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INSTITUTO FEDERAL CATARINENSE – CÂMPUS SANTA ROSA DO SUL MANUAL BÁSICO DE JUDÔ ESCOLAR Prof.

INSTITUTO FEDERAL CATARINENSE CÂMPUS SANTA ROSA DO SUL

MANUAL BÁSICO DE JUDÔ ESCOLAR

Prof. Paulo Fernando Mesquita Junior

Santa Rosa do Sul (SC)

2015

Paulo Fernando Mesquita Junior Santa Rosa do Sul (SC) 2015 Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus

Instituto Federal Catarinense IFC Câmpus Santa Rosa do Sul

PAULO FERNANDO MESQUITA JUNIOR

MANUAL BÁSICO DE JUDÔ ESCOLAR

1ª Edição

Santa Rosa do Sul

Edição do autor

2015

1ª Edição Santa Rosa do Sul Edição do autor 2015 Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus

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APRESENTAÇÃO

As lutas fazem parte da cultura corporal de movimento do ser humano desde

os tempos remotos; e estão inseridas nos documentos oficiais que regem a

educação básica brasileira como conteúdo do componente curricular Educação

Física. Apesar da maioria dos professores de Educação Física não utilizarem as

lutas em suas aulas (FERREIRA, 2006), consideramos sua presença importante por

pertencerem à cultura corporal de movimento, colaborarem na compreensão de

mundo e ampliarem o repertório psicomotor e linguístico-corporal daqueles que

dessa temática usufruem.

Como parte da cultura humana, a temática luta representa um meio eficaz de

educação e um conjunto de conteúdos altamente importante para a Educação Física

Escolar (EFE), pois, qualquer que seja a modalidade de luta, exige respeito às

regras, à hierarquia e à disciplina, valorizando a preservação da saúde física e

mental de seus praticantes. Além do que, possibilita uma ampla reflexão sobre

aspectos ligados a questões estéticas e às tradições da “boa condição física”.

Carregam consigo o simbolismo da beleza corporal e o mito da longevidade, do

corpo saudável e dos rituais de passagem presentes na história e nos modos de

vida dos vários grupos étnicos.

As lutas assim como os demais conteúdos da educação física, devem ser

abordadas na escola de forma reflexiva, direcionada a propósitos mais abrangentes

do que somente desenvolver capacidades e potencialidades físicas (SOUZA

JUNIOR e SANTOS, 2010).

Portanto, o objetivo deste documento é apresentar aspectos básicos da luta

“judô”, como: história do judô, costumes e princípios, técnicas de queda (ukemis),

técnicas de projeção, imobilização, regras da modalidade, entre outros; servindo

como instrumento complementar para a discussão da temática luta no âmbito da

disciplina de Educação Física no contexto escolar.

da disciplina de Educação Física no contexto escolar. Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa

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SUMÁRIO

1 JUDÔ: ORIGEM, JIGORO KANO, JUDÔ NO BRASIL

7

2 PRINCÍPIOS DO JUDÔ

12

3 ESPECIFICIDADES: SAUDAÇÕES, PONTUAÇÃO, DOJÔ, TATAMES, SHIAI-JÔ,

JUDOGUI, GRADUAÇÕES

19

3.1 SAUDAÇÕES

19

3.2 PONTUAÇÃO E PUNIÇÕES

21

3.3 LOCAL DE PRÁTICA DO JUDÔ

22

3.4 VESTIMENTA

24

3.5 SISTEMA DE GRADUAÇÃO

26

4

FUNDAMENTOS: POSTURAS, DESLOCAMENTO, PEGADAS

29

4.1 POSTURAS BÁSICAS (SHIZEN )

29

4.2 DESLOCAMENTO ( SHINTAI)

30

4.3 PEGADAS (KUMIKATA )

30

5 AMORTECIMENTO DE QUEDAS (UKEMI)

33

6 CLASSIFICAÇÃO DAS TÉCNICAS

37

7 GLOSSÁRIO

50

REFERÊNCIAS

56

37 7 GLOSSÁRIO 50 REFERÊNCIAS 56 Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa

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Parte 1

ORIGEM DO JUDÔ

Parte 1 ORIGEM DO JUDÔ Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa do Sul

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7

1 JUDÔ: ORIGEM, JIGORO KANO, JUDÔ NO BRASIL

Os primeiros indícios de utilização pelo homem de algumas formas primitivas

de luta individual e sem armas segundo Cartaxo (2013) datam de três a cinco mil

anos a.C. A partir desse período, os sinais tornam-se mais nítidos e numerosos,

possibilitando uma avaliação mais segura e mais precisa que, em certa medida,

autoriza afirmar que praticamente todos os povos da remota antiguidade já

praticavam alguma forma de luta esportiva ou bélica.

No continente asiático havia uma espécie de luta com diferentes

denominações, tais como: Yawara, Torite, Kempo, Kogussoku, Taijutsu,

Koshinomawari, Wajutsu, Shubaku, Tenji-Shin-Yo, entre outras. Todavia o nome

genérico deste conjunto de lutas era conhecido como Jiu-Jitsu. Era um sistema de

ataque que se podia arremessar o oponente, bater nele, chutá-lo, apunhalá-lo,

chicoteá-lo, estrangulá-lo, torcer-lhe ou entortar-lhe os membros e imobilizá-lo

(KANO, 2008).

O Jiu-Jitsu desenvolveu-se, especialmente, no século XVIII, praticado pela

casta guerreira (samurais) e também pelo povo japonês. Literalmente as palavras

jiu-jitsu e judô são escritas, cada uma delas, com dois ideogramas chineses. O ju

quer dizer “gentilmente” ou “cedendo passagem”. O significado de jitsu é “arte”,

“prática”, e do significa “princípio” ou “caminho”, o caminho que é o próprio conceito

de vida (KANO, 2008, p.20).

Jiu-Jitsu pode ser traduzido como “a arte gentil”, judô como “o caminho da gentileza”; portanto, primeiro é necessário ceder, para finalmente obter a vitória. O judô é mais que uma arte de ataque e defesa. É um modo de vida. (KANO, 2008, p.20)

Em 1860 nasceu na cidade litorânea de Mikage o homem que seria o criador

do judô, Sensei Jigoro Kano (Figura 1). No período de 1871 sua família se transfere

para Tóquio, onde fixa residência. Com 18 anos, Jigoro kano, estudante da

Universidade Imperial, resolve remediar sua fraqueza física por meio de apropriados

remediar sua fraqueza física por meio de apropriados Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa

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exercícios de Jiu-Jitsu. No fim da década de 1970 e início de 1980, ele inicia um

estudo sistemático das artes marciais, já com olhos na montagem de sua própria

escola.

Figura 1- Jigoro Kano

na montagem de sua própria escola. Figura 1- Jigoro Kano Fonte: http://www.cbj.com.br (2014) Segundo kano (2008),

Fonte: http://www.cbj.com.br (2014)

Segundo kano (2008), ninguém percebia que existia um princípio único por

trás do Jiu-Jitsu. As diferentes formas de ensino das técnicas entre um professor e

outro, provocavam para Jigoro Kano uma confusão, que não contribuía para a

consolidação de tal aprendizado. Desta forma, buscou identificar um princípio que

delineasse o Jiu-Jitsu. Retomou seus estudos, e concluiu que era necessário fazer o

uso mais eficiente possível das energias mental e física. A partir deste princípio se

debruçou a estudar novamente todos os métodos de ataque e defesa que tinha

aprendido, descartando os que não estavam de acordo com o princípio em questão,

e substituindo por técnicas em que princípio estava corretamente aplicado. O

resultado deste estudo se materializou em um conjunto de técnicas chamadas de

judô.

Então em 1882, Sensei Jigoro Kano fundou sua própria escola, Kodokan

(Instituto do Caminho da Fraternidade), já que “Ko” significa fraternidade, irmandade;

já que “Ko” significa fraternidade, irmandade; Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa

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“Dô” significa caminho e “Kan”, instituto; dando origem ao Judô (CARTAXO, 2013).

Porém, tal método não despertou muito interesse, visto que seu inventor era um

jovem desconhecido, e existiam diversas práticas mais tradicionais, conhecidas e

praticadas.

