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UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS

PROGRAMA DE BOLSA INSTITUCIONAL DE PESQUISA

AS PROVAS NO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL

MARCOS ANTONIO GOMES DINIZ

LAVRAS MG

2014

MARCOS ANTONIO GOMES DINIZ

AS PROVAS NO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL

Projeto de Pesquisa apresentado ao Programa

de Bolsa Institucional de Pesquisa PIBIC da

Universidade Federal de Lavras

Orientadora: Fernanda Gomes e Souza Borges

LAVRAS

2014

Sumário

TEMA-PROBLEMA

4

JUSTIFICATIVA

5

OBJETIVOS

6

METODOLOGIA

6

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

8

4

TEMA-PROBLEMA

No projeto do Novo Código de Processo Civil, a proposta visa criar mecanismos que sejam capazes de diminuir o tempo de tramitação das ações na Justiça. Porém, ater-se unicamente a essa afirmação seria de forma cruel, reduzir a importância dessa empreitada que tem se mostrado importantíssima em tempos que o Judiciário vem perdendo a credibilidade em razão da morosidade em que são julgadas as causas. O projeto extingue vários mecanismos processuais de forma que alguns mudam de nome e outros tantos simplesmente deixam de existir.

A prova no Processo Civil tem importância inquestionável e indubitavelmente estas servem para guiar o Estado-Juiz na resolução da lide. Ora, vivemos em uma democracia, baseada, dentre outros princípios, na promessa do respeito e tutela efetiva dos inúmeros direitos que nos foram concedidos pela Carta Constitucional de 1988. Essa promessa seria ilusória, nas palavras de Leonardo Greco, caso o processo não tivesse a capacidade de reconstituir os fatos como de fato o são, porque destes é que resultam os direitos cuja tutela é buscada pela provocação do exercício da tutela jurisdicional.

Com a possibilidade de aprovação do anteprojeto do Novo Código de Processo Civil, imperioso se faz uma análise das reais condições jurídicas que o novel instrumento invoca ao ordenamento jurídico brasileiro. Sendo o assunto “provas” de extrema importância, aqui ateremos o nosso estudo buscando um comparativo entre o atual CPC, instituído em 1973, e o projeto do Novo CPC. Buscaremos desmistificar de forma crítica várias das hipóteses que se levantaram contra o referido projeto e ainda teceremos críticas a outros institutos que consideramos não ser benéficos à diversos princípios processuais.

Ainda relativizando a questão, buscaremos traçar uma linha crítica no que concerne ao parágrafo único do artigo 257 do anteprojeto que diz: “a inadmissibilidade das provas obtidas por meio ilícito será apreciada pelo juiz à luz da ponderação dos princípios e dos direitos fundamentais.”

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JUSTIFICATIVA

As provas desempenham papel de extrema importância na resolução dos conflitos que surgem em decorrência da vida em sociedade. Em tempos onde as relações de todas as formas se estreitaram e ainda aumentaram consideravelmente sua complexidade, mister se faz a busca pela efetiva garantia dos direitos como um todo. Em um conflito de forças é imprescindível a completa construção do arcabouço probatório para que seja de fato garantida a observância dos princípios que permeiam e embasam todo nosso esforço na luta cotidiana pela busca da efetividade do Estado Democrático de Direito e da Justiça.

Diante do impasse entre dois ou mais indivíduos, ou diante daquele que teve seu direito resistido, é por meio do direito de ação que as partes provocam a jurisdição do Estado para que este solucione a lide. Porém, para que haja um julgamento justo é necessária uma análise profunda e minuciosa das provas, pois sem estas, não há que se falar em processo.

O direito à prova decorre do princípio do devido processo legal (CF/88, art. 5°, LIV).

Tal direito surge também em decorrência do direito de ação (CF/88, art. 5°, XXXV) e ainda dos direitos ao contraditório e ampla defesa (CF/88, art. 5°, LV). O mesmo direito à prova vem previsto ainda no Pacto de San José da Costa Rica em seu artigo 8°, parágrafo 2°, alínea f, que foi incorporado ao ordenamento jurídico brasileiro pelo Decreto 678/92, e ainda no Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, em seu artigo 9°, trazido ao direito interno por meio do Decreto 591/92.

Nos meandros do processo o juiz atribui à prova produzida um grau axiológico e um valor que compreenda ter para convencê-lo, deve ainda justificar o porquê de sua convicção. Já no caso de prova legal, este deve apenas admiti-la, conferindo-lhe força probatória, dando por existente a prova.

O Princípio da Persuasão Racional, trazido ao sistema processual brasileiro pelo art.

