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EGC 27.930.601 /0001-50 + Rio DE MASSACRE = Sala 602 pare = 7 5 a ° ° o ° € 2 a ° ° s 3 2 a =] < Pua Bertn Ribeiro, 391 A_cena_ representa uma cidade,a praca. Wao é uma cidade moderna,nao uma cidade antiga. Esta cidade nao deve ter nenhum cardter particule 0 estilo que melhor conviria: entre 1890 e 1920. Dia de feira. luita gente,se se dispoe de um teatro grande. Itito menos gente,se se disode ge_um teatro pequeno.Pode-se dar a impressfo de muita gente com poucgy gente seja deixando mais espaco entre os personagens,seja fazendo-os entrar e sair,sempre os mesmos,com outros chapéus,guarda-chuvas que 4 gam_ou largam,barbas que tiram ou poem. As pessoas passeiam silencios, mente por bastante tempo. Io parecem nem alegres nem tristes.Fizere: ou vio fazer compras. j Antes ca entrada de todos esses personagens,que darfo a impressio vir Gi feira,no fundo,percebe-se a feira,com pessoas comprando e ven- dendo. Ouve-se o ruido das palavras e um rumor, um burburinn Tudo é ito colorido. Sinos tocando nimero suficiente de figurantes,pode-se_também,e ia até melhor, cpstitul-los por fantoches ou grandes Eanecos (mane- ysivel, Esses fantoches podem 290 ag! dadeiros ou pintados No final desta primeira cena, se se trata de fantoches verdadeiros, 2 os no, conforme oj 4 estes se voltardo,, com un ar de angistia, imobilizados, face ao pivLi ¢o,0u melhor com os olhos fixes no local preciso da ocorréncia, to cal So de benecos imévels ou pintados, deverSo desaparecer no fundo cinzel to _(o mesmo aconteceraé, alids com os verdadeiros fantoches, cujas som bras apenas serao vistas mexendo-se numa névoa, pois uma-meia obscuri dade invadirato alco no final desta cena). ae Antes da entrada da primeira e da segunda dona de casa, entra pela ole1aa; precedendo-as de dois passos A primeira e a segunda dona de casa entram pela direita. PRIMEIRA DONA DE CASA : Somenté os macacos pegam essa doenga. © monge sai. SEGUNDA DONA DE CASA : Felizmente, nds temos cachorros. PRIMEIRA DOHA DE CASA : E gatos. SEGUNDA DONA DE CASA : No entanto, sio as pessoas que carregam 0 virus. PRIMEIRA DONA DE CASA : Nas maos? Sem querer | Elas _saem. TERCETRA DONA DE CASA : Hew marido me dizia que a maloria dessas pessoas vive na incoeréncia. Nao tém costumes precisos. Pareee que morrem disso. QUARTA DONA DE CASA: £ preciso fazér o necessério. Elas_saem. QUINTA DONA DE CASA. : entrando pela esquerda, com owtra : Tempos atras, ©ra preciso lavar bem as cenouras. Senzo, podiam transmitir a lejr SEXTA DONA DE CASA : Agora sao as batatas que“dao diabete ou engor- dam. 0 espinafre é ruim,d& sangue demais. A lentilna amido demais.As Pe eee ates: uaa qeetale al daqcous re euatioe nea gee tol mais Vitaminas, néo tém mais enzimas, matam. 0 4tcool faz mal, alcoo- liza. A Agua nfo é boa, mesmo nas botas. “‘Incha o-estémago. 0 enche de ras. QUINTA DONA“DE CASA : A carne faz mal, £ acido Grico. O-peixe enerv SEXTA DONA DE CASA : O peixe enerva ? SEXTA DONA DEX =m sa QUINTA mo s es s os s ° ° 2 s 2 . oe eo 2 o e eo oe @ oe oe oe oe ° e os s 7 ” ee o eo ® 2 s s Cd es a @ 2 er s SEXTA DONA DE CASA : 0 aspargo, meu marido nao quer, faz mal aos rins. Ele sabe. £ médico. Tem clientes com asparagite. QUINTA DONA DE CASA : Tema berinjela, sé dA resfriado. SEXTA DONA DE’CASA : £ menos alegre que a peste. Elas saem. Entram a terceira e a quarta dona de casa. QUINTA DONA DE CASA : Oh! a berinjela é cancerfgela. Entram a sétima ¢ a oitava dona de casa. SETIMA DONA DE CASA : Meu marido me disse que vai haver pessoas que subirdo até a lua. Mais alto ainda, OZTAVA DONA DE CASA Affreciso uma esc=“a muito mas muito maior que as dos bombeiros, e de cabeca para baixo, porque parece ae a lua esta embaixo, esta do outro lado pois 8G vé de todos os lados. SBTIMA DONA DE CASA : Justamente. Comova vé de todos os lados da terra, por que nao estaria do nosso lado ? OITAVA DONA DE CASA : £ preciso correr o risco. Quantos dias leva- ‘shum-Pelas escadas 7 SETIMA DONA DE CASA : N3o poderiam. Perderiam o félego. ORTAVA GHA DEC. bavtti. deseansos £ SETIMA DONA DE CASA : Vocé imagina a vertigem? A cabega para baixo ou para cima, 6 a mesma cOisa para a vertigem. OITAVA DONA DE CASA : Poderiam ir em cima de obuses. A cavalo em cima dos obuses. Montariam no cavalo que estaria em cima do obus. SETIMA DONA DE CASA : Morreriam. Haverfa excesso de ar e teriam me- do demais, Morreriam. Elas saem.. - INDICAGOES CENICAS : Em vez de sair, as donas de casa podem girar em torno\do paleo, conforme as possibilidades’ técnicas. tas de mulheres; se as falas dos homens forem mais numero- sas que as das mulheres, sera preciso aumentar estas Witi- mas ou vice-versa até 6 momento em que se encontrardo todos para espantar-se ¢ assustar—se com o primeiro acontecimento eatastrofico : a morte de um bebé, por exemplo, gue prece- gerd a de um homem, de uma mulher, de varios homens, de va- vias mulneres. £ possivel que todos os personagens que se encontram em cena no_comeco da pega morram no fim deste co- mego, isto é,no fim de alguns minutos* Wo esquecer a che- gada_silenciosa do monge de negro. €Serko vistos enchende epales 0 primeire eo segundo homem entram pela esquerday PRIMEIRO HOMEM, ao segundo : Somos todos uns idiotas, ail somos go- vernados por imbecia. SEGUNDO HOMEM : Temos que encontrar um remédio para isto. Este re- médio @ inencontravel. PRIMEIRO HOMEM : No faz mal. Bu vou encontrar assim mesmo. Vou en- contrar quando’ vocés quiserem. SEGUNDO HONE : Bem que queriamos. Poder é saber. PAIMEIRG HOMEM : Poder e saber sac us duas facuidade: da all alma do homem, Eles_saem. 0 terceiro eo quarto homem entram pela esquerda. TERCEIRO HOMEM, empurrando um carrinho de beb : Aos domingos , sou eu que empurro o carrinho dos bebés . Tenho dois gémeos, Mintia mulher faz tric. QUARTO HOMEM, tricotando : Comigo.é o ecntrario. Eles_saem. 2quinto ¢ ‘o sexto homem entran. i Ss aie ay, Neale assongea nao estava muito bem.Es~ oanun denso n geiro. Nao entegaie fats nada. Estava agitado, SPEEA SSEEFLEFFFVGSSESCESHVESTSTTTFVHVSFSSS: uma espécie de impaciéncia nervosa e muscular. N&o estava mesmo nada, nada bem. Nao podia ficar nem deitado, nem sentado, nem de pé. Nao podia andar porque me cansava. Nao podia ficar parado. SEXTO HOMEM : No entanto, navia uma solugdo. Ndo muito agradavel. Mas era a unica. QUINTO HOWEM : Qual ? SEXTO HOMEM : Enforca-lo. Poderiam té-lo enforcado. QUINTO HOMEM : £ perigoso. SEXTO HOWEH : £ preciso correr o risco... Comigo foi pior, a depres- Go. 0 mundo inteiro tinha se tornado um planeta distante, impenetra. vel; de aco, fechado. Algo totalmente hostil e estranho. Nenhuma comu~ nicac3o, Tudo cortado. Era eu que estava fechado, me~ fechado fora. QUINTO HOHEM : Onde estava a tampa? Dentro ou fora ? SEXTO HONEM : De qualquer maneira, eu nao podia levantd-la. Pesava toneladas. Toneladas e toneladas. De chumbo. Nao, de ago, eu disse. 0 chumbo ainda pode ser fundido 1 QUINTO HOMEH : Eu nunca pude levantar mais. de sessenta quilos. Hais facilmente sessenta quilos de palha do que sessenta quilos de chumbo. @ Afinal, a palha € main leve. = = GpAmieddiaw! Say Geeeer eee euem nen muaeale moe ~ viver. Nem sempre édiertido hein? como diz meu’ amigo Gaston. $s QUINTO HONE : Taivez fosse melhor morrer 7 oa SEXTO HOMEM : N&@o digA isso, dA azar. - Graétinoieelattavathonemlentras : a SETIMO HOME : NOs ndo somos da raga daqueles que vo nos: astros. OITAVO HOHEM : Somos da raga dos desastres ou pequenos desastres. 2 SETIHO HOMEM : Sd apenas técnicos superiores, Trdo na lua, iréo nas Get estrelas. Tro mais longe que nés, mas ndo saberdo mais do que nés. jae visde terdo 7 S : OTTAVO NOMEN i Mais vasta que a nossa. 3 =! s ie nS re 20e SETINO HOMEN : £, mas o que saberdo sobre o todo? No saberdo nada de nada sobre o todo. £ o todo que conta, o resto nao é nada. OITAVO HOMEM : De fato, o nada nao conta muito. (Breve pausa.) No entanto eu prefiro os andares superiores. Os inquilinos dos anda- res superiores tém uma vista mais elevada, mais extensa que os inqui- linos dos andares inferiores, SETIMO HOMEM : Nem sempre. OETAVO HOMEM : Como? SETIMO HOHEM : Se o prédio estiver num declive se velar ingesGncs suponeres lorem) as janelas ou lucarna: espiradouros}do lado da montanha, os Ultimos andares podem ser pordes | Para os outros, € a Perspectiva. Os de baix. podem ver de mais alto. Eles saem, “. Entram a primeira e a segunda mulher. PRIMEIRA MULHER : Meu cunhado trabalha nos reflexos incondicionado nos condicionados, é mais faei1. SEGUNDA MULHER : Sé fazemos o que nos pedem. tas exigen muito. Elas saem, Euicam 0 quinto e o sext. QUINTO HOMEM : Estou sentindo como que um nascer de alegria. alegria. homéin. Jaéa Ela queria subir dos pés para’o coracio. Infelizmente, tenno un formigamento nas pernas que a impede. . SEXTO HOMEM : Meu caro, nao é mais o prazer de viver que eu peso. Me contentare1 com a neutralidade de viver. Poder olhar -trangiiilamente pe= Fa 0 espetaculo sem sofrer. OQ _guinto e o sexto homem saem. Entram a terceira e a quanta mulher eo terceiro eo - ti. a ee ae eto eo quarto homem. 05 homens pela esquerda, as mulheres pela ‘ direttae 9 a Como ‘Sempre. © tergesro sou ae Gaquantesnpmen ainda témumo tricd, o ou- ae ; o = = ° 2 = = s = @ 2 2 2 a a a a 2 2 a a a a @ 2 2 @ s s @ CJ é 6 *e @ s 6 @ * ie 6 tro o carrinho. Agora é aquele que tinha o tricd tem o carrinho ¢ vice-versa. TERCEINO HOME, ao quarto : Nao hé porvir. TERCEIRA MULHER, & quarta : Nada est& por vir. Tudo esta por preveniny QUARTA MULHER, 4 terceira : £ melhor prevenir que remediar. QUARTO HOMEM, ao tercediro : Nada é realmente previsivel. TERCEIRA MULHER, & quarta : Nada é realmente remedidvel. TERCEIRO HOMEH, ao quarto : Mesmo o previsivel. QUARTA MULHER, 4 terceira : Mesmo o remedidvel. QUARTO HOHEM, ao“terceiro_: £ sobretudo o previsivel que n3o pode ser previsto. TERCEIRA MULHER : £ sobretudo o vemediivel que no pode serremediade. veneno. la_direita, os homens pela esquerda, e param nos“éd sdnpfingit que talam. Dovem parecer bastante caimos, lham, n&o_se_mexem. 0 homem de preto, encapuzado muito alto, sobre pernas de pau invisiveis, como ha pouco,e ira e para no meio dv paleo, eranquiiamenve, sem ‘ See eS ees ace ninguém pareca vé-lo. QUARTO HOMEH, empurrando_o carrinho com os b7bés para o meio do pal-| co, ng frente, enquanto que o monge se encontra no meio mas atras -Pa- rao tereeiro homem : Os sinos esto tocando o fim da missa/ Vamos to-r mar um golinho antes que minha mulher saia. < TERCEIRO HOMEM, para o quarto : Ela deve encontrar com minha mulher na confeitaria. QUARTO HOMEN, para o terceiro : Ponha seu tricd no carrinho. Os be- bés nado vao comé— Jo. Para a quarta mulher : Minha cara vizinhs, Bem dia QUARTA HULHER {como vai o Sennor 7 TERCEIRA NULHER : Ainda nfo vi seus gémeos. Disseram-me que séio tao lindos. QUARTO HOHEH : Cuidado para nao acorda-los. {£ sé o tempo de tomar fea gole com mcu amigo: TERCEIRO HOMEM : Vamos tomar um gole juntos, Antes que os homens vao embora, as mulheres se debrucam so- bre o carrinho. QUARTO HOHEH : Até ja. TERCEIRO HOHEH : E obrigado. Tem também meu tricd. QUARTA HUI""R, olnando para dentro do carrinh. : Disseram-me que e- ram louros. Wao tém tez clara, seus bebés. QUARTO HONEM,que tinha dado um passo_ para o fundo como terceiro : W&o existem mais louros | nem mais rosados | TERCEIRA MULHER, olnando para dentro do carrinho : so roxos. so peetinhes . Est&o dormindo. ERCEIRO HONE : Roxos ? QUARTO HOHEM : Meus tilhos, pretinhes 7 TERCELNA HULH R, tocando-os ho : Pare © que esta com rrio. Nao est&o bastante agasalhados. QUARTA MULHER : A gente toca neles, nado se mexem. TERCEINA HULHER, olhando para dentro do carrinho : Fofinhos, fofi- hos. = QUARTA HULHER , tocando-os : Est&o gelados. Ah, meu Deus QUARTO HOMEH : 0 que & que est&o dizendo ? TERCEIRA MULHER : Mas estao mortos, QUARTA HULHER : Morreram sufocades, Aaaah! TERCEIRO HOMEM : 0 qué ? -QUARTO HOMEM : Esto. 6timos. (Olha no carrinho. DA um grito):Mortos! atno-carrinho,“d4 um grito : Hortos | ° s s e e es 2 e ® 2 2 2 e e e e 2 2 s a ® @ a 2 2 2 2 ® » ” ® @ e e 2 ie 2 2 2 2 2 iS 2 Enquanto a terceira e a quarta mulher se afastam, transtorna— das, gritando, e os outros personagens comegam a se agitar, o quarto homem grita : QUARTO HOMEN : Sufocaram meus £41hinhos, estrangularam meus fi1hi— nhos! Mataram meus filhinhos | Quem foi que fez isso ? Qs outros personagens, de olhos arreyalados, aproximam-se slag lentamente do grupo formado pelos dois homens @Vauas mulheres em volta do carrinh, PRIMEIRA MULHER : Quem pode ter feito isto ? QUARTO HOMEM : Eu ‘sei quem foi. Hoje de manh& deixei os dois com minha sogra. Ela sempre tevevaiva dessas criangas. Porque’ ela me de- testa. HA muito tempo. Desde sempre. TERCEIRA, MULHER ; Ele diz que foi a avo ! TERCEIRO HOMEM : Néo € um motivo suficiente para matar criangas | QUARTA MULHER : E a mae que nao est4 sabendo }! QUINTA MULHER : Ah, meu genro, meu genro! “Eu teria toreido o pesco- go dele. Mas ndoféas criangas. Alias, crianga nao tem pescogo! Minha filha nao quis. Mas eu compreendo isso, num momento de célera. SEATO HOHEM : E ume vergonha | SETINO HOME ; & mais que uma vergonha ! QUINTO HOMEM : As velhas sempre foram um perigo | Assassinas, enve- nenadoras | QUARTO -HOMEM, para a segunda mulher :; Hinha’ sogra, foi a senhora “que os matou. SEGUNDA HULHER : Nao fui eu, juro por Deus | QUARTO HOHEM : Criminosa | (Ele se precipita contra a segunda mu- ther que cai.) TERCEIRA NULHER, para o quarto homem : Assassino | PRIMEIRO HOMEM, SEGUNDO HOHEM e QUINTA MULHER, dirigindo-se