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Zona Oeste: Vamos Mudá-la

A coalizão empresarial da Zona Oeste – composta pelas Associações Comerciais de


Bangu, Campo Grande, Realengo e do Distrito Industrial de Santa Cruz – representa as
8.362 empresas instaladas nessas quatro regiões administrativas, segundo os dados da
RAIS/MT. Deste número, 627 são do setor industrial, 4.102 são do comércio, e 3.370 são
do segmento de serviços. A base industrial da Zona Oeste é responsável por 23,3% do
Valor Adicionado Fiscal (VAF) gerado no município do Rio de Janeiro, sendo as atividades
que mais recolhem impostos são os produtos alimentícios e bebidas, localizadas em Campo
Grande. A metalúrgica, química/farmacêutica, papel, gráfica, mecânica e borracha, estão
estabelecidas em Santa Cruz. A região gera 13.561empregos, sendo 19.898 na indústria,
36.507 no comercio e 54.404 nos serviços.

A pesquisa elaborada pelo IE/UFRJ no projeto Pensa Rio da Faperj aponta que na Zona
Oeste em termos de número de estabelecimentos e empregos há uma predominância das
atividades comerciais e de serviços. Isso foi fruto do crescimento populacional que acabou
desenvolvendo o comércio local e os serviços voltados para a população em detrimento das
atividades industriais locais que se reduziram. Entretanto, quando se compara a importância
da Zona Oeste em relação ao município do Rio de Janeiro (MRJ), em termos de
estabelecimentos e empregos, observa-se que ela é mais especializada em atividades
industriais do que em atividades comerciais e de serviços. Ou seja, a expansão industrial da
Zona Oeste é superior ao do MRJ, uma significativa vantagem comparativa da região em
relação ao MRJ que é predominantemente industrial.

Queremos potencializar essas vocações econômicas. Nesse sentido todos os empresários da


região têm uma única diretriz estratégica para a Zona Oeste: Vamos Mudá-la. Isso não é
sonho, é perseguir resultados. O primeiro é que as associações locais pertencentes à
coalizão empresarial desenvolveram um inédito processo de cooperação, apoio mútuo e um
núcleo sólido de governança empresarial. É a partir dessa sincera e radical postura das
instituições e de seus dirigentes que estamos forjando parceria público-privada para
dialogar e comunicar de forma direta com o Poder Executivo e Legislativo, em nível
municipal, estadual e federal para sempre vocalizar os interesses empresariais e os anseios
da sociedade da Zona Oeste.

A nossa representatividade é emanada dos nossos balanços e do quanto da nossa riqueza é


entregue anualmente ao Estado. Fomos nós que fizemos com que a expansão industrial da
Zona Oeste fosse superior ao do Município do Rio de Janeiro. Fomos nós que construímos
a predominância das atividades comerciais e de serviços em termos de estabelecimento e
empregos. Fomos nós que fizemos que a Zona Oeste apresente vantagens competitivas e
tanto na indústria de transformação quanto no setor de comércio e de serviços.
Sabemos que, em pleno século XXI, indústria e serviços crescem e co-evoluem juntos.
Temos manufatura de nível internacional nas nossas fábricas e somos obsessivos na
prestação de serviços pós-venda. Sabemos que o consumidor oriundo de qualquer classe
social busca qualidade total no composto produto-serviço. Inclusive, face ao crescimento
do produto Made in China no consumo das classes de menor poder aquisitivo, observamos
que a exigência quanto à qualidade já é um hábito. Em função desse consumo e da deman-
da existente e potencial – na região, no estado, no país e no mundo – queremos produzir
mais e vender bens e serviços, gerar empregos e renda, e recolher impostos e taxas.

