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Introdução A Laponita (Silicato de magnésio, lítio e sódio hidratado, Na + 0 , 7

Introdução

A Laponita (Silicato de magnésio, lítio e sódio hidratado, Na + 0,7 [(Si 8 Mg 5,5 Li 0,3 )O 20 (OH) 4 ] -0,7 ) é uma espécie única de argila, mais especificamente, silicato lamelar sintético, formado a partir de minerais inorgânicos, com estrutura cristalina e composição bem semelhante à da esmectita natural. Possui diâmetro na gama de 25 a 30 nm, e espessura de 0,92 nm, muito menor do que as argilas naturais (LI et. al., 2014). A Figura 1 exemplifica de uma maneira genérica a forma do cristal de laponita (CUMMINS, H. Z., 2007).

a forma do cristal de laponita ( CUMMINS, H. Z., 2007 ). Figura 1. Forma em

Figura 1. Forma em disco do cristal de Laponita (Fonte: Technical Information B-RI 21, LAPONITE, Peformance Additives, BYK Additives & Instruments)

De uma maneira geral, sua composição química é 65,82 % de SiO 2 , 30,15% de MgO, 3,20% de Na 2 O e 0,83% de LiO 2 ; tal composição corresponde ao tipo de laponita mais estudada (Laponita RD). Seu ponto de fusão se dá em torno de 900 °C e sua densidade é de 2,53 g/cm 3 (CUMMINS, H. Z., 2007).

Em um único cristal, uma folha de óxido de magnésio ou alumínio coordenada octaedricamente está entre duas camadas de silício coordenadas tetraedricamente. As faces do cristal têm carga negativa, já as arestas têm uma pequena carga positiva que é dependente do pH, sendo esta tipicamente 10% da carga negativa. A Figura 2 exemplifica uma estrutura idealizada da Laponita. Esta estrutura idealizada teria uma carga neutra com seis íons de magnésio bivalentes na camada octaédrica, dando uma carga positiva de doze; entretanto, na prática, alguns íons de magnésio são substituídos por íons lítio monovalentes e algumas posições encontram-se vazias para se obter a composição química típica da laponita (CUMMINS, H. Z., 2007; Technical Information B-

RI 21, LAPONITE).

Figura 2. Estrutura idealizada da Laponita. (Fonte: Technical Information B-RI 21, LAPONITE, Peformance Additives, BYK

Figura 2. Estrutura idealizada da Laponita. (Fonte: Technical Information B-RI 21, LAPONITE, Peformance Additives, BYK Additives & Instruments)

A carga negativa global líquida de um único cristal de laponita é de aproximadamente 700 cargas de elétrons; esta carga é equilibrada por cátions entre camadas que são predominantemente Na + . No pó seco, os cristais de laponita empilham-se, compartilhando os íons Na + interlamelar. Quando disperso em água, os hidratos de laponita se incham e formam uma dispersão coloidal com os íons Na + formando camadas duplas nas faces. O pH de uma suspensão de laponita 2% em água pura é de 9,8.

A laponita contém cerca de 8% em peso de água, que é quimicamente adsorvido pela estrutura do cristal e só pode ser removido por cozimento a temperaturas superiores a 150 °C; além disso, a laponita é higroscópica e absorve água da atmosfera facilmente, tipicamente de 15% a 50% da umidade relativa do ar (CUMMINS, H. Z.,

2007).

Como já mencionado, a laponita é um produto inteiramente sintético. O processo se síntese envolve a combinação de sais de sódio, magnésio e lítio com silicato de sódio a taxas e temperaturas cuidadosamente controladas. Isto produz um precipitado amorfo que é, em seguida, cristalizado parcialmente por um tratamento a alta temperatura. O produto resultante é filtrado, lavado, seco e moído até um pó fino branco ser obtido. A figura 3 apresenta um esquema de um processo típico de síntese da laponita.

Figura 3. Esquema da síntese da Laponita. (Fonte: Technical Information B-RI 21, LAPONITE, Peformance Additives,

Figura 3. Esquema da síntese da Laponita. (Fonte: Technical Information B-RI 21, LAPONITE, Peformance Additives, BYK Additives & Instruments)

Additives, BYK – Additives & Instruments ) Caracterizações A Figura 4 apresenta a curva de TG

Caracterizações

A Figura 4 apresenta a curva de TG e DTA (análise termogravimétrica) de uma

Laponita comercial. A análise termogravimétrica permite a investigação do comportamento do material sob tratamentos térmicos.

