REAPROVEITAMENTO DE RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO (RCD) NA

CONSTRUÇÃO CIVIL
Helena Trivellato, Luiza Nunes e Marina Menicucci
Resumo
A preservação ambiental e a preocupação com os recursos naturais têm ganhado espaço nos
últimos anos. A Indústria da Construção Civil é considerada de grande importância para o
desenvolvimento econômico e social, mas é também uma das maiores geradoras de resíduos. Sendo
assim, os Resíduos de Construção e Demolição (RCDs) ganham destaque e suas aplicações em
processos de reciclagem e reutilização tem se mostrado uma boa alternativa para redução do
impacto causado pelo seu gerenciamento inadequado nos canteiros de obras e dificuldades para
disposição. As possibilidades para transformação e aplicação destes resíduos dentro ou fora do
próprio setor de construção são variadas, e devem ser analisadas considerando-se cada um dos
locais e situações. Neste trabalho, são apresentados os processos de geração de RCDs (relacionados
aos métodos construtivos, variáveis para cada localidade), a legislação aplicável, os impactos
ambientais causados pela disposição inadequada e alguns dos processos possíveis para a reciclagem
(com produção de agregados e blocos) e reutilização destes materiais para a construção civil (em
pavimentações) e como corretores da acidez e capacidade de retenção de água dos solos.
Palavras-chave: resíduos, reaproveitamento, RCD, resíduos de construção e demolição.
Introdução
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para o desenvolvimento econômico e social, e vem desenvolvendo-se nos últimos anos devido ao
aumento acentuado da população, principalmente, nos grandes centros urbanos. Por outro lado, é
grande geradora de impactos ambientais, seja pelo consumo de recursos naturais, pela modificação
da paisagem ou pela geração de resíduos (SILVA et al., 2010).
Os resíduos de construção e demolição (RCD) são aqueles gerados nas atividades de
construção, manutenção e demolição de edificações civis. De acordo com a norma NBR 10.004
Resíduos Sólidos - Classificação, os RCD são classificados, na classe IIB - inertes - e são definidos
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BNT
NBR10007, e submetidos a um contato estático ou dinâmico com água destilada ou deionizada, à
temperatura ambiente, conforme a ABNT NBR 10006, não tiverem nenhum de seus constituintes
solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água, excetuando-se os
padrões de aspecto, cor, turbidez, dureza e b .” N
307
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Ambiente - CONAMA 307/2002, os RCD são classificados em quatro classes, de acordo com as
possibilidades de reciclagem (A - reutilizáveis ou recicláveis como agregados; B, recicláveis para
outras destinações tais como os plásticos e c, sem tecnologia de reciclagem economicamente viável)
ou periculosidade dos resíduos (classe D). A Classe A é composta por materiais naturais como
concretos, argamassas, tijolos e telhas cerâmicas, rochas naturais, solos entre outros.
