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REVISTA DO ALUNO ■ N“ 6 3 / 4 “ TRIMESTRE 2014

NOSSA FE
13 roteiros de estudos bíblicos para células, grupos de estudo, grupos
fam iliares, classes de discipulado ou classes de escola dominical

UEM PRECISA DE LI DER?
Liderança X igualdade

IC o rín tio s 1 2 .1 4 -2 6
LEITURA DIARIA
D

Pv 12.12-21

S

Tg 2.1-9 - Discriminar é pecado

T

Nm 12.1-16 - Respeito ao líder

Q

Ef 6.5-9 - Líder e liderados pela graça

Q

Êx 35.20-35 - Uma obra a muitas mãos

S

Rm 13.1-4 - O mal torna a liderança necessária

S

Ef 5.15-21 - Sujeição, fruto do Espírito

- Liderar com sabedoria

INTRODUÇÃO
No Brasil, nas últimas décadas, tem-se per­
cebido uma explosão de empreendedorismo.
Anuaknente, milhares de brasileiros abrem seus
próprios negócios, principalmente na área de
comércio e serviços, assim como também surgem
pequenas indústrias. Os analistas econômicos
dão as boas-vindas à esta tendência, comprovadamente geradora de impostos, empregos e
crescimento econômico.
Entretanto, o Serviço Brasileiro de Apoio às
Micro e Pequenas Empresas (Sebiae) informa
que muitos destes novos negócios fecham antes
do primeiro ano de funcionamento. O problema,
dizem os especialistas, é que nem todos têm
aptidão ou recursos para ser “o patrão”. Estar
à frente de um negócio próprio, por menor que
seja, exige muito mais capacidade que se imagina.
Neste trimestre, em que vamos estudar a lide­
rança bíblica, temos de iniciar perguntando: “Não
somos todos iguais? Por que precisaríamos de que
outra pessoa nos dissesse para onde ir ou de que
modo caminhar? Afinal,
preüsa de um ltder?\
I. SOMOS TODOS IGUAIS,
MAS SOMOS DIFERENTES
O conceito de “igualdade” nunca foi muito

estável. Já existia como um ideal na antigui­
dade greco-romana, berço da democracia e
direito ocidentais; mas, na prática, sempre
foi bastante limitado. Por exemplo, escravos,
mulheres e estrangeiros não eram vistos
como “iguais” pelos homens Hvres que
comandavam aquelas sociedades. Igualdade
fazia parte do ideário üuminista dos revolu­
cionários franceses, que mudaram a face da
França no século 18. Mas mesmo na socie­
dade europeia do Eurninismo, permaneciam as
diferenças entre seres humanos: o escravismo era
combatido nas nações europeias, mas sociólogos
europeus visitavam os povos “primitivos” das
colônias como quem vai a um zoológico para
admirar novas espécies; surgiram os estados
democráticos, mas a maioria da população era
impedida de votar. Ainda hoje, os interesses
de uma dúzia de países ricos têm mais peso do
que de dezenas de nações em desenvolvimento.
Os exemplos da ausência de igualdade entre as
pessoas podem ser multiplicados à exaustão; e,
na maioria das vezes, são motivados por injustiça
e dolo.
Mas o que a Bíblia ensina sobre as diferenças
e a igualdade entre as pessoas?
Em primeiro lugar, devemos reconhecer
que as Escrituras Sagradas reconhecem uma
igualdade essencial em todos os seres humanos.
O apóstolo Paulo, evangeUzando os atenienses,
afirma que Deus fez toda a raça humana “de
um só” (At 17.26). Obviamente, ele está se
referindo ao maravilhoso ato do Criador que,
por meio de Adão, trouxe toda a humanidade à
existência, conforme relata Gênesis, que Deus
revelou como nos criou (Gn 1.26-27; 5.1-2). A
origem comum de todos os seres humanos levou
Malaquias a concluir que ninguém tem o direito

1

de ser desleal com seu próximo —especialmente,
com sua muüier (Ml 2.10).
O mesmo princípio da origem comum (o
Criador) conduz à igualdade social. Ricos e
pobres são do mesmo modo feitos por Deus,
e devem tratar uns aos outros como iguais (Pv
22.2; 29.13;Jó 31.13-15). De fato, o próprio Deus
não faz acepção de pessoas, isto é, não demons­
tra favoritismo a determinado grupo, mas trata
todos iguaknente, com justiça e com misericórdia
(At 10.34-35; Jó 34.19; Rm 2.9-11; 10.12). Essa
igualdade perante Deus é a base para a igualdade
entre os homens, uma igualdade que se sobrepõe
e condena as diferenças criadas pela sociedade.
As Escrituras Sagradas condenam a acepção
de pessoas como pecado contra Deus (Tg 2.9).
No entanto, essa igualdade essencial não
significa que todas as pessoas são idênticas. Pelo
contrário, como criações pessoais do Deus pesso­
al, nós refletimos suapessoalidade como imagens
em miniatura do Criador (Gn 1.27; 9.6; Tg 3.9).
Na verdade, as diferenças entre as pessoas tam­
bém estão fundamentadas no Criador, que nos
fez de modo particular, pessoal e admirável (Gn
2.7,21-22; SI 8.5; 139.13-16). E a diversidade pa­
rece agradá-lo bastante, como podemos concluir
pela descrição do grandioso coral composto por
uma inumerável multidão provinda de “todas as
nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do
trono e diante do Cordeiro” (Ap 7.9-10).

II. NOSSAS DIFERENÇAS
NOS COMPLETAM
Portanto, há um aspecto em que fomos cria­
dos todos iguais, mas há outro em que fomos
feitos magnificamente diferentes uns dos outros.
Devemos compreender, então, que o Senhor
quis conceder aos seres humanos diferentes
dons, capacidades e serviços (ICo 12.4-6), de
maneira que nossa igualdade se reveste de inú­
meras particularidades. Nossas diferenças foram
cuidadosamente planejadas por ele para que
nenhum de nós fosse autossuficiente, mas cada
um dependesse dos demais de alguma maneira
(ICo 12.18-19). Portanto, não devemos ver nos­
sas diferenças como algo negativo.

O caso da construção do Tabernáculo é
esclarecedor; o Senhor concedera a Moisés uma
visão detalhada de como deveria ser construída
a tenda que serviría como centro de adoração,
naqueles anos de peregrinação no deserto (Èx
25.9,40); ninguém mais recebera o dom profético
para isso. Entretanto, o dom artístico para dese­
nhar, lapidar e bordar fora concedido a Bezalel,
Aoliabe e a outros homens hábeis (Ex 31.2-6) —e
a ninguém mais, nem mesmo a Moisés. Por outro
lado, assim como agira em Moisés, por revelação,
e nos artesãos, por inspiração artística, o Senhor
também agiu no povo em geral, para mover seus
corações a doar generosamente os valiosos ma­
teriais com que o Tabernáculo seria erguido (Ex
35.22-27). Cada um pôde colaborar segundo o
que Deus havia concedido. Porém, isso de modo
algum eliminou a presença e importância da
liderança de Moisés no meio do povo de Israel,
pelo contrário, sempre que necessário, o Senhor
honrou seu papel diante do povo (Nm 12.5-10).
O caso da construção do tabernáculo,
descrito, mostra como a importante obra do
Tabernáculo demandou a participação de cada
israelita. Somente a soma da visão profética com
a doação voluntária e a habilidade artística pôde
trazer o resultado desejado por Deus e pelo povo.
Se reconhecermos humildemente que somos
diferentes e que há um propósito divino em
nossas distinções, se encararmos nossas distintas
habilidades e inclinações como aspectos positi­
vos de nossa criação, então poderemos ver de
maneira bastante positiva o quanto os líderes
são necessários.
Os Kderes são, simplesmente, um compo­
nente importante para que um grupo alcance
seus objetivos. Pois, assim como os líderes não
podem cumprir sua missão sozinhos, também
o grupo não terá a mesma eficácia sem eles.
Segue também como verdade, a afirmação de
que nem todas as pessoas têm o necessário para
serem Kderes. Segundo John MacArthur, Kderes
são pessoas com o dom de influenciar e motivar
outros, nem todos são chamados para a Kderança,
ou então, não haveria Kderança alguma (O Uvro
sobre liderança. Editora Cultura Cristã). Os olhos

não prescindem da mão, nem a cabeça pode
dispensar os pés (ICo 12.21).

III. LIDERANÇA É BOA, MAS...
Afirmamos que os casos de desigualdade
entre as pessoas são, na maioria das vezes, mo­
tivados por injustiça e dolo. Líderes sem conta
abusaram e continuarão abusando de suas po­
sições contra seus subordinados. Mas isso nos
autoriza a pensar que a liderança, em si, seja
fruto do pecado? Em outras palavras, será que
o exercício de liderança é sempre o resultado
da pecaminosidade que habita o coração de
pessoas que desejam se colocar acima das de­
mais? De maneira alguma. Deus não pretendeu
criar uma massa uniforme e indistinta de seres.
Por isso, afirmamos que as diferenças não são
pecaminosas. Semeüiantemente, cremos que os
dons requeridos à hderança também fazem parte
do bom propósito de Deus para a humanidade.
Quando o Criador fez Adão e Eva, deu a eles
a ordem de serem fecundos, de se multiplicarem,
de encherem e sujeitarem a terra, e dominarem
sobre os animais (Gn 1.28). Se a Queda não
tivesse corrompido a humanidade, essa missão
haveria de ser cumprida com enorme eficiência,
cada ser humano contribuindo alegremente para
. que a glória de Deus se manifestasse de maneira
mais plena na Criação, cada um de acordo com
suas habilidades e talentos —incluindo os líderes.
Vemos isso no relacionamento do primeiro
casal. Adão já era o Mder de Eva, antes da queda
em pecado, como podemos perceber pela sua
primazia na Criação, pelo fato de Deus o tomar
por modelo para a nova criatura, pela sua res­
ponsabilidade de dar nome a ela, por determinar
como seria o relacionamento conjugal, pela
designação da mulher como sua “auxiliadora”,
e a responsabilidade por santificá-la diante do
Criador (Gn 2.18,23-24). Entretanto, com o pe­
cado, essa liderança imediatamente se corrompeu

em uma relação de desconfiança e dominação
(Gn 3.12,16-17). Podemos dizer que o mesmo
ocorreu com toda forma de hderança.
Por um lado, com a presença perniciosa do
pecado na natureza hiunana, os líderes agora
exercem hderança entremeada de motivações
e métodos manchados pelo pecado. Por outro
lado, a hderança se tornou ainda mais necessária,
já que as habüidades e disposições dos homens
em geral também se corromperam, e a omissão
e negligência viraram regra (Ef 6.5-9). Ambos,
hderes e hderados carecem da instrução da graça
e da redenção que Deus providenciou por meio
de seu Füho, para que a verdadeira hderança
possa ser restaurada nas relações humanas.

CONCLUSÃO
O Criador fez os seres humanos diferentes
entre si e capacitou alguns para exercer uma
hderança que levasse a humanidade a refletir a
imagem de Deus sobre a terra. O pecado cor­
rompeu o plano original, mas a graça de Deus
ainda permite que esses dons permaneçam
beneficiando as pessoas em geral.
Nem todos somos hderes, mas isso não é ruim.
O que importa mesmo é que cada hder exerça sua
hderança de modo a completar os dons que os
demais têm, visando ao bem comum.
APLICAÇÃO
Você exerce autoridade ou hderança em
algum âmbito? Será que seus subordinados per­
cebem que têm com você uma relação orgânica
de interdependência e cooperação das partes?
Procure ser um exemplo do modelo bíbhco de
hderança.
Ore pelas pessoas que têm autoridade sobre
a sua vida, seja na vida civü, eclesiástica, famihar,
esmdantil ou profissional. Agradeça a Deus por
providenciar habüidades e papéis diversos e peça
oportunidades para ser bênção na vida de outros.

^ Q j ^ U E S T Ã O DA AUTORIDADE
A crise da autoridade na pós-m odernidade
S a l m o s 8 .1 - 9
LEITURA DIARIA

instituições poKticas (por exemplo, o monarquismo) e religiosas (especiaknente o
S Jz 17.1-13 - Cada um por si
cristianismo) foram duramente questiona­
das e substituídas pela confiança na razão.
T 1Co 3.18-23 - A razão limitada
A ciência foi colocada em um pedestal.
Q 1 Rs 12.1 -19 - O abuso da autoridade
Contudo, chegamos ao século 20, com
Q At 4.13-21 - A autoridade limitada
suas guerras mundiais e demonstrações
S Mt 24.45-51 - Líderes abusivos
de que as nações mais avançadas podiam
racionalizar a selvageria em campos de
$ Lc 7.1 -10 - Pequenas autoridades e a autoridade real
extermínio e bombardeios aéreos. Então,
veio uma inevitável decepção com o poder da
INTRODUÇÃO
razão humana para conduzir a humanidade a
Muitos analistas sociais e historiadores têm um futuro brilhante e certo, surgindo assim a
apontado para algumas características de nossa pós-modernidade. Por rejeitar os absolutos da
época que indicam uma ruptura com a Era razão, essa nova era (ou fase) é marcada por um
Moderna. Alguns estudiosos entendem que a subjetivismo relativista, que declara que ninguém
modernidade simplesmente acabou e deu lugar tem a verdade absoluta em qualquer área da vida
a uma era completamente nova; outros concluem e, portanto, não pode impô-la aos outros.
apenas que adentramos uma nova fase da moder­
Devemos admitir que o rompimento pósnidade. De qualquer maneira, é certo que uma moderno com os postulados da modernidade
nova mentalidade tem predominado nos estudos teve aspectos positivos. Por exemplo; o racionalismo, típico da Era Moderna, elegeu o método
acadêmicos, nas artes e na sociedade em geral.
Essa nova mentalidade tem sido chamada científico como o único critério para o conhe­
“Pós-moderna”, e uma de suas características cimento de toda a verdade, negando qualquer
mais marcantes é o relativismo. Vejamos por que relevância à fé e à revelação cristã; crer nos atos
a pós-modernidade tem representado um desafio sobrenaturais de Deus registrados na Bíblia foi
ao exercício (e até à existência) da liderança em considerado sinal de falta de capacidade intelec­
tual. O homem moderno, com seu dentificismo,
nossos dias.
desejo por autonomia e escalada do mal é o
próprio retrato bíblico do insensato, que come­
I. O QUESTIONAMENTO
ça negando a existência do Criador e termina
DA AUTORIDADE
No período da Idade Moderna, a razão hu­ rejeitando o bem (SI 14.1-3; 10.4-6; Is 47.10). A
mana ocupou o lugar de destaque: os avanços pós-modernidade se mostrou cética quanto aos
científicos entre os séculos 16 e 19 geraram poderes da razão humana, redescobrindo o quan­
um clima de otimismo para com a capacidade to ela é limitada. Contudo, esse ceticismo tem
humana de compreender e dominar o universo, se mostrado descontrolado e destrutivo. Seus
respondendo aos problemas da vida, sem au­ frutos são vistos primeiro na intelectualidade e
xílio externo, divino. Foi nesse período que as depois na sociedade. Na literatura pós-moderna.
D

4

SI 10.1 -18 - Autoridade ímpia

e que nos fez capazes de interagir com sua criação e uns com os outros com base no seu próprio caráter (Mt 5. A pós-modernidade está correta ao desa­ creditar da razão e da capacidade humana. A sabedoria terrena é bastante frágil. existe um abandono cada vez mais acenmado dos princí­ pios morais que fundamentaram a civilização ocidental. A Bíbha adverte claramente contra a confiança em homens falíveis. grande Kder cHü e religioso. corroendo a família e a sociedade. mesmo que sejam grandes aos oüios humanos. o relativismo cético desse novo movimento trouxe em seu bojo uma forte rejeição ao próprio conceito de “autoridade”. Como vimos.18-22).6. Na religião. A mesma lógica está na base do ensinamento do apóstolo Paulo de que os “magistrados” exercem autori­ dade em nome de Deus (Rm 13.25). considerado autônomo. isso não invalida a reahdade de que o Senhor de toda a Terra revelou em sua Palavra a maneira pela qual as autoridades exerçam seu mandato junto aos seus subordina­ dos. as Escrituras afirmam veementemente que a capacidade humana não oferece base para uma liderança confiável. “Não havia rei em Israel. SI 146. Jó 14.8. além disso. a mesma Escritura registra que.críticos dizem que o escritor perde o domínio sobre seu texto. temos o fundamento e os limites para as autoridades humanas. Na pedagogia. a realidade e as virmdes não são relativas nem sociaknente condicionadas —existem de verdade e podem ser conhecidas e experimentadas. Cl 3. pois são limitados. TUí. há a afirmação pluralista de que todas as religiões são igualmente válidas.28).14). colocar a esperança na “carne mortal” é sinôni­ mo de desilusão certa (fr 17. lhes concedendo a tre­ menda honra de serem os seus próprios agentes sobre a terra que ele criou (SI 8. a pós-modernidade elegeu o sentimento pessoal em seu lugar: “Se você se sente bem com algo.5-6.24-27). Na ética. Quanto à autoridade e liderança.3-4.12). a Escritura nos ensina que há um Deus que verdadeiramente criou todas as coisas e que se dá a conhecer (At 17. falando acerca da autoridade dos governantes civis. então faça!”. Por mais que a história registre constantes abusos de autoridade.22.1) e de que os presbíteros foram colocados pelo Espírito Santo para liderar a igreja (At 20. Fp 4. as tribos de Israel ficaram à deriva sem uma liderança formal unificada.13-14.48. objetivamente. há a insistência em que os professores sejam meros facilitadores do processo de aprendizagem do aluno. Mas isso significaria que de fato não há a possibilidade de hderança? A resposta depende de qual a fonte de autoridade pretendida para a liderança.4-8). moral e religioso. e se todos são igualmente válidos. afirma que as autoridades são ordenadas p o r Deus como instituições humanaspara o bem da sociedade (IPe 2.20). especialmente quando se trata de realidades abso­ lutas (ICo 3. Deus comunica aos seres humanos algo da sua autoridade. por isso. nossa sabedoria está tão corrompida pelo pecado quanto nossa vontade ou emoções (Rm 1.4). apesar de ser o único Senhor da criação (Is 45. Rm 13. que sucedeu Moisés e o surgi­ mento da monarquia teocrática de Israel com Saul. Afinal. se cada um tem seu próprio ponto de vista. II. Mas essa descrição bíblica não significa que aqueles foram tempos de maior liberdade social. 21. que pode significar aquilo que cada leitor decidir que seja.1. Ou seja.19-20). cada qual fazia o que achava mais reto” (fz 17. Entre a morte de Josué. quem poderá dizer ao outro qual o caminho correto ou errado? Houve um tempo na história do povo de Deus no qual imperou um tipo de relativismo também. . e que toda tentativa de proselitismo é uma violência.1-2). Jr 10. O relativis­ mo é condenado pelas Escrituras com base no pressuposto de que. Por isso. Ao rejeitar a razão como fun­ damento para a existência. FUNDAMENTO E LIMITES DA AUTORIDADE Em primeiro lugar. mas sim dias de caos social. há o certo e o errado (Is 5. temos de encontrar uma ideia de fundamen­ to externo ao próprio homem para a liderança. Em segundo lugar. A Escritura. Esse fundamento pode ser encontrado na Bíblia.

Toda autoridade é comissionada Deus concede autoridade para o bem geral dos seus liderados. tem como objetivo o bem estar ou a eficiência do grupo (Pv 14. nas quais o senhor da casa se ausenta e confia ao seu mordomo os cuidados da criadagem toda.20. que reconhece sua finitude. seus súditos se revoltaram (IRs 12. mesmo sem confiar demais nos homens em posição de autoridade. 99. A impiedade e a transgressão solapam a legitimidade de qualquer autoridade (Pv 16.29-33) e o Rei Herodes foi morto pelo Senhor por sua soberba (At 12. O próprio Senhor Jesus. Os líderes de Israel agiam com injustiça e con­ tinuavam achando que o Senhor lhes amparava a autoridade (Mq 3. Isto é. Ao conceder autoridade aos homens.18-20). pelo contrário. Isso também significa que as lideranças terão de prestar contas diante do soberano Senhor do universo por todo abuso de autoridade cometido. pois o Senhor é justo e ama a justiça (SI 89. Toda autoridade é limitada Toda liderança é uma instituição humana. Rejeitando a conclusão pós-moderna de que a autoridade é inviável. Estes estão traindo seu oficio e a missão que receberam do Criador —e responderão por isso diante dele. É assim nas parábolas contadas por Jesus. CONCLUSÃO Assim. 16.12). A perspectiva bíblica não dá margem ao autoritarismo nem à anarquia.4). Essa afirmação básica e óbvia oferece o corretivo para qualquer hder. APLICAÇÃO Você é insubmisso? Vê as autoridades com animosidade e ressentimento? Ore a respeito.42. A autoridade legítima não tem sua finahdade em si nem visa ao benefício próprio. ICo 15.1-2).8). B.14. quando estiver em posição de autoridade.9-11).4). procure seus líderes e explique como o ensino bíblico está mudando sua postura e pergunte a eles como você pode lhes ser mais útil. e ainda afirmando que a Bíblia incita a uma liderança humilde. na expectativa de que ele cuide e supra seus conservos (Lc 12. quando o Sinédrio quis governar a fé dos apóstolos por meio de ameaças. Em outras palavras. de todos os peca­ dores (Ec 7.A-. seu alcance legítimo e sua missão de beneficiar o grupo. Deus abriu mão de sua posição (Is 48. Toda autoridade é subordinada Toda autoridade sempre é exercida debaixo da permissão divina (Jo 19. a ideia errônea que se tem é que as autoridades prestam um determinado serviço a Deus.12-16).11).10. o cristão convive com as autoridades humanas sem ceti­ cismo. seja até sobre si mesmo. exerceu sua autoridade subordinado ao Pai (Jo 17.18).4.11). a quem foi dada “toda a autori­ dade no céu e na terra” (Mt 28. IJo 1. mas já podemos perceber que quando um líder acha que tem autoridade ilimitada está caminhando para a ilegitimidade e autodestruição. Quando o arrogante Roboão quis aumen­ tar de maneira abusiva e injusta os impostos e trabalhos forçados sobre Israel. Esmdaremos as tentações da liderança mais adiante (lição 11). C. seja sobre outras pessoas. foram desobedecidos (At 4. Contudo. por isso são chamadas de “ministro de Deus para teu bem” (Rm 13.21­ 23). são líderes que agem visando meramente o proveito próprio. Ninguém detém autoridade absoluta na terra.27-28). de maneira alguma. a saber: beneficiar um dado grupo huma­ no em detrimento a outro. ou seja. as au­ toridades têm uma missão benéfica a desempe­ nhar diante de Deus. Peça ao Senhor sabedoria para ser um hder justo e huimlde. Isso significa que a autoridade preci­ sa ser exercida de conformidade com o caráter daquele que é a verdadeira e única autoridade em todo o universo. participa das limitações comuns a todas as criaturas e. O Rei Nabucodonosor viveu como um selvagem por ter se engrandecido com a glória de seu reino (Dn 4. . particularmente.28).

