parece haver poucas discussões acerca da sexualidade ou das identidades trans nas universidades. Diante disso, vê-se a importância de esta temática ser discutida no meio acadêmico, para tornar profissionais mais sensibilizados com as diferenças sexuais e com maior entendimento para futuros acolhimentos e acompanhamentos aos transexuais.

3 Stop Trans Pathologization é uma campanha organizada pela Rede Internacional para despatologização dos Trans. Criou o dia internacional de luta pela despatologização da identidade trans 23 de outubro de 2010, e anualmente comemora esta data e garante seus objetivos. Ao longo do ano, a campanha realiza atividades de informação, divulgação e reivindicação da despatologização da identidade trans.

9

O transexual não tem sua voz marcada no meio acadêmico, nas pesquisas realizadas. É necessário escutar os seus posicionamentos, identificar quais são suas preocupações, levando à sociedade o conhecimento da identidade trans, que só pode ser dita por eles mesmos. Acredita-se, igualmente, na importância da escuta com esta população, realizada com sensibilidade e com a compreensão de todos seus medos e dilemas diante à despatologização da transexualidade.

10

2 REVISÃO DA LITERATURA

2.1 GÊNERO E SEXUALIDADE

Alguns termos da língua portuguesa são confundidos ou podem ser mencionados como sinônimos. Quando se trabalha com a temática da sexualidade, alguns conceitos devem ser diferenciados para uma maior clareza e entendimento. Gênero e sexualidade são termos antigos e, até os dias atuais, diversas versões já foram feitas e diferenciados por estudiosos. Gênero para Ostermann (2010, p. 132) é:

Algo que precisa ser constantemente reafirmado e publicamente exibido pelo desempenho repetido de ações específicas ajustadas a normas culturias (elas próprias, histórica e socialmente construídas e,

consequentemente, variáveis) que deinem “masculinidade” e “feminilidade”.

Gênero instala-se no cotidiano com a sociedade, perante sua cultura e convívio com o meio. Como referido por Simone Beauvoir (1980, p.09): “Não se nasce mulher, torna-se mulher”, ou seja, para ter-se o gênero definido é necessário ter uma relação com o meio, não sendo algo ‘natural’ e, sim, construído. Já sexualidade terá o teor biológico, ‘natural’. Para Chiland (2008, p. 82), sexualidade tem:

Base na aparência dos órgãos genitais externos, [

]

que se conclui que a

... criança é macho ou fêmea, e se declara a criança o sexo masculino ou

feminino. No vocábulo da distinção entre sexo e gênero, seria possível dizer que um sexo [é o] (reconhecimento de seus órgãos genitais).

Ao termo sexualidade, se faz referência sobre o sexo feminino e o sexo masculino, o que cada um significa para uma comunidade. O sexo biológico é determinista para se perceber comportamentos apropriados a cada sexo. O sexo não irá determinar o gênero. Pode-se ter um sexo feminino e desempenhar pápeis e gênero masculino. O que irá determinar será os dados da história e das diferentes culturas, incluindo a relação com o meio qual a pessoa está inserida. Ostermann (2010, p.133) confirma este fato, referindo que as pessoas desempenham gênero de modos diferentes, em contextos diferentes e, algumas vezes, comportam-se de uma maneira que poderia ser associada ao outro’ gênero”.

11

2.1.1 Identidade de Gênero

Após delinear o conceito de gênero e distingui-lo de sexualidade, será discutido aspectos referentes à identidade de gênero. No início dos estudos sobre identidade de gênero, era focal a preocupação da mulher na sociedade, a violência vivida pelas mesmas e a diferenciação econômica e social entre homem/mulher. Como relata Bento (2012):

Ao longo da década de 1990, os estudos sobre as relações de gênero se consolidaram a partir de uma reavaliação dos pressupostos teóricos que fundamentavam o campo de estudos sobre as "mulheres". A tarefa teórica era desconstruir essa mulher universal, apontando outras variáveis sociológicas que se articulassem para a construção das identidades dos gêneros. A categoria analítica "gênero" foi buscar nas classes sociais, nas nacionalidades, nas religiosidades, nas etnias e nas orientações sexuais os aportes necessários para desnaturalizar e dessencializar a categoria mulher, que se multiplica, fragmenta-se em negras analfabetas, brancas conservadoras, negras racistas, ciganas, camponesas, imigrantes.

Estudos sobre gênero têm sido bastante desenvolvidos ao longo do tempo, ampliando, inclusive, o foco das pesquisas, que até então eram voltadas à apenas homem e mulher, para estudo a respeito de transgêneros, drag-queens e intersexuais. Atualmente, os pesquisadores têm percebido diferenciação, não apenas do sexo biológico, mas, também, do gênero, diante da sociedade. Grossi (1998) comenta que identidade de gênero é um sentimento individual de cada ser. Este caráter é desenvolvido ao longo da vida, definindo-se, sendo homem ou mulher, ou seja, o a identidade de gênero é, igualmente, um processo social e cultural. A este respeito, Stoller (1993, apud Bento, 2000, p. 28), comenta que a mescla de masculinidade e femilinidade em um indivíduo, significando que tanto a masculinidade como a feminilidade, são encontrados em todas as pessoas, mas em formas e graus diferentes. Stoller chamou a atenção para o fato de que a identidade de gênero ocorre num movimento que se origina do exterior, antes mesmo da existência de um Eu, suficientemente formado, capaz de desejar algo. Conforme referido por Deloya (2003), as palavras de Stoller assemelham- se à teoria de Freud, que Deloya (2003) expõe quando, o mesmo, diz que nascemos bissexuais e que, após, escolheremos algum sexo para descarregar nossos desejos.

12

Diante disso, se percebe a presença marcante do meio em que vivemos e interagimos, para descobrir-se o próprio gênero. A isso, Lopes (2002, p. 198) argumenta que as pessoas têm suas identidades sociais construídas nos encontros interacionais, dos quais participam, na medida em que aprendem a se contruir a partir da palavra dos interlocutores.

2.1.2 Papel de Gênero

O conceito de papel, para Chanter (2001), é a função social que a pessoa realiza no meio em que vive. Esta função social pode ser de mãe, amiga, trabalhadora, enfim, todo ‘status’, realizado em um ambiente social, é dito como papel.

Uma das maiores curiosidades e dúvidas da mulher grávida está diante de qual o sexo do bebê. Suas atividades se voltam à compra de roupas, a montagem do quarto, à espera do tão sonhado filho. Quando conhecem o sexo, antes mesmo do nascimento, já distinguem a sua personalidade, características e gostos, tendo o pré-entendimento que todo menino gosta de carros e meninas gostam de bonecas. Menino será bombeiroe menina professora. Os esteriótipos de gênero estão enraizados com o sexo que a criança carrega. Ros e Abella (2008) mostram que as imagens que determinada cultura tem, irá priorizar comportamentos ditos femininos ou ditos como masculinos. As autoras ainda dão o exemplo que, em nossa sociedade, o homem é visto como liderança e a mulher vista como alguém que precisa de proteção. Neste sentido Chanter (2011, p. 09), argumenta que:

Com certeza, nascemos com uma determinada genitália, de acordo com a qual nossos gêneros esperados são lidos. Expectativas são formadas, ideologias culturais são absorvidas, e se espera que aquelas que sejam identificadas anatomicamente como garotas ajam como garotas, e que aqueles que sejam identificados como garotos ajam como garotos.

Para Reis (2008), o papel de cada ser humano é constituído a partir dos comportamentos ditados de cada gênero pela sociedade. Para ele, é a sociedade que dá modelos para serem copiados. Ou seja, cada gênero feminino ou masculino terá um papel definido e esperado pela sociedade em que nasceu. Não se pode dizer que não se nasce já com algumas pré-condições, como os caracteres anatômicos e fisiológicos. Estas são pré-condições de papel, segundo o aspecto

13

biológico, mas não é só com este que torna o papel de gênero. Segundo D’Amorim (1997, p.121), para descobrir a relação entre o papel de gênero perante a sociedade há três perguntas básicas: “Como as pessoas acham que os homens e as mulheres devem comportar-se?; Como as pessoas acham que se comportarão mulheres e homens?; Como, na realidade, se comportam os homens e as mulheres?”. A partir disto, se percebe a importância que a sociedade dá para o sexo biológico, já que faz uma separação entre o que um pode fazer e o outro não, segundo o físico do sujeito. Compreende-se, também, como estes papéis são fechados. Não podendo ser retirados, ou dificilmente modificados. Segundo D’Amorim (1997), a sociedade se organiza perante os papéis de gênero que distribui entre os sujeitos. Assim, os transexuais não conseguem apropriar-se do seu papel de gênero definido pela sociedade, iniciando, assim, um processo de sofrimento e inaceitação.

