GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

Processo de Avaliação
Curso de Formação Específica

008. Prova de formação Específica

Professor

de

Educação Básica II – História

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Nome do candidato

Número de inscrição

02.12.2012
manhã

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03. O famoso breviário de Langlois e Seignobos começava com
uma definição simples, concisa e direta: “Documentos são
os traços que deixaram os pensamentos e os atos dos homens
do passado”, mas terminava com uma afirmação restritiva:
“A História não é mais do que uma aplicação dos documentos.” (...) A última afirmação supunha uma não explicada
teoria do conhecimento que mantinha o sujeito cognitivo (o
historiador) como neutro e ausente (...)

FORMAÇÃO ESPECÍFICA
01. Leia o fragmento:
Desde a infância, éramos treinados a observar, olhar e escutar com tanta atenção que todo acontecimento se inscrevia
em nossa memória como cera virgem.
(Amadou Hampaté Bâ. Amkoullel, o menino fula. 2.ª ed.
São Paulo: Palas Athenas, 2008)

(Saliba, E. T. Aventuras modernas e desventuras pós-modernas.
In: Pinsky, C. B.; Luca, T. R. de (Orgs.). O historiador e suas fontes.
São Paulo: Contexto, 2009, p. 312)

A afirmação do historiador malinês está relacionada com a
importância, em algumas sociedades,

Os autores citados são representantes da chamada história

(A) da cultura material para salvaguardar a história das linhagens monárquicas.

(A) marxista.
(B) das mentalidades.

(B) da transmissão dos conhecimentos sagrados por meio
de desenhos e pinturas.

(C) estruturalista.

(C) central desempenhada pela oralidade na preservação e
difusão de saberes.

(D) positivista.

(D) dos documentos oficiais para a elaboração da memória
histórica.

04. Leia um fragmento do Alvará de 1785, da rainha de Portugal, D. Maria I.
(...) hei por bem ordenar, que todas as fábricas, manufaturas,
ou teares de galões, de tecidos, ou de bordados de ouro, e
prata. De veludos, brilhantes, cetins, tafetás (...); excetuando tão somente aqueles dos ditos teares, e manufaturas, em
que se tecem, ou manufaturam fazendas grossas de algodão,
que servem para o uso, e vestuário dos negros, para enfardar
e empacotar (...); todas as mais sejam extintas, e abolidas
em qualquer parte onde se acharem nos meus domínios do
Brasil.

02. Um funcionário da cultura na ditadura do Estado Novo poderia ver na Carta de Caminha um documento extraordinário
do Brasil que nascia – opinião compartilhada por um colega
português da ditadura salazarista na mesma época. Porém,
um indigenista contemporâneo, sabedor da tragédia da presença portuguesa para as populações ameríndias, verá no
mesmo documento a certidão de óbito das muitas populações indígenas. À primeira subjetividade (a edificação histórica da importância do documento) soma-se a segunda e
mais fundamental: as leituras variadas que um documento
possibilita.

(Citado em Bittencourt, C. M. F. Ensino de História: fundamentos
e métodos. São Paulo: Cortez, 2004, p.347)

No trabalho em sala de aula, a utilização do documento
apresentado tem como parte dos seus objetivos específicos

(Leandro Karnal e Flavia Galli Tatsch. Memória evanescente.
In: C. B. Pinsky e T. R. de Luca (Orgs.). O historiador e suas fontes.
São Paulo: Contexto, 2009, p. 12. Adaptado)

(A) relacionar a euforia econômica metropolitana com a
decadência da produção aurífera no Brasil.

Segundo o texto, um documento histórico
(A) permite que o historiador determine a verdade histórica.

(B) discutir o conceito de colônia e metrópole, além da relação do poder absolutista com as colônias da América.

(B) pode gerar leituras variadas e até opostas.

(C) debater os caminhos da economia colonial, caracterizados pelo livre comércio com as colônias espanholas
das Antilhas.

(C) não perde o seu sentido geral, independente de quem e
quando o lê.
(D) deve ser reconhecido pelo seu valor absoluto.

