A paisagem em geografia: diferentes escolas

e abordagens
Liriane Gonçalves Barbosa
da Faculdade de Ciência e Tecnologia-Universidade Estadual Paulista
Presidente Prudente - São Paulo - Brasil
lirianegeoufpi@gmail.com

Diogo Laercio Gonçalves
da Faculdade de Ciência e Tecnologia-Universidade Estadual Paulista
Presidente Prudente - São Paulo - Brasil
diogolg12@gmail.com
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RESUMO: No contexto geral, a geografia tem como enfoque principal, as abordagens acerca das
relações sociedade e natureza. Tais relações, sempre foram objeto principal dos estudos da
geografia em todas suas categorias de análise (espaço, paisagem, território, região e lugar), com
maior ou menor ênfase, no que tange à compreensão da organização do espaço geográfico,
cabendo ao geógrafo buscar entender como estas relações se transcrevem a partir do seu ponto de
investigação. Notadamente, os estudos da paisagem, nessa ciência, apresentam papel relevante
para entender tais relações. Foi nesse sentido que ela se estabeleceu como uma de suas principais
categorias de análise, constituindo-se, ao mesmo tempo, em conceito e noção, apresentando
polissemias interpretativas que lhes conferiu, ao longo dos anos, sentidos paralelos, objetivos e
subjetivos. Desenvolveu corpo teórico- metodológico de estudo do meio ambiente a partir de um
conjunto de técnicas e ferramentas de análise, de um lado e por outro lado, uma pedagogia de
estudo a partir da percepção do sujeito. Assim, podemos concebê-la como a
transcrição/interpretação geográfica do arranjo espacial. Partindo dessa premissa, o presente
texto traz uma breve abordagem do estudo da paisagem na geografia, tendo como ênfase o
desenvolvimento das diversas concepções no âmbito das escolas geográficas.
Palavras-Chave: Paisagem. Abordagens. Geografia.
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Introdução
Desenvolveu-se ao longo desse texto, uma breve discussão acerca da paisagem e
sua abordagem no âmbito de algumas escolas de Geografia, enfaticamente aquelas escolas
cuja influência tem sido mais marcante sobre a Geografia brasileira, a escola russa, a
escola alemã e notadamente a escola francesa. A ideia primordial foi elaborar um texto
síntese sobre o desenvolver da paisagem nessa ciência desde seu nascer, destacando,
inclusive sua etimologia e colocando em evidência o contexto, ou os contextos que

na arquitetura. Estabeleceu-se como um de seus conceitos-chave e uma categoria de análise das relações que se efetivam entre os processos naturais (bioquímicos e físicos) e sociais no espaço geográfico. mas seu sentido é igualmente o mesmo dos demais. mas não somente isso. paese. sem uma preocupação maior em discorrer sobre os conceitos a ela atribuídos. país. A ideia de escrever o texto tendo a paisagem como tema central. Geo.Élisée. 1992. diferentes grafias. UEG – Anápolis.2. de forma sintética explicar ou ao menos evidenciar o porquê desse termo ser tão polissêmico na Geografia. um terreno. que se refere a uma porção do espaço geográfico. da evolução semântica e variação linguística do seu prefixo inicial. ora como noção banal subjetivada à percepção de cada indivíduo. 20062008) derivaram quatro outras palavras (prefixos). O quarto termo. jul. Ele está presente como noção. transformando-o em eixo de toda uma teoria da investigação” (TROLL. mas tentar. 2014 Artigo| 93 levaram à formação de concepções e sentidos distintos (polissemia) sobre o modo de concebê-la.3. n. a uma região geográfica. “Porém somente a geografia deu ao seu uso um valor científico. onde as três primeiras possuem o mesmo significado (país) e sentido do termo original. Rev. na literatura. nesse caso. p. em primeiro momento. já que lhe são atribuídos sentidos diversos. nasceu em razão de inquietações instigadas pela dificuldade de compreender num primeiro momento sua definição e conceituação. tanto na geografia como em outros campos do conhecimento. na arte. na fotografia e de forma banalizada. Assim a discussão aqui presente não objetiva prender sua atenção aos diversos conceitos criados para definir paisagem. um território. o latim pagus = país (BOLÓS i CAPDEVILA. no cotidiano das pessoas por meio da mídia escrita e falada. PASSOS. na música. p. uma porção territorial. uma propriedade rural.02). sua etimologia e desenvolver na Geografia. land. pays e land. Do termo primitivo. o qual assumiu de acordo com o idioma e o sufixo a ele acrescido. Paisagem tem sido na Geografia. 1997. pode ser entendida como uma região.92-110./dez. enquanto categoria de análise. um termo recorrente e em estado de constante (re) discussão. . quer dizer terra. seguindo certo paralelismo com o significado de país (figura 1). A variedade de interpretações referentes a esse termo é uma consequência. ora como conceito objetivo ou subjetivo independente do sujeito. v. A terra. Terminologia e evolução da Paisagem O termo paisagem nos remete há vários comentários e interpretações. priorizando no contexto da discussão.

