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CURSO
DE

HISTORIA DA LITTERATURA
PORTUGUEZA

Porto: 1885

— Typ.
'I\j:.í

if:

de A.

J.

da Silva Teixcir;

Cancella Velha, 70

especialmente de Litteratura portiigueza e no Cm"so Superior de Lettras na interinidade de Litteratura grega e latina LISBOA Nova Livraria Lvternacional — Rua do Arsenal. 96 96. 1885 I^ditora .CURSO STOi OA LITTEIIIITIJÍIII PORTUGUEZA Adaptado ás aulas de secundaria instrucção THEOPHILO BRAGA Professor de Litteraturas modernas.

TQ2S1967 i C^'?í/rY CF íO^i'' tCv .^ " UlBRARy^ f:.

: . no ensino fundado nas ocas abstracções nunca esse sentimento se desperta.Quando em 1875 publicámos a tentativa de um Manual da Historia da Litteratura i^rtugueza. explicando-os e apreciando-os pelas suas relações históricas com o meio e circumstancias em que foram produzidos. — um vivo interesse nos espíritos que desabrocham. » )) A . e que por este motivo deixavam de o adoptar. conduz a essas receitas de tropos. é que se pode impriniir uma direcção justa e : «. Apesar de vir recommendado pela approvação da Junta consultiva de Instrucção jiublica o Manual da Historia da Litteratura portugueza. Pelo desenvolvimento histórico. a maioria dos professores recusou-se a acceital-o para texto das suas lições porque. obedecemos ao seguinte ponto de vista A reforma do ensino da litteratura deve partir da conclusão a que chegou a sciencia moderna que o estudo das creações intellectuaes não se pôde fazer em abstracto. Na instrucção de um paiz deve entrar com toda a sua importância um elemento nacional. mostrando *"omo se chegou á unidade systematica de qualquer sciencia. nossa tentativa falhou. que tiram a seriedade ás mais altas concepções do espirito humano. O estudo da litteratura feito nas vagas generalidades. como nos escreveu o editor « acharam-o sempre grande. É necessário nunca abandonar a communicação directa com os moJiumentos.

as leituras theoricas não convêm senão áquelles cuja educação está terminada. e depois para ser lido e extrahir-se d'elle a doutrina. B. . Até então. Combatendo este vicio.) O automatismo da memoria prevaleceu. mas a nossa disciplina de espirito está em nós de accordo com o senso moral.. de modo que em interrogações peremptórias avalie do estudo do alumno. ii.)^ Gompensa-nos o prazer de havermos progredido. elaborámos um texto para o professor em primeiro logar. O que não fizeram os professores praticámol-o nós. através dos quaes «deve sempre passar a instrucção destinada aos discípulos. resultando o desenvolvimento scientifico de uma elaboração pessoal subordinada espontaneamente ás lições oraes. e por isso o professor quer um texto dogmático. e sobre o nosso Manual formaram-se alguns apanhados ser-noshia fácil explorar esta errada tendência compondo una resumo para se decorar. . e comnosco este novo livro em que reincidimos no meslivre T. {Synthèse subjective. em forma de deíiuições e de enumerações cathegoricas. estudando o nosso livro emquanto aos seus defeitos de methodo e deficiências de investigação. paragraphado.NOÇÃO DIDÁCTICA o Isto explica-se a instriicção publica em Portugal fazse á custa do emprego exclusivo da memoria segundo a tradição pedagógica dos jesuítas. 18. m'a faict. acostumando aquelle que aprende a applicar o processo analylico. Podemos repetir as bellas palavras de Montaigne « Je rCay pas plus faict mon livre. : que mon mo intuito pedagógico. .. segundo o critério de quem ensina. » (Essais. p. viii. « y> . Diz admiravelmente Augusto Comte: «Os tratados didácticos devem unicamente dirigir-se aos mestres.

o desenvolvimento ." A Muitos povos que se elevaram a avançadas formas sociaes e crearam poderosas condições de existência a possuir uma do mutuo dos progressos da sociedade se chama que uma politica." A A A staticos cia Litteratura : Raça. não chegaram Litteratura. o estimulo de resistência da sua tradição. 3. a aggregaçao moral de nacionalida- de. Filiação e Épocas históricas da lingua portagueza : a) 'Formas gallezianas no portuRuez. ModiOcaçoes por via do francez. 'é com os do individuo. Tradição." 2. 4. Do regimen da Edade media dimana o espirito das Litteraturas româiVs nicas. resultante do accor- civilisaçao. h) A divergência dialec) O portuguez começa a ser escripto." Successão gueza das Litteraturas românicas e filiação da Litteratura portu- : «) b) c) A A A Franca. a que extremamente complexo. d) 'i. Hespanha e Portugal. Inglaterra e Allemanha.° 2. — O elemento clynamico na Litteratura 1. pois que para Litteratura se forme. a) b) — ctal. Este phenomeno. é preciso que uma prolongada uma ra<^a consiga estabilidade." : grandes individualidades. Épocas históricas da Litteialura portugueza. Lingua: Lei de formarão das linguas românicas.CURSO DE HISTORIA DA LITTERATURA PORTUGUEZA PROLEGOMENOS Bases da critica litteraria — Elementos I 1." I I A Nacionalidade." o. Itália*.

tornam-se em eleem que a vida emocional e a tradição. rece- bem humana. ção. a expressão consciente da sua evolução secular e histórica. as Litteraturas e a ^rte mentos da grande synthese affectiva. Politica tende a exercer-se No estado presente da civilisação. Como os escri- phenomenos as épocas litte- de invenção ou de imita- órgãos subtrahidos á acção individual. o quadro do nacionalidade. Sem o conhecimento dos elementos staticos das Litteraturas é impossivel comprehender a sua origem e modo de formação. syntliese es- em geral. mas pelos quaes se exercem as funcções da concepção artística. a Litteratura estado moral de uma Comprehendido assim uma é rigorosamente este importante phe- synthese.: FACTORES SOCIAES NAS LITTERATURAS 8 c Hxaçuo de uma língua por ultimo escrijjfn. a Lit- modificações successivas d'esse meio. Na marcha qualquer povo. sem a apreciação das condições dynamicas mal se avaliará o que pertence á influencia individual dos ptores de génio. constituem o ele- mento statico das Litteraturas . a como uma synthese activa. achando-se como todos os outros phenoraenos sociológicos sujeita a leis naturaes de ordem statica. Uma consideração nos revela que tal o valor de qualquer Litteratura só poderá ser comprehendido por exame das condições do seu desenvolvimento. uma relação psy- chologica entre as emoções populares e as expressões concebidas pelos génios artísticos. o (Proleg. nomeno. ou coordenação mais ou menos consciente de todas as suas energias. existe histórica de um trabalho constante de syjithese. Eis o processo e destino scientifico da Historia da Littera- tura. ou das relações com os factores sociaes que a motivaram e de que ella é a expres- o são. Pela staticos e dynamicos é mutua dependência entre que se podem caracterisar rarias de esplendor ou de decadência. É d'e8te destino que e da Arte da Moral. e de pro- gresso ou de acção dynamica. o relevo ideal da solidariedade resulta a dependência da Litteratura Subordinada ao meio social pela teratura reflecte todas as sua origem e destino. para conformar os actos com os senti- mentos e idéas dominantes. servindo de manifestação da autonomia nacional. a Philoso- phia. ratificando as concepções subjectivas com os dados experi- mentaes ou objectivos da sciencia. ou de conservação. representa a nova jpeculativa .

na evolução do seu lí/rismo. moraes. A Litteratura grega. abandonando os seus elementos staticos. A Edade media distingue-se pela constituição de novas nacionalidades formadas depois da ruina da unidade imperial romana . à'Oil. a Língua e a Nacionalidade.) 1) A Raça. cáe n'essa imitação artificial e no mechanismo rheto- que a tornam inferior ao caracter e funcção histórica da na- rico. embora pertencessem todas á te da civilisação. e transição aífectiva do conflicto das raças. e d'aqui as diíFerenças mesma correnumas tiveram uma activa dos seus caracteres. que deram formaram Litteraturas. operaram crearam Línguas. a Litteratura resume-se cumento ethnologico. Pelo contrario. cionalidade que a produziu. imporcomo documentos psychologicos. Quando uma sociedade não conseguiu dar a estes elementos staticos uma feição individual. a Litteratura latina. antes da des- coberta da solidariedade da Civilisação Occidental. a Tradição. de que a Litteratura portiigueza é a ultima representante . e o completo delo de imitação.'Oc. e da fecundidade correlativa do seu vigor nacional. e a razão dos accidentes que as diíFerencia- ram nas suas diversas épocas. da sua epopêa e do seu theatro. elaboração orgânica dos seus elementos próprios. por elle explicaremos o gráo de originali- dade de cada uma. de que eram continuadoras. D'essa8 Litteraturas. Sob latinas. antes do conhe- cimento e imitação dos typos greco-romanos ou clássicos. taes são as Litteraturas orientaes. assim as Litteraturas novo-latinas desenvolvimento artificial tiveram ou orgânico. hierologicos. é por isso es- ta o typo mais perfeito de todas as litteraturas. pelo relevo ideal mo- que as tradições nacionaes acharam na expressão descoberta pelas altas individualidades. Conforme os escriptores se aproximaram da cultu- ra greco-romana. mas nunca a expressão consciente de uma emoção transmittida voluntariamente. que em em um do- certa forma suppre a ausência de monumentos históricos. forma-se pela relação harmó- tantissimas nica d'estes elementos com a elaboração individual .LITTERATURAS MEDIEVAES Proleg. como a . este critério apreciaremos o grupo das Litteraturas novo- ou da Edade media. conhe- cidas pela linguagem à. que co- essas Nacionalidades expressão ás suas 1ti'esta Tradições. ou se inspiraram meio um das tradições espontâneas do social e medieval. do Si e do Ya.

e em que preponderava as novellas da Tavola 1 a forma monarchica e feudal. e a fortifica pela em que hesjjanhola. não é biológicas applicado a uma mesma um uma abuso do um phenomeno nacionalidade. 20. c i. ao passo que a Litteratura portugueza desenvolveu-se segundo as phases da vida histórica d'esta nação. . em Sob a unidade romana. essa severa poesia. uma raça através Litteratura. (|in- laiUi clo estiiuulo rxuiii^in. transparecem na sua Litteratura as características especiaes d'e33e3 elementos. tomam em arte.>u (PfOleg.° raça. e a influencia erudita dominante. §1 .ACÇÃO DAS RAÇAS 11) 2>iun:iiLui. segundo a lei geral d'esse dualismo previsto por Schlegel. Redonda desenvolvem -se ao centro. as for- épicas das Gestas. não obstante ter oscillado sempre entre os seus ele- mentos orgânicos ou populares. Em que unificou politicamente diversos elementos ethnicos. Elementos staticos da Litteratura portugueza A 1. aspiração á unidade nacional. distingue-se o génio dos Dorios e dos Jonios politica e em poesia. ^ lucerenses e ticienses confundem-se do de um modo hellenica. na Grécia. porque se acharam sem o apoio de uma nacionalidade. como a catalã e a gallega extinguiram-se. sob a unidade athe- niense. onde a Ottfried Muller. p. Na unidade nacional da França. uma (Ití lidade. correspondem ao norte occupado pela ra- ça franka. [)yn . co- mo lhe mas chamava Viço. sendo substituida por essa causa jjcla franceza ram interrompidas que se italiana. de la Liftérature grecque. —O estudo dos caracteres de das manifestações das formas de porquê dessas formas. modelos perstigio dos naciona- outras fo- como a clássicos. popular ou tradicional supplanta o elemento por vezes o pedantismo erudito. as tradições dos incompleto na com a litteratura historia. pelo . e explicando o das sciencias critério psychologico e social. Outras litteraturas peninsulares. e penetran- imitadora da cultura o seu maior dcsenvolvimepto nas formas sacra- mentaes e symbolicas da Jurisprudência. Hisl.

ao sul. vadoresco meridional. comprehende «to- das as collecções de individues que apresentam mais ou menos ca- communs. segundo -Prichard. in- se chama a hereditariedade de caracteres. tem a importância base Edade media determinam u creação das Ges- as invasões germânicas que immensa de nos pôr em relevo a sobre que se desenvolveu. » pelas tradições elaboradas como modo de j^ntir de As litteraturaà na forma uma escri- nacionalida- nem por isso estão que em anthropologia consequência d'estes factores mqi*aes. e que pela sua persisten- . diíierenciando-se por esta dupla influencia um um Shakespeare de Pope. pela contiguidade das populações aquitanicas •com as duas peninsulas da Este mesmo critério da Hespanha.) raça bretã conservava aindii os ve tigios mo. dependentes do determinismo biológico. na historia de qualquer Litteratura. único critério para julgarmos da dando-nos assim o sua originalidade e feição na- cional. . 11 ELEMENTO HISPÂNICO I. ao passo que o normando obedece ao instincto da imitação. Os velhos monumentos litterarios e artísticos têm servido ^e dados ethnicos para se discriminarem raças que não era possível distinguir physiologicamente. cria essa expansão do lyrismo que irradia da Provença por todo o Occi dente europeu. assim como não pretendemos inventar uma esta nacionalidade se constituiu pela tendência separatista dos antigos estados peninsulares. como se vê na Grécia com o elemento semita nas epopêas e mythos orgiasticos. Assentando estes princípios. Um outro phenomeno importante o encontro e fusão de duas ra: ças dá uma revivescência de tradições ou de desenvolvimento de tradições poéticas. A designação de raça. o my thicos do seu druidis- elemento gaulez. ou as invasões árabes. também a raça é a integração de todos os elementos ante-historicos e históricos que se foram fusionando n'e3te solo. e d'esses caracteres. O tradicional que provocam o lyrismo tro- estudo da raça. que o elemento saxonio conserva o génio e as tradições germânicas. transmittidos pela hereditariedade. com instituições municipaes. Itália è foi em applicado á Litteratura ingleza. pondo de racteres parte e de reserva a origem ' distinguem-se entre pta de de uma si língua. raça portugueza. e na Europa da com tas ao norte.§.

Organisação contemplativa e artística. que Charriòre e Gubernatis alludem a esta lingua existiu onde se fixou o elemento céltico. a peninsula asiáticas. onde este elemento ibérico persistiu reagindo contra a bre as segunda invasão ou a entrada dos Celtas na Europa. laridade de formas lyricas. onde não conseguira attingir meio. . a dos Iberos e a dos Os primeiros pertencem a essa raça da alta Ásia.Ali! l-l ws LITTERATURAS MERIDIONAES distinguir em nos. o Celta trazia comsigo esse naturalismo védico e ao mesmo tempo essa metaphysica religiosa da theocracia brahmanica. Estes fixaram-se asiática. constituindo um fundo ethnico comraum. que segundo Bergmann. hispano-romn- a influencia do dominio romano destruiu as antigas populações ibéricas. politicamente nos Foraes e Concelhos. mesmas regiões. que irradiaram da Aquitania. este dialecto indistincto de mas sim a que o latim se destacou. latina no occidente A fácil propagação e dominio da lingua da Em*opa. e pelo so- cruzamento vieram a estabelecer a unidade de caracteres ethnicos. o celta accommodou-se facilmente ás condições do com outros ramos áricos na na Hespanha. os hispano-arabes.rM. acceitando mais tarde a fusão Itália. litterariamente nas tradições poéticas dos Romanceiros e Costumes symbolicos. nem a conquista visigótica ou árabe puderam eliminar da sua constitui- ção social este fundo popular q[ue nos apparece. a França e a Inglaterra. fazem a transição entre a raça amarella e a aríaca. occuparam também a Itália. vestigios de mythos religiosos e recorrências de costumes. que se revela em monumentos. commum. Nem (PrOleg. uma em França e unificação nacional. os hisjpano-goãos e os cia se podem três phases sociaes. pela vida na- cional e litteraria. não se deve attribuir á acção da conquista militar e incorporação politica dos Romanos. e sobre o qual veiu a influir pela sua discipli- na grammatical. pre- celto-mania e a lingua romance de Raynouard são este problema desvairado por falta de critério ethnologico. ethnicamcnte no Mosarabe. que reproduziu no druidismo. Vindo da Ásia na corrente das migrações indo-europêas. A parte foi o exame de uma população occupada por duas migrações ante-historica. superstições. Nas Litteraturas occidentaes existe uma certa simiCeltas. nias mercantis dos Jonios no sul * A ' As coló- da França e na Hespanha.

. mesmo depois das colónias Ijbio-phenicias. vindo sob o Império a realísar a primeira unificação da Hespanha. fundíssima em toda a historia dos A acção dos Romanos é pro- povos peninsulares. pararam a propagação 43 que sob o domínio romano se Os Jonios tinham seguido a explo- dialectal desenvolve e assimila ao latim. ainda pacifico. no século V diante das invasões germânicas. e das povoações judaicas.a fácil assimilação emquanto á lectos românicos. A Eht. o alphabeto e o commercio a população conservou o seu caracter árico. Roma ia fixando o seu domínio pela concessão de garantias politicas e estendendo o direito itálico ás novas províncias. Na sua lucta contra os Roma- nos. e. Os soldados da occueram de ordinário mercenários germânicos. tidos reserva. e nulla com anthropologico da raça. diz Ampere :« O uso imprudente de recrutar os exércitos romanos entre os bárbaros. O conflicto entre as navegações e empórios dos Jonios e dos Phenicios fez com que aquelles chamassem os Romanos para os substituírem na que deu cta. cuja prudência deixou mais tarde de ser imita- determina o numero de bárbaros que podiam ser admit- n'uma Legião tas de bárbaros. i da cultura latina pelos visigodos. vindo encontrar-se na península hispânica com os seus iniciadores. mas e vestí- considera-se que a língua púnica não exer- ceu influencia sobre os dialectos célticos da Península. os Phenicios ramo semita. liUéraire de la France avant Charlemagne .UNIFICAÇÃO ROMANA i. que perioridade d'este . os Carthaginezes (colónia phenicia do norte da Africa) ex- ploraram as populações celtíbericas no seu espirito de autonomia pai-a resistirem contra as legiões romanas. Ficaram dos Phenicios designações tópicas gios de cultura. em lu- resultado a ruína da raça semítica no occidente até ao apparecímento dos Árabes. apesar d'ísso houve legiões inteiras compos- ^ D'e3te erro politico derivam duas consequências : a facilidade da queda do Império. do domínio carthaginez. fez progressos bastante rápidos. apesar da su- trazia comsigo dois podero- sos elementos de civilisação. Probo deu o exemplo relação ao facto pação de da uma elle . não só como á formação dos dia- Egreja adoptando para a sua liturgia a lín- instituição politica imperial. ik 97. ração do Mediterrâneo para oeste. » .

aos aos homens-livres decahidos da sua garantia jurídica pelo des- lites. e na feição moral de typo ainda transparece um sombrio fatalismo. germânicos restaurando a tradição imperial. foram devidas ás luctas permanentes d'e6se elemento berber e mauresco. . Não commum cter Itália. em França com os com a Frankos na Inglaterra com o Saxào. A cultura árabe. seguia a organisação politica de Roma . . e certa recorrência dos antigos caracteres as próprias colónias berberes e maures- cas preferiram ficar no território hispânico quando a reconquista neo-gothica repelliu o dominio dos Árabes. e a que estes deram o nome de Mosarabes. cujo no povo de hoje. os reis romano nas suas relações e tribunaes. e todas as dissidências que embaraçaram a consolidação da unidade do. A occupaçao dos Árabes fez-se principalmente por meio de tribus de Berberes e ^louros rou um cruzamento uma estabeleceu só se como ethnicos do Ibero. o Visigodo.i os MOSARABES 'i gua (Proleg. fazem com que durante a Edade media se sinta a influencia de Roma em todo o occidente da Europa coos povos conquistados conservando a mo lei e o processo a expressão de unidade da civilisaçSo moderna. persistiu' nos seus caracteres mais importantes. de modo que a unidade da Civilisação occidental. O elemento germânico apparece egualmente na invasão dos Ostrogodos e Lombardos. conservavam as tradições ger- mânicas e produziram esse cruzamento de ciasses que na peninsula forma o elemento hispano-godo.i primeira invasão dos Árabes. Tudo quanto na socie- dade germânica representava superioridade e poder. envolvimento da banda guerreira. e Bourguinhões. apeSar da preponderância moral do catholicismo. que abandonou a sua aristocra- cia . é este o facto anthropolo-* toda a sua evidencia. crescen-te este facto revela-nos com como se opecomo não os hispano-godos. o genuino typo nacional peninsular. e na Hespanha com ó sem importância esta similaridade para o cara- das instituições modernas. Todas as luctas dos emirados ára- bes. influiu Ha Itália e na França meridional. o que pertencia ao colonato. império árabe. Se se pôde assignar ao Mosarabe gico em um qualquer caracter de raça. tão evidente na synthese affectiva das Litteraturas medievaes. e latina.

Quanto mais primitivos são são as suas impressões. observando as analogias de cos- tumes. base das Litteraturas novo-latinas desenvolvidas por impulsos mutuamente dividuaes. realisando As fjrmas in- um da Provença. pelas persistên- pelas referencias dos escriptores que se inspira- Assim veremos. Esta commum tradição. fez que ellas profundo accordo sentimental. a lingua corresponde a essa dialectos. . Este uma 15 TRADIÇÕES PENINSULARES I. se influíssem. derivam de bases tradiciònaes existentes nos povos que acceitaram essas manifestações htterarias. pressão artística confunde-se sfincção jurídica. com a contemplação corn a auctoridade moral. os typos populares do theatro medieval. romanos. citando o testemunho de Asclepias de Mirleo. incommunicavel. as formas novellescas da Bretanha. tomadas os povos. religiosa. e de mei'a curiosidade. crenças. italianos. sem sentido. pela acção mesologi- se destacara era mas a Tradição diíFerenciação local é idêntica. diz que estes povos possuíam poemas e leis ry- . A 2. as dansas são elementos activos da sua existência social. as concepções poéticas dos mythos. existem elementos orgânicos ou priva- tivos do nosso sêr nacional. commum.§. sem phantasmagorias cias populares n'um 03 se chama Corao poderemos conhecer as tradições peninsulares ? Pelos testemunhos e vestígios da historia clássica ram mas a collecti- aberração mental.) na forma de e por assim dizer. Não conhecem ainda a faculdade de jul- A im- gar e reproduzir as sensações. Litteratura concepção individual que se não inspira d'e3te sentimento vo fica uma A mutua relação entre a tradição nacional e a interpretação artística é ao que. — . phenomeno adquire importância extraordinária. — Eraquanto ca. Bello. que viveu na Andaluzia. aa lyricas formas épicas das Gestas frankas. com a Strabão. o vestigio da primitiva unidade ethnica. tanto mais profundas como realidades . pela qual se fundou a Arte. . superstições. propriamente. e imitando pelo perstigio modelos greco-romanos. os gregos. como em uma litteratura escripta da auctoridade dialecto românico. A tradição popular não é. os cantares. as nacionalidades peninsulares organismos independentes. tradições poéticas que existem entre os povos que formaram a grande civilisaçao occidental. d'elias. entre os Turdetanos. hispanos e francezes.° Tradição.

em que na fes- ta nupcial ou o Tamo. se não podia tanger adufe. natural da vida domestica para a vida publica. vb. de Aurust no Béárn. ^ fe- As ceremonias funeraes eram acompanhadas de cantos ou endechas dos mortos. Viterbo cita disposição do Tombo do Aro de Lamego. que os romanos que se referem á península nenias e equipararam ás suas laudes j nhados de dansas lúgubres. — - D. 17. Joaquin Costa. que apparecem uma regularisados pela legislação civil neo-gotica. ^ ^ A na península ó attribuida á revivescência da épo- Em Portugal estes cantos fúnebres foram conhe- Viterbo. e em que a melhor fogaça seria para o Mordomo. Estes cantos fúnebres pertencem a todo o occidente europeu. acompanhado de ceremonias essencialmente dramáticas. e de Areytos entre os tupis da America. de 1346. p. Poesia iwpu- . e contra os como pagãos no Sevilha. Elucidário. que ainda na época visigothica subsistiam entre o povo da península. 28Ó. restos de usos de outros estados sociaes.) Silio Itáli- co reconhece este caracter primitivo da endecha nacional chamando-lhe barbara carmina^ e no funeral dos Scipiòes em Carthage- na a ceremonia constava também de fúnebres ludi. no mez de vereiro. a e o Drama. O casamento. que na poesia são o Lyrismo. chamando- Ihes Tito Livio tripudiis liispanorum. cantados pelos escholares em louvor dos noivos. de Voceri na Córsega. dos anexins populares.» Tamo. Irlanda o vate (Jilès) também era As formas juiz. no quaes reagiu a Egreja condemnando-os concilio ilerdense livro das do século vi. com um eram chamaram esses cantos acompa- caracter local. comprehende-se este facto aproximando-o do caracter leis célticas do Moelmud observado por Summer Mai- j métrico dus Na ne. de Attididos na Sardenha. e conhecem-se com o nome de Lamenti e Triboli em Nápoles. xxv. acham-se confundidas com os actos quotidianos são como que uma maneira da sua expressão. de Arirrajo nas Vascongadas. Santo Isidoro de Etymologias cita os cantos epithalamicos. era o thema de certos cantos lyricos. lar espahola. (Liv. As formas geraes da arte. uma relação Epopêa .LYRISMO TRADICIONAL l(i t/iniicfií (PlOlCg. sua persistência ca visigótica. e as aliterações e tautologias das praxes jurídicas consuetudinárias são o vestígio d'este elemento tradicional.

de formando o género spanhaj»^ no Cancioneiro de Re- das Lamentações. ou Portugal e Bretanha. como o Alalãla gallego ci- românicas ições O Guay leloa. prohibidas pelo íf^cantos de ledino. ainda hoje ipetem como a do Custodio e a do Trangolomango. 67. algumas As Salvas. como escobre pela Chanson de Roland. 4. (lib. e Arte portugueza. no Alvares Pereira. can. Diodoro go. nos Ballets francezes. Questões de LU- .hidas já nas parlendas infantis. João alvará de i prohi- portugueza possue pre- litteratura documentos d'este género poético na sua phase -tradicional. sos 10 as seguidilhag cantadas sobre a sepultura do Condestavel D. e o romance á morte do principe D. do cantigas. o betico Cantares guayados. e ou Ai com que o povo começa as apupo. que o concilio terceiro de Toledo pro- is ira nome de Fúnebre Cármen. da dansa nos seus Epigrammas observa ainda se Siculo compara-as ao Esta fórraa persistiu durante toda a Edade media IV. as Chacotas e as . III. uva — 2 Vid. allude a estes cantos coraes. §. cas. concilio das romarias. 73. OS pelo bradar sobre finados. dos cantos do Minho. derivando -se ef- ivamente « de )oesia por um ás diversas po- » Silio Itálico. Estes cantos fúnebres tomaram piciatorio do feticliismo animista.) Bailatas italianas. um e A D. Af^ so.»» 74. repetia-se no fim das Gestas heróicas. no helo helo e nas leilas. como As Orações e Fórmulas nu- as que conserva Marcello burdigalense. como poema em hymno de guerra. 55. ^ Muitas neumas popular ainda sobrevivem. a commum á Itália e também um caracter que correspondem ainda bo- Oi-ações e Ensalmos. p. 76. nas Bailias ou baivilão dos nossos Cancioneiros provençalescos. Stra- ' cita as danças acompanhadas de cantares dos Celtiberos no lilunio.17 FORMAS COMMUNS ROMÂNICAS I. convertendo -se por effeito [arcial de Toledo. com forma e litteraria individual. n. lO commum typo tradicional como entende Paul Meyer. (xvi. 68. 16. sob o As crenças religiosas e suas formas cultuaes eram thema es- cial de manifestações poéticas. Antologia portugueza.) nome de Clamores. que ainda hoje sobrevivem.) Este costume passou para as vigi- dos Santos. egual ao renchili- Alto Aragão.

^ Quem observar os assumptos dos Romances peninsulares. de 1877.No Heidel Jahrbuch. sivos dominadores da Hespanha. p. pre- cruzes pelos seus vencedores. p. que foram mais tarde aproveitados mesma forma que procedeu Aífonso o como historia. depois da batalha no funeral dos gu*erreiros cantavam-se as narrativas dos seus feitos.fa8 Alvoradas. i. as Sere- nadas. 401. D. Poesia popular espanola. na Galliza a Muimra.» TRADIÇÔKS KPICAS iS (PrOlCg. zella que foi á sustentada por estudado por Liebretch. Diodoro Siculo guerreiros dos Lusitanos de entrarem antes as formas (v. 81. : panhola e a raça italiana eram idênticas e unificavam-se pelo laço da Aquitania e pelo meio-dia da Gallia. dadeiro cyclo épico tuações d'esses . quem aproximar os seus vastíssimos paradigmas em todos os povos meridionaes. que explicando-nos o processo da elaboração das litteraturas. 1 na sua Tro- — ^ Cliarrière. — 3 . como o da Donla these de Nigra. e nas Astúrias a Danza-prima. Joaquin Costa. onde morriam vociferan- Os cantos épicos eram acompanhados de dansas ago- de que são ainda representantes no Aragão as dances. concluirá pe- Wolf e Kohler. das suas tradiç5es mnos deduzem também social dos Celtiberos se épicas . que coiMgpondem ao mais remoto passado social. como o indicam todas as relações actuae?. formam um vercom enormes ramificações ^ emfim. como conta Appiano do funeral de Viriato. 34) allude aos em hy- batalha. as Desgarradas. da Sábio com os Romanos vul- gares intercalados como narrativas na sua Crónica general. nos restabelece pelos dados comparativos este fundo commum da Da vida Civilisaçao occidental. Ihantes aos que apparecem nas leis consuetudinárias dos Mosara- que constituem a classe popular nunca extincta pelos succes- bes. ^ Alguns romances populares. Os mythos religiosos dos Celti- beros produziram na sua decadência elementos épicos muito im- portantes. . sSo vestígios d'esta importante herança de tradições. análogos ao harritum dos germanos. de que esta forma tradicional da epopêa tem um fundo commum idêntico ao das formas lyricas. Serranilkas. nisticas. Strabao refere que os Can- hymnos de guerra quando estavam tabros repetiam os seus gados do em insultos. « Primitivamente a ra(^a t. nas siRomances velhos figuram symbolos jurídicos simigu^erra. diz hes- Politique de VHistoire. conservadas por Gil Vicente.

§.

RUDIMENTOS DRAMÁTICOS

I.)

um

go Pompeo conservou

fragmento de

em um

que hoje se acha transformado

19

uma epopêa

canto popular

tura de Abidis, neto do rei Gargoris, nascido de

uma

turdetana,
é a aven-

;

fragilidade

da infanta o avô expõe-no a todos os riscos, elle sobrevive sempre, até que Gargoris o reconhece e lhe dá o throno. D. Joaquin
;

As grancomo os jo-

Costa reduziu esta fabula aos seus elementos mythicos.
des composições

reclamam narradores de

profissão,

Edade media; os euskarianos ainda tem os seus coblaOs Bardos é que cantavam os hairtni; esta designação conservada pelo Arcipreste de Hita como instrumento musical, apparece-nos ainda citada pelo rei Dora Duarte como significando o

graes da
ri.

narrador de contos

:

«

em

tal

maneira que não pareça que os

bardaões tem mais sabedoria que nós, porque

elles

nom

al-

se traba-

Ihom d'arremedar as estarias melhores, mas que lhe som mais
convenientes. »

de

filho

um

^

Gil Vicente, creador da farça portugueza, diz-se

albardeiro, neto de ura

cantor ou vate tinha o

tamborileiro.

Na

Irlanda, o

nome de Faith, e no tempo de Francis«de jeux et novalistés » ^ em que

Fatiste era o compositor

co

i,

se

vê a transição para a forma dramática, e a importância que

merece entre nós o nome de Fadista dado ao cantor popular.

As dansas mimicas e falladas, que acompanhavam os cantos
lyricos e épicos, formaram o primeiro gérmen das formas drama'

ticas,

de que os Jogos, as Vigílias dos Santos, as Visitações das

lapinhas,

os

persistente.

CoUoquios de namorados são ainda hoje o vestígio

Entre o povo os Romances heróicos transformam-se

espontaneamente

em dramas, como

Isidoro de Sevilha allude ao

as Mouriscadas nos Açores.

Canticum dramatis

;

e

esta palavra

Cântico, que significou a forma scenica, ainda apparece
se sentido

em Azurara quando

cita as Canticas de

com

Dante.

De

esto-

dos estes elementos tradicionaes celtibericos se pode formar idéa

bastante da vida sentimental d'essa raça successivamente inva.

dida por outros povos. Resta -nos observar a influencia d'essas in-

vasões sobre a obliteração ou revivescência d'este vigoroso ele-

mento tradicional. As nacionalidades semitas, phenicias e cartha-

1

p. 22.

Leal Conselheiro, p. 321.

2

Henri Martin, Hist. de France,

t.

vm,

20

TRADIÇÕES JÓNICAS

(Proleg.

cominunicaram-nos cultos orgiasticos de que subsisteni

ginezas,

praticas cultuaes das Deuconfundem mais ou menos, segundo Cur-

restos importantes nas superstições e

Com

sas-niães.

explorações e estabelecimentos dos Jonios na península,

tius, as

como

taes

estas se

realidade,

os phocenses, provenientes

uma

da Ásia Menor. Existia, na
que se propagava para o ex-

civilisaçao hellenica,

tremo occidente pela acção da confederação mediterrânea cujo
centro era Marselha. N'esta época estavam

em

elaboração as Rha-

como

psodias que vieram a constituir os poemas homéricos, taes

a Achilleida, a Pequena Ilíada, a Destruição de Tí'oya, a Dolonia, as Peregrinações de

TJlysses,

Vlysses, e os aedos gregos os

É

nios.

por

isso

Telemachia,

a

se

Regresso de

que Strabão referindo-se á vulgarisação das

dições ti*oyanas, e peregrinações de Ulysses, diz
lia

o

levaram por todo o dominio dos Jo-

conservam passagens d'es3as

historias,

tra-

Não só na Itásenão também na
:

«

Ibéria existem mil vestigios de taes expedições, assim como da guer-

ra de Troya.

»

(liv. iii, c. II, §.

explica a razão do

13.) Este facto tão positivo nos

desenvolvimento do Cgclo troyano

da,

Edade

média, representado pelo poema de Benoit de Saint More, como
08 historiadores introduziram o elemento troyano nas suas origens

nacionaes, e
(a

como em Portugal o mytho toponymico de Lisboa

Ulyssêa) e o typo aventureiro de Ulysses se tornaram popula-

Segundo Ampere, o romance da Bella Infanta ou a volta do
Cruzado tem esta origem. É frequente nos geographos antigos
res.

compararem
gos.

As

os costumes peninsulares e os seus cantos aos dos gre-

luctas dos

Romanos

contra os Carthaginezes no solo his-

pânico e a longa resistência das tribus celtibericas contra a incor-

poração romana, influiram na persistência dos cantos heróicos,

muito mais abundantes aqui do que na

Itália.

A

vida histórica da

peninsula começa com o dominio romano; mas se pela sua
ção influirá n'este3 povos, implantando
vias militares, generalisando
nal,

nem

visigodos,

as obliterou

Municipios,

uma linguagem que

por isso influiu nas tradições,

nem

os

como

civili-

abrindo

se tornou nacio-

não as fecundou como

o catholicismo.

Roma

tinlia

apagadas as suas tradições, o que se comprova pela sua

o.s

qualitte-

ratura imitada servilmente da Grécia. Essa esterilidade, ainda
hoje se sente na Itália,

como

diz

Cantu

:

«

Os cantos sono pochis-

i

;

21

CARACTER DOS VISIGODOS

[.)

iime romanzesche, ancor
ovius, não existem nas

meno

histórico

» e

como observa Grego-

innuraeras ruínas dos burgos

italianos

endas como na Allemanha e na Inglaterra. Conhecendo-se a statistica

do povo romano, tão

bem

reconstruída por

Dureau de La
nume-

Malle, vê-se que elle não podia colonísar pelo seu diminuto
ro

tinha o systema do colonato, a que se lhe offerecíam as tribus

;

germânicas, antes da invasão.

Depois da invasão, eram os Visigodos romanísados os pretendidos continuadores do Império;

assim a esse elemento colo-

nial anterior, ligam-se os homens-Uvres decahidos das suas garantias pelo

stituindo

desenvolvimento da classe ou banda guerreira, a qual con-

uma

aristocracia imitou os nomes, os códigos e os costu-

mes romanos. Esta sociedade

aristocrática, convertida ao catholi-

cismo romano, sob Kekáredo, soffreu

uma

profunda desnaturação

pela decadência da lingua gothica e das suas tradições nacionaes

ã classe popular, vivendo no seu arianismo, conservou as tradi-

com

ções germânicas que pela sua similaridade se fundiram

tradições celtibericas.

uma

É

popular, e outra aristocratico-ecclesiastica ou erudita.

cto da resistência do

as

preciso distinguir esta dupla influencia,

Do

fa-

elemento catholico dos Frankos contra o

christianismo ariano dos Visigodos, tira Buckle assombrosas con-

sequências históricas

;

taes são, a dissolução

da sociedade

politica,

subserviência ao clero que dominava nas cortes, obscurantismo

systematico do povo, intolerância religiosa alimentando os sanguinários

conflictos dynasticos,

depois a devastação

da reconquista

contra os Árabes, e por fim os Autos de Fé, da Inquisição,

o respeito de todas as manifestações

do espirito scientifico.

O

da auctoridade e a negação

grande facto da abjuração de Rekáredo

(586-589) não extinguiu o arianismo popular de
tradicional,

e

como

com

um

christianismo

que sob o dominio árabe resurge no culto mosarabe

egreja nacional.

Profundamente poético, o visigodo pela queda dos seus mythos religiosos, fecundou o grande campo tradicional dos hispano-romanos,

isto é,

das antigas raças fusionadas

abundante do colonato

;

com

o elemento

symbolos jurídicos, cantos heróicos, su-

que apparentemente nós vemos como germânicas, sãono apenas como revivescências provocadas por mutuas analogias
perstições,

ELEMENTO ÁRABE

22

(PFOleg.

na sociedade liispano-goda. O pensamento de Gregorovius, que o
canto popular e a lingua encerram aquillo a que os latinos cha-

mavam

Índoles, faz-nos

dicionaes representam

comprehender como

uma

estes

conservam a

so que as formas eruditas da cultura ecclesia3tica

A

dole romana.

contacto

Ín-

aristocracia visigothica desde a invasão árabe

cou sendo dirigida pelo clero catholico

em

elementos tra-

verdadeira Índole germânica, ao pas-

com

os Árabes,

;

fi-

o elemento popular ficou

que lhe respeitaram as suas crenças,

costumes e instituições. Este facto influiu na expansão dos caracteres individuaes do

povo hispânico, que desde essa época se co-

nheceu pelo nome de Mosarabe. Os Árabes não influíram nas
dições poéticas,
leilas

mas fecundaram-nas

pelas suas melodias,

prohibidas ainda no tempo de Philippe

ii,

como

tra-

como

as

os lingui-

como os Huda, as Serranilhas e oumemoradas no século xv pelo Arcipreste

lingui, ainda hoje populares,
tras formas persistentes

de Hita e por Gil Vicente.

As

narrativas da Novellistica popular

geueralisaram-se por via dos ravi árabes, e o antigo canto herói-

nome de AraÁrabe a propagação do metro popular octo-

co recebeu porventura pela sua forma cantada o
via. Attribue-se ao

sylfabo,

As
stituía

mas

esta creação é

commum

a todos os povos românicos.

colónias frankas, estabelecidas no

momento em que

se con-

a nacionalidade portugueza, flamengos que aqui estaciona-

ram na passagem para

as Cruzadas, e incursões de piratas scan-

dinavos nas costas do norte de Portugal

fixando-se

em pequenas

povoações, todos estes elementos cooperaram para a revivescência

das tradições poéticas, que a França uníversalisava na forma das

em

Portugal e Hespanha estacionaram na forma de

Uma

vez creada a lingua, como o mais poderoso in-

Gestas, e que

Romanceiro.

strumento de unificação nacional, e conseguida a estabilidade

em

que a ordem se torna voluntária, o apparecimento da Litteratura
é a consequência ímmediata da vida d'este

organismo

em

exercí-

cio.

3."

esteja

Embora
A Língua.
em contradícção com os

po physíco, ainda assim é
tornando-se

uma

um

muitas vezes o facto da linguagem
caracteres anthropologicos, ou o ty-

órgão de

barreira moral,

um

desenvolvimento

estíinulo

social,

de independência

§.

23

RELAÇÃO DA LÍNGUA COM A LITTEIIATURA

1.;

um

povo persiste na immobilidade, a sua lingua reseute-se d'es3e estacionamento, sem uma justa harmonia entre as
formas archaicas, que produzem os dialectos populares, e a adonacional. Se

pção dos neologismos provocada a cada instante por novas necessidades. Se a lingua

não recebe a fixação da escripta, complicaranunca se esta-

se a incerteza dos sons e das formas das palavras,

em

belece

bases de analogia a disciplina grammatical, a synony-

mia torna-se uma excrescência embaraçosa, confundem-se em

um

rude polysynthetismo até que é substituída por

communicativo e ao corrente com a

civilisação.

um

idioma mais

Este facto

foi

no-

tado pelo anthropologista Paul Broca, explicando como a lingua
dos Celtas^ se substituiu á dos Iberos, embora estes, pela prepon-

derância do seu numero, conservassem o typo pbysico.

phenomeno

rente contradicção entre o

Esta ap-

linguistico e o anthropologi-

comprehende-se pela independência que existe entre o vocabu-

co,

lário,
lei

^

ou a somma de palavras

racional do seu emprego.

É

em

circulação e a syntaxe, ou a

o que se observa

latim entre todos os povos occidentaes
lectos

românicos com

veniências históricas.

um

léxico

na influencia do
formaram os dia-

onde se
abundante de diversíssimas pro-

Bastava ser o latim

uma

para dominar todos os dialectos célticos da

lingua escrijita,

Itália,

das Gallias e

da Hespanha, não fallando já da elevada civilisação dos Romanos, de que essa lingua era um órgão activo. As manifestações
mais completas da linguagem na sua forma escripta constituem a
Litteratura

gico

:

«

A

;

comprehende-se portanto o valor do

Litteratura,

como

diz

critério phiiolo-

Egger, não se deve separar da

Philologia e da Historia, ou melhor, a historia das línguas, das
instituições e dos costumes

forma a verdadeira base sobre que as-

senta o juízo acerca das obras do espirito. »

^

A

lingua portugue-

za pertence ao grupo das novo-latinas, e estudando-a nas suas
lações

com

esta

re-

grande creação das civílisações meridionaes, com-

prehenderemos o espirito da Litteratura no conflicto permanente
entre a auctoridade do latim clássico, e o génio popular que repre-

senta de

1

cienm,

um modo

Mem.
p. xi.

espontâneo a feição nacional. Conforme essa

d^Anthropologie,

t.

i,

p. 276.

2

Memoires de Litterature an-

METIIODO COMPAUATIVO NAS LÍNGUAS

24

(Proleg.

corrente tradicional prevaleceu, assim as Línguas românicas se fo-

ram desenvolvendo

pela decomposição analytica, e dando ao sen-

No exame da língua começa propriamente a comprchensão das transformações litterarias, como por meio d'estas se discriminam as phases do pro-

timento nacional a originalidade da expressão.

gresso ou decadência da linguagem.

A)

Ijei

de Tormação das Lingnas românicas

em 1808

Depois que

scientifica doeste

Frederico Schlegel lançou á actividade

século a idéa da connexao entre o sanskrito e

algumas linguas da Europa, estava achado o novo

para

critério

comprehender o facto da linguagem pelo processo comparativo.

As

hypotheses mais ou menos aventurosas de Maflfei, Ciampi, Al-

drete,

Larramendi, Court de Gebelin,

Raynouard
vo-lc-tinas

e Ribeiro dos Santos sobre

La Tour d'Auvergne,
uma das linguas no-

cada

estudadas isoladamente, cahiram pela simples applica-

ção do methodo

comparativo encetado por Frederico Diez,

1827, no seu livro

Da

Poesia dos

que explicou a formação

d'esse

Trovadores.

A

clareza

em
com

grupo de linguas, estudando con-

junctamente o estado dos seus sons e particularidades prosodicas,
as suas analogias morphologicas, a similaridade syntaxica, toman-

do como typo

commum

d'onde divergiram, o Latim, tornaram-no

o fundador da philologia românica, systematisada na Grammatica das Linguas românicas publicada de 1836 a 1844.

dade de phenomenos linguisticos
sentou-se

com uma

em

A

varie-

todo o grupo românico apre-

certa regularidade, e d'aqui a necessidade de

uma ou mais leis naturaes d'esse assombroso processo
de decomposição analytica, que caracterisa as línguas modernas.
Na formação das linguas românicas uma lei geral domina o
estabelecer

processo da derivação latina

O

;

é a persistência do accento latino.

accento conservando-se através de todos os accidentes de oblite-

ração por que passou a palavra, é como o ponto de apoio da expressão, é o centro

de orientação das modificações consonantaes

;

cita-

remos um exemplo d'este processo orgânico: quadragésima, que
no portuguez se abrevia em quaresma, e no francez careme; mi-

§.

em

nisterium
te

25

DIVERGÊNCIA DIALECTAL

l)

vietier ;

rotundus

em

rond.

A

parte mais importan-

do vocabulário românico restitue-se á sua proveniência

Outra

egualmente natural e fecunda é a da

lei

latina.

— suppressão

modo como desapparecem
muitas flexões nominaes e verbaes, isto é, como se obliteram os
casos suppridos pelo uso excessivo de preposições ; como se perde
da vogal breve

/

por

ella

se explica o

a acção prosodica da quantidade influindo na metrificação poética
o syllabismo ou a accentuaqão;

como

os verbos

perdem

as suas

variadas desinências, simplificando-se pelos auxiliares de que

raram para

os seus

tempos formas paraphrasisticas

incompletos meios de expressão, para se tornarem
veis,

têm de

como

;

ti-

estes

comprehensi-

empregando constante-

reagir pelo esforço analytico

mente os pronomes, alguns dos quaes pelo seu uso exclusivo

se

tornaram artigos; por outro lado, recorre-se aos circumloquios,

sempre explicativos e assim o adverbio recebe
rístico,

um

suffixo caracte-

desdobrando-se os comparativos e superlativos

compostas, e os participios tornando-se adjectivos.

em

phrases

Esta simples

modificação phonetica da suppressão da vogal breve, destruindo as
flexões latinas,

tam

produz a revolução immensa

outra morphologia linguistica e outras

em que

se manifes-

construcções syntaxi-

cas.

Uma

da

terceira

— queda

lei,

egualmente natural e importantíssima é a

da consoante medial ;

este

phenomeno veiu tornar

contrahidas as linguas novo-latinas, como se observa no francez,

que se fixou muito cedo na forma escripta. Exemplifiquemos
adverbio Metipsissimus, no italiano apparece

em

portuguez

même.

mas

O

isto

em

:

o

medesimo, no

medes, meesmo (antigo) e mesmo, e no francez

em

portuguez apresenta fórmàs muito próximas do latim,

deve attribuir-se ao trabalho erudito dos escriptores que

recorreram sempre ao vocabulário latino, facto que teve

uma

gran-

de influencia na forma e caracter da litteratura.

Depois do conhecimento das
linguistico,

leis

fundamentaes do phenomeno

importa vêr as modificações mesologicas e históricas

que cooperaram na sua manifestação.

Com

a lingua latina dá-se

o que ainda actualmente se observa nas linguas extensamente fal-

laàas e que se

empregam em um grande dominio geographico. Ao

passo que o latim recebia a forma culta e disciplinada pelos es-

áO

o COLONATO KOMANO

criptores e rhetoricos, as

vam

(Pioleg.

camadas populares que apenas a usa-

oralmente deviam, por

uma

consequência natural, seguir a

corrente divergente dos dialectos, já pela persistência do archaia-

mo

nos confins provinciaes, já pelas obliterações da glottica do vulchamamos rusticidade, cm contraposição com a urba-

go, a que

O

nidade.

vocabulário apresenta formas duplas,

do ao povo, outra empregada pelo erudito

;

uma

pertencen-

as linguas novo-lati-

nas ainda seguem este processo fecundo de derivação, ao qual se
liga o

phenomeno semeiologico da diversidade de

primem.

O

facto dos duplos

ção tenha duas linguas,

ou dos

cultos.

phenomeno

No

uma

não quer dizer que

em que

uma mesma

na-

pedestre ou vulgar, e outra erudita

latim, circumstancias históricas

singular,

sentidos que ex-

provocaram

este

a linguagem rústica veiu a prevale-

cer sobre a linguagem escripta, até que por seu turno, ao vir a
ser escripta, foi buscar ao typo clássico

syntacticas.

As

das da metrópole e

um

as

normas essenciaes ou

expedições e guarnições militares romanas afasta-

em

contacto

com povos bárbaros tendiam por

esquecimento natural e pela necessidade de usar

com

os estrangeiros a

politica

romana acceitava para

recrutados

em

uma

giria

adoptarem formas simples ou analyticas.
o serviço

A

das armas mercenários

todas as províncias do Império, especialmente

tri-

bus germânicas. Os escriptores dramáticos, como Terêncio, repro-

duziam nos seus diálogos scenicos algumas d'essas formas rústicas, como o abuso de preposições e vozes verbaes auxiliadas.
Quando a politica romana conheceu o seu erro, vendo que a força publica estava confiada aos mercenários sabidos d'entre os bárbaros que

Roma

combatia, recorreu ao novo expediente do colo-

nato, concedendo a essas tribus terras, dando-lhes instituições

nicipaes e regularisando a sua dependência administrativa
cora ella pela forma de
territórios o direito

Durante

direito.

mupara

Por íim estendeu a todos esses

de cidade.

estes três últimos esforços

da politica romana é que

como lingua que exprimia as relações jurídicas, foi adoptado pelos povos conquistados. As populações dos pagi, na Itáo latim,

lia,

nas Gallias e na Hespanha, pela grande similaridade entre os

seus dialectos pelasgicos e o latim, facilmente o accei taram.

Isto

comprova-se pelo que se deu entre outros povos pertencentes

Pomponio Mella. e ainda no ultimo século do Império escreviam. p. Assim pôde o latim unificar pela legislação os povos hispânicos. conquistada pelos romanos conserva a sua lingua céltica. no . que fundo ethnico se revelará mais Civilisação Occidental. ^ na sua apologética restaurar o puro atticis- Egreja reagia contra a civilisação greco-romana. Allio Januário. ao passo que esta se substituo pelo latim na Itália superior. na Edade media. de Córdova. Marco Licínio. e no entretanto poucos séculos de dominação o dialecto românico dos Alpes suissos . em Engadina estabeleceu da mesma forma a Breta- nha. os imperadores Trajano e Adriano. Silio Itálico. Lúcio de Tuy.) egualmente á unificação romana . Sertório fundou cos em Osca. e o rhetorico Quintiliano de Calahorra . Prudencio. pelo facto do emprego do latim na liturgia. o domínio romano 27 foi maÍ3 pro- longado na Grécia do que na Hespanha e comtudo nào puderam lá impor a sua lingua.umes das raças a que pertenciam. 108. teve os gaditanos Cornelio Balbo litteratura os dois So- Columella. as numerosas coló- nias militares da llliria nào coraraunicam aos slavos o latim. n'essa forma peculiar da litteratura ecclesiastica. que reconheciam a superioridade da cultura romana e admiravam o seu perstigio. de que o latim foi o tarde pela meio de unificação. Paulo Orosio. e Gabematis. Elpidio e tantos outros. necas. Egual phenomeno se deu com o grego. LATIMSMO NA PENÍNSULA HISPÂNICA I. natural de Calatayud. Lucano. Porcio Latro. Paciano e Olympio. que se trans- formava no dialecto commum. o papa Sam Dâma- Dextro. Potamio. e os corãovezes Roma Sextilio Anneo Mela. Juvenco. A propagação do catholicisuio no segundo século. os bispos Osio. de um Esta facilidade autheutica-nos a existência ^ commum. Idacio. Floro e Júlio Higinio. so. As classes elevadas. de Barcelona. ao passo que os Chrysostomos e 03 Basilios tentavam" A mo. na Fran- ça e na Hespanha. Piccola Enciclopédia indiana. abandonaram as linguas e mesmo os cost. Cláudio Apolinário. um centro de estudos clássi- como continuadores da sua Henna. de Lisboa. e Marcial. fez com que se generalisasse a imitação das formas urbanas. de Granada. Félix. como aqui também .§. para escreverem como os poetas e prosadores e fallarem como os rhetoricos de Roma. Gregório Betico. Cordio Sinforo.

segundo o seu biographo Jofío Diácono. noMANisAÇÃo DOS VISIGODOS 28 (Pfoleg. as leis e os costumes romanos. elle ariano. explica por Grammatica. que se subordinaram . por Marcial. uniformisando os direitos entre os hispano-romanos e os visigodos. coexistindo com a generalisação do latim pela dupla influencia administrativa e ecclesiastica. diz-nos Frederico Diez « Apropriando. língua. porém » ^ O al- na totalidade da facto da conversão ao catholicismo sob Rekáredo. que . pelo quarto concilio de Carthago prohibia a leitu- ra dos livros profanos. fez-se pelos povos que mais tinham apropriado da cultura romana. e n'uma isolada eru- dição claustral A invasão germânica na peninsula. lemão .ás normas syntaxicas do latim ? Depois da queda do Império a tradição latina fica representada pela Egreja. o grupo românico escapou quasi completamente á influencia da grammatica allemã. Isto vitalidade dos dialectos vulgares. . o papa Gregório Magno. 65. e pela lei ro de 230. quarto século. i. senão por esse fundo commum dos dialectos pelasgicos. que os Visigodos se adoptaram. possuiara o christianismo phenomeno. abando- nando o arianismo. os Visigodos. estas particularidades perdem-se em 587.se dos elementos germânicos não soffreu nenhuma perturbação essencial no seu organismo.. determinou a decadência da língua gótica. para não submetter as palavras divinas ás regras de Dona- como vemos tadas por Quintiliano. pelas palavras ci- de Alexandre Seve- em linguas vulga- explicar esta vitalidade dos dialectos. em quanto os Diez. Com relação ao latim. Brachet et Paris. que exce- dera em visigodos desenvolvimento o franciko e o lombardo. desprezava intencionalmente o uso dos casos. com a grande prova-nos que a Egreja tinha de transigir to. haja na formação das suas palavras algumas derivações e compo- acham-se também na syntaxe vestigios do sições germânicas. acceitaram os nomes. notando este a ruina do gótico mais rapidamente trad. Não se pode negar. que á maneira que imp3e o seu dominio se separa do povo. fechando-se era uma hierarchia aristocrática. Ao tentarem substituir a unidade imperial. que permitte fazer fideicommissos Como res. por causa da sua conversão ao catholicismo.

.

§.

o domínio dos árabes

i.)

29

na Hespanha do que em nenhuma outra parte. ^ E aqui que começa a separação entre o povo, que elabora as suag tradições, e
as classes aristocráticas, que se roraanisam e se submettem á
erudição ecclesiastica. Essa separação, que vse observa na littera-

em Santo

tura,

Isidoro,

em Paulo

Orosio, Idacio, Viciara, Santo

Máximo, nos poetas Draconcio, OrenFlorentino, Eugénio, Commancio e Valério, e em outros apo-

Ildefonso, Isidoro de Beja,
cio,

na conderanação dos concílios de

logetas, torna-se mais evidente

Toledo contra as tradições populares, que sob o dominio árabe
tiveram essa expansão de espontaneidade que forma os Roman-

Poemas do Cíd

ceiros e os

Fernão Gonçalves

e

dominio dos Árabes descripto com tintas pejorativas de catastrophe pelos latinistas ecclesiasticos,

como

Isidoro de Beja, Se-

bastião de Salamanca, Sampiro, o Silense, Lucas de

que

Álva-

Mediante

todo de tolerância e de liberdade.

foi

e

como uma grande verdade

ro de Córdova, está hoje provado
tórica,

Tuy

his-

uma

tinha garantida a sua pro-

capitação, o djizyeh, o hispano-godo

priedade, a sua familia, a sua crença e a sua industria.

Fácil

foi

a harmonia moral entre a população e o invasor que trazia a superioridade da civilisação hellenica, de Damasco e Bagdad, onde
pela Syria e pela Pérsia, renascera outra vez

grego.

Os hispano-godos imitaram

os árabes

rabes, esse elemento ainda indistincto,

base orgânica das nacionalidades.

bem como

bes,

os

A

foi

mundo

o génio

Mosa-

comraunicação com os Ára-

cruzamentos de raça fizeram-se por esses dois

adoptadas nos escriptos aljamiados,

A

no

taes são os

que veiu a chamar-se povo,

ramos ethnicos dos berberes e mouriscos
mânicas.

;

;

as letras árabes foram

em que

as palavras

eram

ro-

extensão do dominio da lingua árabe no Occidente

investigada por Narducci na Itália, por Mareei Devic na Fran-

ça e por Frei João de Sousa,

Portugal

;

esse dominio

se enriqueceu
tas de

com

uma

com

os

não

Engclmann

como

syntaxico.

foi

5

Ibidem, p. 38.

Apenas

relação a

o vocabulário
e conquis-

ás vezes o termo latino coexiste

sastre e alfaiate;

na crença, o nome de Allah

ainda se invoca nos templos christãos, como

1

Dozy com

nomes technicos de instrumentos

civilisação superior

o árabe,

e

em Oxalá do árabe

UNinCAÇAO DO OCCIDENTE

'M

A

InshaUah.

(Prolcu.

animadversíto catholica revela-se

em

muitas pala-

vras árabes, que ainda hoje subsistem mas exclusivamente
sentido pejorativo
é

uma

taea

;

como Caschich,

Cachicka! Azambrado, Ma-

interjeição popular do nosso:

mesmo

draço, Leria, que estão no

com

o sacerdote christâo, que

caso.

Na

longa lucta de recon-

quista, as povoações sedentárias ficaram indifFerentes á sorte das

batalhas

formou-se

;

uma linguagem

vulgar conhecida pelo nome

de Aravia, própria d'es3a população mosarabe, a par da ladinha

O

christenga.

nome de Aravia dado

aos romances populares re-

vela-nos que na formação das nacionalidades peninsulares, já exis-

tiam 08 cantos na lingua
Chronica general.

em

restaurar

O

em que vieram

a ser incorporados na

triumpho da reconquista christã, pretendeu

tudo as atrazadas instituições visigóticas; deram-se

as revoltas coramunaes, e revoltas dos

barões.

Appareceu então

a causa popular dos Concelhos, os Foros foram redigidos
gar, e o
rial

Fórum Judicum

romana

traduzido.

No emtanto

já não podia ser restaurada

Magno

co dos neo-gothicos. Carlos

em

vul-

a unidade impe-

por esse ramo germâni-

entre os Frankos é que reali-

sou o pensamento da unidade romana, estabelecendo

uma

época

de estabilidade para a Europa, e o inicio da civilisação moderna.
Collocado no centro do Occidente, na Gallia,
sões das tribus barbaras

pondo
trou

um

dique á invasão dos Árabes no

como cooperadora da

elle

susteve as inva-

do norte, romanisando a Allemanha, e
sul. ^

A

Allemanha en-

Civilisação occidental, e a lucta contra

a expansão da raça semita continuou-se nas Cruzadas, phenomeno

que motivou o apparecimento da burguezia, pela lucta entre o
poder real e o poder feudal. Na creação das novas formas sociaes,
organisaram-se nacionalidades, e o Occidente teve

uma

commum, uma mesma

mesmas

arte,

uma

idêntica poesia e as

tações para fundar a liberdade civil
escriptas as linguas românicas

grande synthese

;

crença
agi-

todos estes factos tornaram

empregadas em comraunicar esta

aflFectiva.

Littré, Application de la Philosophie positive, p. 116.

§.

dialectos peninsulares

t).

Filiação e épocas históricas da

B)

A

34

Lingna portugueza

formação das Línguas românicas, com elementos latinos,

germânicos, gregos e árabes, deve considerar-se como o pheno-

meno

que maia determinou o reapparecimento da Civilisa-

social

ção Occidental, de qué a Provença

foi

centro, e de

o principal

que a França exerce ainda hoje a hegemonia. As Linguas românicas tornaram

communs

ellas convertidas

em

volveram-se

em

os interesses, os sentimentos e as idéas, e

órgãos das Nacionalidades modernas, desen-

Litteraturas,

em

consequência da escripta. Os do-

minios francez, italiano e hespanhol, pelos accidentes históricos e

por causas mesologicas que conjunctamente actuavam sobre o separatismo politico, dividiram-se

em

muitíssimos dialectos locaes, uns

que estacionaram no provincianismo, outros que

em

ziano e jportuguez.
italianos

converteram

que vieram a ser subordinados pela acção de convergên-

cia nacional ao dialecto toscano,

da

se

phenomeno se verifica pelo galleNão enumeraremos a grande série de dialectos

lingua nacional. Este duplo

de Paris

ilha

ctos românicos

;

nem em França com

o dialecto

interessa-nos directamente a situação dos diale-

na Hespanha. Aqui a divisão

dialectal correspon-

de perfeitamente á evolução social e histórica, que, simultanea-

mente com a conquista neo-gothica ia desmembrando o território
e povoações tomadas aos árabes em pequenas nacionalidades independentes
se

em

:

o Portuguez, o Catalão e o

Castelhano, converterara-

linguas nacionaes, ao passo que o gallego

primeiro, o valenciano e malhor quino,

com

com

relação ao

relação ao segundo, e

o andaluz estacionaram conservando apenas divergências

São também

três nacionalidades

as

locaes.

que mais profundamente se

constituíram, achando-se ainda no século xvil

em

lucta contra a

unificação politica castelhana Portugal e a Catalunha.

Frederico.

Diez considera o Portuguez çom caracteres originaes propriosj no

Poema

de Alexandre e no

Poema do Cid apparecem

os typos

que

fixaram o castelhano] nos versos de Berceo, era que se conhece a
influencia dos

trovadores, destaca-se já a feição que distingue o

Como

a historia social influiu profundamente na especifi-

catalão.

cação d'este8 typos linguisticos, a evolução da civilisação peninsu-

A GALLIZA ABRANGENDO PORTUGAL

32
lar actuou
lectos.

A

de ura modo poderoso no desdobramento do novos dia-

filiaçíío

da lingua portugueza no grupo românico penin-

provém da unidade da cultura

sular,

(Proleg.

latina

na peninsula, mas o

seu individualismo resultou do facto da creação da nacionalidade

no século

xii.

A^ingua

i)ortugueza ó idêntica á galleziana

;

per-

dendo a Galliza as condições de independência e de vida nacional,
ficou um dialecto archaico, de que ainda se observam nos escriptores antigos os evidentes vestigios.

Antes da indepenFormas gallezianas no jportuguez.
dência politica tentada pelo Conde D. Henrique, Portugal fazia
parte da Galliza, a qual desde Fernando Magno se estendia até
ao Mondego. Pertenciam ainda em 1065 á Galliza as conquistas
em 1093 as suas fronteiras esao norte do Mondego e do Alva
tenderam-se até á foz do Tejo, depois da tomada de Santarém,
a)

;

Lisboa e Cintra. AfFonso vi de Leão, querendo fortalecer a administração d'este vasto

dominio da Galliza, encarregando seu go-

verno a Raymundo, que viera com os guerreiros frankos que aju-

daram

o

monarcha leonez em 1086 na batalha de Zalaka, entre-

gou-lhe toda a administração, casando-o

enunciado

com sua

filha

d'estes simples factos históricos, mostra-nos

neralisou a lingua gallega

em

Urraca.

como

O

se ge-

todo este território, onde pela esta-

bilidade no meio das algaradas contra os árabes, a lingua pôde
ser escripta e a Galliza tornar -se ura centro de cultura.
logia coadjuva a explicação d'este
fluiu

Nas invasões germânicas do

partilha aos
ros,
;

A

ethno-

que tanto

século V, a Galliza ficara

in-

em

Suevos, Alanos e Silingos incorporados aos primei-

quando Walia os forçou a abandonarem a Betica e a Lusitâmais tarde os Suevos estenderam sobre a Betica e a Lusitâ-

nia o seu dominio, até serem submettidos

dade

social,

na prioridade do lyrismo provençal ao norte e oeste da pe-

ninsula.

nia

phenomeno

por Leovigildo á uni-

para a unidade da

visigótica. Território o raça, tudo influía

lingua gallega.

A

Galliza luctou

como todos

os

outros pequenos

estados peninsulares pelo estabelecimento da sua autonomia nacio-

nal

;

mas a formação da nacionalidade portugueza reduziu-a á

condição de província, e o galleziano,

nova

litteratura decahiu

em um

em que

se elaborava

uma

simples dialecto fallado, ao passo

que o portuguez progrediu como lingua escripta.

A

vida histórica

§.

DECADÊNCIA DA GALLIZA

I.)

33

9

da Galliza dispendeu-se nas agitações das varias dynastias de
Leão, Castella ou Aragão, e já no fim do século xiv a tentativa

de renascimento da poesia gallega por Villasandin© e Padron

fi-

cou sem resultado. Para que o território das margens do Minho

desmembrasse do condado da Galliza, e

até ao Tejo se

da unificação politica asturo-leoneza,

cipasse

se

eman-

não bastavam as

ambições do Conde D. Henrique, de D. Thereza ou de D. Aíionso

Henriques

os Concelhos,

;

ou cidades no seu perfeito desenvol-

vimento jurídico precisavam fortalecer-se como nação, (behetrias)
e a própria situação geographica provocava a autonomia que se fez

sem

ruido,

uma
ca

;

como notou

pelo

ta, pelo

A proximidade do mar não era
mas um estimulo de actividade económi-

Schseífer.

barreira defensiva,

mar vinham as armadas que coadjuvavam a reconquismar se fizeram as incursões na costa do Algarve, e se

entrou depois da integração do território no periodo dos descobri-

uma

mentos geographicos. Assim o portuguez tornou-se
cional.

'

Nunes de Leão, Aldrete,

lingua na-

e Sarmienío, muito antes de

Frederico Diez reconheceram a identidade entre o portuguez e o
gallego,

mas explicavam a decadência

lar por causas
scientifico

mo

em

pliantasticas

philologia.

O

em

d'este

provenientes da

dialecto particu-

d«i

tempo

gallego conservou-se muito

lingua litteraria empregada artificialmente na

vemos nas Cantigas

de methodo

falta

Affonso

Sábio

chronologicamente o seu emprego

:

«

;

e

co-

como

Sarmiento determina

Hasta

D. Henrique tercero, todolas coplas que

poesia,

los

tiempos dei rey

commumente
mayor parte eran en aquella lengua. » ^ Este facto confirma-se com as composições lyricas do grande Cancioneiro portuse hacian

por la

guez (da Vaticana, de Colocci e da Ajuda)

em que não

só as for-

mas linguisticas como o género litterario das serranilhas continuam a tradição galleziana. A lingua portugueza seguia a sua
differcnciação
mas todas as vezes que os escriptores do século XV
;

^

Nunes de

Leão,,

na Origem da Lingua portugueza.

\^.

92, ed. de

1605, fallando da similaridade entre o gallego e o portuguez^ explica o fa-

que se causou por em Portugal haver rei e corte,
onde os vocábulos se forjam e pulem, e d'onde manam para
2
os outros homens, o que nunca houve na Galliza. »
Memorias para la

cto irracionalmente: ^'O

que

é a oílicina

Historia de la Poesia

y Poetas espaíwles, p. 198, b.° 456.
3

.

A CORRENTE FRANCEZA

34

(Prolc^.

aproximavam da dicçSo popular, reproduziam esponta-

e XVI se

neamente

esses galleguismos, de

que

portuguez

foi

conservam particularida-

se

des phoneticas no Minho e na Beira.

A

cultura erudita a que o

muito cedo subníettido, aproximou-o extraordinaria-

mente do latim

não deixando também de influenciar na

clássico,

sua pronuncia as numerosas colónias francezas que se estabelece-

ram simultaneamente com a

nacionalidade.

— Como

Modificações por via do francez.

b)

em 1096

de D. Henrique toma posse

com D.

Portugal, casando

Therez.a

;

vimos, o Con-

do território que veiu a ser
o cavalleiro borgonhez trou-

xera corasigo homens de armas, deu franquias ás colónias que

chamou do seu

paiz, e

vieram juntamente com bispos para as

amanuenses para copiarem os Evangelhos em

ceses,

dio-

letra france-

za como ordenava o Concilio de Leão, de 1090. Muitos bispos e
arcebispos

eram francezes, como

Hugo, D. Bernardo

ia-se estudar

;

culiar e Frei Gil Rodrigues.

S.

Geraldo, D.

D.

Maurício,

a França, como D. João Pe-

D. AfFonso Henriques concedeu a Gi-

Iherme des Cornes as terras de Athouguia, para serem colonisadas por francezes e gallegos. Assim se espalharam entre nós as
lendas carlingianas, e se cantaram aa Gestas francezas, a que ha

A

allusões nos Nobiliários.

corrente franceza continuou na época

das luctas dos fidalgos contra D. Sancho

refugiando-se os emi-

li,

grados na corte de S. Luiz, d'onde acompanharam a Portugal D.
AfFonso

III,

que depoz o irmão. Aldrete, na Origen y principio

de la lengua Castellana, reconhece no portuguez esta influencia
franceza, a que alguns attribuem os nossos sons nasaes e
as formas contrahidas de

prio

D. Diniz

hors, e

foi

um

também

grande numero de palavras.

O

pró-

educado pelo francez Emeric d'Ebrard, de Ca-

na própria poesia dos trovadores portuguezes penetraram

versos francezes, d'onde se infere que estavam aqui generalisados.

Havia uma causa poderosissima para que
lingua portugueza

;

influísse

na

o francez era, desde o século xii, o propaga-

dor de todas as tradições da Edade media
culo xiii, as proclamações

bailadas do povo eram
fluxo, pelas palavras
est la

o francez

em

;

na Inglaterra, no

sé-

dos reis, o ensino nas escholas e as

francez

;

na

Itália, avalia-se o

de Brunetto Latini

plus gracieuse st delictable de tous

:

«

les

seu in-

la parleure française

outres

languages...

»

|

.

PRIMEIROS DOCUMENTOS ESCRIPTOS

I.)

Dante reconhece no De Vulgari eloquia

36

mo

no Tristam de Scottfrid.

A

Nos

superioridade.

esta

velhos romances allemães acham-se versos inteiros

em

francez, co-

Civilisação occidental tinha acha-

As

do o seu novo centro hegemónico.

primeiras composições

litte-

rarias portuguezas seguiram essa impressão universal dos modelos

francezes, até certo ponto contrabalançando-se

A

forçada dos eruditos ecclesiasticos.

Affonso Lopes Baião, imita

com a

latinisação

Gesta de mal dizer, de D.

em endechas

a linguagem popular do

século XIII, reproduzindo as formas da Cantilena franceza.

O

c)

portuguez começa a ser

escrijpto.

— Debaixo

flexão alatinada d'essa lingua convencional e

da

barbara dos

in-

do-

cumentos jurídicos, taes como o Livro dos Testamentos de Lor-

vão ou o Livro Preto da Só de Coimbra, existem as palavras
vulgares que mais tarde apparecem com forma própria nos
textos litterarios, assim

como do onomástico

em uma

ração do portuguez

se

remonta á elabo-

época muito anterior ao facto do

apparecimento da nacionalidade. Lnporta distinguir entre docu-

mentos históricos e

litterarios

^
;

os primeiros

mostram-nos o des-

segundos são já uma revelaum sentimento de pátria. Em
phenomeno commum das litteraturas come-

envolvimento da sociedade

civil, os

ção da consciência, a expressão de

Portugal repete-se o

çarem pelas formas poéticas até chegarem á fundação da prosa.

Com

a vinda de

Dom

Affonso

iii

de França principia a activida-

de poética da aristocracia portugueza, que
talece

com a tradição

Os

em Dom

Di-niz se for-

lyrica popular.

latinistas ecclesiasticos

exerceram muito cedo a lingua por-

tugueza na traducção dos livros dos Padres da Egreja e dos Evangelhos.

A

grande Livraria de Alcobaça compoe-se de traducções

latinas do século

1

xiv como as já publicadas por Frei Fortunato

João Pedro Ribeiro, nas Dissertações chronologicas e criticas,

1. 1,

doe.

documentos em portuguez redigidos no reiem 1192, e deduz que no reinado de Dom AÍTouso
que apparecem os documentos em portuguez cora

60, 61, 62-68, e 184, transcreve

nado de Dom Sancho i,
III, a começar de 1293 é
mais frequência, tornando-se geral o seu uso de 1334 em diante. Estes factos
í^ão importantes para conhecermos o desenvolvimento da vida civil, mas
não provém como quer J. P, Ribeiro da ignorância progressiva do latim.
*

J

DIALHCTOS POHTUGUEZES

30

(Prolcg.

dc S. Boaventura, e Uvtos ascéticos traduzidos ou compilados

A

para uso dos clérigos que ignoravam o latim.

absorvendo para

tral,

si

erudição claus-

a instrucç3o e banindo os cantos vulga-

res da liturgia, tornou o latim a giria das escholas e a poesia dos

A

Goliardos.

também com que
como linguagem dos tribu-

renascença do Direito romano fez

da parte da realeza

se irapuzesse o latim

nues e das allegaç5es jurídicas. Assim se enriquecia o vocabulário
pelo neologismo e se perderam as formas populares no meio de to-

da esta exuberância de elementos eruditos. Raros foram
puderam libertar do perstigio da imitação

ptores que se

os escrilatina,

esta influencia favorecida pela disciplina catholica destruiu

teratura portugueza

uma

na

e

lit-

importantíssima parte dos seus caracte-

res e condiçSes de originalidade.

Fora da

portugueza teve também

litteratura, a lingua

go desdobramento de

dialectos,

um

lar-

devido ao forte individualismo do

povo e em consequência da expansão histórica da nacionalidade

em

ura vastíssimo domínio colonial. Assim, depois do dialecto gal-

temos o creoulo nas possessões da Africa e Cabo Verde, o

lego,

matuto no
tal

Brazil', o reinai,

em

de Ceylão,

o mirandez

Barros

:

Ásia, e

em

ou indo-portuguez em Columbo capi-

Malaca, e pelo

Traz-os-3Iontes.

eíFeito

No

do isolamento provincial,

século xvi escrevia João de

As armas e padrões portuguezes postos em Africa e em
em tantas mil Ilhas fora da repartiçam das três partes da
«

terra, matérias são e pode-as o

tempo gastar

pêro, não gastará

;

doutrina, costumes, linguagem, que os portuguezes nestas terras

deixaram.

»

^

A

verdade d'esta grande aífirmação consciente do

nosso vigor nacional
los

de decadência

;

torna-se evidente ainda ao fim de três sécu-

escreve Radau, referindo-se a Malaca

idioma que

aí se falia

phenomeno

philologíco

hoje ao
:

ó o

lado do

inglez é

Eu

O

os adjectivos per-

vou, eu tenho

segundo as circumstancias. Algumas palavras do ma-

eu

laio

completam esta lingua, que apresenta

1

;

vai, significa eu

ido,

irei,

«

Os verbos não têm

tempos nem modos, nem números nem pessoas
e o plural.

:

espécie de

portuguez despojado das suas termi-

nações, e por assim dizer reduzido a raizes.

deram o feminino

uma

Dial., p. 229.

um

curioso exemplo dc

4.) mesmo. de Paris. 2. para significar uma cousa sem valor. coin- o restabelecimento das bases tradícionaes na litteratura. de la Sociélé de Geographie. 73-77. um phenomeno — A creação de uma nacionalidade é de ordem statica. nos Cancioneiros. xu. por Fernão de Oliveira e João de Barros. Gonsalves Vianna. 1883. Porto 1882. As épocas históricas da lingua portugueza coincidem com as phases mais características da litteratura 1. olische Studien: 3. 64. até preponderar a auctoridade da grammatica 4. pelo mesmo. t. — 2 Ob. ou Romantismo. era ao estabelecimento de um no século xvi e xvii. et i Do Linguagem po- Linguagem popular de Castello Rodrigo..=^ serie. 1884. p. — Exame histórico e critico.* — Estabelecimento de disciplina grammatical. Essai de de Phonologie de la Langue portugaise d'aprcs le Dialécte actuei Dialectos Phonétique : ii — extremenlios. Duarte Nunes de Leão até Vocabulário. p. Lxxxni. Dialectos beirões pular de Monte Novo. t. Ueber das Indoportugiesísche von Diu. Porto. se- — paração entre os escriptores e o povo.* ]Modificações produzidas pela acção da cultura latina. vindo a pre- valecer a doutrina dos archaismos na Arcádia no século xviii. 1883. terminando no século xiv.* latina pelo ensino dos Jesuítas. Porto. independente da vontade do in- 1 Un Naturaliste dans VArchipel Malais (na Rev. i. Bertrand Boeandéj De la Langue créole de la Guinée portugaise (Buli. O Dialecto mirandez. traducçòes latino-ecclesiasá reforma dos Foraes realisada por D.tugueza I.) — Hugo Shuehartt. 5. des Deux ]\Ionde8. 1:883 (separata da Revista de Estudos Livres. 1869. 3. de Lisbonne.) retrocesso ao estado primitivo. Wien.)— Vide sobre dialectologia portugueza.* : — Desde a elaboração que se revela sob a inflexão alatina- da dos documentos jurídicos até que se destaca do gallego. 679. 37 ÉPOCAS DA língua pop. Paris. termi- ticas até nando no começo do século xvi. Dialecto brazileiro. Kre- Ueher das Indoportuguises ische von Cochin. e fim do pedantismo grammatical pelo novo critério comparativo cide com . Manoel. Wien 1883.* — Harmonia entre a linguagem escripta e a fallada.— §. » « língua franduna —a Filinto Elysio ^ também allude á que trouxeram os soldados portuguezes das guerras dos Paizes-Baixos. p. t. .° A Nacionalidade. — Leite de Vasconeellos. por Bluteau. » ^ de que nos resta ainda a desi- gnação vaga àe franduna gem.

o di- fortemente dominadas pela pai- xão egoísta. pela descoberta dos Archipelagos e pelas feitorias . a industria. qne esse órgão collectivo cada individuo no da Pátria. Portugal chegou ainda mais a sua unidade politica. Portugal ficou a Galliza perdeu esta qualidade e chegou a esquecer a sua extraordinária cultura. reito.NOVAS NACIONALIDADES ')í> dividuo é pela synthcse dos interesses ou o direito. o mais fraco pelo seu numero é es- timulado pela necessidade da defeza cedo do que Castella a i'ealisar . desmembrou-se da como a Hollanda se destacou da Allemanha decisivo a corrente separatista que . tinha affirmado o espirito secular que luctara já se . como se comprova com se- a Itá- lia e za. Quando no século xii um modo nação. a politica são como a crença. e para alguns historiadores maravilhoso. se constituiu a nacionalidade portugue- da elaboração activa da Edade media estava en- estavam transformados dos pelo christianisrao no francezas . e a con- trabalançar a exiguidade do seu território pela occupação no norte da Africa. pela synthe- . se revela para diversas instituições sociaes. pela litteratura que se consegue de guro a revivescência de uma com a Allemanha. no conflicto dos interesses. estão sem- tido pre em uma intima relação entre a sua fecundidade e o vigor da É nacionalidade. já estavam reconhecidos os circulavam todas as lendas piedosas. o typo do pequeno estado livre peninsular . se dos sentimentos ou a raoral e a arte. se eleva até á consciência. e por isso não represencompletamente o génio nacional. imperiosas e fataes circumstancias provocavam este ap- parecimento tardio. Hespanha provocou este facto na época da reconquista que- brara as três tentativas de unificação neo-gothica. e florescia a nova architectura ogival. D'entre as novas nacionalidades era Portugal a ultima que entrava no concurso da civilisação do Occidente . já o periodo cerrado as : diíFerentes fórraa escripta . Tal é a intima relação da nacionalidade com a As litteratura. mythos arruina- os velhos cyclo das tradições épicas das Crestas pela independência da esphera civil códigos locaes tinham-se fixado na linguas românicas . que ideal (Proleg. as creaçSes sentimentaes to- tara mando por base as tradições da collectividade e recebendo o sennovo a que se elevaram as capacidades superiores. Confinado entre o continente e o mar. Na pressão mutua de dois povos.

que conspiravam contra a occupação ingleza de Beresford e se refugiaram em . ca é que a tornou u elaboração da uma nação A ^uropa upi- sua vida históri- fecunda ainda depois de terminada Edade media. e d'aqui as fortes manifes- classe popular. No resto da Hespanha. o Estado constituia-se mita. extinguiu-se quando trinta annos de educação jesuítica (1550-1580) obliteraram na mocidade portugueza o sentimento de pátria e a consciência da nacionalidade. versalisou como a epopêa do mundo moderno. Restaurou-se a nacionalidade portugueza. quando a França pôde afastar da Hespanha a Casa de Áustria .§. João de Barros. grandes successos e lar- gos destinos não bastam para captivar-nos a attenção e determinar o juizo da posteridade. na palavra eloquente dos Lusiadas^^^Qa. também Pina. Esta pequena nacionalidade ataca- da pela intolerância. Para que um povo tenha este privilegio. pelo seu poderoso elemento na transição da tribu para nação uma colónias gregas e tações da em Portugal. 39 NACIONALIDADE PORTUGUEZA I. mas a connivencia da nova dynastia com os Jesuítas fez com que vegetássemos sem plano. é preciso que elle possa dar conta das suas acções e dos seus destinos. » Portugal iniciando as navegações modernas e a éra pacifica da actividade Lopes. mas os emigrados de 1818. na poesia dos cancioneiros e no sentimento de pátria revelado no seu esplen- aristocráticos em dor heróico . O grande facto de 1640 não deixou ecco na litteratura portugueza do século XYii. no ouro das páreas do Oriente. imbecilisada pela Inquisição. onde abundavam romana. de Couto os . creou Ruy de soldados das como Camões. e ainda pelo caracter dos um Cid nacional com um tino notável Aljubarrota e na santificação de Nuno Alvares o Condestavel D. esquecidos até do nosso passado histórico. como a Custodia de Gil Vicente. historia foi historiadores como Fernão Damião de Góes e Diogo armadas e guarnições eram os » suas e Castanheda ou Diogo de Couto escre- depois de largarem o arcabuz. O : « N'uma mão sempre a espada e n'ou- sentimento d'essa actividade e destino nacional traduzido na pedra. forte disciplina se pela união das cidades se- germanos. Diz Feitos memoráveis. seus poetas viam a industrial. como nos mosteiros da Batalha e dos Je- ronymos. segundo aquelle verso eterno dos Lusíadas tra a penna. Frederico Schlegel : « Pereira. o Estado fundava- ou Concelhos. nas cortes.) da índia.

uma : parte statica. Todas as vezes que se não sentir este cunho individual não exis- . II O elemento dynamico na LiUeralura — Antes da concepção me- As grandes individualidades. pintores e artistas. e em 1823 (Proleg. masmorras do absolutisiuo os que fugiam ás restaurado. em que se fundou uma nova poesia lyrica. Augusto Comte applicando menos sociaes. a língua. é o espirito ou personalidade do artista.40 FACTOUKS DYNAMICOS França. teve Blainville a luminosa ideia de applicar aos phenomenos biológicos a distincçao em sta- dynamicos como a expressão mais completa das condições ticos e de existência o órgão apto para exercer-se é o elemento statico. considerou a esta mesma distincção aos pheno- ordem como a base statica da existên- como o progresso nas suas transformações simuldynamico do seu aperfeiçoamento. permanente e alheia á in- taes são a raça. Morgado de Matheus. Manoel Pedro de Mello. assim tâneas o efteito ducto social. ella manifestar-se-ha mais vigorosa. um novo theatro. e a sua littera- tura mais ori opinai. Domingos António Sequeira. Todas as vezes que nos retemperarmos nas tradições da nacionalidade. O movimento nacional que destruiu o absolutismo de 1834 produziu simultaneamente essa renovação da litteratura portugueza. poetas. Bomtempo. e a expressão característica e propriamente sua. a tradição e a são por assim dizer o organismo funcçoes ou creaçòes litterarias. 1. José Dyonisio Mascarenhas Netto. a historia critica e a eloquência da tribuna. que sabe achar a justa relação entre as emoções geraes contidas n'esses factores. existência . eram os sábios. . O em que se elabo- elemento dynamico é a vontade individual. Como um pro- cia social. o romance histórico. músicos. assim como a funcção é o estado dynamico dependente do anterior. Almeida Grarrett.° chanica dos phenomenos do universo. & Litteratura participa d'esta dupla condição de ella tem tervenção individual nacionalidade ram as .

como o presentira Mackintosh. que reapparece no Cancioneiro de Rezende. . i^ p. porque condensaram na sua obra todão a expressão que só elles dos esses elementos staticos prima Na estudada nos seus processos. que correspondendo ao desenvolvimento de ás imitações clássicas uma classe media. a aggregação nacio- ça. ^ a dependên- da actividade intellectual do meio social para que uma não torne ella se 41 aberração pathologica. o fio nal estão fora do alcance das mais poderosas individualidades porém o thema da emoção commum . Schlegel. a obra . no século xvi Christovam Falcão e Camões. ás tragicomedias dos Jesuítas. et moderne. II. se per- deu este caracter nacional. que come- çara por imitar eruditamente. de la Litt. exprimem esta solidariedade das condições de existência revelada nos termos de statico e dynamico. do vulgo e do povo. l. em em Gil Vicente. as formas da linguagem.TRADIÇÃO NA LITTER ATURA §. resistem da comedia latina de Sá de Miranda e de Ferreira. e ainda ás primeiras tentativas da opera. é a que mais assenta sobre bases ethnicas e tradicionaes. anc. fluencia do pseudo-clacissismo No da Arcádia as Lyras de Gonzaga.) te obra de Htteratura. é o maior obstáculo aos progressos intellectuaes de uraa nação. e em todas as suas épocas existem es- criptores que tiveram a intuição d'estes principies que constituem a critica moderna. » Hist. A phrase formulada por Fred. 2. sob o influxo da Renascen- ça. no século xvii e Dom Francisco Manoel de Mello. da relação indispensável entre o cia necessária escriptor e o povo. Na época trobadoresca o seus Cantares de amigo fecundou o lyrisnio rei Dom Diniz nos provençal. aproximando-o das fontes tradicio•naes conservadas nas serranilhas gallezianas nunca mais . em Rodrigues Lobo produzindo mesmo sob a in- Francisco de Sousa. formando a sua epopêa ^ " A separação absoluta dos sábios. Os maiores génios são aquelles que mais profundamente representam uma civilisação. Htteratura portugueza. são a que o escriptor ou o artista acharam no seu modo de sentir individual. O génio de Camões. theatro a tradição medieval e os costumes populares portu- guezes recebem forma litteraria nos Autos de Gil Vicente. O génio da ra- da tradição. soube alliar o enthusiasmo pelas obras primas da civilisação greco-romana com o sentimento nacional.

da analyse psychologica que d'elle fez o rei Dom Duarte até á invocação de Garrett na emigração de 1824. e tendo. Caminha. só Camões. que se desvendaram no desastre nacional de 1580. Os es- conheceram esse sentimento tão característico do portu- guez. que suscitou os feitos dos nossos heroes. como diz. António Ferreira. São profundamente sentidas as palavras do Dr.: o SENTIMENTO DE PÁTRIA 'íd com (Proleg. e sob completamente em individualidades Camões. ó que achou a realidade e a expressão ideal d'ella. desde o amor da emoção pessoal até á emoção da Pátria. nas costas da Arábia e em Macáo. percorrendo todo o dominio portuguez na Africa. Quando no um órgão de cohesão da própria século xvi os enlaces dynasticos envol- veram Portugal em aventuras de unificação. todos OS elementos traclicionaes e lendários da historia portu- gueza. O pensamento de uma epopêa nacional. António Ferreira . Camões a expressão mais pura e elevada da nacionalidade portugueza. repete-se também com a linguagem. Schlegel. repartido a sua vida em elle pedaços pelo mundo. expondo a vida nos combates e naufrágios. co- João de Barros. este aspecto é uma litteratura inteira. talento enorme atrophiado pelo mais degradante despotismo implantado em uma sociedade morta. que. exactamente como Virgílio na Eneida fazia reviver as tradições do criptores Latium por meio das formas da poesia hellenica. da auctoridade da erudição humanista. é O que se observa na forma individual da expressão do génio da raça e sentimento da tradição. Ainda no século xviii Bocage. dizia que o seu valor do estudo de um lyrico derivava soneto de Camões. na índia. » A Historia no verso — de uma d'esta litteratura resume-se ordem. segundo Fred. torna-a pelas concepções dos seus escriptores nacionalidade. e modificando-a artisticamente pelo estylo litterario. na época da descoberta do Oriente mo Castanheda e foi proclamado por muitos escriptores. a saudade. os Quinhentistas pugnavam pelo emprego exclusivo da linguagem portugueza. inspira todas as nossas obras de arte. para erguer a o j)regcio do ninho seu i^aterno e para » concentrar a sublime emoção que ainda hoje acorda a vida nacional. Jorge de Monte-Mor e Pedro da Costa Perestrello livre . Perante a Europa. A escripta fixa-a. tão bem sentida « Esta é a ditosa pátria minha amada. dálhe norma de analogia nas suas derivações.

cante. foi ella As grandes individua- lidades litterarias iniciam as transformações do gosto. elles em ^ para os outros assi sejam. ^ — A transição Carta in. Esquecimento nosso e desamor. 2. p. era usa- da pelo povo. E os que depois de nós vierem. consei'vou sempre . e pela sua universalidade i'elacionam o seu tempo nidade. dirão. que nos apontavam como exemplo. como o ultimo vestígio da sua nacionalidade e também o estimulo da sua revivescência. que se demarcam as épocas principaes do seu desenvolvimento litterario. 1867. e se pôde comprehender o seu espirito. de Urrea. que ninguno hable vocablo castellano ui estranjero.se e viva Portuffueza lingua. Como com a marcha da huma- órgão da grande Civilisação occidental. qui esteve baixa e sem louvor Culpa é dos que a mal exercitaram. 120. que não significam uma imitação banal mas uma cooperação. ouça. 43 PENSAMENTO DOS QUINHENTISTAS II. e já onde fôr. . Senhora vá de Se té si. vejam Quanto Ponjue O que se passava se trabalhou por seu proveito. Portugal.° Do regímen da Edade media dimana teraturas românicas. Ferreira. a lingua portugueza desprezada pela aristocracia. Portugal uma intima solidariedade com as litteraturas Edade românicas da media da Europa é por essas relações.) Floreça. allude a este facto por iraitacion à Don Diego los : « Mas vos lo débeis hacer Portuguezes que han hecho ley. » dizia com emoção o auctor da Castro ^ Em um « : Ah si no dos seus versos. dos Poemas Lusitanos. não era ignorado pelos escriptores estrangeiros. solamente el portuguez puro y neto. doza. e que era o pensamento dos Quinhentistas. soberba e altiva. A fale. lusche Handschrift der — o espirito das Lit- da antiguidade para o mun- 2 Wiener hofbibliothek. censurando Na Carta de de Men- o uso dos termos antiquados da traducção do Orlando. Ueber eine spa- Wien. Apud Mussafia.§.» Durante os quarenta annos da incorporação castelhana. en que de- fiènden. da lingua amigo.

e a minadas as invasões germânicas e árabes. em que procuram continuar a supremacia impe- os vários estados políticos períal . o direito territorial das coramunas. a poesia lyrica trobadoresca. N'este período crearam-se novas ses sociaes. por isso que não viram senão esse limitado período de dissidência . nos uma phase de convergência. uma re- acção na época das grandes navegações e da Renascença. plicados aspectos. siderada pelos historiadores vulgares A como Edade media foi con- ura período de trevas e de anarchia. o trabalho livre. exaltaram o período da concorrência. ia que todas restabelecendo ellas essa continuidade. ter- novo-latínas tornando-se escriptas. e cooperaram directamente para estabe- lecerem uma solidariedade internacional iniciada pelos princípios do Direito das Gentes. os historiadores catholícos. e por ultimo Edade media. como clas- como o proletariado. como uma transição affectiva. A primeiros mesma crença . explícando-a. ou do conuma phase de concorrência. por dirigida pela seus com- uma phase de dissidência. período de dez séculos.REGIMEN DA EDADE MEDIA 44 um do moderno eífectaou-se em (Proleg. as epopêas das Gestas. apresenta flicto das dífferentes raças . a Arte gothica. o prolongamento da somente alguns philosophos. de que as nações da . novas formas de industria. que soube- pelo período de convergência a continuidade da Europa são órgãos solidários. Quebrou«se por e activas longo intervallo a continuida- de da Civílisação occidental pelo esquecimento da cultura grecoroniana stituía porém cada nacionalidade moderna á medida que . e por ultimo na crise da Revolução franceza pela reorganisação politica das bases sociaes. que implantara de um modo absoluto o seu poder espiri- tual pela organisação do Papado. para assim reclamarem para a Egreja sua intervenção temporal ram determinar . outras concepções religiosas. descobrindo que a Eu- ropa obedecera n'egse poriodo anarchico á disciplina moral da Egreja. até ao se con- momento em sahindo do seu isolamento sentiram a similaridade dos elementos communs. em numerosas um Nacionalidades. na qual as na- obedeceram a uma noção da sua occídentalidade ções enropêas velada pela primeira vez na lucta das Cruzadas. ó que puderam assignar á Edade media o seu caracter histórico. como o christíanis- mo. o grupo das línguas Europa reconstituiu-se. a que se dá o nome de Edade media. Civílisação occidental.

como . como producto social. que se se impõe pelo seu fortifica sição da língua latina. Montaigne. conductor para estabelecerem a lógica dos suc- moderna contemporânea. Mu- que se impõe pela auctoridade dos erudi- tos ecclesiasticos e juristas. é preciso ter qualquer das rica de esses uma essas lin- guas e nacionalidades modernas se organisaram. religiosa. que classe. comparados com qualquer correcta vul- Litteratura. como para a critica da actividade individual to . desorientaram-se n'essa perderam o fio cessos da historia Na pela decompo- reagindo contra a vitalidade dos dia? Os historiado- grande época da huma- res que não penetraram o espirito d'esta e . se conclue que para clara idéa geral da o meio em que e axiomas dois comprehender a evolução Edade media. e comparativa de cada Uma consequentemente a uma de per filiação e apreciação si. ou . isola- chamada noite da Edade media. sem essa luz. não só para determinar épocas de desenvolvimento mental. vidualidades como Gil Vicente. industria pela pela lucta do direito territorial dos nicipios contra o privilegio pessoal das dynastias en- . e somente as imitações dos modelos clássicos ou greco-romanos merecem admiração e indi- . 45 DUALIDADE MEDIEVAL II. lectos vulgares.) Sem esta coraprehensão fundamental da Edade media. Por simples. tudo quan- produziu a Edade media é bárbaro. como relacionar factos tào desconnexos como o antagonismo entre o po- der espiritual da Egreja e o poder temporal das Monarchias tre a sociedade mento de feudal ou guerreira.§. só pô- de ser conhecida através das modificações históricas d'esse meio a sua existência determina-se pelo desenvolvimento de órgão essencial de bem uma nacionalidade. Rabelais. artística e económica da Edade media : « Sob qualquer aspecto que se examine o regimen próprio da Edade media. e historia litteraria é imprescindível essa luz philosophica. vê-se sempre emanar ou da separação dos dois poderes. e o proletariado constituindo a burguezia . phrase luminosa de Augusto Comte condensa nos seus elementos principaes todas as forças activas da grande elaboração social. que se tornam linguas nacionaes nidade. histó- uma Litteraturas modernas. liugua. D'esta idéa geral resulta a perfeita demarcação do grupo das Litteraturas româ- nicas ou occidentaes. são aleijões litterarios A garidade académica. Shakespeare.

No condemnando como here- periodo mais unanime da sua acção a Egreja condemna a leitura das obras dos escriptores da antiguidade como j)^'ofanos. e paz de Westphalia. positive. cap. a realeza avoca a si o privilegio de conferir nobreza. para o estudo geral do direito. a confusão com o poder temporal. rante a em 1220. 439. onde estava definida a esphei'a dos direitos reaes . . ou propriamente Mo- narchia. Emquanto a Egreja confundiu em em medieval esteve dominou na espirito A Egreja fundou os si certa forma sob um politica dos estados até á uma disciplina Europa poderes. é essa longa lu- cta entre o dominio espiritual da Egreja que procura conservar o poder temporal que se destaca e exerce por via das Monarchias. — * Cantu^ fíist. o PODEK ESPIRITUAL iti da transformação da actividade mula memoranda. cria um ensino secular ou leigo nas Universidades. um ção popular nas Scholce das suas Collegiadas systema de educa- na sua hierarchia . ata- cando o desenvolvimento da classe feudal pelo cadastro dos No- 1 Época Système de Politique XI. A realeza. 25.. da medicina e da mathematica. A militar. iii. univ. pondo em vigor o Digesto. a todo o clero. t. p. Na sua organisação unitária. que teve de acceitar a linguagem rústica ou vulgar para a propaganda doutrinaria. e o papa Honório. a dois regimen theocratico. * Desdobremos esta fór- separação dos dois poderes. cujo moral. e as especulações dos philosophos gregos e romanos são substituídas pela theologia. » (Prolcg. Porém. oppon- canónico^ submettendo a soberania direito divino. estendeu a prohibição ^ na sua forma imperial e dynastica. do povo para os Exemplos da sua predica.. levou a Egreja a tornar-se centralista. e as Salas e cantos do povo para a sua liturgia. é que lucta du- Edade media para concentrar em si o poder temporal começa pela tentativa de restabelecimento da tradição unitária do Império romano. annullando diante do bispo de do ao direito civil o Direito politica á sagração do Roma as egrejas nacionaes . e sia toda a liberdade do pensamento. apropriou-se da organisação administrativa romana conservando a autonomia local nas Lendas e santificações serviu-se dos coutos . o concilio de Roma (1131) prohibiu aos monges o estudo do direito romano e da medicina.

: . de par cora a grande poesia épica da Edade media. do século xiv. oppuzeram á nobreza das armas a nobreza da toga. As condições que determinaram o predominio do poder temporal favoreceram a livre communicação com os monumentos greco-romana. o PODER TEMPORAL Il) 47 favorece as revoluções populares contra a prepotên- hiliarios.xv. vindo assim a converter os em guardas de corpo exércitos permanentes. assim para os jurisconsultos do século XV os Feudos eram teuse e do Usofructo romanos uma forma . §. que preponderou na Renascença. Emphy- barbarisada da para os historiadores. Isopet. Edade media e ficou com o predomi- desprezada a tradição da renegada a sua continuidade histórica. da antiguidade dos jurisconsultos no século xili. e dos philologos no século. como Gautier Mapes. 03 versejadores desenvolveram o cyclo troyano. to LiviOf explica as luctas politicas dades itálicas. e as litteraturas cahirem successivamente no culteranismo académico até afimdarem-se na frivolidade. demarca nitidamente o espirito culto latinista. e cia dos Barões. Emfim. por meio dos quaes proclamou o seu poder absoluto. A Edade media era explicada pelos eruditos da Renascença como uma deturpação da cultura greco-romana. Os reis tornaram-se os protectores das Universidades. e o tradicional Un conservado entre o vulgo. 1 ou Um ^ O erudito Luiz Vives ms. pelo que se . como vemos em César Cicerano expara os theologos as doutrinas evangélicas eram sustentadas pela dialéctitas plicando a cathedral de Milão pelas regras de Vitruvio ca de Aristóteles e o próprio Machiavelli. os Estados modernos eram fundados pelos heroes foragidos da ruina de Troya para os artistas as ordens gregas existiam confusamente implici- na architectura gothica. como a época em que sob nio da Renascença greco-romana. e póde-se demarcar clareza o século xv e xvi. e a classe dos Go- liardos vulgarisou entre o povo e cora o gosto popular as canções bacchicas era latim. .. no Discurso sobre Tipassaram entre as ci- que observava na época da Republica de Ro- ma. n'essa3 Kenascenças [luinanistas. foram a separação constante entre os escriptores e o povo. As consequências d'este ponto de vista. ou romance clerc de grant science et de grant sapience.

ilc la Fable. p. A pró. as luctas dos grandes vassallos converteram-se em guerras privadas. a estabili- dade da paz inspira sentimentos benignos de amor. como a das idealisação dos typos guerreiros. e todas as obras da época da Renascença. coadjuvada pelas descobertas maríti- e pelas especulações scientificas. condemna todos Flandres. Celestina e as Facécias de Poggio. entrava mo se contra o foiie (redresser foi um em um periodo de guerra defensiva. e nos ministros. contrapoe-se uma nova idealisação da vida domestica. (ProlCg. França Ics e christiance. A ACTIVIDADE MILITAR E INDUSTRIAL Í8 De no livro institutione foemince poemas da Hespanha. N'este Magno. Guilherme Tell.) . A marcha social da Europa foi bastante complexa observemol-a emquanto á transformação da actividade militar. tantes de uma A começa nos burgos ou cida- pelas federações ou ligas. o quasi todas as Gestas medievaes. Ilist. a grande lucta das Cruzadas do monotheismo do occidente tornado defensivo. Cria- do rei ou o Ministério publico contra o arbítrio feu- dal. e por fim nos parlamentos. 175. A mas actividade industrial. e o próprio poder real modifica-se em uma constante abdica- ção no generalato. e das emoções pessoaes. sentido a idealisação mais completa é o typo de Carlos heroe de Arthur. pria classe feudal. como o do Ly- premierement Tmis en romans por eiUendre uns enfans le fist et je et à la laye gent. des livres e desenvolve-se cidades hanseaticas. É nas litteraturas românicas que se torna evidente este impor- tante phenomeno. (Ap. da coUectividade.. Du Meril. desta- cando-se na tradição os typos nacionaes. que as afasta do seu espirito nacional. contra o monotheismo oriental que invadia a Europa. represen- vida publica ou nacional. por servirem interesses como o Cid. todas as novellas derivadas. admirável pela sua acção uniticadora do Occidente. defendendo-o das invasões do nor- do sul pela sua superior capacidade militar e te e se a justiça politica. co- vê pela organisaçíio da Cavalleria para protecção do fraco esforço les torts) . os d'el- como a que continuavam a tradição medieval. que conservava os hábitos guerreiros das ban- das germânicas.

Se a transição da Edade media consistiu no um dade militar. ligando-se com a Aristocracia. para a moral. é que nasceu esse espirito critico do século xviii. talidade. cia d'esses estados.§. achando-se envolvidas em guerras dynasticas as novas Hespanha invadiam a Itália. a que se dá o nome de Encyclopedisrao. a opinião publica. Todos os monarchas obedeciam á utopia da fundação de uma Monarchia nacionalidades . o ponto de partida um o reatar a continui- greco-romana na Renas- histórica. pelas heresias coadjuvou o desenvolvimento do espirito scientifico. e i. já escravisada pela Allemanha a Hespanha invadia a Inglaterra. Perdera-se a noção da occiden- certas casas reinantes. para a propoli- para a arte. como negativista. porém o destino final é que não ponto de partida e foi foi comprehendido. era essencialmente destructivo curando bases naturaes para o tica e dia. a separação dos Poderes. d'onde sahiram os principaes pensadores modernos. sendo os homens de tras os que universalisaram as doutrinas com que se let- reorgani- sou a sociedade europêa depois da Revolução franceza. resolvendo todas as coUisões de deveres e interesses synthetisados nas creações do Theatro moderno. as phrases de Helvetius e Raynal sobre a Edade me- . Luiz xiv. bons. toda a transição importa destino a que tende dade conflicto d'estes separação dos Poderes e a transformação da activi- elementos. direito. A Egre- Companhia de Jesus restaurar a sua a Realeza. e o estabelecimento de dos força moral. 49 a satisfação do bem-estar expres- Contos e Fabliaux. sustentar o seu absolutismo. engrandecendo por via de casamentos como a Casa de Áustria ou a dos Bourque avassallavam a Europa. Em consequên- elementos medievaes. e a Inglaterra occupava uma parte do território da França. Esse espirito critico.) rismo provençal e petrarchista sa pela graça uma . . e pelas revoluções vindicou os direitos individuaes . restabelecendo a cultura cença. a França e a . Francisco ainda por Napoleão no seu desvairamento militar. universal formada pela incorporação de todos os prosegiiida por Carlos v. e pelo engran- decimento do proletariado. procurou ja tentou pela organisação da theocracia. renegou a Antiguidade clássica e a Edade me- desconhecendo a sua intima solidariedade com a civilisação moderna . utopia Henrique viu. . NEGAÇÃO DA EDADE MEDIA II.

50 OCCIDENTALIDADE (Proleg. a Itália. a França meri- dional. que irradiou da Provença. hellenicas. aproveitou-se unidade do sentimento de As ordens da as na sua hierarchia as for- d'e3tas condições para fundar na uma mesma crença a sua catholicidade. a sua solidariedade Occidental. denominada trevas sem nome e estéril barbárie. Assim se elevou a civilisação da Europa á affirmação conscien- ficadas árica. e as próprias romanas e germânicas. em typos communs derivados da primitiva constituição como o provou scientificamente o publicista Freeman." Successão das Litteraturas românicas e filiação da Lit- teratura portugueza. te da sua occidentalidade. se chegou á synthese philosophica baseada sobre os antece- dentes sociaes. a Hespanha. estes elementos. apesar de todas as differenças gonismos. da Europa. o christianismo. dade politica o — O dominio romano incorporou na sua occidente Gallias e a Bretanha . Entre os povos do Occidente. e de cos- tumes domésticos e sociaes que se transformaram nas mesmas . as um e anta- consenso tácito unificava-as moralmente entre si diante da tradição do Império e do Direito. abrindo novos subsidies para a Historia da grande raça árica. de eguaes rudimentos épicos. a que se deu o nome de Romantismo. e constituissem ças occidentaes se invadissem uni- a Hespanha. tomaram curso unanime. depois da queda do Império. desvirtuada pelas intrigas diplomáticas dos vários estados. Com o desenvol- vimento da civilisação foram-se accentuando as similaridades ethnicas dos ramos da grande raça árica na Europa. pela tradição de ura mesmo lyrismo. 3. de- Com terminaram a rehabilitação da Antiguidade greco-romana. O movimento litterario do começo d'e9te século. foram uni- instituições politicas. coadjuvados pela corístituição das sciencias bioló- gicas. como a Itália. copiando mas municipaes. um as ra- mutuamente. essa unidade etbnica fez-se sentir muito cedo. Cavalleria religiosa e as Universidades agrupavam naqôes como categorias dos seus associados. como os Romanceiros. proveiu de uma rehabilitação dia. sentimental da Edade media . da universalidade da língua latina . embora grande numero de estados. a qual indicou á politica europêa. os estudos philologico-comparativos.

