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ano 53 - nº 453 - fevereiro/2015
ano 53 - nº 453 - fevereiro/2015

Prazer em aprender:

escola não é castigo

O que temos em comum com nossos “hermanos”?

Congresso Nacional conservador: até quando?

Ritmos biológicos e estilos de vida: como harmonizar?

Fotografia: Tiago da Silva Greff

Fraternidade,

o caminho da paz

Tiago da Silva Greff Fraternidade, o caminho da paz Assinaturas Mundo Jovem 2015 Informações: p. 3
Assinaturas Mundo Jovem 2015 Informações: p. 3 e contracapa
Assinaturas
Mundo Jovem
2015
Informações: p. 3
e contracapa

É preciso falar. É preciso ouvir. É preciso que todas as vozes ecoem e que, sobretudo, as vozes se entendam

e organizem a palavra e a ação coletiva. É preciso diálogo em torno do que gera as desigualdades, e jamais se limitar apenas às compensações.

Douglas Belchior, professor na rede pública de São Paulo e dos cursinhos da União de Núcleos de Educação Popular para Negras/os e Classe Trabalhadora (UNEafro Brasil)

Paulo e dos cursinhos da União de Núcleos de Educação Popular para Negras/os e Classe Trabalhadora

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LÍNGUA E LITERATURA

O escritor Rubem Alves nasceu na cidade mineira de Boa Esperança. Casualidade ou não, dentre tantas belas frases inspiradas, escreveu: “Esperança é quando, sendo inverno do lado de fora, a despeito dele brilha o sol de verão no lado de dentro”.

Lúcia Barcelos,

As sementes que Rubem Alves plantou

Lúcia Barcelos, As sementes que Rubem Alves plantou ria o caminho dos poetas, que é o

ria o caminho dos poetas, que é o caminho das ima- gens. “Uma boa imagem é inesquecível”. Por isso, suas crônicas e seus livros são ricos em metáforas e pequenas histórias ilustra- tivas que facilitam a com- preensão de suas disserta- ções. Suas palestras, para quem teve o privilégio de assisti-las, também con- templavam essa agradável característica. Com um estilo todo

próprio de se expressar, Rubem Alves deixa dicas valiosas aos educadores no que diz respeito à alma humana, no sentido de que é através da sensibilidade que se consegue perceber e tentar com- preender melhor o que nos rodeia, o contexto do mundo. Outra dica bem importante do autor: tudo isso passa pelo processo da arte de pensar. No seu jeito de lidar com as pa- lavras, Rubem Alves aponta para um casulo onde se podem gestar esperan- ças. Ele acreditou no poder mágico da palavra e permanecerá entre nós, em suas obras, conforme dito por ele: “Es- crever é o meu jeito de ficar por aqui. Cada texto é uma semente

Site oficial do autor:é o meu jeito de ficar por aqui. Cada texto é uma semente Sugestão de Site

Sugestão de Site

http://rubemalves.com.br

No Site do Mundo Jovemoficial do autor: Sugestão de Site http://rubemalves.com.br Documentário Rubem Alves, o profes- sor de espantos .

Documentário Rubem Alves, o profes- sor de espantos. Com direção de Dul- ce Queiroz. Duração 44 minutos. Pode ser assistido em nosso site, na edição de fevereiro de 2015, por este link:

www.mundojovem.com.br/edicoes

Para a reunião de professores

“Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua milho de pipoca para sempre”!

Em uma de suas parábolas, Rubem Alves nos compara aos milhos de pipoca. Alguns de nós temos a capacidade de nos transformarmos em “flores brancas macias” quan- do aquecidos pelo fogo, outros se mantêm como piruás, milhos que não estouram na panela. Você concorda? Um novo ano letivo se anuncia para 2015. E quais são as mudanças que pretendemos ter em nossa escola? O que eu preciso mudar em minha prática docente? E enquanto grupo de professores? Como poderemos nos permitir mudar para melhor?

Leia mais: www.releituras.com/rubemalves_ pipoca.asp

escritora, poetisa, integra a Equipe do jornal Mundo Jovem. E-mail: lupoetando@yahoo.com.br

Rubem Alves foi teólogo, educador, tradutor

e escritor: autor de livros de Filosofia, Teologia, Psicologia e de histórias infantis. E foi também um grande poeta, com uma linguagem que lem- bra os pássaros, cujos trinados são capazes de despertar os sonhos que repousam no recôndito

da alma de cada um.

Ao fazer essa comparação do poeta com o pássaro, lembrando também do Rubem Alves educador, cabe aqui

a transcrição de suas próprias

palavras: “Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados.

O que elas amam são pássaros

em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não po- dem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado”. Essa personalidade multiface-

tada também muito contribuiu e continuará contribuindo através das suas produções literárias, para o enriquecimento da Edu- cação de adultos, jovens e crianças, pois tinha o dom de transformar ideias e palavras em brin- cadeiras divertidas para transmitir informações. Assim, suas obras tornaram-se interessantes subsídios para professores e educadores de um modo geral.

“Enquanto a sociedade feliz não chega, que haja pelo menos fragmentos de futuro em que a

alegria é servida como sacramento, para que as crianças aprendam que o mundo pode ser diferente. Que a escola, ela mesma, seja um fragmento

do futuro ”

Rubem Alves

Paixão e sensibilidade

Rubem Alves afirma que, para além da didá- tica, “o grande segredo da Educação é a paixão do professor”. E foi mais longe ainda com o seu

jeito ímpar de enxergar a profundidade das temá- ticas quando, no seu dizer poético, entendeu que

dois olhos para a educação: “o primeiro olho

as coisas da ciência, da vida e do mundo, e o

segundo olho vê as coisas eternas”. Ainda a respeito da Educação, Rubem Alves

diz que as explicações conceituais são difíceis

de aprender, monótonas talvez. Então, ele prefe-

Rubem Alves nasceu em 15 de setembro de 1933 e faleceu em 19 de julho de 2014.

em 15 de setembro de 1933 e faleceu em 19 de julho de 2014. Ser Fraterno:

Ser Fraterno: um compromisso com paz!

fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br

Confira o que você vai ler no Mundo Jovem em 2015!

Temas escolhidos a partir de pesquisa com os assinantes

Novidade: matérias * bilíngues para desenvolver o espanhol! * Uma por edição
Novidade:
matérias *
bilíngues para
desenvolver
o espanhol!
* Uma por edição

Educação

• Metodologias de ensino e aprendizagem com adolescentes

Mediação de conflitos na escola

• Educação integral no Brasil

• Conselho escolar

• Educação escolar indígena

• A mercantilização do Ensino Superior

• Desvalorização e desinteresse pelo estudo

• Educação matemática

• Música na escola

• Protagonismo dos estudantes

Outros temas em encartes pedagógicos (veja ao lado)

Filosofia

Como a Filosofia ajuda a pensar?

Filosofia e libertação

• De onde surgem as ideias?

• O que é a verdade?

• Pessoas invisíveis nas cidades

• Categorias estéticas

• Ignorância X conhecimento

Filosofia, religião e ciência

• Ética do discurso

Outros temas em encartes pedagógicos (veja ao lado)

Sociologia

• Efeitos da sociedade da informação

• Consequências da Ditadura Militar

• Sociedade de consumo e desenvolvimento

• Modernidade e sociedade líquida

• A ideologia (neo)liberal

• Estado policial e sociedade de controle

• As “razões” do fundamentalismo

• Pierre Bourdieu e as contestações do capitalismo

• A pena de morte

• Trabalho, autogestão e autonomia

Outros temas em encartes pedagógicos (veja ao lado)

Ecologia

• Qual rastro deixamos no mundo?

• Falta de água nas cidades

• Biodiversidade

• Animais de estimação

• Estrangeiros na Amazônia

• Ecossistemas brasileiros

• Direito ambiental

Ensino Religioso

• Cultura da paz

• A fé e suas obras

• Quem é Deus?

• O diabo existe?

• Milagres existem?

• Religião e política

• Mulheres nas religiões

• A água nas religiões

• Pastoral da Criança

• Drogas e comunidades terapêuticas

A geografia no Enem

As florestas equatoriais

• Disputas territoriais

• Tensões sociais e a pobreza no

Pais e Filhos

• Relacionamento entre gerações

• Parceria família e escola

A relação entre pais e filhos

• Violência psicológica na família

• Afetividade e acomodação conjugal

• Amizades e relações

Ciberbullying

mundo

• A educação na América Latina

• Manifestações e protestos

• Estado, poder e mídias

• Diversidade étnica e cultural

• Violações de direitos humanos

História

• Como estudar História?

• História da formação econômica

no mundo virtual

e à adolescência

• Famílias reconstituídas

• Alienação parental

• Redes de proteção à infância

Saúde e Bem-Viver

• Saúde mental

• Humanização do parto

• Saúde comunitária

• Qualidade de vida no trabalho

• Bem-viver e a saúde pública

• Medo de quê?

• Música e dança

• Contaminação dos alimentos

• Vida lenta x estresse

• Atividades físicas na escola

Ciências Naturais

• Ritmo biológico

• Viroses, infecções e epidemias

Corantes naturais e artificiais

• Alimentos orgânicos

• Produtos de limpeza e higiene

• Sal e açúcar

• Memória e esquecimento

• Som e excesso de ruído

• Ciência forense

• Velocidade e adrenalina

das sociedades

Sexualidade

• Homossexualidade nas novelas

• Sexualidade na adolescência

• Dia da Mulher: o que comemorar?

• Projeto de vida a dois

• Sexualidade infantil e

• Civilizações asiáticas

• Escravismo

• Civilizações ameríndias

• Civilizações africanas

• Sistema feudal

• Sistema moderno-burguês

• Comunismo

• Economia e História: para onde vamos?

Política e Cidadania

• O novo cenário político brasileiro

• Plebiscito e referendo popular

• Cidadania, militância e mobilização

pedofilia digital

• Gravidez e uso de drogas

• Violência sexual

• DSTs virais

• Liberdade sexual e responsabilidade

Estresse profissional e sexualidade

Antroposofia

Encartes

pedagógicos

Formação de Professores

• O que é o Enem?

• Ciências Humanas e suas

tecnologias

• Ciências da Natureza e suas

tecnologias

• Linguagens, códigos e suas

tecnologias

• Matemática e suas tecnologias

Afro.Br

Encarte de Cultura Afro-Brasileira

Ações afirmativas

• Griôs e quilombos

• Educomunicação e negritude

• Religiões de matriz africana

• Brasilidade negra

Filosofia

• Heráclito, Bergson e a

necessidade da mudança

• Marx, a dialética e a transformação do mundo

• Nietzsche e potência do ser

• Wittgenstein, Paul Ricoeur e a

filosofia da linguagem

• Adela Cortina e a ética nas

profissões

popular

• Política X politicagem

• Política assistencial: compensatória

ou emancipatória?

• “Cidadãos de bem”?

• Efeitos da globalização e FSM

• Exercício da cidadania nas redes sociais

• Voto obrigatório

• O Brasil em reformas

Diversidade Cultural

• Sistema Nacional de Cultura

• Comunidades tradicionais

pesqueiras

humanidade

• Saraus das periferias

• Povos ciganos e direitos humanos

• Frevo: patrimônio imaterial da

Realidade Brasileira

• Economia brasileira

• Violência doméstica e Lei Maria da Penha

• Brasil: oportunidade de negócios?

• Crianças errantes

• Trabalho infantojuvenil

Inflação e deflação

Sonegação fiscal

• O sistema carcerário

• Desmilitarização da polícia

• Flexibilização dos direitos

• Pontos de cultura

• Cinema, saber e crença

• Rádio no Brasil

• Cultura do Norte

• Centenário de Grande Otelo

Língua e Literatura

• Rubem Alves

O desafio de ler, escrever e

trabalhistas

interpretar

Literatura regional Literatura para jovens

Cidades sustentáveis Ameaças aos rios

• Abelhas em extinção?

Juventudes

Depoimentos de jovens sobre:

• Estudar no exterior

• Grêmio estudantil

• Mediação de leitura na escola

• Livro didático e a educação

Projetos Pedagógicos

• Valores

• Literatura

• Meio ambiente

• Família e escola

• Juventudes

• Produção escrita

• Educação para o cooperativismo

• Gênero e diversidade

• Trovas e oralidade

• Imperialismo linguístico

• Mauricio de Sousa

• Língua estrangeira e música

Geografia

Temas relacionados à América Latina

• Brasileiros e latinos: o que temos

em comum?

• Inclusão no trabalho

• Sociedade competitiva

• Prevenção ao alcoolismo

• Solidão na juventude

• Viver conectado

• Violência física

• Intercâmbio e voluntariado

• PROUNI

Sociologia

• A idade penal

• Jovem e meio ambiente

• Jovem, trabalho, família e

formação

• Jovem e suicídio: um fato social

• Apatia, inércia, comodismo do

jovem?

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DOS LEITORES

Em família

Os pais possuem opiniões diferentes dos filhos, mas assim mesmo pais e filhos podem se entender. Às vezes, quando estamos em crise, devemos con- tar com os nossos pais (eles querem o nosso bem). Quando caímos, as únicas pessoas que ficam por perto de nós são os nossos pais: eles são o nosso “braço direito”. Valorizem os seus pais enquanto es- tão por perto, pois um dia eles não estarão mais por aqui para ajudá-los!

Daniel Barberino, Breno Barradas e Pedro Henrique Miguel Calmon, BA

Vontades

Vontade fútil, trivial, banal Afetiva, forte, atrevida, Sensacional! Vontade poderosa, melosa, preguiçosa! Rápida, lenta, duradoura! Gostosa! Vontade fraterna, amigável, familiar, Essencial, perene, elementar, 4 De gostar! Vontade de viver mais, De sorrir, De curtir, De persistir! Vontades? Tenho. Só não tenho, De desistir!

Ilda Neta Silva Almeida Palmas, TO

Como está a nossa “pegada”?

Somos nós que alimentamos essa máquina pro- dutora de lixo no planeta. Estamos com problemas de norte a sul, do ocidente ao oriente, devido aos des- matamentos, às queimadas e às guerras que atingem todas as espécies de vida. Alimentando esse modo de agir, colheremos enchentes, calor excessivo, falta de água, maremotos, tufões, furacões, vulcões, degelos e por aí afora. É preciso dar um basta às barbáries que estamos vendo e vivenciando desde tempos distantes, para que a humanidade possa viver em harmonia com a natureza, e as nossas crianças possam viver como crianças no Planeta Terra.

Pedro Gomes Moreira Porto Alegre, RS

Palavras

Palavras são sementes:

Antes de crescerem para cima,

Em busca da luz do sol, do ar livre

e do céu azul,

Devem crescer para baixo, Buscando, no solo úmido, frio e escuro, Os nutrientes que as fortalecem.

Palavras são plantas:

Da mesma forma que estas Têm suas raízes fixas no ventre da terra, Aquelas têm sua força e autoridade No terreno respeitoso da escuta.

Palavras são crianças:

Umas são gestadas no útero da mãe, Outras, no útero misterioso do silêncio.

Palavras são pássaros:

Depois de criarem asas, livres

e soltas no ar,

Jamais retornam ao ninho abandonado, Ampliando, em espiral,

o raio de seus voos.

Palavras são janelas:

De igual maneira que o aproximar-se de umas Abre os horizontes da paisagem, O fato de conhecer o sentido das outras Aprofunda o leque do conhecimento.

Palavras são águas:

Deslizam e murmuram mansas nos vales, Fecundando o chão para o plantio. Precipitam-se e rugem bravias nos rochedos, Revelando suas energias ocultas.

Palavras são ventos:

Aqui uma brisa leve e suave Que dobra e acaricia as espigas maduras. Ali, um furacão tempestuoso Que tudo varre, devasta e destrói.

Palavras são flores:

Ornamentam encontros, salas e festas Com suas formas, perfumes e cores, Mas logo murcham, secam e morrem, Deixando no ambiente a dor de um vazio ou ausência.

Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS E-mail: vicariogenerale@scalabrini.org

Fé em ação

Fé, agora é preciso. Nas cidades, nos abismos Onde a dor fez sua morada, No exílio de cada estrada.

Solidariedade para amar Sem impor condições, ajudar Doar-se em imposição, Fazer diferença na multidão.

A quem muito perdeu, ser Auxílio, força, carinho. Gesto que não se retrai Mas no amar se refaz.

Waleska Frota

Fortaleza, CE

“Acredito que ‘educação’ é a palavra-chave para dizimar a ignorância que tanto exclui os povos de seus direitos fundamentais.”

Maria José Pereira Souza Biritinga, BA

Aos leitores

Educar para a paz

Para transformar uma cultura vio- lenta é preciso ensinar e aprender com base no diálogo, na escuta, na participação e na corresponsabilidade. Trabalhar temas próximos da realidade, desenvolver pessoas humanas com

maior equilíbrio físico e emocional, ca- pazes de lidar com todas as dimensões da vida, de forma pacífica, harmônica

e feliz é compromisso da escola, mas

também das famílias e de toda a so- ciedade.

Comecemos o ano escolar nova-

mente juntos para reafirmar a paz e

a fraternidade em todos os lugares

por onde passarmos. Que em 2015 sejamos todos sementes de paz para construirmos um mundo onde o amor

à diversidade seja combustível de nos- so dia a dia!

