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Décimo Quinto Encontro Regional Ibero-americano do CIGRÉ Foz do Iguaçu-PR, Brasil 19 a 23 de

Décimo Quinto Encontro Regional Ibero-americano do CIGRÉ

Foz do Iguaçu-PR, Brasil 19 a 23 de maio de 2013

do CIGRÉ Foz do Iguaçu-PR, Brasil 19 a 23 de maio de 2013 ESTRATÉGIAS DE MANUTENÇÃO

ESTRATÉGIAS DE MANUTENÇÃO BASEADAS NO RISCO. ESTABELECIMENTO DE METODOLOGIA E APLICAÇÃO A TRANSFORMADORES DE POTÊNCIA

L. C. Pinto*

A. Tavares*

* REN – Rede Eléctrica Nacional, S.A. (Portugal)

RESUMO

Hoje em dia, com a escassez e custos elevados dos recursos financeiros, surgem novos desafios tendentes à otimização na gestão dos principais ativos, exigindo que os investimentos das empresas sejam feitos de modo criterioso, suportando as opções de ordem técnica em análises financeiras do tipo benefício-custo.

A REN - Rede Eléctrica Nacional, S.A. (Portugal) está a implementar presentemente um plano de

revisão de políticas e estratégias de manutenção, no intuito de potenciar na empresa estratégias com base no risco dos seus ativos (“risk-based maintenance”). Tendo por base índices de criticidade, obtidos através do estado e da importância do ativo na rede, é possível à empresa otimizar a atividade de manutenção, designadamente na priorização das inspeções periódicas e renovação de equipamentos, bem como numa adequada utilização de recursos (técnicos e financeiros) onde efetivamente são necessários.

Na presente Contribuição Técnica descreve-se a metodologia desenvolvida para o cálculo de índices

de criticidade de transformadores de potência (projeto-piloto), com base na importância e no estado do

ativo, com aplicabilidade a outros equipamentos, bem como os resultados obtidos, suportados já numa

aplicação informática desenvolvida “in-house”, designada por ATA - Análise de Transformadores e Autotransformadores, tendo em vista a sua operacionalização nas inspeções periódicas realizadas aos transformadores de potência. Descreve-se também de modo sucinto, com um exemplo prático aplicado a um transformador da subestação de Sines, a metodologia que futuramente se pretende utilizar, com base numa análise de benefício-custo, de suporte à decisão na renovação de transformadores de potência, tendo presente as condicionantes regulatórias portuguesas atuais.

PALAVRAS-CHAVE

Rede de transporte, gestão de ativos, estratégias de manutenção, risco, índices de criticidade, transformador de potência, inspeções, renovação, importância, estado.

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do CIGRÉ Foz do Iguaçu-PR, Brasil 19 a 23 de maio de 2013 1. INTRODUÇÃO Consequência

1. INTRODUÇÃO

Consequência da desverticalização do setor elétrico, ocorrida de modo geral em todo o mundo, associada à introdução de quadros regulatórios cada vez mais exigentes, quer do ponto de vista de qualidade de serviço, quer do ponto de vista de um aumento de eficiência na utilização dos recursos, surge a imposição às utilities elétricas de novos desafios tendentes à otimização da gestão dos seus principais ativos.

O presente enquadramento empresarial tem, naturalmente, impacto na gestão das atividades de

operação e manutenção (OPEX 1 ), como componente fundamental na gestão do ciclo de vida dos ativos, e por isso, decorre nesta data na REN - Rede Eléctrica Nacional, S.A. um plano de revisão de políticas e estratégias de manutenção, tendente a potenciar na empresa estratégias com base no risco dos ativos (“risk-based maintenance”). Tendo por base índices de criticidade é possível à empresa otimizar a atividade de manutenção, designadamente na priorização das inspeções periódicas e renovação de equipamentos, bem como numa adequada utilização de recursos (técnicos e financeiros).