(D) mostrar a oposição da Corte portuguesa à continuidade
do tráfico negreiro e da ausência de um mercado interno
no Brasil.

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05. O espaço de sobrevivência das mulheres pobres, brancas,
escravas e forras na cidade de São Paulo coincidiam com
a margem tolerada de relativa autonomia dos desclassificados sociais; difícil, se não impossível, de ser devidamente
policiada, cresceu com a urbanização, multiplicando oportunidades de improvisação de papéis informais; na cidade,
as mulheres pobres circulavam pelo espaço social – fontes,
lavadouros, ruas e praças -, onde se alternavam e se sobrepunham o convívio das vizinhanças e dos forasteiros, do fisco
municipal e do pequeno comércio clandestino, as fimbrias
da escravidão e do comércio livre.

07. (...) há, dentro da própria formação do historiador, uma espécie de força inercial, que dificulta uma reformulação mais
radical das formas com as quais damos sentido à história humana. Os historiadores raramente ousam mexer nas formas,
ou seja, nas unidades de sentido dentro das quais estudam e
organizam sua documentação. Inventam outras teorias, buscam novos fatos, mas assumem as formas como naturais.
E as formas acabam determinando suas interpretações de
modo quase inconsciente, sobretudo nas interpretações de
longo fôlego, mas mesmo no trabalho de formiga dos especialistas, contaminando, e deixando-se contaminar, com as
demais formas presentes no universo cultural da nossa sociedade, em particular os currículos escolares. Alterar essas
formas possibilitaria à História libertar-se de muitos de seus
vícios de origem. Mas não é tarefa fácil. É propriamente dito
“um impasse”.

(Maria Odila Leite da Silva Dias. Quotidiano e poder em São Paulo
no século XIX. São Paulo: Brasiliense, 1995, p. 19)

A partir do fragmento, é correto considerar que, no século
XIX,

(Norberto Luiz Guarinello, História científica, história contemporânea
e história cotidiana. Revista Brasileira de História.
São Paulo, 2004, v. 24, n.º 48, p.18)

(A) no Centro-Sul brasileiro repetiu-se a formação social
baseada, quase na sua totalidade, nas famílias patriarcais ampliadas.

Ao citar as “formas com as quais damos sentido à história
humana”, o autor faz referência, por exemplo,

(B) a liberdade conquistada pelas mulheres paulistanas garantiu que a Província de São Paulo fosse a primeira a
abolir a escravidão.

(A) a uma História marcadamente eurocentrista.
(B) à ausência de diálogo da História com as outras ciências
humanas.

(C) longe dos padrões que apontam para a existência de
mulheres submissas ao poder masculino, existiam mulheres em São Paulo fora desse molde.

(C) ao uso exagerado de conceitos provenientes das ciências naturais.

(D) a participação efetiva das mulheres de todas as classes
sociais fez de São Paulo um espaço tolerante com as
práticas culturais originárias da África.

(D) ao conhecimento oriundo apenas dos documentos escritos
e oficiais.
08. Num certo sentido, assistimos, nas últimas décadas, ao fim
da História. Não, obviamente, ao término da história das sociedades humanas, mas ao fim da possibilidade de se escrever História como se fazia até então (...). Os objetos “naturais” que produziu e estudou estão se esvaindo com o tempo,
pelo próprio processo de sua reprodução e transformação. O
que se denominava, há algumas décadas, como a fragmentação da História, era uma falsa crise, era sim uma mudança
interna e salutar. Representava a multiplicação dos centros
de estudos pelo globo, a identificação de novos estoques documentais, de novos problemas, de novos recortes possíveis.
(...) É preciso recortar novos objetos, em novas escalas (...)

06. Em História, os estudos sobre o cotidiano têm, nas últimas
décadas, ocupado espaços cada vez mais importantes, pois
(A) a história local é capaz de explicar as origens e o desenvolvimento do homem, e as histórias nacional e mundial tratam apenas das estruturas.
(B) as histórias individuais tornaram-se mais importantes
do que os grandes processos históricos, porque estes
não podem ser comprovados.

