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RECONSTRUINDO O RIO DOS TEMPOS DE VALERA:

O COTIDIANO DA SOCIEDADE CARIOCA1

José Cláudio dos Santos Júnior


joseclaudiosj@gmail.com

Introdução

Este trabalho visa apresentar as atividades desenvolvidas durante o minicurso

“Reconstruindo o Rio dos tempos de Valera: o cotidiano da sociedade carioca”, inserido

nas atividades do Simpósio Juan Valera (1824-1905) y la cultura de su tiempo. A

abordagem do referido tema, em um cenário de discussão acadêmica sobre a obra de um

autor espanhol, se deu em função do amplo e profundo enfoque conferido ao evento

pelo Prof. Dr. Pedro Benítez, chefe de estudos do Instituto Cervantes/Rio de Janeiro e

organizador do simpósio, com o qual Juan Valera e sua obra foram vislumbrados sob

ângulos diversos e matizes variados, possibilitando a composição de uma consciência

integral onde homem e produto foram mimetizados para, conseqüentemente, serem

melhor compreendidos. Neste sentido, nossa participação buscou auxiliar na elaboração

deste quadro com a proposta de retratar a gênese e algumas particularidades do cenário

social carioca do século XIX, época na qual se insere o período em que Valera residiu

no Rio de Janeiro em missão diplomática a serviço da Espanha, entre 1851 e 1853, e

demonstrar uma possibilidade didática de realizar uma leitura daquela sociedade,

através das cartas escritas pelo autor a Estébanez Calderón (Valera, 1996).

Considerando a conjuntura atual de crescente aproximação cultural entre o

Brasil e o mundo hispânico, como evidencia a lei que insere efetivamente o ensino de

espanhol no sistema educacional brasileiro, acreditamos que semelhante exploração

pedagógica aplicada a alunos brasileiros possibilite despertar o interesse não apenas


1
Minicurso ministrado no simpósio Juan Valera (1824-1905) y la cultura de su tiempo, no Instituto
Cervantes do Rio de Janeiro, em 20 de agosto de 2005.
pelo autor, mas também pela própria integração entre o Brasil e o mundo hispânico, o

que o iberismo precursor de Valera provavelmente aprovaria.

1. Atividades desenvolvidas

1.1. Esquematização

As atividades foram desdobradas em três blocos de idéias. Inicialmente, foram

apresentados comentários sobre as cartas de Valera utilizadas no minicurso, traçando

considerações sobre as perspectivas do autor. Em uma segunda fase, foi procedida uma

sinopse histórica da cidade do Rio de Janeiro, desde sua fundação até a chegada de

Valera à capital imperial, em 1851.

Após tais ambientações, foram conduzidos trabalhos de leitura, análise e

discussão dirigida entre grupo de trechos das cartas de Valera associados a temáticas

específicas da sociedade carioca da época, visando uma reconstrução de elementos a ela

inerentes, dentro de uma pressuposta visão do autor. Consolidando esta prática, os

participantes foram estimulados a expressarem, ao final do minicurso, as idéias

construídas sobre os temas abordados.

1.2. As cartas de Juan Valera

A alusão às cartas de Valera a Estébanez, que introduziu ao minicurso,

procurou destacar a peculiaridade das informações transmitidas por tais documentos.

Especificou-se a amizade dedicada por Valera a Estébanez, o que o levou a dirigir-se ao

amigo em suas cartas em perceptível grau de sinceridade, despido de receios na

narração de suas impressões sobre a cidade que desvendava. Abordou-se, da mesma

forma, a relevância de tais cartas por terem se configurado como parte de um processo

de auto-descoberta de Valera como escritor de prosa, como bem destaca a Profª Piñero

Valverde (1995), através do incentivo de Estébanez, admirado com o estilo irreverente e


perspicaz com o qual são narrados fatos do cotidiano e descritas as pessoas do convívio

do autor.
1.3. Contextualização

O resumo histórico do Rio de Janeiro foi apresentado com o intuito de

contextualizar a cidade encontrada por Valera. A ênfase recaiu sobre componentes

factuais que possibilitaram conduzir à formação do Rio como a capital do império de

meados do século XIX encontrada por Valera. Para tal, a seguinte cronologia foi

seguida:

