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PoderJudiciário JUSTIÇAFEDERAL SeçãoJudiciáriadoParaná 13ªVaraFederaldeCuritiba

PoderJudiciário JUSTIÇAFEDERAL SeçãoJudiciáriadoParaná

13ªVaraFederaldeCuritiba

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AÇÃOPENALNº5083258­29.2014.4.04.7000/PR

AUTOR:MINISTÉRIOPÚBLICOFEDERAL

AUTOR:PETRÓLEOBRASILEIROS/A­PETROBRÁS

RÉU:WALDOMIRODEOLIVEIRA

ADVOGADO:JEFFREYCHIQUINIDACOSTA

RÉU:RICARDORIBEIROPESSOA

ADVOGADO:DANIELLAUFER

ADVOGADO:CARLAVANESSATIOZZIHUYBIDEDOMENICOCAPARICAAPARICIO

ADVOGADO:ANALUCIAPENONGONCALVESLADEIRA

ADVOGADO:RENATOTAI

ADVOGADO:ANTONIOAUGUSTOLOPESFIGUEIREDOBASTO

RÉU:PAULOROBERTOCOSTA

ADVOGADO:JOAOMESTIERI

ADVOGADO:JOAODEBALDAQUEDANTONCOELHOMESTIERI

ADVOGADO:FERNANDAPEREIRADASILVAMACHADO

ADVOGADO:RODOLFODEBALDAQUEDANTONCOELHOMESTIERI

ADVOGADO:EDUARDOLUIZDEBALDAQUEDANTONCOELHOPORTELLA

ADVOGADO:CÁSSIOQUIRINONORBERTO

RÉU:MARCIOANDRADEBONILHO

ADVOGADO:MAURICIOSCHAUNJALIL

ADVOGADO:SANDRODALLAVERDE

ADVOGADO:HENRIQUEFELIPEFERREIRA

ADVOGADO:LUIZFLAVIOBORGESDURSO

RÉU:JOAORICARDOAULER

ADVOGADO:LUCIANOQUINTANILHADEALMEIDA

ADVOGADO:CELSOSANCHEZVILARDI

ADVOGADO:EDUARDOFERREIRADASILVA

ADVOGADO:ADRIANAPAZINIDEBARROS

RÉU:JAYMEALVESDEOLIVEIRAFILHO

ADVOGADO:TATIANAMARIAMIGUEZMAIA

ADVOGADO:JOANNEANNINEVENEZIAMATHIAS

RÉU:EDUARDOHERMELINOLEITE

ADVOGADO:JORGEURBANISALOMAO

ADVOGADO:ANTONIOCLAUDIOMARIZDEOLIVEIRA

ADVOGADO:RODRIGOSENZIRIBEIRODEMENDONÇA

ADVOGADO:FAUSTOLATUFSILVEIRA

ADVOGADO:MARLUSHERIBERTOARNSDEOLIVEIRA

ADVOGADO:MARIANANOGUEIRAMICHELOTTO

ADVOGADO:ANDRÉPINTODONADIO

ADVOGADO:LUIZROBERTOJURASKILINO

RÉU:DALTONDOSSANTOSAVANCINI

ADVOGADO:PIERPAOLOCRUZBOTTINI

ADVOGADO:ANAFERNANDAAYRESDELLOSSO

RÉU:ADARICONEGROMONTEFILHO

ADVOGADO:JOYCEROYSEN

ADVOGADO:DENISENUNESGARCIA

ADVOGADO:KARINTOSCANOMIELENHAUSEN

ADVOGADO:FABIOMARCELLODEOLIVEIRALUCATO

ADVOGADO:DEBORAMOTTACARDOSO

RÉU:ALBERTOYOUSSEF

ADVOGADO:RODOLFOHEROLDMARTINS

ADVOGADO:ANTONIOAUGUSTOLOPESFIGUEIREDOBASTO

ADVOGADO:LUISGUSTAVORODRIGUESFLORES

ADVOGADO:ADRIANOSÉRGIONUNESBRETAS

ADVOGADO:ANDRELUISPONTAROLLI

SENTENÇA

13.ªVARAFEDERALCRIMINALDECURITIBA

PROCESSOn.º5083258­29.2014.404.7000

AÇÃOPENAL

Autor:MinistérioPúblicoFederal

Réus:

1)AdaricoNegromonteFilho,brasileiro,casado,aposentado,nascido

em 27/01/1946, filho de Adarico Negromonte e Natarcia Mendes Negromonte,

portadordaCIRGnº6072061/SP,inscritonoCPFsobon.º379.832.028­49,com

endereçoconhecidonosautos;

2) Alberto Youssef, brasileiro, casado, comerciante, nascido em 06/10/1967, portador da CIRG 3.506.470­2/SSPPR, inscrito no CPF sob o nº

532.050.659­72,atualmentepresonacarceragemdaPolíciaFederalemCuritiba/PR;

3)DaltondosSantosAvancini,brasileiro,casado,administradorde

empresas, nascido em 07/11/1966, filho de Sidney Avancini e Maria Carmen

MonzonidosSantosAvancini,portadordoCIRGnº1.750.733­2/SP,inscritonoCPF

sobonº094.948.488­10;

4) Eduardo Hermelino Leite, brasileiro, casado, administrador de empresas, nascido em 04/05/1966, filho de Edgard Hermelino Leite e Yvonne

SeripierroLeite,portadordoCIRGnº10.163.589­8/SP,inscritonoCPFsobonº

085.968.148­33,comendereçoconhecidonosautos;

5)JaymeAlvesdeOliveiraFilho,brasileiro,casado,agentedaPolícia

Federal,nascidoem13/07/1962,filhodeJaymeAlvesdeOliveiraeNatarciaMendes

Negromonte, portador da CIRG nº 05.469.913­7/RJ, inscrito no CPF sob o nº

748.527.607­72,comendereçoconhecidonosautos;

6) João Ricardo Auler, brasileiro, casado, engenheiro, nascido em

25/01/1952,filhodeJoséOtávioCostaeMariaConceiçãoMartiniAuler,portadordo

CIRGnº5.157.850­5/SP,inscritonoCPFsobonº742.666.088­53;

7)MárcioAndradeBonilho,brasileiro,solteiro,empresário,nascido

em 17/07/1966, filho de Sebastião José Bonilho e Abigahir Andrade Bonilho,

portadordaCIRG13.442.233­8/SP,inscritonoCPFsobonº075.655.078­57,com

endereçoconhecidonosautos;

8)PauloRobertoCosta,brasileiro,casado,engenheiro,nascidoem

01/01/1954,inscritonoCPFsobonº302.612.879­15,comendereçoconhecidonos

autos;

9) Waldomiro Oliveira, brasileiro, casado, aposentado, nascido em 15/11/1960, filho de Pedro Argese e Odeth Fernandes de Carvalho, portador da CIRG 12247411/SP, inscrito no CPF sob o nº 033.756.918­58, com endereço conhecidonosautos.

I.RELATÓRIO

1.Trata­sededenúnciaformuladapeloMPFpelapráticadecrimesde

corrupção(art.317e333doCódigoPenal),delavagemdedinheiro(art.1º,caput,

inciso V, da Lei n.º 9.613/1998), de crimes de pertinência a grupo criminoso

organizado(art.2ºdaLeinº12.850/2013)edeusodedocumentofalso(arts.299e

304doCP)contraosacusadosacimanominados.

2.Adenúnciatemporbaseosinquéritos5049557­14.2013.404.7000e

5071698­90.2014.404.7000 e processos conexos, especialmente as ações penais 5026212­82.2014.404.7000 e 5047229­77.2014.404.7000, processos de busca e apreensão e outras medidas cautelares 5073475­13.2014.404.7000, 5001446­ 62.2014.404.7000,5040280­37.2014.404.7000, processosdeinterceptação5026387­ 13.2013.404.7000 e 5049597­93.2013.404.7000 e processos de quebra de sigilo bancário e fiscal 5027775­48.2013.404.7000, 5023582­53.2014.404.7000, 5007992­

36.2014.404.7000,entreoutros.Todosessesprocessos,emdecorrênciadosistemade

processoeletrônicodaQuartaRegiãoFederal,estãodisponíveiseacessíveisàspartes deste feito e estiveram à disposição, pelo sistema eletrônico, para consulta das Defesasdesdepelomenosooferecimentodadenúncia,sendoaelesaindafeitaampla referêncianocursodaaçãopenal.Todososdocumentosnelesconstantesinstruem, portanto,osautosdapresenteaçãopenal.

3.Segundoadenúnciasubstitutivadoevento5,aempreiteiraCamargo

Correa,juntamentecomoutrasgrandesempreiteirasbrasileiras,teriamformadoum cartel, através do qual, por ajuste prévio, teriam sistematicamente frustrado as licitaçõesdaPetróleoBrasileiroS/A­Petrobrasparaacontrataçãodegrandesobrasa

partirdoanode2006,entreelasaRNEST,COMPERJeREPAR.

4.Asempreiteiras,reunidasemalgoquedenominavamde"Clube",

ajustavampreviamenteentresiqualdelasiriasagrar­sevencedoradaslicitaçõesda Petrobrás, manipulando os preços apresentados no certame, com o que tinham condiçõesde,semconcorrênciareal,seremcontratadaspelomaiorpreçopossível admitidopelaPetrobrás.

5. Para permitir o funcionamento do cartel, as empreiteiras corromperamdiversosempregadosdoaltoescalãodaPetrobras,entreelesoex­ DiretorPauloRobertoCosta,pagandopercentualsobreocontrato.

6. Relata a denúncia que a Camargo Correa teria logrado sair­se vencedora, em consórcio com outras empreiteiras, em obras contratadas pela PetrobrásreferentesàRefinariaGetúlioVargas(REPAR)eàRefinariaAbreueLima (RNEST).

7.Emdecorrênciadoesquemacriminoso,osdirigentesdaCamargo

Correa teriam destinado pelo menos cerca de 1% sobre o valor dos contratos e aditivosàDiretoriadeAbastecimentodaPetrobrás,destesvaloressendodestinado parteexclusivamenteaPauloRobertoCosta.

8.PartedosvaloresfoipagaaPauloRobertoCosta,enquantoesteainda

eraDiretordeAbastecimento,eoutromontante,mesmoapósasaídadele,inclusive

pelaCamargoCorrea,comasimulaçãodecontratodeconsultoriacomaempresa

CostaGlobal,controladaporPauloRobertoCosta.

9. Não abrange a denúncia crimes de corrupção consistente no pagamento de vantagem indevidas a outras Diretorias da Petrobrás ou a outros agentespúblicos.

10.Osvaloresprovenientesdoscrimesdecartel,frustraçãoàlicitaçãoe

corrupçãoteriamsido,emparte,lavadosatravésdedepósitosemcontasdeempresas controladas por Alberto Youssef e da simulação de contratos de prestação de serviços.

11.Segundoadenúncia(fls.63­65),oConsórcioNacionalCamargo

CorreaeaConstruçõesCamargoCorreaS/Asimularamcontratosdeprestaçãode serviços e incluíram preços superfaturados para fornecimento de mercadorias em contratoscomasempresasSankoSidereSankoServiços,tendorealizadoaelas

pagamentos,entre06/2009a12/2003,decercadeR$194.081.716,00,composterior

redirecionamento,pelasempresasSanko,decercadeR$36.876.887,75,àscontas

controladas por Alberto Youssef, especificamente GFD Investimentos, MO ConsultoriaeEmpreiteiraRigidez,utilizando,paratanto,contratosdeprestaçãode serviços simulados. Waldomiro de Oliveira, controlador das empresas MO ConsultoriaeEmpreiteiraRigidez,teriaauxiliadoAlbertoYoussefnapráticados crimes.

12. Ainda quanto à Camargo Correa, reporta­se a denúncia à celebração, em 10//09/2012, de contrato de consultoria simulado com a empresa CostaGlobalConsultoriaeParticipaçõesLtda.,controladaporPauloRobertoCosta,

compagamentosdeR$2.875.022,00atédezembrode2013(fl.43dadenúncia).

SegundoopróprioPauloRobertoCosta,ocontratoteriaservidoparapagamentode propinas que teria ficado pendente, sendo que apenas uma pequena parte seria relativaaserviçosefetivamenteprestados.

13.ApartirdascontascontroladasporAlbertoYoussef,osvalores

eramusualmentesacadosemespécie,comomecanismodelavagemdedinheiropara evitar o rastreamento, e direcionados a beneficiários diversos. No transporte do dinheiro,atuavamJaymeAlvesdeOliveiraFilhoeAdaricoNegromonteFilho,como subordinadosdeAlbertoYoussef.

14.Aindaadenúnciareporta­seàapresentaçãodedocumentosfalsos

pelaCamargoCorrea,nadatade03/09/2014,aoMinistérioPúblicoFederal(fl.76da

denúncia).Emsíntese,intimadaaempresapeloMPFparaesclarecerassuasrelações comaempresaCostaGlobal,elaapresentoucontratosenotasfiscaisfraudulentas, semfazerqualquerressalvaquantoaoseucaráterfraudulento,mesmotendociência dele (evento 1, out3), o que, segundo a denúncia configuraria crime de uso de documentofalsoperanteoMPF.

15. A Dalton dos Santos Avancini, Diretor Presidente da Camargo Correa Construções e Participações S/A, a João Ricardo Auler, Presidente do ConselhodeAdministraçãodaCamargoCorreaConstruçõeseParticipaçõesS/A,ea EduardoHermelinoLeite,vulgoLeitoso,DiretorVice­PresidentedaCamargoCorrea ConstruçõeseParticipaçõesS/A,sãoimputadososcrimesdecorrupçãoativade PauloRobertoCosta,delavagemdedinheiroedeusodedocumentofalso.

16.

A Paulo Roberto Costa são imputados os crimes de corrupção

passivaedelavagemdedinheiro.

17. A Márcio Bonilho, dirigente das empresas Sanko, e a Alberto

Youssef,operadordospagamentos,ocrimedecorrupçãoativadePauloRoberto

Costa.

18. A Waldomiro de Oliveira, o crime de lavagem de dinheiro

envolvendoapenasorepassededinheirodeorigemcriminosaàsempresasGFD

InvestimentoseEmpreiteiraRigidez.

19.AJaymeAlvesdeOliveiraFilhoeAdaricoNegromonteFilho,o

crimedelavagemdedinheiropelamovimentaçãododinheiroemespécieapartirdas

contascontroladasporAlbertoYoussef.

20. Imputa ainda a todos o crime de associação criminosa ou de

pertinência a organização criminosa, salvo a Alberto Youssef, Waldomiro de Oliveira,MárcioBonilhoePauloRobertoCosta,umavezqueelesjárespondempor

essaimputaçãoemaçãopenalconexa.

21. Também não imputa a Alberto Youssef e a Márcio Bonilho os

crimesdelavagemdedinheiroumavezquejácondenados,emprimeirograude

jurisdição,porelesnaaçãopenal5026212­82.2014.404.7000.

22.Originariamente,adenúnciatambémabrangiacrimesimputadosao

acusado originário Ricardo Ribeiro Fonseca e relacionados à obras da UTC Engenharia no Consórcio TUC junto à Petrobrás. Entretanto, houve desmembramentoposteriordaaçãopenalquantoaestefato,comoexpostoadiante.

23.Adenúnciafoirecebidaem16/12/2014(evento9).Rejeitada,na

ocasiãoeporfaltadejustacausa,aimputaçãodocrimedelavagemaWaldomirode

Oliveiranoqueserefereaosrepassesdedinheirodeorigemcriminosaàempresa

GFDInvestimento.

24.Osacusadosforamcitadoseapresentaramrespostaspreliminares

por defensores constituídos, Eduardo Hermelino Leite, evento 82; Adarico

NegromonteFilho,evento110;JoãoRicardoAuler,evento182;DaltondosSantos

Avancini,evento183;RicardoRibeiroPessoa,evento185; AlbertoYoussef,evento

188;JaymeAlvesdeOliveiraFilho,evento190;WaldomirodeOliveira,evento212;

MárcioBonilho,evento226;ePauloRobertoCosta,evento253.

25. As respostas preliminares foram examinadas pela decisão de

30/01/2015(evento192),de02/02/2015(eventos219e228)ede20/02/2015(evento

353).

26.Foramouvidasastestemunhasdeacusaçãoededefesa(eventos

236,288,327,350,431,439,459,470,503,529,548,588,593,595,672,683,699,

709,711,720,734,769,788,791,804e871).

27.Osacusadosforaminterrogados(eventos796,800,807,808,876,

877e878).

28. Os requerimentos das partes na fase do art. 402 do CPP foram apreciados nos termos da decisão de 05/05//2015 (evento 811) e de 07/05/2015

(evento836).

29.OMPF,emalegaçõesfinais(evento894),argumentou:a)quenão

háilicitudeaserreconhecidaemrelaçãoàinterceptaçãotelemáticadoBlackberry Messenger;b)queasdecisõesqueautorizaramasinterceptaçõesestãolongamente fundamentadas;c)quenãohouveinversãonoprocedimento;d)queéinviávelreunir todososacusadosemumúnicoprocesso;e)queadenúncianãoéinepta;e)que restouprovadaaautoriaematerialidadedoscrimesdecorrupção,lavagem,usode documentofalsoepertinênciaàorganizaçãocriminosa.Pleiteouacondenaçãodos acusados,salvoemrelaçãoaMárcioBonilhoportodasasimputações.Pleiteouainda afixaçãodeindenizaçãoecomopenaacessóriaainterdiçãodoexercíciodecargoou

funçãonaAdministraçãoPúblicaoudasempresasprevistasnoart.9ºdaLeinº

9.613/1998.

30.APetrobrás,queingressounofeitocomoassistentedeacusação,

apresentou alegações finais, ratificando as razões do Ministério Público Federal

(evento895).

31. A Defesa de Márcio Andrade Bonilho, em alegações finais, argumenta (evento 963): a) que houve cerceamento de defesa porque a prova resultantedasinterceptaçõestelefônicasetelemáticasnãofoitodadisponibilizada nosautos;b)quehouveviolaçãodoprincípiodaobrigatoriedadeedaindivisibilidade daaçãopenal,pelodesmembramentodasimputaçõesemváriasaçõespenais;c)que aJustiçaFederaldeCuritibaseriaincompetenteparaojulgamentodoprocesso;d) queasdecisõesdeinterceptaçãotelefônicaetelemáticanãoforamsuficientemente fundamentadas,comademonstraçãodaimprescindibilidadedamedida;e)quea Sanko Sider e a Sanko Serviços pagaram valores a Alberto Youssef a título de comissionamento; f) que o acusado Márcio Bonilho e Paulo Roberto Costa não mantinhamrelacioamento;eg)queopróprioMPFpleiteouaabsolviçãodeMárcio Bonilhoquantoaoscrimesdecorrupção.

32.ADefesadeJoãoRicardoAuler,emalegaçõesfinais,argumenta

(eventos974e1.007):a)quenãoháprovadeautoriaemrelaçãoaoacusadoJoão

Auler;b)queapósadeflagraçãodaoperação,JoãoAulertomoumedidasefetivasna CamargoCorreaparaapurarosfatos;c)queosdepoimentosdoscolaboradoresnão confirmamaautoriadeJoãoAuleracercadoscrimes;d)queJoãoAulernãoestava envolvidoemfunçõesexecutivasquandodacontrataçãodasobrasdaRefinariado NordesteAbreueLima­RNESTedaRefinariaPresidenteGetúlioVargas­REPAR; e) que não há prova de que João Auter tenha integrado alguma organização

criminosa;f)queosfatosnãopodemserenquadradosnocrimedoart.2ºdaLeinº

12.850/2013poisnãohácondutaimputávelaJoãoAulerquetenhaocorridoapósa

vigência da lei; g) que não há prova de que João Auler fosse responsável pela apresentaçãodedocumentosfalsosaoMinistérioPúblicoFederal;h)queaJustiça FederaldeCuritibaéincompetenteparajulgarofeito;i)quehouvecerceamentode defesapoisnemtodososdocumentoscitadospeladenúnciaainstruiam;j)quenão foram juntados aos autos todos os depoimentos prestados no inquérito pelo coacusado Jayme Alves; k) que não foram disponibilizadas até hoje os dados cadastraistelefônicosdaspesquisasrealizadaspelaautoridadepolicialnafasede investigação; l) que os arquivos originais recebidos pela autoridade policial da

interceptação telemática do Blackberry não foram juntadas aos autos; m) que o

MinistérioPúblicojuntoudocumentosextemporaneamentenafasedoart.402do

CPP; n) que as decisões de interceptação telefônica e telemática não foram suficientementefundamentadas,tendosidodecretadasparaprospecçãodecrimese sem objeto definido; o) que a interceptação do Blackberry feriu o tratado de cooperação entre o Brasil e Canadá; p) que a autoridade policial deveria, na interceptaçãotelefônicaetelemática,teridentificadotodosaspessoascontatadas pelos terminais interceptados; q) que houve ilicitude por ter sido autorizado à autoridadepolicialidentificarosdadoscadastraisdetodososterminaisquetivessem contatadocomosinterceptados;er)queadenúnciaéineptaporfaltadejustacausa poisnãopoderiaserpropostaapenascombasenapalavradocolaborador.

33. A Defesa de Waldomiro de Oliveira, em alegações finais,

argumenta(evento956):a)queoJuízodeCuritibaéincompetenteparajulgamento

dofeito;b)quehouvenulidadedainterceptaçãotelemáticaviaBlackberry;c)quea denúnciaéinepta;d)queoacusadonãoagiucomdolopoisdesconheciaqueos valoresqueforamdepositadosnascontasdaMOConsultoria,EmpreiteiraRigideze RCISoftwareeramilícitosouquetinhampordestinatáriosagentespúblicos;e)queo próprioAlbertoYoussefdeclarouqueWaldomironãotinhaesseconhecimento;f) queoacusadoépessoadeidadeequenuncaseenvolveuematividadecriminosa;g) que Antônio Almeida Silva, contador, era quem emitia as notas solicitadas por AlbertoYoussef;h)queWaldomiroeraummerooffice­boydeAlbertoYoussef;i) queWaldomirodeveserabsolvidooudevelheserconcedidaapenamínima.

34.ADefesadePauloRobertoCosta,emalegaçõesfinais(eventos975

e 997),realizahistóricodacarreiraprofissionaldoacusadoeocontextodesua nomeação.Argumentaainda:a)queoacusadocelebrouacordodecolaboraçãocomo MPFerevelouosseucrimes;b)queoacusadosucumbiuàsvontadeseexigências partidáriasquelheforamimpostas;c)queoacusadoarrependeu­sedeseuscrimes;d) que o acusado revelou fatos e provas relevantes para a Justiça criminal; e) que, considerando o nível de colaboração, o acusado faz jus ao perdão judicial ou à aplicaçãodapenamínimaprevistanoacordo.

35. A Defesa de Alberto Youssef, em alegações finais, argumenta

(eventos 999): a) que o acusado celebrou acordo de colaboração com o MPF e revelouosseucrimes;b)queoacusadoreveloufatoseprovasrelevantesparaa Justiçacriminal;c)queoacusadoeraumdosoperadoresdelavagemnoesquema criminoso,masnãoeraochefeouprincipalresponsável;d)queoesquemacriminoso serviaaofinanciamentopolíticoeaumprojetodepoder;e)queoacusadonão praticouocrimedecorrupçãoativa;f)quenãopodeserpunidopelacorrupçãoepela lavagemsobpenadebisinidem;eg)que,considerandooníveldecolaboração,o acusadofazjusaoperdãojudicialouàaplicaçãodapenamínimaprevistanoacordo.

36. A Defesa de Dalton Avancini, em alegações finais, argumenta

(evento 973): a) que o acusado celebrou acordo de colaboração com o MPF e

revelouosseucrimes;b)queoacusadoreveloufatoseprovasrelevantesparaa

Justiçacriminal;c)que,considerandooníveldecolaboração,oacusadofazjusao

perdãojudicialouàaplicaçãodapenamínimaprevistanoacordo.

37.ADefesadeEduardoLeite,emalegaçõesfinais,argumenta(evento

971):a)quenãoépossívelacondenaçãopelocrimedepertinênciaàorganização

criminosa,art.2ºdaLeinº12.850/2013,poisosfatosimputadosocorreramantes; b) queoacusadonãofoioresponsávelpeloacertodopagamentodaspropinas,tendo herdado os compromissos; c) que o acusado não foi responsável pelo crime de lavagemdedinheironaSankoSider;d)queoacusadonãopraticouocrimedeusode documento falso; e) que o acusado agiu sob a excludente de inegixibilidade de condutadiversa,poisaúnicaformadenãoparticipardoscrimesseriasedesligando daempresa;f) queoacusadocelebrouacordodecolaboraçãocomoMPFerevelou osseucrimes;g)queoacusadoreveloufatoseprovasrelevantesparaaJustiça criminal;eh)que,considerandooníveldecolaboração,oacusadofazjusaoperdão judicialouàaplicaçãodapenamínimaprevistanoacordo.