Para evidenciar sua criação, Jigoro Kano promoveu um desafio entre três dos

seus alunos, moços de estatura regular contra três expoentes daquele tempo,

gigantes fisicamente. Esta disputa causou grande interesse e sensação no circuito

desportista da época. A ansiedade do Sensei Kano era grande, assim como o receio

dos três alunos sobrecarregados daquela grande responsabilidade, mas o resultado

das lutas decidiu o destino do novo método.

No dia do evento, o grande salão estava cheio de espectadores, entre os

quais, generais, ministros e outras autoridades. A crença na derrota do Kodokan era

unânime, os olhares para os franzinos judocas do Kodokan eram de pena, ao passo

que para os colossais adversários era de admiração e entusiasmo. Mas as lutas

terminaram com resultado contrário à expectativa da grande maioria, o Kodokan

havia obtido uma vitória esplêndida. A partir deste feito o Kodokan passou a crescer

em tamanho e popularidade.

Jigoro Kano, ainda se destacou por ser o primeiro membro asiático do Comitê

Olímpico Internacional em 1909, onde trabalhou para a difusão do Judô por todo o

mundo. O Judô tornou-se uma modalidade olímpica nos Jogos Olímpicos de Tóquio

em 1964.

No Brasil o Judô foi implementado por volta de 1908, com a vinda de

imigrantes japoneses para o Brasil. Nesse tempo se destacou a figura do professor

Mitsuyo Maeda, conhecido como Conde de Koma, que fez sua primeira

apresentação no país em Porto Alegre. Em seguida, partiu para as demonstrações

pelos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, transferindo-se depois para o Pará,

onde popularizou seus conhecimentos da nobre arte (CBJ, 2014).

Outros mestres também faziam exibições e aceitavam desafios em locais

públicos. Foi um início difícil para um esporte que viria a se tornar tão difundido.

para um esporte que viria a se tornar tão difundido. Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus

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Mas, enfim, os ensinamentos do mestre Jigoro Kano foram se disseminando, e em

18 de março de 1969, era fundada a Confederação Brasileira de Judô CBJ.

era fundada a Confederação Brasileira de Judô – CBJ. Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa

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Parte 2

PRINCÍPIOS DO JUDÔ

Parte 2 PRINCÍPIOS DO JUDÔ Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa do Sul

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2 PRINCÍPIOS DO JUDÔ

Existem alguns preceitos máximos que inspiraram Jigoro Kano quando da

idealização do judô (SILVA e SANTOS, 2005; VIRGÍLIO, 1986 apud SANTOS,

2009), são eles:

Princípio da Máxima Eficácia do Corpo e do Espírito (Seiryoku

Zen’Yo).

É ao mesmo tempo a utilização global, racional e utilitária da

energia do corpo e do espírito. Jigoro Kano afirmava que este

princípio deveria ser aplicado no aprimoramento do corpo. Servir

para torná-lo forte, saudável e útil. Podendo ainda ser aplicado

para melhorar a nutrição, o vestuário, a habitação, a vida em

sociedade, a atividade nos negócios na maneira de viver em geral.

Estando convencido que o estudo desse princípio, em toda a sua

grandeza e generalidade, era muito mais importante e vital do que

a simples prática de uma luta. Realmente, a verdadeira inteligência

deste princípio não nos permite aplicá-lo somente na arte e na

técnica de lutar, mas também nos presta grandes serviços em

todos os aspectos da vida. Segundo Jigoro Kano, não é somente

através do judô que podemos alcançar este princípio. Podemos

chegar à mesma conclusão por uma interpretação das operações

cotidianas, através de um raciocínio filosófico.

Princípio da Prosperidade e Benefícios Mútuos (Jita Kyoei).

Diz respeito à importância da solidariedade humana para o melhor

bem individual e universal. Achava ainda que a ideia do progresso

pessoal deveria ligar-se à ajuda ao próximo, pois acreditava que a

eficiência e o auxílio aos outros criariam não só um atleta melhor

como um ser humano mais completo.

Princípio da Suavidade, ou seja, melhor uso da energia (Ju).

da Suavidade, ou seja, melhor uso da energia ( Ju ). Instituto Federal Catarinense – IFC

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Ju ou suavidade é o mais diretamente físico, mas que no entender

de Jigoro Kano deveria ser levado ao plano intelectual. Ele mesmo

nos explica este terceiro princípio durante um discurso proferido na

University of Southern California, por ocasião das Olimpíadas de

1932: "Deixem-me agora explicar o que significa, realmente esta

suavidade ou cedência. Supondo que a força do homem se

poderia avaliar em unidades, digamos que a força de um homem

que está na minha frente é representada por dez unidades,

enquanto que a minha força, menor que a dele, se apresenta por

sete unidades. Então se ele me empurrar com toda a sua energia,

eu serei certamente impulsionado para trás ou atirado ao chão,

ainda que empregue toda minha força contra ele. Isso aconteceria

porque eu tinha usado toda a minha força contra ele, opondo força

contra força. Mas, se em vez de o enfrentar, eu cedesse a força

recuando o meu corpo tanto quanto ele o havia empurrado

mantendo, no entanto, o equilíbrio então ele inclinar-se-ia

naturalmente para frente perdendo assim o seu próprio equilíbrio.

Nesta posição ele poderia ter ficado tão fraco, não em capacidade

física real, mas por causa da sua difícil posição, a ponto de a sua

força ser representada, de momento, por digamos apenas três

unidades, em vez das dez unidades normais. Entretanto eu,

mantendo o meu equilíbrio conservo toda a minha força tal como

de início, representada por sete unidades. Contudo, agora estou

momentaneamente numa posição vantajosa e posso derrotar o

meu adversário utilizando apenas metade da minha energia, isto é,

metade das minhas sete unidades ou três unidades e meia da

minha energia contra as três dele. Isso deixa uma metade da

minha energia disponível para qualquer outra finalidade. No caso

de ter mais força do que o meu adversário poderia sem dúvida

empurrá-lo também. Mas mesmo neste caso, ou seja, se eu tivesse

também. Mas mesmo neste caso, ou seja, se eu tivesse Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus

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desejado empurrá-lo igualmente e pudesse fazê-lo, seria melhor

para eu ter cedido primeiro, pois procedendo assim teria

economizado minha energia."

Além destes preceitos, Santos (2009) descreve a existência de nove

princípios também cultivados no judô:

1.

CONHECER-SE É DOMINAR-SE, E DOMINAR-SE É TRIUNFAR.

O

homem para saber suas possibilidades frente ao mundo que vive, para

reagir a cada momento frente a situações que vão exigir ações e soluções, diretas

ou indiretas, necessita conhecer a si mesmo, saber quais as qualidades e

deficiências que possui, para então, harmoniosamente, apresentar ou utilizar

atitudes ou soluções mais adequadas à necessidade. De posse em seu íntimo dessa

auto-análise, adquire o homem a base que lhe dará um melhor controle emocional,

uma melhor postura frente ao mundo, uma melhor e mais inteligente utilização de

seu potencial de forças, que por sua vez lhe darão maiores possibilidades de

triunfar.

2. QUEM TEME PERDER JÁ ESTÁ VENCIDO.

O KIAI é definido também como um estado de espírito para vencer,

portanto, está intimamente ligado a este princípio. Entretanto, em contraposição,

quando entramos em uma disputa incertos, inseguros, temerosos, nossas forças se

desassociam e enfraquecem, colocando-nos à mercê daquele ou daqueles que

buscam com mais garra, com mais KIAI o triunfo. A melhor forma de vencer o medo

é confrontando-o, utilizá-lo como uma forma de conhecer os limites, sentir até onde

se pode ir e vencê-lo a cada dia um pouco mais, com equilíbrio e harmonia.

A prática do judô, com consciência e clareza é praticada de forma a

encarar o oponente como alguém que irá contribuir para melhor compreensão das

suas fraquezas, limitações e potencialidades, e, ainda, entender que o maior

oponente do homem é ele mesmo.

ainda, entender que o maior oponente do homem é ele mesmo. Instituto Federal Catarinense – IFC

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3. SOMENTE SE APROXIMA DA PERFEIÇÃO QUEM A PROCURA COM

CONSTÂNCIA, SABEDORIA E, SOBRETUDO, HUMILDADE.

A perfeição é de Deus, somente ele é perfeito. O homem pode e deve,

entretanto, tentar sempre se aproximar da perfeição em todas as suas obras e

durante toda a sua vida. Assim fazendo com constância, sabedoria e humildade

estarão também contribuindo para que o mundo seja mais bonito, mais humano e

feliz. Portanto, estará trabalhando para a complementação desse mesmo mundo

que nos foi dado e pelo qual somos todos responsáveis.