ISSN n°1677-1451 Diretor: Pe. Eduardo da Silva Santos Como assinar: veja na contracapa desta edição
ISSN n°1677-1451
Diretor: Pe. Eduardo da Silva Santos
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Equipe responsável: Luiz Gambim, Lúcia Maria Barcelos, Maria Izabel de
Andrade Teixeira, Jorge Alvício da Silveira Teixeira (MTPS nº 11273), Ângela
Machado Barcelos, Rui Antônio de Souza, Márcia Oliveira de Oliveira,
Jaqueline de Souza Franco, Márcia Helena Koboldt Cavalcante, Fabiane
Costa Cozza, Tiago da Silva Greff, Gabriela Thomaz, Rogério da Silva Castro.
Jornalista responsável (interino): Márcio Zoratto Gastaldo (MTPS nº 12492)
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Mundo Jovem é uma publicação mensal (fevereiro a novembro) da editora da PUCRS, sob orientação da Faculdade de Teologia: Inscrição 473301, Livro nº 14, Cartório de Registro Especial.

473301, Livro nº 14, Cartório de Registro Especial. Ser Fraterno: um compromisso com paz! fevereiro .

Ser Fraterno: um compromisso com paz!

fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br

A ideia de felicidade acoplada ao consumo, o sonho da moda, a fugacidade dos produtos e a aparente abundância trazem efeitos a curto, médio e longo prazos, com impacto na sociedade e no ambiente. Qual é a marca que estamos deixando no planeta?

Mirian Fabiane Dickel Strate,

bióloga e professora, Teutônia, RS. E-mail: mirianfabiane@gmail.com

Vivemos em uma sociedade pautada pelo consumo, que sus- tenta a economia mundial. Va-

lendo-se disso, o capital cria pro- dutos para os diversos públicos, gostos e bolsos, de modo que, embora milhões de pessoas vi- vam abaixo da linha da pobreza, há parcelas de consumidores que são responsáveis por alimentar o ciclo de produção capitalista.

O que chama atenção é a

urgência de se fazer circular os produtos e as formas de vida, os quais rapidamente envelhecem e são substituídos. Isso se traduz em experiências de vida caracte- rizadas por conquistas em curto prazo, modos de ser em cons- tante busca de novas sensações, com inquietação e insatisfação crescentes.

Impacto no planeta

O consumidor, na sociedade

atual, está sempre em movimen-

to, ligado às mudanças, instigado

a abolir a durabilidade e a per- manência das coisas, ao mesmo tempo em que luta para se re- conhecer através dos inúmeros bens aparentemente disponíveis

a todos.

dos inúmeros bens aparentemente disponíveis a todos. No Site do Mundo Jovem Quer saber qual pegada

No Site do Mundo Jovem

Quer saber qual pegada eco- lógica está deixando no planeta? Acessa a Calculadora de Pegada Ecológica em nosso site, na edição de fevereiro de 2015, por este link:

www.mundojovem.com.br/edicoes

fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br

ECOLOGIA

Pegada ecológica:

consumo, logo existo?

ECOLOGIA Pegada ecológica: consumo, logo existo? Mas alguma vez você já pensou na quantidade de recursos

Mas alguma vez você já pensou na quantidade de recursos natu- rais necessários para manter o seu estilo de vida? Já imaginou avaliar o impacto no planeta das

suas opções no dia a dia, daquilo que você consome e dos resídu- os que você gera? A pegada ecológica individu-

al mede o quanto a presença de

cada pessoa no mundo consome dos elementos que compõem o nosso espaço de vida e existên- cia, com vistas ao atendimento das necessidades que elege para sua vida em sociedade. Como critério para reconhecimento das condicionantes do nosso

estilo de vida, a pegada ecológica coletiva pode ser comparada com a capacidade da natureza

de renovar esses elementos com- ponentes bióticos e abióticos do meio ambiente. A pegada ecológica de um país é a área total requerida para

a produção de todas as deman-

das de consumo de sua popula- ção, incluindo alimentação, ves- tuário, educação, saúde, cultura, trabalho, moradia, transporte, co- municação, entretenimento etc., as quais implicam exploração da natureza no que diz respeito a matéria-prima, energia, água, ter-

ras agricultadas, áreas urbanizadas e, ainda, a bolsões de absorção dos resíduos gerados por todas as etapas implicadas nesse pro- cesso antrópico geral. Portanto, em decorrência do ato de consumir produtos e ser- viços diariamente, a população mundial consome componentes

ecológicos do planeta como um todo, de modo que a pegada eco- lógica da humanidade é a soma de todas essas áreas implicadas, onde quer que elas estejam no planeta. A humanidade necessita hoje de 1,5 planetas para manter seu padrão de consumo, colo- cando a biocapacidade planetá- ria em grande risco.

Cidadania ambiental

Sustentabilidade é a palavra da vez, entretanto é muito mais do que uma palavra da moda. Ser ecologicamente sustentável é uma forma de vida, e a única

maneira de permitir que nosso planeta se recupere para que possamos viver em paz e por muito tempo ainda com os re- cursos naturais que ele tem para fornecer. Além disso, a cidadania possui estreita ligação com o meio ambiente, a partir do mo- mento em que decidimos apli-

car sustentabilidade em nossa própria casa e exigir dos órgãos públicos o cumprimento da le- gislação ambiental. Pensar globalmente, agir lo- calmente, conceito que contribui para mudar o comportamento do cidadão, introduzir a noção que cada um dos bilhões de seres humanos que habitam o plane- ta deve fazer a sua parte. Não vamos salvar o planeta porque recusamos uma sacola plástica, mas, se os sete bilhões de seres humanos que habitam a Terra atualmente a recusarem, serão sete bilhões de sacolas a menos. Preservar o meio ambiente é

preservar a própria pele, e fragi- lizar o meio ambiente é fragilizar

a

economia, o emprego, a saúde.

O

certo é que não existe saída se

não houver alteração nos costu- mes predatórios. É imprescindível que os cidadãos tomem conhe- cimento do seu papel enquanto agentes de conscientização e responsabilidade ambiental, op- tando pelos produtos de empre- sas comprometidas com o meio ambiente e a qualidade de vida da sociedade. Não existe natureza capaz de alimentar um shopping center do tamanho do planeta.

Questões para Debate

1 - Como defino o meu estilo de vida e de consumo? Que impactos ele gera no meio ambiente? 2 - Quem são os principais depredadores e quem são as principais vítimas dos desequilíbrios ocasionados pelo excesso de consumo?

3 - O que significa ser um cidadão responsável pelo ambiente de todos? Que impactos positivos podemos gerar para o planeta?

Ser Fraterno: um compromisso com paz!

pelo ambiente de todos? Que impactos positivos podemos gerar para o planeta? Ser Fraterno: um compromisso

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Arquivo pessoal

JUVENTUDES

Entrevista: Nicole Walczak

Oportunidade para expandir fronteiras

O sonho de expandir as fronteiras do país já se tornou realidade para mais de 83 mil jovens brasileiros. Nicole Walczak, de 21 anos, foi uma das contempladas pelo Ciência Sem Fronteiras e hoje estuda medicina na Holanda. Do quarto que divide com uma finlandesa, na cidade de Leiden, a estudante conversou com o Mundo Jovem sobre a experiência e os desafios do programa.

E-mail: nicolecwalczak@gmail.com

Nicole, fale-nos sobre a sua trajetória até aqui. Estudei no colégio da Uni- versidade Regional Integrada do 6 Alto Uruguai e das Missões (URI) com bolsa parcial, porque minha mãe trabalhava na instituição. Entrei na Universidade Fede- ral de Santa Maria (UFSM), em 2010, através de um programa já extinto, que se chamava Progra- ma de Ingresso ao Ensino Supe- rior. Escolhi a medicina porque sempre fui fascinada pelo corpo humano e queria exercer uma profissão em que me sentisse útil na vida das pessoas.

Como é a sua rotina de estu- dos na Holanda em comparação ao Brasil? No Brasil, a faculdade exige dedicação integral. Aqui, eu estou estudando no segundo ano, e lá eu estava no quarto. Mesmo assim, não se compara ao meu segundo ano no Brasil, que foi muito mais pesado em questão de carga horária. O conteúdo que a gente estuda em um semestre aqui eles estu- dam em um mês e meio. Assim temos mais tempo livre para fazer exercício físico, realizar cursos de línguas, enfim, ter uma qualidade de vida melhor.

Como está sendo esta expe- riência no programa até agora? Pessoalmente, era tudo o que eu queria: ser mais independen- te e conhecer pessoas diferentes. Em termos acadêmicos, foi bem

conhecer pessoas diferentes. Em termos acadêmicos, foi bem estranho no início, pois eu já tinha visto

estranho no início, pois eu já tinha visto a maior parte do con- teúdo no Brasil e pensei que não precisaria me preocupar, mas fui supermal na prova. Recém tinha chegado, não estava muito adaptada, sem clima para estu- dar, e o conteúdo foi passado muito rápido. No Brasil, estava acostumada a chegar em casa e retomar o conteúdo da aula. Mu- dar de ambiente dificultou muito a rotina de estudos.

Quais são os pontos positi- vos do programa e quais devem ser aprimorados? Os pontos mais interessan- tes é viver uma cultura diferen- te, conhecer gente de todos os cantos, estar dentro do sistema educacional de outro país e, assim, entender o que pode ser melhorado no sistema brasilei- ro. O conhecimento novo que é levado de volta é um dos pon- tos mais interessantes e con- tribui para o desenvolvimento do país. E estudar em uma faculdade de primeiro mundo era uma oportunidade só de quem tinha mais grana. Este programa muda a situação. Eu mesma não estaria aqui se não fosse o Ciência Sem Fronteiras. Mas acho que pode ser um pro- blema o governo não ter muito controle com o aluno aqui.

Como assim? Em relação à frequência do aluno? Não. Isso depende de cada universidade. Se a faculdade

cobra presença, você pode re- provar por isso. Aí, neste caso, perde a bolsa. O que acontece é que não tem nenhuma cobran- ça em relação à nota. Mas o principal desafio mesmo é que ele ainda atinge a população que tem uma condi- ção um pouco melhor, porque eu não conheci nenhum bol- sista que tivesse alguma difi- culdade financeira: todos eram de classe média. O programa exige curso de línguas, e aca- bam sendo privilegiados aque- les que podem pagar um cur- sinho particular. Mas, quanto

a isso, já vi que este ano, pelo menos na UFSM, começaram

a dar curso de línguas voltado

para o Ciência Sem Fronteiras

(pouco depois desta entrevista,

o MEC aprovou o programa

Idioma Sem Fronteiras). Acho que esta questão da contra-

partida, do que fazer depois, quando o estudante volta para

o país, tem que ser aprimorada.

Falta um pouco esta continui- dade do programa quando se volta para o país de origem.

Levando em conta a sua área, a medicina, poderia tra- çar um paralelo entre os dois países? Na Holanda o sistema de saúde funciona muito bem. Até

os 18 anos não é preciso pagar nada. Depois disso, adquire- -se um seguro de saúde, que

é pago conforme o salário.

Aqueles que recebem um salá-

Ser Fraterno: um compromisso com a paz!

recebem um salá- Ser Fraterno: um compromisso com a paz! rio baixo, podem pedir ajuda ao

rio baixo, podem pedir ajuda ao governo, e serviços como Fi- sioterapia e Odontologia são à parte. Como a desigualdade so- cial não é tão grande, a maioria da população consegue pagar o seguro saúde. No Brasil, um sistema assim dificilmente fun- cionaria. 80% dos brasileiros usam o SUS, a maioria porque não tem mesmo como pagar um plano privado. Mas eu ainda acho que o modelo do SUS, na teoria, é um dos melhores do mundo. Na prática, ainda temos muito o que melhorar.

do mundo. Na prática, ainda temos muito o que melhorar. Sugestão de Site www.cienciasemfronteiras.gov.br Ciência

Sugestão de Site

www.cienciasemfronteiras.gov.br

Ciência Sem Fronteiras

Ciência Sem Fronteiras

é um programa que busca

promover a consolidação,

a expansão e a internacio-

nalização da ciência e tec- nologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. O projeto prevê a utili- zação de até 101 mil bol-

sas em quatro anos para promover intercâmbio, de forma que alunos de gra- duação e pós-graduação façam estágio no exterior com a finalidade de man- ter contato com sistemas educacionais competitivos em relação à tecnologia e à

inovação.

fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br

EDUCAÇÃO

No passado, a escola era o único lugar de acesso aos conhecimentos, que lá estavam concentrados. Hoje, ela sofre uma crise sem precedentes, pois nem sempre as informações atualizadas da internet são contempladas na metodologia do professor, muito presa em livros e apostilas.

Desafios pedagógicos da adolescência

Cynthia Castiel Menda,

educadora, psicóloga clínica e escolar, mestre em Educação pela PUCRS. Atualmente exerce suas atividades profissionais na Universidade Federal do Rio Grande (FURG), RS. E-mail: cyncamen@terra.com.br

O próprio perfil de alguns jovens se torna um desafio, em uma cultura imediatista, de inquietude, contestação e desmotivação. Diante desse quadro, é possível fazer algo na escola para que o processo de ensino e aprendizagem se concretize? Por incrível que possa parecer, sim, é possível e necessário fazer algu- mas propostas diferenciadas para que o adolescente tenha prazer em aprender e que frequentar a escola não seja um castigo. Não sou adepta de receitas prontas, mas penso que, a partir de ideias que deram certo, outros pro- fessores podem, dentro da sua realidade, inovar e ter maior sucesso nessa tarefa. Então, seguem algumas propostas que, mesmo que pareçam muito simples, podem fazer a diferença com sua turma.

1. Escute seus alunos: proporcione espaços de di-

álogo sempre em suas aulas. Converse quando chegar em sala de aula, trate-os pelos nomes, saiba mais de suas histórias de vida, pergunte suas opiniões sempre que haja espaço na matéria que você trabalha. Utili- ze as técnicas de júri simulado, discussão de temas transversais, análise e apresentação de textos diferen- ciados por grupos. Tudo isso irá estimular a partici- pação e o interesse dos alunos. Estudos diversos com- provam que a aproximação emocional com os alunos diminui a incidência de casos de violência na escola e aumenta a motivação para frequentar as aulas.

2. Use as tecnologias como aliadas da aprendiza-

gem: em vez de proibir os celulares, por exemplo, ex- perimente fazer com seus alunos um projeto de fotos e/ou vídeos sobre a matéria que estão trabalhando. Proponha mais trabalhos de pesquisa e aproveite para desenvolver as habilidades de análise e síntese. Atu- almente, as informações não são mais problema, mas entender as que realmente são científicas e têm rele- vância necessita de uma orientação pedagógica que o professor pode dar. Igualmente, abuse das ferramen- tas que você tem disponíveis para que os estudantes aprendam com maior facilidade os conteúdos a serem desenvolvidos: vídeos, filmes, jogos para computador e experiências práticas sempre são bem-vindas às salas de aula dos adolescentes.

3. Trabalhe em grupo: a referência dos adolescen-

tes é o grupo, e individualizar o trabalho na escola vai na contramão dessa necessidade de pertencimento.

fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br

Síria Christ Birck
Síria Christ Birck

Ensine seus alunos a trabalhar em grupos. Comece com duplas, trios, e coloque, no máximo, cinco componentes em cada um. Faça lista de exercícios como desafios para serem alcançados pelos alunos e outras atividades que podem ser divididas e trabalhadas em partes por cada um dos grupos da sua turma. Lembre que hoje o mercado de trabalho exige que as pessoas saibam compartilhar conhecimentos, pla- nejar ações e executá-las em equipe.

4. Traga as manifestações artísticas para sua aula: descubra os talentos dos seus alunos e use-os como aliados da aprendizagem. Vale música, desenho, po- esia, teatro, dança. Peça que eles criem a partir dos conteúdos desenvolvidos e se surpreenda com os resultados.

5. Estabeleça regras de convivência:

faça um contrato pedagógico no início do ano, discutindo direitos e deveres, estabe- lecendo os papéis de cada um na sala de aula. Os estudantes devem construir essas regras juntos para que se comprometam com a sua observância. Relembre o con- trato sempre que necessário.

6. Elabore avaliações significativas e

contextualizadas: utilize histórias, figuras e, principalmente, o raciocínio dos estu- dantes nas suas avaliações. Faça avalia- ções diferenciadas: em grupo, individual, oral e escrita. Isso flexibiliza a possibili- dade de o aluno se sair bem e entender a

Ser Fraterno: um compromisso com a paz!

importância do processo avaliativo. O mundo moderno exige da escola uma nova proposta do processo de ensino e aprendizagem, com um trabalho mais dinâmico e próximo aos alunos. Cabe ao professor sair da posição de queixa e experimentar novos caminhos e oportuni- dades para tornar esse processo prazeroso para ambos os lados.

para tornar esse processo prazeroso para ambos os lados. Sugestões de Leitura O trabalho em pequenos

Sugestões de Leitura

O trabalho em pequenos grupos na

sala de aula, de Joan Bonalds. Porto Alegre, Artmed, 2003.

Dinâmicas em sala de aula: para to-

dos níveis de ensino, de Elaine Pereira Daroz, Recife, UFPE, 2012.

Prova: um momento privilegiado de

estudo, não um acerto de contas, de Vasco Pedro Moretto. Rio de Janeiro:

Lamparina, 2007.

Para a reunião de professores

Que tal dividir os professores em pequenos grupos e aprofundar os aspectos sugeridos pela autora? Seria possível traçar algumas ações a curto e médio prazo que poderiam ser implementadas em nossa escola, buscando contribuir com a educa- ção dos adolescentes. Cada grupo pode sugerir ações e responsáveis para que tenhamos resultados efi- cazes, a partir da divisão de tarefas entre professores, gestores e alunos.

para que tenhamos resultados efi - cazes, a partir da divisão de tarefas entre professores, gestores

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PAIS E FILHOS

Filhos e filhas são sempre pensados às sombras de seus pais. Por isso, ouvimos as metáforas “Filho de peixe, peixinho é”, que ultrapassam gerações, por muitas décadas. Os ditados populares, na verdade, expõem o tema: a família e os (des) caminhos da transgeracionalidade. O que isso significa?

