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6ª Conferência sobre
Tecnologia de Equipamentos

CORROSÃO EM TUBULAÇÕES DE COBRE UTILIZADAS
PARA CONDUÇÃO DE ÁGUA

Sidney Oswaldo Pagotto Júnior, Zehbour Panossian, Silvia V. Neves de Freitas
DIVISÃO DE METALURGIA - INSTITUTO DE PESQUISAS
TECNOLÓGICAS DO ESTADO DE SÃO PAULO S.A.
Valdecir Angelo Quarcioni, Fabiano Ferreira Chotoli
DIVISÃO DE ENGENHARIA CIVIL - INSTITUTO DE PESQUISAS
TECNOLÓGICAS DO ESTADO DE SÃO PAULO S.A.

6°° COTEQ Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos
22°° CONBRASCOR – Congresso Brasileiro de Corrosão
Salvador – Bahia
19 a 21 de agosto de 2002

As informações e opiniões contidas neste trabalho são de exclusiva responsabilidade
dos autores.

corrosão. Concluiu-se que a corrosão na rede de sprinklers dos casos estudados foi determinada pelo uso excessivo de fluxo de solda de características agressivas durante a montagem da rede. cujos resultados iniciais também serão apresentados. zinco. sujidades . Palavras chaves: tubulação de cobre. ferro e sólidos dissolvidos na água de abastecimento retida no interior da tubulação. amônia. constatou-se que a aplicação de fluxo de solda em excesso causa um aumento significativo nos teores de íons cloreto. fluxo de solda. Para tal. somado à presença de sujidades remanescentes no interior da tubulação de cobre e a condiç ão de estagnação da água. Através dos ensaios de simulação. sprinklers . realizou-se um amplo levantamento bibliográfico. foram constatados vários casos onde a corrosão localizada em tubos de cobre originou vazamentos e sérios problemas aos seus usuários. Este trabalho apresenta dois casos recentes de corrosão em tubos de cobre utilizados em redes de chuveiros automáticos para combate a incêndio (sprinklers ) estudados pelo Laboratório de Corrosão e Tratamento de Superfície do IPT.Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos SINÓPSE Nos últimos anos. ensaios e análises nos materiais colhidos nos dois casos e ensaios de simulação realizados em Laboratório.

. foram efetuados os seguintes ensaios e análises: • nos tubos: exame visual. a saber: • caso “A”: tubos de água potável. via microscópio eletrônico de 1 Neste caso. CASOS DE FALHA EM TUBULAÇÃO DE SPRINKLERS 2. Para determinar as causas das falhas ocorridas nestes dois edifícios. nos quais as falhas na tubulação de cobre foi causada por uso excessivo de fluxo de solda. Decorridos 4 anos da instalação das tubulações de cobre.1 Metodologia Os dois casos de falha estudados ocorreram na rede de sprinklers . é usual seu emprego no transporte de água potável e em redes de chuveiros automáticos para combate a incêndio ( sprinklers ). foi constatada a ocorrência de furos localizados na posição horizontal da rede de sprinklers . localizado na cidade de São Paulo que utilizava tubos de cobre na rede de sprinklers e na rede de água potável. não sendo constatados problemas na rede de água potável. juntamente como os resultados parciais dos ensaios de simulação em laboratório que estão em andamento. • caso “B”: ocorrid o em um prédio de 12 andares. foram coletadas diversas amostras. o Laboratório de Corrosão e Tratamento de Superfície do IPT estudou vários casos onde a ocorrência de corrosão localizada em tubos de cobre originou vazamentos que acarretaram sérios problemas aos seus usuá rios. também localizado na cidade de São Paulo que também utilizava tubos de cobre na rede de sprinklers e na rede de água potável. exames metalográficos dos tubos da rede de sprinklers e de água potável. análise química qualitativa dos elementos presentes nos produtos de corrosão por energia dispersiva. foram estudados dois casos de falhas em redes de sprinklers . assim como os resultados da análise química da água. e • caso “B”: tubos da rede de sprinklers 1. colhidas em diferentes pontos. não sendo constatados problemas na tubulação de água potável. determinando a ocorrência de vazamentos devido a perfuração dos tubos. 2. a saber: • caso “A”: ocorrido em um prédio comercial de 25 andares. No caso “A”. causados por uso excessivo de fluxo de solda. apenas as amostras da tubulação da rede de sprinklers foram fornecidas pelo Cliente. Uma utilização comum do cobre é na confecção de tubos para a condução de água. a rede de sprinklers apresentou vazamentos em diferentes andares do prédio. efetuada por terceiros.Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos 1. Decorridos 2 anos da instalação da tubulação de cobre. Este trabalho tem por objetivo apresentar estes dois casos práticos. basicamente devido a sua capacidade de associar uma boa resistência a corrosão a propriedades mecânicas desejáveis. da rede de sprinklers e amostras de água. Neste caso. Recentemente. INTRODUÇÃO O cobre é um material amplamente utilizado nos mais variados campos da atividade humana. Nos últimos anos.