Porém.1. mantimentos e sobre a criadagem (Lc 17. na maioria das vezes. muito usada por Paulo (2Co 6. a servidão ohviamente não era uma situação desejável.5-10 . Não é de se admirar que. Apesar disso. Lc 7. mas é apenas outra tradução de diákonos. como administração dos bens. assim como.26-27): “servo” {diákonos) e “escravo” {doubs). Paulo está afirmando que sua liderança era exercida essencialmente no servir o evangelho à igreja —como um garçom em cuja bandeja está a vontade de Deus para seu povo.O servo disciplinador Q 1Co 3. percebamos liderar e servir como diametralmente apostos entre si. Mt 24.23. na maioria das vezes. a servidão (e o trabalho braçal de um modo geral) era considerada indigna.1-16 .1-3). até incumbências de maior responsabilidade. Mas Jesus de Nazaré não via as coisas dessa maneira. eles declaram que a primeira providência será pedir demissão.2 0 -2 8 LEITURA DIARIA D Mt 24. E fácil entender isso. O REI-SERVO Nos tempos bíblicos uma casa tinha serviçais para executar as tarefas domésticas. Muitos haviam se tornado escravos por pertencer a um povo der­ rotado numa guerra. JESUS. que consideravam seus servos como parte da casa (Gn 15.4.1-11 . diante do anseio dos discípu­ los por posições de autoridade em seu reino vindouro. O primeiro termo enfatiza o servir.O servo sofredor Q 2Co 10. o Senhor Jesus usa dois termos interrelacionados para caracterizar o tipo de Kderança que pretendia que seus discípulos exercessem (Mt 20. ser servido a servir.O líder-servo T Is 53. Mesmo sendo um apóstolo tardio. c£ Tg 1. Normalmente.1 -5 . cuidando para que os comensais estivessem bem servidos e satisfeitos. Cl 1. os apóstolos obedeciam fiel­ mente à prescrição de seu Mestre. Ap 1.Servos maus e fiéis S Jo 13. outros simplesmente por ter dívidas maiores que a soma de seus bens.J d 1.MA LIDERANÇA DE SERVO O servilism o co m o p rin cíp io para liderança M a te u s 2 0 .25). mas mesmo entre os judeus. denominandose “escravos” {doulos.2-3. pres­ tar auxílio a alguém. A expressão “ministro”. Paulo via a si mesmo e seus colaboradores da mesma maneira (Rm 1. raramente encontramos alguém que aprecia obedecer ou servir outrem.1. note que Jesus não apenas ensina seus discípulos que a liderança deles deveria ser 7 .Servos fiéis INTRODUÇÃO Quando os prêmios das loterias se acumu­ lam. por isso ficavam reduzidos à condição de servos pelo tempo necessário para saldar seus débitos.l. Todo mundo prefere mandar a ser mandado. pode parecer pomposa para nós.45-51 .Servos e conservos S 1Co 4.Servos humildes S 1C o 4. “Não ter mais patrão” ou “Ser meu próprio patrão”. Eles se encarregavam desde os trabalhos mais humil­ des.9-14 . Décadas depois.21. como servir à mesa ou cuidar da lavoura. Já o segundo termo enfoca a posição subalterna do escravo em relação ao seu senhor. Ef 6. Fp 1. junto com alvos como “Não trabalhar nunca mais”. esses servos não eram homens livres. d e s la v a originalmente o escravo que ficava à mesa.1). as suas famílias.7-8.1-12.1).45-47). I. é comum vermos entrevistas com os apostadores sobre seus sonhos caso sejam ganhadores. 2Pe l. Entre os gre­ gos. o escravo que servia (ministrava) os alimentos e bebidas aos convidados. que não estivera presente à exortação de Jesus aos discí­ pulos.

O profeta Isaías anteviu seu ministério e o descreveu como um servo que sofre e intercede pelos seus (Is 53. De fato. mas também deve ser responsável por cativar os demais para tal meta acima das particularidades de cada um. Paulo iguaknente menciona “a unidade” como propósito da liderança. Mas o Kder não usa isso apenas para identificar quem será promovido ou demitido. subsistindo na divindade. A liderança é necessária para dar unidade à diversidade.10-12).16). Afinal. Diante da variedade de dons. mas para servir {diakonésai) e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mt 20. pe­ gou uma bacia e lavou os pés de cada um deles Qo 13. Hteralmente. Em Efésios 4. e seu alvo é providenciar meios e recursos para que cada um alcance seu melhor potencial. formações e temperamentos. equipar os santos para o trabalho do ministério (Ef 4. É importante destacar que essa era uma função normalmente desempenhada pelo escravo menos capaz de uma casa. conhecendo seus liderados. para o trabalho” requer do líder muito mais que simplesmente mandar e exigir ser obedecido. Jesus reforçou esta difícil lição por meio de uma atitude que tomou. O Hder não deve ter somente uma visão clara do alvo mais elevado que o grupo tem de manter para o bem comum. Demanda uma visão clara do objetivo a ser alcançado pelo grupo e exige uma capacida­ de de reconhecer as habilidades de cada um. E a atuação do Kder que toma “meni­ nos agitados”. Ele ainda se coloca como modelo da Kderança de servo: “sejam como Filho do Homem. cada servo deve servir aos demais. A liderança não é uma exceção a esse princípio. como o Filho Eterno de Deus. que poderiam ser arrastados para qualquer direção. e os conduz à “plena hombri­ dade”.28). Ele ainda completou a lição ordenando que aqueles que querem ser seus discípulos devem seguir seu humilde exemplo de servo (fo 13. e ordena aos cristãos que imitem a disposição mental de Jesus (Fp 2. a alegria e satisfação do servo é de se assemelhar ao máximo com ele (Mt 10. fez de uma toalha um avental.pautada pelo serviço e sujeição de uns aos outros. um escravo não pode ser maior que seu Senhor..11­ 14).. assumindo a forma de servo” {douloí). deixando-os bem equipados e bem focados no . sem objetivos comuns. ou seja. enquanto seus discípulos estavam preparados para a ceia.5-7). ele procura oportunizar a cada um aquilo que o fará progredir em suas habilidades específicas e melhorar naquilo que ainda não é satisfatório. que não veio para ser servido. a tendência namral é a completa desagregação —cada um usando seus dons e habüidades para fins diferentes e particulares. a maturidade que lhes permite buscar o bem e o alvo coletivos (Ef 4. Na verdade.14-16). se o modo de liderar cristão é pelo 8 serviço. não podendo superar ao seu Senhor nem em grandeza nem em serviço. Em outra ocasião. Além de ter a percepção de como essas características individuais compõem o corpo e contribuem para aquele objetivo. Essa não é uma tarefa fácü. ele assumiu sobre si a humanidade com suas limitações e misérias. talentos. a liderança servil de Cristo começou muito an­ tes. II. bem como suas fraquezas. Podemos dizer que o serviço do Kder é prestado quando ele. e que a fi­ nalidade da liderança é.4-5). o cristão está sob o exemplo e mandamento de seu próprio Senhor e precisa servir àqueles que se encontram ao seu redor. Qualquer que seja o lugar ou posto que ocu­ pe.24-25). “Equipar. pelo contrário. o dom ou habilidade de liderança é exercido em favor das demais capacidades distribuídas entre o grupo. de que maneira um líder serve seu gru­ po? Qual o serviço que se espera de um líder? A Palavra de Deus ensina que as diferentes pessoas têm dons diversos entre si. A ordem de Paulo segue a lógica perfeita do próprio Cristo: O Senhor serviu aos seus servos. Paulo descreve esse processo dizendo que Jesus “a si mesmo se esvaziou. mas a maior opormnidade de experimentá-lo. Em outras palavras. O SERVIÇO DO LÍDER Porém. os leva à maturidade e à edificação do corpo. logo. com o xinico ob­ jetivo de oferecer sua própria vida a Deus (para propiciação) e aos pecadores (para redenção).

E a razão é que o hder de poder está muito seguro de sua própria capacidade. um hder é alguém tão seguro de si mesmo a ponto de trilhar caminhos que ninguém tenha ido antes dele. ele não tinha o desejo de servilos. há o mo­ delo do mundo. conduzindo os demais por sua rota de sucesso. Se não contribui com a hderança. inclusive a ordenação da criadagem. trabalhando em fino ajuste com as demais. fundamentado no serviço do hder. O Hder serve ao se voltar às pessoas. Ser capaz de vencer obstáculos por meio de sua força ou criatividade. dedi­ cando sua capacidade ao beneficio do progresso delas individualmente e do grupo. Um hder apegado ao poder acaba se fazendo rodear de pessoas insatisfeitas com sua própria posição e desejosas de alcançar também o poder para si mesmas. Em alguns casos. esse modelo de hderança é o mais fácü de identificar. efetua padronizações com as quais pretende garantir o resultado das ações individuais pela rephcação das suas próprias práticas. Qualquer que seja o caso. Ele apenas servia a si mesmo. Um líder cristão é um despenseiro de Deus servindo constantemente aos seus conservos (Tt 1. Cada competência e dom individual dos membros do grupo serão valorizados e estimulados conforme possam ser canahzados para servir aos objetivos do hder. Em primeiro lugar. sendo encontrada em empresas. não é possível exercer hderança de servo numa atimde egoísta e arro­ gante. não para sua própria vantagem pessoal. em detrimento de suas diferenças de personahdade e dons. percepção de capacidades pessoais e interpessoais. Esse carisma pode tomar a forma de uma presença cativante e cheia de simpatia. já que é a mais natural. tanto hderes quanto hderados oferecem seus .7. Em geral. IV. Ironicamente. Na mentahdade contemporânea. ao fazer o gosto de seus súditos. a hderança de poder exalta a personahdade do hder. que perdeu seu reinado porque quis tanto agradar ao povo que acabou desobedecendo a Deus (ISm 15. a busca pela ma­ nutenção do poder leva esse hder a ser escravo de seu posto. mas tem dificuldade em confiar a outrem aquilo que crê que somente ele mesmo poderá fazer. A hderança de servo parte do princípio de que o hder é meramente mais uma peça. um escravo que tinha a administração da casa ao seu encargo. habilidade de influenciar e aglomerar. hderança humilde. Considerando que. ele inclusive não deseja que seus conhecimentos sejam compartilhados com os demais. este é descartado rapidamente. Suas motivações mostram que. o líder serve ao grupo suas capaci­ dades. que sempre brilha mais forte. visão de alvo. IPe 4. fazendo concessões e acordos para mantê-lo em suas mãos —e então.alvo comum. Ele faz isso para o melhoramento e avanço do próprio grupo. A AUTORIDADE HUMILDE Por mdo o que vimos. o hder também precisa de um corpo de hderados. este é um tipo de hderança mais centrahzadora. abre mão da própria dignidade de hder. Assim. Em outras ocasiões. Ele oferece essas aptidões ao corpo porque são essenciais para o bom funcionamento deste. E o seu carisma pessoal que determina sua habüidade de hderar. Nesse modelo de hderança.10). pois sente que isso o faria perder algo do seu poder. para o exercício de sua função. A LIDERANÇA DE PODER Na contramão desse modelo que temos em Jesus. que identificamos como sendo baseado no poder ò o hder. É a figura do mordomo ou despenseiro. normalmente o potencial do grupo está a serviço do nome do hder. III. ou de uma grande capacidade intelecmal (geniahdade natural) e técnica (geniahdade adquirida por trei­ namento). O contraste com o modelo do servo não poderia ser maior. Um caso triste foi Saul. substituído por alguém mais útil. mas agiu pelo receio de perder sua posição.23-24). associações. primeiro rei de Israel. mas é evidente que. tornando todos mui­ to iguais. A visão cristã da hderança servil imphca determinada postura por parte do hder. esportes coletivos e igrejas.

(ICo 3. 12. Nesses casos. Caso tenha dificuldade maior em preencher a lista dos benefícios que sua liderança dá ao grupo. 16. aqueles em que o grupo é beneficiado por você. Eles não conseguem deixar de pensar que. mas o desejo de construir. não por insegurança. como servo da igreja. Afinal.8. Apoio como doutrinador. pois trabalha para que cada membro alcance seu melhor potencial em favor do corpo. Como o próprio Paulo pergunta: “Quem é Apoio? E quem é Paulo? Servos por meio de quem crestes. Paulo. Veja o caso da igreja em Corinto: para que o trabalho ah se desenvolvesse foi preciso a participação de mui­ tos Kderes. Entretanto fica claro que Paulo não deixa de lado a perspectiva do servo. Em Corinto. tanto por seu ensino quan­ to por seu exemplo: a liderança do servo. na evangelização. dos objetivos do grupo. Podemos esperar que alguns tentem se aproveitar de uma liderança pautada pelo servi­ lismo. e não derrubar. Essa autoridade humilde costuma assustar alguns líderes. cada um contribuindo conforme seu talento e conforme as necessidades do momento da comunidade. ele estava disposto a oferecer a eles a própria vida (ITs 2. e na outra.11). considere um sinal de alerta. o único objetivo é a edificação da igreja em rebeldia.10. mdo se tornará uma grande desordem. Escrevendo aos tessalonicenses. alguns afirmavam que Paulo tinha uma presença pessoal firaca. Novamente. .6. lançando dúvidas quanto à sua autoridade apostólica (2Co 10 10. o líder servo também é humilde em relação aos seus liderados. porém é muito mais frutífero. Não era a insegurança que o levava a agir com paciência e mansidão.dons ao corpo. temos em Paulo uma ilustração do hder servo.10). De fato há um risco no exercício da autorida­ de cheia de humildade. faça o se­ guinte teste: liste os aspectos da liderança em que você recebe os benefícios de ser líder em uma coluna. e não como um capataz exigente (ITs 2.15-16). Timóteo para apaziguar. confúndindo-a com fraqueza. mas pela convicção de que não é possuidor de todos os recursos ou respostas. no modelo de Je­ sus. etc. será necessário demonstrar com clareza que há um objetivo comum sendo perseguido.11-12). pois mesmo que endureça sua lide­ rança. caso abram mão de um r^ d o contro­ le sobre as pessoas e processos. Essas figuras familiares falam de modo bastante eloquente da maneira gentil e pessoal com que o apóstolo conduzia as pessoas sob sua liderança. Vivemos em um mundo que é “dos esper­ tos”.10-11.7.8). pelo contrário.5­ 6. CONCLUSÃO O líder cristão tem Jesus Cristo como seu modelo de liderança. e que manifestações de individualismo não serão toleradas porque destroem a unidade e harmonia do corpo. falta de pulso ou insegurança. Estéfanas para dar continuidade. Haverá sempre pessoas que não entenderão a posmra do hder-servo..” É óbvio que Paulo era o Hder mais proe­ minente entre eles. confundindo-a com fraqueza. ele relembra como preferiu ser para com eles como um pai que exorta e uma ama que acaricia os filhos. consciente de que cada um teria sua contribuição a dar. APLICAÇÃO Se você é líder em alguma área. insegurança ou incapacidade. castigando os insubmissos (2Co 10. então todos são igualmente ne­ cessários para atingir o alvo comum. mas sua atitude nos mostra alguém que sabia permitir que outros tomassem a frente do trabalho de acordo com suas parti­ cularidades.19). é uma parte importante do todo —tão importante quanto as demais. Cada um deles somente foi importante na medida em que contribuiu com seus dons para a edificação da comunidade a quem estavam servindo. Além da humildade em relação a outros líde­ res. Um líder servo exerce sua autoridade de maneira humilde.. Esse modelo de liderança se contrapõe a tudo o que o mundo propõe. Sua resposta foi firme: estava pronto para ser muito enérgico pessoaknente. foi para esse fim que ele recebeu autoridade do Senhor Jesus (2Co 10.1.

18). podemos destacar alguns deles: A.5-7. inclusive para outros líderes cristãos que ele mesmo havia treinado. podemos encontrar em Paulo grandes ensinamentos so­ bre a liderança bíblica. na confiança de que o apóstolo dos gentios procurou com todo o empenho ser um imitador de Cristo (I Co 11. ele responde por cerca de 30% dos escritos neotestamentários.5-11 .Flonrem seu líder Q IC o 1 5 . O fato de que o Senhor permitiu esse “espinho” na vida de seu servo foi para que ele pudesse ser ainda mais usado em suas mãos.Um líder humilde S Tt 1.Líderes que ensinam S Ef 4. B.Um líder não interesseiro Q Fp 2. Mas neste capítulo destaca­ remos aspectos de sua personalidade e ministério relacionados especificamente com a liderança cristã. Uma das razões para isso certamente residia em seu vergonhoso passado e na forma como o Senhor Jesus havia se mostrado gracioso para com ele. Com isto. “A soberba pre­ cede a ruína.10-16 . Abnegação Outra marca da liderança de Paulo era sua disposição ao desprendimento dos próprios 11 . O apóstolo tinha uma aguda consciência de suas limitações e do quanto ainda lhe faltava para melhorar (Fp 3.12­ 14). percebemos como é importante que o líder não se deixe levar pela arrogância.A tarefa do Iíder INTRODUÇÃO O apóstolo Paulo é uma das personalidades mais marcantes do Novo Testamento e de toda a Bíblia.25-29 . apesar de sua importância. Por sua vida dedicada à liderança eclesiásti­ ca e seus escritos.1). e a altivez do espírito. Humildade Como vimos na Hção 3. apesar das grandes realÍ2 ações de seu ministério aos gentios. A humildade anula a tendência humana ao per­ sonalismo.10-18 . Esse provérbio já se provou verdadeiro na vida de inúmeros hderes que.9). ao lado de outros que podiam ser iguaimente usados na ohrado Senhor (ICo 3. Paulo sabia se portar com humildade..PERFIL DE UM LIDER Q u a lid a d es essen cia is à liderança em Paulo IC o r ín t io s 3 . quando estavam no ápice da fama e reconhecimento. políticos ou corporativos. caíram mi­ seravelmente em desgraça —fossem eles líderes eclesiásticos. Paulo não era perfeito —nem mesmo como líder. moldando os padrões cristãos de doutrina. Obviamente.10.4 -9 LEITURA DIARIA D Gi 2.6-15 . fazendo com que seus interesses pessoais sobrepujem os da equipe.Um líder ousado S 1Ts 2.7). Paulo se via como um servo e instrumento de Deus.11). Com humildade.1 . ética e eclesiologia. para que sua vaidade não o dominasse (2Co 12. Mas o próprio Paulo confessou que esse pensamento sobre o passado poderia não ser o suficiente para mantê-lo humilde. e por isso mesmo ciumenta de outros talentos ao redor. transformando-o de perseguidor da igreja no apóstolo que foi (ICo 15.1 -8 . de maneira que Deus permitiu que um problema sério o afligisse. Como líder cristão. 15. Somando sua presença em Atos com as cartas que escreveu. a queda” (Pv 16.Liderança amorosa T Fp 4.1 0 . A liderança personalista põe o flder no centro das ações e atenções. 1. Essa é uma liderança fundamentada na personalidade e carisma.0 CARÁTER DO LÍDER O apóstolo Paulo foi um homem de persona­ lidade marcante em vários aspectos.

Posteriormen­ te.18-21. Paulo e Barnabé tinham um companheiro chamado João Marcos.19-21. ele preferiu continuar sem requerer deles seu direito ao sustento pastoral. Quando precisou tratar de um grupo de in­ subordinados em Corinto. inclusive. Paulo reagiu. sim. mas pessoaJmente um fraco.10. quando Barnabé quis reintegrá-lo à equipe. mas também ousadia. Sua rigi­ dez levou a dupla de missionários à separação (At 15. 25. 2Co 13. Poucas coisas podem arruinar uma liderança quanto o temor de homens (Pv 29.2. Uma liderança abnegada estimula a abnega­ ção nos demais. sen­ 12 do expulso de uma localidade seguia para pregar na próxima (2Co 11. ou que seja incapaz de repreender um liderado —jamais poderá liderar plenamente. Epafrodito se dedicou integralmente ao trabalho. 4. Ousadia A humildade e abnegação cristãs de Paulo não devem ser confundidas com frouxidão de caráter ou um espírito tímido e temeroso. afirmou que estava disposto a visitar pessoalmente aquela igreja e confrontar seus detratores. como a ousadia utihzada fora dos ümites da humildade é negativa. Com convicção e ousadia. passou a se dedicar integralmente à pregação.11).20-23). nem a suportar certas adversidades em nome do objetivo comum.3. recusando-se a admiti-lo. porém.desejos ou necessidades em prol do evangelho e da igreja. mas vivendo em um contexto de atritos religiosos e culturais entre judeus e gentios convertidos ao cristianismo. C.11-12. No início de seu rninistério missionário. seu ministério foi marcado por ousadia. exige-se mais e mais dos hderados. tende a manifestar a mesma disposição. Pelo contrário. Paulo deixou bem claro que sabia usar de firmeza para disciphnar a rebeldia (ICo 4. não terá condições de estar à frente de um grupo. sofrendo privações. Ele corajosamente perseverou em sua missão contra a constante perseguição por parte de judeus e romanos. mas de reconhecer que a hderança inclui o impulso de sair da estagnação acomodada e avançar.13). com boa vontade e sacrifício.7-10). logo que recebeu ofertas de outras igrejas. ITm 6. o jovem os abandonou no meio da primeira viagem (At 12. sem jamais recorrer à bajulação.8-9). 10. nem mesmo estando enfermo voltou atrás em seus princípios (Fp 2. amargor e má vontade. 2. ICo 9. Ele foi iguahnente destemido no trato com as autoridades. Paulo também abriu mão de seus costumes e preferências pessoais em diversas ocasiões.14. que insinuavam que o apóstolo era ousado somente nos seus escritos. tanto civis quanto eclesiásticas. por alguma razão.35-40). Evidentemente.25. abrir mão de suas convicções ou deixar de se posicionar (ITs 2. O apóstolo se cercava de colaboradores mais próximos com igual desprendimento em favor da obra do Senhor. Sua disposição abnegada o fez aprender um contentamento tal que independia de suas condições econômicas (Fp 4. Timóteo e Epafrodito se desta­ cavam de outros líderes por se preocuparem mais com os interesses da igreja do que com os seus próprios. G ll.16).2. firmeza e destemor. para que o trabalho da equipe obtenha o resultado esperado. ele entendeu que a prioridade era a paz da igreja e aceitou abrir mão de suas tradições para se identificar com os gregos (At 16. Assim como um hder que não está disposto a correr determinados riscos. 30).1-7). ele teve de exercer seu ofício de fazedor de tendas. o episódio parece ter sido superado entre os dois. Enquanto evangehzava em Coiinto. Mas se a equipe observa o espírito de renúncia dos hderes.5. O apóstolo dos gentios ilustra. Anos depois. e isso requer planejamento. causando a sensação de injustiça. reconhecendo o apóstolo já idoso e aprisionado por causa do evangelho o quanto Marcos era útil a ele (2Tm 4. Porém. mesmo depois que seus convertidos já forma­ vam uma igreja local.lO . muitas vezes. . Porém. Um hder que age sob o efeito do receio daquilo que seus liderados podem pensar dele ou que outros vão dizer se não tiver determinado resultado. para não ser pesado aos ir­ mãos daquela igreja (2Co 11. não se trata de elogiar o hder inconsequente.10).4-6. Sendo judeu. ITs 2.23-27. At 14.25). 13.