2.1.3 Orientação Sexual e transexualidade

Em 2006, foi realizada na Universidade Gadjah Mada, em Yogyakarta, Indonésia, uma reunião de especialistas, coordenada pela Comissão Internacional de Juristas e o Serviço Internacional de Direitos Humanos. Esta reunião teve como objetivo desenvolver um conjunto de princípios para às violações dos direitos humanos, baseados na orientação sexual e identidade de gênero. Assim, se cria, neste mesmo ano, os ‘Princípios Sobre a Aplicação da Legislação Internacional de Direitos Humanos em Relação à Orientação Sexual e Identidade de Gênero, escrito por inúmeros especialistas que trabalham com a sexualidade. Tem-se nestes Princípios (2006, p. 05) o conceito de orientação sexual como:

Uma referência à capacidade de cada pessoa de ter uma profunda atração emocional, afetiva ou sexual por indivíduos de gênero diferente, do mesmo gênero ou de mais de um gênero, assim como ter relações íntimas e sexuais com essas pessoas.

Esta cartilha dos Príncipios (2006) mostra que o estado e a sociedade, por meio da violência e da sua cultura, exercem controle diante à orientação sexual do indivíduo e que, com o medo e a apreensão pela desigualdade sofrida, o indivíduo não efetiva seu verdadeiro papel diante a sociedade.

14

Para Cardoso (2008), a orientação sexual está intimamento ligada ao sentido do desejo sexual, ou seja, se o indivíduo sentir desejo sexual pelo mesmo sexo, é dito como homossexual. Já, se o indivíduo sente desejo sexual pelo sexo oposto, é dito como heterossexual. Com a criação do conceito de ‘mapas amorosos’ 4 de Money, começa-se a pensar que a orientação sexual não se resumiria em três grandes polos:

heterossexual, homossexual e bissexual. Para Money (1998 apud Cardoso, 2008), ocorre uma ampliação da orientação sexual, colocando como exemplos o fetiche, o sadismo e a própria transexualidade, sendo esses modos de refletir a orientação sexual do indivíduo. Segundo Cardoso (2008) autores, como Money, Kinsey e Klein, tentaram criar alguns artifícios para conseguir mensurar a orientação sexual, como a Grade de Orientação de Klein. Este instrumento, de acordo com Cardoso (2008), avalia sete dimensões da orientação sexual: atração sexual (orientação sexual), comportamento sexual (prática sexual), fantasia sexual (orientação sexual), preferência emocional (orientação afetiva), preferência social (orientação social), autoidentificação (identidade sexual) e estilo de vida heterossexual/homossexual (identidade sexual). Sempre houve muitos mitos e histórias acerca da transexualidade. Há anos, se discute a respeito do tema, mas só recentemente a classe médica a conceitualizou. Pinto e Bruns (2003) retratam, em seu livro, uma citação de Bulliet (1928), a qual se remete a César, o imperador Romano. O mesmo descreve que César, num acesso de raiva, mata sua mulher grávida. Ao perceber o que acabava de fazer, ordena um escravo a fazer uma “troca de sexo” e casar com ele. Pinto e Bruns (2003) também comentam que, na Idade Médica, o travestismo era considerado uma manifestação demoníaca, passível de morte e que, na Renascença, as pessoas que gostavam de usar roupas do sexo oposto eram consideradas doentes mentais. Araújo (2010) mostra que os primeiros aparecimentos sobre a temática do transexualismo nos livros foram em 1910, com Magnus Hirschfeld, no livro intitulado Die Transvestiten. Neste livro, o autor escreve sobre a cirurgia de mudança de sexo

4 Mapas amorosos é desenvolvido pelos 5 e 8 anos de idade. É um conjunto de circuitos mentais que determina quais características atenção do indivíduo no momento de atração sexual. É constituído pelas características que gostamos e rejeitamos na outra pessoa/parceiro.

15

e refere que seu objetivo era diferenciar a homossexualidade do travestismo. Em 1949, D.O. Cauldwell escreveu um artigo com o título ‘Psychopathia transexualis’, relatando alguns casos de indivíduos transexuais, que veio a denominar de feminino versus masculino. Já na década de 50, Harry Banjamin expôs uma definição da transexualidade, diferenciando-a de travestis e eonismos (ARAÚJO, 2010). “O termo transexualidade vem do inglês, que por sua vez, tomou-a do latim trans e sexualis. (PINTO; BRUNS, 2003, p. 17). A Defensoria Pública de São Paulo, na sua Cartilha de ‘Atendimento à travestis e transexuais’ (2003), conceitua transexualidade:

Transexuais têm

a identidade de gênero oposta

ao sexo biológico,

e

buscam harmonizar identidade, sexo e corpo, por meio de tratamentos

hormonais, aplicações de silicone e/ou cirurgia de redesignação sexual

(esta nem

sempre é priorizada, pois muitas (os) transexuais, mesmo

rejeitando seus órgãos genitais, não desejam submeter-se a um procedimento cirúrgico).

Para o Conselho Federal de Medicina (2010), o paciente transexual é portador de desvio psicológico, em relação à sua identidade sexual, com rejeição ao seu órgão sexual e com tendência à automutilação. Pinto e Bruns (2003, p. 49) relatam que transexuais:

[

...

]

manifestam uma alta exigência de adequação ao próprio sexo com

intenso desejo de ‘correção cirúrgica do sexo que, quando não atingida, é

fonte de atitudes psicopatológicas reacionais, tais como automutilação e tentativas de suicídio.

Alguns autores diferenciam a transexualidade em duas formas: primários ou secundários. Almeida (2014) diz que transexuais primários, também chamados de verdadeiros, são aqueles que, desde a infância, sentem que estão no ‘corpo errado’ e vestem-se como o sexo oposto, e têm vontade de fazer a cirurgia de redesignação sexual. Já o transexual secundário, também chamado de falso, são pessoas que transitam entre a homossexualidade e transexualidade. Para estes, não é aconselhado fazer a cirurgia de redesignação sexual. O transexual primário não pode ser confundido com homossexualidade, travestis ou intersexualidade. Cada um têm características próprias e diagnósticos diferenciados. Decarli (2003) comenta que o homossexual usa seu órgão genital no momento da relação sexual e não deseja realizar a operação de redesignação

16

sexual, diferente do transexual. Já a intersexualidade, chamada de hermafroditismo, é um problema físico, pois a criança nasce com os dois órgãos genitais, assim, os pais decidiram no momento do nascimento qual órgão e papel a criança desempenharia na sua vida, diferente do transexual, que o problema não é físico, e sim psíquico (DECARLI, 2003). Os travestis são os mais confundidos com a transexualidade, pois também usam as vestimentas do sexo oposto, mas utilizam seu órgão genital para obtenção de prazer. Assim, os travestis podem ter vida dupla:

ora desempenhar o papel de gênero condizente com seu com sexo biológico e ora travestidos, diferentemente do transexual, que tem um sofrimento psiquíco em relação ao seu órgão genial e não quer ter uma vida dupla, e, sim, só uma com o seu sexo psiquíco. Para Pinto e Bruns (2003), o sofrimento psíquico que a pessoa sente em relação à sociedade e ao próprio corpo, muitas vezes, pode manifestar uma alta exigência de adequação, sendo fonte de atitudes contra o próprio corpo, como automutilação e suícidio. Segundo a pesquisa divulgada pelo Instituto Williams (2014), pertencente à Escola de Direito da UCLA (Universidade da Califórnia), 41% de transexuais ou travestis tentam cometer suícidio devido à falta de aceitação da sociedade.

