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A

DESCONSTRUÇÃO

DO

EGO

RAYOM RA
DIREITOS RESERVADOS

http://arcadeouro.blogspot.com
  Os prezados amigos leitores entendam essa exposição como um estudo.
Não inventamos nada, trabalhamos sobre conhecimentos esotéricos
objetivos e subjetivos, procurando algumas vezes a visão mais ampliada
possível para um melhor implemento de ideias e criticismos.

   PARTE I                       

  A Desconstrução do Ego pode também significar perfeitamente a sua


“demolição”, ou algo semelhante nesse mesmo sentido. É um processo
paciente e doloroso de desmontagem das estruturas internas do eu
menor, edificadas e fortalecidas por milhões de anos, que tendo chegado
ao seu nadir, não servem mais como antes. O processo já era latente na
Alma com sua visão cristificada e adere ao lado mais sensível do ego.
  Aprofundados esotéricos, ocultistas e gnósticos de todas as filosofias e
linhas do conhecimento, com notórios serviços à humanidade, passam
com a consciência desperta por esses momentos e estágios de
transformações. Esse inevitável processo perdura não unicamente por
uma vida, e nem por uma só das iniciações a que o peregrino
voluntariamente se submeta. É uma ação gradual e permanente, vai de
encarnação a encarnação, vida após vida, em que as estruturas mais
interiores do ego terreno começam a ser movidas, fendidas, tiradas de
suas condições espirituais insatisfatórias para a plenitude do Eu
Superior. Uma a uma essas fortalezas serão, ao término de tudo,
desconstruídas integralmente de suas antiquíssimas bases, para novas e
superiores funções.

  Já dizia Jesus: “Ferirei o pastor e as ovelhas se dispersarão”.

  Esse processo é basicamente atraído pelo Antakarana, a infraestrutura


psicológica do ego humano mobilizadora das energias através dos fios,
tubos ou nadis por todos os corpos do homem. Todo e qualquer avanço
acontecido na lenta evolução espiritual das vidas humanas encarnadas
na Terra, desde as primeiras civilizações lemurianas, decorre sob esse
complexo sistema de intrínseca rede que se expande pelos três principais
níveis da fisiologia espiritual do homem.

  Até mesmo o sistema de chackras, considerado modernamente por


muitos como o principal mecanismo funcional coletor das energias que
permeiam os corpos sutís do ego, devem a continuidade deste seu
processo energético transpositor à rede mais interior e de finíssima
tessitura do Antakarana.

  Pois é justamente a partir do Antakarana que o programa de avanço


psicológico das vidas humanas desenvolve a principal parte de seu
plano, ao permitir aos egos alongar suas experiências desde longínquas
civilizações já desaparecidas, deixando para trás suas limitações.

                            UMA VIAGEM ÀS ORIGENS GENÉTICAS

  Tendo emergido do reino animal para a individualização, as vidas saídas


das “almas grupos” iniciam uma nova escalada como seres humanos.
Sabe-se que seres humanos não foram animais na acepção comum do
termo. O processo experiencial das vidas compreende suas Mônadas e
suas descidas vibratórias de um mundo glorioso de energias e forças em
que o Deus Criador – o Logos – veio manifestar-se através do sistema
solar a que pertencemos. Hoje isso implica em múltiplas e pregressas
experiências de milhões de anos terrenos, pelos reinos sutís e
superiores, e também em suas cíclicas passagens pelos reinos inferiores,
o mineral, o vegetal e o animal e depois pelo quarto reino, o humano,
esses quatro, neste período evolutivo, em dimensão última, condensados
na matéria física planetária. 
  Essa ideação, evidentemente estribada nas experiências passadas em
dimensões diversas de nossa cadeia planetária, conclama a que
esclareçamos um pouco mais a maneira em como o homem em formação
veio absorvendo suas experiências desde acima até os reinos inferiores
da Terra, não tendo sido no mundo físico denso uma rocha, uma árvore,
ou um dinossauro, como tantos espiritualistas imaginam.

  Um pouco mais de abrangências e indicações de fontes sobre o assunto


o leitor poderá encontrar em nossas obras “O Monoteísmo Bíblico e os
Deuses da Criação – segunda parte”, e “No Arco das Iniciações”,  nos
respectivos links. 

https://pt.scribd.com/doc/22571089/O-MONOTEISMO-BIBLICO-E-OS-
DEUSES-DA-CRIACAO
https://pt.scribd.com/doc/32499769/NO-ARCO-DAS-INICIACOES

  Cabe-nos, entretanto, tentar explicar neste pequeno espaço, como


nossas vidas sutís, no alvorecer de nossas existências no sistema solar,
desde quando as Mônadas – nossas vidas maiores no Plano de Deus –
fizeram-se descer em projeções como imagens de si mesmas pelos ainda
inóspitos planos, respondiam sem a consciência propriamente formada,
muito menos individualizada. Pois como pequenas vidas ligadas às
nossas particulares Mônadas, sem nada conhecermos e através de
estruturas em nossos corpos energéticos, auferíamos experiências no
arco de descida pelos planos ou dimensões de Deus. Os inteligentes
átomos – pequenos espelhos do Criador – denominados átomos
permanentes, conformavam Tríades nas manifestações das Mônadas.

  Aqueles átomos permanentes, pelos seus poderes magnéticos


superiores aos demais átomos de suas próprias dimensões, os atraíam
aos bilhões, agregando-os para as conformações de corpos – que ainda
nessa fase seriam mais envoltórios do que propriamente corpos –
segundo a ideação Divina e leis cósmicas. Mais adiante, as Mônadas se
manifestariam com seus poderes por essas nossas pequenas vidas
quando seus devidos tempos tivessem chegado.

  Fomos então constituídos, cada um de nós original e estruturalmente,


por duas Tríades: uma que abrangeria nosso embrionário Eu Superior e
seus corpos, não necessariamente só três corpos, mas também uns
intermediários, outros transitórios e conformadores de pontes – entrando
nesse fantástico diagrama energético o Antakarana e nossa mais alta
expressão abaixo da Mônada, a Alma Espiritual – e também o ego inferior,
ou eu-personalidade formado pela Tríade inferior. Essa segunda Tríade
deteria uma pequena modificação: fora formada somente por dois átomos
permanentes, pois o terceiro elemento seria uma unidade mental e não
um átomo permanente. A unidade mental, tendo também poderes, porém
menores que de um átomo permanente, de constituição diferente em
relação aos dois átomos, é a base de todos os elementos intelectuais do
homem.
  Assim, nessa perspectiva, as primeiras experiências sensoriais do ego
viriam ser coletadas pelas Tríades inferiores operando nas almas-grupos
constituídas por vidas de reinos. As Tríades vibravam respectivamente
em conjuntos de sete, segundo cada raio de Mônada. Todo esse
mecanismo foi possível pelo mergulho das vidas em turbilhões
coordenados de energias e forças denominados Rondas, a partir das
quais, em seus propósitos e circunstâncias, as Tríades se situariam em
esquemas criativos, e essas Rondas, assim existindo, criavam e
povoavam os mundos criados.  Dessa maneira, as Tríades superiores em
seus mundos absorveriam as experiências dos mundos abaixo através
das Tríades inferiores. Estas últimas, já pairando sobre os reinos
materializados que conhecemos, mergulhadas no interior de almas-
grupos dos reinos, que eram como grandes células energéticas num
espaço dimensional muito próximo das formas físicas, mantinham-se
ligadas vibratoriamente àquelas vidas dos reinos animando-as.

  Assim foi com as Tríades absorvendo experiências processadas por


almas-grupos nos reinos mineral, vegetal e animal, através de muitos
milhões de anos, segundo características e objetivos de cada reino e a
natureza de sua matéria física. As duas primeiras Rondas não desceram
até a matéria física sólida porquanto não havia ainda orbes físico-densos
em nossa cadeia naqueles períodos. Esse processo completo somente
aconteceu a partir da terceira Ronda. Até então, os reinos eram
primitivamente constituídos de matéria dos planos mais acima ao físico,
com formas e formatos gerais numa condição ainda de gestação.

  Ademais, por esta síntese, podemos aduzir que nos encontramos na


quarta Ronda de uma cadeia de sete planetas, dos quais a Terra é um
deles neste sistema solar em que vivemos. Essa quarta Ronda é a mais
material de todas, onde os quatro reinos alcançam mais densamente a
Terra e nesse nosso planeta abrangem a quase totalidade das vidas da
cadeia. Não iremos tirar ilações de outro sistema solar anterior ao nosso,
onde esse mesmo processo aconteceu e os objetivos seriam outros para
as vidas humanas lá encarnadas. Aqui, nesta cadeia, provavelmente
bilhões de almas provindas daquele primeiro sistema solar continuam
ainda reaprendendo suas lições. Fiquemos nesta citação, pois muitos de
nós somos Mônadas mais jovens que passamos por essas experiências
da criação somente no atual sistema solar.

  As Tríades, portanto, foram lançadas para grandes células, chamadas


genericamente de almas-grupos, cuja matéria formada de essência
elemental e também atômica em três respectivos anéis ou capas
protetoras, recebiam--nas em seu interior. Como dissemos, essas Tríades
juntas, e muito próximas vibratoriamente dos reinos, absorviam suas
necessárias experiências energéticas repassando-as às Tríades
Superiores para seguir em frente no processo evolucionário.
Logicamente, todo esse processo maravilhoso, incrivelmente
engendrado, bem mais complexo e detalhado do que aqui apresentado,
não poderia ser espontâneo sem um mecanismo preestabelecido pela
Vontade e Inteligência de um Criador. Aquilo que os materialistas
chamam de gerações espontâneas não existem nem nas formas sutis
superiores, que eles desconhecem, e nem nas formas densificadas do
mundo físico. Tudo obedece a uma cronologia divina que ao seu devido
tempo virá gerar as transformações e os resultados almejados.
 
  Desse modo, houve o trabalho em prováveis bilhões de anos terrenos,
considerando-se que no espaço-tempo dos planos ou dimensões acima
do esquema físico, (1) os parâmetros de uma computação terrena não
existem, vivendo-se lá o chamado “não tempo”. Pelo que sabemos, o
passado, o presente e o futuro no não-tempo se somam em ciclos sempre
atuais e essa interação é somente entendida pela consciência em um
estado muitíssimo exaltado e abarcante. Assim, torna-se impossível
calcularmos com aproximação, muito menos com exatidão, a extensão
temporal desses acontecimentos através de nossos parcos instrumentos
físicos aferidores do tempo terreno segundo nossas convenções.

  (1) Esotericamente, o esquema físico de nossos mundos é formado


pelas dimensões conhecidas mais comumente como planos: físico
denso, físico etérico, astral e mental concreto, onde o ego ou eu-
personalidade se desenvolve e evolui. [Rayom Ra]

  As formulações de grupamentos de vidas e abrangências foram então


colocadas em execução pelas chamadas Hierarquias Criadoras a mando e
auxílio do Grande Plano de Deus.

  Ao individualizarem-se, passando do reino animal ao quarto reino,


através de outro processo de aproveitamento das energias elementais
animais daquele reino, as mesmas vidas estruturadas em Tríades, sendo
agora animais-homens, não conseguiam ainda se estabelecer sem
caminhar unidas e constituir famílias ligadas por mesmos instintos,
qualidades energéticas e veiculadas memórias. Seguiram-se então
milhões de anos desde que as vidas monádicas individualizadas entraram
no mundo físico no continente da Lemúria e mais tarde no continente de
Atlântida.

  Vamos desmembrar um pouco mais esta síntese do processo evolutivo,


a partir desse ponto. Os animais-homens alcançaram com o tempo o
status de homens-animais, finalmente chegando a homens. Pouco a
pouco, afastando-se cada vez mais das reações totalmente instintivas,
foram trabalhando seus corpos sutis, ou melhor, os descortinando
daquelas energias que os envolviam e os retinham, e com essas ações
inconscientes acentuavam seus pré-formatos ou modelos preexistentes.
Contudo, essa mesma grande massa de seres humanos que hoje
constitui as diversas camadas sociais inferiores da população planetária,
na verdade não pode ainda, tecnicamente falando, na sua quase
totalidade, ser definida como egos. São vidas atrasadas em nosso
contexto evolutivo comparadas a outras vidas mais experientes com egos
já formados.
  Em cadeia anterior, a terceira, o planeta Lua representou, em seu ciclo
temporal, o que a Terra hoje representa nessa nossa quarta cadeia
planetária. Ou seja, a Lua era o centro e foco principal da evolução de
quase todas as vidas e reinos da cadeia, e seu aspecto físico era o mais
material da terceira cadeia naquele período. Os egos adiantados, os
atrasados, os homens-animais e animais-homens atrasados e adiantados,
todos os demais animais bem como uma gama imensa de vidas dos
reinos mineral e vegetal foram então transferidos para a cadeia da Terra,
para a continuidade de suas etapas evolucionárias em nossa quarta
Ronda.
  Dessa maneira, milhões de egos já formados na Lua, que lá constituíam
elites, prosseguiram em suas evoluções na Terra. Alguns chegaram ao
mestrado da Grande Fraternidade Branca e, portanto, foram vidas que
avançaram para além de seus egos. Bilhões de outras vidas humanas
chegaram aqui a construir definitivamente egos, enquanto bilhões de
vidas animais lunares que se adiantavam na Lua formam hoje camadas
humanas mais atrasadas que ainda não são egos propriamente, pois
individualizaram no período lêmure-atlante. Animais hoje existentes na
Terra são uns do período lunar quando eram muito atrasados e outros
que são produtos de nosso próprio período terrestre.

  Os números de vidas humanas viventes na Terra não detém um censo


exato para estudantes do ocultismo. Segundo revelações que nos
chegam de outros planos, há um total de 22 a 25 bilhões de almas
inclusas no processo evolutivo atualmente em curso no planeta Terra
somando-se nisso almas encarnadas e não encarnadas. Dentre essas,
parece existir dentre 10 bilhões de almas mais avançadas, as almas
missionárias não pertencentes ao processo evolutivo da Terra ou a sua
cadeia planetária.

  A questão de vidas atrasadas e adiantadas nos três reinos inferiores sob


o enfoque da evolução, conforme abordamos esotericamente, dizem
respeito às qualidades energéticas incorporadas às formas de vidas dos
reinos, que avançam em direção a novas experiências em seus campos
primitivos de manifestação. Se as Tríades inferiores não respondem
adequadamente às experiências que estão obtendo de um coletivo de
vidas do reino, não estando a acontecer o sinergismo aproveitável entre
as almas-grupos de reinos e as Tríades, então há algo errado no
processo. A grosso modo, as vidas de que tratamos compreendem as
unidades dos reinos, por exemplo, pedras, plantas, animais em suas
vastas categorias e diversidades de espécies que estão animadas pelas
essências chamadas elementais e atômicas das almas-grupos. Portanto,
são essências energéticas que acumulam experiências através das
formas e vão se qualificando, ao mesmo tempo em que cumprem seus
papéis nos reinos e nunca, em futuro, serão exatamente seres humanos,
pois jamais deixarão de ser aquilo para o que foram temporariamente
criadas.

  Cada tipo básico de alma-grupo está envolto por uma capa respectiva a
um dos três reinos: mineral, vegetal ou animal. Temos, nesse sentido, da
mais interior para a periferia, a presença inicial da essência mental
elemental que conduzirá as reações do reino animal; em seguida, da
essência elemental astral que conduzirá as reações do reino vegetal; por
último, da matéria atômica etérica, responsável pela condução dos
impactos vibratórios sofridos pelo reino mineral.

  Assim, em todo o processo, as Tríades inferiores são lançadas do


interior de suas três capas protetoras que possuem formatos – por
exemplo, de anéis concêntricos – para dentro das gigantescas células
dos grupamentos dos reinos, e dali absorvem das experiências das
espécies, conectando-as com as Tríades Superiores. Findas suas
passagens pelo reino mineral, dissolve-se a capa de matéria-essência
daquele reino, de cada respectivo grupamento de Tríades, indo elas para
o reino vegetal e depois ao reino animal, perdendo consecutivamente em
cada um desses reinos as outras capas em processo idêntico ao descrito.

  Em regra geral, quando essas essências que se adiantam passam de um


reino para outro, independentemente das Tríades que fazem o papel de
hóspedes das almas-grupos das espécies, elas deixam atrás de si as
formas que continuarão animadas pelo quantum elemental que
permaneça atrasado no mesmo reino. E o reino, numa nova encarnação
da cadeia com novas outras sete Rondas estará, dali para frente, somado
em maior quantidade de essência elemental provinda do reino anterior.
As diversificadas qualidades daquelas essências que são transferidas
para outro reino dependem daquilo que conseguiram adicionar nos reinos
em que anteriormente se manifestaram e assim avançam para novas
experiências noutro reino.