O material exibe um pico endotérmico largo na curva de DTA. O pico mostrado

em uma temperatura média de 120 °C é devido a dessorção de humidade adsorvida pelo pó, já que a Laponita é altamente higroscópica; este pico é seguido por outro em temperatura de aproximadamente 719 °C e 739 °C que, que é atribuído a liberação de OH estrutural. O íngreme declínio das curvas de DTA e TG entre 200 °C e 700 °C sugere que nesta faixa de temperatura a perda de OH estrutural é concomitante com a liberação de água residual adsorvida. A remoção total de grupos OH aparece em 800 °C, pois nenhuma perda de peso é observada na curva de TG acima dessa temperatura. Pode-se concluir, através destas observações, que a estrutura da Laponita não existe

mais quando o aquecimento é acima de 700 °C; além disso, acima desta temperatura, toda a água ligada a desidroxilação também é removida.

Figura 4. Curvas de DTA e DG da Laponita em pó. (Fonte: LUYER et. al.,

Figura 4. Curvas de DTA e DG da Laponita em pó. (Fonte: LUYER et. al., 2001)

A Figura 5 apresenta um difratograma de raio X de uma laponita comercial. A Laponita pura aqui apresentada um padrão amplo de DRX devido à baixa cristalinidade da argila em questão e também do pequeno tamanho de partícula. O pico largo exibido acerca de 5.6° 2θ, é atribuído ao plano de difração cristalográfico 001, a partir do qual mede-se o espassamento basal da argila. Os outros picos estão presentes em valores de 19.4°, 27.5°, 33.7° e 60.4°, correspondentes aos planos cristalinos (100), (005), (110) e (300), respectivamente.

cristalinos (100), (005), (110) e (300), respectivamente. Figura 5. DRX da Laponita. (Fonte: Adaptado de DANIEL

Figura 5. DRX da Laponita. (Fonte: Adaptado de DANIEL et. al., 2008)

A Figura 6 apresenta o RMN de Si (Ressonância Magnética Nuclear de Si) da Laponita. Os picos são designados por letras, Q n , T n, D n, M n , baseado no número de átomos de oxigênio ligados ao átomo de silício principal, sendo estes, 4, 3, 2 ou 1, respectivamente, sendo n o número de átomos de oxigênio ligados a um átomo de silício adicional. A Laponita exibe dois picos principais a -96 e -86 ppm, atribuídos aos sítios Q 3 e Q 2 , respectivamente. Os picos correspondentes ao sítio Q 3 surgem dos núcleos de silício das folhas tetraédricas (Si(OMg)(OSi) 3 ), já os picos correspondentes ao sítio Q 2 é atribuído a presença dos silanóis, Si(OMg)(OSi) 2 (OH), tanto das arestas das folhas da argila quanto dos defeitos no interior da estrutura da argila.

quanto dos defeitos no interior da estrutura da argila. Figura 6. RNM de Si da Laponita.

Figura 6. RNM de Si da Laponita. (Fonte: Adaptado de DANIEL et. al., 2008)

A Figura 7 exibe o espectro de emissão de infravermelho da Laponita em diversas temperaturas. A temperaturas abaixo de 200 °C, o elevado comprimento de onda do espectro da laponita nesta região é determinado por várias vibrações e alongamentos dos grupos hidroxila ligados aos cátions metálicos e as moléculas de água. Após o aquecimento, os picos da hidroxila se tornam mais definidos devido a remoção de numerosos picos de água que obstruem sua visão. O pico acerca de 3665 cm -1 , é atribuído a vibração/alongamento do íon de magnésio Mg-OH presente na folha octaédrica da argila. O pico a 3730 cm -1 corresponde ao alongamento dos grupos silanóis Si-OH presentes na superfície da argila. A aproximadamente 700 °C, os picos de água são eliminados e os dois picos apresentados são de hidroxila; tais picos permanecem na região de 3400-3800 cm -1 . A Intensidade relativa do pico de Si-OH e Mg-OH permanecem constante durante toda a análise. A 800 °C, esses picos desaparecem devido a desidroxilação da laponita.

Figura 7. Espectro de emissão de infravermelho da Laponita. (Fonte: DANIEL et. al., 2008 )

Figura 7. Espectro de emissão de infravermelho da Laponita. (Fonte: DANIEL et. al., 2008)

infravermelho da Laponita. (Fonte: DANIEL et. al., 2008 ) Propriedades e Aplicações A laponita tem atraído

Propriedades e Aplicações

A laponita tem atraído constantemente a atenção devido principalmente devido as suas propriedades reológicas únicas e inovadoras. Tais propriedades incluem alta viscosidade e baixas taxas de cisalhamento, que produz propriedades de auto- sedimentação muito eficazes, baixa viscosidade e velocidades de cisalhamento elevadas, um elevado grau de afinamento de cisalhamento e reestruturação tixotrópica progressiva e controlável após cisalhamento. A combinação destas propriedades faz da laponita um dos espessantes mais versáteis em produtos formulados a base de água.