(Norberto Luiz Guarinello, História científica, história
contemporânea e história cotidiana. Revista Brasileira de História.
São Paulo, 2004, v. 24, n.º 48, p. 35)

(C) a ciência histórica estancou o seu diálogo com outros
campos do conhecimento porque a sua especificidade
conceitual estava prejudicada.

A partir do fragmento, é correto considerar que, para o autor,

(D) as narrativas dos chamados heróis e seus feitos perdem
importância para os chamados homens comuns e suas
trajetórias de vida.

(A) a ciência histórica perdeu a capacidade de análise das
estruturas humanas, sendo imperativa a recuperação de
conceitos aplicados no século XIX.
(B) os conhecimentos históricos precisam articular-se com
a metodologia das ciências exatas para garantir a veracidade das suas conclusões.
(C) a penúria teórico-metodológica da História contemporânea precisa ser compensada com a busca de inéditos
objetos de análise.
(D) há a necessidade de se construir uma História mundializada, que dê conta da variedade e diversidade das histórias da história humana.

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11. Observe a charge.

09. A memória da Revolução Constitucionalista de 1932 está
gravada na toponímia da cidade de São Paulo: as avenidas
9 de julho e 23 de maio são exemplos disso. Em relação ao
mesmo período, no entanto, não há na toponímia da cidade
nenhuma importante homenagem

FERIADO: DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

(A) a Washington Luís, pois sua memória é considerada desonrosa para São Paulo pelo fato de ter sido derrubado
do poder pela Aliança Liberal na Revolução de 1930.
(B) ao MMDC, pois o movimento liderado por jovens estudantes em 1932 não teve nenhum impacto na luta política contra Getúlio Vargas e foi incapaz de mobilizar
a população.
(C) a Júlio Prestes, pois o político do PRP foi considerado
traidor pela oligarquia paulista cafeicultora, que esperava que ele sucedesse o então presidente Washington
Luís.
(D) a Getúlio Vargas, pois a centralização política, a nomea­
ção de interventores e a política social de seu governo
provocaram descontentamento no interior da oligarquia
paulista cafeicultora.

Segundo Circe Bittencourt, “datas são suporte da memória”.
A charge de Angeli

10. Entre as decisões tomadas pelos vencedores ao fim da Segunda Guerra Mundial, houve a de proibir o ensino da história ministrado nos países vencidos, a fim de neutralizar seus
conteúdos fatuais antes de substituí-los por outros. Cinquenta anos mais tarde, apesar do avanço efetuado pelo ensino de
história, ainda é assim que o tratam quando se passa de um
regime a outro. Os ex-países do leste europeu oferecem inúmeros exemplos disso. Às vezes, o realinhamento é brutal.
Foi assim na ex-Alemanha Oriental. De um dia para o outro,
ou quase, os manuais foram retirados e os professores de
história foram suspensos: porque estudaram e ensinaram a
história errada, e não se via como poderiam, agora, ensinar a
certa. É claro que isso provocou reações. Decidiu-se, então,
que os professores seriam, eventualmente, recontratados,
mas somente depois de passarem por um exame, baseado
essencialmente no pensamento liberal.

(B) é radicalmente contrária à existência do dia da consciência negra, pois mostra que a população branca não tem
nenhum vínculo identitário e político com essa data histórica pouco representativa.

(Christian Laville, A guerra das narrativas: debates e ilusões em torno
do ensino de História. Adaptado)

12. Em sua origem, o dia 1.º de maio era conhecido pelo nome de
“Dia Internacional da Luta dos Trabalhadores”. Hoje, no entanto, utiliza-se muitas vezes a expressão “Dia do Trabalho”
para caracterizá-lo. Essa diferença está

(A) questiona o uso anacrônico da expressão “consciência
negra” ao evidenciar a situação do negro hoje no Brasil,
plenamente inserido nas relações de trabalho e afastado
das heranças da escravidão.

(C) reforça a necessidade de lembrar a luta dos escravos por
liberdade e a luta dos negros por igualdade, na medida
em que revela as contradições de uma sociedade marcada pelo racismo e pela exclusão.
(D) critica a escolha do dia 20 de novembro como dia da
consciência negra, pois revela que há igualdade entre
negros e brancos e que a sociedade está mais preocupada com o feriado do que com a memória da luta dos
escravos.

