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rayeon (193, p 2a z 410 + AVor Da yareReza, Una crenga desse tino, s vezes numa variante cristianizada, 4s vezes sob forma radicalmente socular, deseavolveu-se ne autoconsciéncia. Go hhomem moderne ao longo éos dois ttimos séculos ¢ alimentou aossa fé ‘emi nds mesinos como uma civilizagéo reformadora, capar de ating objetivos morals mais elevades que qualquer épca anterior Os estupencos esforges Ihumianitirios dos séculos XIX e XX, os grandes movimentos de reconstrucdo politica depois das guerves, principelments 0 soaho de uma nova orden mundial acalentado por Weodzow Wileon, foram alinentados e custoatades, por ela. Nossa crescente incapacidade de nos aganar a ela cria em nossa civiizacdo algo como uma crise espiritual. Esse {6 é parte do legado do Itacinismo, mesmo quando the feltaram os termes que Ie dessem seatido, Kant conseguiu ao menos ofereceribe wna base clara, ainda que frégil, na comcepelo de um agente racéonal auménico, TAYLOR, CHOW. AK poms obo ety Oo eerotrua cor che columnoladse maolma . SP. dey sta, 1949 A virada expressivista LL ant apresenta tina forma de internalisagio moderna, isto &, am ~ K modo de encontrar o bem em nasea motivacia interior Ontea <: manifesta com a familie de idéias do final do século XVII que representa a natureza como fonte interior. Eston falando de idéias que Surge com 0 Stim and Drong ale» contzwam se dasenvaven | a pair de entéo durante 0 periodo romaaticn, tanto ingles como alemio. Rousseau é naturalmente, o pont de partida, sua primeira articula.. gfo importante talvez aparoca na obra de Herder; depois, é retomado 140 $6 Por autores romanticos, como tambsm por Goethe e, sob ontra Jorma, por Hegel, € toma-se uma das correntes que constituem a cultu ra modorna, A flocofiz da natureza como fonts fo! crucial para grande reviravolta 40 pensamento e da sensibilidads a que nos referimos como “romantismo", tanto que ¢ tentadoridentiticar uma com a ontrs. Mas, como mostra a mencio a Goethe ¢ Hoge, isso seria simples demais, Minha afirmagao é que a desoricao éa nanweza corto foate fol ume parte esseacial do repertéro conceal ein que o romankismo surgiu ¢ conquistou 2 cultura ¢ a sensitilidade européies Apalavra tem uma quentidade assombrosa de definiges; e alguns chegaram am an > Aor pa watUaezs mesmo duvider da existéncia de tal fexémexo unilicad, em oposigao a uma ‘mera confusio conceitual ocalta num nico terme. Hi realmente wma definigdo popular do que é romentismo, que parece bastante desconectada de qualover doutrina relative 2 natureza. V8 0 mo- vimento como uma rebeligo contra a canstrucio ée normas neaclissiess na arte, principalmente ne literatura. Contra a énfase efesioa no racionalismo, na tradigfo ena harmonia formal, os sontdnticos afirmavam os ditcitos €0 individco, da imaginago e do sentiuento. H4 um bocado de verdade nes 8a descrigdo, principalmente quando aplicata a onda de romentismo fran- és do comego do sécilo XIX. Na Franca, 2 influéncia do neoclassicisito sempre se mianteve forte, e foi necessério um movimento revoluciondrio para desalojé Se defininaos o romantiso desea forma, sus rlagio com as flosofias da maturoza como fonts poderé ser formalada com clareza Tso nogBade una rior ai¢a de que eavontames z verdade contro de 16s fee E por isso que Rousseau é to freqientementé o sea ponto de partiée, As vezes, a vor ox impulso interior é visto como algo partienlar da pessoa: & a vor Go self isso talver fosse mais comum entre esectores franceses conte Lamartine ex Muscat, que prociratam om eun pocsie dar exprossio autéatica a sous seatimentes. As vezes, fambém € visio como 0 impulso da natureza em nds, como a ordem maior eta que estattos inseridos, “Esse £1 ocas0 de alguns escatores mgleses, como Blake e, de ontra manera, também de Wordsworth. Nas essa idéa foi muito mais elebozada na Alemanka. Ave 4 Ly “00 tik of ws, aloe eh Hogn Cntr Eves, 948-8 ena que pose dest oronnsisned ban sa Aer eahoca epee ottuopean te ‘mete le Lots Sean 179 oa of Ramone ie Vien Hitey” on tonrp Ot ew Haven, Ye Uanerly ess, 96 Ter eon Tam Abo feet lve lara Telok on ane at ste bar 2 thptas yo Ot Reg fetes facil al rycen Ie hand rate, hgh fee se Th castn cad se ted |e Apne tha donde me i ey Of cteoat tag een ae soneny en mie a TT AVIRADS BORESSIISTA 473 Herder apcesentou um quadro da natureza como uma grande corrente de solledariedade, passando por todas as coisas. “Siehe de ganze Natu, betrachie die grosse Analogie der Scképfung. Alles fit sich und seines Gleichen, Leben 2 a natureza como um todo, cbserve a grande avalogia a ctiagdo. Tudo serte a si mesmo e 2 seu igual, a vida reverbera para a vida"). 0 homem a criatwra que pode tomar conscidacia disso e darlhe ‘Sua voragdo de “epitome o administrador da criagio” é “Yass er Sensor seines Gotts i allem Lebenden der Schépfiong, neck dem Mosse es ier verwand? ist, verde” (Que ele se torneo éegdo sensorial de seu Deus em todos ‘5 sores vivos da crizedo, segurdo a media de sua relapdo com ele"). Este 0 quattro adotado pelos esontores alemaes da década de 1790, por exemplo, Hilderlin, Schelling e Novalis Essa filosofia da natureza como fonte parece essencial a0 romantismo, mas a reciproca nio é verdadeira. Ela pode continuar moldando a visio é: esoritores, mesmo depois de terem dzinado o romantisize — dcfinido como Wee deling the tof et sng 4nd he vod atone ts ‘te the Se hy ed inthe mind of Soon née sing tt ee ‘Attn ng ob ess of a ough ‘ped as trough hy (Porque arent catenpara rates, fo como zac vents ingenadh; sucess tela usta o tte isa Ca hasta ate Nop tnpacecl ses Fanta enton 2 plo pte sith com oh petometes elevidos ua sklinesetsfdote algeaa cia Frserdanento itaidaeja aoade 2 tis porte mesa Gost ook he & do pens disc ted ts oo $fohima Grob decir, Yon Erne tnd Pe Sintthe Wot el. Borah Spt, 13 vs sign, qe maroc fa pnamaro sends exposia om baa, “heen a pip Picadoca MB irae, etic theta Ons, edn (Suan anken inrca easinage Sentliame ide gate coment tan sia an ara cto fea co ungtafoo Sert.fvo se tes «tongs do posts uns fern arsnetos pr Seiladey odin tsa ms etn snd oop Sopistctaison derans iv 9 6) Filet, em pero |, septa cee (a eum nar “inet 2s rit Atul est clgeeScbbereseatatwiterakctes rs dil de dar™E care que si cus «sin dvinn tc, Se Bo tem anh adade nae dom Que ‘Score peuomentoe Sbuatn se miele wane me frei tet pep: Geen ‘ dt enon que perzassa todas as coisas") fen der mensctichen Sele em Hades % xe 44 A.Vo7 DA NaTUREZA a rejeigdo da ordem cléssica — para trés, Bsse bi o caso de Goette', por ‘exemplo, ¢ de Hegel? ‘Todos esses escrilores véem os seres Inmanos insetidos muma ordem, natucal mais ampla, concebida muitas ve2es como uma ardem providencial, coma qual devem estar em harmonia, Nesse sentido, concordant inteiramente com o deismo anterior. E de fato, para os esoriteres alemées, Shaftesbury