2001. Francês e Holandês) disponíveis online e com base nas leituras referenciadas no texto. quando começou a ser largamente utilizado. rural e urbano. Conforme analisa Luchiari (2001). o termo paisagem adquiriu caráter polissêmico desde sua emergência na escola alemã.. BARBOSA. à abstração do arranjo ambiental ou de parte dele. ao menos. e ainda. TROLL. GONÇALVES. a construção do conceito de paisagem na Geografia ocorreu sob a influência do racionalismo positivista. de um lado. Barbosa (2014) De modo geral a palavra paisagem aparece associada. 1997).. como extensão de um terreno perceptível a partir de um lugar determinado. Cambridge (Inglês) e Babylon (Alemão. portanto dois sentidos importantes para formação de seus diversos conceitos na geografia: um sentido objetivo ligado aos aspectos concretos do meio ambiente. e aquele sentido subjetivo. Foi através da escola alemã que o conceito de paisagem foi introduzido na geografia (LUCHIARI. a três significados: como arranjo fisionômico das características biofísicas e humanas de uma determinada área. 2006-2008. significando um cenário ou uma cena. No âmbito da ciência geográfica. SALGUEIRO. por volta do século XIX. PASSOS. 2001. e do romantismo e idealismo do outro. como a percepção subjetiva e sua representação por meio de um quadro ou fotografia. D. Aurélio (Português).. encontrados nos dicionários. Figura 1: Origem e evolução do termo paisagem Fonte: Esquema elaborado conforme as definições e significados do termo paisagem. L.94 | A paisagem em geografia:. como uma região natural e ou os meios. Sua apreensão segundo a perspectiva racionalista se deu a partir de uma racionalização objetiva. aquele da descrição das formas e funções dos objetos e sua fisionomia. porém. L.G. Italiano. ligado à percepção. A partir da apreensão visual de objetos travestidos de formas e passíveis de descrição fisiológica. muito mais ligada à ciência. Deriva daí. Espanhol. pelo sujeito. Organização:Liriane G. 2013. .

onde. (apud ROGER 2000) destaca quatro condições para existência da paisagem: a primeira delas é sua própria representação linguística. Nesse sentido a paisagem da literária é antes de tudo a arte de representar através da escrita. No século XV surgiu a concepção de paisagem associada à representação de lugar. É uma perspectiva mais artística e literária. na pintura. mas também um posicionamento político e filosófico. Serve como ilustração disso. O movimento romântico. sendo possível compreender. após a laicização e autonomização dos elementos da natureza é que ela adquiriu sentindo de lugar. a noção de paisagem surge ainda no período medieval. a expressão do imaginário pessoal. Geo. n. muito mais ligada á pedagogia. p. que retrata o contexto ambiental do sertão nordestino.92-110. 2004. a literatura sertaneja. As estórias imaginadas e narradas em momentos diferentes da literatura representam um modo de conceber o mundo e está diretamente relacionado com o contexto social e político do momento. uma forma de expressão das relações sociedade-natureza. Daquilo que os sentidos do indivíduo dotados. v. LUCCHIARI. Na literatura. social e artística. a paisagem aparece como um conceito subjetivo. UEG – Anápolis. cantada ou descrita. conforme destacado no esquema da figura 1. Berque. expressas através da ornamentação dos jardins. 2006-2008. sua representação literária.3. um período de conturbação política. inconformismo social. 2001). à apreensão dos quadros da natureza e sua representação por meio da pintura de quadros (PASSOS. a paisagem se fez muito presente nos romances. conseguem apreender. Expressava a realidade através dos sentimentos. por uma formação cultural e social. Segundo Lucchiari (2001). através da representação escrita em cordel e romances . nos poemas e poesias. e suas representações na pintura e na paisagem dos jardineiros. mas essa noção de paisagem tem como característica a subjetividade. sob a forma de sentimento á natureza e valorização estética como símbolo distintivo de posição social. 2014 Artigo| 95 O contrário ocorreu com a perspectiva idealista e romântica. Segundo essa perspectiva. por exemplo./dez.2. Assumiu características subjetivas e idealistas. jul. Mudanças de sistemas políticos e econômicos. a apreensão e a descrição dos objetos da paisagem dependem da subjetividade do sujeito. rejeição artística às normas e sistematização do saber científico. mas somente após romper com a visão teológica medieval a ela assimilada durante esse período. apareceu na Europa no século XVIII e refletia aquilo que a sociedade vivenciava na época. CLAVAL. Rev. a partir da literatura. em segundo lugar. É compreensível a questão polissêmica da noção/conceito de paisagem quando se verifica o contexto de seu surgimento e sua evolução histórica.Élisée. o contexto dessa época e suas mutações ou pelo menos parte delas. seja oral ou escrita.

associada a uma concepção estética. As paisagens do sertão nordestino se fazem presente no imaginário de muitos brasileiros a partir da sua representação literária. na Alemanha. 2013 p. p. L. mesmo diante da calamidade da seca.34). Em “Vidas Secas”. BARBOSA. A Humboldt é atribuída as primeiras ideias sobre paisagem como conceito científico em geografia (PASSOS. Passos (2006-2008 p. do saber mecanicista e das perspectivas teleológicas e organicista da natureza” (SILVEIRA VITTE 2010. Na geografia. como o relevo e o clima. de representar cenários da natureza através da pintura. física e material. dos ideais do movimento romântico.G. etc. 2006-2008). a problemas surgidos em razão da escala. fortemente marcado pelo naturalismo. emergiram da confluência de saberes metodológicos multivariados. L. mas também da sua noção literária. Historicamente. de um conhecimento estritamente formal e materialista. portanto à perspectiva fisionômica dos quadros da natureza. à época geografia das plantas. E aquela paisagem abstrata. suas angústias e apego ao sertão. O movimento romântico também serviu de inspiração no modo de conceber paisagem à época.40. João Cabral de Melo Neto.). o movimento de sistematização da ciência e do outro. produzido pela ciência da época. Estudo apoiado na fisionomia e funcionalidade. Suas pesquisas sobre as plantas e sua relação com os demais elementos da natureza. caráter estético-descritivo. GONÇALVES. 2006-2008). subjetiva e individual. O estudo geográfico das . Sua evolução no âmbito dessa ciência se deu no sentindo de buscar soluções conceituais... sendo concebido “em geral como o conjunto de “formas” que caracterizam um setor determinado da superfície terrestre”. evidenciada pela descrição das lembranças dos personagens.96 | A paisagem em geografia:. dos quais ele fez uso para alcançar seu objetivo principal: entender a unidade dos processos naturais. paisagem emergiu então. Euclides da Cunha. relacionado. Sua narrativa evidencia dois tipos de paisagens: a paisagem concreta.. Assim a concepção de paisagem de então. externa o problema das secas no sertão e da exclusão social. de grande relevância para geografia física e. da complexidade e da globalidade das formas da superfície terrestre (PASSOS. Graciliano Ramos. assumindo nessa ciência. considerando a morfogênese e a magnitude dos objetos para fins de classificação dos elementos da natureza. A “incorporação das metodologias do campo. precursoras da chamada fitogeografia. (Graciliano Ramos. a referência ao termo paisagem se fez presente na geografia a partir do século XIX. de um lado.187) conduziram a geografia à construção do conceito de paisagem. sob a influência da noção evolutiva da paisagem pitoresca. comumente percebível por todos e evidenciada pela descrição fisionômica do ambiente. emergiu sob a influência. e da arte de ornamentação de jardins. D.

