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DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA

SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS
LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL

ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM

EDUARDO RIBEIRO DE SOUSA
ANTÓNIO JORGE MONTEIRO

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LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL

ÍNDICE DO TEXTO

1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................................................................ 1
2. CÂMARAS DE VISITA.................................................................................................................................................... 1
2.1
2.2
2.3
2.4

Considerações introdutórias................................................................................................................................... 1
Normalização.......................................................................................................................................................... 3
Tipos de câmaras e condições de emprego.......................................................................................................... 3
Formas, dimensões e materiais das peças constituintes ...................................................................................... 4
2.4.1
2.4.2
2.4.3
2.4.4
2.4.5
2.4.6

Soleira ........................................................................................................................................................ 4
Corpo.......................................................................................................................................................... 6
Cobertura ................................................................................................................................................... 6
Dispositivo de fecho................................................................................................................................. 10
Dispositivo de acesso .............................................................................................................................. 11
Acabamentos ........................................................................................................................................... 12

2.5 Câmaras de visita de colectores de dimensões excepcionais ............................................................................ 13
3. CÂMARAS DE CORRENTE DE VARRER .................................................................................................................. 14
3.1
3.2
3.3
3.4
3.5

Considerações introdutórias................................................................................................................................. 14
Regulamentação................................................................................................................................................... 15
Tipos de câmaras de corrente de varrer.............................................................................................................. 15
Aspectos construtivos........................................................................................................................................... 16
Critérios de utilização ........................................................................................................................................... 21

4. RAMAIS DE LIGAÇÃO................................................................................................................................................. 23
4.1 Regulamentação................................................................................................................................................... 23
4.2 Tipos de ramais e disposições construtivas ........................................................................................................ 25

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5. SARJETAS E SUMIDOUROS...................................................................................................................................... 26
5.1 Considerações gerais........................................................................................................................................... 26
5.2 Normalização........................................................................................................................................................ 26
5.3 Tipos de sarjetas / sumidouros e condições de emprego ................................................................................... 27
5.3.1 Tipos......................................................................................................................................................... 27
5.3.2 Condições de emprego............................................................................................................................ 27
5.4 Materiais, formas e dimensões das peças constituintes ..................................................................................... 35
5.4.1 Soleira ...................................................................................................................................................... 35
5.4.2 Corpo........................................................................................................................................................ 36
5.4.3 Restantes peças constituintes e acabamentos....................................................................................... 36

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1.

INTRODUÇÃO

O presente Documento destina-se a apresentar diversos aspectos relacionados com os órgãos
gerais de sistemas separativos de drenagem de águas residuais comunitárias e de águas pluviais,
e de sistemas unitários, nomeadamente câmaras de visita, câmaras de corrente de varrer, ramais
de ligação e sarjetas.
A apresentação centra-se principalmente nos aspectos gerais dos diferentes órgãos referidos,
com especial ênfase para aqueles que podem afectar o adequado funcionamento dos sistemas de
drenagem.
2.

CÂMARAS DE VISITA

2.1

Considerações introdutórias

As câmaras ou caixas de visita são dos órgãos mais numerosos e mais vulgares, em sistemas de
drenagem de águas residuais comunitárias e de águas pluviais e, ainda, nos sistemas unitários.
Devem apresentar as seguintes características:
¾ permitir um conveniente acesso aos colectores, para observação e operações de
manutenção;
¾ ser concebidas de tal forma que minimizem as perturbações do escoamento nos colectores;
¾ ser construídas com materiais que garantam a respectiva durabilidade;
¾ apresentar uma resistência mecânica suficiente às cargas que lhes são aplicadas.
O Decreto Regulamentar nº 23/95, estipula, no seu artigo 155.º, que:
“1 - É obrigatória a implantação de câmaras de visita:
a)
b)
c)

Na confluência dos colectores;
Nos pontos de mudança de direcção, de inclinação e de diâmetro dos colectores;
Nos alinhamentos rectos, com afastamento máximo de 60 m e 100 m, conforme se trate,