Marta Bellini,

doutora em psicologia social, docente na Universidade Estadual de Maringá, PR. E-mail: martabellini@uol.com.br

Transgeracionalidade é uma noção definida como a transmissão de valores, de padrões de com- portamentos que passam de geração a geração. Em outras palavras, podemos pensar na ideia, também popular, “vem de berço”. O que vem do berço, meta- foricamente falando? São os modos como falamos, 8 como agimos, como vestimos, como vemos o outro. Assim, se um pai cria seu filho de maneira machista, desvalorizando as mulheres da família e as de fora, seu filho fará isso também. Bem, até quanto isso é verdade? Nem sempre: o filho poderá ser muito di- ferente do pai. O filho de um pai machista não está fadado a ser outro peixe machista. Filho de peixe não é peixe. É uma pessoa que tomará a mãe, o pai, os avós como referência para sua construção, mas será sempre uma outra pessoa, será original.

Laços familiares

Ocorre que, mesmo sendo uma pessoa inco- mum, diferente de nossos pais, em família vivencia- mos um pouco de tudo: valores, segredos, crenças, lealdades invisíveis, preferências por alguém, mitos, enfim, laços de vários tipos; às vezes, nós difíceis de serem desfeitos ou compreendidos. Herdamos não somente traços biológicos, mas também os traços ou laços da família. São heranças que, algumas ve- zes, tornamos negativas em nosso processo de viver. Temos que pensar, então, o que é uma família. Neste breve texto, vou tomá-la como um grupo de pessoas com laços afetivos que têm uma história de vida. Ou seja, têm uma dinâmica que pode ser vista

Com base na leitura do artigo e das experiências vividas por você em sua família,
Com base na leitura do artigo e das
experiências vividas por você em sua
família, redija um texto dissertativo-
-argumentativo, em norma culta, sobre o
tema As tramas da transgeracionalidade na
formação de valores. Selecione e organize
de forma clara os argumentos para defen-
der seus pontos de vista. Você tem cerca
de uma hora para elaborar a redação.
Você tem cerca de uma hora para elaborar a redação. Família e transgeracionalidade O que herdamos

Família e transgeracionalidade

O que herdamos de nossos parentes?

Família Martinez – Marina Avila/freeimages.com

Família Martinez – Marina Avila/freeimages.com

pelas histórias que nos contam os avós ou que nós contamos a filhos e filhas. Mudamos de lugar porque imigramos, buscamos novas chances de emprego; muitas vezes um pai abandona sua fa- mília, uma mãe cria seus filhos sozinha. Um casamento se desfaz, outro se refaz. O padrão de permanência nesse movimento de instabilidade são os laços de amor, de afeição. Nós sabemos que pertencemos a algum grupo e que, aí, temos acolhimento.

Rituais de passagem

O nosso movimento com a família está no tempo, na nossa história, e é também a nossa experiência sensorial, intelectual, espiritual do mundo. Boas ou más, as experiências, no fundo, são sempre aqueles rituais de passagem para nos tornarmos humanos. Pensando

em Walter Benjamin, a infância é o país das descobertas. Descobertas das ruas, dos brinquedos, dos cheiros, das cores, das aventuras, dos destinos familiares desconhecidos. Herdamos isso, e não

é pouco. Adultos, vamos repetir essas

histórias com nossas famílias; no caso,

é uma representação recriada. E, assim,

repassamos aos descendentes a história cultural e pessoal dos antepassados. Rimos, choramos e perpetuamos as his- tórias de nossos parentes. Entretanto muitos de nós detemo- -nos nas amarrações da vida em família. Uma mãe que foi abandonada pelos parentes e pelo marido, e que jamais

esqueceu seu sofrimento, é capaz de manter o ódio e a desesperança nas gerações futuras. Uma filha aos 50 anos ainda poderá chorar a preferência da irmã mais velha; um filho de 40 anos se droga para falar aquilo que não disse ao seu pai aos seis anos de idade. Também ficamos em volta das do- enças da tradição da família. Muitas vezes, tomamos, inconscientemente, esse legado psicológico dos desafetos e não nos desatamos dele porque são amparos defensivos para nossa vida. Nesse senti- do, sem saber, somos mantidos pelo ódio aos pais, a nós mesmos e aos outros. Conhecer as tramas da transgera- cionalidade importa para desvelar a tes- situra das dores, dos sofrimentos e sair dos psiquismos da família. É possível. Nesses casos, é possível sair da zona de estacamento e da exaustão, para cons- tituir outras experiências que também serão passadas adiante.

outras experiências que também serão passadas adiante. Sugestões de Leitura A criança, o brinquedo e a

Sugestões de Leitura

A criança, o brinquedo e a educação, de Walter Benjamin. São Paulo: Editora Summus, 1984. Transgeracionalidade, um olhar sistêmico, de Clariana Palmieri Brandão Alba. Disponível em: http://bit.ly/transgeracional

A força do legado transgeracional numa

família, de Maria Emília Sousa Almeida. Revista Psicologia: Teoria e Prática, 2008. Disponível em: http://bit.ly/legado- transgeracional

2008. Disponível em: http://bit.ly/legado- transgeracional Ser Fraterno: um compromisso com paz! fevereiro . 2015

Ser Fraterno: um compromisso com paz!

fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br

Reprodução: Rede Globo de Televisão

SEXUALIDADE

De tempos para cá, a presença de personagens homossexuais em novelas tornou-se comum no Brasil. Apesar disso, as representações dos personagens não heterossexuais apontam para uma perigosa relação entre os discursos midiáticos e o imaginário social formulado por tais atuações.

A homossexualidade nas telenovelas

Júlio César Sanches,

jornalista, mestrando em Comunicação na Universidade Federal Fluminense (UFF), Niterói, RJ. E-mail: sanches.julius@gmail.com

Pesquisadores da área dos estudos de gênero indicam uma forte presença do fenômeno de heterossexualização de perso- nagens que não são heteros- sexuais. Desse modo, segundo os teóricos, o modelo de repre- sentação de personagens não heterossexuais estaria cami- nhando para a consolidação de uma imagem classificada como heteronormativa. Entendendo que a hetero- normatividade se sustenta na aplicação de vivências heteros- sexuais como uma norma a ser seguida, identificamos que as representações de personagens não heterossexuais nas teleno- velas brasileiras estão completa- mente alinhadas com o universo heteronormativo. Nas narrativas dos últimos anos, toda e qual- quer situação em que as homos- sexualidades são representadas trazem à baila esse teor.

Controle dos corpos

A aceitação desses persona- gens não heterossexuais se dá pela via da identificação de nor- malidade desses sujeitos, seja pela adoção de crianças, pelo casamento, pela constituição de família ou pela estética aceitá- vel (com indumentária e gestos regulados). Os personagens vão se enquadrando cada vez mais em um circuito que apaga as di- ferenças entre ser heterossexual e ser homossexual. De modo geral, as homos- sexualidades representadas nas telenovelas brasileiras eviden- ciam um horizonte de controle dos corpos não heterossexu- ais. Para serem aceitos pela audiência e inclusos em um

fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br

e inclusos em um fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br ordenamento social, os perso- nagens homossexuais replicam

ordenamento social, os perso- nagens homossexuais replicam os valores de uma sociedade em que a heterossexualidade

é a norma. Além disso, eles

submetem-se ao apagamento de toda estética não heterossexual. Sem afetações, os homossexuais representados fingem ser pes- soas comuns à realidade de uma sociedade que está disposta a ver na TV apenas o modelo de sexualidade heteronormativa. O conflito gerado pela pos- sível exibição de um beijo gay, por exemplo, desenvolveu um levante das alas mais conserva- doras da sociedade brasileira. Alguns personagens típicos da política nacional, assim como lí- deres religiosos extremistas, ini- ciaram uma verdadeira batalha contra a veiculação de uma ima- gem de afeto entre pessoas do mesmo sexo na telenovela Amor à vida. Em certa medida, esse é um dos aspectos que evidenciam as disputas que acontecem em torno dessas representações.

Homofobia disfarçada

Caso estejam alinhados com

a moralidade hegemônica da

sociedade, os personagens ho- mossexuais podem ser aceitos. Entretanto essa aceitação/inclu-

são revela o quanto é perversa a forma como as homossexu- alidades são representadas na teledramaturgia. Há uma nítida

manipulação das forças sociais atuando diretamente nessas representações, ditando exata- mente os limites morais aceitos pela maioria dos expectadores. Ampliando essa questão, po- demos considerar que existe uma homofobia pulsando nesse processo de visibilidade dos personagens homossexuais nas novelas brasileiras. Compreendendo que a hete- ronormatividade está presente nas telenovelas, a indagação que devemos fazer a partir de

nas telenovelas, a indagação que devemos fazer a partir de Sugestões de Leitura Um corpo estranho:

Sugestões de Leitura

Um corpo estranho: ensaio sobre sexualidade e Teoria

Queer, de Guacira Lopes Louro. Autêntica Editora, 2004.

Documentos de identidade:

uma introdução às teorias do

currículo, de Tomaz Tadeu da Silva. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2010.

Tadeu da Silva. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2010. Sugestão de Vídeo Web aula produzida para a

Sugestão de Vídeo

Web aula produzida

para a disciplina de Teorias de Currículo, ministrada por Shirley Sales, da UFMG: http://youtu.

be/-e9cyqjVbjA

Ser Fraterno: um compromisso com paz!

agora é a seguinte: de que modo essas representações de perso- nagens não heterossexuais na TV brasileira dialogam com a sociedade? E que características das homossexualidades estão sendo violadas pela heteronor- matividade reiterada nessas representações? Partindo desses questiona- mentos, poderemos identificar um cenário perigoso e cruel para aqueles sujeitos cuja se- xualidade não é bem vista em nossa sociedade. Talvez essas perguntas nos ajudem a perce- ber por que o Brasil é um dos países mais homofóbicos do mundo. Da violência simbólica das telas para a violência corporal das ruas, existe um conjunto de poderes controlando os corpos, as sexualidades e decidindo quem pode viver e como deve viver.

Reunião de professores

Currículo escolar

e sexualidade

Entender heterossexuali- dade, bissexualidade e de- mais questões de gênero é fundamental em nossa for- mação como professoras(es). Além da compreensão bio- lógica ou cultural, estudar esse tema nos orienta à ga- rantia dos direitos humanos e à superação de todas as formas de preconceito. Após ler o texto e assistir ao vídeo indicado, debata com os professores, bus- cando compreender: o que pensamos sobre as diferen- ças de gênero? Quais são os preconceitos que temos? Em nossa escola, em que momentos reafirmamos a heteronormatividade? Em quais atividades podemos promover a diversidade de gênero no currículo?

momentos reafirmamos a heteronormatividade? Em quais atividades podemos promover a diversidade de gênero no currículo? 9

9

MAFALDA

SOCIOLOGIA

A sociedade da informação, traz no seu bojo histórico o contínuo processo de rupturas e mudanças, passando a adotar técnicas específicas para transmitir conteúdos que reconfigurem novas formas de convivências sociais.

Claudionor Pereira de Lima,

sociólogo e professor, São Paulo, SP. E-mail: dionoclau@yahoo.com.br

A universalização do ca- pitalismo, como modo de pro- 10 dução e processo civilizatório, adquire outros impulsos, com base em novas tecnologias e no uso excessivo da mídia e de seus dispositivos. Isso faz da

informação e da mídia elementos importantíssimos na elaboração

e na ressignificação de novas

subjetividades do nosso tempo e, consequentemente, de notáveis mudanças sociais, culturais, po- líticas e econômicas.

Indústria cultural

Theodor Adorno e Max Horkheim notificam que a cul- tura é um dos elementos deter- minantes para o uso do capita- lismo. No afã de cada vez mais resultados de “mais-valia”, há a massificação da cultura, fazendo com que passe a existir o prin- cípio da convivência midiática

para, a partir de então, alimentar

o sistema. Ainda segundo os autores, a indústria cultural, por meio do processo reprodutivo, tenta tor- nar todos os ouvintes iguais ao

reprodutivo, tenta tor- nar todos os ouvintes iguais ao Sugestões de Filmes Sociedade do Espetáculo

Sugestões de Filmes

Sociedade do Espetáculo

http://youtu.be/A4FAJsFqHe0

Além do Cidadão Kane

http://youtu.be/049U7TjOjSA

Um dia na vida de Eduardo Coutinho

http://youtu.be/j9vYJ74JGzg

dia na vida de Eduardo Coutinho http://youtu.be/j9vYJ74JGzg A informação, a mídia e as novas subjetividades Mafalda

A informação, a mídia e as novas subjetividades

A informação, a mídia e as novas subjetividades Mafalda – tira em quadrinhos desenhada pelo cartunista

Mafalda – tira em quadrinhos desenhada pelo cartunista argentino Quino entre 1964 e 1973 – é uma menina preocupada com a humanidade, a paz mundial e também com a indústria cultural. A partir da tira acima, discuta: a televisão pode ampliar nossa ignorância diante da vida? Quais programas contribuem para nos tornar alienados ou para abrir nossos olhos?

sujeitá-los, autoritariamente, aos idênticos programas de vários canais. E, ao fazer isso, esquema- tiza um mecanismo de padroni- zação para uma homogeneidade entre os sujeitos para agradá-los,

mas também para controlá-los. O capitalismo impõe, dessa forma, seu próprio ritmo frenético, le- vando o indivíduo, geralmente, a deixar de pensar e refletir sobre

o sistema ideológico que lhe é

imposto. Faz, então, com que os

valores sociais e a felicidade se- jam influenciados e condiciona- dos por essa cultura que atrofia

a capacidade de ser espontâneo, deixando de ser soberano em suas escolhas.

A Era Digital

John Thompson traz à tona a

necessidade de conhecer a eficá-

cia do poder simbólico e os im- pactos que os indivíduos venham

a ter mediante institucionaliza-

ções e consagrações simbólicas

de valores efêmeros criados pela

comunicação da mídia. Para tal interpelação, o autor

recorre ao contexto social do sé- culo 19, quando a comunicação

e a interação se davam face a

face, e existia maior conservação de valores, crenças e a presença entre os pares. Já na moderni- dade midiática as categorias de tempo e espaço são reconfigu-

radas de modo que as questões cronológica e espacial não são mais barreiras para a interação entre pessoas. Elas passam a viver sob o signo da teleimagem, onde tudo é instantâneo. Cria-se, assim, um instante sem passado e sem futuro, um agora mediático, muitas vezes, experiência local do indivíduo. Através da teleimagem mesclam-

-se a cultura e a ideologia de forma aparentemente inofensiva, porém sempre com um fim único:

impor uma cultura dominante por dispositivos simbólicos.

Isso pode ser mais bem en- tendido por meio da leitura da Sociedade do Espetáculo, obra de Guy Debord, na década de 1960, que aponta para uma so- ciedade imagética. Para Debord, os indivíduos abdicam da dura realidade dos acontecimentos da vida, passando a viver movidos

pelas aparências e pelo consumo permanente, dado o poder hip- nótico causado pelas imagens, as quais, em alguns graus, con- seguem deixar a pessoa passiva e aberta à aceitação dos valores impostos pelo capitalismo. Os

indivíduos integram-se e intera- gem por meio da comunicação imagética: se não houve regis- tro imagético ao público, então não é real ou não aconteceu. Entretanto muitos indivíduos

Ser Fraterno: um compromisso com a paz!

QUINO. Toda Mafalda. São Paulo: Martins Fontes, 2013, p. 372

não estão atentos que a mídia geralmente utiliza de suas infor- mações de forma manipuladora, mesmo quando o que é veiculado (parcial ou inteiro) tenha no cunho um peso de verdade. As questões trazidas por es- ses autores revelam que estamos diante de uma sociedade de ex- cessos de estímulos, causados pela tecnologia a serviço do ca- pitalismo, onde o virtual passa a ocupar o lugar do real. É inegável que o monopólio da informação e da mídia passa a ser desenha- do sobre os pressupostos da exclusão social, de tal forma que os excluídos são cada vez mais excluídos, e os privilegiados, mais privilegiados. E todos consentem com a dominação que uma cate- goria exerce sobre as outras.

Mamãe no Face Zeca Baleiro Mamãe, eu fiz o disco do ano E até mesmo
Mamãe no Face
Zeca Baleiro
Mamãe, eu fiz o disco do ano
E até mesmo Caetano
Parece que aprovou
Mamãe, eu sigo na minha rota
Veja só o Nelson Motta
Disse que o disco é show
Só falta que a Folha de São Paulo
Comece a incensá-lo
Dizer que eu sou o cara ( )
Zeca Baleiro satiriza a força da
mídia para consolidar o “su-
cesso” dos artistas. O que você
pensa sobre isso? Cite alguns
exemplos de influências cultu-
rais que acontecem conosco.
Veja o clipe da música por este link:
http://youtu.be/vs4IlPVX3cY

fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br

Arte de Marcio Gastaldo/MJ sobre fotos de Davide Guglielmo/freeimages.com

FILOSOFIA

Desde sua origem, a Filosofia possibilita ao ser humano o despertar da consciência para compreender sua realidade. As explicações dadas pelos mitos passaram a não ser suficientes, surgindo a necessidade de um pensar fundamentado na razão.

Como a Filosofia ajuda a pensar?