131 do CPC nos faz compreender que não há prova a qual o juiz deva atribuir mais ou menos valor. Todavia, no art. 366 do CPC, há instituído que, em determinadas hipóteses, nenhuma outra prova, por mais especial que seja, poderá lhe suprir a falta. Como exemplo temos o art. 108 do CC/2002.

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No anteprojeto do Novo CPC as provas passaram por mudanças interessantes. Desde a inadmissibilidade de provas ilícitas que podem ser apreciadas pelo juiz à luz da ponderação dos princípios e dos direitos fundamentais envolvido, até a admissibilidade de provas produzidas em outro processo, sem a devida observação se é necessário que a causa verse sobre direito de parte que também atuou nesse outro processo ou não.

Tais questões urgem, e tentaremos nesse trabalho, dar uma contribuição efetiva na construção de um pensamento crítico que, embora longe de esgotar o tema, abram novas luzes para a interpretação do dispositivo em questão.

OBJETIVOS

GERAL:

Analisar o valor probatório no anteprojeto do Novo Código de Processo Civil.

ESPECÍFICOS

Conceituar o termo “Prova”.

Analisar paralelamente os mecanismos probatórios no Código de Processo Civil de 1973 e no do Novo CPC.

Desenvolver mecanismos que contribuam de forma crítica à Ciência Processual Civil.

Traçar linhas hermenêuticas que permitam uma compreensão clara do que de fato das mudanças trazidas pelo Projeto do Novo CPC.

METODOLOGIA

O trabalho de pesquisa proposto se guia pela linha metodológica de sentido jurisprudencial. Buscaremos uma compreensão elementar entre os atuais problemas

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jurídicos que se relacionam à realidade social e quais seriam as soluções mais adequadas.

Em nosso trabalho não buscaremos necessariamente a verificação da efetividade dos institutos analisados. Entretanto buscaremos na doutrina e na legislação mecanismos de interpretação da norma “enquanto norma”, e de forma indireta e consequente invariavelmente esbarraremos em sua aplicação.

O modelo de raciocínio utilizado será o hipotético dedutivo, proposto por Karl

Popper, sendo essencial o questionamento dos próprios postulados legais para a

sua ponderação.

E por fim, a investigação aqui pretendida será da categoria jurídico interpretativo/compreensivo.

CRONOGRAMA

O presente trabalho se orientará pelo seguinte cronograma:

1 – Revisão NO DE JA FE MA AB MA JU JU AG SE OU
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NO
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Redação do
Artigo
Jurídico
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da
Redação
8
X
Divulgação
dos
Resultados

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALVIM, Eduardo Arruda. Direito Processual Civil. 5. ed. ver., atual., e ampl. Revista dos Tribunais: São Paulo, 2013

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BORGES, Fernanda Gomes e Souza. A Prova no Processo Civil Democrático. Juruá: Curitiba, 2013

JUNIOR, Nelson Nery e NERY, Rosa Maria de Andrade. Código Civil Comentado e legislação Extravagante. 2. ed. Revista dos Tribunais: São Paul, 2003

CASTRO, João Antonio Lima. Direito Processual. PUC Minas: Belo Horizonte, 2010

CARNELUTTI, Francesco. Sistema de Direito Processual Civil. Volume 2. 2. Ed. Lemos e Cruz: São Paulo, 2004

MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz. Comentários ao Código de Processo Civil. Vol. 5, tomo II. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2000. p. 235-247.

MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz. Curso de Processo Civil. 7ª ed. Vol. 2. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008. p. 361-364.

NEGRÃO, Theotonio; GOUVÊA, José Roberto Ferreira. Código de Processo Civil e legislação processual em vigor. 41ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 520-521.

THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. 47ª ed. Vol. I. Rio de Janeiro: Forense, 2007. p. 517-519.

ALMEIDA, Gregório Assagra de; GOMES JR., Luiz Manoel. Um Novo Código de Processo Civil para o Brasil. Rio de Janeiro: GZ, 2010, p. 174/175

GRINOVER, Ada Pellegrini. Liberdades públicas e processo penal. 2 ed. São Paulo:

Revista dos Tribunais, 1982, p. 126/129 e AVOLIO, Luiz Francisco Torquato. Provas ilícitas: Interceptações telefônicas, ambientais e gravações clandestinas. 3 ed. rev. e atual. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003, p. 43.

BARROSO, Luis Roberto. Interpretação e aplicação da Constituição. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 1999, p. 101/102.

MIRANDA, Francisco Pontes de. Direito de família. 2 ed. Rio de Janeiro: José Konfino, 1939, t. I, p. 380.