foram efetuados os seguintes ensaios e análises: • nos tubos: exame visual.Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos • varredura e análise química para determinação dos compostos presentes nos produtos de corrosão por difratometria de raio -X. Para o caso “B”. realizados alguns ensaios preliminares. verificou-se no interior da tubulação de sprinklers a presença de uma camada de produtos de corrosão de cor escura. já havia sido trocada a água no interior da tubulação da rede de sprinklers deste prédio. via microscópio eletrônico de varredura e análise química para determinação dos compostos presentes nos produtos de corrosão por difratometria de raio -X. 2. sendo uma cópia dos resultados fornecida posteriormente. visando avaliar o efeito da presença do fluxo de solda no tubo de cobre. Foram. com pontos onde havia a presença de produtos de corrosão esverdeados e. formadas a partir do arraste de material que ficou retido no interior da tubulação após a sua instalação. de diferente coloração (brancos. nos tubos de condução de água potável e na tubulação de sprinklers . 2. verificou-se a presença de corrosão localizada (Figura 1). . Nos exames visuais realizados no caso “B”. Já no interior dos tubos da rede de sprinklers foram encontrados outros tipos de depósitos. além de pontos de corrosão localizada. o que causou a corrosão. freqüentemente. onde foram encontrados vários pites (ver Fotografia 2). tanto para o caso “A“ como para o caso “B“. Além disto. no ponto onde o mesmo foi soldado ao cotovelo.. verificou-se um fato importante: o material que escorreu da gota de fluxo deixou um rastro branco (resíduos de fluxo mais produtos de corrosão) na região central do tubo. Ao analisar uma das amostras da tubulação de sprinklers . e ensaios de simulação. • na água: neste caso. Já na extremidade desta tubulação de sprinkler.1 Exames visuais Nos exames visuais realizados no caso “A”. Provavelmente neste ponto houve acúmulo de resíduos de fluxo de solda. apresentaram regiões com corrosão localizada e a formação de pites perfurantes. foi possível observar a presença de manchas no interior da tubulação. A água retirada foi enviada para análise química pelos responsáveis do edifício. ainda. foi possível observar no interior da tubulação de água potável a presença de uma camada de produtos de corrosão esverdeados. pites. de restos do fluxo de solda utilizado durante a instalação da tubulação.2 Análise metalográfica A análise metalográfica realizada nas seções transversais dos tubos de cobre da rede de sprinklers. que estão em andamento. tal como fluxo de solda. Uma fato importante pode ser observado: os produtos de corrosão esverdeados formaram-se nas extremidades laterais das manchas. na água: análise química da água retida no interior da tubulação da rede de sprinklers e da caixa d’água. exames metalográficos dos tubos da rede de sprinklers . que entra na tubulação de sprinklers . amarelos e pretos). também foi constatada a presença. análise química qualitativa dos elementos presentes nos produtos de corrosão dos tubos por energia dispersiva.