Isabel Cristina Costa Freire,

professora de Filosofia da Educação Básica e do Ensino Superior, especialista em Docência do Ensino Superior, Supervisão e Orientação, São Luís, MA. E-mail: filocoruja@yahoo.com.br

O despertar dessa consciência vem desde

o homem primitivo, que no primeiro momento

encontrou-se numa análise intuitiva e, gradativa- mente, foi passando a naturalista, com os primeiros pensadores na busca pelo elemento constitutivo em caráter contemplativo. Já o período clássico eviden- cia o ser humano procurando fundamentos para as suas inquietações sobre sua própria essência. Neste cenário, relembremos Sócrates (469-399 a.C.) e seus ensinamentos pelo diálogo, utilizando o

método de ironia (formulações de perguntas) e mai- êutica (parturiente de ideias) numa forma humilde

de reconhecimento da ignorância como busca cons-

tante da verdade. Esse método faz pensar que não devemos ficar presos a ideias prontas e acabadas.

O encanto do pensar

Em Platão (427-347 a.C.), vamos encontrar o seguinte esclarecimento: a Filosofia é um saber que se dá por meio do intelecto, e é próprio dos

filósofos que conseguem libertar a alma do cárcere corpóreo para a compreensão do eterno e imutável.

E Aristóteles (384-322 a.C.) ressalta: “pela admira-

são levados a filosofar, ficando

primeiramente maravilhados pelos problemas”. A propósito, os pensamentos dos clássicos Platão e Aristóteles foram aproveitados pelos filósofos e teólogos cristãos do período medieval, traçando o domínio da ciência humana nos traços divinos, em que o ato do conhecer está no interior humano. Já na Modernidade, os filósofos encontraram- -se emancipados da autoridade divina, rejeitando a tradição. Mas buscaram compreender as mudanças dessa época em várias situações. Podemos apontar alguns filósofos, entre eles Descartes, na discussão do it, destacando a primeira intuição diante da ideia clara e distinta numa reconstrução do saber. Kant, com sua filosofia crítica, tentou a síntese compre- ensiva desse período. No seu pensamento referente à Filosofia, evidencia que “é, pois, um sistema de todo conhecimento filosófico”, e assim existe a possibilidade de aprender a filosofar exercitando o talento da razão, que direciona ao refletir, analisar e fazer críticas a esses sistemas. Marx nos faz refletir sobre a transformação da realidade, natural à realidade social na conjugação da teoria e práxis com o intuito de desenvolver uma reflexão contextual. Por outro lado, o período

ção, os homens (

)

fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br

ção, os homens ( ) fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br pós-moderno é marcado pela reação às linhas

pós-moderno é marcado pela reação às linhas anteriores, objetivando pensar na “demissão” da Filosofia na função própria e secular da metafísica. Outra característica é que coloca a pensar na Filosofia como desconstrução, para a construção de conceitos, numa articula- ção ao pensar dos espíritos livres.

Filosofia e educação

Para Saviani (1980), a tarefa da Fi- losofia na educação é de uma reflexão radical, rigorosa e de conjunto sobre os problemas que a realidade educacional apresenta. Por certo, o ser humano tem que ser o filósofo reflexivo, buscando elementos que se encontram na raiz d determinado problema, compreendendo os reais motivos num certo rigor, saindo das ilusões do senso comum, pautando- -se numa visão totalizante da realidade. Diante do exposto, surge a necessi- dade de analisarmos a ressignificação da Filosofia na contemporaneidade. Wonsovicz (2005) ressalta que “a Filo- sofia na escola, dentro de uma didática filosófica que começa com crianças e continua com adolescentes e jovens, é um saber sobre o homem e a realidade, sobre o mundo para compreendê-lo e transformá-lo”. Essa transformação é possível quando se estabelece a cons- ciência ativa da realidade, interferindo com o pensar, deixando sua marca de melhoria com suas ações sábias, tendo a consciência de si, do outro e do mundo.

Ser fraterno: um compromisso com a paz!

Portanto o pensar proposto pela Filo- sofia é dinâmico, pois leva a uma postura de investigação, compreensão, tomada de decisão frente a argumentos criteriosos, desenvolvendo as habilidades de raciocí- nio, contextualizando socioculturalmente seus conhecimentos. Além disso, por pensar de modo totalizante, se articula com outras áreas de conhecimento.

totalizante, se articula com outras áreas de conhecimento. Sugestões de Leitura T extos básicos de Filosofia

Sugestões de Leitura

Textos básicos de Filosofia, de Danilo Mar- condes. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.

Educação: do senso comum à consciência

filosófica, de Demerval Saviani. São Paulo:

Cortez, 1980.

Programa Educar para o pensar: filosofia com

crianças, adolescentes e jovens. v. 3, de Silvio Wonsovicz. Florianópolis: Sophos, 2005.

Questões para Debate

1 - Por que o pensar é importante em nossas vidas?

2 - Pesquise mais sobre o método

filosófico de Sócrates, partindo da realidade e formulando perguntas que ajudem a pensar

o contexto que vivemos.

3 - Como o pensar pode se tornar um encanto e não um peso?

E como pode se tornar um

instrumento de transformação da realidade?

pode se tornar um encanto e não um peso? E como pode se tornar um instrumento

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Arquivo pessoal

ENSINO RELIGIOSO

Entrevista: Douglas Belchior

A paz que eu quero:

com justiça e igualdade!

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Buscar incessantemente a paz. Dizer, gritar, viver a paz é tarefa e missão de todos e de cada um de nós. É assim que construímos a Cultura da Paz, o único e efetivo antídoto à cultura da violência, tão presente em nossa sociedade. Nesse sentido, construir relações mais fraternas e solidárias, especialmente com as pessoas que mais precisam de cuidado e atenção, é caminho possível e urgente para que chegue a paz tão sonhada. Conversamos sobre esse tema com Douglas Belchior, professor da rede pública de São Paulo e dos cursinhos populares da UNEafro Brasil, que nos desafia a falar e expressar as violências sofridas, para superá-las em busca da paz.

E-mail: negrobelchior@gmail.com

em busca da paz. E-mail: negrobelchior@gmail.com Como você avalia o contexto atual no Brasil? Os desafios

Como você avalia o contexto atual no Brasil? Os desafios são imensos, pois, assim como outrora, o país continua dominado por alguns

setores, como é o caso do agronegócio, do setor bancário, dos meios de comunicação nas mãos de meia dúzia de famílias, da especula- ção imobiliária, dos interesses das

megacorporações internacionais. O

capital continua fortalecido. O Brasil

é um grande campo de consumo, o

que é muito bom para os grandes empresários. O Brasil é um grande

produtor agrícola, mas essa riqueza

e essas terras estão nas mãos dos

mesmos latifundiários de sempre e dos novos latifundiários a partir do agronegócio. Então, a estrutura não mudou. A desigualdade hoje está ofuscada por um período em que a

economia melhorou, em que há uma condição de emprego um pouco melhor, mas isso em médio e longo prazo não nos oferece expectativas positivas. Nós precisamos, então, dialogar com essa realidade em que parece não haver conflito, não haver grandes problemas sociais, mas sabemos que isso pode trazer resulta- dos ruins e conflituosos.

cia e a da resistência, nos acompanha,

uma vez que diante da violência, muitas vezes, a mesma violência aparece como única opção de defesa. Esse caldo de cultura influenciou na formação dos valores da sociedade, na conformação de valores

religiosos, chegando até

a base familiar, mas a vio- lência sempre foi instru- mento de ação e prática dos grupos que se manti- veram no poder. E não se trata apenas de violência convencional, física. Falo de todas as formas de vio- lência, todas as formas de se oprimir e impor von-

tades a partir da coerção,

do poder econômico, da violência de gênero ou da heteronormatividade e, principal- mente, no caso brasileiro, do racismo.

“Como nos lembra

a canção, ‘Paz sem voz não é paz. É medo!’ É preciso falar. É preciso ouvir. É preciso que todas as vozes ecoem e que,

sobretudo, as vozes se entendam e organizem a palavra

e a ação coletiva.”

O que leva a sociedade a ser violen- ta? Que fatores promovem a cultura da violência? Como já disse, somos fruto de uma cultura de violência, de uma cultura penal. De nossos 514 anos de história pós-invasão, 388 anos foram sob a égide de um sistema de escravidão, onde o uso da violência era pressuposto fun- damental. Após a abolição, vivemos dois períodos de ditaduras, momentos em que mais uma vez a opinião coletiva foi

Nosso modo de viver é agressivo e violento? Como a violência se manifesta em nosso cotidiano? A história de formação do Brasil, desde a inva- são europeia, relaciona violência e resistência. É a história do genocídio indígena, do genocídio negro continuado, como ainda hoje vemos. Ao mesmo tempo é também a história da resistência desses povos a toda opressão. Essa memória, a da violên-

desses povos a toda opressão. Essa memória, a da violên- Ser fraterno: um compromisso com a

Ser fraterno: um compromisso com a paz!

drasticamente influenciada por valores que justificam a violência a partir de determinados padrões morais. Nos curtos períodos de democracia, como o que vivemos hoje, o Estado ins- titucionalizou a violência e, com o uso do aparato de mídia, reafirma valores penais muito mais próximos da vingan- ça do que da justiça. De maneira que é muito difícil, mesmo para os pequenos conflitos sociais, imaginar soluções que não passem pela ideia de penalização, no lugar de reeducação. Uma sociedade que elege o consumo como ponto máximo da vida, mas que ao mesmo tempo não proporciona opor- tunidades iguais para se alcançar tais desejos, cria o ambiente de disputa desi- gual, de opressão pela chegada ao resul- tado e, consequentemente, de violências.

Como promover a cultura da paz nos espaços onde vivemos? Como nos lembra a canção do Rappa, “Paz sem voz não é paz. É medo!”. É pre- ciso falar. É preciso ouvir. É preciso que todas as vozes ecoem e que, sobretudo, as vozes se entendam e organizem a pa- lavra e a ação coletiva. É preciso diálogo em torno do que gera as desigualdades, e jamais se limitar apenas às compensa- ções. É preciso tratar e amenizar a dor, mas é necessário curar a doença. A orga- nização e a prática da educação popular são estratégias importantíssimas para essa tarefa.

fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br

Como as instituições, especialmen-

de pessoas que vivem o mundo e são

te as religiões, podem contribuir na promoção de uma cultura da paz? Religiões mobilizam o povo, es- pecialmente o povo mais frágil, mais dolorido pelas injustiças do mundo.

influenciadas por ele. De maneira que

contexto social que cerca a escola

no qual estão inseridos estudantes, professores e funcionários é uma das chaves para compreender seu

e

o

Independente da deno- minação e da origem de fé, todas elas são

 

funcionamento. Antes ainda, a escola é um

 

“O contexto

aparelho do Estado, e não só o prédio e a es- trutura, mas a proposta didático-pedagógica e a política educacional são elementos funda- mentais para a prática de qualquer projeto. Infelizmente, não há por parte do Estado

expressão da cultura

social que cerca a

e

da crença do povo.

escola e no qual estão inseridos

Tanto poder colocado

a

serviço do interes-

estudantes, professores e funcionários é uma das chaves para compreender seu funcionamento.”

se coletivo sempre traz vitórias e faz avançar direitos sociais. Vive- mos um momento rico desse exemplo, como

   

as posições progressis- tas do Papa Francisco. Quando a Igreja se dedica, em sua prática e em seu discurso, às cau- sas populares, está se colocando a

serviço da paz, que acreditamos ser

brasileiro políticas pú- blicas suficientes para que todas as escolas públicas sejam espaços qualificados de educação, de reflexão, de fomento da diversi- dade, do respeito às diferenças e,

o mais saboroso fruto da justiça.

Que ações e iniciativas estão acon- tecendo no meio juvenil como formas de canalizar a agressividade e promo- ver a paz? Em todo país surgem, a cada momento, novos grupos e espaços de discussão sobre como construir um mundo melhor para se viver:

saraus, cursinhos populares, grupos de discussão, grupos teatrais e de danças, posses de hip-hop, fluxos de funk. Aqueles que se dedicam à luta por justiça social precisam vivenciar esses espaços. A importância da educação, o respeito à diversidade étnico-racial, religiosa e cultural, o combate ao racismo e à violência do Estado, a preocupação com o meio ambiente, o papel fundamental das mulheres na dinâmica social e seu di-

reito ao corpo e à vida, a importância da participação política, todos esses são temas que mobilizam a juventude

e que, quando provocados dentro do

contexto, propiciam ambientes em que as potencialidades e a energia (e não agressividade) se transformam em ações propositivas e mobilizações importantes para a sociedade.

Como a escola pode educar alunos e professores para uma cultura da paz? Antes de qualquer coisa, a escola

é um ambiente de convívio coletivo

consequentemente, de uma Cultura de Paz. As iniciativas quase sempre dependem de ações individuais e/ ou de grupos que, por sua conta, as promovem. Daí uma vez mais a im- portância da mobilização popular, no sentido de cobrar que os poucos avanços conquistados em forma de leis e direitos se efetivem na prática.

Nesse sentido, as lutas políticas,

como as manifestações dos jovens, em junho de 2013, são importantes? As mobilizações de junho abri- ram uma brecha para recuperarmos

o valor da política, como busca da

felicidade coletiva. Então penso que

a juventude brasileira, como é da

própria natureza da juventude, de contestação, percebe o seu ambien- te, percebe que há problemas e se volta contra esse poder estabelecido. Porém nós corremos o risco dessa

energia revolucionária própria da ju- ventude ser capitalizada com valores

conservadores. Então nós precisa- mos aproveitar esse momento em que

a população está mais sensível ao

debate político e usar as estruturas, tanto da Igreja como da sociedade, para organizar as pessoas do ponto de vista das lutas progressistas, de avanço das causas populares, de resistência e luta por dignidade do povo que sempre foi excluído, como

os indígenas e negros.

Religiões e a luta por justiça social

Na sociedade brasileira, a Igreja Católica e ou- tras igrejas cristãs têm um papel muito importante, de demarcação de espaço, um papel político em determinados momentos e um papel de agregação social. Não se pode falar que as igrejas como um todo sempre tiveram um papel em favor da justiça, mas nos dias de hoje elas têm muito a dizer para a so- ciedade, no sentido de alertar para valores que são cristãos, e ao mesmo tempo são valores da demo- cracia, como a justiça social e a solidariedade. Principalmente a Igreja Católica, que sempre foi oficial e dominante, mas também outras igrejas cristãs estão tendo uma oportunidade de ganhar novas adesões, inclusive de quem já está presente na própria igreja. Transformar a religião também numa questão de pertencimento, de escolha, não apenas de cultura de transmissão intergeracional da religião. O que para muitas pessoas pode causar pre- ocupação pode fortalecer uma igreja, ela ter essa possibilidade de viver num contexto de diversidade religiosa. E também estão chamadas a entender o que se entende realmente por ecumenismo. É diferente ter um ecumenismo onde há um polo dominante tão evidente, e ter um diálogo religioso onde existem vários polos. Esse é o desafio do mo- mento atual: construir um diálogo religioso, com uma perspectiva ecumênica, a partir dos valores das igrejas com vários centros, e não apenas um centro que propõe as regras e os termos do que sempre se chamou de ecumenismo, e hoje procuramos chamar de diálogo inter-religioso. A ação e o compromisso são muito impor- tantes. Se diz que o jovem é o grande porta-voz das mudanças na sociedade. Uma pessoa que sai da proteção da família e começa a crescer passa a experimentar, a construir sua identidade, tem uma chance de se ligar no mundo, de crescer, de olhar em torno. Quem trabalha com a juventude tem a ideia de que a juventude é muito propícia à partici- pação. Porém não se pode colocar tudo nas costas dos jovens, porque eles refletem a sociedade, que tem pouco grau de participação. Mas a juventude tem essa força e possibilidade que não se encontra em outras faixas etárias. A juventude é o espelho re- trovisor, pois o que acontece na sociedade acontece na juventude. Embora eu acredite que podemos ter uma visão mais promissora da juventude, por conta deste ciclo que ela vive.

Regina Novaes, antropóloga, Rio de Janeiro, RJ. E-mail: novaes-regina@uol.com.br

fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br

Ser Fraterno: um compromisso com a paz!

RJ. E-mail: novaes-regina@uol.com.br fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br Ser Fraterno: um compromisso com a paz! 13

13

ESPECIAL

Diante de tantas absurdas violências que nos últimos tempos vemos no noticiário internacional, é compreensível que o mundo inteiro tenha se maravilhado com a notícia de que o Prêmio Nobel da Paz foi concedido a duas pessoas, sendo uma delas a jovem paquistanesa de 16 anos, Malala Yousafzai.

Maria Clara Lucchetti Bingemer,

professora do Departamento de 14 Teologia da PUC-Rio, RJ. E-mail: agape@puc-rio.br

O mérito de Malala é a luta incessante contra o trabalho

infantil, a violência de gênero

e tudo que constitui obstáculo

à educação, sobretudo para as

mulheres. Ao pronunciar-se à imprensa internacional sobre o prêmio, abriu o peito e os lábios com segurança e, ao mesmo tempo, com o frescor da idade na delicada voz. E disse a frase memorável: “Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo. Educa- ção é a solução”.

caneta podem mudar o mundo. Educa- ção é a solução”. Sugestões de Leitura Eu sou Malala:

Sugestões de Leitura

Eu sou Malala: a história da garota que defendeu o direito à

educação e foi baleada pelo Talibã, de Malala Yousafzai e Christina Lamb. Companhia das Letras.

