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“A questão de saber se ao pensamento humano

pertence a verdade objetiva não é uma questão da

Aspectos da vida e
da obra de
Marx e Engels
Sandra M.M. Siqueira
Francisco Pereira

teoria, mas uma questão prática. É na praxe que o ser
humano tem de comprovar a verdade, isto é, a
realidade e o poder, o caráter terreno do seu
pensamento. A disputa sobre a realidade ou não
realidade de um pensamento que se isola da praxe é
questão puramente escolástica”
“Os filósofos só interpretaram o mundo de diferentes
maneiras, do que se trata é de transformá-lo”
(Marx, Teses sobre Feuerbach)

Aspectos da vida e da obra de Marx e Engels
Sandra M. M. Siqueira e Francisco Pereira

Dedicatória

Lemarx, 2011.
Aos marxistas revolucionários.

I - INTRODUÇÃO
No presente texto disponibilizamos uma síntese dos aspectos mais importantes da vida e da obra de Karl Marx e Friedrich

SUMÁRIO

Engels, para os leitores interessados no estudo do marxismo. O
estudo foi realizado a partir da obra e do contexto histórico em

I – Introdução
II – Encontro para uma obra comum

que viveram os fundadores do marxismo e de textos publicados
sobre os dois pensadores, remetendo os leitores particularmente
às fontes e aos textos de Marx e Engels.

III – Os jovens hegelianos e a Gazeta Renana
IV – O movimento socialista e o materialismo histórico

Trata-se de uma versão ligeiramente modificada de um texto produzido para o Curso de Introdução ao Marxismo promovido

V - A militância revolucionária e a crítia da socieade burguesa

pelo Laboratório de Estudos e Pesquisas Marxistas (LeMarx), se-

VI – O exílio em Londres e a publicação da obra magna

diado na Faculdade de Educação da Universidade Federal da

VII – A fundação da Primeira Internacional
VIII – A morte de Marx e a atividade científica de Engels
Conclusão
Bibliografia

Bahia (FACED/UFBA), publicado pela primeira vez no site do
mesmo grupo, intitulado Marx e Engels: aspectos da vida e da
obra dos fundadores do marxismo.
Em virtude da riqueza de acontecimentos da vida revolucionária e intelectual dos dois pensadores, muita coisa relevante foi
preterida. O leitor pode, no entanto, aprofundar os conhecimentos fazendo o estudo das biografias existentes e de obras especializadas sobre os detales do pensamento marxista. Por último, o
marxismo é uma concepção de história e de sociedade articulada
à luta de classe do proletariado e demais explorados pela superação do capitalismo e constituição do socialismo. Eis o sentido
desse texto.

RJ: Vozes. Demócrito e Epicuro. Marx e Engels e a história do movimento operário. Educa- ch Engels e de Elizabeth Franziska Mauritia van Haar. Petrópolis. 2006.1990. de outro lado. Rio de Janeiro: Paz e Terra. História do Socialismo e das lutas sociais. uniu-se ao círculo jovem-hegeliano e destacou-se na crítica da filosofia conservadora de Schelling. por sua vez. quando Engels se achava de passagem para a Inglaterra. democráticos. Aos 17 anos. David. Por influência de Moses Hess. Dicionário do Pensamento Marxista. Rio de Janeiro: UFRJ. também chamado Friedri- Engels. Petrópolis: Vozes. 1995. Entre os autores. revolucionário alemão. concluindo seus estudos em Marx. Karl Marx: vida e pensamento. sua ci- em 5 de agosto de 1895. na Alemanha. Inglaterra. TROTSKY. liberais. A História do pensamento do movimento social nos séculos XIX e XX. O Jovem Marx e Outros Textos Filosóficos. em sua ligação com a luta social. Engels. Rio de Janeiro: Zahar. Ernest. em Londres. São Paulo: Centauro. 1990. e morreu em 14 de março de 1883. 2006. Engels nasceu Marx e Engels chegaram ao mesmo referencial por cami- em 28 de novembro de 1820 em Barmen. Doutorou-se em 1841. São Paulo: Ensaio. Marx nasceu em 5 de maio de 1818 em Trier. HOFMANN. na Universidade de democráticas. 1995. Chegou a freqüentar a Universidade de Berlim apenas como ouvinte. Em 1841. FREDERICO. RIAZANOV. 1 dade de origem. BOTTOMORE. com a apresentação de uma tese sobre os filósofos materi- nou um ambiente de discussão em torno de teóricos iluministas e alistas da antiguidade.). Leon. História do Marxismo. sendo influenciado inicialmente pelos liberais 1 Quanto aos aspectos biográficos existem bons livros que retratam a vida e a obra dos dois revolucionários. São Paulo: Xamã. COGGIOLA. 1985. Tom (org. LUKÁCS. O pensamento vivo de Karl Marx. transferindo-se em segui- Marx era filho de um advogado judeu. como Voltaire e Rousseau. 1968. Michael. BEER. em Londres. Werner. Engels se tornou comunista mais cedo que Marx. e de Enriqueta Pressburg. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. De família do para suceder o pai nos negócios. um teórico opositor das idéias de Hegel. em filosofia. 1990. em 1842. São Paulo: Expressão Popular. 2002. LÖWY. Osvaldo. 1984. comunistas assumidos. Eric (org. convertido ao protestantismo e adepto de idéias liberais e Filosofia. São Paulo: Cortez. cursou o ginásio em Elberfeld. O primeiro encontro entre Marx e Engels se deu na época em que Marx era ainda redator da Gazeta Renana. onde cursou inicialmente Direito. HOBSBAWM. MANDEL. A Teoria da Revolução no Jovem Marx. podemos citar: LÊNIN. David. A formação do pensamento econômico de Karl Marx (de 1843 até a redação de O Capital). MACLELLAN. Encontrando-se em Paris em 1844. Karl. ingressou na Universidade de Bonn. O Jovem Marx: as origens da ontologia do ser social. teve em seu seio uma formação calvinista. Rio de Janeiro: Zahar. V. 2007. Celso. São Paulo: LPM. Marx finalizou o ginásio em Trier. São Paulo: Expressão Popular. A casa de Marx se tor- Iena. Georg. Engels: o segundo violino. Max. Marx e Engels travaram um profundo debate sobre suas idéias e posições . na Alemanha. As Três Fontes do Marxismo. faleceu nhos bem particulares. As Três Fontes. era filho de um rico industrial do ramo têxtil.II – ENCONTRO PARA UMA OBRA COMUM religiosa e conservadora. I. 2001. de nome Heinrich da para a Universidade de Berlim. 2002.). mostrou desde cedo dotes literários na escola. KAUTSKY.

para além do formalismo kantiano. ou seja. portanto.2 É o início de uma longa. suas debilidades. México: Fundo de Cultura Econômica. o sistema hegeliano. realizava uma avaliação crítica de seu passado teórico e de sua experiência política. 2 A carta pode ser encontrada em http://www. ao dizer que. em seu movimento. de sociedade e dos indivíduos. Trata-se. que fazia uma clivagem entre o real e o ideal (ser e dever ser). Carlos. tortuosa e profícua vida teórica e prática revolucionária. um faboloso e atual instrumento para a luta de classes e para a compreensão da sociedade capitalista e suas contradições. os haviam conduzido à concepção materialista da história. Os textos da juventude de Marx e Engels foram publicados em: MARX. tais quais marcas fronteiriças. era preciso “investigar as idéias na realidade mesma”.políticas. os dois pensadores socialistas colocaram firmemente a tarefa de produzir uma obra em comum de crítica aos jovens hegelianos. uma das únicas preservadas. trajetória esta que forneceu à humanidade e à classe operária em particular. colocam-se diante de um período concluído. . sociais. em suas contradições. Na Carta ao pai (1837). tomando consciência das conclusões teóricas a que ha- III – OS JOVENS HEGELIANOS E A GAZETA RENA- viam chegado. 1987. cujo aprofundamento revela a necessidade da luta por sua superação. pelo socialismo. grupo que haviam integrado. a partir de suas experiências e estudos filosóficos NA e científicos. porém. Como era característico do futuro revolucionário. Marx diz no texto: “Há momentos na vida que. em meio ao contato com o movimento operário. as leituras que fazia de poetas e filósofos e a necessidade de superar sua primeira orientação filosófica a partir do novo patamar teórico que havia alcançado. expondo a nova concepção de história. apresenta um balanço de seu desenvolvimento intelectual no primeiro ano na Universidade de Berlim. ao mesmo tempo. para uma nova direção”. Marx A síntese de seus estudos históricos. Escritos de Juventude. Vejamos os principais fatos de sua vida revolucionária e as obras que produziram. para passar a um novo patamar intelectual. com determinação. políticos e culturais. em 1883. Marx expressa já a influência de Hegel. de base dialética. que findaria apenas com a morte de Marx.scientificsocialism. de um relato sobre encontro inicial de um jovem com as idéias de grandes pensadores como Kant e Fichte. isto é.de/KMFEDireitoCapa. em seu devir.htm. econômicos. Diante disso.