  Esse é um processo padrão levado a efeito após as passagens das sete


Rondas, que representam uma encarnação da cadeia de sete planetas, e
vem deter antes de nova encarnação da cadeia, um descanso de todas as
vidas de reinos, no que é chamado de “Pralaya da Cadeia’’. Os avanços
de vidas de reinos – as essências elementais e atômicas – podem
acontecer excepcionalmente antes de se completarem as sete Rondas ou
aquela encarnação da cadeia. Esse quanta de vidas que se adiantam nos
seus respectivos reinos antecipando seus tempos naturais de progresso,
ao adentrarem no reino seguinte numa Ronda, ocuparão as últimas
posições nas escalas de aproveitamentos daquele reino, iniciando ali
novas e diferentes experiências. Do mesmo modo, ao início de nova
encarnação da cadeia, consistindo de outras sete Rondas, todos os
produtos de uma encarnação anterior da cadeia que foram bem
sucedidos nos seus respectivos reinos que deixaram para trás,
começarão nas últimas posições de um novo reino, na sequência mineral-
vegetal-animal, atrás daquelas vidas que permaneceram atrasadas nesse
mesmo reino, evidentemente por não terem cumprido seus tempos com
bom aproveitamento. Assim se cumpre a perene fórmula: os mais
adiantados de um reino iniciarão no reino seguinte como os mais
atrasados.

  Quando os conjuntos de essências elementais e atômicas (2) de vidas


dos reinos não conseguiram avançar em seus campos de manifestação
que animam as diversidades de formas – pedras, plantas, animais – diz-se
que se atrasaram naquela espécie ou família e irão sempre incorporar
formas iguais ou semelhantes até conseguirem se desprender desse
“carma”. Nesses casos é provável que retenham aprisionadas também as
Tríades durante pelo menos um tempo em que decorra as necessidades
básicas delas na captação daquelas experiências, atrasando-as. E não
sabemos se os operários da natureza conseguirão deslocar as Tríades
dali retidas para novas situações de avanços, sem prejuízos das
anteriores experiências não completadas.
  (2) A essência-matéria dos três reinos não humanos evidentemente
possui átomos. Ao dizer-se essência atômica nessa narrativa é para
ressaltar o imanente poder da matéria atômica do reino mineral. Portanto,
tenha o leitor em mente que a essência-matéria do reino mineral é
atômica, relativa ao plano etérico. As outras duas essências elementais
dos reinos vegetal e animal vibram respectivamente com seus átomos
nos planos astral e mental. (Rayom Ra).

  Em relação aos animais, nem sempre suas energias-almas se


dissolverão no caudal das respectivas almas-grupos como costuma
acontecer com as vidas dos reinos anteriores findas suas experiências
momentâneas. Há animais que se tornam muito inteligentes, afeiçoados
aos donos, ou mesmo adestrados por profissionais. E no plano astral
continuam a viver e acompanhar os donos e amigos em suas atividades
pós-encarnações.

  Então, simplificando: todas as vidas de Mônadas chegam ao reino


humano por  Tríades inferiores, mas são as essências elementais e
atômicas de todos os reinos operando nas suas respectivas formas
densas, desde acima em dimensões etérica, astral e mental, que
contribuirão na formação dos corpos de futuros egos no momento das
individualizações animais. Essas etapas de individualizações não
delinearemos aqui nessa síntese bastante modesta por serem muito
detalhadas e complexas. O leitor interessado poderá consultar as obras:
“O Corpo Causal e o Ego” e “O Sistema Solar”, por A.E. Powell de onde
obterá uma visão bem mais ampliada desses processos.

  Voltando para as vidas humanas, eis a questão: mas que seria um ego?
No conceito esotérico, bem diferente da psicologia acadêmica, um ego é
uma vida humana que tem os seus quatro veículos, o físico, o etérico, o
astral e o mental pelo menos em razoável funcionamento embora nem
sempre em harmonia. Todas as Mônadas que chegaram ao reino humano
possuem esses corpos, porém nem todas, ou seja, bilhões dessas
moradoras de nosso globo, não os têm ainda satisfatoriamente
desenvolvidos. Devido a isso, muitos corpos formadores do ego estão em
estado interior latente, mostrando somente estrias matizadas com pouco
brilho.

  Esses humanos atrasados, e os de muitas etnias tribais selvícolas,


aborígenes e outras – povos primitivos, enfim – possuem seus corpos
sutís igualmente sem brilho ou com luzes opacas. Numerosas vidas de
muitos grupamentos étnicos os possuem sem definição, deixando ali
entrever não terem ainda alcançado valores maiores que os
impulsionassem para uma consciência mais apurada. Criminosos os têm
também sem definições claras, borrados com energia em cores escuras e
pegajosas, estando neles agregadas outras formas horrendas, como
horrendos são os seus pensamentos e ações.
  Esse quadrado, físico-etérico-astral-mental, denominado personalidade
pela terminologia esotérica moderna, é também de muitas maneiras
chamado de alma. Porém, se entendermos que Alma é infinitamente mais
do que esse pequeno eu-personalidade, entenderemos também que
haverá dois egos, um maior e outro menor. Mas em verdade, não há duas
almas, porém uma só em níveis diferentes para servir as necessidades da
evolução humana. E o ego inferior pode ser também considerado um
símbolo, uma sombra do Eu-Alma. O eu-personalidade, em seu íntimo, via
de regra, sentirá ainda ecoar por centenas de encarnações o forte instinto
animal e trará sempre a essência elemental astral dos desejos
imperfeitos. Da mesma maneira, a substância de manas, formadora da
mente intelectual, que em diversos níveis é egoísta e separadora, se fará
também presente em seus pensamentos objetivos e subjetivos, até que o
eu-personalidade complete seu ciclo de libertação.

  A Alma verdadeiramente pura e imaculada está vibratoriamente mais


acima, em sua própria morada, interligada ao Eu Sou do Deus Criador, e
traz com ela outros atributos que nada têm a ver com a personalidade
humana. A personalidade conduz a essência atômica e a elemental e as
modela segundo suas inclinações, entretanto essas essências são parte
de Anima Mundi, a Alma Universal que a todas as almas contém. A
personalidade poderá incorporar os atributos que a alma manifestada na
Terra potencialmente possui, e ao purificar-se de suas impurezas até um
determinado grau avançará no caminho de sua emancipação.

  Definir a Alma é como tentar definir um oceano e o que ele guarda nas
profundezas, quando conhecemos somente uma porção superficial de
suas águas. Vamos ilustrar esse trabalho com a citação de três definições
de alma das muitas encontradas no livro de A.A. Bailey, as melhores que
conhecemos, em que é dito:

  “A palavra alma emprega-se também para designar a soma total psíquica


– o corpo vital, a natureza emocional e a substância mental, mas é
também mais do que isso, uma vez que se chegou à etapa humana;
constitui uma entidade espiritual, um ser psíquico consciente, um filho de
Deus que possui vida, qualidade e aparência, uma manifestação única;
em tempo e espaço, das três expressões da alma que acabamos de
definir:”

  1. “A alma de todos os átomos que compõem a aparência tangível.” –


portanto o corpo físico biológico [Rayom Ra].

  2. “A alma pessoal ou a soma total sutil e coerente, a que chamamos


Personalidade, composta dos corpos sutis etérico ou vital, astral ou
emocional e o mecanismo mental inferior. Esses três veículos têm
semelhanças com os do reino animal no que respeita à vitalidade,
sensibilidade e mental potencial; com o reino vegetal no que se refere à
vitalidade e à sensibilidade e com o reino mineral no que respeita à
vitalidade e sensibilidade potencial.” – portanto o ego inferior [Rayom
Ra].
  3. “A alma é também o ser espiritual ou união da vida e da qualidade.” –
portanto o ego superior [Rayom Ra].

  E, “Quando se estabelece a união das três almas, assim chamadas,


temos um ser humano.” - portanto, a perspectiva do Homem Total [Rayom
Ra].
                         (Tratado Sobre os Sete Raios, por A.A. Bailey).

  Temos a considerar que a inclusão de o corpo físico biológico nessa


composição tríplice da alma, é devido ao fato de que a matéria possui
qualidade de energia intrínseca à sua própria condição e natureza. Temos
dito que a personalidade é composta de quatro corpos básicos, o físico, o
etérico, o emocional e o mental, o que tem sido comumente admitido,
uma vez que nessa acepção a forma física biológica é um veículo
considerável e importante, sem o quê a alma em seus diferentes aspectos
não atuaria na Terra como ego potencializado na forma.

  No entanto, sabemos que o corpo físico, composto basicamente de


elementos sólidos, líquidos e gases, não tem volição alguma e não se
manifesta a não ser ao comando da mente atuante sobre as diversas
áreas do cérebro. Recordamos aqui uma das definições de anima mundi
ou alma universal, extraída da página 84 de nossa obra, O Monoteísmo
Bíblico e os Deuses da Criação:

  “Há, necessariamente, uma ação inteligente e seletora agindo em todas


as espécies, identificada pelo inato impulso do Logos ou Deus de nosso
Sistema Solar vivente na alma universal. Essa alma universal, anima
mundi, responsável por continuamente imprimir em todos os átomos de
todas as células dos seres viventes, a mensagem da vida qualificada do
segundo aspecto do Logos, é o véu ou manto que se estende e se
entremeia no oceano etérico do universo, e que vem também coexistir e
sustentar, nas formas organizadas, a mensagem evolucionária.

  Na realidade, anima mundi já nasceu com o Logos, mantendo-se em


permanente sintonia com a cronologia planetária reguladora dos avanços
cíclicos das múltiplas vidas de todos os mundos.”

                                                    PARTE II

  E antes de prosseguirmos, entrando agora com poucas pinceladas no


tema de iniciados e iniciações, destacamos que muito do assunto já foi
incrivelmente revelado e desmembrado pelas elucidações de Mestre D.K.,
através da pena de A.A.Bailey em suas extraordinárias obras. Estaríamos
sendo inúteis se estivéssemos unicamente a transcrever ipsis litteris ou a
repetir com nossas próprias palavras o que já foi dito com toda a
propriedade da sabedoria iniciática que Mestre D.K. representa.

  O tema até agora tratado com menor abrangência, como não podia
deixar de ser pela natureza e limitações desse trabalho, detém
ensinamentos tanto de Mestre D.K., como divulgados pela Teosofia.
Continuemos nessa mesma linha, porém contaremos com outras
abordagens do conhecimento esotérico, buscando descrever ou analisar
fatos que possam levar a novas reflexões antes não despertas. Nos
sentiremos úteis se assim conseguirmos segundo nosso conhecimento.

  Nesta segunda parte vamos então tratar de alguns momentos


importantes da alma, em que bilhões delas de diversos escalões mais
adiantados do que as grandes e infindáveis multidões planetárias, se
veem aproximando de significativos marcos em suas caminhadas. Esses
momentos, é bom esclarecer, são aqueles em que as Mônadas, tendo
trabalhado persistentemente sobre seus veículos, encarnação após
encarnação, precisam agora orientar a fim de que uma vida de melhor
qualidade espiritual não sofra solução de continuidade. É necessário que
as almas ultrapassem átrios conducentes a vias cada vez mais
significativas, em que as novas e consistentes situações estimulem
dinâmicas mentais e espirituais até então desconhecidas às suas
consciências. Porém, as dificuldades são maiores e há abismos e
abrolhos pelos caminhos.

  Vale ressaltar que mais de um bilhão de vidas, ao longo das décadas,


vêm cruzando um primeiro átrio, por conta dos avanços mentais e
polarizações emocionais que alcançaram através de profissões como:
educação, pesquisas científicas, medicina, política, filosofias, artes;
atividades filantrópicas e muitas outras, não sendo necessariamente,
neste estágio, conscientes de seus avanços e nem das provas a que são
submetidas. Outras dessas vidas que se prepararam conscientemente
através dos caminhos das ciências espirituais têm sabido que esse
momento representa a continuidade de um passado nessa mesma trilha,
segundo seus adiantamentos na senda. Outro, provável, bilhão de vidas,
vem mais atrás se aproximando desse primeiro coletivo, havendo
unicamente perspectivas de alcançá-lo. Mais distante, vem caminhando
enorme onda da população comum mundial, contando bilhões de
pessoas, sem chances de alcançar nessa época outro degrau planejado
para suas evoluções. Desses, um número reduzido permanecerá na vida
planetária, após a limpeza do orbe.

  Consideremos sob um olhar honesto e sem sentimentos


discriminatórios que as religiões do passado proporcionaram passos
necessários às Mônadas jovens, e novos despertares para as mais
velhas. Essas últimas, cujas almas recalcitrantes de infinitos ciclos têm
se mantido nesse caminho e tendo falhado seguidamente, não
alcançaram ainda a libertação da roda reencarnatória na Terra.
Entrementes, elas se misturam com almas de Mônadas mais jovens e de
muitos modos suas almas ajudam as mais jovens com suas experiências,
enquanto elas, as mais velhas, resgatam suas dívidas contraídas com as
leis da natureza de que são transgressoras.

  Não obstante, os passos mais conscientes em direção ao


autoconhecimento não conduzem diretamente aos templos religiosos sob
todos os tipos de unções, dogmas, credos, liturgias ou sacramentos.
Essas vivências, no âmbito religioso, serviram e ainda servem nesses
tempos para bilhões de pessoas que delas necessitam, e para esse fim as
religiões trabalham seus derradeiros momentos cíclicos em
adestramentos evangélicos, em disciplinas, em proteção às investidas
dos poderes malignos, no reconhecimento e respeito ao Todo-Poderoso e
à sua portentosa obra. Hoje, encarnam-se nas religiões em números
simultâneos, almas-diretoras obreiras mais avançadas espiritualmente
nessas lides, a fim de, através dos diversos cultos e lições, auxiliar
religiosos nas ações cármicas o mais depuradoras, rápidas e
conscientizadoras possíveis, apesar das crises e escândalos dessas
entidades em momentos realmente conflituosos.

  Sem entrarmos nos méritos e deméritos dos arautos e seguidores da


Nova Era e nas análises das ações nefastas da Nova Ordem Mundial,
vamos nos reportar aos egos que tenham cruzado o átrio, resultado de
seus estudos, disciplinas e práticas ocultistas ou esotéricas mais
comuns, e também por conta de suas visões e experiências sistemáticas
dos planos internos.

  Ressaltemos, no entanto, que do grande leque de praticantes do


ocultismo em ordens, fraternidades, associações, escolas de mistérios e
do esoterismo geral e virtual, aqueles que fazem de suas vivências nestas
áreas os seus sagrados rituais, práticas e estudos, um percentual
pequeno pode agora representar a categoria de iniciados realmente
incorporada de forças assistenciais de curas e de aprofundados
conhecimentos da magia oculta. Pois isso requer alguma bagagem
pregressa de significativas obras e um vínculo com certas forças
iniciatórias que representam Shamballa no mundo, sob os olhares da
Confraria Branca. E nunca é demais lembrar que um percentual ainda
mínimo, representado por pouquíssimas vidas obreiras em cada
continente é, verdadeiramente, de discípulos da Grande Fraternidade
Branca Universal.  Esse status é por demais difícil alcançar, requerendo
muitas encarnações sacrificiais com reais aprendizados, severas
purificações e constantes e frutuosos serviços em favor da humanidade.

  Portanto, que se descartem as ilusões – muitas vezes colocadas nas


mentes dos irmãos de ideais nobres pelos iniciados da via da mão
esquerda – de estarem entrando para as cadeiras do Grande Conselho da
Fraternidade Branca Universal como membros consagrados, e continuem
seus trabalhos com inteira humildade ao comando de orientação maior.

  Lembremos, também, que a passagem pelo átrio do plano etérico dessa


grande onda mundial de almas orientada pela Fraternidade Branca,
apesar de serem eventualmente captadas vidências, impressões mentais
ou sonhos, envolvendo rituais de consagrações, num outro sentido
evidencia decididamente um simbolismo.

  Nessa mesma perspectiva, sob as normativas das diversas religiões


mundiais, há rituais iniciatórios sacerdotais, como também na Umbanda,
nos grupamentos Xamânicos e semelhantes, e naqueles de tradições
muito antigas de povos atlantes e sumério-atlantes, onde se incluem
tribos indígenas remanescentes de subraças e ramos daquelas
longínquas culturas, espalhadas por todos os continentes. São rituais de
tradições milenares ainda mantidos e observados pelos Mestres da
Magia. Grupos espíritas de várias denominações pouco ou nada realizam
destas consagrações, e quando acontecem são no plano etérico sob a
condução de um Mestre ou iniciado de grau elevado. Haverá outros nesse
mesmo diapasão.

  Os mistérios da alma estão diretamente conectados com o Ego Superior


e com o ego inferior em suas dimensões respectivas. As etapas das
desconstruções de ambos os egos não acontecem simultaneamente em
mesmos níveis, porém próximas no tempo de suas realizações, pois na
medida em que o ego inferior passa por uma das etapas de suas
transformações e de fato a realiza com sucesso, há a morte de alguns de
seus ideais na matéria e a liberação de um quantum da Luz do Espírito
para outro nível mais elevado. Essa libertação parcial da Luz do Espírito
até então prisioneira das correntes da matéria virá também se adicionar
para o início ou prosseguimento da desconstrução de certo modus
operandi também do Ego Superior, em função daquilo que o ego inferior
vem realizando para sua libertação da Terra.

