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PALESTRA NO CENOL – GAMA


TEMA – AUTO LIBERTAÇÃO
DIRIGENTE – VICENTE CAMPOS

Objetivos:
a) Indicar o início do curso de auto libertação como sendo o aprendizado de “tudo
possuir e nada ter” e viver “com todos e sem ninguém”.
b) Citar os prejuízos resultantes da queixa e da intolerância, destacando a
importância do cultivo da renúncia como base da sublimação aos mais altos
níveis.
c) Mostrar os exemplos do comportamento de Jesus, proporcionando a cada alma,
recursos de renovação para o bem, contextuando a necessidade de ajudarmos
quanto pudermos.

Queridos irmãos.Uma boa noite para todos.Roguemos a


Jesus o seu amparo.Que sua Paz esteja em nossos
corações.

O Tema de nossos estudos nesta noite é – Auto libertação.


E para começarmos, vamos contar uma pequena história
chamada de:
O Velho Carpinteiro
Um velho carpinteiro estava para se aposentar. Ele contou
a seu chefe os seus planos de largar o serviço de
carpintaria e de construção de casas e viver uma vida mais
calma com sua família.
Claro que ele sentiria falta do pagamento mensal, mas ele
necessitava da aposentadoria. O dono da empresa sentiu
em saber que perderia um de seus melhores empregados e
pediu a ele que construísse uma ultima casa como um
favor especial.
O carpinteiro consentiu, mas com o tempo era fácil ver
que seus pensamentos e seu coração não estavam no
trabalho. Ele não se empenhou no serviço e se utilizou de
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mão de obra e matérias primas de qualidade inferior. Foi


uma maneira lamentável de encerrar sua carreira.
Quando o carpinteiro terminou seu trabalho, o construtor
veio inspecionar a casa e
entregou a chave da porta ao carpinteiro. "Esta é a sua
casa", ele disse, "meu presente a você."
Que choque! Que vergonha! Se ele soubesse que estava
construindo sua própria casa, teria feito completamente
diferente, não teria sido tão relaxado. Agora ele teria de
morar numa casa feita de qualquer maneira.
Assim acontece conosco.
Nós construímos nossas vidas de maneira distraída,
reagindo mais que agindo, desejando colocar menos do
que o melhor. Nos assuntos importantes nós não
empenhamos nosso melhor esforço. Então, em choque,
nós olhamos para a situação que criamos e vemos que
estamos morando na casa que construímos.
Se soubéssemos disso, teríamos feito diferente, não é
verdade?
Pensemos em nós como o carpinteiro. Pensemos sobre
nossa casa. Cada dia nós martelamos um prego novo,
colocamos uma armação ou levantamos uma parede.
Construamos as nossas casa da melhor maneira possível.
Sabedores de que seremos nós que habitaremos ali.

Para tentarmos compreender bem o que estamos


estudando, vamos fazer uma analogia, uma comparação.
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Nós somos aquele carpinteiro.Nós, espíritos, em


caminhada rumo à evolução.
Sabedores que podemos ter uma situação melhor, pedimos
a Deus uma nova oportunidade.
Nós somos Espíritos, os seres inteligentes da criação, de
acordo com o Livro dos Espíritos.
Os Espíritos, ou seja, nós, fomos criados simples e
ignorantes. Evoluímos, intelectual e moralmente, passando
de uma ordem inferior para outra mais elevada, até a
perfeição, onde passaremos a usufruir de inalterável
felicidade.
Essa evolução acontece por meio da Reencarnação – que é
a volta do espírito a outro corpo, devidamente preparado
para ele, para que possa fazer novamente, aquilo que não
fez de modo correto, ou para novos aprendizados.
A nova oportunidade que Deus nos dá é a reencarnação.
Por meio dela, temos a chance de construir uma nova casa.
Casa esta que servirá de moradia a nós mesmos.
E o que nós fazemos?
Agimos da mesma maneira que aquele velho carpinteiro.
Nos deixamos levar pelos maus hábitos, por vícios e maus
sentimentos, e começamos a construir nossas casas com
desleixo, com preguiça, desanimados.Ou seja, agimos de
maneira exatamente igual ao nosso amigo carpinteiro.
Com uma diferença:
O carpinteiro não tinha alguém para lhe dar algumas
dicas, alguém que fosse, por exemplo, o mestre de obras, o
engenheiro, alguém que conhecesse um pouco mais que
ele.
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Que soubesse das suas necessidades, mas que soubesse,