A partir do trecho citado, pode-se concluir que o ensino da
História

(A) no processo histórico de neutralização e combate ao
movimento operário socialista, que foi o responsável
por transformar o dia 1.º de maio em dia de manifestações, reivindicações e luta dos trabalhadores.

(A) acompanha sempre as descobertas da historiografia, de
tal forma que as novas verdades históricas substituem
as verdades históricas até então existentes.

(B) no nome incorreto dado pelos trabalhadores para o dia
1.º de maio em uma tentativa de apropriar-se politicamente da comemoração, pois historicamente a data é
conhecida como “Dia do Trabalho”.

(B) ainda é, muitas vezes, reduzido a uma narrativa fechada, destinada a moldar as consciências e a ditar as obrigações e os comportamentos para com a nação.
(C) não tem vínculos com a situação política de cada país,
pois o objetivo final é reconhecer o que há de errado e o
que há de certo nas narrativas históricas.

(C) na perspectiva dos anarquistas, que valorizam a “luta
dos trabalhadores”, e dos comunistas, que enfatizam
a importância do “trabalho” nas relações sociais e nos
processos revolucionários.

(D) precisa estar alinhado ao liberalismo para que seja considerado adequado, e os professores que não estiverem
afinados com esse pensamento não deveriam lecionar.

(D) nas diferentes concepções de História existentes entre
os Estados nacionais, pois em países como os EUA e
a Argentina predomina a primeira forma e em países
como o Brasil e o Chile predomina a segunda.
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15. Até o início do século XX a mestiçagem era vista a partir
da biologia e considerada um fator de atraso do país, uma
vez que o pensamento dominante alegava que a raça branca
tinha chegado mais longe na evolução da humanidade.

13. (...) deve o historiador patriótico aproveitar toda e qualquer
ocasião a fim de mostrar que todas as províncias do Império por lei orgânica se pertencem mutuamente, que seu próprio adiantamento pode ser mais garantido pela mais íntima
união entre elas. Justamente na vasta extensão do país, na
variedade de seus produtos, ao mesmo tempo que os seus
habitantes têm a mesma origem, o mesmo fundo histórico,
e as mesmas esperanças para um futuro lisonjeiro, acha-se
fundado o poder e grandeza do país. Nunca esqueça, pois, o
historiador do Brasil, que para prestar um verdadeiro serviço
a sua pátria deverá escrever como autor monárquico-constitucional, como unitário no mais puro sentido da palavra.

(Marina de Mello e Souza, África e Brasil africano. São Paulo, Ática, 2006)

Entre as ações adotadas pela elite brasileira à época do Império coerentes com o texto encontra-se
(A) a abolição da escravidão, que visava afastar os negros
das atividades econômicas de forma a não prejudicá-las.
(B) a restrição severa às cartas de alforria, notadamente na
segunda metade do século XIX, às vésperas da abolição.

(Martius. Karl Friedrich Philip von. Como se escreve a história do Brasil.
In.: RIHGB, tomo VII, 1845, p. 381-403)

(C) o incentivo à imigração de europeus, que tinha como
fundamento a política de branqueamento.

A obra de von Martius foi escrita no contexto
(A) da abolição da escravatura.

(D) o movimento hoje conhecido como “apartheid brasileiro”,
inspirado nos movimentos racistas do sul dos EUA.

(B) da dissolução da Assembleia Constituinte.
(C) do início do movimento republicano.

16. Observe o quadro.

(D) das rebeliões regenciais e da instauração do II Império.

14. Eis aí como me parece que se deve apresentar nas escolas a
história de cada Estado da União. Assim pudéssemos começar pela memória do nosso município, já que não temos o
registro dos nossos lares. Entender, como parece que alguns
entendem, que a ideia do Estado enfraquece o sentimento de
pátria seria entender que a honra pessoal desnutre o amor
da família: ou que o amor da família prejudica o amor da
comuna, ou que este é incompatível com o amor do Estado.
Não. Em vez disso, o que é legítimo proclamar, incutir no
espírito de todos, mas principalmente na alma da mocidade,
é que só ama verdadeiramente a sua pátria aquele que a serve de todo o coração: e que a pátria se pode servir em todas
as esferas, quaisquer que sejam as condições em que cada
um se encontre.