4. QUANDO VERIFICARES, COM TRISTEZA, QUE NADA SABES,

TERÁS FEITO TEU PRIMEIRO PROGRESSO NO APRENDIZADO.

Tantos são os mistérios do mundo, tão incipientes são os nossos

conhecimentos, que ao julgarmo-nos sábios, ainda que, em uma única e simples

matéria, seria no mínimo uma enorme ignorância.

Isto porque, na medida em que nos aprofundamos no conhecimento de

um determinado assunto, vemos que a meta final se distancia e se ramifica em

tantas outras opções, nem sempre coerentes, tantas vezes contraditórias, que nos

levam a reconhecer com tristeza, que nada ou muito pouco sabemos, e, ainda, que

essa mesma meta final não se encontra ao nosso alcance.

Isso quer dizer que, quando se tem humildade suficiente para estar aberto

a aprender, o ser humano está ciente de que nunca se sabe o suficiente, e que

sempre se tem muito que aprender com todas as pessoas, das mais simples às mais

cultas.

5. NUNCA TE ORGULHES DE HAVER VENCIDO UM ADVERSÁRIO. AO

QUE VENCESTE HOJE, PODERÁ DERROTAR-TE AMANHÃ. A ÚNICA VITÓRIA

QUE PERDURA É A QUE SE CONQUISTA SOBRE A PRÓPRIA IGNORÂNCIA.

O orgulho não se justifica nunca, porque ninguém é Deus para ter certeza

da vitória na próxima luta. Esse mesmo orgulho nunca nos levará a boas opções,

pelo contrário, antítese da humildade, ele só nos possibilita ser arrogantes, soberbos

e autossuficientes, criando a nossa volta um clima hostil a nossa presença. A própria

vitória contra a ignorância não justifica o orgulho, pois o saber deve ser instrumento

não justifica o orgulho, pois o saber deve ser instrumento Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus

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de realização visando uma coletividade e a ela oferecido. A vitória não é, portanto,

propriedade privada e de uso exclusivo de ninguém.

6. O JUDOCA NÃO SE APERFEIÇOA PARA LUTAR, LUTA PARA SE

APERFEIÇOAR.

O termo luta não deve ser entendido apenas no sentido físico, apenas

movimento, mas uma luta interna do indivíduo na busca por se tornar um ser

humano melhor. É necessário compreender que a possibilidade de chegar o mais

próximo de um ideal de sabedoria, é entender a luta como meio e não como um fim.

O desenvolvimento das habilidades ao longo do tempo, acompanhadas pelo

desenvolvimento moral, emocional e espiritual, no sentido de utilizar os princípios do

judô servem como uma filosofia de vida, conduzindo o judoca ao aperfeiçoamento.

7. O JUDOCA É O QUE POSSUI INTELIGÊNCIA PARA

COMPREENDER AQUILO QUE LHE ENSINAM E PACIÊNCIA PARA ENSINAR O

QUE APRENDEU AOS SEUS SEMELHANTES.

À inteligência, que deve ter o judoca para compreender aquilo que lhe

ensinam, acrescentamos a perseverança e humildade. Perseverança, porque nem

sempre possuímos a facilidade do aprendizado rápido e justo e a demora poderá

nos levar a abandonar ou negligenciar conhecimentos que nos farão falta.

Um pouco de perseverança possibilitará sempre o seu aprendizado.

Humildade, porque sem ela podemos achar que somos sábios e do alto da nossa

suficiência não desceremos para aprender o que não sabemos.

No transcorrer da vida, há uma seleção natural que escolhe os que

transmitirão os ensinamentos para as gerações futuras. Assim é no Judô. Aquele

que teve a paciência para perseverar durante anos, acumulando conhecimentos e

experiências, certamente terá em grande dose a paciência necessária para o ensino

do que aprendeu, contribuindo assim, para que a nossa arte caminhe para o futuro.

8. SABER CADA DIA UM POUCO MAIS, UTILIZANDO O SABER PARA

O BEM, ESSE É O CAMINHO DO VERDADEIRO JUDOCA.

No seu dia- a- dia, nos mais corriqueiros atos da vida, aprende o homem

sempre um pouco mais, pois ele é um ser dinâmico e evolutivo. Assim, é significativo

ele é um ser dinâmico e evolutivo. Assim, é significativo Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus

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o fato de que os governantes, na sua grande maioria e entre os povos mais

díspares, em toda a história da humanidade, serem sempre pessoas mais idosas.

Esse fato é explicado em razão de que a soma de conhecimentos, o melhor controle

emocional e a experiência acumulada durante anos suplantam também o arrojo e o

vigor físico dos jovens. Quanto a usar esses conhecimentos, essas virtudes ou

qualidades para o bem, é uma questão de “princípios”, inerentes ao homem de bem

e ao judoca, principalmente.

9. PRATICAR O JUDÔ É EDUCAR A MENTE A PENSAR COM

VELOCIDADE E EXATIDÃO, BEM COMO O CORPO A OBEDECER COM

JUSTEZA. O CORPO É UMA ARMA CUJA EFICIÊNCIA DEPENDE DA PRECISÃO

COM QUE SE USA A INTELIGÊNCIA.

Na medida em que acumulamos experiência na prática do Judô e nos

aprofundarmos em seus conhecimentos, nos seus fundamentos, mais fascinante se

torna aos nossos olhos, dada a sua abrangente diversidade de valores físicos,

morais, intelectuais e espirituais. Não é de se estranhar então, que nos eduque a

mente e nos ensine a pensar com velocidade e exatidão, e o corpo a obedecer com

justeza.

Quando se consegue o domínio de si próprio em todos os sentidos, nada

foge do controle. Desta forma, o judoca deve saber utilizar o corpo, estar ciente do

que precisa controlar, do que precisa aprimorar, do que pode contribuir com o meio

em que vive e estar aberto para novas aprendizagens.

o meio em que vive e estar aberto para novas aprendizagens. Instituto Federal Catarinense – IFC

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Parte 3

ESPECIFICIDADES DO JUDÔ

Parte 3 ESPECIFICIDADES DO JUDÔ Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa do Sul

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3 ESPECIFICIDADES: SAUDAÇÕES, PONTUAÇÃO, DOJÔ, TATAMES, SHIAI-JÔ, JUDOGUI, GRADUAÇÕES

Este capítulo trata de aspectos como os tipos de saudações (etiqueta do

cumprimento), o sistema de pontuação e punições utilizadas nos combates, o local

onde se pratica o judô, a vestimenta usada e o sistema de graduação (faixas).

3.1 Saudações

A saudação é uma expressão de gratidão e respeito, feita a Jigoro Kano, aos

senseis e a cada um dos outros judocas. Indica respeito às regras e à filosofia do

judô. Na maioria dos clubes e associações de judô, há um quadro do sensei Jigoro

Kano na área de competição e prática.

Antes de se entrar ou sair no dojo, sempre se faz uma reverência ao sensei

Kano, para se reconhecer e agradecer ao fundador do judô. No início da aula, todos

os judocas se distribuem no dojô de frente ao sensei, conforme suas graduações, ou

seja, os mais graduados se posicionarão da esquerda para a direita do sensei.

Então se faz uma saudação em primeiro lugar ao sensei Kano ao comando shome ni

rei e em seguida ao sensei responsável pela aula ao comando de sensei ni rei. Ao

final da aula todos se distribuem novamente no mesmo formato inicial, então se

realiza a saudação, primeiro para o sensei e depois para o sensei kano.

São dois tipos básicos de saudação:

Em pé (Ritsu-Rei)

A Ritsu-rei ocorre ao se entrar no dojô, para com o sensei; ao oponente ao se

realizar uma atividade em pé; em disputas propriamente ditas (SANTOS, 2009).

Para a saudação em pé fica-se em pé com os pés juntos, coloca-se as mãos

abertas apoiadas levemente ao longo das coxas. Inclina-se para frente levemente

ao longo das coxas. Inclina-se para frente levemente Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa

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com a flexão do tronco e dos quadris, deixando as mãos deslizarem pernas abaixo.