Existem vários tipos diferentes de laponita disponíveis para diferentes aplicações industriais. A Laponita RD, o tipo mais frequentemente estudado, é usado em muitos produtos domésticos e industriais, incluindo produtos de limpeza, revestimentos de superfície e esmaltes cerâmicos. A Laponita XLG é um tipo de Laponita RD com um elevado grau de pureza, processada para remover impurezas, como por exemplo,

metais pesados de chumbo e arsênio. Esta classe de laponita é utilizada em higiene pessoal e cosméticos, incluindo a produção de shampoos e protetores solares.

Devido ao seu comportamento físico original, sua biodegrabilidade e biocompatibilidade com uma vasta gama de aplicações industriais, como por exemplo, revestimentos de superfície, produtos de cuidados pessoais, produtos de uso doméstico, esta argila tem recebido uma atenção substancial (LI et. al., 2014). A laponita pode ser utilizada em revestimentos automotivos devido a ótima aparência e melhoria na sensibilidade à humidade em comparação com outros espessantes. Também é utilizada em revestimentos de madeira, devido a excelente clareza, brilho e suavidade em vernizes, melhora na suspensão e espaçamento dos pigmentos, redução de floculação do pigmento que pode aumentar a intensidade da cor. Sendo utilizada em pigmentos suspensos dá estabilidade sem viscosidade; em certas formulações a laponita pode ser utilizada em níveis muito baixos para fornecer estabilidade do pigmento suspenso sem produzir viscosidade tixotrópica. As aplicações incluem tintas de impressão, tintas automotivas, revestimentos de imersão e tintas de madeira (Technical

Information B-RI 21, LAPONITE).

A laponita também pode ser utilizada na agricultura, pois é considerada um componente inerte nas formulações utilizadas em colheitas em crescimento.

Um outro tipo de indústria em que a laponita pode ser empregada, é na indústria de petróleo e gás. Esta argila dá um alto controle de fluxo de fluido de perfuração a temperaturas e pressões elevadas, aumenta o desempenho de cimentos tixotrópicos e

de plugs poliméricos (Technical Information B-RI 21, LAPONITE).

poliméricos ( Technical Information B-RI 21, LAPONITE) . Comentários Através das discussões sobre todas as

Comentários

Através das discussões sobre todas as propriedades e características apresentada pela laponita aqui abordadas, pode-se perceber sem dúvida que a laponita é uma argila bem diversificada, podendo ser empregada em diversas áreas da indústria. No meu ponto de vista, mesmo esta não sendo uma argila natural, e nem tão pouco com uma grande abundância (o que a torna o seu custo superior a algumas argilas naturais), já que não é encontrada na natureza, é de “fácil” sintetização do ponto de vista dos reagentes necessários, já que se utiliza de sais de fácil acesso para sua fabricação.

Referências

Referências

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Li X.; Liu A.; Ye R.; Wang Y.; Wang W. Fabrication of gelatin-laponite composite films: Effect of the concentration of laponite on physical properties and the freshness of meat during storage. Food Hydrocolloids, v. 44, p. 930-398, 2014.

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Cummins H. Z. Liquid, glass, gel: The phases of colloidal Laponite. Journal of Non- Crystalline Solids, v. 353, p. 3891-3905, 2007.

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Technical Information B-RI 21, LAPONITE, Peformance Additives, BYK Additives & Instruments,http://www.byk.com/fileadmin/byk/additives/product_groups/rheology/f

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Luyer C. L.; Lou L.; Bovier C.; Plenet J. C.; Dumas J. G.; Mugnier J. A thick sol-gel inorganic layer for optical planar waveguide applications. Optical Materials, v. 18, p. 211-217, 2001.

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Daniel L. M.; Frost R. L.; Zhu H. Y. Edge-modification of laponite with dimethyl- octylmethoxysilane. Journal of Colloid and Interface Science, v. 321, p. 302-209,

2008.

Universidade Federal do Rio Grande do Norte Instituto de Química PPGQ Programa de Pós Graduação em Química Ciência e Tecnologia de Argilas

Laponita

Características, Propriedades e Aplicações

Docente: Prof. Drª. Sibele Pergher / Drª Ana Alcântara Discente: Manuela Silva Martins de Oliveira

Natal, RN