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com altura igual a dois terços do maior diâmetro. de colectores não visitáveis ou visitáveis. devem ser construídos. e em situações excepcionais.As soleiras devem ter uma inclinação mínima de 10% e máxima de 20% no sentido das caleiras. de secção rectangular ou circular.No caso de a profundidade das câmaras de visita exceder 5 m. 6 . 4 .DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL respectivamente.Em sistemas unitários ou de águas residuais domésticas é de prever uma queda guiada à entrada da câmara de visita. a soleira deve ser protegida de forma a evitar a erosão. sempre que o desnível a vencer for superior a 0. no segundo.Nas alterações de diâmetro deve haver sempre a concordância da geratriz superior interior dos colectores.As mudanças de direcção. 5 . 8 . 2 . no primeiro caso. relativamente a regras de implantação de câmaras de visita. 7 . de forma contínua ou sazonal. por razões de segurança. diâmetro e inclinação de colectores. No mesmo Decreto Regulamentar. em planta. e uma concordância na caleira.5 m. patamares espaçados no máximo de 5 m. o seguinte: “1 . os que têm altura interior igual ou superior a 1.” Consideram-se colectores visitáveis.” As câmaras de visita podem ser. de forma a assegurar a tangência da veia líquida secundária à principal.Em zonas em que o nível freático se situe. com cobertura ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 2 . de forma a assegurar a continuidade da veia líquida. com aberturas de passagem desencontradas. que se realizam em câmaras de visita.Em sistemas de águas residuais pluviais e para quedas superiores a 1 m. 2 . acima da soleira da câmara de visita. refere. de modo a garantir a continuidade da veia líquida.6 m (ponto 2 do artigo 131º.º. devem fazer-se por meio de caleiras semicirculares construídas na soleira. o artigo 159. do mesmo Decreto Regulamentar).A inserção de um ou mais colectores noutro deve ser feita no sentido do escoamento. sempre que o desnível for superior a este valor. 3 . deve garantir-se a estanquidade a infiltrações das suas paredes e fundo.Os afastamentos máximos referidos na alínea c) do número anterior podem ser aumentados em função dos meios de limpeza.

com disposição em planta normalmente rectangular ou circular. Características e Montagem. formado por degraus encastrados ou por escada fixa ou amovível. Câmaras de Visita. ¾ dispositivo de fecho resistente. com uma geratriz vertical na continuação do corpo para facilitar o acesso. ainda. ¾ NP 882 (1971) . Degraus das Câmaras.Redes de Esgoto.Redes de Esgoto. Fixa as regras gerais a seguir na construção e conservação de redes de drenagem. 2. Elementos Pré-fabricados para Câmaras de Visita. ser centradas ou descentradas em relação ao alinhamento planimétrico do colector. Construção e Conservação. ¾ NP 893 (1972) . formado pelas paredes. Características e Recepção. a utilizar em redes de drenagem. devendo esta última ser utilizada somente para profundidades iguais ou inferiores a 1. ¾ corpo. As câmaras de visita podem. ¾ dispositivo de acesso.7 m.Redes de Esgoto. formada em geral por uma laje de betão que serve de fundação às paredes. Fixa as características e as condições de recepção de elementos pré-fabricados para câmaras de visita do tipo CT e CP. 2.DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL plana ou tronco-cónica assimétrica. Características.Redes de Esgoto.2 Normalização A normalização portuguesa respeitante a este assunto é a seguinte: ¾ NP 881 (1971) . Fixa as características e as condições de emprego dos tipos correntes de câmaras de visita a utilizar em colectores com dimensões transversais. sendo este último tipo o que permite o melhor acesso pelos técnicos de exploração.3 Tipos de câmaras e condições de emprego As câmaras de visita. tal como já referido no Documento – Concepção dos Sistemas de Drenagem. em planta. com geratriz vertical. Fixa as características e o modo de montagem dos degraus de acesso a câmaras de visita de redes de drenagem. compreendem os seguintes componentes: ¾ soleira. ¾ NP 883 (1971) . não superiores a 600 mm. ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 3 . plana ou tronco-cónica assimétrica. ¾ cobertura.

60 m. todas as superfícies da soleira devem ter uma inclinação mínima de 10% e máxima de 20%. por falta de material pré-fabricado. ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 4 . também. Se a profundidade da câmara de visita for igual ou inferior a 1. No caso de colectores de sistemas de drenagem separativos de águas pluviais ou de sistemas unitários. para a construção do respectivo corpo. no sentido das caleiras.de corpo circular e cobertura plana. conforme as condições locais o aconselhem. devem empregar-se. por exemplo com cantaria. acima deste valor. são usualmente utilizados os seguintes tipos de câmaras de visita (Figura 1): ¾ Tipo CT . o seu valor nunca seja inferior a 0. de preferência. 2. a soleira deve ser localmente protegida.4 2. deve empregar-se uma cobertura plana. destinada.0 m. com diâmetros superiores a 200 mm. blocos de cimento ou pedra. ¾ Tipo CP . A sua espessura deve ser tal que. ¾ Tipo P . quando localizadas em terrenos agrícolas.1 Formas. com queda superior a 1. na zona mais profunda das caleiras. Por outro lado. Em situações correntes.de corpo rectangular ou quadrado e cobertura plana. devendo ser as linhas de crista ligeiramente boleadas.10 m. câmaras de visita de corpo circular. As câmaras de corpo rectangular ou quadrado utilizam-se quando. de modo a permitir a sua fácil referenciação. a servir de fundação das paredes. dimensões e materiais das peças constituintes Soleira A soleira de uma câmara de visita é normalmente constituída por uma laje de betão. é necessário recorrer a tijolos. as câmaras devem ficar com o corpo saliente. simples ou armado. deve recorrer-se à cobertura tronco-cónica.de corpo circular e cobertura tronco-cónica.DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL Em redes de drenagem com colectores até 600 mm de diâmetro. Para evitar a retenção dos sólidos em suspensão transportados pelas águas residuais ou pluviais.4.