Humboldt sistematizou seus estudos a partir de várias viagens feitas ao redor do mundo em duas obras: Quadros da Natureza (Volume 1 e 2) e Cosmos. Toda esta observação assídua da natureza presente na obra de Humboldt trouxe vários elementos para se entender e descrever a paisagem.3. Geo. Neste contexto. Seu viés naturalista foi o pontapé inicial para os estudos da paisagem nesta escola tão importante. jul. acarretaria para o pesquisador uma observação sistemática dos elementos. geograficamente. . Foi a partir da abordagem naturalista de Humboldt que a paisagem começou a ser entendida pela geografia como uma forma de analisar as relações presentes entre homem e natureza no do espaço geográfico. buscando conexões que ajudassem explicar a relação homem e natureza. v. que determinam e condicionam a formação do arranjo espacial da paisagem. é extraído a partir das diferentes formas naturais determinadas “constâncias e consistências” o que irá derivar uma lei empírica responsável por explicar as condições sobre a qual o fenômeno se manifesta. p. o que.Élisée. 1997) A abordagem de Humboldt. UEG – Anápolis. De acordo com a abordagem de Pedras (2000) para Humboldt o fato empiricamente observado é “elevado” como ponto de vista e desta maneira. em que eram privilegiadas as formas dos fenômenos. sua fisionomia. as interações e os processos. voltada para o conhecimento da natureza. n./dez. caberia então a geografia ser uma ciência de síntese. que a partir de um raciocínio lógico traria as concepções referentes à paisagem observada. É a partir desta escola que temos a sistematização da ciência geográfica a partir das abordagens de autores como Alexander von Humboldt e Karl Ritter. considerava que a interação entre os conjuntos resultava em unidades integradas e a elas conferia características próprias. abarcando todos os elementos.2. (MORAES. geógrafo contemplar a paisagem A partir do empirismo. concomitantemente. ambos contemporâneos do século XIX e considerados pioneiros na abordagem da geografia como ciência.92-110. Humboldt propunha ao de uma maneira quase estética. Tais obras sistematizaram a concepção da geografia como uma ciência que abarcaria todas as demais ciências no que concernem os estudos sobre a terra. Rev. não dava conta de explicar o conjunto. 2014 Artigo| 97 unidades de paisagens de caráter puramente descritivo. As escolas geográficas e suas abordagens de paisagem Podemos definir a Escola Alemã como ponto de partida para os estudos referentes à paisagem dentro da geografia.

GONÇALVES. o ecótopo. Neste contexto. BARBOSA. considerou as relações casuais que interagem na natureza (PASSOS. (TROLL.. enquanto a vegetação contribui para sua conservação. (PASSOS. Além de Humboldt é preciso destacar também as contribuições de Ratzel. subdividindo-as a partir da concepção de anteriores tanto da geografia como da ecologia.. trazendo uma nova roupagem a partir das influências que o meio exerce sobre o homem. o que deu origem a um novo ramo na Geografia denominado Geografia da Paisagem. 2006-2008). 1950). aponta que Passarge procurou relatar a partir de seus estudos anteriores que os elementos climáticos tendem à destruição das formas. criando a definição de ecótopo. 2003). Igualmente. acrescentando à totalidade dos elementos geográficos. Ratzel manteve a visão naturalista apresentada na obra de Humboldt. Moura e Simões (2010). Dessa primeira abordagem de paisagem. Esta tendência iniciada por Troll está intimamente ligada às relações organismo-ambiente. que a partir do racionalismo e do positivismo ambiental. É na virada do século XX que então o termo Landschaftskunde é integrado a geografia como o estudo da ciência das paisagens considerando a partir da ótica territorial. von Richthofen e Sifgrid Passarge.. as interações entre o conjunto de formas semelhantes geram a integração e conferem características próprias. Já Passarge foi o primeiro geógrafo a apresentar uma obra exclusiva sobre a paisagem (Grundlagen der Landschaftskunde 1919 . pois a interação entre elas é que irar formar uma estrutura que converta em algo diferente.98 | A paisagem em geografia:. Troll considerou as estruturas da paisagem. trouxeram um novo viés para o . introduzindo na Geografia a abordagem da Ecologia da Paisagem.G. dando suporte para entender as interconexões estabelecidas em qualquer setor da mesma (PASSOS. sendo este termo variante do conceito de biótopo. utilizado pela biologia com finalidade similar. os estudos de Troll. As contribuições mais significantes neste período são dos autores: Ferdinand. atmosfera e hidrosfera. Ou seja. o qual ele considerava como a extensão do conceito de biótopo. abordagens ecológicas (potencial ecológico). L. posteriormente denominada de Geoecologia da Paisagem.1920). apresenta uma visão da superfície da terra (Erdoberflasche) sendo a intersecção das diferentes esferas: litosfera. 2003). que fora um dos principais percursores da obra de Humboldt. não se podem considerar as unidades integradas como apenas a soma dos seus elementos. Troll inseriu ao conceito de paisagem. biosfera. de cunho excepcionalmente naturalista se desenvolveu a ciência da paisagem que teve em Carl Troll um de seus maiores representantes. Richthofen. L. D.