foi com freqiéncia uma fonte importante, assim como Rousseau. Ad falar da natureza como font interior, quero chamnar a atangio para a diloronga sui, mas importante, em relagdo as visies anterioves que existe a nogio \rousseanniana de que nosso acess0 a essa ordem é asicamente interior. ‘Ardem provicensial defsta mostrava a vida humana e suas realizacbes, cotidianas marcadas como significativas, de moto que tanto chegar a essas realzagés para si proprio como gazanti-las para o3 outros assnmiu uma importincia mailo grands ¢ era foriemeate valorizado como algo endossalo ‘pelo plano ivino. Consegnimas apeesiar {5s0 quando enxergamos e ordem das coisas e inferimos sua origem divina, Iss6, por sua vez, da sentido & justifica nosses sentimentos morais, se estes figuram em nossa teotia (lembramos que no fignram, por exemple, na variante loekiana) Nas visbes que pretendo comsiderar agora, a pervepyao desse significado vein de dentoo,E tum impulso ou consicpad intecior que nos fala da importincia. | denossa prépria tealizeodo naturale da solidariedad com nossos semielhantes, | sss ramen dees. esa 6 vos da nueza det de ns, Bia sous peineipios externos, as doutrinas podem parccor iguais. Herdar, por exemplo, Uofoulia léien sve « videur actual Lowy alge ler uvaiuse |e providencialments criedo que ndo estavam muito em chogue com as de | Hutchesca, por exemplo, Pode yarocer que s6 0 modo de acesso A verdade ‘muda que a alteragéo € no sentido de uma visdo menos intelectual, que i. Jé nto se apoia tanto em provas da criggao divina a partir de um des‘gnio ras pode, em ver disso, fandamentar tudo na conviczéo interior? Pet hen ny Cai, Castres ess 182 c's rnoute oaeean pelts creer gmap eps ‘etsva soca dss De tsea as te pepe adda ial iit a sepa Assn oss op a Fed ope tin fe arene stn state ona eta ae 2 rugs tag! ows Oey ean WR gee trner a rl orl grace edna Tse omnes eo Sta oslo entre psa pour tim on te poset tn Coe Se ls ota tar nr tose het anh ne a da ate hn Bates usec 64 FS ————— | AA VIRADA EXPRESSIVISTA 495 mudanca 2a idéiz do que & reconhecer a imgortancia providencial das coisas, Ter uma poshura moral agoquada om rolagéo & ordom natural é tor acess0_& prOprie voz interior. Nao podemos concebé-la como uma mensagem {déatica acess{vel tanto pela prova teleoldgica externa como pela in interior. Aqui, o meio esta integrado A mensagem: os que nao apreenderam © significado das coisas internamente, os que sé tém um entendimento frio ¢ exterior do mando come provicencil no comprocndoram de Tato coisa alguata. Podetnos pensar na mudanza aes sepuintes termos: toda teologin soci una nogde de como poderos entrar em contato cam Dens o1 com seus designios; uma mudanga radical desta titima doutrina corresponde a tuna alteregio de nosso enfenimeste do Deus e tantsm da eriagio, Isso 6 mais evident ainda no fat de que a oposip entre oenteadients ioe exterior e a apreensia inceror das coisas foi potica para essa too tas, Has seguem Ronssem ao propor a visio dos dois amores: a vos interiorZ € nosso mato de atesso, mas pecemas perder o contate ecm ela; ela pode ser S e 5 shafada om née, 0 que pode abaii-la é justamonte a postura cesprencida da | o caloulista, a visto da nstureva a partir de fora, como.uma orem era mente observada. 0 parentesco com teorias anteriores da graga é evidente. A J naureza apatece como um reservetério do bem, do desejo inocente ou da be- zevolindae o amor aobem. Me postura de desprendinento, estamos fore de | “8 sintonia com ala, separados delt; nfo podemos rostirar o contato com ele, Nesta postura podemos acrediter, como o naturalismo iluminista, que togas as pessoas tem moturagoes semelnantes, que todes desejam igualmente 2 felicidade e que 0 que importa é quanto nossa busca dela é esclarecida on equivecada Mas, na verdade, nossa vontade precisa ser transformada; ¢ a iva coisa que pote fazer isso a recuperacao do contato com o impulse da ratureza dentro de nés, Precisamos nos abrir para.o élax da natnreza em 06 como temos de nos abrir para a graga de Dens na teoria extodoxa, Aqui hi algo mais que wna analogia: hd também uma fliagZo, B, de fato, uma tooria da natnreza como fonte pode sor combinada « alguroa forma de 16 crista, seguitdo o precedente do deismo em que a relagio de Deus conosco passa principalmente por sua ordei, como podeimos ver em Rousseau e, mais tarde, vos romnticos alemdes. Assim, na “Ode a Alegria” de Schiller, a grand corrente de vida que tl através da natureza, revigocandonos e devolvendo- nos & fraternidade, ¢ saudada primeiro em uma imagem bastante “paga’: “Freuce, schiner Gotteruahen, Tochler aus Blystum”. Mas, depcis, toda a ordem Evista de maneira a pressupor um pai amoroso: “uber fermem Sterenzel/Muss ein lzier Veter wohien": bem de acorio com o dessa tpico, en até mesmo com. otelsmo. A passagem de tne visio ortodoxa para uma variante secula. 416 >A vo2 Da warmpeza rizada dessa religio da natureza pOle ser feita por meio de uma série de estégios intermedidrios quase sem se porceber a ruptura Mes € evileate que agora uma passayem ere possfiel, e mesmo fécll Alguns teiticos aderiram és doutrines ortodoxas basicas, ou pelo menos deistas, scbre omundo como criagéo providencial,[é procure! mostrar cono.até mesmo nesses casos uma mudange sufi, mas importante, jé havia sido introduzida, Mas dopeis quo ce admite que o acotse ao significado das coisas 6 interioe, que ele 96 € apreendifo de forma adzquada interiormente, é possfve! soltar sem problemas suas amaras das fcrmulagies ortodoxas. 0 primordial €a voz interior on, segundo outras variantes, o éon que perocrre a natureza e emerge inter ala 1a voz interioe A ortodoxia &crivel, para aqueles que acreditam nela, aso, a \égica dcfinitiva do uma teorla da netureza como fonte intetios, mesmo ndo teudo sido inteiramente apreciada em seus priméntios. Deas, entio, deve ser interpretado segundo o que vemos em atividade nna natureza @ excontrando voz dentro de nés. Ura passagem para uma espécie ds pantoismo é faciima, ¢ é ¢ que vemos na gerasfio roméntica com ojovem Schelling, por exemplo, ¢, mais tarde, numa outra forma, com Hegel. ssa passagem pode ir mais longe e levarrnos para fora das formas proprie- mente cristas, até chegarmos a uma visio como a de Goethe, por exemplo, ou 2s vistes que se refletiam nas difundidas invocagdes de Spinoza no periodo romantico, Polemos ir ainda mais além e, por fim, chegamos petto de participar as explorapoes do naturalisme que esbecei no capitulo anterior: 0 signi- ficado das coisas é aquele que emerge de nossa nahureza fisica e de nosso proprio ser material. Mas, na época que estou discutindo agore, qualquer convergéncia entre materialismo e a visio da natureza como fonte ainda esté mum futuro distente vai exigit. como vimos, certo airmxamento da ligagao fatima entre materialisno e postura desprendida A filosofia