38.ADefesadeJaymeAlves,emalegaçõesfinais,argumenta(evento

977):a)queaJustiçaFederaléincompetenteparaojulgamentodacausa;b)que

houveviolaçãodoprincípiodaindivisibilidadedaaçãopenal;c)quenãoháprovade corroboração do depoimento dos colaboradores; d) que o acusado eventualmente entregavaenvelopesparaAlbertoYoussef,desconhecendooconteúdo;e)queaLei

nº12.850/2013nãopoderetroagir;f)quenãoháprovadoelementosubjetivo;g)que

quenãoháprovadequeoacusadotenhausadosuafunçãopolicialparafacilitaro

embarquedepessoasportandodinheiro.

39.ADefesadeAdaricoNegromonte,emalegaçõesfinais,argumenta

(evento972):a)queaJustiçaFederaléincompetenteparaojulgamentodacausa;b)

queadenúnciaéineptaporfaltadeindividualizaçãodascondutas;c)queoacusado

erameromotoristadeAlbertoYoussef;d)quenãofoidisponibilizadooarquivo

originalrecebidodaBlackberry;e)queoacusadonãoagiucomdolo;ef)quenãohá

provasdecorroboraçãosuficientesdodepoimentodoscolaboradores.

40.Aindanafasedeinvestigação,foidecretada,apedidodaautoridade

policialedoMinistérioPúblicoFederal,aprisãopreventivadosacusadosAlberto

YoussefePauloRobertoCosta(evento22doprocesso5001446­62.2014.404.7000e

evento58doprocesso5014901­94.2014.404.7000).AprisãocautelardeAlbertoe

Paulo foi implementada em 17/03/2014. Por força de liminar concedida na Reclamação 17.623, Paulo colocado em liberdade no dia 19/05/2014. Com a devolução do feito, foi restabelecida a prisão cautelar em 11/06/2014 (5040280­

37.2014.404.7000).Em01/10/2014,apósahomologaçãodoacordodecolaboração

premiadadePauloRobertoCostapeloSupremoTribunalFederalfoiconcedidoaele o benefício da prisão domiciliar. Alberto Youssef ainda remanesce preso na carceragemdaPolíciaFederal.

41.Aindanafasedeinvestigação,foidecretada,apedidodaautoridade

policialedoMinistérioPúblicoFederal,aprisãopreventivadosacusadosDaltondos Santos Avancini, João Ricardo Auler e Eduardo Hermelino Leite (evento 10 do

processo5073475­13.2014.404.7000).Aprisãocautelardelesfoiimplementadaem

14/11/2014.Apósacordodecolaboraçãopremiada,EduardoHermelinoLeitetevea

prisãopreventivaconvertidaemdomiciliar,issoem24/03/2015.Apósacordode

colaboração premiada, Dalton Avancini teve a prisão preventiva convertida em

domiciliar,issoem30/03/2015.Em28/04/2015,oSupremoTribunalFederal,por

decisãonoHC127.186,converteuaprisãopreventivadeJoãoRicardoAulerem

prisãodomiciliar,impondotambémmedidascautelaresalternativas.

42.OsacusadosPauloRobertoCostaeAlbertoYoussefcelebraram

acordodecolaboraçãopremiadacomaProcuradoriaGeraldaRepúblicaquefoi homologado pelo Supremo Tribunal Federal. Cópias dos acordos foram disponibilizados nos autos (eventos 775, 925 e 926 do inquérito 5049557­

14.2013.404.7000,comcópiadoacordodePauloCostanoevento1,out18).

43.Nodecorrerdaaçãopenal,antesdosinterrogatórios,osacusados

Dalton dos Santos Avancini e Eduardo Hermelino Leite celebraram acordo de colaboraçãopremiadacomoMPFquefoihomologadoporesteJuízo.Cópiasdos

depoimentoseacordosforamdisponibilizadosnosautos(eventos764,940e942).

44. No decorrer do processo, foram interpostas as exceções de

incompetência de n.os 5003530­02.2015.4.04.7000, 5004462­87.2015.4.04.7000, 5086130­17.2014.4.04.7000 e 5004118­09.2015.4.04.7000 e que foram rejeitadas,

constandocópiadadecisãonoevento527.

45.Foramtambéminterpostasexceçõesdesuspeiçãoquenãoforam

acolhidas.

46.Notranscorrerdofeito,foramimpetradosdiversoshabeascorpus

sobreasmaisdiversasquestõesprocessuaisequeforamdenegadospelasinstâncias

recursais.

47. O feito, ao final, foi desmembrado nos termos da decisão de

10/06/2015(evento899),emrelaçãoàsimputaçõesrealizadascontraRicardoRibeiro

Pessoa, uma vez que ele teria feito acordo de colaboração premiada junto à

ProcuradoriaGeraldaRepública.Tambémdesmembradaaaçãopenalemrelaçãoa AlbertoYoussef,MárcioBonilhoePauloRobertoCostaquantoàsimputaçõesde corrupçãoelavagemdedinheiroenvolvendooConsórcioTUCnaobradoComperj, jáqueassociadosestesfatostambémaRicardoPessoa.Anovaaçãopenaltomouo

número5027422­37.2015.404.7000.

48.Osautosvieramconclusosparasentença.

II.FUNDAMENTAÇÃO

II.1

49.QuestionaramasDefesasacompetênciaterritorialdesteJuízo.

50.Entretanto,asmesmasquestõesforamveiculadasemexceçõesde

incompetência (exceções de incompetência de n.os 5003530­02.2015.4.04.7000,

5004118­

09.2015.4.04.7000)equeforamrejeitadas,constandocópiadadecisãonoevento

527.

5004462­87.2015.4.04.7000,

5086130­17.2014.4.04.7000

e

51.Remetoaoconteúdodaquelasdecisões,desnecessárioaquireiterar

todososargumentos.Transcrevoapenasaparteconclusiva:

"81. Então, pode­se se sintetizar que, no conjunto de crimes que compõem a OperaçãoLavajato,algunsjáobjetodeaçõespenais,outroseminvestigação:

a)acompetênciaédaJustiçaFederalpoishádiversoscrimesfederais,atraindoos

decompetênciadaJustiçaEstadual;

b) a competência é da Justiça Federal de Curitiba pois há diversos crimes

consumadosnoâmbitoterritorialdeCuritibaedelavagemnoâmbitoterritorialda

SeçãoJudiciáriadoParaná;

c) a competência é da 13ª Vara Federal de Curitiba pela conexão e continênciaóbviaentretodososcrimeseporqueesteJuízotornou­sepreventoem vistadaorigemdainvestigação,lavagemconsumadaemLondrina/PR,enostermos

doart.71doCPP;

d) acompetênciada13ªVaraFederalde Curitibaparaos crimes apurados na

assim denominada Operação Lavajato já foi reconhecida não só pela instância recursalcomopeloSuperiorTribunaldeJustiçae,incidentemente,peloSupremo TribunalFederal.

82.Nãoháqualquerviolaçãodoprincípiodojuiznatural,seasregrasdedefinição

eprorrogaçãodacompetênciadeterminamesteJuízocomoocompetenteparaas ações penais, tendoos diversos fatos criminosos surgidoem um desdobramento naturaldasinvestigações."

52.Nodesdobramentoposteriordasinvestigaçõesacompetênciada

JustiçaFederalficouaindamaisevidente,jáque oesquemacriminosodaPetrobrás serviutambémparapagamentodepropinasaDiretoresdaPetrobrásemcontasno exterior, como se imputa na ação penal conexa 5012331­04.2015.4.04.7000, caracterizandocorrupçãoelavagemtransnacional.EmboraaPetrobrássejasociedade deeconomiamista,acorrupçãoealavagem,comdepósitosnoexterior,decaráter transnacional, ou seja iniciou­se no Brasil e consumou­se no exterior, atrai a competênciadaJustiçaFederal.OBrasilassumiuocompromissodeprevenirou reprimiroscrimesdecorrupçãoedelavagemtransnacional,conformeConvenção

dasNaçõesUnidascontraaCorrupçãode2003equefoipromulgadanoBrasilpelo

Decreto 5.687/2006. Havendo previsão em tratado e sendo o crime de lavagem

transnacional,incideoart.109,V,daConstituiçãoFederal,queestabeleceoforo

federalcomocompetente.Tambémficouaindamaisevidenteemvistadoscrimes conexosdepagamentodevantagemindevidadevaloresdecorrentesdoesquema criminoso a ex­parlamentares federais, como os ex­Deputados Federais Pedro da Silva Correa de Oliveira Andrade Neto e João Luiz Correia Argolo dos Santos

(processos5014455­57.2015.4.04.7000e5014474­63.2015.4.04.7000)

53.Supervenientemente,ficouaindamaisevidenteaprevençãodeste

Juízo,comaprolaçãodasentençanaaçãopenal5047229­77.2014.404.7000(evento

837),naqualconstatadoqueareferidaoperaçãodelavagemdinheiroconsumadaem

LondrinatevetambémcomoorigemrecursosdesviadosdecontratosdaPetrobrás

(itens169­172daquelasentença).

54.Ofatoéqueadispersãodasaçõespenais,comopretendepartedas

Defesas,paraváriosórgãosespalhadosdoJudiciárionoterritórionacional(foram sugeridos, nas diversas ações penais conexas, destinos como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Brasília), não serve à causa da Justiça, tendo por propósito pulverizaroconjuntoprobatórioedificultarojulgamento.

55.AmanutençãodasaçõespenaisemtrâmiteperanteumúnicoJuízo

não é fruto de arbitrariedade judicial, nem do desejo do julgador de estender indevidamenteasuacompetência.Háumconjuntodefatosconexoseummesmo conjuntoprobatórioquedemandaapreciaçãoporumúnicoJuízo,nocasoprevento.

56.EnfimacompetênciaédaJustiçaFederaldeCuritiba/PR.

II.2

57.PartedasDefesasalegaviolaçãodoprincípiodaobrigatoriedadee

da indivisibilidade pois haveria outros envolvidos no crime que não foram denunciadosemconjunto.

58. O esquema criminoso de propinas e lavagem de dinheiro que acometeuaPetrobrasé,peloqueasprovasatéomomentoindicam,gigantesco,com dezenasoucentenasdefatosdelitivosconexosecomoenvolvimentodedezenasde envolvidos.

59.Háaçõespenaisquejáforamjulgadasrelativamenteaoesquema

criminoso, ações penais 5047229­77.2014.404.7000 e 5026212­82.2014.404.7000

(sentençasnoseventos818e837),eváriasoutrasemtrâmite,como,porexemplo,as

ações penais 5083351­89.2014.404.7000 (Engevix), 5083360­51.2014.404.7000

(GalvãoEngenharia),5083401­18.2014.404.7000(MendesJúnioreUTC),5083376­

05.2014.404.7000 (OAS) e 5012331­04.2015.4.04.7000 (Setal, Mendes Júnior e OAS).Outraspossivelmentevirão,jáqueháinvestigaçõesemandamento.

60.Nocontexto,inviávelreunirtodosemumúnicoprocesso,jáque

haveria dificuldades para processamento em tempo razoável, máxime quando há acusadospresos.

61.Justificado,portanto,odesmembramentodasaçõespenais,oqueé

expressamenteautorizadonoart.80doCPPesemprejuízodacompetênciadoJuízo

prevento(arts.80,81e82doCPP).

62.Sehápessoasaindaaseremdenunciadas,poderáoMPFfazê­lo.Se

eventualmente tiver deixado de denunciar quem deveria, a resposta processual cabívelàviolaçãodalei,éexigiraproposituradaação,instaurandoseforocasoo

procedimentodoart.28doCPP.Emqualquerhipótese,aeventualomissãodoMPF

nãotemcomobeneficiaraquelesqueforamefetivamentedenunciados.

63.Nãohá,portanto,omissãoquegerenulidadeaserreconhecidaem

favordosoraacusados.

II.3.

64.AlegapartedasDefesasqueadenúnciaseriaineptaouquefaltaria

justacausa.

65.Asquestõesjáforamsuperadasnasdecisõesderecebimentoda

denúnciaenadecisãodeapreciaçãodasrespostaspreliminadas,em16/12/2014e

66.Apesardeextensa,éadenúncia,aliás,bastantesimplesediscrimina

asrazõesdeimputaçãoemrelaçãodecadaumdosdenunciados.

67.OcerneconsistenatransferênciadevaloresvultosospelaCamargo

Correa,dirigidapelosacusados,paracontascontroladasporAlbertoYoussefeque consistiriam em vantagem indevida direcionada a Paulo Roberto Costa, em contraprestaçãoaofavorecimentodasempreiteirasemcontratoscomaPetrobras.Os valores,produtoaindadecrimesdeformaçãodecarteledefraudeàlicitação,teriam sido lavados por este estratagema. Os acusados teriam praticado os crimes em associaçãocriminosa,caracterizadapeloMPFcomoorganizaçãocriminosa.Osfatos, evidentemente,estãomelhordetalhadosnadenúncia,conformesínteseconstantena decisãoderecebimento.

68. Não há falar em falta de justa causa. A presença desta foi cumpridamente analisada e reconhecida na decisão citada. Não cabe maior aprofundamentosobpenadeingressarnomérito,oqueéviávelapenasquandodo julgamentoapósainstrução.

69.Outraquestãodizrespeitoàpresençadeprovassuficientespara

condenação,masissoéprópriodojulgamentoenãodizrespeitoaosrequisitosda

denúncia.

70.Entãonãoreconheçovíciosdevalidadenadenúncia.

II.4

71.ReclamapartedasDefesascerceamentodedefesa,poisoMPFteria

juntadodocumentosaocursodoprocessoquandodeveriatê­losjuntadotodosna

denúncia.

Apretensãonãotemcabimentoeéinconsistentecomaletraexpressa

doart.231doCPP:

"Art. 231. Salvo os casos expressos em lei, as partes poderão apresentar documentosemqualquerfasedoprocesso."

72.Aspartespodem,portanto,juntardocumentosnocursodaação

penal,tendoelas,oMPFeasDefesas,procedidodessaformaemconcretoneste

feito.

73.Juntadodocumentonovo,temapartecontráriaapossibilidadedese

manifestaredeproduzirprova.

74.Essedireitonãofoicerceado,demaneiranenhuma,nocursoda

açãopenal,sendoinconsistentequalquerafirmaçãodequeteriahavidocerceamento.

75.Emumúnicoponto,areclamaçãodetémalgumapertinência.Na

denúncia, o MPF reportou­se a documentos que teriam sido apresentados pelo colaboradorAugustoMendonça,mas,certamenteporlapso,deixoudeanexá­losao feito.

76.DiantedereclamaçãoarespeitodasDefesasacercadaausência

dessedocumento,essematerialfoidisponibilizadodiretamenteporesteJuízoainda

em02/02/2015(conformeevento229eitens240e241,adiante).

77.Comoseverificanoitem3dotermodeaudiênciade02/02/2015

(evento 236), este Juízo, a partir da juntada, concedeu expressamente às partes oportunidadeparamanifestaremerequereremoutrasprovas.

78.OúnicorequerimentoapresentadofoidenovaoitivadeAugusto

Mendonça, que teria produzido os documentos, pois ele já teria sido ouvido no

própriodia02/02.

79.Poisbem,sensívelàquestão,AugustoMendonçafoinovamente

ouvidoemJuízo,issoem02/03/2009,(eventos439e529),quandoasDefesas,tendo

tido tempo mais do que suficiente para examinar os documentos, puderam fazer perguntascomplementares.

80. No contexto, não há cabimento em persistir reclamando de cerceamentodedefesapeloocorrido.

81.Nãohá,emrealidade,nenhumepisódioconcretodoqualsepossa

reclamarnofeito,tendosidogarantidoatodososacusadosamaisampladefesae,

inclusive,atémesmoaproduçãodeprovasdeduvidosarelevância.

II.5

82.PartedasDefesasalegainvalidadenainterceptaçãotelefônicaou

telemáticaporqueasdecisõesnãoestariamdevidamentefundamentadas.

83.Aquestão,rigorosamente,épurodiversionismo,jáque,comover­

se­á adiante, o conjunto probatório relevante é formado praticamente por depoimentos,períciaeprovadocumentalcolhidaemquebrasdesigilobancárioe fiscalebuscaseapreensões.

84. Como ver­se­á abaixo (item 349), cito, na fundamentação desta sentença, um único diálogo telefônico interceptado, em 21/10/2013, 09:40, entre AlbertoYoussefeMárcioBonilho,quetemalgumarelevânciaprobatória,sendo, porém,deseressalvarqueoresultadodojulgamentoseriaomesmosemele.

85.CitotambémmensagenstrocadasentreAlbertoYoussefeJayme

AlvesdeOliveiraFilho,maselasnãoforaminterceptadas,massimrecuperadasdo

aparelhocelularapreendidodeAlbertoYoussef(item475).

86.Écertoque,adiante(item493),citomaisumamensagem,estasim

interceptadaentreAlbertoYoussefeJoséRicardoNogueiraBreghirolli,empregado

daOAS,enaqualsereferema"Adarico",ouseja,oacusadoAdaricoNegromonte

Filho,estasimresultadodainterceptaçãotelemática.Amensagemsótemrelevância

nestefeitoparaoacusadoAdaricoNegromonte.Entretanto,adiantoque,emrelação

aAdaricoNegromonteojulgamentoédeabsolviçãoporinsuficiênciadeprovas,com

oqueaprovareferidaperdesuarelevância.

87.

Consigno esses esclarecimentos, não porque a interceptação

telefônicaoutelemáticatenhaalgumvício,masparaevitar,casoosquestionamentos

sejamressuscitadosnasinstânciasrecursais,discussõesdesnecessárias.

88. De passagem, esclareço que houve autorização de interceptação

telefônica e telemática, no que tem relevância para a presente ação penal, nos

processos 5026387­13.2013.404.7000 (Carlos Habib Chater) e 5049597­

93.2013.404.7000(AlbertoYoussef).

89.Aprimeirainterceptaçãofoiautorizadapordecisãode11/07/2013e

sucessivamente prorrogada até 17/03/2014, sempre por decisões cumpridamente fundamentadas e fulcradas principalmente na constatação da prática de crimes

permanentes,continuadosereiteradosduranteainterceptação(v.g.eventos9,22,39,

53,71,102,125,138,154,175,190e214doprocesso5026387­13.2013.404.7000e

eventos3,10,22,36,47,56e78doprocesso5049597­93.2013.404.7000).

90. Ao contrário do alegado, as decisões, iniciais ou prorrogações,

sempre foram cumpridamente fundamentadas, apontando a causa provável e a necessidadedamedidadeinvestigação.

91.Bastalê­las(todasacimaidentificadas)paraverificarqueforam

cumpridamentefundamentadas,comreferênciaaosfatos,provas,direitoaplicável,e,

quantoàsprorrogações,osfatoseprovasdescobertosnosperíodosanterioresde

interceptação.

92. Não há, por outro lado, que se exigir, como aparentemente se

pretende,quenessasdecisõeshouvesseexameexaustivodosfatoseprovas,mais

própriodeumasentençadoquedeumdecisãointerlocutória.Ocotidianodeuma

Varacriminalnãopermitequejuizfaçadecadadecisãointerlocutóriaumasentença.

93. O próprio resultado das interceptações, revelando, em cognição

sumária,umagamaampladeatividadescriminais,quejáresultaramemmaisdeuma

dezenadeaçõespenais,jáésuficienteparaafastaraalegaçãodasDefesasdequese

promoveu"bisbilhotice"ou"prospecção"oudequeasmedidasinvestigatóriasforam

excessivas.

94.Issoéverdadeiromesmoqueainterceptaçãonãosejaexatamente

relevanteparaopresentefeito,nãodevendoserolvidadoqueestanãoéaúnicaação

penalnoâmbitodaassimdenominadaOperaçãoLavajato.

95.Écertoque,apesardoiníciorestrito,buscandoelucidaraatividade

criminosadeCarlosHabibChater,houveampliaçãodofocodainvestigaçãoem decorrência do resultados alcançados, primeiramente a relação dele com Alberto Youssefeoutrossupostosdoleiros,depoisarelaçãodeAlbertoYoussefcomPaulo RobertoCostaeoutros,tudoemdesdobramentonaturaldasinvestigações.

96. Tratando­se de atividade criminal que se estendeu no tempo,

mostrou­se igualmente necessária a prorrogação das interceptações, sob pena de permitir­se a continuidade delitiva sem qualquer controle ou possibilidade de interrupção pela polícia, como admite a jurisprudência dos Tribunais Superiores

(v.g.:DecisãoderecebimentodadenúncianoInquérito2.424/RJ­PlenodoSTF­

Rel.Min.CezarPeluso­j.26/11/2008,DJEde26/03/2010;eHC99.619/RJ­Rel.

paraoacórdãoMinistraRosaWeber­1ªTurma,pormaioria,j.14/02/2012).

97.Detodomodo,comoadiantei,nãosejustificaalongarsobreotema,

jáqueoconjuntoprobatóriorelevanteparaopresentefeitonãofoiresultadode

interceptaçãotelefônicaoutelemática.

98. Então não reconheço invalidade na interceptação telefônica e telemáticae,aindaquefosseparareconhecê­la,nãoteriaqualquerresultadoprático nofeito,pelainexistênciadeprovadecorrenteaserexcluída.

II.6

99.QuestionoupartedasDefesasavalidadedainterceptaçãotelemática

através do Blackberry Messenger, argumentando que deveria ter sido expedido pedidodecooperaçãojurídicainternacionaljáqueaempresaresponsável,aRIM Canadá,estariasediadanoCanadá.

100. Já demonstrei cumpridamente a validade da interceptação do

Blackberry Messenger no item 3 da decisão de 30/01/2015 (evento 192), argumentando,porexemplo,queoscrimesinvestigadosocorreramnoBrasil,queos investigadosresidiamnoBrasil,queosaparelhosdecomunicaçãoencontravam­seno Brasile,portanto,acomunicaçãoaquicirculava,queaempresatinhacorrespondente no Brasil que se encarrega de providenciar a execução da ordem, e que a

jurisprudênciadoTribunalRegionalFederalda4ªRegiãoedoSuperiorTribunalde

Justiça,emcasosanálogosenvolvendoaGoogle,afirmaramajurisdiçãobrasileirae adesnecessidadedepedidodecooperaçãointernacional(v.g.MandadodeSegurança

nº5030054­55.2013.404.0000/PR­Rel.Des.FederalJoãoPedroGebranNeto­8ª

TurmadoTRF4­un.­j.26/02/2014;eQuestãodeOrdemnoInquérito784/DF,

CorteEspecial,RelatoraMinistraLauritaVaz­pormaioria­j.17/04/2013).

101.Remetoaosargumentosmaisamplosaliexpendidos,nãosendoo

casodereiterá­los.

102.CausasurpresaaesteJuízoainsistênciadepartedasDefesasneste

argumento, de que teria havido violação de tratado internacional de cooperação bilateral entre Brasil e Canadá, quando os próprios países membros, que teriam legitimidadeparareclamar,nãoapresentaramqualquerprotesto.

103. De todo modo, no presente caso, a questão é também puro

diversionismo, pois não há uma única mensagem telemática interceptada do Blackberry Messenger de alguma relevância para o presente feito, aquela já mencionada no item 493, mas que tem pertinência somente ao acusado Adarico Negromento,queestouabsolvendo.

104. Então não reconheço invalidade na interceptação telemática do

Blackberry Messenger e, ainda que fosse para reconhecê­la, não teria qualquer resultadopráticonofeito,pelainexistênciadeprovadecorrenteaserexcluída.

II.7

105.ReclamapartedasDefesas,especialmenteadeJoãoAuler,que

houve cerceamento de defesa por não terem sido disponibilizados às partes a integralidade dos processos de interceptação telefônica ou o arquivo original da interceptaçãodoBlackberry.

relativos às interceptações, 5026387­

13.2013.404.7000e5049597­93.2013.404.7000, sãoconexosaestesautoseestão totalmente acessíveis às partes, tendo sido disponibilizados mesmo antes do

oferecimentodadenúncia.

106.

Os

processos

107.Osrequerimentosdaautoridadepolicial,ospareceresministeriais,

asdecisõesjudiciais,osofíciosexpedidos,osrelatóriosdeinterceptação,oresultado

daprova,inclusiveosáudios,tudoestáláejáfoidisponibilizadoàDefesa.

108.Parafacilitaraanálise,esteJuízorecebeudaautoridadepolicial

HDcontendoaíntegradosáudiosdasinterceptaçõesedasmensagenseletrônicas

interceptadas.

109.ParafacilitarotrabalhodaDefesa,foidisponibilizadoàsDefesas

queextraíssemcópiadomesmoHDutilizadopeloJuízo.

