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TÓPICOS DE ‘MEDO E OUSADIA – O COTIDIANO DO PROFESSOR’ LIVRO-DIÁLOGO DE PAULO FREIRE E IRA SHOR 1

MAIS QUE UMA INTRODUÇÃO

‘A Educação é política e a política tem educabilidade’

P. Freire.

MEDO E OUSADIA – O COTIDIANO DO PROFESSOR’ é um livro-diálogo

proposto por Ira Shor a Paulo Freire. No topo da agenda estão

explanados os temas que dizem respeito ao pensamento de Freire, ‘a

natureza da educação como um ato político’, pensamentos referentes

aos conceitos de educação libertadora, professor transformador,

método dialógico; assim como também uma rica discussão acerca de

como pode ocorrer a transformação do professor em um ‘educador

transformador’, sobre os possíveis riscos de tal transformação; são

discutidos se há estrutura e rigor em uma ‘educação libertadora’.

Também são levantadas questões quanto à diferença da linguagem de

professores e alunos, de classes sócias, acadêmicos etc. Por fim,

tratam de versar sobre os primeiros passos do profissional da

educação que visa empreender-se em sua tarefa de educador

libertador. E, acima de tudo, trataram, nas palavras de Ira Shor, de

como a teoria freiriana poderia, a partir das indagações dos

próprios professores, ‘abranger o cotidiano’.

No prefácio do livro, sob o título de O SONHO DO PROFESSOR

traçam algumas

definições introdutórias de como, e quanto, ao que será discutido.

Vale citar, principalmente, o caráter dado por Freire sobre sua

SOBRE

A

EDUCAÇÃO

LIBERTADORA, Shor e

Freire já

própria teoria e a nítida semelhança como o formato da obra: o

caráter criativo e re-criativo do diálogo 2 ; assim como também sua

exposição quanto ao conceito de

propriamente, no capítulo três. ‘Creio que muitas pessoas’, diz

rigor, algo que é trabalhado,

1 FREIRE, P.; SHOR, I. Medo e Ousadia O Cotidiano do Professor. Rio de Janeiro:

Paz e Terra, 1986. 2 ‘O diálogo pertence à natureza do ser humano, enquanto ser da comunicação. O diálogo sela o ato de aprender, que nunca é individual, embora tenha uma dimensão individual’(op. cit. p.14).

Freire, ‘são complemente equivocadas

significado da palavra rigor. Eu me sinto rigoroso se provoco você, a ser rigoroso 3 . O rigor é algo que existe na História, feito através da História. Por causa disso, o que é rigoroso hoje, pode não sê-lo amanhã’. E Shor completa: ‘o rigor é um desejo de saber, uma busca de resposta. Talvez o rigor seja, também, uma forma de comunicação que provoca o outro a participar, ou inclua o outro numa busca ativa’.

respeito do

e

ingênuas a

Também vale notar a exposição de Freire a respeito do ciclo gnosiológico, conceito usado por ele para designar o ciclo do ato do conhecimento. Segundo suas palavras o primeiro momento do ciclo é o momento da produção de um conhecimento novo, e um segundo momento seria aquele em que percebemos o conhecimento adquirido, como homo sapiens sapiens, que deveras somos. E Freire explica que

O que acontece, geralmente, é que dicotomizamos esses dois

momentos, isolamos um do outro. Conseqüentemente, reduzimos o ato de conhecer do conhecimento existente a uma mera transferência do conhecimento existente. E o professor se torna exatamente o especialista em transferir conhecimento. Então, ele perde algumas qualidades necessárias, indispensáveis, requeridas na produção do conhecimento, assim

como no conhecer do conhecimento existente. [

p.ex., a

ação, a reflexão crítica, a curiosidade, o questionamento exigente, a inquietação, a incerteza todas estas virtudes são indispensáveis ao sujeito cognoscente. (p.18).

]

A parir deste ponto, o que segue são os tópicos que julguei mais importantes discutidos neste livro-diálogo. Outros pontos foram suprimidos devido ao curto espaço de tempo de disponibilizei para a realização do trabalho.