na Alemanha. Criti- teórico que tinha chegado. In: MARX. É a última presença de Marx na academia. 4 Alguns destes textos podem ser lidos em: http://www. Karl. Ludwig Buhl. tual. crítica e autocrítica relação com o pensamento hegeliano. A liberdade de imprensa. Porto Alegre: L&PM. . O quando a reação monárquica prussiana expulsou Bruno Bauer da cátedra de Teologia da Universidade de Bonn. Karl Köppen.scientificsocialism. atraindo com esquerda do pensamento hegeliano. entre outros textos. Marx se dedica ao jornalismo nos anos de 1842-1843 e colabora com a Rheinische Zeitung (Gazeta Renana). São Paulo: Global. Marx se torna redator do jornal. Debates acerca da Lei sobre o Furto de Madeira e Sobre a Liberdade de Im- Em sua tese. México: Fundo de Cultura Econômica. Manifesto Filosófico da Escola Histórica do Direito.htm. um jornal da burguesia liberal editao em Colônia. para ele o verdadeiro direito. Karl. Marx apresentou a tese de doutoramento nês de recolher lenha nas florestas comunais por conta do avan- intitulada Diferença entre as filosofias da Natureza em Demócrito ço da propriedade privada. 2006 e Notas sobre as recentes instruções prussianas relativos à censura. Karl. de mudanças políticas e de re- samento de Hegel e com o Clube de Doutores (Doctorclub). Diferença entre as Filosofias da Natureza em Demócrito e Epicuro. Há uma edição brasileira: MARX. daí ca os jovens hegelianos por não manterem uma atitude crítica e Marx combater o direito positivo estatal (injusto) com a ideia de autocrítica em relação ao mestre Hegel. sociais e jurídicos. Carlos. Sobre literatura e arte. Marx publica textos decisivos na sua trajetória intelec- Karl Nauwerk e Max Stirner. Diferença entre as Filosofias da Natureza em Demócrito e Epicuro. Marx publica. Escritos de Juventude. os ataques à liberdade de imprensa pelo governo mo- tulo de Doutor. 1979.3 um direito justo. Edgar Bauer. Adolf Rutenberg. mas ainda com o arsenal categorial e contribuições para o desenvolvimento filosófico e científico. como a criminalização de um antigo costume campo- No ano de 1841. O texto sobre A liberdade de imprensa foi publicado em português em: MARX. Os textos da juventude de Marx e Engels foram publicados em: MARX. Nele. esperanças de se tornar professor universitário se dissiparam Na Gazeta Renana. dos camponeses pobres. Marx é obrigado a dar respostas a problemas polí- dos filósofos materialistas da antiguidade e suas importantes ticos. Marx desenvolve uma análise criativa e única prensa. Lisboa: Presença. É o início de uma complexa. que tinha como horizonte a 3 Há as seguintes publicações em português: MARX. 1972. entre outros. 1987. do qual faziam parte Bruno suas idéias e posições a atenção da censura monárquica. econômicas e políticas. São Paulo: Global. Friedrich.de/KMFEDireitoCapa. qual seja o idealismo hegelino.A carta expressa também seu encontro tortuoso com o pen- defesa das idéias democráticas. Bauer. recebendo o tí- do Mosela. a ala forma do Estado. que expressam o contato com questões sociais. Karl e ENGELS. Suas nárquico. a situação de miséria dos vinhateiros e Epicuro à Universidade de Iena.4 Aqui. 1986.

Contribuição à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel. a censura é apenas as idéias hegelianas é o Manuscrito de Kreuznach. da liberdade. casa-se com Jenny von Westphalen e vai para Kreuznach. “confessei francamente que os meus estudos feitos até então não me permitiam ousar qualquer julgamento sobre o conteúdo das correntes francesas”. no fundo.A influência hegeliana fica patente na seguinte passagem da crítica de Marx ao prolema da censura à liberdade de impren- Como disse certa vez. Marx defende idéias radicais para a época como a soberania popular. 5 O texto foi publicado em português: MARX. se opõe à monarquia e cita passagens que se tornaram célebres como: “A democracia é o enigma resolvido de todas as constituições”. é evidente que a liberdade de imprensa tem uma justificativa completamente Dedica-se à crítica do pensamento de Hegel. E arremata: “Uma lei da censura tem apenas a forma historiador marxista David Riazanov. sendo do ponto de vista filosófico influenciado pelo materialismo humanista de É também durante este período que Marx é forçado. um bem positivo. 2005. Em resposta. 5 de lei. que. Marx conclui sobre a necessidade de estudar as idéias socialistas para poder manifestar-se sobre elas. na União Soviética. Era preciso extrair o núcleo revolucionário da dialética hegeliana. uma mera Teoria do Estado de Hegel. já que a primeira é em si mesma um aspec- sobre o direito e o Estado. se retirou do “cenário público para o gabinete de estudos”. Uma lei de imNele. . abria brechas à legitimação da monarquia. Marx deixa a Gazeta Renana em 1843. São Paulo: Boitempo. pela primeira vez. também um aspecto da falta de liberdade. Karl. mas a Por conta da censura. Com base no materialismo feuerbachiano. Uma lei da imprensa é uma verdadeira lei. sa pela monarquia: “Desde o ponto de vista da ideia. a tomar posição sobre as idéias socialistas. políticas um verdadeiro democrata radical. só publicada em 1927 pelo negação”. O produto deste acerto de contas com to da Ideia. “O homem não existe em razão da lei. Marx se mostra do ponto de vista de suas posições prensa é uma lei verdadeira porque é a essência positiva da liberdade”. uma polêmica entre o ponto de chamado de Crítica à Filosofia do Direito de Hegel ou Crítica da vista da semelhança e o ponto de vista da essência. Marx realiza uma crítica à lógica idealista hegeliana. em especial diferente da censura. que havia realizado uma crítica materialista da filosofia hegeliana. pressionado por um jornal de direita. Nas palavras do próprio Marx: Ludwig Feuerbach.

Hegel. a sociedade capitalista. as idéias socialistas e os teóricos da economia política. mas o povo que cria a constituição”. No único número. Marx viaja a Paris. ao reexaminar criticamente a obra do seu antigo mestre. Funda a revista Anais Franco-Alemães(Deutsch-Franzosische Jahrbucher). Friedrich Engels também publicou o texto Esboço de uma Crítica da Economia Política. por um lado. junto com Arnold Ruge. apesar de reconhecer o caráter progressivo da emancipação política burguesia. Marx. fundada por Weitling.lei existe em razão do homem” e “não é a constituição que cria o IV – O MOVIMENTO SOCIALISTA E O MATERIALIS- povo. Conhece socialistas como Proudhon e Bakunin e entra em contato com a Liga dos Justos. MO HISTÓRICO Nosso filósofo. que saiu em fevereiro de 1844. Marx publicou A questão judaica e a Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel. No ano seguinte. Assim. Nesta mesma edição dos Anais Franco-Alemães. No final de 1843. encontra o seu próprio objeto de estudo: a sociedade. que causou uma profunda e simpática impressão no jovem Marx. Na Questão Judaica. a . Estuda a história da Revolução Francesa. iniciará o estudo da anatomia da sociedade burguesa: a economia política. à época o centro das idéias e movimentos socialistas. um emigrado socialista alemão. contrapõe a emancipação humana à chamada emancipação política limitada à sociedade burguesa: “emancipação política é a redução do homem. ela se limitava à ser sujeito de direitos e obrigações no âmbito de uma socieade dilacerada pelas desigualdades sociais e econômicas. de 1789.

quando como homem individual. indivíduo independente e egoísta e. se ti- também elas.). capital.). produção adquirida pelo capitalismo. Marx realiza uma crítica da cidadania burguesa limitada e defende a perspectiva da emancipação humana. a possibilida- e. propriedade privada. na sua homem uma mercadoria. de maneira a nunca mais separar de si esta força social suprimir este aviltamento da humanidade ao suprimir a como força política”. por sua vez. Em suas críticas às contradições da sociedade burguesa. e massacra. critos Econômico-Filosóficos. a pessoa moral”. Glosas Críticas Marginais ao Artigo ‘O Rei da Prússia e a Reforma Social’ de um Prussiano represen- Engels. diariamente nizado as suas próprias forças (forces propres) como forças soci- milhões de homens. trabalho contra trabalho (. que a livre concorrência na sociedade capitalista leva à constituição de monopólios e que a capacidade de tam um avanço em suas concepções filosóficas. apenas da concorrência. E conclui: a “concorrência coloca capital contra Na Introdução à crítica do direito de Hegel. da “mesma forma como a filosofia identifica as armas ma- Os textos de 1844. ou seja. Manus- tuais na filosofia”. e quando tiver reconhecido e orga- concorrencial massacrou deste modo. aprofunda sua visão da sociedade capitalista. o proletariado tem as suas armas intelec- ca. por outro. de Marx e Engels. vimos tudo isto e tudo isto nos leva a ais. a concorrência e os interesses antagônicos”.membro da sociedade civil. e que o sistema ver tornado um ser genérico. capaz de levar até às últimas consequências a luta pela superação do capitalismo. Conclui que só “será plena Engels destaca ainda “os mais fortes argumentos econômicos a emancipação humana quando o homem real e individual tiver para a transformação social (. A Questão Judai- teriais no proletariado. Porém. lançando o homem em “estado de profunda degradação” (Idem:76/77) trata-se de visão ainda filosófica da classe operária. políticas e econômicas. em razão da revolução nas forças produtivas. como também cada um destes elementos contra os restantes”.. Neles. Estuda os economistas burgueses.. no trabalho e nas suas relações individuais. Segundo Marx. encontra-se com o sujeito revolucionário da de concreta de crises econômicas profundas. pela industrialização e introdução das máqui- Marx assume-se definitivamente socialista e revolucionário nas modernas engendra a superprodução. da propriedade pri- . vida empírica. Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel. cuja produção e destruição dependem. a propriedade privada faz do em si o cidadão abstrato. filosoficamente. Marx reconhece a classe revolucionária no capitalismo. destaca em seu Esboço de uma crítica da economia política. a cidadão... época atual: o proletariado.