para que este aspecto pudesse ser analisado. A presença de amônia deve estar relacionada com a presença de fluxo de solda. possivelmente.4 Análise por difratometria de raio-X Na análise por difratometria de raio -X realizada nas amostras do caso “A”. conforme já citado anteriormente. magnésio. verificou-se ainda que: • a água colhida nos sprinklers apresentou uma concentração de amônia maior que a água da caixa d’água. os principais produtos de corrosão encontrados nos produtos de corrosão presentes no interior da rede de sprinklers eram compostos por óxidos. material não-cristalino (provavelmente resíduo do fluxo de solda) e silicato de cálcio hidratado.3 Análise por energia dispersiva Analisando as amostras do caso “A” por energia dispersiva. No caso “B”. chumbo. A formação de um composto a base de cloro (cloreto de cobre) pode ser explicada pela presença do elemento cloro no fluxo de solda. sulfatos e carbonatos de cobre. mas apenas cloreto de amônia. ferro. cloreto de cobre. • água retirada de um sprinkler do 13o andar.4 Análise química da água colhida Em relação ao caso “A”. cálcio e zinco.3. uma vez que é muito comum a adição de cloreto de zinco e amônia em fluxos de solda. Além do valor do pH. Em relação ao caso “B”. e • água retirada na saída da caixa d’água. Destes.8) do que a água proveniente da caixa d’água (8. fósforo. destacam-se o cloro e o zinco. foi . alumínio. conforme já citado no item 2.3). Na análise por difratometria de raio-X realizada nas amostras do caso “B”. conforme já constatado nas análises por energia dispersiva realizadas. cobre. silício. através do microscópio eletrônico de varredura.Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos 2. com exceção do zinco. Não se conseguiu identificar uma razão para tal. estanho. Os resultados obtidos estão apresentados na Tabela 1. Assim. • a água colhida no sprinkler do 13o andar apresentou maior teor de sulfatos e menor teor de íons cloreto. indício da presença de restos de cimento no interior da tubulação. as amostras coletadas apresentaram picos elevados para os mesmos elementos. em comparação com a água colhida na água da caixa d’água. 2. Verificou-se que a água retida no interior dos sprinklers apresentou um pH mais ácido (6. provavelmente oriundos do fluxo de solda utilizado no processo de soldagem da tubulação. foi possível constatar a presença de picos elevados dos seguintes elementos: oxigênio. cloro. Uma hipótese para explicar a diminuição do pH seria a presença de restos do fluxo de solda na tubulação. 2. visto que. verificouse a presença de óxido de cobre (I e II).7 e 7. justamente para remover óxidos que estejam presentes nos conjuntos metálicos a serem soldados. que não foi detectado. foram analisadas as seguintes amostras: • água retirada de um sprinkler do 24o andar. enxofre. pois a rede de sprinklers havia sido totalmente esvaziada. não foi possível obter amostras da água que ficou retida na tubulação. é muito comum a adição de cloreto de zinco e amônia o fluxo de solda. Isto é uma evidência de que o fluxo de solda utilizado neste caso não continha cloreto de zinco. além de. pois o mesmo apresenta um caráter ácido.

. No rótulo de uma das amostras. e • Ponto D: água fria coletada na rede de sprinklers. para evitar uma corrosão posterior. certa quantidade de fluxo de solda “A” e “B”. sulfatos e sólidos totais dissolvidos. Desta forma. verificou-se que a água coletada na rede de sprinklers (Ponto D) apresentou uma dureza total inferior à dureza da água nos demais pontos coletados (A. de maneira a limpar a sua superfície. foi observada a presença de manchas no interior das amostras da rede de sprinklers coletadas. de que após a soldagem as superfícies metálicas deveriam ser limpas. decidiu-se pela realização de alguns ensaios e análises exploratórios. A seguir. foram adquiridos no mercado dois fluxos de solda. • os dois corpos-de-prova foram aquecidos. além de menores teores de íons cloreto. simulando um processo de soldagem comumente utilizado em processos desta natureza. B e C). de diferentes fabricantes. também no rótulo. detectado nas análises por energia dispersiva. pelos resultados obtidos. de forma a derreter o fluxo. Com estes dois fluxos foi realizado o seguinte ensaio: foram cortados dois corpos-de-prova de tubo de cobre. a saber: • Ponto A: água fria coletada no hidrômetro. a presença de cloro e zinco nos produtos de corrosão formados nos dois corpos-de-prova ensaiados. A água coletada no ponto D apresentou. na superfície interna dos dois corpos-de-prova. de maneira a se identificar os elementos presentes em cada uma deles. • Ponto B: água fria coletada na caixa d’água.1. foi realizado o seguinte procedimento: • depositou-se. um maior teor de cobre total e de turbidez. de maneira a verificar se a presença de resíduos de fluxo de sold a interferiu no processo corrosivo. havia a indicação da presença de cloreto de zinco e amônia na composição do fluxo. 3. Assim. Verificou-se. Estes corpos-de-prova foram desengraxados e decapados em ácido nítrico. concluiu-se que tais produtos seriam restos do fluxo de solda utilizado no processo de soldagem. Os resultados obtidos encontram-se na Tabela 2. sílica solúvel. ENSAIOS EM LABORATÓRIO 3. sendo escolhidas amostras dos produtos mais comumente vendidos pelas lojas especializadas. com cerca de 50 mm de comprimento cada. é proveniente do fluxo de solda utilizado. Após o resfriamento dos corpos-de-prova.Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos fornecida uma cópia do laudo técnico emitido pela empresa responsável pelas análises químicas na água coletada antes do esvaziamento da rede. ainda. • Ponto C: água quente coletada em um ponto de consumo.1 Ensaios preliminares Conforme descrito no item 2. Após avaliar a aparência deste material nas amostras analisadas e considerando que a análise por energia dispersiva indicou a presença de cloro nestas manchas. estes foram analisados com o auxílio do microscópio eletrônico de varredura. Estes resultados confirmam a hipótese de que o cloro. Estas amostras foram coletadas em quatro pontos distintos. Outro dado importante era a observação. A partir destes resultados. em ambos os casos.