Malala: a menina mais corajosa do mundo, de Viviane Mazza. Agir.

a menina mais corajosa do mundo , de Viviane Mazza. Agir. Sugestão de Site Fundação Malala

Sugestão de Site

Fundação Malala Yousafzai:

www.malala.org.br

de Site Fundação Malala Yousafzai: www.malala.org.br No site do Mundo Jovem Assista ao discurso que Malala

No site do Mundo Jovem

Assista ao discurso que Malala Yousafzai proferiu durante conferência na ONU. Pode ser acessado em nosso site, na edição de fevereiro de 2015, por este link: www.mundojovem. com.br/edicoes

de 2015, por este link: www.mundojovem. com.br/edicoes Malala: jovem, mulher e educadora para a paz Trunk

Malala: jovem, mulher e educadora para a paz

Trunk Archive
Trunk Archive

Que ninguém se iluda, porém. A história de Malala não foi uma

tranquilidade, como

a de muitas jovens de 16 anos nos dias de

hoje. Vivendo em um país violento e dividi- do, onde movimentos políticos usam a força para ate- morizar e oprimir, desde cedo se rebelou contra esse estado de coisas e viu o conflito transferir- -se para sua vida pessoal.

“A praça! A praça é do povo como o céu é do

condor. É o antro onde a liberdade cria águias em

seu calor!”

Castro Alves

A violência armada do talibã não esperou para desfechar-se so- bre ela. Em 2012, foi vítima de um atenta- do quando voltava da escola, desafiando a norma estabelecida.

No ônibus que a levava para casa, recebeu um tiro na cabeça. Foi internada em estado grave, correndo risco de não sobreviver. Aos que lhe perguntaram

como reagiria a seus agressores,

o que faria se a atacassem de

novo, sua resposta surpreendeu

o mundo: “Não se deve lutar com

crueldade e violência, mas com diálogo, paz e educação”. Mais ainda: preocupada em abrir o coração e a mente de seus agressores, disse que seu objetivo era mostrar como seria importante que eles tivessem o direito e a possibilidade de dar educação aos filhos deles. Sua esperança era que entendessem que este era o motivo de seus protestos e sua atuação política. O Prêmio Nobel da Paz é, portanto, mais do que justo re- conhecimento da estatura moral dessa menina, essa jovem mulher que engrandece a humanidade. Tomara que todos possamos

Coragem e ousadia

Desde os 13 anos, Malala atua como ativista em favor do direito à educação das mulheres, especialmente àquelas que o re- gime talibã proíbe de ir à escola. Começou a ter visibilidade e notoriedade escrevendo em um blog da BBC (canal internacional de notícias) sob pseudônimo, de- nunciando a violência do regime. Junto com o pai, participou de um documentário intitulado Perda de aulas: a morte da educação da mulher. Pretendia chamar a aten- ção da opinião pública sobre as dificuldades que enfrentavam as mulheres para poder ir à aula nas zonas ocupadas pelo talibã. Ma- lala defende o que considera um direito das mulheres: educar-se.

Ser fraterno: um compromisso com a paz!

aprender com ela – nesse sen- tido, muito sintonizada com o grande Papa Paulo VI –, que a paz só pode ser fruto da justiça e da educação. Siga em frente, Malala. Te acompanhamos com carinho e admiração. E que Deus a proteja!

Atividade

“A praça é do povo como o céu é do condor”

O trecho do poema O povo ao poder, de Castro Alves, inspira nossa atividade. Leve

os estudantes a uma praça e organize-os em roda, de forma confortável. A seguir, peça que leiam o texto sobre Malala e busque saber as opi- niões dos jovens sobre ela e a luta por direitos iguais entre homens e mulheres. Algumas questões sugeridas:

1 - Por que Malala é um exemplo de vida?

2 - A coragem de Malala pode nos inspirar a sermos jovens mais solidários que lutam por um mundo melhor? De que forma?

3 - Como são as relações entre homens e mulheres em nosso país?

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DIVERSIDADE CULTURAL

No Sistema Nacional de Cultura (SNC), a promoção das políticas culturais é desenvolvida de forma sistêmica e compartilhada entre os entes federados, como em outros sistemas de articulação de políticas públicas, a exemplo do SUS.

Cidadania cultural e diversidade

João Pontes,

diretor de Cidadania e Diversidade Cultural da Secretaria de Cultura do Rio Grande do Sul, cientista social e mestrando em Sociologia (UFRGS). E-mail: joaoppontes@gmail.com

Nos últimos anos, o governo brasileiro passou

a reconhecer que o acesso aos meios de criação,

produção, circulação, fruição, formação, memória, pesquisa, informação e comunicação de bens e serviços culturais é um direito social básico, como determinam a Constituição Federal e inúmeras con- venções internacionais, como a da Unesco. Como contraparte ao direito dos cidadãos e das cidadãs, o papel do Estado não é de fazer ou levar cultura, mas justamente o de garantir as condições de acesso a esses meios, reconhecendo a pluralidade de culturas e potencializando a criação e a amplia- ção de redes colaborativas e de compartilhamento entre essas diferentes culturas.

Autonomia

Acima de tudo, não compete ao Estado deter- minar o que deve ou não ser produzido no campo

da cultura: pelo contrário, as políticas culturais no Brasil vêm sendo marcadas pela garantia e pela promoção da autonomia. Com liberdade de criação

e expressão, as políticas culturais colaboram com

a construção de sujeitos sociais autônomos, com

capacidades de reflexão, crítica, criatividade e alte- ridade. Ao potencializar principalmente os processos de criação, produção e formação, opera-se a desco- lonização da cultura: descolonização dos fluxos in- ternacionais unilaterais (e a hegemonia das culturas norte-americanas e europeias, inclusive fortalecen- do uma cultura de integração desde o Sul mundial, de uma América Latina unida e soberana), dos fluxos nacionais (centrados no eixo Rio-São Paulo), desco- lonização do corpo e da mente, descolonização por parte de poucos(as) sobre outros(as). Todos e todas são seres culturais, são sujeitos e sujeitas da história. As políticas culturais passaram a ser vistas em sua tridimensionalidade: cidadã (tendo em vista que se trata de um direito social básico), estética (como potencializadora de processos simbólicos) e econô- mica (na medida em que lidam com o mundo do tra- balho, com a mobilização de recursos, a movimenta- ção de cadeias produtivas, a geração de renda etc.).

Visão sistêmica

A estrutura institucional vem se organizando de acordo com as diferentes necessidades sociais, buscando dialogar com as inúmeras singularidades que compõem o campo da produção cultural. Assim

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Leandro Melito/Portal EBC
Leandro Melito/Portal EBC

entendem-se as políticas culturais de forma sistêmica: envolvendo um conjun- to de atores e instituições (a sociedade, os entes federativos e os três poderes), com atribuições e direitos singulares, em uma rede articulada, orientada por planos que estruturam diretrizes e de- safios democráticos e participativos, e criam fundos interligados entre os entes federativos (governo federal, estadual e municipal). É possível considerar que as políti- cas culturais estão no extremo oposto às políticas de saúde. O SNC, nas pa- lavras da ex-ministra Marta Suplicy, é “a certidão de nascimento das políticas culturais” e data pouco mais de um ano de aprovação pelo Congresso. A maioria de estados e municípios sequer contam com os seus planos; e o acesso aos bens e serviços culturais está longe de ser reconhecido como direito pela maioria da população. Diante disso, temos três grandes desafios: a construção da consciência dos direitos (cidadania cultural); a cons- trução de desenhos institucionais que compreendam os diferentes níveis de necessidades e demandas socioculturais, esferas de participação e atribuições es- tatais (a criação e o detalhamento/apro- fundamento dos sistemas de cultura); e, para depois, a sua plena efetivação. Por fim, o processo de garantia dos direitos culturais passa pela ampliação do orçamento (o Fundo Nacional de

Ser Fraterno: um compromisso com a paz!

Cultura); democratização da gestão (com participação popular, a exemplo dos colegiados setoriais, das conferências, do Conselho Nacional de Políticas Cul- turais, da Comissão Nacional de Pontos de Cultura etc.); e um planejamento que ultrapassa as gestões governamentais, indicando diagnósticos, desafios, di- retrizes e metas para o projeto de país que queremos nos próximos 10 anos (o Plano Nacional de Cultura). Estes ele- mentos são os pilares de estruturação do Sistema Nacional de Cultura.

os pilares de estruturação do Sistema Nacional de Cultura. Sugestão de Site Ministério da Cultura /

Sugestão de Site

Ministério da Cultura / Sistema Nacional de Cultura: www.cultura.gov.br/snc

/ Sistema Nacional de Cultura: www.cultura.gov.br/snc Sugestão de Vídeo Conheça mais sobre o Sistema Nacional

Sugestão de Vídeo

Conheça mais sobre o Sistema Nacional de Cultura: http://bit.ly/painel-SNC

Questões para Debate

1 - Por que devemos encarar também a cultura como um direito da cidadania?

2 - Por que há a necessidade de uma “descolonização da cultura”?

3 - Como reconhecer, valorizar e promover a diversidade cultural brasileira? Como fazer isso na escola?

cultura”? 3 - Como reconhecer, valorizar e promover a diversidade cultural brasileira? Como fazer isso na

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GEOGRAFIA

Convidaram-me a escrever sobre a identidade latino-americana. Estou seguro de que, se há uma barreira que nos impede de nos relacionarmos e identificarmos com o resto do continente, não é o idioma. Tanto que, se sigo escrevendo em espanhol, me entenderás, certo, leitor? Então, continuemos assim.

Quem somos, América Latina?

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Vitor Taveira,

jornalista e mestre em Estudos Latino-Americanos, diretor da Expedição Abya Yala e integrante da Casa América Latina Liberdade e Solidariedade (Calles) e do programa de rádio “Soy Loco Por Ti”, de Bogotá, Colômbia. E-mail: vitortaveira@gmail.com

Pois bem, a história que venho contar começa em 1492, quando uns navios imensos cruzaram o Oceano Atlântico e aqui desembarcaram Cristóvão Colombo e os primeiros colonizadores. NÃO! Não, não, não: é mentira. Não é aí que iniciamos. A his- tória da América Latina começa muito antes dos

europeus, pois aqui já existia vida, cultura, história

e civilização, ou melhor, tudo isto no plural. Existia uma enorme quantidade de culturas originárias des-

te continente, que o herói cubano José Martí preferia

chamar Nossa América, que o povo Kuna nomeia Abya Yala, “terra madura” em sua língua própria.

um passado comum de exploração e

 

Tempero cultural

dores, todavia não sanados, um presen- te de transformações e um futuro por

Às culturas que aqui já estavam, somou-se a europeia, acompanhada de um processo colonial

construir. Podemos eleger estar juntos ou separados. O colonialismo, o impe-

repleto de violências físicas e simbólicas contra as que aqui viviam (é importante recordar). Isso sem falar da grande quantidade de pessoas trazidas da África, o que foi uma das maiores brutalidades e vergonhas da humanidade: a escravidão massiva

rialismo, o capitalismo e, possivelmente, outros ismos se beneficiaram da estra- tégia de “dividir para dominar” e, muitas vezes, nos olhamos como inimigos e competidores, não como irmãos ou

e

o comércio internacional de pessoas. Porém a

cooperadores, como poderia ser. Como

contribuição europeia é, sim, muito grande e va- liosa à nossa cultura, pois chegaram também não só colonizadores espanhóis, portugueses, ingleses, franceses e holandeses, mas também, posterior-

escreveu Ferreira Gullar em seu poema chamado Nós, latino-americanos, so- mos irmãos “não porque seja o mesmo sangue que no corpo levamos: o que é o

mente, imigrantes alemães, italianos, suíços, entre tantos outros. Também migraram para cá chineses, japoneses, árabes, colocando ainda mais tempero em nossa sopa cultural. Em meio a esta mescla de tantas influências, como falar de identidade latino-americana? Melhor nem falarmos dela. Melhor pensarmos plural, nas identidades latino-americanas. Existem muitas semelhanças, porém também profundas diferenças entre países e mesmo entre regiões dentro de um mesmo Estado nacional. Porém o processo político

mesmo é o modo como o derramamos”. Olhar com mais atenção nossos vizinhos latino-americanos e aprender deles é, então, um ato político amoroso. Deixar-se penetrar pelos acordes da guitarra de Silvio Rodríguez, admirar-se com as pinturas de Oswaldo Guayasa- mín, enamorar-se da voz de Chavela Vargas, encontrar nossa forte ternura nos poemas de Mario Benedetti, viajar na mágica realista dos contos de Ga-

e

social dos últimos anos levanta um potente e pos-

briel García Márquez, entender nossa

sível caminho: a unidade na diversidade. A hetero- geneidade não tem que ser um problema, pelo con-

realidade nos filmes de Fernando So- lanas ou perder-se nos livros de Mario

trário, deve ser uma virtude, pois é, possivelmente,

Vargas Llosa. Isso, para recordar apenas

a

maior riqueza que temos.

algumas estrelas de nossa constelação

Latino-irmãos

latino-americana, notáveis ondas de sensibilidade no mar de afetos que é o

Sim, somos diversos, porém também podemos

nosso continente.

e

devemos estar unidos. Não é um tema somente

Uma pessoa que viaja sabe o quanto

cultural, porém também histórico e político. Temos

é mais bonito sonhar juntos e sentir

e político. Temos é mais bonito sonhar juntos e sentir Ser Fraterno: um compromisso com paz!

Ser Fraterno: um compromisso com paz!

“Eu tenho tantos irmãos Que não os posso contar E uma noiva muito linda Que se chama liberdade”

Atahualpa Yupanqui

soprar o vento das utopias. Dizia o sábio músico e trovador argentino Facundo Cabral: “uma bomba faz mais ruído que uma carícia. Porém, para cada bomba que destrói, existem mil carícias que constroem a vida”. Estou seguro de que você se identifica com isso. É certo que existe um ou uma latino-americana den- tro de você. Pode ser que esteja dormin- do: desperta-o. JÁ!

de você. Pode ser que esteja dormin- do: desperta-o. JÁ! Sugestões de Leitura A descoberta da

Sugestões de Leitura

A descoberta da América (que ainda

não houve), de Eduardo Galeano. Editora da UFRGS. Canto geral, de Pablo Neruda. Bertrand Brasil. Todas las Sangres, José María Arguedas. Editorial Horizonte.

A

colonialidade do saber: eurocentrismo

e

ciências sociais, organizado por Edgar-

do Lander. Clacso Livros.

Questões para Debate

1 - Que barreiras ainda impedem

a unidade latino-americana?

2 - Que importância e valor tem

a diversidade de culturas na

América Latina?

3 - Como, em nossas escolas, promover a cultura e a identidade latino-americana?

fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br

GEOGRAFÍA

A mí me invitaron a escribir sobre la identidad latinoamericana. Estoy seguro que de haber una barrera que nos impide relacionar e identificarnos con el resto del continente, no es el idioma. Tanto que si sigo escribiendo en español, me entenderás, ¿no es cierto lector? Entonces, continuemos así.

¿Quiénes somos, América Latina?

“Yo tengo tantos hermanos Que no los puedo contar Y una novia muy hermosa Que se llama libertad”

Atahualpa Yupanqui

Vitor Taveira,

periodista y maestro en Estudios de Latinoamericanos, director de la Expedición Abya Yala y miembro de la Casa América Latina Liberdade e Solidariedade (Calles) y del programa de radio Soy Loco Por Ti. E-mail: vitortaveira@gmail.com

Pues bien, la historia que vengo a contar comienza en 1492, cuando unos navíos in- mensos cruzaron el Océano Atlántico y desembarcaron aquí Cristóbal Colón y los primeros colonizadores. ¡NO! No, no, no, es mentira. No es ahí que ini- ciamos. La historia de América Latina comienza mucho antes de los europeos, pues aquí ya había vida, cultura, historia y civilización. Lo mejor, todo esto en plural. Existía una enorme cantidad de culturas originarias en este continente que el héroe cubano José Martí prefería lla- mar Nuestra América y que el pueblo Kuna nombra Abya Yala, “tierra madura” en su lengua propia.

Condimento cultural

A las que ya estaban, se sumó la llegada de la cultura europea, acompañada de un proceso colonial repleto de vio- lencia física y simbólica contra

fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br

las que aquí vivían, es impor- tante recordar. Esto sin hablar de la gran cantidad de personas traídas desde África en lo que fue una de las más grandes brutalidades y vergüenzas de la humanidad: la esclavitud masiva y el comercio internacional de personas. Pero la contribución europea es sí muy grande y valiosa a nuestra cultura pues llegaron no sólo colonizadores españoles, portugueses, ingle- ses, franceses y holandeses pero también posteriormente inmigrantes alemanes, italianos, suizos, entre tantos otros. Tam- bién migraron para acá chinos, japoneses, árabes, poniendo aún más salsa y sabor en nues- tra olla intercultural. En medio a esta mezcla de tantas influencias, ¿cómo hablar de identidad latinoamericana? Mejor ni hablemos de ella. Mejor pensemos plural, en las iden- tidades latinoamericanas. Hay muchas similitudes, pero tambi- én profundas diferencias entre países y mismo entre regiones dentro de un mismo Estado nacional. Pero el proceso polí- tico y social de los últimos años levanta un potente y posible ca- mino: la unidad en la diversidad. La heterogeneidad no tiene que

ser un problema, más bien debe ser una virtud, pues es quizás la mayor riqueza de tenemos.