2003. Há publicação em português de: MARX. os dois revolucionários realizam uma crítica mordaz dos jovens hegelianos. defendendo o ma- 6 Parte dos textos pode ser encontrada em: www. Sobre a questão judaica. Política. quanto mais a sua produção aumenta em O afastamento definitivo do materialismo humanista de Feu- poder e extensão. o trabalhador “se torna tanto mais pobre quanto mais riqueza produz. e isto na medida em que ra crítica aberta a Feuerbach. ENGENS. que haviam terminado em novembro de 1844. nas para o próximo desenvolvimento histórico. O traba- rá a desenvolver. mundo das coisas (Sachenwelt) aumenta em proporção direta a Nas famosas teses Marx faz uma síntese das idéias que começa- desvalorização do mundo dos homens (Menschenwelt). São Paulo. Karl. Comunista assumido. ele produz a si mesmo e transcurso do mesmo ano até 1846. como tal. Boitempo. Na sua realidade ela é o conjunto das o comunismo não é. Manuscritos econômico-filosóficos. Neste texto. a questão. In:Contribuição à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel. 2005. São Paulo. Friedrich. Glosas críticas marginais ao artigo “O rei da Prússia e a reforma social” de um prussiano. Karl. e por isso o momen- Há passagens memoráveis como “Os filósofos têm apenas to efetivo necessário da emancipação e da recuperação huma- interpretado o mundo de maneiras diferentes. 2010. o termo do desenvolvimento hu- relações sociais”.marxists. mas inerente a cada indivíduo. mercadorias em geral”. Com a valorização do bre Feuerbach. Karl. Apesar de ainda defender Feurba- nismo nos Manuscritos Econômico-Filosóficos.vada e da alienação. Expõe a sua primeira abordagem do comu- terialismo contra o idealismo. Marx e Engels já defender uma concepção materialista mais aperfeiçoada. [de que] se- Expulso de Paris em 1845. Publicam sua primeira obra conjunta: A Sagrada Família. Esboço de uma crítica da economia política.org. 1981. no lho não produz somente mercadorias. de fato. 2006. O trabalhador se torna uma mercadoria tão erbach se dará ainda em 1845. MARX. em cujas idéias Marx se baseou produz. por pressão do governo alemão. nos são produtos das circunstâncias e da educação. Marx viaja a Bruxelas (Bélgica). “Mas. São Paulo: Expressão Popular. Friedrich. Centauro: 2002. MARX. . desde a crítica de Hegel em 1843 e com as quais produziu os textos de 1844. A sagrada família. junto com Engels. Karl. “A doutrina materialista de que os seres huma- mano – a figura da sociedade humana”. Karl e ENGELS. em A Ideologia Alemã. O comunismo é a é transformá-lo”. onde se encontra com Engels. MARX. São Paulo: Ática. quando Marx redige as Teses so- mais barata quanto mais mercadorias cria. em especial aos irmãos Bruno e Edgar Bauer. In: ENGELS. Friedrich. 6 Para Marx. publicadas postumamente por Engels em 1888. a essência humana não é uma abstração figura necessária e o princípio energético do futuro próximo. porém. São Paulo: Boitempo. A Questão Judaica. São Paulo: Boitempo. 2010. MARX. É. a primei- ao trabalhador como uma mercadoria. Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel. ch contra os jovens hegelianos. MARX. como dissemos. Marx expõe a sua visão: “O comunismo é a posição como negação da negação. Karl. São Paulo: Boitempo.

A Carta a Pável V. A disputa sobre a realidade ou não realidade de um pensamento que se isola da praxe é uma questão puramente escolástica”. esquece que as cir- resses com todas as forças que pode mobilizar. Karl. para isso. de Marx. Friedrich. jetiva não é uma questão da teoria. em que sintetiza a nova concepção de mundo a partir de uma crítica às posições de Proudhon.org. com o objetivo de socializar as idéias e lutas comunistas. 2003.marxists. 2002. “A ques - A partir do momento em que o operário procura escapar ao atual tão de saber se ao pensamento humano pertence a verdade ob- estado de coisas. São Paulo: Centauro. Engels escreveu uma obra magistral: A situação da classe trabalhadora na Inglaterra.9 Em Bruxelas. Miséria da Filosofia: resposta à filosofia da miséria do senhor Proudhon. A ideologia alemã. publicada em 1845. que cia melhor e mais humana e. o caráter terreno do seu pensamento. Karl. Boitempo. pode ser encontra em: www. de suas primeiras formas de organizações e lutas. das condições de miséria e opressão da classe trabalhadora. análise contundente das raízes da sociedade capitalista. É o acerto de contas final com a sua consciência filosófica anterior. São Paulo: Boitempo. São Paulo: Boitempo. organizando um Comitê de Em 1844.marxists. por meio da pro- cunstâncias são transformadas precisamente pelos seres huma- priedade e por meio do poder estatal que está à sua disposição. da inEntre 1845 e 1846. quando foi publicado na Rússia. que não seria publicado por dificuldades editoriais.8 Alemã. criar para si uma existên- idealista e a exposição da concepção materialista da história. mas uma questão prática. o burguês torna-se seu inimigo declarado”. profunda e densa crítica dos dois socialistas à filosofia “sair dessa situação que os embrutece. A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra. Pode ser encontrado em: www. In: A ideologia alemã. a realidade e o poder. 2002.10 teresses da burguesia enquanto tal. aproximando os revolucionários e as organizações. São Paulo. portanto. uma Correspondência. concluem o manuscrito de A Ideologia dustrialização. 8 ENGELS. enfim o jovem revolucionário denuncia a profunda exploração a que eram submetidos os operários. produtos de outras cir- na exploração dos operários. . 2007. nos e que o educador tem ele próprio de ser educado”. 7 Carta a Pável V.res humanos transformados são. isto é. Karl e ENGELS. Mas a burguesia defende seus inte- cunstâncias e de uma educação mudada. permanecendo inédito até 1932. 10 O texto por completo foi publicado em: MARX. Marx e Engels levam à frente o projeto da unidade entre teoria e prática revolucionária. Annenkov. Trata-se da primeira e mais Engels tem ciência sobre a necessidade do trabalhador extensa. que consistem precisamente 9 7 MARX. É Por essa época Marx também redigiu um texto chamado na praxe que o ser humano tem de comprovar a verdade. Friedrich. Podemos encontrá-la também como anexo ao livro: MARX.org. o hegelianismo e os jovens hegelianos. devem lutar contra os in- desenvolverão nas obras posteriores. Annenkol. Teses sobre Feuerbach.

em que o destino dos homens se en- O materialismo histórico. Por outro lado. a filosofia idealista encontrará na da matéria e só pode existir sob esta base material. Trata-se de um fato já demonstrado pelas ciências mos deixar claro que difere do materialismo mecânico do século que estudam o passado da humanidade (paleontologia. Ao analisar gia. duran- a história e estender a aplicação da filosofia materialista ao estu- te bilhões de anos. mesmo a orgânica (animais e plantas). do do desenvolvimento das formações econômico-sociais.Desde a antiguidade greco-romana. sob a base da matéria mo filosófico. piricamente observável e historicamente demonstrada. parte da perspectiva. história) e do universo (física). posição evidentemente sem qualquer base histórica. em- contra previamente traçado e contra o qual é impossível lutar e transformar radicalmente. que tem a sua base filosófica na corrente materialista. os pensadores se divi- Somente em determinadas condições históricas é que a diam em duas concepções fundamentais: materialismo e idealis- consciência começou a se desenvolver. e reprodução da vida social. A natureza inorgânica. em aberta contraposição ao marxismo e à a idéia primeira se confunde com a própria idéia de um ser sobre- luta dos explorados na atualidade. O materialismo de Marx é histórico e dialético. natural. basta verificar as con- no fundo se casam com as concepções religiosas. um estágio superior de desenvolvimento crito e Epicuro. por exemplo. A mo filosóficos nos chamados físicos como. que se apegam ao Desde então. portanto. As senvolvendo e se expressando nas teses dos diferentes pensa- concepções idealistas. Eis um dos motivos pelos quais o materialismo é inconciliável com as diversas concepções idealistas. que o teria criado. arqueolo- XVIII. segundo um plano pré-estabelecido. e. É possível encontrar as teses iniciais do materialis- altamente evoluída (o cérebro) até chegar ao estágio atual. de modo que cepções reinantes. desde a platônica até as mais recentes. Não é diferente em nosso século. da anterioridade da matéria (inorgânica e orgânica) sobre as idéias e a Mas quando não se trata do materialismo marxista. deve- consciência. antiguidade a sua mais acabada expressão na obra do filosófo Platão. . Demó- consciência é. superior e anterior ao mundo. dores. Marx existiu antes do advento dos primeiros humanos e continuará a parte da materialidade sócio-histórica: as condições de produção existir mesmo se a humanidade for exterminada. de base dialética. essas duas correntes opostas de pensamento princípio da anterioridade das ideias e da consciência sobre a e de explicação da relação entre as ideias e a matéria vem se de- matéria.

