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www.ferrazdesouza.

com

Foto: Anderson de Souza

ano 01 - Edição 03 - Maio/2009
Capa:
Cristian da Silva
Foto:
Wagner Ferraz
Local:
Porto Alegre

Informativo FdeS passe a ser Informe C3: Porto Alegre/Canoas/São Leopoldo.
Distribuição: Gratuita e ilimitada pelo território da internet.
Direção: Wagner Ferraz
Pesquisa e organização: Processo C3
Pesquisadores: Anderson de Souza, Francine Pressi e Wagner Ferraz
Projeto gráfico e execução: Anderson de Souza e Wagner Ferraz
Contato:
Wagner Ferraz
55-51-9306-0982
wag_ferraz@hotmail.com
www.ferrazdesouza.com
Colaboradores:
Paulo Duarte - Coimbra/Portugal
Rodrigo Monteiro - Porto Alegre/RS/Brasil
www.teatropoa.blogspot.com
T. Angel - Frrrk Guys - São Paulo/Brasil
www.frrrkguys.com
prisciladavanzo - São Paulo/Brasil

Agradecimentos
Terpsí Teatro de Dança
Porto Alegre/RS/Brasil
www.terpsiteatrodedanca.blogspot.com
T. Angel - Frrrk Guys
São Paulo/Brasil
www.frrrkguys.com
Santander Cultural
www.santandercultural.com.br
Paulo Duarte
Coimbra/Portugal
Rodrigo Monteiro
Porto Alegre/RS/Brasil
www.teatropoa.blogspot.com
Walter Oikawa - Fotógrafo
São Paulo/Brasil
www.br.olhares.com/walter12

Apresentação

O Informativo FdeS se transformou. Para facilitar compreensão o Processo
C3 Grupo de Pesquisa decidiu que o Informativo FdeS passa a ser Informe C3, assim como em breve o site www.ferrazdesouza.com se tornará www.processoc3.com.
Nossos objetivos, desejos, dúvidas e questionamentos continuam no mesmo formato e sendo dividido com os interessados em saber um pouco sobre o que andamos
desenvolvendo.

Mantemos neste 3ª edição a idéia de dividir os processos e buscas em pesquisas relacionadas a Corpo, Cultura, Artes e Moda desenvolvidas pelos participantes do Grupo de Pesquisa Processo C3.

A 2ª edição resultou em novos colaboradores e novos leitores que entraram
em contato para nos fazer perceber que devemos continuar com esse processo.
Nesta edição temos “priscilladavanzo” de São Paulo e “T. Angel” também de São
Paulo como novos parceiros que vieram a acrescentar com suas colaborações. Rodrigo Monteiro com sua “Critica Teatral” e o filósofo português Paulo Duarte que
colabora com seus ensaios escritos sobre Corpo com foco voltado para Corpo e
Religião continua conosco fortalecendo a parceria.

Aline Pires, Aline Torchia e Priscilla Dilella
São Paulo/Brasil

Assim a edição que traz o título “iLegal - Isso Póóódi”, parte das questões
que levam a pensar o que é legal, ilegal, legitimado, legalizado, aceito, certo, errado,
necessário e permitido. “Isso Póóódi” foi pensando na Dra Lorca, personagem do
Programa Zorra Total da Rede Globo de televisão. Como a citada personagem tenho
percebido o uso desse bordão por muitas pessoas nos territórios onde transito. Na
intenção de explicarem o que pode, o que é reconhecido, o que é aceito e automaticamente o que tem sido legitimado, essas pessoas brincam com essa expressão e
ao mesmo tempo esclarecem se algo é permitido socialmente ou não.

Fundação Iberê Camargo
Porto Alegre/RS/Brasil
www.iberecamargo.org.br

O “Caderno de Campo” onde os registros escritos e de imagens sobre outros
meios onde não costumamos transitar continua trazendo nesta edição um pouco da
“investigação” realizada na Eróticos Vídeos Club em Porto Alegre/RS.

Instituto Itaú Cultural
São Paulo/Brasil
www.itaucultural.org.br

Esperamos que o conteúdo que se segue nessas páginas possa levar
os leitores a observar no seu dia-a-dia as questões abordadas.

Bauer Studio
São Paulo/Brasil
www.bauerstudio.com.br

Pumping Iron Academia
Canoas/RS/Brasil

Priscila Davanzo
São Paulo/Brasil
Agradecemos também a todos que de forma direta ou indireta colaboraram com o
Processo C3 Grupo de Pesquisa e com o Informe C3.

Um abraço
Wagner Ferraz

O “Processo C3 Grupo de Pesquisa” busca investigar os processos de construção do Corpo
em diferentes contextos Culturais, relacionando com os discursos e práticas da Contemporaneidade. Tendo as artes, Moda e questões socioculturais como focos para tentar esclarecer e
fortalecer interrogações.

Foto: Wagner Ferraz

Eróticos Vídeos Club
Porto Alegre/RS/Brasil
www.eroticosvideos.com.br

Então deixamos as perguntas:
O que é legal e ilegal?
O que pode e o que não pode?

Índice

Ensaio 01 – O corpo iLegal

Rumos Itaú Cultural 2009

Conscar

Leituras Indicadas

Project: Ang3l*: Inhuman to Posthuman

Crítica Teatral

Legislação LIBRAS

Banco de Dados Terpsí

12

19

23

27

Seminário Malraux
30

Reflexio - Imagem contemporânea francesa abre calendário de artes

visuais 2009 do Santander Cultural
32

69

72

75

77

A massa da juventude pela arte e pelo futuro
85

Caderno de Campo: Eróticos Vídeos Club
89

Fashion Way Canoas Shopping
Ensaio 02 - Moral(idades)!

101

37

Ensaio 04 – Quem legitima uma tendência de moda?
Ensaio 03 - O Corpo e a norma(lidade)!

111

39

Quem é quem?
Ensaio Fotográfico – Corpo legitimado

41

Entrevista – Des. Humanos
61

113

Legal?

i

Fotos: Wagner Ferraz

Ensaio 01
Wagner Ferraz

Este ensaio faz parte de um apesquisa em processo.

O Corpo
Foto: Wagner Ferraz
Modelo: Rafael Dalmas

12 - Informe C3

Legal

i

13 - Informe C3

Ensaio 01
Wagner Ferraz

O Corpo ilegal

Este ensaio faz parte de um apesquisa em processo.

Legal é uma expressão comumente usada
para esclarecer e definir que algo, alguém ou uma
situação que está dentro de um contexto reconhecido como bom, adequado, interessante, e que tantas vezes serve de referência para uma legalização
e legitimação. No dicionário informal disponível na
internet “legal” é descrito como “Alguma pessoa ou
coisa boa, divertida, interessante”(1) .

Essa legalização esclarece que “tudo” o
que está dentro de leis, de normas e de regras,
pode ser talvez compreendido e aceito. O que é legal para alguém é validado e aceito pelo mesmo
e muitas vezes também por indivíduos que constituem os territórios onde esse alguém transita.

A busca pela legitimação

Foto: Wagner Ferraz

A noção de legalidade por oposição apresenta a ilegalidade, a não norma ou anormalidade,
o fora da lei, o não legal que pode ser compreendido como não adequado, que não deve ser aceito e
automaticamente deve ser excluído.

Dentro dessas perspectivas é possível
pensar em como o “suporte do sujeito” SANTAELLA
(2004:15) é reconhecido e colocado em uma situação de legal e/ou ilegal. Esse suporte – o corpo
– é descrito, construído e legitimado de diversas
formas em diferentes culturas.

Isto determina o que cada indivíduo pode
ou não pode em cada território que transita. De
acordo com suas necessidades, crenças e ideais
o homem procura por artifícios que vão construindo sua vida, sua identidade, seu comportamento
e suas relações. Esses artifícios ou técnicas são
determinados pelos indivíduos desses territórios,
dessa forma, cada ser poderá ou não se utilizar de
diferentes maneiras para buscar se representar e
se construir dentro do que se pode ou não em cada
grupo ou sociedade.

MAUSS (1974) fala de técnicas diretamente relacionadas ao corpo, e esclarece que as técnicas corporais são as maneiras como os indivídu-

14 - Informe C3

O mundo pós-moderno que tem estado em
foco de discussões que levantam as questões relevantes sobre a globalização e as formas de agilidade e proximidade de diferentes culturas através
das diversas formas de comunicação, como jornais,
revistas, periódicos e em especial a internet, apresenta muitas formas de se pertencer a um determinado meio.

Para se ser aceito em um grupo ao qual não
se pertence se faz necessário muitas vezes, além
de outros fatores, portar características visuais que
sejam reconhecidas como adequadas para aquele
grupo. Para que assim o corpo seja reconhecido
como legítimo daquele meio, como peça daquele
jogo e automaticamente reconhecer o respectivo
indivíduo como legal, dentro das regras, normas e
leis simbólicas que dominam este território.

Em diferentes contextos a possibilidade de
aceitação e legitimação está ligada aos costumes
e valores vigentes. O que é importante em um determinado meio pode ser legitimado, legalizado e
acaba sendo descrito como legal.

Cada grupo social com seus costumes e
valores que se representam muitas vezes por códigos que podem ser observados no corpo, constroem noções de um corpo legal, adequado, belo,
perfeito, admirável e automaticamente suas oposições.

os, de todas as sociedades e de forma tradicional,
sabem servir-se de seus corpos. Então é possível
pensar que em cada grupo ou sociedade os costumes e a forma de se utilizar o corpo são relativos e
estarão sempre em uma busca de coerência com
seus valores, presos no que se pode ou não pode
vivência ou fazer. Isso esclarece que esse poder
ou não poder, é relativo de contexto para contexto
e é legitimado de formas diferentes, apresentando
assim uma diversidade para se reconhecer o que é
legal e o que não é legal.

Foto: Wagner Ferraz

Seria essa uma forma de se defender de
possíveis invasores que podem colocar em risco a
vida, a moral e os ditos bons costumes dos indivíduos de um determinado meio? Ou seria uma forma
de tornar restrito o acesso a um grupo, instigando
o desejo pela participação, e tornando esse grupo
um sonho a ser alcançando e colocando-o automaticamente em uma situação “elevada” socialmente
como algo especial, melhor, de destaque, de referência ou admiração? Seria essa uma estratégia
para fortalecer a divisão dos grupos e tornar mais
claros os motivos pelos quais alguém é excluído de
um meio?

gitimado neste meio abrindo espaço para pessoas
com cabelos totalmente azuis. E quem sabe futuramente para pessoas com cabelos vermelhos, laranjas, pretos, verdes...

Na dança

Em alguns tipos de dança, ou em alguns
grupos e Cias de dança, o corpo já é legitimado
com determinadas características, essas definições
restringem outros corpos de participarem das obras
coreográficas e processos de pesquisa em danças
desses grupos. Mas muitos grupos que buscam
investigar diferentes possibilidades que movem o
corpo na dança aceitam corpos que talvez não sejam aceitos por outros.

Porém muitas vezes os corpos são aceitos desde que estejam disponíveis para participar
de uma determinada construção onde o certo, o
legal, o legitimado será imposto por um professor
de dança, coreógrafo ou diretor, que muitas vezes
trazem a idéia de uma libertação do corpo. Mas o
que é importante estar atento é para o fato de essa
libertação ser uma forma de construção sobre esse
corpo.

Casos como, em que um bailarino ou um
não bailarino que está buscando dançar, que apresenta certas limitações, ou não se identifica com
certas formas de trabalho, é visto como preso ao
seu corpo e isso indica a necessidade de uma libertação, acabam passando por situações que
definem certa formatação do corpo com base no
Foto: Anderson de Souza

Porém, não se pode negar que tudo isso
são construções sociais que se fortalecem a cada
dia, que já foram legitimas há muito tempo em muitos casos, mas também é importante pensar que
talvez em uma construção social, o fato de se inverter ou alterar as noções de espaço, pertencimento
e códigos visuais que vão levar há um uma possível
aceitação não podem ser desconsiderados.

Pois se hoje em um grupo é aceito um indivíduo que tem cabelos loiros e não se aceita uma
pessoa com cabelos azuis, isso pode começar a
mudar a partir do momento em que a pessoa com
cabelos loiros se apresenta com uma mecha azul
influenciada por outros meios onde transita. Talvez
nesse caso o azul nos cabelos possa vir a ser le-

15 - Informe C3

Foto: Anderson de Souza

pensamento cartesiano onde corpo e a mente são
descritos como separados. Mas será que os indivíduos que se encontram nessas situações consideram que realizar certas atividades que normalmente eles não realizam seja uma libertação?

Nem sempre todas as pessoas querem
ou devem ser de uma determinada forma, isso vai
depender das buscas de cada um. Porém, esse
indivíduo que não quer se representar de uma determinada forma em cena para o público, talvez
tenha que repensar sua participação em projetos
cênicos, ao invés do coordenador, diretor, coreógrafo seja lá qual for o responsável, se colocar num
papel de “libertar esse corpo” e colocá-lo em cena
como imagina. Mas se o homem vive em constante
construção, também não pode ignorar a idéia de
que o libertador de corpos seja um facilitador nesse
processo. Mas são apenas algumas formas de se
ver e pensar nessas situações que podem auxiliar
na reflexão sobre como teria que ser um corpo para
ser legitimado como adequado em um determinado
trabalho de dança.

Para ser aceito e bem recebido em uma
loja de shopping, muitas vezes precisa-se estar
dentro do que a moda está indicando para ser usado, pois esses códigos são fundamentais para se
poder transitar em determinados locais. Facilitando
assim que esses indivíduos sejam reconhecidos
como legítimos de certos meios, como exemplo da
loja de shopping, onde um morador de rua com certeza não poderá nem entrar, pois não é uma peça
legitima desse jogo.

Donna Fashion Iguatemi

Talvez seja mais adequado pensar na idéia
de que esse corpo que está passando por essas
técnicas ou formas descritas como possibilidades
de libertação, esteja passando por formas de construí-lo para ser reconhecido como um corpo legitimado naquela dança. Mas isso não invalida a forma de vida que essa pessoa leva, se essa pessoa
não se sente bem em cena e apresenta dificuldades de realizar sua performance na frente de outras
pessoas. Não significa que seja um problema a ser
resolvido.

A moda assume um papel que cria infinitas
formas de legitimar costumes e comportamentos
em pouco espaço de tempo. Contando fortemente com o apoio de meios de comunicação, a moda
apresenta de tempo em tempo formas de se representar para se ser aceito e poder ser considerado
legitimo em um meio social.

Foto: Anderson de Souza

Foto: Anderson de Souza

Foto: Anderson de Souza

Porém, é muito comum perceber que em
camelôs, todo e qualquer sujeito é considerado um
legitimo cliente, pois basta passar em frente a uma
banca, vestindo qualquer coisa, e com um corpo
em qualquer condição que se é abordado para realizar uma possível compra. Será que a noção de
corpo e individuo legitimo em uma banca de camelô e totalmente relativa o que os leva a respeitar
as diferenças? Ou será que nesses casos o que
conta é o jogo comercial ou capitalista que trata de
uma troca entre produto e moeda independente de
quem deseja realizar a troca?

Mas além da imagem de uma pessoa que
pode ser vista como cabide por carregar em si as
roupas que foram legitimadas em um momento,
também há os discursos e práticas que levantam as
questões sobre as formas corporais adequadas.