Latino-hermanos

Sí, somos diversos, pero también podemos y debemos estar unidos. No es un tema so- lamente cultural. Pero también histórico y político. Tenemos un pasado común de explo- tación y dolores todavía no sanados, un presente de cam-

bios y un futuro por construir. Podemos elegir estar juntos o separados. El colonialismo, el imperialismo, el capitalismo

y quizás otros ismos se be-

neficiaron de la estrategia de dividir para conquistar y mu- chas veces nos miramos como enemigos y competidores, no como hermanos o cooperado- res como pudríamos ser. Como ha escrito Ferreira Gullar en su poema llamado Nós, latino- -americanos, somos hermanos “não porque seja o mesmo san- gue que no corpo levamos: o que é o mesmo é o modo como

o derramamos”. Mirar con más atención a nuestros vecinos y aprender de ellos es, entonces, un acto polí- tico amoroso. Dejarse penetrar por los acordes de la guitarra de

Ser Fraterno: um compromisso com paz!

Silvio Rodríguez, admirarse por las pinturas de Oswaldo Guaya- samín, enamorarse de la voz de Chavela Vargas, encontrar nuestra valiente ternura en los poemas de Mario Benedetti, via- jar en la mágica realista de los cuentos de Gabriel García Már- quez, entender nuestra realidad por las películas de Fernando Solanas o perderse en los libros de Mario Vargas Llosa. Esto para recordar apenas algunas estrellas de nuestra constela- ción latinoamericana, notables ondas de sensibilidad en el mar de afectos que es nuestro con- tinente. Una persona que viaja sabe lo tan más bonito que es soñar juntos y sentir soplar el viento de las utopías. Decía el sabio músico y trovador argentino Facundo Cabral: “Una bomba hace más ruido que una ca- ricia. Pero para cada bomba que destruye, hay mil caricias que construyen la vida”. Estoy seguro que te identificas con esto. Es cierto que existe un o una latinoamericana dentro de ti. Puede ser que esté dormido. Despiértalo. ¡YA!

de ti. Puede ser que esté dormido. Despiértalo. ¡YA! Sugestão de Filmes Batalha das águas (También

Sugestão de Filmes

Batalha das águas (También la lluvia), de Icíar Bolhaín Pachamama - O Filme, de Eryk Rocha Machuca, de Andrés Wood Ao sul da fronteira (South of border), de Oliver Stone

Ao sul da fronteira (South of border ), de Oliver Stone Sugestões de Músicas Latinoamérica ,

Sugestões de Músicas

Latinoamérica, de Calle 13 Canción con Todos, de Mercedes Sosa Cinco Siglos Igual, de Leon Gieco Soy Loco Por Ti, América, de Caetano Veloso

con Todos , de Mercedes Sosa Cinco Siglos Igual , de Leon Gieco Soy Loco Por

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Arquivo MJ

HISTÓRIA

O ensino de História está, quase sempre, condicionado a uma concepção ou corrente historiográfica. Isso quer dizer que o conhecimento histórico e o ensino da matéria se modificaram ao longo dos tempos.

Um olhar sobre o saber histórico

Maria de Lourdes Abrantes Sarmento,

graduanda do curso de História da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), PB. E-mail: lourdes.abrantes@yahoo.com.br

Antes de constituir-se como disciplina escolar, a História se confundia com a história bíblica e dos deuses. Por isso, da Idade Média até o século 17 evidenciou-se uma História ancorada na religião. Embora a história já fosse ensinada pelos 18 jesuítas desde o século 17, foi somente no século 18 que ela ganhou contornos delimitados como conhecimento objetiva- mente elaborado e teoricamen-

te fundamentado.

A partir da fundação do Colégio Pedro II e do Insti- tuto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), em 1838, a História, enquanto conteúdo de ensino específico, passou a ser difundida no Brasil. O IHGB surgiu como o centro pensante, elaborando um parâmetro de história nacional oficial, e o Colégio Pedro II foi o executor desses parâmetros, influen- ciados pelo positivismo e pelo catolicismo. Nessa perspectiva, cabia

a tais instituições elaborar uma identidade nacional, visto

tais instituições elaborar uma identidade nacional, visto Sugestões de Leitura O ensino de História: revisão ur-

Sugestões de Leitura

O ensino de História: revisão ur-

gente, de Conceição Cabrini. São Paulo: Brasiliense, 2004.

História na sala de aula: conceitos,

práticas e propostas, organizado por Leandro Karnal. São Paulo:

Contexto, 2010.

, organizado por Leandro Karnal. São Paulo: Contexto, 2010. Sugestões de Sites Tempo, Revista Digital de

Sugestões de Sites

Tempo, Revista Digital de História da UFF: www.historia.uff.br/tempo Rede social voltada para o ensino da história: www.cafehistoria.ning.com

para o ensino da história: www.cafehistoria.ning.com que naquela época o Brasil enfrentava um momento deli-
para o ensino da história: www.cafehistoria.ning.com que naquela época o Brasil enfrentava um momento deli-

que naquela época o Brasil enfrentava um momento deli-

cado, marcado por instabili-

dade social e política (crise da Independência). Fazia-se ne- cessário induzir o povo a co- laborar com a estrutura social

e política vigente. O objetivo

dessa disciplina era despertar

o patriotismo necessário para

a emergência de uma identida- de nacional.

Nacionalismo e seus “heróis”

No período republicano, foi legado à educação o status de redentora da nação. Por conse-

guinte, buscou-se, a partir do

ensino de História, fortalecer

o espírito nacionalista neces-

sário para a sedimentação da identidade nacional, abrin- do espaço para as discus- sões concernentes a questões educacionais. Destacou-se a proposta do pedagogo José Veríssimo, o qual acreditava que, para o projeto político da República consolidar-se, era preciso um sistema educacio- nal abrangente e perpetuador de um patriotismo e de um pertencimento nacional. Ao ensino de História cabia prio- rizar o estudo dos feitos e da biografia dos grandes cidadãos

brasileiros. Assim, na I Confe- rência Nacional de Educação, em 1927, discutiram-se os ca- minhos para se construir uma identidade nacional comum, a partir do ensino de História, da moral e do civismo.

Apesar dos diversos es- forços feitos pelo governo

republicano, não se conse-

guiu construir uma educação sistemática e universalizante. Esse projeto só foi alcançado no governo de Getúlio Vargas, quando houve a consolidação de uma memória nacional e patriótica, contemplando o culto aos heróis e a ênfase nas tradições nacionais nas aulas

de História.

História e ditadura

Durante todo o regime mi- litar brasileiro (1964-1985), a disciplina foi usada como mecanismo de manipulação social e controle da ordem social vigente. Sua missão era neutralizar qualquer tipo de crítica ao Estado. No período da ditadura militar, a História, como dis- ciplina escolar autônoma, foi diluída e passou a coexistir com a Geografia sob a intitu- lação de Estudos Sociais. Não

Ser Fraterno: um compromisso com a paz!

era intenção formar um aluno crítico e reflexivo, e sim um aluno submisso e passivo ao autoritarismo do Estado. Com a redemocratização política, o ensino de História passou a ser pensado para instruir o aluno a criticar toda forma de repressão e autorita- rismo. Partindo desse pressu- posto, infere-se que, a partir de 1980, o ensino de História to- mou novas direções. Passou a ser uma arma contra o autori- tarismo e qualquer tentativa de censura – gerando, portanto, um cidadão em consonância com o contexto da época. Enquanto disciplina esco- lar no Brasil, a História, desde sua gênese, foi usada como justificação do poder da ordem dominante, como propagadora de uma determinada ideolo- gia. Por isso, é nossa tarefa batalhar por uma História que leve os estudantes a compre- ender o contexto em que es- tão inseridos, permitindo que ultrapassem as barreiras da dominação.

Atividade

História é coisa de fofoqueiro?

Por que aprender sobre tanta gente morta se estamos vivos? Estudar história influencia nossas escolhas? Essas e outras dúvidas estão presentes na cabeça dos jovens. Então, que tal aproveitar o começo do ano e debater sobre a importância de estudar História? Pode-se assistir ao vídeo indi- cado e responder essas e outras perguntas junto com os estu- dantes. Além de refletir, pode- remos colher dicas de interesse dos jovens ao longo do ano.

Link: http://youtu.be/uqJboU9vupU

fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br

Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

POLÍTICA E CIDADANIA

Por que o Congresso Nacional ficou mais conservador? A resposta exige uma reflexão sem preconceitos: porque parte da sociedade brasileira é conservadora e está assustada com a evolução dos costumes que vêm solapando os seus alicerces.

O último grito do conservadorismo

Juremir Machado da Silva,

escritor, jornalista e professor na Faculdade de Comunicação da PUCRS. E-mail: juremir@pucrs.br

Quando algo importante está para mudar de- finitivamente, é comum que pessoas se apavorem

e tentem resistir de modo radical ao inevitável. É o

efeito do estertor. O Brasil tem brincado com o jogo eleitoral votando em candidatos como Tiririca. Uma avaliação serena dos resultados do último pleito in- dica que Tiririca não passa de um mal menor. Ele não

tem ideias, não tem projetos e nada representa, salvo

a triste despolitização dos seus eleitores.

Fim de uma época

O problema começa mesmo com a eleição de

conservadores extremados e preconceituosos como

o deputado federal pelo Rio de Janeiro Jair Bolsonaro

(PP) e o gaúcho Luís Carlos Heinze (PP). Eles foram os mais votados em seus estados. Bolsonaro faz da ho- mofobia a sua principal bandeira. Heinze foi escolhi- do pela ONG britânica Survival como o “mais racista do ano”, por ter dito que gays, lésbicas e quilombolas são “tudo que não presta”. Em sociedades cada vez

mais sensíveis à diferença religiosa, sexual e racial, Heinze e Bolsonaro encarnam o contrário, atraindo para eles os votos de parte daqueles que veem no chamado politicamente correto o fim de uma época, de uma maneira de viver e de uma civilização.

O Brasil está em convulsão. O país entrou no li-

quidificador dos comportamentos cotidianos e vê-se entre duas forças igualmente poderosas, o avanço do respeito às diferenças versus as últimas tentativas de conservação de “valores” condenados ao ocaso. Não se trata de eliminação de qualquer ética ou de des-

Atividade

Investigando o novo Congresso

Tal qual Sherlock Holmes – personagem de Ar- thur Conan Doyle –, que tal convidar os alunos para investigar o perfil dos deputados reeleitos e dos novatos? Em grupos, a pesquisa pode resultar em uma análise das principais profis- sões dos políticos, cruzar partidos e grupos de representação. Depois, pode-se fazer um debate para revelar as “pistas” que indicam se teremos um Con- gresso mais conservador no próximo período.

Dica: O site do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) é uma boa fonte para começar as “investi- gações”: www.diap.org.br

fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br

www.diap.org.br fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br truir referências, limites e respeito mas, ao contrário,

truir referências, limites e respeito mas, ao contrário, de ampliar horizontes, de render-se à diversidade, de coibir precon- ceitos e de pôr fim a um estado secular de hipocrisia. O Congresso Nacional, caixa de ressonância das contradições sociais da nação, não teria como escapar da exa- cerbação desse conflito.

A luta por direitos

De certa forma, a eleição de uma legislatura mais conservadora remete à tentativa de construção de um dique arte- sanal contra um tsunami. A transformação vem das ruas. Algumas dessas mutações já estão legitimadas pelo Supremo Tribunal Federal, como o caso gay. Mas as lutas simbólicas em torno dos direitos de cada um, especialmente desses atores sociais antes marginalizados, as chamadas mino- rias, ainda se estenderão por um bom tem- po. Reformas importantes quase sempre sofrem pesadas ameaças de retrocesso. A guerra contra certas diferenças, no entan- to, parece perdida. Aquilo que se cristaliza na mídia, por exemplo, nas novelas de televisão, funciona como uma espécie de indicador do futuro imediato. É o parado- xo maior dessa resistência formal ao que se impõe informalmente. Último urro. O Congresso Nacional será mais con- servador pelos próximos quatro anos. Isso não significa, porém, que poderá aprovar recuos expressivos em matérias sensíveis de comportamento. Na era das redes so- ciais, a pressão popular é permanente. O

Ser Fraterno: um compromisso com a paz!

legislador já não pode se dar o luxo de ig- norar o barulho da internet. Heinze e Bol- sonaro resumem uma perspectiva. Embo- ra se sintam poderosos com seus milhares de votos, eles irão a Brasília ecoar o fim de um tempo, aquele tempo em que ser pre- conceituoso, imperativamente excludente, era uma obrigação moral. Seria possível abordar outros nomes e outras razões. O todo, porém, está na parte. Aceitar o outro como ele é, naquilo que não prejudica ter- ceiros, é a regra de um mundo que busca mais tolerância, equilíbrio, paz, humildade e justiça. O caminho é longo. Talvez seja o caso de se tentar ver por trás dessa má notícia, o crescimento do conservadorismo no Congresso Nacional, uma boa novidade: o declínio de uma era, cujas sombras ainda se erguem como se fossem muralhas indestrutíveis. Até quando mesmo?

Questões para Debate

1 - Em tempos de eleições dividiu- se o país entre aqueles que estavam curiosos e atentos às eleições e os que não queriam nem ouvir falar. Por que isso aconteceu?

2 - Conhecer e debater sobre o perfil dos políticos eleitos amplia o nosso embasamento para criticar e dá ânimo para perceber avanços na política brasileira?

eleitos amplia o nosso embasamento para criticar e dá ânimo para perceber avanços na política brasileira?

19

SAÚDE E BEM-VIVER

O conceito de saúde mental vai muito além da ideia de doença ou a ausência dela. Entrar nesse tema consiste em pensar o cotidiano, as possibilidades de relações que estão sendo permitidas no dia a dia do existir.

Saúde mental

Um eixo entre o existir e o adoecer

20

Rubiane Rodrigues Mostazo,

psicóloga no Ambulatório de Saúde Mental de Ourinhos, SP, mestre pela Universidade Estadual de Campinas. E-mail: rubimostazo@yahoo.com.br

que está em questão no campo da saúde mental

é

tinos sociais que se entrelaçam no campo da saúde mental. Portanto o corpo social estará articulado ao campo da saúde mental, o adoecimento se integra à experiência humana e se torna objeto da ação como uma realidade construída significativamente.

a problemática da subjetividade humana e os des-

O

O sofrimento mental

A

saúde mental de cada indivíduo tende a varia-

ções e influências de fatores biológicos e sociais, e dependem de satisfazer adequadamente as necessida-

des emocionais, em um senso contínuo de segurança

e

psíquico, consolidamos a existência humana, visto

que todo indivíduo vivencia situações de sofrimento intenso: isso pode ocorrer diante de perdas ou de situações estressantes. Não somos imunes ao adoe- cimento mental e podemos necessitar de ajuda para nos restabelecermos emocionalmente.

O sofrimento mental severo e persistente pode

ocasionar um rompimento com a realidade, desenca- deando sintomas de diferentes formas, envolvendo o aspecto afetivo, de pensamento, de percepção de si e do mundo, sendo uma manifestação violenta e repen- tina de ruptura do equilíbrio de um sentimento. Alu- cinações e delírios podem fazer parte do quadro de sintomas em um estado de crise severa e persistente.

valor pessoal. Entretanto, quanto ao sofrimento

Atenção e cuidado

O olhar e as propostas de cuidados às pessoas

em sofrimento mental têm passado por muitas re- formulações, mediante as lutas de trabalhadores, familiares e usuários de serviços em saúde mental. Com a implantação da Lei 10.2016/2001, que trata da reforma psiquiátrica, novas propostas de cuidado passaram a perpetuar no Brasil, e novos modelos de serviços da saúde mental surgiram. O modelo hos-

Para além dos muros da escola

A função do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) é prestar atendimento a pessoas com sofrimento psíquico, diminuindo e evitando in- ternações psiquiátricas, e articular-se com a rede de serviços da comunidade. Que tal agendar uma visita da turma no CAPS mais próximo da escola? É uma oportunidade para os estudantes conhecerem o funcionamento, a realidade das comunidades e também histórias de superação.

Ilustração: Júlia Corrêa
Ilustração: Júlia Corrêa

pitalar deixou de predominar e se abriu espaço para um modelo aberto, reabili- tador, ou seja, uma atenção psicossocial, que viabilize práticas de cuidados mais humanizadas, promovendo a autonomia, respeitando a singularidade e a subjetivi- dade na construção da cidadania. Como retrata Amarante (1995), a

trajetória da desinstitucionalização é ca- racterizada, sobretudo, pelo surgimento de novos serviços, estratégias e conceitos em saúde mental, com o aparecimento do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), das Cooperativas Sociais, dos Centros de Convivências, dos Serviços Residenciais Terapêuticos e outras propostas que tenham como eixo a territorialização, visando aos cuidados com a pessoa, es- tando ela inserida em sua comunidade, possibilitando a permanência e o fortale- cimento dos vínculos afetivos.

O preconceito, a exclusão e o des-

respeito aos doentes mentais ainda con- tinuam presentes em nossa sociedade. Conviver com as diferenças é um desfio a

ser aceito e pensado pela sociedade. É ne- cessário estabelecer uma relação de amor, solidariedade e cumplicidade no cuidado às pessoas que passam por algum tipo de sofrimento psíquico.

A promoção em saúde mental é um

fator importante para minimizar riscos. Quando se proporcionam condições de vida saudáveis, se promove a prevenção, visto que os fatores ambientais são ca- pazes de alterar o biológico e ocasionar

danos emocionais, desencadeando trans- torno mental. Outro fator importante é o uso de álcool e outras drogas, que podem ser um risco para ocorrer uma desordem mental, aumentando a incidência de um sofrimento mental severo e persistente. Enfim, saúde mental vai além do cam- po das doenças mentais. Proporcionar saúde mental é entrar nas possibilidades da existência humana e social que dizem respeito ao estado mental do sujeito e da coletividade, da existência humana e de suas relações sociais.

da existência humana e de suas relações sociais. Sugestões de Leitura Saúde mental , de J.