Geo. de nível local. jul. territorial e dinâmico que abarca todos os elementos de paisagem e . em um só conjunto”. UEG – Anápolis. 2006-2008) o geossistema é um modelo global. mas relacionados entre si (PASSOS. 2006-2008 P. num esforço de V. Bertalanffy.44) como “os sistemas naturais. que tinha como propósito a identificação. A abordagem da ciência da paisagem na escola alemã seguiu então. Filosoficamente essa escola está apoiada no materialismo dialético. irregularmente distribuídos. P. que sob a influência das concepções da escola germânica e das contribuições da edafologia. onde o complexo natural da terra é entendido como um composto de corpos individuais. o solo.92-110. Desse modo. Outra importante escola para os estudos de paisagem em geografia foi e ainda é a escola soviética. a água e as massas de ar. assimilou características eminentemente naturalistas. a paisagem cultural (Kulturlandschaft). p. Rev. 2013a.80). n. são interconectados por fluxos de matéria e de energia. essa escola desenvolveu a noção de Naturlandschaft (paisagem natural). Os soviéticos se empenharam em desenvolver modelos sistemáticos de mapeamentos dos elementos da natureza levando em consideração as diversas escalas. 2006-2008). realizar a classificação sistemática das unidades taxonômicas da paisagem.B.Élisée. classificação e cartografação das unidades naturais. 2014 Artigo| 99 estudo da paisagem considerando. principalmente a interlocução com outras ciências que posteriormente influenciaram muitas concepções sobre o estudo da paisagem em outras correntes teóricas.2. levaram-nos à elaboração da Teoria dos Geossistemas. que se desenvolveu no âmbito das principais escolas geográficas do continente europeu (a Soviética e a Francesa) e da escola Anglo-Saxônica. particulares às diversas subdivisões da superfície terrestre. V.3. orientada. simultaneamente em duas direções: uma abordagem naturalista. O empenho dos soviéticos em encontrar um modelo teórico que os possibilitassem. nos quais o substrato mineral. Sochava (na década de 1960) de aplicar esta teoria aos estudos da superfície terrestre. designando paisagem como “sinônimo do conceito de espaço natural” (RODRIGUES & SILVA./dez. as comunidades de seres vivos. criada nos anos de 1930 por L. A Teoria dos Geossistemas foi desenvolvida a partir da Teoria Geral dos Sistemas. que se denominou de paisagem natural (Naturlandschaft) e outra de cunho cultural. regional ou global. onde a natureza forma uma totalidade dialética. v.36. Essas duas abordagens iniciais serviram de âncora para o desenvolvimento das demais correntes de pensamento geográfico sobre paisagem. Para Sochava (apud PASSOS. O geossistema foi concebido por Sochava (apud PASSOS 2003. P.

passando pelo regional. Mas a paisagem. e especialmente para a “dita” geografia física. cuja análise ambiental é feita com a utilização de modelos prospectivos. Preocupava-se em enfatizar. do global ou terrestre. A paisagem anglo-saxônica de desenvolveu a partir da Geomorfologia (BOLOS i CAPDEVILA. de pequena extensão e escala de detalhe. Desse modo o mesmo pode ser compreendido como um modelo teórico de estudo da paisagem. Até os anos 1960. descritivamente.48). BARBOSA. através de sua cultura.78).. as características individuais de cada região. A paisagem.G. Foi essa escola quem lançou as primeiras bases epistemológicas dentro de uma “lógica paisagística” (PASSOS. uma visão culturalista da paisagem. quanto de estruturas institucionais”. seu conceito só se consolidou de fato como conceito chave dessa ciência. GONÇALVES. A contribuição da escola Soviética é largamente reconhecida como umas das mais importantes para o conhecimento sobre paisagem em geografia. 2013a. tanto no que diz respeito à “ordem epistemológica.100 | A paisagem em geografia:. sem muita preocupação com a integração sistemática entre os mesmos. onde a natureza é vista como um todo harmonioso.. Na década de 1970. no âmbito da paisagem natural caracterizada por ser uma paisagem objetiva e naturalista (PASSOS 2006-2008) com ênfase no quadro natural. onde se entendia que o homem ao interagir com a natureza. pode ser aplicado a qualquer tipo de paisagem concreta. 1992). A base filosófica dessa corrente paisagística é o materialismo. embora tenha sido um tema central na geografia desde os anos 20 do século XX. Segundo Passos (2006-2008) esse caráter excepcionalista-descritivo frustrou qualquer tentativa de conceituação da paisagem no âmbito dessa escola. A geografia lablachiana até a segunda metade do século XX teve seus estudos voltados para descrição das regiões geográficas daquele país.. incluía a classificação dos geossistemas numa ordem escalar decrescente. A paisagem era percebida “como um conjunto de formas físicas e culturais” (RODRIGUEZ & SILVA. forma a paisagem. Bertrand (2004) então propôs um esboço metodológico de estudo global da paisagem em geografia física. com Carl Sauer. Sua proposta metodológica consistia em . de grande extensão e pequena escala indo até o topológico. p. O paralelismo entre objetividade e subjetividade presente na definição desse termo. a maior contribuição científica aos estudos de paisagem vem do geógrafo Georges Bertrand. dificultou a formação de uma base conceitual sólida. após os anos 1970. 2006-2008. nesse caso é a soma dos elementos naturais e culturais. Na escola francesa. L. a proposta de estudo geossistêmico de Sochava. Ainda de acordo com Passos. p. D. Na escola Anglo-Saxônica se desenvolveu. L. os maiores avanços foram conseguidos com a escola soviética.