da neturoza como fonte, emtora vé além do defsmo de Shaficsbury ¢ Hutcheson, harmoniza-se cbviamente com esses autores ext sua critica de Locke e da teatiaextrinseca. Harmonize-se oom eles ao atribuir ‘um lagar centrale positivo 2o sentimento na vide moral. & por meio de ros6os, sentimentos que chegamos as rerdades morais mais profundas e, de fato, césmiicas. “Das Herts ist der Scktissel der Welt und des Lebens”, diz Novalis (0 coragio é chave do mano e da vida"). Para Herder, todas as paixGes ¢ sensagies “podem e devem ser atuantes, pecisamente no coahecimento mais elevado, pois este rascen ce lodas elas e 56 pode viver nelas”. Wordsworth concoréa com Arishiteles que “a poesia So mais filosdfico do todos os text seu objets é a verdade, mo individual e local, mas geral ¢ ative; xo apoiads | A VIRSDA EXTRESSIASTA a7 em testemuaho externo, mas mantida tive no coraglo pela peixio: verdade que é sua propria testemunha’®. De fato, essa flosofa 44 ao sentimento uma centralidade sem precedentes. Nessa perspective, uma parte essencial do bem viver deve consistir om estar aberto paca o impalso da natureza, eslar sinto nizado com ela ¢ ndo desligato dela. Mas isso € insepardvel do modo como me sinto, do fato de en ter sentimentos de determinado tipo. Em si, isto ndo ‘contitul novdade. Poderiamos até afirmar que as teorias il repens ao fier a cheno moral resi to enchsamente nas ae fir complotaineate a motivagio, como discuti na Parte I, Bara Aristé- ide cote Gaaaa on stia om ter disposigao para fazer o bem voluniaclamente Para Plstdo,e para. ie0}ogia cristé, qamor aa Bem ot 2 Deus esta mo pr centro do bem viver. A exigGacia desse nova filosofa, de que ea entre en sintoria com oimpulso da natureza, podetia ser vista apenas como mais uma | exigincia de amor: agora a natureza que fain através de mim é 0 bem que deve ser mario. 1 ‘Mas hi algo diferente de todos esses precedentes na filosofia éa natureza \: come fone, Ela di valor a nossos sentimentos por si mesms, par assim dizer ‘Ao contro da dica ristotdlica, nZo define certas motivagbes como virucsas e acordo comm as acies que elas nos levam a reairar. Esta mais divetamente | = interessada no que sentimos quarto ao mundo e quanto a nosca vida om geral. bso constitui a analogia com o amor 20 Bem de Platio. Mas, 29 cox ‘tito deste dltimo, o que se tequer nZo é o aur & um objeto trarscenente, sim determinaéa forma de experienciar nossa via, nossos desejos e reali | zagbes comuns € a ordem natural maior em que estamos inseridos. Estar em. sintoni com a natura & vivenciar esses destios como ries, plenos, sien | ficativos — responder & corrente da vida na natureza. E realmente uma questi de ter certos sentimentos, assim como de ter cartos cbjetives on de fazer certas coises | “A diferenea tc: 05 “sentimentos” valorizados pela y « perspectiva aristotdlica Sto definides segundo o modo éc vida ou as agdes a | ‘qze nos levam, cnquanto para a naiureza como fonte poderiamos dizer que 0 | $ modo de vida oa a0 € definido pelos sentimentos. Cerios sentimentos, como nossa seusagZo de unidade oom nossa espécle ou ume reagdo de alegra & rereréncla dante do espetdcwio da natureza selvagem, sao tao fundamentals — oi nais — para defini o bem wver quanto qualquer azdo. O bem tiver & efinido originalmente, em parte, de acoréo com ce:tos sentimentos. E por {so que 0 sentimentalisno do final do séoalo XVII, quando ultrapassou a5, Veh Erker, om Sivtiche Work, VIE, 199, fe Posto! Works, T, 304305, 18 > A voz pa varuneza primefras formulagGes influontes de Rousseau, oncontrou seu Inger natural nas flosofias da natureza como fonte. A diferenga em relagd0 ao modelo platénico ¢ que, aqul, os “sentimentos” sip definidos pelo objeto transcendente do amor, o Bem. Podemos acreditar que € possivel chegar a uma descrigio desse objeto independentemente de nosso sentimentos, embora oobjeto corretamente compreendido deva inspirar nosso amcr e admiragén. Mas definimos 0 que & a natnrera como fonte ao articular aquilo a que ela nos inclina, Se pensamos na natureza como uma forga, como um én que percorre o munéo © emerge em nossos impulsos infcriores, sc esses impulsos séo pute indispensdvel de nosso acesso a essa orga, catdo 36 podemos saber o que ela é articulando o que esses impalsos sos levam a fazer. E essa artculago deve ser feta, em parte, em termos de sentinento, como vimos, Assim, umra vez mais, nossos sentiments sao partes, integrantes de nossa definigao mais original e primordiel éo bem. ‘A primeira diferenca citada acima, em relagio ao modelo aristetéica, d& origem a outra passagem, aniloga & que se afasta da teologia ortodaxa Se o bem viver &definido em parte segundo cattos sentimentos, eniao ele também pode soltar suas amarras e afastarse do: cbdigos éticos tradicionais, Em. principio, os scntimentos apropriados so definides em grande medida em congniéncia com a ética da vida cotidiana e da benevolBacia, de acordo com 4 teoria doseaso moral. A berevoléaciac a simpatia sao vistas como natuais, da mesrza forma como 0 eramt os limites tredicionais & realizagdo sensual por, digamos, Rousseau ox Herder. Mas o caminho est aberto para uma redetinigao, Pode se coasiferar que ocontatorerovado com as fontes profundas da natureza ‘confece uma qualidade mais elevada e vibrant 2 vida. Isso pode ser interpreiado de uma forma que abandone 2s restrigdes habituzis & realizacdo sensual. Ext sintonia parcial com a perspectiva do materialismo iuminista, a prépria sec- sualidade pode tomarse significative 0 bem viver passa a consistir numa fusdo perfeita do sensual e do espisitual, em que nossas realizagées sensuais| snciadas como tendo wna imparténcia maior’. A viagem ao longo deste ade tmefiaa ent o sensual 2 0 espinal, parao gual a geracio insprepaa en Rovsseau, & cesbrado ea alguns dos poemas bem igeln, cono 0 "Hytcae an die Gti der Harmonie". Mais tarde, 2 uniiale rebterpretada coms rma sltese superir, que incorpora a raza, ¢ a unidace izodiata 6 sista come inspzadoea e, so enlanto, sulci, uma conbinagio captuads ma Fgura de Eupidoces: “Das Leben suchst du, sucks, wed es quit and gtact Ein gittich Peer tel ous der Bede dt Und df schoaderndae Vetongen Wigs dh tine, in des Ata Foams” Fredich Holder: Pons aed Proper, e0. Michael Hanburger, Londres, Rostedge, 1980, p20. A VinapA expuesorasta 419 camitho levancs além do periodo que estamos disestindo aqui. Talver 55 tenhames chegado 0 final dessa estrada em nossa época, com 4 “geracio paz e amor" da década do 1960. Da mesma forma, a fonte que dé uma vibracio mais elevada & nossa vida pode ser distanciada da Lenevoléncia e da solidariedade. Mas isso também ocorre mais tarde. Viré a ser articulado da forma mais memorével pelo grande anti-omantico, Nietzsche. ‘Essa -passagem, ao longo de qualquer um dess solver a distingao eatie 0 &: seavolvese no sézuip XVII, jut com una