todos, ameagadores, para o quarto homem : Assassino | Miseravel | QUARTO HOMEM : Ela caiu sozinha. Nem cheguei a tocar nela. OITAVO HOME, olhando a segunda mulher : Ela esta roxa, esta toda preta | SEXTO HOHE : Essa mulher era minha benfeitora. Voc vat pagar. Ele se precipita contra_o quarto homem, com a faca na mio. TERCEIRO HOME, para o sexto, procurando impedi-1o em seu movimen- fo + Se ele diz'que n&o fol ele. Fla morreu sozinha, © sexto homem estA bem juato do quarto © quarto homem cat QUARTO HOHEM, caindo : Aaaah | Estou morto | se estatela no chao, com os b os em cruz. TERGEIRO HOWEM, para o sexto matou meu amigo. Assassino ! Bandido | 0S HOMENS E AS MULHERES, dirigs homem, menos o segundo homem e¢ « quinva mulner que examinam o cada— ver do quarto homem : Bandido ! Assassino | SEXTO HOMEM : N&o fui.eu, falhei o golpe. Ele caiu sozinho. Pegou. SEGUNDO HOMEM © QUINTA MULHER, depois de examinar 9 quarto nomen no_chZo : Olhem! Est& todo preto! Esta roxol - OITAVA MULHER + N&o agliento mais. Policia ! (Levando a mio ao co- Bagdo) Aaaah, meu corag&o! la cai, morta. OITAVO E TERCEIRO HOMEM, para o sexto homem : Bandidol Assassino! © assim como a sexta m QUINTO HOMEM E SETINA MULHER,interpondo. Bed eee lher’: Nao foi*ele. ny SETINA HULHER : Ele disse que morreu sozinho! Enquanto isso, o primeiro e o segundo homem, assim como a primeira, terceira, quarta,quinta e sexta mulner examinam_o cadaver da oitava mulher. PRIMEIRO HOMEM : Ela nao se mexe mais. TERCEIRA HULHER :Assim mesmo seria bom chamar um médico. SEXTA MULHER : Seria bom chamar os bombeiros. Eu vou procurar os bombeiros. Ela se dirige para o fundo. Cai. SEXTO HOMEM : Nao fut eu, Nao fui eu. Juro por Deus. Cercad pelo terceiro, quinto, oitavo homem e sétima mulher, ele cai. Negirdingnoe, quasio cnsian s saxty Hower, 38 peraonmeens ne vem deixar um espaco aberto para a sala a fine se veja cair ° sexto homem,. © primoiro efZegundo'homem, a primeira ferceira,Yquarta ea + guinta mulher, depois de examinar a oitava mul er no chac, le~ varitam os bragos para o eéu, em torno da mdher. PRINEIRO HOME : Nao 6 0 coragio. SEGUNDO HOWEH : Telver seja 0 coragio,~ PRIWEIRA HULNER : ELSTESE uma cor fetal SBTIMA MULHER, olhando o sexto homem no ch3o : EstA morto. TERCEIRA MULHER : Foi o céu que o punint! QUINTO HOMEM : Talvez sé esteja desmaiado Os personagens que estavam em volta do sexto homem, isto é 0 terceiro,“/quinto,Yoitavo homem e a sétima mulher, assim como os personagens que estavam em volta da oitava mulher, isto é 0 pri- 2 : : neiro eo segundo nomem e a primeira */terceira,Yquarta eMauinta “mulher, dirigem-se uns Aos outros dizendo :"£ muito estra— 12 Que Seu acreditarial(coisa feia ! E por causa da nho_mesmo! Jam Aas? maidadell_ Sao _culpad S&o inocentes!" SETIHO HOMEH, indicando a sexta mulher morta Essa af caiu!Ela tiahag te procurar os bombeiros. (Precipita-se para a sexta mulher): £ preciso ajuda-la a se levantar! SETIMA HULHER : Néo me diga que ela também morreu! PRIMEIRO HOHEM : Acabou-se. N&o vamos morrer todos! SETINO NOHEM, pegando a mao da sexta mulher : Est4 inerte! Horta! RRBRES Ele cai morto em cima-da mulher. PRIMEIRA HULHER : J& nao é mais uma surpresal OITAVO HOHEM : A ger... j& se acostumou. Ele _desaba sobre a sexta mulher e o sétimo homem. 0s’ nove personagens que restam comecam a correr em todas as diregées pélo palco gritando ¢ torcendo as mos. PRIMETRA MULHER ; Tende piedade! PRIMEIRO HOMEM : £ 0 mal! O grande mal ! TERCEIRA MULHER ; Tende piedade | CNDO HOMEM Bu roubet. QUINTO HOKE : Senhor, tende piedade! TERCEIRO HOMEM : Eu sou parricida ! QUINTA HULHER : Bu cometi incesto | QUINTO HOMEM, caindo no meio do palco : Piedade, misericérdia, piedade, misericordia SETIMA MULHER : Perdoai-me, : PRIMEING HOMEM : O inferno. Ele cai, aA direita do palco, na frente. PRIMEIRA MULHER : Eu gostaria de reparar meus erros. Ela cai do lado oposte®Adiprimeiro homem. ae TERCEIRA HULHER': Eu nao sow Ela cai atraés do SEGUNDO HOWEM : Onde estas, minha querida? Minna queridinha ? Ele cai ao lado da terceira mulher. Ele cat ao lado da terceira mulher. Li0 QUARTA HULHER : Minhas entranhas!Esta me queimando! Ela cai ao lado do segundo homem. mal TERCEIRO HOMEM :Eu estou terrivelmente(Eu fiz o mal. Oh, meus filninhos. Ele cai perto da quarta mulher. QUINTA © SETIMA MULHER, ainda correndo de um lado para outro: Eu n&o quero! Estou sofrendc uemais! QUINTA HULHER : . Marido, teu almoge ainda ndo esta’pronto! As _duas caem nos dois lados opostos do palco. AS duas caem nos dois lados opostos do palco. FIM DA_ CENA Um funcion4rio da cidade dirige-se ao piiblico. © FUNCIONARIO : Concidadaos e estrangeiros.Um mal desconhecido se vem espalhando hd algum tempo em nossa cidade. Wo ¢ a guerra, nio na assassinatos, nés viviamos normalmente, calmamente, muitos de nés nu- ma quase felicidade. De repente, sem causa aparente, sem terem fieade doentes, as pessoas comegam a morrer nas casas, nas igrejas, nas es- iinns Mas precas|plulicus. Yao monsqndnpsstsaaiis @ceaed nos, imaginem sd! Eo ciimulo é que nao se trata te casos isolados,um morto aqui, outro 1a; a rigor, isto se poderia admitir. Has nfo. Sdo cada vez mais numerosos. Ha uma progress&o geométrica da morte. Trata-se, nos dizem ds médicos, os historiadores, 6s teé- logos, os sucidlogos, trata-se de um mal que volta ciclicamente, ra ramente mas ciclicamente, e que nao se via alguns sécu- les, * moutra parte do mundo. Este mal dd a volta ao mundo e ‘ve atingir o pais ou a cidade mais feliz,sin, no momento mais perfeito pe te OER ie aoa > momento em que temer. Este fenémeno terrivel foi assinalado as duas Ultimas vezes em locais muito distantes, em Paris e numa outra cidade da antigtii- dade, Berlim. tla Sicilia também, parece, mas nao temos mais os docu- mentos suficientes para saber exatamente se era a Sic{lia ou a Argen- tina. £ inconceb{vel que agora seja nossa vez, jA que Brest estava mais perto desses lugares. H& casas em que familias inteiras sao ani- quiladas juntas. Irmaos e primos s&o atacados ao mesmo tempo pelo mesmo mal, pela mesma angistia, seguidos da mesma dor mortal. liesmo que morem em bairros diferentes. Acreditou-se, um moment. » que se po- deria explicar este fendmeno por uma volta, um reaparecimento das velhas disputes ancestraisientre familias ou na mesma familia, como ae isk > 3 0 pode mais oxigtin. onsagrsgemoderntdade apaziguada. Mas as pes- S0as morrian tanto na mesma casa como em casas afastadas umas das ou- tras, desconhecidos morriam ao mesmo tempo, desconhecidos uns dos ou- tros. Assim também se poderia acreditar que fosse a disputa entre desconhecidos. 0 excesso de coincidéncias nos levou a abandonar a pista da coincidéncia. As pessoas morrem ao acaso. Eu reuni vocés uma altima vez nesta praca piblica para lhes dizer © que est se passando conosco e que o que estA se passando conosco 6 Scope eenslyelCstamaptlenacy van Wa aortas ate ete Ge usee conhecidas. Devo anunciar-Ines que os pulses vizinhos assim como as cutras cidades nos interditam sua porta. Soldados cercam a cidade. Ninguém mais pode entrar e vocés no podem mais sair. Ainda ontem Podia-se viajar. A partir de hoje, estamos presos como numa armadi- 1ha. Concidadios e estrangeiros, no tentem fugir, vocés n&o escapa- viam das balas dos carabineiros que impedem as entradas e as saidas. Precisanos de toda a nossa coragen © de toda nossa forga de resigna- Ga. Eu preciso também de‘bragos para civar sepulturas. Devenos ex- Propriar os terrenos vagos, os canteiros de obras, porque no ha mais lugar ‘nos cemitérios. Peco voluntarios para viglar as casas in- fectadas, para impedir que se entre nassas casas ou que dela: ia. Precisamos de inspetores juramentados para investigar nas casas ating das pela doenga, a fim de ver se é realmente a doenga mortal.Pe- G0 investigetsias para determinar as causas dos ébitus, para exami- par weet: on vivos © verizicar s@ tém,manchas, sinatm vermelhos, in- chagSes, e denunciar & policia os suspeitos para i Hauck bem fsela- dos. Todo suspeito que entrar numa casa ficara trancade com as pessoas da casa. Tomem muito cuidado com os suspeitos, Denunciem-nos. Para o bem piiblico. Pedimos cirurgides, carregadores de cadaveres, coveiros, todo mundo esté a servigo de todo mundo, Todo mundo deve estar pron- "to para vigiar of enterrar o seu préximo. 10 conhecenos remédio pa~ rao mal. Podemos procurar 1imité-1o, devsa maneira talvez alguns en tre nés consigan sobreviver. Has no contem com isso. * Ho entanto, basta de mendigos, basta de vagabundos, basta de ban= 16 Pils abertos o menos possivel a fim de reduzir a propagacgao. Se é que ha Propagacao. Pois é possivel que o mal nos caia do céu como uma chu- va invisivel que passasse mesmo-através dos telhados ¢ dos muros. Como Ja disse, ndo haverd mais reuniSes pibiieas. Os grupos de mais de trés pessoas sero dispersados. £ igualmente proibido pas- Sear sem destino. Os habitantes deverao circular dois a dois,a fim que cada um possa vigiar o outro, e anunciar aos coveiros seo outro cain Voltem para casa, que cada um fique em casa. Nao Saiam a nao ser per 9 estritwhseéssario. En toda casa contaminada serd pintada uma cruz vermelha da altura um pé no centro da porta, com a inserigao + Deus, tende piedade de nés! Ele sai. FIM DA CENA Debbebababebababababababe babs be babel babababe! Cena numa ca: Cendrto : um quarto vazio. Entra um personagem, de luvas, carregan- do uma _cadeira redonda com encasto e bragos, enquanto outre eriado também de luvas,chega carregando um éstrado. A cad. gima do estrado no meio da parede, A direita. o [3 a ie iE 5 a iB 5 3 e to grande, da altura da parede, abrinde para a rua. No fundo, & esquerda, uma porta de entrada. Os criados saem e entram de novo com vaporizadores. Un teresiro personagem, una mulher, chega, segurando __tanbém vaporizador. um 08 personagens borrifam as paredes, a cadeir: Pela por- dada direita, chega outro personagem, carre gando duas cadeirinhas , gue_sio_colocadas dos dois lados da porta da dire:t ém uma mu- liner. Esta G1 Janela_vé ina borrifa os méveis, © chlo, as p: 86 0 que se passa na rua i vé-se um home: meio bead}, que corre de uma extremidade a outra do funvo do p. “Tende piedade de mim!" Ele desaparéc » dois Humens ves: dos de pruvo, com caras pura pro ger contra ‘os _m: erobios 9 nariz ¢ a boca, de luvas e segurando caco- tes, correm atrés do personagem que gritava. O'primetro perseguidor Levanta o cacete para acavart pe nagem que deve ter cafdo na rua. que deve ter caido na rua Ouve-se_um grito. Véem-i¢os dois ‘personagens, um dos quais segurava um cacete eo outre uma_mana, trazer de volta o cadaver estendido na macupvitandy :"Em- Pestado", o outro :"Afastem-se, afastem-se!" Chena o dono da casa. £ un homem bastante alto ¢ magro, moreno,veste um robe por cima de um terno escuro. Usa uma espécie de gorro na cabe- orerereeeeerernereennrereenerereerneere Ld dodaibababsbababsbibsabbbsbibibbebobobab ha G hh. G ht t im ae luvas cgno os outros, na esperanga de se proteger do mal. Tom um ar assustadoe a leda hero tira do vols um pequeno frasco que destampa, aspira, tampabe novo, recoloca no bolso, tira novamente do bolso e assim por Muartely Vé-se, pela janela, uma mulher esfarrapada correndo em direcdo in- versa a do homem de hd pouco, que vai desaparecer gritando :"Salvai minha alma, matei meu filho". Ela é perseguida pelos mesmos homens, que a trarao de volta numa maca gritando,um "empestado",o outro embora nao baja ninguém nas ruas. Vé-se igualmente um homem com uniforme de polfeia que, depois de fastem-se" olhar_uma lista e comparar com o nimero da casa, tira um giz e dese- nha na porta da casa em frente uma enorme cruz vermelha. Alguém quer abfir a porta do interior, 0 policial o ameaga com revolver e diz’: "& proibido sain". Ele torna_a fechar a porta. Veremos 0 homem reaparecer pela jancla e o policial abater o hoi que catra no interior da casa, como um fantoche Todas estas Gltimas agoes, comegando pela mulher que grita, se pas sam depois que o dono da cusa apareceu no paleo. Estas (ltimas cenas ocorrem simultaneamente, com outras ainds tals ter: vez, com a cena que se desenrola no i da_cas! © dono da casa olha os criados que est3o vaporizando para desin. © local z 0 DONO DA CASA : Purifiquem, purifiquem, desinfetem! Aqui, estaremos protegidos. Quem est& com os perfumes que purificam? ‘ PRIMEITRO CRIADO : Sou eu, patio. © DONO DA CASA : Quem estA com o éleo que impede o mal ? SEGUNDO CRIADO : Eu, patiao. © DONO DA CASA Nado esquega de untar uma sO junta. Depressa, Nao basta, faportzar. Eo piagaz = oa pés? (Para uma das duas mulheres): Esfregué tudo. Eo benjoim, 6 colofénie, os inseticidas,o enxofre? . PRIMEIRO CRIADO ; Pronto. Estado aqui. Estamos esfregando. Ele esfre, © SEGUNDO cRIADO :YaquilEsta,o enxofre; Estamos esfregando. Ele esfrega. © DONO DA CASA, para a segunda eriada : Traga-me o almoso. ram bem, untaram bem os méveis? PRIMEIRO CRIADO : Sim senhor, Com o produto que o senhor mandou. © DONO DA CASA, para a segunda criads que esté sainde : Para tocar nos pratos, use as luvas brancas. (Para a primeira criada): Qucime in- censo. Perto da porta, perto da janela, nos cantos. A.criada obedece enquanto os outros continua a esfregar ea Gesinfetar o assoalho, as paredes,ete. A segunda criada leva usa ban- deja com comida para o dono da casa, que vai instalar-se em sua cadei- ra_de bracos © DONO DA CASA, instalando-se e cheirando a comida :Ainda ostou sentinde chrige de peixe. Amivestusestindwioielve ae taucactvebad avaaran Gael te remddies ? £ preciso pr mais. A gente tem que se aiicsntar e é nepijes Mas no se pore s Se PRIMETRO CRiAbe : Se nao fizesse este calor, a epidemia seria menos virulenta, SEGUNDO CRIADO : Teve também as chuvas quentes. PRIMEIRA CRIADA : Quando tiver a neve e o gelo,a deenga vai desapare— Patede, : : SEGUNDA CRIADA iY ja nao tocam mais os sinos para os mortos. £ que cer. tem demais. N30 da mais tempo. PRIMEINO CRIADO : £ para trangililizar a populagdo- : PORGEAUA CRIADA : Wee nd mais Eingiros, Tréa quartds worbecad dy _ doenga, BONO DA CASA : Afastem-se. Voc&s véo me sufocar. A distancia giénica. Vocés fecharam bem as portas? Fecharam bem as janelas ? Eles se afastam do dono da casa. SEGUNDO CRIADO : N3o se poderia enfiar nem uma agulna embaixo da jorta. © DONO DA CASA : Nem um fio deve poder passar! SEGUNDA CRIADA : Tudo esta fechado. 