Metodologia
Com o objetivo de aprofundar os estudos a sobre os resíduos de construção e demolição
(RCD) na construção civil, este artigo consiste numa revisão bibliográfica a respeito destes
resíduos, contando com um breve histórico a respeito de sua geração, legislação relacionada,
impactos ambientais gerados e, finalmente, reaproveitamento dos RCD. Para isso, fez-se uma
pesquisa extensa na internet em busca de artigos relacionados ao tema, para a posterior escrita e
1

pisos. estacionamentos. No Brasil. tintas. isolamento. tubos e embalagens Cobertura Madeira. tubulações. a composição dos resíduos de construção e demolição difere-se em cada etapa da obra. Por fim. forros. são: qualidade da mão-de-obra. superfícies de pavimento rígido Fresado de revestimento asfáltico Calçadas para pedestres e estruturas de pavimento feitas com Concreto Asfáltico de Petróleo (CAP) Ainda segundo Oliveira (2014). De acordo com Oliveira (2014). fatores esses que dependem diretamente do estágio de desenvolvimento da indústria local de construção (COSTA. Geração do RCD Os Resíduos de Construção e Demolição (RCD) são aqueles gerados em construções. mas sempre há um produto que sobressai. os RCDs possuem origens diversas e apresentam frações diferentes de materiais utilizados na construção. barras e cabos de aço Plásticos Revestimentos de vinil.. madeiras e compensados. telhas cerâmicas Papelão Geralmente usados para proteção de itens a serem instalados Concreto Fundações. bem como remanescentes de demolições. resinas. os RCD podem ser classificados por categorias:  Resíduos gerados pela total ou parcial demolição de edifícios e/ou infra-estruturas civis. sendo esse diferente em cada país devido às tecnologias construtivas utilizadas. comumente chamados de entulhos de obras. argamassa. 2012). pisos. fiação elétrica etc. obras públicas e/ou fundações em geral. luminárias.organização dos tópicos deste artigo. Alguns fatores que determinam e influenciam nas características dos RCDs. tijolos. telhas de ardósia e azulejo. Alguns desses são: tijolos. 2002). espelhos. calçadas de pedestres. metais. portas. solos. os resíduos típicos que constituem os RCD nos Estados Unidos estão contidos na Tabela 1. caliças ou metralha (CONAMA.  Solo. gesso. concreto. reformas. além dos resíduos provenientes da preparação e da escavação de terrenos para obras civis. técnicas construtivas empregadas e adoção de programas de qualidade.  Resíduos produzidos pela aplanação de estradas e materiais associados a atividades de manutenção de estradas. rochas e vegetação gerada pela nivelação do pavimento.  Resíduos gerados pela construção de edifícios e/ou infra-estruturas civis. rochas 2 . inerte e heterogêneo. janelas. alvenaria de cimento Vidro Janelas. mantas asfálticas Alvenaria Blocos de concreto. o grupo desenvolveu uma conclusão a respeito do resíduo em questão o contexto atual em que ele se insere. plástico. pavimento asfáltico. Tabela 1: Materiais típicos que compõem os RCD nos Estados Unidos Materiais constituintes Exemplo da composição Madeira Formas de madeira. A partir das informações de Jiménez (2011). blocos cerâmicos. vidro. rochas. O entulho é um material. tocos de madeira/árvores Drywall Lajes de gesso acartonado Metais Tubos. De acordo com Costa (2012). cola. luzes Diversos Carpetes. como composição e quantidade. em sua maioria. os resíduos predominantemente gerados são compostos por concreto e argamassa. reparos e demolições de obras de construção. telhas.

69 Lauritzen (1998) apud Manfrinato 3 . no Brasil.45 Milani (1990) apud Pinto (1999) Suécia 1.470 t/m2.naturais e materiais cerâmicos. Em relação à geração de RCD a partir de reformas. normalmente. dependendo da origem (construção.150 t/m2. Os resíduos de construção civil podem representar. variando muito nas proporções de cada um deles (COSTA. representando uma parcela significativa dos resíduos sólidos urbanos (RSU) (COSTA.0 0. valores que variaram entre 0. em Mt/ano e toneladas/hab. menor que 100 kg/m2. cujos dados estatísticos estão indisponíveis e podem representar uma quantidade significativa em um município. 