1502 1º de janeiro – Gonçalo Coelho chega à Baía de Guanabara, que recebe o


nome de Rio de Janeiro.
1503 10 de junho – Segunda expedição dirigida por Gonçalo Coelho.
1504 Maio – Fundação de feitorias em Cabo Frio e no Rio de Janeiro.
1519 Fernão de Magalhães permanece no Rio de Janeiro por dez dias e produz as
primeiras linhas a descreverem a baía da Guanabara (Serrão, 1965: 21).
No Mapa Terra Brasilis, de Lopo Homem, aparece o nome “R. de Janeyro”.
1534 Martin Afonso de Souza recebe as capitanias do Rio de Janeiro e de São
Vicente.
1555 Nicolas de Villegagnon funda a França Antártica na baía do Rio de Janeiro.
1560 A França Antártica é destruída.
1565 1º de março – A cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro é fundada
próxima ao Pão de Açúcar, por Estácio de Sá, parente do Governador-Geral
Mem de Sá.
1567 O povoado é transferido para o Morro do Castelo. Destruído em 1922, seus
entulhos serviram de aterro na baía e abriram espaço para a atual região do
Castelo, no centro da cidade. A terra retirada do Castelo foi usada para aterrar
parte da Urca, Lagoa Rodrigo de Freitas, Jardim Botânico, área do Jóquei
Clube, e muitas áreas da baía de Guanabara.
1628 Os beneditinos erigem um convento no Morro de São Bento.
1641 A parte urbanizada da cidade se estende até a Rua da Vala (atual
Uruguaiana).
1676 Criação da Diocese do Rio de Janeiro.
1710 Ataque do corsário Duclerc contra o Rio de Janeiro.
1711 Duguay-Trouin toma e saqueia o Rio de Janeiro.
1763 O Rio de Janeiro passa a ser a capital do vice-reino do Brasil.
1792 21 de abril – Execução no Rio de Janeiro de Joaquim José da Silva Xavier
(Tiradentes).
1808 8 de março – A Corte Portuguesa se instala no Rio de Janeiro.
13 de maio – D. João funda a Impressão Régia.
1813 Inaugurado o Teatro Real São João.
1818 6 de junho – Criação do Museu Real (atual Museu Nacional).
1821 26 de abril – Retorno de D. João VI a Portugal.
1822 Independência e aclamação de D. Pedro como Imperador do Brasil.
1831 7 de abril – Abdicação de D. Pedro I.
1841 D. Pedro II é sagrado Imperador do Brasil.
1851 Chegada de Valera ao Rio de Janeiro.

1.4. Prática

Uma vez transpostas as etapas acima, os participantes foram convidados a

iniciar um processo de identificação da perspectiva do autor na abordagem da cidade e

de sua sociedade. Para tal, foram oferecidos 4 temas centrais, em torno dos quais foram

desencadeadas as discussões:

– Retrato Simbólico da Sociedade Brasileira

– A cidade vista por Valera

– Vida Feminina

– Vida Escrava

Os temas foram relacionados a passagens das cartas de Valera a Estébanez

Calderón e explorados por meio de roda de leitura, discussão em grupo e exposição dos

aspectos levantados. Em cada bloco temático, após um período de reflexão e debates

internos, os grupos apresentaram seus pontos de vista sobre o questionado. As

colocações emitidas pelos participantes foram corroboradas como pertinentes e foram

acrescentados alguns comentários sobre cada elemento levantado, particularizando-se a

conjuntura social daquele recorte histórico.


O material necessário para a análise e condução às conclusões dos

participantes foi disponibilizado por meio de textos de apoio e atividades específicas,

conforme os modelos que passamos a apresentar.