0 DONO DA CASA : Temos trigo e arroz, peixe e carne seca; temos fru- tas secas, temos avelas. E estamos protegidos contra os ratos. (Para lo primeiro criado): Ser4 preciso controlar o telnado. Que o vento nao tire uma s6 telha. Bem entendido, ninguém entra nem sai. Nos estamos ao abrigo, Nao olhem pela janela. A simples visao do mal j& pode con- ttaminar. (Ele leva & boca um pedago de comida) Tomem muito cuidado. Estou sentinde uma corrente de ar. & o vente que carrépa os germes do mal. Nao ha fissuras. Pode haver. Podem se formar. Os ven- eos eo ar forgam os muros e as paredes, querem fura-los. Sejam vi gilantes. Tapem todos os buracos com cera que vocés devein trazer sem- pre consigo. Vao, olhem, inspecionem. Vao, vao. dois criados e a primeira criada olham por toda a parte ingem, na wma grande agi fiea perto do dono da casa e ine serve a comida. Durante este tempo, vé-se pela grande janela um homem de pre- to_que passa segurando uma bandeira preta, seguido por uma car roga puxada por cavalos pretos, um cocheiro vestido de preto , um_caixo na carroga. * Atras, um guarda com sua alabarda segue o caixdo. Ele toca_uma _trombeta e para de tocar de vez em quando para gri tar :"Afastem-se!" Conforme as facilidades ou dificuldades da ma~ quinaria, pode-se nio usar a carroga ec; neste caso, haveria dois honens de preto carregando o ‘caixao. “@4dono da casa fabaBeémendocom precaucdo e olhando e cheirando abaseonense aes. ETMP. BIGLIOTEGA R. 20 de Abril, 14- RJ bem a comida ; assim hd certos pedagodjhiie cle recolseatam to depois de cheirar sem tocar. i : rf © DONO DA CASA : Tapem tudo. Ha também fend’ que se formam por f tom geste mesmas e por onde pode entrar o ar pitrido. Vabbrizem tamb: nham medo de vaporizar também a comida, azah se elal rwim. Vaporizen porque o vento mau pode entrar pdr feitigaria = gos muros espessos. 0 espirito mau nem cewle respeita muros € paredes. £ invisivel e para ele nao ha matéria. ¥/ FRIMEIRO CRIADO : Se 0 senhor pensa nele, ele 0 DONO DA CASA, gritando : Pensem que ele nao ndo entral As paredes devem ser estanqucs mas 0 céagao deve ser permeavel. Se vocés nfo quiserem, 7 al nfo entraml nesta casa. ! nos tocara. Has continuem desinfetando a casa, Continue verificar se ha fendas ou fissuras. Se nada dilata, Hao ha mais universo fora de nds. Nés somos impenet*Mveis. £ 0 que poptetesatzan-a Noe maencs } sends: coscenmuninrotesemin7! vanponaant PRINEIRO E SEGUNDO CRIADO, penetraveis. © DONO DA CASA, para a primeira criada : Diga.Vocé thmbémt PRIPeTRA cnrena + Fi ge ay me nace poems tana 0 DONO DA.CASA, para a segunda c voce? SEGUNDA CRIADA : 0 mal n&o pode nos atingir. OS QUATRO CRIADOS, juntos : 0 mal nao pode chegar % © DONO DA CASA : Eu sou impenctravel. Eu sou intocavé1. . suede et © dono dacasa cai de reste no chao depois deMerrubar bande ja _com-a comida. Os eriados flcam assustados, precipitan-se para {nto dete A primeira criada, depois de levantar a mo do patra, a dei cairde novo: | é iakie é PRIMEIRA CRIADA : As palmas'das maosYéstGo ficando \ictas. 22 PRIHEIRO CRIADO, levantando pelos cabclos a cabega do ates * olhosyéstao vermelhos! O rosto esta azul! Os SEGUNDA CRIADA : Ele derrubou tudo! Quebrou os pratos! :1%0 tenho ou- tros! SEGUNDO CRIADO, para o primeiro : So os sinais do mal. PRINEIRA CRIADA : Sdo os sinais do mal. Apaverados, os criados abandonam o corpo e se pres @ porta. Abrem a porta ipitam para UH POLICIAL, com © fusil na mio : Vocés nao podem sair de uma casa onde hd a doenga. Se tentarem, eu atiro. Ele aponta, os eriados recuam, a norta se fecha ruidosamente por fora, O criados se precipitam em direcao A janela pars (Ca esta > i lads(outropolicial armado. Os criades recuam. Per— tcatar gue br cebe-se que eles tém medo uns dos outro. De fora, enquanto os quatro eriados, cada um num canto do quarto, caem de joelhos, pe ados_baten- tes escuros cobrem as vidracas. As trevas invade MO paleo. FIM DA CENA i —. —— Personagens ALEXANDRE, JACQUES ENILE, KATIA © MEDICO, A ENFERMEIRA Acena representa um quarto numa clinica. Janela no fundo, As pare- si Pagcana porta & Tires bac? des & direita e A esquerda sho envidragudaé ja Eoquerda Alexandre na cema, Trés ou quatro cadeiras. Alexandre tem uns sessenta anos. Katia mito mais moca. fnile ¢ Jacques sio un pouco mais mogos que Alexan- are Ac _levanvar o pano, estSo ro palco Alexandre, Katia, fmile e Jacm gues que acaban de chegar. ALEXANDRE, para Jacques e fmile : Sentem-se. As cadeiras nao sao muito confertaveis. EMILE, para Alexandre ; Faz quase vinte anos que néo vejo voce. A- gora vocé esta doente. ALEXANDRE : Ainda n&o «s.cu morto. MLE: Lu sei. viv8 esté iravatins + visseran-me, OS preparando uma qbra importante. JACQUES : Eu 1i fragmentos. EstA excelente. EMILE : Que briga estépida! ALEKARDRE : Um mal-entendido. 5 EMILE : Um mal-entendido, como voc€ diz. Isso me privou de sua ami- zade por tanto tempo. Mas, j4 que o estou reencontrando... KATIA : Era f4ci1 encontré-lo. Vucé deveria ter tentado. SUILE, para Katia :€verdadsAlexandre também poderia ter dado um passo em minha diregao. KATIA Vocé no dogo Javagg, Qu desejava, sim. EMILE, para Katia : Voc8 é francesa, normanda. Por que tem esse nome russo? ALEXANDRE : 0 nome € francés, o diminutivo é russe. Foi ela mesma que escolheu, Ela gostava muito de Tchekhov. EMILE ridiculo. Pode-se perdoar quase tudo, mas nao se pode per- doar a alguém que tenha idéias diferentes das nosies.quem pensa dife- rente é um inimigo. JACQUES, para Emile : £ porque vocé nao tem a vocacdo da amizade. A amizade é mais forte que as ideologias. Vocé mesmo mudou, adotou ou~ tras idéias. Quem nao muda? (eontinuacd EMILE : Para mim, um amigo é aquele que pensa como eu. ParaYmen a- migo,tzmqu: mudar de idéias ‘ao mesuo tengo que eu. Estou brincando um Pouco. Mas no. fundo é verdade. (Para Alexandre): Eu tinha vindo para fa~ yar, para tentar ver com vocé, me explicar, explicar, entender um pou- co qual é a razZo secreta desse desentendimento, porque, depois de mu-. Har de idéias, vocé mudou de nove e vocé tem as mesmas idéias que ecu, na cerca de dez anos, e no entanto continuamos a nao nos ver, KATIA, para Emile : Nao canse a cabega. E sobretudo nao o eanse, a le. © médico no quer que ele se canse,. Aiids, hesitou muito antes de ermitir sua visita. ALEXANDRE : Falemos de outra.coisa. Eu estou contente em ver voc’. Wo falemos de nada. EMILE : Assim mesmo h& uma coincidéncia curiosa. Nés brigamos no dia eguinte, depois de eu receber aquele prémio literario. KATIA : Alexandre esta acima disso. * ALEXANDRE : & absurdo! NILE : & evidente. Alexandre nao é invejoso. Talvez ele esteja sim- esmente em desacordo ideolégico com os membros do jiri que, sem ie- ©, certanente! ihe atribuiriam esse prémio, Ele.o merecia mais do que _talvez.e1@ pensass“que eu renunciaria KATIA : Sem divida. Ele nfo aceitaria. ALEXANDRE : io § desagradavel passar varios meses ‘numa clinica. vo Seneca) ¢/ dif{etl. Depots, = gente) zs habi tua. Eu vivolaua minde enten f1e0, 0 barulhe e o furor do mundo sé me chegam muito edulcorados, a- brandados. T9s0.ndo assusta mais, ou melnor, nic inconcdh meie: EMILE 1 Antes de entrarmos, nos regaram con um liquide desinsetante. JACQUES : Multa gente esta morréndo neste momento. EMILE : Mais do que de costume. Horre-se muito na rua. Eles se Vetem, so MROUNS. dessa 6 dPbvdta, ox mitieves alain paris a pois morrem, JACQUES : £ uma moda. ALEXANDRE : Eu sei, estou a par. JACQUES,” para Alexandre : Enfim, vocd est& melhor, -néo é7 Vosd com una cara Stima. ALEXANDRE, para Jacques : Voc8 também, embora circule 0 dia to- do pelas ruas da cidade. ENTue, para Katia : Su ne pergunto se-a culpa nfo 6 um pouco sua eNcdel eadgiacvar Miaeahany Si ryagee yee ee tinha ido visita-la se piausne Mpabtenthine. doe Jawtencé 2, na nomyarea; a repente . Foi, sim, eu lio desagrado no seu rosto. HADIAY © Gund me euuee- EMILE : Pois fo1, fot sim. JACQUES, para Emile : Vooé deve ter interpretado mal. ALEXANDRE, para Emile : Vooé deu muita importéncia. A gente sempre aa muita importancia, z GUILE 1 No entanto, foi a partir desse momento que houve em sua ati- tude para comigo uma modificagio muito nitida. JACQUES, para fnile ; N&o o canse. Esta acabado, nao 6? EMILE : Parece-me que 6 mais a Katia que estou cansando. ALEXANDRE : Desde entéo, fizemoe muita coisa, mas fizemos apressada- te. Era preciso apressar-se. i LAs EMILE : Era precise dizer as coisas no momento em que as pessoas ain- da estavam em condigs:s de ouvir o que diziamos. Agora n&o escutariam mais. Tém outras preocupacées. Para comegar, ha todas essas mortes. ALEXANDRE, para Emile : Voed tem razdo. Pracisamos dizer lugs aquile que temos para dizer . Assim, podemes ter um lugar na histéria da expres- ace) (paca dizer s&o. S& temos uma finica palavrat Ela sera enterrada com 0s milhdes de outras palavras, mas antes teré sido ouvida. se « pante nio se apressa, a palavra nfo é mais compreensivel, ela perde sua signifi- cade, est ultrapassacd. JACQUES : De tempoS em tempos descobrem-se obras que se ressuscitam, Entra o médico, seguido pela enfermeira. © MEDICO, depois du se aproximar de Alexandre com a en.cemeira : 0 senhor est& se sentindo melhor ? : ALEXANDRE : Ainda Sinto aquela dor. Menos forte. KATIA, para Alexandre : Vocd disse que nao estava sofrendo mais. 0 MBpICcO, para a enfermeira Dé-1he a injegao. + Enquanto_a enfermeira d4 a injegio, 0 médico se volta para Jacques ¢ fmile. 9 Névivo : ¥iquem scntadcs. Jonho muito trabalho neste mil pessoas morreram hoje, na rua, do mesmo mal. JACQUES : Individualmente ? © WEDICO : HA uns que mortem individualmente, outros morrem em paco- tes de dez ou doze. A ciéncia est4 impotente. és nZo sabemos o que é. £ uma estranha epidemia. Nao ha sinais préoursores. Nao podemos tratar ninguém, E as autépsias nao dio nada. A ENFERMEIRA, para Alexandre : N&o machuqued muito? ALEXANDRE : Agora estou me sentindo muito bem. Nunca me senti tao bem. KATIA, para Alexandre : Voo$ que geralmente 6 t&o dengoso. © MEDICO : Alias, eu tenho que ae Anuneiaram-me a chegada de to- 2; at : - autépsias. cal a dia. : WYohbedeeRfi dh gifts a : sme assim F JACQUES, ao médico :(@ senhor espera conde a explicar hater cota apenen 7 0 néprco : sera realmente uma doenga ? ALEXANDRE : Heus amigos! ‘meus amigos! KATIA : 0 que é que vocé tem? ERDE 4.9 que fol que ste dines ¥ JACQUES : Ele disse "Neus amigoa". ‘ A ENFERMEIRA, para o médico : Nao va ombora. Olne, e18ftem os olhos revirades, ALEXANDRE : Heus amigos! Ele se_tinha Sentado na cama, Torna a cair. A ENFERHEIRA : Desmaiou. Q médico se aproxima © MEDICO : Estd morte - KATIA : Impossivel, Hag &. 0 que 6 que cu you fazer sem ele. EMILE : E eu n@o consegui falar com ele. Tarde demais! JACQUES : Suas Gltimas palavras foram : "Meus amigos!" 0 uéprco + N&o senhora, e¢ nio morreu da doenga que tinha vindo cu sie F541 a injee EMILE : Por que ele disse : "Meus amigos"? O que queria dizer con 50? Ele tinha sentado na‘cama, queria nos dizer algo importante. 0 MEDICO, para a enfermeira ; Feche-ihe os_olhos. Chame o servi, cadaver vai ser levado para o necrotério. . FIM DA CENA . Encontro na rua PRIMEIRO BURGUES E SEGUNDO BURGUES Os dois burgueses entram no palco simultancamente, um pela esquer- da, © outro pela direita. * ape Fei PRIMEIRO DURGUES : Oh! Vocé aqui? VocS nado morreu? se ‘ PEGUNDO BURGUES! «ABO. sou. um Fantasma: As vezes fico; espantado de = Mas, n&o eLiur morto. fo’ fato que nao estou. Lu existo, ainda existo. PRIMEIRO BURGUES : Vocé continua morando no 212 distrito? O que é a gue vocé esta procurantaqui? Disseram-nes que seu dairro fo. o mais atingido pela doenga. Mais ainda que o 25* distrite. Henos que ° 27%, Eu tinha pedido que.se estabelecesse uma fronteira, uma barrei- ‘wa paba Umpadin ae pesacaa| Hoss Paiaccs insalubres de penetrar e ir se réfugiar nos distritos menos atingidos, sopretude o meu, © pri- metro. Como péde se insinyar? Eu mesmo fiz estabelecér aste regula- wonte, aprovado pela matoria dos vereadores, g SEGUNDO BURGUBS : Eu n&o estou Ihe prejudicando, em nada. PRINEIRO BURGUES : Est& sim, e eu vou, neste instante, avisar a polfeia. 