110.Osáudiosemensagensaliseencontramorganizadasempastas

quefazemreferênciasaoseventosdosprocessoseletrônicosrespectivos.

111.Nãoháfalar,nessecontexto,emocultaçãodequalquerelemento

dainterceptaçãotelefônicaetelemática.Taisalegaçõesnãorefletemarealidadedos

fatos.

112.Nãohaviamsidojuntados,poisnãoépraxe,osofíciosenviados

pela autoridade policial encaminhando os ofícios judiciais de interceptação e os ofíciosetodasaspesquisasefetuadaspelaautoridadepolicialdosdadoscadastrais dosterminaistelefônicosinterceptadosoudosterminaisquetivessemsidocontatados comosinterceptados.Issosemprejuízodaidentificaçãodostitularesdosterminais nosprópriosrelatóriosdeinterceptação,quandoefetuadaapesquisacadastral.

113.Mesmosendodeduvidosarelevânciaprobatóriaparaopresente

feito a interceptação telefônica e telemática, este Juízo determinou à autoridade policial que apresentasse esse material adicional e ainda oficiei às operadoras solicitandoasinformaçõesdisponíveisarespeitodaspesquisascadastraisefetuadas

pelaautoridadepolicial(porexemplo,decisãonaaudiênciade02/02/2015,eventos

236e327, decisãonotermodeaudiênciaadecisãode20/02/2015,evento353,ea

de05/05/2015,evento811).

114.Emdecorrência,essematerialadicionalfoijuntado,comoconsta

no evento 348 deste feito, sendo ainda apresentadas diversas respostas pelas

operadorasdetelefonia(eventos833,860,867e891).

115. Inclusive também o arquivo original com as mensagens

interceptadasdaBlackberryfoidisponibilizadoaosautos(evento349).

116.Entãofalaremcerceamentodedefesaéabsolutamentedestoante

darealidadedosauto,causandoatésurpresaainsistência.

117.Apesardetodoessetrabalhoparatrazeraosautosessematerial

adicional,asDefesasqueoreclamaramnãoapresentaram,emqualquermomento processual, qualquerargumentominimamentesubstancialarespeitodessaprova.

118. Como se depreende com facilidade da argumentação de parte

dasDefesas,asolicitaçãodessasprovastemobjetivosbemdefinidos.

119.AtesesugeridaporpartedasDefesaséadequePolíciaFederal

teriainvestigadoindevidamenteAndréLuísVargasIlárioeJoãoLuizCorreiaArgôlo dos Santos, então Deputados Federais, no decorrer do ano de 2013, em suposta usurpaçãodacompetênciadoSupremoTribunalFederal.

120. Como já consignei e como pode ser verificado nos autos do

processo,nãohouveinvestigaçãocontraosentãoreferidosdeputados.

121. Fortuitamente, na interceptação de Alberto Youssef, foram

coletadas mensagens de Blackberry Messenger com seu interlocutor LA (que posteriormentefoiidentificadocomosendoJoãoLuizCorreiaArgôlodosSantos)e AndréVargas(queposteriormentefoiconfirmadocomosendoAndréLuísVargas Ilário).

122.Emnenhummomento,peloqueconstanosautos,houvequalquer

atoinvestigatóriodiretocontraLAoucontraAndréVargas,mesmonãotendoentão

aPolíciaFederalaconfirmaçãodesuasreaisidentidades.

123.Tãologoidentificadoquetaismensagenspoderiamterconteúdo

criminoso e confirmado que envolveriam os referidos deputados, os elementos pertinentesforamencaminhadosporesteJuízoaoEgrégioSupremoTribunalFederal

(processos5031223­92.2014.404.7000e5026037­88.2014.404.7000).

124. Mais recentemente, como ambos não mais exercem mandato

parlamentar,oSupremoTribunalFederaldevolveuosprocessosemrelaçãoaJoão Luiz Correia Argôlo dos Santos e a André Luís Vargas Ilário que atualmente

respondemaaçõespenaisperanteesteJuízo(evento818,cópiadasdecisõesnas

quaisfoidecretadaapreventivadeles).

125. Também o Supremo Tribunal Federal promoveu o desmembramentoprocessualdacolaboraçãopremiadadeAlbertoYoussefePaulo RobertoCosta,remetendoaesteJuízocópiadedepoimentosatinentesaosreferidos

ex­deputados(Petições5.210e5.245doSupremoTribunalFederal).

126. Não se vislumbra com facilidade como haveria margem para

questionamentosdevalidadequantoaoprocedimentotomado.

127. Como, ademais, retornaram do Supremo Tribunal Federal,

eventuaisvíciosdecompetênciarestariaatualmentesuperado.

128.

Ainda que assim não fosse, eventuais questionamentos fariam

algumsentidoemaçõespenaisouinquéritossobrecrimespraticadosporLuizArgolo

eAndréVargas,sendodespropositado,levantá­losemaçõespenaiscontrapessoas

quenuncadetiveramforoprivilegiado,comoosoraacusados.

129. Em outras palavras, se tivesse havido eventual vício de

competêncianoencontrofortuitodeprovas, anulidaderecairiasobreasmensagens trocadasporAlbertoYoussefcomLuizArgoloeAndréVargas,sendofantástico pretenderainvalidadedetudo.

130.Enfimtodososelementosdainterceptaçãotelefônicaetelemática

estãonosautos,nãoháouhouveocultaçãodequalquerprova,inclusivetendosido determinadas diversas diligências apenas para satisfazer especulações sem base probatória e sem que, do resultado, tenha sido produzido qualquer argumento substantivoourelevanteparaestefeito.Eissotudoaindaemumcontextonoquala

interceptaçãotelefônicaetelemáticanãoproduziucomovistonostópicosII.5eII.6

resultadoprobatóriorelevanteparaojulgamentoespecíficodapresenteaçãopenal.

131. Então não há como se reconhecer qualquer nulidade ou

cerceamentodedefesanotópico.

II.8

132.ReclamaaDefesadeJoãoAulerquehouvecerceamentodedefesa

poisocoacusadoJaymeAlvesdeOliveiraFilhoteriaprestadodepoimentosnafase

deinvestigaçãoquenãoforamdisponibilizadosaosautos.

133.Comoadianteinadecisãode30/01/2015(evento192),foijuntada,

aosautos,cópiadodepoimentodeJaymenoevento154.

134.Quantoaosdemaisdepoimentos,dois,porenvolveremautoridades

comforoprivilegiado,foramelesremetidosaoSupremoTribunalFederal,aquem

cabelevantar,seforocasoosigilo.NãohaviacomoesteJuízodisponibilizá­losà

Defesa.

135.Pelomesmomotivo,aliás,trechosdodepoimentodoevento154

foramriscados,ousejapordizeremrespeitoaautoridadescomforo,tendooJuízo

comamedidabuscadoresguardarosigiloimpostopeloSupremoTribunalFederalàs

investigaçõesdesuacompetência.

136. Apesar disso, não há falar em cerceamento de defesa, pois o

depoimentojuntadosupresatisfatoriamenteanecessidadedasDefesasnessefeito,já

quenestesautosnãoháimputaçãodecorrupçãodeagentescomforoprivilegiado.

137.Agregue­sequeoacusadoJaymeAlvesfoiinterrogadoemJuízo

(evento877),comapresençadosdefensoresdeleedosdemais,quenãoocasião

puderam fazer as perguntas que desejavam. Aliás, a Defesa de João Auler, na ocasião, sequer fez perguntas, o que demonstra desinteresse nas declarações do coacusado Jayme, ficando sem sentido a reclamação da falta de juntada dos depoimentosporeleprestadosnainvestigação.

138.

Então não há nulidade ou cerceamento de defesa a ser

reconhecido.

II.9

139.Aoreceberadenúncia(decisãonoevento9),designei,desdelogo,

audiênciaparaoitivadetestemunhasdeacusação,afimdeagilizarofeito,mesmo

antesdaapresentaçãodasrespostaspreliminares.Amedidavisouacelerarainstrução

abemdosacusadospresos,quetêmdireitoaumjulgamentoemprazorazoável,não

sevislumbrandoqualquerprejuízonamedida.

140.Aindaassim,asrespostaspreliminaresforamapreciadasantesda

realizaçãodaprimeiraaudiência(eventos192,219e228).Umaúnica,aDefesade

PauloRobertoCosta,porqueapresentadaintempestivamentefoiapreciadadepois, masainda sehouvessenulidadenisto,somenteaDefesadeleterialegitimidadepara

arguir.Aindaassimfoianalisadadepoisnoevento353.

141.Desteprocedimento,tomadoembenefíciodosacusadospresos,

nãosedepreendequalquerprejuízoparaelesouparaosdemaisacusados.

142. Então, ainda que houvesse nulidade, não haveria prejuízo que justificasseoreconhecimento,considerandooprincípiomaiorqueregeamatéria(art.

563doCPP).

II.10

143.

Os acordos de colaboração premiada celebrados entre a

Procuradoria Geral da República e os acusados Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, estes assistidos por seus defensores, foram homologados pelo eminente

MinistroTeoriZavasckidoEgrégioSupremoTribunalFederal(evento1,out18,

destaaçãopenal,eevento775doinquérito5049557­14.2013.404.7000),eforamos

depoimentosnãosujeitosasigilodisponibilizadosàsparteslogodepoisdeteremsido recebidos por este Juízo (eventos 926 e 925 do processo conexo 5073475­

13.2014.4.04.7000).

144.Outrosacordosdecolaboração,comoentreAugustoRibeirode

Mendonça,JulioGerindeAlmeidaCamargo,DaltondosSantosAvancinieEduardo Hermelino Leite, estes assistidos por seus defensores, foram celebrados com o

MinistérioPublicoFederalehomologadosporesteJuízo(evento1,out14,out15,

out16,out17,eventos764,940e942).

145.TodoselesforamouvidosemJuízocomotestemunhasoucomo

acusados,comocompromissodedizeraverdade,garantindo­seaosdefensoresdos

coacusadosocontraditóriopleno.

146.Nenhumdelesfoicoagidoilegalmenteacolaborar,porevidente.A

colaboraçãosempreévoluntáriaaindaquenãoespontânea.

147.Nuncahouvequalquercoaçãoilegalcontraquemquerquesejada

partedesteJuízo,doMinistérioPúblicooudaPolíciaFederalnaassimdenominada Operação Lavajato. As prisões cautelares foram requeridas e decretadas porque

presentesosseuspressupostosefundamentos,boaprovadoscrimeseprincipalmente riscosdereiteraçãodelitivadadososindíciosdeatividadecriminalgravereiterada, habitual e profissional. Jamais se prendeu qualquer pessoa buscando confissão e colaboração.

148.Asprisõespreventivasdecretadasnopresentecasoenosconexos

devem ser compreendidas em seu contexto. Embora excepcionais, as prisões cautelares foram impostas em um quadro de criminalidade complexa, habitual e profissional, servindo para interromper a prática sistemática de crimes contra a AdministraçãoPública,alémdepreservarainvestigaçãoeainstruçãodaaçãopenal.

149.Ailustrarafaltadecorrelaçãoentreprisãoecolaboração,vários

doscolaboradorescelebraramoacordoquandoestavamemliberdade,como,nocaso,

JúlioCamargoouAugustoMendonça.

150.E,maisrecentemente,háoexemplodeRicardoRibeiroPessoa,

coacusadooriginário,quecelebrouacordodecolaboraçãocomoProcuradorGeralda República e foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal, somente após a conversãodaprisãopreventivaemprisãodomiliciar.

151. Argumentos recorrentes por parte das Defesas, neste e nas

conexas, de que teria havido coação, além de inconsistente com a realidade do ocorrido,éofensivoaoSupremoTribunalFederalquehomologouosacordosde colaboração mais relevantes, certificando­se previamente da validade e voluntariedade.

152.Aúnicaameaçacontraoscolaboradoresfoiodevidoprocesso

legalearegularaplicaçãodaleipenal.Nãosetrata,porevidente,decoaçãoilegal.

153. De todo modo, a palavra do criminoso colaborador deve ser

corroborada por outras provas e não há qualquer óbice para que os delatados questionemacredibilidadedodepoimentodocolaboradoreacorroboraçãodelapor outrasprovas.

154.Emqualquerhipótese,nãopodemserconfundidasquestõesde

validadecomquestõesdevaloraçãodaprova.

155. Argumentar, por exemplo, que o colaborador é um criminoso

profissional ou que descumpriu acordo anterior é um questionamento da credibilidade do depoimento do colaborador, não tendo qualquer relação com a validadedoacordooudaprova.

156.Questõesrelativasàcredibilidadedodepoimentoresolvem­sepela

valoraçãodaprova,comanálisedaqualidadedosdepoimentos,considerando,por exemplo, densidade, consistência interna e externa, e, principalmente, com a existênciaounãodeprovadecorroboração.

157.Aindaqueocolaboradorsejaumcriminosoprofissionalemesmo

quetenhadescumpridoacordoanterior,comoéocasodeAlbertoYoussef,seas declarações que prestou soarem verazes e encontrarem corroboração em provas independentes,éevidentequeremanesceovalorprobatóriodoconjunto.

158.Comover­se­áadiante,apresenteaçãopenalsustenta­seemprova

independente,resultanteprincipalmentedasquebrasdesigilobancárioefiscaledas buscaseapreensões.Rigorosamente,foioconjuntoprobatóriorobustoquedeucausa àscolaboraçõesenãoestasquepropiciaramorestantedasprovas.Há,portanto, robusta prova de corroboração que preexistia, no mais das vezes, à própria contribuiçãodoscolaboradores.

159. Não desconhece este julgador as polêmicas em volta da colaboraçãopremiada.

160.Entretanto,mesmovistacomreservas,nãosepodedescartaro

valorprobatóriodacolaboraçãopremiada.Éinstrumentodeinvestigaçãoedeprova válidoeeficaz,especialmenteparacrimescomplexos,comocrimesdecolarinho branco ou praticados por grupos criminosos, devendo apenas serem observadas regrasparaasuautilização,comoaexigênciadeprovadecorroboração.

161.Semorecursoàcolaboraçãopremiada,várioscrimescomplexos

permaneceriam sem elucidação e prova possível. A respeito de todas as críticas contraoinstitutodacolaboraçãopremiada,toma­sealiberdadedetranscreveros seguintescomentáriosdoJuizdaCorteFederaldeApelaçõesdoNonoCircuitodos EstadosUnidos,StephenS.Trott:

"Apesardissoeadespeitodetodososproblemasqueacompanhamautilizaçãode criminososcomotestemunhas,ofatoqueimportaéquepoliciaisepromotoresnão podemagirsemeles,periodicamente.Usualmente,elesdizemapuraverdadee ocasionalmenteelesdevemserusadosnaCorte.Sefosseadotadaumapolíticade nunca lidar com criminosos como testemunhas de acusação, muitos processos importantes­especialmentenaáreadecrimeorganizadooudeconspiração­nunca poderiamserlevadosàsCortes.NaspalavrasdoJuizLearnedHandemUnited

Statesv.Dennis,183F.2d201(2dCir.1950)aff´d,341U.S.494(1951):'AsCortes

têm apoiado o uso de informantes desde tempos imemoriais; em casos de conspiraçãoouemcasosnosquaisocrimeconsisteemprepararparaoutrocrime, éusualmentenecessárioconfiarnelesouemcúmplicesporqueoscriminososirão quasecertamenteagiràsescondidas.'ComoestabelecidopelaSupremaCorte:'A sociedadenãopodedar­seaoluxodejogarforaaprovaproduzidapelosdecaídos, ciumentosedissidentesdaquelesquevivemdaviolaçãodalei'(OnLeev.United

States,343U.S.747,7561952).

Nossosistemade justiçarequer que umapessoaque vai testemunhar naCorte tenha conhecimento do caso. É um fato singelo que, freqüentemente, as únicas pessoasquesequalificamcomotestemunhasparacrimessériossãoospróprios criminosos.Célulasde terroristase de clãssãodifíceisde penetrar.Líderesda Máfiausamsubordinadosparafazerseutrabalhosujo.Elespermanecememseus luxuosos quartos e enviam seus soldados paramatar, mutilar, extorquir, vender drogasecorromperagentespúblicos.Paradarumfimnisso,parapegaroschefes earruinarsuasorganizações,énecessáriofazercomqueossubordinadosvirem­se contraos dotopo. Sem isso, ogrande peixe permanece livre e sóoque você conseguesãobagrinhos.Hábagrinhoscriminososcomcerteza,masumadesuas funções é assistir os grandes tubarões para evitar processos. Delatores, informantes, co­conspiradores e cúmplices são, então, armas indispensáveis na batalha do promotor em proteger a comunidade contra criminosos. Para cada fracassocomoaquelesacimamencionados,hámarcasdetrunfossensacionaisem casosnosquaisapiorescóriafoichamadaadeporpelaAcusação.Osprocessosdo famosoEstrangulador de Hillside, aVovódaMáfia, ogrupode espionagem de Walker­Whitworth,oúltimoprocessocontraJohnGotti,oprimeirocasodebomba do World Trade Center, e o caso da bomba do Prédio Federal da cidade de

Oklahoma,sãoalgunspoucosdosmilharesdeexemplosdecasosnosquaisesse tipo de testemunha foi efetivamente utilizada e com surpreendente sucesso." (TROTT, Stephen S. O uso de um criminoso como testemunha: um problema

especial.RevistadosTribunais.SãoPaulo,ano96,vo.866,dezembrode2007,p.

413­414.)

162.Emoutraspalavras,crimesnãosãocometidosnocéue,emmuitos

casos, as únicas pessoas que podem servir como testemunhas são igualmente criminosos.

163. Quem, em geral, vem criticando a colaboração premiada é,

aparentemente,favorávelàregradosilêncio,aomertàdasorganizaçõescriminosas, issosimreprovável.PiercamiloDavigo,umdosmembrosdaequipemilanesada famosaOperaçãoManiPulite,disse,commuitapropriedade:"Acorrupçãoenvolve quempagaequemrecebe.Seelessecalarem,nãovamosdescobrirjamais"(SIMON, Pedrocoord.Operação:MãosLimpas:Audiênciapúblicacommagistradositalianos.

Brasília:SenadoFederal,1998,p.27).

164. É certo que a colaboração premiada não se faz sem regras e

cautelas,sendoumadasprincipaisadequeapalavradocriminosocolaboradordeve sersempreconfirmadaporprovasindependentese,ademais,casodescobertoque faltoucomaverdade,perdeosbenefíciosdoacordo,respondendointegralmentepela sanção penal cabível, e pode incorrer em novo crime, a modalidade especial de

denunciaçãocaluniosaprevistanoart.19daLein.º12.850/2013.

165.Nocasopresente,agregue­seque,comocondiçãodosacordos,o

MPFexigiuopagamentopeloscriminososcolaboradoresdevaloresmilionários,na

casadedezenasdemilhõesdereais.

166. Ainda muitas das declarações prestadas por acusados colaboradoresprecisamserprofundamentechecadas,afimdeverificarseencontram ounãoprovadecorroboração.

167.Masissodizrespeitoespecificamenteacasoseminvestigação,já

quequantoàpresenteaçãopenalasprovasdecorroboraçãosãoabundantes.

II.11

168.

Tramitam por este Juízo diversos inquéritos, ações penais e

processosincidentesrelacionadosàassimdenominadaOperaçãoLavajato.

169.Ainvestigação,comorigemnosinquéritos2009.7000003250­0e

2006.7000018662­8,iniciou­secomaapuraçãodecrimedelavagemconsumadoem

Londrina/PR,sujeito,portanto,àjurisdiçãodestaVara,tendoofatooriginadoaação

penal5047229­77.2014.404.7000recentementejulgada(cópiadasentençanoevento

837).

170. Em grande síntese, na evolução das apurações, foram colhidas provasdeumgrandeesquemacriminosodecartel,fraude,corrupçãoelavagemde dinheironoâmbitodaempresaPetróleoBrasileiroS/A­Petrobrascujoacionista majoritárioecontroladoréaUniãoFederal.

171. Grandes empreiteiras do Brasil, entre elas a Camargo Correa,

formaramumcartel,atravésdoqualteriamsistematicamentefrustradoaslicitações

daPetrobrasparaacontrataçãodegrandesobras.

172. Em síntese, as empresas, em reuniões prévias às licitações,

definiram, por ajuste, a empresa vencedora dos certames relativos aos maiores contratos.Àsdemaiscabiadarcoberturaàvencedorapreviamentedefinida,deixando deapresentarpropostanalicitaçãoouapresentandodeliberadamentepropostacom valorsuperioraqueladaempresadefinidacomovencedora.

173. O ajuste propiciava que a empresa definida como vencedora

apresentassepropostadepreçosemconcorrênciareal.

174. Esclareça­se que a Petrobrás tem como padrão admitir a

contrataçãoporpreçonomáximo20%superiorasuaestimativaenomínimo15%

inferioraela.Acimade20%opreçoéconsideradoexcessivo,abaixode15%a

propostaéconsideradainexequível.Essesparâmetrosdecontrataçãoforamdescritos cumpridamenteemJuízoporváriastestemunhas.Tambémconstaemrelatóriode comissão interna constituída na Petrobrás para apurar desconformidades nas licitaçõesecontratosnoâmbitodaRefinariadoNordesteAbreueLima­RNEST

(evento5,out3eout4,item5.4.20)

175.Oajusteprévioentreasempreiteiraspropiciavaaapresentaçãode

proposta,semconcorrênciareal,depreçopróximoaolimiteaceitávelpelaPetrobrás,

frustrandoopropósitodalicitaçãode,atravésdeconcorrência,obteromenorpreço.

176. Isso foi constatado, por exemplo, nas obras contratadas da

RefinariadoNordesteAbreueLima(RNEST),comodeclaradopelatestemunha GersonLuizGonçalvesquepresidiucomissãointernaconstituídapelaPetrobráspara apurardesconformidadesnaslicitaçõesecontratosdaRNEST(relatóriodacomissão

noevento5,out3eout4):

"MinistérioPúblicoFederal:­Sópraque fique claro, quais sãoos valores que a Petrobrasaceitaemtermosdelimitesacimaeabaixodovalordeestimativa?

Gerson:­Menos15mais20.

MinistérioPúblicoFederal:­Mais20.Acomissãopercebeuseospreçospraticados

naRNEST aproximavam­se sempre dolimite superior?Haviaum padrãonesse sentido?

Gerson:­Sim.NenhumBID,ouREBIDouTRIBIDfoiapresentadopropostasabaixo

daestimativa.Sempreforamnotopodaestimativasuperior.

MinistérioPúblicoFederal:­Certo.NessecasodaconstrutoraCamargoCorrea,da UCR, osenhormencionouque elaapresentouumapropostade 18.6. Asdemais concorrentes,quenocasoemsegundolugarapresentouaODEBRECHTeaOAS, consorciadas.Em terceirolugaraUTC,também denunciadaaquinessaação,e Engevix. Enoquartoe últimolugar aconstrutoraMPE. Algumadas outras, as concorrentesapresentaramvaloresabaixodosvinteporcento?

Gerson:­Não.

MinistérioPúblicoFederal:­Nenhuma?

Gerson:­Não.Nãoqueeurecorde.

( )

JuizFederal:­Achoquefoiessaacompreensão.Osenhormencionou,tambémnão

ficoutãoclaropramim,foiobservadosenessascontrataçõesaspropostasnofinal

contratadas,opreçocontratado,aspropostas,vamosdizer,vencedoras,elasem

geraltinhamopercentualpróximoaopercentuallimitedaPetrobras?Foiissoque

osenhordisse?

Gerson:­APetrobrassófechaocontratoseestiverabaixodevinteporcentoda

estimativa.Abaixonão,acima.Ouseja,temaestimativa,apropostatemquetá

JuizFederal:­Nãopodesersuperiora20%daestimativa.

Gerson:­20%acimadaestimativa.

JuizFederal:­Eamaioriadas,vamosdizer,doscontratos,aspropostasnofinal contratadas, os preços chegavam pertodesse limite?Oueraumaminoria?Ou eramtodas?

Gerson:­Todos os preços chegavam nolimite superior daestimativa. Dezoitoe

meio,dezesseisemeio.Nessafaixa."(evento350)

177.Coerentemente,consta,emrelaçãoaoscontratoselicitaçõesda

RefinariaAbreueLima­RNEST,aseguinteconclusãonorelatóriodacomissão

internadeapuração(evento5,out3eout4):

"7.9. Osprocessosparacontrataçãodosserviçosdeconstruçãoemontagemde unidades foram “relicitados” (UDA, UCR, UHDT/UGH e Tubovias de interligações), e os contratos assinados no“topo” daestimativa. Tais contratos

totalizaramR$10,8bilhões(valoresoriginais).AComissãoidentificou,analisandoo

comportamento dos resultados destes processos licitatórios (primeira e segunda rodadasdelicitação),queovalordaspropostasaproximou­sedo“teto”(valorde referênciamais 20%) das estimativas elaboradas pelaENGENHARIA/SL/SCP –

vide6.6."

cartel,

pagariamsistematicamentepropinasadirigentesdaempresaestatalcalculadasem

percentual,deumatrêsporcentoemmédia,sobreosgrandescontratoobtidoseseus

aditivos.