Mestiço, Candido Portinari (1934)

(Pombo, Rocha. Historia de São Paulo. São Paulo: Cia Melhoramentos,
1918. Série Resumo Didactico, p. 5)

A obra Mestiço, de Candido Portinari, insere-se em um contexto em que

O livro de Rocha Pombo fazia parte de uma série de obras
que tratavam da história de cada unidade da federação. Na
concepção dos idealizadores dessa série, essa proposta

(A) a elite intelectual e o governo ainda compartilhavam
uma visão de mundo aristocrática e eurocêntrica, em
que a mestiçagem não era vista com bons olhos.

(A) garantiria que os estudantes, a partir da história local,
compreenderiam melhor a história nacional.

(B) houve alguns gestos de valorização da herança cultural
africana, com intelectuais e governantes voltados para
as culturas populares e para as tradições brasileiras.

(B) contribuiria para que os estudantes reconhecessem as
estruturas econômicas como a chave para o entendimento das ações humanas.

(C) a despeito do racismo persistente de setores da elite, já
havia plena igualdade social entre negros e brancos no
Brasil, característica marcante da sociedade brasileira
até o presente.

(C) ofereceria aos estudantes dos primeiros anos escolares
os estudos cívicos, privilegiando as grandes temáticas
nacionais.

(D) algumas marcas da escravidão ainda estavam presentes,
mas muitos negros já ocupavam lugar de grande destaque na economia e na política nacional.

(D) incentivaria os estudantes mais jovens a desvalorizar
todas as ideias relacionadas aos vários formatos de regionalismos.

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17. Observe o cartaz.

19. No Módulo 14, afirma-se que “considerações de ordem social, ritual ou religiosa pesam igualmente na importância
que possui o território para as comunidades indígenas.”
Exemplifica corretamente essa assertiva, os
(A) Guarani, do litoral sul, que caracterizam as reservas
indígenas oficiais como uma infidelidade aos preceitos
culturais dos seus antepassados, porque defendem aldeias nômades e coletoras.
(B) Xavante, do Mato Grosso e do Tocantins, que romperam
com as tradições seculares dos antepassados e tratam da
terra como um fator de sobrevivência econômica, podendo ser vendida ou trocada.
(C) Yanomami, de Roraima, que exploram os recursos minerais das suas reservas, em parceria com os empresários locais, pois acreditam que esse processo os aproxima da integração com a sociedade brasileira.

(Comitê contra o genocídio da juventude negra.
Disponível em: http://brasil.agenciapulsar.org/nota.php?id=9268
Acesso em: 19.nov.12)

(D) Nhambiquara, do Mato Grosso, que definem a importância do território em relação ao sepultamento ou não
dos seus parentes, assim, onde há sepultamento, é uma
aldeia sagrada; se não há, não é aldeia.

Segundo dados do Ministério da Saúde, 53% dos homicídios
registrados no Brasil atingem pessoas jovens, das quais mais
de 75% são jovens negros (as), de baixa escolaridade, sendo
a grande maioria do sexo masculino. Além disso, ao longo
da última década tem crescido o número de mortes de jovens
negros, que passou de 14 055 em 2000 para 19 255 em 2010.

20. Observe o mapa.

(Portal da Saúde – Ministério da Saúde.
Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/saude/visualizar_texto.
cfm?idtxt=41074 – Acesso em: 19.nov.12)

Amapá
Oiapoque - Calçoene
Mazagão

Quilombos
no Brasil

O cartaz e a notícia indicam que
(A) a suspeita que um dia recaiu sobre o negro, sempre um
possível escravo, continua a pairar sobre os indivíduos
de pele mais escura: um arruaceiro ou contraventor em
potencial aos olhos da ordem dominante.