2) SEGUNDO HURCUBS/ jy JEU} vim|para\d sel bainro pata @. bere “aetoradne: Estou encarregado da alimentagdo..sou eu que me ocupo do abasteci- mento das compotas desde que as frutas cruas foram proibidas. Aqui est4 meu salvo-conduto e meu mandado de missio. PRIMEIRO BURGUES : Vou olhar seus passes de longe; e sua familia? SEGUNDO BURGUES : Alguns-ainda est@o vivos, outros Parentes ja L vtaathsrt merceram. iy ‘ * =PRIMELRO = +\Gomo "puderam delegar um habitante do 21° distri- Titi to para o abastecimento da cidade? Afaste-se. Fale comigo a trés metros de distancia, ou melhor a cinco metros, para que os seus micrébios nfo pov sam me atingir. SEGUNDO bURGUES sua famflia ? PRIMEINO BURGUES : Em minha casa ninguém morreu nem ficou doente. Retam, Case, duvidoso:foi ‘assinaiaus nas doze casas’ae/ nina Sem SEGUNDO BURGUES ; Ninguém pode saver o que pode nos acontec nha. PRIMEINO BURGUES : Nada vai Acontecer, nem a mim nem a minha fami- lia. N&o,ndo, nao se aproxime, Vocé vem de um lugar muito insalup e. SEGUNDO BUNGUES : Vocé me parece muito trangiiilo. De onde vem esta Sua tranqiilidade, ¢ esta curiosa alegria nestes momentos em que a catastrofe se assanha, dizima a cidade? : PRIMEIRO BURGUES : Nada demais. A pessoa 1€ estado doentes, os moribundos ¢ os mortos s&o, ou foram, imprudentes. £ s6 nao se mis— turar com a multidao. & s8\n3o se aproximar dos doentes. £ sé afas- pau ee bomaleu) Papo nude todoweadtalec ques Cote voc’, sem ainda tarem doentes, tocaram doentes. & s mplesmente nao ter mas compa - bhias. SEGUNDO FuncUBsS : E se vocé fosse © auc faria 2 MUNG RENNES | Medivh, ammieiin. tse. sha W duckigs yt bo 6,dinhaire de minhas rendas. Deixo para os outros as profissdes imprudentes. Esou a salvo, nao toquei em nenhum corpo doente. Fee gave BURCURS) < "vooel, (utter, eante Hagnge acvuscuwaiae tae pe~ Be WBA fon subedn. Evens Ne, Soherttey aritcaen,” o. seles por voed. Mas; nao fique muito feliz, mou amigo, 6 quase impoesivel saber quem esté com boa saiide, quem nio esta. a gente vé peasoas chelas de vida, phgeipando) Gtimal sada gtcosas 3 rosadas; cue \aaqielaisessis/ Cote vdo mortas, Meet TRO,DURGUES, : Se elypude cacapar até hoje, escaparei- também de hoje em diante, Eu nao sou um egofsta, quando ndo me pedem demais. Aude de boa vontade, em tempos normais. Nas circunstaneias excepeio- nais em que vivemos, temos o direito eo dever de sermos prudentes e Gesconfiados. Temos o direito e 0 dever de ser, provisoriamgnte, ego- {stas nos momentos grav: -. SEGUNDO BURGUES : Isto é defens4vel, & uma moral como outra PRINEIRO BURGUES : Eu estou a salvo. Tenno faro. Nunca estive em companhia de pessoas apresentando qualquer perigo, no tenvivo nemYGs médicos nemyaé enfermeiras, evito os coveiros, sé compro mi- nha comida em casas de primeira categoria. £ melhor gastar-um pouco mais do que se sentir ameagado. Afinal, minha vida vale a dos outros. SEGUNDO BURGUES : Vocé foi visto anteontem no restatirante "A Perua recheada". Por acaso vocé nao estava sentado 4 mesa numa das salas desse estabelecimento, jantando com o se. or Daniel ? PRIMEIRO BURGUES : E da{? Esse senhor & um amigo com queteu conver sava de nejécios. Ele 6 bonito e gordo, toma as mesmas precauges que eu, Naquela saleta particular nfo tinha ninguém que pudesse nos transmitir a doenca. SEGUNDO ®URGUES : Ah, tudo bem. Pr: (RO BURGUES : Por que vocé diz bem"? an, vedo SEGUNDO BURGUES : Eu digo “ah, tudo vem" porque digo “ah, tudo bem", Eu disse “ah, tudo bem" .? No se aproxime de mim. PRIMEINO BURGUES : Voc8 n&o vai me dizer... SEGUNDO BURGUES : N&o tenho nada a dizer. PRIMEIRO BURGUES : Diga-me o que quer dizer quando vocé diz que nao tem nada a dizer., No se aproxime de mim! No me faga repetir. SEGUNDO BURGUES PRINEIRO BURGUES : Esse ‘senhor, esse amigo,com quem eu estava jan— tando, esta doente? ralegeaes doente? Paap cs a ses doente. Ndo est mais doente, ie ee ih 3 Ficou bom t&o depressa? BESRESRESEETL SEGUNDO BURGUES ': Também nao. Esta morto. PRIHEIRO BURGUES : Talvez tenha morrido de um ataque. Ou tenha si- do vitima de um acidente. Ele caiu? Foi assassinado? Seng MunGUEE 1 Gebvecs, quetfeabor’a vandalley: eleliecrce wacdaeel ca. PRINELHOADURGUES |: ‘ental jeu tambon vou. moneeee SECUNUD BUAGUES | | Eiatterceiralven que au lite digoNnao é uma boa razdo paraYse aproximar de mim. Se der um passo a mais,eu saco minha pistola. PRIMEIRO BURGUES : Entdo, eu estou morto! como se eu estivesse morto. Ando ser um milagre, é Passa ume .afermeira. Passa ume ofermeira. PRIMEIRO BuReUfs : Enferineiral Venha ca! Estou com medo de estar contaminado. Ele abre 0 paleté, desabotoa a camisa. Ele abre 0 paleto, desabotoa a canisa A ENFERHEIRA, examinando 0 peito do primeiro burgués : an, tarde de- mais, tarde demais, n@e adianta mais nenhum remédio. se _afasta dele. PRINEIRO BURGUES, foge pela csquerda gritando : Eu sou um homem morto! Eu sou um homem morto! O segundo burgués persegue o primeiro burgués ¢ atira contra ele, A enfermeira corre atraés do segundo burgués que corre tras do primeiro burgués e prita : A ENFERHEIRA : 0 senhor também é um homem morto! E eu, sou lher morta! Gena da prisao Personagens PRIMEIRO PRESO, SEGUNDO PRESO CARCERE£RO PRIMEIRO PRESO : Duas b. um pouco e pronto. lenvas @stao cerradas. Agora’ ¢ 66 empurrar sNes9 Podemosvevadir pela lucarna, SEGUNDO PRESO PRINEIRO PRESO + Para cair na vala. tem agua. Voc? ja sabia. E vocd sabe nadar, Se eu te garan— ninutos a gente cheg to que em cinco m aa terra firme, fe s0l.Depois tem os jardins e depois as ruas e depoi Padarias e os acougues, Ho gra oheio ©s botequins e as frutas, SEGUNDO PRESO : Cuidado. Esconde a lixa, o carcereiro esta chegan- do. Olha o carcereiro, Entra _o carcerein Entra o carcereiro. © CARCEREINO : As portas estio abeotas pave vod aa fog Porta pela qual acabo de entrar e todas a S outras por: fechadas. ‘tas no estado Eu sei que vocés querem Passar pela lucarna, eu sei que vocés est&o com uma lixa. N&o vale mais a pena vocés tere balho. Temos como guarda outro mal, PRIMEIRO PRESO tanto tra- mais perigoso que nés. Fu nfo tenho medo do desenprego. N&o temo nen a agua nem o fogo. © CARCEREIRO : Nao se trata mais disso, PRIMEIRO PRESO : Yoc€ nZo poderd me fazer recuar, Talvez vocé pos— Sa intimidar este homem ( gle mostra o segundo preso), mas no a mim, le sims de-vez em quando */ésitagdes. CARGERETNO-#:..0s guardas quaagistra, Senate UNDO “PRESO : como ae daram vir outros guardas? © CARCEREIRO :,, Mas nés os substituimos. sio guardas invisiveis. PRIHEIRO PRESO “S'estA brincando. O CARCEREIRO : Nao costume brinear, A docnga assola a cidade toda.a as muralhas, até as portas da cidade que, estas sim, esto fechadas Elas so guardadas por soldados . 1e pode morrer de um momento paca outro. Has nem por isso as portas serian reabertas porque existem os guardas fora da cidade que impediriam vooés de sair. PRIMEINO PRESO : A cidade até as muralhas me basta. SEGUNDO PRESO : & mim também, © CARCEREIRO : Os guardas 14 de fora nao tém a doenga, pelo menos ainda nio tém; eles no que~-a pegar a doenga, ¢ por isso no de .a rio vocés sair. Eles tém medo da contaminac’o. Na cidade, quase toce mundo est& contaminado. Os que ainda nao estdo, estarao breve, pro velmente. ; SEGUNDO PRESO : Que doenca? © CARCEREIRO : A doenga que mata. A cpidemia no deixa nenhuma vs- Peranga. As pessoas jazem nas calgadas, no meio da rua, nos aparta mentes fechados. nas igrejas e nos templos. Nao é main pras{vel reco- jnB-1as. weame os cave! res mie rove warreel Jurado que .Zo ficariam doentes. Imaginem, eles que estavan juranen- tados. Com isso, acreditava-se que estivessem imunizados. 0s cles,os gatos, os cavalos, os ratos também jazem ao lado dos cadaveres huma- nos, Desde segunda-feira, foram contados trinta mil novos caddveres, homens, mulheres, animais. Duas vezes mais que a semana passada,trés vezes mais que a, semana anterior. SEGUNDO PRESO : NAo é possivel. PRINEIRO PRESO : Voo$ estA mentindo, vocé esta querendo me assus- tar. £ isso mesmo, deve ser uma mentira da administragao. SESEEESLEOELE © GARCEREIRO : Vao ver. E breve vocés nao vao ver nem ouvir mais Voe8s,nao vao sentir mais nada. 0. diretor da prisio morreu Porque seiu; porque saia todas as noites para ver a mulher @ os fi- Thos. Foi contaminado pela fam{lia, morreu cercado de seus caros cadaveres. Heus colegas também morreram pelo mesmo motivo. Ontem, um pondeveeiu do ponta, {nicfal cheio’ dai paasdaerrodi Hehre ras todos du- Han ae. Reneursc! Contaran-se_ oi tentaca-soteumort sa aattn ite @ cito com o motorneiro, na chegada ao ponto final. SEGUNDO PRESO : A gente nao 6 obrigad a viajar de bonde. ae are, 08 petesbsce naelentacinata pestdniase ‘oar esasyin ou'es agonizantes cacnVen suas cabegag]das janelas) Eu sou solteiro, nao tenho relagdes,, nunca saio da cadeia. Na cadeia, n3o ha perigo. Olhem como os muros sdo espessos. Nada pode pasrir, Nem mesmo os mi- crébios. Aqui, vocés esto presos, & claro, mas nio correm perigo. Years Nedeniaa (constucrerisaag/c/ealvonv al yentadeiey tote esta 14 fora. Eseolham : a prisio ou a morte 7 PRIMETRO PRESO : Wao € verdade. io podc ser ve © CARCEREIRO : Satan ent&o, se quiserem. PRINEZRO PRESO : £ uma armadilna. Sheginsmo, gles ee eu estou cizendo para yocautaue Geiamea ta aberta, Experimentem! Repite : tudas r im. shertas, Ele sai. SEGUNDO PRESO, para o primeiro : 0.que é que vocé pretende fazer? PRINEIRO PRESO : & um mentiroso, & um espertalhio. estat SEGUNDO PRESO : Ele naoYmentindo. PRIMEIRO PRESO : 0 que & que vocé sabe? Vocé tem provas? SEGUNDO PRESO riam, vi no meu pesadelo montanhas de mortos. Erammontées tao al— Eu'sonhei 8 noite passada que as pessoas. mor tes aue ultrapaesavan os prédios de seis andares. Voed esta vendo, ele deixou mesmo a porta aberta. PRINEINO, PRESO : £ porque yoe® nao tem coragem parsivradir. ood 35 SEGUNDO PRESO : A porta esté aberta, olna. PRIHEIRO PRESO : Voc& nao vai me dizer que acredita em sonhos. SEGUNDO PRESO : A verdade est& nos sonhos. Aquilo que nio ousamos ceneeber de dia, os sonhos, durante @ noite, o revelan. | PRIMEIRO PRESO : A gente se arruma com os sonhos. 0 sonhovSostra © que vocd tem medo de fazer. £ un Alibi false. £ para des- culpar tua covardia SEGUNDO PRESO : Se a porta esta aberta ¢ porque nao ha mais neces- sidace guurdas. Eu prefiro aca_ir meus dias na cadeia, bem tarde. PRIMEIRO PRESO Eu vouembora sozinho. Mas desconfio dos guardas que devem vigiar as outras portas. Ele nos mentiu. Ha certamente ie das, bem vivinhos,com boa saiide. N7. se pode confiar nos carce- reiros. Eu tenho que sair. Neu partido politico precisa de mim. Eu tenho uma missao, tenho deveres para com 035 outros. Viva a liberda- de. Voeé pode me seguir se quiser. Eu vou sair pela janela; descon- fio das portas. Adeus. Ele & visto pulando pela janela, depois ¢e arrancar as duas barra: jue_joga no chao. SEGUNDO PRESO, otha, la lucarna ira longe. VOZ DO PRINEIRO PRESO : Os ratos estado me mordendo. 0 corpo todo me d6i. N&o posso mais nadar.. Estou afundando. Socorro! SEGUNDO PRESO, desce’ do banguinho, fala de. frente para a plat@la: © cadaver dele, todo inchado, j& esta flutuando na Agua. © CARCEREIRO, voltando Voc® est& vendo que eu disse a verdade. SEGUNDO PRESO i Eu sempre acreditei. (0 carcereiro saca a pistola: Q segundo preso, apavorado): Eu sempre acreditei. Eu sempre acred tei em voc8. Repito que eu sempre acreditei em voc3. voc no vai me matar! 2 Olearcereirovatira contra o preso que Cai. Depois, sem moti- vo _aparente, tira do bolso uma corda com um no corredico c se enforea. Q monge negro atravessa o palco, constata gue o pulso do preso nfo estd patendo mais, depois verifica a solidez da corda do enforcado e sai. FIM DA CENA Personagens JACQUES, EMILE PIERRE PIERRE, entra pela esquerda, os dois outros entram pela direita Como vai? JACQUES : Como vai EMILE : Como vai? PIERRE : Eu andei tudo enxaquecas. Agora estou*muito melhor, pro- vavelmente, porque fiquei muito impressions’2 com os contecimentos, vocés est@o a par? £MILE : Que acontecimentos 7 JACQUES : Que acontecimentos? Vocé est& querendo falar de PIERRE : A docnga, Na cidade. A epidemia do os. bairros pobre EMILE : £ sé nos buirros pobres que ela c i nos estamos a salv ies bairros poores, vocés compreende.., 7% oran- a JACQUES : A falta de higiene... Ge =) 0a vistas a pobrenas JACQUES : Pois é, ha também a pobreza, a miséria, é suja a miséria. Eurue A pobreza é um vicio. Eles siio pobres porque accitan Ser_ Febres, destrogos. Eles se deixam levar, a embriaguez, a preguiga. Vo- cés sabem, a miséria 6 a née de todos os vicios. JACQUES : Também se pode dizer que o vicio é 0 pai de todas as mi- sérias. PIERRE : Vocés acham que isso nao pode chegar até nés? JACQUES, para A sabe que Alexandre merreu. PIERRE : Como, quando, por que? Ele estava melhor. Estava conva- lescente. EMILE : Ele morreu. Has no da epidemia. A epidemia nao entra nos hospitais. JACQUES : Talvez nos hospitais dos bairros pobres. E ainda assim.., Afinal de contas, sd os nossos médicos, os médicos dos bairros no- bres que sio os chefes dosses nospitais e que estio vigiando... E- les nlo permitiriam/A epidemta _entrasse. PIERRE : De que foi que ele morreu? JACQUES : Fol bastante inesperado, mas, em todo caso, nao foi da e- pidemia. Nao apresentava os sinais. EMILE : Morreu porque quis morrer. JACQUES : Ele fe’ de propésito. furu Para se oferecerwmoespetaculo. Comediante até o fim. JACQUES : Ele estava convalescendo de uma doenga, umaconvalescenga que acabou mal. Qe canines 206 beedens PIEPER 3. hot r{vel, eu quem a gente precisa; para substituislos, & preciso muito tempo, e¢ muita sorte. Quando minha mulher souber. SUILE, para Pierre : Sua dor de cabeca esta recomegando? te pate JACQUES : £ 0 choque. Euréntendo, Vood esfet tom meie can- sado. E a ee Uficande a oe ficande EMILE : Vocé est&Ypalido. Nao, vocé nao estaYpalido, sua cor voltou. PIERRE : Eu nao estou mais com enxaqueca,nem um pouco. & pres so ir adiante. A vida é isto : morrér. De qualquer maneira, eu me sinto me- hor, muito melhor. (Ele cai). ENILE : 0 que & que ele tem? WJACQUES : O que é que ele tem? EMILE : Vamos, meu caro amigo, levante-se, acorde. JACQUES : Uma parada cardfaca, MILE : Talvez sé esteja desmaiado. JACQUES : Nao, estA morto, EWILE : 0 que foi que