51 Sobre este fundo que se operou a unificação romana. e da Al- lemanha pela propagação dos seus cantos lyricos. que imprimiu direcção esta corrente que se chama a Civilisação da Europa. interrompida pela queda de Roma .'mde. o grupo do Norte só entrou na civilisação moder- na depois do século xvi. provoca a revivescência das tradições bretãs do cyclo da As O Tavola Redonda. e o cyclo franko das Gestas carlingianas. — A cultura grega. em elaborando-se Cantilenas que vieram a formar o cyclo germânico dos Niebelungens. propagava-se á Itália e á Hespanha a poesia trobadoresca da Provença. nio. Pela fusão com o elemento dos 08 povos da franko. e a cultura romana.§. » Dizia Martin de Carrale. voreciam a França para exercer uma a e impulso a acção civilisadora sobre fato- Edade media. Pela região da Aquitania. ^ ' ria e Brunetto Latini. modernas creando-se sobre esta variedade de litteraturas ele- mentos tradicionaes.) creaçôes dramáticas e novellescas. revelam nas suas origens e progressos. HEGEMONIA DA FRANÇA II. dos seus politicas. e os mesmos estimules de contacto com os Árabes. que encontrava as mesmas tradições célticas. porém entre todos os novos estados França o centro hegemónico. Os seus mythos polytheistas perderam o sentido religioso. et est la plus delitable ^ e Al(:^ em 1275. e persistiram como elementos poéticos. das suas Uni- dogmas Desde a Edade media até ao nosso século a supremacia hegemónica da França foi reconhecida pelos mais elevados espiri- religiosos e ainda das suas doutrinas versidades. de Veneza Martin de Carrale « . além de outras condições mesologicas. que chegou a Marselha. em francez: . a successão das nacionalidades que se foram constituindo e tornando O as suas linguas escriptas. a) tro em A França. como Dante tes. em Tolosa e foi ter em um cen- quasi to- da a Gallia meridional. As commum é raças germânicas deveram a sua incorporação na civilisação occidental á acção da propagan- da catholica. da Inglaterra pelos Normandos. grupo do Meio-dia da Europa foi o primeiro a continuar a Civilisação occidental. luctando elemento saxo- para submetter a decahida raça bretã. tinha a França as condições para influir directamente so- bre as raças germânicas. justificando-se de escrever a HisParce que la langue françoise cort parmi le à lire et à oir que nulle autre.

sympathicas a todos os povos de origem céltica pelo thema exclusivo do amor com o espirito e da aventura. até aquelle presidente dos Estados-Unidos da America. desde Carlos Magno até Joanna d'Arc. que dizia: «Cada individuo tem duas la em que foi níisceu e a França. aquel- a nacionalidade franceza a primeira que se constituiu. t. que sustentou ainda na época da Renascen- ça o gosto pelas Novellas de cavalleria escriptas na prosa das Chronicas nacionaes. que ap- parece na litteratura franceza. » Como pátrias. dobrandino de Sena. depois da primeira cruzada desenvolve os germens tradicionaes do seu lyrisrao. das alvoradas. e mo um a ella que a França deveu esta em todos os tempos a nação que lhe revela por toda a parte. . é exercida diversamente por esta nação. do sul da França. que apoiou a uni- da França. e na lucta dos grandes vassallos feudaes contra a cação monarchica. A unifi- dupla influencia latina e românica. jograes.CARACTEllES DA LITTERATURA FRANCEZA íiá (Proleg. Essa fusão de raças reproduz os seus caracteres nas crea- çòes do espirito: o elemento gallo-romano. na França do norte. 408. nenhum paiz da Europa deixou de obedecer ao influxo d'esta corrente. na Inglaterra e na Allemanha onde apparecem os Menesingers reproduzindo-lhe todos os seus artifícios da Gaia sciencia. que faz d'ella civilisada por excellencia. vindo a ser imitada por todos os outros povos da Diz Charrière ropa. das serenadas e dos puy ou ajunta- mentos poéticos. chegou a esta homogeneidade perfeita que faz viver povo como um homem. Formada dos « : restos das nacionalidades feudaes. assim mais cedo se creou a sua Eu- Litteratura. idealisou o grande typo imperial nas epopêas ou Gestas carolinas. p. messiânico na cavalleria confundiu do-se celeste dos poemas do Santo Greal'. mes- para as organisações mais rebeldes e antipathicas. os seus trovadores.bretão propaga as novellas da Tavola Redonda. só — Foi sociabilidade tão fácil. ii. menestréis e troveiros. nas canções escriptas dos Trovadores da Provenque se propagam e são imitadas na Hespanha e Portugal. » cada província sob uma physionomia geral. O elemento gallo. propa- ^ Politique de VHisloire. na ça. um lado intelligivel e apreciável. Itália. o que reproduziu na sua litteratura as feições especiaes de ^ etc. ficação nacional O elemento gallo-franko.

que até ao fim do século xv. das pelas sirventes. e focomo os de Boccacio. inspiraram a poema da Divina Comedia. de Sac- prosa. nicas Póde-se dizer. a Itália não em Romancomo os da Hespanha e da Grécia moderna. dos fahliaux. que deu philosophico Itália. a ser o centro dos estudos humanistas da Renascença. litteratura a aspiração expressa por todos os tria italiana. das gestas. convergem Paris. As canções imperfeitas dos trovadores. litterarias. influindo na Hespanha pelos lyricos . conservadas ces narrativos Gestas carlingianas não lhe foram sympathicas. caracteres fundamentaes da Litteratura e^stes franceza. grotescamente Magno mas ram em composições os parodiando-as cantores de Carlos ficaram sendo na tradição do vulgo os ciarlatani. não poderão ser bem apreciadas as Litteraturas româ- emquanto ao desdobramento similhante das suas origens. A em for- A de uni- Dante o fixar d'en- que realisou na espirites a uma pá- actividade especulativa era o que restava a essas altas individualidades nascidas em um paiz sem liberdade. gam suas excursões as formas e themas das cançues.) em os principaes espirites. das novellas e das soties entre todos 03 povos que os escutam Tolosa e em a cultura clássica é recebida . Petrarcha. A 6) Itália. idealisação das lendas catholicas. Por este motivo as pôde desenvolver as tradições heróicas. alumnos da Universidade mãe de todas as Universidades da Eu- Sem conhecer ropa. em contos em perderam a forma metrificada. conduzindo assim para a definição d'e8sa ma nova das litteraturas modernas ou o Romance burguez. para onde como Dante.§. a Litteratura france- za é completamente orgânica. e o sentimento da dade falta politica nos diversos estados italianos. a Itália estava destinada. Boccacio. Os the- novellescos dos fabliaux redigidos chetti. eraquanto seus drama. nacionalidade. Brunetto os 53 LITTERATURA ITALIANA II. além dos seus antecedentes históricos. tre um grande numero de cujo influxo consistiu dialectos o toscano. em formas de epopêa como as Gestas francezas. — Por de falta formada pela evolução dos ao uma á epopêa e ao lyrismo. isto é. foram levadas á mais sublime perfeição por Petrarcha. emfim todos Latiui. elementos próprios. de Florentino. á expressão amorosa o intuito recebido das escholas neo-platonicas renovadas na Por esta actividade especulativa.

pelo procuraram continuar essa unida- de não só pela tradição imperial. O nomia dos Estados rhe- em espirito separatista. Goldoni. persistente nas tradições e superstições do vulgo. um riquissimo fundo tradicio- que se inspiram quasi todos os escriptores. litteraturas românicas vão no seu appareciraento influenciando-se reciprocamente. O ii. e pelos Visigodos. a par de uma imitação do classicismo greco-romano fortalecida pela hostilidade catholica contra todos os vestigios do paganismo. um phenomeno foi laborioso. realisada somente no fim do século xv. de : que se observa na Litteratura hespanhola de um lado. e pelo intole- facto e a época. e depois árabe e mauresco . sual e irapressionavel levou o hespanhol a lyrismo subjectivo de Petrarcha. e á O imitar pompa seu génio senas bellezas do oriental de uma torica. pelos Romanos. Todos estes elemenRomanos. pelos Jonios. A c) Hespanha e Portugal. na França sob Carlos VI e Francisco i. da Eachola de Sevilha. cia litteraria É apresentou na Itália caracteres orgânicos. (Proleg. acharam na lingua la- tos incorporados pela acção dos tina o núcleo conflicto para o desenvolvimento de novos histórico os Visigodos dialectos. na Inglaterra em Chaucer ató Shakespeare. um fundo semítico. não po- dendo elevar-se a uma forma de aggregação mais ampla. que manteve tantos séculos a auto- peninsulares. ex- em um mesmo todo — um fun- na população e verificável nos costumes. ção municipal. sustentada pela vigorosa organisa- civil. devido isso á sua vida Uma —o forma theatro. e em Portugal desde o tempo de Dom João As ii.54 UNIFICAÇÃO HISPÂNICA.' como pela crença exclusiva do catholicismo. fal-o abandonar os seus rudimen- . que por via dos Senecas e de Quintiliano introduzira Roma. —A Comedia e a bellas suste- comedias de unificação nacional da Hes- panha. operado pelos interesses dynasticos da Monarchia. como consequên- da sua intima porém mal conhecida solidariedade. uma É por isto intima antinomia nal. plicam-nos a difficuldade de fundir do ibérico. de Fernando e Isabel até Philippe rantismo catholico da época inquisitorial. que mantinha a divisão politica da Itália. primei- ramente phenicio e carthaginez. a de na- As formas dramáticas dos Disciplinati nuta seguiram uma evolução natural até ás ção. e simultaneamente elementos áricos representados pelos Celtas. violento e tardio.

— Resta-nos o grupo das Litte- com as meridionaes ou novobem determinadas não se avalia a acção raturas do norte nas suas relações latinas . . e enriquecendo o theatro castelhano em concor- com Lope de Vega e Calderon as novellas de cavalleria receberam em Portugal a sua forma em prosa no Amadiz de Gaula rência e no . Por esta filiação histórica conhece-se immediatamente o que a Litteratura portugueza recebeu das outras litteraturas românicas. tomada de Granada. influindo na Litteratura hespanhola na época de Aâ'onso o Sábio. e até outras litteraturas embora mais fecun- que ponto se amoldou aos cânones clássicos impostos pelos eruditos da Renascença. como a galle- ziana. da Justina. e o Bacharel de Salamanca. e nos dramas de capa pompas cultuaes do catholicismo sacramentales . na época em que por seu turno a Hespanha pelas suas vigorosas tradições era imitada pelas outras litteraturas românicas. que tanto influíram d' Âlfarrache. Ao passo que outras litteraturas peninsulares. Languedoc. do Lyonez. sem estas relações reflexa exercida pelo Romantismo. A comedia de capa e espada influiu na actividade de Oorneille e de Molière. é idealisada nas pro- destino depois da lixas Novellas 55 de Guapos manceiros. co- reproduzem nos Autos desequilibrio mental proveniente se elementos ethnicos e d'esta unificação violenta d'estes lu- vida guerreira. Inglaterra e d) AUemanha. Ha um certo e escada. da Provença. de que a litteratura hespanhola se como da Novella pastoral iniciada na Diana por Jor- apropriou. e na Novella é a forma picara. da Lozana Andalusa. do Gusman do Marcos de Ohregon. nos Ro- y Valentones. do .) to3 épicos dos Romanceiros e acceitar as Gestas francezas da A cta dos grandes vassallos contra o poder real. LITTERATURA PORTUGUEZA EM HESPANHA II. ge de Monte-Mór. é a xácara do cyclo . Ainda aqui a França exerce a assim como os dialectos da França meri- sua acção hegemónica dional. sem mo as de cavalleria. o que desenvolveu do seu fundo orgânico. Portugal elevando-se da suzerania de fortaleceu-se no seu individualismo pela creação da sua litteratu- ra e linguagem. Palmeirim de Inglaterra. do Delphinado. na França inspirando ao génio gaulez o Gil Blas.\ §. a valenciana e a catalan se extinguiam com as suas nacioCondado a nação nalidades. e em por que forma influiu das.

como o normando. Coratudo. e dos Novellistas italianos delle. dos depois reis de Inglaterra terem alumnos de Oxford. que representa a elemento latino ou clássico. a Allemanha rece- beu a cultura greco-latina. por occasião da Guerra dos Sete annos. conservadora das tradições germânicas e medievaes. França. o flamengo e o wallon. A primeira influencia da França exerceu-se na civilisação da Ingla- normanda ao passo que Guilherme o Bastardo promulgava as suas leis em francez. os espirites mais eleva- como Shakespeare. se aproximavam do lacommunicação com o occidente da Europa. nunca deixaram de ser influenciados pela dos. Na litteratura preponderam estas duas correntes. é que a com- . Na época da Renascença o espirito clássico é communi- cado á Inglaterra pela 1592 o «Tendo critico Itália. facilitando a sua vel a todos os povos que fallassem qualquer dialecto teutonico. que era a lingua- gem da corte e do governo. a normanda. ainda em 1328 eram obrigados a tim ou o francez. O mesmo perdido a Normandia. Pelo Catholicismo e pelas Universidades. era similhante grande parte dos themas das tra- gedias de Shakespeare é tirada dos Varões illustres de Plutarcho. Geraldo Cynthio. escrevia em de Puttenham. referindo-se a estes reformadores: viajado na Itália. A latim. Os fallar la- emprego da lingua ingleza nas escholas (1350) e nos actos officiaes (1362) coadjuvou a independência da nação ingleza nas suas luctas contra a França. LoUius de Urbino como Boccacio. Ban- e Belleforest. Uma O prurido latinista na In- dos Euphuistas. por Wyat e Surrey. que recebe toda a sua philosophia do estudo de Montaigne. e a influencia franceza prolongou-se desde o fim da Guerra dos Trinta annos (1646) até ao século xviii. de Limousin e da Gasconha. e ordenava que as i'ezas e sermões se fizessem ofíi cia! mente n'esta Hngua. e a anglo-saxa. lingua um ingleza constituiu-se sobre fundo anglo-saxSo pelo vocabulário franko-normando. fallada durante três séculos. assim os dialectos da França septemtrional. iniciaram-se no metro harmonioso e no estylo magestoso da poesia italiana. o picardo. tim. » glaterra patenteado pela eschola ao da Plêiade franceza. em França só no tempo de Francisco i é que os actos judiciários deixam de ser es- terra pela conquista eriptos em .A LITTERATURA INGLEZA 56 (Proleg. tornavam a França communica- do Auvergne.

Schlegel. o Roman- simultâneo com a reorganisação das instituições cas. das Novellas por Keller. dos Romanceiros hespanhoes por Jacob Grimm. lin- sobre a vida medieval. Assim por seu turno. tiram-se os tópicos com que se caracterisam de ura modo romana: Primeira epoca. vigoroso da época medieval. encaminham a critica para lianas scientifico d'esta occidentalidade entrevista tas e artistas. avançou pela audácia ctual dos seus pensadores. que se esterilisára três séculos rellas religiosas e pelo espirito revolucionário hendido por Kant e Fichte. e Operon-se que era o elemento mais uma revivescência erudi- em estudando os monumentos do f)assado. — Da mar- cha completa da Edade me lia e das transformações successivas da nacionalidade portugueza. e essa corrente propaga se a Portu- primeiramente pela vinda de alguns Trovadores com os Cru- zados. a Allemanha. sahiu do campo theorico para o conflicto politico entre o exclusivismo do partido catholico-feudal e o negativismo revolucionário que se debatiam. sacudiu de si as queintelle- compre- a imitação dos mode- da litteratura académica da época de Luiz Xiv. das Gestas frankas por Becker.§. tismo foi Itália. e a Allemanha em sing. como a França. los com do Protestantismo. ligando-as ao impulso de ura abalo nacional e não á auctoridade de 4." uma eschola. foi esta relação que deu ás litteraturas um politi- cunho de verda- de e de realidade. chamaram o Romantismo. depois se . Em todos os pai- a Hespanha e Portugal.) 57 municação com a poesia ingleza antiga lhe revela a existência de uma tradição germânica obliterada. ta. A ALLEMANHA E O ROMANTISMO II. guagem. co- . a sua O estado das Línguas românicas por Diez. Épocas históricas da Litteratura portugueza. que encheu o principio d'este século. A lucta entre os Clássicos e Românticos. livre idealisação artística a que Gcethe e Schiller Lea- descobre a sua tradição. a zes. o ita- conhecimento vagamente pelos poe- que exageravam a idealisação da Edade media no Ultra-romantismo. nitido as modificações ou épocas d'e8ta lit- teratura provençal gal. definindo- influencia italiana não só nas instituições municipaes. em XII a XIV) Predomina o lyrismo toda a Europa. e uma em Grimm.{Século uma com as relações da corte com a Saboya.

e se apropria de elementos tradicionaes galle- zianos das serranilhas ou cantares de amigo. rei Uma D. pelas tradições novellescas. Existem vestigios de tradições épicas. como succede na Itália com Petrarcha. que se desenvolve em prosa. Skgunda época. de 03 seus cultores durante o reinado de A poesia provençal per- D. re- presentada no Cancioneiro geral de Garcia de Rezende. e na Hespanha já secundariamente por Micer Imperial. análogos áquelles que Affonso o Sábio intercalou na sua Chronica. cujos elementos episódicos se desenvolvem na novella do Atnadis de Gaula A cultura latina. ÉPOCAS LITTERARIAS 58 mo na A (Proleg. Pedro. AíFonso IV. e em tradições do cyclo épico denominado Greco-romano propaga-se pela fundação da Universidade de Lisboa e Coimbra. se reconciliam as cortes de Castella e Portugal. apparece nas narrativas do Nobiliário do conde D. Luiz. refugian- do-se alguns trovadores junto de Aflfonao xi de Castella. Aifonso. apparecendo so uma parodia em Gesta de Maldizer. A influencia armoricana ou gallo-breta. como tugal pela forma lyrica dos lays. e introduzida depois do triumpho de D. Affonso to lyrico começa com o iii. Pedro. É despre- . N'esta época são frequentes as allusões ás epopêas gallo-frankas. por Affon- Lopes Baiam. phase nova de desenvolvimen- Diniz. que ain- da mantinha pelas suas composições o estudo da Gaia sciencia. foi o meio mais activo da propagação da poesia trobadoresca modificada pelo norte da França. e o Tristão e Flores e Brancajior. durante a sua permanência na corte de S. com a independência do poder real. a época distingue-se por um estudo critico de compilação no grande Li- vro das Cantigas do conde de Barcellos. manifesta-se em Por- como pela propagação de poemas de aventuras. como o romance de Ayres Nunes.. — emigração de alguns fidalgos portuguezes que acompanharam D. Por ultimo. Quando sob a regência do infante D. e por um grande numero de traducções do latim pelos moralistas ecclesiasticos. a poesia castelhana da Eschola de Juan de Mena exerce uma grande fascinação na poesia palaciana. a do Rei Lear. que imita directamente a poética provençal. [Século XV) Não se continua o desenvolmento da Poesia provençal. imitação das canções de Sordello e de Bonifazio CalvQ. conde de Bolonha.

portugueza do século xvi deriva d'este8 escri- relação muito clara. e a mo- cidade portugueza vae á Itália frequentar as escholas dos huma- da Renascença. predilecção pelas obras clássicas da antiguidade. emquanto D. Gil Vicente é imitado du- rante o século XVI e xvii por António Prestes. da mesma fúrma que a poesia épica conserva as formas tradicionaes e rudimentares do Romance e o typo virgiliano na oitava rima. Fran- ás formas italianas. mesma forma funde estes dois elementos nos seus Lusiadas. e a consiste principalmente livros latinos. é simultânea com . com que introduziu em Portugal o gosto da mais completo as formas da litteratura medieval Renascença italiana. como a Demanda dcr-Santo Greal. fun- com formas populares por Gil Vicente a poesia lyrica apresenta a forma medieval e a da Renascença. Porém n'esta Bibliotheca apparece bliotheca do rei D. Historia adquire nes de Azurara e na traducção e compilação de um grande desenvolvimento a nos trabalhos de Fernão Lopes. são imitadas. pela superioridade do seu génio. Pedro de Andrade Caminha. Sá de Miranda ó imitado por António Ferreira. Introduz se a Imprensa. cisco Manoel de Mello e Tolentino emquanto ás redondilhas. Camões. Diogo Bernardes. os novos meoppõe ás suas primeiras composições em tros endecasyllabos.) 59 zado o elemento tradicional da poesia. Ruy Gomes Ean- de Pina. As Novellas da Tavola Redonda. nos poetas da medida velha e os petrarchistas. e muitos poemas da Edade media acham-se uma grande litteratura colligidos na magnifica Bi- Duarte. Falcão de Rezende. nistas Terceira época. e por Francisco Rodrigues Lobo. a litteratura dos Qui- as grandes navegações e descobertas do caminho da índia e do Brazil. §. Ca- . e outros na forma do Auto. adoptada por Camões. A par do poder real. Dom Manoel de Portugal. da que Shakespeare A litteratura ptores por uma em Inglaterra. Grammatica da Constitue-se a língua portugueza por Fernão de Oliveira e João de Barros da-se o theatro nacional . Gil Vicente é o escriptor que representa de um modo Sá de Miranda redondil/ias. (Século XVI} Corresponde ao período de maior actividade da nação portugueza nhentistas. António Ribeiro Chiado.. QUINHENTISTAS II. .

um promovendo o purismo da cultura Raros são os escriptores que ção. A revolução de 1640. as Quarta época. outros pobres. á parte as Comedias de Pedro Sal- gado e as folhas volantes de Francisco Lopes. que tomou conta da Universidade de Coimbra em lõõO. O in- fim do século faz-se notar pela publicação de quasi todas as obras dos Quinhen- quaes estavam inéditas. que plagiaram 08 seus versos. Francisco Manoel de tertúlias mas a maioria dos escriptores obedece aos exageros de uma rhetorica stulta. e pela Censura litteraria es- A tabelecida pelo cardeal D. uns perseguidos. movimento (Século scientifico Portugal não acompanha o XVII) do século em que se organisam as Acade- mias. e quasi todos sem liberdade para exercerem a critica. Tolentino. epopêtis históricas. como os poetas da Phenix renascida. Quita. Apresenta ainda poetas eminentes. . sempre separados da vida Em Portugal os social e não co- nheceram as tradições nacionaes. lati- pouco de liberdade de phantasia do gosto seiscen- Diniz. tistas. como D. Gar- mantém a sua superioridade á custa do estudo da grande época dos Qui- . e na contra tista.ACADEMIAS LITTERARIAS 60 mões é imitado não só por aquelles como que compuzeram pelos A justa (Prolfg. Damião de Góes e Diogo de Couto. Ao tou cultores. com que a naciona- Mello e Francisco Rodrigues Lobo . lidade portugueza recuperou a sua independência. e confinavam-se nas suas Arcádias imitando Horácio. Fernão Lopes de Castanheda. relação entre os elementos medievaes e clássicos foi quebrada pelo predomínio do ensino jesuítico. acceitavam o despotismo como uma forma de governo paternal. estas corporações litterarias são imitadas na forma. fim de trinta annos de ensino jesuítico a consciência portugueza perdeu o sentimento da nacionalidade. Historia ainda apresen- como João de Barros. não se fez sentir nas creações da Litteratura. Quinta época. continuaram -no os Litteratos no século xvill procurando pelas emoções artísticas vindicar escriptores estiveram a liberdade politica. para ou sessões poéticas conforme o chamado gosto gongorico. e acceitou com festas a corporação castelhana realisada por Phílippe ii. (Século XVIII) O que fizeram os Jurisconsultos da Edade media para a emancipação da sociedade civil. se destacam n'esta época Filínto Elysio e Bocage. Henrique.

transformada pela primeira vez a Littera- da época dos Quinhentistas. o re- na Litteratura. cahindo a Litteratura em uma symptomatica inanidade. (Século XIX) O contacto de Portugal civilisação europêa estabeleceu-se pela em França com a emigração de 1817. Domingos António Sequeido se refugiaram ra. Depois do triumpho da causa gresso dos emigrados fez se sentir segundo as normas do Romantismo tura. uma terceira e mais activa emigração forçaram o espirito portuguez a pôr-se em contacto com os progressos intellectuaes e . . giu fecunda. tal foi a missão do du- que de Lafòes. e ao canibalis- de Beresford. e em 1828 pela abolição da Carta de 1826. Félix de Avellar Brotero. de Corrêa da Serra. Pela de 1822. EMIGRAÇÕES PORTUGUEZAS II. se inspirou de themas tradicionaes e com relação á vida da nacionalidade. depois . artísticos da Europa. Sexta época. que governava militarmente reacção do absolutismo contra a Constituição Portugal. porém as A época sur- ambições politicas excitadas pelo parla- mentarismo. gal com o 61 Alguns homens de sciencia tentam relacionar Portumovimento scientifico europeu. quan- Morgado de Matheus. seguiu-se uma segunda emigração. absorveram todos os talentos. e o motivo da Fundação da Academia das Sciencias de Lisboa. e outros mo o que fugiam á accusação de jacobinos. contra a qual reagiu indisci- plinadamente a chamada Eschola de Coimbra.) nhentistas. liberal. Mascarenhas Netto.§.

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" da provençalesca litteratura e sua communicação a : Communicação pelos Trovadores das Cruzadas. d) 3. ou gallo-franka As Canções de Gesta. Elenco dos Cancio- — Influencia II a) %. Lii>ro armoricana. : b) e a Poética provençal portugueza. O elemento novellesco — Lendas do Foi mação do Atnadiz de Gaula.o norte cia França. das Cantigas do Conde de Barcellos. §.1 Origem e 1. vença appareceu como a iniciadora da renascença social da Europa. — Influencia a) %. Merlim. Traducções do Velho Testamento.: PRIMEIRA EPOGA (século XII A XIV) TROVADORES GALLECIO-PORTUGUEZES §. 1. Cyclo dos poemas greco-romanos. c) Organisação das Chronicas em prosa. humanistas latino-ecclesiastica e O de Arthur. ou gallo-romana Todas as litteraturas românicas e germânicas no orgânico imitaram as canções de requintado um seu periodo exagerado subjectivismo e de artificio poético escriptas pela primeira vez na lingua que se fallava na parte meridional da França. Jograes de segrel. e aliusões ao Cyclo cariingiano. As tradições épicas no Romanceiro peninsular." O poder i-eal protege o humanismo a) Fundação da Universidade." s — • : b) Nobiliários. I — Influencia diffusão Portugal a) b) c) 2. O Cyclo dionisio a) A Eschola limosina.° As ti'aducçòes latinas Livraria de Alcobaça a) Visão de T andai. — Influencia rei Lear. b) Barkiam e Josaphat. a Prod'oc. ou gallo-bretã : O efemento lyrico dos Luys. on gallo-romana s cio su. Serranilhas e Cantos de LeElementos tradicionaes gallezianos c) O — dino. O critério positivo da filiação histórica reduz a condições ." da França. Cominunicuçáo italo-provençul: Sordello e Bonifácio Calvo. 2. Communicação pelo norte da França. Emquanto se eetudou esta poesia separada das suas origens populares. c) Ch'to de Sposo. Tristão. Influencia do sul da França. O poema da Batalha do Salado. neiros provençaes purtuguezes. b) c) III b) c) IV d.

Inglater- ra e Allemanha. Foi justamente n'esta zona. que da Provença irradiou para o norte da França. jograes. porque era o coliigil-os da transmissão oral. suas garantias. Hespanha. os cantos satyricos. Estes cantos vulgares dos costumes gaulezes propagaram-se nas camadas populares sempre conderanados pelo catholicismo. taes como joculatores. uma é certo que esses cantos sub- o de Auxerre." naturaes este phenomeno extraordinário. a estabilidade uma civil em 1095. mas como prohibição religiosa romana. primeira Cruzada. Auvergne. Os cantos gaulezes não apparecem escriptos. deixava o livre exercício das crenças religiosas. 1. Rodez. que a raça gauleza ficou submettida á conquista romana . os mimi. sul da França deveu á li- berdade democrática do municipalismo a conservação dos seus elementos tradicionaes e o vigor da sua cultura. Tolosa. oa scurrce. e ao mesmo tempo davam nomes infa- mantes aos que os cantavam. os ministr aliesy menestréis. publicada se senhorial se ausentasse dos seus santo sepulchro . dos costumes. jocistce e histriones. passando pela ponta do lago de Génova.° Origem e diffusão da litteratura provençalesca e sua A zona geographica em que se opecommunicação a Portugal. de 578. e costumes. Provença e Vienna. ducado da Aquitania. da Sevres niorteza para oeste. até que um facto histórico veiu accidentalmente influir na sua generalisação. pois que vários Con- sistiram ainda depois da conquista cilies.IRRADIAÇÃO DO LYRISMO PROVENÇAL 64 (EpOCa 1. mas comtanto que se submettessem ao seu systema de administração. . sendo litterariamente imitados successivamente pela aristocracia e A em todas as cortes da Europa. para a Itália. castellos fez com que a clas- para a conquista do desenvolveu pacificamente as certa expansão na revivescência dos velhos Os menestréis e jograes eram os representantes dos an- tigos bardos decahidos das suas funcçoes de poetas -sacerdotes . Vejamos as causas etimológicas que determina- ram a prioridade do desenvolvimento do lyrismo provençal. romano ao o fixar o seu dominio não se cruzava com o vencido. como aconteceu com as tribus germânicas. e no período imperial chegou a fomentar o desenvol- O vimento das instituições municipaes. prohibiam os cantos das don- zellas. — rou este desenvolvimento poético abrange desde o norte do Loire.

motivavam as formas provençaes da Aubade e Serena. t. allude ao canto dos Ballismatia. France. » « : Quando a rainha quizer um Bardo domestico será obrigado a cantar ^ á voz baixa. diz uma atravessou séculos e tornou-se 65 « que esta instituição feição característica dos costu- mes gaulezes e irlandezes da Edade media. Ethnogénie gauloise. Itália e Portugal com o nome de Ballet. mas seja perturbada. e : « Crêr-se-ha que a tradição d'estas' diplomatas. que Venâncio Fortunato denominava chrotta britana. Ampere. Baylia.Século tradição gauleza XII a xiv. Belloguet considera também as Cortes de Amor como uma sobrevivência do costume gaulez na intervenção da mulher nos negócios públicos mulheres juizas nunca naes. onde os seus tribu- se extinguiu inteiramente com uma diíferente competência. Certos cantos conser- vavam o seu antigo caracter. Guilherme son veill antic. a que se acompanhava o trovador. Outeiros. 70. Pedro de Auver- — — p. as al- Santo Isidoro de Sevilha voradas e serenadas usadas pelo povo. As canções do primeiro trovador Guilherme ix. é a croud gauleza. provocadas pelo clima agradável da zona gallo-romana. Baylata. onde estes cantores me de Segreis. Hist. » ' As assembléas poéticas ou Puy. t. p- . 33o. p. satyra bardos gaulezes verberavam as acções indignas. ó certo. (1087) revelam a existência de outras anteriores ao século xi de Berguedan faz 1 uma canção em Ethnogénie gauLoise. quando Hoel o Bom mandou colligir as leis consuetudinárias cambrianas. em formas similhantes resultantes de um fundo ethnico commum. conde de Poitiers e Duque de Aquitania. cuja persistência durante toda a Edade media apparece no sul da França. no Meio-dia. 5 iii. i. . ou o instrumento de corda. nocturnas. 327. como a com que os As divagações sirvente. ap. ^ 2 Leges Wallice. littéraire de la iii. » ^ No século x. passaram por rem reapparecido quinze séculos mais tarde sob o nome Cortes de Amor. t. desconhecida no norte da Grallia. A te- poético de (os nossos a persistência popular d 'essa rota. ao ouvido. estatuiu acerca dos Bardos ouvir um canto. do século passado) foram antiga instituição renovada. o em sua escolha.) da Bellogaet. fallando dos Bardos corte. para que a corte não E costume que este se propaga a todas as eram conhecidos pelo no- cortes peninsulares.

que á torrente das invasões áricas. geral. mas ao mesmo tempo a sua tes difFusào e imitação nas diversas cor- da Europa. pois que já está tudo dito em árias . Os trovadores serviram com dade da França meridional . 1290. outra causa da vitalidade da tradição po- d'esta nova litteratura. com as superstições e com certos costumes sociaes. está em que este esplendor poético só dura succedem as Cruzadas no periodo em da primeira (1095) até á ultima Cruzada (1268) é que o lyrismo provençal attinge a sua plena que se forma litteraria. uma forma O municipaes. sia A em em A 109Õ. dição e sua propagação á Itália e Hespanha. A persistência da tra. se conservou no solo nome de Gaulezes com da Aqui- Essa raça foi todas as outras raças su- Strabão conheceu as suas analogias com os Iberos Fauriel determinou çal. fundo ethnico onde resistiu confundida sob o pervenientes . um elemento basco entre o glossário proven- por ultimo os modernos estudos anthropologicos definem essa raça como um elemento scythico ou mongolico. quando os jograes se espa- necessidade de communicar essa poe- nova estabeleceu a unidade de um dialecto poético entendido . é essa lucta da França feudal ou do norte. Porém a e o triumpho sanguinário da cruzada contra os Albigenses.. Uma . 66 INFLUENCIA DAS CRUZADAS (EpOCa 1 . produz um França do norte venceu. como se comprovava pelos cantos lyricos comparados com os accadicos. os seus cantos a causa a lucta de uma da liber- nacionalidade que nào chega a affirmar a sua autonomia dá aos elementos lyricos tradicionaes o vigor da inspiração dos protestos individuaes.•* gne protesta que foge de toda a iraitaçSo Gui d'UÍ38el reconhece que custa a ser original. trouxe a ruina da Litteratura provençal. e commum. agradáveis Cercamons é considerado pelos outros trovadores como auctor de pastorellas no gosto antigo. conflicto como d'estas observou o duas raças Lemecke por desenvolvimento de poesia. contra a França meridional goverj^a- pular e da organisação da por instituições gallo-frankos e gallo-romanos. indicam a existência de um tania. poesia provençal tendo surgido dos costumes populares volta outra vez para o povo lhara por toda a Europa. A contra-prova de que a efflorescencia da poesia provençal proveiu da liberdade popular e da revivescência dos antigos cos- tumes.

como tendo frequentado dos Pjreneos « Mar- ao ramo da Gasconha.marcabrus e gavaudan Século XII a xiv. conhecer a organisação das Eepublicas que tanto influenciaram no reconhecimento do espirito de independência local confirmado nas cartas de Foral. persista somente na sua resolução com o Rei de liança das pequenas potencias das cortes do Mediterrâneo : Portugal e o de Navarra. Choix. * . como na 67 Inglaterra. iv. Ferraz. Arragones. immediatamente iremos plantar nofsos pavilhões junto aos muros da imperial Toledo. que chegara a Sevilha com cento e sessenta mil homens. que pertencia Aquitania. t. Navarrs. Diz Marcabrus de Barcelona. incitando por meio de Um uma outro canção monarchas da Peninsula contra a invasão de Mahomed ai Nassir. o velho. e destruir os pa- gãos que a guardam. t. v. p. Lura van en barra gequitz Qu'els an rahuzatz et unitz. escola poética da cortes as nomeadamente a de Portugal. Gavaudan. de la Poésie provençale. t. 86-87. p. » Foi este trovador o que incitou pelos seus cantos e provocou a al- com Af« Que o Conde fonso VII contra os Almohades. lati- a Poesia isso logo conhecida pelas suas relações tradicio- foi naes com os cantos populares portuguezes e gallezianos. ' n. Dom » ^ Affonso Henriques tomou parte n'esta pequena cruzada. allu- os de a Portugal. exclamando ironicamente: Portogales. 6. p. 130-13Í. mas sim pela presença directa dos trovadores. Este como na Itália habito litterario com que na peninsula hispânica o dialecto gallego fosse a linguagem commum da poesia tanto para Portugal como para Casfez tella. Poésies de Troubadours. e teve assim occasião de italianas. na mesmo era o dialecto do Poitou.) tanto na França do norte Galliza . d'áquem christãs e é o único dos tro^ vadores positivamente conhecido por ter visitado esta ultima. Castellas. — A poe- do povo não era conhecida pela classe aristocrática nistas e eruditos ecclesiasticos desprezavam-na. 1 Hist. — 3 — * Raynouard. a) sia Communicação pelos Trovadores das Cruzadus. provençalesca não Por os . Gallicx. trovador. Choix des Raynouard. Fauriel cita o trovador cabrus.

d'e33a dignidade consular lia se transplantou do contacto princeza italiana. . apparecem famílias italiano de Potestade. pela lingua provençal. Os cruzados que aportavam aqui vinham sempre acompanhados de trovadores. sob Communicação b) casou Dom italo-provençal. até que por fim se põe com as regras limosinas. em 1146 com uma da). com uma filha e contracto de casa- um Dom de de Peire Vidal ha O dos grandes pro- Afíbnso Henriques. conhecimento d'esta nova poesia faz se por um modo indirecomeçando pelas relações com os trovadores italianos. e depois o casamento de Dom Sancho Conde de Provença. Picandon. tectores dos trovadores. Les Troubadõurs. pelo que o trovador João Soares Coelho o apodava Vedes. ao mesmo tempo lamenta a morte politica da França meridional. soo maravilhado ea d'en Sordel que ouço en tenções. p. ey como 1 fui mui boos soes en teu preylo tara errado. As nossas relações com a Itália eram litterarias. adquire a sua maior importância pela imitação através dos usos palacto .* Segundo Baret. as canç3es de Cercamons e de Peire Valeira também foram conhecidas em Portugal. O jogral Picandon cantava as canções de Sordello. e divinisa Sordello de Mantua. também para a Provença. 119. cianos do norte da França. no abandono do italiano com o que da ItáConvite. ^ egualmente indicios de aqui ter estacionado.: 68 CERCAMONS. rnuytas e boas. no Livro velho das — Dom Affonso Henriques Linhagens. filha do differentes trovadores visitaram Portugal. SORDELLO (EpOCa 1. mento do filho de llaymundo d^^ Beranger. VALEIRA. povoando os mancebos portuguezes as Universidades de Bolonha e Pádua. e económicas. sâo factos que nos explicam o motivo por que i com Dona Dulce. Mahaut (Dona Mafal- nome queixa-se em Diniz. Dante. e nos nossos nobiliários não só se acha o appellido de Proenqa. como o nome de trohador se tornou um titulo especial dos melhores cavalleiros. vindo de Génova os marinheú'08 para as nossas primeiras armadas.

mui ben vés en canções e cobras e sirventes e que seja de falimento guardado. eram tensões « As composições mais » lucta É com o trovador falsamente que elle jogral: o jogral é o que vae atraz de outrem. logo vos é dado e mostrar-vol-o-ey em poucas rasões gram dereyt' ey de ganhar does e de seer en corte tan preçado como segrel que diga. 529.. Século : 69 tensões e sirventes XII a xiv. elle. da Vaticana. a .) poys non sabedes jograria fazer. fazendo o contraste d'esses uomini di corte. .» 1021. e não acceitando senão o que é presente de amisade. recu- tudo o que traz não acceito cousa al- e rece. celebres de Sordello sirverUes. t. eu nada recebo e dou . nes de la Langue et — » iii foi restrin- Ap. é aqui apontada. atraz de mim . sando tudo o que é salário. Pedro me cha- eu levo nada dá em cima de si. ^ vida aventureira de Sordello nas cortes de Itália e França. Dante de la Litterature italiennes. onde era bastante estimado. Fauriel. Marcha. por que vos fez per corte guarecer ou vós ou A el dad'ende bom recado. et les Origi- . e cuja 1 admissão na corte de Dora Affonso Canc. se acham alludidos na resposta de Picandon Johã Soares. Aqui o jogral queria acobertar-se com o nome de segrel. um gráo dos trovadores -vagabundos que vinham a cavallo de outras terras. que se faziam valer pelo3 seus versos. o trovador mantuano. i. e Em que o faziam temido. Sordello replicava-lhe ma Dom segundo seu costume. » ^ Todos estes factos relativos um a Sordello. Sordello era considerado como um grande mestre da gaya sciencia. com o jogral que repete as composições d'outrem. n. guém be : Sordello. e Aimeric de Peguilhan terminava uma canção com este cabo « Este men: sageiro leva o dê o seu meu fabliau á leal juizo. recebeu-o da compaixão eu que me faça corar vivo do que é meu. para que além das canções amorosas. Bermont. p.

pois sabor a de mha morte ra'ha tarde rogar-lh'ei que non muyto que ea gran sazon a que a quiz e desejei por en. que mi faz perder o sen.«« 341 e 342. Eis uma leve amostra Ora nem moyro. e por tod'esto non poys que mi ouso pensar sol de me queixar en. prol este pavor aver pois cada dia m'ha faz mui melhor querer per mal."* Aqui regulamento. . extranho.* índice do Cancioneiro de Colocci. mui gram ben tan grara pavor ey que me lh'i fizesse por E nom m'ha meu mal querer. nen ren de mi senon a tanto que ey no meu coraçon coyta d'araor qual vos ora direy lan grande. 1. (Epoca BONIFÁCIO CALVO gida por um No ae acham também apontados os mais cultivados por Sordello. nem sey como mi vay. e publicado como complemento do Cancioneiro da Vaticana. . as duas canções de Bonifá- Génova appareceram em portuguez. provavelmente mais cio de imitadas que traduzidas : Mui grara poder a sobre mi amor faz amar de coraçon a ren do mundo. sob 449 italiano e 450 citavam-se duas canções. n. três géneros os n. de um outro trovador Bonifaz de Jenoa (Bonifácio Calvo) que foram coUigidas na collecção portugueza. nem vyvo. que me faz mayor coyta soffrer. como vestigio da difficuldade de verter um texto . achado na Vaticana. Colocci-Brancuti. Esta canção tem mais duas estrophes a outra canção é egualmente prosaica.: 70 . ^ muitas das canções poi-tuguezas d'esta epoca apparecem Canc. e pois faz-me prender morte en cabo. Depois que este Cancioneiro foi encontrado na livraria do conde Brancuti di Cagli. e Em 1 mha senhor sol non sab'ende ren.

irmão de da Dinamarca. taes canções francezas provenientes d'esta 71 corrente aquisto. Communicação pelo c) norte da França. leger. que governava na menoridade de desenvolveu-se a galanteria poética entre os seus vários como o conde de Champagne. xxxu. guarrá. como afan. em que os dois fi- Raymondos. onde a rainha D. depoz o irmão e governou com o nome de D. em 1229. rainha formosa. dolçor. aval.ol40. AíFonso. . governo de D. como n'esta em que o trovador para exprimir o sentimento de fidelidade á sua me dama se constitue ho- lige d'ella: Dizer-vos quero uma ren que sempre bem quige Or sachaz ueroyamen Seííor que Não 1 é isto um ie soy votre orne lige. da Ajuda. entrasse com que elle se demorasse percorrendo a Eu- varias batalhas e viesse a demorar-se na corte Luiz. No Cancioneiro da Ajuda apparecem cançSes em que se manifesta uma evidente influencia franceza do norte.) certos italianismos. toste. os Valladares. Sancho ii. trobadoresca. de Sam fez em "ropa. Leonor com o prinçipe Waldemar cipe D. (Edição tumultuaria do Canc.: Século XII a xiv. cór. p. Af- fonso. ledo. N'essa uma corte de seu filho. por 1238. Introd. por occasião do casamento de sua irmã D. ^ A corrente italiana accentuou-se mais tarde com a imitação da Universidade de Bolonha. e entre os trovadores guram que pertencem a essa parcialidade 03 Nobregas. mensonha. os de do Porto. cajon. cambhar.) — » Trovas e Cantares. explicável por conhecimentos Cancioneiro da Vaticana. condessa de Boulogne. guirlanda. com allusões a costumes feudaes. mas foi decahindo á medida que nos aproxi- mamos da França. e pelos estudos jurídicos e humanistas. e vindo o prinçipe a Portugal. besonha.. aq^uesto. ^olor. G outros muitos. Os descontentes do pretendentes. Affonso iil. — A saída do prin- D. n. depois da Li- partidos se encontraram em armas em 1246 (1245) é que a conspiração se tornou mais activa. Sancho il refugiaram-se junto do prinçipe D. Branca de Castella o casou com sua sobrinha Mathilde. * facto accidental.

Affonso Lopes de Baião escreve ou uma Gesta de Maldizer. que termina as estrophes da composição é evidentemente uma A Chanson de Roland. da família dos Nobregas que em França junto do príncipe rebelde. como a « de mal di- ticos d'e3te período zer dos que uma Santarém. moldada nas sirvente provençal formas épicas gallo-frankas. começou o governo de em de privados. n.. — » Ibid. n." . canção de Pedr'Amigo de Sevilha repete-se a allusao ao ho- lige : E por aquesto vos venho rogar seja voss' orne esta vegada. nom Canc. fixando-se a corte fonso. vejo dar nem despender. também escreve canção: Cavalgava n'outro dia um caminho francez. da Vaticana. imitando a forma monorrima e a celebre neu- ma Aoi. ' se lhes ca os 1 472. — » Ibid. Affonso a seus privados Dom Af- como esta » Vos que soedes em corte morar d'estes privados queria saber ha a privança muyto durar. por Um nos um outro dos trovadores que estiveram em França conhecimento mais directo da poesia da lingua das epopêas frankas .o 1088..° 689." em trovador. Os documentos poé- os casteUos como nom deviam ai Os privados luctavam tfeyta em tempo de Dom entre si em rei tensSes. ant' os vejo tomar e pedir et o que Ihis non quer dar ou servir nom pode ren com elrey adubar.: 72 GESTA DE MALDIZER particulares dos costumes francezes uma me (EpOCa em um dado 1. ^ que eu O trovador estiveram em uma Dom João d'Aboym. Depois que tellos a Dom um grande numero de Alcaides entregaram os cas- AíFonso. Dom mostrad'oil. n. » ' deram parcialidade e foram satyras virulentas.

quando pelo casamento com so o Sábio. senhor (Crinç. e nora mais se lhe dar quizer. Já vimos como o jogral Picandon se dava como segrel . (Canç. no Regimento de sua Casa. que apparece citado no Cancioneiro da Vaticana com o titulo de Primeiro Trovador.: Século XII a A jograes de segrel xiv. 73 com a nossa a bastarda de AfFon- Dom corte de Castella.) E Affonso Eannes de Coton. referia-se em uma tensão com Pêro da Pon- a esta qualidade do cantor em nossa terra. se deus me perdon a todo o escudeyro que pede don mays das gentes as lhe ehamam segrel. Ber- nar de Bonaval. em sa casa e veher de cavallo d'outra terra. » * falla-se n'e3ta classB dos cantores de corte: E ditz ais trobadors Segriers por tetas corts. se relacionou Aífonso « El III. 193. No Livro velho das Linhagens cita-se Portugalice Monummta como trovador João Soares de Histórica : Leges. e o jogral que dê-lhe el-rei ataa segrel. Pai- . estabeleceu: rei aia trez jograres. ou nom mais. cem (maravedis?) ao que chus der. 663. 556. Aífonso corte de assaltada por todos os cantores iii foi uma vagabundos. D. de 1245. do século xii. que nos apparece no Nobiliário do con- como uma distincção honorifica. i. te. diz da sua pessoa em uma canção a Abril Peres: Ca bem sabemos.) de O titulo de Dom Pedro trovador. é um indicio de que essa qualidade designava os partidários do principe que se refugiara era França. e imitavam os costumes francezes. Em uma canção de Giraud de Riquier. qual sol sempre a servir segrel.) D. Bernal.

Muitas das Canda Ajuda referem-se á permanência da corte em na canção 119 (Trav. e Cant. Em tina. como documento dos Templários citado por Viterbo. Dom João de Aboym. . no Nobiliário este característico 272) Vasco Fernandes de Praga.) Os nomes de muitos trovadores dos Cancioneiros da Ajuda e de Roma. AíFonso Lopes Baião. Dom Pedro vem com Panha (p. hisL. e alludia aos velhos usos portuguezes as la- AíFonso Henriques. se O guerra tradicio- que contrastavam com modas francezas trazidas da corte de Sam Luiz e exageradas pelos privados. João de Gaia. Estevam Coelho. Estevam Annes de Valhidareg. n. apparecem históricos Pedro. 20. serigo designava o arrabalde ou parte se vê por um estrebilho da ses- baixa de Santarém. Estevam Rajmundo. ^ uma relação da tomada de Santarém que os que atacaram pelo lado diz Dom que chegou a ser attribuida a em prosa poética direito 3ubii'am o Alphanj Gonsalvo Gonsalves atacou pelo lado esquerdo. Canção era tirado de um grito de nal. cita-se 208). João Soares Coelho. Cantares. Escr.* 192 e 290) Estevam Annes de Val- ladares (p. (p. P." 121. Outros trovadores alludem a Santarém.i). 349) João Martins (p. Martim Peres de Alvim. E nom sey oine tan entendudo. e ai sesserigo.. Trovas e — * Monarc.) se lê: como funccionarios de ções da collecção Santarém . João Garcia. por Seterigo . Os poetas que pertencem á pre-dionisia.. 3Õ2. (p.luzit. * no Fragmento de Nobiliário do conde João Garcia Esgaravunha. 199) e João Soares de do Conde (p. 302) e João Soares Dom 1. João Martins. (p. ni. que m'oy entenda o porque digo Ay Sentirigo ! ay Sentirigo l Al e Alfranx.: 7i o TITULO DE TROVADOH va. Append. (EpOCa em documentos Dom Affonso iii. são principalmente ^ eschola poética de Santarém ou Fernão Garcia Esgaravunha. João Soa^ — 3 Mon. 166. onde esta- vam damas as suas Todo este mal sofTro e soíTri des que me vim de Santarém.

neto de um mestre provençal. e alguns trovadores portuguezes foram protegi- dos por Affonso o Sábio. e que se nom podia Era uma tal situação a poesia trobadoresca tornou-se ura passaterapo domestico. Dora Pedro do. verso os sentimentos con- vencionaes são expressos com phrases batidas. n. Dom Affonso iii livrou Portugal da suzera- nia de Castella. 1 como João Velho Trotas e e Cantares. e só quando trans- parece a ironia nas sirventes é que ha alguma naturalidade. que chega ao seu mais completo esplendor na corte do O cyclo diouisio. luctando diplomaticamente cora Affonso o Sá- que apparece descripto no Cancioneiro da Ajuda como incer- bio. e Payo Go- Almirante de Castella.influencia d'affonso o sábio Século XII a xiv. como va- dizendo os documentos contemporâneos que letudinário. Muitos como Martim Moxa. A lista fica ainda assim incompleta.trovador dado educar por Affonso o Sábio. aproximando evolutivamente a imitação provençalesca do lyrismo tradicional portuguez. levantar. ^ As duas cortes entraram em ri- validade poética. como Pêro mes Charrinho. Lourenço. 2. trovadores. Julião. que porventura lhe ensinou era forma as' regras da poética limosina. e cora rimas quasi invariáveis . Diogo Pezelho. Dora Affonso para resistir ás exigências bem catorze » iii. os fidalgos que entravara no seu serviço eram tural de Cahors. Affonso Gomes.o 286. Fernão Rodrigues Redon- 73 Vinhal. Martira Soares. João Vasques. geral de arte maior. entre 12Õ0 e 1290. Gonçalo Eanes do Gomes Charrinho. e o celebre trova- . pelos quaes o elemento popular se ia introduzindo. rei. Esta aproximação no desenvolvimento artistico da poesia trobadoresca. que foi não podia deixar de influir Gomes Barroso. e o rei deu a seu filho um mestre na- chamado Aimeric d'Ebrard. dos seus privados. Soeyro Eanes. to e tempestuoso como o mar.° sia Dom Diniz. jograes frequentaram a casa real. mas impetuosa e brutal. e man- — Justamente no periodo em que a Poe- provençal decahia. Picandon. recolheu-se « avia (annos) que jazia em huma cama. Quando foi dada casa ao príncipe.) res de Gaya. Martim Peres. As canções d'este periodo são em em monótonas. é que ella recebeu o seu maior desenvolvimento na corte portugueza.

da necessidade do segredo absoluto. e separadas tanto popular na se- pelo seu caracter um classe que se denominava das serranilhas. na sua Carta ao Condestavel de Portugal. ptas em as canções são em verso de redondilha. —A influencia directa do sul da França.. A a) . em que contrastam o extremo com a espontânea ingenuidade. Os principaes documentos época pertencem ao reinado de D. é determinada pelos trovadores da eschola de Limoges . alludindo á rei Dom eschola em que se acha filiado: Quefeu en maneyra de Proençal fazer agora um cantar d'amor. Diniz reagisse contra a decadên- cia e extincção a extincta da poesia provençal. e d'esta elle poéticos mesmo ó o primeiro e o mais talentoso dos trovadores portuguezes represen- Nas cento tados nos nossos Cancioneiros. « Usaron el decir en coplas de falia d'esta influencia dizendo » Por este facto se lhe diez siUabaSj a la manera de los limosis.. assim como tentou conservar cavalheiresca dos Templários refundindo-a na Ordem dos Cavalleiros de Christo. escri- Eschola limosina. tio de sua mulher.» DKCADENCIA DA POESIA PROVENÇAL 76 Dom dor JoSo de Alboim assistia (EpOCa 1. e desde que começou a reinar em 1279 a sua corte tornou-se um ponto relações cora o de convergência de todos os trovadores de Leão. Pelo seu casamento. o marquez de Santillana. da severidade implacável da sua gunda phase. : . . canções e trinta e oito d'este monarcha. O Diniz faz alarde da sua cultura poética. predominam duas fei- que accusam duas phases caracteristicas da sua actividade ções. chamava Arte maior. d'aquel- las terras e comarcas dos Limosinos. monarcha designa como Cantares de amigo. espécie de Diniz entrou em Conde de Provença. E natural que o rei D. em contraposição E em menor. em que as canções tem por assumpto essa vaga casuistica senti- mental da superioridade da creatura amada. creio.* com a rainha a uma Dom conselho de regência. em uma e que o próprio artificio dama geral bellas e inimitáveis. poética: na primeira prevalece o verso limosino ou endecasyllabo. que existem publicadas. de Castella e de Aragão. Diniz. outro logar escreve : « ás redondilhas ou Arte Estenderam-se. Im- porta descrever estas duas poéticas. estas artes aos Gallaicos. .

achada no principio do Can- guardava na cioneiro de Colocci. outra canção affirma a superioridade dos trovadores occi- na distincçào entre o trovador e o jogral. n. Lisboa. 1881. - 3 de maior Era Nova. — * : « E este segrer é Ibid. nem fremusura non 77 muyfi prez. p. . e livraria do conde Bran- por nós restituída e publicada ^ começando o fragmento em uma boa como a Cana Cantiga d' Amigo. por- tanicos. feitas por dois trovadores ras de razon que zendo o contrario. citaremos a trova de segrer Canc..» 123. fazer d'amor ou d'amigo complicadíssimos. » titulo o Também se indica um género popular. Essa Poética. n'este se definem os géneros.) e querrey quem a Em loar mha serlor. constava de qiiasi illegivel. e non en outro^ sey eu bem que nom am tan grã coyta no seu coraçom. qual m'eu por mha seãor vejo levar. da Vatic. e de todos se cioneiros 1 sem mal algum. que é eoh Os documentos positivos d'esta influencia provençal encontram- Fragmentos de se nos uma Poética.o 127. raays os qne trobam no tempo da frol. 415 a 422. ^ e dizen elles. que cuti e foi publicado como appendice do Cancioneiro da Vaticana. nem son per ar-J » Os artificies poéticos são acham exemplos nos nossos Can- porque as non estimam muito. Estas cantigas se podem rabis. . Depois define o género das tria ao mesmo tempo « per maneyhuu aja contra outro em quaes diga que por ben tever na prima cobra. taes ou de refren e de joguete certeyro. et o outro responda-lhe na outra ditenções. Cantiga d'escarneo. e insiste em uma ventura pela necessidade de deixar posição subalterna os muitos jograes que concorriam de todas as cortes peninsulares á corte de Lisboa diz o . . de mees- seis parte do terceiro tiga d' Amor e se capitules. ^ fal. amor.: Século fuacmiíntos d"uma poética XII a xiv. cujo aproximadas Villanellas daGasconha: «Outras cantigas fazem os Trobadores a que chamam de Villãos. grande monarcha muy bem Provençaes soem de trobar. n.

1 Canc. D. os que pelo Cancioneiro de Baena vemos dividido bre. reproduzindose muitas d'estas formas em Gil Vicente. da Ajuda. LEXAPREN E MANSOBUK 78 sabedoria. As provas da corrente franceza acham-se também no conhecimento directo dos poemas da Tavola Redonda vulgarisados em grande parte por via com'eu disse fazeren turadas. A imitação das Cortes de Amor. mór (EpOCa 1.°* 223 e 78 das Trovas lexapren. mas nunca tan coitado. Diniz faz allusoes aos symbolos da fidelidade idealisados nos poemas de Tristão e Yseult. (Ed. n. e de Flores e Brancajlor. » Quando uma uma das palavras da cantiga que se- strophe se continua no seu sentido grammatical na strophe seguinte. porque toma cada gue. O acha-se nos n. chama-se-lhe atehudas dobre. que acharemos ainda subsi- stindo na corte de Dom João ii.) . ainda lana. que também penetram na corrente dos romanceiros populares.> : ENCADENADOS.* . e em sencillo ou menor. Trovas e Cantares. nem o viu orne nado u fui. ou deixa e pega. Des quando A fui ir distincção das rimas agudas e graves. e o em que as mesmas palavras mudam de tempo.° 4. da poética franceza. . explica o género do em que a mesma palavra se repete duas vezes na copla. e Cantares. na canção do códice n. apparece-nos no seu vigor na cor- como se infere da seguinte passagem da Cante de Dom ção 597 da collecção da Vaticana Diniz. e a que vol-o recado De muy bon grado qnerria a um legar E nunca m'ende ar viir. como representante d'e3ta tradição bem definida por Sá de Miranda. » dos trovadores do sul da França. do mansonotável exemplo.° da Ajuda: Vi eu viver coitados. lexapren. acha-se bre doble encontra-se um em doble manso- exemplo da cançSo encadenada. ^ Viveu com'oj'eu vivo. Muitos doble. o exemplo do na canção 114. e o mansobre. d'estes artifícios. taes como foram conhecidos pelo marquez de Santil- versos encadenados. acha-se também apontada no citado Fragmento: «As cantigas em todas mis- em rimas longas ou breves ou As rimas em ecco apparecera apontadas.

Os sentimentos que inspiram essas cançSes. nascida de elementos populares e em consequência d'isso puramente nacional. e fará. ainda meio popular.) O meu amigo novas 79 sabe já que s'ora faram. ao passo Dom que Diniz celebra com o poético mysterio os seus amores. que também um tal contraste entre os para concluir pelo O uma artificio e esgotamento d'estes costumes e as emoções ly-\ imitação inorgânica d'esta poe-y artifícios fez cer no gosto palaciano a desaffectada Ihas e cantares de amigo. tendo portanto o trovador ao cantar a sua occultar mysteriosamente esse nome. amigas. » Des- . desconhecendo porém Diez. bem sey e dirá quanto hum ou cantar fará em que dirá de mi bem. os condes Dom Pe- Dom dro e Aífonso Sanches. bem poder dizer de min. meio erudita. como á castelhana. 03 Nobiliários vam vam. tanto do monarcha como dos seus fidalgos. En aquestas Cortes que faz El rey cl'aquestas Cortes loará-mi e meu parecer. formada por moldes estrangeiros (provençaes) e não a precedeu. hoje derrogada pela excessiva abun- dância de vestigios tradicionaes dos Cancioneiros da Vaticana e Colocci-Brancuti : « A poesia erudita portugueza apresenta-se des- de o começo como palaciana. vemos contradizer-se na realidade dos costumes públicos. Pelo contrario. protegendo desaífrontadamente os seus bastardos. nós não tivemos essa profunda scisão de classes que tornava a paixão amorosa uma audádama de cia mortal. ou já o feyto tem.Século cortes d'amor em portugâl XII a xiv. ricas e nobres dizem que serani. o seu fundo tradicional pela primeira vez determinado por eis a opinião de Wolf. ou outra vez guanqa- com que viesse a prevale- das simplicidade Fernando Wolf illudiu-se serrani- no juizo da nossa poesia provençal accentuando essa imitação. ou fará ou já o feyto tem. uma poesia in- dígena. Bastava ricas sia. e por parte dos outros trovadores. estão cheios dos raussos ou violaçSes a que anda- sujeitas as damas. e de tirar do segredo que conserva a anciedade dos seus cantos. é afFectado. e meu amigo bem sey que fará hum cantar en que dirá de mi ben.

an- daluzes ou da Extremadura. Este período. Mecia de Cisneros. : aonde não ha que duvidar que o exercício d'cstas sciencias mais do que em nenhumas outras regiões e províncias de Hespanha se acostumou em . ou fossem castelhanos. como maestria maior jjrem e mansohre. Observando que mo na forma « com as pastorellas italianas. a de em que se usam os endecasyllabos limosicommum ou dos versos usados pelos dizidores popu- Arte maior. Arte e XV « E depois acharam esta Arte. » A dia- |. que Santillana fundamenta citando um grande Cancioneiro que vira em casa de sua avó D. lecto Em terceiro logar. nomes d'arte. lexa- facto vimos estes nomes technicos no fra- gmento da Poética supracitada. Em primeiro logar apparece-nos a Galliza. distingue as duas correntes. resulta de causas ethnicas. que então comprehendia oj condado de Portugal.S toda a sua evidencia este ele- mento popular. e a Arte lares. accentua esta prioridade. Elementos tradicionaes gallezianos. no território que comprehende da Galliza até ao dego. que não ha muito tempo quaesquer dizidores ou trovadores d'estas partes. N'e3ta prioridade. creio. e peculiar da poesia na Castella. notada são muito análogas na essência co- ás nossas antigas Ballettes ou as bailadas proven- . « cantigas serranas e dizeres portuguezes e persistência d'esta8 formas lyricas. todas as suas obras E lingua gallega ou portugueza. mostra commum gallegos.'' Mon- marquez de Santillana. nos reinos de Galliza e Portugal. xv da referida Carta indica as for- vulgar. » De compunham em ainda é certo que recebemos os e menor. como se gmento da Poética. as quaes explicam essa similaridade que as serranilhas portuguezas têm com as bailadas provençaes e por Meyer. ou aquella nos. ainda conhecida tade do século chama. tanto gráo. é fecundíssimo em revelações. b) —A meiro despontou o gosto pelas canções provençaes diz no fra- zona onde foi O pri- ao norte da peninsula.80 SHUHAMI. um a Portugal. encadenados. Christovam Fal- e outros. Ex- tremadura e Andalusia. que com vigor nas obras cão. No mas da Arte que a lingua gallega era Sá de Miranda litterarias apparecem de Gil Vicente.A.IIAS !•: em cobertas ulteriores vieram pôr (EpUCa PAíJTOHKlJ. que Maior se Commum. 1. que não era muito estimado. na Carta ao Condestavel de Pd'na primeira me- tugal. como o ponto onde primeiro se manifestou] esse lyrismo.

sem que determinar em qual d'ellas foi creado. termina com a. ay cavaleyro. certa revivescência A designação d'este género serranilha. Fernando relação aos romances tradicionaes ou Aravias. p. todas aquellas composições moldadas pelo gosto das serranilhas resaltam por uma graça que composições modernas ou parnasianas não attingem. que diz a refrem — uma canção — vedel-o « cos." 1043 se lê a rubrica : as melhores No Cancio- da intervenção « Diz upia can- tiga de vilaão: O' pee d' uma torre bayla. vedel-o cos. do Cancioneiro da Vaticana. também o lyrismo avivado em uma pela acção dos árabes no meio da Europa.) çaes termina » zas que çal. Esta unidade lyrica occidental comprova-se ethnicamente por emquanto aos cautos Wolf e Koehler em No meio das heróicos. deriva-se do árabe sehra. que diz: Esta these aeha-se largamente estudada nas Questões de Utleratura Arte portugueza. faz se apro- xime o typo d'e3tas canções das formas do lyrismo accádico. » A canção 1062. 6 . Assim como no Occidente sobreviveram muitas superstições chaldaicas. avivadas d' essa pelos raça mongolóide foi romanos e árabes. 18 a 80. que a3 poesias portugueforma sejam imitadas do francez ou do proven- « esta mas que são concebidas conforme um typo tradicional^ que commum a diversas populações românicas..» Século XII a xiv. têm : unidade do lyrismo occidental 81 Não concluo por isto. uma egual similaridade como observaram Nigra. positivos sob o n. nos monumentos achados modernamente por Smith e traduzidos por Oppert. corp'e giolo.seguinte nota: a Esta cantiga fuy seguida . Sobre este molde compoz Joham de Gaya aquella de cima. insípidas dos sentimentaes allegorias e subtilezas ^ trovadores portuguezes. de vilaãos. por ay cavaleyro e feze-a a huu vilaão que fxiy alfayate do bispo don Domingos Jardo. ainda representada pelo basco e por algumas populações da com que Itália.. •por uma 1 e haylada. neiro da Vaticana acham-se documentos da lyrica popular . » A persistência deve ter sido se possa uma de raça não árica na Aquitania.

especialmente nas tardes de verão. dos cantos de forma popular dos Cancioneiros palacianos. p. Este facto explica nilha popular entrava nos cancioneiros palacianos . intercaladas nos seus Autos. Não é nilha . iin caballero Que estaba en A lyricos. . 100. e concluiu pela sua similaridade. gosto musical das povoações do Minho era tão persistente. » Nas redondilhas de Camões ainda cência d'este mote velho Uma se encontra bailada de Ayi'es Nunes acha-se moldada na strophica e com versos inteiros poder concluir qual foi um reminis» mesma forma de João Zorro. o poeta Bernardes.: . nos Veher die erste portugiesisclie Kimst und Hofpoesie. « : e acreditamos de preferencia . i. ou Gil Vicente falia arremedando os da serra « Falcão faz referencia aos Cantos de ledino. somente em Portugal que achamos a persistência da Serra- o Arcipreste de Hita imita admiravelmente esta forma tradicional. p.* Vos avedel-os olhos verdes. 114) Madre. A cada vuelta Asia-me de la manga Yo como era bonica Teniaselo en nada. Poetas Madre. com fugas mou e repetições as raparigas. este corro. » e em Christovam Da forma do Dizer. que succede muitas vezes aos foras- que passam pelas ruas. usado letra son ou cantar. que ainda no principio « Com em do século xvii o marquez de Montebello escrevia grande destreza se exercita a musica. que é também conservada por mais reagiu contra o gosto 1 uma * italiano. teiros parar e suspenderem-se ouvindo as trovas que cantam em coros.. un escudero Que estaba en esta baila. que é tão natural seus moradores esta arte. ou tono conhecido. uiatar-nredes com eles. ^ aproxi- alguns fragmentos de canções de Gil Vicente. como a serra- a aristocracia cultivava a musica e ensoava. t. sem comtudo se o plagiário que ambos se serviram de uma para fazerem uma Senão que tendes os olhos verdes. Yo como era bonica Teniaselo un poço. servindo-se da velha letra das to- O nadilhas vulgares para fixar a sua composição melódica. Castillejos. Frederico Diez » . ainda no século xvr se dava o nome de Dizidor ao poeta popular. ELEMENTO POPULAR NOS CANCIONEIROS 82 : (EpOCa 1 . cada vuelta Hacia-me dei ojo . Cantares guayados.. que Últimos — ^ Eis . amostra (Ribadaneyra.

velar marquez de Pidal uma furtan cantiga serrana. lleva't. conserva-se a fórraa tradicional em que Berceo no século xiii escreveu a se- renada no Duelo de la Virgen. si gipó lleva't. levad' á alva! eya. levad' á alva I Fijo de Dios el eya. se enamoran de Dios los hombres? Como no Si hermosura Como no e belleza de amor son causa. lleva't Que Faygua « Com m'en — Marieta. tos são importantíssimos . 413.. traz vários niotetes espirituaes verdadeiro typo popular da serranilha Si hermosura y belleza eausan amores. aliama de los Judios. var. de mati. velar Que são da Virgem sagrada Que Eh. bem dignas de serem conhecidas — Marieta. el sol vol surti. como . 1 — ' Op.) fins do : » ! : ! continuidade da tradição lyrica 83 em castelhano. colligiu cançonetas na forma da serranilha. Estes quatro monumen- porque estabelecem uma continuidade de tradição desde o século xiii até ao xix. onde diz : « Leite de Vasconcellos.» 568. cit. e nos mostra claramente as relações entre os escriptores eruditos do Cancioneiro da Vaticana e o povo. B. ! Século XII a xiv. de mati lleva't. n. Eh. Como m'en llevaré. no Romancerillo catalan. e que aqui comparamos Vindas são as alvoras. tal como a conhecia Berceo com o nome de controhadura ^ porém. Vclat.. tanto Pidal. Foram publicadas quatro canções pelo snr. (1627. p. no Annuario das tradições portuguezas. Que « Nos cantos es clara. Milá y Fontanals. ? ^ concelho de Moncorvo. s'il gipo m'en falta el sol : vol surti. também persiste esta forma da serranilha. que Taygua es clara.) — « Romancerillo catalan. se enamofran de Dios las almas? ^ Nos cantos populares das Alvoradas de Pombal. em colligiu da tradição moderna da Galliza tudo similhante ás da época jogralesca. Ijricos de Rebordainhos. no tinch? llevaré. no homem.

(Canç. referindo-se á sua protectora influencia Os namorados que trobam d'ainor. no de Aragon. todos deviam gram doo fazer. nom tomar em si nenhum prazer. nem aver et o seu bem muyto desejarom. : que . Uma planh do jogral leonez Joham. mancebos que teem soldados. A litteratura provençalesca portugueza. que não deixaram de fructificar nas bellas concepções lyricas de Gil Vicente. porque perderem tam boo senhor. celebra a -morte do mo- narcha. é hoje aquella que se acha mais rica de ele- mentos tradicionaes. de Camões. pêro seja profaçador.. nunca poys de sa morte trobarora et dos jograres vos quero dizer nunca cobraram panos. D.o 708. eom'é ei-rey Dom Denis de Portugal. no de Castella.) Uma sirvente de Martim Soares contra cuydava que trobava viuy bem » « hum Os aldeyãos e os concelhos todolos avedes per pagados por estes cantares que fazedes d'amor em que e os cavaleyro allude aos cantos do povo Ibis acham as filhas sabor. os mais bellos da nossa poesia. de que nom pode dizer nenhum mal et homem.* Milá y Fontanals e Leite de Vasconcellos desconheceram a estructura poética d'esta forma nos documentos que colligiram. considerada como a mais ser- vilmente imitadora. n. : A CLASSE DOS JOGRAES 84 (EpOCa 1. colli- gindo-as sob o titulo de Cantares de amigo. Os trovadores que poys fiearom en o seu regno et no de Leon. Diniz dignou-se imitar rei estas formas populares. de Francisco Rodrigues Lobo 6 de O Thomaz António Gonzaga.

diz na canção 707 — que ó irmão tio d'el-rei. organisando o cadastro das suas linhagens.o 96o. e das classes em que existência de ella se cultivou. o Conde D. . e o seu Livro das Cantigas. » Foi por : « um filha E ai d'este seu ir- do Conde falle- sentimento de grati- dão. (Canç. e colligindo os cadernos daa suas cançSes. e nomeado Gonde de Barcellos em 1 de marlho dos amores do rei ço de 1304. dos peliteyros e dos moedores. que o Conde de Barcellos deixou em testamento. n. Diniz com D. e os jograes dos atanibores. casado mão. mos O com D. Gracia. Por esta circumstancia saiu de Portugal este singular monumento. Da sua actividade poética conhecem-se apenas dez cançSes amoro- sas e especialmente satyricas Esse outro bastardo de ou de mal dizer Dom Diniz. senhora da Ribeira de Santarém. A influencia de D. Somente a sua grande belleza espontânea é que podia vencer o artificio pro- je vençalesco.) ' organisação de um grande cancioneiro Bemq nisto 85 sodes dos alfayates. jogral Joham. uma poesia ly- na qual até ho- tem persistido esse typo tradicional da serranilha. nha contra Dom Pedro soube vencer o ódio que a fidalguia ti- os bastardos do rei. Dom são mediocres. — Fi- D. o seu Livro das Cantigas a Affonso xi.Século XII a xiv. . Diniz determinou também a compilação de todas as obras poéticas dos fidalgos da sua corte em um mas vasto Cancioneiro. O c) Conde de Barcellos.) Aqui temos a prova evidente da rica popular. mas foi encontrar protecção em Af- morte de herdado fonso XI de Castella. d'a vosso bando son os tropeyros. feito a 30 de Março de 1350. por accidente fragmentado e perdido. do século XVI por diante. hoje quasi integralmente publicado. Maria. a casuistica dos palacianos do século xv. Depois da Dom Diniz. por que Ihis cabe nas trombas vosso som. do qual nos dá noticia o Marquez de Santillana no meado do século XV. AíFonso Sanches. para atambores ar dizem que nom acham no mund'outros soes melhores. Pedro foi perseguido e despor Dom AíFonso iv. e o subjecti- vismo dos imitadores da eschola italiana petrarchesca.

No Dom Nobiliário lê-se: Affonso.. tendo em vista o seu génio compilador e as memorias coUigidas das diversas famílias aristocráticas. Affonso Sanches são as mais deturpadas do Cancioneiro da Vaticana comtudo conhece-se que tinha . Os documentos poéticos d'esta epoca são O Livro das Cantigas do Conde de Barcellos. u ^ As quinze composições de D. 238. modificado por Vasco de uma elaboração Petrarcha a expressão do sentimento moderno. los foi O uma Dom Diniz. (Canç. contra seu «por que Dom dizia que el-rei se Di- niz queria fazer rei D. Não conhecemos esta corrente senão muito tarde. meu amigo veher emquanto lh'eu preguntar hu tardou. não é menos notável do rei amava-o loucamente. que trazia comsigo e que elle muito amava. recebendo do génio italiano subjectiva que a tornou narrativa. Scriptores. um elevado sen- timento poético.. e que comprehendia a belleza das formas popula- É res. Livro das Cantigas do Conde de Barcel- para Castella. : DOCUMENTOS POÉTICOS 86 1. nascido em 1286. AfFonso Sanches. e por causa d'elle fo- que seu irmão. Dona Mecia de Cisneros. cremos que sobre este título se comprehendem todos os seguintes fragmentos conhecidos Cancioneiro portuguez da Casa de 1 Mon. elle não deixou de influir quando infante na transformação dos lays bretães se vê pela sigla do Amadis Lobeira a seu pedido. veeremos bem se tem no coraçoa a donzella por quem sempre trobou. p. amiga. e no sembrant'. e d'aqui resultou o esquecer-se a eschola trobadoresca preferindo a imitação castelhana. n. el-rei A como Dom em Duarte conser- poesia provençal soffreu transformação. o principe herdeiro.) Embora na corte de Dom Affonso iv caísse um tanto em des- uso a poesia trobadoresca. seu filho de ganhadia. e na Livraria de vou-se o Cancioneiro de em forma de Gaula.o 367. hist. notável este fragmento : Quando.* (Epoca Conde de Albuquerque. falade vós nas donçelas entom. . o ram as luctas de pae. amigo^ que fazer.

tem profundas variantes. Martins Soares. Ruy Paes de Ribela. Pêro Barroso. em rigor.° 4803. Diez e João Pedro Ribeiro consideravam-no de um único auctor Bellermann julgacapitães. e publicação do Cancioneiro portuguez da Bi- do Vaticano. Aires Nunes. n. que são problemas importantes para a historia critica do texto." 37). João de Guilhade. sabe-se que essas canções anonymas pertencem a Vasco Praga de Sandim. Per- tenceu ao celebre erudito italiano da Renascença. AíFonso Lopes Baiam. (n. e pelo apographo de Colocci. Payo Gomes Charrinho. João Coelho.) 87 que o Marquez de Santillana descreveu na sua Carta ao Condestavel de Portugal em 1449 : a um grande volume de cantigas serra- nas e dizeres portuguezes e gallegos. Nuno Fernandes Torneol. Dom separado. Vasco Rodrigo de Calvelo. que o confrontou com um texto principal. e ao da Vaticana e Colocci-Brancuti. Pêro Garcia Burgalez. como complemento do Cancioneiro da Bibliotheca do Vaticano. considerar-se como formando o primeiro grande fragmento do Cancioneiro provençal portuguez. O Cancioneiro Colocci-Brancuti appareceu foi em um códice. ajuntando-se-lhe depois mais folhas achadas . . Pêro Pêro da Ponte. Stevam Froyam. Deve.trovadores do códice da ajuda Século XII a xiv. n. Fernão Gonsalves de Sousa. » O Livro das Trovas de El-rei copia de 'luxo de El-rei O Dom meça a uma Diniz: era talvez Duarte se guardava na sua livraria. achado em casa do Conde Brancuti. Fernão Velho. Ruy Queimado. João Soares de Taveyros. Fernão Garcia Esgaravunha. João Lopes de Ulhoa. que pelo Catalogo dos Livros de uso Cancioneiro da Ajuda. (do Collegio dos Nobres. Roy Fernandes. As Solaz. ou de lord Stuart) achado lio em na Bibliotheca de Évora. e canções d'este3 trovadores Fernam Padrom. está fragmentado e co- folhas 41 até folhas 95. D. communs ao Cancioneiro da Ajuda. Vasco Gil. e depois achado na Livraria do conde Brancuti di Cagli. É em o copista deixou as canções por terminar pergaminho emquanto ás 24 in-fo- lettras musica e assignatura dos trovadores. João Soares Fomesso. va ser este Códice o Livro das Porém pelo bliotheca exame Cantigas do Conde de Barcellos. Dom João de Aboim. este códice era co- .° • o Índice d'e3te monumento 3217 da Bibliotheca do Vaticano. no espolio dos jesuitas. Mera Rodrigues Tenoyro. Foi publicado em 1880.

mento É uma a opinião de riqueza incalculável como docu- histórico. acabavam como o instituição da cavalleria. ou gallo-franka Se 08 cantos lyricos dos trovadores occitanicos influenciaram no desenvolvimento da poesia e da linguagem litteraria das novas nacionalidades. Em Portugal única Gesta do norte da França. á qual se succedeu a edição critica de Lisboa em T)'ovas antigas. na edição do Cancioneiro de pelo Dr. Cancioneiro jportuguez.° 4803. porventura o texto principal de que Angelo Colocci extrahiu o seu apographo. social e litterario. não acharam sympathia. porque lisongeavam o sentimento da honra e do valor. Por ultiiilo publiintegralmente Monaci em uma edição paleographica em era 1875." p. as Gestas francezas. §. Caetano Lopes de Moura. por- que celebravam como o typo de todas as bravuras Carlos Magno.o FEUDALISMO E AS GESTAS HERÓICAS 88 nhecido desde o século xvi. c apparece cm tudo análogo ao códice vaticano n. 1878. traiu (EpOCa Diniz d'elle ex- Cancioneirinho de em Vienna em 1870. Nas Leis de Partidas manda- 86 que os cavalleiros não ouçam senão cantos de armas. escriptas segundo Wolf entre 1245 e 1357. que tornando-se virtudes individuaes. que em sallos contra o poder não existe uma geral versavam sobre a lucta dos grandes vasreal. Com a publicação d'estes vários Cancioneiros são hoje conhe- cidas perto de duas mil canções. e os canto- movei da res das Gestas heróicas chamavara-se em Itália os ciarlatani. . 11 Influencia do norte da França.arte perten- Diniz. como conservado em segredo. postoque algu- mas foram conhecidas na época da redacção do Nobiliário do Conde Dom Pedro. . de citado por um grande de Hespanha Varnhagem. publicado cou-o Halle. Nos paizes onde o feudalismo não chegou a esboçar-se. e d'elle se extrahiu a cente ao rei Dom umas cincoenta Canções com Dom Varnhagem também o titulo de 1. os cantos épicos do norte da França penetraram mais profundamente.

Ni el Roldan paladin. lar. canção 1066 do Cancioneiro da Vaticana. também se allude a cyclo franko: Nin fue major cavallero El arco bispo 1 Man. no Reginaldo. st. Na do príncipe o seguinte verso Dom Affonso irmão de : alter fuit hic Rotulandus.Século XII a xiv. caracteristica no Livro das Linhagens se lê : « res fossem. Também em forma escrevendo-a com monorriraos e 89 neuma a de parodia. » ^ A lenda dos Doze Pares apparece na Chanson de Roland. e Radulphus Tortarius. morto na Lide do Porto. Viagem a JerusaReynaud de Montauhan. Rotlon. A primeira forma era litteraria. Dom Garfeiros. Já ficou notado o intuito Mal dizer. Rutlandus. as mais antigas gestas francezas- lém. 283. Don Turpin. Na descripção da Batalha do Salado. usada por Eghinard. epitaphio de 1245. Dom Garfos. Ni el cortês Olivero. João traz este mesmo nome conforme a corrente popular Baveca : e ora per Ronçasvales passou e tornou-s6 do Poio de Roldan. Roldão. e No em Rodrigo Sanches. ou como se vê na canPrevaleceu a corrente popu- ção de Guerau de Cabrera. p. Dona Alda. que são verdadeiras Cantilenas rudimentares que não chegaram a desenvolver-se em Gestas heróicas. que se acha abundantemente representada nos nossos Roman- ceiros. que D. Laudibus ex dignis. Hruod- Hand. fallar Dom Fernando que tam soífredo- -pares. Scriptores. personagens d'este . hist. na revolta a favor Dom Sancho vem ii. e fizeram-nos em par dos doze versos muitos rricos homeens que iam para lhes accorrerem disseram "fTel-rey que nunca viram cavalleiros nem ouviram em da Chanson de Roland. Affonso Lopes Baiam de- Gestas francezas a) d'aquella sirvente de nominou — Gesta.) cantilenas rudimentares — em Portugal. 1739..

linguagem dos seus classe popular e á cantos Giellas e Moçarabes (st. corte de Dom Diniz as gestas amorosas do cyclo da Tavola Redonda tiveram a como preferencia do gosto.* Já no século xv.: : : CANTAR DE ANTIGUO HIMAR 90 (EpOCa 1. (St. ainda o chroniata Azurara mostrava conhecimento da gesta carlingiana do Duque Jean Na de Lanson. Esse cantar era verso de cinco syllabas ou de arte menor tugueza apresenta um . porém todos os romances conhecidos pelas collecções existentes não são anteriores ao século XV. composto ou ensoado por Ayras Nunes / . a Litteratura por- typo único d'este género extincto. se vê pelos cantos heróicos confundiram-se com a tradição geral e já no século xiii formavam o corpo do Romanceiro peninsular. Qual seria pois a forma do romance primitivo. toria geral de — Na His- Hespanha. se E lê bien asy los reys godos Vuestros antecessores Deixaron por su testigo Rromances muy ben escriptos. tradições épicas do Romanceiro peninsular. e essas é que foram lidas. nomes dos fidalgos tomados de taes poemas os . ou pelo menos como elle se repetia entre o povo no século xiíi ? No poevas épicas populares dissolvendo-as ma da Batalha do Salado. E allude também á 147. de que se aproveitou Affonso o Sábio b) As como elementos históricos. quando predominava a corrente da erudiçSo humanista. 1293) Ayala allude a estes cantos he-l chamava Cantar de antiguo rimar. 953) Dixierou los escuderos Sabedes bien la araviaf Sodes bien verdaderos De O chanceller Pedro Lopes de roicos a que em torual-a en aljamia ? (st. Aífonso Sábio intercalou varias narrati- em prosa.

. da Vat. A > lenda de Santa Irene.. sobre o qual Homero. .) 91 DesQar eaviarom ora de Tudela filhos de Dom Fernando d'el-rey de Castella e disse el rey logo Dom : « Hide alá « por mi esta razon. ^ este género pertence esse outro canto heróico colligido no século da ^ era forma gallega No do Figueiral. é porque pertencem a esse fundo commum da tradição Occidental. xv no Cancioneiro do Conde de Marialva. a PorHespanha. facto já notado por Liebrecht e Wolf. e conserva o typo da redondilha É certo. figueiral figueiredo. . tugal. porém. desde o século xvi a XIX." 466. Seis nenhas encontrei. A . Desflade e mostrade quizerem per talho " do reino de Leon. como o provou Lang. elaborou os seus poemas. De facto nos poemas de Homero. na Itália. colligidos mais tarde. n. fllhem poren Navarra eu o reino de Leon. existe épicas um fundo commum como emquanto ao Occidente emquanto ás tradições ás tradições lyricas. existem 1 Canc. França e Grécia moderna menor. pertence a este fundo épico. ain- . Desde que existem cantos heróicos communs á Provença. que muitos romances ou aravias. que ainda apparece na ti'adição gal- lega. « si Vela. . A no figueiral entrei. ou a imaginação primitiva da Grécia. Itália e Grécia moderna. . se encontram similhantes na tradição andalusa e asturiana ou evidentemente castelhana. Século XII a as tradições épicas occidentaes xiv. usado antes do século xv. Seis nenhas encontrara.

. como a Sylvaninha. Os rex mouros. alguns dos quaes se encontram ainda entre os Chinezes e os Oguzes. um Este facto exphca a vinda de grande numero de jograes castelhanos e leonezes para a sua corte. * No Sattirday Revieic. cujas situa- Dom Pedro não condizem já cora o estado moral e sentimental da civilisação grecoromana. o que se heróico. As romance da Donzella que vae á guerra e a tradição chineza dos Avadanas ^. u^ p. Poesia popolare in Greda. p. 489. £61. teve sia palaciana. 1324. 1325 e 1326. 92 THE»L\S TRADICIONAES HOMÉRICOS (EpOCa 1. era eífectivat E mente mongolóide. c) Influencia da batalha do Salada. este o primeiro fundo tradicional era devem investigar as origens do Romanceiro ções. também nos vem revelar que a primi- relações entre o tiva população occidental. se sabe que ahi existiam quatro Canções d'este monarcha sob os nú- meros 1323. ainda subsis- na tradição occidental no romance da Bella Infanta. Cyclopes. tribu turco-tartara. transformação dos contro de Ulysses cora os em nheiros de Ulysses ceos. Dom uma AfFonso iv (1340) —O encontro os poetas castelhanos e leonezes acção caracteristica na nossa poe- também era poeta. e com porcos. encontro de Ulysses O EnCompa- os Phea- Eolo sSo themas aproveitados na elaboração homérica. dos Lydios e dos Iberos." cantos populares. 5. La . compostos pelo comtudo pelo Catalogo di Autori de Colocci. te ^ O Regresso de Ulisses. col. christãos. e embora se não acceite a tradição das suas poesias colligidas por Frei Bernardo de Brito.. . — 2 Qp^ qh^ t. e os louvores A que lhe endereçavam sa vida seja : muyta d'este rey de Portugal que cada ano m'ha por fruyta pêro que eu canto mal. nem os dois Sonetos a Lobeira. mentre viver lh'ajam medo que el ha muy bem as inaõos.e traduzido na Melusine. Sabatini. o Rico Franco. clássico Ferreira. e entre os índios doze séculos antes da nossa éra. com dos cavalleiros portuguezes na batalba do Salado.

hist. A decadência da poesia lyrica trobadoresca no reinado de Affonso IV. — * Ibid.-3 mas a Portugalice .. determinou a colleccionaçao dos diversos Cancioneiros que vieram a formar o Cancioneiro de Colocci e o apographo da Vaticana. a principal consequência d'este encontro dos trovadores de ambos os paizes foi o conhecimento dos Lais bretães e das da Tavola redonda.o 553. Sobretudo.» 707. e desenvolvida por el-rei moda Dom Diniz. Assim cantava Joham Jograr.. inspirou ainda alguns poetas. re- : Se mi justiça nom vai ^ ante rey justiceiro ir-m'ey ao de Portugal. Scriptores. 2 Por aqui se vê como a corte de Aífonso iv ainda sustentou a trazida de França por seu avô. n. vencida^á custa tados christãos 1 Man. Canc. se : • ^ canção de Joham Jograr. que não Dom Pedro esquece de citar a liberalidade do Conde E Uma mata ãl do Conde faiemos que he irmão tio d'el rey. n.Século elaboração da historia XII a xiv. A de uma liga passageira de es- espirito critico de próprias Gestas francezas batalha do Salado. dissidentes.. Foi um tal interesse que.) 93 dom Pedro que s'aventura a hu grand' usso matar et desi et sempre cura 8t o Infante seu filho. da Vaticana. acha-se compensada pela redacção das primeiras paginas históricas relatando o successo da batalha do Salado essas paginovellas . a AíFonso xi de Castella. e as ' Predominava o uma edade de prodissolviam-se em Novellas. nas conservaram-se accidentalmente entre as listas genealógicas do fragmento do Nobiliário que se encontrou junto ao Cancioiíeiro da Ajuda. morador em Leom. p. 190. d'el íey seu padre guardar. sa.

267. ' pôde descobrir no texto castelhano os portuguez. — ^ vestígios de um original o conhecimento sufíiciente dos processos um exame em Madrid em comparativo sobre o texto de Ya- 1863 por Janer. no seu Epitome e na Ásia portugueza. que lograram vêl-o. p. Hi- Trovadores galecio-portngtiezes. Não temos * phoneticos para fazer * Publicada badaneyra. e ainda Bluteau. — * — Consignámos Questões de Litteratura e Arte Portugueza. 143: ' Manual da este «O eminente fado nas philolo- go Dr. Tendo Dom um contemporâneo do Affonso iv ido em auxilio de seu genro Affonso xi. também.POEMA DA RATALIIA DO SALADO 94 (EpOCa i. hoje perdido. e reproduzida na Goli. Ro- Portugal. ^ e publicamos alguns paradigmas que fazem suppôr que um poema Depois d'este primeiro estudo. citava também um poema que celebrava a Batalha do Salado escripto por successo Affonso Giraldes. escripta por drigo Yanes . E por essas vagas referencias que podemos hoje caracterisar a sua forma poética. p. ^ em um em Granada em contemporâneo da Batalha do Salado. chegou também á conchisão de que esse celebre Poema conservava os vestígios de um original portuguez. o problema adquiriu uma nova importância. uma do Escurial conserva-se manuscripta Bibliotheca Crónica rimada. de mo- do que os seus poemas não passaram de Chronicas rimadas ou me- Na trificadas." forma narrativa subordinou-os a uma exposição dos factos. » . p. o de Rodrigo Yanes e o de Affonso Giraldes-. no exame linguistico do Poema de Alfonso Onceno. poema de Affonso Giraldes tem a sua rasão de ser. já no século xvii Faria e Sousa. citarara-no com auctoridade histórica. os dois Brandões. como fizeram Faria e Sousa. e até certo ponto as relações litterarias que evidentemente existem entre os dois poemas. é natural que os seus poetas palacianos assim como cantavam em bellas serranilhas a expedição marítima ao Salado. em 1875 Em 1871 indicámos estas relações. quando a philologia é traducção do outro. os nossos chronistas. que julgamos ser o Poema de AlTonso Giraldes sobre a Batalha do Salado. como fizera Yanes. que Diego Hurtado de Mendoza achara 1573. 60. Jules Cornu. pro- curassem cantar em uma Chronica rimada O aquella empreza. Historia da ÍJtteratxira portvgueza. e tendo revelado depois da batalha o mais extremado desinteresse cavalheiresco. Crónica en coplas relondillas de Alfonso Onceno.

acha-se na Monarchia lusitana. x. poema de Yanes. ^ em^ue os guerreiros antes de se lançarem aos mouros degolaram as mulheres e as 1 Part. a lenda do Abbade João de Monte-mór. que trata da batalha do Salado. — 3 liv. sem nos dizer d'onde a houve « Guarda a histo: ria porventura alguma parte. primeiro logar.: affonso giraldes Século XII a xiv. 45. t. das rimas de Affonso Giraldes. em 1562. 415. fidalgo portuguez. existem versos communs aos syllabicas. composto por Af: fonso Giraldes. por ultimo. A primeira referencia ao poema de Affonso Giraldes. no cam . que diz « Um romance tenho. entre ou- menção tras guerras antigas que se apontam. d'aquelle tempo. que o » ^ A passagem alludida por Brandão. fi- certos traduzindo-os ou restituindo-os á forma portugueza. de Frei António Brandão. Vimos uma — ^ }Ust. » ^ Teria Amador de Rios algum fragmento manuscripto ? Eis a estrophe do começo do poema. facto tanto mais importante quanto do poema de Af- fonso Giraldes apenas se conhecem hoje dez quadras versos errados na metrificação e na rima. apparece-nos exposta por Amador de los Rios. impressa por Francisco Fernandes em Córdova. p. ambos os poemas são em redondilhas octo- rimando o primeiro verso com o terceiro e o segundo com o quarto em segundo logar. se faz Abbade João teve com os mouros e seu capitão d'esta Almanzor. . ainda que não da extensão que de- sejáramos. gothico. é em prosa antiga castelhana. . como se infere do que diz Brandão Outros faliam de gram razão De E do Abbade Dom Que venceu A * Bisturis grarn sabeflor. mas retomamos para o resolvermos eraquanto aos dados da Em 95 o problema critica litteraria. em quarto pequeno Historia do Abbade João. rei João Almanzor. em o principio do qual. dois poemas.) nes e as formas do portuguez antigo. allusão a Bisturis explica-se como uma reminiscência bí- blica dos feitos heróicos de Eleazar nos desfiladeiros de Betzacha- rah. facilmente transformarei em verso de redondilha. que se los achou na memorável batalha do Salado. de la Litteratura espaiiola. cap. ni. IV.

Seu padre lhe deu estado Como ouvireis adiante. i da publicação da Monarchia lusitana.. Deu-lhe terras a mandar. Frei António Brandão. . diz : Rey nasceu Pois que este A E grana viço foy criado deshi . Rendas de muitos dinheiros. vi. Quinze annos cumpridos viveu padre des que o casou Deshi quando el morreu O Muito d'algo lhe deixou. que possuía o poema portuguez. ma como pintam os narradores catholicos. que escreveu do Salado. nol-as castelhano de Yanes faltam também No poe- as primeiras strophes. Ve 1 se pela data etc. De mui nobres cavalleiros . santo. Seu padre o criou. relatando as acções rei. como creeeo Sempre foi bem ensiaado. e se achou na batalha sobre- de Castella Aífonso xi. é uma tradição gauleza. p. E muitos portos de mar. t. dita com assim el-rei em que que era então já Dom AfFonso iv: portuguezas a batalha succedeu. que nEo foram tão desesperadas. no próprio anno d'este infante. E des que foy de entendimenlo ^ De vinte annos lhe justou Um muy rico casamento. 106. Brites (Britiz) Dom Sancho. que o Monarchia lusitana. seu genro e sobrinho. que re- vivesceu nas luctas da reconquista christã. Seu padre rey Foi justiçoso e El o casou Dom muy com D. FRAGMENTOS DO POEMA DO SALADO 96 filhas. Filha do nobre rey Diniz. tran* uma passagem screve allusiva ao casamento de em rimas «AíFonso Giraldes. E despois que foy casado Com aquella nobre Infante. como se em vê (EpOCa 1/ Belloguet.

: . ^ strophe 1326. Que os pudessem conhecer.) poema ainda ». no Vocabulário da Língua portugue- «Como (1712) exemplifica a palavra Almexia: za. 13.. relação com a crónica em redondillas em existia 97 1751. do poema de Yanes. 1 Ibid. dra: Todos yvan muy sin medo. xvi. uma vem transcripta mais quadra. mas na continuação da Monarchia lusitana por Frei Francisco Brandão. Ainda assim poderia parecer que esta similhança de versos fosse um effeito de casualidade. Transcreveremos o resto das es- trophes conhecidas .. Para couplir su perdon. Castilla mas valer Todas estas cortezias El buen rey hizo fazer. Bluteau. liv. Entrava aos mouros sem medo^ Gomo Na fidalgo leal. acção pró- pria d'este reyno. com os versos que se se- : E E E fez bem aos criados seus grão honra aos privados fez a todos os judeus. E com aqui que nos apparecem as relações do poema portuguez a Crónica en redondillas de Rodrigo Yanes. cap. cantou Affonso Giraldes esta distincção nas ri- mas que guem fez da Batalha do Salado. que diz Gonçalo Gomes de Azevedo Alferes dei Rey de Portugal. lê-se esta mesma qua- . Na strophe 335. Todas estas cortezias Este Rey mandou fazer. diz o poeta castelhano E Por dióles grandes franquias. Parte v.: Século XII a xiv. Trazer signaes divisados E os Mouros almexias.

1020.) .' Gomes de Azevedo su pendon. non lo buscastes por bos cobrará corona. e avede pas. 1825). La reyna vuestra fija Vos demanda que le dedes La vuestra muy real frota A Vos A E gela embiedes. de forma métrica. Ponho a Deus em (est. (est. Este dragão de Marrocos. cá é direito. E pois E E A cima me bien comensastes La sima sea muy buena agora. em que se vê a simi- laridade de estylo. entramos en tomeo Se entramos em tomeo Plasc-me. Em : senhor. Si pois mui bem começastes seja mui boa. segundo a affirmação do professor Jules Cornu. seja juiz 1408. Depois J'este3 dados que apresentamos. de Aífonso Gi- raldes ? A parte as comprovações linguisticas. Estancias castelhanas Versão portugueza Non ayades que temer Não Estes moros que son pocoSj Estes mouros que son poucoSy ajades que temer Con vusco cuido vencer Comvosco cuido vencer Este dragou de Marruecos.) Bos. que acha vestigios de um original portu- guez sob as formas d'esse antigo castelhano. Nom vos temades de nada. Pongo Dios en el comedio Que sea juez dei fecho. (est. vamos evidenciar a existência do nosso original nas rimas da Crónica en redondillas.: m : RIMAS PORTUGUEZAS EM YANES E Gonçalo Levava el ÍEpnra i. ca es derecho. Vós bom rey nom o buscastes E por vós cobrarei coroa. Praz-me. Dormido IS'on si Que 1491. vos temades de nady. (est. rainha vossa filha Vos demanda que vossa real lhe dedes flotilha que vós lhe a enviedes. buen rey.) buestra tienda folgade. Dixe bos pias do o meo feito. se vos praz vossa tenda folgada Dorraide e avede paz. de versos e até de strophes. suscita-se o seguinte uma problema : Será o poema de Rodrigo Yanes traducç3o do poema da Batalha do Salado. Dixo En : la sennor.

moroso em acudir a seu genro. (est. que se mani- festaram no lyrismo. e o Porco selvagem. loOO. O bom rei quando o vira Alegro Alegrou-se o coraçom. §. que de- clara ser Dom AíFonso iv. O lyrismo não só pela sua enérgica virilidade. e se falia em Lanzarote do Lago. como por a ser a poesia o instrumento que os bastardos seus irmãos captavam as graças de el-rei com Dom . valon (Ilha de Avalon) . apparecendo no século xvi nas re- dondilhas propheticas de Bandarra. (est.) Con su hueste e su pendon. symbolisando o poder dos Mouros vencidos no Salado. mostra-nos que esta tradição. 99 e amanheceu. provençal devia ser odioso a Dom Afi^onso iv. 2231. E a luz esclareceu. la lus esclareeió. m Influencia armoricana. existia em Portugal.SeCuIo XII A XIV. El buen rey quando lo biera Achou-o em Algesira Com sua hoste e pendom. A alva logo saiu. poema de Rodrigo Yanes. El alva luego E TRADIÇÕES BRETÃS EM PORTUGAL o Saturno cumpriu Seu curso salió. ou gallo-bretã As ficções bretãs entraram em Portugal n'esse periodo de syn- cretismo em que as Gestas se convertiam em Chronicas históricas é por isso que no Nobiliário do conde Dom Pedro vem a . O poema pto sob o influxo das tradições bretãs em narrativo foi escri- Portugal.) E el E Saturno complió Su curso e amanesció. revelando O um original que o metrificador não pôde traduzir cabalmente. derivada das prophecias de Merlim.) Evidentemente as rimas castelhanas são imperfeitas. genealogia do rei Arthur segundo os poemas da Tavola Redonda. alludindo ao Leão dormente. nos contos e nas novellas. em Galvan (Gauvain) na IslaRoman de Brut descreve as seguindo o aventuras trágicas do Rei Leyr (Lear) e de Merlim. Fallóla sobre a Algesira el coraçon.

Libre de Ibid. Em Hespanha o gosto bretão era essencialmente musical.. e ficaram lyrismo bretão tinha o na poética mesmo cara- apontámos na determinação das origens po- pulares dos cantos provençaes . I. entre nós pre- valeceu a forma narrativa dos poemas de aventuras. a sa lidice pouco Ihi durou. á temperadura ai Em de Breton. Os Lays a) bretãos. n. . Uma canção de Fernão Rodrigues Redondo allude ao gosto da nova forma poética Muy : ledo seend'u cantara seus lays.. Hespanha foram imitados O do século XVI os Virelays.o 170.° 1147. na novella do Amadis. como se vê pela canção de Guerau de Cabrera: Non sabes finir mien albir. que facil- mente degenerou na ampliação das novellas em prosa e no syncretismo histórico. mostra-nos que a litteratura não tenderia sob a sua influencia para as allegoiúas senDiniz. cter tradicional que ^ os lays.YS E VISELAYS (EpOCa 1. — ^ » Canc.. ^ Pêro da Ponte. n. apesar de uma ex- pedição tão rápida como a de Bertrand du Guesclin á península. los Ihi quer mal. 08 lays bretãos facilmente se attribuir-se á sua acção o propagaram e até certo ponto pode novo esplendor da poesia castelhana e a renascença do lyrismo na Galliza. — A influencia rápida do lyrismo bretSo em exerceu-se diversamente Portugal e Castella . Dom também favoreceram o desuso do lyrismo na vida palaciana. é por isso que.100 LA.* A anecdota da emenda mandada fazer no episodio dos amores de Briolanja. faz sentir co- mo elle era imperfeito em o novo género: des qu'el despagado vai em que Ihi troba tan mal e tan lay porque o outro sempre 1 — 3 Pelay Briz. da Vat. 23.. chasqueando de Sueyro Eanes. p. Por outro lado as questões continuas Pedro com seu filho por causa dos amores com D. timentaes. Ignez de Castro. Poetas.

clo esses amantes — Na corte de Dom Diniz poemas de aventuras amorosas do cy- O próprio monarcha tomava como typos fieis: Qual mayor poss' e mays encoberto que eu poss' e sey de Branchafrol. em que as don- pagavam ao primeiro trovador da corte o munera nupticarum. 85 a 97. espera comtudo receber d'ella guarvaya.) I b) eram Os Contos e Novellas bretãs. p. e non seguides outros milhares senon aquestes de Cornoalha. (Canç. novellas bretãs Século XII a xiv. os de Tristan o namorado^ Elis o haqo. — 3 Leges Wallice. todos os vossos cantares. cujas rubricas indicam os the- mas mais conhecidos na forma de Novellas e de Ti'istan jpor Genebra. e bem vos semelha d'aver eu por vós guarvaya.. n. p. nP 305. .) No Cancioneiro Colocci-Brancuti 101 primeiras as composições são cinco lays sobre lendas bretãs. — ^ nas Questões de Trovas e Cantares. ^ Esta palavra é explicável pelo costume bretão. mays esto seguides bem sem e non vi trobador per tantos falha. logares. ou « de não ser attendido da dama. e outrosi ar filhara a mi son. esses lays são o de Quatro donzellas. por causa do seu casamento com outro.o 1007. já bastante lidos os da Tavola Redonda. » ^ O trovador queixando-se zellas recem-casadas Tcyvarus. já que filham sempre d'hun a razon. Ainda em uma canção de Gonçalo Eanes do Vinhal ha uma referencia positiva aos cantares bretães: Maestre. o das ^ No Cancioneiro da Dom Pay Ajuda vem este : vos de filha Moniz. 779 e 861. fragmento de canção E . 1 Tanto estes lays como a sua critica ficam tratados Litteratura e Arte portiigueza.

930. do-a nos seus traços capitães. (Canç. lendas d'e3ta mesma ori- natu- reza servem de fundamento heráldico ás Casas de Lusignan.. hu dará vozes fazendo sa fim. (Canç. tra lenda da gem lit- da Chronica bretã de GeoíFroy de Montmouth. estas lendas vulgarisam-se como o ultimo lampejo da vida soberana dos gran- 1 PorU Mon. Bassompierre." CYCLO DA TAVOLA REDONDA que Ihi non ouve Flores qual vos eu ey . que mi e vós sempre ouvémos.) Qual mayor poss' e o muy namorado Trístã.o 358. 1. nunca Ihi cima fezemos cora' a Branchafrol e Flores. pela inscripção em um cadastro genealógico. n.. traz reduzida a prosa a lenda do Rei Lear .) Na Canção de Guerau de Cabrera. e Argenger. de mo Dom Pedro ao preceder o seu Nobiliário com também um o con- breve resu- de historia universal. . e pêro são certo. ^ apesar de encontrarmos na tradição popular está lenda. (Canç. — " Ibidem. de Croy. referindo-se á tempradura de bretão.o lio. de Salin.. p.. temos para nós que o linhagista a recebeu por communicação teraria. 258. cita-se entre outras novellas a de Loer. Submettida a nobreza á lei real.. grande privado de também se refere á lenda dos a tal Dom AíFonso iii. sey bem. resumin- Dama No pé de cabra ^ Nobiliário encontra-se essa ou- com que se fundamenta a maravilhosa da Casa de Haro.: 102 (EpOC. que non amou Iseu. tal amor. p. n. amores e morte de Merlim morte de qual morreu Marlim. Scriptores.) E Estevam da Guarda. hist. Joiíam de Guylhade também emprega as mesmas allusões: Os grandes vossos amores. 238.

pertence a novel- Herberay des francez.o thema do amadiz de gaula Século xu a xiv.) des A Dama vassallos. is- na parte d'esta Bibliotheca formada com a que a celebre rainha Christina tinha ajuntado. 03 nossos mais celebres e antigos poemas. vi) dá-se o Dama pê de ca- Natural de Historia nome de Pardalis. é hoje nas crenças da Finisterra 103 magico das ser tra- que este é o coouro de dia. em muitos poemas da Edade 1810 publicou-se uma versão poética Ibid. p. a novella do Amxi. em grego. — 2 Traduction libre à:Amadis. e na qual estão comprehendidos to é. » * Outros poemas me- dievaes foram achados sobre o thema do Amadiz. 180. e pela corrente árabe vieram lendas para o Nobiliário. independente de todo o intuito nacio- nal. intitu- 1. vulgarisadas pelas litteraturas novo-latinas. tonstitue o estado das ficções portuguezas no dispensáveis para se reduzir a uma traordinário producto da corte de século xiv. que ainda os dansam ao luar. e vários exemplos que não sahiram Todos estes factos dispersos. No secula passado o conde de Tressan crevia. por onde se re- de Aristóteles. n'este mesmo conto da Na bra figura o cavallo magico Pardallo. já se syncretisam os conhecimentos da erudição humanista. c) — De as Gestas todas francezas. vi. Courils ou Gories. ^ as Haposias. e as palavras de Essarts.. Juntos das lendas bretãs. bretãs dições Biscaia. » « : Quer jpé em dizem hoje e como é dizer. 1 Em da fidelidade. são in- consequência natural esse ex- Dom Diniz. dizendo que existia lingua picarda. pareceram por muito tempo gratui- sem fundamento.. diz de Gaula. For^nação do Amadiz de Gaula. Foram os Árabes que revelaram á Europa as obras também algumas como a de Gaya. xxu. e numerosas referencias a este heroe media. . cap. 1. Contos do Kalila da transmissão e oral. na sua abreviação do Amadiz : « es- Estou intimamente con- vencido de ter visto estes manuscriptos (que se julgam ser picardos) escriptos em antigo romance na Bibliotheca do Vaticano. p. á panthera. um de cabra. Aristóteles (liv. dos Dimna. Ignorou-se por muitos annos a existência do poema francez anterior á redacção portugueza . attingiu a universalidade do la ao cyclo Amadiz de aventuras. traductor da novella para um poema em tas e nenhuma de Gaula. ingleza..

cita o Ydoyne et Amadas no romance inglez de Emare. Hist. Mem. No Cancioneiro Colocci Brancuti. E « fist Didum par Eneas. de 1779. Puis fait son tour parmi Bretaigne. 161. Que á'Angleterre jusqu'à Rume. — ^ jVo li- : with redynge of romance Of Idoyne and Amadas. então se verifi- cará o fundamento da existência de lingua picarda. Qu'il n'a jusqu'as renommée De lui par tout le mont alée. 27. ainda briu-se depois o mentos para a Leclerc avançou critica. ui. João I. t. Que • Ed. Descopoema de Amadas et Ydoine. em allude-se á im- aventuras tinham na Europa.*'* 230 e 232.* com o laconismo da cantilena. ra Tout droitement par Alemaigne. haut renommée. ha outra referencia * e no poema francez Donat des Aviants. reformador da poesia neerlandeza. . — ' J. Espandue De lui la par Bourgoigne. o nome de justificar a prioridade da redacção por- Ydoine. Depois d'e8tes ele- lada Sir Amadace. p. vol. . Legrand. na Confeasio amantis.104 VULGARISAÇÃO DA NOVELLA (EpOCa 1. Dont grans est la Jonckbloet. ^ . Compete-nos portanto tugueza . 8. TJtteratura neerlandeza. VI. ta já o ^. Is fed In that on korner * mad was Idoyne and Amadas. Soares da Silva. sob os n. t. ^ . . » : em que Amadas ou Amada- em 1291. est já pors á^Espagne. ci- Gower. Idana de Castro ' e no Nobiliário já na forma de Ouroana. ^ Por todos estes factos se demonstra á evidencia que o thema da Novella não é portuguez. da 2 vro VI si etc. ambos modelos de ce são No poema mensa vulgarisação que As referencias « quando as suas nos outros uma francez do com- versão manuscripta Amadas. "Victor parar o poema francez com o inglez. de D. o Amadiz é citado como o prototypo da fidelidade ^ no fabliau de Gautier d'Aupais apparece ainda uma referencia. Ydoine par Amadas. i. apparece -nos na sua forma mais pu- em D. p. e morto Amadis se fidelidade e de bravura. poemas medievaes são importantes Maerlant.

cap. o tornei de João Lobeira. ^ e que o próprio Montalbo muitas vezes não comprehendeu.ey Dom Diniz. Pêro Ferrus. » ^ Em Hespanha a vulgarisação do Amadis só começa do fim do século xiv para o século XV. No chanceller século xiv a Hespa- nha estava occupada na elaboração do seu vasto Romanceiro. Ayala. Ferrant Manoel e Villasandino. com o se- guinte tomei Leonoreta sin roseta bella sobre toda flôr^ sin roseta en Na tal redacção hespanhola de Amadiz.: joão lobeira Século XII a xiv). Este texto acha-se definido por Miguel Leite Ferreira. cujo original anda na Casa de Aveiro. de Bernardo dei Carpio . estávamos n'esse estado de syncretismo em que tudo se assi- mila e confunde. 98 a 127. 1598. 11 . dos Poemas lusitanos. António Ferreira. dos Sete Infantes de Lara. te de em que Dom um tinha collaborado o trovador João Lobeira. Depois d'esses dois factos cathegoricos. As condições do pirito nacional portuguez eram outras es- ainda sem tradições históri- . Micer Imperial. de . — » Ed. p. cas. as Gestas francezas pouco penetraram em Hespanha. ficou mesma canção no esta nom me meta culta vosso amor. diz « na linguagem que se costumava n'este reino mesma em que foi em tempo d'el-E. d'onde se conclue que a versão de Garci Ordoftes de Montalbo. que idealisava então os seus heroes nacionaes. e citam-no os trovadores Fray Miguel. conservado inconscientemente por Montalbo na em linguagem do tempo de traducção castelhana. de 1492. proveiu de texto. o qual fallando em linguagem de uns sonetos antiga escri- ptos por seu pae o Dr. livro ii. que he a composta a historia de Amadiz de Gaula por Vasco de Lobeira. natural da cidade do Porto. a única que existe. e o manuscripto 1 Este problema acha-se minuciosamente discutido nas Questões de Lit- teratura e Arte poríugueza. da cor- Diniz. apparece-nos uma canção 105 assignada por João Lobeira. e toda a actividade poética era dispendida em dar forma ás tradições nacionaes do Cid.

é de Lo- na Chronica do Pedro de Menezes. que começou a reinar n'esta ultima data com o nome de fonso IV. em tempo hum homem que d'el-rei Dom cousas do dito Livro fingidas do auctor. e d'' Amadiz. onde figura a fada Urganda la desconocida.° Até 1406 que ainda estava só em eram conhecidos os três livros de Amadiz. João Lobeira e Vasco de Lo- beira. reprovando Montalbo como é que o iria desenvolver quarto livro.*' um o tal . como quer que conservada inédita até 1792: «o Livro a prazer de soomente fosse feito co de Lobeira. infere-se da allusão ao Infante Dom Ordoôez conservou gla marginal do manuscripto. nome de Vasco como auctor do Amadiz de Gaula.'^ da redacção portu- todos anteriores á data da versão e : essa redacção portugueza foi escripta entre 1325. ainda nas mais arriscadas aventuras. no Tirant il Blanch. que figura na cavalleiros depois se lista em Vê-se por dos armados 1385. que Vasco de Lobeira. em um 4. diz que Dom Pedro reminiscência o que prova a in- Pedro Lobeira retocara a pedido do Infante Amadiz de Gaula. usadas na península pela primeira vez na batalha de Aljubarrota em 1385. continuação. nos versos 5.* Duque de Aveiro.PROVAS A FAYOH DO TEXTO PORTUGUEZ lOG Dom dam castelhana de 1492 Que 1. (EpOCa Dom inconscientemente esta preciosa No Amadis também não se Afsi- empre- de fogo. retocou a Ora.) da batalha de Aljubarrota Novella. introduzindo o quarto livro. 2. 1. o Amadiz apparece-nos muito conhecido. Antes do conhecimento do texto castelhano de 1492.° A primeira vez que se encontra o beira citado Conde Dom Dom Fernando. como se infere das referencias O nome dos trovadores castelhanos acima citados. de 1460. promettido logo no principio da novella? Uma tradição. abun- Diniz. que se guardava na Casa do os argumentos para provar a prioridade gueza do Amadiz de Gaula. o episodio dos amores de Briolanja. 60. por isso que o chronista Azu- rara colloca Vasco de Lobeira no tempo de 3. conservada por Jorge Cardoso. gam armas 1297 e Affonso de Portugal. tervenção de dois É esta escriptores. escripta por Azurara em 1454.** . este facto. sendo todalas . chamou Vas- Fernando.» (cap. de João Lobei- ra é o signatário d'e3tes três livros.