tal como na amostra anterior. de maneira a limpar a sua superfície. foi verificado que: • o corpo-de-prova no qual não havia sido aplicado o fluxo de solda apresentava um escurecimento homogêneo em toda sua superfície interna 2. Assim. • os corpos-de-prova nos quais havia sido aplicado o fluxo de solda sem aquecimento já apresentavam mudança na coloração de sua superfície interna. simulando um processo de soldagem. com o auxílio de um bastão de vidro. Parte da superfície interna apresentava um aspecto brilhante. nenhum fluxo foi colocado. 2 A superfície externa não foi avaliada . que apresentava um tom esverdeado. para outros dois corpos-de-prova. sendo possível observar regiões com manchas claras e escuras. com cerca de 50 mm de comprimento cada. além de pequenos depósitos claros. Na região central. • os corpos-de-prova nos quais havia sido aplicado o fluxo de solda com aquecimento também apresentavam uma superfície interna com um aspecto nãouniforme. O outro corpo-de-prova não foi aquecido. Um dos corpos-deprova foi aquecido. . foi realizado outro ensaio: foram cortados cinco corpos-de-prova de tubo de cobre. sem sinais de oxidação. • repetiu-se este procedimento. Parte de sua superfície coberta por produtos de corrosão escuros. • no quinto e último corpo-de-prova. cada um deles foi colocado em um béquer contendo cerca de 200 mL de água potável. foi realizado o seguinte procedimento: • depositou-se. No exame visual. Não era possível observar a presença de restos do fluxo de solda. Na região central. realizado pouco tempo após sua imersão. • os corpos-de-prova nos quais havia sido aplicado o fluxo de solda com aquecimento também apresentavam mudança na coloração de sua superfície interna. certa quantidade de fluxo de solda “1” na superfície interna de dois corpos-de-prova. Passados trinta dias de sua imersão. um novo exame visual foi realizado: • o corpo-de-prova no qual não havia sido aplicado o fluxo de solda apresentava uma camada de produtos de corrosão escuros cobrindo de maneira uniforme a sua superfície interna. utilizando-se o fluxo de solda “2”. de forma a derreter o fluxo. permaneceu uma certa quantidade de fluxo de solda nãoderretido. verificou-se que a presença do fluxo de solda influi de maneira importante na formação da camada de produtos de corrosão na superfície interna do tubo. havia uma certa quantidade de fluxo de solda não derretid o. A seguir. • os corpos-de-prova nos quais havia sido aplicado o fluxo de solda sem aquecimento apresentavam a superfície interna com aspecto não-uniforme. Estes corpos-de-prova foram desengraxados e decapados em ácido nítrico. Após aguardar o resfriamento dos corpos-de-prova que foram aquecidos.Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos Para verificar o efeito da aplicação do fluxo de solda no processo corrosivo. regiões aparentemente sem oxidação e depósitos de cor branca.