Chiland (2008, p. 58) relata que a “inserção social [de transexuais] é variável. Muitos se queixam de solidão. É difícil para eles contarem sua história verdadeira, portanto é difícil ter amigos.” Como diz a transexual Leelah Alcorn 5 em sua carta de suicídio, “sem amigos, sem ajuda, sem amor. Só o desapontamento dos meus pais e a crueldade da solidão”.

2.2 MOVIMENTOS SOCIAIS

Na década de 60, no Brasil, quando do período de Ditatura Militar, inicia

“um movimento estudantil questionador [

...

],

mas seria duramente reprimido pelo

regime durante, aproximadamente, duas décadas.” (FACHINI, 2013). Este movimento é formado inicialmente por homossexuais que querem reivindicar seus direitos à frente da sociedade, contra o preconceito e a estigmatização desta população. Em 1970, com a abertura política, após ditadura, os homossexuais criam

5 Leelah Alcorn era uma adolescente americana de 17 anos. Ela cometeu suicídio no dia 28 de dezembro de 2014, jogando-se na frente de um trem, após sofrer sérias violências de sua família. Antes de morrer, Leelah deixou uma mensagem na sua página social.

17

grupos militantes mais firmes e unidos. No início, esses grupos, se reuniam para fazer longas discussões e reflexões sobre a homossexualidade no Brasil. Segundo Fachni (2003), o primeiro encontro de militantes homossexuais

ocorre no Rio de Janeiro, em 1979, com as reivindicações: “[

...

]

inclusão do respeito

à ‘opção sexual’ [

...

],

uma campanha para retirar a homossexualidade da lista de

doenças [

...

],

e a convocação de um primeiro encontro de um grupo de

homossexuais organizados [

]”.

Em 1980, ocorre a primeira passeata homossexual,

... em São Paulo, concomitante a uma onda de visibilidade do movimento no Brasil. A

AIDS/HIV aparece nas mídias sociais e é atribuída aos homossexuais, sendo chamada na época de ‘peste-gay’. Nos anos seguintes, novos ativistas entram no movimento homossexual brasileiro ...

A organização das travestis data do começo da década de 1990 e tinha como ponto de partida, questões relacionadas ao impacto da questão da AIDS nessa comunidade e o consequente aumento dos casos de violência

...

contra travestis, a ponta mais visível e exposta da comunidade LGBT. [ As lésbicas são incluídas especificadamente apenas em 1993, apesar de

...

].

estarem presentes nos grupos desde o início [

].

O início da organização

... de transexuais se dá a partir da segunda metade dos anos 1990 e está

relacionada às lutas por acesso às cirurgias experimentais de

transgenitalização [

...

]. (CRP-SP, 2015).

Após este aumento de ativistas, o movimento é chamado de movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Travestis). Uma grande vitória a este movimento foi no ano de 1995, pois ocorreu a fundação da primeira e maior rede de organizações LGBT brasileiras, a ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis).” (CRP-SP, 2015). Atualmente, a ABGLT integra 257 redes afiliadas em todo território brasileiro, segundo o blog oficial da ABGLT. Para Carrara (2010), outra vitória do movimento LGBT no Brasil foi dada em 2004, quando o governo federal promoveu a criação de uma cartilha, ‘Brasil sem Homofobia: Programa de Combate à Violência e à Discriminação contra LGBT e de Promoção da Cidadania Homossexual’ 6 . Atualmente, as reivindicações do Movimento LGBT no Brasil, segundo Carrara (2010, p. 135), são:

6 Segundo a Cartilha Brasil sem Homofobia (2004), os objetivos centrais da cartilha são: a mudança de comportamento dos gestores públicos, a intengração interministerial para a diminuição de atos de

discriminação e a bandeira da “não violência” à população LGBT.

18

Direito ao reconhecimento legal de relações afetivo-sexuais, à adoção conjunta de crianças, à livre expressão de sua orientação sexual e/ou de

gênero em espaços públicos, [

]

ao acesso a políticas de saúde específica

... e ainda, mais fundamental, à proteção do Estado frente à violência por

preconceito.

Entre os anos 1980 e 1990, inicia o Movimento Queer. Segundo Louro (2008), o surgimento da teoria Queer ocorre nas fraturas internas do movimento LGBT no Brasil, nas mídias articuladas e num crescente mercado focado ao público gay. Ou seja, este movimento entra em cena para complementar o movimento LGBT e aumentar a luta pelos direitos da população LGBT.

Segundo os teóricos e teóricas queer, é necessário empreender uma mudança epistemológica que efetivamente rompa com a lógica binária e com seus efeitos: a hierarquia, a classificação, a dominação e a exclusão. Uma abordagem desconstrutiva permitiria compreender a heterossexualidade e a homossexualidade como interdependentes, como mutuamente necessárias e como integrantes de um mesmo quadro de referências. (LOURO, 2008, p.45).

Os teóricos Queer querem questionar, segundo Louro (2008, p.46), “os

processos pelos quais uma forma de sexualidade (a heterossexualidade) acabou por se tornar a norma, ou, mais que isso, passou a ser concebida como ‘natural’”. Para Salih (2013), a teoria Queer apareceu para desconstruir as categorias (gay, hetero, femêa, macho), para assim, mostrar a instabilidade e a conexão de todas as identidades sexuais. Segundo Koyama (2000), existem várias formas de movimentos que têm como alvo o preconceito às pessoas que não tem a heterossexualidade como

orientação sexual, como ativistas queer, movimento transfeminista, entre outros movimentos progressistas. Dentro do movimento feminista, criou-se uma vertente para discutir temas relacionados à mulheres trans, chamado movimento transfeminista ou transfeminismo. Este movimento ainda está crescendo e se organizando. No manifesto do movimento transfeminismo, escrito por Koyama (2000, p.1) diz que “o transfeminismo é, primariamente, um movimento para mulheres trans que veem a sua libertação como intrinsecamente ligada à libertação de todas as mulheres (e além).” Este movimento também pode ser integrado por homens trans, mulheres que lutam pelos direitos iguais.

19

As bases desse movimento, segundo Koyama (2000), são: em primeiro lugar está o direito que cada ser humano tem em definir a sua própria identidade de gênero, tendo o amparo e respeito de toda a sociedade, sendo assim, todos podem expressar sua identidade sem medo de reclusão ou discriminação. Em segundo, o direito exclusivo que cada pessoa tem em mudar o seu próprio corpo, não dependendo de médico, político ou outro que interfira nessa decisão. Neste ponto, entra-se em discussão a cirurgia de redesignação e a despatologização. Ou seja, o próprio transexual deverá decidir o momento para a realização da cirurgia de redesignação sexual e não o diagnóstico de um médico, como é feita atualmente. Esta mobilização ainda é muito restrita no Brasil, como colocam Jesus e Alves

(2010, p. 13), “sendo a meios acadêmicos, e [

]

população transgênero, que tem se

... articulado na discussão pela despatologização das identidades trans principalmente na internet.”. Sobre a mudança do seu corpo em feminino ou masculino, Koyama (2000) fala que, muitas vezes, essa mudança é levada pelos fatores sociais em relação à transexualidade, pois se a condição de gênero não fosse tão marcada em nossa cultura, os transexuais não sentiram a pressão de realizar a mudança física. Ou seja, a modificação do corpo pode ser realizada diante do preconceito da sociedade em compreender a transexualidade. Koyama (2000, p. 5) comenta que para a sociedade é mais fácil a transexualidade ser explicada falando do ‘sexo errado’, mas, para a autora:

Devemos resistir a tais elações devido às suas implicações. As pessoas trans foram muitas vezes descritas como aquelas cujo sexo físico não corresponde ao sexo do seu espírito. Esta explicação pode fazer sentido intuitivamente, mas não deixa de ser problemática para o transfeminismo.

O movimento transfeminismo quer abordar a transexualidade, criar debates que envolvam os transexuais, e seus direitos e deveres, em frente à sociedade. Mas, segundo Koyama (2000), a principal medida realizada pelo movimento é a diminuição de casos de preconceito e violência em relação aos transexuais. Aparecendo mais nas mídias e tendo uma punidade a todos que realizarem tais crimes.