178.

Além

disso,

as

empresas componentes

do

179.Aprática,detãocomumesistematizada,foidescritaporalguns

dos envolvidos como constituindo a "regra do jogo", como, por exemplo, a testemunhaJúlioGerindeAlmeidaCamargoqueteriatrabalhadocomooperadordo pagamentodepropinasemcertasobras("Então,eraumaregradojogo,ondepra

vocêobterocontratovocêtinhaquepagaressepercentual",evento327).

180.ReceberiampropinasdirigentesdaDiretoriadeAbastecimento,da

Diretoria de Engenharia ou Serviços e da Diretoria Internacional, especialmente PauloRobertoCosta,RenatodeSouzaDuqueeNestorCuñatCerveró.

181.Surgiram,porém,elementosprobatóriosdequeocasotranscende

àcorrupção­elavagemdecorrente­deagentesdaPetrobrás,servindooesquema criminoso para também corromper agentes políticos e financiar, com recursos provenientesdocrime,partidospolíticos.

182. Aos agentes políticos cabia dar sustentação à nomeação e à

permanêncianoscargosdaPetrobrásdosreferidosDiretores.Paratanto,recebiam

remuneraçãoperiódica.

183. Entre as empreiteiras, os Diretores da Petrobrás e os agentes

políticos,atuavamterceirosencarregadosdorepassedasvantagensindevidaseda

lavagemdedinheiro,oschamadosoperadores.

184.Emdecorrênciadessescrimesdecartel,corrupçãoelavagem,já

foramprocessadosdirigentesdaPetrobrásedealgumasdasempreiteirasenvolvidas,

especificamentenapresenteaçãopenal,den.º5083258­29.2014.404.7000(Camargo

CorreaeUTC),enasaçõespenais 5083351­89.2014.404.7000(Engevix),5083360­

51.2014.404.7000(GalvãoEngenharia),5083401­18.2014.404.7000(MendesJúnior

e UTC), 5083376­05.2014.404.7000 (OAS) e 5012331­04.2015.4.04.7000 (Setal, MendesJúnioreOAS).

185. Relativamente aos agentes políticos, as investigações tramitam

peranteoEgrégioSupremoTribunalFederalquedesmembrouasprovasresultantes dacolaboraçãopremiadadeAlbertoYoussefePauloRobertoCosta,remetendoa esteJuízoomaterialprobatóriorelativoaoscrimespraticadosporpessoasdestituídas

deforoprivilegiado(Petições5.210e5.245doSupremoTribunalFederal).

186.Apresenteaçãoaçãopenalabrangesomenteumafraçãodesses

fatos.

187. Segundo a denúncia, em grande síntese, a Camargo Corrrea

participariadocartel,teriaganho,medianteajustedocartel,obrascontratadaspela PetrobrásreferentesàRefinariaGetúlioVargas(REPAR)eàRefinariadoNordeste

AbreueLima(RNEST)eteriapagopropinade1%sobreovalordoscontratosedos

aditivosàDiretoriadeAbastecimentodaPetrobráscomandadaporPauloRoberto Costa. Para efetuar o pagamento, teria utilizado os recursos provenientes dos próprioscontratos,submetendo­oapréviascondutasdeocultaçãoedissimulação executadasporAlbertoYoussef,antesdopagamento.Alémdisso,imputaadenúncia aosacusadosocrimedepertinênciaàorganizaçãocriminosa.

188.Examina­se,inicialmente,asobrasganhaspelaCamargoCorrea

juntoàPetrobrásatravésdocartel.

189.RelativamenteàsobrasnaRefinariadoNordesteAbreueLima­

RNEST, a denúncia reporta­se apenas à contratação da Camargo Correa pela

PetrobrásparaconstruçãodaUnidadedeCoqueamentoRetardado­UCR(U­21eU­

22)eUnidadesdeTratamentoCáusticoRegenerativo(TCR).

190. A documentação relativa à essa contratação foi enviada a este

JuízopelaPetrobráse,pelaextensão,encontra­seemmídiaeletrônicaarquivadaem

Juízoequefoidisponibilizadaàspartes.

191.Partedadocumentaçãorelativaàessacontrataçãofoijuntadano

evento430,out190eseguintes.

192.ResumoemtabelasdisponibilizadaspelaPetrobrásfoijuntadaaos

autospeloMPFnoevento863,out18.

193.AGerênciadeEstimativadeCustosePrazodaPetrobrásestimou

oscustosdacontrataçãoemcercadeR$3.427.935.233,63,admitindovariaçãoentre

o mínimo de R$ 2.913.744.948,58 e R$ 4.113.522.280,35 (conforme síntese constante na nota à autoridade superior datada de 09/01/2009 da Comissão de Licitação).

194. Oportuno lembrar que a Petrobrás tem como padrão admitir a

contrataçãoporpreçonomáximo20%superiorasuaestimativaenomínimo15%

inferioraela.Acimade20%opreçoéconsideradoexcessivo,abaixode15%a

propostaéconsideradainexequível.

195. A menor proposta, do Consórcio Nacional Camargo Correa ­

CNCC, foi de R$ 5.937.544.758,80. Em seguida, nessa ordem, as propostas do ConsórcioCONEST(formadopelaUTCEngenhariaepelaEngevixEngenharia), MPE­MontagenseProjetosEspeciaisS/A,eConsórcioRNEST­CONEST­UCR (formadopelaOdebrecht­PlantasIndustriaseParticipaçõesS/AeaConstrutora OAS Ltda). Como todas as propostas apresentadas, em primeira licitação, foram superioresaovalormáximoadmitido,alicitaçãofoicancelada.

196.Esclareça­se,poroportuno,queoConsórcioNacionalCamargo

Correa­CNCCécompostopelasempresasConstruçõeseComércioCamargoCorrea

eaCNECEngenhariaS/A,sendolideradopelaprimeira.

197.Foirenovadaalicitação.

198. A estimativa de custos da Petrobras foi revista para baixo em

relaçãoàprimeiralicitação,atingindo,paraasegundalicitação,R$2.876.069.382,78

(conforme valor no documento "Estimativa de Custos" da Petrobrás e ainda no documento de título "Documento Interno do Sistema Petrobrás ­ DIP, de

10/09/2009",nasmídiasarquivadasemSecretariaedisponibilizadasàspartes).

199.ComoconstanoRelatóriodaComissãodeLicitaçãodatadode

10/09/2009 (Convite 0629131.09­8), foram convidadas quinze empresas, mas apresentarampropostassomenteoConsórcioNacionalCamargoCorrea­CNCC,a empreiteira MPE ­ Montagens e Projetos Especiais S/A, o Consórcio CONEST (formadopelaUTCEngenhariaepelaEngevixEngenharia)eoConsórcioRNEST­ CONEST­UCR(formadopelaOdebrecht­PlantasIndustriaseParticipaçõesS/Ae aConstrutoraOASLtda).

200. O Consórcio Nacional Camargo Correa ­ CNCC novamente

apresentou a menor proposta, de R$ 3.446.149.572,61. Em um padrão que severificouemoutrasobrasdoRNEST,repetiu­se,nasegundalicitação,aordemde

classificação da primeira licitação, com o Consórcio CONEST (UTC e Engevix)apresentandoasegundamelhorproposta,aMPE,aterceira,eoConsórcio RNEST/CONEST(OdebrechteOAS),aquarta.

201.Conformeorelatóriodacomissãodelicitação,todasasdemais

propostas foramdesclassificadas,porapresentarempreçosacimadovalormáximo admitidopelaPetrobrás.

202.Acontrataçãoaindafoiobjetodenegociação,sendofinalmenteo

contratocelebrado,em22/12/2009,porR$3.411.000.000,00,tomandooinstrumento

onº0800.0053457.09.2.

203.Ovalorfinaldocontratoficoupróximodopreçomáximoaceitável

pelaPetrobras,que,comovisto,éde20%acimadaestimativa(R$2.876.069.382,78

+ 20% = R$ 3.451.283.259,33), especificamente cerca de 18,84% acima da estimativa.

204.Houveaindanoveaditivosaocontrato,quemajoraramoseuvalor

em R$ 361.023.579,96, conforme quadro demonstrativo de contratos e aditivos

apresentadopelaPetrobrás(evento1,out4).Essesaditivosnãosãoporémobjetoda

denúncia,vistoquecelebradosapósasaídadePauloRobertoCostadocargode

DiretordeAbastecimento(fl.50dadenúncia).

205. Observo, por oportuno, que o MPF, na denúncia, apesar de

reportar­seaestecontrato,apontoualgunsnúmeroserradosrelativamenteaele,lapso corrigido,porém,nasalegaçõesfinais. Quantoaopontovaleodispostonoart.569 doCPP,jáquesetratavamdeerrosmateriais.

206.RelativamenteàsobrasnaRefinariaPresidenteGetúlioVargas­

REPAR,naregiãometropolitanadeCuritiba/PR,adenúnciareporta­seapenasà contratação da Camargo Correa pela Petrobrás para construção da Unidade de Coqueamento Retardado­UCR, Unidade de Manuseio de Coque, Unidade de Recuperação de Enxofre, Unidade de Tratamento de Gás Residual, Unidade de ÁguasResiduaiseSubestações,dacarteiradeCoqueeHDT.

207.Adocumentaçãorelativaàessacontrataçãofoijuntadanoevento

430,out3eseguintes.

208.ResumoemtabelasdisponibilizadaspelaPetrobrásfoijuntadaaos

autospeloMPFnoevento863,out18.

209.AGerênciadeEstimativadeCustosePrazodaPetrobrásestimou

oscustosdacontrataçãoemcercadeR$2.093.988.284,45,admitindovariaçãoentre

omínimodeR$1.779.890.041,78eR$2.512.785.941,34.

210. Oportuno lembrar que a Petrobrás tem como padrão admitir a

contrataçãoporpreçonomáximo20%superiorasuaestimativaenomínimo15%

inferioraela.Acimade20%opreçoéconsideradoexcessivo,abaixode15%a

propostaéconsideradainexequível.

211.Foramconvidadasvinte empresas,masapresentarampropostas somenteoConsórcioCCPR/REPAR,formadopelaCamargoCorreaepelaPromon Engenharia,oConsórcioCOQUE/REPAR,formadopelaQueirozGalvãoeIesa,eo ConsórcioTechint/AndradeGutierrez.

212. A menor proposta, do Consórcio CCPR/REPAR, foi de R$

2.489.772.835,01.Emseguida,nessaordem,aspropostasdoConsórcioformadopela

IESAepelaQueirozGalvãoedoConsórcioformadopelaAndradreGutierrezepela Techint, com preços de R$ 2.681.312.844,40 e R$ 2.709.341.976,33, respectivamente,ambossuperioresaolimitemáximoadmitido.

213.Acontrataçãoaindafoiobjetodenegociação,sendofinalmenteo

contratocelebrado,em07/07/2008,porR$2.488.315.505,20,tomandooinstrumento

onº0800.0043403.08.02.

214.Ovalorfinaldocontratoficoupróximodopreçomáximoaceitável

pelaPetrobras,quecomovistoéde20%acimadaestimativa(R$2.093.988.284,45+

20%=R$2.512.785.941,34),especificamentecercade18,83%acimadaestimativa.

215.Houveaindadezaditivosaocontrato,quemajoraramoseuvalor

em R$ 227.772.442,86 , conforme quadro demonstrativo de contratos e aditivos

apresentadopelaPetrobrás(evento1,out4).Osaditivoscelebradosduranteagestão

dePauloRobertoCostasomamR$30.457.685,25.

216. Os crimes de cartel (art. 4º, I, da Lei nº 8.137/1990) e de

frustração,porajuste,delicitações(art.90daLeinº8.666/1993),nãoconstituem

objetoespecíficodadenúncia,massãoinvocadospeloMinistérioPúblicoFederal

comocrimesantecedentesàlavagemdedinheiro.

217. Em síntese, os valores obtidos nos contratos obtidos mediante

carteleajustefraudulentodelicitaçõesteriamsidoobjetodecondutasdeocultaçãoe

dissimulaçãoparaposteriorpagamentodaspropinasaoDiretorPauloRobertoCosta.

218.Devidoaoprincípiodaautonomiadocrimedelavagemveiculado

noart.2º,II,daLeinº9.613/1998,oprocessoeojulgamentodocrimedelavagem

independemdoprocessoejulgamentodoscrimesantecedentes.

219. Não é preciso, portanto, no processo pelo crime de lavagem

identificareprovar,comtodasassuascircunstâncias,ocrimeantecedente,poisele

nãoconstituiobjetodoprocessoporcrimedelavagem.

220.Bastaprovarqueosvaloresenvolvidosnascondutasdeocultação

edissimulaçãotêmorigemenaturezacriminosa.

221.Aesserespeito,destaco,poroportuno,oseguinteprecedenteda5.ª

TurmadoSuperiorTribunaldeJustiça,Relator,oeminenteMinistroFelixFischer, quanto à configuração do crime de lavagem, quando do julgamento de recurso especialinterpostocontraacórdãocondenatórioporcrimedelavagemdoTribunal

RegionalFederalda4ªRegião:

"Paraaconfiguraçãodocrimedelavagemdedinheiro,nãoénecessáriaaprova cabal do crime antecedente, mas a demonstração de 'indícios suficientes da existênciadocrime antecedente', conforme oteor do§1.º doart. 2.º daLein.º 9.613/98. (Precedentes doSTF e destaCorte)"(RESP 1.133.944/PR ­ Rel. Min.

FelixFischer­5.ªTurmadoSTJ­j.27/04/2010)

222.Mesmonãosendooscrimesdecarteledeajustefraudulentode

licitaçõesobjetoespecíficodopresenteprocesso,forçosoreconheceraexistênciade

provasignificativadequeosdoiscontratosobtidospelaCamargoCorreanaREPAR

enaRNESTforamobtidosatravésdeles.

223.Há,inicialmente,provasindiretasnopróprioprocessodelicitação

econtratação.

224. Convocadas mais de uma dezenas de empresas, em ambas as

licitaçõesforamapresentadaspoucaspropostas,apenasquatronaRNESTetrêsna

REPAR.

225.Todasaspropostasapresentadasnasduaslicitações,salvoada

CamargoCorrea,continhampreçosacimadolimiteaceitávelpelaPetrobrás(20%

acimadaestimativa)e,portanto,nãoeramcompetitivas.

226.Aspropostasvencedoraseovalorfinaldocontrato,porsuavez,

ficarammuitopróximasdovalormáximoadmitidopelaPetrobrásparacontratação.

NaRNEST,18,84%acimadaestimativa.NaREPAR,18,83%.

227.NalicitaçãodaRNEST,háprovaindiretaadicional.

228.Emumaprimeiralicitação,todasasquatropropostassuperaramo

limiteaceitávelpelaPetrobrás,oquelevouanovocertame.

229. A Petrobrás, ao invés de tomar a medida óbvia e salutar de

convidaroutrasempresasparaalicitação,renovouoconvitesomenteparaasmesmas

quehaviamparticipadodoanterior.

230.Afaltadeinclusãodenovasempresasnarenovaçãodocertame,

alémdeserobviamenteprejudicialàPetrobrás,tambémviolavaodispostonoitem 5.6.2doRegulamentodoProcedimentoLicitatórioSimplificadoda Petrobrásquefoi

aprovadopeloDecretonº2.745/1998("acadanovoconvite,realizadoparaobjeto

idênticoouassemelhado,aconvocaçãoseráestendidaa,pelomenos,maisuma firma,dentreascadastradaseclassificadasnoramopertinente").Aviolaçãoda regraprevistanoregulamentofoiobjetodeapontamentopelacomissãointernade

apuraçãodaPetrobrás(relatóriodacomissãonoevento5,out3eout4,item6.5.)

231. Como consequência da renovação do certame com as mesmas

convidadas, na segunda licitação, novamente apenas quatro propostas foram apresentadas,tendoporproponentesasmesmasempresasanteriores.Aordemde

classificaçãodaspropostasmanteve­seamesmaquedocertameanterior,como

ConsórcioNacionalCamargoCorreaemprimeiro,seguidopeloConsórcioCONEST

(UTCeEngevix),aMPEeoConsórcioRNEST/CONEST(OdebrechteOAS).

232.Essepadrãoderepetiçãoderesultadosdaslicitaçõesfoiverificado

emoutraslicitaçõesdaPetrobrásemobrasdaRNEST,comoconstanorelatório

apresentadopelacomissãodeapuraçãoinstauradapelaPetrobrás(evento5,out3e

out4).

233. Acerca desse padrão, a testemunha Gerson Luiz Gonçalves, empregadodaestatalquepresidiuaaludida comissãointernadeapuração,declarou oquesegue:

"JuizFederal:­Haviam licitaçõesque foram apresentadospreçosexcessivos, daí foramfeitasnovaslicitaçõesemcimadaquelamesmaobra?

Gerson:­É pode se chamar de licitação, já que não foram chamadas outras empresas.

JuizFederal:­ÉoqueosenhorchamoudeBID,REBID?

Gerson:­BID,REBID.

JuizFederal:­Eteveatécasosdeumterceirocertame?

Gerson:­Terceiro.

Juiz Federal:­E peloque euentendi, oque osenhor disse é que foi observado alguma, vamos dizer, não foi observado uma variação grande na ordem de classificaçãodaspropostas?

Gerson:­Exato.Aspropostascaíamnummesmopatamar,vamosdizerassim.Não

invertiamaposiçãodasempresas.

Juiz Federal:­Primeiro lugar continuava sendo primeiro lugar. Segundo lugar, segundolugar.Terceirolugar,terceirolugar.Eassimpordiante?

Gerson:­É.Nessecasodehojeaquielafoiprimeiroeprimeiro.Nocasoqueela

concorreutambémcomadeontem,eraODEBRECHT?

JuizFederal:­OntemeraOAS.OAS­ODEBRECHT.É.

Gerson:­TambémnastrêsoportunidadesaODEBRECHTganhouprimeiroea

JuizFederal:­Aordemdeclassificaçãosemanteve?

Gerson:­Semantevecomasegunda,nocasodeles.Porqueaquinãoganharam.

Juiz Federal:­Mas isso foi só nesses dois certames? Ou isso foi verificado em várias?

Gerson:­Nasprincipaiscontratações.Pelomenosum4ou5certamesqueagente

analisounacomissão.

JuizFederal:­Quatrooucinco?

Gerson:­É.Pelomenosuns4.Eunãorecordo,quantosgráficosagentefezaí.Se

foramquatrooucincosituações.

Juiz Federal:­Então fazia uma licitação, tinha uma ordem de classificação.Não aprovavaopreço,abriaumnovocertame,mantinhaaordemdeclassificação?E atécasosdeumaterceiraaberturadocertame,mantinhaaordemdeclassificação. Éisso.

Gerson:­Mantinhaaordemdeclassificação,exato."

234.Registre­sequeaanálisereferidapelatestemunhaeosgráficos

encontram­senoitem6.6dorelatóriodacomissãointernadeapuraçãodaPetrobrás

(evento5,out3eout4)

235.Écertoquearepetiçãodoresultadopodeserumacoincidência,

maséimprovávelqueessarepetiçãotenhasedadoapenasporcoincidênciaempelo

menosquatrolicitaçõesecontratações,indicandoqueoscertamesestavamviciados

porajusteprévioentreaspartes.

236.Alémdaprovaindiciária,háprovasdiretas.

237.AugustoRibeirodeMendonçaNeto,dirigentedaSetalOleoeGas

S/A(SOG),umadasempreiteirasenvolvidasnoesquemacriminoso,celebrouacordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal (processo 5073441­

38.2014.4.04.7000,cópiadoacordonosarquivosout16,out17,evento1).Foiouvido

comotestemunhanestefeito.Emsíntese,nodepoimentodegravadonoevento327,

comreiteração noevento529,admitiuaexistênciadocartel,osajustesparafrustrar as licitações e o pagamento de propinas a agentes da Petrobrás. O cartel teria funcionado deformamaisefetivaapartirde2004ou2005,jáqueteriahavido concomitantemente a cooptação dos Diretores da Petrobrás para que não atrapalhassemoseufuncionamento.ApartirdaslicitaçõesdasobrasdoCOMPERJ, por volta de 2011, o cartel teria perdido sua eficácia porque a Petrobrás teria começadoaconvidaroutrasempresas,dificultandoosajustes.

238.TambémconfirmouaparticipaçãodaCamargoCorreanocartele

afirmouqueelaseriarepresentadapeloacusadoJoãoRicardoAuler.

239.Transcrevotrechos,especialmentedasínteseconstantenofinaldo

depoimento:

"JuizFederal:­Maisesclarecimentosdojuízotambém.Aquivoupedirdesculpas também por eventualmente me repetir, mas praficar umaordem claraaqui. O

senhormencionouqueapartirde2003,2004,houveumaumentodaeficiênciado

clube?

Augusto:­Sim.

JuizFederal:­Peloqueeuentendi,pelacooptaçãodosdiretores?

Augusto:­Perfeito,exato.

Juiz Federal:­ E essa cooptação dos diretores se dava mediante pagamento de propina?

Augusto:­Sim,senhor.

JuizFederal:­Comofuncionava?Oclubedefiniapreviamentequemiriaganhara

licitaçãoeissoerarepassadoaosdiretores?Osenhorpodemeesclarecer?

Augusto:­Oclubedefiniaquemganhariaumadeterminadalicitaçãoeahoraque essalicitaçãoestivesse emandamentoeraentregue umalistadasempresasque deveriamserconvidadaspraparticipar.

JuizFederal:­Eraentregueumalistapraquem?

Augusto:­AosdiretoresPauloRobertoeRenatoDuque.

JuizFederal:­Eraentregueaosdoisouaumdelesapenas?Comoissofuncionava?

Augusto:­Eu acredito que aos dois. A lista de convidados é uma coisa bastante sensíveleodiretortemopoderdeinstruiraoseupessoal,ecolocarouretirar determinadaempresapordeterminadarazão.Então,euacreditoqueeraentregue umalistaaos diretores das empresas que deveriam ser convidadas; se nãoera entregueumalista,erampelomenosindicadasquaisasempresasquedeveriamser convidadas.

JuizFederal:­Maserampassadosessesnomesdasempresasque deveriamser convidadasaosdiretoresdaPetrobras?

Augusto:­Isso.AosdiretoresdaPetrobras.

JuizFederal:­Equemfaziaessaentrega?

Augusto:­ORicardoPessoa.

JuizFederal:­Quemfaziaaentregaoupassavaosnomes?

Augusto:­Isso,oRicardoPessoa,queeraquemmantinhaocontatomaishabitual

comeles.

Juiz Federal:­ Essa vantagem que era paga, essa propina que era paga aos diretores, então, era necessária pra que fossem convidadas as empresas repassadas?

Augusto:­Sim.Naverdade,oassuntodopagamentodascomissõessempreerauma coisaque eradiscutidacom os diretores nafase de assinaturadocontrato, um poucoantesouumpoucodepois,maseleseramquemprocuravamasempresas diretamente,pelomenosfoioqueaconteceunonossocaso,maseraumapartedo combinado,praquedeterminadaempresafosseassumirocompromissodefazer determinado pagamento era necessário que ela ganhasse a obra, e pra isso deveriamserconvidadasaquelalistagemdeempresas.

JuizFederal:­Entãoapropinaerapagapraqueelerespeitasseaindicaçãodas

empreiteiras?

Augusto:­Sim,principalmente.

JuizFederal:­Depoiseunãoentendi,nosaditivostambémtinhamaispropinaou

erajáamesmapropinarelacionadaaopagamentoanterior?

Augusto:­Sim. Nos aditivos, eles pediam alguma coisa correspondente, proporcional,aoquehaviasidodiscutidonocontrato.Emalgumassituações,até poderiampedirmaisdoqueaproporcionalidade,masbasicamenteeraisso.

JuizFederal:­Masessapropinadosaditivoserapagaporcontadoaditivooupor

contadaqueleacordoqueelesreceberiamumpercentualemcimadoscontratos?

Augusto:­Não,seriaporcontadoaditivo.

JuizFederal:­Dopróprioaditivo?

Augusto:­Sim,dopróprioaditivo.

JuizFederal:­Aínãoestariarelacionadocomaquelaquestãodoconvite?

Augusto:­Éumaditivodo…

JuizFederal:­Daquelemesmocontrato.

Augusto:­Daquelecontrato.Eunãosei,assim,quandoelesdiscutiam,vamosdizer,

sobreumdeterminadopercentualdecomissão,aquelepercentualvaleriatambém

praeventuaisaditivos.Aíentãoquandohaviaosaditivosestariaimplícitoqueseria

acrescido

JuizFederal:­Apropinadecorrente

Augusto:­amesmaproporçãorelativaaosaditivos.