Ao realizar a inclinação, verbaliza-se o cumprimento “oneiga-shimasu” ao iniciar e

arigatô-gosaimasu” ao final da sessão (Figura 2).

Figura 2 - Ritsu-Rei

” ao final da sessão (Figura 2). Figura 2 - Ritsu-Rei Fonte: http://japjudo.free.fr/spip/?Ritsurei (2014). 

Ajoelhado (Za-Rey)

Assim como a saudação em pé, a saudação zarey será realizada em ocasiões

específicas, também no início e final de atividades que normalmente ocorrem no

solo.

Ajoelha-se, afastando inicialmente a perna esquerda, seguida da perna direita,

sentando-se sobre os calcanhares, colocando as mãos abertas sobre a parte antero

superior das coxas. Inclina-se para frente flexionando os quadris sem afastar os

glúteos dos calcanhares, deixa-se deslizar as mãos sobre as coxas até o tatame,

voltadas para dentro formando um ângulo de 45º (Figura 3).

Da mesma maneira que a saudação em pé, ao se realizar a inclinação deve

ser proferida a saudação, sendo uma para o início da aula e outra para o final.

sendo uma para o início da aula e outra para o final. Instituto Federal Catarinense –

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Figura 3 - Za-Rey

21 Figura 3 - Za-Rey Fonte: http://japjudo.free.fr/spip/?Zarei (2014). 3.2 Pontuação e Punições O objetivo em um

3.2 Pontuação e Punições

O objetivo em um combate de judô é conseguir ganhar a luta valendo-se dos

seguintes pontos:

Yuko - Um terço de um ponto. Um yuko se realiza quando o

oponente cai de lado. Também ganha Yuko se conseguir imobilizar

o oponente por 10 segundos;

Wazari - Meio ponto. Dois wazari valem um ippon e termina o

combate logo após o segundo wazari. Um wazari é um ippon que

não foi realizado com perfeição. Também ganha wazari se

conseguir imobilizar o oponente por 15 segundos;

Ippon - Ponto completo. O nocaute do judô finaliza o combate no

momento deste golpe. Um ippon realiza-se quando o oponente cai

com as costas no chão, ao término de um movimento perfeito,

as costas no chão, ao término de um movimento perfeito, Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus

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quando é finalizado por um estrangulamento ou chave de

articulação, ou quando é imobilizado por 20 segundos.

Uma luta também pode ser decidida pelo número de penalizações. As

penalizações são as seguintes:

Shido - Infrações leves de regras são penalizadas com shido, como por

exemplo, a falta de combatividade. Se um atleta for punido pela quarta

vez, será desclassificado (hansoku-make). O shido não dá pontuação.

As pontuações somente serão dadas através de aplicação de golpes.

Se uma luta terminar empatada, o lutador com mais shidos perderá.

Hansoku-Make - Uma violação de regras séria resulta em um hansoku-

make resultando na desqualificação do competidor penalizado.

Hansoku-make também é dado pela acumulação de quatro shidos.

No fim da luta, se a mesma estiver empatada, vence quem tiver menos

shidos. Se a luta estiver no golden score (devido a empate), o primeiro a receber um

shido perde, ou o primeiro a fazer um ponto, vence.

3.3 Local de prática do judô

DOJÔ - é o local onde se estuda e pratica o Judô, cuja palavra desmembrada

quer dizer: DO = meio ou via; JÔ= lugar preciso. É composto por tatames e um altar

(joseki), onde se posiciona a imagem de Jigoro Kano.

TATAME - a colocação de vários tatames forma o dojô. O tatame tradicional

era confeccionado de palha de arroz prensada e costurada, coberta com lona de

algodão, medindo 176,0 x 89,0 x 6,0 cm. Atualmente são utilizados materiais

sintéticos, sendo que de acordo com Santos (2003), uns (nacionais) compostos de

copolímero etileno acetato de vinila (EVA), texturizado e siliconizado, medindo 199,0

de vinila (EVA), texturizado e siliconizado, medindo 199,0 Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa

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x 99,0 x 4,0 cm; outros (importados) são de espuma reconstituída de grânulos de

poliuretano reciclados de 0,8 cm de diâmetros, aglutinados com adesivo de

poliuretano especial bicomponente, coberto por lona de vinil impermeável com base

de látex antiderrapante, com dimensões de 200,0 x 100,0 x 3,8 cm. O uso de

tatames visa proteger o corpo do judoca.

SHIAI-JÔ - local de competição, onde são montadas, tantas áreas quanto

necessárias para o número de judocas participantes (Figura 4). Normalmente se

montam quatro áreas.

Figura 4 - Shiai-jô

Normalmente se montam quatro áreas. Figura 4 - Shiai-jô Fonte: http://www.blumenews.com.br/site/images/Blumenews%20-

Fonte: http://www.blumenews.com.br/site/images/Blumenews%20- %20judo%20tatame%20Blumenau.jpg (2014)

%20judo%20tatame%20Blumenau.jpg (2014) Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa

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3.4 Vestimenta

O traje usado para praticar o Judô chama-se “JUDOGI(Figura 5). Consiste

numa vestimenta ampla, branca, composta de três peças: o casaco (Wagui) e a

calça (Shitabaki). Em torno da cintura o judoca usa a faixa (Obi) amarrada com um

nó direto.

Figura 5 - Judogui

faixa ( Obi ) amarrada com um nó direto. Figura 5 - Judogui Fonte: o autor

Fonte: o autor (2014)

O Kimono, que é o casaco mais a calça (Judogi), representa a nossa mente

por isto, deve ser branco, imaculado; a faixa corresponde ao nosso caráter, nossa

formação (ela nos envolve de responsabilidade); o nó é a nossa fé, nosso respeito,

nossa compromisso (por isto, nunca devemos desamarrar nossas faixas em frente

aos nossos Superiores).

Um dos aspectos que se pode exemplificar como forma de educação, se

utilizando a prática do Judô, é a forma como o praticante trata a sua vestimenta, ou

é a forma como o praticante trata a sua vestimenta, ou Instituto Federal Catarinense – IFC

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25

seja, o seu judogui. Levar o praticante a manter bem dobrado (Figura 6), carregá-lo

adequadamente e manter a higiene, é o primeiro passo disciplinador utilizado por

educadores que preservam a ideologia do Judô.

Figura 6 - Como dobrar o Judogui.

a ideologia do Judô. Figura 6 - Como dobrar o Judogui. Fonte: http://www.judoinforme.com (2013) Alguns usam

Alguns usam kimonos de outras cores como o Azul, apenas com a finalidade

de se diferenciar mais facilmente um judoca do outro, facilitando para o árbitro.

Também faz parte da vestimenta, o chinelo (Zori), que inclusive deve ser

carregado com o judogui. Tendo em vista o tatame, no qual se pratica de pés

descalços, manter os pés limpos faz parte da Higiene, portanto é imprescindível o

uso de chinelos para se locomover do local que se veste o judogui até o local da

prática propriamente dita.

o judogui até o local da prática propriamente dita. Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa

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26

3.5 Sistema de Graduação

Demarcos (2014), aborda que o Sensei Jigoro Kano fez sua primeira divisão

em seus alunos, dividindo-os em Mudansha (não-graduado) e Yodansha (graduado).

Os mudanshas têm sua graduação dividida em Kyus (nível de habilidade). Os

yodanshas têm sua graduação dividida em Dans (grau). O sistema de faixa colorida

para os diversos kyus foi criado posteriormente na Europa, e daí exportado para o

restante do mundo e das artes marciais, pois inicialmente, no Japão, a faixa branca

era utilizada por todos os níveis de kyus, sendo que algumas escolas utilizavam a

faixa marrom para os kyus mais elevados, e a preta para os yodanshas. No Brasil,

devido à procura por iniciantes com idades cada vez menores, acrescentou-se ao

esquema abaixo (Figura 7) após a faixa branca, as faixas cinza e azul.

Figura 7 - Graduação Kyus utilizada no Brasil

e azul. Figura 7 - Graduação Kyus utilizada no Brasil Fonte: o autor (2013) adaptado CBJ

Fonte: o autor (2013) adaptado CBJ (2015).