3 Anteriormente, quanto à leitura, Freire refere: ‘Se somos capazes de criar algum mal-estar entre nossos leitores, de lhes propiciar algumas incertezas, então o livro terá sido importante. Seremos rigorosos’.

Como pode o professor transformar-se num educador libertador?

É possível, partir, somente, do próprio professor, a experimentação de uma escola libertadora? Creio ser essa a real dúvida que é colocada aqui. Agrada-me a idéia, buscando contextualizar com o meu tempo, com minha atual experiência como estagiário numa escola pública, especular como seria o correto comportamento de um professor que quer, que deseja aplicar a teoria freiriana em nossas escolas atuais. É sabido que a maioria das escolas públicas do município de Porto Alegre mantém, assim como tantas outras no Brasil, o mesmo e fracassado ensino estático (salvo raras exceções), então, onde se espelhar? Paulo Freire afirma que sua ‘educação’ também se iniciou dessa forma, nesse modelo; e, quando passou, anos mais tarde, a lecionar, viu-se agindo sob esse signo, o já citado signo da transferência de conhecimento 4 . Falando como professor transmissor, através de sua linguagem rica e culta. Percebeu que não bastava apenas, no que diz respeito a problemas de linguagem, p.ex., negar as regras (gramaticais), era necessário mudar sua pedagogia 5 . E praticando seu ofício de professor é que aprendeu a lecionar. A transformação ocorreu aos poucos. Mas não sem usar como referência toda sua experiência de vida. Freire escreve que no início suas aulas eram ‘uma mistura de formas didáticas tradicionais e críticas’; passava aos alunos o conteúdo ‘obrigatório’ e ao mesmo tempo, incentivava-os a produzir ‘pequenos trabalhos’ que lia e usava como texto de aula. Usava os próprios trabalhos dos alunos, usava os saberes de seus alunos estimulando sua criatividade e usando-os como exemplos das antes chatas e tediosas regras gramaticais. Dentre outros exemplos dados por Freire a Shor, de como ocorrera sua transformação, deixa claro que, a mudança ocorra, o

4 ‘Ingenuamente, impunha sobre eles [os estudantes trabalhadores] minha própria

experiência. Não sabia o que era reinventar o conhecimento de maneira crítica com

eles

aprendizagem crítica, entre os quais minha ignorância, assim como a imersão deles numa cultura de massa que os incapacitava’(p.30).

aprendi que a beleza e a criatividade não podiam viver escravas da devoção

5 ‘[

Levei vários anos para descobrir os verdadeiros obstáculos da

[

]

].

gramatical. Essa compreensão me ensinou que a criatividade precisa de liberdade.

] [

Isto fui um fundamento, também, para que eu soubesse, depois, como a

criatividade na pedagogia está relacionada com a criatividade na política’ (p.31).

professor deve estar aberto a ela. Ter a consciência que o diálogo entre os saberes é o que há de mais fundamental 6 .

Para que os professores se transformem, precisamos, antes de mais nada, entender o contexto social do ensino, e então perguntar como é que esse contexto distingue a educação

A educação

libertadora é, fundamentalmente, uma situação na qual, tanto os professores como os alunos devem ser os que aprendem; devem ser os sujeitos cognitivos, apesar de serem diferentes. Este é, para mim, o primeiro teste da educação libertadora: que tanto os professores como os alunos sejam agentes críticos do ato de conhecer. (p.46).

libertadora dos métodos tradicionais. [

]

Quais os temores e os riscos da transformação?