20

2.3 DESPATOLOGIZAÇÃO

Dia 20 de outubro é comemorado o Dia Internacional de Ação pela Despatologização da Identidade Trans, que, segundo Dias e Zenevich (2014), marca a luta pelos direitos humanos e a psiquiatrização das minorias para o reconhecimento de todas as identidades. Dias e Zenevich (2014, p.15) comentam

que, quando houve a patologização da transexualidade, ela “deixou de ser um devasso, um pervertido, para ser um doente”. Ou seja, a despatologização é a retirada da transexualidade dos manuais diagnósticos, retirada do dito ‘doente’ ou ‘pervertido’.

A patologização de alguma identidade é modificada perante a cultura e época em que é registrada a mesma. Exemplo disso é a homossexualidade, que foi

patologizada, considerada doença, em 1948, e despatologizada, em 1990. Ferreira e Aguinsky (2013) dizem que, enquanto é feita a inclusão dos homossexuais na dinâmica social, não se têm discutido sobre os modelos de sexualidade definidos culturamente. Para aqueles que não se adequam a estes modelos tem-se o discurso de que deverão ser aceitos a qualquer custo na sociedade. A “luta pela ‘despatologizaçãodeu-se, então, a partir da afirmação dos direitos das chamadas ‘minorias sexuais’” (JANE; RUSSO, 2006, p. 473), sendo as minorias sexuais, os transexuais, homossexuais, intersexuais, entre outros. Para Jane e Russo (2006, p.472), a despatologização:

não se opõe à “biologização” dessas identidades – há estudos em genômica, genética e em neurociências que objetivam demonstrar a “base

biológica” das “parafilias”. [

..

]

mas há evidências de que a busca de uma

base biológica de determinados comportamentos não se opõe necessariamente à afirmação identitária, muitas vezes é o contrário que ocorre.

A importância da despatologização não é ignorar todos os estudos biológicos, mas, “o transexualismo passou a depender de um terceiro, do saber médico, para a afirmação de sua condição e a posterior reivindicação à cirurgia que essa condição demandava”. (DIAS; ZENEVICH, 2014, p.15). O transexual deverá mostrar ao outro a sua identidade para, assim, poder ter um bem valioso: a cirurgia de redesignação sexual e a terapia hormonal.

21

2.3.1 Patologia da transexualidade - Classificação Diagnóstica

Atualmente, a área da saúde trabalha em contato com o diagnóstico para a comunicação interdisciplinar. Para organizar esta comunicação, se criou o CID (Classificação Internacional de Doenças) e o DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais). Hoje, o CID está em sua décima edição e o DSM em sua quinta edição. Russo e Venâncio (2006, p. 461) dizem que, “a busca de lesões no cérebro ou disfunções físicas responsáveis pelas doenças mentais é tão antiga quanto à psiquiatria”. Ou seja, sempre foram buscadas razões científicas para todos os distúrbios e anomalias que apareciam na sociedade. Russo e Venâncio (2006, p. 462) também comentam a ascenção da psicanálise após a segunda Guerra Mundial, referindo que o pós-guerra assistiu ao triunfo da psicanálise anglo-saxã e, mais do que isso, à sua total penetração no meio médico-psiquiátrico”. Assim, une duas vertentes, a psiquiatria e o estudo da sexualidade freudiana. Neste período, os doentes entraram no hospital, e houve a capacitação de médicos. Neste contexto, Burkle (2009) mostra a criação do DSM, em 1952, tendo suas bases na psicanálise. Para Burkle (2009), a proposta da classificação americana foi como alternativa ao CID, que na época estava em sua sexta edição. Segundo Amaral (2007), a transexualidade aparece nestes manuais como diagnósticos pela interpretação da discordância entre sexo e gênero, tendo como princípio o sistema binário heterossexual da sociedade. A transexualidade aparece pela primeria vez no DSM, em 1980, em sua terceira edição, com a nomeclatura ‘transexualismo’. Segundo Athayde (2001), os critérios para o diagnóstico de transexualismo no DSM III, são: “[aparecimento] durante, pelo menos, dois anos, um interesse contínuo em transformar o sexo do seu corpo e o status do seu gênero social”. Em 1994, o DSM IV modifica a nomeclatura de transexualismo para Transtorno por Desordem da Identidade de Gênero. Após ser revisado, em 2000, é lançado o DSM IV-TR que modifica novamente a nomeclatura, sendo chamado de Transtorno de Identidade de Gênero. Tendo como critérios diagnósticos:

A. Uma forte e persistente identificação com o gênero oposto (não um mero desejo de obter quaisquer vantagens culturais atribuídas ao fato de ser do sexo oposto). Em crianças, a perturbação é manifestada por quatro (ou mais) dos seguintes quesitos: (1) declarou repetidamente o desejo de ser, ou insistência de que é, do sexo oposto; (2) em meninos, preferência pelo

22

uso de roupas do sexo oposto ou simulação de trajes femininos: em meninas, insistência em usar apenas roupas do esteriótipo masculino; (3) preferências intensas e persistentes por pápeis do sexo oposto em brincadeiras de faz-de-conta, ou fantasias persistentes acerca de ser do sexo oposto; (4) intenso desejo de participar em jogos e passatempos do

esteriótipo do sexo oposto; (5) forte preferência por colegas do sexo oposto [ ] ...

  • B. Desconforto persistente com seu sexo ou sentimento de inadequação no

papel de gênero deste sexo. Em crianças, a perturbação manifesta-se por qualquer das seguintes formas: em meninos, afirmação de que seu pênis ou testículos são repulsivos ou desaparecerão, declaração de que seria melhor

não ter um pênis ou aversão a brincadeiras rudes e rejeição a brinquedos, jogos e atividades do esteriótipo masculindo; em meninas, rejeição a urinar sentada, afirmação de que desenvolverá um pênis, afirmação de que não deseja desenvolver seios ou menstruar ou acentuada aversão a roupas do

esteriótipo feminino. [

...

]

  • C. A perturbação não é concomitante a uma condição intersexual física.

  • D. A perturbação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no

funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. (MANUAL DIAGNÓSTICO E ESTATÍSTICO DE TRANSTORNOS MENTAIS IV-TR, 2000, p. 552).

Após lutas e reinvidicações dos ativistas transexuais e sociedade civil, em 2014, em sua quinta edição, o Transtorno de Identidade de Gênero foi retirado do Manual de Diagnóstico e Estátistico de Transtornos Mentais (DSM). A CID, segundo Laurenti (1991), iniciou para categorizar as mortes que ocorriam na época, colocar suas causas para melhor numerá-las. Sua primeira classificação ocorreu em 1883, com o estudioso Bertillon, chamada de ‘Classificação das Causas de Morte de Bertillon’, contendo 14 capítulos. A partir da sua sexta

revisão, em 1950, a classificação ficou pela responsabilidade da OMS (Organização Mundial da Saúde). Para Larenti (1991, p. 413), após a sexta edição, a classificação começou o foco “visando a classificar morbidade além de mortalidade”. Em 1989, há a criação e, em 1993, a divulgação da CID 10.

Foi apresentada na CID 10 a transexualidade, que vem descrita como:

Trata-se de um desejo de viver e ser aceito enquanto pessoa do sexo oposto. Este desejo se acompanha em geral de um sentimento de mal-estar ou de inadaptação por referência a seu próprio sexo anatômico e do desejo de submeter-se a uma intervenção cirúrgica ou a um tratamento hormonal a fim de tornar seu corpo tão conforme quanto possível ao sexo desejado. (OMS, Classificação internacional de doenças 10ª revisão. Porto Alegre:

Artmed, 1993).

A revisão da CID 10 está marcada, provavelmente para 2015. Podendo ser retirado ou feito um capítulo à parte para o Transexualismo.

