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REALISTMO CRÍTICO E A TEORIA DA COMPLEXIDADE –

RELATOS DA DISCIPLINA
Ensaio com base na Teoria da Complexidade e do Realismo Crítico, como avaliação da
cadeira de Análise de Situações de Desenvolvimento.
Guilherme Ströher Renz
Considerando a evolução da sociedade no que tange as diversas variáveis econômicas e
que estas afetam diretamente as estratégias organizacionais no mundo dos negócios, é papel do
Estado criar condições que fomentem o desenvolvimento estratégico das organizações a partir
de incentivos de diversas formas.
Compreender qual é o efetivo papel das políticas de desenvolvimento industrial do
estado do Rio Grande do Sul e sobre os programas dentro da sua história que remetem ao
desenvolvimento das cadeias industriais e consequentemente na (re)formulação de estratégias
organizacionais frente aos novos modelos organizacionais que surgem se faz necessário para
ao mesmo tempo que compreender a sua efetividade nos já decorridos, compreender quais
situações precisamos precaver para a criação de novos modelos.
Este estudo faz parte de outras disciplinas do mestrado, visto que no que tange a Análise
de Situações de Desenvolvimento, é importantíssimo conceber alguns conceitos que foram
tratados nessa disciplina para compreender como os processos de transformação da sociedade
ocorrem e como que estes impactam nas políticas de estado que levam a mudança das
estratégias organizacionais.
Não é de hoje que podemos contemplar a evolução dos modelos organizacionais e o
impacto que estes geram na economia. Estes cenários econômicos que mudam muito
rapidamente em virtude de diversos fatores acabam influenciando direta e indiretamente as
estratégias organizacionais das empresas.
Neste novo ambiente, fatores que antes eram considerados fontes tradicionais de
excelência como custos, qualidade, concentração de capital, know-how, tempo, logística, estão
se deteriorando. Os autores Quinn, Anderson e Finkelstein (2001 , p. 157) defendem que a
única vantagem duradoura é a habilidade de gerar novas vantagens; ou seja, o desenvolvimento
e a disseminação do intelecto é que passa a ser “a chave para a sobrevivência na
hipercompetitividade”.

pode-se compreender que a capacidade de organização das organizações em se reinventarem a partir de novos modelos de gestão que se originam nas questões estratégicas do negócio são impreterivelmente a base para a consolidação dessas novas estratégias. Considerar um conjunto de fatores para que sejam responsáveis por essa hipercompetitividade que os autores referenciam. Wheatley (2006) salienta que dois sistemas não se comportam da mesma forma duas vezes. de uma realidade que passa a ser mais específica no ponto de vista da análise. compreende que nas análises está presente tanto à ordem quanto a desordem.0. esta ocorrendo.0. denominada caos. É de se compreender que quanto mais variáveis intervêm nessa questão.Neste âmbito as Análises de Situações de Desenvolvimento (ASD) contribuem para uma construção que busque evidenciar as probabilidades de opções dentro de um procedimento de aprendizagem de grupo. remete a considerar que as estratégias que se formulam para a consolidação dos negócios sejam extremamente relevantes. não há como conceber um modelo quantitativo. Sendo assim. ocorre uma ruptura não linear sobre um mesmo objeto. Importante ressaltar ainda que a mesma autora citada anteriormente. Não é de hoje que se percebe que a competitividade das organizações vem se alterando. propicia um “mergulho”.0 e agora 3. O próprio marketing em suas eras 1. nos remete a uma dissociação epistemológica do que tínhamos antes como vantagem competitiva. Partindo desse princípio. A teoria da complexidade compreende essa visão a partir do momento que entendemos que ela é responsável pelo pensamento de conseguirmos conceber que dentro do caos e da desordem possa ocorrer situações em que determinadas variáveis se desenvolvam. menos óbvio ficam as consequências. com foco no cliente. É importante conceber que o processo de ASD deva ocorrer. A relação linear de causa e efeito (era clássica da administração) já 2 . mas com focos de análise diferenciados. esta. 2. tendo como dinâmica global do desenvolvimento local e a reprodução social dos agentes sociais. podendo ainda ocorrer uma forma acentuada da desordem. Esta serve então como um ‘alicerce’ na construção do saber e de maneira mais pragmática para os debates sobre o desenvolvimento das novas estratégias organizacionais provocadas pelas mudanças nas políticas econômicas do estado. Considerando que não há métodos quantitativos para se medir variáveis que se alteram.