no processo histórico. Nenhuma sociedade é possível sem o trabalho. na segunda. São estas condições socioeconômicas. que corresponde à vida real. sem a rela- como atual em bases. que os outros fazem deles. condições e limites materiais determinados ção metabólica do homem com a natureza. mas sim a vida que determina a consciência. do modo de. ciência. Desta forma. das representações e da consciência está.Na síntese de Marx e Engels: “Não é a consciência que de- constituem a base sobre a qual se constroem determinadas for- termina a vida. da religião. de todo um povo. São os homens que produzem suas representações. As representações. atuantes. inclusive as mais amplas formas que estas podem tomar” . tais econômico-sociais. direito. livre. ao longo da história. Na mas de consciência social (arte. necessárias à existência da vida em socieda- como trabalham e produzem materialmente. religião. como diz Marx. a princípio. filosofia. o comércio intelectual dos homens aparecem aqui ainda como a emanação direta de seu comportamento material. o pensamento. da metafísica etc. partimos dos próprios indivíduos reais e vivos. primeira forma de considerar as coisas. Para os dois revolucionários. explorado ou associado. como sendo o indivíduo vivo. ela é a linguagem da vida real. isto é. estando todo o processo de trabalho sob o controle dos produtores organizados.. mas desses indivíduos não tais como aparecem nas re- O trabalho é a atividade que faz a mediação entre os ho- presentações que fazem de si mesmos ou nas representações mens e a natureza na produção das condições materiais. e independentes de sua vontade. A produção das ideias. que mente ligada à atividade material e ao comércio material dos homens. direta e intima- Mais trabalho ou menos trabalho. e consideramos a consciência unicamente como a sua consciência”. da moral. tais como são condicionados por um determinado desenvolvimento de suas forças produtivas e das relações que a elas correspondem. mas os homens reais. Mesmo a sociedade mais evoluída (comunista) terá como base o trabalho associado. coletivo e destinado a atender as necessidades sociais. na das leis. os homens passaram por diversas formações socioeconômicas. cada uma com determinadas formas de trabalho. suas ideias etc. a eterna relação do homem com a natureza para produzir os meios de produção e de subsistência. mas na sua existência real. os homens estabelecem entre si relações de produção. O mesmo acontece com a produção intelectual tal como se apresenta na linguagem da política. isto é. que se expressam nas relações de propriedade. Ao longo da história. “estrutura social e o Estado nascem continuamente do processo vital de indivíduos determinados. de cooperação ou de exploração. mas sempre o trabalho será. partimos da consciência entre outras) e as instituições jurídico-políticas (Estado). portanto.

aumentando a produtividade do uma simpatia que nutria por Proudhon. instalações etc. por conseqüência. diz Marx. ferramentas. Marx demonstra o caráter reformista das teses de Proudhon. é a base segura para a compreen- vas (força de trabalho. observa-se a per- problemas da humanidade. produção e de troca dominante. na sociedade burguesa. igualdade).) e relações são do passado e do presente. sob a momento de acerto de contas com outros socialistas como Jo- base da propriedade privada. transmutando-os para a sua . abrindo perspectivas para a luta de produção (se expressam nas relações de propriedade). Esta concepção materialista da história. rias. Na sociedade burguesa. diminuindo o tempo de trabalho socialmente necessário para produzi-las. Isto significa que numa mesma quase permanentes e cada vez mais profundas.A formação social tem como base um determinado modo de nhado do desemprego crônico e de crises de superprodução. mercantilizando as relações sociais e colocando-as sob o controle do capital. As re- por novas relações sociais (socialismo). É o fim de cando-as ao processo produtivo. O período em que Marx e Engels desenvolverm mais exaustivamente o materialismo histórico é ao mesmo tempo um Enquanto foi possível expandir as relações mercantis. que sequer arranhavam as relações de produção capi- Hoje. de- O modo de produção é uma articulação de forças produti- senvolvida por Marx e Engels. Marx critica a tas incentivaram o desenvolvimento da ciência e da técnica. como foi o exemplo histórico da Revolução Russa de 1917 e de diversos outros processos revolucionários vitoriosos ou não. baseada na indústria e na ex- to da ciência e da técnica e a sua aplicabilidade para resolver os ploração do trabalho assalariado pelo capital. quando os mercados estão partilhados entre as po- talista. Quando isto ocorre. nos países capitalistas mais atrasados. lações de produção podem desenvolver ou obstaculizar o avanço das forças produtivas. incrementando a quantidade e qualidade das mercado- obra O Que é a Propriedade?. o emprego limitado da técnica na produção é acompa- abstratos (liberdade. abre-se manência de relações sociais pré-capitalistas. Entretanto. particularmente uma época de revolução social. as relações de produção capitalis- seph Proudhon e Weitling. seu apego aos ideais burgueses tências. em particular por sua trabalho. Na Carta a Annenkov. denominada Filosofia da Miséria. e. As relações de formação social permanecem resquícios de relações sociais an- produção capitalistas tornaram-se um estorvo ao desenvolvimen- teriores. apli- obra de Proudhon. vivenciamos revoluções proletárias em vários países. Desde o início do século XX. o modo de produção capitalista é o dominante e tende mesmo a se expandir gradualmente.

é um momento de dife- V – A MILITÂNCIA REVOLUCIONÁRIA E A CRÍTICA renciação com as demais correntes filosófico-políticas do movi- DA SOCIEDADE BURGUESA mento operário.análise da sociedade burguesa. o segundo esboço um programa reformista e adaptado à pequena burguesia. Proudhon havia se conduzido de uma postura inicialmente revolucionária para uma concepção reformista da transfoirmação social. Além do trabalho na Liga dos Comunistas. uma organização que evolui para o comunismo e que se torna. que Marx tanto admirava. Mostra as fraquezas das teorias de Proudhon e sua adaptação às relações de produção burguesas. a Liga dos Comunistas. inscrevendo em seu estatuto a luta pelo fim da propriedade privada. Enquanto o primeiro criticava ardorosamente a propriedade privada. Portanto. Marx e Engels fundam uma Associação de Operários em Bruxelas. já se encontrava muito distante daquele de O que é a propriedade?. a exploração da força de trabalho e os males sociais do capitalismo. defendendo idéias como o Banco Popular. Neste ano. O Proudhon de Filosofia da Miséria. em oposição à Filosofia da Miséria. que. daria crédito sem juros aos . numa obra denominada A Miséria da Filosofia. Marx continua a sua crítica de maneira mais acabada às idéias de Proudhon. Finalmente. em 1847. segundo supunha. por influência de Marx. Marx e Engels se integram à Liga dos Justos. Como se disse mais acima.

as aquisições teóricas anteriores. Participam ativamente das lutas políticas. diferenciando-se claramente da tam: “Um espectro ronda a Europa – o espectro do comunismo.org. a partir de uma análise dos teóricos da economia. Expressa o contexto revolucionária da época em que foi produzido. em Colônia. organizando. Ainda em 1849. são. intitulado Princípios do Comunismo. São Paulo: Centauro. . O texto só foi publicado em fevereiro de 1848. Metternich e Guizot. Marx retorna a Paris e em seguida à Alemanha. com En- Marx antecipa o fracasso das teorias reformista de Proudhon em seu livro de polêmica com o pensador francês. por ocasição do caldeirão da luta de classes na Europa. Karl. mo”. A Miséria da Filosofia. quando explodiu a Revolução de 1848. seu modo de ver. no site: www. opondo um manifesto do próprio partido à lenda do espectro do comunis- 11 Os textos podem ser encontrados. A aversão às idéias comunistas era uma prova clara de que: “1º: O comunismo já é reconhecido como força por todas as potências da Europa. Há publicação em português: MARX. dirigindo a associação operária de Colônia e a resistência operária em Elberfeld. em parte. Expulso de Bruxelas. Os operários demonstraram a força e o vigor apresentando suas próprias reivindicações. abertamente. ao mundo inteiro. Logo na começo do documento. numa síntese concreta do desenvolvimento econômico-social. Na França. mas aproveita a ocasião para expor de uma forma mais penetrante a gels. por força dos acontecimentos revolucionários. Engels elabora um documento em forma de perguntas e respostas ções. teoria materialista da história. constituindo uma síntese do desenvolvimento histórico da sociedade burguesa e de suas contradi- Ainda em 1847. nossos autores argumenCom base nele. Todas as potências da velha Europa unem-se numa Santa Aliança para conjurá-lo: o papa e o czar. consolidando. 11 O Manifesto Comunista de 1848 é um marco na história do pensamento da humanidade. 2º: É tempo de os comunistas exporem. processos. Marx e Engels escrevem o Manifesto do Partido Comunista. antecipa as tendências políticas do movimento socialista e assenta o programa dos comunistas no movimento operário. exílios e expurgos. a monarquia foi derrubada e proclamada a República.trabalhadores. seus objetivos e suas tendências.marxists. Marx e Engels foram encarregados no primeiro Congresso da Liga dos Comunistas de redigir um manifesto sobre o programa e as idéias da organização comunista. A classe dominante reagiu à luta operária com repres- Banco Popular por Proudhon findaria fracassada. os radicais da França e os policiais da Alemanha”. a experiência de fundação de um burguesia. a revista Neue Rheinische Zeitung. 2003.