23

2.3.2 Cirurgia de redesignação sexual

Para ocorrer a cirurgia de redesignação sexual é entendido, pelos profissionais, que seja um transexual primário, como mencionado anteriormente, para que assim, seja realizada uma cirurgia que melhore a vida psíquica e física do sujeito que a procura. Àran, Zaidhaft, Murta (2008) comentam que, só em 1997, o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou a realização da cirurgia de redesignação sexual no Brasil, tendo como motivos essenciais: primeiro o terapêutico, a integração do sexo e a identidade sexual. O segundo refere-se ao

príncipio da autonomia e da justiça, ou seja, após o diagnóstico, a pessoa tem o direito e a autonomia de ter o corpo como quer e que idealiza ser. Outro aspecto importante para a realização da cirurgia, segundo Pinto e Bruns (2003), é a vivência na sociedade, ou seja, os sentimentos e as necessidades do indivíduo no contexto social. Chiland (2003) comenta a necessidade ao transexual da realização da cirurgia de redesignação sexual, já que não associa seu sexo com sua identidade, tornando um sofrimento, ou seja, após a cirurgia realizada corretamente, o órgão genital irá corresponder à sua identidade, diminuindo o sofrimento psíquico, referente ao físico do sujeito. Desde 2008, cirurgia de redesignação sexual é realizada pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Em geral, segundo Áran, Murta e Lionço (2009), o

processo para ser feita a cirurgia pelo SUS são: “avaliação e acompanhamento

psiquiátrico periódico para confirmação do diagnóstico; psicoterapia individual e de

grupo; hormonioteraria [

...

];

avaliação genética; tratamento cirúrgico”. É

regulamentada pela Resolução CFM nº 1.955/2010, obedecendo a uma equipe disciplinar, composta por psiquiatra, cirurgião, endocrinologista, psicólogo e assistente social. Todos os hospitais conveniados deverão ter o registro destes profissionais. Caso esteja em falta, há o término de cirurgias realizadas neste local. Os critérios para ser realizada a cirurgia, segundo a Resolução citada são: (1) Diagnóstico médico de transgenitalismo; (2) Ser maior de 21 (vinte e um) anos; (3) Ausência de caracteres físicos inapropriadas para a cirurgia. Para o cumprimento desta cirurgia deverá ser realizado, por durante dois anos, atendimento psicológico e uso de hormônios para o aparecimento ou modificação de caracteres secundários (voz, barba, diminuição da menstruação).

24

São realizados alguns tipos de cirurgia de redesignação sexual: a vaginoplastia, ou neocolpovulvoplastia, e a neofaloplastia. A vagionoplastia é a

criação de uma neovagina, segundo Pinto e Bruns (2003, p. 52) “o método mais usado é o de inversão exclusivamente peniana, a qual envolve o uso do tecido do

pênis, invertido na cavidade da nova vagina”. Já a neofaloplastia está ainda em fase

experimental, tendo poucas cirurgias realizadas. Para ocorrer esta cirurgia, deverá ser realizado o laudo pelo médico psiquiatra, atestando o diagnóstico de Transtorno de Identidade de Gênero, ou seja, prescrevendo uma doença mental ao transexual. Áuran, Murta e Lionço (2009, p. 1147) colocam que:

Devemos considerar a complexidade que envolve compreender a condição transexual como uma anormalidade, colocando em pauta um paradoxo de que, se por um lado o diagnóstico torna legítima a demanda por redesignação sexual e possibilita o acesso aos serviços de saúde, por outro é raiz de restrições sociais e estigma que afetam diversos níveis da vida desses indivíduos, reforçando sua condição de exclusão social.

Nesta discussão de perdas e ganhos com a despatologização, se encontram psicólogos, psiquiatras e os próprios ativistas transexuais. Os defensores da despatologização pedem por, segundo Áuram, Murta e Lionço (2009, p. 1148), um processo de autonomia da transexualidade, sendo essa uma das premissas da cirurgia de redesignação sexual. Para os autores, “quando [a transexualidade] é associada a uma compreensão patológica, enfraquece o que Butler 7 denomina de trans-autonomia”.

2.3.3 A acepção da lei

Desde outubro de 2003, foi criada na Câmara dos Deputados, a Frente Parlamentar Mista pela Livre Expressão Sexual. Atualmente, é chamado de Conselho Nacional de Combate a Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CNCD/LGBT). Tendo como missão, segundo a Resolução nº 12/2015: “garantir os direitos humanos e o exercício pleno da cidadania da população LGBT sem preconceito algum”.

7 Judith Butler é filósofa e umas das principais estudiosas e ativistas do movimento feminista e teórica da teoria queer.

25

A cirurgia de redesignação sexual foi permitida pelo Conselho de Medicina, em 1997. Em 1974, segundo Almeida e Dunczuk (2014), a cirurgia era considerada uma mutilação corporal. O médico que realizasse a cirurgia estava desobedecendo ao art. 129 do Código Penal e o art. 42 do Código de Ética Médica, podendo perder seu certificado de medicina. Em 1997, foi criada a Resolução nº 1482, e revogada a Resolução nº 1.955/ 2010, que diz:

Art. 1º Autorizar a cirurgia de transgenitalização do tipo neocolpovulvoplastia e/ou procedimentos complementares sobre gônadas e caracteres sexuais secundários como tratamento dos casos de transexualismo. Art. 2º Autorizar, ainda a título experimental, a realização de cirurgia do tipo neofaloplastia.

Cardoso (2008) fala que, segundo o artigo 129, inciso III do Código Penal, a cirurgia de redesignação sexual não é compreendida como mutilação, pois é compreendida como terapêutica. Para Cardoso (2008), não teria sentindo realizar os dois anos de acompanhamento psicológico e, ao fim, não poder fazer a cirurgia. Após a cirurgia, muitos transexuais tinham a dificuldade, ainda, de encarar a sociedade. Agora, com o órgão sexual e os caracteres secundários modificados, precisariam ter seus documentos condizentes com o seu novo aspecto físico.

Segundo

o Artigo

58,

da

Lei

6.015/ 73, “o

prenome será definitivo,

admitindo-se, todavia, a sua substituição por apelidos públicos notórios”, ou seja,

não seria legal mudar o nome civil do sujeito, mas, no seu dia a dia, poderia ser usado um apelido masculino ou feminino.

Em

12

de

janeiro de 2015, foi publicada no

Diário Oficial da União, a

Resolução nº 12, que consiste em:

Art. 1° Deve ser garantido pelas instituições e redes de ensino, em todos os níveis e modalidades, o reconhecimento e adoção do nome social àqueles e àquelas cuja identificaçã civil não reflita adequadamente sua identidade de gênero, mediante solicitação do próprio interessado. Art. 5° Recomenda-se a utilização do nome civil para a emissão de documentos oficiais, garantindo concomitantemente, com igual ou maior destaque, a referência ao nome social.

Esta troca para nome social pode ser realizada por menores de 18 anos e não precisa da declaração escrita dos responsáveis deste sujeito (art. 8º, da Resolução nº 12). Nesta mesma Resolução, é permitido o uso do banheiro e

26

vestuário, segundo a identidade de gênero do sujeito. Os transexuais também podem pedir a mudança de uniforme, segundo o art. 7° da Resolução.

Desde 2013, tramita na Câmara Federal, o Projeto de Lei dos deputados Jean Wyllys e Érika Kokay sobre a Identidade de Gênero. É a primeira lei do Brasil que terá foco nos trans e em seus direitos. O nome deste projeto se dará em

homenagem ao transexual João Nery, escritor do livro ‘ Viagem Solitária’, de 2011,

onde apresenta sua autobiografia. Este projeto de lei conceitua Identidade de Gênero como:

Artigo 2º - Entende-se por identidade de gênero a vivência interna e individual do gênero tal como cada pessoa o sente, a qual pode corresponder ou não com o sexo atribuído após o nascimento, incluindo a vivência pessoal do corpo.