Juiz Federal:­Enessas licitações que abriaaPetrobras, aíparticipavam sóas empresasdoClube?

Augusto:­Normalmente,sim.Duranteumperíodoissofoiefetivo.

Juiz Federal:­ E o senhor mencionou anteriormente, o que era combinado efetivamenteéqueasempreiteirasquenãoganhariamapresentariampropostaspra perderemisso?

Augusto:­Sim.

JuizFederal:­EntãoeraburladaalicitaçãodaPetrobras,naprática?

Augusto:­Napráticaeracombinadoentreasempresasquemiriaganhar.

JuizFederal:­Osenhormencionou,salvoengano,doiscontratosqueasuaempresa

ganhou,naReparenaReplan,éisso?

Augusto:­Sim.

JuizFederal:­Nessasduasobrashouveessefatiamentoqueosenhormencionou,

houveessapré­definição?

Augusto:­Sim,houve.

JuizFederal:­Nessasduasobrasqueasuaempresaganhouhouvepagamentoda

propinaaosdiretores?

Augusto:­Sim,senhor.

JuizFederal:­Aambos?AoPauloRobertoCostaeaoRenatoDuque?

Augusto:­Sim,senhor.

Juiz Federal:­O senhor mencionouque apropinaparaosenhor PauloRoberto CostaerapagaatravésdedepósitosemempresascontroladaspeloAlbertoYoussef, éisso?

Augusto:­Sim. Controladas eudigoque ele exerciacontrole, naverdade eunão sabiadequemeraaempresa.

Juiz Federal:­ E o senhor mencionou que o senhor foi apresentado a um proprietáriodessasempresas,alguémqueemitiaasnotasfiscais?

Augusto:­Sim,senhor,porele.

JuizFederal:­Eessasnotasfiscaiseramdoque?

Augusto:­Prestaçãode serviços de consultoriaprincipalmente oude serviços de engenharia.

JuizFederal:­Eessesserviçosforamefetivamenteprestados?

Augusto:­Não,senhor.

JuizFederal:­Essasnotasfiscaisserviamentãopraacobertarospagamentos?

Augusto:­Sim,senhor.

JuizFederal:­Osenhornãoselembraonomedapessoa?

Augusto:­Nãomerecordo,maséapessoaquedepoisapareceucomoaproprietária

daempresa.Eunãomelembroagora,eufaçoumapequenaconfusãoentreosdois

nomes.

JuizFederal:­EssasobrasqueasuaempresaganhoudaRepareReplan,porvolta

dequeanoforam?

Augusto:­2007.

JuizFederal:­2007?

Augusto:­Sim.

JuizFederal:­Eessapropinafoipagamaisoumenosatéquando?Nessemesmo

ano,depois?

Augusto:­Talvezatéoanode2010 ,2011.

( )

JuizFederal:­Essa,vamosdizer,pré­combinaçãodasempreiteiraspraverquem ganhavaocontratoedepoisopagamentodapropina,issoaconteciaemtodosos contratos do clube das empreiteiras com a Petrobras ou em alguns contratos apenas?

Augusto:­Aconteciaemtodososcontratosqueeramdiscutidoslánoâmbitodoclube

sim,acontecia.

JuizFederal:­NaRnestaconteceu,narefinariaAbreueLima?

Augusto:­Queeutenhoconhecimentosim,apesardenãoterparticipado.

JuizFederal:­Porquesuaempresanãoparticipou?

Augusto:­Porque houve umacombinaçãoentre as empresas doclube de que as obrasdaRnestficariamparaumdeterminadogrupodeempresas,dosquaisnósnão fazíamosparte.

(

)

JuizFederal:­Osenhormencionouqueosenhor,porexemplo,daCamargoCorrea

encontroupessoalmenteapenasosenhorJoãoAuler,éisso?

Augusto:­Sim.

JuizFederal:­Nasreuniões?

Augusto:­Sim.

JuizFederal:­Osenhorchegouatratardessesassuntospessoalmenteouatravés

deoutromeiodecomunicaçãocomosenhorJoãoAuler,comosenhorDaltonou

comosenhorEduardoLeite?

Augusto:­Eutalvez tenhadiscutidoalgumas vezes com oJoão, mas nãocom os outrosnão.

JuizFederal:­Comosoutrosnão?

Augusto:­Não.

JuizFederal:­EdaUTC,osenhortratavaessesassuntossócomosenhorRicardo

Ribeirooucomoutraspessoastambém?

Augusto:­Não,sócomoRicardo.

JuizFederal:­Sónessasreuniõesouosenhortambémtratouforadessasreuniões?

Augusto:­Foradasreuniõestambém,emalgunsencontros.

JuizFederal:­Osenhor Oseuadvogadojuntouumdocumentoqueseencontra

nosautosjuntocomadenúncia,evento1,out2,foimencionadoaquipeloMinistério

Público. Eu vou lhe mostrar esse documento, peço para o senhor dar uma olhadinha.Osenhorserecordadessedocumento?

Augusto:­Sim.

Juiz Federal:­ Essas eram as regras do clube das empreiteiras? Campeonato esportivo,definição

Augusto:­Sim.Essasregrasforamescritasdeummomentoprafrente,prareduzira

discussãoentreasempresas.

Defesa:­Umaúltimapergunta,tambémdecorrente dainquiriçãodoilustre juiz presidentedessaaudiência,osenhor,segundoeuentendi,dissequeRicardoPessoa levariaalgumalistaparaaPetrobras.Euquerialheperguntarquelistaelelevava praPetrobras?

Augusto:­Das empresas que deveriam ser consideradas para um determinado certame.

Defesa:­Osenhorlevoualgumavezestetipodelistacomelepraláouoviulevar?

Augusto:­Não,senhor.

Defesa:­Comoosenhorsabedissoprafazeressaafirmação?

Augusto:­Porqueeraimportantequeoconvitefosserestritoaumaquantidadede

empresas.

Defesa:­Tá,maseupergunto,comoéqueosenhorsabequeelelevavaalguma

lista?

Augusto:­PorqueeleeraapessoaquefaziaoscontatoscomaPetrobras.

Defesa:­ Sim, ele fazia os contatos com a Petrobras, isso é inegável, mas a perguntaécomoéqueosenhorsabequeelelevavaessalista,jáqueosenhornão levavacomele?

Augusto:­Eunãoseiseelelevavaumalista,seelefalavaoucomoerafeitaesta

comunicação,masofatoéque…

Defesa:­Haviaumacomunicação?

Augusto:­Paraumadeterminadalicitação,eradiscutidaumalistadeempresasque

iriamparticipareistoeradiscutidocomaPetrobras.

Defesa:­Osenhornãosabeseeraumalistaouseelelevavadeboca,masqueele

levava,levava.Esseéoseuconhecimento?

Augusto:­Sim.

Defesa:­Ecomoéqueosenhorsabequeelelevava,seosenhornãolevavacom

eleenemparticipavadessainterlocução?

Augusto:­Porqueasempresasconvidadaseramasquedeveriamserconvidadas.

Defesa:­OueraaPetrobrasqueasconvidava?

Augusto:­Quem convidava é a Petrobras, porém era dentro das empresas que deveriamserefetivamenteconvidadas.

Juiz Federal:­ Conferia então com o resultado da prévia definição pelas empreiteiras,éisso?

Augusto:­Sim.Aliás,eupossodeduzirquedealgumaformaessalistachegavaà Petrobras.( )"

240.Alémdodepoimento,AugustoMendonçaapresentoudocumentos

produzidosnasreuniõesdeajusteentreasempreiteirasdadistribuiçãodasobrasda

Petrobrás.

241. Esses documentos foram juntados originariamente no processo 5073441­38.2014.404.7000 (eventos 27, inf1, e 51, apreensão2). Foram

disponibilizadosàspartesnoprocesso5073475­13.2014.404.7000,comoseverifica

nodespachojuntadoporcópianapresenteaçãopenalnoevento229.Encontram­se,

portanto,disponíveisàspartesnoevento803,arquivoinf1,comcópianoevent804,

arquivoapreensão1,doprocesso5073475­13.2014.404.7000.

242. Entre eles, pela fácil visualização, destacam­se tabelas relativamenteàspreferênciasdasempreiteirasnadistribuiçãodasobrasdaPetrobrás

equeseencontramporexemplonafl.14doaludidoarquirivoapreensão1.

243.Comoaliseverifica,natabela,háapontamento,noladoesquerdo,

das obras da Petrobrás a serem distribuídas, no topo, do nome das empreiteiras identificadasporsiglas,enoscamposqueseguemaanotaçãodaspreferênciasde

cadauma(comosnúmeros1a3,segundoaprioridadedepreferência),comoum

passoparaanegociaçãodosajustes.

244.Entreasempreiteirasidentificadas,encontra­seaCamargoCorrea,

identificada pela sigla "C4" (em provável referência a Consórcio Construtora CamargoCorreaouaConstrutoraCamargoCorreaeCNEC).

245.Tambémentreelesdesedestacaroutrastabelassimilarescom

distribuiçãodeobrasdaPetrobrásentreasempreiteiras,entreelasaCamargoCorrea (identificada como CCCC), como se verifica na fl. 19 do do aludido arquirivo

apreensão1.

246. Também entre eles de se destacar folha com as regras do

funcionamento do cartel redigidas, jocosamente, na forma de um "campeonato

esportivo",estejuntadopeloMPFjácomadenúncia(evento1,out2).

247. Documentos similares foram apreendidos na sede da empresa

Engevix Engenharia, outra empresa componente do cartel, e que foram juntados

originariamentenoevento38,apreensão9,doinquérito5053845­68.20144047000.

Foramjuntadosporcópianestesautosnoevento16,arquivoapreensao1.

248. Deles, destaca­se a tabela produzida com às preferências das

empreiteiras na distribuição das obras da Petrobrás no COMPERJ ­ Complexo

PetroquímicodoRiodeJaneiro(fl.16,arquivoapreensao1,evento16).Odocumento

temotítulo"ListadosnovosnegóciosComperj".Deformasimilaraanterior,na tabela, há apontamento, no lado esquerdo, das obras da Petrobrás no Comperj a seremdistribuídas,e,notopo,donomedasempreiteirasidentificadasporsiglas,e

noscamposqueseguemaanotaçãodaspreferênciasdecadauma(comosnúmeros1

a3,segundoaprioridadedepreferência),comoumpassoparaanegociaçãodos

ajustes.

249. Entre as empreiteiras identificadas, encontram­se a Camargo

Correa,identificadadestafeita pelasigla"CC".

250. Também, jocosamente, há tabelas nas quais à fixação das

preferênciaséatribuídaadenominaçãode"bingofluminense"eàsempreiteiras,a

denominaçãode"jogadores"(fls.5e6,arquivoapreensao1,evento16).

251. Tabelas similares também existem em relação à fixação das

preferênciasnasobrasdaPetrobrásnaRefinariaPresidenteGetúlioVargas­REPAR

enaRefinariadoNordesteAbreueLima­RNEST.

252. Na tabela de título "Avaliação da lista de Compromissos

­28.09.2007" (fl. 20, arquivo apreensao1, evento 16), para a obra "REPAR:

Coque+Unidade.Aux",constammarcasdepreferência"1"exatamentenascolunas

relativasàCamarcoCorrea("CC")eaPromon("Pro"),oqueconferecomoganho

dalicitaçãopeloConsórcioporelasformadonaobradaREPAReacimadescrita.

253. Na tabela de título "Lista Novos Negócios RNEST" (fl. 15, arquivoapreensao1,evento16),para aobra"02Unid.Coque+UTCR",constana

colunacorrespondenteàCamargoCorrea("CC")aanotaçãodapreferência"1",oque

é consistente com a posterior vitória da empresa na licitação conforme acima apontado.

254.Emborasejapossívelquestionaraautenticidadedosdocumentos

apresentadosporAugustoMendonça,jáqueeleosforneceuapósfirmaroacordode colaboração, os demais, similares aqueles, foram apreendidos coercitivamente na

sedeEngevixEngenharia,em14/11/2014,emcumprimentodosmandadosexpedidos

nos termos da decisão de 10/11/2014 no processo 5073475­13.2014.404.7000 (evento 10 daquele feito). Não foram produzidos, portanto, como decorrência de acordodecolaboração.

255.Emresumo,quantoaoscrimesdecarteledeajustedelicitação,

têm­se:

­ provas indiretas nas licitações e contratos obtidos pela Camargo Correa que indicam a existência do ajuste fraudulento (poucas propostas apresentadas; repetição dos resultados da licitações; falta de inclusão de novas empresas na renovação da licitação; apresentação de propostas não­competitivas pelasconcorrentes,compreçossuperioresaolimitemáximoadmitidopelaPetrobrás; propostasvencedorascompreçospoucoabaixodolimitemáximo);

­ prova direta consubstanciada no depoimento de empreiteiro participantedocarteledoajuste;e

­ prova documental consistente em tabelas com indicações das preferênciasentreasempreiteirasnadistribuiçãodoscontratosequeconvergemcom osresultadosdaslicitações.

256.Issosemconsideraraindaqueoutrosacusadoscolaboradoresneste

mesmo processo também reconheceram a existência do cartel e dos ajustes das licitações.

257.Considerandoasprovasenumeradas,épossívelconcluirquehá

provamuitorobustadequeaCamargoCorrea obteveoscontratoscomaPetrobrás para construção da Unidade de Coqueamento Retardado­UCR (U­21 e U­22) e UnidadesdeTratamentoCáusticoRegenerativo(TCR)paraaRefinariadoNordeste AbreueLima­RNESTeparaaconstruçãodaUnidadedeCoqueamentoRetardado­ UCR, Unidade de Manuseio de Coque, Unidade de Recuperação de Enxofre, UnidadedeTratamentodeGásResidual,UnidadedeÁguasResiduaiseSubestações, da carteira de Coque e HDT da Refinaria Presidente Getúlio Vargas ­ REPAR, mediante crimes de cartel e de frustração da concorrência por ajuste prévio das

licitações,condutaspassíveisdeenquadramentonoscrimesdoart.4º,I,daLeinº

8.137/1990edo art.90daLeinº8.666/1993.

258.Comesseexpedientepôdeapresentarpropostasvencedorascom

valores próximos ao limite aceitável pela Petrobrás (18,84% e 18,83% ), sem concorrênciarealcomasoutrasempreiteiras.

259. Não é necessário aqui especular se, além disso, houve ou não

superfaturamentodasobras.Aconfiguraçãojurídicadoscrimesreferidos,doart.4º,

I,daLeinº8.137/1990edo art.90daLeinº8.666/1993,nãoexigequeseprove superfaturamento.

260.Emimputaçãodecrimesdelavagem,tendoporantecedentesos

crimesdoart.4º,I,daLeinº8.137/1990edo art.90daLeinº8.666/1993,detodo impertinenteaveriguarsehouveounãosuperfaturamentodoscontratos.

261.NãohánenhumaprovadequeasestimativasdepreçodaPetrobrás

estivessemequivocadas.

262.Apesardisso,comoasempreiteiras,entreelasaCamargoCorrea,

impediram,mediantecrime,aconcorrênciareal,nuncaserápossívelsaberospreços

demercadodasobrasnaépoca.

263.Écerto,porém,queaPetrobrásestimouasobrasemvalorbastante

inferioraodaspropostasvencedoras,pelomenosemcercade18%amenos,oqueé

bastantesignificativoemcontratosdebilhõesdereais.

264.Essaquestãofoiobjetodeindagaçãoespecíficanointerrogatório

dePauloRobertoCosta:

"JuizFederal:­Osenhormencionouquehaviaessecartel?

Paulo:­Correto.

JuizFederal:­Havendoessecartelnãohaviaumcomprometimentodaslicitações?

Paulo:­Sim.

JuizFederal:­Daconcorrência?

Paulo:­Sim,osenhortemtotalrazão,Excelência

JuizFederal:­Osenhornãoentendequesenãohouvesseessecartelpoderiaa

concorrênciagerarpreçosmenoresdentrodaspropostas?

Paulo:­Poderia,masdentrodessepercentualde3%,2%enãoumpercentualde

500%,massim,correto.

JuizFederal:­Concordemosqueentre1%e20%háumamargemconsiderávelde

valores?

Paulo:­É,agoraaPetrobrastinhaoseuorçamentobásico,eesseorçamentobásico erafeitode acordocom as condições de mercado, entãoquandovocê faziaum

orçamentobásico,chegavaàconclusãoqueesseempreendimentoiacustar1bilhão

dereais,seaempresadesse2bilhõesdereais,alicitaçãoeracancelada,como

váriasvezesofoi

Juiz Federal:­ Então essa margem poderia oferecer 1 bilhão a 1 bilhão e 200 milhões?

Paulo:­Correto,dentrodessamargem.( )"

265.Oscrimesdecarteledeajustedelicitaçãoforam,aofinaldo

processo e mesmo já havendo prova significativa a esse respeito, também reconhecidos pelo acusado Dalton dos Santos Avancini, Presidente da Camargo Correa, após celebração de acordo de colaboração premiada com o Ministério

PúblicoFederal(evento878).

266.DaltonassumiuaDiretoriadeÓleoeGásem2008e,depois,

assumiuafunçãodePresidentedessaárea. Declarouquenãoteriaparticipadodas reuniõesdocarteledosajustesparaaslicitaçõesdaREPARedaRNEST,pois seriamanterioresàsdatasemqueassumiuocargodaárea,masteriaparticipado, comorepresentantedaCamargoCorrea,emreuniõesposterioresdecarteleajustede licitações para obras da Petrobrás no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro/COMPERJ. Esclareceu que nem todo o ajustado para os contratos do COMPERJdeucerto,convergindoseudepoimentonestepontocomodeAugusto Mendonçaparaoqual,nessaépoca,ocartelteriaperdidopartedesuaefetividade. Transcrevotecho:

"JuizFederal:­OMinistérioPúblicofalaquehaviaumaespéciedeajusteentreas empresas nessas licitações, uma espécie de cartel. O que que o senhor tem conhecimentoaesserespeito?

Dalton:­ Então,eu,assim,queeuparticipeiefetivamentené,querdizer,em2008a Camargojáhaviaganhoaobrada,daRNESTné,querdizer,elajáera,játinha sidovencedora.Nósnão,eunãoparticipeida,eupassoaparticiparapartirdaí.E alicitaçãoemqueeuparticipoefetivamenteédoCOMPERJné,querdizer,oque foi o próximo bloco de negócios que a Petrobras licitou. E nesse processo realmente havia combinação das empresas né, quer dizer, e eu participei diretamenteaídessasnegociaçõescomessasoutrasempresas.

JuizFederal:­ Osenhorparticipoucomo?Foiemalgumareunião?Maisdeuma reunião?Comofoi?

Dalton:­Sim.Maisdeumareuniãoné,eueraorepresentantedaCamargo.Até, assim,eueranormalmente,eueradaáreaoperacional.Eunãotinhanem,nãoera muitocomumeuparticiparde,dessasáreas,daáreacomercial.Oqueaconteceu foi,nessatransiçãohaviaumacertaatéconfusãoumpoucoaídessa,decomoéque issoestavaacontecendo, quandoaáreapassoupramim. Aempresatavanuma profundareformulação, mudandocargos, mudandoaté estruturané. Aestrutura, existiaumaestruturaquecomandava,comercialeoperacional,foiseparada.Então, mas aí eu, eu, e nesse meiohouve umamudançadessadivisãoparaoRiode Janeiro.EumudeiproRiodeJaneiro.Aáreacomercialquenaquelemomentotava sendoassumidapeloEduardonãomudou.Eeuacabeificandodesignadoecuidando dessas, dessas negociações diretamente. Então tiveram reuniões com as outras empresas, reuniões com todas, reuniões com menos empresas. Tiveram vários eventospraessasnegociaçõesdessescontratos.

Juiz Federal: ­ Mas que tipo de negociação que havia? Havia um ajuste das licitações?

Dalton:­Sim.Haviaumajustené.Eaítambémeufiqueisabendoqueesseajustejá vinhadesdeaépocadaRNEST,porqueelesmetraziamqueaCamargojáhavia sidoatendidonoscontratosdaRNEST.Elajátinhatidooseuquinhãodenegócios naRNEST.Entãoaparticipaçãodelanessenovoajusteseriamenoraté,emais para o final. Porque teriam outras empresas que ainda não haviam participado desseajusteequeteriamqueseratendidasné,nesse,noprimeirobloco.Então,era

colocado explicitamente que a Camargo teria tido, isso teria, que dentro da RENEST teria havido este acordo e que nesse momento ela estaria, ela seria atendidatambém,masemobrasmaisàfrentedessaslicitações.

JuizFederal:­Ecomo,comoseriaoperacionalizadoesseajuste?

Dalton:­Esseajuste,asempresassereuniamné.Querdizer,elasdecidiamquem seriaaganhadoradecadauma,cadaumdaquelespacotes.Apartirdedefinições de tamanho, você tinha como é que elas se agregavam né. Então existia a agregaçãoemconsórcios,atépraquecadaumafosseatendida,tantoasmaiores, comoasmenores,né.Querdizer,existiatodaumalógicapraque asempresas tivessemumequilíbriodequantidadedecontratodentrodessaslicitações.

JuizFederal:­Nessasreuniõesentãodefinia:aempresaXvaiganharalicitaçãoY,

isso?

Dalton:­Sim.Asempresas,elasdefiniam,elascolocavamseusinteressesné,quer dizer,eapartirdeste,enessasreuniõesoquesedefiniaeraexatamenteisso.A empresamanifestavaoseuinteresse,e haviaoacordopraque elase tornasse, acabassesetornandovencedora,aoserapoiadapelasdemaisaí.

JuizFederal:­Esse apoiodasdemaiseraemque sentido?Elasapresentavam propostasdepreçomaior,ouelassimplesmentenãoparticipavam?

Dalton:­Não.Emgeral,haviaumacordoemquealgumasfaziamessapropostade preçomaiorné,elaseram,oquesechamavamaí,eramaspropostasdecobertura aí para aquela que seria a vencedora. Mas nem todas participavam dessas coberturas,àsvezesaempresanão,elasimplesmentenãoapresentavapropostané.

JuizFederal: EessesajustesnoCOMPERJ,algumfoiefetivado?Osenhortem conhecimento?

Dalton:­ Sim. Os primeiros aí foram. Eu não me lembro agora os pacotes de cabeça,mastiverampacotesquetiveramefetividade,queacabaramacontecendo. ACamargonãoteve.OdaCamargoelanãoobtevesucessonaquelequeelaestava designadacomoganhadora.

JuizFederal:­Porqualmotivo?

Dalton:­ OpacotedaCamargoeraoHCCné,querdizer,nóstivemos,houveum bidemqueaCamargofoivencedoraaté,elateve,elaacabousendovencedora.Aí houveumalonganegociaçãocomaPetrobras,nósnãochegamosaopreçoquea Petrobrasnaépocaapontavacomosendooqueelaqueria.Houveumrebid,nesse rebidaPetrobraschamououtraempresa, e estaoutraempresaacabousendoa vencedora.

JuizFederal:­Essaoutraempresanãoparticipavaentãodessegrupo?

Dalton:­Elanãoparticipoudogrupo.

JuizFederal:­Quaiseramasempresasqueosenhorserecorda?Nãoprecisamos

seraquiexaustivo,queparticipavamdesseajuste,dessasreuniões.

Dalton:­Bom, as maiores né, quer dizer, tinhaaCamargo, aOdebrecht, UTC, OAS, Techinit Camargo, deixoeu, sópragente, Camargo, UTC, OAS, CNO, Techinit,aprópriaPromonqueparticipavatambémdogrupo.

JuizFederal:­QueirozGalvãoparticipava?

Dalton:­AQueirozGalvãoparticipava.

JuizFederal:­AGalvãoEngenhariaparticipava?

Dalton:­Não.AGalvãoEngenharianãoparticipavadiretamentedessesacordos.

JuizFederal:­Eparticipavaindiretamente,nãoentendi?

Dalton:­ É. O que aconteceu, a Galvão ela era uma empresa que estava, ela buscavaparticipardessegrupoehaviaumacertaresistênciadessegrupoporquea Galvão não era uma empresa tradicional nesse mercado. Então ela de alguma maneira,elafaziaumaforçalápraentrarepraconseguiressesconvites.Eaoser convidadaelapressionavaessegrupopraqueelaparticipasse.EnoCOMPERJ,ao queme,eutenhoconhecimento,elarealmentefoi,teveumcontratoemquefoium dosqueelaganhouequefoiapartirdeumacordoeelaparticipouefetivamente.

JuizFederal:­AndradeGutierrezparticipava?

Dalton:­AndradeGutierrezparticipavadiretamente.Etinhamasmenoresaíné.A

MPEparticipava,aIESAparticipava,aprópriaToyoSetalparticipava.