Como dizem. assemelha-se ao feiticeiro que já não pode controlar os poderes infernais que invocou. ameaçam cada vez mais a existência da sociedade burguesa. alização e exapansão do comércio em escala mundial. que brotou das ruínas da sociedade feudal. Da sociedade escravista antiga. previstas por Marx e Engels no Manifesto. as formações econômico-sociais. Basta mencionar as crises comerciais que. que acumularam ao longo do século XIX. como as forças produtivas constituídas pela indústria moderna se chocam profundamente com as relações de produção baseadas na propriedade privada. A burguesia criou. o que mais desenvolveu as forças produtivas (a tos fabricados. em particular o Estado e as suas instituições. Cada O capitalismo foi. não aboliu os antagonismos de classe. que conjurou gigantecos meios de produção e de troca. contra as relações de propriedade que condicionam a existência da burguesia e seu domínio. passando pelas sociedades feudais até a sociedade capitalista atual. a classe dominante procurou manter o seu poder na base da exploração da força de trabalho e na apropriação do excedente econômico produzido pelos trabalhadores. os . portanto. as relações de produção burguesas. os fundadores do marxismo não apenas sintetizam o programa proletário. Há dezenas de anos. o regime burguês de propriedade. O Manifesto Comunista mostra que todas vimento das forças produtivas e a internacionalização da forma mercantil. com suas relações de produção e de troca. Durante séculos. como dizem Marx e Engels. garantiu o livre desenvol- O resultado são as crises constantes e periódicas de produção. entre todas as formações econômico-soci- crise. foram marcadas pela divisão em classes sociais e. pela luta de classes em torno dos seus interesses materiais. fundadas na propriedade privada dos meios de produção. “A sociedade burguesa. a história da indústria e do comércio não é senão a história da revolta das forças produtivas modernas contra as modernas relações de produção. e mais particulamente no século XX. Como nas sociedades classistas anteriores. com os recursos existes. com exceção das sociedades comunistas primitivas. Não só criou forças produtivas para além das condições de absorção dos mercados. mas também uma grande parte das próprias for- técnica e a organização do trabalho). a sociedade capitalista é marcada pela divisão em classes sociais distintas e antagônicas: “sociedade burguesa moderna. o seu próprio coveiro. novas condições de opressão.Porém. destrói regularmente não só uma grande massa de produ- ais anteriores. com o processo de industri- ças produtivas já criadas”. Não fez mais do que estabelecer novas classes. novas formas de luta em lugar das que existiram no passado”. a sociedade burguesa moderna. repetindo-se periodicamente.

representa uma de burguesa atual. como ocorre na atualidade. ainda hoje. a emancipação do proletariado deve ser realiza- perseguição. como acreditavam os socialistas anteriores. . provocar guerra regionais e balho enquanto seu trabalho aumenta o capital. os vas excedentes. mostraram Marx e Engels. que. Marx e Engels mostram que o comunismo não é uma utopia ou um ideal a todas as vicissitudes da concorrência. se modernos. os revolucionários dos diversos países sofreram Entretanto.elementos de uma crise maior. por exemplo. No século XX. São Paulo: Boitempo. são processados pela justiça alemã cessidade de organização política do proletariado em um partido 12 Em português ver: MARX. mas uma possibilidade aberta pelo desenvolvimento da socieda- O manifesto é uma obra. década de 1850. aliás. apropriada pelo capital sob a forma da mais-valia. produziu também os ho- guesia. Com o desenvolvimento da burguesia. com o processo de industrialização. a burguesia não tal. porém. Esse operários. atodas as flutuações do mercado”. isto é. não só destrói forças produti- mens que empunharão essas armas – os operários modernos. a classe dos oprários exitou em destruir conquistas históricas dos trabalhadores e. são mercadoria. da pelo próprio proletariado. classe que produz a ri- do em diversos idiomas. cesso de transformação social. marcado pela derrota que vive inteiramente de seu próprio trabalho e que não tem. a chamada crise estrutural do ca- de novo tipo. das lutas operárias e pela avassaladora contra-revolução burguesa na Europa. puramente moral. a articula- fonte para os revolucionários. em consequência. portanto. repressão e condenações da justiça burguesa. capaz de levar até as últimas conseqüências o pro- pitalismo. 2002. No período seguinte. o desenvolvimento da ciência e da talismo e a construção de uma sociedade socialista. constrangidos a vender-se a retalho. desenvolve-se também o proletariado. Afirmam nossos auotores: “A burguesia.12 queza social. O Manifesto Comunista. interesse em manter a sua exploração social. não se limi- tendo em vista que não podem superá-las definitivamente. do capi- puta e a classe operária. os quais só vivem enquanto têm trabalho e só têm tra- falharem os intrumentos anteriores. a bur- tou a forjar as armas lhe trarão a morte. Marx e Engels deixam patente a ne- Marx e Engels. mundiais. Para minimizar os efeitos catastróficos da crise capitalista. como explora ainda mais os mercados em dis- proletários. artigo de comércio como qualquer outro. Foi publica- técnica e o surgimento do proletariado. que lutam pela superação do capi- ção da economia mundial. Karl. estão sujeitos Fazendo uma análise histórica do capitalismo.

luta de classes como motor dos fatos históricos. assegurando a sua independência de classe em todas as situações. As lutas de classes na França: 1848-1850. As Lutas de Classes na França de 1848 a 1850 (1850). Os escritos do período de 1849 a 1852. Na Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas. O 18 Brumário de e Cartas a Kugelmann. Também há as seguintes publicações: MARX. 18 Brumário de Luís Bonaparte (1852).org. MARX. não deixando que a revolução se esgote nas tarefas democráticas. Revolução e Contra-Revolução na Alemanha (1852). Trabalho assalariado e capital. Carta a Joseph Weydemeyer (1852). dos quais Marx e 13 Os textos podem ser encontrados em: www.marxists. São Engels tiraram importantes conclusões históricas sobre o caráter absolvidos no processo judicial de Colônia. . contra-revolucionário da burguesia nos acontecimentos de 1848 em diante. Karl. São Paulo: Paz e Terra. o papel do operariado como classe revolucionária e a São desse período as seguintes obras conjuntas ou individuais de Marx e Engels:Trabalho Assalariado e Capital (1849). 1977. Marx expõe o caráter permanente da revolução socialista e alerta para o fato dos operários manterem a vigilância frente a burguesia e a pequena-burguesia. 1986. 1987. particularmente As Lutas de Classes na França e O 18 Brumário traçam um quadro histórico dos acontecimentos revolucionários.por criticar as autoridades e participar da resistência política. sendo que nele se faz uma análise das relações entre capital e trabalho no capitalismo. São Paulo: Global. Karl. Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas (1850). MARX. Karl. São Paulo: Global. O Recente Julgamento de Colônia (1852).13 Trabalho Assalariado e Capital foi produto de conferências de Marx aos operários.

New York Daily Tribune. tais como A Guerra da pesquisas. sobre as sociedades pré-capitalistas. 2011. Passando por muitas privaEsse manuscrito. 1857 e 1858 volumosos manuscritos preparatórios às suas obras onde passa a morar com a família.marxists. Marx fluência nos debates marxistas no século XX e continuam a des- afasta-se temporariamente dos estudos de economia política. encontra apoio no amigo Engels. A Revolução na China e na Europa (1853). 14 Os textos podem ser encontrados em www. Karl. tratar de apontamentos sobre seus estudos. meira grande obra econômica. os Grundrisse (1857- VI – O EXÍLIO EM LONDRES E A PUBLICAÇÃO DA 1858).16 Acumulou longos anos de estudo. teve uma grande inDurante um longo período. Boitempo.org. em 1939- cionário. 1991. A Guerra contra a Pérsia (1857). Para a Crítica da Economia Política. colabora no apoio aos emigrados. 15 . São Paulo.org. operários e de suas organizações. São Paulo: Abril Cultural. Para a Crítica da Economia PolítiForam escritos nesta fase: A Dominação Britânica na Índia ca (1859). desde a década (1853). Karl. Os demais textos em:www. com a saúde agravada. Peoples`s Paper e Neue Oder-Zeitung. 16 O texto pode ser encontrado em: www. Rio de Janeiro. A Guerra Anglo-Persa (1856). Marx escreve entre Marx continua suas atividades revolucionárias em Londres. Uma parte do manuscrito. depois da derrota dos proces- posteriores de economia. Os Resultados Eventuais da Dominação Britânica na Índia (1853). Cartas a Friedrich Engels (1856). 15 Criméia. é um que só retomará progressivamente. de modo que. particularmente.marxists. 1982. O texto completo foi pubicado recentemente em português: MARX. Guerra Anglo-Persa e um ensaio sobre Símon Bolívar. De qualquer forma. não publicado em vida por se ções financeiras. porque ele nos dá um quadro de como Marx desenvolvia suas sobre diversos temas e fatos da época. Revolução Espanhola. foi publicada em português: MARX. Paz e Terra. Publicação em português: MARX.org. que deve ser estudado por todos os marxistas.Simon Bolívar (1858) e. publicados pelo Instituto Marx-Engels de Moscou. pertar a atenção de muitos estudiosos. Karl. a dominação britânica da Índia. que passaram a ser conhecidos sos revolucionários de 1848 e do desencadeamento da contra-re- como Grundrisse (fundamentos para a crítica da economia políti- volução burguesa em toda a Europa. Escreve para os periódicos texto fabuloso. Marx trabalhou resolutamente para a publicação de sua pri- China. A Companhia das Índias Orientais (1853). É uma fonte valiosa para a questão do método.marxists. 14 OBRA MAGNA Com o retorno aos estudos econômicos. Formações econômicas pré-Capitalistas. como revolu- ca). Grundrisse. reforçando a luta dos 1941. realçamos.