Cl 4. Tt 1.14.34. espe­ cialmente se o tivesse evangelizado ou fosse seu discípulo: Timóteo (ICo 4. ordenando aos coríntios que respeitassem o cooperador Tito e se sujeitassem ao obreiro Estéfanas (2Co 8. A^dministrativas Paulo planejava suas atividades para aper­ feiçoar os esforços missionários da igreja. a Hderança não se resume a algumas características inatas da personalidade.24). Paulo era um grande adrninistrador de recursos humanos. Semelhante­ mente. que planejava sua liderança. que soube se cercar de companheiros de ministério que ele denominava “cooperadores” (Rm 16. Mesmo quando a comunidade local já poderia dar sustento a ele. Não encontrando campo de trabalho inexplorado.12-16. 4. segundo o exemplo de Paulo. Relacionais Outra característica notável da liderança paulina é que ela se fundamenta em relacionamen­ tos.25-29). onde ninguém ainda havia levado a fé cristã. decidiu encaminhar-se à Espanha. Vejamos algumas atitudes fundamentais para a liderança.8.13. 2Ts 3.8). mas requer trabalho e esforço contínuo.15-16). que na época era o extremo ocidental do império (Rm 15. ICo 4. ele os au­ torizou e comissionou publicamente. “filho amado”. ele levantava ofertas em outras igrejas mais estrumradas materialmente ou na fé (2Co 11. AS HABILIDADES DE UM LÍDER Paulo era um líder intencional. Fm 1. Paulo soube como ninguém delegar grandes responsabilidades aos seus cooperadores. caso conside­ rasse que isso os oneraria demais. 3.5-9).12.24-25. percebemos que a ousadia.1. Al.9). E bastante comum encontrá-lo chamando alguém de “meu filho”. por isso. o apóstolo dos gentios coordenou com seus companheiros uma coleta entre as igrejas gentflicas e seu envio aos irmãos judeus (ICo 16. o papel principal do líder era capacitar os demais para que desempenhassem seu próprio serviço (Ef 4. aguardando julgamento ou recurso (Fp 1. E. 2Co 10.21-22.1-4.14-15. Ef 3. Era seu costume permanecer em uma localidade enquanto enviava seus colegas para fazer o reco­ nhecimento de uma área nova ou supervisionar um lugar já alcançado (At 19. Fp 2. Esse processo de multiplicação se estendia até as mulheres idosas (sociaknente desprezadas na época).22.3.23­ 24). Quanto ao bom aproveitamento do tempo. Para ele. também fossem capazes de ensinar os demais (2Tm 2. Paulo ainda era um sábio administrador do tempo e recursos financeiros. sabemos que uma boa parte das suas cartas preservadas no cânon foram escritas de dentro da prisão romana.3-6).1. Ele pregava aos sábados e fazia tendas durante a semana para se sustentar e suprir aos demais companheiros de ministério que necessitassem (At 18. ICo 16. Para garantir que seus aliados se desincumbitiam das tarefas delegadas.8). ambos receberam instruções detalhadas quanto ao que era esperado deles (ITm 3. Ele mesmo treinou alguns pastores. ITm 1. 2.23­ 24. 2Tm 1. Ele também coordenava a logística de seus companheiros para cobrir maior área possível.15. instadas a serem igualmente treinadoras das mais jovens (Tt 2.Pot outro lado. Fp 2.13). o apóstolo se preocupava com a capacitação e treinamento de líderes e facditadores.7. Tt 1. 20.2).1).1-3). ao invés de motivação. Não havia tempo perdido nem tempo a perder. por sua vez. co­ ragem e firmeza precisam ser temperadas com as virtudes da humildade e adrninistração para que não causem desagregação e desânimo para a equipe. Provase isto quando ele enviou o jovem Timóteo para pastorear em Efeso e Tito em Creta. como Timóteo e Tito.3. 4. cada um fazendo sua parte na obra.21. Ele evitava evangehzar áreas que já haviam ouvido a proclamação do evangelho por ele mesmo ou outro apóstolo (Rm 15.25. Fm 1.3. e os orientou a que treinassem outros (presbíteros) que. II. aos filipenses que honrassem o companheiro Epafrodito (Fp 2. aos tessalonicenses que acatassem com consideração seus obreiros (ITs 5.12).3-5). 13 .11-12). De fato.9.20. 20. quando a comunidade cristã em Jerusalém passou necessidades materiais básicas. Afinal.

CONCLUSÃO Paulo oferece o perfil de um fider segundo a Bíblia. mantendo-os motivados nas diversas frentes da obra de evangelização dos gentios que ele coordenava. das igrejas da Galada (G14. ele também nutria. Fp 4. Expressões de carinho aparecem com írequênda em suas cartas. Pode parecer bobagem. e isso nos estimula a aprimorar nossas habilidades de liderança ao máximo também. Com base nos textos bíblicos vistos. e até hoje po­ demos colher seus frutos.14). até mesmo disputas existentes entre gregos e macedônios.7). Paulo não apenas cultivava bons relaciona­ mentos com seus colaboradores.15-16. Conhecendo a propensão de Ti­ móteo ao desânimo e timidez.1-5). Onésimo (Fm 10). Fp 2.4).5-12). Seu caráter e habilidades foram colocadas integralmente nas mãos de Deus para o uso na liderança da igreja de sua época. estimulava e preservava um ambiente de concordância fraterna e múmo apreço entre seus liderados. Uma das exortações mais comuns em suas cartas foi em prol da harmonia de senti­ mentos e propósitos (Rm 12.2). Paulo utilizou para mobilizar a igreja de Corinto a contribuir com maior liberalidade na campanha de arrecadação para os irmãos da Judeia (2Co 9. e o verdadeiro Hder buscará aprimorar em todas as áreas que dizem respeito à liderança. enquanto outras “não levam muito jeito”. Por incrível que pareça. APLICAÇÃO Os especialistas em liderança apontam que normalmente os líderes podem ser encaixados em “orientados por tarefas” e “orientados por pessoas”. ITs 2. Fp 4. 14 É evidente que certas pessoas têm maior facilidade em estabelecer relacionamentos in­ terpessoais.19. ele faz um apelo à sua história pessoal e chamado rninisterial. os membros da igreja de Corinto (ICo 4. Ele incenti­ vou seus cooperadores de diferentes maneiras. E um incentivo maravilhoso vermos como um homem comum e limitado pode ser um hder tão completo.1-23). mesmo em meio a repreensões necessárias (Rm 12. Mas um Kder não tem o direito de se acomodar em seu temperamento mais introspectivo.11-12). mas o simples fato de que 28 irmãos tiveram seus nomes mencionados no final da carta aos Romanos eternizou o reconhecimento do após­ tolo ao valor do trabalho cristão de cada um deles (Rm 16. com qual perfil você identificaria Paulo? Com qual dos dois perfis você identifica sua própria liderança? O que você precisa mudar para obter uma liderança mais equilibrada? .11. Mesmo habilidades relacionais subjetivas precisam ser aprendidas e desenvolvidas com a experiência e maturidade. Paulo reconhecia a importância de bons relacionamentos para o bom desempenho da equipe e do corpo como um todo.1. 2Co 13. pois sua capacidade relacionai afetará diretamente sua liderança e o desempenho do grupo.Tito (Tt 1. à confiança depositada e ao exemplo pessoal e à própria fé (2Tm 1.2.19) e de Tessalônica (ITs 2.

1 -4 . Dessa maneira.2-3. por um lado. Ao exortar os cristãos à mútua tolerância.1-7 .5-9). quando quer conduzir seu rebanho em determinada dire­ ção.Um exemplo de abnegação Q ITs 1. encarnação.Um exemplo de santidade T Rm 15. ‘Venham!” É óbvio que pessoas não são como ovelhas. também não ficou discursando sobre os benefícios da lide­ rança pelo serviço para convencê-los a exercê-la quando estivessem ã frente da obra evangélica. o exemplo de Jesus entregando-se à morte pelos pecadores deve levar os crentes 15 .Considerem estes exemplos INTRODUÇÃO Você já observou que há uma diferença im­ portante entre as metodologias dos pastores de gado bovino e ovino? O primeiro. relembrou o exemplo de Jesus.1-8 . esse não foi um evento isolado. O boiadeiro diz: “Vai! Vai!”. I. na qual o Mestre praticamente apresenta uma parábola encenada sobre humildade para seus discípulos. Já o pastor de ovelhas diz. empurrandose uns aos outros e fugindo do barulho para a direção desejada pelo pastor.Repassando bons exemplos Q SI 1. também chamado boiadetro. As ovelhas reconhecem sua voz como confiável porque é ele quem as alimenta.IDERANÇA EXERCIDA PELO EXEMPLO A m aior ferram enta de um líder T ito 2 . Jesus simplesmente exemphficou diante de seus olhos espantados como deveriam hderar.14-15). Paulo evocou o exemplo de humilhação de Cristo. mas o que beneficiaria seus eleitos (Rm 15. Apesar de ter ocorrido de uma maneira es­ pecial. Mas a verdade é que seguirão com muito maior disposição alguém que se ponha ã frente e diga ‘Venham comigo” —e não apenas mande outros fazerem aquilo que eles mesmos não fazem. UM EXEMPLO A SER SEGUIDO A liderança pelo exemplo é um princípio encontrado fartamente na BíbHa. que se ofereceu como exem­ plo daquilo que esperava de seus seguidores ao lavar humildemente os pés de seus discípulos (Jo 13. de modo que eles vão se movendo.Fuja dos maus exemplos S 2Rs 1 3 . quando a mãe de Tiago e João lhe pediu preeminência no seu reino para seus filhos. mais assustadiços que os bois e. pois seus animais são. mas seguissem o exemplo do “Filho do homem” (Mt 20. que cuida de bois a vacas. na sua descida à terra.1 -6 .Maus exemplos se perpetuam S Hb 12. e então o seguem para onde ele for. o pastor simplesmente se coloca à frente dele e chama. que não havia procurado aquilo que agradava a si mesmo. Pelo contrário. quando quer conduzir seu rebanho.Um modelo de humildade S 1 Pe 4. se posta atrás da manada e enxota os animais. Jesus ordenou que evitassem seguir o exemplo dos líderes mundanos. ele pretendeu ensinar-lhes o modelo de liderança de servo (hção 3). E também o perdão rece­ bido do Senhor Jesus que serve de incentivo para os itmãos se perdoarem mumamente (Cl 3.25-28).13). Naquela ocasião.1 -6 . Já o pastor de ovelhas precisa de outra estratégia. muito mais dóceis e dependentes —especial­ mente quanto à alimentação. Para Pedro.1 -8 LEITURA DIARIA D Fp 2.7). Quando quis motivar os filipenses à humildade.1 -1 2 . A começar pelo próprio Jesus. por outro. cruci­ ficação e ressurreição (Fp 2. Jesus também é constantemente colocado como modelo a ser seguido por seus apóstolos.2-7 . Seguirão a um Hder que seja exemplo. mas não se contentou em apenas dar instruções teóricas sobre “o potencial motivador e agregador do serviço múmo”.

Séculos depois. porém. de fato.25. OS MAUS EXEMPLOS Agora.26-32). Muitos têm interpretado essa postura do apóstolo dos gentios como uma atimde de arro­ gância imprópria a um servo do Senhor. 1 e 2Reis relatam vez após vez como reis ímpios fizeram todo o povo de Deus. Para o escritor da Carta aos Hebreus. entretanto. construiu seu próprio centro de adoração idólatra em Betei (IRs 12. o princípio de liderança pelo exemplo pode ocorrer. igrejas já estabelecidas foram modelos de conduta cristã para igrejas menores ou mais novas. Se os exemplos têm tanto poder sobre as pessoas. sempre com grandes males e sofrimento para todos.31-33.1). AHás. 1. sua maior decepção. homens que demonstravam um interesse legítimo pelo bem estar da comunidade. para quem o autor afirma que devemos “olhar firmemente” enquanto passamos por nossas próprias aflições (Hb 12. Até mesmo entre instituições eclesiásticas.29. todo fiel servo de Cristo deveria se colocar como modelo aos de­ mais. foi exatamente isso que ocorreu posteriormente. se desviar dos mandamentos e da aliança do Senhor. ele apontou o modelo de líder representado por Timóteo e Epafrodito. Jeroboão foi o primeiro rei do Reino do Norte (Israel). uma hsta que encontra sua culminação no exemplo máximo de perseverança que foi Jesus.11. 16 II. foi ele que. para garantir que seu povo não se sub­ metería a Judá por causa do templo de Jerusalém.19-20. tanto no reino de Israel quanto de Judá. pois aqueles obtiveram vitória pela fé (Hb 6. quando fossem tentados a abandonar a caminhada cristã.2). Por meio de Moisés. O apóstolo João escreve elogiosamente a um Kder da igreja chamado Gaio. a perseverança diante da perseguição judaica demonstradas pelas igrejas da Judeia serviram de modelo para a nascente igreja de Tessalônica. 3. O meio social em que vivemos exerce uma enorme influência pelo modelo que apresenta e . e não por si mesmos (Fp 2. porém menciona também outro Kder. a exortação aos seus convertidos gentios a que. E. A famosa “galeria da fé” nada mais é que uma compilação de fiéis que mereciam ser imitados por sua vida aprovada (Hb 11. Por exemplo. aqueles crentes do passado que demostraram fé inaba­ lável deveriam ser imitados pelos crentes do presente. seguido por outros reis igualmente ímpios e maus.11-12).24.1-3). Quando a igreja de Fdipos passou por uma crise de liderança. foi que o povo estava seguindo o exemplo de seus líderes (Ed 9. Daí.6-8). buscassem imitá-lo enquanto seguidor de Jesus (ICo 4. Todavia.29. o povo no deserto foi advertido que.16). alguém que se esforça constantemente para seguir o exemplo perfeito do Salvador. pessoas mal in­ tencionadas e de personalidade forte ou história impactante podem atrair imitadores que repro­ duzirão aparsonadamente seu exemplo. Devido à natureza pecaminosa no homem. o mau exemplo deles levou o povo como um todo à derrocada espiritual (2Rs 10.1-3). precisamos ter uma pa­ lavra de advertência. para Paulo.30).17-18). eles se tornariam em “dlada” para Israel.2. caso deixassem de expulsar os canaanitas que habitavam a Terra Prometida. ou seja. porém. Esdras se desespera ao saber que o povo que voltara do exílio babiLônico não aprendera a dura üção e novamente se envolveram com aquelas nações pagãs por meio de casamentos mistos. Jeroboão entrou para a história como o modelo de rei ímpio. para a desgraça dos israelitas (Jz 2. 14. ambicio­ so e maledicente. enquanto que a fidelidade dos tessalonicenses serviu de modelo para os crentes da Macedônia eA caia(lT s 2. Há bons e maus exemplos que podem ser seguidos. e. Dt 12. esse poder pode ser exercido para o bem ou para o mal. No nascimento do cristianismo. de nome Diótrefes.1-40).à autonegação e renúncia dos desejos carnais e pecaminosos (IPe 4. por serem líderes de suas nações. semelhante­ mente. etc. O próprio apóstolo Paulo se reconhece um “imitador de Cristo” (ICo 11. que seria ten­ tado a imitar seu comportamento moral e idólatra (Êx 23.13-14.). e ordena a Gaio que não imite o seu exemplo de impiedade (3Jo 11). essa nunca foi uma prerrogativa exclusivamente sua.1-2). 13.

19). mas que se tornassem modelos para eles (IPe 5. um mundo que está em rebelião contra o Criador e debaixo da autoridade de Satanás. Os hebreus convertidos que estavam desani­ mados e prontos a voltar atrás na fé cristã foram exortados a continuar firmes e perseverantes. pois haviam sido perseverantes na Palavra de Deus até a morte. III. Essa é uma ferramenta poderosa na hderança. e também está dispos­ to a realizar o que está pedindo aos demais. pressionando os cristãos no sentido de imitar e se conformar com ele.15. ensina algo que não sabe ou conduz por um caminho que não conhece. e não como os escribas (Mt 7. 4. ordena algo que não segue.6).11-12). O apóstolo Pedro. A hderança pelo exemplo provoca um efeito extremamente positivo na disposição de espírito dos hderados em relação ao hder. o autor usa como argumento o exemplo que seus hderes lhes haviam deixado. É possível que essa tenha sido uma das dife­ renças que a multidão notou entre o ensino de Jesus e o dos fadseus: Cristo ensinava como quem tem autoridade. ordens ou recompensas podem motivar tanto quanto o exemplo de hderes ver­ dadeiros: “Lembrem-se deles e imitem sua fé!” IV.7-8). pois não praticavam aquilo mesmo que requeriam dos seus alunos. dirigindo-se francamente aos hderes da igreja. Significa que ele sabe as dificuldades para executar aquilo que ele requer dos seus liderados. pessoalmente.7). IJo 5. devem rejeitar seu mau exemplo (SI 73. Na igreja de Corinto havia todo tipo de parti­ darismo e divisão.29). inclusive com um grupo prefe­ rindo Paulo e outro rejeitando sua autoridade. tidas por bem-sucedidas e admiradas socialmente. Aqueles que são seguidores de Jesus Cristo não podem seguir estes líderes midiáticos da sociedade —pelo contrário.1) destruía sua liderança sobre o povo. recomenda-lhes que não sejam dominadores dos fiéis sob seus cuidados. Note que o Senhor confirma que o ensino deles era correto. tanto jovens quanto idosos. motivando-os a segui-lo com mitito mais confiança que o fariam se fossem constrangidos ou forçados a isso. AS LIMITAÇÕES DE UM EXEMPLO Uma palavra final sobre a hderança pelo exem­ plo é necessária. A integridade é essencial para uma hderança verdadeira.10. e uma das razões foi exa­ tamente por ensinarem aquilo que não praticavam (Mt 23. Os benefícios do exemplo não 17 . mas cuja vida é uma completa ruína espirimal.3). ou seja. Ele instruiu o jovem pastor Timóteo que se revestisse de auto­ ridade tornando-se. fundamentalmente pela excelência de Cristo em relação à rehgião judaica. Ninguém está disposto a ouvir alguém que proclama algo em que não crê. a autoridade deles estava completamente minada. A AUTORIDADE DE UM EXEMPLO Um exemplo transmite uma autoridade que as meras palavras não têm.17). esse modelo é exemplificado em pessoas famosas. o apóstolo apresenta seu exemplo de cooperação sem ciúmes de Apoio (que resultara na plantação daquela igreja). A mesma regra pessoal o apóstolo dos gentios repassou aos líderes que formou. um modelo das virtudes cristãs que deveria ensinar na igreja de Efeso. provavelmente diante do martírio (Hb 13. de modo que ninguém de dentro ou de fora da igreja pudesse levantar objeções ao seu ministério (Tt 2. Lc 12. Muitas vezes. pastor em Creta. Quando os obstáculos são muito grandes. porém. Semelhante­ mente. Sua falta de integridade (“hipocrisia”. que se encamioha para um padrão de vida sem Deus (Rm 1. Jesus não poupou graves críticas aos escribas e fariseus do seu tempo. pou­ cas instruções.5-6.2-4). No final da carta. A mídia de massa é a principal divulgadora e alimentadora desse modelo maligno.32.2-5. Tito. onde trabalhava.promove. Pv 23. recebeu a ordem de Paulo para ser um exemplo de vida cristã diante dos fiéis. de maneira que ninguém poderia interpretar suas palavras como motivadas pelo desejo egoísta de retomar o controle sobre a igreja (1 Co 3. e o exemplo pessoal funciona como um selo de integridade do líder. de maneira que a sua pouca idade não constituísse como uma barreka para sua hderança ah (ITm 4. Ao invés de entrar na disputa.

O exemplo não prescinde a instrução acerca de seu funcionamento prático. O hom exemplo pode gerar acomodação A hderança pelo exemplo pressupõe um Mder capaz de “arregaçar as mangas” e fazer aquilo que exige dos seus hderados. O exemplo não prescinde o esclarecimento sobre seu significado e intenções. desmotivando qualquer tentativa. Imagine como ficaria abalado alguém que tomasse Abraão como seu 18 referencial maior de vida de fé ao descobrir que ele buscou segurança na mentira e riu ao ouvir uma promessa divina (Gn 12. “Quem precisa de Mder?”). Há pelo menos cinco Ümitações à força do exemplo: A. que demonstram sua integridade inclusive na maneira como hderam —não com hipocrisia. há até o risco de provocar o oposto do efeito desejado.8-9). Entretanto. Aliás. o pe­ rigo é que alguns do grupo se acomodem com a habhidade do Mder. . A s pessoas são diferentes Como já vimos. nestes casos. deve demonstrar de que maneiras ele poderá ser alcançado na prática. O exemph pode ser mal interpretado Um exemplo bem intencionado pode ser interpretado erroneamente quando as motiva­ ções do Mder não estão claras. 17. . D. Paulo foi acusado de menosprezar a igreja de Corinto porque se recusou a ser sustentado por ela. destrua completamente sua capacidade de Hderança. pode gerar um tipo de idolatria em torno da figura do Mder que será extremamente negativa para o grupo. dirninthndo seu empenho e responsabihdade. Quando um Mder propõe um modelo a ser segui­ do. Um exemplo pode dizer e motivar muito mais que palavras vazias. APLICAÇÃO Conversem na classe entre si e compartilhem se já estiveram sob a autoridade de pessoas que conheciam menos sobre a tarefa que vocês mesmos. mas isoladamente o exemplo pode não concreti­ zar tudo o que a liderança requer. vocações e dons. B. CONCLUSÃO A Palavra de Deus deixa claro que é Mcito procurarmos modelos para seguirmos. se ele se colocou como ideal a ser perseguido tantas ve­ zes. Se não houver um cui­ dado quanto à imagem que está sendo passada. O exemplo não prescinde a disciplina da equipe. Também alerta para os perigos de um mau exemplo. mesmo em outra área. as pessoas têm diferentes habilidades. ele pode estar provocando um ambiente no qual haja mais que admiração em torno de si mesmo. se os liderados não puderem repeti-lo ou imitá-lo adequadamente. há o risco de que qualquer falha sua. ocasionando um grande mal-estar entre o apóstolo e aquela igreja (2Co 11. Como se sentiram? Houve prejuízo na hderança ou na execução da tarefa? Avahe se há alguma área da vida na qual você não deva estar à frente de um grupo por não poder representar um padrão de excelência naquela área específica. sua intenção fora poupá-las e dar exemplo de desprendimento e trabalho. O modelo sempre é imperfeito Quando o Mder se apoia demais no seu exem­ plo pessoal. Sejamos Mderes autênticos. O exemplo não prescinde a hu­ mildade do Mder. e essa diversidade tem o propósito de que possamos nos completar uns aos outros (lição 1. e que o bom exemplo autentica a integridade de uma hderança. mas sendo um padrão a ser seguido. isso também significa que nem tudo o que uma pessoa faz a outra poderá igualmente fazer. E.11-13. Um modelo não deve tomar-se um ídolo Quando um Mder capaz se apresenta como modelo a ser seguido. Afinal. é natural que haja certa idealização de sua pessoa de um modo geral.17)? O exemplo não prescinde que haja normas a serem cumpridas por todos. C. mesmo um bom exemplo pode não obter o efeito desejado.podem suprimir o fato de que há claras limitações neste instrumento de liderança. Porém. mas isso não havia ficado claro para os irmãos.