deu nele. Ele estava se sentindo melhor FIM DA CENA UH PASSANTE, para seu companhetro :Quando sad da casa de meus ami~ eles goséram dois. Eu fui buscar o jornal e voltei. Su. pois bem, abro a porta e vejo onze’ caddveres astendides ne chic. A COMPANIEIRO ¢ Bonde earen pare we inl tipl lee ata P OURASSANTE D.C) que senia pronto aves; ofque € pretties Al our ha olan é tsto : eles se miltiplicaram en vida ou depoie? Su tito nse; iwag ae Guu an winds minutes, © COHPANHEIRO : Talvez pela maquina. FIM DA CENA ~ = ~e 2 oe “ oe we < ate ae we = “ “ ® es 2 s ~ e = = Ps 2 2 palco esta dividide om duas partes eas duas cenas seguintes, A 2B, vao ser representadas simu} taneanente, Ha parte A esquerda do piblicoj nh uma _janela no fundo, uma porta & esquerda do piblico, uma cama direita, encostada na parcde real ou imaginaria que separa as duas partes do palco. Na outra parte do palco, inualmente, uma cama encostada na parece uma_jJanela no fundo, uma porta a dire. uma_Janela no fundo, uma porta a dire. Hid igualmente uma cadeira em cada uma das duas partes. CENA A CENA B Esta cena se passa do lado es- Esta cena se passa do lado di- querdo _do_pibiico. Ouve-se reito do piblico. ouve-se batering (porta. Antes disso,viu- baton na porta. antescdieed vane s¢_a primeira mulher, Jeanne,le~ Se_a mulher desta cena, Lucie vantar-secom difreuldadeda cadei- levantar-sewmdficuldade da ra, visivelmente tomada de in- deira; ela se precipita para guietago.Fla se precipita para brir_a porta. Entra um homen_, abrir a porta.Entra un homem_, Pierre. JEANIE : Como € que vocé fez? LUCIENNE: Como é que ‘voc re JEAN : Eu me insinuei de noi- PIERRE: Eu me insinuei de noi- te entre as sentinelas que guar- te entre as sentinelas que guar- dam a cidade. las portas, na a- dam a cidade. Nas. portas, na a~ venida, por pouco nio fut sur— venida, por pouce nao fui sur- preendido varias vezes pelas preendido varias vezes pelas patrulhas. patrulhas. JEANNE : Voc8 estaria . mais LUCIENWE: Vocé estaria mais protegido 14 no campo. Mas eu " protegido 14 no campo. Mas cu estou feliz de te ver. Ja nao estou feliz de te ver. JA nao esperava mais. Queria que vocé nflo estivesse aqui e gosto que vocé esteja aqui. JEAN : Pois aqui estou. As eriancas ficaram, com teus pais. Nao temas nada por eles. Estdo contentes. JEANNE : 0 que serA de nés? JEAN : Sé Deus sabe, talvez. Voc conhece o monge que esta- va diante da entrada da nossa “casa? Serd que JEAWUE :Xjsto vai passar, vo- ce cha? JEAN : Talvez. Sera preciso nfo sair quase. 0 siléncio que est na ru. Na esquina, tem u- ma loja aberta. Vou buscar provisées. INDICAGOES CEBNICAS : as fa gena A até o momento em que, garemos o momento. _ Assin, Jean "Eu me insinuei" ete. JEANNE ; No tenha pressa, meu querido. Vem pra junto de pmim. (Ela pega a’ m&o dele.Eles mais para o final, isso vai quando Jeanne diz:"Como é gue vo Sua vez para Pierre: "Gono é que vood fea" meu querido.Vem esperava mais. Queria que vocé no estivesse aqui e gosto que voc’ esteja aqui. PIERRE : Pois aqui estou. as eriangas ficaram,com teus pais. Nao temas nada por eles.Estao contentes LUCIENNE: © que sera de nés? PIERRE : S6 Deus sabe, talvez. Voc& conhece o monge que esta— va diante da entrada da nossa vasa ? , Seed que LUCIERNE iYisto vai passar,vo- e@ acha ? PIERRE : Talvez. Sera preciso néo sais quase. 0 silaneio que estAna rua. Na esquina, tem u- ma loja aberta. Vew buscar 2 provisées, da_cena B se alternam com as d. alternan com as da mudar. Indi- 8 02", etenhe’ gig gar , depois a fala2, a de é seguida pela de Pierre: "Eu me insinuci" gte., ¢ assim por diante, até o momento indicado. LUCIENNE: Nao tenha pressa, pfa junto de mim.(Ela pega a mao dele.tles sentam na eama lado a lado.Ele passa _o braco no ombro dela.) Como estava o tempo? JEAN : Fresco e bom. Tem o mar e 0 vento do mar que puri— ficam tudo. Vocé esta tao agi-~ tada, JEANNE : Aqui tem feito um calor horrivel. Miasmas... JEAN : Vocé esta com muito medo. E preciso nao ter medo. Estamos juntos, nao 6? Pode ser que nao nos acontega nada de mal. JEANNE : 0 pessoal do térreo morreu, Levaram os cadaveres, Os do andar de cima fugiram. Para onde, nZo se sabe. JEAN : Eles devem estar va~ gando pelas ruas. Devem pedir a@ identdade deles. Vao trazé- le: de veita, Gu interna-los. JEANNE : 0 que fizemos, nés todos, para que seja assim? JEAN : Nada, Nae fizemos na- da. £ assim por nada. Nao tem motivo. Se, pelo menos, fosse uma punigao. JEANNE : Talvez seja uma pu- nigto. JEAN ; Claro, Se fosse uma sentam na‘cama lado passa o brago no ombro del Como estava o tempo? PIERRE : Fresco e bom. Tem o mar e 0 vento do mar que pu ficam tudo. Vocé esta tao agi- tada. LUCTENNE calor horrivel. Hiasmas. PIERRE : Vocé esta com muito medo. £ preciso nao ter medo. Estamos juntos, nao é? Pode ser que ndo nos acontega.nada de mal. IENNE nesseal do térreo morreu. Levaram os cadaveres. Os do andar de cima fugiram. Para onde, PLERRRE : & gando pelas a identicms dos so volta. Uu inverna-los. LUCIENNE : 0 que fizemos, nds todos, para que seja assim ? PIERRE : Nada. Nao fizemos na. da. £ assim por nada. Wao tem motivo. Se, pelo menos, fosse uma punigdo. LUCIENHE : Talvez seja uma pu- algo. PIERRE : Claro. Se fosse uma SARS RRA r: 3 i 4 V4 3 REVS EEF ER RR RRR RR RRR punigde, estarfamos mais tran- qlilos, Has ndo houve nada.Nao fizemos nada. 0 mal é sem causa. JEANNE : NOs éramos felizes. JEAN : E nao sabiamos. JEANNE : N&o posso deixar de ter medo. (Pausa. Ela _se_levan— ta.) Se voeé nao viesse, eu fi- carta louca. JEAN : Seja boazinna agora. Figue calna, JEANNE : Wao. Eu nao pf o.so ficar aqui. Vamos sair um pouco. JEAN ; Descansa um pouguinho. Est@ muito palida, JEANNE :'Eu estou palida? JEAN ; N&o é nada, é nervoso. Deita um minutinno. (Ele_a aju- gaa deitar.) Pronto, assim. £a ectou juntinze de voce. ne dA a mao. Tua mo est quente e tmida. JEANNE: Estou com dor de ca~ bega. WEAN ©) voc quer queveuichne a janela? ; JEANNE : Quem sabe o que pode vir da rua? Come JEAN : Voc€ queria sairly¥tua testa est& queimandol (Desa; jtando~lhe a roupa) Meu Deus! punigao, estariamos mais tran- gililos. Mas nao houve nada.ilZo fizemos nada.O mal é sem causa, LUCLENNE : Nés éramos felizes. PIERRE : E nao sabfamos. LUCIEHNE : Na@o posso de 2 2 ter medo. Pausa. Ele levan, PIERRE : Se eu nao viesse, fica- ria louco. LUCIENNE : Vocé pode ficar calmo agora. PIERRE : Nao. Eu n&v pesso fi- car aqui.Vamos sair um pouco, LUCIENNE : Descansa um pougui- nho. Esta muito palido. PIERRE’: Eu estou pAlido? LUCIENNE: No é nada, é nervose. Deita um minztinne uetta). Peoritu, assim. Du aston rhe de vocé. He d& a mao. Tua mao es t& quente e dmida, PIERRE : Estou con dor de cabeca LUCIENNE : Voc quer que cu abra a janela? PIERRE : Quem sabe o que pode vir da rua? LUCIENNE : Has voc queria sair, meu queridos tas para a janela, a_cabega grisalha e os ombros curvados de uma mulher idosa que grita de terror na direg&o de um persohagem que se vera apare- cer num instante. QUARTA HULHER : Por favor, pelo amor de Deus, nao! Na _terceira Jancla, vé-se o velno aproxina o revélver da cabeg Na primeira Janela, a primetra t)or salecs aa: te, com 0 cabelo despenteado e:os bragos para o céu. fa segunda janela, desaparecimento do jovem e da segunda mu- lher, aparecimento da terceira, iher, sparecimento da terceira, TERCEIRA HULHER : Oxigénio, talvez se possa reanima-lo. Depressa! Socorro! : QUARTA HULHER, sempre de costas para a janela : Socorro! PRINEIRA MULHER : Socorro} SEGUNDA MULHER, que reaparece na janela enquanto a terceira desapa~ rece : Socorro! Reaparccimento do jovem. Sborro |e hebeimedieise: de ae Na torceira janela, vé-se 0 velho que agora segura o revéi- ver contra a cabega. © VELHO : Una sociedade de imbecis! Una cidade de cretinos! Vé-se aparecer na quarta jancla, perto da mulher idosa, una enfermeira que se diripe pata ela, com as mios amoa como para estranguld-la. A ENFERNEIRA : Bruxa! QUARTA HULHER, tentando se soltar : No quero! Secorro! PRIKEIRA HULHER, na primeira janela, SEGUNDA e TERCEIRA HULHER, QUARTA HULHER : Socorro! Socorro! 0 JOVEN : Ajudem meu pail A guinta janela se ilumir um _terceiro home de pi jama,com ar de quem esta saindo da cama. TERCEIRO ‘HOMEM : No se pode mais dormir! Calem-se! A ENFERNEIRA : Para vocé acabou-se. Terei seu dinheiro. QUARTA HULHER : Era destinado aos pobres. PRIMEIRA HULHER : Socorro! SFSUNDA E TERCEIRA MULHER : Socorro! A ENFEWUUARA, para a quarta mulh Nentirosa! Bruxal Ela se dirige para a quarta mulher que d4 um grito. Ela se dirige para a quarta mulher que da um grito TERCEINO HOMEM, na quinta janela : siléncio! Pensem também nos::ou- tros! @ jovem desaparece de novo da segunda _janela, um instante. A ENFERHEIRA, precipitando-se contra a quarta mulher : Empestada! PRIMEIRA € SEGUNDA HULHER : Escutem-nos! Ougam-nos! A enfermeira aperta a sarganta da quarta mulher. QUARTA HULHER : NSG%o! (Ela 44 um grito terrivel ¢ cai.) © JOVEH, reaparecendo na segunda janela e segurando as duas mulhe- res pelos ombros : Nosso pai morreu, © TERCETRO HOKEH, na quinta janela : £u,trabalho amannd de mannii Chegam dois policiais, cada um com uma pistola automética. PRIHEIRO POLICIAL Ninguém mais sai desta casa, ou eu atiro. Ele aponta a arm: TERCEIRO HOMEM, na_quinta janela : Siléncio! SEGUNDO POLICIAL : Nao sairao nem vivos nem mortos! A quarta mulher cai_gritando no interior da casa © VELHO : Imbecill Ele atira e cai pela _janela na rua. PRINEIRA, MULHER A morte! Ela se atira pela janela e cai na rua SEGUUDA © TERCEIRA HULHER e JOVEM : Socorro! TERCEINO HOHEM, tapando os ouvidos : Siléncio, meus ouvidos estZo estourando! Pru IRY POLICIAL, ao scgundo, mostran na rua : Assim mesmo eles conseguiram sair! SEGUIDO POLICIAL, enquanto as trés outras pe © tenceiro homem pedé siléncio : & Basta de histérias! oas pedem socorro e f melhor ir acabar com os outros INDICAGO: CENICAS : a segunda mulher, a terceira mulher eo Jovem podem continuar a agitar-se na sua janela, mas podem também sem razSo, aparecer cada un numa das trés primeiras janelas, agitando os bragos como fantoches. sempre DA: CENA INDICAGOES CEWICAS : esta cena constituil a continuagdo da cena pre cedente, sem baixar o pano. Entran_um oficial e is dois policiais. © OFICIAL, ao primeiro e ao segundo pots: ouviren gritos ¢ tires na casa, seguidos de um siléncio; os dois poli giais sacin da casa recolocando suas pistolas no estojo : 0 relato. PR: NEIRO POLICIAL : Senhor oficial, nés fizemos o que era preciso. fi woVas ja SEGUNDO POLICIAL : Conforme as ordens recebidas. (Apontan elas.) Que Deus tenha piedade de suas almas. © LHICIAL, a dois outros policiais que acabam de entrar : Vocés substituem 6s outros guardas. EstA amanhecendo. Vocés serio substi- tuldos ao meio-dia. Voc@s yelam e vigiam. As instrugées so as. mes- mas. Ninguéis deve entrar nas casas infestad S$ que vocés estao vigian- do. Hem sair delas. Em casos excepcionais, e com a autorizagao do Chefe de Polfcia, algumas pessoas poderio p rar nestas casas, mas n3o deverdo mais sair. Toda infragao sera punida coma morte. Vocés atiram & queima-roupa nat. pessoas que tentarem infringir esta ici de egencia, Sera dgualmente punide con 'a murce ayuele de voois que nao souber impedir as pessoas de sair das casas. Vocés dio bebida e coni- da aos habitantes fechadés-nas casas quando cles pedem, vocds entre- abrer! a porta e jogam alimentos e bebidas no vestibulo. Depois,vocds tornan a trancar as portas e no deixam o seu posto sob ne- nhum pretexto. Eles ficam em posigao de sentido. Q oficial, voltando-se para os dois primeiros guardas + Inspecao. OQ primeiro e o segundo policial mostram suas maos, desabotoam a gola de seus ddimas. 0 oficial oina com atengio as aos, 0 rosto eo peito de cada um de seus homens. Depois de examinar 9 segundo policial, exclama : Os sinais © segundo policial quer fugir.Os outros o cercam, querem fa- zé-1o entrar numa casa que tem uma cruz vermelha na porta. segundo policial ainda tenta fugi=. 0s tr8s outros guardas o matam. © OFICIAL : Eu mando vir imediatamente outro guarda. Vou chamar os carroceiros dos mortos para que o carreguem, Nao encostem nele. Quem foi que transpassou este homem? 0 primeiro policial avanga. PRIHEIRO POLICIAL : Fui eu. © terceiro policial avanga, TERCEINO POLICIAL : Fui eu. © OFICIAL : Joguem fora as facas que tocaram nele. Vocés vao ter ou- tras. (Iostrando os outros cadaveres estendidos no paleo): A ca ro. ga levara também tudo isto. FIM DA CENA : Cenas na rua Do lado direito do palco, numa tribuna, um politico discursa pa: amultidio, isto é trés atores e, por cima da cabeca dos atores, o piblico da platéia, No fundo, uma loja de chavéus emi fecgdes ¢ enfeites. © ORADOR : Heus caros ‘concidadaos, eu os convoquei para falar-lhes sobre o futuro da nossa cidade, Eu infring! as ordena que se opunhen @ esta reunido piblica e vocés vieram em grande numero nas barbas de nossos dirigentes atuais. Querem nos encerrar em nossas habitagées e @unossa angisti.. Sob o pretexto de wma doenga que giassa entre nés, @ todos os pret82to8 BES *6Sis-GarR REGELS HE REL SR BBL on imSbilizem nos impede de agir, nos paralisam, nos possuem, nos destroem. A do- enga mata tanto nas casas quanto por fora, Mais nas casas, onde o ar est& fechado, e 6 no ar fechado que a docnga se desenvolve melhor Ao es © mal tem menos poder. Em todo caso, nao t. ais poder, maypolitica de estarmos enclausurades, m4 para nos, mas 6 uma tatica siabélica para nossos dirigentes. Eles wierem impe: nos de wos revo1é tas reivindicagSes, querem impedir-nos de nos agrupar, eles nos iso- lam para tornar-nos impotentes e para’que o mal nos ataque, Pergunto se esta doenga que qualificam como misteriosa nao € uma in- vengao deles. E por que a chamam de misteriosa? £ para esconder.the a8 cousas, a razies profundas. ls estamos aqui justanonte para desmistificar este mistério. quem é que tem interesseVaue esta doen ga continue? 