Continuaremos a crescer e a expandir os negócios, apesar da crise internacional em curso,


se houver: (I) Aceleração da redução da taxa de juros doméstica, e pequena volatilidade no
câmbio de modo que o empresário possa formar seu preço de exportação e importação sem
sobressaltos; (II) Reforma tributária que simplifique e reduza a burocracia fiscal e as
obrigações acessórias; (III) Incentivo ao acesso às linhas de financiamento públicas e
privadas; (IV) Incentivos para a melhoria da competitividade das empresas; (V) Incentivos
para atrair e desenvolver parques industriais e de serviços nos espaços geográficos ainda
existentes e/ou naqueles que estão fechados ou abandonados; (VI) Incentivos para a
organização e mobilização de redes e tecnologia social; (VII) Incentivos à agregação de
valor no setor minero-metalúrgico e ao desenvolvimento de um pólo metal-mecânico de
base tecnológica capaz de atender as necessidades da exploração do pré-sal; (VIII)
Incentivos à sustentabilidade sócio-ambiental e regularização do uso dos solos; (IX)
Incentivos para ofertar serviços de saúde de qualidade; (X) Investimentos para remover os
gargalos de infra-estrutura e logística; (XI) Investimentos públicos e privados para
formação de capital humano afim de qualificar e gerar talentos a serem empregados nas
atividades industriais e de serviços e (XII) Incentivos para boa governança pública e
privada.

Nossa agenda para o desenvolvimento local é composta pelos 12 (doze) itens descritos
acima. Sabemos que os 2 primeiros itens precisam ser tratados na esfera federal, mas os
demais cabem ao estado e ao município. Mas na sua essência, o movimento Zona Oeste:
Vamos Mudá-la requer e exige: (I) Investimentos públicos na área de saúde, infra-
estrutura e educação; (II) Estrutura de incentivos correta para florescer os atuais
empreendimentos e atrair novos negócios e (III) A co-evolução do setor público e privado
em prol da sociedade da Zona Oeste e Fluminense.

Nesse século XXI, a co-evolução do público e do privado é o desafio a ser enfrentado na


Zona Oeste. É fato a importância do programa bolsa-família para minimizar os bolsões de
miséria e pobreza da região. Esta ferramenta soluciona a necessidade básica de parcela
expressiva da população. Com a estabilidade financeira surgem novas demandas sobre o se-
tor público e privado para que se possa romper a pobreza e gerar riqueza. Transferir renda
via cartão bancário – responsabilidade do governo federal – é fácil, desde que se tenha
orçamento. Educar, cuidar da saúde e investir em transportes exige prestação de serviços à
população, que está sob responsabilidade do estado e município. Logo, se esses bens não
forem ofertados de modo apropriado, essa população pobre em ascenção votará em outros
representantes. E, não conseguiremos romper com o ciclo de pobreza existente na região.
Por isso é preciso ao longo do próximo semestre outorgar leis, e tomar decisões para
romper definitivamente o ciclo de pobreza na Zona Oeste via investimentos em educação e
transportes. Essa ação melhora a competitividade do setor empresarial, mas não favorece as
condições necessárias para que o setor privado crie a riqueza necessária para oferecer
emprego e renda. Por isso se requer a estrutura de incentivos – acesso ao crédito, atração de
novas empresas, incentivos às áreas industriais e de serviços e mobilização da rede social. É
assim que se forjará governança público-privada em prol do desenvolvimento sustentável
da Zona Oeste.