No estudo da ASD também é importantíssimo conceber que o alicerce está no Realismo Crítico e que este apoia e da sustentação à certeza e determinismo apenas em casos específicos. deixando de lado as certezas cartesianas que vínhamos trazendo até o momento. Nossos instrumentos e ferramentas para a gestão de organizações hoje são lineares e deterministas. 1996). precisamos conceber que as organizações já não são mais as mesmas e sendo assim. determinações. adivinhações cartesianas do tipo faça X e terá Z como resultado. Ora um ambiente volátil em que variáveis se alteram cada vez mais rapidamente. Esses sistemas não compreendem uma compreensão totalitária através de métodos quantitativos. Diante dessa situação podemos utilizar muito bem as definições trazidas por Wheatley (2006). acabam sendo uma situação compreendida como normal nos problemas de estudo (PRIGOGINE. ou seja. A questão é que para podermos formular estratégias de negócio. Considerar que esse novo modelo organizacional e a estratégia que melhor se adeque a esse contexto deve ser construída através de uma ruptura pragmática do que se concebe hoje como estratégia. não podemos conceber que exista um modelo pronto de certezas que consiga explicar as dimensões da realidade. devemos considerar e os ambientes organizacionais e os sistêmicas econômicos são parte de um sistema aberto que não permite previsões. as ferramentas utilizadas já não são mais suficientes para conceber essas mudanças. A Teoria da Complexidade por sua vez evidencia pontos de intersecção quanto a pesquisas históricas e sociológicas que demonstram as características da ausência da possibilidade de previsibilidade e certeza racional. à medida que a margem para as incertezas são totalmente toleráveis. É necessário um novo ponto de inflexão para se recriar um modelo não mais determinista. terá X e Y de resultado.não é mais suficiente para compreender as organizações deterministas que nela estavam inseridas. da mesma forma que a instabilidade e o caos na atual ciência. Esta remete a Teoria da Complexidade e nos diz que essa tende a ser uma nova forma de se construir a ciência. Esse processo de dissociação das ferramentas lineares e deterministas deve englobar algumas ideias básicas para a proposta de sua construção. 3 . Temos então um ambiente de processos que podem ser considerados abertos e em constante processo evolutivo se conseguirmos perceber as suas trajetórias históricas. se você tiver as atitudes A e B. Com isto.

demonstrando um elevado grau de complexidade e em consequência reduzindo as possibilidades de estudo que se baseiam em práticas racionais mais aprofundadas. 4 . Compreender que no meio do caos as coisas podem evoluir e se desenvolver é a premissa que sustenta a ideia de compreender o papel do estado nas políticas de desenvolvimento da sociedade e. onde a mesma evidencia aspectos como as estruturas dissipativas. as organizações e seus responsáveis tentem a conceber o comportamento do meio para a tomada de decisão.Outro fator preponderante para compreensão da ASD e da proposta inicial desse trabalho em outras disciplinas. Ao conceber a Teoria do Realismo Crítico. A principal ideia desta teoria é de explicar. Esta define bem a Teoria da Complexidade. percebemos que a ciênca é entendida como proveniente da humanidade como um produto cultural da evolução histórica e ainda está aberta para mudanças. Assim. Este é o objetivo do projeto de dissertação deste mestrando e a utilização dos conceitos evidenciados de Prigogine e Wheatley serão imprescindíveis para se atingir o objetivo final do estudo. A ciência como um todo possui uma característica de se combinar a um sistema evolutivo único e muitas vezes pouco racional e acíclico. neste momento. Dentro do contexto da biosfera apresentado por Silva Neto (2007) as estruturas dissipativas possuem aspectos de relações entendidos como não lineares. precisamos ter em mente que a ideia do Realismo Crítico e da Teoria da Complexidade devem estar evidentes nas mais diversas situações. A partir deste foco a ciência não mais trata as situações com base em um comportamento de descrição e previsão. deixando de lado esse comportamento racional e passando a explicar fenômenos. o que por consequência leva ao distanciamento no equilíbrio. assim aplica-se a inferência abdutiva. Passa a ser menos positivista e passa a ser mais antipositivista. das organizações em especial. a construção de hipóteses que sugerem alternativas para explicar as constatações e o julgamento da importância desta explicação. suas reações tendem a possuir um comportamento não-linear. Na concepção de pesquisador. é a compreensão da termodinâmica. nessa seus argumentos acabam possuindo uma estrutura: o enunciado de uma evidência. Sendo assim. demonstrando que as estruturas destes sistemas estão sujeitos à energia.

Desenvolvimento em Questão. Entre o tempo e a eternidade. QUINN. P. Benedito. São Paulo: Companhia das Letras. J. São Paulo: Cultrix. STENGERS. 3. Tradução Adail Ubirajara Sobral. Margaret. SILVA NETO. Tradução Roberto Leal Ferreira. B. Análise-Diagnóstico de Sistemas Agrários: uma interpretação baseada na Teoria da Complexidade e no Realismo Crítico. O processo da estratégia. In: MINTZBERG. J. Ilya. 5 . Maria Stela Gonçalves.. B. Isabelle. Porto Alegre: Bookman. Novas formas de organização. ANDERSON. n 9. S. WHEATLEY. H. 2006.Referências Bibliográficas PRIGOGINE.. QUINN. Liderança e a nova ciência: descobrindo ordem em um mundo caótico.. FINKELSTEIN. 1992. 2001. Ijui: Ed Unijui. 2007.ed.