1és7 N&o podenos ser nés, pots nés morremos dela. Esta morte é politica. Nos fazemos o jogo de nossos opressores dos quais somos o joguete. Yocds conhecen as estatisticag? conto ¢ noventa mil desde que o mul grastete, cidadios morreram sem causa aparente, nestes ditinol Senses) Gente © ata mil, talvez mesmo duzentos mil nesta hora, j& que nossas es-_ tatisticas datam de anteontem, isto é quase um quarto da populagao. De quarenta a sessenta mil, segundo nossas estimativas, jazem nos mais hospitals, agonizam, pois sd0yajudados a morrer do que a sobre- viver; mais sessenta mil jazem em suas casas com as pompas fanebres ew alerta na porta. Se as pompas fGnebres esto en estado de alerta, quem foi que as levou a isto? Nossos dirigentes. Lege & porque eles estdo esperando, previram, quem sabe prepararam. Duzentos mil mortos, cem mil doentes ou moribundos, isto significa quase um terco da populagao j4 suprimido. Quantos vereadores nés temos? Um conselho de vinte e uma pessoas. Destas vinte e uma pessoas, quatro nao est&o dentro dos muros de nossa cidade; estavam de férias quando Sur gi © male sé fecharam as > rtas, clas nao puderam entrar, dizem-nos. Nés néo somos tao tolos. Sabende-0 gueia acontecew, elas se puseram a salvo. Quatro, vereadores em vinte e um, dA mais oumenos um quinto 4: nimero total. Vocés me dire que havia também cidadiios co- muns fora da cidade, de férias. Com efeito, nA gente fora da cidade, mas apenas um vigésimo da populagao total. Ndo se podia impedir a todos de selv. Teria sido inabil. Mas o fato de qu: um quinto dos ve- reacorns estejufera e apenas um vagesimo “55 adminis! arsva as maneira luminosa até que ponto isto foi maquiavelicamente tramado. Dos dezessete vereadores em atividade na cidade, sé trés morreram. Proporcionalmente, ¢ um numero infimo em relagao a porcentagem de mortos na cidade, E, desses trés vereadores mortos, um era favoravel ds nossas reivindicagées legitimas, era inimigo do Presidente da Ca- mara ‘dos Vereadores e amigo do povo; os dois outros eram personagens nr indecisos, partidarios do Presidente da Camara mas partiddrios nao muito convencides nem muito seguros. Vocés objetarao que esses trés vereadores nao foram realmente assassinados por ordem dos outros ve— readores. E evidente. No.entanto, mesmo admitindo esta objecgao, eu Ae vocls Benign chano’ a atengacypare ogee nllo sdo as causas da morte des~ “oh LAA A ooh ol Soe WATE ses trés vereadores que devemos considerar, néo as causas racionais, mas 0 que esta claro, é a significado do fato de que os trés mor- tos eran adversarios atuais ou eventuais do regime. Se é por aca igualmente que os quatro vereadores se encontravam de férias, e nao & absolutamente certo, como ou Ines dizia ainda n& pouco, que es! vessen de férias por acaso, este fate é inualnente devide ao acaso objetivo. Has ainda nos restan catorze administrado- res vivos e administrando. Se isto continuar no mesmo ritmo, eles re- presentardo um décimo da popuiagdo-total da nossa cidade; facil de ser governada essa cidade com um efetivo tio reduzido. Os que nao ti- eles ; i ve em morrido estariam nas maosY, com pds ¢ maos atados. PRINEIRO PERSOWAGEM, do- .rés : Ninguém é culpa- do se temos a doenca. © ORADOR : Nio estou afirmande isto cem por cento, Porém, mais u- ma vez, no sdo as causas, é # significagiio da doenga que temos que levar em consideracde. Quem tira proveito de todas estas mortes? precjso procurar quem tira proveito. SEGUNDO PERSONAGEM : Ninguém tira proveito, JA que os bens dos tos sao queimados. cos, sera que eles desaparecem com os mortos? TERCEINO PERSONAGEM :. Eles pertencem aos herdeiros. Ou entdo ac herdeiros dos herdeiros ou aos herdeires dos herdeiros dos nerdsiros. © ORADOR : Basta uma lei para que isto pertenga aos sobreviventes, que certamente, meus caros’ concidadaos, nao seremos nés que estamos aqui, } seriam os privilegiados que o a- caso objetivo tiver escolhido, mas que j4 estdo previstos por nossos infames dirigentes. PRINEIRO PERSONAGEM ; Fagamos algo! SEGUIDO PERSONAGEH : 0 que fazer? 60 © ORADOR « A revolta. A agdo. A violgneia. Lele terss = recimento do mal, mas prometo qicYuma sipnificagio Eu niio prometo o desapa~ diferente. Hatemos os coveiros que enterram os cadaveres e os escondem a fim de que nfo se esclarega.a verdade, ¢ que mantém o mistério e a mistiri- cago. A cumplicidade deles com o poder é evidente, pois sho pa- gos pelo trabalho que fazem. PRINEIRO PERSONAGEH : Huitos deles morrem também. © ORADOR : Azar o deles. So os lacaios do regime. Apossemo-nos primeire da Prefeitura e dos vereadores. SEGUNDO PERSOMAGEN : Hurral SEGUNDO E TERCEIRO PERSONAGEN : Huito bem! O ORADOR : Sigam-me. PRIHEIRO, SEGUNDO © TERCEIRO PERSOWAGEH : Vamos com ele! Para a Prefeitural! 0 ORADOR : E se encontrarmos coveiros, vamos abat@ los! (0 orador Sesce da tribuna enquanto os trés outros personagens dizem:" Horram 08 veroadores, morram os coveiros!") Sigam-me! Q orador, de brago ersuido, sai corrends téc_personagens 0 se jue depois de um segundo reaparecei. : PRIMEIRO PERSONAGEH : Ele caiu. SEGUNDO PERSONAGEM : Ele caiu morto. TERCEIRO PERSONAGEM : Acabaram com ele, os bandidos! PRIMEIRO PERSONAGEM : um martir.da nossa justa causa, vitima do acaso objetivo. SEGUNDO PERSONAGEM : Acabaram com ele. TERCEIRO PERSOWAGEM : Acabaram com ele. Eles fogem. Atravessam 0 palco. Desaparecem correndo pela esquerdage kno: ~ iM DA CENA Do lado esquerde do palco, numa tribuna, outro polltico discursa para a multidio, isto é 0 piblico; em volta dele trés _personagens SEGUNDO ORADOR ; Neus caros concidad%os, minhas caras concidad. Na angistia que nos aflige, é preciso pensar no iuturo. Ho apenas no futuro, mas também no presente. f preciso pensar nos sobreviven- tes. Os sobreviventes n&o sao forgosamente os outros. Os sobreviven- tes podemos ser nés mesmos. Cada un de nés 8 um sobrevivente possi vel. Senhoras e Senhores, eu os convoquei e vocés vieram despreza: as ordens da Municipalidade. N&o é po-que alguns de nés morrem que devemos ficar de bragos cruzados. Mesmo que a maioria morresse, seriamos ainda mules para construir um mundo, um m jo nove © reino dog céus deve ser realizado na terra; aqui mesmo nds podemos fazer, se nado um grande, um perfeito prraiso, pele menos um peque: paraiso com o menor niimero possivel de imperfeigées. Eu prameto a vo c€s,a justica social, na liberdade. 16s ndo.queremes subverter instituigdes estabelecidas, pois — conhe arretar. Has n chun podes lo mens o§a grande parte das coisas. llés va inuir os imp Quanto mais se morre nésta cidade, mais se pagam impostos. Nés paga- mos pelos mortos. Isto néio § juste.Para onde vai o dinheiro? Para os ieebreves qiiatsy cereals Tunctondrios munieipdis, los mals numerosdsy bem razetsde oo covesros. Se hA coveiros entre vocés, estes continua- réo a ser pagos, se votarem em mim, No somento nés pagaremos muito menos impostos, mas elevaremos os saidrios dos trabalhadores e diminuiremos os encargos que pesam sobre os pequenos comerciantes. Os grandes empresérios n&o podem mais conservar em bom estado de fun. cionamento suas empresas, levide a um énus fiscal excessivo. zs- tes também, do mesmo modo que os trabalhadores, os pequenos, gran- des e médios comerciantes, assim como os coveiros, serao aliviados de uma parte de seus encargos. Logo apés o fim-da epidemia, te+ remos todos que correr para as urnas, pois nés queremos agir dentro da legalidade. PRINEIRO PERSONAGEH : E os aposentados? SEGUNDO ORADOR : Eles serdo favorecido SEGUNDO PERSONAGEH : E os professores? SEGUNDO ORADOR : Eles serfo favorecidos. TERCEIRO PERSONAGENM : E os agricultores? SEGUNDO ORADOR : Uma vez que h& poucos terrenos cultivaveis dentro da nossa cidade, poderemos facilmente e sem fristrar as outras cate_ gorias sociais, atender as necessidades de uma populagio agricola re- Suzie a ecuue! = doaner.quetnosleriige radus, inteltancnte cudavee ques © que, num certo sentido, é uma chance para todos aqueles que, entre os agricultores, vac sobreviver, Alias, meus caros concidad3os, os Sobreviventes de todas as catezo- tas ‘sociais se keneficiario considcravelmente con a diminuigéo deno- grafica. N&o pretendo todavia que esta seja dese javel. Has, que ¢ ereciso ace!t4-15 par nec det¢, vances Licap «ace Be © bem de todo mundo. Pois eu prometo a vocés a felicidade na pros ridade, numa sociedade de consumo melhorada e que -terd as vantagens da pobreza sem’ ter seus inconvenientes. A felicidade ao alcance de todos, : PRIMEIRO PERSOUAGEH : Huito bem! SEGUIIDO PERSONAGEH : Has como conciliar as contradigées? SEGUNDO ORADOR,: Que contradigées? SEGUNDO, PERSONAGEN, com ar de se retratar : Certas contradigées... como conciliar os trabalhadores e os empresarios e o comércio ao mes~ mo tempo? TERCEIRO PERSONAGEH, para o\ segundo : Cada un deve contribuir cox hee % SEGUNDO ORADOR + Eu tenho um plano. Em doze pontos. PRIHEIRO PERSOWAGEH, para _o segundo : Reaciondrio! Fascista! SEGUNDO ORADOR : Mas vocés nfo’ enxergam em que ambiente psicoldgico est&o vivendo! com os vereadores que temos! Eles sé pensam na morte como enterrar as pessoas, como queimar seus objetos de uso pessoal a fim de impedir a propagago daquilo que talvez seja, talvez nio seja uma epidemia, Nossos dirigentes so uns obcceados pr) sores uns neu réticos obsessivos. Eles' constituem, todos eles, um regiine morbide e decadente. TERCEIRO PERSONAGE! : Abaixe © regime mérbido e decadente PRINEIRO PERSONAGEM : Abaixo os obcecados pela morte! (Para o segun do_personagem): Vocé,nao fala nada, vocé nao esta de acordo? LE clare que) SEGUNDO PENSONAGEN fTESt6u de aconle.Abaixo os obcecadas. SEGUNDO ORADUR : Segundo as nossas estatisti S$ vereadores morreram, Mais dois estio doentes. Como ter confianga em d igentes que do semelhante exemplo para seus administrados? Cu prometo a vocés governantes tio sadios quanto possivel ¢ imortuis no limite da condigéo humana, Eu prometo a voc8s a felicidade Pela direita entram dois poli: > Ay) upamentos SEGUNDO POLICIAL : Dispersem-se! Afaste SEGUNDO ORADOR-: Dispersemo-nos, meus filhos, dispersemo-nos em or- dem; nds venceremos, mas venceremos na legalidade. (0 da tribuna, Para os policiais ): Nés nos retiramos a contragosto, Eu vou retribuir isto quando nés estivermos no poder, Saibam que nés nao que: remos um governo que toma providéneias para a morte sem pensar nas providéncias a serem tomadas para a vida. (0 orador vai indo digname te, seguido pelos trés personagons. Para os trés personagens): Sigan- me! : i © orador ¢ os trés personagens saem pela esquerda lentamente, ‘ caminhando para. tras ¢ ‘cantando. © ORADOR e 0S TRES PERSONAGENS, no Narselhesa" 5 UNI-RIO S 64 petontraceasaery ee seats Quando os presentes nao estiverem mais. Eles saem PRIHEINO POLICIAL : Afastem-sel! SEGUNDO POLICIAL, apontando para a platéia : Dois mortos! Ble titubeia. 0 outro pélicial o segura. PRIMEIRO POLICIAL ; Ele esta doente. Tem os sinais. Ambulancia! Ambulaneia! Ele sai pela esquerda, sustentando o segundo policial. Nos bastidores, ouve us, misturada com a cant nagens VOZ DO POLIGIAL : Ambulancia! Ambulancia! dos outrs perse~ © monge negro atravessa lentamente o paleo. PIM DA CENA ‘ sala de reunies. Una mesa grande no meio de paleo. £ uma revni go corpo médico da cidade. 114 trés homens ¢ trés mulheres. PRINEIRO HEDICO : Nossa cigncia ¢ impotente. SEGUNDO HEDICO : Impotente nestes casos e impotente hoje. Nav se- r& mais impotente amanha. TERCETRO WEDICO : Dizer que a cigncia @ impotente leva ao mis ticismo, condenado pela lei. Ou entao para o agnosticismo, © que & reprovado pelo corpo médico, pelos quimicos, os fisicos, os biologoss assim como pela administ-agdo e as comissées de higiene. quanro uéDICO : NZo fol o misticismo quo cobriu as ruas de cadéve- res, de dezenas 9g milhares de cadaveres. 