Após a faixa marrom, o praticante se torna um graduado (yodansha), e fará

jus à faixa preta e ao primeiro grau, se tornando um Shodan (portador do primeiro

grau). A graduação em dans se dá da seguinte maneira:

dan (shodan ou ichidan) Faixa Preta

dan (nidan) Faixa Preta

dan (sandan) Faixa Preta

dan (yodan) Faixa Preta

) – Faixa Preta 4º dan ( yodan ) – Faixa Preta Instituto Federal Catarinense –

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27

dan (godan) Faixa Preta

dan (rokudan) Faixa Coral (vermelha e branca)

dan (nanadan) Faixa Coral (vermelha e branca)

dan (hachidan) Faixa Coral (vermelha e branca)

dan (kyudan) Faixa Vermelha

10º dan (judan) Faixa Vermelha

Santos (2009) apresenta que a troca de faixas depende de cada Federação

Estadual, como dos mestres. Para cada mudança é necessário um nível de

conhecimento prático que é somado a cada troca de faixa. São poucos que exigem

como conteúdo do exame, conhecimentos teóricos.

que exigem como conteúdo do exame, conhecimentos teóricos. Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa

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Parte 4

FUNDAMENTOS

Parte 4 FUNDAMENTOS Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa do Sul

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29

4 FUNDAMENTOS: POSTURAS, DESLOCAMENTO, PEGADAS

O capítulo IV busca apresentar os fundamentos básicos utilizados no judô,

como: posturas básicas (SHIZEI), deslocamento (SHINTAI) e pegadas (KUMIKATA).

4.1 Posturas Básicas (SHIZEN)

São duas as posições básicas utilizadas no Judô (Figura 8), ou seja, que é a

postura natural do corpo (shizentai) e a postura defensiva (Jigotai). A posição natural

ainda pode variar para posição natural direita (Miji-Shizentai), ou ainda para a

posição natural esquerda (Hidari-Shizentai). Já a posição defensiva pode variar

também para esquerda (Hidari-jigotai) ou direita (Miji-Jigotai).

Figura 8 - Posições Básicas

ou direita ( Miji-Jigotai ). Figura 8 - Posições Básicas Fonte: o autor (2013) Instituto Federal

Fonte: o autor (2013)

). Figura 8 - Posições Básicas Fonte: o autor (2013) Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus

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30

O uso de tais posições visa à manutenção do equilíbrio ofensivo e defensivo,

sendo necessário um afastamento entre os pés e centro de gravidade mais baixo,

combinado com os tipos de deslocamentos.

4.2 Deslocamento (SHINTAI)

Este fundamento se refere à forma de se movimentar sobre o tatame. O

shintai é fundamental e vital para alcançar uma posição mais adequada. Virgilio

(1986) apresenta as seguintes formas de deslocamento:

AYUMI-ASHI- é um passo normal igual ao nosso andar natural, apenas

mais baixo e quase não se desprende do tatame.

SURI-ASHI- é um passo mais arrastado em que o peso do corpo situa-

se mais nas pontas dos pés que deslizam sem perder o contato com o

tatame e que quando se movimentam o fazem com certa cadência.

TSUGI-ASHI- ao contrário das movimentações anteriores, um pé nunca

ultrapassa o outro no deslocamento, seja para frente ou para trás.

Assim um pé avança ou retrocede deslizando e firma-se para só então

o outro deslocar e situar-se lago atrás ou na frente do primeiro. O

tsugiashi é usado principalmente na execução de algumas formas de

kata.

4.3 Pegadas (KUMIKATA)

Consideram-se as formas de segurar o kimono como Kumikata (Figura 9). A

pegada pode ser direita ou esquerda, dependendo da mão que segura a gola do

direita ou esquerda, dependendo da mão que segura a gola do Instituto Federal Catarinense – IFC

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31

judogui do oponente, configurando-se como pegada direita (Migi-Kumikata) ou

pegada esquerda (Hidari-Kumikata).

Figura 9 - Kumikatas

pegada esquerda ( Hidari-Kumikata ). Figura 9 - Kumikatas Fonte: o autor (2013) As formas de

Fonte: o autor (2013)

As formas de pegar propiciarão o futuro desequilíbrio do adversário. Diante de

tal situação, Santos (2009) recomenda que, se o atacante executar uma pegada

direita, imediatamente o defensor deverá procurar a mesma pegada e vice-versa. A

pegada poderá variar, dependendo da técnica a ser utilizada, com as características

de abordagem desta, porém precedendo a diferentes técnicas a pegada sempre

será na posição natural direita ou esquerda”. (SANTOS, 2009, p.77)

natural direita ou esquerda ”. (SANTOS, 2009, p .77) Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa

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Parte 5

Parte 5 UKEMI Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa do Sul

UKEMI

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33

5 AMORTECIMENTO DE QUEDAS (UKEMI)

Os Ukemi (quedas) são formas utilizadas para amortecer uma queda. Várias

são as formas de se amortecer uma queda, em função dos diferentes tipos de

técnicas de projeção, deste modo, os ukemi são classificados em função da direção

da queda e realizados em função do tipo de técnica que se é projetado.

Os tipos de Ukemi são:

Teuti-Ukemi: estando na posição para o lado direito, em decúbito

dorsal, perna direita estendida, perna esquerda flexionada, braço

esquerdo na cintura, cabeça flexionada junto ao peito, braço direito

apoiado no chão em um ângulo de 45º do corpo. Estando na posição

para o lado esquerdo, em decúbito dorsal, perna esquerda estendida,

perna direita flexionada, braço direito na cintura, cabeça flexionada

junto ao peito e braço esquerdo apoiado no chão em um ângulo de 45º

do corpo. O movimento deve ser realizado com a troca de posição

sucessivamente.

Ushiro-Ukemi (Figura 10): de pé, braços elevados à frente do corpo e

na ponta dos pés. Dar dois ou três passos para trás, ir flexionando os

joelhos, aproximando os glúteos dos calcanhares, jogar o corpo para

trás colocando em primeiro lugar os quadris no chão, bater os braços e

as mãos simultaneamente com uma distância aproximada de 45º do

corpo, e com a cabeça junto ao peito. Não jogar as pernas muito para

trás, deixando-as a certa distância da cabeça.

muito para trás, deixando-as a certa distância da cabeça. Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa

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Figura 10 - Ushiro-Ukemi

34 Figura 10 - Ushiro-Ukemi Fonte: o autor (2013)  Yoko-Ukemi : execução para o lado

Fonte: o autor (2013)

Yoko-Ukemi: execução para o lado direito (Figura 11), estando em pé

com as pernas um pouco afastadas, braço direito abduzido 90º e o

braço esquerdo com o cotovelo flexionado e a mão apoiada na faixa.

Passar a perna direita à frente do corpo caindo para o lado direito e o

braço direito acompanha a perna direita, ao cair, a mão direita bate no

chão, a perna direita semiflexionada, a perna esquerda flexionada ao

lado da direita e a mão esquerda na cintura, a cabeça sempre junto ao

peito. Para o lado esquerdo os mesmos procedimentos são adotados,

porem inverte-se as posições.

Figura 11 - Yoko-Ukemi (lado direito)

as posições. Figura 11 - Yoko-Ukemi (lado direito) Fonte: amortecimento-de.html

Fonte:

Zempô-Kaite-Ukemi (Figura 12): inicia-se na posição natural esquerda,

movimentando-se para frente com o pé direito, em seguida levanta-se o

braço direito para frente e fica-se na ponta dos pés. Dá-se um impulso

para frente girando o corpo sobre o antebraço direito que deve estar

apoiado no tatame; rola-se o corpo sobre o tatame esticando a perna

no tatame; rola-se o corpo sobre o tatame esticando a perna Instituto Federal Catarinense – IFC

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35

esquerda. Finaliza-se apoiando o corpo no pé direito, voltando à

posição inicial, completando o giro.

Figura 12 - Zempo-Kaite-Ukemi

inicial, completando o giro. Figura 12 - Zempo-Kaite-Ukemi Fonte:

A prática do ukemi proporciona um excelente senso de equilibro e proteção.

Assim, principalmente na iniciação do judô, deve-se preparar o aluno muito bem nas

técnicas de quedas e rolamentos, e mesmo depois, já com grau avançado de

prática, os ukemi devem continuar a ser uma preocupação constante do judoca.

devem continuar a ser uma preocupação constante do judoca. Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa

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Parte 6

Parte 6 TÉCNICAS Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa do Sul

TÉCNICAS

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37

6 CLASSIFICAÇÃO DAS TÉCNICAS

Segundo Kano (2008) as técnicas de judô são classificadas em três

categorias, com respectivas subdivisões. São elas: Nage-Waza (técnicas de

projeção), Katame-Waza (técnicas de imobilização) e Atemi-Waza (técnicas de

ataques contundentes). Devido aos fins deste material, nos deteremos apenas às

técnicas de nage-waza e katame-waza.