1.4.1. Retrato simbólico da sociedade brasileira

1.4.1.1. Texto utilizado

TEXTO DE APOIO I

Retrato simbólico da sociedade brasileira


Río de Janeiro, 9 de marzo de 1853 (Valera, 1966: 99)
Aunque peque ya de pesado, como sé lo que Don José estaba sentado en uno como trono; pues
usted gusta de las cosas de don José, no quiero aunque era silla, por la gran prosopopeya y
dejar de contarle una notabilísima, que hoy acaba gravedad con que don José la ocupaba,
de suceder en casa. El cochero es un mulato muy cualquiera la tomaría por trono, y aun de los más
truhán, paseante y enamorado, y toca con tal autorizados y legítimos. A un lado y a otro se
primor la guitarra, y canta con tanta alma las parecían el criado gallego, y un pedestre hombre
modinhas y londuns (canciones populares de la policía o esbirro ambos con sendos bastones
brasileñas) que Su Excelencia dice y afirma en las manos, y delante de don José, de rodillas, y
seriamente que es un bardo, y que con su cítara casi el rostro contra el suelo, en actitud de quien
trae embobados a cuantos tienen la dicha de oírle. pide perdón, yacían postrados el bardo, cuatro o
Todas las mozas del barrio, negras y pardas, cinco negros, unos grandes y otros chicos, pero
andan locas por él, y él aprovecha con ahínco de todos feos y asquerosos, una mulata joven y dos
estas locuras; por manera que se va poniendo muy negras sus compañeros. Esta gente, arrepentida y
delgado y lastimoso. Mas no por eso se arrepiente contrita, lloraba, gemía, aullaba, y pedía a don
y deja sus malas mañas, antes bien se engolfa más José protección y amnistía general. Al principio
en ellas cada día. Hace tres que desapareció y no no comprendí yo bien lo que significaba toda
vino a dormir en otras tantas noches, ni de él aquella barahúnda: pero poco a poco vine a
tuvimos noticia alguna, dando ocasión a que su entenderla, y supe que la reunión de los afligidos
amo se afligiese en extremo del quebranto y echados por tierra componía lo que llaman aquí
pecuniario que de la fuga o muerte del bardo un coito y que el coito entero y verdadero,
había de originarse. Para aclarar el misterio, y
suplicaba a don José que no los denunciase,
evitar el mal, si aún era dable, se empezaron a
porque irían sin falta a la casa de corrección,
hacer pesquisas y diligencias, pero fueron
donde les darían unas cuantas docenas de
inútiles; y no se creería sino que el bardo se lo
bergajazos diarios. Estaba don José amoscado y
había tragado la tierra, o por mejor decir, se le
severo, porque le habían escondido tres días
habían nevado al cielo los serafines. El único
consecutivos a su bardo en el seno del coito, que
rastro que se halló de él en este mundo fue la
no estuvo más Jonás en el de la ballena; y sobre
cítara, que por mil y tantos reis estaba empeñada
este tema y argumento enjaretó un discurso nada
en una taberna. Por último, esta mañana, ya casi
breve, en lengua mixta, y todo él empedrado de
muerta la esperanza, me despertó una grande
qué sé yos, y de naranjas chinas, que ya no lo
gritería y estruendo, que por toda la casa
soltaba hacía tiempo. Los suplicantes le oyeron
resonaba, como si se fuera a hundir. Me levanté y
vestí apresurado, y subí a ver lo que era; y por silenciosos y compungidos; y como don José es
fortuna mía llegué a tiempo de ver la más bondadoso de suyo, acabaron con el que los
extraordinaria escena que pueda imaginar el más perdonase y absolviese. En resolución el coito se
fecundo y chistoso ingenio del mundo. Ojalá fue; y el mulato se queda, pero sin castigo, y
supiera yo, con el mezquino y seco ingenio mío, dispuesto a hacer otra escapatoria, cuando menos
pintarla y encarecerla en el corto espacio que esta don José se lo percate.
carta me deja.
J. Valera
1.4.1.2. Trabalho pedido

ATIVIDADE – TEXTO I

Retrato simbólico da Sociedade Brasileira

Podemos extrair do texto representações de quatro componentes da sociedade

imperial.