nove compresnsto da belezanabital ¢ artistic, que se cextrava menos na natureza do objeto e mais no tipo de experiéncia evocado. O priptio termo “estétien” indica um modo de experié E esse tendeu a ser 0 foco de virias teories do sémulo, desenvalvidas, it lia, alo atade do Bos, Ratmgarten, e Kant®, Agora que a ética pascou a ser definida om parte de acordo com centimentos, fica mais fic camufar as linhas divisévias, Em gorel, echamos que ado hi dificuldade em distinguir objetos ou questies étices e estéiicas. Mas, quando se trata de sentimentos, © quando, além disso, as questtes “éticas” so redefinitas de uma forma que abandona as virtudes tradicionais de termperanga, justipa e beneficéncia, fice dificil tragar as linhas divisérias, Ainda hd algun sertido em tragéc-las? Se eixarmos de lado a polémica de Nietzsche contra a “moral” e apenas tentarmos classificar seu ideal de suparhomem, devererto: cham lo de ético ou ostStica? Serd que essa oposicao no acaba ee revelando alsa aqui? dis nists, tend 212 ‘Se nosso acesso A nalureza ocorve por mefo de tum impulso ou voz interior, 196 podsmos conhever plenamente essa natureza pela erticulagio do que encon- 0. 0 abate do Bos, em Referens crtnes ir la foie et ee I pane, Pais, 1719, teafete 0 julgamento da belza acs sentido e nfo & zie, Nisso, sua obca se aze a inqiy, de Huecheson, pebitads em 1725, pare cnar um novo elma de pensanento que é ba sos de nossasrespustas, Nossa ptopetsie a rear com usa f do prazer tomaue eesencial nn exzicagio da Lcicra. Bessa afore chanaia de “esta”, em parte wb 4 Gudnda de Baumgarin Ulecietine, 2 ws, Frarkirt an dec Bonlon, Landis, Rostlegg, 1953, epdise nico ex sia te daft do subline segunto nostas respostas & dor, a pergo e ao terval, Kart [Rite der Credo 11790) reotreu asa, as nsturakseate se Estarciou Ca tectta do senso estetion ass cueo A Yor Ds yamuReza como amor". E, com iss, Pope mostra as raizes dessa visio, que passa por Shaftesbury rentontaido a Ficino © ao platonismo florentino, raizes também da visio roméntica da natureza. Mas, pare Pope, o amor mantém a cosséo de uma ordem cujo principio de coeréncia jé & suficientemente exidente para a azo desapaixonada. & 0 circulo da natureza em que cada ccisa 6 stil para outra ("ver plantas agonizantes alimentando a vide}. A. ordem roméntica, em contraste, no se organizava em torne de principios que poleriam se: epreeudidos pela razio desprendida. Seu principio de ordem nao era acessivel exotericamente. Em rez disso, era ele mesmo um eigma, ¢ 86 se podia entendé-o completamente participando dele. O anor 6 tal que & preciso ser iniciado nele para vélo. A antiga idéia de uma har- rronia de naturezas racienalmente evidente di lugar a uma nova idéia de uma corrente de amor oa de vida, quo tanto est préxima do nés como desafia o enteudiiento. “Nel ist/Un ‘imo/E dificil de capter, o Deus"). Mas, se a ordem das coisas nio esta exotericamente ali para ser imitalla pela arte, endo ela dexe ser explorada e mantifestada por meio do deserval- ‘vimento de uma nova linguagem, que pote trazer 4 manifestagdo ago em principio esctérice ¢ néo inteiramente visivel. Wasserman mostrou como o deciiaia da antiga ordem com sua base estabelecida de significaéos ternou necessério o desenvolvimento de uma nova linguagem postica pelos romdcticos. Pope, por exemple, em seu Windenr Parser, pace farer wen das antigas olefins da ardam da naturoza como uma fonte comum da imagens podticas. Para Shelley, esse recurso rndo é mais possivel; o poota procisa articular seu proprio universo de re. ferdncias ¢ tomélo verosaiel. schwver 2u fassen der Gots" (E pis TAU o Gnal do século AVI, kava sufciente homogeceiiads intelectual para os honets compartiharem certes pressugostos...Em graus variadoo... 0 homens scsi... irteprotagio eietd da hist, a sacramontalilade da natureza, a | Grande Cadeia do Ser, 2 analogis dos varios planes da criagie, a eeneepeio do hhomem coma milsrocasna... Bram sintases eGsmicas d= dominia pice: € 0 posta polia danse ac hu de ver sua arte como imitative da ‘natureza’, uma vez ‘que esses modelos eran 0 que ele enteniia por “naturera’ Nossécule XIX, esses vishes de mundo j haviam sail éa com detume conc ia. A suadange pie mitatica para uma concepgio etiativa da persia mio § apenas @f, Aletander Pope, Ae Essay o2 Mon, IL.726. 26. id, MLIS. (BB. Os peinciocs verses de “Patmos de Hilden, é i : AVVIRADA EXPRESSINISTA 39 en fexdeno eritico ou Bloséfice... Agora. um ato formmlador adicional ora) do poota.._Ex cou intorior, o pooma madanno devo tanto form intaxe ebamiea come modolar a roslidade peta a0. poeta ¢ estava & issosigde pura scr initada, agore cempertilna como poems usa origem comm ‘a cristisjdede.do_pocta"™ © posta romintico tom de articular uma visio original éo cosmo. Quando Wordsworth e Hélderlin éescrevem © mundo natural que nos rodeia, em The Prelude, The Rhine ou em Homecoming, nao manipilam mais um leque de referacias estabelecito, como Pope zinda pode fazer emt Windsor Forest. Bles nos dao consciéncia ce algo na natureza para o qual ainda nao hd palavres apropriadas". Os prdprios pozmas estao encontrando as palz- vras para nds. Nessa “linguagem mais sutil” — a expressao é emprestada de Shelley — algo 6 definido e criado, além de ser manifestado, Ua linha diviséria foi tragada na histdrin da literatura. Alga semelbante acontece na pintura do comaco do século XIX. Caspar David Friedrich, por exemplo, distancia-se ca iconografia tradicional. Esta progura de un simbolismo na natureza que 120 se basei2 nas convenz0es ~ aczitas. A ambicao é deixar “as formas da natureza falarem diretamente, seu poder liberada_por sua ordenacio deatto da obra de arte". Friedrich fambém est brscando una linguagem mais sutit estd tentando dizer algo para o qual no existem termes adequados e cujo significado tem de sor procarado em suas obras ¢ nio mum Iéxico de referéucins preeristente™. Elz clabuie v seusu de aluidale culie wvasus scullurculus © vs veudtiva nralurais do final do século XVIII, mas na ientativa de articular mais que Ear Wessenman, The Sbibr Language, Bat 1988, pp 10-11 i Asin, Wordsworth fale de coe ee eau sard, 2, Jeduss Hophins Usiversiy Press, The ghostly lngusge ofthe ancien e (Oe exe thar des abe in sant (foava/Se a roe escarevia com ums lomenta vinfoura Sob alguna peisa, owindo snp que Sd0/Alnguager eapectal da antiga tera /Ou que fazem sun chscura mora eat Sisartos wonton) (The Prelude’, 1307-313) 0 pcépci yoota fem de forar as imagens mediante as “nguagem aspectal ‘Rosen © Zomer, Romentisen, p 58, Este capitle 2) erntémiama excelente dseussio da agpiragde roméntic a un simbolsmo marwal 38. Bid, po. 6838. is passemes 2 cevir essa 490 ‘A Yod DA NaruREZA ‘uma reago subjotiva. “0 eontimento munca pede sor eontririo & naturoza, sempre & coerente com ela.” 213 Estive examinando duas respostas &s