Donna Fashion Iguatemi

A noção de um corpo livre é relativa de caso
para caso, de meio para meio. Então o profissional
que se diz mediador entre uma obra e um corpo,
muitas vezes assume um papel de “Adestrador de
Corpos” fazendo referências às idéias de FOUCAULT (1987) quando fala de um corpo adestrado
em Vigiar e Punir.

Na moda

“... em nossa cultura contemporânea, seria a grande
importância que se atribui à imagem, privilegiando
determinada organização eleita pela moda e pelo
corpo. Neste sentido, a moda interfere no delineamento da própria plástica do corpo”. CASTILHO E
MARTINS (2005:93)

16 - Informe C3

Donna Fashion Iguatemi

Donna Fashion Iguatemi

Atualmente se vive a moda das cirurgias
estéticas, esse tipo de intervenção no corpo já é
tão legitimada que evedencia e destaca os indivíduos que aderem a essas. Trata-se de uma construção das estruturas do corpo para torná-lo legitimo
e facilitar a aceitação em vários contextos sociais e
culturais.

Porém as modas do corpo, nem sempre
são apenas formas de se alterar para se colocar
numa situação de ser transformado por uma cultura que exclui cruelmente quem não adere as suas
possibilidades de buscar um pertencimento.
O caso de uma mulher que vive nos Estados Unidos que passou por uma cirurgia de transplante de
rosto, permitindo que ela novamente pudesse comer e respirar sem o auxilio de aparelhos. Connie

Culp(2) teve seu rosto desfigurado ao ser atingida por um tiro no rosto disparado por seu marido
em 2004. Chamada até de monstro Connie Culp
deu uma entrevista coletiva pedindo para que as
pessoas desfiguradas não sejam julgadas. No site
www.abril.com.br (3), pode-se acessar uma matéria sobre este caso com uma frase da personagem
principal desta história: “Quando alguém não é tão
bonito quanto vocês, não o julguem, porque vocês
nunca sabem o que aconteceu com elas”. Porém a
noção de beleza pode ser considerado um dos fatores que em alguns grupos sociais seja fundamental
para ser poder ou não se inserir nos contextos.

Nas deficiências

A pessoa com deficiência (4) além de grandes situações onde impera o pré-conceito também
enfrenta dificuldades de acesso a determinados locais, como as pessoas com deficiência física, visual
e de comunicação como o caso das pessoas com
surdez.

Mas existem outras dificuldades que essas
pessoas enfrentam por não serem consideradas
muitas vezes como legitimas de certos meios em
que transitam ou tentam se aproximar. A noção de
normalidade está vinculada a um conjunto de comportamentos e possibilidades de performance física que muitas vezes não permite uma flexibilidade
onde pessoas que não alcançam uma certa meta
esperada possam se inserir.

Uma pessoa que não se comunica oralmente, mas sim através da LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais)(5), pode não ser vista como “legitima” em locais onde ninguém tem acesso ou
domine essa forma de comunicação. Assim o que
resta aos indivíduos surdos (em alguns casos) e viver em grupos restritos onde a LIBRAS é dominada
por muitos.

Já uma pessoa com deficiência física traz
em si estigmas que são facilmente percebidos visualmente, e isso influência muito no outro considerar esse corpo legal, legitimado ou não. Pois, um
cadeirante ou uma pessoa que usa próteses nas
pernas pode não ser aceito em um grupo como o
caso do velocista africano Oscar Pistorius. Ele não
alcançou a tempo mínimo para participar das olimpíadas em Pequin no ano 2008.

Foi possível perceber que a notícia se espalhou falamdo de sua incapacidade de alcançar o
tempo mínimo frisando sempre o fato de Oscar usar
próteses nas duas pernas. Isso fortalece a imagem
de não aceitação social como o que foi citado no
Blog do Cardoso www.carloscardoso.com onde o
autor diz:
“Tem aleijado que não se enxerga. Esse tal de Oscar Pistorius, ao invés de ficar sentado o dia inteiro
em uma cadeira de rodas com um cobertor tam-

17 - Informe C3

pando as pernas (ou o que sobrou delas) resolveu
virar… atleta. Sabem aquela menina gorda que a
mãe compra roupa de ballet? Mesma coisa. Ao invés de ficar em casa fora de nossas vistas, rezando
por um milagre (inútil, Deus Odeia Amputados) ele
resolveu virar… atleta, somente para ser ridicularizado por pessoas saudáveis e inteiras como eu.
Ele não pode ter a pretensão de conseguir superar
pessoas normais. Vejam vocês, competindo com
atletas de verdade o Pistorius se arrastou, praticamente de muletas, correndo 400 metros em INTERMINÁVEIS 46,25 segundos. Muito distante do índice MÍNIMO para Olimpíada, de 45,55 segundos.
E seria até injusto comparar o pobre aleijado com
o recorde MUNDIAL de 400m rasos, nos pés de
Michael Johnson, com 43,18 segundos. Entendeu,
aleijadinho? Você e suas perninhas de brinquedo
não tem como competir com um atleta de verdade,
você é MAIS DE TRÊS SEGUNDOS MAIS LENTO do que o campeão mundial na categoria. Se
enxerga.”(6)

No final do texto o autor ainda pede para
desconsiderar o tempo que outras pessoas levam
para percorrer 400m. Pois é possível pensar que
quando não se trata de um atleta ou alguém que
treina apenas por prazer e não compete, outras
pessoas não alcançam o tempo de 46,25 segundos
no percurso de 400 metros. Porém o fato de Oscar usar próteses nas duas pernas tem um grande
peso que é apresentando no texto do blog citado
anteriormente como uma declaração de não aceitação e de pré-conceito.

Imagem pesquisada em: http://blog.
sierratrdingpost.com/
in-outdoors-campinggear-forest-trails/double-amputee-sprinterbarred-fromolympics/
Acessada em:

Conclusão

Talvez não seja uma conclusão, mas uma
forma de encerrar frisando a importância de levantar mais questões sobre as idéias apresentadas
acima. Levando-se em consideração que todo corpo pode ser considerado legal e ilegal, tudo depende de como cada meio constrói as noções de corpo, aceita e reconhece, depende do contexto e de
quem olha pra esse corpo.

Nota:
(1)Dicionário Informal: http://www.dicionarioinformal.com.br/buscar.php?palavra=legal&x=23&y=13
Acessado em 07/05/2009
(2)http://www.abril.com.br/noticias/mundo/paciente-passou-pelo-primeiro-transplante-rosto-euaapresentada-468422.shtml
Acessado em: 06/05/2009
(3)Idem 1.
(4)Termo escolhido para ser usado quando se for
falar de pessoas ditas “deficientes”, conforme:
PAIM, Paulo. Estatuto da Pessoa com Deficiência:
A natureza Respeita as Diferenças. 7. ed. Brasília:
Senado Federal, 2007.Reconhecida como língua
através da lei ...
(5)LIBRAS: Reconhecida como Língua Brasileira
de Sinais pela Lei Federal nº 10.436, de 24 de abril
de 2002.
(6)http://www.carloscardoso.com/2008/07/21/atleta-sem-duas-pernas-no-se-qualifica-pras-olimpadas-um-invlido-mesmo/
Acessado em: 07/05/2009

04/04/2009

Referências:

CASTILHO, Kathia e MARTINS, Marcelo M. Discursos da Moda: semiótica, design e corpo. 2ª Ed. São
Paulo: Editora Anhembi Morumbi, 2005.
MAUSS, Marcel. Sociologia e Antropologia. Volume II. Trad. Lamberto Puccinelli. São Paulo: EPU,
1974.
SANTAELLA, Lucia. Corpo e comunicação, sintoma da cultura. São Paulo: Paulus, 2004.

Foto: Wagner Ferraz

18 - Informe C3

19 - Informe C3

Conscar

Diferente das outras edições que eram
separadas em dois dias, essa edição se concentrará em um único dia, afim de que todos possam desfrutar de bons momentos juntos.
Outra novidade que se destaca é a exposição
fotográfica “Horror Corporis: Imagens de um
FreakShow” de Breno Menini.

Artísta: João Caldara

Essa edição do evento conta com a organização de T. Angel, que tem em seu currículo a organização da primeira conferência de
body mod e body art do Brasil, Frrrkcon. Também é organizador responsável por todas as
Frrrk Guys Parties, que acontecem desde 2006
na noite paulistana. Além disso, o evento conta
com o apoio do estúdio Iritsu Tattoo Shop, local
onde se realizaram as duas primeiras edições
da Conscar.
O evento reunirá os principais nomes da escarificação nacional (ver quadro abaixo).

Project: Ang3l*
Inhuman to Posthuman

Artísta: Paulo Vitor

Terceira edição do evento voltado para a
escarificação, traz como proposta o encontro e
aproximação de artistas e entusiastas da prática, em prol da troca de conhecimento, informação e ampliação de técnicas.

Se você sempre quis fazer uma escarificação eis o momento certo, entre em contato
pelo e-mail contato@frrrkguys.com e agende o
seu horário com o artista de sua preferência!
No dia do evento você também poderá comprar
produtos Frrrk Guys, não percam!

Material enviado por T. Angel
www.frrrkguys.com

22 - Informe C3

Vivemos no efêmero mundo de seres desumanos
e fragmentados, consumidos por suas próprias ações autofágicas, auto-destrutivas e parasitas. Caminhamos num
universo de relações deturpadas, corrompidas e mecanizadas. Sem exceção!

Tudo o que nos restou foi um “elo perdido” de
ventríloquos e marionetes, que alternam seus papéis eloqüentemente, todavia, alienados de sua própria condição.
Cruzam-se freneticamente, mas não se vêem, cegos. Se
batem, se tocam, mas não sentem uns aos outros, anestesiados. Tão pouco sentem odor, nem ruim e nem bom,
anósmicos. Gostos são quase todos desgostos, ageunesia. As palavras não chegam aos ouvidos, pois elas mal
ultrapassam os lábios.

A grande e intransponível muralha desumana está
posta. Edificada em carne, ossos, vísceras e sangue.
O ser desumano é o grande imperador em seu Império de
Alienações.

Cegueira e inconsciência da existência de um
mundo que seja maior que a cicatriz que se carrega no
ventre. O desumano aglutina-se e agoniza em suas próprias idéias teomaníacas, megalomaníacas e doentes.

Ser desumano, objeto inanimado e senhor de sua
própria escravidão social.

Artísta: Luciano Iritsu

Cria-se a necessidade de um novo ser. Anseia-se
um corpo que seja objeto animado, consciente e ativo, o
messias. Liberto e libertador.

Artísta: Raldy

ARTISTAS PARTICIPANTES
Dark Dreak - SP
Gordinho – SP
Gordex – SP
João Caldara – RJ
Luciano Iritsu – SP
Paulo Vitor – SP
Raldy – SP
Valnei - PE

Fotos: Walter Oikawa

Fotos: Walter Oikawa

Inicia-se a transformação de um desumano em
pós-humano, através da hibridização de um corpo já préexistente, que servirá como suporte para ser concebido o
protótipo messias: Ang3l.

O objetivo do protótipo é exercitar o processo de
reflexão, através do estupro de mentes desumanizadas,
na tentativa da recuperação e evolução das mesmas. A
libertação do miasma onde tudo é efêmero e finito.

Fazer valer o músculo que pulsa na caixa torácica e utilizar a massa cinzenta para edificação de uma
nova era. Afinal de contas, não adianta ambicionar vida
em Marte quando ainda não conseguimos abraçar uns
aos outros com naturalidade e conscientes que estamos,
todos, intimamente interligados, como um grande e único
organismo, e que precisamos uns dos outros para continuarmos aqui.

O pós-humano é eterno por transcender a simples casca frágil, o corpo.
T.Angel

* Project: Ang3l é um trabalho que utiliza a performance como linguagem para contar a ficção de
transformação de um desumano em pós humano.
Influenciado por Sci Fi, Terrorismo Poético e Body
Hacktivism o trabalho discute as relações humanas
utilizando o corpo do artista como mídia para tal.
Project: Ang3l está dividido por partes e temas.
Iniciado em 2008 por T. Angel, o trabalho está atualmente em andamento.

23 - Informe C3

Legal?

i

25 - Informe C3

Legislação de Libras
LEI Nº 10.436
DECRETO Nº 5.626, DE 22/12/2005

LEI Nº 10.436, DE 24 DE ABRIL DE 2002.
Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais - Libras e outros
recursos de expressão a ela associados.
Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras a forma de comunicação e expressão, em
que o sistema lingüístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem um sistema lingüístico de transmissão de idéias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil.
Art. 2o Deve ser garantido, por parte do poder público em geral e empresas concessionárias de serviços públicos,
formas institucionalizadas de apoiar o uso e difusão da Língua Brasileira de Sinais - Libras como meio de comunicação objetiva e de utilização corrente das comunidades surdas do Brasil.
Art. 3o As instituições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos de assistência à saúde devem
garantir atendimento e tratamento adequado aos portadores de deficiência auditiva, de acordo com as normas
legais em vigor.
Art. 4o O sistema educacional federal e os sistemas educacionais estaduais, municipais e do Distrito Federal
devem garantir a inclusão nos cursos de formação de Educação Especial, de Fonoaudiologia e de Magistério, em
seus níveis médio e superior, do ensino da Língua Brasileira de Sinais - Libras, como parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, conforme legislação vigente.
Parágrafo único. A Língua Brasileira de Sinais - Libras não poderá substituir a modalidade escrita da língua portuguesa.
Art. 5o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 24 de abril de 2002; 181o da Independência e 114o da República.
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Paulo Renato Souza
Texto publicado no D.O.U. de 25.4.2002

Informações pesquisadas em www.libras.org.br no dia 05/05/2009.

27 - Informe C3

Luiz Fernando de Almeida (Brasil) incerrou a conferência lançando uma pergunta e esclarecendo a importância da mesma: “Que qualidade de vida nós queremos
nas cidades em que vivêmos?”. Segundo ele essa pergunta é fundamental para criar legitimidade para se pensar em políticas pelo patrimônio.

Alguns momentos...
Wagner Ferraz

Criado em 1961 pelo governo Francês, as edições do seminário Malraux (que fazem uma homenagem
a André Malraux escritor, crítico e ativista político, três
vezes ministro de Estado da informação e da cultura do
governo Charles de Gaulle) visam a efetuar, juntamente
com outros países, uma reflexão conjunta sobre temas
como o papel da política pública da cultura, o financiamento da cultura, a descentralização cultural, a proteção
do patrimônio e a capacitação na área de gerenciamento
da cultura.

Os primeiros encontros do Seminário Malraux
foram em 1994, idealizados pelo governo francês como
resposta aos interesses de outros países para conhecer a
experiência cultural francesa. No Brasil, o Santander Cultural foi o palco nacional para as palestras do Seminário
Malraux de 2009. O seminário aconteceu simultaneamente à mostra Reflexio: Imagem Contemporânea da França,
que entrou em cartaz no dia de 24 de abril de 2009.

O primeiro dia do seminário (dia 23 de abril de
2009) contou com a conferência de Anita Weber (França),
a presença de Danilo Miranda (Presidente do Comissariado do Ano da França no Brasil, Sérgio Mamberti atual
Presidente da Funarte (Fundação Nacional das Artes),
além de outras pessoas influentes e preocupadas com
questões voltadas para cultura no Brasil.

Anita Weber falou sobre “Panoramas institucionais da cultura na França e no Brasil - as políticas culturais francesas: quais especialidades”, a fala de abertura a
comentários ficaram por conta de Sérgio Mamberti.