O plano iniciou-se em 2011, com um projeto-piloto a nível dos transformadores de potência,

desenvolvendo-se nesta dada um conjunto de trabalhos de aplicação da estratégia de “risk-based

maintenance” a outros equipamentos das subestações e às linhas.

Na presente Contribuição Técnica será descrita a metodologia desenvolvida para o cálculo de índices

de criticidade de transformadores de potência, com base na importância e no estado do ativo, com

aplicabilidade a outros equipamentos, bem como os resultados obtidos no âmbito do projeto-piloto, suportados já numa aplicação informática desenvolvida “in-house”, designada por ATA - Análise de Transformadores e Autotransformadores, tendo em vista a sua operacionalização nas inspeções periódicas realizadas aos transformadores de potência. Descreve-se também de modo sucinto, com um exemplo prático aplicado a um autotransformador da subestação de Sines, a metodologia que futuramente se pretende utilizar, com base numa análise de beneficio-custo, de suporte à decisão na renovação de transformadores de potência, tendo presente as condicionantes regulatórias portuguesas.

2. POLÍTICA E ESTRATÉGIAS DE MANUTENÇÃO

A atividade de manutenção na REN assenta na adoção de políticas e estratégias que se adequam ao

desempenho empresarial pretendido na empresa.

No final de 2011, a gestão de manutenção dos principais ativos da REN englobava quatro tipos de

manutenção:

Manutenção corretiva (“corrective maintenance”);

Manutenção com base no tempo (“time-based maintenance”);

Manutenção com base no estado (“condition-based maintenance”);

Manutenção com base no risco (“risk-based maintenance”).

Os gráficos das figuras seguintes dão-nos uma ideia, de uma forma relativa, do peso de cada tipo de manutenção atualmente efetuada na REN, tendo por base os custos e a disponibilidade inerentes a cada tipo, para linhas e subestações. Estão também representados (a tracejado) os valores relativos expectáveis num futuro cenário de 3 a 4 anos (aumento progressivo de estratégias suportadas no risco e no estado, em detrimento de estratégias com base no tempo).

A REN, tendo em vista a otimização das atividades de manutenção, pretende nos próximos 3 a 4 anos, implementar estratégias suportadas no risco (“risk-based maintenance”), aos seus principais elementos de rede e equipamentos, designadamente às linhas, transformadores de potência e outros equipamentos e sistemas das subestações.

1 OPEX significa “Operational expenditure”, que representa o capital utilizado para manter ou melhorar os bens físicos de uma empresa.

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do CIGRÉ Foz do Iguaçu-PR, Brasil 19 a 23 de maio de 2013 Figura 1 -
do CIGRÉ Foz do Iguaçu-PR, Brasil 19 a 23 de maio de 2013 Figura 1 -
do CIGRÉ Foz do Iguaçu-PR, Brasil 19 a 23 de maio de 2013 Figura 1 -

Figura 1 - Estratégias de manutenção em linhas e em subestações (verde: situação atual; tracejado:

futuro cenário de 3-4 anos)

Tendo em conta que a abordagem “clássica” do risco, com base no cálculo da probabilidade de ocorrência de um evento e na respetiva consequência (risco explícito) pode ser de difícil implementação em sistemas complexos (diversidade de equipamentos e componentes) e, em alguns casos, com ausência de histórico consistente, recorreu-se a uma abordagem com base em índices de importância e índices de estado, resultando num índice de criticidade para cada elemento da rede ou equipamento (risco implícito). Descreve-se de seguida a metodologia desenvolvida na REN para a aplicação a ativos da empresa.