As técnicas Nage-Waza são subdivididas em tachi-waza (técnicas em pé),

que são divididas em te-waza (técnicas de braço), koshi-waza (técnicas de quadril) e

ashi-waza (técnicas de perna); e sutemi-waza (técnicas de sacrifício). Já as técnicas

Katame-Waza se dividem em osae-komi-waza (técnicas de imobilização), shime-

waza (técnicas de estragulamento) e kansetsu-waza (técnicas de articulação). Kano

(2008), ainda, apresenta uma classificação mais detalhada das técnicas (Quadro 1,

2 e 3).

Quadro 1 - Técnicas Tachi-waza

 

Tachi-waza

Te-waza

Koshi-waza

Ashi-waza

Seoi Nage

Uki Goshi O Goshi Koshi Guruma Tsuri Goshi Harai Goshi, Hane Goshi Utsuri Goshi

De ashi Harai Hiza Guruma Sasae Tsurikomi Ashi Osoto Gari Ouchi Gari Kosoto Gari Kouchi Gari Okuri ashi Harai Uchi Mata Kosoto Gake Ashi Guruma Harai Tsurikomi Ashi O Guruma Osoto Guruma Osoto Otoshi

Tai Otoshi

Kata Guruma

Sukui Nage

Uki Otoshi

Sumi Otoshi

Obi Otoshi

Seoi Otoshi

 

Yama Arashi

Ushiro Goshi Tsurikomi-goshi

Fonte: KANO (2008, p.60)

Ushiro Goshi Tsurikomi-goshi Fonte: KANO (2008, p.60) Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa

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38

Quadro 2 Técnicas de Sutemi-Waza

Sutemi-waza

Sutemi-waza

Ma-sutemi-waza

Tomoe Nage Sumi Gaeshi Ura Nage Hikikomi Gaeshi Tawara Gaeshi

Yoko-sutemi-waza

Yoko Otoshi Tani Otoshi Hane Makikomi Soto Makikomi Uki Waza Yoko Wakare Yoko Guruma Yoko Gake Uchi Makikomi

Fonte: KANO (2008, p.60)

Quadro 3 - Técnicas de Katame Waza

 

Katame-waza

Osae-komi-waza

Shime-waza

Kansetsu-waza

Hon-kesa-gatame Kuzure Kesa Gatame Kata Gatame Kami Shiho Gatame Kuzure Kami Shiho Gatame Yoko Shiho Gatame Tate Shiho Gatame

Nami Juji Jime Gyaku Juji Jime Kata Juji Jime Hadaka Jime Okuri Eri Jime Kata há Jime Do Jime Sode Guruma Jime Katate Jime Ryote Jime Tsukomi Jime Sankaku Jime

Ude Garami Ude Hishigi Juji Gatame Ude Hishigi Ude Gatame Ude Hishigi Hiza Gatame Ude Hishigi Waki Gatame Ude Hishigi Hara Gatame Ude Hishigi Ashi Garami Ude Hishigi Te Gatame Ude Hishigi Sankaku Gatame Ashi Garami

Fonte: KANO (2008, p.61)

A partir desta parte passaremos a apresentar algumas técnicas mais

especificamente, como: (Ashi-waza) De ashi harai, Hiza Guruma, Osoto Gari, Ouchi

Gari, Uchi Mata, (koshi-waza) O Goshi, (Te-waza) Seoi Nage, (Osae-komi-waza)

Hon-kesa-gatame, Kami Shiho Gatame, Yoko Shiho Gatame, (Shime-waza) Nami

Juji Jime, Gyaku Juji Jime, Kata Juji Jime, (kansetsu-waza) Ude Hishigi Juji Gatame.

Kata Juji Jime, (kansetsu-waza) Ude Hishigi Juji Gatame. Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa

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39

De Ashi Harai (Figura 13) inicia-se na posição natural básica, realiza-

se um passo para a direita, levantando o braço esquerdo para que o

oponente não perceba a ação posterior. Quando o oponente estiver

juntando as pernas, fecha-se o braço esquerdo e, ao mesmo tempo,

dá-se uma varrida com a sola do pé esquerdo. Puxa-se a manga do

judogui do oponente, completando a varrida, tirando o oponente do

solo, segurando ao final a manga do oponente mantendo seu braço

estendido.

Figura 13 - De ashi harai

mantendo seu braço estendido. Figura 13 - De ashi harai Fonte: o autor (2013)  Hiza

Fonte: o autor (2013)

Hiza Guruma (Figura 14) comece na posição natural pelo lado direito,

avance um passo com o pé esquerdo a fim de fazer o oponente recuar

um passo com o pé direito. Traga-o para frente, em direção à diagonal

direita dele, puxando e levantando com ambas as mãos. Quando seu

oponente se desequilibrar, ponha a sola do pé esquerdo na lateral do

joelho direito dele. Ao mesmo tempo, gire seu corpo para a esquerda e

puxe com força com as duas mãos, em uma curva para baixo. Quando

ele atingir o tatame, puxe para cima a manga direita dele para aliviar a

queda.

puxe para cima a manga direita dele para aliviar a queda. Instituto Federal Catarinense – IFC

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40

Figura 14 Hizu guruma

40 Figura 14 – Hizu guruma Fonte: o autor (2013)  O Soto Gari (Figura 15)

Fonte: o autor (2013)

O Soto Gari (Figura 15) inicia-se na posição natural básica, executa-

se um passo a frente à esquerda, puxando o oponente para junto de si.

Mantém-se o cotovelo esquerdo sempre junto do corpo, forçando o

oponente para a retaguarda direita. Realiza-se uma rotação do quadril

direito para à esquerda e, ao mesmo tempo, desliza-se a perna direita

para trás da barriga da perna do oponente, esticando a ponta do pé

direito para frente. Puxa-se com a mão esquerda, empurrando com a

direita e derrubando o oponente para a retaguarda direita. Auxiliando o

movimento com um gancho da perna direita, caindo o oponente para

trás e à frente do executante.

Figura 15 - O soto gari

trás e à frente do executante. Figura 15 - O soto gari Fonte: o autor (2013)

Fonte: o autor (2013)

executante. Figura 15 - O soto gari Fonte: o autor (2013) Instituto Federal Catarinense – IFC

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41

O Uchi Gari (Figura 16) tori e o uke 1 ficam na posição natural direita.

Realiza-se um passo para trás com o pé esquerdo e puxa-se o uke ao

seu encontro, para provocar o desequilíbrio. Inicia-se o ataque

mantendo a puxada com os braços, jogando o quadril do lado direito

em direção ao uke e levando o pé direito para o meio das pernas dele,

juntando as parte posterior do seu joelho e a parte posterior do joelho

do uke. Puxa-se a perna direita para a retaguarda, deslizando os dedos

do pé pelo chão, empurrando o uke para a retaguarda esquerda com a

mão direita, sem afrouxar a puxada da mão esquerda, descrevendo um

gancho, aparando o pé de modo que o uke caia para trás.

Figura 16 - O uchi gari

modo que o uke caia para trás. Figura 16 - O uchi gari Fonte: o autor

Fonte: o autor (2013)

Uchi Mata (Figura 17) comece na posição natural pelo lado direito,

com a mão direita um pouco mais alta que o usual. Puxe o uke com a

mão direita e, quando ele começar a avançar um passo com o pé

esquerdo, mova seu pé esquerdo para frente, em direção à sua

diagonal esquerda, e recue um pequeno passo com o pé direito. Com a

mão direita, puxe-o, formando um grande círculo em direção a sua

diagonal posterior direita. Ele moverá o pé esquerdo para o canto

frontal esquerdo dele e se curvará. Logo antes de ele colocar o pé

1 Tori = quem executa a ação. Uke = quem sofre a ação.

Tori = quem executa a ação. Uke = quem sofre a ação. Instituto Federal Catarinense –

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42

esquerdo no chão, dê um pequeno passo com o pé esquerdo. Passe

uma rasteira, usando sua coxa direita contra aparte interna da coxa

esquerda dele. Puxe-o para o seu lado esquerdo com a mão esquerda

e empurre-o nessa direção com a mão direita. Quando você gira para

cima sua coxa, esse movimento levanta o oponente, enquanto a ação

das mãos faz com que ele role e caia de costas.