Weber destacou que o histórico político, social e
intectual da França se constitui por um modelo de política cultural, que tem sido reconhecido por outros países
como um formato que tem funcionado muito bem. Dentre
tantas coisas que explicou sobre como funciona a política cultural Francesa disse que “o estado sempre esteve

30 - Informe C3

ligado aos saberes e questões do espírito e da arte”. O
estado (França)sempre se preocupou, incentivou e financiou a cultura, segundo a representante francesa: “A cultura é sempre uma questão de estado, é uma questão de
poder público”.

Sophie Walhain (França) e Luiz Fernando de Almeida
(Brasil).
SOPHIE WALHAIN (França) , arquiteta do patrimônio da
França desde 1993, diplomada pela Escola Nacional Superior de Belas Artes de Versailles. De 2004 a 2008, foi
chefe adjunta do serviço departamental de arquitetura e
do patrimônio de Paris. Foi conservadora do Louvre e das
Tuileries,do Arco do Triunfo, da Conciergerie, e da Sainte Chapelle e conservadora e administradora do PalaisRoyal, das Tuileries e da catedral de Notre-Dame. Atualmente, é encarregada das residências presidenciais.
LUIZ FERNANDO DE ALMEIDA (Brasil), Presidente do
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Os franceses são incentivados desde a infância a
buscar uma formação em arte. Na França existem muito
apoio aos artístas, instituições, teatros, salas de conserto,
escolas de formação em arquitetura, artes, conservatório
de dança, música... “Trata-se de permitir que cada um tenha a formação artística de sua escolha. Não só amar a
arte, mas praticar a arte”. Weber.

ANITA WEBER (França), com formação em letras, professora universitária e membro de diversos gabinetes da
Educação Nacional, atualmente é Inspetora geral de assuntos culturais do Ministério da Cultura e da Comunicação da França . Na área acadêmica, é encarregada de
cursos de mestrado, na Universidade de Dauphine, em
que trata da questão do desenvolvimento das políticas
culturais e da descentralização. É também autora de artigos em diversas revistas especializadas. Apresentação,
interlocução e comentários: SERGIO MAMBERTI, presidente da Funarte, Fundação Nacional de Arte.

No segundo dia do seminário acompanhamos a
conferência de Sophie Walhain (França) com apresentação, interlocução e comentários de Luiz Fernando de
Almeida (Brasil), Presidente do Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional. Com o tema “Proteção do
Patrimônio e preservação; atualidades e práticas”, Sophie
falou sobre Paris, apresentou mapas do século XVI, do
ano 2007 e 2007, explicando sobre a arquitetura e patrimônio Parisiense. E ressaltou que é importante “promover
uma política que proteja a história e vida moderna para
pensar o centro da cidade como espaço para viver e transitar em melhor condição”.
“Na frança a qualidade de vida dos habitantes é uma
pprioridade” Sophie Walhain.

Foto: Wagner Ferraz

Nos dias 23, 24 e 25 de abril, na programação de
abertura do Ano da França no Brasil aconteceu no Santander Cultural (Porto Alegre/RS) o Seminário Malraux,
com a presença de três especialistas franceses e com a
interlocução com brasileiros para discutir política cultural,
indústria cultural e patrimônio.

Frédéric falou sobre questões territoriais, sobre
a indústria do cinema, a distribuição desses filmes pelo
mundo, a busca de artístas do cinema e da música em outros territórios onde seu produto, sua arte posso ser bem
acolhida pelo sistema cultural.

Ana Carla lançou questões como: De que territóriso estamso falando? De que nos interessa isso? E pontuo
as questões relativas sobre as alianças entre o público e
o privado.

Foto: Anderson de Souza

Encontro reuniu especialistas franceses e brasileiros para discutir política cultural, indústria cultural e patrimônio.

E no último dia do seminário tivemos o prazer de
ouvir Frédéric Martel (França) com a conferência “Uma
Geopolítica das Indústrias Culturais - um visão crítica das
indústrias culturais no mundo”, fala de abertura e comentário Ana Carla Fonseca Reis (Brasil).

De acordo com Frédéric, as idéias, a criatividade
são questões fundamentais para se falar na distribuição
dos produtos culturais. Explicou como se dá a produção
de cinema na França. Cada filme que entra em cartaz na
França, independente do país que ele venha, 10% da bilheteria fica para a produção do cinema frances.

Isso significa que, quanto mais um filme estrangeiro fizer sucesso na frança e lotar as salas de cinema,
haverá mais possibilidades de produzir filmes franceses.
Como disse Frédéric: “Na frança não temos petrólio, mas
temos idéias”.

Martel muito bem humorado e digno de admiração
por seu domínio com os assuntos abordados e boa interação com os presentes (assim também como Ana Caral),
encerrou a conferência dizendo: “Continuem sendo Brasileiros e construam suas Políticas Culturais Brasileiras”.
FRÉDÉRIC MARTEL (França), escritor, jornalista, sociólogo, professor e pesquisador Escritor e jornalista, adido cultural na Embaixada da França nos Estados Unidos (20012005). É doutor em sociologia e atualmente prepara para
a editora Gallimard, uma obra sobre as indústrias culturais
através do mundo, em torno à globalização da cultura e do
“soft power”. Também é professor, na Sciences Po Paris
e no MBA d’HEC. Apresenta, na France Culture, todos os
sábados, “Massa Crítica, a revista das indústrias culturais
e das mídias” – um dos principais programas do final de
semana, disponível em podcast na internet. ANA CARLA
FONSECA REIS (Brasil), economista e administradora
pública, consultora em economia criativa para a ONU.

Ana Carla Fonseca Reis (Brasil) e Frédéric Martel (França).

Agradeço ao Santander Cultural pela autorização para fotografar o evento e pelo envio de matrial
para auxiliar na produção deste trabalho.

31 - Informe C3

A programação de abertura do Ano da
França o Santander Cultural alia outro destaque. O
Seminário Malraux, que ocorre no mesmo período
da abertura da mostra - 23, 24 e 25 de abril, com
três especialistas franceses e com a interlocução
com brasileiros para discutir o papel da política pública da cultura, o financiamento da cultura, a descentralização cultural, a proteção do patrimônio e a
capacitação na área de gerenciamento da cultura.

Compreender o contexto contemporâneo
ligado à fotografia tem sido um dos focos de iniciativas do Santander Cultural. A instituição vem
realizando importantes mostras com linguagens
fotográficas, todas inseridas numa proposta de refletir as possibilidades de interpretação a partir da
imagem, como as exposições: Olho Vivo – Cartier
Bresson e os 50 anos da arte fotográfica brasileira
(2004/2005), Hiper relações eletrodigitais (2004), O
Grão da Imagem - panorama da obra de Vera Chaves Barcellos (2007) e FILE POA/RIO (2008).

Imagens e texto de divulgação. Material enviado pela Assessoria de Imprensa do Santander Cultural.

Imagem contemporânea francesa abre
calendário de artes visuais
2009 do Santander Cultural
Reflexio: Imagem contemporânea na França faz parte das iniciativas oficiais do Ano da
França no Brasil e reúne nomes expressivos da fotografia francesa atual, numa mostra inédita.

32 - Informe C3

Para Liliana Magalhães, superintendente
do Santander Cultural, participar do Ano da França no Brasil reafirma o papel da instituição como
agente de desenvolvimento ligado à integração de
expertises: “estamos satisfeitos em colaborar com
essa agenda realizando uma mostra de fôlego que
apresenta a arte contemporânea de ponta e traz
em seu cerne a reflexão sobre a imagem. Ao mesmo tempo, com a realização do Seminário Malraux,
proporcionamos a troca do conhecimento para fazer face as demandas globais da cadeia produtiva
cultural”.

Jean-Luc Moulène
Produits (Nu Assis), Berlim, 4 de agosto de 1996
Fotografia em cibracrome, 90 X 110 cm

Jean-Luc Moulène

A curadora Ligia Canongia, crítica de arte
e curadora independente brasileira, que residiu em
Paris por nove meses, declara que um dos objetivos da mostra é “oferecer um panorama da nova
fotografia francesa no âmbito das artes visuais contemporâneas”. Patrick Tosani, Catherine Rebois,
Suzanne Lafont, Eric Rondepierre, Jean-Luc Moulène e Valérie Jouve apresentam linguagens distintas e edições de montagem particulares, apresentando ao público algumas formas da fotografia se
articular, hoje, como expressão da arte.

Potsdamer Strasse, Berlim, 1996-1997
serigrafia sobre papel, 186 X 120 cm

Valérie Jouve

A mostra Reflexio: Imagem contemporânea
na França, em exposição a partir de 24 de abril,
é o projeto do Santander Cultural para a agenda
de intercâmbio internacional, inserida no calendário
oficial do Ano na França no Brasil. A iniciativa, que
tem a parceria dos Comissariados Francês e Brasileiro, o CulturesFrance e os Ministérios da Cultura
e das Relações Exteriores, reúne artistas com carreiras consagradas no circuito internacional e extremamente respeitados pela crítica especializada.

Sans titre (Les personnages avec Ilham Riffi), 2000-2001
Fotografia, 100 x 130cm

A discussão sobre a inserção ou não da
fotografia no campo da arte é uma velha questão,
que ficou relegada aos primórdios do século xix,
quando ainda se pensava que a fotografia era apenas um instrumento de documentação realista.

A exposição “Reflexio: Imagem contemporânea na França” pretende demonstrar como os
artistas podem trabalhar hoje com esse suporte,
criando linguagens e formas de abordagem variadas, situações e edições visuais novas, enfim, maneiras de colocar seus ‘recortes’ a serviço de uma
visão de mundo universal.

Reflexio: Imagem contemporânea na França
por Ligia Canongia

Reflexio é a origem etimológica latina de dois termos
que usamos em nossa língua: reflexo e reflexão. Signi fica tanto a ‘mudança de direção de ondas luminosas’ – o que nos
remete à própria fotografia e sua gênese mecânica – quanto
‘trabalho de pensamento de um sujeito’ – o que nos reporta à
reflexão, como ato de pensar.

Esta palavra, “Reflexio”, que constitui o título e a identidade da exposição, traz, portanto, nela mesma, a síntese
da questão que se quer abordar: a fotografia contemporânea
como linguagem, e como forma de pensar o mundo e a própria
arte.

34 - Informe C3

Os artistas que foram selecionados são alguns dos principais representantes dessa prática
na França, com carreiras consagradas em seu país
e no circuito internacional, respeitados pela crítica,
e já difundidos mundo afora.

Apesar das questões singulares e particulares ao universo de cada um, esses artistas estão
conscientes do papel que a fotografia desempenha
no circuito de arte mundial, desde os anos 1980, e
buscam estabelecer relações da mídia com a sociedade, a paisagem, a cultura, a informação e mesmo
com a própria história da arte.

“Reflexio” é uma exposição integrada ao ”Ano da França no Brasil”, e parte do princípio de que as
novas mídias – sobretudo a fotografia e o vídeo – são a tônica da
produção contemporânea francesa, desde as últimas duas décadas.

Todos se conhecem entre si, respeitam-se
mutuamente, mas jamais suas obras foram exibidas juntas em um evento. Portanto, para eles mesmos, a oportunidade no Santander Cultural é única
e estimulante.

Para o público brasileiro, será uma chance
rara de conhecer notórios artistas da cena francesa, cujas produções possivelmente deixarão ressonâncias, além de contribuir para o melhor entendimento da linguagem fotográfica contemporânea.

Os artistas selecionados são: Catherine
Rebois, Eric Rondepierre, Jean-Luc Moulène, Patrick Tosani, Suzanne Lafont e Valérie Jouve.

Patrick Tosani e Catherine Rebois discutem
a questão do corpo no universo da imagem - como
enfrentar a presença da corporeidade num meio
virtual por excelência, ou como inventar um corpo
sem matéria, tão somente imagem e imaginação.

Suzanne Lafont

Eric Rondepierre

Eden (2005-2007)
Ilfochrome sobre alumínio, 86 × 115 cm

“Reflexio” é uma exposição integrada ao
”Ano da França no Brasil”, e parte do princípio de
que as novas mídias – sobretudo a fotografia e o
vídeo – são a tônica da produção contemporânea
francesa, desde as últimas duas décadas.

Jean-Luc Moulène e Valérie Jouve investigam a realidade banal da vida cotidiana, quer pela
análise da vida nas grandes metrópoles - nos seus
refugos ou nos seus luxos, quer nos produtos da
publicidade, ou ainda no comportamento e expressões humanas do dia-a-dia anônimo e errático.

Suzanne Lafont

Valérie Jouve

Sans titre (Les personnages avec E.K.), 1997–1998
Fotografia, 115 x 148cm

Hoje, a fotografia deixou de ser compreendida como um mero dispositivo mecânico, que apenas imita ou representa o real, para se tornar uma
experiência de constituição da imagem, com capacidade para discutir, interpretar, construir ou refundar o mundo a nossa volta. Com isso, de mera
reprodução, ela passa a ser entendida como ato de
um sujeito, capaz de instituir e recortar campos da
realidade, para instaurar questões estéticas, éticas
e políticas.

Suzanne Lafont e Eric Rondepierre discutem, nesta exposição, a possibilidade da fotografia
intervir sobre outros meios da cultura, re-propondo
suas linguagens originais em outros termos. Ambos
se alimentam do cinema como fonte. Rondepierre
recorta, monta, estabiliza e modifica o fluxo do movimento no cinema. Suzanne Lafont constrói cenas
dramáticas, em cliques fotográficos estáveis, mas
com uma edição cinemática, ou seja, que se reporta à montagem tradicional dos filmes.

Suzanne Lafont

Estamos, então, diante de um fenômeno –
a fotografia - que é, ao mesmo tempo, uma técnica
ligada à química e ao campo ótico, mas também
diante de um universo de pensamento, em que as
imagens interrogam e transformam a realidade.

Ongle n°7, 1990
120 x 120 cm
fotografia
©ADAGP

Portrait n°17, 1985
130 × 100 cm
fotografia
©ADAGP

35 - Informe C3

Sobre a fotografia contemporânea

Catherine Rebois

Desmesure n°15, 2008
fotografia
80 × 120 cm

Catherine Rebois

Desmesure n°8, 2008
fotografia
80 × 120 cm

36 - Informe C3

Nos anos 1980, a fotografia despontou
como a mídia mais explorada na produção da arte
contemporânea. Mas o aspecto ficcional e espetacular das experiências pós-modernas dessa década foi substituído, nos anos seguintes, por um desejo de se restaurar o Real e recuperar imagens
oriundas da banalidade e do cotidiano. Esse novo
impulso passou a relevar cenas econômicas e objetos comuns, acentuando o caráter derrisório e ordinário das coisas do mundo. Com alusões à obra
de Marcel Duchamp, essa manifestação do banal
na fotografia participava, nos anos 1990, de um
movimento de des-sublimação da arte, assim como
de certa retenção emocional. Sem indexar, contudo, um universo estável e racionalista, a arte do
banal era infiltrada pela inquietude, e não chegava
a eliminar a presença do sujeito e dos sentidos da
obra.