Esse governo espiritual de Cristo sobre a igreja é fundamentado em uma hgação tão orgânica e vital entre ele e seu povo que Paulo o denomina de “cabeça da igreja” (Ef 1.IDERANÇA ECLESIÁSTICA A autoridade na igreja M a te u s 1 6 . 15. CRISTO O SUPREMO PASTOR A Bíbha afirma o senhorio universal de Cris­ to. indicando que a divindade compartilha a regência da Criação com o homem Jesus Cristo. assim como nenhum professor de Escola Bíbhca terá desconto no seu salário por não preparar bem sua aula. o bom funcionamento do corpo requer membros 19 . Na Reforma Protestante.A d isc ip lin a que cura INTRODUÇÃO Ao tratarmos da liderança eclesiástica. e não dos seus hderes.7-13.1 -16 . Ef 1. o que imphca dizer que Cristo é igualmente a cabeça de cada igreja local. Somente Jesus Cristo é o dono da igreja. a autoridade suprema arrogada pelo papado sobre a igreja visível era uma ofensa ao senhorio de Cristo. também significa que.26.13-23 . 18. ou seja.18. Entre estes dois extremos. Mc 16. Para os reformadores. apesar de contar com inúmeras pessoas que colocam suas diversas habüidades à dispo­ sição da comunidade.4.Dons para edificar Q ITm 3.19. Por um lado.22-23. pois é estabelecido no coração e na vida dos crentes e não é exercido pela força ou coa­ ção. Mediador da humanidade (SI 110.26. 2Tm 3. Nenhum membro será demitido por chegar atrasado ao culto. IPe 3. Jesus apropriadamente afirma: “Eu edificarei a minha igreja” (Mt 16.Soberano sobre todos S CM . At 20. Fp 2. nesses tempos pós-modernos.A cabeça da igreja T 1Co 3. ICo 12. Somente Cristo pode ser considerado “o supremo pastor” da igreja que comprou com seu próprio sangue (IPe 5.18. liderança na igreja.16-17). Dn 7. O princípio de que a igreja é o rebanho de Cristo. nos deparamos com algumas particularidades desta Hção. Assim. seus Hderes não podem tratá-las como se fossem funcionários de uma empresa.27). mas pela sua Palavra e pelo seu Espírito (Jo 14. É um reinado espi­ ritual. há inúmeros abusos de autoridade nas igrejas cristãs.24-28 . I.6.13).O Pastor e os pastores S Hb 12.36-37. 4.1.18).1 -4 . Cl 1. muitos acham que a igreja não deveria ter uma hderança formal.28). uma posição exaltada que o próprio Pai lhe conferiu após cumprir sua missão de redenção por meio de sua morte e ressurreição (Mt 28.19).22). 1. Por outro.3. que é uma hderança espiritual. E é importante notar que a expressão “corpo de Cristo” é aphcada tanto para a igreja no aspecto universal e invisível quanto para os membros de uma congregação (ICo 12. Frequentemente as Escri­ turas se referem a esse domínio de Jesus sobre o mundo em pecado como aquele que “está assentado à direita de Deus”.15-16. precisamos procurar os princípios de hderança bíbhca específicos para a hderança da igreja. pois ele a comprou por alto preço e não abre mão de seu senhorio sobre ela para ninguém (ICo 8.1-6 —Servos de Deus Q Ef 4.1-13-Q u alificaçõ es do líder da igreja S 1Pe 5.9-11. 2.14). Sendo o Cabeça e o Senhor da igreja.1 3 -1 9 LEITURA DIARIA D 1Co 15. especialmente por parte dos chamados “donos da igreja”.20-21. um dos pontos de polêmica com o catohcismo romano foi sobre a hderança eclesiástica. Mas há um sentido mais específico no qual Cristo é o Senhor da igreja.

como não arrogante. Com o crescimento da obra. Quando os reis e sacerdotes fa­ lhavam em conduzir o povo na vontade de Deus. Posteriormente. Sansão e Sa­ muel. como no Antigo Testamento. não foi muito diferente com a igreja cristã.13). porque Cristo é o dono da igreja. a pedido do próprio povo.28). devem lembrar que terão de prestar contas da maneira com que cuidaram de cada vida do rebanho de seu Mestre e que. que com a imposição das mãos autorizava o seu ministério (ITm 4. os próprios apóstolos compartilharam sua autoridade com os presbíteros. a liderança eclesiástica somente é possível a partir de uma convicção pessoal dos liderados. e quando uma disputa doutrinária gerou polêmica na igreja de Antioquia.21-22).38). serão julgados por ele. ficava . que é tanto respon­ sável pela distribuição dos dons de liderança quanto por produzir unidade de propósitos e sujeição humilde no corpo (Ef 4. 20. tampouco haviam sido vocacionados e treinados pessoalmente por Jesus em seus dias na terra.25­ 28. a questão foi examinada por uma reunião de apóstolos e presbíteros. Tt 1.1).1) e João (2Jo 1. rapidamente se desviaria por completo da aliança de Abraão e da lei de Moisés. vieram os reis como líderes da nação. A maioria das qualidades elencadas por Paulo tem a ver principalmente com o testemunho do Kder diante da comunidade e dos de fora dela.14). não avarento e sóbrio (ITm 3.8. estes homens constituíam uma Hderança espiritual alternativa para Israel. A importância e autoridade espiritual dos presbíteros na vida da igreja também são pressupostas e sublinhadas por Tiago (Tg 5. sua palavra deveria ser recebida como Palavra de Deus (ITs 2. Como representantes do Senhor.7-9). 3Jo 1) dignificaram este ofício chamando a si mesmos de presbíteros. Seu sucessor. Eles não podem ser forçados externamente a se sujeitar aos seus Kderes. pelo contrá­ rio. •Por outro lado. Esta decisão foi transmitida a todas as igrejas locais para que cumprissem como sendo a vontade do próprio Espírito Santo (At 15. como líderes.14). como Otniel. A igreja reconhece o chamado do líder obser­ vando suas quahdades —algumas referentes à suas habihdades. o Concflio de Jerusalém (At 15. O debate resultou num acordo entre os pre­ sentes. que traduzimos como igreja) no deserto” que Deus governou por meio de Moisés (At 7. com o mesmo objetivo espirimal de guiar o povo na vontade de Deus.5). Tg 3.11-13. Na nova aliança. como os apóstolos. segundo critérios ainda mais rigorosos (Hb 13. il. Tt 1. é por meio de homens Umitados que o Senhor ressurreto. após sua ascensão. ainda que não fossem ouvidos muitas vezes (2Rs 17. essa nova hderança eclesiástica não recebia seu chamado ao rninistério direta­ mente de Deus. que vo­ luntariamente se submetam a seus líderes. A ordenação de um pastor também era responsabilidade do colegiado de presbíteros. Jesus escolheu alguns discípulos para serem mais íntimos e receber ensino espe­ 20 cial. Em todos estes quesitos. Esta convicção é dada pelo Espírito Santo. conduzindo um rebanho cada vez maior (At 1.comprometidos com a causa de Cristo. OS HOMENS DE CRISTO COMO INSTRUMENTOS O povo de Israel já era uma “congregação (em grego. Josué. 16.13). que habita nos céus.2-6. ekkksia. De todo modo. Estes líderes eram eleitos em suas próprias con­ gregações para exercerem autoridade espiritual sobre seus kmãos (At 14. e que a comunidade da fé reconhecia e autenticava esse chamado.2-7. Os apóstolos Pedro (IPe 5. Entretanto. ficaram incumbidos de dar continuidade à sua obra. At 13. A autorida­ de deles. derivava de serem vocacionados pelo Senhor da igreja. outras relacionadas ao caráter. então. por meio de visões e sonhos. governa sua igreja que peregrina aqui na terra. foram servos que Deus usou para conduzir um povo que se fosse deixado às suas próprias vontades e paixões.1-6). e depois dele os juizes.1-3. líderes eclesiásticos não têm autonomia para fazer o que quiserem na igreja. o Senhor üies enviava profetas para falar em seu nome. como ser apto a ensinar e bom pai de famíha. portanto.23.4). Gideão.17.

caso pretenda ter sua legitimidade é. denunciando o erro. isso não que o Hder deve se amoldar em sua conduta deve nos levar a pensar numa “democracia” (isto e ensino.1-5). o líder da igreja pode autoridade pastoral deverá ser completamente ter de exortar a comunidade na direção contrária rejeitada pelo rebanho. sua os profetas perante Israel. também confirma que a vos der ouvidos ouve-me a mim.17-19. a congregação tem a prerrogativa de julgar os líderes eram cheios do Espírito Santo.13. Em caso contrário. IPe 4. gelho nas cidades circunvizinhas se apHcam aos At 20. mas também é o fun­ de. veja Jo 21. a Palavra de Deus é o critério Por sua vez. o que parece que tem sido esquecido de um pastor com suas ovelhas corrobora que. um governo exercido pelo povo).2. com a Palavra.28). G1 4. por impHcação.16-17). mas sim conduzi-lo. 13. seria o critério impõe os critérios para a escolha do Hder da que identificaria um líder perante a comunida­ igreja (conforme vimos). a igreja conceda maior honra aos presbíteros que Disciplinar é unicamente levar a Escrimra a sério. foi 21 .2). estes Hderes devem ser conside­ 5.9. agentes se o seu ensino está conforme as Escrimras (At do verdadeiro condutor da igreja (Jo 16. por meio de seus pastores auxiliares. a igreja autentica o chamado de Cristo para a Hderança de sua igreja. E através de sua do desempenho como chefe do lar. ITs 4.16. está a fiel pregação da Palavra e a discipHna ecle­ a habilidade com as Escrimras Sagradas (Tt 1. Não foi sem motivo que os reformadores consideravam Ili. ainda que o pastor tenha a função de Hderança masculina nas próximas lições). siástica. um Hder Jesus outorgou o ministério da Palavra aos seus da igreja não pode se deixar levar pela opinião servos. o ministério da discipHna eclesiástica. ambas andam necessariamente juntas.29. inclusive. Note nestes últimos textos a importância damento para sua autoridade. para a seu rebanho. àquilo que ela deseja. estas qualidades eram um sinal de que nho. 6.17). É a eia divino do Uder ao elegê-lo. ao mesmo tempo.16.11). O Hder da igreja não é eleito para ser “a voz rados comissionados pelo próprio Senhor da do povo”. ele igualmente entregou do povo. Desta forma. concomitantemente. o que provavelmente significa. derança de Efeso. a BíbHa não apenas exortar. Assim como reconhecida de fato. em muitas comunidades cristãs é que quando ainda que seja eleito pelo voto popular. A PALAVRA DE CRISTO que entre as marcas da verdadeira igreja estão Entre as qualificações do Hder da igreja.1-2. As palavras de Jesus aos Efeso de que sua função era pastorear e supervi­ setenta discípulos enviados para pregar o evan­ sionar o rebanho (“bispo” significa “supervisor”. comandada por Timóteo. denar que a Hderança da igreja de Corinto tirasse que as igrejas deveriam providenciar o sustento da comunhão certo membro que mantinha uma material destes Hderes. A figura Porém. Pedro. Hderando Palavra escrita que o Supremo Pastor conduz o esposa e filhos no caminho do Senhor. para que pudessem se vida imoral com sua madrasta (ICo 5.3-5.13). repetindo as palavras que ^ seus ministros fiéis de todas as épocas: “Quem ouviu do próprio Jesus. de Cristo (IPe 5. 2Tm 1. quando estão em harmonia opõe à vontade do Senhor (Jr 1.7). e quem vos função dos presbíteros é “pastorear o rebanho” rejeitar a mim me rejeita” (Lc 10. ICo 12. se dedicam a estudar e ensinar a Palavra (ITm O apóstolo Paulo exerceu este ministério ao or­ 5. na verdade. Na ser o portador da Palavra de Deus para o reba­ verdade. escolha de líderes (examinaremos a questão da Assim.claro que seria seu bom testemunho que o ca­ A razão desta prioridade no ensino das Es­ pacitaria a exercer seu difícil papel de corrigir e crituras é que. a Hdedicar exclusivamente a esse ofício.Issoé tão importante para a Hderança Conforme os pregadores proclamam a verdade eclesiástica que o Novo Testamento ordena que estão.11. igreja para exercerem sua Hderança espirimal com Paulo relembra os presbíteros da igreja de toda a autoridade e zelo. mas sim “a voz de Deus”. por entender que essa se Por outro lado. e que. ICo 14.17. Entretanto.8). At 17.

também é o Senhor quem o está renovando (Mt 18. Você já recusou algum cargo na igreja? Será que você não está perdendo a oportunidade de servir ao Senhor da igreja e prejudicando sua obra? Repense seus motivos. mas a Palavra de Deus permanece como padrão para a igreja. a igreja deve aos seus líderes toda a reverência e submissão.3-5. E por meio de homens pecadores e limitados que ele conduz seu rebanho a pastos verdejantes. perseverança e fidelidade vindas do alto. . Em outras palavras. Mas a ilusttação de como nossos pais nos corrigem. CONCLUSÃO A liderança eclesiástica é um dom maravilhoso de Deus para sua igreja. Isso não é verdade. não aprova que a igreja exerça disciplina so­ bre seus membros. Peçam ao Senhor que Uies dê sabedoria. Caso ele não se arrependa. todo castigo deve almejar a restauração de quem está sendo castigado. pelo contrário. sendo amor. alguns entendem que toda disciplina é falta de amor. sendo grata por sua instrução e correção como instrumentos do Senhor para sua santificação.12-13). ainda que todos sejamos pecadores. APLICAÇÃO Separem um tempo para interceder pela liderança da igreja.20). Muitas são as críticas levantadas contta a disci­ plina eclesiástica em nossos dias. e a discipli­ 22 na visa igualmente à preservação da igreja até mesmo expulsando o mau exemplo e deixando clara a verdade de Deus (ITm 5. significando que quando a liderança constituída da igreja disciplina alguém. quem se afasta dos caminhos dele sem receber castigo algum pode simplesmente não ser filho de verdade (Hb 12. b) Há aqueles que. mas unicamente um poder ministerial. c) Sem elhantem ente.20. e quando decidem restaurá-lo. Se determinado comporta­ mento é condenado pela Bíblia. somente é passível de disciplina aquilo que possa ser provado como pecaminoso pela Escritura. d) Uma última objeção à disciplina na igreja provém da experiência negativa bastante comum com Kderes despóticos que impõem sua opinião aos demais sem qualquer fundamento bíblico nem ficuto espiritual. enquanto eles se manti­ verem fiéis às Escrimras Sagradas. Pv 23. mesmo com suas limitações. pois todos somos pecadores. Por isso. como bem sabe qualquer pai ou mãe que leva a sério a educação de seus filbos. Porém. os oficiais da igreja não têm poder absoluto ou independente. Embora Cristo exerça sua autoridade na igreja por intermédio dos oficiais. não se deve entender isto no sentido que ele tenha transferido sua autoridade a seus servos. o próprio Senhor o está corrigindo. e por ela rebatemos tais críticas com transparência: a) Algumas pessoas. em conformidade com a mentalidade relativista da nossa época. proclamam que ele. não sua destruição (ICo 5. especialmente pastores. presbíteros e diáconos. derivado da Palavra. “Jesus não faria isso” —dizem. é necessário amar também aqueles que permanecem no corpo. Além disso. Dt 17.20) A relação entre instrução bíblica e disciplina bíblica é evidente. é tirado da comunhão. a comunidade da fé deve corrigir quem está em desobediência. mas sua Palavra é o único cajado que suas ovelhas seguem com alegria. lembra-nos de que. mas incluindo também diretores e coordenadores de departamentos internos.14). permanece o fato que Jesus outorgou à igreja autoridade para requerer dos membros a conformidade com a sua Palavra (Mt 28.15-18).4-11). defendem que ninguém tem o direito de condenar ninguém. Entretanto. Ele üies enttegou “as chaves do reino dos céus”.semelhantemente instrviída por ele a repreender publicamente membros impenitentes (ITm 5. essa realidade (que infelizmente não podemos negar) não pode invalidar a ordenação do Senhor para sua igreja. a própria BíbEa nos afirma que o Senhor nos disciplina para nosso próprio bem e que. Procure um de seus oficiais e pergunte como você poderia ajudar mais sua igreja. em razão de uma visão bas­ tante parcial de Deus.

E como se lá no fundo de si mesmos eles tivessem um receio secreto de que não sejam fortes o bastante. Ele conta que a primeira vez que se identificou com esse imaginário foi ainda na infância. 23 . como extensões daquilo que era vivenciado em menor escala nos núcleos familiares.1 3 -2 5 . Por isso. simplesmente. em seu hvro Um homem segundo 0 coração de Deus fala sobre as imagens de mascu­ linidade que nossa cultura alimenta.1 -6 .1 . Essa situação acaba distanciando-o emocionalmente de sua família.1-4 . mas ele está convencido de que isso não é tão importante. Para este tipo. a família tem grande importância para compreendermos o conceito bíblico de liderança. cada culmra. aquele cuja masculinidade depende de sua capacidade de autodeterminação e independência.A falha de Eli Sl 128. ainda crianças.7 .1 4 LEITURA DIARIA D Hb 12. e suporta a dor e o sofrimento sem reclamar ou pedir ajuda —“homem que é homem não chora”. ele espera receber muito respeito de cada um dos membros. Na verdade. Essa imagem de masculinidade como força está na base do modelo de homem quase univer­ salmente adotado até algumas décadas atrás. como Doriani denomina. Outra face com uma dinâmica muito se­ melhante é o “cara provedor”.Um homem a ser seguido S Gn 1.7 . seria apenas uma mera expressão cultural que poderia ser descartada sem prejuízo algum em nossos tempos? Conforme mencionamos. estudare­ mos agora a Hderança familiar segundo a Bíbha.6-13 . não há nenhum padrão absoluto para uma família? O modelo familiar com o pai como chefe da casa. não alcançando seus alvos. quando teve de se submeter a alguns procedimentos médicos e aguentou tudo sem chorar —como um homenzinho deveria fazer. o “cara durão”. é apenas sinal de que não têm intimidade suficiente com o chefe da família para expor suas queixas abertamente.Um homem de ação INTRODUÇÃO Todas as sociedades humanas na história fo­ ram fundamentadas na família. Em contrapartida de seus esforços pela família. OS MODELOS DE MASCULINIDADE Dan Doriani. Virou o orgulho da família e exemplo para outros garotinhos no hospital.Liderança é verbal T 1Sm 2. alguns bem diferentes do padrão ocidental a que estamos tão acostumados. a mãe cuidadora e os filhos. por sua vez. Obviamente. trabalha duro.PARTE 1 O hom em da c a s a E fé s io s 4 . na verdade. Será que isso significa que. por isso reage raivosamente quando a esposa ou as crianças “falham” com ele. contanto que ele con­ tinue se sacrificando por ela. Uderança ecksiásíicá). Esse homem levanta cedo.O chefe de família feliz Q SI49. diz-se aos meninos.IDERANÇA MASCULINA NO LAR . que nos parece tão “normal”. quando tratamos dos homens que o Senhor usa para conduzir sua igreja (üção 6. que lhe parece um sinal claro de que mdo está bem (não há reclamações).3-5 . também influenciava e moldava as famílias.1 -20-A tolicedasrealizaçõeshum anas S Mt 6. de modo que conhecemos inúmeros modelos familiares. desobedecendo suas ordens ou.O pai provedor S Sl 1 1 0 . É. a completa ausência de comunicação com a esposa e os filhos. O problema é que um dia eles crescem e se tornam adultos com grande dificrfldade em demonstrar ou sequer falar sobre seus sentimentos e limitações. I.

ele dificilmente ordena algo. preferindo um processo mais democrático no qual a opinião de cada um tem o mesmo peso.16-18). muitos não se dão conta de outras áreas da vida familiar completa­ mente carentes.13. Um Deus em silêncio é um pensa­ mento horrível. preferem acreditar que já estão com seu dever cumprido. ainda que mais ouça do que fale. perseverança diante do sofrimento (que suportou calado) e valentia diante do adversário de nossa alma e da morte (Mt 12.27-28. uma versão impor­ tada. chorou diversas vezes. tanto os mais tradicionais quanto os mais modernos. Por outro lado. um tipo diferente.2).30-33). Evidentemente. e por fim. Rm 12. já ajustado aos novos tempos.38. “não faltar nada” significa muito mais que “ter o necessário”.25.11. ao cumprir a missão que seu Pai lhe deu na cruz (Jo 3. seja pelo sucesso profissional. O próprio Deus é continuamente representado como o provedor e protetor de seu povo (SI 23. Quando obtêm sucesso como provedores. de perfumes ou de roupas mascuhnas.3-5. 1. pelo desempenho esportivo. Nós o vemos o tempo todo nos co­ merciais de carros. No princípio. 19. Hb 12. mas às vezes parece querer agradar demais a todo mundo e acaba não passando muita segurança. Jo 10. E a hderança é verbal.o importante é que não falte nada material em casa. Por fim. daí. eles mergulham numa crise profunda. um quarto modelo de masculinidade tem tido proeminência na nossa época: o “cara autorreaUzado”.14­ 17. II. pela qual continua a nos falar até hoje (Gn 1. o que significa investir na carreira. A princípio. A IMAGEM DA MASCULINIDADE BÍBLICA De início. de fato.26. Jo 11. pelas aventuras mrísticas ou conquistas românticas —e até mesmo pela sua bela e bem-sucedida famíHa. confessou sua fraqueza a seus amigos (Mt 26. Esse homem não é definido por nada além de si mesmo. O bom provedor precisa ser um trabalhador incansável para dar conta da demanda.32-35. Fp 2. e desde que esposa e filhos consigam acompanhar seu ritmo. ele exerceu sua soberania falando à criação para que ela se tornasse aquilo que ele queria. 10. em nossa sociedade de consumo. Deus falou. E seu senso de propósito o impehu até a autorrealização plena. surgido mais recentemente. Para onde iríamos nós? O que . existe o “cara sensível”. além de filmes de ação. pois todos estão ocupados fazendo algum curso ou distraídos com alguma bugiganga tecnológica caríssima. etc. No Senhor Jesus vemos ca­ racterísticas como autossacrificio. Com uma natureza um tanto diferente dos anteriores. cada um destes quatro modelos falha em alcançar o padrão bíbhco de Hderança famihar. ele continuou se revelando e comunicando-se com seu povo por meio de seus profetas e da sua Lei. é alguém muito agradável e aberto. podemos reconhecer algo de bom e verdadeiro em cada modelo de masculinidade apresentado. Trata-se de alguém que alcançou sua realização pessoal por esforço próprio. um modelo com mais recursos.41-42).1-4.33). Ele está sempre avançando rápido em direção ao alvo. 16. É aquele que orgulhosamente troca as fraldas do bebê e ajuda a esposa cansada nas tarefas do­ mésticas. Depois disso. Mt 6. Talvez não reste tempo e energia para dedicar à família. mas não há problema. uma marca melhor.1-2). Ele sempre procura compreender os sentimentos e necessidades ao redor e por isso é bastante comunicativo. A Bíblia fala acerca da importância de nos conectarmos emodonalmente com as pessoas ao nosso redor a fim de construirmos uma relação verdadeira. Sua marca é 24 a autorrealização.15. quando falham em sustentar a família. ICo 12. conseguir promoções. nos falou pelo Filho e nos deixou sua Palavra.29. pois há sempre um lançamento. Hb 1. Lc 7.2-3. uma nova moda. se sensibihzou com a dor alheia. se dedicar aos negócios e vencer a concorrência. pois isso seria um sinal inequívoco e intolerável de fracasso. E difícil dizer se ele é o pai e marido ou apenas o irmão mais velho de todos ah. está tudo bem. onde os sentimentos sejam comparti­ lhados numa comunhão real (Jó 30. e inclusive. Jesus também foi um homem tremendamente compassivo.