Câmaras de visita-tipo ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 5 .DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL Figura 1 .

se o desnível for superior a 0. Quando na câmara de visita existir uma queda entre o colector de montante e de jusante.12 m. deve ser de betão moldado no local ou de alvenaria hidráulica. simples ou armado. inferiores e superiores ou iguais a 2. com eventual intercalação de anéis pré-fabricados. tangente aos eixos dos colectores ligados.00 m e 1. neste caso. os valores definidos devem ser ajustados para que as inserções se façam em boas condições.00 m nas paredes não atravessadas.50 m. Nos casos de câmaras onde se dá a convergência ou a saída de vários colectores. ¾ elementos pré-fabricados de betão: 0. ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 6 . Em geral. o qual.10 m.0. em planta. ¾ betão moldado no local: 0. 2.4.DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL As caleiras que guiam o escoamento entre os colectores de montante e de jusante devem ter uma directriz em arco de circunferência. respectivamente.5 m. é construído com anéis de betão pré-fabricados. de tijolo ou de blocos maciços de cimento. situada à cota mais elevada. 2.25 m de diâmetro para profundidades. e a inclinação deve satisfazer os mesmos condicionalismos da dos colectores.80 m nas faces das paredes atravessadas por colectores e 1. os valores mínimos a adoptar devem ser os seguintes: ¾ alvenaria de pedra ou blocos: 0. são as seguintes (Figuras 2 e 3): ¾ Câmaras dos tipos CT e CP . No que respeita à espessura das paredes. ¾ alvenaria de tijolo: 1/2 vez. a parte compreendida entre a soleira e a geratriz superior do colector. moldado no local.3 Cobertura As coberturas das câmaras de visita podem ser tronco-cónicas ou planas (Figura 2). deve usar-se um troço de queda guiada. de alvenaria hidráulica de pedra. O corpo das câmaras de visita pode ser de betão. ¾ Câmaras do tipo P .4.1.20 m. se faz exteriormente à câmara de visita (Figura 4).2 Corpo As dimensões interiores mínimas. conforme o tipo de câmara a que se aplicam.

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL Figura 2 .Câmaras de visita. Coberturas ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 7 . Pormenores construtivos.

Câmaras de visita sem queda.DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL Figura 3 . Pormenores construtivos. Corpos ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 8 .

Pormenores construtivos.Câmaras de visita com queda.DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL Figura 4 . Corpos ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 9 .

ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 10 .vias de circulação. 2. se estendam. tais como espaços verdes. consoante a carga de ensaio. ¾ Classe C250 (carga de ensaio de 250 kN) . ¾ Classe E600 (carga de ensaio de 600 kN) . o mais utilizado é o ferro fundido.zonas utilizadas exclusivamente por peões e ciclistas e outras comparáveis. para assentamento do aro do dispositivo de fecho. a 0.passeios.DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL As tronco-cónicas podem ser simétricas ou assimétricas. simples ou armado. ¾ Classe F900 (carga de ensaio de 900 kN) .zonas especiais.zonas de circulação privadas submetidas a cargas particularmente elevadas. uma gola cilíndrica. Podem ser de betão. Os dispositivos de fecho de câmaras de visita são classificados. tais como pistas de aviação de aeroportos. no entanto. composto de aro e tampa. moldadas no local ou pré-fabricadas. carros de limpeza pública e similares).4. com armadura adequada a cada caso. podem observar-se as zonas de utilização das classes A15 a D400. nas seguintes classes: ¾ Classe A15 (carga de ensaio de 15 kN) . Na Figura 5 .50 m em direcção à via de circulação e de 0. ¾ Classe D400 (carga de ensaio de 400 kN) .bermas de ruas e estradas e zonas de valeta que.4 Dispositivo de fecho O dispositivo de fecho é a parte superior da cobertura da câmara de visita. no máximo. áreas e silos de estacionamento reservados a viaturas ligeiras. tais corno recintos industriais e similares. ¾ Classe B125 (carga de ensaio de 125 kN) . Os materiais utilizados na fabricação de dispositivos de fecho de câmaras de visita podem ser diversos. de grafite lamelar ou esferóidal. zonas reservadas a peões e abertas ocasionalmente ao trânsito (para ambulâncias. na parte superior.20 m em relação ao passeio. medidas a partir da borda do lancil. Têm o diâmetro interior da base igual ao do corpo da câmara e.