2. amônia. verificou-se um aumento significativo no teor de íons cloreto. evitando sua colocação em excesso. • rede 3: tubos de cobre soldados incorretamente. O aumento dos teores de íons cloreto. quando então poderá ser verificado em quais redes houve o desenvolvimento de pites. não foi verificada a presença de pites nestas amostras. 2. A água utilizada no preenchimento da tubulação foi analisada. Todas as operações de soldagem foram executadas por um soldador experiente. foram montados 4 redes: • rede 1: tubos de cobre soldados corretamente. o fluxo de solda foi aplicado corretamente. Está prevista a retirada de amostras com um prazo maio r. zinco. decidiu-se montar redes com e sem circulação de água. ferro e sólidos dissolvidos nas amostras de água analisadas após os 30 dias de ensaio. confirmando a hipótese que o material ali encontrado é proveniente da palha de aço utilizada no preparo da superfície para junção da tubulação. sendo a rede mantida fechada por 30 dias. o fluxo foi aplicado imergindo a ponta do tubo na lata de fluxo.2 Ensaios de simulação De maneira a simular a condição de instalação e utilização de uma rede de sprinklers . Na outra situação. de forma a comparar os resultados desta análise com os resultados da água que foi introduzida no início do ensaio (ver Tabela 3). • rede 2: tubos de cobre soldados corretamente. realizada nos produtos de corrosão formados no interior dos tubos ensaiados. De acordo com estes resultados. zinco. com excesso de fluxo. De maneira a analisar o aspecto interno das tubulações ensaiadas. Isto pode ser explicado pelo curto período de ensaio (30 dias). para duas situações distintas: em uma. amônia e sólidos dissolvidos foi significativamente maior na amostra de água o fluxo foi aplicado por imersão. Embora tenha sido constatada a presença de cloro e zinco nos produtos de corrosão. com restos de material similar a palha de aço utilizada no preparo da junta a ser soldada Uma análise por energia dispersiva. em comparação com a amostra de água retirada da tubulação onde o fluxo foi aplicado por pincelamento. procedimento comumente utilizado. . Na análise realizada nos produtos de corrosão avermelhados. sem circulação de água. Desta forma. com excesso de fluxo. com circulação de água. Também foi possível observar a presença de pontos de corrosão avermelhados. 3 e 4). e • rede 4: tubos de cobre soldados incorretamente. o que acarretou a presença de excesso de fluxo retido no interior da tubulação. com uso de um pincel. a água que ficou retida nas redes 2 e 4 foi recolhida e enviada para análise. secionando-se a seguir as amostras em sua seção longitudinal. foram retiradas amostras de cada uma das redes (1. sem circulação de água. sem excesso de fluxo. sendo a superfície a ser soldada preparada com uso de palha de aço. sem excesso de fluxo. O exame visual permitiu observar que os tubos onde houve um excesso de fluxo retido apresentavam uma maior quantidade de produtos de corrosão em sua superfície interna. 3 e 4). Ao final deste período.Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos 3. constatou a presença dos elementos cloro e zinco em todas as amostras analisadas (redes 1. com circulação de água. constatou-se a presença do elemento ferro.

verifica-se que a aplicação do fluxo de solda. porém. ANÁLISE DOS RESULTADOS 4. o cloro). quando da instalação da . pois é sabido que a presença de resíduos do fluxo no interior do tubo causa corrosão e perfuração da parede do tubo logo após a rede ter sido instalada. As amostras retiradas dos sprinklers não apresentavam esta camada. Em relação ao resíduo do fluxo de solda utilizado. ao invés de pincelar uma fina camada do produto na região da junta. ser identificados por aná lise de energia dispersiva: o elemento cloro é detectado no interior dos pites. a ocorrência dos pites é facilitada pela presença de oxigênio dissolvido na água. pode-se encontrar os pites localizados na periferia do resíduo do fluxo. de restos do fluxo utilizado nas operações de soldagem da tubulação.1994) cita que 15% a 20% dos casos de falha em tubulação de cobre são causados pelo fluxo de solda. Também foi possível constatar a presença. tal como foi verificado nas análises realizadas no interior dos pites analisados. quando o instalador da tubulação imerge a ponta do tubo no fluxo de solda. então. o exame visual constatou a presença de uma camada de produtos de corrosão de cor escura. com pontos onde havia a presença de produtos de corrosão esverdeados e. tanto nos tubos de condução de água potável quanto na rede de sprinklers . Outro aspecto importante abordado pela literatura em relação ao fluxo de solda se refere a seu uso em excesso. Os pites induzidos por fluxo de solda podem. os quais tiveram a sua origem atribuída ao fluxo de solda utilizado no processo de soldagem da tubulação. Além disto. freqüentemente. que não foi detectado. Também a Norma ASTM B 828:00 faz observações importantes a respeito da maneira correta de se aplicar o fluxo de solda: deve-se aplicar uma fina camada de fluxo com o auxílio de um pincel. no ca so.Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos 4. Segundo o autor. a literatura (MYIERS. os picos dos elementos identificados foram praticamente os mesmos. Desta forma. constatou a presença de uma picos elevados de elementos presentes nos produtos de corrosão formados. Já nas amostras dos tubos da rede de sprinklers do caso “B”. assim como pela formação de ácido hidroclorídrico dentro do pite. Neste caso. amarelas e pretas). encontrando-se. com exceção ao elemento zinco. pites. através do microscópio eletrônico de varredura. também foi observada a presença de restos do fluxo utilizado nas operações de soldagem da tubulação. A Norma ainda adverte que a aplicação do fluxo deve ser feita com cuidado. logo após a limpeza inicial das juntas a serem soldadas. uma vez iniciado o processo de corrosão devido ao fluxo de solda (ou ao ingrediente ativo presente no fluxo. pode-se esperar que o fluxo crie uma trilha de pites no sentido do escorrimento do resíduo. o fato de não ter sido encontrado o elemento zinco nestas análises indica que o fluxo utilizado continha apenas cloreto de amônia. tal como foi observado nestes estudos. com destaque para o cloro e o zinco. outros tipos de depósitos na forma de diferente coloração (brancas. De acordo com Myiers (1994). Para as amostras colhidas no caso “B“. A análise das amostras colhidas no caso “A” por energia dispersiva. a olho desarmado.1 Casos de corrosão Nos exames visuais realizados nas amostras do caso “A”. conforme observado na Fotografia 2. foi possível observar a presença de produtos de corrosão esverdeados nos tubos de água potável. Segundo Myiers (1994). além de pontos de corrosão localizada.