Sugestões de Leitura

Saúde mental, de J. Birman e C. B. Bezerra Jr. In: Saúde e Sociedade no Brasil. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1994.

Loucos pela vida: a trajetória da reforma

psiquiátrica no Brasil, de P. Amarante. Rio de Janeiro: Fiocruz, 1995. Saúde mental e atenção psicossocial, de P. Amarante. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2007.

Questões para Debate

1 - O que devemos levar em conta para termos uma boa saúde mental?

2 - Como cuidar das pessoas com sofrimento mental?

3 - Que avanços já tivemos e o que precisa melhorar no atendimento às pessoas com doenças mentais?

melhorar no atendimento às pessoas com doenças mentais? Ser Fraterno: um compromisso com paz! fevereiro .

Ser Fraterno: um compromisso com paz!

fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br

Ilustração: Sofia Clemente

Ritmos biológicos

CIÊNCIAS NATURAIS

A vida surgiu em um planeta cíclico: dias e noites se alternam, as marés variam com as fases da Lua e as estações do ano mudam conforme a posição da Terra e do Sol. Como será que esses ciclos afetam os seres vivos, principalmente os humanos?

O tempo que nos rege

Aline Vilar Machado Nils e Lívia Clemente Motta Teixeira,

biólogas e doutorandas em Fisiologia, pesquisadoras no Laboratório de Neurociências e Comportamento da Universidade de São Paulo (USP). E-mails: machadoavs@gmail.com; liviaclemente@gmail.com

Com a exposição ao ambien-

te cíclico, os seres vivos que con-

seguiram prever tais mudanças

e preparar seu organismo para

reagir a elas tiveram maior chan- ce de sobrevivência e originaram os seres vivos rítmicos que vivem hoje na Terra. Os ciclos de sono- -vigília, alimentação, temperatura corporal, alterações hormonais e reprodução (animal ou vegetal) são os ritmos biológicos mais evidentes, mas há outros fatores celulares e comportamentais que variam ciclicamente. Os seres vivos têm ritmici- dade biológica característica da espécie. Humanos são animais diurnos, mais ativos durante o dia. Seus hábitos de alimentação, diurese e excreção variam ao longo do dia de forma sincroni- zada, como vários instrumentos tocando uma mesma música.

Harmonização saudável

Os ritmos biológicos são sincronizáveis, se ajustam a no- vos horários, principalmente por exposição à luz natural ou artificial, podendo também ser sincronizados por fatores como horários escolares e de trabalho numa espécie de relógio social. Quando esses fatores externos contribuem para uma harmoni- zação saudável entre os diferen- tes ritmos biológicos em um in- divíduo, ela é dita sincronização positiva; mas quando provocam dessincronização interna, é dita negativa e pode prejudicá-lo. Como podemos sincronizar nossos ritmos biológicos de ma- neira harmônica? A preferência por horário de atividade define

fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br

de atividade define fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br o cronotipo do indivíduo: matu- tino, vespertino ou

o cronotipo do indivíduo: matu-

tino, vespertino ou indiferente, o qual muda ao longo de sua vida. Quando bebês, nossos ritmos ainda estão em sincronização, normalmente na infância so- mos mais matutinos. Vamos nos tornando vespertinos, em geral, conforme vamos entrando na adolescência. Quando adultos, há novamente um deslocamento no sentido da matutinidade. Contudo é preciso conside- rar que há variações individuais,

e até entre homens e mulheres. O

cronotipo é determinado geneti- camente, mas estudos mostram que o mesmo indivíduo pode apresentar características com- portamentais diferentes depen- dendo do ciclo de iluminação ao qual é exposto. Por exemplo, se morar em Porto Alegre, abaixo do trópico de Capricórnio, a quan- tidade de horas com sol varia muito ao longo do ano, mas em Natal a variação é muito peque- na, por esta cidade ficar próxima do Equador.

Mudanças na adolescência

Na adolescência, o corpo passa por muitas mudanças, in- clusive nos padrões de sono do ciclo sono-vigília, que se desloca naturalmente para mais tarde,

entre 12 a 18 minutos a cada ano. A secreção do hormônio

melatonina – que indica para

o cérebro que é escuro e que

animais diurnos devem dormir

– também ocorre mais tarde, o

que faz com que o adolescente

esteja mais alerta tarde da noite

e prolongue o sono de manhã.

Isso é um problema quando os horários escolares exigem que o aluno acorde cedo, enquanto seu relógio biológico está programa- do para dormir.

Essa tentativa de se adequar ao relógio social pode causar desarranjo nos seus ritmos bio-

lógicos, cada um tentando seguir um horário diferente, como se a orquestra desafinasse. Assim, muitos adolescentes não têm

a rotina regular de duração e

qualidade de sono adequada ao seu descanso e desenvolvimento. Essa dessincronia prejudica a aprendizagem, aumenta a sono- lência e pode causar problemas emocionais e de agressividade. É importante ressaltar que fatores ambientais agravam essa condi- ção, como exposição exagerada

à luz (lâmpadas, TV, telas de com- putador ou celulares), por inibi- rem a ação da melatonina, o que pode ter consequências sérias

à saúde, tais como: alterações

Ser Fraterno: um compromisso com paz!

de digestão e hormonais, pre- disposição ao desenvolvimento de diabetes tipo II, obesidade, dificuldade de aprendizagem e de atenção, entre outros. O ideal seria que os estu- dantes vespertinos estivessem no turno da tarde. Infelizmente, muitas vezes esse turno não está disponível ao ensino médio. Por outro lado, muitos preferem estudar pela manhã e ter a tarde livre. Assim, resta evitar a expo- sição à luz artificial e a agitação durante a noite, além de buscar ingerir alimentos leves para mi- nimizar essa tendência à vesper- tinidade. O melhor é dormir em escuro completo, pois uma míni- ma exposição à luz já distorce a

produção de melatonina e pode afetar os ritmos subsequentes.

de melatonina e pode afetar os ritmos subsequentes. Sugestão de Leitura O sono na sala de

Sugestão de Leitura

O sono na sala de aula: tem- po escolar e tempo biológi-

co, de Fernando Louzada e Luiz Menna-Barreto. Editora Vieira & Lent, 2007.

e Luiz Menna-Barreto. Editora Vieira & Lent, 2007. Sugestão de Vídeo Animação Família Dias :

Sugestão de Vídeo

Animação Família Dias:

http://temponavida.com/

anima.html

Atividade

Qual o seu cronotipo? Descubra seu cronotipo: matutino, vespertino ou intermediário? Isso pode ser feito
Qual o seu cronotipo?
Descubra seu cronotipo:
matutino, vespertino ou
intermediário? Isso pode ser
feito no site do Grupo Mul-
tidisciplinar de Desenvolvi-
mento e Ritmos Biológicos:
http://bit.ly/cronotipos
Por meio de entrevista
com parentes e amigos,
pode-se construir um cená-
rio do desenvolvimento do
ciclo vigília-sono, identifi-
cando diferenças individuais
e entre as idades.
um cená- rio do desenvolvimento do ciclo vigília-sono, identifi- cando diferenças individuais e entre as idades.

21

Arquivo MJ

REALIDADE BRASILEIRA

No Brasil de hoje, a indústria tem um papel muito importante na geração de riquezas e de postos de trabalho qualificados. Ela precisa investir para se tornar mais produtiva e nós, trabalhadores, precisamos ter uma capacitação profissional para nos tornarmos mais produtivos e melhorar a nossa posição no resto do mundo.

Lúcia Garcia,

economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos 22 (Dieese), Porto Alegre, RS. E-mail: lucia@dieese.org.br

O Brasil avançou muito nos últimos dez anos na pauta social, que criou um mercado de con- sumo para a produção, mas no campo econômico está faltando avanços mais ousados. As inicia- tivas do governo brasileiro estão voltadas para a infraestrutura, e a política industrial ainda não aconteceu no Brasil. Este salto nós ainda precisamos dar. Também estamos deixan- do passar a oportunidade do nosso bônus demográfico, ou seja, aquela estrutura em que no país há mais pessoas jovens do que velhas, o que ocasiona uma maior geração de riqueza. Temos uma janela de mais ou menos 15 anos pela frente, para que o Bra- sil dê um salto. Contudo ainda es- tamos apostando todas as fichas no petróleo, que é a matriz ener- gética da segunda revolução in-

que é a matriz ener- gética da segunda revolução in- Sugestão de Filme O Emprego (2008).

Sugestão de Filme

O Emprego (2008). Direção de San- tiago Grasso. Duração: 7 min. Esta premiada animação ajuda a refletir sobre o papel do ser humano nas sociedades modernas, sobretudo em relação ao trabalho. Pode gerar um bom debate com os estudan- tes sobre as relações sociais, o trabalho, a exploração e o futuro do trabalho para os jovens. Assista: http://vimeo.com/32966847

trabalho para os jovens. Assista: http://vimeo.com/32966847 Economia brasileira: carências e oportunidades dustrial –

Economia brasileira:

carências e oportunidades

Economia brasileira: carências e oportunidades dustrial – e sabemos que a matriz da terceira e da

dustrial – e sabemos que a matriz da terceira e da quarta revolução industrial é o conhecimento.

Para o jovem se preparar

No Brasil há muitas estatísti- cas e indicadores, mas não uma articulação das informações para gerar uma interpretação e possi- bilitar que o jovem se direcione para as ocupações adequadas. Isso existe nos EUA, por exemplo, onde um serviço público voltado para a juventude indica as ocupa- ções em alta e as ocupações em declínio. Isso é importante para que o jovem possa se realizar, porque ninguém trabalha sem se identificar com o trabalho que vai desenvolver. Se fizermos um balanço, entre 18 e 24 anos você define o que vai fazer na vida, e é ali que precisa de informação. Precisa saber se vai ser médico, enge- nheiro, um excelente operário, um fantástico biólogo, um jardi- neiro, um artista plástico ou ou- tra ocupação qualquer. É preciso decidir nesse momento da vida, mesmo que não seja definitivo. Carecemos de um sistema de informações e de prospecção que indique isso. Já se conhe- cem as ocupações nas quais o Estado brasileiro deveria investir

para qualificar pessoas para o momento atual. Mas também é preciso construir um farol para o futuro, um sistema de prospecção que aponte para a juventude os caminhos do mundo do trabalho

Farol para o futuro

O trabalho é o grande orga- nizador da vida social. Sem tra- balho não há perspectiva de co- esão social, colocando em risco a estabilidade política. Nós tive- mos essa situação no Brasil nos anos 1990. Os jovens sabiam que viviam no limbo, sem pers- pectiva alguma. Hoje, a juventu- de tem perspectiva, mas não tem informação e direcionamento. Para isso, os equipamentos de formação estão começando a se estruturar no Brasil. Quando existe um sistema único de seleção para o Ensino Superior, por exemplo, damos um grande passo no país, por- que ampliamos a oferta da quali- ficação de Ensino Superior. Hoje os jovens, cada um na sua locali- dade, concorrem a um processo seletivo no Brasil inteiro, e isto é uma forma de conhecer o que o país está oferecendo em termos de ensino e de oportunidade em educação. Recentemente, passamos a ter a oportunidade

Ser Fraterno: um compromisso com a paz!

da seleção unificada também en- caminhada para escolas técnicas de qualificação profissional. As- sim, estamos ampliando, racio- nalizando o sistema para que as pessoas tenham as ferramentas para saber como elas podem se preparar. Precisamos apontar para o jovem e inclusive ajudar a estrutura de profissionalização, dizendo para onde a economia e a sociedade irão. Essa discussão está colocada não apenas no âmbito da indústria, mas também de serviços importantes, como o de saúde. E fica claro que, embo- ra exista insuficiência de profis- sionais, há muitas oportunida- des surgindo na área técnica.

Questões para Debate

1 - Quais são as principais carências do nosso país?

2 - Como essas carências podem se tornar oportunidades de trabalho para os jovens?

3 - O que é preciso fazer para que o jovem se torne mais qualificado para atender às novas demandas do mercado de trabalho?

fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br

CURTAS E DICAS

Ações para frear a desigualdade

Os benefícios de pequenas ações para frear a desigualdade falam por si sós. Um aumento de 1,5% no imposto sobre a riqueza dos milionários de todo o mundo seria suficiente para que todas as crianças do planeta estivessem na escola, bem como para a pro- visão de serviços de saúde nos países mais pobres. Investir em serviços públicos gratuitos também é essencial para acabar com a brecha entre as pes- soas ricas e as demais. Todos os anos, 100 milhões de pessoas em todo o mundo ficam mais pobres por terem que pagar para receber assistência médica. De 2009 a 2014, pelo menos 1 milhão de mulheres morreu durante o parto, devido à falta de serviços básicos de saúde. Fonte: www.adital.org.br

CONHEÇA! Centro de Juventude Cajueiro

O Centro de Juventude Cajueiro de Formação, As- sessoria e Pesquisa é um espaço voltado para partilhar sonhos e projetos, com a missão de prestar serviços às organizações juvenis, aos jovens e a seus educadores/ as. Oferece formação integral, cursos presenciais e virtuais, escolas de educadores de adolescentes e jo- vens e escolas de lideranças, entre outros. Informações: http://cajueirocerrado.blogspot.com

BRINCADEIRA Use a cabeça!

Organizar o grupo em duas filas. Entregar um boné ou chapéu para o primeiro de cada fila. A brincadeira é fazer o boné chegar ao último, pas- sando de cabeça em cabeça, sem usar as mãos, braços ou pernas. Incentivar o grupo com palavras de ânimo. Vence a que concluir primeiro! Ao final pode-se conversar sobre: os pensamen- tos e sentimentos surgidos durante a brincadeira; exemplos de outras situações que exigem que saiba- mos usar a cabeça; o que isso significa na vida?

CARTUM

Eduardo Borges
Eduardo Borges

“Eu também sou vítima de sonhos adiados, de esperanças dilaceradas, mas, apesar disso, eu ainda tenho um sonho, porque não podemos desistir da vida.”

Martin Luther King Jr., pastor americano, ativista dos direitos humanos

“Desejo precisamente que o diálogo entre nós ajude a construir pontes entre todos os homens, de tal modo que cada um possa encontrar no outro, não um inimigo nem um concorrente, mas um irmão que se deve acolher e abraçar.”

Papa Francisco

Datas Especiais

Janeiro: 28. Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.

Fevereiro: 17. Carnaval. 18. Início da Quaresma e da Campanha “Fraternidade, Igreja e Sociedade”. 20. Dia Mundial da Justiça Social.

Março: 8. Dia Internacional da Mulher. 10. Dia Mundial de Combate ao Sedentaris- mo. 14. Dia Nacional da Poesia.

No site do Mundo Jovem: confira as sugestões para as datas comemorati- vas: Volta às Aulas e Dia Internacional da Mulher.

23

vas: Volta às Aulas e Dia Internacional da Mulher. 23 PELO PRAZER DE LER Violência e

PELO PRAZER DE LER Violência e morte na cidade grande

O rapaz do metrô: poemas para jovens em

oito chacinas ou capítulos, de Sérgio Cappa- relli. Rio de Janeiro, Galera Record, 2014. 149p.

O livro é uma narrativa, em oito capítulos, em que praticamente todos os textos estão organizados como poemas. Um jovem de 16 anos, trabalhador- -aprendiz do setor de manutenção dos trens do me- trô, testemunha e documenta (por acaso), em sua câmera, uma chacina e uma onda de violência no bairro paulistano do Campo Limpo, onde mora. Para refletir sobre os acontecimentos recentes, ele anda pelas linhas do metrô, tem notícias de outros crimes, teme por sua vida, se apaixona por uma colega de trabalho, é chamado para depor etc. Sua relação com a cidade está definida de antemão por sua

cor da pele e por sua classe social, pela violência da polícia e dos grupos de extermínios e pelo racismo. Destaca-se, no livro, a estrutura que liga os capítulos, em forma de poemas. Cada texto apa- rece como se fizesse parte do mapa de estações das linhas do metrô. E entre uma parada e outra, uma linha e outra, uma paisagem e outra, o jovem percebe o mundo ao seu redor, descobre seus sentimentos em relação aos lugares e às pessoas, dá vazão à imaginação e até exercita a escrita. É também uma manifestação da coragem de quem já sabe que não vai se dobrar e que a arte pode ser uma forma de resistência! Merece destaque o tom de denúncia e incon- formismo que os poemas vão conferindo à narra- tiva. E apesar do tema ser pesado, há lirismo, há humor e grandes voos da imaginação, como subir de repente uma das escadarias do metrô e deparar- -se com uma praia da Tasmânia!

O autor é dos mais premiados na área do livro infantil e juvenil. Tem mais de 30 livros publicados e já ganhou quatro vezes o maior prêmio literário do país, o Jabuti. Foi professor universitário por muitos anos: a maior parte deles na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É mineiro, mas vive em São Paulo desde que se aposentou. Este livro tem também um projeto gráfico que reforça os elementos da violência urbana: marcas de sangue, projéteis detonados, “oculares” de metra- lhadoras etc., apesar do acalanto que, ironicamente, abre o livro. A leitura flui que é uma maravilha!

Celso Sisto, escritor, especialista em Literatura Infantil e Juvenil e doutor em Teoria da Literatura. E-mail: celsosisto@yahoo.com.br

em Teoria da Literatura. E-mail: celsosisto@yahoo.com.br fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br Ser Fraterno: um

fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br

Ser Fraterno: um compromisso com paz!

Literatura. E-mail: celsosisto@yahoo.com.br fevereiro . 2015 www.mundojovem.com.br Ser Fraterno: um compromisso com paz!