55 m.5 Dispositivo de acesso O uso de degraus metálicos cravados nas paredes das câmaras de visita. através de uma rápida drenagem. ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 11 . A acumulação de água deve ser evitada. A superfície exterior da tampa de ferro fundido deve apresentar uma configuração estriada. a folga. A profundidade de encaixe mínima. Na Figura 6. constitui uma prática tradicional. devem ser protegidos contra a corrosão. No caso de dispositivos de fecho de forma quadrada ou rectangular. apresentamse alguns exemplos de dispositivos de fecho existentes no mercado nacional. 2. havendo normalização para os mesmos (Figura 7). o apoio. que garanta a aderência dos rodados dos veículos. Podem os degraus ser de varão de aço macio ou de ferro fundido. no primeiro caso.DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL Figura 5 . para acesso ao seu interior. estes devem ter as dimensões mínimas de 0. o levantamento e assentamento das tampas e outras características a que os dispositivos de fecho devem obedecer encontram-se especificados no projecto de norma portuguesa anteriormente referido.Zonas de utilização de dispositivos de fecho de câmaras de visita (classes A15 a D400) O diâmetro de passagem de dispositivos de fecho circulares usualmente é de 0.50 m × 0. em princípio por metalização.4. podendo ser maior quando assim for conveniente.50 m.

numa espessura não inferior a 2 cm. mais cedo ou mais tarde. com argamassa de cimento e areia ao traço 1:3.6 Acabamentos Por regra. se a superfície se apresentar lisa e sem defeitos. em particular nos sistemas separativos de drenagem de águas residuais comunitárias e sistemas unitários. por exemplo de alumínio. havendo tão só que garantir o perfeito refechamento das juntas.DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL Figura 6 .4. 2. poderá utilizar-se uma escada portátil. que convirá ser leve. o interior das câmaras de visita deve ser rebocado. ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 12 . considerando-se que é de incentivar o uso generalizado desta solução por ser mais económica e evitar os problemas que. No caso de o corpo ser constituído por anéis pré-fabricados.Alguns exemplos de cortes de dispositivos de fecho existentes no mercado nacional Em alternativa aos degraus. acabam por surgir com a corrosão dos degraus fixos. pode dispensar-se o seu reboco. Os cantos e as arestas interiores devem apresentar-se arredondados.

a qual é. Normalmente. uma câmara de visita de maiores dimensões. através de uma chaminé. com uma dimensão mínima igual ao diâmetro do colector acrescida de 0.DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL Figura 7 . ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 13 .30 m para cada lado. para as faces das paredes atravessadas por colectores. em geral. em geral. utiliza-se uma câmara de visita de base rectangular. e de 1. utiliza-se. O acesso a esta câmara rectangular é feito. compatível com o calibre dos colectores. normalmente. No caso de câmaras de visita onde se dá a convergência ou a saída de vários colectores. construída no topo do colector de jusante.80 m para as faces das paredes não atravessadas.5 Câmaras de visita de colectores de dimensões excepcionais Para colectores de dimensão superior a 600 mm.Degraus normalizados 2.50 a 1. Esta caixa rectangular deve ter uma altura que permita a um homem proceder às operações de limpeza com os pés assentes numa plataforma. os valores definidos devem ser ajustados para que as inserções se façam em boas condições. constituída por anéis circulares pré-fabricados (Figura 8).

3. Neste caso. de forma a constituir uma adequada fundação para suportar as cargas transmitidas pelos veículos circulantes. a câmara de visita pode ser apenas uma câmara de acesso ao colector. por exemplo com um envolvimento de betão. deve o mesmo ser reforçado nessa zona. quando não possam ser garantidas as condições de auto-limpeza (ver Documento ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 14 .Câmara de visita para colectores com diâmetros ≥ 600 mm 3. apoiada nele próprio.1 CÂMARAS DE CORRENTE DE VARRER Considerações introdutórias As câmaras de corrente de varrer são dispositivos cujo objectivo é o de permitirem a limpeza dos colectores. feita com anéis pré-fabricados.DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL Se os colectores apresentarem um diâmetro superior a 1.60 m. já que este é visitável. Figura 8 .

Esta ocorrência registase. fundamentalmente. Uma vez cheia a câmara com água. procede-se à abertura da comporta.3 Tipos de câmaras de corrente de varrer Quanto ao seu funcionamento.” 3. possuir qualquer ligação directa com a rede de distribuição de água potável. que: “1 . O primeiro tipo corresponde a uma câmara de visita usual dotada de comporta ou comportas manobradas manualmente. por razões de ordem sanitária. nos troços de montante das redes unitárias ou separativas de águas residuais comunitárias. fazendo-se o seu enchimento por mangueira ou dispositivo equivalente. Uma vez cheia.As câmaras de corrente de varrer são dispositivos que não carecem de ser instalados nos novos sistemas e que têm sido utilizados nas antigas redes de colectores de águas residuais tendo em vista garantir as condições de auto-limpeza. que permitem isolar a câmara do colector que a ela está ligado (Figuras 9 a 11). sendo o órgão obturador uma bola de trapos presa a um cabo de arame. Dentro deste tipo de câmaras.Estas câmaras não devem. O enchimento da câmara com água faz-se por meio de torneira accionada manualmente ou por mangueira.DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL Projecto de Sistemas de Drenagem de Águas Residuais Comunitárias). estipula. em geral. sendo esta última a solução preferível de forma a minimizar o risco de contaminação da rede de água potável. dando-se início ao escoamento da massa líquida retida. verdadeiras condições de autolimpeza. 2 .2 Regulamentação O Decreto Regulamentar nº 23/95. a qual provoca uma corrente de limpeza no colector a jusante.º. no seu artigo 161. dois tipos de câmaras de corrente de varrer: as manuais e as automáticas. puxa-se a bola e produz-se a desejada ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 15 . podem considerar-se. há que referir as utilizadas por algumas entidades gestoras que constam de uma câmara de visita vulgar. na prática. onde muito dificilmente são criadas. 3.