2011) da massa do volume total dos resíduos sólidos totais de uma cidade brasileira de médio a grande porte. foi. a partir de alguns estudos que visaram estimar a geração de RCD. 2012). Tabela 2: Porcentagem das composições dos RCDs em diferentes regiões do Brasil Lençóis Paulista SP São Carlos SP Macaé RJ 44 68 29 - 22 23 7 9 - 14 19 21 40 - 5 3 - 10 - 6 11 - 12 - 96 88 94. e isso se deve aos costumes locais e métodos construtivos diferentes utilizados nessas regiões (COSTA. principalmente. De acordo com Costa (2012). Essa variação depende do controle da produção implementado no canteiro de obras. O volume de resíduos oriundos das atividades construtivas é grande. Estados Unidos.. John (2000) Itália 35-40 0. reforma e demolição). Tabela 3: geração dos RCC relativo à geração de RSU e geração de RCC em localidades diversas Localidades Participação dos RCC na Massa Total de RSU Mt/ano Taxa de Geração (T/Hab. 2011) a 70% (MENEZES et al.7-1.. os resíduos gerados tem alto teor de madeira. levantamento de campo e análise do entulho bruto de Salvador.136-0. Em países desenvolvidos esse valor é.9 Material São Paulo SP Concreto e Argamassa 33 53 Solo e Areia 32 Cerâmica 30 Rochas Outros 5 Total de RCC Classe A 95 Salvador Recife BA PE 94 89 Fonte: Costa. A tabela 3 mostra a geração dos RCC relativa à geração de RSU e geração de RCC em localidades diversas. 2012).680 Tolstoy. a massa unitária do resíduo de construção e demolição determinada em três cenários: construção de conjuntos habitacionais populares. foi estimada a geração de RCD por unidade de área (m2) de edificações verticais. Ainda de acordo com Angulo et al.6-0. chega a 300 kg/m2. pois uma parcela importante da geração dos RCD é informal. Austrália e Canadá. A determinação precisa da quantidade de RCD é um desafio. a metodologia de quantificação de RCD. 1000 kg/m3. emprega índices de geração por unidade de área. (2011). 50% (ANGULO et al. em média. Borklund & Carlson (1998) apud Manfrinato (2008). em países como Inglaterra. variando em cada região do país. 2012.ano. Segundo Angulo et al. no Brasil. normalmente.050 e 0. Diferentemente do Brasil. o valor obtido foi de 0. A tabela 2 mostra a porcentagem das composições dos RCDs em diferentes regiões do Brasil.ano) Fonte Europa Ocidental ~66% 0. 2012).2-6.0 Lauritzen (1994) apud Pinto (1999) Suíça ~45% ~0. o valor de geração de RCC por m2. De acordo com Oliveira (2012). em média. (2011).

A partir da vigência desta lei.47 Pinto (1999) Ribeirão Preto . implantação e operação. John (2000) John (2000) 3.440-2. John (2000) Santo André .76 Pinto (1999) Campinas .68 Hong Kong (1993) apud Pinto (1999) ~1. Grosskopf.32 Ruberg (1999) apud Violin (2009) 0.Áreas de transbordo e triagem . fi q g g bi i b ig i g .  NBR 15113 . John (2000) Lauritzen (1998).PB Fonte: Costa.23-0.SP 62% 0. i g i bi mente correta.SP 54% 0.Diretrizes para projeto.SP 67% 0. iniciaram-se as implantações de planos de gerenciamento de RCD em canteiros.51 Pinto (1999) São José do Rio Preto . Esta norma fixa os requisitos exigíveis para projeto. EU (1999). Scapim (1996) apud Pinto (1999) 0.MG 0.48 México Brasil 69 0.2 0. Peng.(2008) Japão 99 Hong Kong EUA Alemanha ~0. (2004) Governador Valadares .010 John (2000) Canadá 0.SP 64% 0.33 0. (2007) Salvador .Resíduos da construção civil e resíduos volumosos .SP 58% 0. e normas técnicas foram elaboradas por Comitês Técnicos e publicadas pela ABNT em 2004.8-20. i ii . John (2000) Ruberg (1999) apud Violin (2009) Pinto (1999).4 Pinto (1999) Maceió . implantação e operação.33 Ruberg (1999) apud Violin (2009) Curitiba .Aterros . A NBR 15113 fixa os requisitos mínimos exigíveis 4 .76 Ruberg (1999) apud Violin (2009) Ruberg (1999) apud Violin (2009).463-0.BA 54% 41% João Pessoa .BA 0.PR 0. implantação e operação de áreas de transbordo e triagem de resíduos da construção civil e resíduos volumosos.Resíduos sólidos da construção civil e resíduos inertes .69 Holanda 12.495 Fonseca et al. 2012.5-34. Kibert (1994).325 John (2000) 2.MG Belo Horizonte .359 Bélgica Portugal Dinamarca EPA (1998).338 Athayde Junior et al.658 7.7 0.5 Hong Kong (1994) apud Pinto (1999) 39% 136-171 0.34 SLU (1999) apud Pinto (1999) Vitória da Conquista .ON M 307 00 .112 .As normas da ABNT relacionadas aos RCD estão listadas abaixo:  NBR 15.23 Limpurb (1999) apud Pinto (1999) 0.71 Pinto (1999) Jundiaí .Diretrizes para projeto. Legislação h N i M i bi .5 0.AL 0.2 0.584 > 60% 79-300 0.24 Ruberg (1999) apud Violin (2009) Rio de Janeiro .963-3.RJ 0.735-3.66 Pinto (1999) São José dos Campos .62 Pauluella.SP 70% 0.3-10.