2 (Ne - quiuro niptco™syEanbém no fot a ciéncia, Eles morrere que ndo seguiram os preceitos da higicne. SEGUNDO HEDICO : O ensino médico nas faculdades, bel como 0 de‘ higiene ¢ pré-medico popular é mal concebide. Em certes ba mesmo inexistente. A Administragio da cidade deve ser processada como os chefes de repartigao. TERCEIRO WEDICO : £ preciso julgalos, condena-los A morte. PRINEIRO HEDICO + Para muitos deles, nado é mais necessario. quanzo HEDICO : Nao é por causa da ignordncia que se morre. sExt0 UEDICO : Sera que voc’ & partidario do misticismo? Hor sim, por ignorancia. SEGUNDO HEDICO: Se os’ preceites da medicina fossem seguidos clenciosamente, de cabo a rabo, ninguém morreria. TERCEIRO Nédico : Teoricamente, sd morrem as pessoas que rel. sua vigilancia e morrem sem saber, sem dar-se conta, ou entao mor— | ou entdo os condenados & morte % QUARTO MEDICO : Também se morre em tempo de paz. Também se morre sem querer. £ por isso que muitas pessoas, as pessoas bem educadas, morrem pedindo desculpas. Quinto HfpICco : Horre-se quando se quer morrer. Has este “querer” é complexo. SEXTO MEDICO : Horre-se quando, conscientemente ou nao, se aceita a morte. £ 0 ser que cede, que desiste. Os bravos e os que lutam pe- la liberdade e a livre determinagao de si mesmos nao devem ceder. PRINEIRO HEDICO : Ndo se pode n3o ceder. SEGUNDO HMEDICO : Pode-se e deve-se n&o ceder. TERCEIRO HEDICO’: Se se morre, 6 porque se aceita _ceder as for- gas do mal. A morte 'é a reagdo. Isto nfo deve perturbar as forcas do progresso. QUARTO HEDICO : Hesmo assim, nds somos limitados no tempo. £ uma verdade banal, elementar. Eu lamento que a morte exista, lamento i- gualmente que seja necessdrio tornar a dizé-lo ¢ que vocés tentem re- futar esta verdade. QurIT0 HEDICO + Voe$ merece ser condenade & morte. Assim, ja que vou @ sc conforma com a morte, voc a tera. Um pequeno tribunal, um pe- queno julgameito e pronto. SEXTO UEDICO : 0 impulso coletive nfo teme a morte; ela ndo existe para as pessoas que tém a cabeca sélida, que conhecem bem a doutrina e vao para a frente, sempre para a frente. A morte é a tentagdo da reagao. = PRIHEINO HEDICO : Eu penso como o quarto médico, meu eminente cole- ga. Ho fim da vida ha necessariamente a morte. < SEGUNDO NEDICO™: 0 nosso colega deveria nos dizer o que ele entende por“necessariamente". z TERCEIRO MEDICO : N&o existe necessidade. Ou ent&o,dquando uns ma- gistrados -julgam iiqué.centosiicidaddos sio condendveis, por-crimes Ss ae contra-a hunianidadetie; “Ou entdo, quando o corpo médico julga a Sessidadés de todo mundo e que é preci- z See eee oe , mat oe = a oe oe -@ oo wt 28. we oe oe 2 we 2 so suprimir-vinte, trinta ou quarenta por cento dos cidadaos. Nesse aso, executam-se todos aqueles*e somente aqueles que acreditam na morte por misticismo, ou que nao obedecem As leis da higiene popu- lar ou @ereditam mais na morte que na vida. Nos nado precisamos deles, Pior para eles. Todos QUARTO ‘aos vamos morrer, os todos em sursis. QUINTO MEDICO : Prove-o. SEXTO NEDICO : Ele nunca podera trazer provas. PRIKEIRO NEDICO : Ora, as préprias leis da biologia nos demonstran #880, sem contar a quantidade enorme de cadaveres de pessoas outrora bem-dispostas e' bem-pensantes. SEGUNDO HiEDICO : Todos os que morreram, morreram acidentalmente de velhice, de doenga; o coragdo para, o cérebra para de funcionar. 0 ensino e a praética lhes mostraram bem isso, essa coisa de que mesmo uma crianga esta consciente. Nao se morre quando se estA imbuido de eiéncia, quando se tem na cabeca a teoria e a pratica da doutrina. TERCEIRO MEDICO.: Vocé tem razio de reset Quarto uéDIco : Entio vocés sustentam, senhores e senhoras, que Atenas de alinares de pessoas morrera: por ignordncia, por ma 1 gu Witae np verdate ta douteina, SUNITO UWeDrco\ Pedenos atirnd to Has foray, sanalysie a orepawane da adversa, foram vitinas. £ por causa da propaganda adversa que a nossa ciéncia nao 6 bastante poderosa. sao vitimas, também é culpa delas, Deveriam ter acreditado em nds. Infelizmente, elas tém outra crenca, velna é ultrapassada, SEXTO HEDICO ; mas ‘ainda vi rulenta. Ha pessoas que dizem que toda agdo é inutil, toda Fevolugdo ¢ toda ‘evolugie péis, dizem el s, de qualquer manoira a morte esta no fim. Apartin da fala seguinte, o texto pode ser cantado. Una fal- Prinerno piprco : £ um argunento a ser levado em consideragio. SEGUNDO IEDICO : Ser& que vocés sao-derrotistas? TERCEIRO 1: HCO : Ser que vocés sao reacionarios? Quanto MEDICO : Eu acredito que a morte existe. QUINTO MEDTCO : & uma vergonna. SEXTO HEDICO : Eu jamais morrerei. PRIMEIRO MEDICO : Eu-aposto que sim. AS pessoas que morrem so maus SEGUNDO HEDICO, para o primeiro eldadaos. TERCEIRO NEDICO : Os que morrem ndo estao suficientemente politiza— dos. Seus descendentes deveriam ser punidos. WUARTO MEDICO : A morte é a verdade.ra alienaglo. QUINTO IEDICO : Vocé sé formula lugares-comuns. SEXTO HEDICO : 0 bom senso sé nos traz falsas verdades, Entre o bom senso e a verdade ha um abismo. PRIHEIRO HEDICO : Voc&s n&o querem levar! em Consideragao]a morte} £ ela que nos leva em consideragdo. 11s nao“ podemos impodi1a. SEGUNDO HEDICO : Esta errado, TERCEIRO iEDICO errado. ere GUARZO HEDICO : Gostaria(de dar-ihes razao, estou falando ddleora. Gio, meu coragSo est falhando. (Ele se 1 uta ) Perdao. (Ele ca: QUINTO MEDICO : Ele morreu, sexté uEDICO : No meadmira. PRINETRO néprco + Tanvém ndo me admira. ee SEGUNDO MEDICO : Wao pelas mesmas razSes. TERCEIRO HEDICO : A culpa é dele. foi perque ele quis. Ele es- fa dards am CRlapts| A°HoRtS Yito-s a hepeae 2°G Siectaa QUINTO MEDICO : O mau exemplo é contagioso. SEXTO MEDICO : Aigrande massa dos vivos 6 bastante tola Para se— Mae = guir os maus exemplos, Nés saberemos esclarecé-la. »PRIA re a doenga que @ contagiosa. Desculpem-me. Per- Ss ase dio. (Ele cai c morre.) SEGUNDO IiLDICO : Vocés estZo vendo. TERCEIRO MEDICO : Vocés est&o’ Vendo. QUINTO HEDICO : Vocés esto vendo. SEXTO MEDICO : Vocés est&o vendo. SEGUNDO HEDICO : Ele tem o que merece. TERCEIRO WEDICO : Sua crenga na morte o matou. im do texto cantado. Quito nED1co : Nés vanes provar que a morte no existe para nés. SEXTO HEDICO : Nés que acreditamos na ciéncia e no progresso vamos dar 0 bom exemplo. SEGUNDO .ivICO : Abaixo a morte! TERCEIRO MEDICO : Viva a vidal Qs quatro médicos saem, ouver De_now Quinto KEDICO : N30 cata. (Rufdo_de uma queda.) SEXTO HEDICO : N&o caia. (Rufdo de uma queda.) (Rufdo de uma _qued FIN DA CENA _ ena na tua Ainda se ouve a voz do policial que chama a ambulaneia, quando asa- recen pola direita um velho ¢ uma velha. 0 velho ampara a velha. Eles Sc _dirinon devanarzinho, com bastante dificuldade, para a direita. Vao_sentar num banco A VELA Hoje foi um dia to bonito. olna © pér-do-sol. iio é verdade que bonito? vocé no tala nada. Vocd nao gosta do ecu goul? No gosta do pér-do-sol? Antigamente vocé © VELIIO gostava, Voeé sempre acha que tudo é bonito : a chuva, a neve, o azul, © sol, as ruas, a e~lcada, VELHA : Tudo & bonito. Mesmo os esgotos. VELHO : Pode ser. u A ° AVELIA : Eu fico feliz com tudo o que vejo. © VELIO : Vocé é moga, muito moga. A VELA : Tudo é milagre. Cada instante da, vida me encanta. 0 VELHO : No-infcio, o mundo me tinna mergulhado na estupefagao.Eu tembém olhava :"o que tudo isto2", depois, eu acordava do meu fo; Quem era av?" © fol um nove espanto oliue pare wis ad mundo nao cabia em mim. Esse eu nao cabia em mim : eu nao podia deixar de dizé-lo, cl grita-lo. Para os,outroSvvessa pergunta é Para quem? Para mim mesmo primeiro, depois solitaria. £ a si mesmo que @ gente faz a pergunta. Uma soliddo absoluta que interroga o uni’ ‘sem figuras. Enfim, depois de "o que é tudo isto?" urso, » depois de "o que é que eu-sou?", "quem sou eu?", veio 6 “por que eu estou aqui cercado por tudo isto?" Esta terceira pergunta j& & mais impura, Ela era me~ nos metafisica, mais pratica, mais histérica, mas j& na estupefagiio i- nicial havia o sentimento da ameaga; este mundo e eu préprio me in- piLsiveac¥s 0: terror. con isso dle conega a nossa vida. Ela é a ieee chm. ondgcig eee & palLaNtnes enquaniS' ofidte a invecrépacko. Depois, a gente nfo se in- terroga mais, @ gente se cansa. Apenas a ameaga subaiste, esta in- quictagiio que réi. 0 mundo se torna habituar Si "*Ageural. $6 res- tam a fadiga, o tédio e o medo que estd sempre presente, o unico que fiom see0r © Uninie, 5 Yat to % wate wiiwere! © pennects. ba nao sei como vocé pdde conservar intacto o milagre. Para mim cada instante @ ao mesmo tempo pesado demais e vazio. Tudo é horr{ Eu me entedo na angistia A VELHA : Como se pode sentir tédio? As arvores sentem tédio? A estrada ndo sente tédio. Os lagos refletem o céu c se unem a ele. © VELHO : Os méveis se entedam. Os muros porejawo tédio. As por- tas estdo tristes. Abertas, elas gritam. Fechadas, elas gemen. A VELHA As plantas desabrocham na luz. Jamais as folhas secam.£u acaricio todos os rostos com meu olhar. 0 VELHO ; Os rostos se fecham em si mesmos. Alias, eu r 8 ejei dos es es olhos. As cabegas sfo pedagos de pau. £ tudo esta preto e sujo. As pedras esto 14, oprimidas sob 0 peso do siténcio, en sua prisio. A VELHA : As pedras também tém rostos. Elas sorricn, elas cuctain 0 VELNO : Tudo esté murcho. Bu estou murcho, Tenho duzentos anos. © tems todo fiquei esperando para viver. Ai, nilo espero mais. ada uais a esperar a uadio naga. A VELHA : A tinica m4goa no meu coragio é a tua tristeza i minha G+ nica ferida, Como podes ndo estar feliz quando eu estou perte de ti. A tua presenga me basta, enquadrada no universo, Digo a mim mesma “que tu existes c te agradego. © VELHO : 1& quanto tempo... H& quanto tempo cA estamos. A VELHA : Desde o primeiro dia, nao mudou, e meu amor se renova. Cada dia é para mim o primeiro dia. Um primeiro dia que cu aceito to~ dos os dias. Eu me contentei com a presenga misteriosa do mundo, o que me cerca, e com a consciéneia de existir. Wo senti a necessidade dgosaber mais. Toda pergunta transpassa o ser, o fere. Toda pergunta questiona,tdde. Perguntar a si mesmo é recusar, mesmo se nao se sade fare 2 rguntar a sii mesmo é nfo ter confianga ou ter om si o vazio. £, sim, @ uma questo de temperamento, desde o nascinento @ gente escolheu a recusa ou a aceitagdo. Se vocd estivesse contente, niio haveria nem una nuvem no meu céu. Eu gritaria minha alegria, eu dansaria; se vocé quisesse, se vocé deixasse, eu te arrebataria para minha felicidade, vocé seria carregado. Dansemos. (Eles continuan a andar com dificuldade.) Cada manha é nova. Com cada aurora o mundo renasce, limpo, virgem, Vocé nao me ama bastante se esta io trissg te. © VELIO : Eu no amo nada. Has te ano. Te amo Ao meu jeito. te ame como cu posso, © melhor possfvel. Tanto quanto posso. con o que me resta de for a. A VELIA : Voc€ nao pode muito, acima da indiferenga. O VELHO :-Posso, sim. Ja que, afinal de con 25, eu preciso de vocé, A VELIA : Eu sé preciso de vocé. E de um pouco de céu, um pouco de luz, uf cantinho de sombra, apenas um pouquinho de calor. © VELIIO : EntAo vocé nao olha a seu redor? Que motivo- podemos ter izes © alcgres? A VELMA : E vocé que n&o sabe ver. ‘ © VELHO : & vocé. AVELHA : Voc ndo enxerga bastante lenge. Ito, niio vanos brigar! 9 VELHO : Como vocd pode aceitar esta angistia? Todo mundo tem medo em torno de nds. Eles estéo paralisados.en sua infelicidade. *, ‘A VELHA : Voc8 sempre teve medo. Mesmo quando nfo havia motive para Uclelagy 3 $ ter medo. Deixa as pessoas com o Med. £ desse medo que devenYeuran. BUC onveio ; £ Varaade cu semira tu! angqustiaa. gece Genet ooas dos outres que me pesa, minha angéstia me basta. Hoje eu a vojo refle- tida nos olnos de todos, ela se multiplica. “A VELIIA : A perna medi um pouico © VELHO ; Vocé esta cansada)?.-< A VELA > Nao 6 nada. He dA o vraco. O VELHO 2 Antiganente, faz muito “tempo, eu lutava contra minha a~ fligdo. Havia em mim fontes de alegria que eu acreditava inesgoté- Vets, fontes de vida. A alegria lutava contra minha angistia. Que élan eu tinha! Que juventude! Que riqueza! Forte era a angistia,sem Svida, mas a vitalidade era ainda wais forte. Quem diria que eu en— velheceria tanto e tao depressa? A medida que eu envelhego, vocé fi- ca mais moga. Para mim um segundo dura um ano, um ano é apenas um A VELHA ; Eu aprendi bem o amor, meu querido. Eu te amo cada vez eae ony aie UmyPOUC Malis \VoGErG to, untoo- dhe vele re) compreendo, @ por isso que eu te amo com uma “.. tao grande, Ate ones O VELHO : (isto ira? Eu estou no mundo ha séculos e’ao m=3- mo tempo h& um instante. Faz tanto tempo, faz tao pouco tempo. o fardo pesa cada vez mais. Tudo ¢ —_sombrio. lever A VELHA : Isto se torna. cada vex mais¢ Poderia ficar mais 1¢: ainda, nada pesaria se nao houvesse teu sofrimento. € meu tnico peso. Relax © VELNO : Nossa condig&o nia & aceitével. Eu nZo posso mais viver ores oifeck, tromcado. By uae cade. Tenho' horror 20 lar. i\. todos og’ 1aros. Enelausuram a gente, Piciaitired a gente. seo query volter pera casa a nbenteney Ga ane vou voltar. chs A VELHA : Se vocé soubesse o que vocé procurava ! Voeé nun- ca soube. Heu amor.Quedor que eu sinto por vocé. Eu te amo. As palavras de amor que cla diz ¢ a revolta que cle exprime 40 pronuneiadas, bem entendido, por vores de velhos, bastante alquebradas O VELHO : Sim, sim, ygaente, se ama, a gente se ama. Ai, também nZo Se) : Poderai viver fora de casa-éu sato 6 para voltar 5% vote é para pie 74 sair. Cada vex que eu parti era 86 para voltar: Os retornos, retor= nos 4 realidade, Eu sempre tenho voltado e voltado a mim mesmo.Sen pre foi assim, las havia pelo menos um vaivém. Agora, ai, minhas de Pernas estado alquebradas, meus bracos «. Voeé nao vai cair! A VELHA, ameaca cair. 0 velho‘a segura : Um desfalecimento. Perdga. me. Go sei o que tenho. Vai passar. © VELHO : Vocd no esta se sentindo bem? Voeé quer repousar? ANELHR } Buho imp panmoW. Rerttinumicd & pasesie. Bu geete dunce de passcar de brago dado com vcd. ee ee W808 Clear nie aantade, mem. dal tad, H+ Bb ph, we peatards ae oank rer. Que fadiga. A VELHA : 0 mundo é suave e profundo. £ bom estar na rua, nas ave— nidas. £ bom estar em casa perto da janela. © VELIO : O universo é uma grande bola de ago, impenetravel. antes cra um prado coberto de flores, flores venenosas, mas assim meamo flores, Eu corria na grama, no meio do trigo, A beira dos rios para agarrar meus sonhos. su se ueve correr, Bev? apenas abaixar-se. para colher. Tudo esta a rosso alcance. N&o se deve tentar agarrar os sonhos. Eles nos agarram. tis mesnos sonoa gome hum sonho, © VELHO : Du perdi minha vida. os A VELHA : Eu a ganharei se eu te ganhar. Por que vocé me resiste tanto, meu querido? Por que n3o sabes pegar? Por que nao ousas? 