Figura 17 - Uchi mata

com que ele role e caia de costas. Figura 17 - Uchi mata Fonte: http://www.oradejudo.ro/2011/11/asa-faci-uchimata

Fonte: http://www.oradejudo.ro/2011/11/asa-faci-uchimata (2012)

O Goshi (Figura 18) inicia-se na posição natural básica, no momento

em que o oponente vier à frente, vira-se sobre o pé direito, em seguida

gira-se o pé esquerdo para frente, ficando paralelo ao direito. Ao

mesmo tempo, se segura com a mão esquerda às costas do

adversário. Junta-se o quadril esquerdo firmemente ao oponente, de

modo que fique em contato desde as costas até a parte posterior das

coxas, puxando o oponente para frente e para baixo com a mão

esquerda, mantendo a direita firme, jogando-o a sua frente com o

movimento do quadril.

firme, jogando-o a sua frente com o movimento do quadril. Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus

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43

Figura 18 - O goshi

43 Figura 18 - O goshi Fonte: adaptado de http://www.seikidokan.qc.ca (2013).  Seio Nage (Figura 19)

Fonte: adaptado de http://www.seikidokan.qc.ca (2013).

Seio Nage (Figura 19) inicia-se na posição natural básica, passa-se

para a posição natural esquerda, empurra-se o adversário para trás,

puxando a mão esquerda horizontalmente. Gira-se sobre o pé direito,

flexionando o joelho, completando o giro, puxa-se o oponente para o

ombro direito, colocando o cotovelo direito sob a axila, como uma

alavanca. Derrubando-o para frente, passando-o sobre o ombro direito,

caindo o oponente a sua frente.

Figura 19 - Seio Nage

caindo o oponente a sua frente. Figura 19 - Seio Nage Fonte: adaptado de http://www.seikidokan.qc.ca (2013).

Fonte: adaptado de http://www.seikidokan.qc.ca (2013).

Fonte: adaptado de http://www.seikidokan.qc.ca (2013). Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa

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44

Hon Kesa Gatame (Figura 20) com sua mão esquerda, segure a parte

superior da manga direita do uke e prenda-lhe o braço direito em sua

axila esquerda. Passe seu braço direito em volta do pescoço dele e

ponha a mão no tatame, com a palma para baixo ou com o polegar

para cima. Coloque seu quadril contra a axila dele, empurre sua coxa

direita contra a lateral dele e pressione com força a lateral do seu corpo

contra o dele. Dobre sua perna esquerda e estenda-a para trás, depois

encoste sua cabeça no tatame.

Figura 20 - Honkeza gatame

encoste sua cabeça no tatame. Figura 20 - Honkeza gatame Fonte: http://aprs.judo.voila.net/techniques.htm (2013).

Kami Shiro Gatame (Figura 21) o uke no chão em decúbito dorsal, o

tori chega por trás da cabeça do uke, passa os braços por baixo do uke

e pega na sua faixa. Depois, o tori solta o peso do corpo sobre a

cabeça do uke e fasta as pernas para aplicar melhor imobilização no

uke.

fasta as pernas para aplicar melhor imobilização no uke . Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus

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45

Figura 21 - Kami shiro gatame

45 Figura 21 - Kami shiro gatame Fonte: http://modliszka.ok.w.interia.pl/kamishihogatame.gif (2014).  Yoko shiro

Yoko shiro gatame (Figura 22) aproxime-se do uke pelo lado direito

dele. Passe sua mão direita em volta da coxa esquerda dele e segure-o

pela parte posterior da faixa. Coloque seu braço esquerdo em volta do

pescoço dele e segure-lhe a parte superior da gola esquerda. Eleve

seu joelho direito contra o quadril dele. Sua perna esquerda deve estar

estendida para trás, com a frente da sola do pé no tatame, ou você

pode colocar seu joelho esquerdo contra a axila dele. Pressione

fortemente com o seu corpo, mantendo seus quadris baixos, e segure o

oponente com firmeza.

Figura 22 - Yoko shiro gatame

o oponente com firmeza. Figura 22 - Yoko shiro gatame Fonte: o autor (2013). Instituto Federal

Fonte: o autor (2013).

Figura 22 - Yoko shiro gatame Fonte: o autor (2013). Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus

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46

Nami juji jime (Figura 23) o uke em decúbito dorsal, o tori fica em

cima do uke com um joelho apoiado no chão e o outro flexionado com o

pé no chão. Os braços cruzam sobre o pescoço do uke, sendo que as

mãos seguram a parte superior da gola do judogui, com as palmas das

mãos viradas para baixo. Com isso, o tori pressiona o pescoço do uke,

tentando estrangulá-lo, ao mesmo tempo em que baixa o joelho

apoiando-o também no solo e puxa para cima o pescoço do uke.

Figura 23 - Nami jiju jime

para cima o pescoço do uke . Figura 23 - Nami jiju jime Fonte: adaptado de

Gyaku juji jime (Figura 24) o uke em decúbito dorsal, o tori fica sobre

o uke com um joelho apoiado no chão e outro flexionado e a planta do

pé no chão. Os braços cruzam sobre o pescoço do uke, sendo que as

mãos seguram a parte superior da gola do judogui com as palmas

viradas para cima. Com isso o tori pressiona o pescoço do uke

tentando estrangulá-lo, ao mesmo tempo em que baixa o outro joelho,

apoiando-o no chão e puxa para cima o pescoço do uke. Ao mesmo

tempo em que puxa o pescoço do uke, o tori pressiona os dois joelhos

segurando o corpo do uke, nesse momento o tori vira puxando o uke e

fica de costas com o uke por cima, estrangulando-o.

uke e fica de costas com o uke por cima, estrangulando-o. Instituto Federal Catarinense – IFC

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47

Figura 24 - Gyaku juji jime

47 Figura 24 - Gyaku juji jime Fonte: adaptado de http://kodokan.pl/-shime-waza-gyaku-juji-jime (2014).  Kata juji

Kata juji jime (Figura 25) o uke em decúbito dorsal, o tori em cima do

uke com um joelho apoiado no chão e o outro flexionado com a planta

do pé no chão. Os braços cruzam sobre o pescoço do uke, sendo que

uma das mãos estará com a palma da mão virada para cima e a outra

com a palma virada para baixo, ambas as mãos seguram a parte

superior da gola do judogui. Com isso, o tori pressiona o pescoço do

uke tentando estrangulá-lo, ao mesmo tempo em que baixa o outro

joelho, apoiando-o também no solo e puxa o pescoço do uke para

cima.

Figura 25 - Kata juji jime

o pescoço do uke para cima. Figura 25 - Kata juji jime Fonte: adaptado de
de http://kodokan.pl/-shime-waza-kata-juji-jime (2014). Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa

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48

Ude hishigi juji gatame (Figura 26) o uke em decúbito dorsal, o tori se

posiciona ao lado do uke de cocaras, então segura o braço do uke a

após passa a perna esquerda sobre a cabeça do uke, e joga-a em cima

do pescoço para poder prender o braço do uke. O pé direito fica

apoiado com a parte superior na lateral do corpo do uke, o tori levanta

o seu quadril e faz a chave de articulação.

Figura 26 - Ude hishigi juji gatame

chave de articulação. Figura 26 - Ude hishigi juji gatame Fonte: adaptado de

Lembramos que existem outras técnicas de Tachi Waza e Katame Waza que

aqui, por fins didáticos, não foram apresentadas.

que aqui, por fins didáticos, não foram apresentadas. Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa

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Parte 7

GLOSSÁRIO

Parte 7 GLOSSÁRIO Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa do Sul

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50

7 GLOSSÁRIO

AGE: Ação de erguer, levantar

ARIGATÔ-GOSAIMASU: Obrigado proferido de forma mais formal

ASHI: perna, pé

ASHIKUBI: Tornozelo

ASHI-GARAMI: Pernas entrelaçadas

ASHI-WAZA: Técnicas de perna

ATAMA: Cabeça

AWASE: Combinação, junção, harmonização

AYUMI-ASHI: Deslocamento sobre o tatame normal

CHIAI: São as lutas de competições

DAN: Nível, grau (cinto negro)

DOJÔ: Local onde se realiza a prática de judô

DOJIME: Apertar o corpo com as pernas

DORYOKU: Esforço, empenho

ERI: Mesmo que gola

FUSEN-GASHI: Vitória por ausência de adversário

GARI: Varrida

GOSHI: Quadril

HACHI: Oito

HAJIME: Começar

HANDORI: São as lutas em treinamento

HANE: Salto

HANE-GOSHI: Técnica de projeção de Judô

HANSOKU-MAKE: Falta muito grave dada pela arbitragem.