com caudal de tal modo regulado que conduza ao seu enchimento ao fim de períodos previamente determinados... a comporta ou a adufa são. no fundo... nomeadamente no eixo de rotação das peças móveis normalmente existentes nas clássicas câmaras de corrente de varrer......... descarregando a água para o colector e provocando... podendo também ser de plástico ou de qualquer outro material apropriado para o efeito... ¾ tipo II (com sifão auxiliar)............ ainda dentro das câmaras de funcionamento automático............ o sifão entra automaticamente em funcionamento.. tem dado excelentes resultados.. muito simples e económico..... no que respeita aos materiais de construção.............. em geral....... ¾ tipo III (com pressão baixa)........ dispondo de alimentação contínua de água.... 3.. No que respeita aos órgãos das câmaras manuais.. Uma solução do mesmo género consiste em utilizar um obturador pneumático.......... A câmara de corrente de varrer automática distingue-se da manual pela existência.... Uma vez cheio o tanque. No que se refere aos órgãos das câmaras de corrente de varrer automáticas..... três tipos diferentes: ¾ tipo I (sem sifão auxiliar)...... os materiais mais comuns são os seguintes: ¾ campânula . de ferro fundido.. uma corrente de limpeza... ferro fundido ¾ tubo aspirador...... A câmara funciona como tanque... de um sifão (Figura 12).DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL corrente de varrer.4 Aspectos construtivos A estrutura de qualquer das câmaras de corrente de varrer atrás descritas é idêntica...... à das câmaras de visita usuais em redes de drenagem.. assim. referidas no Capítulo 2 deste Documento.. ferro galvanizado ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 16 .. Podem considerar-se. o que implica a existência de um dispositivo para insuflação de ar....... pois cumpre os objectivos pretendidos e evita acumulação de areias e a corrosão das partes metálicas. Este processo.. em geral 24 horas...

.......... ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM chapa de aço soldada 17 ..................................DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL ¾ sifão principal..................

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL Figura 9 .Câmara de corrente de varrer manual (exemplo 1) ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 18 .

Câmara de corrente de varrer manual (exemplo 2) ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 19 .DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL Figura 10 .

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL Figura 11 .Câmara de corrente de varrer manual (exemplo 3) ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 20 .

.. 3. a razões de economia da obra. admitindo-se que o volume de água deva ser aproximadamente igual a 1/6 do volume do troço do colector a limpar.... Na verdade...... ferro galvanizado Em qualquer dos tipos de câmaras mencionados (manuais ou automáticas)....... nomeadamente através da utilização das câmaras de corrente de varrer a que se tem vindo a fazer referência. recomenda-se que apenas sejam utilizadas câmaras de corrente de varrer em casos muito excepcionais................ utilizando outros métodos.. No entanto. o dispositivo de fecho é de ferro fundido.. devendo a entidade gestora deste tipo de serviços procurar definir a estratégia de exploração dos sistemas com base em operações de limpeza periódicas... chapa de aço soldada ¾ sifão auxiliar. entre 500 e 1 500 litros (no âmbito de redes de pequena e média dimensão)........ A capacidade das câmaras varia... nos troços de cabeceira dos colectores principais ou nos colectores laterais.. a alimentação deste tipo de câmaras é normalmente feita através de um ramal ligado à rede geral de distribuição de água potável...... Muitos autores referem que o uso daquelas câmaras deve ser evitado (este é o princípio consignado no Decreto Regulamentar nº 23/95.... igual ao usado nas câmaras de visita correntes....... no seu artigo 161º)..... havendo países onde são mesmo proibidas.... normalmente. um assunto controverso. em caso de avaria de certos órgãos da câmara... nem sempre é possível garantir tais condições..... A utilização destes dispositivos é.. é evidente que o problema da limpeza dos colectores das redes terá de ser resolvido por meios complementares.. ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 21 .. Assim sendo.. aos diâmetros mínimos regulamentares em vigor ou... o mesmo se passando em relação aos degraus de acesso ao seu interior. ainda.... Nestas condições.. nomeadamente no que respeita às câmaras automáticas... o que. devido aos graves riscos para a saúde pública.... poderá dar origem à contaminação da água......5 Critérios de utilização As redes de drenagem de águas residuais devem ser dimensionadas de forma a que o escoamento se processe com adequadas condições de auto-limpeza.DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL ¾ descarregador de superfície . devido a condicionamentos topográficos..... por vezes....