Maranhão
Turiaçu
Maracaçumé
Lagoa Amarela
São Benedito do Céu
Frechal

Pará
Alenquer
Óbidos
Alcebaça
Caxiu
Mocajuba
Cupuri
Anajás

Palmares
São Paulo
Jabaquara
Mogi-Guaçu
Atibaia
Santos
Campinas
Piracicaba
Morro de Araraquara
Aldeia Pinheiros
Jundiaí
Itapetininga
Monjolinho (São Carlos)

(B) tanto a mestiçagem cultural quanto a mestiçagem física
ainda são amplamente desvalorizadas no cenário nacional, não havendo espaço para as tradições negras e para
a juventude negra no Brasil.
(C) a mestiçagem, apesar de estar presente na sociedade
brasileira, nunca foi considerada uma característica da
identidade nacional, o que fica evidente na violência de
que é vítima a juventude negra.

0

560 km

Minas Gerais
Ambrósio
Campo Grande
Bambul
Andaraí
Sapucaí
Careco
Monte de Angola
Parnaíba
Ibituruna

Sergipe
Capela
Itabaiana
Divina Pastora
Itaporanga
Rosário
Engenho Brejo
Laranjeiras
Vila Nova
Bahia
Urubu
Jacuípe
Jaguaripe
Maragogipe
Campos de Cachoeira
Crobó, Tupim, Andaraí
Xique-xique
Buraco do Tatu
N.S. dos Mares
Cachoeira
Cabula

* IBGE (Baseado em Os quilombos e a rebelião negra, de Clóvis Moura,
São Paulo: Brasiliense, 1981)

(D) o Brasil superou por completo as heranças escravistas
em meados do século XX, quando o carnaval e o samba
passaram a ser ícones da identidade brasileira, mas a
crise econômica recente reacendeu o racismo.

No trabalho em sala de aula, a leitura do mapa possibilita
aos alunos
(A) desvendarem que as fugas dos escravos foram relevantes
apenas nas regiões pobres.
(B) levantarem hipóteses sobre as regiões onde houve maior
presença de quilombos.

18. Entre os povos de diferentes origens e nacionalidades que
imigraram para o Brasil no começo do século XX, pode-se destacar italianos, japoneses, espanhóis, portugueses e
árabes, entre outros. Um século depois, o Brasil recebe uma
nova leva de imigrantes. Hoje, destacam-se os imigrantes

(C) explicarem a ausência de lutas dos escravos contra o
cativeiro.
(D) reconhecerem a extinção da escravidão como decorrência
da ação monárquica.

(A) russos e poloneses.
(B) angolanos e sul-africanos.
(C) cubanos e mexicanos.
(D) haitianos e bolivianos.
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21. O trabalho com História Ambiental no Ensino Médio
permite

24. Observe a charge.

(A) a análise da degradação ambiental como uma experiência exclusiva dos séculos XX e XXI, momento de prevalência da economia de mercado e da formação de uma
sociedade consumista.

REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

(B) a compreensão dos avanços técnicos e tecnológicos
como decorrentes exclusivos da consciência ambiental
desenvolvida nas regiões mais ricas do planeta, caso
dos Estados Unidos e da União Europeia.
(C) o estudo da bacia hidrográfica de uma região, da sua
trajetória durante um tempo histórico, relacionado
como as possíveis condições de degradação se ligam às
estruturas de poder.
(D) o exame das condições históricas brasileiras produtoras
de um paradoxo: a matriz energética nuclear representa mais de 70% do total adotado no país, embora seja
condenada por grande parte da comunidade científica.
A charge de Angeli pode ser relacionada ao ECA, que
22. Ao comentar o desenvolvimento recente da história ambiental, Peter Burke lembrou que a história monetária também
foi estimulada pela crise inflacionária dos anos 1920, assim
como a história demográfica pelo baby boom do pós-Segunda Guerra.

(A) protege crianças e adolescentes com a condição de que
não sejam pegos cometendo nenhum tipo de crime em
flagrante.
(B) institui direitos e deveres de crianças e adolescentes,
podendo levá-los a julgamento diante do não cumprimento das normas estabelecidas.