" (CONAMA. com agregado reciclado de resíduo sólido da construção civil. A norma fixa os requisitos mínimos exigíveis para projeto. implantação e operação de áreas de reciclagem de resíduos sólidos da construção civil classe A. 1986) A indústria de construção civil é grande geradora de impactos ambientais. sub-base e base de pavimentos. a segurança e o bem-estar da população. Além disso.   para projeto. moscas.Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil . químicas e biológicas do meio ambiente. as atividades sociais e econômicas. causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que. fungos e vírus. denominado agregado reciclado. a biota.Procedimentos. (SANTOS.Requisitos. direta ou indiretamente. vermes. Os RCD. pela modificação da paisagem ou pela geração de resíduos. seja pelo consumo de recursos naturais. a disposição inadequada de RCD atrai vetores de patógenos. afetam a saúde. implantação e operação. bem como camada de revestimento primário.Áreas de reciclagem . as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e a qualidade dos recursos ambientais.Utilização em pavimentação e preparo de concreto sem função estrutural . Esta norma estabelece os critérios para execução de camadas de reforço do subleito. a definição de impacto ambiental é "qualquer alteração das propriedades físicas. em obras de pavimentação. bactérias. ratos. deteriora a paisagem urbana.Resíduos sólidos da Construção civil .Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil . NBR 15114 . compromete o tráfego de pedestres e veículos. tais como: baratas. A norma estabelece os requisitos para o emprego de agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil. NBR 15115 . 2007). implantação e operação de aterros de resíduos sólidos da construção civil classe A e de resíduos inertes. danifica a drenagem urbana e pode constituir uma ameaça à saúde humana.Diretrizes para projeto. Impactos ambientais gerados pelo RCD De acordo com a Resolução CONAMA 001/1986. 5 . quando dispostos inadequadamente poluem o solo.Execução de camadas de pavimentação . NBR 15116 . Figura 1: Flagrante de disposição de resíduos não inertes em caçamba coletora de RCD.