a partir dessa primeira definição bertrandiana de paisagem. reagindo dialeticamente. distribuídos em dois grupos de unidades: as unidades superiores (Zona. 51. P 35). que em sua relação dialética determinam a evolução geral de uma paisagem. Geo. Para esse autor não é somente o natural que compõe a paisagem. e da Teoria dos Geossistema nos anos 1960. 141. mas o todo numa determinada porção de espaço natural/humano. sua conceitualização.3. ao resultado da combinação de dados abióticos (potencial ecológico)-fatores geomorfológicos./dez. portanto. Desse modo a evolução do pensamento sistêmico na ciência a partir da elaboração da Teoria Geral dos Sistemas por Bertalanffy. nos anos de 1930. mas estudá-lo sob o ponto de vista das alterações antrópicas. fauna e solo.33). mas também por uma necessidade de superação do estudo fragmentado praticado pela geografia até então. alçou as bases epistemológicas do estudo da paisagem. o geossistema corresponde. É. jul. Em sua proposta. Sua proposta não pretende o estudo puro e simplesmente do sistema natural do ponto de vista funcional e estrutural. enquanto objeto de pesquisa da geografia se deu mediante a ocorrência de fatos científicos internos e externos a essa ciência: . Como é possível constatar. o fundamento centralizador de sua proposta é a dinâmica dialética das relações entre os elementos biofísicos e antrópicos. numa determinada porção do espaço. portanto da proposta geosistêmica de Sochava pela inserção do caráter antrópico. Segundo Bertrand & Bertrand (2004 p. numa escala local. como o faz a escola soviética. Segundo Passos (2006-2008. em perpétua evolução. biológicos e antrópicos que.e a ação antrópica. A dialética tipo-indivíduo é o próprio fundamento do método de pesquisa”. Rev. uns sobre os outros. com os dados bióticos (exploração biológica)-flora. p. n.2.Élisée. 2009 p. 2014 Artigo| 101 classificar as unidades taxonômicas da paisagem por ordem de grandeza escalar. climáticos e hidrológicos-. UEG – Anápolis. fazem da paisagem um conjunto único e indissociável. como um modelo teórico metodológico de estudo da paisagem. p. Essa proposta geosistêmica de Bertrand (2004) se diferencia. portanto instável. Geofácies e Geótopo). partindo de uma ordem de grandeza escalar global para uma ordem de grandeza escalar local. “a paisagem não é a simples adição de elementos geográficos disparatados. de elementos físicos. O geossistema surgiu. Domínio e Região Natural) e as unidades inferiores (Geossistema. v. seguida do desenvolvimento do conceito de Ecossistema na Biologia. o resultado da combinação dinâmica. 2013.92-110. Desse modo indicou seis níveis taxonômicos hierarquizados. primordialmente como uma tentativa de superar os problemas de ordem epistemológicos em relação ao conceito de paisagem.

. portanto sob um enfoque objetivo.). podendo ser definido muito mais como uma noção do que um conceito propriamente.  A contribuição das escolas geográficas que desenvolveram estudos integrados. ambos sob um enfoque subjetivo. biótopo. qualitativos ou quantitativos (ex-URSS. social. GONÇALVES. muito particularmente em Biologia.G. ela ainda continua a ser um termo impreciso. França. Rennó (2009) inspirada nas reflexões de Beringuier desenvolveu uma proposta para abordagem da paisagem a partir um modelo tridimensional que ela denominou de Tripé Paisagístico (figura 6). em termos novos e graves. práticos ou teóricos. da organização dos recursos naturais e da proteção da natureza que colocam. que fornecem documentos particularmente adaptados ao exame global da paisagem. ora aparece como um sentimento em relação ao meio ambiente.. Austrália.  Os progressos da Ecologia de síntese ou biocenótica que autorizaram o estudo global da Biosfera com ajuda de conceitos integradores simples (ecossistema. epistemológicas e procedimentais significativas. O paralelismo divergente entre os enfoques objetivo e subjetivo continuam a caracterizar o estudo da paisagem. cadeia trófica. a partir das leituras conceituais desse termo é a opção por um em detrimento ao outro. Ora paisagem aparece associada a uma concepção naturalista. Segundo Passos (2013). a generalização da fotointerpretação e o avanço da teledetecção (ou sensoriamento remoto). econômico. da imagem e . D.102 | A paisagem em geografia:.  Sobre o plano técnico. Canadá. A abordagem de Beringuier sugere seu estudo a partir da forma. L. Europa de Leste.. etc. 36) considera que “a paisagem. L. etc. dotada de forma e estrutura e. não se entenderia o desenvolvimento da Ciência da Paisagem fora dos problemas do meio ambiente. Passos (2013. Nesse sentido paisagem torna-se uma abstração interior e particular a cada sujeito.  Enfim. as sociedades e os meios ecológicos.). biocenose. Desenvolvimento da teoria e da reflexão epistemológica em todas as pesquisas ditas de “ponta”. ela é uma construção banal e não um conceito construído cientificamente. A proposta contempla as três correntes de estudo da paisagem.”. ora ela aparece como uma abstração ou uma percepção do arranjo físico e estrutural do meio ambiente. Embora a discussão de paisagem tenha alçado bases conceituais. cultural etc.  BARBOSA. a questão das relações entre os indivíduos. O que geralmente se percebe. sobretudo no seu aspecto dinâmico de „processos paisagísticos‟ deve ser estudada como um „polissistema‟ formado pela combinação de sistemas natural. p.