(José Augusto Pádua, As bases teóricas da história ambiental.
2010, vol.24, n.º 68, pp. 81-101)

(C) estabelece a necessidade de deter e punir crianças e
adolescentes infratores em prisões normais, para que
não sirvam de má influência aos outros jovens.

A lembrança de Peter Burke estabelece uma relação entre
(A) os acontecimentos históricos de uma época e os modismos da produção historiográfica, muitas vezes sem
fundamentação teórica.

(D) reconhece que a criança e o adolescente vivem uma fase
especial do desenvolvimento humano, e por isso o Estado tem o dever de lhes assegurar proteção integral.

(B) a emergência da questão ambiental como pauta da sociedade civil e do poder público e o aumento de investigações históricas sobre o tema.

25. O voto feminino é uma conquista relativamente recente das
mulheres em todo o mundo. No Brasil, a primeira eleição
nacional em que houve participação política das mulheres
foi em

(C) contextos históricos específicos e pesquisas históricas
muitas vezes anacrônicas, que projetam no passado as
indagações do presente.
(D) a história ambiental, que continua sendo pouco estudada devido à sua pequena relevância, e outros contextos
históricos pouco significativos.

(A) 1894, na primeira eleição republicana.
(B) 1930, na eleição que ficou marcada pela vitória fraudada de Júlio Prestes.
(C) 1933, no contexto da Assembleia Nacional Constituinte.

23. No Brasil, o documento jurídico fundamental que marcou a
incorporação dos direitos sociais de forma universal à legislação está associado ao contexto

(D) 1946, com a Constituição democrática elaborada após o
governo autoritário de Vargas.

(A) da transição para a democracia, em meados dos anos
1980.
(B) da redemocratização logo após o final do Estado Novo,
em meados dos anos 1940.
(C) da luta por reformas de base, no início dos anos 1960.
(D) das greves do ABC e da luta pela anistia, no final dos
anos 1970.

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28. Na segunda metade do século XIX percebemos a tentativa
do governo imperial em modernizar o Brasil. Essa tentativa surgiu a partir da necessidade de colocar a recém-criada
nação à altura das nações europeias, ditas civilizadas. No
entanto, um grande obstáculo se pôs nesse caminho, já que
o Brasil ainda concentrava a maior parte de suas riquezas na
área rural, o que fazia dos grandes latifundiários os donos do
poder, também, possuía a grande maioria da população de
escravos e homens livres e pobres. Diante da imposição do
novo sistema métrico decimal, vários grupos de homens livres e pobres se levantaram contra o governo imperial. Este
artigo discute não apenas as causas das revoltas, mas também sua importância como manifestação popular contras as
instituições governamentais, seus aspectos econômicos e sociais no meio rural nas últimas décadas do império.

26. Talvez o mais estranho, na democracia antiga, fosse que nela
mal havia eleição. Na verdade, não havia cargos fixos, ou
eles eram poucos. Havia encargos. Uma assembleia tomava
uma decisão; era preciso aplicá-la; então se incumbia disso
um grupo de pessoas. Mas estas não eram eleitas, e sim sorteadas.
(Renato Janine Ribeiro, A Democracia. PubliFolha.
São Paulo, 3.ª edição 2008)

O que explica a prática do sorteio na democracia antiga é o
princípio
(A) da desigualdade econômica, pois para que as condições
econômicas desiguais não influíssem nas eleições, os
cargos e as funções públicas eram sorteados.
(B) da igualdade política, pois a eleição cria distinções pautadas pela qualidade e pelo voto “no melhor”, enquanto o sorteio garante que todos podem exercer qualquer
função.

(www.encontro2012.rj.anpuh.org)

O texto faz referência à Revolta

(C) da manutenção dos privilégios, pois a aristocracia manteve benefícios em troca da permissão concedida aos
não-proprietários para que participassem dos sorteios
públicos.

(A) da Princesa.
(B) da Vacina.

(D) da isonomia entre cidadãos de origem ateniense e cidadãos estrangeiros, pois apenas o sorteio poderia evitar
a não discriminação de estrangeiros na participação do
governo.

(C) dos Mascates.
(D) do Quebra-Quilos.