Reciclagem dos RCD: RCD-R Para Zordan (1997). com a utilização de tijolos. vários estudos têm sido realizados em universidades e centros de pesquisa. a reciclagem é mais que uma maneira de diversificar e aumentar a oferta de materiais de construção. A prática da reciclagem dos RCDs é antiga. por exemplo. podendo também viabilizar reduções de preço. apontando o seu uso principalmente para pavimentação. 2007). contribuindo com a redução de sua vida útil (MIRANDA et al. A fiscalização inadequada pelas autoridades e a falta de conscientização ambiental da população com o destino do entulho gera aterros clandestinos. 2009). mas também os gerados em outros setores. cerâmicas. 2007. mineração. mas o número de centros habilitados para reciclagem de RCDs ainda é pequeno (SANTOS. Os resíduos têm grandes possibilidades de reutilização na indústria da construção civil. tendo o seu início ainda no Império Romano. quando cidades ficaram cobertas por escombros e a necessidade de destinação dos mesmos impulsionou o desenvolvimento de tecnologias de reciclagem. áreas de "bota-fora" e a consequente degradação de áreas urbanas e assoreamento de corpos d'água.Fonte: Santos. pois esta incorpora não somente os próprios resíduos. estudando todas as etapas e impactos gerados desde a fabricação até o descarte final do mesmo. vermelhos (predominam cerâmicas vermelhas) e mistos (argamassas. 6 .. cabe aos geradores o gerenciamento adequado dos resíduos de construção e demolição buscando formas de reaproveitamento. materiais betuminosos. Os RCDs são classificados em três tipos: cinza (predominam materiais cimentícios). Visto que a geração de RCD é inevitável. como de indústrias metalúrgicas. A grande geração de RCD constitui um volume significativamente alto em aterros sanitários em relação ao volume destes. A consolidação só ocorreu após a Segunda Guerra Mundial. Uma ferramenta útil para a avaliação de impactos ambientais de um produto é a análise de seu ciclo de vida. etc. e o processo segue como mostrado no fluxograma da Figura XX. Na usina de reciclagem de São Carlos – SP. telhas e pedras triturados para construção. os resíduos são usados para produção de agregados e blocos. No Brasil.

Figura 2: Fluxograma da usina de reciclagem de São Carlos . caso esse material seja disposto em aterros. etc) e então passam pelos processos de britagem e peneiramento. Como a composição dos RCDs é variável. como contrapiso e componentes de alvenaria. A eficiência do reaproveitamento dos resíduos de construção e demolição depende do conjunto de instruções acompanhadas de avanços tecnológicos e de procedimentos cientificamente testados (JIMÉNEZ. uma vez que esse representa uma parcela importante dos resíduos sólidos urbanos. Esses agregados reciclados também podem ser utilizados como regularização ecascalhamento em ruas de terra. obstrução dos sistemas de drenagem. Os Resíduos de construção e demolição podem ser reaproveitados como agregado para concreto de baixa resistência. uma vantagem em relação às britas corridas comuns é a coesão proveniente de reações pozolânicas que o tornam menos erodíveis.  Pavimentação de vias De acordo com Jiménez (2011). proliferação de agentes transmissores de doenças. produção de blocos de cimento. e degradação da paisagem urbana. fabricação de blocos pré-moldados para pavimentação. Na Suécia. 2007 Reaproveitamento do RCD Os resíduos de construção e demolição podem ser reutilizados de diversas formas. pode reduzir drasticamente a vida útil dos mesmos. esses agregados reciclados de concreto têm sido usados para diferentes camadas na estrutura de pavimentação e com isso. ocupação de vias e logradouros públicos.rochas. O estudo das formas de reaproveitamento dos RCDs é de grande importância. a sua resistência ao longo do tempo. Além disso. materiais para drenos ou para recheio de estruturas de contenção. assoreamento de rios e córregos. a variabilidade das propriedades e características dos RCD-R são influenciadas por essa composição. pavimentação de rodovias. os agregados reciclados podem ser utilizados na produção de concreto e argamassa para fins diversos. 2011). Um exemplo usado na Austrália é a mistura de agregados reciclados no concreto com quantidades limitadas de tijolos britados e solos para obtenção de um produto reciclado considerado adequado para uso em pavimentação. A pavimentação com resíduos de construção e demolição dependerá da sua composição e 7 . aumentando assim. obteve-se um incremento no módulo de resiliência segundo os diferentes períodos de cura. construção de calçadas etc. Os resíduos dispostos de maneira incorreta podem ocasionar sérios impactos ambientais tais como degradação de áreas de mananciais e proteção permanente.SP Fonte: Santos.