Identifique-as:

IMPERADOR

ESTRUTURA
ADMINISTRATIVA

FORÇA

POVO
1.4.2. A cidade vista por Valera

1.4.2.1. Texto utilizado

TEXTOS DE APOIO II

A cidade vista por Valera


A - Río de Janeiro, 13 de febrero de 1852 (Valera, 1966: 65)

Río de Janeiro está fundada en una bahía cercada mosquitos, salamanquesas, alacranes y otros monstruos
de montañas magníficas, y sembrada de infinidad de horribles y asquerosos. La fecundidad de esta tierra se
islas, que parecen otros tantos canastillos de flores. La comunica también al hombre, y si no pare, se empreña
vegetación más frondosa y admirable hace de sus muy a menudo.
alrededores un paraíso. Las palmeras, los cocoteros, la Es cosa corriente que se le llenen a uno los
canela, el clavo, el segú, los bambúes colosales y cojones de agua, o que le crezcan en ellos carnosidades
pomposos y no sé cuantas plantas más, siempre verdes y voluminosas: por manera que cuando se ve pasar un
cargadas de frutos sabrosos y de flores de aroma regimiento, y no se está en el secreto, se puede muy
singular, y de vivísimos matices, no sólo adornan los bien imaginar que los soldados llevan entre las piernas
jardines, sino que muchos crecen naturalmente en la mochila. Mi jefe me ha confesado que si bien un
poético desorden, y con mayores galas, por aquellos cirujano, Moisés, ha hecho repetidas veces milagros en
sitios donde la mano del hombre aún no ha llegado. Las sus testes, todavía los tiene con tres dedales de agua, por
más lindas mariposas, lo menos. Es de notar que mi jefe hace treinta y cinco
Joyas con alas, voladoras flores que en su anos que vive en el Brasil, y puede pasar por un
manto nupcial céfiro lleva, en la rica verdadero cuadro sinóptico de todos los males que en él
estación de los amores, se padecen. Pero de los que más habla son del agua
aquí pueblan de continuo el aire, y por las noches se testicular y de otra cierta dolencia recóndita que él
ilumina y se enciende con el brillo de las numerosas describe con una palabra harto gráfica, llamándola “su
luciérnagas que vuelan en él. Pero yo me fastidio sin tomatera”. De todos estos primores me anuncia, con la
embargo; el calor me mata, y un dolor de estómago casi más inocente sangre fía, que he de disfrutar yo con el
continuo me quita el gusto para todo. Las calles de la tiempo: brillante porvenir a la verdad. La sífilis es aquí
ciudad están mal empedradas, los coches son caros y más variada y exquisita que en Europa, y así mismo
detestables, las distancias enormes, la comida todo género de fiebres y de enfermedades cutáneas.
nauseabunda, los negros que la sirven descalzos de pie y J. Valera
pierna y apestando a lo chotuno, y las habitaciones mal
alhajadas, y llenas de arañas, curianes, lagartijas,
B - Río de Janeiro, 12 de agosto de 1852 (Valera, 1966: 73)

No crea usted con todo, que estoy arrepentido En el momento de escalar las nubes, y las
de haber visitado este país, pues a pesar de sus islas flotantes paraísos,
inconvenientes, es por extremo hermoso y digno de y el mar su claro espejo. Aquí la vida
verse; y ahora, que estamos en invierno, Rompe, como los ríos, caudalosa
agradabilísimo su clima, y menor la cosecha de Por los abiertos poros de la tierra,
avechuchos dañinos. (...) paseo a caballo con Bryan, y en el aire sereno se dilata.
y varios amigos de la diplomacia; y no queda Oro y diamantes en las rocas cría
rincón, ni bosque ni vergel por estas cercanías que Su plástica virtud. Aquí la sangre Hierve con el calor
yo no recorra: no ha mucho escribí unos versos, en en nuestras venas.
los cuales, entre mil garatusas fantásticas y
meditabundas, iba engarzada la siguiente
(...) EI ir asaetadas mis cartas consiste en que
descripción.
por aquí la fiebre amarilla ha hecho de las suyas, y
Me encontré al despertar en las aunque ya mitigó sus rigores, es probable que vuelva
remotas Playas de Nieteroy, do con el verano. Yo no la temo, pues en mí no tiene
calienta dónde clavar el diente, y si muero ha de ser como
El sol la tierra con fecundos rayos, murió Laura.
y brotan flores, adorantes, ricas,
y gigantescos árboles pomposos
De perenne verdura: do los montes
J. Valera
Asemejan titanes fulminados

1.4.2.2. Trabalho pedido

Foi solicitado aos grupos que identificassem nos textos peculiaridades,

contrastes e outros elementos discursivos que apresentassem, através de uma análise

reflexiva, a visão do autor sobre aspectos físicos da cidade e de sua população.