0 VELHO : Eu acreditava ter nascido para ser livre ¢ triunfante .Wao Ousei sé-lo. Nunca ousei ir até o fim. Nao soube me decidir. A VELHA + Voeé n&o quis realmente, com todo o coragao, © VELHO : da dors Ao fim do fim dos tempos. Por se Bh UNI-RIO sen | Lum insTanle-? uv dus h&o conqui stel ane ae) condWistol (sai astrea hitch aus o universe lnc rejeita? © que © anor. Ainda espero por ti. Seen Combs rohit! |:£ claro, onquanty/a gaiteinioriceey (areve pausa.) Viver, em plena liberdade. agora isto n&o me interessa mais, Era isso que me curaria, A VELHA : Eu vou te ajudar. até as Gltimas forcas. O VELHO ; Isso nao me interessa mais, Eu nao desc jo mais nada. Gostaria simplesmente de no ter que sup. ortar esta arlic&o, este té- dio que me roem, Coie? Wee esta docnte:/meuiquertdo. jiasiewveinas ene esperan~ Gee Bae pig ondeespecc..h(De inepatiaéia. an <2 te mal.) Estou com 2¢_repente ela se ~- te mal. Gor de garganta. Estou com dor de cabega. 0 VELHO Yoo esté querendo’ cair. A VELHA 2 1 io nada. Nao’ se preeenpe. WENO, ‘Seiuirando-a + Yoo esta sen forgas, ulina querida, yoo Se Agen cis em pél gitents F esta me quei ° Zo A VELHA : Dor no ventre. Um fogo OIEUNOs Papoincts enain yee) po A VELHA.: "do tenhes modo. hehe ee to? Stew POR, favors Je vour taucavriun ven) e Coan cui- dar de vocé, A VELHA : Estou sufocando. Segura-me bem. las isto val passar, Jé tive isto. © VELHO : Nunca ela esteve tao mal. Voc nunca esteve doente. teu peuss SUNNeA hos. ; Ela tem os sinais/dagoafica,, cla ten os sinais, A VELHA : Ajude-me. No te afobes. Vamos voltar devagarinho, Eu vou deitar ¢ vocé vai ficar a meu lado. Isto vai passar. Vocé também vai ficar bom, Blavai cair. Blea rotém com dificuldade ma Vat cain. Ele aretém com dificuldade. © VELIO, @ dificuldede amparanuo avelha : uidede amparando a ve querida. Voc? me prone. ficar conigo até » rin dos temp: nao pode me abandonar, vocé prometeu, Vocé n&o deve. Voeé nao deve. Quem pode nos ajudar, se nao Deu: A VELWA : Leva-me, © VELHO : A VELWA : qui. is! Ele nao esta, eu te levo, A casa nao est4 longe, ‘do longo. tas eu vou conseguir. Jf Que vocé esté a- DINELUOLS (Ualimoucn idaiconasen Sire querida, meu amorzinho, ciso que tenhas coragem E pre- pelos dois, cu vou deitar, remos lado a lado, eu nao tenho mais. A VELA + sim, Voo8 se deitard junto ae min. Esta~ Nés £ a feliciaade, vamos ficar bons, longos momentos © VELNO vocé Ainda temos a passar juntos a viver, Hao me abandones, Ha0 abandones. Ho se deve. Eu tenho sheu/auands) voce \icono\ ame Conseccniad A VELHA 6 A gente se compreende... © VELHO: & tarde demais. a noite vai nos engolir, tava. Eu nado s. A alegria 14 es_ soube. Vem, nhatilhinha, ven, ou te ieye para a Sua nolic. A VELHA’; Haverd alguns instantes, Ele sai com ela ela esquerda, quase arrastando a. SERS SESUO ES, Guiace “atravtuniiony 0 VELIiO : Sccorro, meus amigos, meus irmios, Eles saem. : Re canto -do ‘paico, duatro mulheres esta espiando, Ha alguns instantes 4 direita, un grupo de Uma carroga funebre aparece pela esquerda. res fantasiados de cavalos « aco panhada per dois coveiros, A carroca é precedida pelo monge Breto, de Silenciosanente, =Palco. SHVESSSESELSLLILELELLLEEDELDOSOLISIODIOQ TEED PRINEIRO COVEIRO : Upat SEGUNDO COVEIRO : Upa! Adiante, burra! PRIWEINA HULHER ; £ na loja. — PRIMEIRO cove RO : Onde estio os caddveres? SEGUNDA HULIIER : EstZo na loja. TERCEIRA HULHER : Estdo estendidos no balcao. QUARTA HULIER ; Eram muito ricos. PRIMEIRA MULHE! i Beberam @ comeram bastante. SEGUNDA MULIER : Beberam e comeram demais. PRIMEIRO COVEIRO, abrindo a porta da loja :Que neyo! Ele entra. SEGUNDO COVELRO : Eu me encarrego da mulher. Vocé pega o homem. TERCEIRA NULIE N&o eram pessoas simpAticas. QUARTA HULHER : Nao tinham de que se queixar. PRIMEIRA HULHER : Eles nao pensavam nos pobres. SEGUNDA NULHER : Eu ndo vou mais pagar-1hes minha divida, wAs_quat 0 mulheres avangaram até a entrada da loja, TERCEINA HULNER : Eran primos de meu marido. Que alivio! leu wurido QUARTA HULHER : Que aiiviol Os dois coveiros saem da loja, um com a mulher nas cos Outre como homem, Jogam os corpos na carroga. As mulheres re- cuan, aby PRIHEIRO COVEIRO: : ‘faz bem uris dois dias que séio defuntos. SEGUNDO COVEIRO, para as mulheres ; Andem, afastem-se! PRINEIRO COVEIRO ; Afastem-se! Ou eu jogo eles na cara de voeds. AS quatro mulheres fogem para os quatre cantos do placo. ‘ wet PRIMEIRA MULNER, para os coveiros : Fui eu-que avisei. ext ay mx s SEGUNDO COVEIRO ; Nao tem recompensal Afastem-se! PRIHEIRO COVEIRO. En&o se mexam! Bara © seaundo : Ufal Eram gordos ¢ pesados, para o primeiro : Comerciantes cheios da PRIHEIRO COVEIRO : Negoctando com flores, SEGUNDO COVEINO, para o cavalo : upal % SEGUIDO COVEIRO, granal com chapéus. PRINEIRO GOVEIRO : Pega 0 chicote. Acompanhando a carroca, eles saem pela direita, oaipaanco a carroea, eles saem pela direita, PRIHEIRA HULHER : JA se foram. SEGUNDA HULHER : A pilnagem ¢ Proibida. s TERCEINA HULHER : A gente nao liga. As trés primeiras mulneres entrem na loja. meee brineiras mulheres entrem na loja QUARTA HULHER : Estou pouco ligando. A quarta mulher entra na loja. A-quarta mulher entra na Loja, OQnménge rddarece, atravessa o palco no outro a ntide e sai. Aprimeira mulher sai da loja com um enorme chapéu con flores. é Ae PRIMPIRA HULHER : Ha quante tempocéu estava de olhe nele! A segunda wuiner ida loja com roupas nos bracos SEGUNDA HULHER : i Vestides! E um chapéul_ TERCEIRA HULHER, saindo da loja : Jéias, flores artificiais, que colar bonito, QUARTA HULHER, saindo da loja : Chapéus, chapéus, chapéus! Elas tiram suas velhas roupas e s¢ enfarpelam com as roupas $os ehapéus que epanharan. Antes, estavan vesticas de proto, agora i 3 estko 7 Nesten-se com roupas © chapéus multicoloras, riasitae: 0s Sragos car- Fegados. Pegas de roupa caem no chao. Elas brigam. Elas Wafitam. Pies ‘tdi também soutittnhas’e meer eoococ eg ceceLeEREELEDEESESSEEEESELSIEO ET mo virl Ele vai ficar contente! Este colar é meu! Eu Isto nao fica bem em vocé! © vestido verde fica étimo em mim! P nha um espelho! Minhas plumas! Rue mas! ena que ndo se danem tuas plu- de neve, Elas se _vestemY faustosamente S. as plumas pare os quatro antes do palzo Elas disputam pecds. Todas téa chepéus de odes as cores; 0 paleo cst repleto de um ninoro inv simii de en feite PRINEIRA HULHER : Bem Oger: acon SEGUNDA HULHER *: Celes nao so mais TERCEIRA MULHER : Estamos economizando dinheiro! QUARTA HULHER : Nés estamos vestidas co feito para eles. avarentos. mo picas, Entra uma quinta mulner pela esquerda. Quinta 1 LHER, para todas ; Ladras! PRIHEIRA IWULHER : Vai pegande também, o que te importa? QUINTA HULHER : Eram meu tio e minha tia, SECUNDA MULHER : £ do dominio pdviico. Sania eu sou a herdeira legal. meus chaps ninhas roupus. SERCEINA MULHER : Vem pegar| QUINTA HULHER : Vou dar queixa na polici QUARTA HULHER : Eles nos deram autorizagad, QUINTA MULHER : Mentirosa. . Ela se precipita ora contra uma ora contra outra das quatro mulheres, ora ela apanha pecas que cafrad Fla tanbém ae veste Sono oie oonsepue recuperar, Todas gritsnvociteranscisam, Flores ¢ plumas voam em todas as dire. Ses, inumeréveis.Isto ae. ve _produzir un quadro vivo, muito coloride; elas estio todas Keva umas tacadas de sombrinha. ae tatadas de sombrinha. 80 vestidas com as roupas roubadas. A segunda, depois a terceira mulher entram e saen da loja, trazendo outras reusas, outros chapéus, num movimento rapido e langando os objetospara tovos os _lados. FIM DA CENA — a oy = a a ® a ie ® a “ 2 we J a cd Cd ~~ ve =e « "ESETESS Chega pela esquerda do piblico um funcion4rio piblico, seguido pelo resto da companhia que chesa individualm ente dos dois lades, enchendo progressivamente o paleo. Os rec: res enchapeladas. chegados misturan Seco” as mulhe- © FUNCIONARIO PUBLICO, que chega corrende :; Neus caros concidadaos, minhas earas concidadas, escutem-me, concidad&os, concidadis, compa~ nheiros, mous irmios, minhas irmas, escutem-me. Eu devo anunciar-lhes wna grande noticia, Escutem-me, escutem-—me. UH HOWEI: + Escutem! : i UHA HULIIER : Que catdstrofe ele vai nos anunciar ainda? OUTRA HULNER : Ha semanas, h& meses: que a municipalidade s6 promete desgragas. TRECNG ALONE 1 onc a muileiyaazaena) TERCEINA HULHER + Abaixo a municipalidade! QUARTA HULHER, gentando :. Abaixe a municipalidade! PAS AY HULHERES @ OOIS HOMEIS, on sove . Abaixo a municips © FUNGIOUARIO : Escutem! QUART HONE! : Escutemt QUINTA HULHER : A culpa da municipaligade! SEXTA HULHER : Sa0v¥sassinos! © FUNCIONARIO : Escutem 1 Escutem 1 QUINTO HOHEH : Winguém é responsdvel por nossa miséria. CORO DOS HOHENS, cantando : Nao exister responsdveis. © FUNCTOHARIO : Escutem! SEXTO HOHE! : Sdo nossos vicios e nossos pecados que so a causa da NOS somos os responsaveis, 82 CORO DAS NULHERES, cantando : Nés nko somos responsaveis, RIO : Escutem ! A SEXTA, AS © FUNCI INA @ A OITAVA HULK timo eo oitavo h R, apontando para o sexte, o A culpa é sua, a culpa é sua | © SEXT0, 0 SETINO e 0 OITAVO Hor 1, apontando para as mulheres, gantando : A culpa é sua, a culpa é sua | © FUNCIONARIO : Escutem | Escutem | QUINTA NULHER, para o functonério pablico ; llés néo querenos mais escutar vec’, Fim do texto cantado. PRINEIRO HOMEH : Ninguém é cupado. SEGUNDO HOMEH ; Nés ndo fomos punides. Somos vitimas de uma doenga absurda. Isto nao tem nenhuma significagao moral, © FUNCIONARIO : Escutem | (Cantando. : Ora, escutem | PRINEIRA WULHER : A culpa é da administragado. SEXTO HOHEH : A culpa é dos gordos burgueses barrigudos, Eles vi- viam na luxiria, por isso é que nés estamos Pagando agora sua gula. SEXTA MULNER : Seus vicios. PRIMEIRA HULHER E seus pecados, SETINO HOHE : Sua falta de caridade. OITAVO HOMEM : Sua luxdria. SEXTO HOHEM : Seu. ateismo. SEXTA MULIER : A culpa nao é dos ricos, é dés pobres. SETINA MULHER : Eles sao sujos. OITAVA HULHER : £ por causa de sua falta de higiene. PRIMEIRA HULHER.: £ por causa dos bébedos pobres e sujos. © FUNCIONARIO, cantando : Escutem | Escutem 1 CORO Dos. oes hengs’ o* Beancire ¢ segundo homem. Cantando © FUNCIONARTO : Escutem, Pri EIRO HOME! : Vamos, eseuten! © FUNCIONARIO : Bu tenho uma boa noticia para anunciar para voc: © QUINTO, 0 SEXTO, 0 SETIHO, 0 OTTAVO HOHEH e 0 CORO DAS HULHERES A culpa é da municipalidade. Abaixe a municipalidade. SEGUNDO HONEH : Ele vai anunciar uma boa noticia para vocési 0S OUTROS HONENS : Ele vai anunciar uma boa noticia para vocés. PRIMEIRA MULMER : Ele est&@ dizendo que vai nos anunciar uma boa no- ticia. TERCEIRA HULMER : Parece que é uma boa noticia. © FUNCTONARTO : Eseutem 1 CORO DOS HONENS : Escutemos } CORO DAS LULNERES : Escutemos } © FUICIONARIO : Heus caros concidadios, minhas caras concidadas.As nossas estatisticas revelam que a doenga esta recuando. Ela esta re- cuando muito depressa . Esta recuando a galone. havia cinguenta 1 mortos na semana pass: inana. QUARTA HUIIEN ne que SERCEIRO HOWEN : A doenga esta recuando. i na outra semana/ © FuncrONARIO : Wo 15* distritospmavia noventa mil mortos, : = Ca semana passaday aqera né apenas trés, No primeiro distritowhavia oitenta nil ngrtos, esta semana ninguém mais morreu. £, no posse distrito, um empestado curouseiio houve mais mortes. PRIMEIRA HULHER : Néo hd mais mortes. PRINEIRO HOMEI A doenga esta indo embora. SEGUNDO HOMEM : NOs queremos ter | certeza. TERCEIRA HULHER : Certeza. en de vors igao jamais escondeu\a realidade. Nas ho- UNI-RIO sa ras mais cruéis » nés mostramos as estatisticas, Janais (le voces) escondemos’o numero de’ mortos e de moribundos: Fizemos todo o poss{vel para conter a doenga tomando medidas austeras, até meso an- tipopulares. Nao temos nenhum motivo para mentir hoje. QUINTA HULHER : Queremos provas. SEXTO HOMEM : és exigimos provas. © FUNCTOWARIO : A prova esta af. Desde minha chegada, ninguéin nor- Feu. Ninguém mais vai morrer. Dou-lhes minha palavra de honra. PRINEIRO HOMEM : Ele deu sua palavra de honra. SEGUNDO HOR 1: Viva a Administragao! Viva a municipalidade! PRIMEIRA HULHER“: Estamos aliviados. QUINTO HOMEM : Estamos salvos. RCEINO HOMEN : Muito bem! Homens ¢ mulheres item “hurrat Eles continuan a _gritar "hurra", se abragam, a alogria explode. Esta cena de alegria louca deve durar mais ou menos fo. 0 funcionario é carregado om triunfo. Depois, de repente, vé—se he fundo uma luz de incéndio que vai abr: sar_todo o paleo. UMA HULHER : 0 fogol UH HOHEM ha o Fogo! Deixam cairo funcionario piblico que se levanta pr mente UM HOHEM : 0 fogo! UNA HULHER : Fogo! OUTRA HULHER : Fogo! Socorro! Un HOMEM Socorro! UHA HULHER : Vamos fugir! UA. HOWE 0 fogo vem dos bairros ricos! 7 spe bairros pobres! ES! (Ele mostra direita.) UHA MULHER ~: Nao podemos! UN HOHEM : H@o podemos por af, um oceano de chamas! © FUNCIONARIO : Vamos correr por aii Eles se dirigem todos para o lado esquerdo gritando go_ai também" © FUNCIONARIO, mostrando o fundo do paleo ; Por ail OS HONENS, correm para o fundo gritando : Por ait Sorren para o fundo gritando UM HOWEN : Ai também Zo! OUTRO HOMEH : Estamos presos ‘na armadilha. Como ratos. @irigem para p trents do pales, adiats blsun ch "O fo7_| VamosVaiieinar todos, 9 fogo, 0 feo! © monge negro entra gritando pela direita do piiblico, todo 1 © ro-~ a, ningun o vé. Ele se instala, de pé, no meio do paleo, FIM DA PEGA Thadugo de MARCELLA MoRTARA Em frente ao pano aparece um personagem de meia idade, de estature média e, pelas roupas, de classe média. Ele sc dirixe aos espectado- res. ‘0 HOME, com voz forte : Minhas senhoras, meus senhores. (Depois, de repente, cle para, com as mos na barriga, ¢ faz una careta) + Ai, desculpem. Ele est& quase caindo, o pano se abre, dois homens fortes 0 seguran nos bragos. 0 pano_estando aberto, percebe-se uma mesa onde se encontra um cpixde no qual é@ colocado 9 worto. Os dois homens fecha o caixdo e o carrepam DA Lo _da_peya- « 6 é « « 6 « « « « « « « ‘ « ‘ ‘ ‘ ‘ « 16 ‘ ‘ ‘ « « ‘ i ‘ ‘ ‘ ‘ ‘ 4 i es