  Embora desejemos abordar algumas transformações do ego em seus


momentos de morte, não podemos deixar de anotar informações e pistas
deixadas sobre as também agonias nele refletidas, do processo
acontecido nas alturas do Eu Superior ou Alma, onde nas etapas das
iniciações maiores ele vai cada vez mais desconstruindo seus veículos.
Essas mortes causam agonias na personalidade, como Jesus bem
descrevia.  E quando antes dizia que seu momento não havia ainda
chegado, referindo-se ao momento de sua crucificação, simbolizava
também a crucificação espiritual mais elevada.

  O que Jesus ensinou aos seus seguidores de modo simbólico e fez ouvir
aos desafetos e ateus, permanece a desafiar as mentes religiosas,
ocultistas ou esotéricas para que atentem ao verdadeiro significado:

“Lembraram-se os seus discípulos do que está escrito: o zelo da tua casa


me consumirá. Perguntaram-lhe, pois, os judeus: que sinal nos mostra,
para fazeres estas coisas? Jesus lhes respondeu: Destruí este santuário,
e em três dias o reconstruirei (...) – João 2:17,19.

  Evidente que Jesus falava da via interna que todos nós precisamos
percorrer – o templo interno conforme religiosos e esotéricos assim
entendem. Porém, os três dias são três iniciações em dois significados
distintos: um menor e outro maior. O menor diz respeito às duas
primeiras iniciações de um seguidor ou discípulo, diferentemente
daquelas iniciações menores em ordens e fraternidades da Terra. A
primeira dessas iniciações para aqueles que vêm cruzando o primeiro
átrio e passam agora a recolher em suas almas nova vivência interior
mercê de seus esforços no mundo das atividades físicas, e,
principalmente, da realidade espiritual, significa uma expansão de
consciência, conforme já mencionamos.

  O mundo mudou muito da metade do século XX em diante e hoje no


século XXI estamos a presenciar coisas aterradoras lado a lado com
eventos magníficos. A Terra está passando por uma metamorfose que a
vira de cabeça para baixo. No entanto, as almas amadurecidas que
perseveram firmes não ficam tontas por essa virada de horizonte e se
mantém no caminho do equilíbrio e do bem.

  Porém, daí em diante todo esse enorme coletivo de almas que vem
atravessando esse primeiro átrio continuará a dividir-se em várias linhas
de ação na vida objetiva, e em futuras encarnações se polarizará a novas
aspirações a fim de alcançar outros resultados mais significativos para
suas vidas interiores.

  Reportemo-nos uma vez mais ao que já dissemos aqui e noutros


trabalhos acerca de nossos tempos atuais sem desconsiderar as
tradições iniciáticas:

  “Sabem os esotéricos que sob o longínquo período Lêmure-Atlante o


grande enviado Vyasa comandaria a individualização animal – o
renascimento do animal evoluído para a condição de animal-homem.
Hércules abriria o caminho para o discipulado, demonstrando isso nas
alegorias de os Doze Trabalhos que conduzem à primeira iniciação;
Krishna mostraria os caminhos para a segunda iniciação, Buda ensinaria
o caminho da Iluminação e Cristo abriria as portas para a terceira
iniciação.  

  Nesse aspecto, tanto no passado quanto no presente o mestre sempre


encontrou o discípulo em qualquer latitude planetária e o discípulo veio
conscientemente ao encontro do mestre. Essas iniciações representam
sucessivas expansões de consciência por renascimentos simbólicos em
direção ao Homem Total, embora com reais sofrimentos, e os iniciados a
partir desses momentos galgam posições acima da roda da humanidade
comum.

  Com a vinda de Sanat Kumara de Vênus, os períodos de grandes Eras


Astrológicas desde a Fundação da Hierarquia Planetária continuariam a
influenciar as etapas previstas para o Grande Plano da Criação em nosso
planeta como centralizador de sua cadeia, mas tomariam um novo e
revolucionário impulso instado por S.K. e seus budas. Adiantamo-nos
consideravelmente e hoje entramos numa era preciosa em relação aos
destinos da humanidade, pois a média evolucionária de bilhões de almas
começa sobremodo a avançar sob o ângulo de seu desenvolvimento
astral, psíquico e principalmente mental-intuicional. A potência das
vibrações da era aquariana atrairá as almas que acabam de ultrapassar os
umbrais da Era de Peixes e os retardatários da Era de Áries em todas as
atividades humanas e do saber que conseguiram despertar e avançar
habilitam-se a intentar um impulso maior em suas atividades mentais e de
percepção consciente de outra realidade, anelada a uma Nova Era.

  Esse grande número de almas que ao longo dos anos esteve passando
por um estreito portal, contudo não terá ainda noção clara do que
representa o processo iniciático, mas simplesmente seguirá inconsciente
de ter sido trazido para uma polarização do quarto e quinto planos de
nossa escala vibratória planetária e humana, principalmente do quinto
que revelará a construção final em coletivos da ponte do pensamento
concreto para a percepção intuitiva.

  O processo já demanda milhões de anos desde suas bases inferiores


relativas aos corpos astrais e mentais das raças. Já os aspirantes
conscientes dos métodos iniciáticos, embora sem saber como
exatamente venha acontecer a iniciação, continuarão obrando
sistematicamente junto a humanidade em seus grupos de trabalhos, e
através de seus estudos, dedicação e passos reais estarão em
permanente contato direto com os núcleos (ou ashrams) comandados por
seus mestres ou mantidos em atividades por discípulos graduados. Sobre
os ombros desses conscientes trabalhadores repousa a sabedoria das
eras em crescentes transmutações para o presente”.

  Pois bem, chegamos agora ao momento em que observamos a grande


crise planetária quando esse nosso globo se prepara para outra de suas
iniciações. Aliás, todo o sistema solar purga nesse instante suas dores ao
crepúsculo de nova iniciação. O Logos Solar vê aproximar-se o conúbio
com seu complemento físico e espiritual na figura de outro Sol de outro
sistema solar. Essa aflição do astro maior não é comparável a nenhuma
outra de qualquer planeta de nossa cadeia, nem das demais 9 cadeias que
fazem parte de seu campo de manifestação, notadamente 7 dessas 10. E
não poderia ser diferente. Os próximos tempos futuros testemunharão
essa mega efeméride e os astrônomos materialistas ficarão atônitos para
entender e explicar o porquê desse processo, tal a profusão de energias e
forças que o conúbio provocará para o sistema solar. Isso afetará a
outros sistemas solares, pois sabemos que o nosso é parte de um
esquema de sete outros sistemas.

  Isso comprova que o universo mantém uma razão análoga com todas as
suas forças e expressões de vidas em qualquer plano ou dimensão. Seria
como uma magna sinfonia em que nenhum acorde pode destoar a fim de
não provocar a desafinação de um pequeno trecho da ordem melódica. O
Sol é a maior e mais poderosa Entidade do sistema solar. Nosso sistema
solar é a entidade maior na concepção e ordenamento de leis cósmicas
que aqui o Logos materializou e tende sempre a reconstruir. Uma cadeia
planetária composta de sete planetas na concepção oculta e esotérica é a
entidade maior no seu significado funcional e abrangente. Um planeta é a
entidade maior dentre todas as entidades, ou pequenas vidas que
habitam a cadeia. E o homem é a entidade coletiva maior dentre todas as
entidades criadas e viventes nos reinos da natureza.
  Remetendo-nos à vida planetária, sabemos que esse astro que nos
concede morada, por ser exatamente uma entidade, também evolui física
e espiritualmente e sofre as vicissitudes da existência em processo
análogo tanto acima como abaixo onde operam as vidas de reinos.

  Desse modo, ao navegarmos com o sistema solar e com a via láctea em


viagem temporal pelos ciclos sem fim e nem começo do universo,
atravessamos as malhas do espaço-tempo e as abstrações do não tempo
como uma nave arremetida, cuja tripulação e passageiros anseiam por
novas situações e novos conhecimentos. Esses conhecimentos,
entretanto, vêm de fora e de dentro, e são duais como todas as coisas
viventes nos círculos sistemáticos das dimensões ainda imaturas, sendo
campos vulneráveis às incursões de elementos simultaneamente
estranhos à sua projetada história ainda não cumprida, mas dela fazendo
parte indissociada.

  Um ego que avança para o seu momento de esplendor é um micro


universo em evolução, um modelo planetário diminuto a quem foi
concedida a verdadeira herança. Um ego que despreza a perspectiva
desse momento é exatamente como aquele outro em sua total concepção,
porém, ante as leis da evolução se torna um corpo estranho dentro do
corpo de seu preceptor.

  Assim como o planeta, o sistema solar e o Logos Criador, portadores de


suas cruzes que os envolvem construídas pela natureza cósmica em seus
espaços de movimentos e progressões, os egos que avançam sob as
cruzes de suas vidas físicas, emocionais e mentais se veem entre vivas e
presentes oposições, gemendo ante o peso de demolições e cruciantes
dores que vergastam.

                                              PARTE III

              O PRIMEIRO DESPERTAR LEVA A OUTRAS BUSCAS

  A grande massa humana que simbolicamente cruza o primeiro portal de


iniciação, não estando consciente desse seu estado ou condição
espiritual alcançada, não sabe do processo interior pelo qual passa o ego.
Mesmo céticos e materialistas, cujos aprendizados e formações
profissionais seguem unicamente as metodologias curriculares das
instituições oficiais e as praticidades tecnológicas, estão a disciplinar ou
dirigir o ser pensante a fim de construir seus caminhos de concentração.
Nestes aspectos, há também métodos da psicologia a ensinar exercícios
que auxiliam trazer a atenção para pontos de concentração, a fim de
ajudar a conter as tempestuosas ondas do ser instintivo mental-
emocional. Mas os exercícios não são novidades para iniciados no
ocultismo e a bem da verdade foram copiados da sabedoria antiga, sendo
aplicados com outra técnica sem o mesmo conhecimento conceitual e
efetividade dos investigadores de outrora.
  Aqueles que trazem tendências às coisas místicas ou esotéricas, mas
que não desejam se aprofundar no conhecimento, buscam somente pelos
benéficos resultados de dedicados grupos espiritualistas e de academias
particulares, onde praticam os exercícios físicos, mentais ou espirituais a
seus níveis e capacidades. Nesses ambientes são também dados cursos
rápidos da medicina alternativa e ensinadas suas respectivas aplicações.
A maior parte dessa medicina é proveniente, principalmente, da ciência
milenar do Oriente. Há muitos benefícios nesses aprendizados, porém
comprova-se que em meio a esses existem os que perigosamente
prejudicam os interessados pela falta de conhecimento como também
existem os farsantes, não menos perigosos e não menos prejudiciais, que
enganam a clientela com suas preconcebidas intenções unicamente
mercenárias. Felizmente, esses lamentáveis casos não anulam os
esforços honestos dos bons e dedicados profissionais.

  A busca cada vez mais frequente dos povos no mundo inteiro por essas
soluções terapêuticas – físicas e espirituais – revela a inaptidão de uma
ciência tradicional em entender as reais necessidades do ego humano por
outro sistema de práticas, outra ciência mais abrangente e efetiva, bem
menos materialista e em níveis mais elevados. E essa incompetência
aponta também diretamente aos doutos de vocabulários empolados nos
segmentos da psicologia teórica e improdutiva que dão voltas e mais
voltas em suas vaidosas premissas não conduzindo para os caminhos da
alma. Assim, tergiversam ao incisivo de uma ciência esotérica espiritual
imensamente maior que há milênios vem acenando para a libertação
humana em todos os sentidos, sendo idealmente mais profunda e mais
vibrante do que a ciência desse nosso mundo científico material.

  Aos sistemáticos da fisicalidade psicológica e suas ramificações, cabe


também o alerta de Jesus: “Ai de vós, pois vós não entrais, nem deixais
entrar os que estão entrando”. Mateus 23.13.

  Essa contramão sabem esotéricos e ocultistas da linha branca não ter


começo e nem aninhar-se somente nas obstruções mentais do homem
moderno. Na verdade, são ainda as persistentes sombras que buscaram
sempre emperrar a evolução da alma humana desde há milhões de anos,
quando para aqui viemos com o propósito divino de aprender e avançar
no conhecimento da ciência do Criador. Para a desgraça da raça humana,
a via negativa foi a que mais cativou e ainda cativa, por isso enorme
massa humana vive na ignorância e vícios, e os sábios da ciência física
não sabem para onde nos levarão as descobertas das potencialidades da
matéria. Esperamos e oramos sempre para que não conduzam mais ainda
aos negros abismos da destruição, e a ciência do bem vença a ciência do
mal.

                             O EGO HUMANO É SEMPRE AMBICIOSO

  No rápido interregno ocorrido entre o fim de um grande ciclo astrológico


e o início de outro, e quando a colheita já quase termina, ainda podemos
fazer uma só separação entre as diversas tendências dos egos,
constituindo duas classes. Essa separação de modo algum é
discriminatória, mas revela, como almas experienciais, o que cada um
sintoniza e ao que se polariza com seus valores íntimos. O ego é o eu-
personalidade normalmente imerso e envolto na matéria e que palpita em
direção as coisas que o rodeiam. É o ser inferior que, sobretudo,
ambiciona conquistas e realizações. Primeiramente, as próprias
necessidades familiares o levam desde logo a buscar sempre provisões a
trazer segurança. Com esse objetivo, e para muitos outros no desenrolar
de sua vida, ele vai seguindo. Necessita acumular conhecimentos,
experimentar-se, adquirir confiança; precisa avançar nas atividades,
realizar-se no que ambiciona segundo sua competência, ou o melhor
possível adaptar-se no que se ache circunscrito. Normalmente, o ego
nunca está satisfeito, deseja sempre mais e mais, embora nem sempre
alcance a realização de seus desejos, e isto não mudou desde os
primórdios da história universal. Há diversidades imensas nas vontades
de egos, mas a tônica maior é a das ambições às conquistas que
determinem possuir, e se possível manter para sempre.

  Não importa qual seja a sua sensibilidade, o talento inato ou


desenvolvido ao longo da vida. Esteja o ego no mundo esportivo,
artístico, literário, científico, político – em qualquer outro cenário; seja ele
um ego refinado, aplicado ou não a uma atividade profissional de carreira,
mesmo incorporado com a independência dos gênios – ainda assim será
o ego rondando como um lobo buscador, desejando sempre alcançar
com sua elasticidade. O eu-mente e o eu-emoção estão juntos e
associados, são o epicentro dessas convulsões egocêntricas, as
principais partes que sediam a torrente de instintivos desejos e ambições
que este ser externa ao mundo.  Ele quer a conquista que lhe reserva o
sabor, o sexo, o prazer, o orgulho estrondoso ou mal contido, arde-lhe a
vaidade do reconhecimento por sua arte ou capacidade, e claro, quer os
ganhos que possa acumular para que nunca lhe falte, aspirando saborear
suas vitórias ao meio-dia ou à meia-noite.

  Esse ego é maciçamente o mais comum dentre nós, pobres e iludidos


mortais nascidos em qualquer nível social, desde a mais rudimentar
classe até a mais incrementada e sofisticada elite. Onde haja famílias,
grupos, etnias, raças ou nações inteiras, será o ego que virá respirar das
convenções ou da liberdade, da modernidade ou da tradição, dos
contrários ou dos harmônicos, da família ou da solidão, do silencio ou da
ruidosidade, do ateísmo ou da religiosidade. Tantas outras vias e modos
o levam a ser e a viver esse ser – seja essa vivência simples, ou ornada
de gloríolas ou coroada de esplêndidos louros deste mundo terreno. Um
crescente e assustador percentual de egos nesses tempos perdeu-se no
controle mínimo de seus desejos e fanatismos, deixando-se dominar
perigosamente, vindo facilmente cometer toda a sorte de crimes para
satisfazer-se da ambição que nunca termina. Retrocedem aos níveis
inconsequentes e até brutais da mais atrasada classe “não-ego”. Vemos
isso diariamente em jornais, revistas e TVs.
  A outra classe de egos é mais disciplinada nos seus objetivos de
conquistas em seu mundo particular. E, principalmente, realça-lhe um
fator maior ou menor, porém acima do comum e corriqueiro; um fator-
qualidade diferente e inexplicável, impossível mensurar por qualquer
método conhecido, que veio emergir numa fase de sua vida a causar ao
ego um despertar diferente. Não se trata necessariamente de religião,
embora possa a religião fazer parte de seus anseios, nem se trata
diretamente de misticismos, magias ou qualquer outra adição no gênero,
ou de um internamento espiritual vivido pelo ego, mas sim.... da
CONSCIÊNCIA. Possa ser esse ego agnóstico, voltado para as suas
ocupações exclusivamente domésticas ou profissionais, ou a ambas
simultaneamente – seja dedicado a quaisquer outras atividades honestas
desempenhadas nesse oceano de unidades físicas chamadas vidas
humanas. O despertar em níveis menores ou maiores, inconscientes,
semiconscientes ou conscientes, puxará esse ego para um padrão de
aspirações e necessidades acima e diferente dos egos comuns do mundo
terreno, com os quais é ainda parte.