A escola russa de geografia. Barbosa Dessa forma a paisagem interpretada a partir do enfoque materialista pode ser entendida como um arranjo de formas e estruturas naturais e sociais perfeitamente perceptíveis e passíveis de classificação teórico-metodológica. existir e desaparecer sem a interferência humana. As paisagens sob essa perspectiva “são unidades geoecológicas resultantes da interação complexa de processos naturais e culturais. A primeira delas é a forma. com base no trabalho de Beringuier (2004). 2014 Artigo| 103 do valor. através de sua cultura (RODRIGUEZ & SILVA. v. é a melhor ilustração de escolas que desenvolve estudos ambientais com abordagem essencialmente materialista através da Geoecologia das Paisagens. de acordo com as abordagens de paisagem inferidas pela autora ao longo do texto de seu trabalho sobre o Rio São Francisco. cujo enfoque. onde o homem é um agente modificador dos sistemas naturais.2. n.92-110. 2014 P. Figura 6: Tripé Paisagístico Fonte:Esquema elaborado por Rennó (2009). Rennó criou correspondências para cada uma dessas entradas.Élisée.18). a corrente naturalista. jul. UEG – Anápolis. privilegiando o estudo da forma e sua estrutura. 2013a). Elas podem se originar. que corresponde no modelo elaborado por Rennó. . formada por diferentes elementos em constante interação. antiga escola soviética. sendo associada. mas sua representação não é independente da cultura” (CAVALCANTI. Adaptação e organização: Liriane G./dez. Rev. p.3.O esquema é uma interpretação esquemático-teórico das possíveis entradas de estudo da paisagem. à entrada materialista. Geo. As bases filosóficas fundamentadoras dessa vertente é o materialismo dialético e sob o ponto de vista sistêmico sua análise ambiental considera a natureza como uma organização sistêmica. objetivamente está centrado nos aspectos biofísicos da natureza e na sua relação com o homem.

e no sistema de Rennó (2009) é a corrente flexível. uma noção.G. No Tripé Paisagístico de Rennó. o patrimônio identitário do sujeito e suas representações simbólicas de mundo. isso por que ela surge na interação entre o homem e uma porção qualquer do espaço geográfico. onde a paisagem assume caráter essencialmente cultural e patrimonial. Essa corrente se encontra no centro do sistema porque se propõe a uma abordagem de paisagem. A terceira corrente de interpretação da paisagem é aquela que leva em consideração o valor. É importante destacar a mudança de percepção de Bertrand em relação à conceitualização de paisagem desde que abordou esse tema pela primeira vez no final da década de 1960 e início da década de 1970. É o estudo do significado que o sujeito atribui aos objetos (naturais e sociais) e ao arranjo deles. Desse modo ela é um processo e ao mesmo tempo um modo de representação cultural do espaço (PASSOS. D. mesmo sem levar em . apenas expressada através do significado a ela atribuído. O geossistema em sua nova proposição (GTP) é um dos tripés (entradas) para interpretação do meio ambiente. L. 2009) é o estudo da paisagem a partir da imagem. para uma abordagem centrada na interpretação da paisagem a partir da abstração sentimental do sujeito. Seus estudos sobre meio ambiente reconhecendo-o como um sistema complexo demais para ser estudado a partir de um único conceito. Assim Bertrand passou de uma abordagem naturalista com enfoque objetivo. como forma de superar as deficiências apresentadas por ambas. na sua relação com o meio ambiente. BARBOSA. em que a interpretação das unidades taxonômicas da paisagem se fundamentava no modelo teórico metodológico. imagem diz respeito à sensibilidade do sujeito (homem). A paisagem para Bertrand passou a ser uma abstração. L. A paisagem sob esse enfoque é a dimensão cultural do meio ambiente e existe em relação ao território. por isso a autora a considerou como a corrente do sensível. segunda dimensão ambiental. nesse caso a sua dimensão naturalista. a identidade do sujeito em relação ao seu meio ambiente. uma dimensão cultural. articulando as duas primeiras correntes. pode-se inserir nessa perspectiva Georges Bertrand.104 | A paisagem em geografia:. E desse modo.. o levou a proposição de um sistema tripolar. que entende a paisagem como um arranjo de objetos visíveis a partir da percepção do sujeito.. É a imagem internalizada a partir da apreensão dos fenômenos pelos sentidos do indivíduo. para o qual paisagem é hoje. geossistema. A segunda corrente de Beringuier (apud RENNÓ. a paisagem não pode ser definida. aquela da representação.. materialista e sensível. Segundo essa corrente. GONÇALVES. Essa é uma corrente desenvolvida no âmbito da geografia cultural. o GTP. 2013).