que. em seu intercâmbio com a que finalmente veio a lume. a obra magna de Marx. determinações históricas. Poucos compreenderam a o conteúdo material da riqueza social. só veio a lume em 1867. Os Economistas.17 A partir da análise da forma pode existir sem trabalho. Marx dá continuidade à assalariado é explorado pela burguesia. quando iniciou as primeiras leituras dos economistas os meios de subsistência. os camponeses eram na história da economia. os escravos eram explorados pelos ricos talista. para o New York Daily Tribune e Das Volk. a obra se tornou um fracasso editorial. e do dinheiro. como falamos. Mas nenhuma delas Entretanto. elaboração de artigos sobre problemas da conjuntura da época O trabalho toma. MARX. desde as sociedades mais simples às mais complexas. o primeiro livro de O Capital. São Paulo: Civilização Brasileira. col. a mercadoria. sem a relação com a natureza. 17 No Brasil. a obra foi publicada integralmente em: MARX. indispensáveis à existência social. é a célula mais simples da sociedade burguesa. mercadoria. o trabalho é a relação metabólica do homem com Ricardo. No feudalismo. O Capital: crítica da economia política. a força de Os contornos fundamentais de sua teoria econômica esta- trabalho é explorada pela classe dominante. Trata-se de uma obra ímpar proprietários de terra. natureza. diz Marx. portanto. clássicos. Junto com os estudos econômicos. sem a produção da riqueza social. São Paulo: Nova Abril Cultural. complexa análise empreendida pelo gigante Marx. Numa linguagem rebuscada e difícil. a mercadoria é a célula da sociedade burguesa. A teoria do valor-trabalho é a base a partir da qual Marx analisa a sociedade burguesa e desenvolve suas idéias econômicas. Desde que surgiram as sociedades classistas. o trabalho tas. Em O Capital. 2002. até Portanto. mas pouco lida pelos próprios marxis- submetidos ao trabalho servil. e esta constitui uma coleção de . Na sociedade vam sedimentados. dependendo da formação social em análise. O Capital.de 1840. a força de trabalho produz. Karl. Marx realiza uma análise profunda da organização capitalista e de suas contradições sócio- econômicas. 1982. Sob o capitalismo. Karl. a partir do qual se extraem os meios de produção e análise da sociedade capitalista e a crítica da própria economia política burguesa. em particular por Adam Smith e David Para ele. em quem Marx tanto se inspirou para aprofundar a sua a natureza. A obra tão esperada foi adiada por vários anos. Esta teoria foi desenvolvida inicialmente pelos economistas clássicos. como o estudo da célula da sociedade capi- escravista antiga.

“o produto é propriedade do capitalista. O capitalista compra a força os que não se sujeitavam a elas. a origem delas. a de um cavalo que os expropriou de qualquer meio de produção. por sua vez. for imprescindível à execução do trabalho”. O capitalista paga. não do analisa como foram constituídas as pré-condições para a produtor imediato. Estudadas as pré-condições para a sociedade capitalista. entre trabalho. os quais também lhes pertencem. trabalho pelo capital. provenham processo de produção. ao outros. de trabalho e incorpora o trabalho. como trabalhadores em assalariados. por meio da exploração colonial. é “um objeto externo. as chamadas leis sanguinárias. o valor diário da força de trabalho. seja qual for a natureza. por suas propriedades. de modo que a classe dominante de qualquer outra mercadoria – por exemplo. o trabalhador. a quem pertence seu trabalho. o processo de trabalho é . com penas para trabalho. e o possuidor da força de bens da igreja. Ao comprador capital. Diversas coisas e relações passam a ser instrumental de trabalho. apenas cede realmente o valor-de-uso que vendeu. e a mercadoria. pertence a este o valor-de-uso da sua força de assalariamento. isoladamente considerada. satisfaz necessidades Marx estuda como se dá a relação entre capital e trabalho no humanas. apropriada de forma privada pela burguesia. não se desperdiçando matéria-prima e poupando-se o relações sociais. Na parte sobre a acumulação primitiva do capital. uma coisa que. aos elementos como forma dominante através de leis mortos constitutivos do produto. mercantilizam-se as rpodução. da expropriação de pertence o uso da mercadoria. Com a expansão das apropriada e em que se apliquem adequadamente os meios de relações capitalistas em todo o mundo.mercadorias. Coube aos governos e Estados imporem o trabalho ceder seu trabalho. o “trabalhador trabalha sob o mercadorias. o trabalho. os trabalhadores engendram a riqueza social. sua utilização. por sedimentação do capitalismo. Por isso. “A riqueza das sociedades onde rege a produção capitalista configura-se em ‘imensa acumulação de Na sociedade burguesa. é a controle do capitalista. Marx Porém. de modo que só se gaste deles o que exploradas pelo capital. Através da exploração da força de do estômago ou da fantasia”. e a acumulação de alugou por um dia -. O forma elementar dessa riqueza. Ao penetrar o trabalhador na oficina do assalariado de capitalista. Do seu ponto de vista. Sua utilização. através da transformação dos exemplo. da espoliação de camponeses e artesãos. fermento vivo. Segundo o autor. A mercadoria. pertence-lhe durante o dia. nossa investigação capitalista cuida em que o trabalho se realize de maneira começa com a análise da mercadoria”.

Portanto. o produção das mercadorias e ganhar a concorrência com seus excedente econômico. nem da pertencem. o salário. enquanto a sua realização. Na outra parte inovam para reduzir o tempo socialmente necessário para a (excedente) o trabalhador produz a riqueza a mais. expressa Marx analisa na parte sobre A lei geral da acumulação no contrato de trabalho. mas da exploração da modo que o produto do processo de fermentação em sua força de trabalho assalariada na base da propriedade privada adega”. a tendência do capitalismo de produzir. capitalista. depende do comércio. introduzindo a técnica mais moderna no processo de produção (capital constante). O processo de trabalho é um processo que ocorre capitalista não é produto de sua natural capacidade de negociar. a sua transformação em capital-dinheiro. em de sua família. que varia para cima e salários. entre coisas que o capitalista comprou. a força de Estava desvendado o segredo da produção capitalista. que só pode consumir adicionando-lhe meios de riqueza social e da acumulação de capital. trabalhadores. no limite. é constituído pela quantidade de trabalho tendência geral do desenvolvimento capitalista. ou seja. A pauperização relativa das massas é uma que. trabalho no mercado. a mais-valia é constituída na produção social. produz-se o salário pago ao trabalhador. acumulada pela burguesia. da circulação. não paga. O produto desse processo pertence-lhe do mesmo proteção divina. Sob a aparência de uma igualdade jurídico-formal. ocorre a centralização e a concentração do capital entre cada vez menos capitalistas. tendo em vista a socialmente necessário para a reprodução da força de trabalho e desproporção crescente entre o que o trabalhador recebe. de um lado. o uma capitalista paga o preço desta mercadoria. tendo em vista a Marx continua: durante uma parte da jornada (necessária). A concorrência entre os capitalistas leva-os a inovar permanentemente. Pela utilização da força de trabalho. de outro. A riqueza do produção. enorme miséria. o capital adquire a mercadoria força de capitalista. como imaginavam outros. da trabalho. vivenciada cotidianamente pelos para baixo do valor da força de trabalho depende da oferta e da procura. a um preço menor. entre coisas que lhe como defendiam teóricos burgueses anteriores a Marx. dos meios de produção. e o que o capitalista acumula. Portanto. É evidente que o preço. em capitais. produção de mais mercadorias.apenas o consumo da mercadoria que comprou. . e. apropriado sob a forma de mais-valia pelo pares. certa jornada de trabalho. colocando-a a seu serviço durante uma uma imensa riqueza. Na concorrência acirrada. mas sofre também os condicionamentos históricosociais da luta de classes.