especialmente nas tempestades.22-25). antiquado. Cada cultura e época tem o seu próprio jeito de expressar a masculinidade.12). isso impHca assumir a sua responsabilidade por empunhar o leme. qual você (seja homem ou mulher) aprecia? Você é capaz de indicar uma ou mais passagens bíblicas que apoiem ou combatam esse modelo de homem? Em quais pontos ele fica aquém do modelo cristão. A Bíblia instrui sobre a necessidade de autoridade e direção no lar. encontramos o homem ideal.16-20). pois é o próprio Senhor Jesus. oriental. a quem nós devemos admirar. seguir e imitar. 16.21.6. Assim como Cristo entregou sua vida Hteralmente por sua igreja. A Bíblia denuncia o egocentrismo que se esconde por detrás da busca desenfreada por sucesso e realização neste mundo. omissos. A Bíblia alerta contra a visão materialista da vida.1-2. Contudo. edificação e direcio­ namento para a família (Pv 4. roupa. Os quatro modelos de masculinidade apre­ sentados no tópico anterior são falhos. quer de homens cruéis. Fp 2.22-23. subservientes ou déspotas. priva-o da bênção de um direcionamento firme neste mundo tão cheio de males e tenta­ ções. que é Jesus Cristo? 25 . Ser um homem moderno. o que significa priorizar os interesses dos outros ao invés dos próprios (ICo 10. Qualquer das situações é cruel pata com a mulher. 12.18. Os filhos. 4. por mais capaz que seja. Is 55.11).3-4.25. Na verdade.15. 3.13). Ainda que estas coisas sejam importantes e boas em si mesmas. teto ou conforto. 25. assim como são falhos os modelos adotados pelas mais diversas culturas humanas. E como se fosse um tipo de loucura. a existência adquire um valor mais perene quando amamos ao próximo. fica insegura ou sobrecarregada por exercer um papel duplo de cuidado e de direção. guiando e cuidando de sua família.2-3). as palavras de um pai amoroso e aberto podem ser instrumento de cura. a vida é mais que alimento. incomunicável ou simplesmente emocionaknente fechado tra2 profunda insegurança para sua família. igualmente. e é importante que a família reconheça isso (Lc 12. ISm 2. ocidental. em quem reside a “perfeita varotulidade” e que é o padrão pelo qual cada homem se deve medir (Ef 4. terão dezenas de amigos na vida. Quando a esposa não sente a firmeza do marido. CONCLUSÃO A liderança masculina precisa transcender os padrões sociais tradicionais ou contemporâneos para ser verdadeiramente cristã. sensível ou machão —nada disso é tão importante quanto ser revestido da imagem de Cristo (Cl 3. O marido deve ser cabeça de seu lar (Ef 5. E isso começa por uma reavaliação do modelo de masculinidade que tem sido propagado pelas tradições familia­ res ou pregado pela mídia de massa. pois ignora Deus e as realidades celestiais enquanto coloca no centro a si mesmo e as glórias passageiras da terra (Lc 12. ignorando o quanto depende completamente de Deus ou neghgenciando as necessidades espirituais e emocionais de sua família (SI 127. 2. que reduz as necessidades da existência meramente àquilo que o dinheiro pode comprar. e o expõe ao castigo do Senhor (Pv 22. o marido é chamado a negar a si mesmo em favor de sua esposa (Ef 5.20-21. 29.15. Nele.24. Jo 6. Fp 4.23. SI 49. mas o modelo bíblico de homem está acima de todos eles. E mais: o trabalhador de sucesso corre o risco de se iludir pensando que sustenta a si mesmo.10-11). APLICAÇÃO Dentre as imagens de masculinidade aponta­ das.29).25).faríamos? Um marido süencioso.1-10.10). Rm 12. A imagem bíblica de masculinidade é Jesus Cristo. e a família é a escola por excelência para um homem aprender esse cami­ nho de abnegação amorosa.24. mas um pai que se limita a ser amigo do filho.27.

e sabe que a família é a instituição divina que sustenta e preserva as sociedades humanas de um abismo de corrupção. que crescerão e vão demolir a sociedade. A LIDERANÇA MASCULINA TRADICIONAL EM CRISE E fácil perceber que na maioria das culturas o homem desempenha um claro papel de Hderan26 ça. mas por ora deve ficar bem claro que a base cristã para afirmar a liderança masculina não é bioló­ gica (originando-se na superioridade física) nem sociológica (relativa aos costumes dos povos). ao ponto de alguns estudiosos sugerirem que há uma crise na masculinidade. acadêmica. irão numa reação em cadeia construindo esta sociedade cancerosa que presenciamos todos os dias.3 3 LEITURA DIARIA D Gn 2 . ainda que essa liderança encontre diferentes expressões culturais no decorrer dos anos. Ele se levanta contra tudo o que glorifica a Deus. a hombridade. Na atualidade. na sua essência não está sujeita à mudança com os tempos. Logo.Começa em casa Q Pv 1. a melhor estratégia em longo prazo é ir destruindo a masculinidade.IDERANÇA MASCULINA NO LAR .2 5 .12-25 . baseada em Deus e em sua ordenação. Maus maridos devastam a vida de suas esposas. Retomaremos este assunto em seguida. sejam os maridos sobre suas esposas ou os pais sobre seus filhos. pois o homem de hoje está tão confuso acerca de seu papel que já nem sabe mais como é ser um homem. Satanás tem sido eficiente.8-19 .Autoridade sobre os filhos INTRODUÇÃO Satanás não é burro.18-25.18-21 . e acusam de retrocesso qualquer afirma­ ção da masculinidade ou referência à hderança masculina. Por isso.Autoridade para conduzir Q 1Co 11. a virilidade.Como convém ao Senhor S Ef 6. a igreja de Cristo tem a missão de estabelecer as barrica­ das que vão proteger a família destes ataques. pelo contrário. para destruir a humanidade.Liderança fraca T ITm 3. as circunstâncias mudaram drasticamente. E para isso será preciso reafirmar a masculinidade bíblica num mundo cada vez mais andrógino. Fora de casa. isto é. que crê numa con­ tinuidade evolutiva entre animais e humanos). se casarão e arruina­ rão com seus cônjuges e filhos. o homem exerceu incon­ testável dominação no lar. I. então. Assim. especialmente considerando sua capacidade física (essa linha de raciocínio biologista é fortalecida numa visão darwinista da humanidade.O homem é o cabeça S Cl 3. ambos arrasam a vida dos filhos. Os esmdiosos do comportamento humano normaknente explicam esse fato apontando a diferença física entre macho e fêmea.1 -4 .1-12 . onde apenas o homem tinha direito a uma carreira profissional.A origem S ISm 2. Ele também sabe que o marido foi instituído como a autoridade responsável diante de Deus pela família. Como os homens são em geral mais fortes que as mulhe­ res. a situação se repetia com a domi­ nação masculina na sociedade. afinal. é teológica. seriam originalmente os responsá­ veis pelo suprimento e proteção. Por isso. O cristão não deve se amoldar à mentalidade de . Outros sentenciam que o modelo tradicional com o homem como chefe da família morreu. política ou esportiva. Durante milênios.1 -9 . naturalmente assumem a postura de liderança no lar.PARTE 2 Q uem é o hom em da casa? E fé s io s 5 .

administração do lar. Como se não bastasse a amai simação. na verdade.2). que não assumem a Uderança do lar e se acomodam. práticas e idéias do passado. são manifestações da distorção pecarninosa dessa Uderança. maridos im­ pediam suas filhas e esposas de terem acesso à educação e à carreira profissional. entretanto. o ma­ léfico descendente de Caim (Gn 4. um apego aos costumes. ele não se agradou das atimdes lastimáveis de Abraão como chefe de seu lar. pelo contrário. por exemplo. como expor sua esposa ao perigo.7). um marido agredia fisicamente sua esposa e filhos e ninguém interferia. Essas não são expressões legítimas da Uderança mascuUna. nem a negligência paterna do sacerdote EU (ISm 2. por causa do chamado mascuUno a ser Uder. Tampouco foi virtuoso o favoritismo de Jacó sobre José. uma saudade das coisas como eram antigamente. Está cada vez mais comum encontrarmos maridos e pais que negUgenciam completamente seu papel determinado por Deus à frente do lar.11-15). qualquer leitor percebe que Deus não aprovou a bigamia (nem a violência) de Lameque. opressão e violência contra as esposas e filhos —e contra mulheres e indefesos em geral. Da mesma forma. ele irá na contramão do mundo para vivenciar aquilo que é a vontade do Senhor para sua vida (Rm 1. um dos mais destacados é o personagem Homer. cuidados domésticos e até sustento financeiro. em nome de ser “a cabeça do lar”. II.32. a facUidade legal e aceitação social do divórcio tem fornecido uma saída de emergência cada vez mais utilizada por maridos omissos. O cristianismo bíbUco não prega a conservação ou o retorno a nenhuma destas práticas antigas. também é falta de consideração para com a fragUidade da esposa (IPe 3. por exemplo. o prognóstico para a mascuUnidade nas próximas gerações é bastante negativo. Na sociedade cristã não foi muito diferente. ambos igualmente manchados pelo pecado. Os se­ riados e desenhos animados. O que determinou as atimdes destes homens não foi o preceito bíbUco. e até mesmo de terem opiimo própria. A figura mascuUna tem sido bombardeada constantemente. Essa imagem distorcida da mascuUnidade não corresponde de modo algum ao ideal bíbUco para homens e maridos. Maridos passivos demais. interpre­ tando o ensino cristão como mero tradicionalismo. que provocou o ódio dos demais filhos (Gn 37. mas seu caráter e sua culmra. A LIDERANÇA MASCULINA DISTORCIDA Muitas pessoas têm se equivocado. Especificamente quanto à liderança masculina. suporte emocional.3-4). precisamos compreender que nem mesmo os homens da BíbHa viveram plenamente conforme a Bíbüa. por que teve medo de Faraó (Gn 12. que fogem covardemente da responsabüidade de lutar pela famíUa diante das difi­ culdades da vida. que vai forçosamente assumindo todos os encargos da famíUa sobre seus ombros: edu­ cação dos filhos.19-24). Hoje em dia.22-25). Ou ainda. aceitar o adultério com Hagar. Para responderm os a isso. cobrava-se a virgjndade da noiva enquanto ao noivo se permitia uma vida de promiscuidade — inclusive depois de casado. ainda que consentido pela sua esposa amargurada pela esterilidade. em nome do ensino bíbUco da pureza sexual. o pai 27 . O conceito bíbUco do homem sendo a cabeça do seu lar degenerou em toda sorte de abusos. Esse comodismo não só é desobediência à ordenação de Deus para o casamento.sua época nem buscat a aprovação da sociedade sem Deus. 12. às vezes com a desculpa de que a esposa é “do­ minante” ou “tem temperamento forte”. tem popularizado a figura do “pai trapalhão”. Por outro lado.1-6). foi perpe- mada até mesmo sob uma justificativa cristã como quando. o homem resolveu não ter autoridade alguma. por muitas vezes. É como o movimento de um pêndulo: depois de tanto tempo abusando de sua autoridade.16). predita pelo Criador a Eva estando ainda no Jardim do Éden (Gn 3. Ou. enfrentamos o problema oposto ao de antigamente. e sua posterior omissão diante da ira vingativa de Sara (Gn 16.

Ao ensinar sobre a postura de homens e mulheres no culto público. Na igreja de Cristo o papel do marido como cabeça do lar e a instrução dos filhos na fé são considerados assunto espiritual (Ef 5. 15.4. como cuidará da igreja de Deus?” (ITm 3.5. o “metrossexual”.22). simbolizada pelo direito dele de dar nome a ela e definir o relacionamento de ambos. estúpido. Cl 3. e acrescenta que a precedência de Adão sobre Eva se estende em uma primazia mais abrangente do homem sobre a mulher. o homem deveria exercer a liderança de seu lar. e a masculinidade de alguém não dependerá destes fatores estéticos. A razão é simples. É essa linha de argumentação fundamentada na ordenação do Criador que o apóstolo Paulo utiliza nas ocasiões em que trata da relação entre os gêneros. Sua figura masculina ridícula é tremendamente destrutiva para a formação de uma imagem masculina sadia nas crianças. e quando isso não acontecia era sinal de que tal homem não tinha a maturi­ dade espitimal requerida para ser Uder na igreja. Dt 22. É evi­ dente que. Diante desse quadro. filhos que sejam “crentes que não são acusados de dissolução. Na Queda: Paulo ainda alega que o pecado entrou na humanidade quando Eva foi iludida pela serpente.28. promovendo a imagem do homem andrógino ou. E interessante observar que o apóstolo Paulo traça o perfil do Hder eclesiástico dando especial atenção à sua liderança no lar. com todo o respeito”.17.6-7. a igreja cumpre seu papel profético proclamando a hderança masculina bíbhca e demonstrando-a na prática.13-14).21-24).1. dentro da própria humanidade havia uma hierarquia ordenada: Adão foi criado primeira­ mente.3. “se alguém não sabe governar a própria casa. Po­ rém. o pai era muito mais que o mantenedor das necessidades materiais da família.20-21.8-9). III. ao mesmo tempo em que alimenta um afastamento ainda maior das ordenações do Criador.15). Entretanto.28-29. e Eva foi posta por Deus debaixo de sua autoridade. na versão mais corrente. responsável por manter a família nos princípios da aliança do Senhor e por ensinar aos filhos a viver de maneira justa (Dt 6. Pv 13.5). para Paulo. e é exatamente isso que estamos vivendo (Pv 22. entretanto. esse governo iniciou pela atividade de conhecer a fauna e cultivar a flora do jardim do Éden (Gn 1. por meio de famílias biblicamente estruturadas e saudáveis. O candi­ 28 dato a presbítero deveria ser “esposo de uma só mulher”. ele lembra que Adão foi cria­ do primeiro. a Bíblia não a fundamenta nas convenções sociais. As expressões culturais variam muito. “governar bem a própria casa”. A crise da masculinidade não ocorre espon­ taneamente.1-7). “criar os filhos sob disciplina. A moda também tem feito a sua parte. fra­ cassado e divertido da série animada Os Simpsons. é necessário destacar que o con­ ceito bíblico de homem e de liderança masculina não pode ser considerado mero reflexo da cultura patriarcal dos tempos bíbücos. de modo a expressar a posição de Deus Pai sobre Deus Fflho (ICo 11. 23. O franco crescimento da aceitação (e influência) da homossexualidade na sociedade é um resultado previsível disso tudo.4. .18-21. Tt 1. ao tomar a frente de Adão (ITm 2.2-5. mas na ordenação divina: JVtf Criação: Deus ordenou o governo da raça humana sobre a natureza. e pela responsabilidade dele perante o Senhor também por ela (Gn 2. IPe 3. As determinações quanto aos diáconos seguem a mesma linha. A LIDERANÇA MASCULINA BÍBLICA REAFIRMADA Para o povo de Israel.de família negligente.12. jamais uma cultura procurou de­ molir as distinções entre os gêneros masculino e fenoiriino propositadamente. nem são insubordinados”. Quando fala a respeito da liderança masculina. preguiçoso. Já é comum que homens façam as unhas e a sobrancelha e que se depüem. 2. o lar hebreu reconhecia o papel do pai como chefe da casa. sugerindo que a inversão de papéis pode trazer consequências negativas. mas dentro de um contexto mais amplo do distanciamento da sociedade dos pa­ drões divinos.6). É resultado do pecado. Hb 13.22—6.

Já vimos essas quaüdades em Uçôes anteriores. enxerga neles o seu melhor potencial e alegra-se com seu crescimen­ to e sucesso (ICo 13. ninguém conhece o marido tão bem quanto sua esposa. um pai visa ao benefício que a correção trará sobre a vida do próprio filho (Ef 6.14).26). Hb 12. mais do que em qualquer outro lugar.25-33).3) e exercer dis­ ciplina sobre seus filhos com a autoridade “do Senhor” (Ef 6.4-7). e ninguém o observa mais atentamente que seus filhos. É somente por Cristo ser o cabeça de todo homem que um homem pode ser cabeça da mulher (ICo 11. felizes e fiéis ao padrão bíblico. Paulo se dirige aos maridos ordenandoIhes repetidamente (por quatro vezes) que amem suas esposas (Ef 5.21 e responda: Como é uma “discipHna e admoestação do Senhor”. Estude Efésios 6. salvando-a. Podemos deduzir que. Em nossos dias.7-8. na lide­ rança famfliar o amor é o “caminho sobremodo excelente” (ICo 12.Na Redenção: Especificamente quanto ao ca­ samento. O chefe de família é o maior servo de sua família. não a agride por ser o mais forte. desde a criação de Adão e Eva. alimentando e cuidando dela. com autoridade. É amando sua famflia que o homem melhor imita a liderança amorosa de Cristo por sua igreja. A autoridade no lar. unicamente a fim de vê-la bem materialmente. ofertando a ela sua força e habilidades. bem como seu tempo e atenção. 2Co 12. APLICAÇÃO Talvez vocês conheçam alguns exemplos daquela Hderança mascuHna antiga em . a posição de Cristo em relação à sua igreja (Ef 5. no sentido de que toda liderança é subordinada a Deus. que não “provoca à ira”.31).31). CONCLUSÃO Os abusos de autoridade que caracterizaram historicamente a Hderança masculina nada têm que ver com a liderança amorosa e autossacrificial que a Palavra de Deus ordena aos homens.4 e Colossenses 3. santificando. dispostos a exercer uma liderança cristã sobre sua famflia com autoridade e amor. entregandose por ela. à semelhança do uso dos dons na igreja.1-3. pois ser líder signifi­ ca servir (Lc 22. O amor purifica a liderança masculina do egoísmo que lhe é natural.9-10). O homem amoroso não trata com soberba sua família por ser o provedor. aperfeiço­ ando. afinal. quer ela se manifeste de maneira hostil ou negligente. Relo exemplo: chefes de família que ensinam e cobram o que eles mesmos não praticam estão fadados ao fracasso e perda do respeito.2-4).suas famílias. Ela também descreve o modo pelo qual essa liderança deve ser exercida. Até mesmo quando disciplina. espe­ cialmente se a famflia percebe uma motivação hipócrita (Mt 23. e tampouco o tem a negligência pouco masculina tão comum na contemporaneidade. Discutam em ciasse como o modelo bíbUco corrige algumas características tidas como normais naquela época. um dos luzeiros mais efi­ cazes que a igreja de Cristo pode colocar diante do mundo para testemunho do evangelho são famílias firmes. E isso começa com homens cristãos maduros. não “irrita” nem “desanima” os filhos? 29 . purificando. Como servo: a liderança masculina não significa que o homem está em posição de superioridade sobre a mulher e as crianças. emocionalmente e espiritualmente (ITs 2. é legitimada pelo exemplo de vida coerente. ele se desgasta em benefício da esposa e filhos. Porém a Escritura não apenas afirma a Hderança masculina. Uma quarta qualidade da liderança masculina no lar precisa ser acrescentada a estes três: o amor. mas vale a pena aplicá-las agora à liderança do lar.23-24. Com autoridade: a autoridade humana é sempre secundária.4). não desiste dela (por omissão ou abandono) quando os relacionamentos são difíceis —pelo contrário. a primazia do marido sobre a esposa reflete. como servo e pelo exemplo. Muito se fala da falta de disciplina das crian­ ças modernas.

1). basta uma caminhada até o supermercado e um cartão de crédito. Até mesmo entre mulheres cristãs é comum ouvir um discurso segundo o mundo e não conforme a Palavra de Deus: “Não quero depender de marido. Mas o maior problema é que. ela continua sendo a cuidadora principal do lar.24.^ r ^ M U L H E R E A LIDERANÇA MASCULINA Su bm issão sem inferioridade 1T im ó te o 2 . “Esse negócio de submissão não funciona hoje em dia”. A CRISE DA FEMINILIDADE A industrialização e informatização dos pro­ cessos nas mais diversas áreas do labor humano tornaram as tarefas muito menos dependentes da força física. mas eu sou o pescoço e o dirijo para onde eu quero”.9 -1 5 LEITURA DIARIA D Ef 5. .33 . cultivava a terra e guerreava.23-31 .O trabalho do Senhor na família S 1Co 11. as decisões da administração familiar. conforme aprendeu a valorizar uma feminilidade inde­ pendente e autossuficiente. Para conseguir alimento. propiciando que a mulher recebesse oportunidades no mercado de trabalho e galgasse posições cada vez mais destacadas —chegando até a presidência da república como é o caso de 30 vários países do mundo. “submeter-se”. por exemplo. Outros fatores. minha prioridade é a carreira profissional”.32-37 . Mas será que isso significa que homens e mulheres são iguais? Será que a liderança masculina é coisa do passado? I. a mulher moderna simplesmente rejeitou o modelo de feminilidade bíblica. Ser submisso significa “colocar-se debaixo”. vícios asso­ ciados à busca de autoestima e do alívio para o estresse e ansiedade (e igualmente associados ao câncer de mama e útero). dada à mulher pelos apóstolos Paulo e Pedro (Ef 5.O adorno da submissão Q Pv 31. A ORDEM DE SE SUBMETER Para corrigir esta situação. “Lá em casa ele é a cabeça. restou à mulher ficar em casa. Não é a toa que as pesquisas apontam o crescimento do número de mulheres fumantes e alcoólatras. é fundamental termos uma compreensão bíblica do significado da ordem de ser submissa (^ego.A glória do homem INTRODUÇÃO Historicamente.A insubmissão é vergonhosa T IP e 3 . Tt 2. tenho meu próprio dinhei­ ro”. Para conseguir proteção. Como esposa e mãe.Submissão e respeito S 1Co 14. IPe 3.10-22 . cuidando da prole enquanto o homem caçava. Com o progresso da civilização. muitas destas funções simplesmente desapareceram. então.22-24. o homem tem desempe­ nhado o papel de líder na família e sociedade na maioria absoluta das culturas. contratar um segurança ou um bom advogado —e também para tudo isso.1-6. nem mdo são flores. lypotassà). E lógico que para nada disso faz diferença se você é homem ou mulher. Por séculos. um cartão de crédito. ao invés de guerrear basta fazer um seguro. na maioria absoluta dos casos.1-5 .Aprovada pela família S SI 127. pescava. a mulher acumula o cuidado da casa e dos filhos com um desempenho profissional digno de um homem e. Cl 3. como a regularização e vulgarização do divórcio e a popularização dos métodos contraceptivos concederam um grau de autonomia em relação aos homens nunca antes experimentado pelas mulheres. isso significa que.5-15 . II.22. em alguns casos. “Não pretendo ter filhos.18.Trabalhadora virtuosa Q Pv 31. Porém.5.