2.1 Metodologia de cálculo do Índice de Criticidade

O “Índice de Criticidade” (IC) tem por base o estado do ativo (“Índice de Estado”) e a sua importância (“Índice de Importância”) na rede. Com base no estado e importância do ativo resulta um gráfico com dois eixos, tal como se apresenta na seguinte figura. Os valores terão de ser convertidos para um intervalo entre 0 e 1 (sendo 0 a melhor situação e 1 a pior) e são então representados no gráfico. O valor do IC é obtido pela distância do ponto de localização do ativo a uma reta (d), que passa pela origem e faz um ângulo de 135º com o eixo das ordenadas.

origem e faz um ângulo de 135º com o eixo das ordenadas. Figura 2 – Índices

Figura 2 – Índices de Criticidade

Na figura anterior encontram-se representados três ativos (A 1 , A 2 e A 3 ) e as respetivas distâncias à reta d (d 1 , d 2 e d 3 ). Quanto maior for a distância, maior o IC do ativo [1].

2.2 Estabelecimento de prioridades de inspeção com base no Índice de Criticidade

Uma das futuras utilizações do IC é no estabelecimento de prioridades de inspeção dos ativos. Quanto maior for o valor de IC maior a prioridade e, concomitantemente, maior a frequência de inspeções.

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do CIGRÉ Foz do Iguaçu-PR, Brasil 19 a 23 de maio de 2013 Apenas como exemplo,

Apenas como exemplo, foram definidas três zonas de prioridade de inspeção para um determinado número de ativos, sendo a zona verde a de prioridade mais baixa (menor frequência de inspeções) e a zona vermelha a de maior prioridade (maior frequência de inspeções).

1,4 Prioridade 1,2 máxima 1 0,8 Prioridade 0,6 média 0,4 Prioridade 0,2 mínima 0 A1
1,4
Prioridade
1,2
máxima
1
0,8
Prioridade
0,6
média
0,4
Prioridade
0,2
mínima
0
A1
A2
A3
Índice de Criticidade

Ativos

Figura 3 – Exemplo de prioridades de inspeção

2.3 Política de renovação de ativos. Seleção da estratégia mais adequada

Embora o IC permita definir prioridades de inspeção para os ativos, não é por si só suficiente na escolha da estratégia (substituição, recondicionamento, etc.) mais adequada na renovação de ativos mais degradados. Como tal, advém a necessidade de, numa primeira fase, calcular o System Performace Index (SPI) para as intervenções que se colocam mais adequadas à renovação do equipamento, que posteriormente, e apenas as de maior SPI, serão valoradas através do cálculo do Valor Atualizado Líquido (VAL).

2.3.1 SPI – System Performance Index

Numa ótica de melhoria permanente da performance dos equipamentos é necessário analisar com maior detalhe aqueles cujo índice de estado ultrapassa determinado valor limite (C r ) de operacionalidade. Esse valor limite depende do tipo de equipamento e é definido, geralmente, com base no conhecimento técnico e experiência existente na empresa. Se o estado do equipamento apresenta um valor inferior a C r , o procedimento normal é manter as inspeções periódicas e manutenção de rotina estabelecidas na política de manutenção. Caso assim não suceda (índice de estado>C r ), terá de se analisar a melhor intervenção de renovação a aplicar ao equipamento, de modo a dotá-lo de maior operacionalidade, geralmente:

Manutenção mais intensiva, de modo a prolongar a vida útil e adiar o investimento para uma data mais oportuna;

Renovação por substituição;

Renovação por recondicionamento ou grande conservação.

Na figura seguinte encontra-se representado um exemplo com um conjunto de equipamentos da mesma família. O valor de C r =0,77 foi utilizado igualmente como exemplo. Os equipamentos que se encontram acima do valor limite (C r >0,77) terão de ser sujeitos a uma análise de sensibilidade com o intuito de determinar as melhores estratégias de renovação a adotar pela empresa. Para isso, e tomando como base a metodologia descrita anteriormente, pode-se determinar o rácio “System Performance Index” (SPI), que permite considerar num único índice a melhoria de estado obtida na intervenção/ação em análise versus custo direto da mesma intervenção/ação [1].