constituída basicamente de óxido cuproso. a presença de resíduo s na superfície de da tubulação de sprinklers e uma pobre drenagem pode causar problemas de corrosão. diz respeito a sua agressividade. nos dois casos em estudo. . ou se suas características protetoras não puderem ser mantidas.1990). Desta forma. A utilização de um fluxo de solda menos agressivo poderia ajudar a diminuir o problema da corrosão na tubulação de cobre. a norma ASTM B 813:00 especifica que seu resíduo deve ser lavável e não-corrosivo. Pelo exposto. também foram realizadas análises químicas das amostras de água. um fluxo com características menos-agressivas.Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos tubulação de cobre. pois neste caso a água circulou e removeu os resíduos do fluxo de solda. Além da análise dos produtos de corrosão presentes na tubulação de cobre. Existe um grande número de fluxos de solda a venda no mercado. convém fazer algumas considerações a respeito dos mecanismos de corrosão do cobre em contato com água potável. que não apresentaram problemas. Neste último caso. ao passo que no caso da rede de sprinklers a água ficou estagnada. é possível buscar. compacta e adere nte. Para verificar a sua corrosividade. pode-se concluir que a presença destes elementos na superfície interna dos tubos em estudo. como foi constatada a presença de sujidades nas amostras analisadas. esta Norma recomenda a realização de um ensaio específico. se esta barreira apresentar descontinuidades. A análise dos produtos de corrosão por difratometria de raio-X permitiu constatar a presença de resíduos de cimento (caso “A’) e a outras sujidades (casos “A” e “B”) na rede de sprinklers . é importante ressaltar o fato de que. conclui-se que a corrosão dos tubos de cobre. nos quais a água não circulava. Em relação à agressividade do fluxo de solda. uns mais agressivos e outros menos agressivos. De acordo com a literatura (Wagner. Este fato está diretamente relacionado com a lavagem dos resíduos do fluxo. nos dois casos estudados. A importância da remoção destas sujidades está diretamente ligada a formação de uma camada de óxidos de cobre com características protetoras. a corrosão por pite constitui uma das formas mais comuns de ataque localizado do cobre em contato com a água. Esta deve ter sido a razão da não-perfuração da tubulação de água potável. No entanto. o cobre e suas ligas poderão sofrer corrosão tanto generalizada como localizada. Desta forma. a tubulação de água potável dos edifícios também era composta por tubos de cobre. pois o excesso de fluxo é uma das causas de corrosão em tubulações de cobre. após encerrados os trabalhos de soldagem. deve ser feita cuidadosamente. que age como uma barreira entre o metal e o meio de exposição (água). é garantida pela formação de uma camada uniforme. com o intuito de verificar sua possível influência na corrosão ocorrida na rede de sprinklers . ocorreu devido à utilização de fluxo de solda agressivo em excesso. Outro aspecto importante. quando utilizada na condução de água. Muito provavelmente. os resíduos do fluxo utilizado na tubulação de cobre em estudo eram facilmente laváveis pela água. Para poder discutir a influência da água no processo corrosivo do presente estudo. Sabe-se que a resistência à corrosão de uma tubulação de cobre. dentre os fluxos de solda disponíveis no mercado. em relação ao fluxo. também contribuiu para a ocorrência de um processo de corrosão localizada no interior da tubulação de sprinklers . No entanto.