Em 2015, assine um jornal de ideias!

Em 2015, assine um jornal de ideias! Neste novo ano, que tal assinar um jornal que

Neste novo ano, que tal assinar um jornal que contribui para o trabalho de professores e para a formação integral do jovem?

de professores e para a formação integral do jovem? Com edições mensais de fevereiro a novembro,

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Vídeo baseado no tema da Campanha da Fraternidade 2015

Acompanha um encarte para trabalhar o assunto em grupos.

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Filosofia

Subsídio para ensino de Filosofia encartado no jornal Mundo Jovem

para ensino de Filosofia encartado no jornal Mundo Jovem Fevereiro de 2015, v. 7, n. 31

Fevereiro de 2015, v. 7, n. 31

no jornal Mundo Jovem Fevereiro de 2015, v. 7, n. 31 Tudo está em permanente mudança,

Tudo está em permanente mudança, deixando de ser continuamente o que era e se tornando outra coisa. Ao mesmo tempo, algo sempre permanece, pois se trata da mesma realidade. Os filósofos chamaram esta paradoxal passagem de um estado a outro de todas as coisas, no decorrer do tempo, de devir: o vir a ser do real. O tempo é um enigma, e refletir sobre ele pode ser admirável.

Sérgio A. Sardi,

doutor em Filosofia (Unicamp) e professor adjunto do Departamento de Filosofia da PUCRS. E-mail: sergioasardi@hotmail.com

Vou propor a você uma experiência de pensamento, em etapas, em ca- madas. Em primeiro lugar, sugiro que você sinta este momento em que vive, sinta o agora. Observe que, a cada vez que você pronunciar esta palavra ou até mesmo simplesmente pensá-la, a cada vez que você puder sentir o que esta palavra indica, então já não será mais agora. Sempre que você puder sentir o agora, ele já passou. Isso pode até causar alguma vertigem. E pode-

Reflexões sobre o tempo e as transformações

mos ser levados, com isso, a dizer que tudo passa e, aparentemente, nada permanece. “Tudo flui”, como nos diria o filósofo Heráclito, que viveu antes de Sócrates. Porém, se você prestar atenção mais uma vez a esta experiência, po- derá perceber um segundo aspecto do tempo. Pois também é possível dizer, pensar e sentir que: sempre é agora. É, pois, eternamente agora, desde o início do universo até o futuro mais longínquo que você possa imaginar. A existência ocorre permanentemente no agora. Nesta perspectiva, o tempo passa a ser uma imagem móvel da eternidade, como nos diria outro fi- lósofo, denominado Santo Agostinho, que viveu na Idade Média. Esta natureza paradoxal do tempo nos leva a afirmar que as duas faces do tempo são verdadeiras: então, tudo passa e, simultaneamente, tudo permanece sendo o que é. Assim como nós mesmos, que nos transformamos, mas também per- manecemos sendo os mesmos, ou seja: o nosso eu perdura no tempo, apesar de ser sempre diferente. E é assim o todo do real. Mas ainda há algo mais a refletir.

Sempre a primeira vez

Há um terceiro aspecto do tempo, presente no conceito de duração – termo que o filósofo Henri Bergson (1859-1941) utiliza para pensar tal complexidade. Observe, ainda mais uma vez, que o agora, este exato momento em que vivemos, tem mais

uma propriedade: ele, admiravelmen- te, nunca antes existiu. Este agora nunca antes existiu, e também este

E a cada vez que possamos pensá-lo

ou senti-lo. O agora revela, assim, a sua natu- reza de ser continuamente a primeira vez. Talvez possamos sentir isso ao dizer: nunca antes foi agora. A du- ração, a passagem de um tempo que

é sempre inaugural, percebida em

uma experiência interior, repõe no todo de nossa percepção do mundo essa visão mental do mundo como um jorro incessante de novidade, como nos diria Bergson. Ao dizermos e sentirmos que “este agora nunca antes existiu”, o próprio existir, incluindo o seu existir, caro leitor, talvez possa também ser visto e sentido como uma criação contínua. Há sentido e beleza nesta visão. Expe- rimente contemplar o mundo assim, incluindo a sua presença, como parte desta criação, e parte fundamental, pois ao contrário de todas as coisas, todos os seres humanos temos cons- ciência da nossa própria existência. Talvez isso ocorra também com outros seres e até com o todo da vida.

Questões para debate

1 - Por que é importante refletir- mos sobre a vivência do tempo?

2 - Como assim, “tudo passa e tudo permanece” em nossas vidas?

3 - Como é pensar e viver a vida como um “jorro incessante de novidade”?

Heráclito

(535-475 a.C.)

Nasceu em Éfeso, atual Turquia. Foi um filósofo pré-socrático considerado o “pai da dialética”. Parte do princípio de que tudo é mo- vimento, e que nada pode permanecer parado. Mas este é apenas um pressupos- to de uma doutrina que vai mais além. A mudança que acontece em todas as coisas é sempre uma alternância entre contrários: coisas quentes esfriam, as frias esquentam; coisas úmidas secam, as secas umedecem.

Johannes Moreelse (1602-1634) apresenta Heráclito como o “filósofo que chora”

“Ninguém entra em um mesmo rio uma segunda vez, pois quando isso acontece já não se é o mesmo, assim como as águas que já serão

outras.” Heráclito

Sérgio A. Sardi

Dando um passo além em nossa reflexão, observemos que os três aspectos se ligam. Pois, se a cada vez que pensarmos o agora, ele já

passou – e, sob este aspecto, nunca é agora – por outro lado, também observamos anteriormente que é sempre agora. Por fim, constatamos um terceiro modo de sentir e pensar

o tempo, ao nos darmos conta que é

sempre a primeira vez que é agora,

e a cada instante, e ainda, e conti-

nuamente, eternamente, é sempre novo e é sempre outro o permanecer

a que denominamos agora. Somos

conduzidos, assim, a formular estas três ideias em uma só, pois: sempre, eternamente, nunca antes foi agora. Ou, ainda: o agora é o que sempre nunca antes existiu. O agora, con-

cebido como criação, inclui em si o permanecer e o passar.

Passado,presenteefuturo

É admirável pensar e sentir que fazemos parte deste fluxo interminá- vel de criação e novidade. E podemos contemplar também esta dimensão do ser que permanece sendo eterna- mente a mesma, além desta outra, pela qual sentimos que tudo passa.

um modo de ver o mundo, é um

É

modo de sentir a existência. Mas há ainda algo mais para acrescentar à experiência em etapas que propomos no início deste texto:

pois passado, presente e futuro se

unem no fluir incessante a que cha- mamos de agora. Primeiramente, o passado está presente em nossa me- mória, e o futuro, em nossas expecta- tivas, e isso ocorre sempre no agora. Em segundo lugar, constatamos que

o agora é sempre novo, e assim ele

se abre continuamente a um futuro

inusitado. Ao mesmo tempo, o agora

é também muito antigo, pois guarda

em si tudo o que já aconteceu. Mas, em qualquer momento no tempo, em todas as épocas da história, a existência ocorre sempre no agora, este agora cheio de passado e que se

alarga no futuro. O agora, o tempo é

o puro criar-se incessante do ser. O

agora é o que sempre-nunca foi, é e será. Pois: sempre-nunca foi agora. Vivemos nesta lâmina de eterna novidade, e esta criação incessante coincide com a permanência do todo do mundo. O existir é a pura novidade incessante do ser, jorro ininterrupto do qual fazemos parte. Eis uma ima- gem do tempo, eis uma visão sobre nós mesmos, nossas existências e o real. Eis, nas experiências que foram propostas, um modo singular de pen- sar com o qual podemos nos admirar, refletir, contemplar, enfim, filosofar.

 

Sugestão de Vídeo

 

Conheça mais sobre os pensamentos de Heráclito acessando esta vídeo-aula:

 

http://youtu.be/G6cixmFeJGY

Sugestões de Leitura Heráclito contextualizado , de Alexandre Costa, Ed. Odysseus. Henri Bergson , organizado

Sugestões de Leitura

Sugestões de Leitura Heráclito contextualizado , de Alexandre Costa, Ed. Odysseus. Henri Bergson , organizado por
Heráclito contextualizado , de Alexandre Costa, Ed. Odysseus. Henri Bergson , organizado por Silene Torres

Heráclito contextualizado, de Alexandre Costa, Ed. Odysseus. Henri Bergson, organizado por Silene Torres Marques e Debora Cristina Morato Pinto. Ed. Alameda.

Costa, Ed. Odysseus. Henri Bergson , organizado por Silene Torres Marques e Debora Cristina Morato Pinto.
Torres Marques e Debora Cristina Morato Pinto. Ed. Alameda. Atividade Música: Como uma onda Autor: Lulu

Atividade

Música: Como uma onda

Autor: Lulu Santos

Nada do que foi será De novo do jeito que já foi um dia Tudo passa, tudo sempre passará A vida vem em ondas Como um mar Num indo e vindo infinito Tudo que se vê não é Igual ao que a gente Viu há um segundo Tudo muda o tempo todo No mundo Não adianta fugir, nem mentir Pra si mesmo agora Há tanta vida lá fora Aqui dentro sempre, Como uma onda no mar

Registre por escrito em quais mo- mentos da nossa vida nos sentimos como uma onda no mar, conforme diz a música de Lulu Santos. Que tal compartilhar com os colegas em uma roda de conversa?

Subsídio para Filosofia encartado no jornal Mundo Jovem, v. 7, n. 31

com os colegas em uma roda de conversa? Subsídio para Filosofia encartado no jornal Mundo Jovem,

Formação de

Professores

Subsídio para

desenvolver a

Formação de

Professores sob

a perspectiva

do Enem

de Professores sob a perspectiva d o E n e m Fevereiro de 2015, v. 3,

Fevereiro de 2015, v. 3, n. 11

d o E n e m Fevereiro de 2015, v. 3, n. 11 No ano de

No ano de 2014, mais de oito milhões de estudantes realizaram o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem. Ao compararmos com o seu primeiro ano de existência, percebemos o avanço que o exame teve para o aluno brasileiro.

Roselane Zordan Costella,

professora do PPG em Geografia e da Faculdade de Educação da UFRGS, coordenadora Institucional do Pibid. E-mail: ro.paulo@terra.com.br

No seu primeiro ano de imple- mentação o Enem foi realizado por apenas 116 mil alunos, em 1998. Este exame nasce num cenário em

que se busca a avaliação diagnóstica

e o aprimoramento dos alunos da

Educação Básica, atendendo aos dispositivos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).

No ano de 2005, foi instituído o programa Universidade Para Todos (ProUni), que permite o acesso de alunos em universidades particula-

res, custeados pelo governo federal.

A entrada neste programa está con-

dicionada à pontuação do candidato no exame do Enem e também ao

enquadramento do mesmo num perfil social e econômico exigido. Preparar para o Enem ou para uma formação que atenda esse tipo de avaliação exige uma postura de escola, uma mudança de paradigma

e concepção enquanto metodologia

de ensino e ação com relação aos alunos. Atualmente, a prova é composta por 45 questões, tendo no total 180 questões para serem resolvidas num curto espaço de tempo. Está dividida em cinco áreas:

1) Matemática e suas tecnologias:

A prova cobra conhecimentos de Matemática aplicados no cotidiano.

Enem: reações e ações na educação básica

Ilustração: Júlia Corrêa
Ilustração: Júlia Corrêa

É solicitado domínio sobre o sistema internacional de medidas, grandeza em comparação, álgebra, além de interpretação de gráficos e tabelas.

2) Ciências Humanas e suas tecno- logias: A prova cobra conhecimento de História, Sociologia, Geografia e Filo- sofia. As questões são sobre evolução da tecnologia, conflitos territoriais, uso de recursos naturais, temas ligados à conquista de direitos como o Estatuto Racial, da Criança e do Adolescente e do Idoso etc. As questões costumam vir contextualizadas com temas atuais.

3) Ciências da Natureza e suas tec- nologias: A prova solicita conteúdos das disciplinas de Física, Química e Biologia. Os assuntos estão voltados para as fontes de energia, questões ambientais e aplicabilidade de con- ceitos e conteúdos para interpretar situações cotidianas.

4) Linguagens, códigos e suas tecno- logias: Nesta área estão as disciplinas de Língua Portuguesa, Literatura, Educação Física, Artes e Línguas Adicionais (Inglês e Espanhol). Nes- ta prova é exigida principalmente a interpretação de textos.

5) Redação: A redação, que corres- ponde a uma quinta prova do Enem. exige cinco competências básicas:

domínio da norma padrão da língua portuguesa; compreensão da proposta de redação; seleção e organização das informações; demonstração de conhe- cimento da língua necessária para argumentação do texto; elaboração de uma proposta de solução para os problemas abordados, respeitando os valores e considerando as diversidades socioculturais.

Interdisciplinaridade

As questões do Enem apresen- tam maior quantidade de textos verbais e não verbais do que ou- tras provas. Às vezes há mais de um texto para a mesma questão. Outra peculiaridade é a estrutura da prova, fundamentada em cinco grandes eixos, com cinco grandes competências. Assim, em muitas questões não há necessidade de lembrar os conteúdos específi- cos, mas saber o que fazer com eles. O conteúdo necessário vai proporcionar ao aluno o desen- volvimento de capacidades como:

argumentação, interpretação, lei- tura, aplicabilidade de conceitos, e outras. As questões, na maioria das vezes, não se referem a um componente curricular, e sim a uma área do conhecimento. Assim, a tendência é aparecerem questões interdisciplinares.

O Enem não representa somente uma prova classificatória tradicional, mas também a oportunidade de ingresso na universidade. Quem realiza esse exame poderá, por meio do Sisu ou do ProUni, conquistar vagas gratuitas em universidades públicas e privadas.

Ingressar na universidade

Ilustração: Júlia Corrêa
Ilustração: Júlia Corrêa

Roselane Zordan Costella

Após a obtenção dos resultados do Enem, você poderá se inscrever no Programa Universidade para Todos, escolhendo até cinco cursos em uma ou mais universidades particulares que aderiram ao programa. A classificação se dará conforme a pontuação obtida no Enem. Assim, por exemplo, você pode- rá cursar Ciências Jurídicas numa universidade particular sem precisar pagar pelo estudo. O sonho da forma- tura se torna uma realidade, e a sua vida de estudante não acaba no final do terceiro ano de Ensino Médio, após a conquista do diploma. Se você não conseguir ingressar no curso superior por meio do ProUni, ainda terá chance de recuperar a vaga em cursos que não tiveram candidatos suficientes para preenchê-las. Isso será possível pela inscrição no SISU (Sis- tema de Seleção Unificada), podendo escolher dois cursos para concorrer à vaga que levará em conta a pontuação no exame.

Dicas para uma boa prova

• Observar as pequenas mudanças que ocorrem na redação; ler cada uma das competências; dar-se conta do que representa escrever diante

 

O Enem em números

 

2

dias de provas;

4

áreas do conhecimento;

5

provas no total

4

provas objetivas

1

prova dissertativa (Redação)

destas competências; simular reda- ções com temas sociais, utilizando conceitos trabalhados no ensino médio e pautando as competências; rever os temas desde 1998 para ver

a que se propõe esta redação.

• Apurar a sua leitura de mundo; ler reportagens de jornal, extraindo delas o conhecimento, não somen- te as informações; ficar atento na espacialidade e temporalidade dos acontecimentos, bem como o que

e por que aconteceu.

• Treinar com questões e simulados,

fazendo cada questão num tempo muito rápido. Se fizer um grupo de 10 questões, estipule um tempo de dois minutos por questão; se simular as 90 questões, utilize um tempo de três minutos. • Observar o que estudou sobre urbanização, energias, ambientes, estatística, saúde e outros temas que aparecem em todas as provas desde 1998, problematizando-os.

• Revisar os conteúdos da mesma for- ma que faria com outro vestibular, mas priorize o entendimento.

Estude muito!

Para a prova do Enem as ha- bilidades mais importantes são:

interpretar, ler com competência, saber defender um ponto de vista, argumentar, pensar em propostas, resolver situações/ problemas, administrar o tempo, aplicar conceitos em situações

cotidianas. Para isso é necessário:

1. Estudar! Essa é a sua tarefa, a

sua responsabilidade. Quantas horas por dia você dedica aos estudos? Você sabe estudar? Revê o que foi trabalhado em aula? Formula perguntas aos professores sobre os assuntos não entendidos? 2. Ler com concentração, re- conhecendo nas leituras as diferentes informações apre- sentadas, contextualizando-as no tempo e no espaço, tecendo críticas sobre o assunto. Leia todos os dias uma notícia de mundo e transfira o contexto da leitura para o seu cotidiano. 3. Relacionar os acontecimentos

cotidianos com os conceitos trabalhados em aula: se o foco da imprensa está no Japão, por exemplo, entendê-lo em Física, Química, Geografia, Filosofia, História etc. fortale- cerá a capacidade de interagir com diferentes conhecimen- tos, fazendo com que você esteja apto a interpretar uma questão que exija essa com- preensão. 4. Encontrar soluções para os problemas que as disciplinas apresentam, junto com os conteúdos trabalhados. Para isso leia, classifique, escolha argumentos e resolva de forma concentrada. 5. Escrever intensamente, obser- vando onde estão suas maiores dificuldades e procurando, a cada reescrita, superá-las. Convença o leitor das suas produções textuais sob o seu ponto de vista. Seja crítico e consciente.

Subsídio para desenvolver a Formação de Professores sob a perspectiva do Enem, v. 3, n. 11

Seja crítico e consciente. Subsídio para desenvolver a Formação de Professores sob a perspectiva do Enem,