1.4.3. Vida feminina

1.4.3.1. Texto utilizado

TEXTOS DE APOIO III

Vida feminina

A - Río de Janeiro, 10 de marzo de 1852 (Valera, 1966: 70)


Esta señorita, que cuenta ahora ocho o que a veces me dejo llevar con gusto por la de
nueve primaveras, siempre está llorando y dando mis vecinas; pues, como arte es todo sentimiento,
gritos, y sólo se apacigua y distrae cuando una y las mujeres, por zafias y tontas que sean, son
esclava le rasca las espaldas, o cuando ella misma sentimentales, casi sin sospecharlo, cuando
acaricia a su hermanito a coces y bocados. Don cantan ponen muy a menudo notable ternura en
José la suele decir para tranquilizarla: “Vamos, el canto; y lo poco o lo mucho bueno que
picarilla, no seas caprichosa”, o “Guarda esos esconden en el alma, sale por la garganta entre
caprichitos para cuando tengas quince años, que notas, gorgoritos, y suspiros; y más, cuando están
no ha de faltar entonces quien te los satisfaga”. solas, que entonces el Dios se apodera de ellas
Atrevidísima proposición, que sólo puede con más libertad; por lo cual suele traer tanta
disculpar el cariño paterno, pues la muchacha es fuerza amorosa la voz de la mujer, y herir el
fea como el pecado. corazón.

(…) Todas las damas que viven en esta calle (...) En punto a mujeres, hay algunas
cantan, y mientras más calor hace, más cantan, a la bonitas entre las de alto copete, y más bonitas
manera de las cigarras y de los grillos. La vecinita aún entre las de medio pelo; si bien la recelosa
de enfrente sigue con el furor della tempesta, erre condición de los maridos, el poco trato, y mil
que erre sin acabarle de aprender, y todas las otras circunstancias no me dejan probar mi negra
mañanas me despierta, como las aves a Fray Luis fortuna. En la calle principal de las tiendas,
de León con su suave canto no aprendido. Viene donde las hay lujosas y bien surtidas no faltan
algunas veces a verla una amiga suya, también ninfas del Sena, graciosas, y dadas a liviandades;
cantora, y me salen enseguida ambas con el pero esta escuela de amor, yo no la curso (…)
delicioso e inspirado dúo de Semiramis y Arsaces;
y entonces, a pesar de los encantos que en sí (…) Sin embargo a una tal Mme. Finet,
misma conserva siempre, aunque mal tratada vendedora de perfumes, guantes, y otras niñerías,
música tan divina, no puedo menos de pensar que ya le daría yo un mes mi sueldo por un par de
estoy oyendo los gritos de los cochinillos, cuando nochecitas de gaudeamus. Ella entretanto se
Si sentono atrappar dalle muestra castísima, y me hace comprar infinidad
coltelle E tirar fuera certe de baratijas y esencias: de modo que ando
bagatelle sumamente oloroso.
y con todo eso, tal es el influjo poderoso de la
música
J. Valera
B - Río de Janeiro, 12 de febrero de 1853 (Valera, 1966: 89)
No vaya a creer usted por esto que aquí arte de enamorar, sabe un punto más que el
toda la gente es ordinaria, y que lo e todo y para demonio. A mí me tiene frito dos meses ha; y si
todo. Personas hay, en particular del sexo fuera a poner aquí por escrito todas las aventuras
femenino, que son elegantísimas, ya por instinto que he tenido con ella y las graciosas pillerías
natural, ya porque los diplomáticos las han que ha hecho conmigo, sería cosa de nunca
desvastado, barnizado y puesto en limpio. Y entre acabar. Baste sobre este asunto que yo le envíe a
estas mujeres de hablo, hay una que la echaría yo usted, como le envío adjuntos, y que usted lea
a pelear con las más pulidas de Europa, porque los versos que la hice, cuando el Amor, si ya no
no sólo es cortesana en el vestir y en los modales, me había herido, se preparaba a herirme el
sino toca y se encumbra a lo científico y sublime, corazón con sus flechas.
como otra nueva Aspasia; y en cuanto al
J. Valera