inadequacdes sentidas 10 natn. ralismo iluminista: a teor'a da autonomia de Kant eo movimento difuso do pensamento que passa a ver a natureza como fonte. Ambas reagem ao que parece a falta de time dimensio moral adequada no dafsmo e no nateralismo itpicos. Mas reagem ez formas diferentes e incompaiive Kant quer recuperar ¢ integridace da moral, que ele vé mum to inteira mente diferente de motivardo. Ser impeido por ele é liberdade, mas também ‘implica uma ruptuca radical com a natureza, um desprendimento num sentito mais radical da que o llvminismo nateralista imaginara. A compreeasio da natureza, como fonte ‘oma um caminho diverso, Bla também pretende resgatar a dimers moral, mas esta agora deve ser descoberta 20 elon da propria niatureza, a qual nos separemos. As étas sequem cursos ixcompativels: separagio entre natureza e razdo para Kant parece tanto uma negacéo da nahuueza como fonte quanto avisao tipica do Duminismo; ¢ a exaltacio da nat era como fonte deve pareser tao heterénoma quanto o utilitarismo, aos olhos: dem kantiano FE, apesar disso, hé também profunda afiniéade entre as das, ¢ sentia se necessidade de combiné les. Podemos ver indicios disso no préprio Kont, Sua terovira arta foi ao mesmo tempo mma resposta & crescente cesidtica da expresso e ume cbra seminal fnportante em sex desenvolvanent, Ea ambigio tomé-se gorel na détada de 1790: a antonomia deve oomeiliar se com a uinidade com a netureze, Kant e Spinoza cevem ser tmnicos; essas eram as palavras de orden. O jovem Schelling por exemplo, va sua tarela nasses termos. Desejo exantinar rapidamente tanto a oposigio como a aspi- ragdo & unidade. Ambas a8 visies sio reagbes 4s inadequagies sentidas ro naturalismo ¢ do defsmo iluminista tipicos. O que parecia comm a elas ere a falta de uma dimenséo moral apropriada, como afirmei acima, Isso padlerie ser descrito de runa forma que se tomcu popnlar hoje em dis, dizendo-se cue elas eram “uni- Gimensionais™, Mas isso ado significa necessariamente que havia diferengas om questios morais ou opgéee politicas sulbstartivas, Tanto os antianos co. ‘mo 0p utiltaristas tendom a ter visdes iborais c acreditam om poiticas hu- ‘4, Gtado em ibid,» 67, Rosin = Zersevncslans soa ums afimagio de Conse: Pargmin, a pra € apenas outs psavea pau sentiment BE ostert Marcus, 0 fa Serer 4 VIRADA EXPERSSINISIA, 491 manitirias e Iberais, assim como grande parte daquoles que adotavam a vieZo da naturoza como forte. Havia uma ala reaconéria entre 08 rominticos; e questies importantes a respeito da natureza da liberdade — se ela deve ser vista como “positiva” ou “negativa” — separam os seguidores ée Rousseau dos de Hobbes, Locke e Bentham, Essas diferences politcas apéiamse em ‘ferences metafisicas, mas nio esto implicitas nelas. Yernos em Humboldt uma defesa apaizonada da liberdad> individual de um ponto de visla expres ta. Eo positvismo comtista foi uma grande fonte de penszmento reacionério no século XIX. Cousiderar a visdo iuminista thica wildimensional é n2o ver espayo nela para o que toma a vide signifcativa A vida humana parece apenas uma ‘questao de satisacto dos cesejos, mas « base para a avaliacZo fore, para a existéncia de desejos ou metas que ralem intrinsecamente a pena realizar, parece ausente, 0 raturalismo é particulamente vilnerdvel, porque tenta de modo explicto suiwerter as dstingSes ‘radiconais que fundamentarara formas anteriores de avaliagio forte, Como argumentai ne capitula entorior, ele co epéia intensarente em sou préprio recomheeimento implicito do significado da vide Iumana, mas hé grandes resisiéncies & arlicwlagio declarada desse significado Naesteira desse naturaismo moderno ede seu suposto desmascaramento as bases tradicionais de avaliacdo forte, tornou-se comum parguntar se de fato existia alguma base. Parecia oporturo indagar se a prépria nogio de que cerlas realizagées umanas t8m um signiicedo especial xo 6 uma sBmode, una projopte ds noone centiixentos na realidads, quer foo aaa como uma conjeture floséfica desprendida, quer como uma questio de angiis- tia existencial. E, apesar disso, toda a ética iluminista exige alguma nogdo de significado desse tipo. ‘A visdo kantiana encontra sua seguada dimenséo na iééia de uma anto- roma radical dos egentes racionais. A vida da mera satisiagio des desejos nao € apenas rasa, mas também hetsrénoma, ssa critica foi a origen de urna faniliz de teotias que deiniram a dignidede humana em termos de liberdade. A vida plenamente signifcativa 6 equela escalhida pelo pripsio sujeito. AAs visies expressivistas encontram sua segunda dimensio na natureza como forte. A vida de razdo instrumental carece da forga, da profindidade, da vibracao, da alegria que deccrte de estarmos conectadas com 0 élow éa natnteza. Mash algo pior. Ela nfo apenas carece disso, a postura instrumental Jagio & nahwreza constitui um obstéeclo & sua obtencie, ven yon Hue}, On te Links of Sta Prose, 1969. ton, Lonaes, Garg Uslversiy 292 ‘A vou A NATUREZA ‘A postnra instrumental envolve a ofjetifcacio da natureza, o que significa, como descrevianteriormente, que a vemos comouma ordem neatra das cofsas, Ito é, nenhum fato relativo & posigio das cofsas nessa oxdem equivale por si s6.a uma consideragéo em favor de una oa outta dei ines talvez apenas em combinacéo com algume premissa de valor tireds de alguma outra parte, Ao objetiicar ou neutralizar alguna coisa, declaramos nossa separacio dela, nossa infependéncia moral. 0 naturalismo nautraliza a atureze, tanto fora como dentro de nés. Essa postura de separardo é 0 que nes bloqueia. Impede nossa abertura para 0 éan da natureza, tanto dentro corro fora. Uma das grandes otjecies 20 desprendimento iluminista era que erava barceras e divistes entre o: seres humanes ¢ a natureza® e, talver mais deploravelmente ainda, dentro dos proprios seres humanos; e também, como consegiféncia, entre os seres hhumanos. Esta tltima divisdo parece se seguir tanto por causa das afinidades atomistes do naturalisme como pelo fato de que a postura puramente ins- trumental em rolagio as coisas nio permiic na sociedade uma unidade mais profunde do que o compartihtamento de certos instramentos couuns, Assim, entre as grandes aspiragies que nos legou a era romintice esta as de reunificegao: devolver-nos o contato com a natureza, eiminar as divisies interiores entre razdo sensbilidade, superar as divisdes entre es pessoas € criar a comunidade, Essas aspiragées ainda estio vivas: embora as religides romnticas da natureza tenham se extingnida, a idéia de esiarmos abertos para a natureza dentro e fora ée nés ainda & muito poderosa. A batalha entre 2 ratio instrumental « ete: compraoneio ds naturesa ainda 6 travada hoje nas controvérsias sobre politica ecolégica. Por trés das questées particwares «quanto 20s perigos da pcluigao ou do esgotamento dos recursos, essas das perspectives