Como trata a vivência interna do indivíduo, os objetivos deste projeto são:

a troca de prenome sem a necessidade de uma ordem judicial ou já ter feito a cirurgia de redesignificação sexual (artigo 3º e 4º); a cirurgia de redesiginificação sexual não precisará mais de laudo psquiátrico para ser realizada, só precisará o manifesto do próprio transexual e ser maior de idade (artigo 8º); e toda cirurgia deverá ser de graça pelo SUS ( artigo 9º). O projeto de lei João Nery, se for decretada pela Câmara, disponibiliza os seguintes direitos a toda comunidade trans:

Artigo 1º Toda pessoa tem direito: I - ao reconhecimento de sua identidade de gênero; II - ao livre desenvolvimento de sua pessoa conforme sua identidade de gênero; III - a ser tratada de acordo com sua identidade de gênero e, em particular, a ser identificada dessa maneira nos instrumentos que acreditem sua identidade pessoal a respeito do/s prenome/s, da imagem e do sexo com que é registrada neles.

Após a lei João Nery ser votada e aceita, transexuais terão assegurados direitos iguais aos outros, ditos ‘normais’. Não podendo, assim, serem diferenciados e violentados por causa de sua identidade trans.

27

3 MÉTODO

  • 3.1 DELINEAMENTO DA PESQUISA

O modelo de investigação proposto segue o tipo exploratório, entendendo-se que este modelo é o mais adequado, pois o objetivo deste estudo envolve a identidade e a despatologização da transexualidade questionando os próprios transexuais. Motta (2009, p. 69) confirma que “a pesquisa exploratória visa obter familiaridade maior com o tema da pesquisa, buscando subsídios para a formulação mais precisa dos problemas e hipóteses”. Gil (2002, p. 41) complementa dizendo que a pesquisa exploratória cria maior familiaridade com o tema, tendo como objetivo, o “aprimoramento de ideias ou a descoberta de intuições”. Do ponto de vista do procedimento, o estudo caracteriza-se como pesquisa de campo, pois promove um estudo em relação à própria identidade trans, suas dúvidas e medos diante a despatologização da transexualidade.

Segundo Junior (2008, p. 59), a pesquisa de campo verifica “a ocorrência de algum

fenômeno que estaria influenciando sobre a mesma [

...

]”.

Para o mesmo autor, esta

pesquisa permite ao pesquisador retirar os dados da pesquisa diretamente da fonte, verificar as opiniões dos próprios interessados pela pesquisa. A escolha pelo caráter qualitatito é pelo fato de a pesquisa ter o objetivo de descobrir a identidade trans, ou seja, a subjetividade do sujeito a partir da vivência do mesmo. Sendo a pesquisa qualitativa mais apropriada para este objetivo. Assim, confirma Motta (2009, p. 71), “a pesquisa qualitativa analisa as percepções dos sujeitos sobre o mundo que os rodeia”.

  • 3.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA

A população para esta pesquisa será composta por 08 sujeitos, sendo todos transexuais de um município do sul do estado de Santa Catarina, independente de ter realizado a cirurgia de redesignação sexual ou que já tenha mudado seus documentos. A população deverá sentir-se em adequação com a identidade trans. A amostra será não probabilística, utilizando-se o método snowball (bola de neve). Em razão do número baixo de transexuais na cidade que será realizada a

28

pesquisa, e se ter indicativo de ser uma população caracterizada por não gostar de realizar entrevistas, a forma snowball será a mais adequada para a realização da pesquisa. Para Appolinário (2011), esta amostragem deverá ser realizada com uma população específica e especializada, sendo um pequeno número. Para este autor (2011, p. 134), a amostragem snowball acontece quando um “sujeito (selecionado de forma intencional ou de acordo com a conveniência do pesquisador) indica outro

sujeito para integrar a amostra”.

  • 3.3 PROCEDIMENTOS DE COLETAS DE DADOS

A coleta de dados será realizada através de uma entrevista semi- estruturada (APÊNDICE A), também chamada de entrevista em pautas. A escolha pela entrevista é dada pelo maior aprofundamento nos questionamentos, podendo se perceber os gestos e percepções do sujeito na fala e nas expressões corporais. Para Motta (2009), a entrevista é uma forma de registrar as respostas para após realizar a análise, por isso, se deve falar menos e escutar mais e, no momento da entrevista, se deve dar atenção à fala do entrevistado. O instrumento utilizado será um roteiro com perguntas abertas. Gil (2002, p. 117) fala que na entrevista semi-estruturada “o entrevistador guia-se por algum tipo de roteiro, que pode ser memorizado ou registrado em folhas próprias”. Como o entrevistador é guiado pelo roteiro, pode fazer questionamentos fora do próprio roteiro. Para a coleta de dados será realizada, inicialmente, uma conversa com a Presidente da associação LGBT da cidade em que será realizada a pesquisa. Após esta conversa, a pesquisadora deverá comunicar-se com uma entrevistada sugerida. Quando terminar a realização da entrevista, esta primeira participante poderá indicar alguém que conheça e possa participar da pesquisa, e assim sucessivamente.

  • 3.4 ASPECTOS ÉTICOS

Esta pesquisa está norteada pelos princípios éticos da Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012. Sendo encaminhada após a banca de qualificação ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), para aprovação e liberação para execução desta pesquisa.

29

A pesquisa está embasada na autonomia, não maleficência, beneficência, justiça e equidade dos participantes. Sendo assim, todo entrevistado receberá o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêncide B) antes da realização da entrevista, esclarecendo a preservação da sua identidade, sigilo das informações prestadas e não remuneração ao participante. O entrevistado também deverá consentir para a realização da gravação da entrevista. Assinando, assim, o Termo de Consentimento para Gravação de Voz (Apêndice C). O pesquisador deverá ter a ciência dos riscos e benefícios da pesquisa que será realizada. O risco é muito baixo, podendo aparecer nos momentos em que o entrevistado entre em contato com suas emoções e dificuldades do tema, quando isto ocorrer, o pesquisador deve interromper as perguntas e escutar o participante, após, perguntar se o sujeito quer continuar a entrevista. Os benefícios para esta pesquisa estão no campo individual e social. Pois, os próprios sujeitos da pesquisa podem compreender melhor sua posição em relação ao tema central do estudo e a sociedade, esclarecer a identidade trans e este movimento para despatologização.

  • 3.5 PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE

A análise de dados será realizada pela técnica de análise de conteúdo,

em razão do caráter da pesquisa e pela quantidade de material para ser pesquisado. Para Rauen (2002, p. 200), a análise de dados é feita nos seguintes passos:

primeiramente é feita uma organização das entrevistas, podendo ser feita durante a coleta, após transcrição das entrevistas, descrevendo detalhadamente os pontos

importantes, “essa primeira organização visa a facilitar o uso, permitindo, no momento da análise e da interpretação, encontrar as informações rapidamente”.

  • 3.6 CRONOGRAMA

Quadro 1 Cronograma da pesquisa

(Continua)

 

ANO 2015 A/B

 

TAREFAS

MAR

ABR

MAI

JUN

JUL

AGO

SET

OUT

NOV

DEZ

Delimitação do tema e Objetivos

X

                 

Revisão da

                   

Literatura

X

X

Método

     

X

           

30

Quadro 1 Cronograma da pesquisa

(Continuação)

Apresentação TCC I Encaminhamento para o CEP Recebimento do projeto pelo CEP Coleta de Dados 8
Apresentação
TCC I
Encaminhamento
para o CEP
Recebimento do
projeto pelo CEP
Coleta de Dados 8
Análise de
Dados
Apresentação
Final do TCC
X
X
X
X
X
X
X

Fonte: Elaboração da autora, 2015.

3.7 ORÇAMENTO

Quadro 2 Orçamento

 

MATERIAL PERMANENTE

 

DESCRIÇÃO DO

QUANTIDADE

VALOR UNITÁRIO

TOTAL

MATERIAL

Computador

01

(pesquisador já tem)

-

Impressora

01

(pesquisador já tem)

-

Gravador

01

R$ 50,00

R$ 50,00

 

SUBTOTAL

R$ 50,00

 

MATERIAL DE CONSUMO

 

DESCRIÇÃO DO

QUANTIDADE

VALOR UNITÁRIO

TOTAL

MATERIAL

Impressão do Projeto de

30 folhas para duas

R$ 0,15

R$ 9,00

Pesquisa Impressão das Entrevistas

professoras 01 folha para 08 participantes

R$ 0,15

R$ 1,20

Encadernação do Projeto de Pesquisa/

02

R$ 1,00

R$ 2,00

 

SUBTOTAL

R$ 12,20

 

PAGAMENTOS

 

DESCRIÇÃO DO

QUANTIDADE

VALOR UNITÁRIO

TOTAL

MATERIAL

Deslocamento

08

R$ 5,00

R$ 40,00

       
       
 

SUBTOTAL

R$ 40,00

 

TOTAL GERAL 9

R$ 102, 20

Fonte: Elaboração da autora, 2015.

