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O Recurso extraordinário somente será admitido com a demonstração da

repercussão geral - STF recomenda aos Tribunais de Justiça observância do


requisito no exame de admissibilidade

Em expediente encaminhado ao presidente do Tribunal de Justiça do Rio


Grande do Sul, a ministra Ellen Gracie, presidente do Supremo Tribunal Federal,
recomenda a observância de parâmetros baseados em deliberação da Suprema
Corte para o exame de admissibilidade de recursos extraordinários endereçados
ao STF. A recomendação tem por base a deliberação tomada pelo Plenário da
Corte ao julgar Questão de Ordem no Agravo de Instrumento nº 664.567, na
sessão de 18 de junho de 2007. Para efeito da repercussão geral, "será
considerada a existência, ou não, de questões que, relevantes do ponto de vista
econômico, político, social ou jurídico, ultrapassem os interesses subjetivos das
partes".

De acordo com o expediente recebido neste TJRS, há a determinação de que


no primeiro juízo de admissibilidade do recurso constitucional, atente o tribunal de
origem à existência da preliminar de repercussão geral da questão constitucional,
forma obrigatória.

Em resumida análise, recomenda o STF no expediente encaminhado ao TJRS:

1) A data de 3 de maio de 2007 como o termo a partir do qual será


obrigatória a alegação e demonstração da repercussão geral como
preliminar do recurso extraordinário. Logo, somente será exigida a
preliminar em recursos interpostos de decisões cuja intimação tenha se
dado após 03 de maio de 2007;

2) A exigência de alegação e demonstração de repercussão geral abrange


a todos os recursos, qualquer que seja a sua natureza (cível, criminal,
trabalhista ou eleitoral);

3) Cabe ao tribunal de origem a análise do requisito sob o aspecto formal,


devendo os tribunais no primeiro juízo de admissibilidade negar seguimento
ao RE, caso não tenha sido cumprido o requisito da repercussão geral, em
preliminar formal e fundamentada.

Em decorrência das recomendações repassadas pelo e. STF, este Tribunal de


Justiça já passou a adotar tais orientações, adequando-se ao novo requisito de
admissibilidade do recurso extraordinário imposto pela Lei 11.418/06.

Abaixo, na íntegra, as conclusões do estudo da Secretaria-Geral da Presidência


do STF e da Emenda Regimental Nº 21, também do Supremo:

Supremo Tribunal Federal


Secretaria-Geral da Presidência

Anotações a respeito da repercussão geral no recurso extraordinário

Em obediência ao deliberado no julgamento da Questão de Ordem no Agravo


de Instrumento nº 664.567, na sessão plenária de 18 de junho de 2007, e de
acordo com o estabelecido pela Lei nº 11.418, de 19 de dezembro de 2006, a
partir de 3 de maio de 2007, inclusive (art. 5º da Lei), será obrigatória, como
preliminar, a afirmação e demonstração da repercussão geral da questão
constitucional discutida no caso, em face do que o recurso extraordinário - seja de
natureza cível, criminal, trabalhista ou eleitoral - somente será admitido com a
comprovação desse requisito formal constitucional/legal.

2. A conseqüência imediata é que o exame da admissibilidade do recurso


extraordinário pelos tribunais de origem deverá - a partir dessa data - levar em
conta também a existência da alegação ou argüição bem como da demonstração
da repercussão geral da questão constitucional nele versada, além dos demais
requisitos de admissibilidade já usualmente apreciados quando do seu
recebimento perante o presidente ou vice-presidente do tribunal "a quo" (art. 541
do Código de Processo Civil).

3. Assim processados os recursos extraordinários pela secretaria do tribunal


de origem, quando conclusos para admissão ou não, caberá ao seu Presidente ou
Vice-Presidente, em decisão fundamentada avaliar a respectiva admissibilidade
com manifestação expressa de que há, ou não, afirmação e demonstração da
repercussão geral da questão constitucional discutida na decisão da causa.

4. O juízo de admissibilidade ou de recusa de admissão do recurso


extraordinário, portanto, deverá expressamente assinalar além da existência dos
demais requisitos, ou sua ausência, a existência ou não da afirmação e
demonstração da repercussão geral especialmente quando ajuizado após 3 de
maio de 2007.

5. Como resulta evidente da Constituição e da lei, no entanto, o juízo de


admissibilidade do recurso extraordinário na origem não aprecia o conteúdo da
argüição de repercussão geral, já que esta é uma prerrogativa exclusiva do
Supremo Tribunal Federal (art. 543-A, § 2º CPC), ficando assim ao critério deste
reconhecer ou não a efetiva repercussão geral nos campos definidos pela lei (art.
543-A,§ 1º CPC) e que ultrapassem os interesses subjetivos da causa.

6. Vale assinalar ainda que, em razão da deliberação do Plenário da Corte,


deve se considerar para efeito da necessidade da verificação da repercussão
geral a data da intimação da decisão recorrida e a existência ou não da alegação
de repercussão geral serão sempre indicadas nas fases correspondentes e na
autuação, para cada recurso extraordinário existente nos autos, inclusive os
adesivos, de modo a permitir a imediata verificação dessa circunstância pelas
partes e julgadores.

7. Se o recurso extraordinário não for admitido na origem por defeito de


demonstração de qualquer dos seus requisitos de admissibilidade, o despacho de
encaminhamento do agravo de instrumento destinado a faze-lo admitir deverá
expressamente mencionar a data da intimação da decisão recorrida, a existência
ou não da argüição de repercussão geral e sua demonstração, e a autuação
respectiva conterá as anotações correspondentes.