Uma contra-corrente à hegemonia da arte
do banal, porém, surgiu de maneira minoritária,
mas com grandes ambições teóricas, desta vez ligada a referências da cultura ocidental e ao diálogo
direto com a História. Essas fotografias, consideradas “eruditas”, requeriam cenografias meticulosas, simulação de reconstituições históricas e teatralização gestual, fazendo igualmente remissão à
evolução das formas na pintura. Em busca de certa
estética da beleza, essas obras refutavam o kitsch
e os mass media, mas sem perder a dimensão do
humor e da ironia. Exemplo maior dessa tendência
tem sido apontado na obra do canadense Jeff Wall
que, no entanto, soube confrontar a high art à cultura de massa, assim como às tradições conceituais e políticas das vanguardas históricas.

Outra tendência que surgiu na última década foi a que se voltou para a exploração da paisagem, da idéia de território e da urbanidade. São
fotografias ligadas a uma tradição clássica, aplicadas ao desejo de recuperar a temática da paisagem, assim como a de cenas urbanas, periferias,
estradas, terrenos abandonados, edifícios ou ruínas. Com o objetivo de traduzir a relação do homem com as paisagens de hoje, essas fotografias
tocam na questão do desencantamento, do caos,
da desarticulação e da melancolia, assim como em
questões políticas que partem dos guetos sociais,
da utopia do progresso, da arquitetura de sobrevivência e dos aparelhos de informação e segurança.

Por último, pode-se falar ainda, no panorama contemporâneo, de uma fotografia que renova a
tradição do gênero documental, erigida, desta vez,
contra o futurismo suspeito da idéia do pós-humano
e contra o pensamento do simulacro, próprio à filosofia de Baudrillard. Esse retorno ao documento,
que se pronuncia, por exemplo, na obra de JeanLuc Moulène, explica-se pela igual necessidade de
um retorno ao Real e de novas formas de consciência do capitalismo. Outros motivos podem ser ainda
levantados para justificar a retomada da fotografia
enquanto documento, como a crise da informação

e das mídias de massa, o questionamento dos modelos jornalísticos dominantes e a reflexão sobre o
Ocidente confrontado com o terrorismo internacional*.
*Observações feitas a partir de texto de Dominique Baqué, in “Qu’est-ce que la photographie aujourd’hui?”, edição especial da revista Beaux Arts, Paris, 2007.

Sobre os artistas e suas questões

Jean-Luc Moulène define seu trabalho
como « Quadros fotográficos », contudo, nessa
definição, não se refere ao gesto do pintor, ou à
figuração, mas a uma relação com a plástica e com
a pesquisa sobre o estatuto do objeto. O artista
nasceu em 1955, na França, onde vive e trabalha.
Após uma licenciatura em Letras e um mestrado em
pedagogia de Artes Plásticas na Paris 1 Sorbonne,
começa a trabalhar e freqüentar o meio de publicidade. Em 1990, dedica-se definitivamente à arte,
ao mesmo tempo em que ensina em escolas de
arte. Seu trabalho fotográfico interroga as fronteiras
entre a arte e o documentário, a linguagem publicitária e os códigos da percepção artística. Realizou
diferentes séries, como “Monumentos de Paris” e
“Objetos de greve”, esses confeccionados originalmente como manifestação, “Produtos da Palestina”
e ainda fotos sobre as coleções do museu do Louvre.

Valérie Jouve aborda a fotografia enquanto sociologia, e interroga o individuo e seus hábitos. Atualmente, trabalha com constância sobre
deslocamentos que permitem questionar a noção
de realidade. Após uma licenciatura em Etnologia
na Universidade de Lyon II, Valérie Jouve entra na
Escola Nacional Superior de Fotografia, em Arles,
França, de onde sai diplomada. Por vezes, a artista
realiza algumas mise-en-scénes em suas imagens
fotográficas, assim como filmes. Suas imagens parecem tomar o lugar de atores; elas testemunham
universos familiares, sublinhando aí a estranheza.
Patrick Tosani trabalha particularmente sobre a percepção das formas e do espaço, a fim de problematizar, nesses campos, certas questões. Ele nos
dá a ver objetos do cotidiano, colocando-os em um
espaço geométrico com perspectivas particulares.

Patrick Tosani estudou arquitetura e, em
seguida, tornou-se fotógrafo. Nasceu em 1954 em
Boissy l’Aillerie, no Val d’Oise, França. O artista
apresenta-nos corpos vistos por baixo, interiores de
vestimentas, na série intitulada “Máscaras”, sapatos plenos de leite. Patrick Tosani reflete igualmente
sobre a presença do humano, ao qual ele dá corpo,
mesmo em sua ausência de materialidade na imagem. A questão é: onde e como se situa um corpo
no espaço, qual seria seu lugar?

Catherine Rebois trabalhou muito sobre
o corpo e o retrato, a forma e o conteúdo, assim
como sobre a defasagem entre o pensamento e a
realidade exterior. Seu interesse recaía sobre o pa-

radoxo do ser dividido em dois, entre a percepção e a realidade. Na série “Estado lugares”, a noção de repetição da
imagem era bastante manifesta, e confirmou-se em seus
“filmes fotográficos”, nos quais ela trabalha, em geral, sobre os próprios lugares da exposição. Outra questão importante é a confrontação da imagem fixa ao movimento.
Catherine Rebois é diplomada pelo Conservatório Livre
do Cinema Francês. Tornou-se fotógrafa e trabalha para a
imprensa. Possui mestrado em Estética das Artes Plásticas e da Fotografia. Seu trabalho fotográfico questiona a
desconstrução da imagem, a percepção fragmentada e os
limites da fotografia.

Eric Rondepierre é diplomado em Belas Artes e
doutor em Estética, o artista teve ainda passagens pelo
teatro, onde trabalhou como comediante profissional. Realizou também pinturas, filmes e performances. Nos anos
1990, passou a se dedicar à fotografia, explorando o que
chamou de “ângulos mortos” do cinema. Sua intervenção
consiste em extrair fotogramas de filmes e os repropôr em
tiragens fotográficas de grande formato. Com a estagnação de um still, a partir da película do cinema, o artista
recorta, comprime e condensa o que antes era dado a ver
de forma contínua e linear, conferindo à imagem isolada
o estatuto total da representação. Com a justaposição de
diversos fotogramas, como os que colocam, lado a lado,
cenas contemporâneas e outras de filmes antigos, o artista superpõe significados, culturas, tempos e espaços
em um só plano. A partir de 2002, Rondepierre passou a
imiscuir no campo da fotografia textos, desenhos e outras
intervenções, muitas de caráter autobiográfico. A pergunta que Rondepierre parece colocar é sobre os limites dessas disciplinas: onde começa e onde acaba o trabalho, a
realidade, a ficção, a imagem, o texto.

Suzanne Lafont vive e trabalha em Paris. Sua
obra capta personagens no meio urbano, questionando
o comportamento e a solidão dos seres no espaço social.
Com dispositivos como repetição, multiplicação e justaposição de imagens, a artista cria, para a fotografia, uma
categoria pouco afeita à própria mídia: o movimento. Seus
“atores” (como ela os nomeia) estabelecem uma empatia
imediata com o espectador, por meio de laços de familiaridade logo identificados, quer pela situação no espaço,
quer pela encenação de atitudes e gestos comuns. Tomados em ação, tais personagens não parecem congelados
em poses estanques. Ao contrário, apreendidos e editados em “atividade”, tais figuras nos reportam a sequências
teatrais ou cinematográficas, em que se pressupõe uma
narrativa e uma continuidade, características tão opostas
ao próprio cerne da fotografia.

Reflexio: Imagem contemporânea na França
Local: Santander Cultural, Rua Sete de Setembro, 1028
Data: a partir de 24 de abril de 2009
*23 de abril coquetel de abertura para convidados
Horário: Terças às sextas-feiras das 10h00 às 19h00
Sábados, domingos e feriados das 11h00 às
19h00
Entrada franca

36 - Informe C3

Ensaio 02
Francine Pressi

Este ensaio faz parte de uma pesquisa em processo.

http://taniameneghelli.blogspot.com/2008/04/certo-ou-errado.html

Moral(idades)
“Dita a moral dos bons costumes que...”

Imagem pesquisada em:

Mas de que “moral” se fala? E que bons costumes seriam estes? Bons costumes para quem, a final de contas?

Acessada no dia 08/05/2009

Nota-se no exemplo citado, que na realidade,
o que está em jogo são pontos de vistas diferentes,
isto é, grupos ou indivíduos que assumem códigos de
conduta baseados em valores morais diferentes. Talvez entrasse aí, toda uma questão de pertencimento,
e do que você assume como sendo certo ou errado,
legal ou ilegal, bom ou ruim, etc.

37 - Informe C3

Ética? Moral? Você tem? Sabe o que são e
para o que servem? Qual a diferença entre elas? No
que podem, de fato, interferir em sua vida?

Talvez questões simplórias, porém, passíveis
de reflexão. Compreender a influência da ética e da
moral nos mais diversos campos sociais, é no mínimo
demonstrar importar-se com algo que cerca cotidianamente a vida pessoal e profissional de cada indivíduo,
dentro e fora de seus grupos de convívio.

A sociedade como um todo possui regras.
Normas cujo as quais regem os códigos de conduta de
cada grupo, indivíduo ou cultura, e que de certa forma,
“zelam” pela harmonia e desenvolvimento da sociedade. Segundo a Teoria Funcionalista de Émile Durkeim,
a consciência individual está sempre subordinada à
consciência coletiva, em vista de que a segunda possua um grande número de pessoas atuando como força coletiva, generalizando e também de certa forma,
subordinando o indivíduo a adequar-se àquilo que é
por ela normatizado, isto é, àquilo que julga-se ser o
melhor para o grupo como um todo. Desta forma, observamos que, embora os indivíduos possuam seus
valores, gostos, formas particulares de agir e sentir as
coisas (que é a consciência individual), existe implicitamente no interior de cada grupo um comportamento

O pressuposto de Mead é que as pessoas já
nascem dentro de determinadas estruturas sociais que
não criaram e são constrangidas, ao longo de processos de aprendizagem, pelo “outro generalizado”(3),
pelas normas, valores, regras, costumes, hábitos e
leis que canalizam suas ações. (WERLE, 2008: 45).

A moral segundo o dicionário Aurélio Eletrônico (1999), é o conjunto de regras de conduta consideradas como válidas, quer de modo absoluto para
qualquer tempo ou lugar, quer para grupo ou pessoa
determinada. Ou seja, nada mais é do que a aceitação de valores, os códigos morais assumidos por um
grupo, indivíduo ou cultura. Porém quando se fala em
ética, é necessário salientar que esta, é muito mais
complexa e reflexiva, pois assume a função de analisar as condutas morais. Pode-se dizer que a ética é
avaliada a partir de princípios universais, ou o que se
poderia chamar de valores éticos, como por exemplo,
o respeito, a sinceridade, etc.

A moral segundo o dicionário Aurélio Eletrônico (1999), é o conjunto de regras de conduta consideradas como válidas, quer de modo absoluto para
qualquer tempo ou lugar, quer para grupo ou pessoa
determinada. Ou seja, nada mais é do que a aceitação de valores, os códigos morais assumidos por um
grupo, indivíduo ou cultura. Porém quando se fala em
ética, é necessário salientar que esta, é muito mais
complexa e reflexiva, pois assume a função de analisar as condutas morais. Pode-se dizer que a ética é
avaliada a partir de princípios universais, ou o que se
poderia chamar de valores éticos, como por exemplo,
o respeito, a sinceridade, etc.

Notas

(1)O trecho citado foi retirado da apostila de ensino da
disciplina de Sociedade e Contemporaneidade (ULBRA) em que refere-se à seguinte obra: DURKEIM,
Émile. Da Divisão do Trabalho. In. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973.
(2)Trecho retirado da apostila de ensino da disciplina
de Sociedade e Contemporaneidade (ULBRA), onde
há a referida citação de DURKEIM, 2004.
(3)Mead refere-se ao “outro generalizado” como sendo as expectativas de comportamento do ambiente
social significativo, generalizadas como normas e valores, que são internalizadas ou migram para o interior
das pessoas (WERLE, 2008: 45). Ou pode-se também
dizer que representaria o conjunto de atitudes dos outros que a pessoa assume por meio do intercâmbio
comunicativo.

Referências

BARROSO, Márcio Ellery Girão. Dicionário Aurélio
Eletrônico. Versão 3. Editora Nova Fronteira, versão
eletrônica: Lexikon Informática Ltda. , 1999. 1 Software.
NALIN, Jaime. Sociedade e Contemporaneidade.
Apostila de Ensino – Universidade Luterana do Brasil
– ULBRA, 2009.
WERLE, Denílson Luis. Indivíduo e Sociedade – Habermas e a psicologia social de Mead. In. Mente, Cérebro e Filosofia – Fundamentos para a compreensão
contemporânea da psique. Edição 08. São Paulo 2008. ISBN: 978-85-99535-50-9 (Páginas 40 – 47)
Imagem pesquisada em:

Se não me submeto às regras sociais, não
sigo os ditames da moda, não participo dos costumes
culturais de meu país, torno-me motivo de riso e afastamento dos demais; embora de forma mais branda,
sofro os efeitos de uma pena, sentindo assim a força
da coerção (DURKEIM, 1973: 1-5). (NALIN, 2009:29)
(1)

Relações éticas e morais

A consciência moral de cada grupo ou indivíduo, de uma forma geral, pode variar de acordo com
a cultura, a época em que se vive, a idade de cada
sujeito, etc., tendo assim, diferentes valores sendo
aceitos e legitimados. E independente dos valores
em questão, todos assumem e seguem determinados
códigos de conduta dentro de seus grupos, logo, possuem aquilo que chamamos de moral. O que poderia
distingui-los é o fato de serem ou não éticos pessoal
e/ou profissionalmente nas funções que desempenham.

péis e expectativas que já lhe foram dados como algo
legítimo, mas principalmente questionar esta legitimidade (imposta) de forma autônoma.

http://taniameneghelli.blogspot.com/2008/04/certo-ou-errado.html

Claramente seria possível citar como exemplo
casos em que a filha de uma prostituta, ao invés de
seguir a carreira da mãe e se render aos “encantos”
de uma vida carregada de vícios e de uma conduta
considerada não digna de respeito perante o olhar do
senso comum, acaba de fato estudando e constituindo uma família dentro daquilo que se tem como um
padrão de vida ideal. Porém, ainda assim, a filha desta prostituta continuaria sendo rotulada como a filha
de alguém que foge às normas, que não se encaixa
naquilo que a sociedade estipula a gerações, como
algo digno, e assim, possivelmente continuaria sofrendo com o preconceito e a exclusão em certos grupos.

Conforme a teoria durkeiniana, o meio (moral)
determina o comportamento. Talvez se encontre aí a
“essência” de ditados como por exemplo: “filho de peixe, peixinho é”, ou “o fruto nunca cai longe do pé”, que
acabam sempre rotulando os indivíduos a partir do
meio ao qual fazem parte. Mas é necessário expor a
importância de se relativizar tais pensamentos, já que
possa haver possíveis exceções em meio ao grupo.

padronizado, independente de sua conduta e de seu
pensamento (Durkeim, 2004: 47-48)(2).

Considerações Finais

Toma-se então como partido, a ideia de que
moral, todos possuem, independentemente, de quais
sejam os códigos de conduta ou valores morais aceitos e legitimados, e que a ética sim, de fato, pode ser
de caráter questionável em cada grupo ou indivíduo.