  Mas se for ego religioso, não condicionado aos enganos dessa vivência
espiritual, ou sendo místico jamais arrebatado por visões quixotescas ou
animicamente exaltadas, ou sendo esotérico esclarecido e comedido,
será melhor para ele, pois terá aprendido a não se deixar drenar de suas
melhores energias.

  Porém, não sendo nada disso, e como sabem os egos de outras


formações espirituais, precisará aprender a ouvir de suas fontes
superiores as quais lhe são desconhecidas. Esse será seu constante
desafio e diária luta, pois mergulhado até o pescoço num mundo de
matéria X espírito, objetivo X subjetivo, e sem o auxílio de um intelecto
esotericamente preparado, esse despertar lhe custará maiores esforços
que jamais imaginou despender, exigindo-lhe mais exercícios de virtudes
e disciplinas pessoais com eles não acostumados e ainda severos
cuidados com suas energias físicas, emocionais e mentais.

  Não seguindo pelo menos cinquenta por cento dessas atitudes,


exercícios e cuidados que lhe virão à mente de modo intuitivo, estará
sempre face a doenças e sujeito a muitas e diversas depressões.

  Um despertar maior é um re-despertar, pois vem novamente revelar uma


vida tipificada com êxitos, de quem colhe os frutos de um árduo trabalho
longo, persistente e silencioso nas suas entradas terrenas de tantas
encarnações passadas. Sendo de um ego debutante, o despertar será
menor, mas virá invariavelmente revelar mais um dentre bilhões na Terra
que finalmente alcança essa primeira condição, mediante o centralizar de
sua mente e vontade em direção aos seus objetivos justos e corretos.
Outros egos podem vir despertos e balizados por diferentes indicadores
desse mesmo curso ascensional.

  Na natureza todas as coisas têm um começo, um meio e um fim, embora


as leis regentes preservem, justamente, a existência cíclica sem um fim e
sem um começo, como é dito pela Lei de Lavoisier ao tratar da natura
naturata: "Na Natureza nada se cria e nada se perde, tudo se transforma".
Os puristas filosóficos explicam as diferenças entre o mundo do Criador,
natura naturans, e o mundo criado, natura naturata. Porém, Spinoza dá
formas definitivas na discussão sobre Criador e coisa criada ao tratar da
substância. Assim, a ideia de um mundo de causas e efeitos cíclicos
permanece indelével na coisa criada por Deus, independente das
esgrimagens filosóficas. Desta maneira, o começo, o meio e o fim de um
processo rotativo da criação – gigantesco e multifacetado – se repetem
incessantemente em nossas vidas prisioneiras, sem sabermos,
exatamente, quando tudo começou, em que exato ponto nos encontramos
em relação ao universo, e quando será o derradeiro fim de todos os
acontecimentos sobre essa curvatura no tempo.

  Nesse prisma, a ideia de alma imortal, como certas correntes religiosas


ou mesmo esotéricas comentam e ensinam, pode ser verdadeira
enquanto a alma existir no espaço-tempo. Entretanto, como toda a
natureza é cíclica no mundo das causas relativas, e nessas causas
relativas estamos aprisionados há milhões de anos, devemos nos mover
e delas sair, sem esperarmos nunca que um salvador como Krishna, Buda
ou Jesus, unicamente por nossas devoções às suas presenças
missionárias na Terra, venham tirar-nos daquilo que a nós pertence ou de
que estejamos devedores. Nessa consecução, o carma criado pelas leis
naturais da evolução que em nós atuam e o carma devedor gerado por
nossos pensamentos e atos contrários à lei da evolução, acham-se em
posições antagônicas. E em meio a esses campos de forças que se
entrelaçam, onde nos encontramos ora num ora noutro, vem anunciar-se
a salvadora presença que devemos encarecidamente tomá-la em blocos
de ações para chegarmos ao que é chamado “A Desconstrução do Ego”.
  O que decorre nesse momento planetário está ligado ao que podemos
concluir de “uma revolução cósmica cíclica” em nossa galáxia que vem
produzindo consequências diretas em todos os bilhões, trilhões,
quatrilhões ou mais ainda de sistemas solares nela contidos.

  Mas de onde começa essa revolução? Certamente de um movimento


rotacional de um Mega Universo onde todos os demais universos,
galáxias e sistema solares estão também contidos, ligados e
subordinados num processo único sem fim. Esses universos são todos
quânticos, são dimensionais de outras variantes e números, e alguns têm
os nomes de seus quadrantes conhecidos através de revelações por
Seres Galácticos aos esotéricos Nova Era. Os universos e suas galáxias
não são todos iguais, mas diferenciados por “personalidades” próprias
que caracterizam as gerações de vidas de seus sistemas solares.

  Por outro lado, seria muita presunção admitir-se que a criação do


cosmos fosse avaliada e explicada segundo a descoberta científica do
bóson de higgs com o pressuposto de que essa tal “partícula de Deus”
seja a única fonte da criação, e nossos sábios físicos ao estudarem
afanosamente essa partícula, através de seus atuais e gigantescos
instrumentos tecnológicos, pudessem com suas premissas oníricas
antecipar com precisão as dimensões físicas e quânticas de outros
universos e os seus tempos de vida, ou entender e classificar as leis
cósmicas que os regem.

  Então, voltemos ao nosso mundo onde a natureza criada subordina-se


aos conjuntos de leis cíclicas temporais, e, no entanto, nesse ciclo
cósmico e planetário nos é oferecida a oportunidade – através de nossas
vontades inflamadas de desconstruir as formas obstrutoras e viciadas do
ego – de escaparmos parcial ou completamente da inflexibilidade
operativa dessas leis naturais de captura e preservação das vidas,
mantidas pelos elos do nascer-crescer-viver(o auge)-decair-morrer.

  Que devemos deixar morrer o ego não há dúvida. Devemos decretar-lhe


não a morte por aniquilação, assassinato frio e calculista, sufocação ou
leva-lo ao suicídio se assim fosse concebível. O ego é mortal por criação.
Ele morre, mas renasce sempre sob outras condições temporais. Porém,
em essência, é o mesmo ego que reagrupa suas principais tendências e
ambições. O ego terreno cumpre na Terra, nos elementos e forças
naturais, aquilo que a Mônada não pode cumprir para ela aqui
diretamente. A ambição da Mônada a fez conceber a proto-ideia do ego e
as Hierarquias Solares o projetaram tecnicamente desde os primórdios da
criação, antes que o sistema solar fosse concluído. Todas as construções
da natureza se deram por absoluta necessidade da lei da evolução. Uma
indescritível força num determinado e inadiável instante move o íntimo de
todas as vidas, venham elas ser microscópicas e invisíveis a olho nu, ou
imensas e grandiosas como um Logos. Deste incontido e incriado “Fiat”
decorre o nascedouro de um sol, de um sistema solar, de uma galáxia ou
universo em várias dimensões simultâneas.

  A mesma Lei Maior da explosão e movimento universal da Vida em


formas diversas de energia e força, da qual resultam as ações mecânicas
de outras leis principais e de leis subsidiárias, é a mesma lei da
“implosão” ou empuxo inverso que obriga as leis principais e as leis
subsidiárias a ciclicamente trazerem de volta até um ponto calculado o
mesmo “quantum” da Vida Original que se manifestara em pluralidades
menores. As vidas manifestadas nunca voltam exatamente como antes
porque estarão acrescidas de novas condições. E essas condições, tendo
mais ainda potencializado as vidas, as levam, antes delas se terem
tornado de novo uma só Vida – ou, alternativamente, sendo o caso de um
“quanta” da Vida – a desconstruírem os seus sistemas menores e os
sistemas maiores, construídos em modelos diversos unicamente para
suas sobrevivências e acréscimos, enquanto aconteciam as suas
manifestações de consciência.

  Esse é o mesmo princípio da construção e desconstrução do ego.

  Não há como definir exatamente o que seja uma Mônada por duas
razões principais, primeira: por sermos nós criaturas e almas criadas, não
conseguirmos definir o criador. O menor não pode definir o maior. E,
também, mesmo que nos esforçássemos com toda a genialidade que o
intelecto pudesse assumir e transportar ou a visão superior conseguisse
alcançar, nos faltariam vocábulos em qualquer idioma terreno para
expressar o não sensório no perfeitamente compreensível. Então
fiquemos com o propósito e a intenção.

  Algumas das definições ou ideias clássicas de Mônadas nos dizem:

  - As Mônadas são unidades de consciência ou centelhas divinas. Suas


criações antecedem à própria criação do sistema solar. Elas são
provenientes do seio do Logos. Antes mesmo da ação criadora do
Terceiro Logos as Mônadas já se posicionavam no plano Anupadaka e
aguardavam a construção dos cinco planos inferiores; Atma, Buddhi,
Manas, Astral e Físico (Etérico-Denso).

  - As Mônadas, centelhas divinas, provém do Primeiro Logos. Elas são


conscientes e oniscientes como o próprio Pai de tudo o que seja a Vida
na mais alta expressão a partir de seu próprio plano de existência –
Anupadaka – de onde não podem descer e são poderosas nas ações de
cada um de seus próprios e respectivos Raios.

  - As Mônadas formam por suas inatas condições uma Hierarquia


Criadora e contribuíram para a construção do sistema solar ao início de
sua manifestação.

  - As Mônadas saídas do seio do Logos são consideradas o próprio


Logos, portanto ao dizer-se que uma Mônada é o Pai nos céus, essa
elocução esotérica abrange Mônada e Logos como uma só entidade.

  O que desejamos repassar é a idéia de que todo o modelo da construção


do ego, nessa segunda encarnação de nosso sistema solar, podendo até
somar esse ato de Criação pelos cálculos terrenos, em bilhões de anos,
seja uma estrutura simbólica, uma expressão idealizada pelo Pai Criador,
uma imagem material de Si mesmo, como uma projeção aos mais
obscuros abismos que Ele haja criado. Digamos assim: nós vidas
humanas, personalidades que suportamos pressões de energias
superiores e inferiores em seus arcos de descida e subida, construímos
um mundo de sonhos divinos, por nossa imaginação mais elevada, porém
também construímos um submundo fantasmagórico por nossas mentes
inferiores – inconscientes ou subconscientes – e esse submundo se torna
também uma realidade dentro de nossas concepções anímicas. Criamos
ali toda a sorte de monstros, seres horrendos e demônios desde tempos
imemoriais e os sufocamos dentro desses mundos interiores de nosso
ser. Isso é uma realidade de nosso ego, embora anímica.

  Uma vez sabedores da existência desse submundo que nos aterroriza


em sonhos, visões, pensamentos e reflexões do medo pretendemos nos
libertar dele. Mas para tanto, teremos então de descer àquelas
profundezas abissais por processos esotéricos, e o que então fazemos?
Revestimos nossa vontade e pensamento com uma expressão ou imagem
humana que escolhamos, que de todas as formas será uma imagem de
nós próprios, e com este símbolo criado temporariamente,
mergulharemos naquele mundo inferior construído por nós mesmos.

  Por conseguinte, caminharemos para as profundezas de nós próprios


nessa incursão consciente e ao mesmo tempo com a consciência diretora
desperta no comando daquela experiência.

  Como diz o salmo 23.4: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da
morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo: a tua vara e o
teu cajado me consolam.”

  Esse salmo, num plano simboliza as incursões aos mundos inferiores


onde se busca desarticular as sombras nefastas criadas pela psique
desregrada, e noutro plano simboliza uma ação nesse mesmo mundo
inferior em nós, no sentido de libertar a energia do kundalini daquele vale
da sombra da morte alquímica no íntimo do próprio ser. A vara e o cajado
são simbolismos da coluna espinhal por onde subirá a energia do
kundalini.

  Essa é uma citação atípica, mas podendo acontecer de muitos e


diferentes modos com equivalentes resultados para as almas desejosas
de se libertar conscientemente dos cativeiros de suas próprias criações,
utilizando de seu conhecimento oculto e se lançando às lutas por suas
próprias e destemidas ações. Há métodos, no entanto, bastante seguros
sob a orientação de mestres e mentores da ciência esotérica de que
teremos um dia necessidade de empregar para a dissolução das sombras
que nos aterrorizam.

  Com as Mônadas e o Logos o processo toma conotações evidentemente


de outra magnitude, mas não pelo fato de o Logos ter criado seu mundo
infernal como assim conjeturado para uma unidade humana, ou seja, nós
egos. Vejamos como conseguir usar dessa analogia.

                   O LOGOS TAMBÉM CRIOU MUNDOS INFERIORES

  O Logos é um Ser de estupenda luz, energia e força. É o Deus Criador


por cujas obras pensamos conhece-lo objetivamente. Mas é impossível
nesse momento aquilatarmos com nossas consciências polarizadas em
estados de ego inferior qual seja o real, o verdadeiro e o insofismável
propósito da criação em todas as suas menores e maiores escalas. Na
verdade, neste mundo de personalidades em que vivemos quase nada
sabemos das nossas origens, senão por informações sumarizadas, por
escritas em códigos de traduções nem sempre fiéis, por simbolismos
múltiplos e complicados ou por extraordinárias revelações de grandes
seres que aprenderam do legado de uma Hierarquia que nos precedeu em
milhões de anos. O legado, durante incalculável tempo, ficou guardado a
salvo em locais indevassáveis do plano etérico, até que pudesse aos
poucos ser trazido para a Terra. Ainda lá, está guardada a história de um
inteiro percurso das raças terrenas – do já realizado e daquilo que a
humanidade deverá ainda realizar até o final dessa quarta ronda. Esse é o
mais confiável recurso que temos para sabermos nossa história
verdadeira até aqui.

  Muitos pesquisadores espirituais desenvolvem em seus leques de


variantes e graus de sensibilidade, a vidência com auxílio de exercícios
do ocultismo ou do mediunismo, e assim conseguem penetrar por
mecanismos psíquicos naquelas áreas etéricas onde encontram tais
memórias. São os registros akásicos. Essas leituras são feitas em vários
níveis e vão depender da capacidade psíquica do leitor para contê-las. As
informações dos acontecimentos ali gravados registram em diversas
profundidades não somente a história de nossas raças e do planeta como
também do cosmos, porém muitas vezes a percepção e a qualidade das
leituras não são confiáveis. Isso pode acontecer com relativa frequência
porque nesses casos o psiquismo inferior do ego, através dos seus
corpos etérico e mental não consegue tomar para si senão imagens
nubladas e distorcidas, e ao externa-las revela visões inteiramente falsas.

  Outros se respaldam no processo intuitivo, porém também existem


interferências e distorções. A intuição perfeita, sabemos, não é atributo
do ego, mas paira sobre ele. Há um risco de interferência nesse processo
no qual os intuitivos podem facilmente incorrer se o ser instintivo do ego
sediado no mental inferior, não estiver obediente aos comandos do Eu
Superior. Além do mais, pode o ego também arrogar-se de vidências
maiores quando somente chega às enganadoras imagens de um
nebuloso astral achando que chegou a um cerne etérico verdadeiro.

  E nos perguntamos: por que a Mente Universal – o Terceiro Logos – teria


construído esse mundo material onde estamos aprisionados sem que até
hoje o conheçamos numa satisfatória verdade? Respostas não faltam de
estudiosos do ocultismo e de cientistas, mas não nos satisfazem
inteiramente e, com certeza, nem a eles mesmos. Se aceitarmos, como é
crível aceitar, a afirmação bíblica de que fomos criados à imagem do
Criador, atentaremos ao fato de que o Logos é a mega imagem de outra
Vida fantástica conhecida por Logos Cósmico, onde se alojam e de onde
partem todos os demais Logos que criam seus sistemas solares. E para
mais uma criação de mundos ou sistema solar, nosso Logos se
concentrou, meditou e imaginou segundo aquela necessidade maior da
existência, e ao produzir suas ferramentas com a imaginação, desdobrou-
se em forças, energias, qualidades e em unidades de consciência, e
assim num esforço supremo como Pai e Mãe do mundo terminou de
gestar e concebeu.

  O mundo criado pelo Logos Pai-Mãe não se resume unicamente ao


mundo material conforme sabemos, mas que assim amam afirmar os
cientistas, os matemáticos e físicos com bússolas espirituais inativas. A
vida de um Logos Solar é imanente e transcendente, infinitamente mais
ampla e monumental do que suspeitamos, e do que suspeitam hoje os
físicos quânticos despertos.
  Não importa se nossas manifestações obtiveram num determinado ciclo
de nossas descidas neste sistema solar, o auxílio das Hierarquias
Criadoras como os Elohim, mesmo que numa ultérrima condição livre e
liberta sejamos essências, chamas, unidades de consciência, vidas
monádicas, algo de uma herança também monumental da Sua Vontade e
Inteligência. Hoje temos a considerar que estamos almas dotadas de
faculdades que nos tornam vidas psíquicas menores. Assim, nessa
condição pequena em que estamos mergulhados, impossível fazermos
uma leitura pelo menos aproximada da genética do Logos, a não ser pela
via da abstração meditativa. E através dessa abstração meditativa
somente seres que alcançaram a estatura de um Cristo, um Budha, um
Senhor do Mundo podem com maiores valores se elevar e acercar-se
desse enigma da criação.

