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Propostas indecentes1

Êxodo 28.25-32

Introdução:

Um polêmico filme da década de 90, faz um sucesso estrondoso. O tal filme foi: “Proposta Indecente”. Em
uma das cenas do filme, Robert Redford faz a seguinte proposta para Demi Moore: “...hum milhão de
dólares por uma noite de amor...”. Apesar de ser uma situação de ficção e pouco provável na vida real,
precisamos estar atentos aos engodos, iscas, artimanhas e toda sorte de sutilizas que o diabo assim faz
com vista a enganar, iludir, enfraquecer os cristãos.
Tal como Robert Redford fez uma proposta indecente a Demi Moore, assim Faraó fez suas propostas a
Moises na tentativa de evitar que o povo saísse do Egito. E ainda hoje, somos alvos das mais sutis
propostas e por vezes, porque não estamos atentos ou vigiando o necessário, caímos nas armadilhas e
tramas que o diabo lança contra a nossa vida. O diabo é um adversário persistente e artiloso, por isso, a
necessidade de estarmos atentos as suas investidas.
A partir da experiência de Moisés no Egito e as propostas de Faraó, poderemos então estar mais
preparados e capacitados quanto as possíveis propostas malignas e assim permanecer firmes, como bons
soldados. A título de esclarecimento, a palavra “praga”, no hebraico, significa “dar golpes”, “ferir” ou
executar sinais e juízos”. Ou seja, Deus, através das dez pragas, estava, de fato, executando juízo sobre o
Egito e libertando o povo escolhido. Ele julga e liberta. Faraó, título de reis do Egito antigo, significa
“filho de Rá”, o deus solar do Egito. As pragas significavam desafios aos deuses egípcios e uma tremenda
censura a idolatria.
Vejamos as propostas de Faraó a Moisés...

1. Servir a Deus dentro do Egito;

“Então o faraó mandou chamar Moisés e Arão e disse: “Vão oferecer sacrifícios ao seu Deus, mas não
saiam do país” (Ex. 8.25-27).

Em meio às pragas, Faraó usa de sutileza para aplacar as pragas e também ganhar a confiança de Moisés,
como um bom governante. Faraó sugere a Moisés para praticar sacrifícios no Egito mesmo. Em outras
palavras, sua proposta foi: “Moisés, você não precisa sair do Egito. Adore seu Deus aqui mesmo. Para que
sair do Egito?”. Para que caminhar em meio a areia e sol se era possível, cultuar a Deus dentro do próprio
Egito? Já que a comida do Egito é tão boa, porque sair?
Em um primeiro momento, parece ser uma proposta bastante razoável, no mínimo, mais cômodo. Servir a
Deus e participar das coisas do Egito. É necessário lembrar que o povo judeu já estava no Egito há
aproximadamente 4 gerações (450 anos). Muito da cultura, da comida, dos costumes e hábitos já tinham
sido incorporados pelos judeus. Por tanto, a comodidade seria ideal. Mas será que seria o melhor?
Enquanto Deus queria tirar o povo do Egito, Faraó queria manter o povo sob seu governo, com uma certa
liberdade. Enquanto Deus deseja a liberdade plena, Faraó deseja uma liberdade vigiada, controlada,
parcial. Enquanto Deus, olhava para fora, Faraó olhava para dentro. Há um conflito de interesse.
Enquanto um diz para sair, outro diz para ficar.

1 Estudo baseado e ampliado do livro: “Propostas indecentes” – Marcos Azevedo, 2000


Em outras palavras, Faraó diz o seguinte: “não precisa mudar de vida; você pode permanecer no seu
status quo, continuar usando máscaras, como os escribas e fariseus, exercendo uma falsa
espiritualidade.”
A proposta apresentada por Faraó continua nos nossos dias. Apesar de não estarmos no mesmo tempo
histórico de Faraó, a tentação e sugestão continua a mesma. Ou seja, seja cristão, mas não seja tão
comprometido assim; vá devagar! Nada de uma espiritualidade equilibrada, séria, profunda; seja cristão,
mas não abandone seus negócios ilícitos; seja cristão, mas não abandone as práticas erradas e distorcidas;
seja cristão, mas continue com um linguajar torpe; seja cristão, mas continue no controle da sua vida;
seja cristão, mas continue fazendo a vontade do próprio eu. Em outras palavras, a proposta continua no
mesmo tom, a saber, seja cristão, mas não saia do mundo, nem tão pouco das coisas do mundo.
Tal proposta é tão perniciosa e atraente que faz com que as pessoas até gostem, participem da igreja,
contudo, não se comprometem com ela. Quanto assim acontece, estão mais para espectadores do que
colaboradores. São verdadeiros consumidores da fé. Não é por acaso que o enfraquecimento das igrejas
locais e a falta de compromisso dos cristãos com a dimensão congregacional da fé podem ser identificadas
como uma sutil artimanha do diabo. O que tais pessoas esquecem é que a dimensão privada da fé não
pode viver em detrimento da dimensão comunitária.

2. Servir a Deus, mas perto do Egito;

“Disse o faraó: “Eu os deixarei ir e oferecer sacrifícios ao SENHOR, o seu Deus, no deserto, mas não se
afastem muito e orem por mim também”.” (Ex. 8.28).