Mas, com tudo o que foi apresentado até agora, questiona-se aqui até que ponto um sujeito eticamente situado (WERLE, 2008: 46) é realmente capaz
de, a partir dos controles sociais que este já possui
internalizado em si, consiga não apenas seguir os pa-

Acessada no dia 08/05/2009

38 - Informe C3

Ensaio 03

Paulo Duarte - Portugal

Este ensaio faz parte de uma pesquisa em processo.

fala da padronização para se ser manequim, por exemplo.
Ainda assim podemos ir mais longe, recordando o holocausto, em que quem não tivesse aspecto ariano, corria o
risco de não ser considerado pessoa.

O Corpo e a norma(lidade)!

Tudo normal, ou seja dentro da norma, quando o
corpo está mais ou menos definido dentro dos parâmetros
sociais. E quando se sai da norma? Para que tal aconteça
há o caminho voluntário e involuntário desta saída. Por
um lado, a possibilidade de decisão na mudança de aparência, de imagem. Tal acontece diariamente, por exemplo, no barbear, no maquilhar, no simples acto de mudar
de roupa. Por outro, o lidar com o corpo que é diferente,
que não se encontra com o que a sociedade nos pede,
como nas situações de deficiência física. Como lidar com
estas situações, seja pessoal, seja socialmente? Rejeitaremos a pessoa que tem um corpo diferente do que é dito
ou considerado normal?

Como resposta à segunda questão parece óbvio
um não rejeitar. A pessoa não apresenta uma única característica do seu ser. No entanto, o “não” deixa de ser óbvio quando, por exemplo, grandes deformações corporais
acontecem e a saída da norma é de tal ordem que despoleta sentimentos vários, desde a pena à segregação.

Isto porque o ser humano vive em relação de forma particular sob a dimensão corporal. Enquanto corpo
que somos apresentamo-nos ao outro e o outro também
se nos revela a partir do que é. Previamente pode haver
um julgamento, mediante a sociedade em que se insere
- a tal normalidade presente no pensamento cultural - no
entanto, esse julgar deve ser um processo no conhecimento do outro. O diálogo permite assim ir mais longe e
não compartimentar a realidade do outro num rótulo de
deficiente ou de aberração (1) , ficando-se assim apenas
com a imagem exterior da pessoa com quem se contacta,
mesmo que seja apenas pelo olhar.

39 - Informe C3

Na verdade, actualmente a imagem causa muito impacto. Parafraseando o provérbio, pode-se afirmar
que uma imagem vale mais que mil palavras. No entanto,
quando se trata da imagem sobre alguém não se deve
ficar por aí, mesmo que possa parecer transmitir mil palavras a saber ou a dizer. Sobretudo quando o que existe é
simplesmente a imagem e nada mais. Por vezes conhecer a pessoa que sofre a rejeição por motivos corporais e
ir ao fundo dela, permite a percepção de que por detrás
existe a normalidade no sentir, no pensar, nos desejos e
sonhos. A normalidade que contribui para a revelação da
dignidade intrínseca ao humano.

A dignidade não está presa a este ou àquele tipo
de corpo, tal não faria sentido. Contudo, constata-se que
se busca um corpo físico que se quer mais digno, o que é
um contra-senso, já que não é simplesmente o corpo enquanto aparência exterior que legitima a pessoa enquanto
tal. Não se pode condicionar a pessoa ao seu aspecto,
eliminando-a da possibilidade de agir e realizar-se, por
não corresponder a parâmetros sociais. Cai-se no erro da
busca do corpo perfeito (2).

O que é o corpo perfeito? Ou quem tem o corpo
perfeito? A questão situa-se muitas vezes na materialização do corpo, com as medidas perfeitas. Mas não serão
essas medidas uma convenção – ou seja uma normalização – para adequar o corpo a uma idealização do perfeito? Ora se se legitima esse corpo, numa definição de
regras para se situar na sociedade, ou em determinado
grupo, pode-se correr o grande perigo de fomentar a ideia
de que só se é alguém, quando se situa sob o ponto de
vista unicamente físico, segundo os parâmetros sociais
impostos (3) . Não é algo estranho, sobretudo quando se

Olhando para as sociedades do Oriente ao Ocidente, constata-se a grande variação que existe na aparência corporal: a diferença nos cuidados, no aspecto,
nas modificações que se fazem nos corpos, que fogem
da normalidade de sociedade para sociedade. Um maori
com o seu corpo tatuado é tão normal quanto o moreno
que pinta o cabelo de louro, tal como alguém de uma tribo
da Papua Nova Guiné com o disco no lábio inferior.

Sugiro uma visita ao site www.6billionothers.org,
onde se pode encontrar testemunhos de muitas pessoas
de todo o mundo. Num primeiro momento, tirar o som e
observar os rostos. No momento seguinte ouvir os testemunhos sobre os mais variados temas, tendo em conta
que são pessoas que não se conhecem. Percebe-se que,
apesar das diferenças reais de cultura, é possível haver
uma identificação no que cada pessoa partilha, independentemente da sua aparência, aspecto, cultura.

Se no ser humano, independentemente do local,
sociedade, tradição, onde nasceu, encontramos olhos,
nariz, boca, órgãos internos, braços, mãos, pernas, pés,
pode-se constatar que a profundidade humana não se situa simplesmente em corpos perfeitamente normalizados,
mas no todo que a pessoa é com a dignidade que lhe é
intrínseca.

Notas:
(1) - Penso nos casos de pessoas com neurofibromatose,
uma doença congénita rara, que deforma progressivamente o rosto através do desenvolvimento de tumores. As
pessoas que padecem desta doença são mais conhecidas por “homens/mulheres-elefante”.
(2) - Reconheço que para determinado tipo de profissões
haja a necessidade de uma selecção tendo em conta a
aparência ou situação física de quem busca o trabalho.
Contudo, quero ressaltar neste ensaio algo para além da
condicionante profissional.
(3) - Devo salientar que apesar de defender um cuidado
a ter em relação ao que é normal ou anormal quando se
fala da corporeidade, não descuro da norma sob o ponto
de vista ético necessária à convivência humana.
Foto: Anderson de Souza

40 - Informe C3

Corpo
legitimado!

Modelo: Tato
Fotos: Anderson de Souza
41 - Informe C3

Qual é o corpo legal?

Qual é o corpo ilegal?
Legitimado?
Aceito?
Compreendido?

Entrevista
T. Angel

Fotos: Walter Oikawa

Des.humanos

De uns tempos para cá tem se tornado comum a discussão da modificação corporal dentro das universidades brasileiras. O que consideramos como um passo dado deveras importante, dentre tantos outros que
sabemos que teremos que dar.

As alunas Aline Pires, Aline Torchia e Priscilla Dilella do curso de
moda da Universidade FMU (São Paulo) fizeram no ano de 2008 um editorial de moda bastante peculiar. Primeiro por tratar de questões polêmicas
no que concerne o “mondo fashion” em si, e também, por levantar questões sobre indústria de moda, consumo, corpo e consciência.

Falamos com uma das meninas responsáveis pelo editorial, para
entendermos a proposta do trabalho, o impacto causado na universidade e
o que as motivou trabalhar com corpos modificados.

Vejam as fotos do editorial que foram feitas pelo fotógrafo Walter
Oikawa e, além disso, confiram a entrevista!
61 - Informe C3

T. Angel: Qual a proposta do trabalho de vocês?

Aline Torchia: A proposta era chocar as pessoas. Mostrar
como é triste e deprimente o uso de peles e a matança de
animais para a indústria da moda. Tentar fazer com que tal
atitude, seja digna de vergonha, justamente por estarem
beneficiando esse mercado, que ultrapassa as fronteiras
da legalidade e chega até mesmo ao tráfico de animais.

T. Angel: Porque usar corpos modificados na
execução do trabalho?

Aline Torchia: Nosso trabalho tenta passar através das fotos, que os homens com máscaras de animais estavam
no poder e os homens modificados (T.Angel e Pérola) na
verdade eram seus escravos. Os corpos modificados tiveram vários significados, dentre eles:
1- O choque visual que a modificação corporal ainda causa na sociedade contemporânea, ainda mais expondo tal
tema;
2- Com a questão da pele tatuada e modificada, remeternos a idéia da “pele” dos animais, cada um tendo em seu
couro suas digitais, suas próprias marcas. Independente
de terem a mesma raça jamais um animal tem marcas
iguais aos outros.
3- Por fim tentamos passar de forma simbólica a questão
da dor... Onde o homem escolhe se modificar e transformar o seu corpo, já o animal não escolhe ter um freio em
seu septo nasal, ser tosquiado e seu pelo tirado, ou receber uma marcação a ferro quente em suas costas para
demarcar seu dono.

T. Angel: Como a universidade encarou a proposta?
Aline Torchia: De início pediram para que nós não chocássemos demais as pessoas que veriam o nosso trabalho. De forma que não usássemos sangue, suspensão e
outras formas de modificação corporal, onde as pessoas
que não estão inseridas neste universo pudessem se sentir constrangidas. Depois passamos pela dificuldade de
nosso trabalho não estar inserido no conceito comercial
de um editorial de moda comum, e sim, ultrapassar o conceitual, se tornando na verdade muito mais um protesto
do que a venda de um produto.

T. Angel: Podemos dizer que há uma relação entre moda e body modification?

Aline Torchia: Sim, acho que a moda sempre esteve inserida na questão da Body Modication... Tanto sendo inserida diretamente como forma de modificação (como era o
caso de vestimentas e acessórios que por muitas vezes
transformavam e modelavam o corpo de forma diferente), como também nos dias de hoje onde a Modificação
Corporal tomou um rumo estético, onde muitos indivíduos
se modificam para inserir-se dentro de grupos, tribos urbanas e até mesmo aos padrões de beleza em que nossa
sociedade impõe. Isso incluindo as cirurgias estéticas, o
uso de próteses de silicone e outras formas de transformação do corpo.

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63 - Informe C3

64 - Informe C3

Des.humanos
Este projeto foi criado por:
Aline Torchia Predebon - Fez dois anos de Serviço Social na Universidade Cruzeiro do Sul e
atualmente é estudante do sétimo semestre de moda da faculdade FMU, atualmente não trabalhando, apenas se dedicando ao trabalho de finalização de curso que terá como tema Tatuagem
Old School e modificação corporal, já atuou na área de vendas de moda e criação e desenvolvimento para confecção.
Aline Pires - Estudante do sétimo semestre de moda da faculdade FMU, atualmente trabalhando no banco Itaú, fazendo seu trabalho de conclusão de curso com Priscila Dilella tendo como
tema cartazes de rua e anos 60, já trabalhou na área de desenvolvimento da Vicunha e outras
marcas.
Priscila Dilella - Ex aluna do curso de Designe de Produtos da FMU, atualmente estudante do
sétimo semestre de moda das Faculdades Integradas Unidas, criando seu trabalho de conclusão de curso com Aline Pires tendo como tema cartazes de rua e anos 60, já trabalha atualmente com desenvolvimento de peças masculinas para confecção.
Projeto de Editorial de Moda, proposto pela professora Josenilde Silva Souza para o curso de
Moda da Faculdade (FMU- Faculdades Metropolitanas Unidas/ São Paulo)
Locação das fotos: Comercio de pneus Recauleste
Fotografo: Walter Oikawa
Modelos: T.Angel e Perola Daiben
Nossa Editorial Des.Humanos estará em exposição no Espaço Reserva Cultural na Avenida
Paulista, 900- São Paulo a partir do dia 07 de Maio de 2009 , ainda sem folders e divulgação em
mídia. http://www.reservacultural.com.br/exposicoes.htm

65 - Informe C3

66 - Informe C3

Legal?

i

68 - Informe C3

Foto: Wagner Ferraz

No dia 30 de abril, às 14 horas ocorreu a
oficina “introdução web colaborativo” com Thiago
de Souza Camelo. A oficina trouxe muitas novidades de forma simples, teve a mediação de Guilherme Kujawski, Coordenador do Núcleo Arte e
Tecnologia e do Itaulab. Thiago estimulou que registrássemos os acontecimentos da oficina durante
seu andamento no site www. twitter.com, para exercitarmos o que vem a ser a web 2.0, que é aquela
em que o usuário participa produzindo a informação. Como o exemplo dos blogs e do site citado
anteriormente. A oficina apresentou o potencial da
comunicação online incentivando a produção escrita e às formas multimídia de produção de conteúdo.
Foi possível perceber a satisfação de todos além
de declararem isso em conversas informais no final
da oficina.

A Fundação Iberê Camargo (Porto Alegre/RS) e o Instituto Itaú Cultural promoveram um
evento de lançamento dos editais RUMOS, edição
2009 nas modalidades da Arte Cibernética, Cinema
e Vídeo, Dança e Jornalismo Cultural. Este evento
que ocorreu nos dia 29 e 30 de abril na Fundação
Iberê Camargo, se constituiu de palestras de artistas, professores e jornalistas especializados nos
temas dos editais, abordando o assunto processos
de criação na arte contemporânea.

No dia 29 ás 17h acorreu a palestra “Experimental no Audiovisual” com Cesar Guimarães
e Roberto Moreira. Segundo o material de divulgação enviado por e-mail esta palestra tratava das
seguintes questões:
Foto: Wagner Ferraz

“Palestra César Guimarães. O experimental no audiovisual, hoje.
Nos vários domínios da arte, o termo “experimental”
– assim como a sinonímia que o acompanha costumeiramente – recobre múltiplas acepções, designa experiências diversas e refere-se a diferentes
processos de criação, além de convocar um vasto
conjunto de proposições teóricas e críticas – o que
impede qualquer tipo de síntese ou uso unificador
da noção. A partir desta dificuldade de abordagem
do tema, e longe de qualquer explicação exaustiva
– seja conceitual ou histórica – a palestra pretende
discutir a pertinência do termo para compreender
certos gestos criativos no cenário do audiovisual
contemporâneo”.
“Palestra Roberto Moreira – Experimental no audiovisual.
Minha palestra será Duração versus narrativa: uma
estratégia importante do audiovisual experimental
é esgarçar a narrativa valorizando a duração das
imagens. Menos do que contar uma história, o realizador procura explorar o tempo e a força das imagens”.

Nesta palestra infelizmente não pude estar
presente, mas fiz questão de dividir pelo menos o
material de divulgação que circulou, pois acredito
que tenha sido uma ótima oportunidade para ouvis
sobre a visão desses profissionais dentro do contexto apresentado anteriormente.

69 - Informe C3

César Guimarães é doutor em Literatura Comparada pela FALE-UFMG, com pós-doutorado em Cinema e Filosofia pela Universidade Paris VIII. Professor do Programa de Pós-Graduação
em Comunicação da UFMG, pesquisador do CNPq e editor da
revista Devires - Cinema e Humanidades. Atualmente desenvolve a pesquisa “Figuras da experiência no documentário contemporâneo”.
Roberto Moreira. Seu primeiro filme de longa-metragem, Contra Todos, foi selecionado para o Panorama do Festival de Berlim 2004, ganhou o Silver Firebird Award do Festival de HonkKong e Melhor Filme nos Festivais de Recife, Rio, Natal e Santa
Maria da Feira, além de outros 22 prêmios nacionais e internacionais. É professor de roteiro no Curso Superior do Audiovisual
da ECA-USP. Dirigiu e escreveu diversos curtas-metragens com
participação nos festivais de Locarno, Goteborg, Oberhausen,
Brasília e Gramado. Na Itália, fez estágio na Fabrica, instituição
do grupo Benetton voltada para pesquisas na área de comunicação. Dirigiu os episódios A Fila, da série Cidade dos Homens -selecionado para o Banff World Television Awards 2007
na categoria Continuing Series- e Nem Tudo é Relativo, da série
Antônia, produzida pela O2 Filmes para a Rede Globo de Televisão. Atualmente finaliza seu segundo longa-metragem, o filme
Condomínio Jaqueline.