Geo. a instituição mental e a própria complexidade desta articulação. as coisas materiais e por outro. jul. Rodriguez & Silva (2013a) e Cavalcanti (2014). Estudos da paisagem no Brasil No Brasil estudos dessa natureza vêm sendo bastante difundidos. Utiliza modelos geoecológicos e cartográficos para modelar a paisagem. Ambos os trabalhos propõem o uso de metodologias geoecológicas e cartográficas. para a análise ambiental sob uma perspectiva paisagística. somente dessa forma é possível construir a interface. nesse último caso.Élisée.3. especialmente. no âmbito das escolas russa e francesa. os elementos centrais de sua análise são função. essencialmente a partir da fisionomia do conjunto. as influências de Ab‟Saber (2003). De modo que é possível identificar ao menos três linhas de estudo dessa natureza no país. pedológicos. respectivamente. A diferença básica entre estas duas concepções é que. realizou a classificação fitogeográfica e morfoclimática das paisagens naturais brasileiras com base na sua análise fisionômica. 2009). na tentativa de diferenciar as paisagens brasileiras levando em conta o conjunto geoecológico (padrões climáticos. a paisagem não é apenas aquela dos objetos concretos e tão somente aquela da imaginação do sujeito.92-110. Inclusive.2. É possível perceber claramente. estado e transformações e modificações da paisagem. seja também do ponto de vista ecológico ou do ponto de vista sociocultural. epistemologicamente. uma abordagem de paisagem tem que levar conta. pelas concepções filosóficas das escolas mencionadas. Para essa autora. geomorfológicos e principalmente fitofisiômicos). por um lado. seja como conceito ou como noção. a importância que a abordagem paisagística vem assumindo em relação ao estudo do meio ambiente. p. pois. o elemento . especialmente. UEG – Anápolis. As duas vertentes se apoiam em modelos de paisagem e têm na cartografia uma ferramenta para modelar as unidades taxonômicas. enquanto para os primeiros. as peculiaridades do arranjo dinâmico natural de cada região do Brasil. Uma primeira linha de estudo segue a abordagem mais ecológica. Vale destacar ainda. Podem ser destacados os trabalhos de Rodriguez et. dos quais o modelo GTP é a melhor ilustração. n. estrutura vertical. Ambas as escolas vêm desenvolvendo estudos do meio ambiente sob uma perspectiva paisagística. Nesse sentido retoma-se novamente a importância das concepções de paisagem desenvolvida. o segundo diferencia taxonalmente as unidades de paisagem. Esse geógrafo. influenciados. 2014 Artigo| 105 conta suas teorias e métodos de estudo (RENNÓ. buscando interpretá-lo a partir da aplicação de modelos teórico-metodológicos. v. Rev./dez. mas a complexa interação dos dois mundos e. portanto. geológicos.al (2013).

Ecogeografia ou da Geografia Ambiental. D. a qual fundamentou também os estudos da geografia russo-soviética. (BARROS. temos como pontos de partida dois direcionamentos teóricos: um voltado para os aspectos biofísicos. sob o qual se analisa a paisagem a partir da ótica social ou pela percepção humana. As abordagens referentes a Geoecologia das Paisagens.106 | A paisagem em geografia:. Silva e Cavalcanti (2013) e Rodriguez e Silva (2013a e 2013b). tem como referência os estudos do século XIX propostos por Humboldt. BARBOSA. A principal escola brasileira de disseminação dos estudos da Geoecologia das Paisagens tem sido a escola geográfica cearense. no que concerne o planejamento ambiental oferecendo importantes contribuições para o conhecimento da base natural e do meio ambiente. mas também está fortemente apoiada na Geografia da Paisagem de Carl Troll. principalmente por autores como Cavalcanti (2014). de base epistemológica fincada na geografia alemã de Humboldt e Dokuchaev. L. L. concentrando-se nos estudos Geoecológicos... a geoecologia das paisagens tem como objetivo tentar integrar as correntes teórico-metodológicas sobre a abordagem da paisagem dentro da geografia e da ecologia. Barros (2011) aponta que devido sua importância conceitual e a metodologia de trabalho utilizada. . entendido como o meio global. Silva e Rodriguez. Para Rodriguez. A paisagem construída neste caso está ligada a uma visão fragmentada do objeto e seus componentes naturais. A Geoecologia das Paisagens tem sido amplamente discutida na geografia brasileira. sendo este. O outro voltado ao sociocultural. através da parceria com a escola cubana. Esta essência é que influenciou os estudos da geografia francesa. bem como na construção de um modelo teórico que incorpore a sustentabilidade no processo de desenvolvimento. A influência maior dessa vertente vem de Sauer e Cosgrove. nesse sentido. 2001). ao estudar as paisagens naturais. com um viés mais naturalista. Silva e Cavalcanti (2013). para a formulação de uma base teórico-metodológica. Uma segunda linha de pesquisa está ligada à geografia cultural e tem como principal referência brasileira o geógrafo Lobato Corrêa.G. condizente para o planejamento e gestão ambiental. trata-se de uma proposta adotada nos estudos da Geografia. tendo Bertrand como seu principal expoente.. tal como o é para Bertrand. indicador da paisagem de Ab‟ Saber (2003) era a cobertura vegetal. que tem como fundamento teórico a concepção de geossistema de Sochava. que desenvolve estudos paisagísticos no âmbito da geografia cultural e urbana. Neste contexto. representa a “expressão material do sentido que a sociedade dá ao meio” (LUCHIARI. A paisagem. 2011). GONÇALVES. Lamonosov e Dokuchaev.