às vezes.1) é bastante específica em dois pontos: A submissão é espontânea: em nenhum texto bíblico há uma ordem ao homem para que sub­ jugue a mulher.20. Obviamente. é sempre a mulher o agente do verbo que se coloca sob a direção masculina. 24. todavia.22). a submissão da esposa para com seu marido é fundamental para que o casamento consiga alcançar o exaltado propósito divino para o casamento.9 e Cl 3. de sujeitar-se uns aos outros no te­ mor de Cristo (Ef 5.28-29. após o casamento.29. pelo simples fato de que Jesus foi submisso a seus pais em seus dias na terra (Lc 2. enquanto solteira a mulher deve submissão aos seus pais (especialmente ao seu pai. disciplinar as crianças ou compartilhar os problemas da esposa no ambiente de trabalho. Em contrapartida.51) e também se sujeitará ao seu Pai celestial no fim dos tempos (ICo 15. obedecer e respeitar o homem com quem decidisse se casar. Em Efésios.7). uma razão pela qual maridos não Kderam suas esposas é que isso requer envol­ vimento físico e emocional. respectivamente (Ef 6. Porém. Acima de tudo. tendo o cuidado de não irar nem desanimar e que os senhores comandem sem ameaçar. que os pais discipli­ nem aos seus filhos. Paulo propositadamente usa outro verbo. Ao concluir a exortação ao casal. o marido só tem o direito de liderar se for “digno” de fazê-lo. não por suas qualidades. com justiça e equidade (Ef 5. mas pela posição que a aliança que firmaram diante de Deus o colocou.18. Não assumem o papel fundamental de cuidadores da esposa (Ef 5. devemos notar que a Bíblia ordena a submissão cristã num contexto mais amplo.22.1. isso não significa que a submissão é opcional.28). homens não deveriam se considerar prontos para o casamento a menos que demonstrassem maturidade espiri­ tual suficiente para se disporem a liderar.“sujeitar-se”. é preciso observar que a ordem bíblica às mu­ lheres (Ef 5. Pelo contrário. Gn 5. a submissão não pode ser considerada algo meramente negativo. estes textos sugerem que obediência é uma forma de sujeição. IPe 3. “reve­ renciar”). IPe 3. De fato. exatamente como o homem solteiro. por isso não devem se sujeitar a qualquer homem. “temer”. indicando que ser submissa significa ser reverente e respeitosa com a autoridade do marido. Cl 3. mas “ao seu próprio marido”. Uma mulher não deveria se considerar pronta para o casamento enquanto não demonstrasse maturidade espiritual o bastante para se dispor a honrar.21. liderança de servo): que os maridos sejam cabeça amando. 4. amar e se entregar pela sua escolhida (Ef 5. Em primeiro lugar. e alguns homens simplesmente são preguiçosos demais e se aco­ modam —literalmente—no sofá diante do futebol (ou da rede social) e fazem de mdo para não ser incomodados com a necessidade de organizar as contas. a mulher é a primeira aplicação do princípio geral.21).1). Mas. O problema não está no seu sig­ nificado. 6. se ele 31 . verbal ou psicológica contra a mulher pode ser justificada pela submissão bíblica.4 e Cl 3. o problema está no conceito de “liderança meritória”.22-24) e manifestar conjuntamente a própria imagem do Deus trino (ICo 11. “como a igreja” e “em tudo”. Nenhuma violência física. ou seja.4. pelo contrário. depre­ ciativo ou indigno. deve ser “como ao Senhor”. bem podemos considerar que as injunções dirigidas aos que estão na liderança também são formas de sujeição (isto é. A submissão é ao próprio marido: as mulheres não são inferiores aos homens.3. mas no entendimento de como essa submissão se dá na prática e especialmente na rejeição moderna de qualquer implicação de in­ ferioridade e humilhação feminina que pareça ter. respeitar (grego: phobéo.28-29). ela precisará devotar seu maior respeito ao seu marido.25. espelhar o relacionamento entre a igreja e o Salvador (Ef 5. como cabeça do lar). Na verdade. Por outro lado. direcionado a todos os crentes. afinal.1-2). entregando-se e cuidando. SUBMISSÃO NO LAR Quanto à submissão no casamento. as aplicações paralelas seguintes aos filhos e servos de que obedeçam aos pais e senhores. 111.

Submeter-se “como ao Senhor”. Pv 22. Afinal. a imagem da “mulher virmosa”. mesmo durante algum tempo.24). E uma mentalidade contrária ao evangelho da graça (Cl 3. Além disso. é que a nova geração tem sido criada fora da “disciplina do Senhor” por avós cansados. Cada pessoa tem sua personalidade. isso é muito perigoso para o relacionamento marital (ICo 7. Está claro que isso não é uma regra. o resultado de sua lida é que seu marido é honrado pelos de fora e ela é honrada pela sua família (Pv 31. Um último alerta: é preciso valorizar o papel da dona de casa. contando com a ajuda do marido para dividir o trabalho de casa. simplesmente. buscando obedecer ao mandamento do Senhor para o casal (Fp 2. pintada por Salomão. isso não impede a liderança mascu­ lina. Se Deus lhe conceder sucesso profissional maior do que ao marido. negócios e investimentos (Pv 31. e não Mammon (Mt 6. representa a vida no caminho da justiça. O resultado. As meninas aprendem desde cedo que o mundo admira a mulher independente e autorreaüzada e que cuidar da casa é um tipo de prisão amarga. ou o homem a uma liderança amarga ou negligência.peca contra a esposa (fitando numa discussão. a Palavra de Deus ordena que a criação dos filhos receba a prioridade de tempo e energia.13-14.18). Há casais com jornadas de trabalho tão exaustivas que. Ela administra as necessidades domésticas (Pv 31. o ideal seria que a mulher planejas­ se sua carreira de modo que pudesse sair do mercado de trabalho para se dedicar à criação dos filhos. Uma esposa virtuosa pode cumprir com seus deveres contratando uma profissional para cuidar das tarefas domésticas ou. muitas mulheres desgastam sua saúde física e mental com a dupla jornada de trabalho entre a profissão e a materni­ dade.5). especial­ mente quanto a ensinar-üies o caminho do Senhor (Dt 6. Entretanto. simplesmente não se encontram. e que nem sempre será possível à família abrir mão da renda da mulher.16. o marido é mais tímido. é bastante instrutiva. isso poderia ser feito parcialmente (trabalhando em casa. apoiando integralmente seu marido com seus dons. morando sob o mesmo teto.18. isto é. mas também faz trabalho manual. quem os uniu foi o Senhor. introvertido ou passivo. que pode tomar nossos filhos e torna-los cidadãos dos céus (SI 127. 29.6. enquanto a mulher é proativa. automaticamente é deposto da liderança do lar. porém. Essa figura ferninina é uma personificação da Sabedoria. então eles devem priorizar seu relacionamento em detrimento das finanças. às vezes com grande prejuízo para a família. seja na adrninistração do lar ou nas finanças.4. enquanto fica Hvre para ter uma carreira profissional e auxiliar seu marido nas conquistas materiais da família.24). Mt 18.1-5). IPe 4. por exemplo). Quando chegam os filhos.15. Isso é legaüsmo. mas o homem e a mulher cheios do Espírito buscarão negar a si mesmos e edificar um ao outro. IV. ambos precisam buscar maturidade 32 espirimal para encarar o sucesso dela como vi­ tória do casal. caso percebam que essa situação tem tentado a mulher à insubmissão e desrespeito. temporariamente (aproveitando para fazer cursos de aprimoramento) ou definitivamente (dedicando-se exclusivamente ao lar). VIDA PROFISSIONAL DA MULHER A vida profissional da mulher tem levantado algumas questões para as famílias cristãs. em muitos casos. em que somente mulheres sem maiores habilida­ des ficam em casa.20-21.21-22). Um dos obstáculos mais comuns são os temperamentos invertidos. extrovertida e dinâmica. babás .6-7. Em todos os ca­ sos. Aqui. cada qual aprendendo aquilo que lhe falta no convívio humilde com o cônjuge.15).15. Ela é uma auxiliadora no sentido mais amplo (Gn 2. procurando jornadas de trabalho menores ou horários mais flexíveis). tão menosprezado amaknente.18). Então.27). é exigir e viver pela justiça própria.23. tanto mães que trabalham fora quanto as que ficam em casa devem reconhecer sua completa dependência da graça de Deus. implica sujeitarse mesmo a uma liderança imperfeita (IPe 2.10).28­ 29).21-22.

10.11-14). isso nos sugere que.34­ 35. A mulher é responsável pelo ensino da Palavra de Deus aos seus filhos (ITm 1. Priorizando a família da aliança talvez não recebam a aprovação do mundo. sem vindicar autoridade para si.4-5. Como você tem tratado as mulheres à sua volta? 33 . não os ditames sociais. por exemplo (ICo 11. desde a escolha dos apóstolos por Jesus até a eleição de presbíteros e diáconos pela assem­ bléia (At 1. Quando mais experientes. no médio prazo. mantivessem a cabeça coberta (que naquela culmra era sinal de respeitabilidade. A igreja de Cristo deve testemunhar firmemente da importância da famflia e do desapego aos bens materiais e sucesso mundano. Paulo proibia que mulheres pregassem na igreja.13). como se sente a respeito de “ser submissa” à hderança mascuhna na famíha e na igreja? Identifique até que ponto seu pen­ samento está sendo moldado pelas Escrituras. pois o ensino bíblico a respeito do papel da mulher se opõe frontalmente à visão da nossa sociedade.2. ainda que não deva pregar pubhcamente. a mulher pode se envolver no discipulado particular de outros crentes. ao profetizar ou orar. A ordem para que. mas uma implicação da ordenação da criação. Condescender neste ponto é.3­ 5).26).11). foi responsável pelo discipulado de Apoio (At 18.sem visão espiritual e “escoHnhas” descompro­ metidas com o reino de Deus.21-23.5-6. Por isso. especialmen­ te. decidir seu cantinho em conformidade com a Palavra de Deus.28-31). a igreja de Cristo precisa reafirmar o valor. Dan Doriani demonstra como a Bíblia apresenta um minis­ tério feminino que. elas devem ser professoras de vida cristã e do lar das mulheres mais jovens (Tt 2. juntamente com seu marido.3-6). pode-se afirmar que é apropriado que as mulheres se envolvam com as obras de misericórdia da igreja. CONCLUSÃO Muitos lares e denominações têm cedido aos ventos feministas igualitários que procuram abolir as diferenças entre os sexos e. dar um testemunho no culto ou compartilhar sobre o último sermão em um grupo de estudos. certamente podem conduzir esmdos bíblicos para outras mulheres na igreja. significado e força de ser “auxihadora” e “submissa”. semear destruição nas famílias e igrejas. Se você é homem. levar a mulher à posição de liderança que o Criador não planejou para ela. trabalha para a edificação do corpo de Cristo. pois isso as faria líderes espitimais sobre os ho­ mens. Essa hierarquia não era apenas uma adapta­ ção do sistema da sinagoga. ITm 2. para que as mulheres cristãs possam. e ainda. juntamente com seu esposo. pense em como a visão bíbhca sobre as mulheres requer que sejam tra­ tadas com carinho. é conveniente que participem na igreja como professoras e coordenadoras do ensino bíbhco para crianças e adolescentes. Ainda que seja difícil precisar se as mulheres a quem Paulo se refere ao falar dos diáconos eram suas esposas ou suas auxiliares (ITm 3. 6. Entretanto. 3. indicando que não havia insubordinação contra a hderança masculina na igreja ou em casa) aponta que elas podem trazer edificação à igreja em geral orar pubHcamente. É notável como a chefia do lar era um dos critérios mais importantes para a escolha de um oficial da igreja (ITm 3.5. mas serão louvadas e abençoadas por sua família publicamente (Pv 31. APLICAÇÃO Se. apreciação e respeito. MINISTÉRIO FEMININO A Escritura deixa claro que a liderança da igreja cristã é exercida exclusivamente por ho­ mens.12). V.você é mulher. o que seria corrosivo para a liderança nos lares e ofensivo ao papel que o Criador conferiu a cada gênero desde antes da Queda (1 Co 14. Priscila.15). que por sua vez ecoa na autoridade masculina no lar e também na igreja. isso não significa que a mulher não possa ser atuante na igreja.

muito da nossa identida­ de social.28. isso 34 inclui o trabalho. No relato da criação. O TRABALHO NA PERSPECTIVA CRISTÃ O cristianismo não pretende ser uma religião de final de semana. Em ou­ tras palavras. o Filho de Deus assumiu.9 LEITURA DIARIA D Gn 2.6-11 .1-2.6­ 11.1-6 .5 . mas da semana toda. Quando isso acontece. como era o cosmme daquela sociedade.34-35.1 . È muito apropriado que um cristão almeje uma promoção ou mudança de emprego para um cargo de supervisão ou gerência.13-15). Também somos ordenados a trabalhar para que nosso trabalho seja útil a nós mesmos e ao nosso próximo (At 20. a fé cristã tem muito a dizer acerca de todas as áreas da existência. pois sem sua confirmação e bênção nenhum resultado obteríamos. Deus fez flores lindíssimas. uma das pri­ meiras perguntas que fazemos é “O que você faz?”. Ec 10. grande parte da nossa existência é dedicada ao trabalho.28. Assim como qualquer atividade humana que exija cooperação.Patrões exploradores Q Dt 24.Trabalho braçal e intelectual S Pv 6.Lembrem sua escravidão S Mt 2 0 . Ao se encarnar.8). Por isso.2.l-27.5-15) e a Lei de Moisés o põe como modelo a ser seguido em seu trabalho (Êx 20. a preguiça é condenada como um tipo de ataque à ordem criacional e social (Pv 6.15.18-20). 128. preparando-nos para a vida adulta e a inserção profissional até a rotina profissional dia após dia. o ser humano foi feito para trabalhar. Nisso estão glorificando a Deus.18. 2Ts 3. I. mas um florista ou paisagista podem elevar a sua beleza a um novo patamar por meio de arranjos e jardins que tiram o fôlego. . 2Ts 3. Primeiramente.5-15 .15.Promoção perigosa Q Tg 5. Dele depende o resultado do nosso esforço e planos.14-22 . 2. Ec 5. não somente daquelas consideradas “religiosas”. porque o Deus da Bíblia é um Deus que trabalha. É importante destacar o ensino bíblico de que é Deus quem concede o fruto do trabalho de nossas mãos (SI 127.10-11). como pensam alguns (Gn 1. a profissão manual de seu pai. além do nosso sustento. ou até mesmo tornar-se um empreendedor. a atividade produtiva a que cada um se dedica.O s males da preguiça T C n 39. ele se torna um líder entre seus colegas de trabalho. que criou a flor e lhes deu sua criatividade e engenho. e a exerceu até que saísse de casa para cumprir seu ministério (Mc 6.2. Desde a época em que ainda somos esmdantes. A beleza do trabalho humano é que Deus o planejou e ordenou para ser um instrumento de desenvolvimento do potencial embutido por Deus na sua criação. esse pensamento deve nos levar a uma humilde dependência de Deus enquanto trabalhamos (Tg 4. são horas e horas voltadas para o trabalho. Segundo a Bíblia. o trabalho requer líderes e liderados.19).3). Esse foi o des^nio original do Cria­ dor. o Criador é retratado tanto como um artesão quanto como um jardineiro (Gn l.O administrador fiel INTRODUÇÃO Quando conhecemos alguém. Ef 4. E por meio do trabalho que conseguimos.10-12).Trabalho e graça S Lc 12.42-48 .1 -6 .1 6 . ou seja. não foi apenas uma maldição resultante da Queda. Por isso mesmo. 19.^ ^ ID E R A N Ç A NO TRABALHO C om o ser patrão sem deixar de ser servo E f é s io s 6 .

Tiago. caso surgisse uma oportunidade para isso (ICo 7. sucesso e prosperidade conseguidos à custa de trabalha­ dores oprimidos e injustiçados. por meio de seus esforços. para o cristão. o trabalho. isto é. por seu ímpeto de destacar-se naquilo que fazia (Dn 6. A Escrimra também fala acerca do descanso do trabalhador.27). II. que é instado pela Escrimra a cumprir seu dever com zelo e dedicação. O apóstolo Paulo exorta aos crentes que tinham escravos a que se lembrassem de que havia um Senhor acima deles mesmos. portanto. longe de ser um mal necessário. declara que o escravo cristão tinha todo o direito de se tornar Hvre. 35 . e os lembra de que era a esse Senhor que teriam de prestar contas (Ef 6. A LIDERANÇA PROFISSIONAL NA BÍBLIA Essa perspectiva elevada do trabalho torna ainda mais importante saber como um cristão deve assurnir uma posição de liderança profis­ sional. mais uma vez. ele foi promovido a mordomo da casa do comandante. e provê para nossas necessidades espirimais (Mc 2. José passou a trabalhar para Potifar. Além disso. podemos olhar para o resultado do nosso trabalho como se fosse mérito exclusivamente nosso.2). Ordenando descansar um dia a cada sete. o pró­ prio Faraó ficou tão admirado com a sabedoria de José que o colocou como adrniriistrador de todo o Egito e ele. que não se deixava levar pela posição socioeconômica. Ez 20. condena a riqueza.20-21). como atestam a vida de servos de Deus do passado.12. Em ambos os casos. é fato que podemos usar os talentos que graciosamente recebemos para nossa própria soberba.4). Deus deixou claro que o trabalho não pode ser a raxão de nossa existência (Êx 23. e tem a opormnidade de se alegrar com a obra de suas mãos com gratidão. é comum que se abram oportunidades que os negligentes e preguiçosos dificilmente alcançam ou sequer almejam para si (Pv 17. oficial da guarda de Faraó. distorcem sua essência.5-9).13. não seu próprio trabalho (Is 58. que tanto exorta os cren­ tes ao contentamento com aquilo que o Senhor üies concede.1-3). isto é. O apóstolo Paulo. Para o cristão.11-13. O desejo de ser bem sucedido naquilo que se faz é uma decorrência natural do que vimos sobre a importância do trabalho para a humani­ dade. Posteriormente. ou ainda.13-15). administrando todos os seus bens (Gn 39.7-8). ali.14-15). igualmente.5­ 8).1-6). afirmando que o Senhor dos Exércitos está atento ao clamor deles contra seus patrões (Tg 5. Na Babilônia.Contudo. Tendo sido vendido por seus irmãos como escravo.39-44). esses servos de Deus sofreram oposição de pessoas ímpias que procuraram derrubá-los de alguma maneira. Essas atimdes são corrupções do obje­ tivo primário de Deus para o nosso trabalho e. conforme Jesus explicou. Dt 24.16). o dia semanal de descanso concedido por Deus ao ho­ mem respeita nossas limitações físicas e mentais. o hebreu Daniel foi promovido a um dos três presidentes do reiuado de Dario por seu “espírito excelente”. A Bíblia censura com firmeza a explora­ ção de empregados.13-14. Dt 5. a Lei Mosaica condenava o patrão que retinha o pagamento do dia de trabalho até a manhã se­ guinte. Quando o cristão descansa. colocando-o lado a lado com o opressor e o ladrão (Lv 19. Numa época em que era comum contratar jomaleiros. Essa é uma simação desafiadora. graças ao seu bom desempenho. foi o Senhor Deus quem o elevou à posição que ocupa (Gn 45. ele deve procu­ rar exercer essa liderança segundo a Palavra de Deus. e que podemos desempenhar nossas funções sem o naíriimo interesse pelo bem do outro e sem nenhuma percepção de serviço. lavradores que recebiam pela jornada diária de trabalho. Cabe ao fiel reconhecer que. desempenhou com eficiência sua função (Gn 41. demonstrava sua convicção de que é o Senhor quem o sus­ tenta. Quando o cristão assume uma posição de líder no ambiente profissional. sendo um aspecto da sua vida espirimal e da sua adoração e obediência a Deus. como se estivesse fazendo para o Senhor Jesus (Ef 6. é uma fonte de bênçãos ma­ teriais e espirituais. Por esta razão.

condizentes com o mercado ou com o desempenho dos funcionários. Portanto. sua forma de tratamento para com os funcionários da empresa precisa ser moldada pelo ensino da Palavra de Deus. conforme as expectativas e direitos do trabalha­ dor aumentaram. Um exemplo prático ajudará a perceber as questões envolvidas. ele deve corajosamente propor que os salários sejam mais justos. é preciso destacar duas verdades: 1) A maioria dos indivíduos desfruta do síaím de Uder e de liderado simultaneamente. III. garantir que recebam todos os seus direitos trabalhistas (Jó 31. mesmo antes da nova legisla­ ção trabalhista que recentemente ampliou seus direitos. Mas outros lugares apresentam diferentes graus de relação profissional: O funcionário pode ter dois ajudantes a quem lidera e por sua vez 36 obedecer a um supervisor que tem um gerente ainda acima dele. LIDERANÇA PROFISSIONAL NA PRÁTICA Em nossos dias. na ver­ dade. dependendo do tamanho da estrutura do ambiente profissional. as injunções bíblicas sobre lideran­ ça profissional precisam ser adaptadas em cada caso com cuidado. meros representantes da liderança maior. e.7-8). Por outro lado. Como ilustração: um cristão deveria tratar sua empregada doméstica com toda a dignidade. como Paulo roga a Füemom que assim proceda para com Onésimo. mas por estar sob um padrão de justiça muito mais elevado que a legislação brasileira. Nesses casos. Atualmente. Na verdade. sendo. se ele resolver agir com misericórdia.1). as aplicações dos princípios que vimos são mais claros. e sobre todos. por não depositar o fundo de garantia devido. a proibição de “ficar com a paga do jornaleiro” tem seu alcance multiplicado. com justiça e equidade (Cl 4. haverá casos em que seja apropriado ordenar uma transferência de setor. etc. Porém. como a obrigação do patrão de tratar os empregados com respeito. Se ele tratar o mau empregado com indulgência à custa da empresa não estará sendo justo com quem o contratou para gerenciar. o escravo fujão (Fm 15-18). 2) A maioria dos líderes lidera unicamente por delegação. terá plena autoridade para fazê-lo também. existem lugares em que há um Kder e um ou mais liderados. e muitas vezes ao sucesso. alguém pode estar sujeito a autoridade en­ quanto exerce autoridade sobre outros (Lc 7. com respeito e gentileza. não apenas pelo temor das penaüdades da lei. Ele pode não ter autonomia para dar um aumento salarial para um funcionário que ele con­ sidere estar recebendo uma remuneração injusta. Imaginemos um gerente de lojas que seja cristão. e ele não responde por ela. pagar-üies salários justos e sem atrasos. o dono da oficina terá uma perspectiva clara acerca do que se requer dele e do quanto está prejudicando a equipe e a empresa. os esforços para ser um Hder segundo o coração de Deus de um modo geral levam à excelência. dependendo de com quem se estabelece a relação. Entretanto. sua hderança é limitada às suas atribuições dentro da hierarquia da empresa. não conceder as férias no tempo correto.deveríam tratar seus servos sem ameaças. não pagar horas-extras trabalhadas. pode se expressar por não registrar empregados. formando uma complexa hierarquia. Nesse segundo ca so. Ou seja. sem ferir sua própria condição de liderado do escalão de cima. o gerente não deve negligenciar seu papel para com ela em nome da fé —assim como um policial cris­ tão não deixa o crirninoso fugir por misericórdia.13). Isso acontece porque os princípios do reino de . caso tenha a oportunidade de con­ tribuir com a poKtica salarial da companhia. discernindo até onde podem ser aplicadas diretamente por um indivíduo que se encontra nessa rede de comando. Mesmo quando tiver de punir um funcionário que falta com seus deveres. a relação entre Kder e liderados no trabalho se dá em vários níveis so­ brepostos. está a liderança do dono da empresa. Assim. por exemplo. Se um fun­ cionário não cumpre seus deveres. e. como o dono da oficina mecânica e seus três ajudantes. uma advertência ou até a demissão. como o centurião testemunhou a Jesus. ou fica aquém das expectativas e necessidades da empresa.