Thiago de Souza Camelo e Francine Pressi.

No mesmo dia, porém às 19 horas ocorreu
a palestra “A Importância do Corpo nos Processos
de Criação em Arte Contemporânea”, com Christine Greiner, e abordou o papel do corpo na criação
artística. A palestra foi mediada teve a apresentação de Cristina Espírito Santo, Coordenadora do
Núcleo de Artes Cênicas do Instituto Itaú Cultural.
Segundo material de divulgação, Greiner: “... parte
da constatação de que a partir da segunda metade
do século XX a presença corporal, como forma de
expressão, tornou-se cada vez mais intensa e mobilizadora nas mais diferentes linguagens artísticas
– cinema, dança, teatro, performance, artes plásticas, entre outras”.

Para quem já leu algumas das obras de
Greiner, era possível imaginar que questões fundamentais para se pensar o corpo e arte seriam
lançando de forma tão instigante, despertando (em
alguns) o desejo por investigar cada vez mais nessa área. Foi um bom momento para ouvir Griener e
encontrar grandes nomes da Dança do Rio Grande
do Sul como, Airton Tomazzoni diretor do Centro
Municipal de Dança de Porto Alegre e coordenador do Seminário Nacional de Dança e Educação,
e Carlota Albuquerque diretor e coreógrafa da Cia
Terpsí Teatro de Dança de Porto Alegre.

Após as palavras de Greiner, Marcela Levi
e Juliana Moraes apresentaram um pouco sobre
algumas de suas obras coreográficas e seus processos de criação através de uma tranquila conversa informal e mostra de vídeos. Ambas foram
contempladas no último edital do Rumos Itaú, e dividiram um pouco de suas experiências.

Guilherme Kujawski, Thiago de Souza Camelo e Francine Pressi.

Thiago Camelo é jornalista formado na PUC-RIO. Também se
graduou em Cinema pela mesma universidade. Trabalhou como
monitor em aulas de Telejornalismo na PUC-RIO, além de ter
atuado no jornal Folha Dirigida. Fez parte da equipe de pesquisa
do Iuperj sobre as eleições para prefeito de 2004. Por três anos,
esteve à frente do núcleo de pesquisa de imagem da produtora
Biondo, que faz programas para o GNT/Globosat. Desde 2006,
trabalha na Equipe Editorial do site Overmundo (www.overmundo.com.br) e, eventualmente, colabora com outras publicações
jornalísticas.
Christine Greiner é professora do departamento de Linguagens do Corpo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
(PUC/SP), onde ensina no programa de Estudos Pós-Graduados
em Comunicação e Semiótica e na graduação em Comunicação
das Artes do Corpo. Coordena o Centro de Estudos Orientais
e dirige a coleção Leituras do Corpo, da editora Annablume. É
autora de O Corpo, Pistas para Estudos Indisciplinares (2005),
entre outros livros e artigos publicados no Brasil e no exterior.

70 - Informe C3

Leituras Indicadas

Foto: Wagner Ferraz

Christine Greiner, Marcela Levi e Juliana Moraes.

Juliana Moraes é graduada em dança pela UNICAMP, doutoranda em Artes Cênicas na UNICAMP,
e professora do curso de Artes Visuais do Centro
Universitário Belas Artes de São Paulo. Cursou o
Professional Diploma in Dance Studies e o Master
in Dance Studies no Laban Centre de Londres. Entre suas criações, destacam-se: Querida Sra. M.,
Corpos Partidos, 2 e ½, Querida Senhorita O., e
Um Corpo do Qual se Desconfia. Atualmente, dirige
a Companhia Perdida, com a qual criou o espetáculo Antes da Queda. Entre prêmios e bolsas que recebeu, destacam-se: APCA de criadora-intérprete,
Bolsa Vitae, UNESCO-Aschberg Bursaries for Artists e Rumos Dança de Obras Coreográficas.

Título: OBSERVATORIO DE SINAIS - TEORIA E
PRATICA DA PESQUISA DE TENDENCIAS
Autor: Dario Caldas
Editora: SENAC RJ
Ano: 2006

Este livro é indicado para quem se interessa em estudar tendências na área da moda com a intensão de
ir além das idéias do que se deve ou não usar em
determinadas épocas.

Foto: Wagner Ferraz

Marcela Levi é bailarina e coreógrafa. Seus trabalhos, que se situam entre a dança contemporânea
e as artes visuais, vêm sendo apresentados em
diversos festivais e centros de arte no Brasil e na
Europa. Colabora, entre outros, com a coreógrafa
Vera Mantero, a artista visual Laura Erber e os fotógrafos Claudia Garcia e Manuel Vason. Atualmente
desenvolve o projeto Em Redor do Buraco Tudo é
Beira, contemplado pelo Programa de Bolsas Funarte

Título: CORPO E COMUNICAÇAO
Autor: Lucia Santaella
Editora: Paulus
Ano: 2004

Christine Greiner, Marcela Levi e Juliana Moraes.

Este livro apresenta em diversos aspectos o corpo
enquante agente que comunica, além das noções de
corpo construído pela cultura e “suas relações simbióticas com a tecnologia”.

Foto: Wagner Ferraz

Sobre os editais Rumos: conteúdos, prêmios, prazos, formas de participação e envio de projetos,
basta acessar o site http://www.itaucultural.org.br/.
Também acessando o blog http://rumos2009.wordpress.com/ todos podem acompanhar e interagir
com as atividades presenciais Rumos em diversas
localidades do país.

Christine Greiner, Marcela Levi e Juliana Moraes.

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72 - Informe C3

Legal?

i

Crítica Teatral

Terpsí
Teatro de
Dança

Rodrigo Monteiro

Era uma vez.... uma fábula assombrosa
Quando presença não nos
lembra da ausência

Nem sempre é possível reconhecer o não-dito.
Mas, quando é, quando o não-dito fica claro, é porque há
a ausência do dito. O dito está na escuridão. Como numa
gangorra, o dito valoriza o não-dito e vice-versa, cabendo
à física dos sentidos narrativos, em situação teatral, utilizar-se ora de um, ora de outro para contar a sua história
e dizer a que veio. O mesmo jogo se dá para a relação
claro e escuro, cor e ausência dela, espaço vazio e multidão seja lá do quê. Embora não seja possível controlar o
entrelaçamento dos signos não-intencionais, a existência
dos signos assumidamente propostos apontam, inclusive,
para a presença dos não-propostos. O sim sempre nos
faz lembrar do não e terceiras opções cheiram à desorganização.

“Era uma vez... uma fábula assombrosa”, produção que marca o aniversário do Oigalê – Cooperativa de
Artistas Teatrais, é uma organização cênica que deixa a
desorganização muito em cima na gangorra dos sentidos.
Em termos plásticos, os figurinos enchem os olhos, a música enche o espaço, os objetos enchem o palco. Nada,
porque não se unem, enche o coração. E não é com alegria que se percebe o porquê.

Fritz Lang, um diretor alemão, fez um grande filme nas vésperas do cinema falado acontecer. Metrópolis
surgiu em 1926, um ano antes de O Cantor de Jazz, contando a história de Maria, funcionária de uma grande fábrica, que incitava seus pares a se rebelar contra o regime,
contando com a ajuda de seu amado, o filho do prefeito.
As imagens, hoje sabemos vinculadas ao Expressionismo Alemão, apontavam para os desafios propostos pelo
progresso: tecnocentralidade, o apagamento da individualidade, a bestialização. Em 153 minutos, não ouvimos
uma palavra. Graças aos estudos da comunicação, sabemos que o termo “mudo” para o cinema não-falado é
um equívoco. Quem chamamos de “mudos” (pessoas fisicamente impossibilitadas de se expressarem via oral) se
comunicam muito bem. Assim, falado/não-falado é uma
categoria diferente de mudo/comunicador. Metrópolis, ao
utilizar-se do encadeamento de imagens cinematográficas
(sombras), não usa a voz por motivos técnicos, mas deixa
claro que esse impedimento não o impede de comunicarse com seu público mesmo oitenta anos depois de sua
estréia.

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Foto: Kiran

Prêmio
Funarte de
Dança Klauss
Vianna 2008

Não há comunicação em “Era uma vez...”, um espetáculo que, usando lindas roupas, belas maquiagens,
uma trilha muito bem executada, recursos cheios de potencialidades e baseado num tema pra lá de interessante,
é mudo.

Como na tradicional entrada do que conhecemos
por “teatro de rua” em Porto Alegre, os atores entram em
cortejo e ficamos sabendo (“Olha a comunicação aí, gente!!) que a peça começou. A seguir, e até o fim, uma exibição de jogos, de técnicas, de combinações, de marcações
que, saindo do palco, não chegam ao público que fica à
espera de uma ligação que não se estabelece. Tem-se a
impressão de que a regra “Não pode falar” é quem norteia o não-dito e não o discurso que, podendo-se utilizar
do silêncio para dizer algo de uma melhor forma, fala em
alguns momentos. No (primeiro) trabalho dirigido por Vera
Pareza, nem o que não se diz aponta para que o se diz,
nem o progresso aponta para a falta de.

DITOS E MALDITOS
DESEJOS DA
CLAUSURA

A bela inspiração em Claudios Ceccon só é válida
se, utilizando-se do teatro e de seus intérpretes, novos
sentidos ao texto inicial lhes forem acrescentados. Que
o Teatro de Sombras só venha a público se acrescentar
algo de um jeito que, de outra forma, não aconteceria.
Que a forma se sujeite ao conteúdo e que a produção
de um espetáculo venha coroar os dez anos do Oigalê,
grupo que, não por esse espetáculo, é tão caro ao Teatro
Gaúcho.

Patrocínio Petrobras
Texto: Claudius Ceccon
Direção: Vera Parenza

Foto: Kiran

Elenco
Carla Costa
Hamilton Leite
Ilson FonsecaPaulo Brasil
Roberta Darkiewicz

Fotos: Cláudio Etges

Trilha Sonora e Preparação Musical: Mateus Mapa e
Simone Rasslan
Figurino: Alexandre Magalhães e Silva
Cenário: Paulo Balardim
Cenografia e construção de silhuetas de sombras:
Paulo Balardim
Criação de luz: Giancarlo Carlomagno
Arte Gráfica: Vera Parenza
Produção Oigalê: Cooperativa de Artistas Teatrais

76 - Informe C3

Banco de Dados
Terpsí
Wagner Ferraz

Ditos e Malditos (2008)
Instalação Coreográfica.
Fotos: Cláudio Etges

Terpsí Teatro de Dança é uma companhia
de Dança Contemporânea, criada em 1987 pela
união de alguns artistas gaúchos. Sua trajetória tem
sido dedicada, em essência, à pesquisa de uma linguagem única, que resgata as experiências humanas e rompe a barreira que separa os intérpretes da
obra, pois eles são a obra. É nesta vertente que se
identifica com a Dança-teatral.

77 - Informe C3

Foi uma das duas companhias a representar o Brasil no Carlton Dance Festival 90, ao lado
de companhias como Nikolais and Murrais Louis e
Tanztheater Wuppertal de Pina Bausch. Entre os
diversos prêmios recebidos ao longo de duas décadas, destaca-se o Prêmio Estímulo de Teatro e
Dança, concedido pela Secretaria de Cultura da
Presidência da República e Instituto Brasileiro de
Arte Cultura. A convite, a companhia se apresen-

tou nos festivais Danza Libre (Uruguai), I Porto Alegre em Buenos Aires (Argentina), 1ª, 3ª, 5ª e 9ª edições do Porto Alegre em Cena (Brasil), 1ª, 2ª e 3ª
edições do Circuito Nacional de Dança BrasilTelecom (Brasil) e Diálogo entre Sul e Norte – As Artes
Cênicas aproximando o Brasil (Brasil). Em 2006,
em associação com o diretor teatral Décio Antunes, apresentou o espetáculo Mulheres Insones,
vencedor em diversas categorias do Prêmio Quero-

Quero (SATED-RS e Assembléia Legislativa-RS) e
Prêmio Açorianos de Dança (Secretaria Municipal
de Cultura de Porto Alegre), em ambos foi eleito o
Melhor Espetáculo de Dança de 2006.

No ano comemorativo de seus 20 anos, o
Terpsí Teatro de Dança realizou, em Porto Alegre,
o projeto Proteínas Terpsí, de abril a julho de 2007.
Esse projeto recebeu do Ministério da Cultura e

78 - Informe C3

e Governo Federal, por meio da Fundação Nacional de Arte (Funarte), o Prêmio Klauss Vianna, que
tem viabilizado a produção de diversos projetos em
Dança no Brasil. Também recebe apoio cultural do
projeto Usina das Artes do Centro Cultural Usina
do Gasômetro, Secretaria de Cultura da Prefeitura
Municipal de Porto Alegre e Museu do Trabalho.
No ano de 2008 desenvolveu o Projeto PTerPsí
Pum PBrinPcanPte Pno PMuPseu, financiado pelo
Fumproarte com o especial objetivo de inaugurar o
Centro de Estudos Coreográficos Terpsí, estabelecendo uma parceria com o Teatro do Museu do Trabalho destribuindo 50 bolsas integrais de formação
em dança para sociedade.

Companhia gaúcha independente, pioneira em seu estado e uma das primeiras no Brasil
a assumir como linguagem cênica a dança teatral.
Ao longo de sua trajetória de 21 anos, acumulou
prêmios e reconhecimentos, sendo considerada
pela crítica especializada do centro do país “ uma
renovadora da dança brasileira”. Em seu extenso
currículo apresenta destaques sendo uma das
duas companhias a representar o Brasil no Carlton
Dance Festival 1990, ao lado das maiores companhia internacionais de dança moderna como Tanztheater Wuppertal de Pina Bausch e Alwin Nicolais, entre outros; em 1993 recebeu da Secretaria
de Cultura da Presidência da República e Instituto
Brasileiro de Arte e Cultura o Prêmio Estímulo de
Teatro e Dança, pelo conjunto de trabalhos realizados de significativa importância para as artes no
país. Terpsí recebeu convite para representante
“delegacion cultural extranjera” no festival internacional Danza Libre Corrientes, na Argentina; em
1996 foi a única companhia de dança a representar
a cidade no I Porto Alegre em Buenos Aires, a convite da Secretaria Municipal de Cultura e Secretaria
de Cultura de la Nacion (Argentina); foi representante brasileira no evento O Globo em Movimento,
apresentando-se no Rio de Janeiro ao lado da cia.
canadense O Vertigo. I Forum social Mundial(2000)
I USINA VBRASIl TELECOM DANçAS(2001), I,II
Circuito Brasil Telecom Dança(2001/02), ProjetoPETROBRAS As artesCênicas Aproximando o
Brasil-ùnico reprsentante de dança(Manaus,Belé,
São Luiz, Fortaleza 2002, IICIrcuito Brasil Telecom
Dança (2003), XI Porto Alegre Em Cena. I arte no
Solar.
Projetos Especiais
- Projeto BEgnung - Intercâmbio Institut Goethe Berlim(1999) - Patrocínio Goethe Berlim
- 15 Valsas de 15 - Comemoração dos 15 da Terpsí
na Usina do Gasômetro - Patrocínio FUMPROARTE
- Projeto Petrobras As Artes Cênicas Aproximando
O País( 2002)
- Antígona-Direção Luciano Alabarse(2005/2006)
- Sagração da Primavera(2007) - intercâmbio ULBRA
- Proteínas - Prêmio Klauss Vianna - Intercâmbio
com o Teatro Escola de Antônio Nóbrega (2007)FUNARTE PETROBRAS
- Projeto PterPsí Pum PbrinpCanPte Pno PmuPseu
- Patrocinio FUMPROARTE

79 - Informe C3

80 - Informe C3

Banco de Dados
Terpsí
Wagner Ferraz

Bate Papo com Sayonara Pereira

Momentos de troca e busca por aprendizados se
fazem fundamentais na construção artística de Grupos e
Cia de Dança e Pesquisa. Porém o que se pode perceber
em alguns meios (falando-se especificamente em alguns
territórios ocupados pela dança) é a grande dificuldade
de se estabelecer um momento para se discutir questões
importantes para o “amadurecimento” artístico, cênico e
reflexivo. Muitas vezes, em encontros, seminários, palestras, fóruns e tantos outros momentos onde alguns representantes da dança buscam se reunir para tentar levantar
questões pertinentes para “a dança”, grande parte dos
envolvidos diz sair desses encontros como entraram, sem
aprender nada e totalmente insatisfeitos.