incluindo o revestimento. resistência à compressão não confinada. Vários estudos têm sido feitos para verificar a viabilidade do uso na área de pavimentação no Brasil. apresenta um tipo de solo com pH baixo. durabilidade em sulfato de magnésio. análise mineralógica por difração de raios X. desde que os RCD sejam convenientemente reciclados (JIMÉNEZ. o reforço de subleito. temperatura ambiente. análise elementar CHN. a sub-base. a base.das condições locais que incluem: intensidade das cargas mecânicas induzidas pelo tráfego rodoviário.. já tiveram experiências com o uso de materiais alternativos na pavimentação e concluíram que esses apresentam boas condições de uso. As estruturas envolvidas em uma obra rodoviária podem ser constituídas de materiais recicláveis. 2012). Deve-se considerar ainda a localização do material alternativo e o custo de transporte para verificar se o seu uso é viável em pavimentação (JIMÉNEZ. por exemplo. Por exemplo. Algumas cidades como Belo Horizonte. índice de suporte Califórnia. caracterizando os RCD nos âmbitos físicos. Salvador. ensaio de pH. alguns ensaios devem ser feitos. Figura 3: Diferentes usos de materiais reciclados em pavimentação.Em sua maioria. Dentre eles estão: distribuição granulométrica. São Paulo. 2010). massa específica e densidade dos agregados graúdos e miúdos que compõem o RCD. análise geoquímica. equivalente de areia (EA). o que dificulta a utilização de agregados reciclados é sua aparente heterogeneidade. alta concentração de Al3+ e baixos teores de 8 . ensaio de compactação em laboratório. no Brasil. 2012) A fim de verificar se os usos dos Resíduos de Construção e demolição estão de acordo com o material usado para a pavimentação de vias. umidade. 2012). 2012). as drenagens subsuperficiais para controle do nível freático e também as barreiras antirruído (JIMÉNEZ. Goiânia. Ainda segundo Jiménez (2012). limites de Atterberg. químicos e mecânicos. avaliação de quebra de grãos. Fonte: (JIMÉNEZ. resistência ao desgaste por abrasão. O cerrado brasileiro. Rio de Janeiro. os resíduos de construção e demolição são constituídos de materiais de classe A e possuem características satisfatórias para o uso na pavimentação de vias (JIMÉNEZ. 2012). cerca de 5. João Pessoa e Salvador. uma vez que promove a liberação de elementos tóxicos as plantas (Alumínio) e diminui a disponibilidade de nutrientes para as mesmas é a acidez do solo (LASSO et al. módulo de resiliência. A figura 3 mostra essas estruturas.  Corretivo da acidez do solo Um dos fatores que reduz o potencial produtivo dos solos brasileiros. ganho de resistência por cimentação dos RCD. reação a vários produtos que podem ser derramados sobre o curso de superfície e penetrar na estrutura. índice de forma. o controle tecnológico necessário para o emprego efetivo desses materiais de estudos para avaliar os parâmetros são essenciais para utilizálos na pavimentação. Uberlândia.5.