1993). Também deve-se levar em conta a temperatura da água. No entanto. os parâmetros considerados para a ocorrência de corrosão generalizada são diferentes dos parâmetros correlacionados com corrosão localizada tipo pite. se a camada formada for compacta e uniforme. o aumento do teor de íons cloreto diminui a probabilidade de ocorrência deste tipo de corrosão. os íons cloretos favorecem a ocorrência deste tipo de corrosão. • segundo Fisher (1995). Se. A título de informação. se é fria ou quente. Isto. • o aumento do teor de sulfato aumenta a probabilidade ocorrência deste tipo de corrosão (DIN 50:930:1993). o cobre poderá apresentar um excelente desempenho. Isto significa que uma mesma água pode determinar a corrosão por pite em uma tubulação e não em outra. Na realidade. a seguir estão apresentadas indicações dos parâmetros de água citadas na literatura que aumentam a probabilidade de ocorrência de corrosão por pite em água fria. existe um consenso sobre os parâmetros a serem considerados para verificar a agressividade da água. existindo inclusive autores que afirmam que esta questão não está ainda bem definida (Broo. No entanto. explica as controvérsias encontradas na literatura. • segundo Alhajji (1996). altos teores de bicarbonato favorecem a ocorrência deste tipo de corrosão. provenientes do processo de instalação da tubulação de cobre. por outro lado. • a presença de compostos orgânicos de natureza inibidora em água de superfície diminuem a probabilidade de ocorrência deste tipo de corrosão (Royuela. de acordo com a norma DIN 50:930:1993 – parte 5. há muita controvérsia quanto aos parâmetros a serem consid erados quando a corrosão é por pite em água fria. enfatizando os casos onde há controvérsia: • a presença de cloro residual em águas tratadas de abastecime nto público favorecem a ocorrência deste tipo de corrosão (Royuela. De acordo com a literatura. inclusive. Se a água não for capaz de formar produtos de corrosão insolúveis. o cobre pode sofrer intensa corrosão generalizada. a principal razão da ocorrência de corrosão por pite em água fria está relacionada com o estado da superfície do cobre antes de entrar em contato com a água. de acordo com a norma DIN 50:930:1993 – parte 5 e Alhajji (1996). tais como resíduos de material de construção e metal e fluxo de solda. No entanto. 1997). a presença de bicarbonato reduz a probabilidade de ocorrência deste tipo de corrosão. Para o caso de corrosão generalizada e corrosão por pite em água quente. . 1993). as características da água devem ser consideradas em função do tipo de corrosão. Assim. se a camada formada não for compacta e uniforme e/ou se esta camada sofrer danificação localizada. a água for capaz de formar produtos de corrosão insolúveis. ou poderá apresentar corrosão localizada por pite. agem como agentes que impedem a formação de uma camada com características protetoras.Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos A resistência à corrosão dos tubos de cobre em água potável está diretamente relacionada com a formação de uma camada uniforme de produtos de corrosão insolúveis. • o aumento do teor de íons nitrato aumenta a probabilidade de ocorrência deste tipo de corrosão (DIN 50:930:1993). Sujidades presentes.

ASTM B 813:2000 – Liquid and Paste Fluxes for Soldering of Copper and Copper Alloys. nr 10. nos produtos de corrosão avermelhados presentes no interior da tubulação. Vol. p. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MYERS. 39. ferro e sólidos dissolvidos presentes na água de abastecimento retida no interior da tubulação. CONCLUSÕES Com base nos casos estudados e nos exames e análises realizados em laboratório. BROO. 1119-1132. constatou-se que a aplicação de fluxo de solda em excesso causou um aumento significativo nos teores de íons cloreto. incontestavelmente. Corrosion Science . – The assessment of short data of pipe corrosion in drinking Water – II. PA. A. 1994. PA. Copper. 34. B. nr 6.2) permitem afirmar que imersão da ponta do tubo na lata de fluxo e conseqüente excesso de fluxo pode vir a causar uma alteração considerável nas características da água que fica retida no interior da tubulação. YOUNG.. ASTM B 828:2000 – Making Capillary Joints by Soldering of Copper and Copper Alloy tube and fittings. Corrosion Science. • nos ensaios de simulação. HEDBERG.. Finalmente.. J. Materials Performance . 33. W. USA. p. somado à presença de sujidades remanescentes no interior da tubulação e a condição de estagnação da água no interior da rede de sprinklers. T.E. USA. USA. um indicativo da influência do fluxo de solda no processo corrosivo: camadas não-uniformes favorecem a ocorrência de processos corrosivos. oriundo da palha de aço utilizada no preparo da superfície para soldagem. nos produtos de corrosão avermelhados presentes no interior da tubulação. J. ROYUELA. West Conshohoken..se que: • a corrosão constatada na rede de sprinklers dos casos em estudo foi determinada pelo uso excessivo de fluxo de solda de características agressivas durante a montagem da rede. E. 1993. zinco. . – Corrosion in building water systems. Materials Performance. OTERO.2 Ensaios em laboratório Em relação aos ensaios conduzidos em laboratório. 10. • constatou-se a presença do elemento ferro. – Copper Corrosion in drinking water distribution systems – The influence of water quality. West Conshohoken. amônia. constatou-se pelos ensaios preliminares (item 3. COHEN.T. 1595-1606. Vol. oriundo da palha de aço utilizada no preparo da superfície para soldagem. Os resultados obtidos nos ensaios de simulação (Item 3. conclui. 1990. foi constada a presença do elemento ferro. Este fato é. V. 40-46..Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos 4. WAGNER. A. 5. 62-63.R. p. USA. 1997. P. 6. Soldering Flux-Induced pitting of Copper Water Lines. n. BERGHULT. J.J.1) que a presença do fluxo de solda influi de maneira importante na formação da camada de produtos de corrosão na superfície interna do tubo.