Talvez Grupos e Cias de Dança devam realizar
encontros em seus espaços com a intenção de exercitar
a discução e a reflexão sobre determinados assuntos da
área. Esses exercícios são importantes para que em eventos onde haja um grande número de pessoas envolvidas
os assuntos levantados sejam discutidos com a intenção
de se estabelecer uma troca de aprendizados e não uma
“briga” onde cada um tenta defender sua opinião como a
única e perfeitamente certa.

A Terpsí Teatro de Dança referência no Brasil com
sua singular linguagem cênica há muito vem se preocupando com esses momentos de reflexão e discussão.
Tanto para “alimentar” suas criações como também para
possibilitar que outros interessados possam se aproximar
e participar desses momentos.

No dia 09 de abril de 2009, às 18 horas a Terpsí recebeu no CEC (Centro de Estudos Coreográficos no
Museu do Trabalho em Porto Alegre/RS/Brasil) Sayonara
Pereira para um bate papo sobre sua pesquisa desenvolvida em seu Pós-doutorado pela UNICAMP/FAPESP. Sua
pesquisa é intitulada “O que escreve e descreve o gesto”
– Gestual encontrado nas obras de coreógrafas alemãs
contemporâneas. Sayonara é Profª-Dra-Colaboradora da
UNICAMP.

Neste bate papo além de alguns integrantes da
Cia Terpsí Teatro de Dança estiveram presentes alguns
convidados: Eneida Dherer, Antônio Carlos Cardoso, Simone Rorato, Gabriela Peixoto (Terpsí- interprete), Carlota Albuquerque (Terpsí-coreógra/diretora), Raul Voges
(Terpsí- interprete), Anderson de Souza (Processo C3),
Francine Pressi (Processo C3) e Wagner Ferraz (Processo C3).

Este matrial foi pesquisado no Programa do Carlton Dance Festival do ano de
1989. Material cedido pela Terpsí Teatro
de Dança.

Bauer Studio

www.bauerstudio.com.br

A massa da juventude pela arte e pelo futuro
Foto: John Plowman

85 - Informe C3

86 - Informe C3

A massa da juventude pela
arte e pelo futuro

Foto: Jennifer Hackett

priscilladavanzo

No fim de abril as ruas de Sleaford foram tomadas por milhares de jovens de blusas amarelo fosforescente formando uma efervescente massa cheia de
vida. O trabalho Our Name is Legion [Nosso nome é
Legião] da artista Kelly Large e a exuberância dessa
juventude toda parou literalmente a pequena cidade
românica do interior da Inglaterra. A rotina da cidade
muda completamente todos os dias com a movimentação dos estudantes das três escolas secundaristas:
a contraposição entre o vazio dos horários de aulas e
a movimentação vivaz das massas de estudantes se
locomovendo no resto do dia. O destaque que a artista faz, com as blusas de cor chamativa, acrescenta
ainda o contraste do vibrante [vivo] ao cinza [morto]. A
massa sem face exclui qualquer individualidade particular dos participantes, focalizando para a vida universalizadora da juventude. O corpo não é individual, é o
corpo da massa.

Essa vida exuberante da juventude é assustadora. “No Reino Unido tem existido muita discussão
na mídia nos últimos anos, sobre o comportamento
dos jovens. Existe uma percepção de que os jovens
se comportam mal. E geralmente quando as pessoas encontram grupos de jovens em locais públicos
elas ficam imediatamente precavidas ou assumem
que ‘coisa boa não é’.” diz a artista que acredita que
essa questão também está sendo discutida no projeto
e questiona ainda se dar uma visibilidade de destaque aos jovens da cidade [com o amarelo das blusas]
como ela fez é algo que lhes dá mais poder ou, ao
contrário, lhes tira a liberdade. Durante o mesmo mês
da execução do projeto na Inglaterra, algumas cidades no interior de São Paulo decretaram um toque de
recolher para os jovens locais, que só podem circular
pela cidade até as 23h. A intenção é diminuir a “criminalidade”. A criminalidade da juventude perigosa.

87 - Informe C3

Our Name is Legion

Kelly Large

Kelly Large é uma artista estabelicida em Londres. Ela
explora mecanismos de distribuição como a rádio FM,
formatos de publicação e mediação curatorial para
examinar criticamente a relação entre a produção, a
transmissão e a recepção da arte.

Foto: John Plowman

Projeto da artista Kelly Large comissionada pelo Beacon Art Project, onde os estudantes das três escolas
secundaristas de Sleaford [Lincolnshire, Inglaterra]
foram convidados a vestirem uma blusa amarelo fosforescente ao término de suas aulas e seguirem seus
trajetos cotidianos. O evento se deu em 30 de abril de
2009 e foi filmado para ser apresentado posteriormente. Esse filme será lançado no Hub - National Centre
for Craft and Design [Centro Nacional para artesanato
e Design] em Sleaford na sexta feira 19 de junho dàs
18h. Essa apresentação incluirá ainda um debate entre a artista Kelly Large, John Plowman da Beacon Art
Project, Nick Slater da Loughborough University e a
Dra. Catherine Burge da Lincoln University.

Our name is Legion fala da multidão viva tomando a cidade, dando vida a ela. Da multidão como
massa única, desprovida de particularidades, gozando a exuberância da vida. O título da obra vem de uma
interessante parábola bíblica onde Jesus encontra um
homem possuído por vários demônios e, ao perguntar
seu nome, esse ser plural responde “Nosso nome é
Legião, porque somos muitos”. Essa legião exuberante e viva se contrapõe à velhice morta das cortes
marciais, dos toques de recolher, das catracas e de
toda repressão.

Apesar de Kelly Large acreditar que qualquer
outro grupo específico [como aposentados ou donas
de casa] poderia ser utilizado numa discussão como
essa, a juventude é quem carrega o devir revolucionário da vida, quem carrega a imanência da produção, do novo e do futuro, quem carrega o devir do
incontrolável perigozo. E aqui corrijo: não a juventude
empírica, baseada nas datas de nascimento, mas a
juventude efetiva, aquela que não tem medo de estar
na vanguarda, que não tem medo da verdade, que
não tem medo de saber, e que, acima de tudo, com o
seu projeto de vida imanente vai sempre adiante rumo
ao futuro.

Foto: John Plowman

Os interessados em participar devem entrar em contato com a Beacon: info@beaconartproject.com

Foto: Charlotte Pratley

Beacon Art Project

Beacon é uma organização sem fins lucrativos do
Reino Unido voltada às artes visuais, criada em 2004
por John Plowman e Nicola Streeten, baseada em
Lincolnshire, um condado no interior da Inglaterra. O
approach inovativo da Beacon na curadoria e commissioning tem focalizado na criação de relações entre
o público, o artista e a instituição e não privilegia o
objeto de arte por si só, o que significa criar um espaço indeterminado e não hierárquico que propicia uma
fluência euma convergência entre público, artista e
instituição.

88 - Informe C3

Caderno
de campo

Eróticos Vídeos
Club
Porto Alegre/RS/Brasil

“Imagens e algumas pistas”, foi assim que
iniciamos nosso caderno de campo na ediação anterior. Com a intensão de dividir um pouco do que
encontramos em campo em nossas pesquisas exploratórias, reservamos este espaço para publicar
algumas fotos, palavras e breves frases. Pois o material encontrado em campo ficará em nosso banco
de dados para ser usado no desenvolver de nossas
investigações e produções textuais.

No dia 23 de março de 2009, as 11 horas
da manhã, estivemos na Eróticos Vídeo Club em
Porto Alegre. Fomos muito bem recebidos, todos
estavam dispostos a colaborar com nossa investigação que se deu através de entrevista filmadas,
fotos e observações sobre aquele meio.

Mas até chegarmos lá, tivemos um tempo
de conversas por e - mails e telefone com Cláudio Oss, um dos responsáveis pela “casa”, o que
só veio a atestar a seriedade do trabalho naquele
meio. Todos naquele ambiente se demonstraram
muito profissionais, atentos e dedicados para falar
sobre suas performances, costumes e esclarecer
um pouco sobre a vida e atividades pessoais e profissionais como dançarinos e stripers.

Como nossa intesão não é apresentar todos os dados e como ainda não temos análise desenvolvida, segue um release enviado por Cláudio
Oss, algumas fotos registradas por nós e algumas
frases dos entrevistados.

Agradecemos muito aos dançarinos da
Eróticos Vídeos Club, a Cláudio Oss e Juares Goes
que nos permitiram ir a campo e nos receberam
com muita atenção.
Trabalho realizado por:
Processo C3 - Grupo de Pesquisa
Anderson de Souza,
Francine Pressi e
Wagner Ferraz

89 - Informe C3

“ERÓTICOS VÍDEOS CLUB, o clube que reúne um
variado mix de serviços para o entretenimento adulto, formado basicamente pelo público masculino,
mas bem receptivo a todos, oferece a infra-estrutura completa para a diversão adulta, diariamente
apresentam-se os melhores Stripers do RS, além
de conceituados atores do teatro gaúcho, com seus
personagens hilários e textos inteligentes, os shows mais envolventes do estado.
Completando 15 anos em setembro de 2009, o
club realiza a única balada das tardes de domingo, a “TEA DANCE”, com o conceito, “TRAZENDO
A NOITE PARA O DIA”, mantêm fielmente a vibe
das madrugadas, com shows de laser, shows de
Gogo Boys e transformistas, Djs e toda atmosfera
de liberdade e diversão vem de mãos dadas com
um apimentado terceiro andar, onde os labirintos
tornam-se passagem indispensável para os curiosos e as salas de vídeos eróticos parada obrigatória para os desinibidos, causando inevitavelmente,
uma aceleração dos batimentos cardíacos, e agora
que sua imaginação está passeando por nossas
dependências, traga seu corpo, pra essa festa ficar
completa! “
Material enviado por Cláudio Oss para colaborar
com nosso trabalho.

Dionatan

Cristian

Cristian – 18 anos
Dança desde 2008.
“O público quer ver corpo e rosto bonito...
tem que ter um corpo legal pra dançar...”

Dionatan – 21 anos
Faz 1 ano que iniciou nesta área.

“Bastante preconceito! Todo mundo acha o
que? Que Gogo Boy, Striper, é tudo misturado, e, por exemplo, todos fazem michê
ou garoto de programa, ou é viado mesmo,
é tudo nesse sentido, bem generalizado.”

91 - Informe C3

92 - Informe C3

Gabriel
Gabriel – 27 anos

Felipe

Está na Eróticos desde 2003
“O que é mais importante na vida é o caráter, não importa o que se vá fazer, o mais
importante acima de tudo é o caráter, tanto
em outros lugares como aqui na Eróticos.
Não adianta ter corpo bonito, ter rosto bonito se não tem caráter... Mas depois do
caráter pra um streeper infelizmente vem
o corpo em primeiro lugar, depois eu acho
que vem a sensualidade, a maneira como
interage, o carisma...”
“Acho que hoje em dia o corpo está em
tudo, o visual, a aparência está em muito
destaque. As pessoas julgam mais pela
aparência do que realmente pelo que se
é.”

Felipe – 24 anos
Dança há 4 anos.
“Sobre a questão do corpo, não se precisa
ser muito forte nem muito magrinho, o pessoal é bem eclético, acredito que na verdade tem que gostar de dançar...”

93 - Informe C3

94 - Informe C3

Ícaro

Lucas
Lucas – 23 anos
Dança na noite há 5 anos e faz parte da
equipe da Eróticos Vídeo Club há 1 ano.

“...Quem não conhece encara essa profissão com preconceito, como se fossemos
uma prostituta...”

“Eu malho três vezes por semana, ás vezes nem malho, mas é importante se cuidar, tem que estar com o corpo legal, com
o corpo definido.”

Ícaro – 21 anos
Iniciou nesta área em 2009.
“As pessoas confundem dançar com fazer
programa”.
“Eu gosto de dançar, acho legal, acho divertido...”
“Antes mesmo de iniciar nessa área, sempre fui muito vaidoso, sempre me cuidei...”

95 - Informe C3

96 - Informe C3

Rafael

Marco
Marcos – 24 anos
Dança há 7 anos
“Tem que ser carismático, ter noções básicas de postura em palco, saber como
se portar em uma festa...”

97 - Informe C3

98 - Informe C3

Victor
Victor – 25 anos
Já dança há 4 anos e profissionalmente a 2
anos – está na Eróticos à 1ano e 4 meses.
“Ah, eu acho que ele (o dançarino) tem que
ter um conjunto completo entendeu?! Ele
tem que ser carismático, ele tem que ter
o corpo bonito, ele tem que ser cheiroso,
ele tem que ser simpático, e tem que ter
uma roupa bacana, um figurino bacana pra
apresentar um show de qualidade.”
“Independente de que público seja, seja
público GLS, ou seja um público hétero, pra
mim os dois públicos eu trato de igual pra
igual, bem profissional mesmo.”

Tato – 25 anos

Tato

Começou a fazer performances aos 18
anos e está na Eróticos desde 2003.

“Tem que ser desinibido, gostar de dançar,
não pode ter vergonha, e tem que ter um
corpo legal”.

“Eu me preocupo muito em agradar o público mesmo, assim sabe, em chegar e
impactar entendeu?! Eu penso assim ó, eu
acho que se a gente vai fazer alguma coisa, a gente tem que ser o melhor. Se tu é
lixeiro, tu vai ter que ser o melhor lixeiro,
se tu é dançarino tu tem que procurar ser
o melhor.”
“Algumas casas não tratam a gente como
deve ser tratado, mas isso também se deve
pelo próprio dançarino entendeu muitos
dançarinos desvalorizaram o próprio trabalho...”
“80% do meu salário é da própria dança...”
“Que nem o grupo da Eróticos aqui, é um
grupo excelente sabe, todo mundo trabalha junto, tu pode chegar dentro do camarim, largar tuas coisas sem preocupação
nenhuma, ninguém vai mexer em nada, o
pessoal trabalha junto, o pessoal é unido
sabe, e isso é bacana...”
“Outra coisa assim que eu me lembro, foi
uma senhora, duns 70 anos, que se grudou
numa sunga minha e não queria mais largar, teve que duas mulher tirar ela porque
ela não queria desgrudar...”