HANTEI: Julgamento

HARAI: Varrer

HIDARI: Esquerda

HANTEI: Julgamento HARAI: Varrer HIDARI: Esquerda Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa

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HIDARI-JIGO-TAI: Postura defensiva à esquerda

HIDARI-NO-KUMIKATA: Pegada esquerda

HIDARI-SHIZEI-HON-TAI: Postura natural à esquerda

HIDARI-ZEMPÔ-KAITÊ-UKEMI: Rolamento p/ frente pelo ombro esquerdo

HIJI: Cotovelo

HINERI: Torção

HIZA: Joelho

IPON-SORE-MADE: Ordem dada pelo árbitro para encerramento da luta

JIGOTAI ou JIGO-HON-TAI: Posição defensiva

JIME: Estrangulamento

JÔ-SEKI: Lugar onde se sentam as autoridades

JU: Suavidade, suave

JUDOKA ou JUDOCA: Praticante de Judô

JUDOGUI ou KIMONO: Roupa para a prática do judô

JUSEKI: Altar montado com a figura de Jigoro Kano

KACHI: Vitória

KAKATO: Calcanhar

KAKE: Momento de execução da técnica em Judô

KANI-BASAMI: Técnica de projeção

KAMI-SHIHO-GATAME: Imobilização dos quatro apoios

KANSETSU: Articulação

KANSETSU-WAZA: Técnicas de chaves de braço

KATA: Forma de treino, com sequências de técnicas predeterminadas

KATA-GATAME: Imobilização pelo ombro

KATAME-WAZA: Técnicas de Solo

KEIKOKU: Falta grave, dada pela arbitragem.

KIAI: Força vinda do espírito, em forma de grito.

KIKEN-GASHI: Vitória por abandono

KIME-NO-KATA: Kata de judô: formas de decisão

KO: Pequeno

KIME-NO-KATA: Kata de judô: formas de decisão KO: Pequeno Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa

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KODOKAN: Primeira escola de judô, fundada por Doutor Jigoro Kano

KO-SOTO-GARI: Técnica de projeção

KO-UCHI-GARI: Técnica de projeção

KUMIKATA: Pegada

KUZUSHI: Desequilíbrio

KYU: Grau de Aluno

MAE: Frente

MAE-KUZUSHI: Desequilíbrio para frente

MAE-UKEMI: Queda para frente

MATE: Parar

MAITTA: Desisto

MIGUI: Direita

MIGUI-JIGO-TAI: Postura defensiva à direita

MIGUI-NO-KUMIKATA: Pegada direita

MIGUI-SHIZEI-HON-TAI: Postura natural à direita

MIGUI-ZEMPÔ-KAITÊ-UKEMI: Rolamento para frente pelo ombro direito

MINTAI: Perseverança, paciência

MOKUSÔ: Meditação

MOROTE: Ambas as mãos

NAGE-WAZA: Técnicas de projeção

NE-WAZA: Trabalho no chão

O: Grande

OKI: Grande

OBI: Faixa

OHAIO-GASAIMASU: Bom dia

OIASAMINASAI: Bom descanso

ONEIGA-SHIMASU: Com licença

OSAE: Imobilização

OSAEKOMI-WAZA: Técnicas de imobilização

OTOSHI: Movimento de cima para baixo

de imobilização OTOSHI: Movimento de cima para baixo Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa

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RANDORI: Combate livre

REI: Cumprimento

REI-HÔ: Saudação, maneira de cumprimento

RITSU-REI: Saudação de pé

SAIKOMI: Início de uma imobilização

SAIONARA: Adeus, até logo

SASAE: Sustentar, suportar

SEITO: Aluno

SEIZA: Sentar na posição de joelhos

SEMPAI: Aluno mais graduado, mais antigo

SENSEI: Professor

SENSEI-NI-REI: Saudação ao Professor

SHIDO: Punição dada pela arbitragem por Faltas Leves

SHI_HAN: Mestre

SEOI-NAGE: Projeção sobre o ombro.

SHIME-WAZA: Técnicas de estrangulamento

SHINPAN: Árbitro

SHINTAI: Deslocamento sobre o tatame

SHISEI: Postura

SHIZEI-HON-TAI: Postura natural

SHOMEN: De frente

SHOMEN-TSUKI: Ataque frontal direto

SHOMEN-UCHI: Ataque frontal de cima para baixo

SHOMEN-NI-REI: Saudação para a parede principal do dojo

SODE: Manga

SOGO-GASHI: Vitória por combinação

SONO-MAMA: Não se mova. Ordem dada pelo árbitro

SORE-MADE: Técnica encerrada

SURI-ASHI: Deslocamento arrastado

SUWARI: Sentado

encerrada SURI-ASHI: Deslocamento arrastado SUWARI: Sentado Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa

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SUWARI-WAZA: Técnicas executadas na posição de “seiza” ou “kiza”

TAI-SABAKI: Giro do corpo

TANI-OTOSHI: Giro do corpo

TATAME: É o piso onde se treina e compete no judô

TATE: Ficar em pé

TATI-REI ou RITSU-REI: Saudação em pé

TCHUI: Falta moderada dada pela arbitragem.

TE: Mão

TE-WAZA: Técnicas de braço

TOMOE: Circular

TORAH: Tigre

TORI: Judoca que derruba

TSUGI-ASHI: Deslocamento no tatame emendado

TSUKURI: Contato, segunda fase de execução de uma técnica de Judô

UCHI: Interno

UCHI-KOMI: Ataque de cima para baixo entrando no círculo do adversário

UKE: Judoca que cai

UKEMI: Amortecimento de quedas

USHIRO: Atrás

USHIRO-KUZUSHI: Desequilíbrio para trás

USHIRO-UKEMI: Amortecimento de queda para trás

WAZA: Técnica

YOKO: Lado

YOKO-HIDARI-KUZUSHI: Desequilíbrio para o lado esquerdo

YOKO-HIDARI-UKEMI: Queda lateral para esquerda

YOKO-MIGUI-KUZUSHI: Desequilíbrio para o lado direito

YOKO-MIGUI-UKEMI: Queda lateral para direita

YUSEI-GACHI: Vitória por superioridade técnica

ZA-REI: Cumprimento ajoelhado em seiza

ZEMPO: Em direção frontal

Cumprimento ajoelhado em seiza ZEMPO: Em direção frontal Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa

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REFERÊNCIAS

REFERÊNCIAS Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa do Sul

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REFERÊNCIAS

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Disponível em: www.cbj.com.br/

Acesso em: 17 mar 2015.

DEMARCOS, Alan. Apostila de judô. Disponível em: www.yamarashi.com.br . Acesso em:

01 jul 2014.

FERREIRA, H. S. As lutas na Educação Física Escolar. Revista de Educação Física. Escola de Educação Física do Exército, v. 135, p. 36-44, 2006.

KANO, Jigoro. Judô Kodokan. Traduzido por Wagner Bull. São Paulo: Cultrix, 2008.

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SANTOS, SARAY Giovana dos. Judô: filosofia aplicada. Florianópolis: Ed. Da UFSC, 2009.

SOUZA JÚNIOR, T. P. & SANTOS, S. L. C. Jogos de oposição: nova metodologia de ensino dos esportes de combate. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, v. 14, n. 141, fevereiro 2010. Disponível em:

SILVA, Daiene; SANTOS, Saray Giovana. Princípios filosóficos do judô aplicado à prática e ao cotidiano. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires - Año 10 - N° 86 - Julio de 2005. Disponível em: < http://www.efdeportes.com/efd86/judo.htm>. Acesso em: 11 nov 2014.

VIRGILIO, S. A arte do judô. Campinas: Papirus, 1986. 162 p.

162 p. /regulamento-para-exame-e-outorga-de-faixa.html. Instituto Federal Catarinense – IFC Câmpus Santa Rosa

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