§. vinha apontado o Amadiz de Gaula em -portuNa Relação d'esta Livraria dada pelo conde da Ericeira em guez. e raros são que não clamaram contra a sua leitura a corrente do século XV especialmente erudita. de 18 de março de 1686. dizia do Ainadiz vada de todos os galantes. de 1483 . Temos ainda esperança de se encontrar o original primitivo.'' Em 1557 colligiu o mas Luzitanos. Escrivão da Camará de 6." No Catalogo da livraria do conde de Vimieiro. se guardava como preciosidade na Casa de Aveiro. A influencia do Amadiz foi immensa na Europa. vindo a tornar-se exclueiva no século dos quinhentistas. 8. cuja linguagem seu pae imitara. : « mas como nossas mãos. Portugal no século xiv. Era 1549. Esta corrente humanista começa em os moralistas . onde Dr. diz que a novella já alli se não achava. os Castelhanos lhe ram a obra a e Mi- obra mui subtil e graciosa e apro" seccam em estas cousas se mudaram a linguagem e attribui- Este manuscripto pode vêr-se na Bibliotheca si. que preponderou manifesta-se na constituição das em toda a nacionalidades modernas no pensamento da unidade romana do Occidente pela acção dos Papas (minor Deo. 7. A O IV cultura latino-ecciesiaslica e humanista conflicto Edade media.° nho. » nacional de Lisboa. João de Barros. António Ferreira os seus Poe- incluiu os dois Sonetos celebrando os amores de Briolanja . . 32. etc.) de Dom Alonso de Cartagena da corte de Dom João ii. apesar do incêndio de muitas livrarias por occasião do terramoto de 1755. major homiiie) ou pela auctoridado . das Antiguidades de Entre Douro no III. dos dous Poderes.começo do hujianismo Século XII a xiv. o Dr. á Academia de Historia. nos versos de Cuidar e Suspirar. 1726. Dom 107 João fl. Ms. e em linguagem em 1598 antiga seu filho affirmava que o Manuscrito da Novella. e a renascença greco-romana desprezavam a Edade media.

SIGNIFICAÇÃO DE LATINO E ROMANO 108 (EpOCa 1. a cultura latina se impuzesse já pelos eruditos ecclesiasticos.* Cada um d'estes poderes. que o romance signi- isso Não admira pois que no pe- ríodo eiq que as novas nacionalidades occidentaes se constituíram. apoiava-se no perstigio do passado. e o nome de romano veiu politicamente contrapôr-se ao de bárbaro. impunha á theocracia antagonismo entre estas duas classes era in- vê pela inscripção da egreja de Sam Marti- se nho de Worms. já pelos humanistas. p. estudada escripta dos jurisconsultos lei nas Universidades. É por ficava a lingua e os cantos vulgares. se. Tunc primo laicua et flt daemon ad t. letra era árabe e a palavra latina. . intelligente. dizendo que é mais mar ou fácil seccar-se o diabo para o céo. i. astra levatur. A letra tradição greco-romana tendia a renovar- desde que a classe clerical queria estabelecer a sua preponde- rância pelo saber. d'onde ainda a nossa expressão vulgar ladino. de que entenderem-se como amigos. como o Waltharius. Pelo seu os lado a auctoridade real mantinha todas as fórmulas do direito ro- mano. adquirido nas escholas ecclesiasticas que a auctoridade pela letra ou civil se O como conciliável. 243 : . que merece «uma attenção especial é a mistura das tradições clássicas ou greco-romanas ças da Europa constituídas em com as tradições heróicas das ra- nações. clero fldus amico. os Goliar- verso latino os cantos populares ou os sentimen- Comparetti. Cum maré sicatur. e os poetas dos Imperadores. dava-se com o latim o mesmo que com res ou poetas intermediários ao dos punham em 1 Vem em em que os escriptos aljamiados. de Roma. Havia uma a classe de escripto- povo e aos eruditos . aslatinas eram estudadas nos claustros. no dos os elementos uma mesma que Roma momento em que to- submettera se acharam possuindo unidade de cultura. cer a tradição sim as lettras poemas didácticos da decadência ou com- christãos imitavam punham sobre os mysterios da egreja centdes virgilianos. Virgílio nel MecUo Evo. e desde e ao feudalismo. ^ A ir o pala- vra latino tornou-se synonymo de instruído. Ha poemas essencialmen- te germânicos com formas latinas. e fundamentava o exclusivo poder monarchico com a dos Codiííos imperiaes. procurando restabelede Roma.

e de Thehas como se edificou. ou bretão.. o carUngiano. inclue o elemento romano : Ne sont que trois matères à nul homme entendant. em o"ganismos nacionaes independentes tinham todas as condi- darem relevo á sua feição ethnica.. de Bretagne et de Rome la grand. . Jean Bodel. como passou sósinho o gão. em que os versos se latinos alternavam com os novos dialectos românicos. outro . Era natural es- phenomeno apparentemente extraordinário diversas raças. Outro cantava de Jason e do Dra- somno outro canta de Hercules e de sua como Philis attenta contra si por amor de Demophonte. de Etidiocles. como . e o greco- romano que chegou a syncretisar-se com as nossas origens histó- ricas. Celtas. Flamenca vem uma lista das Gestas eruditas que constituiam este cyclo. foram conhecidos em Portu- ou franko. .) tos do proletariado.. — 1. como Ligurios... outro canta de Ulysses. Um diz de Plutão. e quando desenvolvendo-se te . Ero canta de Priamo. o arthuriano. outro de «Um e de Leandro. bella Hellena. sob o domínio de Roma. Iberos. que não conhecia força. outro de Hei- ficou por elle triste e desolada dre.° No Eoman de O cyclo dos poemas greco-romanos. Um Um diz de ella Lavinia. De France. Illyrios. outro cantava de ApoHonice. como roubou a Orpheo a sua bella esposa.o cyclo greco-romano Século XII a xiv. Um canta de Júlio César. Todos estes três cyclos poéticos gal. Um diz como o bello Narciso se afogou na fonte onde elle se mirava. de Tideu. acharam-se instinctivamente solidarias com a cultura greco-romana e continuadoras d'ella. cujos assumptos correspondem ainda a muitos manuscriptos existentes: outro de Piramo. 109 reduziam a métrica latina á accentuação e rima do vulgo.. de canta do rei Alexan- Cadmo e sua fuga. outro da procura e depois a trouxe tor e de Achilles. abraçaram a lingua e cultura romana. Enumerando as tradições poéticas dominantes da Edações para de média. e faziam cantos farsis. que os jograes cantavam. na Chanson des Soissons. como Paris foi á sua Outro cantava de Eneas e de Dido.

p. que forom muy rrey Priamo ouue cin- boons cavalleiros. Constantino Manasses. que tinham Paris foy á Greçia. ra se defi'emder de seus emiigos. do ouro que era. E çercoua outra vez darredor de boom muro e fezea á mais forte que pode pê- foy no destroimento da cidade. hum ouve nome Eytor. E emtom avia . : « O primeyro rrey que pobrou a Troya ouue e per esto as gentes da terra forom chamados dardanides. João e Isac Tzetzes. e pobroua outra vez. e o Terceiro Troillos. e era ido E quando tornou achou seu padre morto e a cidade destroida. e outro Paris. rrey Ilius ouue o castello nome Ylom. e o quarto Deifebus. é portanto explicável encontrar-se com que como pela tradição escholar veiu esta corrente a O a popular occidental. colhença que fez a Jasom neto de Peltus. Benoit de Sainte More. E por esta rrazom quando se tornou Jasom. Isac Prophyrogeneta. as relações poéticas históricos. no século xiii. e matou rrey Leomedon.no A LENDA TROYANA EM PORTUGAL mar. 6. e cercoua e tomoua. por Macelas no século ix. no século x. Joly. quando sayo das ci- dades dos caldeus. E veerom com grande oste sobre a Troya. E consselhousse rrey Priamo com seus filhos e seus amigos. U i. e non sa filha que avia de destroyda. quando vençeo Tarsom. levoua cativa e foy a cidaLeomedom avia huum filho que avia nocom grande hoste sobre seus emiigos. » (EpOCa 1. quo filhos — Este de ssa mulher. rrogou seus amigos e parentes. sem implorar nosso As ^ do.* Senhor. por Suidas no século xi. e de saa irmãa de Leomedom e de Esiona. e levou xii naaos e duzentos caval- grandes gentes de pee e asy veo a Greçia. Ap. e tomou huma nome Esiona. Esto foy no tempo d'Abraham. pedantismo escholar fez da ruina de Troya se tornassem factos Tal é o caracter com que apparecem no Nobiliário do Dom conde com Pedro nome Dardanus. porque não conhecia o me- tradições troyanas eram conhecidas no século por iii JEliano. Depois de Dardanus ouue hi outro rrey que ouve nome Ylyus: aquelie fez o castello de Troya. E depois do rreynou Leomedon. leiros e ^ matarom feito os rreys. e enviou Paris seu filho á Greçia por clamar o torto que lhe aviam seu padre que lhe E cativa. Este rrey me Priamo.. na Ilha de Calcus. e o quinto Elenus. por Constantino Prophyrogeneta. Este Leomedon.. per a maa E per este rrey Ilius.

Roma. ricomem. E filhou a rainha Elena e le- ra. e a cidade foy destroyda. honde ora he Eneas lhe avia dado. hi molher a filha dei — Avia nome Eneas e avia per rrey Priamo. ii. soube de pesar que ouve matousse com — E depois que huuma espada que Eneas aportou em Itália. que era a mais fremosa dona de toda a terquebramtou todo o templo e destroyu toda a gente que hi era e cativou os que quiserem.) peruemtuira que era hi ajuntada toda a gente da terra a huuma que hi faziam. delia a furto. e mesmo porque Dom Duarte era casado com princeza de Aragão. Os eruditos do século xiv explicavam a antiguidade clássi- um castel- ca identificando-a -com a sociedade feudal : Troya era lo. 236. » ^ Por estes trechos do Nobiliário vê-se que tínhamos já no século XIV conhecimento da Eneida de Virgilio. E muy bem rreçebeo e amouo muito e deulhe seu corpo der e foy senhor de ssa terra. de treiçom que hi ouve feita. E a cabo de assy gram dez annos foy presa a cidade per gano. Este Eneas escapou do E ouue trezentos cavalleiros e destroimento da cidade de Troya. e per gramde e en- todos os que ouve na cida- de forom mortos. e veerom sobre Troya e teveroma ouve hi grandes fazendas e mortas grancomo falia na ssa estoria. um hist.. E era hi Elena a molher de rrej Menelaos festa irmãa de Gamenon. te Na guardava-se este poema com o Bibliotheca do rei D. Paris E voua aa Troya para ssa molher. assy ella o que ella E nom era po- a cabo de tempo partiosse Eneas o soube e leixoua. todas as gentes E cercada dez annos. Scriptores.. fase. Ao uma elaborarem os docu- .. é crivei que fosse a traducção catalan de Jachme Coresa feita uma em 1367. E arte. Eneas era 1 Mon. E avia hi huuma rainha que avia nome Dido.Século IH a antiguidade assimilhada ao feudalismo XII a xiv. noue naaos e meteosse no mar e trabalhou hi muito tanto que chegou a Cartago. Helena era fremosa dona. e queimada. Duar- titulo Historia de Troya por aragoez. que avia nome Aquilea. E pren- huum ricomem em a cidade que avia deu esta molher em a prisom da cidade. as lendas da origem de Troya e dos seus desastres são tomadas do Roman de Troye de Benoit de Sainte More. 03 filhos do Priamo foram hoons cavalleiros. p. cavallarias des per esta rrazom moueromsse das terras.

Qne Cá na Europa Lisboa ingente funda. O Abbade mosteiro de Santa ^ Sainte canto Ap.* mentos históricos das novas nacionalidades. 12. . o40. i. conduziram a es- Monarchia universal. p. sa outra ficção politica da deza que Roma e da futura gran- edificara sobre a lenda troyana (Eneida. iii. especialmente : Ulysses é o que fez a santa casa Á deusa que lhe dá língua facunda.. . Joly. 36. Carta de Eduardo iii nohilissimo » ^ Em uma ao papa. — ^ cap. se là na Ásia Troya insigne abrasa. i. Méril. t. con. cit. na Historia de Hespanha. As traducções latinas : Livraria d' Alcobaça. 97) Europa moderna acceitaram impresmesmos elementos poéticos. Ulysses veiu á peninsula ^ e Frei Bernardo de Brito adopta as ficções do dominicano Anio de Viterbo. liv. em 1086 em Coimbra. Paul Warnefried consideravam na.. S. de Du More. e et em um documento os Frankos de origem troya- de Dagoberto se diz « : Ex antiquo Trojanorum riliquiarum sanguine nati. * Os estudos humanistas da Renascença determinando a negação da Edade media e das tradições nacionaes. que consideraas lendas troyanas. est. mostrando a superioridade da In- glaterra sobre a Escossia.. VIII. tradição erudita que inspirou os nossos Camões poetas quinhentistas. buscavam em Troya para a França. Poésies popiilaires latines. — Junto das Collegiadas existiram Escholas destinadas ao ensino ecclesiastico eram regidas pelo Cabiscol (caput Mouzinhos ou Mozinhos. va como de origem troyana todas as nacionalidades. confundem-se as origens scandinavas Segundo Marianna. (os scholse) e frequentavam-na os Mocinhos) para os quaes o bispo D. junto Alcobaça fundara em 1269 no Paterno fundou á sé ura Collegio. 112 o SYNCRETISMO HISTÓRICO (EpOCa 1. Veneza dava-se como povoado bairro de Edda e até no com pelos foragidos de ^ Um Troya de Snorre. allega as suas origens troyanas. Benoit de — * Lusíadas. p. os chronistas Fredegario. Rori- as suas origens. — 3 Op. e que os outros estados da sionados pelos 2.

) os estudos ra os monges de hospital 413 da Grammatica. alli se guardava sob n. 3. Ribeiro." 244 existe o códice com o rias scolasticas e segundo outros que as abreviarom. Vida ds Santo Alexo Confessor.Século Maria traducgôes em portuguez XII a xiv.. A ^ um fim eccle- clérigo deixou de ser chegaram a ser Pedro Affonso bispos bispo do Porto. ^ Virgeu de Consolação. Vida de Tarsis. os Dez mandamentos. Lógica. » vez de O et Dom sine aliqua malicia. theologia e câ- Porém a nones. plus. No como para todos Sam Paulo. nacional e Bí- traducções na lin- Frei Fortunato de Sam Boaven- tura publicou apenas a traducção dos Autos dos Apóstolos. et quod est fundação e desenvolvimento da Universidade de Lis- boa. Vida de hua muy santa Moja. Domingos Jardo admitte ao estudo seis escholares de latim. 45. O em que desconheci- os progressos da língua vul- gar. Dom João Gomes. os Dez mandamentos da ley de Moysés despostos phat.o vol. é riquíssima de gua portugueza do século xiv. J. o bispo D. e era preciso fazer traducções para a língua portugueza pa- ra os clérigos minguados de sciencia.** 37 a traducção dos Diálogos de Sam Gregório. Theologia. Coimbra. parte se guarda no Archivo bliotheca publica de Lisboa. não S(5 paos que quizessem frequentai -os. Reflex. e de folhas 90 a 104 a celebre lenda da Vi- são de Tundal. e os estudos siastico faziam-se homem o único com um fim humanista. segundo o meestre das histo- com dezeSegundo o Catalogo da Bíbliotheca de Alcobaça. i. do reinado de Diniz o seguinte: erat bónus homo. — portuguezps do século XIV. p. P. t. sed ju- immo nec gramaticalis. corrente dominante attrahia os espíritos para as em Escholas geraes ou leigas. ^ Colherão de Inéditos . o Tractado das Meditações de Sam e pensamentos Bernardo. obedecia a esta transformação da sociedade europêa o poder civil tornava subalterno o mento da lingua latina crescia com ecclesiastico. O códice n. por 1266. instruído. e por vezes analphabetos : « affirma do seu predecessor O os próprios Dom ra aliqua non audiverat. grego.^ 266 traz a Vida do Ijfante Josa- Vida de Santa Maria egipcia. e res d'alguns doctores e sabedores. 1 Vida de JEufrosina. <la qual uma grande A Bíbliotheca de Alcobaça. Fragmentos da Regra de Sam Bento e as His- torias d'abreviado Testamento Velho. hist. 1829. Sob o n.

^ oras canónicas do dia. Bernardo. Befarrul encontrou dei Valle?. que se transformou cundo thema na códice n. n. as penas do inferno e do outrosi todos os bees e glorias que ha no santo rayso. Entre estas ram lendas da litteratura moderna. ao qual for om mostradas visi- cavaleyro a que E da portugueza d'esta lenda me- infernos. prurido das traducções continuou-se no sé- culo XV. a pa' Esto lhe foy demostrado emendar dos seus peccados e el. do . de la província llamada Irhenia. 1871. o códice 27í3 contém o Livro ascético intitulado Castello' perigoso contém a Vida de S. hoje na Bibliotheca pu- bilmente e no per outra revelado todas por '"Biblio- vem a Estaria d'hum chamava Tungulu. rei Dom Duarte. em uma Miscelianea ascética de Sam * Cucufate Vida dei caballero Tutglate. — Em acha a se dois manuscriptos versâío 90 a 104 verso. Em letra litterario. nacional. — * Sulla visione di Tundalo. do século xiv. Da luxuria. A a) . O códice 273 contém o livro mystico intitulado Orto tidade. e o Espelho de Monges composto pelo mes- mo. Do inferno. contrar-se a versão d'esta lenda.° 244. e a uue devota fez Bernardo segundo as de Amaro. do7 a 206 Sitzungshericht der kais. Akad.° 266 de Alcobaça. (EpOCal. Wienn. Morte do bem aventurado Savi os doctores Hua Jeronymo. fo- e influíram nas grandes creações ^ em um fe- amplamente estudado por Mussafia.. andante sempre hu angeo cd tal a e 1 ms. der Wissench. triíduzida por Frei o n.° 291 i rancisco de Melgaço. hoje no Archivo 124 a 137 uma outra traducçao sob o titulo outros mosteiros da península era frequente en- fl. Estas e muitas outras traducçoes são preciosiasimos documentos para a historia da lingua portugueza por ellas se conhece co. conteniplação de Sanct Bernardo. populares na visão de Tundal. O Quicumqiie vult per linguagem. VISÃO DE TUNDAL 114 per da Santa Egreja. o seis Da Tungulo. de folhas purgatório.theca de mysticas e agiologicas algumas Edade media. a qual não deixou de influir No blica de Lisboa. Conto Da cas- Do Dia de juízo. Alcobaça dieval da descida aos concepção de Dante. mo o trabalho das traducções do latim actuou sobre o vocabulá- syntaxe poi"tugueza. vem de Timgullo. de pag. que se ouvesse de correger No de suas maldades. do que também figura na Livraria do S^/oso. á custa dos elementos populares que rio e a O ficaram obliterados. hora da morte.

velho portuguez. re- ^ ii dos p. — Acha-se positado no Archivo nacional to. O traductor portuguez termina com a seguinte declaração « Ora diz Johã de trahida do Latita Vistara.) I lo Attribue-se a primeira versão portugueza a Frei Hilark» da Lourinhã. hoje detem quarenta e três folhas de tex- . anterior a Mahomet. e a Surio em latim. rei indiano. compnrée. com o tilulo no códice 266. que esta estorya screpveo crepvi este sermõ ssegundo mui honrrados meu poder. Vida angélica do infante nir. ^ e que se attribuiu a S. p. João Damasceno. — O mérito d'este livro mystico. vol.» Barlaão e Josaphat bem aven- No Nas guardas qual he gloria e honrra e pê- d'e3te manuscripto lê-se a se- guinte quadra Alembra-te homem que es cinza^ e nã andarás en vaydade. e a segunda a Frei Hermenegildo de Payopelle. E des que vyra que este recontamento sserya a proveyto das almas de nos houtros que o leemos e ouvimos ê tal guisa que merecemos seer cotados e a parte dos santos turados amigos de nosso senhor. — Fortunato de ^ Acham-se em Contos Irudicionaes do povo por- . assy Eu grego: es- como apprendy de e verdadeyros barooees que m'o assy cõtarõ. d) em Traducções do Velho Essais de Mythologie grande parte publicados no tuguez. sua redacção ro de em 1 balde. a sua vulgarisação em grego. a celebre lenda budhica ex- como o prova Max-Muller. Os Bollandistas acceitaram esta vida tradicional de Budha nas Acta Sanctorum a 27 de novembro. consiste além da em um grande nume- Exemplos ou pequenos contos intercalados no meio das flexões e divagações moraes. filho de Ave- nome do traductor Frei Hylario da Lou- É rinhã escripto no século passado. ra todo o sempre. — Frei 45i a 467. : em linguagem maçeno. Barlaam b) e Josaphat. Testamento.: barlaam e josaphat SeciilQ XII a XIV. 38 a 60. por que a ca isto veeste e nora a passar tempo c) Orto do Sposo. tendo o Josajjhat. pertence ao monge João de Damasco.

deverá ser tida em tanto maior te) e preço. ou foi bebido em fontes menos puras e fabulosas. o espirito e a discipli- Estados servem para governar. e na ordem em contraposição ao ensi- Jurandas servem para com politica. subraettendo á lei escripta.° A sociedade civil O poder real protege o humanismo. » Na Bibliotheca dos Bispos de Lamego existia uma outra copia d'esta antiquíssima traducção do Velho Testamento. estabelecimento ou ordenação a arbitrariedade dos barões. t. os edificar. Foi á sombra d 'esta corrente de reorganisação que o poder real procurou estabelecer-se como independente. Tal é o sentido da divisa As Universidades servem para no clerical das em que Collegiadas : ensinar. O valor litterario que provavelmen- * foi prohibido ler a d'e3ta traducção é enorme para o estudo comparativo das transformações da lingua portugueza. estabelecia pela acção dos jurisconsultos e do pro- letariado. com outras do século xv como os Actos dos Apóstolos. apoiados no poder temporal da realeza. as condições da sua secularisaçao e independência. e do século XVIII pelo Padre António Pereira de Figueiredo. Para isto tratou de dar existência poli- 1 Inéditos de Alcobaça.* Sara Boafentura dá conta d'este texto da Historia do antigo Testamento « que pelo menos tim de Pedro Comestor em (o o século xiv foi trasladado do la- Pietro Mangiadore. no século xiv. . seguindo litteralmente a Flávio Josepho. — 3. vni. « pertencera a Francisco te a » entregou quando por occasiSo da Reforma em Biblia lingua vulgar. a qual de Sá de Miranda. quanto é certo que o traductor portuguez cortou absoluta- mente o que na obra de Pedro Comestor ou cheira demasiadamente a escholasticismo. de que falia Dan- que sendo tecida pela maior parte das palavras formaes do texto sagrado e na parte da historia que falta n'este. p. as a classe obreira se fortificava na da associação . por onde a vontade popular se contrabalançava prepotência senhorial em um com a accordo d'onde resultou o principio supremo da soberania nacional formulado pelos jurisconsultos.: VKRSÕKS DA 116 (EpOCa MIHF^IA 1 . do século XVII pelo Padre João Ferreira d'Almeida. ii. e á unidade de um código.

foi em um A logar isolado grupavam organisação das Universidades o reconhecimento d'este novo objecto de ensino. de Bolonha ou Diniz fundou em 1291 a Universidade- . o Almagesto de Ptolomeu. Quando o rei universidades Dom estrangeiras. o Cratylo e as Leis Aristóteles. — que a Egreja renegara. Tal foi o ponto de cias da Eulamios.Século XII a xiv. o don. sanides. appareceu no Occidente nas escholas árabes . de bater justiças próprias. a) Fundação da Universidade. e 529. clerical e aristocrático. de ter A fundação Universidade e a formação dos Nobiliários ou Livros de Linhagens são dois factos capitães. transparece nos dois titules de conflicto Universidade e Estudo geral. Ampere obras medicas de Hippocrates. as Organum de de Platão. evitando assim que os estudiosos fossem frequentar as Paris. refugiaram-se na corte dos Saspartida da communicação das scien- Grécia aos Árabes. Os que escholas árabes eram procurados individualmen- fluencia das escholas árabes frequentavam as te. atacou o poder espiritual da Egreja que se impunha pelo ensino das Collegiadas. e a influencia e do poder papal e real. Justiniano mandara fechar as escholas philosophi- Damascio. A cultura greco-romana. e em volta da sua cathedra os espirites sequiosos de saber. moeda. e o privilegio de conferir nobreza. piteblas ou foraes tica ao servo. em que universidade e estudo geral fixava o seu costume ou direito buindo assim para a elevação de um consuetudinário. Hermias e Siraplicio. atacou a classe senhorial. contri- que oppôz ao terceiro estado Pela protecção aos estudos humanistas. definida a esphera avocando a si o direito de levantar hoste. que nos relacionam com a marcha da civilisação europêa n'esta phase da renascença.) 117 concedendo-lhe cartas commuDaes. Isidoro de Gaza. na intervenção dos bispos nos gráos das aulas para onde residia a corte. em cas. Os reis creavam Universida- des para central isarem o ensino. doutoraes ou na mudança Ampere chamou a este per iodo da creação das Universidades na século xiii a segunda Renascença. de que tanto a Egreja como a Realeza trataram de se apoderar. o único que existia então na Europa. por via dos quaes foram conhecidas as obras mathematicas de Euclides. o Plie- considera esta in- como a primeira Renascença. e fazendo em que renascer o ensino e uso do direito romano. uma de estava bem dos direitos reaes. Prisciano. Diógenes de Phenicia.

liv. Leis. tendo com os mo- de transferir a Uni- Diniz versidade para Coimbra primeiros estatutos foram dados por D. t.) Historia da . Lusit.) vi.118 A l MVEHSIDADE PORTUGUEZA (EpOCa l. Mon. Diss. e nos Direitos canónico e civil e na Medicina. a fim de que pudessem dedicar-se exclusivamente aos estudos e sciencias. e Theologia. cap. e Reitores de certas egrejas seculares dos reinos de Portugal e Algarves. (J. os gráos ficavam sujeitos á con- « que os Escholares nas Artes. possam ser licenciados na sobredita sciencia pelo Bispo de Lisboa que n'esse tempo o quando estiver for. tendo o rei Dom em 1307. Lê-se na bulia do Papa Nicolau iv « Com efFeito chegaram a nossos ouvidos que por esforços do nosso ca: ríssimo filho em Christo. illustre de Portugal. 18. Ribeiro. P. os quaes seus mestres julgarem idóneos. liv." de Lisboa. Diniz de serem refundidos 1347. Pedagogia em 72 e 73. Elrei a maior parte do anno. a cujos mestres. (Rev. Portugal. P. Grammatica Dialéc- Por carta de 16 de agosto de 1338 foi outra vez trasladada a Universidade de Coimbra para Lisboa. 57. com As em duas ordens rivaes Dominicanos e Franciscanos ficaram o encargo do ensino das Decretaes. se diz ter sido promettido e estipendiado certo salário Ordem de por alguns Prelados. p. p. foi dotada pelos e do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. do Estudos livres. — ^ 28. cap. v. pelo fundamento da « assistência que n'esta cidade fazia tica. rece outra vez collocada » ^ ^ Por 1367 a Universidade appasendo mudada em 1373 em Coimbra. 16. » As diíFerenças de foro e os privilégios escholares produziram dissençòes radores de Lisboa. Abbades da Ordens de Santo Agostinho e de Sam Cister e Priores das Bento. P. se im- rei plantaram de novo. não sem muita e louvável previsão na cidade de Lisboa estudos de certa faculdade permittida. A Universidade de Lisboa Abbades de Alcobaça. Na n.. Medicina. 234.. 160. Diniz. já muitos portuguezes se haviam distinguido nas universidades italianas. Chr. ^ Os em 1309.-3 t. para Lisboa « por causa dos Lentes estrangeiros quererem residir 1 Já era 1343 (anno de 1307) se achava a Universidade transferida pa- ra Coimbra. n. e sede vacante por meio do vigário capitular. A » protec- ção de Nicoláo iv limitava-se a conceder aos lentes e escholares o privilegio do foro ecclesiastico firmação do Bispo de Lisboa : . de Sam Bento.

mundo três pela heresia attribuida a Averroes. para sempre colporta de Santo André quiz este monarcha fosse Lisboa. é locada — da A que em em 1384 119 quando a corte teve i. e os chamados mais tarde reinicolas. em que continua as doutri- de João XXI. e Aristóteles foi árabe tomado como a maior auctoridade philosophica. e distinguiu-se por nos afamado. » organisação do ensino era baseada n'essa tradição escholar O de Trivium e Qaadrivium.averroista Lisboa. » ^ fre- Antes de ser pontiíice sob o no- em varias unium outro livro não mepauperum. a esta eschola pertenceu João das to theocratico. experimentando algumas. » É : « Pietro o author das um cita Summulas aristotélica da Edade media é a so logicales. celebre diante.Século «m XII a xiv. da Philosophia. cá en o serviço de Deus. Pedro se lê « Esto diz Aristotilles. o Thesaurus nas da Eschola de Salerno pelo caracter da época se define a inna medicina « Póde-se acreditar. que batalhavam pelo direi- ou bartholistas. no Paraíso toda a Europa belli. i. hist. mudanças na sua forma pela influencia da philosophia scholastica ou aristotélica mas por pouco que se seja . sendo estabelecida « á parte de fora contra o arravakle dos mouros. que sse os homeens ouvessem antre si amisade verdadeira nom averiam biliário do mester rreys te €m : nem faria viver seguramen- Reinava então a eschola averroista ^ » em Lisboa Portugal. » Só no reinado de Doiu Joào fixidez. estudo do direito fazia-se nas duas escholas antagonistas dos decretalistas-. — ^ Kaebler. 230. Hispano. e amisade os justiças. Logo no principio do NoConde D. Mon. e os civilistas Regras. um estava preso Frei Thomaz Scot. também imprimiu A tradição a sua feição no ensino. Tennemann^ . fluencia do seu aristotelismo : . que no século xiii o ensino medico se torna menos individual. sobre que se imaginou Dante. giíi d'ali em em luce in dodici li- que se converteram abraçada por todas as escholas que pertence sem duvida o engenho- elle quadro das diversas espécies de argumentos.) influencia aristotélico. reproduzido quentemente me : livro.. que impunham o poder collectivo da sociedade. ap. p. 1 Hist. de terem havido no Impostores. Pedro Hispano (Julião) ensinou versidades de Itália. Lo qual no resumo da lógica « um philosopho portuguez. Scriptores.

i. — • ^ Pra- . de Linhagens. o hebreu e o árabe apparece e não deixou de influir já nas traducções da Biblia. p. também na Universidade. . António Caetano do Nobiliário. » O amor e amisade antre os nobres fidalgos de Hespa- compilador continua a allegar rasões. geneal. des Sciences médicales. fazemos escrever este livro verdadei- ramente dos linhagens d'aquelles que som naturaes e moradores no reino de Portugal extremamente." os LIVROS DE LINHAGENS versado nas obras medicas mais antigas do que a Scholastica. ali um methodo dialéctico e uma linguagem que excede ou vae alem dos philosophos o tom deriva-se mui directamente de Galeno. p. e de quaes coutos. começar do cadastro heráldico. Daremberg. . » ^ Quando os Jesuítas impuzeram o ensino aristotelico-alexandrista. publicado pela primeira vez por de Sousa um Fragmento ^. E veendo as escripturas com grande estudo e em como fallavam d'outros grandes feitos compuje este liuro por gaanhar o seu amor e por meter nha. nos di- repetiu-se Nas Leis de Partidas. correspondendo a Os monumentos conhecidos vro Velho. tào aristotélico nas suas formas. da Hist. que andava junto ao chamado Nobiliário do finalmente o O Pedro. e o Tliesaurus pauperum ficou incluído no Index expurgatorio de 1624. gram traba- lho por muitas terras escripturas que fallavam dos linhagens. Ch. que se guarda na Torre do Tombo. sá t. e por sa- berem como som parentes.. t. A poderia existir nobreza jpor foro de * elrei. já na vulgarisação dos contos das collecçoes árabes. orientaes. i. o mesmo século não o podia conhecer versos estados da Europa. Cancioneiro da Ajuda. foi condemnado tudo quanto derivava dos Árabes. Conde do de « Dom Dom e são o Li- : D. b) —A actividade litteraria manifesta-se no sé- culo XIV na forma de Livres uma necessidade social. tas. bastar- Diniz justifica o seu trabalho com rasoes especiosas Por saberem os homens fidalgos de qual linhagem vem. O ensino das línguas nota-se . . filho do muy nobre rey Dom » « Porém eu.: 120 (EpOCa 4. Hist. O facto in- timo e vital do século xiv. 282. 145. Deniz. honras. mas é certo que o ^Nobiliário foi organisado para servir o poder real. Nobiliários. que promovia estes cadastros da nobreza. ouve catar por Dom Pedro. mosteiros e egrejas som naturaes.

los. e o rapto da mulher do nionar- cha de sua própria cama. pertence-nos o elle se conservasse na isto é. 63.. tit. » ^ mha terra nom podem ser cavalleiros se não per mim. Organisação das Chronicas em prosa. Partida n. Ali apparecem os velhos symbolos germânicos imita- dos pela sociedade neo-gothica. liv. 21. Das Chronicas históricas são muitos os documentos que 1 cit. o que foy troba- ou que trobou bem. e o montar n'um burro com a cara para traz. liv. se poderá llamar tambien de las « Crónicas fingidas. Avultam os factos históricos. GauJa. potências da arbitrariedade feudal. Por entre as listas fatigantes de nomes dos Nobiliários.: Século lendas her. \. p.) que foram traduzidas em 121 portuguez. que con razon se poderá llamar el siglo de las Crónicas verdaderas. como o fazer hurrella. » ^ Das Chronicas phantasiosas.. encorporada vem: «nenhum homem dos concilies de los otros cavalleros.\ldicas XII a xiv. » ^ Comprehendido o valor do documento históvejamos o seu caracter litterario. que seria tanto mais bello se sua forma primitiva. reveian- uma época littera- — Escreve Sar- miento nas Memorias para la Historia de la Poesia espaiiola Este siglo decimo quarto.-2 ord. a cegueira infligida por vindicta pessoal. ou dos Marinhos as grandes precomo os incêndios dos castel. ou per meu mandado. solares. fidalgos. dados a saboroso. a redacção portugueza de Amadiz de typo capital. e e muy ha epithetos de trohador. — ^ Op. como as referencias á Lide do Poi-to. como da casa de Haro. apparecem de longe em longe as tradições maravilhosas da origem dos rico. e a herança do crime ou a guerra privada entre as famílias. e el linage onde venian e los logares onde eran naturales en de Libro que estavan escriptos todos el na Ordenação affonsina nomes los Em uma lei portugueza. 330. Dom em que Sancho ii os partidários do príncipe Dom Affonso e os de foram ás armas. do-nos assim que o próprio livro pertence já a ria de que c) elle é um monumento. . Os vários appellidos das famílias accu- sam dor feitos grotescos. alT. ou coser dentro de uma pelle de urso. se impõe aos fidalgos « : que escrivian seus nomes. 22. tit. o rapto e violência das mulheres.

p. e conhecida segundo Mondéjar nos manuscriptos pelo titulo de Estoria geral. tercalada nas Inquirições de Dom esta Aífonso — Escripta cm lín- chronica appareceu in(Liv. por seu mandado foi o li- vro que digo escripto. 6 ^. « de Leão e Castella.) Começa desde a fundação da monarchia até ao reinado de Dom Diniz. elrei hist. como. que se usavam nos claustros. no qual achei estas com outras antiguidades de fallar. » quall segundo a Segundo Herculano ó a Chronica em lingua vulgar mais antiga que temos. Affon- .se a Chronica geral. não fíiUando dos registos latinos era forma de Dietarios e Obituários. segundo eu julguei em um dado em tempo do mui esforçado o primeiro d'este . O intuito com que foi escripta é o mesmo dos Nobiliários « A qual rrenembrança serue a proll porque rauytas vezes mos- tram perante rey nosso senhor e perante os seus juizes algumas el doações dos direitos e cousas da coroa dos Regnos. foi mandada Dom to o rei traduzir para a lingua portugueza por seu ne- Diniz. e só « faz mençom quando cada huum Rey começou de regnar. e quando se finou e onde jaz sepultado. — « um ma- Historia geral de Hesjjanha. 22.* CHRONiCAs iiisTomcAS restam. e a Estorea geral. b) ou Estorea geral. iv. e está no moesteiro de Peralonga e cbamase Estorea geral. Chronica breve do Archivo nacional. Fernão d'01i- monumento « As dicções velhas são as que ruão. veira falia d'este ram usadas. forma histórica em Com certeza influiu no desenvolvimento da Na Portugal. -^ Chronica geral de Espanha. Scriptores. fl. iii. — Esta obra escripta e mandada organisar por AfFonso o Sábio. Bibliotheca do rei Dom Duarte encontrava. . 80. a) gua vulgar. .:: 122 (Época 1. que diz mas agora são esquecidas. Dom p. foci- livro antigo. : . » * Na Bibliotheca nacional de Paris conserva-se nuscripto portuguez com o titulo composta em castelhano por 1 Mon. e por auctor anonyrao. fazendo taaes cartas de doações e escripturas huu Rey o mençon que forom outorgadas per dada d'essa escriptura já era finado E para tirar estas duvidas aproveitam muyto estas eras.. o qual foi trasla- Dom rei nome em Portugal : João de boa memorea. Grammatica. dadão. » A chronica é secca e descarnada.

revolta dos seus Barões. do século xii. p. da lenda do século landistas. p. que recebiam a 809. VI. » 123 portiiguez por o rei Dom Diniz ou por uma copia na Academia das Sciencias. . a Gesta de Miles agiographica. 25.. Litterariamente uma exerceram influencia salutar sobre o génio histórico portuguez. col. 763. antes o santo da legenda mesma origem muitas canções de gesta tiveram esta . i. t. p. na forma épica. O Amadiz foi de Gaula. e se retira para o claustro on- são celebradas ali lati- tradicio- a Gesta de Aiol derivou-se da lenda de Santo Agiulpho : — for- foram chamadas Lendas. — * Mon. — * — ' : . As Lendas c) — Vida da rainha Santa religiosas As narrações tradicionaes da ma escripta para serem lidas. » Na ^ copias. designa- em o povo collaborava como com o Isabel. Léon Gautier. 192. Magno da de expira em santidade * em dezoito Gestas. ^ Nas Chronicas breves e Me- Existe começada a imprimir morias avulsas de Santa Cruz de Coimbra cita-se a Chronica de spanha. pelos Bol- ix. ção que o povo transformou to em que troveiro o clericus na forma histórica. porque assi se llamaha Ibid. y este nombre era un Santo à quien la . com de ser o cavalleiro typo da fidelidade na o santo abbade de Lerins. 89. t. Edade media. p. laume de Gellone. existia es- Crónica d^espanha que el rey D. te códice compoz Marquez de livraria do com Castello Melhor. Aífonso tempo de Noe ataa o tempo deste rey Dom Affonarte da illuminura embellezou extraordinariamente estas o titulo « dello o A so.. e foi em Coimbra. t.) em so o Sábio. tem por base preciado.Século vida da rainha santa XII a xiv. com ^ hist. •* ^ Na deriva o typo de Saint Guil- et : « Este es Amadis Era editor o Dr. Nunes de Carvalho Scriplores. p. 728. trasladada seu mandado. 1. de Carlos lenda Novella do Amadiz se explica a sua relação a lenda religiosa muy na gesta ura filho Guillaume au Court nez^ cujas façanhas . nal Este género era o pon- Loenda. • chegou a Acta Sanctorum. * . Les Epopées françaises. torna-se strenuo cavalleiro que defende o imperador Luiz. porque veiu mais tarde revelar a Fer- não Lopes como a vida moral da historia está implícita nas tradições. i. colligida uma Amiles.

le- em verso provençal. p. gança do rei. no testamento do Infante Dom « Iten. que assegurou a estabilidade das monarchias christãs da Hespanha.* aS*^" ' sinus. Em um (EpOCa 1. de Coimbra. Relação da batalha do Salado. o Livro Fernando feito antes da partida para Tanger da Rainha Dona Ilizabeth. d'onde o copiou Frei Francisco Brandão. 591. bispo de Ro- uma Livraria do século xiii. como vimos pelos fragmentos do Giraldes. — * Ap. e) quim de Santo Agostinho: «Em — Escreve Frei Joa- Agosto do anno de 1788. se montar ao século dez.: HATALIIA DO SALADO K CONQUISTA DO ALGARVK 124 doncella Io encomraendó. p. d) biliario — No Fragmento de No* que anda junto ao Cancioneiro da Ajuda encontra-se uma extensa relação d'esta batalha. appa- rece pela primeira vez apontada. « . TAcademie de Bruxelles. que por sua muita antigui dade não tem principio nem cobri na 1 (1813) Op. Nas lendas de Santa Isabel syncretisaram-se elementos conhe- cidos nas tradições medievaes. mas a impressão da realidade obriga-o a uma nar- rativa dramática. Na Outras vidas de Santos « : » . II. no reino do Algarve. » ^ Historia Litteraria de França. João I. p. — va. » * Na colBollandistas. parecem re- como a de Santo Amândio. t. i1/em.. lõO. Vê-se que o facto não podia escapar á idealisa- Poema de Aífonso ção poética. que julguei de algum interesse. XXII. t. iv. como Nas versões oraes pagem que escapa á só existe A em Extremoz. incluindo-o na Parte iv da Monarchia lusitana. Nos tomos velhos da mesma Camará vem lançadas no I. » * Este livro veiu parar ao convento de âanta Clara. vem Amandi vita rnetrice compósita. cit. — 2 Buli. lecção dos xi. Chronica da Conquista do Algarve. 240. p. colhido o um romance Vida de Santa vin- sobre San- Isabel. Soares da Sil- . 816. Em 3 t. que chegou bem a litteratura E a pagina mais perfeita a portugueza do século xiv. O linhagista conhece que ás series genealógicas não pertence essa divaga- ção histórica. de D. Crê que : foi escripto depois de 1374. ta Isabel. vem a acta de Sanctus Amandius Gallecatalogo de cum Milo unus. uma pequena Chronica da conquista do mesmo reino. des- Camará da cidade de Tavira. de Fevereiro.

desde pag. grande. . i. t. — ^ Mon. 1 418.Século XH a \iv. Mem. Scriptores. .) fim. 207 até 213. em que tomámos dignamente parte na Renascença do século xiii da Europa. da Academia. por trez laudas completas de folio Aquelle que escreveu essa Chronica não estava tão ^ » i25 a erudição histoiuca remoto do successo.. hist. de Litt. f». e mor- moros os reu tanta gente d'elle3 que ainda hoje d'eUes. . » - E os- quando chegou em dia jaz alli a ossada pela erudição histórica que termina esta primeira época da litteratura portugueza. que ainda no seu tempo se não vissem as sadas no sitio das Antas valleiros mortos : « e começou com ás antas e vio os ca- muy dura peleya. antes de actuar- mos directamente na marcha da humanidade pelas descobertas marítimas.

— §• I Elaboração do lyrismo provençal pelo génio italiano Nentuma creação litteraria pude ser compreliendida por a destacarmos do meio em que foi produzida." Tradição das Ilhas encantadas erudição latinista : Merlim de Viagem de Rozmital. a Poesia provençal não se comprehende separada das suas origens populares. se a fun- . i. O si. Ideia de traduzir em latim — as Chrunicas. Imitação directa da Poesia castelhana O Infante Dom Pedro em relação com João de Mena. O ç3es desenvolvimento da Poesia palaciana seria inexplicável. Duplo elemento latinista e medieval. III — A. geral." 3." Lyrismo provençal pelo génio italiano t «lo Tentativa de uma renascença da Poesia gallega. b) Os grandes Chronistas do século xv. a) b) c) : — — XZxistencia IV — A Universidade de LisOs Humanistas Philosophos e Moralistas A Imboa Jurisprudência — Estudantes poitiiguezes na Itália prensa portugueza e os seus monumentos. Momos e Entremezes. de nm elemento popular — s Cantigas ao Condestavel Nunalvres e a Aljubarrota. de Garcia de Resende. do Infante Santo e do Condestavel de Portugal. s — TraducEstado da língua portugueza : Formas populares e eruditas. Traducções de Hernam Peres de a) As obras do Arcipreste de Hita Poetas portuguezes em CasGusman O Maiquez de Santillana — — : — — — tella. ções do latim. As Bibliothecas do rei Dom Duarte. b) Demanda de Santo Grcal — Tristão — Galaaz Baladro — Josep ab Arimathia — Historia de Vespasiano. Referencias a lomances tradicionaes Formação dos Romanceiros." 2. §. e ultimes vestígios da tradipão provençal. Autos." 2. t c) §. e a Conversão das Estorias em Caronicas.S Novellas da Tavola Redonda em Fortugal a) Referencias nos costumes aristocráticos. cujas aspirações e consensus a litteratura exprime." 3.SEGUNDA ÉPOCA (século XV) os POETAS PALACIANOS §. das relacom as Cruzadas e do apparecimento do terceiro estado. I — Elaboração 1. Assim. Influencia aragoneza Costumes palaciaO Condestavel de Portugal. Desenvolvimento da forma histórica. — A. c) §. se meio de todas as concepções estheticas é sempre a sociedade. nos. a) O Aichivo nacional. II b) Formação do Cancioneiro c) Descripçào dos Cancioneiros portuguezes do século xv.

pendência das Confirmações geraes. activa. ou Ordenação do reino. nem mesmo lhe res- tava a acção cavalheiresca para sustentar o seu perstigio de Estava acabada a reconquista sobre a occupação mauresca. e em dal. ou ainda por essa outra ficção adoptada pelos romanistas. de Castella. em Petrarcha sobretudo des- modelos provençaes pelo idealismo recebido com a introducção das doutrinas platónicas. a Emphyteose. primeiro pela organisação dos Livros de Linhagens. e nos Fieis de A poesia italia- Amor. aonde iriam estes gos procurar as suas aspirações? O fidal- predomínio da erudição gre- co-romana afastava-os das tradições medievaes. a descoberta da pólvora egualara o peão com o mantenedor classe. corte. N'esta situação cuparia a Nobreza? Acercou-se do da sos nos serões apupar inventou torneios. destruindo o regimen feu- não reduzisse a aristocracia a uma posição subalterna e inDepois de atacada a nobreza iia independência do seu foro.) 127 dação definitiva do poder monarchico. divisas. adestrado na arma branca. que n'esta concorrência social co- meçou a elaborar os seus Romanceiros. que se desenvolveram mais . seguida pela imposição de ura Código geral. e sobrinho rei. II. Os fidalgos castelhanos interromperam a imitação da poesia provençal. se acercavam o Coudel-Mór. recommenda-lhe que é phenomeno estava passando João uma se repetia . que saber em Hespanha. Juan de Mena. a accumulação da proprieda- de pela Revogabilidade das Doações regias. em em Dante tacou-se dos italiano. ferida na sua condição vital. Álvaro de Brito e Dom João de Menezes. pela de- territorial. e adoptaram as novas formas do lyrismo influenciar na. agrupavam-se o Marquez de Villena.INDEPENDÊNCIA DO PODER REAL Século XV. Separados do povo politica e moralmente. porque ahi se em volta de semelhante transformação social o Marquez de Santillana. O mesmo Dom novo se oc- para encher o tédio palaciano continuou a fazer ver- l)razões. da ma bom e ser rifador. cuja superioridade o levou a todas as litteraturas da Europa. dando instrucções a seu para tratar o paço. em que Dom mesma for- Affonso V. conservadas inconscientemente entre o povo. em volta de Fernão da Silveira. O Coudel-Mór. Stufiiga. e o arbitrio impetuoso do que fazia justiça por suas mãos ficou subordinado a esse outro poder e abstracto do Ministeino publico.

levados pelo vigor da nova acabaram por escrever na lingua castelhana. gallega. porém. e o Marquez de Santillana querendo dar um titulo condigno ao talento de Micer Imperial. Boecio. a aragoneza e a portugueza.* e pela imitação Santo Agostinho. taes como Ciudad Rodrigo. um vago subjectivismo.** designação erudita. duraram estas luctas relaxou-se o poder luctas entre . mas a politica. Tuy. Galliza desabrochou e na um novo esplendor poético: Villasandino. a Galliza seguiu a justa causa do monarcha vencido emquanto. Es- ses poucos génios lyricos da Galliza. Quasi todos os documentos d'e3ta crise litteraria se acham no Cancioneiro de Baena.v A : procura 1. que corrente italiana fez telhana prevalecesse sobre como a uma qual yo no llamaria decidor ó tro- « ai as outras com que a Poesia litteraturas cas- peninsulares. e seu irmão bastardo Henrique de Trastamara. que iniciara a imitação italiana bem em Hespanha. Macias. caracterisa o século vador. Valência d'Alcantara. tentara reagir contra a poesia de Castella. Esta nova poesia. pelo perstigio da sua lenda amo- mais bellas tradições da vida dos trovadores pro- rosa. mas j^oeta. Corufia. de de Sam Bernardo essas Victor. pelas suas origens eruditas. egual ás vençaes.SUBJECTIVISMO PLATÓNICO lt^8 tarde na Academia Dante conheceu florentina dos Medicis. No reinado de Dom Fernando é que a causa politica da Galliza se perdeu este monarcha portuguez acobertou as suas pre- poesia subjectiva. de Boecio. centrai. com de que se renovou. tenções ao throno de Castella com o pretexto de vingar a morte de Pedro Cruel. pelo estudo de Platão. Muitas cidades da Galliza se declararam pelas pretenções de Dom Fernando. Pedro Cruel. A Ilespanha abraçou o lyrismo italiano. Sam doutrinas era Cicero. Alcântara. Jerena e mais tarde Juan Rodrigues dei Padron. Tentativa de um — Nas renascimento da Poesia gallega. (EpOCa 2. . chega a impressionar os vários poetas palacianos Galliza tinha perdido para sempre a autonomia pareciam-lhe as condições vitaes para crear . Ricardo de ventura e Sam Thomaz tra o aristotelismo. e desap- uma litteratura. era sympathica aos espiritos superiores que seguiam a corrente humanista do século XV. . Ledesma. Zamora. Sara Boa- Petrarcha reagiu conscientemente con- e . Macias el Enamorado.

as de que descendem Francisco de de Miranda. e Pedro de Andrade Caminha. D'esta emigração resultou a vinda de Vasco Pires de Ca- mões para Portugal. e os dois sonetos gallega que andam nas attribuir-se lhe.° Influencia aragoneza e o Condestavel de Portugal. Incapaz de sustentar-se na lucta.» O nome de Macias tornou-se proverbial entre os poetas palacianos do século xv. Pelas innumeras doações que se pelo partido do rei era Portugal. Tendo provençal começado pela corrente galleziana.. é aquel gran enamorado Macias . depois de indicar os poetas portuguezes do periodo provençal.. dizendo como se pode « ser mais medrado mões ou Juan de Mena. foi o Sá Ijrismo ainda d'es8e que no século xvi surgiram os génios que accentuaram a brilhante época dos Quinhentistas. o monarcha portuguez ofFereceu asylo no seu reino aos fidalgos gallegos que se comprometterara pela sua causa. que fora o seu poeta favorito. Padron e Salvaterra.» 129 LYRICOS GALLEGOS Século XV. enumera aquelles que pertencem a esta phase ephemera « Despues destos venieroa de renascimento da poesia gallega : Basco Peres de Camões e Ferrant Casquacio. Na Collecção de Baena acham-se varias poesias dirigidas a Vasco Pires de Camões. Vasco Pires de Camões tendo-se declarado em 1384 Fernando. como se vê nas coplas do Cancioneiro de Resende e ainda em Gil Vicente. refugiou-se levantando-se ' infere Dom Dom novos revezes com a Alcaidaria de Alemquer contra de Aviz. Ly ricas em lingua de Luiz de Camões. não podem* porque só no século xvi é que se conheceu em Portugal essa forma italiana. que chegou a invadir Portugal. O Marquez de Santillana. — posições nào apparecem colligidas. Orense. N'e3ta lucta de ambições. mesmo impulso inicial. e aqui soíFreu o Fernando lhe Mestre fizera. Lugo. terceiro avó do grande épico portuguez ram vie- . entre outras familias. as suas com- século XVI. como Juan de Mena o de Castella. consultando-o como sábio. 2. — . na sua Carta ao Condestavel de Portugal.) San Thiago. Ainda no começo do fora egualmente de Henrique Manoel Machado de Azevedo se referia a este favoQue Caritismo. Dom Fernando mostrou menos habilidade do que Henrique de Trastamara.

que sciencia. onde era a relações Aragão. casou com D. guardava-se o volume das poesias de Francisco Petrarcha « scrit en vulgar toscha. Dom Foi como principal herdeiro do Conde de Pedro. que Martorell dedicou a novella de cavalleria Tirant il em 1460." em França. Duque de Coimbra. e todas as composições lecto catalão ou valenciano mesmo eram estimadas receio da absorpção castelhana. rei . pelas suas com Barcelona. Pelo e que levava os poetas ara- composições litterarias o individualismo da sua disputada nacionalidade. Leonor filha de Fernando de Antequera. » E na Carta do Marquez de Santillana ao jocolligidas . píritos Dom João I Em 1388. 1390. em 1464. o res toiosanos viessem a Barcelona fundar eíFecti vãmente em creado trobadoresca teve gou a rei de Aragão pediu a Carlos vi de França. Condestavel de Portugal. cujas coplas no Cancioneiro de Resende foram erradamente attribuidas ao amante de Ignez de Castro. como um meio de corte habitual dos reis de instituições trobadorescas. escreveu o livro do Leal Conselheiro. em Tolosa pro- curava-se sustentar o seu perstigio pela organisação em 1323 da Quando a poesia provençal decahia Sohregaya companhia deis sept Trovadores de Tulosa. gonezes a sustentarem em em dia- applaudidas. que contra a preponde- resistir rância da poesia castelhana que insensivelmente preparava os es- para a unificação politica. e na sua livraria existiam um exemplar de Valério Máximo em aragoez. offerecida por uma deputação catalan. filho do Duque de Coimbra. também Portugal depois da batalha de Aljubarrota (1385) se afastava politica e litterariamente Dom O Dom Duarte casou com D. . a eschola novo impulso . n. O infante Dom Pedro. acceitou a coroa de Aragão.INFLUENCIA AHAGONEZA i30 (E[)OCa 2. Dom Jayme o desditoso. passaram para ali estas os reis protegiam.** 24. de 1428 na livraria do Condestavel de Portugal. rei de Aragão para sua mulher de Castella. para que os trovado- um um consistório poético. vou a gaya Urgel. Na litteratura aragoneza existia uma traducção da Divina Comedia de Dante por Andres Febrer. Isabel. e uma Historia de Troya jjor aragoez. Sob Fernando o Justo. primogénita do ultimo Conde de Urgel. É este o rei Dom Pedro. foi também a seu filho o infante Dom Fer- nando. o qual segundo Balaguer também cultiBlanch. o Marquez de Villena che- ser director do Consistório.

a quem pediu as Marquez enviou-lh'as para Portugal. rosas de gosto aragonez.o CONDESTÂVEL DE PORTUGAL Século XV. em auxiem 144Õ. cou as Outavas castelhanas Del menosprecio ê contemplo de las cosas formosas dei mundo. e d'ella recebeu o sentimento pessoal expresso pela fórraa de allegorias.) 131 ven Condestavel. foi ção de dois mil infantes e seiscentos cavallos a Castella. que procura- alentar-se entre a da tradição provençal e o revivescência subjectivismo italiano. mas durante o desterro traduziu-a para mas costrefiido de la necessidad que de la voluntad. u grandes officiaes d'esta arte. lio de Álvaro de Luna. e Ânsias March grande trovador e homem de assas elevado espiri- como O to. em castelhano Dona felice e infelice vi- » Fora primeiramente portuguez. dirigida a sua irmã a rainha Chama fonso V. as quaes Garcia de Resende ao incluir . teve de emigrar de Portugal. o Condestavel procurou consolação das desgraças da sua familia escrevendo varias composições poéticas. contra os Infantes de Aragão. como Jorde de Sant Jordi. diante das perseguições promovidas pelo conde de Barcellos. citavam-se com louvor os poetas aragonezes. abundam as poesias em castelhano. Os poetas aragonezes não deixamas a poesia castelhana apoderá- em toda a penínNo Cancioneiro geral de Garcia de Resende. mas O Condestavel começou a escre- os seus ócios nos castellos de Elvas e Marvão. Foi por esta occasião que o Condestavel de Portugal teve relações litterarias com suas obras poéticas uma em que Carta o o . porque pelo infame assassinato de seu pae em em Alfarrobeira 1449. ram de cultivar o seu dialecto. ver em castelhano . Dom Pedro de Portugal nasceu em 1443 destavel nomeado Concommandar uma expedi- era 1429. no mestrado de Aviz. » va Condestavel conheceu esta poesia aragoneza. Durante os seus nove annos de desterro. havendo ao mesmo tempo allegorias amora-se do seu espirito. « mulher de Dom Af- a esta composição na carta que serve de dedica- primero fructo de mis estúdios. não duraram. e foi aos quinze annos . Marquez de Santillana. tória « el escripta Isabel. » Por 1457 ou 1458 pôde o Condestavel regressar a Portugal por permissão de Dom Aífonso v foi ainda de Castella que lhe dedi. como a Satyra de da. com esboça a traços largos a historia da antiga poesia dos estados peninsulares. até que veiu a prevalecer sula.

No Catalogo da Bibliotheca do Condestavel. (Ainda Appareceu ultimamente em outro livro inédito do Condestavel de Portugal. dedicado a seu irmão D. de poemas italianos. — * p. e vencido em 1469 em em Prados Qranollers.. 12). o em mi quem alludem foi viaje hove Evidentemente poema pertence ao Con des- lavei de Portugal e não a seu pae.. que era já quando Pe- que mios acom- leas los mil versos introduçion e la invencion dellos feriado . Fernando. « : quales yo caminando por deportar é passar tiempo a la feria passada de Medina. com an- dei foi O guerreado por Rey. que foi Cardeal de Santo Eustachio. bricas Condestavel acceitando o throno de Aragão. e de moralistas ecclesiasticos.* no seu Cancioneiro. do Infante 1 illustres espíritos ^ Dom attribue o Portugal Dom Pedro El Condestable de Portugal. » * Estas 125 outavas foram impressas duas vezes no século xv. Jaime. Gerona 1881. francezes. publicado por Andrés Balaguer y Merino. nos depois que foi achada em seis Basilea a Arte da impressão." cia Influencia directa da Poesia castelhana. e no- ve annos depois de inventada a formosa Arte.» tro annos. poema ao um — Sob a regên- Pedro (1438 a 1448) reataram-se as relaçSes Infante Dom Pedro). . fallecendo pouco depois trinta e sete annos de Edade. um livro « intitulat en la cuberta ab letres dor. la Dom dedicatória diz ao monarcha morto havia qua- executado Álvaro de Luna em 1453. 32. Era indiscutivelmente um dos mais do século XV. Sátira de contento dei mundo. attribuiu infundadamente ao infante Duque de Coimbra. a as outavas Mirad ai Maestre si vivió penando Mirad luego juneto su acabamiento. (Est. e Arcebispo de Lisboa. de volumes de obras clássicas. Na dro con graciosos e amigables panados de algunas glosas oios tu : los como o provou Octávio de Toledo. reservat en un stoig de cuyro negre forrat de drap negra.: AS OUTAVAS DO DESPREZO DO MUNDO 432 (EpOCa 2. vem sob o n.'' 82. como dizem as ru- manuscriptas apontadas por Soares da Silva e Hain. 3. O Catalogo da sua Bibliotheca contém 96 números.

INFLUEXCIA DE JOÃO DE MEXA Século XV.) politicas . . Luiz de Azevedo. um foi assassinado poeta do Cancioneiro. a enviava os seus versos. a 1445 foi João de * Mena dro. insoas e ryos. p. João de Mena quem alludia ás suas longas via- gens (1444 a 1448) que na tradição popular são conhecidas pelo titulo das Sete partidas do mundo Nunca : fué despues ni ante quyeii vyesse los atavios e secretos de Levante. De 1429 Juan II. (Ed. a quem nomeara Duque de Bragança. » ^ e na magistratura soberana do infante regido — dios vos fyzo su leituras dos moralistas regente. gia que põe na bocca do illustre príncipe. na obra intitulada da Virtuosa Bemfeituria. sus calores y sus frios como vós. senhor Ifante. provocaram a catastrophe de Alfarrobeira. foi infeliz A influencia 1 Canc. João de Mena. de Portugal com Castella eile . onde o Infante 1449 .. compilando os sete livros de Séneca. 72. pêra fim castelhana não se t. geral. sus montes. conhece somente no uso da n. As intri- gas do Condes de Barcellos. 70. do Conde de Ourem e do Arcebispo de Lisboa. Stuttgard. diz Eu em uma em ele- : andei por muitas partes e por muito boas terras.) — 2 ibid. p. e a esta posição allude o Infante João de Mena tam: « por serdes byen Infante era muito dado ás da antiguidade. 133 mesmo cultivava a ami- sade do poeta mais afamado d'essa corte. chamando-lhe bém falia « coronysta abastante. muita paz e também guerras muitas artes vi tratar por Mas aqueste dia martes o mim meu sangue me deu e rompeu meus estandartes. » O Dom Dom Pe- o Chronista real de de Castella.

como Francisco de Miranda. — de Litteratura. 95 a 100 e 113 a 120 dos Exemplos do Arcipreste. onde se des- envolve este estudo. coplas escriptas a duas columnas . i71. alguns desconhecidos dalgo de Dom em Portugal. Stuftiga nem palacianos Padron pelas citações frequentes de e Jorge Manrique fizerara-se traducçoes . da Bibliotheca do Porto. 139. 2 Inéditos de Alcobaça. do Mar- A7-cipreste de Hita.°. também enviou a Dom Affonso v umas Coplas. para a lingua portugueza. guar- exemplar das obras do Arcipreste de Hita. de quem se conheceram obras como as Sentencias. com dezoito as quadras alexandrinas caste- lhanas são reduzidas a outavas da nossa redondilha octosyllabica. dava-se um directo. moço AíFonso v. b) Formação do Cancioneiro geral. p. indi- D'esta obra é a folha Arcypreste de Fysa. O Marquez de Santillana. Questões de Litteratura e Arte portugueza. antes das Dom João ii se alliarem enmovidas pelos planos de mutua unificação politica. ^ Frei Fortunato de San Boaventura publicou o Te Deum laudamus. e buen sesso é de grant sentido.» 134 (EpOCa 2. duas cortes de Fernando e Isabel e tre si — Quando 1 Resende começou a compilar as poesias da sociedade Yid. Frei João Claro mas ' . e da Ave Maria. p. — ' Questões . de Garcia de Resende. das quaes subsistem alguns fragmen- como um testemunho tos. Hernan Perez. O fragmento corresponde ás strophes 90 a 93. a Paraphrase do PadreNosso. com a cação sumraaria O avulsa de pergaminho in-4. p. Em Resende ha continuas referencias ás modas castelhanas. i. achara-se no Cancioneiro de Castilla sob o nome de Hernan em Portugal outras Perez de Gusman. consideran- do-o de « perfeita discrecion.* TllADUCÇÕES DO CASTELHANO lingua pelos poetas Mena. t. ^ Nos Cancioneiros castelhanos inéditos en- contram-se composições de numerosos poetas portuguezes. que attribue ao Dr. 128. Nos Inéditos publicados por Caminha vêm em nome de Ayres Telles de Menezes fragmentos vertidos de uma Canção do Marquez de Santillana. e tas realisaram essa fi- muitos apodos do Cancioneiro de os poe- conciliação entre os dois estados. As Obras do a) quez de Santillana. tendo inicia- do o Condestavel de Portugal no conhecimento da poesia castelhana. de — Na Bibliotheca do rei Dom Duarte.

e que tão necessário um homem «ra sabei -as. creo que «sses grandes poetas. tudo o coUocava e uma com a inti- condição de obter dos fidalgos como Jorge de Vasconcellos. . o assassinato do Alfarrobeira. A importância que via ligarem no paço á poesia. que encerra composições . que formava a parte principal dos divertimentos dos serdes^ le- Dom João vou-o a cultivar também a O poesia. muito o trovar de singular manha. e que elle viu e a gabou muito. 135 do seu traba- justificação ssam perdydas ssem e gentylezas que ssam perdidas dos nossos sse as passados se poderam aver. o provedor dos Armazéns. e eu lhe disse que sim fez-m'as dizer de cór.) com que respondia midade do rei. e depois de ditas me te ge Manrique. Alguns. de que Portugal muitos Os livros.) como aristocrática do século xv. recusavam. que viu morrer cativo nam ssam espalhados. referia-se poesia castelhana. Como um homem » erudito. e a morte da rainha Dona Isabel sua irmã. tico. Infante Dom em Pedro se em Fez á em conheciam Dom desastres succedidos na corte de Duarte. que muito criança entrara para moço da camera de II. Para esta compilação achava-se em uma posição especial Garcia de Resende. não deixaram de ser causa d'e3te descuido por essas muytas cousas de folguar e gentylezas. Dom João ii con- Na Ckronica «E estando uma noi- singular manha. me perguntou se sabia as trovas de JorAccuerd el alma dormida. cc. que começam : . e dos presentes s'escreveram.CANCIONEIRO DE RESENDE Século XV. por der e saber fazer. com o titulo de Cuydar e em Suspirar. seu irmão. disse. sistir foi aos apodos que Resende lhes dirigia. que per tantas partes teveram fama como tem. A collecção portugueza o certame poético que se deu na corte fidalgos. seu talento de musico e de- senhador deu-lhe a intimidade do monarcha vencia-o de que a poesia era de Dom João uma conta este quadro intimo: II. » (Cap. formada ao acaso 1484 entre vários . na cama já despejado. a cuja perda allude Resende. mas por fim não podiam reos cadernos das suas coplas. isto porque eu fiz me dar vantagem de Com um em gabou trova o appren- caracter jovial e fleugma- aos chistes á sua obesidade. dizia lho « : aver muytas cousas de folguar d'elas —E notycia. como saber o Pater Noster. etc. a perseguição e exilio do Condestavel de Portugal. italiana e franceza. que folgava muito de m'as vêr saber. provocou o pensamento da Compilação.

Nas trovas do Coudel-mór a João Aífonso de Aveiro. pelas matriculas dos Livros das Moradias. propagaram-se as modas francezas. Chr. Este reinado foi perturbado comtudo rei ^ pela imitação das Cortes de amor. e o conhecimento de certas cançonetas..» 9) Alexandre en ffrancea. e á batalha de Toro em 1474 ás celebres cortes feitas por Dom João ii em 1477. » Allude-se á descoberta da Mina em 1469. tres politicos ^ . No reinado de Dom Aífonso v." França en vulgar francês (n. 471. (n. no cerco de Tanger. p. que ftz 1 se fez a corte poética de Suspirar. O que o faz inferior litterariamente dá-lhe um mento dos costumes. mandava ao em francez. em 1451. JoSo Dom e ii Dom Aífon- Manoel. que se podem organisar chro- nologicamente. allude-se ao caso de 1483. um caracter antigo.. rifar e apodar. e á morte de Dora x\ífonsa Imperatriz.<> 18) Cròniqties deis Retjs de Pina. Portugal. á execução do duque de Bragança « mas isto veo no tempo da deixaram por : morte do Duque. procurando já na mythologia clássica meio de dar relevo ao que se apagava na banalidade. com grandes os fidalgos favoritos de Dom João desasii não isso de metrificar. Cuydar e refere-se a » N'este mesmo anno grande festa publica nhor veo de Santyago. se processavam ques- tões subjectivas.° 10) de catalleria en ffrances. anecdoti- ca e satyrica.) — ' Ruy de » Varfets (n. (n.^ ELEMIÍNTOS HISTÓRICOS de trezentos e cincoenta e ura fidalgos das cortes de Dom so V. que o Infante Dom Fernando por si fez.o 22. como se conhece pelo Cancioneiro.. . e os a ricos momos. bre de butalles scrit !7) Epistolas de Seneclia en vulgar francês. V em 1481.» 12) Valerius maximus en vulgar francês. A poe- sia palaciana apparece-nos aqui exclusivamente pessoal. (n. citam-se : en francês. por occasiao do casamento da infanta com o imperador .136 (EpOCa 2. (n. avisos escriptos Na corte de Dom João ii a poesia tomou em que . e grande valor histórico para o conheci- pelas referencias históricas d'esta impor- tante época de transformação social. de 1490 quaitdo tl-rey nosso se- « Momo o singular No Catalogo dos Livros do Condestavel de de Santos. Era uns versos de Pêro de Sousa Ribeiro. No Cancioneiro descrevem-se como bons tempos as festas da Dona Leonor da AUemanha. das quaes Gil Vicente ainda cita Dom uma Pedro de Menezes.

destacam-se alguns que bastam para levantarem uma época litteraria taes são Francisco de Sousa. as Esparsas e A^iodos e Endechas. principal da actividade poética do século xv. o próprio Garcia de Resende. e que também foi em geral a primeira maneira dos grandes poetas quinhentistas. lavrante da rainha lhe conhece o E como na historia tudo é evolutivo. Álvaro Barreto. O Cancioneiro é essen- cialmente lyrico. e finalmente o enterro e trasladação de João ali pulsa a sua nota plangente ou neiro geral um Dom 1491. tudo do Cancio- verdadeiro monumento da vida da sociedade aris- tocrática portugueza no século XV. Dom Duarte. Já n'este Cancioneiro figura Dona Leonor. comtudo Cancioneiro aristocrático como independente. Empregam-se as Voltas e Motes. segundo o género castelhano da Lamentação . assim como as recordações dos serdes de Portugal. por João Jodrigues de Sá. e pelas coplas á morte de Dona Ignez de Castro.: A POÉTICA PALACIANA Século XV. Entremezes e fluíram sobre a manifestação do génio dramático de Gil Vicente. A influencia latinista. Descripção dos Cancioneiros jportuguezes do século c) — A parte colligida não foi no Cancioneiro geral de Garcia de Resende este o primeiro d'e3se periodo Restam A. os Momos. da corte de Dom João ii. Fernão Brandão. que metrificaram por feição aristocrática. in- talento poético. Duarte de Brito. por outros á tomada de Azamor. a sua morte chistosa. acordaram o génio lyrico de Sá de Mi- randa. fazendo ii. que ainda resistiram contra as formas poéticas italianas na chamada Eschola da me- dida velha. de ordinário satyrico. em que Resende não fica inferior a Camões. — No Ca- . contadas por Dom João de Menezes. acha-se em que nem o único o poder real se impoz noticias dafe seguintes collecções — Livro das Trovas de El-rei . No los Cancioneiro as formas narrativas estão representadas pe- Dom versos á morte do príncipe AíFonso e de Dom João ii. Dansas de retorta. XV. Entre aquella alluvião de poetas.) O 137 torneio e as divisas por occasião do casamento do príncipe com a Aífonso filha de Fernando e Isabel em desastrosa. por improvisos provocados por accidentes dos serões do paço. ahi está for- temente impressa pela traducção de algumas Heroides de Ovidio. que Gil Vicente. e .

Praza. 55) traduziu em latino: «Justo Juiz Jesus Christo. . (n. vem transcriplo este hymno João p. Diz o editor: 1 por descobrir esta oração seguir etc. » latina. do Ms. 14. p. Rey dos Rex e boo Senhor. 48. na Cartucha d'Evora. . os antigos Leal Conselheiro ainda se querimento tornei um pés de diz o . e se as suas ções existissem apresentariam No el-rei . e publicado por Helffrieh e de Clermont. n. rey dos reys e Senhor. no Aperçu de VÍIist. a qual pêra fazer consoar nom pude compridamente dar sua linguagem.o — . Duarte também sabia composi- sem duvida um caracter didáctico. p. reinas sempre e com o Espirito Santo.* DUARTi: D. . um hymno monarcha : ecclesiastico feita a pe- E « porque per vosso re- em linguagem simpresmente rimada de seis consoante a Oraçom do Justo Juiz Jesus Christo. ICpOCa 2. tem por bem de meus rogos piedosamente Tu dos ceos descendeste : prosa o hymno que com o Padre receber agora os era o ventre da virgem. » ^ Transcrevemos as primeiras estrophes para conhecer- mos a metrificação do poeta : Justo Juiz Jesu Christo. de Barros {Compilação de Obras varias. fiz aqui screver. sento peccador. é um hymno latino do século x. que sSo a traducçao de dido de sua mulher Dom reis peninsulares. conservam uns versos do rei Dom Duarte. Leal Conselheiro." 76) achado vem citado este Cancioneiro como trovar. Que com Padre regnas sempre Hu he danibos hau amor.te de Pois me me ouvir. nem a fiz em outra melhor forma por concordar com a maneira e tençom que era feita em vol-a latim. 30 da Academia de Historia de Madrid. des Langues neo-latines en Espagne. p. 477. Hu tomando logo came^ Livraste o segre de mal Por teu sangue precioso 2 De perdiçom eternal.Í38 LIVRO DE TROVAS DO RKI talugo dos seus Livros de uso. Tivemos nós essa « Fizemos grande diligencia mas com pezar nosso o não pudemos conventura. 2 ]\jq Cancioneiro popular. Tu que do ceeo descendiste Eq no ventre virginal. .

. o Doutor Gualter Antunes. remindo tua teu próprio sangue. B. . Tuum 1 narchia plasma redimendo sanguinem per proprium. » ^ Nunca mais senão no fim do século xvm Santos. e as duas Cartas de Egas Moniz com as Cantigas de Goesto Ansur.. e com variantes em alguns termos que iremos notando em seus logares competentes este Código era da escolhida Livraria do Doutor Grual: donde tomando verdadeira carne visitaste o mundo. — ^ Jilo- . que foi freira Odivellas e ^a qual subsistem trez quadras conservadas por Jorge Cardoso. Q. regum rex et domine cum Patre regnas semper et cum sancto flamine Te digneris preces nieas clementer suscipere. 40. o Fragmento do Poema da Perda de Hespanha. — Só no fim do século XVI é que accusada pela primeira vez a existência foi Cancioneiro. a propósito da d'este Canção do Figueiral : « E porque em matérias onde faltam autbores vale muito a tradição vulgar e as cousas que anticelebre gos traziam entre vam si como authenticas e verdadeiras e as ensina- a seus descendentes nos romances e cantares que então se costumavam. porei parte d'aquelle cantar velho que em um Cancioneiro de mão. Agiologio lusitano. p. . e do qual copiou a referida Canção do Figueiral: «Vimos em tempos passados um Código Ms. 411. o qual veia á mão de quem o estimava bem pouco .) Pedro. gua portugueza. por Frei Bernardo de Brito. e de sua sobrinha Dona Dom de seu irmão o In- Philippa. Conde de Marialva. 296. feitura por : Juste judex Jesu Christe. . t. que em que se tratavam louvores da Lin- parece letra do século xv. i. Cancioneiro popular. que o diz ter visto nas em este Cancioneiro torna a ser citado pelo Doutor António mãos de um Ribeiro dos antiquário do Porto. em que vinha esta Canção de Hermingues.É Duarte fante em com presumível que o Livro das Trovas de Elrei perdessem bastantes composições se Dom 139 CANCIONEIRO DO CONDE DE MARIALVA Século XV. » Eis a forma latina . p. Inde summens veram carnem visitasti sa3culum. .. ^ — Cancioneiro do Conde de Marialva. que foi de Dom vi escripto Francisco Coutinho. Qui Qui de coelis descendisti Virginis in uterum. luzit.

* » Já n'este século damos com a antes do . Soriano Fuertes extractou se também a Canção do Figueiral.. : RELÍQUIAS DA POESIA PORTUGUEZA 140 Antunes. na Galliza. escrevia D. . ou de Goesto Ansur. que nol-o mos- ter trou e d'ellc copiámos as ditas obras. em Alfandega da . . na Historia de la Musica en Espana « : Para dar alguma ideia da poesia portugueza no século xii e princípios do século xiii copia- remos de uma Canção Dom extractada de um Cancioneiro antigo que foi Francisco Coutinho. tradição existe Figueiredo das Donas. que fez a Santa Maria. temos os elementos da critica externa essas cinco relíquias para apreciar da Poesia portugueza. ro (EpOCa 2. pista d'este Cancionei- 1855. com a musica notada como encontra nas Canções de AfFonso o Sábio. Conde de Marialva. em Hespanha em em Simancas em na lenda heráldica dos Queiroz. m Depois da Canção da Reyna groriosa. da E » accrescenta em segui- «Por morte do Doutor Gualter Antunes não sabemos onde parar com os mais Mss. erudito cidadão da cidade do Porto. em Em Portugal existiu a Vizeu. » Eis o precioso excerpto « A Reina groriosa tan é de gran santidade que con esto nos defende do demónio de sa maldade e tal razom com 'esta un miragre contar quero.. livros e preciosidades do seu precioso : foi gabinete. e Betanços ou Peito-Burdello. sobre que tanto se tem desacertado A Canção do Figueiral. : te — É genuinamen- popular esta poesia. aposto e grande e fero que nom foi feito tan grande ben des lo tempo de Xero que emperador de Roma foi d'aquella gram cidade . Marianno Soriano Fuertes. elaborada simultaneamente com a tradição do Tributo das Donzellas. dice citado Identificado o có- por Brito e Soriano Fuertes com o do Doutor Gual- ter Antunes. que e na Veiga de Carrião .

o que mais confirma a sua authenticidade. quarto. lia : uma «A qual me lembra a mim ouvil-a cantar muito sentida. porque se ultrapassa sempre a sua ingenuidade. diz depois de a ter no Cancioneiro do Conde de Marialva lido tar E : « e depois ouvi can- com alguma corrupção . em . O facto de andar um Elogio da Lingua porum intuito philologico da parte de quem sioutavas. » ^ A com o monucom que João Pedro Ribeiro duvidasse da sua confusão das circumstancias da lenda mento poético fez authenticidade. também escreve no fim do século XVI Beira a lavradores antigos. infere-se o primeiro. tradiçcão deriva mytho dos Dragões que exigem Donzellas em gatadas por um uma heroe. Fragmento do Poema da Perda de Hespanha. sexto e septimo. a velha de muita edade natural do Algarve. Castro Vicente. e o como na relação de San Thiago com os Mou- Se emquanto ao seu fundo a Canção do Figueiral não é invenção gratuita. valor litterario. em que rimam verso. sem se admittir verso de arte maior. e em Portugal no século xv. e são res. na lenda inimigo da pátria.» Miguel Leitão de Andrada.: o GENKRO DE LAMENTAÇÃO Século XV. tavas em por onde se infere o seu justo que fosse trecho de mereça — São quatro ou- com uma linguagem archaica.. que é personificação solar um popular o Dragão é substituido por heroe por um santo. p. como já vimos com a Gesta de Mal dizer de Afí'onso Lopes Baião. do tributo. 27. Chacim e Balsemão. sendo eu muito menino. Da nem que forma estrophica.) 141 A Fé. quinto e outavo o segundo e terceiro. sem notar que as creações populares não se simu- lam. bem revela mulou estas de Lamentação da perda de Hespanha litterario que no século xv se usava Miscellanea. emparelhando coevo da invasão árabe. e rejeitar-se que a outava um poema como inútil.. O emprego de palavras archaicas revela-nos uma intenção artificial. effectivamente o género Castella com o titulo de . uma mance de Ayras Nunes. do século xiv. a forma métrica é similhante á do ro- ros. Frei Bernardo de Brito. Também se dá a estes Fragmentos o titulo no Cancioneiro do Conde de Marialva tugueza. só apparece pela primeira vez usado em Hespanha por Affbnso o Sábio.

que Na Canção cita. passando-se para Castella. Mem. ^ como se diz na Canção « Cambastes por Castilla. commum á Itália e Hespa- nha no século xvi. Dom — » João Op. que atraiçoa Dom João i.142 o GÉNERO DA CHACONE lamentação. se Chacone. caracte- cabalmente a época e o valor do monumento. e do qual o fíilla (EpOCa 2. " 713. do Porto. o attri- AíFonso Henriques. e no Alemtejo O nome de Ouroaim. no fim do século xiv e nos Cancioneiros provençaes por- . que era um género poético. p. a forma estrophica só apparece empregada pelo Arcediago de Toro. no fim do século Xiv apparece um fi- tuguezes não se encontra nome de Egas Moniz. Em primeiro lo- gar. Pelatura luzitana. ^ m. . Appareceu pela primeira vez na Chronica de Cister ^ de Frei Bernardo de Brito. I. n'e3te Estes amores diz. de 7. d'onde procedem os Condes de Marialva. » a Portigal Este Egas Moniz. que a revestiu de circumstancias lendárias. — Foram pela primeira vez publicadas por Miguel Leitão de Andrada. — cit. ." Marquez de Santillana. fl. davam logar aos poetas palacianos do século Soares da Silva. que também se cita monumento. filho de Pêro dalgo com o : — Coelho. risa Âs duas Canções de Egas Moniz. e que em Portugal apparece no povo de uma designando a Chacoina las Friel- dansa mourisca. com uma filha de Gonçalo Vaz Coutinho. nem nos Nobiliários apparece o nome de Egas Moniz com o titulo de trobador. sendo indubitavelmente do meado . e gratuitamente buidas a um cavalleiro da corte de Aqui também a lenda prejudica Dom monumento. nem esta forma métrica nem a linguagem. do século XV. por efFeito da vulgarisação dos amores de Oriana por Ama- uma canção lyrica.se a lição de Brito não lembrava de engendrar. que fizeram com que se lhe attribuisse a própria composição métrica. . ^ Explica-se pois como as Duas Canções apparecem no Cancioneiro do Conde de Marialva. só se usa na aristocracia portugueza do século xiv.. da Bibl. EUa achava-se no Cancioneiro do Doutor Gualter Antunes (ou de Marialva) e um na falsario ha erros e transposições de versos. regressara a Portugal no tempo de achando-se na batalha de Trancoso era casado Dom Fernando. t. — A Canção de Hermingues ou de Traga Mouros. Ms. Porém.

ger. da Bibliotheca de Madrid. de Michel Est e outros. t. Diz Resende uma em Trova sua a Diogo de Mello. recopilado segundo parece no século decimo quinto. ^ Cancioneiro do Abbade cia de Resende colligia os Dom Martinho. que partia de Alcobaça e havia-lhe de trazer de lá um Cancioneiro d'um Abbade que chamam Frey Martinho « : Decoray pelo caminho té chegardes ó mosteiro. outras de quatro . de folio. descreveu este códice. No Catalogo da Bibl. a muitas composições e cançonetas. . soube d'esta compilação e desejou compulsal-a. n. t.. compostas de duas redondilhas cinco versos cada uma. — Quando Gar- materiaes do seu Cancioneiro geral. cita-se: Triumpho de Oriana. Que si dos mil presos gana No torna ninguno á E se yo he quedado vida. iii. 233. Dom José Thomas. p. em 1790. a 5 e 6 vozes. com alguns de pouterce- Os continuadores da Bibliotheca de Gallardo. a cujo grupo pertence a Chacona de Oriana. qu'hacle vir o Cancioneiro do abbade frey Martinho. trazem Dom Alonso de Cartagena. no século xv 1 esta eslrophe de : Q'es tan cruel sin medida La belleza de Oriana. — * Canc. . 634. de Musica de Dom João iv. como contendo « obras burlescas na lingua portugueza.) 143 XV. p. Comprehende 96 folhas. vivo Siendo su viejo cativo. as quaes são coplas reaes. » 2 — Cancioneiro portuguez. e é ainda maior o numero dos auctores de poesias n'elle conten: das. que ajuda a comprehender o fervor das Canções a Oriana. Vemos aqui a persistência da forma da Chacona. Da-me la vida de suerte Que Uamo siempre la muerte Por dolor menos esquivo.CANCIONEIROS INÉDITOS Século XV. algumas mixtas cos vilhancicos e redondilhas de quatro versos.

coHTK DE 144 / A ". Dom como João i relevo á sua corte por exageração de formulas cavalheirescas. pela qual se explica o pensamento politico proseguido por outros bastardos. Os chronistas calaram a convenção. obrigou Portugal a servir a Inglaterra com armas e galés á sua custa. se representa o momento histórico em que mia. Não só pela sua vaidade de casamento com a filha do Duque de Lencastre.-. hoje conhecida pelas Fcedora de Rymer. É que seja este o Cancioneiro do Abbade de crivei Alcobaça. §. syllabas. — ou de poucos de redondilha menor ou oito syllabas. pelo deu No Regimento de Guerra compilado nas Ordenações aíFonsinas. que para a conservar não se peja de sacrificar livi*e á dependência de um do a politica seguida por com a Inglaterra. Os poe- mas da Tavola Redonda. JOÃO (Epoca 2. mudanDom Fernando para Convenção de Londres de 9 de Maio de 1386. pela alliado protector. para d'e3se reinado assim garantir o seu throno. e do Conde de livros xv portuguezes do século foram parar a Hespanha. assignala a nacionalidade teve consciência da sua autono- também a elevação de um obscuro bastardo á berania. Vimioso. e se encontra frequentemente o seis verso quebra- Segundo a opinião do académico hespanbol parece ter sido » a coUecçao que mais contribuiu para a formação do Cancioneiro de Resende. Dom Affonso iv e um so- povo Dom João i. essas ceremonias reproduzem o ritual da epoca das cruzadas. a) — O advento do Mestre de Aviz ao throno de Portugal.* I maior parte dos versos são dos que chamamos de redondi- Iha maior de D. . communicados pelo séquito de Dona Phieram lidos com fervor pelos cavalleiros dedi- lippa de Lencastre. II As Novellas da Tavola Redonda em Portugal Referencias nos costumes aristocráticos. Uma com titulo trovas de grande parte dos de Cancioneiro portuguez AíFonso Lopes. do. ou esse que com o cita Gil Vicente. rei.

Lançarote Teixeira. Tristão Fogaça. abundam os poemas da Tavola Redonda. e o próprio cavalleiros. Demanda do Santo Graal. resultam de Silva. É notável como estes sen- timentos ficticios penetraram nos costumes da sociedade portugue- apparecendo empregados na aristocracia como nomes civis nomes dos principaes heroes dos poemas arthurianos. que era o typo que pro- curava como modelo das suas acções. que Madre Doze de Inglaterra. Lançarote de Mello. em lucta com o perstitensa. Correndo za.DE. são vulgares os nomes de Genebra. e as aventuras galantes da Ala dos Namorados. b) Um outras ficções novellescas. dos Cavalleiros da uma moda. e o Condestavel prurido Nuno Alvares imitava a virgindade heróica de Galaaz. dos as relações com a corte ingleza tornaram mais in- Nas Bibliothecas portuguezas do século xv. encontra no texto francez.i João i chamava aos seus no cerco de Coria. Demanda do Santo Graal. pelo nome dos companheiros do com Rei Arthur. do século xiv e xv. GHAAl. Tristão da Silva. Os votos denodados. folhas existentes se encerra a parte mais importante com a circumstancia de que não sar de citado pelo escriptor. e d'elle deu noticia Varnhaquando o encontrou na Bibliotheca da corte de Vienna. ape- manuscripto é escripto por difFe- « O Ms. Lançarote de Sei- xas. que se sentavam O á Mesa Redonda. o principio. Viviana. Estas obras hallucinaram a imaginação dos nossos fidalgos. temos Tristão Teixeira. os os documentos do século xv achamos Dona Yseu Perestrello. gio do elemento erudito. Percival Machado. Lançarote Fuás. Não contém. on- a de tem o n. 14. elle cavalheiresco era extemporâneo. » O se da Novella. como a de Dom Duarte. Dona heu Pacheco de Lima . Continua Varnhagem da Tavola Redonda existente em Vienna consiste (sem principio) : 10 . e foram ainda um thema sobre que se desen- volveu a nossa lingua e litteratura. Dom em pergaminho e João i. — dos principaes documentos d'esta litteratura novellesca intitu- la-se gera. rentes mãos.) SAMO 1)U Dom cados á nova dynastia. que respeita a Lançarote." 2594 existe uma : « Da parte d'este. na Bi- com o maior esmas nas 199 é verdade. Lisuarte de Andrade. Infante Dom Fernando e Condestavel de Portugal.MANDA Século XV. Lisuarte de Liz. Oria- na. versão livre contemporânea de bliotheca d'esta corte. escripta mero e possível. Arthur de Brito e Arthur da Cunha.

no colieeção maior. fazia parte de volume grosso. e a Estovê mui usado o ren e o en. Livro de Josep ah Ârimathia. co- de uso. » D'este Manuscripto se extractou a declaração a : Este Sanches mestre escolla de Astorga no quinto anno que o estudo de Coimbra foy feito e no tempo do livro mandou fazer João papa Clemente que destroio a ordem dei Templo em Viana e poz ho entredicto de Caslella. A. O qual eu achei em Riba Dancora em poder de hua velha de muy antiga idade no tempo que meu pay C. — uma Brado de Merlim. como tendo-o to visto em 1846 em Lisboa : « Acerca do San- Greal tivemos occasião de ver. 1 filha do em uma Dom e n'este ano se fi- e casou o Infante A. outro manuscripto intitulado lado a primeira parte da em Lisboa Livro de Josep ah aramatia Intitu- : Demãda do Sãto Grial ata a presete idade nunca vista treladado do próprio original por ho Doutor Manuel Avez corregedor da Ilha de Rei alto e poderoso princepe el nosso Senor. mesmo de El-rei mo se ainda se sentido que os trovadores os usavam. A. p.em (EpOCa á."'" de Vossa Corte servia V.° ano de 13 bij ano. nou a rainha Dona Constança em Sào fagundo geral Dom Felipe com a Cancioneiro geral. escreve o Doutor « Com esta ousadia comecei a tresladaçSo do presente livro. 165 a 167. segundo consta do um Parece que o códice. hofereço." doeste rei Dedicatória ao monarcha.°'" Dantre Douro e Minho. por elle verá. segundo elle parece he spto era pergami- nho e iluminado. franceza de Elie de Boron. » Na Manoel Alvares : Sã Miguel Dom João Deregido ao muy nome El 5. partes. Cancio- . ha uns 24 annos." JOSEP AB ARIMATHIA 14(> parte do Conto ou Roman^o de Lanzarote. 165 e 168. neirinho. de C. Dom » ^ Na Bibliotheca Duarte guardavam-se porventura estas vê pelos titules dos livi'os Tristão. comprehendendo o — Ahi ria de Tristam. A. que é da copia tirado mesmo texto. E a caise de dozentos annos que fo spto trata muitas antiguidades e matérias boas e sabrosas como V. » ^ No poesia de Álvaro Barreto á morte do Cancioneirinho de Trovas antigas. que a V. p. Merlim e o Livro de — D'este Manuscripto do cyclo das novellas portuguezas da Tavola Redonda. notas. e fez o Concilio — ^ ^p. O qual livro. dá noticia Varnha- gem.

5. Vespasiano foi o heroe de muitas gestas da um Edade media . em das índias. o 1 Mar Ed. Stuttgard. Bi- itio a .: HISTORIA DE VESPASIANO Século XV. 278. 21.. blioteca de 167. t. n. esta a úni- pertence ao tomarem como li- vro cora Valor histórico que alcançou a publicidade. 8. — 2 Panorama. p. pelo seu mestre sala. — Baptisa-se Vespasiano.) ventura. (cap. (cap. cita uma largo Historia dê Vespasiano emperador. (cap. e Herculano um poema também em provençal da Bibliotheca de Paris. encantadas — Viagens de Bozmital.. p.) * Tradição das Ilhas c) — O chronista Azurara de vilhosas cita San Brendan.) Como Vespasiano. notas. 23. com valor histórico as viagens mara- e isto nos indica ilhas encantadas veiu agitar a como a crença nas imaginação dos navegadores portu- guezes no século xv. 4. e como Vesdis. 25. ^ pasiano : — — — — Vespasiano havendo prometido não queimar nem enforcar'" a Caifás.)» foi sào.° sem data. creia nos ídolos. p. ^ Podemos porém affirmar que a Novella portugueza foi traduzida do hespanhol porque existe impressa. in-4. — ^ Cancioaeiíinho. o manda meter em uma pasiano barca 27. tenebroso dos .. 530. Francisque Michel poema provençal em uma bibliotheca de Inglaterra. C. 3 .antigos. Esta crença tornou-se popular Gallardo. C.) Como o Emperador enviou buscar as reliquias de J. Estoria do muy ^ nobre Imperador Vespasiano. — i. e foi talvez por a . iv. de Josep ab Arimathia trata-se por vezes de Ves« Como o Emperador perguntou se J.) Dom Infante 147 Pedro allude-se a esta novella do mestre escolla de Astorga Do comprido mestre escolla ou Josep Baramafya. p. de que resta noticia pelo Catalogo da Livraria de Fernando Colombo. levando-os á exploração do oceano Atlântico. (cap.) Como a Verónica veio a Roma. t.. foi gafo. (cap. e que elle comprara filho do almirante Sevilha por outo marave- No Ms. t. ca novella do século XV que chegou —É a ser impressa cyclo erudito greco-romano. á (cap.

citaremos as de Marco Polo. de que falia Dora Francisco Manoel de Mello. e lhes paizes mandou que no mar experimentassem. segundo nos trevas.. e puzera ze escreventes. . segundo os crédulos. A ^ corrente litteraria da época forçava-nos a abandonar as fic- ções medievaes pela erudição humanista. em vez das narrativas no- . das quaes sahindo. traduzidas pelo Infante Dom Pedro. provendo -os de viveres para em cada navio do. i. t. » A lenda contada pelo muito dramática e extensa. quatro annos. para que d'aquelle logar navegassem pelo espaço de quatro annos até o mais longe possivel. Este viajante era conhecido na Itália pelo nome vulgar de Marco o Milhão. passado uma o espaço de duas semanas aportaram a terra casas construidas. encontraram debaixo da os navios á praia. 1 Ed. chegados de ouro e prata. visto que aqui cabe fallar de viagens. ainda se avistam dos Açores e Canárias.. Viagens que se guardavam na Livraria do rei Dom Duarte. abundantes se AUi. no Cancioneiro de Resende vem citado pelo seu aspecto maravilhoso Outros metera mais Mylham do mesmo ponteficado. desembarcado. e tem recebido viajante Rozmital é outras redacções curiosas E ilha. das quaes atreveram a tirar nada. e finalmente os contratempos mar chegaram a umas certas Estes portanto. os dezertos a que chegassem. e a realidade dos acon- tecimentos levava-nos a occuparmo-nos vellescas das Chronicas históricas. vem Lecão de Rozmital. tendo comtudo não foi pelo espaço de dois annos comple- em diíFerentes épocas. e aí se aponta a narrativa encantada a que aportaram os navegadores portugue- transcrevemos as primeiras linhas d'esta lenda geographica. 14i.: 148 (Epoca 2. contado. Nas celebres viagens de de uma zes ilha 1465 a 1467. que se «que avivou no espirito portuguez com as tradiçSes célticas um dos reis de Portugal mandara : construir navios e os en- chera de todas as cousas necessárias. escrever o que vissem.N(:\M \i>As as ilhas empoadas. p.* iMiAs r. de descripta a sua digressSo em Portugal. tendo sulcado o tos. Stutlgard.

e por isso as duas nam cas leis phoneticas que predomi- constantemente na formação divergente das línguas români- —o desapparecimento das vogaes mudas e a queda das con- soantes mediaes. que só no século xvi foi aubmettida á auctoridade dos eru- quando já não podiam alterar a sua morphologia. preludia por toda a parte Não mas se opera os de espiritos um modo cultos brusco a negação da Edade media. 1. 149 m Predorainio da erudição latinista O século XV foi a grande época da erudição. beu um um caracter diverso em vez de augmentarem o vocabulário desenvolvimento erudito.CORRENTE MEDIEVAL E CLÁSSICA Século XV. apparece de um modo nitido nas transformações que recebe a lingua portugueza escripta.° ditas. A lingua portugueza desde que ditos. a Renascença sob o aspecto philologico e artistico. fossem obrigados a escrever para o em uma linguagem que gueza seguisse uma evolução povo elle entendesse. mas foram modificadas na linguagem es- . a medieval e a clássica. e obser- também nas va-se bibliothecas principescas antes da vulgarisação da Imprensa. — pela fatalidade da natureza exerceram-se sem- pre na linguagem oral. Estado da lingua portugueza — Como : Formas populares e eru- a lingua portugueza também rece- a litteratura. A coexistência das duas cor- rentes. Se a lingua portu- natural. ou o que vale o mesmo desprezam o elemento tradicional da litteratura. ao passo que se apaixonam pelas obras- primas da antiguidade greco-romana. começou a ser escripta foi fixando as suas formas ao capricho dos traductores. afastam-se calculadamente do contacto com o povo. que a modificou e lhe imprimiu do que teria se os escriptores do século xv com palavras tiradas di- rectamente do latim urbano. não obstante todas as innovaçoes léxicas. chegaria indubitavelmente a essa contracção das palavras que tanto distingue a lingua franceza.) §.

. quando imitam a elocução popular. populares só foram introduzidas na linguagem es- como vicio do escriptor. Área. as formas erucom pretenção culta. fundo popular das alterações phoneticas. se nota quanto phonologia. como em Logro ambas derivadas do As formas simples terminação persistência das formas duplas resulta da rença de sentido que a e Lucro. Quieto Quietus. ditas introduzidas raria convencional. ainda no século xv cripta accidentalmente. ioO (EpOCa 2. ou introduzida di- lei latim Lucrus. lingua que se tornou de uso entre as classes illustradas a ponto de já no fim do século modo considerar a linguagem propriamente vulgar de tal ca. que foi cumentos xv se archai- necessário traduzir para a linguagem corrente os do- officiaes. Freima Grude . a morphologia e a syntaxe da lingua- leguismos do século xv apparecem Muitos dos gal- nos escriptores do século xvi. chamava lingua ladina ou ladinha. Pardo Quedo Pallido Pallidus. Na morphologia distinguemmento se os substantivos pelo suffixo entre as formas 1 em am e em vez de ão om. virtude d'e3ta divergência. João do popular as cantigas. Olho Óculo Oculus. romances e contos. segundo a palavra proveiu de modificada pela com uma rectamente do latim pelos eruditos portugueza. o vocabulário apresenta um formas duplas. Apotheca. pronome homem ou (erudito) (latim). emprega-se Eis alguns exemplos de duplos Amplo o ha incerteza : Amplus Ancho (popular) Bodega Combro Botica Cômoro Comorus. . ^ A diflfe- mesma palavra exprime.* FORMAS DUPLAS Em cripta. ó que hoje mesmo a gem do povo se afastam da linguagem escripta. como aconteceu com a reforma dos Foraes tenii. Eira Área Fleuma Flegma. Delgado Delicado Delicatus. Quando se collige do dicta- tada ainda no tempo de D. Glúten Glúten. Insosso Insulso Insulsus Nédio Nitido Nitidus. tornaram a lingua litteá qual el-rei Dom Duarte.

e João i conti- léxico pelos neologismos nas construcções syntaxicas. déspota. t. Pedro. A natureza d'estes também revela. auspicio. que pelo seu lado das últimos documentos nos romanas imprimiram á lingua esse cunho leis na traducçao os jurisconsultos nas artificial. ao fazer p. insurreição. facção. » ' 1 Leal Conselheiro. como teudo e manteudo. introduz os novos vocábulos monarchia. formas verbaes em vezes em 15i ades. e toma-se directamente do latim o suffixo issimus para a formação dos superlativos que antes do século com compostos a mui muito. liv. traduzindo Aristóteles. Chrístianissímo. E — que não fez o ^ Ap. aliás erudito Litt. Conde de Barcellos. ap- onde se lê: « parecera os seguintes superlativos simples santíssima. introduz nas linguas modernas as palavras cokorte. Infante Dom Séneca. . tribuno do povo. tyrannia. auguro^ inauguração. 2. colónia. Portugal o compilação dos sete livros de menos letrados forem do que eu som. i. J^astos. nem podem Em demagogia. mostrando que som assy claros em verdade . que escusar.) ornem como indefinido.: ARGHAISMOS E NEOLOGISMOS Século XV. que se foram tornando O mesmo «llipticas. Frei portugtieza. formulas jurídicas. filho do muito virtuoso e vitorissimo rey Dom Joham. aristocracia. » ^ Nas Cortes de Évora. As — No reinado de traducções do latim. 182. de 1481. Dom pelas traducções do la- se dava em outras linguas românicas . nuou mais calorosamente o enthusiasmo tira. participios muitas udo. No xv eram Leal Conse- determina a introducção d'este superlativo litterario se lheiro o adverbio muito e porque nos Senhores esta virtude antre todas muyto recebe grande louvor. da Virtuosa Bemfeituria. Pedro de Bercheure. democracia. oligarchia. — 3 : « E que os anojem d'algumas se em taes obras se nam João Pedro Ribeiro caracterisa assim a traduc- ção de Frei João Alves p. magistrado. Mem. sedição. : « 213.. cap. subsiste o caracter archaico. senado. de Ms.. traduzindo Tito Livio. triumpho. grandíssimo. onde por especial d'ella som chamados illust7'issi- mos e sereníssimos.» ^ É d'esta mesma época o documento sobre Behetrias. usa d'esta mesma uma liberdade desculpando-se palavras latinadas e termos scuros. Oresme. i. transfuga. Este facto influiu no augmento do eruditos.

p. por que he hua door. E a tristeza nom consente fazer assy. ou segundo nossa linguagem mal querença XXV do Leal cap. nós. E nossa linguagem vocábulo apropriado. de que nos nom praz. . nem d'elles avemos sanha. salvo se tanto se acrecenta que derriba em tristeza. . » ^ A lati- abundância e facilidade dos neo- sobre o estudo da synonymia. assy como se vee na morte d'alguns parentes e amygos. actuava A fante Dom Pedro. falia porem ou lembrança se sente. assy embarga sempre contynuadamente o coraçom. porque a « : . o depois abbade de Paço de Sousa ? Parece quiz trasladar todas as palavras nas para o nosso idioma. e o nojo he a tempos. » Dom Duarte também seu próprio se entrega a estas considerações nome em nossa linguagem é sanha . mas propriamente sentymos no coraçom hum pesar com assas de sentido. 12. %. 103. sospirar. ca bem veemos que das mortes d'alguns nos pesa muyto. faliam.SOBRE A SYNONYMIA 152 (EpOCE Í/' - JoSo Alves. por que toda cousa que se faz. podemos dizer com verdade que nos despraz . p. . porque o nojo no spaço que o sentem faz em aquel que o ha grande alteração. . onde aquel tempo que per justa sentymento he muyto rijo. o taaes hi ha que passado o dia logo riim. e outras mudanças de contenença. n. mostrando manyfestos sygnaes em chorar.° 4. e contynuado gastamento como apertamento do coraçom . secretario do infante Dora Fernando. e menos caymos em tristeza. — ^ Leal Conselheiro. na como estes chamam-se em latim specialmente Jucunditates. p. Sobretudo no especulação philo- Antre nojo e tristeza eu por qualquer parte que ve- tristeza. » » . O desprazer he já menos. e o nojo nom contynuadamente. por Virtuosa Bemfeituria: em não termos « taes prazeres podemol-os chamar Sobreavondante e extremada alegria. o que nom mostra o pesar soUamente. assim diz o In- terismos. Conselheiro acha-se já sophica sobre a synonymia da lingua faço tal deferença . E tal deferença se faz antre nojo e o 2>ezar . que non dá spaço de poder em ai bem pensar nem folgar . e nom nos derriba tanto que façamos o que o nosso nos constrange fazer. nha. ^ « : «do ^ O rei Da yra^ ódio. uma . Idem. e despachadamente no que lhes praz pen- sam. 1 — » Reflexões philologicas.

Na Carta regia de 22 de Novembro de 1477 ordenan- do a reforma dos Foraes.* —O « tornal-os a tal for- » — do Infante Santo Dom Duarte dedicandose aos estudos litterarios seguia o exemplo dos principaes monarchas e príncipes da Europa. já a phenomeno tem um alto va- Ordoôes de Montalbo corregia o Amadiz antiguos originales que estaban corruptos ó com- antiguo •puestos en castelhana los em 1495 revista ^ Aífonso v. Esta revolução não se deu na lingua pelo contrario Fernão de Oliveira e Nunes de Leão. n. . — 2 aja. do esta traducção lor. nhor e Padre.» BIBLIOTHECAS PORTUGUEZAS Século XV. t. apontando palavras que se tornaram archaicas e as differenças de estylo. Salomão e ção : « E procuravam imitar. nem : fallar que se poder fazer. no século xvi notaram esta transformação da lingua portugueza. mais « sentença do que a tomar e poella enteiramente que está escripto. . » ^ N'esta grande Encyclopedia do saber medieval o rei Dom Duarte expõe as regras Da maneyra para bem tornar alguma leitura em nossa linguagem. emquanto se achou aqui A Dona rainha bém Isabel. p. . fez Biblioteca hti livro meu Se- das Horas de de Gallardo. este . mas todo seja em nossa linguagem scri- nom mudando. honrando o sceptro Duarte confessa o motivo da sua determina- e de César elles calamo. ma e estylo que é para diz-se que se possam bem entender. 260. mandou tam- traduzir a Vita Christi de Ludolpho Cartusiano. tam seja ligeira 153 que pouco sintamos. mas quan- por Frei André. esposa de Dom corte portugueza. As Bibliothecas do Rei Dom Duarte 2. Transcrevemos as primeiras duas regras bem a nhecer Co- nem menguando alguma cousa do nom ponha palavras latinadas. que achegadamente ao geeral boo costume de nosso pta. foi achou antiquada na linguagem Também em 1492 de Gaula de . p. cuja alma Deus ^ rei Leal Conselheiro. que segundo a tradição erudita de e do Condestavel de Portugal. Sob a influencia do rei Dom Duarte. 149. como enviado á estilo. d'outra acrecentando. o Dom semelhante o muy excellente e virtuoso Rey. fez também o bispo de Burgos Dom Affonso de Cartagena a traducção da Rhetorica de Cícero.) aynda que cl'ella. O segundo. linguagem.

Tito Livio. de inglez por um cónego Merli. 169. Júlio César. Cicero. as obras dos Santos Padres e moralistas ecclesiasticos mas acha-se ai li brilhantemente representada a poesia da Edade media. Vegecio. honrado multidões fez de leituras? antiga e doutras creenças. o Livro do Conde de Lucanor de Dom João Manoel. ^ Só os reis e príncipes é que podiam possuir livros antes da descoberta da Imprensa. compoz o livro da virtuosa bemfeituria e as horas da confissora Rey Dom AfFonso estrollogo quantas E assy Rey Sallamon. — t. os quaaes e aquel . e Pedro Condestavel de Portugal. o Livro de Galaaz. 498. p. pelo testamento do Infante pelo inventario dos do preclaro livros Dom Dom Fernando. e outros na ley seendo em livros do que lhes prouve. que no desenfado dos negócios graves se distrahia fazer nora pequena auctoridade. prevalecendo este ultimo a ponto de no século xvi os poemas da Edade media es- tarem já desconhecidos. espahola. a Gran Conquista de Ultramar. traducção de Jacques Coresa do francez de Benoit de Sainte More. pertencem a esta categoria o Livro de Amante de Grower. a HistoHa ^ Troya. pelo Catalogo dos Livros de uso do rei Dom Duarte. 46. na maior vi. um Valério Máximo. o Cancioneiro de Affonso o Sábio. e (EpOCa 2. de cujos feitos e vyda som contente. Na Bibliotheca do rei Dom Duarte guardava-se a Dialéctica de Aristóteles. * Ibidem. portuguezas do século xv. —- Ainndor de Ics . » escrevendo. de la Litf. Outros livros 1 Leal Conselheiro. N'estas Bibliothecas acham-se promiscuamente o mento medieval ele- e o greco-romano e humanista. Rios. Conhecemos três Bibliothecas ordinário. os livros que se facultavam aos estudiosos sos á estante por uma corrente. vi. Hist. concatenati.* e Salmos certos pêra os finados. DUARTE Maria Sanct<i taria. p. per aragoez. Séneca commentado. talidade da tradição Tristão. traduzido do de Lisboa Roberto Payno. p. em screver seus me dam para semelhante real estado. meu Monamado sobretodos prezado e irmão. e outro de o lífíinte Dom Pedro. confessa que escreveu o seu tratado a exemplo de Júlio César. as Obras do Arcipreste de Hita. filharom desejo e folgança ^ E no livro da Ensinança de bem cavalgar. o .i54 BIBLIOTHECA DO KEI D. por causa do seu preço extra- eram precomo se declara no testamento do Doutor Mangancha.

i. Deis fets de la cavalleria en ffrances. A ^ bibliotheca pelo catalogo de Fernando. e este livro foi achado em no muymento . Tito Livio áe secundo bello mentai-ios de César. este fez muitos livros. de 1448.se no cap. Vida de César. outro livro que gem. ap. Pedro. No ^ tamorfoseos. Les Cent balades.BIBLIOTIIECA DO COXDESTAVEL D. Cornelio Tácito. p. Virgilio Les Enehides. contendo obras extremamente raras. Liber ysocretis. N'esta livraria subsiste o elemento medieval. 150. se do Infante vem a lista Dom um entre as obras mysticas: sal d' amor. Boecio. lo Joan Bocaci . PEDRO Século XV. Josepho De ComOvidio MeSéneca. facultase assim a leitura dos seus livros: «e que os meus livros se posessem 1 Doe. Plínio de la natural istoria. etc. Declamações de judayco. taes como o Ovídio da Velha. » En- Andres Belngner y . Plutarcho Liber de viris illustribus. feito antes da ex- dos livros que possuia. as obras de Aristóteles. Man- gancha. e com as mais esplendidas encadernações. a Valério ciis. 20 a 34. como se vê 30 de junho de 1466. que com o De titulo Vetula fora attribuido a Ovidio. Manuscripto da Corte Imperial muy poeta genhoso e muy ouve nome Ovidio Naso e sutil « bem Lê.) 135 da Edade media eram conhecidos na corte de Dom Duarte. de Richard de Furnival. el t. Troya os livros da corrente greco-romana destacam -se o Sonho de Scipião. prepondera a erudição greco-romana mas citaremos o poema de Ale- .. cadeas. xii do sabedes que huu grande antre os outros poetas foi o que E foi gintil. testamento do Dr. destacandolivro de linguagem chamado Ro- chamam Izac (Izea?) em lingua- do Condestavel de Portugal. Conquestes de ultramar en de consolacion en vulgar castella. em huma Livraria per Soares da Silva. Suetonio. — vulgar castella. as Epistolas de Séneca en vulgar francês. lo que caracterisa a erudição da primeira metade do sécu- XV. Túlio De Politica e Economia. No testamento pedição a Tanger. — * Condestable de Portugal. xandre en ffrances. bello púnico. p. Justino. constava de 96 números.. Sidracho en leti. Ethica. Itsm. D. o qual antes da sua morte compoz huíi livro que chama Ouvidio da velha. entre philosopho. J. Merino. Máximo offi- en vulgar francês.» Este poema exemplifica o syncretisrao das duas torrentes medieval e clássica.