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL Figura 12 .Câmara de corrente de varrer automática ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 22 .

estipula. os quais muitas vezes. dependendo.sistemas de drenagem predial de águas residuais.Diâmetro mínimo O diâmetro nominal mínimo admitido nos ramais de ligação é de 125 mm. na Secção II (artigos 146. garantem correntes de limpeza nos colectores. Finalmente.Dimensionamento hidráulico-sanitário No dimensionamento hidráulico-sanitário dos ramais de ligação deve atender-se ao caudal de cálculo e às seguintes regras: a) As inclinações não devem ser inferiores a 1%. Artigo 149. ultrapassar os 300 m. sendo aconselhável que se mantenham entre 2% e 4%. 4.º Finalidade Os ramais de ligação têm por finalidade assegurar a condução das águas residuais prediais.Caudais de cálculo Os caudais de cálculo são determinados de acordo com as regras estabelecidas no título V .º). como é evidente. o problema dos reduzidos caudais nos troços de cabeceira praticamente não existe. refira-se que em redes instaladas em arruamentos com construções em altura (vários pisos).1 RAMAIS DE LIGAÇÃO Regulamentação O Decreto Regulamentar nº 23/95. desde as câmaras de ramal de ligação até à rede pública. só por si.º .º . ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 23 .DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL Por outro lado. a acção da corrente de varrer faz-se sentir em distâncias variáveis.Artigo 146. b) Para inclinações superiores a 15% devem prever-se dispositivos especiais de ancoragem dos ramais. não devendo. respectivamente. Artigo 148.º . Artigo 147. em ramais de ligação domésticos ou pluviais. c) A altura do escoamento não deve exceder a meia secção ou atingir a secção cheia. em geral. 4. devido às características das descargas dos aparelhos sanitários em determinadas horas do dia. que: “Ramais de ligação . da secção do colector e da sua inclinação. do Capítulo V.º a 161.

As redes de águas pluviais dos edifícios abrangidos pela rede pública devem ser ligados a esta por ramais de ligação.A inserção do ramal na forquilha pode ser feita por curva de concordância de ângulo complementar do da forquilha. 3 . desde que a altura da lâmina líquida do colector se situe a nível inferior ao da lâmina líquida do ramal.A inserção directa dos ramais de ligação nos colectores só é admissível para diâmetros destes últimos superiores a 500 mm e deve fazer-se a um nível superior a dois terços de altura daquele.DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL Artigo 150. ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 24 . 2 .º 30'. Artigo 152. nos colectores. 4 .O traçado dos ramais de ligação deve ser rectilíneo.Traçado 1 . a menos que descarreguem em valetas. directa ou indirectamente. normalmente. completada com outra ao nível municipal. fibrocimento ou outros materiais que reúnam as necessárias condições de utilização. betão.º .º .Ventilação da rede Não devem existir dispositivos que impeçam a ventilação da rede pública através dos ramais de ligação e das redes prediais. Artigo 154. tanto em planta como em perfil. de forma a evitar perturbações na veia líquida principal. sempre no sentido do escoamento.Ligação à rede de drenagem pública 1 .As redes de águas residuais domésticas dos edifícios abrangidos pela rede pública devem ser obrigatoriamente ligadas a esta por ramais de ligação. deve-se dispor de mais de um ramal de ligação para cada tipo de águas residuais.A inserção dos ramais de ligação nos colectores domésticos pode ainda ser realizada por «tê».º .” Esta regulamentação é. Artigo 153.º .Em edifícios de grande extensão. Artigo 151.Inserção na rede de drenagem pública 1 .º . 2 . 3 .A inserção dos ramais de ligação na rede pública pode fazer-se nas câmaras de visita ou. 2 .A inserção nos colectores pode fazer-se por meio de forquilhas simples com um ângulo de incidência igual ou inferior a 67. de acordo com o disposto no título V. ferro fundido. PVC rígido.Natureza dos materiais Os ramais de ligação podem ser de grés cerâmico vidrado interna e externamente.

neste último caso os tês e as forquilhas devem ser convenientemente tamponados.Ramais de ligação a colectores principais pouco enterrados Se as forquilhas e os tês não forem instalados aquando da execução do colector geral da rede de drenagem. com frequência. durante a execução de redes de drenagem de águas residuais comunitárias. até que entrem em serviço. Figura 13 . apresentam-se ramais de ligaçãotipo. no entanto. Este tipo de procedimento conduz. a soluções construtivas de menor qualidade.2 Tipos de ramais e disposições construtivas Constitui prática adequada. não apenas para as ligações à rede no início de exploração da obra. então será necessário. mas também nas secções onde se preveja a ligação de futuros ramais de ligação. a colocação de tês e/ou forquilhas. furar o colector e proceder à inserção do ramal de ligação. Nas Figuras 13 e 14. principalmente quando resultam de técnicas que obrigam a partir o colector da rede ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 25 . à posteriori.DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL 4.