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do CIGRÉ Foz do Iguaçu-PR, Brasil 19 a 23 de maio de 2013 A renovar 1,0
A renovar 1,0 0,9 0,8 C r =0,77 0,7 A manter em 0,6 serviço 0,5
A renovar
1,0
0,9
0,8
C
r =0,77
0,7
A manter em
0,6
serviço
0,5
0,4
0,3
0,2
0,1
0,0
0,0
0,1
0,2
0,3
0,4
0,5
0,6
0,7
0,8
0,9
1,0
Estado

Importância

Figura 4 – Exemplo de análise da estratégia a adotar

A avaliação efetuada pelo método SPI tem em consideração uma mudança de estado do equipamento

após aplicação de determinada ação, aliada aos custos financeiros inerentes a essa mesma ação. O estado original do equipamento é dado pelo valor E 0 . Dependendo da ação tomada (por exemplo, um recondicionamento), o estado é alterado passando a ser E 1 ou E 2 (substituição por um ativo novo). A

importância não é alterada no seguimento destas ações.

Estado 1 E 0 E 1 d 0 d 1 E 2 Impo rtância d
Estado
1
E
0
E 1
d 0
d 1
E
2
Impo rtância
d 2
1

Figura 5 – Evolução do “System Performance Index” (SPI)

O valor de SPI é determinado através das seguintes equações:

SPI

0

1

=

d

0

d

1

f

R

; SPI

0

2

=

d

0

d

2

f

S

onde, d n é o valor do Índice de Criticidade do equipamento e, f j representa os custos associados ao recondicionamento (R) ou à substituição direta por um ativo novo (S). Numa primeira avaliação, a melhor estratégia a aplicar será aquela que apresentar o valor de SPI mais elevado. Este método permite determinar numa primeira fase quais as melhores opções técnicas de intervenção. No entanto, como apenas tem em consideração os custos determinísticos, não pode ser totalmente conclusiva 2 . Para isso, será necessário recorrer a outros métodos de análise, designadamente o cálculo do VAL para

as intervenções cujo SPI seja mais elevado.

2.3.2 VAL – Valor Atualizado Líquido

Através da análise do VAL (NPV - Net Present Value, na denominação anglo-saxónica), é possível determinar, de entre as opções resultantes da análise pelo método SPI, qual é a melhor solução de intervenção no curto, médio e longo prazo. O VAL é dado por:

VAL

=

CI

0

+

n CFE

t

= 0

t

(1

+ k

)

t

2 Não são considerados os custos indiretos, isto é, os custos derivados de uma má qualidade de serviço, perda de transporte de energia e danos provocados a pessoas e ao meio ambiente, bem como proveitos de carácter regulatório em vigor.

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do CIGRÉ Foz do Iguaçu-PR, Brasil 19 a 23 de maio de 2013 onde, CI 0

onde, CI 0 representa o custo de investimento inicial, CFE t o free cash-flow no ano t e k a taxa de remuneração. Um VAL positivo significa que, em termos previsionais, a empresa terá uma taxa de remuneração k 3 . Se o VAL for igual a zero o investimento é neutro em termos de efeitos sobre a riqueza. Se for negativo, em princípio, o investimento deve ser rejeitado. A melhor solução de entre um conjunto de opções será a que tiver o VAL mais elevado [2].

2.3.2.1 Parâmetros a considerar na análise do VAL

São considerados os custos probabilísticos (com base na taxa de falhas dos equipamentos, geralmente traduzida pela chamada “curva da banheira”), os custos de manutenção, penalizações por energia não fornecida, decréscimo ou acréscimo na remuneração por disponibilidade dos elementos da RNT e eventuais custos associados a qualquer impacto adverso na imagem da empresa ou perda de clientes. Com vista a fomentar um comportamento mais eficiente pelo operador da rede de transporte, o regulador português decidiu estabelecer um mecanismo de incentivo ao investimento eficiente na rede

de transporte, através da valorização dos novos investimentos a custos de referência, denominado

“Mecanismo de valorização dos novos investimentos da RNT a custos de referência”. Este mecanismo, mediante a verificação de um conjunto de condições e restrições relacionadas com as tipologias de investimento e respetivo custo, determina a forma de valorização da base de ativos e a aplicação de taxas de remuneração diferenciadas. Consequentemente, como proveitos, deverão ser considerados todos os incentivos regulatórios aplicáveis, nomeadamente o referido mecanismo de incentivo ao investimento eficiente e o “Incentivo ao prolongamento da vida útil dos elementos da RNT”, caso haja uma intervenção que potencie o prolongamento da vida útil dos ativos. Os valores utilizados no estudo deverão estar em conformidade com os “Parâmetros de regulação para o período 2012 a 2014” [3].