também dos objetivos do seu Senhor.
Ele não teve alguém para lhe dizer, por exemplo: Bem
aventurados aqueles que constroem bem as suas casas,
pois nelas eles habitarão..
Se ele tivesse esse alguém para lhe dar uns toques, será
que faria aquela casa da mesma maneira que vinha
fazendo antes?

Dizíamos que nós, espíritos, percebendo o nosso estado de


infelicidade, conscientes da nossa situação, pedimos a
Deus uma nova oportunidade e Ele, Pai amoroso, justo e
bom, nos dá essa nova oportunidade, sendo que em troca,
nos pede apenas que construamos uma nova casa.
Claro que Ele tem planos melhores para cada um de nós.

A nova oportunidade é a reencarnação.


E a construção que devemos fazer é a transformação de
nossas vidas.
Encaremos a nossa reencarnação, esta nova oportunidade
oferecida pelo Pai a nós, como sendo um Curso.
Curso este que chamaremos de Curso de auto libertação.
Ou seja, um curso onde aprenderemos a nos libertar das
amarras que nos prendem às imperfeições, aos vícios, a
tudo aquilo que prejudica a nossa economia espiritual –
nossa bagagem moral.
Ao nos inscrevermos em um curso, aqui na Terra,
sabemos que qualquer um deles é divido em disciplinas,
matérias que são importantes para o nosso currículo.
Assim, este curso de Auto libertação, também é dividido
em disciplinas e nós vamos estudar três delas.
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A primeira disciplina que necessitamos aprender é quanto


a nossa postura diante da questão da posse.
Desde o momento em que começamos a tomar consciência
de nossas vidas, somos induzidos a viver num mundo onde
o mais importante é o ter.
Precisamos ter os melhores bens.
Precisamos ter os melhores cursos.
Precisamos ter as melhores pessoas ao nosso redor.
E, não satisfeitos em ter bens matérias, também
acreditamos que somos donos das pessoas que convivem
ao nosso redor.
Pensamos que somos donos dos nossos filhos, dos nossos
cônjuges, dos nossos familiares e até dos nossos amigos.
E nessa ânsia de ter, possuir, colocamos, nos bens e
pessoas, que acreditamos serem nossos, a nossa felicidade.
Assim, somente somos felizes quando temos.
Colocamos a nossa felicidade em bens, coisas, objetos e
circunstâncias que são passageiras.
Colocamos a nossa felicidade em pessoas que não são
nossas.
E quando atingimos aquilo que chamamos de nossa
felicidade, não nos satisfazemos ou fazemos mal uso, e
então, nos tornamos infelizes.
Tudo isso se transforma em ambição desmedida e é por
causa dessa ambição desmedida que nós somos infelizes.
Se observarmos com maior propriedade, constataremos
que a maiorias de todos os males que atormentam o
homem se deve a sua má relação diante da posse.
Crimes, guerras, violência, miséria, prostituição, entre
muitos outros, acontecem, geralmente devido a essa
ambição que faz com que se queira sempre mais,
esquecendo-se do essencial.
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Somos obrigados a lembrar de uma frase de Paulo em sua