C - Río de Janeiro, 8 de abril de 1853 (Valera, 1966: 104)

Una de las cosas que más admiran, es que entienden y las desprecian. Algunas damas se han
ni hombres ni mujeres piensan en Dios, ni para dado últimamente a las ciencias filosóficas, para
bendecirle, ni para negarle, ni para blasfemar de enmendar esta falta de los hombres; y una de
su nombre. Las fiestas y ceremonias religiosas no ellas, que vive en esta misma calle, se va
pasan de un entretenimiento. Los estudios de los haciendo tan docta que, según su marido, sabe el
letrados brasileños son administrativos, porqué de todo: y por ejemplo, añade él, apenas
económicos y políticos; pero las altas cuestiones mi mujer ve una silla, averigua de donde procede.
de filosofía, no las
J. Valera

D - Río de Janeiro, 4 de agosto de 1853 (Valera, 1966: 123)

Desde que llegué al Brasil, puso los ojos en Yo lo procuro: pero en vano. Ni Hércules lo
mí una cotorrona sabrosa, ex prima donna, y conseguiría. ¿Quién ha de llenar aquel pozo sin
casada hoy con el Alfio de Río de Janeiro, fondo? Duerma pues tranquila la graciosa doña
usurero riquísimo. Yo la había siempre Carolina, hija legítima del primer matrimonio de
desdeñado; pero don José me aconsejó que Alfio, y esposa del señor Delfin-Pereira, hermano
cediese y me entregase. de la Buchental.
(…) Ma Jeannette está empeñada en que le
haga yo un chiquillo para que herede al viejo
ladrón de su esposo. J. Valera
1.4.3.2. Trabalho pedido

ATIVIDADE – TEXTOS III

Vida feminina

Nos textos A, B, C e D verificamos abordagens diversificadas de Valera sobre

mulheres do Rio de Janeiro da época.

Destaque pelo menos um perfil feminino de cada texto:

MULHERES
1.4.4. Vida escrava

1.4.4.1. Texto utilizado

TEXTOS DE APOIO IV

Vida escrava

A - Río de Janeiro, 8 de septiembre de 1852 (Valera, 1966: 82)


Entiendo asimismo que hay aquí tres En estos últimos días ha habido ocho o
grandes problemas filosóficos sociales que nueve muertes por el estilo, y todas de negros: así
resolver o elucidar, y son: primero, si los indios es que don José está atribulado, y con el alma en
podrán trocar por la vida sedentaria de colonos y un hilo cuando alguno de los suyos sale a la calle;
labriegos la errante y selvática que llevan por pues teme, si le matan, perder 500 duros, precio
esos apartados yermos; segundo, buscar modo de exorbitante que ahora se paga por un esclavo
colonizar con chinos, coulis o europeos las regular.
ubérrimas soledades de este dilatado Imperio; y A pesar de esta carestía, y de cuanto digan
por último, impedir que se aumenten los esclavos los economistas, yo imagino que el trabajo de los
con otros nuevos que venga de Africa; pues los esclavos es más barato que el de los hombres
tres millones y medio de negros que hay ya por lo libres; ello es que los negros comen mal, andan
menos en esta tierra deben poner miedo a los más medio desnudos, y por no gastar, ni zapatos
audaces de los blancos.
gastan. Ya veremos si trabajan por menos los
chinos que emigran a Australia, a la India y a
(...) Los negros tienen ahora, sin embargo,
Cuba. Pero no quiero meterme en honduras; allá
sus cantos, sus bailes, y sus juegos gimnásticos
(...) se las hayan negros y blancos y chinos; pues lo
Este juego se llama la capoeira, y tiene sus que a mi verdaderamente me interesa, y conviene
diestros, sus reglas y sus academias, como la es que me saquen de aquí cuanto antes, si no
esgrima o la tauromaquia. Pero lo más notable y quieren verme morir de tristeza, como Ovidio en
peligroso es, que a veces algunos capoeiros se el Ponto, aunque sea atrevida comparación.
entusiasman y encienden por manera que dan en
una extraña y endiablada locura; y salen
corriendo por las calles, como furiosos, y al J. Valera
primero que topan le derriban de una cabezada.
B - Río de Janeiro, 8 de abril de 1853 (Valera, 1966: 102)
El asunto de la esclavitud, ya considerado inmorales, rudos y groseros, que darles libertad
en conjunto, ya por partes, es digno de la sería gran daño, y conservarlos en provechosa
ponderación del economista, del filósofo y del servidumbre tampoco es posible, por ahora, sino
político. Los ingleses se empeñan en extinguirla y con duros castigos, y continuadas amenazas.
la extinguirán sin duda, mas no sin trastornos y
males. Dícese que hay aquí tres millones de (...) Y volviendo ahora a la esclavitud,
esclavos, y que las mujeres andan tan escasas que entiendo que trae consigo notable inmoralidad
apenas a cada diez o oce negros les tocará una para toda clase de personas. Muy a menudo se
mujer. De estas dichosísimas matronas, muchas se ven aquí señores que hacen de sus esclavas,
enredan con los blancos, sus señores; otras viven concubinas, y de sus hijos, esclavos.
desordenadamente, y poquísimas se casan por no
estar la poliandria legalmente establecida. La (...) Cuando la prole empieza a blanquear
población negra disminuye, por lo tanto, de demasiado, la revuelven y mezclan con negros de
continuo, y como la colonización no toma los más negros, y así la sostienen en un color
incremento, ni se buscan eficaces arbitrios para adecuado a la esclavitud y nada escandaloso.
que lo tome, sospechan muchos, y temen que han
de faltar brazos para la agricultura, fuente J. Valera
principal de la riqueza del país. Los negros son,
por lo común, tan