No caso do material CG. elevar a CTC e reduzir a concentração dos íons H+Al do solo. Todos os requisitos para o desenvolvimento da planta foram feitos igualmente para todos os vasos. o desempenho do material CG é superior ao do material CF (LASSO et al.. a correção da acidez do solo (calagem) é uma das práticas mais utilizadas (LASSO et al.dose 10% CF . 2010). Os resultados mostraram que os solos tratados com materiais provenientes de resíduos de construção e demolição com granulometria fina e grossa obtiveram a neutralização do pH do solo. Tabela 4: Valores de pH-CaCl2.dose 40% CG . O resíduo proveniente de materiais cerâmicos (telhas e 9 .9).dose 20% CF .. Dessa forma. 20 e 40% base de massa (m/m). tendo como indicador a matéria seca de alfafa.  Condicionadores de solo Os solos arenosos são encontrados em quase todo o território brasileiro e apresentam algumas características desfavoráveis. e acondicionados em vasos de 10 litros. prejudicando a produtividade agrícola nessas áreas (LASSO et al. ainda. 10. Conclui-se que o uso de RCD classe A como corretor de pH do solo (calagem) é muito eficiente e pode ser utilizado nas produções agrícolas.9 8 7. enquadrando-o dentro dos padrões exigidos pela legislação brasileira para comercialização de calcários agrícolas (LASSO et al.3 a 7. o desempenho é melhor que o do tratamento com calagem convencional (V%=80). Lasso et al.1 %.. como baixa capacidade de retenção água e grandes perdas de nutrientes por percolação. (2010) fez um estudo cujo objetivo foi verificar a viabilidade da aplicação de Resíduos de Construção e Demolição de origem cerâmica como condicionador para melhoria da capacidade de retenção de água do solo. Em termos de MS. O material coletado foi moído e separado em duas frações granulométricas: cinza fino (abaixo de 500 μ ) i g ( 500 μ ). nas doses utilizadas.dose 20% CG . (2010) verificou a viabilidade da aplicação do RCD classe A proveniente de concreto como corretivo de acidez.6 7. abrangendo a camada superficial (0-20cm) e subsuperficial (>20). a um Latossolo Vermelho Amarelo distrófico ácido e de baixa fertilidade.4% e porcentagem de CaO+MgO de 39. O Lasso et al. concentração de íons H+Al e CTC para os tratamentos utilizados.8 7. As análises químicas dos solos mostraram que os materiais CF e CG.7 de acordo com a dose aplicada.. originalmente. 2010).Ca2+ e Mg2+.dose 10% CG . que.. Os resultados mostraram.2 H+Al CTC mmolc/dm³ mmolc/dm³ 29 7 6 5 7 6 6 21 18 40 314 418 628 362 505 875 53 64 Fonte: (LASSO et al.6%.1 5.A tabela 4 mostra os valores de pH-CaCl2. 2010). poder reativo de neutralização total de 44. 2010). passando a ligeiramente alcalino situando-se na faixa de 7. que a produtividade das plantas é mais eficiente com a adição dos materiais CF e CG do que com solo natural. era ácido (pH = 4. Os resíduos foram misturados em doses de 0. 2010). são eficientes em neutralizar a acidez. para o cultivo da alfafa. A análise química inicial do material com granulometria grossa mostrou um poder de neutralização de 71.dose 40% V% = 60 V% = 80 4.9 6.9 8.7 7. concentração de ions H+Al e CTC para os tratamentos utilizados Tratamento pH Solo natural CF . A fim de melhorar a produtividade e rentabilidade agropecuária.

Estudo experimental de um resíduo de construção e demolição (rcd) para utilização em pavimentação. Conclusão O volume de RCD gerado nas grandes cidades é expressivo. jul/set 2011. 299 . Taxa de geração de resíduos da construção civil em edificações na cidade de joão pessoa. em especial o material VG.abntcatalogo. reciclagem e reutilização dos materiais. Publicada no Diário Oficial da União em 17/07/2002. Foi verificada. Resíduos de construção e demolição: avaliação de métodos de quantificação. portanto. podendo ser comparado ao de resíduos domiciliares. será o que tiver melhor aplicação na área estudada.. portanto.306. de forma a viabilizar o seu uso em maior escala e até mesmo pelos próprios geradores. O reaproveitamento destes resíduos é viável dos pontos de vista financeiro e ambiental na maior parte das vezes. O acondicionamento adequado.. 