03 Platinas. da esphera com a civil o objecto das suas narrativas.* HISTORIA Chino. ponto de resis- tência dos civilistas contra os decretalistas. de Cicero. ples ainda confundida fastos da vida ficações A Chronica sim- tradição poética. Lucano. Ptolomeu e Homero ahi se acham citados conjunctamente com os Padres da Egreja e os chronistas da Edade media. dos venezianos. dos hespanhoes e dos portuguezes nos foragidos de Troya ! Os estados geraes quizeram que se fixassem as razões das reformas que estatuíam. século XV. Froissart viaja para colli- . No meio d'estas pretenções de uma vaidade erudita. e nos primeiros trabalhos especulativos sobre politica. os Olivier de la Marche. Plinio. e os chronistas eram lison- gcados pela realeza para justificarem os seus crimes. Conta Da- mião de Góes que Afíbnso de Albuquerque presenteava com jóias Ruy de Pina para lhe ser favorável nas Chronicas. de Aristóteles na Ethica. Desenvolvimento da forma histórica. Valério Máximo. veiu procurar nos nos interesses da ordem politica. d'essa3 poderosas conspirações e razões de estado.° ma — Travada a lucta da realeza contra o poder senhorial. o ulti- movimento le- vado a cabo por Luiz xi contra o Duque de Borgonha apparece também em Hespanha na queda de Álvaro de Luna. e ao mesmo tempo abona-se com a auctoridade de Ovidio nas Metamorphoses.\ (Epoca 2.CAHACTKH Iri6 tre esses livros um cita civii. de Séneca na tragedia de Pkedra e Hypolito. As nacio- nalidades já constituídas reclamaram dos eruditos a invenção das suas genealogias históricas. i>. cita o poema francez do Duque Jean de Lanson. appareceram os Comines. Tito Livio. deixou-nos Memorias pessoaes ou particulares. nas modi- social. acabada em 1453 na livraria d'aquelle monarcha. estudando os bellos monumentos históricos de Thucydides 6 Polybio. o celebre Commentario de Cino da Pistoia aos nove primeiros livros do Código. A erudição humanista. sentia-se espontaneamente levada a imital-os na transformação das chronicas e annaes em historia nacional. e em Portugal O com a execução do Duque de Bragança por Dom João ii. e os eruditos filiaram as origens dos francezes. A las bibliotheca de citações Dom AíFonso v é-nos também conhecida pe- que faz Azurara na sua Chronica da Conquista de Guiné. 3.

Ulst. N'este Noronha. Garcia de do Papa. critique de la Litt. e dos plagiatos ^ Lefranc. que apparecem os grandes historiadores portuguezes. e precisava para isto o teste- munho Asseguraram-lhe que muitos cavalleiros dos portuguezes. gracieux e accointahle. escrevendo na lingua nacional. com elevado bom senso. Frei Justo bispo de Ceuta e concordasse Angelo Policiano para traduzirem naes. d'essa nação ria parte O estavam em Bruges. e como se porventura o nome geographico com a designação ethnica. e convidava latinistas estrangeiros como Matheus Pisano. No século XV propaga-se a Armas tradição das plicadas pela lenda do Milagre de Ourique. A um admirá- redacção portugueza era provisória. franraise — Moyen-âge.) tempo gir os successos do seu : « V')7 Faltava-lhe alguma cousa a di- zer sobre as guerras de Hespanha. para Bruges ali . homem. considerando esta nação primitiva tribu céltica.. como se pode inferir da despreoccupação do estylo em Fernão Lopes. De em latim as memorias nacio- Pisano resta a narração latina da tomada de Ceuta Frei Justo morreu repentinamente da peste. perdendo-se no seu espolio os materiaes ciano que lhe tinham sido confiados não accedeu aos desejos de exagerado respeito pelos latinistas Dom . e está com elle Ali acha o seu durante seis dias. . chama pela primeira vez a Por- morias de la Marche. cavalleiro errante da Histo- um sabe que guez valente e sábio estava na Zelândia Zelândia. 393. Angelo Poli- Apesar de um estrangeiros é no século xv João ii. orando diante como representante da tugal Lusitânia. e Azurara visitava as conquistas da Africa. outro cavalleiro portueil-o . ex- se vê pelas Me- mesmo século o bispo D. A realeza preoccupava-se com a organisação das Chronicas do reino. mas o prurido da eru- dição latinista abafava por vezes o talento descriptivo e a acção da narrativa. » ^ Com este mesmo espirito Fernão Lo- pes divagara por Portugal para escrever a historia do reino. como nacionaes. fazendo-lhe contar as historias e anecdotas que vae reduzindo a escripto. A HISTORIA NA FORMA LATINISTA Século XV. e com vel relevo pittoresco. Depois de ter esgotado a memoria d'este cavalleiro parte para outra investigação. sendo destinada á ampliação do latim académico. p. a caminho para a para saber os successos de Portugal.

Contador dos 1403. e por fazer a elle : « per seu prazi- mercê.158 o AKCHivo NACIONAL (Epoca 2. Em outubro d'este anno já estava de posse de tal logar Fernão Lopes. um tuição de nando em e Archivo dos documentos nacionaes por A Dom insti- Fer- seguida a creaçao do cargo de Chronista do reino inherente aos guardas d'este archivo. e d'este publicas estavam guardar juntamente modo as escripturas confiadas aos empregados da fazenda. Os primeiros guar- das da Torre do Tombo. ainda não separados nas suas attribuiçoes dos empregados do thesouro. contador dos Contos de Lis- boa encarregado do serviço da Torre em 1403. Gomes Eanes de Azurara e Ruy de Pina. O facto de apparecer nomeado em vida de Gon- çalo Gonçalves leva a inferir que as attribuiçoes de Archivista e de Thesoureiro foram separadas e tornadas independentes com a nomeação de Fernão Lopes. incumbido do serviço do Archivo em 1414. e exercendo-o até 1418. e a conversão das Estó^Z reis Dom Pedro i. em Caronicas. pedindo a sua exoneração por ser: que per A si não pode bem servir o a tão velho e Jlaco. e cap. indigitado pelo próprio Fernão Lopes mento. Nas Chronicas dos a) rias — Dom 12) e de Fernando. Desde 1418 até 1420 apparecem bastantes documentos assignados por Fernão Lopes « a que desto he dado seu especial encarrego de guardar as chaves das dietas escripturas e o traslado d'ellas. 48) falia Fernão Lopes da Torre alvarrã ou do aver primitivamente construída para se guar- dar o thesouro real com . o que leva a fixar a separação do cargo de Archivista do de Thesoureiro em Seguiu-se-lhe Gonçalo Gonçalves.» que d'este chronista fizeram outros que lhe suecederam. vedor da Fa- zenda. e determinaram o apparecimento de Fernão Lopes. como he razom de se dar aos . Almoxarifados de Setúbal e Óbidos. Gonçalo Esteves. o fundador da historia portugueza. (cap. » nomeação do novo archivista recaiu em Gomes Eanes de Azurara. Dom Fwnando mandou o thesouro o Archivo do Reino. posto que não trabalhasse nos Contos. (pr. Fundação do Archivo nacional. » Fernão Lopes exerceu durante trinta e seis annos este cargo. conver- tendo-se a Torre do aver em Torre do tombo. por 1378 . actuaram sobre o desenvol- vimento da forma histórica. vencendo o man- timento e vestir. já dito officio. foram João Annes.

as lendas oraes.. ^ que outras causas mais fortes interromperam. » . festas e casamentos reaes ção com a vida publica. em 1861 Vicente. que Purificação diz serem simplesmente allegados como testemunhas vivas ao tempo da reducção do texto. divergindo do texto que acha nos Monumentos históricos da Academia. Torre do Tombo. que ficaram de fura da coordenação das chronicas do reino A A. ao meado do século xv.. Hist. de Portugal. de Santarém a 19 de março de 1434. ^ Dom João iii mandou imprimir a traducção d'esta Chronica. » Vicente se não consentia que alguém o to- nem mesmo aos historiadores e chronisSegundo D. tal empregavam no a Historia e a Gesta se rativos em de poer « sentido de poemas nar- a chronica era a ephemeride palaciana com certa inten- . os registos a estoria como na Edade media latinos. centes. « que mosteiro de S. traducção paraphrastica da relação latina lada Indiculum fundationis reinado de Sam nome vulgar de Chronica dos ^ reproduzida do manuscripto da Torre do Tombo. que pertenceu ao Frei António da Purificação diz. 306. e Fernão Pires.: ESTOREAS E CARONYCAS Século XV. a Fernão Lopes. encarrega va-o ronyca as estoreas dos Reys. que antigamente ram . tão severo na critica histórica como o antecessor até Damião de Góes deu a instituição do Archivo nacional esplendidos resultaboos servidores. em relaxv ainda apparecem formas ção de fixar os nascimentos. Vicente. Port. Na Carta escripta pelo rei Dom Duarte. Mon. ca- em Portugal fo- ligava valor differente a estas duas pala- designava as memorias tradicionaes. Vicentii. No século rudimentares da historia. natural de Lisboa. Arte portugueza. Pedro Ribeiro. not. Indiculum o allemão Otha. 407. traducção pertence authenticas para a Hist. escripta no . A * p.» Herculano vras .) 159 A Azurara succedeu em 1490 Ruy de Pina.. 03 obituários. dos. p. Sam no Mosteiro de masse na mão para o tas do reino.] — Este Chronica da fundação do Moesteyro de opúsculo. 1 J. é uma em 1Õ33 se Dom n Affonso intitu- Monasterii S. Scriptores. — * t. conhecido pelo Vicentes. i. Nas Questões de Litterutura vem um estudo desenvolvido e sobre a Chronica dos Vi- . do real Archivo da Herculano. —3 — ^ Mem. xvii. Rodrigo da Cunha foram auctores do lêr.

(Época 5 moGRAPíiiAs l()i) ]}. se elle vê qual era a litteratura culti- vada nò Mosteiro de Santa Cruz no século xii. irmão de affonseannes conigo em tempo de gomes prior de santa cruz. o maior letrado da ordem. sendo substituída pela lingua- grande forma vulgar de cãaos.. historia sob a * forma biogra- a vida d'este arcediago de Santa Cruz de Coimbra. » A velhos cãaos fíizendo .» Interessa pela traducção em portuguez. . — Esta biographia é classific] Ghronica do Condestabre. pelas quaes cousas somos muito obrigados ao convento de sam RuíFo . e o exa: merom de santo ambrosio. a Esta obra está em latira no livro do da qual se lê no prologo . o chanto era ctus. . a requerimento de joedreannes. E de santa vida.. estando prior homem E já se » com o A outros escriptores contemporâneos de mestre Álvaro da Motta. o pastoraU de Santo ambrosio beda sam lucas. em pta Dom Vida de —É a Tello. Sobre Joham evangelista e sobre o genesy. escriXii. guagem da traducção apresenta formas que em esto foi esta treladaçom fez de la- dores. da ordera dos prega- dora gomes no anno de LV. ficando a forma vulgar de ijlan- forma mais próxima do latim pranto por causa da homonyraia com chanto. foi traduzida no século latim para portuguez por Mestre Álvaro da Motta. cano ou en- canecido. em nacional. sobre : erdamento de Santa cruz. que não apparecem historia por . mestre alvará da mota.] phica . cada pelo auctor anonymo no seu pequeno prologo com o nome de estoria j a mesma designação lhe dá Gomes Eannes de Azurara comparando-a com a canção de Gesta do Duque João d-e . uso erudito observava estes phenomenos fixando as formas na gua lin- não encontram O lin- escripta. de chantar ou plantar. questom sobre sam mateu e sam lucas . no em santa cruz mez de novembro. em linguagem tira de santa cruz. que primeiro foi abbade de frorença. N'este documento ae encer- ram alguns outros factos monumentos da . e foi tornado em linguagem. prior de podentes. desappareceu por causa da homonyraia a forma feminina cãs com cão. pela lista dos li« E emviarom-nos vros oíFerecidos pelo mosteiro de Sam Rufo santo agostinho. porque o entendessem muitos. que se chama adliteram . phenomeno que gem popular chanto por : dom se explica por « uma maior aproximação da Vinham muitos tello. dominicano.

encon- o alfageme de Santarém entregou ao Condestavel. da memoria' dos Chronica se diz que o Condestavel et com errados feitos a a Chronica do Condesta- avia Na feitos valentes. século por Carta de 19 de março de 1434. que » ali se . um nacional. assi erradas. » Quando Fernam Lopes. gram sabor de leer li- vros de estorias. que Azurara mem falia me chamam hermo deu que : « Fernando . leixo a de teença foy da éra d'esta carta pêra seu mantimento quatorze mil libras pagadas aos quartees ele aja todollos dias de sua vyda.) Lanson « : Antiguamente 161 costume fazerem memoria das cousas foi que se faziam. » notável pessoa. » Tanto pela Carta de Dom Duarte como por esta tação de Azurara. e nobres feitos aos boos fezessem cobiça aver pêra as semelhantes cousas fazerem. no testamento que «Item. sobre que Garrett fundou drama Os grandes Chronistas do b) te. escrivão da Dom Duarte. especiahnente usava mais ler a estoria de Galaaz. de poer em Portugal muy vertuoso e —O XV. sendo Infante. meu de linguagem. fez cita este chronista escrivão da puridade do caracter do chronista puridade do Infante em ell em em cada um o Infante do partiu para Tanger. €m cada dia do te. como dos valentes Dos soubessem guardar que se erros. hum auno em mez de janeyro que ora do- anno. e por quanto os grandes fei- em obra tal elle ha assas trabalho e ha muito de trabalhar. e dos valentes . porem querendo-lhe mando que agallardoar e fazer graça e merçee. se vê que Fernão Lopes foi incumbido de 11 ci- es- . deu a : rei Dom Duar- carrego a Fernão Reys as estorias dos meesmo <jue antigamente forom tos e altos do de grandes vertudes el-Rey seu se- . em que se continha a somma da Tavola Redonda tra também a lenda da espada invencível. esso nhor e padre. commetteu o cargo de apanhar os avisamentos que pertenciam a todos aquelles feitos (guerra entre Portugal e Castella) e os ajuntar e ordenar segundo d'elles. ho- de communal sciencia e grande authoridade Dom Dom deananno. e pertencia á grandeza authoridade dos princepes e outras notáveis pessoas que os fizeram. » Azurara exemplifica fnulse geste do traidor João de Lanson como vel é apontada o typo os .: FEBNÃO LOPES Século XV. des primeiro ao qual el-rei . Fernan- um liuro espiritual. em caronyca Lopes seu escripvam. cuja alma deus aja. por d'elle3 e nobres feitos.

nos quaes. até que os copistas nas suas interpolações se persuadiram que eram auctores das obras plagiadas. cap. de Dom Fernando e a de Dom João I." referencia ao grandes trabalhos que fazer a Chronica dos fei- D*este vasto trabalho de Fernão Lopes só restam as Chronica» pleta Pedro I. na Chronica de D. e reforçaram-na : « Gomes Annes. 38.. João I. no ultimo capitulo da Chronica do Conde D. que andam firmadas por Dom outros José Soares da Silva. . i. . procm. I). feita também ha 1449. . como são as de Dom Affonso Henriques quem o grande João de Barros. que elle compoz. Lisboa trabalho de a pelos tos dos Reys de Portugal . . depois de longas vigilias e grandes trabalhos. e Trigoso seguiram a auctoridade de Góes. Damião de Góes.» em de Dom a de Dom AíFonso v.. I. i. mais certidam aver 1 Chr. cita a Fernão Lopes. primeiro capitão de Ceuta. e ao João em Na já fallecido. Manuel. como assim mesmo o allega em outras partes dando d'ella um notável testemunho no principio do segundo capitulo da sua historia de CeuE ainda que algumas d'estas Chronicas se acham accresta. diz o próprio Fer- e diligencia vira grandes volumes livros e desvairadas linguagens e terras. iv. e isso mesmo. Mem. Manuel. » ^ Na livraria de Dom Duarte guardava-se te uma Chronica de Portugal. : ha tomado e ainda hade tomar elle Dom carta de mercê de em 11 de janeiro de uma Historia geral (EpOCa á. 4. ^ a Fernão Lopes as Chronicas desde o Conde até ao rei Dom Duarte. vas. restituiu pela primeira vez. que de « com cuidado históricas. por Duar- por Duarte Galvão (a . centadas ou recopiladas. Henrique nomes. Nunes de Leão. liv. na Chronica geral do reino. P. — 2 José Soares da Silva. na qual para verificar a jornada dos Infantes a Tanger. por um processo critico.A CHRONICA GERAL DO RKINO 162 mesmo tempo crever a Historia geral do reino. Sobre o modo das investigações não Lopes. t. cap. publi- cas escripturas de muitos cartórios e outros legares. sempre as substancias e o principal d'ellas ê de Fernão Lopes. de de D. na terceira Década. Pedro. chama seu apurador)^ a de Dom Duarte por Gomes Annes ou Ruy de Pina as dos nove reis. incom- todos os outros livros foram passando por copias successi- .

visitando os logares da acção a corrente da .GOMES EANNES DE AZURARA Século XV. Gomes Eannes de Azurara. o ambiente material dominava-o. compondo a Tomada de Ceuta. escripta annos depois da interrupção de Fernão Lopes. João I. que era seu bibliothecario. como fizera Azurara Dom filho. Como discipulo de Fernão Lopes. os ditos pittorescos uma acção. Pedro em relação á Chronica Para a Chronica da Conquista de Guiné. Arzilla e Tanger. Pela Carta de João Rodrigues de 1 Chr. para aver sua informação e . escripta por AíFonso Cerveira. posição que influiu no estylo rhetorico e no alarde de uma erudição humanista que tanto caracterisa o século XV. Ruy Affonso V e de Dom Duarte seu uma em de Pina apropriou-se d'esta Chronica amplian- do-a e continuando-a. Fernão Lopes são immensamente dramáticas um este Dom ainda no reyno de Castella mandou el-rey Reyno. serviu-se Azurara de de João uma Relação I. de D. iir. Azurara residiu bastante tempo em Alcácer Ceguer. O AíFonso v encarregou d'este trabalho Azurara. 2. a linguagem natural em uma construcção espontânea. Para descrever as guerras de Africa. os costumes populares que formam o fundo do quadro em que se vive e sente. e até á morte do Infante D. dão ás narrativas de Fernão Lopes o realismo de um Froissart temperado pelo bom senso que definem typo ou de Montaigne. succedeu-lhe Azurara. » Também Azurara caracteda mesma forma o trabalho do venerando mestre « em an- risa : dar pelos Moesteiros e Igrejas buscando Cartórios e os letreiros d'ellas. e escrevendo em grande em 1453 na parte a sua ingenuidade opulenta livraria de Dom AíFonso V. . P. cap. podendo assim descrever ao vivo a tomada de Alcácer. mas Duarte buscar As Chronicas de » ^ . — A jyrasimento do próprio Fer- não Lopes. que forma a terceira parte da Chronica de trinta e quatro rei Dom Dom João I. erudição humanista destruiu medieval. ou propriamente a vida do Infante Dom Henrique. Escreveu a Ckronica do Conde Dom Pedro de Menezes Chronica de Dom Alfarrobeira . Azurara também procurava compenetrar-se da verdade histórica.) 163 nom pode do conteúdo era esta obra. seguindo com vai- dade esse prurido do século. em não só muytas Escripturas que a este pertenciam.

II. Depois de acabadas. de D. do el-rei bém por Dom estar Emanoel. carta datada os planos Apud. assassi- Dom estimou . com o conhecimento de Ruy de Pina e regnanguos. Manuel. e escreveu a Chro- plagiada por Garcia de Resende. Dom Chronicas de Dora Duarte e nica de em » Affonso v. nomeia-lhe para o ajudar « passar Ruy uma » Com em nossos fei- egual data lhe Duque de Bragança. que que se sabe se « (Época 2. em elle seu poder o ou por ter estas Chronicas ou tam- Tombo. 50. de 16 de fevereiro de 1490. P. RuT/ de Pina. levada até á tomada de Azamor Sá de Mene- celebre Carta de João Rodrigues de «Ruy de Pina.RUY DE PINA 164 Sá a Damião de Góes. de iv. Duque de Coimbra. houve á mão.* as Chronicas dos Reis pas- perderam em poder de Frei Justo. á minha vontade sem rasão. Dom latim. Isabel até á traição castigada com a execução Manoel respeitando sempre 1 amanuense manda carta de tença de nove mil quinhentos e sessenta de Pina contou as intrigas do nato do um no carrego e negocio de escrever famosos e de nossos Reynos. que estavam as cousas era d'aquelles tempos. e come- Manoel. ii. Dom João em uma de Évora. em tempo de Dom João segundo. el-rei Dom Affonso v mandou bus- Bispo de Septa. e cora lhe fazer muita mercêe por isso. e a isso veo da Guarda a Lisboa. que car a Itália. da da Torre do — Succedeu Tombo Dom João çou a Chronica de em Na 1514. » de Pina era escrivão da Camará de tante considerado pelo violento monarcha . Chr. reis. italiano. que mingoavam. Dom fl. que Carta de el-rei. pêra lh'as escrever em Almada. he muito afeitado. como elle me mostrou a pal. muitas pessoas vi descontentar-se d'ellas. 38. e aí se perderam. e elle morreu da peste ^ este chronista a Azurara na guar- compilou do trabalho dos antecessores as . sados de Portugal. de se . por mandado d'el-rey umas Chronicas dos Reis anti- zes se lê: hum homem d'esta cidade mui princichamava Fernão Novaes. se oíFereceu a elrei a lhe fazer as Chronicas que falleciam. cap. envenenamento de sua D. posto que o estylo de Ruy de Pina pelos muytos adjectivos e epithetos que se usavam Ruy n'aquelle tempo. filha em João a rainha 1483. e por Chronicas de Castella. tos e bas- II. e as fez com grande gosto de el-rei.

Económica e Politica a Philosophia moral. Boaventura. que escrevia com uma franqueza nada official. que era a forma lacónica de designar o Doutrinal de Alexandre de Villa Dei. remodelada por Lullo. que se estudava com grande arruido. Var- rão e Prisciano. achavam compilados em que se os tratados grammaticaes de Sérvio.. Moralistas — A UniversiPhilosophos — Estudantes portuguezes na Itália — A Imprensa de uso seus monumentos.) Ruy de Pina concedendo-lhe e nomeando-o Coronista « uma 465 tença de doze mil reis annuaes. Segundo a velha classificação das sciencias por Sam. O plagio da Ckronica de Dom João damtes tros coronystas ra. como se pode inferir pela consideração que o monarcha consagrava a Ruy de Pina. cita-se Alexandre. elle II por Garcia de Resende deve attribuir-se ao intuito de eliminação d'aquellas narrativas que não eram honrosas para os Braganças. veiu a Portu- introduzira professara rhetorica Jorge bastardo de Dom João ii e Dom desenvolvendo-se na corte a educação dos moços fidalgos também foi conhecido em Manoel. Filelfo Portugal. . assim taldo como Nebrixa a Siculo. » e carrego e a chave da nosa Livraria que está nos nossos paços da cidade de Lisboa. a Physica. Moor das Caronicas e das cousas pas- sadas e presentes e por vir de nossos Eegnos e Senhorios também nomeou seu o com bibliothecario « o . em 1494 já se mencionam mestres de grammatica da arte velha e da nova. Era a corrente dos novos estudos humanistas que penetrava era Portugal. fizesse Dom Duarte. Caem Pádua. o qual carrego queremos que o dito officio e Ruy de Pina aja. Rhetorica e Lógica formavam a Philosophia racional. e a Monástica. a Mathematica e a Metaphysica constituíam a Philoso- phia natural. — No Catalogo dos Os Humanistas c) e : dade de Lisboa portugueza do rei Dom e livros Duarte.. a Gram- matica. e tenha assy e pela guisa que hos tinha o doutor Vasques Fernan- em a Casa do Ruy de Pina por des do nosso conselho e nosso chanceller no lo leixou pêra o darmos ao dito Civel que satisfação que lhe delle demos de que foy contente e como o tyveram os ou- . que gal educar Dom em Hespanha.' GRAMMATICA DA ARTE NOVA Século XV.» Este documento é datado de Évode 24 de junho de 1497. A preoccupação d'estes estudos fez com oue conhecedor das doutrinas raymonistas. traduzir a Rlieto- .

compoz o liuro da virtuosa bemfeituria e as horas da confissom. Os principaes livros phi- losophicos que nos apparecem escriptos em portuguez no século xv tem o caracter de compilações encyclopedicas. bibliotheca de um .. e a Efhica de Aristóteles. cemos o valor de cada Dom Duarte lendo-se no frontispício : Esbo- destes livros.» Por este livro se pôde conhecer o estado do conhecimento das obras árabes A dito rei mão Dom Duarte o Infante fante em Virtuosa Bemfeituria. » ^ Ruy de Pina. Este liuro é chamado corte emperial. » Como se sabe pelos Nobiliários. provando tudo por auctoridades da santa escriptura c3 declarações e exposições de doutores e per razões evidentes e dizeres de barões sabedores declarados de latim em linguagem por- tugueza . dado muito ao estudo . porque asj como na cor- do Rey e do emperador ou doutro alto princepe soeê a seer te trautados os grandes negócios e os altos feytos. de som contente. este livro como fazendo parte da guarda-se na Bibliotheca do Porto. e as árduas questões determinadas. A Vasques Calvos rasao do titulo do livro explica completamente a sua forma dialogada e o seu intuito apologético « : e tal nome lhe he feyto. asy este liuro tracta de grandes cousas e de muy altas questões e asy como a — essência de Deos e da trindade da encarnação divinal e d'outras matérias proveitosas para co- nhecer e entender o senhor deus. e Leal Conselheiro. — Apparece Corte Imperial. p. o « qual liuro he dafons Vasques de Calvos morador na cidade do Porto.. Dom Dom Pedro. está publicado o Leal Conselheiro do rei Dom Duarte. citando-o como auctoridade meu sobre todos prezado e : « e o In- amado irmão. — Também guardava na Bibliotheca do eru- este livro escripto por seu ir- Pedro.. KU) OBRAS PHILOSOPHICAS de Cícero. também* retrata cujos feitos e vida assim o Infante co) em 1 : « foi bem latinado e assas mystico (encyclopedi- sciencias e doutrinas de letras." Portugal sob a forma do averroismo. cujo Canon dominava rica em (EpOCa 2. AfFonso criado do duque de Bragança foi em 1442. conservan- do-se inéditos a Corte Imperial e a Virtuosa BemfeituHa. 169. segundo o poder da fraqueza humanai. se Portugal. prevalecendo sempre o dogmatismo catholico em todas as suas conclusões apenas .

p. Affons. tit. « que em sendo Infante encontra-se a designação foi Dom João i ao seu jurisconsulto rei Dom Duarte Regedor da Casa da Supplicação » Na Bibliotheca do do Livro das Ordenações dos Reis no código aífonsino cita-se o Livro das Ordenações do Reino também liv. o Livro das Leis que 1 Chronica de m. 125. — Os paes humanistas da Renascença leis um dos maia importan- documentos philologicos. Cível. jurisconsultos foram os princi- conhecedores do systema das codificar as diíFerentes ordenações espe- corpo geral que veiu a destruir a legislação o titulo Jorge da Cunha entre o lixo da Torre do de 168 folhas. 29. elle o Em uma Procu- certidão do Mosteiro de S. lógica. 1. 6. é crivei que fosse o mandado ordenar por código João Mendes Cavalleiro. de semelhante sciencia e penso que desejem viver virtuosamente. scriptos O L^al Conselheiro. pedagogia. e guarda-se da Academia das Sciencias. que alguma cousa saibam.) Frey em linguagem do latim elle tirou 167 o LIVRO DAS LKIS que o Regimento de Príncepes.-2 .: Século XV. Diz elle parece que principalmente deve pertencer para homens de corte. . %.. » Sob este aspecto. Ib. um formando Com foraleira. João de Tarouca da éra de 1459 cita-se o Livro das Ordenações que anda na Chancellaria . 433. praza de o ler sar de escripto sob o regimen de » bem Ape- erudição. Dom — 3 anda na Casa do Affonso V. é tes A codijicação das Leis. e ^ e ' 0/-d. romanas trataram de ciaes. escripta por el-rei « E me trautado tal Dom com ingénuos Duarte. —E uma vasta encyclopedia de theolo- gia. cap. de envolta traços biographicos. em 1633 o escrivão Tombo um pergaminho de Leis antigas achou mas em 1639 já não pôde dar com rador da coroa Thomé Pinheiro da Veiga. e assim tirou o Livro dos Ojjicios de Tullio. o Leal Conselheiro. medicina. tit. 15. moral. » uma compilação dos sete em apographo entre os manu- Este livro é ^ tratados de Séneca. Correado compoz. §.. por que aos outros nom muyto lhes nem uma importuna de o ouvir. e Vegecio De Re militari. . pela sua origem familiar e domestica teve na sua re- dacção de levar esta ordem « de escrever na geral maneira de nosso fallar natural. e compoz o livro que se diz da Gril Virtuosa Bemfeituria.

de de locuções sitório leis Edade media no Regimento de Giierra Cavalleria da Como obra cada . litterario. greco-romanos. precedido de um preambulo portíiguez. geometria e astrologia. Dom « A real. chronologica$. medianos e pobres. rhetorica. a aíFonsina é populares. forma transitória da unificação —O espirito de secularisação sub- no desenvolvimento das Universidades no século xv siste no tempo de quiz. t. como Lisboa. ca.." As occupações de Dom Duarte quando Infante levaram -no a emprehender uma nova codificação das Leis uma copia das Or. vindo outra copia do desembargador Joaquim Pedro Quintella parar na mão de seu filho o barão de Quintella. via as classes dos estudantes ricos. grammatica. títu- mora- o symbolismo pit- de litteratura. ^ Hoje as Ordenações de produzidas nos Monumentos As Ordenações Affonsinas cias. nossa que impõe acima de todas as leis privilegiadas. ^ Dissert.». lógi- musica.. ii. Para os estudantes pobres instituiu por testamento de 9 de dezembro de 1447 o Dr. assim elle 1384. lo- cães e senhoriaes. Dom Duarte chegou ao poder do ministro José de Seabra da Silva. civil. 28. iv. ecclesiasticas. Mangancha um Collegio e por testamento do Infante Dom Henrique de 1460 instituiu uma cadeira de . . » Henrique coUocou as Escholas geraes em casa 1431. p. as suas viagens o Infante te dando junto O Dom Pedro escreveu ao rei seu irmão lerabrando-lhe que reformasse a Universidade fun- Infante própria. dispersas dos um dos seus com ellas ideias dos um vasto repo- costumes e de vida intima da sociedade no século xv. o foro do rei. aresmetica. em d'ella Collegios « Dom exemplo dos de Oxonia e Paris. Universidade ficou collocada á porta de Santo » HaDurante Dom Duar- da parte de fora contra o arravalde dos mouros. misturando-se com listas toresco da re- da Academia das Scien- codificam as diversos reis ainda da primeira dynastia los é Duarte acham-se em João se fixou a corte i em .168 A UNIVERSIDADE E OS COLLEGIOS (EpOCU 2. A Universidade de Lisboa. Dom históricos. Predomina a eschola bartholista. denações de João Pedro Ribeiro que a examinou disse que tinha 450 folhas numeradas. P. que a Universidade fosse para sempre para junto do poder André. <í « para as sete artes liberaes.

» serie. etc. e impressa Mundo do em primeiro le- Condestavel de Portu- nobre Vespasiano. nos conflictos dialécticos de Scotistas e Thomistas. p. discipulos. mandada traduzir pela rainha em 1495 por Valentim de Moravia Buckmann. comtudo são conhecidos os monumentos da Im- prensa portugueza no século xv. Prevaleceu o espi- AíFonso v em 1476 entrega Rodrigo de Noronha o governo e protecção do Es- tudo geral. Os estudantes de Theologia procuravam especialmente a Universidade de A Imprensa em Portugal e os seus do apparecimento da Imprensa em Paris. ou o prior de vir em 1465 para Portugal. os auctores gregos e latinos e muitos livros ecclesiasti- como por exemplo Thomaz de Aquino cos. eram Emanuel Semons (Simon) de Nuremberg. prova a in- do quadro dos nossos estudos.) Isabel. — Sobre a data Portugal achamos a seguinte Em 1460 alguns negociantes d'esta cidade de Nuremberg informaram o governo real de Portugal da descoberta e utilidade da Imprensa. 2.MONUMENTOS DA IMPRENSA Século XV. a Istoria do muy comparável tiragem da Vita Dona 1 (1881. — Segundo uma velha chronica. e a in- Christi. necessidade de ir frequentar as escholas humanistas da Itá- pelos filhos da principal aristocracia portugueza. monumentos. devendo citar-se gar as Coplas do Menosprecio do gal de 1478. Boletim da Sociedade de Geographia. feita por Gutemberg e Fausto em Mayennoticia : Um ça. ficando assim a Universidade de Lisboa primeira reforma em estéril até á 1504. mandou « cardeal. e immediatamente a typographia espalhou-se por todo o reino de Portugal. onde um grande convento de Qoimbra os primeiros typographos de Nuremberg imprimiram de 1465 a 1473 em elles um convento. dotada rito clerical ao bispo com doze marcos de na Universidade. e Dom Dom 169 prata. de 1496. » ^ Não sabemos até que ponto é rigorosa esta informação. e 674 . A lia. Por 1489 os sufficiencia do filhos Chanceller João Teixeira frequentavam os cursos humanistas de Angelo Policiano. e Henrique Caiado attribue ás lições de Cataldo Siculo a sua cultura litteraria. .) Theologia. e Christophe SoU. estes impressores que vieram a Portugal. de um burgo próximo de Nuremberg ensinaram muitos Altdorf.

. ^ A preoccupação rhetorica do século xv fez com que o Magister dictaminis se tornasse na corte o moço da escrivaninha. mostra-nos que os escriptores das relações naturaes com o povo. não alimenta as suas raizes chamado a tradição nacional. a sua actividade continuou até ao anno de 1514. n'este huraus forte . contando-lhe a jornada e festas em do casa- mento da Imperatriz Dona Leonor. um Hist. dois dos livros que mais apreciados foram durante o século XV . sendo cultivada nistas o titulo de mostrarem o seu estylo ciceroniano. que entre uma si tiveram tão intima relação. cresce mas de uma maneira doentia como o ramo estiolado que procura a luz. Marquez de Santillana e Angelo Policiano. 633. as em Coplas de Jorge Manrique. Seria por- t. dos vultos mais eminentes do século. — » Na Era Nova.* EPISTOLOGRAPHIA Saxonia por ordem e a expensas da Rainha Dona Nicoláo de um Leonor. p. segue as correntes do gosto ella Ap. constante imitação. em cipia publicámos em uma lii2 o acaba era 1452. escriptas da Alie manha 1451 a D. como Garcia de Resende junto de Dom João O * IV §. e a iniciadora das Misericórdias e do Theatro nacional. Durante a Edade media a litteratura epistolar teve uma im- Ars dictandi. Infante Pedro. que foi copiada de Caderno de notas de Prazos do Mosteiro de Refoios de Basto.170 (EpOCa 2. Valentim Fernandes imprimiu ainda 1501. Carta de amores. teratura. e era 1502 as Viagens de Marco Polo. distinguem-se por um notável vigor pittores- co as Cartas de Lopo de Almeida. Affonso v. que prin- p. Provas da 1 genealógica. 467. Não fallando das Car- Dom de tas com Dom Duarte. do seeulo xv. irmã do monarcha. i. á maneira de uma tendiam a afasta^-se Todas as vezes que uma lit- planta. na época da Renascença a carta era um pretexto para os huma- portância especial. um elemento popular desenvolvimento erudito da língua e litteratura portugueza no século xv. Existência de ii.

encontram-se algumas noticias sobre tradições e costumes portuguezes. possuia caracteres accentuados de invidualidade. e os ritos nupciaes e funerários: N'esta villa (Thomar) vimos como os padres celebram sua pri- meira missa.) 471 ventura a separação completa entre os escriptores e o povo. mulheres e padres. colligidas em um Manuscripto vem diver- de Gomes Eannes de Azurara. pão e outras comidas os parentes do morto alli esta costumeira : . Aquelles porém. costumes sua organisação social O próprios? em povo portuguez. isto é. que pela Behetrias se elevou muito cedo á uni- ficação nacional. Nas Viagens do Barão de Rozmital.COSTUMES POPULARES Século XV. entoando o coro o novo celebrante. mes accusam a existência de uma poesia popular. Cantigas na sepultura do Condestavel. » Rozmital refere-se também aos clamores e brados sobre finados. com o qual vestuário se vestem de um modo admirável. n'esse povoação com flautas e tigas dos n'ella dia e nos seguintes percorrem a tudo retumba com as dansas e can- homens. sas cantigas do povo. com as quaes a memoria do santo guerreiro era perpetuada na tradição nacional. e fazem um pranto como o d'aquelles que entre nós pulam de contentes ou estão alegres por terem bebido. levam para a egreja vinho. que se prohibiram no tempo de D. O povo cantava á porta do convento onde o Condestavel se recolhera do ruido das armas nas austeridades da penitencia : O santo Condestabre En o seu mosteiro Dá-nos sua sôpa^ Mail-a sua roupa. João também i : « Ha morrendo alguém. o resultado de não haver entre o povo portuguez vida moral. Mail-o seu dinheiro. que são assalariados para carpirem o defuncto vão vestidos com roupa preta. de 1465 a 1467. taes « como as ilhas encantadas. festas. — Na Chronica dos Carmelitas pelo Padre José Pereira de Santa Anna. » Estes costu- como os Aurus- ta do Bearn. Dita esta. cantos. carne. acompanham o funeral vestidos de roupas brancas próprias dos enterros com capuzes á maneira dos monges. ou os Tribuli e Voceros da Itália e a) da Córsega. . ou os Areytos hispânicos.

9 a 13. O gram Condestabre Nunalves Pereira. j\a campanha sondes Além d'uma bez. Defendeu Portugale Com sua bandeira E com seu pendone. Que le prougue e que le praze ^ Ho fazer-nos tanto bem. cantavam no anniversario do Condestavel. p. vinham também á mesma sepultura pela segunda Outava do Espirito Santo. em volta da sua sepultura: Do Rastello a Nem Tem ningola. Os moradores do Rastello . E 08 moradores de Sacavém. Sacavém nem ninguém semelho ao Condestabre.: . taes como: No me lo digades none Que santo es el Conde. com a mulher de João Lou- por esto se levanto la cancion que dice Ap. : — . De Barcellos. etc.* Pela Paschoa florida as mulheres de Lisboa cantavam varias seguidilhas sobre a sepultura do Condestavel. d'Orem. Conde d'Arrayolos. Cancioneiro popular. . Um dos cantos populares mais antigos era a canção allusiva aos amores do rei renço * . e cantavam entre outras coplas Santo Condestabre Boné português. da Cunha : Dom « é Fernando i. AS CANTIGAS AO CONDESTAVEL 17á (EpOCa 2.

de D. historial. (cap. crit. . Milhor era Portel.! : CANTIGAS POLITICAS Século XV. . amor testigo De tamanho bem Seja 1 Llaguna y Amirola. Velha ruiva. 437. Tome o que ganou. vn. Si quisierdes cabrito. Qual dieran ai Andero . i. Qual dieran Na ai Arçobispo. p velha Que não çaffra e segura Tome o que ganou. Cliron.. Hist. 37] Depois da batalha de Aljubarrota. Compendio Litteratura esp. Rios. 2.'t. traz a cantiga que allude á morte do Conde Andeiro e do Arce- bispo de Lisboa Esta es Lisboa presada. to- Castello de Portel.: . 205. t.) Ay donas! por que tristura? » 17IÍ Fernão Lopes descrevendo a ^ re- volução popular de Lisboa que levou ao throno o Mestre de Aviz. ao descrever-se a mada do de Aviz. p. not. . Viva Portugal E morra Castella. o povo continuou a dar como se vê n'este Cantar- aos seus cantos esse caracter satyrico. * Chronica anonyma do Condestavel. da Padeira de Aljubarrota. João I. Miralda y leixalda Si quiserdes caraero. da p. que se não queria render ao Mestre vem intercalada essa outra cantiga : Pois Marina balhou. intercalado cillo em um velho roman- ce castelhano Pois que Madanella Remediou meu mal. — > ap. .

174 DESPREZO DA TRADIÇÃO POPULAR (EpOCa 2. » « ínfimos são estes Ro- de que a gente baixa e de servil condição se Cantares A : sem nenhuma regra nem medida fazem auctoridade erudita que assim transviava o espirito do Marquez de Santillana. ^ referencia mais antiga a Romancero general : Un gallardo português. o Marquez de Santillana.. que muito influiu nas litteraturas peninsulares. . de que Azurara traz os primeiros versos em forma de provérbio. Do século XV ainda ^ resta o vestigio de um outro canto po- Tanger em 1460. estabeleceu a scisão entre o génio popular e a litteratura portugueza. diz fallando do elemento tradicional aquelles. A A Forneira sal. Viva Portugal E morra Castella. que attribuimos a Romanceiros. citado no cerco de pletar pela tradição actual: Oh noite P'ra quem « má te aparelhas? — Pr'os pobres soldados E « pastores de ovelhas. E os Aonde homens do mar os deixar? — Esses ficam metidos Até ás orelhas. Não chegue ninguém zombar commigo Que a espada é rodella. mais do que em nenhuma outra litteratura românica. e que se pôde com- pular. que a litteratura do século elemento popular bastante vasto e nacional. que mances e alegra. dos principaes escriptores do século xv. De XV todos tinha um estes factos conclue-se. b) Referencia —A a Romances tradicionaes. um — Formação dos romance popular apparece-nos na Chronica de Alfonso Onzeno. de que Um poderia aproveitar-se se o comprehendesse. na sua Carta ao Condestavel de Portugal.

os cantos do povo porque os duas designações d'este género de poesia heróica. e o verso octosylla- c quasi fallado. liturgia.DUPLA FORMA DO ROMANCE Se<'UlO XV. Cremos devel-a citados) na dos em Romance causa de como e é transportado tal phenomeno romances resados attribuir a serem então os vez de cantados. Miguel Leitão Pereira. velha do Algarve. o Hortelão das flores. e os cantos como os caracterisava o lana. apenas assonantado em uma . Francisco de Andrade. conta que ouvira cantar o romance do Figiieiral. a Pastori- Beso. usa- da pelo povo. Dom a morte desastrosa do príncipe grado. XV culo . aí vem o verso : « Mal 175 passaron francezes. a uma mulher muito século XV. Dom Santa O Iria. a Aravia. A o ? (re- Os cantos do povo foram prohibí- se sabe pela allusão de Dom Duarte para Os eruditos não queriam ouvir achavam desprezíveis. Nos Romances tradicionaes portuguezes notam-se duas formas de versificação. Perten- Cego. isto é. que é 1 natural Verso 2283. sia O a difficuldade da metrificação e da rima bo. nha. celebra-se Pedro Ninho Affonso 1491. D'aqui as se não cantarem cantigas sagraes. Do século xv para xvi para o verso de redondilha maior. pela despreoccupada vulgaridade. a redondilha menor. significava a linguagem vulgar. nascida ainda no Alguns romances populares celebram successos do séno romance do Conde Nino. Para os eruditos o Romance sin regia ni cuento. Marquez de Santil- erudito só julgava poe. e a redondilha maior.) Affonso Giraldes No . Até ao XV século chanceller prevaleceu o romance em redondilha menor. ao qual o Ayala chamava Cantar de antiguo rimar. citado por e a Bella da Silveira e Rezende. cem a esta forma o Figueiral. Io Cancioneiro geral de Garcia de Rezende. que allude Pedro Nuno » ^ também maior. a mal maridada. Confissão do Pastor e a Xacara do Galante que nos apparece na tradição das Astúrias de Andalusia. devido talvez á imitação do verso alexandrino dos cantos dos jograes. as aventuras de Tristão Dom adaptam-se á historia verídica dos amores de com Dona a princeza em Beatriz no romance do Casamento mallo- . e o Romance empregada pelos eruditos. citam-se Nunca fue pena alguns romances populares. como o Homem.

MOmos cit. e Entremezes. e diz « : . Tambien han puesto en su lengua composiciones y tonadas nuestras. México ainda tos heróicos se encontra o de sete syllabas assonantados. fallando do gosto dos mexicanos peda vantagem que d'isto se tirava para a catechese. ás tonadilhas árabes deveram a designação de Aravia. p. o romance portuguez mais antigo que existe. sulana e a Yaravi mexicana. onde entrou por causa da musica a que andava ligado. O missionário Acosta. ser esquecidos pelos eruditos também os Romances que só achavam dignas da litteratura as imitações greco-romanas.. 447. nome que o povo dava aos seus cantos era o de Aravia. AHWIA I7() mesma um (EpOCa 2.. a giria e o canto do povo.. Essa classe popular onde persistiu o romanceiro era a que os chronistas chamaram os Mosarahes Romances acham-se muitos symbolos n'es3es vam no esses do com documentos escriptos era que as populações isoladas ou con- celhos vindicaram civil. signal de que são simultâneos E rei assira na sociedade neo-gothica a sua independência como estabelecido chegaram a os foraes foram extinctos. como de Canciones.' E ROMANCR vogal accentuada. » ^ Aqui temos uma evidente connexão histórica entre a Aravia inla musica. ainda hoje corrente era algumas ilhas dos Açores os documentos em que . na Historia natural da ladia. co commum isto nos reporta a a Portugal e Hespanha. e Soriano Fuertes publicou a musica do romance do Figueiral. jurídicos que esta- seu vigor nos Foraes. c) 1 Autos. leilas e tonadilhas ou lingui-Ungui árabes. um fundo ethni- Sabe-se que os cantos e dansas entre os Árabes só eram permittidos ao baixo povo. que o nosso Gil Vicente ain- da accusa no seu Calbi ora bin. pelo Arcipreste de Hita se sabe da persistência d'esses cantos. sao nnmerosos a palavra Aravia significou a linguagem Nas colónias hespanholas do nome de Yaravi designando os can- plebêa. Sendo os Romances heróicos cantados antes do século xv. de Romances de redondillas y es maravilla cuán bien las toman los Índios y cuanto gustan. nSo podia parecer aos palacianos senão vernáculo rasteiro. Op. acha-se no Cancioneiro da Vaticana. por causa do foro pelos romanistas. — Uma grande parte dos .

Perg. além da instituição da Eucharistia no dia do milagre da cera. Para se vêr definida a forma dramática basta transcrever do regimento « Os homens d'armas. cente. por occasião do baptismo do Infante Dom Henrique. 12 . e te » ^ Esas veerá o homem sabedor em sua vyda. os CoUoquios de presépio . terminam com paradas e imactos provisos Foi sobre este elemento popular que Gil Vi- satyricos. Certas eram celebradas com procissões de Corpo de Deus ordenadas por procissões Dom João ii em 1482. e com as espadas nuas nas mãos. transformada para exprimir a sua predilecção pelos diverti- mentos dramáticos. e de 7 o 8 de novembro. como as malhadas do centeio no Minho. por q le elles nom se trabalham d'arremedar as estorias melhores. empregada pelo Arcipreste de Hita. e huma Donzella para matar o Drago. ainda no século xv referen. que na corte de floresceu dando-lhe nacional. no Alemtejo. dando-se figuradamente por bardeiro e neto de ricas um filho de um ai- commemoraçoes histódramáticas.) portuguezes <iosturaes formas apresenta 177 como dramáticas. e no dia da victoria do Toro e Samora. mas que lhe som mais convenyentes. litteraria Ha cias a divertimentos theatraes Duaiie « : em tal Dom João nos ii. como as quatro taraborileiro.0 fl. em véspera de Santa Maria de Agosto pelo vencimento da Batalha real. . reinado de Dom fi')rma Manuel. e com os que tangeram nas Matinadas. Descantes das Janeiras. lê-se maneira que no Leal Conselheiro de nom Dom pareça que os albardaães teem mais sabedoria que nós. lê-se no Cancioneiro de Resende : — 1 No Archivo da Gamara do Porto acham-se os ReOp. Liv. as Maias. 3. cit. da éra do 1432. é por Gil Vicen- nom ta palavra . p. cibos de despezas feitas pelo Concelho d'esta cidade para o tablado. estes todos bem armados sem nenhuma cobertura. fundou o theatro annos primeiros do porém.. 40. e levarão S. dos Autos celebrados pelo casamento da d'essa procissão Infanta : Dona Leonor. 321. Jorge muy bem armado com um page.FORMAS DRAMÁTICAS TRADICIONAES SeClllO XV. De 20 o 22 do outubro. os e os da vida usual. e a apanha da azeitona. Pois estas cousas taes esguardará o albardam na zombaria. » Nos festins do paço também se usavam Momos e Entremezes.

crearam que ampliando as relações civis As grandes uma descober- certa riqueza pu- proporcionaram o desen- olvimento da arte e liíteratura dramática nos séculos subsequen- tes. em 1491 fizeramse ein Évora MOmoSf em que tomou parte Dom João ii « envencionado em CavaUeiro do Cisne.178 MOMOS E ENTREMEZES Eram vossos tempos Autos Kas festas da Imperatriz (Fl. (EpOCa 2.) Duarte de Resende e Álvaro de Brito faliam nos novos entre^ no casamento do príncipe Dom AíFonso. . » maritimas do fim século xv. \ « singular Momo de Santos.' 47. » No Cancioneiro geral ha uma mezes referencia ao tas blica. t.

— Sá de Itália . '2." : : : : : — §. Caminha. iVmador Arraes. Poetas da medida velha. Palmeirim de Inglaterra. n • — Conflicto entre a tradição naedieval e a erudição clássica. IV — : F*revalecimento da auctoridade clássica a) Os Jesuitas combatem o Theatro : : As Tragi-cumedias latinas. Heitor PinD. e Memorial dos Cavalleiros da segunda Tavola Redonda. Thomé de Jesus. c) 2. e a decadência da Historia. b) A synthese negativista de Francisco Sanches. e os Artistas nacionaes. b) Cltristovam Falcão. c) d) 2." Camões concilia os dois espíritos clássico e medieval a) Vida de Camões. influencia italiana í O Lyrisino popular e os Poetas da medida velha ou 1." cia cia : As Grammaticas de Fernão de Oliveira a) As alterarões phoueticas. Fundação do theatro nacional por Gil Vicente. B) Periodo theologico e critico a) Influencia da Inquisição em Portugal. Os Contos de Proveito e Exemplo de Trancoso. Novellas e Contos Persistência do elemento medieval no Imperador c) Clarimundo. e Paiva de Andrade Revivescência das obras dos Quid) Fim da Nacionalidade porlugueza b) — . Falcão de Resende. Ourives. :' ]Vliranda e a imitação clássica sob a influencia da : Lucta da introducção da Eschola italiana. c) Damião de Góes e a situação dos Historiadores portiiguezes. a) Lyrismo Ferreira. I — -A. Çhronistas monachae.° 3. c) Os Lusíadas e as Epopôas históricas no século xvi. 1. c) Eschola de Gil Vicente. III . Intluencia de Gil Vicente. to. b) Os Lyricos camonianos." í.TERCEIRA ÉPOCA (século XVI) os QUINHENTISTAS ^. Os Romanceiros como rudimento da Epopêa medieval.) Alterações syntajcicas. Francisco de Mello e Pedro Nunes. c) Moralistas calholicos : Dr. João de Barros. Bernardes. b) Theatro A Comedia e a Tragedia clássicas. Joanna da Gama." 3. C) Periodo scientifico e philosophico a) Garcia d'Orta D. As três reformas da Universidade. b) Reacção dos eruditos contra o Theatro medieval. Fr.'-. Renascença LCdade media s como negação cultura greco-romana. Manuel de Portugal. D. b) Ah alterarões ntorpliologicasl (1536) e de João de Barros (1539. como neoação da Edade media No século XVI estava creada a burguezia e estabelecida* a independência do poder real nas monarchias absolutas . A Renascença da cultura fjreco-romana." S. Gil Vicente.° a) Bernardim Ribeiro.. o espirito das pastoraes italianas Menina e Moça e Diana . b) Os Jesuitas apoderam-se do Ensino publico. e esta trans- . nhentistas. Período philologico e artístico A) 1. a) Condições em que se introduz o Theatro em Portugal.

Quando começa a Renascença? Para Lange. Prevaleceu o poEdade media. com desprezo como productos monstruosos de uma pro- longada época de barbarismo. apresentando differentes aspectos. . propendera a corrente do experimentalismo. mas Os escripto- o forte desen- volvimento da burguezia actua sobre a forma escripta das línguas vulgares ou nacionaes. que na historia denomina a Reforma. a Renascença apresenta-se sob o aspecto pJiilologico e artístico. porém mais manifesta antiguidade Os ódios djnasticos sepacom guerras de farailia. os estados entre . invadindo-se mu- os modelos clássicos. em que a uma grande liberdade de espirito se liga um respeito excessivo pelas obras da antiguidade greco-romana. com a reacção catholica. conservando esse meio tradicional da Edade anterior. que os grandes génios souberam tão assombrosamente conciliar ram com si uma solidariedade intellectual torna-se cada vez em todo o Occidente europeu. A Renascença da iniciada pela Itália veiu imprimir uma direcção uni- tuamente. este phenoraeno começa no século XV e prolonga-se ao xvii século.os TRES ASPECTOS DA RENASCENÇA 180 formaçSo social foi simultânea (EpOCa 3. as grandes descobertas ma- rítimas iniciadas pelos portuguezes determinaram a actividade pacifica e o litteraturas acção contra a disciplina uma como o conhecihumanismo a retheologica da Edade media. toma então o caracter theologico e critico / e quando pelas descobertas da circumducção do globo e do systema astronómico. clássicas fizera do ram-se protegendo naturalmente os estudos humanistas nas Universidades. no meio das contradicções e incoherencia dos res separam-se do povo. o fez com que á medida que as doutrinas se tornam Poder temporal se impuzesse com mais impetuosidade. escrevendo em latim espirites. que se exprime pela Renascença. No seu primeiro fervor de admiração pela antiguidade. repentina solução de continuidade entre o século xvi e a Edade media incertas. e os eruditos da Renascença repelliram as creações medievaes. Os reis acha- desenvolvimento de mento das duas classe media. se a Renascença torna-se A scientijica e philosophica.* com uma modificação profunda do designação tão complexa de estado mental. e a burguezia der dos reis sobre a theocracia da industrial sobre o feudalismo militar . segundo as diversas phases da demorada crise da decomposição do regimen catholico-feudal.

instruídos nas boas . o Cancionero de Stuniga a cada pagina reveNá- poesias de la Itália data Imperial tornou conhecidas as escripto por poetas que estiveram na conquista de Só no fim do século xv é que a nossa aristocracia se dirigiu para a Itália « a fim de se lhe formarem os costumes. não sentiam o estrépito das armas invasoras. fez- mento fecundo das suas tradições. como civis depois da sua ruina. consolaram-se reproduzindo esse antigo ideal que os alentava no meio das catastrophes. recon- struiram a vida grega e romana. e aprenderem todas as artes liberaes. invadida pela França. e inscreve-se . A Itália achou-se era nascença condições especiaes para a obra da Ee- nunca o conhecimento da antiguidade . Em Roma para a sua corte os sábios italianos . vemos Carlos viu chamar italiano. Francisco l é educa- como cidadão no Livro de Ouro de Veneza. Emquanto os exércitos francezes talavam o solo italiano.lettras. a influencia da culo XV. como Archimedes outr'ora. quando Micer Francisco que foi do principio do sé- Dante. esses génios refugiaram-se no mundo sereno do passado e da arte. quando a Itácompletamente . os quaes. serem poles. atraiçoada pelo Papado. os sábios discutiam o platonismo. e a grande época dos Quinhentistas. Em Hespanha. e a Itália exercia sobre o vencedor o perstigio da Arte. viu occupada pela Allemanha. é a edade de ouro da sua conciliação admilitteratura portugucza.) o HUMATÍISMO ITALIANO 18i forme ás Litteraturas românicas. se perdeu alli eram tão reputadas como as antigas de Labeão e Capitão os monumentos e as ruinas foram educando os novos génios. e pela Camões. e postoque as desviasse do ele- renegando a Edade media. con- lia se quistada pela Hespanha. A » Renascença propagou-se a Portugal era todos os seus aspectos. e os pintores e poetas. Luiz xii enriquece com as bibliothecas da Itália as livrarias francezas do por um pedagogo subsistiu nas Leis França. desgostados da vida publica e sem esperança no futuro da sua pátria. admiravam a sua cultura intellectual. como se lê em uma carta de Angelo Policiano. as suas escholas de jurisprudência .Século XVI. Os que conquistavam a Itália. nos sentir a unidade da origem da civilisação em contraste com a organisação politica. pelo conflicto entre a tradição medieval e a influencia rável era clássica italiana. .

a descoberta do caminho da índia. As Grammaticas de Fernão de Oliveira (1536) e de João Escreve Fernão de Oliveira justificando-se da sua tentativa « Quem não folga de dizer mal terá excusa com olhar a novidade da obra e como escrevi sem ter outro exemplo antes de mi.*{.° de Barros (1539). 1871. Portugal reconhece pela primeira vez na sua em ratura o génio popular italiana na Ourivesaria . em toda a ordem de actividade. Existiu para Com uma isto causa orgânica. está implícita a evo- século. partindo os impulsos da totalidade da nação que se affirmava independente. João iii entregando aos jesuítas o ensino publico e a direcção da mocidade aristocrática. A causa por que tão tarde se estabeleceu a disciplina grammatical é explicável pelo uso exclusivo do latim nas escholas . immanente na vida social. e a Arte apresenta vul- como João de tos Castilho. em uma Noticia das Escholas de Santa Cruz de Coimbra. e isto mais excusará o defeito da ordem que tive em 1. Portugal entrou n'e3se período a que no humana concurso da civilisação se chama a vida histórica de um povo. Manuel expulsando os Ju- deus de Portugal. A « : D ca das lições diz de Clenardo salvo em a lingua latina ou grena Vida do Infante D.* i^hilologico e artístico século XVI é o período de maior actividade na litteratura portugueza a lingua fixa-se por meio da observação das suas leis grammaticaes.182 (Kpora VIDA nisTOiucv dk poiucgal Sigamos a ordem um lução de d'e3tes problemas. — : meu proceder. litte- Gil Vicente. se diz do trato dos estudantes ga. Duarte acer« Muitos houve que tinham opinião de faliar. que precede a influencia a lingua é disciplinada nas Grammaticas de Fernão de Oliveira e Joào de Barros. todos é opprobrio André de Resende : . porque era orgânica a causa que o fecundava. ed. feriodo A) O em que . nacional synthetisado pelas mais preponderantes individualidades. e a litteratura eleva-se á expressão do sentimento . e de D. Grão Vasco e Francisco de HoUanda.) 120. ainda assim o século XVI foi de uma riqueza não excedida até hoje. Apesar dos erros políticos de D. » (p. com a expansão colonial das grandes navegações. se foi errada.

» (p. ger. Quintiliano.. e derivasse a sua lingua das colónias lu- sitanas. caracterisando o estado da inas condições especiaes de disciplina grammatical : « Já confessamos ser verdade o que dia \r\!/^ '> . » (p. porque o eu assi pronunciava. 121. : de triste Homem ti. Domingos de Évora. escrevia o conde de Vimioso aatjricamente a Ayres Telles Coitado. pa- a sua casa. que nista : « homem Aproveita seu tempo lendo bons livros também era para si. » Por 1516. segundo que o aprendera na Beira. 114.-tuguezes tem pela lingua nacional. EUe nota o grande desleixo que os po. onde faziam zombaria de mi os da terra. Que foste nascer De latim. Fernando de Almada. a quem Deus guarde com muita despeza me trouxe me ciosa e cumpridamente conserva n'ella. onde a lingua como a tradição poética mantinham um caracter archaico foi em Évora. e gra(p. influiu bastante Na para possuir um dedicatória da é certo conhe- Gramma- da linguagem portugueza a D. era sino {Canc. confes- sa o seu humilde nascimento : « Sou um homem baixo.) Aqui temos Fernão de Oliveira para assignalar as revoluções experimentadas pela lingua portugueza no primeiro quartel do século XYI.. 4. tica Probo Grammatico. Marco Varrão que a sua origem popular e cimento especial da lingua nacional. e no regimento de sua casa primeiro. iii.) Mais tarde foi preceptor em casa de Dom Fernando de Almada. Nebrissa. » com muito cui e prospere..) Postoque as idéas grammaticaes de Fernão de Oliveira vessem viciadas por uma :gica falsa esti- comprehensão da origem ethnolo- do povo portuguez. cria dado Dom lido Antão seu ra cuja doutrina : « filho. Marsilo entre Cicero. ir iS^i nem fal- entrar emquanto o mestre lá estivesse. que per lar latim.) letrados. educado considerada a capital da erudição huma- Sendo eu moço pequeno fui criado em S. e a sua erudição resultasse da authoridade pedantesca ci- tando indigestamente Marciano Capella. não descobrirem o escolheram antes não fio de quara mal sabiam á lição.. 4. EDUCAÇÃO LATINISTA Século XYI. mofino.) Fernão de Oliveira era natural da província da Beira.

prosegue: «porque já os falta de premio: e comtudo' appliquemos nosso trabalho a nossa língua e gente.NECESSIDADE DE DISCIPLINA GRAMMATICAL 184 (EpCCa 3. corrompem-na en^prestilhos. com E em vez de apurarem sua língua. assi te como : Africa. porque faliam e Fernão de Oliveira presentiu vagamenelemento statico que conduz á unificação elles. » (p. a qu& .» (p. . muito devem.. do senhor. diz Quintiliano. que se mudam as voze» mas e com ellas é necessário também que se mudem as letras não com tão pouco respeito como agora alguns fazem. porque a semelhança é causa de amor.) . porque a língua e a unidade d'ella é mui certo appellido do reino. e são. e não trabalhemos tanto a nossa com boas em língua doutrinas que a possamos ensinar a rauytas outras gentes e sempre seremos d'ellas louvados e em e mais amados. 72.) Fallando da João nem III. de sua terra. : . nos quaes não podem ser perfeitos. mas também nos sinificados das vozes. quanto de minha parte.. nem arte na lingua e cada dia acharemos n'ella mudança não somente no som conforme a musica natural terra não é d'elle etc. 16. segundo eu quem folga de ouvir outra lingua na sua amigo da sua gente nem D'aqui tira Fernão de Oliveira a prova da necessidade de se estabelecer a disciplina grammatical da lingua portugueza « ó verdade que se não tivermos certa lei no pronunciar das letras não pode haver certeza de preceitos. » (p. d'clle .» (p.) que a lingua é nacional em os Portuguezes que antre elles « um por que desfazem muito na gloria do ceptro e coroa estes. Brazil e índia não E ao contrayro vemos amarem muito nacem só pella differença bem a os seus portuguezes. os quaes como chegam a Toledo. as letras para entregar aos que vierem as cousas passadas." Marco Varrão nos livros da Etymologla.) . entendo eu juraria que . as línguas. . Guiné. 25. e da ir- do nosso reino mandade dos vassalos. logo se não lembram. renascença dos estudos humanistas podem chamar remissos por se sob Dom priguiçotos não tem excusa. Tenhamos pois muito resguardo n'e3ta parte. assi como cortam a perpetuidade d'elle os que de novo trazem nova lingua á terra. da língua . 18. da melodia. e os de lá nacidos querem chamam-lhes seus. e ficará com maior eternidade a memoria mas apuremos estrangeira. porque a língua e escriptura é bem da thesoureira do fiel nossa successão.

. a suso. o PORTUGUEZ ARCHAICO Século XVI. em tam- que os da Bei- Dalentejo outras. que por isto foi perguntada. notadas por Fernão de Oliveira são o Archaismo e o Neologismo. particularidade. como compengar. e nemichalda. mas também antes de nos co ura esforçada hum pou- nossos pães tinham algumas palavras que já não são agora com a ouvidas.» (p.. . são já agora como abem. passadas. . uma velha. e os homens da Ex- e os tremadura são differentes dos d'Antre Douro e Minho assi « : também etc. Poys em tempo nome de uma dei rei Dom certa vestidura. muitas vezes algumas dicções. comer o pão vianda . em tempo do mui chama-se estoria geral j no qual achei estas e outras anteguidades de fallar . e ainda agora assi vai na Beira. . ..) Da observação dos phenomenos de archaismo da lingua. não lhe parecerão mal.» (p. ajuso. que quiz dizer cidadão. jpor como ções e servia os tempos. como picote. e outras muitas estas e quaes outras as meteram em mão de . : acajuso. isso disse. porém e um homem Beira ou aldeão. acarão quer dizer junto ou a par. que significa por ventura. dizendo ella esta palavra. o poucos dias ha. que quer dizer burel r^sjj^ . e era a veiha a este tem- quando po. assi conceitos. Fernão de Oliveira nota este facto . etc.) . segundo eu julguei antigo.. por que as terras criam diversas condi- «E também se este verbo nego logar de conjuncção. é Fernão de Oliveira levado para a comprehensão das formas dialectaes bém se faz em terras esta ra tem umas falias. se declarou. . de cento e dezasseis annos de sua edade.» (p. Affonso Anriques cajpajpelh era . que ha pouco são muito avorrecidas. 118. « o costume novo traz á terra novos Vocábulos agora pouco ha. e hogano. e valia antre os velhos como se- não.) 185 Estas duas alterações da língua. o qual foi trasladado livro Dom rei com João. trouxe este nome . que queria dizer. e não somente de tanto tempo.. e samicas. algorrem.. mas agora são esqueci- em das. e outras peores vozes ainda agora as ouvimos e zomba- mos d'ella3 . Vejamos como o velho grammatico observou o phenomeno da ^ archaismo no portuguez pela estabilidade da dicção popular: «As dicções velhas são as que foram usadas. segundo que tanto valia como agora nemigalha.) O desenvolvimento dos neologismos era provocado pelos novos progressos da vida civil no século xvi. o-uão. 85. 80 se velho da e 82.

a sa- . e a erudita. também outras partes pollo conselho de meus amigos^ em logar de por o conselho de meus amigos.» este 70. também pouco é vestambém traz o nome estrangeiro . ha sete ou outo annos pouco mais ou menos. frores. digaes faredes.. como se vê em tracto.. e portanto os aldeãos não sabem as falas da corte. da Dialectologia e do Neologismo são revolução menos radical. 42. diz o velho grammatico beremos que a forma e melodia da nossa lingua de ser sempre r onde agora escrevemos ás vezes e flores. fareis. e com arte não somente quando a arte vem novamente a terra. nem os la- vradores d'antre Douro e Minho entendem as novas vozes que anno vieram de Tunis com suas gorras. próprias observações de Fernão pelas de Oliveira a) As alteraçdes pkoneticas.» alterações phoneticas d'e3ta época. : MODIFJCAÇÕES NOS SONS. costume trouxeram tam- vestir o tal pano. em ar- porque os homens falam do que fazem.) As r. correspondem ás duas correntes. e os alfaya- calçado. esse terra. (p. B (p. — Da mudança do l por fixando-se o seu uso no século xvi. apto e acto. e os sapateiros mas de novas feições. auto. por puz a mão. a popular.. ex. e : mais amiga como: gloria foi l.. nota-se a queda do d medial nas segundas pessoas do plural dos verbos . trauto.) u . que veo ter a esta terra com seu nome d'antes nunca conhecido «Tornemos a fallar das dicções alheias.* 186 do qual por que de fora trouxeram os malgalantes o costume. sodes.» (p. tes em quando de novo usam algum costumes em vestidos. que tende a modificar os sons latinos. que tende a restabelecel-os artificial e inorganicamente. uma que as modificações operadas nos nas formas e construcções da língua portugueza no secu- como vamos ver culo XVI.) . e os amieiros assim os outros . artes já usadas. ou para melhor dizer o desdém de bém o tido da nossa nome com E comsigo. como veo a da Impressão mas também nas n'ella. e os sapateiros não são entendidos na arte de marear. correntes do Archaismo. de sons. aonde tratamos. 35. substituídos Na no século xvi por diíferencíação do portuguez medieval para o portuguez clássico ou quinhentista. por isso e alquice. Fernão de Oliveira nota a indíscipli- . Pul-a mão. arcabuz. onde diziam grorea e com'estas. sois. as quaes também com algum trato vem ter a nós como de Guiné e da índia. : digades.) Estas três (p. FORMAS E CONSTRUCÇÕES (EpOCa 3. 69.

como vemos nos Cancioneiros ções Aftbnsinas. A raramente. pronunciam em om. postoque este phenoraeno caractedo século XVI se manifeste já de épocas mais remotas. como Uçom. como sou. e Ordena- com os parti- eram formados em udo. cães. que diz. como ães. e Minho. pões. não porque nomes todos estes presto. formavam o plural lições.» Por 99.» que (p. forma r> 98. As b) — Decahiram do uso alguns alterações morphologicas. e outros em ou. o em- effeito prego do suffixo mente nas formas do adverbio tornou-se mais raro « : em não todos os que sinificam calidade acabam e mente..) 187 na da pronuncia da primeira pessoa do presente do indicativo do verbo ser « : o verbo substantivo. em om A forma quinhentista era dos substantivos passou para ão.» Preponderou a opinião de Fernão de Oliveira no uso definitivo. affeiçoamento. da imitação latina pelos eruditos. como disseram os velhos. . em pôr é A alteração morphologica do infinito poer notada por Fernão de Oliveira bo ponho. podom. compli- cando assim a formação dos pluraes mudam antigo que já tiveram.) Os participios dos verbos da segunda conjugação. o qual huns como som. dos quaes antigamente era o seu cam. dizendo pôr. Joham de Barros. podões e melões. 114. como ao. cujo testemunho ainda agora dá Antre Douro (p. e a rasão que dá por si he mais perto vem a formação do seu plural. aca- tanto que se baram. antes em como são. o mento. e accrescentando um e Q s. (ponere) e outro tunto . nem raro. acabam em ão ditongo. 108). como comprimento. alteram-se cipios rístico em ido confundindo-se da terceira conjugação. esta. como ainda agora fazem plural em singular _pa7?z.. melom. é o mui nobre que de som. o pequeno (breve) com o e w.se em om. Fernão de Oliveira notou este facto « os quaes velhos também foram amigos de pronunciar uns certos nomes verbaes em mento. e outros que já agora não usa: mos.FORMAS QUINHENTISTAS Século XVI.) (p.) (p. tão peculiar dos substantivos no século XV . por que já agora não diremos prestemente. como suffixos. » podemos affirmar dos que fazem o pães.. os : « se olharmos ao singular como agora nos parece. o qual todavia já fez poer e ainda assim ouvimos a alguns velhos . faz o seu infinitivo em : « este ver- ôr. e também outros que eu mais favoreço em Do so. qual diz somos. o parecer da primeira pronunciaçao som.

quando Fernão de Oliveira quiz constituir a nossa disciplina grararaatical preci- . ao qual podecomo vem a saber. de e o qual fallando lhe ouvi assi pronunciar adverbio que digo. e comtudo a mi me . mantem-se. tomando Tito Livio como o modelo das narrativas históricas. si. que elle ajuntou Barros. da Ordem do Carmo. Fernão de Oliveira accusa os grammaticos do abuso da apro- Virgilio ximação forçada da lingua portugueza da latina : « dando noticia quam mal o elles entendam se mostra no pouco proveito que lhes com isso fazem. de Barros commetteu este erro na sua Grammati- (p. e muitas vezes teve de abonar-se com mos n'este vocábulo convém a saber. no que respeita ao estylo.) Quanto ao uso de escrever abona-se com mais auctoridades oraes té. ca. Poucos livros portuguezes estavam publicados. e são estes . como Gil Vicente como normas da linguagem poética.) João. cuja lingua eu não tenho em o uso oral : « dividir e dizer pouco antre os portuguezes. e pronunciar até ou € » (p. Porque assi o ouvi pronunciar poucos dias ha no púlpito ao muito reverendo padre mestre Balthazar. e 101. ao qual eu vi affirmar que mestre Balthazar.» dos casos a seus principiantes. construcção syntaxica apenas está sujeita á influencia individual.: J88 ouiiKHVAçÃo DA Ll^GL•Al. fazer muita conta do costume do seu fal- Garcia de Resende. Na epoca quinhentista a lingua portugueza não soffreu alterações syn- comtudo completamente o estylo escrie Jorge Ferreira aproximam-se da elocução popular. este com o e ajudou.* modificações na syntaxe de língua nSo são tão fáceis de dar-sc como as phoneticas e as postoque sejam solidarias entre morphologicas. e mais lhes parecem que podem ensinar a fallar com cerimonias mudas. Horácio e taxicas. e o versos desvairamento erudito mostra-se no esforço de escreverem em portuguez podendo lêr-se com inflexão latina. outros imitam as construcções latinas. sem a no começo . isto no li E Joham lhe parecia bem . c) uma — As (Epoca 3. uma vez o organismo de bulário se uma lingua. Antre os quaes eu contarei trez não de pouco respeito na nossa lingua: antes se hade lar. sava de auctoridades escriptas. transformando-se ptores .^:M oHAL Alteraçdes syntaxicas. em cujas obras eu Cancioneiro portuguez. Õ3. estabelecido embora o voca- A renove completamente e a sua morphologia varie. mais ou menos elliptico e figurado.

A LINGUAGEM EM ARTE Século XVI. diz : João de Barros foi o primeiro que poz a nossa linguagem em Arte.) João de Barros era a favor dos archaismos « Não somente os que achamos per escripturas antigas. cesta. etc. C. abstrahindo das variações do estylo. besta. Quanto ao Arckaismo. — A Grammatica de João ãe Barros (1539. arvore. tornando assim im- artificialmente o portuguez profícuas muitas observações da sua Grammatica. 108) para a formação de certos pluraes. B. e a memoria de António.) O insigne historiador das Décadas também compoz uma Grammatica. cita poucos factos de persistência apraz. 32. que enEscripta em publicada logo no anno seguinte pela confundida com um cathecismo religioso começou o celebre alphabeto por arte memorativa.» (p. jaço. os rústicos o : . neiro geral j Jorge da Silveira (p. 107) e di)is poetas do Cancio- Nuno Pereira (p. dado.. 139. 1538. : «E porque formam muitas vezes.) I8Í) parece o contrairo. Filippe. conhecendo a utilidade da este livro comparação do applicado. Gil Vi- Fernão de Oliveira bem conhecia que era cedo cente (p. sem comtudo o ter monomania da erudição humanista leva-o a conforcom o latim. assim como o damos a muitas dicçõe?.» Como se sabe pelo próprio João de Barros e por Severim de Faria. que elle considerava a primeira escripta na lingua portugueza . exemplifi- cando o uso do nome próprio desacompanhado de artigo. as vinhetas ainda hoje populares: A. João de Barros teve a intuição do critério comparativo nas linguas românicas. esta Grammatica avidez do livreiro com com . e por constituição ou diz: isso composição que temos começada N'esta derradeira parte. e para as interjeições. não será esquecida. carecem de participio em boa linguagem . segundo o que fica dicto. seu filho. que é « da lingua não uma obra em que da dizemos mais.) ain- da para fixar a syntaxe portugueza. e ao contrairo o uso dando-lhe a no começo.) Cita (p. vem foi foi es- D. que a levou ao prince« pe nosso senhor.» Não chegou a apparecer esta obra.» egualmente a auctoridade de 77. esta Grammatica cripta para por ella ser ensinado o princepe tão tinha por mestre o pregador Fr. francez e hespanhol. por particularmente e com maior cumprimento falíamos d'ella. mas muitos que se usam Antre Dowro e Minho. D. João Soares. mar A italiano.

que os fez mais elegantes do que foram ora ha cincoenta annoa. diz elle elle por que os meninos quando começam formar nossas palavras. de guerra. que algum ou- ensinam suas madres. é que não somente temos victoria d'estas partes. todolos que começam em os quaes são mouriscos.» (p. á conquista das que ás traducçoes latinas. apresenta João de Barros do emprego do outro facto natural da esse nos riraances antigos. E conquista da Ásia tomamos chatmar. já tivéramos conquistada a lingua latina. figura antithese phonetica popular « : como fazerem consoante diziam guardar. paragoges.) se faz — Os que Porém sobre infinitivo modo. : « como quando dizemos dixe por Chama paragoge 165. 224). ai e agora da heniaga. nós usáramos. como podemos vêr em xa. Com nas alterações jjhoneticas mais do que figuras. Os bárbaros que os nosso serviço d'elle começara corao 141. commette por cau- . lascarim. primeiro conhecem a tro que por me soem guardare 163).» (p. mas inda tomámos muitos vocábulos . João de Barros não vê bulos. e outros vocá- homens que n'aquella3 como o seu próprio portuguez. E quaes nos dêmos mais o signal d'estaí verdade. a sua preoccupação de rhetorico.100 CAUSAS HISTÓRICAS DO NKOLOGISMO conservador da semente portugueza prezam por não saberem a Com nacem. deu-se tanto a gente castelhana e fran- ceza a traducçoes latinas. se o como temos Africa e Ásia. c por vem a — por as alterações morphologicas proveniente dos Neo- « : uma concepção justa. por mercadejar homem por mercadoria.. e os que acabam em :. aristocrático nos Cancioneiros do século XIV. elle. barbarismos. « : tcão complacente indica alguns neologismos re- ello social (EpOCa 3. usurpando vocábulos. que são tão naturaes na bocca dos partes andaram. » (p. o Neologismo não é este grammatico da actividade sultantes com os quaes alguns indoutos des- : raiz d'onde por causa do purismo clássico. » (p. e popular ainda além do século xvi. logismos.* mas agora nossos tempos era ajuda da impressão.os. Esse resto de galleguismo. considerava-o elle como a disse. Este exercicio. terações^ phoneticas e morphologicas que a nossa vida histórica causava na lingua a : E era nenhuma parte da terra se mais esta figura da pronunciação do que n'estes reir. por . 225). » (p.) Por fim em primeiro elemento chama barbarismo as al- de formação verbal.

usa-«s'como quem emprega um dialecto: vez « E vigor : « pular. nego. Gil Vicente torna certos verbos regulares estou pejada. rico em que mas sob matical. umas vezes habitual. — 278). um classes vi- da sociedade portugueza.) natureza des escriptos de Gil Vicente. Duque de Gil Vicente fora mestre de rhetorica do Beja. . 191 sa das muitas nações que trouxemos ao jugo do nosso serviço. Influencia de Gil Vicente. A segundo o que eu entendo. » momento 161. que se aproxima do « Nem 'passo não se esquecia. levava-o a vivo relevo á linguagem popular.» dó. onde a lingua portugueza conserva um caracter archaico vivendo .) Os participios em uclo.. superlativo (iii. O gran- de poeta cómico era natural do Minho. em Lisboa. não fundada historicamente.y> (ii. como o chez francez cas dem-rei.. reproduz a forma archaica do Nace o mui muito dos wiwi muitos ciúmes (iii.) (i. mostrando lar.) Imitando a morphologia po- também.) ofaes tu co- velhas expletivas da lingua. senhor. te peço. e o sub- tornado adverbio. já abandonados. representando o ver das diíFerentes dar 260). E As . d) histó- a lingua portugueza constituia a sua disciplina gram- — Duas com vezes é citado auctoridade de grammatico o creador do theatro portuguez. grammatica o jugo da var as tendências d'ella nem latina. » (iii.) João de Barros conheceu que era este o (p..» em 140. os typos dos seus Autos são quasi sempre tirados da Beira. . Azevias trazerei o : y) (iii. João de Barros. . pas francez Que : « Não podo que tAve faz imperativo do verbo haver: 329). . 350) . 167.» (ii. Nos seus Autos está o maior numero de vestigios de uma lingua nacional substituída por um vocabulário erudito. : « Porém 422. não soube obser- tão pouco regularisal-a.. 139.» mego. sei se querrd. Por Fernão de Oliveira e os seus escriptos uma tradição.» stantivo : casa mesmo em A « : (iii. que se tornava archai- ca e esquecida.Século XVI..) GRAMMATICO GIL VICENTE. um largo conhecimento da dialectologia popu- Tomaremos alguns um emprego conjuncção é de paraphrasisticos factos comprovativos « : «Mas não contrae as formas verbaes: « E tu por que nsio faes sopas. 132.) « E assi 425. Santarém e Coimbra.. e a forma de negação. (i.» amor. tornado faz os futuros vezes outras 34). Ora vos er ide vendo.» (iii.» (iii. põe-nas outra eu do bem er o trigo era creçudo.. Gil Vicente abonam-se com .

coadjuva esse conentre a tradiçSo medieval a que dá expressão." determinado pelas obras escriptas.o HUMANISMO FRANCEZ i92 (EpOCa 3. sendo em 1517 pro- . pode determinar-se a época em que Portugal se implanta o humanismo francez. que durante o século xvi ram principalmente theologia. Quando » um em paiz predominava o espirito democrático. As três reformas da Universidade.'^ i-opa — Os estudos na Eu- estiveram sempre sob a influencia das Universidades de Bo- lonha e Paris. se prevalecia sobre to- dos os outros poderes a auctoridade monarchica. o Actiis gallicns. de que a Itália era o foco mais activo. era 1516 o rei manda vir de França o Dr. 2. que os reis enviavam os seus estudantes. ou o da Theologia. que nom seja muito de sentir. e a erudição flicto humanista que se apoderara do ensino publico. entre os quaes se distinguiram os grandes pedago- Gouvêas. cidade monarchica. desprezado pelos homens cultos. a que nas Univer- chamava o Vejamen. seguin- tudo o systema da Universidade de Paris. Manuel terminam as garantias locaes foraleiras. No reinado de D. e Jorge Ferreira é opulentíssimo em modismos e provérbios em que realçam as construcyões do portuguez íallado. acaba o costume das behetrias e implanta-se mo . pelo em Com Dom a reforma da Universidade de Lisboa si em em Manuel. Sá de Miranda imitou em algumas das suas Éclogas a gem popular. Diogo de G-ouvêa para sidades hespanholas se via ser feito y> oppositor á cadeira de véspera de theologia. cou a do rei Dom Manuel avo- o poder de fazer estatutos para a Universidade. era na Itália que a intelligencia procurava a sua orientação . de que Paris era o centro nas disciplinas escholasticas. e que em Lisboa de«em linguagem. era para Paris. que é uma fo- lingua- das principaes bellezas do seu estylo. Este caracter da linguagem. gistas 1Õ04. como vemos por outros factos. franceza dominava no ensino. per palaiiras honestas de alguns deA corrente jectos ijera folguar. me da troc^a É n'esta reforma que se acha consignado o costu- ao doutorando. um franco absolutis- correlativamente é para Paris que se dirigem os alumnos portuguezes. direito e moral. conforme se procurava o conhecimento do Direito. Muitos dos cos- tumes escholares existentes foram decretados ou confirmados por Dom Manuel.

de um al- segunda reforma da Universidade em 1537. Leonor. dizendo: « houve também outros muitos n'este primeiro principio. e em 1540 ou- Diogo de Gouvêa o antigo. professores vindos de Paris. Com Universidade em este pessoal vindo 1537. como se infere D'e3ta lucta resultou a iii. o padre Damião. i perdeu o domínio da Itália.Século os GOuvÊAs XVI. . viuva Manuel. poetas e artistas italianos se refugiaram em França. que successi vãmente lhes succederara. incorporando n'ella as Escholas do Mosteiro de Santa Cruz. e ho Rector d^e Coim- mandaraa que os scholares das portas das para dentro falem latim. tas das determinações de vará de Dom João A Dom i93 Universidade reagiu contra mui- Manuel. o que accentuava mais o caracter do humanismo quando Francisco francez. vindo de Paris Pedro Henriques e Gronçalo Alvares para mestres de grammatica grega e hebraica. dado por D. no seu Dialogo quinto da reforma da Universidade em 1537. Já em 1520 figura como -principal do Collegio de Santa Barbara Diogo de Grouvêa. e entregando o seu governo ao Prior como Cancella- do mosteiro de Santa Cruz eram regidas por as Escholas rio. em 1530. João bra. indigitou que deviam ser convidados. fazendo com que se estabelecessem maiores as duas entre relações desloeou-se o fico da Re- a mocidade portugueza preferiu cortes. no período de 1527 a 1517. ordena « scholas iii Universidade dos studos á que os lentes leam que se cumpra assi .» Assim a Renascença reagia pelo seu fervor humanista contra o desenvolvimento das linguas vulgai*es. Na Chronica dos Cónegos Re- grantes descreve-se a reforma das Escholas do Mosteiro de Santa Cruz. que estudara em os Mestres Paris. Depois de 1526. philologos. para ler cânones. 1537. tam- Pedro Mariz bém filhos falia da Universidade de Paris. por Dom Joào iir. gico e de Rabelais. nascença. o casamento de Francisco do rei Dom i com D. que a transferiu para Coimbra. mesmo cessivamente brilham á frente do estabelecimento pedagó- André de Goavêa. e muitos eruditos. era tra vez o grande mestre de Montaigne 1534 Diogo de Gouvêa o moço. » e de Paris se reorganisou a No Regimento de 9 de Novembro de mais : em « hitim. o antigo suc- também as escholas de Paris. que illustraram esta nota13 .) vido Mestre João Francez. e Dionysio de Moraes.

o mestre André de Resende. de afeut sans co7nparaison le ^^lus que o Dr. o espirito phílosophico reagia contra a falsa direcção theologica de que o Protestantismo era a deplorável consequência. encarregando iii tentou uma nova reforma da Uni- André de Gouvêa de convidar que vieram para Portugal do os pro- de Guienne em Bordéus. basta lembrar as palavras de Montaigne: France. liv. » ^ grand princijjol de D'esta época data a corrente do gosto litterario. Elias Vinetus e Arnaldo Fabrício. distínctos nos estudos em Bordéus. seguindo n'isto a Universidade de Paris que André de Gouvêa trouxe para Portugal o celebre Jorge Buchanan e seu irmão Patrício Buchanan.* Lopo Gallego. falia da amisade ao doutor de Paris João Petit. Essais. ó o superior representante. sem a presença do qual impossível continuar a até hoje estar recearia ser-me « entre os portuguezes. o Cayado. Pode talvez attribuir-se esta reforma á necessidade de emancipar a Universidade da dependência do Collefessores francezes Collegio gio de Santa Cruz. como o doutor foi (EpOCa 3. todos portuguczes e Nicolao Cleynarts. o MESTRE DE MONTAIGNE 194 velmente. por 1542. António Ferreira. I. 2S. D'e3ta reforma dos estudos saíram os principaes génios da Litteratura portugueza. vieram o celebre Diogo de Teive. cap.». Coimbra em 1537. Belchior Belliago. » Em outra Clenardo carta. . não como quem o traduzia do grego para latim. celebrado por Montaigne como auctor de tragedias latinas. como Camões. educado em Coimbra e auctor da tragedia clássica Castro. Em 1547. e João da Costa e António Mendes. ^ uma crise profunda no ensino. e outros muitos. Dava-se na Europa íícicntifico e e critica. Ignacio de Moraes. Dom João versidade. com estes prevaleceu sobre os Collegios . Nicolau Grouchy (1520-1572) elogiado por De Thou Guilherme Guerente. que frequentava a Universida- de de Coimbra. de humanidade foram eminentes. falia » Na visita que fez Clcnardo a do professor de grego Vicente Fabrício que explicava a Homero. Sobre a importância pedagógica de André de Gouvêa. que era letras . mas como quem na mesma Athenas o estivesse len« do.

de 7 de abril de 1517. 3. que o Ourives acabara rei Gil Vicente ourives da rainha mã. não só pela Inquisição. Em outro D. senhores do ensino.. Gil Vicente.se mesmos caracteres nas manifestações da Arte. Leonor. isto é. a 03 Architectura gothica. que admittira a In- 1536. ARTE PORTUGUEZA Século XVI. Dona Leonor. acabou por entregar o ensino pu- 15Õ0. a saber o que corregeu Gil Vicente. Diogo de Gouvêa. é nomeado vedor de Todas as obras de ouro ou prata mandadas fazer para o Hospital de todos os Santos. em evidencia o vigor e originalidade da tradição na Ou- Em um Alvará de Dom Manoel. apresen- com ta. expulsaram os professores trazidos a Portugal Foram estes os fautores de uma « austristeza » com que terminou a época fecunda por André de Gouvêa. que temos observado no periodo philologico da Renascença. uma vez . esta mercê Thomar seria por causa todia dos Jeronjmos. lè-se de minha muito amada e presada ir- documento do « em e Mosteiro de da obra da Cus- testamento da rainha D. de 15 de feverei- ro de 1509. » No 1502. ourives. de que se conhecem apenas fragmentos. Gil Vicente « ourives da Senhora Raynha minha irmã». lê-se que deixa ao mos- da Madre de Deus « os dois cálices que andam em minha Capella. resiste sob a modificação florida {manuelina) contra a imitação servil das ordens gregas. como a Ourivesaria contra os cinzeladores italianos. apagada e tera. Manuel. Fora o Dr. de 4 de fevereiro de 1513. a intolerância religiosa impoz pela violência a reacção catholica. serviu-se do poder do seu génio artistico para pôr rivesaria.. quando se apoderaram definitivamente da Universidade de Coimbra. e os Artistas nacionaes. . a viuva de Dom João ii. como mais tarde pelas escholas jesuiticas. que deu forma litte- raria aos typos populares do theatro medieval. e outro dos que elle teiro . Gil —O an- tagonismo entre a tradição medieval e a erudição humanista. vil dos Quinhentistas. que recommendára ao monarcha os padres jesuitas e estes.) 195 Onde havia liberdade mental prevaleceu o regimen scientifico nas nações oecidentaes. em quisição Portugal blico aos Jesuitas em em Dom João m. e que sustentou a contra os eruditos que lucta com a imitação da Comedia clássica o queriam amesquiuhar." Vicente. Convento de Sem duvida Belém.

citam-se duas obras artís- fez. o seu talento poético. 8o. dedicatória da tragicomedia de herdeiro de seus sotis e Dom serviço da rainha Dona Leonor Jeronymo de Belém. » ^ No testamento do i'ei Dom Manuel. dizendo na Miscellanea. a rainha —feita também pelo mesmo Gil importância que o ourives tinha na corte era Dona Leonor. : m. Duardos ao príncipe Manoel. que d'esse primeiro esboço desenvolveu os principaes monumentos do theatro portuguez. melhores.. col.. — quiera. que elle segue as formas medie- vaes do Auto pastoril de Juan dei Encina.* GIL VICENTE. : (Epoca 3. compoz elle um monologo em forma pastoral. e na parte da ourivesaria : E vimos minas reaes D'ouro e d'outros nietaes No reyno se descobrir Mais nunca vi sair Engenhos de officiaes. E fallando das manifestações da arte da Renascença. cia Gil Vicente no seu talento de ourives e de não cessou de ferir poeta. de 7 de abril de 1Õ17. que tanto . . a ticas Custodia feita por Gil Vicente para o mosteiro de Belém e a grande cruz A Vicente. que pertence á eschola da erudição humanista. Gar- de Resende. ^ Canc. Chron. diz em relação aos italianos Ourivisis e esculptores São mais Na ^ Frei fl. S. em 1502. conhecendo que tal. agradou á rainha Dona Leonor. Gil Vicente confessa que escrevera os t. « Como p. seraph. 210. Dom em Autos geral. o obri- gou em 1493 a escrever algumas estrophes no processo chistoso de Vasco Abul ^ e no nascimento do príncipe Dom João. de Gil Vicente. ouiuvES 19() que já está no dito Mosteiro etc.

figura como teste- ma os privilégios munha « Belchior : haja. Luiz Vicente que as imprimia era wioço da camará do príncipe Vicente. Pela importância que os alcançaram na corte pelo génio artistico filhos de Gil Vicente de seu pae.. chamava-se índia onde morreu Dom nandes a solteiro.Século XVI. Nos Com- Albuquerque. é que depois da publicação dos Autos se generalisou a preferencia pelo litterario. adail de Goa. sendo o honrosissima antonomásia. com certeza como ourives. Segundo umas noticias genealógicas de Frei João da Conceição Vianna. 7noço da Vicente. filho capella dei Deus Aqui temos outra de Gil Vicente.» Como de Moraes. que serviu uma hem na petição de Garcia Fer- de 16 de abril de 1Õ40. ourives de prata. dá-se Gil Vicente de Alão de como filho Mo- único de Martim Vicente. 27. manuscripto de Alão se confirma pelo elle a Martim ^ Em Vicente. lê-se: « Despachado este Embaixador. ^ titulo esquecendo-se systematicamente a profissã© de ourives. como Dona que também compoz comedias « se lê e Dom João. era moça da camará da rainha natural de AfTonso de Albuquerque lillia de Gil Vicente. e como auctor dos Autos que em seu nome se imprimiram. estende no titulo dos Vicentes.. que Ias Comedias y Farsas y Moralidades. Braz de Albuquerque era íillio Vice-rei da índia. p. » na Pedatura Lusitana. porque só em 1562 é que as suas obras dramáticas foram conhecidas pelo publico. » O mesmo desdém erudito de Resende tanto se raes. » vez a gloriosa antonomásia ligada ao nome de Gil Vicente. mandou Aífonso de Albuquerque em sua companhia. em que recla- que lhe concedera Dom Manoel no caso de acabar a obra do palácio da Justiça de Lisboa. e o filho de Gil Vicente por seu escrivão . a quem rei nosso senhor. Resumo hist. natural de Guimarães. Na pri- meira metade do século xvi a gloria de Gil Vicente provinha-lhe quasi exclusivamente dos seus seu tiome citado como uma trabalhos de ourivesaria. Na Pedatura ao poeta como ao ourives. para assentar paz.) os FILHOS DE GIL VICENTE i97 Excellente Príncipe y Rey mui poderoso. que he compuesto en servido de la Reyna vuestra tia . e Paula ajudou muito seu pae Catherina.. e de Paula Vicente. ao narrar a embaixada mentarios de Affonso de mandada ao Hidalcão... Diogo Fernandes. » João iii. e . gen.

198 o ouTiiico MANUELINO (Epoca 3. pela ^ ourives. que já desde o tempo João ii obedecia á influencia italiana introduzida por na Europa. liberdade de consciência. de Belém. que pertence Este eminente » como affirma Raczynski. vencido na grande lucta da liberdade de consciência. para que se continuasse sicas com fervor a escrever na forma de Autos e Moralidades era preciso que impressão a deixada por Gril Vicente fosse muito pro- funda. No Auto da Ave Maria. não excedido nos trabalhos de ourivesaria. mes- Boytaca põe de parte as ordens gregas. cença simultaneamente poeta.* Gil Vicente apresenta a caracteristica dos espirites da Renas- — a universalidade. No reinado de Dom Manuel o gothico florido retoma a sua preponderância. musico. . elle foi auctor e actor dramático. Proseguiremos na indicação de outros artistas para accentuar bem a dupla corrente. obliterando a nota a tradição medieval reage contra feição nacional André Contucci. o gosto em que da Renascença. Conhecidas e imitadas a tragedia e a comedia clásnos divertimentos escholares. e João de Castilho concluo segundo o alvará de 23 de setembro de 1522 as abobadas e columnas d'e3te monumento. que também apparece manuelino estylo « unicamente a Portugal critico na Hespanha. esta lucta das Lisboa existe um Alvará de 1S20 encarreVicente de armar o catafalco para o auto por occasião do terceiro Na Gamara municipal de Gil vem esboçada casamento do rei Dom Manuel. definindo a forma typica do tre com alguma cousa de privativo. philologo. na construcção do Mosteiro dos Jeronymos. que pelo seu aspecto erudito de um Dom se unificou na Arte. começada em 21 de abril de 1500. e mesmo Raphael como architecto. de António 1 gando Prestts. hade por força imprimir ao seu culo uma sé- direcção segura. Onde bem se tal phenomeno ó na Architectura. luctando Quando o génio é acompanhado de qualidades d'esta ordem. o caracter geral de uma reacção do gothico contra o eatylo clássico propagado por Balthazar Peruzzi. foi no theatro que o seu exemplo deixou encetada a vereda para os no- vos espíritos. Bramante. escripto por 1529. decorador. viu com clareza no estylo manuelino.

Século

;

:

193

ARCHITECTURA E PINTURA

XVI.)

'duas correntes architectouicas,

em que

a Renascença renegava a

Edade média

Mestre

:

Diabo

:

E

a

que vem a esta terra

?

Mostrar mi saber, mis manos

suena

allá

que luzitanos

su gusto aora se encierra
en

Cavall.

:

Eu

romanos.

edifícios

sou dos que estão postos

n'es?e gosto

que não

melhor composto,

vi

hei-o por gosto dos gostos,

jamais

A

reacção clássica

vivarei rosto.

liie

prevaleceu com Francisco de Hollanda

(1Õ17-1584), que se educou na Itália, e em Roma viveu na intimidade de Miguel Angelo, Júlio Clovio, Baccio Bandinelli, Fedei Piombo, Valério de Vicence, Mtillechino, e

rino, Sebastião

a

erudito Lactancio Tolomei.

Na

Pintura é evidente o

mesmo antagonismo;

é representado por Grão Vasco
D'esses quadros diz Raczynski

o estylo gothico

nos celebres quadros de Vizeu.
n'elles

acho o que tantas vezes

tenho dito a respeito de outros quadros

a influencia Jlamenga

a

:

e allemcL, á qual os hespanhoes foram

com

longo tempo submettidos

relação ás artes no tempo de Carlos v e seus successores.

»

*

Rackzynski determina a época em que se operou a revolução no
gosto da Pintura portugueza: «na época de Dom João m, entre

1530 e 1550
gal

fez-se

é a época

;

uma

revolução completa na arte

em

Portu-

que accentua a passagem do género flamengo

lemão para o género italiano,

»

^

e al-

sendo principalmente introduzi-

do o novo estylo por Gaspar Dias, Fernando Gomes, Manoel
Campello e Francisco Vanegas. ' A hostilidade que Garcia de

Resende revela contra o Theatro medieval e contra a Ourivesaria
portugueza, apparece reflectida contra a pintura flamenga por

1

Leíti-es, p.

378.-2

ibid., p.

176.— 3

Ibid-, p. 95.

A INFERIORIDADE DA UENASCENÇA

200

(EpOCa

'i.''

Francisco de HoUanda, que não cita o nome de Grão Vasco, da

mesma forma que António

Prestes declama contra o novo gosto

em todos
na Architectura. É
os ramos da Arte, explicada pelo rompimento do individualismo
da Renascença contra o automatismo tradicional da Edade media.
Comprebendida uma tão importante característica, ella nos explicará os phenomenos capitães da Litteratura na época dos Qui-^
admirável esta concordância

italiano

nhentistas.

§.

n

Conílicto entre a tradição medieval e a erudição clássica^

ou influencia italiana

A
e

ó

época da Renascença, como notou Burckardt, distingue-se^

esse o seu maior defeito, por ter separado

classes

cultivadas da multidão analphabcta.

profundamente as

Também

a começar

do século XVI observa-se na litteratura portugueza este pbenomeno da separação progressiva entre os escriptores e o povo. Estas

duas entidades, a especulativa e a activa, não se conbecem, e por
creações artísticas não se inspiram de uma unanimidade

isso as

aftectiva por

Os

onde as litteraturas se subordinam a

um

fim social.

escriptores foram-se esquecendo das tradições nacionaes, aban-

donadas ao automatismo da transmissão oral do povo, e seguindo
as suas predilecções individuaes alardearam o prurido da erudição e da imitação clássica, escreveram ad sodales, uns para os
procuraram a importância dos principes. Consequente-

outros, e

mente as Litteraturas cahiram na fatuidade académica, sendo geral ao occidente da Europa o vicio do culteranismo. A influencia
erudita da Renascença propagou-se em todos os paizes por via da
Itália; era

Portugal porém essa influencia encontrou

resistência nos escriptores que

uma

forte

continuaram a inspirar-se das tra-

dições medievaes, sendo conhecidos depois da preponderância

cschola clássica

com

o titulo de Poetas

da medida

velha.

da

TRADIÇÃO E POESIA POPULAR

Século XVI.)

Nos indivíduos que cão

tinliam

uma

forte

201

educação

litíerariá,

conservou-se vivo o sentimento da tradição e poesia popular

;

AíFonso de Albuquerque diz João de Barros

ma-

em

nhoso

«

:

Era sagaz

e

de

seus negócios, e sabia enfiar as cousas a seu propósito;

trazia grandes anexins de ditos para

comprazer á gente, segundo

os tempos e qualidades da pessoa de cada

um.

»

^

João de Barros

considerava o perstigio da tradição devido unicamente á acção

tempo

material do

« Pois

:

cantigas compostas do povo, sem

as

nome ou verbo que se entenda, quem cuileva da terra? quem as faz serem tratadas e

cabeça, sem pés, sem

das que as traz e

consentimento? O tempo. » ^ Os moraliscombatiam também as cantigas do povo, como
vemos pela Paixão metrificada, de Frei António de Portalegre,

recebidas do
tas

commum

ecclesiasticos

e pelos índices Expurgatorios.

Um

grande numero de escriptores

destacam-se n'esta época erudita pela predilecção das tradições peninsulares, e pela preferencia pelo verso octonario ou de redondios escriptores que adoptaram a eschola italiana, obedeceram
na sua primeira maneira ás formas da velha poética tirando quasi sempre d'esta relação a base da sua superioridade.

Iha

;

O Lyrismo popular

1."

e os Poetas da

medida velha.

— A par

do lyrismo individual, que dá expressão aos interesses cgoistas

da personalidade do escriptor, subsistem certos cantos populares
ligados

á existência collectiva, e tninsmittidos pela musica, pela

dansa, e

em formas

nerárias ou

Serranilhas, as
infantis, dos

métricas especiaes

;

taes são as cantigas fu-

Endexas, as nupciaes, as do acalentar do berço, as
Orações, Salvas, Ensalmos, Formulas dos jogos

apodos locaes, das adivinhas, esconjures e prophe-

cias.

A
gor

;

Oração ó a forma que

Conde, a de

Sam

Década

linguagem,

II,

p. 226.

povo conserva cora ura certo

vi-

1Õ81, prohibe-se a Oração da

Sam Cypriano, a da EmparedaLeão Papa, de Santa Martinha e

Christovam e de

da, a da Imperatriz, de

1

o

no Index Expurgatorio de

lib.

Sam

10. cap. 8

ad

fin.

^

Dialogo

em

louvor da 7io$sn

232
do

A EGREJA PROUIBE OS CANTOS
Testamento

mos

de Jesus

(El)OCa

3/

Era Prestes ainda encontra-

Christo.

:

N'algQma Oração euidae,

E

cá a resae,

Vede

O

se sabeis dizer

Juslo juiz.

396.)

(p.

Gil Vicente allude ás Salvas
321.) Jorge Ferreira, na

(lll,

to poético

do povo

morde

beiços, lava

os

venta trovas, dá

«

:

«

mãos com

as

ceitis

Os

cio

farellos,

falia frautado,

canta de soláo, in-

refere-se

cantos ào& janei-

aos

eu lhe cantarei por Maias ...»

«

:

procuraram combater o lyrismo po-

Jesuítas

diz Balthazar Telles, contando os esforços do

;

de Azevedo

«

:

e

Padre Igna-

para que os meninos fugissem de musicas

compor

deshonestas, fez

»

para cerejas a meninos da eschola que

Jorge Ferreira diz

(Eufr., p. 226.)

pular

salve antes dei dormir,

Se escreveis a lavadeira que

lêa Autos... » (p. 187.) Prestes
reiros, e

La

Comedia Eufrosina, esboça o gos-

mesmo compoz algumas

e elle

canções

que andam no fim da Cartilha, as

espirituaes e cantigas devotas,

quaes ainda que não são as que estimara os cultos são as que
prezara os santos, e estas

popular, começou

poesia

Constituições
«

fazia

lhes

cantar de dia e de noite...

tomar de cór e lhes fazia

Esta obra de reacção contra a

^

»

antes dos índices Expurgatorios

episcopaes;

nem

mnos, que não pertençam ao

Porto

do

nas

chansonetas e villancicos,

motetes,

sacrifício

prohibe

se

nem

o

pelas

cantar

antiphonas e hy-

que se celebra, nem em-

quanto se disser alguraa missa, se consinta cantar cantigas pronem clamores ...» ^ Jorge
fanas, nem festas, nem dansas
.

Cardoso, no Agiologio traz
te,

boa gente, que

se

Em

Chr. da Companhia, P. n,

l, const.

7.-3

.

.

estrophe da antiphona

cantava na sé do Porto,

ainda allude com saudade.

1

uma

l.

Boa

gen-

e á qual Garrett

Gil Vicente encontrase o syste-

liv. 4,

Agiologio lusitano,

^

cap. 59.

iii.

p.

H4.

*

Const., Livro n,

tit.

:

;

;-

20'{

LYRISMO POPULAR

Século XVI.)

ma

.

da farsiture medieval conservado nas OraçSes, como o Padre

nosso do Velho da Horta

Pater noster creador
Qui

es in ccelis

poderoso^

Sanctificetur. Senhor,

Notnen íuum vencedor

Nos caos e

terra piedoso

Gil Vicente termina muitos dos seus Autos

que tiveram no século xvii
outros

um

com

Vilhancicos,

grande desenvolvimento musical

acabam com dansas de Chacota

e Enselada, e

em

quasi

todos ha cantares lyricos de Serranilha, segundo a velha tradição

provençal, e no tjpo da MiiiTieira que ainda se canta na G-alliza.

Este poeta, cujo espirito está a par dos génios encyclopedicos
do século XV, pela comprehensão do sentimento nacional fundou
o theatro portuguez, quando esta fórma litteraria se achou inti-

mamente
senta

em

ligada

com uma nova vida

civil; é

por isso que apre-

todas as suas obras os abundantes vestígios da tradição

portugueza.

Na Comedia

de Rubena, traz Gil Vicente

meração das cantigas populares anteriores a 1521

Feiticeira

Ama

:

E que

:

A

uma

enu-

:

cantigas canlaes ?

Ciiancinha despida,

E também Vai' -me Lianor ;
E De pequena mataes, amor
E En Paris está Dona Alda ;
Di-nie

tu,

seTwra, di;

Vamo-nos, dijo mi

tio,

E Llevadim por el rio,
E também Calbi ora bi,
E Llevantém^ un dia,
'

Lunes de manana,
Muliana, Muliana

E

E Não venhaes alegria,
E outras muitas d'e9tas

Pelo verso do Arcipreste de Hita:

«

taes.

Cabel e orabin, taniendo

;

204

das sehhamlhas

revivi:ííci..nl:ia

la su

rota

dos cantos

»

se

(Época 3.*

vè como Gil Vicente ainda conservava a tradiçSa

como no Cancioneiro

árabes,

doce hailho da Mourisca; Cabel

e

se

allude

também ao

orabin significa Avante, árabes.

Frederico Diez comprehendeu a relação tradicional que existia entre os cantos

lyricos de Gil Vicente e os cantares jograles-

C03 dos Cancioneiros portuguezes do século xiv;
ta

«

arremedando

da serra

os

E

»

^

escreve o poe-

:

se ponerei la

mano em

vós,

Garrido amor?

Um

amigo que eu havia
Mançanas d'ouro me envia;
Garrido amor.

Um

amigo que eu amava
Mançanas d'ouro me mandava;
Garrido amor.

Mançanas de ouro me envia,

A

meltior era partida

Garrido amor.

(n, p. 4i4.)

O velho solatz provençal ainda apparece no lyrismo do século
XVI no soláo, a cuja forma alludem Bernardim Ribeiro, Sá de
Miranda, Jorge Ferreira de Vasconcellos e Dom Manuel de Portugal.

Na Comedia Eufrosina

tigas:

Por amor de

allude Jorge Ferreira a varias can-

vós senhora,

(p.

Nos Autos de António Prestes ha

181) e Corarão de carne crua.
referencias a muitas cantigas

Que agora está cantando Como no
115); Canta-se la: Miran ojos (p. 300):

populares

:

:

E onde

diz a cantiga

:

Lá de Traz-os- Montes
Nascem meus amores,

Sá de Miranda
^

e

venis amigo (p.

(p.

303.)

Camões, nas redondilhas glosaram muitas

Ueber die erste poriugiesischer Kunst und Ilof Poesie, p. 100.

TROVAS DE BANDARRA

Século XVI.)

d'estas cantigas
lar.

como Motes

20e^

com

velhos, e ás vezes

o sabor popu-

Observa-se também no século xvi o phenoraeno de alguns es-

serem assimilados pela corrente popular

criptores

Maria Parda, de

o

;

Pranto de

Gil Vicente e as suas Coplas do Arraes do In-

ferno entraram nas versões oraes

mesmo aconteceu com

o

;

as

Trovas de Gonçalo Eanes Bandarra, reminiscência vaga das prophecias merlinicas

como

se nota pelas

referencias ao Leão dor-

mente e ao Porco espinho, que na Chronica en redondillas de Ro-

Dom

drigo Yanes alludem ao rei

Pelo processo

rim.

Affonso iv e ao rei de Benama-

do Santo Officio de 1541 contra Bandarra,

mas para acudir á

sabe-se que o auctor das Trovas fora abastado,

sua decadência adoptara o
nos leu a Biblia

vulgar, que pertencera

;

durante nove an-

a João

Gomes da

o que nos revela a corrente do protestantismo que pene-

Gram,
trava

em

de sapateiro

officio

em

Portugal.

Em

1531 vem Bandarra pela primeira vez

de Trancoso a Lisboa, passa

em

casa de João de Bilbis, pedindo-

João Lopes, caixeiro, a explicação das Trovas ; achandose já em Trancoso em 1537 é visitado por Heitor Lopes, que lhe
diz estar o Livro das Trovas já muito velho querendo-o mandar
1538 é visitado em Trancoso por um Vargas, da
trasladar.
Ihe

alli

Em

Covilhã, para argumentar

com

elle

sobre a Biblia;

em 1539

re-

gressando a Lisboa encontra na Guarda Filelfo que lhe pergunta
pelo Livro das Trovas. As prophecias exerciam uma grande fascinação, e outra vez

em 1540

é procurado

em Trancoso em

casa

de Manuel Alvares para que lhe explique as Trovas; em 1541 o
Santo Officio apodera-se do pobre sapateiro de Trancoso, mas a
sua condemnação deu ás Trovas maior perstigio. Os Christãos novos virara n'ellas o seu ideal messiânico, os patriotas depois de

1578 viram annunciado o Quinto Império e a vinda do Desejado
Dom Sebastião á maneira do rei Arthur mais tarde os partidários da restauração da nacionalidade portugueza propagaram as
;

Trovas adaptando-as a

Dom

ção de
va-as

tem

em

um

difficil

Dom

João

IV, e nas luctas

para a deposi-

Affonso-vi, o Padre Vieira commentava-as e forja-

favor do Enmherto que

aspecto de écloga

com

foi

Dom

Pedro

ii.

As Trovas
mas é

certa ingenuidade popular,

separar o que é authentico das excrescências e adaptações

apocryphas.

:

:

á06

o GÉNERO PASTORIL

As

(EpOCa 3.*

Pastorellas provençaes, que se colligiram nos nossos Canpalacianos, esquecidas sob

cioneiros

No

raria no século xvi.

a influencia castelhana

com uma esplendida forma

todo o século xv, reapparecem

em

litte-

vasto Cancioneiro de Resende nada se

acha que indique o minimo conhecimento do bucolismo, e comtudo
03

primeiros poetas quinhentistas, Bernardim

vam

dos

tas
«

Ribeiro,

Christo-

Falcão e Sá de Miranda figuram n'essa collecção como poeserões

do paço. Bouterwek notou

facto singular

este

considerado como a verdadeira pátria da

Portugal pôde ser

mesmo

poesia pastoril, que no

periodo

floresce

na

Itália,

adquire formas mais cultas, particularmente depois de
^

ro. »

Explica-se o facto pela persistência tradicional

em

meiro escreveram Éclogas
Ribeiro

e.