A importância do trabalho em nossa existência nos leva a refletir no quanto essa área precisa estar sujeita à vontade de Deus. seja como empresários ou como administradores da empresa de outrem. Quando obtemos uma posição de liderança profissional. Obviamente. para o cristão. abrir mão de um bom emprego ou da segurança de uma carreira para recomeçar em outro lugar. pois nosso verdadeiro “patrão” não deixa de recompensar seus servos (Cl 3. Quando for assim. CONCLUSÃO Passamos uma parte razoável da nossa vida em função da nossa carreira profissional. “antes importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.31.25). esses princípios descartam funções que tenham como objetivo prejudicar pessoas. bem como aquelas que infringem ou levam outros a infringir as leis de Deus.23). necessário para a sobrevivência ou como uma oportunidade de servir a Deus e ao próximo? Você tem subordinados no seu emprego? Qual a imagem que eles têm de você? Consi­ derando seu testemunho ah. Entretanto. Afinal.29). APLICAÇÃO Como é a sua perspectiva acerca do trabalho? Você o vê mais como um mal. Deus nos criou assim. não precisamos temer. mas não propõem qualquer mudança receando ser acusados de misturar profissão com religião. Nessas circunstâncias. Muitos profissionais cristãos percebem claramente o quanto os sistemas empresariais em que trabalham são ímpios. Cl 3. somos feitos à imagem de um Deus trabalhador.5-6). mesmo quando parecem lou­ cura aos olhos do mundo (ICo 1. essas duas áreas jamais se separam (ICo 10. o cristão não poderá apaziguar sua consciência com a justificativa de que “está ape­ nas cumprindo ordens”. tanto quanto outras áreas consideradas mais “espirituais”. deve­ mos colocar em prática os princípios bíblicos de liderança gentil e justa —pelo menos naquilo que está ao alcance da nossa esfera de amação.24). o que muitas vezes pode implicar em perder uma promoção.Deus são sábios. e porque Deus tem o propósito de que seu povo exponha a sabedoria dele como testemunho diante do mundo (Dt 4. quem sabe “de baixo”. eles aceitariam de boa vontade um convite para visitar a “igreja do chefe”? 37 .

1­ 6). seja familiar.26-32 . Abraham Lincoln. A OMISSÃO O primeiro líder da história foi Adão. religiosa ou secular. Omissão é diferente de prudência. incluindo o domínio da fauna e da flora e.1 3 LEITURA DIARIA D Gn 16. Adão recebeu uma 38 auxfliadora.O s limites do rei Q At 4. Posteriormente. por meio dela. um dos mais célebres presidentes da história dos Estados Unidos. o cultivo do jardim do Éden (Gn 1. Sarai.Restrições da autoridade S 1Rs 12. mesmo sabendo que não se harmonizavam com os planos de Deus (Gn 16. I.6. Eva foi assediada pela serpente. Então. a hderança realmente traz algumas armadilhas para quem a exerce.Centralizar o poder não é bom INTRODUÇÃO Certa vez. hmitou-se a con­ sentir com os planos da esposa. indicando sua liderança inclusive sobre sua esposa (Gn 2. vamos utilizar a biografia de personali­ dades bíblicas para avaliar algumas destas ciladas da hderança. o hder secretamente deseja que outra pessoa possa ser responsabilizada. 24.14-29 .13-27 . ganhar mais perspec­ tiva ou verificar se o problema tem uma solução ainda não observada pode ser sinal de sabedoria e prudência (Pv 18. Sarai a humilhou. uma decisão sempre implica responsabilidade pelas suas consequências —quer sejam boas ou más. sua esposa. quando grandes dificuldades sobrevêm ou quando há uma tremenda dúvida sobre qual ca­ minho se deve tomar é tentador “deixar o barco correr”.1-6). Para isso. Sua omissão custou muito caro.14-20 . todo líder será tentado pela omissão. Em algum momento.S ARMADILHAS DA LIDERANÇA C u id ado : pecad o res liderando! L u c a s 4 . sem jamais esconder suas falhas e lutas. afinal. mas para conhecer de verdade o caráter de alguém. mas alertar contra alguns dos mais comuns. Abrão também foi culpado de omissão. Quando se omite.28. tomou do fruto e o deu ao seu marido. Não pretendemos aqui esgotar esses riscos. entretanto. É claro que em qualquer área da existência humana encontraremos tentações. 2.Predileções perigosas Q Dt 17. ofereceu sua escrava egípcia para. tendo sido desprezada pela escrava grávida. cria­ do com a missão de adrninistrar a criação de Deus. A Bíblia traz diversos personagens em posição de liderança. Um líder simplesmente não tem o direito de .1 . lhe dar um fiüio. dificuldades e perigos. caso o resultado seja negativo. e todo líder precisa estar atento ao risco de ser apanhado nelas. não pela esperança de tomar uma decisão mais acertada. a qual ele nomeou.13. É tentador porque é o caminho mais confortável.18­ 24). Especiaknente nos momentos de crise.1 -9 . Abrão. Lc 14. especificamente. Entretanto.A omissão no comando da família S Gn 11.15).As consequências da soberba T Gn 37.28-32). porque é motivada pelo medo das imphcações da decisão. Essa liderança deveria ser espirituaL já que foi Adão quem recebeu a proibição contra o fruto do conhecimento do bem e do mal e era assim considerado responsável diante de Deus por si mesmo e por Eva.1 -11 . Entretanto. disse que a maioria das pessoas pode suportar as adversidades.Tudo para agradar o povo S Êx 18. basta lhe dar poder. Protelar uma tomada de posição a fim de aguardar mais informações.1 -16 . e não vemos Adão tendo se manifestado em momento algum (Gn 3.

padeceu por causa da inveja que sua posição destacada provocou. animosidade e delação (Gn 37. por causa da graça comum do Criador. ela maculará cada atitude na liderança. O PARTIDARISMO Isaque tinha dois filhos. ferramentas e música. A INVEJA Moisés. mas ainda assim. Ter pessoas para executar suas ordens. II. E poucas coisas têm o poder de divisão como as predileções pessoais de um Hder.1-2.3-11). sobretudo se essa liderança é hem suce­ dida.12). juntamente com Arão.3) na direção de um alvo comum. sugerindo um desejo de fama. Porém. depois de algum tempo. Sua esposa ajudou ao caçula en­ ganar o velho pai para conseguir a bênção devida ao primogênito. a lideran­ ça verdadeira exige uma atitude de servo (lição 3). A proeminência que naturalmente acompa­ nha a liderança muitas vezes provoca ciúme e inveja. IV. como já vimos. ou uma rivalidade negativa.6-10. trazendo grandes prejuízos. o que normalmente provoca uma competitividade saudável e produ­ tiva. gerando um ambiente familiar de ciúme. uma vez que o Kder se deixa dominar pela soherha. Miriã. sua irmã. Já no início de seu chamado. Há pessoas que usam sua inveja de outros como motivação para alcançar o mesmo status daqueles a quem cobiçam. assim como aqueles homens que se uniram para construir a torre de Babel (Gn 11. O Mder sábio procura conduzir seus liderados sem partidarismo (Fp 2. caso reflita a busca por excelência.5). depois de velho. de perpetuação por esforço próprio. os servos do rei filisteu entulharam os poços de Isaque por inveja da riqueza do hebreu (Gn 26. podendo chegar ao boicote. Jacó. José. Quando isso ocorre.1-4). mas sua preferência pelo mais velho causou todo tipo de transtorno em sua família. também outros líderes do povo se rebelaram contra Moisés por invejar sua liderança (Nm 12. eles ainda possuíam engenho para cultivar e dominar a terra. Assim foram os homens de sua descendência. Hder religioso e civil do povo de Israel por 40 anos. ser respeitado. Se o Uder permite que suas predileções pessoais interfiram na sua maneira de lidar com seus liderados. Os efeitos de haver na equipe um indivíduo ou grupo que recebe as melhores tarefas ou mais reconhecimento pela mesma tarefa são extremamente negativos. O prohlema é que.24-25). que pretendiam 39 . mas fizeram isso cheios de arrogância e orgulho (Gn 4. A mansidão de Moisés foi fundamental para que ele pudesse lidar com essa oposição de maneira serena. Talvez a soberba seja a armadüha mais recor­ rente em líderes. Deus designou seu irmão Arão para acompanhá-lo e ajudá-lo. Obviamente.13-17). amotinaram-se contra Moisés por ciúme de sua posição. No entanto. uma equipe dividida contra si mesma não chega a lugar algum (Mc 3.se omitir diante das situações que demandam posicionamento. Quando Isaque e Abimeleque viviam próximos. Realizar grandes coisas pode ser um objetivo correto.41-45). estimulando a excelência. Caim se tornou líder de uma cidade e deu a ela o nome de seu filho. Eles huscavam celebridade para seus nomes. o povo ficou dividido nestas ocasi­ ões. Uma equipe unida alcança objetivos maiores que a mera soma das habüidades dos indivíduos que a compõem (Ec 4. desenvolveu o mesmo tipo de relacio­ namento com seu filho mais novo. o apóstolo Paulo chega a se alegrar pela pregação do evangelho realizada por alguns invejosos.17. gera uma indignação que pode provocar um profun­ do desânimo na parte que se sente prejudicada. 16. a equipe rapidamente percebe isso como uma injustiça. E. A SOBERBA Depois de assassinar seu irmão. construir cidades. III. mas também pode ser mero reflexo de um coração desejoso de receber sobre si os holofotes.20-24). receber olhares de admi­ ração são coisas que aHmentam o seu orgulho de maneira bastante perigosa (Pv 29. não esta­ mos falando de quando o melhor desempenho é reconhecido e premiado. mas a farsa provocou divisão e briga na família (Gn 27.4).

por inveja. mas sim. não “baixam a guarda” para seus superiores nem para seus subordinados.3-4).2-3. deixouse levar pelo ódio.16-17). Nm 11.11-12. ele deve se guiar por sua visão —não de maneira irresponsável. especialmente em estruturas muito hierarquizadas.7-16). Seu isolamento provoca o afastamento dos demais. A busca por popularidade também atrai uma espécie bastante comum: os bajuladores. 27. Seu povo era extremamente lamentador. suas atimdes são fruto da opinião de ter­ ceiros. Apesar de sua conversa agradável. Porém. reclamava de sua liderança (Ex 14. temendo a inveja. construiu ídolos e estabeleceu um sacerdócio paralelo dentro de seu território (IRs 12. a inveja nunca é positiva. Fp 1. Sempre haverá o risco de que alguém faça mau proveito disso. não se abrem com colegas.9. em razão do templo estar localizado entre as tribos do sul.13-18. eles não são confiáveis (Pv 5. quando de­ sejou uma mulher que observara do terraço da .8-12. Um Kder consciente de seus deveres sabe que muitas vezes terá de tomar medidas impopulares ou tomar direções que vão contra o senso co­ mum e a opinião da maioria. complementado pelos dons de cada um.21-23). Como vimos. Na verdade. 15.30. seu sogro. de escolher líderes que divi­ dissem a população entre si em grupos menores. Noutra ocasião. o próprio Deus ordenaria a escolha de setenta anciãos. por duas vezes. todo fíder deseja estar em boa situação com seus liderados.24. pois ao menos o nome de Cristo era pregado. o que o prejudicava (Êx 18. ele deve buscar estabelecer um ambiente de transparência onde todos possam se abrir em alguma medida. pode parecer que estão apoiando o Hder. Mc 7. temendo perder o apoio da população das tribos do norte. 17. inveja e medo (ISm 18. VI. o VII.21-22).4. Conduzindo milhões de pessoas pdo deserto.26-32). entre os quais a demanda seria distribuída (N m ll. não de suas próprias convicções e visão. mas na verdade estão a serviço apenas dos seus próprios interesses (Rm 16. A questão foi solucionada a partir da sugestão de Jetro. Posteriormente. quando percebeu que Davi era mais admirado pelo povo. com­ partilhando dificuldades. Em uma equipe em que todos se reconhecem humanos. recebendo em retorno o apoio de seus liderados sem se sentir ameaçado. Entretanto. Temendo que sua popularidade estivesse caindo. Saul ofereceu sacrifícios indevidamente e desobedeceu a uma ordem direta de destruir Amaleque (ISm 13. O líder que huirtildemente 40 serve sua equipe saberá se abrir. sentimentos. ISOLAMENTO Moisés também sofreu de isolamento no poder. A liderança indiretamente passou aos liderados. semelhantemente. e a cada dificuldade na peregrinação em direção à Terra Prometida. pois mesmo se for motivadora continua sendo essencialmente amargurada e destrutiva (Pv 14. não haverá estranhamen­ to quanto ao líder também assim se demostrar. ficando Moisés apenas com os casos mais difíceis (Èx 18. não há nenhum benefício em que a equipe olhe seu fíder com maus olhos. 15.14-15). Nessas ocasiões.3-4).com isso prejudicá-lo em seu aprisionamento (Ec 4. 16. Inúmeros Mderes já experimentaram a solidão e isolamento de suas funções. ele se viu sobrecarregado com as demandas do seu povo. não compartilham dificuldades nem pedem socorro à sua própria equipe. ABSOLUTISMO Davi certamente foi o maior rei que Israel já teve. ele já abdicou da Hderança legítima. A POPULARIDADE O rei Saul foi vencido por seu anseio por ser aclamado pelo seu povo. houve ocasião em que mesmo seus irmãos o desampararam.4. Entretanto.24). Mesmo sem abrir mão da prudência. o líder pode se expor. mas por suas convicções. Afinal. quando as ações do líder são dirigidas pela aspiração de ser admirado e reconhecido.15-18).2-3. Jeroboão. Temendo a concorrência. limitações. mas no geral ocorrerá o amadu­ recimento do grupo. o V. Obviamente. e deu muitas mostras de humildade e dependência de Deus. te­ mendo dar sinais de fraqueza. idéias novas.18).

1. um hder somente poderá elevar-se acima de suas próprias limitações se buscar o fruto do Espírito Santo em sua vida. eventualmente. Quando Davi soube que ela estava grávida dele.16-18. por­ tanto. Os erros podem ocorrer das mais variadas formas. 4. mas somente podem fazê-lo com justiça sob a percepção de que têm um Senhor acima de si mesmos (Cl 3. refreando os knpulsos absolutistas que podem corromper qualquer liderança. e os sacerdotes leriam diariamente para ele o Livro da Lei. escolha uma pessoa de sua confiança que possa cobrá-lo no dia a dia para que você melhore nos quesitos em que se acha em falta. mais uma vez usou sua posição para trazer seu esposo da frente de batalha para casa. APLICAÇÃO Reveja a lista de armadilhas e faça uma autoavahação. desde a omissão. distorcendo a relação de liderança por causa de seus caprichos. 41 . A Lei Mosaica já previa os perigos do absolutismo quando. Israel se decidisse por uma monarquia. em seguida. corporativo ou eclesiástico. CONCLUSÃO A liderança é uma atividade humana e. “para que seu coração não se eleve sobre seus irmãos” (Dt 17. quando o hder age como se fosse a única autoridade sobre tudo. enviou-o a um posto perigoso com o expresso propósito de deixá-lo para morrer (2Sm 11.casa real. Davi usou a autoridade que detinha para atropelar o direito. desde uma tendência a isolar-se até um anseio por popularidade. lideres pecadores muitas vezes exercerão sua autoridade de maneira pecaminosa. mas es­ sas prerrogativas necessariamente estão restritas a determinado âmbito. Pais têm autoridade para disciplinar seus filhos e senhores de escravos têm poder para comandá-los. está sujeita a todas as vicissitudes humanas. quando o Kder não se posiciona como alguém com autori­ dade.20). mas com certeza será especiahnente sentida por quem é Hder.43). tanto de Hder quanto de liderados. Lv 25. Cada uma das tentações aqui citadas pode acometer alguém que não está na liderança. Liderança implica autoridade e poder. Seja no contexto familiar. pois contra ele não há condenação (G1 6. O propósito dessas providên­ cias era estabelecer limites definidos para o poder da realeza. mulheres nem ouro.21. até o absolutismo. Não podem exercer seu poder acima da justiça. Não podem estender sua autoridade sobre áreas da vida que não dizem respeito à relação de liderança que mantém. O rei não deveria multiplicar cavalos. Somente Deus é dono das vidas das pessoas.2-5.22-23). No ambiente no qual você exerce hderança.14-15). mandando buscá-la para que se deitasse com ele. temores e egoísmo. a fim de encobrir a gravidez e.

3-6). já que vai haver muita desavença outra feita. nem mesmo cos da envergadura de Epafrodito. Q Ec 8.A intercessão pelos líderes Esse foi o testemunho de Davi que.O destino do preguiçoso . A Palavra de demonstradas. A convicção de que todos o são. o apóstolo Paulo exorta aos Deus nos ordena a não falar mal daqueles que filipenses que sempre honrem Kderes eclesiásti­ detém autoridade (Ex 22. o ditado reconhece que não mas. pois há “aHviar o ventre”. Em outras palavras. seja pela posição que ocupa. Davi e INTRODUÇÃO “Aqui tem mais cacique do que índios” — seus homens estavam escondidos no interior de essa velha expressão significa que determinada uma caverna. apesar da chance de matar seu mais gente querendo mandar do que gente para perseguidor com o apoio de seus soldados. conteve-se (ISm 26.1-9 . Em é normal nem proveitoso que haja mais líderes ambas as oportunidades. por sua vez.5).O servo negligente cristãos honrem ao rei em função de seu cargo. Assim como nos o levava a honrá-lo também.28). Davi executar.A sabedoria da obediência com o fim de ordenar a vida social (IPe 2. ao reino de Deus e à própria igreja de FiHpos (Fp 2. novamente. trou dormindo profundamente e sem guardas. De custará caro. ensina sobre a liderança. se é necessário que haja Mderes. ainda S SI 122. coração de onde brotam os demais deveres. os liderados primeira­ chefe. pois ele dera em pensamento podemos alimentar tal atitude D 42 Pv 6. se ele o faz sem honrá-lo sua obediência mente devem honra aos seus líderes. S 1 T m 2 . aliás. Uma inversão desse tipo provavelmente preferiu conter seus homens (ISm 24. e.3 .8 LEITURA DIARIA provas de sua dedicação ao ministério. foi ferozmente per­ seguido pelo rei Saul. a Bíblia também tem Honrar os líderes é o início dos deveres dos liderados porque é uma disposição interna do instruções valiosas aos liderados.Obediência e mansidão 14.6-11 . “Honrar” fica esvaziada numa adulação hipócrita. antes de subir ao trono de Israel. HONRA Segundo a Bíblia.14-26 .17).A metáfora do corpo visto que sua autoridade é instituída por Deus. Ora. Davi chegou diante de Saul e o encon­ entre os líderes e pouquíssima concretização. o argumento de Davi foi que não se atreveria a ir contra a autoridade do que liderados.29-30). quando Saul entrou sozinho para situação está completamente invertida. Mesmo quando o funcionário obedece ao seu 1. mas nem conferida pelo Senhor ao rei. O apóstolo Pedro. vive-se uma dicotomia entre os conforme sua importância.14-30 .1 -7 . Quando não se honra aqueles que têm significa dar o devido reconhecimento a alguém autoridade. Por exemplo.C ^ O M O SER UM BOM T Ç LIDERADO O s deveres de quem tem um líd er R o m a n o s 1 2 .13­ Q 1Pe 2. usa-se a língua como válvula de escape. T 1Co 12. geraknente. Paulo refreou sua língua ao ser informado de que estava diante do sumo sacerdote.1 -5 . pelo seu histórico ou pelas qualidades pensamentos e as ações.11-12). ordenou que os S Mt 25. Em certa ocasião.18-25 .Orem pela paz que estivesse preso injustamente (At 23. precisamos estudar qual o papel Deus havia honrado Saul como rei sobre Israel daqueles que não são líderes.