primeira epístola a Timóteo, quando ele diz: “
"... Nada trouxemos para este mundo e manifesto
é que nada podemos levar dele."
E recorrendo ao Evangelho Segundo o Espiritismo, em seu
capítulo XVI, encontramos o seguinte texto:
13. Sendo o homem o depositário, o administrador dos
bens que Deus lhe pôs nas mãos, contas severas lhe serão
pedidas do emprego que lhes haja ele dado, em virtude do
seu livre-arbítrio. O mau uso consiste em os aplicar
exclusivamente na sua satisfação pessoal; bom é o uso, ao
contrário, em todas as vezes que deles resulta um bem
qualquer para outrem. O merecimento de cada um está na
proporção do sacrifício que se impõe a si mesmo
Assim, é preciso que tenhamos em mente, como primeiro
objetivo, neste nosso Curso de auto libertação, que é
necessário, urgente mesmo, o aprendizado de que tudo
possuímos, mas nada temos e de que devemos viver com
todos sem ser de ninguém.
Trata-se aqui da questão do desapego.
A propósito lembramos de Diógenes.
Diógenes (400-325 a.C.), filósofo grego, era famoso por
seu comportamento excêntrico e comentários mordazes.
Dizia-se que tinha grande desprezo pela Humanidade.
Caminhava pelas ruas de Atenas com uma lanterna, a
proclamar:
– Procuro um homem honesto.
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Era algo para ele tão difícil quanto iluminar um palheiro


em busca de agulha perdida.
Observação bem atual, ante a desavergonhada corrupção
que se institucionaliza na sociedade humana.
Diógenes não era nenhum misantropo ranheta e
excêntrico.
Havia em suas atitudes um humor irônico, que
popularmente chamaríamos hoje de gozação, com o qual
procurava instigar as pessoas à apreciação de suas idéias.
Ensinava que o supremo recurso de felicidade é o total
desprezo pelas convenções humanas, em obediência plena
às leis da Natureza.
O caminho para essa realização está na simplificação da
existência, superando a superficialidade e os modismos.
Andava descalço…
Vestia uma única túnica…
Dormia num tonel…
Certa feita, viu um menino a usar o côncavo das mãos para
tomar água.
Admirou-se:
– Acabo de aprender que ainda tenho objetos supérfluos.
Jogou fora a caneca que usava e passou a imitar o menino.
Alexandre, o Grande (356-323 a.C.), quis conhece-lo e
testar seu proverbial desprendimento dos bens materiais.
Foi encontrar o filósofo, em fria manhã de inverno,
aquecendo-se ao sol.
Após serem apresentados e conversarem, Alexandre disse-
lhe estar disposto a atender qualquer pedido seu.
O capricho mais sofisticado, o objeto mais precioso…
Diógenes sorriu e respondeu:
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– Quero apenas que não me tires o que não me podes dar.


Estás diante do Sol que me aquece. Afasta-te, pois...
Certamente seria complicado tomar Diógenes ao pé da
letra.
Acabaríamos internados num hospício.
Os tempos são outros.
Além do mais, estamos longe do desprendimento total.
Não obstante, seria interessante observar a tônica de suas
idéias:
É preciso que nos libertemos de condicionamentos e
modismos, do supérfluo e do artificial, contentando-nos
com o necessário à vida.
Teremos, então, melhores chances de viver bem.
Jesus deixa isso bem claro no Sermão da Montanha,
quando recomenda que não nos preocupemos
demasiadamente com nossa vida, nem acerca do que
devemos comer ou vestir…
É preciso centralizar nossas ações em torno do Reino de
Deus, que se realiza no empenho do Bem.
Tudo o mais, explica Jesus, virá por acréscimo.
A Doutrina Espírita oferece marcante contribuição em
favor da simplificação de nossa existência, abrindo-nos as
portas do mundo espiritual para nos mostrar algo que não
devemos esquecer jamais:
Levaremos para o Além somente os valores incorporados
à nossa alma, nos domínios da virtude e do conhecimento.
O resto ficará por aqui mesmo.
Imperioso, pois, simplificar sempre, como destaca
Guilherme de Almeida (1890-1969):
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Simplicidade… Simplicidade…
Ser como as rosas, o céu sem fim,
a árvore, o rio… Por que não há de
ser toda gente também assim?
Ser como as rosas: bocas vermelhas
que não disseram nunca a ninguém
que tem perfumes… mas as abelhas
e os homens sabem o que elas têm!
Ser como o espaço, que é azul de longe,
de perto é nada… Mas quem o vê
– árvores, aves, olhos de monge… –
busca-o sem mesmo saber porque.
Ser como o rio cheio de graça,
que move o moinho, dá vida ao lar,
fecunda as terras… E, rindo passa,
despretensioso, sempre a cantar.
Ou ser como a árvore: aos lavradores
dá lenha e fruto, dá sombra e paz;
da ninho às aves, ao inseto, flores…
Mas nada sabe do bem que faz.
Felicidade – sonho sombrio!
Feliz é o simples que sabe ser
como o ar, as rosas, a árvores, o rio:
simples, mas simples sem o saber!
A segunda matéria a ser aprendida é a nossa postura diante
da queixa e da intolerância. Principalmente no que se
refere às atitudes e comportamento do nosso próximo.
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Nós costumamos reclamar e nos queixar de tudo o que os