;

onde

Sannazaos

que

pri-

redondilhas octonarias, Bernardim

Sá de Miranda, são

cimento dos nossos trovadores.

os que revelam

Em

um

directo conhe-

Bernardim Ribeiro achamos

começou a cantar um cantar á maneiiieira de Soldo, que era o que nas cousas tristes se costumava. »
Sá de Miranda é mais explicito

esta preciosa referencia

a

:

Suspirou-se melhor, velu outra gente

De que

Eu

o Petrarcha fez tão rico ordume.

digo os Proençaes, de que ao presente

Inda rythmos ouvimos que entoaram

As musas

Isto

explica-nos

delicadas altamente.

como o género

^

pastoril, postoque desenvolvi-

do por escriptores cultos, nasceu da persistência de
nacional

;

uma

tradição

a forma litteraria que lhe deu Bernardim Ribeiro é an-

terior á imitação directa

da

Itália,

como

se

acha na segunda ma-

neira de Sá de Miranda que prefere o terceto e a outava
dccasyllabos.

capítulos

í

2

Quando

petrarchistas, rebentou

Couterwek,

IM.

da

Litt.

Obras, p. 109. (Ed. de 1804.)

em

en-

metros foram substituídos pelos

os velhos

uma

lucta

portugueza,

p.

desesperada, que o

43.

(Trad.

ingleza.)

A CORTE DE DOM MANUEL

Século XVI.)

207

em Hespanha

próprio Sá de Miranda descreve, semelhante á que

sustentaram Garcilasso e Bosean

;

que mantiveram o emprego

os

quinarios e octonarios, foram chamados

dos versos

com desdém

Poetas da medida velha. Historiemos este período pacifico do nosso lyrisrao pastoral.

—A

Bernardim Ribeiro.

a)

biographia

da

villa

poeta está

d'este

implicita nas suas obras, e é o commentario d'ellas.

Era natural

do Torrão, e oriundo da família dos Mascarenhas, que

ve o maior valimento de D. João

ii;

te-

em

veiu frequentar a corte

1496, quando contava 21 annos de edade. Este facto, que se deduz

de vários logares da Écloga

ii,

justifica

por que no Cancioneiro de

Resende ainda figura com Coplas e Voltas no gosto castelhano,
que estavam

em moda na

cobre as alterações

Dom

João

II,

De

A

corte.

data de 1496, só por

nos costumes palacianos

e o seu successor

Dona

a princeza

feitas

Dom

;

si

des-

era fallecido

Manoel estava casado com

Izabel viuva do príncipe herdeiro

Dom

Affonso.

Castella tinham regressado as famílias aristocráticas compro-

mettidas nas conspirações dos Duques de Bragança e de Vizeu, e

sua formosíssima

filha

fora levada para longes
repatriava-se

Dom

Álvaro de Portugal, com a
Dona Joanna de Vilhena, que em 1483

entre ellas voltara a família de

terras,

na fuga da conspiração e agora

como camareira da nova

rainha.

Foi n'esta renovação de pessoal na corte do ostentoso monar.
cha, que

appareceu Bernardim Ribeiro, a quem a formosa

Leonor de Mascarenhas pedia versos. Era

um

Dona

reinado que come-

çava pacificamente, conciliando sob a influencia moral da rainha

Dona Leonor, irmã de Dom Manuel, os antigos validos com
D'aqui em diante, é certo, o lyrismo portuguez apresenta uma paixão exaltada, e o amor canta-se como
uma realidade séria da vida. Bernardim Ribeiro amou uma dama da corte, a quem chamava pelo anagran.ma de Joanna (Ao-

viuva

os antigos homisiados.

ília)

que

«

Menina

longes terras.»
d'estes

As

e

moça fora levada de cata de

seus pães

-cinco Éclogas, que compoz, são

amores, com

uma ingenuidade

e

a

para

historia

verdade inimitáveis.

A

interpretação d'estas Éclogas completa-se pelas allegorias da novel! a pastoral,

um

cuja relação

com

esses

versos era conhecida

;

cm

documento judicial de 1552, fallando-se de Gonçalo Ribeiro

(EpOCa 3.*

ÉCLOGAS DE BERNARDIM RIBEIRO

:208

lese

primo co-irmao de Bernardim Ribeiro, fidalgo principal,

«

conhecido jielos seus versos intitulados Menina e Moça.

»

Dona

Joanna de Vilhena era prima do rei Dom Manuel, o que se harmonisa com a lenda corrente no século xvii, de que o poeta ama-

uma

ra

A

infanta.

Écloga

I

um

figura

dialogo entre dois pastores Pérsio e

Fauno; aquelle queixa-se de ter sido desprezado por
va, para casar
te

com um

pastor mais rico

;

Fauno

quem ama-

é inexperien-

no amor e lança-se inconsiderado após o que a phantasia lhe

Sc

representa.
ria illegivel

;

communica,
cão, cujos

ga

isto fosse

mas

O

uma vaga

os versos

situação banal, a Écloga se-

vibram com

uma

exaltação

que se

pastor Pérsio representa o poeta Christovara Fal-

amores com Dona Mai*ia Brandão foram como a Éclo-

os figura, repetindo ás vezes quasi

com

as

mesmas rimas

os

versos do Crisfal.

res

Na Écloga ii
De extranhas

o interesse moral

augmenta

;

faliam dois pasto-

de Bernardim

terras nascidos; a personalidade

Ribeiro é evidente ao descrever a sua naturalidade, e como veiu

para a corte

em tempo

das pestes do Alemtejo, quando as seccas e

as fomes afiligiam aquella provincia.

O

outro pastor é Franco de

Saudomir, que outr'ora cantou Célia, nympha que a Em Mondego
se banhou. » Evidentemente este interlocutor é Francisco de Sá
de Miranda, e Célia é a denominação anagrammatica de Elisa ou

como dama de honor da
com um tal Dom Anque Bernardim descreve

Isabel Freyre, que saiu de Portugal indo
infante

Dona

Isabel, e casando

tónio da Fonseca.
os seus

É

n'esta

em

Castella

Écloga

ii

amores com Aonia:

O

dia que

ali

chegou

Joana acertou de ver

Que se andava pela ribeira
Do Tejo a flores colher.

Aqui vemos o verdadeiro nome do anagramma Dona Joanna
de Vilhena vivia como camareira da rainha nos paços da Ribei;

poeta nos serões do paço. Em meus euidadj)s cuidoso. que encontra Christovam Falcão. com o pastor Agrestes.: A onde 209 ALLEGORIAS PASTORIS Século XVI. : . de Amador. casado por ajuste de A Écloga el-rei Dom m um é Manuel. por remate d'esses amores se conhece o Que não me entendo corainigo D'onde esperarei repairo ? Que vejo grande o perigo E muito A mó}' o contrairá superioridade d'este rival ou contrairo. verifica-se no facto de ser o Conde de Vimioso Dom também com Dona Joanna de Vilhena Francisco de Portugal. Ir-me-hei eontuiiigo queixoso Sem me queixar do que sento. Pêra este mal não consente Haver Arte apollinea. uma poesia encobi"e aqui allegoricamente confidencia. dialogo entre Silvestre e do dos mútuos desastres dos seus amores. Estes ares são morlaes u . Amador fallan- é a personifi- deixa a corte. Oli quem fora tão ditoso Que perdera o pensamento ! Na Écloga v ha um deixa os seguintes dialogo traços. Leixa-me a mim esquecer. cação de Bernardim Ribeiro.) ra. Que a minha lembrança triste Pois Mais triste te hade fazer. e no Alemtejo quem despede como se quem vae deixar Portugal *C3' Não te alambre que me viste nunca mais me hasde vêr. de quem que quadram com a personalidade de Jorge de Montemor: E postoque que sou doente.

nada ha que exceda era melanchoHa. que faça. por diz o editor de 1645. ib. 2H col. ^ Christovam Falcão. 4 : filha mais nova do opulento Contador do Porto JoSo São a fl. 5 Antre mim mesmo e mim. que Pereira . ib.210 o cnisKAL (Época íK" E o (lue mais mo áesbarata. e alguns versos de Christovam Falcão apparecem no Cancioneiro de Resende como de Bernardim Ribeiro. porque n'este anno se publicou o livro das suas obras morte só leitura da » como Bernardim Ribeiro Éclogas i e lll. em naturali- em Camões reapparece unida esta perfeição poética e verdade de sentimento. em sua vida . como a d'aquellc dade e vehemencia esta Écloga . : .. Antre tamanhas mudanças. como se in« A qual dizem ser do mesmo Auctor. E choro por a fíegaça. E dá dores desigiiaes. a quem chamava o seu Ennio. Os versos dos dois poetas imprimiram-se no mesmo volume. Qne suspiro por Mondego. exercia a prode musico (Arte apoUinea) em Hespanha. Não sei. que me mata. e de os manuscriptos genealógicos Dona Vaz Brites conservam vagas referen- á sua vida romântica e ao desgraçado amor narrado na cias inspirada Écloga do Crisfal. nome formado das primeiras sylamou Dona Ma- labas do seu nome. que vivera era Coimbra. 3: A uma smliora que se vestiu de amarello. deve fixai'-se As se A « que se não imprimiu achou entre os seus papeis relaçSes poéticas entre cão. E vivendo triste. Jorge de Montemor. É lembrar-me os sinceiraes De Coimbra. b) de Almada Falcão.. A Écloga v foi fissão encontrada fora da collecção de Bernardim Ribeiro. foi — Era primogénito de João filho Capitão da Mina. 1 col.. Sendo ainda bastante criança ria Brandão. e Christovam Fal- adquirem maior funda- Écloga Crisfal e das poesias avulsas do apaixonado de Dona Maria Brandão. » No Ijris- fere da rubrica mo : portuguez. determinadas pelas mento com a morte de Bernardim Ribeiro não longe de 1554. cego. mesquinho. col.

Se- Dona Maria Brandão afinal obedeceu ás suggestoes da família acceitando por marido Luiz da Silva. Mas com quanto certo sei Que as lagrimas são salgadas. Começa a Écloga descrevendo o como depois foram separados um do como conseguindo por fim vêr-se injustamente se recri- principio d'aquelles amores. : A minha A bocea na saa. e minaram : E dizendo Oh mesquinha Como pude ser tão crua? Bem abraçado me tinha. se essa Écloga não fosse uma das maravitão de dama foi para a lhas da litteratura portugueza. sua face na minha. Ora não mais. LENDA AMOROSA Século XYI. Eatam chorosa ella assi me vér me socorrer. Capi- Tanger. » como conta o manuscripto de Alão de Moraes. e Christovam Falcão ajporque não casou com sua índia. em cárcere privado. Com uma voz piadosa Por tão choroso Já para Começou assi a dizer — Amor da minha vontade. Ay que grande descanso É falar com a verdade I Na Écloga indica o convento onde foi clausurada Dona ]\Iaria .: ! . Resentiraentos ou cálculos de família oppuzeram-se a esta paixão sincera das duas crianças. Aquellas dôees achei.) Brandão. resultando para Christovam Falcão o jazer cinco annos e para Dona Maria gundo os Nobiliários. Lagrimas tinha choradas Que com a bocca gostei. e irmã dos dois poetas 211 Cancioneiro gemi Diogo do Brandão e Fernão Brandão. Bastavam estes simples factos para despertarem o mais alto interesse pelo Crisfal. o ser clausurada no mosteiro de Lorvão. outro. Crisfal manso Bem sei lua lealdade.

fallando de Damião de Sousa Falcão. na Carta i. ajunta: «parente com uma filha de João de Sousa Falmui chegado do Barão velho. Já em vos vêr descansada. Carta em redondilhas.) ha o mesmo artificio de metrificação E nas serras de Vam sigDaes de Uma : Lor tuas dores . capitulo 34. Algum descanso tivera Mas o vosso mão casar lyricas .» E na Historia insulana^ Cordeiro fallando do Capitão donatário da ilha de Santa crescenta: Maria e do casamento cão. Camões. INFLUENCIA DE GHRISTOVAM FALCÃO Brandão de Lor. álá ... que fez a celebre Écloga Critfal. e ào famoso d'elle poeta Christovam Falcão. . a uma Senhora com quem era casado a furto contra vontade de seus parentes d^ella. impressa sem data." Em uma o : Vam ali segunda parte do Crisfal. Se vos eu vira casada Com í]uein vos bem conliecera. . foi immensa. cada VII. Dona Guiomar Coutinho..» N'e3ta Écloga lude ao desastre dos amores do infante lha do Dom também se al- Fernando com a fi- Conde de Marialva. na Dé- ga. : (EpOCa 3. Diogo de Couto. ac- «irmão de Christovam Falcão. da índia. Bestam de Christovam Falcão pequenas composições allusivas á ultima e desesperada situação do seu amor : Casada sem piedade. clandestina- mente casada com o Marquez de Torres Novas. de Christovam Falcão traz a ru- brica: «estando preso. aquelle que fez aquellas cantigas e nomeadas trovas de Crisfal . das primeiras syllabas do seu nome . de 1554. . E » termina com o verso estroplie » « Sobre as Serras seguinte começa pelo verso a estrophe grandes montanhas.. sobre que fez (segundo parece) a passada Éclo9 A impressão produzida pela Écloga. escripta por Balthazar de Brito e Andrade (Frei Bernardo de Brito. cita quatro versos d'ella correntes como provérbios.. uma . Vosso amor me hade matar. os quaes a queriam casar com outrem.

Para sempre vos casastes. Em Hespanha. Para sempre o E sentirei. consideração. que i Lè-se na Aulegraphia. em seguida Jorge Ferreira de Yasconcellos. auctor das Trovas Moraes que Chiado cita na Pratica de Outo Figuras . sem mais . Vosso amor me hade matar. e eondemnaes logo o outro verso. senhor. pois no casar errastes Dae-me parte do que errei. Abundavam as satyras. e deu-se o nome de Poetas da medida velha aos que continuaram a metrificar na redondilha. em 1539. de Jorge Ferreira: «e hey muito grande dó de uns juizos poldros. e vulgo. figura Luiz da Silveira. prevaleceu o emprego do verso endecasyllabo. Portugal. que vem junto á Aulegraphia. Não vos engane o ca«ar. Pois não tollie a liberdade : Casada sem piedade. » Fl. Vosso amor me hade matar.: 213 o uso da redondilha Século XVI. a olhos. da grande familia dos Silveiras do Cancioneiro geral. e assi me parece de vós. João de Barros. )) Entre os poetas quinhentistas que mais resistiram á imitação italiana. que por andar com som do moderno sereis todo respeito nem um Soneto. achada entre os seus papeis. e tão curtos da vista que acceitam toda novidade sem pezo. campo ninguém tinha uma comprehensão conflicto doutrinário. Os Poetas da medida c) velha. — Depois da reforma da por Sá de Miranda na imitação da poesia inicia- italiana. V. 163. A designação de medida velha tem implícita a existência de tido de reacção litteraria contra a innovação um e outro italiana .) Dobra minha saudade Casada sem piedade. Castillejos ^ um par- mas de nitida do e Gregório Sil- vestre foram os caudilhos d'esta reacção a favor dos metros octo- em narios. com a Carta em redondilhas. nos Louvores da língua portugueza queixa-se de estarem desprezadas as redondi- António Ferreira diz «que a antiga redondilha deixa ao Ihas.

. Maria Parda de Gil Vicente. » * Vid.. — Apesar de se operar a separação entre os escriptores e o povo.» 214 COMPOSIÇÕES KM mí:du)a velha (Kpoca 3. de Luiz Brochado os Letreiros sentenciosos. cuyos desenfades parece que se zieron solamente para ellas (as mulheres). Évora 1883. pensaraientos vivos ayre. para sentidos .. : « las Na em verso de redondilha." Os Romanceiros como rudimentos da Epopêa medieval. Manuel de Portugal.. para casar... as Coidas do Moleyro. e Malicia das mulheres.. Caminha. Dos poetas da medida velha muitas composições tornaram-se populares. o Pranto de . Falcão de Resende. Portugal na Arte de Francisco de Las Decimas. e Avisos para guardar de António Ribeiro Chiado. e especialmente as composições de Balthazar Dias. os Arrenegos de Gregório AíFonso. sendo a plêiade brilhante da eschola italiana. fallando dos versos de poucas syllabas diz « que son propriedade de Romance. 2. como o Pensando-vos estou. continuado a metrificar em tivo admiravelmente castelhano. filha.» A influencia dos costumes galantes y mucho do paço é que se deve attribuir o terem Sá de Miranda. attribuidas a Damião de Góes. * as Trovas de Maria Pinheira. Petição ao Commissario. Excerptos de um hi- Os Romances foram Cancioneiro quinhentista.» E explica a preferencia das damas do Galanteria. circumstancias especiaes fizeram recebesse forma litteraria.. continuou a estimar-se os géneros de Cancioneiro que se usava n'esses divertimentos Dom . Dom com que o Romance tradicional Francisco de Portugal. na Arte de Galanteria. no se les cerrará la puerta modas de versos hizieranse para leydos.* procuravam de preferencia a forma da redondilha menor ou maior taes são as Trovas que se fizeram nas terças em temjjo de El-rei Dom Manoel. e não poucas vezes Arte de Galanteria se acha accentuado o mo- coplas castellanas son las mas próprias para Palá- cio . Apesar de terem com Dom Manuel acabado como os Con- selhos os serões do paço.. e Dom o próprio Camões. las otras e estos paço pelas redondilhas : ni « ay muger que apeteça versos sino aquellos que tienen poças syllabas. Regra Espiritual. de Bernardim Ribeiro. sustenta « : dei Palácio. . Bernardes.

staha en ram-se lerma. e. Juan de e . 333) Donde estás. Coimbra (iii. (ii. La bella mal me quieren en Castilla. (i. 329) Guay Valência.: em musica postos 215 REFERENCIAS AO ROMANCEIRO POPULAR Século XVI. que se : titulo ^ : Glosa famosa de um famoso Aulegraphia. e novo auctor sobre . (ii. na recebia a forma culta la littera- em Se- Cueva. Usapelo de Be- também os romances glosados. : Eu . diz : passados celebrar seus heróicos to em feitos. tempos e d'elle3 assi viesse até nossos porque a gloriosa memoria de que tan- se conservasse. (iii. E do gosto palaciano que assim fortale« n'este e por este modo usaram os <iia a corrente medieval. e nos seus Autos cita os seguintes romances Dona Sancha. e ganhareis vosso pão peado em grosar Romances velhos. . e devem considerar-se como uma prova da sua comprehensào do elemento tradicional. En el mez era de Abril. Nos escriptores quinhentistas as referencias aos Romances populares são frequentes. » 1 E fallando do gosto dos romances glosados tenda em Medina de Campo. como vemos em Bernardim Ribeiro. traz numerosas allusões aos romances peninsulares. 270). 249). o aulico Jorge Ferreira de Vascoacellos na sua novella do Memorial dos Cavalleiros da segunda Ta cola Redonda intercalou bastantes composições na forma de romance popular. que muitas vezes é de vantagem das cas- tem aforado comnosco e tomado posse do nosso « Poreis ouvido. 9. se. romance de Dom Gril Vicente escreveu o Duardos. reagindo comtudo contra o tfso excessivo da lingua castelhana pelos escriptores uma : « Não ha entre nós quem perdoe a trova portugueza. maridada. n. que encheu as suas comedias de locuções e adágios. Lasso de também La Vega. e usar-se agora para estimulo de imitação não fora máo. sam Dona me 27) Mal 227) (ii. o romance púlveda. . 212) parodiando os romances velhos. 143). flespanha se usou muito. para serem cantados á viola de arco. guay Valência.) por Torres e Fuenllana. Yo me nhola. e pôr-lhe-heis por telhanas. (ii. que te no veo. que são appraziveis. penetrando assim no paço. act. » ções dos Jorge Ferreira metriíicára sobre situa- poemas do cyclo de Arthur e greco-romano tura castelhana. (iii. . que entrou na corrente popular hespa- Los hijos de Giralda. Jorge Ferreira de Vasconcellos.

achamos fita lê-se aqxiel jpestigo viejo (p. cita o Dom Duardos . Jeronvmo Ribeiro. cita a no Auto dos Cantarinkos. dijo mi tio. o irmão de Chiado. 246 os ROMANCES VELHOS Mal ouvistes La caça de los (Epoca 3. Buen Conde Aquella Bella mal maridada.) Na comedia de Claros (p. Antes de apparecerem colligidos todos 03 Romances Velhos na Silva de Romances de 1551 e no Cancionero de Romances. Quando a eschola italiana dominou em Portugal e já a Renas- cença greco-romana dirigira a reforma da Universidade de Coim- . {Eufrosina. (p. no do Procurador. 19). 189).» 133. que pela imitação dos Autos de Gril Vicente comprehendeu o valor poético das tradições populares. maio. (fl.* Franrezes Roncesvalles. (fl. já se achavam vulgarisados na tradi- dei ção portugueza. allude ao Vamo-nos. e No Auto da Ciosa. Conde Claros le darte Falso. allude também a muitos Romances velhos o Moro alcaide. 17o. Mouriscote. tão 256) 6 glosado no século xvi. e o Doyn Flerida. » tangem tudo sobre Con- paristes. não se toma fortuna cora epitaphio que diz quereis entrar. o DuranAuto . Para que com vermelha. (p.» (fl. Guay Valência.. Mendo Jielo cita En el mez era por do viene. Yo . . no Auto do Desembargador. Por Fernan Gonsalves mance (p.. ficando depois desprezados pelos eruditos da Re- nascença até serem de novo colligidos da transmissão oral ao fim de três séculos.) allusSes las e ali « : na comedia Aulegraphia. no Auto de Rodrigo de Alyril el-rei como e Bella mal maridada. lançar era lençoes de veguelas de cegonha.» : « cita o ro- Reirahida está la Infanta. no Auto da Ave-Maria.. Helo. (fl.) Bella mal maridada. Jorge Pinto.. 260. 12). . Si en el- eu vou n'outra volta Ribera dei Doro arHba. 47) A Na Aidegraphia « mais: e « he uma atalaya de las armas. 80) «que me irei ludo com a Bella infantinha da minha . Eufrosina. madre. Riberas Dauro arriba. de 1555. cita daria bel Conde. . enganador A Poma dia (Mira Nero. cita Sobre mi vi guerra armar. se ar- Mouro. 46).. Moro alcaide. Passeava-se Duardos e .) António Prestes.

Nas Cartas em redondilhas cita como glosa Una adarga até os lar : jpechos . é que o génio de Camões se revelou vacillando entre a influen- tradição medieval. dijo mi tio — EUe comprehende que é para irem á mesmo romance Por que os no conosca Galvan. . o musico Vei- Moros en Troya — Trez e trez e quatro e quatro. entregam-se inteiramente ao humanismo rompendo com a tradição nacional. e que os latinistas ecclesiasticos condemnaram. Mira Nero da Tarpea. Mirando la mar de Espana. : Vamo-nos. No In- dex Expurga tório de 1564.: : 217 os ÍNDICES EXPURGATOIUOS Século XVI. A las armas MoiirisDonde estas que te no veo . Rodrigo. Rey David e todos os mais tirados do velho Testamento ou do Novo no de 1507 prohibe Ogeri Dani romance Con rabia está el .) bra. As suas Comedias estão repletas de referencias La flor de Berbéria cote. fabulas sem duvida as Dão como Gestas de Ogier le Danois. Debaixo das janellas do vice-rei Dom Constantino de Bragança o partido do ex-governador Francisco Barreto La nave como Mira Nero da janella canta va-lhe como chufa se hàzia. cita o romance ainda hoje popu- : Mi padre era de Ronda . Ao en- expedição de Surate. Camões pela incontes- estéril tável superioridade do seu génio soube conciliar estas duas correntes. a fora. e responde com versos do No en trajes de romero trar victorioso ga ia em cantando : — Barcellor Ejitran Dom los Luiz de Athayde. Nas Décadas de Diogo de Couto ha referencias aos Romances velhos que os cavalleiros portuguezes repetiam nas expedições militares Dom A na índia : Dom Jorge de Menezes é avisado no mar por António de Noronha. Vi benir 'pendon vermejo . de Ogeiro o traduzia Balthazar Dias. a essa poesia profunda e vigorosa que os eruditos não quizeram conhecer. Caballeros de Alcala . é com certeza em Camões que se encontra o maior numero de referencias aos Romances tradicio- naes nos Disparates da índia. e A fora. na Carta i.. prohibe-se « todos os Romances tirados ao pó da letra do Evangelho » no de 1581 prohibe-se o : . Depois de Gil Vicente. Na tomada de Salsete fez-se o Romance de que Diogo : de Couto traz o fragmento — . Su comer las carnes crudas . cia erudita e a como Espirites o de António Ferreira e de Caminha. que lhe diz Paris essa Ciudad. Y que nova me traedes. vem Riberas dei Dauro arriba . .

. áJ8 : . as revoltas pela liberdade e a unanimidade dos sentimentos tro. começou nas cathe- draes pelas formas hieráticas. Nas Constituições do Bispado de Évora. Gil Vicente. popular e aristocráti- comprehendem melhor do Theatro portuguez. que ameaçavam a civilisação em 1572 da Europa. porém achando-se um ecco d'oste successo nos romances populares. Magnin estabeleceu os primeiros monumentos vida publica. Paixão de Nosso Senhor Jesus Christo ou da sua resurreição. Fundação do Theatro nacional por estudo por Origens do Theatro. onde o povo fazia as eleições e os contractos. vô-se que esses escriptores exclusivamente eruditos não se elevaram acima de 3. um Existia . A liga cathohca que venceu a batalha de Lepanto contra os Turcos. ou nascença. alguns especial licença. o mesmo fazia Luiz tomada de Azamor. Reis e Paschoa. de 1534." seu deplorável mediocridade. João de Barros sentindo a ne- cessidade da creação de uma epopêa portugueza esboçava outavas era endexas no typo das de AfFonso o Sábio. de dia noite. que é uma o thea- . vindo mais tarde a ser banido da liturgia e principalmente das festas do Natal. na Edade media. Só Camões ma feitos Anriques descrevendo a é que teve a intuição d'esta inti- relação do elemento tradicional. porque de taes nem de Autos se seguem . poderoso elemento tradicional sobre que fundar as creaçoes individuaes da litteratura. consequência da vida publica. inspirando-se das lendas por- tuguezas e agrupando-as era volta do facto histórico dos Lusíadas. Yinlo mil eram por todos. começou nas cathedraes. foi ce- lebrada por dois poetas portuguezes Pedro da Costa Perestrello c Jeronymo Corte-Real.* campos de Salsete Mouros mil feridos vão Vae-llie dando no alcance Pelos O de Castro Dom João. e uma ellas se em A — No theatro hierático. enumerando os da historia nacional . THEATRO HIERÁTICO (EpOCa 3. sobre as três divisões capitães co. prohibe-se « nem se façam nas ditas egrejas ou adros {Ludi) postoque sejam nem em vigilia d'ellas jogos de Santos ou alguma representações ainda que sejam da sem nossa festa .

) tit. ecclesiastica. vê-se que effectivamente o Ratinho era o typo lorpa (o Stupidus.) 219 muitos inconvenientes. na corte de usaram -se os Momos Obras de Gil Vicente. 15. só freguezia de quatorze ou quinze lugarinhos ou aldeyas. Para as suas faiças Gil Vicente apropriou-se do typo popular do Ratinho. e pelo em Braga. commum ori- dramas. d'elles se estende o mar. : Século THEATRO POPULAR XVI. tada por Dom João Na procissão de Corpus Christi. Dialogo da Eesurreição. . 342. exhibiam-se autos dramáticos. 443. e no Auto pastoril. e Andaluzia Carro das ervas. Corrida do porco Preto. na Satura latina) da comedia nacional Muitos Ratinhos vão lá De cá da serra a ganhar. p. Mi- guel Leitão de Andrada explica assim que sendo o concelho de Rates uma este typo : « os Ratinhos. Gralliza. como o da Con- a Portugal. E lá os vemos cantar E bailar bem como cá. regulamenem 1482. t. que quer dizer bordas do Vendo-se nos Autos de Gil Vicente citados os bailes da Beira. por onde se vê que Gil Vicente no monologo da Visitação. ii conservando-se ainda muitas das suas figuras como symbolos. » Nos costumes populares portuguezes ainda persistem estas formas hieráticas. [Const. O festa religiosa gem também motivado por alguma theatro popular ou leigo era as . e muitas vezes trazem escândalo no coração d'aquelles que não estão mui firmes na nossa santa fó catho- vendo as desordens e excessos que lica n'isto se fazem. 03 typos tradicionaes. ii. não fez mais do que fixar litterariamente 10. ii — * . e estes sejam os Ratinhos. tradi- Dom e Entremezes. 1 apresenta aristocrático as também uma forma Cavalhadas e Mouriscadas Dom João Miscellanea. Catalunha nas festas de Maio representavam-se o Sam João a uma da sua derivação de Basilica. comedias da Bazoclie provieram de como se infere em Muitos jogos infantis convertiam-se dessa. Auto dos lieis Magos. e localisadas ali algumas farças como o Clérigo da Beira e o Juiz da Beira. ^ theatro como AíFonso V e cional. p.. » ^ nome a quasi toda a Beira.

e nas Tragicomedias hieráticos. assistindo ás festas da corte como dá a entender no Auto pastoril castelhano. entrou aí recitou o Monologo de um Vaou da Visitação. na camará da convalescente e queiro. 61. como o Auto de elrei de Bôrberiãj a que Ferrabraz e allude das Neves. e a viuvez do novo rei Dom Manuel fez com que se sustassem as festas da corte. qual fazia nascido. Farças populares. pelas re- acompanhado de alguns fidalgos. trabalhos de ourivesaria. espécie de villancico da lapinha. saindo quarta-feira. o — Sabendo-se que em 1482 já apparece Gil Vicente designado como criado e escudeiro de Dom João ii. . nio drainatico Dona Leonor. o rei seu Cavallèíro do Cysiie. taes festas. O com Dom Manuel casado Dona Maria. cá- casual veiu despertar o gé- tendo o rei em segundas se como rainha ofFerecia por dovoção a Porém um accidente vários mosteiros. em segui- da a doença mysterioaa com que falleceu Dom João ii. Gil Vicente. 8 de junho de lõ02. e a rainha Feira de Anexins. nas- a infanta João.* AíFonso. no Minho. em rainha cruzes e custodias. com a Hespanha. 1 vários offerecimentos e vaticínios ao principe recem- Esta homenagem agradou bastante na corte. núpcias para ver assim se unificava Portugal ceu-lhe o principe com sua cunhada Dom padas com a morte do da Paz. Em uma uma Dom Miguel alegria publica. como lavrante da occupou-se lices. que a de Gil Vicente . Entre o po- vo conservou-se esta fónna tradicional. e que em 1492 figura como poeta no processo chistoso de Vasco Abul. p. dois dias depois do parto da rainha.'1±0 THEATRO ARISTOCRÁTICO Dom e pelas festas do casamento do príncipe em pae appareceu invencionado (EpOCa 3. occorre perguntar como só em 1502 tentou escrever a sua primeira obra dra- A mática? morte desastrosa do principe Dom AíFonso. Condições a) Francisco Manoel. nos Autos era que acção algumas novellas cavalheirescas. que lhe avivou as esperanças decefilho do anterior casamento successo da rainha causou todas as classes Gil Vicente relicários. nas pSe Dom Florippes que se representa na romaria da Senhora em que introduz se Theatro. manifeitações três em ou o Auto de ^ Gil Vicente deu forma litteraria a estas espontâneas do thcatro tradicional. no lações que tinha no paço.

. » em Gil Vicente vez de repetir pela festa do Natal aporque a substancia era mui desviada. pediu ao « : A . ao partir da expedição para Azamor é elle também que festeja . diante da rainha o Auto de Sam Martinho. animou-o a que continuasse a compor mais algu- ma cousa n'aquelle género. em fragmento « porque foi outra obra. Gil Vicente no o génio de Gil preciosa a ru- fim do Monologo da Visitação: a E "por ser cousa nova em Portugal. bem mere- da ce pelo tino historia com que soube conduzir É Vicente a lançar as bases do Theatro nacional.A RAINHA DONA LEONOR Século XVI. » É ainda diante da rainha Dona Leonor. o mosteiro predilecto da rainha Dona Leonor. A intelligencia superior da Rainha. para distrahir a corte que foge das pestes de Lisboa para Évora. na lingua então mais fallada no paço. Gil Vicente distrahir os ânimos alquebrados pelos desastres. Em 1504 representa nas Caldas. ou' exaltal-os no momento da partida como no Auto da Exortação de Guerra. Santarém e Coimbra. um dos príncipes e infantes como Dom João. Theatro estava ligado ao gosto e sumptuosidade palaciana. descobrindo esta nova prenda no seu lavrante. e em 1506 O o Auto da Alma. o nascimento nuel. que se assignalou pelo desenvolvimento que deu á Imprensa em Portugal e pela fundação das primeiras Misericórdias. que Gil Vicente representa em 1505 o Auto dos quatro tempos..) 221 Dona Leonor. de 1502 a 1536 raro é o anno em que Gil Vicente não compõe algum Auto. dita é de uma Rainha belleza satisfeita que para dia de Reis logo auctor Em 1Õ03 escreveu pois o Auto dos Reis Magos . irmã do monarcha. cesso das vem Em qualquer suc- armas portuguezas na índia ou na Africa. que pediu ao auctor isto mesmo lhe representasse ás matinas do Natal. Dom como o de Dom MaBeatriz. A Rainha ficou maravilhada com a nova obra ingénua a rubrica de Gil Vicente doesta pobre cousa. o Auto da Sibylla Cassandra é representado n'este mesmo anno em Enxobregas. endereçando ao nascimento do brica que poz Redemptor. os casamentos reaes Dom João III. Dona Isabel e Dona Luiz e talento assombroso para atravessar as temerosas intrigas d'es- .y) seguinte lhe fizesse pedido muito tarde. Almeirim. gostou tanto a Rainha velha d'esta representação. esse monologo. Era preciso Dom Philippe. » compoz o Auto pastoril castelhano.

* vickntk Di: r. na 3Iis- » insinuação malévola contra Gil Vicente. Reacção dos eruditos contra b) o Theatro medieval. e no artista e — Auto pastoril portuguez. que. e no prologo da comedia Estrangeiros censyra o ter-se substituido o nome de Auto ao de Comedia. apoucando a originalidade dos Autos E vimos singularmente Fazer representações mui eloquente. o (Época 3. De mui novas invenções. não queria fazer no cabo de meus dias. » Para levantar o repto dos que negavam a originalidade dos seus Autos. » N'esta data de 1523. conderanando assim os Autos hieráticos. — Como vemos pela Carta de Sá de Miranda a António Pereira.iL o forte apoio da rainha Dona Leonor. que é me de nome. por quanto duvidavam certos homens de bom saber. um Gil um Gil Um que não tem nem ceitil. cellanea. (st..: : 222 LicTA sas tres cortes. se o Auctor fazia de si estas obras. que inventou x usou Com mais graça e mais doutrina. ou se as furtava . e a sua forma metrificada: « Já isto até é sois no cabo.. e não desfazeis as carrancas . e dizeis ora não mais. D'estylo E feitas por Gil Vicente. 33} aquelle epigone da Renascença em Portugal chama Pasquinos aos que põem em scena os mysterios da religião. Posto que Juan dei Enzina Elle foi o Isto cá e o O Pastoril começou. é que Gil Vicente se viu também atacado pelos eruditos. junto com a morte cora d'ella. mas eu o que não agora. diz de si: «Um Gil. também faz uma amor de rainha natu- também vossos versos fiz mudar vos faço graça. a rubrica que a acompanha é importantissima « O seu argumento é. escreveu a Farça de Inez Pereira . poeta sentiu-se decahido. que Garcia de Resende. que propagavam ser elle o auctor d'aquelle3 Autos representados na corte. e eu também de deixai por são forçados d'aquelles consoantes. Este (de Comedia) reza. Auto. Gil Vicente caracterisa aquelles que o atacavam chamandoIhes « certos homens de bom saber.

estar adstricta ás sotties medievaes Dom terenciana. hum commum que dizem: Mais quero asno que me leve. nem á Iiiez : foi filho do continuação uma considerado como Miranda de gostou iii uma satyra do clérigo Gonçalo tragicomedia das Cortes de Juioiter Gil Vicente Garcia de Resende pela sua extrema gordura peixe tamboril) e pelo seu saber encyclopedico [E inda que tudo entende. que que me derrube. o Clérigo da Beira Mendes de Sá. Aulegraphia. E sobre este motivo se fez esta farca. e a boa diligencia acaba o que merecimento não alcança. primeira redacção dos Autos das Barcas de Gil Vicente: « La traza de esta comedia menandrina (es deeir. regular quer dizer caracteres e situações. de Juan de Valdês. moral) se echa bien de ver que está tomada dei Dialogo de Mercúrio y Caron.-2 — Na lucta que o poeta teve de j^a Biblioteca de Gallardo.) Nao se o publico Quem .) Gil Vicente allude ao secreta- «Diz que não hade cá vir — Sem Joanna de Valdês. » Jorge Ferreira allude ás a meninos de eschola pai'a lhe lerem ceitis Autos. e toma o typo da Mofina Mendes como vulgar : « formosu- ra sem vangloria dana mais que aproveita. apoda também {Feito Sá Francisco de Na com typos. n de outros auctores. 984. e que lhe dava coragem para proclamar as Vicente com a data de lõ36 em seus dias. rio latino de Carlos v : » (p. já se dá Gil Vicente como fallecido. 52. » ^ Era esta communicação com o vulgo que tornava Gil Vicente temido pelos eruditos.íl. : « vem ^ No fim da tra- a rubrica posta por Luiz a derradeira qtie fez Gil Vicente petição de Garcia Fernandes de 15 de abril de 1540. pode saber com certeza se Gil Vicente escreveu para n'uma rubrica diz tem farellos? poz-lh'o — lavadeiras que dão « : Este nome da farça seguinte o vulgo. clássica João pediu a Gil Vicente que escrevesse e contra Pereira é a primeira comedia portuguez. se lê acerca da Tragicomedia aUegorica do Inperno y Paraíso. lhe deram este tliema sobre que fizesse exemplo cavallo Pôde que a farça de dizer-se do theatro regular repto. e ás vezes lhe corre per devante Mofina Mendes.A COMEDIA REGULAH Século XVI.) 22'i s. c) ^ Eschola de Gil Vicente. com. ideias gicomedia Floresta de Enganos. extinguindo-se com a liberdade de consciência pela qual propugnara. » Na da Reforma. » .edia sem da farça. ejcmplar.

Que será mal de soíTrido Sem castigo reguroso. depois de mulato ella. E como ovelha perdida Jaa de vós muy esquecida Vos torney a esta cabana. por Gil Vicente. de Voragine. Jorge Ferreira allude á graça do poeta: que concierta razones. vagabundo Nossa vida soberana Deixastes pela mundana. que ainda se representa Auto de Santo António. —E em 1541 em varias . o poeta dramático de mais ta- Gil Vicente Affonso Alvares de Vasconcellos. » Auto de Santa Barbora. á Petição e n'ella refere-se á prisão do frade (pie fez o Chiado. Apesar de todas as protecções era um metrifi- d'elle o pelas aldêas. nào ? . ainda príncipe. ó do . lento e graça. Entre aquelles a quem se procurou attribuir a invenção dos Autos de Gil Vicente cita-se o Infante Dom por muito tempo auctor de Dom Luiz. Sem graça do virtuoso. «Torna por — Isso é vosso — Senhor. considerado Duardos. Porque éreis conhecido Por sacerdote perdido Com fama de gracioso. Porque não fosseis perdida. o de Sam uma cador sem conhecimento da scena. escreveu AfFonso Alvares autos hieráticos mento dos Restam muy honrrados e virtuosos coiiegos de Sam « a pedi- Vicente. respondeu á inimisade do Quintilhas. caiu essa escolha sobre AíFonso Alvares. Sobre assumptos tirados da Legenda Áurea. o de Sam Tliiago e o Vicente.: contra « certos homens de bom saber » que reagiam contra a tradição da Edade média. hypothese que caduca diante da dedicatória d'esta tragicomedia a Dom Joào iii. e criado do Bispo de Évora Dom ferir AíFonso de Portugal. Affonso Alvares escreveu Resposta em nome do Commissayro. procuraram levantar a reputação de um novo génio dramático para lhe opporem. António Ribeiro Chiado. mulato.

António Prestes. e na que~ bra da moeda antes da Peste grande de 1569. antes da reforma dos estudos em Coimbra. O seu Auto de Gonçalo Chambào está perdido. ^ era enqueredor do eivei em Santarém. O seu da Ave-Maria resente-se da primeira maneira de Gil quando imitava as Moralidades. Fora frade franciscano era Évora. António Prestes apresenta o nosso typo popular do Ratinho. bem como as Sete Cartas jocosas que se guardavam na Livraria do Conde de Vimeiro. e foi escripto por 1535. que uma trova eji ^ » Camões estima no Auto de El-rei Seleuco. que se tornou proverbial nas locuções populares. e embora seja incorreto na versificação merece ' lêr-se pelas muitas referencias a costumes nacionaea. e mais 225 » fal-a tão bem Este seria o legitimo suc- se infere das datas em que appare- representar diante de D. Luiz de Camões. Nos Autos que restam allude a successos do seu tempo. de lõ4S ou como o Chiado. como na Pratica de outo Figuras o cerco de Mazagão de 1547 no Auto das Regateiras falia da partida de . chegando a : nada. Dom Sebastião para Almeirim no inverno de 1568. sem pios nem tem outra cousa. » o que nos revela já então existir algum Pateo de Comedias aberto ao publico. — Em algumas cousas tem vêa também « com o cita Aqui me veiu o tomei como . esta preciosa rubrica : « O Auto Vicente. fl. Aulegraphia. era vivo ainda o grande iniciador. como vós. como ce memorado. Vicente. e eu por gracioso ás mãos. — É depois do Chiado o escriptor dramático da eschola de Gil Vicente que teve mais fecundidade e maior popularidade. ) 'Chiado. — que ^ 12G. de Francisco de Moraes. cossor de Gril esse escudeiro. João o iii Auto da natural invenção.CHIADO E PRESTES Século XVI. vindo para Lisboa viver se a data da sua morte em como goliardo . e já com conhecimento da assombrosa comedia hespanhola a Celestina. e no Auto dos dois irmãos allude ao Palmeirim de Inglaterra. conhecia a litteratura clássica por . Seu irmão Jeronymo Ribeiro também escreveu um Auto do Physico. e as Quinze Cartas jocoserias que possuia o Cardeal Sousa. fixa- 1591. O Auto do Procurador foi escripto antes de 1556. quando Auto dos Cantarinkos traz Representado n'esta cidade de Lisboa.

A Gil Vicente allude nos Enfatriões citando o romance de Flérida. 226 (Epoca 3. sobre romances castelhanos o Auto de Santo Aleixo ainda se reimprime. foi já escripto ceiro casamento de Balthazar Dias. e os bellos Autos hiera- í Bibl. este auto pto para os divertimentos escholares. Pertencem a este cyclo nacio- nal o Auto dos Escrivães do Pelourinho. Attribue-se-lhe também o Auto da Feira da Ladra. bem como a Malicia das mulheres e Conselhos para bem casar. Ms. cujo typo cómico é o de tugueza . n. Os índices Expurgatorios citam como de Balthazar Dias o Auto do Nascimento de Christo. Muitos são os Autos anonynios que pertencem ao século xvi. A sua lenda ou Historia da Imperatriz Porcina. O auto de Filodemo foi escripto na índia por occasiao das festas de Francisco Barreto ao ser nomeado governador em 15ÕÕ. tro Evfatrives e Filodemo são em redondilhas. Pertence-lhe a celebre tragedia em redondilhas O Marquez de Mantua. desenvolvimento da lenda de Crescencia. . do sé- o povo mais sympathisou. os seus Autos de Elrei Seleuco. Manuel com a noiva de seu filho. proveniente tal- vez da sua mesma antiguidade. p.» H93. é ainda saboreada pelo povo. quasi todos extremamente raros . era natural 4a ilha ^ . os apresentam uma Autos do Duque de Florenqa e de uma Celestina por- Dom Florambel certa frouxidão na estructura. » da Madeira.* BALTiiAZAR DIAS causa da sua educação humanista. e o Auto breve da Paixão. mas hoje totalmente perdido. ai se acham allusões ao terD. que ainda apparece apontado nos índices Expurgc\torios. preferia seguir no thea- a eschola de Gil Vicente. N'e3ta composição cita o Auto de Braz Quadrado. e hoje o lê e representa pelas aldeias. e as Trovas de arte maior á morte de D. o Auto de Salomão. Homem carecido de vista . e viveu por algum tempo na Beira.. desconhecido. O foi escri- auto de Elrei Seleuco em Lisboa em 1542. 283. entre elles citaremos o Auto de Guioviar do Porto. escreveu no reinado de Dom Sebastião. João de Castro. cente aquelle — é de todos os poetas da eschola de Gil Vi- com quem culo XVII lê-se: o mesmo ainda Era cego em um Ms. do Porto. que se não encontram já. e o Auto de Santa em Sam Catharina ha poucos annos se representou Chris- tovam de Mafamude.

Auto da Donzella da Torre. e e iSurrey. costumes portuguezes. Francisco Luiz. já então conhecido como um eminente lyrico. o não viesse fortalecer com a sua franca adhesão. Auto da Geração humana. Boscan com o êxito da tentativa. em França Durante sob Car- na Inglaterra sob Henri- foi seis em Hespa- enviado como embai- mezes que esteve em Granada. mas satisfeito teria por certo desfallecido na empreza. Apesar d'esta irracional devastação. de 1536. se Garcilasso. Gaspar Gil Severim. Frei Braz de Resende. e pediu-lhe que experimen- na metrificação castelhana o verso endecasyllabo. João de Escobar. António Peres e outros. §. escrevendo de preferencia era castelhano os escriptores eruditos. António de Lisboa. sob os rudes ataques dos apaixonados dos metros de redondilha. e nas suas largas conversas sobre litteratura trouxe á observação do poeta os caracteres particulares tasse do metro italiano. Sá de Miranda e a imitação A influencia los VIII.o THEATRO E Século XVI. e o Auto de Deus Padre. os Jesuítas atacavam os Pateos das Comedias. que VIII clássica sob a influencia da Itália que se observa italiana Luiz XII e Francisco com os lyricos m Wyat l. A questão do emprego do verso endecasylla- . reapparece nha quando em 1524 Andrea Navagero xador de Veneza a Carlos v. baseada na tradição nacional. e Os índices Expurgatorios prohi- bii'am a leitura da maior parte d'estas obras de litteratura popu- monumento^ resultando d'aí a perda de outros lar. Navagero encontrou-se com Boscan. florescendo durante o século xvi como escriptores de Autos Simão Garcia. continuou a exercitar-se.) A NACIONALIDADE 227 ticos Dia de Juizo. Fr. penetrou profundamente nos. a eschola de Gil Vicente. que se manteve o uso da lingua por- Foi nos Autos populares tugneza depois da perda da nacionalidade. Justiça Misericórdia. attribuido a Gil Vicente.

António Ferreira. n'este a sua vida ó d'elle escreveu Gonçalo Coutinho. Diogo Bernardes e seu irmão Frei Agostinho da mor e Cruz. que geneiTilisaram o seu uso na época da Renascença. 1.. em 1526.. Andando após a paga. O facto contra o qual se feriram pugnas aceradas contra a introducçào do gosto italiano. um como por si diz só dos lyricos latinos. allu- de Sá de Miranda a esta lucta: que são dignos De perdão os começos que já flz Aberta aos bons cantares peregrinos. Esta crise litteraria foi tao tempestuosa em Portugal como na Hespanha. e outros acabaram por crever exclusivamente em miração das obras clássicas da antiguidade." época em que — Vendo-se a entrou na Hespanha a eschola italiana. Já vimos como Jorge Ferreira falia contra os gal. achou nas linguas românicas as mesmas condições prosodicas de accentuação.228 bo REDONDILHA E ENDEGASYLLABO foi (EpOlM 1. Na biographia que . maliciosos. mas é certo que equiparado ao verso alcaico. Fiz o que pude. Jorge de Monte- André Falcão de Rezende. postoque alguns d' esses talentos eschola se ames- quinharam na imitação de Petrarcha. Lucta da introducção da eschola italiana. Manuel de Portugal. ou mais claro.. sobre tradições transmittidas por Diogo . ou de uns risos Sardonios. immediatamente se nota em 1524. regressara da sua viagem á Itália. predilectos do soneto no prologo da Écloga Encantamento . com — Dá-se o caracter como a sua obra. Aquelle. o dr. Pêro de Andrade Caminha. a) Lyrismo : Sá de Miranda poeta a perfeita alliança do talento tão sympathica Dom es- latim á medida que se possuiara da ad- e sua eschola.. volta do filho Sá de Miranda o do conde de Vimioso. Successivamente se agruparam nobilissimo em D. accusava-se o endecasyllabo de nSo ser nacional. Estava triumphante a italiana em Portugal. que egual phenoraeno se deu em Portu- quando Sá de Miranda. houve aos Gram medo De sizos (que o confesso) e uns pontosos rostos carregados.

p. O bispo de Coimbra Dom João Galvão. Mon. Nasceu em Coimbra. transferido para o arcebispado de Braga. .) 229 Dom Manuel de Portugal. Pedatura lusitana. mas o joven poeta tinha de competir na corte com João Rodrigues de Sá. 174. sendo seu pae o cónego Gonçalo Mendes de Sá. » filha Vega la — Tuyo « : Al tan antiguo nuestro de Sá aprisco viste ai/unta- De facto verifica-se pelo Nobiliário o casamento de « uma Ruy Paes de Souto Mayor com Garcia Lasso de la Ve- de ga o velho. que foi desembargador dos Aggravos e go. Povtug. e quando foi bertou o poeta pela austeridade da sua vida. n'esta família uma teírivel hereditariedade moral. Sás de Ro- « os nossos Dona Philippa de Sá. allude á sua fidalguia paterna e aos seus avós maternos. em casa de seus avós João Gonçalves de Miranda Souto Mayor. Póde-se fixar esta data importante. casaram-na seus irmãos com Aífonso de Barros tanto que o soube o terrível prelado veiu de Braga a Coimbra para a matar « e dizem que doesta -paixão morreu. filha em Roma. fixa-se a data do seu nasde 1495. porque em 1505 do tumulo de 1 i. que não queria julgar-se inferior em nobreza aos outros ramos Bernardes e cimento em 27 de outubro 5 d'e3ta grande familia. celebrados poetas do Cancioneiro. primeiro conde de Arganil. vernador do Brazil dezesete annos conceituosa Carta.GENEALOGIA DE SÁ DE MIRANDA Século XVI. e casado com Sá. p. Havia da qual se li- mas que reappareceu em seu filho Jeronymo de Sá. IH. e com elle . » ^ Dos outros filhos do cónego de Coimbra é também conhecido Mem de Sá. diz o poeta Annes de Colona. ainda vivia Dom em Coimbra. irmã do cónego Gonçalo Mendes de Sá. embaixador Cecilia Parece talvez deslocada esta vaidade heráldica. — * Ms. na Elegia á morte de Garcilasso dá-se como seu parente por parte dos Souto. e D. O poeta. como dizem as linhagens passou a sua meninice em Buarcos. 387. a dedicou o poeta elle uma veiu para a corte frequentar a Uni- versidade de Lisboa por 1511. alludindo á abertura AíFonso Henriques por occasião da visita do hist.Mayores — De Lassos de do. que o teve com mais outros filhos de uma mulher nobre. tinha amores com D. e Henrique de Sá. D Coloneses referindo-se a ser drigo el » ^ Por parte de sua avó. Scriptores. Philippa de Sá. Guiomar de Sá..

Manuel ao mosteiro de Santa Cruz. e alli se relacionou com Bernardim Ribeiro. celebrando ambos elles em D. e quiz-lhe a salva levar de seu ouro. levaria Sá de Miranda a pronunciar-se contra um ecco na Satyra das Terçarias este escândalo. Sá de Miitalianos. Segundo a tradição colhida por D. como um foco da cultura humanista. sendo bem randa frequentou a convivência do^ eruditos Colona. ' já figura e allude em outros versos aos serões de Portugal onde ainda ouviu metrificar Dom João de Menezes. João Ruspela Casa de recebido cellai. 1.. porque o velho monarcha desposara em terceiras núpcias a noiva de seu filho. e Lactancio Tolomei. A occasião não era azada para uma expedição imperiosa. 109. 64. O casamento do infante D. ficou Sá de Miranda regendo uma cadeira na Uni- versidade de Lisboa. Durante a sua viagem por Veneza. Leonor de Mascarenhas. desposada do marquez de Torres Novas.. — ^ em Canc." ^ em 1516 de Doutor. 40. no Cancioneiro de Rezende com o titulo (EpOCa 3. Sá de Miranda era 1521 deixa repentinamente a corte e emprehende a viagem á Itália: í(Em tempo de Hespanhoes e de Francezes » quando alli combatiam os exércitos de Carlos v e Mascarenhas. Sá de Miranda obedecia a gos que seguiam o partido do príncipe contra o rei D. Leonor de » A Itália. col. i. de que fi- cou Joeirou o tesouro do grara Marialva.. Gruiomar Coutinho. Francisco tica . Fixa-se a sua frequência do paço por 1513. Gon- çalo Coutinho. etc. Roma e Milão. íl. 1 Era 1526 regressou a Portugal. Fernando com D. ger.. Chron. ou somente de substituição. . cap. Manuel.: 230 rei VIAGEM PELA ITÁLIA D. como relatam al- guns manuscriptos. attrahia . Sabe-se que em 1521 artis- uma causa saíram da corte bastantes fidal- saindo de Portugal. da seus versos a extremada qual diz na rubrica inédita de Portugal também teve uma das suas composições « que a sua Vittoria Colonna em D. apparecendo-nos Damião de Góes. fl.

o neto da Maria Pinheira das satyras anonymas.: Século REGRESSO A PORTUGAL XVI. São mui bons qua no seu ninlio. A quem d'elles se aproveita São de proveito e sustento. dizendo no prologo que cusal-o de imitar Ariosto. João iii em Coimbra Catherina. » A Sá de Miranda se mostrar de « um espoliação dos bens de seus primos Si- Gonçalo de Miranda por uma ordem regia. e temos por natural que esta forma medieval do theatro despertasse em Sá de Miranda o desejo de fazer conhecida a Comedia clássica. Entre Douro e Minho. mão e uma ensejes para só fé. Na Carta de Manuel Machado de Azevedo a Sá de Miranda descobre-se uma das causas que levou o poeta a abandonar a corte em muito grande prigo Quem descobre todo o peito.) 231 Coimbra. e muito se não cansem a ac- menos Plauto ou Terêncio.) Não faltavam «ó rosto. Mas lá com seu valimento Só vive quem os respeita. porque n'este anno escre- veu 03 Estrangeiros. áquella cidade quando e D. Os Carvalhos e os Carneiros Da Beyra. e Sá de Miranda na Carta a Pêro Carvalho. tudo levava Sá de Mi- randa ao convencimento de que não era 3uas Éclogas Andrés e Aleixo eram homem interpretadas ) de corte. Por um bom dito ou conceito Põe-se Não perdaes nenhum amigo. o escândalo da sentença contra o marquez de Torras Novas. e a prepotência do conde da Castanheira. Em 1527 representou Gil Vicente a Comedia da Divisa. o exilio de Bernardim Ribeiro. Aos fidalgos e escudeiros. XII-XIV. com As sentidos re- . fugiam da peste de Lisboa. allude aos parvos honrados que desbaratavam a sua fazenda em sustenta- rem os cortezãos. A demora da corte em Coimbra causou a ruina de varias casas fidalgas. como se infere da Oração lida por Francisco de Sá na chegada de* D. (st.

districto de Braga. deu-lhe a Commenda das Duas Egrejas. e o poeta fundou a casa da Ta- pada. e a casa dos Pereiras Marramaques em Cabeceiras de Basto.. Em como se João. Aos nossos que aqui não vão. em um doce convívio litque descreve com tanta suavidade. dos Machados de Azevedo. que elle celebrara nos seus versos com o nome de Célia. Que honraram a sua nação. annos. e alli junto da fonte da Barroca liam terario. Liamos ao grande Lasso. la-me eu passo a passo. engenho tão IS"estes derradeiros E raro. em tantas flores. visitava o so- do Crasto. Liamos pelos amores Do bravo Envoltos e furioso Orlando.) . Isabel Freire. Deshi o gosto chamando A outros mores sabores. Com seu amigo Boscão. por este tempo se soube do fallecimento de D. e commentadas ao capricho dos bandos palacianos. Liamos os Assolaiios De Bembo. tregue á meditação e á caça e montaria dos lobos lar Alli vivia en. que sempre estimou Sá de Miranda. escreve o- poeta a António Pereira. 1534 Sá de Miranda abandona definitivamente sabe pela Elegia á morte do príncipe Dom a corte. os pastores italianos Do bom velho Sanasarro.LEITURA DOS POETAS ITALIANOS 23iá (EpOCa 3. os imitadores hespanhoes poetas italianos e os seus . ó presente o gosto. Os senhores de Basto viviam na quinta da Taipa. Quão bem que nos hl sabia Quanto na meza era posto.* servados. na freguezia de Fiscal. fixando o seu retiro desde quando o malvado Inglez (Henrique viii) se separou da Egreja. (Carta ii. que lhe communicava os manuscriptos- de Garcilasso : A vossa fonte tão Da Barroca em Inda me fria Julho e Agosto. Dom João III.

E iii em encantadora a ingenuidade com que Ferreira o consola pela morte de seu filho. occupado na educação de seus filhos Gonçalo e Jeronymo de Sá. realisou-se este enlace por intervenção de D. e o príncipe de quem eram Portugal. Manuel de e mandou-lhe também pedir a collecção dos seus ver- Diogo Bernardes recebeu a iniciação litteraria de Sá de Miranda. D. succumbindo 1558. tocar viola d'arco e da commentando esta felicidade ia ser destruída o . confessa que deve a Sá de Miranda a . herdeiro de Sá de Menezes aios Francisco de Dom João iii. Com tudo foi tura da lingua portugueza. Joào em 1556. como D. ensinando. como Jorge de Montemor o consulta so- bre o estado a seguir. dizendo por isso Bouterweck que na historia da lit- uma teratura hespanhola ficará Sá de Miranda. BrioManoel Machado. O poeta foi sepultado em Sam Martinho de Carrezedo. acabaram de prostrar-lhe o espirito. João iii. juntamente com Dom António de Noronha. alli recebia a homenagem dos bons espirites que surgiam na litteratura. chegando a enumerar-se quatorze redacções da sua écloga Basto. D.INFLUENCIA DE SA DE MIRANDA Século XVI. em 1536. e o fallecimento de D. Manuel de Portugal. a quem a pediu em casamento. admirando-o no remanso domestico. Homero. em Unia grande parte das obras de Sá de Miranda foi escripta castelhano.) 233 Frequentando a casa de Crasto conheceu alli o poeta D. de filho Mem de Sá. que por três vezes lhe pedira a collecção dos seus versos. Francisco de Sá de Menezes e Andrade Caminha lhe pedem conselho sobre as suas obras poéticas. e com o remanso campestre retocava delicadamente o que escrevia. irmã de Em Dom 1545 o Cardeal-infante Henrique manda-lhe pedir as suas comedias dos Vilhalpandos e Estrangeiros para serem re- presentadas. A Dom morte prematura do príncipe João. Briolanja de Azevedo não pôde sobreviver a este golpe. To553 morre-lhe em Ceu- texto grego de em 1 ta o seu primogénito Gonçalo de Sá. Começou para Sá de Miranda um periodo de vida tranquilla na sua quinta de Entre Homem e Cavado.lhes a sos. do descol/iimento lacuna se fôr omittido o um nome de fervoroso propugnador da cul- Castanheda no prologo da Ckronica da Judia. lanja de Azevedo. e seu sobrinho João Rodri- gues de Sá. esse intimo amigo de CamSes. Dom João. fallecendo era 1555..

Ferreira nasceu em Lisboa . » mente o grego e o latim. era filho de Martim Ferreira. Sá de Mi- randa distingue-se por uma abundância de locuções populares que se não pode bem dizer se aquillo provém de um dade desaíFectada se de delicado tino artístico. e de D. parte metrificados de de sentimento tão verdadeiras. tendo em compensação uma pureza e naturalidao titulo definitivo em de Poemas Lusitanos. da qual « a antiga trova deixo ao vulgo. e as re- com Sá de Miranda são-nos attestadas pela elegia á morte de seu filho. que obriga a investigar a realidade que o inspira.* FKRHEiRA animaçíío para escrever a sua narrativa era portuguez. de Cami- a ella se dirigiram quasi todos . Ma- iii. Depois de .234 (Epoca 3. como foi se casado em primeiras núpcias vê claramente pela Elegia com D. Foi cursar a Universidade já estabelecida em Coimbra.os seus versos. mas a su- perioridade do seu espirito levava-o para a idealisaçSo das tradições nacionaes. nhentistas. nha . Nunca ctoridade clássica. admirava os poetas diz na com Conhecia profundaitalianos. em sob o regimen dos professores francezes que vieram de Paris A 1Õ47 por intervenção do doutor André de Gouvêa. As suas composições lyricas foram eslações directas criptas até ao anno de 1557. tendo a influencia exercida sobre os seus contemporaneos a sua base na propagação dos modelos italianos. A como se vô pelo poemeto de Santa Comba dos tomada como thema de uma tragedia clássica. educação humanista não pôde desnaturar-lhe o génio. tradição dos amores de Ignez de Castro. uma Das tal. es- crivão da fazenda do duque de (Coimbra. naturali- suas com- posições as que foram sempre appetecidas pertencem á eschola " . O Doutor António Ferreira. litteratu- ra grega foi-lhe revelada pelo celebre Diogo de Teive. tempo em que ficaram coUigidas sob Compõem-se de sonetos com a imperfeição de quem não domina o endecasyllabo. da medida velha. António Ferreira ria Pimentel. em tempo em que ninguém na Europa se atrevia a tratar n'esta forma assumpto que não fosse da mythologia grega ou da historia romana. Mecia Fróes Varella. litteratura desdém : — Entre todos os escriptores qui- Ferreira pelo immenso respeito á au- distingue-se transigiu com as formas medievaes empregando o verso de redondilha. revela-nos que a sua Valles.

que pertencem a Camões.) Doutor do Paço e enviado do rei Dom Sebastião a Castella. O Dr. Voltas. António Ferreira ctima da Peste grande de 1569. Miguel Leite Ferreira. e pela constante bajulação aos seus versos obteve pingues tenças e uma Caminha alcaidaria. Éclogas. . é accusado de apoderado de bastantes Sonetos. elo- gia o cardeal -infante por ter estabelecido a censura dos livros. minha.ser 235 CAMINHA E BERNARDES Século XVI. Respostas e Romances pois que visitou Sá de Miranda na Residência da Tapada. é que abraçou a imitação da poesia italiana . como João Lopes Leitão. Epithalamios aos mais notáveis espirites celebrando emoções pessoaes que nos revelam a vida intellectual de uma época tão fecunda. Heitor da Silveira. con- d'e8te que pode fixar-se por 1564. D. tornam para lisongear seu necessário o estudo d'este quinhentista. as suas primeiras composições foram na medida ter-se deEndexas. As noticias que deixou nos seus versos sobre outros poetas. Suppoe-se que Pedro de Andrade Caminha nascera não longe de 1520. e a em 1571 acerca das opiniões hel^icas d'éste historiador. contra seu para Portugal. filha do Ferreira casou commendador de Santa Comba dos Valles. sendo Os. nasceram sorcio. Villancetes. e portanto um — Foi um dos mais Íntimos amigos de Ca- dos inimigos de Camões . a familia dos Caminhas pertence a esse numero. Elegias. e acerca da morte de D. gallegos emigraram fidalgos muitos irmão bastardo. — Nas luctas de Pedro Cruel Pedro de Andrpide Caminha. Fernando. diz de seu pae As « filho foi vi- publicando os Poemas em deixando-me tal edade outras composições são Cartas. Maria Leite. viavelha. antes de 1553. do seu tempo. Bernardes era natural de Ponte do Lima . dirigiu contra Officio Camões. e seu Lusitanos em que o não conheci. deprimem-lhe fundamentalmente o caractefT Caminha entrou muito cedo para o cargo de Ca- mareiro do infante Dom Duarte.^igramraas odientos que delação de Dam'iãq^e Góes ao Santo diocre. . Catherina de Athayde. que achou asylo na corte de D. Diogo Bernardes. era o mais intambém o mais me- timo dos amigos de Sá de Miranda. » 1598. Ruy Catherina Moredo e Leite. e amo é que coUigiu as composições poéticas que ficaram inéditas até 1791. em segundas núpcias com D. Éclogas e do Poema de Santa Úrsula.

expressa por quem pouco sente. que lhe leu a sua tragedia Cas- do para Lisboa. e para a caalli seduzi- . e recebeu a primeira direcção poéde Diogo Bernardes sa do duque Dom . Fernão Alvares te. Miguel Leitão de Andrada e André de Quadros. é mais conhecido pelo o seu lyrismo distingue-se por tão simples como o de Sam poeta. 236 CARACTER DE BERNARDES (EpOCa 3. mas ainda assim admirável como expansão sincera de uma alma no meio do falso formalismo cultual imposto pelos jesuítas. Nasceu Ponte do Lima era 1540. Maria Coutinha. podendo testar metade d'esta Bernardes era casado com D. e uma uma Bom 1596 ha muitos Jeplá- suavidade idyllica. Ber- nardes ficou captivo. e como desabafo na em tica intolerância feroz do Santo Officio. Protegeu-o o poderoso secretario de estado Pedro de Alcáço- tro. como Ayres Telles. neto de Dom Manuel. a Sylvia a lhos. Bernardes conhecia o estylo de Camões.." foi cultivando-se com a convivência de Caminha 6 do Dr. Philippe ii deu- em cada anno em sua quantia em sua mulher e fi- outra tença de quarenta mil reis vida. irmão mais novo de Ber- nome de um Frei Agostinho da Cruz exaltado fervor myatico. publicadas gios de obras de Camões. acompanhando-o a Philippe II. Nas Varias rimas ao em 1594 sus e Flores do Lima. António Ferreira. Agostinho Pimenta. mas faltava-lhe o sentimento da in- uma dependência e dignidade nacional para dar aos seus versos outra qualidade que nunca se adquire pela habilidade mechani- ca e pelas engenhosas imitações. recebendo de Philippe ii a tença de quinhentos cruzados em propriedades e fazendas por cartas de lha de 16 de outubro de 1582. derrota de Alcacer-Kibir. em 1576 Dom Quando em 1578 a Hespanha na embaixada Sebastião partiu para a es- touvada expedição da Africa. va Carneiro. não João da Cruz ou de Frei Luiz de Leão. — Este nardes. pelo facto de ter sido moço da toaDom Sebastião « e a ir com elle na jornada de Africa e a ser captivo Ihe uma na batalha de alcacere. d' Orien- Em 1581 já Bernardes se achava resgatado. correcção de e Sabe-se pela tradição que pedira para ser enterrado próximo da sepultura de Camões. quem dirigira a maior parte dos seus versos lyricos. veiu em 1556 empregado Duarte. Bernardes foi escolhido para can- tor cesáreo da victoria que terminaria pela coroação do monar- Na cha em Fez como imperador. Em » 1593.

a preoccupação. Francisca de Aragão. Tomou o habito em 3 de maio de 1560. constante do estado transitório da vida. Agostinho quei-' mou t(^os os seus versos profanos. Dom Manuel a Lume de Portugal. poesia. esta uma phase nova da A em Arrábida apressou-lhe a morte. lingua preferida no trato do paço. e quando o tédio claustral o com a accorametteu reconciliou-se outra vez pandiu os seus arroubos mysticos. uma aspiração do que não é d'este mundo.237 o LYRISMO AIYSTICO Século XVI. que tanto distinguia CamSes pedindo -lhe versos. Quando Dom João iii monomania deu casa ao príncipe Dom as- João. Tem este cara- cter uma explicação que os torna ainda assim apreciáveis . sendo por isso de uma monotonia quasi illegivel postoque perfeitos na estructura. os versos que se imprimiram são mysticos. . indo passar o noviciado no convento de Santa Cruz da serra de Cintra. estão perdidas . Leoera-o agora ii. a sua situação influia para que escrevesse a maior parte dos seus versos telhano. mais conhecido pelo epitheto de Fradinho da Rainha^ e cujas composições se acham dispersas pelos Cancioneiros manuscriptos. celebram um vago amor divino. Os desastres da familia e as suas profundas tristezas é que o dirigiram para a cética. Filho do afamado poeta do Cancioneiro geral. que se desenvolveu com os desastres nacionaes. das Musas mimoso. o conde de Vimioso e da decantada Aonia. Joanna de Vilhena. nor de Mascarenhas na corte de Dom Francisca de Portugal influindo na paes escriptores da corte de Dom O João social em cas- que fora D. Dom Manuel de Por- amou sem felicidade D. eui que ex- vida austera da solidão da 14 de março de 1619. Dora ^ílanuel de Portugal não se prestou á corrupção de Philippe ii.) do pelos frades da Arrábida resolveu seguir a vida monástica. Muitas das composições rumorosas de D. á parte as que se acham tugal no Cancioneiro de Luiz Franco. Manuel de Portugal. a ella pertence esse mi- moso lyrico Jorge Fernandes. inspiração poética dos princi- João iil. Era poesia Ijrica da eschola italiana. e a Casa de Vimioso soffreu as maiores atrocidades do invasor na incorporação de Portugal a Castella. D.» quinhentistas e hoje é o derava-o como um menos foi o Sá de Miranda mais considerado dos lido d'essa plêiada. — Chamava-lhe do paço. Camões consi- dos restauradores da Poesia portugueza. D.

como Nicoláo Cle- nardo. que ficou incompleta. irmão do chronista Garcia de Resende. que em 1553 apparece inscripto na matricula da Casa do Cardeal Infante. Nasceu em Évora. Em 1572 foi por intermé- D. e entre os nacionaes Pedro Nunes. os jesuitas em provavelmente ahi cursou os estudos menores Falcão de Resende. por 1535. como dos fere latinista. desenfadava-se escrevendo versos. seus versos. Manuel de Portugal que pôde Luiz Cam3es apresentar o poema dos Lusíadas a Dom Sebastião. da Creação do Hoinevi. O infante chamou para Évora 1551 para fundar o Collegio do Espirito Santo . já para dar a Heitor da Silveira e António de Abreu. Através dos seus versos descobrem-se as aventuras de um amor ro- mântico. que o fizera abandonar a casa paterna. CAPITAL DA recebeu logo Dom 1 ItlDlCÃO ^Lj/v. Dom Manuel de Portugal ainda viu o triumpho completo da eschola italiana no applauso dos Lusíadas e Rimas de Camões. convergindo alli sábios se in- Évora era o centro da erudição estrangeiros. Manuel de Portugal as entradas. — Apesar de pouco conhecido por terem ficado inéditas as suas obras. foi em seguida meado letrado e ouvidor da casa do Duque de Aveiro. João Petit. no- Sob o pesado regimen da erudição latinista das escholas jeescreveu Falcão de Resende o illegivel poema allegorico suíticas. celebrado poeta do Cancioneiro geral. encarregados da educação do infante D. Foi seu pae Jorge de Resende. Exerceu o cargo de Juiz de Fora em Torres Vedras savam noticias em 1577. que editores néscios durante muitos annos imprimiram cora o nome de Camões. então victima de in- trigas motivadas pela inveja litteraria. Henrique. o bispo D. André Falcão de Resende. Mafí*ei. Ayres Barbosa.. e não obstante o aborrecimento que lhe cau- os litigios. já .^. Falcão de Resende é um dos mais notáveis poetas da eschola de Sá de Miranda. Ainda escreveu a Sá de Miranda enviando-lhe os seus versos. e a perda pre- matura da desposada. n'e8ta posi- beneficio de CamSes. bispo de Évora. André de Resende. Falcão de Resende tentou uma traducção das Odes de Horácio.238 KVORA. Jeronymo Osório e João Vaz. na índia. fallecendo longe da espedio de rança da revindicação da naéionalidade em 26 de fevereiro de 1606. Terminada a sua formatura jurídica por 1558. ção nada pôde fazer em •>.

ficaram três manuscriptos dos seus versos.. António Ferreira. João de. « pelos estudantes nobres da Universidade. Comedia Portugal a de Miranda tentou introduzir em « Extranhaes-me. Kão tinha ideal. e finalmente o autographo que pertencia á Bibliotheca da Universidade e sobre que se começou a fazer de Aveiro. desempenhou este presentimento do mestre. Falcão de Resende morreu da ferir-se re- terri- vel peste de 1599. representou-se a tragicomedia Gollias. escripta em 1527. lecer » De facto. na claustra da Portaria que fica anterior ao Mosteiro. o principal discípulo de Sá de Miranda. por fim que a comedia de Bristo fora composta em tanta diíFe» E declara ferias furta- . mas não ha de facreveu — . EUe presentiu a impressão que poema dos Lusíadas. em uma écloga parece á morte de Camões. 183). Quando Sá Theatro : A Comedia e Tragedia clássicas. pois e o louvor de em : a não » E fallo confessa no Prologo o nos que o seguiram até nossos dias vemos n'este Bet/no a honra quem novamente a trouxe a elle. Antó- Prior do Crato. Falcão de Resende foi a Madrid requerer uma mercê de Philippe ii. traste a sua situação com ricos e com a dos bobos de D. : quem me arremede.) para se fazer lembrado dos poderosos e moralisar sobre os costu- mes do tempo. tigos . Sebastião que viviam o tratamento de tinha de fazer o Dom. Ferreira allude a outros divertimentos dramáticos por occasião das festas pelo casamento do príncipe D. Em 1551.Século 239 THEATRO CLÁSSICO XVI. como a Euresina de Jorge Ferreira. que a todas as dos an- ou levam ou não dão vantagem. com rença dos antigos quanto ó a dos mesmos tempos. . sendo ainda assim superior a Caminha é o único dos poetas quinhentistas da eschola de Sá de Miranda que cita o nome de Camões. e nos seus versos queixa-se de pobreza. que bem o vejo. o dr. nio. Nicoláo de Santa Maria {Chr. b) esclássica. um colligira para o filho segundo do Duque que allude no soneto xxv. a quem chama bacharel latino. » como conta D. . Nos divertimentos escholares anteriores ao curso de Ferreira já se notam tentativas dramáticas. outro a que a edição que ainda não entrou no mercado. em latim. que deve a Sá de Miranda agora em Itália. pag. por occasião do doutoramento de D. pondo em con. com a filha de Carlos v : « N'esta Universida- onde jpouco antes se viram outras. e a Ulyssipo f em 1Õ47.

* «como cousa de poucos dias ordenada. farrão A come- os personagens são o Miles gloriosus. que- brando -o nos seus hemistichios. O padre Lourenço. e ape- nas serve para produzir logicamente a catastrophe que se sabe que \i^à<?. occu- desembargador da Relação de Lisboa. o Velho. elíe repro- da tragedia antiga na lucta entre o amor uma sombra à^ fatalidade logo no princi- a alegria do Coro que dá começo á acção. pondera o ideal da Edade módia. Pela Castro conhece-se que Ferreira imitava directamente as formas gregas. como então se usava na Europa esse caracter divino e a obediência pio empana fiiial. convém ter em mas somente a vista que o poeta não procurou o effeito artístico. António Ferreira já residia na capital. Jorge Ferreira protestava coninonomania aristocrática da viagem á tra a Quando pando o dr. João em 1554. obedecendo comtudo ao mo- em que pre- delo da celeberrima comedia hespanhola a Celestina. sem recorrer aos pallidos reflexos de duz Séneca. ficaram interrompidos os divertimentos escholares. Nos monó- logos e diálogos ha esse ardor exaltado que na tragedia ó o vimento dithyrambico do lyrismo religioso. . allude aos cantos populares que ouvia repetir nas margens do Mondego. ou o fan- a hetaira grega ou a cortegiana italiana. e os italiano. commentando o episodio de Ignez de S. pervertidos. simplesmente episódica em A mo- acção dramática ó volta d'esse lyrismo elegiaco. Marcos de em 1558. ficil seus. fatalmente succeder. Itália. O tragedia nacional foi-lhe despertado pela tra- ainda se repetia no século xvi. cuja composição pôde ser fixada pensamento dição que d'esta em Coimbra D. Castro nos Lusíadas. acha-se no modo como Ferreira talhou os Analysando-se a Castro no conjuncto. pertc-ncem já á influencia italiana. para este príncipe estava Jorge Ferreira escrevendo a co- media Auhgrajphia. Para imitar o iambo trimetro usa- do pelos trágicos gregos para a linguagem simples. tão dif- de comprehender. A theoria do Coro grego. As ra três comedias em prosa de Jorge Ferrei- de Vasconcellos. Ferreira serve-se pela primeira vez do verso solto usado por Trissino. cunhado de João Rodrigues de Sá. escreveu o cargo de a tragedia Castro. familias lhos » clássica te- Com fi- a morte inesperada do príncipe D.240 THEORIA DA TRAGEDIA GREGA (EpOCa 3. mesma corrente de imitação das ao estudo do Cioso pertence á dia em que renciana. .

e a mediocridade de Bermudez accentua-se no modo como tratou o assumpto na Nise laureada. e o prurido da imitação c) tuo 16 . na primeira metade do século xvi a epopêa clássica virgiliana.) 241 reconstrucção conscienciosa da estructura já não comprehendida da tragedia grega. de Ferreira. nacional . espécie de coroação Em 1555 publicou-se em Lisboa a traducção da tragedia Agamemnon por Henrique Ayres Victoria « tirada do grego em linguagem troada. de Bermudez. fallecido em 1569 da A Mar- Peste grande. como usou Nicoláo Luiz. teria influído bastante para que se realizasse mais cedo este elevado pensamento.. embora a Nise lastimosa. clássica postoque não seja a primeira imitação da tragedia que appareceu na Europa. Ferreira. dei- col leccionados desde 1557 os Poemas Lusitanos . de Jeronymo Bermudez disputou-se algum tempo se a Castro. seria traduzida do castelhano. mas se a morte não o arrebatasse tão inopportunamente. Nise lastimosa e Nise laureada. — N'esta forma litteraria. é onde se observa a persistência das ficções medievaes na transformação da novella de Cavalleria. conservará nas litteraturas modernas esse logar de prioridade. pois que sumpto de theatro. zendo dispender a actividade Cabe também ao dr. estendeu-se a toda a Europa. afastava-nos das tradições nacionaes. fosse impressa em 1577 não é anterior á obra posthuma de Ferreira de 1598. » A Renascença tomando uma direcção exa- geradamente erudita. historia A foi o primeiro as- nacional idealisado pela Renascença para o influencia da Castro. pela conformidade da Nise lastimosa com ella. ORIGINALIDADE DA TRAGEDIA CASTRO Século XVI. que substiNovellas e Contos. Com- xou paradas as duas tragedias salta á primeira vista a originalidade portugueza. A Castro. questão está hoje resolvida a nosso favor pela authoridade de tinez de la Rosa. Em Hespanha escreveram-ae ainda no século xvi duas tragedias. embora publicada quarenta aunos depois da morte do poeta. ter comprehen- não tinha imagina- ção e poder creador para a fazer. de Ferreira. no soneto cx de Bernardes allude-se á leitura da tragedia dç Ferreira. Por isso. dido a necessidade de litteraria em António Ferreira a gloria de uma Epopêa fa- traducçoes e imitações.

Manuel. em mundo) que para outo mezes tal compoz esta historia (de Clari- edade e occupação se pôde Ainda que o princepe D. Em . a novella do Palmeirim de Inglaterra. casado com a viuva do rei D. Manuel a predilecção pelas novellas de cavalleria. dizem da traducção: dRobando lafructa de agenos huertos. Apesar de Cervantes perdoar ao Palmeirim de Inglaterra. Quando JoSo de Barros foi dado como guarda-roupa do príncipe D. a quem cousa. . . » Demais no Palmeirim de Inglaterra ha circumstancias pessoaes que só quadrara a Francisco de Moraes. e como elle diz.* que tendem a clássica italiana nas Novellas jpastoraes. quando principe. João. » Não obstante Ro- logo o livro drigues bem vel. só nos espaços que lhe restavam publicamente. filha d'e38a rainha. que lhe occupava a mór parte do tempo. nem mais : recolhimento. dizendo-lhe que a intenção com que o fizera fora para se empregar na historia de Portugal e principalmente na da conquista do Oriente. lh'o apresentou. o favoreceu tanto. que elle dando 08 cadernos que compunha mesmo ia ter elle por grande communicou revendo e emen- este favor lhe fez publicar . no anno de 1520. taes como 08 amores da Torsi em França. dominava na sua os cadernos de corte. Com o tempo foi attribuida a traducção á invenção original de Luiz Hurtado mas é certo que os versos em que Luiz Hurtado traz o seu acróstico. e como andava em serviço do princepe. na mesma Guarda-roupa do paço sem outro repouso.. João.242 CLARIMUNDO E PALMEIRIM DE INGLATERRA (EpOCa 3. Francisco de Moraes oífereceu á infanta D. A antiga sympathia de D. Esta obra imprimiu-se anonyma e como tal foi traduzida para castelhano em 1547. ao regressar á pátria. Maria. e estando el-rei Dom Manoel na cidade de Évora. João a ponto de copiar pela sua iii mão pelas novellas de Caval- Clarimundo 1543 voltou a Portugal Francisco de Moraes. Lobo a considerar como um dos livros de cavalleria mais do Imperador Clarimundo é hoje illegipor estar desprendida da curiosidade das allusòes contempoescriptos.. . iiiijiôr-BC. reinava no paço de D. no Auto de fé feito ás novellas leria. a Historia râneas. Diz Severim de Faria « Era então João de Barros de pouco mais de vinte annos de edade. que estava em Paris como secretario do embaixador D. seu intento. Francisco de Noronha tendo vivido na corte de Francisco i.

evidentemente sobre o thema da Tavola-Redon- Em um documento de 1Õ33 acha-se citado um individuo com nome de Sagramor de Basto. t. 42. viuva . quando este principe foi armado cavalleiro. e em uns fragmentos de um poema em médio alto allemão. Para comprazer com o principe D. hoje perdida. levaram á insensa- Também se attribue a D. que a casou com o Conde de Vimioso a dama filho é a rainha D. pela simplicidade profunda. A Moça de Bernardim Ribeiro é anterior ao conhecimento Pastoraes italianas em Portugal. 57. e a quinta e sexta parte por Balthazar Gonçalves Lobato. da Poesia . e de A Jorge Ferreira attribue se uma outra redacção intitulada Triumphos de Sagramor. A terceira e quarta parte do Palmeirim por Diogo Fernandes. Duardos. e muito especialmente a imitação do gosto italiano. o cundário sobre as lendas arthurianas. D. Gonçalo Coutinho uma novelLi intitulada Historia de Palmeirim de Inglaterra tez estas amplificações. e na qual se descrevem as festas ou torneio de Xabregas. p. João. Memorial dos Cavalleiros da Segunda Tauola Redonda. Archivo portuguez oriental. — ' Gervinus.) PASTOR. do século xvii.Século XVI. Hist. que nada tem com o cyclo arthuriano. João III. ^ porventura tomado da novella. As Novellas ^ pastoraes representam a influencia clássica na Re- nascença. que lamenta a morte de seu 1 allemã. Joanna de Vi- se interpretam hoje essas allegorias : A menina e moça que figura sob o anagramraa de Aonia é a formosíssima prima do rei D. a novella é extremamente rada amplificação rhetorica. Já os amores de Bernardim Ribeiro por D. O nome de Sagramw apparece no poema do Bel Inconu. ii. difFusa. pag. de uma exage- como consequência de um género por extemporâneo mal comprehendido. Manuel. Leonor. Jorge Fen-eira de Vasconcellos compoz também uma novella. que deixa descobrir debaixo d'aquelle8 queixumes de pastores lhena.\ES ALLEGORICAS 243 de Cavalleria pelo Cura. Póde-se dizer que a primeira parte d'esta obra é rismo uma e maravilha litteraria pela graça ingénua. enxerto seda. e um producto natural do iy- Menina das bucólico. herdeiro de D. e de elogiar as aventuras do castello de Miraguarda.

Joanna veiu para Portugal em 1552 para casar com o filho de D. como Bernardim Ribeiro deixa a pátria depois do casamento de D. que alli figura sob o ana- trata do caso dos dois amigos: o Caval- vella leiro gramma de Belisa. e 03 três annos do passo de armas sao as terçarias antes do casamento com a infanta D. pertence nos esta pastural pela natura- lidade do poeta e pela origem da imitação. de la — 2 gsta data acha-se apontada no ano de 1860. A no- da Menina e Moça da Ponte. Foi n'este tempo que principesco. Bimnarder. as vantagens que Ms. .* e a acção passa-se nas cercanias de Évora. As relações pessoaes entre Bernardim Ribeiro e Jorge de Mon • temor. n. devendo considerar-se apocrjpha. em 19 de março de 1523. ^ educou-se em Coimbra. Calendário musical para tes. a segunda parte. 1 não podendo demorar-se aqui. Francisco de Portugal. Isabel. e como ella também morreu de parto. Joanna de Vilhena com D.. Uma vez achado este fio allegoa Menina e Moça torna-se de uma leitura encantadora a rico. onde conviveu com Camões por 1Õ39. Jorge de Montemor também escreveu a historia de uns amores em da castelhano. Nasceu este fundador da novella pastoral em Montemor. de pag. que Musica en Espana. que morre de uma queda é o príncipe D. pertence a outra mão. das mais notáveis litteratura hespanhola. 1 a 39. e em 1540 partiu para Hespanha. A primeira parte da Diana uma foi publicada em Valência em 1542. não obstante na corte lhe offereciam. ii. Quando a princeza D. e que desapparece. que se descobrem nas suas éclogas. anagramma de Bernardim.INTERPHETAÇÃO DA MENINA E MOÇA 244 de Dom João (EpOCa 3. revelam-nos a influencia que a Menina e Moça exerceu na creação da Diana. da familia dos Paivas e Pinas. e embora a sua obra seja uma infelizes. onde exerceu o logar de musico da capella real de Madrid. Aífonso. por disparatada e illegivel. el se attribue a Soriano Fuer- . redacção manuscripta que se guarda na Bibliotheca da Acade- mia hespanhola consta somente da primeira parte ^ . auctor da Hist. é o amante de Aonia que casa com Fileno. Jorge de Montemor regressou á pátria no exercendo séquito extraordinária impressão no publico.o 76. João iii.

no dia 26 de fevereiro. em das tropas francezas de Turim. a Lusitânia transformada de Fernão Al- uma imitação directa da Arcádia de Sanasar- entrava na decadência vares d'Oriente ó ro. mento de gigantes. e voltando para Hespaacompanha Philippe ii a Inglaterra em 1558. selvagens e fadas das novellas de cavalleria nymphas das tradições clássicas da Renascença.. mas a morte que logo lhe sobreveiu. d'onde regressa em outubro do mesmo anno. de Sanasarro é certo . teve Jorge de Monte- morreu. mor um duello. elle porém que teve por modelo a os factos particulares da sua vida contados sob a forma allegorica dão resse um certo inte- ás vezes desnaturada pelo appareci- á narrativa pastoral. ser escripta A Lusitânia transformada começou a em ção dos ossos 1594. Por occasião da evacuação fama attrahia-o para nha. Cabe a Jorge de Montemor a gloria de ter inspirado Shakespeare. quanto mais consta de prosas e versos. epistola O apre- prurido da um campo mais vasto. em que o auctor conta a historia de uns amores que o fizeram partir da índia para a Europa. vimento dos Fabliaux da Edade média litterarios é um Reproduz-se o —O desenvol- novellas ou contos dos caracteres das duas Renascenças na Itália. porven- tura pelo conflicto das suas idéas catholicas contra os protestan- Pela novella nào se pode descobrir se tes. A DIANA DE JORGE DE MONTEMOR Século XVI. quando lhe deu sepultura honrada. Arcádia.) 245' uma renovou relações pessoaes com Camões e que escreveu ciável autobiographica a Sá de Miranda. em que 1561. como se infere da referencia á transladade Camões por D. Do pensamento da Epopêa nacional prosegiiido por Jorge de Montemor. Te- preciosa coUecção a par de um de Gonçalo Fernandes elemento popular tradicional se conhece a influencia directa dos novellistas italianos. Gonçalo Coutinho. O género pastoral foi . em em que as litteraturas românicas. Os Contos e Historias de Proveita e Exemplo. A época em que Trancoso veiu da Beira para Lisboa pôde fixar-se era 1544 . » mais tenazmente cultivado. e de Lourenço Craesbeck falia : « determinava de escrever em verso o Descobrimento da índia oriental. phenomeno em todas mos em Portugal a Trancoso. e em que introduz personagens do ultimo quartel do século xvi sob a apparencia de pastores. lhe atalhou este intuito.

n'esta parte lhos e fazenda.. ciosos diz que a cidade de Lisboa se viu despovoada. Facecie. refere o terrível desas1554 tre da Peste grande. tos. filha um que era menino do coro. » Na primeira edição dos Concaiamos vem uma Carta á rainha D. o que nos define a corrente em Exemplos B) O litteraria. Esses Contos acham-se hoje resumidos nos seus themas tradicionaes em uma moderna cujas notas comparativas se collecção novellistica. . e que lhe morreram sua mulher. que ao todo consta de vinte e nove contos. N'esta segunda phase da Renascença o poder espi- Nos Contos tradicionaes do Povo portuguez. e no conto : quinhentos e sessenta e nove. Foi no meio tro filho d'e3te desastre creveu alguns dos Contos para distrahir a imaginação veu-lhe um filho. dados biographicos. tylo uma estudante e ou- embora o es- rhetorico e as divagações moraes lhe tirem grande parte do seu merecimento. dando occasião a nossa morte. n. nos esforcemos e nam fi- nos entristeçamos tanto que em caso de desesperação sem comer e sem paciência. que es- sobrevi- António Fernandes. caracterisam outra vez a crise social do século XVI. e o appareci- mento do terceiro estado que fortifica a independência da reale- za contra o feudalismo. allude-se á morte do principc D. mais velha de vinte e quatro annos. f. em que Trancoso Catherina com pre- de 1575. de 1569 « todos os que este anno de mil e . n. João em nono da segunda parte." nos Contos proveitosos. apontam as suas principaes em fontes. IPeriodo theologico e critico conflicto entre o poder temporal e o espiritual que no sé- culo XIII determina a fundação das Universidades. importantes pelas suas origens tradicionaes. Motti de Do- taes menico. perdemos mulheres..°« 151 a 167. ^ Nos índices expurgatorios prohibem-se muitas novellas italianas.246 CONTOS DE TRANCOSO (Epoca 3. como Cento Novelle scelte. que se converteu usados pelos pregadores. que em 1596 publicou a terceira parte da coUecçao. Pecorone. .

era 3 de julho de 1539. e o outro apoderando-se da corrente humanista da Renascença e conseguindo Na Itália dirigir a a Inquisição teve um educação publica da Europa. que se consideravam os janisaros do papado. o seu titulo de rei pelo de ao cardeal-infante de inquísidor-geral. caracter politico manifesto. Estes dois factores perturbaram profundamente a marcha histórica do século xvi. de 23 de maio bulia data da Portugal mento da Inquisição em gostosamente de 1536 o próprio D. um aterrando 03 espíritos pelos processos tenebrosos e pelas hecatombes dos Autos de Fé. tornou-se uma secular. — O estabelecida Inquisição em Portugal. e por papado procurou defender-se com essas duas isso o milicias. Como consequência dos estudos philolo- recendo ao absolutismo gicos. sendo por isso substituído pelos Jesuítas. que traduzida nas foi lin- guas vulgares e tornada accessivel ás intelligencias individuaes a discussão dos textos sagrados exerce a rasão ciosa em uma theologia na renovação das noções moraes em uma artificasuistica. Dentro da própria Egreja a crise foi vista sob outro aspecto a decadência do : poder espiritual provinha da usurpação da realeza. píritos tentando remodelar a Egreja sobre a O Protestantismo foi esta solução ir- que entre os povos germânicos e saxões desviou os es- para o fervor proselytico de imitação da primitiva Egreja e da idealisação absurda da theocracia hebraica. sua primitiva constituição. este tribunal espécie de policia secreta dos reis. favo- mesmo tempo o trabalho pacifico da burguezia e o monarchico. o SEGUNDO ASPECTO DA RENASCENÇA Século XVI. é estudado o texto da Biblia. João iii dizia que trocava a) Influencia . 03 laram para uma reforma. e receu provir da corrupção dos costumes da hierarchia ecclesias- que consideraram a crise moral sob este aspecto. a Inquisi- ção e a Companhia de Jesus.. reflectida. o poder temporal e . A decadência do poder espiritual da Egreja pa- escholastica.) ritual tende a deslocar-se dos dogmas pela livre da egreja. ga- rantindo a supremacia dos papas contra os partidários dos imperadores mas sob a protecção do braço . reduz a actividade mi- estipendiado nos exércitos permanentes. e coube esta dignida- Dom Henrique. . appel- tica. abandonando a auctoridade critica individual separado de toda a interferência a ura litar officio 247 clerical.

no qual os com- panheiros do Padre Maurício seu confessor. protegendo deliberadamente a Companhia. quando diz que as « mentado. Companhia. valido do monarcha. o rei resistiu a todas as violências da rivalidade. para alliciar 08 estudantes a concorrerem ao Collegio. Recebeu os padres que lhe enviou Ignacio de Loyola.248 A INQUISIÇÃO E os jesuítas (Época 3. liv. Prohibiram-se as traducç5es da Bí- farailia. pêra que os doutrinassem nos bons costumes e 08 instruíssem em toda christandade. onde já se nao encontram os Serdes em que tanto figuraram D. contra o Conde da Castanheira. tinham á sua conta doutrinar os reaes. viri. i^ cap. » * Em moços illustres que no paço serviam as pessoas 1542 Ignacio de Loyola manda para Portugal mais padres. e O espirito publico teve uma forte depres- cahindo n'essa tristeza já notada por Gil Vicente. em que se dizia que temporâneas. Diogo de Gouvêa recoramendou a Dom João b) o Dr. . até o tempo de el-rei Prosegue o padre Bal- » thazar Telles: «Obrigação que sempre foi continuando nos da D. e lhes recomraendou que massem muito a seu cargo zia em moços o cuidado dos fidalgos « to- que tra- seu paço. se vê quSo terrivel era esse golpe vibra- do contra qualquer heresias da Reforma. João de Menezes e outros afamados poetas do Cancioneiro geral. — Em Os Jesuitas ajjoderam-se do Ensino publico.* cooperando desde logo para a ruina da nacionalidade. e nas satyras con- como as quadras da Maria Pinheira. onde funda o Collegio das Artes. que tinham estudado em Paris. Sebastião. o Padre Manoel Godi- Chr." A » cantigas do prazer acostumado. todas tem reforma da Universidade de 1537 ficou também improfícua pela intolerância inquisitorial. Começa- ram as perseguições contra os christãos-novos. sendo o governo d'elle dado ao Padre Gonçalo de Medeiros. era neto de uma judia. e postoque dominasse na corte a Inquisição. E som laSá de Miranda allude também com pezar á melancholia da corte. da Companhia. a entrada de livros extrangoiros. cujas ultimas vozes elle ainda ouviu. porque podiam trazer as blia. e Simão Rodrigues diri- ge-se para Coimbra. 1540 a nova iii corporação religiosa dos Jesuitas. são.

e uma certa im- não inquérito ao Collegio das Artes.) nho andava « em vestido 249 de estudante.» Os CoUegios estavam sob a dependência das Universidades . pressão no Murça publico. Gonçalo bra. indo offerecel-o a casa do Romeo seu padrinho no gráo. descobrindo erros de doutrina. Silveira.. thedratico de theologia : « Este Barreto obedeceu. era religio- os Foi com estas e outras artima- nhas. e mostrava-se secular. que 08 Franchinotes.. escholares. os Je- Por opposição á Universidade de Coimbra o cardeal-infante D. t. (Rev. meu doutoramento me dá a Companhia de Jesus... o qual assim lhe entregueis do primeiro bro que vem d'este presente anno de 1555 do mez de outu- em diante. Historia da Pedagogia p. Diogo de o um 1544 era Dom annos de edade. visitou o Colle- gio das Artes. e fez A monarcha. os Jesuitas trataram logo de apoderar-se da Universidade. ^ organisação franceza. ordena o rei : « que entregueis esse Collegio das Artes e o governo Jesus. que contava já quarenta alumnos de theologia . o Vexame que. como se viu no caso do doutoramento do padre Melchior Barreto.. de Estudos Livres. xn.o VEJAMEN ACADÉMICO Século XVI. O Theotonio de Bragança. para que d'esta trajos mui conhecido roaneira o admittissem pelo habito. da e D. . XXI. usava-se no fim da ce- remonia dar um Vejamen ao graduado. — ii. de vinte nem violência na conservação dos Companhia achava-se escudada com o favor do tornava-se provocadora. como então lhes chamavam em Coimcomo D. caso produziu Reitor da Universidade D. ^ e o padre Simão Rodri- gues ordenou ao Barreto que levasse ás costas pela rua da cidade um Dr. — ^ em Portugal Chr. a de me graduar no espirito da mortificaçam e desprezo do depois do fim mundo. da Companhia. Provincial da Companhia de ta de 1556 dirigida a Diogo de Teive. Vivia elle e tratava so. Vid. e por Car- Mando-vos d'elle mui inteiramente ao Padre Diogo Mirão. cap. alliciaram os filhos da principal nobreza. Rodrigo de Menezes. Marco carneiro esfolado. » ' Quando D. além de ser com pela pessoa. 477).» ^ estudantes. cap. João iii foi a Coimbra em 1Õ50. dizendo ao caé. Henrique tenta suitas 1 inverteram esta Ibid. senhor Doutor.

. » ^ Era Carta de Martim Gonsalves da Camará ao Reitor em 1570. que tenham conta com estas letras trar aptidão. e aja Latim no Reino e JMestres que o ensinen. quem mosmenos o Latim. — Por que luz « : Na éra em que estamos. e a Rhetorica. pelo humanas. sem aver di- faltando de todo. tornando-se agentes de propagação d'e3se exagerado humanismo da Renascença. respondia a queixas análogas. Reflexões hist. e que não pas- ás artes ou pelo sem n'e8ta8 lettras. Em uma Carta do Padre Pa- em lanco ao Padre Mirao.) — * Livro das Obediências ge- . u. possam os dcs nobres e os da terra leer e perfeiçoar-se naquellas pro- fissões. aquelle. conta a erudição nas cousas doutrina melhor e mais a isso ao P. raes (Extractos de Gabriel Pereira. aos da Companhia. que gimen polytheico. 116. nào estando reduzido soo filhos «Que de Latim e Artes se reduza ao que era d'antes. obtendo bulias do Papa em 1558 sendo inaugurada no 1. 1563. » O 1 menos á theologia sem se excitarem bem ^ regimen pedagógico dos Jesuítas acha se implícito n'esta Ap. tanto que sem ellas solida parece menos. protesta-se contra esta absorpção dos Jesuítas: Collegio real por ser de menos muita despeza. 1564. que os da Universidade portuguezes se contentavam mais em serem catholicos. que vae com a Universidade.* o HUMANISMO JESUÍTICO em Évora uma outra Universidade. que e de milhores Mestres se segue mais que temos como logar só e pubrico. que mais soo de fruito." de novembro de 1559. e façam estudar bem. » na questão theologica se achavam em antagonismo com os Protestantes. oppondo a doutrina das obras ou do livre arbítrio á da graça. de 17 de fevereiro de fundar . pag. Geral pareceu conveniente que se escrevesse ás províncias. mais sabiam.250 (Epoca 3. obedeceram á cega admiração do re- Os Jesuítas. e unir-se-ha visão. « ainda que menos Latinos. —E o por ser hum Mestres dos que e avia n'elle he acharem-se de todo o reino. t. focil hua Companhia. lê-se por toda a parte se tem muito em de humanidades. Nos Apontamentos dos Prelados. já em 1563 era equiparada á Universidade de Coimbra em privilégios.

. memorias. Damião de Góes. e D. que se tornou conhecido pelo titulo de Philosophia Conimbricense. Castanheda. a Historia registro authentico. Chr. n. ^ até Garrett foi sempre uma espécie de sob o regimen parlamentar. em que desde o começo da monarchia. » em cahia na Europa. dos Regrantes. e filho illegitimo de Lopo Fernandes de Castanheda. viagens. era natural de Santarém. esta situação moral dá ás suas narrati- um vas arte. um dos primeiros chronistas a que cabem as considerações expostas. geral atravessaram grandes fadigas e aventuras. é por isso que espirites eminentes ficaram simplesmente narradores annalistas. O em 1564 Cardeal infante ordenou dices Expurgatorios para os Livros poeta António Ferreira allude a este facto: Escuro e a formação de ín- com doutrinas prohibidas (ii. e aquelle que procu- rou dar á Historia uma feição critica. colorido inimitável que as torna quasi uma obra de Muitas vezes a auctoridade mandava truncar ou eliminar certas paginas das Chronicas . são poderosas individualidades. aos Priores Crasteiros de Santa que durou este cargo era inherente Cruz de Coimbra. — Pela de Góes e a situação dos Historiadores portiigue- instituição dos Chronistas-móres do reino.Século XVI. Damião c) zes.) os índices expurgatorios mesma Carta do Padre Palanco que nenhum mestre de Theolo- « : O gia nem de Artes tenha opinião nova.° 8. um modo Portugal de tão fer- renho. Que nunca ao claro sol olhos abria. morreu victima da sua independência intellectual. P. ii. Nicoláo de Santa Maria. Fernão Lopes de Castanheda. em que cada á conveniência compondo tal.) triste foi aquelle dia Que ao saber e engenho um juiz foi dado. que esse material histórico só por Os Chronistas do em que sacrifi- actividade particular exerceu se si com uma exuberância constituo uma litteratu- século xvi. Fernão Mendes Pinto e Diogo do Couto. a individualidade critica era A official. primeiro Ou- vidor de Goa. o 112. como António Galvão. Acompanhou * seu pae para a índia era 1528. ra. . manteve-se 231 que de- aristotelismo. 9. relações. Damião de Góes. alli cap.

» por duas ordens de com a franqueza das influencias. 5.. não era vivo. cap. e antre lejas ellas sou- be eu a verdade do que havia de escrever de muitas cousas de Já em Portugal e entregue á redacção vista e ouvido. liv. Affonso o Quinto » mesma d'artes lingua Mestre Nicoláo (Grouchy). » que cá foy Os descontentes com a sua imparcialidade fizeram com que o nono e decimo livros fossem supprimidos. que tornou na lente « eruditos allega a importância que a sua Historia achara 09 tra Assim Castanheda quando mandou Portugal. que tinha muito trabalhada de muitas indisposições causadas de * Década IV. como nol-o descobre Diogo do Couto narrando o caso do requerimento de alguns fidalgos a Dom João iii. 1. para consultal-os E « : assy em trelados e lembranças que muitos curiosos escreveram o que se fazia n'aquelle tempo. e que bravas è vivissimas tormentas com que sem esperança da muyto maior sede. espingardadas sem conta. d' Azurara. no Collegio real. Relata as condições h veracidade: ^ Mas que conquista da índia pelos Portu- e em que escreveu. E abonam a sua a fui saber á índia. define o processo da elaboração da^ historia hade escrever historia. » histórica. cronista d'este8 reinos a como testemunha de : hade fazer as diligencias que eu historiadores antigos e modernos. suas Castanheos eruditos narrativas. a terra de que hade tratar. . procurava todos os que sabia terem estado na índia. / honras. passando na viagem lá me vi perto da morte e com trabalhos. . que E bem assi o isso quem fiz e vêr fizeram esses sentia isto el-rei Dom Gomezeannes Alcacere pêra lá escrever vista o que os nossos fizessem.(EpOCa 3. que por te- rem-se achado no segundo Cerco de Diu. ConX «Do que he testemunho imprimir-se agora em lingua franceza o primeiro livro desta Historia. '^^ j^este tempo (1559) já Fernão Lopes de Castanheda « que com o fim da Historia se lhe acabou a vida. pediam que o rei mandasse eliminar o decimo livro de Castanheda por motivos de suas . de como eu da e guerreado foi 03 descontentes fora de Portugal: em Pariz E por vi. de grandes fomes e de com mil perigos. vida. .' VERDADEIRA CONCEPÇÃO DA HISTORIA 252 compilou todos os factos que comprehendem os cincoenta annos da sua Historia do Descobrimento guezes. em mui espantosas pe- de bombardas.

throno de Ternate. Galvão obedeceu á paixão ideal e já extincta do civismo. Era quinto filho do antigo chronista Duarte Galvão (d. conseguindo nascido fora do matrimonio. » Castanheda nunca encontrou recompensa de suas fadigas. e para sustentar a familia conseguiu apenas o miserável emprego de Bedel da Faculdade de Artes e*'" peis Guarda do Cartório da Universidade: « Gastei que foi o melhor tempo de minha idade. sacrificios. Depois de ter augmentado em mais de quinhentos mil cruzados o rendimento da coroa. ! N'e8te lamentável estado viveu de- sem conseguir despacho aos seus requerimentos. p. t. é ura chronista cuja personalidade extraordinária toca o assombro . ' remediar pela sua prudência todos os erros dos antecessores. António Galvão. \j^^ . ou o amor da pátria que nos tornou grandes na civilisação moderna. em 1557. Passados seis reu 1 Cardoso.) 253 continuo cuidado e de continuas vigilias e leitura de muitos pa- que da índia trouxera.MCUlO CARACTER DOS HISTORIADORES XYI. Entrou para o serviço do estado com uma fortuna apreciável. dotado do excepcional cosmopolitismo a que obedecemos desde as expedições marítimas do século xv. a sua obra tem o colorido original de um tal caracter. que por não ter outro remédio com que me mantivesse. com me ficava desoc- assas fadiga do corpo e do espiri- de compoer esta Historia. foi nomeado capitão de Malaca em 1536 pelo governador Nuno da Cunha. e recompensa de tantos ria. quando esperava a achou a indiíferença e a misé- tendo de acolher-se ao hospital onde era sustentado alterna- damente por alguns amigos zesete annos. de modo que para o enterro. que fui tão persegui- do da fortuna e fiquei tão doente e pobre. ani- mado do interesse scientifico dos espíritos da Renascença. se achar alii foi-lhe oíFerecido o extincta a dynastia. ii. a confraria da corte occorcom as despezas e o hospital com a mortalha. que reparti em dez livros. regressou á Indi^i e depois a Portugal. ms. » Tal é a individualidade do chronista. 140. e nem depois de morto lhe pagaram uma parca divida contrahida. onde no tempo que cupado do serviço to acabei d'elles. Agiologio Luzitano. na índia . 1Õ17). 1446. acceitei servir uns officios na Universidade de Coimbra. e n'elle vinte annos. por findo o triennio do seu gover- no.

mestre do Infante D.254 DÉCADAS DE BARHOS (EpOCa 3. em Pombal. Fernando de Castro Pe- pouco depois. foram reira. em po- der de sua nora D. mulher de Jeronymo de Barros . mas corrige a glorificação do in- D. Henrique mostrando como as navegações da pretendida eschola de Sagres eram um mercantilismo com que o Mestre de fante Christo resistia contra a unificação monarchica. vieram para o Collegio entregues ao jesuíta Christovam Cla- como este não veiu de Roma. annalista rhetorico. já velho retirou-se á sua quinta da Ribeira de Alitem.* annos. para seu modelo. é que o seu testamenteiro e amigo Francisco de Sousa Ta- Tratado dos diversos e desvairados caminhos por onde nos tempos passados a Pimenta e vares conseguiu publicar o notável livro especiaria veiu da índia ás nossas partes. João iii para desempenhar esse encargo. foram mandados entregar a Duarte Nunes de Leão. António Galvão occupava-se no labor d'este livro. que lhe de Barros foi não macularam a honradez. vio . educado sob a disciplina da erudiçRo humanista. que não pôde tiral-os a limpo. com setenta e quatro annos de edade. Filippe ii mandou arrecadar obras de João de Barros. João de Barros. entre elles o os fragmentos das da quarta Década. onde falleceu ao fim de três annos. Plagia no primeiro livro das Décadas a Chronica de Azurara. No meio das suas doenças e decepções. e assi de todos os Des- cobrimentos antigos e modernos que são feitos até á era de lõõO. de estes papeis entregues mas tendo fallecido Sam Roque para serem a D. preparou o seu estylo histórico escrevendo uma diflfusa no- tomando Tito Livio. Luiza Soares. em 20 de outubro de 1570. Tendo seu tio Lourenço de Cáceres. Luiz. A vida de João perturbada com desastres commerciaes. fallecido em 1531 sem ter cumprido o seu compromisso como Chronista-mór do reino a quem competia escrever a Historia da índia. cumprindo este encargo em 1616 João Baptista Lavanha. fiado sempre em que a inda sua época nào prevaleceria contra a integridade do que justiça era dotado. escripto nas torturas a de animo affligido » como diz o seu editor e amigo. fiado na existência do único exemvella de cavalleria e plar manuscripto que possuia. Em 1591. . João de Barros oífereceu-se a D.

e entrou muito cedo para o serviço do paço. costumes e pela narrativa pittoresca aproveitada das ções dos Amigo conversas dos próprios heroes que memora. Luiz. tudo obras lyricas e pastoris. Damião de Góes. cirvadas capacidades . hoje perdidas: ftilla alguns poemas assi na lingua vulgar. Nascido em 1Õ42. » Portugal Severim grande tomo No regresso a foi um Na continuação das Décadas.FALTA DE LIBERDADE NOS HISTORIADORES Século XVI. foi encarregado por Fillippe ii de continuar Décadas de Barros distingue-se este chronista pelas observa. » da-mór do Archivo da índia. uma nobre tou » « Compoz teve particular gra- de que deixou um de Elegias. » . outro virá em que se ellas manifescriptores que as escrevem . tem. em que em 1570. para que a natureza tornas- ciso da educação jesuitica do Colle- se a despontar sob as devastações Sam Roque.) as 2oO Diogo do Couto. nem por temor deixaremos de as o fallar. «pois houve alguém que dizia publicamente que não queria an- dar le em com Chronicas. ça. Por causa d'esta independência a oitava e em uma foram roubadas a Diogo do Couto va doente. e verdadeiramente encyclopedico em um espirito convivência com as mais ele- da Renascença e da Reforma. Canções. Éclogas. gio de e protegido pelo Infante D. na armada de 1559. de Faria das suas obras poéticas. dizendo «seu sobre a sup- pressão do decimo livro de Castanheda exigida pelos partidários de D. d'el- nomeado Guare morreu em Goa em 10 de DeDiogo do Couto foi zembro de 1616. Diogo do Couto era também poeta intimo de Ca- e soldado foi-lhe pre- . fazendo pouco caso que n'ellas se tratasse elogios ou vitupério. partiu para a índia aos dezesete annos. e postoque também em algum tempo se mande recolher algum volume dos nossos. . sendo em 1 523 nomeado por D. matalote e amigo. nasceu em Alemquer em 1501. O caracter nacional nona Décadas occasiao em que esta- estava já bastante degradado. mões. dez annos de batalhas na índia. . Sonetos e Grosas. Sua mãe era neta de um diplomata hollandez. é o primeiro chronista critico. João iii escrivão da Feitoria da HoUanda. João de Castro: «A estes e outros riscos põem &e os es- em quanto vivem os homens de quem fazem por nem respeitos. Couto susten- dos que soccorreram Camões independência de juizo.