  Contentemo-nos então com nossas flexões mentais e intuicionais


estribados numa parcela do conhecimento oculto do que é ensinado
pelos nossos Mestres, sabendo que todas as coisas na criação são
análogas em seus sistemas montados. Assim, podemos inferir e deduzir,
pelo que foi dito antes, que em sendo o Logos Solar criado à imagem e
semelhança do Logos Cósmico somos nós também criados à imagem e
semelhança do Logos Solar, de suas indissociadas vidas – as Mônadas. 
E isso para nós vem soar como verdade inalienável.

  Ao nos referirmos ao psiquismo e animismo é bem verdade que se trata


da mesma substância cósmica exarada do Logos em todo o sistema solar
como Anima Mundi. No nosso mundo de vidas humanas a substância é
modelada por pensamentos e desejos segundo nossas tendências
emocionais e mentais. Se bem considerarmos, até animais têm vidas
psíquicas diferenciadas, e em maiores proporções os mansos e
domesticáveis. Nessa categoria de animais domesticados é mais fácil
observarmos neles algo como sonhos enquanto dormem e a maneira
como eles amam, buscam carinhos, amizades, sentem ciúmes, procuram
realizar atos que agradem aos seus mestres – nós os seres humanos – ou
simplesmente nos odeiam. Esses e tantos outros atos notáveis de
animais não podem ser atribuídos unicamente ao fator natural de suas
proximidades com os seres humanos e por conta de adestramentos de
seus instintos, porém podemos entender que seja por uma condição
psíquica expandida em seus níveis de reino, que mais tarde, ao
individualizarem, se ampliará através dos consequentes egos.

  A substância psíquica do Logos seria incompreensível,


comparativamente às nossas concepções de vida, mente e emoções.
Poderíamos chamar a isso de muitos outros nomes, mas seriam somente
palavras. Então, ficamos mesmo com o significado humano de
“substância psíquica do Logos” que melhor nos traz uma ideia de
imaginação, de energia mental, de desejos e necessidades de novas e
evolucionárias experienciações para uma macro e espantosa Vida.

  E levantamos a questão: se as Mônadas sendo veículos psíquicos de


Seu próprio Ser, detêm a possibilidade inata para criar condições de o
Logos conseguir mergulhar nos mundos inferiores por Ele próprio
criados, nós egos, sendo veículos das Mônadas, não usaríamos dos
mesmos princípios, criando do mesmo modo veículos psíquicos, para
penetrarmos ainda mais nos submundos inferiores de nossas criações
mentais-emocionais? Evidentemente sim e é o que fazemos.

  Mas disso extraímos outra conclusão de que as nossas criações


psíquicas negativas mais profundas como egos que somos também se
encontram ligadas a mundos inferiores, dos quais elas precisam com
certa urgência serem dissolvidas nesses tempos de “viração cíclica”.

  A crença religiosa em Deus não ajudou a que viéssemos entender que o


Supremo Ser, com tantas glórias de luzes e bem aventuranças, tivesse
criado mundos inferiores como residências de forças infernais. Mas os
criou. Os mundos manifestados partiram, como tudo que foi criado, de
mais um rebatimento da matriz negra: o éter imantado Nele próprio. Mas
as trevas não se dissipam no nada. Na natureza nada se dissipa no nada,
nem mesmo a mais tênue névoa. As trevas tomaram então formas de
energias sutís, se constituindo na contraparte da luz, e nesse rebatimento
espetacular, foram sedimentar-se nos confins inferiores dos mundos
criados formando mundos infernais. E muito embora nos mundos de
luzes não haja trevas, as suas contrapartes inferiores mencionadas estão
a eles ligadas tornando-se suas indissociadas âncoras, e são trevas.
Diríamos que os mundos inferiores – não os abissais ainda mais abaixo,
produto de um terceiro rebatimento – ao começarem no mental concreto
foram de início trevas sobre trevas em que as Mônadas viriam trabalhar
duramente em sistemas de corpos, a fim de abrir raios de luzes, túneis,
portais, céus.

  A matéria mais refinada dos planos da personalidade somada à matéria


concreta do mundo denso se constituiriam ambas num divisor comum
entre as águas etéricas. E na medida em que os ciclos temporais se vão
sucedendo a ação libertadora amplia-se em todos os planetas onde o
Espírito de Deus circula e cujas vidas ali manifestadas se desenvolvem
dentro de posições dualistas, e o Espírito de Deus começa a aclarar sua
própria criação, se preparando para elevar-se mais nessa segunda
manifestação como sistema solar.

  Para corroborar com essas asserções, chamamos o testemunho da


Sephiroth ou Árvore da Vida, cujas ramificações abarcam a ideia da
concepção dos mundos superiores, dos mundos do meio e dos mundos
inferiores, configurando três rebatimentos. E os princípios da criação
mostrados na Árvore da Vida se transferem às nossas vidas, às nossas
morfologias, a nós seres humanos criados à imagem das Mônadas. É
sempre aproveitável lembrar que os mundos do terceiro rebatimento
constituídos de dimensões por onde transita a personalidade, possui
também um corpo sólido denso – a matéria física – produto do
rebatimento dos mundos do meio sendo também um corpo físico dos
mundos sombrios invertidos infra terrenais: os abissais. A matéria é
globalmente negativa.
     Rebatimentos de Mundos Com a Manifestação do Logos

1. Primeiro: Kether-Binah-Chokmah = Atziluth. Mundos: Véu-Adi-


Anupadaka.
  Esse mundo também chamado de arquétipo pode ser considerado o
primeiro rebatimento provindo da matriz forjada pelo Logos no Éter (Aeter
– Mulaprakriti ou simplesmente Prakriti dos orientais).
  Mundo das polaridades cósmicas estáveis.

2. Segundo: Geburah-Chesed-Tiphereth = Briah: Atma-Buddhi-Manas


Superior (Corpo Causal).
  Esse mundo é produto do segundo rebatimento, ou seja, do rebatimento
do mundo o Atziluth.
  Mundo da polaridade (+) positiva

3. Terceiro: Hod-Netzach-Yesod = Yetzirah: Mental Concreto-Astral-


Etérico.
  Esse mundo resulta do terceiro rebatimento vindo de Briah.
  Mundo da polaridade negativa (-)

4. Assiah: Malkuth = Físico Denso.


  Mundo resultante ainda do terceiro rebatimento.
  Mundo de polaridade negativa (-)

  O que representa um quarto mundo abissal da consciência vem de


Malkuth como vivência, pois Assiah decorre de um só elemento do
terceiro mundo, não sendo propriamente um rebatimento ou posição
invertida de uma matriz imediatamente acima, como estamos expondo
para os anteriores mundos. Isso porque a matriz da matéria físico-densa é
etérica, portanto, são concentrações dos éteres planetários que
preenchem as matrizes formadoras da matéria sólida que conhecemos
em Assiah.

  Porém, esse mundo muito embora tenha dimensão física, pois os


abismos infrafísicos planetários que abrigam seres densos infraterrestres
e seres psíquicos densificados não significam pertencer a um mundo
completamente destacado das características do terceiro mundo Yetzirah.
Fica, assim, ainda adstrito ao mundo Yetzirah pelo éter e ao mesmo
tempo é Malkuth da vida planetária superior e inferior pelos elementos
psíquicos criados pela mente através de suas camadas subconscientes,
inconscientes e infraconscientes. Na verdade, para se atingir
espiritualmente essas infra regiões não se faz por mergulhos em
cavernas profundas da crosta, porém mergulha-se nas subdimensões dos
planos classificados como mental concreto e astral. Entretanto, os seres
que vivem nas cavernas intra-físicas planetárias, são ao mesmo tempo
uns físico-denso materializados e outros físico-etéricos praticamente
materializados.

  Por tudo aqui narrado confirmam-se os mais conhecidos axiomas do


ocultismo: “como é em cima é embaixo” e “Demon est Deus inversus”.

  E se a criação do universo não teve um começo e não terá um fim, como


diz o axioma genérico ocultista sobre o giro eterno da roda da vida, então
se reconfirma a ideia de que um Logos cria também céus e infernos na
sua reencarnação – o que para nossa dimensão humana o inferno é uma
realidade palpável, assustadora e dolorosa.

                                                   PARTE IV

                            A DESCONTINUIDADE DO ANTIGO EGO

  A noção de ego, de eu-personalidade, e de Eu Superior sofre muitas


vezes conotações separatistas como se essas estruturas fossem
independentes a vivenciar experiências isoladas em seus próprios
mundos sem a menor conexão entre si e sem proveitos para a totalidade
do ser encarnado. A citação de que somos vidas multidimensionais,
vivenciando várias experiências simultâneas em planos e mundos
diversos, se não bem entendida leva a inverter o verdadeiro sentido da
unicidade de uma manifestação.

  Parafraseando São Francisco de Assis com “morrendo cada dia um


pouco” lembramos que esse é o lema dos cristãos, dos esotéricos, dos
espiritualistas. São Francisco de Assis foi um cristão independente da
religiosidade da Igreja, que de alma iniciada em Ordens no passado,
galgou os degraus da Grande Fraternidade Branca Universal e hoje, com
a vestidura de Mestre Kuthumi, encarna o Cristo nesse início de Era de
Aquário.

  Quando chegamos a construir um ego houvéramos de fortalecer todas


as suas estruturas. O processo físico na Terra, nesta quarta ronda, iniciou
na Lemúria a individualização do reino animal com a vinda dos produtos
animais e humanos da Lua. Esse longo ciclo daquele continente
desaparecido, que passou por algumas fases, veio desenvolver e
sedimentar os corpos físicos do homem lemuriano a par de as
Hierarquias os ensinarem como organizar suas vidas em famílias,
comunidades e civilizações. Mais tarde, a ênfase seria dada ao período
atlante onde o aspecto emocional foi a tônica. Nesse ciclo, o homem
atlante, por seu envolvimento com a magia negra, adquiriu um carma
muito profundo que nos dias de hoje ainda purga em grande escala
através de doenças.

  Não obstante, sensibilizou seu corpo astral a um ponto que lhe permitiu
viver voltado tanto para o plano astral quanto para o plano físico, mas
depois foi perdendo aos poucos a consciência de estar no astral. Muitos
chegaram à polarização do intelecto e logo obstruíram a consciência
astral. Com a vinda da raça ariana, essa consciência de plano astral ficou
mais ainda distante e apagada para a maior parte da humanidade,
permanecendo, ativa e exponencial nos povos primitivos como é ainda
nesse nosso milênio.

  O papel principal da raça ariana é o desenvolvimento do mental


concreto, do intelecto, e é o que vem acontecendo. Porém, dá-se,
também, o desenvolvimento da semente do mental abstrato e a abertura
do Intuicional, num percentual cada vez mais frequente. O
desenvolvimento intelectual da humanidade tem sido o grande problema
que o mundo enfrenta. O fato se acentua por atravessarmos esse ciclo
racial da mente objetiva coincidentemente com a idade do ferro de que
falam os orientais, conjuntamente à entrada da Era de Aquário e com uma
mudança cósmica sem precedentes em nossa galáxia e no Universo.
Vivemos agora, nesse período ariano, numa faca de dois gumes em que
as ações da ciência concreta avançam mais profundamente para
descobertas de maiores potencialidades da energia-matéria, levando em
sua pesada aura bilhões de mentes polarizadas na tecnologia. Ao mesmo
tempo, energias cada vez mais poderosas se lançam ao planeta desde
dimensões mais elevadas afetando a Terra em todos os seus elementos.
Essas energias fazem varreduras daquilo que se encontra inútil e
cristalizado; desmontam campos vibratórios nefastos na aura planetária
em todos os planos, ou reativam outros para suas maiores
potencialidades. Isto, sem dúvida, provoca perturbações físicas e
espirituais no orbe, conturbando mais ainda o Espírito Planetário e as
almas aqui viventes.
  Entretanto, nem toda a humanidade se vê uniformemente ligada com os
intensos circuitos da matéria; uma parte dela, inversamente, busca novos
conceitos de vida porquanto essa vivência material e decadência dos
valores ciosos, de forma alguma satisfazem. São exatamente almas mais
sensíveis e experimentadas em tantas vidas, em tantos ciclos de
existências terrenas neste planeta ou fora dele, que agora, conscientes ou
inconscientemente começam a despertar deste sono hipnotizador
terreno, sentindo a necessidade de escapar das angústias, dores e
sofrimentos causados por esse modelo de vida humana, cujos objetivos
são confusamente horizontais. Essa massa que lentamente incorpora
esta ideia veio somar-se a outro contingente de almas que antes já havia
iniciado a mesma escalada e vinha se preparando para cruzar o átrio da
primeira iniciação em âmbito planetário. Para tanto, conforme já
dissemos, não importa onde se encontrem, ou naquilo que creem ou ao
que se devotem espiritualmente e que respeitosamente escolheram por
ideais renovadores, ou estejam ao desempenho de múltiplas atividades
materiais com propósitos limpos. Importa sim, a vida íntima que pede
socorro e deseja conhecer uma razão maior, um sentido mais elevado da
vida.

  O homem da vida comum em populações imensas por todos os países, e


na maioria das cidades, parece, com grandes incidências, não ser afetado
com tanta rapidez pelo retorno negativo de seus atos. Um percentual
significativo de cidadãos e cidadãs que mancham as reputações de
comunidades honestas e trabalhadoras comete insensivelmente
ignominiosos crimes de morte, difama, rouba, profana, estupra, pratica
pedofilia e faz tantas outras coisas condenáveis e passiveis de punições
por nossas leis humanas ou pelas divinas. No entanto, uns parecem
escapar de punições maiores enquanto outros continuam a viver na
completa impunidade até o fim de seus dias. Esses fatos também se
passam no íntimo de cidadãos de vivências externas de todas as
camadas sociais que se diferenciam por diversas condições e situações.
No entanto, numa camada social melhor estruturada econômica e
culturalmente, este tipo de cidadão tem ao seu alcance melhores
instrumentos válidos para se autodisciplinar e corrigir-se, o que na
grande maioria não faz.

  Já o homem verdadeiramente do espírito, em qualquer camada social


onde viva, sofre rápidos retornos de seus atos, sejam esses atos corretos
ou incorretos, bons ou maus. Há aqui duas vertentes que nos levam a
analisar dois fatores:

  Primeira, o carma de tais pessoas do espírito é muito mais vulnerável e


menos intenso nas linhas do mau procedimento e assim o ato que volta,
acontece sem maiores acúmulos, sem entrar numa fila mais longa. Da
mesma forma, em breve tempo, ele recebe o retorno de seus bons atos
em tipos de bênçãos e elevações quando é o caso, ou em solução justa e
compatível de um problema que o perturbe, ou em um atendimento
parcial ou por inteiro de um pedido. Segunda, sua consciência não o
deixa em paz no caso de culpas e isso o desarmoniza, o faz baixar seus
escudos, permitindo desse modo aos ímpios espirituais ler e perceber os
motivos de suas aflições e assim provocam-lhe dificuldades e trabalham
a fim de que o retorno das energias contrárias logo o alcance. Com essa
ação trevosa continuada, sua mente afetada permanecerá então
sintonizada com as situações negativas e desse modo ele apressará a
volta cármica do ato aos seus campos de vida mental e emocional. Não
há uma regra específica para casos assim, mas em linhas gerais isso de
fato acontece.

  No caso do homem comum do mundo, sua situação cármica em muitas


vidas estará ainda maturando para depois entrar numa linha de resgates
bastante intensa e prolongada que lhe trará, de muitas maneiras, o
necessário sofrimento depurador. O brutal assassino e de frequentes
crimes, sendo pego pela polícia, irá pagar ou precisará pagar pelos seus
atos perante nossa justiça. Porém, independentemente de tudo o que
ocorra no mundo das convenções sociais, o depurador de sua
consciência somente entrará em embates com seu ego quando ele
incorporar valores positivos que o permitam conflitos. Isto não significa,
entretanto, que muitos aspectos do carma não estejam ainda assim
conduzindo sua insensata inconsciência de primitiva letargia para certos
e necessários resgates automáticos.

  Portanto, a sensibilidade do ego é o ponto de apoio em torno do qual


circulam todas as demais situações significativas para sua vida objetiva
ou subjetiva. A consciência menor estará adstrita ao seu mundo díspar de
ego, enquanto a consciência maior – a Alma – isenta do mundo do ego, o
estará observando de seu mundo mais acima e lançando desafios em sua
mente. Isso se dará através de intuições, lembranças súbitas, sonhos,
estímulos, desejos de conquistas, e outras coisas que possam fazê-lo
despertar interesses ou a cumprir as etapas do carma a que veio naquela
encarnação. Essas situações em suas amplitudes e profundidades
dependerão sempre das condições do meio social onde o ego vive,
porquanto o homem é por tendências naturais um ser gregário.