espiritnais estZo em confronio, Uma vé a dignidade do komen em seu controle de um mniverso cbjetificado por meio da raz2o instrumental, ‘Se hé problemas de poluigio ou limites ecoligicos, eles prdprios serdo resolvidos or tteios técaicos, por tsos melhores ¢ mais amplos da razo instrumental A outra v8 nossa posigo dianto da naturoza uma negagio cbtusa de nosso lugar entre as coisas. Devemos reconhecer que somos parte de wma ‘ordem maior de seres vives, no sentido de quo nocss vida vem dela e é mantida por ela, Reconhecer isso envolve admitir certo compromisco com essa orden maior. A iddia é que compartilhar um sistema de vida de = 37." tabatho de base, portazin, de toda vendafeka Mossfia € 2 plena apreensis dh ‘Eleenga onto... intuigio das osisas quo vim quand: ccmos cenharoe de née mosmce, em unidate com o toin...e aqisla que se apresenta quardo...yeneams a nis mesmos como serts separados,pordo.a nstureza en anttese & mente, como objeto a0 suelo, cost a pensarente, vida a morte"; Woedsuorth, The Friend, 3 vols, Lonles, 1818, Il, 261.262, Tea ‘A MIRADA EXPRESSIVISTA 493 sustentacio mitua com outras criaturas cria vinenlos: uma espécia de solidariedade existente no processo de vida. Estar em sintonia com a vida & reconhever essa solidariedade. Mas isso é incompativel com a adagio de ‘uma postura purameate instrumental em relagio a esse contexto ecolégico. Ou, jnvesteade a arguneatardo, 2 aloedo de una posta justmupentaly € uma negacto da nevessidade essa a. espécie. de separecdo, ume afHECEOg (de nossa inlependéncia moral, de nossa auto-suficiéacia. | ‘A lute entre essas perspectivas espirituais, que comeca no sécalo XVIIL, ainda estd sendo trarada hoje, apesar de as doutrinas romintices sobre a cccrtente da vida, cu 0 Todo da natureza, terem praticamente desaparecido, ‘Assim coma 0 huimanismo dumirista jf nio existe em sua forma defsta, mas Sica ge i pinaoak Mccieumn ae ii Hise © diivida, mas a compreenséo da nature oe tee ae ee ee reine ¥ us conlitsinfraos das soiodadescapalstas indusnasavancadas A azo instrumental desempena um papel t20 importante em suas institué- | Gfes e préticas, que tudo quanto abala nossa confianca nela como postura + espititual provora também tim profindo mal-estar nas sociedades avancadas. | contemporaneas. Existe uma relacio causal circular entre 2s outras crises © dificuldades do eapitaliomo o ecco mal cotar copicitual, que proourci re | ‘tratar em outes obra, Demorcime bastante na critica expressiviste ac natwalismo duminista, rz do. que vimos até agora, podemos ver que 0 expressivismo ‘aibém vai ostar em conflito com a critica kantiona. Bata também poderia ser ‘acusada de nos separar da natureza exterior e de nessa proprie naturera interior. Na verdade, ossas duas acusagées parecem eplicarse com uma forca maior ainda A visio Kantiane, que indica uma separagao ¢ ums oposigéo claras entro Hberdade e natureza. B, de fato, Kant 6 severamente censwado ‘por isso no poriodo romantic. Mas o que ¢ igualmente percepttvel ¢ a tentativa de combiner as duas crfticas de alguma forma. E hd boas razdes para isso, que remota profun: damente as raites de ambas. As duas ado sé pattem do mesmo posto, a superficialidade do Hlumtnisimo fpico, como também tm afinidades impor ¢ mex “Legimation isis” em Pilon ond the un Scenes, Canbsidge, cafvsage Usiersiy Pres, 1585. . com fate 9, )2 494 > Avvo2 DA NATUREZA tantes, Ambas so intemalizagies. Ambas procuram situar as fontes no interior. Portanto, ambas mostram sua heranca rousseauniana e fazer da liberdage am bem central. E, por causa disso, ambas tornam se valnerdveis a critica da outra. Exetamente por ser uma teorie da libertade, a-filosofia moral de Kant tem difiealdade em igmorar a eritica de que 0 agente racional nao 6 a pestoa inteira. [sso ndo levon Kant a querer alterar sua defitigio de autouomiz, mas ele perceben que a condigao de oposigio polar cntre azo e natureza era menos que perfeita; que as exigencias de moralidade ¢ liberadade apontam para uma realizacdo em que natureza e re2ao, mais uma ver, estariam alinhadas. Essa condigao é definida. por exemplo, pele sumo bom da segunda critica, em que virtude e felicidade chegam a ser coordenadas®. E uma uniio de outro tigo é indicada nestas linhas de “Inicio Hipotético da Raga Humana’ em que, depois de falar do antago- nismo que agora vemos entre cultura e natareza, Kant fala de um futuro em que “sollkommene Konst wieder Nature wird: ls welches das letzte Ziel der sitticten Bestimmung der Mensckengattng ist” ("a arte aperteicoada tome-2e ontra vez natureza; 0 que 6 0 objetivo final do destino moral da raga humana"). Woentanto, também por ser uma teoria da liberdade, a visdo da natureza como fonts ndo pode ignorar a questzo de aus o mero mergulho xa unidede ‘com a nafurezs seria uma negaeo da autonomia humana. E por isso que ‘3 grandes pensadores quo surgizam éa corronto expressivicta dasse periode tutaram todos para unlr a auiuiowla radical cou 2 unidale expressive, como vorios em Schiller, HOlderiin e Hegel, por exesplo. Desenvolveuse a idéia de que a rupture da razio com a natureza ere necessaria; que o homem teve de levé-la 2 cabo a fim de deseavolver sue capacidade de raciocinio e abstragao. Sohiller defende esse ponto em suas Cartes sobre a educegio estéicn da kumanidade"., assim como Hélderlin em seu Hipérion®. A crenca erz de que o destino hurrano era tetornar & natu reza num plano mais elevado, éegois de ter feito uma sintese de razao € éesejo. A unidade original avanga por caminhos divididos, na razio e na natureza, © depois se refez numa reconciliagdo, Hélderlin evoca esse retomne a unidade nesta passagem de Hipérion 2, seutno,pinein ig,em ets We, naib “Ha, itinsle Ang or Menon’ te erin VE, 100 a ‘Schiller, Cartas, VI, par. 6. ri Sev pln nts Werte, edigza dz erat oy AVIRADA EXPRESSIVISTA 495, “We der Zutst der Leteaten, ind die Dssunanzen der Wel. Vrsoimung ist im Shri und alles Gtrente indst sch wieder Bs scheiden und Rehr it Herzen Adz und ciniges, exiges, glihexdes Leben ist Ales’. (ooo brigas de namorades so as dssorinelas do mundo, A recexcllagdo std no me da discdndz,¢ tolas as oxises separadss se juntan autra vez. AS velas separamse ¢ voltam co coragio, e toda ¢ uma s6 Vida unifcada, eterna, falguranie"}*, As filosofias expressivistas de natureza como fonte tenderam a desen- volver uma teoria da histéria que 2 via numa forma semelhante 2 uma espiral, partindo de uma anidede primitiva indiferenciada, passando por uma diviszo conflituosa entre razlo e sensibilidade, entre ser humano & ser humano, até chegar a-um terceiro momento superior de reconciliacéo, ‘om que os gaztos do segusdo perfodo, tazio ¢ liberdade, eram inteiramente reservados, Essa estrutura tem suas raizes, muito obviamente, na descrigdo cxisti da salvacao, que comeza no Paraiso original, passa por uma Queda e chega & Redoncdo