1.4.4.2. Trabalho pedido

Após a leitura dos textos, foi abordada a relevância do tema para o

entendimento da época em que Valera viveu no Rio de Janeiro e os grupos foram

estimulados a traçar considerações sobre o assunto.

1.4.4. Consolidação

Terminadas as atividades acima delineadas, os participantes receberam, ainda

integrados em grupo, uma transparência onde deveriam registrar uma palavra ou

expressão que sintetizasse a perspectiva de Valera sobre cada um dos temas

apresentados, conforme o modelo abaixo:


Escreva uma palavra ou expressão que sintetize a idéia que você possui sobre

a perspectiva de Valera sobre pelo menos um dos temas abaixo, referentes ao Rio de

Janeiro do século XIX:

RETRATO DA A CIDADE VIDA FEMININA VIDA ESCRAVA


SOCIEDADE

Após a realização da atividade, as transparências foram projetadas e as idéias

apresentadas aos participantes como representativas do trabalho de reconstrução do

cotidiano da sociedade carioca e da própria cidade por meio das cartas de Valera e sob a

perspectiva do autor, objetivos aos quais se propunha o minicurso.

2. Conclusão

Os trabalhos desenvolvidos geraram debates e abordagens diversificadas e

culturalmente edificantes sobre o assunto ao qual o título do minicurso nos remete.

Entretanto, mais do que o ganho cognitivo alcançado, podemos valorar prioritariamente

a utilização de Juan Valera na reflexão sobre a sociedade carioca de meados do século

XIX e as possibilidades de tal exploração didática na construção de uma postura

intercultural na geração do conhecimento.

Evidencia-se este potencial de utilização pedagógica na constatação que, em

uma atividade de curta duração como o minicurso apresentado, lidamos, ao mesmo

tempo, com Literatura Espanhola, História do Brasil, Geografia, Sociologia,

Antropologia Cultural, Ciência Política e Filosofia. Destacamos a figura do autor,

abordamos sua época, vislumbramos algumas motivações e contextos de sua obra,


discutimos elementos da formação da sociedade brasileira e, conseqüentemente,

integramos a imagem de Juan Valera ao Brasil.

Acreditamos, portanto, que os objetivos tenham sido alcançados, não como

proposta de estudo aprofundado dos temas tratados, até mesmo pela exigüidade do

tempo disponível para tal e a dimensão permitida, neste contexto, às atividades

desenvolvidas, mas principalmente, no sentido de contribuir com a bem sucedida

intenção expressada no simpósio de retratar o homem, o autor, sua obra e seu tempo.

Bibliografía

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