Ira Shor, no terceiro parágrafo da página 67 coloca uma das

desgaste do

professor e a resistência dos alunos fazem com que muitos professores se perguntem por que estão na educação’. Uma conseqüência da decisão do professor se direcionar ao caminho da transformação. Professores, que frente aos currículos reguladores, vêem-se, como sujeitos predispostos à experiência da liberdade, quase que como expelidos da estrutura formal da pedagogia dominadora. Tanto pelos seus ‘colegas’, como pelo aluno não

habituado ao cultivo de sua liberdade.

propriedade, trata de esclarecer a índole ‘natural’, do caráter

concreto

próprio ato de experimentar. Freire diz que

Paulo Freire, com muita

frases decisivas

para

a

discussão

desse

ponto:

‘O

do

medo,

do temor advindo

da

própria experiência. Do

Na medida em que tenho mais e mais clareza a respeito de minha opção, de meus sonhos, que são substantivamente políticos e adjetivamente pedagógicos, na medida em que reconheço que, enquanto educador, sou um político, também entendo melhor as razões pelas quais tenho medo, porque começo a antever as conseqüências desse tipo de ensino. Pôr em prática um tipo de educação que provoca criticamente a consciência do estudante, necessariamente trabalha contra alguns mitos, que nos

deformam. [

nosso medo (p.69).

Devemos estabelecer certos limites para o

]

aprendi, na minha relação com eles [trabalhadores de Recife], que eu

deveria Ser humilde em relação a sua sabedoria. Eles me ensinaram, pelo silêncio,

que era absolutamente indispensável que eu unisse meu conhecimento intelectual com

sua própria sabedoria. [

conhecimento: o menos rigoroso do mais rigoroso’ [negrito nosso] (p.41).

Eu nunca deveria dicotomizar esses dois conjuntos de

6

‘[

]

]

não

devemos nem negá-lo nem escondê-lo. O medo deve nos alavancar em direção ao sonho, pois ele está aí, talvez, para mostrarmos que o estamos no caminho certo, porém, também nos servirá para permanecermos atentos aos possíveis erros, e provavelmente ocorrerão, neste percurso rumo ao incerto, à transformação constante, à liberdade autocriativa. Pois, se o caso fosse de permanecermos imóveis, iguais, não haveria o que temer, a nós, bastaria seguir a turba. ‘Quanto mais você reconhece que seu medo é conseqüência da tentativa de praticar seu sonho, mais você aprende a por seu sonho em prática’ (p.71).

Outro ponto que diz respeito à frase citada de Shor, é a resistência dos alunos a essa transformação, à rejeição do aluno à educação libertadora. Tanto na época que fora escrita a obra como nos dias de hoje, podemos nos considerar como ‘filhos’ do método de ensino tradicional, então, necessariamente alguns estudantes estão, por hora, infectados por tal sistema; mais ainda, alguns estudantes estão condicionados (ou determinados?) a ele pela sociedade em que estão inseridos. Freire fala que mesmo o professor libertador não pode desconsiderar alguns fatores que nos levam a esse problema. Diz que (em primeiro lugar) a sociedade criou o problema que a maioria dos estudantes se depara: adquirir um bom emprego e ganhar dinheiro; (em segundo lugar) o pensamento de o estudante conquistar um emprego com um bom salário não é problema do método tradicional de transferência de conhecimento; e (em terceiro lugar), não importa o modelo de educação, todos ‘devem atender às expectativas do estudante’. Devido a pouca clareza do trecho, outra vez uso como artifício a citação direta:

Isto

é,

admitindo

ser

o

medo, um sentimento natural,

Tanto o educador tradicional como o libertador não tem o direito de desconhecer as metas dos estudantes de receber [também] formação profissional e adquirir credenciamento para o trabalho. Nem podem negar os aspectos técnicos da educação. Há uma necessidade real de especialização técnica, de que educação de uma perspectiva tradicional ou libertadora deve tratar. Além disso, a necessidade de formação profissional dos estudantes a fim de se qualificar para o trabalho é uma exigência real sobre o educador [colchetes nosso] (pp.85-86).

diferença que um educador

libertador tem [

estes últimos, ‘têm ambos de ser competentes na habilidade de educar

os estudantes quanto às qualificações que os empregos exigem’. O tradicional se preocupa com ‘a ordem estabelecida’. Já libertador, além de tentar ser eficiente neste âmbito, também procurará esclarecer a ideologia (dominante)‘envolvida nas próprias expectativas dos estudantes’(p.86). Obviamente, Freire, quando flerta com essa possível contradição 7 está preocupado, e com razão, com a classe popular, dominada e massacrada pela ideologia dominante.

do educador tradicional e o democrático’ é que

Freire acrescenta que

]

‘a

[

]

Há estrutura e rigor na educação libertadora?