  Avancemos mais. As depurações do ego somente terminarão quando ele


render-se à Alma. O ego edificou-se basicamente sobre seu mundo
emocional e mental concreto. Seus corpos físico e etérico se reorganizam
a cada reencarnação, obedientes ao que o carma exigirá. As cotas de
energia pura ou de formas doentias que eclodirão no corpo físico, virão
acumular-se no corpo etérico pelos canais astrais e mentais naquilo que
será determinado por sua Alma, seu verdadeiro Mestre. Em tempos
calculados os bens e os males emergirão para sua sensibilidade.

  Quando o ego adentra um caminho de cultura religiosa ou de


conhecimento esotérico, obediente ao comando de sua Alma, ele iniciará,
pelas etapas de seu trabalho interior, a desconexão daquelas formas
inferiores de energias que seus pensamentos insanamente radicaram e
seus atos jogam ao mundo. São formas profundamente psíquicas,
anímicas, mas tão interagentes com sua consciência menor, que se
assemelham – e alguns chegam a ser – seres corpóreos viventes em um
mundo abismal – e são o seu mundo anímico invertido, seu inferno! São,
na verdade, filhos do ego, nascidos de suas energias mentais e
emocionais, de suas emanações sexuais ilícitas ou desregradas, de seus
desejos impuros e de atos condenáveis que, vida após vida, sempre
ressurgem de um modo ou de outro. E o perseguem, chegando alguns a
ter densidade.  Mas precisam começar a morrer para que o ego agora
respire novos ares e vislumbre cada vez mais um caminho de um bem
maior, do conhecimento isento de apegos, de obras e constantes
purificações, e assim venha ativar intimamente porções de luzes que o
farão espantar as primeiras trevas. A desconexão paulatina dessas
formas de energias inferiores começará a desnudar o ego inicialmente em
seus níveis mais externos.

  Esse é somente um começo da lenta morte do velho ego para o


surgimento de um novo ego, agora sendo aos poucos modelado pela
Alma.

        SENÃO EM CRISTO OS PODERES DO EGO SERÃO EFÊMEROS

  Façamos uma breve pausa sobre o que se impõe ao ego em seu


processo inicial de descontinuação de sua vida anímica fantasmagórica,
estabelecendo outro parâmetro para comentar um pouco da operosidade
do ego no mundo.

  A natureza é indomável. Suas forças são excessivamente poderosas


para que o ego possa domá-las por processos mágicos ou tecnológicos.
O iniciado maior por outorgação da iniciação naturalmente já é mago. As
iniciações maiores conferem à Alma níveis cada vez mais elevados da
verdadeira magia. Quem se gradua em ordens praticando as suas
ritualísticas também obtém o epíteto de mago. A dominação de uma
plateia pelas sugestões do hipnotizador o eleva a um status de admiração
como um ser humano especial com poderes sobrenaturais. Podemos
também chamar a esses poderes de magia? Cremos que sim.

  Dizemos que hipnose se confunde com magia. As sugestões ao


psiquismo e consequentes curas de certos males – nem sempre
permanentes – evocam algo que sugere poderes mágicos. A força da
sugestão de um hipnotizador e os encantos do mago estão diretamente
ligados às energias psíquicas comuns a todas as pessoas por esse que
descobriu como manipulá-las com o magnetismo.

  A evocação e presenças de espíritos elementais da natureza – ar, terra,


fogo, água – ou práticas necromânticas são também acontecimentos
considerados magia, porém são de todas as formas práticas psíquicas.
Entendamos aqui a necromancia não somente como o exercício da
adivinhação pelas consultas aos mortos, mas também no significado de
um contato por via psíquica com as almas do outro lado, possuidoras de
diversos conhecimentos e sabedorias a fim de obterem-se revelações,
proteções, incorporações mediúnicas, intermediações de energias, forças
e outras possibilidades.  
  E vamos além ao dizermos que no plano da Mente Universal nada existe
fora da mente muito menos a substância psíquica. Quando tratamos do
universo manifestado criado pela engenharia do Terceiro Logos – a Mente
Universal – temos exatamente esse quadro na sua espontânea magnitude.
A presença de Cristo se dá na vivificação dessa espontânea criação, nas
suas formas atômicas concentradas e nas suas energias coordenadas. 
Então, quando a mente está absorvida na força do Cristo Cósmico o
magnetismo universal adquire novas virtudes e novos poderes.

  Pois existe o psiquismo inferior onde o ego se acha limitado à quarta


dimensão como existe esse psiquismo superior no qual se incluem os
altos iniciado ou mestres chamados ascensos. Esse mesmo psiquismo
superior utilizaram-no Orpheu na Grécia e no Egito Hermes - que antes
fora o próprio Orpheu -  idem Moisés no Egito e no deserto, e Jesus no
Oriente Médio, além de outros grandes mestres-magos no passado
quando aqui estiveram encarnados. Porém, suas presenças foram
conotadas com algo superior, por um trabalho desenvolvido numa visão
grandiosa, mais ampla e geral onde Cristo era o regente.

  O ego praticante de magia obtêm seus recursos da fonte inferior do


psiquismo, daquele que se impregna por toda a natureza como
substância única, porém diferenciada em cada reino. Portanto, a
substância é uma só: ela é universal, porém permanecerá setorizada
segundo a mensagem evolutiva respectiva aos reinos, notadamente em
maior flexibilização no reino vegetal, mais ainda no reino animal e na sua
maior amplitude no reino hominal.

  Consideremos também que a natureza fornece elementos em todas as


atividades humanas onde possamos atuar como magos pela ação da
vontade, com nossos próprios esforços, no sentido de aprender e
conquistar. A vontade é o determinante que faz prevalecer esta força que
nos leva a conquistas literárias, artísticas, discursivas, matemáticas,
astronômicas, astrológicas, administrativas, políticas, judiciárias,
econômicas e tantas outras. Todos os dias podemos observar
verdadeiros magos – e magas – da palavra, da física, da astronomia, das
leis, das finanças, das escolaridades, externando com o mais perfeito
desembaraço o domínio do conhecimento obtido, realizando com
sucesso ao que se propõem ou ao que sua profissão assim requeira.

  Estas realizações acontecem pela frequência com que o ego vem se


lançando em várias encarnações, segundo, naturalmente, as convenções
das épocas. Há pessoas que ganham dinheiro em tudo o que põe a mão e
acumulam riquezas com um fluxo impressionante. Assim, podemos
admitir que a mente concreta sendo ferramenta decisiva dessas
incursões de sucesso, somada à parcela da necessária emoção,
caracteristicamente imantada pela vontade, e esta mantendo o desejo
incessante da conquista, atuem ambas, sob os mesmos princípios
quando o mago coloca em prática e exterioriza os poderes latentes no
ego.
  Se além desse fator pessoal preponderante nas suas formas de sucesso
uma pessoa seja desonesta, ela evidentemente continuará a obter o que
desejou, porém terá também obtido um carma. E noutras vidas ganhará e
perderá ou estará impedida pelas leis de causa e efeito de administrar na
sua maior amplitude esses poderes mentais que traz. Mas sua magia
pessoal estará ainda no ego e noutra futura vida continuará a se
constituir numa de suas tendências inatas.

  Essas manobras do ego no mundo percorrem ciclos e mais ciclos de


encarnações, girando sempre num mesmo eixo, sedimentando cada vez
mais as estruturas do ego com os poderes da matéria. Seja esse
processo levado a efeito por um agnóstico, um religioso, um ocultista, um
acadêmico ou pessoa de qualquer outra atividade humana, ou de
sabedoria extra-humana, esse ser nunca estará isento do sofrimento. E
quando o sofrimento físico ou moral adentra os níveis sensíveis de seu
ego ele passa a perceber o quão frágil é.

  Vejamos então mais claramente: um mago na Terra opera com poderes


ocultos baseado no magnetismo universal. O magnetismo possui três
características básicas, segundo os cabalistas: a atração, a repulsão e a
polarização e esta conceituação é também assimilada pelos homens do
mundo, inconscientemente, fazendo com que criem mecanismos mentais
de absorções, neutralizações e ataques. É evidente que aqui interagem os
elementos antiquíssimos residentes em sua psique através do instinto e
por todo o seu grande leque de fatores naturais, bem como a emoção, o
sinergismo, a empatia e outras forças que todos podemos desenvolver
em nosso próprio mundo.

  Queira então o ego libertar-se do sofrimento quando já venha tentando


isso desde outras vidas, ou comece esta vida com essa intenção. Tenha
sido numa vida um religioso, noutra vida manipulasse com a política, com
fortunas, com ciências ou filantropias. Seja hoje um mago da invocação
ritualística, um hipnotizador, um encantador de animais ferozes ou de
espíritos da natureza. Possua dons de levitar, de materializar e
desmaterializar, seja ilusionista ou tantas coisas mais do mundo dos
ocultistas, dos gurus e iogues. Se seu desejo de libertação for sem a
necessária energia e justificável determinação e não estiver caminhando
em suas atividades físicas e espirituais interiorizado, buscando
diariamente imantar-se com seu Cristo Interno, manter-se-á ao sabor
único das aprisionantes leis da natureza a fortalecer as estruturas do ego
terreno. E enquanto esperar pela aclamação de suas obras, e não lutar
contra isso, terá perdido seu tempo.

  O desejo de libertação consciente para homens de atividades espirituais


deve trazer simplesmente a conotação da universalização do pensamento
conforme Cristo ensinou aqui na Terra, e isso inclui estimular uma
vitalização diária na vontade de procurar auxiliar a outrem em suas
aflições e necessidades. E esse auxílio não deve unicamente se limitar a
orações, rituais e teorias se nas atividades práticas profissionais ou no
cotidiano mais pode ser feito.

  Em consonância com esse tema, colocamos a seguir um trecho de


nossa obra, A Face Negra da Terra, editada no Scribd.

  “Principalmente porque, ao nível evolutivo em que nos encontramos


nesse momento cíclico planetário e do próprio sistema solar, a vida aqui
embaixo para nossos egos é mais rica em oposições. A todo o momento
nossas estruturas ego-alma se veem provadas. A vontade e a
determinação de cada um já devem estar muito bem alicerçadas, do
contrário o edifício ruirá: não há como escapar disto. Paralelamente, as
obras realizadas na Terra precisarão crescer a fim de proporcionar ao
semeador a boa e abundante colheita, justificando em si as verdades
contidas em sua própria mente. É necessário pôr em movimento as forças
descendentes, condensá-las, apropriá-las e distribuí-las.

  Nesse caminho, no curso dessas orientações, o obreiro terá os seus


experimentos, dando o seu toque pessoal, fazendo-se às vezes artesão
para retirar a canga e lapidar a forma densa. Conquanto no labor, atestará
que as forças não sublimáveis – das asas do sentido inverso, que antes
mesmo dos primórdios da criação de nossa humanidade já se
organizavam em permanente redemoinho, tragando o que nelas se
precipitava, lançando tudo nas profundidades de sua larga e negra
dimensão – são forças muitas vezes chamadas satânicas.  Em realidade,
nada são senão um ponto referencial do cosmos na sua polaridade
negativa, onde o Criador teve de ancorar-se para Sua explosão criativa e
não mais além. Essa imensa faixa negra envolvendo o círculo da grande e
permeável capa de todas as coisas criadas, como o exemplo de nosso
sistema solar, resiste à pressão para fora criando campos de forças e
esferas chamadas planetas, ali sedimentando base operativa, fazendo
surgir condições ambíguas.

  Em outras palavras: as mesmas leis permeantes da grande expansão do


universo, que provocam o aparecimento de abismos monumentais e
campos de forças de altíssimas e inimagináveis voltagens, podendo
dizimar qualquer matéria condensada ou mesmo vir a destruir tudo o que
anteriormente fora construído, se materializam parcialmente em torno de
um campo magnético de energia condensada na forma de planeta e ali
permanecem atuando. Essas forças satânicas das religiões, por atração
simples e pura, abrangem unidades afins, as personalizam segundo o
próprio alento ou Fiat Criador – mas, inversamente à Sua Imagem –
expandem-se e se propagam. Dessa maneira, por meio da afinidade direta
embora inversa, surgem os espíritos naturais revestidos de inteligências
na polaridade negativa.
   - Pelo que você me diz, concluo que terei de me defrontar, sempre, com
o Grande Negativo? - inferiu Sorman, aproveitando-se de pausa feita por
Bruno.
   - O Grande Negativo! – repetiu seu anfitrião, exalando ar como a
suspirar – na verdade, todas as coisas deste mundo estão voltadas para
ele, tendo em si metade de sua essência. O enigma está em como detê-lo
na sua integral ação, mantendo-o à distância, e ainda assim conservar o
equilíbrio das polaridades. A esse equilíbrio, o reverendíssimo Buda se
referia como ao trilhar mentalmente o “caminho do meio”. Entretanto, a
cada um o seu destino, a sua missão. Se pouco ou nada exigirmos de
nossos opositores, teremos certa tranquilidade na caminhada e essa será
relativamente improdutiva e mais longa. Não obstante, se os
aborrecermos com incursões aos seus domínios, e ainda ajudarmos a
libertar de seu jugo escravizadas mentes, então despertaremos sua
perene ira e eles decretarão contra nós incansável guerra, sem tréguas,
que somente terminará quando nos jogar por terra, se assim
conseguirem. Mas convenhamos, na maioria das vezes eles vencem. Por
isso, o procedente alerta do iluminado pregador: “cingi vossos rins com a
verdade!”, por que perenemente ali, nesses sensíveis centros, em torno
dos quais se enfeixam plexos condutores de energias de ambas as
polaridades, eles nos golpearão.

  As palavras daquele inteligente homem eram verdadeiras, Sorman


olhava o negro rosto com atenção; ele continuou:
  - Muitos tentam tomadas de posição investindo contra os poderes
luciféricos. Mas não tendo arregimentado suficiente força de
imprescindível qualidade, invariavelmente veem-se arrastados por “suas”
artimanhas nas lutas contra os apegos e ilusões do mundo.  É necessário
saber-se como lutar contra esses ferrenhos adversários, quais armas
brandir, como escudar-se. Muitas seitas imaginam vencer batalhas,
entretanto, o que se comprova, em realidade, é justamente estar
sedimentando cada vez mais elementos negativos, assim fortalecendo-os.

   A mente é díspar, dual; é vida e morte. Alguém pode decretar-lhe a


morte espiritual, mas, em contrapartida, nela viver realizando obras para o
mundo, ainda que infrutíferas e áridas para o espírito. E o negativo estará
se deleitando com estes enganos: ele mesmo induz mentes para isto
realizar! É preciso, pois, saber discernir a mente terrena como
instrumento de vida condicionante ou como forma de vida redentora. É
espírito x matéria, positivo x negativo. Mesmo grandes filósofos, segundo
o mundo, ou homens dotados de conhecimentos mágicos, poderão estar
inflexivelmente dominados pela ilusão, pensando realizar obras de
libertação.

  O deleite do conhecimento por loquazes retóricos, ou o encantamento


de espíritos elementais por magistas e magos, exemplificando, os estarão
induzindo para mais próximo de serem manietados e aprisionados do que
libertos. E por quê? Volto, pois, a Buda, e da necessidade de se libertar
dos apegos, quaisquer que sejam. Acaso todo o teórico intelectualmente
preparado, terá humildade diante daquilo que ensina? Viverá os
ensinamentos em si com a mesma determinação que utiliza para
esquadrinhar os parágrafos das obras pesquisadas, a fim de estar se
equipando com argumentos com que esgrimirá elegantemente em seus
filosóficos debates? E desprezará intimamente as homenagens feitas à
sua personalidade por admiradores ou seguidores? Diga alguém a um
homem desses que aquilo por ele ensinado não tem valor algum, e por
sua imediata reação, ou mesmo através do seu silêncio, saber-se-á de sua
ira ou benevolência, de sua compreensão ou autoestima, a menos que
esconda as reações por algum código ético.

  Por outro lado, o praticante de artes mágicas, profundo conhecedor de


rituais ou causador de fenômenos de encantamentos naturais – a par de
saber também manipular com as diversas tendências da magia – será,
este, senhor e dono de seus atos? Saberá, exatamente, a consequência
do que realiza? Terá aprendido a desapegar-se, a viver perfeitamente
alheio aos resultados de seu trabalho, sem orgulho? Muitos trazem suas
contexturas espirituais amplamente mergulhadas em átomos saturados
da energia elemental. Estruturalmente respondem a todo instante aos
estímulos das paixões astrais. Envolvidos estão por correntes diversas
de teor mágico, vivendo e respirando minuto a minuto do que construíram
ou atraíram para suas personalidades.