De referir que os investimentos podem ter financiamento misto, isto é, ter capital próprio e alheio. Neste caso, a taxa de atualização a considerar será um custo médio real dos capitais utilizados, depois

de impostos, ponderado segundo a percentagem de cada tipo de capital (próprio ou alheio). Esse custo

médio tem a denominação “Weighted Average Cost of Capital” (WACC).

WACC = w

d

k

d

(1 T ) + (1

w

d

)

k

s

Onde, k d e k s são respetivamente, o custo do capital alheio e a taxa de rentabilidade exigida para os

capitais próprios, w d é o peso dos capitais alheios na estrutura de capital e T é a taxa de imposto sobre

os lucros.

E

AUTOTRANSFORMADORES

Para o projeto-piloto (transformadores de potência), a REN decidiu aplicar a metodologia indicada anteriormente (determinação de um índice de criticidade com base no estado e importância) aos transformadores e autotransformadores da RNT. A seleção deste tipo de ativo deve-se sobretudo a dois fatores: i) maior facilidade na determinação do seu estado (tendo por base as análises periódicas ao óleo isolante); ii) o facto de ser o equipamento de maior custo presente numa instalação.

A avaliação do estado dos transformadores e autotransformadores é, sobretudo, suportada num

conjunto de análises e ensaios ao óleo isolante (análises dos gases dissolvidos no óleo, ensaios físico-

químicos e dielétricos do óleo e análises dos compostos furânicos dissolvidos no óleo) feitos periodicamente às diferentes máquinas em serviço. No cálculo do “Índice de Importância” para cada transformador e autotransformador foi considerada a potência média transformada da máquina, a existência ou não de reserva de transformação ou

3.

ÍNDICES

DE

CRITICIDADE

DE

TRANSFORMADORES

3 Considerando que será sempre a mesma taxa desde o início do investimento até ao final da sua vida.

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do CIGRÉ Foz do Iguaçu-PR, Brasil 19 a 23 de maio de 2013 autotransformação, em caso

autotransformação, em caso de perda da máquina, e da reserva de transformação para receção de energia na RNT proveniente do escalão dos 60 kV.

3.1 Aplicação ATA – Análise de Transformadores e Autotransformadores

Em 2011, e como suporte operacional ao acompanhamento em serviço dos transformadores e autotransformadores, foi desenvolvida na REN uma aplicação informática, denominada de “ATA - Análise de Transformadores e Autotransformadores”, onde um dos objetivos é determinar de modo automático os Índices de Criticidade dos transformadores e autotransformadores da RNT. Além deste objetivo, a aplicação centraliza a informação, com carregamento automático de dados das análises e ensaios aos óleos, permitindo também uma interligação com o SAP, bem como a geração automática dos Índices de Estado e Importância, necessários ao cálculo dos Índices de Criticidade.

4. CASO PRÁTICO: SELEÇÃO DO TIPO DE ESTRATÉGIA DE RENOVAÇÃO

MAIS ADEQUADA PARA O CASO DO AUTOTRANSFORMADOR-5 DA SUBESTAÇÃO DE SINES

A metodologia anteriormente descrita foi aplicada ao autotransformador número 5 da subestação de Sines (ATR5 de SSN), que entrou em serviço em 1985 e cuja relação de transformação é 400/150 kV e potência nominal de 360 MVA. Foram analisadas as hipóteses de recondicionamento da máquina, com um prolongamento da vida útil de 15 anos, ou substituição por uma unidade nova, resultando num novo período de vida útil de 30 anos.