8 O cronograma previsto para a coleta de dados da pesquisa só será executado caso o projeto seja APROVADO pelo sistema CEP/CONEP.

9 A pesquisadora ficará responsável pelo custo total da pesquisa

31

REFERÊNCIAS

ABGLT. ABGLT: 18 anos construindo para a construção da cidadania LGBT. Disponível em: <http://abgltbrasil.blogspot.com.br/p/pagina-em-construcao.html>. Acesso em: 29 Mai. 2015.

ALMEIRA, M.P.; DENCZUK, T. Transexualismo: possibilidades e milites jurídicos

de uma nova identidade sexual. JusBrasil, 2014. Disponível em: <http://milena

piovezan.jusbrasil.com.br/artigos/113501120/transexualismo-possibilidades-e-

limites-juridicos-de-uma-nova-identidade-sexual>. Acesso em: 15 Mai. 2015.

APPOLINARIO, F. Metodologia da ciência: Filosofia e prática da pesquisa. 2°ed. Cengage Learning, 2011.

ARAN, M.; ZAIDHAFT, S.; Murta, D. Transexualidade: corpo, subjetividade e saúde coletiva. Porto Alegre, 2008, v 20, 1: 70-79.

ATHAYDE, A.V.L. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabolia. Transexualismo Masculino, São Paulo, v 45, n 4, p. 407-414, ag/2001.

BEAUVOIR, Simone. O Segundo Sexo. 10 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,

1980.

BENTO, Berenice. Sexualidade e experiências trans: do hospital à alcova. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 17, n. 10, p. 2655-2664, Oct. 2012.

BARBOZA, Heloisa Helena. Proteção da autonomia reprodutiva dos transexuais. Rev. Estud. Fem., Florianópolis , v. 20, n. 2, p. 549-558, Aug. 2012 .

BRASIL. Brasil sem homofobia: Programa de Combate à violência e à discriminação contra GLBT e de promoção da cidadania homossexual. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/brasil_sem_homofobia.pdf>. Acesso em: 29 Mai. 2015.

Diário Oficial da União. Disponível em: <http://pesquisa.in.gov.br/ imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?jornal=1&pagina=3&data=12/03/2015>. Acesso em:

______.

19 Mai. 2015.

Lei n° 1955/2010, de 03 de setembro de 2010. Dispõe sobre a cirurgia de transgenitalismo. Disponível em <http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/

______.

cfm/2010/1955_2010.htm>. Acesso em: 11 Mai. 2015.

______.

Projeto de Lei João Nery. Disponível em: <http://www.camara.gov.br/

proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1059446&filename=PL+5002/2013>.

Acesso em: 09 Jun. 2015.

Resolução 12/2015. Disponível em: <http://www.sdh.gov.br/sobre/participa

______. cao-social/cncd-lgbt/resolucoes/resolucao-012>. Acesso em: 09 Jun. 2015.

32

Resolução nº 466/2012. Disponível em: <http://conselho.saude.gov.

______. br/resolucoes/2012/Reso466.pdf>. Acesso em: 06 Jun. 2015.

BRASIL. Resolução nº 6.015/73. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivi l_03/leis/L6015compilada.htm>. Acesso em: 09 Jun. 2015.

BURKLE, T.S. Uma reflexão crítica sobre as edições do manual de diagnóstico e estatística das perturbações mentais DSM. 2009. 108 f. Dissertação (Mestrado em Saúde Coletiva). Instituto de Estudos em Saúde Coletiva Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2009.

CARRARA, S. Bagoas. Políticas e direitos sexuais no Brasil. Contemporâneo, Rio de Janeiro, v 5, n 8, p. 131-147, 2010.

CARDOSO, F.L. O conceito de orientação sexual na encruzilhada entre sexo, gênero e motricidade. Revista Interamericana de Psicologia, Porto Alegre, v 42, n1, p. 69-79, mai/jul, 2008.

CARDOSO, Patricia Pires. O transexual e as repercussões jurídicas da mudança de sexo. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XI, n. 51, mar 2008. Disponível em:

<http://www.ambitojuridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artig o_id=2623>. Acesso em: 15 Mai. 2015.

CHANTER, Tina. Gênero: Conceito-chave em filosofia. Porto Alegre, RS: Artmed,

2011.

CHILAND, C. Transexualismo. São Paulo: Edições Loyola, 2008.

CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Resolução CFM nº 1.652/2002. Disponível em: <http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/CFM/2010/1955_2010.htm>. Acesso em: 15 Mai. 2015.

CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA-SP. Histórico de luta de LGBT no Brasil. Disponível em <http://www.crpsp.org.br/portal/comunicacao/cadernos_ tematicos/11/frames/fr_historico.aspx>. Acesso em> 29 Mai. 2015.

D'AMORIM, Maria Alice. Estereótipos de gênero e atitudes acerca da sexualidade em estudos sobre jovens brasileiros. Temas psicol., Ribeirão Preto, v. 5, n. 3, dez. 1997.

DECARLI, G. L. Aspectos médicos-legais do transexualismo. 2003. 146 f. Monografia (Graduação em Direito) Faculdades Metropolitanas Unidas, São Paulo,

2003.

DEFENSORIA DE SÃO PAULO. Atendimento a travestis e transexuais. Disponível em: <http://www.defensoria.sp.gov.br/dpesp/Repositorio/39/Documentos /Atendimento%20a%20travestis%20e%20transexuais.pdf>. Acesso em: 11 Mai.

2015.

33

DELOYA, D.A. Bissexualidade no eixo da escuta psicanálita: considerações teóricas acerca da clínica. Àgora: Estudos em teoria psicanálica, Rio de Janeiro, v 6, n 2, p. 205-214, jul/dez, 2003.

DIAS, M.B.; ZENEVICH, L. Um histórico da patologização da transexualidade e uma conclusão evidente: a diversidade é saudável. Gênero e Direito, Paraíba, n 2, p. 11-23, jul/dez, 2014.

EXAMINER. Leelah Alcorn: Transgender teen’s suicide note asks ‘to fix’ society. Disponível em: <http://www.examiner.com/article/leelah-alcorn-suicide-note- transgender-teen-born-a-boy-dies-as-girl-video>. Acesso em: 15 Mai. 2015.

FACHINI, Regina. Histórico da luta de LGBT no Brasil. Disponível em: <http://

www.crpsp.org.br/portal/comunicacao/cadernos_tematicos/11/frames/fr_historico.asp

x>. Acesso em: 01 Jun. 2015.

FERREIRA, G.G; AGUINSKY, B.G. Movimentos Sociais de sexualidade e gênero:

análise do acesso às políticas públicas. R. Katál, Florianópolis, v.16, n2, p. 223-232, jul/dez, 2013.

GIL, A.C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4°ed. São Paulo: Editora Atlas S/A, 2002.

GROSSI, Miriam Pillar. Identidade de gênero e sexualidade. Antropologia em 1a mão, Florianópolis, UFSC/PPGAS, 1998.

JESUS, J.G.; ALVES, H. Feminismo transgêneros e movimentos de mulheres transexuais. Disponível em: <http://periodicos.ufrn.br/cronos/article/viewFile/ 2150/pdf>. Acesso em: 14 Jun. 2015.

JUNIOR, J.M. Como escrever trabalhos de conclusão de curso. 6° ed. Petrópolis:

Editora Vozes, 2008.

KOYAMA, E. Movimento Transfeminista. Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/ 182042098/MANIFESTO-TRANSFEMINISTA-Emi-Koyama#scribd>. Acesso em: 14 Jun. 2015.

LAURENTI, R. Análise da informação em saúde: 1893-1993, cem anos da Classificação Internacional de Doenças. Rev Saúde Pública, 1991; 25: 407-17.