outros fazem e que não nos agrada.
Nós reclamamos do marido, da esposa, dos filhos, dos
pais, dos chefes, dos amigos...Enfim.
Basta que eles digam alguma coisa que não gostamos,
façam algo com o qual não concordamos ou que
faríamos de maneira diferente daquela.
Aí, a nossa intolerância manifesta-se claramente.
"Sede indulgentes com as faltas alheias, quaisquer que elas
sejam; não julgueis com severidade senão as vossas
próprias ações e o Senhor usará da indulgência para
convosco, como de indulgência houverdes usado para
com os outros.
Todos nós, espíritos imperfeitos, ainda arraigados à
evolução da Terra, reclamamos concurso e compaixão uns
dos outros, mas nem sempre sabemos por nós mesmos,
quando surgimos necessitados de semelhantes recursos.
Em muitas circunstâncias, estamos cegos da reflexão,
surdos do entendimento, paralíticos da sensibilidade e
anestesiados na memória sem perceber...
O companheiro em provas amargas escorregou no
desânimo e tombou em desespero. Claro que anelas para
ele o retorno à tranqüilidade, no entanto, não te entregues
às críticas que lhe agravariam a irritação. Usa a
indulgência e oferece-lhe apoio.
O próprio Criador espera as criaturas, no transcurso do
tempo, tolerando-lhes as faltas e encorajando-lhes as
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esperanças, embora lhes corrija todos os erros, através de


leis eficientes e claras.
Indiscutivelmente, ninguém constrói nada de bom, sem
responsabilidade e disciplina, advertência e firmeza, mas é
imperioso considerar que toda boa obra roga auxílio, a fim
de aperfeiçoar-se.
Pensa no bem e faze o bem, contudo, é preciso recordar
que o bem exigido pela força da violência gera males
inúmeros em torno e desaparece da área luminosa do bem
para converter-se no mal maior.
A oração de Francisco de Assis nos diz, que é perdoando
que seremos perdoados, e quando ele nos coloca essa
frase, ele nos fala da importância de caminharmos, mas
sempre ajudando o nosso semelhante.
Que possamos refletir diante deste capítulo do Evangelho
– BEM-AVENTURADOS OS QUE SÃO
MISERICORDIOSOS, não esquecendo de compreender a
misericórdia infinita do nosso Pai, dizendo perdoai nossas
ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem
ofendido.
O que nós queremos pedir ao Senhor quando imploramos
que Ele nos perdoe diante das nossas dificuldades? Será
que Ele só deverá esquecer as nossas ofensas? Pedimos
também que Ele não nos puna?
Por fim, nesta disciplina, temos como objetivos lembrar de
todos os prejuízos e queixas que resultarão em nossas
próprias vidas e só poderão ser anulados diante da nossa
renúncia.
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Esta será uma boa atitude diante da construção da nossa