  Porém, quem consegue difíceis vitórias sobre si próprio é o grande


vencedor – de novo cito outra máxima do venerável Buda – por que o
vencedor a quem Ele se referiu, este, na realidade, foi quem viveu,
deslindou e venceu aos enigmas da verdadeira vida. Mas essas vitórias
arrancam lágrimas, às vezes sangue de seu postulante. Há ocasiões em
que um sábio das ciências ocultas precisa vir ao mundo despojado de
sua sabedoria, adaptando-se a humildes situações a fim de trabalhar uma
única qualidade o tempo todo, até detê-la e dominá-la perfeitamente. É
desalentador, alguns acharão, por que após tantos séculos adquirindo
maestria naquelas ciências, não poderá uma alma, numa determinada
vida, ou noutras vidas mais, dispor delas. Porém, este fato não é visto
assim negativamente pelo espírito, ao contrário, sendo sempre para si
alentador. É a senda da libertação, a partir desse ponto, nesse hipotético
caso, começando ou continuando a ser trilhada. E o homem não deve ter
perturbada sua atenção ao objetivo. Pois uma vida decorrente na Terra
por algumas dezenas de anos, sob os olhos do espírito, representa
somente uma página a mais do seu Livro do Destino.

Eis porque, caro irmão, não podemos aceitar em nossa organização


qualquer pessoa. Mesmo aos irmãos já iniciados no passado é necessário
submetê-los a muitos testes. Os mais determinados galgam rapidamente
postos: assumem novas posições. O mundo tem inúmeras seduções e
pode um irmão graduado não se ter ainda moldado completamente ao
sofrimento ou não haver desprezado nesta vida, tanto quanto necessário,
aos apelos da ilusão. “Assim não poderá ocupar ainda cargo de maior
responsabilidade”. – A Face Negra da Terra, Parte I, por Rayom Ra.

https://pt.scribd.com/doc/22992492/A-FACE-NEGRA-DA-TERRA-PARTE-I

  A noção que nos transmite esse trecho de um mestre de uma


fraternidade falando a um aspirante é a de que as lutas do ego para
libertar-se do jugo terreno são plenas dificuldades. Faz-se necessária
disciplina intensa e um determinismo constante para o banimento de toda
ilusão quanto ao ego colher o benefício de suas vaidades. Entretanto,
embora isso seja a verdade quanto às aspirações nas primeiras etapas do
banimento das ilusões, a iniciação conforme vem obtendo-a uma grande
e seletiva parte da humanidade a que nos referimos anteriormente, ainda
não é recorrente a essa fase aguda da desconstrução a que o ego é ou
será submetido, por orientação de sua Alma. Assim, não se assustem,
pois a cada um a sua hora.

  Muito se fala, se escreve e se estimula da magia sexual. Essa é uma via


impreterivelmente de mão dupla – mão e contramão – e não deve ser
percorrida por qualquer pessoa, muito menos da forma ritualística que
evoque forças desconhecidas pelos praticantes e que os envolvem. Essa
prática realmente existe, no entanto não é o barco que levará todos os
praticantes para a outra margem. Às práticas da magia sexual concorrem
de modo indissociado às duas polaridades e com elas vêm atraídas as
energias que envolvem o ser. Estas práticas isoladas sem um ritual
convergente e um sentido espiritual plenamente justificável entre um
casal ocasional, caem para o patamar de relações comuns da paixão. Do
mesmo modo, num ritual coletivo deste tipo preparado com intenções
ocultistas onde também não exista a intenção maior da espiritualidade e
nem um preparo interior dos praticantes, é grande o perigo de as forças
negras manipularem desde o início.

  A magia sexual é mais uma ferramenta de que lançam mão aqueles que
pretendem “tomar o céu de assalto”, mas se coroada de êxito, ao cabo de
anos ou de períodos extensos de práticas disciplinadas, não levará os
praticantes para além da primeira iniciação – essa mesma iniciação que
agora bilhões de almas já alcançam da forma natural como anteriormente
estamos abordando. O planejamento da Hierarquia Branca a fim de fazer
avançar a humanidade, nunca pôde se restringir unicamente à magia
sexual. Se no passado houve intensas práticas de reis, faraós, súditos ou
de iniciados em várias formas da magia sexual, também existiram muitas
orgias com essas mesmas alegações que revelaram tão somente as
manobras das forças negras a fim de se alimentarem com as emanações
das energias liberadas por essas práticas, e de nenhum benefício para as
almas.

  A magia sexual, como tantas outras formas de magia ritualística,


necessita dos praticantes a verdadeira intenção em elevar-se para chegar
a um ápice. Para tal empreitada, os participantes devem praticar intensa
espiritualidade, passar por períodos de purificações e, tanto quanto
possível, de serviços ao próximo. Sem isso, não haverá a orientação dos
Mestres de planos superiores que auxiliam com segurança na elevação
da serpente.

  E devemos notar que a elevação da energia sexual pela coluna não se


verificará numa única vez como que subindo definitivamente do inferno
para o céu. Tal elevação do kundalini se dará moderadamente, pouco a
pouco, em diversos ciclos, e mesmo em encarnações, segundo os
avanços da consciência nas vidas que os praticantes venham tendo. E tal
elevação não se dará única e exclusivamente pelas vias ritualísticas da
magia sexual elaborada. A mesma prática comum e normal no lar com
casais esotéricos ou leigos pode também conduzir a momentos da
elevação dessa energia ígnea pela coluna.

                                                     PARTE V

                       O EU-ALMA É QUEM DESCONSTRÓI O EGO

  Nesta parte vamos tratar do que vem acontecer nos sistemas interiores
do ego quando o Eu-Alma estabelece que as experiências do ego
necessitam avançar para patamares superiores, e começa então um
processo de desconexão das estruturas viciadas e condicionadas
unicamente à matéria.

  Esta ação está diretamente ligada aos princípios do Antakarana e não


conhecemos outro trabalho que melhor exemplifique algumas das etapas
desse processo, senão o que nos diz o Mestre Djwal Kuhl a quem
continuaremos a nos reportar em alguns momentos.

  A estrutura da alma tem muitos significados e muitas nuances que as


religiões e filosofias desconhecem. A abrangência da Alma provoca uma
série de definições nos estudos esotéricos e ocultistas e unicamente a
visão de seres mais adiantados dos planos superiores pode realmente
analisar, entender e ensinar com maiores propriedades. As iniciações
maiores são sempre centralizadas na Alma. A Alma é o verdadeiro
iniciado e não o ego. O ego é terreno, formado por corpos de matéria
sujeita a mudanças segundo as leis que nela atuam. A matéria para nós
condicionados a este mundo tridimensional parece representar
unicamente corpos e formas densas – praticamente tudo o que detenha
dimensão tangível e peso segundo nossas leis da física. No entanto, a
definição antiga de matéria no esoterismo sempre foi diferente e agora a
física moderna já começa a aproximar-se do estabelecido pelos
estudiosos esotéricos, vindo a matéria ganhar outro status mais
importante. A matéria é energia concentrada, mas as formas de energia
que hoje a física moderna percebe conduzem a definições mais largas no
aspecto energia e energia-matéria.

  Desse modo, a personalidade humana, o ego, reparte suas ações e vidas


em três dimensões básicas que lhe dão parcelas de sua consciência
através de corpos de manifestação não perceptíveis à visão normal
tridimensional. Um deles formado de matéria chamada manas no
ocultismo oriental é responsável pelos pensamentos intelectivos e razão
objetiva que vão desde as mais simples considerações diárias até os
mais refinados ou complexos raciocínios que o homem consegue
alcançar. Esse corpo que reage através do intelecto e dos aparelhos
psíquicos consciente, subconsciente e inconsciente é chamado de mental
inferior, ou manas inferior, por justamente emitir suas vibrações através
dessa matéria em quatro subplanos inferiores de um número de sete
subplanos do mundo mental.
  O outro corpo dessa conjuntura encarnada como ego, cheio de
elementos psíquicos numa existência humana, vem a ser o corpo astral.
O corpo astral sedia uma gama imensa de desejos e emoções. Daí
redundarem formas de energias que se expandem pela aura do ego. Um
desejo comum pode parecer provir de uma vontade trabalhada
intimamente ou se organizar através de uma veleidade do emocional,
todavia sua semente estará nos arquivos inconscientes ou
subconscientes do mental concreto que o ego descobre e que em
seguida se manifestará revestido com a matéria astral.

  Em seguida, temos o corpo etérico, o mediador entre os planos


superiores e o plano físico. Esse corpo detém na sua fisiologia os quatro
éteres terrestres que influenciam diretamente o campo psíquico do ego e
provocam a formação dos elementos que originam os cinco sentidos
humanos. É por esse corpo que se processa a expansão do carma do ego
antes de plasmarem-se as energias que produzirão as mudanças na sua
vida biológica. Há outras funções importantes e também vitais
transcorrentes nesse corpo em relação a todo o conjunto da
manifestação ego.

  Finalmente, nesta sequência, vem o corpo físico denso constituído de


matéria sólida, líquida e gasosa que mais precisa ser reconhecido como a
réplica do corpo etérico do que a sua matriz, sendo também o depositário
de destinações cármicas a serem vividas pelo ego numa encarnação e a
cujos processos concorrem os seus corpos superiores desde o corpo
causal.

  Esta, portanto, é a estrutura mestra e objetiva do ego ou eu-


personalidade que se reorganiza numa encarnação.

  As vidas de egos reencarnantes neste nosso ciclo ariano vêm passando


por diversos processos que os conduziram a uma sensibilidade maior,
por vezes bastante sutilizada. Os processos do Antakarana que vêm
promover a desconstrução das formas de energias viciadas daqueles
egos cujas vidas atingem esse ponto vulnerável às transformações, serão
mais intensas e de resultados realmente mais profundos naqueles que
têm a percepção consciente das energias que neles se instalam. Neste
ponto se dá o segmento das pressões de energias que fazem o ego gemer
as dores de uma vida de extraordinários acontecimentos interiores.

  O Antakarana flui de uma situação para outra enquanto se dá a


construção de uma ponte chamada Ponte do Antakarana ou Ponte Arco-
Íris, porquanto este trabalho requer estágios na sua construção que muito
dependem de resultados positivos às peregrinações do ego, às suas
sublimações e elevações das energias a que ele é submetido.

  As iniciações maiores começam realmente a se desenhar ao tempo da


construção da Ponte Arco-Íris. A primeira delas é essa que vimos
tratando em que convergem os esotéricos de todas as denominações,
com alguma vantagem sobre os homens de vidas comuns e religiosas,
mas não esotéricas, que também chegam em grande onda a esse átrio.
Daí em diante, a percepção do homem do espírito tende a continuar com
maior visão e consistência e por isso com maior responsabilidade no seu
trato com energias sistêmicas e com forças da magia em todas as suas
modalidades. Então, precisamos admitir que sua caminhada será bem
mais rápida que a do homem do mundo que ainda não é conscientemente
desperto dessas manobras.

  Entretanto, revela-nos Mestre D.K. que na realidade esta primeira


iniciação e a segunda que virá mais tarde, tecnicamente ainda não
representam iniciações maiores, e somente a partir da terceira iniciação
da Alma, levada a efeito ainda e como sempre por Shamballa, pode o
aspirante ser considerado como iniciado maior. A terceira dessas
iniciações representará, na verdade, a primeira iniciação maior. Daí,
definitivamente, decorrerá as demais iniciações maiores que têm lugar em
nosso planeta e cujos mais significativos efeitos se darão nos níveis mais
elevados das estruturas superiores do Eu Superior e Alma-Espiritual.

  Sobre esse ponto diz-nos Mestre Djwal Kuhl na Obra, Tratado Sobre os
Sete Raios:

  “A construção do Antakarana se leva a cabo definitivamente no caso de


todos os estudantes consagrados. Quando o trabalho se realiza
inteligentemente e com plena percepção do propósito desejado, e quando
o aspirante não só é consciente do processo senão que está alerta e ativo
em seu cumprimento prossegue o trabalho rapidamente e a ponte se vai
construindo”. 

“Esse trabalho de construção da ponte tem sido realizado em parte. A


humanidade toda vem eliminando a brecha entre a natureza emocional-
astral e o homem físico. Deveria ser observado aqui que a construção da
ponte deve ser feita no aspecto consciência e concerne á continuidade da
percepção que tem o homem da vida em todos os seus variados
aspectos”.

  Em nossa obra “O Antakarana” trouxemos alguns indicações


importantes da construção da Ponte Arco-Íris e não haverá a necessidade
de novamente repetirmos. O que desejamos focalizar sob um
determinado ângulo é que os caminhos do Antakarana, desde os
primórdios do ego, quando o homem começou a construir os seus três
fios de vias energéticas conectados com o plexo solar, com a cabeça e
com o coração, ele passou por etapas de construção de seu ego. Sua
mente ainda não respondia a uma consciência mais rica em valores
intelectuais. Após centenas de encarnações o ego chega finalmente a um
momento em que a Alma usa o processador Antakarana para
desconstruir certas formas de energia de seus corpos mental e astral, a
fim de permitir que a transformação de um ego para outro comece pela
passagem de suas energias pela Ponte do Antakarana.
  Essa transformação que estamos chamando de desconstrução é a via
dolorosa porque passam aqueles egos que mais adiante, noutras
encarnações, se transformaram em grandes almas. O sentimento da troca
de energias residentes no ego para outra situação ainda desconhecida ao
candidato à iniciação é de sensação de uma morte interna. A Alma
manobra nas suas gestões em tempos previsíveis, e já durante a
construção da Ponte que ligará o ego ao mental superior, quando este
estiver a sutilizar cada vez mais seus pensamentos e emoções, sentirá
brotar um sentimento de amor que jamais conheceu como agora e que o
tomará, por vezes, e intensamente, em meio às fases da desconstrução-
construção.

  Dizer-se que a Alma fará isso somente por ela própria é tirar da vontade
imanente no próprio ego a sua memorável ação de um redirecionamento
acima das atrações e convenções mundanas, pois o ego fica cego por um
tempo diante da luz arrojada pela Alma, para depois, aos poucos, ir-se
apercebendo da magnitude daquela luz em si e desconectando de suas
vivências as energias e pensamentos ligados ao inferior que não o
cativam mais. E uma vez desconectando aquelas formas inferiores de
energias-pensamentos ou emoções ali plasmadas e não mais a elas
recorrer como outrora, elas perdem as forças da coesão, não se
reorganizam e vêm morrer de inanição. E assim se diz que o ego precisa e
deve morrer, para o novo ego nascer criança e ser conduzido pelas mãos
da Alma. Há aqui todo o simbolismo do nascimento de Jesus, sua vida em
preparo para a grande missão e o batismo no Jordão quando o Espírito
Santo o ungiu para aquela vida idealizada de ensinamentos na Terra e
Cristo o tomou para si.

Vejamos o que nos passa Mestre Djwal Kuhl/A.A.Bailey de um dos


momentos grandiosos da vida do Mestre da Galileia onde ao mesmo
tempo em que ao solidificar a um pensamento e situação real de um
peregrino na Senda, já mostrava o caminho para a era vindoura, hoje de
Aquário:
       “Mestre Jesus crucificado ali, sentiu a agonia da necessidade
humana e renunciou à Sua própria vida; deu tudo de si (falando também
simbolicamente) para satisfazer essa necessidade. Nesse momento Cristo
influenciou seu grande discípulo e também passou simultaneamente por
uma grande experiência iniciática. Sua agonia e a necessidade de receber
a revelação e uma acrescentada iluminação (a fim de ampliar suas
faculdades como Salvador do mundo) revelaram-lhe as novas
possibilidades, pelas quais – quando as enfrentou confusamente no
Horto do Getsemani e mais tarde na cruz – toda Sua natureza se coibiu.
       Esse é um grande mistério e compreende-lo é tão impossível como
saber do que estou falando; é conveniente estabelecer o fato na
consciência de que na iniciação da Crucificação, Mestre Jesus recebeu a
quarta e Cristo a sexta iniciação. Mestre Jesus alcançou a experiência
culminante do Caminho Iluminado, enquanto Cristo, mediante esse
esforço final, se permitiu completar e atravessar o “arco íris” e, portanto,
“ir ao Pai” (como é dito a Seus discípulos), avançando até a primeira
etapa do Caminho de Evolução Superior”.
  Os grandes emissários de Deus foram todos iniciados pela Alma e
passaram – já como iniciados – por períodos de indizíveis êxtases para
angústias extremas em que desejaram logo morrer de todo.

  O ego não é um mecanismo robótico, ele tem vida emergente subjetiva e


vida consciente objetiva. A consciência do ego pode estar inspirada pela
Alma em certas ocasiões quando ele faz uso de um equipamento
intelectual sedimentado por profundas considerações e por técnicas
diversas acumuladas em suas vivências físicas. Mas o intelecto é um
equipamento acumulador de dados que giram com maior velocidade em
torno da vontade objetiva do ego e nesses trânsitos os elementos
intelectuais se aderem e se comunicam perenemente com lógica e razão
humanas, tradicionalmente através dos sons convencionais da fala e
simbolismos da escrita. Outras vias da comunicação oral e expressão
objetiva de um ser humano para outro foram desenvolvidas com técnicas
especiais.