Sebastião falia rei dei « : Vi que os capítulos no Cardeal Infante meu me como tio.')G cumstancia que lho as facilitaria permaneceu até commissÕes litterarias. lembrou a Pedro de Andrade Caminha. como se vê pela carta de 1Õ66. e a cidade elegeu-o para i. » ^ Em 1Ò64. acha-sc na Bibliotlieca publica do Porto. que emenda os eada Parte ni da Chronica de D. Manuel. em nome de assim o que o que toca ás cousas dei Dom Fernando.-i. acompanhando -o nos seus últimos momentos. conseguindo dia. O Cardeal D. Dinamarca com Luthero e e em Antuérpia. era preso nos cárceres » Passados sete anno. Este caderno. e esse facto não ficou extranho ás perseguições religiosas de que em Friburgo conviveu com victima foi o epigone dos humanistas da Renas- cença. Henrique prohibira o seu livro sobre a religião dos Ethiopes.* negócios diplomáticos Em Suécia. escripta D. e encarregado de escrever a Chronica de D. onde Fixou-se nas guerras entre Carlos v e Francisco casou. Tone sendo nomeado Guarda-mór da iii. do Tombo. bispo de Miranda que então figurava no Conseliio do Estado.» . cação humanista em Pádua. O 1Õ29. ir terminar a sua edu- em Louvain. António Pinheiro. Quando Damião de Góes cursava os estudos na Universidade de Louvain foi chamado a Portugal para thesoureiro da Casa da ín- cargo de que se eximiu. e Cami- nha apresentava-se espontaneamente a aggravar-lhe a perseguição Vem io Museu Portuense. ás cortes foi Wurtemberg conviveu Melanchton. onde relações D. A DESGRAÇA DK DAMIÃO DE GÓES á. de 1838. Duarte alguns apontamentos enviou-lhe uma disse o chronista a isto na morte não . Regressou a Portugal por pedidos de D. que viviam na pobreza. da Inquisição. occupado Damiões de Góes na redacção d'esta Chronica. Sobre dissesse Damião de Góes Caminha : a que não havia liomem que algumas parvoíces. e as emendas «de uma mão que nos parece ser do Dr. Manuel. No Cardeal mandei emendar o que vereis e no rei Dom Fernando mudar o que também vereis pelo caderno que com esta vae. conforme ao qual o fareis lançar em seu lugar. Fernando occupava-o em infante em (EpDCa 3. a infanta relação das penitencias e visões do marido. ^ pitulos 23 e 27 . enviastes. Joào dirigir a defeza. Erasmo. e da Polónia. que alcançasse da viuva do Infante D. e na sua hostilidade mandava por via dos de estado reformar a secretários Chronica.

e pelas Aristóteles. todos 03 outros géneros litterarios. Francisco Garcia como eminentes por capacidades crt .o TERCEIRO ASPECTO DA RENASCENÇA Século XVI. e na parte philosophica por António de . mas confiscaram- ihe todos os seus bens. N'esta phase da Renascença em Portugal o dogmatismo theologico venceu o espirito critico. cuja feição litteraria se resente do meio social em que escreveram. António Ferreira. em 16 de dezembro de 1572. A depoimento. merecem menção especial Gaspar Corrêa com da índia. de Mello e Pedro Nunes. com os Commentarios de Ajfonso de Albuquerque. tentada rigor por Bacon e Descartes. falsa Como também decahiu erudição. tendo comtudo a importância da grande época de que foram testemunhas mais ou menos conscientes. As descobertas astronómicas de Copérnico e de Galileo deram logar a seguras concepções sobre o systema do mundo. Euclides obras politicas de Thucydides e e Diophante. que deter- minou o estado actual da consciência moderna. nós os portuguezes pelas descobertas geographicas e pela circumducção do globo coad- iuvavamos o critério da observação e da experiência. ) com O seu miserável Góes era europêa. D. o Santo Officio o mandou entregar ao mosteiro da Batalha. e coberto de sarna por todo o corpo. essa a nua e chã pintura » como as Lendas os caracterisa o poeta quinhentista Dr. na Europa pa- pela leitura das obras mathemati- Appollonio. e levaram os espirites a reconhecer a necessidade de uma nova synfhese philosophica. Muitos são os Chronistas do século xvi. onde morreu em cárcere penitencial. não só por uma é representante Frei Bernardo de Brito. a Historia nos fins do século xvi. fomos dignamente representados d'Orta. de que como por se ter desviado a redacção das chronicas para as ordens nionacliaes. porém com o vicio de exagerado subjectivismo. C) Emquanto Período scieutifico e philosophico os estudos humanísticos concorriam ra a renovação das Sciencias cas de Archimedes. N'e8tas duas formas da actividade mental da com na parte scientijiRenascença. e por isso o 257 reputação de Damião de não queimaram. e Braz de Albuquerque.

o Dr. que apresenta a litteratura portugueza do século XVI. os que maior desenvolvimento efíeito do conhecimento dos escri- Mausolico vulgarisa as secções có- nicas. a) Garcia d'Orta —O nes. e as noticias transmittidas pelo embaixa- dor de Veneza Pietro Pasqualige. Frequentou os cursos de Mathematica e Philosophia. obedeceu á extraordinária corrente scientifica da Re- nascença. Uma grande curiosidade scientifica esti- mulava. Os estudos matheniaticos foram receberam na Renascença. consignando os seus conhecimentos no celebre livro dos Colloquios dos Si'm2)lices e Drogas. Galigai as equações do segundo gráo. de numero- durante trinta annos frequentou as cortes sos rahjas. fez-se padre . João para mestre do infante D. Manuel. e regressando a Portugal. como se uma fecunda co- vê pelos geographos coevos copiando as relações portuguezas. acompanhando Martim Aífonso de Sousa para a índia em 1534 . a alma portugueza. por ptores gregos d'esta sciencia . e pelo enviado do Duque de Ferrara. nascido Cardan Portugal distingue-se em Lisboa em 1490. e commentou em latim obras de Euclides e de Archimedes." sora- de livros de viagens. Alberto Cantino sobre as viagens de Gaspar Corte Real nas regiões da America. frequentou a Universidade de Paris. Gar- cia d'Orta. escripto lingua portugueza.ESTUDOS MATHEMATICOS 258 Gouvêa ma (EpOCa e principalmente por Francisco Sanches. quando em geral a lingua latina era pelos eruditos preferida para os trabalhos scientificos. a par da audácia aventureira. Em o celebre D. século. Tartaglia e a applicação da Álgebra á Geometria. impresso traduzido em latim por Clusius em em Goa em 1563 1567. o qual como estudante dei rey. deve também considerar-se como operação scientifica. É n'este encontra a primeira descripção do Cholera asiático. A grande 3. escre- veu em latim Elementos de Geometria necessários á Astronomia. Francisco de Mello — Pedro Na- velho professor da Universidade de Lisboa. O e logo que se livro typo morai do venerando sábio acha-se descripto na Ode com que Camões acompanhou em este livro. Henrique. Francisco de Mello. com o subsidio de 38/5160 reis pagos pela Feitoria de Flandres por ordem de D. D. No iii o tomou conflicto das ideias do obedecendo á erudição humanistica. — D. informando-se de todas as drogas e plantas medicinaes. Gil .

que na poesia reagiu contra o prurido da erudição greco-romana. regendo a cadeira de Mathematica desde 1542 a 1562. Regressou a Portugal em 1558. elevado mérito scientifico a nossa litteratu- todos os viajantes portuguezes o mais extraor- sem duvida Fernão Mendes Pinto. acompanhou a Universidade na trasladação para Coimbra de 1537. era Sião. e Mathematica na Universidade de Salaman- Foi á índia como Vedor da Fazenda era 1519. em que entrou para moço da Camará do Duque de Coimbra D. (1492 a 1577) que estudou Medicina e Philo- sophia era Lisboa. Exerceu uma grande influencia scientifica. no Pegu e no Martavão. vivendo alli na estreiteza da casa paterna até 1519. na Tartaria. sendo captivo três vezes e dezesete vendi- As suas maravilhosas aventuras na China. attribuindoas cores. no qual «existem elementos da theoria de Newton sobre Em nomeado Cosmographona Universidade de Lisboa. e n'essa vasta região da Ásia divagou duran- te vinte 6 um annos. . e dos resulta- ca. dos das observações nas suas viagens se aproveitou no livro De Crejmsculis. O desenvolvimento da Mathematica actuou sobre os processos da Astronomia e da Physica . em Calaminhan.) o NONio 259 Vicente. e se-lhe a em 1530 1529 foi professor de Philosophia prioKdade no estudo da loxodroraia ou propriedades das e Tycho-Brahe e Halley serviram-se nos seus tra- linhas curvas . escreveu 4c . te annos de edade. a esta corrente de trabalhos per- tence Pedro Nunes. Embarcou para a índia aos vindinário é mór-o-veího. Jorge de Lencastre. tomado do É tambera de ra de viagens. de 1542. sa época até 1580. Que sabe sciencia avondo. e desde esdo. não o escondo. Diz verdade. conhecido pelo nome de Nónio. Diz que o Céo é redondo E o Sol sobre amarello. ó coherente no seu espirito sarcástico quando falia em Esse Francisco de Mello.. era que falleceu na villa de Almada. De um seu inventor. balhos astronómicos do apparelho micrometrico. tudo relatou no livro intitulado Peregrinação.. nascido em Monteem 1509. as suas relações com o jesuita Sam Francisco Xavier.» raór do reino.: Século XVI.

p. que Rodrigo de Lima . escripto depois da sua jornada era 1563. por Frei Pantaleão do Aveiro. que anduvo las quatro partidas dei mundo. Por fira. sas também E notável a Verdadeira informação das terras do Preste em 1520 acompanhou D. Cubero e outros phantasistas. Gallardo. con cl Libro dei Infante Dou Pedro de Portugal. 1 Este livro attribuido a Gomes de Santo Estevam é conheeido no vulcom o titulo as Seíe partidas do Infante Dom Pedro.. do Padre Francisco Alvares. Ferdinand Denis revela a existência de um exemplar na Bibliotheca nacional de Paris. cujo manuscripto deixou á Casa Pia dos Penitentes de Lisboa. cora o titulo Livro do Infante Dom Pedro. O Livro das ParticBfis do Infante Pedro. intitulado Dom boa 1554. em 1558. ou como vassallo e parente Leão. Bibl. Julga Ferdinand Denis. em que longo tempo considerado como fabuloso. por elT<'ito de andar ligado com o opúsculo de Los siete Sabias de Roma. mais importantes da Vida de Sayn Francisco Xavier. que possuíamos no século xv. e a ra santa. Destaca-se n'este género o opúsculo. é também o producto d'essas assombro- organisações cosmopolitas. O nm gosto e o interesse pelas viagens deram logar á creaçao de género de litteratura popular. Pelaçam verdadeira do descobrimento da Frolida. porque a primeira edição conhecida é a castelha- na de 1546. 1593.* na miséria esse livro intimo das suas memorias.RELAÇÕES DE VIAGENS 260 (EpOCa 3. Lisainda hoje popular. Harce- go lona. acha-se hoje comprovado pelas explorações dos modernos viajantes. que andou as quatro partidas do mundo. O Itinerário de António Tenreiro. em 1529. mencionaremos o Itinerário da Ter- João. e porque nas suas falias o Infante Dora Pedro aprosenta-se aos outros monarchas como filho de um rei poderoso que conquistou a Hespanha. readquirindo um alto valor scien- D'esta obra plagiou o Padre João de Lucena as paginaa tifico. 114i. es- criptas em folhas volantes. as Relações de Naufrágios. ^ do rei de Pertence ainda ao género das Mirahilia de Mandeville. Poucos serão os livros comparáveis á Peregrinação pelas condições únicas foi escripto e pelo interesse crescente que provoca. que a redacção primitiva se em fos- castelhano. que veiu da índia por ter- ra a Portugal. .

espontânea. . 1596. em 1593. no mesmo anno da Náo Sam Bento. Taiago. Muitas do Gomes de o Aristotele responsio adversus n'es- Pe- foram colligidas no século xvni por Bernarvolumes da Historia trapco-maritima. . em 560 o Naufrágio de Jorge de Albuquerque Coelho. mus em 1536 na Ramus coisas ditas por Aristóteles são espiritos . da Náo Sa7n . A Todas as these seduziu os 1543 Ramus publicou as Aristotelicce preciso oppôr um antagonista a Pedro Ra- portuguez António de mesmo anno publicou ^ celebre these o reitor da Universidade de Paris escolheu o grande nista e jurisconsuno se sustentando a mais especulativos. que . Existia campeava a uma revolta critica Paris apresentou-se Pedro Qucecumque ab contra o subjectivismo theologíco. transmittindo-nos plenamente a sua profunda comnioção. como a de Pádua. da Náo Santo Alberto. em 1555. em 1554. e o pedantismo doutoral presentiu a ruina. Sam em Francisco. ideias. em 1585 . da Náo Sam Thomé. d'est<i8 relações Brito. Universidade de Aristotele dieta essent. da Náo Conceição. natural. e de negação sua quando em Era pura mentira. tornaram-se focos de atheismo. em que succedeu a per- o da de Manoel de Sousa Sepúlveda e sua mulher. e de heresias como as de Modena e Veneza. nos dois Pro huma- Gouvêa. de Santa Maria da Barca. em 15Õ2 Naufrágio da Não Sam Bento. o Naufrágio do galeão Grande. ém 1559. em 1565. fundarem um novo poder espiritual. eacripta por Diogo do Couto. os espiritos e folhas volantes para a em entra circulação um — Todas as grande numero sentem a necessidade de reorganisarera as uma nova synthese. verdadeira. animadversiones.) ahi se encontra a genuína prosa portugueza. A b) vezes que de em em uma época da Náo * syntkese negativista de Francisco Sanches. appareceram exploração do gosto popular. em . commentitia esse. 1 . Aos trabalhos críticos e da Renascença são correlativas as luctas doutrinarias suas concepções por scientiíicos para destituir a philosophia scholastica que se identificara com aristotelismo as Universidades que eram então impotentes para . era que o narrador desconhece a affecta- çào rhetorica.: A do século xvi pertencem as relações de litteratura popular naufrágios 261 REACÇÃO CONTRA O ARISTOTELISMO Século XVI. 1589. da Náo Águia e Garça.

o Collegio commentadores das Artes de Coimbra brilhou pela argúcia dos do Organum. os elementos 1 p. e pelo reitor João de Bomont com JoSo Quentin decano de e Porque defendia António de Gouvêa as doutri- direito. com que estabeleceu Scaligerana. sceptico António de Gouvêa ^ Renascença. sendo o seu triumpho proclamado por conselho de árbitros composto de Pedro Danes Francisco de Vicomercato. taes como Bacon e Descartes e d'e8ta própria impotência tirou Francisco Sanches . como Calvino o considerava religiosas. e o próprio também a verdadeira isso o iniciador da a leitura directa do texto grego de Aristóteles lhe revelou quanto as doutrinas do grande sábio an- davam pervertidas pelas apostillas dos commentadores escholasticos. p. . Contra a emancipação intellectual da Renascença. tornando-se esta renovação dialéctica dos Jesuítas em lo Portugal conhecida como um phenomeno singular e pelo titu- de Philosoj)hia Conimbricense. como o assim como os seus estudos e commentarios sobre Cícero. e sustentarem peripateticas. E então que dos em Portugal recrudesce de intensidade o ensino da Philosophía aristotélico -alexandrista. Étude sur Antonine de Govea." um calumnias. com blico europeu. sendo por escola de Cujacio. 79 : o seu negativismo philosophico. foi esta a causa da força da sua argumentação. exgotando todo o afinco as velhas formas a rasão no esforço de conciliação diversos commentarios de Aristóteles. 33. Gouvêa precedeu o século xix na rehabilitação de Aristóteles. N'estas vacillações doutrinarias era impossível formar a syn- these para a qual convergiam os espíritos. nas de Aristóteles contra o espirito de livre critica da Renascen- quando ça. quando decahia em descrédito na Europa. Virgilio e Terêncio lhe revelai-am comprehensão do Direito romano. apud Caillemer. conhecido na Edade média através das subtilezas averroistas . estabelecendo o nexo entre a religião Uratura e a lit- tornaram-se pedagogistas para dirigirem o ensino pu- . este professor no meio das luctas illustre era apontado como atheu (Calvinus vocat illum atheam) ? era ura dos mais profundos humanistas da De Thou confessa . organisa- ram-se os Jesuítas.262 PHiLOsoPHiA coNiMBiucENSE Rami tri (Epoca 3.

com assombro.) que o tornou o verdadeiro precursor de Descartes. Roma.263 QUOD NIHIL SCITUR Século XVI. comprovados pelos quanto á cognitio ipsa. como dos novos conhecimentos que tinham de presá deducção philosophica. e de 1576 data a formação do seu livro extraordinário De multum nobile et prima universali Scientia Quod nikil scitur. e onze medicina. Francisco Sanches era natural de Braga (n. Sanches apenas acolhida em uma noções absolutas da theologia e da avS susten- tava o principio positivo da relatividade dos conhecimentos humanos . e pela Mathematica e Medicina comprehendeu não só a necessidade da renovação da methodologia. » A revolução philosophica dos séculos xvii e xviii estava implícita na conce- pção de Sanches. reconhece que as apparencias afastam o espirito da realidade. conhecimento baseado sobre três elementos : res cogni- ou os dados objectivos. de que o conheci- mento só era verdadeiro dado objectivo quando {res cognita) se realisava o accordo entre o e a noção subjectiva [cognitio ipsa). sua su- bordinação hierarchica e educação encyclopedica. e Kant em Locke e Hume. Sanches tinha eífectivamente em vista organisar a nova synthese . e que os conhecimentos advindos e sentidos são os mais perfeitos nhuma se têm sciencia se formou . filho do medico António Sanches. Pelo ensino philoso- phico conheceu os vicios da velha dialéctica. acompanhou seu pae 1062} para França. ta fundamenta a sua doutrina sobre a noção de Sciencia. elle um isto é. ou a subjectividade mental na forma su- Para a comprehensão da res cognita es- tabelece Sanches a necessidade da variedade de sciencias. na sua poderosa es- peculação critica chegou á conclusão suprema. quanto ao eus cognoscens. Doutorou-se em Montpellier. de Kant e de Augusto Comte. ao : « Ne- contrario muitas esteriiisado e pervertido por causa d'elles. Era-lhe impossível satisfazer-se tar-se com o idealismo de Ramus ou com o aristotelismo-alexandrista. e cognitio ipsa perior e tibstracta de lei. ens cogaoscens ou a receptividade das relações. diz com Syllogismos. foi Nada se sabe. e segundo Brucker ensinou philosophia por espaço de dezouto annos. fórmula negativista época de conflicto entre metaphysica. viajou pela Itália e permaneceu algum tempo em . renova-se a psychologia como ratificação do Eus cognoscens. escre- vendo ao mesmo tempo sobre Mathematica. O livro — veiu á luz em A 1581.

A comprehensão do platonismo revelada por Camões nos Sonetos. que tanto inspirou o génio artistico da Toscana.264 o IDEALISMO PLATÓNICO philosophica. poderia fa«er a synthese das duas épocas conciliando-as pela sua continuidade histórica. apresenta-se sob dois aspectos: os génios e os talentos originaes abdicam da sua individualidade imitando subservientemente os novos modelos. e ao norte da em Florença impera o idealismo platónico. renegaram a Edade n)edia. » Sanches morreu em Tolosa era 1632. Scientiara fundare. Os estudos hellenicos na Itália tornaram accessivel o texto puro de Platão. espíritos clássico e medieval. 2. que coadjuvaram o criticismo de Kant. como se nota no regimen pedagógico dos jesuitas. não é elle um 3.'' Em todo o caso. ^ como a Chimica e a Biologia. na época da Renascença. * Diz elle « Mihi nainque in animo est lirmam et facilera quantum possim. etc. Tal é o característico de Camões. por outra forma. como se observa em Garcilasso. Tanto o Protestantismo como o Catholicismo. Itália se E ao passo que em Pádua. (EpOCa faltavam-lhe o concurso das sciencias inductivas. somente um génio capaz de sentir a tradição nacional. essa subserviência levou ao exagero da aiictoridade e admiração exclusiva dos escriptores gregos e latinos. que fez prevalecer na educação portugueza o aristotelismo-alexandrista. Tal foi a causa do esplendor da Poesia |yrica italiana. mas o precursor da grande synthese da relatividade pelo accordo e dependência dos elementos objectivos e subjectivos do conhecimento. e tão cedo abafada pela Philosophia Conimbricense. e em uma creação desinteressada. que pela primeira vez sob Lourenço de Medids (1470-1492) apparece separado das phantasmagorias da Escola de Alexandria. : . systematisador do scepticismo. collocou esto poeta acima de todos os lyricos quinhentistas. e as profundas investigações no fim do século psychologicas da Escola es- cosseza. e ao abandono das línguas vulgares. como se repete es- tupidamente nos apanhados de historia da Philosophia. Boscan e Sá de Miranda . que se impõe como modelo de todas as litteraturas. Veneza adopta o texto verdadeiro de Aristóteles.** —A Camões concilia os dois influencia da Itália. no século xvi. systematisadas xviii.

repre- senta esse grande facto da vida histórica do século xvi. impresso em loâ3. grande poeta da natureza. a sua obra. anno fugindo a corte de Lisboa para Coimbra por causa Acham-se estes prognósticos no raríssimo opúsculo Contra os juy- zos dos Astrólogos. porque a sua vida tempestuo- individualidade. e em 265 relação á Renascença na Eu- de Camões não pertence somente á litteratura e historia portugueza. a continuidade entre o mundo grecc-romano como synthetisando uma litteratura inteira. não cae na exclusiva admiração das obras clássicas. na escola ropa. nem em uma supersti- ciosa imitação dos poetas italianos. se restabeleceu e medieval. a allian- com ça do Occidente portuguezes. a) — Nasceu litteraria.MISSÃO DE CAMÕES Século XVl). completando por isso Gamões a que na escola italiana e na destaca-se iniciativa de como uma entidade Sá de Miranda. como se prova pelo Registo das pessoas que passaram a servir na índia desde 1550. e Schle- em que que pertence á época do romantismo gel. que canção XI. que elfe excede em belleza os mais ingénuos Vilancetes de Gil Vicente e as Redondilhas mais apaixopadas de Bernardim Ribeiro e Christovam Falcão. que se guardava no Cartório da Casa da índia. dos Gamas do Algarve. Educa- do com todos os recursos da erudição do século xvi. e achando a forma definitiva dè uma nova época Vida de Camões. seu tio D. sentir E plêiada dos Quinhentistas. ou da realidade objectiva. proeminente. que irrompe exprimindo o seu sa lhe avigora a modo de original. inspirada de todos os elementOB poéticos que constituem a tradição de uma nacionalidade. e D. italiana O nome em Portugal. e pela allusão aos terríveis prognósticos d*esse anno. em Lisboa em 1524. Bento Santa Cruz de Coimbra. por Frei António de Beja. fa- idealisaçao as tradições populares e o lyrismo trobadoresco dos costumes palacianos harmonisando-os de modo. segundo neto de Camões. A o Oriente realisada pelas descobertas dos Camões tem sempre augmentado com os Humboldt considera-o gloria de progressos das sciencias e da philosophia um . . ^ Foram do trovador galleziano Vasco Pires e Macedo. aponta-o Oriundo de uma Camões funde na sua mília do Algarve e da Oalliza. Anna de Sá seus pães Simão £m em 1527. de Camões toma o habito monachal e n'este 1 vem na Vaz Camões.

todas as mediocridades. era este mosteiro o foco mais activo de estu- convergia a mocidade aristocrática desde os doze elle annos de edade. rada como capacidade para os altos cargos. só d 'estes Camões enumera má fortuna poderes para o arruinar. Concorda esta inferência com a João de Ca- confissão do poeta na Can- ção IV. onde a erudição era conside. Angela Vaz e Paula Vicente. como Luiza'Sigea. é (EpOCa 3. erros meus.'' de siippôr que SimSo Vaz. descrevendo a sua infância passada nas margens do Mon- dego. cavalleiro fidalgo. Ainda nos estudos escreveu o poeta a Elegia da Paixão. Nos primeiros annos da reforma da Universidade a quência não era obrigatória. fazendo de CamSes o seu confidente. Seu com Dom João iii tio a Santa Cruz de Coimbra.2GC da ESCOLAS DE SANTA CRUZ DE COIMBRA peste. da convivência e esco- dataram as principaes amisades que encontrou no decurso da sua vida. João iii a reforma da Universidade mudan- do-a de Lisboa para Coimbra. seguia também esse costume fidalgo . Camões . filha de Dom Manoel. tal é a rasão porque se não acha o fre- assis- nome de Ca- mões nas matriculas antigas do Cartório da Universidade. dizendo. provando-se por testemunhas a tência ás lições . repercutida no poeta. graça : soneto 193. e Jorge em que figuravam varias damas. Bento de Camões colligiu-a o seu amigo Luiz Franco. e sobre as rendas do Priorado esta hostilidade do rei. ultima em volta de si uma corte litteraria. Sob a égide de seu em Santa Cruz nidades lar tio cursou Camões as huma- de Coimbra. e nomeou Cancellario d'ella o geral de Santa Cruz para dos. e . Francisco de Moraes trazialhe de França o manuscripto da sua novella o Palmeirim de Inglaterra. que se colligaram para produzirem a sua No ruina. Bento de Camões sobre o thesouro achado e o amor. primeira imitação da Escola italiana. tivera dois conflictos as causas da sua des- que bastava um D. Em 1542 frequenta o poeta a corte de Dora João iii. e o talento poético um distinctivo de fidalguia. tinha Então a infanta Dona Maria. dedicando-a a seu tio D. Em 1537 fez D. Boas esperanças alentaram Camões de abrir carreira social o seu génio extraordinário amedrontou logo . era ao que elle cha- era mava má fortuna. acom- panhasse a corte indo residir no solar de seu avô mões. da Silva apaixonova-se pela sympathica infanta.

irmão . A náo arribou desarvorada. e em especial os amores com a joven D. em 155j}. man- fervoroso os versos de um Lisboa. não deixando por sideral-a corao a cousa principal dos erros seus. Catherina de Athayde. e cessando o motivo que o levava para Coimbra. e por filha Diogo Ber- de D. Bento de CamSes. Camões embarca-se para a nos. Camões resentiu-se contra a stirpe dos Ga- mas. Todas estas causas influíram no seu destino. António de Lima.se para Coimbra. podendo-se-lhes também ajuntar a interpretação malévola dada ao seu Auto de Elrei Seleuco. No- imiíi meado em 1549 vice-rei da índia D. As intrigas palacianas eram que o génio de Camões conspirou para acabar de perdel-o os ódios litterarios foram suscitados por Pêro de Andrade Cami- Jeronymo Côrte-Real nha. ao espalhar-se a noticia do cerco de Mazado-se na sua excursão morre seu pelo . verdcideira monomania do século xvi. até certo ponto por nardes. e de que faz alarde nos seus versos e Cartas. segundo a tradição coUigida por João Pinto Ribeiro) e D. e formar tantas. tio gão. elle de con- isso Por fim as rela- com as damas de uma corte beata. filha do Camareiro-mór do principe Dom Duarte. em João Sá de Miranda. para seguir na náo Sam Pedro dos Burgalezes.) o príncipe dom joão 267 da Valentia. filha de Álvaro de Sousa. da familia dos Gamas. esperanças o alentavam um mo3trava-se dando copiar ra. Cara5es ao sahir da corte dirigiu. Camões regressa com elle a Lisboa. atirou a Gonçalo Borges. e a cutilada que pela occasião da Procissão de Corpus. poi'que o principe O amor de Catlierina de Athayde. e Camões não segue viagem novas . serviu para indispor contra o poeta as familias de outras damas que tinham o mesmo nome. allusivo aos amores de Dom João iii pela que veiu a ser sua ma- drasta. Affonso de Noronha. Ali se demora dois an- surpreza dos árabes o olho direito. Catherina de Athayde. os de Diogo da Silvei- grande Cancioneiro. que casou com Ruy Borges Pereira. taes como D.. Dom apreciador dos talentos poéticos. Catherina de Athayde. demoranRibatejo em 2 de janeiro de 1Õ47 D. Século XVI. ainda sua parenta. como se vê nos Lusíadas. e em 1550 inscreve-se como homem de guerra. [prima. fizeram com que fos- ções de galanteria se afastado da corte pouco mais ou menos por JÕ46. perdendo em Africa.

derribado das suas esperanças. Na índia a vida de Camões foi ainda mais tempestuosa enti'a logo em combate na expedição contra o Chembé. passado dois annos. (EpOCa 3. e conta que pobre. atravessa as doenças de um longo cruzeiro junto do Monte Félix. che- gando até ao canto vii. de Gonçalo Borges. entreteve-se CamSes a compor o primeiro canto dos Lusíadas. Regressando ao reino Diogo do Couto na armada a Moçambique. como diz Manuel Corrêa. Durante o tempo em que março de 1Õ53 é que o solta- esteve preso." resultava talvez das perguntas que a sua cunha- se ella tinha sido relação de Frei JoSo do amada por Camões. Durante a . em principio de setembro. com o titulo de Provedor mór dos Defunctos e Ausentes. CamSes foi recolhido na prisão de Tronco da cidade. e inspirado pela leitu- ra das duas Décadas publicadas por João de Barros. que elle descreve na admirável canção x. recebeu no cárcere a noticia da morte de Catherina de Athayde em 1556. a 7 de ram. Restitui- do á liberdade. segundo Luiz Franco). como se infere da referencia ao seu naufrágio na costa de Camboja. debaixo de prisão e mexericado de amigos. ia escrevendo o poema. na náo Sam Bento. indo exercer na colónia de Macáo o difficil cargo do ministério publico. Francisco de Almeida. João Lopes Leitão e D. tendo-se salvado a nado com o seu poema na foz do grande rio Mecon. onde soffreu novos desastres que o lançaram na mais dura gência. acompanhou Pêro Barreto para Moçambique em 1567. Não querendo esperar para entrar na sobrevivência da Feitoria de Chaul. e dava-o a rever ao seu erudito amigo Diogo do Couto. como consta da Por effeito do golpe no toutiço Rosário.DESGRAÇAS DE CAMÕES 268 de Rny Borges. : permanência em Macáo trabalhou no poema dos Lusíadas. e só no anno seguinte. d'onde foi chamado a Gôa. [Elusiadas. e preso até justificar-se. Em 1556 parte para a China. arribou acharam Camões tão Parnaso colligir o seu . que comia de amigos. Chegado a Gôa desprovido de tudo pelo naufrágio. a única da armada d'esse anno qnc chega a Gôa. occupado ali em em indi- 1569. e vivendo na intimidade de Heitor da Silveira. O pensamento da epopêa nacional occupava a sua alma em todas as desolações para servir esse pensamento offereceu-se para substituir Fernando Casado na viagem da índia parte effecti vãmente em 24 de março de 1553. da faziam. .

em leaes portuguezes rei nacional. Tal : » foi o homem estudemos o escriptor. Desde a chegada 1572 occupou-se a terminar o seu poema. Francisco de Almeida a carta com as memoráveis palavras « ao menos o exercito de Philippe ii morro com a pátria. completando a obra de Sá de . e a procurar ense- peste grande de 1569. Os Lyricos camonianos. Diogo do Couto e outros amigos pagaram-lhe a passagem para Lisboa. as quaes lhe foram roubadas quando as tinha colligidas sob o titulo de Parnaso.PARNASO DE LUIZ DK CAMÕES Século XVI. 1578. até jo para offerecel-o a ços da Dom Sebastião. b) Camões são o Soneto. Agraciado com uma mesquinha tença. tendo escripto a D. em atrazo nas mãos dos funccionarios. também negociaQuando em 1580 marchava para a occupaçao de Portugal. e do épico italiano sempre Torquato Tasso. como diz Diogo do Couto. Henrique. Canção. Depois do desastre de Alcacer-Kibir ca mais teve saúde o poeta. e foi furto notório. com magoa a esses Camões assistiu enthusiasmos que arrastaram D. Começaram as em alterações. a que dera o titulo de Parnaso de Luiz de Camões . O volta do leito de Ca- que procuravam para Prior do Crato va os seus pretendidos direitos com Philippe ii. Écloga e o Poemeto. compensan- do-o a admiração do grande lyrico hespanhol Herrera. e a atravessar os embara- censura ecclesiastica. As formas lyricas usadas por — .) e em 269 rever para a impressão o poema dos Lusíadas. nun- ou motins populares no curto governo do cardeal D. Já á vista de terra perdeu Camões o seu grande amigo Heitor da veira. Roubaram-ihe a collecçao das suas Ivricas. Camões não publicou em sua vida as poesias lyricas. que machina- va a entrega de Portugal a Philippe mões reuniam-se alguns a successão um ii . e ao Sil- desembarcar veiu encontrar Lisboa devastada pela Ainda era viva sua mãe. Depois do apparecimento dos Lusíadas começou para Camões uma nova lucta contra as invejas dos outros poetas. revela-nos o modo como elle actuou na poeeia portugueza do Beculo xvi. mas a grande quantidade de cópias de que ha noticia. Elegia. Serviu-lhe a antiga amisade de D. chegando á pátria em 7 de abril de 1570 na náo Santa Clara. taes como as achamos em Sá de Miranda e Ferreira. Manuel de Portugal. ditferem porém no" espirito. Sextina. Camões morria a 10 de junho. Oitava. Sebastião para a Africa.

e mesmo nos plagiatos das cópias manuscriptas. lhe attribuissem obras de outros esses versos noiné- Soropita deu publicidade aos seguiu-se-lhe que obteve da Livraria do Bispo tos contidos em andado . e escrevendo seus versos para o meio que frequentava.* ideal platonico-mystico. este facto explica-se por terem anno de 159Õ. e e Camões em Coimbra. a comparação dos phenomenos naturaes aos moraes. e todas as suas poesias vibram com essas emoções intimas. É possivel que os dif- na avidez de ajuntarem maior numero de Camões. Tendo vivido em Lisboa na. a belleza exaltada as imagens da legorias este como uma manifestação da divindade. a ingenuidade quasi infantil e instinctivamente destructiva das convenções banaes. ferentes editores. O amor considerado como Miranda pelo niano. tudo isto anima o lyrismo de um poema Camões. da índia e da Chifallou a lingua portugueza de todas as classes sociaes todas as condições da existência . Muitas das composições lyricas de Camões apparecem me de outros poetas ditas até ao . No século xvi era se camomodo de sentir. Rodrigo da Cunha inédi- de 1568. A vida de Camões é um drama doloroso. mythologia hellenica ajudando a exprimir por novo estado da alma moderna al- a graça anecdotica. porâneos linguagem de Camões em uma certa harmonia por elle estabelecida no uso dos condemnavam. que transportavam do latim para a lingua escripta. inédi- e a impressão que produziram vê-se pela frequência dos centues camo- nianos nos escriptores da ultima metade do século xvi. a vaga incerteza entre os limites da realidade e da aspiração quando conta as suas aventuras. pelo um sentimento divino. . fazendo das suas despedaçadas composições A subjectivo. em que primeiros cadernos colligidos . da dos seus contem- diíFere e dos neologismos. sempre os Camões estabeleceu in- sensivelmente esse caracter de unidade que existe hoje entre o portuguez fallado e escripto. com certeza da época que o poeta organisava o seu Parnaso. nas colónias da Africa. a natureza rehabilitada pela observação da scieneia. que os eruditos archaismos. em em um Manuscripto Dom tos de Domingos Fernandes. Sob o titulo de Lyricos camonianos se designam aquclle-j poe- .270 A LINGUAGEM DE CAMÕES (EpOCa 3. como no fim do século xviii havia elmanistas pelo modo de metrificar.

da Costa Perestrello. sentada António de Abreu e Luiz Franco. tem um pouco d'aquella falta de limpidez de estylo que o colloca a par de Caminha e Falcão de Resende. Miguel Leitão de Andrada. e Vasco Mousinho de Cas- Branco. posto tenham perdido as obras da maior parte d'elles. tello Caracterisemos cada um d'estes escriptores. era filho d'es3e terrível poeta do Cancio- que se neiro geral. António de Abreu. Luiz Franco. Fernão cas o príncipe ções suas. quando em Goa banqueteou os seus amigos com trovas. preso por é ir um vêr as damas do paço contra vontade dos que assistiu ao Convite de do camareiro. Os versos de mões. Gonçalo Coutinho e também vaga melancholia e forma . senhor de Sarzedas. João Lopes Leitão. por António de Abreu e Luiz Franco Corrêa.LYRICAS CAMONIANAS Século XVI. conhecendo-se pelas obras de CamSes e de Falcão de Resende poucas composi- poeta. taes como Heitor da tas João Lopes Leitão. » Achamos este titulo usado por Diogo do Couto. para fugir á barbaridade do pae.) 271 que foram amigos pessoaes de Camões. Fernão Rodrigues Lobo Soropita. Silveira. Francisco Galvão. ó o nome do joven e travesso poeta. neto É d'elle alguns versos nas de João Lopes Leitão o So- em que elogia Camões pela sua comedia o Filodemo. confirmado pelas chronicas . Fernão Alvares d'Oriente aquelles que o imitaram não correcta do Soneto. Perderam-se os versos de Heitor da Silveira. elle Camões. Restam Obras de Camões e de Caminha. João mandou copiar a Évora por Luiz Vicente. : António de Abreu foram desconhecidos até ao começo d'este se- . . Francisco da Silveira. repreem Goa era lõ5ò: Quem é este que na harpa luzitana. em que se revela relações genealógicas e um bello caracter. Estevara Rodrigues de Castro. cujas obras poétiD. e por fim morreu no mar de uma maneira desconhecida quando a sua bravura e talento o tinham de tornar admirado. só n'e3sa como reproduzindo versos inteiros de Camões. Balthazar Estaco. e são esses Pêro e D. foi militar na Africa e na índia. — Com a presença de Ca- Gôa tornava-se um centro de cultura litteraria muitos poetas tomavam como titulo da honra o epitlieto ligado aos seus nomes nos Cancioneiros de mão « muito amigo e companheiro de Luiz de Camões. Heitor da Silveira. Era irmão d'e8se outro da Silveira.

Conpoetas camonianos. se em seu principal titulo consiste cuidadoso das lyricas de Camões. e a elle se attribuera os versos achados venindo Dom no paço pre- Sebastião contra a jornada de Africa. duque de Bragança. viagens de Cororaandel na vagante dos providos por e alvará de 25 de março de 1598 conseguiu o privilegio de poder para seu transferir filho pode seu fallecimento Luiz Alvares esse fixar-se era direito. que se encontrara era parte nas obras de Caraões cora va- riantes notáveis. e em 1Õ76 veiu á Eu- ropa. Fernão Alvares d'Oriente. tónio Este facto mostra-nos que a publicação de An- Lourenço Caminha não é uma Innocencio. A data do 1599. Pedro da Costa Alberto. Ficou captivo na jornada de Africa era 1578. empregando os esdrú- artifícios a sua boa organisação poética. era natural de Goa. e observando como Dom Theodosio ii era . na sua Luzitania transforviada.27á (EpQCa 3. as quaes ter sido ura collector acham incorporadas na edição-Juromenha. De ladas as suas poesias. é um dos poucos poetas do século XVI que^Ncita Camões. tomou conhecimento da Arcádia de Sanasarro. Fez a viacomo se usava na Renascença. e um Perestrello. pertenceram Dom de estes dois Se recordarmos as relações amigáveis de Camões com o Duque Dom Theodosio e com o Vice-rei D. tem so- netos. Imita e glosa os versos de Camões. sendo a sua authenticidade confirmada pelos que Ao tempo em de Resende. por via das relações com Ber- O nardes e D. sempre preoccupado de todos os em mostrar-se sabedor da poética italiana. e sobre esse typo procurou re- xulos. CENTRO LITTKHAUIO culo em que os publicou António Lourenço Caminha. Theodosio ii. velho. como victiraa dos pri- meiros rebates da peste. — A casa Manoel da Veiga Tagarro e Francisco Galvão.* GOA. stantino de Bragança. Gonçalo Coutinho. produzir a novella pastoral allegorica aos costumes do tempo. Perestrello traduziu falsificação. e prejudicando gem da Itália. era do Archiduque secretario dos que receberam cédula de Philippe ii. algumas lições como pretendia do livro de Job era tercetos. n'esta pastoral que Vj Philippe ii vêm interca- recebeu a mercê de duas em 1584. Franco conhecem-se poucos sonetos. ura foi vem que teve junto á obra do Falcão com Camões relaç?!es dos que acceitou cédula de Philippe era já De Luiz ii.

irmão de com respeito. versos feitos nas extraordinárias aventuras do uma dama que se fez freira . e a constância castelhano. esteve Christovam Falcão. Explica-se este facto pelo modo como Estevam Rodrigues de Castro colligiu os seus versos. fuga do pajarillo acha-se dignamente imitado na Laura de Anfriso. estudou jurisprudência. escrever al- em qual protesto a favor da extincta nacionalidade portugueza. POETAS DO PARTIDO NACIONAL Século XVI. bem como uma Écloga apreciável. Manoel da Veiga provoca com a Laura de Anfriso.) considerado pelo partido da 273 uma independência nacional como das suas esperanças. Quando já era velho Manoel Veiga colligiu em os seus versos amor de em cárcere privado como uni livro. Os versos que dirigia a Filippe ii parecem accusar um certo despeito. explica-se como a memoria de Camões veiu Dos poucos Sonetos que restam de com a influir n'estes dois poetas. conhecido pelo nome de Fradinho da Rainha. que diz d'elle uma : phrase de « teve Dom Francisco melhor musa. Na marcha das sciencias experimentaes no século xvi. segundo se pôde inferir de Manoel de Mello. Estevam Rodrigues de Castro escreveu Sonetos verdadeiramente camonianos pela perfeição artistica e por essa vaga melancholia que tanto o separa do modo de sentir pessoal dos seus contemporâneos . e certo interesse e por fim acolheu-se motivo da publicação do seu livro a vinda a Dom um celebrado poeta. evidenciam um tal ali descriptos em não . principalmente de Bernardo Rodrigues. que fé » saiu de Portugal talvez forçado pela intolerância religiosa. que perseguia os que se entregavam aos estudos de historia natural. Francisco Galvão.. intimo amigo de Camões.rigues de Castro e Bernardo Rodrigues. Estevam Rodrigues de Castro illustra o nome portuguez na Universidade de Pisa. ao claustro. Marquez de FrecUilla. reunindo-os com varias composições de amigos seus cujos originaes tinha comsigo em Itália. quando através das suas odes pallidas se procura a realidade dos amores lude a Camões foi Duarte. um Manoel da Veiga é niano já sob a influencia de Lope de Vega camo- lyrico o celebre soneto da . e de Jorge Fernandes. quatro acham-se nas obras de Camões variantes importantíssimas. 18 . — Estevam Rod. O Portugal de Dom Theodosio ii. alguns d'esses Sonetos andam incluídos nas lyricas de Camões desde 1598.

As espirito: falta de sentimento na- suas obras revelam-nos três phases distinctas do seu primeiramente entregue á soltura escholar. é também auctor de ura poemeto sobre Santa Isabel . Fernão Rodrigues Lobo tíoropita. Vasco Mousinho de Castello Branco. que raro livro de Diogo Pires Cinza. N'e8ta phase Soropita torna-se respeitável pelo seu amor á causa perdida da nacionalidade. No meio fizera das ruinas sociaes e incerteza de direitos em um paiz conquistado . cultivada por Frei Sam Rainha. Vasco Mousinho de Quevedo Castello Branco ó rente da imitação subjectivo . embora mais conhecido como épico. escreveu Vejamens. um dos primeiros que obedecem á cor- castelhana adoptando a forma do Romance bajulou nos seus versos Philippe ii com não menos subserviência que Francisco Rodrigues Lobo. as relações com Pedro de Mariz explicam-nos como foi levado ao estudo e imitação camoniana. como o Por fim abandonou a poesia pelas allegações também Mousinho de Quevedo. na Trasladarão de vem no A forma dos Poemeti. augmentado dois annos depois com novas descobertas de inéditos. que apparece com vatificar riantes apreciáveis. apresenta nos seus versos lyricos bastantes reminiscências de Ca- Amigo do mões." Francisco Estevam é que publicou as coraposiçõos que nos restam. a Elegia a Magalhães Gandavo. jurídicas. acha-se Paulo da Cruz. primeiro biographo de Camões. das quaes apenas estavam publicadas a Ode a Garcia d'Orta. escrevendo contra os traidores uma Satyra politica em quadras. e o Soneto a Manoel Barata. sobretudo nos Sonetos. como se usavam nas Universidades de Salamanca e uma admiração profunda em Lisboa como advogado entre- Paris. imitando-o a ponto de se iden- com elle.PUBLICAÇÃO DAS RIMAS DE CAMÕES 274 seu filho (EpOCa 3. na tradição académica adquire por Camões. Em 1595 Soropita conseguiu dar á estampa o primeiro corpo das Rimas de Camões. destaca-se entre os lyricos camonianos pelos seus protestos contra a cional. e estabelecendo-se ga-se ao trabalho de colligir as poesias lyricas de Camões. N'e3tas investigações logrou Soropita um perfeito conhecimento do estylo camoniano. e foi ura dos que introduziu na litteratura portugue- za a forma italiana das Ballatas. Bernardo Rodrigues tratou pessoalmente Camões nos últimos annos. o denominado Fradinho da Vicente em oitava rima.

onde hospedara Camões. litterarios. que decahiam já no conceito culteranista. c) Os Lusíadas e as Epopeas históricas do século XVL — . do mesmo modo que fiesposa. tendo convivido com Luiz de Camões não colligisse os importantes dados biographicos d'esta eminente individualidade. como nos em antithese. lembra por vezes a em ingenuidade de Montaigne. que mais trabalharam para alentar o culto pelo grande génio nacional. porque realmente foram poéticos os seus amores com Armia.Século XM. e Na sua quinta entregava-se aos ócios Bernardes o dirigiu na comprehensão das bellezas Dom da poesia. Os seus de rhetorica mais habitualmente em um enfadonho excesso. e que se deprehende da parece ter-se acolhido ao claustro. É lamentável que. ha também perfeitas imitações camonianas. aproveitando-se das conversas de Bernardes e de Dom Manoel de Portugal. pelo A jpenitencia Elegia Dom de Soropita. As poucas composições de ainda se conservam. poeta. dos Vaqueiros. Camões foram intercalados por este escriptor na sua Miscellanea . Algumas Canções e Sonetos de Miguel Leitão de Andrada. Gonçalo Coutinho. zera consignando os elementos tradicionaes da preciosissima bio- Sá de Miranda. Baltkazar Estaco. graphia de — um Miguel Leitão é Africa em 1578. Soropita volveu-se para a concentração mystica. cahindo os seus allusivamente poesia. de Frei Bernardo de Brito.. que foi uma das formas Sonetos dialogisticos e de reacção contra a eschola italiana. cita este em escriptor todos quando define a sorte d'aquelle3 que cultivam a Sonetos reproduzem as figuras usadas por Camões. versos Camões. Na Sylvia Lisardo. — Cabe-lhe depois de Soropita o pri- meiro logar entre os lyricos camonianos. caracter que a poesia lyrica portugueza apresenta no fim do século XVI. a uncção — Prepondera mystica. revelam um bom Gonçalo Coutinho que poeta. D. a que lhe foi dedicada Maria de Oliveira. Miguel Leitão passou do idealismo neo-platonico eschola italiana da para o mysticismo.) 275 LYRISMO MYSTICO ou vendido. e abunda Como traços autobiographicos. O d'aquelles poetas que ficaram captivos livro da Miscellanea em forma em de dialogo é extraordinário pela riqueza das tradições e memorias avulsas dos successos tenebrosos do fim do século xvi.

mas as impressões directas da realidade salvaram-no do pedantismo humanista em que caliiram sões os outros poetas. nobres ócios. e Pedro da Costa Perestrello o Descobrimento de Vasco da Gama. na desolação publica da ^^eáíe grande isto deu á linguagem dos Lusia- Tudo solemne e convicto na affirmação gloriosa da missão histórica da nossa pequena nacionalidade. no desterro ou missão arrojada de Macáo. depois do regresso da Africa.. crevendo em completamente separados do povo. nos cárceres de Gôa. O assumpto da navegação de Vasco da Gama . entenderam reproduzir nas littera- Em turas modernas essa forma mal comprehendida da poesia. como di^ia Montaigne. na miséria de Moçambique. confundindo as epopêas orgânicas da Grécia com as epopêas litterarias de Roma. como primeiro o usara o bispo Dom Garcia de Noronha orando diante do papa. e terminados no seu regresso á das um tom pátria. ou- elaboravam o pensamento de uma epopêa portugueza. como poderiam sem virilidade moral e intellectual conceber a uma nação V Para esses eruditos. Esta coincidência explica-se pela própria corrente da Renascença. o ideal da Pátria consistia em identificarem Portugal com a Luzitania.* que Luiz de Camões trabalhava nos Lusíadas. sábios de gabinete. que se manifesta Os eruditos com o mesmo em França caracter e Hespanha. uma epopêa nos Caminha para uma tal Portugal achamos esforços para a realisaçao de conselhos de António Ferreira instigando empreza Jorge de Montemor tentava escrever o Descobrimento da índia oriental. ELEMENTOS ERUDITOS DA EPOPEIA 276 Ao tempo em tros poetas (EpOCa 3. Camões inventou o seu poema sob estas influencias eruditas. e as theorias politicas da vam os mas e conquistas longiquas nossos cavalleiros a a. Os Lusiadas foram escriptos nas pri- de Lisboa. estender Fé descobertas maríti- pelas e o Imjjerio. ottuva rima usada por Ariosto e com a A epopêa é escripta na estructura virgiliaua porém nos Lusiadas um pensamento philosophico que . fora por vezes indicado pelos Chronistas como um bello thema quando comparam as expedições marítimas dos antigos com as dos portuguezes. assento imaginário de uma triba céltica. esépico. Indivíduos educados sob um regimen de erudição livresca. no século xv epopêa de as com a toponymia porMonarchia universal provoca- lendas do cyclo troyano confundiam-se tugueza. ha o salva de .

teza em que vê a pátria cabida. ligando ao poema os nomes de Heitor gio de Sepúlveda. O episodio pessoaes na do Gigante Adamastor. dos amores de D.Século XVI. do heroismo do Infante Santo. da surpreza de Giraldo Sem Pavor. o caso do Naufrá- com certeza contado com todas as cores sinistras ao aportar em Moçambique em 1553 na viagem para Gôa. que veiu pela Thracia para a Grécia e da Grécia para a civilisação euro- E pêa? Vénus. artistica soube Camões agrupar em Com uma im- volta do facto que constitue o thema épico. Baccho. foi apagada e vil tris- publicado na vés- e n'elle se conservou . questão amorosa. da fidelidade de res Egaz Mo- da praga de D. Na Silveira. e temidos Almeidas por da. Ignez de Castro. da batalha do Salado. que no próprio Roteiro de Vasco da Gama.) SYNCRETISMO DA MYTHOLOGIA COM o CHRISTIAMSMO todas as imitações. defendendo os Portuguezas. que é senão uma vindade marítima da antiga Roma di- continuada na incorporação Uma do mundo por esta nacionalidade novo-latina? funda levou Camões a esta aproximação. da bravura do Condestavel. oppon- do-se á descoberta da índia que é senão o deus Soma. intuição histórico. mento de Martim de Freitas. é 277 a idealisação do facto da aproximação da Civilisação Occidental das suas origens orientaes. dos Doze de In- da Ilha dos Amores. A intuição pro- confusão da Mytho- com o Christianismo. insurgindo -se contra a austera. dos sua independenciar de Dom Francisco de Almei- quem ainda o pátrio Tejo cho- caracter condemna a iniquidade Dom Manoel contra Duarte Pacheco verbera a dureza de Affonso de Albuquerque mandando matar o joven soldado Ruy do rei Dias por uma . formando assim os encantadoepisódios do Milagre de Ourique. acha-se pela primeira vez esboçado na Elegia ili. do jura- niz. e accusa a nobreza de Portugal como estúpida. producto de impressões sua passagem pelo Cabo das Tormentas. logia e mesmo mensa a Castanheda não passara despercebida. O poema pera quasi da ruina da autonomia nacional . foi-lhe da Silveira e Gonçalo da ra. Thereza contra seu filho. glaterra. foi provocada por esse notável phenomeno de conformidade entre os mythos de Christna e as lendas de Christo. Camões mistura com as narrativas históricas as suas mais carinhosas affeições. todas as bellas tradições lendárias das chronicas nacionaes.

basta notar essas Chronicas que Jeronymo Corte-Real. accrescenta a E . Silio Itálico e Valério Flacco depois que Virgilio creou a Eneida. para que a invenção da pintura satisfaça a rudeza do verso. acompanhando os seus poemas de desenhos de baRaczyuski considera sem fundamento esses talhas e naufrágios encómios. ao vêr publicados os Lusíadas mento de em 1572. Stacio. Para se conhecer a relação em que estuo rimadas com o poema de Cam3es. e das calamidades que se seguiram a este Reino. Maria Baçan. a Austriada. os socorros e tudo o mais que no decurso d'este trabalhoso cerco succederam. e . » Bernardes. Fortaleza. estando Dom João de Mascarenhas ijor Capitão da . dos inimigos de Camões. Teve uma vida aventurosa. Jeronymo Corte-Real é Epistola escripta o um distinguindo-se por ser em 1574 primeiro d'e3ses epicos-chronistas. Caminha. Em 1574.278 o (Epoca 3. Conta-se que Perestrello rasgara o seu poema do Descobri- Vasco da Gama. neto de D. reconhecendo a difficuldade porque a leitura é grande. Dedicou-o a D. é certo porém que o apparecimento do extraordinário poe- ma despertou esse prurido que produziu seis epopêas litterarias no fim do século xvi. Em uma ao seu parente Francisco de Sá de Menezes pedindo conselho para a composição do poema do Segundo Cerco de Diu. a cuja facção se bandeou. que dedicou a Philippe ii. Jeronymo Corte-Real era filho de Manoel Corte-Real^ capitão da Ilha Terceira. Sobre este successo escreveu outra epopêa intitulada Perdição de el-rei D. já por duas vezes impressos. falia como se não existissem os Lusíadas. debuxei de minha mão os combates.* EPOPEIAS HISTÓRICAS de independência que irrompeu na restauração espirito de 1640. hoje perdida. Francisco de Andrade. e por parte de sua mãe D. Brites de Mendonça. Sebastião em Africa. Sebastião de ser : lido. indo a Africa e índia. publicou o poema Successo do Segundo Cerco de Diu. este parentesco com a um fidalguia hespanhola levou-o a escrever em caste- poema sobre a batalha de Lepanto. Luiz Pereira Brandão e Vasco Mousinho de Quevedo escreveram sob as mesmas condições em que versificaram Lucano. Encarecem os seus biographos o raro talento que tinha para a pintura. e achando-se também no lhano longo captiveiro depois da derrota de Alcacer-Kibir.

Luiza da Silva. enamoraram provocando o naufrágio differença entre este convencionalismo e as Lusíadas. . Jeronymo Corte-Real casado com D. porque influiu na composiNaufrágio de Sepúlveda.) 279 Francisco de Andrade. assy por ser esta senhora muito parenta de sua mulher (/uem elle muito amava. de uma segundo canto a biographia de João de Samthiago. Diu aggrava a exaltar o novo Orpheo. mostra quão prosaico é o seu ly- Primeiro Cerco de Diu compõe-se de vinte cantos em ha quem aprecie no oitava rima. e Philippe iii um chronis- no cargo de nomeou-o Chro- nista-mór do reino por alvará de 24 de julho de 1599. Leonor de Sá. de quem os Tritões se para possuil-a ! Que três estrophes dos frágio por do í» século meto. 1Õ89. publidepois da sua morte em 1Õ94. filha foi de Jorge de Vasconcellos. A Phílomena de Sam Boa- 1566. correram lo.. Luiza da Silva a já estava escripto desde de Caminha é . com os desastres deixando hoje publicado. vindo da índia uma náo por capitão de por nome o Galeão Grande. "histórica na epopêa era uma mouomania do fim do A exacçao século. ou melhor ainda a Relação do Nau- Álvaro Fernandes! Corte-Real acabar na melancholia foi religiosa. genro do uma ção de cada já poeta. CHRONICAS RIMADAS Século XVI. como se infere de em O poema um epigramma D. no canto nove o amor de dois esposos mogores no canto dezesete o combate de um joven portuguez contra um mouro que foge pelo rio monotonia invencível . e no canto dezeseis a descripção da Casa de Somno. e o . O editor. Deixou escripta a Chroníca de ventura. de e novo Marte. também verso solto e começa desde o nascimento de D. o declara : a fez o Manoel de discurso do naufrágio de este Sousa Sepúlveda e D. O D. publicada em 1Õ89. Francisco de Andrade. que ficaram mudos no apparecimento dos Lusíadas. foi escolhido para substituir António de Castilho Guarda-mór da Torre do Tombo. é antes de tudo ta. outra epopêa. Leonor de Sá sua mulher. sobre os Novíssimos do homem. auctor da epopêa sobre o Primeiro Cerco de Diu. tocamos esta circumstancia pessoal. João em III. que traduziu rismo. novo Apol- solícitos O com verso solto iniciado o Segundo Cerco o prosaismo do poema.. Provedor dos Armazéns de Lisboa.. um poe- mas ille- givel.

são o período cava- em que Portugal por tamanhas con- lheiresco da nossa historia. exaltada phreneticamente pelos inimigos de Camões. . quistas deixava de ser — As expedições em Africa um appenso da Hespanha. sendo a mesquita a allegoria do co- A nacionalidade estava extincta. Estevam Rodrigues de Castro. esta epopêa é uma allegoria mo. de que a litteratura do fim do século é um flagrante documento. de se isto uma emoção até ao des- abandono de Arzilla. Francisco de Andrade e Diogo Bernardes. Luiz Brandão publicou também em 1588 sobre este assumpto a Elogiada. como se — vê pelos poemas ou ensaios de Jeronymo Corte-Real. e do anonymo de quem restam quarenta Outavas. Camões conheceu o valor poético d'estas tradições e Mousinho de Quevedo celebrando no Affoyiso Africano uma parte d'esse cyclo heróico. porque os esestavam n'este estado de depressão mental. D. A Elegiada foi dedicada ao Cardeal Alberto. ^ Luiz Pereira Brandão. viria no fim do século xvi lembrar a uma nacionalidade extincta o estimulo das glorias passadas? Não. Jeronymo Corte-Real. em 1578.* trez Cartas das arguições que lhe fez o medico portuguez João Fragoso.280 DEPRESSÃO DO SENTIMENTO NACIONAL próprio CamSes teve de defender-se em (EpOCa 3. esses Caminha. Archiduque de Áustria. portas representa os cinco sentidos. A catastrophe de D. provocou varias tentativas de epopêa. por Dom João I vê que o poema é uma de protesto como essa sim- na morte do Cardeal-rei. três Cartas na sua traducção . que estava governando Portugal por ordem de Philippe ii chronica metrificada sem ples quadra do povo . ração humano ! pirites ^ Du Perron de Gastara allude a estas dos Lusíadas. SebastiSo em Africa. Vasco Mousinho de Quevedo. Aífonso v symbolisa o varão que combate contra si mesmo para avassallar a Cidade da Alma Arzilla com as suas cinco ral . e a sua torre luartes as potencias com três ba- da alma.

como vemos em André de Resende. prohibe-se a Ulyssipo de . e politica se ca da Renascença. foi o theatro portuguez o sentando o Theatro em Gil Vicente um que : As Tragicomedias lati- contra a imitação clássi- resistiu mais tenazmente. Cartapacios. Promptuarios e Paes. e a sua ausência nas obras da litteratura não é ainda assim tão lamentável. cujas re- em gras eram escriptas latim. e decoradas automaticamente pelos alumnos. Caiado. por provisão de 3 de Fevereiro de 1578.SEPARAÇÃO ENTRE OS ESCRIPTORES E O POVO Século XVI. como nos actos dos homens públicos que venderam a sua nacionalidade a Philip- pe em II 1580.) §. foi es- pecialmente contra o Theatro portuguez que os Jesuitas dirigi- ram quando pela sua preponderância pedagógica apropriaram em seu interesse da corrente humanísti- as prohibiçoes.Velhos para a traducçSo dos textos fragmentados das suas Selectas de 1587 e 1594. Essa separação resultara do exagerado preferia-se escrever em latim. O dominio absoluto dos Jesuitas no ensi- regimen da erudição . com appensos de Churros. apre- verdadeiro caracter nadonal . tanto na poecomo na historia. a) nas. como ordenara o Cardeal-Infante-Inquisidor-Geral. Traduzia-se do latim para grego e do grego para latim. sia no publico aggravou este vicio geral da Renascença. com uma indiíFerença tal. Perdera-se o sentimento nacional nos espirites mais elevados. e em Jeronymo Osório. No Index de 1564. alvaristico era um processo violento O com que ensinavam methodo o latim pela volumosa Grammatica do Padre Manoel Alvares. e nenhum livro era lido sem a censura previa dos Jesuitas. 284 IV Prevalecimento da auctoridade clássica o No máo fim do século xvi já se notava na litteratura portugueza gosto culteranista. que deixou assombra- dos os embaixadores venezianos. consequência directa da separação entre os escriptores e o povo. Os Jesuitas combatem — Na lucta do elemento medieval ca.

Synopsis Annalium e Societatis Jesu in Lusitânia. Os padres e resgate para cinco cativos mofam d'esta liberalidade e sos de Lisboa! foram aquelles pobres coitados expul- Não desesperam no emtanto de tanto que voltaram á carga em tSo mofina sorte. como peste e corrupção dos bons costumes. no Index de 1Õ81 e 1597. do Padre Luiz da Cruz. De taes festas nasceu esse género litterario. EUes oíferecem dotar a cinco donzelas órfãs com tanto que os deixem. a que chamavam Ludi sõlemnes. promettendo d'esta feita dar oitenta comedias e mil dinheiros reaes (cruzados?) á Santa Casa por cada um com que refuzem mas d'elles. D. Todos os defeitos da erudição banal aggravados com as phantasmagorias de gorosa. a que chamavam Ludi prioris. os mestres de rhetorica eram obrigados a estas composições. e mauda-se cortar o prologo das obras de Gil Vicente. 1588. apparecem em corpo de historia nacional 1 uma imaginação poética bastante vi- Frei Bernardo de Brito. AíFonso Mendes. em 1570. representava-se outra comedia de apparato em verso latino. . o pedido. e fazem ^ No regimen escholar era de costume festas nas classes usavam os Jesuítas representar uma comedia antes dos prémios. e por occasiao da distribuição dos prémios. os Jesuítas representaram a tragicomedia Sedecias. auct. e o Padre António de Abreu. Padre Antó- nio Franco. prohibemComedias. Apontamentos. Farças e Autos onde entram por figu- leitura d'esses velhos se « ras pessoas ecclesiasticas. Franco: «A Lê-se na Synopse do Padre António » esforços e conselhos do Cardeal Alberto (1586) silo os comediantes condemnados a degredo. Distinguiram-se n'este género hybrido o Padre João da Rocha. b) — cargo de Chronista-mór do reino passou para as ordens religiosas. o Padre fez a Simão Vieira. as Tragicomedias. onde a simplicidade dos narradores se confundiu com o syncretismo lendário. que encetou com o titulo um de Monarchia luzitana. Henriíjues Leal. 205. Coimbra. » os Jesuítas não cedem. Tragedias. n. onde se diz que el-rei Dom Sebastião se recreava com a Autos. Trad. Sebastião .* Jorge Ferreira. que os Jesuítas usavam em todas as grandes festas da Companhia. Na visita que D. O Chronistas monachaes e a decadência da Historia.282 OHIGEM DAS TRAGICOMEDIAS (EpOCa 3.

do Padre Balthazar Telles. em 1Ò90. Desertas e Selvagens dos escriptos de João de Barros e de Damião de Góes. mas nem conseguiu reproduzir o senso critico d'aquelles. e imita no começo da sua obra a allegoria pastoral de Bernardim Ribeiro. Entre as fontes que cita. re- velam-nos que esta decadência obedecia a causas mais profundas do que a incapacidade individual.) EUe acceita CHRONISTAS MONACHAES em boa fé os 283 documentos forjados por Anio de Vi- terbo. em por- Chronica da Companhia. que pela ingenuidade do . Moralistas catholicos. que suppomos ser a Relação do Descobrimento da ilha da Madeira attri. na época da Renascença. por Frei Gaspar da Cruz. nem a belleza ingénua do estylo do auctor da Menina e moça. Oaspar Fructuoso escreveu sob o titulo de Saudades da Terra. c) —O conhecimento das obras de Plutarcho e Séneca. Madeira. a Historia das Ilhas dos Açores. Os falsos-chronicões hespanhoes. e a fa- bricação de documentos apocryphos por Lousada e Higera. Nos livros de historia especial. do Porto serviu-se como subsidio Santo. como a Ethyopia João dos Santos. que fora das doutrinas uma moral com sancção Egreja reage por universal. Os institutos-monachaes organi- saram também as suas Chronicas.Século XVI. O Dr. Frei mas sem Marcos de Lisboa. do poder espiritual. buida a Gonçalo Ayres Ferreira e ampliada pelo cónego Henri- que Dias Leite. um abuso deplorável da casuística Na também dissolução exagerado formulis. ou o Tratado das Cousas da China. auctor da Clironica dos Menores^ poético da antiga tradição dos claustros o sentimento franciscanos. traduzidas A tuguez. mas para preconisarem as devotas doações e as beatificações fradescas. é seccamente correcta. Contra o prurido rhetorico da historia destaca-se pela negligencia e simplicidade do estylo. veiu revelar á consciência existia secular. a mo um e por theologicas moderna. não para mostrarem a sua cooperação na illustração portugueza. embora traga intercalada no seu texto uma boa parte das composições de Jacopone da Todi. só escaparam a es- ta corrente deletéria as almas puras. falia em uma Historia da Madeira. acham-se noticias ainda não oriental de Frei aproveitadas pelos modernas orientalistas. e elabora dramaticamente as lendas troyanas para historiar as origens de Portugal.

citando opiniões dos santos padres e exemplos dos mais fervorosos ascetas. O pedantismo erudito apparece na sua pompa no Espelho de casados. ou mercadoria espiritual. Emquanto João de Barros esteve refugiado da peste de 1530 na sua quinta junto a Pombal. princeza que depois João seu pae destramente. o Entendimento.» Isto nos revela Severim de Faria. com uma ou também em 1539 judiciários..* PEDANTISMO ERUDITO 284 sentimento se elevaram á contemplaçSo mystica. legivel por tumes da época . de valor exíguo.. compôz e enviou a Duarte de Resende o dialogo morauns. n'elle faliam as Virtudes. por estes três jogos serem mais com- menos aprenderem os homens o nome das virtudes . inspiradas por ta. o Tempo. escreveu processos outra referencia aos cos- o fim de afastar das escolas a leitura dos o Dialogo da Viciosa vergonha. O Espelho de casados prehensão do sentimento como Frei Luiz de Leão na Perfecta casada. em que allegoria a Rasão. a qual jogava com el-rei D. (EpOCa 3. impresso em exaltando as vantagens da vida contemplativa e eremitica. e no homem o logrado das novellas italianas. da Camará de Dom em Cânones por Salamanca. que vimos achava-se já no livro intitulado 1515. Pelos seus archaismos e construcções syntaxicas parece este livro pertencer ao fim do século XIV . pertence a se foi um escripto na época em que apparece im- espirito alheio á cultura humanista. E uma são interlocutores a Vontade. A forma de dialogo allegorico. No chroniata João de Barros nota-se a influencia erudita « vendo como os homens occupavam o mais do tempo jogando. um pessimismo de casuis- que vê na mulher a herdeira do peccado de Eva. é um apontoado de reflexões abonadas com auctorldades clássicas e patrologicas. o qual jogo imprimiu no anno de 1540 e o dedicou á infanta Dona Maria. e a Politica no enxadrez. segundo e teve intenção de pôr a elle affirma em varias partes Economia também em jogo de cartas. escrivão João desde 1549 III . appareceu em 1540. e sem a com- era formado em 1522. foi de Castella. porém presso. do Dr.. deleitoso. João de Barros. Bosco em João de Barros. a cuja . e para n'elles ao ral intitulado Rho^ica pneuma. introduzindo n'elle as virtudes e vicios por excesso e por defeito. inventou um jogo de : tabolas a que reduziu as Etkicas de Aristóteles.

servindo-se dos effeitos do estylo. 1 Pan. occupou militarmente Portugal. pensamentos moraes colligidos das reflexões de D. e lucíara ra controvérsia com o theologo protestante Kemnitz . João de Barros escreveu do de Plinio o moço. e em- quanto os vários pretendentes á soberania portugueza discutiam preferencias. era recebida em Portugal com luminárias e sermões de graças. D. Em uma . Trabalhos de Jesus . É também este o caracter dos Ditos da Freira. mas n'uma época em que a annunciada dias antes pelo embaixador portuguez.. — Com portugueza. e aproveitando -se com felicidade de muitos contabiiissimo livro ceitos A da linguagem popular. 15. escrevendo poucos sonetos. Philippe ii. parente de Diogo do Coucarnificina de Saint Barthólemy. I. realisando a unidade politica da Hespanha. são comparações vulgares que re- velam uma santa simplioidade natural. d) Fim da Nacionalidade obras dos Quinhentistas. si Alguns desastres uma solidão religio- os desabafos das suas angus- foram colligidos como máximas pelas suas companheiras de cenóbio. Citam-se outros pregadores notáveis. Joanna da Gama. que em 1561 fora ao Concilio de Trento por ordem de D. ainda em 1580. — Revivescência das a morte do Cardeal-Rei. t. Distinguem-se como escriptores mysticos. An- Padre Luiz Alvares. da sua vida fizeram-lhe crear em volta de sa perturbada pelo Cardeal Infante tias . e avançávamos inconscientemente para a ruina. Frei Thomé de Je- que na captiveiro de Africa. Sebastião. Diogo de Paiva de Andrade. eloquência apparece-nos no século xvi viciada pela empha- se rhetorica dos eruditos rico á imitação . Na um Panegy- predica religiosa distin- gue-se o Dr. com a Imagem da Vida christã.Século XVI. Fi'ei Heitor Pinto. depois de 1578 escreveu o no- sus. e Amador Arraes com os Diálogos. » ^ tónio Pinheiro e o to. reclusa do Salvador de Évora.) 285 ESCRIPTORES MYSTICOS corrente poucos escaparam. muito introduzir a forma de dialogo nos seus discursos « . em du- costumava » nos seus sermões « o gosto dos conceitos e trocadilhos de palavras começa- va a apparecer. Procuram dar o maior relevo ás suas descripções. a obcecação era absoluta. Ella conheceu a eschola italiana. não têm abstracção.

ou a caste- latina lhana para as suas especulações. A nacionalidade portu- gueza estava bem morta. mo Rodrigues Lobo. quando o século terminava com vel peste e devastações. de 1584. bajulavam o invasor nos . 1 « ^ prova-nos que havia um uma terrí- interesse inti- Consta por tradição que a Livraria de D. » A nobreza recebia cédulas do monarcha hespanhol para futuro pagamento da sua traição á pátria 08 poetas e escriptores. chefe da reaccastelhana contra a eschola clássica italiana. e o povo ignorava em absoluto Os Lusíadas. Era impossivel qualquer resistência material contra a incorporação castelhana. Fernão Alvares d'Oriente. Jorge de Noronha a que o reino de Portugal é de m. Falcão de Resende. seus versos e recebiam tenças de favor. Jeronymo Osório. como Bernardes. deu-se porém uma convulsão moral. sciente a favor Era como um da lingua portugueza que esforço incon- se extinguia assim. em 1595 vulgarisam as Rimas de Camões. . em 1595 e 1597 traz a lun)e Diogo Bernardes as Flores do Lima e Varias rimas. a litteratura vegetava profundamente separada de todos os elementos tradicionaes e populares. em 1595 é que Camões vedo ção . em 1597 publica Frei Bernardo de Brito a Sylvia de Lisardo. foi rou- . deploravelmente inéditas. os es- adoptavam a lingua criptores e classes cultas a historia do seu passado glorioso. perdidas desde o roubo do seu Parnaso em 1570. que poderiam despertar o sentimento nacional. porque até as crianças cantam que todo o seu remédio está em sua magestade. quando quizer. o filho do Dr.. em 1587 publicou-se pela primeira vez os Autos de António Prestes 6 em 1 590 as obras lyricas de Vasco Mousinho de Queem 1592 as poesias de Gregório Silvestre. António Ferreira em 1598 salva do esquecimento o manuscripto dos Poemas lusitanos . pela primeira vez se lêem as obras de Sá de Miranda. que Fal- cão de Resende surprehende nas mãos de e 1598 é que se uma senhora. JeronyCorte-Real. e que pode vir s. Duarte Nunes de Leão. que acordou o interesse por todas as obras da litteratura portugueza da grande época de Quinhentos. Caminha. . foram deturpados pela censura clerical na celebre edição dos Piscos.(EpOCa 3. A vontade de salvar as obras portu- guezas pela imprensa.* PUBLICAÇÃO DAS OBRAS DOS QUINHENTISTAS 286 carta de 24 de Phillippe II « Março de 1579 escrevia D.

e por el- despertou o sentimento da individualidade nacional. o do Padre Pedro Ribeiro. quando em ram Faro. que ce a possuia. 1604. . Ta Lopes. » Sil- — Ficaram inéditos muitos Can- do século XVI. de Frei Thomé de Jesus. p. taes como o de D. e D. em 1604. e em 1602. Maria Henriques. em 1606 a Origem da Língua portugueza. o de D. de Manoel da Veiga. que se continuaram sob o caem 1602 imprime-se o notável livro dos Trabalhos de ptiveiro: Jesus. o de Manuel Godinho. appare- Laura de Anfriso. Chorographia do Algarve. que colligiu seu pae era Marrocos. sobre que a França se apoiou em 1640 para destruir o ominoso poder da Casa de Áustria na Europa. o de Luiz Franco Corrêa. Cecília de Portugal. e a Lusitânia transformada de Fernão Alvares d'Oriente. em 1605 as Éclogas de Rodrigues Lobo e as poesias de D.Século XVI. Manoel de Portugal. Rodrigo da Cunha facilita a publicação dos inéditos de CamSes. e 1616 os Sermões do Dr. onde existiu.) mo CANCIONEIROS MANUSCRITOS 287 que vivificava estas emprezas. la se A lingua portugueza já não podia ser extincta. sendo levada para 2S de julho de 1596 incendiaram e rouba- a Universidade de Oxford. e o da Bibliotheca de cioneiros Evora publicado ultimamente pelo fallecido Victor Eugénio Hardung. Diogo de Paiva de Andrade . bada pelos inglezes. de Nunes de Leão. 325.

As Epopêas históricas b) Tassistas e Camoistas." influencia italiana e Iiespanliola em I*or- : Reacção contra a Eschola italiana. b) Pastoraes e Novellas allegoricas. O no- . 1 — Syncretismo da tugal 1. Moralistas. As Tertúlias e Academias Litterarias. produziu va em França cora ditos de Ronsard. quer pela admiração reflexa dos poetas italianos. com Du Bartas adoptando uma desusada liberdade no emprego das figuras rhetoricas. Clironistas e historiadores. I Syncretismo da influencia italiana e liespanhola O em Portugal exagero da imitação clássica. §. c) As Tragicomedias dos jesuítas.QUARTA EPOGA (século xvii) os CULTERANISTAS §. onde o génio oriental irrompe na imaginação andalusa de Gongora. Primeira influencia : — — da França. A Poesia mystico-amorosa. — — — 2.° — *. uma natural reacção que se obser- Malhcrbe reagindo contra com Balzac procurando os neologismos eru- o purismo da phrase. Os Poetas da Phoni. II — Tentativa o) b) c) A cie reforma Eloquência sacra d. Os primeiros Jornaes portuguezes..os estudos philolosicos : Vieira e Frei António das Chagas. Oratórias e Ballets. Francisco Manoel de Mello. Pateos das Comedias. Os Cartas da Religiosa portugueza. c) Comedias de Capa y espada. «) As Academias dos Generosos e dos Singulares. essa reacção apresenta o seu maior vigor em Hespanha. e se impõe pela pompa deslumbrante das imagens poéticas exprimindo as ideias vulgares. quer por via do estudo di- recto das litteraturas greco-romanas. a) As Lyricas de íYancisco Rodrigues Lobo e D.v renascida. Porém.

pela redundância. diz Cantu. e Le Sage transforma os esboços de Velez de 19 . d' Aragão . século XVII vemos a litteratura franceza inspirar-se para a crea- ção poética dos seus principaes génios da imitação da litteratura hespanhola. Quinault. é o chefe dos CuUurisfas ditam as sem litteraria Concettists. mas embellezando-a convencior nalmente e esse artificio procurado cora estudo é um signal de . os escriptores que reagiam Itália . no hespanhol . corresponde esta reacção do Culteranismo hespanhol. imita o género picaresco principalmente no theatro é onde se observa tação mais evidente. « hespanhol de origem e educa- Itália. » A Hespanha era o cene no tro d'onde irradiava o prurido d'este novo gosto litterario membros do Hotel Rambouillet : « Elles . Inglaterra Lylli propaga este falso estylo litterario nome de Euphuismo. pelo paralogismo. na Princeza d' Elida. caíram no desvai- ramento de uma phantasia sem disciplina. systematisado <jian em regras dogmáticas pelo jesuíta Lourenço Gra- nas suas Agudezas de Ingenio. no Menteur. pe- euphuismo. Garcia de Navarra. imita- do do Burlador de Sevilha de Gabriel Tellez. Roman comique. que não sente a graça A pittoresca do conceito. Don Sancho uma como em Corneille no Cid. no Festin de Pierre. Hardy. na nova corrente lhe dar a forma propagou-se a Marini. em imie no Molière. que Molière retratou nas Preciosas ridícu- em las. á vã habilidade de converter em Dava-se o nome de ingenio figuras de rhetorica todas as ideal lo mas si- um tuações moraes ou materiaes. Scarron. corrigindo a realidade não por pelo equivoco. e na França os do gosto aífectado nas intimidades do leis Hotel Rambouillet. de sorte que na impossibilidade de acharem o caracter nacional da litteratura. no D.) 289 vo gosto inspira-se da natureza. O uma Culteranismo provinha de verdadeira intuição da ne- cessidade de independência de espirito para a concepção artistica infelizmente. La Bruyère notou a causa dos desconcertos da linguagem culteranistci. cultura de espirito. contra o predomínio da estavam separados do povo ou não conheciam o valor es- thetico do elemento tradicional. referindo -se aos deixam ao vulgo a arte de fallar de uma maneira intelligivel.CARACTER DO CULTERANISMO Século XVII. Rotrou seguem a mesma senda. o A com universalidade da influencia italiana da Renascença. toda a Europa ção como » .

seiscentista accentua-se uma grande — Na poesia lyrica predilecção pelo estylo camo- . e no Diable boiteux. Quando a fecunda litteratura franceza obedecia ao influxo perstigioso da litteratura hespanhola. e Sá de Miranda. nas Cartas era quin- tros E mesmos que voltavam aos mede redondilha. vidade intellectual se dispendesse em um fez com que exercício a acti- disparatado da rhetoríca. do lyrismo hespanhol. declaração de Manoel de Galhegos.* Guevara no seu bello Gil Blas. o theatro. litterarias se As Academias púlpito. a poesia. a poesia lyrica retoma os velhos metros de redondilha. não achavam emprego tilhas de medida velha. que se defende de haver escripto na lingua pátria. e o próprio Richelieu considerava ração pelo Cid de Corneille mado absoluto em to- Portugal. Estávamos sob o dominio hespanhol tanto A a admi- hespanhoes tivessem se os Paris. como se sabe pela litteratura. A movimento dinário falta partes das suas obras publicadas foram de participação de Portugal no extraor- scientífico do século xvii. no século xvii." Reacção contra a Eschola italiana. é lido.290 o SEISCENTISMO EM PORTUGAL (EpOCa 4. Uranismo. Quem organisasse os annaes da imprensa portugueza n'este período. estudado e imitado na sua parte antiquada. a linguagem. Os fal- escriptores portuguezes preferiam o castelhano para a poesia e para a historia. e occuparam-se de assumptos portuguezes. que viciou tudo. era considerada pelas classes elevadas como própria para ser lada nas praças e pelo vulgo rude. con- que cluiria em três quartas castelhano. Muitas das obras dos grandes génios da litteratura castelhana tiveram as suas primeiras edições em Portugal. Sob a influencia do Cul- lo XVII. o venerando chefe da Eschola italiana. converteram em scieutíficas ita- no sécu- na Hespanha immobilisaram-se em Tertúlias e com esse caracter se reproduziram em Portugal.» era impossível que o Culteranismo não dominasse um modo de como « em como em politica lingua portugueza. aquelles mais azado para as redundâncias e equívocos de linguagem do que as NoveTlas pastoraes do gosto italiano contra o qual rea- giam inconscientemente. a historia e a própria eloquência do que de lianas. e concor- riam para a riqueza do theatro hespanhol compondo Comedias famosas no estylo de Capa y espada. 1.

Os lyricos seiscentistas apresentam os dois aspectos. sem por isso ser um pallido reflexo do esplendor da Renascença. tem apenas uma verdade: é que na plêiada do século xvii. quando yo no pêro imagino que unas Ir^ la tenia d'el. de epithetos. no vi este de Lobo. y los onze cogió este libro un mozo.. » ' que ao som do rabil — cantam os' {Deseng.) TASSISTAS E CAMOISTAS 291 niano mas eraquanto ás doutrinas da epopêa. Nos seus versos. ^ otro teria algo en la memoria. estaban en aquel libro a la . Francisco Maiwel de Mello. que se resentem já v^. » A suspeita de Faria e Soii pUllas que estan antes d'ella . bcrranos. que se vê entrada da Floresta sexta. . e quando os estudam os poetas escapam sempre aos absurdos do culteranismo. luego ai principio. que luego se fué a eslos afios tudiar a Coimbra. que consta de prosas y versos. cia das poesias de Camões provinha da comprehensão de que es- tava n'ellas a verdadeira forma litteraria moderna derivada do impulso italiano. no pude asegurarrae bien Otavas que alli tiene el Lobo. Mas porque yo tiempo en que de esse . na renovação dos metros de redondilha. a disciplina quinhentista de bastante o texto de Camões e ao quem estudou mesmo tempo soube conhecer que ha de bello na tradição popular. hespanhol. 323). aonde entoncea florecia Francisco Rodrigues Lobo. N'este género é realmente inimi- y 7* . resultantes da admiração não discutida da poesia castelhana. pag. levaram Faria e Sousa a suppôr que este poeta roubara o manuscripto do Parnaso de Camões « Al tiema) — : po que empece a estudiar. a que llaraa la Jc^Cfi : historia de Sileno. As Lyricas de Francisco Rodrigues Lobo e D. me de 1600. y tarabien- unas Co- y tambien una Cancion. '"5^ (^i%f. Rodrigues Lobo teve o o alto senso artístico de exprimir os seus sentimentos na forma das Ser•anilhas « aquelle outro canto. que entonces publico un libro intitulado Primavera. sino raucho despues. no na reproducção do endecasyllabo camoniano e italia- Sá de Miranda e Camões são os modelos consagrados. da exuberância de imagens c abuso «. Esta revivescên.4'U ç^*/*. •- . As relações do estylo de Francisco Rodrigues Lobo com o de Camões. y siempre me pareció que en el avia algunas cosas de las que estaban en aquel libro. luego quando salió.Século XVII.\Rodrigues Lobo é o lyrico mais completo e apaixonado. que fué a de mi edad. ha ainda. levantou-se uma contenda litteraria entre os Tassistas e Camoistas.

Eolo. A vida provinciana esterilisou o infeliz poeta acabou de perverjer-se. » Phenix termina dizendo A perversão do gosto na época seiscentista preferia as suas pro. diz « Chamava-se ella Luielle o nome da mulher que o inspirava : za. A sua vida passou indiíferente para os contemporâneos. No Pastor j)eregrino. seduziu-o a carreira das armas.. que allegorico vulgarisado por Grongoi-a simulando o gosto mourisco. Endechas. segundo contam o Padre Manoel da Esperança e o Bispo de Gram Pará. filhas 3erva-3e o estado moral de em um Mello. em Lei- res ria.y> Nas Memorias do Bispo de Gram Pará Lobo tinha cantado nas ribeiras do Liz e Lena. não lhe deixou imprimir nos seus versos a galante audácia com que Camões hallucinava as damas da corte de D. que em una Soneto da « (^ ue a Lereno matou o villao . João iii. JtallaJia- em que viveu no palácio do Duque Leiria. D. obannos solitário cárcere entregue ao arbítrio da prepotência irresponsável. nos loucos amo- « que Rodrigues da aia ou dama do palácio do Duque de Caminha. com a imitação do romance Lereno. Celebram a sua morte um desconhecido mas apreciável poeta portuguez António Lo- teresse . ^publicaxlas em 1606. allia a g£a£a do endacasjllabo camoniano. e no Collegio dos Jesuítas de Santo Antão estudou humanidades. com em íJcZq^as.ÉCLOGAS DE IIODRIGUES LOBO 292 tavel (EpOCa 4. Francisco Manoel de ce-se immensamente aberrações do cora espirito. postoque o seu talento bem merecesse mais in- morreu afogado no Tejo. — Na sua vida esse génio e obras pare- singular de Quevedo em grande quem viveu parte longos . e D. posição de inferioridade de Caminha nas prosas insul- imitafi^S. Thomaz de Noronha. philosophia e theologia . pes da Vega. sas culteranas e os diálogos rhetoricos ás lyricas que são hoje o seu melhor titulo litterario. Rodrigues Lobo obedece á sas das Pastoraes . nas da época. segundo a designação antiga.. Falcão e Bernardim á belleza fixada por Christovara EUe nas suas Éclogas.Q. Francisco Manoel em Lisboa em 23 de novembro de 1611. . porém nas a simplicidade popular A lê-se. » . a que chama. e abjurando lippe III do sentimento da pátria ao cantar a visita de Phi- a Portugal. . Nasceu D. Ribeiro usa a redondilha quinaria.'' a tradição communica-lhe o seu vigor. e o poeta eleva-se .

esperando ensejo para perdel-o. quando foi nomeado Governador das Armas de Portugal. por occasião dos Tumultos de Évora. Tendo servido na armada hespanhola. sua actividade lit- participação da vida publica. nobre um victima de ingratidão aos que lhe deram um throno . sendo em seguida nomeado Mestre seus protestos de fidelidade. considera-se como um guia composto a pedido do duque de Bragança. e era 1628 escreveu a novella Las finezas mallogradas teraria mistura-se isto 293 com a A . Dom uma esquadra de dezoito navios para João iv recebeu-o com enthusiasmo dandocommandar um esquadrão de varias commendas. regressando a Madrid ali teve relações com um agente secreto do Duque de Bragança. Vindo de Flandres á Catalunha ali soube da revolução de Portugal e como as generales..DOM FRANCISCO MANOEL Século XVII. Ainda nos estudos. recebendo do embaixador portuguez na Ostende. e não quiz jurar contra elle . Sobre este primeiro golpe. attribuindo-se-lhe cumplicidade no assasánato de Francisco Cardoso. Sonetos á morte de Ignez de Castro. para ir appresentar ao rei os governo hespanhol o escolheu para vir pacificar os tumultos. Em 19 de novembro de 16i4 foi Dom Francisco Manoel de Mello mandado praiider na Torre do Bugio.) em que entrou aos dezesete annos. um po- que pagou cora esta admirável figura acha se ligada a todo o movimento para reivindicação da autono- mia da nação portugueza. suas informações sobre um inquérito a Villa Viçosa condiziam com o movimento que rebentou Duque de Clivares mandou justificou-se em em 1637 não 1640. Hollanda o commando de trazer reforços Ihe . e E um época da Fronda. e mandou-o cavalleria no Alemtejo. dando -lhe essa superioridade que primeiro se observou nos escriptores inglezes e litico. como pôde. Em uma Nota á margem de . a elle escolheu o duque em 1637. mordomo do Conde de Villa Nova de Portimão. um em França na bravo.publicou doze em 1628. o Conde- Dom Francisco Manoel nomeado governador para prendel-o. e o de Campo para Flandres. . Dom João IV dissimulou então o seu ódio. rei poeta. co Dom Francis- Manoel reconheceu que o ministro Francisco de Lucena era vilmente accusado de traidor. escripto . O seu livro Politica militar em avisos oíferecido ao Conde de Liftares. sendo solto e Foi então que abraçou directamente a causa da independência de Portugal.

uma e vindo. as sylvas. explica-se o ódio implacável do rei por causa de ciúmes. demnado em segunda Dom e se- João iv o encarregou de 1647. como no antigo Mena condemnou o grande Sá mas aquelle outro. os tonos e os primeiros rudimentos da Opera. as as Epa- Cartas familiares. D. apreciando-se especialmente As três Musas de Melodino. a Carta de guia de Casados e a Feira de Anexins. para o degredo na Bahia. destacando-se o admirável livro da Historia dos movimentos paração da Catalunha. es- ensaiou todas as formas. morrer em Lisboa 13 de outubro de 1666. da lava. Por ventura. escripta em nome de Luiz xiv. ou xacarandinas postas em moda pelo seu amigo Quevedo. naphoras. uma parte das Obras métricas em hespanhol . impri- mindo aqui no anno seguinte as Epanaphoras de varia historia. Em Março de 1650 foi para a enxovia do Castello de Lisboa. Se minha tenção fora allegar-vos serviços. quando já estava con- instancia para o Brazil. O ódio do monarcha mesmo a uma carta de Anna de Áustria. Dom crevendo Francisco Manoel obedeceu á influencia castelhana. São numerosas suas obras impressas. Francisco sahiu de Portugal para França em 1662. os madrigaes ita- lianos. o próprio em redigir o Manifesto de Portugal." Dom João iv expondo-lbe a sua innocencia e serviços. Porém. escreveu f!ivor da causa nacional. rompendo contra os ab- surdos culteranistas. por ambos terem relações com á Condessa de Villa Nova e Figueiró. nas segundas três serviência Musas de Melodino reage contra a sub- do estylo e lingua castelhana. depois de em constante actividade. grande desejo de resuscitar o grave dos. especialmente que me deveis um só cousa vos lembro.i 294 NOVA INFLUENCIA DE SÁ DE MlítANHA uma copia do Memorial. que em 1648 dirigiu a (EpOCa 4. saindo em resistiu a tudo. d'onde. e imitando nas redondilhas : « Uma Sá de Miranda. a favor do poeta transferido 1653 para o te de Dom Brazil. e i / . o romance mourisco. as jacarillas. Não aquelle estillo de nossos antepassa- cuja aspereza já para muitos foi desagradável. fugindo ás intrigas da corte entre a regência e o príncipe. Só depois da mor- em João iv pôde regressar a Portugal 1^59. vae scintillando por entre as phrases naturaes engraçadas e facilissimas. como o diamante que reluz por entre os diamantes . Desde o primeiro anno da constantemente a prisão. os Apologos dialogaes.

que o prendi e sopeei. da Lifantina. os na Feira de sua Anexins. bem pudera dizer-vos que a fim de vos reda formosa imitação da antiguidade. de Gayanexins e locuções vulgares. dispendendo o seu génio em pedantismo rbetorico preponderava no meio fazer Obeliscos e Sylvas en- Labyrinthos. deu logar a religiosa. como os os romances da Sylvana. passei com meu descontos natural. a que allude por ve- Contos da Maria sabida.) ainda á minha pátria. O Dom Francisco Manoel obedeceu á corrente. litterarios. tomado como thema das subtilezas culteranistas. Contra o formalismo devoto do jesuita Molina levantam-se os sublimes poetas S.) a sensualidade tor- do ascetismo. No bello Auto pulares para glosas ajpelo lonia do Fidalgo aprendiz. nas redondilhas em que paraphraseou o psalmo quando naufragou na foz do Mecon. porém no quietismo nou-se de Molinos (prep. da Carochinha. que o aproxi- » tradição popular. novar mil este interesse. A Poesia mystico-amorosa. o poeta apropria-se da creada por Gil Vicente. elle forma do auto nacional Emfim ha um manancial occulto de poe- bebe: é a tradição popular.Século VALOR DAS TRADIÇÕES XVII. 41 uma fói-ma e seg. comiásticas para entreter a inanidade das sessões das Academias poéticas. » No seu Canto de Bahyhombrêa com Camões. diz o Bispo de Gram Pará : « Em . João da Cruz e Frei Luiz de Leão. sia em que como zes. e de cantigas po- modo antigo. que se representou no paço. e o amor divino. Fallando do poeta mystico das Chagas. 25. social. que reuniu artificialmente feiros. a troco de seguir aquelles nobres exemplos. tornou-o o mais perfeito lyrico do sécu- As XVII. — As doutrinas theologicas que no fim do século xvi perturbaram os espirites Graça eficiente. o com a questão da reappareceram no século xvii sob um novo as- Quietismo. formulado pelo mystico hespanhol Molinos. suas recebida desaífectada Miranda serve-se . Éclogas e Cartas de uma também em redondilhas têm a graça superior comprehensão de Sá de dos Motes velhos. da Angelina gloriosa. e o sentimento compre- nacional hendido na observação dos costumes domésticos e das superstições. e em que adivinhou o thema mais tarde universalisado por Molière no Bourgeois gentilhomme. mou da lo 295 Este esforço. pecto. a um Frei António uma falsa poesia lyrismo de freiraticoa.

depois pregador geral. verdadeiramente estimáveis no livro do Padre ]\Hanoel Godinho sobre a sua Vida. Do seu poema FiDemofonte. » Entregue á penitencia. tiro que lhe dispararam em Setúbal acolheu- ordem franciscana. por profanidades. o venerável padre a quem desse para as reduzir a cin- lh'as um anno por sua tenção. quiz rasgal-os. é o mais notável d'entre Um crime de homicidio o obrigou a abandonar a vida das armas. terem as taes coplas muitas Não obteve despacho. 20 de outubro de 1682. Frei António das Chagas não cessou de metrificar. e tentação. .o QuiiíTisMO NA POESIA 296 Odivellas pregava em companhia de elle mesmo tempo estavam Por ali pois se se Eram moços. » Sob outra forma repete o Bispo de Gram Pará: «Depois de religioso. nas uma covas dos seus olhos chora arrependido." passava o tempo. convento benedictino e escapando a se á lis e tia um um era passados alguns annos voltou a Portugal. Os desvarios de uma turbulenta mo- cidade passam-lhe na imaginação como as nuvens que toldam céo sereno em tudo . diz Barbosa « Promet. cultivando esta poesia do ascetismo com raistu- . sabendo que no mosteiro de S. n'ella3 pinta o habito monachal como a mortalha. e n'este o mestre Frei Ignacio de Athaide e Frei António de Tovar. que sem se lembrar que perten- cia á casa de Vimioso. a (Epoca 4. que antes da sua conversão escrevera com nome de António da Fonseca os poetas mysticos seiscentistas. muita e Em quanto fechavam palratorios. 1624. professando em 1663. e que havia copia de seus versos entre aquelles cujos olhos se deviam tam somente occupar em versos de zas. miserável tempo. escripto quando secular. a cella como a sepultura. liberdade das grades d'aqueUe durava a missão não Frei Leandro. Bento da Saúde vivia o seu amigo Frei Jeronymo Vahia. Francisco de Portugal. um simples ribeiro representa-se lhe áspide de prata. Soares. gracejaram com elle e met- teram-no á bulha. Rejeitou o asceta a mitra de morrendo em cheiro de santidade Dom era um vendo um Lamego em 1679. viveu na corte de Philippe depois de ter militado na Bahia em iii em Madrid. jejuar ou disciplinar-se David no coro. conservando-se algumas Elegias. » Frei António das Chagas. como hoje se usa. comparando-se ao guzano que se alimenta abrindo a sua cova. tomou o habito de ter- ceiro franciscano. e a refugiar-se na Bahia.

o tempo. allegoricamente paixões de intrigas freiraticas. Delia diz Miguel Leitão na Miscellanea. e suscitaram também um certo azedume contra Camões. ções são quasi todas em As suas composi- castelhano e escriptas para as festas do seu convento de Nossa Senhora da Rosa. escreveu sob esta fascinação do lyrismo ascético o livro das Soledades do Bussaco. Da Vida as qualidades que de Sam João Evangelista. como se vê na lucta dos Tassistas sob estas doutrinas escreveu D. D. O bom qualidade sempre desejada na senso irrompe na referida Censura. e ser também de uma rara subtileza de engenho e felicíssima memoria. o Soneto. Dialogo « XX : Senhora. tos rhetoricos. que eram cantados principalmente na festa do v^atal. poema em «Tão corrente a verso heróico.) ra de elementos picarescos. quando rea- ge contra o classicismo : « Que era Poesia podia haver formosura sem fabula. es- castelhano. Oitava. sem Medêas. sem fúria de O restes. » Estas ideias dirigiam os poetas mysticos. Romances e Mottes. sem Polifemos. deixou numerosissimos Villancicos. sem redes de Vidcano. .o uso Século xYii. melodia sem Musas. destituidos de ideia. Sextina. E por isso que as formas lyricas não se prestavam para darem expressão aos sentimentos banaes d'esta devoção exterior. Bernarda Ferreira de Lacerda. além de muitos dotes pessoaes de que é dotada. » Não eram estas convinham para uma inspiração mystica.. » se fosse solta jjrosa. que a tornou conhecida antes do poema épico que compoz em verso cas- telhano. Canção. com uma curiosidade grande de se applicar a ler livros honestos e cousas curiosas em que passa antes . é a expressão mais comemquanto aos requebrados conceiemquanto ao quietismo quasi sensual com que traduz as suas effusões do amor divino. com sessenta e três annos de clausura. maravilha ou admiração sem ficções. fallecida 1693. Contam-se n'este género documentos característicos. fatigam as formas das duas poéticas italia- e hespanhola. que é: historia. de Nuno Barreto Fuzeiro. como poesia. Francisco Child Rolim de Moura o poemeto em quatro can. criptos na em 297 da língua hespanhola Os seus Divinos e humanos versos.. sem Circes. que muitas vezes encobre pleta do lyrismo seiscentista. diz a Censura da época. metrificou-se a frio e com abundância pondo em verso heróico as vidas dos santos. nascida em 1601. em Soror Violante do Céo.

máo grado a sua extensão . como o de Manoel Thomaz. tal- vez extranho ao movimento revolucionário da independência suecedido dias depois. na primeira metade do século XVII. me- poemas em redondilhas sobre Santo António. as aventu- ras de Viriato. onde achavam as fabulas de Ulysses entretecidas com as origens ethnologicas de Portugal. com o e os é extremaseis can- cujo mérito consiste mytho do Omomi ou Haama. históricas. Thomê. em tos com 522 na relação quintilhas. D. assumpto já tratado por Jefalta de liberdade critica pôa-lhe a ima- tos sobre os ronymo Corte Real. Francisco Rodrigues Lobo. Morreu a 12 de novembro de 1640. Martyres de Marrocos. 1572.* Novissimos do Homem. em diífusissiraas oitavas. recebeu a di- recção da geração decahida do ultimo quartel do século xvi. e com a cobrindo a falta de sentimentos cavalheirescos perícia da equitação e da esgrima. abre esta epoca do culteranismo com o poema do Condestabre. era a Monarchia luzitana testo em favor da autonomia da pátria. Thomaz sobre Sam Citam-se outros poemas. foi o me- dos pouquíssimos poetas que serviram a causa da revolução nacional. e sem o mínimo pro- A fonte histórica. diador do culto mazdeano. que esses poetas épicos mais consultavam. escrevendo Sylvas sobre as victorias dos portuguezes e sobre milagres para fortificar a resistência As Epoptas b) do povo. que~èsíãva destinado a ser na tra- .poKMAs AciOGRAPnicos 298 (Epoca 4. ser- vindo sob os Philippes como presidente da Junta das Lezírias. era com elementos tico colhidos nos falsos um syncretismo poé- documentos de Anio de Viterbo e Martin Polonus. que soube dar á quintilha de Sá de Miranda o ca- racter descriptivo recem lêr-se os com o relevo pittoresco da dicção popular. estes poetas agiographicos destaca-se o livreiro Fran- cisco Lopes. d'esta lenda Sam Bom Homem. — Tassistas e Camoistas. A ginação. nascido em illegivel. sobre Centre em Sam o de Bernardo Ro- redondilhas. mente raro esse outro poemeto de Francisco Lopes. de modo que o poema é verdadeiramente Francisco Child Rolim de Moura. — Quan- do estava mais obliterado o sentimento nacional. de Frei Bernardo de Brito. e as lendas heracleanas. drigues o Mocho. Francisco Lopes. é quando na litteratura portugueza apparecera mais Epopêas.

. Corregedor do e Ulyssêa. Nuno Alvares Pereira decahiu poético. ou imprevisto das situações. duado na periferia. quem dedicava os seus versos á bajulação de Philippe lil? Gabriel Pereira de Castro. que os seus contemporâneos quizeram collocar acima de Camões. vaticínios. comQ é que poderia Gabriel Pereira de Castro var-se a uma verdadeira idealisação épica? ele- Os melhores versos da Ulyssêa são reminiscências dos Lusíadas. teliotis. ficando apenas um personagem histórico liei*oi- em uma Chronica era prosa. gorgotis. O nomeado pelo em invasor castelhano Chanceller-Mór de Portugal. ou reparti- ção symetrica das partes do poema. bula. 299 o povo chegou a idealisal-o nas Condestavel D. Rodrigues Lobo seguiu esta fonte. e das mais figuras de parasceve. podia da independência de Portugal sob o Mestre de Aviz. Manoel de Galhegos escreveu o elogio da Ulyssíia. ó o grande épico seiscentista. em 1636 depois da morte de Gabriel Pereira exalta-a acima dos Lusíadas. Galhegos admira o emprego da figura dianomi. ou área percorrida pelos heroes compassado na bracologia e na ecthania. e bajulando o usurpador da autonomia da sua pátria. ou amplificações e abreviações da fa. Como juiz a sua memoria anda envolvida na trágica e injusta morte do namorado Simão Pires Solis mé e . Faria e Sousa admirou também esse poema e fez-lhe um commentario. magnifico na mngthaina. no prologo da Hen- . porque era um excellente pretexto d'este commentario para explanações e apparatos eruditos falia o Conde da Ericeira. analogia. erudito Doutor. com o conhecimento do texto homérico pelas Selectas das escholas. magias gra- . elle que imitava o typo da virgindade ca de Gralaaz. revela-nos to- das estas categorias o seu estado moral e ordem de ideias para a concepção de uma epopêa nacional. como jurisconsulto.) diçào portugueza o Cid nacional O suas cantigas. construindo uma extensissima relação métrica idealisar o heroe em Como oitavas. em plagiatos das consultas de Tho- Pinheiro da Veiga. como heroe . porque satisfaz a todas as regras da poética grega : é admirável emquanto á peripécia. cora uma subserviência á Poética de Aristóteles. Com a falsa tradição recebida de Frei Bernardo de Brito. ou emprego das machinas do maravilhoso ou sonhos. ma- com ravilhados o regular alinhamento da fabula da Crime da Corte. e enargia. publicada de Castro . Século A ULYSSEIA XVII.

esse os defeitos da falta de unidade de acção e de heroe. mui- A gloria por Dom Francisco Manoel no Hospital das Letras. Franépico na- do velho Bispo de Targa. adula o novo monarcha . para deprimirem o grande cional. vendo começar que Virgilio thago. prosegue: «Valério Flaco no seu poema dos Argonautas (que he quasí a mesma acção que a de Luiz de se entenda que o isto e. Sebastião até D. oitavas menos perfeitamente construídas. no poe- dez cantos a Lusifineída. P. pois começa do principio da fabula.. » E dcá principio ao seu poema com Eneas á Car- vista de depois d'esta insinuação contra a originalidade de Ca- mSes. sobre a decadência desde D. um João Soares de Brito. O Duque de Bragança. he cousa tira a auctoridade de Camões venceu estas cabalas da . João iv. o fautor da revolução de 1640. Pedro Alvares da Congregação do Oratório nos não trouxesse de Madrid Debalde (EpOCa 4.. mistura da mythologia cora o christianismo. que é o ponto d'onde deve o poema heróico. formando grupo dos Tassistas. » ..n tos se que meu animo elle se não ajustou com a enganaram. cora a reivindicação da autonomia portugueza elevou-se a comprehensão do seu maior génio poético. se o Não saberíamos haver também commentado « : a Ulys- R. poema apparecia com telHano. E Camões é reprovar a Luiz de em que etc. Ma- Templo da Memoria.* este e outros thesouros litterarios a Ulyssta etc. cnjo poema consolava o desalentado patriotismo advogado D. e não lhe Camões). Os poetas o thema de seiscentistas uma não viram na revolução de 1640 senão bajulação abjecta ao noel de Galhegos no Epithalamio o desposorio do ma em Duque . e era commentado por João Pinto Ribeiro. Não faltaram um Manoel Pires de Almeida.. que no exórdio da narração. e omissão de accentos que tomavam o pensamento obscuro. » critica. descriptas não que . celebra Frei Manoel de Santa Thereza. um cisco Child Rolim de Moura. Por causa do seu assumpto religioso preferiram alguns a Jerusalém libertada aos Lusíadas. Galhegos queria impor a Ulyssea á admiração á custa dos Lusíadas : « Em nenhuma outra cousa mais estes o o nosso poeta manifesta seu talento. e não no meio como fez Camdes. o mesmo faz . arte. poema dos Lusíadas oppondo-lhe se procurava offuscar o a espíritos que exploravam a corrupção do jugo cas- .300 DETRACTORES DE CAMÕES riqueida sea.

João iy. ra a sua epopêa de diz Machim « : Na e A Insulana. a descoberta da ilha da Madeira serviu-lhe de thema padeira. Francisco Manoel. filho de João Rodrigues de Sá e de D. no poema Phenix da Lusitânia exalta com emphase a acclamação de D. e pela sua vi- da extraordinariamente accentuada. Manoel Thomaz. Frequentava em 1616 a faculdade de leis em Coimbra. Bernarda Ferreira de Lacerda. quando por uma questão . Tornávamos outra vez ás epopêas das conquistas portuguezas. era Bemfica. Francisco de Sá de Menezes. o declara Miguel Leitão de que se não sabe outra de jnu- que possa ser sua comparação. n'este castelhano. cujo principio abreviou na primeira Década da sua Ásia. A litteratura decahida pelo culteranismo acabava de afundar. onde morreu oitava rima sobre a da Miscellanea. Por muito tempo lhe assignaram o primeiro logar depois dos Lusíadas.. natural de Guimarães. filha de Ignacio Ferreira Leitão. Manoel Thoraaz.. revela uma individualidade vigorosa. que se reflecte no seu talento poético. em que Em celebra a lenda dos Amores vez de se inspirar da tradição. Bernarda Ferreira de Lacerda escreveu os Argumentos que acompanham 03 cantos da Malaca conquistada. viveu na ilha da Maonde morreu assassinado em 1665. continuou a corrente das epopêas sobre a antiga historia da Hespanha na sua Espana Libertada. Antónia de Andrade. seguiu a vesânia aristocrática.) João Nunes da Cunha no poema em 301 doze cantos Lisboa conquis- tada. como obra excellente.INSULANA E MALACA CONQUISTADA Século XVII. : « com assombro. escreveu o Malaca conquistada. rada com anciedade em » A segunda parte poema a regularidade da foi espe- metrificação substitue a individualidade. verdade histórica segui o mais apurado e verdadeiro Manuscripto. e tal. extraída da Epanaphora de D. em 1614. E )) a conhecida relação attribuida a Alcoforado. « também Leitôa. . que recebida foi Andrada Iher.se na degradação do cesarismo. tro- em poema em cando o seu nome heráldico pelo de Frei Francisco de Jesus. nasceu em 1596. chançarel-mór » como escreve o auctor 1642. com oitenta annos de edade. no estylo das chronicas rimadas de Francisco de Andrade ou Rodrigues Lobo. Braz Garcia de Mascarenhas. Anna d' Arfet.