nova casa.
A terceira disciplina que devemos aprender é a aceitação
de Jesus e seus exemplos de comportamento, que
proporcionam a cada alma a renovação para o bem.
Considerava-se o nascimento de Jesus o marco do
renascimento espiritual da Humanidade, assim como o dia
sucede a noite e a vida sucede a morte.
As dúvidas que envolvem o nascimento do Senhor, longe
de tirarem o brilho e a beleza do Evangelho, apenas
demonstram que não devemos nos deter em detalhes
dispensáveis.
Centralizemos nossa atenção no que há de relevante em
seu nascimento, destacando o objetivo de sua missão.
Ele veio ensinar como construir o Reino Divino, a partir
do alicerce fundamental – o amor a Deus sobre todas as
coisas e ao próximo como a nós mesmos.
Em boa lógica, sob o ponto de vista humano, Jesus deveria
ter nascido filho do imperador romano.
Assim desfrutaria do necessário poder para o desempenho
da grandiosa missão, impondo sua mensagem aos homens.
As legiões romanas seriam a garantia do cumprimento de
suas determinações.
Nada disso aconteceu.
Jesus preferiu nascer numa das mais obscuras províncias
do império, longe do poder, filho de humilde carpinteiro.
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Situou-se tão longe de Roma, palco dos acontecimentos


marcantes da época, que a História praticamente o
ignorou.
Por que semelhante escolha?
Para entender isso, consideremos o fato fundamental que
distingue Jesus dos líderes religiosos em geral:
Ele foi o único que, em todas as circunstâncias,
exemplificou sua mensagem.
Viveu seus ensinamentos.
Contemplamos assombrados, na vida dos grandes líderes
religiosos, fundadores de religiões, flagrantes contradições
entre o que pregavam e a realidade de seu dia-a-dia.
A mensagem que traziam parecia maior que eles,
incapazes de superar as limitações de seu tempo. Pesava
em seus ombros.
Com Jesus foi diferente.
Ele foi tão grande quanto sua mensagem e a vivenciou
inteiramente.
Ensinava que os homens são todos irmãos, filhos do
mesmo Deus, pai de amor e misericórdia. Por isso não
discriminava ninguém, nem recusava a convivência com a
chamada gente de má vida, proclamando que os sãos não
precisam de médico.
Ensinava que devemos fazer ao próximo o bem que
gostaríamos nos fosse feito, e passou seu apostolado a
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atender necessitados de todos os matizes, curando


enfermos do corpo e da alma.
Ensinava que devemos perdoar não apenas sete vezes, mas
setenta vezes sete, sempre, e jamais asilou ressentimentos
ou mágoas, mesmo contra os piores adversários. Culminou
por perdoar seus algozes na cruz.
E ao retornar à convivência dos discípulos, na gloriosa
materialização, longe de admoestá-los por tê-lo
abandonado no momento extremo, simplesmente os
saudou com o carinho de sempre – a paz esteja convosco,
convocando-os depois à gloriosa disseminação de seus
princípios.
Empenhado em demonstrar, desde o primeiro momento,
que o caminho para Deus passa pelo despojamento dos
interesses humanos, das ambições, do comprometimento
com o poder e com a riqueza, preferiu nascer filho de um
humilde carpinteiro, no seio de um povo sem expressão no
contexto de Roma.
Exemplificava, assim, uma lição ainda não assimilada pela
Humanidade:
O valor de um homem não pode ser medido por sua
origem, por sua profissão, pelo dinheiro, pela posição
social, pelo poder que acumula, mas pelo seu empenho em
contribuir para a harmonia e o bem-estar da sociedade em
que vive, seja ele o presidente da república ou o mais
humilde trabalhado braçal.
Por isso, em qualquer tempo, sempre que nos detivermos
na apreciação do nascimento de Jesus, não importa saber
se as informações de Lucas são rigorosamente exatas; se
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Jesus nasceu em Belém ou Nazaré; se foi no ano um, ou