Fixa as características e dá indicações sobre as condições de utilização dos tipos correntes de sarjetas em sistemas separativos de água pluvial ou unitários. muito dificilmente se evita que o ramal de ligação entre no colector. ¾ NP 677 (1973) . no que respeita a sarjetas e sumidouros. as sarjetas como sendo os dispositivos. 5.1 SARJETAS E SUMIDOUROS Considerações gerais O Decreto Regulamentar nº 23/95.DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL geral. sem prejudicar a circulação rodoviária e. a solução indicada na Figura 15.Sarjetas. encontra-se resumida nas seguintes normas: ¾ NP 676 (1973) . por exemplo. define. Tipos. no seu artigo 163. nestes casos. Características e Condições de Emprego. normalmente instaladas no passeio da via pública. o seu dimensionamento e localização (ver Documento – Projecto de Sistemas de Drenagem de Águas Pluviais) devem ser feitos cuidadosamente. Ensaio de Permeabilidade. A melhor solução nestes casos.º. em sistemas de drenagem de águas pluviais e unitários.Sarjetas. a existência de uma grade que permita a entrada da água. 5.Redes de Esgoto . implantados no pavimento da via pública. com entrada lateral das águas de escorrência superficial. ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 26 . Se se tratar de um colector de diâmetro apreciável pode ser adoptada. Dada a relevância deste tipo de órgãos. 5. O mesmo Decreto Regulamentar define os sumidouros como sendo os dispositivos com entrada superior das águas de escorrência e que implicam. usualmente. se o colector for de pequeno diâmetro. é a substituição do troço do colector da rede geral por um outro em que já está inserido um tê ou uma forquilha.2 Normalização A normalização portuguesa existente.Redes de Esgoto . necessariamente. passando a constituir um verdadeiro obstáculo no seu interior.

sarjeta de valeta sem lancil. ¾ tipo LHC . FC. ¾ tipo LH . com câmara de retenção. com vedação hidráulica.sarjeta de valeta sem lancil.sarjeta de lancil de passeio.sarjeta de valeta sem lancil. ¾ tipo FC . ¾ tipo FH . com câmara de retenção.sarjeta de valeta com lancil. sem câmara de retenção. ou L. ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 27 . devem usar-se os tipos F. ¾ tipo FHC . 16 a 21: ¾ tipo L . com vedação hidráulica.sarjeta de lancil de passeio.3. ¾ tipo F . sem vedação hidráulica. sem câmara de retenção. podem usar-se os tipos F.sarjeta de valeta com lancil. sem vedação hidráulica. existem os doze tipos de sarjetas a seguir indicados.sarjeta de lancil de passeio. LC. ¾ tipo VH . com vedação hidráulica. sem vedação hidráulica.1 Tipos De acordo com a NP-676. ¾ tipo V . sem vedação hidráulica. sem câmara de retenção. sem câmara de retenção.sarjeta de valeta com lancil.sarjeta de valeta com lancil. com câmara de retenção. sem câmara de retenção. com vedação hidráulica. com vedação hidráulica. LH e LHC.3. sem vedação hidráulica. ¾ tipo LC . forma e dimensões são as indicadas nas Figuras. 5. FH e FHC. FC.sarjeta de lancil de passeio. sem vedação hidráulica. 5. com câmara de retenção. cuja constituição. com câmara de retenção. com câmara de retenção.sarjeta de valeta sem lancil. com vedação hidráulica.2 Condições de emprego No emprego das sarjetas. Em arruamentos com inclinações superiores a 5%. há que distinguir os seguintes aspectos: Quanto à localização da entrada Em arruamentos com inclinações não superiores a 5%. FH e FHC.3 Tipos de sarjetas / sumidouros e condições de emprego 5.DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL Fixa o processo de realização do ensaio de permeabilidade de sarjetas em sistemas separativos de água pluvial ou unitários. quando o lancil do passeio tiver altura suficiente para permitir localizar a entrada da sarjeta na face do lancil. sem câmara de retenção. ¾ tipo VHC . ¾ tipo VC .

Ligações a colectores de média e grande dimensão ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 28 .Ramais de ligação a colectores profundos Figura 15 .DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL Figura 14 .

Sarjetas tipos L e LC ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 29 .DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL Figura 16 .

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL Figura 17 .Sarjetas tipos LH e LHC ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 30 .

Sarjetas tipos V e VC (sumidouros) ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 31 .DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL Figura 18 .

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL Figura 19 .Sarjetas tipos VH e VHC (sumidouros) ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 32 .

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL Figura 20 .Sarjetas tipos F e FC (sumidouros) ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 33 .

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL Figura 21 .Sarjetas tipos FH e FHC (sumidouros) ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 34 .