Como fora citado anteriormente, a definição de rigor de Paulo Freire diferencia-se das demais existentes na linguagem ordinária, assim como também, e muito mais nesse caso, da definição de rigor encontrada na educação tradicional, sempre associada a autoritarismo. Ser rigoroso não significa ser autoritário; na concepção de Freire, o rigor encontrado na sua pedagogia é aquele que, ao ser rigoroso, o professor transformador não utiliza o ‘currículo da transferência [que] é uma forma mecânica e autoritária de pensar sobre como organizar um programa’; é sim, antes de tudo, saber que o conhecimento requer disciplina; talvez, ser rigoroso, signifique manter-se firme no sonho de uma pedagogia da liberdade. É manter o curso, com estrutura e rigor na criticidade do método dialógico.

O rigor vive com a liberdade, precisa da liberdade. Não posso entender como ser rigoroso sem ser criativo. Para mim, é muito difícil ser criativo se não existe liberdade. Sem liberdade, só posso repetir o que me é dito. Penso que temos que compreender, com paciência, que a questão do rigor na educação libertadora não nos é colocada

não

provocadoramente, no mau sentido da palavra. [

formos capazes de demonstrar que a abordagem dialógica é muito séria, muito exigente, muito rigorosa, e implica numa busca

]

se

7 Tal contradição seria o fato de Freire defender ainda uma pedagogia de preparação para o trabalho, assim como faz a ideologia dominante; porém, acrescenta: Como é possível, antes de transformar a sociedade, sonegar aos estudantes o conhecimento de que precisam para sobreviver? Seria um absurdo! (p.86).

permanente de rigor, se não se for capaz de demonstrar isso fazendo-o; e não através do discurso, acho que falhamos na nossa proposta (p.98).

O que é método dialógico de ensino?

Neste ponto do debate, Ira Shor levanta a questão acerca do método dialógico, entretanto, antes explana alguns dos entendimentos deste conceito pelos professores, como técnicas de ensino. Freire é enfático; diz que antes de qualquer coisa, não devemos entender o diálogo como uma tática de aproximação do aluno, nem como uma técnica para se atingir a objetivos. ‘O diálogo é uma espécie de postura necessária, na medida em que os seres humanos se transformam cada vez mais em seres criticamente comunicativos. O diálogo é o momento em que os seres humanos se encontram para refletir sobre sua

realidade tal como a fazem e re-fazem [

o diálogo sela o

relacionamento entre sujeitos cognitivos [podendo, assim] atuar criticamente para transformar a realidade’(p.123). Freire vê o método dialógico como ‘relação epistemológica’ (p.124). O educador, sem renunciar ao que sabe, entra nessa relação com o aluno, a fim de que criar uma tensão entre seu conhecimento com o

do aluno, andando lado a lado em busca de uma criticidade; assim como adquirindo certas certezas científicas, chegando ao objeto de seu estudo. Ou, nas palavras de Freire

].

O diálogo não existe num vácuo político. O diálogo não é um ‘espaço livre’ onde se possa fazer o que quiser. O diálogo se dá dentro de algum tipo de programa e contexto. Esses fatores condicionantes criam uma tensão para alcançar os objetivos que estabelecemos para a educação dialógica. Para alcançarmos os objetivos da transformação, o diálogo implica responsabilidade, direcionamento, determinação, disciplina, objetivos.

Como superar as diferenças de linguagem existentes?

Para responder a esta questão, Freire parte de um pensamento

dicotômico entre

‘ler as palavras

e

ler

o

mundo’.