D. H. 34 p. Berlin... – Microbiologically Influenced Corrosion in Potable Water Instalations – Na Eengineering Aproaching to Developing Countermeasures.Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos FISCHER. 31. AGRADECIMENTOS Os autores agradecem à ELUMA S. 1995.R.Role of solution chemistry on corrosion of copper in synthetic solutions: effect of bicarbonate ion concentration on uniform and localized attack. INDÚSTRIA E COMÉRCIO pelo fornecimento do material (tubos e conexões) utilizado nos ensaios laboratoriais e pelo apoio técnico para a montagem das redes simulando uma rede de sprinklers . 7. 125-131 1996. DIN 50 930:1993 – parte 5.N. . J. P. (2). V. Materials Performance. 50-54. W. REDA.. ALHAJJI.R.A. . SIEDLAREK. M. Korrosionverhalten von metallischem Werkstoffen gegenüber Wasser. WAGNER. BRITISH CORROSION JOURNAL.

5 0.01 0.0 D 7.2 0.0 56.33 213.50 16.31 211.1 0.5 o C) 6.94 0.1 < 0.0 0.0 26.5 Bicarbonato (HCO 3-.8 2Íons sulfato (SO 4 ).0 42.36 0.01 0.0 60.7 3. em mg/L 0.0 1.0 35.47 40.).0 0.02 0.7 16. Unidade ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm NTU µohm A 7. em mg CaCO3 /L 67.77 7.01 144.0 58.1 Dureza total.8 34.0 Alcalinidade ao metilorange* 24.0 30.8 8.01 127.0 Íons cloreto (Cl ).01 0.28 192.01 0.1 96. em mg/L Sílica solúvel Sulfatos Ferro total Alumínio total Zinco total STD Cobre total Amônia (NH4 +).Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos TABELA 1 – Análise química na água coletada (caso “A”) Aspecto analisado Ponto de coleta da amostra Sprinkler do Sprinkler do Caixa d’água 24o andar 13o andar pH (a 24.93 0.0 18.0 0.0 0.61 40.17 19.6 29.8 6.01 0. em mg/L 12.01 0. em ppm 1. em mg/L <5 <5 <5 Amônia (NH4 +).6 2.0 159.4 74.0 0.0 60.87 0.0 34.3 Alcalinidade a fenolftaleína* 0.01 0.7 7. em ppm Turbidez Condutividade * Como mg CaCO3 /L.01 0.0 35.).0 49.2 .1 Ferro (Fe).7 5.7 31.7 Cobre (Cu).6 6. em mg/L** 30. em mg/L 32. em mg/L <1 <1 <1 Silício (Si).6 30.7 0.46 20.5 < 1. TABELA 2 – Análise química na água coletada (caso “B”) Aspecto analisado Ponto de coleta da amostra pH Alcalinidade total* Dureza total* Íons cloreto (Cl.4 42.58 0.15 0.2 * em mg CaCO3/L ** Nota: valor calculado a partir da alcalinidade ao metilorange.0 C 7.2 < 0.01 158.2 B 8.57 170.0 0.

5 0.Sair 6ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos TABELA 3 – Análise química da água (ensaios de simulação) Ensaios Sólidos Dissolvidos. causando a ocorrência de corrosão localizada (3). em ppm Íons cloreto (Cl.2 2 1 1 3 Figura 1: esquema do sprinkler analisado.0 Rede 4 1252.9 0. em ppm Amônia (NH4+).4 542.2 0. Fotografia 1: aspecto da mancha.0 0.5 10. Observa-se a presença de produtos de corrosão esverdeados e muitos pites . em ppm Cobre (Cu).8 0.0 0.8 439. em ppm Zinco (Zn). Observam-se os produtos de corrosão esverdeados nas extremidades laterais desta mancha Fotografia 2: aspecto visual da região na extremidade da mancha.2 Amostra de água Rede 2 204. no sentido longitudinal do tubo. em ppm Inicial 71.6 1.3 1.).3 66.7 39.0 10. em ppm Ferro (Fe).1 0. apresentando as regiões onde a amostra foi cortada (1). o ponto onde havia a gota de fluxo e a mancha branca (2) e onde o resíduo do fluxo se acumulou.