JuizFederal:­OsdiretoresdaPetrobras,serviçosPauloDuqueeoPauloCosta

abastecimento,tinhamconhecimentodaexistênciadesse

Dalton:­Euacreditoquesim.Eununca,issonuncafoitratadopormimcomeles

né,diretamentecomeles.Masassim,tantoeuacho,eucreditoquesimporalguns

motivos.Uméqueseelesaoveremosresultadosecomoaslicitaçõesestavam

ocorrendo,elestinhamcomoevitarqueissoacontecessené.Erapossívelelelere

falar,“Ohtátendoalgumtipodeentendimentoaqui”.Então,tudoindicaqueeles

tinhamparticipaçãoesabiamefetivamentedisso.

JuizFederal:­Masnasuaavaliaçãoissoseriaperceptívelporqualmotivo?

Dalton:­ Isso, assim, se você olhasse os resultados desses empreendimentos aí, conhecendoasempresasdomercado,vocêconseguiriasaberné.Vocêolhaefala assim, num contratoganhaaCamargoCorrea, nooutroganhaaOdebrecht, no outro,querdizer,eraperceptívelquealitinhaalgumtipode,queaquilonumse faziade umamaneira, se houvesse umalicitaçãototalmente transparente aquilo provavelmentenãoaconteceria.

Juiz Federal: ­ Tinhaalgum organizador desse grupo?Alguém, algum principal responsável,ouissoeraumaresponsabilidadecompartilhada?

Dalton:­Comoeufaleiné,euentreinesseassuntoaíné,em2008assim,eueraum

neófitoaínessesetor.Eununcatinhatrabalhadoaícomosetordeóleoegásné.E esse grupojáeraformadoné, quer dizer, então, e tinham empresas e pessoas tradicionaisaínessesetor.EntãoaOdebrechteoMárcioFariaeraumapessoa queeralíder,era,játrabalhavahámuitotempo,seilá,maisdevinteanostalvez,aí nesse setor. Não consigo precisar esse período, mas to aqui estimando né. Da mesmaforma,oRicardoPessoatambémeraumapessoaquetinharealmenteuma, entãonaturalmenteeleserampessoasquetinhammaiorcapacidadeaídeconversar comasempresas,conhecimentodasempresas,dasoutrasempresas.Agoracom relaçãoàliderançané,asempresasgrandesmuitasvezesnãoaceitavamnemser lideradasné,querdizer,entãoelasseimpunhamnasdiscussõesaíné,querdizer. Mas tinham essas pessoas de maior influência, de maior capacidade aí de, de articulaçãosobreosetor.

JuizFederal:­Nessasreuniões,quantasreuniõesosenhorparticipou?Osenhor

mencionou?

Dalton:­Algumas,forameuachoque,seilá,três,quatro,porqueeu

JuizFederal:­Eforamemalgumlugarespecíficooudiferentes?

Dalton:­Não,tevereuniãoemlugaresdiferentes.Maseumerecordodereuniões naprópriaUTC,noRiodeJaneiro,reuniãonaUTC,achoqueemSãoPaulojá também, se eu Na Andrade Gutierrez, uma reunião que ocorreu na Andrade Gutierrez em São Paulo, eu participei. Acho que teve na OAS também. Essas "

reuniõesvariavam,assim,olocal.Nãohaviaumlocalfixode

267.JáoacusadoEduardoHermelinoLeite,queassumiuocargode

DiretordeÓleoeGásdaCamargoCorreaapartirdesetembrode2009(evento878),

mesmo tendo também celebrado acordo de colaboração premiada com o MPF, afirmouquetinhaalgumconhecimento,masnãodireto,arespeitodocartel.

268.Acolaboraçãotardiadeambos,DaltonAvancinieEduardoLeite,

emespecialdoprimeiro,apenasconfirmouasconclusõesquejápodiamserextraídas

dasprovasanteriores,acercadaexistênciadocarteledosajustesdelicitação,bem

comoaobtençãodosdoisreferidoscontratospelaCamargoCorreaatravésdesses

meioscriminosos.Emrealidade,acolaboraçãodelesaparentasermaisvaliosapara

expandirainvestigaçãoparaoutroscrimesdoquepropriamenteparaconfirmara

ocorrênciadestesaquidenunciados.

269.Obtidososcontratosmediantecarteleajustedelicitações,afirma­

senadenúnciaque erampagasvantagensindevidasaosdirigentesdaPetrobráscom osvaloresdecorrentes.

270. A denúncia limita­se às propinas pagas à Diretoria de Abastecimento,ocupadaporPauloRobertoCosta,oqueseriafeitoporintermédiodo operadorAlbertoYoussef.

271.Paraopagamento,osvaloresobtidoscomoscrimesdecartelede

ajustedelicitaçõeseramsubmetidosacondutasdeocultaçãoedissimulação,com

repasseposterioraosbeneficiários.

272.Aexistênciadoesquemacriminosodopagamentodepropinasfoi

descobertonodecorrerdasinvestigaçõesqueantecederamaaçãopenal.

273. Como ver­se­á adiante está confirmado pelo rastreamento de valoresefluxofinanceiroentreoConsórcioNacionalCamargoCorreaeaprópria CamargoCorrea,responsáveis,comovisto,pelasobrasnaRefinariadoNordeste AbreueLimaenaRefinariaPresidenteGetúlioVargas,comcontascontroladaspor Alberto Youssef, tendo sido utilizadas, como intermediadoras dos valores, as empresas Sanko Sider Ltda. e a Sanko Serviços de Pesquisa e Mapeamento, administradaspeloacusadoMárcioBonilho.

274.Antesmesmodaproposituradaaçãopenal,PauloRobertoCostae

Alberto Youssef, após celebrarem acordo de colaboração premiada com a Procuradoria Geral da República e que foi homologado pelo Egrégio Supremo

TribunalFederal,confirmaramaexistênciadoesquemacriminoso(item42).

275. Interrogados na presente ação penal (eventos 875 e 876), confirmaramsuasdeclaraçõesanteriores.

276.Emsíntese,ambosdeclararamquegrandesempreiteirasdoBrasil,

entreelasaConstrutoraCamargoCorrea,reunidasemcartel,fraudariamaslicitações daPetrobrásmedianteajuste,oquelhespossibilitavaimpornoscontratosopreço máximo admitido pela referida empresa. As empreiteiras ainda pagariam sistematicamentepropinasadirigentesdaempresaestatalcalculadosempercentual de 2% a 3% sobre cada contrato da Petrobrás, inclusive daqueles celebrados no âmbitodaRNESTeREPAR.NoâmbitodoscontratosrelacionadosàDiretoriade

Abastecimento,ocupadaporPauloRobertoCosta,cercade1%dovalordetodo

contratoeaditivosseriarepassadopelasempreiteirasaAlbertoYoussef,queficava encarregadoderemunerarosagentespúblicos,entreelesPauloRobertoCosta.Do

1%dapropina,parteficavacomPauloRobertoCosta,partecomAlbertoYoussef,

masamaiorparte,cercade60%,seriadestinadaaagentespolíticos.

277.Paraapresenteaçãopenal,confirmaramopagamentoespecífico

depropinaspelaCamargoCorreanosdoiscontratosacimareferidos,oscontratos

comaPetrobrásparaconstruçãodaUnidadedeCoqueamentoRetardado­UCR(U­21

eU­22)eUnidadesdeTratamentoCáusticoRegenerativo(TCR)paraaRefinariado

NordesteAbreueLima­RNESTeparaaconstruçãodaUnidadedeCoqueamento Retardado­UCR, Unidade de Manuseio de Coque, Unidade de Recuperação de Enxofre,UnidadedeTratamentodeGásResidual,UnidadedeÁguasResiduaise Subestações,dacarteiradeCoqueeHDTdaRefinariaPresidenteGetúlioVargas­ REPAR.Cabeatranscriçãodealgunstrechos,pelarelevância, aindaquelongos

(eventos875e876).

278.Noseguintetrecho, AlbertoYoussefdescrevegenericamenteo esquemacriminoso:

"Alberto:­Naverdadeesseesquemafuncionavadaseguintemaneira:naépoca,o deputadoJoséJanenejáháalgumtempo,anterior,conseguiuacadeiradadiretoria deabastecimento,indicouodoutorPauloRobertopraserdiretore,apartirdaí,o PauloRobertomaisoseuJoséJanenepassouacaptarasempresaspraqueelas pudessem pagar propina, pra que pudesse ser financiado o partido, para que pudessemteropoder,efoiassimquecomeçou.

Juiz Federal:­ Eram todas as empresas, algumas empresas, como é que isso funcionava?

Alberto:­Eramváriasempresas.ComeçoucomarefinariadaRnest Naverdade, começoucomasampliaçõesdasrefinarias,edepoiscomaRnest,Comperjeas ampliações.

JuizFederal:­EramcontratosespecíficosdaPetrobrasouhaviaalgumaformade

seleçãodessescontratos?

Alberto:­ Olha, na verdade existia um combinado entre as empresas que cada pacote lançadoteriaum consórciode empresas que seriavencedor e que esse

consórciopagariaapropinade1%,tantoparaoPartidoProgressistaquantoparao

PartidodosTrabalhadores.

JuizFederal:­QualeraopercentualdoPartidoProgressista?

Alberto:­1%.

JuizFederal:­EtambémoPartidodosTrabalhadores?

Alberto:­TambémoPartidodosTrabalhadores.

JuizFederal:­Qualeraopercentual?

Alberto:­1%.

JuizFederal:­Issodoscontratosdadiretoriadeabastecimento?

Alberto:­Doscontratosdadiretoriadeabastecimento.

Juiz Federal:­ Outras diretorias o senhor tem conhecimento se tinha algo semelhante?

Alberto:­Olha,ouvia­sedizerquesim,queadiretoriainternacionaltambémtinha

esseesquema.

JuizFederal:­Osenhorteriaoperadosónadiretoriadeabastecimento?

Alberto:­Euopereisónadiretoriadeabastecimento.

( )

JuizFederal:­Voltandoumpoucoali,osenhormencionoudessasempresasquese reuniamemconsórcio Oministériopúblicofaladeumcartel Haviaumcartel deempresaspeloseuconhecimento?

Alberto:­Olha,euentendoquehaviaumcombinado,nãoseisepode­sedizer,se

podechamarissodecartel.

JuizFederal:­Eoqueeraessecombinado,osenhorpodemedescrever,então?

Alberto:­ O combinado era que as empresas de primeira linha, quer dizer, as maiores,quetinhamcondiçãodefazerobrasmaiores,tinhamumacertaquantidade deobras,eaídepoisasmédiasedepoisaspequenas.

JuizFederal:­Tá,masocombinadoeraoque,oqueeraocombinado?

Alberto:­ O combinado era que em determinados pacotes tal empresa ia ser ganhadoraeassimporvez,tinhaporvez,porexemplo,“pacotedaRnest”,entãosó

asmaioresparticipavam,queeramas16maiores.

JuizFederal:­Ecomoéqueosenhortemconhecimentodessefato?

Alberto:­Bom,eucheguei

JuizFederal:­Osenhorparticipoudealgumareunião?

Alberto:­EuchegueiaparticipardeváriasreuniõescomoseuJosé,comalgumas

empresas,etambémcomodoutorPauloRobertojunto.

JuizFederal:­Mase esse combinadofoirelatado,vamosdizer,esse combinado entreasempresasfoirelatadonessareunião?

Alberto:­Sempreerarelatado.

Juiz Federal:­ Quantas reuniões dessas o senhor teria participado com o José JaneneecomoPauloCosta,aproximadamente?

Alberto:­ Olha, a partir de Final de 2005, 2006, eu devo ter participado de praticamente todas as reuniões que tiveram entre as empresas, odeputadoe o doutorPauloRoberto.

JuizFederal:­Eessastodasreuniõeséoque?Umadezena,maisdeumadezena?

Alberto:­Maisdeumadezena.

JuizFederal:­Eessasreuniõesparticipavamváriasempreiteirasjuntasemcada

reuniãooueranormalmenteumareuniãocomcadaempreiteira?

Alberto:­Normalmenteeraumareuniãocomcadaempreiteira.

JuizFederal:­Essaquestãodessepercentualeraumpercentualfixoemcimado

contrato?

Alberto:­Nãonecessariamente,porquemuitasempresasdiziamquetinhamganho

essalicitaçãonumcertopreçoequenãoteriamcondiçõesdepagarnaverdade1%,

entãonãoera,assim,deregrao1%;normalmentesecombinava.

JuizFederal:­Etodareuniãohaviaessanegociação,vamosdizer,dapropinaser paga, em todaessareunião, outinhamais oumenos jágeral, estabelecida, que sempreiaterquepagarpropina,comoéqueissofuncionava?

Alberto:­Naverdade issoeraumacoisasistêmica;apartir domomentoque a empresaganhavaopacoteprafazeraobraelajásabiaqueteriaqueparticiparda propina.Logoemseguida,deganhoalicitaçãoàsvezeselaeraprocuradapelo deputadooupelopróprioPauloRobertopraquepudessesentarenegociar.

JuizFederal:­Euqueriaqueosenhormeesclarecesseoseguinte,dequemfoia iniciativa desse tipo de esquema criminoso, foi o ex­deputado José Janene que negociouesolicitouessaspropinasemprimeirolugarouissojáexistia,osenhor podesermaisclaro,comosurgiuisso?

Alberto:­Olha,euacreditoqueissojáexistianumamenorproporçãoeapartirde

queodeputadoconseguiucolocarodoutorPauloRobertonacadeiraelepassoua

participarmaisefetivamentedisso,eaPetrobraspassouafazermaisobrasepor

issoquesedeuocrescimentodessetipodenegociação.

JuizFederal:­Osenhoreraoresponsávelpelaentregadodinheiro?

Alberto:­ParaoPartidoProgressistasim.

JuizFederal:­Comoéqueosenhorfaziapraprocederaessaentregadedinheiro,

quaiseramosinstrumentos?

Alberto:­Bom,apartirdeganhoalicitação,sentava­secomaempresa,ajustava­se ocomissionamento,eaímuitasdelasprecisavamdenotafiscalprapoderpagar propina.Euarrumavaaempresapraque fosse emitidaessanotafiscal,dalieu

sacavaoueutrocavaesses reais viaTED com alguns operadores de mercado, recebiaosreaisvivoseentregavaapartedecadaumdosenvolvidos,nocasoo PauloRobertoCostaeoPartidoProgressista.

JuizFederal:­Comoeraessadivisãodo1%?

Alberto:­Essadivisãodo1%era60%dopartido,30%doPauloRobertoCosta,5%

erapramime5%eraparaoassessor,naépoca,doJoséJanene,queeraoJoão

CláudioGenu.

JuizFederal:­Queempresasosenhorutilizoupraemissãodessasnotas?

Alberto:­Euutilizeivárias,eupossonãomelembrardetodasagora,maseuutilizei

aMO,utilizeiaRigidez,utilizeiaGFD,utilizeiaKFC,essassãoalgumasqueeu

melembroagora,nessemomento.

JuizFederal:­Porquantotempoosenhoratuounesseesquemacriminoso,osenhor

mencionou2005né,2006?

Alberto:­Finalde 2005, 2006, até ofinalde quandoodoutor PauloRobertofoi destituídodacompanhia.

JuizFederal:­Nãohouvepagamentodepropinaposteriormenteàsaídadele?

Alberto:­Algumasempresas,apósasaídadele,aindacontinuoupagandopraque

pudesseteroencerramento.

JuizFederal:­Pagandoencerramentodoque,comoassim?

Alberto:­Docomissionamentodaobraqueelaganhou.

JuizFederal:­Constaaquinoprocesso,depoisnósvamosvermaisdetalhadamente,

pagamentosem2013,atécomprevisãoem2014.

Alberto:­Houvesim.

JuizFederal:­Masissoeradapropinapendenteoucoisanova?

Alberto:­Não,eradapropinapendente.

Juiz Federal:­Nessas reuniões em que se discutiaopagamentodesses valores, quemnormalmenteparticipavapelasempreiteiras,eramosdirigentes,empregados, quemqueera,falandogenericamente?

Alberto:­Normalmenteeramosdirigentesealgunsdonos.

Juiz Federal:­ E como se desenvolviam essas reuniões, havia ali um clima de extorsão,dehostilidade,ouissoeraalgoacertadoláentreosparticipantes?

Alberto:­Não,euachoqueissoeraumacoisasistemática,eraalgojáacertado entre os participantes e nãotinhanenhum tipode extorsão. É lógicoque quem deixassedepagarnãoteriaaquelaajudaduranteocontrato,relativoaaditivose Nãonaquestãodesuperfaturaressesaditivos,massimnaquestãodediminuiro tempoderecebimentodessesaditivos,né?Porque,naverdade,aPetrobrastemum sistemabastantecomplexoquandoserefereaaditivos,passaporváriosprocessos, esenãotivesseajudaeaquelacobrançapraqueesseprocessopudesseandare chegaràdiretoriaexecutivapraaprovação,issodificultavaavidadoscontratados.

JuizFederal:­Tinhapercentualtambémemcimadosaditivos?

Alberto:­Sim.

JuizFederal:­Eopercentualeraomesmo?

Alberto:­Normalmenteera2a5%.

JuizFederal:­2a5%?

Alberto:­Sim.

JuizFederal:­Eomecanismodepagamentoeraomesmo?

Alberto:­Omecanismodepagamentoeraomesmo.

JuizFederal:­Nessasreuniõesqueosenhorparticipoucomasempreiteiras,teve alguma delas em que a empreiteira ou dirigentes delas, os representantes, recusaramemabsolutofazerqualquerpagamento?

Alberto:­Queeumelembrenão.

JuizFederal:­Algumadelasameaçouprocurarapolícia,oministériopúblico,a

justiça,denunciaroesquemacriminoso?

Alberto:­Queeusaiba,não.

JuizFederal:­Osenhor,osenhorJanene,osenhorPauloCosta,chegaramafazer

algumaameaçafísicacontraosdirigentesdasempreiteiras?

Alberto:­Olha,ameaçafísicanão.OsenhorJoséJaneneeraumpoucotruculento

nascobrançasné,eraumapessoadedifíciltrato,masnãoqueeletenhaameaçado

fisicamentenenhumdosempreiteiros.

Juiz Federal:­ Cobrança, em que sentido que ele era truculento, cobrança de propinaaseracertadaoupropinaatrasada?

Alberto:­Cobrançasqueeramacertadasequeeramatrasadas.

JuizFederal:­Masenoacertamentoprópriodaspropinashaviaessatruculência

tambémdele?

Alberto:­Queeupresenciei,não."

279. Neste trecho, Alberto confirma o pagamento de propinas nos contratosdaCamargoCorreanaRefinariaPresidenteGetúlioVargas(REPAR)ena RefinariadoNordesteAbreueLima,bem(RNEST)eautilizaçãodasempresas SankoSidereSankoServiçosparaorepassedapropina.Segundoeleanegociação daspropinascomaCamargoCorreateriasedadoinicialmentecomJoãoAulere depoiscomDaltonAvancinieEduardoLeite:

"JuizFederal:­Temumareferênciaaquinoprocesso,consórcioCCPR,daRepar, consórcio CCPR, teria participado Camargo Correa e Promon, em obras da

refinariaGetúlioVargasemAraucária,issoem2007,2008,osenhorserecordase

nessecasohouvepagamentodessaspropinas?

Alberto:­Sim, eume recordoque naépocadaREPAR, odoutor José eravivo ainda,eeletratavaesseassuntocomoJoãoAuler.Essapropinaestavaatrasadae eulembroque eufuium diacom odoutorJosé cobrarodoutorJoãoAuler.O doutor JoãoAuler estavanumareuniãocom adiretoriae nãopodiaatender o doutorJosé;odoutorJoséacabousedesentendendocomasecretária,entrouna salapraquepudessecobrarodoutorJoãoAuler.Apartirdaquelemomento,eu passeianegociardiretamentecomaCamargoeodoutorJoséseafastouporconta dequeelenãoseentendiamaiscomaempresa,efoidirecionadoqueeupudesse trataresseassuntocomoEduardoLeitee,apartirdaí,começaramastratativas com oEduardoLeite praque agente pudesse arrumar umamaneirade que a Camargopudessepagaressecomissionamento.

JuizFederal:­Issofoiemqueano,aproximadamente?Issofoiapartirdasobrasda

Repar?

Alberto:­ApartirdasobrasdaRepar.

JuizFederal:­MasessapropinanocasodaReparjáestavaacertada,então,como

senhorJoãoAuler?

Alberto:­Olha,euacreditoquesim.Naépoca,seeunãomeengano,tambémtinha

umdiretornaCamargo,queachoque,seeunãomeengano,eraodiretorLeonel,

queparecequetambémparticipoudessanegociação.

JuizFederal:­Antesdesseevento,dessaidadosenhorcomosenhorJoséJanene

naprópriaCamargo,osenhortinhaparticipadodereuniõescomosempreiteirosda

CamargoCorrea?

Alberto:­EutinhaidocobrarjuntocomoseuJoséporváriasvezesnaCamargo

CorreaoJoãoAuler.

Juiz Federal:­ Depois consta aqui nesse processo, continuando aqui, na Rnest, consórcionacional CamargoCorrea, osenhor se recordase nessaobrahouve pagamentodevantagemindevida?

Alberto:­Sim,tambémhouve.

JuizFederal:­SerianessaobraqueteriasidoutilizadaaempresaSankoSider?

Alberto:­Naverdade,aSankoSiderfoiutilizadajáprarecebimentonaRepar,eu

achoque,seeunãomeengano,aprimeiranotafiscalemitidapelaSankoSider,

notadeserviço,foipelaobradaRepar.

JuizFederal:­ComoéquefuncionavaessepagamentodepropinaatravésdaSanko

Sider?

Alberto:­AquestãoCamargoCorrea,erampagasessaspropinasatravésdenotas

deserviçodaSankoSideretambématravésdeoutrasempresas,quesurgiramno

decorrerdotempoequealgumaseuapresentei,algumaselemesmo,oEduardo

Leite,cuidoudefazereassimpordiante.

JuizFederal:­MasaSankoSiderforneciamateriaispraCamargoCorrea?

Alberto:­ Bom, a Sanko Sider através da atividade dela, lícita, ela fornecia equipamentospraCamargoCorreia,napartedetubos,franjos,conexões Essefoi umcontratofeitopraatenderàobradaRnest.

JuizFederal:­Mas,alémdisso,haviatambémapropina?

Alberto:­Sónapartedeserviço.

JuizFederal:­Napartedemateriaisnão?

Alberto:­Napartedemateriaisnão.

JuizFederal:­Efoiosenhororesponsávelpor,vamosdizer,aCamargoCorrea

tercontratadoaSankoSider?

Alberto:­Sim,eufuioresponsável.

JuizFederal:­Osenhorganhavacomissãotambém?

Alberto:­Ganhavacomissãopelasvendasdostuboseconexões.

JuizFederal:­Euvoulhemostraraquiumaplanilhaqueseencontranosautos,que éumaplanilhaquefoiencontradanoseuescritóriodetrabalho,aminhacópiaaqui estáumpoucopequena,esperoqueosenhornãotenhaproblemadevisão,masna tabelaconsta“fornecedor”,aítemMO,MO,MO,GFD,notasfiscais,valoresque

totalizam29.210.000,datadepagamentoenumcampoaqui“Status”constarepasse

ecomissãoeclienteCNCC.Podeentregarpraele.

Alberto:­ Bom, nessa planilha aqui tudo que é repasse, tudo que está como “repasse” é o pagamento de propina; tudo que está como comissão é comissionamentodavendadetubosqueeurecebia.

JuizFederal:­Quemfezessaplanilha,osenhorouaSankoSider?

Alberto:­Não,foiaSankoSider.

JuizFederal:­ComquemosenhortratavaessesassuntosnaSankoSider?

Alberto:­MárcioBonilho.

JuizFederal:­Eeletinhaconhecimentoqueessesvaloresiam,porexemplo,pra

PauloRobertoCostaouparaagentespúblicos?

Alberto:­Acreditoquesim,porqueomeuescritórioquemfrequentavaerapolíticos e os empresários e, de vez em quando, quandohaviareuniãonoescritório, ele cruzavaàsvezescomumpolíticoououtrodentrodomeuescritório.

JuizFederal:­Masqualfoiaexplicaçãoqueosenhordeupraeleprautilizaçãoda

empresadelecomointermediáriadessesrepasses,oqueosenhorfalou?

Alberto:­Não,realmenteelesabiaquetinhacomissionamentopelaobradaRepar

É

pelaobradaReparepelaobradaRnest.

JuizFederal:­Comissionamentonoque?Naintermediaçãooucomissionamentode

propina?

Alberto:­Comissionamentodepropina.

JuizFederal:­Osenhordisseissopraele?