4.1 Cálculo do System Performance Index (SPI)

Na figura seguinte encontra-se realçado o autotransformador em análise (ATR5_SSN) no seu estado atual, assim como os possíveis estados futuros, consoante a opção de renovação (recondicionamento ou substituição). Os IC das várias hipóteses são dados pelas distâncias representadas (d0, d1 e d2).

1,0 0,9 E 0 0,8 ATR5_SSN 0,7 0,6 0,5 0,4 E 1 ATR5_SSN (recondicionamento) 0,3
1,0
0,9
E 0
0,8
ATR5_SSN
0,7
0,6
0,5
0,4
E 1
ATR5_SSN (recondicionamento)
0,3
d
0
0,2
ATR5_SSN (substituição)
0,1
E 2
0,0
d 1
0,0
0,1
0,2
0,3
0,4
0,5
0,6
0,7
0,8
0,9
1,0
Importância
d 2
Estado

Figura 6 – Posição do ATR 5 da Subestação de Sines, segundo o tipo de renovação considerada

Na Tabela 1 encontram-se resumidos os valores relativos às duas opções de intervenção analisadas, o custo associado à intervenção e também resultados obtidos pelo método SPI. Como pode ser observado, a melhor opção através do método SPI é o recondicionamento, pois é a que apresenta um SPI mais elevado. No entanto, tal como já foi referido anteriormente, o método SPI apenas tem em consideração os custos determinísticos, o que faz com que não possam ser retiradas conclusões definitivas.

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Tabela 1 – Dados para cálculo do SPI

a 23 de maio de 2013 Tabela 1 – Dados para cálculo do SPI Tipo de

Tipo de intervenção

 

Índice de Estado

 

Índice de

Índice de

SPI

E

0

E

1

E

2

Importância

Criticidade

Recondicionamento

0,744

0,331

-

0,360

0,488

0,000835

Substituição

0,744

-

0

0,360

0,255

0,000187

4.2 Análise do Valor Atualizado Líquido (VAL)

Através da análise do Valor Atualizado Líquido (VAL) é possível determinar qual a melhor solução de intervenção do ponto de vista financeiro, sendo a melhor opção a que apresentar o maior VAL. Nesse sentido, foi determinado o VAL de cada opção com base no free cash-flow (FCF) e no WACC da empresa. Tendo em consideração os incentivos regulatórios referidos no capítulo 2.3.2.1, para a opção de substituição considera-se que o custo total real do equipamento novo será 10% inferior ao custo de referência atualizado de uma máquina com relação de transformação 400/150 kV e de 450 MVA. Nesta situação, uma vez que se encontra dentro do intervalo estabelecido no mecanismo de

incentivo (0,9 Custo referência Custo real 1,1 Custo referência) , está sujeito a uma taxa

remuneração com prémio de 10,5% [4]. No caso da opção de recondicionamento, como os custos são imputados a CAPEX, esta opção também é remunerada pois representa um novo investimento. No entanto, será remunerada com uma taxa sem prémio de 9%, pois não existem preços de referência para os recondicionamentos. Por outro lado, tratando-se de uma intervenção que permitirá o prolongamento da vida útil do ativo, a REN receberá uma remuneração segundo o “Incentivo ao prolongamento da vida útil dos elementos da RNT”. De referir que os incentivos regulatórios utilizados têm em consideração os “Parâmetros de regulação para o período 2012 a 2014” [3]. De referir que foi considerada uma taxa de encargos técnicos de 4,95%, uma taxa de encargos financeiros de 3,84%, 70% de capital alheio para financiamento (com taxa de juro de 5%) e uma taxa de rentabilidade exigida para capitais próprios de 10,5%. O WACC resultante foi de 5,55%. Devido ao facto de os investimentos em causa terem dimensão e duração diferentes foi necessário recorrer ao chamado “Método da harmonização” de modo a que as duas opções sejam comparáveis, utilizando-se para tal uma taxa de reinvestimento de 5,5%. Do ponto de vista económico, considera-se a melhor opção, aquela que apresentar o maior VAL. Não foram consideradas questões de outra natureza, nomeadamente análises técnicas específicas. Foi tido em consideração que a intervenção (recondicionamento ou substituição) é efetuada em 2012. No gráfico seguinte podem ser vistos os resultados do VAL para a substituição ou recondicionamento (CAPEX 4 ) do autotransformador número 5 da subestação de Sines. Pode-se concluir que a melhor opção é o recondicionamento com custos imputados a CAPEX. Além de um VAL superior para a empresa, esta opção tem também a vantagem de exigir um menor valor de investimento (1/10 do custo de uma máquina nova), o que na conjuntura atual de financiamento se considera de valorar, com prolongamento da vida útil em 1/3 da vida técnica da máquina.