29. É fundamental o professor ter profundo conhecimento sobre sua disciplina, sobre os conceitos, conteúdos e métodos
próprios do seu campo de conhecimento, para poder dialogar com os colegas de outras disciplinas. Os recortes de
conteúdos de acordo com problemáticas comuns, a seleção
dos conceitos para serem aplicados e aprofundados, enfim,
a organização e sistematização de informações, que possam
se integrar e fornecer aos alunos uma visão de conjunto do
objeto do conhecimento são possíveis apenas se houver domínio por parte de especialistas das áreas. Essa condição é
a garantia da preservação de um conhecimento escolar sem
superficialidade, que aborde temas interdisciplinares em
profundidade.

27. [Terminado o aprendizado], quando o aprendiz era aprovado
no exame e tinha recursos, podia abrir sua própria oficina.
Se não os tivesse, podia tornar-se jornaleiro e continuar a
trabalhar para o mesmo mestre, recebendo um salário, ou
tentar conseguir emprego com outro mestre. Trabalhando
duramente e poupando cuidadosamente seus salários, frequentemente conseguia, depois de alguns anos, abrir oficina
própria. Naquela época, não era necessário grande capital
para dar início a um negócio e começar a produzir. A unidade industrial típica (...) era essa pequena oficina, tendo um
mestre como empregador em pequena escala, trabalhando
lado a lado com seus ajudantes. E não só esse mestre artesão
produzia os artigos que tinha de vender, como também era
ele mesmo que realizava a venda. Numa parede da oficina
costumava haver uma janela aberta para a rua, onde se penduravam os artigos à venda (...).

(Circe Bittencourt, Ensino de História: fundamentos e métodos.
Editora Cortez. São Paulo, 2009)

Para a autora, um dos pressupostos da interdisciplinaridade é

É importante compreender essa nova fase da organização
industrial. As mercadorias, que antes eram feitas não para
serem vendidas comercialmente, mas apenas para atenderem às necessidades de casa, passaram a ser vendidas em
mercado externo.

(A) o abandono, mesmo que temporário, dos conteúdos específicos das áreas, pois só assim será possível estabelecer uma problemática comum a todos que mobilize
um conjunto de informações articuladas ao todo.

(Huberman, Leo. História da riqueza do homem. 15.ª Ed.
Rio de Janeiro, Zahar Editores, 2002, p.62-63)

(B) o reforço de um saber disciplinar e isolado, pois apenas
o domínio completo do aluno dos vários conteúdos específicos de cada disciplina é que pode promover uma
verdadeira integração entre as áreas do conhecimento.

O fragmento se refere
(A) ao processo de formação do feudalismo na Europa Ocidental e consequente decadência do escravismo antigo.

(C) o domínio dos conhecimentos específicos pelos professores especialistas de cada área, de tal forma que possam contribuir coletivamente para uma visão de conjunto do objeto do conhecimento.

(B) às primeiras manufaturas surgidas no Brasil, em Minas
Gerais, no contexto da decadência da produção aurífera.
(C) ao contexto da Revolução de 1848, na França, que institui as Oficinas Nacionais, financiadas e dirigidas pelos
sindicatos operários.

(D) a escolha de um objeto do conhecimento que permita
poucos diálogos e interlocuções entre as diferentes áreas
do conhecimento, de tal forma que o aluno sinta a necessidade de se aprofundar em cada disciplina para estabelecer relações entre elas.

(D) às mudanças no sistema produtivo e das relações de trabalho no contexto da transição da Idade Média para a
Idade Moderna.
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30. Entre os exemplos de temas a seguir, assinale aquele que
permite maior interlocução entre a História e as Ciências da
Natureza.
(A) A II Guerra Mundial, o bombardeio de Hiroshima e
Nagasaki e o início da Guerra Fria.
(B) As mudanças e permanências do pensamento religioso
no contexto da Reforma Protestante.
(C) A crise do Antigo Sistema Colonial no contexto da crise
do Antigo Regime.
(D) As relações entre o pensamento filosófico de Sócrates e
Aristóteles e a democracia antiga.

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