LIONCO, Tatiana. Atenção integral à saúde e diversidade sexual no Processo Transexualizador do SUS: avanços, impasses, desafios. Physis, Rio de Janeiro, v. 19, n. 1, p. 43-63, 2009.

LOPES, Luiz Paulos da Moita. Identidades Fragmentadas: a construção discursiva

de raça, gênero e sexualidade em sala de aula. Campinas, SP: Mercado de Letras,

2002.

LOURO, G.L. Um corpo estranho: ensaios sobre sexualidade e teoria queer. Belo Horizonte: Autêntica, 2008.

34

PINTO, M. J.; BRUNS, M.A. Vivência transexual: o corpo desvela seu drama. São Paulo: Editora Átomo, 2003.

PRINCÍPIOS DE YOGYAKARTA. Princípios sobre a aplicação da legislação internacional de direitos humanos em relação à orientação sexual e identidade de gênero. Disponível em: <http://www.clam.org.br/pdf/principios_de_yogya karta.pdf>. Acesso em: 07 Jun. 2015.

RAUEN, F.J. Roteiros de Investigação científica. Tubarão: Editora Unisul, 2002.

REIS, K.C.F. Infância, gênero e estereótipos sexuais: Análise do relatório de mães de crianças de 4 a 6 anos. 2008. 119 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia do desenvolvimento e aprendizagem) – Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho”, Bauru, 2008.

ROS, S.Z. ; ABELLA, S.I.S. Psicologia e relações de gênero: Constituição do sujeito e relações de gênero em um contexto de ensinar e aprender. In: PLONER, KS., et al., org. Ética e paradigmas na psicologia social. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 2008. p. 287-298. Disponível em: <http://books. scielo.org/id/qfx4x/pdf/ploner-9788599662854-23.pdf>. Acesso em: 05 Mai. 2015.

RUSSO, J.; VENÂNCIO, A.T.A. Classificando as pessoas e suas perturbações: A “Revolução terminológica” do DSM III. Rev Latinoameticana Psicopatologia Fundamental, v. IX, n 3, p. 460-483, set/2006.

SALIH, S. Judith Butler e a teoria queer. Belo Horizonte: Autêntica, 2013.

STOP TRANS PATHOLOGIZATION. Campanha Internacional Stop Trans Pathologization. Disponível em: <http://www.stp2012.info/old/pt>. Acesso em: 02

Abr.15.

TRANSGENDER EUROPE. Nosso trabalho. Disponível : <https://translate.google

usercontent.com/translate_c?depth=1&hl=pt-BR&prev=search&rurl=translate.

google.com.br&sl=en&u=http://tgeu.org/our-work/&usg=ALkJrhgMpIrrfSjHlnAw CQYhlGO8YqMxFA>. Acesso em: 02 Abr. 2015.

TREVISAN, R; TUNES, S. Criança transexual não pode ser reprimida e precisa de apoio familiar. Disponível em: <http://mulher.uol.com.br/gravidez-e-

filhos/noticias/redacao/2014/09/03/crianca-transexual-nao-deve-ser-reprimida-e-

precisa-de-apoio-familiar.htm acessado dia 13/06>. Acesso em: 13 Jun.15.

35

APÊNDICE(S)

36

APÊNDICE A Roteiro de Entrevista

36 APÊNDICE A – Roteiro de Entrevista UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA – UNISUL CURSO

UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA UNISUL CURSO DE PSICOLOGIA

TRANSEXUALIDADE E A DESPATOLOGIZAÇÃO DA IDENTIDADE TRANS

ROTEIRO DE ENTREVISTA SEMI ESTRUTURADA

       

GRAU DE

ESTADO

IDADE

GÊNERO

PROFISSÃO

ESCOLARIDADE

CIVIL

DADOS DO PARTICIPANTE

         
  • 1. Compreensão da Identidade Trans (O que significa transexualidade e ser um transexual?)

  • 2. Compreensão do movimento de despatologização da transexualidade.

  • 3. Compreensão das mudanças / impacto em sua vida a partir da despatologização da transexualidade.

37

APÊNDICE B Termo de consentimento livre e esclarecido

37 APÊNDICE B – Termo de consentimento livre e esclarecido TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Eu,

__________________________________________

declaro que estou esclarecido (a) dos objetivos e dos

procedimentos da pesquisa “Transexualidade e a despatologização da Identidade Trans” e que concordo em participar do estudo e com a publicação e/ou apresentação dos dados coletados, desde que sejam respeitados os princípios éticos que me foram apresentados pela pesquisadora responsável, a saber:

• Eu tenho a liberdade para aderir ou desistir, a qualquer momento do processo de pesquisa. O meu nome será mantido em sigilo em todos os registros da pesquisa “Transexualidade e a despatologização da Identidade Trans”. • Não serão publicados dados que possam me identificar, bem como de pessoas citadas por mim. • Estou ciente de que o objetivo da pesquisa é: identificar a compreensão acerca da pesquisa. • Tenho conhecimento de que esta pesquisa irá contribuir para dispor aos acadêmicos do curso de

Psicologia, interessados e professores a oportunidade de verificar qual a compreensão acerca do

“Transexualidade e a despatologização da Identidade Trans”. • Se houver desconforto ao longo da entrevista, tenho a liberdade de solicitar novo agendamento para

a realização da mesma. • Irei responder ao questionário que traz perguntas referentes ao tema apresentado.

• O estudo será apresentado de forma fidedigna, sem distorção dos dados, para tanto permito a

presença do pesquisador durante a coleta de dados.

• Não serão publicados dados que não tenham a minha liberação para divulgação.

• A minha privacidade, expressões culturais e sentimentos serão respeitados durante o processo, evitando exposições desnecessárias ou situações que possam causar constrangimentos.

• Não serei exposto a riscos de nenhuma natureza que possam ferir minha integridade física, mental e emocional, ou seja, os riscos são mínimos.

• As minhas expressões que envolvam exposição de questões pessoais não serão julgadas, somente

serão utilizadas caso sejam pertinentes ao objetivo do estudo.

• O processo da pesquisa não poderá interferir em meu cotidiano e local onde está sendo feita a pesquisa.

• Todos os momentos de interação, entre mim e o pesquisador, serão acordados com antecedência

entre ambos e avaliados a cada final de encontro. • Os resultados da pesquisa serão apresentados ao final da mesma, em forma escrita e em defesa pública, nas dependências da universidade.

• Os dados obtidos poderão ser divulgados em outros meios tais como em palestras e/ou publicados

em periódicos. • Se eu tiver dúvida a respeito da pesquisa, poderei contatar pesquisadora e orientadora Rosane Romanha pelos telefones do pesquisador (48) 9168-5313 ou orientadora (48) 9996-0207 ou por meio eletrônico através do e-mail: marcele.bressane@hotmail.com ou rosane.romanha@unisul.br.

_____________________

____________________

___________________

Participante da Pesquisa

Rosane Romanha

Marcele Bressane

CFP

Profº Orientadora

Ac. Pesquisador

CRP 12/01655

Mat. 389741

 

Tubarão,

de __________________

de

2015.

38

APÊNDICE C Termo de consentimento para gravação de voz

38 APÊNDICE C – Termo de consentimento para gravação de voz TERMO DE CONSENTIMENTO PARA GRAVAÇÕES

TERMO DE CONSENTIMENTO PARA GRAVAÇÕES DE VOZ

Eu, ________________________________________________________

,

permito

que o pesquisador relacionado abaixo obtenha gravação de minha voz para fins de

pesquisa científica.

Eu concordo que o material e informações obtidas relacionadas à minha pessoa

possam ser publicados em aulas, congressos, eventos científicos, palestras ou

periódicos científicos. Porém, minha identidade deve ser mantida em sigilo.

As gravações da voz ficarão sob a propriedade do pesquisador pertinente ao estudo

e sob sua guarda, logo que concluir a pesquisa destruirá essas gravações.

Participante da pesquisa:

______________________________________________

RG: ___________________

Assinatura:

_________________________________________________________________

Pesquisador: Marcele Bressane (48 9168-5313 / marcele.bressane@hotmail.com)

Tubarão (SC),

/

/ _________

_________ ________