de

4 CAPEX significa “Capital expenditure”, e é referente a despesas de capital ou investimento em bens de capital.

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do CIGRÉ Foz do Iguaçu-PR, Brasil 19 a 23 de maio de 2013 Figura 7 –
do CIGRÉ Foz do Iguaçu-PR, Brasil 19 a 23 de maio de 2013 Figura 7 –

Figura 7 – Análise do VAL para o autotransformador número 5 da subestação de Sines

5.

CONCLUSÃO

A adoção futura de estratégias de manutenção com base no risco (“risk-based maintenance”) permite

à REN otimizar os seus recursos técnicos e financeiros. Como a abordagem “clássica” do risco pode

ser de difícil implementação em sistemas complexos (onde existe uma grande diversidade de equipamentos e componentes), e em alguns casos, com ausência de histórico consistente, conclui-se que a metodologia suportada em Índices de Criticidade (com base no estado e importância do ativo) é uma alternativa viável, demonstrada pela sua aplicação no âmbito do projeto-piloto relativo aos transformadores e autotransformadores. Tendo por base os Índices de Criticidade (IC) dos transformadores e autotransformadores é possível de imediato estabelecer periodicidades diferenciadas para as inspeções e ações de manutenção periódicas, designadamente na recolha das análises e ensaios aos óleos isolantes.

A metodologia de cálculo dos IC possibilita também o cálculo do rácio System Performance Index

(SPI), que tem em consideração os custos diretos associados a determinada intervenção no ativo e a evolução no estado do ativo após a referida intervenção. O SPI permite assim, numa primeira análise, selecionar de entre um conjunto de opções, as melhores estratégias a equacionar na renovação de

equipamentos. Como o SPI apenas considera os custos diretos (determinísticos), é necessário recorrer

à análise do Valor Atualizado Líquido (VAL), de modo a determinar a melhor solução de entre as

opções resultantes da análise do SPI. A melhor opção será a que maximizar o VAL. De modo a implementar esta metodologia, foi desenvolvida na REN uma primeira avaliação a uma máquina da subestação de Sines, com 27 anos de serviço e cujo estado de conservação recomenda a execução, a curto prazo, de uma intervenção. Da análise VAL efetuada resulta que a melhor opção, tendo em consideração os incentivos regulatórios portugueses em vigor, é o recondicionamento com custos imputados a CAPEX. Além de um VAL superior para a empresa, esta opção tem também a vantagem de exigir um menor valor de investimento (1/10 do custo de uma máquina nova), o que na conjuntura atual de financiamento se considera de valorar, com prolongamento da vida útil em 1/3 da vida técnica da máquina.

BIBLIOGRAFIA

[1] G.Balzer; K.Bakic; H.J.Haubrich: “Selection of an optimal maintenance and replacement strategy of H.V. equipment by a risk assessment process”. Cigré, B3-103. 2006. [2] I.Soares; J.Moreira; C.Pinho; J.Couto: “Decisões de Investimento: Análise Financeira de Projectos”. Edições Sílabo. [3] Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos: “Parâmetros de regulação para o período 2012 a 2014”. 2011. [4] www.ren.pt