  A questão de uma definição da consciência do ser humano será sempre


parcial, pois os filósofos e psicólogos normalmente se detêm aos valores
do mundo terreno onde forças duais se impõem e cortinam a visão mais
interior de uma Consciência mais ampla nas suas origens e sem sombras.
A Consciência maior – a Alma – quando interage com mentes mais
voláteis provoca nelas visões e inserções que excedem aos conceitos
intelectuais vigentes. Daí, conceitos e princípios básicos humanos da
consciência menor não poderem nunca traduzir a Consciência mais
elevada senão muito pobremente por analogias e blocos intelectivos.

  Aproveitamos para mais uma vez ilustrar com outra passagem do


aspirante a iniciação numa fraternidade que reencontra na Terra, quando
discorre dos momentos vividos por sua alma antes de se apresentar no
templo onde receberia a iniciação. Seu íntimo já vinha passando por
momentos de tensões e perturbações com etapas da desconstrução de
seu velho ego, que para ele representava o grande enigma de sua vida,
ainda que não se tratasse de uma iniciação ministrada fisicamente na
cidade de Shamballa, porém, ainda assim, Nela conectada.

  Perguntado pelo seu iniciador o que passara em seu íntimo naqueles


instantes pré-iniciatórios, disse-lhe Sorman, o personagem principal:

  - A cada tempo novas surpresas – ele riu sem mesmo saber por que –
sempre que venho a esta região, acabo descobrindo outros valores.
Pareço estar em constante cheque por aqui, sob a cuidadosa mira de
muitas mentes. Os acontecimentos, em suas decorrências, por si só
seriam fascinantes, mas sendo eu coparticipe de todos, se tornam mais
extraordinários ainda, até inverossímeis sob certo julgamento. O que teria
acontecido e minha avaliação sobre tudo, você pergunta-me – seus olhos
transmitiram excedente brilho; ele foi se aprumando suavemente da
postura um pouco relaxada, até ficar completamente empertigado. Um ar
dogmático tomou-o quando desviou o rosto para a Casa Rosa; algo
misterioso passou-se em si. Logo assumiu outro ar de interessante
nobreza, evidenciado mais ainda nos gestos a seguir realizados, como
estudada coreografia que animava as palavras. Levando antes a mão à
cabeça, alisou os negros cabelos, trazendo-a após ao queixo, fixando o
olhar na verde relva. Depois continuou: - “como” e “porque”, seriam as
duas proposições a me bastar. “Como”, parece-me aparentemente mais
fácil explicar por ser eu participativo em associado, mas deveras não é,
embora assim mesmo deva tentar.

  Sendo eu uma consciência, guardo em minha memória física e espiritual,


se assim posso me referir, a natureza. Entenda-se por natureza, o
somatório de todas as formas e a energia-vida que a tudo permeia, que
nos seus registros é anterior ainda aos próprios arquétipos que dão
conformação aos mundos. Mas sua quantificação, concernente a mim, é
correlata exclusivamente aos fatores perceptíveis, objetivos e subjetivos,
que habitam ao meu ego, visto e analisado na totalidade pela soma das
experiências aquilatadas com a sequência de personalidades por ele
encarnadas. Sucessos e insucessos, em sua relatividade, acham-se
assim arquivados no ego, estando não obstante, em valores, separados
por uma tênue e simbólica linha que poderá ser transposta a qualquer
instante por uma ação causal. Ação causal, diria, é também o fator
instinto, onde o inconsciente vem encontrar o ego,  sendo o inconsciente
o móvel propulsor em diversos níveis. Porém, os registros de todas as
vidas jamais se apagam no ego, por menores e insignificantes que
possam parecer, e o censor, ou Guardião do Umbral dessa linha divisória,
sendo a personificação representada pelos valores do eu maior
consciência, por um lado, adicionados, mas não amalgamados aos
valores do eu menor desta mesma consciência, por outro lado, faz ele,
numa só figura, o duplo papel de anjo e demônio, juiz e carrasco, bem e
mal, etc. Quem ganha ou quem perde, dependerá sempre da escolha do
ego personal ao manifestar suas tendências pela menor resistência.

  Isso em tese, não convoca ordinariamente os valores especiais,


psicológicos e idiossincráticos do ego na sua profundidade, porque são
vastos, complexos, impossíveis tabular, a não ser por um processo
endógeno no ego, num extraordinário momento de manipulação por
mentes superiores e habilitadas – significando dizer, quando em provas
iniciáticas. Assim, afora essa especial condição no dia a dia, as reações
comuns da personalidade se darão superficialmente aos registros evos,
com leves incursões para ambos os lados da linha divisória, ou em
muitas ocasiões, instintivamente, através dos reflexos condicionados.

  “Porque”, é mais difícil sobre ela discorrer, devido à condição exógeno,


ou seja, considerada a partir de uma conjetura consensual regente,
adstrita a um corpo hierárquico fora e independente, que ali está para
aferir do desempenho do ego nas incursões aos seus profundos
labirintos. A hierarquia não interfere na qualidade dos valores
acumulados no ego, porém chama-os à superfície, manipula-os, faz com
eles interessante jogo, criando situações e personagens a partir do
formulador de imagens do próprio ego. Essa encenação tem regras não
impostas, mas aceitas de acordo com a cultura, sensibilidade e
inteligência reveladas pelo próprio ego, passando-se os dramáticos
momentos num campo versatilizado de provas adrede preparado. Há, por
assim dizer, formas e personagens exteriores aparentando existências
reais, na medida em que o real exista, que contracenam com as criações
daquilo que para o ego é verdadeiro. Por exemplo: o crocodilo existe?
Sim, no campo de provas ele existe como existem todos os outros
personagens. Poderá comer ao candidato? Verdadeiramente, não, mas
lhe causará a sensação da dor de estar sendo comido. Eu sei disto agora,
com a mente desligada das turbulências emocionais que no momento das
provas envolvem ao candidato. Naquele exato instante é quase
impossível ao candidato abstrair-se desse fato, e deixar-se morder e
sofrer a dor, somente para provar que o crocodilo não o comerá. O
instinto de sobrevivência estará com ele; como candidato, é seu dever
utilizar-se de todos os recursos, conhecimentos e sabedoria ao seu
alcance para vencer – isto inclui a fé e o auto sacrifício, caso se
requeiram.

  A regra básica, na qual pode e deve o ego estribar-se em momentos


conflituosos, superpõe-se a todas as demais como fator único,
fundamental, irrecorrível de qualquer argumento, traduzido por sua
própria e original vida, que é a investidura de uma unidade imortal, uma
consciência monádica indissociada da Consciência Cósmica ou Princípio
Superior Único. Essa condição, imutável e perfeita, não pode ser dele
subtraída por ninguém. Assim, se estiver atento e desperto, tornar-se-á
invencível em qualquer situação de prova, aleatoriamente aos valores
culturais, morais ou até mesmo emocionais de que seja portador. Mas há
que se preparar convenientemente para este salto.

  Voltando a mim, obtive hoje aqui a reafirmação, em termos objetivos,


daquilo que longe do campo físico já obtivera. Concluo ser isto
necessário porque uma coisa óbvia é estarmos presentes, num dado
momento vibratório, com todas as nossas limitações físicas, emocionais
e mentais, sob o jugo constante de nossas fraquezas e mazelas. Outra
coisa é estarmos libertos, em parte e temporariamente, da carne e daquilo
que a cada minuto a ela seduz. Assim, é justo e lógico ser submetido aos
testes nestes dois lados de uma mesma vida.

  Entretanto, do que já discorri do candidato ao passar por provas,


poderia ainda ser perguntado se temi, se já teria desvendado este enigma.
Temi, de fato, mas quem como eu não temeria? Conforme expliquei antes
ao abordar a existência do crocodilo, não é o bastante conhecer
tecnicamente alguns mecanismos estruturais do ego, e falar deles
doutoralmente. Esse conhecimento é teórico e o momento das provas é
completamente outro por que a Hierarquia conhece a fundo os labirintos
da mente do candidato. Ela o confundirá, o colocará frente a frente com a
pessoal realidade, sem dele conseguir subtrair, como disse alhures, a
consciência de sua própria e inalienável divindade. Mas ali ele estará
despido de qualquer artifício mental no qual socorrer-se, exceto de
ingressar nas pistas propositalmente deixadas. Sobrar-lhe-á, pois, um
mínimo de lucidez, manifestada num único e rápido instante, às vezes
como num flash e o ego, então submerso e envolto por formas ilusórias e
sensações diversas, precisará não vacilar, tomando decididamente para
si este instante. Então, ancorado, será puxado para fora do poço onde lhe
mostrarão a verdade que com ele sempre estivera.

  Em simples e repetidas palavras: fizeram-me repassar trechos


importantes de minhas pregressas provas, obrigando-me a reconfirmar
objetivamente a intenção de prosseguir no caminho. Se não fui brilhante,
pelo menos acredito não ter de todo decepcionado. – A Face Negra da
Terra, Parte I, por Rayom Ra.
https://pt.scribd.com/doc/22992492/A-FACE-NEGRA-DA-TERRA-PARTE-I

  A desconstrução do ego é um caminho de sofrimento. É um caminho


unicamente interno onde colidem entre si elementos filosóficos objetivos
e subjetivos, tradições e culturas. O ego inquiridor vai de convenção a
convenção, de conceito a conceito, de sistema a sistema, sem nunca
chegar a uma verdade imponderável. Tomam-no outras forças que o
permeiam e o convertem num ser conflitivo e injusto consigo próprio;
assim, o desenrolar pregresso da lei de causa e efeito volta a ficar mais
vivo em seu íntimo, o faz navegar de cá para lá, a deslizar a consciência
para adiante e para trás: viver a sensação de estancar, sofrer, buscar
compensar-se, a rir e a chorar.  Quando em provações espirituais, o ego
por vezes se odeia, deseja morrer, libertar-se das recordações, da sua
impiedade com a vida e com seus amados a quem eventualmente julga tê-
los ferido imensamente. Durante uns tempos se torna insensível para
determinadas coisas e sensível demais para outras. Depois inverte o
sentido desses valores e depois se desorganiza conceitualmente. As
forças da natureza se impõem sobre tudo o que ele pense em mudar e ele
não consegue ignorá-las ou dobrá-las pelos meios comuns. E nessa roda
do nascer, morrer e renascer que busca entende-la, julga-se um servidor
ad infinitum não merecedor, e de novo odeia-se por não obter um final às
suas pessoais comiserações.

 O caminho da espiritualidade seria um caminho totalmente seguro não


fosse a inclinação congênita do homem em interferir naquilo que não
entende e tergiversar das verdades absolutas não plenamente
justificáveis à sua própria vontade. A sabedoria dos grandes que já
partiram desse mundo estará simplesmente contestada, improdutiva e
improvável pelas corrupções íntimas do ego. Então, para a grande massa
ansiosa por um sinalizador seguro, a entrada no caminho espiritual se
dará por entre atalhos de enganos e falsificações. Esse foi o pecado das
religiões que desusaram de suas verdadeiras origens enunciadoras.

  Coube então aos missionários vir tentar consertar as inverdades e


enganos cometidos pelo ego, por isso foram alguns missionários
sacrificados e muito de seus trabalhos soterrados. Muitas vezes o mal
triunfou, e suas vitórias, enquanto temporárias, causaram milhões de
vítimas pelo afastamento definitivo daqueles egos de um caminho de
amparo. A lei do carma não perdoa porquanto ela não é propriedade da
Alma e nem dos iluminados, embora possa ser administrada; é lei
cósmica, porém muitas vezes é inflexível e torna-se impossível arrefecer
o sofrimento, a dor implícita nos ajustes de caminhos em evolução.

  O que se guardou do conhecimento e da sabedoria de Shamballa


permaneceu, por garantia, ao alcance somente dos iniciados até que, de
novo, um ciclo de cegueira se cumprisse e a humanidade pudesse
novamente vir conhecer ou reconhecer as verdades a ela destinadas. A
toda essa saga viveram os egos de conhecimentos conscientes e os de
conhecimentos inconscientes, mas uma grande soma do carma da
humanidade foi sendo resgatada por vários caminhos. Os homens lideres
das massas se incumbiram de consecutar revoluções e guerras, levando
muitos milhões a insuportáveis sacrifícios e mortes. Não houve como
evitar as forças negras continuar com suas sagas destrutivas e nem foi
possível o carma ser postergado, pois os ciclos astronômicos e suas
efemérides astrológicas se evidenciariam de todas as formas, jogando a
humanidade aos seus próprios estertores.

  A decorrência de muitas dores trouxe outras dores e novas limitações a


posteriores gerações pelas heranças adquiridas; assim, os egos
passaram a simultâneos expurgos físicos e morais, e desses para novas
aflições e dores com revoluções, guerrilhas e promessas de outras
guerras; as perseguições ideológicas e as manobras da economia
girando de um lado a outro do mundo trouxeram catástrofes financeiras.
Vieram os consequentes desastres ecológicos, a ciência assoberbando-
se do conhecimento, a tecnologia substituindo Deus, a revolução
completa nos costumes; o fútil, o incoerente, o bizarro sobrepondo-se; a
libertinagem sexual atingindo níveis somente conhecidos nas civilizações
antigas que por isso se autodestruíram.

  Essa enorme avalanche de acontecimentos atinge a todos os egos do


planeta, quer estejam nos epicentros dos acontecimentos mais
explosivos ou noutra ponta. A globalização criada pelos homens atende a
uns, mas não atende a outros e os interesses das nações se
entrechocam, as profissões se concorrem, o consumo exige sempre
mais, os ambientes familiares mais conflitam. A violência e os crimes
hediondos exacerbam, não se impõe um mecanismo coibidor contra
esses horrores, e aumenta a revolta dos egos cegos ante a luz, mas
coiotes na escuridão. E não há mais paz no mundo, poucos são os países
que ainda se mantêm sob governos controladores.

  Todo esse quadro de aparências negativas mantém a massa humana no


caminho das provações e sacudimentos devido às suas escolhas feitas
no passado por esta via cármica, e ninguém escapa dos eclodimentos. E
esses fatos atraem novas formas de aglutinações, de reivindicações, de
tentativas e fugas, de um novo despertar de energias e forças que antes,
num passado mais distante, foram postas a dormitar numa grande escala
humana, mas que novamente clamam por vida exterior aos egos
inconformados e por sublimações aos egos mais cautelosos. Esse
processo veio tomando maior vulto a partir dos anos pós-revolução
francesa, atravessando os ciclos da revolução industrial e das duas
guerras mundiais. Hoje a revolução tecnológica e a superpopulação
mundial cada dia mais redesenham dois longos vetores.  Um deles, o da
anarquia geral dos hábitos, ascendido e estimulado pelo incontido
crescimento das ideologias materialistas de produção e consumo, levado
à massificante propaganda dos prazeres fáceis dos sentidos. O  outro, o
da incapacidade das grandes religiões de não conseguirem responder
racionalmente às crescentes questões sobre as verdades da alma e das
profecias, conservando-se num prisma catequista controlado e obsoleto.
E ambos os vetores não podem alimentar e nem verdadeiramente
conduzir as inquirições e anseios tanto das massas quanto de elites
intelectualizadas a um caminho iluminado com certezas.

  Não há como escaparmos a toda essa ebulição.  E por paradoxal que


possa parecer, essa vivência mais intensifica e apressa à redenção dos
egos em amadurecimentos ou já prontos para os processos de suas
trocas energéticas e mudanças de parâmetros conscencionais.
Exatamente isso veio acontecendo cada vez mais nessas últimas
décadas. A incoerência, o apego à futilidade, o incrivelmente bizarro, a
falsa e afundada arte, a esdrúxula moda, o fanatismo de todas as
espécies, o embrutecimento do homem, a insensibilidade caótica, a
religião manipulada, a política rapinadora, os esportes esdrúxulos e os
radicais, os excêntricos prazeres da mesa, as excessivas distrações pela
internet e TV, os jogos de encontros, e tudo mais julgado da maior
importância e sendo de acessibilidade às massas, não causam ao
inadaptado outra coisa senão o tédio e a tentativa de fuga desse mundo
ruidoso e incompreensível. Toda essa bateria de valores mundanos soa-
lhe incongruente na sua totalidade e fica a segundo e terceiro planos - ou
a nenhum - para aquele que “procura e acha, bate e entra!”. É o processo
cármico mundial ligado a todos, e paradoxalmente como dissemos,
ajudando muitos a se desligar do opressor temporal externo para a busca
norteadora do real permanente interno e sua paz.

  Desconstruir para reconstruir. Largar a prepotência do ego em favor da


vibrante e restauradora Alma. Ir-se de um status de consciência para
outro, de um pequeno eu impotente e arrogante para o encontro com um
Super Eu conhecedor do mundo e sábio, comandado na Terra e nos
Planos Superiores pelas potencialidades da Alma Cristificada.  Este é o
esclarecedor e sereno caminho do agora e sempre ao alcance de todos os
egos de qualquer cultura e intelectualidade, partícipes de uma vida
comum e responsável.

  Assim Seja! Assim Seja! Assim Seja!

                                               Direitos Reservados 

                                                       Rayom Ra
                                   http://arcadeouro.blogspot.com.br
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créditos.

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