Cl 3. a ordem bíblica mais recorrente dirigida aos liderados é “obedeçam” ou. Eles são pessoas integrais. “submetam-se”. IPe 2.1).5. a religião cristã pode ser “embelezada” pela conduta correta de um subordinado (Tt 2. Há ainda outro aspecto im portante na obediência do subordinado ao seu superior: o testemunho. O mesmo princípio é aplicado à obediência civü.29). praticamente como sinônimo. mesmo que seu senhor terreno não reconheça seu trabalho. Cl 3. pois desonra a liderança que. o liderado sempre vai encontrar alguma deficiência. Sem dúvida.19-20. nos corredores da igreja. a obediência e submissão cristãs se submetem à Lei de Deus. O cristão é instado a obedecer às autoridades legaknente constituídas. OBEDIÊNCIA Se cremos que Deus dá dons a algumas pes­ soas para que exerçam liderança. dificilmente crerá que sua religião é verdadeira e transformadora se suas atimdes não refletem os ensinamentos de Cristo —“a fé sem obras é morta” (Tg2. Em outras palavras. 11. que continuamente reclama de suas obrigações e tarefas. ele de consciência tranquila decidirá pela obediência à vontade revelada de Deus (At 4. podemos afirmar justamente o contrário. Hb 13. Esse tipo de atimde.9-10. e por isso mesmo recebem o mandamento de obedecer (Ef 6.18).5. Um funcionário cristão.10-11). Afinal.20). Segundo Paulo.5-7. A obediência é a quabdade principal para quem tem um líder. por sua vez. 5. Por fim. acrescentou que essa obediência é devida até mesmo a se­ nhores que não agissem com retidão para com eles (IPe 2. mas sincera.23­ 24).1. o cristão enxerga a providência so­ berana de Deus (Jo 19. III. ITm 6. cumpre um importante papel. provavelmente. após o culto.(Ec 10. Seu chefe (e. está negando com seus atos a fé que afirma ter. O apóstolo Paulo enfatizou que a obediência não deve ser apenas formal.13-14). E importante notar que. motivada exclusi­ vamente pela vigilância ou temor da punição. de coração. a submissão não pode depender de certas qualidades idealizadas nos líderes. por isso quando o cristão se encontra numa situação em que precisa escolher entre obedecer aos líderes humanos ou à Palavra de Deus. n. O apóstolo Pedro. Os incrédulos corretamente esperam que aqueles que se declaram seguidores de Jesus Cristo se­ jam pessoas reconhecidamente mansas (Mt 5. com suas personabdades. infelizmente tão comum. seus colegas também). na hora do almoço das empresas. pois mesmo em governos que sejam injustos ou mesmo que persigam o cristianismo (como era o caso no tempo dos apóstolos). Entretanto. também desonra a Deus que dispõe cada um em seu lugar com sabedoria. Afinal. a Bíblia não está diminuindo ou menosprezando os bderados. a Escritura Sagrada está reconhecendo sua individualidade e vontade própria. Liderados devem obedecer aos seus líderes. para com as autoridades governamentais. naturaknente entenderemos que nosso papel para com elas é nos colocarmos sob sua direção.22. a quem devemos submissão e impostos (Rm 13. pois isso anularia completamente a ordem de se submeter. não é conveniente a um cristão. falha ou limitação na liderança. por exemplo. em um canto da casa ou quando o pai está fora. e desonra aos próprios Merados que passam a agir como lobos disfe'çados de ovelhas.6-8. Na verdade. de maneira mais ou menos correta.26). Não são os líderes que recebem ordem de sujeitar a si seus subalternos. ao ordenar a obedi­ ência e a submissão aos líderes. que é insubordinado e rebelde. pois ao dirigir-se àqueles que devem se sujeitar aos seus líderes. ainda que sejam más.29). corre todo tipo de comentário cheio de insatisfa­ ção e maldade —obviamente. pelas costas do Mer.17). pois sem ela nenhuma relação líder-liderado é possível. o Senhor Jesus certamente faz (Ef 6. COOPERAÇÃO O ensino das Escrituras de que é o Senhor quem distribui os diferentes dons aos homens também tem como impHcação que cada um 43 . Nenhuma autoridade subsiste contra os mandamentos do Senhor.

e não abaixo dela. e que sua função é significativa para o resultado final e.16. ele é “uma pedra no sapato” do Kder. se apresentar para ul­ trapassar as expectativas.3). para ele. Ainda . e também sob autoridades rehgiosas judaicas.19).2). qualquer oportunidade de colaborar e ser útil deve ser aproveitada como uma ocasião de servir ao Senhor com os dons que ele mesmo nos entregou. Paulo conhecia como poucos a estrutura civU na qual vivia. mas elementos importantes na obra que ele tinha de executar (2Co 8. 9. em seu ambiente pro­ fissional contam com uma bênção: elas têm um patrão ou superior que também é crente. cargos na igreja. busca aprimorar suas habihdades para ter mais a oferecer.9-13. Foi isso que fez com que Paulo requeresse a presença de Marcos junto dele e foi isso que tornou a companhia de Onésimo tão valiosa para o apóstolo na prisão (2Tm 4. Por causa desta interdependência. Muitas vezes significará ir além do esperado e demonstrar “proatividade”.6-8. 6.11).1-7). (Mt 25. Fp 4.26-28). Sendo judeu e cidadão romano por direito de nascimento. Portanto. um liderado desinteressado e apático é como vinagre nos dentes e como fumaça nos olhos para quem está na liderança (Pv 10.26). Jesus não apenas viveu uma vida de oração como ensinou seus discípulos a orar com perseverança (Lc 5. O princípio da cooperação indica a qualidade mais essencial que um liderado deve apresentar à sua liderança: ser útil. portanto. IV. denotando que. ou seja.23. tetrarcas e centuriões. Quem se recusa a dar sua parcela de contribuição torna-se um peso aos demais e não deveria participar também do resultado do trabalho do grupo (2Ts 2. A cooperação floresce quando cada um reconhece positiva e humildemente que tem algo a acrescentar ao todo.10-11).2-4. numa figura mais contemporânea e da nossa cultura. Porém. Porém.11-13. INTERCESSÃO As Escrituras também falam a respeito do dever de orar pelas autoridades. resultado da disposição interna de colaborar com a hderança e com o corpo como um todo.16). sob a autoridade imperial. Mais que isso.28. inteligência. emprego. deve incentivá-los a um com­ prometimento ainda maior (ITm 6.10). exercida por meio de governadores. os dons de liderança devem ser exercidos com a íinaKdade de que todo membro possa exercer seus próprios dons de maneira cada vez mais plena. UtiHzando a figura predileta do corpo humano. em termos de formação profissional. como Herodes. 11. 18. aperfeiçoando seu desempenho (Ef 4. Não podemos nos esquecer de que ele mesmo cobrará de cada um o uso feito daquilo que ele distribuiu conforme sua vonta­ de. quanto à capacitação para a tarefa e seleção correta da equipe de tra­ balho. Afinal. Há ainda pessoas que.12. habilidades naturais. um membro não pode pres­ cindir do outro ou rejeitar sua cooperação (ICo 12. um bom liderado é aquele que conhece seu próprio potencial de maneira reahsta. mas. Paulo denominava os que o ajudavam no ministério de “cooperadores”. De todo modo.17). 44 É claro que o bom desempenho de uma equipe não pode depender exclusivamente do trabalho de seus líderes. diligên­ cia e —por que não? —com alegria (Rm 12.25). mas da soma dos es­ forços de todos. etc. ao contrário.11. Ser útil significa desempenhar o papel es­ perado com eficiência e presteza. A oração é um elemento fundamental da vida cristã.21. esmero. como os sacerdotes e o sinédrio. não eram meros ajudantes ou su­ balternos. a ponto de Paulo ordenar: “Orai sem cessar” (ITs 5.ofereça sua participação no bom funcionamento do corpo. Fm 1. além de reis-vassalos. Cooperação é. IPe 4. o apóstolo Paulo lembra que um crescimento saudável depende de todas as “juntas e hgamentos” (Cl 2.7. e busca atender às necessidades de acor­ do com sua capacidade.3. Grande parte da utilidade de um liderado de­ pende do trabalho do Uder. acima de mdo. estrutura familiar. Segundo Salomão. dons espirituais. nada disso tem qualquer serventia se acompanhado de má vontade. precisa ser feita com dedicação. isso não deve servir de desculpa para indolência.

o trabalho em grupo só é possível quando cada um faz a sua parte. As repetidas ordens de Jesus aos seus discí­ pulos de orar pelos seus perseguidores (Mt 5.1-2). famihares. apesar de suas limitações. etc. ou por isso mesmo. o apóstolo ordenou ao pastor Timóteo que ensinasse sua igreja a orar por todas as pessoas.28).. Na verdade. muitas vezes. Por isso.44. o cristão intercede pelas autoridades para que tenham sabedoria para liderar.6). entretanto. eclesiásticos.assim. quando nos dobramos diante da soberania divina em oração pelos nossos líderes terrenos. intercedendo para que hou­ vesse pa2 ali (SI 122. o fardo fica muito mais leve. APLICAÇÃO Você tem sido alguém útil para seus Kderes? Se você fica sabendo de uma decisão de seus Kderes que o desagrada. qual a probabüidade de ele pedir a você que a execute? 45 . reconhecendo que.7). quando a liderança é honrada pelos liderados e percebe que pode contar com a obediência e cooperação deles. Lc 6. qual a probabüidade de que você interceda para que Deus dê mais sabedoria a eles e para que tudo dê certo? Se seu Kder precisa de alguém para cumprir deterrninada tarefa. o salmista exortou o povo a orar por Jerusalém. conforme ele nos dá discernimento para sermos bons liderados.11). Deus imediatamente começa a trans­ formar situações difíceis e a remover barreiras entre líderes e liderados. na prática. quando Judá foi levado para o cativeiro babüônico. governador romano (fo 19. A convicção cristã de que toda autoridade terrena foi concedida e está debaixo da suprema autoridade do Senhor Deus está enraizada na atitude mansa e firme do próprio Jesus diante de PôncioPilatos. CONCLUSÃO Ser líder não é fácü. para que promovam o que é justo. pois assim desfrutariam de uma vida próspera mesmo em meio ao exílio (Jr 29. o profeta Jeremias estimulou o povo a interceder até mes­ mo pela Babilônia. Pa2 na capital do reino significava um reinado pacífico e justo para todos os seus habitantes. Isso significa orar pelos líderes civis. Mesmo depois. Seja qual for a namreza da tarefa. E. a fim de fazerem o bem aos que estão debaixo de sua liderança. podem ser instrumentos do Senhor para abençoar com organização. estas ordens significaram interceder pelo governo romano que lançou na prisão inúmeros cristãos nos primeiros séculos. Semelhantemente. pro­ fissionais. a mu­ dança começa em nós mesmos. direcionamento e estímulo aqueles sobre quem lideram. mas especialmente que intercedessem pelos reis e por outros que esti­ vessem em posição de autoridade (ITm 2.

qualquer líder precisará se esforçar bastante para ter suces­ so. métodos. com atenção especial aos papéis complementares do homem e da mulher na liderança do lar. Essas características realmente facilitam o trabalho de um hder.A quem honra. Mas essa cobrança maior não precisa ser encarada negativamente. um Hder é o primeiro a desfrutar dos benefícios da liderança. terá de se aprimorar na utili­ zação de seus dons naturais. sempre há inúmeros olhares voltados para ele. Por fim. interações e relacionamentos.Herança completa S. Contudo. como qualquer atividade humana. Em alguns casos. .A coroa incorruptível INTRODUÇÃO Já estudamos as características do líder e como a Merança cristã se fundamenta no serviço e no exemplo. OBTER CRESCIMENTO PESSOAL Muitas vezes.17-23 .17-25 .13-18 . capacidade de motivar e visão.1). E narural que a Hderança seja julgada com mais rigor (Tg 3.Admiração pelos bons líderes Q Rm 13.10). assim como alguém incumbido de dar uma aula acaba aprimorando muito seu conhecimento da área em que lecionará.Bons e maus líderes S Rm 2. I. em outros.1 -4 . quem está na liderança deve saber que automaticamente passa a “ser vitrine”. De início.17-23). O Hder sábio verá nela uma motivação para seu próprio crescimento. Também vimos aplicações da lide­ rança na família. Em segundo lugar. pelo contrário. Se ele mesmo não cumprir as metas que propõe para sua equipe. não é verdade que esses talentos pessoais garantam uma liderança eficaz se não houver trabalho duro. E é exatamente por isso que estar na liderança traz tanto benefício para o crescimento pessoal do próprio líder. a liderança deve ser exercida conforme nossa melhor capacidade (Ec 9.RECOMPENSA DO LI DER A coroa reservada ao bom líd er IC o r ín t io s 3 . na igreja e na vida profissional. Mas há muitas recompensas para quem se dispõe e aceita a missão. Exercer a liderança requer muito empenho e dedicação. avaliando suas atitudes e sua coerência.Faça o que eu falo e faço T 1Co 16. isto é. Não parece haver muitos motivos para de­ sejar ser líder diante de tantos desafios. 2Tm 4. ao se preparar para estabelecer metas. honra Q 1 Pe 5. conforme precisa praticar aquilo que ensina e requer da equipe (Elm 2. Afinal um bom Hder procura não ser reprovado diante do padrão de exigência que impõe aos seus liderados (Rm 14.1 5 LEITURA DIARIA D ITm 5. e muitas vezes o objetivo é criticá-lo ou até mesmo encontrar em suas falhas alguma justificação para os próprios erros.1 -8 . Uma coisa certamente já ficou clara: ser líder não é fácil. quem nasce com elas possivelmente terá menos obstáculos pela fren­ te.Recompensa garantida S Rm 8. enfatiza-se bastante os dons inatos que tornam alguém apto a ser líder. Veremos agora cinco das recompensas que o Hder pode colher. como habilidade relacionai. 46 Desse modo.22). A verdade é que todos estão atentos às atitu­ des de seus Hderes. esmdamos algumas armadilhas que a lide­ rança traz em seu bojo.4 . precisará treinar até conquistar habilidades completamente novas para ele.28-32 . devido à própria preparação para a aula. Assim também. sua autoridade será minada.3-8.

é preciso fa2 er uma ressalva im­ portante: quando um hder começa a se preocupar constantemente com aquüo que seus liderados ou colegas vão pensar sobre seu desempenho. como no caso anterior. Na verdade. o dirigente de ministério sob o hder religioso ou o técnico do time sob o “cartola”. nas suas habilidades específicas. Como já vimos (lição 10). Quem não aprecia uma palavra agradável e elogiosa (Cl 4. dinheiro (aumento salarial ou prêmios). por exemplo. em estruturas mais hierarquÍ2 adas o líder também tem seus líderes. Pv 25. ele se alegrará ao constatar o crescimento da eficiência e sincronia da equipe. Pode ser o gerente sob o presidente da empresa. 47 . a equipe só tende a melhorar sua interação e eficiência. na capacidade de manter o foco. Aí ele passa a agir até contra suas convicções e visão para se manter popular. até que todos cheguem ao alvo proposto (Ef 4. reconhecem seu empenho e retribuem-no com apreço e consideração (Hb 13. suas habilidades e o quanto pode contribuir para o todo. Assim elas conseguirão produ2 Ír bem pouco quando colocadas juntas. quando ocorre essa troca entre Kder e liderados. ITs 5. Mais que números de resultados ao final de uma etapa. III.11)? Por fim. e nos deu um profundo senso de reaÜ2 ação. alcançando alvos que pa­ reciam muito distantes (SI 127. ele observará o quanto a equipe se desenvolveu durante a caminhada. Um líder maduro encontrará grande moti­ vação e satisfação na percepção da evolução de seus liderados. Um número de pessoas diferentes.12-13. Um líder que se mostra efica2 conquista o respeito e a admiração de outros líderes como ele. Sua meta é aperfeiçoá-lo para que consiga desempenhar seu papel o mais perfeitamente possível. Os membros da equipe são sempre os primeiros a perceber o comprometimento. e motivá-las para que mantenham o foco. um supervisor pode desfrutar do mesmo senso de realiaação ao perceber o quanto cada membro da sua equipe amadureceu nos re­ lacionamentos interpessoais. Deus nos fe2 para trabalhar no desenvolvi­ mento de sua criação.7. geralmente. no conhecimento de suas funções. promoções e. isso já é um prêmio magnífico (Ec 3. pois essa será a única recompensa que importará (Mt 6.17-18).4-5). no aspecto coleti­ vo. a sua liderança é contaminada pela hipocri­ sia. quando desempenhamos bem uma incumbência. organÍ2 á-las para que cada um encontre seu devido lugar e função. ICo 16. Entretanto. E justo esperar receber esse tipo de reconhecimento. A alegria de um pai de família é ver que seus filhos são como flechas que vão muito além de onde ele mesmo foi. que não poderão ser expressos materialmente. mas que também têm seu valor. O reconheci­ mento pode vir na forma de menções honrosas. É maravilhoso podermos encontrar satisfação naquilo que realhamos. do mesmo modo. Um bom líder olha o grupo inicial e procura enxergar o potencial escondido em cada indiví­ duo. dos pares e dos liderados como recompensa da liderança. VER O POTENCIAL DA EQUIPE SE CONCRETIZAR O líder também é recompensado pelo resulta­ do de seu trabalho no desempenho dos liderados e da equipe. o reconhecimento por parte dos pares.22). Em outras áreas não é tão diferente.II. É a liderança efica2 que consegue agregá-las em torno de um objetivo comum. Há. RECEBER O RECONHECIMENTO Não podemos deixar de mencionar o reco­ nhecimento por parte dos superiores. com habilidades e objetivos distintos não basta para ser uma equipe.6. Na vida profissional. o prestígio entre os colegas que se adquire pelo histórico de traba­ lhos bem feitos. até mesmo. eficiência. justiça e generosidade de seu líder. Portanto uma das grandes recompensas da liderança é justamente observar o crescimento e amadurecimento pessoal dos seus subordinados. afinal todo trabalhador é digno de seu salário (ITm 5. existe o reconhecimento por parte dos liderados.2). e. de maneira que a equipe seja beneficiada com seu talento. com respeito e admiração de ambas as partes. então. ou seja.17-18).11-13). Ele também busca compreender suas fraqueaas e propiciar um ambiente no qual possa superá-las.

no dia em que o líder supremo do Universo se manifestar. Jesus já recebeu o castigo pelas nossas transgressões e.8-9). a maior recompensa não é subjetiva nem objetiva somente. Ele sabe que ainda que haja uma sensação de que seu trabalho foi 48 vão. a liderança também traz grande satisfação a quem a assume com destreza e prontidão. para o Uder cristão. nós recebemos toda sorte de bênçãos imerecidas (Ef 1.4. E bem verdade que. a Escrimra também fala a res­ peito da recompensa que Deus reserva aos seus. em primeiro lugar. As recompensas objetivas são aquelas de valor mais prático e imediato.Essas três formas de reconhecimento são válidas e boas.8. As recompensas subjetivas são aquelas que se baseiam na satisfação pessoal pelo trabalho bem feito na liderança. ela é concreta aos olhos da fé: liderar para a glória de Deus. e que o reconhecimento que realmente importa é o que receberemos dele na sua volta (Mt 25. você fica mais satisfeito ou mais insatisfeito? . IV. APLICAÇÃO Qual foi sua reação na última ocasião em que seu desempenho na liderança não recebeu elogio ou aplauso? Se o trabalho de equipe promover uma sensí­ vel melhora tanto nas suas habilidades como nas da equipe. A expectativa dessa recompensa é fundamentada no próprio caráter de Deus. no que diz respeito às penas eternas por nossos pecados. Entretanto.27. Por isso o cristão tem a certeza de que cada um. a suprema recompensa do Mder é dada pelo Senhor.23-24). Esse incentivo é fundamental para que o líder continue empenhado em oferecer seu melhor na liderança. Por realizar sua função de todo o coração. afinal a própria Escrimra afirma que é justo dar honra a quem é devido (Rm 13. SER GALARDOADO PELO SENHOR Acima de tudo. como uma promoção ou aumento. 2Tm 4. pois.7). CONCLUSÃO Apesar de seus desafios e dificuldades. qualquer que seja sua função ou posi­ ção. por sua justiça. receberá dele de volta aquilo de bom ou mal praticar nessa vida (Ef 6. Como descreve o apóstolo Pedro aos líderes da igreja.3.21).10). mas não houver nenhuma recompensa material (como aumento salarial). tem a convic­ ção de que e a sua recompensa da herança está assegurada (Cl 3. ele recompensará a cada um com uma coroa de glória incorruptível (IPe 5. 2Co 5.4). Porém é necessário que tenhamos esse tipo de recompensa na perspectiva adequada de que. seu direito está perante o Senhor (Is 49. como um tipo de incentivo espirimal à obedi­ ência e boas obras (ICo 3. objetivas ou espirimais. trabalhamos para o Senhor e não para homens. entretanto. O fato é que o Senhor é um justo juiz e não faz acepção de pessoas.8). não receba o devido reconhecimento (seja em prestígio ou em dinheiro). ainda que não possa vê-la fisicamente. Mt 16. 2. mesmo que. como para o Senhor e não para homens. que se apresenta como o JuÍ2 de toda a terra. As recom­ pensas do Kder podem ser subjetivas.12-15). Mas. apesar de seus esforços.

.. Uma liderança de servo...SP . Liderança eclesiástica....SP ...Conselho de Educação Cristã e Publicações Clodoaldo Waldemar Furlan (Presidente) Domingos da Siiva Dias (Vice-presidente) Aiexandre Henrique Moraes de Almeida (Secretário) André Luiz Ramos... publicado pela Editora Cultura Cristã) AUTORIA DAS LIÇÕES DO PROFESSOR Marcelo Smeets REVISÃO Marcelo Smeets.. A recompensa do líd er.............11 5.. Liderança masculina no lar ... Quem precisa de líder?..br 0800-0141963 UMÁRIO 1.. 394 Cambuci ... Anízio Alves Borges...... Marcos Antônio Sego da Costa..........01599-970 Fone: (11) 3207-7099 .... A mulher e a liderança masculina.... Valdeci da Silva Santos S GDITORR CULTURn CRISTR Rua Miguel Teles Júnior...Fax: (11) 3209-1255 www......... A questão da autoridade ....... As armadilhas da liderança.......editoraculturacrista... 46 (A iição 7 é uma adaptação do cap.......38 13 estudos sobre os princípios que devem conduzir a igreja na obra do reino 12..................São Paulo ....com..... Tarcizio José de Freitas Carvalho......... 13..... 42 AUTORIA DAS LIÇÕES DO ALUNO Alceu Lourenço Jr.. 2 do íivro Um homem segundo o coração de Deus....São Paulo ....... José Romeu da Silva... 01 2.01540-040 ... Augustus Nicodemus Gomes Lopes Cláudio Marra (Presidente). Liderança exercida pelo exemplo.............org.. 19 EDITOR Cláudio Antônio Batista Marra 7.. 30 10..26 PRODUTORA Mariana de Pauia dos Anjos 9..Parte 2 ......... 04 3...23 EDITORES ASSISTENTES Eduardo Assis Gonçalves Márcia Barbutti Barreto 8.. Ulisses Horta Simões..... Mauro Fernando Meister Conselho Editorial Antônio Coine...... Liderança no trabalho.......... Misael Batista do Nascimento...... O perfil de um líder....br [ cep@cep.. de Dan Doriani.......136 .... Heber Carlos de Campos Jr..... 15 SUPERINTENDENTE Haveraldo Ferreira Vargas 6.... Como ser um bom liderado...Parte 1 ..... Liderança masculina no lar ..........34 ISSN 2317-4447 LIDERANÇA BÍBLICA 11.......Brasil Caixa Postal 15. Leandro Andrade e Samantha Prates CAPA E FORMATAÇÃO Ideia Dois Design .07 4..