Refere-se à

linguagem usada

na

academia

e,

por

assim

dizer,

das

ruas,

da

periferia das grandes cidades e do meio rural. Em uma palavra, da linguagem professoral e a dos alunos. Como é sabido, os conceitos,

por mais que devessem relacionar-se diretamente como o mundo concreto, não o fazem, ou melhor, não se referem. Já a linguagem, p.ex., dos trabalhadores, é uma linguagem direta, sem rodeios e associada diretamente à sua própria realidade. O mesmo ocorre, talvez em uma menor ‘escala de medida’, com alunos que chegam às universidades, ou mesmo aqueles que ingressam nas escolas (públicas,principalmente). Lembrei-me agora de uma frase dita por um antigo professor (cujo nome não recordo) que afirmava ser o preconceito lingüístico, uma das formas mais violentas de exclusão social. Que fazer, então? Como agir? Paulo Freire parece (falta-me segurança para uma afirmação) sugerir uma aproximação entre a linguagem acadêmica, conceitual, e as diferentes linguagens com que nos deparamos em sala de aula. Não nos será proveitoso, nem justo, abolir a linguagem conceitual das salas de aula, e sim, usar de todos os ‘instrumentos’ disponíveis para concretizar tal linguagem. Praticar o uso de metáforas, de exemplos práticos, resumos, histórias, parábolas, e até usar o humor como artifício para atrair a atenção dos estudantes. Por exemplo, após uma determinada fala, procurar trazer o que fora dito para a realidade, para a linguagem do real usado pelos alunos, entretanto, com uma inversão do eixo; devemos partir da linguagem dos alunos, para depois trazê-los para uma linguagem rigorosa de análise. Partir ‘de seus níveis de percepção e conhecimento da realidade’ e procurar ‘com eles, atingir um nível de compreensão e expressão da realidade muito mais rigoroso’ (p.179). Aprender com a linguagem dos alunos para sabermos como trabalhar nossos conceitos de tal forma que também eles se apropriem da ‘nossa’ linguagem.

Como seriam os primeiros passos do professor transformador?

Chegamos ao ponto mais fundamental para aquele se interessa, responsavelmente, com a transformação. Depois do que dito, no decorrer da obra, gostaria de encerrar o trabalho preparando o futuro professor libertador para a sua derrota. Talvez com uma leitura mais atenta a obra trabalhada não seria necessário nem tocarmos no assunto; porém, antes um esclarecimento quanto ao uso da

palavra derrota. Derrota, na etimologia da palavra, em sua raiz mais profunda, significa ROTEIRO, um caminho a ser seguido. Então, partindo desse ponto, encerro como encerrei a maioria dos pontos explanados neste trabalho - passo a palavra a Paulo Freire:

Antes de mais nada, é preciso esclarecer que seu trabalho, a sua atividade de educador, não será suficiente para mudar o mundo. Para mim, esta é a primeira coisa: não idealizar a

tarefa

educacional.

Mas

ao

mesmo

tempo,

é

necessário

reconhecer

que

ao

fazer

alguma

coisa

dentro

do

espaço da

escola, você pode trazer boas contribuições. Temos que ter

mais ou menos claros nossos limites como educadores. Ir mito

com quem

queremos mudar

necessariamente, eu precisaria mudar minha humildade vis-à-vis

os alunos, trabalhando com eles, não como tática, mas como

necessidade. [

além

Em segundo lugar, e

dos limites

a

].

],

pode

assustar

as

].

pessoas

que

realidade. [

é claro que preciso ter certeza de que

tenho algum conhecimento, de que sei alguma coisa. Mas o que

tenho que saber é que apesar de que, possivelmente, saiba mais

que os alunos [

eles também são capazes de saber, e eles

também já sabem muitas coisas [

esclarecer que preciso re-aprender o que acho que sei, na

Em terceiro lugar, devo

].

medida

em

que

os

educandos conhecem junto

comigo

e

entre

eles.[

].

Em quarto lugar, também tenho que ser mais ou

menos crítico a respeito de como funciona nossa sociedade.

Preciso de

funcionamento da sociedade, para poder entender a educação, na

qual estou

contexto da sala de aula. Em última análise, nós mudamos à

processo da mudança social

medida

no

uma compreensão crítica das próprias formas de

envolvido,

nos

funciona

no

contexto global e

que

engajamos no

[negrito nosso] (p.215).

Jacson Faller

2007