EMENDA REGIMENTAL Nº 21, DE 30 DE ABRIL DE 2007

Altera a redação dos artigos 13, incisoV,


alínea c, 21, parágrafo 1º, 322, 323, 324,
325, 326, 327, 328 e 329, e revoga o dis-
posto no parágrafo 5º do art. 321, todos
do Regimento Interno.

A PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL faz editar a Emenda


Regimental, aprovada pelos Senhores Membros da Corte em Sessão
Administrativa realizada em 26 de março de 2007, nos termos do art. 361, inciso I,
alínea a, do Regimento Interno.

Art. 1º Os dispositivos do Regimento Interno a seguir enumerados passam a


vigorar com a seguinte redação:

-Art.13. ....................................................................................................

V - ...............................................................................................................

c) como Relator (a), nos termos dos arts. 544, § 3º, e 557 do Código de
Processo Civil, até eventual distribuição, os agravos de instrumento e
petições ineptos ou doutro modo manifestamente inadmissíveis, bem
como os recursos que não apresentem preliminar formal e fundamentada
de repercussão geral, ou cuja matéria seja destituída de repercussão
geral, conforme jurisprudência do Tribunal.

-Art. 21 .........................................................................................................
§ 1º Poderá o (a) Relator negar seguimento a pedido ou recurso
manifestamente inadmissível, improcedente ou contrário à jurisprudência
ou à súmula do Tribunal, deles não conhecer em caso de incompetência
manifesta, encaminhando os autos ao órgão que repute competente, bem
como cassar ou reformar, liminarmente, acórdão contrário à orientação
firmada nos termos do art. 543-B do Código de Processo Civil.

Art. 322. O Tribunal recusará recurso extraordinário cuja questão


constitucional não oferecer repercussão geral, nos termos deste capítulo.

Parágrafo único. Para efeito da repercussão geral, será considerada a


existência, ou não, de questões que, relevantes do ponto de vista
econômico, político, social ou jurídico, ultrapassem os interesses
subjetivos das partes.

Art. 323. Quando não for caso de inadmissibilidade do recurso por outra
razão, o Relator (a) submeterá, por meio eletrônico, aos demais ministros,
cópia de sua manifestação sobre a existência, ou não, de repercussão
geral.

§ 1º Tal procedimento não terá lugar, quando o recurso versar questão


cuja repercussão já houver sido reconhecida pelo Tribunal, ou quando
impugnar decisão contrária a súmula ou a jurisprudência dominante,
casos em que se presume a existência de repercussão geral.

§ 2º Mediante decisão irrecorrível, poderá o (a) Relator admitir de ofício


ou a requerimento, em prazo que fixar, a manifestação de terceiros,
subscrita por procurador habilitado, sobre a questão da repercussão
geral.

Art. 324. Recebida a manifestação do Relator (a), os demais


ministros encaminhar-lhe-ão, também por meio eletrônico, no prazo
comum de 20 (vinte) dias, manifestação sobre a questão da repercussão
geral.

Parágrafo único - Decorrido o prazo sem manifestações suficientes para


recusa do recurso, reputar-se-á existente a repercussão geral.

Art. 325. O(A) Relator juntará cópia das manifestações aos autos, quando
não se tratar de processo informatizado, e, uma vez definida a existência
da repercussão geral, julgará o recurso ou pedirá dia para seu
julgamento, após vista ao Procurador-Geral, se necessária; negada a
existência, formalizará e subscreverá decisão de recusa do recurso.

Parágrafo único. O teor da decisão preliminar sobre a existência da


repercussão geral, que deve integrar a decisão monocrática ou o acórdão,
constará sempre das publicações dos julgamentos no Diário Oficial, com
menção clara à matéria do recurso.

Art. 326. Toda decisão de inexistência de repercussão geral é irrecorrível


e, valendo para todos os recursos sobre questão idêntica, deve ser
comunicada, pelo (a) Relator, à Presidência do Tribunal, para os fins do
artigo subseqüente e do artigo 329.

Art. 327. A Presidência do Tribunal recusará recursos que não


apresentem preliminar formal e fundamentada de repercussão geral, bem
como aqueles cuja matéria carecer de repercussão geral, segundo
precedente do Tribunal, salvo se a tese tiver sido revista ou estiver em
procedimento de revisão.

§ 1º Igual competência exercerá o (a) Relator (a) sorteado, quando o


recurso não tiver sido liminarmente recusado pela Presidência.

§ 2º Da decisão que recusar recurso, nos termos deste artigo, caberá


agravo.

Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de


reproduzir-se em múltiplos feitos, a Presidência do Tribunal ou o (a)
Relator (a), de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará
o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem
o disposto no art. 543-B do Código de Processo Civil, podendo pedir-lhes
informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar
todas as demais causas com questão idêntica.

Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos


recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a Presidência don
Tribunal ou o (a) Relator (a) selecionará um ou mais representativos da
questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas
de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543-
B do Código de Processo Civil.
Art. 329. A Presidência do Tribunal promoverá ampla e específica
divulgação do teor das decisões sobre repercussão geral, bem como
formação e atualização de banco eletrônico de dados a respeito".

Art. 2º ficam revogados o parágrafo 5º do artigo 321 do Regimento


Inerno e a Emenda Regimental nº 19, de 16 de agosto de 2006.

Art. 3º Esta Emenda Regimental entra em vigor na data de sua


publicação.

Ministra Ellen Gracie

Este texto substitui a publicação