4.1 Materiais. em planta. ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 35 . formas e dimensões das peças constituintes Soleira A soleira deve ser de betão simples de 250 kg de cimento por metro cúbico de betão. Quanto à necessidade de vedação hidráulica Adoptam-se sarjetas ou sumidouros sem vedação hidráulica quando estes órgãos são ligados a uma rede de drenagem de águas pluviais onde não haja a possibilidade de se depositar material sólido que origine gases.DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL Adoptam-se os tipos V. cuja saída para a atmosfera deve ser minimizada (como exemplo. Adoptam-se sarjetas ou sumidouros com vedação hidráulica quando estes órgãos são ligados a colectores de uma rede de drenagem unitária ou a colectores de uma rede de drenagem de águas pluviais. Caso contrário. A soleira tem. Quanto à necessidade de retenção de material sólido Adoptam-se sarjetas ou sumidouros sem câmaras de retenção em arruamentos de zonas totalmente pavimentadas. Pode ser moldada no local ou pré-fabricada. onde não seja de esperar carreamento importante de material sólido pelas águas pluviais afluentes a estes órgãos ou. A espessura não deve ser inferior a 0. onde haja a possibilidade de se depositar material sólido que origine gases. mesmo que se verifique esta hipótese. cuja saída para a atmosfera deve ser contrariada.4 5. deve ter uma armadura para segurança no transporte e assentamento no local. quando existem condições favoráveis para a deposição de lodos). forma rectangular definida pelo contorno exterior da secção transversal do corpo da sarjeta. 5. o colector da rede geral possa assegurar o seu transporte.10 m. devem ser adaptadas sarjetas ou sumidouros com câmaras de retenção. VC. neste caso. cita-se o caso de troços terminais de redes de drenagem sujeitos à influência das marés. ainda. VH e VHC quando a entrada ficar localizada numa valeta não acompanhada de lancil.

Os valores mais correntes para a altura do corpo das sarjetas e dos sumidouros são os indicados nas Figuras 16 a 21. LHC 50 × 40 V. nomeadamente a pia sifónica. FHC [*] 5.espessura das paredes do corpo das sarjetas (em cm) Restantes peças constituintes e acabamentos A NP-676 indica as características a que devem obedecer as restantes peças constituintes dos diferentes tipos de sarjetas ou de sumidouros.3 75 × (55 + e[*]).2 Corpo O corpo pode ser construído com qualquer dos seguintes materiais: alvenaria hidráulica de tijolo maciço. a ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 36 . LC. a placa sifónica. FC. A argamassa a utilizar nas alvenarias hidráulicas deve ser equivalente à de 270 kg de cimento por metro cúbico de argamassa (1:5 em volume). as porções que não possam ser executadas com elementos inteiros devem ser de betão moldado no local ou de alvenaria hidráulica. elementos pré-fabricados de betão. forma rectangular. no entanto. A espessura das paredes do corpo das sarjetas ou dos sumidouros varia com o material utilizado na sua construção.DIMENSÕES DA SECÇÃO INTERIOR DAS SARJETAS / SUMIDOUROS-TIPO Tipo de sarjeta / sumidouros Dimensões da secção interior (cm) L. com as dimensões indicadas no Quadro 1. em planta. FH.4.4. alvenaria hidráulica de pedra. 75 × 35 60 × 35 e . QUADRO 1 . devem ser adaptados às condições locais. VHC F. LH. que. VC 75 × 35 VH. devendo obedecer às condições indicadas no Quadro 2. betão simples de 250 kg de cimento por metro cúbico de betão. No caso de o corpo ser construído com elementos de betão pré-fabricados. O corpo tem.DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL 5. simples ou armado.

pode dispensar-se o reboco. No caso do corpo da sarjeta ou do sumidouro ser construído com elementos de betão préfabricados. se a superfície de betão se apresentar também lisa e sem defeitos. na vigota e na pia ou na placa sifónica (quando de betão). e desde que estes órgãos satisfaçam as condições de permeabilidade estipuladas na NP-676. igualmente. com argamassa equivalente à de 400 kg de cimento por metro cúbico de argamassa (1:3 em volume). o septo.DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E ARQUITECTURA SECÇÃO DE HIDRÁULICA E DOS RECURSOS HÍDRICOS E AMBIENTAIS LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL verga. a tampa e a grelha. Pode. QUADRO 2 . a gola de entrada. dispensar-se o reboco da pia sifónica.ESPESSURAS DAS PAREDES DO CORPO DAS SARJETAS / SUMIDOUROS Material Espessura Alvenaria de tijolo Tijolo a 1/2 vez Alvenaria de pedra ≥ 17 cm Betão moldado no local ≥ 10 cm Elementos pré-fabricados de betão 8 cm As superfícies das sarjetas ou dos sumidouros devem ser rebocadas. se as superfícies se apresentarem lisas e sem defeitos. com a espessura mínima de 1 cm no corpo da sarjeta e de 2 cm no septo. ÓRGÃOS GERAIS DOS SISTEMAS DE DRENAGEM 37 .