Moisés estava atento às propostas de Faráo. Contudo, este não desisti de tentar convencer Moisés a
permanecer no Egito ou melhor, dentro dos limites do Egito.
Se a primeira proposta era de servir a Deus dentro do Egito, agora, a proposta era de servir a Deus perto
do Egito. É a proposta da não radicalização; “podem ser cristãos, mas fiquem por perto do Egito”; “vivam
a vida cristã, mas desejando, namorando as coisas do Egito”; “de vez em quando, uma fugidinha, uma
saidinha...” Em outras palavras, “vamos se bons amigos”, “vamos negociar”.
Quando a pressão das pragas abala terrivelmente o faraó, ele faz essa segunda proposta, que significava
mais ou menos o seguinte: “Esta certo, Moisés, vou deixar vocês saírem; mas não vão muito longe.
Fiquem ao alcance do Egito. Sirvam a Deus, mas não radicalizem para que não sejam chamados de
fanáticos.”.
Faraó na tentativa de ter êxito na sua proposta, inclusive usa a religiosidade como argumento (“ ...não se
afastem muito e orem por mim também”.” (Ex. 8.28).
A proposta apresentada por Faraó é tentadora. Continuar no Egito, mas com alguma autonomia. O Egito
deixaria de ser um lugar de escravidão para tornar-se um lugar de devoção. Uma vez que tal proposta é
aceita, á sérias implicações, tais como:

a) Viver sempre o risco de ser presa fácil para o diabo – servir a Deus perto do Egito implica correr o
risco de cair com facilidade nas ciladas do diabo. É viver na zona de perigo. Significa viver no fio da
navalha espiritual. O cristão que vive perto do Egito ainda não amadureceu, e, por não ter amadurecido,
está sempre vulnerável, fraco, sujeito a desejar voltar para o Egito;
b) Viver uma fé de consumo – para estes que desejam servir a Deus, mas continuar nos arredores do
Egito, tem o seguinte pensamento: “frequento a igreja uma vez por semana e já basta. Não quero entrar
nessa de fanatismo.”. A ideia é participar das bênçãos, mas não se submeter ao Senhor das bênçãos. Para
tais pessoas, não é incomodo nenhum, participar de tantas reuniões de diferentes igrejas e denominações
na semana e ainda assistir algum programa evangélico na TV e ser for possível, participar da oração
especial da meia-noite, em alguma rádio evangélica. Tais pessoas quando assim fazem, não estão
mostrando interesse em crescer e amadurecer na caminhada cristã, mas tão somente, em usufruir o
máximo daquilo que a fé cristã de melhor pode proporcionar;

c) Viver na instabilidade de uma fé vazia – uma fé vazia não cria raízes. E uma vez que não tenha raízes,
é possível que na primeira tempestade venha cair. É viver atrás de emoções e aventuras cristãs. É correr
atrás dos ventos de doutrina e modismos evangélicos que surgem;

Servir a Deus, mas ainda nos arredores do Egito é enganar-se a si mesmo. Imaginar que está crescendo,
contudo, esta cada vez, mais fraco. E a razão é simples, não é possível servir a Deus, mas continuar perto
do Egito, das coisas do mundo. As vezes, serve a Deus, as vezes escapole para as coisas do mundo; em um
tempo servir a Deus, noutro tempo, serve ao mundo. Alguém dividido. Tudo aquilo que dividido está, tem
a tendência de deixar de existir (Mt. 12.25: “Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda
cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá.”).
Portanto, não é possível estar na igreja e continuar no mundo ao mesmo tempo. Aqueles que vivem nesse
pendulo estão a perigo (Tg. 4.4: “...vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade com Deus?
Quem quer ser amigo do mundo faz-se inimigo de Deus.”). Ainda, quando se vive assim, na verdade, se
está sob o juízo de Deus (Ap. 3.16: “...porque você é morno, não é frio nem quente, estou a ponto de
vomitá-lo da minha boca.”). Há sérias advertências para aqueles que servem a Deus, mas continuam perto
do Egito.

Conclusão:
Em todo o tempo e época o diabo continua a fazer suas propostas. Foi assim a Moisés, a Davi, a Paulo e
tanto outros cristãos. Precisamos estar atentos e desejosos de realizar a vontade de Deus sempre.
Precisamos de quando em quando, parar e avaliar a caminhada cristã para que não venhamos a cair nas
sutilezas das artimanhas do diabo.
Isto significa dizer, que precisamos nos posicionar. Ou somos de Cristo ou somos do mundo. Não há meio
termo. Não há uma posição intermediária. Não um jeitinho. E uma vez que somos de Cristo, então, o
servirmos com todo o nosso coração, inclusive, sendo seus cooperadores na obra que Ele esta realizando
ao longo do tempo. Até porque, aqueles que são de Cristo, também são cooperadores. Sermos
cooperadores é consequência da nossa nova condição em Cristo Jesus. Sendo assim, não nos deixemos
enganar pelas muitas armadilhas do diabo, mas sempre nos fortalecer em Cristo e a semelhança de Paulo,
sempre combater o bom combate, não importando o tempo ou as circunstancias.

Rev. André Esteves


pastor@portela.org.br
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