De imediato para romper o ciclo de pobreza se faz necessário ofertar um ensino profissio-
nalizante na Zona Oeste de modo a: (I) Implantar Centro Vocacionais Tecnológicos (CVT)
em Bangu e Campo Grande voltados para o segundo grau e a formação especializada que
atenda aos setores industriais, comerciais e de serviços; (II) Criar escola técnica voltada
para o setor de saúde e ao complexo industrial-militar em Realengo, nas dependências das
unidades de responsabilidade da FAETC atendendo, de um lado, às necessidades do setor
de saúde, e de outro, do complexo industrial-militar; (III) Ampliar o Centro Vocacional
Tecnológico (CVT) já existente em Santa Cruz, afim de oferecer cursos de Formação
Inicial e Continuada, em siderurgia e metal-mecânica, lembrando sempre em acoplar essa
oferta a necessidade de estabelecer uma educação contínua capaz de viabilizar a oferta de
curso de segundo grau nas dependências da FAETC em Santa Cruz e (IV) Nas
dependências da UEZO – Universidade Estadual da Zona Oeste – determinar a criação do
curso de Bacharelado em Engenharia face à carência desses cursos na região, acoplado à
criação do Centro de Modernização e Inovação da Zona Oeste CIMEZO – parceria
público-privada desenvolvida entre o setor privado, SENAI e Universidades locais. Este
centro deve ter domínio específico de engenharia mecânica e possuir algumas máquinas
com controle numérico, sala de treinamento CAD/CAM, um laboratório de pneumática,
hidráulica e de ensaios de materiais, incluindo ensaios metalográficos e com capacidade
computacional básica. Todos os instrumentos e equipamentos de laboratório serão
utilizados tanto para fins educativos da UEZO, quanto para prestar serviços às empresas do
Estado do Rio de Janeiro, em especial da Zona Oeste.

Também é fundamental remover os gargalos de transportes e logística. A suposta vantagem


de localização de infra-estrutura portuária (Rio de Janeiro e Itaguaí) é comprometida pelas
précárias condições de acessibilidade para transporte. Para todas as atividades econômicas
da Zona Oeste, as principais vias de acesso são a Avenida Brasil e a ferrovia que liga a
Estação Dom Pedro II (Central do Brasil) à Estação de Santa Cruz. Ambas cruzam toda a
região e operam com sérias necessidades de modernização e de condições de segurança. As
unidades produtivas que estão localizadas em Santa Cruz não são servidas por transporte
coletivo e há falta de acesso rodoviário em Campo Grande. O projeto de malha viária para
Campo Grande já existe, falta a decisão política para realizar estas obras.

Os gargalos dos transportes urbanos na Zona Oeste afetam todas as atividades econômicas
da Região Metropolitana. Lá vivem cerca de 2 milhões de pessoas, que diariamente gastam
duas a três horas de condução para chegar ao trabalho. Isso reduz a competitividade
sistêmica de toda a economia regional, e o bem estar da população local. Logo, há duas
iniciativas a serem tomadas a curto prazo. A primeira é elaborar um estudo de viabilidade
econômica das novas vias de ligação para o modal rodoviário com a Zona Oeste, pois os
estudos existentes datam do início dos anos setenta e estão desatualizados. Estes estudos se
fazem necessários para elaborar os planos para a sua execução. A segunda é implantar no
mais breve espaço de tempo o Metrô de superfície de Santa Cruz/Itaguaí até o centro do
Rio de Janeiro utilizando a Avenida Brasil para facilitar o deslocamento da população ativa,
gerando resultados positivos na Região Metropolitana.

Essa é a síntese de nossa agenda empresarial, que está detalhada no estudo do IE/UFRJ.
Todos os resultados obtidos estão sendo disseminados afim de fomentar a discussão,
reflexão e incentivar a organização da população para o desenvolvimento local. Faremos
isso mediante ao envolvimento dos empresários e da população local por meio de um portal
na internet, de ações e reuniões em cada bairro.

Enfim, a proposta do movimento Zona Oeste: Vamos Mudá-la, sob a liderança da


coalizão empresarial composta pelas associações empresarias de Bangu, Campo Grande,
Realengo e Santa Cruz é maximizar as nossas vocações econômicas para potencializar a
formação de capital humano com cidadania. Para isso estamos forjando parceria publico-
privada com o Executivo e o Legislativo Estadual para atrair novos macro-investimentos.
Expandir os negócios já existentes e reconverter as unidades que sofreram
desindustrialização em uma rede de empresas em parques industriais e de serviços, para
fazer florescer uma nova leva de empreendedores e empresas privadas aptas a gerar
riqueza, emprego e desenvolvimento local com sustentabilidade ambiental.