Braz Garcia de Mascarenhas voltou para a sua villa de Avô. A escolha do assumpto tem uma grande analogia com o caracter do poeta. dirigiu-se para a Bahia. Plutão e Júpiter. cantos conhecido do publico . occupa Pinhel e trata de repellir da Beira os hespanhoes. á espera de ensejo para exputriar- A se. Isto bastava que sio castello João IV a sua innocencia recordando as letras de ctorum. e tendo escapado de naufrá- Olinda militando contra os hollandezes sob o commando de Mathias de Albuquerque. vas. a rivalidade de D. na fronteira. revolução de 1640 rebenta. e no remanso de tantos desalentos escreveu o poema Viriato trágico. Ao fim de nove annos de combates na defeza de Pernambuco. regressou a Portugal em 1663. envolvido em uma rixa. Interrompida a sua carreira gio. restauração summaria da intervenção de Vénus. e em Hespanha. e Braz Garcia de Mascarenhas forma a Companhia dos leões. por terem espoliado seu irmão do priorado da Sam Salvador da Travanca. A um forma da communicação era commovente. com que o prendessem no fez escrevera a elle uma carta um Braz Garcia de Mascarenhas representou a para ser enforcado.302 VIRIATO TRÁGICO de amores foi misiando-se (Epoca 4. de Sabugal. em 1671 desembargador André da Sylva Mascarenhas titulo de mesma. quando o navio foi aprisionado pelos piratas de Argel. D Sancho Manoel. e amigo de Madrid. Depois evadiu ho- d'alli se de perdoado embarcou-se em Cadiz para regressar a Lisboa. João iv nomeou-o governador da praça dos Alfaiates. D. A em destruição que põe em de O verso a historia de poema do Viriato um publicou o plagiato com o Hespanha. do tempo do seu homiappareceu a propósito para o accusarem de traidor. desembarcado foi d'onde depois seguiu viagem para o Porto. que ficou inédito ao tempo do seu fallecimento em 8 de agosto de 16Õ6. annuUaram Como porém a submissão ás regras os Ímpetos espontâneos o Viriato trágico estava inédito. que foram em seguida tomados por um navio hollandez em uma 5 praia de Braz Garcia de Mascarenhas Sevilha. Fios Sanrei mandou apesar soltal-o. e o de vêr traidores em todos os que o serviam. só foi Dom em nove Rodrigo com a em oitaem 1699. homisiou-se em casa de Jacintho Freire de Andrade." preso na cadêa da portagein. seguiu para para o litteraria resolveu ir um Brazil. culteranistas d'esta bella individualidade.

porque então o theatro estava dominado pelas creações imponentes de Lope de Vega. vê pelo Florilégio de Padre Bento Pereira. re3tituir-lh'o3. annos.Século xvn. » : Também traduziu as Comedias de Terêncio. João Franco Barreto traduz a Eneida em oitava rima. e o gosto publico só admittia como se 1655: «Todos los dias resuenan en crecion de sus Comedias d'este comedias escriptas em castelhano.) O corros e pateos 303 poema do desembargador era preambulo para um poema dos Milagres da Virgem da Lapa. e o fiz de propósito. As fira do século xvi até ao seu in- representações erara dadas por companhias ambulantes vindas de Hespanha. » em teatros de Lisboa la dis- y Motetes. ficando a censura delegada aos bargadores do paço. porque como elle os tirou de Virgilio. conheceu-se o Pateo das Fangas da Farinha. latino. 41. como a do celebre Escamilha. onde se concentrou a nossa actividade dramática desde o cêndio era 1698. Guevara e Ruiz de Alarcon. que de vez em quando tratavam nas suas Co- das. as Éclogas e Georgicas de Virgilio por Leonel da como diz Rengifo. cap. ou segundo a designação hes- panhola. em verso solto « por ser verso. e o Pateo das Arcas ou da Praça da Palha. Philippe iii concedeu ao Hospital de Todos os Santos a mercê de se representarem comedias c) logo depois da quaresma.. como a Jerusalém Libertada.. los las fiestas que en las Iglesias celebran. Tirso de Molina. com muitos versos dos Lusíadas « Do mesmo Camões acharão em esta minha obra muitos versos e logares inteiros. escripto Reyno se en todas . Calderon. na sua Arte poética hespanhola. o Pateo da Bitesga. » Pateos das Comedias. Fize- ram-se traducções de outros poemas. Eram estes privilégios desem- concedidos por dez mas por Alvará de 10 de novembro de 1612 ficaram in- definidamente exclusivos do Hospital de Todos os Santos. que não chegou a apparecer. por André Rodrigues de Mattos'. con sus Coplas. Luiz de Belmonte. . Francisco Rodrigues Lobo attribue ao costume hespanhol o dividirmos os actos das comedias em Jorna- Era justificada esta influencia.. cujas partes eu : pareceu-me bem fazia. era Pateos. — — Comedias de capa e espada. de 1588 a 1633. de 1591.. o que responde ao heróico Costa. Repre- sentavam-se as comedias em Corros. de Cervantes. Por Alvará de 9 de abril de 1603. Villancicos se alientan las armonias.

nas suas mutações maravilhosas . postoque im- perfeitamente metrificados. Ao novo critério scientifico deu-se o nome de Philosophia natural. acabou por se metter a frade. já sob o protectorado de ofiScial. Pires Lopes. pelo Padre João Ayres de Mo- que se observa o vicio de culteranismo corrompendo a expressão ingénua dos Autos populares.° As Tertúlias scientifico realisado lo e fora en- Manoel Coelho Rebello. o Clemente Auto do Dia- da Estrella. Soror Maria do Côo. António Henriques Freire de Andrade.SIMÃO MACHADO 304 (Epoca 4. Francisco Manoel e Rodrigues Lobo logo de três Pastores. . Na eschola de Gil Vicente ainda figuram Gonge. e naturalistas aos sábios que noa seus estudos experimentaes desprezavam a auctoridade da tradi- ção acceitando só os resultados da razão. Simão Machado. Gomes e Manoel o alferes Jacintho Cordeiro. em N'e9te géne- castelhano. faz o syncrctismo das comedias hespanholas de capa y espada com a forma popular dos Autos de Gil Vicente. Richelieu e Colbert aproveitaram estas iniciativas par- fundando a Academia franceza e a Academia das In- scripçôes e Bellas-Lettras. Entre a grande plêiada dos escriptores dramáticos hespanhoes figuram com jnedias vantagem poetas portuguezes. accentua-se no sécu- XVII pelo desenvolvimento das Academias particulares. é um documento em . e de Alfêa. tornou-se po- Tratado da Payxão. único poeta dramático verdadeiramente nacional é Pedro Salgado. Cromwel. proseguiudo a Musa degradação da forma dramática até ás banalidades da tretenida. collecção publicada por 2.* famosas assumptos da historia portugueza. Nos paizes em que pre- . e Manoel Thomaz imitam os Autos sacramentaes. Bernarda Ferreira de Lacerda. D. Academias litterarias. —O movimento das Universidades. ticulares. de Frei António pular. José Corroa de Brito. nas suas Comedias de Diu. Re- duziu a dramas muitos successos da campanha. taes como o Dialogo gracioso de Terracuça e o Hospital do mundo. Usa de tvamoyas. que escreveram o ro. alguns philo- sophos reuniam-se para investigarem os phenomenos da natureza em França. ou In- stitutos Em que vieram a receber dos governos a consagração Inglaterra. soldado nas guerras da independência portugueza. O raes. taes como João de Mattos Fragoso.

e desde em casa do próprio fundador. toma-se assumto académico cuya A los Em disserta sobre pluma de artificio insensato.: ACADEMIAS LITTERARIAS Século XVII. esta 305 emancipação dos espíritos era combatida. e os discursos que aí se recitavam. Tal ó hoje minha obrigação. de anagrammas. obe- como o usavam os eruditos italianos. Foi a Academia dos Generosos fundada por D. porventura como eífeito do grande desenvolvimento que a musica teve na corte de D. a qual influiu na poe- forma dos Tonos. e preferiam escrever cipaes escriptores do século xvii.) dominava a intolerância catholica. e dos solicitos investigadores dos inéditos de Camões. trin- sia pela um chante-mór de D. Francisco Manoel de Mello sessão académica. Hoje é este dia. Motetes e Villancicos. aos domingos. » Depois da morte do liscos. el descontento de falta de premio. formas de pyramides. foram deploráveis instrumentos de apathia mental. Foi preciso o decurso de em Portugal se fundasse uma Academia um século para que de sciencias . um tal em castelhano. dos Getie7'osos. além de corromperem a litteratura portugueza. As theses que discutiam são deploráveis. António Alvares da Cunha. Francisco Manoel de Mello vem algumas das theses se as sessões 1647 a 1688 obras de que se discutiam n'es3e cenáculo rhetorico. labyrintos. bem como as Academias conservaram ura exclusivo caracter litterario. alguns Autores quexosos de E lei um : por Por era mostrar em poças estancias como la gloria de los reales Alfonsos pide la poesia tornou-se uma princejpes para bajular o príncipe herdeiro. as Acade- mias seiscentistas. Nas D. D. Celebra vam- em casa de D. Francisco Manoel abriu uma sessão dos Generosos: «Que é isso? Hoje é domingo? Hoje é o celebre dia do nosso celebrado ajuntamento? Hoje é o dia em que eu devo ostentar alguma generosa Oração ao generoso auditório dos nossos Generosos? Sim. em mejores Tassos. acrósticos. Francisco Manoel de Mello. meio . Pertenceram á Academia dos Generosos os Drin- mas infelizmente esterilisou-os eram na maior parte fidalgos. e o ensino publico mantinha-se estável no velho humanismo. João iv. Eis como D. e minha maior divida etc. a) se na tas e — As Academias dos Generosos e dos Singulares. 80 . Davanome de Academia a uma simples reunião de poecantores assim começou também em Portugal a Academia Itália o . . João iv. guarda-mór da Torre do Tombo.

203). escrevendo por despeito nas Noches claras. piensan algunos que tienen mejor silla en el Parnaso como si acá por fuera nos no diseran sus obras el lugar que les cabe. . em Urbino. ó por menos. documento palpável da perversão das ideias littera- da época d'esta tertúlia diz D. o Marquez de Alegrete. Philippe iv visitava a celebre Academia poética de Sebastiano Francisco de Medrano. que traduziu a Jerusalém libertada. por no negar a mi lengua. auctor auto hierático Tratado da Paixão. : . que transportaram para o século foi . auctor do poema épico El Macaheo. no pudiera ser. contra as Academias « Cuantos poetas revientan por ver divulgados sus nombres en letras de molde. que se da Visita das Fontes chamou dos Singulares por ser a primeira que se celebrou n'esta rias . deixou cinco volumes de trabalhos das suas sessões. clama na Parte iii da sua Fuente de Aganippe: tro que deixou a longa e inintelligivel satyra ratos . » (p. Francisco Manoel. António Serrão de Cas- em redondilhas Os da Inquisição. Manoel de Faria e Sousa procurou debalde entrar para a Academia de Medrano. Lyricos da Itália. » A abundância de poesias sem ideal não correspondia a nenhuma necessidade moral da sociedade. sendo por isso uma gloria o pertencer ao numero dos seus sócios. Luiz da Conde Cunha n'ella floresceram o da Ericeira. Pádua e Roma. » fim desculpa-se de ter escripto a maior parte dos seus versos por Por em Algo se verá en portuguez de cada suerte de rima. o Padre João de um Ayres de Moraes. e Faria e Sousa. no dialogo « Famosa Academia de Lisboa. tener entrada en las Academias. Insensatos. teniendo un justo sentimento de que castelhano : « . D*entre os seus membros destacam-se os nomes de André Rodrigues de Mattos. De ordinário as ephemerides do paço eram o único thema da versificação académica e em Hespanha os reis chegavam a visitar estas tertúlias. XVIII a paixão pelas academias litterarias nos seus palácios. A Academia dos Singulares. conhecido pela Gigantamachia e Templo da Memoria. : cidade á imitação dos Illuminados. a ser buenas. que por muchas." renovada por seu filho D. «Ya se tienen por escusados livros de rimas por ser tantas malas si.306 ACADEMIA DOS SINGULARES trinchante-mór a Academia (EpOCa 4. á qual pertencia Manuel da Silveira. o Conde de Tarouca. Manoel de Galhegos. instituida em outubro de 166o por Pedro Duarte Ferrão.

para no escrivir en otra muchos. Duarte. o Marquez de Franchilla. Quando em Portugal constou a morte desgraçada do infante D. . » se Duélome que entienda la portu- Os versos que compõem todas as Fuente de Aganippe são medíocres. em um Certamen casião da canonisação de Santa Isabel. livro pois escre- ve n'uma lingua cujas phrases e cujas vozes se usam nas praças o que não deixa de ser embaraço para a altiveza que as palavras bem e agradam em razão da novida- de que menos usamos soara de. irmão de D. poético por oc- tendo por adjunto Lope de Vega. que mereceu o de de Coimbra celebrou Braz Garcia de primeiro premio. Foi talvez do conhecimento das poesias d'e3te D. que estando en el siendo tan parecidas estas dos lenguas. das eleições de abbadessados eram o principal objecto da poesia académicos chamados Certamens .» : CERTAMENS POÉTICOS Século XVII. e por isso os rhetoricos lhes As chamam peregrinas.) no me vea en hay en ella 307 nuestro reyno. Onde se caracterisam bem os vicios do Culteranismo é lebre collecção de poesias lyricas por Mathias Pereira da Sylva tra essa aberração litteraria. se lê uma ce- curiosa satyra con- parodiando o estylo Do quarto globo a gema nunca avara Que tem por casca o céo. porque se por todos os lados com diversos lia sentidos. João iv. gneza en : partes da Vega con- escreveu Manoel de Galhegos no prologo do Templo da Memoria : « A lingua por- tugueza. nuvens por Nunca ninguém tal disse. festas religiosas das canonisações. a Universida- um Certamen poético onde já figurou Mascarenhas com um Labyrinto. no Castilla. Duarte. o livro de poesias que se diz andar publicado em nome João do seu secretario João Bautista de Leon. IV. D. dos oragos. A alli Phenix Renascida. . bíen que : escriviendo en la castel- lana muestran claramente que no saben ninguna. Duarte. como não é hoje a que domina. arrisca-se a parecer humilde . e quem agora em se atreve a sair ao mundo com um portuguez. Duarte. na colligida clara. postoque Lope de Também em 1634 siderasse bastante o auctor. que veiu o attribuir-se ao infante D. esqueceram-se d'ella oa engenhos de versos . foi juiz tio em congressos de D.

E era cousas de já No fim de companhia tão lustrosa. e fallar a vulto. auctor do Soneto Ao Girasol a quem chama a águia das flores. na sua Jornada ás cortes do Parnaso. Que a phrase porlugueza por sezuda.* mais descascada parvoíce Grande cousa ó ser Culto. Francisco Manoel era objecto de irrisão dência. Não se occulta entre cultas ignorâncias. comera muita marmelada Desde o polo de antárctico a Calisto. chamado bém em que chega até á obscenidade. ou tamCamacho.. os baixos prosa. Por prezada e por grave não se muda. Um Francisco de Sá apparecia. Que do ovo a metaphora não sigo Esse amigo de Frei António das Chagas. Poeta até o embigo. Um Luiz de Camões. Mas porque me não digas. Fingir chimeras. que ainda animou Rodrigues Lobo e D. No Hospital das Letras protestava D. Quatro páos carunchosos nos descobre. Francisco Manoel con- tra este verso travesso «maldito o a auctoridade litteraria mal que lhe tem feito» contra de Sá de Miranda. Pois quando vemos o que dentro encobre. Mas sempre ouvi dizer d'tísta poesia. a falta de sen-- lhor caracterisa essa timento e a consciência da falsidade da linguagem levava-os para o estylo 'picaresco. poeta Que em torto. A poesia continuou . Pois toda é cultivada de elegâncias. mar este mui visto. culto amigo.: 308 ! o ESTYLO PICARESCO Não vi (Epoca 4. e que guardava os versos da sua mocidade. Que vestido de imagem parecia. applicado aos cantos de devoção e áa odes so- bre os triumphos das armas portuguezas nas luctas da indepen- No género picaresco destaca-se Diogo de Sousa. Faça-lhe a culterana Muy bom proveito á língua castelhana. » é um dos que memonomania das metaphoras.. Frei António Vahia. Para elle a tradição litteraria quinhentista.

que desabafa as suas ausências xos solilóquios epithetos com tros pastores em proli- que intermeia as suas prosas calcadas de cansados . rhetorica do sentimento e amantes desalinhos. condoem-se do do por fim e já tarde sabe que é amado. da menos valor essa outra novella Crystaes da Alma. de Gerardo de Escobar. Todas Alivio de estas novellas foram escri- Ti^stes e Retiro de Cuidados do Padre Matheus Ribeiro. criado do Duque de Bragança em Villa Viçosa. dre. é o que se conclue da leitura da novella pastoral Desmaios de Maio em sombras do Mondego. A Eloy de Sá Souto Mayor. frases do coração. e entremeada de versos simulando a simplicidade popular solilóquios. os amores por seus imitadores eram importantes na vida. as nymphas escutam-os triste que morre quan- por detraz dos arvoredos. guma em Debalde com a pompa declamatória dos algum traço autobiographico. disputa a prioridade do género ás Pastoraes de Rodrigues Lobo. com Pastoraes que ainda merecem attenção intitulam-se O Desenganado. e Primavera. ou- intervêm para o consolarem. Constam estas Novellas quasi sempre de ceitos um apaixonado pastor. por já se Com o commum achar escripta quando estas foram dadas á esdesenvolvimento do género perde-se a noção do tampa. de Francisco Rodrigues Lobo.) decadência. O fundador do género Jorge de Montemor. e só no século xviii é que Tolentino comprehen- deu a belleza das quintilhas de Sá de Miranda. segundo a affirmaçSo do seu auctor. por Diogo Ferreira Figueiroa. cahiram linguagem que caracterisa o Pays du Ten- n'esse refinamento de As allusoes aos seus de Valência de San Juan geralmente nullos. O em 1672. animando-as uma dama sem e factos . elegias e romances. que soube infundir interesse n'estas si- foi tuações insípidas. os Infortúnios trágicos da Con- . publicada ptas em Coimbra. alnovella Ribeiras do Mondego. e — Como as Pastoraes não derivam de elementos tradicionaes. em cujos paços escreveu em 1636 essa imbecil semsaboria. tem ain- senso ." Século em 309 ALLEGORIAS PASTORAES XVII. Pastor aes b) Novellas allegoricas. Produz um cansaço invensivel essa prosa cheia de imagens e comparações. recitados junto das fontes . o pedantismo erudito serviu-se d'esta forma italiana para dar largas ao engenho ou condo culteranismo. de contraste se procura referencia a costumes. de 1688. Pastor peregrino.

escriptas em hexametros levadas á scena latinos sobre com grandes As Tragicomedias dias. por Balthazar Gonçalves Lobato. allegoricas representava corrente do espirito publico. que Matheus da Silva Cabral continua o Bacharel Tra- bom paça. assumptos bíblicos. America. e o Peralvilho de Cór- politico. como as continuações do Falmeirim de Inglaterra. estabelecem-se exercícios de composição e declamação . acha-se desfigurada ou imitada na allegoria catholica do padre Alexandre de nado peregrino terminar um Gusmão. o Serão de Félix Castanheira Turacem. intitula-se iii Real tragicomedia do Descobri- e conquista da índia. não abusam tanto do ludibrio do mas também nao se inspiram no século xvu tornava bastante gosto das Novellas pastoraes .* TRAGICOMEDIAS E ORATÓRIAS stante Florinda do em dova. do elemento tradicional. composta pelo mestre de rhetorica Padre António de Sousa. para melhor imporem a sua hy brida As tragicomedias convertei'am-se em Oratórias com musica. as visitas regias e os casamentos dos príncipes. e na logo senso. e que eram coros e decorações. Ain- escreveram novellas de cavalleria. cujo valor se limita a de- e de seu da O veio litterario que era desconhecido. o Pilgrim Frogress. No Index Expurgatorio de 1624 ataca- ram os Autos nacionaes. Padre Gaspar Pires Rebello. ou Relação mento de Mimoso Sardinha. lidos os Contos de Trancoso. se fizeram as creação theatral. As Tragicomedias c) lar dos Jesuitas. — No regulamento escho- Ratio Studiorum. de 1665. nas festas da Companhia representavam-se nos Collegios extensas peças dramáticas. ou litterarios dos Jesuitas. Gonçalo Coutinho. mas a execução de Cervantes fez desapparecer se totalmente um género em que a acção se tornava ridicula sob a exuberância da rhetorica.310 (EpOCa 4. de Solorzano. que ainda como uma O certa aproveitaram- tal os jesuitas essa admirável allegoria ingleza do anabaptista Bunyan. mais celebre em Lisboa foi em dois e mais tornaram-se o meio faustoso para celebrar A tragicomedia a que se representou na recepção de Philippe em 1619 . Existe um grosso volume. em que se descreve a riqueza do scenario e a pompa do espectáculo. (1656) primeiras tentativas para a introducção da Opera na corte musi- . e D. quando nos fins do século xvii. Historia do Fredesti- irmão precito. de Nuno Marques Pereira é também uma Feregrino da allegoria.

cujas doutrinas se derivam ou são ura presentimento das theorias de Bacon.Século cal de AS IDÉAS DE BACON XVII. que ainda está por nascer. que se estude primeiramente o portuguez para se ter melhor intelligencia do latim ra de muita importância crear-se uma : « Para o que fo- cadeira de lingua materna. critério formula as seguintes phrases. e notar que esta. com pouca certeza. Porque. Ballets. que sera mal sabem por muitos annos. por falta de regras.. Saberão por regras de compor e derivar. já em 1619 publicava Amaro de Reboredo o seu Methodo grammatical para todas as linguas. da corte de Luiz xm.. » Em Portugal. é digna da nossa attenção. ainda nas Cortes e Universidades se faliam e escrevem palavras necessitadas de emenda. Basta-me distinguir a Grammatica simples e elementar da philoo maior sophica.) D.. seria obra conhecesse perfeitamente numero de linguas scientificas e vulgares. tratasse das propriedades de cada uma. Quer Reboredo. Saberão os principiantes em poucos annos e melhor a lingua materna. n Tentativa de reforma dos Estudos philologicos Emquanto o methodo alvaristico e a syntaxe rhetorica de Sanches dominavam absolutamente os estudos humanistas. João iv. e serão mais certos e apontados no que por arte arte faliam e escrevem. mostrando 03 defeitos de cada qual.. terão mais copia de palavras e usarão d'ellas com mais propriedade. a poder de muito ouvir e repetir. ao menos nas Cortes e Universidades.. que encerrara : « em que um homem que Em uma Bacon das maiores des- verdade.. ampliar a lingua materna e ajuntar-lhe palavras externas com soíFrivel . já as ideias de Bacon sobre a Grammatica geral se disseminavam pela Europa provocando a renovação do cobertas realisadas pelo nosso século preciosa aquella philologico. 311 onde pelas relações de protecção que recebia da França começamos a imitar os §.

. como Bento Pereira. gerúndios e supplementos de supino. Como por exemplo quem souber bem por Arte a Portugueza ou : Castelhana. descorrendo na Latina por semelhança irá descubrin- do um concerto. ainda não recebidas.. propriedade e metaphora racional. a única racional d'ellas em todos é a mesma. tem meio caminho andado. (EpOCa 4. Porque a pobreza das maternas na tra- ducção de livros gregos e latinos e na declaração de especulaçSes Saberão fugir de palavras externas philosophicas se manifesta. Incapaz de ra fixa za á grammatica castelhana ^ Mon. » ^ Os gramma- muito arreigadas devemos usar. segundo o grammatico Gomes de Moura « tão attendido como os vaticinios de Cassandra. por não mostrarem O que a lingua é mais pobre. que sendo A razão é. transportavam ticos do latim para o portuguez o vocativo. os jesuitas. confundin- do com o modo material da transcripção da palavra os factos orgânicos das modificações dos sons e formas da lingua. o modo potencial.. p. Álvaro Ferreira de Vera publica modo para escrever certo uma Orthogra- na lingua portugueza. 354. assi cada uma per si. que os Latinos eram homens com os quaes concordamos na racionalidade.* para que com menos rodeios possam explicar os concertos e as sciencias quando nas mater- nas se queiram explicar. Ferreira de Vea formação d'e3ses pluraes submettendo a lingua portugue- ão. da Lingua : « E latina. e ainda as ir- regularidades e particulares modos de fallar.. que encaminha o entendimento e lingua a declarar o que sentimos e ainda que as palavras sejam diversas. foi. que o ignorante vul- go introduziu: os quaes são certas quebras da arte. como muitas juntas. Em phia e 1631. Apenas se encontra no trabalho de Ferreira de Vera tante : uma observação impor- a incerteza da formação do plural dos nomes acabados em comprehender o critério histórico. quando tem próprias. porque no formar dos pluraes . na rasão da phrase comtudo. » A reforma philologica proposta por Amaro de Reboredo. : procuraram reduzir as regras da lingua materna ás da lingua castelhana. Em geral faziam-se divagações rhetoricas sobre as qualidades da lingua portugueza. principiante que passar por este Methodo para as outras linguas.AMARO DE REBOREDO 312 corrupção e formar outras de novo se .

allemães. e des. . levava a procurar explicações era decia ás que é sua par- com aquella pronun- ticular terminação. em 1655. também imprimiu ^ Orthographia da lingua portugueza. cujos singulares sao em embaraçam muitos sem ão.)'Sob o domínio hespanhol os grammaticos lisonpor jeavam esta forma os invasores já Duarte Nunes de Leão. gavião. » E ães capitão. que sempre onde a castelhana diz an ou portdguezes de om. prosegue comparan- do os pluraes castelhanos anos e enes com os portuguezes em ãos 25 v. se saberem se hão pronunciar e escrever cidadães. O jesuíta Bento Pereira. Manuel Luiz. farei aqui regra geral cortezães. (fl. em an faz o plural (cerca dos capitan. « renovando a memoria dos annos que humanas » compoz um Florilégio dos modos de fallar e Adágios da lingua 'portugueza. capitanes. . gaviães E : forma sempre sem exeição alguma em e o plural allemão. que alardêa a Philippe iii a protecção que recebera sempre de Philippe II. veja-se como termina na lingua castelhana. capi- . no fim do século xv pela « analogia e respeito que a lingua portugueza vae tendo com a caste- lhana .Século A FALTA DE XVII. : To- nome em avendo duvida na forma do plural. o Padre Bento Pereira seguindo as opiniões do Dr. que professou letras em 1672 em Londres. e propõe a derivação tanto do castelhano como do portuguez da lingua latina. 29. explica o phenomeno histórico da mudança das formas dos nomes em om para am. on.) 313 CRITÉRIO HISTÓRICO dos nomes. gavila- assi em 5o o Portuguez o singular tães. para esta pronunciação e escriptura das as vezes que na lingua portugueza acabar qualquer ão. lhanos. villdes . Na Grammatica da lingua portugueza. D ^ A em lugar da que punham em logar que succede falta antiga mesmas terminação dos de an ou on dos caste- de critério histórico no estudo da lingua por- tugueza. porque se acaba Castelhanos) em como anes. cortezdes ou cortezãos. gavilan. . nes. allemanes. villães. leis da degeneração uma lingua que obe- phoneticá latina. alleman. na qual ridularisa os philologos portuguezes que derivam a lingua pátria das sessenta e duas falladas na confusão da torre de Babel. responde a portugueza ciação de ão. p. cidadões ou cidadãos ou villãos. e escripta em latim. no qual traz uma Prosopopta dei Idioma portuguez a su hermana la lengua castelhana.

no Discurso das partes que hade haver na lingua- gem para ser perfeita. grave de-se : para encarecer.314 o HUMANISMO JESUÍTICO (EpOCE 4. Tem de todas as línguas o melhor nuncíação da latina. mais digna de ser estimada para a que a Portugueza: pois menos palavras descobre ella entre as mais é a que era ínóres conceitos. de Lobato.. p. . a origem : telhana. tomada nos hoje a vemos. doce para pronunciar.) Manoel. acha na lingua portugueza vocativo no pronome Eu. admitte nos verbos modo potencial.. a familiaridade da casrhetorica Etc. xix a xxv. que se encarniçaram para determi- Dom nar a hora do Sonho de Na p. {Dial. nos Lusíadas. e accommodada ás matérias mais importantes da pratica e escriptura. ter- Intr. » apresenta Manuel Seve- rim de Faria. estudos humanis- nos Breves louvores da Lingua portu- gueza com notáveis exemplos da muita semelhança que tem com a latina. João Franco Barreto escreve em 1671 a Orthographia da Lingua portugueza pobremente calcada sobre to de vista do o opúsculo de Ferreira de Vera.* da Companhia. efiâcaz para mover.. e como a Portugueza as tem todas e algumas com eminência de outras linguas.) A mesma vacuidade a pro- da grega. Corte da Aldêa. e sob este pon- humanismo jesuítico os philologos fizeram longas declamações sem valor. e reduz a syntaxe a regras de concordância. (Op.. como na gravidade e composição das palavras é lingua excellente. gerúndios e supplementos de supinos. a quem copia na regra de for- mação dos pluraes dos nomes acabados em So. I. e levanta sobre o uso dos accentos e perigos da araphibologia essa ridícula questão dos litteratos do século xvii. breve para resolver. expan- em amplificações sem critica « A lingua portugueza. a brandura da franceza.. Rodrigues Lobo. concluo mos em que historia : « que não ha na Europa língua. ^ A syntaxe figurada fazia comprehender a Grammatica como uma rhetorica. assim na suavidade da pronuncíação. e a que com menos roOs espíritos deios e mais graves termos dá no ponto da verdade. Álvaro Ferreira de Vera deixou ainda outro documento d'esta erudição banal dos rhetoricos seiscentistas e que prova a decadência dos tas sob a férula jesuítica . É branda para deleitar.. Isso. a elegância da italiana. Francisco cit. género neutro nos pronomes Isto. * Gram. 207.

jesuítica Syntaxe. ^ sermões foram no século Portugal. 6 todas as dificuldades se venciam por meio de redundâncias ou amplificações. pregado por Vieira 16õ3. — Os . começado no século xvi por Pedro de Magalhães Gandavo no Dialogo em defensão da língua portugueza. representa dadeira erudição do século xvii ra. como António de Sousa Macedo. estabelece-se esta relação entre os Sermões e as Come« antigamente pregavam bradando. o que.) O vicio capital na forma do ensino do latim reflectiu n'esta disciplina grammatical portugueza a Grammatica do Padre Manoel Alvares foi modificada por Sanches. e repetir alguns exemplos longa. homem consnmmado. ii. Passa entre os seus por Um nome longo tempo ignorado. é Vicente Noguei- xvn para a sociedade hespa- era o púlpito o único logar onde havia liberdade para di- zer tudo. No celebre sermão da Sexagésima. na sua Minerva com a subserviência rhetorica. que revelam a sua importância no estrangeiro. Não cuideis que encareço 1 Sobre este sábio existem trabalhos de Morel-Fatio. mudaram-se.. que vem ao púlpito como á comedia. mas não foi assi: não se acabaram. e os factos grammaticaes explicavam-se pela figura ellipse. hoje pregam conversandias em : do. (1631) e do qual existe pondência com os sábios mais illustres. Ainda no século xviii Cruz e Silva chasqueava no Hyssope esta erudição clerical (Canto vn) . nas Flores de Espana. e de Graça Barreto sobre as suas Cartas. . (liv. o que eram as Comedias nhola vasta corres- por via de quem vieram para Portugal as obras mais revolucionarias. repetiam este thema das excellencias da língua portu- gueza.Século 315 VICENTE NOGUEIRA X¥ÍI. : em máo Yérte Com Da portuguez do Tridentino.. e A a) Eloquência sacra. prosa 6. era acabarem-se as comedias em Portugal. em (1586-16Õ4) que viveu no estrangeiro homisiado pelas persegui- uma ções do Santo Oíficio. passaram-se do theatro para o púlpito.) mais distinctos. em a grande e ver- Portugal. Uma e ha pregadores das felicidades que se contava entre as do tempo presente. e Alvares d' Oriente na Lusitânia transformada. os ouvintes vem ao sermão como á comedia.

para deitar de ir ouvil-o manhã O á tarde.. tocar uma campainha. » ^ O uma Padre Vieira. assumpto lograr a sua ra. ataca também o agudezas de engenho dos pregadores empeçado.. descrevendo a forma das prédicas de Fi*ei António das Chagas « : Haverá dois ou três an- nos começou a pregar apostolicamente exortando á penitencia. e por ventura para saborear a gente popular sempre queixosa. » O próprio Vieira era arrastado n'e3ta corrente do gosto publico. que o tornavam appetecido aspectos.. p. tão pendurado de correspondências de palavras e períodos. 316 os SERMÕES SEISCENTISTAS em chamar comedias (EpOCa a muitas pregações que hoje se usara. pito entre ellas o crucifixo a e com isto se se e huma vez lançou do púl- seguiram grandes clamores entende que o dito pregador tem na ções de todos e os poderá gem que mover a quanto mão A quizer. 333. um cul- : a Um estylo tão estylo tão affectado. em Carta de 1675. serio e espiritual p. estylo tão encontrado a toda a arte e a toda a natureza? * do Padre Viei- como na celebre imagem do homem-pó. que tanto abusou das allusoes teranistas. tão sumido discrições. vicio das V que não pôde o efficacia. » os cora- lingua- dos Sermões reflecte todos os defeitos litterarios do seiscen- tismo. O um esty- . com as quaes e tirar muitas vezes demonstrações semelhan- com a opinião de Santo. concorrem fidalgos e senhoras em grande numero. tão estafiido de lumes rhetoricos. e dos equivocos um estylo tão difíicultoso.. contra os quaes estylo em reclama o Padre Manoel Bernandes: «o em que se tratam ó tão acceiado. um Christo. como mostrar do púlpito huma caveira. caracterisa o outro género de Sermões de eífeito. » cit. tempo são dictames politicos razões de estado.) politicas. prega principalmente na Igreja do Hospital. leva após si toda Lisboa. 329. (Op. e outras tes. tocando e com demasiada nos vicios dos que governam. e a alta aristocracia Sam mandava Eoque. mas com cerimonias não usadas dos Apóstolos. outras impressionava pelos eíFeitos theatraes tas formas d'este O « : que O Padre Manoel Bernardes caracterisa esque mui ordinariamente ouvimos aos Pregadores inventava o pregador. tapetes na egreja de sermão apresentava dois umas vezes era : cheio de allusoes politicas. dar-se bofetadas. talvez clareza e in- dividuação. O Últimos fins do homem.

caia cer: tào naturaes que vão cahindo. pregam o alheio enumera o conteúdo dos Sermões seiscen- muitas matérias. Este desventurado estylo que hoje que o querem honrar chamam-lhe culto. chistes e historiasinhas ridículas.. injuriosas aos o prurito dos ouvidos. outros vem arrastados. tão próprias que cendo. só atados não vem. é negro boçal e muito cerrado. uma Santa gentílicas. e com si.se hoje o modo que chamam apostillar o Evangelho^ em que tomam dor . p. panegyricos floridos.CRITICA DO PADRE MANOEL BERNARDES Século XVII. Arte sem Assi hade ser o pregar.) mesmos San- tudo semeado de discrições poéticas. Hãode hir.. Por fácil e É uma rou o pregar ao semear. apodos. « Sam Paulo. e vieram perguntar pela sua vida e mi- São fabulas lagres. encarecimen- enormes e fora de toda a semelhança de verdade. mos são questões quasi todos ficam Finalmente o que ouvi- de theologia escholastica.. como succedeu em uma occasião.. Ver da Escriptura como quem vem ao martyrio: acarretados. que reprehendeu 331. levantam muitos assumptos e não o seu. mas continuava no púlpito como thema de subtilezas. ordenou ao seu Núncio » em {Ib. isso Christo Que diíFerente é o estylo vir os tristes passos vem uns haode nas- caliir as coisas e violento compa- onde ca- arte. que tratando o Pregador com grande subtileza da graça ficaram os ouvintes persuadidos que eram louvores a chamada Graça tos Efficaz.. Francisco Nicolini : xi. efficaz.. da graça efficaz » {Ib.. V . Portu- que avisasse aos Superiores regulares que puzessera aos Pregadores seus súbditos preceitos de obediên- não pregassem conceitos e floreios.. de que os ouvintes em jejum .. 318. os É possível.. mas ainda lhe fazem muita honra. se usa.. «/'Bernardes tistas ""em^eral « : Mais. Nas ordens mo. outros vem despe- daçados.. que somos portuguez. e acrescenta o Padre Bernardes « porém cia 2)ara que : não me jesuítica parece que se guarda. especialmente nas tardes de Quaresma e menhã de Ressurreição.) lo ha de ser muito muito natural. por agradar ao vulgo O papa Innocencio gal.. p. O estylo culto não ó escuro. o que ouvimos são graças indecentes. e os que o condemnara chamam-lhe escuro. 317 venham nas- que hoje se usa. compara- ções e preferencias de Santos entre tos. » Foi o aviso communicado em 1688. e um havemos de ouvir prega- em portuguez e não havemos de entender o que diz ? Usa.) Também a questão tinha sido prohibida por Paulo v.

como o sustenta o historiador Muller. t. t. indo com mulher e infante para o Brazil. cuja personalidade se mistura plomáticas para a defeza do throno de com Dom as intrigas di- João iv e para a usurpação da soberania de Dora AfFonso vi para seu irmão Dom O Padre António Vieira nasceu em Lisboa em 1608. que existe sobre o Padre Vieira. que era D. João iv que o Brazil adherira á restauração annos de edade. sões secretas. Theodosio desposado com sua filha. p. e entrou na intimidade do paço. ii. universelle. Em outro projecto de casamento apparece Vieira. levou a Compa- nhia a pretender expulsal-o.o PADRE ANTÓNIO VIEIRA 318 (EpOCa 4. nacional. Obras. Alli recebeu educação nas Escholas dos e por elles seduzido vestiu a roupeta Jesuítas. em que o rei abando- nava Portugal. Catherina com D. sustentando no espirito dro popular a esperança da vinda do Encoberto. João da Áustria. 161. incorporando-se assim Portugal na Hespanha. para a cidade da Bahia de ToPedro II. ás quaes ainda no século xviii allude Diniz no Hyssope. É —* o trabalho mais compleHist. João iv 1 J. assim commentara as Prophecias de Bandarra. dos os Santos. tendo em 1615 de acompanhar seus pães Christovam de Oliveira Ravasco e D. * sio A acção politica de Vieira. communicando-lhe o rei a cifra secreta dos seus embaixadores. para salvaguardar-se da responsabili- dade das intrigas diplomáticas. ' Viei- ra entrou no plano da deposição do monarcha. como no da infanta D. 221. Sob o governo de Aflfonso vi e acção do Marquez de Castello Melhor. com pouco mais de quinze Em 1641 voltou a Portugal na commissão que vinha declarar a D. sendo uma d'ellas João iv confiou-lhe varias mis- a de 1647. segundo as instrucçoes dadas por D. Revelou-se então como um extraordinário pregador. os Jesuítas foram repellidos da governação. Theodo- com a infanta de Castella. primeiramente na expectativa de que D. D. iv. Maria de Azevedo. Pe- II. to e perfeite p. ficando o Duque de Longueville governando Portugal na menoridade do príncipe D. em tanta evidencia. e do príncipe D.* nachaes desviou-se o prurido rhetorico para theses apparatosas. . Francisco Lisboa. sobre o Quinto Império. 1647. typo mais completo do pregador no século xvi é o Padre António Vieira. João iv em 1550.

ou D. Luiza de Gusmão fundariam no Brazil um Império novo sob a direcção da Companhia. mandaram que nuscriptos de Cacegas. Escreveu a Vida de Frei Bartholomeu dos Martyres. A prin- ornamentação do estylo tor- nou-se o seu exclusivo cuidado. o qual tinha per- Os superiores da ordem dominicana. a sua vastíssima correspondên- tico cia politica. e a Chronica de Sam Domingos. — A forma litteraria da histo- não escapou á perversão do estylo culteranista. Pedro II. fallecido. escrevendo na apathia da clausura e para cum- prirem o preceito da obediência. e a sua concepção soíFreu desde que os narradores. em corrido o paiz por mais de vinte annos. porém d'esta3 obras apenas lhe pertence o estylo. excellente poeta latino. Frei António Feo. e depois na reivindicação da pre- ponderância da Companhia passando a coroa para o Encoberto. tórica de um século. D 'entre a multiplicidade dos oradores sacros destacam-se ou- como Balthazar Paes. fazem-no a testemunha his- morrendo com perto de noventa annos em 1697. 1616. essa edade apathica forma conceituosa e auctoritaria. que tanto ensina ao historiador a critica da importância .Século 319 FREI LUIZ DE SOUSA XVII. b) Chronistas e Historiadores. macom a se lhe entregassem os os apurasse e os vestisse Contava Frei Luiz de Sousa pouco mais de em que o dizer toma uma sessenta annos. e flexibilidade de talento. que colligiam os factos nos ria legares da acção e tomavam parte nos acontecimentos. A sua como missionário no Maranhão. para que exposição rhetorica. Liberto do trabalho das investigações. foram cipalflietííe frades. conhecendo os talentos cultos de Frei Luiz de Sousa. Frei Luiz de Sousa. attribuindo-se-lhe o portugueza. Santo Officio. Frei Philippe da Luz. é de todos os Chronistas do século xvii maior purismo na dicção o mais celebrado. dos a ingenuidade da crença está substituída pelo appello aos recursos da rhetorica. Frei Christovam de Lisboa.) ou D. Balthazar Limpo. segundo Barbosa Machado. mas em to- tros. actividade Tal foi em a causa da perseguição que lhe promoveu o cujos cárceres esteve preso em Coimbra. porque os materiaes de investigação histórica tinham sido amontoados pelo desconhecido Frei Luiz de Cacegas. como agente diplomá- nas varias cortes da Europa.

transcrevemos o testemunho insuspeito do seu melhor Alexandre Lobo biographo. No emtanto confessa quanto deve ao ignoi-ado obreiro t : Frei Luiz de Cacegas.. e as ideias na corporação dominantes lhes tem assignado. c. entretinha-se Frei Luiz de Sousa descan- sadamente a arredondar phrases. a cujo nome e traba- lho se deve a parte mais substancial da presente escriptura. e raramente Chronistas se atrevem da esphera que o costume.(EpOCa 4. t. Francisco a sair Estes « : podem ou quasi nunca são muito hábeis. o descahimento e reformas. cora que estes se prendem. A funda- ção dos Conventos ou Mosteiros. . » ^ Sobre o valor de Frei Luiz de Sousa como chroniáta. — ^ em tisnada que Frei Luiz de Obras. as alternativas da litteratura. e a soprar as simples narrativas de Frei Luiz de Cacegas. as causas do descahimento. e dos outi'03 E dous volumes. de Sam Domingos.* A CHRONICA DE SAM DOMINGOS 320 e vitalidade dos factos. D. aqui e frade rasteiro . accusarei ou vereda dos mais aqui pela Sei que não foi o arbítrio de reforma. postoque com algumas excepçSes isso como similhante ás outras . tão inconscientemente admirada. 4. 7. e que não deve servir de exemplar no tocante á selecção dos factos graves e momentosos. alumnos. ti. p. são Não Mas nem por deixarei de confessar. que podem interessar e aproveitar a gran- de numero de Eis a severa opinião do Bispo de Vi- ^ leitores. seu. .. um um : o Arcebispo.» accrescenta Serviram-me « : os seus caminhos para eu poder escrever assentado. n.. quieto e escondido no canto da cella. . lol. alli parece e fora melhor que o oráculo de Tren- o desenganado e intrépido conselheiro do Vaticano ou de Bel- vedere se não mostrasse comendo as couves grosseiras escudella nas choupanas de Barroso.. Eu creio liv. que na maior parte dos ca- « honrado príncipe da egreja. » Sam zeu sobre a Chronica de Domingos. Sobre a Vida de Frei Bartholomeu dos Martyres. P. os meios sábios e deixados com descuido muito digno de arguirei Frei Luiz de Sousa de Chronistas : ir efficazes censura. 1 Chr. as vidas espirituaes e reformas dos dita esphera . falia o citado Bispo de Vizeu citando a sua falsidade histórica sos representa somente to. a authoridade dos superiores. que a sua Chronica é n'e3ta parte poucas. enchem totalmente a de ordinário os casos políticos e ainda militares.

Século A VIDA DO ARCEBISPO XVII. e é de Herculano. » {Ib. que de outra cousa . e de Arzilla por Pedro de Annaes de Dora João uma Chronica Andrade Caminha. o Lucena mandou-lhe um livro dos despachos de Pêro de Alcáçova. Para escrever III. Dom ao Cardeal Henrique.) 32i Sousa errou n'esta parte por seguir os papeis de Cacegas. 153. achados em um os seus sótão da Bibliotheca em 1844. João III. em demandas contínuas com o em conflicto com a jurisdicção secular. o celebrado Arcebispo está longe de ser essa figura extactica repintada por Frei se Luiz de Sousa. Ihe uma Chronica tilho.) Frei do arcebispo para encobrir as manchas da sua individualidade histórica. Frei Luiz de Sousa calava a ver- dade histórica acobertando a sua deficiência com as flores recor- tadas do estylo culto. Dom Luiz Lobo deu-lhe um manuscripto das cousas de Africa Manuel Severim de Faria ofFereceu- secretario Francisco de .. que apparecem de um modo miserável nos documentos da terrível época da perda da nacionalidade portugueza. Elle oppoz ao movimento de resistência nacional no Minho. João III esboçada por António de Cas- notas diplomáticas de Pêro de Alcáçova. cujas obras vimos e lemos. as de D. mais de estylo e de linquanto aos successoa da índia resu- guagem. consultou o Chronisfa« que lhe parece bera d'Avila Gonsalves mór de Hespanha Gil escreveu o chronista delescrevermos por annosr. que publicou esses Annaes. Philippe iv. exer- cendo a sua auctoridade moral e religiosa Philippe. por não lhe acceitarem as decisões do Synodo em Braga em 1566.y Luiz de Sousa serviu-se d'estas pequenas anecdotas p.ii. Em hostili- dade com Roma. refugiando-se era Tuy em fazer reconhecer desde que viu que lhe era mo- mentaneamente impossível oppôr-se á corrente patriótica. por carta de 20 de outubro de 1627 escolheu-o para redigir a Clironica de D. Sousa era somente o trataram de poupal-o a todo o trabalho de investigação es. ao modo como das Necessidades e impressos : rei Dom estimar. 21 . co- mo o que se pretendia de Frei Luiz de tylo. . diz que o ma- João » nuscripto é « ii cheio de muitas emendas. e vindo ás cortes de Thomar cora os Arcebispos de Évora e Lisboa reconhecer a soberania do invasor. Catherina por ceder a regência tião que celebrou seu cabido . não consentindo que entrasse em Braga uma alçada mandada por Dom Sebasem recriminações contra D.. de Castella.

acham-se incluídas no Vergel de plantas titulo e flores de Frei Jacintho de Deus. ii. Segismunda. como historiador é vez do encadeamento dos factos busca o um palavroso. quarto Visarei da índia. jesuí- Para comprazer com o Inquisidor geral D. e vão entrar no que pertence á poesia. É d'este livro que ainda hoje se extrahem os themas escholares. Até o numero e cadencia das palavras em todo o livro são pouco entendidos. Assim. — É o único escriptor seis- verdadeiramente culteranista para ^ elevada concepção da historia. a Vida de Dom João de Castro. que effeito em das apostrophes.) {Ib. Quer ser eloquente o auctor e não é senão inchado. porque fogem do que é dado á prosa. é o estylista mais ad- mirado pelos sectários da tradição humanista dos collegios ticos. Sobre o estylo d'e8te inchado panegyrico." sâo pouco mais que « uma » Jacintho Freire de Andrade. assim as Doze excellencias da China. ção topamos com versos. Ninguém na Europa o egualava no vigor das narrações e no exa- 1 Sousa Viterbo perio da China. abbade de : do. tão aífectado. t. p. com Persiles e tão grave. escriptas pelo missionário portuguez Padre Gabriel de Magalhães. nem tem em vários rasgos senso commum. escreve D. escreveu Jacintho Freire. (EpOCa 4. que já nas poesias se manifestara um exagerado cultista. não diz com um heroe por exemplo. tão agu- Castro. (de Dom centista... dos discursos postos na bocca dos capitães á maneira de Tito Lívio.JACINTHO FREIRE DE ANDRADE 322 me JoSo de Barros. diria melhor. 149 a 264) um livro de historia. » A cada paragrapho e quasi a cada ora164. Francisco de Sambade e de Santa Maria das Chans. : Achado bibliographico — As Doze excellencias do hn- . plagiavam as relações raanuscriptas . Francisco Alexandre Lobo « Um estylo tão discreto. e os da metrópole série de apontamentos. mandadas traduzir para francez em pelo Cardeal d'Estrées. Francisco Manoel de Mello. e com o tí- tulo Nouvelle Relacion de la Ckine. única forma da sua individualidade. Quando os Chronistas não tinham a preoccupação do estylo. 1668.. influin- do na forma pittoresca e viva das suas Guerras da Catalunlia. A larga oração de Coje Çofar nem tem verosimilhança. depois de Frei Luiz de Sousa. que apresenta uma p.

p. são dignos do nação selvagem combatendo pelos seus si própria.) me 323 VERDADEIRA CONCEPÇÃO DA HISTORIA das causas moraes dos factos. monarchica pelo habito. em seis reis cada . um pujança. completamente republicana pelos costumes. Vê-se alli uma governando-se a direitos. Dava noticia dos acontecimentos do paiz. theatro acanhado. com o dom de animar o que se passou ante seus bitrariedades. axiomas politicos eloquência. e como poeta.. Francisco Manoel entre os seus grandes rio. em um paiz então pouco litt erá- que se precipitava rapidamente para a decadência. mens proferiram esses discursos assim. muitas vezes esmagada pelo inimigo. como victima das ar- como prudente nas missSes diplomáticas. alli o . o vigor assumpto. apesar de ter escripto castelhano a era Historia das Guerras da Catalunha. Philarète Chasles avalia assim este « A simplicidade viril do estylo. e durou pelo" menos até septembro de 1647. — Os conheceil-os movimento dramático de Thucydides e de Heródoto. catholica pelas crenças. desenham. excellente olhos ou o que o impressionou profundamente. principalmente das novidades da guerra entre Portugal e Hespanha. sem imitação da antiguidade. Século XVII. em dezembro de 1641 appareceu o primeiro periódico com o titulo de O Gazeta. Como o que revela o historiador é o critério. forma. naturalmente deduzidos do jogo das paixões e do curso dos successos: estes méritos numerosos deveriam ter xado a attenção sobre pela primeira vez em um fi- livro que desgraçadamente appareceu Portugal. sem esforço. mas nunca abatida. personagens do drama collocam-se todos em relevo . verdade. 283. com um aprendido na critério vida real como parte activa nas revoluções. alheio aos ornamentos rilivro : diculos com que a poesia com que os zos. comportaram-se por essa interesse pintura animada dos sobre enérgico costumes catalães. Circumstancias análogas produzem communs resultados esses ho- estaes a ouvil-os acha-se . por isso aqui se menciona o auctor das Epanaphoras. se arreiava então caracteres se a liberdade dos juí- . e escriptores. » ^ Os hespanhoes contam D. apparecknento dos primeiros Joi-naes em Portugal deveria ter influído algum tanto na forma da redacção histórica . taxava-se 1 Voyage d'un critique — Espagne.

Faltaram-nos mente desde 1663 as Revistas litterarias. e por inferência cri- Thoraé Pinheiro da Veiga. redigido pelo secreta- António de Sousa Macedo. São cinco Cartas escriptas por reclusa em um convento de Beja a um official uma menina francez. vindo a Portugal por ordem de Luiz xiv. religieuse à Beja. Aguilar e Monterroyo. O einidito Boissonade descobriu em uma Nota manuscripta do seu exemplar das Cartas o nome da dama que as escrevera « Sobre o meu exemplar da edição das Cartas 'portuguezas. ha esta nota. de uma lettra que me é des: conhecida : La Religieuse qui écrit ces Lettres se nommait Mariau- ne Alcoforado. dos Caracteres de homem ferencia o La Bruyère . um Máximas de La caracter secular. de Diogo de Paiva de Andrade. . Vide o nosso estudo mais desenvolvido na Era Nova. sobre as Cartas da Religiosa portugueza. entre V Estremadure lusie. du 5 janvier 1810. quan- do mandou soccorrer-nos contra uma nova invasão na fronteira do Alemtejo em 1663. tinha em vista as noticias da guerra da fronteira e desmentir as falsas informações que as folhas volantes hespanholas propalavam acerca de Portugal. nas suas relações humanas. tica a bre costumes portuguezas. publicando-se mensal- até 1667. Le chevalier à qui ces Lettres étaient et VAnda- écrites était le de Chamilly. — No em todas as nações da Europa. Cita-se o Casamento perfeito. por eíFeito do conhecimento das estuda-se de pre- Pertencem a este género philosophico e litterario o interessante livro Arte de furtar. sobre a — ^ Journal de lEmpire. dit alors Comte de Saint Leger. Seguiu-se-lhe o rio de estado (EpOCa 4.CARTAS DA RELIGIOSA PORTUGUEZA 324 folha. A Encerra noticias preciosas Carta de guia de Casados de so- Dom Francisco Manoel de Mello é inapreciável pela graça do estylo e bellos traços descriptivos pelos da vida domestica portugueza. As Cartas da Religiosa portugueza são o documento psycho- logico mais verdadeiramente sentido que a alma portugueza apre- senta no século xvii. sq- brinho do celebrado pregador quinhentista. de 1669. Parada Leitão e outros. attribuido geralmente ao Padre Vieira. usuaes Os c) Moralistas. » * Comte Pela noticia do Nobiliário compilado por Cabedo.* Mercúrio portuguez. século xvii a moral apresenta Rochefoucauld. o Conde de Saint Leger.

litteraria onde essa in- . companheiro de armas do Conde de Chamilly. se authenticam as Cartas em nomeia o irmão que lhe facilitou a remessa das Cartas. á qual também alludem as Carcomo confidente da Religiosa. onde era professa sua irmã mais velha D. todas as suas referencias .Século A INFLUENCIA FRANCEZA XVII. Francisco da Costa Alcoforado. Brites Montes. revelam a construcção da syntaxe portugueza. ai se com D. Peregrina. pela citada genealogia se vê que Marianna entrara muito cedo para o mosteiro da Conceição de Beja. ria.) genealogia dos de Marianna 325 Alcoforados de Beja. já nos hábitos da vida sumptuária e ideias económicas dos nossos estadistas. É na actividade fluencia melhor se caracterisa. A influencia politica da França na restaura- ção de 1640 prolongou-se sob difFerentes aspectos. as recebeu como a revelação mais perfeita do génio Não devem passar despercebidas na historia littera- sobretudo quando através d*ella se procura a expressão de caracter nacional. Embora as Cartas só existam em francez na traducção de Couile casado tas leraque. e a Europa portuguez. já da imitação dos Ballets. de 1669.

desde que se relacionem com a corrente intellectual e politica da Europa. A Opera e o Cesarismo. b) Estado da Poesia portugueza antes da Arcádia. Reacção contia o humanismo jesuítico a) Verney e o Verdadeiro methodo de estudar. b) A Arcádia ultramarina O poema Reino da Estupidez. I — o psetido-classicismo francez A protecção official — — 2." — Manoel de Figueiredo." A Arcádia Ulyssiponense — Sua influxo dos XCconomistas organisação e Catalogo dos seus só- cios. Durante a época da Renascença. As Tragedias philosophicas de c) A crise revolucionaria em Portugal Transição para o Romantismo. Academia dos OccuUos e as origens da Arcádia Os Ericeiras A c) Ulijssiponensc. e do Abbade António da Costa. a França cedeu á Itália o seu logar na hegemonia do Occidente abandonando-se . Dissidentes da Arcádia A Guerra dos Poetas. Diniz.° — : — As reformas pombalinas sob o iraucezes : 1. IH — O negativismo encyclopedista em I*ortagalt da Academia real das Sciencias : O Duque de Lafões. Brolero. a) Reforma da Lingua portugueza b) Fundação da Academia de Historia. Tolentino e Filinto a) Poetas mineiros. Imitação Lutrin de Boileau. Nas luctas religiosas do pro- ditos italianos. que logicamente se comprehendem e expli- cam. e os theatros particulares a) Fundação : — O pseudo-classicisnio íraucez O século XVIII em Portugal apresenta-se na litteratura com aspectos complexos. c) Associações litterarias. vindo modelos de um . II í na litteratiira O Vocabulário de Bluteau. as tradições medievaes pelo estudo e imitação dos monumentos greco-romanos. c) As Cartas de Beckford a) e do : — — — — §. Corrêa da Serra. c) As Cartas do Cavalheiro de Oliveira. b) Nova Arcádia — Bocage e José Agostinho de Macedo. Intolerantismo sob Dona Maria i. Voltaire. os seus humanistas tiveram de supplantar os eru- somente no século xvii a impôrem-se como renovado classicismo.: QUINTA EPOGA (século xviii) os ÁRCADES §. João Xavier de Mattos. Quita b) O 2." §. 1. José Anastácio da Cunha. Garção.

João v. A n'elle desco- verdadeira influencia intellectual da França do século xvii. imi- Portugal a vida dissoluta palaciana. nifesta-^e . foragido da sua pátria. em 1666. e a pompa : official UÉtat c'est da sua corte reproduziam-se nas outras cortes da Europa. que Richelieu conseguiu demolir. Os outros monarchas tam- proteger officialmente a litteratura. sem a liberdade de consciência. manifesta-se nas doutrinas philosophicas de Descartes. onde nunca mais depois de Dom durante o longo reinado de Pedro Dom ii se convocaram as Cortes. os Jesuítas arvo- em omnipotentes senhores d'e3te pequeno estado. e a litteratura franceza era lida e admirada como a expressão da grandeza exterior.) 327 testantismo.Século CARACTER OFFICIAL DA LITTERATURA XVIII. levara Castello Melhor. e na lucta doutrinaria da moral dos Padres de Port-Royal contra os Jesuítas. que lhe traduz a A primeira metade do século xviii em Portugal macomo um arremedo tardio da cultura do século anterior em França a Academia de Historia portugueza parodiava a Academia das Inscripções e Bellas Lettras. nas suas investigaçSes sua Poética. pelo casamento de Dom Affonso vi. limitou -se á imitação das obras-primas da antiguidade. . a Casa de Áustria. que em E Portugal se ma- caqueiara os hábitos faustosos da corte de Luiz xiv. servindo a unidade catholica. continuando esta politica. Luiz xiv. adquiriu essa extraordinária preponderância politica. e a auctoridade de Boileau é transportada para Portugal pelo Conde da Ericeira. a litteratura. O rei protege oíficialmente a litteratura. foi levado pela ambição pessoal a explorar a unidade catholica entregando-se aos jesuítas e tornando-se o instrumento de perseguições religiosas . e á bajulação servil do rei moi. formam-se academias á maneira da de França. nas largas intrigas e luctas que terminaram na paz de Westphalia. a aproximar a corte portugueza da corte faustosa de Luiz xiv tou-se em raram-se . que mascarava uma bém procuravam intima decadência. a ponto de serem combatidas as modas francezas na pragmática do monarcha. A politica da restauração da nacionalidade portugueza. ou foram nhecidos ou perseguidos. que absorvia a nação na sua personalidade O despotismo de Luiz xiv. que dirigiam o ensino publico francez. desconhecen- do que os escriptores da plêiada que dera nome ao Século de Luiz XIV ou eram anteriores a esse reinado.

era 1779.* Arcádia reagindo contra o máo gosto do Seiscentisprocurava na imitação do pseudo-classicismo culteranista. substituem aos coramentarios aristotélicos as novas doutrinas de Descartes. o Duque de Lafões. e a crise revolucionaria netrou pela litteratura em parte na dissolução do regi- da França aqui pe- ferozmente perseguida pelo Intendente Manique. o capitão Manuel de Sousa traduz o Telemaco de Fénelon. mas cooperaram men politica. tras não exerceram a acção França. Gassen- Locke. O influxo dos Economistas francezes apparece dirigindo as re- Dom como as doutrinas dos Encyquando apesar do intolerantismo do reinado de Dona Maria i. — As Academias sociedade sem representação politica. em uma official na Litteratura. É certo que em Portugal os homens de Letformas do ministro de José. francez os modelos para a renovação da litteratura portugueza. 1. funda a Academia real das sciencias de Lisboa. Verdadeiro methodo de Estudar. ap- parece a necessidade da adhesao ao espirito scientifico das Acade- mias do século XVII admittida . onde se faz o duro processo ao systeraa pedi e A dagógico dos Jesuitas. Garção imita-lhe as Cantatas. em grande que tanto os caracterisa catholico-feudal. É assim que Pina e Mello imita João Baptista Rousseau. coadjuvado por Corrêa da Serra. encommendada por algumas ordens Novum Organum do Dom religiosas inaugura-se o estudo João V. e a mo (EpOCa 5. 08 ção do Oratório. Jacob de Castro Sarmento não consegue vêr em Portugal a sua traducção Scientiarum de Bacon. vindo esta nova crise intellectual portugueza a irromper em toda a sua força na obra de Verney.328 AS TRES INFLUENCIAS FRANCEZAS eruditas. clopedistas penetram por seu turno." A protecção seiscentistas. de acção dos Padres de Port-Royal contra em Jesuitas é sustentada Portugal pelos Padres da Congrega- quem Pombal veiu a servir-se quando na ex- pulsão da Companhia seguiu os planos do ministro francez Choiseul. Com esta corrente de imitação mais ou menos inconsciente. e sob . mas era da lingua france- za juntamente com a mathematica e physica. Cândido Luzitano traduz a Athalia de Racine. Diniz imita o Lutrin de Boileau.

appella para a intervenção se aperfeiçoe a lingua nacional official « : se do alguma pessoa de auctoridade fallar ao nosso monarcha sobre a reformação da nossa lingua. ciativa de reforma litteraria partiu de um Bluteau. propensão e 416. em monarcha para que O um da sua opulência conce- raio auctor do Antídoto da Lingua portu- 1710. transformar-se a lingua e bri- lhar a poesia. mui facilmente se moveria o seu generoso animo a fazer-nos tocante a este negocio que parecesse dos maiores que salos. intitulada Conferencias discretas . A elles eram primeira ini- estrangeiro. como a Academia franceza a recebera do governo em 1635. Dom Francisco Xavier de Menezes.® Blu- . e as reuniões celebravam-se aos domingos na Livraria do conde. decidia as difficuldades 'ação dos vocábulos da sua lingua. \h. e os ministros e directores espirituaes do monarcha. Vocabulário. dos Jesuítas do Collegio das Artes de Coimbra. logia. publicado oíficial. e da nos deve favorecer. e as mais dignas do nos deve mostrar. » O ^ Conde da na- poesia que se propunham sobre a signifi- Ericeira.° Academia.) Tal era o critério da philo- ensino publico estava atrophiado sob o terrível Edital de 1703. cit. o P.) 329 a espionagem das consciências e da censura do pensamento. todos os que procuravam em Portugal a restauração das Lettras confiaram na protecção ofíicial como o talisman maravilhoso para fazer brotar o talento.Século o FAVOR REAL XVIII. continuavam a subsistir automaticamente. e que por isso bem um algum favor tão grande principe pode fazer a seus vas- memoamor paterno que benevolência com que se podesse contar entre as acções ráveis de sua magestade. sa- bia que a Sociedade real de Londres recebera protecção oíficial em 1660. Tinham por Ericeira. O cesarismo comprehendia que para gosar e dar perstigio ao poder era conveniente gastar. 1696 inaugurara o Conde da uma Academia. era composta da mais selecta aristocracia. fim as Conferencias discretas sicas e moraes «examinar e resolver questões phy- e para maior elegância da prosa e . que tinha a monomania da erudição latina. cional. e por complacência es- tender ás tertúlias culteranistas dendo-lhes favor gueza.. como ura meio de distra- Em cção entre pessoas cultivadas. O » summa (Op.

. que se beça do reino. cias. Isto conmas nem basta que eu fesso que nunca n'ella me parecem bera a julgue inferior a alguma das vulgares. que em 1727. e desde aquelle tempo. D. . dam geralmente todos os portuguezes. diz « Tambera houve quem cora rústica simplicidade me disse. os dialectos. interessou-se pelo «No anno estudo da lingua portugueza: de 1668. o italiano. os Padres António dos Reys. logo que chegou a Portugal. o cosraographo Pimentel. A rasão em fundam.BLUTEAU E O VOCABULÁRIO PORTUGUEZ 330 humanismo teau. sobre dadas especialidades pelos taes corao o Conde da Ericeira.* jesuítico realisou-se pelo portuguez Luiz António Verney. com si. que é irremediável este defeito. e o ataque franco contra o era Roma (EpOCa 5. as se . nem cuido. como des debates que mas lingua enxacôca. confessa Mello da Fonseca. mas truncados e diminutos. que no seu tempo se julgava a lingua portugueza inferior á castelhana pela « grande frequência cora que usamos do dipthongo ão. ros. D. No Antídoto da Língua portugueza. é que muitos vocábulos portuguezes são radical- mente castelhanos. etc. » Bluteau. José Barbosa. que começou por formar catálogos de palavras. José Soares da Marquez de Alegrete. — . » E em seguida propõe a substituição das formas adoptando o nominativo latino tude. mansidão por mansuetude. — O Vocabulário de Reforma da Língua portugueza. ão soli- Bluteau também nos revela. faz a nossa lingua mui tosca e grosseira. se imaginava que a lingua portugueza era «casualmente formada de vários fragmentos da lingua mourisca e castelhana. D. falta que (segundo dizem) denota a sua pouca derivação. elle reino. o Manoel Silva. cheguei a este em que não me aproalguma noticia da lingua portugueza. lhano. a lingua portugueza não é lingua de per cez. Manuel Caetano de Sousa. d'este disparate é. Je- ronymo Contador de Argote. » Bluteau recebia ca- elles dernos de palavras colligidas principaes horaens cultos. e . em assim substituía solidão por etc. rasão que na opinião da maior parte dos estrangei- falia na corte e ca- Sobre esta errada aprehensao tenho tido granestrangeiros de porte e litteratos. como cuia) Bluteau. raro foi o dia veitasse de : A que não merecia a lingua portugueza tanto trabalho. » No fervor do seu estudo. como é o fran- e corrupção do caste- linguagens particulares das provín- que são corrupções das linguas.

conhecida o seu conhecimento era a primeira condição para a . Pelo favor official de a impressão do Vocabulário : Dom « João v. pelas Reflexões da Lingua portugueza. mandado custodiar no convento de Alcobaça. Bluteau passou a França para imprimir o Vocabulário como ensaio deu á estampa na impressão . w Quando mais tarde a Arcádia tentou restaurar a Poesia portugueza. ou com o exemplo do Cardeal de Richelieu. João Evange- . Nasceu da iniciativa particular do Conde da Ericeira. preciosos alentos. que no anno de 1635 estabeleceu a Academia franceza. M. Francisco José Freire.. » E acabado no reinado de espécie de sufFocação e morte para a torna a referir-se ao favor um monarcha tão official amante das « foi : que lettras. do seu motu próprio e por essa ingenita munificência lhe deu. — Foi Fundação da Academia de Historia jjortugueza. b) esta corporação constituída que reunia os académicos no seu palácio do largo da Annunciada . no meio da carreira parava a obra.) de Para dia de S. e a suspensão d'ella uma era por agora lingua portugueza. no seu palácio na Annunciada.» solemnisar os annos de Dom João v. 8. eu mesmo fiquei depois a : admira- do e juntamente opprimido da multidão de vocábulos que achei nos Authores antigos e modernos. aproximou os litteratos do conhecimento dos escriptores mais considerados das differentes épocas. é que foi terminada Se com auxílios do real erário não acudira V.) outros muitos. Nenhum 331 em diccionarista tornou a pôr pratica o processo de Bluteau para fixar no léxico a parte oral da lingua portugueza. A riqueza da lingua era des- para sair á luz.Século A ACADEMIA DE HISTORIA XVIII. com os sócios da Academia dos Anonymos e com os membros das Conferencias discretas. transformação da litteratura . volume de Sermões. formou o Conde outra com o Portugueza. em em Paris titulo (Or. onde durante três annos r^ócou continuamente o VocaJulgaram-no espião. em uma Oração panegyrica do quarto Conde da Ericeira se lê : « Por emulação dos Scientes de França. e diante do preço real um do Louvre de trabalho. p. e foi bulário. e dos erros regressou a Portugal quando se quebrou a paz cora a França. » o próprio Bluteau confessa de ajuntar os materiaes para esta obra. as quaes duraram desde 19 de fevereiro de 1696 até ao tempo da guerra em 1703..

a Historia genealógica da casa real. por Alvará de 20 de agosto do em vista a Academia. recitaram discursos e odes. A primeira sessão solemne sob o titulo de Academia real da Historia portugueza. do Dr. Uma tuguezas das dotaçSes esplendidas de foi Dom João v ás lettras por- a fundação da Bibliotheca da Universidade de Coim- bra.. trezentos e oitenta e cinco mil Nuno da Silva Telles. e ficou concluida durante o anno de 1728. tendo além dos quarenta se regulamentasse a sócios da primeira fundação mais outros dez escolhidos pelo Choveram rei. por provisão regia de 31 1716. tomando-a sob a sua protecção em 4 de novembro de 1720. . medalhas e mais monumentos antigos. Alexandre Ferreira. Ordem dos Templários. por D. de livros Ao reitor de outubro de para esta Bibliotheca da li- vraria de Francisco Barreto. e o rei lison- geado dignou-se conceder. António Caetano de Sousa. Os impressos sumptuosos dos trabalhos académicos. deixou monumentaes da Bihliotheca luzitana. foi o Decreto de 29 de abril de 1722. edifícios.lhes patrocinio oflBcial. porém o principal favor do monarcha. e as Memorias e Dom João Noticias da 1. é auctorisada a para tirarem da Torre do nomeação de certos paleographos Tombo cópias necessárias para os as académicos. re- velam a mão esbanjadora que levantou o convento de Mafra apezar de todos os vicios de esta Academia os trabalhos uma apparatosa erudição. mesmo anno desfizerem-se prohibe-se. pediu <a rainha ao Conde da Ericeira para celebrarem no paço uma sessão da Academia portugueza . concorre- ram os vários litteratos. 332 TRABALHOS ACADÉMICOS (EpOCa 5. moedas. começou a ser construída a 10 de abril de 1712. em 1719. approvada a compra que foi fez reis. celebrou -se em 9 de dezembro de 1720. seiscentos e vinte e dois mil reis.' lista. pela Carta Academia authorisada a regia de 11 de janeiro de 1721 é a re- clamar das Camarás e Cartórios do reino Noticias para os seus estudos tendo . pelo decreto de 20 de outubro. os favores officiaes sob a douta corporação. pelo preço de quatorze mil cruzados. as Memorias de por José Soares da Silva. e em compra quatorze contos. isemptando da censura prévia e de cenças do Desembargo do paço as obras dos li- membros da Acade- bem mia. mandando que Academia portugueza. de Diogo Barbosa Machado. tendo custado sessenta e seis contos. estatuas.

quarto Conde da Ericeira. e procurava abrir curso ao pseudoclassicismo francez. que dominava na própria Arcádia de Roma. e não quizesse tel-os es- Esta corrente franceza. c) — A da Arcádia Ulyssiponense. O palácio próprio. e as origens dos Condes da familia Ericeira.» O Conde da Ericeira mandúra-lbe também versos seus escriptos em francez. escrevia Boileau. e que vivesse na corte de Luiz o Grande. e para alcançar na minha obra até essas cambiantes que eu julgava que só podiam ser sentidas por gente nascida em França. Academia dos —A illustre Occultos. Luiz António Ver^ey com o de Verenio OrgianOf e bem assim o beneficiado Francisco Leitão Ferreira. Estávamos em Portugal alheios ao movimento scientifico do século xvii. José Peres de Macedo de Sousa Tavares com o de Libenio Orentejo. tão rapidamente! extincta. em versos portuguezes a severa agradecendo-lhe a remessa de exemplar. como Ignacio Garcez Ferreira. Dom Francisco Xavier de Menezes. Garção. Cândido Lusitano e outros. outros portuguezes figuram na lista dos seus sócios. seguida mais tarde por novos re- formadores litterarios. e mias litterarias. Diniz. que no seu começo celebrava as sessões no palácio da pliantastica rainha Christinaj deu-lhe o um para fundar capital pastor Albano. » vosso nome. com o nome de Gelmedo. com o nome bucólico de Ormano Palisco . que dominava nas outras Academias que precederam a Arcádia Ulyssiponense . etc. Philippe José da Gama. Os Ericeiras. não vencia a monomania culteranista. na sua Carta xiv : « Dizei-me como fizestes para me perceber tão bem. taes eram . e recebeu o titulo de Conde da Ericeira. dos quaes Boileau di- antes. Elle próprio traduziu Poética do dictador do Parnaso um .) A TRADUCÇÃO DA POÉTICA DE BOILEAU 333 Dom João V estendeu a sua desvairada protecção á Academia poética Arcádia de Roma. que era a alma das acade- também foi eleito árcade romano. sentia a necessidade de reagir contra o culteranismo seiscentista. «Não ha n'elle3 de estrangeiro senão o em França homem de bom gosto que não zia: ha cripto. distinguia-se pelo seu fervor litterarlo e pelas suas opulentas bibliothecas . por isso toda a actividade era dispendida na continuação das tertúlias culteranistas.Século XVIII. tornando Boileau conhecido e admirado em Portugal. Padre Seraphim Pitarra.

. da villa O os Conformes Lisbonenses. etc. folheto de encómios poéticos. As composições dramáticas eram sem valor assentando o seu interesse na pompa do scenario e no litterario. Fundou-se da qual se conhece apenas um a Sociedade dos Occultos. Conde da Ericeira falleceu era 1744 e Academias litterarias. dos Particulares. o theatro. A medida que o Cesarismo se tornou mais absorvente. A imitação das cortes mais faustosas da Europa. de Salvaterra. de Cenáculo. para — Em quem a ordem uma sociedade privada de era a estabilidade mantida pelas forcas do rei e pelas fogueiras do Santo Officio. os Obsequiosos de Sacavém. em que a Opera era o principal divertimento cesáreo. a trás. assim appareceram os theatros régios de Queluz. a Marianna de Bellas. onde confessa ter sido ella o gérmen da Arcádia Ulyssiponense : « Poderia ser que a ella (a Sociedade dos Occultos) se devesse toda a gloria. como a Problemática de Setúbal. dos Applicados.334 SOCIEDADE DOS occuLTOs (Epoca 5. no reino dominava o calor das Academias de Bellas-let- das quaes umas foram acabadas pela critica ou invectivas mal soífridas. ii. se a publica desgraça (o terra- moto de 1755) não separasse Uma tão útil e tão sabia companhia.' as Academias dos Anonymos. ou a facécia equivoca da farça para o povo? Por esta relação se ligam no theatro do século xviii a Opera e a baixa Comedia. referindo-se a esta época. a que presidia José Freire Montar- royo Mascarenhas. tativa de reacção clássica. por Grarção. 180). quiz também D. dos Unidos. como então se chama- em 1747 va ao seiscentismo. a Pastoril. Nas Meinorias lê-se « : históricas. a dos Aventureiros de Santarém. dos Escolhidos. Scalahitana. a dos Abandonados. a Sertoria. Vegetações ephemeras d'esto calor. porém novos das as foi chorado por to- esforços se fizeram para reagir contra o espirito de máo gosto. A Opera e o Cesarismo. que outra coHsa poderia ser senão um espectáculo de deslumbramento para a aristocracia. a sua importância é-nos revelada por uma Oração mas recitada na Arcádia. apparecem outras academias. opinião publica.» parte dos poetas da Sociedade dos Occultos contribuiu com como ten- esforços para a fundação da Arcádia Ulyssiponense. da Ajuda e da Opera do Tejo. » (t. João v gozar este dispendioso divertimento. que se celebrava na cella do Padre Cenáculo.

como em languidos e interrompidos compassos. um da Musica. nobres. Strafford Lieds portuguezes : « grande numero de Árias lindissimas e antiguidade.O Século AS MODINHAS BRAZILEIRAS XVIII.. que se acham nos nossos Cancioneiros provençalescos. a VIII. Eram 1 Op. árias das outras na- As melodias guezas são simples.» de Com no coração antes de haver tempo de o fortificar contra a sua voluptuosa rear o alma anhelas- a outra alma idêntica de algum objecto querido. e caracterisa (Carta uma grande Modinhas. essa Portugal na revivescên- cia da Modinha brazileira. Não podiam formar-se artistas dramáti- porque a profissão de actor era julgada infamante.. franeeza. da qual escreve Beckford « Quem nunca ouviu este original género de musica. Estas árias nacionaes são os lunduns Em modulação nada se parecem com as é absolutamente original. p. Em outras nunca achei galanteria. Trad. Havia cos. Precipicios De Phaelante. sobrevivência das antigas serranilhas gallezianas. a sua vulgarisaçao no gosto popular proveiu da representação das Operas do Judeu. Comedias do brazileiro António José 263. mas desconheceram -no e imitaram a os compositores antiga tradição lyrica reapparecera em Itália. .» ^ A Modinha brazileira. um elemento tradicional para fundar-se a Opera nacional portugueza. Alecrim e Mangerona.) Na Historia technicamente o valor dos povo portuguez possue e as influencia. e muito expressivas. actuou na re- novação do lyrismo portuguez nas composições da Marília de Dirceo. De Encartíos de Medêa . ções.) 335 machinismo das tramóias. se faltasse o fôlego por excesso de enlevo e a se unir-se infantil desleixo insinuam-se leite. imaginaes sabo- o veneno da sensualidade vae calando no intimo da existência . á influencia das quaes allude Garção: As portuguezas Operas impressas. E portu- para sentir que os compositores portuguezes abandonem o estylo da sua musica nacional para adoptarem a maneira italiana. estas as principaes cit.. ignorará para sem: melodias que tem existido desde o tempo dos pre as feiticeiras Consistem sybaritas.

nem a baixa comedia achou um talento como o de Goldoni para dar-lhe a forma defini- As grandes tiva. tinuada por Alexandre António de Lima. e para comprazer com a predilecção pela Opera cesarista introduzia em scena a Modinha brazileira. secular pelo Santo Officio e queimado na fogueira do em foi . escreveu para os theatros do Bairro Alto e Mouraria essas Come- chamou Operas do Judeu . representada na chalaça. que também foi con- pertenceiv á Sociedade dos OccuUos.ANTOMO 330 josi': K McuLÁo (Epoca 5.se duran- dias a que o povo te um A graça portugueza está século na scena. ohediente. Nicoláo Luiz pôz to pôde traduzir . foi Nicoláo Luiz. como consta do respecti- vo processo inquisitorial archivado na Torre do Tombo. italiano e francez. António Xavier Ferreira de Azevedo. A forma da baixa Comedia. creada por António José. d'este género O foi em verso quan- a D. intervallo de liberdade que a Inquisição lhe deixou. Ignez de ultimo representante dramático. e nas situaçSes chuempregava todos os modismos peculiares da língua portugue- las za. Depois de António José. parodiava a acção mythologica. O talento preso pela relaxado ao braço 18 de outubro de 1739. o creador da formada com elementos do theatro hespanhol. Apenas deixou assignada a comedia dos Maridos peraltas. pela prolongada in- fluencia das comedias famosas. de uma tempo perseguida pela Inquisição. e em recibos a Constância da Fortuna e Filha Representava-se ainda em verso. deixou persistindo no gosto do povo a farça de Manoel Mendes. despezas com a Opera não provocaram o apparecimento de um poeta lyrico como Metastasio. o escriptor dramático mais querido do povo comedia de cordel. em que retratava typos populares. imitando os costumes e servindo-se por vezes de traàiçííes nacionaes. e ainda hoje fazem alli rir involuntariamente. A sua profissão de ensaiador do Bairro Alto obrigava-o a fornecer comedias novas para os espectáculos regulares d'aquella empreza. traduzida de Vellez de Guevara. de António José não chegou a completa maturidade segunda vez em 5 de outubro de 1737. sustentaram. a sua comedia mais popular Castro. degolado. Antó- nio José nasceu no Rio de Janeiro familia de christãos-novos longo No pequeno em 8 de maio de 1 705. .* LLiz da Silva. Auto de fé. Macaqueava a comedia italiana do imbróglio.

os Jesuítas viram minada a sua auctoridade pedagógica. — Ap. e começou a ímprimir-se a traducção O rei concordou no plano. 86. pelas doutrinas philosophicas de protector dos Jesuítas.) pronnha da falta em tudo. teve O Descartes. da Mesa Censória. p.' Século A atonia mental fazia sentir-se ceu que o mal 2. mandou D. abandonaram o jugo de Aristóteles e Scoto. Mem. hist. A revolução philosophica achavase então mais adiantada pelos trabalhos de Descartes" e desde que se generalísasse o conheci- mento da língua franceza estava achada a primeira condição para Ms. quanto o estudo da Medicina estava atrazado no reino. e o rei abandonou miseravelmente a empreza. increpar a Universi- A dade da acanhada rotina dos seus antigos methodos.^ ' Os Frades julgados no tribunal da Rasão. que renovavam o ensino a questão problematicamente. primeiramente applicadas á Grammatica portugueza por Conta- dor de Argote. quebrava-se em França pelo esforço dos jansenistas de Port-Royal. ii. Conhecendo . » ^ O jugo aristotélico com que os Jesuítas manietavam as intelligencias nas €Schola3 desde a Renascença. e : Ritual Coimbra. p. Benedictínos e Gracianos. admittíndo no ensino a Philosophía moderna ^ consignada nas obras de Bacon. em 1735. 360. chegaram as doutrinas pedagógicas dos Portugal Padres de Port Royal. dos Cruzios. o insigne medico propoz a traducção em portuguez do Novum Organum scientiarum de Bacon. 1 — 'úrico. Cenáculo.}6. em 1670 de próprio Luiz xiv. como a primeira base para a reorganisação da intelligencia. — No Reacção contra o humanismo jesuítico. como se queixa Jacob de Castro Sarmento. e Locke. t. p. ap. quando se reconhe- de cultura scientifica. consultar em Inglaterra Jacob de Castro Sarmento. Gassendi. qual o modo para restaurar entre nós esta sciencia. Compendio . João V por via do Conde da Ericeira. em 1718 inicía-se uma renovação dos estudos na ordem franciscana com a introducçao das disciplinas mathematicas e physicas em 1730 outras ordens monásticas. Descartes. theologíco do Collegio das Artes de tas o seu dogmatismo auctoritario contra Lógica conimbricense . impunham os jesuía Não se defenderão opiniões quando muito se poderá propor mas poucas vezes." 337 CARTESIANISMO EM PORTUGAL XVIII. i.

» As ordens monacaes reagiam naturalmente contra a preponderância jesuítica. que chamou ao convento de Lisbo£f^ Padre Barradas como pai-a cou- cessária a língua franceza.338 A CRITICA DE VERNEY a renovação Na scientifica. e mestre Universidade de Évora. dos Padres de Port Royal em França. As declinações dos nomes e verbos estudam pela Grammatica latina. viveu a maior parte da sua vida. em Portugal. Visto no seu aspecto mais geral. bem comprido. de Penella. "y^ em em Roma «. Clara. nasceu Lisboa. diz Cenáculo : a (EpOCa . muitas partes onde se explica a Grammatica de Manoel Alvares. e Alli trabalhava Cúria. Graduou-se em theología. Sei pela que em . de Dionysío Verney. — O auctor das Cartas. e de título como Roma 1736. pondo erros pedagógicos dos jesuítas. I i I Cartapacio portuguez de rudimentos. a 23 de julho de 1713. doutorou-se era Câ- nones e Direito pela Universidade de Roma. francez. a 152. Viajou com destino á Itália. este um de syntaxe . e em Hespanha com Feyjó. viii. Verney a) e o Verdadeiro Methodo de Estudar. com o evidencia os ensino do latim nas escholas Grammatica do Padre Manuel Alvares. este movimento. e 03 Padres da Congregação do Oratório tomaram ostensivamente a mesma acção. reprodiiz-se em Portugal com as celebres Cartas criticas de Luiz António Verney. a esta se segue um baixas. Do em em 1747. que prepara as reformas pedagógica^ de Pombal. e lh'a sa á Litteratura da província e se tirar o aproveitamento de útil que a lingua franceza é capaz em seus bons livros. que se passava em Itália com António Genuense. p. depois outro para genexos e 1 muito pretéritos Panorama. e de D. também lhe accrescentam algum livrinho mas tantos como em Portugal nunca vi. escreve. secretario da legação portugueza junto da escrevia as Cartas publicadas de Verdadeiro Methodo de estudar. t. onde cora todas as formas exteriores de respeito pe- implacavelmente os erros dos seus metho- los jesuítas se analysa em dos de ensino.' biograpbia de Frei Joaquim de Santa Por estimulos viu então ser-lhe ne- estes facilitar o mestre Lehmg. Maria da Conceição Arnaut. onde foi em Artes pela arcediago. representa o appa- O recimento do critério cartesianib*a.

e Padre Severi- no de S. das escholas dos Jesuitas. A de abril do medida que a lucta pedagógica proseguia. Os Padres da Congregação do Oratório obtiveram a Casa e Hospicio de N. systema alvaris- Novo aprender a Grammatica latina.» os scholios dos A Lógica nomes e verbos. Em uma carta de Verney. em em voz chorosa com accionado cómico.SCCUlO REPLICA DOS JESUÍTAS XVIII. as revoltantes Lógica Bar- reia e Lógica Carvalha. levou Methodo para se um . Aletophilo Cândido de Lacer- Cardoso da Silveira Theophilo (Padre Francisco Duarte). e outro a que chamam PromptaariOj vro a que pelo qual se que mais 'tros li aprendem vro ha.) 339 bem grande (por José Soares. 1684. 4. II. tico. da (Padre Joaquim Dom Rebello).) A Rhetorica ensinava-se por cadernos ma- Pomey e Juglar. nas Instrucçoes regias de 1759. tomaram por base o Verdadeiro Methodo de estudar. pseudonymo do atilado critico. alcançando privilégios exclusivos da propriedade d'elles em resolução de 26 de março de 1747 e 18 anno. Lisboa. os mesmo Padres do Oratório iam-se aproximando dos intuitos de Port Royal.. mandou adoptar nas aulas publicas. do Padre Antó- nio Pereira de Figueiredo. usando os mestres do estimulo da panca- da. depois um lichamam Churro. Theotonio Anselmo Brancanalco. 214. de 8 de fedo. (Op. de nuscriptos exercidos de citações pedantes. ana- gramma de Manoel António de Castello Branco. e não sei conimbricense era ensinada por ou- cartapacios entregues á memoria. declamadas Frade Barbadinho. acobertando-se elles com outros pseudonymos. que imitou a Lancelloto O golpe mortal no grammatica de Cláudio por ultimo Pombal. cit. Modesto. das Necessidades para abrirem escholas ao publico. e tra- duzindo 03 seus principaes livros elementares.°). Esta polemica litteraria é tantes da um dos factos impor- nossa historia intellectual no século xviii . quei- . S. um Resumo do Novo Metho- que as reformas da instrucção publica feitas em 1770 pelo Marquez de Pombal. que atacaram com fúria o do Padre Cypriano Soares. As consequências da critica de Verney foram immediatas (17Õ0). taes como Frei Arsénio da Piedade (Padre José de Araújo). e para isso compuzeram novos com- pêndios. O livro de Verney provocou uma extraordinária reacção da parte dos Jesuitas. os jesuitas sophismaram a defeza. Póde-se concluir vereiro de 1786 a um amigo da Congregação do Oratório.

Chronogrammas. fallecendo em Roma a 20 de março de 1792. e tive compaixão cora o poeta que se can- . . como os Eccos.* xa-se elle da falta de reconhecimento pelo seu trabalho 1790 foi . E diz da persistencig. se em em pôde No seu soffrer bom uma dada senso critico Verney exclama : « letra do Mas não que homens modernos. ainda hoje se conservam em Portugal . De sorte que compõem antes de saberem o que deGeralmente entendem que o vem dizer e como o devem dizer. esta ideia produzem partos verdadeiramente monstruosos.) Caracterisando o falso engenho. Verney determina quaes foram as formas poéticas mais predile« o falso engenho conctas da primeira metade do século xviii siste na semelhança de algumas letras. e dester- radas dos paizes cultos.. ás vezes na semelhança de algumas syllabas. » (i.que tanto reina- no fim do século xvi e metade do século xvii.° BIuteau. expressamente para Eu vi Eccos que respondiam em outras linguas. e que fizessem mostrar que sabiam fazer Ecco. condemnavel ainda ura rapaz . em compor bem consiste que a ninguém occorressem . : « . falia da estultícia dos poemas lipogrammaticoSf nos quaes não se empregava alphabeto. Francisco Manoel no louvor da academia dos Generosos. e que elles mesmos.. aquellas ridículas composições. e alguns consoantes insulsos outras vezes na semelhança de algumas palavras. só eni nomeado deputado honorário da Meza da Consciência e Ordens. em cujas escholas se faz algum poema. os artifícios de metrificação 340 (Época 5. latira e composições. — VerEstado da Poesia poHugueza antes da Arcádia. d'estas formas ram. dizer bera subtilezas.. .) (p. caíssem n'esta rapaziada. que apparecem com dif: . Os mestres de Rhetorica.. . e inventar cousas com e . . » Attribue Verney a introducção dos poemas pintados ao P. ferentes figuras ou pintura. etc. e assim das mais composições. quando os examinam sem calor. como os Anagrammas. ney descreve no seu livro monumental o estado mental dos versificadores « quando escrevem dez versos lhe chamam Decima b) : e quando unem quatorze chamam -lhe Soneto. » 179. e que mostraram doutrina muitas cousas. quando já os achamos usados por D. e têm por peccado mortal ou cousa pouco decorosa zel-o na dita lingua. . fa- 177. como os Equívocos . finalmente consiste também em composições inteiras. desapprovam. envergonham-se de poetar em portuguez.

e começa O tempo já de si me pede conta..» (p. » (p..) síira cora aquillo Quando eu . de uma empregara . que no mesmo Soneto põem três vezes o mesmo nome. mas a falta de comprehensão do elemento tradicional levava os poetas para o esmero exclusivo da forma forçando-os a absurdos que hoje vêraos repetidos nos modernos parnasianos. 186.. em que se . Seria isto nada.) Muitas d'estas formas eram restos da poética provençal. .. e isto seja o tos. dando prémios aos rapazes. duas nas extremidades e uma no meio . Também os como ura horaem a que diga despropósi» (p. e Equivocosinho. ... são máo é que sáe para fora e se Vae enumerando outras formas primos coirmãos dos Anagram- o mas. nãd só em fazel-o. ainda que não furiosos. sacerdotes e d'isso mestres. . Quando querera experimentar ura homem se tem engenho.. outro para consonância. Chagas. se se con- mas introduz nos discursos graves ..» insensatas : « Os Acrósticos. já se 185.) « mesmo que obrigar sabe que saem composições dignas de se verem.. Outros traz contrario .Século o MÂo GOSTO XVIII. descobrem um anagramma n'ella tivesse dentro das escholas .. de para mesma diante e outra. . etc. de sorte que se lêem por to- das as partes. Acham-se engenhos tão mariolas. a que chamara Consoantes for(^ados.. «Acham-se além um o pratica. tão infatigáveis. 341 tive para o hospital. parte n'isto tempo considerável. que fomentam isto. Outros tem por cousa grande fazer Laberijntos de quartetos. dispostos em certa figura. mesma palavra em todos os versos Podia citar mil exemplos. puro. .) quem eu ainda conheço seculares. offerece occasião de dizer doutos.» « Mas vulgar é em Portugal outra sorte de engenho falso. Esta sorte de poetas são doidos.. e sempre conservam a fazem versos que fazem um se lêem sentido. outras da : italiana. mas nenhum melhor que o Soneto qu» se attribue ao repete a .. » (p. 182. . mas em decifral-o e chamam a isto emprego do sublime engenho. frades. . . quando se lhe estes chamados estudantes. vocos) e . etc. Laberynthos de Letras são mui mimosos em Portugal.) « Egualmente ó estimada n'este paiz uma espécie de Sonetos. que nas escholas ouvindo alguma palavra. damIhe consoantes estrambóticos para que complete os versos. 187. li algumas das Jornadas de Je- compaixão do dito religioso (escreve em Equíassentei que a jornada que devia fazer era da sua casa ronymo Bahia.

e de seguir os cursos musicaes de Veneza. onde é admirado pelo seu pasmoso talento artistico. lheiro de Oliveira exprimem a sua situação desolada. que o eruAntónio Ribeiro dos Santos tratou de coUigil-as. tónio veis para quem pretenda escrever portuguez. O Ab- bade António da Costa. refugia-se na Hollanda. 293 a 321. essas pinturas dos caracteres. p. vem . fixa a sua residência em Vienna de Áustria. vivacidade e colorido das suas descripçòes. e d'onde veiu o impulso de emancipação mental da geração que for- mou a Encyclopedia António da Costa. depois de ter chegado a Roma através de mil trabalhos. que era então o asylo de todos os livres-pensadores da Europa. e foram des- de muito cedo admiradas como modelos de familiaridade. espíritos superiores se Portugal : acham n'e3ta epoca homisiados de Francisco Xavier de Oliveira. §. esse . As Cartas do Cava. desvairada pelo seu lado com o pseudo-classicismo francez. escreveu algumas Cartas a amigos que deixara em Portugal. obtendo dito ainda umas treze. modelos inexcedi- do aspecto das cousas.342 o ABBADK COSTA Era contra este (Epoca 5/ atrazado culteranismo que se erigia a Arcádia Ulyssiponense. e do Abbade Costa. estudo sobre As Cartes do Abbade Costa. c) — Dois As Cartas do Cavalheiro de Oliveira. das emoções e O pouco que se sabe da biographia de Anda Costa acha-se implicito n'essas Cartas. que se acham actualmente impressas. em 1750. Nada ha na lingua portugueza mais bem escripto nunca a prosa dos nossos homens de lettras conseguiu essa naturalidade graciosa. ^ n As reformas pombalinas sob o influxo dos Economistas francezes 4 Com a morte de Dom João v. e era tal a graça. vigor de impressões. o partido clerical que dominava tentou exercer a sua acção directa no novo reina1 um Nas Questões de Litteratura e Arte poiiugueza. que Burney comparava a Rousseau.

como um elle. longa série das leis. significava o primeiro favor triumpho contra o elemento jesuítico. lem- effeito reflexo da obra do abbade Galliani. co- nas familias mais opulentas do reino. põe Law em 1720 do por estado bra o . e as novas formas de administração que se sys- tematisavam em achava. de operas. de tragedias. elle confunde a organi^om o poder judicial como no systeraa de Luiz xiv. procurava casar os Na situação em que se Mazarin. de romances. Voltaire. em jogo o credito trazi- ao conflicto económico da intervenção do o séu decreto contra os monopólios de trigo e milho.) Dom José 343 a entrada de Sebastião José de Carvallio para .Século do de o MARQUEZ DE POMBAL XVIII. assim como nos alvarás sobre os interesses e acç(5es das Comparal sação militar nhias. um modelo na creação da Intendência ge- da Policia em 25 de junho do 1760. falia com a sua philosophica iro« Pelo d'estas que3t<5es económicas em França anno de 1750. a nação farta de versos. obrigou o activo ministro a acudir ao vácuo deixado na instrucção publica. de comedias. e de Gournay ou o commercio dos Trigos. coadju- de 'òc tornar o Mazarin d'este joven Luiz xiv. do Systema mercantil. mas imitou á risca o seu também era filhos brutal e impassivel. avisos e regulamentos politico e económico . já não podia ser digcipulo Colbert mo elle económicas. Diálogos sobre na lucta doutrinaria das duas escolas exde Quesnay ou do Sistema agricola. e o plano da ruína de Fouquet tem analogias com a perseguição canibal contra O golpe vibrado contra os Jesuítas a poderosa Casa de Aveiro. e sobre os juros do dinheiro. conhecia as formas do Cesarismo. o ministério por da rainha viuva. cartas regias. de reflexões mo- nia do prurido : . contractava operários estrangeiros para o aperfeiçoamento das artes. decretando a reforma dos estudos menores até á hierarchia superior do ensino na Universidade de Coimbra. apparece sempre a França como do seu ideal Na decretos. em 1757. que se convertia era despotismo legal. A catastrophe imprevista do terremoto de 1755. clusivistas. instituía companhias de commercio e industria. doutrinas . dando largas ao ministro para pôr em vou-o no plano pratica a sua capacidade reformadora. que mandou redigir. de historias romanescas. como elle regulamentava tudo. Sebastião José de Carvalho tinha vivido em Vienna de Áustria e Inglaterra. que subverteu Lisboa. decretava monopólios.

como na Tentativa theologica do P. que. pôz-se por fim a arrasoar sobre os Puzeram-se de parte as vinhas para não trigos. pao e centeio. A chamada jjolitica com a acção governativa. e alcavalas do fisco na troca dos productos do trabalho. pelos physiocratas. prendia os poetas como Garção. » ^ As fallar senão de regimen diíiiculdades financeiras a que o perdulário do Cesarismo arrastara os estados. d'aqui nasceu a sciencia da Economia. . sem o que é impossível comprehender qualquer manifestação artística.o BLt:. pela sua confusão reacção contra os monopólios. como se viu nas homenagens servis que lhe dirigiu a Arcádia O Ministro desprezou-os.° António Pereira. os litteratos esperaram re- ceber do impetuoso ministro a protecção oficial para a Litteratura. Ao exercer a sua forte inicia- tiva na reforma da instrucçao publica. á proclama- ção dos direitos individuaes."^ raes mais que romanescas ainda. te como no Edade media. transparece o caracter do litterato século XVIII. scientitíca ou philosophica O ministro de Dom em um povo occidental. estabelecendo-se assim uma transição lógica e evolutiva para a critica revolucionaria dos Encyclopedis- Convém conhecer tas. na^ questões do regalismo contra Roma. laisaez passer. combaautonomia individual. e mandando destruir vinhas para que se semeasse trigo. levou os novos Economistas a discutirem a origem. O Mar- o jurisconsulto da pela liberdade politica e pela quez de Pombal não permittia esta liberdade mental da critica . prohibiu o commcrcio individual para monopolisal-o em Companhias piúvilegiadas. e ao modo da percepção dos impostos . ou no Camjjendio histórico e Deducção chronologi- de Lisboa. obrigavam á consi- deração da matéria coUectavel. José não comprehendeu esta nova phase das doutrinas económicas. Ainda sob este aspecto.. synthetisada na formula Laissez faire. formas e condições de existência do Estado. vb. e prohibia a entrada das obras Dict. servindo-se dos eruditos que podiam defendel-o nos libellos contra os Jesuítas. philos. estas correntes geraes da Civilisação da Europa. barreiras. ca. e disputas theologicas sobre u graça e sobre as convuIsSes.344 os ECONOMISTAS FRANCEZES (EpOCU 5.

ci- quando era impossível tratar da restau- ração das sciencias. fazendo succeder áquella corporação uma nova academia intitulada Arcádia Ulyssiponense. todos os poetas o e esses mesmos. como lhe chamava Tolentino. Século XYIII. ^ Emquan- em Odes emphaticas momento da sua queda do poder." Nicoláo Tolentino. de 1750 a 1777. por Helvetius. -J- . e Manoel Nicoláo Esteves Negrão.) INAUGURAÇÃO E RESTAURAÇÃO DA ARCÁDIA Meza dos Encyclopedistas pclo8 Editaes da to se fez temer. tardia imitação da Arcádia de Roma. altos funccionarios públicos. António Diniz da Cruz e Silva. no bajularam 345 Censória. al- guns homens de lettras trataram de secundal-o na sua iniciativa. restabelecer a pureza da lingua e dos bons modelos da poesia. então fundamos esta sociedade. dispersou-se por causa da terrível catastro- phe de Lisboa. e de restabelecer os seus particulares interesses ria desculpável poesia não Oração recitada na Arcádia — quando que as Musas fugissem do nosso continente. a viradeira. em que a falta de liberdade ou se manifestava pela indignidade pessoal em do pseudo. quan- do se julgaria que as artes jazessem sepultadas nas ruinas da dade. — A Sociedade : Sua orgaaisação e catalogo dos Occultos. jurando pa- ^ O edital de 5 de dezembro de 1775 prohibe Le irai sens du Système de la JSature. se- — n'uma palavra.. inaugurada em A Arcádia 11 de março de 1756 entre Theotonio fui Gomes de Carvalho. Diniz e Quita. Lê-se uma Garção em 1758 «Em tempo passava de por : quando parecia que os portuguezes só quem a de calamidades e afflicçSes. que existira des- de 1748 até 17Õ5. O que foi a Litteratura n'este periodo de prepotência.classicismo francez A 1. insultaram-no em satyras que chegaram até á obscenidade. resume-se em raras manifestações de talento. para um nobre ócio. quando o activo ministro Sebastião José de Carvalho procurava reconstruir material e moralmente Lisboa. Tinham em vista obstar á depravação geral do gosto. ou pela imitação em GarçSo. tratavam de reedificar Lis- boa. Arcádia Ulyssiponense dos seus sócios.

**) . outro despeitado contra a Arcádia. secretamente. cujos auctor da celebre Satyra um versos além de Um uma audacioso resumbravam culteranismo sensualidade molinosista. O elemento seiscentista estivera representado na Arcádia pelo anonyma El Duende de Madrid. D. e O uma Ode emphatica. apresentarem uma peça em prosa ou verso. vindo a reconstituir-se a Arcádia em de 1757. ou não tendo occasião de aprovei- . auctor do poe- ma Triumpho da Religião. que lhe davam os outros Arcádia a admissão de qualquer sócio era por escrutinio secreto e unanimidade (art. escripta em latim. instrumento da reforma pedagógica de Pombal. cónego regrante de Santo Agostinho. era esse poeta erudito. exacerbado pela alcunha de Corvo do litteratos. Venceu o partido do pu- rismo clássico. isto bastava para crear despeitos. e Garção recitou longo tempo inédita. As eram uma particular em cada raez.346 ESTATUTOS DA ARCÁDIA (EpOCa 5. outras Ar- como a Arcádia por- ]\Ii-nistro ou enojado da va- cuidade rhetorica da Arcádia. das quaes celebrava a graça que recebera do titulo de Con- de de Oeiras. e a o confessa em Garção em um diversos pontos do paiz. que esteve ministro dava então á Arcádia apoio of- o titulo de árcade era ambicionado res honras. Arcádia ultramarina.» Immaculada rainha dos Céog droeira d'ella a com da terra. a Arcádia nasceu viciada espirito do teve de pôr máo gosto. facto celebrado por Manoel de Figueiredo 19 de junho em uma Ode á união dos Árcades. O como uma das maioDiscurso . sendo obrigados os sócios a sessões . francez. ministro de uma Dom O José assistiu pelo menos a duas d*estas sessões. Joaquim Bernardes. tinha o titulo de Monte Menalo. ou na Sala da Junta do Commercio. em risco a e para expungir do seu com o seio o seiscentismo própria existência. ficial. Estas duas datas só assim se conciliam. sendo reputada de mais primor a que fosse escripta em portuguez. debaixo e do inefFavel titulo de sua puríssima Conceição. e duas publicas annuaes o local onde se celebravam as Conferencias. 6. cheio de enthusiasmo e esperança nos destinos da nova empreza. Francisco de Pina e Mello. como cádias surgiram tuense. Pelos Estatutos da Mondego. hespanhol ou italiano. » Pela sua relaçSo a Sociedade dos Occultos. As sessões publicas ft^ziam-se no Mosteiro dos Padres das Necessidades. e por Garção na sua Ode xiii A restauração da Arcádia.

Dr. a Domingos dos Reis Quita pelo sentimento dos seus Idyllios e do drama pastoral Lycoris. Dameta . e os seguintes Ismeno CisalpinOf Silvandro. Manoel José ^. Mirtilo Felsineo . Manoel de Figueiredo. Alcino Micenio. Silvio Manoel . Aquacelano .° lxxxviii. Silvio te. Pereira. Theo- Gomes de Carvalho tonio teu tinha o nome arcádico de Tii-se Min. Silvestre Gonsalves da Silva Moraes.) d'ella. extraordinários esforços a Ma- que empre- gou para a restauração do theatro nacional. José Gonsalves Moraes. Nicoláo de Sousa. a de ta- António Diniz da Cruz e Silva pela creação do heroi-comico verberando género noel . Titiro Partiniense . Silvano Ericinio Pereira de Faria. u. Frei José do Coração de Jesus. Assim. Almeno Sincero.1 se inspirarem nas fontes tradicionaes Os Estatutos da Arcádia acham-se textualmente reproduzidos no Jornal de Coimbra. José António de Brito. Almeno noel . Eljpino Nonacriense ." dos Estatutos da Arcádia. Miguel Tibério Piedegache Brandão Ivo. Luiz Corrêa do Amaral França. Francisco José Freire. Siveno Cario . Damião José Saraiva. Mirtilo . Marianno Berganzoni Martelli. Lycidas Domingos dos Reis Quita. Pedro Caetano. Myrthilo . D. Fido Leucacio. acabando por 1774 o calor official. Século tar-se os SÓCIOS da arcádia XVIII. 14. Albano Melino e Amintas. Sincero Jerabricense José Caetano de Mesquita. eram os seus sócios obrigados a adoptarem um nome e sobrenome de um dos muitos pastores celebrados pelas musas gregas e romanas. de 1820. estiolada sem 347 deixou-a vegetar esterilmente. Ma- Pedro António Corrêa Garção. Albano. art. 19.. José Rodrigues de Andrade. Montano. Lemano. D 'entre memoria esta lista dos sócios histórica lento correcto. cujos nomes se ignora. ^ Pelo art. e Nemoroso Cyllenio. Olino . P. Nicoláo Esteves Negrão.^ José Dias Pereira. Francisco de Salles. Feliciano . dido Luzitano. Os Árcades em vez de . Melyzeu Cylenio. Corydon Erymantheo . P. .^ Frei Alexandre da Silva. Palemo. Melibeu Manoel^e Macedo. António Diniz da Cruz e Silva. Vicente de Sousa.. da Arcádia poucos são dignos de cabe o primeiro logar a Garção pelo seu Figueiredo pelos os ridículos clericaes. n. Metalezio Klasmenio . Ignacio Tamagnini. José Xavier de Valladares e Sousa. . Alces- Alves da Costa. Cân- Cyntliio.

348 GARÇÃO (Época 5. Garção. Cor- reu a lenda. O Marquez de Pombal. Garção conservava relações 1 Ms. teve em vista empregal-o na secretaria do seu ministério. Diniz. da Academia (G. incitando-a á fuga por causa de seu estado de gravidez. e portanto está fora do litigio. que as creações estheticas derivara do modo de incompatível de um bom sentir individual com reuniões. por motivo desconhecido.) . Porventura as suas sympathias pela Companhia levaram-no a rejeitar o intuito do ministro. 5. mandou se mandaram sus- o Ministro encarce- rar no segredo do Limoeiro o poeta. magistratu- ra para que se dirigia. a 29 de abril de 1724. sabendo do seu talento e conhecimentos das linguas franceza e ingleza." da naçSo imitavam a antiguidade greco-romana através dos motomavam para thema das suas conferencias pu- delos francezes. em que perdeu seu pai Filippe Corrêa da Silva. a) mem com a regularidade das Lisboa. Quita e Manoel de Figueiredo.o 33. estudou humanida- des nas e3C()las dos Jesuitas e cursou a Universidade de Coimbra. da Bibl. ferindo assim indirectamente a vaidade do Marquez por ter mandado collocar o seu medalhão no pedestal da Estatua equestre esta para uma sessão da Sociedade dos Occultos pouco depois de 1748. e de mais tino artístico e auctoridade na Arcádia em nascido as normas gosto auctorisado pela collectividade. funda a prisão arbitraria era em uma carta redigida por Garção inglez para a filha do Coronel Mac-Bean. Garção « era o que fez as ultimas Gazetas portuguezas antes em que da guerra de 1762 com Castella. Segundo uma nota de Frei Vicente Salgado. Outra len. que d*aí em diante conservou contra Garção ura ódio secreto. » ^ Em 9 de abril de 1771. n. 8. —O foi ho- GarçSo. e acceitar o logar de Escrivão da Receita da Mesa do Consulado geral da saída. epistola fora escripta da. ou das graças concedidas ao seu ministro As academias litterarias sjío absolutamente estéreis. pender.- tendo por occasião do terremoto de 1755. Est. por- valido. de abandonar a carreira da. e blicas 08 regosijos officiaes pelos anniversarios e restabelecimento da saúde de Dora José. que fora a causa do desastre de Garção ter escripto uma Falia em nome do Duque do Coimbra em que este heroe recusava a Estatua que o povo de Lisboa lhe queria levantar.

ora curtos. apresentado egreja de Sam no Limoeiro quando o poeta ia ser sepultado na Martinho. e bastavam as suas sympathias jesuíticas. e isto me do-os « a dar em uma tragedias e na ouvi algumas d'estas Can- deu desejo de ensaiar se poderia á imitação dos gregos reconciliar a ode límítou-se Eu com uma forma o canto. versos se reflecte a singeleza da sua vida. que encobre o artificio da imitação. . como nos coros das antigas maior parte das Odes de Pindaro. e AssembUa ou Partida. estado de miséria em por tal forma Garção sem filhos afíligiu que morreu na manha do dia 10 de novembro de esperança. ou qualquer tro para ser sepultado dito que ficaram sua mulher e o O enxovia. e das eram a simulação de uma fictícia sociabili- Lisboa. é o sentimento da paixão se confunde Este género da Cantata. São bellos os Sonetos. tatas. imitação da forma adoptada por João Baptista Rousseau. a correcção da forma. perseguidos por Pombal. Lourenço. em que so. porque de- pendem particularmente de canto três Recitativos cortados por .) com Conde de o S. são satyras excellentes sobre os costumes de As monomania das representações particulares. parte com o ideal horaciano. a realidade do quadro é excedida pela comprehensão do espirito da arte grega. para assim encobrir o assassinato. cujos recitativos constituíssem o . das quaes os versos são ora longos. têm por costume dívidil-o em Árias de movimento. uma são de As Odes intima familiaridade. . como exprestem um e Epistolas tom sentencioso mas affectivo. A portuguezes e se implantava hcibitos como uma moda condemnada pelos caturras com o nome de mo- Cantata de Dido. Estas em cujos conformada em grande particularidades tornam sympathico o typo de Garção. «Os que o descreve: italianos chamam-lhe Cantatas. o que obriga a diversificar a métrica das estrophes. encerran- allegoria exacta.A CANTATA DE DIDO Século XVIII. dade que não estava nos dernismo e jperaltice. mandou lavrar de prompto por José de Seabra da Silva o alvará de soltura.» O discípulo de Boílcau a estes pequenos poemas. 1772. suas duas Comedias em endecasyllabos. vago contra a prepotência do minis- em uma Marquez sabendo n'e3se dia da morte do poeta. seguido uma também com o terror religio- pelos outros árcades. é o trecho lyrico mais bello d'esta época arcádica. onde a reuniSes em familia. e com a 349 Marquez de família do Alorna. Theatro Novo.

copias numerosas. xxiii. alcunhado o neto da 7nedideira. sobre se competia áquelle a honra de lhe ser entregue á porta da cathedral o Hyssoj^e. envolvidos na Conspiração de Minas. Diniz exercia sião do conflicto em Elvas. não pas- sam de uma reproducção morta de um género. B. O assumpto do poema é a historia anecdotica do conflicto de precedências entre o Bispo de Elvas e o Deão da Sé. da Arcádia." » * As prosas de Garção constam de Orações académicas. divididas em strophes. por causa das tradições dóricas vivificadas por Pindaro. e Ignacio Joaó de Alvarenga Peixoto. pelo snr. tendo pri- Diniz remodelou-o accrescentando-lhe mais parte do quarto è todo o quinto canto. doente dos olhos. foi como desenfa- do e sob a impressão dos episódios grotescos que se contavam. Só depois da morte de Diniz é que se imprimiu o Hysso])e. glorificando as grandes reformas do Marquez de Pombal. com O poema cor- variantes de occasião. * Quando occupava um elevado legar na magistratura. não foi mais feliz do que Garção. As suas Odes pindaricas. Segundo a tradição o ministro leu uma das copias do poema. Rousseau. Thomaz António Gonzaga. envergonhava-se dos seus versos. meiramente sete cantos . Domingos dos Reis Quita. t. p. e estava na occa- te do cabido.350 DINIZ o li (Época inssoi'!': íi. antistrophes e epodos. A influencia franceza é em Diniz bem manifesta na imitação do Lutrin de Boileau. Cláudio Manoel da Costa. é depois de Garção aquelle em quem é mais evidente a influencia do pseudo-classicismo fruncez. que o Hyssope reu em foi pouco a pouco ditado por Diniz. toria António Diniz da Cruz e Silva. em que por vezes o excede no poema heroi-comico do Hyssope. sobre assumptos da historia portugueza. . e teve a fatalidade de condemnar como juiz os Poetas mineiros. Diniz. e forçado á escuri- dade e repouso em casa do seu amigo Falcato . 1 (Euvres de mão. Ramos Coelho i. e promoveu o adiantamento do poeta na magistratura. apenas aproveitáveis para a his- corpo. O mesmo se pode dizer dos seus Dythiramhos. é a — que mais » A edição Castro Ir- satisfaz a critica. não existindo nenhum exemplar de letra sua. mesmo na Grécia mal comprehendido. e ao Deão o dever de vir entregal-o á fren- um cargo judicial. e as Árias a alma ou applicação. dirigida J.

sua tragedia Segunda Castro. Algumas d'essas peças com bem pou- . e sempre debalde appellou para a muni- Marquez de Pombal. longo tempo combatida pelos seus protectores. os bas- o trabalho uma senhora tradição. A sua activi- começou tarde. balde tentou ser tardos de Dom ficência do João v. Companhia de António Rodrigues.. Apesar de conhecer a mediocridade do seu talento. nasceu-lhe a paixão Theatro. e fallindo seu pai em 331 1735. tão apreciável. morreu em 26 de agosto de 1770.) Nasceu em 1725. Esta posição não deixou que os seus talentos o vassem . viciada pelas Ojperas de António José. é somente conhe- cida no plagiato que fez Castro. Em celebre pelo consequência de adquiriu um uma mais despacho esteve sete annos em Madrid. Decriado grave dos Meninos de Palhavã. onde elevada comprehensão da scena. Quita viu-se aos treze annos de edade forçado trabalhar para sustentar sua Aprendeu mãe com seis n irmãos mais novosT o officio de cabelleireiro. e já sem a flexibilidade para dar comtudo Garrett forma aos seus bellos pensamentos dramáticos considerava as suas obras a mina tão rica e fértil para qualquer dade litteraria . á força de meditação e de estudo procurou abrir o verda- deiro caminho da Litteratura dramática. Segundo a seus Idyllios era A ele- manual era então degradante entre nós. mediano talento dramático. Depois de uma d'ella João Baptista Gomes na Nova longa lucta com a miséria. pelo que se ausen- tou de Portugal. e pelas Comedias de Nicoláo Luiz. a Tircta dos Dona Thereza Theodora de Aloira. verdadeira profissão artística n'essa época de penteados phantasticos da Regência. A sua natureza submissa levou-o para as composições ténues. Manoel de Figueiredo é a individualidade accentuadamente he- róica da Arcádia. como os Idyllios não podendo lêr os ly ricos francezes nem os latinos. Nasceu Manoel vendo em 1735 representar a Figueiredo em Lisboa em 1725 . Século THE ATRO DE FIGUEIREDO XYIII. como noi-o revela o seu biographo Piedegache. teve o bom senso de se entregar ao estudo reflectido das bellas Éclogas de Francisco Rodrigues Lobo. e mais ainda o admittirem em uma acade- mia de clássicos e fidalgos aqueile pobre poeta conhecido pela alcunha de Cabelleireiro da Travessa do Pasteleiro. A manife^ tacão do talento de Quita n'estas condições desesperadas é real- um mente assombro.

na em que historia se li iteraria extremaram os com Em 1770 deu-se o fcide Guerra dos o titulo campos. e mais tarde de Filinto Elísio. como se acha pittorescamente descripto P. remodelada por Quita e Manoel de Figueiredo. As obras de Figueiredo só receberam a luz pelo extraordinário aífecto de clássica de seu irmão. extinguindo-se na impotência e sem ruido. com um dialogo mais vivo. espécie di- de Academia que casa do P.o GRUPO DA RIBEIRA DAS NÃOS 352 CO trabalho." Francisco Manoel do Nascimento. sobre Ignez de Castro. faziam cxcellentes comedias. nota-se que no pe- riodo da actividade da Arcádia. florescem poetas distinctos não liados n'aquelle grémio. a Arcádia oppôz a tragedia Lamotte Houdart. traduzida por Nicoláo Luiz. Francisco Coelho.-J- — de maledicência que recebia esta instituição . A morte de Quita em 1770. eram elles Luiz Pinto de Sousa . A celebre Zamperini fora exultada em verso pelo poeta arcadico de Macedo. Contra a comedia seiscentista de Vellez de Guevara. que falleceu depois de terminar sacrificios com a empreza da sua vida. e que sendo especialmente satyricos não deixaram de desaggravar a sua vaidade. que adoptara o nome pastoral de Niceno." Manoel de Macedo se conhecem os nomes dos poetas capitaneados por Filinto . O capi- Manoel de Sousa traduziu em linguagem purista o Telemaco dQ Fenelon e algumas comedias de Molière. a de Garção em 1772 a saída de Diniz de Lisboa. como a de Dom AíFonso iv receiar que os filhos da amante do principe venham a privar do throno seu neto Fernando. antes de 1774. b) Varias poesias dos Árcades alludem frequentes vezes aos assaltos tão . Os esforços da Arcádia para a restauração do theatro limitavam-se á traducção das tragedias de Racine. rigidas pelo Gnij}o se reunia em fi- da Ribeira das Nãos. . por Por essas satyras se vê a animadversão contra a Arcádia. que tantas polemicas suscitara em França. a única que apresenta uma » A um (EpOCa 5. 8ua tragedia Ignez de Castro é intriga fundada em paixões naturaes. decompuzeram a Arcádia. e um Soneto do P. cuja ultima sessão de que ha noticia foi em 20 de janeiro de 1774.* eatylo mais animado. como a Athalia vertida por Cândido Luzitano. Os Dissidentes da Arcádia : A Guerra dos Poetas. Romperam logo numerosas satyras contra Macedo. cto conhecido Poetas.** cantora Manoel em uma Nota do Hi/ssope.