final. Mes estd ligads mais imediatamente aos desdo- bramentos milenaristes do pensameato judswcristio, que estavam entao adguirindo nova relevancia politica. Pois a0 final do século XVIII hd-um terceico desenvolvimento que também even algo a Rousseau e introsuzin no pensemento iluminista uma polarizacio, entre bon: e mal. E o que foi chamato de mecsianisimo politico moderna Refiro mie ao espiitd que Se exconirara om evidéncia, por exertpio, no auge do fervor da Revclugdo Francesa, a sensagio de que tua nova época estava rrascendo, refletida na adocio de um novo calendério, nilenarismo, como € wais edequadamente chamado, tem uma longa histéria na eivilizagio ocidental. Sens priméedios remontam 4 Wdade Média e ‘205 escritos de Joaquin de Fiore, que prosin o surgimento do uma terecira ‘a, 2 do Espirito Santo, sucedendo as éuas primeiras: a do Pai (a época do Antigo Testamento} e a do Filho. Seria uma era de cspirtualidade, de uma forma superior de vida humana, em preparacio para a eorsumaggo de todas as ceises. Un certo conjanto de expectativas milenaristas, isto & um certo conjumnto de nogdes de como seriain as sltimas coisas, deseavalveuse na Idade Média e, de vez em quando, era ativado por seitas. 0 cendrio em geral incluia uma batalha entre as foryas da huz e as das trevas, entre Cristo e 0 (AB. Gato em Richard Unger, Hldeie's Mae Petry, Bi Pits 1975, p21 af Nor]. L.Talmon, The Origiss of Poatinran Democracy, Londres, Seceer & Wubasg, 1052, @ ies, Police! Messiaen, Losdeve, Soskor & Warburg, 192; amor Telron +6 fom prea mais lenge que © mingion, Intiana University 496 + Avor ba nanwarea anticeisto; depois, haveria um einada dos justes durante mil anos, antes da constmagio final® ‘A proviso milenatista Gescreve um momento de crise, em quo um con- flo vdlento esta prestes a ser dtlagrado, em que o mundo é polarizato como nunca antes entre o bem eo mal. EF um momerto em que 0 soltimento € a ‘tibulagio do bem aumenta drameticamente. Mes, ao mesmo tempo, promete ‘uma vita sem precedentas sobre o mal e, depeis, uta nova era de santidade ¢ felicidade sem garalelos na histéria As fontes dessa previsto, claro, (2m ratzes profundas na tracigéo religitsa co judaismo e do cristianismo © nas expeciatves messiénisas que sempre estiveram abrigadas nela, De tempos em tempos, eas tonam Jorma na Baropa ‘medieval e dafinem uma consciéncia de crise revolta, 20 lado ca expectativa ‘de wm ontro comeso radicalmente novo, Isso ni termina com a [dade méia ‘As expectativas milenarsias também tiveram wm pape! na Reforma — na revolta em Minster na década de 1530, por exemple, Veram de novo Tara 0 pimciro plano onto alguns dos partcipantes Ga guerra chil inglesa. Os hiomens da quinta monerquia definiam: 9 do ecordo com outra profecia bbica, Go Livwo de Daniel: 0 seino de Deus sucede os impérics ‘errenos 0 gue-vemos ng Revolugdo Brancesa é algo semelnante ao mesmo tipo de expoviativas mas, pela primeira vez, secularizadas, Uma vez mils, 0 qnadro & de erise, gezada por uma polarizacio sem prevedentes entre as, foreas do hem e do mal, aumentando até wm conflto devisivo, que introdusira uma era de bem sem paralelos. Mas, a curio prazo, nossas tribulagies: 1] ds cries # do conta, intenoificam 26 muito come reoultado inovit Parte do comteide secular dessas expectativas fol proporcionado psto huumanismo dluminista. A nova ere seria de rardo e de benevoléacia, de Iberdade e humaniiarismo, de igualdade, justica e autogoverno, Mas elas exipian algo mals rico que o naturalismo uniuista como base..C.quadro ca polarizacao reser ida de bem ¢ mal, e.nae runs visdo que se veltesse ape seliCA entre ointeresse pessoal esclarecido e o nicesclaretido. &, assim, encortremos a inguager rous: seauniana vindo para o primeiro plano no auge da Revolupao. A batalha¢ entre virtude, pa‘riotismo é liberlade, de un lado, ¢ xicia, triggo ¢ trania, do.outro, A Revolugdo oferece a espetanga de uma nova época, néo porque <2 prope administrar finalmente a sociedade de iorma racional; a esperange 6 que ela possa por fim despertar a pence berevoléucia latente nos homens virtnosos, depois que os servos comuptos da tirania tiverem sido removidos, 48. Ver Norman Cohn, The Persul of the Mitlunniim, Lendres, Secicer & Warburg, 1957 (se cendae do rallo, Uehos, Presenza, 1070) A viRADA ExPReservTa 497 HA uma confianca rousseauniana na bondede da natureza néo-corrompida tp 2 momento revousiondio, sem a percepsfo aguéa 2 mesmo desesperan. | gada de Ronsseau da impossibilidade de recuperar 0 contato com essa } natureza nos grandes Bstados modemes. seas expectativas milenaristas, que sd0 mais um estaco ce espirito que uma douttina, surgem no calor da Inta revoluciondie, E no s6 na Franga: na vardade, foram expressas de forma mais bem atticilada ne Inglaterra e ne emanha, que tinham tracigées milenaristas mais fortes @ mais recentes Southey, om seus sltimos anos mais conservadores, conton como se sextin no momento da Rovelugdo: “As coisas antigas parcciam ostar acabando, © no 6a sonhaxa com nada além da regencracio de eapécic humane”, Priesticy, radical € unitarista, via vela a realizagdo de profecies biblicas e previu o advento “do rilénto, ow 0 estado feliz e pacifico do mundo futuro”, E é na Alemathe, onde a revoluedo propriamente dita ocorre apenas como iim importagio, juntamente com os exércitos franceses invasores, que te. Nesse processo ‘ransposias,refletindo nZo tanto as osperangas do Iluminismo radical to as da tooria oxprossiviata da natureza ecmo fonts. O qua eurge 6 ¢ Visdo em espical da histiria de que ialei acima, em que rompemos nossa integragio original com a grande corrente da vida para entrar numa fase de divisao e oposicdo, sezuida por um retomo a untdade mum plano superior ‘Vemos essa perspectiva elaborada em Schiller e depcis adotada por uma série de ontros, irclusive Schelling, HOlderin e Hegel. Em principio, isso levou a oxpostativar muito imediatas de mudanga deamétins, ssa flosafia combines te a uma sensagio de rive o & nova pessibildade engondraéa pela Revoluglo Francesa, que de ‘ato a inspirara em parte, Definia a possbllidade do uma rova politica ¢ de uma nova cultura, das queis a Alemenha seria « iniciadora Poderos ver expaciativas dosse tipo belhazdo nas linhas da Prdvomenotogie des Geistes de Hegel, de 1607, cmbera a transformagio scja vista om termas Dasiantes epoliticos. No Hegel mais madwo, a scnsegéo ée trensfoxnacio radical ininznte desapareven. O que fica €a aogao de ume era nova e superiox, que jdraiou e agora esté vende o desenvoivimeato de uma forma politica nove © mais elevada, e Ga cultura religiosa e filosética que a acompaaha. Hegel ineorgora toda a perspectiva tradicional ¢o milenarismo ccidental, nas d2 tuna forma filosifica transposta. Existem as trés eras de historia mundial, a erise de conflito exiremo no comeco da nova era (felizmente agora para tris de nés, na forma da Revohugio e das guerras resultantes) ea nova resolugdo superior, Fica perdida na transposigio filoséfica, claro, as expectativas milensristas sio elzheradas flosaficamel 498 + Avvo2 Da naroneza a batalha final entre o bem e o mal, resuiltando na vitéria complet: éo primeiro, A batalha hegeliana mmrea & entre o beni e o mal, mas entre das exigincias do bem; e esta resulta em sintese, © nio om vitéria total ‘Mas Marx reformula esse elemento de polarizacao ¢ vitdrla total em sua ‘versdo da espiral; ¢ essa € a forma na qual o milenarismo politico se tomou uma grande forea ne histiria e na civlizagio modermas. Procurei mostrar em outra obra” como a teoria da alienagao de Marx e sua pers- pectiva de lbertagao baseiam-se nfo apenas no humanismo iluminista, ras também no exprecsivisno romfntico @ assim, om vltima instancie, na idsia da natureza como forte. 