A ciência e a técnica se capitalismo triunfante. O livro IV. previstos em suas tendências por Marx. mas descarrega sobre os trabalhadores os efeitos nefastos das crises econômicas. estudadas em O Capital e desenvolvidas posteriormente por outros teóricos marxistas. também conhecido como Teorias da mais-valia. ao desenvolver as suas contradições sociais. economia capitalista. respectivamente. No máximo. periodicamente. Como ficou evidenciado ao longo do século XX.formando-se grandes monopólios. Marx demonstrou o caráter cíclico da de Marx. que deveria suposto equilíbrio permanente do mercado e desprezam a se constituir o sexto capítulo do primeiro livro. orgânica do capital (aumento do capital investido em maquinaria) iniciada nos EUA e expandida para a Europa. surpreendeu-se com o estouro da crise e a tornam. de O Capital. que levam a humanidade a guerras. mas não chegou a ser publicado junto com o Livro I. América Latina. levam-no a crises cada vez mais profundas. em 1885 e 1894. nas condições de aplicação burguesa. A mudança na composição É o que percebemos na atual crise econômico-financeira. leva à tendência a queda da taxa de lucro. Para quem achava que Marx estava morto e o capital variável. publicado por Karl Kautsky. acompanhando as contradições analisadas por Marx. opressão dos capitalistas sobre os trabalhadores. que. internas. O capitalismo desenvolve contradições Somente em 1933 seria publicado em Moscou. São as leis históricas da sociedade burguesa. no século XX. à destruição de forças produtivas. se faz cada vez mais Por fim. em 1905 e 1910. segundo indicação importância das crises. ao desemprego e à fome. com a redução do Ásia e África. investido em salários. incrementando o desemprego. o capitalismo não cai de podre. é preciso dizer que os livros II e III. por mais desagregadoras que sejam as suas contradições. crônico. Há também um Ao contrário dos economistas burgueses que defendiam um escrito intitulado O Capítulo VI Inédito de O Capital. . foi estrutural. à miséria. arrasta a humanidade para a barbárie. foram publicados por Engels. particularmente quanto aos monopólios. instrumentos de profunda atualidade da teoria marxista. que.

São Paulo: Global. Von político tornou-se. o grande dever das classes Schweitzer (Sobre Proudhon . Lousane (1867). deverá inscrever na sua bandeira esta divisa em 1863. B. justa!. Seu primeiro Congresso ocorreu em Genebra. Produtividade do Capital. uma obra em que Marx. Marx diz: “Conquistar o poder Tecnologia (Manuscritos de 1861-1863). Envolvido nas lutas políticas. . Salário. Karl. em Associação Internacional dos Trabalhadores (1864). Carta a J. ocorreu o Preço e Lucro. depois da contrarrevolução da década de 1950. Em 28 de setembro de 1864. portanto. ao tempo em que escreve inúmeros textos importantes de economia. Publicações em português: MARX. Maquinaria e Trabalho Vivo (Os efeitos da Internacional. Bruxelas Internacional dos Trabalhadores. Do ponto de vista de sua teoria econômica.1865).VII – A FUNDAÇÃO DA PRIMEIRA INTERNACIONAL linguagem simples. em Genebra (1866). Engels participa juntamente com Marx do grande empreendimento de unir as lutas e esforços do proletariado numa organização internacional. a Internacional realizou cinco pronunciou um discurso no Conselho Geral da Associação Congressos. Inglaterra. Basiléia (1869) e Haia (1872). Trabalho Produtivo e Improdutivo (1863).marxists. Salário. Instruções para os Delegados do Conselho Geral Provisório: as uni-vos!”. (1868). desenvolve a sua teoria econômica e conclui com as seguintes palavras de ordem: “Em vez do lema O movimento operário renasce na década de 1860 na conservador de: um salário justo por uma jornada de trabalho Europa. Mecanização sobre o Trabalhador)(1863). concluindo sua redação em 1866. Marx continua redigindo O Capital. diferentes questões (1866). de forma clara e em embate com Bakunin e seus adeptos. Marx Durante a sua existência. em 1865. Carta a Engels (1866) e operárias” e finaliza afirmando: “Proletários de todos os países. 18 Os textos podem ser lidos em: www. conhecida posteriormente como Primeira Preço e Lucro (1865). 1981. Londres.org. Suíça. de fato. a Internacional era. Marx inicia a redação de O Capital revolucionária: Abolição do sistema de trabalho assalariado!". Apesar dos esforços de Marx e Engels.18 em 1866. que deu origem ao livro Salário. Trabalho e Na Mensagem Inaugural. uma federação de organizações nacionais e grupos . causando uma cisão na Internacional e a transferência de sua sede para Nova York. é São desse período os textos: Mensagem Inaugural da fundada a Associação Internacional dos Trabalhadores. Neste último. Preço e Lucro.

As França. Para Marx. Não só a administração municipal mas toda a iniciativa até então exercida pelo Estado foram entregues nas mãos da Comuna”. A e os subsídios de representação dos altos dignitários do Estado Guerra Franco-Prussiana levou à derrota. inclusive composta por adeptos de Bakunin. ficou conhecido como A Comuna de Paris. Proudhon.políticos de vários países. um fato tornou-se a pedra de toque da Primeira ser feito em troca de salários de operários. Mazzini e Lassalle. a transição ao socialismo. . testas-de-ferro do governo central. inclusive a separação entre o governo e a influência da Igreja. Sobre os escombros da guerra. Tomadas essas medidas. Assim. em 1871. Desde organização do proletariado. o serviço público tinha de Além disso. humilhação e ruína da desapareceram com os próprios dignitários do Estado. a forma política. o proletariado se levantou em Paris. “A Comuna foi formada por conselheiros municipais. continua Marx. com a qual se realiza a emancipação econômica do trabalho”. não apenas a educação foi tornada acessível a todos mas a própria ciência liberta das grilhetas que os preconceitos de classe e a força governamental lhe tinham imposto”. A maioria dos seus membros eram naturalmente operários ou representantes reconhecidos da classe operária. executivo e legislativo ao mesmo tempo. finalmente descoberta. O mesmo aconteceu com os funcionários de todos os outros ramos da administração. As divergências no interior da internacional se tornaram antagônicas. os membros da Comuna para baixo. responsáveis e revogáveis em qualquer momento. de dimensões históricas internacionais. eleitos por sufrágio universal nos vários bairros da cidade. A Comuna havia de ser não funções públicas deixaram de ser a propriedade privada dos um corpo ao mesmo tempo desembaraçadas de toda a interferência de Igreja e Estado. a polícia foi logo despojada dos seus atributos políticos e transformada no instrumento da Comuna. Os direitos adquiridos Internacional e selou o seu destino: a Comuna de Paris. Tal acontecimento. e tomou o poder. a Comuna era “essencialmente um governo da classe operária. responsável e revogável em qualquer momento. Em vez de continuar a ser o instrumento do governo central. o produto da luta da classe produtora contra a apropriadora. o partido político e as formas de parlamentar mas operante. tendo em vista as profundas diferenças de pressupostos e concepções entre marxistas e anarquistas. particularmente quanto ao Estado. “Todas as instituições de educação foram abertas ao povo gratuitamente e Marx destacou que a Comuna de Paris.

Outra A experiência transformada em teoria a partir do evento da medida desta espécie foi a entrega a associações de operários. Das Resoluções do Congresso Geral Realizado em Haia (1872). do papel do proletariado revolucionário e da direção política. Segunda e Terceira Internacionais e para a militância socialista Apesar do pouco tempo em que os operários Internacional dos Trabalhadores. Sobre a Comuna (Marx e Engels – 1871). . Karl. fornecendo as bases reais para a elaboração por 19 Os textos podem ser encontrados em: www. Publicado em português: MARX. permaneceram no poder. aos quais. a proibição. a Primeira nas diversas situações revolucionárias do século XX.marxists. de 1871. Estatutos Gerais da Associação Internacional dos Trabalhadores (1871). quer os capitalistas respectivos tivessem fugido quer Internacional. sob variados pretextos – um processo que o patrão combina na sua própria pessoa os papéis de legislador. 1986. na qual analisa a experiência da Comuna.org. um após outro. Mensagem à União Operária Nacional dos Estados unidos (1869). tirando conclusões históricas sobre a questão do Estado.Marx aponta que “Os funcionários judiciais haviam de ser despojados daquela falsa independência que só tinha servido para mascarar a sua abjeta subserviência a todos os governos sucessivos. podemos citar os seguintes textos: A Para tanto. São Paulo: Global.19 de juiz e de executor. em seu interior e fora dela. pouco mais de dois meses. Tais foram a abolição do trabalho noturno dos oficiais de padaria. As suas medidas especiais não podiam senão denotar a tendência de um governo do povo pelo povo. a Comuna representou uma experiência monumental para a luta proletária internacional. A Guerra Civil na França. com penalização. Comuna de Paris de 1871 e da própria organização e atuação da sob reserva de compensação. Extrato de uma Participação Confidencial (1870). da transição socialista. de todas as oficinas e fábricas Associação fechadas. Trabalhadores e das lutas políticas com as demais tendências responsáveis e revogáveis”. Guerra Civil na França (1871). a grande medida social da Comuna “foi a sua própria existência atuante. Artigo de Engels sobre O Capital de Marx (1868). e surrupia o dinheiro para o bolso. Tal como os restantes No âmbito da Associação Internacionação dos servidores públicos. quebrado juramento de fidelidade. magistrados e juizes haviam de ser eletivos. Sobre o Direito de Herança em Face dos Contratos e da Propriedade Privada (1869). foi fundamental para os revolucionários da tivessem preferido parar o trabalho”. da prática dos patrões que consistia em reduzir salários cobrando multas a gente que trabalha para eles. eles tinham prestado e Marx da obra A Guerra Civil na França.