Alberto:­Nãodisseexplicitamente,masparaumbomentendedor

Juiz Federal:­ Certo Doutor, então, por gentileza, pode falar no microfone, porquesenãovaificarmeioconfuso.

Defesa:­Quandoosenhorpergunta“agentespúblicos”ou“agentespolíticos”,o senhorfeznosprimeirosdepoimentosumadiferenciaçãoentreagentespúblicose agentespolíticos.Eusentiquevossaexcelênciaperguntouaeleoqueseriamagora agentespúblicosnosentidoquesejamagentespolíticos.Euqueria Paraqueele possadefiniroqueéPetrobraseoqueépolítico,praquenãocrieessaconfusão, porque muitas vezes parece que os Gersons se confundem nessa questão de “agentespolíticos”e“agentespúblicos”.

JuizFederal:­Naverdadeseriaumaquestãomaisgenéricané,doutor,masnão temproblemaemperguntarisso.Essesvaloresdepropina,osenhormencionou,ia praquem especificamente, vamos dizer, quem recebia?O senhor mencionou, o senhorPauloRobertoCostarecebia?

Alberto:­OsenhorPauloRobertoCosta,queeradiretordaPetrobras

JuizFederal:­DentrodaPetrobrasosenhorpagavamaisalguém?

Alberto:­Não,sóodoutorPauloRobertoCosta.

( )

JuizFederal:­OsenhorJoãoRicardoAuler,osenhormencionouhápouco,foram

aquelescontatos

Interrogado:­Sónaqueleprimeiromomento,depoiseupasseiatratardiretocomo

doutorEduardoLeiteeoDaltonAvancini."

280.Emtrechoposterior,esclareceuoscontatoscomJoãoAuler:

"JuizFederal:­SemperguntasEduardoLeite.AdefesadeJoãoRicardoAulertem

perguntas?

DefesaJoãoRicardoAuler:­Sim.Boatarde.

Interrogado:­Boatarde.

Defesa João Ricardo Auler:­Senhor Youssef, eu queria só recapitular algumas perguntasqueosenhordisseparaojuiz,praconfirmarumascoisasqueeuquero quefiquembemesclarecidas.

Interrogado:­Sim,senhor.

Defesa João Ricardo Auler:­O encontro que o senhor teve com o senhor João

Auler,osenhordissequefoinoanode2005ou2006,nãoéisso,maisoumenos?

Interrogado:­Oumaisàfrente.Nãosei.

DefesaJoãoRicardoAuler:­Muitobem.Nessaépoca?

Interrogado:­É,maisoumenos

Defesa João Ricardo Auler:­ E nessa primeira oportunidade que o senhor está dizendo,osenhorestáfalandodecobrançasqueestavamsendofeitaspelodeputado Janene,éisso?

Interrogado:­Sim,senhor.Isso.

DefesaJoãoRicardoAuler:­Aperguntaqueeufaçoparaosenhoréaseguinte, quando o senhor fez essa primeira reunião, já foi pra se tratar desse tema de cobrança?

Interrogado:­Olha,eufuicomoseuJoséporduasvezescobraraCamargoCorrêa

eelesereferiuàpessoadeJoãoAuler

DefesaJoãoRicardoAuler:­Não,não,entendi.Osenhorfoiduaspracobrar,é

isso?

Interrogado:­Sim.

DefesaJoãoRicardoAuler:­Aminhaperguntaobjetiva,queéaúnicacoisaque

faltou,éaseguinte:antesdisso,quandoodeputadoJaneneestevecomqualquer

pessoadaCamargoCorrêa,antesdacobrança,prafazeracombinação,osenhor

estavapresente?

Interrogado:­Não,senhor.

DefesaJoãoRicardoAuler:­Eunãotenhomaisperguntas,Excelência,obrigado.

JuizFederal:­Sóesclarecimentosdojuízo,então,queeufiqueiumpouquinho

talvezaminhamemórianãoestejabemcorreta,aquelasreuniõesqueosenhorteve

comoJanene,comosempreiteiros,algumareuniãoqueosenhorJoãoAulerestava

presente?

Interrogado:­Não,senhor.

JuizFederal:­Entãoforamnessesdoisepisódiosdacobrança?

Interrogado:­Sónoepisódiodacobrança.

Juiz Federal:­ E o senhor participou da conversação juntamente com o senhor Janene?

Interrogado:­ Ele foipracobrar e oJoãoAuler disse que nãotinhaposição, o senhorJosésealterou

JuizFederal:­Sim,masosenhorestavajunto?

Interrogado:­Estavajunto".

281. Neste trecho, Alberto Youssef confirma que os contratos celebradosentreaempresaCostaGlobalforamutilizadospararepassedepropina pelaCamargoCorreaaPauloRobertoCosta,apósasaídadestedaempresa:

"JuizFederal:­Voupassaraquiaumexamemaisespecífico,voucomeçarporessa

açãopenal5083258,queédaCamargoCorrea.Enquantoeuprocuroaqui,consta

no processo uma referência do ministério público de que parte dessa propina atrasadadosenhorPauloCostateriasidopagaatravésdecontratosdeconsultoria daCostaGlobal,osenhorparticipoutambémdessesfatos?

Alberto:­CostaGlobaléumaempresadeconsultoriadodoutorPauloRoberto?

JuizFederal:­Isso.

Alberto:­ Participei sim, participei junto e ajudei que fosse negociado um recebimentoatravésdaCostaGlobal.

Juiz Federal:­ Noprimeiroprocessoaquitem, por exemplo, umareferênciada CamargoCorreaemqueesses ForamfeitospagamentosdaCamargoCorreaa

essaempresaCostaGlobalnumcontratodeconsultoriaentreoutubrode2012a

dezembro de 2013, em um total de cerca de 2.875.000,00 desse fato o senhor participou,osenhorserecorda?

Alberto:­Participei.Naverdade,erapraserpagoem30parcelase,seeunãome

engano,nofinalde2011aCamargoliquidouocontrato.

JuizFederal:­Essesvaloresenvolviam

Alberto:­Nãoseisefoi Não,finalde2013,seeunãomeengano.

JuizFederal:­Eessesvaloresenvolviampropina?

Alberto:­Sim.

Juiz Federal:­ Quem da Camargo Correa participou dessa contratação, dessa formataçãodaCostaGlobal?

Alberto:­EduardoLeiteeDaltonAvancini."

282.Noseguintetrecho, PauloRobertoCostadescrevegenericamente oesquemacriminoso:

"JuizFederal:­Certo?Então,senhorPaulo,osenhormencionounoseudepoimento

anteriorsobrea,depoisqueosenhorassumiuocargodediretor,arespeitoda

existênciadeumcarteldeempresas.Osenhorpodemeesclareceressefato?

Paulo:­Posso.Quandoeuassumiem2004,maiode2004,aáreadeabastecimento,

que euvoucolocar aqui, eujácoloqueinodepoimentoanterior, comoosenhor mencionou, vamos repetir, aáreade abastecimentonãotinhanem projetonem

orçamento,então,vamosdizer,osanos2004,2005,2006,muitopoucofoifeitona

minhaáreaporque,vamosdizer,osprojetoseorçamentoseram,eramalocados principalmenteàáreadeexploraçãoeprodução.Entãosenóspegarmoshojeum

históricodosúltimos10anos,12anosdentrodaPetrobrasvaiseverificarqueo

maiororçamento,etácorretoisso,omaiororçamentodaPetrobraséalocadopara áreasdeexploraçãoeprodução.Queéáreadeexploração,perfuraçãodepoços, colocaçãodeplataformaseprodução.Aminhaáreatavabastanterestrita,nesse sentido,emtermosdeprojetosdegrandeporte.Vamosdizer,osprimeirosprojetos

seiniciaram,finalde2006iníciode2007,queeramprojetosvisandoamelhoriada

qualidadedosderivados,areduçãodoteordeenxofredagasolinaedodieselpra atender determinações da Agência Nacional de Petróleo. E as refinarias novas tambémcomeçaramnessaépoca,queeramaRefinariadoNordesteeoComplexo Petroquímico do Rio de Janeiro. Então, os anos iniciais da minha gestão, nós praticamentenãotivemosobrasdegrandeporte,entãopoucainteraçãoeutivecom essasempresasecomrespeitoaocartel.Era,issoeramuitoalocadonaáreade

exploraçãoeprodução.Apartirdesseseventosné,finalde2006iníciode2007,é

queteve,eutivemaisaproximaçãoemaiscontatocomessasempresasefiquei conhecendo com mais detalhes esse processo todo, que eu não tinha esse conhecimentonoiníciodaminhagestãopornãoterobraenãoter,vamosdizer,a devidaimportânciadentrodoprocesso.Apartirentãodaentradademaisobras,de mais empreendimentos, essas empresas começaram a me procurar e eu fiquei então tomando, vamos dizer, tomei conhecimento com mais detalhe dessa sistemáticadocarteldentrodaPetrobras.

JuizFederal:­Edoqueosenhortomouconhecimento?

Paulo:­Bom,asempresasmeprocurarammostrandointeressedefazeressasobras, comoeufaleianteriormente,eunãotinhaobradentrodaminhaárea,entãonão tinha nenhuma procura das empresas, a partir de, do início dessas obras, elas mostraraminteresseemparticipar,vamosdizer,asgrandesempresasqueestavam nocartel,participaremcomexclusividadedesseprocesso.Entãopraticamentefoi isso,exclusividadedeparticipaçãodasgrandesempresasdocarteldentrodessas obrasquecomeçaramaacontecerdentrodadiretoriadeabastecimentoapartiraí

definalde2006,iníciode2007.

JuizFederal:­Queempresasqueprocuraramosenhorespecificamente?

Paulo:­EutivemaiscontatocomaUTCecomaODEBRECHT.

Juiz Federal:­ Mas foram representantes dessas empresas conversar com o senhor?

Paulo:­Sim, foram representantes dessas empresas conversar comigo. Perfeitamente.

JuizFederal:­Efoinessaocasiãoquefoireveladaaosenhoraexistênciadesse

carteldeempresas?

Paulo:­Foi,comdetalhamento,foi.

Juiz Federal:­ Eosenhor se recordaquem seriam esses representantes dessas duasempresas?

Paulo:­Recordo, daUTCfoioRicardoPessoae daODEBRECHTfoioMárcio FariaeoRogérioAraújo.

Juiz Federal:­ E eles revelaram a extensão desse cartel de empresas? Que empresasqueparticipavam,queempresasquenãoparticipavam?

Paulo:­Sim. As empresas, basicamente, dochamadogrupoAdo, docadastroda Petrobras,ogrupoAdocadastroquesãoasgrandesempresas.

JuizFederal:­Osenhorteriacondiçãodenominá­las?

Paulo:­Posso.Podeserqueeuesqueçadealguma,maseuachoqueeuposso.Eraa própria ODEBRECHT, a UTC, a Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Galvão Engenharia, Engevix,CamargoCorrea,Techinit,queeumelembreagoranesse momento,mastemnomeudepoimento,temdetalhadoaí.

JuizFederal:­Nesseprocesso,nóstemosaqui5açõespenaiscomalgumasdessas

empresas,aEngevixparticipava?

Paulo:­Participava.Engevix,OAS

JuizFederal:­CamargoCorreaparticipava?

Paulo:­Perfeito.

JuizFederal:­AUTCosenhormencionouné?

Paulo:­Já.

JuizFederal:­AGalvãoEngenhariaparticipava?

Paulo:­Participava.

JuizFederal:­AGalvãoEngenhariaouaQueirozGalvão?

Paulo:­Asduas.

JuizFederal:­Asduasparticipavam?

Paulo:­Asduasparticipavam.

JuizFederal:­AOASparticipava?

Paulo:­Perfeito.

JuizFederal:­EaMendesJúnior?

Paulo:­AMendesJúniortambém.

JuizFederal:­Masessesrepresentantesqueforamconversarcomosenhor,eles

falavamemnomedosoutrostambémoueles

?

Paulo:­Falavamemnomedetodos.

JuizFederal:­Maselesapresentaramnessaocasiãoalgumaproposiçãoaosenhor?

Porqueelesrevelaramaosenhoraexistênciadessecartel?

Paulo:­Oobjetivoseria,comomencioneianteriormente,comalocaçãodeobras dentrodaminhaárea,queessasobrasjátinhamnaáreadeexploraçãoeprodução, entãoesse processojáeraum processoem andamento,né,naminhaáreatava começando ali por parte de projetos novos e orçamentos alocados pra esse processo.Entãoqualeraoobjetivo?Quenãohouvessemempresasconvidadasque nãofossemdaquelegrupo.Entãooobjetivograndeéqueeuosajudassepraqueas empresasquefossemconvidadasfossemempresasdaquelegrupo.

JuizFederal:­Ecomoéqueosenhorpoderiaajudaressecartel?

Paulo:­Trabalhandojuntocomaáreadeengenharia,áreadeserviço,queeraquem executavaaslicitações.AslicitaçõesnaPetrobras,derefinarias,deunidadesde refino, de plataformas, etc, eram todas conduzidas pela área de serviços, obviamentequeeuera,vamosdizerassim,aáreadeserviçoeraumaprestadora dessaatividadepraminhaáreadeabastecimento,comoeratambémpraextraçãoe produção,gáseenergiaeetc,mascomodiretorsetinhatambémumpeso,juntoao diretor daáreade serviço, em relaçãoàrelaçãode empresaparticipar e etc, emboranãofosse conduzidapelaminhaárea, obviamente que se tinhaum peso nesseprocesso.

Juiz Federal:­ Certo, mas aquestão, por exemplo, dos convites dalicitação, o senhordealgumaforma,então,vamosdizer,ajudavaessecartel?Praquefossem convidadassomenteempresasdogrupo?

Paulo:­Indiretamente,sim.Conversandocomodiretordaáreadeserviços,quando

adentrasseumaconversapreliminarcomele,sim.

Juiz Federal:­ Esse grupo, eles tiveram a mesma conversa, o senhor tem conhecimento,comadiretoriadeserviços?

Paulo:­Possivelmente sim,nãotemdúvidaporque,comolhe falei,Excelência,o processotodoeraconduzidopelaáreadeserviço,entãoobviamentequetinhaque ter essa conversa com a área de serviço. Ela que conduzia todo o processo licitatório,elaqueacompanhava,vamosdizer,todaalicitação,elaquefaziaparte doorçamentobásicodaPetrobras, todo, todoesse processoeraconduzidopela áreadeserviço.

JuizFederal:­Oseudepoimentoanterior,queosenhorprestouemjuízo,osenhor disseoseguinte:existiaclaramente,issofoiditoporumasempresas,pelosseus presentesàscompanhias,de formamuitoclaraque haviaumaescolhade obras dentrodaPetrobraseforadaPetrobras.Ésobreesseepisódioqueosenhorestá falando?Queosenhorestavasereferindonaquelaocasião?

Paulo:­ApartedelicitaçãodentrodaPetrobras,vamosdizer,aminhaparticipação eraessacomolhefalei,era,vamosdizer,ajudarasempresaspraelassejam,que elasfossemconvidadasdentrodaquelenúmeroxdeempresasqueparticipavamdo cartel,essaeraaminhaparticipação.Agora,obviamentequeasempresastambém me comentaram, principalmente essas duas empresas, que elas tinham outras atividadesforadaPetrobras,ecomoeujámencioneianteriormente,esseprocesso émuitopoucoseforanalisadosóaPetrobras.Euvipelaimprensaagora,recente, doisdepoimentos,dodiretoredopresidentedaCamargoCorrea,comentandoque esseprocessotambémocorreuemBeloMonte,queesseprocessotambémocorreu

emAngra3eeumencioneianteriormenteseagenteforolharrodovias,ferrovias,

portos e aeroportos esse processo ocorreu em todas as áreas, só basta um aprofundamento,né,dajustiça,quevaichegaraessaconclusão.

JuizFederal:­Foinessareunião,quelhefoiapresentadoessecartel,foilhefeita

algumapropostafinanceira?

Paulo:­Não.

JuizFederal:­Não?

Paulo:­Não.Nãomefoifeitapropostafinanceira,mas,vamosdizer,atravésdos entespolíticos,queeujámencioneianteriormenteaí,essa,esseacordofinanceiro erafeitopelosentespolíticos,entãonocasodadiretoriadeabastecimento,issoera tratadodiretamentepelodeputadoJoséJanene,eaíelemepassouqueficariaa

diretoriadeabastecimento,auferia1%dovalor,emmédia1%,dosvaloresdos

contratos, mas eu não cheguei, em nenhum momento, a discutir com nenhuma empresa, com nenhum presidente de nenhuma empresa, diretor de empresa, valores,essesvaloreserasemprefeitospelospolíticos,nãofoifeitopormim.

JuizFederal:­Masessareuniãoqueosenhortevecomesses02representantesdas

empreiteiras,porquêqueelesrevelaramprosenhoraexistênciadessecartel,eles

fizeramessasolicitação?

Paulo:­Paraeupoderajudá­losquandofossefeitooconvitepelaáreadeserviço, pra eu poder ajudá­los que aquele convite não fosse mexido, que não fosse incrementadocomnovasempresasque,vamosdizer,nãohouvessenenhumóbice daparticipaçãodaquelegruponoprocesso.

JuizFederal:­Eosenhoraceitouessaproposição?

Paulo:­Sim.

JuizFederal:­Osenhoraceitouporqualmotivo?

Paulo:­Porqueeutinha,vamosdizer,dentrodaminhaindicaçãoparaassumira

diretoriadeabastecimento,eutinhaessecompromissocomaentidadepolítica,por

issoqueeuaceitei.

JuizFederal:­Compromissocomaentidadepolíticaemquesentido?

Paulo:­Dessedeterum,deterumpercentualpara,docontrato,prapassarparaa

entidadepolítica.

JuizFederal:­Osenhorjátinhaconhecimentoantes,então,dessareuniãocomos

empreiteiros,vamosdizer,dessecompromissodepagamentos?

Paulo:­Sim.Nessaépoca,finalde2006iníciode2007,quandoagentecomeçoua

terempreendimentonaáreadeabastecimento,obviamentequeeumantinhacontato

comoZéJanene,comoPedroCorreaeoutrosdoPartidoProgressista,eissome

foiditoporeles,sim.

Juiz Federal:­ Quem disse pro senhor que existia esse percentual, que as empreiteirasiriamefetuaressespagamentosdestinadosaagentespolíticos?

Paulo:­DeputadoZéJanene,deputadoPedroCorrea.

JuizFederal:­Issofoiantesoudepoisqueosenhorassumiuocargodediretorde

abastecimento?

Paulo:­Depois.Eunãotinhaessepercentualantes,eunãosabiadisso.

Juiz Federal:­ Quando o senhor foi indicado pelo partido, já não havia um

condicionamentonessesentido,queosenhordeveria

?

Paulo:­Oqueelesmecolocaram,inicialmente,équeeudeveriaajudaropartido.

Issofoicolocadonaprimeirareunião,“ó,vamosindicá­lo,mas,obviamentequeo

senhorvaiterqueajudaropartidoemalgumascoisas”.Eufalei“tábom”,maseu

nãotinhaessepercentual,nãotinhanoçãodetalhadadoqueseriaessaajuda,mas

mefoiditonaprimeirareuniãoqueeuteriaqueajudá­los.

JuizFederal:­Ajudarfinanceiramente?

Paulo:­Ajudarfinanceiramente.

JuizFederal:­Masnãofoifeitoumdetalhamento,umaexplicaçãodoqueiaser

isso?

Paulo:­Não,não,numprimeiromomentonão.Nãofoi.Essepercentualmefoidito

bemdepois.

Juiz Federal:­ O senhor mencionou então, 1 % dos contratos ia pra área de abastecimento.Éisso?

Paulo:­Doscontratosdaáreadeabastecimento.

JuizFederal:­Daáreadeabastecimento.

( )

Juiz Federal:­ O senhor recebia alguma espécie de relação das empresas que deveriamserconvidadaspracadacertame?

Paulo:­Sim.QuebasicamenteeramempresasdogrupoAdocadastrodaPetrobras

pragrandesobrasqueeramtodasdocartel,sim.

JuizFederal:­Masacadalicitaçãoosenhorrecebiaessaslistas?

Paulo:­Não, não a cada licitação, mas cheguei a receber lista de empresas, cheguei,chegueiareceber.

JuizFederal:­Equemprovidenciouessaentregaprosenhor?

Paulo:­OuODEBRECHTouUTC.Geralmenteasduasempresasquetinhammais

contato,quefalavammaissobreessetema.Asoutrasempresaseunãotinhaassim

contatoprafalarsobreessetemacomeles.

JuizFederal:­Essasrelaçõeschegavamentãorealmenteàsomaounãobastavasó

convidarasempresasqueosenhorsabia

?

Paulo:­Naverdadeeraumacoisameiodesnecessária,porqueseeuchamassesó empresas daquele grupo, sóestavam aquelas empresas, entãoachoque chegou,

talvez,nesses8anosquefiqueilá,seilá,3,4vezesumalistanaminhamão,mas

erameioinócuo,porqueasempresaseramaquelas.

JuizFederal:­Osenhorserecorda,especificamente,quementregouaslistaspro

senhor?

Paulo:­Seeunãomeengano,foioRicardoPessoa.

JuizFederal:­Esse1%docontrato,queiapraáreadeabastecimento,qualqueera

aformadedivisão?

Paulo:­60 % ia pro Partido Progressista, quando tava só Partido Progressista,

inicialmentené,20%iapradespesasdeummodogeral,notasfiscaiseumasérie

deoutros,outrasdespesasquesetinha,e20%eradistribuídopartepramim,parte

proZéJanene.

JuizFederal:­Oquêéqueosenhorfaziacomodinheiroqueosenhorrecebia?

Comoosenhorrecebiaessesvalores?

Paulo:­EurecebialánoRiode Janeironormalmente, naminhacasa, shopping, supermercado.

JuizFederal:­Emespécienormalmente?

Paulo:­Normalmenteemespécie.

JuizFederal:­Transferência,conta?

Paulo:­Não,não.

JuizFederal:­Essaconta,osenhortinhacontaslánaSuíça?

Paulo:­É. Os valores da Suíça, que foram depositados lá na Suíça, todos esses valoresforamfeitosatravésdaODEBRECHT.Queeusaiba,queelesmefalaram queestavamfazendoessesdepósitos.

JuizFederal:­OsenhornãorecebeudaODEBRECHTaquitambémnoBrasil?

Paulo:­Talveztenharecebido,Excelência,não,nãopossolhedizerporquequando

chegava,vamosdizer,oenviodessedinheironãotinhadetalhamentoqueeradeA,

deBoudeC,chegavaovalor(ininteligível).

JuizFederal:­Osenhortinhaalgumcontroledessesvaloresqueeramdevidosao

senhoratítulodesse,dessecomissionamento

Paulo:­Não.

JuizFederal:­Quantoosenhortinhadesaldo?

Paulo:­Nuncafizessetipodecontrole.Comdetalhamentonuncafiz.Quandoeusaí

dadiretoria,emabrilde2012,eutiveumareuniãocomAlbertoYoussefpravero

quetinhaficadopendente,vamosdizer,então,umdetalhamentomaiordevalores de, foifeitonessaépoca, maseunãotinhaassim um controle, pontoporponto, nuncative,nuncative.

JuizFederal:­OsenhorpodenosesclarecerqualqueeraopapeldosenhorAlberto

Youssef?

Paulo:­Posso. O Alberto, ele assumiuum papelde mais destaque dentrodesse processotodocom adoençadodeputadoZé Janene. Até odeputadonãoter o problemadedoença,eraodeputadoqueconduziatodoesseprocesso,entãoquando

eleficoudoenteeveioafalecerem2010,foiqueoAlbertoassumiuumpapelmais

preponderantenoprocesso.Porqueaté,atéantesdodeputadoficardoentequem

conduziatodoesseprocessoeradiretamenteoZéJanene.

Juiz Federal:­ Ele participava então da negociação desse comissionamento, o senhorAlbertoYoussef?

Paulo:­Antes,comodeputadoZéJaneneàfrentenão,queeutenhaconhecimento,

não,depoisquandoodeputadoficoudoente,aíelecomeçouaparticipar.

JuizFederal:­Eletambémera,vamosdizer,eleseencarregavadaentregados

valores?

Paulo:­Sim.Depoisqueodeputadoficoudoente,ainformação,arespostaésim.

JuizFederal:­Essesvaloresqueosenhormencionou,queosenhorrecebeuem

espécie,noRiodeJaneiro,quemqueprovidenciavaessaentrega?

Paulo:­AlbertoYoussef.

( )

JuizFederal:­Essas,sópradeixarclaro,osenhorjámencionou,masosenhor chegou a participar, por exemplo, de reunião posterior a esse encontro que o senhormencionou,qualfoidiscutidoespecificamentepercentuaisdessacomissão, dessapropina?

Paulo:­Comasempresas?

JuizFederal:­Isso.