214 Assim, 2s tecries expressivistas da natureza como fonte desenvalvem suas préprias concepsoes de histiria e das formas narrativas da vida ‘humana, tanto sobre a maneira em que a vida individual se éesenrola no sentido de antodescoberta como sobre o modo om que essa vida se encaixa ria histéria humana como um todo. Uma dossas formas & a expiral que acabei de descrever. Masa critica da civilizagio iluminista moderna como fraguentadae ressequia poderia também gerar uma impresséo pessimista de que o mundo havia declinado, talvez irreversivelmente, depois de uma poca anterior mais rica, Poderiainspirar a nostalgia por uma era passada de integritate — ientificada muites vezes com a Idade Média. Jimibas se fornse compem com ae marrativas ihuministas. At « viedo “otimista” da expiral, de certa forma semolhante & cranga no progresso, era, ‘om oubos aspectos, diametratmonte posta. E semelhante na modiéa em que aponta para tim futuro superior 2 melhor; mas masito diferente em sta pola- zatdio, xo drama da separagie ¢ reunio. A descri¢Zo inear de progresso feta por Coreccet é completamente rejeitada. As coisas que podem progredir de forma linear — 0 coahecimento cientifico, 0 Rrswiow tecnoligico, riquezas — esto longe de ser aceitas como bers ndoadulterados. B a descrigio do desenrolar da vida é extrerramente diferente pelo Iegar central que atribui a autodescoberta. A revolugdo expressivista constituiu um desenvelvimento prodigioso da interoridade moderna pés-agostiniana, em seu ramo antoexploratério, Como um dos principals temas da Parte IV foi a tentativa de explicar nossa idéia modem das prefundezas intesiores, sé agora podemos compzzeader ¢e fato 0 que estd por irs dela. Com certeza vias as bases de wma forte instinagio para a interioridade nas transposigies de —=— Yor mon Hage, cap. 20 Agostinho faitas por Descartes © Montaigne, ¢ nes priticas da antoreforma cesprendida © autocaploragao religiosa ¢ moral, que surgem no comego do perfodo modemo. Nas 56 com a idéia expressivista de articulacdo de nossa abureza interior vemos realmente o fundamento interpretar esse daminio intemo como tendo profindidade, isto é, um domts ‘que podemos chegar a artizular, que ainda se estende até mais longe que rosso ponto mais remote de expressio clara Que o exam: da alma deva implicar a explocacio de wn vasto dominio 40 6, evidentemente, uma id€a nova. A tradigao platinica coacordaria com dla. Mas esse néo € um dominio “interor’, Para entender a alma, somos levados ¢ contemplar a orem em que ela se insere, a ordem piblica das coisas, O que & rove na era pésexpressitsta ¢ qze 0 dominio é interior, isto 56 estd abertoa um modo de explorecéo que envolva a postura de primeira pessoa. E isso que signifies definir a voa on impilso como “interior” E claro que Agostinho tisha wna nogdo de algo “intetios" que, de for nada sinilar, estendia-se muito além de aosse capacidade de visto: nossa “meméria”. Mas na base disso est Deus; peneicar nas pronimdezas de nossa nemécia seria sermos levados para fora de nés mesmos. E é assim que atingimos nossa integridade suprema como pessoes, nos olhos de Deus, ¢ partir de fora. A interioridade de Agostinko leva zo superior, camo dissemos. Na filosofia da natureza como fonte, o dominio inexaurivel est4 realmente dentro. Ka medida em que cavar até as raizes de nosso ser levanos pire além de nés mesmos, isto 6, para a natureza maior, da qual emergimos. Mas 96 tours avcaou @ cla pus uiciv Je sua sue eu ids, Bove ualutees, at contrério do Deus de Agostiaho, ado pode nos oferecer uma visio mais elevada de nds mesinos a paitir de um poato além de nossa prpria auto- explocagdo. 0 sujeito modzruo pés-expressivista tem de fato, ao contrério dos individuos de qualquer culture antericr, “profuntezas interiores”. Esse conceito de um cominio interior inesgotével € o cozrespondente do poder de auto-articulacio expressiva. A sensagao de profundeza num espago interior esté ligada & sensarao de que podemcs nos mover para ele ¢ trazer coisas para o primeiro plano. E o que fazemos quando articulamos. A sensacdo inevitdvel de profundeza deriva da percepedo de que, sejz 0 que for que trouxermos para cima, sempre vai haver mais 1d embaixo. A profundeza reside em sempre haver, inevitavelmente, algo além de nossa capaciiade de articwlagao. Esse nogao de profundezes interiores esté, portanto, intrinsicamente ligada 8 rossa compreenséo de nés mesmos coma soras expressives, que artculam uma fonte intarioe. Portanto, o sujcito com profundidade é um sujeito com essa capacidade cxpressina. Algo fundamental musa no final Go culo XVIIL O sujeito medemo ‘UAepour Telow oRdeNys e o_MM aganbunra ou0o voydiaes oye] ossy ‘oduiay ouseml or vpynpuos Jes apod vzamyeu ep 3 jas op opSeiordxe v onb op opquas ou “eIsTaRUN] ousnrewny op slueryp ema -u ap SeTigquoy Sep Sessa ruowETS! oMsESsazdya 0 ‘OssIp Weyy “sepEyUEUL -ne We1o] sapepioedea sesson a ‘ayuoy PUM OWOD WeqUE) EpIqaato 9 PI0Se veamyeu y “einylNa essou Us seysusTssazdxe setrooy sep epenue vjed sepem -soystTeN Tez0] sequre anb aquapyie q “Sepepioedva seLdoud sessou a ezamyzu e qpmnuo yysI9] es WAY v ovseIO(dKa ap seMaTUOY sep NOyLeDsaINe 2 sTeIOM SeqUO] SESEOU NOITISIAMIp PLIpOIN EAN ¥ Bb sssqp Ta ‘GT OTMUIGED ON *OUYWOD Ie spLeMPEUOLONyNSEOD yyse sepepiOoedes seesa sequE Soyuooa anb warp posed em “ypungas @ seovexe joagssodum vauoy amb o ‘sowaumnes soudoad sop 8 vzamjeu eudosd ep oyweuxpuedsep ap vanysod PUM seyope 2 WY o sz eNaWUd v AMZag ‘oYJUED Wa OBS sopeprsedes svsso ‘soqoadse sozjno Ura ‘Sey “STR0W Saquo] Sep OEeaTEwann eum ee EpUTe [Ropes + STPUL OMISANSIGnS wv BAB] a SPePLIONAIT ep oRdwsuas ¥ RaYLSUEY OLETE speppedrs v enb opSanp emsom vm ‘sojsodse soxes me ‘ene tyq “ANeLS ovsen@eny eB coQupioL opojed o apsap YpMaRE opis wa] anb apepordeo ® — zalsseidxe opbemanre-oye ap epepinedea vaou esse iod aque, SEOL ‘opipuaidsep peuoIsel ajoxjuoo ap apepioedes vod seuady amgap os ovn FT VETANINR ¥O 204 W os a ‘ x