99 - Informe C3

100 - Informe C3

101 - Informe C3

Nos dias 15 e 16 de abril de 2009 aconteceu mais
uma Edição do FASHION WAY Canoas Shopping Inverno 2009. Canoas/RS/Brasil.
Seguem algumas fotos do evento.
Fotos: Anderson de Souza

103 - Informe C3

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106 - Informe C3

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110 - Informe C3

Ensaio 04

Anderson de Souza

Este ensaio faz parte de uma pesquisa em processo.

Quem legitima uma tendência de moda?

Em diferentes esferas do mundo contemporâneo praticamente tudo pode vir a se tornar uma tendência que venha a influenciar a produção de bens
de consumo. Influencias que podem ser entendidas
de diversos pontos de vista, passando por diversas
interpretações, sejam elas positivas ou negativas. E
estas observações podem ser facilmente percebidas
quando o assunto é a moda (falando-se em moda no
vestuário, calçados e acessórios).

As tendências de moda encontram-se disponíveis nos mais diversificados meios de comunicação,
como jornais, revistas, sites, blogs, programas de TV,
emissoras de rádio entre outros, e podem ser identificadas como regras a serem seguidas.

E nesses contextos a palavra tendência pode
se apresentar como algo que tende a acontecer, tende
a surgir, como probabilidade, que possa vir a causar
uma influencia ou servir como referencia. Assim se faz
importante a complementação etimológica apresentada por Dario Caldas para compreender a origem que
fundamentou o que hoje é reconhecido como tendência. “o termo deriva do latim tendentia, particípio presente e nome plural substantivado do verbo tendere,
cujo os significados são ‘tender para’, ‘inclinar-se para’
ou ‘ser atraído por’”. CALDAS (2006:23).

Tendência virou palavra da moda , e provavelmente é na moda e pela moda que o uso desta palavra
tornou-se muito popular. E através dela diferentes grupos elegem o que é “legal” e o que não é. Repetindo
o que já foi feito por outros grupos em outros tempos
quando também definiam a noção do que era legal ou
não na moda.

Embora o termo tendência esteja aqui sendo
abordado no viés da moda, é importante frisar que
esta palavra esta presente no vocabulário de pessoas
que atuam dentro dos mais diversos segmentos da
sociedade contemporânea, desde o investidor da Bolsa de Valores que projeta tendências de aumento ou
queda no preço do dólar ou barril de petróleo, passando por cientistas que analisam as possíveis tendências de surgimento de novas doenças, ou mesmo o
designer que estuda os movimentos sociais e culturais de cada época e local para desenvolver “novas”
tendências de cores e formas que serão utilizados no

111 - Informe C3

uma regra utilizada por sociólogos que diz “quando os
homens consideram uma coisa real, ela se torna real
nas suas conseqüências.” Ou seja, se for aplicada a
moda esta profecia sugere que “para que um objeto
se torne ‘tendência’, basta que uma pessoa habilitada
assim o decrete”. ERNER (2004:165).

desenvolvimento de bens de consumo.

Bens estes que estarão ligados de alguma
forma com a construção social do individuo que os
consumirá, pois estes bens poderão indicar as relações de pertencimento que este indivíduo estabelece
ou busca estabelecer com determinadas tribos ou grupos sociais. Podendo esta relação também se dar por
oposição, evidenciando o que é ou não é “legal”, ou
seja, o que é ou não é aceito por este indivíduo.

Quem aceita as legitimações?

Embora exista um grande sistema que define
e legitima a moda como um fenômeno social e cultural presente na maior parte das esferas da sociedade,
esta moda acaba sendo relativa de meio para meio,
exatamente pelas diferenças existentes entre os indivíduos pertencentes de cada grupo e a cada realidade.

Por exemplo, um garoto que se identifica com
os Emos, e para se tornar um passa a incorporar elementos com os quais ele se identifica, de forma que
ele possa ser percebido por outras pessoas como um
Emo. Passa a usar calças mais ajustadas, roupas
escuras, adere a um corte de cabelo onde a franja
cobre um dos olhos e passa a usar lápis preto nos
olhos. Para este garoto, pode ser que se vestir desta
forma venha a ser legal, e pode ser uma forma deste indivíduo ser aceito por um determinado grupo de
Emos. Mas para outras pessoas que não são Emos
e não se identificam com este estilo de vida, se vestir
desta maneira pode causar algum estranhamento por
uma questão de não identificação. O fato é que existem regras simbólicas que determinam uma forma de
se apresentar e representar que determinam modas
e tendências vindas da própria cultura Emo para os
Emos. Diferente de meios onde existem estilistas e
criadores que são responsáveis por lançar os elementos que constituirão propostas – tendências.

Na moda isso pode ser facilmente percebido,
ainda mais se for tomado como exemplo uma teoria
sobre surgimento de tendências que de acordo com o
autor Guillaume Erner (2004), trata-se de uma “profecia auto-realizadora” que segundo o autor se resume a

Os donos da moda

Quando se fala em tendência de moda, a
moda francesa é tida como referência, a marca Chanel
é uma importante referência. Gabrielle Chanel revolucionou a moda no inicio do século XX, ao propor, por
exemplo, o uso de calças para as mulheres, elemento
até então exclusivo do guarda-roupa masculino, fato
que naquele momento representou um marco para
história da moda a nível mundial e sua coragem em
romper paradigmas foi fundamental para a perpetuação de seu estilo. Estilo este que permanece até hoje
e que através da marca Chanel, que atualmente tem
como diretor criativo Karl Lagerfeld, pode-se perceber
que a cada coleção lançada há o surgimento de novas
tendências que influenciam a moda em várias partes
do mundo.

E o estilo criado por Chanel e que atualmente
vem sendo perpetuado através do trabalho de Lagerfeld, é legitimado por uma parcela da sociedade que
aceita e se identifica com sua produção. Confirmando
assim a idéia de ser Lagerfeld um dos responsáveis
por legitimar uma determinada parcela da moda.

Assim também como Alexandre Herchcovitch, Gloria Coelho, Ronaldo Fraga, Jun Nakao, Issey
Miyake, Rey Kawakubo, Dolce & Gabbana que contribuem legitimando a moda para um público que os
admira e os tem como referencia para reconhecer o
certo, o adequado e o ideal na área da moda.

Mas além dos estilistas, também é importante frisar a capacidade de legitimar e fortalecer essas
legitimações na moda, que possuem as revistas especializadas no assunto e eventos da área. Não esquecendo que a troca entre os indivíduos em diferentes
contextos resultam em construções que formatam escolhas que podem ser reconhecidas como formas de
legitimar a moda.

Dessa forma é possível perceber que o meio
legitima certos costumes, escolhas e preferências por
alguns elementos existentes na cultura a qual se pertence, fundamentando legitimações que atribuem aos
elementos da moda o papel de mediador entre quem
determina uma tendência e quem aceita.

Referências:
ERNER, Guillaume. Vitimas da moda?: Como criamos, porque a seguimos.Trad. Eric Roland René Heneault.São Paulo:Editora Senac São Paulo, 2005.
CALDAS, Dario. Observatório de sinais: teoria e pratica da pesquisa de tendências. Rio de Janeiro: Editora
Senac Rio, 2006.
Foto: Anderson de Souza/ Evento: Fashion Way Canoas Shopping Inverno 2009.

Processo C3

Quem é quem?
Currículos
Processo C3
Anderson Luiz de Souza - Brasil/RS/Canoas

Bacharel em Moda pelo Centro Universitário de Maringá - CESUMAR. É aluno da Especialização em Arte Contemporânea e Ensino da Arte na Universidade Luterana do Brasil - ULBRA.
Atualmente é Docente no SENAC Moda e Beleza / Canoas-RS no Curso Técnico em Moda
e em cursos livres atuando nas áreas de história da moda, desenho e criação, pesquisa em
moda e cultura, técnicas de vitrinismo e produção de moda. Pesquisador do grupo de pesquisa Processo C3, idealizador e responsável pelo site www.ferrazdesouza.com que busca
disponibilizar informações relativas aos estudos sobre o corpo e cultura (dança, moda, artes,
entrevistas, cinema, exposições, eventos...). Como bailarino de dança contemporânea atuou
em vários espetáculos, performances, festivais e mostras de dança. Artista Plástico integrante
do Grupo/Projeto Arquivo Temporário (grupo de artistas que buscam através de suas obras
chamar a atenção para prédios históricos e espaços culturais de pouca visitação). Ministra
palestras sobre : A relação Moda e Figurino, Inspirações e Tendências de Moda, Vitrinismo construindo cenas. Além de trabalhar como assistente de fotografia, estilista, figurinista,
ilustrador de Moda e designer gráfico. Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.
br/7662816443281769 .

Grupo de Pesquisa

O Processo C3 surgiu da união de três jovens* pesquisadores para produzir um trabalho coreográfico de
linguagem contemporânea – “Campanha de prevenção ao câncer de próstata” - para o Cri-Ação Dança (evento realizado pelos estudantes da Graduação em Dança da Universidade Luterana do Brasil, ULBRA-Canoas/RS). Também
ligados por “bolsas” oferecidas pelo CEC Terpsí da Cia Terpsí Teatro de Dança de Porto Alegre, onde participavam de
oficinas de Ballet Clássico, Alongamento, Dança Contemporânea e Processo Criativo, os três estudantes resolveram
“legitimar” a união e formar o presente grupo de pesquisa com a intenção de dividir suas buscas e dúvidas. Dessa
forma surgiu o grupo de pesquisa Processo C3, que apresenta os processos pelos quais os participantes/fundadores
têm passado, na busca por compreender os processos que constroem o CORPO em diferentes CULTURAS relacionando sempre com a CONTEMPORANEIDADE. Hoje o Processo C3 conta com colaboradores no Informe C3 que se
empenham para que este veículo posso existir.

O “Processo C3 Grupo de Pesquisa” busca investigar os processos de construção do Corpo em diferentes
contextos Culturais, relacionando com os discursos e práticas da Contemporaneidade. Tendo as artes, Moda e questões socioculturais como focos para tentar esclarecer e fortalecer interrogações.
*Anderson de Souza, Francine Pressi e Wagner Ferraz

Colaboradores
Paulo Duarte - Portugal/ Coimbra

Jesuíta. Licenciado em Filosofia, pela Faculdade de Filosofia de Braga – Universidade Católica Portuguesa. Professor de Religião e bailarino. Tem como interesse de estudos a relação
entre o corpo/dança e a espiritualidade. Já actuou em espectáculos de dança contemporânea e em performances.

Francine Cristina Pressi - Brasil/RS/São Leopoldo

Graduada como Tecnóloga em Dança pela Universidade Luterana do Brasil - ULBRA em
2008, foi agraciada por mérito acadêmico ao obter melhor média durante o curso de Tecnologia em Dança. Hoje está cursando Licenciatura em Dança pela ULBRA. É bailarina, professora, coreógrafa e pesquisadora em dança com ênfase em linguagens contemporâneas.
Desenvolve trabalhos artísticos como bailarina desde 2003, participando de várias performances, espetáculos, festivais e mostras de dança, atuando em companhias de dança como
a Cia. Corpo Alma, Cia. Hackers Crew, e colaborando como bailarina/interprete de dois estudos coreográficos orientados por Carlota Albuquerque e dirigidos por Wagner Ferraz (O Jogo)
e Raul Voges (Provisório – Processo I). Hoje atua também na área de pesquisa em dança,
abordando temas como dança, corpo, moda, cultura e contemporaneidade dentro do grupo
de pesquisa Processo C3 dirigido por Wagner Ferraz.. Endereço para acessar este CV: http://
lattes.cnpq.br/8890297538503375.

Wagner Ferraz - Brasil/RS/Canoas

Graduado em Dança pela ULBRA, cursa Especialização em Educação Especial e em Gestão
Cultural. Bailarino, coreógrafo, professor de dança e pesquisador em dança com ênfase em
linguagens contemporâneas, tem como foco investigar a relação corpo e cultura. Já dirigiu
coreografou e atuou em vários espetáculos, performances, festivais e mostras de dança. Integrou o elenco da Cia Terpsí Teatro de Dança (2006/2007). Atualmente também ministra aulas
e oficinas de dança, processo criativo em dança, dança contemporânea e expressão corporal
no ensino regular e no ensino especial com pessoas com deficiência física, mental, auditiva
e visual, além de outras síndromes. Diretor e pesquisador do grupo de pesquisa Processo
C3, idealizador e responsável pelo site www.ferrazdesouza.com e Informativo FdeS onde
busca disponibilizar informações relativas aos estudos sobre o corpo e cultura (dança, moda,
artes, entrevistas, cinema, exposições, eventos...). Desenvolve trabalhos como assistente de
fotografia e webdesigner. Ministra palestras sobre : Processo Criativo, Expressão Corporal
e Adaptações para pessoas com deficiência, Dança e Adaptações para pessoas com deficiência, Corpo e Território, Modificações Corporais, Construção Social da Beleza e da Feiúra,
Construção Socail de Corpo e Realções entre Corpo e Moda. Atua principalmente nos seguintes temas: dança, criação, coreografia, performance, corpo, corpo-moda, cultura e pesquisa.
Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/7662816443281769 .

113 - Informe C3

priscilladavanzo - São Paulo/Brasil

Formada em Artes Plásticas pelo Instituto de Artes da UNESP onde defendeu o mestrado
com a pesquisa “ corpo obsoleto: projetos artísticos para uma nova concepção do corpo
humano” [2006]. Curadora do projeto [In.CoRpo.Ro] juntamente com Monica Rizzolli, que
organiza mostras, colóquios e oficinas relacionadas a performances e ações corporais. Na
sua produção trabalha com diferentes técnicas e linguagens sempre tendo em foco o corpo
humano. Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/6098104817118235

Rodrigo Monteiro - Brasil/RS/Porto Alegre

Licenciado em Letras, atuando profissionalmente como professor de Língua Portuguesa, Língua Inglesa e Literatura. Leciona desde 1997, quando concluinte do Curso de Magistério.
É Bacharel em Comunicação Social - Habilitação Realização Audiovisual, com especialidade em Direção de Arte e em Roteiro. Foi aprovado em primeiro lugar no processo de seleção 2009 para o Mestrado em Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do
Sul. Escreve dramaturgia desde 2000. Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.
br/7379695337614127

T. Angel - São Paulo/Brasil

Técnico em moda pelo SENAC e graduando em História pela Universidade FIEO, atualmente
integra o staff do site argentino Piel Magazine e é diretor geral do website Frrrk Guys, que
aborda as temáticas da modificação corporal e da beleza masculina oriunda dessa prática.
Além disso, desde 2005 vem atuando no cenário da performance art. Nos últimos anos, Thiago Ricardo Soares vem colaborando com artigos para diversas revistas nacionais e internacionais. Tem experiência na área de História, atuando principalmente nos seguintes temas:
body art, performance e modificação corporal. Como pesquisador histórico, interessa-se pelos seguintes temas: body art, performance e modificação corporal. Endereço para acessar
este CV: http://lattes.cnpq.br/2319714073115866

114 - Informe C3

Estamos em
Processo!

“Informativo FdeS”
agora é “Informe
C3”...