muito notadamente devido as próprias origens que o termo apresenta em sua grafia nos diversos idiomas. A abordagem se apoia metodologicamente. a partir de todas as escolas abordadas. do território. Considerações finais A paisagem ganha ares científico na geografia.3. cabe explicitar aqui. Geo. simultaneamente de uma abordagem socioeconômica. jul.Élisée. O termo paisagem. n. desde as primeiras constatações e estudos referentes à geografia como ciência. Contudo. A aplicação desse modelo. que a abordagem da paisagem como categoria de análise transpassa todas as fronteiras pertinentes a discussão sobre a divisão da ciência geográfica entre o físico e o humano. Em suma. Nesse caso a paisagem é um componente de interpretação da percepção do sujeito em relação ao meio em que vive. 2014 Artigo| 107 A terceira linha de pesquisa tem como fundamento teórico-metodológico o sistema GTP (Geossistema-Território-Paisagem) de Bertrand. . como a biologia e a ecologia. Rev. v. iniciadas juntamente com a contribuição de outras áreas do conhecimento cientifico. podemos definir que a paisagem abordada pela geografia. seguido. 2013). transcreve as relações entre homem e natureza. entre social e o físico e é a partir desta perspectiva que o geógrafo deve considerar-la em sua análise. Podemos inferir que a inserção da paisagem na geografia acompanhou o desenvolvimento da própria ciência geográfica. sob o ponto de vista de um geocomplexo antropizado. considerado aí como as relações e os meios de organização social do meio ambiente. que tem procurado fazer sua abordagem a partir do estudo do meio ambiente. a paisagem. à análise ambiental é feita partindo da abordagem naturalista do geossistema. onde este é analisado a partir de suas estruturas vertical e horizontal. em depoimentos dos sujeitos da pesquisa e no imageamento fotográfico.92-110. e finalmente da abordagem sociocultural do meio ambiente. mas que no contexto geral acabam tendo conexões importantes para que o geógrafo possa apontar a direção a ser trabalhada no âmbito do aspecto teóricometodológico de sua pesquisa. p. UEG – Anápolis. desenvolvida no Brasil por Passos (2006-2008. A paisagem como propriamente dito. sendo as principais expoentes da sistematização da geografia./dez.2. com as escolas alemã e francesa. apresenta várias nuanças. transcende então o campo da arte e do romantismo e passa a ser uma das principais categorias de análise dentro das pesquisas referentes ao meio ambiente.

It was developed a theoretical and methodological body of studies of the environment from a set of techniques and tools of analysis on one hand. we can conceive it as a geographical transcription/interpretation of the spatial arrangement. Approaches. 141-152. Based on this premise. a pedagogy of study from the perception of the subject. place). BARBOSA. Such relations have always been the main object of the geography studies in all of the analysis categories (space.Revista Geográfica de América Central . São Paulo: Ateliê Editorial. Aplicações da geoecologia da paisagem no planejamento ambiental e territorial dos parques urbanos brasileiros . Luciana Lira. It was this way how it established itself as one of the main analysis categories. being the geographer's responsibility to understand how these relations are transcribed from their research point. with more or less emphasis regarding to the comprehension of the geographical space organization.2014. Keywords: Landscape. 2009.br/ojs2/index. Claude e BERTRAND. L. Uma Geografia transversal e de travessias: o meio ambiente através dos territórios e das temporalidades. Disponível em: http://ojs. Maringá: Ed. 8. Georges.c3sl. 2006.108 | A paisagem em geografia:. GONÇALVES. Os Domínios da Natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. Notably... D. __________________________________________________________________ Referências AB SABER. present a relevant role to understand such relations. ____________________________________________________________________________ The landscape in geography: different schools and approaches ABSTRACT: In a general context. Brasília: TODA Desenho & Arte. the landscape studies. MORAES. . Aziz Nacib.Número Especial EGAL. 2004. Antônio Carlos Robert.Costa Rica II Semestre 2011 pp. 2011. Massoni.ufpr. the present text brings a brief approach of the landscape study in geography. CODEVASF. objective and subjective senses throughout the years. BERTRAND. Lucas Costa de Souza.14 BERTRAND. geography has the approaches about the society and nature relations as its main focus. 1997. 15ª edição. Hucitec. PLANAP: Atlas da Bacia do Parnaíba. Curitiba. BARROS. Editora UFPR. p. n. Geografia: pequena história crítica . Cartografia de Paisagens: fundamentos. territory. Thus. which conferred them parallel. Georges. RA´E GA. São Paulo: Oficina de Textos. CAVALCANTI. Paisagem e Geografia Física Global: esboço metodológico. Geography. presenting interpretive polyssemies.. in this science. 2003. 1 . L. becoming at the same time in concept and notion. emphasizing the development of the diverse conceptions within the geographical schools. São Paulo. Tradução Messias Modesto dos Passos. Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do ParnaíbaPlano de Ação para o Desenvolvimento Integrado da Bacia do Parnaíba. R. and on the other hand.G. region.php/raega. landscape.

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C. Carl. junho de 1997 _________________________________________________________________ SOBRE OS AUTORES LIRIANE GONÇALVES BARBOSA .110 | A paisagem em geografia:.uerj. p 1-7.. G. D. _________________________________________________________________ Recebido para avaliação em Novembro de 2014 Aceito para publicação em Dezembro de 2014 .Licenciada em Geografia pela Universidade Federal do Piauí. N. L. 4. Rio de Janeiro-RJ: Revista Espaço e Cultura.Disponível em: http://www. Campus Presidente Prudente. Nº 4.epublicacoes. GONÇALVES. A paisagem Geográfica e sua investigação. “Die geographísche Landschaft und ihre Erforschung” – Studim Generale. 1950. Mestrando do programa de Pós Graduação de Geografia da FCT/UNESP. 1997. Mestranda em Geografia pelo programa de Pós Graduação da FCT/UNESP. Espaço e Cultura. Campus Presidente Prudente. TROLL.br/index. Carl.FCT/UNESP de Presidente Prudente –SP. DIOGO LAERCIO GONÇALVES – Licenciado em Geografia pela Universidade Estadual Paulista . TROLL.php/espacoecultura/issue/view/515.G. L. BARBOSA... traduzido por BRAGA.

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