escreve várias obras importantes neste período. que fazia concessões ao reformismo para justificar alianças com setores do movimento operário. como a comuna camponesa (o Mir). Karl. Para tanto. dando grandes contribuições à teoria marxista na compreensão de várias temáticas. . Deste período. São Paulo: Boitempo. O Papel do 20 Os textos se encontam em: MARX. Ainda consegue forças para intervir nos debates no Partido Social-Democrata Alemão. por sua vez. Marx manifesta interesse sobre o movimento revolucionário russo e as formas de propriedades existentes no país. 2012. Não consegue mais se dedicar com a mesma força e ritmo com que se atirou anteriormente à causa do proletariado e à produção teórica. pode-se citar entre outras obras de Engels: Sobre o Problema da Autoridade (1873). redige a Crítica do Programa de Gotha (1875) e a Carta a W. procurando estender a análise marxista a domínios vastos. No período que vai do início dos anos 1870 até 1883. como os lassallianos.20 Nessa época.Lênin e Trotsky se amparam nas análises de Marx sobre a Comuna para produzir textos axiais para a luta socialista e para a VIII – A MORTE DE MARX E A ATIVIDADE CENTÍFICA DE ENGELS compreensão dos problemas da transição do capitalismo ao socialismo. realizando uma crítica mordaz ao seu programa. Marx se encontra com a saúde abalada. Crítica do programa de Gotha. Engels. Bracke (1875) em que expõe suas críticas. Essas análises em conjunto devem ser estudadas e compreendidas pela militância socialista da atualidade.

Contribuir. além de continuar a atividade de organização e publicação dos Livros II e III de O Capital. de um ou outro Junto com Marx. Rio de Janeiro: Vitória. Friedrich. a que os dois amigos consagraram toda a sua vida converteu-se numa obra comum.Trabalho na Transformação do Macaco em Homem (1876). Dialética da natureza. A dialética da natureza. 22 Na a toa. Os textos podem ser lidos em: www. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Obras Escolhidas. Friedrich. 22 Parte dos textos podem ser obtidos em: www. Lisboa: Editorial Presença. 1990. Deixou de existir um homem que soube produzir ciência e atuar entusiasticamente na organização das Karl Marx morre em Londres. para compreender o que Friedrich Engels fez pelo proletariado. consciência das condições de sua exploração social sem conformismos ou adaptações. com a queda da sociedade capitalista e de suas produzido pela humanidade e contribuiu decisivamente para a instituições estatais. Desde o dia em que o destino juntou Karl Marx e Friedrich Engels. vidas e sua obra. MARX. 1991. representam o cume a que chegou o pensamento histórico-social no século XIX e a abertura para Na década seguinte. Karl. MARX. O Papel da Violência na História (1887-1888). 1979.marxists. em 14 de março de 1883. Alfa-Ômega. Karl e ENGELS. assimilou criticamente tudo de bom que foi modo. Karl e ENGELS. Obras Escolhidas. seu discurso diante da sepultura de Marx. Os textos foram publicados também em: ENGELS. Paz e Terra.org. é necessário ter-se uma ideia precisa do papel desempenhado pela doutrina e atividade de Marx no desenvolvimento do movimento operário . Com suas emancipação – essa era sua verdadeira missão em vida”. São Paulo. Rio de Janeiro. Em massas proletárias. Anti-Dühring. A Origem da Família. Karl. Marx e Engels dedicaram toda a sua vida à luta contra a posição e de seus anseios. da Propriedade Privada e do Estado. que primeiramente devia tomar consciência de sua Por fim. Engels elabora obras formidáveis como A Origem da Família.21 Em 5 de agosto de 1995. AntiDühring (1877-1878). Lênin sintetizou a importância de Engels da seguinte maneira: “Engels foi o mais notável sábio e mestre do proletariado contemporâneo em todo o mundo civilizado. 1980. Dialética da Natureza (1878-1882). proletariado. de novos conhecimentos na ciência social no século XX até os nossos dias. Engels disse: “Pois Marx era antes de tudo revolucionário. Friedrich.org. MARX. contribuir com a emancipação do moderno compreensão da história dos homens e da sociedade capitalista. da Propriedade Privada e do Estado (1884). Discurso diante da Sepultura de Marx (1883). a obra 21 Existem as seguintes publicações: MARX. Friedrich. falecia o principal amigo de Karl Marx e um dos maiores gênios produzidos pela humanidade: Friedrich Engels. Contribuição à História da Liga dos Comunistas (1885) Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã (1886). ENGELS. 1963. Rio de Janeiro: bertrand Brasil. 1974.marxists. Marx. Assim.

mas o objectivo final e o resultado necessário do que seria suficiente convencer os governantes e as classes desenvolvimento das forças produtivas da sociedade atual. honestos ou desonestos. de um modo geral. cria e organiza inevitavelmente o proletariado. contra a arbitrariedade dos reis. ser modo de parar o desenvolvimento da indústria e do proletariado. parar a «roda da história». eram numerosos os homens de talento e outros sem burguesia.contemporâneo. que o socialismo não é uma invenção de bom número de sonhadores. Contrariamente ao temor geral ante o E toda a luta de classe é uma luta política”. da polícia e do homens de coração generoso que libertarão a humanidade dos clero. no ardor da luta pela demonstraram que não são as tentativas bem intencionadas dos liberdade política. talento. não viam no proletariado senão e do domínio de classe: a propriedade privada e a produção uma chaga a cujo crescimento assistiam com horror à medida social anárquica. orientada a luta de classe consciente dos operários organizados. mas a luta de classe do proletariado proletariado. os enquanto não tiverem desaparecido as bases da luta de classes amigos da classe operária. eram inteiramente novas. destaca Lênin. desenvolvimento do proletariado. Não admitiam sequer a ideia de os operários organizado. Toda dominantes da iniquidade da ordem social existente para que se a história escrita até aos nossos dias é a história da luta de tornasse fácil fazer reinar sobre a terra a paz e a prosperidade classes. Sonhavam com um socialismo sem luta. pensavam sonhadores. nas poderem agir como força social independente. Os interesses do proletariado exigem a que a indústria se desenvolvia. pois. E este estado de coisas continuará a maior parte dos socialistas de então e. mais próximo e possível estaria o socialismo. não viam a oposição dos interesses da burguesia e do males que hoje a esmagam. um suas obras científicas. a sucessão no domínio e nas vitórias de umas classes universais. Neste sentido. mas nos anos 40. sociais sobre outras. juntamente com a Então. Pode exprimir-se em poucas palavras os serviços . Finalmente. que. Por isso todos procuravam o destruição destas bases. quando os dois amigos Quanto mais proletários houvesse. Marx e Engels foram os primeiros a explicar. Por outro lado. contra as quais deve. algumas vezes geniais. necessário do regime económico atual que. “Todo o proletariado que luta pela sua emancipação tornou hoje suas estas concepções de Marx e Engels. e maior fosse a sua força como classe revolucionária. Marx e Engels foram os primeiros a demonstrar começaram a colaborar em publicações socialistas e a participar que a classe operária e as suas reivindicações são um produto nos movimentos sociais da sua época. Marx e Engels punham todas as suas esperanças no contínuo crescimento numérico deste.

na nossa compilação. Daí advem a atualidade do marxismo e a necessidade de transformá-lo numa arma material a serviço da organização política da classe 23 O artigo de Lênin intitulado Friedrich Engels. é acordar a consciência de classe dos burguesa atual e à organização da classe operária e demais operários russos. é por prática militante.23 científico-filosófica formidável ao pensamento humano. a propriedade privada monopolista dos meios de produção. . como o de todas as compreensão da história da humanidade. articuladas à luta pelo socialismo. devemos dar um apanhado da vida e da explorados para superar a propriedade privada e a exploração de actividade de Friedrich Engels. enquanto houver exploração. fome e desemprego. O capitalismo. a fome. o socialismo. o desemprego e a destruição da natureza. a obra de Marx e Engels será atual e somente a partir da assimilação de suas idéias e da experiência internacional do proletariado é possível se pensar na luta conseqüente por uma nova sociedade. operária e da maioria explorada nas suas lutas contidianas. à crítica da sociedade nossas publicações. Seu esforço científico estava voltado à isso que.org. um dos dois grandes mestres do classe e abrir uma nova perspectiva para os trabalhadores. ao contrário. miséria. e Marx e Engels além de terem dado uma contribuição que substituíram os sonhos pela ciência”. de 1895. eram Lênin conclui: “É por isso que o nome e a vida homens que conjugaram durante toda a sua vida a teoria com a de Engels devem ser conhecidos por todos os operários. Á medida que a crise estrutural evolui aprofundam-se a miséria. a sua base. do pensamento desses dois revolucionários. cujo fim.prestados por Marx e Engels à classe operária dizendo que eles CONCLUSÃO a ensinaram a conhecer-se e a tomar consciência de si mesma.marxists. tem conduzido a humanidade ao abismo das guerras e da barbárie. O desenvolvimento do capitalismo ao longo do século XX e proletariado contemporâneo”. no início do presente século XXI só tem demonstrado a justeza Enquanto o capitalismo estiver de pé. pode ser lido em www. portanto. não tem mais nada de progressivo a dar à humanidade. de que o capitalismo só pode continuar existindo concentrando de um lado a riqueza nas mãos de uma minoria e a miséria entre a maioria da sociedade em todos os países.

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