2010). Deve-se ressaltar a importância do planejamento na execução das obras como instrumento de controle da geração de resíduos. Universidade de brasília. V. como já discutido. São Paulo. 16. Catálogo. tem potencial para ser utilizado como condicionador de solos. Os resultados mostraram também que a utilização dos materiais VF e VG como condicionadores de solo para plantio contribui para uma significativa elevação da massa seca.br/norma. R. LASSO. por elevar a capacidade de retenção de água tornando-a disponível em maior quantidade para as plantas. considerando-se as propriedades dos materiais gerados e respeitando-as para a sua aplicação. brasília. Ministério das Cidades. 28 e 29 outubro 2010 10 . CARDOSO. D. ANGULO. A. e o desafio hoje é generalizar essas práticas e criar mercados para estes produtos. 1 . CONAMA .com. 2012. são necessários investimentos em pesquisas e desenvolvimento. a capacidade de retenção de água de um Neossolo Quartzarênico órtico com aplicação de diversas doses do chamote (LASSO et al. Universidade Federal da Paraíba Centro de Tecnologia. Utililização de resíduos de construção e de demolição reciclados (rcd-r) como corretivos da acidez do solo. et al. Para isso. COSTA. Acesso em: 16 de junho de 2015. J. Discussão do grupo O gerenciamento dos resíduos de construção e demolição deve ser estudado considerando-se todo o seu processo. 2011. Rede AgroRecicla. O grande custo para sua disposição e a disposição ilegal evidenciam a necessidade de aplicação de técnicas de gerenciamento mais elaboradas. não são a melhor alternativa do ponto de vista ambiental. então. P. p. Os resultados mostraram que os materiais VF e VG contribuem significativamente para o aumento da capacidade de retenção de água de solos arenosos. O melhor uso para os produtos oriundos da reciclagem e reaproveitamento de RCD.113.Conselho Nacional do Meio Ambiente (2002). o uso destas técnicas também implica em custos. JIMÉNEZ. que os RCDs vermelhos de origem cerâmica (chamote). Referências Bibliográficas ABNT.. de 5 de julho de 2002. Artigo Técnico. Secretaria Nacional de Habitação. Disponível em: <http://www. Resolução N° 307.aspx?ID=349>. GUANOR. G.tijolos – material vermelho ou chamote foi peneirado e dividido em duas frações granulométricas: vermelho fino (VF) e vermelho grosso (VG). Conclui-se. São Carlos . S. no entanto.Paraíba. tanto na situação de stress como na ausência de stress hídrico. transporte e a disposição dos resíduos em aterros são onerosos para os empreendedores e. A reciclagem e o reaproveitamento surgem com técnicas variadas para aplicação. João Pessoa . R. da geração a disposição final ou reciclagem/reaproveitamento. e a sua viabilidade deve ser estudada para cada um dos casos. et al.

Disponível em: <http://www. 140p. R. 2014. P.. . 28 e 29 outubro 2010 M N . SOUZA. 1997. E. 2009. L. São Carlos. 2010.pdf> ZORDAN. R.> OLIVEIRA.LASSO. SILVA. Faculdade de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Campinas. 2007. Levantamento e classificação de resíduos de construção e demolição em ilha solteira . . SILVA. N O.pdf>.org/textos/dissertacao. Utililização de resíduos de construção e de demolição reciclados (rcd-r) como corretivos da acidez do solo.br/images/online/RBCIAMBN15-Mar-2010-Materia01_artigos224. E.com. E. J.. D. Campinas. FERREIRA.. i g í i no Brasil: 1986-2008.. A.rbciamb. Disponível em: <http://web-resol. . U i i i “J i Mesquita Fi h ”. CARDOSO. b-b i b i i b i i -GO. SANTOS. 11 . GUANOR. Aplicação de resíduos de construção e demolição reciclados (RCD-R) em estruturas de solo reforçado. Utilização do entulho como agregado na confecção de concreto.br/ambienteconstruido/article/viewFile/7183/4909. Z.ufrgs. Disponível em: <http://www.sp. Acesso em: 13 de junho de 2015.. São Carlos . M. Gerenciamento de í i i i ii b . C. Dissertação (Mestrado).. .seer. Ilha Solteira. Rede AgroRecicla. W.