Paulo:­Sim.ParticipeidealgumasreuniõesqueeramcapitaneadaspelosZéJanene

emSãoPaulo,elechamavaasempresaslá,àsvezesprafalarperspectivasfuturas

eàsvezespracobrarjuntocomigo,mascobraralgumaspendênciasdepagamento.

Juiz Federal:­ E quantas reuniões, aproximadamente, o senhor participou, aproximadamente?

Paulo:­Talvezumas15,10,15reuniões.

JuizFederal:­Osenhorserecordaasempresasqueestiveramnessasreuniões?

Paulo:­ODEBRECHT, UTC, Camargo, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, basicamenteasempresasdocartel,né.

JuizFederal:­Essasempresasquenóstemosaquinessasaçõespenais,aCamargo

Correa,osenhormencionou

Paulo:­Mencionei

JuizFederal:­Engevix?

Paulo:­Engevixparticipoutambémdereunião.

JuizFederal:­AGalvãoEngenharia?

Paulo:­ComoJanene,eunãotenhocertezaseaGalvãoparticipou,eunãotenho

certeza.

JuizFederal:­AlgumareuniãocomaGalvãosemoJaneneemquefoidiscutido

essapropinaqueosenhortinhaparticipado?

Paulo:­Comcerteza.Comcerteza,comcertezaabsoluta.

JuizFederal:­Masqueosenhortenhaparticipadopessoalmente?

Paulo:­Eunãolembro,eunãolembroseeuparticipeialgumareuniãocomoJanene e com aGalvão, eunãotenholembrançadisso. Agoraque tiveram reuniões da GalvãocomoJanene,sim.

JuizFederal:­Sim,masqueosenhorestavapresente,essaéaminhaindagação.

Paulo:­Nãolembro,Excelência,nãolembro.

JuizFederal:­ComaOAS?

Paulo:­Sim,participamos,participei.

JuizFederal:­EcomaMendesJúnior?

Paulo:­Também.MendesJúniortambém,juntocomodeputado.

( )

JuizFederal:­Dessasempresas, contratosdasempresasdocartel, teve alguma ocasiãoemqueosenhorserecordaqueaempresatenhaserecusadoouresistidoa fazeropagamentodessaspropinas?

Paulo:­Recusado eu não me lembro, agora, atraso sempre tinha. Quando tinha atraso,naépocadodeputado,chegueiaparticiparde algumasreuniões,que eu mencioneiaquianteriormente,ondeelecobravadasempresasopercentual.Havia atrasos,eunãolembrodeternão­pagamento,masatrasosocorriam.

Juiz Federal:­ Mas em alguma reunião dessas que o senhor participou, ou em algumaconversaprivadacomalgumadasempresas,algumadelasfalou“nãovou pagaressapropina,eumerecusoapagaressesvalores”?

Paulo:­Nãomerecordodeterocorridoisso.

JuizFederal:­Algumadelas,algumavezameaçouprocurarporjustiça,Ministério

Público,polícia,relativamenteaessespagamentos?

Paulo:­Não,peloseguinte:asempresastinhaminteressesematenderospolíticos, nãoésóemrelaçãoaPetrobras,elastinhaminteresseemoutrosprojetos,comoeu falei,deoutrasáreas.Entãonãohaviainteresseporpartedasempresasdecriar confusãoné,comessesgrupospolíticosporque elastinhaminteressesemáreas não­Petrobras.Umacoisatambémquesaiupelaimprensa,queeuachoquevalea penaesclareceraosenhoragoranessemomentoeaoMinistérioPúblico,quenós diretores éramos achacadores das empresas. Isso nunca aconteceu, isso nunca aconteceu, quem tá falando isso não tá falando a verdade, porque se fosse achacadores,asempresasteriamrecorridoàjustiça,àpolícia,quemquerqueseja. Entãoelastambémtinhaminteresseematenderessespleitospolíticos,porqueesse interessenãoserestringiaàPetrobras.Vamosdizer,oPPePMDBtinhamvários outros Ministérios, não é, tinham o Ministério das Cidades, tinham às vezes, o Ministério dos Transportes, tinham outros Ministérios que as empresas tinham interesseemoutrasobrasanãoseraPetrobras.Entãoessenegóciodedizerque eram pressionadas e que perderam dinheiro com isso, isso não é correto, principalmenteporqueelacolocavamopercentualacimadovalorqueelastinham

previsto.Entãoseelastinhamprevistoquenaquelaobramiamganhar10%,seelas

colocavam13%nãotinhamprejuízonunca.Entãoissoéumafalácia,dizerqueisso

acontecia.

Juiz Federal:­ O senhor chegou a ameaçar alguma empresa, algum desses empresáriosporcontade,de,dessecomissionamento,dessapropina?

Paulo:­Eupessoalmentenão,masseiqueodeputadosim.

JuizFederal:­Osenhorsabeporquê?Osenhorpresenciououosenhorouviu?

Paulo:­Tevereuniãoqueeupresencieiqueeleapertouasempresasemrelaçãoao

percentualquecabiaaoPP.

JuizFederal:­Oquêque,porexemplo,quetipodeafirmaçãoqueelefez,quetipo

de ?

Paulo:­QueiaterdificuldadesdentrodaPetrobras,ouiateroutrasdificuldadesque elepodiacriar,comopolítico,podiacriaemrelaçãoàempresaA,BouC.Dentro daPetrobrastambém,valeapenaesclarecer,talveznãotenhaficadoclaro,eisso tambémaimprensacolocadeformadivergente,queeupodia,porexemplo,atrasar pagamentos.Eujamaispodiaatrasarumpagamentodeumaempresaporquequem faziaafiscalizaçãodoscontratosequemfaziaopagamentodessasfaturaseraa áreadeserviços,nãoeranenhumapessoasubordinadaamim.Eueraodonodo orçamento,eutinhaqueprestarcontapradiretoria,proconselhodeadministração, doorçamentodaminhaárea, mas quem conduziaalicitação, quem assinavaos contratos,quemfiscalizavaasempresas,quemfaziapagamentoseaditivoseraa áreadeserviços.Entãoseumaempresachegaefalaassim,“masoPaulopodia atrasarpagamento”,outrainverdade,porquenãoeraeuquefaziaamedição.“Ah maseupodiaatuarjuntoaofiscaldocontratopraretardaropagamento”,erauma exposiçãogigantescadaminhaárea,comoeuiafazerisso?

JuizFederal:­Osenhornuncafezissoentão?

Paulo:­Nunca.

JuizFederal:­Essesaditivos,osaditivosdoscontratos,tambémerapagopropina

oucomissionamentoemcimadosvaloresdeles?

Paulo:­Normalmentesim.Comoéquefuncionava,comoéquefunciona,achoquea Petrobras ainda funciona dessa maneira: vamos fazer uma licitação de uma plataforma,vamosfazerumalicitaçãodeumarefinaria,issoépreparadopelaárea deserviço,todooprocesso,éencaminhadaessaminutadecontratoproserviço jurídico da Petrobras, o serviço jurídico tem que opinar sobre isso e vai pra diretoria, quando vai pra diretoria, todos os diretores analisam as pautas previamente,entãovamosdizer,nãohápossibilidadedeumdiretordaPetrobras, oude um presidente daPetrobras,alocarcoisasde formaerradadentrode um processoinstitucionalizadoqueaPetrobrastemdecontrole.“Ah,masocontrolefoi falho”,foifalho,masexistiaumcontrolemuitogrande.Qualquerprocessodesses

passava,seilá,por30,40,50pessoasumprocessodesses,então,vamosdizer,

vamosfazerumalicitaçãodarefinariaAbreue Lima.Aáreade serviçovailá, prepara o contrato da unidade de coqueamento retardado da refinaria Abreu e Lima,essecontratovaiprojurídicoanalisarascláusulasjurídicas,nãotécnicas obviamente.Aprovou,todapautaquechegavanadiretoriadaPetrobrastinhaque teroparecerdojurídico,senãoapautanãoeraaprovada.Passaessapautapor todososdiretores,inclusiveopresidente.“Tátudocerto?”,tátudocerto.Aíera autorizadoafazeralicitação.

JuizFederal:­Certo.

Paulo:­Aditivo,precisafazerumaditivo,segueomesmoprocesso,vaiprojurídico, vaipradiretoria,cadadiretorexaminaeadiretoriaaprovadeformacolegiada. EntãonãohánenhumcontratodaPetrobrasquefoiaprovadosozinhoporPaulo, sozinho por Duque, sozinho por Gabrielli, isso não existe. Então, vamos dizer, existeeaPetrobrastemocontrole.Falhou?Falhou,maselatemumcontrole.

JuizFederal:­Masdessesaditivos,porqueasempreiteiraspagavamapropinaem

cimadelestambém?

Paulo:­Porqueeram,vamosdizer,ocontratochegoulá,10%,3%,3% devalores

alocados,10%dovalordaempresa,prafazeroaditivotambémtinhaquepassar

portodoesseprocesso.Ogerentedocontratotinhaqueavaliaredaroparecer favorável,tinhaqueirprodiretordeserviçoaprovar,tinhaqueirpradiretoria aprovar, então tinha todo esse trâmite e nesse trâmite as empresas também alocavamovalorproaditivo.

JuizFederal:­Eopercentualeraomesmonosaditivos?

Paulo:­ Normalmente. Não é regra, podiam ter valores diferentes, mas normalmenteeram.Sónãopossodizer,afirmarcomexatidãoqueeraregrageral.

Juiz Federal:­ E tinham novas negociações a partir de cada aditivo, para esse comissionamento?

Paulo:­Sim,tinha,tinhanegociaçõescomacomissãodaPetrobras,comrelaçãoa

licitação

JuizFederal:­Não,negociaçãodapropina.

Paulo:­Eunãotenhocondiçõesdelheafirmarisso,porqueeunãoparticipavadesse processo, não tenho condições de lhe afirmar, mas acredito que sim. Era bem provávelquetivesse.

Juiz Federal:­ Mas o senhor tem conhecimento que foi pago também propina, percentual,emcimadosaditivos?

Paulo:­Perfeitamente,tenho.

JuizFederal:­Osenhoralgumavezdesaprovoualgumaditivo,retardoupagamento

porcontadependênciasdesses,dessaspropinas,dessascomissões?

Paulo:­Essesaditivoseramconduzidospelaáreadeserviço,então,vamosdizer,o queéqueeupodiafazer,seoaditivotivesseumvalormuitoexagerado,oumuito alto, comoeueraodonodoorçamento, eupodiafazer algumaintervençãoem relaçãoàpartedoorçamentosim,agoraemrelaçãoanecessidadedoaditivo,de um projetonãototalmente pronto, que aPetrobras optou, nãofoiPaulo, nãofoi Duque, nãofoiGabrielli, aPetrobras optoude fazer licitações com projetonão concluído, que gerou todo esse transtorno aí. Pode ter ocorrido isso. Pode ter ocorrido.

JuizFederal:­Podeterocorridooque?Comoassim?

Paulo:­Daperguntaqueosenhorfez.

JuizFederal:­Dapergunta,osenhordeixoudeaprovaralgumaditivoporcontade

pendênciasdepropina,devantagemindevida?

Paulo:­Não. Eu olhava a parte do orçamento, porque a parte de recursos não lícitos,quemfaziaisso,vamosdizer,quemtinhaautonomiaprafazerissoerao diretordeserviço,nãoeraeu.Eunãotinhaautonomiapraisso,porqueacomissão nãoeraminhaeoaditivo,eunãotinhacondiçãodefazerisso.Agoraesseaditivo, eletinhaqueserencaminhadopradiretoria,entãoseeu,comodiretor,achasseque aqueleaditivotavaexageradoemtermodevalor,euteriacondiçãodebrecaro aditivopoderiafazerisso.

JuizFederal:­Certo,relacionadoàquestãodapropinané,osenhoralgumavez

deixoudeaprovaralgumaditivoouretardouopagamentoporcontadepropinapra

pressionarasempresasapagarpropina?Essaéapergunta.

Paulo:­Nãotenho,nãotenhocondiçõesdelheafirmarcomcerteza.Talveztenha ocorridoum ououtrocaso, mas nãotenhocondiçãode lhe afirmar. Eunãome lembro,podeterocorrido,masnãomelembro.

JuizFederal:­Voltandoàquelaquestãoqueosenhormencionou,dosenhorJanene,

queteriaeventualmentefeitoalgumaameaçanessasreuniõesasempreiteiras,a

ameaçafoirelacionadaaoquê?Aonãopagamentodapropina,aopercentualda

propinaoufaltadedependência,oquêqueera?

Paulo:­Normalmenteatrasodepagamento.Asreuniõesqueeuparticipeiquehouve

umaaçãomaisfortedeleeraatrasodepagamento.

Juiz Federal:­ Teve algum caso em que ele ameaçou as empresas porque a empresanãoqueriapagarpropina?

Paulo:­Queeutavapresente,tambémnãomelembro,eumelembrodeatrasosde

pagamento."

283. Neste trecho, Paulo Roberto Cota confirma o pagamento de propinasnoscontratosdaCamargoCorreanaRefinariaPresidenteGetúlioVargase naRefinariadoNordesteAbreueLima:

"JuizFederal:­NaCamargoCorrea,comquaisdirigentesosenhortevecontato

especifico?

Paulo:­OmeumaiorcontatoláeracomEduardoLeite,tivetambémcontatocom

Dalton,queeraopresidentedacompanhia,masespecificamenteaessesassuntos

não­lícitos,ocontatomeueracomEduardoLeite.

JuizFederal:­OsenhorJoãoRicardoAuler?

Paulo:­Tivealgunscontatoscomelené,pelaposiçãoqueeleocupavadentroda

companhia,masnãomelembrodeterdiscutidoalgumacoisanessesentidocom

ele.Sabiaqueeletevemuitocontato,naépoca,lápratrás,comJoséJanene.Isso

eusabia,talvezeuachoqueeutenhaatéparticipadodeumaououtrareuniãocomo

Janeneecomele,masoscontatos,vamosdizer,oscontatosmaisamiúde,dentro

desseprocesso,foramcomEduardoLeite.

Juiz Federal:­ Esses contatos envolvendo pagamentos desses comissionamentos, dessapropina?

Paulo:­Correto.

Juiz Federal:­ E o senhor mencionou dessas reuniões com o senhor e o José Janene,osenhornãoserecordaquemdaCamargoquesefaziapresente?

Paulo:­EuachoqueoJoãoné?JoãoEuler?

JuizFederal:­Auler.

Paulo:­JoãoAuler,achoqueoJoãoAuler,achonão,eleparticipoudealgumas

reuniõeslánopassado,naépocaqueodeputadoeravivo,eleparticipoudealgumas

reuniõessim.

JuizFederal:­Queosenhorestavapresente?

Paulo:­Queeuestavapresente.

JuizFederal:­Equefoidiscutidocomissionamento?

Paulo:­Quefoidiscutidocomissionamento.

JuizFederal:­Osenhormencionou“acha”ouosenhortemcerteza?

Paulo:­Tenhocerteza.

JuizFederal:­DasobrasaquimencionadaspeloMinistérioPúbliconaaçãopenal, aprimeiradelasé oConsórcioCCPRpraREPAR,consórcioque eracomposto pelaCamargoCorreaepelaPromom.Osenhorserecordasenessecaso,nesse contratotevepropinaoucomissionamento?

Paulo:­Sim.Agoraoscontatos,eunãotinhacontatocomaPromom,meuscontatos

foramsemprecomaCamargoCorrea.

Juiz Federal:­ Também aqui, objeto da ação penal, a referência ao consórcio CNCC, Consórcio Nacional Camargo Correa, obra na RNEST, na refinaria do Nosrdeste. O senhorsabe me dizerse nesse casohouve pagamentode propina, vantagemindevida?

Paulo:­Tambémteve.

( )

JuizFederal:­SenhorPaulo,aquivoupermitirumaintervenção

Paulo:­Poisnão.

JuizFederal:­Osenhormencionouquehaviaessecartel?

Paulo:­Correto.

JuizFederal:­Havendoessecartelnãohaviaumcomprometimentodaslicitações?

Paulo:­Sim.

JuizFederal:­Daconcorrência?

Paulo:­Sim,osenhortemtotalrazão,Excelência

JuizFederal:­Osenhornãoentendequesenãohouvesseessecartelpoderiaa

concorrênciagerarpreçosmenoresdentrodaspropostas?

Paulo:­Poderia,masdentrodessepercentualde3%,2%enãoumpercentualde

500%,massim,correto.

JuizFederal:­Concordemosqueentre1%e20%háumamargemconsiderávelde

valores?

Paulo:­É,agoraaPetrobrastinhaoseuorçamentobásico,eesseorçamentobásico erafeitode acordocom as condições de mercado, entãoquandovocê faziaum

orçamentobásico,chegavaàconclusãoqueesseempreendimentoiacustar1bilhão

dereais,seaempresadesse2bilhõesdereais,alicitaçãoeracancelada,como

váriasvezesofoi

Juiz Federal:­ Então essa margem poderia oferecer 1 bilhão a 1 bilhão e 200 milhões?

Paulo:­Correto,dentrodessamargem.Eprincipalmente,poroutroproblemaquea Petrobrasresolveufazerdessamaneira,etemqueficarclaroisso,aPetrobras resolveufazerascontrataçõessemteroprojetoconcluído.Foiumaopçãoquea Petrobrasteve,nãofoiumaopçãodePauloRoberto,deDuque,deninguém,foi umaopçãodacompanhia.Então,vamosdizerassim,quandovocê temoprojeto todopronto,todoconcluído,vamosdizer,oproblemadevocêterumdesvio,deter umaditivo,deterumasériedecoisaémenor,agoraporquequeaPetrobrasfez isso, porque era importante fazer as obras rápido, porque que era importante,

porqueopetróleotavamaisde100dólaresobarril,entãocadabarrilquevocê

processasse aquieraum barrilamenos que você iaimportar, omercadotava crescendo. Então, as refinarias não foram inventadas por mim, não foram inventadas por ninguém, as refinarias são necessárias, a Petrobras precisa ter novasrefinariaspraatenderomercadobrasileiro."

284. Neste trecho, Paulo Roberto Costa confirma que os contratos celebradosentreaempresaCostaGlobalforamutilizadospararepassedepropina pelaCamargoCorreaaPauloRobertoCosta,apósasaídadestedaempresa:

"Juiz Federal:­ Depois que o senhor saiu da Petrobras, o senhor ainda assim recebeupropinas?

Paulo:­É,quandoeusaídacompanhia,nósfizemosreuniãocomoAlbertoYoussefe

tinhaalgumasempresasqueaindatinhampendênciasdecontratosqueforamfeitos

naminhaépoca,contratospendentesaindaehouve,houverecebimentodaminha

partedealgunsvaloresdessasempresasquetinhamcontratosláanteriormenteà

minhasaída.

JuizFederal:­Essaempresaqueosenhormontou,CostaGlobal,eradosenhor?

Paulo:­Sim.

JuizFederal:­OsenhorrecebeuvantagemindevidaoupropinaatravésdaCosta

Global?

Paulo:­É, a Costa Global, ela teve contratos lícitos, muitos contratos lícitos de consultoria,etambémteveorecebimentodecontratosilícitos,sim.

Juiz Federal:­ O senhor pode me esclarecer comofuncionavaisso?A segunda parte.

Paulo:­Foram fechados contratos com algumas empresas, como se fossem consultoria,praelaszeraremessaspendências.Seriaconsultoria.

Juiz Federal:­ O senhor lembra quais empresas que o senhor fez esse tipo de contrato?

Paulo:­ Camargo Correa, Queiroz Galvão, Engevix, Iesa, acho que foram as principais.

JuizFederal:­Eporqueelespagavamprosenhorseosenhorjátinhadeixadoa

Petrobras?

Paulo:­ Compromissos que tinham sido assumidos anteriormente e resolveram honrar.Podianãohonrar,porqueeunãotinhamaisacaneta,nãoeramaisdiretor, elespodiamnãofazernenhumpagamento,eeunãoiareclamardenada.

JuizFederal:­Algumadelasserecusouapagaressaspendências?

Paulo:­É,essaspendênciasnemtodasforamquitadasintegralmente,porquedepois ocorreuoiníciodaoperaçãoaquiemmarço,marçodoanopassado,nemtodas quitaramaintegridadedoscontratos.Oqueeumelembroaqui,agora,aIesaacho

quepagou3parcelasenãopagoumais,porproblemadecaixadacompanhia,a

Queiroz

JuizFederal:­Mastevealgumadelasque,vamoscolocarassim,quesimplesmente

falou“não,nãovoupagarnadadessaspendências”?

Paulo:­Deixaeumelembrar.

JuizFederal:­Seosenhornãoserecordar,osenhordigaquenãoserecorda.

Paulo:­Énão,nãomerecordo,Excelência.Eulembrosódessasempresasqueeu

lhefalei.Eunãomerecordo.Podeatéterocorrido,masnomomentoeunãotôme

recordando.

JuizFederal:­Euvouinterromperumminutinhoaquipelaextensãodoaúdio.

( )

Juiz Federal:­ 5083258, da Camargo Correa. Consta aqui, dentre os fatos da acusação, que esses contratos de consultoriadaCamargoCorreacom aCosta

Globalconstampagamentosdeoutubrode2012adezembrode2013,numtotalaqui

decercade2.875.000.Essecontratoeleeraumcontratodeumaconsultoriareal

oufictíciapraquestãoderecebimento,comoéqueera?

Paulo:­EudeiumaconsultoriapraCamargoCorrea,issoconstanomeuprocesso dedelação,masagrandepartedessenãofoideconsultoria,foideatrasadosem

relaçãoaantesdeabrilde2012.

JuizFederal:­IssofoifeitoporintermédiotambémdosenhorAlbertoYoussefouo

senhorfezdiretocomaempreiteira?

Paulo:­OAlbertoconversounaépocacomoEduardoLeitee,masaíocontratofoi diretamente com a Camargo Correa. Não houve participação do Youssef nesse processo,sóinicialmentenasprimeirasconversas."

285.Comoadiantado,jánofinaldainstrução,osacusadosDaltondos

SantosAvancini,PresidentedaCamargoCorrea,eEduardoHermelinoLeite,Diretor daÁreadeÓleoeGás,tambémcelebraramacordodecolaboraçãopremiadacomo

MinistérioPúblicoFederal(eventos940e942).

286.Quantoaoscrimesdecorrupçãoelavagem,tambémadmitiram,

emsíntese,opagamentodepropinasempercentualsobreovalordoscontratose aditivos à Diretoria de Abastecimento, a intermediação de Alberto Youssef e utilizaçãodasempresasSankoSidereSankoServiçosparatanto.Cabetranscrever

algunstrechosaindaquelongos(evento878).

287.Nestetrecho,EduardoHermelinoLeiteconfirmaopagamentode

propinasde1%pelaCamargoCorreaàDiretoriadeAbastecimento,inclusivesobre

oscontratosobtidosnaRefinariaPresidenteGetúlioVargas(REPAR)eRefinariado Nordeste Abreu e Lima (RNEST), por intermédio de Alberto Youssef. Teria assumidoafunçãodeefetuaropagamentodaspropinasporsolicitaçãodoacusado João Ricardo Auler, então Vice­Presidente da Camargo Correa. Os valores de propinapagosàDiretoriadeAbastecimentochegaramacercadequarentaesete milhõesdereais:

"JuizFederal:­OMinistérioPúblicoafirmaquehaviampagamentosdevaloresa

diretoresdaPetrobras,osenhorpodemeesclarecersehaviamesmo,comoisso

ocorria?

Eduardo:­ Quandoeuassumiaáreadeóleoegás,aCamargotinhaumcontrato recém­assinado,queeradaREPAR,algunscontratosemandamentoeumcontrato queelahaviaganhoalicitação,masaindanãohaviaassinadoocontrato,queerao daRNEST.Osresponsáveisanterioresnaempresaporessescontatos,fizeramuma reuniãodepassagemdaquiloqueexistia.Entãofoiquandomefoiinformadoque existia uma propina que era paga para a área de serviços e uma propina que deveriaser pagaparaaáreade abastecimento. Propinas essas associadas aos empreendimentosqueaCamargojádetinha,eaquelesqueaindafaltavamassinar, nocasodaRNEST.Ecomoissoestavasendoequacionado,então,porexemplo, paraaáreadeserviços,aCamargojádetinhavárioscontratosjuntoà TREVISOe

PIEMONTE, quesãoempresasdeJúlioCamargo,queseresponsabilizouporfazer essespagamentos.Enoquetangeàáreadeabastecimento,mefoiapresentadoo senhorJoséJaneneeosenhorAlbertoYoussef,osquaisjáestavam jácobravam aCamargo,porqueospagamentosnãovinhamocorrendoporcausadaCamargo.A partirdestemomentoeupasseiainteragircomoAlbertoYoussef,noqualele ajudandoabuscarsoluçõesparaqueopagamentofosseefetivado.