O Ramalhete. e isto o destaca superiormente entre os poetas académicos. ^ Sob a degradação moral do despotismo pombalino a poesia torna-se obscena. o capitão Manoel de Sousa. que por essa filiação usa o nome de Albano Erythreo. Os dissiden- da Arcádia floresceram sob o regimen do Rigorismo de Dona Maria i. como se vê pelo titulo das Rimas de João Xavier de Mattos. Associações litterarias. iv. José Caetano de Figueiredo. entregue ao parasitismo bohemio Nos seus versos imitava habilmente o estylo das lyricas de Camões. 23 i . t. Frei Plácido de Andrade Barroco. 13). Alfê. comprehendendo o verdadeiro espirito scientifico das creou-se outra fim glorificar dade com em Academias do século xvii." ApoUi- nario da Silva. que logrou vêr popularísada a aua Écloga de Albano e Damiana. o sentimento nacional brazileiro appareceu com o espirito da independência politica na chamada cto Arcádia ultramarina. cujas conferencias versavam sobre botânica. Jeronymo Estoquete. iii. Matlievon de Cornew.) 353 Coutinho. que os cegos reci- tavam como o descrevem Filinto vida vagabunda de um um ^ e Francisco Coelho. (1730-1787) e do grupo da Ribeira das Náos o teiro tes P. que não explicavam a sympathia com que eram rede 1 Tolentino. em do 1736. Maria l. Domingos Mon- de Albuquerque e José Caetano de Figueiredo. Este poeta. 463. c) — Estendeu-se até á colónia Brazil o prurido das Academias litterarias . o titulo de Academia dos versos o general Freire de Andrade. p. o Dr. Timotheo Lecussan Verdier. P. Falla-se também em uma Arcádia portuense.no res.—» Theatro de Manoel de Figueiredo. ^ viveu a Bocage. xiv. o Desembargador Sebastião José Ferreira Barroco. Domingos Pires Monteiro Bandeira. tendo Académicos renascidos são ainda A um por Socie- produ- da raonomania humanística. Nicoláo Tolentino. Obras. José Beling e Domingos Maximiano TorCynthio. já sob o governo de D. e t. distinguindo-se no género António Lobo de Carvalho.*' Francisco Manoel do Nascimento. pag.Século RIMAS DE MATTOS XVIII. 100. o medico Saraiva funda no Rio de Janeiro a Academia dos Felizes. p. Anacleto da Silva Moraes. vol.- na Comodia de cor- Os curiosos punidos. litteraria e os Em 1752 Selectos.

Rousseau. Serra. sição de estado. Maria i demittiu o Marquez de Pombal. superiores homisiavam-se de as obras de Voltaire. a rainha voltou-se para as praticas religiosas governo foi n'este tempo a. cm 3 de novonbro de 1789. rainha era bondosa e pusillanime todas as influencias malignas . Félix de Avellar Brotero."- Obedeceu á corrente franceza tradu- cebidr. para a execução do Marquez de Pombal. e Bocage achou n'elle um modelo que o levou para a comprehensão de CamSes.s as suas composiçSes. Turgot e Malesherbes. mandou-o metter em processo. .. oito dias depois de estar investida da soberania. e escreveu uma tragedia Morreu em Villa de Frades. mas a sua própria fraqueza serviu-lhe de apoio contra tão desencontradas correntes. Acabaram as persegui- as perseguições religiosas contra aquelles que liam as obras dos Encyclopedistas. Confessor. nomeado Intendente geral da Policia em 18 de janeiro de 1780. o seu execução da vontade do Arcebispo Sam mas começaram Caetano. da abstracção racional para o campo pratico sob a forma de philantropia . a assaltaram. Lobo de Carvalho mordeu-o por vezes nas suas satyras. Helvetius. 354 (Época o RIGORISMO 5. Incerta no meio de tantas complicações que o génio hesitante de seu marido augraentava. em 4 de março de 1778. a que Tolentino chamou a viradeira. D.. e para comprazer com os despeitados da aristocracia e do clericalisrao. representada no terrível Diogo Ignacio de Pina Manique. espirito philosophico saía discípulos da Encyclopedia. A 2. tes e Nas folhas volanna linguagem usual do tempo chamava-se a esta crise o Ri- Não bastava a Inquisição religiosa para perseguir homens como José Anastácio da Cunha. para a rehabilita- çâo dos Tavoras. Maria I. apprehendidas na alfandega e queimadas pela O Portugal. com poderes secretos superiores ao dos próprios ministros. zindo a tragedia Penélope de Genest.° Dom José. Filinto Raynal eram mão do carrasco. para a restauração dos Jesuitas. o seu ministro Marquez de Pombal perdeu a força que lhe vinha do favoritismo. As intelligencias como José Corrêa da Elisio . e o imperador José ii . clássica — Com a morte de O intolerantismo sob D. Frei Ignacio de çSes politicas. Viriacia. eram ministros. apparecia também a inqui- gorismo.

o conde de . até que á força de rogos conseguiu ser empregado em uma secretaria por alvará de de junho de 1781. corte não é a negação do homem — Nicoláo Tolentino de Al- de lettras no século xviii que se caracterisa pela independência de opinião actuando sobre a vida publica.) 3o*> fazia reformas politicas segundo a critica dos philosophos. e como os mendigos que fazem esgares grutescos. lhas. a direc- ção espiritual do novo confessor da rainha. e Francisco de Mello Franco combatiam nos seus versos pela emancipação da consciên- acceitava no poetas cia. como poeta elle não pes e 08 fidalgos. José Maria de Mello. onde retrata Tolentino e Filinto Elisio. Tolentino viveu algum tempo na intimidade de outro poeta Domingos Pires Monteiro Bandeira. Cada verso de esmola. manifestada em 1792 ao sahir do Theutro de Salvaterra. pendurando afinal a palmatória de profes- '^l r de rhetorica. Tolentino aíFectava graça para conseguir ser lido por aquelles que muito bem sabiam o que pretendia. de todos os rigores inquisitoriaes e policiaes. e essa livre critica e graça com que des- creveu admiravelmente os costumes da sociedade portugueza no século XVIII. José em 1788. é peditório importuno Nasceu Nicoláo Tolentino em Lisboa em 1741 . Os seus versos são extremamente correctos e pittorescos. para lhe rhetorica por um um emprego fez mais do que bajular os prínci- trocarem a profissão de mestre de nas secretarias de estado. A morte mysteriosa do principe D. a) meida uma menos louca do que a sua rainha. o Bispo do Algarve D. e os como José Anastácio da Cunha. Apesar a corrente do ne. fizeram com que Dona Maria i na loucura. gativismo encyclopedista entrou em Portugal com José ro D. vivendo do parasitismo académico. sem auxilio da casa paterna. o ii.Século A CORRENTE ENCYCLOPEDISTA XVIII. Esta época de governo inconsciente acha-se admira- caísse velmente tratada nas Cartas de Lord Beckford. José correspondia-se nisava a Academia das Sciencias. o príncipe herdei- Duque de Lafões orga- Paschoal José de Mello não direito publico a soberania como illimitada. adquirindo protegeram em alli as valiosas relações que o Lisboa. residiu em Coim- bra durante sete annos. e os successos de 5 e 6 de outubro em que irrompe a Revolução franceza. destacando-se especialmente pela belleza as quinti- Tolentino revela a causa d'esta superioridade .

descobre- em se que mado volta do poética : « Padre Francisco Manoel. . 336 (Epora FiLiNTO ELÍSIO D. afeita áquella lição de V... com relações os fidalgos a cujas mesas cujas seges andava. o Exc* com musa que rimou quintilhas. lesse este dois preciosos livros . que era muito estiuma pequena Academia Bispo Cenáculo. com fazia úteis ao seu espirito aquellas Vioras que a natu- reza e muito mais a moléstia lhe tinham destinado ao descanso do corpo. e que por esta rasão é muito procurado por varias pessoas para conferirem com elle algumas obras que compõem principalmente em verso . fez-lhe lêr as Cartas de Sá de Miranda e as redondilhas de Bernardim Ri- aproveitou-se logo d'e3tes modelos para os me- beiro. caracterisado pela sua adhesão ás doutrinas dos Ency- Nasceu em Lisboa em 21 de dezembro de 1734. de « que todos estes estavam exercitados trez sujeitos prohibidos . e entre outras pessoas é frequentemente visitado por alguns reli- . e também aos seus companheiros Jero- Estoquete e Manoel Coelho de Lima. Tolentino moriaes mendicantes: «As proveitosas liçSes dos nossos dois por- tuguezes Bernardim Ribeiro e Francisco de Sá de Miranda. que exc* s. aproximou-o da fonte tradicional quinhentista. e carregou de mo- trovas. es- V. é um dos dissidentes da Arcádia. Diogo de Noronha Villa Verde. que. e clopedistas. A muito respeito e com muitas esperanças. . . e instruidos na lição de Livros digo de Livros de Philosophias modernas. era uma . affectam seguir a rasão natural. » N'este depoimento do velho mestre de latinidade. talvez intempestivas. Foi seu professor de latinida- de o poeta António Félix Mendes. que não comprehendeu. que a 3 de julho de 1778 o accusou ao Santo nymo Officio. Morreu 1811.. e a preside ás minhas memorial que ponho nas màos ralidades. se reunia pelo é geralmente reputado por homem douto. e comia..» vontade de lisongear o aulico. Francisco Manoel do Nascimento. e em Tolentino em justamente nas quintilhas que se tornou admi- foi Nas suas extensas rável.'. crearam insensivelmente no meu coração amor a esta pécie de poesia. tendo assistido impassivel aos grandes acontecimentos •»- do século. que então contava setenta annos. . privado de dignidade e de ideal.» doença. desceu também a cultivar a poesia obscena. ordenou-se de presbytero em 1754. exc* me fazia a honra de mandar que lhe .

il- ca- .do Convento de Jesus. José Vieira da Silva.o 14048. quando este em- negociar a paz com a França. Horácio transpira em ralidade e correcção. ram-no com como Uma exclusiva imitação de todas as suas poesias. o Diccionario philosophico. tencional da rima. zendo traducções e ensinando portuguez . e alli frio. maiormente por giosos sobrenome Barroco. José Francisco de medicina. o buido a dTIolbach. Os e com abstenção in- puristas da lingua admiraram-no. e imita- filintistas. em 1792 o fa- Conde da Barca nosso embaixador na Hollanda chamou -o para seu secretaparticular.) » um religioso por ^ 22 de Junho de 1778 começara a accusação secreta contra e já a 13 de julho emigrava para fora de Francisco Manoel. Bocage. escriptas cora natu- mas sem enthusiasmo. No lustre mathematico. o Dr. os Martyres de Chateaubriand. era pelas suas reuniões Leal. Chegou a viveu na mais profunda miséria. na Torre do Tombo. de 1819 fevereiro traduziu já n'este século as obras da eschola romântica. lente D. Viveu em França até ao fim da sua vida. conseguindo evadir-se aos familiares do Santo Oíficio no momento da prisão pelo seu admirável sangue Paris a 15 de agosto. por a praticarem publicamente sobre poesia. as obras d^ Hobbes e Helvetius. Luiz de Sousa. de Voltaire. e Padre José Appollinario. vem o Officio. Dr. lente de anatomia. José Anastácio da Cunha. eloquência e bellas lettras^ » e por que tinha o Cândido. regressando rio baixador foi em 1797 a Paris. n. deveu a pureza e vigor dos seus versos soltos ao estudo de Filinto. se"m nunca obter a restituição dos bens que lhe foram confiscados pela Inquisição."* 8087 na Torre do Tombo. que tanto condemnava o elmanismo ou imitação de rio. mas é indispensável o seu estudo para quem quizer metrificar bem na lingua portugueza Garrett. também por 1778 perseguido com João Paula Bezerra. Portugal. Morreu em 25 de oitenta e cinco annos de edade . Luiz Cechi. mas sem consciência do novo espirito littera- Os versos de Filinto não são bellos. os filhos do Morgado de Matheus. . e o Oheron de Wieland. sob 1 Processos do Santo Bon Sens do Cura Meslier attri- processo do Santo Officio contra este n. A 357 LEITURA DOS ENCYCLOPEDISTAS Século XVUI.

Os poetas da Província de Minas. revelado na compreUruguay. no seu portuguezes contra os índios do Paraguay revoltados pelos jesuítas em 17Õ6 . Ignacio de ção Velloso. que rasão suave a virtude. Manoel Ignacio da Silva Alvarenga e José Basilio da Gama. p. foram além dos dois fundadores já citados. leite como lyri- Pope. em que conta a lucta dos d'esta academia. Balthazar da Silva Lis- Andrade Souto Mayor. os costumes selvagens absorveram a attenção do na forma poeta. Protegido de Pombal. Arcádia ultramarina.Justos céos. eu os vi. bello trecho 00 imitado Rousseau. foi o único que o não apedrejou. José Ferreira Cardoso. prolixidade ínsulsa dos seus contemporâneos. onde se destaca a Oração universal. Bartholomeu António Cordovil. 335 e 338. só muito tarde attribuida a José Anas- da Cunha. ^ O único talento Gama. . fundam pouco mais ou menos por 1779 esta Academia poética pi*otegida pelo illustradissimo vice. No processo allude-se aos celebres Mottes que glosavam os poetas livres -pensadores Os peitos da minha amada Eu os beijei. Rendon.JOSÉ BASÍLIO Ii"i9 DA GAMA (EpOCa 'K^ talogo da sua livraria. — então : . t. que ideias ^ se inspiravam das encyclopedistas foram os propugnadores da autonomia da Pereira da Silva. Eram Não b) de sei A Por que rasão não Ou mais Ou mais os não bebi.rei Dom Luiz de Vasconcellos e Sousa. Manoel da Arruda Camera. Domingos Vidal Barbosa. que chega a inspirar sympathia pelos revoltosos rompe com a velha machina mythologica e com a . Os sócios fim do século xviii apparece mais conhecidos da Arcádia ultramarina. i. forte o coração ? espirito revolucionário do também no Brazil. N'e3te processo nSo se falia tácio na Voz da Rasão. José Marianno da Concei- boa. é José Basilio da hensão da epopêa. João Pereira da Silva. por coalhado. e harmonisado com esse vago deismo de de O fizeste. Só no nosso século foram publicados os seus versos. por onde se recompõe o estado mental doa nossos homens mais eminentes n'este periodo. Varões illustres. e Domingos Caldeira Barbosa.

da Gama. que revelou a mes- justa comprehensão da epopêa no Caramuru. muitas das árias de António José. e a Viola de Lereno. que na Marília de Dir- descreve a pungente realidade do seu amor e da sua des- •ceu As Lyras de Gonzaga renovara graça. Peixoto. chegou a França. anthropophagia dos Tupinambas. e Tiiomaz António Ignacio José Ma- d' Alvarenga Gronzaga.) 359 nova nacionalidade brazileira. viveu n'es3a tribu onde dominou pelo persti- gio. de Caldas Barbosa. e depois evadindo-se com Peraguassá. e se tivesse repellido a subservieacia da oitava rima. O movimento iniciado em Minas abafado com sangue. na costa lõlO. tem essa origem e alto merecimento as Lyras de Gonzaga sup. Era a mesma corrente de liberdade que em 1787 creára os Estados-Unidos. a renovação das formas da epopêa recebeu entre elles lar impulso. das quaes falia Tolentino Já d'entre as verdes murteiras Em Com suavíssimos accentos. plantaram a insipidez das composições arcádicas. Quando um maior re- o século se apresenta . aonde a desposou therina. com Como todas as facilidade. sendo victimas os poetas Cláudio foi noel da Costa. e as ram a sympatliia tradicional. que tanto irritava Bocage e Filinto. os seus quadros e situações episódicas teriam levo de verdade e simplicidade. que persistiam entre o vulgo cora o titulo de Mo- as dinhas. chegou a vulgarisar-se entre o povo. Durão metrificava dígena. Glauceste Saturnio. segundas e primeiras. filha de um chefe in- com o nome de Caorganisações brazileiras. velhas formas das Serranilhas. ma Não menos sympathico é Frei José de e generoso um Santa Rita Durão. Sobem nas azas dos ventos As Modinhas brazileiras. e em 1789 tomara corpo na Revolução franceza. que elle sobre a antiga tradição brazileira do naufrago Diogo xjue tendo escapado á do Bahia em singu- que José Bazilio compoz Alvares. Assim como os Poetas mineiros acharam o veio tradicional para a renovação do lyrismo.: SrCUlO os POETAS MINEIUOS XVIII. No meModinhas acorda- século XVIII alguns dos poetas do Brazil visitaram a trópole ou aqui fixaram a sua residência.

e de um talento nascente. Maria i. gritando dia e noite nos paços de Queluz. que acha-se finamente retratada nas viveu na intimidade da corte de D.3C0 o PHILOSOPHISMO E AS IDÉAS FRANCEZAS (EpOCa 5. ni o negativismo encyclopcdisla em Portuflal A falta de comprehensão da continuidade histórica fez com que a Edade media renegasse as relações com o passado grecoromano esse mesmo vicio do critério que levou a Renascença a . o notável hygienista Francisco de Mello Franco. e as figuras phantasmagoricas do Conde de Sam Lourenço. é da colonin que se agita na aspiração da sua independência. pinta ao vivo o typo boçal do Bispo Confessor. em que se ridicularisava a Universidade de Coimbra lucta da auctoridade reagindo contra o espirito novo. As c) —A Cartas de Beckford. Collaborou Andrade com elle José Bonifácio de e Silva. (1757-1823) um dos primeiros associados da Aca- demia real das Sciencias. lhe — O poema vem a seiva daa na- Reino da Estupidez. negar por seu turno a Edade media como barbara. que denominavam 'pkilosopJdsmo. e dizendo que via a estatua de seu pae em braza no inferno. que turezas creadoras. intitulado O reino da Estupidez. o joven Bocage. nossa sociedade culta no ultimo quartel do século xviii Cartas de Lord Beckford. e os politicos ideias francezas. appareceu um poema heroi-comico. e hoje restituída ao seu verdadeiro auctor. §. N'ellas descreve a rainha louca. que elle adivinhou. Foram perseguidos alguns homens cultos por causa do audacioso poema." exhausto de vigor moral e de talento. apparcce en- . os padres por se fechar no pedantismo medieval contra as ideias modernas. que então considerava como seu val ri- Monteiro (Domingos Monteiro de Albuquerque e Amaral. imputado a António Ribeiro dos Santos.) Estas Cartas são um indispensável coinmentario para a historia politica e litteraria d'este periodo Na do rigorismo.

Manique era infatigável em obstar á entrada dos a) em bem illus- Intendente livros francezes Portugal. O Duque de LafSes tinha vivido nas princifões nas paes cortes da Europa.) tre os philosophos do século xvm. » são observados sob esse aspecto da nanova entidade metaphysica. que transparece na Religião natural^ no Direito natural^ na Lógica ou Rasão natural^ das sciencias sociaes tureza. tureza. que inspira as traducções de Bocage e os poemas de José Agostinho de Macedo. —O Fundação da Academia das Sciencias. N'este fervor da contemplação do mundo objectivo. divide-se definidas tre em Duque de em duas correntes. O negativismo encyclopedico. esboça o caracter negativista do século : « A litte- tendem muito mais para desOs problemas mais importantes ratura e o saber do nosso século. ao regressar a Portugal deda ruina do Marquez de Pombal. protegida pelo sempre Lafões. e a litteraria essencialmente didáctica. e em ficas varias capitães da Europa por José Bonifácio de Andrade. no intolerantismo que pois atrazava Portugal. truir do que para edificar. em Argel pelo arabista Frei João de Souza. E assim que se podem explicar a promoção das explorações scienti- no Brazil por Alexandre Rodrigues Ferreira. e por eruditos como Burney. era admirado pelos grandes artistas como Gluck. chegando a sua audácia a accusar o Duque de La- Contas para as Secretarias. que no seu Emílio funda um systema de edu- cação natural. Pela iniciativa directa do Duque de Lafões foi fundada a Aca- . de receber do estrangeiro livros de philosophia.Século o DUQUE DE LAFÕES XVIIl. Rousseau. e até as sciencias cosmologicas e biológicas conservam ainda hoje a sua antiga designação de Sciencias nafuraes ou Philosophia natural. a Litte- ratura encontra novos theraas para descripções pt^eticas. 301 que negando conjunctamente a dependência da civilisação moderna da greco-romana e medie- procuram reorganisar tudo remontando á simplicidade da na- val. a scientifica. nos archivos de Madrid por Ferreira Gordo. devendo-se a elle. como se vê no poema didáctico o Jardim Botaíiico de Erasmo Darwin. em Moçambique por Manoel Galvão da Silva. a protecção a alguns homens de sciencia. traduzido para portuguez por Vicente Pedro Nolasco da Cunha. gosava na corte de uma preponderância legitima. Portugal.

" deinia real das Sciencias de Lisboa. Francisco Joaquim Bingre. Lettras celebravara-se — Com o ás quar- Conda de Pombeiro. tendo por fim de horaisiar-se de Portugal. Figueiredo) que esboçou o plano. no palácio do Marquez de Bellas. Corydon Neptunino . de Academia de Bellas tas-feiras sessões poéticas mais tarde nomeado to — Bocage e José Agostinho. Belmiro Transia- pastoris alheios aos grandes successos lidariamente gano . de trabalho e era extrema miséria era to 7 ou 8 de julho de membros da commissão. João Baptista Lara. Francelio Vouguense . As Memorias da Academia correspondera a uma época de fer- vor scientifico. Earindo Nonacriense . segungio de 24 de do F. sendo em sessão de 28 de junho de 1780 encarregada d'esse trabalho uma commissão presidida por Pedro José da Fonseca (n. tinha este ajuntamen- por protectora Nossa Senhora da Conceição. e Bartholomeu Ignacio Jorge deram prompto antes de quatro annos o priraeiro volurae que coraprehende a lettra A. que por algum tempo prevaleceu sobre o caracter official da instituição. Luiz Corrêa do Ama- França.: CALDAS BARBOSA ' ''>i'r2 (EpOca o. Belchior Manoel Curvo Semedo. foram levados á illusao de constituirem uma Nova Arcádia. Joaquim Martins da Costa. e confirmada por Aviso rédezembro de 1779. 1734. A Academia teve logo era mira a formação de um Diccionario da lingua portugueza. Ignacio José . protegido pela Marquez. Estes poetas reunidos pela iniciativa do Padre Domingos Caldas Barbosa. como Brotero e outros sábios. Albino Ulyssipo)iense. b) titulo A Nova Arcádia. José Corrêa da Serra. Agostinho José da Costa Macedo. Joaquim Franco de Araújo Freire Barbosa. os impossibilitados de proseguir por terem cegado. que era o braço direito do Duque de Lafões. Lereno Selinuntino . Cassidro Ulyssiponense ral . ficando 1816. sendo por ellas ainda hoje conhecida na Eu- ropa. resto sobrevivente da antiga Arcádia. e usavam nomes que agitavam a Europa socom a Revolução franceza. Eis pouco mais ou menos a lista dos seus sócios Domingos Caldas Barbosa. a sua primeira sessão foi celebrada era 16 de janeiro de 1780. C. dirigiu as bellas edições dos antigos Chronistas portuguezes. redigiu as excelleacias da lingua e o exame critico dos auctores veiu a morrer exhaus- . José Thomaz Quintanilha.

frequentavam o -Botequim do Nicola conhecido pelo nome em um de Agulheiro dos Sábios. socielade em do antigo regimen. Manoel Maria Barbosa du Bocage. Thomaz António dos Tkomino. Alcino e Jonio Scalahitano. morava então cora o açoriano André da Ponte do Quental. submettido á férula do mestre D. d'onde saiu um bom latinista. dando-lhe vida em situações lendárias como parasita vagabundo. pelo seu humor turbulento aguaram as doces quartas-feiras do padre Caldas. Joaquim Alvarenga Peixoto. Destacado para Damão veiu ao fim de muitos trabalhos em 1790 com tugal fugiu para a China. foi o poeta preso a 10 de agosto de 1797 por auctor de papeis ímpios e sediciosos. e crea- siponense. quando de repente dois novos sócios. João Medina. e sendo-lhe ac- cusado Bocage. hoje historiada pelo erudito Rivara. que nunca mais lhe deixaram tomar a serio a vida. Choveram satyras. cujos nomes poéticos se ignora João Vicente Pimentel Maldonado. repentista gracioso. As luctas da Nova Arcádia. Marisheu Ultramarino. tica do Intendente e em volta da sua personalidade agrupou dotas picarescas rísticas da do século xviii. e rinha partiu pax*a a índia. Bocage nasceu de setembro de 1765. Manoel Maria Barbosa du Bocage. Menalio JJlys- Era serena a existência da Nova Arcádia.BOCAGE E O AGULHEIRO DOS SÁBIOS J)L'CUlO XVIII. e junto com outros poetas imitadores de Parny e Desaunio de gier. foi todas as velhas anec- e bera caracte- Setúbal.) 363 Pai mire no . n'elles notar como guarda ma- em Goa pela viru- descreve como esteve para ser vi- ctima da celebre Sublevação dos Pintos. segundo a educação em 15 contemporânea. AIcÍ7ido Santos vSilva. António Bersane Leite. Vicente Pedro Nolasco da Cunha. ram-se ódios para cuja vingança explorada a tendência despó- foi Manique. Elmiro Tagideu. O retiro especial Intendente Ma- nique farejava por toda a parte as ideias francezas. pela exclusão que lhe infligiram. Pertenceram também os seguintes. Cursou as aulas militares. fazendo se lência dos seus versos. Elmano Sadino. conseguindo ser entregue á . : Severino Ferraz de Campos de outros só se conhecem os nomes . puzeram em relevo o gé- Bocage. regressando a Por- vinte e quatro annos dissipados. arcadicos. e Padre José Agostinho de Macedo. d'onde para Macáo. Cassidro Tagino. é depois de Camões o único poeta de quem o povo se lembra.

dom e explorava o natural da im- Bocage chegou a exercer na metrificação portugueza. denomina- de por onde era admirado. de jacobinismo politico na burgueza proveiu da leitura furtiva das mil copias d'estas classe Epistolas de Bocage. José Agostinho de Macedo. A Voz da Rasão^ infundadamente attribuida a José Anastácio da Cunha. Era popular sob plethoricas. mais nome vulgar de Pavorosa tomado do primeiro com que começam. Entre esses papeis çíto (EpOCU críticos 'i. análoga á decadência alexandrina. uma grande uma sociedade escravisada. e as Verdades duras. uma Possuía por uma vã ral. impondo falto de senso mo. vam-se Verdades velhas. cerco do Porto. Quanto se vulconhecidas pelo verso garisou de livre exame. Em 1802 ainda foi accusado á Inquisição como pedreiro livre. irascivel. cheinfluencia verso mais harmónico. José Agostinho nasceu professou no mosteiro da em Beja pelas fa- a 11 do setem- Graça em 1778. achados na habit. mais co- nhecidas pelo titulo de Voz da Rasão. tornando o fácil.v- de Bocage. allude ao nome arcadico de Lidio. provisação. e o Consorcio das Flores de Lacroix. que até 1790 se assignava VHedois. litteraria lisongeou todas as paixões rasão e a ces encyclopedica. os principaes eram as Verdades singelas. verdadeiros documentos da decadência do sentimento poético. o o liberalismo da época. Mori*eu em 21 de dezembro de 1805. sem plano. a Agricultura de Rosset. a rima mais gando-se a instaurar-lhe o processo secreto. sendo ao fim de doze annos de revolta contra a disciplina monástica. erudição a sua vaidade pessoal religiosa. que nos revela o nome de Bocage. Acabou a vida tra- duzindo poemas didácticos francezes. e tanto que as reflexões do liberalismo de alguns livres-pensadores. bro de 1761 . arbitrio policial.' A voz DA RASÃO 304 Inquisição em 7 de novembro para escapar ao que era medonho. porém prejudicado por um parallelismo pomposo com que encobre a falta de ideias. Castel. caracterisa-se como Bocage pelo temperamento rival. como os Jardins do Ab- bade As Plantas de Delille. do seu bisavô António VHedois. na sua obra exacerbado pela inveja do seu glorioso leitura intolerância restaurado. a e o absolutismo nome de Padre Lagosta. depois do No meio Bocage entregou-se á crápula. ex- pulso da ordem em presença da communidade em 18 de feverei- . de criticismo.

que dirigiu a transição aíFectiva da Edade média. —A em Portugal. Em Portugal o Intendente Manique obstava por todas as violências para se não espalharem as notícias da Revolução franceza. seu orgulho pessoal levou-o a pretender acabar Camões. 1811 o poema foi dando largas aos constante e virulenta polemica pessoal.) MACEDO 365 ro de 1792. Acompanhou a revolução de 1820. que os reis. O padre era um longo prologo fez-se o ecco da critica de Voltaire no Ensaio sohre a Poesia épica. como José ii. trez annos depois refundiu este acervo de oitavas rhetoricas accrescentando aos dez mais dois cantos. e Em bedoria. Aranrla e Choiseul. a manifestação era mas pela generalidade do phenomeno a todo o Occidente. As falsas ideias sobre poesia naturalismo fcidonho levaramno para imitar didáctico. tendo sido eleito em depu- tado ás cortes constituintes. chegou ao seu período violento na Revolução franceza . te uma sua vida litteraria sentimentos mais deshumanos e á linguagem a mais abjecta. penon. José Agostinho seguiu esta corrente. Cara- Delille. emendado e adaptado ás novas crises politicas do constitucionalismo. era 1830. e os grandes ministros. elaborando os em O Gama. mesmas causas a crise revolucionaria encontrou ecco em pelas todas as nacionalidades da Europa. cooperaram pondo era acção as ideias . vindo a ser nomeado pregador régio 1802. é bal. Esmenard.Século JOSÉ AGOSTINHO DE XVIII.clássico sempre dos esse en- deslavados ChenedoUé. no seu poema na Viagem extactica ao Temido da Sa1812 as paixões politicas fizeram-lhe escrever um poema heroi-comico Os Barros. que eram lidos e apregoados pelos que cultivavam as Sciencias naturaes. Dom Miguel nomeou o Chronista-mór do reino. e morreu quando triumphou no cerco do Porto o regimen representativo. fazendo da pre- dica o seu ganha-pào. Luce de Lancival. cora o titulo mais sonoro O Oriente. Lebrun. cial. e nas Contas para as Secretarias accusa o Duque de Lafões de dar abrigo na Academia das X . Passou então a presbjtero secular. c) A crise revolucionaria época do Romantismo. pondo-se desde 1823 até á sua mor- A ao serviço da reacção absolutista. com a O gloria de para supplantar Lusíadas. exerceu a Censura litteraria offididatico Newton. — Transição para a decomposição do regimen catholico- feudal. como Pom- local.

30G AS TRAGEDIAS PiiiLosopnicAs (Epoca 5. Semiramis apresenta o em nome da divindade. era uma entidade mono- também á propagan- Coimbra. e muito menos a acção politica exercida pelos litte- ratos portuguezes sob o regimen liberal. que pesaram duramente em Portugal. e vreiros francezes estabelecidos tos em propaganda dos furor a adheriam ás novas ideias philosophicas. nem as novas instituições parla uien tares implantadas no século xix em Portugal. e delata cora espanto o crime de se cantarem cantigas francezas nos botequins. na decahida sociedade portugueza. davam largas ao seu jacobinismo. simultâneo formação do Romantismo. e foi mais tarde n'esta corrente das tragedias philoso- phicas que se formou o talento de Garrett. onde a sciencia doutoral mantinha o res- peito pelo antigo regimen. Todos os homens cul- theatros particulares . com os grandes com a sua O século desastres da orgia militar napoleonica. formigaram os theatros particulares. parricidio é a apologia do suicídio. servindo tragedia findou Catão o movimento revolucionário de 1820. com a trans- . chegando a audácia ao ponto de entoarem o Ça ira debaixo das janellas do palácio Espalhavam-se por todas as mãos exemplares da real. O reitor D. Manique espiava com Constituição. Francisco de Lemos mandou fechar todos esses theatros par- onde os estudantes ticulares. se vulgarisavam as peças preferidas trngedias de Voltaire. Merope gião. e Mahomet a hypocrisia cynica impondo-se triumphante pelo perstigio de theista. Sem o conhecimento d'estes factos não se comprehendem. Alzira é o da liberdade de consciência e a condemnação da intolerância religiosa Zaira é o combate entre o amor e a reli- protesto a favor . da A tragedia philosophica prestava-se politica. sendo aqui o ponto de apoio da resistência que destruiu essa monstruosa anomalia guerreira. que lisongeavam a aspiração de inde- pendência moral. que apparecera traduzidas com- em pletamente folhetos avulsos. De facto n'essas tragedias deba- tiam se novos problemas.* Sciencías ao convencional Brussonet. que pelas representações eram as em li- Lisboa.

c) Di'amas de sangue. Renovação das Litteraturas modernas da Europa Na transição do século xvi para o xvii. paizes da Europa. chamou-se á nova doutrina litteraria Cidteranis7no. c) Reacfâo do espirito clássico Castilho. e outros. e sua falta de bases doutrinarias. influencia pedagógica. Por seu turno. O Ultra-romantismo Lyi'ismo melancholico a) Soares de Passos. succedeu em nome todos os também uma reacção natural contra a exagerada imitação da litteratura franceza da época de Luiz xiv. Origens tradicionaes da Litteratura Romanceiros. caracteristica da Littcratura moderna. operou-se ção espontânea em uma reac- todas as litteraturas europêas contra o exces- so da imitação clássica sustentada na grande época da Renascen- ça pela Itália." : fi'anceza: — : : : §. I — Renovação das Litteraturas modernas da EJuropa As corseqnencias históricas da Revolução 1. II — Disciplina scientifica na dissoinção do TSomantismo : a) b) Eschola de Coimbra. manifesta decadência. b) Romances históricos Rebello da Silva.: SEXTA EPOGA (SÉCULO XIX) R0MANTIS310 O §. como não provinha de uma transformação geral da sociemas de modos de vêr individuaes ou académicos.° A A A — 3. c) 2. Phase religiosa ou emanuelica b) Herculano. degenerou em um lamentável abuso de rhetorica. e dade. que partiu das litteraturas do norte e se pro- . conceitos frivolos e em em agudezas de engenho. e Novellistica po- e) Novos estudos : pular. Foi esta a causa principal da prolongãção da influencia greco-romana sob o de classicismo francez durante todo o século xviii. philologicos : desenvolvimento da Historia litteraria ãv Portugal. Os epigones do Romantismo em Portugal a) Phase liberal do [Romantismo— Gairett.0 a) li) influencia polilica.

Na Allemanha. Wieland elabora as gestas francezas. e Thomas Mo ore. Goethe admira o creador do Neveu de Rameau. como a Guerra dos sete annos. vindo á Allemanha a competir essa missão de crear as formas litterarias com os em Litteraturas O allemã e ingleza os dois aspectos sentimentalista e como nos Lakistas Walter Scott. combatida por Haller. As longívs perturbações da Revolução franceza. Wielmd. Herder. a transformação littcraria do Romantismo acompanhava o movimento social da Revolução desde o negativismo critico dos Encjclopedistas alé fi-anceza. e pelo regimen de devastação militar iniciado por Napoleão I. o Este ^henoraeno ó determinado por causas accidentaes. e em Novalis.. Wieland. denomina da a Athenas de Thuringe. era uma chamada e o Romantis- continuação d'e3se sentimento do natural e indivi- dualismo anarchico dos esciúptores francezes que prepararam a Revolução. abreviadas polo conde de Tressan . Lessing imita Diderot no theatro . ou em Burger. ORIGKM FRANCEZA DO ROMANTISMO 'i08 pagou ás litteraturas meridionaes com (EpOCa C* nome de RomanUsmo. sob a regência pacifica de Anna Amélia de Brunswick. conforme as phases differentes que apresenta a grande crise Occidental locap(')de ser lisada em França. É por que Gervinus denomina com imparcialidade este período da e Fichte define o caracter histórico isso Litteratura franceza com o nome de Proto-Romantismo. Klopstock. Lessing 6 Schiegel. . da Revolução franceza. pela insta- bililade social. transacção provisória do regimen das Romantismo foi Cartas constitucionaes. não deixaram proseguir a Litteratura franceza n'esta evolução natural. Schiegel. moderno e Romantismo apresentou nas relação cora o espirito organismos nacionaes. fl O e só comprehendido nos seus diversos aspectos. o impulso de renovação littcraria mo. e a corte de Weimar. onde se reúnem Goethe. tradicional. sempre solidário com a agitação politica. porém na essência. Schiller continua a trage- dia philosophica e é proclamado cidadão francez pela Convenção Kant apropriou-se das doutrinas de Rousseau dando-lhe deducção. compre- hendendo-se assim a sua intima connexão com a grande crise Occidental. que aproxima os escri|)tores alleniàes d conhecimento da poesia ingleza. Schiller. onde se reagia contra a imi- tação da Litteratura da época de Luiz xiv sustentada por Gottsched.

que abraçavam os princípios da Revolução. 24 . a Revolução franceza. todas as manifestações do espirito e da actividade moderna é 1. Hespanha Itália. em que porque essa crise violenta ^ não foi senão o momento impulsos accumulados de ideias e sentimentos do passado determinaram o movimento social a procurar um novo equilíbrio. gam França. a que Stuart Mill chamou a Pedantocom a empha- cracia. no seu livro Ensaios sobre o Ensino em geral. ^ Desde a Paz de Westphalia. foram illudidos pela transacção do Em absolutismo sob o regimen das Cartas outorgadas.) As CAUSAS DO ULTRA-ROMANTISMO litterataras meridfonaes mantismo quando liberal. Esses impulsos definem-se na sua generalidade pelos factos em que se accentua a longa decomposição do regimen catholico -feudal.Romantis- reagiram alguns disciplina voltando ao naturalismo potência. approxiraa-se do conheci- mantismo. como vemos em Garrett e Herculano. pela primeira vez empregada pelo mathematico Lacroix. Quando a a Revolução e o Absolutismo. sobre que se fundam a sciencia e a philosophia moderna. os partilhos do dários das doutrinas clássicas serviam-se do antagonismo politico para vencerem os românticos. Nas reacções absolutistas. a falta de sentimentos verdadeiros cobriu-se se do estylo.Século XIX. que na politica euro- Denominíição lueída. tentou politica entre paizes tornar-se uma em transição todos os solução definitiva pela simulação e falsifica- ção das garantias liberaes. apparecendo nas litteraturas meridionaes esse aspe- cto deplorável a que se deu o nome Contra esta irracionalidade 7no. porque desconheceram sempre o / sentido um modo exclusivo a moral do Ro- nem idealisar Edade media. que^sem renegar a Antiguidade clássica. os principaes escriptores que propa- as formas do Romantismo são também os primeiros caudi- regimen do liberalismo monarchico-parlamentar. 369 apresentam a nova forma do Ro- os estados do Occidente. sem tes irrisório litteraria de Ultra. que começou pelas heresias religiosas e acabou pelas revoluções politicas. — As consequências históricas da Revolução franceza. e Portugal. de espiri- mas ficaram na im- mento da natureza pelo conhecimento da continuidade histórica. como na Itália.° Em indispensável a orientação d'este ponto de partida.

provisoriamente sub- stituido pela Republica-democratica. e Dora . derrogados pelo principio da egualdade perana lei. annos antes a Revolução franceza inevitável. l!|in(M lAI. A queda dos Jesuitas. Portugal soíFreu a invasão militar napoleonica. A realeza feudal foi foi presagiadn executada na pessoa de Luiz XVI pela fatalidade dos acontecimentos.UKOHGANISAÇÃO DO 370 pêa prevaleceu o I I. e o vasto cosmopolitismo provocado pela circulação dos productos do trabalho reconhecer a necessidade de livre. as Egrejas nacionaes borciinaclas ao poder dos men IMiIil. foi afastado da sua forma de- que provocou a Restauração monarchica. mas deturpado pelo banal deismo robespierrista . repre parte nos privilégios e distincooes da nobreza. o espiritual e o temporal. e sem a subordinação mantida nos costumes que a sua feição medieval exigia. espirito secular. mas a impossibilidade de reconstituir de pé com que entre a Revolução e o Absolu- ura passado morto. sentado V.l! O regimen feudal. e os privilégios das classes aristocráticas. significando a separação final dos dois poderes.MI'()!lAI. fez uma reorgatii- ção social sobre outras bases que não as velhas hostilidades militares. tida.:<l'lltn reis. estava condensado em todas as suas manifestações nas Monarchias absolutas. pelo Consulado e Império. que explorou uma desgraçada retrogradação finitiva pelo terror. patro- cinado pela Inglaterra. — A marcha da Revolução fanceza foi sustada nas suas manifestações exteriores pela retrogradação imposta a todos os estados pela colligação monarchica denominada A Santa Allian^a. a) Injiiiencia politica. veiu deixar a realeza em situação isolada. e por ultimo pelo sophisma das Cartas outorgadas. e da lei egual para todos. como Assim. e destinada a dirigir a sociedade humana. representantes das bandas guerreiras das invasões germânicas. ('>/' foram au com a queda dos Jesuitas o regi sua plena dissolução como auctoridadt catholico soffreu a em I'. compararam-se as A soberania absoluta foi discu- instituições politicas de diíFerentes povos. porque foram reis catholicos uma que decretaram a sua expulsão. o poder temporal. As longas perturbações da época revolucionaria provieram dos esforços para substituir os Poderes decahidos o poder espiritual foi genialmente esboçado te . militar. fez tismo se estabelecesse essa transição provisória das Cartas constitucionaes. nas reformas pedagógicas da Convenção.

Os retrocessos casuaes das ephemeras restaurações do absolutismo. As emigrações forçadas. vem encontrar-se no mesmo campo de transição politica. de continente e com o maior futuro. ram das Universidades. A estéreis pelo seu profunda elaboração scientifica extemporâ- do século . tradição. realisou a nossa adhesão Em ao novo regimen pedagógico iniciado pela Convenção. foi o ecco tardio pela primeira vez a re- presentação parlamentar deu logar a manifestações da Eloquên- exprimindo os elevados sentimentos e as aspiraçoss humanitá- cia. abandona o credo da Revolução pelo constitucionalismo . mantendo-as neo humanismo. não prepondera no ensino publico porque os Jesuítas se apoderadas Universidades . depois de escripta a sua tragedia Catão. e pela primeira vez os escriptores spirar-se das tradições nacionaes. de oradores extraordinários. por meio das quaes os renovadores da teratura portugueza tomaram conhecimento em França lit- e Ingla- terra das maravilhas do Romantismo. coronel Sepúlveda. Século XIX. que primeiro abraçara a causa do Absolutis- mo. e á prolongação da língua e actividade portugueza em um mais vasto emancipação do Brazil desenvolvimento raça. provocaram emigrações. ha sempre uma tre as instituições politicas e as disciplinas pedagógicas XIII com todas intiraa solidariedade en. Garrett. como em 1823. as grandes crises sociaes. — A revolução de 1836. confessava as suas opiniões democráticas. Borges Carneiro. e Herculano.) 371 Joào VI acceitou a auctoridade da Santa AlHança mantendo o seu absolutismo até ao momento em que a nossa revolução de 1820 sacudiu o protectorado inglez e formulou a jurada pelo mas rei em inevitável da 1822. que era 1820. como Manoel Fernandes Thomaz. a direcção experimental das sciencias correspondendo á liberdade de consciência na Reforma. coincide a creação de uma rnstrucção publica secular no estabelecimento no século xvi. b) Influencia pedagógica.AS REVOLUÇÕES DE 1820 E 1836. combatendo pela Carta. na transi- ção do constitucionalismo era Portugal. Simões Margiochi. 1829. deu logar ao uma outra Litteratura. no século o advento do proletariado á participação civil. 1831. fortificando com procuram inemoções essas a reorganisação da sociedade portugueza. grande A Constituição politica revolução de 1820 crise franceza . acordaram o senti- mento de pátria. A rias em uma nova nacionalidade.

rio Academias de Bellas-Artes em Lisboa e Porto. comprehendendo dez cadeiras para cinco cursos de quatro annos . a mia real das Sciencias de Lisboa. veiu a entrar na corrente do ensino publico no anno da Republica franceza. Guiton e Prieur. liou com em que o ensino das Lettras pela primeira vez se al- o das Sciencias. o typo do nosso ensino secundário dos Lyceus nacionaes. esse novo typo pedagógico adinittido actualmente em todas as nações da Europa. Eschola Medico. que por decreto de 11 de janeiro de fundou em Lisboa a Eschola ])olytechnica. ses. no Porto. Moraes e Politicas. da especialidade é que prevaleceu na reorganisação pedagógica da Convenção. Segundo a forma do Instituto nacional de França. trabalhos públicos. segundo o espirito de Sciencias physicas pressa de um modo . Por decreto de 5 de Coimbra gio das Artes de foi convertido Dezembro em Lyceu o Colle- nacional.1 AS POLYTECHNICAS EM PORTUGAL 372 (EpOCa C* XVII. quando iii decretou a reforma da InstruC(jíão publica. ou capitães dos districtos administrativos. Da instrucção especial superior veiu a compreben- são da necessidade de crear o ensino médio ou elementar. fun- dando em 1837 a Eschola do Exercito. Fourcroy. que o incumbiu por portaria de . e mathematicas. ptembro de 1836 também Na Litteratura portugueza existe im- evidente a influencia da Revolução de Se-Í Garrett adheriu aos seus principios. se dividiu em Acade- três clas- da Convenção. La- grange. nasceu a Eschola 2>olytechnica. e Lit- feratura e Bellas Lettras. o Conservatóda Arte dramática e Eschola de Declarnação. repre- sentado nos atrazados Collegios appensos ás Universidades. Foi Passos Manoel. a antiga Academia real de Marinha também em 1837 transformada em uma Acade7nia O espirito foi ijohjtechnica. no edifício 1837 do Collegio dos Nobres. Laplace e Garat substituíram aos antigos Collegios as Escholas centraes. organisada em 1794 a Convenção Da Eschola central de por Monge. embora inconscientemente.cirúrgica. reformou-se a Universidade extinguindo a faculdade de Cânones. Bertholet. e introduzindo as duas fíiculdades de Philosophia e Mathematica na sua forma polytechnica. e por decreto de 17 de Novembro foram creados outros Lyceus nos principaes centros do paiz. e achou-se cooperando com Passos Manoel. que pelos estudos mathematicos determinou novos processos de methodologia. seguimos também essa corrente.

. e volução de Septembro.) 373 28 de Septembro de 1836 de apresentar ura plano de fundação em 2 de Novembro o nomeou Inspector geral dos. na sua direcção espiritual. foram realisados pelas geraçSes educadas nas Escholas especiaes fundadas pelo movi- mento septembrista. e Castilho era árcade romano com o Mémnide Eginense. Herculano insurgiu-se contra o triumpho da Re- do Theatro nacional. A su- perioridade da época moderna começou pelo conhecimento pro- . copiando servilmente as instituições e os productos da edade polytheica . não passa de cas. e pró- denominado arcadicamente Jonio Duriense. levantada a denominada Querella dos antigos e modernos. prio Garrett antes da emigração era ambos representaram até certo titulo de tempo as duas influencias de Filinto e Bocage. envolven- do 03 humanistas nos conflictos religiosos do protestantismo. Esta falta de comprehensão da continuidade histórica viciava todas as conce- val. Estes factos eram a consequência da falta do conhecimento da solidariedade da Civilisação occidental ja. de Lamennais o seu A Voz do Promoral apresentado por libello poético o desenvolvimento material e Portugal n'este3 cincoenta annos decorridos. social lo A Litteratura acompanhou esta transformação tudo o que se escreveu até 1836 desde o começo do sécu- . houve uma encarniçada lucta de principies no século XVI . reagia-se contra a imitação dos clássicos greco-romanos. a Egre- renegara as obras primas da Anti- guidade. a Renascença negara por seu turno a importância das creaçSes medievaes. O já sob o estylo elmanista. clássica e medie- retemperando-se na fonte viva da natureza. por fim. — Em todos os paizes onde se propagou a nova idealisação litteraria do Roman- A c) tismo. já sob a uma maneira reproducção automática das formas arcádifilintista. pções. e no primeiro quartel do século xix os sectários da auctoridade clássi- ca accusavam os escriptores românticos como propagadores do radicalismo politico. desviando-as da realidade para o dominio da utopia.•:>e( LUCTA DOS CLÁSSICOS E ROMÂNTICOS uIO XIX. durante o longo periodo da Edade media . e ag- gravando a agitação anarchica da grande crise occidental. escrevendo no estylo bíblico das Palavras de um Crente Todo pheta.. veiu o século xviii no seu negativismo critico a desprezar todas as relações com as duas antiguidades. característica da Litteratura moderna.Theatros.

impondo-se no lyrismo religioso de Chateau- briand e no sentimentalismo christão de Lamartine. vontades pela dependência hierarchica do assim nos apparecem os poetas emmanuelicos. renovada por Otfried Miiller. e por isso obteve curso unanime. Lenau. sendo esta designação derivada da noção lisação de unidade de civilisação das nacionalidades modernas creadas so- bre a dissolução do Império. Schelley. e eram de- mocratas como Schiller. nos ma como o theRomantismo era a idea- seus costumes. Edade media. havendo comtudo poetas que se his- elevaram á idealisação da Humanidade. fez falta com que escriptores idealisassem essa edade sob diversos aspectos .* mundo greco-roma- no*e a éra feudal. dos espirites pela Egreja. emquanto os historiadores continuavam século XVIII. que a investigou e esclareceu seguiu-se o em todas as . estudados por Grimm. ou insubmissos tânicos) como Bjron. declamando a obedecer ao espirito negativista do com as costumadas phrases de estéril Os poetas e romancistas tomaram a barbárie e trevas sem nome. Outros escriptores consideravam a {sa- Edade media no seu periodo de concorrência. como André Chénier. e os investigadores especiaes occuparam-se com sympathia tanto da erudição clássica. quando uma auctoridade doutrinaria estabelecia a subordinação e a coordenação das Feudalismo . um de A designação de Romantismo tinha A sentido verdadeiro. principialmente no romance histórico Walter ptores gência Scott. A Edade media foi rehabilitada primeiramente de um modo sentimental. por uma intuição genial. das creações estheticas. Goethe. os uns pre- feriam o periodo de dissidência das invasões barbaras. a co- meçar em Klopstock. Pouquíssimos escri- comprehenderam a Edade media no seu periodo de conver. Após a rehabilitação sentimental da Edade media. liberaes como Goethe. e idealisando a vida senhorial dos castellos. crenças e tradições. e Victor Hugo no drama. cantavam o instincto da revolta e um individualismo anarchico. como dos monumentos medievaes. dilecto O da Edade media.REIIABILITAÇÃO SENTIMENTAL DA EDADE MEDIA . como o fizeram Condorcet e Kant. uma comprehensão scientifica da Edade media. foram principalmente os philosophos que elucidaram os toriadores. Prati e Victor Hugo.'{71 gressivo da intima conuexão histórica entre o (EpOCa G. Herder e Augusto Comte. começou-se por comprehender a historia no seu conjuncto. trabalho de erudição.

e simultaneamente com as Gestas carlingianas se penetrou no procoadjuvou blema da formação das epopèas homéricas. e as composições lyricas dos Trovadores provençaes . que tão claramente explicam a propagação do Christiauisrao no Occidente das Couimunas territorial foi . ou melhor. uma melhor explicação do polytheismo helleno-italico. reconheceu-se que uma evidente separava a Arte moderna da Arte antiga mo observou o génio luminoso de Comte um modo característica . Paulo e Virginia de Bernardin de Saint-Pierre. o Lazarillo de D.ESPIRITO DA LITTER ATURA calo XIX. a Manou Lescaut de Prevost. coadjuvado pelo construcção synthetica. o Tartufo de Molière. veiu tornar evidente a unidade do systema linguistico da Europa e a unidade ethnologica dos povos indo-europeus. operarias e agricolas. conheceu se a organisação do trabalho livre nas Jurandas.) suas creaçoes . tornou-se possível uma Sciencia social. e exclusivo a em vez de continuar-se a idealisar de Edade media. exercendo-se a critica no subsidies operou-se a constituição de desenvolvimento da Philosophia da Arte e na Historia das Litteraturas. o estu- critério comparativo e de filiação histórica. Os monumentos litterarios dos períodos védico. De facto a litteratura Gil Blas de Lesage. e investigaram-se as Catacumbas de Roma. foi reconhecida uma das creaçoes mais belias de uma comparável ao das ordens gregas também analjsadas no . das classes servas. Do Romantismo sentimental transitou-se evolutivamente para a sciencia. a Marianna de Marivaux. e quando todos estes ele- mentos precisavam entrar em uma do do samskrito. co- — na idealisação da vida moderna é anterior ao Romantismo. La . línguas românicas foram as seu conjuncto. Jacques o Fatalista e a Religiosa de Diderot. a Ar- como como um typo civilisação. o Adol2>ho de Benjamin Constant. a Clarisse de Richardson. o domestica. longo tempo despresada. pertencem á litteratura romântica obras como a Celestina de Rojas. brahmanico e budhico revelando-nos a continuidade das formas litterarias universaes. o Tom Jones de Fielding. Diego de Mendoza. e as lendas populares. MODERNA 375 estudou-ge o grande problema da3 origens do pro- letariado. Com estes poderosos uma renovação da Historia. chitectura gothica. o direito explicado pelos documentos e pela aproximação das formas municipaes. consiste. a Frinceza d» Cleves de Mad. publicaram-se as Cançdes de Gesta.

servida por mente uma simples preoccupaçao da forma plástica. e a traduzir as obras que mais caracterisavam a inspiração moderna." em Portugal. invadindo os estados da Europa. Krasinski . e Thierry junto de Victor Hugo. o sentimento de Pá- como Beranger. o sentimento da solidariedade humana é <> thema supremo a que tende a Arte moderna na sua alliança íinal com a Philosophia. á custa da qual Napoleão. concomitante ideali- as ambições pessoaes favorecidas pelo parlamentarismo. Kerner. Petoefi. porém O colosso da empreza e pela colligação dos esta- d'este successo. lyricos. creou o theatro portuguez. fundamentaes da reorganisação social proclamados pela Revolução franceza foram criminosamente deturpados pela retrogradação mia) litar. A (EpOCa 0. Dickens e Tackerey tria. — Os principies Phase liberal do Romantismo: Garrett. Herculano se solidário com sentia- os esforços artísticos de Garrett. em Garrett iniciou o estudo da tradição nacional. vindo por fim a cooperar na idealisação da Edade media. reli- Castilho continuou as velhas formas arcádicas. considerando-se junto d'elle e pela preferencia pelos trabalhos históricos o que era junto de Goethe Herder. harraonisar as opiniões admiravelmente idealisado nos romances por Balzac. como exprimindo o movimento litterario moderno Portugal . No momento presente a Litteratura moderna. que explora essas apti- dões litterarias na intervenção do jornalismo. inspira os com . rara- em uma se eleva ao seu destino social. distinguindo-se depois do conhecimento de Klopstock pelo seu lyrismo gioso . Os Epigones do Romantismo 2. e dirigido pela melancolia dos Lakistas ele- vou-se ás mais bellas formas do lyrismo pessoal . reagiu por longo tempo contra a introducção do Romantismo. esgotando-se com sação do individualismo anarchico. e os sentimentos o sentimento da familia tem sido grandes Manzoni. ACÇÃO DO PARLAMENTARISMO 376 fayette. que determinou o estabele- .* em transformação da Litteratura consiste os costumes com os sentimentos. — No uso cor- rente 03 nomes de Garrett.. tentou unificar as naçSes sob o seu dominio pessoal. Herculano reno- vou os estudos da Historia portugueza e transplantou para a nossa lingua o typo do romance creado por Walter Scott. caíra pela irracionalidade dos europeus . Herculano e Castilho ligaram-se intui- tivamente.

as sociedades secretas do Tugendbund e Burchenschaff tinham no seu seio philosophos como Fichte. Pierre Leroux e Armand Carrel. Charles Remusat. Thiers. Sainte Beuve. manifestações litterarias rio. Ampere. Agostinho Thierry. e representar como novação social. e manifestavam-se em órgãos litterarios que serviam de convergência á mocidade talentosa. Damiron. auxiliados pelas communicações de Guizot. » As um mal passageiro em nas illusões uma re- doutrinas irrompiam apezar de todas as re- pressões materiaes. Na Allemanha.) 377 cimento da Santa Allianqa dos Reis contra os Povos. invasões do aventureiro corso. vivescência d'esta revelação do o desenvolvimento génio dos povos.: ROMANTISMO LIBERAL Século XIX. Lerminier. « ella caracterisa o esforço retrogrado da Restauração constantemente desconhecia e punha todo o seu orgulho desconhecer ideias. resultaram phenomenos contradictorios. Mérimée. homens de sciencia. e iniciava-se a critica litteraria com os estudos archeologicos da Eda- rioridade da de media. poetas e as as tradições. de 1824 a 1830. Vitet. que tornou a Allemanha a iniciadora do Romantismo. Remusat. proclamava-se a supe- França moderna sobre a do antigo regimen. que prolongaram a agitação do secalo XIX. acordaram os sentimentos e que inspiraram as novas manifestações litterarias. a realidade e a profundidade da Revolução Queria attribuir tudo ás paixões individuaes. Trognon. levando os governos a uma deplorável acção repressiva de conservantismo por outro lado as resistências nacionaes contra . J. viu um symptoma revolucioná- que pretendendo restaurar ta Alliança. A confusão dos principios doutrinários da Revolução com as monstruosidades da orgia militar napoleonica. onde sob o impulso de Dubois. J. Villemain e Cousin. ás de ura momento. coincidiu a acção diplomática da San- nas novas um passado morto. No Globo conciliava-se a liberdade da imprensa ingleza com o espirito scientifico allemão. publica-se em França o Globo. aquelles sustentando a auctoridade do passado. fez com que a Santa Alliança tentasse restaurar o velho regimen catholico feudal. que levantaram o espirito nacional pela re- Com das tradições germânicas. apparecem os poderosos escriptores JouíFroy. Foi então que se operou a distincção entre Clássicos e Rov\anticos. Patin. estes .

a accusado. Por isso Herculano referindo-se ao Romantismo. Foi em consequência d'e3te9 retrocessos. escrevem no Conciliatore. sofifrendo o attentado da Santa Alliança em 1823 com a restauração do Absolutismo. João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett nasceu no em 4 de fevereiro de 1799. a esta círcumstancia deveu Garrett o conhecimento da nova corrente litteraria mantismo. Puchkine na Rússia. a vem com as mesmo pensamento d'estas.'MS GARUETT (Época 6. como diz Salfi. Petoefi na Hungria. » diz que esta revolução litteraria e explica-se pelo Sem revoluções sociaes. O clássico Baur-Lormiant chega a pedir o desterro para todos os românticos como medida de segurança publica. na Grécia moderna. de excitar os seus leitores á in- dependência politica por meio da independência litteraria. cujo ae universalisava espirito pela litteratura. Na do Ro- artística obra d'este iniciador é impossível comprehender a concepção ideal separada de qualquer relação social. Rhigas. era oriunda dos Porto. o ter passado os primeiros . a Academia dei Mirto converte-se na sociedade secreta dos Numantinos.* aflSrmando a moderna emancipação artística e social. e a esta circumstancia deveu o poeta o annos nos Açores junto de seus tios. a sua vida achou-se sempre intimamente ligada a todos os movimentos políticos para o estabelecimento em Portugal do regímen parlamentar. procurando a principio separar a expressão do pensamento politico. estes preliminares históricos fora impossível comprehen- der a acção de Garrett na transformação da litteratura portugueza. sendo aqui o ponto de apoio da resistência eu- ropêa contra essa retrogradação. nio Açores (ilha do Fayal). Mickievicz e Zaleski na Polmia. a família de seu pae. » Em Hespanha. e entre os presos pela causa da independência politica figuram o grande lyrico Espronceda e o poeta Escos- sum. os escriptores que aspiram á queda do despotismo austríaco. Portugal seu vigor nacional na revolução também affirmou o de 1820. Na Itália. Portugal litar também soífreu como os outros estados a invasão mi- napoleonica. AntóBernardo da Silva de Almeida Garrett. são as manisfesta- ções de revivescências nacionaes. que se deram as emi- grações dos indivíduos crática mais compromettidos pela causa demo- ou pelo liberalismo constitucional .

A violação da Hespanha pela Santa Al- em 1823. de 1826.) 379 bispo D. e a proclamar-se absoluto. (1814-1821) entrou o seu espirito n'essa corrente do jacobinismo tradicional da época de 93.9 A TRAGEDIA CATÃO Século XIX. a tragedia labo Mérope. e inspirou-se n'elle para escrever a sua importante tragedia Catão. que na Revolução de 24 de setembro de í 820. Garrett escreveu o eloquente soneto. Em um oflBcio da Intendência da Policia. e diante do nefando attentado da morte le- Gomes Freire. restam o poema didáctico traio de Vénus. repellindo o jugo estrangeiro. de 1823 de emigrar para França. o ticas do grego e do latim da Lyrica de João Mitiimo o das Flo- De res sem fructo. Garrett adheriu a este glorioso movimento. Entre os perseguidos pelo seu liberalismo figura Garrett. Pela vinda de Garrett para a Universidade de Coimbra. em . em que exclama « geme sem protector a humanidade. em que elle nio Duriense. Comprehende-se a direcção exclusivamente latinista da primeira educação de Garrett. deduzido do es- toda esta actividade lucrou Garrett apenas tudo das obras de Filinto Elisio. Frei Alexandre da Sagrada Família. que preponderava mica em conflicto na classe acadécom o conservantismo doutoral. que jurara. e imitava Delille. e as suas primeiras tentativas litterarias pelos modelos consagrados do pseudo classicismo francez. em que imita as Cartas de Demoustier sobre a mythologia. da sé de Angra. outo mezes depois do seu casamento. » gal de de Santa : A repressão canibal de Beresford levantou o espirito nacional portuguez. D'esta phase precursora do seu talento. determinou Dom João vi a rasgar a Constituição de 1822. tantas vezes representada por occasião de manifestações politicas e como distracção entre os emigrados portuguezes. tendo em julho liança. e dos sete patriotas enforcados no Campo Anna em 1817. reivin- dicou a própria soberania. Comprehendeu a degradação da nacionalidade portugueza sob o protectorado inglez de Beresford. em O ^e- ainda usava o nome arcádico de Jo- que imitava os em verso endecasyl- intuitos philosophicos de Voltai- Lyceu das Damas. um perfeito conhecimento do verso endecasyllabo. e algumas odes philintistas e traducções poére. e os arcediago e cónego Manoel Ignacio e Ignacio da Silva. a sua veneração pelos poetas da velha Arcádia Uljssiponense.

em 1832. que se operou no espirito de Garrett a crise definitiva do génio artístico. José Estevão e os dois Passos. o novo poema no estylo digressivo. Garrett viu-se forçado a expatriar-se pela vez n'e33e 1828 em mesmo anno. e com as fúrias absolutistas o regresso de D. O seu o em 1826 elegiaco Camões. etc. de Vienna de Áustria mouth a sua tragedia Catão. a D. soláos e outros vestígios da anti- ga poesia nacional da . Em feve- segunda Inglaterra occupou-se o poeta colligir os seus primeiros versos em 1829 representavam nimo. onde o antigo burgo independente lucta pela reivindicação das suas garantias. Para « occupar e distrahir o attribulado em espirito poema tanto desterro e solidão cional. distinguíndo-se nos trabalhos de reorganisação comraercial. fal-o comprehender a necessidade de colligir os romances. es- segundo o typo crea- do por Walter Scott. em 1827. para o cerco do Porto. Garrett mezes de cárcere dade de imprensa . Em portugueza para a ilha Terceira. O Arco de /Saní' Anna. Depois do triumpho dos liberaes em 1834. Garrett achou-se liberaes. penal e de instrucção publica. e que infelizmente hallucinaram as cabeças dos incautos e inexperientes. » Foi n'este periodo da primeira emigração de 1823 a 1826. Branca. foi lares. Nas terríveis luctas do cerco do Porto boçou Garrett esse bello romance histórico. que vogaram durante o fatal periodo da Revolução. » compoz em Paris. xácaras. e ao ligado á lucta politica tuições em com o movimento mesmo tempo indissoluvelmente para a implantação em Portugal das insti1832 partiu de Bellisle com a expedição glaterra. administrativa. um « arrebatado dos annos e pelos excessos como outros muitos hoje sectário resti- fogoso dos principies de- mocráticos. diz-se que pelas ideias do tempo.AS EMIGRAÇÕES POLITICAS 380 (EpOCa 6. Miguel. dá-se a scisão entre os . Pela emigração na In- littcrario relação directa do Romantismo.* que se permitte o regresso de Garrett. emigrados liberaes os em na Li/rica de João Mi- assistindo entre outros em Ply- Alexandre Herculano. achara a base orgânica para a transformação litteratura portugueza. e d'alli como soldado do batalhão académico. soíFreu alguns Depois do regresso a Portugal. pela verdura de uma imaginação tuidos aos pátrios ardente. e escreve tradi- conhecimento da actividade romântica era 1824. por exercício de liber- e desencadeando-se em 26 de reiro de 1828.

Este drama ligava-se a um anterior phenomeno do renascimento nacional. por cuja pauta escreveu o Catão. copiadas por um seu companheiro de desterro.RESTAURAÇÃO DO TIIKATRO PORTITGUEZ Século XIX.) <]ue 381 consideraram a lucta como simplesmente limitada á restaura- ção da Carta outorgada de 1826. o principio da soberania nacional sustentado pelos Setembristas contra os Cartistas. o Auto de Gil Vicente produzia um his- enthusiasrao geral. como um Édipo em Colona. Garrett seguiu a causa dos setembristas. a publicação das Obras de Gil Vicente. e de inspirar-se das tradições nacio- sobre as quaes desenvolveu as suas novas concepções. não o embaraçaram os complicados trabalhos oflSciaes para crear os modernos typos da litteratura dramática. Triumphou definiram os campos. em 1836 que se com a Revolução de Setembro. emprehendeu então a creação do Theatro nacional. cente. Com um grande tino artísti- Garrett ligou ao seu drama essa outra tradição sentidíssima . Não bastou somente crear o drama moderno. co. naes. elle . de tudo isto se fez epocha. e coadjuvando as reformas realisadas por Passos Manoel. teve Garrett de desprender-se da antiga influencia dos trágicos francezes e italianos. seu fundador Gil Vi- cente. o drama. aquella grande aquella grande gloria. E este o seu grande titulo de gloria. couvidou-o a apresentar do theatro portuguez . a Merope e outras peças que inutilisou. Em 1838 escreveu Garrett Um Auto de Gil Vi- com que iniciou a phase romântica do theatro como a tradição o inspirara cabeça —a : « O conta que eu tinha no coração e na restauração do nosso theatro. um em O portaria de 28 de setembro. seu primeiro protector el-rei Dom Manoel. Para crear o drama moderno. governo revolucionário de 1836. em 1834. e acordou o interesse do publico pela obra da restauração do theaportuguez. e entre os que reclamavam depois do cerco do Porto uma Constituição foi . senão ter de interessar pelo seu pensamento os novos governos e a própria sociedade que acabava de sair das longas batalhas feri- das contra o absolutismo. » Apesar dos defeitos de estructura e da errada comprehensão tórica. José tro Victorino Barreto Feio do raríssimo exemplar de 1562 conser- vado na Bibliotheca de Goettingue. plano para a fundação e organisação nomeado em 2 de novembro d'esse mesmo anno Inspector geral dos theatros.

Em 1840 escreveu Garrett o drama lhena.^ pela infanta Dona Beatriz.: o DRAMA FREI LUIZ DE SOUSA 382 dos amores de Bernardim Tudo obra Ribeiro (EpOCa 6. em 1842. escripto em 1841. . O drama para ser represen- foi escripto tado pelos discipulos do Conservatório. é frequente na Edade média com os cavalleiros que voltavam da terra santa o incêndio que Manoel de Sousa Coutinho ateia no seu palácio de Almada. de 1841. guidilhas Pereira . Garrett evitou da imitação. tem por acç?So a liberdade da pátria salva da o escolho invasão castelhana. der depois da insurreição do Porto promovida por Costa Cabral. (bonifrates) Garrett também mático da tradição de Frei Luiz de Sousa lante. acharam-se senhores do po- XVII. Deu-se n'esta obra a circumstancia que inspira todas as obras geniaes assim como Goethe recebeu a primeira ideia do Fausto no theatro dos puppenspiel. estabelecia relaç3es sympathicas entre o publico e a isto litteraria. e Lii. o Frei Luiz de Sousa. Nuno o vulto cavalheiresco de se- Alvares Garrett aproveitou-se com arte d'essa lindíssima tradi- ção da espada invencível temperada pelo armeiro de Santarém. em que Santo Condestabre. de Nepomucene Lemercier. Esse outro drama o Alfageme de Santarém. das é heroe o D. Este primeiro gérmen ela- foi ampliado pelo estudo na Memoria D. Francisco Alexandre Lobo e nas narrativas de Frei António da Encarnação. em sentiu o valor dra- em um theatro ambu- 1818. do povo. sobre uma histórico Filippa de bella tradição que reveste de poesia o to revolucionário de Vi- movimen- 1640. quando Portugal recuperou a sua na- cionalidade autonómica. quando sabe que os borou-se no seu espirito. e histórica de . O Pinto. na Povoa de Varzim. Em 1844 começaram os primeiros symptomas de resistência nacional contra a retrograda- ção cartista. tal como a descobriu na Chronica do Condestavel nos capitules Os Cartistas. e em Em 16 de junho 7 de outubro de 1842. idealisa o heroe da revolução de 1040. A tradição que se applica a Frei Luiz de Sousa. e é n'esge anno que escreve Garrett a obra pri- ma do theatro moderno da Europa. e o Alfageme de Santarém foi prohibido por suspeitarem n'elle allu- sões politicas contra o ministério de resistência. Costa Cabral demittiu Gar- rett de Inspector geral dos theatros e de Conservador das Escho- las de Declamação no Conservatório.

incidentada. uma em Lisboa em 9 soube dar á prosa por- de movimento subjectivo e de animada de por elle O lyrismo das Folhas cahidas. o ultimo lampejo da sua poderosa organisação affectiva. o Duque de Chabert. de Balzac. em 13 de janeiro de 1852 nomeado par do reino. Por fim deu-se ura movimento de conciliação entre os dois campos sob o em 25 de junho d'esse anno nome de Regeneração em 1851 Garrett foi nomeado Visconde. a nitidez lógica dos caracteres. a pasta dos estrangeiros. teve o mas acima de tudo prezou sempre a sua . cheia de locuçSes effeitos pittorescos. um espontânea. mitáveis e únicas das Folhas cahidas. também no romance tratada do romantismo Um um Castellano leal de em Hespanha. expirou de dezembro de 1854.) Governadores do reino tentam refugiar-se também na de Lisboa. a naturalidade na sua A máxima verdade. Ninguém como tugueza uma forma populares. e desdém soberano. Garrett esteve sempre do lado da nação contra a resistência do paço. ráveis de justa e clara doutrina os Discursos parlamentares de Garrett. tos em que da sua imaginação é onde Garrett introduziu menos elemena sublimidade shake- elle attinge spereana na expressão das paixSes. inspirado paixão tardia e occulta. ó um documento psychologico de primeira ordem. que synthetisava a classe industrial. em 1847 lenome vantou-se no Porto a prolongação d'esse movimento sob o de Patuléa. acha-se alli por causa da peste tradiçSo hespanhola do Conde de Benavente. que venceu por meio de uma intervenção armada estrangeira são admi. Garrett tomou parte em todas as luctas que precederam o estabelecimento do regimen parlamentar poder e a influencia. em Portugal. que incendiou o seu palácio quando Carlos v o man- dou sair d'elle fes para ser entregue ao duque de Bourbon. Estava terminada a sua vida de lugasto por essa vida admiravelmente descripta nas odes inicta . em lucta com os principaes oradores cartistas.da Fonte. de- signação mythica do caracter popular da revolução.383 o ESTYLO DE GAUHETT Século XIX. como Garrett. sobretudo nas Viagens na minha terra. rompeu em 1846 com a Maria lucta politica . No drama Frei Luiz de Sousa. em um tradição dos che- Coronel militar que chega muito tarde a Paris das campanhas da Rússia. ha esta tradição localisada No Rivas. e n'esse mesmo anno entrou no ministério com .

espirito de » ^ A infiel lettras clássicas. e Maria do Carmo Boaventura. em 28 de março de 1810. se a occasião se lhes oíFerecesse . e cujas predilecções rarias se revelaram por tentativas de uma litle- traducção da Messiada. o frequentou a aula de ^ Panorama. Allemanha. Stael. (1844. fiel da recebedoria da Junta de Juros. Phase religiosa ou emanuelica do Eomantismo: HerculaA idealisação da Edade media levou alguns poetas a reagirem contra as instituições liberaes. com intuito politico em Chateaubriand com os Martyres 6 Atola. Philippe Nery. tudos foram frequentados no Collegio do Espirito Santo. em Soumet com a Divina Epopêa. a qual veiu dar nova seiva á arte meridional que vegetava na imitação servil das chamadas estas estudadas no transumpto epocha de Luiz xiv. ella fazia voltar a attenção como outros muitos o Como madame de da mocidade para a arte de fariam. Apraz-me confeasal-o aqui. cujos primeiros esnisino. Antes da emigração. Alexandre Herculano nasceu em Lisboa. emergentes da Revolução. . . Seguia 08 estudos da Aula de Commercio. : « elle. dos Padres Congregados de S. — uma época. inspii'ando-se exclusivamente do sentimento religioso do Christia- como vemos primeiramente em Klopstock com a Messiada. .. na Aquella mulher extraordi- é que eu devi incitamentos e protecção litteraria. foram seus pães Theodoro Cândido de Araújo. Era ao que Gervinus chamou a eschola emanuelica acha-se representada em Portugal por Alexandre Herculano. . e principalmente em Lamartine com o Jocelin e com as Harmonias e Meditações. t. ler Klopstock e Schiller. p. procurando litterario.384 ROMANTISMO RELIGIOSO (EpOCa G. que lhe serviu de apoio moral nas ruinas e vacillaçôes de b) no. e depois . e ainda da litteratura franceza da emigração não fez senão esclarecer o Herculano na comprehensão das novas idealisações do Romantismo. 404. já Herculano revelava um certo gosto e occupava-se no estudo da lingua allema. Como achou o futuro iniciador do Roman- em tismo Portugal esta nova corrente litteraria? Dil-o biographia da Marqueza de Alorna nária . viu." missão de escriptor. . quan- do ainda no verdor dos annos dava os primeiros passos na estra- da das lettras. .

e Melponiene. e em 22 de fevereiro de 1832 commissionado e o fanatismo col ligados. As emoções da vida de soldado. tudo isto vibra nas composições lyricas da Harpa do Crente. úteis sob a protecção da rainha . Herculano demittiu-se setembro de 1836. da qual foi por decreto de 17 de julho de 1833 nomeado bibliothecario. vras de um em em um officio de 17 de libello poético in- estylo biblico no gosto das Pala-- Crente do abbade Lamennais. noticias archeologicas dos monumentos. Pouco tempo exerceu as funcções de bibliothecario no Porto não querendo prestar juramento ao novo governo da Revolução de SeIhe . em que predomina o sentimento religioso. Foi então que escreveu titulado a Voz do Propheta.** 35 da terceira companhia. e barcou . e foi um dos valentes desembarcaram no Mindello. foi fevereiro de juntar -se ao deposito que estava 1832 seguiu para Bellisle. As predilecções litterarias de Herculano foram conhecidas. Herculano seguiu a politi- ca do antigo regimen. a comprehensão da grande lucta da liberdade contra o despotismo nha. mesmo tempo com o sangue de irmãos. Depois da chegada áquelle único ponto de apoio dos liberaes. excerptos dos . em d'onde em- de março com a expedição para a Ilha Terceira. entrando em varias acções no que apertado cerco do Porto. (1830) A época 385 estava terrivelmente perturbada pela lucta do absolutismo e do liberalismo . a saudade da pátria e ao vêl-a ensaguentada para coadjuvar a organisaçao da Livraria episcopal. no Panorama compilou os factos mais importantes da historia de Portugal.) Diplomática. biographias dos homens celebres. que restabelecia o principio da soberania nacional com a Constituição de 1822. como nos poemetos a Semana santa. fundada pela Sociedade propagadora dos Conhecimentos boa. a Cruz mutilada. Achou -se pela força dos acontecimentos na corrente da emigração dos liberaes em em 9 Rennes. a 19 de março. No seu regresso a Lis- toma conta em 1837 da redacção da revista litteraria o Panorama. Foi- dada a baixa de voluntário em 18 de agosto de 1834. seguindo depois d'alli foi em um para bordo da fragata paquete inglez para Falmouth e Pljmouth. a Arrábida. teve de refugiar-se era casa do capellão dos allemães. mas surprehendido na rua na revolução do 4 de infanteria em 21 de agosto de 1831. tembro. nove dias depois senta praça de voluntário da rai- com o n.ALEXANDRE HEIICULANO Século XIX.

o ROMANCE HISTÓRICO 386 clássicos. buscou entregar-se e de 1840 o Monge de Cister. reis. livro Narrativas. que deu logar aos opúsculos Eu e o Clero. tudo quanto povo precisa para ter conhecimento do seu passado.$000 Datam o presbítero. Uma grande decepção afastou Herculano da vida publica e da litteratura elle cas e Solemnia Verba. o Parocho da aldêa. que então estava sendo traduzido em portuguez por André Joaquim Ramalho e Sousa. ou até ao reinado de Dom AíFonso iii. que levantou grande celeuma. ob- tendo assim as condiçSes para a realisação do seu plano de Historia de Portugal. foi um dos que organisou essa conciliação entre o elemento setem- brista e o cartista com o titulo de Regeneração. motivou esse trabalho capital que publicou com o titulo de Historia . da Harpa do Crente. alli publicou o Bobo. roi Passos. A sua antiga . ainda com esperanças no novo partido politico. trabalhou Herculano na Historia de Portugal. chegando em 1858 a denistério clarar que já não sentia enthusiasmo pelas lettras. a Morte do Lidador e outras pequenas novellas sob o titulo va com de Lendas le e Dom Fernando. iniciou elle o romance histórico segundo os modelos de Walter Scott. porém o seu desalento tornava-se cada vez mais profundo. mas Rodrigo da Fonseca não o achando bastante accommodaticio organisou um mi- sem convidar Herculano. 21 de da Academia das Sciencias. julgou-se a salvo das contingências da vida com o ordenado de completamente ao estudo. tendo ulteriormente percorrido os principaes cartórios das cathedraes e collegiadas do paiz. a Dama pé de Cabra. não pela severidade critica. (Epoca (). chegando ao quarto volume. que antipathisa- nomeando-o em 1839 tendo no anno antecedente publicado o bello seu bibliothecario. parte do 3íon- ge de Cister. Durante as luctas politicas de 1846 a 1851.* um No Panora- reproducçSo de documentos inéditos. Em 1852 funda o jornal o Paiz. patrocinou Herculano. era que fevereiro de 1844 é eleito sócio se pro- Em cura reconstruir épocas e discutir theses philosophicas. ma. esta lucta. Considerações pacifi- em 18õ2 da origem da Inquisição em Portugal. 1843 o Eurico 600. mas por não ter o escriptor ligado importância ao milagre de Ourique. Era 1846Jpublica uma o primeiro volume da Historia de Portugal. e de romances históricos. em 1279. redigido por Herculano até 1842. em que se achou envolvido na reacção cartista.

—A influencia Arcádia. Castilho cegou aos seis annos de edade. pela austeridade do seu caracter e simplicidade de vida. Isabel de cânones em Dom Baena Portuga!. em verso bocagiano. Tendo-se formado em se que succedeu após a morte de irmão para o priorado -de S. e distrahindo-se primeiramente cora o grangeio da Quinta do Calhariz e depois com a horta da Calçada do Galvão. annos.) paixão pela agricultura. domÍDa-o pouco a pouco. Herculano. al- cançou um grande poder moral sobre a sociedade portugueza. em 1826. e sobretudo do estylo elmanista mantiveram-se em da Por- tugal pela actividade litteraria de António Feliciano de Castilho. um Sam continuador de João Pedro Ribeiro e de Frei Luiz. um poema laudatorio a do com a tença de uma Dom João vi. e mavera. em do -clacissismo francez publicou 1824. entregue ao AUi começou a traduzir as cri- João VI. de uma pneumonia. seu pae o dr. e apesar d'esta calamida- de cursou os estudos superiores. sendo cair. Domicilia Máxima. Estes versos determinaram as relações affectuosas e o seu primeiro casamento com D. José Feliciano de Castilho era lente de medicina na Universidade de Coimbra sua mãe. e as quadras octosyllabicas do Amor e Melancholia. as em 1822 os poemetos idyllicos PriCartas de Ecco e Narciso. e colligiu as suas Excavaçdes poéticas. Maria 1834. talento da improvisação poética. sendo por Escrivaninha 1819 publicou isso contempla- segundo o gosto do pseu- . possuia o . Nasceu Castilho em Lisboa. tendo como dedicado e constante Em companheiro seu irmão Augusto Frederico. onde morreu em 13 de setembro de 1878. Reacção do espirito clássico : Castilho.387 CASTILHO Século XIX. po- em que der de que se não serviu por causa do desalento xou verdadeiramente Francisco de c) se dei- Deve-se-lhe a renovação dos estudos históricos. que ainda em 1839 condemnava as manifestações do Romantismo. que se continuou em seu filho. á qual allude Castilho nas Excavaçdes poéticas. n'essa agitada Mamede de Castanheira de Vouga. em 26 de janeiro de 1800. em cujo retiro viveu oito clássicas. escreve a Noite do Castello e Ciúmes do Bardo. D. onde se destacam a satyra de Antão Veris- . acabou por deixar o seu emprego na Bibliotheca da Ajuda e refugiar-se na quinta de Vai de Lobos. em 1821. acompanhou seu estudo das obras Metamorphoses de Ovidio.

exagerado concepção histórica. Avarento. cobrindo a falta de co- . Sahickonas e Misanthropo (1869-1874) e traduz do francez o poema do em que acceita tardiamente a litteratura do em Lisboa em 17 de junho de 1875. . na irmão José Felicia- Este empenho exclusivo da forma não lhe deixava tempo para elaborar to purismo falia seu et Dumesnil 1858. Em Eram as mesmas mentiras em uma educação outras decorações. a paciência uma ples limar de phrase. romantismo. viuvando ao fim de três annos. trouxeram outra. a Larica do Anacreonte em 1866. o um senti- romance do mundo medieval. 1839 publicou os Quadros históricos. Alli um profundo conhecimepto das locuçSes populares. — Emilio Zola caracterisa ríodo litterario.» a mosca e a lenda de Nossa Senhora de Nazareth. O lyrismo tornou-se a expressão de mentalismo desolado. e ao mesmo tempo o conflicto das ambições politicas que desvairava os novos talentos Portugal. os Fastos de Ovidio. as Georgicas de Virgilio em 1867. pelas velhas cathedraes. as comedias de Molière Medico á força. egualmente ridícula .° litteratura. casou. em simo e adquiriu 1834 saiu do seu asylo. pelas armaduras. Tartufo. » na mocidade que admirava os iniciadores do Romantismo. não fize- ram mais do que substituir a teimosa imitação da antiguidade por uma outra affeição excessiva pela Edade media. gostoso dias inteiros. pelas ferragens o farrapos de séculos passados. levaram a litteratura para a degeneração ultra-romantica. dispendia ideias. O Ultra-Romantismo. D'este purismo no : « Eu presenciei este facto. Depois do cerco do Porto. » em uma vencer prejudicava-o com que para o drama Camões de Perrot em o sim- difficuldade.ULTRA-ROMÂNTICOS EM PORTUGAL 388 (EpOCa 6. Falleceu a morte de Garrett cidade que despontava na 3. em 1847 Amores de depois os em traduz 1862. Desde exerceu uma acção directa no espirito da mo- Fausto de Goethe. em que se revelou um Em primoroso estylista o . tendo de exercer o seu talen- traducçoes mais ou menos parapbrasticas Ovidio. . a falta de scientifica para o jornalismo. que se apresenta sob o as litteraturas : «Os mesmo aspecto este pe- em todas românticos de 1830. histórico apoderou-se de uma melancolia fatídica . para varrerem a antiga uma rhetorica. que tanto realce davam ao seu estylo.

um caracteres e situações do vivo da natureza. das vinganças e dos juramentos tenebrosos. verde. previu esta decadência irremediável dos talentos . as memorias da ção ou similhantes . delicado. nam-se. . de um drama.. d'elles. Depois vae- se ás chronicas. de azul — como scrapbooks ce . . . cuidas que vamos estudar a historia. . to ma um agudo rima seguida. Trata-se de ura romance. os sepulchros. abusando dos punhaes. explicando « como nós hoje em dia fazemos a nossa litteratura. gru- de papel de cor da moda. e sobretudo Ora bem vae-se Dumas. Edgar Quinet. e não rario. fora da natureza. fazem as raparigas inglezas aos seus álbuns e forma com ellas os grupos e situações que lhe pare- não importa sejam mais ou menos disparatadas. não viu porém as causas -intimas que provocaram esta degeneração precoce. aqui todos os aspectos do Ultra-Roraantismo .. um isso é trabalho dif- . desespera- Grémio litteAcademia depois de regenerada. as palavras illumi- como aqui está 41. ao descrever no a Santa Alliança as consequências da intervenção ar- mada em 1847. coração. pardo. três versos na mes- depois era ão. uma cada folha um . o a própria sei se — época ? — Desenhar coloril-os ficil.4 juízo de edgar quinet Século XIX. talento. e imbasbacado fica depois o Centro coramercial. » (p. (estylo de pintor pinta-monos). exige tacto ! .. de Eug. a coisa faz-se muito facilmente. as pinturas. aos figurinos francezes de da-as sobre um . devorado pelo verme roedor dos negros pensamentos que baloiçam tristemente ao ven- da solidão no crepúsculo da noite. Garrett percebeu esta errada direcção.) Nas Viagens na minha terra é Garrett mais pungente. com . estudo. . as figuras que precisa.) Garrett esboça em Portugal . maravilhado com dos iniciadores do Romantismo Portugal e em as creações esplendidas Portugal. . nós fazemos a nossa litteratura original. uma his- debruçado nos balcSes ideaes de uma phrases do seu romance Helena não faço versos á lua. Sue. » —E (l. a natureza.. 50. tiram-se cora os uns poucos de nomes e palavrões velhos nomes chrismam-se os^ com figurões. os edifícios. os monumentos. eu escrevo « : creação caprichosa e imaginário estylo. das cores verdadeiras da historia longo. de Victor Hugo. e . chasqueando-a em umas toria.) 380 nhecimento da época com as descripções exteriores e com os archaismos da linguagem drama debateu-se em paixões o . e recorta a gente.

— Os princi- paes documentos da poesia lyrica portugueza na phase ultra-ro- mantica. Durante a vida académica e pelas conver- com alumnos da faculdade de concepção lyrica O Philosophia. o espirito religioso e melancólico de Lamartine e Coimbra era então uma capital litteraria. uma O Trovador. conseguiu ca a Índole apathica e idealisação poética. inscreveu-se . cuja paternidade lhe foi tardia- mente disputada. elaborou a sublime Firmamento. démica foi de uma intima concentração apenas com alguns poetas compatrícios. em 27 de no- vembro de 1826 por occasião das perseguições politicas contra . a preoccupaçâo exclusiva da forma servindo ambições pessoaes desvairadas. Comto viu na incoherencia politica do constitucionalismo as condiçSes « mais favoráveis ás mediocrida- des especiosas do que ás capacidades reaes uma doutrina universal e de uma » e pela ausência de direcção social. convivendo bella ode elegíaca partida. Depois em 1854. com o attentudo contra o espirito nacional que renas- relaçSo á Europa. a pobre criança assistiu ao terrível cerco do Porto. fixando thusiastica sas O Bussaco. acham-se colligidos nos jornaes de versos publicados Coimbra. Fixando a residência no Porto. foi A escripta uma doença grave soffrida em 1853. e o alli em Novo Trovador. D'entre estas duas gerações académicas. Soares destaca-se de Passos. de A em 1849 na A fa- sua vida aca- espirito. em continuar os estudos 1845. 03 liberaes. ficando-lhe d'essa epotriste que se imprimiu sempre na sua Educado no Collegio do Corpo da Guarda. imitada pela maioria dos poetas portuguezes. de 1851 . Rimavam-se Soláos e Baladas. e aos quatorze annos empregado na drogaria de seu pae. exercendo influencia directa sobre todos os versejadores. que por toda a parte eram cantadas ao piano.390 (Epoca 6. Nasceu António Augusto Soares de Passos no Porto. seu pae Custodio José de Passos esteve homisiado diante das janellas de sua casa se fizeram os enforcamentos da Praça Nova. predomina Millevoye. era 7 de maio e 9 de outubro de 1829 . indo matricular-se culdade de direito na Universidade de Coimbra. pelo sentimento elegíaco e pela perfeição dos seus versos. de 1844.» SOARES DE PASSOS simultânea Em cia. fez uma excursão ao Bussaco também as suas impressões em uma ode en- sob as impressões de da formatura era direito e Batalha. . a) Lyrismo melancólico: Soares de Passos.

a Tudo em 1856 quem acompanhava as poesias Mendigo. nascido em Lisboa em 2 de abril de 1822 frequentou a Universidade em 1839. que o tornou cada vez mais concen- trado a ponto de viver quatro annos fechado no seu quarto. REBELLO DA SILVA Século XIX. em alento Lisboa . víncia do romance portuguez. João V. que se continuou em Arnaldo Gama. — Romances históricos : Rebello da Silva. prolongando -se ainda essa falsa melancolia ultra-romantica. aggravado pela doença de seu irmão Custodio Passos. que teve de abandonar em 1841 em consequência de uma grave doen- teimosamente e sem progresso . e que se sentia cahir. Consolação e a Vida. successivamente cultivou esta forma litteraria que o conduzia para os estudos definitivos da historia. o Ódio velho não canga. O 'que tfm anno na corte. de Rebello da Silva. de Corvo. considerava as tentativas de imitação d'este género como esforços « para b) do-se quebrar as tradições do Allivio de Tristes e do Feliz Tndspenden' te. Na plêiada ultra-romantica destaca-se Luiz Augusto Rebello da Silva. adiDÍttindo apenas a visita de alguns amigos. que em Soares dos Passos é bella pela sua verdade.) como advogado na Relação. foram escriptas sob esta pressão moral.. Os romances Rausso por homisio. Desalento. e em 8 de fevereiro expira. de 1842. Noivado do Sepulchro. de Mendes Leal. foi invencivel desalento. » Entre essas tentativas Irmãos Carvajales. 1858 collige os seus versos. ça. e O apparecimento do as traducçoes de alguns tre- chos de Ossian. Garrett caracterisou lucidamente como comprehendido este género de de foi litterario. conduzia-o a um 391 era que não provido. Ódio ve- . Aos dezoito annos collaborou no Cosmorama litterario com o romance histórico Tomada de Ceuta . o Bardo. projecta para fugir ao des- em 1859 uma digressão a porém em 6 de janeiro de 1860 tem o primeiro ataque de hemoptysis. Herculano dancomo iniciador do romance histórico em Portugal. e o Conde soberano de de Oliveira Marreca. bliothecario isto e concorreu ao logar de segundo bi- da Livraria publica. e que é ainda uma preoccupação dos novéis escriptores. e Mocida- Dom Castella. indicam a corrente poética que a sua tristeza Em procurava. As suas poesias são constantemente imitadas. tyrannos que reinaram sem émulos e sem conspirações na pro- enumera Os foram Portuguezes.

os .» O impulso de novos talentos imitaram os ãravialhdes do ultra-romantismo francez. portugueza. e que não sabemos d'onde veiu. é certo que raramente acharão lá essa linguagem oca e falsa. os rochedos tica em braza. e para citarmos de casa. que só pôde servir para disfarçar a falta de aflfectos e pensamentos mas não precisam nem usam de ." lho não cansa. Garrett dizia com desvanecimento ha pouco mais de um têm apparecido já n'esta lingua Garrett não foi : « Começámos anno. d'esse mesmo anno. que esses novéis vejam se nos . e envolvido na politica militante revelou-se como um vigoroso orador parlamentar. lecções levaram-no outra vez para o Lagrimas e tkesouros de 1863. c) No theatro é que se aggravaram — todos os exageros do ultra-romantismo. apesar da fundação do Conservatório. que a situação moral dos personagens que as fazem não comporta. A sua mais bella pagina litteraria ó o conto da Ultima corrida de touros reaes em Salvaterra. já que temos cá exemplo. Teve uma larga collaboração no Panorama. Icvaram-no para a Historia de Portugal (1860-1871) que escreveu com mas as antigas prediromance histórico. morrendo de uma aneurisma da aorta em 19 de setembro . por- que sendo evidente que os nossos escriptores principiantes buscam imitar os grandes dramaturgos francezes. João V. de 1848 e Mocidade de 12. firtura com que embasbacara os parvos da platéa e homens de juizo não podem soíFrer. os anjos de azas brancas. como as subsidio e por comraissão do governo. . retirando-se para a Quinta do Valle de Santarém em maio de 1871 d'alli regressa sem esperança em 3 de junho. de 1852. As mãos cheias estilo d'essas exagerações que 08 por ahi derramadas as maldições. as luctas politicas e a effervescencia jornalistica minaramIhe a existência. comparações fre- quentes. caracterisou lo seu estylo : « a maior parte das vezes bem a nova geração pe- falso . toda a mais ferramenta dramá- usada hoje no theatro.) Dramas de sangue. os demónios. nas Censuras do Conservatório dramático. Victor Hugo e Du- taes meios. (1848. Época e Imprensa. Herculano. e a Casa dos Phantasmas. e vinte e tantos dramas originaes comprehendido . Ministro da marinha de 1869 a 1870. de 1865. certa poesia na dicção imprópria do dialogo . dando largas á pompa e colorido que prejudicava o seu estylo rhetorico.os .j92 DRAMALnõES (Kpoca 6.

A em- Edade media que com um novo e já mais nada inspirava para a Arte. e a in- spiração artística retempéra-se nas impressões directas da realidade. Guizot. Didron. Beugnot. Em 1876 escrevia o critico Alexandre da Conceição : « Em — digamol-o sem devaneios de patriotismo obscuro.) §. Barbazan. e emquanto ás instituições sociaes por Thierry. ram-se as suas verdadeiras manifestações poéticas. ha essas expressões túrgidas e descommunaes que fazem arripiar ^ o senso comraum. 144. appareceu profundo interesse como campo de exploração scientifica estuda- . no theatro popular pelo Bibliophilo Jacob e Monmerqué. Inicia-se o estudo dos cantos populares e nacionaes. e que oífendem a verdade e a natureza. nas epopêas das Gestas por Paulin Paris e Becker. . do Cans. e emquanto ás doutrinas especulativas por Victor Leclerc. . no lyrismo dos trovadores pelos philologos Raynouard e Diez. » {Mem. se no Auto de Gil Vicente. por Viollet le Méon e Jubinal .) COMPREHENSÃO SCIENTIFICA DA EDADE MEDIA dramas do nosso primeiro escriptor dramático. a critica subordina-se a principies philosophicos. . e já hoje a . ou no Alfageme. ha essa linguagem de cortiça e ouropel. mas immensa transformação também sem pessimismo rabujento — Portugal esta nas ideias e no ponto de vista critico acha-se já brilhantemente affirmada nos estudos históricos e litterarios e nas concepções poéticas e artisticas .. emquanto á arte gothica Duc. Ha dez annos que se manifestaram os pri- meiros symptomas d'esta formosa evolução litteraria.393 Século XIX. nos ftxbliaux e novellas por Legrand d'Aussy. II Disciplina scienliíica na dissolução do Em to das todas as litteraturas o Romantismo Romantismo chegou ao esgotamen- formas estheticas. encobrindo a falta de sentimentos natu- raes e de concepções syntheticas pelos exageros da linguagem phatica e de um esmero exclusivo do estjlo.

que en vez alimentar-se de suefíos é instituciones cadu- cas.romantismo. en de jóvenes. em 1879 crevia « : Em O > Dr. Era era Coimbra que se davam as condições para uma maior actividade especulativa. cuja op- portunidade representa o fim natural do Ultra. para descobrir en los un sen- princípios que agitan á la edad contemporânea la base de tiraiento. y que algun dia llevará á Espafia la tendência nueva de Francia y circulo alli principalmente de Alemania. Era apenas uma de provocar creaçSes littera- dissidência. 654. nem tampouco novas nem disciplina de espirito. da rhetorica do estylo. estendida á Oporto. e o estabelecimento de bases criticas na litte- ratura. As luctas que precederam na AUemanha e França a implantação do Romantismo. das criticas das gran- des obras de Arte por Quinet e Taine. ó forçoso reconhecer — grande metamorphose. postoque seja ainda olhada como suspeita pelos espirito» timidos e educados no velho regimen auctoritario. Não havia plano. falia esta d'esta « regiineracion litteraria nacida en Coimbra. á abandonar las queridas pêro ya secas fuentes de una inspiracion gastada. das obras históricas de Michelet. Então degladiavam-se escholas e andava em voga a philosophia dos Kant. um sem plano produzia um prurido de innovação. cuja opportunidade teve a importância uma conhecida pelo renhida polemica litteraria. e que levava a affrontar o constituído. tudo isto lido estado insurreccional do uma audácia mental. reproduziram-se em Portugal na crise da sua dissolução. e para os enthusiasraos pelas doutrinas theoricas. rias para contrapor aos antigos productos do romantismo. pelo titulo um . na Mi Mission en Portugal.* Eschola conquistou os direitos do cidade. busca en cial y los hechos luminosos de naturalista. » la razon la inspiracion so- (p. — a) A Eschola de Coimbra. Corrêa Barata. as admirações banaes e a auctoridade académica. . das polemicas politicas de Proudhon. » Fernandes de los Rios. dos systemas philosophicas de Hegel e de Comte. hoje . também es- que peze a muitos. espirito. dos Hegel e dos Fichte.) Esta corrente nova foi conhecida pouco sarcástico de Eschola de Coimbra.394 FIM DO ULTRA-ROMAMTISMO nova (EpOCa 6. das poesias de Victor Hugo e de Alfred de Musset. do un estrecho á todo Portugal. dos A leitura romances de Balzac e de Gustavo Flaubert.

XIII.. já Grimm. Origens populares da Litteratura b) listica popular. recompondo situações com fragmentos de variantes. e pela reminiscência das suas emoções infantis: «Antes que excitado pelo que via e lia em Inglaterra e Al- lemanha. 15 a dias.) titulo de Questão coimbrã. prejudicou porém a tradição retocando-a artisticamente. 395 á evidencia a inanidade A mental dos que debatiam pelo extemporâneo ultra-romantismo. eu começasse a emprehender n'este sentido a rehabi- romance nacional.» (Ib.. foi quem se de xácaras e Uma estimável e joven senhora. com e variadissimas espécies biblio- D'essa polemica apura-se graphicas. mais ninguém tratou de investigar as nossas origens tradicionaes . depois das luctas da Eschola de Coimbra. mação da — A primeira litteratura Romanceiros : disciplina critica e Novel- para a transfor- portugueza devia começar pela exploração das suas fontes tradicionaes. que em geral são visivelmente do mesmo estylo. observaram referencias frequentes aos symbolos jurídicos . Rodd.) res.. lares se . Garrett teve a intuição genial d'es' ta necessidade.. despertado pelo que durante a emigração em In- glaterra observara. incumbiu de procurar em Portugal algumas copias Consegui umas quinze rhapsolendas populares. definindo-se com o tempo as suas tendências poéticas. lembrando-se as trovas do Conde Alarcos leitura doa muitos ensaios estrangeiros : « estimula- que n'este género iam apparecendo todos os dias em Inglaterra e França.) Quando Garrett voltou a Portugal balado na meninice va-me a com em 1826. foram estes os traba- da Historia litteraria de PorAcharam-se novos typos novellescos e nos romances popu- lhos preliminares para a fundação tugal. tentou in- ainda de ter sido em- vestigiar a tradição popular. — ou mais propriamente fragmentos de romances e xácaras. litação do p. Depois de Garrett até 1867 nunca 17. mas principalmente na Allemanha.A ESCHOLA DE COIMBRA Século XIX. á medida que as concepções metaphysicas da época universitária foram substituidas pela disciplina das doutrinas positivas. pela contribuição de outros collectochegou a trinta e dois romances tradicionaes. Múller e outros vários tinham publicado importantes trabalhos sobre as preciosas quam mal estimadas collecções castelhanas. i.. A collecção de Garrett.» [Rom. Eschola de Coimbra perdeu o caracter local. Depping. scientiíicas e philosophicas..

peço-a para a Paschoa. se repetem Rebordainhos. peço-a das cousas A . João. e os costumes os jogos infantis. que se dissolvia em um subjectivismo pessoal. (a actual Muirieira) persistente desde os typos conservados no grande Cancioneiro portuguez da Vaticana em do xiv até ás formas que ainda No grande movimento dos estudos folk-loricos. do Archipelago da Madeira. Ainda com locaes. O lyrismo.* INVESTIGAÇÕES DO ELEMENTO TRADICIONAL 30G que outr'ora eram vigentes nas Cartas de Foral dos Concelhos da ma livre população mosarabo. Garr. a quem Castilho es- crevia a propósito do seu artigo descriptivo do Folar. 114. A exploraçíío estendcuse da Beira Baixa ao Archipelago açoriano. as riquezas ethnologicas e históricas accumuladas são incalculáveis e excedem já a parte ver- dadeiramente anonyma do grande Romancero general de Duran. Isto levou á conclusão que a mes- classe que formulou essas garantias jurídicas deixou impres- sos nos seus cantos os costumes da sua sociedade. Folie- as crenças e su- este novo desenvol- vimento nos apparece o influxo de Garrett. successivamente do Alemtejo.. peço-a para o Santo An- peço-a em summa caber poesias. peço-a para o para os Finados em que possam Sam . . e ultimamente do Brazil. novos collectores consultaram a tradiçSo oral do Algarve. de Traz os Montes e Minho. e até que ponto os cripfores portuguezes conheceram esse elemento tradicional estudo simultâneo da litteratura com a . es- pelo tradição popular se co- nheceu a forma primitiva da Serranilha galleziana. Investigações simultâneas na Galliza e nas Astúrias. as adivinhas. peço-a para o Carnaval. vieram cilitar a recomposição de uma fa- primitiva unidade ethnica do no- como roeste da península hispânica. para a do Outono. o conhecimento dos cantos populares da Andalusia leva pelas comparações e similaridades á determinação de outra primordial unidade ethnica betico-ex- tremenha ao sudoeste. peço-a para a entrada da Primavera. para a do Inverno tónio.(EpOCa 6. perstições. pedindoIhe outras descripções das festas do anno: «peço-a para os Reis. Portugal é um dos paizes mais bem representados na Europa. para a do Estio. » para cada unia {Mem.) iii. Os novos investigadores portuguezes ampliaram a área tradicional comprehendendo sob o nome de Lore os contos. investigação dos Contos de fadas levou a achar os themas mythicos mais universaes nas litteraturas.

que ninguém então procurou realisar: Começarse-hia pelo « exame das diíferentes theorias sobre o bello e subli- me. dos primeiros docu- mentos da nossa litteratura provençal. ) retemperou-se com um sentido universal e 397 humano diante de uma melhor comprehensão da poesia tradicional popular. que era necessário uma disciplina critica. desde o seu renascimento na Europa moderna. que sS ciam os um talento supe- quando mesmo em Portugal se desconhedocumentos do nosso passado litterario. que só poderia ser deduzida do conhecimento da Historia da Litteratura portugueza. Sismondi em 1819 tratou da Litteratura portugueza no quadro histórico das Litteraturas da Europa. e das relações cora as outras litteraturas occidentaes. Na transforraação litteraria do Romantismo. Herculano com- prehendeu logo. como acontecera com Garrett. — Como : Desenvolvimento da Historia uma consequência da revelação do génio germânico na época do Romantismo. objecto immediato a que nos conduziriam » e successivamente a Indagando a historia da Poesia nos di- .lhe porém o conhecimento das leis de formação das lin- guas românicas. em ura artigo do Repositório litterario de 1834. Eichorn fundou em 1796 a empreza para a publicação de das ScienciaSf das Artes e uma Historia comi^leta das Lettras.CREAÇÃO DA HISTORIA LITTERARIA Século XIX. ciações geraes. de vista menos especial. Cora o conhecimento d'estes anteriores trabalhos traçou Garrett em 1827 esse pequeno mas nitido qua- dro do Bosquejo da Historia da Poesia e Língua portugueza. Bouterwek confessa que foi auxiliado n'cste trabalho por um sábio portuguez. já determinadas por Diez. publicando em 1804 no terceiro tomo d'este vasto quadro a Historia da Litteratura portugueza. Novos estudos c) philologicos litteraria de Portugal. faltava. E um livro ainda hoje excellente nas apre- na determinação das épocas históricas e nas com- parações cora as correntes estrangeiras. cora aquella lucidez vulgarisa- dora do espirito francez. Ferdinand Denis publicou o Resume de VHistoire littéraire du Portugal. e em 'do Meio Dia 1825. coube a Bouterwek n'esta obra gigantesca aparte relativa ás Litteraturas modernas. e as consequências. que apparece genialmente transfigurado nas Folhas cahidas depois do seu estudo do Romanceiro. es- boça esse plano. Sob um ponto rior poderia realisar.

" versos tempos e naçSes. Arte nacional. a synthes