antes; se em dezembro ou noutro mês.
Devemos avaliar, isto sim, se já iniciamos uma nova
contagem do tempo em nossa vida. Se já podemos
comemorar o anno Domini, aquele ano decisivo do
nascimento de Jesus em nossos corações.
É fácil saber.
"A virtude não consiste numa aparência severa e lúgubre,
ou em repelir os prazeres que a condição humana
permite...Vivei como vivem os homens de vosso tempo;
sacrificai-vos às necessidades, e até mesmo às frivolidades
de cada dia, mas fazei-o com um sentimento de pureza que
as possa santificar" (Um Espírito protetor, E.S.E., 17, item
10).
O cristão não é um ser que deve viver isolado da
sociedade e dos prazeres que a condição de homem
permite. Todos podemos e devemos ter momentos que nos
tragam relaxamento e conforto; distração e emoção.
Porém, precisamos ter responsabilidades em todos eles.
O espírita, o cristão, não deve ter preconceitos, mas sim
saber distinguir o que vai trazer ou não conseqüências
danosas para si e para os outros.
Em tudo o que fizermos, sejamos maduros e conseqüentes.
Isso não quer dizer que devemos viver como "chatos",
reparando na forma como os outros vivem, e colocando-
nos como senhores da verdade. Sejamos alegres, úteis e
amigos. Mas sejamos responsáveis, colocando acima de
tudo o interesse coletivo, a pureza de sentimentos, que fará
de todos os nossos atos, exemplos de quem encontrou o
verdadeiro caminho da paz.
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" De que adianta chamarmos Jesus de Mestre se não


seguimos seus preceitos? ...Não esperemos dobrar a justiça
de Deus pela quantidade de nossas palavras ou de nossos
atos exteriores; o único caminho que está aberto para
encontrarmos graça diante Dele é a prática sincera da lei
de amor e caridade" (Allan Kardec, E.S.E.; 18; 9).
Kardec mais uma vez nos mostra a sabedoria da Doutrina
Espírita. Nada mais verdadeiro do que a necessidade de
praticarmos o que pregamos. Chamar Jesus de Mestre, ir à
casa religiosa, dizer-se crente em Deus e com muita fé não
nos torna religiosos, no sentido verdadeiro da palavra.
Os atos exteriores, se não estiverem suportados por uma
modificação íntima e uma conscientização dos deveres
que temos, pouco servirão para ajudar a quem precisa.
Deus reconhece o que temos dentro de nós , independente
do que dizemos ser.

Nós dissemos, em momento atrás, que o nosso amigo


carpinteiro não tivera alguém que lhe desse uns toques,
umas dicas, a fim de que ele realizasse de melhor maneira
a sua tarefa.
Essa uma grande diferença entre o carpinteiro e nós.
Ele não tinha.Nós temos Jesus.
Suas dicas, seus recados, seus ensinamentos sempre foram
no sentido de que construíssemos nossa casa a fim
podermos habitar bem.
Jesus sabia das nossas necessidades e sabia, também dos
objetivos do Pai para conosco.
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Por isso ele costumava dizer:


Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o
reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, porque
serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque
herdarão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede
de justiça, porque serão fartos. Bem-aventurados os
misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-
aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.
Bem-aventurados os pacificadores, porque serão
chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os
perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino
dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa,
vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem
todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é
grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram
aos profetas que viveram antes de vós.
Considerando que a mensagem de Jesus sintetiza-se no
espírito de serviço em favor do bem comum, basta avaliar
quantos de nosso tempo fazemos um tempo de servir.
Essa será uma boa maneira de construirmos a nossa nova
Casa.
Que Jesus nos acompanhe.Uma boa noite a todos.